PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL - UMA PRÁXIS EM CONSTRUÇÃO SIMONE CARLBERG RESUMO Este trabalho é resultado da aplicação de uma proposta de estágio

supervisionado em Psicopedagogia Institucional no curso de Psicopedagogia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Sua implantação iniciou em 1995 e objetiva a sistematização de uma prática. A proposta de estágio supervisionado está fundamentada nas reflexões profissionais da autora, que se utilizou e se utiliza das reflexões de outros profissionais para construir a sua matriz de pensamento diagnóstico. O referencial teórico está apoiado na Teoria da Epistemologia Convergente (Jorge Visca) que por sua vez fundamentou sua Teoria em três outras escolas: Psicologia Social (Enrique Pichon-Rivière), Escola de Genebra e a Psicanálise. A autora subdivide a atuação do Psicopedagogo Institucional em Psicopedagogo contratado e Psicopedagogo assessor, fazendo a diferenciação de tarefas e o âmbito de atuação de cada um deles, descrevendo o estágio supervisionado com ênfase no Psicopedagogo assessor. Nesta proposta o Psicopedagogo Institucional assessor aproximase do seu objeto de estudos, no caso, a Escola, utilizando-se de uma metodologia própria, que tem como primeiro instrumento de pesquisa a E.O.C.M.E.A. (Entrevista Operativa Centrada no Modelo Ensino Aprendizagem), que segue princípios da postura operativa empregada nos Grupos Operativos, bem como descreve outros instrumentos para a pesquisa institucional, diferenciando-os da prática clínica psicopedagógica. O intuito é a identificação da modalidade de ensino aprendizagem da Escola pesquisada para posterior encaminhamento e projeto de processo corretor. A Psicopedagogia Institucional, nas suas duas possibilidades: Psicopedagogo contratado e assessor, exigem do profissional, um profundo conhecimento do funcionamento de grupos, bem como um equilíbrio emocional e um código de ética profissional muito bem elaborado e digerido, pois trabalhar com grupos é estar permanentemente administrando conflitos.

a queixa: “turma indisciplinada e com baixo rendimento escolar. Grupo de 3ª série, composto por 24 alunos, 13 meninos e 11 meninas com idades variando entre 9 e 13 anos. Escola Pública Municipal. E.O.C.M.E.A. materiais: 24 quadradinhos (15 x 15 cm) de papel carmim nas cores marrom, azul, vermelho e verde; 5 rolos de durex; 7 canetas hidrocor coloridas; 2 cartolinas brancas Obs: O número de quadradinhos de papel correspondiam ao número de alunos da turma e combinou-se previamente que, mesmo faltando alunos na aplicação, permanceriam o mesmo número de quadradinhos, a fim de se

verificar como o grupo lidaria com a “falta”. A quantia dos demais materiais foi combinada a fim de provocar a interação grupal. PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL - UMA PRÁXIS EM CONSTRUÇÃO1 SIMONE CARLBERG2 Em 1995, ao ser convidada a ministrar a disciplina Fundamentos Pedagógicos da Psicopedagogia no curso de Psicopedagogia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, fui provocada a sistematizar uma prática vivida no cotidiano escolar. A forma como a disciplina foi organizada, confirmou a demanda da clientela, o que levou a Coordenação do Curso a propor ao grupo o estágio na área de atuação mencionada. Este movimento tem sido constatado na História da Psicopedagogia no Brasil, em que, inicialmente, o enfoque era clínico, dado o número de crianças com sintomas de dificuldades de aprendizagem e a impossibilidade da Escola, em dar conta de tal demanda. A partir do momento em que as dificuldades de aprendizagem foram sendo melhor estudadas e o conhecimento psicopedagógico se construindo, foi-se identificando o que denomino “dispedagogia”, uma analogia às tão conhecidas “dis” (dislexia, disgrafia, discalculia, entre outras). O termo “dispedagogia” tem sido utilizado para nomear os sintomas apresentados por uma Instituição na sua prática educativa. Dis, significando dificuldade e pedagogia compreendida como “a arte de instruir, ensinar ou educar crianças”3, ou seja, as dificuldades encontradas pela Escola na sua prática, referentes à metodologia de ensino, ou ao vínculo que estabelece com seus alunos. A Escola enquanto “produtora” de dificuldades de aprendizagem. Entende-se que a Escola, muitas vezes, produz dificuldades de aprendizagem em seus alunos devido aos obstáculos encontrados para a implantação e execução de um plano curricular. Esta “dispedagogia” é o ponto de partida para a compreensão da complexidade encontrada pela instituição Escola. A dispedagogia é o conjunto de sintomas apresentados pela Escola, não apenas um termo diagnóstico. Na prática clínica, partimos dos sintomas para pesquisarmos as causas; e na Instituição, fazemos o mesmo percurso. Mas, qual é esse percurso ? Em que está fundamentado ? As idéias contidas nesse texto são, evidentemente, a expressão das reflexões profissionais da autora, juntando-se as de outros profissionais para construir a sua matriz de pensamento diagnóstico. O referencial teórico está apoiado na teoria da Epistemologia Convergente, proposta por Jorge Visca, Psicopedagogo Argentino, que, por sua vez, fundamentou sua teoria em três outras escolas, a saber: Psicologia Social de Enrique Pichon-Rivière, médico psicanalista argentino, fundador da Escola de Psicologia Social; a Escola de Genebra, com o seu principal representante, Jean Piaget e a Psicanálise. Sendo assim, as idéias aqui contidas, como não poderiam deixar de ser, estão ligadas aos modelos teóricos indicados acima, somadas, é claro, às práticas pedagógica e psicopedagógica de mais de vinte anos.
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Síntese do trabalho apresentado no VIII Encontro de Psicopedagogos - A Psicopedagogia: desafios na

formação e atuação profissional. Modalidade: mesa redonda - O Estágio Supervisionado na Psicopedagogia Institucional. São Paulo, julho/1998
Simone Carlberg - Pedagoga (UFPr). Formação em Psicopedagogia Clínica, Grupo Operativo e Terapia Ramain. 3 Dicionário Prático da Língua Portuguesa. Melhoramentos: 1995
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A PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL Entende-se que a Psicopedagogia Institucional não está relacionada somente a instituição escolar, pois pode ser pensada também na dimensão hospitalar e empresarial. No entanto, o enfoque dado nesse texto será o escolar. O Psicopedagogo que pretende atuar na Instituição escolar tem duas possibilidades: poderá ser contratado por uma ou ele poderá ser assessor de várias. Enquanto Contratado, o Psicopedagogo tem, em princípio, as seguintes tarefas4 (listagem reelaborada a partir do paralelo entre o Professor, Psicopedagogo Clínico e Institucional de autoria de Neide de Aquino Noffs):

administrar ansiedades e conflitos; trabalhar com grupos - grupo escolar é uma unidade em funcionamento; identificar sintomas de dificuldades no processo ensino-aprendizagem; organizar projetos de prevenção; clarear papéis e tarefas nos grupos; ocupar um papel no grupo; criar estratégias para o exercício da autonomia (aqui entendida segundo a teoria de Piaget: cooperação e respeito mútuo); fazer a mediação entre os subgrupos envolvidos na relação ensinoaprendizagem (pais, professores, alunos, funcionários); tranformar “queixas em pensamentos” (Alícia Fernandéz) criar espaços de escuta; levantar hipóteses; observar, entrevistar e fazer devolutivas; utilizar-se de metodologia clínica e pedagógica, “olhar clínico”; estabelecer um vínculo psicopedagógico; não fazer avaliação psicopedagógica clínica individual dentro da instituição escolar, porém, pode fazer sondagens; fazer encaminhamentos e orientações; compor a equipe técnica-pedagógica; para tanto, necessita de supervisão e formação pessoal. Algumas dessas tarefas também podem ser desempenhadas pelo Psicopedagogo Assessor, porém a principal e fundamental diferença é que ele não ocupa um papel no grupo. O que isso quer dizer ? Enquanto unidade em funcionamento, um grupo é composto por pessoas que têm

características diferentes, porém, para funcionar como tal, é necessário que cada elemento tenha uma função e um papel nele. O Psicopedagogo Contratado ocupa um e outro no grupo institucional, que pode ser de liderança ou não. Sendo assim, ele pode estar ocupando um papel que não lhe permite enxergar tudo aquilo que é necessário; é como se ele estivesse misturado aos demais. Isto o impede de ter uma distância suficientemente boa para perceber o que é seu, do grupo, ou ainda, o que é resultado do funcionamento grupal. Já o Psicopedagogo assessor, pelo menos em tese, tem o privilégio de manter uma distância suficientemente boa para observar o funcionamento de um grupo e poder, inicialmente, levantar hipóteses diagnósticas e, posteriormente, propôr e executar o processo corretor.
4NOFFS,

Neide de Aquino. Entrevista: Palavra de Presidente. Revista Psicopedagogia 14 (32): 5-9,1995.

O fato de uma instituição escolar ter em seu quadro um psicopedagogo institucional contratado, não invalida ou, não substitui as tarefas que só podem ser executadas por um assessor, ou seja, alguém que vem de fora, vê de fora, pontua, revela, identifica o latente naquilo que está manifesto. UMA FORMA DE APROXIMAÇÃO: E.O.C.M.E.A. (Entrevista Operativa Centrada na Modalidade5 de Ensino-Aprendizagem) O Psicopedagogo Institucional Assessor faz diagnóstico institucional e, no modelo que proponho, esse acontece de forma semelhante ao proposto pela Teoria da Epistemologia Convergente (Jorge Visca). A saber: 1. queixa, contrato, enquadramento; 2. Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (E.O.C.A.); 3. primeiro sistema de hipóteses; 4. seleção dos instrumentos de pesquisa; 5. segundo sistema de hipóteses; 6. seleção de instrumentos de pesquisa complementares (quando necessário); 7. linha de pesquisa para anamnese; 8. informações complementares; 9. terceiro sistema de hipóteses ou hipótese diagnóstica com indicações e prognóstico 10.devolutiva e 11.informe psicopedagógico. Esse modelo diagnóstico possibilita ao profissional aproximar-se do seu objeto de estudos de maneira pouco “contaminada”. Segundo Visca 6, “lo primero en el orden de la génesis es lo último en el orden del análisis” (p.84). Como o modelo descrito acima foi organizado pensando-se em clínica e o que se pretende é a construção de um modelo diagnóstico institucional, algumas adaptações foram necessárias. A principal delas é a primeira entrevista, ou seja, a Entrevista Operativa Centrada na Modalidade de Ensino-Aprendizagem (E.O.C.M.E.A.)

Fundamentada no modelo da E.O.C.A., ela prevê uma aproximação ao objeto de estudo de maneira a perceber o que o grupo sabe e, não simplesmente, o que o grupo não sabe. Este saber é relativo à operatividade em e do grupo. Objetiva, portanto, pesquisar a dinâmica (o que o corpo fala), a temática (o que é verbalizado) e o produto. A intenção não é a pesquisa isolada desses aspectos, mas sim a articulação deles e seu significado. Na clínica, a E.O.C.A. é, tradicionalmente, aplicada por um profissional. Já na instituição, dado o número de pessoas em um grupo, são necessários três profissionais; um deles fazendo a função de coordenador, um de observador de temática e o outro de observador de dinâmica. Formase, então, uma equipe de coordenação, em que não há uma hierarquia e, sim, uma operatividade. Cada elemento da equipe ocupará um papel previamente acordado e terá uma função específica. Ao coordenador, caberá apresentar ao grupo pesquisado a consigna e fazer as intervenções necessárias para facilitar a entrada do grupo na tarefa. Ao observador de temática, caberá observar e registrar tudo
5Modalidade

- cada aspecto ou diversa feição das coisas. Modal + i + dade.Modal = ao modo particular de ser;dade =

aquilo que é verbalizado pelo grupo e ao observador de dinâmica, tudo aquilo que for ação no grupo. Todas estas informações serão posteriormente analisadas pela equipe de coordenação, juntamente com o produto do trabalho do grupo e, só então, será possível levantar o primeiro sistema de hipóteses, para selecionar os instrumentos de pesquisa que darão a continuidade ao processo diagnóstico. Mas como fazer isso com um grupo, em uma instituição ? Partimos de uma queixa que, no caso da instituição escolar pode ser verbalizada pelo Diretor da Escola. A queixa é a expressão de uma dificuldade enfrentada pela Instituição Escola que, geralmente, está verticalizada em um grupo. Dentro dela temos diversos subgrupos e em um ou mais deles, estarão depositados os “problemas”: na turma “x” ou na turma “y”; ou nos professores; enfim, um subgrupo estará sendo indicado como o depósito da problemática da instituição. É com um desses subgrupos, portanto, que a equipe de coordenação iniciará seu projeto de pesquisa, pois estará entendendo o mesmo como o portador dos sintomas institucionais. Enquanto pesquisadores, necessitamos de uma amostragem e será esse subgrupo a amostra escolhida. Essa escolha, porém, não é simples, pois em uma Instituição são muitos os problemas e a equipe de coordenação deverá estar muito bem preparada para, durante a queixa e seu processo de análise, fazer a escolha mais adequada. Definido o subgrupo que servirá de amostragem, passa-se para a tarefa seguinte: selecionar e organizar uma atividade que será proposta ao grupo possibilitando observar o seu modelo de funcionamento, ou o seu modelo de ensino-aprendizagem. Essa organização demanda tempo e discussão, pois desde a consigna, até a quantidade de materiais escolhidos deverão ter um objetivo para análise do grupo. Se a quantidade de materiais por exemplo, for

Clélia Ivete Nichele.” Após a aplicação e análise dos registros e do produto a equipe de coordenação parte para a seleção dos instrumentos de pesquisa. de Literatura. Vocês terão até as 11h e 05 min para fazer esta tarefa e agora são 10h e 15 min. . Andréa Garcia.M.E. (entrevista com consigna aberta. Psicopedagogia Institucional: a experiência de um olhar e uma escuta na instituição escolar. a fim de se verificar como o grupo lidaria com a “falta”. segue abaixo o exemplo de uma consigna de E. Trabalho de conclusão no curso de Psicopedagogia. Zelaquett. permanceriam o mesmo número de quadradinhos. Levantamento estatístico do percentual de alunos da turma que apresentavam notas inferiores à média adotada pela Instituição. Educação Física. vermelho e verde. materiais: 24 quadradinhos (15 x 15 cm) de papel carmim nas cores marrom. o grupo montará um painel utilizando as dobraduras que fez e os materiais que estão sobre a mesa.exatamente igual ao número de elementos do grupo. selecionados em função do primeiro sistema de hipóteses.O. Escola Pública Municipal. 5 rolos de durex. E. Ferrarini. azul. a Andréa. com a Inspetora. Nichele. Após o término da confecção da dobradura. Para isso. aula da Professora Regente. Regente. Ciências.E. Jussara T. como a professora deve ter comentado. trouxemos os materiais que estão sobre a mesa para a confecção de um painel para o qual cada aluno contribuirá fazendo uma dobradura.A7 :a queixa: “turma indisciplinada e com baixo rendimento escolar.O. ou como é que o grupo lida com a falta. Aplicação da técnica projetiva psicopedagógica Parelha Educativa aplicação feita individualmente com o objetivo de pesquisar o vínculo que os alunos mantinham com a aprendizagem.A. 2 cartolinas brancas Obs: O número de quadradinhos de papel correspondiam ao número de alunos da turma e combinou-se previamente que. para conhecermos vocês. Puc-Pr: nov/1995 7 Consigna: “Bom dia ! Eu sou a Rosilei. 7 canetas hidrocor coloridas. Scroccaro. Grupo de 3ª série. Rosilei. a Jussara e estamos aqui.C. foram os seguintes: observação das aulas de Ciências. Educação Artística. Educação Artística. o que vocês sabem e o que vocês aprenderam. No exemplo apresentado os instrumentos de pesquisa. da entrada dos alunos na escola e do recreio. isso poderá nos impedir de observarmos como é que o grupo compartilha. ela é a Clélia. “o que você teria a nos contar sobre a 3ª série B e que você considera importante sabermos?”). Para deixar mais claro. Cada um vai pegar um quadradinho de papel e fazer sua dobradura. A quantia dos demais materiais foi combinada a fim de provocar a interação grupal. Schueda. Sobre a mesa existem 24 quadradinhos de papel.C. composto por 24 alunos. 13 meninos e 11 meninas com idades variando entre 9 e 13 anos. mesmo faltando alunos na aplicação. Diretora e Orientadora Educacional. ou seja. Literatura.M. Entrevista com as professoras de Educação Física.

