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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

USP

Programa Interunidades de Pós-Graduação em Energia


PIPGE

(EP/FEA/IEE/IF)

ACIONAMENTO DE MÁQUINAS DE FLUXO POR


MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA A GÁS NATURAL

Antonio Gonçalves de Mello Júnior

São Paulo
2006
ANTONIO GONÇALVES DE MELLO JUNIOR

ACIONAMENTO DE MÁQUINAS DE FLUXO POR


MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA A GÁS NATURAL

Tese apresentada ao Programa Interunidades


de Pós-Graduação em Energia da
Universidade de São Paulo (Escola
Politécnica / Faculdade de Economia e
Administração / Instituto de Eletrotécnica e
Energia / Instituto de Física) para obtenção do
título de Doutor em Energia.

Orientação: Prof. Dr. Murilo Tadeu Werneck


Fagá

São Paulo
2006
AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE
TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO,
PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE .

FICHA CATALOGRÁFICA

Mello Jr., Antonio Gonçalves


Acionamento de máquinas de fluxo por motores de
combustão interna a gás natural /.Antonio Gonçalves de
Mello Junior ;.orientador Murilo Tadeu Werneck Fagá
São Paulo, 2006.
217p. : il.; 30cm.

Tese (Doutorado – Programa Interunidades de


Pós-Graduação em Energia) – EP / FEA / IEE / IF da
Universidade de São Paulo.

1. Gás natural 2.Motor elétrico. 3. Motor de combustão


interna 4. Máquinas de fluxo I.Título.
DEDICATÓRIA

“Dedicado as duas Senhoras que sempre estão


perto, mesmo que um dia estejam distante”
“Dedicado aos meus filhos: Tuca e Keka”
e a lembrança de um amigo das
mais puras brincadeiras
AGRADECIMENTOS

Agradeço em primeiro lugar aos meus pais, Antonio e Edmer, pelo interesse e
companhia de toda uma vida e que não pôde faltar durante a execução deste trabalho, com os
dias de isolamento.
Ao meu orientador, Prof. Murilo Tadeu Werneck Fagá, que mais do que Orientador
foi um verdadeiro amigo e incentivador do meu trabalho.
Aos colegas do IEE, professores e funcionários, pelos anos de convivência, sempre
com renovações, durante esses dez anos.
Aos que colaboraram emprestando alguma contribuição, tantos, que se fosse nomear
cada um precisaria de várias páginas.
A pessoa que me deu a primeira informação para esse trabalho, a Sra. Samantha, da
EMBRAESP, pelo número de edifícios da cidade de S. Paulo.
Ao Eng. Antonio Pereto, gerente de energia da SABESP, pelas informações e
permissão das visitas realizadas em estações de bombeamento e captação da Empresa.
Ao Dr. Eng. Pedro Martins, pelas informações e contatos sobre dados das bombas e
instalações da PETROBRÁS e visitas nos terminais e refinarias.
Aos novos colegas da UFRGS e do Aeromóvel, Paulo Ricardo Podorodeczki e Diego
Abs da Cruz, pelo interesse no trabalho e ajuda com dados sobre motores de combustão e a
fórmula que não encontrava em nenhum lugar.
Aos colegas do Mackenzie, pelo incentivo e ajuda na coleta de alguns dados.
Aos alunos da FAAP e Mackenzie, por realizarem durante quatro semestres
consecutivos, pesquisas sobre utilização de bombas nos diversos tipos de industrias, tendo
visitados mais de trinta indústrias.
Aos Professores Ildo Sauer e Edson Gomes pelas observações e sugestões durante a
qualificação do trabalho, de muita valia, para abrir um novo campo de conhecimento.
Agradeço finalmente a Deus, por mais uma vez permitir que também conseguisse
chegar até aqui.
RESUMO
MELLO JR., A. G. Acionamento de máquinas de fluxo por motores de combustão
interna a gás natural. 217 p. Tese de Doutorado. Programa Interunidades de Pós-Graduação
em Energia da Universidade de São Paulo, S. Paulo, 2006.

O acionamento das máquinas de fluxo, sobretudo as bombas e ventiladores centrífugos, têm


no motor elétrico seu principal meio de força motriz. O motor assíncrono, também
denominado de motor de indução, é o mais utilizado para esse tipo de acionamento. O
presente trabalho mostra as diversas alternativas para avaliar a viabilidade de utilização, em
alguns casos, do motor de combustão interna substituindo o motor elétrico para acionamento
de algumas máquinas de fluxo. As vantagens na utilização do gás natural como energia final,
aliada a evolução tecnológica do motor de combustão interna para uso desse combustível,
podem fornecer boas condições na escolha alternativa de acionamento. Certos fatores, tais
como razão entre o preço do gás natural e o preço da energia elétrica para cada setor de
consumo; o alto investimento para a aquisição do motor de combustão interna a gás natural e
o aproveitamento para cogeração, são levados em consideração nas análises do presente
trabalho. O aproveitamento do rejeito térmico dos gases de combustão do motor e da água de
refrigeração do mesmo contribui favoravelmente para a utilização do motor de combustão
interna a gás natural. A análise econômica, que permite a comparação entre os dois sistemas
de acionamento de cada caso estudado, é também apoiada com a utilização da
termoeconomia.

Palavras chaves: gás natural, motor elétrico, motor de combustão interna, máquinas de fluxo.
ABSTRACT
MELLO JR., A. G. The driving of flow machines by natural gas internal combustion
engines. 217 p. Doctoral Thesis. Programa Interunidades de Pós-Graduação em Energia da
Universidade de São Paulo, S. Paulo, 2006.

The driving of flow machines, above all centrifugal pumps and fans, have in electrical motor
its main resource of driving power. Asynchrony motor, also called induction motor is the
most used for that driving type. The present work shows the several ways for measuring the
viability of the replacement of electric motor, in some cases, by the natural gas internal
combustion engines driving flow machines. The advantages of employing natural gas, allied
to the technological evolution of the internal combustion engine for use of that fuel, can
produce good conditions for that drive alternative. Certain factors, such as the ratio between
the current price of natural gas and the price of the electric power for each consumption
sector; the high investment for the acquisition of natural gas internal combustion engine, as
well as the use of this gas for cogeneration are factors to be considered in the analysis
performed in this work. The reuse of combustion engines exhaust gas and of cooling system
waters may successfully contribute for the choice of natural gas internal combustion engine.
Economical analysis, which provides a comparison between the two kinds of driving systems
investigate here, can also be supported by employing thermoeconomics tools.

Key Words: natural gas, internal combustion engines, flow machines, electrical motors.
LISTA DE FIGURAS

Pág.
Figura 1.1 Quadro de potências para compressão do gás natural..................................... 26
Figura 1.2 Alimentação local e geração elétrica distante do centro de consumo............. 26
Figura 1.3 Alimentação local e geração de energia elétrica distante do centro de
consumo com possibilidade de cogeração...................................................... 29
Figura 1.4 Distribuição de gás natural nos diversos segmentos industriais...................... 35
Figura 2.1 Participação das fontes primária na matriz energética mundial...................... 43
Figura 2.2 Participação das fontes de energia nos usos finais e na eletricidade............... 44
Figura 2.3 Fontes de energia primária na produção de eletricidade................................. 44
Figura 2.4 Reservas de gás natural no Brasil.................................................................... 46
Figura 2.5 Participação das fontes de energia primária na matriz energética nacional.... 47
Figura 2.6 Participação do gás natural nos diversos setores do Estado de S. Paulo......... 50
Figura 2.7 Razão entre a tarifa de gás e eletricidade para diversos países...................... 51
Figura 2.8 Proporção de aumento nas tarifas do gás natural entre 2003 e 2005............... 52
Figura 3.1 Bomba centrifuga radial.................................................................................. 54
Figura 3.2 Bomba centrífuga axial................................................................................... 54
Figura 3.3 Curva das principais características da bomba centrífuga função da vazão... 56
Figura 3.4 Curva característica do sistema e ponto de funcionamento da bomba............ 56
Figura 3.5 Curvas das principais características de uma bomba ...................................... 57
Figura 3.6 Representação de bombas semelhantes........................................................... 58
Figura 3.7 Família de rotores de bombas conforme a velocidade específica ns................ 59
Figura 3.8 Velocidade específica e família de ventiladores............................................. 60
Figura 4.1 Evolução no tamanho dos motores elétricos................................................... 63
Figura 4.2 Classificação geral dos motores elétricos........................................................ 64
Figura 4.3 Curva conjugado x rotação.............................................................................. 67
Figura 4.4 Características do conjugado e potência em função da rotação para
70
determinados tipos de cargas...........................................................................
Figura 4.5 Funcionamento de um conversor PWM.......................................................... 77
Figura 4.6 Variação da tensão, potência e conjugado em um inversor PWM................. 78
Figura 4.7 Aplicação do conversor de freqüência na economia de energia em uma
máquina de fluxo............................................................................................. 79
Figura 4.8 Relação entre o preço do inversor e do motor elétrico para a mesma
potência............................................................................................................ 80
Figura 4.9 Classificação geral dos motores de combustão estacionários.......................... 81
Figura 4.10 Representação do ciclo Otto para motores de ignição por faísca.................... 83
Figura 4.11 Ciclo diesel – ignição por compressão............................................................ 84
Figura 4.12 Custo de instalação para conjunto gerador com motor de combustão a gás... 87
Figura 4.13 Aproveitamento do calor rejeitado em um motor de combustão interna........ 88
Figura 4.14 Aproveitamento do calor rejeitado utilizando o efeito looping....................... 89
Figura 4.15 Calor aproveitado para diversas potências de motores de combustão a gás
natural.............................................................................................................. 90
Figura 4.16 Esquema de parte do aproveitamento do calor rejeitado em um motor de
combustão a gás natural................................................................................... 90
Figura 4.17 Principais fabricantes mundiais de motores a combustão............................... 91
Figura 4.18 Metas esperadas para melhoria dos motores de combustão interna até 2009.. 95
Figura 4.19 Comparação entre o ciclo Otto e o ciclo Miller............................................... 96
Figura 4.20 Comparação de abertura e fechamento das válvulas no ciclo Otto e Miller... 97
Figura 4.21 Comportamento dos gases de emissão com relação a mistura ar/
combustível...................................................................................................... 98
Figura 4.22 Emissão de NOx para motores de combustão com gás natura........................ 99
Figura 4.23 Emissão de CO para motores a gás natural..................................................... 100
Figura 4.24 Emissão de CO2 para motores a gás natural................................................... 101
Figura 4.25 Comparação entre as emissões atuais de NOx e a Norma EURO.................. 104
Figura 4.26 Evolução histórica da temperatura interna e massa comprimida nas turbinas 106
Figura 4.27 Principais partes componentes de uma turbina a gás....................................... 106
Figura 4.28 Representação do ciclo Brayton...................................................................... 109
Figura 4.29 Representação do ciclo aberto (a) e ciclo fechado (b) para as turbinas a gás.. 110
Figura 4.30 Efeito da altitude e temperatura sobre a potência e rendimento de uma
turbina a gás..................................................................................................... 111
Figura 4.31 Comparação de potência e rendimento para um motor de combustão a gás e
uma turbina em ciclo simples e cogeração...................................................... 114
Figura 4.32 Quadro de comparação entre diversas fórmulas propostas para obtenção do
preço inicial do equipamento para acionamento de máquinas de fluxo. 119
Figura 4.33 Gráfico para seleção do equipamento de combustão interna e motor elétrico
para acionamento de máquinas de fluxo.......................................................... 120
Figura 4.34 Relação Potência x Preço e faixa de rotação para os equipamentos................ 120
Figura 4.35 Quadro de parâmetros utilizados na fórmula de preço de equipamentos
motriz de máquinas de fluxo............................................................................ 121
Figura 5.1 Curva de torque de um motor de combustão comparada com a de um motor
elétrico............................................................................................................. 123
Figura 5.2 Curvas de conjugado nominal para vários tipos de bombas centrífugas......... 124
Figura 5.3 Comparação da energia consumida na partida de um motor elétrico e um
motor de combustão a gás natural................................................................... 125
Figura 5.4 Economia anual tendo em conta o número de partidas e relação de preço
entre gás natural e energia elétrica.................................................................. 126
Figura 5.5 Rendimentos com cargas parciais para motor elétrico e motor de combustão 127
Figura 5.6 Comparação de funcionamento em regime de carga parcial........................... 128
Figura 5.7 Economia devido ao funcionamento dos motores fora da potência nominal.. 129
Figura 6.1 Gráfico 3D-Tempo de retorno x fator de utilização x preço do gás natural.... 131
Figura 6.2 Gráfico 3D- Tempo de retorno x Fator de utilização x Relação de preço do
gás natural e eletricidade................................................................................. 132
Figura 6.3 Tempo de retorno na substituição de motores a gás natural para preço da
energia elétrica 0,47 R$/ kWh e taxa de juros de 12% aa............................... 134
Figura 6.4 Características do conjunto SABESP a ser analisado...................................... 134
Figura 6.5 Tempo de retorno para motores de gás natural. Preço de referencia da
energia elétrica 0,13 R$/kWh e Taxa de juros de 12% aa............................... 135
Figura 6.6 Esquema do sistema de bombeamento do terminal de Cubatão...................... 136
Figura 6.7 Tempo de retorno para motores a gás natural no bombeamento de petróleo.
Preço de referência da energia elétrica 0,193 R$/kWh, juros 12% aa............ 137
Figura 6.8 Tempo de retorno com relação ao preço do gás e da taxa de juros no setor
industrial.......................................................................................................... 138
Figura 6.9 Gráfico resumo com as curvas dos quatro setores analisados......................... 139
Figura 7.1 Desenho de sistemas termodinâmicos............................................................. 142

Figura 7.2 Representação dos processos termodinâmicos................................................ 142

Figura 7.3 O ciclo de Carnot no diagrama P-v e T-s........................................................ 144


Figura 7.4 Representação da composição da exergia física (exergia total)...................... 146
Figura 7.5 Diagrama de Grasmann para um motor de combustão interna ...................... 148
Figura 7.6 Aumento e degradação da exergia em um motor de combustão interna....... 149
Figura 7.7 Valores resumidos dos cálculos da exergia de exaustão e resfriamento para
várias potências de motores............................................................................. 150
Figura 7.8 Valores do cálculo de exergia só da combustão para motor de 1000 kW....... 151
Figura 7.9 Tempo de retorno para vários aproveitamentos de exergia do motor a
combustão. Preço médio da eletricidade 0,1305 R$/kWh e fu = 100%.......... 152
Figura 7.10 Tempo de retorno para vários aproveitamentos de exergia do motor a
combustão. Preço médio da eletricidade 0,1865 R$/kWh e fu = 70%............ 153
Figura 7.11 Tempo de retorno para vários aproveitamentos de exergia do motor a
combustão. Preço médio da eletricidade 0,1980 R$/kWh e fu = 50%............ 154
Figura 7.12 Tempo de retorno para vários aproveitamentos de exergia do motor a
combustão. Preço médio da eletricidade 0,1933 R$/kWh e fu = 100%.......... 155
Figura 7.13 Tempo de retorno para vários aproveitamentos de exergia do motor a
combustão. Preço médio da eletricidade 0,2512R$/kWh e fu = 70%........... 156
Figura 7.14 Tempo de retorno para vários aproveitamentos de exergia do motor a
combustão. Preço médio da eletricidade 0,1873 R$/kWh e fu = 50%........... 157
LISTA DE TABELAS

Pág.

Tabela 1.1 Comparação entre as emissões do motor e da turbina a gás............................... 27

Tabela 1.2 Características técnicas de linhas de transmissão................................................. 28

Tabela 1.3 Comparação entre linha de transmissão e gasoduto............................................. 29

Tabela 1.4 Edifícios construídos na cidade de S. Paulo nos últimos 12 anos....................... 31

Tabela 2.1 Participação do gás natural na matriz energética de alguns paises...................... 45

Tabela 2.2 Consumo de gás natural, por Estado e por concessionária................................... 48

Tabela 2.3 Matriz energética do Estado de S. Paulo............................................................. 49

Tabela 4.1 Relação entre corrente de partida e corrente nominal do motor .......................... 66

Tabela 4.2 Aplicações de variação de rotação com comutadores de pólos.......................... 72

Tabela 4.3 Aplicações de variação de rotação com inversor de freqüência.......................... 73

Tabela 4.4 Emissões médias esperadas de motores estacionários........................................ 99

Tabela 4.5 Total de emissões em cogeração para uso comercial de grande escala............... 104

Tabela 4.6 Valores limites de emissões segundo o CONAMA - Ciclo ETC......................... 105

Tabela 4.7 Comparação entre tecnologias para força motriz com utilização do gás natural. 116

Tabela 5.1 Folga para motores elétricos................................................................................. 127

Tabela 6.1 Valores de comparação para diversos parâmetros............................................... 131


Tabela 6.2 Dados para a análise de viabilidade econômica entre motores de combustão
interna a gás natural e motor elétrico de pequena potência......................... 133
Tabela 6.3 Dados para estudo de viabilidade entre motor elétrico e motor de combustão
a gás natural........................................................................................................ 135

Tabela 6.4 Valores de dados e cálculos para a bomba do terminal da Petrobras................... 137

Tabela 6.5 Valores de dados e cálculos utilizados nas análise de bombas industriais........... 138

Tabela 7.1 Dados utilizados para cálculo da exergia do motor de combustão...................... 149
Tabela 7.2 Aproveitamento dos gases e refrigeração, taxa de juros de 12% ao ano e fator
de utilização fu= 100% e valor médio da eletricidade 0,1305 R$/kWh............. 152
Tabela 7.3 Aproveitamento dos gases e refrigeração, taxa de juros de 12% ao ano e fator
de utilização fu= 70% e valor médio da eletricidade 0,1865 R$/kWh................ 153
Tabela 7.4 Aproveitamento dos gases e refrigeração, taxa de juros de 12% ao ano e fator
de utilização fu= 50% e valor médio da eletricidade 0,1865 R$/kWh................. 154
Tabela 7.5 Aproveitamento dos gases e refrigeração, taxa de juros de 12% ao ano e fator
de utilização fu= 100% e valor médio da eletricidade 0,1933 R$/kWh............... 155
Tabela 7.6 Aproveitamento dos gases e refrigeração, taxa de juros de 12% ao ano e fator
de utilização fu= 70% e valor médio da eletricidade 0,2512 R$/kWh................ 156
Tabela 7.7 Aproveitamento dos gases e refrigeração, taxa de juros de 12% ao ano e fator
de utilização fu= 50% e valor médio da eletricidade 0,1873 R$/kWh................. 157
Tabela 7.8 Comparação entre análise econômica e termoeconômica com a fórmula (7.23). 160

Tabela 7.9 Comparação entre análise econômica e termoeconômica com a fórmula (7.27). 161
LISTA DE SÍMBOLOS

A - Área (m2)
a - Expoente da Potência na fórmula proposta

B - Fluxo de exergia do processo (kJ/kg.s)
b - Expoente da Rotação na formula proposta
b CH 4 - Exergia do metano, gás natural (kj/kg)
C - Conjugado (N.m)
Ce - Energia elétrica fornecida (kWh)
CEQ - Custo do equipamento (R$, US$)

C EQ - Custo específico do equipamento (R$/s, US$/s)
Cf - Energia fornecida pelo combustível (kWh)
Ci - Conjugado da carga em repouso (kgf.m, N.m)
Cmc - Conjugado médio da carga (kgf.m, N.m)
Cmm - Conjugado médio do motor elétrico ((kgf.m, N.m)
Cn - Conjugado nominal do motor elétrico (kgf.m, N.m)
Cp - Conjugado de partida do motor elétrico (kgf.m, N.m)
Cmax - Conjugado máximo do motor elétrico (kgf.m, N.m)
Cr - Conjugado resistente, Conjugado da carga (kgf.m, N.m)
Ct - Energia total fornecida (elétrica ou térmica)
ce - Preço da energia elétrica (R$/kWh)
cg - Preço do gás natural (R$/m3)
cp - Calor específico
cO&M - custo de operação e manutenção (R$/ kWh; US$/kWh)
D - Diâmetro de rotor (m)
Dp - Demanda de partida do motor (kW)
d - Diâmetro de tubulação (m)
E - Energia (kWh, kgf.m, Joules)
Ec - Energia cinética
Ep - Energia potencial
Epc - Energia de partida no motor de combustão (kWh)
Epm - Energia de partida no motor elétrico (kWh)
fc - Coeficiente universal de perda de carga
f - Freqüência (Hz)
fO&M - Fator de operação e manutenção
frc - Fator de recuperação do capital
fu - Fator de utilização
g - Aceleração da gravidade (9,81m/s2)
Hm - Altura manométrica (m)
Hest. - Altura estática da instalação (m)
h - Entalpia
Ie - Investimento para motor elétrico (R$, US$)
Ig - Investimento para motor a gás (R$, US$)
In - Corrente nominal (A)
Ip - Corrente de partida (A)
Ir - Corrente de regime (A)
i - Taxa anual de juros (%)
Jc - Momento de Inércia da carga (kg.m)
Jm - Momento de inércia do motor elétrico (kg.m)
Jt - Momento de inércia total (kg.m)
j - Consumo de gás por energia (m3/kWh)
K - Constante
k - Constante
L - Comprimento (m)
M - Massa (kg)
m - Massa (kg, lb)
m CH 4 - Massa do metano, gás natural (kg)

m - Vazão mássica (kg/s)
N - Potência (kJ/s, W, kW)

Nm - Potência média (CV)


Nn - Potência nominal (kW)
Np - Número de pólos do motor elétrico
Nr - Potência de regime (kJ/s, W, kW)
n - Rotação (rpm)
ns - Velocidade específica (rpm)
n - Tempo de retorno (anos)
P - Pressão (kgf/m2, N/m2, Pa)
Q - Vazão (m3/s, l/s, )
QH - Calor da fonte quente (kCal)

Q - Fluxo de calor do processo (kW)
QH - Calor da fonte quente ((kCal, BTU, kJkWh)
QL - Calor da fonte fria (kCal, BTU, kJkWh)
Qmc - Energia de calor do motor a combustão (BTU, kWh, kJ, kcal)
Qtg - Energia de calor da turbina a gás (BTU, kWh, kJ, kcal)
R - Constante dos gases
S - Entropia (kJ/kg-K)
s - Escorregamento do motor assíncrono (%)
T - Temperatura (0C, K)
TH - Temperatura da fonte quente (K)
TL - Temperatura da fonte fria (K)
t - Tempo (h, s)
U - Energia interna do sistema (kJ/s, kWh, BTU/s)
V - Tensão elétrica (V, Volts)
Vm - Tensão média (V, Volts)
Wútil - Trabalho útil (kW)
Wc - Trabalho executado pelo motor a combustão (kW)
We - Trabalho executado pelo motor elétrico (kW)
Z - Impedância do enrolamento do rotor (ohms, Ω)
α - Coeficiente que leva em conta “economia de escala”
γ - Peso específico do líquido (kgf/m3)
ΔH - Perda de carga no sistema (m)
Δt - Intervalo de tempo (s)
ε - Exergia (kW)
εf - Exergia física (kW)

Ε in - Fluxo total de exergia na entrada do sistema (kW/s)

Ε out - Fluxo de exergia na saída do sistema (kW/s)
εq - exergia química (kW)
εt - Exergia total (kW)
Φ - Fluxo magnético (Weber-Wb)
η - Rendimento (%)
ηb - Rendimento da bomba (%)
ηc - Rendimento do motor de combustão a gás natural (%)
ηe - Rendimento energético (%)
ηen - Rendimento energético (%)
ηex - Rendimento exergético (%)
ηv - Rendimento do ventilador (%)
φ - Eficiência racional
cos φ - Fator de potência
δ - Eficiência rejeitada
λ - Constante entre razão de misturas na combustão
π - Constante (3,1416)
Σ - Símbolo de somatória
ρ - massa específica (kg/m3)
LISTA DE ABREVIAÇÕES

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas


AIP - American Institute of Physics
ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica
ANSI - American National Standards Institute
ANP - Agência Nacional do Petróleo e Gas
API - American Petroleum Institute
ARES - Advanced Reciprocating Engine System
ARAICE - Advanced Reciprocating Internal Combustion Engines
BEESP - Balanço Energético do Estado de S. Paulo
BEN - Balanço Energético Nacional
BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
BP - Britsh Petroleum
CI - Compression Ignition
CELG - Centrais Elétricas de Goiás
CHP - Combined Heat and Power
GN - Gás Natural
COMGAS - Companhia de Gás de São Paulo
CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente
GASBOL - Gasoduto Bolívia-Brasil
GETAC - Gas Engine Technical Advisory Committee
GIS - Gas Research Institute
DOE - Department Of Energy
EEA - Energy and Environmental Analysis
EC/EO - Fechamento e abertura da válvula de exaustão
EERE - Energy Efficiency and Renewable Energy
EMBRAESP - Empresa Brasileira do Estudo do Patrimônio
EPA - Environmental Protection Agency
HHV - Higher Heating Value
IC/IO - Fechamento e abertura da válvula de admissão
ICE - Internal Combustion Engine
IEA - International Energy Agency
IEE - Instituto de Eletrotécnica e Energia
LHV - Lower Heating Value
MTR - Máquina Térmica Reversível
NFPA - National Fire Protection Association
NPSH - Net Pressure Suction Head
NREL - National Renewable Energy Laboratory
PCI - Poder Calorífico Inferior
PCS - Poder Calorífico Superior
PIPGE - Programa Interunidades de Pós-Graduação em Energia
PMI - Ponto Morto Inferior
PMS - Ponto Morto Superior
SABESP - Saneamento Básico do Estado de S. Paulo
SAE - Society Automotive Engineer
SI - Spark Ignition
SOTA - State Of The Art (dos motores estacionários de combustão interna)
USCCTP - United States Climate Change Technology Program
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
USP - Universidade de S. Paulo
SUMÁRIO

Pág.
CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 20
1.1 Objetivos.................................................................................................................... 21
1.2 Estrutura capitular...................................................................................................... 21
1.3 Relevância e motivação.............................................................................................. 23
1.3.1 O consumo de gás natural para uso direto ou eletricidade......................................... 24
1.3.2 Comparação entre a emissões da geração local com a da central.............................. 27
1.3.3 Custos no transporte de gás natural e na transmissão da energia elétrica................. 27
1.3.4 Impacto no mercado de gás natural........................................................................... 29
1.3.4.1 Bombeamento em edifícios residenciais.................................................................... 30
1.3.4.2 Bombeamento em serviços públicos.......................................................................... 32
1.3.4.3 Bombeamento em serviços de energia....................................................................... 33
1.3.4.4 Bombeamento no setor industrial............................................................................... 34
1.4 Metodologia............................................................................................................... 36
1.5 Revisão bibliográfica.................................................................................................. 36

CAPÍTULO 2
2 O GÁS NATURAL ................................................................................................. 43
2.1 Utilização do gás natural no mundo.......................................................................... 43
2.2 Utilização do gás natural no Brasil............................................................................ 46
2.3 Utilização do gás natural no Estado de S. Paulo........................................................ 49
2.3.1 Evolução do uso do gás natural no Estado de S. Paulo.............................................. 49
2.3.2 Utilização do gás natural por setor de consumo........................................................ 50
2.4 O contraste do preço do gás natural........................................................................... 51

CAPÍTULO 3
3 AS MÁQUINAS DE FLUXO.................................................................................. 53
3.1 Bombas centrífugas.................................................................................................... 54
3.1.1 Classificação das bombas centrífugas........................................................................ 55
3.1.2 Características das bombas centrífugas...................................................................... 56
3.1.3 Teoria da semelhança em bombas centrífugas........................................................... 58
3.1.4 Velocidade específica e família de rotores de bombas centrífugas............................ 58
3.2 Ventiladores............................................................................................................... 59
3.2.1 Classificação dos ventiladores................................................................................... 59
3.2.2 Velocidade específica e família de rotores de ventiladores....................................... 60
3.3 Considerações............................................................................................................ 61
3.4 Principais fabricantes de bombas centrífugas e ventiladores..................................... 62
CAPÍTULO 4
4 ACIONAMENTOS DAS MÁQUINAS DE FLUXO............................................ 63
4.1 Motores elétricos....................................................................................................... 63
4.1.1 Classificação dos motores elétricos........................................................................... 64
4.1.2 Freqüência em motores elétricos............................................................................... 65
4.1.3 Limitação de corrente de partida em motores trifásicos............................................ 66
4.1.4 Categorias de conjugados.......................................................................................... 67
4.1.5 Conjugado de carga do motor elétrico....................................................................... 68
4.1.6 Classes de isolamento................................................................................................ 70
4.1.7 Principais fabricantes de motores elétricos............................................................... 71
4.2 Conversores estáticos de freqüência.......................................................................... 72
4.2.1 Tipos de conversores estáticos de freqüência............................................................ 74
4.2.2 Conversor regulador indireto- conversores com circuito intermediário.................... 74
4.2.2.1 Técnica da corrente imposta...................................................................................... 74
4.2.2.2 Técnica de tensão imposta......................................................................................... 75
4.2.5 Aplicações de conversores de freqüência................................................................... 79
4.3 Motores de combustão interna................................................................................... 81
4.3.1 Motores a gás natural................................................................................................. 83
4.3.1.1 Motores a gás natural com ignição por faísca........................................................... 84
4.3.1.2 Motores de combustão a gás natural com ignição por compressão........................... 85
4.3.4 Custos envolvidos nos motores a gás natural............................................................. 87
4.3.5 O uso dos motores de combustão interna a gás natural na cogeração........................ 88
4.3.6 Fabricantes de motores de combustão a gás natural.................................................. 91
4.3.7 Avanços e pesquisas para melhoria do desempenho de motores de combustão....... 94
4.3.8 Emissões em motores de combustão interna a gás natural........................................ 97
4.3.9 Controle de emissões de NOx ................................................................................... 102
4.3.10 Tecnologias emergentes para o controle de emissões de NOx ................................. 103
4.3.11 Controle de emissões de CO...................................................................................... 103
4.4 Turbinas a gás............................................................................................................ 105
4.4.1 Classificação das turbinas a gás................................................................................. 107
4.4.2 Tipos de turbinas a gás............................................................................................... 107
4.4.3 Principias fabricantes de turbinas a gás..................................................................... 112
4.5 Seleção do equipamento a gás natural para acionamento de máquinas de fluxo...... 113
4.5.1 Gráfico para seleção do acionamento de máquinas de fluxo..................................... 117

CAPÍTULO 5
5 COMPARAÇÕES ENTRE O ACIONAMENTO DO MOTOR ELÉTRICO E
O MOTORA GÁS NATURAL.............................................................................. 122
5.1 Requisitos de partida................................................................................................. 122
5.2 Requisitos de regime de trabalho............................................................................... 126
CAPÍTULO 6
6 SUBSTITUIÇÃO DOS MOTORES ELÉTRICOS POR MOTORES A GÁS
NATURAL NO ACIONAMENTO DE MÁQUINAS DE FLUXO..................... 130
6.1 Análise econômica..................................................................................................... 130
6.2 Estudos de casos........................................................................................................ 133
6.2.1 Bombeamento de água em edifícios residenciais e comerciais.................................. 133
6.2.2 Aplicação em serviços de saneamento básico............................................................ 134
6.2.3 Aplicações no setor de energia................................................................................... 136
6.2.4 Aplicações no setor industrial.................................................................................... 138
6.2.4.1 Aplicação de estudo de caso em uma indústria têxtil................................................. 138
6.3. Análise pela relação entre o preço do gás natural e o preço da eletricidade.............. 138

CAPÍTULO 7
7 ANÁLISE PELA ABORDAGEM EXERGÉTICA E TERMOECONÔMICA 142
7.1 Alguns conceitos da termodinâmica.......................................................................... 142
7.2 Exergia....................................................................................................................... 146
7.2.1 Exergia física.............................................................................................................. 146
7.2.2 Exergia química......................................................................................................... 146
7.3 Diagrama de Grasmann.............................................................................................. 148
7.4 Aproveitamento exergético dos motores a gás natural............................................... 148
7.5 Análise do motor de 932 kW da SABESP para fator de utilização 100%................. 152
7.6 Análise do motor de 932 kW da SABESP para fator de utilização 70%.................. 153
7.7 Análise do motor de 932 kW da SABESP para fator de utilização 50%................. 154
7.8 Análise do motor de 596 kW da PETROBRAS para fator de utilização 100%......... 155
7.9 Análise do motor de 596 kW da PETROBRAS para fator de utilização 70%........... 156
7.10 Análise do motor de 596 kW da PETROBRAS para fator de utilização 50%........... 157
7.11 Análise econômica pelo enfoque termoeconômico.................................................... 158
7.12 Comparação entre a análise econômica e a análise termoeconômica........................ 160

CAPÍTULO 8
8 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES.............................................................. 162

REFERÊNCIAS....................................................................................................... 165
APÊNDICES............................................................................................................ 173
ANEXOS................................................................................................................... 202
20

CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

A maioria dos acionamentos de força motriz é oriunda da energia mecânica


transmitida pelo motor elétrico.
Com o advento da energia elétrica, em final do século IXX, e com o fácil acesso
criado a esse tipo de energia, aliado a evolução tecnológica dos motores elétricos, tornou-se
possível uma demanda, cada vez mais crescente, no acionamento de máquinas por meio desse
equipamento eletromecânico.
Até o final do século IXX, o acionamento das máquinas rotativas era feito por
motores de combustão externa, a máquina a vapor, nesse caso utilizando-se um mecanismo
para transformação do movimento alternativo em circular.
Mesmo antes do advento do motor elétrico chegou-se a utilizar o motor de
combustão interna no acionamento de diversas máquinas; o químico francês, Abbe
d´Hautefeuille usou pólvora, no século XVII, como combustível para acionar um pistão, o
qual movido através de um cilindro pôde funcionar como força motriz (MEINCK, 1996).
O preço da energia elétrica, a capacidade do aproveitamento hidrelétrico nacional e a
difusão tecnológica dos motores elétricos entre inúmeros fabricantes brasileiros ajudaram a
configurar o quadro de utilização dos mesmos até o início do século XXI.
Nos últimos anos, com o desafio da diversificação da matriz energética nacional, e
com o aumento da oferta do gás natural, torna-se necessário a busca de alternativas, que não a
sua utilização para geração de energia elétrica, que atendam, de forma prática e econômica, o
acionamento motriz nos diversos setores de consumo.
O motor de combustão executa as mesmas funções do motor elétrico, ou seja, prover
trabalho ao eixo para utilização em vários processos; acionar uma bomba, um compressor, um
gerador, um ventilador, etc. Em muitas dessas aplicações o motor elétrico pode ser substituído
pelo motor de combustão a gás natural 1 .
Essa substituição dependerá de uma série de fatores, que vão desde a possibilidade
de acesso ao combustível, até uma escala de fabricação para a inserção de fabricantes
nacionais de motores estacionários que funcionem com o gás natural, principalmente de
pequeno e médio porte.

1
Considera-se neste caso, como motores de combustão interna, os motores de ciclo Otto, ciclo Diesel e as
turbinas a gás.
21

Depois de meados do século XX, com a disseminação dos sistemas de cogeração, os


motores de combustão interna tiveram acrescentado as suas características a possibilidade do
aproveitamento do calor rejeitado no processo termodinâmico.

1.1 Objetivos

O objetivo deste trabalho é comparar a utilização dos motores elétricos com os


motores de combustão interna a gás natural no acionamento de máquinas estacionárias
conceituadas como as máquinas de fluxo; bombas centrífugas e ventiladores.
Para atingir esse objetivo são estudados os seguintes aspectos, importantes, ao
desenvolvimento do trabalho:
1. São avaliados os impactos causados sobre o recurso primário, sobre o meio
ambiente e no transporte da eletricidade e do gás natural, quando a
substituição da energia final, eletricidade, é feita por gás natural para
acionamento motriz da máquina de fluxo .
2. Estado da arte e características de funcionamento dos principais
componentes envolvidos: o motor elétrico, o motor de combustão interna e
as máquinas de fluxo.
3. A viabilidade dessa substituição do ponto de vista econômico para o
consumidor.
4. Estudo do aproveitamento dos gases de exaustão e do circuito de
refrigeração do motor a combustão, utilizando como ferramenta de análise o
princípio da exergia, complementado com uma comparação entre a análise
de investimento econômica tradicional e a termoeconomia.
Este trabalho será composto de oito capítulos com uma abrangência que leve ao
entendimento das condições para se atingir o objetivo proposto.

1.2 Estrutura capitular

No primeiro capítulo, além da introdução, objetivos, estrutura capitular,


metodologia e revisão bibliográfica destaca-se a relevância do tema no que se refere às
vantagens energéticas e ambientais na utilização direta do gás natural para acionamento de
máquinas de fluxo em motores de combustão interna, quando este substitui o motor elétrico
que utiliza a eletricidade gerada em uma central termoelétrica.
22

O segundo capítulo aborda os principais aspectos relativos ao uso do gás natural, a


participação do mesmo na matriz energética de diversos países e a evolução na matriz
energética nacional.
São descritas as principais concessionárias e a utilização do gás natural nos setores
que farão parte do estudo: residencial, público, energia e industrial.
A análise compreende ainda uma comparação de tarifas do gás natural e da energia
elétrica com outros países.
O terceiro capítulo deste trabalho aborda as principais características de
funcionamento das máquinas de fluxo, bombas centrífugas e ventiladores, tendo como
destaque os tópicos importantes a serem aplicados nos estudos dos capítulos seguintes como:
classificação das máquinas de fluxo, potência necessária no acionamento do eixo,
rendimentos, curvas características, classificação do tipo de rotor, etc.
O estudo da semelhança em bombas e ventiladores e principalmente à variação da
potência de máquinas de fluxo com a variação da rotação, fundamental para o comportamento
da potência de trabalho da máquina de acionamento em regime de carga variável.
Os critérios para seleção de bombas e ventiladores são destacados para a
determinação das características do acionamento.
Dentro deste capítulo são relacionados os principais fabricantes nacionais de bombas
centrífugas e ventiladores.
O quarto capítulo estuda os principais tipos de acionamento aplicáveis às máquinas
de fluxo. Entre eles são destacados os motores elétricos, os motores de combustão interna, e
as turbinas a gás.
Os principais tipos de motores elétricos para acionamento de máquinas de fluxo são
estudados do ponto de vista de desempenho, comportamento quanto ao conjugado, corrente,
rotação e potência.
Nos motores de indução trifásicos, a utilização do inversor de freqüência para
variação da rotação do motor é analisada, tendo em vista a variação da potência com relação à
rotação.
Uma abordagem inicial justifica a escolha do motor de combustão interna com
relação a outros equipamentos que poderiam executar o mesmo serviço com a utilização do
gás natural, no caso, a turbina a gás e a microturbina a gás.
O motor de combustão interna é estudado com relação ao seu estado da arte e
avanços tecnológicos, voltados principalmente para o aumento da eficiência e redução na
emissão dos gases prejudiciais ao meio ambiente, destacando-se o NOx, CO e CO2.
23

São mencionados os principais fabricantes de motores de combustão interna a gás


natural e suas perspectivas de atendimento ao mercado nacional.
O quinto capítulo apresenta uma comparação entre o comportamento do motor de
combustão interna e o motor elétrico, para uma mesma aplicação, estudando as curvas
fundamentais de um motor elétrico como conjugado, corrente, potência e rotação, e de um
motor de combustão interna, como conjugado, potência, consumo de combustível e rotação.
Uma análise do funcionamento de uma bomba centrífuga acionada por um motor
elétrico utilizando um inversor de freqüência comparada com o acionamento por um motor de
combustão com gás natural, para diferentes rotações, é estudada neste capítulo. O consumo de
energia do motor elétrico e do motor de combustão interna para vários ciclos liga-desliga,
também é avaliado neste capítulo.
O sexto capítulo analisa as aplicações para quatro estudos de caso nos setores:
residencial, serviços, energia e industrial, com estudo de viabilidade de aplicação tendo em
conta parâmetros de investimento, preço do gás natural, preço da eletricidade e custos de
manutenção e operação.
Esse estudo leva em conta apenas a conversão direta da energia da fonte primária, o
gás natural em força motriz, não se importando com aproveitamento do rejeito térmico dos
gases de combustão e a disponibilidade, oriunda do seu aproveitamento.
O sétimo capítulo apresenta um outro enfoque dos estudos anteriores, utilizando
como ferramentas conceitos de exergia e termoeconomia para o aproveitamento do rejeito
térmico (gases de exaustão e da água de refrigeração) do motor de combustão, que contribuem
para diminuir o tempo de retorno do investimento.
O oitavo capítulo apresenta as conclusões tiradas dos estudos realizados, com
recomendações para trabalhos futuros e perspectivas sobre utilização do gás natural na
aplicação de força motriz.

1.3 Relevância e motivação

Neste item são abordados aspectos considerados pelo autor como relevantes e
motivadores para o desenvolvimento do tema, alguns dos quais se tornaram interessantes e
desafiadores após estudos realizados preliminarmente.
24

1.3.1 O consumo de gás natural para uso direto e para a geração de eletricidade

A seguir pretende-se comparar as vantagens da geração/cogeração local utilizando o


motor de combustão a gás natural com a geração de uma central térmica de ciclo combinado,
instalada no eixo do gasoduto Brasil Bolívia, que alimentará um motor elétrico no local de
consumo.
A utilização local do acionamento motriz dá uma maior flexibilidade ao usuário,
podendo utilizar o rejeito térmico de maneira mais adequada as suas necessidades.
A comparação a seguir levou em conta a distribuição de gás e da eletricidade até o
ponto de consumo.
Até a central térmica, as características da tubulação afetam igualmente a
alimentação de gás da central térmica e a alimentação da utilização local, que funcionará com
o motor de combustão interna com gás natural. A partir desse ponto os dois caminhos
possuem características diferentes.
A alimentação elétrica disponível pela central para suprir o motor elétrico será
fornecida por meio da rede geral de transmissão e distribuição elétrica, devendo-se levar em
conta as perdas na rede, que podem variar entre 7 e 12 % (GELLER, 1992). Estima-se que
essas perdas podem atingir menos que 10% da potência transmitida, mas o seu valor exato
deve ser obtido a partir de cálculos de otimização, que levem em conta os custos das perdas, o
custo do condutor e a influência do seu diâmetro (portanto, o peso) sobre o projeto total da
linha (LA ROVERE, 1985).
Cipoli (1998), avalia as perdas em distribuição e transmissão em 7,18%, sendo
2,51% na transmissão e 4,67% na distribuição.
A CELG – Centrais Elétricas de Goiás, em seu balanço de 2002, chama atenção para
as perdas de energia em transmissão e distribuição que apresentou um acréscimo de 1,51
pontos percentuais em relação a 2001, sendo em 2001 de 11,43% e 2002 de 12,94%.
No Reino Unido, as perdas medidas na transmissão e distribuição da energia elétrica,
em 1998, para um total de 350 TWh gerados, atingiram 26 TWh, correspondendo a 7,4% (
PHILIPS, 2000). Nos Estados Unidos, as perdas em transmissão e distribuição foram de 7,2%
em 1995, sendo ainda divididas em 60% nas linhas de transmissão e 40% na subestação e
distribuição, com a maior parte na distribuição 2 .

2
Dados obtidos de U.S. Climate Change Technology Program-Technology Options for the Near and Long Term
– nov. 2003, pag.34.
25

De qualquer forma, as perdas de energia elétrica no Brasil, em transmissão e


distribuição, chegaram a atingir índices de 16,6% em 1970, quando se iniciou o grande salto
no aproveitamento hidráulico brasileiro, e 15,4% em 1996 (BNDES, 1997).
O transporte do gás natural estará sujeito à perda de carga, havendo necessidade de
estações de compressão que podem utilizar motores de combustão interna, consumindo gás
natural. Esse consumo deve ser considerado como perda no transporte e dependerá das
características do sistema.
No Reino Unido, as perdas no transporte e distribuição de gás natural atingiram
2,1%. De um total de 955,343 GWh/ano disponibilizados no sistema de distribuição nacional,
constatou-se uma perda de 20,225 GWh/ano (UNITED KINGDOM ENERGY STATISTICS,
2002).
Conforme planilha de informações técnicas da TBG (Transportadora Brasileira
Gasoduto Bolívia-Brasil S. A.) pode-se tomar aproximadamente 721 kW (968 HP) para cada
1,0 x 106 m3/dia de gás natural pressurizado, tirado do quadro da figura 1.1 3 .

Alguns Locais de Compressão do Gasoduto Bolívia-Brasil

Corumbá, Anastácio, Ribas do Campo Grande e


Araucária
Rio Pardo, Mirandópolis. Penápolis

15,5 7,9 1,3


Vazão de gás natural
MMm3/dia MMm3/dia MMm3/dia

Potência de compressão 15.000 HP 7.000 HP 1.200 HP

Figura 1.1 Quadro de potências para compressão do gás natural.


Fonte: TBG, 2005. Dados calculados pelo autor.

Para o caso em estudo com 10 estações de compressão tem-se 4,6 kW, ou seja, 4,6%
de perda na compressão ((263,36x24x721/106)/1000)x10); uma estimativa de 6% de perda
será considerada.
A seguir, apresenta-se uma análise do consumo de gás natural para um
aproveitamento local de um motor de combustão interna de 1000 kW em comparação com a
geração de eletricidade em uma central com turbina a gás que fornecerá energia para um
motor elétrico no mesmo local (figura 1.2).

3
O gasoduto Bolívia-Brasil possuí uma extensão de 3150 km, sendo 2.593 km do lado brasileiro, com uma
capacidade de transporte de 30 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, com 13 estações de compressão
no total.
26

Neste primeiro caso foi computada somente a geração de energia elétrica de uma
central térmica a gás natural de ciclo combinado com um rendimento de 40%
(STRAPASSON, 2004).

Figura 1.2 – Alimentação local e geração de energia elétrica distante do centro de


consumo.

Pode-se considerar ainda, o aproveirtamento dos rejeitos térmicos do motor de


combustão interna, conforme mostrado na figura 1.3.

Figura 1.3 Alimentação local e geração de energia elétrica distante do centro de


consumo com possibilidade de cogeração.

O cálculo dos rendimentos da configuração acima pode ser dado, tomando a relação
de consumo do combustível pela potência, considerado igual nos dois casos (10,63 kWh =
1m3 de gás natural).
O rendimento, no caso do motor elétrico será, levando em conta toda a cadeia
energética:
27

We 1000
ηe = = = 31,68% (1.1)
C f 10,63.296,92
No caso do motor a combustão:
Wc 1000
ηc = = = 35,72% (1.2)
C f 10,63.263,36
Para todo o sistema de energia da geração na central e consumo de eletricidade pelo
motor elétrico:
We + Q tg 1262,5
ηse = = = 31,68 % (1.3)
Cf 10,63.296,92
Para todo o sistema de transporte do gás e consumo de força motriz pelo motor de
combustão a gás natural, com o aproveitamento da cogeração:
3700000.1,055
1000 +
W c +Q mc 3600
ηse = = =74,4 % (1.4)
Cf 10,63.263,36

1.3.2 Emissões para uso direto e para a central termoelétrica.

A Tabela 1.1 apresenta as emissões de CO2, NOx e SO2 para os valores referentes à
figura 1.3 com três diferentes configurações:
- emissões do motor de combustão interna com cogeração, para uma potência de
1064 kW, incluindo 6% correspondente às estações de compressão (tabela 4.1, página 104).
- central termoelétrica em ciclo simples com rendimento de 28%, para a obtenção de
1265 kW com cogeração (tabela 4.1, página 104);
- ciclo combinado para a geração de 1265 kW com rendimento de 40% (ROMERO,
J. F. L.; BERMANN, C., 2006).

Tabela 1.1 Comparação entre as emissões do motor e da turbina a gás (kg/h)

Motor de Turbina a Turbina a


combustão com gás com gás em ciclo
cogeração cogeração combinado
CO2 625 810 582
NOx 0,53 0,36 0,291

SO2 0,034 0,041 0,144

Fonte: dados compilados pelo autor.


