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INSTITUTO CAMILLO FILHO

COORDENAÇÃO DO CURSO DE DIREITO


Disciplina: Direito Constitucional Aplicado
Professor: Roosevelt Furtado de Vasconcelos Filho

Notas de Aula – Nº07

Forças Armadas
Art.142, caput, CF.
As Forças Armadas são subordinadas ao Ministro de Estado de Defesa, passando os ex-Ministros
a intitularem-se Comandantes das respectivas Forças Armadas.
Ver arts. 142, §§ 2º e 3º e 143, CF.

Segurança Pública
Art.144, CF.
Poder de polícia é o atributo de que dispõe a administração pública para condicionar e restringir
o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais dos cidadãos em benefício da coletividade
e do Estado.
Não incide sobre o direito em si, mas sobre o exercício desse direito.
* polícia administrativa # polícia judiciária.
A primeira tem caráter predominantemente preventivo, ostensivo, se reparte em diversos órgãos
da Administração, incluindo a própria polícia militar. Rege-se pelo direito administrativo,
incidindo sobre bens, direitos ou atividades.
A segunda tem caráter predominantemente repressivo. É privativa de corporações especializadas
(polícia civil e militar). Rege-se pelo direito processual penal, incidindo sobre pessoas. Auxilia o
Estado e o Poder Judiciário na prevenção e repressão de delitos, e auxilia o Judiciário no
cumprimento de suas sentenças.
5.1. Polícias da União
Os órgãos que compõem a polícia no âmbito federal são: polícia federal (art.144, §1º, CF),
polícia rodoviária federal (art.144, §2º, CF) e polícia ferroviária federal (art.144, §3º, CF).
5.2. Polícias dos Estados
* polícia civil -> polícia judiciária (art.144, §4º, CF).
* polícia militar -> polícia administrativa (art.144, §5º, CF).
* corpo de bombeiros -> atividades de defesa civil (art.144, §5º, CF).
Ver art. 144, §6º c/c art.42, CF -> são também militares, estando organizados com base na
hierarquia e disciplina.
5.3. Polícias do DF
Ver art.21, XIV, CF.
5.4. Nos Municípios -> art.144, §8º, CF -> não há previsão de exercício de polícia ostensiva ou
judiciária.

Notas de Aula – Nº08

Sistema Tributário Nacional

01. Introdução
-> A CF/88 consagrou o Sistema Tributário Nacional como a principal diretriz do Direito
Tributário, estabelecendo regras básicas regentes da relação do Estado/Fisco com o particular/
contribuinte e definindo as espécies de tributos, as limitações do poder de tributar, a distribuição
de competências tributárias e a repartição das receitas tributárias, caracterizando-se, pois, pela
rigidez e complexidade.
02. Competências tributárias
-> Competência tributaria é o poder que a CF atribui a determinado ente político para que este
institua (legislativamente) um tributo, descrevendo sua hipótese de incidência, seu sujeito ativo,
seu sujeito passivo, sua base de cálculo e sua alíquota.

03. Tributos
3.1 Conceito
O conceito de tributo está disposto em lei, precisamente no art. 3º do CTN: “Tributo é toda
prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não
constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa
plenamente vinculada”.

3.2. Classificação dos tributos


Quanto à espécie: imposto, taxa, contribuição de melhoria, empréstimo compulsório e
contribuições sociais.
Quanto à competência impositiva: federais, estaduais e municipais.
Quanto à função: fiscais, extrafiscais e parafiscais.

3.3. Espécies de tributos: Imposto. Taxa. Contribuição de melhoria. Empréstimos Compulsórios.


Contribuições Sociais.
Imposto
O imposto está definido no art. 16 do CTN:
“Art. 16. Imposto é tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de
qualquer atividade estatal específica em favor do contribuinte ou relativa a ele.”