quando. a turma parece manifestar o desejo de vínculo positivo com a aprendizagem. instrumento de avaliação que apresenta seis vetores de análise: pertença comunicação cooperação aprendizagem pertinência telé mudança Para cada sessão. ou para cada instrumento de pesquisa aplicado. então. Para essa análise utiliza-se o que Pichon denominou de Cone Invertido. parece dar margem à manifestação de “lideranças negativas”. as quais. como é o caso do Diagnóstico Operatório. agressivos entre si e percebe-se uma dissociação dos campos geográfico. deixa-os dispersos. A condução das atividades. Grupo não é simplesmente a soma do que cada elemento sabe ou deixa de saber. na sua maioria. idealizam a situação. tornam-se alvo de rótulos e constantes pertubações na realização das tarefas.É importante registrar que os instrumentos de pesquisa utilizados na clínica psicopedagógica não podem ou não devem. serem utilizados na pesquisa institucional. não. evidenciado na relação com os professores e pelo baixo rendimento escolar. pois o que se pretende é traçar o perfil do grupo pesquisado. de consciência e psicológico. o que dificulta a aprendizagem. mas. por conseguinte. No entanto. faz-se a análise. relacionando os vetores da esquerda (que são quantitativos) com os vetores da direita (que são qualitativos) e o resultado dessa análise permitirá traçarmos a modalidade de funcionamento do grupo e. O que importa é o funcionamento do grupo e. O perfil traçado da turma pesquisada no exemplo citado foi o seguinte: “A 3ª série B. A 3ª B é uma turma que parece pedir por liderança. não sendo canalizadas para uma integração e cooperação grupal. é uma turma que. Após a seleção e aplicação dos instrumentos de pesquisa temos a análise dos dados. em sua maioria. não estabelecendo regras e limites e não as discutindo. . ter a “fotografia” da Instituição como um todo naquele momento. em sua maioria possui um vínculo negativo com a aprendizagem. Esse vínculo negativo parece tomar corpo por meio da forma como é encaminhado o trabalho pedagógico com a classe: falta de enquadramento em todas as situações observadas. não tendo uma orientação clara e segura por parte dos professores. com 24 alunos. para podermos. funcionando no período da manhã e sob o trabalho de cinco profissionais. o funcionamento individual. da Escola Municipal “Acolhedora”. desatentos. projetando-se nos colegas de classe. da Instituição.

sugerir um trabalho mais amplo que faria a intervenção na Instituição como um todo. sujeito \ conhecimento. organização e encaminhamento de tarefas. ter pesquisado somente um grupo naquela Escola. por meio da amostragem. na maior parte do tempo entre professores e alunos e alunos entre si. os instrumentos de pesquisa utilizados. sujeito \ tarefa objetiva e subjetiva. oral e fálica. Num grupo temos. denominado informe psicopedagógico em que serão apresentados o histórico do processo diagnóstico. exige do profissional. sobretudo. nas suas duas possibilidades. bem como o encaminhamento. comunicação. além de todas as relações que ocorrem no atendimento individual.” Traçado o perfil da turma. O que diferencia é o âmbito ao qual ela está sendo aplicada. pois trabalhar com grupos é estar permanentemente administrando conflitos. ao mesmo tempo. Psicopedagogo contratado e assessor. procede-se a devolutiva para a Escola por meio de documento escrito. indicações e prognóstico. Os portadores dos sintomas institucionais serviram como provocadores na busca de soluções e de modificação dos padrões estabelecidos anteriormente. identificar a modalidade de ensino-aprendizagem latente. não só um profundo conhecimento do funcionamento de grupos. abril/1998 O QUE A PRÁTICA PSICOPEDAGÓGICA EM GRUPO SE DIFERENCIA DA INDIVIDUAL? Ao meu ver a Psicopedagogia é uma só. dinâmica em sala de aula. Neste sentido a prática psicopedagógica voltada para um grupo é diferente por ser aplicada a um número maior de pessoas. pôde-se. e contar com mais conexões do que a conexão sujeito \ psicopedagogo. buscando embasamento teórico sobre as questões em foco e também quanto à proposta curricular da mantendedora. A Psicopedagogia Institucional. uma relação grupal com o conhecimento. sujeito \ grupo interno.A dinâmica de todo o grupo parece revelar essa relação conflitante e. reuniões e/ou grupos de estudos oferecidos ao corpo docente da instituição. e a partir dessa análise. a relação com .” Enfim. ilustro com as sugestões feitas à Escola pela equipe de coordenação do exemplo citado: “orientação à equipe de professores que trabalham diretamente com o grupo de alunos. as relações que se estabelecem entre os participantes do grupo. bem como equilíbrio emocional e um código de ética profissional muito bem elaborado e digerido. encaminhamento de casos específicos a profissionais especializados pela Orientação Educacional da Instituição. entre outros. a relação do grupo com o seu coordenador e do coordenador com o grupo. a temática em que a comunicação predominante parece ser anal. apesar da equipe de coordenação (Psicopedagogos Institucionais Assessores). abordando aspectos como: enquadramento. Resumidamente.

que participamos dela. A PSICOPEDAGOGIA EM GRUPO É APLICADA SOMENTE EM TRABALHOS INSTITUCIONAIS OU TAMBÉM PODEMOS UTILIZÁ-LO NO ATENDIMENTO CLÍNICO? A psicopedagogia aplicada ao grupo pode ter objetivos diferenciados. uma forte marca para a aprendizagem realizada de forma grupal. tanto nas tarefas . selecionar pessoas. e para a construção de novos conhecimentos utilizando a prática da discussão. muitas de nós. como chamávamos na época. deixou em todos nós. potências e impotências e passam a sentir-se como aprendizes enfrentando toda a sorte de situações necessárias para aprender. Por tudo isto me parece que a Psicopedagogia no âmbito da instituição é muito mais complexa do que no âmbito do atendimento individual. Muitos objetivos são melhores atingidos no âmbito das instituições e outros podem ser metas no espaço da clínica com um foco mais terapêutico ou preventivo. também. pois as articulações a serem realizadas formam uma rede de combinações mais intrincada e de maior dificuldade na leitura do que está ocorrendo e na intervenção. A reelaboração em grupo e a convivência para realizarmos tarefas conjuntas. mostrar alguns caminhos. Nesta experiência todos experimentam facilidades e dificuldades. agrupar pessoas em torno da tarefa de estudar. ferramenta importantíssima para a realização de uma psicopedagogia no âmbito grupal. A LINHA DE PENSAMENTO DA QUAL VOCÊ UTILIZA É A DA EPISTEMOLOGIA CONVERGENTE DE JORGE VISCA? Sim. estava me debatendo para encontrá-los. em nossa prática temos testemunhado a grande eficiência do atendimento grupal para lidar com as dificuldades para aprender e dificuldades com a aprendizagem. A formação psicopedagógica fundamentada na epistemologia convergente veio ratificar minha prática anterior a qual denominava Pedagogia Terapêutica e veio. Buscava maior segurança profissional. no grupo e com o grupo. ser utilizada para a resolução de conflitos que impedem ou obstaculizam a aprendizagem. enfrentar novidades e outros estudos nos tornou mais cooperadores do que competidores. Com isto quero dizer que no espaço da clínica o atendimento grupal pode ser utilizado sem problemas. tomar decisões. a qual levou. a minha entrada na sistematização dos conhecimentos psicopedagógicos foi realizada por esta via. a cursarem a formação em Teoria e Técnica de Grupos Operativos. Uma fundamentação importante que tivemos na formação psicopedagógica fundamentada na epistemologia convergente foi a teoria de Pichon-Rivière.os medos que surgem do exercício de aproximar idéias diferentes. os quais. percepções diferenciadas. Um dos maiores ganhos tem sido a despatologização dos problemas para aprender. Pode objetivar a otimização do processo de aprendizagem. sentimentos distintos diante de uma tarefa. aprender um determinado tema. voltada à aprendizagem lenta. e tantos outros que possam surgir. Infelizmente os cursos de especialização em Psicopedagogia não possuem esta compreensão e diminuem a importância da aplicação da psicopedagogia no âmbito grupal. servir como instrumento de prevenção às dificuldades de aprendizagem. pelo contrário. dedicando menos discussão e aprendizagem a este respeito. O fato de nossa formação ter sido desenvolvida em grupo.

QUAIS A VANTAGENS DESSA MODALIDADE? A vantagem desta modalidade de trabalho está no fato de que ele pode ser utilizado nas escolas como uma alternativa de trabalhar com grupos de aprendizagem. já aos seis anos. como é inteligente e teve uma boa estimulação conseguiu aprender a ler de forma adequada e a escrever de forma alfabética. ela já teve muita dificuldade para se alfabetizar o ano passado. A mãe consegue perceber qualidades na flha mas. pessoal que pode ou não ser colocado a serviço da aprendizagem grupal. fica preocupada com a desatenção . JUNTO VEIO À INDÚSTRIA DA MEDICALIZAÇÃO. repetindo o que a escola lhes falou: “Nossa filha está apresentando um distúrbio de atenção. a patologização não toma assento.subjetivas. então. todos vão se movimentar para realizar a tarefa. transtornos de atenção e a escola encaminhou para o neurologista e para a psicopedagogia. Por exemplo: uma menina foi alfabetizada aos cinco anos com muitas dificuldades.” Os coleguinhas desta criança já conseguem fazer o que ela não consegue e este fato deixa o pai extremamente preocupado. ela pode ser uma ferramenta a mais para o profissional da psicopedagogia. Está. mas. não consegue escrever uma história. o fato do aspecto individual da aprendizagem não ser negado. acertos e erros são bem vindos desde que todos possam ser canalizados para a solução de um problema que é de todos. Crianças podem ser treinadas para aprender coisas. como ler e escrever quando muito pequenas. QUE PREJUÍZOS ESTÃO SENDO CAUSADOS A ESTA GERAÇÃO QUANDO FALAMOS DE APRENDIZAGEM? Aprender é um percurso e não pode responder ao tempo do instantâneo. no entendimento dos papéis que os alunos desempenham no grupo de aprendizagem. porém ainda. mas o que não está sendo considerado é que ao aprenderem coisas distantes das suas possibilidades outras funções podem ficar prejudicadas. mas escreve apenas o começo de uma história e não consegue continuar. OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS TROUXERAM BENEFÍCIOS À SOCIEDADE. Outra vantagem é que a tarefa sendo coletiva. O grupo é trabalhado para que os esquemas de aprendizagem individuais sejam colocados a serviço da construção dos esquemas de aprender grupal. hoje ela lê super bem. PROCEDIMENTOS MÉDICOS E ROTULAÇÃO PARA AS DIVERSAS PATOLOGIAS. quanto objetivas. apresentando agora. Os pais chegaram ao consultório com um discurso patologizante. é um movimento interno. pois a construção da tarefa é grupal. nas formas de intervenção que despertam o desejo de aprender. O que é importante deixar claro é que esta modalidade de trabalho não elimina outras formas de se trabalhar com a aprendizagem. que valorizam o saber do aluno. também. Fundamentada na visão de aprendizagem que possuo a mudança na prática pedagógica teria um grande aliado no conhecimento reelaborado em grupo. PORÉM. mas a assimilação do que está sendo aprendido é individual. Considero uma vantagem. que entendem o processo de aprender como um movimento dinâmico no qual as pessoas não ficam sempre no lugar do não saber e nem sempre no lugar do sabedor.

Por isto aprendem e ela não? Me pergunto . ansiosas por terem que realizar tarefas acima de suas possibilidades. supostamente.e o excesso de fantasia. a “sovivência”. mais remédios podem ajudar a girar a roda do consumo. Uma de minhas palestras. Uma das grandes falhas da educação neste sentido é estimular a dependência. a ”sovivência” capacidade de só viver ( regido pelo prazer) e de viver só. VOCÊ OBSERVA POR PARTE DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE E EDUCAÇÃO PREOCUPAÇÃO E MAIOR CONSCIENTIZAÇÃO COM ESTE CENÁRIO? Com certeza! Particularmente tenho me dedicado a divulgar esta visão por meio de publicações. agitadas. é estimulada pelo excesso da utilização da tecnologia – cada um com sua TV em seu quarto. de atendimentos especializados. para fortalecer o consumo de medicamentos. minha resposta é afirmativa. a passividade e o individualismo. em nossas crianças hoje? Por que precisamos tornar doentes crianças criativas. ao mesmo tempo em que se exige que as pessoas desenvolvam-se muito mais rápido do que conseguem. sem considerar a existência do outro. ajudar alguém a aprender. nem a necessidade de compartilhar e de aperfeiçoar-se como ser . pois muitas vezes não acreditam que seus filhos poderão resolver seus problemas (possíveis para sua idade) sem eles. de metodologias mágicas e tudo que pode. O estímulo da dependência inibe o pensamento e os pais precisam pensar por seus filhos. ESTÁ OCORRENDO PATOLOGIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO? Por tudo que já falei sobre isto. enquanto que seus amigos estão completando já no primeiro semestre esta idade. palestras que falem da importância de nos voltarmos à formação do ser humano e não do ser consumidor.com quantos anos você que está lendo este artigo se alfabetizou? Com quantos anos você tinha uma leitura fluente? Com quantos anos você escreveu história mais longa? Por que os pais não chegam ao meu consultório dizendo: Você sabe que minha filha. ainda não inventaram uma pílula que ajude fazer isto de forma mais rápida. capazes. fará sete apenas em dezembro. antes mesmo dos sete anos já sabe ler com fluência e já consegue escrever histórias curtas? Não é de orgulhar uma filha que se alfabetizou aos cinco anos? Por que olhamos apenas para o que falta. pois muitos mecanismos utilizados para formar dificuldades para aprender são construídas no processo de educação dos aprendizes de hoje. cada um com seu aparelho musical acoplado em seu ouvido. Discutimos um pouco e descobri que a menina que não escreve histórias aos seis anos. entrevistas. Para aprender é preciso aprender.discuto os mecanismos utilizados para formar o ser consumidor e entre eles está o mecanismo de tornar doentes as pessoas que não estão. a qual denominei: “Como ajudar a pensar em um mundo que ensina a consumir” . cada um satisfazendo seus desejos de forma imediata. EM SUA OPINIÃO. inteligentes e sem distúrbios específicos de linguagem? Estará a escola contribuindo para o sucesso da indústria bioquímica no mundo capitalista? Quanto mais crianças desatentas.

assistir. pois somente a tomada de consciência e a mudança de atitudes é possível contribuir para uma transformação positiva. também inibe o pensamento. somente ser satisfeito. a vivência com os outros seres humanos só são possíveis a partir de uma aprendizagem. são excelentes recursos da modernidade. o computador nos conecta com o mundo e nos desconecta daqueles que estão próximos. quanto menos crítica existir. os celulares. assistir. assistir. não permite que o pensamento aconteça.na vida das crianças: assistir à TV. assistir à aula. pelo contrário. a preocupação com a Terra e com todos os seres que a compõem. pior ficará o mundo. não só em nossa ação profissional. COMO A FAMÍLIA E A ESCOLA PODEM ATUAR NO SENTIDO DE MUDAR ESSE QUADRO? Conviver em todos os âmbitos é fundamental. mas também excelentes instrumentos de afastamento social e estimuladores de solidão. para consumir não é preciso pensar. QUEM SÃO OS PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS? PAIS. nos afastar dos familiares.humano. Uma das modalidades da ação psicopedagógica que pode contribuir para isto é a Psicopedagogia no Âmbito Grupal. Ora. em grupo. O trabalho nos dias atuais nos faz correr. Como criar ilhas de convivência num oceano de individualismos que estão sendo alimentados por uma nova dinâmica mundial na qual o mercado passa a ser a instituição social predominante neste século? Ações em grupo podem ser um estímulo à superação do individualismo inibidor do pensamento e das relações humanas. O mundo estabeleceu uma dinâmica que precisa ser percebida por todos os seres humanos que nele habitam. a convivência. na epistemologia convergente e na visão sistêmica não trabalhamos e nem pensamos com a lógica dos culpados. assistir ao adulto trabalhando. os aparelhos eletrônicos com fones de ouvido. O que sabemos é que quanto mais individualistas formos. A consciência planetária. mais se consome. fundamental para este século. ESCOLA OU OS PROFISSIONAIS DA SAÚDE? Quando pensamos fundamentados em uma psicologia social que foi composta a partir da inter-ciência. QUE MENSAGEM DEIXA AOS CONGRESSISTAS. PARTICIPANTES E A TODOS OS PSICOPEDAGOGOS? Termino esta entrevista deixando como mensagem um trecho do texto que preparei para este Congresso. porém para aprender é preciso pensar e se o pensamento está sendo inibido aparecem as dificuldades para aprender individualmente e quem dirá. o individualismo estimulado pela publicidade e pelas centrais de relacionamento com o cliente faz acreditarmos que somos seres especialíssimos e por isto não importa os outros o que cada um precisa é satisfazer o que sua majestade necessita e por isto também não é preciso pensar. a TV nos deixa em situação de passividade exige um menor grau de comunicação. mas também em nossas vidas: . Espero que todos pensem sobre a importância do grupo. o incentivo à passividade é realizado pelo exagero da aplicação do verbo assistir – de forma passiva . a co-existência com as mais variadas espécies.