28

Para as configurações sugeridas, o motor de combustão a gás natural não apresenta


desvantagem significativa no que se refere às emissões. O uso de sistemas de controle pode
diminuir as emissões consideradas nesta análise para o motor de combustão interna.

1.3.3 Custos no transporte de gás natural e na transmissão da energia elétrica

Algumas considerações de custo do transporte de gás natural até o local de consumo


e da transmissão da eletricidade serão destacadas a seguir.
As linhas de transmissão em corrente alternada possuem as seguintes características,
visualizadas na tabela 1.2, que foram levadas em consideração nos cálculos.

Tabela 1.2 Características técnicas de linhas de transmissão.


Potência Largura de
Capacidade Extensão Preço
Transmitida servidão
(kV) (km) MUS$/km
GW (m)
160 3,8
750 750 2,0 1,18 85
1000 1,2
160 1,3
500 1,06 52
750 0,6
160 0,8
345 0,92 N.D
750 0,3
160 0,2
230 0,530 35
750 0,1
138 160 0,15 0,440 27
Fontes: (US Climate Change Technology Program, 2003; GIS development, 2006
American Institute of Physics, 2003; BNDES, 1997).

“Torna-se mais econômico e prático transportar gás natural que eletricidade. Por
exemplo, um gasoduto com pressão de 60 bar, pode transportar uma energia de 25 GW, para
um investimento equivalente comparável a uma linha de transmissão de somente 500 MW.
Alem disso, várias unidades geradoras em paralelo, poderiam oferecer maior eficiência
energética e flexibilidade a menor custo”. 4
Os cálculos apresentados na tabela 1.3 não exprimem essa brutal diferença, mas
chegam a valores que mostram ser as linhas de transmissão mais caras que os gasodutos para
uma mesma potência transmitida.

4
Apresentado no magazine Energy News n.o 20, editado pela Wärtsilä. Acessado em
www.gasnet.com.br/artigos/artigos em dezembro de 2005.
29

As linhas de transmissão, para uma mesma potência transmitida, são mais caras que
os gasodutos, o que confirmam os cálculos realizados.
Se a comparação for feita com uma linha de corrente contínua as condições seriam
mais favoráveis ainda devido às características técnicas e o custo das mesmas. As linhas de
corrente contínua só serão viáveis para uma longa distância de transmissão e uma grande
potência transmitida.

Tabela 1.3 Comparação entre linha de transmissão e gasoduto


Valor
Extensão Capacidade Potência Valor
Casos Reais total
(km) m3/dia x 103 MWe* US$/MW.km
MMUS$
Gasodutos:
Brasil-Bolívia 3.150 30.000 5.286 2.350,00 141,13
Uruguaiana - 615 15.000 2.643 300,00 284,30
Porto Alegre
Transmissão:
Itaipu 900 - 2.000 1450,00 805,00
Califórnia-
Arizona 400 - 1.200 340,00 708,00
Teresina-Sobral
(Alusa) 545 - 1.056 450,00 781,00
Exemplo
Genérico1 400 - 1.700 540,00 794,32
Fontes: Dados calculados pelo autor.
Exemplo genérico traduzido de Ravemark e Normark, 2005.
Obs. Preço de uma linha de transmissão de Itaipu atualizado de 1985 para 2005.
Preço do gasoduto Bolívia Brasil atualizado de 1996 para 2005.
Taxa de juros do US$, de 2% ao ano. Equivalente elétrico/térmico 40%.

Analisando a tabela acima nota-se ainda que a relação entre o custo de uma linha de
transmissão de energia elétrica e um gasoduto pode variar entre 3 a 7 vezes.
Essa diferença depende ainda de outros fatores como situação demográfica para
instalação da linha de transmissão, ou gasoduto, acidentes geográficos a serem vencidos,
potência máxima de aproveitamento da linha ou do gasoduto, etc.
Por exemplo, o gasoduto Urucu-Coari-Manaus possui uma previsão de verba quase
três vezes a média de um gasoduto construído em condições mais favoráveis.
A largura de servidão para uma tubulação de gás natural, com diâmetro de 32
polegadas (813 mm), é de 20 m, enquanto para uma linha de transmissão de 750 kV é de 85
m. Para uma extensão de instalação de 1000 km, a diferença de área é de 65 km2.
O diâmetro do gasoduto pode ser calculado conforme proposto por Fadigas, Reis e
Ramos (1999), ou ainda, conforme a equação proposta por Parker (2005), que leva em conta:
a matéria prima, mão de obra, fabricação, miscelaneas e direito de passagem.
30

1.3.4 Impacto no mercado de gás natural

Em 2003 começou-se a propagar o conceito de massificação do uso do gás natural no


Brasil que ecoou como mais um elo motivador para a realização deste trabalho.
Essa utilização ainda encontra certa resistência, principalmente nos defensores de
outras fontes de energia no país, como colocado por Sychrava 5 (1991, apud Barcellos, 1995,
p. 128): [Temos que nos preocupar com o fato que o suprimento do gás natural será exaurido.
Não haverá problemas com o fornecimento de gás até o ano de 2020, quando, segundo
acredita o setor, nossas reservas se esgotarão. Alguém precisa fazer algo agora para nos dar
um futuro com o carvão].
O gás natural será possivelmente a única fonte não renovável que conseguirá reunir
as exigências de um mundo globalizado em que o ser humano, alertado para as necessidades
básicas do planeta, aceitará como aliada nas causas da conservação do meio ambiente.
Um dos fatores de motivação para a realização desta pesquisa é o grande potencial
técnico que o autor avaliou para a utilização do motor de combustão a gás natural em quatro
setores: residencial, público, energia e industrial, a seguir são apresentadas algumas
possibilidades de aplicação em cada um destes setores.

1.3.4.1 Bombeamento em edifícios residenciais

Dentro do consumo do gás natural para o setor residencial encontra-se a


possibilidade no sistema de bombeamento predial, substituindo os motores elétricos que
acionam as bombas de recalque, por motores de combustão interna a gás natural.
Com relação ao estágio atual para esse tipo de aplicação, trata-se de algo inédito que,
pela pequena potência exigida, dependerá da adaptação da indústria nacional, com a
participação de agências de fomento para o desenvolvimento tecnológico.
O impacto do uso dessa tecnologia será verificado pela aceitação na substituição
local de transformação direta calor/trabalho, no eixo da bomba, pela energia elétrica utilizada
atualmente.
Quanto à viabilidade dessa substituição, mostrada no capítulo 6, a análise é feita com
base no consumo e a tarifa de gás natural e eletricidade, praticados pela concessionária no
segmento residencial.

5
Sychrava, J. Texaco mistura esgoto e carvão para gerar energia. Gazeta Mercantil, S. Paulo, p. 13, abril de 1991.
31

Dados fornecidos pela Empresa Brasileira de Estudo do Patrimônio (EMBRAESP),


mostram o número de edifícios construídos em 12 anos no município de S. Paulo.
Os números da tabela 1.4 mostram o potencial técnico para essa transformação, na
cidade de S. Paulo.

Tabela 1.4 Edifícios construídos na cidade de S. Paulo nos últimos 12 anos


Entre Entre
Mais de
Tipo de edifício 5a10 11 a 20
20 andares
andares andares
1.775 3.675 546
Residencial
(93.871 apto.) (282.914 apto.) (61.286 apto.)

69 351 49
Comercial
(3369 conj.) (29.106 conj.) (1.376 conj.)

Fonte : (EMBRAESP, 2004).

Um edifício de 10 andares necessita de uma bomba de 5 HP para bombeamento de


água à caixa superior do mesmo. Normalmente são instaladas 2 bombas, funcionando ou
alternadamente, ou tendo uma delas como reserva.
Alguns edifícios, dependendo da capacidade da caixa superior precisam ainda,
segundo a legislação, possuir uma bomba para combate a incêndio (MACINTYRE, 2002).
Em “Instalações Hidráulicas; Prediais e Industriais”, Macintyre (2002), apresenta o
cálculo de uma instalação de bombeamento em um edifício de 15 andares seguindo a Norma
NBR-5626/82, chegando a duas bombas de 7,5 HP.
Com relação a uma nova instalação, a comparação entre a utilização de um motor
elétrico e um motor de combustão a gás natural, embora o segundo necessite de um
investimento quase 4 vezes maior que o de motor elétrico, a instalação do motor a gás pode
apresentar vantagens econômicas para o consumo de energia.
Essa possibilidade traria uma grande abertura no mercado industrial brasileiro para o
desenvolvimento de pequenos motores a gás natural.
Já existem representantes no Brasil de empresas estrangeiras, que fabricam pequenos
motores a gás natural, ou motores do ciclo Otto, que poderiam ser convertidos a motores a gás
natural com potências variando entre 1,0 a 20 HP.
Um levantamento detalhado do potencial de utilização do gás natural nessa área
envolveria uma pesquisa de classes de edifícios e equipamentos instalados.
32

1.3.4.2 Bombeamento em serviços públicos

A grande capacidade instalada em serviços de abastecimento de água das grandes


cidades pode tornar atraente a substituição de motores elétricos por motores de combustão a
gás natural. Um exemplo desse potencial é a capacidade instalada pela concessionária de
serviço público, Saneamento Básico do Estado de S. Paulo (SABESP), em suas estações de
captação e abastecimento de água.
Sistemas de abastecimento de água com o acionamento de motores de combustão
interna a diesel, gasolina ou mesmo gás natural, já funcionam em várias cidades como
Amarillo, no Texas, Joliet, em Illinois, Sangre de Cristo e Santa Fé, no México, etc
(ENERGAS, 2003).
Neste caso a participação da indústria estrangeira será marcante, não havendo
possibilidades para a fabricação desses motores no Brasil a curto prazo, devendo a indústria
nacional preparar-se para responder a esta demanda tecnológica.
O impacto causado pode ser positivo, levando-se em conta a capacidade instalada e a
possibilidade de cogeração local nas estações de bombeamento.
Com relação ao potencial de substituição, o mesmo dependerá da tarifa conseguida
para a compra do gás natural, lembrando que por se tratar de serviço considerado essencial
tem baixas tarifas de energia elétrica.
Em São Paulo, a SABESP gerencia uma potência instalada de aproximadamente
312.000 kW, nos serviços de abastecimento de água e saneamento básico, no primeiro, onde
estão às bombas de maior interesse para o nosso estudo, perfazem um total de 242.000 kW.
Desses 242.000 kW, devemos descontar o total referente às quatro bombas da
elevatória de Santa Inês, pertencentes ao Sistema Cantareira, cuja capacidade dos motores
elétricos soma 80.000 CV (aproximadamente 58.880 kW), levando em conta que os motores
de combustão interna a gás natural têm seu limite tecnológico atual de 6.000 kW, conforme
será relatado posteriormente.
O sistema Guarapiranga possui 6 bombas de 5.400 kW, porém de eixo vertical, neste
caso, apesar de existir espaço disponível, constatado em loco, haveria necessidade de um
redutor angular de engrenagens cônicas para transmissão do torque, o que aumentaria os
custos de utilização do motor de combustão interno a gás natural.
Portanto, o potencial de substituição atingiria o valor de aproximadamente 150.000
kW.
33

1.3.4.3 Bombeamento em serviços de energia

O bombeamento em serviços de energia pode abranger uma grande gama de


serviços, que vão desde sistemas de alimentação de caldeiras para centrais termoelétricas,
circulação de água em condensadores e chillers e, no transporte de petróleo e seus derivados.
No BEESP o transporte de petróleo é considerado no setor de energia onde, a
aplicação das bombas centrífugas tem uma importante participação nos sistemas de
bombeamento de petróleo e seus derivados, principalmente no transporte do líquido entre
terminais e refinarias.
Dentro deste setor, as condições para substituição de motores elétricos por motores
de combustão interna a gás natural, na área dos terminais, alcançam grandes perspectivas,
tanto pelas condições técnicas favoráveis das instalações como pela possível disponibilidade
do gás natural.
Pela capacidade das máquinas envolvidas a participação da indústria estrangeira será
bastante acentuada, exigindo uma resposta tecnológica da indústria nacional a esta demanda.
O impacto causado por essa substituição pode ser positivo pelo aproveitamento do
calor rejeitado no motor de combustão interna em benefício da cogeração, que pode ser
utilizada em vários processos de redução da viscosidade do petróleo ou outros derivados.
Um estudo de viabilidade será elaborado, levando em conta a possibilidade técnica
da substituição, a tarifa do gás natural e da energia elétrica praticada atualmente pela
Empresa.
As bombas de processo de refinarias, embora apresentem um potencial menor para
essa substituição, podem torna-se futuramente em um elemento interessante para estudo
pontual.
Um exemplo dessa aplicação encontra-se nos terminais e refinarias da Petrobras, que
concentram um grande número de bombas com capacidades de interessante estudo na
substituição do motor elétrico por motor de combustão interna a gás natural.
Dados levantados pelo autor, contabilizaram no litoral paulista, 3 bombas de S.
Sebastião de 3000 HP cada uma, 7 bombas de 500 HP do terminal de Santos e 13 bombas de
800 HP do terminal de Cubatão.
34

1.3.4.4 Bombeamento no setor industrial

Os segmentos considerados pelo BEESP, 2004, no setor industrial, apresentam quase


60% do consumo do gás natural de todo o Estado de S. Paulo.
Esses segmentos, conforme a classificação setorial do balanço, compreendem:
a) indústria do cimento; b) indústria de ferro e aço; c) indústria de mineração e
pelotização; d) não ferrosos e metalurgia; e) química; f) alimentos e bebidas; g) têxtil; h)
papel e celulose; i) cerâmica; j) outros.
Foram coletados dados de empresas desses segmentos, verificando-se a possibilidade
de substituição dos motores elétricos por motores de combustão a gás natural em máquinas de
fluxo.
Do ponto de vista da participação da indústria nacional na fabricação de motores de
combustão interna a gás natural no acionamento de máquinas de fluxo, para uma faixa média
de potência, é possível o atendimento à demanda, com a adaptação de motores de ciclo Otto
veicular em motor estacionário.
O impacto causado poderá ser positivo, principalmente com a economia em
eletricidade e o aproveitamento em cogeração.
O potencial para substituição no setor industrial dependerá da aceitação da indústria
para essa tecnologia, das barreiras quanto às incertezas na política do gás natural e da
proporção da tarifa do gás natural, para fornecimento industrial com a tarifa da energia
elétrica paga atualmente pela indústria.
Vários fatores deverão ser considerados, como tipos de bombas, posição de
funcionamento, tipos de vedação etc.
Na indústria, a aplicação do gás natural já existe para uma série de transformações
inerentes aos processos industriais. A maioria desses processos é pela queima direta do gás na
realização da combustão e transformação em energia térmica como, por exemplo, em fornos e
caldeiras.
Para alguns casos de acionamento motriz, torna-se viável a substituição do motor
elétrico de indução pelo motor de combustão a gás natural. Entre os mais prováveis casos,
para essa substituição, estão o acionamento de grupos compressores, bombas centrífugas,
ventiladores e outros.
É para esse caso particular, que devem ser voltadas a atenção de um estudo mais
aprofundado no sentido de substituição do motor elétrico pelo motor de combustão interna a
gás natural.
35

Na industria paulista, numa estimativa realizada pelo autor, essa substituição


economizaria a instalação de duas unidades da Usina de Itaipu Binacional (720 MW cada
unidade).
Em 2003 a participação do gás natural na matriz energética no setor industrial foi de
apenas 12%. Desses 12% da participação do gás natural para o setor industrial no Estado de
São Paulo, aproximadamente 90 % são fornecidos pela COMGAS. O fornecimento total da
COMGAS, para o setor industrial chegou a 7,4 milhões de metros cúbicos diários e um total
de 767 clientes atendidos.
A distribuição para os diversos segmentos industriais pode ser verificada na figura
1.4. Deve ser notado que a divisão dos segmentos industriais da COMGÁS é mais abrangente
que a apresentada no Balanço Energético do Estado de São Paulo 2004.

0% 5% 10% 15% 20% 25% 30%

Eletro-Eletrônico 0,40%

Cerâmico 16,70%

Papel e Papelão 11,30%

Química Petroquimica 25,50%

Alimentos e Bebidas 9,60%

Siderúrgia 9,70%

Vidros e cristais 7,40%

Borracha 3,60%

Têxtil e M alharia 5,40%

M etalúrgia 5,60%

M ecânica Pesada 0,40%

Automobilística 2,10%

outros 2,40%

Figura 1.4 Distribuição de gás natural nos diversos segmentos industriais.


Fonte: (COMGÁS, 2004).

A maior aplicação do gás natural no setor industrial está na sua queima direta. Um
exemplo é a aplicação do gás natural na indústria cerâmica, onde o mesmo é utilizado nos
fornos de secagem e vitrificação do produto cerâmico. Na indústria cerâmica o número de
36

bombas instaladas, que justifiquem a substituição de motores elétricos por motores de


combustão interna a gás natural, é muito pequeno.

1.4 Metodologia

A metodologia aplicada para elaboração deste trabalho contará com pesquisa


bibliográfica, contatos com fabricantes e fornecedores de motores elétricos, bombas
centrífugas, ventiladores, motores de combustão interna, concessionárias de gás natural, sites
da internet e pesquisa de campo, abrangendo quatro setores identificados no balanço
energético do Estado de São Paulo: residencial, público, energético e industrial.
Para cada um desses segmentos serão aplicados os itens relevantes que auxiliam na
busca do objetivo.

1.5 Revisão bibliográfica

As referências citadas a seguir contribuíram para a configuração do trabalho


apresentado:
Barcellos (1995) faz uma comparação entre as políticas e o apoio dado ao gás
natural, em contraposição ao carvão energético, apresentando um conjunto de ações que
poderiam beneficiar o uso do carvão mineral, principalmente na geração de energia elétrica.
A International Energy Agency (2005) traz levantamentos de dados estatísticos sobre
o consumo das principais fontes de energia e a inserção dessas fontes na produção de
eletricidade em todo mundo.
Dos Santos et al. (2002) mostram nas páginas 140 a 152, possibilidades de utilização
do gás natural e um alerta de como devem ser desenvolvidas as tecnologias para utilização do
gás natural, evitando-se a todo custo o sentido simples da adaptação.
Strapasson (2004) analisa o paradoxo na utilização da energia elétrica para fins de
geração de calor em vários processos industriais, onde se poderia estar utilizando o gás natural
como fonte de energia.
Pfleiderer e Peterman (1979) apresentam uma classificação para as máquinas de
fluxo, incluindo as diversas divisões para uma abordagem de forma teórica e prática do seu
mecanismo de funcionamento.
Macintyre (1997, 1998) descreve as classificações para as máquinas de fluxo, e
várias aplicações das bombas centrífugas em diversas áreas. Apresenta ainda, uma
37

classificação dos ventiladores e suas aplicações. Em um outro livro, mostra o cálculo de


aplicação de bombeamento de água em um edifício de 15 andares.
Zulcy e Bran (1969) na classificação apresentada para as máquinas de fluxo seguem
basicamente a classificação e a descrição apresentada por Pfleiderer. Trazem o
dimensionamento hidráulico completo de uma bomba centrífuga radial e de uma bomba
centrífuga axial, utilizando exclusivamente o Sistema Internacional de medidas (SI).
Stepanoff (1982) apresenta um estudo sobre o início de operação de uma bomba
centrífuga, apresentando as curvas de conjugado ou torque em função da porcentagem da
rotação, inclusive uma sobreposição da curva de torque da bomba e do motor elétrico, para
um motor de quatro pólos e uma bomba de velocidade específica normal.
Lobosco e Dias (1989), no segundo volume de um livro publicado pela SIEMENS
comparam as curvas de conjugados de bombas e ventiladores de maneira bem detalhada. Com
relação às curvas dos ventiladores, chamam a atenção para o valor mínimo do conjugado do
ventilador entre 20 a 25% da rotação nominal do rotor. O volume 1 traz o cálculo do
conjugado de partida para motores elétricos.
Mamede (1995) indica uma relação de fórmulas para os cálculos de conjugado do
motor elétrico e da carga, mostra as fórmulas para as várias categorias de conjugados,
aplicados em diversos tipos de máquinas e, apresenta também, o cálculo para o tempo de
partida dos motores elétricos sobre diversas cargas.
A WEG (2002, 2004), nos manuais de motores elétricos, apresenta uma série de
informações que serviram como balizamento nas consultas técnicas, citando ainda, normas
relacionadas com a aplicação dos mesmos, como a ABNT, IEE, NEC, IEEE, NEMA, etc. Os
manuais, sobre os inversores de freqüência da WEG, CFW08 e CFW09, além dos inversores
de média tensão, trouxeram informações técnicas utilizadas no trabalho.
A SIEMENS (2004) possui um catálogo mundial sobre preços de motores elétricos
de diversos tipos, o qual serviu como parâmetro de comparação dos preços de motores
conseguidos no mercado nacional.
A ABB (2005), em seus manuais sobre inversores de freqüência, apresenta os
diversos modelos que cobrem as potências desde 50 a 32.000 kW para baixa e média tensão.
Rama e Giesecke (1995) em artigo publicado no IAS Petroleum and Industry
Conference, descrevem as oportunidades do uso do inversor de freqüência para controle de
rotação de motores elétricos e a evolução do uso dos mesmos em comparação dos antigos
motores com comutação de pólos. Alguns exemplos são mostrados inclusive para aumento de
rotação do motor.
38

Campana, Oliveira, Soares et al (2000) analisam, no trabalho apresentado no


“Encontro de Energia no Meio Rural”, a aplicação dos inversores de freqüência como uma
alternativa para racionalização do uso da energia elétrica em sistema de irrigação com pivô
central. Apresentam ainda, um gráfico comparando o preço do inversor de freqüência com o
motor elétrico Standard de mesma potência.
Arthur D. Little (2002) mostra um estudo consultivo sobre as oportunidades para
aplicação de tecnologias de micro geração no mercado americano, incluindo a participação de
turbinas a gás, motores de combustão interna e células de combustível. Faz uma comparação
entre as mesmas, que diz respeito à eficiência e emissão de gases poluentes.
O NREL-National Renewable Energy Laboratory, sobre os auspícios do United
States’s Department of Energy (DOE – 2003), através do Energy Efficiency and Renewable
Energy, traz uma série de caracterizações de tecnologias com utilização de gás natural em
motores de combustão interna, turbina a gás, mini turbina a gás, células de combustíveis,
entre outros. Apresenta parâmetros de preço, rendimentos, potencial de aproveitamento dos
gases de exaustão, água de refrigeração do motor, circuito de óleo de lubrificação e níveis de
emissão de diversos gases para várias faixas de potência dos motores. Serviu como excelente
parâmetro na comparação dos cálculos executados no trabalho. Dados de diversos fabricantes
são apresentados em tabelas e gráficos.
O Advanced Reciprocating Engine System (ARES-2005) em seguidos tópicos,
apresentados por conceituados fabricantes de motor de combustão, apresenta um programa de
aprimoramento do motor de combustão interna a gás natural para se alcançar um rendimento
em torno de 52% até o ano de 2009. Entre os principais tópicos colocados estão a ignição por
laser, a redução de atrito e a diminuição de emissões de NOx e CO.
Neber, Siebers, Di Julio (1994) analisam o comportamento de motores diesel
funcionando com gás natural. A ignição é feita com alta compressão e uma mistura inicial de
diesel e gás natural pulverizada é detonada por compressão.
Uitenbroek, Cremer e Klaemer (2003) apresentam as condições de funcionamento
do ciclo Miller, mostrando as vantagens e o aumento de rendimento com relação ao ciclo
Otto. Alem do ciclo Miller, expõem as características de funcionamento do mesmo com a
necessidade da válvula temporizada e do turbo compressor.
O EEA-Energy and Environmental Analysis (1999) mostra estudos sobre as
evoluções nos motores de combustão interna, relacionado com a emissão de gases prejudiciais
ao meio ambiente. Apresenta como base de estudos, alguns modelos de série dos principais
39

fabricantes e a possível progressão na redução de emissões, com estudos e desenvolvimento


tecnológico, até o ano de 2030.
A Caterpillar (1997), catálogo que mostra um estudo sobre os níveis de emissões de
NOx, CO e CO2 dos motores Caterpillar e os níveis de emissões permitido em diversos países.
Mesmo desatualizado, apresenta informações importantes sobre o mecanismo de geração dos
gases poluentes.
A Waukesha (2006), catálogo que apresenta a linha completa de motores de
combustão a gás natural fabricados pela empresa e inclui potência até 3.800 kW.
A SOTA - (2003) apresenta uma classificação dos motores estacionários e a
eficiência quanto à emissão de gases poluentes, dando uma nomenclatura e respectiva
abreviatura para todas as variáveis de emprego de controle de emissão. Apresenta ainda os
níveis de eficiência esperado para diversos tipos de combustíveis, correspondente a aplicação
de cada tecnologia empregada de catalisadores, filtros e melhorias de ignição.
Heisler (1995), livro bastante detalhado com inúmeros desenhos de motores de
combustão interna. O capítulo 6 apresenta os fundamentos e tipos de sistemas sobre
alimentação do motor. O capítulo 11 detalha uma série de tipos de injeção e os respectivos
mecanismos e bicos.
Taylor (1971), no volume 1, faz uma análise do efeito de atrito, lubrificação e
desgaste sobre o comportamento do motor. Expõem ainda, as equações básicas de transmissão
de calor na estrutura do motor.
Lora e Nacimento (2004) apresentam um enfoque sobre geração termelétrica. No
volume 1 aborda de maneira sucinta as turbinas a vapor, turbinas a gás, os motores de
combustão interna e equipamento e dispositivos auxiliares, como trocadores de calor,
recuperadores de calor, torres de resfriamento etc.
Boyce (2006) descreve os principais tipos de turbinas a gás natural, dá uma
classificação geral para as turbinas a gás e apresenta gráficos da eficiência térmica da turbina
em função da temperatura e da potência útil, no eixo de saída. Esse manual apresenta também
um estudo detalhado dos principais componentes da turbina, tais como compressores
centrífugos e axiais, tipos de combustores, rotor da turbina, materiais empregados, testes e
manutenção.
Kehlhofer, Bachmann, Nilsen et al (1999) analisam os ciclos combinados de turbina
a gás e turbina a vapor, apresentando a importância de diversas variáveis que influem no
rendimento do ciclo combinado. O capítulo 6, onde apresenta os tipos de turbinas, mostra a
importância e dá grande ênfase aos recuperadores de calor (Heat Recovery).
40

Eastop & MacConkey (1993), livro de termodinâmica aplicada que lembra a


abordagem de Faires (1978), porém com menos exercícios e figuras, mas que abrange desde
os conceitos, ciclos, até as aplicações nas máquinas térmicas, turbinas, motores, etc.
Bejan (1996) com um livro de estudo bastante avançado, que vai além do enfoque
deste trabalho e trata de maneira detalhada da minimização da geração da entropia. Analisa a
geração de entropia e a destruição de exergia do sistema, a geração de entropia no fluxo de
um fluido, e uma análise da geração de entropia nos trocadores de calor.
Van Wylen e Sonntag (1992), livro clássico de termodinâmica, que aborda toda
teoria elementar, voltado em grande parte para a termodinâmica química. Apresenta no
capítulo 8 um gráfico com a relação dos graus de funcionamento da árvore de manivela e a
disponibilidade do combustível. Esse mesmo gráfico (produzido pela “SAE Progress in
Technology Series) é utilizado por Goran Wall, em “Exergéticas”, trocando as palavras
disponibilidade por exergia.
Fadigas, Reis e Ramos (1999), comparam o custo do transporte do gás natural e linha
de transmissão em corrente contínua de alta voltagem, apresentando uma análise econômica.
Introduzem ainda uma fórmula para o cálculo da vazão e do custo da tubulação para
transporte do gás.
Parker (2005) apresenta um levantamento estatístico de preços de mais de 900
tubulações de transporte de gás natural variando entre 4” a 42”, entre os anos de 1991 e 2003.
Os custos são divididos em projeto, matéria prima, mão de obra, acessórios e direito de
passagem. Após o levantamento das linhas de tendência para cada item, apresenta a equação
geral para o cálculo do preço da implementação de uma tubulação de transporte de gás
natural.
Da Cruz (2005), em estudo sobre a redução dos custos operacionais do sistema
pneumático aeromóvel, de Porto Alegre, propõe a substituição do motor elétrico por motor de
combustão a gás natural no acionamento dos ventiladores com potência 170kW (231CV). A
substituição apresenta certas vantagens, embora o preço do gás natural no Rio Grande do Sul
não seja atrativo.
Barclay (1998) apresenta, de maior interesse para o trabalho, a composição dos gases
de exaustão de uma turbina a gás em base úmida, o que facilita o cálculo da exergia química
da mistura. Dá bastante ênfase a exergia das células a combustível, a partir do capítulo 4.
Boehm (1987) aborda a análise de projetos de sistemas térmicos. Os primeiros
capítulos dão ênfase à seleção do equipamento de uma central, tais como bombas,
ventiladores, compressores, turbinas, vasos de armazenagem, válvulas e tubulação. A partir
41

do capítulo 5 aparece a parte mais importante da publicação, com ênfase a “Avaliação


Econômica” do projeto. Grande ênfase é dada à estimativa do custo preliminar do
equipamento, onde o efeito do tamanho sobre o custo do mesmo é comentado antes da
apresentação da fórmula, que permite o cálculo do custo. No Apêndice D apresenta uma série
de parâmetros para avaliação do preço de quase 100 equipamentos de um sistema térmico.
EL-Sayed (2003), bem mais moderno que o anterior, apresenta uma abordagem
termoeconômica para a análise dos custos dos equipamentos de uma usina térmica. A
abordagem apresentada leva em conta a utilização de programas computacionais para a
solução e simulação dos problemas propostos. O apêndice 9.3 traz vários parâmetros para
diversos tipos de equipamentos, que devem ser utilizados na fórmula do cálculo do custo dos
mesmos. A tabela apresenta os coeficientes e parâmetros nos dois sistemas de unidade; S.I. e
o sistema inglês.
Bejan, Tsatsaronis e Moran (1996) abordam a otimização do projeto térmico.
Discutem a análise exergética dividindo-a em exergia física e exergia química. O capítulo 4
dá ênfase à parte de transmissão de calor, abordando a modelagem e a análise do projeto. O
capítulo 7, de análise econômica, apresenta a fórmula para parametrização do fator de escala
do equipamento, tabelando ainda, uma série de valores do expoente, que deve ser utilizado na
fórmula, para vários tipos de equipamentos. Porém, na avaliação de custo do equipamento é
bastante pobre, apresentando no Apêndice B; “Modelo Econômico de Sistemas de
Cogeração”, pouco mais de 10 itens.
Paulus e Tsatsaronis (2005) apresentam na publicação desse trabalho uma série de
fórmulas auxiliares para o cálculo de renda de exergia específica. Faz uma comparação entre
os princípios de renda específica exergética e custos específicos exergéticos, onde adianta
terem enfoques diferentes.
Kotas (1995) traz uma abordagem bastante clara sobre exergia, desde a sua
definição, conceito de exergia física, conceito de exergia química, exergia total, cálculo de
exergia de gases de combustão, diversos exemplos de aplicação em processos de compressão,
turbina a gás, etc. Apresenta fórmulas para o cálculo dos custos do sistema, baseado em 3
tipos de considerações: método da igualdade, método da extração, e método do trabalho, os
quais denominam de métodos autônomos.
Yantovskii (1994) apresenta no capítulo 3 diversas fórmulas para cálculo da
eficiência exergética de vários tipos de sistemas como centrais térmicas de potência, plantas
de cogeração, fundição elétrica e tratamento térmico, plantas químicas e metalúrgicas, etc.
42

Apresenta ainda uma tabela periódica dos elementos com a exergia Standard, a entalpia
standard e a substância de referência de cada uma.
Negri, Viera e Oliveira Jr (1999) utilizam as ferramentas apresentadas em Kotas
(1995) em um exemplo de aplicação, como fator comparativo entre configurações de usinas
termoelétricas. Compara os métodos de extração, igualdade e de trabalho útil, o qual chama
de método da eletricidade para uma usina térmica a vapor, tendo como combustível o gás
natural.
Pelegrini, Costa e Oliveira Jr (2005) apresentam um estudo de distribuição de custos
em sistemas energéticos, tendo como fundamental ferramenta de análise a termoeconomia.
Mostra um caso didático de um ciclo de geração a vapor, com uma extração de vapor da
turbina para atender uma demanda térmica. Nesse estudo são detalhados os métodos de
igualdade, de extração e eletricidade .
43

CAPÍTULO 2

O GÁS NATURAL

Neste capítulo serão vistos alguns aspectos que envolvem o uso do gás natural e sua
participação no mundo atual. Um breve posicionamento sobre os fatores que cercam essa
fonte de energia, justifica a sua aplicação em diversas tecnologias já existentes ou ainda em
pleno desenvolvimento.

2.1 Utilização do gás natural no mundo

O gás natural vem apresentando o maior índice de penetração na matriz mundial de


utilização de fontes primárias de energias não renováveis.
Conforme as estatísticas apresentadas, comparado com outras fontes energéticas a
evolução no uso do gás natural apresentou um aumento significativo nos últimos 30 anos.
Com a descoberta de novas reservas na Rússia e, sobretudo na Venezuela, essa fonte
de energia representa um potencial gradativo de substituição ao carvão mineral e aos
derivados de petróleo.

Nuclear Carvão
Outras 6,5% Mineral
0,5% 24,4%
Hidraulica
2,2%

Petróleo Energias
34,4% Renovaveis
Gás Natural 10,8%
21,2%

Figura 2.1 Participação das fontes primárias na matriz energética mundial.


Fonte: (IEA- INTERNATIONAL ENERGY AGENCY, 2005) (base 2003)

É importante observar que o gás natural, como fonte primária, também tem
participação na matriz de geração elétrica.
44

Neste caso, as centrais termoelétricas a gás natural, na maioria das vezes utilizando
turbina a gás, em ciclo simples ou combinado, vêm tendo grande aceitação, principalmente na
substituição das grandes usinas térmicas a carvão.
Em se tratando de usos finais, a distribuição, já incluindo a eletricidade, que pode ser
produzida pela participação de diversas fontes primárias, pode ser visualizada na figura 2.2.

Figura 2.2 Participação das fontes de energia nos usos finais e na eletricidade.
Fonte: (IEA, 2005). Adaptação do autor.

Com a primeira crise do petróleo em 1973, o gás natural, que já vinha tendo uma boa
participação na matriz energética mundial, começou a ter uma participação mais expressiva
juntamente com a energia nuclear. O gráfico da figura 2.3 mostra que no período entre 1973 e
2004 o gás natural foi a fonte de energia primária que mais vem aumentando de maneira
continua e progressiva 6 .

Evolução das fontes na geração de eletricidade


45
Participação anual ( %)

40
35
30
25
20
15
10
5
0
1973 2004
(6920 TWh) (16708 TWh)
Carvão Mineral Petróleo Gás Natural Nuclear Hidráulica Outras

Figura 2.3 Fontes de energia primária na produção de eletricidade.


Fonte: (IEA, 2005).

6
As barras apresentadas no quadro não exprimem os valores absolutos do aumento inicial da energia nuclear que
superou qualquer outra fonte (Ver dados estatísticos da BP, 2004).
45

A participação do gás natural, na matriz energética mundial, passou de 12% em


1973, para 21,2 % em termos de energia primária.
A participação do gás natural, na matriz energética de vários países, pode ser
visualizada na tabela 2.1, destacando-se a participação bastante acentuada na matriz
energética da Argentina e tímida no Brasil.

Tabela 2.1 Participação do gás natural na matriz energética de alguns países (%).

Gás Total
País Petróleo Carvão Hidráulica Nuclear
Natural Tep x106
Estados Unidos 40,4 24 25 2,6 8 2336,6
Canadá 31,5 26 10 26 6,5 317,5
México 64 24 5 5 2 147,2
Venezuela 36 42 0 22 0 69,2
Chile 46 19 16 19 0 27
Argentina 32 50 1,3 14 2,7 66,8
França 38 14 4,3 7 36,7 262,1
Alemanha 40 23 25 2 10 324
Inglaterra 34 38 18 1 9 227,3
Itália 52 33 8 7 0 183,9
Espanha 54 12 14,5 8,5 11 147,4
Holanda 50 40 9 1 0 94,7
Noruega 23 10 1,5 65,5 0 45,2
Índia 31 7,5 54 6 1,5 387,3
China 27,5 3 61 8 0,5 1554
Japão 48 14 20 14 4 524,6
Brasil 43 9,3 6,9 39,6 1,2 194,5
Turquia 42 22 28,5 7,5 0 89,7
Rússia 20 51 18 6 5 679,6
Coréia do Sul 52 11,5 23 0,5 13 224,5
Fonte: (BP- BRISTOL PETROLEUM STATISTIC, 2006). Países selecionados.

Pela tabela 2.1, pode-se notar que os países que possuem a maior participação do gás
natural em sua matriz energética são: Rússia, Argentina, Holanda e Venezuela, todas
superando 40 % de participação.
46

2.2 Utilização do gás natural no Brasil

A participação do gás natural no Brasil apresenta ainda um índice bastante baixo


quando comparado com outros países.
Por outro lado, quando falamos no consumo de gás natural, precisamos verificar as
condições de aproveitamento baseado principalmente nas reservas disponíveis.
As reservas brasileiras de gás natural ultrapassam os 450 bilhões de metros cúbicos,
dando um relativo salto em final de 2003 com a descoberta de 140 bilhões de m3 no campo de
Mexilhões, localizado na bacia de Santos e 110 bilhões de m3 descobertos no campo do Bloco
BS –500 (sem nome), localizado próximo ao município do Rio de Janeiro (GASNET, 2004).
O gráfico da figura 2.4 mostra a evolução das reservas de gás natural no Brasil desde
1980, já contando com os acréscimos da bacia de Santos e do Rio de Janeiro.

reservas de gás natural


500
Reservas em bilhões de Nm3

450
400
350
300
250
200
150
100
50
0
1980 1985 1990 1995 2000 2005
anos

Figura 2.4 Fonte: (ANP, 2005). Somadas as descobertas de Santos e Rio,


de Janeiro em 2004, se confirmadas como reservas prováveis.

Por outro lado, o consumo do gás natural ainda é bastante tímido, cerca de 51
milhões de m3/dia, em média, sendo 24 milhões de m3 /dia importados da Bolívia. Em 2004 se
importou, em média 22 milhões de m3/dia e em 2003, 16,6 milhões de m3/dia (ANP, 2005-
Relatório Mensal). A expectativa é atingir até 2010 o consumo de 80 milhões de m3 de gás
natural por dia.
A participação do gás natural na matriz energética nacional, de acordo com Balanço
Energético Nacional (BEN) de 2003 é mostrada na figura 2.5.
47

Outras
Cana renováveis
15% 3% Petróleo
lenha 32%
14%

Hidráulica Urânio Carvão Gás natural


24% 6,5%
1% 4,5%
Figura 2.5 Participação das fontes de energia primária na matriz energética nacional.
Fonte: (BEN, 2003).

Embora a produção brasileira atinja aproximadamente 48 milhões de m3/dia, grande


parte dessa produção ainda é queimada nas refinarias ou injetada nos poços de petróleo 7 .
Muitos países da América do Sul possuem uma participação do gás natural em sua
matriz energética superior a 20 % , como é o caso do Chile, Venezuela, Argentina e Bolívia.
No Brasil, mesmo com a massificação pretendida para utilização do gás natural e os esforços
da Petrobrás na instalação de dutos em todo território nacional, existe a previsão de que a
participação de 15% do gás natural na matriz energética nacional não será alcançada antes de
2010 (GASNET, julho 2004).
Deve-se levar em conta que grande parcela de gás é proveniente da compra de gás
natural da Bolívia, que ultimamente está sujeito a uma série de incertezas no âmbito político e
comercial.
O projeto ambicioso de se trazer gás natural da Venezuela com uma rede de
transporte de norte a sul, cruzando todo o território Nacional, poderia esperar as tentativas de
exploração das reservas descobertas e novas tecnologias de utilização do gás natural, como o
gás natural liquefeito. A tabela 2.2 apresenta o consumo médio diário de gás natural em todo
o território nacional, no ano de 2005, visualizado por Estado da Federação e a participação
das principais concessionárias de distribuição do gás natural.

7
Conforme dados da ANP – Boletim Mensal do Gás Natural (Dez.2005), para uma produção nacional de 17,6
bilhões de metros cúbicos anuais, houve um total de 2,99 bilhões de metros cúbicos re-injetados e 2,48 bilhões
em queima e perda, além de um consumo próprio em produção de 2,46 bilhões de m3/ano.
48

Tabela 2.2 Consumo médio de gás natural diário, por Estado e concessionária (103x m3/dia),

Geração
UF Concess. Industrial Automot Residenc. Comercial Cogeração total %
Elétrica
AL Algas 326 85 2,2 3,8 0 0 417 1,09
BA Bahiagás 2614 223 0 1 0 623 3461 9,07
BR 955 106 1 2 0 0 1064 2,79
MT Mtgás 0 0 0 0 1078 0 1078 2,83
RJ Ceg 1718 1815 244 185 509 202 4673 12,2
RJ Ceg Rio 2005 263 3,5 1,6 1231 0 3504,1 9,19
CE Cegas 224 173 0,2 0,3 167 25,6 590,1 1,55

SP Comgás 8994 1268 254 260 1180 590 12546 32,9


Gás
SP 152,6 15 0,5 1 0 0 169,1 0,44
Brasilian
S.Paulo
SP 892,5 60 8 8,7 0 0 969,2 2,54
Sul
PR Compagas 510 64 1 2,5 0,1 95,4 673 1,76
PE Copergás 654 186 0,1 0,8 1795 20 2655,9 6,96
SE Sergás 146 73 0,1 0,1 0 0 219,2 0,57
MG Gasmig 1226 278 0 17,3 107 0 1628,3 4,27
PI Gaspisa 0 1,7 0 0 0 0 1,7 0
MS Msgás 7,5 27,5 0 0,6 902 0 937,6 2,46
PB Pbgás 176 86 0 0 0 0 262 0,69
RN Potigás 160 173 0 1,3 0 2 336,3 0,88
SC Scgás 1067 204,5 0 3 0 0 1274,5 3,34
RS Sulgás 763 132 0 9,3 530 255 1689,3 4,43
Total 22590,6 5233,7 514,6 498,3 7499,1 1813 38149,3 100
Fonte: (ABEGÁS, abr. 2005 – publicado na revista Gás Brasil n.o 6).

Pode-se notar na tabela 2.2, que o Estado de S. Paulo, com três concessionárias
distribuidoras de gás natural, apresenta mais de um terço do consumo de gás natural do país,
merecendo um estudo à parte como os apresentados por Schuwyter (2001) e De Moraes
(2003).
O maior consumo do gás natural no Estado é proveniente da Bolívia, cuja tubulação
de transporte cruza todo o Estado com um diâmetro médio de 32 polegadas sendo capaz de
transportar, dentro das características atuais de projeto e construção, 30 milhões de m3/dia de
gás.
49

2.3 Utilização do gás natural no Estado de S. Paulo

A primeira privatização de empresa de gás natural em S. Paulo, a COMGÁS, ocorreu


em abril de 1999 (SCHUWYTER, 2001). Pode-se notar que embora existam ainda duas
outras empresas operando distintamente em outras regiões do Estado, a participação da
COMGÁS é predominante. Somente a COMGÁS responde por aproximadamente 92% do
volume de gás distribuído, e o restante dividido entre Gás Brasiliano e a São Paulo Sul.
A parcela de gás natural utilizada para geração de energia elétrica e cogeração é
ainda pequena, ou seja, dos 13.684,30 mil m3/dia de gás consumidos pelo Estado de S. Paulo,
somente 1.770 mil m3/dia são utilizados para geração elétrica, representando
aproximadamente 13% do volume de gás. A grande quantidade de gás ainda é utilizada para
transformação térmica direta, representada principalmente pelos processos industriais. Assim,
como a participação do gás natural é de apenas 4,1%, também na geração de eletricidade e
cogeração é de apenas 0,5% , o que mostra o paradoxo quando comparado com a participação
do gás natural na geração elétrica mundial, que chega a 21%.

2.3.1 Evolução do uso do gás natural no Estado de S. Paulo

A matriz energética do estado de S. Paulo mostra a participação do gás natural


quando comparado com outras fontes de energia utilizadas.
Embora o consumo do gás natural do Estado de São Paulo seja um terço de todo o
consumo brasileiro, pode-se verificar pela tabela 2.3 que a participação do gás natural ainda é
relativamente baixa, quando se faz as mesmas comparações já efetuadas anteriormente.

Tabela 2.3 Matriz energética do Estado de São Paulo. (consumo anual).


Fontes kcal x 109 Participação (%)
Petróleo 366780 53,7
Hidráulica 60367 8,8
Carvão 13609 1,9
Gás natural 28388 4,1
Cana de açúcar 190344 27,8
Lenha 11701 1,7
Outros Não Renováveis 13932 2

Fonte: BEESP, 2004.


50

2.3.2 Utilização do gás natural por setor de consumo

Ao se colocar o consumo de gás natural no Estado de S. Paulo, baseado no BEESP,


deve-se tomar certo cuidado, pois não aparece no balanço o consumo específico para o setor
energético, estando o mesmo incluído em outros, dentro do setor industrial 8 .
O setor industrial, embora seja aparentemente o maior beneficiado com a utilização
do gás natural, amarga ainda as incertezas de preço e da garantia de fornecimento com a
situação do gás boliviano.

Comercial;
Residencial; 73; 2,1% Público; 9;
94; 2,6%
0,3%
Energia;
455; 13%
Transporte;
346; 9,9%

Industrial;
2523; 72% m 3x106/ano

Figura 2.6 Participação do gás natural nos diversos setores do Estado de São Paulo.
Fonte: BEESP, 2004.

Dos Santos, E. M. et al. (2002) trazem uma série de aplicações para o uso do gás
natural, no setor industrial como nas indústrias; metalúrgica, vidro, alimentos e bebidas, têxtil,
papel e celulose, cerâmica, etc. Em nenhum desses casos o gás é citado como combustível de
uso final para geração de força motriz na área industrial. No setor veicular, no entanto, o gás
desfruta de grande aceitação em substituição ao álcool e a gasolina, fazendo do Brasil o
segundo colocado no ranking mundial, com Argentina em primeiro e Paquistão em terceiro.
O avanço total do gás natural para outro uso final, se não a queima imediata levada
por uma comercialização fácil e rentável as concessionárias, dependerá de uma cultura
gasífera nacional, que permita a difusão da informação e que disponibilize as tecnologias
necessárias (DOS SANTOS et al, 2002).

8
Balanço Energético do Estado de São Paulo 2004, página 34, nota de rodapé: “inclui o consumo das indústrias
de vidro, centrais elétricas e demais setores industriais”, totalizando 1.215 m3 x 106 em 2003.
51

2.4 O contraste da tarifa do gás natural

A razão entre a tarifa do gás natural e o preço da energia elétrica no Brasil apresenta
um valor maior em relação ao praticado em outros países. Em um levantamento feito pelo
autor entre o preço do m3 do gás natural e a preço do kWh elétrico, nos setores residencial e
industrial, constatou-se a grande relação entre o primeiro e o segundo, para as tarifas
praticadas no Brasil. Os dados foram obtidos do International Energy Agency (IEA)
divulgado em 2005, com os dados do ano de 2003, publicados no Key World Energy
Statistics.

BRASIL

Holanda

USA

Inglaterra

Turquia

Suiça

Portugal

Polonia

Espanha

M éxico

Itália Industrial

Irlanda Residencial

Hungria

Grécia

Alemanha

França

Finlandia

Rep.Tch.

