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Sistemática dos Seres Vivos
A sistemática é o ramo da Biologia que se ocupa do estudo das relações evolutivas dos seres vivos e da sua classificação. A sistemática, por vezes, confunde-se com a taxonomia, que é o ramo da Biologia que classifica os seres vivos. A sistemática engloba a taxonomia, mas vai além dela, ao fazer o estudo evolutivo dos diferentes grupos, comparando-os - biologia evolutiva. Tem como objectivo criar sistemas de classificação que reflictam a história evolutiva dos grupos e o seu grau de parentesco. Os sistemas de classificação dos seres vivos têm sofrido grande evolução ao longo do tempo. Os primeiros sistemas de classificação eram práticos, pois, para além de serem subjectivos e empíricos, ignoravam a realidade biológica dos organismos que pretendiam enquadrar, servindo, sobretudo, propósitos utilitários. Pelo contrário, os sistemas de classificação racionais utilizam como critério as características intrínsecas dos seres vivos. Considerados como sistemas de classificação artificiais, desde a Grécia Antiga até Lineu (séc. XVIII), por se basearem num reduzido número de características, estes sistemas foram aumentando o número de características utilizadas como critério de classificação, passando, por isso, a ser entendidos como sistemas de classificação naturais. As primeiras classificações naturais, características de um período compreendido entre Lineu e Darwin, reflectem, sobretudo, afinidades morfológicas, não considerando as relações evolutivas dos organismos ao longo do tempo. Por este facto designam-se por classificações horizontais. O período pós-darwíniano foi, sobretudo, caracterizado pelo aparecimento e desenvolvimento de sistemas de classificação filogenéticos. Estas classificações procuram exprimir relações evolutivas entre os grupos, mais do que afinidades morfológicas, fazendo-o tanto através de árvores filogenéticas como de cladogramas. Pelo facto de traduzirem o carácter dinâmico ao longo do tempo, associado ao processo evolutivo, estas classificações são consideradas classificações verticais.

e no domínio dos Eucariontes os quatro reinos: Protoctista. filo e reino. No sistema de classificação de Lineu e em todos os que se lhe seguiram. etc. Sistema de Classificação de Whittaker modificado Resumo : Utilizando como critérios de classificação os níveis de organização estrutural. De entre as regras de nomenclatura mais significativas destaca-se a designação ou nomenclatura binominal de espécie. Citologia. classe. também designadas por níveis taxonómicos ou taxa (plural de taxon). Se manuscrito. os seres vivos são agrupados em cinco reinos: Monera. género. o nome do género. em 1979. Plantae e Animalia. Protista. Fisiologia. Fungi. Paleontologia. o nome da espécie deve ser sublinhado. foram primeiro propostas por Lineu. De acordo com este sistema de classificação modificado. Sistemas de classificação posteriores vieram propor a criação de grupos superiores ao reino. Dentro do Domínio dos Procariontes. Embriologia. o que torna transitórios os sistemas de . Uma designação mais completa contará com o nome do autor e o ano de classificação. Alguns propõem a criação de dois domínios: Procariontes e Eucariontes. São muitos e variados os critérios utilizados na classificação dos seres vivos. que deverá ser sempre acompanhado pelo primeiro e escrito em minúsculas. A inclusão de seres pluricelulares no Reino Protista leva alguns autores a sugerir a alteração da designação para Protoctista. Fungi. O processo de classificação pressupõe a definição prévia de critérios que o tornam possível. as categorias taxonómicas estão organizadas de forma hierarquizada. família. Algumas destas categorias. passando o Reino Protista a integrar as Algas. Estrutura Molecular. Os sistemas de classificação podem ser entendidos como formas de organização de dados respeitantes aos seres vivos que se pretendem classificar. e o segundo. o restritivo ou epíteto específico. Esta regra de nomenclatura proposta por Lineu estabelece a atribuição de dois nomes à espécie. tendo outras sido posteriormente acrescentadas. Whittaker propôs. os tipos de nutrição e as interacções nos ecossistemas. Plantae e Animalia. O aumento de critérios utilizados resultou da evolução das ciências biológicas e do aparecimento de uma grande quantidade de dados associados às diferentes áreas: Morfologia. Esta organização depende de critérios que vão sendo revistos ao longo do tempo. uma reformulação do seu anterior sistema de classificação. o Reino Monera com dois sub-reinos: Arqueobactérias e Eubactérias. ordem.2 O processo de classificação pressupõe a definição prévia de critérios e de regras de nomenclatura utilizadas na designação das categorias taxonómicas. designados por super-reinos ou domínios. Esta diversidade permitiu adequar a classificação à especificidade de cada grupo taxonómico. sendo o primeiro iniciado por maiúsculas. caracterizada por uma homogeneidade decrescente e uma amplitude crescente ao longo da série seguinte de categorias: espécie.