Centro de Estudos.o grupo possui uma tarefa comum e todos devem contribuir com o que sabem para sua efetivação. como representante deste todo. tanto pelo passeio feito no interior do grupo.” Publicado em 25/05/2009 09:34:00 Laura Monte Serrat Barbosa . Aprender em grupo supõe troca de experiências. formas de expressão. a transcender a dimensão individual para desenvolver a construção coletiva do conhecimento. de dissociação e de integração. de repente.. neste caso. e sobretudo é necessário fazer articulações para que as características pessoais possam. é preciso discriminar as características individuais. grupo. portanto. e sim exige muitas transformações e. A psicopedagogia. aprender deixa de ser “todos fazendo a mesma coisa no mesmo momento. de idéias. É associada titular e conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia. pessoas. da Universidade Católica de Goiás. ou seja aprender no grupo.graduação em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1972) e mestrado em Educação pela Universidade Federal do Paraná (1993). nem romântico. da Universidade Católica do Salvador. Tem experiência na área de Educação. atuando principalmente nos seguintes temas: projeto de . como a exemplo de uma orquestra. da Faculdade de Artes do Paraná. perceber semelhanças e diferenças entre idéias. mudanças internas e externas pessoais e conjuntas. Desta forma. o que é grupo e o que se faz em grupo. a tecer o saber. objetiva proporcionar aos aprendizes aprender a pensar. aprender com o grupo nos leva a aprendizagens de novos conhecimentos e de novas formas de abordar a tarefa subjetiva e objetiva. ao mesmo tempo como sujeito. Tem formação em Psicopedagogia (1993) e Teoria e Técnica de Grupos Operativos (1994) pelo Centro de Estudos Psicopedagógicos de Curitiba. Aperfeiçoamento e Desenvolvimento da Aprendizagem. com ênfase em Psicopedagogia. harmonizarem-se para realizar a tarefa a que o grupo se propôs.“Grupo. oportunizar a percepção e a vivência de todos como parte de um todo. mas para chegar-se à vida grupal o caminho é longo: é preciso superar a confusão que muitas pessoas juntas provocam no exercício de descobrir quem é quem. novos ângulos de análise contribuem e. complementou e construiu algo que é de todos. nem fácil.. Atualmente é professora convidada da Universidade Paranaense. da mesma maneira” . quanto pelas mudanças que ocorrem dentro de quem a lançou. não se caracterizam um grupo apenas por este fato. aprender no grupo supõe aprender a vincular-se passando pelos momentos de confusão. aquela idéia não é mais de ninguém em específico. Outras formas de ver são trazidas. da Faculdades Integrado de Campo Mourão. Quando pessoas se agrupam. valores e muito mais. é do grupo que trabalhou com ela. Agrupar-se é o primeiro passo. muita dor.. encontro que gera um movimento fantástico: uma idéia passa por outras mentes e outras bocas e de vagarinho vai transformando-se. para esta transcendência faz-se necessário um percurso que não é suave. gostos. de sentimentos e sobretudo. pessoas. transcender o individual. da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. O espírito do grupo é este. Mas.. burilou. A vivência em grupo não é mágica. É sócia da Síntese .

Por isso devemos fazer o diagnóstico com muito cuidado observando o comportamento e mudanças que isto pode acarretar no sujeito. para isso. 24). É um processo que permite ao profissional investigar. para que ―. p.. a conhecimentos práticos e teóricos.escuta psicopedagógica. (2003. (BOSSA.‖. a base que dará suporte ao psicopedagogo para que este faça o encaminhamento necessário. atuação psicopedagógica.org. citaremos um exemplo de Weiss: uma paciente.. avaliação psicopedagógica institucional. instituição escolar.. É ele. inclusão.. operatividade na aprendizagem e desenvolvimento simbólico no processo de aprender.2011 Maria Carvalho psicopedagoga. Copyright © 2005 . relação professor/aluno. deve ter a mesma função que a rede para um equilibrista. uma adolescente de 18 anos cursando a 7ª série de escola .. por muitas vezes.se possa decifrar os processos que dão sentido ao observado e norteiam a intervenção‖. chegam a acreditar que o sujeito teve uma melhora ou tornou-se agressivo e agitado no decorrer do trabalho diagnóstico.. portanto.aprender. Esta investigação permanece durante todo o trabalho diagnóstico através de intervenções e da ―. 80) Conforme Weiss. para o terapeuta. Na Epistemologia Convergente todo o processo diagnóstico é estruturado para que se possa observar a dinâmica de interação entre o cognitivo e o afetivo de onde resulta o funcionamento do sujeito (BOSSE. Para ilustrar como o diagnóstico interfere na vida do sujeito e sua família. p. 2000. O Diagnóstico Psicopedagógico O DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO Alicia Fernández (1990) afirma que o diagnóstico. 1995. O objetivo básico do diagnóstico psicopedagógico é identificar os desvios e os obstáculos básicos no Modelo de Aprendizagem do sujeito que o impedem de crescer na aprendizagem dentro do esperado pelo meio social. É autora de livros e artigos na área de Psicopedagogia e Educação. 32) O diagnóstico possui uma grande relevância tanto quanto o tratamento. dificuldade de aprendizagem. Ele mexe de tal forma com o paciente e sua família que. levantar hipóteses provisórias que serão ou não confirmadas ao longo do processo recorrendo. p.

Concordou com a terapeuta em interromper o diagnóstico (2003. filiação. Na linha da Epistemologia Convergente. Bossa nos lembra que a forma de se operar na clínica para se fazer um diagnóstico varia entre os profissionais dependendo da postura teórica adotada. A família percebeu que isto realmente poderia acontecer e era isto também que sustentava seu casamento ―já acabado‖. 2000).especial. objetivando colher informações como: Identificação da criança: nome. Expectativa da família e da criança. irmãos. data e horário para a realização das sessões e honorários. Esclarecimento sobre o trabalho psicopedagógico. escola que frequenta série. idade dos irmãos. escolaridades dos irmãos. horário. data de nascimento. queixou-se à mãe que ela (Weiss) estava forçando-a a crescer. endereço. Definição de local. 33). p. Antes de se iniciar as sessões com o sujeito faz-se uma entrevista contratual com a mãe e/ou o pai e/ou responsável. Ela conseguiu fazer a elaboração deste pensamento porque tinha medo de perder o papel na família da doente que necessitava de atenção exclusiva para ela. 69). nome da pessoa que cuida da criança. Procura do Psicopedagogo: indicação. Visca (1991) propôs o seguinte Esquema Seqüencial Proposto pela Epistemologia Convergente: Ações do entrevistador EOCA Testes Anamnese Elaboração do Informe . Atendimento anterior. Visca nos informa que o diagnóstico começa com a consulta inicial (dos pais ou do próprio paciente) e encerra com a devolução (1987. turma. 96. Motivo da consulta. nome da professora. (p. p.

invariavelmente ainda que com intensidades diferentes.Síntese Diagnóstica – Prognóstico 6º . Compare abaixo o quadro da seqüência diagnóstica proposta por ela: 1º . sua ótica. É o caso de Weiss. Formulação do 3º sistema de hipóteses Elaboração de uma imagem do sujeito (irrepetível) que articula a aprendizagem com os aspectos energéticos e estruturais. a-históricos e históricos que a condicionam.S. para descobri-lo. 70).E. Os profissionais que optam pela linha da Epistemologia Convergente realizam a anamnese após as provas para que não haja ―contaminação‖ pelo bombardeio de informações trazidas pela família. 1994) Esta diferença não altera o resultado do diagnóstico. Porém.Sessões lúdicas centradas na aprendizagem (para crianças) 4º .Encaminhamento (WEISS.F..Anamnese 3º . alguns profissionais iniciam o diagnóstico com a anamnese. os pais. porém é preciso que o profissional acredite na linha em que escolheu para seu trabalho psicopedagógico. no quadro acima. Ibid. que ele propõe iniciar o diagnóstico com a EOCA e não com a anamnese argumentando que ―..Entrevista Familiar Exploratória Situacional (E. Isto impede que o agente corretor se aproxime ‗ingenuamente‘ do paciente para vê-lo tal como ele é. Baseando-me na Epistemologia Convergente abordarei a anamnese ao final e iniciaremos falando sobre a EOCA. . Observamos.. 1987. o que acabaria distorcendo o olhar sobre aquela criança e influenciando no resultado do diagnóstico. p.) 2º . (Id.Complementação com provas e testes (quando for necessário) 5º . consciente ou inconscientemente.Procedimentos Internos do Entrevistador 1º sistema de hipóteses Linhas de investigação Escolha de instrumentos 2º sistema de hipóteses Linhas de investigação Verificação e decantação do 2º sistema de hipótese. durante a anamnese tentam impor sua opinião.Devolução .

áreas de expressão da conduta. 2000.‖ (PIAGET apud VISCA.seus conhecimentos. 72). O entrevistador poderá apresentar vários materiais tais como: folhas de ofício tamanho A4. . Alguns imediatamente. na qual o sujeito se dobra às vezes sobre seu próprio corpo e outras vezes permanece numa atividade quase catatônica. p. cola. 53). utilizando-se de materiais dispostos sobre a mesa. destrezas. quando o equilíbrio se acha momentaneamente quebrado entre o meio e o organismo. Visca nos dá um exemplo de como devemos conduzir esta situação: ―você pode desenhar. Neste último caso. 73). mobilidade horizontal e vertical etc (1987. outros pedem que lhe digam o que fazer. Piaget. p. a EOCA deverá ser um instrumento simples. O entrevistado tende a comportar-se de diferentes maneiras após ouvir a consigna. Visca nos propõe empregar o que ele chamou de modelo de alternativa múltipla (1987. o que nos interessa observar na EOCA são ―. De acordo com Visca. atitudes. (1992. livros ou revistas. Vejamos o que Sara Paín nos fala sobre esta falta de ação na atividade ―A hora do jogo‖ (atividade trabalhada por alguns psicólogos ou Psicopedagogos que não se aplica à Epistemologia Convergente. precisamente. mecanismos de defesa. após a seguinte observação do entrevistador: ―este material é para que você o use se precisar para mostrar-me o que te falei que queria saber de você‖ (VISCA. 44). 73). coloca que: ―O indivíduo não atua senão quando experimenta a necessidade. lápis. quebra-cabeça ou ainda outros materiais que julgar necessários. lápis de cor. pegam o material e começam a desenhar ou escrever etc.. o que lhe ensinaram a fazer e o que aprendeu a fazer. uma indiferença sem ansiedade. nos postulados da psicanálise e método clínico da Escola de Genebra (BOSSA. Outros começam a falar. porém é interessante citar para percebermos a relação do sujeito com o objeto): No outro extremo encontramos a criança que não toma qualquer contato com os objetos. a ação tende a reestabelecer este equilíbrio. 1991.. cuja intenção é desencadear respostas por parte do sujeito. níveis de operatividade.. 41). lápis de cera. tesoura. ou seja. 1987. fazer alguma coisa de matemática ou qualquer coisa que lhe venha à cabeça. ansiedades. p. porém rico em seus resultados. p. p. e outros simplesmente ficam paralisados. massa de modelar.A realização da EOCA tem a intenção de investigar o modelo de aprendizagem do sujeito sendo sua prática baseada na psicologia social de Pichón Rivière. quer dizer. Consiste em solicitar ao sujeito que mostre ao entrevistador o que ele sabe fazer. escrever. em Psicología de la Inteligência. Para Visca. p.‖ (1987. Às vezes se trata de uma evitação fóbica que pode ceder ao estímulo. caneta. régua. borracha. p. a readaptar o organismo.. barbantes.. 73). Outras vezes se trata de um desligamento da realidade..

Isto se deve.. detectando o nível de pensamento alcançado pela criança. Logo após são selecionadas as provas piagetianas para o diagnóstico operatório. p. a uma certa dificuldade de sua correta aplicação. postura corporal.no siempre han sido adecuadamente entendidas y utilizadas de acuerdo com todas las posibilidades que las mismas poseen‖ (1995. atitude. Visca reuniu em seu livro: El diagnostico operatório em la practica psicopedagogica. comentando o porque de cada passo.. tendo sempre um aspecto manifesto e outro latente. A forma de pegar os materiais. p. O produto – é tudo aquilo que o sujeito deixa no papel. Para a avaliação as respostas são divididas em três níveis: Nível 1: Não há conservação. (Id. p. Segundo Weiss: ―As provas operatórias têm como objetivo principal determinar o grau de aquisição de algumas noções-chave do desenvolvimento cognitivo. 106)‖. Observa que o psicopedagogo deverá fazer registros detalhados dos procedimentos da criança. tons de voz. etc). Ibid. observando e anotando suas falas. 11. É da EOCA que o psicopedagogo extrairá o 1º Sistema de hipóteses e definirá sua linha de pesquisa. O autor nos alerta que as provas ―. o sujeito não atinge o nível operatório nesse domínio. constituindo o próximo passo para o processo diagnóstico. as provas operatórias aplicadas no método clínico da Escola de Genebra por Piaget. A aplicação das provas operatórias tem como objetivo determinar o nível de pensamento do sujeito realizando uma análise quantitativa. soluções que dá às questões. as provas projetivas psicopedagógicas e outros instrumentos de pesquisa complementares. 1995). Ela ainda nos alerta que não se deve aplicar várias provas de conservação em uma mesma sessão. ou seja.. A dinâmica – é tudo aquilo que o sujeito faz. Ibid. . para se evitar a contaminação da forma de resposta. no qual expõe sucintamente os passos em que usou com grupos de estudo e cursos para o ensino do diagnóstico psicopedagógico. (Id. de sentar-se são tão ou mais reveladores do que os comentários e o produto. evolução e extração das conclusões úteis para entender a aprendizagem. o nível de estrutura cognoscitiva com que opera (2003. Isto será fundamental para a interpretação das condutas. p. talvez. seus argumentos e juízos. como arrumam o material. 11).É importante também observar três aspectos que fornecerão um sistema de hipóteses a serem verificados em outros momentos do diagnóstico: A temática – é tudo aquilo que o sujeito diz. 74) Visca (1987) observa que o que obtemos nesta primeira entrevista é um conjunto de observações que deverão ser submetidas a uma verificação mais rigorosa.. e reconhecer a diferenças funcionais realizando um estudo predominantemente qualitativo. ou seja. 1987. gestos.

as provas projetivas. 117) Para Sara Paín. deixando de lado a operação que já são capazes de fazer (2003. através dos quais é possível reconhecer três níveis em relação ao grau de consciência dos distintos aspectos que constituem o vínculo de aprendizagem. os fronteiriços (QI 70-80) podem chegar a ter sucesso na prova de conservação de peso. o que oferece a oportunidade de saber como o sujeito ignora (1992. obstáculos afetivos existentes nesse processo de aprendizagem de nível geral e especificamente escolar‖. em outro não. É possível. quando bem trabalhados. p. p... interpretar e estruturar o material ou situação reflete os aspectos fundamentais do seu psiquismo. que só não obtinham êxito na prova de intersecção de classes. podem obter êxito em provas de conservação de volume. os débeis mentais (QI 50-70) chegam a ter êxito na prova de conservação de substância. Em relação a crianças com alguma deficiência mental ela nos diz que: ―No caso de suspeita de deficiência mental. Sobre as provas projetivas Weiss observa que: ―O princípio básico é de que a maneira do sujeito perceber. o familiar e consigo mesmo. p. filhos de pais separados e com novos casamentos dos pais. Nível 3: As respostas demonstram aquisição da noção sem vacilação. Esta autora ainda nos diz que o pensamento fala através do desenho onde se diz mal ou não se diz nada. Pode-se ver se há um significado particular para a ação dessa prova que sofra uma interferência emocional: encontramos várias vezes crianças. 61). esquecer algo que lhe é apresentado. distorcer. Também permitirá avaliar a deteriorização que se produz no próprio pensamento.Nível 2 ou intermediário: As respostas apresentam oscilações. podem atingir o início do pensamento formal‖(2003. o que podemos avaliar através do desenho ou relato é a capacidade do pensamento para construir uma organização coerente e harmoniosa e elaborar a emoção. Visca também reuniu em um outro livro: Técnicas proyetivas psicopedagogicas.pode ocorrer que o paciente não obtenha êxito em apenas uma prova. assim. e às vezes. os estudos de B. buscar relações com a apreensão do conhecimento como procurar. cuja aplicação tem como objetivo investigar os vínculos que o sujeito pode estabelecer em três grandes domínios: o escolar. p. Podemos ainda citar crianças muito dependentes dos adultos que ficam intimidadas com a contra-argumentação do terapeuta. quando todo o conjunto sugere a sua possibilidade de êxito. . Em um momento conservam. (2003. os chamados de inteligência normal ―obtusa‖ ou ―baixa‖. e passam a concordar com o que ele fala. Inhelder (1944) em El diagnóstico del razonamiento en los débiles mentales mostram que os oligofrênicos (QI 0-50) não chegam a nenhuma noção de conservação. Muito interessante o que Weiss nos diz sobre as diferentes condutas em provas distintas: . Podem-se detectar. desse modo. 111). omitir. evitar.111-112). instabilidade ou não são completas.