Taxa
Preceitua o art. 77 do CTN: “As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal
ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o
exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público
específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição”.
Com esteio no dispositivo retro transcrito e no art. 145, II, da CF, as taxas podem ser cobradas
com base em dois pressupostos, ou seja, dois fatos geradores: a) exercício regular do poder de
polícia (taxa de polícia); b) utilização efetiva ou potencial de serviços públicos específicos e
divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição (taxa de serviço).
Por ser a hipótese de incidência da taxa vinculada a um ato ou fato do Estado, diz-se ser ela um
tributo vinculado.
* Distinção entre Taxa e Preço Público:
Preço e taxa não se confundem pelas seguintes razões: a) a taxa é uma receita de direito público,
enquanto o preço é uma receita contratual, de direito privado; b) a taxa decorre do desempenho
de uma atividade que não pode ser transferida para o particular, enquanto o preço se origina do
desempenho de uma atividade que pode ser cometida ao particular; c) a taxa provém do
desempenho de uma atividade na qual prevalece o interesse público, enquanto o preço emana de
uma atividade na qual prepondera o interesse particular; d) a taxa decorre de lei e o preço de um
acordo de vontades; e) a taxa visa a cobrir o custo do serviço, enquanto o preço há o fim de
lucro.

Contribuição de Melhoria
A Constituição Federal preceitua, em seu art. 145, III, que a contribuição de melhoria deve
decorrer da valorização de imóvel do contribuinte em face da realização de obra pública.
Assim, há fato gerador do tributo quando ocorre: a) a existência de melhoria em imóvel
determinado; b) o nexo causal entre a melhoria havida e a realização de obra pública.
Empréstimo compulsório
O empréstimo compulsório pode ser instituído nas hipóteses do art.148, CF, por lei
complementar.
O valor do empréstimo compulsório deve ser restituído ao contribuinte nos anos seguintes. Por
isso, este tributo não integra o patrimônio público (não é receita).
Também é um tributo vinculado (art.148, p. único, CF).

Contribuições Sociais
São instituídas por lei federal.
Os Estados, o DF e os Municípios podem instituir na hipótese do art.149, §1º, CF.
Ver art.149-A, CF -> Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP).
# Contribuições sociais para a Seguridade Social
Ver art.149, in fine, combinado com o art.195, CF.
# Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF)
Instituída pela lei nº 9.311/96, e mantida pelas Emendas Constitucionais n.21, 37 e 42 (até
31/12/2007), tem por fato gerador a movimentação ou transmissão de valores, de créditos e de
direitos de natureza financeira.
A alíquota atual é de 0,38%. O produto da arrecadação deve ser destinado ao Fundo Nacional da
Saúde (0,20%), ao custeio da Previdência Social (0,10%) e ao Fundo de Combate à Pobreza
(0,08%).
# Contribuição para o financiamento da Seguridade Social (COFINS)
Instituída pela lei complementar nº 70/91, a COFINS é cobrada tendo por base de cálculo a
receita bruta mensal das pessoas jurídicas.
# Programa de Integração Social (PIS) e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor
Público (PASEP)
Ver art.239, CF -> as contribuições do PIS/PASEP financiam o seguro-desemprego e o abono do
§3º do art.239.
# Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE)
Ver art.177, §4º, CF. Ver também arts. 159, III e §4º; 149, CF.

04. Princípios e limitações do poder de tributar


A limitação constitucional ao poder de tributar é essencial para a garantia da segurança jurídica e
dos direitos individuais, em especial o de propriedade, evitando abusos e permitindo uma relação
respeitosa entre o Fisco e o contribuinte.

Princípios Constitucionais Tributários


4.1. Legalidade Tributária ou Reserva Legal
Não pode haver exigência de tributo sem o cometimento dos representantes do povo. Isto é, é
preciso lei para instituir ou aumentar tributo (art. 150, I, CF/88).
-> Exceção ao Princípio da Legalidade: diz respeito às exceções em que o Poder Executivo
poderá aumentar impostos. Atendidas as condições estabelecidas em lei, poderá alterar as
alíquotas de determinados impostos de função extrafiscal (II, IE, IPI, IOF), bem como em
relação ao imposto extraordinário de guerra (art.154. II).