Canada

Austria

0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00


razão entre tarífas (R$/m3 / R$kw h)

Figura 2.7 Razão entre a tarifa de gás e eletricidade para diversos países.
Fonte: IEA, 2005 (dados de 2003). Análise do autor.
52

A figura 2.7 mostra a razão entre a tarifa de gás natural e a tarifa de energia elétrica
de alguns países. Pode-se notar que o Brasil apresenta, junto com a França e a Áustria, a
maior razão entre as duas tarifas no setor industrial, enquanto que o Brasil ainda apresenta a
maior razão no setor residencial.
A razão elevada que apresenta o Brasil, torna a substituição de eletricidade por gás
natural menos favorável em relação aos outros paises.
A figura 2.8 mostra a evolução das tarifas de gás natural entre os anos de 2003 e
2005 nos setores residencial e industrial. Uma comparação entre a relação das barras indica
que o Brasil apresentou entre os países mostrados no gráfico o maior aumento, tanto no setor
residencial, quanto no setor industrial.

2,5
tarifa do gás natural (R$/m3)

1,5

0,5

0
Argentina Brasil Uruguai Chile Bolívia México Canada Estados
Paises Unidos

Residencial 2003 Residencial 2005 Industrial 2003 Industrial 2005


Figura 2.8 Proporção de aumento nas tarifas do gás natural entre 2003 e 2005
para vários países das Américas nos Setores Residencial e Industrial.
Fonte: (METROGAS, 2005 e 2003).

No Brasil um dos setores beneficiados por uma política de preços que tende a
incentivar o uso do gás natural está direcionado ao setor veicular. Isso representa grande
vantagem na substituição da gasolina por gás natural. Outro setor que se beneficia com a
política de preço é o setor energético.
53

CAPÍTULO 3

AS MÁQUINAS DE FLUXO

A máquina de fluxo tem a finalidade de transformar a energia hidráulica disponível


em trabalho mecânico, ou transformar o trabalho mecânico recebido em um eixo em energia
transmitida a um fluido para seu movimento.
Pfleiderer e Peterman (1979) classificam a máquina de fluxo no primeiro caso como
máquina motriz e, no segundo caso, como máquina operadora. Indo mais além, chamam a
máquina motriz de turbina e a máquina operadora de bomba. Conforme colocado por Bran e
Souza (1969), dentre as diversas categorias de máquinas, existe uma em quem o meio
operante é um fluido, a qual se denomina simplesmente de Máquina de Fluido. Esta categoria
pode ser dividida em duas grandes classes:
- Máquinas de Fluxo – MF
- Máquinas a Pistão - MP
Na primeira classe aparecem as turbinas hidráulicas, as bombas centrífugas e os
ventiladores. Na segunda, temos os motores Diesel e Otto, os compressores e bombas a
pistão, etc. Essa última extensamente analisada por Miller, J. E. (1995).
Macintyre (2002) classifica as máquinas hidráulicas em três grandes grupos:
Máquinas motrizes são as que transformam a energia hidráulica em trabalho
mecânico, geralmente em forma de conjugado que determina um movimento praticamente
constante. Os dois principais tipos de máquinas motrizes hidráulicas são as turbinas
hidráulicas e as rodas d’água, estudados por Quantz (1956), como motores hidráulicos.
Máquinas geratrizes ou operatrizes recebem energia motriz de outra fonte para
serem acionadas e transformam a energia recebida em energia hidráulica transmitindo essa
energia ao líquido nas formas de energia, potência de pressão e cinética. Pertencem a esta
categoria, todas as bombas hidráulicas.
Máquinas mistas são dispositivos hidráulicos que modificam o estado de energia que
o líquido possui, transformando a própria energia hidráulica de uma forma em outra. São
exemplos de máquinas mistas os ejetores, aríetes hidráulicos, etc.
O estudo de substituição de motores elétricos por motores de combustão interna a gás
natural abrangerá as bombas centrífugas e os ventiladores centrífugos, principalmente as
primeiras.
54

2.1 Bombas centrífugas

As bombas centrífugas desempenham atualmente um papel de grande importância.


Sob o ponto de vista industrial, elas ocupam o segundo lugar em importância, perdendo
apenas para o motor elétrico (LIMA, 2003).
As bombas mecânicas aparecem em segundo lugar coma a máquina mais utilizada
em todo o mundo (após o motor elétrico). Muitas pessoas ignoram como os diferentes tipos de
bombas trabalham e quantos tipos de bombas existem em um carro (HOFFMAN, 1998).
Macintyre (2002), levando em conta o modo pelo qual a bomba faz a transformação
do trabalho em energia hidráulica e o recurso para cedê-la ao líquido aumentando sua pressão
e/ou sua velocidade, classifica as bombas basicamente em:
a- bombas de deslocamento positivo ou volumógenas;
b- turbobombas, são também chamadas de hidrodinâmicas ou rotodinâmicas ou
simplesmente dinâmicas;
c- bombas especiais (bomba com ejetor, bomba de emulsão de ar).
Seguem a teoria de Euler, o que não acontece com as bombas de deslocamento e
rotativa.

Figura 3.1 Bomba centrifuga radial. Adaptado : DE MATTOS,1998.

Figura 3.2 Bomba centrífuga axial. Adaptado: DE MATTOS, 1998.


55

3.1.1 - Classificação das bombas centrífugas

Existem várias maneiras de se classificar as bombas centrífugas: quanto ao tipo de


rotor, sucção, número de rotores em série, pressão, posição com relação ao eixo etc. Porém,
para um estudo aplicativo, a melhor classificação é quanto a sua utilização. De fato, a bomba
centrífuga atingiu tal grau de participação nos diversos processos existentes, que ficou
particularizada a sua aplicação para esse fim específico. Assim por exemplo, bombas para a
indústria petrolífera seguem determinada norma, a American Petroleun Institute (API),
bombas para combate a incêndio a National Fire Protection Association (NFPA), bombas para
a indústria química, conforme Normas do American National Standards Institute (ANSI), etc.
Classificação das bombas centrífugas quanto a sua utilização:
1 – Bombas para sistema de esgotos;
2 – bombas para abastecimento de água;
3 – bombas de alta pressão para alimentação de caldeira;
4 – bombas de combate a incêndio;
5 – bombas para irrigação;
6 – bombas para indústria de papel e celulose;
7 – bombas para indústria petrolífera;
8 – bombas para indústria química;
9 – bombas para indústria alimentícia e bebida;
10 – bombas de drenagem;
11 - bombas de dragagem;
12 – bombas para indústria nuclear;
13 – bombas para serviço marítimo;
14 – bombas para sistemas de condensados;
15 – bombas para água de refrigeração.
Na maioria das aplicações as bombas centrífugas são acionadas por motores
elétricos, mas também podem ser acionadas por: motores de combustão interna, geradores
eólicos, fotovoltaicos e até mesmo, por turbinas hidráulicas 9 .
Existem casos específicos onde a utilização de um determinado tipo de acionamento
de força motriz já se tornou tradicional, como é o caso das bombas de irrigação, bombas de
drenagem e as bombas de dragagem.

9
A Empresa BETTA TURBINAS HIDRÁULICAS, localizada em Franca, Estado de São Paulo, fornece no
mercado bombas centrífugas e de pistão, acionadas por turbinas tipo Michel-Banki (fluxo cruzado).
56

3.1.2 Características da bomba centrifuga

A bomba centrífuga, seja ela radial ou axial, segue a TEORIA DE EULER aplicada
às máquinas de fluxo.
As principais características de uma bomba centrífuga são:
Vazão: fluxo do líquido em Volume/ tempo; exemplo, m 3/ s.
Altura manométrica: pressão em metros de coluna do líquido que a bomba consegue
transferir ao líquido.
Rendimento: relação entre a potência hidráulica e a potência real no acoplamento da
bomba. Assim, as principais curvas de uma bomba podem ser expressas em função da sua
vazão (Hm=f(Q) , P=f(Q) e η=f(Q)).

Figura 3.3 Curva das principais características Figura 3.4 Curva característica do sistema e
da bomba centrífuga função da vazão. ponto de funcionamento da bomba.

O conhecimento da curva da bomba e da curva característica do sistema é de grande


valia para a seleção da bomba e determinação do ponto de funcionamento do sistema.
A curva da bomba pode ser obtida através do catálogo do fabricante da bomba para
um determinado tipo de bomba, específica para uma particular aplicação e a curva
característica do sistema ou da instalação é obtida através de da situação da instalação como:
geometria, tipo do líquido, velocidade do líquido na tubulação, comprimento e diâmetro da
mesma (H.I. – Hydraulic Institute, 1999).
A altura manométrica do sistema pode ser dada por:
H m = H est . + ΔH (3.1)
57

Onde, a perda total de carga é dada pela expressão:


⎛ f .L .8 ⎞
ΔH = ⎜⎜ c 2 t 5 ⎟⎟.Q 2 (3.2)
⎝ g.π .d ⎠

Sendo, o coeficiente fc, também chamado de fator universal de perda de carga


retirado dos gráficos, função do número de Reynolds e da rugosidade relativa. Os demais
símbolos podem ser identificados na “Lista de Símbolos”.
A potência da bomba em kW, sendo γ em N/m3, pode ser dada pela fórmula:
γ.H m .Q
Nb = (3.3)
1000.η b
Normalmente, o fabricante costuma apresentar os gráficos para seleção de bombas de
duas diferentes maneiras. A primeira, como um mosaico, para uma seleção bastante simples e
rápida, o qual dá apenas o tipo da bomba entrando-se com a altura manométrica e com a
vazão, como pode ser visualizado na figura 3.5. A segunda maneira é encontrada no catálogo
específico, mais completo, de uma determinada família de bombas. Esse gráfico costuma
fornecer, além da altura função da vazão, o diâmetro do rotor, o rendimento para a gama de
aplicação, a potência e o Net Pressure Suction Head (NPSHr) 10 requerido pela bomba para se
evitar o fenômeno de cavitação.

Figura 3.5 Curvas das principais características de uma bomba centrífuga função
da vazão Q. Fonte: (KSB, 2005).

10
Traduzido por Pressão Positiva ou Líquida na Cabeça de Sucção.
58

3.1.3 Teoria da semelhança em bombas centrífugas

A teoria da semelhança em bombas centrífugas apresenta as relações existentes entre


as principais características de uma bomba e outra bomba semelhante à primeira, pode ser a
comparação de semelhança entre o modelo reduzido e a máquina real. Para dois rotores
semelhantes, conforme mostrado na figura 3.6.

Figura 3.6 Representação de bombas semelhantes.

Pode-se dizer que os rotores I e II são semelhantes para a finalidade de relação das
características quando forem satisfeitas as condições de semelhança geométrica e cinemática.
Assim tem-se:
- Relação entre vazões de 2 bombas semelhantes:
QI D3 n
= ( 3I ).( I ) (3.5)
Q II D II n II
- Relação entre alturas (pressão) de 2 bombas semelhantes:
HI D2 n 2
= ( 2I ).( 2I ) (3.6)
H II D II n II
- Relação entre as potências de 2 bombas semelhantes:
NI D5 n 3
= ( 5I ).( 3I ) (3.7)
N II D II n II

2.1.4 Velocidade específica e família de rotores

A velocidade específica é um número baseado em simplificações da teoria de


semelhança de máquinas hidráulicas, que serve para identificar o tipo de rotor, dentro de uma
família, conforme a faixa da rotação específica estipulada.
59

γ Q Q
ns = .n. 3 / 4 ou, no caso particular da água n s = 3,65.n. 3/ 4
(3.8)
75 H H

Figura 3.7 Família de rotores de bombas centrífugas conforme a velocidade


específica ns. Fonte: LOBANOFF (1992). Adaptado.

3.2 Ventiladores

Ventiladores são máquinas de fluxo, também designadas como máquinas


turbodinâmicas, que se destinam a produzir o deslocamento dos gases (MACINTYRE, 1997).
Os ventiladores são utilizados em vários lugares como indústria, comércio,
residências, etc. Servem para uma série de aplicações desde conforto térmico, processos de
exaustão de gases e poluentes, insuflação de ar, ventilação de climatização, processos
industriais, transporte de materiais e outros.
O ventilador é estudado como uma máquina de fluxo incompressível, porque o grau
de compressão a que o fluido está submetido é muito pequeno. Caso contrário, deveria ser
estudado como uma máquina térmica, como acontece com os turbo compressores.
Quando a pressão de compressão for superior a 245 MPa empregam-se os turbo
compressores, cuja teoria de funcionamento, em princípio, é igual ao dos ventiladores,
havendo porém necessidade de ser levado em conta os princípios termodinâmicos.

3.2.1 Classificação dos ventiladores


Existem várias maneiras segundo as quais os ventiladores são classificados. Cita-se a
seguir as principais, para um melhor entendimento 11 :

11
Outras classificações que podem ser citadas: quanto ao tipo do rotor: radial, helicoidal e axial; quanto a
modalidade de aspiração: simples ou dupla.
60

- Quanto à pressão:
a. Baixa pressão – até 0,02kgf/cm2 – 200 mmH2O
b. Média pressão – pressões de 0,02 a 0,08 kgf/cm2 – 200 a 800 mm H2O
c. Alta Pressão – pressões de 0,08 a 0,250 kgf/cm2 – 800 a 2500 mm H2O
d. Altíssimas pressões – pressões de 0,250 a 1,0 kgf/cm2 - 2500 a 10.000 mmH2O
- Quanto ao número de estágios:
a. Simples estágio
b. Duplo estágio – o ar passa pelo primeiro rotor, que comprime o mesmo para um
segundo rotor. Há um aumento na pressão final do ar.
A potência no eixo de um ventilador é dada pela fórmula,
γ.Q.H
N= (3.10)
1000.η v
Onde: γ = peso específico do gás (para o ar 11,77 N/m3)

3.2.2 Velocidade específica e família de rotores

A escolha do tipo de ventilador mais aconselhável para cada caso de aplicação é


determinada pela velocidade específica, ns.
Q
n s = 16,6. 3/ 4
(3.11)
H
Sendo: H em mm H2O (mm de coluna de água) e a vazão Q em l/s.
A figura 3.8 mostra a classificação dos ventiladores, conforme a velocidade
específica ns.

Figura 3.8 Velocidade específica e família de ventiladores. Fonte: (MACINTYRE, 1997).


61

As fórmulas de semelhança apresentadas para bombas e ventiladores são de grande


importância, quando se deseja saber o funcionamento do equipamento, principalmente em
uma rotação fora do especificado inicialmente pelo fabricante. A relação entre a vazão, altura
ou pressão, e potência, em função da rotação trará condições necessárias para a escolha do
equipamento de acionamento e o uso ou não de dispositivos que funcionem como redutor ou
multiplicador de rotação. É importante ter em mente que, a relação de potência varia com a
relação ao cubo da rotação para máquinas de fluxo.

3.3 Considerações

Nem todas as máquinas de fluxo podem apresentar as condições necessárias para


substituição do tipo de acionamento. Entre essas podem ser citadas as bombas com eixo
vertical, que para seu acionamento por motores de combustão interna necessitariam de um
conjunto de redutor cônico, as bombas de acoplamento magnético na maioria das vezes, as
chamadas bombas enlatadas (canned pumps) e os ventiladores axiais de parede.
As bombas enlatadas são utilizadas em instalações químicas de grande
responsabilidade, onde o contato do líquido ou gás que está sendo bombeado com a atmosfera
ou outro líquido do processo pode alcançar conseqüências irreversíveis em termos de
segurança da planta em operação, e colocar em risco vidas humanas. Também tem grande
aplicação na medicina e na indústria nuclear.
Nessa bomba, tanto o rotor como o motor elétrico ficam enclausurados em uma caixa
metálica. Os materiais utilizados, tanto no motor quanto na bomba, são altamente resistentes e
variam conforme a aplicação.
Para bombas de múltiplos estágios e com motor refrigerado pode-se atingir
atualmente 400 a 500 HP (NEUMAIER,1997) 12 .
A bomba fabricada pela Sulzer, tipo CE, exclusivamente para líquidos voláteis,
venenosos e a prova de explosões, isento de sólidos, opera em temperaturas de – 1600 C até
3000 C com pressão de 25 bar e vazões até 650 m /s (SULZER, 1999).
Nas bombas de acoplamento magnético, a transmissão é realizada através de um
magneto rotativo acionado diretamente pelo eixo do motor elétrico e um magneto interno,
ligado diretamente ao eixo de acionamento do rotor da bomba. A separação entre os dois

12
No Brasil, pequenas bombas desse tipo são fabricada pela Blindaflux Indústria e Comércio de Bombas
Hidráulicas Herméticas Ltda. e pela EMEBE do Brasil.
62

magnetos é feita por um invólucro metálico, que funciona efetivamente como elemento
hermético.
A diferença fundamental entre a bomba magnética e a bomba enlatada é que o motor
na bomba magnética fica fora do contato com o líquido e assim não sujeito aos ataques
químicos, altas temperaturas, podendo ter maior controle.
As potências atuais para esse tipo de bomba podem atingir entre 100 a 150 Hp,
devido às características na transmissão magnética (NEUMAIER, 1997).

3.4 Principais fabricantes de bombas centrífugas e ventiladores

Sendo um dos equipamentos mais utilizados em todo o mundo, as bombas


centrífugas possuem uma centena de fabricantes de todos os tipos e aplicações que se
referenciados abrangeriam varias páginas. Assim, serão citados os fabricantes mais
conhecidos e de maior penetração na industria nacional.
Entre os principais fabricantes nacionais de bombas centrífugas pode-se destacar a
KSB, que fabrica uma série de modelos de bombas para as mais diversas aplicações. Entre as
principais linhas estão as bombas ETA e ANS, praticamente para as mesmas finalidades e
com potências até 350 CV, as bombas Meganorm para indústria em geral e a Megachem para
indústria química, as WL/WK/WKL, bombas de alta pressão para alimentação de caldeiras.
A Sulzer, que oferece bombas especiais para várias finalidades, destacando-se a
CP/CPA para altas pressões e alimentação de caldeiras, a SPP/SPV/SPA para grandes vazões
e aplicação em indústria em geral, a série ZA/ZE/ZF, para refinarias, plantas petroquímicas,
criogenia, processamento de carvão etc.
Podem ser destacadas ainda a Mark Peerless, com a série AE de bombas bi-partidas
de dupla sucção e potências até 700 CV; A Imbil, com bombas de pequeno e médio porte e
potências até 750 CV, com as bombas BP e BEL. Existe ainda uma série de fabricantes
menores de bombas entre os quais a Jacuzzi, Schneider, Omell, Albrizzi Petry, Darko etc.
Entre os principais fabricantes mundiais destacam-se a Toshiba, Gould Pumps,
Worthington e a própria GE Energy.
Na fabricação de ventiladores podem ser destacadas a OTAM- Ventiladores
Industriais, que fornece vários modelos para exaustão de gases, ventilação, sopradores com
potências de até 600 CV, a Hidrotec com ventiladores de exaustão, ventilação e sopradores e
potências até 500 CV.
63

CAPÍTULO 4

ACIONAMENTOS DE MÁQUINAS DE FLUXO

Este capítulo apresenta as informações para compreensão dos equipamentos que


podem servir como acionamento de força motriz para as máquinas de fluxo. Serão
considerados os motores elétricos, com abordagem também aos inversores de freqüência, os
motores de combustão interna a gás natural e as turbinas a gás.

4.1 Motores elétricos

A maioria dos processos indústrias, comerciais e agrícolas utilizam a força motriz


para acionamento das máquinas necessárias a execução de várias tarefas. Grande parte dessa
força motriz é originária do motor elétrico, que transforma a energia elétrica em energia
mecânica, tornando-a disponível no eixo para acionar outras máquinas. Constituem o
equipamento mais utilizado na indústria (LOBOSCO; DIAS,1988).
Os motores elétricos, devido a sua versatilidade, construção, manutenção, instalação
e fácil acesso à fonte de energia, no caso a eletricidade, apresentam larga aplicação na
transferência de energia e grande utilização no mundo moderno 13 . Desde sua invenção o
motor elétrico sempre vem passando por uma série de desenvolvimentos e melhorias. A
figura 4.1 dá uma idéia da evolução na relação peso - potência.

Figura 4.1 Evolução no tamanho dos motores elétricos – 4 kW, 2pólos. Fonte: (WEG, 2003).

13
O motor de indução utilizando o campo girante foi inventado por Nicola Tesla durante o período de 1882 e
1887, porem, a máquina de M. D. Dolivo Dobrovolsky, desenvolvida entre 1888 e 1890, é a que mais se
assemelha aos motores atuais (IVANOV, 1984).
64

Os fatores para se chegar a essa relação estão na melhoria do isolamento e na


qualidade do cobre empregado, permitindo assim, menores seções dos fios empregados nos
enrolamentos.
Entre as máquinas de maior interesse acionadas pelo motor elétrico estão à bomba
centrífuga, o compressor, o ventilador, o laminador industrial, etc.
Uma das características dos motores elétricos é o fato de manterem a velocidade
constante dependendo do número de pólos do enrolamento e da freqüência da linha.

4.1.1 Classificação dos motores elétricos

A classificação geral de todos os tipos de motores elétricos existentes pode ser


verificada na figura 4.2.

Figura 4.2 Classificação geral dos motores elétricos. Fonte: (WEG, 2003).

Os motores mais utilizados são os de corrente alternada, pela disponibilidade e


facilidade de serem conectados, na maioria das vezes, diretamente a linhas de alimentação.
Para usos residenciais o motor mais utilizado é o de corrente alternada monofásico,
geralmente de 115 ou 220 V.
Para uso industrial os motores mais usados são os motores de corrente alternada
trifásicos, na maioria dos casos os motores assíncronos, também chamados de indução, com
65

rotor em gaiola, sendo os motores síncronos utilizados em alguns casos específicos, de


grandes cargas e mantendo-se a velocidade de regime.
A tensão trifásica para alimentação dos motores industriais pode variar de caso para
caso sendo as mais comuns:
- 220, 380, 440 V
- 660 e 760 Volts, preferencialmente para ligações industriais.
- 4.800 a 13.600 V para grandes motores de laminadores, complexos petroquímicos e
abastecimento de água de grandes cidades.

4.1.2 Freqüência em motores elétricos.

Conforme a norma NBR 7094 o motor elétrico deve ser capaz de funcionar com uma
variação de freqüência para mais e para menos de até 5%.
Se houver, ao mesmo tempo, variação de tensão, esta deve ser tal que a soma das
duas variações (freqüência e tensão) não ultrapasse 10%.
No Brasil a freqüência padronizada é de 60 Hz e a variação nas características
quando se liga um motor de 50 Hz em uma linha de 60 Hz ou vice–versa pode ser observado
pelas seguintes considerações:
Motores trifásicos, com freqüência de 50 Hz, poderão ser ligados também em
freqüência de 60 Hz.
a) Ligando o motor de 50 Hz, com a mesma tensão, em 60 Hz:
- a potência do motor será a mesma;
- a corrente nominal é a mesma;
- a corrente de partida diminui em 17%;
- o conjugado de partida diminui 17%;
- o conjugado máximo diminui 17%;
- a velocidade nominal aumenta em 20 %.
b) Se alterar a tensão em proporção à freqüência:
- aumenta a potência do motor em 20 %;
- a corrente nominal é a mesma;
- a corrente de partida será aproximadamente a mesma;
- o conjugado de partida será aproximadamente o mesmo;
- o conjugado máximo será aproximadamente o mesmo;
- a rotação nominal aumenta 20 %.
66

4.1.3 Limitação de corrente de partida em motores trifásicos

Sempre que possível, a partida de um motor trifásico deverá ser direta, por meio de
contatores. Deve-se ter em conta que, para um determinado motor, as curvas de conjugado e
corrente, são fixas, independendo da dificuldade da partida, para uma tensão constante. No
caso em que a corrente do motor na partida é elevada, podem ocorrer as seguintes
conseqüências prejudiciais:
a) Elevada queda de tensão no sistema de alimentação da rede. Isso provoca
interferência em equipamentos instalados no sistema;
b) sistema de proteção (cabos, contatores, etc.), deverá ser super dimensionado,
ocasionando um custo elevado;
c) imposição das Companhias Concessionárias, que limitam a queda de tensão na
rede.
Caso a partida direta não seja possível, pode-se usar partida indireta, tais como:
chave estrela triângulo, chave compensadora, chave série – paralelo, resistor primário, etc.

Tabela 4.1 Relação entre corrente de partida e corrente nominal do motor


para diversas máquinas quando acionadas por partida indireta
N.o de
Tempo
Tipo de Máquina Im/In manobras
(s)
horárias
Prensas e impressoras 1,25 5 – 15 10 – 20
Compressores com partidas
0,5 – 1,25 5 – 20 1 – 30
sem pressão
Compressores com partidas 1,5 – 2 5 – 20 1 – 30
com pressão
Bombas Centrífugas 0,75 – 2 5 – 25 1 – 30
Serras elétricas 0,75 – 1,25 3 – 15 3 – 10
Esteiras transportadoras 1,25 – 1,75 10 – 20 1-4
Ventiladores 0,6 - 1 2 – 15 1 – 30
Tesouras 1,75 - 2 15 – 30 1-5
Prensas com excêntricos 1,75 - 2 15 – 30 1-5
Centrifugadoras 1,75 - 2 100 - 300 1 - 10
Fonte: (WEG, 2000).

Com relação ao funcionamento e proteção dos motores elétricos, devemos levar em


conta:
1 – As categorias de conjugados de partida definidas pela norma NBR-7094
2 – Classes de isolamento – também de acordo com a mesma norma;
67

3 – Características do ambiente e Graus (ou classes de proteção)


4 – Utilização em ambientes perigosos e classificação de áreas de risco

4.1.4 – Categorias de conjugados

Nas curvas da figura 4.3 destacam-se as principais características e pontos


importantes do funcionamento de motores elétricos no que se refere ao conjugado e rotação
de um motor elétrico trifásico assíncrono.

Figura 4.3 Curva conjugado x rotação. Fonte: (MAMEDE, 1997)

São as seguintes as categorias:


Categoria N
Conjugado de partida normal, corrente de partida normal, baixo escorregamento.
Constituem a maioria dos motores encontrados no mercado e são usados em: bombas,
ventiladores, máquinas ferramentas, etc.
Categoria H
Conjugado de partida alto, corrente normal, baixo escorregamento. Usados para
cargas que exigem maior conjugado de partida, como peneiras, transportadores carregadores,
cargas de alta inércia, britadores, compressores alternativos.
Categoria D
Conjugado de partida alto, corrente normal, alto escorregamento (+ de 5%). Usados
em prensas excêntricas, tesouras, dobradeiras e máquinas semelhantes, onde a carga apresenta
68

picos periódicos. Usados também em elevadores e cargas, os quais necessitam de conjugado


de partida alto e corrente de partida limitada.
Conjugado médio do motor
Muitas vezes, para facilidade do cálculo de conjugado, substitui-se a curva de
conjugado do motor elétrico pela fórmula do conjugado médio do motor.
Para as categorias N e H, o Cmm (conjugado médio do motor) pode ser calculado por:
Cmm= 0,45x (Cp + Cmax) (4.1)
Para a categoria D:
Cmm=0,6x Cp (4.2)

4.1.5 Conjugado de carga

Uma carga mecânica associa-se a um par de conjugados C, rotação n e potência N,


através da relação:
N
C = k. (4.3)
n
k = constante que depende das unidades
A curva C em função de n é uma característica fundamental para o processo de
seleção do motor adequado ao acionamento, sendo que o conjugado resistente depende da
carga , mas pode ser representado pela expressão:
C r = C 0 + k c .n x (4.4)
kc = constante que depende da carga
x = parâmetro que depende da carga, podendo assumir os valores de 0 a 2
De acordo com a equação, percebe-se que o conjugado da carga Cr varia com a
rotação n. Esta variação depende do parâmetro “x”. De acordo com a variação de x, podemos
ter o seguinte tipo de carregamento.
a)- Cargas com conjugado resistente constante ( x = 0 );
b)- Cargas com conjugado resistente linear ( x = 1 );
c)- Cargas com conjugado resistente quadrático ( x = 2 );
d)- Cargas com conjugado resistente hiperbólico ( x = -1 ).

a - Conjugado constante (x=0)


Para esse tipo de carga tem-se:
Cr = C0 + kc (4.5)
69

Nas máquinas desse tipo o conjugado permanece constante durante a variação da


velocidade e a potência aumenta proporcionalmente com a velocidade. A potência pode ser
dada por:
Nr = kc . n (4.6)
Esse tipo de carga é encontrado nos equipamentos de levantamento (guindastes,
pontes rolantes, pórticos, elevadores de carga) , correias transportadoras, laminadores,
extrusoras, bombas de pistão, etc. O gráfico correspondente é dado pela figura 4.4 (A).

b - Conjugado linear (x = 1)
Para esse tipo de carga tem-se:
Cr = C0 + kc . n1 (linear) (4.7)
A potência nesse caso varia com o quadrado da rotação,
Nr = C0 . n + kc. n2 (4.8)
Esse tipo de carga é encontrado em calandras, freios de Foucaut, serra para madeira,
etc. O gráfico correspondente a potência e ao conjugado é representado na figura 4.4 (B).

c - Conjugado quadrático (x = 2)
Neste caso o conjugado da máquina possui o expoente x = 2 , e a fórmula fica:
Cr = C0 + kc . n2 (parabólico) (4.9)
E a potência varia com o cubo da rotação, conforme a fórmula:
Nr = C0 . n + kc . n3 (4.10)
Esse tipo de carga aparece principalmente nas máquinas de fluxo, que são o enfoque
deste trabalho: bombas centrífugas, ventiladores centrífugos, agitadores, compressores
centrífugos, exaustores etc. O gráfico desse tipo de carga é representado na figura 4.4 (C).

d - Conjugado hiperbólico (x =-1)


Para esse tipo de carga aplicada a uma máquina temos:
Cr = k c / n (hiperbólico) (4.11)
Neste tipo de carga despreza-se constante C0, pois a mesma teria valor infinito, o que
não tem sentido físico. A potência é dada pela equação:
Nr = k c (constante) (4.12)
A curva do conjugado e potência em função da rotação está representada na figura
4.4 (D).
70

Exemplos de aplicações desse tipo de carga aparecem nas máquinas operatrizes em


geral (tornos, furadeiras, mandrilhadoras, etc.), bobinadores, perfuratrizes etc.

(A) (B) (C) (D)


Figura 4.4 Características do Conjugado e Potência em função da rotação para
determinados tipos de cargas. Fonte: (WEG, 2003)

Conjugado médio da carga


Assim, como no conjugado médio do motor, torna-se interessante conhecer o
conjugado médio da carga, o qual é colocado por:
- Cargas de conjugado constante (x=0):
Cmc = Ci + β (4.13)
- Cargas de conjugado linear (x=1):
Cmc = Ci + 0,5x βx n (4.14)
- Cargas de conjugado parabólico (x=2):
Cmc = Ci+0,33x βx n (4.15)
- Cargas de conjugado hiperbólico (x=-1):
β
C mc = (4.16)
n
O coeficiente β é dado pela seguinte fórmula:
C r − Ci
β= (4.17)
n2

4.1.6 - Classes de isolamento

Sendo o motor elétrico de indução uma máquina robusta e de construção simples, a


sua vida útil depende, na maioria dos casos, da vida útil da isolação dos enrolamentos.
71

Assim, o fator de temperatura de trabalho dos materiais isolantes do motor é um dos


mais importantes. Um aumento de 8 a 10 graus na temperatura de isolação de um motor,
reduz sua vida útil pela metade.
As classes de isolamento aplicadas as máquinas elétricas e os respectivos limites de
temperatura, segundo a norma NBR-7094, são:
- Classe A – 1050C: seda, algodão, papel e similares impregnados em fluido isolante.
- Classe B - 1200C: fibras orgânicas sintéticas.
- Classe C - 1300C: asbesto, mica e materiais a base de poliéster.
- Classe D - 1550C: fibra de vidro,amianto associado materiais sintéticos.
- Classe H - 1800C: fibra de vidro, mica, asbestos associado e silicones.
As características tratadas anteriormente são as mais importantes para análise de
aplicação e seleção dos motores elétricos, para acionamento de máquinas de fluxo. Contudo, é
importante identificar os principais dados, que aparecem na placa de um motor elétrico, como:
fabricante, tipo (indução, anéis, síncrono, etc.), modelo e número de fabricação, potência
nominal, número de fases, tensão nominal, corrente (contínua ou alternada), freqüência (50
Hz ou 60 Hz), rotações por minuto (rpm), intensidade nominal da corrente (In), regime de
trabalho, classe de isolamento, letra código e fator de serviço.

4.1.7 Principais fabricantes de motores elétricos

No que diz respeito aos fabricantes de motores elétricos, o Brasil possui um número
significativo de fabricantes, que produzem motores com uma grande gama de potências. Entre
os principais fabricantes merecem destaques as empresas WEG, Siemens e GE.
A empresa WEG produz motores elétricos assíncronos, trifásicos, de linha, com
gama de potencias de 0,12 kW a 370 kW. Fabrica ainda, sob medida motores de indução de
média e alta tensão da Classe M até 50.000 kW e tensões de 220 a 13.800 V, da Classe H até
3.500 kW, e tensões de 220 a 6.900 V.
A Siemens produz dentro da mesma categoria motores na gama de potência de 0,25
kW até 1.200 kW. Na linha de motores de grande potência com fabricação especial, pode ser
destacado o motor de 20.000 HP (14.900 kW), fabricado para a quarta bomba da elevatória de
Santa Inês.
Dentre os fabricantes estrangeiros podem ser destacados a Toshiba, a GE Industrial
Systems, a Hitachi.
72

4.2 Conversores estáticos de freqüência

Até meados da década de 70, os motores síncronos com comutadores de pólos eram a
única opção disponível para variar a rotação de motores elétricos de média–alta voltagem, alta
potência. Assim, esses motores foram largamente empregados em diversas instalações de
companhias dos Estados Unidos, Japão e Europa, muitas delas persistindo até hoje,
exemplificadas na tabela 4.2, principalmente para acionamento de bombas de alta pressão na
alimentação de água de caldeiras de antigas centrais termoelétricas.
Após meados da década de 80, com a introdução do inversor eletrônico de
velocidade aplicado ao motor de indução foi possível a variação da rotação do motor elétrico
e a aplicação em diversos processos utilizados atualmente (RAMA, 1995).

Tabela 4.2 Aplicações de variação de rotação com comutadores de pólos

Tipo de Ano de Potência Máxima


Indústria Instalação Aplicação Qtd. Unidade velocidade
(MW) (rpm)
Textil 1989 Processo 1 1000 3960
Textil 1990 Processo 1 1000 3960
Papel e Celulose 1990 Alimentação 2 2500 3780
Refino de Petróleo 1991 Bombeam/ 1 3000 4000
Tubulação de gás 1991 Compressor 2 7000 5500
Papel e Celulose 1991 Alimentação 1 2500 3960
Tubulação de Petróleo 1993 Bombeam/ 2 700 3960
Produtos de refanaria 1994 Bombeam/ 16 2500 4200
Produtos de refanaria 1994 Bombeam/ 4 3000 4200
Tubulação de gás 1994 Compressor 2 6700 6000
Produtos de refanaria 1994 Bombeam/ 3 2500 4000
Produtos de refanaria 1995 Bombeam/ 24 2500 4000
Tubulação de gás 1995 Compressor 2 7000 5500
Produção de gás 1993 Compressor 1 900 6800
Fonte: (RAMA, J. C.;GIESECKE, A.,1995).

O mais eficiente método de controle de velocidade de motores de indução trifásico,


com menores perdas no dispositivo responsável pela variação da velocidade, consiste na
variação da freqüência da fonte alimentadora, através de conversores de freqüência, onde o
motor pode ser controlado de modo a prover um ajuste contínuo de velocidade e conjugado
com relação à carga mecânica.
73

A grande importância da utilização dos conversores de freqüência na prática pode ser


exemplificada pela tabela 4.3, na utilização da variação de rotação de motores para diversas
aplicações.
Tabela 4.3 – Aplicações de variação de rotação com inversor de freqüência
Potência Máxima Faixa de
Ano de
Indústria Aplicação Qtd. da rotação rotação
Instalação
unidade (rpm) (%)
(MW)
Gás 1982 Compressor 1 18.7 5200 58 to 100
Gás 1994 Compressor 2 35 4500 50 a 120
Gás 1994 Compressor 5 41 3750 66 to 105
Petroquímica 1985 Ventilador 4 2.7 5900 67 to 100
Petroquímica 1986 Compressor 1 17 4850 82 to 100
Petroquímica 1990 Compressor 3 19.9 5405 65 to 100
Energia 1980 Bomba de Alim. 2 12 5100 16 to 100
Energia 1986 Compressor 1 11.4 5100 59 to 100
Energia 1990 Bomba de Alim. 1 6.7 4655 83 to 113
Energia 1991 Bomba de Alim. 2 7.6 5200 11 to 100
Energia 1991 Bomba de Alim. 3 11.8 5050 10 to 100
Energia 1991 Bomba de Alim. 2 11.1 4750 10 to 100
Energia 1992 Bomba de Alim. 2 11.1 4750 10 to 100
Energia 1993 Bomba de Alim. 1 6 4655 83 to 113
Energia 1994 Bomba de Alim. 1 12,5 4650 10 to 100
Fonte: (RAMA, J. C.;GIESECKE, A.,1995).

Já existem equipamentos no mercado que cobrem a faixa de aplicação em motores de


0,5 kVA a 72 MVA. No Brasil, os modelos PW-9, fabricados pela WEG podem ser
empregados para motores de até 1,1 MVA, com tensões variando de 220 a 690 V.
A WEG também fabrica os modelos PW-8, para baixa tensão, e aplicações em
motores monofásicos e trifásicos de 0,18 kW a 7,5 kW com tensões entre 220, 380 e 440 V.
Outro modelo fabricado pela WEG para médias tensões é o modelo MVW-01, para
potências entre 400 a 1.600 kW, em tensões de 3.300 e 4.160 V.
Além da WEG, também a SIEMENS e a ABB, fabricam esses tipos de conversores
de freqüência no Brasil.
74

4.2.1 Tipos de conversores estáticos de freqüência

Um conversor de freqüência converte a tensão na rede de amplitude e freqüência


constantes em uma tensão de amplitude e freqüência variáveis. Esta conversão pode ser obtida
direta e indiretamente.
- Conversão direta : onde se enquadram os ciclos conversores;
- Conversão indireta: onde se enquadram os conversores com circuito intermediário.
As modernas aplicações atuais aplicam a técnica de conversão indireta, a qual será
dada ênfase nessa explanação.

4.2.2 Conversor regulador indireto- conversores com circuito intermediário

O conversor indireto é composto de um retificador (controlado ou não), que produz


uma tensão contínua, e um inversor que produz a partir desta tensão contínua uma tensão
alternada de freqüência variável. O desacoplamento entre o retificador e o inversor é feito
com um circuito intermediário (link DC), de tal forma que a formação da tensão de saída é
completamente independente da rede em termos de tensão e freqüência.
O conversor indireto pode ser classificado quanto às características de seu circuito
intermediário:
- Circuito intermediário com corrente imposta;
- Circuito intermediário com tensão imposta.

4.2.2.1 Técnica da corrente imposta

Nos conversores de freqüência de corrente imposta, a corrente é imposta ao motor e,


conseqüentemente, a amplitude, e o ângulo de fase da tensão é que dependem das condições
de carga do motor.
Basicamente, o conversor é composto de um retificador controlado (tiristores), um
circuito intermediário CC com uma indutância responsável pela corrente imposta, e de um
inversor com diodos de bloqueio e capacitores de comutação.
Como o dispositivo de comutação opera em função da carga, este conversor é mais
adequado a acionamentos monomotores. Comparando-se com os conversores de tensão
imposta ele apresenta as seguintes vantagens:
75

a) possibilidade de operação nos quatro quadrantes, sem a necessidade de incremento


de equipamentos adicionais;
b) circuito de comutação extremamente simples e de custo relativamente pequeno;
c) os tiristores do inversor têm aproveitamento otimizado quanto a sua capacidade
em função da forma retangular da corrente.
Este conversor de freqüência tem aplicação garantida onde as exigências da carga
são atendidas de forma melhor pelos motores síncronos. As razões principais para a escolha
deste tipo de motor são:
- acionamento de grande potência aliado a uma alta velocidade;
- em motores de grande potência, estes conversores dispõem de um rendimento
consideravelmente maior do que o de um motor de indução;
- características torque-velocidade durante a partida sensivelmente melhor do que
nos motores de indução (assíncrono).
- possibilidade de geração de potência reativa.

4.2.2.2 Técnica de tensão imposta

Através de um conversor de freqüência de tensão imposta, a tensão do circuito


intermediário CC (link DC) é imposta ao motor e a amplitude, e o ângulo de fase da corrente
do motor dependerá da carga a ser acionada.
Sendo necessária para este tipo de conversor a característica de se manter a relação
V/f (tensão/corrente) constante, para se obter um fluxo de magnetização constante e
conseqüentemente o torque disponível no motor igual ao nominal para qualquer rotação.
Nos sistemas com tensão imposta, existem duas formas de se obter esta relação V/f
(tensão / freqüência) constante. São elas:
- Tensão no circuito intermediário variável;
- Tensão no circuito intermediário constante.
Tensão no circuito intermediário variável
Neste sistema, o retificador de entrada é composto por tiristores que são controlados
de forma a fornecer uma tensão no circuito intermediário variável em função da freqüência de
saída fornecida ao motor, freqüência esta que é determinada através da ponte de tiristores que
comutam (liga-desliga) em uma seqüência controlada, de forma a se obter na saída um
sistema trifásico, com uma forma de onda de tensão definidos.
Tensão no circuito intermediário constante
76

Com este sistema, a tensão no circuito intermediário é constante e obtida através de


uma ponte de diodos e um banco de capacitores que formam o circuito intermediário (link
DC). Dentro deste sistema enquadra-se o conversor de freqüência com modulação por largura
de pulsos o PWM (Pulse Width Modulation).
Simplesmente, e o que mais interessa é dizer que o conversor de freqüência é um
equipamento eletrônico destinado à variação de velocidade de motores de indução trifásicos
(motores assíncronos), composto de 3 etapas distintas, a saber:

A - Etapa de entrada (retificadora)


Composta de pontes trifásicas, ou em alguns casos de pontes monofásicas de diodos
que fazem o papel de retificação da tensão e freqüência alternada da rede com valor fixo (por
exemplo: 440 V, 60 hz), transformando-a em corrente contínua (CC).

B - Etapa de filtragem (circuito intermediário)


Esta etapa é composta por capacitores eletrolíticos, que tem como função principal, a
troca de potência reativa com o motor, ou seja, nos momentos em que o motor opera como
“motor” ou como “gerador”, são os capacitores que fazem estas trocas de energia com o
conversor. Além desta função, estes componentes também têm o objetivo de diminuir as
ondulações na tensão que foi retificada pela etapa de entrada (retificadora) e de garantir o
fornecimento de tensão CC a etapa seguinte (inversora).

C - Etapa de potência (inversor)


Nesta etapa se processam as maiores transformações do sinal contínuo (tensão CC)
vindo do circuito intermediário.
Com um sinal contínuo perfeito, os semicondutores que compõem o inversor, através
de técnicas digitais (p.ex: PMW - modulação por largura de impulso), conseguem chavear
este sinal e através do controle do tempo de “ligamento e desligamento” dos semicondutores,
fazer o valor médio deste variar, conseguindo assim produzir uma onda senoidal, que será
aplicada ao motor.
Todo este processo é supervisionado por micros controladores que, juntamente com
memórias pré-programadas, conseguem fazer com que o mesmo se desenvolva dentro de
características desejadas.
A figura 4.5 representa o esquema das principais partes de um conversor de
freqüência que opera segundo o princípio PMW.
77

Figura 4.5 Funcionamento de um conversor PWM


Fonte: (WEG, 2002)

Assim sendo, as curvas de características de torque, potência, corrente etc., no motor


também se alteram, isto porque se passa a controlar algumas variáveis que fazem parte do
“Equacionamento Básico das Máquinas Assíncronas” (motores de indução CA).
A rotação de uma máquina assíncrona é dada por:
120.f .(1 − s)
n= (4.18)
Np
A relação entre a tensão e freqüência no motor deve ser mantida constante;
V
= cons tan te , (4.19)
f
O fluxo magnético é proporcional à variação da tensão e inversamente proporcional a
freqüência aplicada ao enrolamento estatórico do motor:
V
Φ= (4.20)
K.f .Z
O conjugado ou torque pode então ser colocado da seguinte forma:
C = K 1 .Φ.Ir. cos ϕ (4.21)
Observa-se que para variar a rotação de uma máquina, pode-se variar a freqüência
(f), o escorregamento (s) ou o número de pólos (Np).
O ideal no caso do inversor de freqüência é obter uma variação da freqüência que se
aplica ao enrolamento estatórico do motor, variando juntamente a tensão aplicada ao mesmo
enrolamento, conseguindo assim alterar a rotação do motor (n) e, ao mesmo tempo, manter o
conjugado ou torque constante.
78

Como o torque precisa ser mantido adequado e este só se mantém constante se o


fluxo permanecer também constante, tem-se que variar então a tensão (V), juntamente com a
freqüência (f).
Desta maneira, o fluxo (φ) ficará constante e, conseqüentemente o conjugado (C)
será constante, e por sua vez se terá uma variação de velocidade com conjugado constante
dentro de certos limites.
A variação V / f é feita linearmente até a freqüência nominal do motor (por ex: 60
hz), acima desta, a tensão que já é nominal, permanece constante e há então apenas a variação
da freqüência que é aplicada ao enrolamento do estator, como pode ser observado pelo gráfico
da figura 4.6.

Figura 4.6 Variação da tensão, potência e conjugado com a freqüência


em um inversor PWM. Fonte: (WEG. 2005).

Com isso existirá uma área acima da freqüência nominal denominada “região de
enfraquecimento do campo”, ou seja, uma região onde o fluxo (φ) começa a decrescer e,
portanto, o conjugado (C) também começa a diminuir. Podemos notar então que o conjugado
permanece constante até a freqüência nominal e acima desta começa a decrescer. A potência
de saída do conversor de freqüência segue a variação V/ f, ou seja, cresce linearmente até a
potência nominal e permanece constante acima desta.
Mediante as explicações expostas, podemos concluir que a maior variação entre a
potência e a rotação acontece para uma aplicação de carga que apresenta um conjugado de
forma quadrática. A variação de potência, neste caso, varia com o cubo da rotação. Isso
acontece nas máquinas de fluxo e, portanto, torna-se importante estudar o comportamento das
máquinas quando acionam, por exemplo, as bombas centrífugas e os ventiladores.
79

4.2.5 - Aplicações de conversores de freqüência

O conversor de freqüência tem sido utilizado para instalações onde se deseja operar
com gamas de rotação, variando conforme a necessidade do processo.
Em instalações de ventiladores para se insuflar ar em fornos onde a relação ar/
combustível pode variar, dependendo da necessidade da operação, em estações de captação e
tratamento de esgoto, onde a vazão de efluente varia temporariamente, em produção de
produtos químicos, onde a dosagem de um produto pode ser controlada em razão da massa
total, etc.
O gráfico da figura 4.7 apresenta um exemplo da economia de energia com o uso do
inversor ou conversor de freqüência aplicado em um sistema de bombeamento ou ventilação.
Operando normalmente, a energia consumida seria dada pela área OABCO, para a
máquina funcionando com a vazão Q1. Para redução da vazão do sistema, por exemplo,
funcionando com a vazão Q2, pode-se aumentar a perda de carga do sistema, fechando-se uma
válvula, onde se teria a energia consumida OA'B”C”O, ou então instalando-se um conversor
de freqüência, que possibilitaria a diminuição da rotação da bomba de n1 para n2, alcançando a
vazão Q2 e consumindo a energia da área OA'B’C’O. Conseqüentemente, a energia
economizada durante o processo seria a área B’B”C”C’B’.

Figura 4.7 Aplicação do conversor de freqüência na economia


de energia em uma máquina de fluxo.

