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A CRÍTICA DA RAZÃO E A IDÉIA DE HUMANIDADE EM KANT

Itamar Luís Gelain∗


itamarluis@gmail.com
Gustavo E. Calovi∗∗
gugacalovi@yahoo.com.br
Marcelo José Soares∗∗∗
soaresmarcelojose@argentina.com

Considerações iniciais

Poder-se-ia afirmar que o período crítico inaugurado por Kant


na primeira Crítica é motivado fundamentalmente pela disputa entre
racionalistas e empiristas. Enquanto os primeiros propugnavam uma
filosofia marcada pelo dogmatismo metafísico, os últimos
professavam uma filosofia eivada de ceticismo (Loparic, 1988, p. 67-
68). Com a finalidade de sanar tal disputa, Kant leva a razão ao
tribunal da Crítica, na qual a mesma é juiz e réu simultaneamente.
Isso denota a pretensão de Kant em examinar a faculdade de
conhecer e determinar seus limites e possibilidades de conhecimento.
Se, por um lado, Kant declara na CRP a impossibilidade da metafísica
como ciência e, por conseguinte, afirma a validez do conhecimento
em detrimento do ceticismo (Cf. Hartnack, 1992, p. 12-17), por outro
lado, ele não renuncia à metafísica como fundamento da moralidade.
E desloca, assim, as idéias da razão, a saber, a liberdade da vontade,
a imortalidade da alma e a existência de Deus do âmbito teórico, uma


Acadêmico do Programa de Pós Graduação em Filosofia (PPGF) da Universidade
Federal de Santa Maria (UFSM).
∗∗
Acadêmico do Programa de Pós Graduação em Filosofia (PPGF) da Universidade
Federal de Santa Maria (UFSM).
∗∗∗
Licenciado em Filosofia pela Faculdade Palotina (FAPAS).
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vez que não podem ser conhecidas, para o âmbito prático da razão,
conferindo a esses postulados da razão pura um papel determinante
na filosofia prática.
Ora, tendo em vista o projeto crítico de Kant, o objetivo do
presente texto consiste na apresentação da idéia de humanidade em
Kant a partir de extratos da CRP e da Introdução da obra Sobre a
Pedagogia. Nesse sentido, num primeiro momento do texto, mostra-
se que as idéias da razão mencionadas acima, convergiriam para a
questão última inserida na Lógica, a saber, “o que é o homem?”. E
este homem, o qual fala Kant, seria definido como um ser livre,
portanto, não objeto de conhecimento, mas, de pensamento: o
homem seria definido metafisicamente como um ser que precisa
(muss) ser construído, ou ainda, realizado. E é aqui que entra em
cena, conforme será explicitado, a função da educação. Tendo em
vista este pressuposto, num segundo momento, pretende-se, a partir
da Introdução da obra Sobre a Pedagogia, salientar que a educação é
o meio pelo qual é possível construir e “melhorar” o homem a cada
geração. Vale dizer, é por meio da educação que é possível galgar um
aperfeiçoamento sempre crescente da humanidade do homem.

“Que é o homem?” no domínio da razão teórica

Kant inicia sua obra Sobre a Pedagogia, do seguinte modo: “o


homem é a única criatura que precisa (muss) ser educada” (Kant,
2004, p.11). Esta definição de homem apresentada por Kant é de
ordem metafísica. Pois, como regra geral, na filosofia kantiana, o
verbo müssen indica sempre a necessidade lógica, metafísica,
enquanto que sollen indica, por conseguinte, a questão não lógica,
mas prática (Cf. Perine, 1987, p. 12; Kant, 1980b, p. 167-170).
Ora, uma vez que o homem é definido pela necessidade
metafísica de educação, Kant, evidentemente, apresenta uma
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definição humana do homem. Não obstante, o que falta


metafisicamente ao homem para tornar-se tal é aquilo que
moralmente o torna homem. Por isso, assevera Kant que “o homem
não pode se tornar um verdadeiro homem senão pela educação. Ele é
aquilo que a educação dele faz” (Kant, 2004, p. 15). Portanto, a
definição do homem por uma necessidade metafísica somente pode
ser aceita no plano moral, pois, é de moral que se trata em educação
e, conseqüentemente, a definição humana do homem não é dada
para que se possa conhecer, mas para que se possa realizar.
Na definição humana do homem, conforme se explicitou acima,
está embutido o supremo interesse da razão que consiste em “reunir”
o seu interesse especulativo com o prático em vista dos fins da
moralidade. Nesse sentido, explicita Perine que:

O serviço que a crítica presta à razão, tornando


possível uma metafísica do ponto de vista do homem,
não é só o de permitir que ela se descubra como razão
interessada que compreende o seu interesse, mas
principalmente o de franquear-lhe o caminho de
realização do seu interesse em plena consciência dos
seus limites e das suas possibilidades (1987, p. 13).