4.2. Princípio da Igualdade (ou isonomia - art. 150, II, CF)


Está ligado ao princípio da capacidade contributiva: é tributado levando-se em consideração a
capacidade econômica.
-> A uniformidade do tratamento deve ser observada entre aqueles que têm situação equivalente.

4.3. Princípio da Irretroatividade (art.150, III, a, CF)


É considerado princípio geral de direito, sendo excepcionado, de regra, apenas no caso de leis
puramente interpretativas e leis que beneficiam os que estão sujeitos às leis.
- A retroatividade, no Direito tributário, somente é possível (CTN, art. 106): quanto a leis
meramente interpretativas (em qualquer caso) e relativamente a leis que reduzam penalidades ou
deixem de definir determinados atos como infração tributária.

4.4. Princípio da Anterioridade e noventena (art. 150, III, b e c, CF)


Dentre as várias formas possíveis de garantir-se a não-surpresa tributária, observa-se que a CF/88
optou por duas:
1 - A anterioridade da publicação da lei que institua ou majore tributo ao exercício financeiro em
que será cobrado (art.150, III, b -> regra geral), e;
2 - O lapso temporal de 90 dias para exigência de tributos, da data em que haja sido publicada a
lei que os instituiu ou aumentou (art.150, III, c – incluída pela EC nº42/03).
A Constituição contabiliza as seguintes exceções ao Princípio da Anterioridade (art. 150, III, b) e
da Noventena (art. 150, III, c): “A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos
nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação no inciso III, c, não se aplica aos
tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo
dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I” (art. 150, §1º, CF).

4.5. Princípio da vedação ao Confisco (ou da proporcionalidade razoável – art.150, IV, CF)
A vedação ao confisco pretende impedir que se ultrapasse, com essa carga, níveis de incidência
considerados suportáveis por determinada sociedade, em certa época e sob específicas
conjunturas.

4.6. Princípio da liberdade de tráfego de pessoas e bens


Art.150, V, CF -> proíbe a limitação ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos
interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio.
Não significa que operações interestaduais ou intermunicipais sejam imunes a tributação geral,
tanto que sofrem normalmente a incidência do ICMS interestadual, por exemplo.

4.7. Princípio da Capacidade Contributiva


O art. 145, §1º da CF diz que os tributos serão graduados segundo a capacidade econômica do
contribuinte.
-> Há varias técnicas para graduar imposto segundo a capacidade econômica do contribuinte,
como:
- a autorização de deduções de despesas pessoais essenciais (com saúde, educação, etc.) da base
de cálculo do imposto;
- a progressividade das alíquotas em função do valor da base de cálculo.
05. Imunidades
-> A imunidade é uma hipótese de não-incidência constitucionalmente qualificada.
-> Na isenção, ao contrário, é a lei infraconstitucional que retira algumas ocorrências da hipótese
de incidência (ex: quando há previsão legal para não incidência do imposto de importação para
determinados produtos).

5.1. Imunidade Recíproca


Art. 150, VI, a, da CF.
É vedado à União, Estados, Municípios e DF instituir impostos uns dos outros. Essa vedação é
extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo poder público (art.150, §2º).

5.2. Imunidade dos templos de qualquer culto


Art. 150, VI, b, da CF. Ver também art.5º, VI, CF.

5.3. Imunidade dos partidos políticos, suas fundações, entidades sindicais de trabalhadores e das
instituições de educação e assistência social, atendidos os requisitos previstos em lei
Art. 150, VI, c, da CF - a imunidade protege o patrimônio, a renda e os serviços, desde que
relacionados com as finalidades essenciais dos entes explicitados.