Inicialmente distribuídas entre os reinos Protista e Plantae. foi posteriormente modificado. ao possuírem características de ambos os reinos. por exemplo. um sistema de três reinos que. o Reino Monera. Num sistema de classificação. .heterotróficos e de vida livre. o reino é a categoria taxonómica mais artificial. respectivamente. porque engloba seres que partilham entre si menos características que os seres de categorias inferiores. considerava um novo reino que englobava essencialmente os seres unicelulares e os seres coloniais . para além dos dois reinos atrás mencionados. os taxa superiores englobam mais organismos e. Estas observações obrigaram a alterações dos critérios na definição dos reinos. Foi acrescentado um novo reino. tornando estes taxa cada vez mais artificiais. Os fungos pareciam também não se enquadrar nesta divisão. a distribuição dos seres vivos em grandes grupos tem vindo a sofrer alterações. consequentemente. que incluía os seres unicelulares de estrutura procariótica. O microscópio óptico veio desvendar um mundo de seres unicelulares microscópicos. No século XX. predominando o sistema de dois reinos. Este sistema de quatro reinos e o seu antecessor de três reinos tiveram relativamente pouca aceitação.3 classificação que reflectem a visão dos seus autores e da comunidade científica de dada altura. em especial de microscopia e de bioquímica.distinguindo seres autotróficos. os seres vivos foram agrupados em dois reinos: Plantae (plantas) e Animalia (animais). A grande diferença entre estas duas versões refere-se à posição das Algas. De entre os vários sistemas actualmente propostos. uma maior diversidade.autotróficos e fixos. eram móveis e possuíam cloroplastos. surgiu. seres heterotróficos por ingestão e seres heterotróficos por absorção. O sistema de classificação de Whittaker divide os seres vivos em cinco reinos. apesar da pluricelularidade de muitas delas. foram colocadas no Reino Protista. sendo apresentado com as respectivas alterações em 1979. Desde essa altura até à actualidade. Muitos destes seres pareciam desafiar a classificação em dois reinos. em resultado do desenvolvimento dos conhecimentos. seres eucariontes unicelulares.Reino Protista. seres multicelulares com baixo grau de diferenciação celular e seres multicelulares. mantendo os três reinos mencionados anteriormente.distinguindo seres procariontes de eucariontes. Numa tentativa de resolver este problema. consoante fossem. durante o século XIX. o surgimento do microscópio electrónico veio revelar a existência de seres que possuíam células procarióticas e seres que possuíam células eucarióticas. realizando a fotossíntese. seres coloniais. • Modo de nutrição . O facto do Reino Protista passar a incluir seres multicelulares de baixo grau de diferenciação celular leva muitos autores a sugerirem o nome de Protoctista para este reino. Consequentemente. As euglenas. atendendo à sua simplicidade estrutural. Desde Aristóteles até Lineu. aquele que tem encontrado maior receptividade é o de Whittaker. No Reino Animal eram incluídos os seres que se alimentavam de matéria orgânica proveniente de outros seres vivos . unicelulares ou pluricelulares. Desenvolvido em 1969. tendo sido usados os seguintes critérios para a sua definição: • Nível de organização celular e estrutural . foram surgindo novos dados sobre seres vivos que não se enquadravam nesta divisão. Ao Reino Plantae pertenciam os seres capazes de sintetizar substâncias orgânicas a partir de substâncias inorgânicas .