a depender das características da família.. p. No mínimo se processa uma reflexão dos pais. a partir disso. O psicopedagogo deverá complementar ou aprofundar. a história vital nos permitirá ―. para que todos se sintam com liberdade de expor seus pensamentos e sentimentos sobre a criança para que possam compreender os pontos nevrálgicos ligados à aprendizagem‖. p. 62). toda anamnese já é. em alguns casos deixa-se a família falar livremente. 2003. Segundo Weiss. conhecimentos e tudo aquilo que é depositado sobre o sujeito. Ibid. Consiste em entrevistar o pai e/ou a mãe. o objetivo da anamnese é ―colher dados significativos sobre a história de vida do paciente‖ (2003. De acordo com Paín. O psicopedagogo deverá deixá-los à vontade ―. uma intervenção na dinâmica familiar em relação à ―aprendizagem de vida‖... o que inclui espontaneamente uma volta à própria vida da família como um todo (Id. concepção. 64). após a aplicação das provas operatórias e das técnicas projetivas o psicopedagogo levantará o 2º Sistema de hipóteses e organizará sua linha de pesquisa para a anamnese que. 42).106). elas devem ser feitas ao longo do processo diagnóstico. como já vimos.. p.. Weiss nos . Conforme Weiss. A anamnese é uma das peças fundamentais deste quebra-cabeça que é o diagnóstico. seus preconceitos. de modo a não contaminar previamente a percepção do avaliador. Weiss nos diz que: ―As observações sobre o funcionamento cognitivo do paciente não são restritas às provas do diagnóstico operatório. Através dela nos serão reveladas informações do passado e presente do sujeito juntamente com as variáveis existentes em seu meio. Para isto é preciso que seja muito bem conduzida e registrada. p. Ibid. terá lugar no final do processo diagnóstico. p.. extrair o máximo de informações possíveis sobre o sujeito. Observaremos a visão da família sobre a história da criança. p. 63). qual a seqüência e a importância dos fatos.. Os objetivos deverão estar bem definidos. expectativas. buscando o início da vida do paciente... . É importante iniciar a entrevista falando sobre a gravidez. realizando uma posterior análise e levantamento do 3º sistema de hipóteses. Deixá-los falar espontaneamente permite ao psicopedagogo avaliar o que eles recordam para falar. 2003. Na anamnese verifica-se com os pais como se deu essa construção e as distorções havidas no percurso. um mergulho no passado.‖ (2003. ou responsável para. em si. Em outros. pré-natal. e a entrevista deverá ter um caráter semidiretivo (2003.De acordo com a Epistemologia Convergente. afetos. faz-se necessário recorrer a perguntas sempre que necessário.detectar o grau de individualização que a criança tem com relação à mãe e a conservação de sua história nela‖ (1992. (Id. 61)...

‖. emprego de fórceps. sono etc. como ocorreram seus controles. se foi aceito pela família ou rejeitado. especialmente no nível de adequação perceptivo-motriz‖ (PAÍN. ‖ (1992. 1992. nas modalidades para a educação do controle dos esfíncteres quando apareçam perturbações na acomodação. Algumas circunstâncias do parto como falta de dilatação. Sobre o que acabamos de mencionar Sara Paín nos diz que é interessante saber se as aquisições foram feitas pela criança no momento esperado ou se foram retardadas ou precoces. aquisição de hábitos. alimentação. (WEISS. Estes pontos poderão determinar aspectos afetivos dos pais em relação ao filho. para determinar o deterioramento ou incremento no processo de evolução‖ (1992. 2003.. se ocorreram na faixa normal de desenvolvimento ou se houve defasagens.informa que.. tais como: como aprendeu a usar a mamadeira..66). ―costumam ser causa da destruição de células nervosas que não se reproduzem e também de posteriores transtornos. bem como a capacidade de coordená-los. 1992). é o chamado de hipoassimilação (PAÍN. p. Alguns pais retardam este desenvolvimento privando a criança de. Por outro lado há casos de internalização prematura dos esquemas. nos aspectos inconscientes de aprendizagem‖ (2003.. ―A história do paciente tem início no momento da concepção. p. pois seu organismo ainda está imaturo. é o chamado de hiperassimilação (PAÍN. o copo. suas conseqüências. aquisição da fala. É interessante saber sobre a evolução geral da criança. A mesma autora aconselha insistirmos ―. os esquemas de objeto permanecem empobrecidos. como e quando aprendeu a engatinhar.. pais que forçam a criança a fazer determinadas coisas das quais ela ainda não está preparada para assimilar. o que acaba desrealizando negativamente o pensamento da criança. a colher. Weiss nos orienta também saber sobre a história clínica.. etc. Se a mãe não permite que a criança faça as coisas por si só. adiamento de intervenção de cesárea. . Posteriormente é importante saber sobre as primeiras aprendizagens não escolares ou informais. 64). p. de algum modo. ou seja. diferentes laudos. não permite também que haja o equilíbrio entre assimilação e acomodação. por exemplo. 45). como foram tratadas. 42). circular de cordão. a andar. quais doenças. a controlar os esfíncteres. a andar de velocípede. tirar as fraldas para não se sujar e não urinar na casa. seqüelas. A intenção é descobrir ―em que medida a família possibilita o desenvolvimento cognitivo da criança – facilitando a construção de esquemas e deixando desenvolver o equilíbrio entre assimilação e acomodação. p. comer sozinha para não se lambuzar. ―Isto nos permite estabelecer um quociente aproximado de desenvolvimento. p.. É interessante perguntar se foi uma gravidez desejada ou não. que se comparará com o atual. 1992). Os estudos de Verny (1989) sobre a Psicologia pré-natal e perinatal vêm reforçar a importância desses momentos na vida do indivíduo e. 43).

Os pais. É necessário haver um roteiro para que o psicopedagogo não se perca e os pais não fiquem confusos. Encerrada a anamnese. os aspectos positivos e negativos e as conseqüências na aprendizagem. Ibid. não será possível realizar um contrato de tratamento. e posteriormente rearrumar a seqüência dos assuntos a serem abordados. exista muita ansiedade para todos os envolvidos no processo. p. 208).. feita aos pais e ao paciente. 1996. p.. 2003. A anamnese deverá ser confrontada com todo o trabalho do diagnóstico para se fazer a devolução e o encaminhamento. É preciso tomar consciência da situação e providenciar suas transformações. cognitiva e afetivosocial. muitas vezes acabam revelando algo neste momento que surpreende e acaba complementando o diagnóstico. enfim. ou que o terapeuta os traiu (1992. p. Todas estas as informações essenciais da anamnese devem ser registradas para que se possa fazer um bom diagnóstico. o psicopedagogo levantará o 3º sistema de hipóteses. 1992. sua adaptação. No sentido da clínica psicopedagógica a devolução é uma comunicação verbal. dos resultados obtidos através de uma investigação que se utilizou do diagnóstico para obter resultados. o paciente e os pais. Devolução no dicionário é o ato de devolver. trocas de escola. caso contrário. ―. Weiss orienta organizar os dados sobre o paciente em três áreas: pedagógica. É perfeitamente normal que. primeiro dia de aula. 130). entusiasmo. assim.. Alguns pais chegam à devolução sem terem consciência ou camuflam o que sabem sobre seu filho. porque escolheram aquela escola. talvez o momento mais importante desta aprendizagem seja a entrevista dedicada à devolução do diagnóstico. 130). no caso da criança. entrevista que se realiza primeiramente com o sujeito e depois com os pais (quando se trata de uma criança. a que ponto dará mais ênfase. de dar de volta (ROCHA. Segundo Weiss. ―ficam evidentes nestas falas as fantasias que chegam ao momento da devolução. seja o psicopedagogo. 72). e que estiveram presentes durante todo o processo diagnóstico‖ (Id. É importante que se toque inicialmente nos aspectos mais positivos do paciente para que o mesmo se sinta valorizado. quando começou a freqüentar a escola. Tudo deve ser feito com muito afeto e seriedade.A história escolar é muito importante. neste momento. Muitas vezes algumas suspeitas observadas ao longo do diagnóstico tendem a se revelar no momento da devolução. Muitas vezes a criança já se encontra com sua auto-estima tão baixa . possíveis rejeições. passando segurança. é preciso fazer a devolução utilizando-se de uma linguagem adequada e compreensível para sua idade para que não fique parecendo que há segredos entre o terapeuta e os pais. é claro)‖ (PAÍN. p.

. Instrumentos usados. Quaisquer que sejam os solicitantes é importante não redigir o mesmo laudo. Ibid.que a revelação apenas dos aspectos negativos acabam perturbando-o ainda mais. O informe é um laudo do que foi diagnosticado. 136). Ele é solicitado muitas vezes pela escola. Prognóstico. 138). p. outros profissionais etc. Em casos de quadros psicóticos. Período da avaliação e número de sessões. corporal. estimular a leitura em casa etc. amenizar a super-proteção dos pais. Posterior a esta conduta deverá ser mencionada as recomendações como troca de escola ou de turma. cognitiva. é preciso que se instale nele o desejo de aprender (Weiss. ou seja. Depois deverão ser mencionados os pontos causadores dos problemas de aprendizagem. Sua finalidade é ―resumir as conclusões a que se chegou na busca de respostas às perguntas que motivaram o diagnóstico‖ (Id. Bibliografia: BOSSA. fonoaudiólogo. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. neurologista etc. ______________. 2000. para cada solicitante deve-se redigir informações convenientes. Dificuldades de Aprendizagem: O que são? Como Trata-las? Porto Alegre. e as indicações que são os atendimentos que se julgue necessário como psicopedagogo. É importante que no momento da devolução o psicopedagogo tenha algumas indicações de instituições particulares e públicas que ofereçam serviços gratuitos ou com diferentes formas pagamento. Artes Médicas Sul. Porto Alegre.. Recomendações e indicações. A mesma autora sugere o seguinte roteiro para o informe: Dados pessoais. p. Síntese dos resultados – hipótese diagnóstica. afetivo-social. Isto evita que o problema levantado pelo diagnóstico não fique sem uma posterior solução. neuroses graves ou outras patologias. pois existem informações que devem ser resguardadas. Análise dos resultados nas diferentes áreas: pedagógica. 2003. E isto complica quando a família pertence a um baixo nível socioeconômico. Observações: acréscimo de dados conforme casos específicos. é necessário um tratamento psicoterápico inicial. Nadia A. 2000. Artes Médicas. o que acaba por inviabilizar a possibilidade para novas conquistas. psicólogo. Muitas vezes faz-se necessário o encaminhamento para mais de um profissional. Motivo da avaliação – encaminhamento. 2003. até que o paciente atinja um ponto tal que tenha condições de perceber a sua própria necessidade de aprender e crescer no que respeita à escolaridade.

de Curitiba. Serv. Técnicas proyetivas psicopedagogicas.G. do Rio de Janeiro. Psicopedagogia Clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. ___________. EPISTEMOLOGIA CONVERGENTE DE JORGE VISCA & A CAIXA DE TRABALHO PSICOPEDAGÓGICO * Autores:Hiran PINELPaulo Roque COLODETE A Epistemologia Convergente foi criada por JORGE VISCA (1935-2000) – remonado psicopedagogo argentido.[et al. em 1971. organização e tradução Andréa Morais. 2002. província de Buenos Aires. Atuação Psicopedagógica e Aprendizagem Escolar – Petrópolis. Artes Médicas. In: Psicopedagogia.. DP&A. Buenos Aires. PAÍN.Serv. O material disparador – considerações preliminares de uma experiência clínica psicopedagógica. Realizou numerosas publicações em seu país e no estrangeiro e participou de congressos internacionais representando a Argentina.Trabalhou como consultor e assessor na . 2003. Fermino Fernandes. Jean-Marie. 1995. Vozes. Foi psicólogo social. Foi membro de jurados para eleição de docentes nas Universidades de Buenos Aires. formado na Escuela Privada de Enrique Pichon Rivière. ___________. Rev 14 (33). RUBINSTEIN. Graduou-se em Ciências da Educação em 1966. Porto Alegre. 1987. Buenos Aires. Maria Isabel Guimarães – Rio de Janeiro: Nova Fronteira. em 14 de maio de 1935. VISCA.. São Paulo. Essas crianças que não aprendem: diagnóstico e terapias cognitivas.]. 2002. El diagnostico operatorio em la practica psicopedagogica. Província de Buenos Aires e o magistério na Escuela Normal de Profesores Mariano Acosta da Capital Federal. na Facultad de Filosofia Y Letras da Universidad Nacional de Buenos Aires. Fundou os Centros de Estudos Psicopedagógicos de Buenos Aires. 1995. ___________. 1985.BOSSE.. Cursou o bacharelado no Colegio Nacional de San Pedro.. RJ. rio de Janeiro. Revista Psicologia – USP e Revista Grupal da Federação Latinoamericana de Psicoterapia Analítica de Grupo. Epistemologia Convergente. Psicopedagogia: novas contribuições. DOLLE. Porto Alegre. Ag. L. Vera R. Vozes. Jorge. P.1991. Petrópolis. Sara. Rio de Janeiro. Quem foi Jorge Visca? Jorge Pedro Luiz Visca nasceu em Baradero. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. M. A especificidade do diagnóstico psicopedagógico in Sisto.G.Foi membro do corpo editor de: Aprendizaje Hoy (Argentina) e Publicações especializadas de Brasil: revista Brasileira de Pesquisa em Psicologia. Artes Médica. L. Edith. WEISS. de Misiones. Ag. Clínica Psicopedagógica. 1995. de São Paulo e de Salvador. Lomas de Zamora e Comahue.

formação de profissionais em diversos Centros de Estudos Psicopedagógicos. mas vividas de acordo cada sujeito:1. justamente. como vimos. Estádio da inteligência sensório motora (até os dois anos).De acordo com Visca (1991):No primeiro nível que corresponde a inteligência sensório-motora. É uma das abordagens mais modernas da Psicopedagogia.em 1985. As problemáticas de aprendizagem está indissociavelmente ligadas a alguns aspectos desse três fatores – sempre compreendidos de modo interdinâmico.) e a Psicologia Social de E. das possibilidades de ser feliz" (in Chardelli. A tarefa do mestre aí se inscreve como facilitador. Visca. 2. grupos operativos). e não um direcionador.. tendo Visca mostrado toda a sua magia. raciocínio clínico. em universidades no Brasil e na Argentina. Estádio da inteligência operatória formal (a partir de 12 anos. e a riqueza de aprendizagens daí advindas. 3. Publicou seu primeiro livro . É preciso ensinar numa didática que valorize a arte e ciência de pensar/ refletir sobre os conteúdos propostos na sala de aula e vividos dentro e fora dela. Entretanto. 2004. p.Piaget – como já vimos . que não são ―queimadas‖.. eu acho que aprendizagem. p. 1). Eu participei do curso. Escola Psicanalítica (Freud) e Psicologia Social (Enrique Pichon Rivière. para aprender a pensar socialmente é imprescindível a orientação do professor e o contato dos educando com outros de si – é bom lembrar o valor dado por Vigotski a mistura de alunos/ a de todas as idades. as ações da criança . traduzido para o português em 1987. A vida em sociedade é vital para a construção do conhecimento. 1). do mundo. 2000.). abre o caminho da vida. resistência etc. prevenção etc. 4. a Epistemologia Genética de Jean Piaget (exame clínico de Piaget. para uma pessoa. *· EPISTEMOLOGIA CONVERGENTE IA Epistemologia Convergente – a que faz convergir três abordagens conhecidas – apresenta uma dimensãio clássica de clínica. com patamar de equilíbrio por volta dos 14-15 anos). e que fornece muitos subsídios para o trabalho e construção social e historica da identidade profissional. a inteligência vai se construindo a partir da interação do sujeito e as circunstâncias do meio social (in Sampaio. esse psicopedagogo argentino bastante clínico do ponto de vista tradicional. por exemplo de: transferência e contra-transferência.Para Visca. a compreensão do erro etc. Essa abordagem trabalha com a Psicanálise (o conceito. tratamento corretor. é capaz da seguinte aformativa: ". Estádio da inteligência operatória concreta (de 7-8 anos a 11-12 anos).Faleceu em 2000. PichónRivière (aprendizagem centrada na tarefa.Clínica psicopedagógica . Criador da Epistemologia Convergente linha que propõe um trabalho clínico utilizando-se da integração de três linhas da Psicologia: Escola de Genebra (Psicogenética de Piaget). Estádio da inteligência simbólica ou pré-operatória (de 2 a 7-8 anos).dividiu o desenvolvimento humano em quatro etapas universais. na clínica de Maria de Fátima Aleixo. Em Visca compreendemos que a aprendizagem depende das seguintes estruturas: a cognitiva/afetiva/social. propondo diagnóstico. reportava-se muito a Piaget e sua Epistemologia Genética. etapas universais de idade cronológica. Ele esteve em Vitória (ES). Assim. É preciso não fornecer receitas e regras prontas.