Deve ser lembrado ainda, que embora não transpareça na figura a variação da
potência da máquina entre Q1 e Q2, foi reduzida com relação à razão ao cubo da rotação e
conseqüentemente a energia também.
80

Para casos de aplicação em máquinas de fluxo, ou outro equipamento, cuja potência


esteja relacionada com a relação da rotação ao cubo necessitem de aumento da rotação, ao
invés da diminuição o uso do conversor de freqüência deve ser analisado com mais rigor, pois
uma implicação de aumento da potência poderá colocar em risco o projeto mecânico do
equipamento, no que diz respeito ao dimensionamento de eixos, vida útil dos rolamentos, etc.
Contudo, o preço dos inversores de freqüência é caro e somente uma boa análise
sobre o retorno do capital na aplicação do motor elétrico mais inversor de freqüência para
certas aplicações, deve ser decisória para viabilizar a aplicação do mesmo. A figura 4.8
mostra a relação entre o preço dos inversores de freqüência e o preço do motor elétrico
standard, para conversores de baixa tensão e alta tensão aplicados em motores elétricos até
1600 kW de potência nominal.

7
(inversor/motor)
Relação de custo

0
0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600
Potência do motor (kW)

inversor de baixa tensão inversor de média tensão

Figura 4.8 Relação entre o preço do inversor de freqüência e do motor elétrico


para a mesma potência. Fonte: (CAMPANA et al , 2003; WEG, 2005),

No Brasil existem poucos fabricantes de inversores de freqüência entre os quais


podem ser citados a WEG, a Siemens e a ABB.
Os conversores de média tensão da WEG são fornecidos com chave disjuntora,
transformadores de carga e painel do inversor de freqüência propriamente dito, daí a grande
diferença de preço para o motor elétrico.
Uma grande utilização dos inversores de freqüência tem sido no acionamento de
máquinas operatrizes, onde as velocidades podem ser controladas segundo a necessidade do
material e tipo de acabamento, independente de toda relação de engrenamento existente na
caixa de relação da máquina.
81

4.3 Motores de combustão interna

Os motores de combustão interna são máquinas de vasta utilização e de tecnologia


bastante difundida. O ápice da fabricação americana atingiu a marca de 35 milhões de
motores produzidos em um só ano, para utilização em automóveis, caminhões, construção,
equipamentos de mineração, embarcações e naturalmente para a geração de energia elétrica,
desde pequena potência para utilização residencial a grandes potências, para propulsão
marítima (ONSITE, 2000, pág. 62). O esquema abaixo mostra a classificação atualizada dos
motores de combustão interna, levando em conta:
(1) ignição do combustível por faísca (SI) e ignição por compressão (CI);
(2) ciclo operacional (dois tempos, e quatro tempos);
(3) relação entre oxigênio e combustível na ignição (ignição pobre e ignição rica).
(4) tipo de combustível (gás natural, álcool, óleo combustível, gasolina, óleo diesel
e dual combustível);
(5) método de adição de combustível (carburação ou injeção de combustível);
(6) pressão alimentação da mistura (naturalmente aspirado ou turbinado).

Motor de Combustão
Estacionário

Ignição por Faísca Ignição por


Compressão

Combustível Combustível Combustível Combustível


Líquido Gasoso Líquido Dual

Gasolina Gás de Gás Propano, Diesel Óleo/Gás


Digestor Natural GLP Querosene
Nafta

4 e 2 tempos 4 tempos 2 tempos

Rica Pobre Rica Pobre

Figura 4.9 Classificação geral dos motores de combustão estacionários.


Fonte: (SOTA, 2002). Desenho do autor.
82

4.3.1 Motores a gás natural

O motor de combustão interna a gás natural já vem sendo utilizado largamente na


indústria automobilística, substituindo com vantagens os motores de combustão interna de
ciclo Otto a gasolina e em muitos casos também de ciclo Diesel.
Para utilização em motores estacionários, tem-se dado preferência ao gás natural
como combustível principal, devido a uma série de fatores, tais como: a quantidade
significativa das reservas em todo o mundo, a tecnologia relativamente simples na obtenção e
distribuição e, principalmente ao baixo índice de emissão de gases nocivos ao meio ambiente
no uso controlado dessa tecnologia, notadamente ao NOx e CO2.
Atualmente dois diferentes tipos de motores de combustão a gás podem ser
utilizados em várias aplicações de processos: os derivativos automotivos e os industriais.
Os motores de combustão a gás, industriais, são tipicamente projetados para
operarem com tempo de vida maior que os derivativos automotivos. Esses motores operam
com rotações até 1.800 rpm. O tempo entre maiores manutenções e reparos neste tipo de
motores excede a 20.000 horas de operação. Assim, os motores a gás do tipo industrial são
mais caros que os derivativos automotivos.
Os motores a gás derivativos automotivos são concebidos para rotações acima de
3.000 rpm. Sendo mais baratos que os motores industriais podem pesar consideravelmente no
custo de investimento de um projeto. Apresentam ainda a vantagem de serem mais leves e
ocuparem menor espaço, além da maior disponibilidade de peças de reposição. Entretanto, a
vida útil desses motores é menor que a dos motores industriais e são, na maioria das vezes,
revendidos após a sua vida útil, como sucata ou impróprio, ao invés de serem reformados
como é o caso dos motores industriais.
A tecnologia dos motores de combustão a gás é disponível para uma variedade de
aplicações que requeiram uma força motriz para seu acionamento.
Entre as principais vantagens no uso do motor a gás em substituição aos motores
elétricos, pode-se citar:
- menor custo de operação;
- diversificação do combustível;
- melhor rendimento a cargas parciais que o motor elétrico;
- independe da geração elétrica, na maioria das vezes, muito distante do ponto de
consumo;
- possibilidade de cogeração.
83

Com a utilização do motor a gás, o usuário poderá ter uma maior flexibilidade para
os processos que dependiam somente de um tipo de acionamento, sendo possível moldar de
maneira mais vantajosa às necessidades das fontes energéticas não dependendo de uma única
tecnologia.
Os motores de combustão interna, de uma maneira geral, possuem dois tipos de
tecnologias disponíveis: ignição por faísca (ciclo Otto) e ignição por compressão (Diesel).
Os motores de combustão interna a gás natural funcionando com ignição por faísca
possuem as seguintes características:
- Usam vela para ignição do gás
- É o tipo mais comum dos motores a gás natural disponíveis. São utilizados em
uma grande variedade de aplicações: veículos, sistemas de bombeamento, compressores, etc.
- Funciona com gás natural ou mistura de gás natural com propano.
- Pode ser usado com gás de baixo poder calorífico (por exemplo: gás de
biodigestor)
- Possui boa razão de compressão (variando de 9:1 a 11:1)
- Grande faixa de potência (40 a 5600 HP)
A figura 4.10 mostra o ciclo Otto, que representa o funcionamento termodinâmico
dos motores de quatro tempos com ignição por faísca, composto por duas transformações
adiabáticas, compressão e expansão (isentrópicas; Q=0 e S=cte.) e duas transformações
isocóricas (V=cte.), ignição e escape.

(A) (B)
Figura 4.10 Representação do ciclo Otto para motores de ignição por faísca ;
(A) Ciclo ideal, (B) Ciclo real. Fonte: (FAIRES, V. M., 1978).
84

Os motores de combustão a gás natural funcionando com ignição por compressão


possuem as seguintes características:
- São projetados para serviços pesados e aplicações em grandes cargas
- Possuem uma grande vida útil
- Usam uma injeção de diesel para iniciar a ignição do motor
- Possuem alta razão de compressão (14:1 a 19:1)
A figura 4.11 mostra o ciclo diesel, que representa o comportamento termodinâmico
dos motores de combustão a gás natural funcionando com ignição por compressão,
caracterizado duas transformações adiabáticas, compressão e expansão, uma transformação
isobárica (pressão constante) na ignição e uma transformação isocórica no escape dos gases
da combustão.

Figura 4.11 Ciclo diesel – ignição por compressão. Fonte: (FAIRES, V. M., 1978).

4.3.1.1 Motores a gás natural com ignição por faísca

Os motores com ignição por faísca utilizam velas controladas, para propiciar uma
faísca em uma mistura de combustível-ar dentro do cilindro. Esses motores são os mais
utilizados para pequenas potências e foram desenvolvidos a partir de blocos de motores a
diesel.
Duas técnicas de ignição por faísca são utilizadas atualmente para alimentação a gás,
dependendo do tamanho do motor:
a. Motores de Câmara de combustão aberta – a vela é colocada diretamente na
câmara do cilindro, onde se dá a combustão direta da mistura combustível-ar. A combustão
em câmara aberta é típica em motores, que operam próximos a razão estequiométrica de
ar/combustível ou com misturas relativamente pobres.
85

b. Motores de câmara de pré-combustão – usam uma pré-câmara de combustão,


na cabeça do cilindro. Esta câmara é carregada com uma rica mistura de combustível e ar, a
qual, após a ignição expande dentro da câmara principal agindo como uma tocha de alta
energia. Essa técnica provê energia necessária para ignição de uma mistura mais pobre
admitida na região no espaço superior do cilindro.
Um motor de combustão a gás natural mais simples pode operar com uma aspiração
natural da mistura via carburador ou outro tipo de misturador 14 , no tempo de admissão.
Os motores combustão a gás, de alto desempenho, utilizam turbo compressores para
forçar uma maior quantidade de ar nos cilindros, admitindo uma maior aumento de combustão
do combustível e aumento de potência do motor.
Os motores de combustão a gás natural que operam com ignição por faísca utilizam
uma menor razão de compressão que os motores a diesel, na faixa de 9:1 a 12:1, dependendo
do projeto do motor e do turbo compressor.

4.3.1.2 Motores de combustão a gás natural com ignição por compressão

Motores de duplo combustíveis (Dual-Fuel Engines)

Esses motores são predominantemente motores de ciclo diesel com alta compressão
na ignição, abastecidos por gás natural com uma pequena porcentagem de óleo diesel usado
como um combustível “piloto”.
Durante o início da compressão há a explosão do combustível piloto que inicia
imediatamente a combustão da mistura de combustível-ar principal. O combustível piloto
requer algumas exigências mínimas, mas, podem admitir já na explosão, entre de 5% a 20%
de contribuição de combustível total.
Motores de duplo combustíveis são na verdade, uma combinação de Diesel e ciclo
Otto, chegando mais próximo do ciclo Otto quanto mais baixas porcentagens de combustível
piloto forem aplicadas.
Uma grande vantagem dos motores de duplo combustíveis é poderem passar a
funcionar 100% a diesel ou vice versa, enquanto a máquina está operando em qualquer nível
de produção. Em geral, devido ao mais baixo custo de óleo diesel, costuma-se usar maior
porcentagem de diesel, o que provoca maiores emissões de NOx, fumaça, e particulados,

14
Válvula de controle da mistura temporizada definida no ciclo de Miller, que modifica o ciclo Otto.
86

tornando-se mais baixas porém, para máquinas de dual-combustível do que para operação de
diesel direta (NEBER; J. B. et al, 1994).
Emissões de partículas sólidas são reduzidas proporcionalmente com a redução de
porcentagem em consumo de óleo diesel, enquanto o nível de redução de NOx depende de
características de combustão. Porém, o CO e as emissões de hidrocarbonetos não queimados
são freqüentemente mais altos, como resultado da combustão incompleta.
Os altos custos iniciais e a manutenção, somados a complexidade operacional do
motor de combustível dual, apresentam geralmente barreiras ou impedimento no
desenvolvimento de novos consumidores.
Existem praticamente três tipos básicos de motores a combustível dual:

a. Injeção convencional de gás a baixa pressão: esse tipo requer cerca de 5 a 10%
de combustível piloto, onde pelo menos, 80 a 95% de diesel devem estar presente. A
alimentação de gás natural é controlada em cada cilindro por injeção do gás antes da abertura
da válvula de admissão de ar. A emissão de NOx para esse sistema é de 4,0 a 6,5 g/kWh,
relativamente alto quando comparado com os motores de câmara de combustão aberta de
ignição por faísca.

b. Injeção de gás a alta pressão: consiste na injeção de gás natural diretamente na


câmara de combustão com alta pressão do gás ( 240 a 340 bar) ao mesmo tempo em que, o
combustível piloto é injetado. Essa tecnologia não tem sido aceita comercialmente pela
maioria dos fabricantes de motores de combustão a gás natural, devido ao considerável custo
adicional requerido pelo equipamento de alta pressão de injeção do gás. O consumo do
combustível piloto é de 3% a 8% e a emissão de NOx é a mesma do caso anterior.

c. Pré-câmara com micro piloto: são similares aos motores de ignição por faísca
com pré-câmara de ignição. O combustível piloto injetado em uma pré-câmara de combustão
provê a alta energia necessária para a combustão da mistura ar-combustível, comprimida a
alta taxa na câmara de combustão no cilindro. Motores com pré-câmara de combustão com
micro piloto de injeção contendo 1% de combustível piloto, podem operar com rendimentos
próximos ao ciclo diesel original. O nível de emissão de NOx nesse caso pode ser comparado
aos de motores de ignição por faísca, ficando na faixa de 0,6 a 2,5 g/kWh de emissão.
87

4.3.4 Custos envolvidos nos motores a gás natural

Os custos envolvidos no desenvolvimento dos motores de combustão interna, devido


às tecnologias utilizadas, são relativamente elevados e envolvem uma série de fatores, que vão
desde a concepção de ignição, emissão de gases poluentes, geração de energia, operação,
manutenção, etc.
Portanto, quando da leitura do preço em um catálogo ou manual ou especificado por
representantes dos diversos fabricantes, torna-se importante saber quais os fatores envolvidos.
O custo total envolvido em uma instalação de motor de combustão a gás natural
incluindo o gerador, sistema de recuperação de calor para cogeração e projeto está mostrado
na figura 4.12, que também leva a em conta a evolução futura desses custos conforme a
potência do conjunto motor/gerador. Os custos obtidos para o motor de combustão ficam bem
abaixo desses valores.

Evolução do custo de instalação total


1600
1400
Custo de instalação

1200
1000
(US$/kW)

800
600
400
200
0
2002 2005 2010 2020 2030
anos

100 kW 500 kW 1000 kW 3000 kW 5000 kW

Figura 4.12 Custo de instalação para conjunto gerador com motor de combustão
a gás natural. Fonte: (NREL, 2002).

Outro custo importante, que vale ser destacado, é o envolvido com a operação e
manutenção do equipamento.
Este custo pode variar entre 0,006 US$/kWh a 0,015 US$/kWh, dependendo da
potência do motor e de todo o sistema de cogeração. Para motores de pequena potência, esse
custo torna-se mais elevado, por exemplo, para um motor de 300 kW o custo de operação e
manutenção atual pode ser estimado em 0,012 US$/kWh e para um motor de 3000 kW,
aproximadamente 0,007 US$/kWh (NREL, 2002).
88

4.3.5 O uso dos motores de combustão interna a gás natural na cogeração

Quando comparado com outros sistemas de geração de energia, os motores de


combustão a gás apresentam rendimentos bastante baixos, sendo necessário um estudo
criterioso para sua aplicação, que deve levar em conta desde a disponibilidade e custo da
tecnologia existente, rede e distribuição do gás natural, emissão de poluentes, ruído, etc. Para
motores de grande potência, onde a energia liberada em forma de calor pode ser aproveitada
na cogeração o rendimento do sistema, pode aumentar significativamente. Mesmo assim, a
sua versatilidade tem levado ao emprego do mesmo em muitos casos. A utilização de motores
alternativos em unidades de cogeração tende, atualmente, a apresentar uma construção
modulada.
Vários complexos vêm sendo construídos com a utilização de motores de combustão
interna a gás natural para geração de energia elétrica e aproveitamento de calor. Entre eles
pode-se citar no Brasil, o PROJAC, da Central Globo de Produção, com 2 motores G 3612 de
2.450 kWe cada, 900 rpm com caldeiras de recuperação gerando 4 t/h de vapor a 8 bar; a
Central de Utilidades Messer, fábrica da Coca Cola Pananco, em Jundiaí, com 5 motores
Caterpillar G 3616, de 1540 kWe de potência, 1.200 rpm, aspirados, com caldeira de
recuperação gerando 6 t/h de vapor a 8 bar (MELO, F., 2004).
O fabricante Waukesha Engine apresenta duas maneiras de aproveitamento do calor
gerado por um motor de combustão a gás natural. A primeira, individual, onde as três
possíveis fontes de aproveitamento do calor rejeitado pelo motor, a exustão dos gases , a água
de refrigeração e o óleo de lubrificação podem ser aproveitados individualmente.

Figura 4.13 Aproveitamento do calor rejeitado em um motor de combustão interna.


Adaptado de WAUKESHA ENGINE, 2003.
89

Neste caso, será necessário um recuperador ou trocador de calor para cada uma das
fontes. Essa condição pode ser visualizada na figura 4.13, e pode dar maior flexibilidade para
utilização do usuário, apresentando em termos globais um menor rendimento.
O segundo caso, onde o calor rejeitado das fontes além de alimentarem
recuperadores individuais para cada fonte, é aproveitado em um recuperador de calor final
único, que concentra toda energia térmica final para posterior utilização. Este caso também é
chamado de efeito “looping” e pode ser visualizado na figura 4.14.

Figura 4.14 Aproveitamento do calor rejeitado utilizando o efeito looping.


Adaptado de WAUKESHA ENGINE, 2003.

Embora mais caro em termos de investimento, apresenta um rendimento global


maior pelo melhor aproveitamento do calor total rejeitado no motor em diversas etapas.
O recuperador de calor é classificado, basicamente, como um trocador de calor de
contato indireto e de transferência direta. Há um fluxo contínuo do calor do fluido quente ao
frio, através de uma parede que os separa. Não há mistura entre eles, pois cada corrente de
fluxo permanece em passagens separadas (BRAGA F. W, 2004).
A figura 4.15 apresenta o total de calor, que pode ser recuperado em cada um dos
processos do motor e a soma total desse aproveitamento para potências nominais entre 100
kW a 5.000 kW. Pode-se notar pelo gráfico que os gases de exaustão apresentam a maior
quantidade de calor rejeitado, seguido pelo sistema de resfriamento das camisas dos cilindros
e do bloco do motor e pelo resfriamento do óleo de lubrificação.
90

Calor aproveitado pelos motores de combustão a gás


natural
6000
Calor aproveitado (kJ/s)

5000

4000

3000

2000

100 0

0
0 1000 2000 3000 4000 5000
Potência nominal do motor (kW)

Calor de exaustão Calor de arrefecim ento


Calor do sistem a de lubrif. Calor total

Figura 4.15 Calor aproveitado para diversas potências de motores de combustão a


gás Natural. Fonte: Adaptado de catálogos de vários fabricantes (2002).

O esquema da figura 4.16, de um fabricante de motores de combustão interna a gás


natural, apresenta a configuração de aproveitamento dos gases de exaustão e do circuito de
água de refrigeração para um motor de 720 kW. Pelas temperaturas, entalpias e pressões nos
circuitos pode-se tentar calcular a potência aproveitada dos dois sistemas de rejeitos térmicos.
Não está contemplado o aproveitamento da menor quantidade de rejeito que seria o da
refrigeração do óleo de lubrificação do motor.

Figura 4.16 Esquema de parte do aproveitamento do calor rejeitado em um motor de combustão


a gás natural. Fonte: (SCHMDIT, 2002).
91

4.3.6 Fabricantes de motores de combustão a gás natural.

Existem diversos fabricantes de motores de combustão interna a gás natural, alguns


se dedicando a motores de pequenas potências, outros a potencias maiores. A figura 4.17
mostra alguns dos principais fabricantes mundiais de motores de combustão interna.
Os pioneiros na fabricação de motores a gás natural estão detalhados com um traço
mais escuro, indicando também a gama de potência do seu fornecimento.

Figura 4.17 Principais fabricantes mundiais de motores a combustão


Fonte: (Arthur D. Little, 2000). Adaptado e resumido.

A Wauskesha (atualmente incorporada pela Dresser), fabrica as linhas de motores


para gás natural:
- VSG de 166 a 260 HP com rotações de 1.200 a 1.800 rpm, com ignição por faísca
e aproveitamento dos rejeitos térmicos.
- VGF de 160 a 1.175 HP com rotações de 900 a 1.800 rpm, com ignição por faísca e
aproveitamento dos rejeitos térmicos.
- VWP de 320m a 2.560 HP e rotações de 900 a 1.800 rpm, com ignição por faísca e
aproveitamento dos rejeitos térmicos.
92

- APG de 1.390 a 4.525 HP e rotações de 900 a 1.200 rpm, com ignição por faísca e
aproveitamento dos rejeitos térmicos.
- ATGL de 1.565 a 4.830 Hp e rotações de 720 a 1.200 rpm com igniç~ao por faísca
e aproveitamento dos rejeitos térmicos.
Os modelos são fornecidos desde naturalmente aspirados até com turbo compressor
(turbocharged) e refrigeração (intercooled). A Stemac, no Rio Grande do Sul é o representante
dos motores Wauskesha no Brasil.
A DEUTZ AG, alemã, fornece uma linha de motores de combustão interna a gás
natural na faixa entre 180 a 4.000 kW. Os motores DEUTZ até uma determinada faixa de
potência, são um bom exemplo de motores autoderivativos. São os seguintes os modelos
fornecidos:
- 2015: 6 e 8 cilindros em V, potência entre 180 kW a 240 kW, 1.500 rpm,
aproveitamento do calor dos gases de exaustão, refrigeração do motor e do óleo de
lubrificação entre 261 a 351 kW.
- 616 K: 12 e 16 cilindros em V, potência entre 350 kW a 700 kW, 1.500 rpm,
aproveitamento do calor dos gases de exaustão, refrigeração do motor e do óleo de
lubrificação entre 442 a 857 kW.
- 2016: 12 e 16 cilindros em V, potência entre 600 kW a 800kW, 1.500 rpm,
aproveitamento do calor dos gases de exaustão, refrigeração do motor e do óleo de
lubrificação entre 556 a 752 kW.
- 620 K: 12 e 16 cilindros em V, potência entre 1.050 kW a 1.400 kW, 1.500 rpm,
aproveitamento do calor dos gases de exaustão, refrigeração do motor e do óleo de
lubrificação entre 1.153 kW a 1.548 kW.
- 2020: 12, 16 e 20 cilindros em V, potência entre 1.200 kW a 2.000 kW, 1.500 rpm,
aproveitamento do calor dos gases de exaustão, refrigeração do motor e do óleo de
lubrificação entre 1.229 a 1.974 kW.
- 2032: 16, 18 e 20 cilindros em V, potência entre 3.000 kW a 4.000 kW, 1.500 rpm,
aproveitamento do calor dos gases de exaustão, refrigeração do motor e do óleo de
lubrificação entre 3.089 a 4.173 kW.
Todos os motores são de ignição por faísca, ciclo Otto, com ou sem turbo
alimentação e mistura pobre, podendo trabalhar também com biogás.
A Caterpillar, que produz motores de combustão interna a gás natural na faixa de
potência de 355 kW a 5.680 kW, é um bom exemplo de motores diesel ottorizados. A linha da
Caterpillar é constituída por:
93

- G3500: são 3 modelos, de 8,12 e 16 cilindros em V, 355 kW a 820 kW, 1.200 rpm,
com aspiração natural.
- G3600: são 4 modelos, de 6 e 8 cilindros em linha e 12 e 16 cilindros em V, com
potências entre 1.075 a 3.280 kW, 900 rpm, com pré-câmara de combustão e 4 válvulas por
cabeçote.
- GCM34: com 16 cilindros em V, potência de 5. 680 kW, 720 rpm, pré-câmara de
combustão e 4 válvulas por cabeçote.
Todos os motores Caterpillar são auto aspirados com taxa de compressão variando
entre 11:1, 9:1 e 8:1, não utilizando portanto turbo compressores.
A GE-Jenbacher, oferece uma linha de motores a gás natural desenvolvidos
especialmente como motores estacionários industriais que cobrem a faixa de 300 kW a 3.000
kW. Seus motores são classificados por tipo e série. Apresentam ignição por faísca, ciclo
Otto, e refrigeração dos gases em pré-câmara logo na saída do cabeçote do pistão. Alguns
modelos atingem até 42% de rendimento elétrico (GE-JENBASHER, 2005).
Outros fabricantes de grandes modelos de motores de combustão a gás natural que
merecem ser mencionados são:
A Wärtsila, empresa finlandesa, que produz a série de maior potência em motores de
combustão a gás natural, abrangendo a faixa entre 400 kW a 9.000 kW.
Para motores de pequenas potências devem ser destacadas as empresas Honda, que
fornece motores para cogeração a gás natural na faixa de 1,0 a 8 kW, essencialmente para
usos domésticos e a Kohler que apresenta uma faixa de potência entre 9 kW a 160 kW.
O preço específico (R$/kW) para os motores de pequena potência chega ser
relativamente alto quando comparado com potências superiores a 32kW. O rendimento
também é pequeno, em comparação aos motores de grande potência, não passando em média
de 30% (CEPEL, 2001).
Entre outros fabricantes brasileiros, que com incentivo no campo do gás natural
poderiam desenvolver pequenos motores estacionários a gás natural podemos citar a Agrale,
Flumiserra, Stemac, etc.
A Agrale e a Flumiserra já fabricam moto/geradores diesel, com potências variando
entre 3,2 kW a 10 kW, que se convertidos a gás natural poderiam atender um dos propósitos
de aplicação, que será apresentado nos estudos de caso.
94

4.3.7 Avanços e pesquisas para a melhoria do desempenho dos motores a


combustão

Com a finalidade de melhorar o desempenho dos motores a combustão interna e


torná-los mais competitivos no mercado, principalmente com o uso do gás natural, estudos
estão sendo realizados por várias Companhias, principalmente nos Estados Unidos.
O empenho em melhorar as condições dos motores de combustão interna teve início
em 1995, sob iniciativa do Department Of Energy (DOE), dos Estados Unidos, quando a
ameaça das turbinas e micro turbinas a gás já se fazia sentir no campo de geração de energia,
pela relação de vendas entre as mesmas e os motores de combustão interna, quase 5 vezes
mais. Foi então criado o GAS ENGINE TECHNICAL ADVISORY COMMITTEE
(GETAC), pelos fabricantes de motores, Companhias de Gás, Organizações de Pesquisas e
Universidades.
Em 1997 foi criada a Advanced Reciprocating Engine Systems (ARES), para realizar
estudos de grupos de pesquisa na área dos motores a combustão interna.
Atualmente, sob a coordenação da ARES estão ligados os fabricantes de motores de
combustão interna a gás natural: Cummins, Caterpillar e Waukesha, as Universidades;
Purdue, Colorado State University, Michigan Technology University, West Virginia
University, University of Tennessee, Ohio State University, MIT, e outras..
Cada um dos três fabricantes está utilizando um motor representativo da sua linha de
produção. A Waukesha utiliza um motor da série VGF a Caterpillar, um motor da série 3500 e
a Cummins uma mistura das séries QSK e QSV (ARES, 2005). As metas a serem atingidas
até 2009 compreendem uma série de avanços tecnológicos, que podem ser verificadas na
figura 4.18.
Do lado Oeste dos Estados Unidos e sobre os auspícios do Governo do Estado da
Califórnia foi criada a Advanced Reciprocating Internal Combustion Engines (ARICE) para
promover a P&D em motores de combustão interna. A ARICE também apóia a busca de
melhorias no desenvolvimento dos motores de combustão interna. Em princípio, a ARICE
não congrega nenhum fabricante, mas já apóia as pesquisas de duas Universidades: a
University of Southern Califórnia e a University of Texas.
Com desenvolvimentos próprios encontram-se outros grandes fabricantes como a
GE-Jenbacher, John Deere e Co., e outras.
O objetivo crucial dessas pesquisas é se chegar a um rendimento para o motor de
combustão interma a gás natural de 51%.
95

60%

50%

40%
Rendimento

30%

20%

10%

0%
Atrito Perda de Calor Combustível Perda dos gáses Calor para o Potencia
nos cilindros não queimado de exaustão radiador Líquida

Valores atuais Metas esperadas


Figura 4.18 Metas esperadas para melhoria dos motores de combustão interna até 2009.
Fonte: ARES, 2002.

Para atingir os valores acima a ARES programa os seguintes pontos:


- Sistema de injeção;
- diminuição do atrito e desgaste;
- sistema de controle;
- aplicações de novos materiais;
- controle de emissões.
No que diz respeito aos sistemas de injeção e também a ignição para motores de
combustão interna a gás natural, os sistemas de ignição por faísca vem sendo aperfeiçoados
com modificações na cabeça do pistão, utilização de pré-câmaras de combustão e a utilização
cada vez mais constante do turbo compressor. Pesquisas mais recente, neste sentido, levam ao
desenvolvimento de ignição através do raio laser concentrado (MACMILLIAN, 2005).
Com relação ao desgaste e, conseqüentemente redução do atrito; vários estudos estão
sendo realizados para minimizar o atrito existente entre os anéis dos pistões e os cilindros.
As novas tecnologias dizem respeito à modificação na geometria e materiais dos
anéis dos pistões, levando em conta uma melhor eficiência, com uma diminuição da pressão
dos anéis na parede dos cilindros.
Para diminuir o desgaste localizado, prevê-se a possibilidade da rotação do cilindro
dentro do bloco do motor, acionado por um sistema de engrenagem ligado diretamente a
árvore de manivela, também conhecida como girabrequim (MATTHEWS, 2003).
96

Os sistemas de controle envolvem uma série de etapas de monitoramento e


comandos computadorizados, que vão desde a temporização da abertura e fechamento das
válvulas, controle da mistura ar/combustível, até o controle da qualidade dos gases de emissão
e atuação sobre os catalisadores ou processo de combustão.
As aplicações de novos materiais estão ligadas principalmente ao desgaste, as
condições de alta temperatura durante a combustão e aos materiais catalíticos para reação com
os gases nocivos durante a exaustão.
Com relação ao controle de emissões, as novas tecnologias buscam diminuir
principalmente o teor de NOx e CO contidos nos gases de exaustão. Essas pesquisas envolvem
desde a injeção de água no cabeçote até ignição a altas pressões (HEIS) e a homogeneidade da
mistura na combustão, além dos controles externos em vários tipos de filtros e catalisadores.
Segundo observação do fabricante de motores a gás natural Deutz Power Systems,
duas são as tendências tecnológicas, que acompanharão as pesquisas na busca de melhores
rendimentos para os motores de combustão interna: a primeira é a aplicação do ciclo Miller
(MC), mostrado na figura 4.19, e a segunda, é o aperfeiçoamento no funcionamento da
válvula temporizada. Na verdade, para o correto funcionamento do ciclo Miller, é necessário
o turbo compressor e a válvula temporizada.
O ciclo Miller foi idealizado nos anos 40, por Ralph Miller, e, atualmente com o
auxílio dos dois itens mencionados anteriormente, tem sido possível o seu aperfeiçoamento e
utilização. 15

Figura 4.19 Comparação entre o ciclo Otto e o ciclo Miller.


Fonte: (ANDERSON, M. K. , 1998), adaptado.
15
O ciclo Miller tem sido utilizado comercialmente em alguns modelos da Mazda.
97

A diferença entre a abertura e fechamento da válvula de admissão durante o tempo


de escape, admissão e compressão no ciclo do motor pode ser entendido pela figura 4.20.

Figura 4.20 Comparação de abertura e fechamento das válvulas no ciclo Otto e Miller.
Fonte:(HEISLER, H., 2003), adaptado.

Mesmo com o retardo do fechamento durante a compressão, principalmente, a


entrada de ar e combustível é garantida pelo turbo compressor, o que possibilita uma menor
temperatura na mistura e uma compressão mais homogênea. Com a abertura da válvula de
admissão um pouco antes da válvula de escape, a pressão do turbo compressor ajuda forçar a
mistura para uma melhor limpeza da câmara de combustão. É nesse intervalo de abertura e
fechamento das válvulas que o sistema de temporização deve ser crucial, para evitar a perda
ou excesso de mistura na câmara de combustão.

4.3.8 Emissões em motores de combustão interna a gás natural

Um dos maiores empenhos dos fabricantes de motores de combustão interna a gás


natural é, sem nenhuma dúvida, a diminuição dos gases poluentes, que aparecem na
combustão da mistura do gás natural durante a queima no cilindro do motor.
Metas têm sido colocadas pelos órgãos controladores da poluição ambiental, entre os
mais conhecidos estão a EPA, americana, a Euro I, II, III e IV e V, utilizada na comunidade
européia e a CONAMA, do Brasil.
Os principais poluentes emitidos pelos motores de combustão interna a gás natural
são os óxidos de nitrogênio (NOx), monóxido de carbono (CO) e os compostos voláteis
orgânicos (CVO – material não queimado e hidrocarbonetos não metano). Outros poluentes
como óxidos de enxofre (SOx) e materiais particulados (MP) são inerentes do próprio
98

combustível utilizado. O enxofre contido no combustível é que vai determinar a quantidade de


emissões de compostos sulfúricos, principalmente o SOx. Motores de combustão interna
operando com gás natural ou óleo destilado disulferizado emitem níveis insignificantes de
SOx . O material particulado (MP) pode tornar-se um poluente significativo para motores de
combustão que utilizam combustíveis líquidos. A presença de resíduos e aditivos metálicos no
combustível pode contribuir para emissão de MP na exaustão dos gases.
De uma maneira geral, chamando-se de Lambda (λ) a relação entre ar/combustível
atual em volume, dividido pela relação estequiométrica da mistura, na relação ar/combustível,
estequiométrica, ou seja:
⎛ Ar ⎞ ⎛ Ar ⎞
λ=⎜ ⎟ ⎜ ⎟ (4.22)
⎝ Comb. ⎠ atual ⎝ Comb. ⎠ esteq.

Pode-se notar pelo gráfico da figura 4.21 que existe uma relação inversa entre a
emissão de NOx e de CO.
Cabe aos fabricantes de motores procurarem o melhor equilíbrio dessas emissões
para atendimento às Normas ambientais de cada país. Muitos estudos têm levado a uma série
de observações para minimizar a emissão desses gases prejudiciais ao meio ambiente, que vão
desde o controle durante a própria combustão, com o tipo da mistura do combustível,
resfriamento da câmara de combustão, aumento na relação de pressão, até a utilização de
dispositivos externos que servem como filtros ou catalisadores inibindo a formação desses
compostos, prejudiciais a saúde humana.

Figura 4.21 Comportamento dos gases de emissão com relação a mistura ar/ combustível
Fonte: (CATERPILLAR, 1997).

Óxidos de Nitrogênio
Emissões de NOx estão entre os principais gases poluentes e ligados diretamente aos
critérios de seleção e utilização dos motores de combustão interna com gás natural e são uma
mistura de NO e NO2 em composições bem variáveis. Em medidas, o NOx é mensurado em
99

ppmv (partes por milhão em volume), na qual ambos os teores são quantificados igualmente
(por exemplo, ppmv em 15% de O2, seco). Outras unidades comuns na medida do NOx em
motores de combustão são g/hp.h e g/kWh. Entre as várias opções de combustíveis para
motores de combustão interna, o gás natural de pobre combustão produz o mais baixo nível de
emissão de NOx, enquanto os motores a diesel produzem o mais alto nível (tabela 4.4).

Tabela 4.4 - Emissões médias esperadas de motores estacionários


NOx NOx
Motor Combustível
(ppmv) (g/kWh)
Motores a diesel (alta e
Óleo destilado 450 – 1.350 7 -18
média rotação)1
Motores diesel (alta e
Óleo pesado 900 - 1.800 12 - 20
média rotação)2
Mistura pobre com
Gás natural 45 - 150 0,7 – 2,5
ignição por faísca3
1 2
Rendimento 37- 44% com PCI Rendimento 42- 48% com PCI
3
Rendimento 35- 42% com PCI
Fonte: (WILHELM, D., 2002).

Três mecanismos são responsáveis mesmo isoladamente pela formação do NOx:


NOx térmico, NOx de introdução e combustível já contendo NOx. O predominante na
formação de NOx em motores de combustão é o NOx térmico. NOx térmico é a fixação do
Oxigênio e Nitrogênio da própria atmosfera circundante, que ocorre a altas temperaturas de
combustão. Temperatura da chama e tempo de permanência da mesma são as principais
variáveis, que influem nos níveis do NOx térmico.

Emissões de NOx para motores a gás


2,25
2
Emissão de NOx (g/kWh

1,75
1,5
1,25
1
0,75
0,5
0,25
0
100 kW 300 kW 1000 kW 3000 kW 5000 kW
Potência do motor

2002 2005 2010 2020 2030

Figura 4.22 - Emissão de NOx para motores de combustão com gás natural.
Fonte: (EEA, 1999). Compilado pelo autor.
100

O gráfico da figura 4.22 mostra a evolução de controle de NOx para motores a gás
natural de diversas potências pretendido pelos fabricantes até o ano de 2030.
A pouca emissão representada pelos motores de pequena potência leva em conta a
aplicação veicular dos motores de combustão a gás natural, onde o desenvolvimento em
controles e dispositivos está bastante evoluído para atender aos padrões impostos por diversos
órgãos reguladores.
Existe uma contra partida entre baixa emissão de NOx e emissão de produtos de
combustão incompleta como CO e hidrocarbonetos não queimados.
Assim, estão configuradas três maneiras de balancear essa contra partida para manter
o mais baixo nível de emissão de NOx: aceitar um combustível de alto rendimento
controlando a emissão de NOx e um possível aumento na emissão de CO e hidrocarbonetos;
encontrar um ponto de equilíbrio entre emissões e rendimento; projetar o motor para o maior
rendimento e usar um sistema de controle de emissões na exaustão dos gases do motor. (EPA;
Technology Characterization, 2002).

Monóxido de Carbono (CO)


O monóxido de carbono e os compostos orgânicos voláteis resultam da combustão
incompleta. As emissões de CO aparecem quando o oxigênio para a combustão é insuficiente,
ou existe uma permanência por muito tempo da mistura combustível a altas temperaturas.
Esfriamento das paredes da câmara de combustão e resfriamento rápido dos gases no processo
de exaustão, também contribui para o aumento na formação de CO.

Emissão de CO para motores a gás natural


4

3,5

3
Emissão de CO(g/kWh)

2,5

1,5

0,5

0
100 kW 300 kW 1000 kW 3000 kW 5000 kW
Potência

2002 2005 2010 2020 2030

Figura 4.23 Emissão de CO para motores a gás natural


Fonte: (EEA, 1999). Compilado pelo autor.
101

Compostos Orgânicos Voláteis (COV)


Os hidrocarbonetos voláteis, também denominados compostos orgânicos voláteis
(COV), podem englobar uma grande gama de compostos, alguns dos quais são poluidores
perigosos do ar. Esses compostos são descarregados para atmosfera quando uma parte do
combustível não é queimada, ou parcialmente queimada.

Dióxido de Carbono (CO2)


Embora não sendo considerado um poluente diretamente prejudicial a saúde humana,
as emissões de CO2 contribuem de forma significativa para o chamado “Aquecimento
Global”do planeta. O aquecimento da atmosfera ocorre, explanando de uma maneira mais
simples, quando a radiação solar ao penetrar na atmosfera da terra reage em uma reação
térmica e é prontamente absorvida pelo CO2 e outros gases poliatômicos tais como metano,
refrigerantes, vapor de água e compostos químicos voláteis, presentes em excesso na
atmosfera, resultando em um aumento da temperatura da mesma.

Emissões de CO2 para motores a gás

600

500
Emissão de CO2 (g/kWh)

400

300

200

100

0
100 kW 300 kW 1000 kW 3000 kW 5000 kW
Potência do motor

2002 2005 2010 2020 2030

Figura 4.24 Emissão de CO2 para motores a gás natural


Fonte: (EEA, 1999). Compilado pelo autor.

O valor de CO2 emitido pelos motores de combustão interna é função da quantidade


de carbono existente no combustível e do rendimento do sistema. A quantidade de carbono
existente no gás natural é 34 lbs/MMBtu, no diesel 48 lbs/MMBtu e nas cinzas do carvão 66
lbs/MMBtu.(EPA, 2002). Tendo em conta que a maior atenção deve ser dada as emissões de
NOx , o estudo desse comportamento, regulamentação e empenho dos fabricantes de motores
deve ser feito com maior aprofundamento.
102

4.3.9 Controle de emissões de NOx

Os estudos para medição e controle de NOx nos motores de combustão interna devem
levar em conta uma série de fatores aliados as evoluções nas pesquisas e desenvolvimento dos
dispositivos, desde as emissões não controladas até a baixa emissão na combustão (LEC-Low
Emission Combustion).

A- Emissões não controladas


Emissões não controladas são definidas como emissões de NOx reduzidas, através de
qualquer simples ação como ajuste de operação do motor, troca da carburação, etc. Assim,
motores que incluem uma tecnologia de Baixa Emissão na Combustão (LEC) como
equipamento original de fábrica são considerados controlados, e mais avançados que os não
controlados.
a. Ajuste na relação de ar para combustível.
b. Ignição com retardo de faísca
c. Carga de combustão (PSC)
d. Combustão de baixa emissão (LEC)
e. Injeção e emulsões de água/combustível
f. Sistema de ignição de alta energia (HEIS- High Energy Ignition System)
g.Turbo alimentação após esfriamento da mistura

B- Redução de emissões de NOx pela adição de controle


As emissões controladas apresentam avanços no controle dos gases de emissões dos
motores pela aplicação de dispositivos apropriados e controles de monitoramento sobre esses
dispositivos e muitas vezes em todo o processo de admissão da mistura, ignição, pressão de
alimentação, temperatura da combustão, temperatura dos gases de exaustão, etc.
Entre os principais tipos de controle, assim classificados, podemos citar:
a. Redução catalítica não seletiva (NSCR-Non Selective Catalystic Reduction).
b. Redução catalítica seletiva (SCR- Selective Catalystic Reduction)
c. Absorção catalítica (CA-Catalystic Absortion)
d. Redução não catalítica seletiva (SNCR- Seletive Non Catalystic Reduction)
e. Catalisador de NOx
f. Injeção de ozônio
103

4.3.10 Tecnologias emergentes para o controle de emissões de NOx

Algumas tecnologias estão mostrando certa eficiência e promessa na redução de NOx


em motores de combustão interna. O sistema SCONOx usa um único catalisador para remover
NOx, CO e materiais particulados. O sistema NOxTech usa uma reação química, não catalítica
para remover emissões de NOx, material particulado e CO. A injeção de combustível a alta
pressão (HPFI) interfere na pressão de injeção na câmara de combustão da mistura ar/
combustível.
O SCONOx, desenvolvido pela empresa Goal Line Environmental Technologies, foi
aplicada inicialmente nas turbinas a gás. O sistema utiliza materiais não tóxicos e próprios
para operarem em ambientes com vapores, ar, eletricidade etc. Entre as temperaturas de 80 a
2000 C, o dióxido de nitrogênio e absorvido pela superfície catalítica utilizando uma camada
de carbonato de potássio (EPA, 2000).

4.3.11 Controle de emissões de CO – monóxido de carbono

Catalisador de oxidação
Um catalisador de oxidação pode ser usado para reduzir emissões de CO. Para
redução efetiva de CO, a mistura do gás de combustão na saída da tubulação deve ter a
composição de uma mistura pobre na combustão (magra), e promover as reações químicas
necessárias no catalisador.
Motores de queima de misturas ricas requerem injeção de ar na entrada do
catalisador de oxidação. A gama de temperatura operacional está entre 100 - 6000 C. Há
vários catalisadores de oxidação de metais nobres preciosos disponíveis.
Catalisadores de oxidação também podem reduzir pequenas porcentagens de material
particulado.
A tabela 4.5, mostra o grau de emissões para diversos sistemas de cogeração,
incluindo os motores a gás natural.
Pode-se notar, que as centrais termoelétricas a carvão lideram as emissões de CO2
responsável pelo efeito estufa e de SO2, responsável pela chuva ácida. As centrais a diesel
lideram as emissões de NOx, CO, ambos prejudiciais a saúde humana e material particulado,
responsável pela fuligem dos motores a diesel.
104

Tabela 4.5. Total de emissões em cogeração para uso comercial de grande escala (g/kWh)

Aplicação
Rendimento CO2 SO2 NOx CO PM NMHC
% PCS

Convencional
33 1,7
Central Térmica 965 5,64 0,07 0,136 0,05
(31-34) (0,9-3)
a Carvão
36 3,5
Motor Diesel 695 1,25 2,8 0,36 1,65
(33-42) (1,3-6,0)
34 0,5
Motor a gás 625 0,032 1,8 0,014 0,54
(28-38) (0,3-0,9)
Micro Turbina 25 0,2
725 0,037 0,47 0,041 0,14
a gás (20-26) (0,13-0,28)
29 0,29
Turbina a gás 625 0,032 0,42 0,041 0,42
(25-31) (0,18-0,55)
Célula a 38 0,015
477 0,024 0 0 0
Combustível (38-42) (0,01-0,02)
Fonte: (LITTLE; A. D., 2001).
Onde: NOx = Óxidos de Nitrogênio SOx = Óxidos de Enxofre CO = Monóxido de Carbono NMHC =
Non-Metano Hidrocarbonetos (Hidrocarbonetos Voláteis- VOCs – Volatile Organic Compounds) CO2 =
Dióxido de Carbono CH4 = Hidróxidos de Carbono PM = Material Particulado (partículas sólidas)

Diversos órgãos em todo o mundo têm se preocupado em ditar normas


regulamentares para níveis de emissão de gases e proteção do meio ambiente.
O gráfico da figura 4.25 mostra a evolução de redução de NOx, comparada com as
exigências da EURO.

Figura 4.25 Comparação entre as emissões atuais de NOx e a Norma EURO


Fonte: (CUMMINS, 2003).

Muitos países ainda seguem suas normas específicas, como pode ser verificado na
tabela 4.6. Mesmo nos Estados Unidos, onde existem as recomendações da Environmental
105

Protection Agency (EPA), que prescreve normas para aceitação de emissões de gases
poluentes, muitos Estados seguem suas próprias legislações, na maioria das vezes mais rígidas
que a determinação da EPA.
No Brasil, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), pela resolução N0
315 de 29 de outubro de 2002, instituiu o programa de metas para controle de poluição do ar,
inicialmente cobrindo os motores dos veículos automotivos, incluindo aqueles a gás natural.
Mais tarde estendeu-se essa resolução aos motores estacionários sob fiscalização do IBAMA.

Tabela 4.6 – Valores limites de emissões segundo o CONAMA- Ciclo ETC1


Monóxido Hidrocarbonetos Metano Óxidos de Material
Data de
de Nitrogênio Particulado
não metano CH4(2)
aditamento Carbono NOx MP(3)
CO-(g/kWh) NMHC-(g/kWh) (g/kWh) g/kWh (g/kWh)

A partir de
01/jan/2006 5,45 0,78 1,6 5,0 0,16

A partir de
01/jan/2009 4,0 0,55 1,1 3,5 0,03

Fonte: (CONAMA,2002).
1
CicloETC- Ciclo Europeu de Regime Transiente.
2
Apenas para motores a gás natural
3
Não aplicável a motores alimentados a gás natural

4.4 Turbinas a gás

As turbinas a gás representam as máquinas de mais rápida evolução técnica e


comercial até hoje produzidas.
Em quarenta anos, desde o início da II Guerra Mundial, a turbina a gás tem se
desenvolvido com muita rapidez. Os grandes desenvolvimentos foram, basicamente, na
aerodinâmica dos compressores, e no aumento da temperatura máxima do ciclo, obtidos
graças ao desenvolvimento de materiais resistentes à altas temperaturas associados à novas
tecnologias de resfriamento (LORA, E.S.L.; NASCIMENTO, M.A. et all, 2004).
Kehlhofer, H.; Warner,J., et all (1999) destacam a grande evolução em termos de
temperatura e fluxo de gás proveniente da tecnologia alcançada pelos compressores. A
evolução de temperatura de trabalho e vazão em uma turbina a gás pode ser vista na figura
4.26.
106

Figura 4.26 Evolução histórica da temperatura interna e massa comprimida nas turbinas.
Fonte: (KEHLHOFER, H.; WARNER, J., et all, 1999).