5.4. Imunidade dos livros, jornais, periódicos e papel destinado à sua impressão
Art. 150, VI, d, (ver também art.5º, IV) da CF - a imunidade deve incluir os meios
indispensáveis à produção dos objetos imunes.

06. Divisão da competência tributária quanto aos impostos


Arts. 153 a 156, CF.

07. Repartição das receitas tributárias


Arts. 157 a 162, CF.

Notas de Aula – Nº09

Finanças Públicas

01. Introdução
Finanças públicas é a expressão que caracteriza o conjunto de regras pelas quais o Estado planeja
e administra os ingressos e as saídas de recursos financeiros.
A Constituição Federal de 1988 trata das finanças públicas em seus arts. 163 a 169,
estabelecendo que a matéria dever ser regulamentada por lei complementar.
1.1. Emissão de moeda
A emissão de moeda compete privativamente à União, sendo função hoje exercida pelo Banco
Central (art.164, CF), cujos diretores são nomeados pelo Presidente da República após aprovação
dos seus nomes pelo Senado Federal (art.84, XIV, CF).
1.2. Dívida Pública
A dívida pública é formada por empréstimos captados pelo Poder Público após autorização
legislativa.
- quanto à origem, a dívida pública pode ser interna ou externa.
-> Cabe ao Senado Federal, nos termos do art.52, V, CF, autorizar operações financeiras externas
de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

02. Orçamento
O orçamento é o instrumento que estima receitas e autoriza despesas, de acordo com os planos e
programas de obras, serviços e encargos governamentais.
A iniciativa do projeto de lei do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e da lei
orçamentária anual, é do Chefe do Poder Executivo, nos termos dos arts. 84, XXIII e 165, CF.
2.1. Princípios orçamentários
a) Unidade (art.165, §5º, CF)
b) Universalidade
Estabelece que a lei orçamentária deve explicitar todas as receitas e despesas, seus fundos,
órgãos e entidades da Administração direta e indireta, inclusive fundações mantidas e instituídas
pelo Poder Público.
Os princípios da unidade e da universalidade, contudo, não vedam os créditos adicionais, que
autorizam despesas não computadas ou insuficientemente na Lei Orçamentária Anual.
c) Anualidade
A Lei Orçamentária deve estabelecer uma programação anual de receitas e despesas, conforme
está regulamentado no art. 34 da Lei n.4.320/64.
e) Legalidade (art.165, CF)
Leis de iniciativa do chefe do Poder Executivo devem estabelecer o plano plurianual, as
diretrizes orçamentárias, os orçamentos anuais e os créditos suplementares.
f) Não-afetação (não-vinculação)
Previsto no art.167, IV, CF; estabelece a regra pela qual é vedada a vinculação da espécie de
tributo denominado imposto a órgão, fundo ou despesas. A regra da não-afetação é excepcionada
diversas vezes pela própria CF, a exemplo da hipótese que disciplinam a repartição das receitas
tributárias (arts.158 e 159).

2.2. Plano plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual
(LOA)
# Processo legislativo das leis orçamentárias -> ver arts. 165, 166 e seguintes, CF.
Há três espécies de leis orçamentárias que se devem compatibilizar de forma a integrar a política
econômica e a política orçamentária.
A primeira é o Plano Plurianual (PPA), que estabelece, de forma regionalizada, as diretrizes,
objetivos e metas da Administração Pública para as despesas relativas aos programas de duração
continuada e para as despesas de capital, nos termos do §1º do art.165, CF.
Ver §4º do art.165 e §1º do art.167, CF.
A segunda espécie de lei orçamentária é a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), prevista no
inciso II do art.165, estabelece as metas e as prioridades para o exercício financeiro subseqüente
à sua vigência, orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual (§2º do art.165, CF) e dispõe
sobre alterações na legislação tributária.
Por fim, temos a terceira espécie, que é a Lei Orçamentária Anual (LOA), prevista no §5º do
art.165, CF.
Os tribunais e o Ministério Público elaboram suas propostas orçamentárias anuais dentro dos
limites estipulados na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), nos termos dos arts. 99, §§ 1º a 5º
e 127, §§ 3º a 5º, CF.