as provas operatórias – exames clínicos de Piaget . o pensamento torna-se independente do concreto. impondo humildade de compreender o processo ensino / aprendizagem como um lugar de integração de diferentes modos de abordar o fenômeno da escolaridade e de suas complicações. p. conhecimentos.Na Epistemologia Convergente estuda-se a aprendizagem e seus problemas a partir de três vetores: . jogo.Uma abertura opõe-se ao preconceito e à arrogância. não representa para si mesma o ato do pensamento.A Epistemologia Convergente caracteriza-se por ser uma visão integradora do conhecimento. Há claramente uma distinção entre o significante (conduta de imitação.para verificar o nível cognitivo em que o sujeito se encontra . atitudes e habilidades‖.Esse processo se inicia a partir do momento em que cientistas abriram-se a outros modos de pensar / sentir / agir o processo ensino-aprendizagem.No segundo nível que corresponde ao da inteligência pré-operatória já existe uma representação ou simbolização.Essas relações – na prórpia vida vivida – se mostram nos mais diferentes e diferenciados tons: ora fortes. Porém o pensamento deste nível não pode organizar os objetos e acontecimentos em categorias lógicas gerais.· EPISTEMOLOGIA CONVERGENTE IITodo este tópico e os próximos – caixa de trabalho . objeto representado). ninguém pode aprender acima do nível da estrutura cognitiva que possui‖ (1991.O desenvolvimento cognitivo que implica uma boa aprendizagem não se respalda apenas no aspecto cognitivo.não tem representação. p. pois segundo Visca ―.Barbosa (2004) estudou também a Epistemologia Convergente .. e por ser informações reveladas de modo muito didático – e aí está o valor da produção dessa pedagoga e psicopedagoga brasileira – transcrevemos na maioria das vezs.A partir deste estudo de Jean-Piaget são aplicadas. é um pensamento abstrato. palavra) e o significado (situação evocada. 1) ―cada contexto oferece diferentes crenças.Na Epistemologia Convergente os fatores afetivos e sociais possuem uma grande influência no desenvolvimento/ aprendizagem do ser humano. 2004. o pensamento da criança torna-se reversível podendo realizar a operação inversa no pensamento. ora fracos. será escrito fundamentando-se em Barbosa (2004). concluindo que mesmo mudando a forma da massa de bolinha para salsicha percebe que essa transformação não modificou a quantidade do objeto. o fizemos dentro das normas – entre aspas. dos vínculos – bons ou maus – estabelecidos pelo aluno estando ele diante do objeto de aprendizagem.Segundo Jorge Visca (in Sampaio.No terceiro nível que corresponde à inteligência operatória concreta. ora de difícil compreensão e apreensão etc. 52).Como diz Sampaio (2004) existem crianças que possuem o mesmo nível cognitivo. desenho. imagem mental. e ao assim procedermos.. Freud. no diagnóstico. Por isso a ligação de Visca com S.No quarto nível que corresponde à inteligência formal ou hipotético-dedutiva. porém apresentam tematizações completamente distintas.A Psicanálise revela a importante das relações afetivas. ou seja. Piaget e Psicologia Social de Enrique.Esses vínculos são universais – são ahistóricos: refere-se às situações vividas pelo sujeito na fase atual em que se encontra. há apenas uma mera ação motriz.

Processo é o transcurso do que vai sucedendo e é uma característica de toda coisa de estar a cada instante de uma forma distinta da anterior.A partir desse interesse. p. Mager. p.. penetrandoos e os marcando. a ação do correto funcionamento de um aparelho ou organismo (Barbosa. ―(.Prosseguindo com o raciocínio viscaneano. Visca construiu uma proposta de diagnostico e sua correspondente de processo interventor ou corretor. assim pode haver classificação que insira Sigmund Freud como inatista .A Epistemologia Convergente – nesse contexto – pode ser compreendida como um aporte teórico/ prático a visão que pode superar as teorias inatistas – a aprendizagem depende do organismo. Watson. e dentre os ambientalistas..) denomina-se Processo Corretor por ser um caminho que supõe um constante ―devenir‖ e por conceber a busca do correto a partir da relação entre o aprendiz e o agente corretor. entre ele. 2004. provocando no sujeito um desequilíbrio ótimo. e estando livre e solto... Mas por que ele utiliza o termo Processo Corretor? Que estranho nome? Corrigir?―(. modelo de .utiliza-se de recursos de intervenção. (..Eis os recursos ou instrumentos que podem ser utilizados pelo professor/pedagogo/psicólogo/especialista em Psicopedagogia: informação. neles mesmos. 1).Mas com qual objetivo se estabelece essa relação?O objetivo de realizar operações que estabilizem condutas e promovam desenvolvimento. capaz de mobilizá-lo para a busca do equilíbrio e. a pessoa aprende.) cada uma delas estudada e aprofundada por uma determinada vertente‖ (Barbosa.Psicogenética em Jean Piaget . Visca fala de múltiplas causas. acontece de modo clássico: após o processo diagnóstico.O processo corretor ou a intervenção proposta por Visca. conseqüentemente. com ou sem professor ou educação . Entretanto essas classificações nunca são perfeitas. o ajudador – Visca explicita o psicopedagogo. temos o termo corretor que é formado por ―co‖ e ―reger‖. um ajudado e uma relação que se estabelece ai.Dentre os pe nsadores inatistas na educação podemos citar Arnold Gessel e a maioria dos teóricos da Psicologia Motora ou Psicomotricidade assim como os da Neuropsicologia. não tendo ele nenhuma história. Skinner. sendo o primeiro elemento – co – uma forma prefixal latina da preposição com. mostra.) Por outro lado.A intervenção é realizada por uma unidade funcional: um ajudador.Esses recurso são instrumentos verbais ou corporais para que o aprendiz/ ajudado apreenda ou perceba a pertinência ou não de sua ação. devido ao diferentes momentos sociais e historicos dos cientistas e dos cientistas que os (re)leiam.. Barbosa (2004) afirma que no processo de ajuda. pois ele é um e trabalha para dentro do contexto argentino . e o segundo – reger – . posssibilitando ao professor/pedagogo/psicólogo pensar/refletir sobre as mais diversas ―causas‖ dos problemas que emergem e aparecem no decurso da aprendizagem e do ensino.e ambientalistas – o ambiente é que molda e controla o sujeito. Freud e os vínculos sociais em Enrique PichonRivière. 2004. o afeto em S. da aprendizagem. 1).A Epistemologia Convergente tem uma perspectiva que integra três teorias. É da cooperação entre ambos que nasce a possibilidade de superação das dificuldades. Bloom. tábula rasa que é.

Que mundo interno é esse?Visca. no qual a criança poderá depositar seus conteúdos de saber e de não saber.A psicanalista – esposa de PchonRivière – Arminda Aberastury (1982) denomina de ―símbolo‖ da receptividade do terapeuta e do consultório.. suas fantasias inconscientes frente ao mundo‖ (Barbosa. 2004) sugere uma forma de atendimento psicopedagógico denominada de Caixa de Trabalho – idealizada e publicado em 1987.Ela estabelece ou ajuda a emergir ali no setting clínico o rapport.e no estudo de caso ―Dibs's: Em busca de si mesmo‖ relata uma caixa que levava consigo.Barbosa (2004) acrescenta outros recursos: vivência do conflito. Também nela contém objetos que foram especialmente escolhidos. a superação ou a minimização das dificuldades de aprendizagem. capaz de provocar a menina a revelar-se quem é e o como ela ia sendo estando vivenciando uma relação afetiva de qualidade.Pinel e Colodete (2000) destacam a importância da escuta clínica (2004) e sensvel (Barbier. aceitativo e honesto. das brincadeiras etc. 1). 2004.A Psicanálise de Melaine Klein – que também trabalhava com uma caixa dessas – falaria do inconsciente. personalização e orientação – diretiva e não diretiva. portanto. interpretação. problematização. atendimento. uma espécie de mala contendo denbtro alguyns brinquedos. se mostram tais quais são – seu eu mais profundo. 2004. pela privacidade que ela representa e pelos combinados que vão preceder e acompanhar o seu uso. Ela traz dentro materiais que possibilitem a vivência do aprender para a criança ou para o adolescente.A caixa de trabalho é uma propriedade temporária – no instante do tratamento – do educando..alternativas múltiplas.Essa ―caixa‖ serve para que o ajudador trabalhe os problemas de aprendizagem ou dificuldades psicopedagógicas. sob o impacto da voz de Barbosa (2004). pelo cuidado com a caixa.Colodete (2004) ao atender Ingridi – ―O que fazer depois da tempestade: .· CAIXA DE TRABALHO (RE)CRIADA POR VISCAVisca (in Barbosa. responde que o mundo interno de um aprendiz há conhecimentos já dominados... explicação intrapsíquica. Tem elementos capazes de promover.Já a Caixa de Trabalho é para o trabalho do psicopedagogo.Essa qualidade relacional deve ser mantida sempre.Virginia Axline em ― Ludoterapia ‖ – tratamento de problemas psicológicos atrabés do brinquedo..Continua Barbosa (2004) a dizer que a ―Caixa de Trabalho ‖ é metafóricamente considerada como um continente.Esta caixa deve conter materiais que são escolhidos previamente. sem sofrer ameaças de ser invadida ou espiada por terceiros (Barbosa. assinalamento. se forem bem mediados pelo terapeuta.A caixa deve representar ―(. s/d). Através dos brinquedos as crianças se projetam.‖ – inventou uma ― Bolsa Mágica ‖.1). deve ser manejada apenas pelo seu dono.. medos de . marcado pela sintonia. desempenho de papéis. p.―(.) o mundo interno do aprendiz e. acréscimo de modelo. . mudança de situação. destaque do comportamento. Pinel (1989) destaca a importancia do estabelecimento de um clima empático. considerando a leitura que o ajudador fizer do educando/ orientando durante a avaliação psicopedagógica.) a caixa [na Psicanálise] é composta por brinquedos e materiais escolhidos para representarem o mundo interno da criança. p.

livros.Em fim. se colocarmos muitos materiais com esta característica. os materiais estruturados ou semi-estruturados . sensibilidades e insensibilidades etc. receitas.cadernos. estamos colocando algo que vai possibilitar sua identificação com a caixa. Ao colocarmos um material não estruturado em sua Caixa de Trabalho . porém. estaremos aprontando uma armadilha para o aluno/ aprendiz.. medos de perder os conhecimentos já dominados.. vínculos afetivos estabelecidos com as situações de aprendizagem. mesmo com um rebaixamento cognitivo. a modificar . peças para montar e outros .Os objetos especialmente selecionados deverão considerar e respeitar aspectos tais como: idade cronológica e idade de desenvolvimento. interesses. que subsidiará a construção (que materiais colocar dentro dela) dessa caixa. aproxima-se mais de situações lúdicas.ou seja.são passíveis de serem moldados de acordo com o desejo do sujeito aprendiz.são muito pertinentes. dificuldades frente a outros.Barbosa cita um exemplo:―(.tinta. nível de apropriação da linguagem escrita.Como construir essa caixa ?A organização de uma Caixa de Trabalho está estreitamente ligada aos resultados da avaliação diagnóstica psicopedagógica.Aqui o sujeito já é afeito a fazer as coisas do seu jeito. como Vigotski pontua: a criança comparece com uma aprendizagem. medos da crítica.Os objetos a serem colocados na caixa de trabalho serão objetos que representarão estes aspectos do seu mundo interno ou que receberão projeções para que passem a representá-los. facilidades e dificuldades. argila.O excesso de materiais não estruturados para este tipo de orientando representa o excesso de recursos distratores – que produzem distração . facilidades para se apropriar de determinados conhecimentos. que o obriga a modificar os esquemas de aprendizagem já existentes.conhecer o novo. pois convidam o aprendiz a experimentar o jeito sugerido pelo outro. funcionamento para aprender e diferenças funcionais. que apresenta um desempenho cognitivo para sete anos. uma Zona de Desenvolvimento Real. as aprendizagens são buscadas quando assemelhadas aos seus esquemas de aprendizagem.Será pois a avaliação do real da criança. modelos. sua caixa deve ter pelo menos um jogo e um livro de literatura infantil que sejam próprios para um menino de sete anos. características sócioculturais. fazendo poucas mudanças nos esquemas já existentes. jogos com regras.Os materiais não estruturado . demonstrando pequeno movimento de acomodação .) se temos um menino de dez anos.dificultando sua concentração e sua busca em direção ao movimento de acomodação.Nesse ponto vale a pena assinalar a visão psicanalítica de Jorge Visca.sua caixa deve conter apenas um material não estruturado e mais materiais estruturados. a criança pode manter os interesses de sua idade cronológica‖ (p. sexo. além de outros que atendam necessidades de um menino de dez anos. pois ele ficará tão preso a esse tipo de material que não conseguirá experimentar a mudança da qual necessita para superar suas dificuldades de aprendizagem. Nestes casos. 1).· O diagnóstico pode se utilizar da caixa ?Prossegue Barbosa (2204) dizendo o funcionamento do aprender impõe considerações acerca do fazer: se o educando apresenta o predomínio da assimilação .

de organizar um combinado.peças de encaixe. que o fazem de forma excessiva ao ponto de se aproximarem da imitação e não da criação . Esse tipo de material deve existir apenas um. colocarmos mais elementos capazes de serem integrados.A Caixa de Trabalho é individual.levando-se em conta as dificuldades. personalizada. conter os materiais de aprendizagem: materiais não estruturados .Estamos a falar de um contrato clínico psicopedagógico – escrito ou não. facilidades e necessidades do educando. já internalizou o espaço e já pode entrar em contato com outras novidades. borracha.prossegue Barbosa (2004). jogos com modelos. honorários. é importante colocarmos mais convites à autonomia .jogos com regras. tinta. por exemplo. miniaturas. os materiais pouco estruturados ou não estruturados são necessários em maior quantidade. em relação a estas constantes.Conforme a necessidade apontada pela avaliação .Visca (1987) sugere trabalhar – nos enquadres .Se o vínculo é dependente e obstaculizador.. lápis.ENQUADRAR significa a possibilidade de pensar/ sentir/ agir um contrato. estes sujeitos necessitam poder fazer coisas sem seguir modelos. tesoura. porém. materiais semiestruturados . blocos etc.com constantes de tempo. no dia em que entrar sem reclamar.Barbosa (2004) cita um exemplo: se as sessões acontecem sempre no mesmo espaço e sempre a criança reclama para entrar.Falamos de Psicopedagogia Clínica Aplicada as Salas de Recursos de Escola Públicas .Deverá. revistas etc. massa de modelar etc. para servir de ponto de partida. é importante que respeitemos os vínculos que as crianças apresentam com as situações de aprendizagem. livros.seus esquemas. necessitam flexibilizar.Podemos entender.. diz Barbosa (2004). a olhar de um outro ponto de vista etc. que a criança venceu seu medo da novidade. ela estará dando nova dica sobre a relação do seu movimento com aquele espaço constante. régua etc. neste caso. tarefa. que chamem para novas confusões e desequilíbrios saudáveis. É organizada . para que o movimento do aprendiz.Uma Caixa de Trabalho deve ter materiais básicos que servem de apoio ao orientando / aluno: papéis. espaço. revistas para recortar.Se o espaço .· O ENQUADRAMENTO é uma palavra utilizada por Pichon-Rivière – criador do Grupos Operativos – GO. ainda.O enquadramento faz permanecer constantes alguns elementos para que outros possam movimentar-se e serem percebidos a partir de uma referência.Além do nível cognitivo e do funcionamento para aprender. caneta hidrocor. cadernos e outros. sem modificar seus esquemas de aprendizagem. colocarmos elementos novos. que tragam o novo para ampliar o já conhecido. sugerindo a superação da dificuldade. Vínculo integrado. apontador.argila. esta lista pode ser ampliada: cola. para podermos ter claro quando é possível cumpri-lo ou não e para podermos avaliar o porquê das possibilidades e das impossibilidades. possa ser observado e para que o terapeuta possa ter parâmetros de ação.que estão sempre modificando seus esquemas em função da interação com o mundo . Fazemos um ―contrato‖ – tempo de duração do atendimento em consultório de psicopedagogia em salas de resursos de escolas públicas. materiais estruturados .Para aqueles que apresentam o predomínio da acomodação . Vínculo persecutório .