A turbina a gás moderna consta de uma entrada de ar, um compressor de grande


pressão o qual comprime o ar até um combustor, onde existe a ignição com o combustível
alimentado independentemente. Os gases a alta pressão e temperatura movem a turbina,
geralmente de inúmeros rotores ou até mesmo várias turbinas montadas e eixos concêntricos.
Parte da energia gerada pela turbina, ou por uma das turbinas, no caso de mais de uma, é
utilizada para alimentar o compressor.
Em outro eixo, que pode estar situado ou no eixo do compressor ou no eixo da
turbina pode ser acoplado o eixo do gerador, no caso de geração de energia elétrica.
As principais partes de uma turbina a gás podem ser visualizadas na figura 4.27, que
é representada por uma turbina tipo aeroderivativa da GE, modelo LM2500.

Figura 4.27 Principais partes componentes de uma turbina a gás.


Fonte: (GE POWER SYSTEMS, 2000).
107

4.4.1 Classificação das turbinas a gás

Apesar das muitas aplicações e dos diversos tipos de turbinas a gás, há entre
elas uma série de aspectos que possibilitam uma classificação.
São vários os aspectos individualizados e diversos os tipos de turbinas a gás que
possibilitam uma série de classificações envolvendo cada uma dessas características. Entre
várias classificações, pode-se citar:
Quanto ao Ciclo
- Aberto
- Fechado
Quanto à Construção
- Leves (aeroderivativas)
- Pesadas (Heavy-Duty GT )
Quanto ao Método de Transmissão de Força
- Livres
- Transmissão Direta
- Transmissão por Engrenagens
Quanto à Rotação
- Operação em Velocidade Constante (turbo-alternadores)
- Operação em Velocidade Variável (turbo-bombas e turbo-compressores)
Quanto ao Número de Eixos
- De um eixo
- De vários eixos

4.4.2 Tipos de turbinas a gás

De uma maneira geral as turbinas a gás comumente utilizadas em transmissão motora


são de dois tipos:
- as turbinas aeroderivativas, que consistem de turbinas aeronáuticas transformadas
em turbinas industriais;
- turbinas industriais (heavy duty), originalmente derivadas das turbinas a vapor
(KEHLHOFER et al, 1999).
Segundo Boyce, P. (2006), as turbinas a gás de ciclo simples são classificadas em
cinco grupos:
108

1. Serviço Pesado: são grandes turbinas para geração de energia com potências
entre 3 MW a 480 MW, em configuração de ciclo simples, com rendimentos
entre 30-40%.
2. Aerodrivativas: são turbinas utilizadas na geração de energia, mas como o
próprio nome indica, originada na indústria aeroespacial para atender a
indústria da aviação. Essa turbinas sofreram diversas adaptações e possuem
potência variando de 2,5 MW a 50 MW. O rendimento está compreendido
entre 35-45%.
3. Tipo Industrial: possuem um faixa de potência entre 2,5 MW a 15 MW. São
extensivamente utilizadas na indústria petroquímica e para acionamento de
compressores e em plataformas de petróleo e gás. O rendimento dessa
máquinas está abaixo de 30%.
4. Pequenas turbinas: Possuem uma faixa de potência entre 0,5 MW a 2,5 MW.
São freqüentemente utilizadas para acionamento de compressores e
ventiladores insufladores centrífugos. O rendimento em aplicações de ciclo
simples varia de 15-25%.
5. Micro-turbinas: possuem faixa de potência entre 20 kW a 350 kW. O
crescimento da utilização dessas turbinas tem sido significante na última
década, proveniente da utilização nos mercados da “Geração Distribuída”. Seu
rendimento varia de 20–25%
As turbinas a gás aeroderivativas são turbinas de dois ou três eixos, dependendo da
redução de rotação de acionamento do compressor e acionamento da máquina a ela acoplada.
As temperaturas internas nas turbinas aeroderivativas são maiores que nas turbinas
industriais (WILLIAMS, R.H.; LARSON, E.D.,1988).
As turbinas a gás aeroderivativas são caracterizadas por serem mais eficientes,
possuírem alta confiabilidade, ocuparem pouco espaço, serem mais leves e terem boa
flexibilidade na manutenção. Atualmente, podem atingir uma potência de cerca de 50 MW,
sendo utilizadas principalmente em plataformas marítimas, bombeamento de gás, potência de
pico em centrais termoelétricas e propulsão naval (LORA, E.S.L.; NASCIMENTO, M.A. et
al, 2004).
As turbinas a gás industriais, também denominadas de heavy duty, são na maioria
das vezes construídas em um único eixo quando utilizadas para acionarem compressores
maiores de 30 MW. Devido aos avanços em materiais que possibilitaram um maior aumento
109

na temperatura interna e um volume maior de compressão, as turbinas a gás industrial, podem


atingir atualmente, para geração em centrais termoelétricas a potencia de 480 MW.
O ciclo termodinâmico que rege ao funcionamento das turbinas a gás é o ciclo de
Brayton, também conhecido como ciclo Joule, figura 4.28.

Figura 4.28 Representação do ciclo Brayton. Fonte: (FAIRES, V. M., 1978).

As turbinas podem operar em um Ciclo Aberto ou Ciclo Fechado.


Por Ciclo Aberto entende-se que o fluido de trabalho não retorna ao início do ciclo.
O ar, retirado da atmosfera, é comprimido, levado à câmara de combustão onde,
juntamente com o combustível, recebe uma faísca, provocando a combustão da mistura.
Os gases desta combustão então se expandem na turbina, fornecendo potência à mesma e ao
compressor, e, finalmente, saem pelo bocal de exaustão.
Ao contrário do ciclo aberto, no Ciclo Fechado, o fluido de trabalho permanece no
sistema. Para isso, o combustível é queimado fora do sistema, utilizando-se um trocador de
calor para fornecer a energia da combustão ao fluido de trabalho.
O ciclo fechado possui algumas vantagens sobre o ciclo aberto, dentre elas:
a. possibilidade de se utilizar combustíveis sólidos;
b. possibilidade de altas pressões em todo o ciclo, reduzindo o tamanho da turbo
máquina em relação a uma potência útil requerida;
c. evita-se a erosão das palhetas da turbina;
d. elimina-se o uso de filtros;
e. aumento da transferência de calor devido a alta densidade do fluido de
trabalho (alta pressão);
110

f. uso de gases com propriedades térmicas desejáveis.


Mas este ciclo tem como desvantagem a necessidade de investimento em um
sistema externo de aquecimento do fluido de trabalho, envolvendo um ciclo auxiliar com
uma diferença de temperatura entre os gases.

Figura 4.29 Representação do ciclo aberto (a) e ciclo fechado (b) para as turbinas a
gás. Fonte: (LORA, E.S.L.; NASCIMENTO, M.A. et al., 2004).

Dependendo do tipo de turbina, a mesma pode ter vários eixos girando em


diferentes velocidades; um eixo para o compressor de baixa pressão, um para o compressor
de alta pressão e um outro eixo para a turbina de força.
A turbina de força pode ser uma do tipo pesado, que recebe gases quentes de uma
outra ou outras turbinas derivadas de turbinas aeroderivativas.
As duas principais aplicações da turbina aeroderivativa são a produção de energia
mecânica e como principal motor para máquinas como bombas, compressores e ventiladores.
Em um ciclo com um eixo apenas, parte da potência produzida pela turbina é
fornecida ao compressor. Apenas o restante da potência se destina a potência útil do eixo.
Um ciclo com dois eixos é formado de um compressor e uma turbina, que estão
ligados ao primeiro eixo, e uma turbina livre, que está ligada ao segundo eixo. No caso de
turbinas aeronáuticas, a turbina livre é substituída por um bocal.
Um ciclo com vários eixos tem aplicação em aeronáutica. Neste caso, o conjunto
pode ter um, dois ou três eixos concêntricos com a finalidade de aumentar a razão de
compressão do ciclo e conseqüentemente sua eficiência térmica. A divisão em vários eixos do
compressor tem o objetivo de aumentar a eficiência aerodinâmica da compressão pois, a
compressão em um único estágio diminuiria a eficiência térmica.
As microturbinas a gás, também representam um segmento importante no campo das
turbinas, principalmente devido ao seu enfoque específico.
111

Até 350 a 400 kW a turbina a gás é estudada dentro do campo de microturbina a gás
com certas características peculiares (NREL, 2003).
As microturbinas, atualmente disponíveis no mercado, podem utilizar vários tipos de
combustíveis como diesel, propano, gás natural etc (BENSON, 2003).
Possuem uma tecnologia já bastante desenvolvida. Podem funcionar com admissão e
compressão de ar tanto axial como radialmente e desenvolvem naturalmente grande rotação
no eixo.
O custo inicial, rendimento, e emissão serão os três mais importantes enfoques no
aperfeiçoamento dos projetos dessas turbinas.
A microturbina para ser bem aceita deve ser compacta em tamanho, ter baixo custo
de produção, funcionamento o mais silencioso possível, rápido início de operação, e mínima
emissão (BOYCE, M. P., 2006).
Com a tecnologia da chamada geração distribuída, a microturbina a gás terá grande
potencial nesta e na próxima década, principalmente para atendimento aos setores comerciais,
residenciais e parte do setor industrial (BOYCE, M. P., 2006 ).
As turbinas a gás apresentam grande variação na potência e rendimento, quando
trabalhando em condições de temperatura e altitude fora das especificadas inicialmente pelas
normas, ou pelas condições de projeto do fabricante.
As variações de potência e rendimento a que estão sujeitas as turbinas a gás, tendo
como referência a International Standards Organization (ISO), condição ao nível do mar e
temperatura de 500C, são apresentadas nos gráficos da figura 4.30.

Figura 4.30 Efeito da altitude e temperatura sobre a potência e rendimento de uma turbina a gás.
Fonte:(NREL, 2003).
112

4.4.3 Principais fabricantes de turbinas a gás

São inúmeros os fabricantes de turbinas a gás em todo o mundo, de todos os


tamanhos e tipos.
Na faixa das grandes turbinas industriais destacam-se a ABB, a GE, Westinghouse, a
KWU, etc. A GE possui uma linha de turbinas de grande porte para instalações industriais
pesadas e centrais térmicas de grande potência.
Entre as turbinas industriais de grande porte fabricadas pelas empresas citadas,
podem ser destacadas; a série 701F da Westinghouse com 235.720 kWe, a V94.3 da KWU
com potência de 219.000 kWe, a GE com a série 9311FA, com 228.195 kWe e a ABB com a
série GT13E2 com 164.300 kWe.
Na linha de médio porte existem além das anteriormente citadas a Rolls-Royce,
Mitsubishi, etc.
Para turbinas aeroderivativas podem ser destacadas as empresas GE, Rolls-Royce e
Westinghouse. A GE possui uma linha de turbinas aeroderivativas de médio porte sendo a
LM1600 de 13.750 kWe, LM2000 de 18.000 e 22.800 kWe, LM2500PK de 28.850, 29.600,
30.240 e 30.700 kW, a LM6000OPC e OPD, com potências variando entre 40.000 e 43.315
kWe (BADEER, 2000).
No caso de pequenas turbinas a gás podem ser destacadas as empresas Allison, Solar,
Ruston, Kawasaki, a Dresser etc. As potências variam entre 600 a 18.000 kWe. A Kawasaki,
por exemplo fornece as turbinas industriais da série GPB, sendo a GPB07D de 650 kWe, a
GPB15D de 1.434 kWe, a GPB15X de 1.423 kWe, a GPB60D de 5.265 kWe, a GPB70D de
6.500kWe e a GPB180 D de 17.000 kWe (KAWASAKI, 2003)
No campo das microturbinas, podem ser citadas a Capstone, Ingersol Rand, Eliot,
Turbec, Willians/GM, Bowman, Honeywell/ÁlliedSignal, etc.
A Capstone possui uma linha de microturbinas, desenvolvidas especialmente para a
cogeração ou a chamada Geração Distribuída, com microturbinas de 30, 60 e 100 kW
(CAPSTONE, 2003)
A Ingersol Rand, possui uma linha de modelos que varia de 70 a 250 kW, servindo
não só para geração distribuída, mas como acionamento de força motriz (INGERSOL, 2005).
A Willians/GM também possui uma linha de microturbinas a gás com potências,
variando entre 40 a 400 kWe, também servindo para acionamento motriz.
Como pode ser notado, pela faixa de potência de alguns fabricantes o campo de
potências entre os diversos fabricantes está bem delineado.
113

4.5 Seleção do equipamento a gás natural para acionamento de máquinas de


fluxo.

Um segmento onde o motor de combustão interna apresenta grande penetração é na


chamada cogeração distribuída competindo, para certa gama de potência instalada, com outros
equipamentos que também utilizam o gás natural para geração de energia elétrica, tais como a
micro turbina a gás, a célula a combustível e a turbina a gás.
Para a cogeração deve-se ter em mente, onde o equipamento terá maior potencial de
utilização, se será utilizado principalmente para a geração elétrica ou na geração de calor. As
turbinas a gás apresentam melhores aproveitamentos, em termos de recuperação do calor
rejeitado termicamente.
Em comparação com a turbina a gás, o motor a combustão com gás natural apresenta
as seguintes vantagens:
- menor custo do equipamento e instalação;
- menor emissão de gases poluentes;
- melhor atendimento ao pico de demanda trabalhando em stand-by;
- menor influência da altitude e temperatura no rendimento da máquina;
- maior rendimento na transformação direta da energia no eixo;
- menor pressão do gás na alimentação;
Entre as principais desvantagens destacam-se:
- menor rendimento em termos globais para cogeração a partir de grandes potências;
- maior espaço ocupado para mesma potência instalada.
- menor condições de aproveitamento de calor.
O gráfico da figura 4.31 mostra a comparação entre o rendimento do motor de
combustão interna e da turbina a gás para a faixa de potência entre 100 kW e 5000 kW,
trabalhando na geração de energia e também na cogeração.
As turbinas a gás natural têm uma queda razoável de rendimento, quando trabalham
em instalações de maiores altitudes e temperaturas acima das estipuladas como, padrão para o
produto, conforme as Normas ISO.
Por outro lado, quando comparado com a microturbina a gás, o motor de combustão
a gás natural tem significativamente a vantagem do custo do equipamento e instalação, custo
de manutenção e tecnologia mais difundida no Brasil, além de ser menos susceptível a altitude
e ao aumento da temperatura.
114

90
80

rendimentos (%) 70
60
50
40
30
20
10
0
0 1000 2000 3000 4000 5000 6000
Potencia elétrica instalada kW
Motor de combustão Motor de combustão cogeração
turbina a gás turbina a gás na cogeração
Figura 4.31 Comparação de potência e rendimento para um motor de combustão
a gás e uma turbina em ciclo simples e cogeração. Fonte: EPA, 2003

No caso do Brasil, as três tecnologias apresentam características diferentes no


enfoque de utilização das mesmas.
As usinas térmicas para aproveitamento do gás natural, com perspectivas de
instalação em todo território nacional utilizarão na sua maioria as turbinas a gás, e em muitos
casos com geração só de eletricidade, sem aproveitamento do calor rejeitado para utilização
em alguns sistemas de cogeração ou para ciclos combinados com caldeiras e turbina a vapor.
A tecnologia da turbina a gás no Brasil não está ainda muito difundida e a maioria
dos equipamentos do porte exigido pelas centrais térmicas a gás natural é importado.
Das três tecnologias mencionadas para a utilização do gás natural na produção direta
de força motriz (não seria o caso das células a combustível), ou na geração de energia em
nosso país, dentro da faixa de potência mencionada, o motor de combustão interna é a
tecnologia mais atrativa tendo em conta a disseminação do mesmo na utilização veicular.
Essa familiaridade existente com o motor de combustão interna poderia ser uma
alavanca essencial, na introdução do mesmo para a geração de força motriz no
aproveitamento mais intensivo do gás natural.
Atualmente, qualquer central térmica que opere com uma potência de 18.000 kW
instalados deverá possuir no mínimo 3 motores de combustão interna, a gás natural de 6.000
kW (WAUKESHA, 2005). Pode-se notar que a tecnologia dos motores de combustão interna,
a gás natural está longe de atingir o recorde de um motor Diesel, de aproximadamente 80.000
kW.
115

A Caterpillar, com o motor CATG3520C, a Waukeska com a série VGF e a


Cummins com um misto dos modelos QSK e QSV, estão desenvolvendo testes para atingirem
motores de combustão interna a gás natural de 7.500 kW e 9.000 kW, que deverão estar no
mercado até 2007 (Diesel & Gas Turbines Wordwide , Maio 2003). 16
Em 2004 a Wärtsilä, empresa finlandesa, anunciou a fabricação e instalação do maior
motor a gás natural do mundo, o 20V34SG, com potência de 9.000 kW (WÄRTSILÄ,
Setembro, 2004).
Analisando todas essas tecnologias disponíveis para utilização do gás natural como
fonte primária de energia em transformação de eletricidade e calor, principalmente nos
Estados Unidos, Japão e alguns países europeus, nota-se uma tendência clara na divisão da
penetração das mesmas do ponto de vista comercial.
A tabela 4.7 compara as tecnologias disponíveis para utilização do gás natural que
poderão, uma vez aceitas no mercado nacional, aumentar a demanda do gás e equilibrar a
relação entre produção e uso com as reservas existentes.
Aproveitando o aspecto veicular, onde o Brasil possui a 2.a frota do mundo de carros
com motores funcionando a gás natural (GASNET, 2003), um estudo poderia ser realizado
para adaptação desses motores no uso estacionário.
Incentivos poderiam ser criados para instalação de fábricas que desenvolvessem
motores de menores potências, entre 1 a 15 CV, com tecnologia 100% nacional, caso
específico da Honda, que desenvolveu o primeiro motor a gás natural com recuperação do
calor rejeitado em cogeração de baixa potência.
A unidade de cogeração residencial da Honda, utiliza o motor GE160V, o menor do
mundo para gás natural. O motor produz 3 kWh de calor e 1 kWh de energia elétrica. A
eficiência de energia global do sistema é de 85%.
O motor a gás natural GE160V, de 163 cm3, 4 tempos, um cilindro, refrigerado a
água, foi especialmente desenvolvido para uso em unidades de cogeração. Um catalisador
especial e controle de realimentação de oxigênio são empregados para reduzir a quantidade de
emissões de NOx, resultando em gases de exaustão mais limpos que os aquecedores de água
domésticos.

16
Referenciado no site www.gasnet.com.br . Acessado em 11/2005.
116

TABELA 4.7 Comparação entre tecnologias para força motriz com utilização
do gás natural.

Motor de
Micro turbina
Características Combustão a gás Turbina a gás
a gás
Natural

Rendimento elétrico (PCI) 28-45% 24-40% 24-30%

Rendimento em Cogeração 68-80% 65-72% 60-68%

Gama de Potência (kW) 20-5.000 500-200.000 25-400

Custo de instalação (somente 680-1.100 600-1.400 1500-2.100


energia elétrica= US$/kW)

Custo de instalação em
800-1.500 700-1.800 1.700-2.600
Cogeração (US$/kW)
Custo de Operação e
Manutenção (US$/kWh) 0,008-0,016 0,004-0,009 0,013-0,02

Disponibilidade no
92-97% 90-98% 90-98%
atendimento a rede

Horas entre paradas 24.000-60.000 30.000-50.000 5.000-30.000

Tempo para início


10 seg 10 min – 1 h 60 seg.
de operação

Pressão do gás (psi) 1-45 120-500 40-100

Gás natural,
Gás natural, Gás natural, biogás,
Combustíveis alternativos biogás, propano,
biogás,propano propano, óleo
óleo
60-75
60-75 (requer sala 67-90 (isolamento
Ruído (dB) (isolamento da
isolada) da unidade)
unidade)
Emissão de NOx
(g/MWh) sem controle 0,8-22 0,3-4 0,4-2,2

Aquecimento Aquecimento
Água quente, vapor a
Uso para aproveitamento direto, água quente, direto, água
baixa pressão,
do calor vapor a alta e baixa quente, vapor a
aquecimento.
pressão. baixa pressão

Temperatura utilizável (o F) 300-500 500- 1.100 400-650

Fonte: Adaptado de EPA, 2003.


117

4.5.1 Gráfico para seleção do acionamento de máquinas de fluxo

O presente capítulo se propõe a configuração de um gráfico que permita uma seleção


entre os diversos equipamentos de força motriz utilizando o gás natural, e o motor elétrico
para o acionamento de máquinas de fluxo. Serão considerados os motores de combustão
estacionários industriais e autoderivativos, a pequena turbina a gás, a turbina aeroderivativa, a
micro turbina e o motor elétrico de indução.
O gráfico proposto, pretende mostrar o campo de aplicação das tecnologias
disponíveis, além do motor elétrico, que podem operar com gás natural para o acionamento
das máquinas de fluxo.
Como variáveis para elaboração desse gráfico foram selecionadas as variáveis: a) o
preço do equipamento; b) a potência e, c) a rotação.
Vários autores apresentam a possibilidade de cálculo do preço de equipamentos de
uma central termoelétrica por várias fórmulas diferentes onde sempre figuram variáveis, nem
sempre as mesmas, e que levam a um valor de um período referenciado. Bejan, A.;
Tsatsaronis, G.; Moran, M. (1996) apresentam algumas fórmulas para o cálculo de
compressor, câmara de combustão, turbina a gás, pré-aquecedor de ar e recuperador de calor.
Para turbina a gás temos:
⎛ •

⎜ C 31 . m g ⎟ ⎛⎜ P4 ⎞⎟
PEC GT =⎜
⎜ C 32 − η t ⎟⎟. ln⎜ p ⎟.[1 + exp(C 33 .T4 − C 34 ] (4.23)
⎝ ⎠ ⎝ 5⎠

Os valores de C31, C32, C33 e C34 são tabelados pelo autor. Os valores m g , ηt , relação
de pressão P4/P5 e T4 são parâmetros que dependem da configuração da turbina, cujo preço se
pretende determinar.
Boehm, R. F. (1987) também propõem uma só fórmula para o cálculo de estimativa
de preços de equipamentos, e oferece uma série de parâmetros para aplicação dessa fórmula
abrangendo uma série bastante vasta de equipamentos como: bombas, ventiladores,
compressores, geradores, motores elétricos, turbinas a vapor, turbinas a gás, trocadores de
calor, fornos, caldeiras, aquecedores, recuperadores de calor, bombas de calor e miscelâneas
como tubulações, vasos de pressão etc., abrangendo mais de 100 itens em uma central
térmica.
Para a mesma turbina a gás, Boehm, R.F. (1987), propõe a seguinte equação para o
cálculo do preço:
118

m
⎛S ⎞
C = C R .⎜⎜ ⎟⎟ (4.24)
⎝ Sr ⎠
onde
C= custo para um equipamento; C é obtido em US$x 1000.
S = tamanho desejado; (conforme alguma característica: potência, vazão, etc.)
m = reflete a o fator de “economia de escala” varia de 0,5 a 1,0 (mas pode ser >1).
CR, SR e m são tabelados pelo tipo de equipamento e faixa de alguma característica
importante. Nota-se que na fórmula 4.23 não está incluso o fator de “economia de escala”, o
que significa que pode ser calculado para qualquer valor da característica do equipamento e,
depois aplicado uma outra fórmula também proposta por Bejan, Tsatsaronis e Moran, (1996).

α
⎛X ⎞
C PE ,Y = C PE ,W ⎜⎜ Y ⎟⎟ (4.25)
⎝ XW ⎠

Isso significa que o preço de um equipamento CPE,Y , atual, é o preço do equipamento


calculado em 4.23, CPE,W (mesmo que PECGT), corrigido pela relação de tamanho ou
grandeza da característica principal (XY/XW) elevada à potência α (fator de escala). Para o
cálculo apresentada-se uma série de valores de α para diversos equipamentos (por exemplo,
no caso da turbina a gás, α =0,65 para a faixa de potência entre 0,01-15 MW e α =0,89 para a
faixa de potência entre 70-200 MW).
EL-Sayed. Y. M. (2003), apresenta uma outra fórmula também baseada em algumas
características fundamentais do equipamento. O custo de um equipamento é dado por:
Z = c a .A (4.26)
onde :
A = k.x 1n1 .x n2 2 .x 3n 3 .x n4 4 (4.27)
Os valores de ca e k são tabelados em unidades inglesas e no SI. Os coeficientes
x1n1,......x4n4, assumem diversos valores dependendo da grandeza característica em jogo e do
tipo de equipamento.
Para uma turbina a gás, por exemplo:
Z= 1000.ca.k. M1.Pr-0,5.e0,85
Portanto: x1n1= M1 = massa de gás na turbina lb/s.
x2n2=PR-0,5 = relação de pressão
119

x3n3=e0,85 = leva em conta o rendimento da turbina e = η


(1 − n )

Figura 4.32 Quadro de comparação entre diversas fórmulas propostas para obtenção do
preço inicial do equipamento para acionamento de máquinas de fluxo.
Os valores foram atualizados pelo índice M&S 17

Para um motor de combustão com gerador, a única fórmula viável apresentada é a


(4.24) e nesse caso, o preço incluí o gerador , que pode ser calculado com outros parâmetros
também apresentado por Bohen (1987).
A fórmula apresentada neste trabalho, para elaboração do gráfico, é polinomial, onde
N representa uma equação dada a partir da curva de tendência, levantada na planilha Excel.
C equip. = K.f ( N a ).n b (4.28)

Sendo:
Cequip. = preço do equipamento em US$; K=constante da fórmula para acerto de
parâmetros; f(Na) = função da potência da máquina, sendo Na, equação da linha de tendência
de forma polinomial do equipamento, conforme APÊNDICE B; n = rotação da máquina em
rpm. Os gráficos apresentados levam em conta as condições simples dos equipamentos sem a
instalação de dispositivos extras como redutores acoplados, reguladores de freqüência etc.

17
M&S (Marshall and Swift) – índice médio anual de preços de equipamentos. É editado no Chemical
Engineering Magazine e citado em Bohem,R. F.(1987).
120

O gráfico da figura 4.33 dá uma visualização tridimensional na orientação da seleção


do equipamento para acionamento de força motriz.

Figura 4.33 Gráfico de seleção do equipamento de combustão interna e motor elétrico


para acionamento de máquinas de fluxo

No gráfico da figura 4.34 (A) pode ser constatado o preço do equipamento em função
da potência do mesmo. Verifica-se a grande diferença entre o preço do motor elétrico e os
equipamentos de combustão interna. O motor de combustão a gás natural autoderivativo é o
que melhor se adapta, com relação a preço e gama de rotação para competir em baixas
potências com o motor elétrico. O gráfico da figura 4.34 (B) dá idéia dos limites simples de
rotação de operação das máquinas.

(A) (B)
Figura 4.34 Relação Potência x Preço (A) e faixa de aplicação de rotação para os equipamentos (B).
121

Assim, as seguintes fórmulas e parâmetros foram propostos:

Gama Gama
Equipamento K N b de P de n
(kW) (rpm)

150 720
Motor a gás 1,0 0.0071*Nc^2+281.58*Nc+7751.7 -0,018 a a
8000 1800
400 3600
Turbina a gás 3,0 -0.0028*Ng^2+385.43*Ng+122728 -0,14 a a
10000 8000
30 4000
Micro turbina 3,0 -0.2621*Nm^2+732.8*Nm+5655.3 -0,10 a a
500 8000
400 3000
Turbina a gás 1,7 -0.0028*Nd^2+385.43*Nd+6800 -0,08 a a
aeroderivativa
10000 8000
50 2000
Motor a gás 1,5 0.1595*Na^2+988.33*na+8465 -0,32 a a
autoderivativo
2000 4200
10 720
Motor elétrico 3,0 -0,0001Ne^2 + 48,755Ne + 462,96 -0,13 a a
10000 3600
Figura 4.35 Quadro de parâmetros utilizados na fórmula de preço de equipamentos motriz de
máquinas de fluxo.

As fórmulas foram elaboradas com o intuito de se construir um gráfico orientativo


apenas para escolha do equipamento mais adequado dentro de determinada faixa de potência,
preço e rotação.
Não devem ser utilizadas indiscriminadamente para o cálculo exato do preço final do
equipamento, mesmo porque não levam em conta alguns requisitos como: acessórios
especiais, instalação, transporte, operação e manutenção etc.
Por outro lado, se um determinado equipamento é selecionado mediante o seu
interesse ou peculiaridade, o custo do mesmo passa a ser irrelevante mediante a superação das
expectativas no cumprimento das funções desejadas para o mesmo.
Os preços dos equipamentos que puderem ser obtidos de vendedores ou
representantes comerciais são sempre os mais confiáveis para os cálculos econômicos.
122

CAPÍTULO 5

COMPARAÇÕES ENTRE O ACIONAMENTO DO MOTOR ELÉTRICO E O


MOTOR DE COMBUSTÃO A GÁS NATURAL

Neste capítulo são analisadas algumas situações particulares que permitem uma
comparação entre os dois tipos de acionamento, tendo em vista os aspectos de viabilidade e
economia de energia.

5.1 Requisitos de partida

Os motores elétricos, durante a partida solicitam uma corrente bem maior que a
nominal. Essa corrente pode chegar a ser 10 vezes a corrente nominal (MAMEDE, 1995).
A diferença entre a corrente nominal e a corrente de partida pode afetar
consideravelmente o circuito de operação e proteção do motor, além do próprio motor.
Assim, demasiado tempo transitório de partida com cargas incompatíveis ao tipo do
motor pode acarretar aquecimento excessivo e queda de tensão acentuada.
Muitas vezes é necessário que, dois ou mais motores elétricos de grande potência
sejam acionados simultaneamente. Tal manobra deve sempre ser evitada, pois a queda de
tensão pode ser severa, acarretando problemas na instalação, quando não convenientemente
estudados, interferindo no funcionamento de outros equipamentos (MAMEDE, 1995).
Os equipamentos de comando, contatores, relés e circuitos podem sofrer paralisação
diante de uma queda de tensão fora dos valores previstos pelas Normas, ou mesmo
especificada pelos fabricantes. Os motores síncronos e assíncronos quando submetidos a
grandes quedas de tensões podem parar por perda de sincronismo ou insuficiência de
conjugado motor. O aquecimento provocado pelas quedas de tensão a que está submetido um
motor elétrico influi de maneira significativa na vida útil do motor.
No caso dos motores a combustão interna, o seu aquecimento também pode estar
relacionado às exigências da partida, e do ponto de funcionamento com relação às exigências
de carga do motor, porém, o sistema de arrefecimento pode trabalhar devidamente ajustado a
essas circunstâncias, principalmente se o rejeito do calor for utilizado para um sistema de
cogeração. Os motores de combustão interna possuem uma adequação mais suave com
relação a carga a ser acionada.
123

A alimentação do combustível é exigida conforme a potência requerida, ficando


assim, o conjugado ou torque ajustado a rotação inicial das massas girantes. Em resumo, o
motor de combustão interna possui uma curva de conjugado que se ajusta a curva da máquina
acionada, enquanto o motor elétrico possui uma curva sempre superior a curva da máquina na
partida, até entrar em funcionamento de regime. O gráfico da figura 5.1 mostra o
comportamento da curva de conjugado de um motor de combustão interna (preta) e a curva de
conjugado de um motor elétrico.

Figura 5.1 Curva de torque de um motor de combustão comparada com a de um motor elétrico.

Essa adequação da curva de conjugado do motor elétrico a carga, faz com que o
motor de combustão interna seja a máquina mais adequada para entrar em operação em caso
de emergência, ou no auxílio ao atendimento de carga nos horários de pico de demanda.
A curva de conjugado das bombas varia, segundo o tipo de bomba e a rotação da
mesma. O gráfico da figura 5.2 mostra o comportamento da curva de conjugado de vários
tipos de bombas centrífugas com a rotação.
Sobrepondo a curva de conjugado da bomba com as curvas de conjugado do motor
elétrico e do motor de combustão, pode-se notar a grande diferença no excesso de conjugado
de partida entre a curva do motor elétrico e a curva da bomba. Em termos globais de energia,
o motor elétrico consome mais energia que o motor de combustão interna na partida de uma
bomba centrífuga. Esse diagnóstico pode ser observado através de uma comparação entre a
energia necessária na partida de uma bomba, quando se utiliza um motor elétrico e um motor
de combustão a gás natural. O tempo de partida de um motor elétrico de indução trifásico,
124

acionado sob carga plena, apresenta um tempo total de aceleração de 2 a 10 segundos, na


maioria dos casos (MAMEDE, J., 1995).

Figura 5.2 Curvas de conjugado nominal para vários tipos de bombas centrífugas e comparação das
curvas de motores. Fonte: (KARASSIK, 1976).

O cálculo do tempo de aceleração do motor elétrico, depende do conhecimento dos


conjugados de carga em jogo, da máquina que se deseja acionar e do conjugado do motor
elétrico escolhido que, para acionamento de bombas centrífugas e ventiladores, como visto
anteriormente, é o de categoria N. O fator de potência na partida do motor é muito pequeno,
ficando normalmente na faixa de 0,30 a 0,40.
O tempo de partida do motor elétrico pode ser calculado por:
2π.n.(J m + J c )
t= (5.1)
C mm − C mc
Onde n em rps, Jm e Jc em Kgf.m2, Cmm e Cmc em N.m.
A demanda de partida em um motor trifásico de indução é dada pela fórmula:
D p = 3.Vm .I p . cos ϕ (5.2)

sendo a corrente de partida Ip,


I p = I n .K (5.3)

Tanto a corrente nominal (In) quanto o coeficiente K(Ip/In) são tabelados e


dependem da potência nominal do motor.
Assim, a energia consumida durante a partida de um motor de indução trifásico pode
ser dada por:
125

Δt
E p m = Dp. (5.4)
3600
Sendo a energia consumida pelo motor em kWh, durante o tempo de partida Δt, em
segundos. No caso do motor a combustão, a única fórmula aplicável foi a encontrada no
trabalho de Cruz, D. A. (2005) sobre o consumo de energia durante a partida e
funcionamento, da proposta de utilização de um motor de gás natural para substituir o motor
elétrico no acionamento do ventilador do sistema de transporte pneumático do aeromóvel, em
Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
0,7355
E pc = .ΣN m .Δt (5.5)
3600
Onde a potência (Nm) deve ser em CV e a energia obtida Ep em kWh.
A figura 5.3, mostra a comparação entre um motor elétrico de 150 kW, e um motor a
gás natural da Mercedes-Benz, cuja curva de desempenho encontra-se no ANEXO A, para o
acionamento de uma bomba centrífuga.

Figura 5.3 Comparação da energia consumida na partida de um motor elétrico e de um


motor de combustão a gás natural
126

O gráfico da figura 5.4 mostra a relação entre o número de partidas anuais, razão
entre o preço do gás natural e o preço da energia elétrica (R$/m3 / R$/kWh) e a economia
obtida anualmente com o uso do motor de combustão a gás natural.

Econom ia (R$)

160,0 0
140,0 0
120,00
100,0 0
80,00
60,00
40, 00
20,00
0,0 0
-20,00
1 -40,00
1,6
2,2 2 000
2,8
3,4 1500
4 1000
R$/m 3 / R$/kWh 4,6 N.o de partidas/ano
5,4 5 00

Figura 5.4 Economia anual tendo em conta o número de partidas e relação de preço
entre gás natural e energia elétrica.

Embora a economia apresente valores inexpressivos para a potência analisada, o


número de motores instalados poderá ser fator determinante em termos globais.
Deve-se deixar claro que, nem todos os acionamentos podem levar a um
favorecimento do uso do motor a combustão em relação ao motor elétrico, no que diz respeito
ao tempo de partida. As condições estão ligadas às propriedades geométricas do rotor da
bomba, ou ventilador e a carga na linha do sistema. Em todo caso, trata-se de uma análise que
deve ser considerada no estudo da substituição. O cálculo encontra-se no APÊNDICE C.

5.2 Requisitos de regime de trabalho

Também na questão de força motriz, quando comparado ao motor elétrico, o motor


de combustão a gás natural apresenta baixa eficiência na transformação da energia.
Enquanto um motor elétrico funcionando a plena carga pode apresentar uma
eficiência entre 85 a 92%, o motor de combustão interna a gás natural apresenta uma
eficiência entre 28 a 42%, dependendo da faixa de potência. O gráfico da figura 5.5, mostra a
relação entre o rendimento dos motores e a carga nominal.
127

Rendimento dos motores a carga parcial


100%
90%
80%
70%

Rendimento
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%
Carga (% da carga total)
Motor a gás natural Motor elétrico

Figura 5.5 Rendimentos com cargas parciais para motor elétrico e motor
a combustão com gás natural. Fonte: (CEPEL, 2001).

Normalmente em instalações de bombeamento existe uma folga entre a potência


calculada para o acionamento da bomba, e a potência nominal do motor elétrico.
Na escolha de motores elétricos, eles devem ser previstos com uma margem de
segurança, que normalmente está computada nas curvas e tabelas elaboradas pelos fabricantes
das bombas (MACINTYRE, 1997). A mesma relação de acréscimo de potência também é
relacionada por Neto, A. (1965) e pode ser visualizada na tabela 5.1.

Tabela 5.1 Folga para motores elétricos


Potência motriz Acréscimo
calculada
Até 2 CV 50%
3 a 5 CV 30%
6 a 10 CV 25%
11 a 25% 15%
Acima de 25 CV 10%
Fonte: (MACINTYRE, A. J., 1997).

Muitas vezes ainda, por desconhecimento do assunto ou mesmo por incerteza nos
cálculos de um sistema de bombeamento, as potências dos motores instalados chegam a ser
superiores ao recomendado na tabela acima. Dentro deste parâmetro, um motor elétrico que
funcione com 80% de sua capacidade nominal terá o seu rendimento diminuído em 15%,
enquanto um motor a combustão interna terá o seu rendimento diminuído em 9,4%. No caso
de um motor que funcione com um conversor de freqüência para redução da rotação da
128

bomba, a comparação entre o preço do conversor de freqüência, que, como se constatou


anteriormente pode custar até 2,5 vezes o preço do motor elétrico, adicionado ao preço do
motor elétrico, mesmo computando a energia economizada, pode ser mais caro que a
instalação de um motor de combustão interna a gás natural, tendo que se aumentar o consumo
de gás para a rotação desejada, dependendo da curva de consumo do motor.
Um motor elétrico de 932 kWe com 94% de rendimento trabalhando com uma
rotação de 1200 rpm, terá a rotação reduzida para 1000 rpm com o uso de um conversor de
freqüência, trabalhando 6 horas por dia e comparado com um motor de combustão interna de
mesma potência e rendimento inicial de 36%.

Figura 5.6 Comparação de funcionamento em regime de carga parcial.

O quadro da figura 5.6 apresenta a redução de um motor elétrico com inversor de


freqüência com a rotação diminuída de 1200 rpm para 1000 rpm. Contudo, para uma análise
mais ampla, pode-se considerar uma faixa maior de variação de rotações e consequentemente,
da potência de regime. Foram então atribuídas outras variações de rotação, com as respectivas
potências calculadas pela fórmula 3.7, da página 58. Sendo a mesma bomba, considerados
diâmetros iguais dos rotores na respectiva fórmula.
129

Os resultados obtidos da variação de economia em Reais (R$), quando os dois


motores trabalham com potências de regime menores que a potência nominal, podem ser
observados no gráfico da figura 5.7.
Pode-se notar que, à medida que a potência de regime afasta-se da potência nominal,
levando em conta a relação entre as duas (Pr/Pn), a relação entre os rendimentos varia,
beneficiando de certa forma o motor de combustão interna.
A possibilidade de se ter um valor positivo na economia, cresce com o maior
afastamento da potência de regime da potência nominal, entre a utilização de um motor
elétrico e um motor de combustão a gás natural para a mesma potência nominal.
Para uma potência nominal de 932 kW, a utilização não se tornará viável com o
preço do gás natural acima de 0,90 R$/m3, enquanto para uma potência de regime de 116 kW,
acima de 1,10 R$/m3.

Razão
(R$/m3/R$/kWh)
2,72 3,18 3,64 4,09 4,55 5,00 5,45 5,91
160.000,00
140.000,00
120.000,00
100.000,00
Economia anual (R$)

80.000,00
60.000,00
40.000,00
20.000,00
0,00
-20.000,00
-40.000,00
-60.000,00
-80.000,00
-100.000,00
0,6 0,7 0,8 0,9 1 1,1 1,2 1,3
3
932 kW - 1200 rpm 718 kW - 1100 rpm 540 kW - 1000 rpm Preço do gás natural (R$/m )
393 kW - 900 rpm 276 kW - 800 rpm 185 kW - 700 rpm Preço da eletricidade 0,22 R$/kWh
116 kW - 600 rpm
Figura 5.7 Economia devido ao funcionamento dos motores fora da potência nominal.

Tomando os casos extremos do gráfico acima, nota-se que, para uma potência
nominal de 932 kW e 1200 rpm, a economia existe até a razão entre preço do gás natural
sobre o preço da energia elétrica, de 4,09. Para uma potência de regime de 393 kW e rotação
de 600 rpm, existe uma margem da economia até a razão 5,00. Os cálculos detalhados dessa
colocação, encontram-se no APÊNDICE D.
130

CAPÍTULO 6

SUBSTITUIÇÃO DOS MOTORES ELÉTRICOS POR MOTORES A GÁS


NATURAL NO ACIONAMENTO DE MÁQUINAS DE FLUXO.

O capítulo a seguir introduz os parâmetros para estudo da análise econômica e


viabilidade da substituição do motor elétrico. Neste estudo, não foi determinante a troca
baseado na vida útil do equipamento, que para os dois casos pode ser considerada em 20 anos.
Procurou-se estipular um tempo de retorno que seja compatível com a realidade do investidor.

6.1 Análise econômica

O estudo da análise econômica, nesta primeira etapa será baseado nos conceitos da
engenharia econômica relacionado com o custo anual dos investimentos e com o custo da
energia para o funcionamento, do motor elétrico e do motor a combustão. No caso do motor
elétrico o custo será da energia elétrica durante um ano e no caso do motor a combustão, o
consumo do gás natural. Assim , as seguintes etapas podem ser colocadas separadamente:
Custo anual de investimento do motor elétrico e equipamentos correlatos.
⎡ i.(1 + i) n ⎤
Ie.⎢ ⎥ (6.1)
⎣ (1 + i) − 1⎦
n

Custo anual da energia elétrica


Nr
.8760.f u .c e (6.2)
ηe
Custo anual com operação e manutenção do motor elétrico
Pr .8760.f u .0,3.c o&m (6.3)
Custo anual de investimento do motor de combustão a gás natural
⎡ i.(i + 1) n ⎤
Ig.⎢ ⎥ (6.4)
⎣ (1 + i) − 1⎦
n

Custo anual do combustível gás natural


Nr
.8760.f u .c g (6.5)
ηg . j

Custo anual com operação e manutenção do motor de combustão interna


Nr.8769.f u .c o&m (6.6)
131

A equação geral deve levar em conta a igualdade entre as duas proposições, ficando
as variáveis dependendo da análise que se pretenda fazer em termos de simulação.
⎡ i.(1 + i) n ⎤ Nr
Ie.⎢ ⎥ + .8760 .f u .c e + Nr.8760.f u .0,3.c o&m =
⎣ (1 + i) − 1⎦ η e
n

⎡ i.(i + 1) n ⎤ Nr
Ig.⎢ ⎥+ .8760.f u .c g + Nr.8769.f u .c o& m (6.7)
⎣ (1 + i) − 1⎦ η g . j
n

Observação: Os custos com operação e manutenção do motor elétrico foram


admitidos em 30% dos custos com o motor de combustão.
Mediante a equação proposta, várias análises poderão ser estudadas e os gráficos
correspondentes levantados para cada uma delas, o que pode ser visualizado nas figuras 6.1.
Os valores estudados estão computados na tabela 6.1, para várias potências.
Tabela 6.1 Valores de comparação para diversos parâmetros

Nr ηe ηm Ie Ig J i ce co&m
3 3 3
(kW) % % R$x10 R$x10 kWh/m % R$/kWh R$/kWh
100 86 33 12,60 75,00 10,63 12 0,40 0,03
500 88 34 80,10 270,00 10,63 12 0,30 0,02
1.000 90 38 160,00 585,00 10,63 12 0,26 0,012
5.000 92 40 658,00 3.100,00 10,63 12 0,22 0,010

Pelos gráficos pode-se notar a sensibilidade da variação do número de anos com


relação ao preço do gás natural e do fator de utilização.

Figura 6.1 Tempo de retorno x fator de utilização x preço do gás natural


132

Figura 6.2 Tempo de retorno x Fator de utilização x Relação de preço do gás natural e eletricidade
133

6.2 Estudos de casos

Neste capítulo serão abordados os estudos de caso referentes à substituição do motor


elétrico pelo motor de combustão a gás natural em quatro setores distintos: residencial,
público, energia e industrial. Uma análise econômica de cada caso é apresentada tendo em
conta a somente a utilização da força motriz dos motores a combustão.

6.2.1 Bombeamento de água em edifícios residenciais e comerciais

Em principio o estudo se deterá apenas nas bombas principais de recalque de água


potável. A tabela 6.2 mostra os dados envolvidos para a instalação de uma potência média em
uma bomba de elevação de água em um edifício, para um motor elétrico e para um motor de
combustão pequeno a gás natural, tomando como base uma potência de 5,0 CV, .
Como visto anteriormente, um motor de 5,0 CV é representativo para um edifício de
apartamento de apenas 10 andares, para o setor residencial, tomado como padrão para os
cálculos. O número de edifícios existentes na cidade de S. Paulo, por exemplo, considerando
os setores comercial e residencial poderia tornar o empreendimento muito mais atrativa.

Tabela 6.2 Dados para a análise de viabilidade econômica entre motores de


combustão interna a gás natural e motor elétrico de pequena potência.

A figura 6.3 Mostra o tempo de retorno em função do preço do gás natural e da


relação entre o preço do gás natural e o preço da energia elétrica, para valor de 0,47 R$/kWh,
e taxa de juros anuais de 12%.
134

Relação de preço gás/ eletricidade (R$/m3 / R$/kWh)


1,1 1,6 2,1 2,7 3,2 3,7 4,3 4,8
12
11
10

Tempo de retorno (anos)


9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
0 0,25 0,5 0,75 1 1,25 1,5 1,75 2
Preço do gás (R$/m3)

Figura 6.3 Tempo de retorno na substituição de motores a gás natural para preço
da energia elétrica 0,47 R$/kWh e taxa de juros de 12% ao ano.

Atualmente, o preço do gás natural residencial, para uso coletivo, como seria o caso
dessas instalações está por volta de 2,426 R$/kWh. Neste caso, pelo menos por enquanto não
chega ser atrativo para esse tipo de aplicação, pois, mesmo com um valor de 1,8 R$/ m3 de
gás, o tempo de retorno estaria entre 10 a 12 anos.

6.2.2 Aplicação em serviços de saneamento básico

O estudo a seguir refere-se a viabilidade da substituição de uma das bombas do


sistema Guarapiranga, de 1250 CV, neste caso, que bombeiam a água para Capão Redondo,
que retorna da estação de tratamento, por gravidade, após ter sido recalcada pelas bombas
novas, de eixo vertical de 5.400 HP.
Foram realizadas visitas em estações de captação para verificação, em loco, das
características e possibilidades da implantação do projeto.

Figura 6.4 Características do conjunto SABESP a ser analisado. Fonte: (SABESP, 2004)
135

A análise foi desenvolvida através de dados obtidos com a concessionária de


abastecimento.

Tabela 6.3 Dados para estudo de viabilidade entre motor elétrico e motor de
combustão a gás natural.