2.3. Despesas com pessoal


A Lei de Responsabilidade Fiscal (LC n.101/00), com base nos arts. 163 a 169, regulamenta as
normas relacionadas à gestão fiscal das despesas com pessoal, limitando-se a 50% da receita
líquida para a União e 60% da receita líquida para os Estados e Municípios.
Entende-se como despesas com pessoal o somatório dos gastos com os ativos, inativos e
pensionistas, bem como os encargos sociais e contribuições recolhidos pelo ente às entidades de
previdência.
Ver art.169, caput e §§ 3º e 4º, CF.

Notas de Aula – Nº10

Da Ordem Econômica e Financeira

01. Introdução

02. Dos princípios gerais da atividade econômica


Art.170, I a IX, CF.
-> Há princípios que se confundem com intenções (de integração): redução das desigualdades
regionais, busca do pleno emprego, função social da propriedade.
-> Há princípios de ação política: defesa do consumidor, defesa do meio ambiente.
Ver art.170, IX c/c art.179, CF -> tratamento favorecido para empresas de pequeno porte
(disciplinado pela Lei n.9.841/99).

03. Atuação do Estado no domínio econômico


O Estado atua na ordem econômico diretamente (art.173, CF), por monopólio (art.177) ou como
regulador (atividade normativa).
Os instrumentos de participação do Estado na economia são: a empresa pública, a sociedade de
economia mista e suas subsidiárias.
Em princípio, ao setor privado incumbe a exploração de atividade econômica, reservando-se ao
Estado a tarefa de disciplinar a ordem econômica. O Estado atua nas hipóteses do art.173, caput.
Art. 173, §4º, CF -> proibição de monopólios e oligopólios privados.
Já o monopólio público ficou bastante limitado, reservando-se apenas para as hipóteses do
art.176, §1º e art.177, CF.
A EC n.6/95, alterando o §1º do art.176, passou a permitir a pesquisa e a lavra de recursos
minerais e o aproveitamento dos potenciais de energia hidráulica, mediante autorização ou
concessão da União a qualquer empresa constituída sob as leis brasileiras, e que tenha sua sede e
administração no País.
A EC n.6/95 também alterou o §1º do art.177 passando a permitir à União conceder participação
na exploração de jazidas de petróleo e gás natural a empresas privadas ou estatais, o que antes
não era possível.
-> Intervenção do Estado no domínio econômico
A intervenção tem seu fundamento no art.174, CF. esta intervenção como agente normativo e
regulador compreende três funções: fiscalização, fomento e planejamento.

04. Da política urbana


Ver art.182, caput, CF -> Município executa a política de desenvolvimento urbano.
- o instrumento para execução da política é o plano diretor aprovado pela Câmara Municipal
(art.182, §1º, CF).
- a propriedade urbana deve atender às exigências de ordenação contidas no plano diretor
(art.182, §2º, CF).

=> Há dois tipos de desapropriação de imóvel urbano:


a) a desapropriação comum, que pode ser por utilidade ou necessidade pública ou por interesse
social, nos termos do art.5º, XXIV e do art.182, §3º, CF.
b) a desapropriação-sanção, que é aquela destinada a punir o não-cumprimento do plano diretor
(e da função social da propriedade), após a utilização das medidas previstas nos incisos I e II do
art.182, §4º.

* Ver art.183, caput, CF -> usucapião constitucional de área urbana (usucapião pró-moradia). Ver
também os §§ 2º e 3º do art.183, CF.

05. Da política agrícola e fundiária e da reforma agrária


Ver arts.186; 185, II e parágrafo único, CF.
* Ver art.184, CF -> desapropriação-sanção para fins de reforma agrária.