Segundo Kant, o objetivo último para o qual converge a


especulação da razão em seu uso transcendental concerne a três
objetos: a liberdade da vontade, a imortalidade da alma e a
existência de Deus (Cf. Kant, 1980a, p. 390). No entanto, esses três
problemas colimam um outro fim, a saber, “o que se deve fazer caso
a vontade seja livre, caso exista um Deus e um mundo futuro” (Kant,
1980a, p. 391). Ora, visto que, “isto se refere ao nosso
comportamento com vistas a um fim supremo, então o propósito
último da sábia e providente natureza na constituição de nossa razão
está propriamente voltado só para o moral” (Kant, 1980a, p. 391).
Daí decorre, pois, porque Kant assevera ulteriormente que todo o
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interesse da razão, tanto o especulativo como o prático, sintetiza-se


nas questões seguintes: i) Que posso saber? ii) Que devo fazer? iii)
Que me é permitido esperar? (Cf. Kant, 1980a, p. 393).
Entretanto, na Lógica, Kant explicita que no domínio da filosofia
cosmopolita, a questão antropológica (O que é o homem?), é o ponto
para o qual convergem as três questões nucleares mencionadas na
Crítica da Razão Pura. Ou nas palavras de Kant: “no fundo,
poderíamos atribuir todas essas à Antropologia, porque as três
primeiras remetem à última” (1992, p. 42). E, assim, a “questão que
é o homem?” é a questão última da filosofia kantiana, uma vez que
“o limite de tudo isso, porém, somente pode ser reconhecido, se a
filosofia for capaz de dizer o que é o homem. É da condição finita do
homem que se extrairá aquilo que pode ser objeto da filosofia”
(Stein, 1976, p. 47).
Entretanto, essa questão do homem que Kant coloca como
fundamento de seu pensamento, ou melhor, como objeto de sua
reflexão, não foi propriamente tematizada. Afirma-se de passagem,
que Kant não redigiu uma Crítica dirigida ao quesito Antropológico.
Lembra-se aqui, que o homem na filosofia kantiana jamais pode ser
objeto de um conhecimento independente da experiência, e a
pergunta “que é o homem?” “não pode ser respondida por uma
ciência fundada num saber da essência do seu objeto” (Perine, 1987,
p. 18). A razão disso é que o homem definido como um ser dotado de
liberdade, não é objeto de conhecimento, mas, tão-somente de
pensamento. Para que fosse possível o conhecimento do homem no
sentido teórico, “seria preciso que o homem não fosse livre e se
assemelhasse às coisas cuja essência determina a priori a existência,
ou que a razão pudesse se elevar a esse saber absoluto que não
pertence senão a Deus e que é o único a poder constituir o
conhecimento dos seres livres” (Perine apud Philonenko, 1987, p.18).
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A idéia de humanidade como construção da espécie

No primeiro parágrafo da Introdução da obra Sobre a


Pedagogia, Kant apresenta traços de sua antropologia quando afirma
que: “por educação entende-se o cuidado de sua infância (a
conservação, o trato), a disciplina e a instrução com a formação”
(Kant, 2004, p. 11). Isso significa dizer que o homem, de acordo com
o pensamento kantiano, é uma conjugação dos quatro fatores
mencionados supra (Cf. Perine, 1987, p. 14).
Seguindo uma tradição inaugurada por Platão1 e seguida por
outros pensadores como Rousseau,2 por exemplo, Kant vê o homem
como o mais frágil dos animais que necessita fazer uso de sua própria
razão, enquanto, que o animal é por seu próprio instinto tudo aquilo
que pode ser, pois, uma razão exterior a ele teria tomado por ele
antecipadamente todos os cuidados necessários. Com efeito, o
homem, por sua vez, por não ter tal instinto precisaria fazer uso de
sua razão para engendrar o projeto de sua conduta, e uma vez que
ele não tem a capacidade imediata de realizar tal projeto, por vir ao
mundo em estado bruto, outros deveriam realizar tal tarefa por ele.
(Cf. Kant, 2004, p. 12).
No projeto educativo kantiano, conforme exposto acima, o
cuidado seria uma etapa primeira e necessária para garantir ao
homem a sobrevivência animal. Ao passo que, a disciplina, antes de
tudo, transformaria a animalidade em humanidade (Kant, 2004,
p.12). Esta segunda etapa do processo educativo seria uma espécie