Conversamos sobre a pertinência de um brinquedo eletrônico para sua aprendizagem e sobre a autoridade financeira. Dependendo de outros fatores que estão relacionados com suas dificuldades – escolares..será válido.O aprendente e o educador da sala de recursos – que trabalha aplicando a ela conhecimentos de Psicopedagogia Clínica .Seguindo os mesmos critérios. Isso é uma interpretação por inferência e referendada numa sensibilidade clínico psicanalítica. podemos mostrar que está funcionando de uma forma não produtiva . cada vez o aprendiz/ aprendente poderá abordar o material de forma distinta. repete-se pega uma folha de papel e faz o mesmo desenho.Este ato sentido – contribuindo para a aprendizagem ou para a minimização da dificuldade de aprendizagem. Então daí podemos mobilizar o aprendente outra vez.) um cliente me disse que queria um brinquedo eletrônico em sua caixa e que ele me pagava para isto. Uma reposição sem critérios poderá não ajudar na evolução da criança ou do adolescente. Entretanto. ou não – a escolha é dele. certamente não teríamos a mesma segurança de análise frente às suas reações. disse Barbosa (2004)―( . conforme o caso.novos contratos na revisão de contrato terapêutico.. Deve sempre ocorrer clareza dos objetivos desta ação sempre sentida.E quando desejamos colocar na caixa um ou mais material que não foi planejado.Uma vez.Se num mesmo encontro. Isto só pode acontecer se fizer parte de um combinado/ contrato entre aprendente e o psicopedagogo ou educador especial de sala de recursos. Ela ―aguardará‖ a criança.não fosse constante. tendo a característica de ser uma constante do enquadramento.emocionais etc. o que foi estabelecido no contrato. ou escreve a mesma coisa anterior. em todos os encontros. a reposição deverá ser realizada dependendo da consciência que ela possui em relação aos limites e ao seu descontrole frente aos limites.A Caixa de Trabalho como constante do enquadramento só pode sofrer modificações com novos combinados .Se uma criança gasta toda a sua cola numa tarefa de recorte e colagem.irão democráticamente juntos analisar tal necessidade e. VISCA (1987) considerou a Caixa de Trabalho como a tarefa a ser oferecida ao orientando/ educando/ aprendiz. colocada e ficando sempre sempre no mesmo lugar. Ela oferecerá a cada encontro a mesma gama de possibilidades de ação. pois o ensinante também necessita organizar-se. poderá também haver reposição de materiais. o acréscimo será realizado ou não. Ocorrer isso. .Com este objetivo. transformando sua desorganização maior. fica mais difícil de perceber a aprendizagem . se cada vez ela fosse para uma sala diferente. desde que se tenha um objetivo muito claro para esta mudança e prefencialmente em concordância com o aprendente e ensinante. a caixa será sempre a mesma. ele entra em contato com tudo o que há na caixa e não realiza nada .Após montada.Se o aprendiz. e assim por diante.É comum crianças e adolescentes quererem trazer objetos de casa ou levar objetos da caixa para casa. novas combinações devem aparecer produzindo sentido.Quando tudo se movimenta. Dependerá do combinado anterior. Materiais podem ser retirados ou colocados. podemos arriscar/ sugerir dizendo que ele está preso ao conhecido e teme enfrentar novas situações.

a caixa passa a ser daquele determinado aprendente / aprendiz / cliente. prossegue Barbosa (2004). utilizando referenciais viscaneanos ou apenas kleineanos. o psicólogo psicopedagógico fará uso dos recursos de intervenção para promover o seu avanço – frente ao ato sentido de Cuidado . pintura ou qualquer outra forma que quiser e para a qual tenha o material.o pedido não foi aceito. a partir deste momento.A partir deste primeiro encontro.em relação às suas dificuldades de aprendizagem. (. O psicopedagogo poderá entrar em contato. para um estágio em Orientação Educacional. que deseje trabalhar com a caixa. isto é. ES. indicando. 1). É pois identificada de quem é a caixa – e o aluno ao identificar a caixa .. inventando possibilidades. não se encontra na tranca. no entanto.O aprendente organiza a caixa como desejar e poderá personalizá-la . Mas deu certo. e os materiais em sacolinhas de plástico. Essa experiência em fiz uma vez na Escola Terfina Rocha Ferreira. que mantém os combinados‖ (p. junto a alunos empobrecidos pelo Estado marginalizador. mostrando-se nos tracejados. Fico a pensar em um ―cantinho‖ de um armário – do tipo escaninho – que tem a porta fechada.e permite que ele escolha a atividade que quiser a partir dos materiais. a sua neutralidade. ou existenciais em Rogers. Este material ainda não foi utilizado por ninguém. realizando um desenho. escolhas de desenhso etc..até a abstrata interpretação . localizada no Bairro Itacibá. Forghieri etc. poderá inventar táticas – como diz Certeau (1996) – de enfrentamento. para que eles tenham certeza de sua propriedade e privacidade. o pedagogo especialista em Psicopedagogia deve esperar o orientando – seu cliente da sala de recursos . desta forma. .A ação do especialista em (Psico)Pedagogia num atendimento psicopedagógico com a Caixa de Trabalho é menos diretiva na escolha da atividade. mas na atitude do terapeuta.como a informação. Rúdio. Atendi. usando uma etiqueta . bastante efetiva através dos recursos interventivos que utiliza. embora seu desejo continuasse o mesmo. ainda não tem história e vai. cinco alunos apenas.Observando / sentindo as ações do cliente. identifica-se.No primeiro encontro.) Alguns profissionais utilizam cadeados nas caixas que oferecem aos clientes. Binswanger. penso em uma caixa de papelão que o aluno e seus pais podem trazer de uma loja – onde irão pedir para o nosso trabalho.Estes recursos podem ser desde o tipo mais objetivo . Esta segurança. para atender às suas necessidades. ter um dono e fazer parte da história dele. de si e do outro e de si mesmo . para aumentar o repertório .que analisa a conduta do aprendiz como um todo. Ela é entretanto. algum educador de escola pública. Entretanto. a caixa estará vazia .É pois um procedimento caro se aplicado em escolas públicas. colagem. portanto. cidade de Cariacica.· Como Jorge Visca propõe o uso da caixa no tratamento ou processo corretor?Prossegue Barbosa (2004) dizendo que após montada.com a caixa no mesmo lugar – lugar escolhido entre ambos .Outras vezes. Ele mesmo é quem a personaliza e organiza com os materiais escolhidos pelo psicopedagogo.

espontâneo e rico em seus resultados. podem ser acrescentados outros materiais e. vale dizer naquilo que alguém aprende e aprende a aprender. ou melhor dizendo.EOCA ―Resumirei agora os principais aspectos do instrumento que denomino entrevista operativa centrada na aprendizagem e que minha equipe abreviou para EOCA. em seus aspectos manifestos. A EOCA pretende ser um instrumento simples. sobre a investigação do modelo de aprendizagem. Para a presente exposição. nos postulados da psicanálise. por outro. na psicologia social de Pichon Riviêre e. tomando também a modalidade experimental do método clínico da Escola de Genebra. Mas. o que te ensinaram e o que aprendeu‖ e um material também simples que se encontra sobre a mesa e que se oferece ao entrevistado dizendo-lhe mais ou menos como continuação do que se falou antes: ―este material é para que você o use se precisar para mostrar-me o que te falei que queria saber de você ―. sigla com a qual é conhecida atualmente. em pôr-se em contato com o entrevistado através de uma instrução: ―gostaria que você me mostrasse o que sabe fazer. se focaliza sobre a aprendizagem. tanto na instrução quanto nos materiais haverá diferenças segundo se trate de uma criança na fase pré-escolar. por um lado. Consiste simplesmente. Este instrumento inspira-se. Os materiais que geralmente apresento para esta idade são: — folhas lisas tamanho papel de carta — folhas pautadas — lápis novo sem ponta — apontador — caneta esferográfica — borracha — tesoura — papel fantasia (em quadrados de 10 x 10 Cm) — régua — marcadores — livro ou revista Conforme os casos. de escolaridade primária. de um adolescente ou de um adulto. centrar-me-ei na criança na fase escolar. que geralmente não é necessária. podem-se incluir alguns jogos com . diferente de todas elas. Evidentemente. em situações muito especiais numa segunda entrevista.

. c) o produto. numa leitura sutil. — pedir que lhe digam o que pode fazer. muito sobre o sujeito. b) a dinâmica. escrever. áreas de expressão da conduta. É interessante ver como ao lado de uma perfeita organização sintática e uma adequada justificação lógica pode coexistir um mundo de fantasias que distorcem a aprendizagem e as situações em que esta ocorre. a intenção é permitir ao sujeito construir a entrevista de maneira mais espontânea. porém dirigida de forma experimental. . fazer alguma coisa de matemática ou qualquer outra coisa que lhe venha à cabeça. ansiedades. mas simplesmente se está diante de uma situação por descobrir ou revelar.. o entrevistador se limita a pedir-lhe que lhe mostre outra coisa: ―você já me mostrou como desenha. pode . Se se verificasse um tipo de reação como a penúltima das enumeradas. depois de animar a criança a fazer o que queira. agora eu gostaria que me mostrasse outra coisa qualquer que não seja desenhar‖ e assim sucessivamente. Uma vez proposta a instrução inicial. mobilidade horizontal e vertical. De modo algum se espera um determinado resultado ou se espera que não ocorra determinada situação. A temática consiste em tudo o que o sujeito diz. etc. — começar a desenhar. o entrevistado pode ter diversas formas de reação: — começar a falar. Durante a EOCA. Tais intervenções têm por intenção observar: — a possibilidade de modificação da conduta. — as justificações verbais ou pré-verbais. — a aceitação ou a recusa do outro (assimilação. Mas esta atitude de relativa passividade do entrevistador não implica que o mesmo deixe de assinalar situações como: ―3 vezes 3 são 9‖ (diante de uma conta) ou ―a régua desliza quando você traça uma linha‖ ou ―eu pensei que você ia expor o problema de maneira diferente‖. — a desorganização ou reorganização do sujeito. é importante observar três aspectos: a) a temática.. o que terá.‖ Em todo momento. ―você pode desenhar.seus regulamentos. Esta primeira forma de resposta já é um dado muito importante que diz. por exemplo. projeção). acomodação. — ficar paralisado. um aspecto manifesto e outro latente. etc. etc. Este modelo consiste numa enumeração não taxativa cuja intenção é unicamente a de desencadear respostas por parte do sujeito. escrever. como toda conduta humana. fazer contas. Interessa observar seus conhecimentos. introjeção. atitudes. destrezas. Uma vez que o entrevistado mostrou como opera em relação a algo. níveis de operatividade. mecanismos de defesa.se empregar um recurso que denomino modelo de alternativa múltipla. etc. etc.

aprende a ganhar e a perder. postura corporal.Neste caso. computador e outros. etc. Em todos os casos é necessário levar em conta que o que se obtém nesta primeira entrevista é um conjunto de observações. tons de voz. permitindo-lhe a compreensão desses erros. fazendo-lhe um programa de métodos e hábitos . são tão ou mais reveladoras que os comentários e. cubos. Quando um adulto comenta o que faz revela. os materiais podem tender a ser do tipo da massa de modelar.Solicitará ao aluno as tarefas escolares. É através dos jogos que a criança adquire maturidade. a posição na ‗ponta‖ da cadeira. até mesmo. brinquedos. histórias. reencaminhará a criança/adolescente para outros profissionais. brincadeiras. revendo os cadernos. conforme o caso. o produto. etc. o qual estará formado pelos sintomas (com seus indicadores) e certas idéias de quais são as causas atuais que o provocam. Artes Médicas. Durante a intervenção psicopedagógica. Freqüentemente. O produto é o que o sujeito deixa plasmado no papel. desenhos. que pode ser complementada com outras atividades.Epistemologia Convergente Porto Alegre. fichas. etc. seus temores e satisfações. que deverão ser submetidas a uma verificação mais rigorosa. Jorge. Pode recorrer a jogos. Estes três níveis de observação são os que darão o primeiro sistema de hipótese.O trabalho do psicopedagogo é diferente de aluno para aluno. etc. aprende a ter limites. desenvolve o raciocínio. aprende a concentrar-se e adquire maior atenção. e o que poderá estar a causar o bloqueio. seu nível de competência e desempenho.Ajuda o aluno a encontrar a melhor forma de estudar para que se processe a aprendizagem.‖ Extraído de Visca.A dinâmica consiste em tudo que o sujeito faz que não é estritamente verbal: gestos. entre outros aspectos. a qual constitui o passo seguinte do processo diagnóstico. incluindo ~ até. Clínica Psicopedagógica. a mesma seqüência com que se foram produzindo os resultados. são realizadas diversas actividades com o intuito de facilitar a melhor forma do aluno aprender. etc. observando a sua organização e os possíveis erros. a maneira de pegar os materiais. e com os adultos a EOCA pode adotar as características de uma conversação.. Com as crianças menores.1987 O processo Psicopedagógico divide-se em três etapas: Avaliação/diversas áreasDiagnósticoIntervenção O psicopedagogo poderá identificar no diagnóstico outros problemas que não sejam da sua área de competências.

e podem dar muitas informações que podem ajudar o psicopedagogo no seu trabalho. neurológico. onde se relacionam o corpo. Através de experiências científicas constatou-se que o sucesso na aprendizagem depende de seu amadurecimento fisiológico. diagnósticos e intervenções A aprendizagem é uma função integrativa.de estudo. A aprendizagem depende de uma complexa integração dos processos neuropsicocognitivos e de uma harmoniosa evolução de habilidades básicas. entendemos que o ser humano faz.A quem é indicado o acompanhamento psicopedagógico?. por isso é importante não somente focalizarmos as funções cerebrais e sua relação com os processos cognitivos.. mas também está arraigado ao psíquico. dificuldades de aprendizagem. emocional. intelectual e social. que não de pende somente do cerebral. a psique e a mente para que o indivíduo possa apropria-se da realidade de uma fora particular. Afinal.Crianças e adolescentes. também têm um contacto diário com o aluno. mas também entender que cada indivíduo terá sua forma particular de processamento de informação. quais sejam: Gnosia ou processamento perceptivo Praxias ou processamento psicomotor . sente e pensa. A estrutura psíquica é aquilo que habitualmente chamamos de afetividade. Áreas onde actua: Dificuldades de aprendizagem Insucesso escolar Défice de competências pessoais e sociais Distúrbios da linguagem Distúrbios emocionais Distúrbios do comportamento Métodos e hábitos de estudo Aprendizagem. Levando em consideração este fato.Crianças e adolescentes com Necessidades Educativa Especiais. sempre com o objectivo de lhe aumentar a auto-estima. tendo como objectivo a troca de ideias e procedimentos.O profissional poderá ir à escola para conversar com o professor e/ou outros técnicos.