3
Relação preço gás/ energia elétrica (R$/m / R$/kWh)
2,3 3,1 3,8 4,6 5,4
8,00

7,00
Tempo de retorno (anos

6,00

5,00

4,00

3,00

2,00

1,00

0,00
0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80
3
Preço do gás natural (R$/m )

Figura 6.5 Tempo de retorno para motores de gás natural. Preço de referência
da energia elétrica 0,13 R$/kWh e Taxa de juros de 12%.
136

Pode-se notar que pela relação entre o preço do gás natural e o baixo preço da
energia elétrica, a tarifa do gás natural para essa finalidade só será viável se enquadrada, pelo
consumo total apresentado como segmento de cogeração, matéria prima, geração elétrica ou
serviço interruptível que pelo consumo apresentado em uma só bomba anualmente mesmo
com os encargos fixos, poderia ficar na relação igual a 2,0 com um tempo de retorno pelo
gráfico de menos de 1 ano.
Limitando-se a substituição dos motores elétricos por motores de combustão a gás
natural no serviço público de saneamento a uns 90.000 kW. Considerando a média de
consumo anual, a energia total diária neste caso particular chegaria a 1.520.000 kWh/dia (com
fator de utilização de 80% e rendimento médio dos motores elétricos de 88%).
Tomando-se para o motor de combustão a gás natural um rendimento de 36%, e uma
relação de 10,63 kwh/m3 de gás natural, pode-se atingir um consumo diário previsto à ser
acrescido no consumo total de gás natural no setor público de 377.457 m3/dia.

6.2.3 Aplicação no setor de energia

O estudo de viabilidade foi concentrado na substituição de uma bomba de 800 HP do


terminal de Cubatão. O esquema do sistema de bombeamento pode ser visto na figura 6.6 e os
cálculos no APÊNDICE G, onde se utilizou a planilha Excel.

Figura 6.6 Esquema do sistema de bombeamento do terminal de Cubatão.


137

Tabela 6.4 Valores de dados e cálculos para a bomba do terminal da Petrobras

Re lação Pre ço do gas/e le tricidade (R$/m3 / R$/kWh)


1,6 2,6 3,1 3,6 4,1 4,7
12
11
10
Tempo de retorno (anos)

9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
Pre ço do gás natural (R$/m3)

Figura 6.7 Tempo de retorno para instalação de motores de combustão a gás natural no
bombeamento de petróleo. Preço de referência da energia elétrica 0,193 R$/kWh, Taxa de juros 12%.
138

6.2.4 Aplicações no setor industrial

6.2.4.1 Aplicação de estudo de caso em uma indústria têxtil


O quadro e gráfico a seguir, trazem uma avaliação da substituição do motor elétrico
pelo motor de combustão a gás natural em uma indústria têxtil.

Tabela 6.5 Valores de dados e cálculos utilizados na análise de bombas industriais

Relação de preço gás/eletricidade (R$/m3 / R$/kWh)

20 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5

18
Tempo de retorno (anos)

15
13
10
8
5
3
0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 1,1 1,2
Preço do gás natural (R$/m3)

Figura 6.8 Tempo de retorno com relação ao preço do gás e da taxa


de juros no setor industrial.

6.3 Análise pela relação entre preço do gás natural e preço da eletricidade

Analisando conjuntamente os gráficos acima, da substituição do motor elétrico por


motor de combustão interna a gás natural nos setores residencial, serviço, energia e industrial,
pode-se tirar uma série de conclusões sobre benefícios, ou não, que o gás proporciona quando
139

do para energia motriz. A figura 6.9 mostra a sobreposição das curvas tendo como
utilizado
abscissa a relação entre o preço do gás natural e a energia elétrica e, como ordenada, o tempo
de retorno em anos, que a utilização do gás consegue superar economicamente a utilização da
eletricidade. Preço de referência da eletricidade em cada caso, está indicado na curva do setor
correspondente.

15,00
14,00
13,00
12,00
Tempo de retorno (anos)

11,00
10,00
9,00
8,00
7,00
6,00
5,00
4,00
3,00
2,00
1,00
0,00
0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0
Relação R$/m3 / R$/kWh
Residencial/comercial referência 0,47 R$/kWh
SABESP referência 0,13 R$/kWh
Energia referência 19,3 R$/kWh
Industrial referência 0,20 R$/kWh

Figura 6.9 Gráfico resumo com as curvas dos quatro setores analisados.

Análise dos casos apresentados na figura 6.9:

- Residencial:
O caso do segmento residencial, na substituição dos motores elétricos por motores de
motores
combustão a gás natural no acionamento das bombas de recalque dos edifícios, dados
combustão
conforme planilha detalhada nota-se que poderia ser o caso mais interessante pelo
comportamento da curva correspondente.
Contudo, o valor pago pelo consumidor de gás natural na sua melhor condição, que
seria a tabela de tarifas correspondente a “Uso Coletivo”, pagará o correspondente a R$ 2,25
/m3, ou seja, quase 5 vezes mais que o valor do kWh (R$ 0,47), verificados na conta de
energia elétrica.
140

Isso trará o tempo de retorno bem acima de 20 anos, o que se torna inviável. Para
uma razoável condição, dentro dos parâmetros apresentados no caso residencial, o valor do
metro cúbico de gás deveria situar-se em torno de R$1,70, que daria um tempo de retorno de 4
anos.

- Energia:
Neste caso, com o custo da energia paga pela Petrobras, em Cubatão, de
aproximadamente R$ 0,20 o kWh para uma bomba de 800 HP, representando
aproximadamente 96.000 m3/mês de gás natural, sendo enquadrado no “Segmento Industrial”,
o custo do m3 de gás seria de R$ 0,93, dando uma razão igual a 4,7, o que tornaria a
substituição inviável. Por outro lado, se analisarmos o custo do gás natural como “Insumo
Energético” no caso dos terminais da Petrobras, o valor do m3 do gás natural para a mesma
substituição seria de R$ 0,48, neste caso altamente compensador, com uma razão de 2,42 e
tempo de retorno de aproximadamente 2,0 anos.
Essa situação seria mais vantajosa ainda, se o número de motores elétricos
substituídos por motores a gás natural for maior, sendo que existe a possibilidade dessa
implementação.

- Público:
A SABESP paga em média um valor baixo pelo custo da energia elétrica, sendo
considerada um cliente prioritário, aproximadamente R$ 0,14/kWh.
No estudo realizado com a mudança de apenas uma das bombas do sistema
Guarapiranga, que bombeia água para Capão Redondo, de 1250 CV, tem-se um consumo de
gás natural de 145.642 m3/mês. Para essa faixa de consumo de gás, e enquadrando a SABESP
como “Serviço Interruptível”, que sem dúvida é o serviço de abastecimento de água para a
cidade de São Paulo, o valor do m3 de gás natural seria, pela tabela da COMGÁS, R$ 0,48.
Isso daria uma razão de 3,43, o que poderia tornar o investimento atrativo.
Se a modificação for realizada em duas bombas, dobrando o consumo de gás natural,
o valor do m3 ficaria reduzido a R$ 0,39. Neste caso a razão seria igual a 2,78 e o tempo de
retorno de aproximadamente 2,0 anos.
Um maior número de instalações não reduzirá substancialmente a razão de preço
entre o gás natural e a eletricidade, sendo o tempo de retorno mínimo de 3 anos
correspondendo, pela planilha de cálculo e pela tabela progressiva de preços da COMGAS, a
um consumo superior a 3x 106 m3 de gás natural por mês.
141

- Industrial:
O setor escolhido como exemplo no segmento industrial foi o da Indústria Têxtil, um
dos maiores consumidores de energia elétrica ao lado da indústria de alimentos e bebidas e da
indústria química.
Devido a grande variedade de bombas instaladas das mais diversas potências, o
rendimento global para o motor de combustão a gás natural que substituirá o motor elétrico é
baixo, sendo tomado na planilha de cálculo em 32%.
Com um consumo estimado no caso analisado, de 313.000 m3/dia de gás natural,
dentro do “Segmento Industrial”, pela tabela da COMGÁS, o preço do gás natural ficará em
R$ 0,90 por/m3, sendo o valor da energia elétrica pago pela indústria de 0,198 R$/kWh, que
dá uma razão de 4,54 e um tempo de retorno inviável.
Dentro dessas características, para um consumo acima de 2.000.000 m3/mês, o preço
do gás natural passaria a R$ 0,772/m3. Mesmo assim, a razão de 3,9, o que também não seria
viável para o “Setor Industrial”.
Valores utilizados nos cálculos:
- Taxa de juros = 12% ao ano
- Rendimentos para motores de combustão interna a gás natural
a) Residencial = 30%
b) Público (SABESP) = 36%
c) Energia (Terminal de Cubatão) = 36%
d) Industrial (Rhodia Têxtil) = 32%
- Relação entre gás natural e energia elétrica
1 m3 de gás natural = 10,63 kWh (PCI=9.400 kcal)
- Cálculo do valor da energia elétrica leva em conta o valor médio:
Valor total da conta mensal dividido pelo consumo em kWh, incluindo:
b) Potência de ponta contratada
c) Potência fora de ponta
d) Demanda de Ponta
e) Demanda fora de ponta
- Valor do m3 de gás natural conforme tabela da COMGÁS, portaria CSPE n.o 412,
de 26/05/2006, com vigência a partir de 31/05/2006. Valores calculados pela estimativa
mensal, custo do m3 com ICMS e valor fixo rateado na estimativa de consumo.
142

CAPÍTULO 7

UMA ABORDAGEM EXERGÉTICA E TERMOECONÔMICA

Este capítulo introduz nas análises anteriormente efetuadas o aproveitamento da


energia disponível, utilizando para isso a ferramenta “exergia” no aproveitamento do calor
dos gases da combustão e do circuito de refrigeração do motor a gás natural

7.1 Alguns conceitos da termodinâmica

- Sistemas termodinâmicos
Um sistema termodinâmico é uma quantidade de matéria de massa e identidade fixas,
sobre a qual se deseja ter uma atenção especial para estudo. O sistema pode ser definido por
uma superfície de controle ou fronteiras do sistema. Tudo mais externo ao sistema é chamado
de vizinhança ou exterior. As fronteiras de um sistema podem ser móveis ou fixas.

(A) (B)
Figura 7.1 Desenho de sistemas termodinâmicos (A) sistema fechado, (B) sistema aberto

- Processo
É definido como o caminho de estados pelo qual o um sistema passa e entre os
principais processos na termodinâmica temos:
- Processo Isobárico (pressão constante)
- Processo Isotérmico (temperatura constante)
- Processo Isocórico (volume constante)
- Processo Isoentrópico (entropia constante -
também chamado Adiabático).
Figura 7.2 Representação dos processos
143

- Ciclo termodinâmico
Um ciclo é uma série de processos, durante a qual o sistema, partindo de um certo
estado 1, acaba por voltar a esse estado original. Na prática os ciclos são completados
periódica e repetidamente (FAIRES, 1966). Num motor de combustão, pode-se dizer que o
ciclo se completa sempre que a vela provoca a ignição do gás. Na termodinâmica existem
uma série de ciclos que definem o comportamento do sistema de uma máquina térmica, entre
eles; o ciclo Otto, Diesel, Brayton, Ranquine, etc.

- Lei zero da termodinâmica


Quando dois corpos possuem a mesma temperatura diz-se que estão em equilíbrio
térmico entre si.
A lei zero da termodinâmica pode ser definida como segue: “Se dois corpos estão em
equilíbrio térmico com um terceiro, eles estão em equilíbrio térmico entre si”.

- Primeira lei da termodinâmica


A primeira lei da termodinâmica é comumente chamada de “lei da conservação de
energia”. A quantidade total de energia é conservada em todas as transformações e
transferências. Isto significa que a energia sempre se conserva, não podendo ser criada nem
destruída.
Para um sistema não em movimento, existe uma propriedade extensiva ao, mesmo,
chamada de energia interna (U), tal que a mudança no seu valor é dada pela diferença entre o
calor (Q) gerado pelo sistema e o trabalho (W) executado pelo sistema durante qualquer
mudança de estado (KOTAS, 1995).
Q − W = ΔU (7.1)
Onde:
ΔU = U final − U inicial (7.2)
Para um sistema em movimento temos:
Q − W = ΔE (7.3)
Onde:
ΔE = ΔU − ΔE c − ΔE p (7.4)

Limitações da primeira lei;


A primeira lei lida com as quantidades de energia de várias formas transferidas entre
o sistema e sua vizinhança e a energia armazenada no sistema.
144

Ela trata da interação entre trabalho e calor, como equivalentes formas de energia em
transito, porém a primeira lei não oferece indicação, se um processo esta sendo efetuado em
uma ou outra direção e sobre a reversibilidade ou não deste processo.

- Segunda lei da termodinâmica


A segunda lei da termodinâmica estabelece a direção na qual ocorre um determinado
processo. A segunda lei define o motor térmico, o refrigerador ou bomba de calor e o limite
da possibilidade de calor em trabalho, além de introduzir o conceito de entropia.

- Rendimento Térmico
Para uma máquina térmica define-se como rendimento térmico a relação entre o
trabalho útil ou energia útil e o trabalho fornecido ou energia gasta.
Q H − Q L = Wutil (7.5)

Wútil = Wt − Wb (7.6)

Wutil
ηT = (7.7)
QH
- Ciclo de Carnot
O ciclo de Carnot (ou motor de Carnot) é um ciclo ideal reversível (motor térmico
ideal), composto de dois processos adiabáticos reversíveis e dois processos térmicos
isotérmicos reversíveis. O ciclo de Carnot independe da substância de trabalho, e qualquer
que seja ela, tem sempre os mesmos quatro processos reversíveis.

Figura 7.3. O ciclo de Carnot no diagrama P-v e T-s -

Sendo:
⎡ QL ⎤ T
⎢ ⎥ = L (7.8)
⎣ Q H ⎦ reversível TH
145

Lembrando que TL e TH são em Kelvin. O rendimento do ciclo de Carnot resulta:


QL T
ηTCARNOT = 1 − = 1− L (7.9)
QH TH
Teoremas referentes ao ciclo térmico de Carnot:
1.o - “É impossível construir um motor que opere entre dois reservatórios térmicos e
tenha rendimento térmico maior que um motor reversível (motor de Carnot) operando entre os
mesmos reservatórios”.
2.o– “Todos os motores que operam segundo um ciclo de Carnot, entre dois
reservatórios a mesma temperatura, têm o mesmo rendimento”.

- Entropia
O conceito está ligado à própria propriedade do sistema, assim como a energia
interna U, da mesma forma que se mede a diferença da energia interna do sistema, ΔU, para
uma transformação, mede-se também a entropia, ΔS. Geralmente se mede a entropia a partir
de um estado padrão, como as condições do ambiente, 1 bar e 250 C (298,15 K).
Para um sistema isolado;
ΔSsist .≥ 0 (7.10)
Para qualquer sistema interagindo com a vizinhança;
ΔSsist . + ΔSvizinh. ≥ 0 (7.11)
Cada um deles, pode aumentar ou diminuir mas a soma deles não pode diminuir.
A mudança de entropia do estado 1 para o estado 2 pode ser encontrada por:
est 2 Q rev.
ΔSsist .1→2 = ∫ (7.12)
est1 Tsist .
Qrev. é o Q posto em jogo quando todas as transformações de energia ocorrem de
forma irreversível, sem atrito e com sistema a uma temperatura T homogênea em cada
instante, nunca mais quente em um ponto do que em outro (LEVENSPIEL, 2000). Sempre
existem vários caminhos para se ir do estado 1 ao estado 2. Para se determinar ΔU não faz
diferença um ou outro caminho, porque entre os dois, a diferença de W é compensada pela
diferença de Q. Porém, faz diferença quando medimos ΔS.

- Reversibilidade e irreversibilidade
O conceito de reversibilidade e irreversibilidade é importante na termodinâmica e
crucial para o método da exergia. Entender a natureza das irreversibilidades e como
minimizá-las na prática é essencial para um engenheiro da área térmica (KOTAS, 1995).
146

7.2 Exergia

A exergia pode ser chamada do modelo da qualidade da energia. O balanço ou


análise da exergia de um sistema é similar à análise de energia mas tem como fundamental
diferença que, enquanto o balanço de energia é uma afirmação da lei da conservação de
energia, o balanço de exergia pode ser encarado como uma constatação da degradação da
energia. Degradação da energia é equivalente a inevitáveis perdas de exergia devido à
totalidade dos processos irreversíveis. A figura 7.4 mostra a exergia total de um sistema, com
relação ao ambiente.

Figura 7.4 Representação da composição da exergia física (exergia total).


Fonte: (KOTAS, 1995).

7.2.1 Exergia Física

Segundo Kotas, (1995) a exergia física é igual a máxima quantidade de trabalho


obtida quando um fluxo da substância é trazido do seu estado inicial para o estado ambiente,
definido por P0 e T0, por processos físicos envolvendo exclusivamente as interações térmicas
com o meio ambiente. Pode ser expressa pela expressão:
ε f = ( h e − h s ) − T0 (Se − S 0 ) (7.13)
Para um gás perfeito a exergia física pode ser dada por:
T P
ε f = cp(T − T0 ) − T0 (cp ln − R ln ) (7.14)
T0 P0

7.2.2 Exergia Química

Exergia química é igual a máxima quantidade de trabalho obtido quando a substância


em estudo é trazida das condições ambientais para o estado final por processo envolvendo
transferência de calor e mudança das substâncias com relação ao ambiente. A exergia
147

química de combustíveis gasosos envolve uma complicação adicional, porque os


combustíveis não fazem parte do sistema de substâncias comuns do ambiente considerados
pela função de Gibbs (KOTAS, 1995).
Em muitas aplicações, inclusive na determinação da exergia dos gases de exaustão
dos motores a combustão e turbinas a gás, pode-se calcular a exergia química desses gases
pela fórmula:
ε q = ∑ x i ε qi + RT0 ∑ x i ln x i (7.15)
i i

Para o caso particular dos gases de exaustão podemos calcular a exergia total como:
ε total = ε f + ε q (7.16)

7.2.1 Rendimento energético e exergético

Pellegrini, Costa, Oliveira Jr. (2005) apresentam a eficiência ou rendimento


energético como sendo:

• •
W liq + Q processo
ηen = (7.17)
m& CH 4 .PCI

E a eficiência exergética por:


• •
W liq + Bprocesso
ηex = (7.18)
m
& CH 4 .b CH 4

Kotas (1995) define ainda a chamada eficiência racional por:


ψ=
∑ ΔΕ out
(7.19)

∑ ΔΕ in

Sendo para o motor de combustão interna e turbina a gás,



W útil
ψ= •
(7.20)
Ε in
Yantovskii (1994) apresenta dez condições de sistemas térmicos, com a eficiência
energética, a eficiência térmica e a eficiência exergética.
148

7.3 Diagramas de Grassmann

Esses diagramas são bastante utilizados por Kotas, (1995), para esquematizar o fluxo
de energia e exergia de um processo termodinâmico.
Para um motor de combustão interna utilizando os dados de Lensi (2003), Heisler,
(1998), ARES (2002) e Van Wylen & Sonntag (1992), pode-se representar o seguinte
diagrama de Grassmann como visto na figura 7.5.

Figura 7.5 Diagrama de Grassmann para um motor de combustão interna.

Baseado neste princípio que se estudará a exergia do motor de combustão interna,


pelo menos nos dois itens que representam maior disponibilidade (exergia) para sua
utilização; o calor dos gases de exaustão e o calor de refrigeração da água do motor.

7.4 Aproveitamento exergético dos motores de combustão a gás natural

Um outro gráfico interessante, que leva em conta o mecanismo da perda de exergia


criada internamente em um motor de combustão interna, iniciando pela injeção de
combustível, ganho da exergia na ignição, perdas de expansão e perdas na combustão, exergia
útil e irreversibilidade é mostrado na figura 7.6, baseado nas considerações de Wall (1998)
sobre exergia, sobreposto em um gráfico de Van Wylen e Sonntag (1992), sobre
disponibilidade da energia em motor de combustão interna.
149

Figura 7.6 Aumento e degradação da exergia em um motor de combustão interna.


Fonte: [VAN WYLEN (1992), WALL (1998)].

Como orientação, para levantamento das entalpias e entropias foram utilizadas as


tabelas apresentadas por NREL (National Renewable Energy Laboratory - 2003), APÊNDICE
D, e o esquema do motor da Waukesha apresentado por Schmidh (2002, apud Daniela). As
tabelas de gases ideais foram utilizadas de Silva, R. B. (1978).

Tabela 7.1 Dados utilizados para cálculo da exergia do motor de combustão


Potência kWe 100 500 750 1000 3000 5000
rendimento 0,33 0,34 0,34 0,38 0,4 0,42
Consumo
MMBtu/hora 1,033 5,012 7,519 8,970 25,563 40,577
kg/s 0,006 0,028 0,043 0,051 0,145 0,230
Exaustão
vazão kg/s 0,126 0,720 1,149 1,562 5,053 9,300
Temperatura
oC 590,000 588,000 578,000 490,000 420,000 396,111
Q exaustão
MMBtu/hora 0,290 0,890 1,680 2,110 5,480 9,630
kJ/s 84,986 260,819 492,333 618,347 1605,944 2822,125
Resfriamento
Vazão kg/s 12,000 26,000 32,000 38,000 82,000 140,000
Q resfriam.
MMBtu/hora 0,270 0,630 1,000 1,590 4,370 7,040
kJ/s 0,079 0,185 0,293 0,466 1,281 2,063
Q total
MMBtu/hora 0,560 1,520 2,680 3,700 9,850 16,670
kJ/s 0,164 0,445 0,785 1,084 2,887 4,885
Fonte:(NREL, 2003). Compilado pelo autor
150

Os quadros da figura 7.7 representam os valores calculados do aproveitamento


exergético para motores a gás natural entre 100kW a 5000 kW.
0,126 kg/s Exergia total
100 kW E 388,999 kJ/kg 49,014 kJ/s 167.234,2 Btu/hr
Exaustão Et 429,715 kJ/kg 54,144 kJ/s 184.738,5 Btu/hr
347.678,3
15,867 kg/s Btu/hr
100 kW E 11,776 kJ/kg 1,484 kJ/s 5.062,5 Btu/hr
Arrefecim/ Et 379,010 kJ/kg 47,755 kJ/s 162.939,8 Btu/hr

0,720 kg/s Exergia total


500 kW E 313,449 kJ/kg 225,683 kJ/s 770.030,9 Btu/hr
exaustão Et 364,170 kJ/kg 262,202 kJ/s 894.633,5 Btu/hr
1.593.528,8
26,000 kg/s Btu/hr
500 kW E 5,276 kJ/kg 137,172 kJ/s 468.031,2 Btu/hr
Arrefecim/ Et 7,878 kJ/kg 204,834 kJ/s 698.895,3 Btu/hr

1,149 kg/s Exergia total


750 kW E 368,944 kJ/kg 423,958 kJ/s 1.446.543,2 Btu/hr
exaustão Et 419,660 kJ/kg 482,236 kJ/s 1.645.390,1 Btu/hr
2.846.774,9
31,000 kg/s Btu/hr
750 kW E 8,237 kJ/kg 255,358 kJ/s 871.281,0 Btu/hr
arrefecim. Et 11,358 kJ/kg 352,106 kJ/s 1.201.384,8 Btu/hr

1,562 kg/s Exergia total


1000 kW E 342,851 kJ/kg 535,533 kJ/s 1.827.239,5 Btu/hr
Exaustão Et 393,567 kJ/kg 614,905 kJ/s 2.098.057,4 Btu/hr
3.572.654,5
38,000 kg/s Btu/hr
1000 kW E 8,459 kJ/kg 321,425 kJ/s 1.096.700,5 Btu/hr
Arrefecim. Et 11,373 kJ/kg 432,180 kJ/s 1.474.597,1 Btu/hr

5,030 kg/s Exergia total


3000 W E 254,785 kJ/kg 1.281,571 kJ/s 4.372.718,8 Btu/hr
Exaustão Et 327,693 kJ/kg 1.648,297 kJ/s 5.623.989,5 Btu/hr
9.719.439,7
82,000 kg/s Btu/hr
3000 kW E 12,035 kJ/kg 986,911 kJ/s 3.367.340,3 Btu/hr
Arrefecim. Et 14,638 kJ/kg 1.200,308 kJ/s 4.095.450,2 Btu/hr

9,500 kg/s Exergia total


5000 kW E 254,785 kJ/kg 2.420,461 kJ/s 8.258.614,0 Btu/hr
exaustão Et 305,506 kJ/kg 2.902,308 kJ/s 9.902.676,3 Btu/hr
15.405.793,9
142,000 kg/s Btu/hr
5000 kW E 8,756 kJ/kg 1.243,331 kJ/s 4.242.244,3 Btu/hr
arrefecim. Et 11,358 kJ/kg 1.612,872 kJ/s 5.503.117,6 Btu/hr
Figura 7.7 Valores resumidos dos cálculos da exergia de exaustão e
resfriamento para várias potências de motores.
151

Pode-se utilizar também, o cálculo das energias física e química para gases
aplicando-se as fórmulas 7.14, 7.15 e 7.16, adotando a relação de 100% de ar na combustão,
conforme Hilsdorf (2004) ou proposta por Santos (2000). Os cálculos para motores de 1.000
kW e 5.000 kW encontram-se nos APÊNDICE E. Os valores encontrados para motor de 1000
kW, estão compilados na figura 7.8.

Figura 7.8 Valores do cálculo de exergia só para a combustão para motor de 1000 kW

Pode-se calcular o rendimento energético quando se aproveita os gases de exaustão e


a refrigeração do motor, por exemplo, para um motor de 1000 kW:

• 3,572.106.1,055

1000 +
W liq + Q processo 3600
ηe = = = 78%
m& CH 4 .PCI 247,56.10,63
• •
W liq + Bprocesso 1000
ηex = = = 37%
m
& CH 4 .b CH 4 0,052.52000
152

Todos os cálculos tiveram taxa de juros iguais a 12% e valor médio da energia
elétrica indicado em cada gráfico e tabela. O detalhamento para os casos da SABESP
encontram-se no APÊNDICE F e para a PETROBRAS no APÊNDICE G.

7.5 Análise do motor de 932 kW da SABESP para fator de utilização 100%

Tabela 7.2 Aproveitamento dos gases e refrigeração, taxa de juros de 12% ao ano e
fator de utilização fu= 100% e valor médio da eletricidade 0,1305 R$/kWh.

Re lação de preço Gás/ e le tricidade (R$/m3 / R$/kWh)

2,3 3,1 3,8 4,6 5,4 6,1 6,9


12,00
11,00
10,00
Tempo de retorno (ano s)

9,00
8,00
7,00
6,00
5,00
4,00
3,00
2,00
1,00
0,00
0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80 0,90 1,00
Preço do gás natural (R$/m3)

Sem Cogeração Cogeração da Exaustão


Cogeração Exaus tão + Refrigeração

Figura 7.9 Tempo de retorno para vários aproveitamentos de exergia do motor a


combustão. Preço médio da eletricidade 0,1305 R$/kWh e fu = 100%.
153

7.6 Análise do motor de 932 kW da SABESP para fator de utilização 70%

Tabela 7.3 Aproveitamento dos gases e refrigeração, taxa de juros de 12% ao ano co
fator de utilização fu= 70% e valor médio da eletricidade 0,1865 R$/kWh.

3
Relação de preço gás/eletricidade (R$/m /R$/kWh)
1,1 2,1 3,2 4,3 5,4 6,4 7,5
12,00
11,00
10,00
Tempo de retorno (anos)

9,00
8,00
7,00
6,00
5,00
4,00
3,00
2,00
1,00
0,00
0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20 1,40 1,60 1,80
Preço do gas natural (R$/m3)

sem cogeração Cogeração exaustão


Cogeração exaustão+refrigeração

Figura 7.10 Tempo de retorno para vários aproveitamentos de exergia do motor a


Combustão. Preço médio da eletricidade 0,1865 R$/kWh e fu = 70%.

Neste caso com aproveitamento dos gases e da refrigeração, um valor de 0,90 R$/m3
de gás, daria um retorno de aproximadamente 5 anos, e uma relação entre preço do gás e
eletricidade de aproximadamente 4,82 R$/m3/R$/kWh. O valor de do gás seria possível, pelo
volume médio anual de 124.333 m3/mês, em cogeração ou serviço interruptível.
154

7.7 Análise do motor de 932 kW da SABESP para fator de utilização 50%

Tabela 7.4 Aproveitamento dos gases e refrigeração, taxa de juros de 12% ao ano co
fator de utilização fu= 50% e valor médio da eletricidade 0,1865 R$/kWh.

Re lação pre ço Gás/Eletricidade (R$/m3 / R$/kWh)

1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0


12,00
11,00
10,00
Tempo de retorno (anos)

9,00
8,00
7,00
6,00
5,00
4,00
3,00
2,00
1,00
0,00
0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20 1,40
Pre ço do gás natural (R$/m3)

Sem cogeração Cogeração com exaustão


Cogeração Exaustão+Refrigeração

Figura 7.11 Tempo de retorno para vários aproveitamentos de exergia do motor a


combustão. Preço médio da eletricidade 0,1980 R$/kWh e fu = 50%.

Neste caso com aproveitamento dos gases e da refrigeração, um valor de 0,90 R$/m3
de gás, daria um retorno de aproximadamente 4 anos (1 ano a menos que o caso anterior), e
uma relação entre preço do gás e eletricidade de aproximadamente 4,5 R$/m3/R$/kWh. O
valor do gás seria possível, pelo volume médio anual de 89.000 m3/mês, em cogeração.
155

7.8Análise do motor de 596 kW da PETROBRAS para fator de utilização 100%

TABELA 7. 5 Aproveitamento dos gases e refrigeração, taxa de juros de 12% ao ano


e fator de utilização fu= 100% e valor médio da eletricidade 0,1933 R$/kWh.

Relação Preço do gás / eletricidade (R$/m 3 / R$/kWh)


1,0 2,0 3,0 4,1 5,2 6,2
14,0
Tempo de retorno (anos)

12,0

10,0

8,0

6,0

4,0

2,0

0,0
0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2
Preço do gás natural (R$/m 3)
Sem aproveitamento da cogeração Aproveitamento da exaustão
Aprov.da exaustão+arrefecimento

Figura 7.12 Tempo de retorno para vários aproveitamentos de exergia do motor a


combustão. Preço médio da eletricidade 0,1933 R$/kWh e fu = 100%.

Neste caso com aproveitamento dos gases e da refrigeração, um valor de 0,95 R$/m3
de gás, daria um retorno de aproximadamente 6 anos, e uma relação entre preço do gás e
eletricidade de aproximadamente 4,6 R$/m3/R$/kWh. O valor do gás seria possível, pelo
volume médio anual de 113.692 m3/mês, em cogeração ou segmento energético.
156

7.9Análise do motor de 596 kW da PETROBRAS para fator de utilização 70%

TABELA 7.6 Aproveitamento dos gases e refrigeração, taxa de juros de 12% ao ano
e fator de utilização fu= 70% e valor médio da eletricidade 0,2512 R$/kWh.

Relação Preço do gás / eletricidade (R$/m 3 / R$/kWh)


0,8 1,6 2,4 2,8 3,2 3,6 4,0 4,4 4,8 5,2 5,6
14,0
Tempo de retorno (anos)

12,0

10,0

8,0

6,0

4,0

2,0

0,0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6
Preço do gás natural (R$/m 3)
Sem aproveitamento da cogeração Aproveitamento da exaustão
Aprov.da exaustão+arrefecimento

Figura 7.13 Tempo de retorno para vários aproveitamentos de exergia do motor


a combustão. Preço médio da eletricidade 0,2512R$/kWh e fu = 70%.

Neste caso com aproveitamento dos gases e da refrigeração, um valor de 1,2 R$/m3
de gás, daria um retorno de aproximadamente 7 anos, e uma relação entre preço do gás e
eletricidade de aproximadamente 4,8 R$/m3/R$/kWh. O valor do gás seria possível, pelo
volume médio anual de 79.585 m3/mês, em cogeração ou segmento energético. A relação
começa a ficar mais interessante e plenamente viável
157

7.10Análise do motor de 596 kW da PETROBRAS para fator de utilização


tilização 50%

Tabela 7.7 Aproveitamento dos gases e refrigeração, taxa de juros de 12% ao ano e
fator de utilização fu= 50% e valor médio da eletricidade 0,1873 R$/kWh.

Relação Preço do gás / eletricidade (R$/m3 / R$/kWh)


1,1 2,1 3,2 4,3 4,8 5,3 6,4
14,0

12,0
Tempo de retorno (anos)

10,0

8,0

6,0

4,0

2,0

0,0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4
Preço do gás natural (R$/m 3)
Sem aproveitamento da cogeração Aproveitamento da exaustão
Aprov.da exaustão+arrefecimento

Figura 7.14 Tempo de retorno para vários aproveitamentos de exergia do motor


a combustão. Preço médio da eletricidade 0,1873 R$/kWh e fu = 50%.

Neste caso com aproveitamento dos gases e da refrigeração, um valor de 0,8 R$/m3
de gás, daria um retorno de aproximadamente 4 anos, e uma relação entre preço do gás e
eletricidade de aproximadamente 4,3 R$/m3/R$/kWh. O valor do gás seria possível, pelo
volume médio anual de 56.846 m3/mês, em cogeração ou segmento energético.
158

7.11 Análise econômica pelo enfoque termoeconômico.

O estudo termoeconômico baseia-se na análise econômica levando em conta o


comportamento térmico do sistema Os principais tópicos relacionados a termoeconomia
segundo El-Sayed, (2003), são: termodinâmica,mecânica dos fluidos, transferência de calor,
economia e otimização.
NegriI,Vieira e Oliveira Jr. (1999), e Pellegrini, Costa, Oliveira Jr. (2005) dividem os
critérios de análise termoeconomica, assim como Kotas,(1995) em:
- Método da igualdade - onde o custo específico dos gases de escape tem o mesmo
valor que a energia elétrica ou (trabalho útil final), ou seja o custo da instalação é igualmente
dividido entre o equipamento e os gases de escape.
Εin c comb + Inv t
cigual = (7.21)
Ε out + Wutil
- Método da extração – onde o custo específico dos gases de escape tem o mesmo
valor do combustível fornecido ao módulo, o custo da máquina é descarregado para a energia
elétrica (ou trabalho final).
⎡ Ε − Ε out ⎤ Inv t
c extr. = c comb. ⎢ in ⎥+ (7.22)
⎣ Wutil ⎦ Wutil
- Método da eletricidade – apenas a eletricidade é valorizada, sendo os gases de
escape considerados como subproduto e sem qualquer valor.
Εinccomb + Invt
celetr. = (7.23)
Wutil
Como o presente trabalho cuidará apenas de comparação de custos de equipamentos
energias primárias diferentes, o método a ser aplicado será o método da igualdade.
O custo específico do equipamento (R$/s) pode ser dado pela equação:

• C EQ .f rc .f O&M
C EQ = (7.24)
3600.h ano .f u
CEQ = custo de equipamento (R$);
fu = fator utilização;
frc = fator de recuperação do capital
i
f rc = (7.25)
1 − (1 + i) −n
O custo total anual do processo ou equipamento é dado por:
159

• • •
C total = ∑C
Equipamentos
+ c CH 4 . BCH 4 (7.26)

Onde:
cCH4 = custo exergético do gás (R$/kW)

B CH 4 = fluxo de exergia do gás natural (kW/s)

Utilizando as fórmulas acima para a análise da substituição do motor elétrico pelo


motor de combustão interna no caso estudado anteriormente do motor de 932 kW com fator
de utilização fu=0,70, tempo de vida útil dos equipamentos n= 20 anos, preço do gás natural
1,00 R$/m3 e preço da energia elétrica 0,1865 R$/kWh, tem-se os seguintes resultados:

- Custo por kW do equipamento pelo método da igualdade:


- Para o motor a combustão:
52050.0,034.1,11 + 690000
c mcombl = = 386,00 R$/kW
856,96 + 932
- Para o motor elétrico:
0,1865.932 + 160000
c meletrico = = 171,86 R$/kW
932

- Custo específico do equipamento


- Para o motor de combustão
• 690000.0,1338.1,0552
C mcomb. = = 0,0044 R$/s
3600.8760.0,70
- Para o motor elétrico

• 160000.0,1338.1,0794
Cmelétr. = = 0,0010 R$/s
3600.8760.0,70

- Custo total operacional anual do equipamento


- Para o motor de combustão: (pelo custo aparente utilizado anteriormente, R$
1,00 = R$ 0,7513)

Cmcomb = 0,0044 + 0,7513.0,0677 =0,0553 R$/s
Ctotal anual=0,0553.8760.3600.0,70 =1.220.758,56 R$/ano
160

- Para o motor elétrico:



Cmelétr. = 0,0010 + 0,1865.0,2877 = 0,0546 R$/s
Ctotalanual = 0,0546.8760.3600.0,7 = 1.206.355,17 R$/ano

7.12 Comparação entre a análise econômica e a análise termoeconômica.

O estudo a seguir pretende comparar as fórmulas para uma avaliação


termoeconômica com a análise econômica tradicional, executada dentro dos valores da
engenharia econômica.
Para isso foi considerada a seguinte configuração, semelhante a anterior, com os
parâmetros:
Motor elétrico: fO&M = 6% do custo do equipamento ao ano ou,
cO&M = R$ 11.400,00 / ano
Motor de combustão: fO&M = 8% do custo do equipamento ao ano ou,
cO&M = R$ 55.200,00 / ano
Tarifa média da energia elétrica: R$ 0,18 / kWh
Tarifa média do gás natural para cogeração: R$ 0,64 / m3 (segmento de cogeração).
A tabela 7.8 apresenta a comparação entre as duas análises, tendo o como custo
específico do equipamento a fórmula 7.24, onde o fator de manutenção é multiplicado pelo
investimento no equipamento.

Tabela 7.8 Comparação entre análise econômica e termoeconômica com a fórmula (7.24).

Fonte: Valores calculados pelo autor.


161

Existe ainda a possibilidade de tornar as despesas de operação e manutenção como


custos anuais e não incorporados ao investimento.
Nesse caso a fórmula (7.23) poderia ser escrita da seguinte forma:

• C EQ .frc + c O&M ano


C EQ = (7.27)
3600.h ano .f u
A tabela 7.9 apresenta a comparação entre as análises econômicas e
termoeconômicas com a utilização do critério que emprega a fórmula (7.27).

Tabela 7.9 Comparação entre análise econômica e termoeconômica com a fórmula (7.27).

Fonte: Valores calculados pelo autor.

Pode-se notar, que os valores dos dois tipos de análises e das duas fórmulas
apresentadas, possuem valores bem próximos.
Em ambos os casos, o motor de combustão interna a gás natural trabalhando em
cogeração é a melhor opção, possuindo o menor custo anual em comparação com o motor
elétrico. O cálculo detalhado, executado no Excel, pode ser verificado no APÊNDICE H.
162

CAPÍTULO 8

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Os estudos realizados neste trabalho, feitos através de análises e comparações,


permitem se chegar as seguintes conclusões:

- A utilização do gás natural tende a ocupar lugar de destaque na matriz energética


brasileira, como vem acontecendo em todo o mundo. Desta forma, várias
alternativas para o uso do gás natural devem ser analisadas do ponto de vista
econômico e tecnológico.

- Substituir eletricidade, obtida por uma central térmica a gás natural, pode
representar uma vantagem energética e econômica para a sociedade, obtendo uma
maior participação da iniciativa privada na decisão do seu uso, conforme os
interesses de aplicação.

- O transporte do gás natural para ser utilizado como energia final, quando na
obtenção de força motriz através de um motor de combustão interna, é
economicamente mais vantajoso que a transmissão e distribuição da eletricidade
gerada em uma central termoelétrica, para a alimentação de um motor elétrico no
mesmo local de consumo.

- Dentre as aplicações do gás natural como energia final, encontra-se a possibilidade


de sua utilização diretamente como força motriz no acionamento de inúmeras
máquinas, entre elas as máquinas de fluxo; neste caso, uma alternativa interessante
é a utilização do motor de combustão interna a gás natural em substituição ao
motor elétrico.

- O avanço tecnológico dos motores de combustão a gás natural vem se dando de


maneira bastante acentuada, tornando-o atraente para a faixa entre 200 kW e 6.000
kW, quando comparado com as turbinas e microturbinas a gás.
163

- Quando comparado com o motor elétrico, para o acionamento de máquinas de


fluxo, o motor de combustão interna a gás natural possui em geral, situações
vantajosas em termos de economia, como por exemplo, em partidas freqüentes
e/ou em funcionamento com cargas parciais.

- O custo do motor de combustão interna quando comparado com o motor elétrico


pode apresentar certa restrição imediata ao investidor; esta pesquisa contribui
como ferramenta de decisão com relação a requisitos importantes frequentemente
descartáveis.

- Com relação às emissões, o motor de combustão interna não apresenta


desvantagens significativas quando comparado com as grandes turbinas a gás
natural utilizadas nas centrais termoelétricas. Neste caso, o uso de catalisadores de
vários tipos para os motores de combustão interna vem apresentado bons
resultados no controle de emissões gasosas, principalmente: NOx, CO2, CO e
SOx.

- No Brasil, dois fatores podem ser destacados como barreiras nesta substituição: a
falta conhecimento maior da tecnologia, pelo menos no que se refere a busca de
transformação de motores automotivos em motores estacionários a gás natural e,
principalmente a razão entre o preço do gás natural e a preço da eletricidade.

- Devido às curvas das análises econômicas apresentarem grande sensibilidade,


motivadas principalmente pela razão entre o preço do gás natural e da energia
elétrica, uma solução viável é utilizar o motor de combustão no acionamento de
força motriz, aproveitando os gases de combustão para cogeração. O preço atual
do gás natural para cogeração, praticado pela concessionária, apresenta valores
vantajosos que pode viabilizar a utilização do motor de combustão a gás natural.

- As análises, exergética e termoeconômica, podem servir como termos de


comparação, não se tornando necessariamente ferramentas indispensáveis para
essa análise. Contudo, é interessante utilizar tais ferramentas para uma comparação
com a análise energética e econômica.
164

- Os casos estudados no capítulo 7 podem ser enquadrados para uma negociação


junto a concessionária em “cogeração para uso próprio”, cuja tarifa de gás natural
pode ser extremamente atraente; para 100.001 m3/mês, o valor é 0,61 R$/m3.

- Estudos relacionados à aplicação dos motores de combustão interna no


acionamento de outras máquinas como: laminadores, compressores, esteiras de
minérios e materiais a granel, podem ser realizados.

- Estudos para uma faixa de tarifa de gás natural que contemple o acionamento de
força motriz em diversos setores podem ser incrementados pelas concessionárias
de gás natural, equivalente aos já existentes para geração de energia, veicular,
cogeração e matéria prima.