* Ver art.187, CF -> política agrícola será planejada e executada na forma da lei. Tal política se
destina a estimular a atividade agrícola, sem contudo caracterizar reforma agrária, pois não
importa em intervenção na repartição da propriedade da renda da terra.

• Ver art.191, CF -> usucapião constitucional de área rural (usucapião pró-labore).

Notas de Aula – Nº11

Ordem Social

01. Introdução
1.1. O princípio constitucional do primado do trabalho
A base constitucional da Ordem Social é o primado do trabalho, e o objetivo o bem-estar e a
justiça sociais.
Obs: o Estado de bem-estar (Welfare State) nasce pela conquista dos direitos sociais, se opondo
ao liberalismo.

02. Da Seguridade social


Seguridade social = saúde, assistência social e previdência social.
Objetivos (na verdade são princípios): art.194, p.único, CF.
Financiamento: art.195, CF.

Saúde
Ver art.196, CF -> É preciso pagar para ter saúde? Não. Todos têm o direito de utilizar a rede de
atendimento público de saúde, até mesmo os que nunca gastaram um centavo para isso.
A saúde é administrada pelo Ministério da Saúde, que utiliza hoje o SUS – Sistema Único de
Saúde.
Particular também pode executar o serviço (art.197). Ver art.199, §§ 1º a 4º CF.
Diretrizes e preceitos constitucionais: art.198, CF.
Atribuições constitucionais do SUS: art.200, CF.

Assistência social
É o amparo aos necessitados. Para beneficiar-se dela, é preciso cumprir apenas um requisito:
necessitar dela, independentemente de contribuição.
Os benefícios assistenciais pagos em dinheiro somente estão disponíveis aos brasileiros (ou
estrangeiros naturalizados e domiciliados aqui) que não possuam renda suficiente para seu
sustento.

Previdência social
A previdência social é um seguro coletivo organizado pelo Estado, de caráter contributivo e
obrigatório, no qual aqueles que exercem atividade remunerada dele fazem parte,
automaticamente. Inclusive aqueles que não trabalham podem, se quiserem, filiar-se ao sistema.
A previdência atenderá aos preceitos estabelecidos nos incisos do art.201, CF.
A Previdência Social tem como objetivo fundamental a proteção econômica e social dos
assegurados, sendo regido pelo princípio da Justiça. Ela protege em situações como doença,
maternidade, incapacidade para o trabalho.
Ver art.201, §§ 12 e 13, CF -> a EC nº47/05 consagra, constitucionalmente, direito social
específico à dona de casa de baixa renda, que se dedica ao trabalho doméstico e à estruturação
familiar.
-> em regra, somente recebe os benefícios quem contribui regularmente. Quem nunca contribuiu
não tem acesso a qualquer benefício.
Obs: as pessoas que não exercem atividade remunerada (segurados facultativos) devem efetuar a
sua inscrição sendo considerados filiados após o primeiro recolhimento.

Tabela de resumo da Seguridade Social

Saúde Assistência Social Previdência Social

Tem de pagar para Não. Não. Sim.


usufruir?
A quem atende? Todos. Aos necessitados. Aos trabalhadores e a
quem por ela optar.

Quem administra? SUS. INSS. Governo e INSS.

-> Existe mais de um regime de Previdência Social?


Sim, no Brasil, são três regimes:
a) RGPS – Regime Geral de Previdência Social;
b) Regimes Próprios;
c) Regime de Previdência Complementar.

# O RGPS – Regime Geral de Previdência Social é aquele ao qual a maioria dos segurados está
filiada.
É obrigatório para todos que exercem atividades remuneradas por ele abrangidas. São os
segurados obrigatórios.
Somente recebe os benefícios quem contribui regularmente.
O RGPS é o único que é administrado pelo INSS.
Os segurados facultativos são os que passam a pagar mensalmente para o INSS.
=> Regras sobre aposentadoria no regime geral de previdência social: art.201, §7º, CF
(condições não cumulativas):
a) art.201, §7º, I, CF;
b) art.201, §7º, II, primeira parte CF;
c) art.201, §7º, II, segunda parte (60 anos de idade, se homem, e 55 anos, se mulher), CF;
d) art.201, §8 (30 anos de contribuição, se homem, e 25 anos, se mulher), CF.
Ver art.5º, da EC nº41/03: limite máximo para o valor dos benefícios do regime geral de
previdência social, fixando-o em R$ 2.400,00.