Os transtornos de aprendizagem não devem ser confundidos com outras deficiências como o atraso mental. já que envolve a disposição neurológica do cérebro para a recepção dos estímulos. a surdez. utilizando as experiências que a pessoa possui. organizar a informação ou aprender matemática. A Dimensão Motora permite também as coordenações dinâmicas manuais imprescindíveis para a leitura e a escrita como a coordenação óculo-manual ou visodigital. escrever. como por exemplo. A Linguagem é o meio através do qual nos é possível tomar consciência de nós mesmos e de exercitar o controle voluntário de nossas ações. o psíquico e o cognitivo e de pende das associações neurais que são organizadas de forma específica. Nenhuma dessas deficiências constitui um transtorno de aprendizagem. . O Pensamento é a capacidade psicognitiva para a resolução de problemas novos. Estas diferenças interferem na capacidade de pensar ou recordar. ou entre a habilidade evidenciada e o rendimento acadêmico. ―O termo dificuldades/transtornos de aprendizagem descreve um transtorno neurobiológico pelo qual o cérebro humano funciona ou é estruturado de maneira diferente. motivo pelo qual requer processos especiais para seu desenvolvimento. escutar. recordar. ―Um transtorno de aprendizagem é um impedimento psicológico ou neurológico para a linguagem oral ou escrita ou para as condutas preceituais. A Memória é um processo muito complexo que abrange o neurológico.Atenção Memória Pensamento e Linguagem As Gnosias se referem ao reconhecimento de um objeto através de uma modalidade sensorial. Os transtornos de aprendizagem podem afetar a habilidade da pessoa para falar. As Praxias se referem à execução de atos voluntários complexos aprendidos durante a vida. soletrar. O impedimento: · Manifesta-se por meio de discrepâncias entre as condutas específicas e suas execuções. constituindo uma enorme rede distribuída pelo córtex cerebral e as formações subcorticais. A Atenção é uma condição básica para o funcionamento dos processos cognitivos. cognitivas ou motoras‖. ler. raciocinar. a cegueira ou os transtornos de comportamento. pentear-se. · É de tal natureza e extensão que a criança não aprende com os métodos e materiais apropriados à maioria das crianças. o autismo.

coloca o link em cima e escreve embaixo as palavras Oficinas e Materiais. precisou adotar esse tipo de comportamento que mereceria um nome positivo. (Sara Pain. seu quociente intelectual e a escolaridade própria da sua idade. para equilibrar se.br. você disponibiliza em seu blog e site o logotipo do meu site que está anexo.· Não é devido principalmente a atraso mental. cálculo ou expressão escrita. O Manual diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais (DSMIV)8 propõe os seguintes critérios estatísticos: a. O rendimento do indivíduo na leitura. 1983).. porém. avalia dos mediante testes normalizados e administrados individualmente situa-se significativamente abaixo do esperado. onde ministro oficinas de atualização profissional na área da psicopedagogia e comercializo materiais de apoio psicopedagógico e venho lhe propor uma parceria . cálculo ou escrita. Assim pois. Postado por Mônica às 04:45 Reações: 6 comentários: PSICOPEDAGOGIA disse. em primeiro lugar parabéns pelo blog. sou Valeria Tiusso. o rendimento no cálculo ou as capacidades para escrever excedem as habitualmente associadas a esse déficit. "Podemos considerar a dificuldade de aprendizagem como um sintoma. mas sim entra numa variedade peculiar de comportamentos nos quais se destaca como sinal de descompensação.Psicopedagoga e mantenedora do site www." "Nenhum fator é determinante do seu surgimento e ele aparece da fratura contemporânea de uma série de concomitantes. as dificuldades para a leitura. c. problemas emocionais ou falta de oportunidades para aprender ―7. adorei. mas que caracterizamos como não-aprendizagem.psicopedagogavaleria. A alteração do critério interfere significativamente no rendimento acadêmico ou nas atividades da vida cotidiana que exigem habilidades para a leitura." "O sintoma deve ser entendido como um estado particular de um sistema que. no sentido de que o não aprender não configura um quadro permanente. com outra disposição dos fatores que intervêm"9.com. a não aprendizagem não constitui o contrário de aprender. b. considerando-se a idade cronológica do sujeito. Olá monica .. em troca estou disponibilizando em meu site . já que como sintoma está cumprindo uma função positiva tão integradora como a primeira. Se há um déficit sensorial ou atraso mental.

todo mês..psicopedagogavaleria.br. parabéns pelo blog. Olá Monica. sou Valeria Tiusso. para realizar uma oficina 0n-line com direito a certificado. e em contra partida eu disponibilizo o seu link em meu site na página só de blogs das minhas parcerias.. 21 de julho de 2010 15:57 Sandra Maria disse. . e você concorrerá a um sorteio... você faz uma visitinha e se gostar do site disponibiliza em seu blog o logotipo do site que posso lhe enviar. assim que disponibilizar o link me avise para colocar o e-mail no sorteio e disponibilizar seu logo em meu site. Esta postagem foi removida pelo autor. de uma vaga totalmente grátis até o final do ano. de uma vaga totalmente grátis até o final do ano. todo mês.Caso aceite a idéia.. coloca o link em cima e escreve embaixo as palavras Oficinas e Materiais. Abraços Valeria 21 de julho de 2010 15:49 PSICOPEDAGOGIA disse. Abs Sandra (futura psicopedagoga) 23 de agosto de 2010 12:52 PSICOPEDAGOGIA disse.uma página só de blogs das minhas parcerias.Psicopedagoga e mantenedora do site www.. e você concorrerá a um sorteio... onde ministro oficinas de atualização profissional na área da psicopedagogia e comercializo materiais de apoio psicopedagógico e venho lhe propor uma parceria . Olá Monica .com. PSICOPEDAGOGIA disse. gostaria de saber o autor ou autora do primeiro texto: O DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO.

mas filho de pais franceses Alfonso Pichon e Josefina de La Riviére. Amante dos esportes foi campeão de e praticava natação. mas devido às chuvas e inundações foram residir em Corrientes onde plantavam algodão e tabaco. Caso aceite a idéia. Em Cacho Pichon viveu situações de inundações e colaborava na evacuação das pessoas do local e organizava um futebol para aliviar a tensão. Enrique Pichon-Rivière definia a sua família como forte. Inicia sua prática no Asilo de Torres onde utiliza o futebol como terapia grupal dinâmica. Gostava muito de observar a mãe quando esta se reunia com umas senhoras do povoado para conversar. 2. Mas antes mesmo de entrar na academia estudou psiquiatria como autodidata para entender o mistério da tristeza. boxe (a exemplo do pai) e tênis. decidindo e seguida ir para a região do Chaco em plena selva argentina. assim que disponibilizar o link me avise para colocar o e-mail no sorteio e disponibilizar seu logo em meu site. Seu pai foi expulso da academia por suas idéias políticas e foram então para Manchester. Poucos dias antes do seu falecimento toda intelectualidade argentina se reuniu em um teatro para festejar seu aniversário em um ato que se chamou "Ao Mestre com Carinho". e ainda terá descontos nas aquisições no site. Atividades desenvolvidas por ele:          Funda a Associação Psicanalítica Argentina Funda o primeiro serviço especializado de atendimento para crianças e adolescentes Funda o Clube de Futebol Matienzo Fundador do Partido Socialista Candidato a Deputado pelo Partido Socialista Crítico de arte da revista Nervio Secretário do Comitê de Ajuda a Espanha Republicana Funda a IADES – Instituto Argentino de Estudos Sociais Membro titular da Associação Psicanalítica do Brasil Pichon-Riviére faleceu em um sábado 16 de Julho de 1977. unida e muito lutadora.O NASCIMENTO DOS GRUPOS OPERATIVOS . Eram seis irmãos muito unidos e Pichon era o caçula. pois dizia que os alunos ao estudar cadáveres eram preparados para os mortos e não para os vivos. futebol.para realizar uma oficina 0n-line com direito a certificado. Aos dezoito anos vai para Rosário para estudar medicina onde teve problemas com professores. E mais te enviar uma senha da oficina de Pichon Rivière e os Grupos Operativos 1.UM POUCO DA HISTÓRIA DE PICHON-RIVIÈRE De origem Suíça.

2000) Os grupos operativos se caracterizam pela relação que seus integrantes mantêm com a tarefa. logo pode ser feita a associação de que todo o ser humano faz parte de grupos ao longo de sua vida. creche. o que agüenta as situações. Em 1945. comunidade. instituições e outros são grupos secundários. Dentro do grupo familiar todos desempenham um papel. (FREIRE. Sendo um dos mais talentosos psicanalistas do hemisfério sul. Descobriu-se o benefício terapêutico proveniente dessa própria aprendizagem dos pacientes. As finalidades e propósitos dos grupos operativos são as atividades centradas na solução de situações . igreja.. Existem dois tipos de grupos: a família é o grupo primário. Sua formulação de grupos operativos foi considerada a maior contribuição latina americana para uma teoria unificada do funcionamento grupal. estando povoado de outros grupos internos de forma que todos esses integrantes do nosso mundo interno estão presentes em nossas ações. que pode ser de cura ou aquisição de conhecimentos por exemplo. entendendo que não há distinção clara entre grupo terapêutico e grupo de aprendizagem (OSÓRIO. Assim nascia os grupos operativos. sua opinião. estudos. viu-se obrigado a improvisar pacientes na função de enfermeiros pela falta de funcionários. 2003). cidade da Argentina. já que é um ser gregário e busca constantemente uma identidade individual. entende-se por grupo um conjunto de pessoas movidas por necessidades semelhantes e se reúnem em torno de uma tarefa específica. Assim o sujeito constrói sua identidade na sua relação com o outro. Quanto à denominação "grupos operativos ele disse tê-la concebido em uma situação de grupo em um ambiente de tarefa concreta. defendendo seu ponto de vista. se tornam estereotipados acontecendo à repetição mecânica desse papel (FREIRE. 2000). quando Pichon dirigia o setor de pacientes adolescentes no hospital psiquiátrico de Rosário. um denuncia o que se faz ausente. Pode-se dizer que o ser humano só existe em função de seus relacionamentos grupais.OS GRUPOS OPERATIVOS 3. entre outros. seu silêncio.Grossmann e Kohlrausch (2006. grupal e social. 2) descrevem sobre grupos: Quando se pensa em grupo. habilitando pacientes para operarem a função de enfermeiros. E neste grupo o indivíduo constrói sua identidade introjetando o outro dentro de si.1 Características Segundo Pichon-Rivière. na escola. mesmo quando uma pessoa está longe posso chamá-la em pensamento ou mesmo todo conjunto. trabalho. Esses papéis se mantêm ao longo da vida e quando não são elaborados conscientemente e educados cristalizam-se. desde o nascimento. Pichon-rivière criou a teoria dos grupos operativos a partir dos aportes teóricos psicanalíticos de Melanie Klein e de dinâmica de grupos de Kurt Lewin. um objetivo mútuo.. ou seja. 3. o que se deixa levar pelas emoções entre outras. pág. onde cada participante é diferente e exercita sua fala. quando inicia um relacionamento familiar.

freia avanços. Depositário é aquele em que é projetado. dificuldades de aprendizagem e comunicação.estereotipadas. não pode assumir em seu conjunto e o coloca em alguém. pois o problema está nele. levantando as melhores intenções de desenvolvê-las. o livrando dos conteúdos que provocam medo. ele sabota as tarefas. o frágil. O líder de resistência puxa o grupo para trás. devido à acumulação de ansiedade que desperta toda mudança. 3. ele assume o doente. O líder de mudança na direção dos ideais do grupo às vezes se descuida do princípio de realidade. descarregada a debilidade familiar. 2000). que aceita. arrisca-se diante do novo. de forma que para cada acelerada sua é importante uma brecada do líder de resistência de forma que os dois são necessários para o equilíbrio do grupo. O bode expiatório assume as culpas do grupo. obrigando o resto do grupo a falar. 2003). O porta voz é aquele que denuncia a enfermidade grupal.2 Como se forma a estrutura de um grupo Segundo Pichon a estrutura de um grupo se compõe pela dinâmica dos 3D:    Depositado Depositário Depositante Depositado é algo que o grupo ou um indivíduo.3 Os componentes do grupo Segundo Pichon são cinco os papéis que constituem um grupo:      Líder de mudança Líder de resistência Bode expiatório Representantes do silêncio Porta voz O líder de mudança é aquele que leva a tarefa adiante. 3. A ansiedade diante da mudança pode ser depressiva (abandono do vínculo anterior) ou paranóide (criada pelo novo vínculo e as inseguranças) (OSÒRIO. é ele quem denuncia as ansiedades do grupo. verbaliza os conflitos que estão latentes no grupo. 2000). Depositantes são todos aqueles que colocam para fora que depositam no depositário (FREIRE. O representante do silêncio assume as dificuldades dos demais para estabelecer a comunicação. . e assim os demais se sentem fortes e sadios. etc. mas poucas vezes cumpre. enfrenta conflitos e busca soluções. Para identificar se alguém está desenvolvendo o papel de porta voz deve-se observar como o conteúdo expressado causa ressonâncias no grupo (Freire. ansiedade.

E. manter e fomentar a comunicação entre os membros do grupo (OSÒRIO. 204). a vocação. de uma tática (a abordagem grupal) e de uma técnica (focando na tarefa proposta). Acreditando já ter atingido o objetivo deste estudo de apresentar e dar um entendimento breve sobre a teoria dos grupos operativos nos limitaremos ao que já foi falado e passamos a palavra para esse que foi sem dúvida um dos grandes intelectuais de todos os tempos na área da Psicologia Grupal. 2003). o esclarecimento. um dos eixos de sua teoria. 1998) Picho-Rivière também criou a teoria do vínculo que vai mais além da visão intrapsíquica da psicanálise situando o homem no contexto de suas relações. Além das influencias psicanalíticas e deda dinâmica de grupos os grupos operativos têm ainda como marco conceitual. na tarefa de preservação do bom e controle do mau (1998.1. conhecimentos e afetos prévios que os indivíduos pensam e agem em grupos. Entre muitas outras coisas Pichon vai nos falar das defesas que impedem dificultam a realização da tarefa. a investigação operativa. mas que para se tornar operativo gerar as mudanças pretendidas. O que é um grupo? In: Paixão de Aprender. as idéias sobre teoria de campo. pág. ano I. Madalena. a tarefa. Abs Adolec. Revista Gaucha . onde o papel do copensor (nome que Pichon gostava de dar para o coordenador) é de criar.br/bvs/adolec/P/cadernos/capitulo/cap28/cap28.UMA ÚLTIMA TAREFA Para elaborar a consideração final deste trabalho propomos a tarefa de apontar alguns pontos importantes que não foram contemplados no decorrer do texto. a ambigüidade. http://www. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ABDUCH. nº.htm acesso no 07/05/2010. KOHLRAUSCH. BIREME. Elaborou o Esquema Conceitual Referencial Operativo (ECRO). dos conceitos de horizontalidade.. a decisão. Grupo e funcionamento grupal na atividade dos enfermeiros: Um conhecimento necessário. Pichon-Rivière: É a confrontação que implica a experiência corretiva. descobertas de universais. dez 2000 GROSSMANN. em uma situação de sofrimento tolerável pela discriminação dos medos básicos. onde o referencial é o conjunto de experiências. FREIRE. somatória de idéias etc. o que determina um manejo mais adequado das técnicas do ego. a aprendizagem. as técnicas interdisciplinares e acumulativas. verticalidade. a comunicação e os desenvolvimentos dialéticos em espiral (Pichon-Rivière. Chafi Grupos Operativos com Adolescentes.adolec. precisa da aplicação de uma estratégia (a criação de uma situação de laboratório social). E. quando o sujeito pode se integrar.