- Estudos sobre os efeitos nocivos que os harmônicos causados na rede elétrica pelos
transitórios oriundos das partidas, do funcionamento em regimes de cargas parciais
e do uso do inversor de freqüência, podem ser matéria interessante para pesquisas
futuras.
165

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173

APÊNDICES

Pág.
APÊNDICE A Tabela de comparação de preços de fórmulas e linha de tendência dos
preços dos equipamentos ...................................................................... 174

APÊNDICE B Comparação de requisitos de partidas para o motor elétrico e o motor a


gás natural............................................................................................... 179

APÊNDICE C Comparação dos motores trabalhando com cargas parciais e o motor


elétrico com inversor de freqüência......................................................... 181

APÊNDICE D Cálculo da exergia dos motores de combustão a gás natural................... 183

APÊNDICE E Cálculo das exergias física e química para gases de combustão do


motor a gás natural de 1000 e 5000 kW................................................... 187

APÊNDICE F Análise econômica da comparação dos motores utilizados na SABESP


para fatores de utilização de 100%, 70%, e 50%..................................... 189

APÊNDICE G Análise econômica da comparação dos motores utilizados na


PETROBRAS para fatores de utilização de 100%, 70%, e 50% ........... 195

APÊNDICE H Comparação entre a análise econômica e a termoeconômica................. 201


174

APÊNDICE A

Tabela de Comparação de Preços das Fórmulas Conhecidas

M 60 lb/s 1,022
P2/P1 10
rendimento 90%
temperatur 1100 K

Aplicando EL-SAYED k Ca M P2/P1 e Z


0,32 50000 60 10 9 1.965.067

Aplicando Bohen Cr m Sr S C
2300000 0,54 15000 6525 1.467.277

Aplicando Bejan C31 C32 C33 C34


480 0,92 0,036 54,4 1.502.023

Dados da turbina a gás


o
Vazão m= 60 lb/s temp T1 = 1100 C
r=P1/P2 = 10 1373 K
o
rend.turb. 90% temp T2 = 500 C
rend. Ciclo = 36% 773 K
Potencia Ne = 6800 kW Calculada 6525,3 kW
Boyce pag.69 M&S 2005= 1269

Autor Valores das fórmulas valor atual US$


k Ca M P2/P1 e Z US$
EL-SAYED 0,32 50000 60 10 9 1.965.067 2.133.165,14
M&S2002 1169
Cr m Sr S C US$
BOEHM 2300000 0,54 15000 6525,3 1.467.314 1.467.314 2.327.527,10
M&S1987 800
C31 C32 C33 C34 PECgt US$
BEJAN 480 0,92 0,036 54,4 1.514.433 2.183.881,88
M&S1994 880
Preço pelo levantamento e gráfico das linhas de tendência 2.300.000,00
175

Curvas de Tendência de Preços de Equipamentos

Motores a combustão gás natural

Potência Preço conj Preço do Preço Preço preço aprov. preço Preço Preço
US$/kW conjunto Gerador motor calor US$/kW aprov. Calor Cogeração conj. Inst.
10 580 5800 1740 4060 10 100 4160
50 540 27000 6200 20800 12 600 21400
100 500 50000 15000 35000 15 1500 36500
300 350 105000 31500 73500 100 30000 103500
500 360 180000 54000 126000 90 45000 171000
800 370 296000 88800 207200 75 60000 267200
1000 380 380000 114000 266000 70 70000 336000
3000 420 1260000 378000 882000 65 195000 1077000
5000 460 2300000 690000 1610000 40 200000 1810000
8000 480 3840000 1152000 2688000 30 240000 2928000

Preço (US$)
3.500.000

3.000.000

2.500.000
y = 0,0017x 2 + 353,39x - 4319,9
2.000.000

1.500.000
y = 0,0071x 2 + 281,58x - 7751,7
1.000.000

500.000

0
0 500 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 3.500 4.000 4.500 5.000 5.500 6.000 6.500 7.000 7.500 8.000 8.500
Potência (kW)
Motor a gás Preço para cogeração

Motores elétricos

Preço do Preço chave Preço com relação Preço do Preço


Potência 3500 rpm 1750 rpm 1120 rpm controle Controle inversor/motor inversor Completo
10 265,9 295,5 305,8 118,2 413,6 8,0 2.363,6 2.777,3
50 1.644,5 1.827,3 1.891,2 730,9 2.558,2 6,0 10.963,6 13.521,8
100 2.740,9 3.045,5 3.152,0 1.218,2 4.263,6 5,0 15.227,3 19.490,9
200 7.539,5 8.377,3 8.670,5 3.350,9 11.728,2 3,5 29.320,5 41.048,6
500 25.936,4 28.818,2 29.826,8 11.527,3 40.345,5 3,0 86.454,5 126.800,0
1000 58.213,6 64.681,8 66.945,7 25.872,7 90.554,5 3,0 194.045,5 284.600,0
3000 69.639,5 77.377,3 80.085,5 30.950,9 108.328,2 2,6 201.180,9 309.509,1
5000 133.200,0 148.000,0 153.180,0 51.800,0 199.800,0 2,4 355.200,0 555.000,0
8000 222.463,6 247.181,8 255.833,2 86.513,6 333.695,5 2,2 543.800,0 877.495,5
10000 351.818,2 390.909,1 404.590,9 136.818,2 527.727,3 2,0 781.818,2 1.309.545,5
15000 500.318,2 555.909,1 575.365,9 194.568,2 750.477,3 2,0 1.111.818,2 1.862.295,5
20000 598.090,9 664.545,5 687.804,5 232.590,9 897.136,4 2,0 1.329.090,9 2.226.227,3

1.000.000
900.000
800.000
y = -0,0001x 2 + 48,755x + 462,96
700.000
Preço (US$)

600.000
500.000
400.000
300.000
200.000
100.000
0
0 2.500 5.000 7.500 10.000 12.500 15.000 17.500 20.000 22.500

Potência (kW)
176

Turbina a gás natural

Potência Preço conj Preço do Preço Preço preço aprov. preço Preço Preço
US$/kW conjunto Gerador turbina calor US$/kW aprov. Calor Cogeração conj. Inst.
400 800 320000 96000 224000 280 112000 336000
1000 760 760000 228000 532000 270 270000 802000
5000 580 2900000 870000 2030000 120 600000 2630000
7500 550 4125000 1237500 2887500 105 787500 3675000
10000 520 5200000 1560000 3640000 90 900000 4540000
15000 500 7500000 2250000 5250000 70 1050000 6300000
20000 480 9600000 2880000 6720000 55 1100000 7820000

Preço (US$)
9.000.000

8.000.000

7.000.000

6.000.000 2
y = -0,0059x + 495,17x + 241624
5.000.000

4.000.000
2
y = -0,0028x + 385,43x + 122728
3.000.000

2.000.000

1.000.000

0
0 2.500 5.000 7.500 10.000 12.500 15.000 17.500 20.000 22.500
Potência (kW)
Preço da turbina Para cogeração

Micro turbina a gás

Potência Preço conj Preço do Preço Preço preço aprov. preço Preço Preço
US$/kW conjunto Gerador turbina calor US$/kW aprov. Calor Cogeração conj. Inst.
30 1110 33300 6660 26640 280 8400 35040
60 1080 64800 12960 51840 100 6000 57840
100 920 92000 18400 73600 75 7500 81100
200 880 176000 35200 140800 75 15000 155800
300 850 255000 51000 204000 75 22500 226500
330 800 264000 52800 211200 75 24750 235950

300.000

250.000
Preço (US$)

200.000
y = -0,199x 2 + 758,96x + 11419

150.000
2
y = -0,3579x + 754,58x + 4848,3
100.000

50.000

0
0 50 100 150 200 250 300 350

Potência (kW)

microturbinas Para cogeração


177

Motores de combustão interna automotivos

Potência Preço conj Preço Preço do motor


US$/kW motor adap. Gás
50 8200 11.480,00
100 12000 16.800,00
150 18000 25.200,00
200 26000 36.400,00
250 38000 53.200,00
300 56000 78.400,00
350 62000 86.800,00
480 86000 120.400,00

Motor automotivo adaptado a gás natural


140.000,00

120.000,00

100.000,00
2
Preço (US$|)

y = 1595x + 988,33x + 8465


80.000,00

60.000,00

40.000,00

20.000,00

0,00
50 100 150 200 250 300 350 480
Potência (kW)

3.000.000

2.500.000

2.000.000
Preço (kW)

1.500.000

1.000.000

500.000

0
0 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000 6.000

Potência (kW)

motor de combustão Motor elétrico Turbina a gás


Microturbina a gás motor automotivo
178

Potência Relação de
kW custo
Inversor/motor

0
50 6,68 8
100 5,12 7

(inversor/motor)
Relação de custo
150 4 6
200 4,31 5
250 3,5
4
300 3,3
3
350 3
400 3 2
450 2,91 3,2 1
500 2,73 3 0
550 2,5 3 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600
600 2,43 3 Potência do motor (kW)
650 2,28 3
700 2 3 inversor de baixa tensão inversor de média tensão
750 1,87 3
800 1,8 3
850 1,5 2,8
900 1,28 2,8
950 1,24 2,8
1000 1,2 2,7 12
(inversor/motor)

1050 1,12 2,6 10


1097 1,16 2,6 8
Custo

1150 2,5 6
1200 2,5 4
1250 2,5 2
1300 2,4 0
1350 2,4 0 25 50 75 100 125 150 175 200 225 250 275
1392 2,4 Potência do motor (cv)
1450 2,4
Razão entre o preço do inversor e do motor
1500 2,4
STANDARD
1550 2,4
1600 2,4
179

APÊNDICE B

Energia consumida na partida valor


Comparação entre motor elétrico e motor a gás

Bomba KSB-ETA tipo 150-50 n=1780 rpm


Motor WEG, Classe IP 55, IV pólos, 150 kW, 380 V, categoria de conjugado N
2
Potência N= 150 kW Mom.bomba + acopl. Jb= 1,8 kg.m (KSB)
2
rotação n= 29,67 rps Mom. Inércia total Jt= 5,02 kg.m
Tensão V= 380 Volts Conj. Médio do motor Cmm = 953,53 N.m (WEG)
Corrente Nominal In= 271 A (WEG) Conj. Médio da carga Cmc = 466,96 N.m (WEG)
Corrente partida Ip= 2113,8 A Tempo de partida do motor t= 1,92 s
Relação Ip/In= 7,8 (WEG) Cos φ na partida do motor 0,4 (Mammede)
Conjugado Nominal Cn= 80 kgf.m (WEG) Demanda na partida Dp= 556,50 kW
Conjugado máximolCmax= 136 kgf.m (WEG) Energia na partida Ep= 0,297 kWh
Conjugado Partida Cp= 80 kgf.m (WEG) Preço da energia elétrica 0,3 R$/kWh
2
Momento de Inercia Jm= 3,22 kg.m (WEG) Custo total na partida 0,089 R$

Motor de combustão a gás natural 150 kW


rotação potência Potência tempo Energia Consumo Consumo
rpm kWe CV segundos kWh g/kWh g
até 800 40 54,3478 4 0,0444 220 9,771
800-1000 60 81,5217 2 0,0333 205 6,829
1000-1200 76 103,261 1 0,0211 198 4,177
1200-1400 98 133,152 1 0,0272 192 5,223
1400-1600 120 163,043 1 0,0333 192 6,396
1600-1800 140 190,217 1 0,0389 195 7,578
3
custo do gás natural R$/m 1,00 10 0,1982 kWhe 39,974 g de gás
3
rendimento do motor 32% 0,6194 kWht 0,056 m de gás
Energia na partidas Consumo Consumo Custo
partida kWh por ano kwh/ano gás m3/ano R$/ano
MOTOR ELÉTRICO 0,2973 1 0,2973 0,09
MOTOR A GÁS NATURAL 0,1982 1 0,1982 0,056 0,06

Número de
partidas anuais Custo Custo Energia Energia Economia
M. elétricM. a gás M. elétric M. a gás de energia
1 0,09 0,06 0,29728 0,198 0,099
250 22,30 13,88 74,32 49,55 24,771
500 44,59 27,76 148,64 99,10 49,542
750 66,89 41,64 222,96 148,65 74,312
1000 89,18 55,52 297,28 198,20 99,083
1250 111,48 69,40 371,60 247,75 123,854
1500 133,78 83,28 445,92 297,30 148,625
1750 156,07 97,16 520,24 346,85 173,396
2000 178,37 111,04 594,56 396,40 198,166
2250 200,67 124,92 668,88 445,95 222,937
2500 222,96 138,80 743,20 495,50 247,708
2750 245,26 152,68 817,52 545,05 272,479
3000 267,55 166,56 891,85 594,60 297,250

350,00

300,00
Economia de energia (kWh/ano)

250,00

200,00

150,00

100,00

50,00

0,00
0 500 1000 1500 2000 2500 3000
N.o de partidas/ano
180

500 1000
elétrica gás
0,3 1 0,3 44,59 8,3279 36,26 89,18 16,66
0,3 1,2 0,36 44,59 9,99348 34,60 89,18 19,99
0,3 1,4 0,42 44,59 11,6591 32,93 89,18 23,32
0,3 1,6 0,48 44,59 13,3246 31,27 89,18 26,65
0,3 1,8 0,54 44,59 14,9902 29,60 89,18 29,98
0,3 2 0,6 44,59 16,6558 27,94 89,18 33,31
0,3 2,2 0,66 44,59 18,3214 26,27 89,18 36,64
0,3 2,4 0,72 44,59 19,987 24,61 89,18 39,97
0,3 2,6 0,78 44,59 21,6525 22,94 89,18 43,31
0,3 2,8 0,84 44,59 23,3181 21,27 89,18 46,64
0,3 3 0,9 44,59 24,9837 19,61 89,18 49,97
0,3 3,2 0,96 44,59 26,6493 17,94 89,18 53,30
0,3 3,4 1,02 44,59 28,3149 16,28 89,18 56,63
0,3 3,6 1,08 44,59 29,9805 14,61 89,18 59,96
0,3 3,8 1,14 44,59 31,646 12,95 89,18 63,29
0,3 4 1,2 44,59 33,3116 11,28 89,18 66,62
0,3 4,2 1,26 44,59 34,9772 9,62 89,18 69,95
0,3 4,4 1,32 44,59 36,6428 7,95 89,18 73,29
0,3 4,6 1,38 44,59 38,3084 6,28 89,18 76,62
0,3 5 1,5 44,59 41,6395 2,95 89,18 83,28
0,3 5,2 1,56 44,59 43,3051 1,29 89,18 86,61
0,3 5,4 1,62 44,59 44,9707 -0,38 89,18 89,94
0,3 5,6 1,68 44,59 46,6363 -2,04 89,18 93,27
0,3 6 1,8 44,59 49,9674 -5,38 89,18 99,93

1500 2000

72,53 133,78 24,98 108,79 178,37 33,31 145,06


69,20 133,78 29,98 103,80 178,37 39,97 138,40
65,87 133,78 34,98 98,80 178,37 46,64 131,73
62,54 133,78 39,97 93,80 178,37 53,30 125,07
59,20 133,78 44,97 88,81 178,37 59,96 118,41
55,87 133,78 49,97 83,81 178,37 66,62 111,75
52,54 133,78 54,96 78,81 178,37 73,29 105,08
49,21 133,78 59,96 73,82 178,37 79,95 98,42
45,88 133,78 64,96 68,82 178,37 86,61 91,76
42,55 133,78 69,95 63,82 178,37 93,27 85,10
39,22 133,78 74,95 58,83 178,37 99,93 78,43
35,89 133,78 79,95 53,83 178,37 106,60 71,77
32,55 133,78 84,94 48,83 178,37 113,26 65,11
29,22 133,78 89,94 43,84 178,37 119,92 58,45
25,89 133,78 94,94 38,84 178,37 126,58 51,78
22,56 133,78 99,93 33,84 178,37 133,25 45,12
19,23 133,78 104,93 28,85 178,37 139,91 38,46
15,90 133,78 109,93 23,85 178,37 146,57 31,80
12,57 133,78 114,93 18,85 178,37 153,23 25,14
5,91 133,78 124,92 8,86 178,37 166,56 11,81
2,57 133,78 129,92 3,86 178,37 173,22 5,15
-0,76 133,78 134,91 -1,14 178,37 179,88 -1,51
-4,09 133,78 139,91 -6,13 178,37 186,55 -8,18
-10,75 133,78 149,90 -16,13 178,37 199,87 -21,50

Economia (R$)
160,00
140,00
120,00
100,00
80,00
60,00
40,00
20,00
0,00
-20,00
1 -40,00
1,6
2,2 2000
2,8
3,4 1500
4 1000
R$/m3 / R$/kWh 4,6 N.o de partidas/ano
5,4 500
181
APÊNDICE C

COMPARAÇÂO DOS MOTORES TRABALHANDO COM CARGAS PARCIAIS E O MOTOR


ELÉTRICO COM INVERSOR DE FREQÜÊNCIA

Motor eletrico Motor a


com conversor combustão
Potência instalada n= 1200 rpm KW 932 932
Rendimento com n= 1200 rpm 92% 36%
horas de funcionamento 6 6
Consumo anual sem conversor kWh/ano 2.218.565
(n= 1200 rpm) kWht/ano 5.669.667
Potência com n= 1000 rpm KW 539,352 539,352
Rendimento com n= 1000 rpm 68% 29%
Consumo anual com conversor kWh/ano 1.740.381
(n=1000 rpm) kWht/ano 4.143.214
Preço do motor + conversor R$ 480.000,00
Preço do motor a combustão R$ 585.000,00
consumo do motor a combustão
n=1200 rpm 10,6 kWht/m3 m3/ano 534.874,2
n=1000 rpm 390.869,2
custo da energia
0,22 R$/kWh R$/ano 382.883,79
3
0,90 R$/m R$/ano 351.782,29

motor elétrico custo anual motor a combustão


Potencia rendimento consumo(kWh/a) 0,22 R$/kWh Potencia rendimento consumo
m3/ano

1200 932 1,00 100,00 92% 2218565,2 488.084,35 932 36% 535767,2
1100 717,88 0,77 77,03 81% 1929465,8 424.482,47 717,88 33% 446630,7
1000 539,35 0,58 57,87 68% 1740380,9 382.883,79 539,35 29% 390869,2
900 393,19 0,42 42,19 53% 1611114,0 354.445,07 393,19 23% 352845,9
800 276,15 0,30 29,63 40% 1520672,2 334.547,88 276,15 18% 324802,6
700 185,00 0,20 19,85 28% 1456974,8 320.534,45 185,00 13% 301900,9
600 116,50 0,13 12,50 18% 1412512,1 310.752,66 116,50 9% 279998,1

Economia custo anual


energia Preço do gás R$/m3 0,6 0,7 0,8 0,9 1 1,1 1,2 1,3
3
kWh/ano Razão(R$/m /R$/kWh 2,73 3,18 3,64 4,09 4,55 5,00 5,45 5,91
321.460,30 375.037,01 428.613,73 482.190,44 535.767,16 589.343,88 642.920,59 696.497,31
267.978,42 312.641,49 357.304,56 401.967,63 446.630,70 491.293,77 535.956,84 580.619,91
234.521,53 273.608,45 312.695,37 351.782,29 390.869,21 429.956,13 469.043,06 508.129,98
211.707,55 246.992,15 282.276,74 317.561,33 352.845,92 388.130,51 423.415,11 458.699,70
194.881,57 227.361,83 259.842,09 292.322,35 324.802,61 357.282,87 389.763,13 422.243,39
181.140,55 211.330,64 241.520,73 271.710,83 301.900,92 332.091,01 362.281,10 392.471,19
167.998,88 195.998,69 223.998,51 251.998,32 279.998,13 307.997,95 335.997,76 363.997,57

Diferenças R$
932 166.624,05 113.047,34 59.470,62 5.893,90 -47.682,81 -101.259,53 -154.836,24 -208.412,96
717,88 156.504,05 111.840,98 67.177,91 22.514,84 -22.148,23 -66.811,30 -111.474,37 -156.137,44
539,35 148.362,26 109.275,34 70.188,42 31.101,50 -7.985,42 -47.072,34 -86.159,27 -125.246,19
393,19 142.737,52 107.452,93 72.168,33 36.883,74 1.599,15 -33.685,44 -68.970,03 -104.254,63
276,15 139.666,31 107.186,05 74.705,79 42.225,53 9.745,27 -22.734,99 -55.215,25 -87.695,51
185,00 139.393,90 109.203,81 79.013,71 48.823,62 18.633,53 -11.556,56 -41.746,65 -71.936,74
116,50 142.753,78 114.753,97 86.754,16 58.754,34 30.754,53 2.754,72 -25.245,10 -53.244,91

19.000,00
17.000,00
15.000,00
13.000,00
Economia anual (R$)

11.000,00
9.000,00
7.000,00
5.000,00
3.000,00
1.000,00
-1.000,00
3,80 4,05 4,30 4,55 4,80 5,05 5,30
-3.000,00
-5.000,00
Razão (R$/m3 / R$/kWh)

932 kW-1200 rpm 718 kW-1100 rpm 540 kW-1000 rpm 393 kW-900 rpm
276 kW-800 rpm 185 kW-700 rpm 116 kW-600 rpm
182

Razão (R$/m3/R$/kWh)

2,72 3,18 3,64 4,09 4,55 5,00 5,45 5,91


160.000,00
140.000,00
120.000,00
100.000,00
80.000,00
Economia anual (R$)

60.000,00
40.000,00
20.000,00
0,00
-20.000,00
-40.000,00
-60.000,00
-80.000,00
-100.000,00
0,6 0,7 0,8 0,9 1 1,1 1,2 1,3
932 kW - 1200 rpm 718 kW - 1100 rpm 540 kW - 1000 rpm 393 kW - 900 rpm Preço do gás natural (R$/m3)
276 kW - 800 rpm 185 kW - 700 rpm 116 kW - 600 rpm Preço da eletricidade 0,22 R$/kWh
183

APÊNDICE D

Cálculo da Exergia dos Motores a Combustão

1 HP = 0,745 kW
1 kWh = 3412 Btu
3
1,00 MMBtu = 27,57 m gas
1 m3gas = 10,63 kWh
Estudo de exergia de motores a gas natural
Potência kWe 100 500 750 1000 3000 5000
rendimento 33% 34% 34% 38% 40% 42%
Consumo
MMBtu/hora 1,033 5,0 7,5 9,0 25,6 40,6
m3/h 28,51 138,34 207,51 247,56 705,55 1119,92
kg/s 0,006 0,028 0,043 0,051 0,145 0,230
Exaustão
vazão
lb/hr 1000 3500 9120 12400 40100 75600
kg/s 0,126 0,720 1,149 1,562 5,053 9,300
Temperatura
oC 590 588 578 490 420 396
oF 1094 1090,4 1072,4 914 788 745
K 863,15 861,15 851,15 763,15 693,15 669,26
Q exaustão
MMBtu/hora 0,29 0,89 1,68 2,11 5,48 9,63
Kcal/s 20,312 62,335 117,667 147,784 383,818 674,483
kJ/s 84,986 260,819 492,333 618,347 1605,944 2822,125
Resfriamento
Vazão kg/s 12 26 32 38 82 140
Q resfriam.
MMBtu/hora 0,27 0,63 1 1,59 4,37 7,04
Kcal/h 18,91 44,13 70,04 111,36 306,07 493,08
kJ/s 0,0791 0,1846 0,2931 0,4660 1,2807 2,0631
Q total
MMBtu/hora 0,56 1,52 2,68 3,7 9,85 16,67
Kcal/h 39,222 106,460 187,707 259,147 689,892 1167,563
kJ/s 0,164 0,445 0,785 1,084 2,887 4,885
184

0
Entalpia temp. C entalpia
kJ/kg kcal/kg
600 680
578,31 661
500 620
400 520
300 440
200 300
100 140
80 130
25 22,2
750
700
650
600
550
Entalpia (kJ/kq)

500
450
400
350
y = -0,0011x2 + 1,8303x - 20,662
300
250
200
150
100
50
0
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650
0
Temperatura dos gases ( C)

Entropia temp. kJ/kg kcal/kg


600 1,9 2,12
578,31 1,87 2,1
500 1,82 2,08
400 1,78 2,01
300 1,6 1,92
200 1,5 1,83
100 1,36 1,73
25 1,135 1,2
10 1,12 0,9

2
1,9
Entropia dos gases (kJ/kg.K)

1,8
1,7
1,6
1,5
y = -2E-06x2 + 0,0023x + 1,1028
1,4
1,3
1,2
1,1
1
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650
o
Temperatura ( C)
185

Entalpia temp. kJ/kg


90 377
85 352
83 346,5
82 343,48
80 335,07
77 322,5
50 209,52
30 126
25 110
10 60

400

350

300
Entalpia (kJ/kg)

250

200
y = 4,031x + 11,511
150

100

50

0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
0
Temperatura ( C)

Entropia temp. kJ/kg kcal/kg


90 7,033 1,68
85 7,015
83 7,012
82 7,011
80 7,000 1,67
77 6,970
50 6,680 1,64
31,4 6,412 1,63
25 6,266 1,625
13,4 6,094 1,61

7,200

7,000
Entropia (kJ/kg.K)

6,800

6,600
y = 1E-05x2 + 0,002x + 6,7332
6,400

6,200

6,000
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95
0
Temperatura ( C)
186

0,126 kg/s Exergia total


100 kW E 388,999 kJ/kg 49,014 kJ/s 167.234,2 Btu/hr
Exaustão Et 429,715 kJ/kg 54,144 kJ/s 184.738,5 Btu/hr
347.678,3
15,867 kg/s Btu/hr
100 kW E 11,776 kJ/kg 1,484 kJ/s 5.062,5 Btu/hr
Arrefecim/ Et 379,010 kJ/kg 47,755 kJ/s 162.939,8 Btu/hr

0,720 kg/s Exergia total


500 kW E 313,449 kJ/kg 225,683 kJ/s 770.030,9 Btu/hr
exaustão Et 364,170 kJ/kg 262,202 kJ/s 894.633,5 Btu/hr
1.593.528,8
26,000 kg/s Btu/hr
500 kW E 5,276 kJ/kg 137,172 kJ/s 468.031,2 Btu/hr
Arrefecim/ Et 7,878 kJ/kg 204,834 kJ/s 698.895,3 Btu/hr

1,149 kg/s Exergia total


750 kW E 368,944 kJ/kg 423,958 kJ/s 1.446.543,2 Btu/hr
exaustão Et 419,660 kJ/kg 482,236 kJ/s 1.645.390,1 Btu/hr
2.846.774,9
31,000 kg/s Btu/hr
750 kW E 8,237 kJ/kg 255,358 kJ/s 871.281,0 Btu/hr
arrefecim. Et 11,358 kJ/kg 352,106 kJ/s 1.201.384,8 Btu/hr

1,562 kg/s Exergia total


1000 kW E 342,851 kJ/kg 535,533 kJ/s 1.827.239,5 Btu/hr
Exaustão Et 393,567 kJ/kg 614,905 kJ/s 2.098.057,4 Btu/hr
3.572.654,5
38,000 kg/s Btu/hr
1000 kW E 8,459 kJ/kg 321,425 kJ/s 1.096.700,5 Btu/hr
Arrefecim. Et 11,373 kJ/kg 432,180 kJ/s 1.474.597,1 Btu/hr

5,030 kg/s Exergia total


3000 W E 254,785 kJ/kg 1.281,571 kJ/s 4.372.718,8 Btu/hr
Exaustão Et 327,693 kJ/kg 1.648,297 kJ/s 5.623.989,5 Btu/hr
9.719.439,7
82,000 kg/s Btu/hr
3000 kW E 12,035 kJ/kg 986,911 kJ/s 3.367.340,3 Btu/hr
Arrefecim. Et 14,638 kJ/kg 1.200,308 kJ/s 4.095.450,2 Btu/hr

9,500 kg/s Exergia total


5000 kW E 254,785 kJ/kg 2.420,461 kJ/s 8.258.614,0 Btu/hr
exaustão Et 305,506 kJ/kg 2.902,308 kJ/s 9.902.676,3 Btu/hr
15.405.793,9
142,000 kg/s Btu/hr
5000 kW E 8,756 kJ/kg 1.243,331 kJ/s 4.242.244,3 Btu/hr
arrefecim. Et 11,358 kJ/kg 1.612,872 kJ/s 5.503.117,6 Btu/hr
187

APÊNDICE E

Calculo da exergia para a combustão de um motor a gás natural de 1000 kW


Relação teórica ar/gás natural no motor

CnH2n+2+(3n+1)O+3,76(3n+1)N = nCO2+(n+1)H2O+3,76(3n+1)N
n= 1
CH 4 1 CO2
4O 2 H20
15,04 N 15,04 N
Q= 12400 lb/h 1,5624 kg/s R´dos gases = 8,3144
Te= 773,15 K T0= 298,15 K Ts= 398,15 K

Componentes Massa Massa Participação Participação cp=calor Exergia


da molar molar Mistura na mistura específico Quim.
mistura Kg/mol total % Kg/mol kJ/kg.K kJ/kmol
1 CO2 44,009 44,009 14,81% 6,5192 1,063 20140
2 H2O 18,015 36,03 12,13% 2,1848 2 11710
15 N2 14,47 217,05 73,06% 10,5716 1,068 720
total 76,494 297,089

Massa da mistura 19,2757 Kg/mol


cp mistura 1,1719 kJ/kg.K
R da mistura 0,4313
Exergia total
Exergia física 247,1719 kJ/kg
Exergia quimíca 3025,591148 156,9643 kJ/kg
Exergia esp. total 404,1362 kJ/kg
Exergia 631,4225 kJ/s
2,1546 MMBtu/h
Exergia util
Exergia física 231,0395 kJ/kg
Exergia quimíca 2386,985002 123,8342 kJ/kg
Exegia esp. Total 354,8737 kJ/kg
Exergia 554,4546 kJ/s
1,8920 MMBtu/h
188

Calculo da exergia para a combustão de um motor a gás natural de 5000 kW


Relação teórica ar/gás natural no motor

CnH2n+2+(3n+1)O+3,76(3n+1)N = nCO2+(n+1)H2O+3,76(3n+1)N
n= 1
CH 4 1 CO2
4O 2 H20
15,04 N 15,04 N
fluxo= 9,5256 kg/s 75600 lb/h R´dos gases = 8,3144
Te= 680 K T0= 298,15 K Ts= 368,15 K

Componentes Massa Massa Participação Participação cp=calor Exergia


da molar Molar Mistura Mistura específico Quim.
Misrtura Kg/mol total % Kg/mol kJ/kg.K kJ/kmol
1 CO2 44,009 44,009 0,148 6,506555566 1,063 20140
2 H2O 18,015 36,03 0,121 2,18055312 2 11710
15 N 14,47 217,6288 0,731 10,57920519 1,068 720
total 76,494 297,6678

Massa total da mistura 19,26631388 Kg/mol


cp mistura 1,171794776 kJ/kg.K
R da mistura 0,431551155
Exergia total
Exergia física 182,8538973 kJ/kg
Exergia quimíca 3019,5967 156,7293422 kJ/kg
Exergia esp. total 339,5832395 kJ/kg
Exergia 3234,734106 kJ/s
11,03795524 MMBtu
Exergia util
Exergia física 174,508341 kJ/kg
Exergia quimíca 2573,0868 133,5536624 kJ/kg
Exergia esp. total 308,0620034 kJ/kg
Exergia 2934,47542 kJ/s
10,01337584 MMBtu
189

APÊNDICE F

Bombas do sistema de abastecimento de água de S. Paulo

Guarapiranga - Capão Redondo SABESP


Características das Bombas Características dos Motores
Vazão (m3/h) 3750 Potência (CV) 1250
Hm (m) 74 Tensão kV 3,8
rotação (rpm) 875 rotação (rpm) 875
rendimento % 88% rendimento % 92%
Fabricante Worthington Fabricante Toshiba
N.o total de conj. 4 fator de utiliz. 1,15
Bomba de dupla sucção frequência (HZ) 60
motor síncrono com 3% de escorregamento

Fator de utilização 100%

Motor Motor Cogeração Cogeração


Elétrico Gás natural Exaustão Exaus.+Refrig..
Fator de utilização das bombas 100% 100% 100% 100%
Potencia Firme kW 932 932 932 932
Rendimento motores 90% 36% 36% 36%
kW 1.035,56 2.588,89
Preço do motor e instalação R$ 160.000,00 585.200,00 660.000,00 690.000,00

Energia consumida kWhe/ano 9.071.466,67


kWht/ano 22.678.666,67 22.678.666,67 22.678.666,67
Energia aproveitada (exergia) kJ/s 535,53 321,4250
acumolada kJ/s 856,9580
Exergia aproveitada total kWht/ano 4.691.269,08 7.506.952,08
Energia elétrica paga pela SABESP
Demanda contratada kW 1.000,00
Demanda ponta 16,3 R$/kW R$ 195.600,00
Demanda f ponta 2,26 R$/kW R$ 25.275,84
Energia na ponta 0,08 R$/kWh R$ 90.714,67
Energia f. ponta 0,11 R$/kWh R$ 873.128,67
total energia elétrica R$ 1.184.719,17
3
Consumo de gás natural m /ano 2.133.458,76 2.133.458,76 2.133.458,76
Custo anual de manut./oper.
motor a gas 0,006 R$/kWh R$ 54.428,80 54.428,80 54.428,80
motor elétrico 0,002 R$/kWh R$ 18.142,93
custo do gás narural 0,1 R$/m3 213.345,88 213.345,88 213345,8765
custo da energia 0,130598416 R$/kwh 1.184.719,17

1264094,507
53340,224
356036,72
961398,01

585.200,00
160.000,00 146.957,76
425200,00 209.078,96

356.036,72

12%
0,8 0,10 213345,88 971.373,30 935.087,43 0,44
1,5 0,20 426691,75 758.027,42 721.741,55 0,58
2,3 0,30 640037,63 544.681,54 508.395,68 0,83
3,1 0,40 853383,51 331.335,67 295.049,80 1,48
3,8 0,50 1066729,38 117.989,79 81.703,92 7,20
4,6 0,60 1280075,26 -95.356,09 -131.641,95 21,00
5,4 0,70 1501954,97 -317.235,80 -353.521,66 -1,07
6,3 0,82 1743035,81 -558.316,64 -594.602,50 -0,65
6,9 0,90 1920112,89 -735.393,71 -771.679,58 -0,51
7,7 1,00 2133458,76 -948.739,59 -985.025,46 -0,40
8,4 1,10 2346804,64 -1.162.085,47 -1.198.371,33 -0,33
9,2 1,20 2560150,52 -1.375.431,34 -1.411.717,21 -0,28
10,0 1,30 2773496,39 -1.588.777,22 -1.625.063,09 -0,24
10,7 1,40 2986842,27 -1.802.123,10 -1.838.408,96 -0,22
11,5 1,50 3200188,15 -2.015.468,97 -2.051.754,84 -0,19
12,3 1,60 3413534,02 -2.228.814,85 -2265100,72 -0,18
13,0 1,70 3626879,90 -2.442.160,73 -2478446,59 -0,16
13,8 1,80 3840225,78 -2.655.506,60 -2691792,47 -0,15
14,5 1,90 4053571,65 -2.868.852,48 -2905138,35 -0,14
15,3 2,00 4266917,53 -3.082.198,36 -3118484,22 -0,13
190
660.000,00
160.000,00
500.000,00

12%
0,8 0,10 0,083 169213,52 1.015.505,65 979.219,78 0,50
1,5 0,20 0,166 338427,05 846.292,13 810.006,26 0,60
2,3 0,30 0,249 507640,57 677.078,60 640.792,74 0,77
3,1 0,40 0,331 676854,10 507.865,08 471.579,21 1,06
3,8 0,50 0,414 846067,62 338.651,55 302.365,69 1,72
4,6 0,60 0,497 1015281,14 169.438,03 133.152,16 4,54
5,4 0,70 0,580 1184494,67 224,51 -36.061,36 18,00
6,1 0,80 0,663 1353708,19 -168.989,02 -205.274,88 -2,05
6,9 0,90 0,746 1522921,71 -338.202,54 -374.488,41 -1,18
7,7 1,00 0,829 1692135,24 -507.416,07 -543.701,93 -0,83
8,4 1,10 0,911 1861348,76 -676.629,59 -712.915,46 -0,64
9,2 1,20 0,994 2030562,29 -845.843,11 -882.128,98 -0,52
10,0 1,30 1,077 2199775,81 -1.015.056,64 -1.051.342,50 -0,44
10,7 1,40 1,160 2368989,33 -1.184.270,16 -1.220.556,03 -0,38
11,5 1,50 1,243 2538202,86 -1.353.483,68 -1.389.769,55 -0,33
12,3 1,60 1,326 2707416,38 -1.522.697,21 -1.558.983,08 -0,30
13,0 1,70 1,409 2876629,91 -1.691.910,73 -1.728.196,60 -0,27
13,8 1,80 1,491 3045843,43 -1.861.124,26 -1.897.410,12 -0,25
14,5 1,90 1,574 3215056,95 -2.030.337,78 -2.066.623,65 -0,23
15,3 2,00 1,657 3384270,48 -2.199.551,30 -2.235.837,17 -0,21
1.184.719,17

690.000,00
160.000,00
530.000,00

12%
0,8 0,10 0,075 142.725,44 1.041.993,73 1.005.707,86 0,51
1,5 0,20 0,150 285.450,89 899.268,29 862.982,42 0,60
2,3 0,30 0,225 428.176,33 756.542,84 720.256,98 0,72
3,1 0,40 0,301 570.901,77 613.817,40 577.531,53 0,91
3,8 0,50 0,376 713.627,21 471.091,96 434.806,09 1,23
4,6 0,60 0,451 856.352,66 328.366,52 292.080,65 1,91
5,4 0,70 0,526 999.078,10 185.641,07 149.355,21 4,22
6,1 0,80 0,601 1.141.803,54 42.915,63 6.629,76 16,00
6,9 0,90 0,676 1.284.528,99 -99.809,81 -136.095,68 -3,08
7,7 1,00 0,751 1.427.254,43 -242.535,26 -278.821,12 -1,64
8,4 1,10 0,826 1.569.979,87 -385.260,70 -421.546,57 -1,12
9,2 1,20 0,902 1.712.705,32 -527.986,14 -564.272,01 -0,85
10,0 1,30 0,977 1.855.430,76 -670.711,59 -706.997,45 -0,68
10,7 1,40 1,052 1.998.156,20 -813.437,03 -849.722,89 -0,57
11,5 1,50 1,127 2.140.881,64 -956.162,47 -992.448,34 -0,49
12,3 1,60 1,202 2.283.607,09 -1.098.887,91 -1.135.173,78 -0,43
13,0 1,70 1,277 2.426.332,53 -1.241.613,36 -1.277.899,22 -0,38
13,8 1,80 1,352 2.569.057,97 -1.384.338,80 -1.420.624,67 -0,35
14,5 1,90 1,427 2.711.783,42 -1.527.064,24 -1.563.350,11 -0,31
15,3 2,00 1,503 2.854.508,86 -1.669.789,69 -1.706.075,55 -0,29
-36.285,87

0,8 0,10 Relação de preço Gás/ eletricidade (R$/m3 / R$/kWh)


1,5 0,20
2,3 0,30 2,3 3,1 3,8 4,6 5,4 6,1 6,9
12,00
3,1 0,40 11,00
3,8 0,50
10,00
Tempo de retorno (anos)

4,6 0,60
9,00
5,4 0,70
8,00
6,1 0,80
7,00
6,9 0,90
6,00
7,7 1,00
5,00
8,4 1,10
4,00
9,2 1,20
10,0 1,30 3,00
10,7 1,40 2,00
11,5 1,50 1,00
12,3 1,60 0,00
13,0 1,70 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80 0,90 1,00
13,8 1,80 Preço do gás natural (R$/m3)
14,5 1,90
15,3 2,00 Sem Cogeração
Cogeração da Exaustão
Cogeração Exaustão + Refrigeração
191

Fator de utilização 70%

Motor Motor Cogeração Cogeração


Elétrico Gás natural Exaustão Exaus.+Refrig..
Fator de utilização das bombas 70% 70% 70% 70%
Potencia Firme kW 932 932 932 932
Rendimento motores 90% 36% 36% 36%
kW 1.035,56 2.588,89
Preço do motor e instalação R$ 160.000,00 585.200,00 660.000,00 690.000,00

Energia consumida kWhe/ano 6.350.026,67


kWht/ano 15.875.066,67 15.875.066,67 15.875.066,67
Energia aproveitada (exergia) kJ/s 535,53 321,43
(acumulada) kJ/s 856,96
Exergia total kWht/ano 3.283.888,36 5.254.866,46
Energia elétrica paga pela SABESP
Demanda contratada kW 1.000,00
Demanda ponta 16,3 R$/kW R$ 195.600,00
Demanda f ponta 2,26 R$/kW R$ 25.275,84
Energia na ponta 0,08 R$/kWh R$ 90.714,67
Energia f. ponta 0,11 R$/kWh R$ 873.128,67
total energia elétrica R$ 1.184.719,17
Consumo de gás natural m3/ano 1.493.421,14 1.493.421,14 1.493.421,14
Custo anual de manut./oper.
motor a gas 0,006 R$/kWh R$ 38.100,16 38.100,16 38.100,16
motor elétrico 0,002 R$/kWh R$ 12.700,05
custo do gás narural 0,1 R$/m3 149.342,11 149.342,11 149342,1135
custo da energia 0,186569165 R$/kwh 1.184.719,17

1264094,507
53340,224
356036,72
961398,01

585.200,00
160.000,00 146.957,76
425200,00 209.078,96

356.036,72

12%
0,5 0,10 149342,11 1.035.377,06 1.009.976,95 0,41
1,1 0,20 298684,23 886.034,95 860.634,84 0,48
1,6 0,30 448026,34 736.692,83 711.292,73 0,58
2,1 0,40 597368,45 587.350,72 561.950,61 0,75
2,7 0,50 746710,57 438.008,61 412.608,50 1,03
3,2 0,60 896052,68 288.666,49 263.266,39 1,68
3,7 0,69 1025980,32 158.738,85 133.338,75 3,69
4,3 0,80 1194736,91 -10.017,73 -35.417,84 11,00
4,8 0,90 1344079,02 -159.359,85 -184.759,95 35,00
5,4 1,00 1493421,14 -308.701,96 -334.102,07 -1,13
5,9 1,10 1642763,25 -458.044,08 -483.444,18 -0,79
6,4 1,20 1792105,36 -607.386,19 -632.786,30 -0,61
7,0 1,30 1941447,48 -756.728,30 -782.128,41 -0,50
7,5 1,40 2090789,59 -906.070,42 -931.470,52 -0,42
8,0 1,50 2240131,70 -1.055.412,53 -1.080.812,64 -0,36
8,6 1,60 2389473,82 -1.204.754,64 -1230154,75 -0,32
9,1 1,70 2538815,93 -1.354.096,76 -1379496,86 -0,29
9,6 1,80 2688158,04 -1.503.438,87 -1528838,98 -0,26
10,2 1,90 2837500,16 -1.652.780,98 -1678181,09 -0,24
10,7 2,00 2986842,27 -1.802.123,10 -1827523,20 -0,22
192

660.000,00
160.000,00
500.000,00

12%
0,5 0,10 0,000 118449,47 1.066.269,71 1.040.869,60 0,47
1,1 0,20 0,000 236898,93 947.820,24 922.420,13 0,53
1,6 0,30 0,000 355348,40 829.370,77 803.970,67 0,61
2,1 0,40 0,000 473797,87 710.921,31 685.521,20 0,72
2,7 0,50 0,000 592247,33 592.471,84 567.071,73 0,88
3,2 0,60 0,000 710696,80 474.022,37 448.622,27 1,12
3,8 0,70 0,000 829146,27 355.572,91 330.172,80 1,56
4,3 0,80 0,000 947595,73 237.123,44 211.723,33 2,57
4,8 0,90 0,000 1066045,20 118.673,97 93.273,87 7,54
5,4 1,00 0,000 1184494,67 224,51 -25.175,60 23,00
5,9 1,10 0,000 1302944,13 -118.224,96 -143.625,07 -2,80
6,4 1,20 0,000 1421393,60 -236.674,43 -262.074,53 -1,64
7,0 1,30 0,000 1539843,07 -355.123,89 -380.524,00 -1,16
7,5 1,40 0,000 1658292,53 -473.573,36 -498.973,47 -0,90
8,0 1,50 0,000 1776742,00 -592.022,83 -617.422,93 -0,73
8,6 1,60 0,000 1895191,47 -710.472,29 -735.872,40 -0,62
9,1 1,70 0,000 2013640,93 -828.921,76 -854.321,87 -0,54
9,6 1,80 0,000 2132090,40 -947.371,23 -972.771,33 -0,47
10,2 1,90 0,000 2250539,87 -1.065.820,69 -1.091.220,80 -0,42
10,7 2,00 0,000 2368989,33 -1.184.270,16 -1.209.670,27 -0,38

690.000,00
160.000,00
530.000,00

12%
0,5 0,10 0,0000 99.907,81 1.084.811,36 1.059.411,26 0,49
1,1 0,20 0,0000 199.815,62 984.903,55 959.503,45 0,54
1,6 0,30 0,0000 299.723,43 884.995,74 859.595,64 0,60
2,1 0,40 0,0000 399.631,24 785.087,93 759.687,83 0,69
2,7 0,50 0,0000 499.539,05 685.180,12 659.780,02 0,79
3,2 0,60 0,0000 599.446,86 585.272,31 559.872,21 0,94
3,8 0,70 0,0000 699.354,67 485.364,50 459.964,40 1,16
4,3 0,80 0,0000 799.262,48 385.456,69 360.056,59 1,51
4,8 0,90 0,0000 899.170,29 285.548,88 260.148,78 2,17
5,4 1,00 0,0000 999.078,10 185.641,07 160.240,97 3,86
5,9 1,10 0,0000 1.098.985,91 85.733,26 60.333,16 15,00
6,4 1,20 0,0000 1.198.893,72 -14.174,55 -39.574,65 -7,85
7,0 1,30 0,0000 1.298.801,53 -114.082,36 -139.482,46 -3,01
7,5 1,40 0,0000 1.398.709,34 -213.990,17 -239.390,27 -1,88
8,0 1,50 0,0000 1.498.617,15 -313.897,98 -339.298,08 -1,37
8,6 1,60 0,0000 1.598.524,96 -413.805,79 -439.205,89 -1,07
9,1 1,70 0,0000 1.698.432,77 -513.713,60 -539.113,70 -0,88
9,6 1,80 0,0000 1.798.340,58 -613.621,41 -639.021,51 -0,75
10,2 1,90 0,0000 1.898.248,39 -713.529,22 -738.929,32 -0,65
10,7 2,00 0,0000 1.998.156,20 -813.437,03 -838.837,13 -0,58

Relação de preço gás/eletricidade (R$/m3/R$/kWh)


1,1 2,1 3,2 4,3 5,4 6,4 7,5
12,00
0,5 0,10 11,00
1,1 0,20 10,00
Tempo de retorno (anos)

1,6 0,30
9,00
2,1 0,40
2,7 0,50 8,00
3,2 0,60 7,00
3,8 0,70 6,00
4,3 0,80
4,8 0,90 5,00
5,4 1,00 4,00
5,9 1,10 3,00
6,4 1,20
2,00
7,0 1,30
7,5 1,40 1,00
8,0 1,50 0,00
8,6 1,60 0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20 1,40 1,60 1,80
9,1 1,70 Preço do gas natural (R$/m3)
9,6 1,80
sem cogeração Cogeração exaustão
10,2 1,90
10,7 2,00 Cogeração exaustão+refrigeração
193

Fator de utilização 50%

Motor Motor Cogeração Cogeração


Elétrico Gás natural Exaustão Exaus.+Refrig..
Fator de utilização das bombas 50% 50% 50% 50%
Potencia Firme kW 932 932 932 932
Rendimento motores 90% 36% 36% 36%
kW 1.035,56 2.588,89
Preço do motor e instalação R$ 160.000,00 585.200,00 660.000,00 690.000,00

Energia consumida kWhe/ano 4.535.733,33


kWht/ano 11.339.333,33 11.339.333,33 11.339.333,33
Energia aproveitada (exergia) kJ/s 535,53 321,4200
kJ/s 856,9500
Exergia total kWht/ano 2.345.621,40 3.753.441,00
Energia elétrica paga pela SABESP
Demanda contratada kW 1.000
Demanda ponta 16,3 R$/kW R$
Demanda f ponta 2,26 R$/kW R$ 25.275,84
Energia na ponta 0,11 R$/kWh R$
Energia f. ponta 0,11 R$/kWh R$ 873.128,67
total energia elétrica R$ 898.404,51
Consumo de gás natural m3/ano 1.066.729,38 1.066.729,38 1.066.729,38
Custo anual de manut./oper.
motor a gas 0,006 R$/kWh R$ 27.214,40 27.214,40 27.214,40
motor elétrico 0,002 R$/kWh R$ 9.071,47
custo do gás narural 0,1 R$/m3 106.672,94 106.672,94 106672,9382
custo da energia 0,198072603 R$/kwh 898.404,51

1264094,507
53340,224
356036,72
961398,01

585.200,00
160.000,00 146.957,76
425200,00 209.078,96

356.036,72

12%
0,5 0,10 106672,94 791.731,57 773.588,64 0,54
1,0 0,20 213345,88 685.058,63 666.915,70 0,62
1,5 0,30 320018,81 578.385,69 560.242,76 0,75
2,0 0,40 426691,75 471.712,75 453.569,82 0,93
2,5 0,50 533364,69 365.039,82 346.896,88 1,24
3,0 0,60 640037,63 258.366,88 240.223,94 1,86
3,5 0,69 732843,09 165.561,42 147.418,49 3,26
4,0 0,80 853383,51 45.021,00 26.878,07 11,00
4,5 0,90 960056,44 -61.651,94 -79.794,87 36,00
5,0 1,00 1066729,38 -168.324,88 -186.467,81 -1,93
5,6 1,10 1173402,32 -274.997,81 -293.140,75 -1,27
6,1 1,20 1280075,26 -381.670,75 -399.813,69 -0,95
6,6 1,30 1386748,20 -488.343,69 -506.486,62 -0,76
7,1 1,40 1493421,14 -595.016,63 -613.159,56 -0,63
7,6 1,50 1600094,07 -701.689,57 -719.832,50 -0,54
8,1 1,60 1706767,01 -808.362,50 -826505,44 -0,47
8,6 1,70 1813439,95 -915.035,44 -933178,38 -0,42
9,1 1,80 1920112,89 -1.021.708,38 -1039851,31 -0,38
9,6 1,90 2026785,83 -1.128.381,32 -1146524,25 -0,34
10,1 2,00 2133458,76 -1.235.054,26 -1253197,19 -0,32
194

660.000,00
160.000,00
500.000,00

12%
0,5 0,10 0,000 84031,81 814.372,70 796.229,77 0,61
1,0 0,20 0,000 168063,61 730.340,90 712.197,96 0,69
1,5 0,30 0,000 252095,42 646.309,09 628.166,16 0,79
2,0 0,40 0,000 336127,22 562.277,29 544.134,35 0,91
2,5 0,50 0,000 420159,03 478.245,48 460.102,55 1,09
3,0 0,60 0,000 504190,83 394.213,68 376.070,74 1,36
3,5 0,70 0,000 588222,64 310.181,87 292.038,94 1,79
4,0 0,80 0,000 672254,44 226.150,07 208.007,13 2,63
4,5 0,90 0,000 756286,25 142.118,26 123.975,33 4,99
5,0 1,00 0,000 840318,05 58.086,46 39.943,52 20,00
5,6 1,10 0,000 924349,86 -25.945,35 -44.088,28 -7,02
6,1 1,20 0,000 1008381,66 -109.977,15 -128.120,09 -3,08
6,6 1,30 0,000 1092413,47 -194.008,96 -212.151,89 -1,99
7,1 1,40 0,000 1176445,27 -278.040,76 -296.183,70 -1,47
7,6 1,50 0,000 1260477,08 -362.072,57 -380.215,50 -1,16
8,1 1,60 0,000 1344508,88 -446.104,37 -464.247,31 -0,96
8,6 1,70 0,000 1428540,69 -530.136,18 -548.279,11 -0,82
9,1 1,80 0,000 1512572,49 -614.167,98 -632.310,92 -0,72
9,6 1,90 0,000 1596604,30 -698.199,79 -716.342,72 -0,64
10,1 2,00 0,000 1680636,10 -782.231,59 -800.374,53 -0,57