# Os regimes próprios são compostos dos servidores públicos da União, Estados e dos
Municípios que preferiram organizar o seu pessoal segundo um estatuto próprio (os chamados
estatutários).
Os militares também têm o seu regime próprio.
Os Estados possuem seu próprio regime. Os Municípios geralmente não, participando do RGPS.
Os regimes próprios devem garantir, ao menos, os benefícios da aposentadoria e da pensão por
morte, senão os servidores serão filiados também ao RGPS.

# Regime de previdência privada de caráter complementar


Inovação da EC nº20/98, o regime de previdência privada apresenta algumas características
constitucionais:
a) caráter complementar (art.202, caput, CF);
b) organização autônoma em relação ao regime geral de previdência social (art.202, caput, CF);
c) independência financeira em relação ao Poder Público (art.202, §3º, CF).
d) facultatividade (art.202, caput, CF);
e) regulamentação por lei complementar (art.202, caput, CF).
O regime complementar pode ser oficial ou privado.
O oficial é exclusivo dos servidores públicos. Ainda não existe.
A previdência complementar privada é administrada por uma instituição financeira, e é aberta a
todos que queiram dela participar. É facultativa.
=> Regra geral de aposentadoria do servidor público civil
Ver art.40, CF (art.6º da EC nº47/05).
-> Aposentadoria concedida com base no art. 6º da EC nº 41/03
A vantagem dessa hipótese, apesar dos requisitos mais rígidos (cumulativos), é a garantia da
integralidade dos vencimentos, bem como da paridade dos reajustes.
Obs: servidores públicos em atividade na data da publicação da EC nº41/03 que não optem pela
regra de transição do art.6º da EC nº41/03: sem essa opção, não há manutenção da integralidade
nem da paridade com os servidores ativos.
Obs2: servidores públicos cujo ingresso na Administração Pública seja posterior a publicação da
EC nº41/03: não há manutenção da integralidade nem da paridade com os servidores ativos. Ver,
ainda, o art.40, §14, CF.
-> Servidores públicos e contribuição previdenciária
Ver art.40, § 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões
concedidas pelo regime de que trata este artigo que superem o limite máximo estabelecido para
os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, com percentual igual
ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos.
-> Abono de permanência -> art.40, §19. O servidor de que trata este artigo que tenha
completado as exigências para aposentadoria voluntária estabelecidas no § 1º, III, a, e que opte
por permanecer em atividade fará jus a um abono de permanência equivalente ao valor da sua
contribuição previdenciária até completar as exigências para aposentadoria compulsória contidas
no § 1º, II.

03. Educação
Arts. 205 a 214, CF.
Art.205, CF -> é dever do Estado, da família e da sociedade.
Art.206, I a VII, CF -> princípios constitucionais setoriais.
Art.207, CF -> autonomia didático-científica das universidades, com obediência ao princípio da
indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão.
A atuação da iniciativa privada é secundária e condicionada.
Ver arts. 211 e 212, CF -> Organização dos sistemas de ensino e aplicação obrigatória de
recursos.
Ver art. 214, CF -> objetivos constitucionais da educação.

04. Cultura
Apesar do lapso do legislador no art.6º, a Ordem Social disciplina a cultura como direito social
nos arts. 215 e 216.
Art.215, CF -> caráter de universalidade da cultura, cabendo ao Estado apoiar e incentivar a
valorização e a difusão das manifestações culturais.
A EC Nº48/05 prevê um plano plurianual de cultura, cuja finalidade é estabelecer programas de
duração continuada e desenvolver a cultura no País (art.215, §3º, CF).
Art.216, CF -> patrimônio cultural brasileiro.
Art.216, §1º, CF -> instrumentos de proteção do patrimônio cultural brasileiro.