Palavras-chave: Oficinas psicopedagógicas.com. www. Porto Alegre: Artmed.cesumar. Acesse! www. Resumo 2. mas praticando.posgraduacaocursos." Anísio Teixeira . 2006.br Pós em Psicopedagogia Estude 100% via internet em 1+29 de R$ 112. Busca descrever. Polos em SP.edu. 2003.br 1. a partir da vivência das oficinas psicopedagógicas metodologia desenvolvida pelo autor. processos de ensinagem. sentindo. aprendizagem em Arte. Rev. Referências bibliográficas Resumo: Este artigo trata de discutir uma questão essencial: com a arte. v. PICHONREVIÉRE. O processo grupal. Psicologia Grupal: Uma nova disciplina para o advento de uma era. vivendo. A arte da aprendizagem ou aprendizagem em arte: refazendo um percurso de uma motivadora experiência 4. estratégias de formação. Psicopedagogia . nem na escola. pode contribuir para a sensibilização nos processos de formação continuada em Educação e Psicopedagogia. 6ºed.br/Pos_Psicopedagogia Entre os melhores do País EaD em Pedagogia reconhecido pelo MEC. PR. Introdução: "Educar é uma arte e como tal. Luiz Carlos. RJ. MG Ead.ESAB. expressão humana maior. Introdução 3. São Paulo: Martins Fontes.Credenciado MEC. 1998 (Artigonal SC #2745421) Clique aqui para re-publicar este artigo em seu aprendizagem ou aprendizagem em arte Enviado por João Beauclair Anuncios Google Mestrado Psicopedagogia Cursos de Mestrado Psicopedagogia Conheça nosso site.. autoria de pensamento. Oficinas Psicopedagógicas: breves comentários sobre estratégias de formação 5.00. Criando novos sentidos e significados: estarmos juntos fazendo uma nova prática de Educação 6. não é algo que se aprende em livros. OSÓRIO. RS. como alguns procedimentos vinculados ao aprender junto com pode propiciar excelentes espaçostempos de ensinagem e autoria do pensamento.de Enfermagem. E.27.

do curso de pós-graduação em Fundamentos do Ensino da Arte . necessariamente não precisa seguir os modelos tradicionais do falar ditar do mestre. O estímulo inicial para formatar este conjunto de idéias me foi dado a partir da vivência da disciplina Aprendizagem em Arte. como nos define Pierre Lévy. que ao se cruzarem. Numa perspectiva construtivista e sócio-interacionista. sempre foi uma forma de superação e inserção dos seres humanos com o transcendente. objetivando. expresso algumas reflexões sobre a necessidade de criarmos novos sentidos e significados aos estarmos juntos fazendo Educação. mesclar fios. dinâmicas. tentam expressar uma totalidade e mostrar um movimento de fazer acontecer à magia da vida: o encontro entre homens e mulheres que. ao assim fazer. chegarmos até o momento atual de nossa trajetória. A aposta que tenho feito em cursos de formação é aliar prazer. jogos. tentando refazer o percurso da experiência motivadora deste constructo. A partir da vivência de Oficinas Psicopedagógicas. Desde os primórdios de nossa trajetória histórica. espessuras. aqui ouso tear.A arte. pode contribuir para a sensibilização humana nos processos de formação continuada de educadores. referendada em múltiplas leituras. sem sombra de dúvida. idéias tais como criatividade. tanto em cursos de Psicopedagogia como em outras práticas pedagógicas. estudar pensadores complexos e aprofundar conhecimentos sistematizados de modo acadêmico. tentam resignificar suas trajetórias e agregar novos valores a suas próprias carreiras e vidas. onde elos criem vínculos positivos e que aprender seja algo essencialmente prazeroso e coletivo. alegria. espaço de interlocução humana que fez com que pudéssemos. autoria de pensamento. rompendo práticas cristalizadas que não agregam valores efetivamente humanos em nosso percurso enquanto viventes. Não pretendo aqui fazer um relatório formal sobre a intensidade do vivido. mas articular e mediar expressões. enredá-las. o intercâmbio. Num primeiro momento. estratégia de formação cuja autoria tenho aprofundado enquanto condutor de processos de ensinagem em diferentes espaçostempos de formação. . Aliar teoria e prática. em parceria. Arte-terapia e Psicopedagogia são como os fios de um bordado. aprendizagem em arte. teço alguns breves comentários sobre as Oficinas Psicopedagógicas. a circularidade dos saberes. o vínculo com o criar existiu e isto fez absoluta diferença para o desenvolvimento de nossa espécie. processos de ensinagem. com o único desejo: compartilhar idéias e. brincadeiras que atendam a um novo modelo de ser e estar em educação. A seguir. pesquisas e procura de sistematização. metodologia que venho desenvolvendo em minha autoria e trajetória enquanto ensinanteaprendente. a partir de Vygotsky. falas e sentimentos surgidos a partir da experiência em tela. expressão humana maior. Aqui me cabe discutir uma questão essencial: como a arte. sistematizo algumas idéias sobre Aprendizagem em arte. E na tentativa de uma possível conclusão. cores diferenciadas. oficinas psicopedagógicas. estratégias de formação. o registro. com matizes. descrever como alguns procedimentos vinculados aos aprender junto pode propiciar excelentes espaçostempos de ensinagem e autoria do pensamento é o meio desejo nesta escritura. compartilhada recentemente com aprendentesensinantes na busca permanente de construir novos saberes. Nesta formatação. enquanto manifestação. enquanto espécie. análises.

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com a Vida em si mesma. é concreta possibilidade de encontro e/ou reencontro com nossos próprios significados e sentidos. de um novo Humanismo e. continuar a busca para compreender. mansidão e doçura nas relações que estabelecemos com o mundo. principalmente na possibilidade de enquanto seres que vivem em comunhão. A arte da Aprendizagem ou a Aprendizagem em Arte.A arte da aprendizagem ou aprendizagem em arte: refazendo um percurso de uma motivadora experiência "Quando o coração quer. com cada vez mais clareza. é no aprender e na arte que concentramos nossos esforços maiores para a sobrevivência e esta é a maior herança que carregamos: a herança cultural de toda a humanidade. para todos nós enquanto sujeitos viventes. vontade. os processos de aprendizagem. . provisórias e em movimento. Como tema essencial e gerador de novos horizontes necessitamos. pois aprendizagem é uma relação que estabelece elos de ligação entre quem exerce o papel de ensinante e quem vivencia o papel de aprendente. resgatarmos valores de afabilidade. enquanto profissionais e humanos. devem dar continuidade ao nosso permanente pensar e refletir sobre o que é aprender. conjunto de relações simultâneas onde realidade. Acredito que resignificar nossos campos de sentido enquanto seres aprendentes e ensinantes e buscar vincular este processo aos estudos sobre nossas distintas práticas. lançar novas idéias. que só podem ocorrer na prática da interatividade. pode refazer um percurso da motivadora experiência humana do próprio viver: em nossa histórica trajetória.I . desde os primórdios. sempre." Anônimo Sobre aprendizagem em Arte fundamental é levar o nosso olhar para os caminhos da subjetividade humana. de nossos sentimentos. a mente encontro o caminho. com os outros. A reflexão e o olhar atento nos leva a reconstituição do vivido e gera múltiplas possibilidades de revermos nossas próprias identidades enquanto sujeitos e nossas vinculações sistêmicas com os outros. Nossas auto-referências e autonomias de pensar e a circularidade de diferentes conceitos nos demonstram que nossas potencialidades são infinitas e neste sentido. Elementos essenciais para compreendermos isso não nos faltam: hoje a urgência de encontrarmos outros modelos para nossas condutas e ações está presente na necessidade da construção de uma nova Ética. poder e desejo se mesclam e re-criam a organização de nossos pensares.

como campo de infinitas possibilidades de construção de novos pensares e de novas maneiras de perceber e sentir." . Paulo Freire. sendo autores dos pensamentos que constroem. movidos por seus desejos. que é nas nossas interações que residem à melhoria das condições próprias ao aprender. de cuidar de cada um de nós. Tenho afirmado. mestre essencial neste sentido. indo além do olhar do/a outro/a para reconhecer a autoria de seu pensamento e produção. permanente. A criatividade." Gonzaguinha Em artigo anterior afirmei ser fundamental. II. em processos de ensinagem.Oficinas Psicopedagógicas: breves comentários sobre estratégias de formação "Viver e não ter a vergonha de ser feliz cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. sem esquecermos que somos seres essencialmente vinculados aos processos de ensinagem permanentes: somos seres humanos porque somos seres aprendentes. de outros caminhos para conviver com amorosidade nos espaços do sentir. do estar junto com o outro. Existe beleza e arte maior do que está? Saber que neste processo conhecer é conhecer-se e reconhecer-se na parceria ad infinitum com os outros? A constituição de nossas autorias de pensamento. observarmos que ensinantes e aprendentes vão "autorizando-se mutuamente. Isto me faz continuar a afirmar que fundamental é a proposta de perceber a aprendizagem como essencial.A perspectiva criada a partir de nossas vivências deve estar voltada para a redescoberta. como movimentos diferenciados e reconhecedores da alteridade. Importante é perceber que "ensinagem" e "aprendência" são processos de permissão a autoridade de pensamentos. deve estar pautada no necessário e fundamental desejo do construir vínculos positivos entre o ser que aprende. nos ensina que quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. em processos de formação. para a criação e recriação. para a construção. nos condiciona ao desafio de configurar/reconfiguar nossas competências e habilidades para interação com a humana diversidade que convivemos cotidianamente e com as infinitas tensões que caracterizam nossa contemporaneidade. do fazer. desde que a compreensão para as distintas particularidades que nos fazem humanos seja tarefa consciente e exercício contínuo. o ser que ensina e os múltiplos processos de cognição emergentes deste encontro. inclusive em outros escritos e espaços. em nossas aprendizagens cotidianas. a busca por novas visões à construção de nossas subjetividades enquanto seres em aprendências perene. em busca de seus processos e movimentos de autonomia.

pela curiosidade do despertar. Nas oficinas psicopedagógicas como estratégias de formação são compartilhadas pela busca. de sensibilidade.Na experiência vivenciada. onde a interação seja permanente busca de sentido para nossas existências. o aprender a fazer. a complexidade inerente ao humano aprender se faz numa outra perspectiva. jovens. O desafio é o de aprender. sem tempo de reflexão e com a ausência da sensação de estar no aqui e no agora. discutimos como elementos fundamentais nos processos de ensinagem podem dar novos sentidos às nossas próprias concepções de aprendizagem e desenvolvimento. é o espaçotempo da elaboração. E o resgate que a Arte pode permitir é o de ter a função de formação de subjetividades dotadas de competências solidárias. aprender ocorre a partir de movimentos diários. menos ativista. haverá algo a ser aprendido e ensinado. a lançar novos olhares às perspectivas do nosso século XXI. É o universo da relação entre a magia da vida e a vida de cada sujeito. III. o sujeito com o mundo: sempre. que torna o mundo cada vez mais interdependente. produzir e desenvolver conhecimento. seja espaço de re-descoberta. é o imã do desenvolver de nossa poética existencial. crianças. pelo desejo de conhecer o novo. para um mundo cheio de novas surpresas. com a expressão corporal e a música. O que se propõe é um novo olhar. seja arte do cotidiano. constantes e dinâmicos. de interações criativas. é o que nos mantêm vivos. Aprender e ensinar são processos vitais: é busca constante. as oficinas psicopedagógicas permitem a vivência de aspectos teóricos sócio-interacionistas e construtivistas de um modo mais abrangente. o sujeito consigo mesmo. seja convívio da paixão. a perene necessidade de continuarmos a aprender faz com que tenhamos a alegria de sermos eternos aprendizes. a partir das tantas informações disponíveis nesta sociedade do conhecimento. que em nossa cotidianidade é demasiadamente apressado. é conquista. e suas implicações educacionais. e eternamente. e o aprender a ser. Para tal resgate. que tantas vezes estão fragmentadas por demais nas práticas educacionais e sociais. interrelacionado. de responsabilidade. onde ensinantes e aprendentes sejam mediadores coletivos nos movimentos de processar. partindo dos pressupostos das teorias interacionistas de Piaget e Vygotsky. com a dança e a produção textual e plástica. encantamento.Criando novos sentidos e significados: estarmos juntos fazendo uma nova prática de Educação. . o sujeito com o outro. onde AULA seja sinônimo de prazer. embasando a metodologia de oficinas psicopedagógicas na proposição da UNESCO com os quatro pilares para a Educação do Século XXI: a aprender a conhecer. o aprender a viver juntos. Enquanto estratégia de formação. pelo sonho do crescimento diário. de vivências com diferentes materiais. a cada dia. A partir da formação de grupos operativos.

" Antonio Machado. para crescer. novos sentidos e significados ao estarmos juntos fazendo Educação só serão possíveis se realmente criarmos um espaçotempo de esforço. força. conhecer. construir. idem. aprender a viver juntos. onde nossas capacidades (infinitas que são) nos levem construção de um sonho: não negligenciar as oportunidades de aprendizagem e saber que desejar é ousar. rompendo com práticas cristalizadas é essencial na práxis do psicopedagogo. a aprendizagem é um processo profundamente social e. é apropriar-se da experiência. nos desafiando aos processos de mudança permanente. permanentemente. não há caminho. o caminho se faz ao caminhar. é elemento chave para gerar a alegria de ser um eterno aprendiz . Assim. da organização de uma outra forma de pensar e ver a realidade. Refletir sobre a necessidade de revermos estes nossos movimentos e exercícios. O gênio existe."Caminhante. Isto porque ensinar e aprender é uma necessidade humana e aprender a conhecer. informações. o desafio é o de contextualizar saberes. é reinterpretar o que se vive e o que vê. enfim. enfim. Referências bibliográficas: . na arte do empoderar-se. é registrar o processo vivenciado. do arte-educador. dos que atuam numa perspectiva vygotskiana. aprendermos a conhecer a partir da investigação e da descoberta. poeta espanhol Reflexões sobre a necessidade de criar novos sentidos e significados para o estarmos juntos fazendo Educação. por isso. criar. A meu entender. do desejo a mediação. em cada um de nós: despertá-lo também é nossa tarefa e ousadia. na arte de transformar. continuada e em harmonia com nossa essência humana". fica expresso nesta escritura o desafio de tornar possível o encontro com outros "eus". onde o nosso papel é o de saber que os aspectos motivacionais desempenham importância central para que a ‘ensinagem’ seja significativa e que encontre efetiva funcionalidade em seu exercício. O aspecto fundamental nos processos de interação social e nas práticas de comunicação interpessoal na metodologia das oficinas psicopedagógicas é ressaltar a essencialidade do saber cuidar. adormecido. determinação e encorajamento para que efetivamente ocorra o rompimento de práticas cristalizadas no fazer pedagógico. de avaliarmos/reavaliarmos a capacidade que todos nós temos de. Atuar neste sentido é estar determinantemente vinculado ao campo da inovação. E o desejo é esse: da mediação ao desejo. produtiva. Para Vygotsky. E estar em comunhão é impulsionar-se e pautar-se pela "procura de possíveis saídas às nossas inteligências ainda aprisionadas. é saber que há poder. lutando. de organizar e conduzir o próprio destino. Aprender a amar. aprender a ser e aprender a amar só é possível em comunhão. em processo permanente. uns com os outros. da mudança. conhecimentos. aprender a fazer.

_________. 1998. 2001.: o futuro do pensamento na era da informática. MUNHOZ. O saber em jogo: a psicopedagogia possibilitando autorias de pensamento. Pierre.com. Editora Nova Fronteira. Publicado em abril de 2004 no site http://geocities. João Beauclair Psicopedagogo. M. Stravinsky. número 14. FERNANDÉZ. MATURANA. __________. Publicado originalmente na Revista Psicologia Brasil. C. 2001. A inteligência aprisionada: abordagem psicopedagógica clínica da criança e sua família. Vozes. Arte-educador.abpp. SACRISTÁN. Psicopedagogia: trabalhando competências. ___________. Alicia. Porto Alegre.____. ABPp. Compreender e Transformar o Ensino. J.yahoo. Picasso.br/simaiapsicopedagoga ___________. Cognição. Mentes que criam: uma anatomia da criatividade observada através das vidas de Freud. 1995. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas. 2004(a). Porto Alegre/RS: Artes Médicas. Petrópolis.BEAUCLAIR. ciência e vida cotidiana. Belo Horizonte. GARDNER.profjoaobeauclair. João. As tecnologias da inteligência. SILVA. Publicado no site da ABPP www.com. Pierre. Einstein.______.____. LÉVY. Editora UFMG. Maria Luiza P.br Homepage: http://www. buscando novos caminhos. São Paulo. Graham e Gandhi. ano 2. Gimeno. criando habilidades. Editora UFMG.1993. outubro de 2004 Prof. Rio de Janeiro. 1990. número 62.net . ___________.br . 1998._____.com. ___________. aprendências e ensinagens: novos modelos e desafios na produção de conhecimento em Psicopedagogia. Editora WAK. Editora ARTMED. Psicopedagogo/a pesquisador/a: aprendendo outras lições. A ontologia da realidade. Rio de Janeiro. Complexidade e sistema em Psicopedagogia. Rio de janeiro.A. em abril de 2004(b). O Corpo Fala: A Linguagem Silenciosa da Comunicação NãoVerbal. Revista Psicopedagogia. WEIL. Humberto. Editora Artes Médicas: Porto Alegre. Howard. 2003. Editora 34. Porto Alegre: Artes Médicas. Eliot. 2001. 1986. Mestre em Educação joaobeauclair[arroba]yahoo. Psicopedagogia: em busca de fundamentação teórica. 1995. Autoria de pensamento. Coleção Olhar Psicopedagógico.

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