690.000,00
160.000,00
530.000,00

12%
0,5 0,10 0,0000 71.363,05 827.041,46 808.898,52 0,64
1,0 0,20 0,0000 142.726,10 755.678,40 737.535,47 0,71
1,5 0,30 0,0000 214.089,15 684.315,35 666.172,42 0,79
2,0 0,40 0,0000 285.452,20 612.952,30 594.809,37 0,89
2,5 0,50 0,0000 356.815,26 541.589,25 523.446,32 1,01
3,0 0,60 0,0000 428.178,31 470.226,20 452.083,27 1,18
3,5 0,70 0,0000 499.541,36 398.863,15 380.720,22 1,43
4,0 0,80 0,0000 570.904,41 327.500,10 309.357,16 1,79
4,5 0,90 0,0000 642.267,46 256.137,05 237.994,11 2,41
5,0 1,00 0,0000 713.630,51 184.774,00 166.631,06 3,68
5,6 1,10 0,0000 784.993,56 113.410,94 95.268,01 8,00
6,1 1,20 0,0000 856.356,61 42.047,89 23.904,96 25,00
6,6 1,30 0,0000 927.719,66 -29.315,16 -47.458,09 -6,94
7,1 1,40 0,0000 999.082,72 -100.678,21 -118.821,14 -3,45
7,6 1,50 0,0000 1.070.445,77 -172.041,26 -190.184,19 -2,31
8,1 1,60 0,0000 1.141.808,82 -243.404,31 -261.547,24 -1,73
8,6 1,70 0,0000 1.213.171,87 -314.767,36 -332.910,30 -1,39
9,1 1,80 0,0000 1.284.534,92 -386.130,41 -404.273,35 -1,16
9,6 1,90 0,0000 1.355.897,97 -457.493,46 -475.636,40 -1,00
10,1 2,00 0,0000 1.427.261,02 -528.856,52 -546.999,45 -0,87

0,5 0,10 Relação preço Gás/Eletricidade (R$/m3 / R$/kWh)


1,0 0,20
1,5 0,30 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0
12,00
2,0 0,40
11,00
2,5 0,50
10,00
Tempo de retorno (anos)

3,0 0,60
9,00
3,5 0,70
8,00
4,0 0,80
7,00
4,5 0,90
6,00
5,0 1,00
5,00
5,6 1,10
4,00
6,1 1,20
3,00
6,6 1,30
2,00
7,1 1,40
1,00
7,6 1,50
0,00
8,1 1,60
8,6 1,70 0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20 1,40
Preço do gás natural (R$/m3)
9,1 1,80
9,6 1,90 Sem cogeração Cogeração com exaustão
10,1 2,00 Cogeração Exaustão+Refrigeração
195

APÊNDICE G

Bombas de petróleo entre o terminal de Cubatão e a Refinaria de Capuava


800 HP 160 m3/h

Fator de Utilização 100%

Motor Elétrico Motor a gás Natural Cogeração Cogeração


Exaustão Exaus.+Refrig.
Fator de utilização das bombas 100% 100% 100% 100%
Potencia kW 596 596 596 596
Preço do motor e instalação R$ 96.000,00 310.000,00 360.000,00 400.000,00
Rendimento motores 90% 36% 36% 36%

Energia consumida kWhe/ano 5.801.066,67


kWht/ano 14.502.666,67 14.502.666,67 14.502.666,67
Energia aproveitada(exergia) kJ/s 225,68 137,18
kJ/s 362,86
Exergia total kWht/ano 1.976.956,80 3.178.653,60
Energia elétrica paga pela Petrobras AZUL
Demanda ponta 26,14 R$/kW R$ 186.953,28
Demanda f ponta 12,1 R$/kW R$ 86.539,20
Energia na ponta 0,19 R$/kWh R$ 137.775,33
Energia f. ponta 0,14 R$/kWh R$ 710.630,67
total energia elétrica R$ 1.121.898,48
Consumo de gás natural m3/ano 1.364.314,83 1.364.314,83 1.364.314,83
Custo anual de manut./oper.
motor a gas 0,008 R$/kWh R$ 41.767,68 41.767,68 41.767,68
motor elétrico 0,002 R$/kWh R$ 10.441,92
custo gás 0,773580822 R$/m3 1.055.407,79
custo médio eletr 0,193395205 R$/kwh 1.121.898,48

1 HP= 0,745 kW
1 kWh = 3412 Btu
1 MMBtu = 26,8 m3gas
1 m3gas 10,63 kWh

10441,92
1121898,48
1132340,40

169434,57

921138,1519
R$ 310.000,0 41767,68
96.000,00 962905,83
214.000,0

0,193 12%
0,5 0,1 136431,48 954141,24 0,21
1,0 0,2 272862,97 817709,75 0,25
1,6 0,3 409294,45 681278,27 0,30
2,1 0,4 545725,93 544846,79 0,38
2,6 0,5 682157,42 408415,30 0,51
3,1 0,6 818588,90 271983,82 0,78
3,6 0,7 955020,38 135552,34 1,64
4,1 0,8 1091451,87 -879,15 5,00
4,7 0,9 1227883,35 -137310,63 20,00
5,2 1 1364314,83 -273742,11 -0,71
5,7 1,1 1500746,32 -410173,60 -0,48
6,2 1,2 1637177,80 -546605,08 -0,36
6,7 1,3 1773609,28 -683036,56 -0,29
7,3 1,4 1910040,77 -819468,05 -0,24
7,8 1,5 2046472,25 -955899,53 -0,21
8,3 1,6 2182903,73 -1092331,01 -0,18
8,8 1,7 2319335,21 -1228762,49 -0,16
9,3 1,8 2455766,70 -1365193,98 -0,15
9,8 1,9 2592198,18 -1501625,46 -0,13
10,4 2 2728629,66 -1638056,94 -0,12
196

360.000,00
96.000,00
264.000,0

12%
0,5 0,1 0,00 117833,58 972739,14 0,26
1,0 0,2 0,00 235667,17 854905,55 0,30
1,6 0,3 0,00 353500,75 737071,97 0,35
2,1 0,4 0,00 471334,33 619238,39 0,41
2,6 0,5 0,00 589167,91 501404,81 0,51
3,1 0,6 0,00 707001,50 383571,22 0,68
3,6 0,7 0,00 824835,08 265737,64 0,99
4,1 0,8 0,00 942668,66 147904,06 1,87
4,7 0,9 0,00 1073463,94 17108,78 5,00
5,2 1,0 0,00 1178335,83 -87763,11 18,00
5,7 1,1 0,00 1296169,41 -205596,69 -1,14
6,2 1,2 0,00 1414003,00 -323430,28 -0,74
6,7 1,3 0,00 1531836,58 -441263,86 -0,55
7,3 1,4 0,00 1649670,16 -559097,44 -0,44
7,8 1,5 0,00 1767503,74 -676931,02 -0,36
8,3 1,6 0,00 1885337,33 -794764,61 -0,31
8,8 1,7 0,00 2003170,91 -912598,19 -0,27
9,3 1,8 0,00 2121004,49 -1030431,77 -0,24
9,8 1,9 0,00 2238838,08 -1148265,36 -0,21
10,4 2 0,00 2356671,66 -1266098,94 -0,19

400.000,00
96.000,00
304.000,0
12%
0,5 0,1 0,00 106528,82 984043,90 0,30
1,0 0,2 0,00 213057,63 877515,09 0,33
1,6 0,3 0,00 319586,45 770986,27 0,38
2,1 0,4 0,00 426115,26 664457,46 0,44
2,6 0,5 0,00 532644,08 557928,64 0,53
3,1 0,6 0,00 639172,89 451399,83 0,66
3,6 0,7 0,00 745701,71 344871,01 0,88
4,1 0,8 0,00 852230,52 238342,20 1,30
4,7 0,9 0,00 958759,34 131813,38 2,50
5,2 1 0,00 1065288,15 25284,57 8,00
5,7 1,1 0,00 1171816,97 -81244,25 30,00
6,2 1,2 0,00 1278345,78 -187773,06 -1,41
6,7 1,3 0,00 1384874,60 -294301,88 -0,93
7,3 1,4 0,00 1491403,41 -400830,69 -0,69
7,8 1,5 0,00 1597932,23 -507359,51 -0,55
8,3 1,6 0,00 1704461,04 -613888,32 -0,46
8,8 1,7 0,00 1810989,86 -720417,14 -0,39
9,3 1,8 0,00 1917518,68 -826945,96 -0,34
9,8 1,9 0,00 2024047,49 -933474,77 -0,30
10,4 2 0,00 2130576,31 -1040003,59 -0,27

Relação Preço do gás / eletricidade (R$/m3 / R$/kWh)


1,0 2,0 3,0 4,1 5,2 6,2
14,0
Tempo de retorno (anos)

12,0

10,0

8,0

6,0

4,0

2,0

0,0
0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2
Preço do gás natural (R$/m3)
Sem aproveitamento da cogeração Aproveitamento da exaustão
Aprov.da exaustão+arrefecimento
197

Fator de Utilização 70%

Motor Elétrico Motor a gás Natural Cogeração Cogeração


Exaustão Exaus. + Refrig.
Fator de utilização das bombas fu 70% 70% 70% 70%
Potencia kW 596 596 596 596
Preço do motor e instalação R$ 96.000,00 310.000,00 360.000,00 400.000,00
Rendimento motores 90% 36% 36% 36%

Energia consumida kWhe/ano 4.060.746,67


kWht/ano 10.151.866,67 10.151.866,67 10.151.866,67
Energia aproveitada na cogeração kJ/s 225,68 137,18
kJ/s 362,86
Exergia total kWht/ano 1.383.869,76 2.225.057,52
Energia elétrica paga pela Petrobras AZUL
Demanda ponta 26,14 R$/kW R$ 186.953,28
Demanda f ponta 12,1 R$/kW R$ 86.539,20
Energia na ponta 0,19 R$/kWh R$ 137.775,33
Energia f. ponta 0,12 R$/kWh R$ 609.112,00
total energia elétrica R$ 1.020.379,81
Consumo de gás natural m3/ano 955.020,38 955.020,38 955.020,38
Custo anual de manut./oper.
motor a gas 0,008 R$/kWh R$ 29.237,38 29.237,38 29.237,38
motor elétrico 0,002 R$/kWh R$ 7.309,34
custo gás 1,00511546 R$/m3 959.905,75
custo médio eletr 0,251278865 R$/kwh 1.020.379,81

1 HP= 0,745 kW
1 kWh = 3412 Btu
1 MMBtu = 26,8 m3gas
1 m3gas 10,63 kWh

7309,34
1020379,81
1027689,16

77313,63

921138,1519
R$ 310.000,0 29237,376
96.000,00 950375,53
214.000,0

0,251 12%
0,4 0,1 95502,04 902949,74 0,23
0,8 0,2 191004,08 807447,70 0,25
1,2 0,3 286506,11 711945,67 0,29
1,6 0,4 382008,15 616443,63 0,33
2,0 0,5 477510,19 520941,59 0,40
2,4 0,6 573012,23 425439,55 0,49
2,8 0,7 668514,27 329937,51 0,64
3,2 0,8 764016,31 234435,48 0,91
3,6 0,9 859518,34 138933,44 1,59
4,0 1 955020,38 43431,40 6,62
4,4 1,1 1050522,42 -52070,64 15,00
4,8 1,2 1146024,46 -147572,68 -1,27
5,2 1,3 1241526,50 -243074,72 -0,80
5,6 1,4 1337028,54 -338576,75 -0,58
6,0 1,5 1432530,57 -434078,79 -0,45
6,4 1,6 1528032,61 -529580,83 -0,37
6,8 1,7 1623534,65 -625082,87 -0,32
7,2 1,8 1719036,69 -720584,91 -0,28
7,6 1,9 1814538,73 -816086,95 -0,24
8,0 2 1910040,77 -911588,98 -0,22
198

360.000,00
96.000,00
264.000,0

0,251 12%
0,4 0,10 0,000 82483,51 915968,27 0,28
0,8 0,20 0,000 164967,02 833484,77 0,30
1,2 0,30 0,000 247450,52 751001,26 0,34
1,6 0,40 0,000 329934,03 668517,75 0,38
2,0 0,50 0,000 412417,54 586034,24 0,44
2,4 0,60 0,000 494901,05 503550,73 0,51
2,8 0,70 0,000 577384,56 421067,22 0,61
3,2 0,80 0,000 659868,06 338583,72 0,77
3,6 0,90 0,000 742351,57 256100,21 1,03
4,0 1,00 0,000 824835,08 173616,70 1,57
4,4 1,10 0,000 907318,59 91133,19 3,28
4,8 1,20 0,000 989802,10 8649,68 9,00
5,2 1,30 0,000 1072285,60 -73833,82 27,00
5,6 1,40 0,000 1154769,11 -156317,33 -1,47
6,0 1,50 0,000 1237252,62 -238800,84 -0,99
6,4 1,60 0,000 1319736,13 -321284,35 -0,74
6,8 1,70 0,000 1402219,64 -403767,86 -0,60
7,2 1,80 0,000 1484703,15 -486251,36 -0,50
7,6 1,90 0,000 1567186,65 -568734,87 -0,43
8,0 2,00 0,000 1649670,16 -651218,38 -0,38

400.000,00
96.000,00
304.000,0
0,25128 12%
0,4 0,1 0,000 74570,17 923881,61 0,32
0,8 0,2 0,000 149140,34 849311,44 0,35
1,2 0,3 0,000 223710,51 774741,27 0,38
1,6 0,4 0,000 298280,68 700171,10 0,42
2,0 0,5 0,000 372850,85 625600,93 0,47
2,4 0,6 0,000 447421,02 551030,76 0,54
2,8 0,7 0,000 521991,19 476460,59 0,62
3,2 0,8 0,000 596561,37 401890,42 0,75
3,6 0,9 0,000 671131,54 327320,24 0,92
4,0 1 0,000 745701,71 252750,07 1,22
4,4 1,1 0,000 820271,88 178179,90 1,78
4,8 1,2 0,000 894842,05 103609,73 3,33
5,2 1,3 0,000 969412,22 29039,56 10,00
5,6 1,4 0,000 1043982,39 -45530,61 32,00
6,0 1,5 0,000 1118552,56 -120100,78 -2,12
6,4 1,6 0,000 1193122,73 -194670,95 -1,37
6,8 1,7 0,000 1267692,90 -269241,12 -1,01
7,2 1,8 0,000 1342263,07 -343811,29 -0,80
7,6 1,9 0,000 1416833,24 -418381,46 -0,66
8,0 2 0,000 1491403,41 -492951,63 -0,56

Relação Preço do gás / eletricidade (R$/m3 / R$/kWh)


0,8 1,6 2,4 2,8 3,2 3,6 4,0 4,4 4,8 5,2 5,6
14,0
Tempo de retorno (anos)

12,0

10,0

8,0

6,0

4,0

2,0

0,0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6
Preço do gás natural (R$/m3)
Sem aproveitamento da cogeração Aproveitamento da exaustão
Aprov.da exaustão+arrefecimento
199

Fator de utilização 50%

Motor Elétrico Motor a gás Cogeração Cogeração


Natural Exaustão Exaus. + Refrig.
Fator de utilização das bombas fu 50% 50% 50% 50%
Potencia kW 596 596 596 596
Preço do motor e instalação R$ 96.000,00 310.000,00 360.000,00 400.000,00
Rendimento motores 90% 36% 36% 36%

Energia consumida kWhe/ano 2.900.533,33


kWht/ano 7.251.333,33 7.251.333,33 7.251.333,33
Energia aproveitada na cogeração kJ/s 225,68 137,18
(acumulada) kJ/s 362,86
Exergia total kWht/ano 988.478,40 1.589.326,80
Energia elétrica paga pela Petrobras AZUL
Demanda ponta 20,6 26,14 R$/kW R$
Demanda f ponta 12,1 R$/kW R$ 86.539,20
Energia na ponta 0,19 R$/kWh R$
Energia f. ponta 0,09 R$/kWh R$ 456.834,00
total energia elétrica R$ 543.373,20
Consumo de gás natural m3/ano 682.157,42 682.157,42 682.157,42
Custo anual de manut./oper.
motor a gas 0,008 R$/kWh R$ 20.883,84 20.883,84 20.883,84
motor elétrico 0,002 R$/kWh R$ 5.220,96
custo gás 0,749342466 R$/m3 511.169,52
custo médio eletr 0,187335616 R$/kwh 543.373,20

1 HP= 0,745 kW
1 kWh = 3412 Btu
1 MMBtu = 26,8 m3gas
1 m3gas 10,63 kWh

5220,96
543373,20
548594,16

-393427,83

921138,1519
R$ 310.000,0 20883,84
96.000,00 942021,99
214.000,0

0,187 12%
0,5 0,1 68215,74 459494,58 0,45
1,1 0,2 136431,48 391278,84 0,53
1,6 0,3 204647,22 323063,10 0,65
2,1 0,4 272862,97 254847,35 0,83
2,7 0,5 341078,71 186631,61 1,16
3,2 0,6 409294,45 118415,87 1,90
3,7 0,7 477510,19 50200,13 5,38
4,3 0,8 545725,93 -18015,61 16,20
4,8 0,9 613941,67 -86231,35 -2,08
5,3 1 682157,42 -154447,10 -1,22
5,9 1,1 750373,16 -222662,84 -0,86
6,4 1,2 818588,90 -290878,58 32,76
6,9 1,3 886804,64 -359094,32 -0,55
7,5 1,4 955020,38 -427310,06 -0,46
8,0 1,5 1023236,12 -495525,80 -0,40
8,5 1,6 1091451,87 -563741,55 -0,35
9,1 1,7 1159667,61 -631957,29 -0,31
9,6 1,8 1227883,35 -700173,03 -0,28
10,1 1,9 1296099,09 -768388,77 -0,26
10,7 2 1364314,83 -836604,51 -0,24
200

360.000,00
96.000,00
264.000,0

0,187 12%
0,5 0,10 0,000 58916,79 468793,53 0,55
1,1 0,20 0,000 117833,58 409876,74 0,63
1,6 0,30 0,000 176750,37 350959,95 0,74
2,1 0,40 0,000 235667,17 292043,15 0,90
2,7 0,50 0,000 294583,96 233126,36 1,14
3,2 0,60 0,000 353500,75 174209,57 1,56
3,7 0,70 0,000 412417,54 115292,78 2,48
4,3 0,80 0,000 471334,33 56375,99 6,15
4,8 0,90 0,000 530251,12 -2540,80 18,00
5,3 1,00 0,000 589167,91 -61457,59 -3,34
5,9 1,10 0,000 648084,71 -120374,39 -1,86
6,4 1,20 0,000 707001,50 -179291,18 -1,29
6,9 1,30 0,000 765918,29 -238207,97 -0,99
7,5 1,40 0,000 824835,08 -297124,76 -0,80
8,0 1,50 0,000 883751,87 -356041,55 -0,67
8,5 1,60 0,000 942668,66 -414958,34 -0,58
9,1 1,70 0,000 1001585,46 -473875,14 -0,51
9,6 1,80 0,000 1060502,25 -532791,93 -0,46
10,1 1,90 0,000 1119419,04 -591708,72 -0,41
10,7 2,00 0,000 1178335,83 -650625,51 -0,38

400.000,00
96.000,00
304.000,0
0,18734 12%
0,5 0,1 0,000 53264,41 474445,91 0,63 68.215,74
1,1 0,2 0,000 106528,82 421181,50 0,71 136.431,48
1,6 0,3 0,000 159793,22 367917,10 0,82 204.647,22
2,1 0,4 0,000 213057,63 314652,69 0,96 272.862,97
2,7 0,5 0,000 266322,04 261388,28 1,17 341.078,71
3,2 0,6 0,000 319586,45 208123,87 1,50 409.294,45
3,7 0,7 0,000 372850,85 154859,47 2,08 477.510,19
4,3 0,8 0,000 426115,26 101595,06 3,41 545.725,93
4,8 0,9 0,000 479379,67 48330,65 9,89 613.941,67
5,3 1 0,000 532644,08 -4933,76 26,00 682.157,42
5,9 1,1 0,000 585908,48 -58198,16 -3,92 750.373,16
6,4 1,2 0,000 639172,89 -111462,57 -2,26 818.588,90
6,9 1,3 0,000 692437,30 -164726,98 -1,59 886.804,64
7,5 1,4 0,000 745701,71 -217991,39 -1,23 955.020,38
8,0 1,5 0,000 798966,11 -271255,79 -1,00 1.023.236,12
8,5 1,6 0,000 852230,52 -324520,20 -0,84 1.091.451,87
9,1 1,7 0,000 905494,93 -377784,61 -0,73 1.159.667,61
9,6 1,8 0,000 958759,34 -431049,02 -0,64 1.227.883,35
10,1 1,9 0,000 1012023,75 -484313,43 -0,57 1.296.099,09
10,7 2 0,000 1065288,15 -537577,83 -0,52 1.364.314,83

Relação Preço do gás / eletricidade (R$/m3 / R$/kWh)


1,1 2,1 3,2 4,3 6,4
14,0
Tempo de retorno (anos)

12,0

10,0

8,0

6,0

4,0

2,0

0,0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4
Preço do gás natural (R$/m3)
Sem aproveitamento da cogeração Aproveitamento da exaustão
Aprov.da exaustão+arrefecimento
201

APÊNDICE H

Análise economíca e termoeconomica para o motor de 1000 kW

Horas de Operação horas/ano 8.760


Fator de utilização 0,7
vida util anos 20
taxa de juros 12%
FRC 0,1338

Análise econômica Análise termoeconômica


Motor Motor de Motor Motor de
Elétrico Combustão Elétrico Combustão
Potência kW 932 932 932 932
Rendimento 90% 36% 90% 36%
Preço do motor R$ 160.000,00 690.000,00 160.000,00 690.000,00
Custo da eletricidade R$/kWh 0,18000 0,18000
Consumo de gás m3/ano 1.493.421,14 1.493.421,14
Custo do gás natural R$/m3 0,64 0,64
Custo de manutenção cO$M R$/ano 11.400,00 55.200,00 11.400,00 55.200,00
Fator de O&M sobre a Potência fO&M 6% 8% 6% 8%
Custo específico do equipamento R$/s 0,0015 0,0067
Custo anual do motor elétrico R$/ano 1.173.530,34 1.093.468,42 1.175.812,80 1.103.311,53

Análise econômica Análise termoeconômica


Motor Motor de Motor Motor de
Elétrico Combustão Elétrico Combustão
Potência kW 932 932 932 932
Rendimento 90% 36% 90% 36%
Preço do motor R$ 160.000,00 690.000,00 160.000,00 690.000,00
Custo da eletricidade R$/kWh 0,18000 0,18000
Consumo de gás m3/ano 1493421,135 1493421,135
Custo do gás natural R$/m3 0,64 0,64
Custo de manutenção cO$M R$/ano 11.400,00 55.200,00 11.400,00 55.200,00
Fator de O&M sobre a Potência fO&M 6% 8% 6% 8%
Custo específico do equipamento R$/s 0,0010 0,0045
Custo anual do equipamento R$ 1.163.493,03 1.044.866,73 1.165.697,28 1.055.497,29
202

ANEXOS

Pág.

ANEXO A Curva de desempenho do motor a gás natural da Mercedes Benz.......... 203

ANEXO B Aproveitamento térmico do motor Waukesha de 720 kW......... 204

ANEXO C Tarifas de gás natural da Concessionária (COMGÁS).......................... 205

ANEXO D Tarifas de energia elétrica da ................................................................. 210

ANEXO E Preço de turbinas a gás .......................................................................... 212

ANEXO F Preço de motores de combustão.............................................................. 215

ANEXO G Preço de miniturbinas a gás ................................................................... 216

ANEXO H Preço de motores elétricos....................................................................... 217


203

ANEXO A

Curva de desempenho do motor a gás natural da Mercedes Benz

Fonte: (Mercedes Benz, 2005).


204

ANEXO B

Sistema de cogeração de um motor de combustão interna

Fonte: (Motores Waukesha, 2000)


205

ANEXO C

Tarifas do gás natural

Tarifas do Gás Natural Canalizado


Área de Concessão da Comgás
Portaria CSPE nº 412, de 26/05/2006, com vigência a partir de 31/05/2006

Segmento Residencial

Valores sem ICMS Valores com ICMS


Variável - Fixo -
Classe m³/mês Fixo - R$/mês Variável - R$/m³
R$/m³ R$/mês
1 0-0 11,83 0 13,44 0
2 0,01 a 8,00 m³ 11,83 0,877024 13,44 0,996618
3 8,01 a 17,00 m³ 12,37 2,297549 14,06 2,610851
4 17,01 a 40,00 m³ 13,31 2,833361 15,13 3,219728
5 Acima 40,00 m³ 13,31 3,045194 15,13 3,460448
Nota de Faturamento: Os encargos variáveis são aplicados em cascata e o encargo fixo é aplicado na classe
de consumo
Segmento Residencial - Medição Coletiva

Valores sem ICMS Valores com ICMS


Variável -
Segmento Fixo - R$/mês Fixo - R$/mês Variável - R$/m³
R$/m³
Medição Coletiva 30,20 2,135559 34,32 2,426772

Segmento Residencial - Tarifas Aposentado*

Valores sem ICMS Valores com ICMS


Fixo - Variável
Classe m³/mês Fixo - R$/mês Variável - R$/m³
R$/mês - R$/m³
1 0-0 0 0 0 0
2 0,01 a 8,00 m³ 0 2,192560 0 2,491545
*Usuário Aposentado devidamente cadastrado junto à Concessionária como aposentado.

Segmento Comercial

Valores sem ICMS Valores com ICMS


Fixo - Variável Fixo -
Classe m³/mês Variável - R$/m³
R$/mês - R$/m³ R$/mês
1 0-0 19,03 0 21,63 0
2 0,01 a 50,00 m³ 19,03 2,307412 21,63 2,622059
3 50,01 a 150,00 m³ 30,91 2,069639 35,13 2,351863
4 150,01 a 500,00 m³ 54,68 1,912119 62,14 2,172863
5 500,01 a 2.000,00 m³ 124,83 1,771795 141,85 2,013403
6 2.000,01 a 3.500,00 m³ 575,41 1,546539 653,88 1,757431
7 3.500,01 a 50.000,00 m³ 2.157,79 1,094770 2.452,03 1,244057
206

8 Acima de 50.000,00 m³ 5.724,38 1,023439 6.504,98 1,162999

Segmento Industrial

Valores sem ICMS Valores com ICMS


Classe m³/mês Fixo - R$/mês Variável - R$/m³ Fixo - R$/mês Variável - R$/m³
1 Até 5,00 m³ 17,92 0 20,36 0
2 5,01 a 50,00 m³ 1,71 3,051595 1,94 3,467722
3 50,01 a 130,00 m³ 26,97 2,556838 30,65 2,905498
4 130,01 a 1.000,00 m³ 126,91 1,795509 144,22 2,040351
5 1.000,01 a 5.000,00 m³ 237,56 1,685105 269,95 1,914892
6 5.000,01 a 50.000,00 m³ 3.352,10 1,063422 3.809,20 1,208434
7 50.000,01 a 300.000,00 m³ 20.112,54 0,728224 22.855,16 0,827527
8 300.000,01 a 500.000,00 m³ 33.520,90 0,683490 38.091,93 0,776693
9 500.000,01 a 1.000.000,00 m³ 40.225,08 0,670064 45.710,32 0,761436
10 1.000.000,01 a 2.000.000,00 m³ 60.337,64 0,649953 68.565,50 0,738583
11 Acima de 2.000.000,00 m³ 80.450,18 0,639950 91.420,66 0,727216

Nota do Faturamento:
Cada classe é independente. Aplica-se a cada uma delas um encargo variável

Notas:
1) Valores para Gás Natural referido nas seguintes condições:
Poder Calorífico Superior : 9.400 Kcal/m³ (39.348,400 kJ/m³ ou 10,932 kWh/m³)
Temperatura = 293,15º K (20º C)
Pressão = 101.325 Pa (1 atm)

2) Fórmula de Cálculo de Importe: I = F + (CM x V), onde:

F = Valor do Encargo Fixo


CM = Consumo Mensal Medido em m³
V = Valor do Encargo Variável

Gás Natual Veicular


Variável - R$/m³ (Sem Variável - R$/m³ (Com
Segmento
ICMS) ICMS)
Gás Natural Veicular 0,562180 0,638841
Gás Natural - Transporte Público 0,515916 0,586268
Gás Natural - Frotas 0,515916 0,586268
Notas:
1) Valores para Gás Natural referido nas seguintes condições:
Poder Calorífico Superior : 9.400 Kcal/m³ (39.348,400 kJ/m³ ou 10,932 kWh/m³)
Temperatura = 293,15º K (20º C)
207

Segmento Cogeração

Variável R$/m³ - Sem ICMS


Cogeração de Energia
Cogeração de Energia
Elétrica destinada ao
Classe m³/mês Elétrica destinada à
consumo próprio ou à
revenda a distribuidor
venda a consumidor final
1 Até 100.000,00 m³ 0,1746970 0,1722718
2 100.000,01 a 500.000,00 m³ 0,1382921 0,1363723
3 500.000,01 a 2.000.000,00 m³ 0,1358079 0,1339225
4 2.000.000,01 a 4.000.000,00 m³ 0,1229255 0,1212190
5 4.000.000,01 a 7.000.000,00 m³ 0,1075614 0,1060681
6 7.000.000,01 a 10.000.000,00 m³ 0,0921948 0,0909148
7 Acima de 10.000.000,00 m³ 0,0764729 0,0754113
1) Os valores não incluem ICMS

2) Ao valor das margens desta tabela, que já incluem os tributos PIS/COFINS, deverá ser acrescido o valor do
preço do gás (commodity + transporte) referido nas condições abaixo e destinado a esses segmentos.

3) Gás Natural referido nas seguintes condições:


Poder Calorífico Superior : 9.400 Kcal/m³; (39.348,400 kJ/m³ ou 10,932 kWh/m³)
Temperatura = 293,15ºK (20º C)
Pressão = 101.325 Pa (1 atm)

4) O custo do gás canalizado e do transporte destinados a estes segmentos, já considerados os valores dos
tributos PIS e COFINS incidentes no fornecimento pela Concessionária, vigentes nesta data, é de:
a. R$ 0,481825/m³, nos casos em que o gás canalizado é adquirido como insumo energético utilizado na
cogeração de energia elétrica destinada ao consumo próprio ou à venda a consumidor final.
b. R$ 0,475136/m³, nos casos em que o gás canalizado é adquirido como insumo energético utilizado na
cogeração de energia elétrica destinada à revenda a distribuidor.

5) Os valores obtidos em razão de alterações para mais ou menos dos custos indicados no item 4, serão
contabilizados em separado por usuário e a estes repassados, nos termos da Cláusula 11ª do Contrato de
Concessão.

6) O cálculo do importe deve ser realizado em cascata, ou seja, progressivamente em cada uma das faixas de
consumo

Segmento Termoelétricas

Variável R$/m³ - Sem ICMS


Geração de Energia
Geração de Energia
Elétrica destinada
Elétrica destinada à
Classe m³/mês ao consumo próprio
revenda a
ou à venda a
distribuidor
consumidor final
1 Até 100.000,00 m³ 0,2254004 0,2222713
2 100.000,01 a 500.000,00 m³ 0,1229460 0,1212392
3 500.000,01 a 2.000.000,00 m³ 0,0859583 0,0847650
4 2.000.000,01 a 4.000.000,00 m³ 0,0764067 0,0753460
5 4.000.000,01 a 7.000.000,00 m³ 0,0668563 0,0659282
6 7.000.000,01 a 10.000.000,00 m³ 0,0573047 0,0565092
208

7 10.000.000,01 a 20.000.000,00 m³ 0,0477543 0,0470914

Notas:

1) Os valores não incluem ICMS

2) Ao valor das margens desta tabela, que já incluem os tributos PIS/COFINS, deverá ser acrescido o valor do
preço do gás (commodity + transporte) referido nas condições abaixo e destinado a esses segmentos.

3) Gás Natural referido nas seguintes condições:


Poder Calorífico Superior : 9.400 Kcal/m³; (39.348,400 kJ/m³ ou 10,932 kWh/m³)
Temperatura = 293,15ºK (20º C)
Pressão = 101.325 Pa (1 atm)

4) O custo do gás canalizado e do transporte destinados a estes segmentos, já considerados os valores dos
tributos PIS e COFINS incidentes no fornecimento pela Concessionária, vigentes nesta data, é de:
a. R$ 0,481825/m³, nos casos em que o gás canalizado é adquirido como insumo energético utilizado na
geração de energia elétrica destinada ao consumo próprio ou à venda a consumidor final.
b. R$ 0,475136/m³, nos casos em que o gás canalizado é adquirido como insumo energético utilizado na
geração de energia elétrica destinada à revenda a distribuidor.

5) Os valores obtidos em razão de alterações para mais ou menos dos custos indicados no item 4, serão
contabilizados em separado por usuário e a estes repassados, nos termos da Cláusula 11ª do Contrato de
Concessão.

6) O cálculo do importe deve ser realizado em cascata, ou seja, progressivamente em cada uma das faixas de
consumo.

Segmento Interruptível (De acordo com a Portaria CSPE nº 211/2002)

Valores com
Valores sem ICMS
ICMS
Fixo - Variável Fixo - Variável
Classe m³/mês
R$/mês - R$/m³ R$/mês - R$/m³
1 Até 5,00 m³ 17,04 - 19,36 -
2 5,01 a 50,00 m³ 1,71 2,610698 1,94 2,966702
3 50,01 a 130,00 m³ 26,97 2,115941 30,65 2,404478
4 130,01 a 1.000,00 m³ 126,91 1,354612 144,22 1,539332
5 1.000,01 a 5.000,00 m³ 237,56 1,244208 269,95 1,413873
6 5.000,01 a 50.000,00 m³ 3.352,10 0,622525 3.809,20 0,707415
7 50.000,01 a 300.000,00 m³ 20.112,54 0,287327 22.855,16 0,326508
8 300.000,01 a 500.000,00 m³ 33.520,90 0,242593 38.091,93 0,275674
9 500.000,01 a 1.000.000,00 m³ 40.225,08 0,229167 45.710,32 0,260417
10 1.000.000,01 a 2.000.000,00 m³ 60.337,64 0,209056 68.565,50 0,237564
11 Acima de 2.000.000,00 m³ 80.450,18 0,199053 91.420,66 0,226197

Notas:

1) Valores para Gás Natural referido nas seguintes condições:


Poder Calorífico Superior : 9.400 Kcal/m³ (39.348,400 kJ/m³ ou 10,932 kWh/m³)
Temperatura = 293,15º K (20º C)
Pressão = 101.325 Pa (1 atm)
209

2) O custo do gás canalizado e do transporte (PGT) destinados a este segmento, já considerados os valores dos
tributos PIS e COFINS incidentes no fornecimento pela Concessionária, deve ser adicionado ao encargo
variável.

3) Fórmula de Cálculo de Importe: I = F + [CM (V + PGT)], onde:

F = Valor do Encargo Fixo


CM = Consumo Mensal Medido em m³
V = Valor do Encargo Variável
PGT = Conforme nota 3 supra.

Tarifas do Gás Natural Canalizado


Área de Concessão da Comgás
Tabela de Margens Máximas
Portaria CSPE nº 412, de 26/05/2006, com vigência a partir de 31/05/2006

Segmento Matéria Prima

Valores sem ICMS Valores com ICMS


Classe m³/mês Variável - R$/m³ Variável - R$/m³
1 Até 100.000,00 m³ 0,1746970 0,1985193
2 100.000,01 a 500.000,00 m³ 0,1382921 0,1571501
3 500.000,01 a 2.000.000,00 m³ 0,1358079 0,1543272
4 2.000.000,01 a 4.000.000,00 m³ 0,1229255 0,1396881
5 4.000.000,01 a 7.000.000,00 m³ 0,1075614 0,1222289
6 7.000.000,01 a 10.000.000,00 m³ 0,0921948 0,1047668
7 Acima de 10.000.000,00 m³ 0,0764729 0,0869010

Notas:

1) Valores para Gás Natural referido nas seguintes condições:


Poder Calorífico Superior : 9.400 Kcal/m³ (39.348,400 kJ/m³ ou 10,932 kWh/m³)
Temperatura = 293,15º K (20º C)
Pressão = 101.325 Pa (1 atm)

2) O custo do gás canalizado e do transporte (PGT) destinados a este segmento, já considerados os valores dos
tributos PIS e COFINS incidentes no fornecimento pela Concessionária, deve ser adicionado ao encargo
variável.

3) O cálculo do importe deve ser realizado em cascata, ou seja, progressivamente em cada uma das faixas de
consumo.
210

ANEXO D

Tarifas da energia elétrica

Taxas e Tarifas
TARIFAS PARA O FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA
Resolução No. 313/ANEEL DOU de 07/04/2006.
PREÇOS DE TARIFAS DE ENERGIA ELÉTRICA PRATICADAS NA CPFL - PAULISTA
Estrutura Horo-Sazonal Demanda R$/ Consumo - R$/ MWh Ultrapassagem
kW Período Seco Período Úmido R$/ kW
AZUL Fora de Fora de Fora de Fora de
Ponta Ponta Ponta Ponta
Ponta Ponta Ponta Ponta
A2 (88 a 138 kV) 16,26 2,43 265,92 164,63 240,25 149,54 48,78 7,26
A2 (88 a 138 kV) - Classe
15,51 2,31 253,60 157,01 229,12 142,61 46,53 6,93
Residencial e Rural
A3 (69 kV) 28,14 6,14 267,24 165,27 240,96 149,70 84,41 18,43
A3 (69 kV) - Classe
26,84 5,85 254,86 157,61 229,80 142,76 80,51 17,58
Residencial e Rural
A3a (30 a 44 kV) 27,86 7,36 274,21 166,17 247,85 150,66 83,59 22,07
A3a (30 a 44 kV) - Classe
26,57 7,02 261,51 158,48 236,37 143,68 79,73 21,05
Residencial e Rural
A4 (2,3 a 25 kV) 29,56 7,90 274,89 166,50 248,47 150,94 88,71 23,69
A4 (2,3 a 25 kV) - Classe
28,20 7,54 262,16 158,79 236,96 143,95 84,60 22,59
Residencial e Rural
A4 (2,3 a 25 kV) - Coop
16,34 5,45 107,25 50,99 99,24 45,06 49,02 16,35
Eletrifcação Rural
AS (Subterrâneo) 30,94 12,11 287,60 174,20 260,02 157,90 92,83 36,32
AS (Subterrâneo) -
29,51 11,54 274,28 166,13 247,97 150,59 88,53 34,63
Residencial e Rural
VERDE
A3a (30 a 44 kV) 7,36 721,55 161,93 695,98 150,66 22,08
A3a (30 a 44 kV) - Classe
7,02 688,11 154,43 663,72 143,68 21,06
Residencial e Rural
A4 (2,3 a 25 kV) 7,90 756,78 166,50 730,38 150,94 23,70
A4 (2,3 a 25 kV) - Classe
7,54 721,72 158,79 696,54 143,95 22,62
Residencial e Rural
A4 (2,3 a 25 kV) - Coop
5,45 485,17 50,99 477,21 45,06 16,35
Eletrificação Rural
AS (Subterrâneo) 12,11 791,94 174,20 764,35 157,90 36,33
AS (Subterrâneo) - Classe
11,54 755,25 166,13 728,93 150,59 34,62
Residencial e Rural

Consumo Demanda Ultrapassagem


Grupo A Convencional
R$ / MWh R$ / kW R$ / kW
A3a (30 kV a 44 kV) 176,39 27,58 82,74
A3a (30 kV a 44 kV) - Classes Residencial e Rural 168,22 26,30 78,90
211

A4 (2,3 kV a 25 kV) 177,05 29,81 89,43


A4 (2,3 kV a 25 kV) - Classes Residencial e Rural 168,85 28,43 85,29
A4 (2,3 kV a 25 kV) - Coop Eletrificação Rural 90,59 6,18 18,54
AS (Subterrâneo) 185,25 44,07 132,21
AS (Subterrâneo) - Classes Residencial e Rural 176,66 42,03 126,09

Consumo Demanda
Grupo B
R$/MWh R$/kW
Residencial - Normal 326,45
Baixa Renda Desconto
0 a 30 kWh 110,61 66,12

31 a 80 kWh 189,61 41,92

81 a 100 kWh 190,37 41,68

101 a 200 kWh 285,53 12,53

201 a 220 kWh 317,25 2,82


> 220 kWh 317,25 2,82

Rural 176,34
Coop Eletrificação Rural 114,05
Serviço Público de Irrigação 162,19
Demais Classes 294,99
Iluminação Pública
B4a - Rede de Distribuição 144,97
B4b - Bulbo da Lâmpada 159,11

Serviços Grupo B - R$ Grupo A


Descontos Tarifários
Executados MONO BI TRI R$

Vistoria Unidade
GRUPO A 2,63 3,77 7,54 22,63
Consumidora
Aferição de
RURAL 10% kW/MWh 3,39 5,65 7,54 37,72
Medidor
SERV.
15% kW/MWh Verificação Nível
ÁGUA/ESGOTO 3,39 5,65 6,79 37,72
Tensão

GRUPO B Religação Normal 3,01 4,14 12,44 37,72

SERV. ÁGUA / Religação


15% MWh 15,08 22,63 37,72 75,45
ESGOTO Urgência
212

ANEXO E

Preços de turbina a gás

Output
Manufacturer Model Rpm Heat Rate Millions $/KW $ / KW
kW

GE 9281F 3000 217870 9625 39.9 $183.14

GE 9231EC 3000 173680 9435 32.2 $185.40

TP&M FT4C-3F 3600 29810 10875 5.7 $191.21

GE 9171E 3000 125940 9890 24.5 $194.54

KWU V94.2 3000 154000 10065 30.2 $196.10

GE 9301F 3000 214000 9700 42 $196.26

GE 9311FA 3000 228195 9360 45 $197.20

WESTINGHOUSE 701D5 3000 133750 9960 26.5 $198.13

WESTINGHOUSE 701DA 3000 138520 10040 27.5 $198.53

WESTINGHOUSE 701F 3000 235720 9280 47 $199.39

GE 9161E 3000 119355 10105 23.8 $199.41

GE 7191F 3600 151300 9625 30.4 $200.93

KWU V94.2 3000 148800 10210 30.2 $202.96

KWU V94.3 3000 200360 9550 41 $204.63

KWU V94.3 3000 219000 9450 45 $205.48

WESTINGHOUSE 501 D5 3600 121300 9890 25 $206.10

WESTINGHOUSE 501 D5 3600 106800 10100 22.1 $206.93

ABB GT13E 3000 148000 9855 31 $209.46

GE 7221FA 3600 161650 9243 34 $210.33

WESTINGHOUSE 501 D5 3600 109350 10010 23 $210.33

WESTINGHOUSE 501F 3600 163530 9470 34.5 $210.97

ABB GT13E2 3000 164300 9560 36 $219.11

KWU V84.2 3600 106200 10124 23.3 $219.40

ABB GT13D2 3000 100500 10600 22.5 $223.88


213

ABB GT11N2 3600 109200 10030 24.5 $224.36

KWU V84.3 3600 152700 9450 34.5 $225.93

GE 7111EA 3600 84920 10212 19.3 $227.27

KWU V84.2 3600 103200 10220 23.5 $227.71

GE 7171EF 3600 126200 9990 28.8 $228.21

KWU V84.3 3600 139000 9560 33 $237.41

ABB GT11N 3600 83880 10370 20.5 $244.40

ABB GT11N 3600 81600 10700 20.5 $251.23

GE 6101FA 5100 71750 9740 18.5 $257.84

WESTINGHOUSE 251 B10A 5420 42300 10600 11 $260.05

GE 6541B 5100 39325 10560 10.5 $267.01

GE M5382C 4670 28337 11667 7.7 $271.73

WESTINGHOUSE 251 B12 5400 47660 10420 13 $272.77

GE 5371PA 5100 26785 11730 7.5 $280.01

GE 5271RA 5100 20260 12800 5.7 $281.34

WESTINGHOUSE 251 B12A 5400 49200 10440 14 $284.55

GE LM6000PA 3600 41020 8720 12.1 $294.98

GE LM5-ST120 3600 51500 7885 15.3 $297.09

ABB GT8C 6200 52600 9980 16 $304.18

KWU V64.3 5400 60650 9705 18.5 $305.03

GE LM6 50HZ 3600 40410 8850 12.6 $311.80

GE LM5-ST80 3600 46300 8170 14.7 $317.49

ABB GT8 6300 48500 10750 15.6 $321.65

RR AVON 5500 14610 11885 4.8 $328.54

GE LM5000PD 3600 33350 9390 13.6 $407.80

GE LM5000PC 3600 33700 9350 13.8 $409.50

ABB GT10 7700 24630 9965 10.1 $410.07

MITSUBISHI MF111B 9660 14845 10895 6.2 $417.65

RR RB211 4800 27240 9575 11.5 $422.17


214

GE LM2500 3600 22216 9404 9.5 $427.62

TP&M FT8 3600 25600 8875 11 $429.69

SOLAR TAURUS 14950 4370 12250 1.9 $434.78

ABB GT10 7700 21800 10405 9.5 $435.78

SOLAR CENTAUR 14950 3880 12250 1.7 $438.14

RR RB211 4800 25250 9550 11.1 $439.60

RUSTON TB5000 7950 3830 13450 1.7 $443.86

MITSUBISHI MF111A 9660 12835 11175 5.8 $451.89

SOLAR MARS 9000 10000 10550 4.6 $460.00

RUSTON TYPHOON 17380 4550 11350 2.1 $461.54

MITSUI SB60 5680 12650 11460 5.9 $466.40

RUSTON TORNADO 11085 6215 11340 2.9 $466.61

DRESSER DC990 7200 4200 11820 2 $476.19

ALLISON 501KB5 14250 3725 12317 1.8 $483.22

SOLAR MARS 8568 8840 10975 4.3 $486.43

ABB GT35 3600 16360 10600 8 $489.00

GE LM500 7000 3880 11430 1.9 $489.69

RR SPEY SK15 5220 11630 10510 5.7 $490.11

ALLISON 571KA 11500 5590 10650 2.8 $500.89

RUSTON TYPHOON 16570 3945 11360 2 $506.97

GE LM1600 7000 13430 9560 6.9 $513.78

NUOVO PIGNONE PGT10 7900 9980 10500 5.2 $521.04

GE LM2500PH 3600 19700 9630 10.3 $522.84

ALLISON 501KH 14600 3740 12363 2.1 $561.50

ALLISON 570KA 11500 4610 12225 2.6 $563.99

HURRICAN
RUSTON 27245 1575 13820 1.1 $698.41
E

SOLAR SATURN 22120 1080 14685 0.8 $740.74

TURBOMECA M 22000 1086 13125 0.9 $828.73


215

ANEXO F

Preços de motores a combustão (valores em EUROS)


216

ANEXO G

Preços das miniturbinas a gás

Ingersoll- Ingersoll- Ingersoll- Solar Cat


Capstone Capstone
Unit Rand 70 Rand 250 Rand Taurus 60 Fuel Cell
30 kw 60 kw
kw kw 1700 kw 5,500 kw
kilowatts
30 60 70 250 1700 5376 100
/hr
heat rate
LVH (btu 13,700 12,200 13,550 10,700 10,500 11,225 8,000 est.
per kw)
Fuel Flow
BTU/hr 411,000 804,000 948,500 2,975,000 17,850,000 61,737,500 800,000
(HHV)
Fuel Flow
mcf per .411 .804 .949 2.98 17.85 61.74 .800
hour
Fuel Flow
at 100%
9.86 19.30 22.76 71.40 428.40 1,481.70 19.2
output -
mcf per day
Total
Exhaust
310,000 541,000 682,920 2,171,750 12,495,000 39,900,000 600,000
Energy in
btu
Design Life
50,000 50,000 80,000 80,000 80,000 100,000 7,000
Hours
$26,000

Global (84 units


$2,100,000
Energy available) $55,500 $100,000 $300,000+ $1,700,000
(36 units $1,300,000
Pricing new new new new
available)
Unit Cost $35,500
new from
factory
Cost Per
Unit Life $.0173 $.0167 $.0143 $.0125 $.0096 $.0039 $1.86
per kwh
Requires
Overhaul
periodic Buy new
Cost at End $5,000 $15,000 $15,000 $60,000 $300,000
overhauls unit
of Life (est)
and checks
Units are
Still under
Notes trailer
development
mounted
217

ANEXO H

Preço de motores elétricos