05. Desporto
Cabe ao Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um,
conforme art. 217.
Art.217, §§ 1º e 2º, CF -> em caso de ações relativas à disciplina e às competições esportivas, as
instâncias da justiça desportiva devem ser esgotadas antes do ingresso no Poder Judiciário.

06. Ciência e tecnologia


Art. 218, CF.
Art.218, §1º, CF -> pesquisa científica básica.
Art.218, §2º, CF -> pesquisa tecnológica.

07. Comunicação social


Arts. 220 a 224, CF.
Obs: colisão de direitos que deve ser harmonizada: art.5º, IX e XIV versus art.5º, X, sob pena de
responsabilização do agente por danos materiais e morais, conforme inc. V do art.5º.
A liberdade de manifestação de pensamento e o direito de informar são distintos, na medida em
que o segundo deve ser objetivo, proporcionando informação exata e séria.
-> Agora, mesmo as pessoas públicas possuem proteção à intimidade, dignidade e honra, não
havendo possibilidade de informações que não apresentem nenhuma relação com o interesse
público ou social, ou com as funções exercidas por elas.
Art.220, §1º, CF -> sigilo da fonte ao profissional da comunicação social. Os jornalistas não
podem sofrer qualquer sanção civil, penal ou administrativa em decorrência dessa legítima
prerrogativa constitucional.
Art.220, §2º, CF -> vedação à censura.
Obs: art.220, §2º X art.220, §§ 3º, 4º e art.221 (proteção à família, à criança, ao adolescente).
Art.220, §5º, CF -> vedação ao monopólio dos meios de comunicação.
Art.222, CF (alterado pela EC n.36/02)-> o constituinte demonstrou preocupação com a
manipulação da informação que, se entregues a pessoas ou organismos estrangeiros, poderia
levar a ofensas à soberania nacional.
Art.223, CF -> os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens são serviços públicos.

08. Meio ambiente


Art. 225, CF.
Art.225, §1º, CF -> há extensa regulamentação infraconstitucional no setor, como, Código de
Caça, Código de Pesca, Código Florestal e a Lei de Crimes Ambientais.
Art.225, §2º, CF -> a exploração de recursos minerais, além de ser autorizada pelo Poder
Público, deve obrigar a recuperação do meio ambiente degradado.

09. Família, Criança, Adolescente e Idoso


Arts. 226 a 230, CF.
Art.226, §§ 1º a 4º, CF -> a Constituição reconhece o casamento, a união estável e a comunidade
formada por qualquer dos pais e seus descendentes como entidade familiar.
Art.226, §5º, CF -> os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos
igualmente por ambos os cônjuges.
Art.226, §7º, CF -> o casal deve pautar-se pelo respeito aos princípios da dignidade da pessoa
humana e da paternidade responsável.
# Criança e adolescente
Art. 227, CF.
Art.227, §2º, CF -> especial atenção às pessoas com deficiência.
Arts. 227 a 229, CF -> o princípio da proteção integral (ou doutrina da proteção integral).
# Proteção dos idosos
Art. 230, CF.
Lei n.10.741/03 -> Estatuto do Idoso. Em regra, é idoso o maior de 60 anos (ver art.230, §2º:
gratuidade dos transportes urbanos).

“Comprovada a existência de sociedade de fato entre os concubinos, é cabível a sua dissolução


judicial, com a partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum.” (SÚM. 380)

# a proteção aos índios


Art. 231, CF.
Art. 232, CF.
Ver art.109, XI, CF -> competência da Justiça Federal.
Indigenato é a denominação do conjunto de normas constitucionais que dispõem sobre a relação
dos índios com suas terras. É fonte primária e congênita da posse territorial, conforme leciona
José Afonso da Silva.