distinguindo os macroconsumidores (predominantemente animais) e os microconsumidores.distinguindo os seres produtores dos seres consumidores e. que ao consumirem a matéria orgânica devolvem ao meio matéria inorgânica . bactérias e alguns protistas).seres decompositores ou saprófitas (fungos.4 • Interacções nos ecossistemas . dentro destes. .

Archeobacteria ou Archeote) . mantém os reinos criados por Whittaker. . A noção de dicotomia da vida entre eucariontes e procariontes. conjuntos de reinos. e Archaea está mais próximo dos eucarióticos do que Bacteria. Lynn Margulis propôs um sistema de classificação que. bem como nas diferentes vias metabólicas dos organismos. Em 1988. guarda grandes semelhanças com organismos eucarióticos.negando dogmas da Biologia. na estrutura da parede celular e no metabolismo. que designou por super-reino ou domínio. no essencial. que ainda domina a Biologia e influencia. O rearranjo dos reinos proposto está esquematizado no quadro seguinte: Em 1995. pois surgia uma "terceira forma de vida". A maioria dos novos esquemas taxonómicos tendem a abandonar o reino Monera e a tratar Bacteria e Archaea como domínios. em especial as bactérias. levando em conta dados de filogenia molecular. mas. propôs a criação de dois grupos taxonómicos hierarquicamente superiores ao reino. a análise de sequências de DNA e RNA tem confirmado que há na realidade dois grupos principais nos procariontes: Bacteria e Archaea. baseados noutros critérios. Woese apresentou os seus trabalhos sobre o surgimento do novo Domínio Archaea. Recentemente. em particular. como a divisão dos seres vivos em eucariontes e procariontes. delimitaram novos reinos. elas são tão diferentes que ocupam dois reinos. Estes dois domínios diferem na composição do RNA ribossómico. está sendo lentamente revista por grupos actuantes em microbiologia. cuja estrutura celular é procariótica.5 Posteriormente a Whittaker surgiram outros sistemas de classificação que. de acordo com a presença de núcleo organizado e maquinaria genética . separados. a percepção sobre o grupo Archaea. em nível molecular e genético. Carl R. Baseando-se na estrutura e composição das células e dos seus organelos. Estes dois grupos não aparentam ser mais próximos um do outro do que dos eucariontes.ocasionou uma revolução na classificação dos organismos. O autor registou que o aparecimento repentino das Archaea (inicialmente denominadas Archaebacteria.

por sua vez. em vez do domínio Prokarya (Procariontes). surgem os domínios Archaea e Bactéria ao mesmo nível que os Eucarya. Esta diversidade evolutiva reflecte-se no genoma e. concluiu que os procariontes não eram um grupo homogéneo com uma origem comum. baseada na comparação de sequências de RNA ribossómico. são de âmbito de aplicação mais restrito. contudo. mas. definido por Whittaker. . Em face destes dados. Estes sistemas.6 Em 1990. na bioquímica e na sua ecologia. o mais seguido actualmente. mas antes composto por dois subgrupos principais. sendo o sistema de classificação de cinco reinos. A sua classificação reflecte a ideia de que a árvore da vida tem três e não apenas dois ramos. uma equipa liderada por Woese. propuseram a substituição da divisão do mundo vivo em dois grandes domínios (procariontes e eucariontes) por uma subdivisão em três domínios: mantiveram os eucariontes como o domínio Eucarya (Eucariontes). cada um dos quais difere entre si e dos eucariontes.

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