1
Platão discute acerca da “situação singular do homem enquanto ser natural” no
diálogo Protágoras, 320d-321d. Cf. PLATONE. Tutti gli Scritti. Tradução de Giovanni
Reale. Milano: Rusconi, 1996. p. 818-820.
2
Na esteira de Platão, Rousseau na obra Emílio ou da Educação, retorna a esta
temática, apontando que a natureza humana necessita ser construída à medida que
se considera o homem como um animal perfectível, e, portanto, educável. Cf.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou da Educação. Tradução de Sérgio Milliet. São
Paulo: Difusão Européia do Livro, 1968. p. 9-25.
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de antídoto que evitaria o desvio do homem de seu destino e de sua


humanidade. Porém, a disciplina possui um caráter puramente
negativo, porque consiste num tratamento através do qual se extirpa
do homem a sua selvageria, que em termos kantianos, consiste na
independência de qualquer lei (Cf. Kant, 2004, p. 13). Ao longo da
Introdução do texto Sobre a Pedagogia, Kant insistentemente
argumenta que “a falta de disciplina é um mal pior que a falta de
cultura, pois esta pode ser remediada mais tarde, ao passo de que
não se pode abolir o estado selvagem e corrigir um defeito de
disciplina” (Kant, 2004, p. 16). Por isso que:

A disciplina é parte essencial da educação, e se Kant vê


nela uma educação negativa, certamente não é no
sentido de que ela se constituiria em qualquer negação
da educação, mas no sentido rousseauniano, à medida
que a disciplina torna possível a educação posterior
reduzindo, ao mesmo tempo, as influências nefastas de
um arbítrio abandonado a si mesmo (Vincenti, 1992, p.
23).

Ainda que negativamente, a disciplina produziria o efeito


positivo de acostumar o homem desde cedo à constrição das leis,
formando nele o hábito de se submeter às prescrições da razão (Cf.
Perine, 1987, p. 15). Sendo o homem naturalmente propenso à
liberdade, uma vez que se acostuma a ela, à mesma tudo sacrifica.
(Cf. Kant, 2004, p. 13). Em vista disso, Kant pensa, conforme já
explicitado, que é preciso convenientemente recorrer cedo à
disciplina, do contrário, seria muito difícil mudar depois o homem.
Nesse sentido, se “se deixou o homem seguir plenamente a sua
vontade durante a juventude e não se lhe resistiu em nada, ele
conserva uma certa selvageria por toda a vida” (Kant, 2004, p. 13-
14). Portanto, a disciplina tem a autêntica função de preparar o
homem para o exercício da liberdade segundo os preceitos da razão,
sendo que “podemos perfeitamente prefigurar no exercício racional
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de nossa liberdade o caminho pelo qual uma definição, tanto lógica


quanto real, da natureza humana tornar-se-ia possível” (Vincenti,
1994, p. 75).
Dado que é um animal dotado de razão e liberdade, o homem
necessita de cuidados e de cultura (disciplina e instrução). Da última
somente quem necessita é o homem, pois, nenhum animal necessita
desta, uma vez que nenhum deles aprende dos seus antecessores
qualquer coisa. O homem, por sua vez, não pode se tornar um
verdadeiro homem senão pela educação, ele é o resultado desta. E,
evidentemente, “que ele só pode receber tal educação de outros
homens, os quais a receberam igualmente de outros” (Kant, 1992, p.
15).
Todavia, afirma Kant, “se um ser de natureza superior tomasse
cuidado de nossa educação, ver-se-ia, então, o que poderíamos nos
tornar” (2004, p. 15). Desse modo, Kant pensa que somente se Deus
se ocupasse da educação do homem seria possível avaliar até que
ponto poderiam ir as suas disposições naturais presentes na sua
espécie. Uma vez que, não se pode esperar que um Deus execute tal
tarefa, cabe ao homem tal realização, pois, “talvez a educação se
torne sempre melhor e cada uma das gerações futuras dê um passo a
mais em direção ao aperfeiçoamento da humanidade, uma vez que o
grande segredo da perfeição da natureza humana se esconde no
próprio problema da educação” (Kant, 1992, p. 16). De acordo com o
espírito do Iluminismo, Kant explicita que se a natureza
desenvolvesse o germe do qual cuida, a saber, a tendência e a
vocação para o pensamento livre (Cf. Kant, 1988, p.18-19),
provavelmente estaria apta a eleger corretamente o que seria
necessário para uma boa educação e, por conseguinte, para o
aperfeiçoamento da espécie humana. Dentro desta perspectiva
argumenta Kant: “é entusiasmante pensar que a natureza humana
será sempre melhor desenvolvida e aprimorada pela educação, e que
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é possível chegar a dar àquela forma, a qual em verdade convém à


humanidade. Isso abre a perspectiva para uma futura felicidade da
espécie humana” (2004, p. 16-17).
Não obstante, com a educação presente, diagnostica Kant, o
homem não está em condições para atingir plenamente a finalidade
de sua existência. Neste caso, um eventual projeto de uma teoria da
educação seria um ideal muito nobre e significativo, de tal maneira
que não poderia ser tomado por quimérico ou desprezado como um
belo sonho, somente porque se impõem obstáculos à sua execução.
Dessa maneira, uma Idéia não é outra coisa senão o conceito de uma
perfeição que ainda não se encontra na experiência, para tanto, basta
que a mesma seja autêntica e não comporte obstáculos
absolutamente impossíveis para a sua realização (Cf. Kant, 2004, p.
17). Disso segue, evidentemente, que “a Idéia de uma educação que
desenvolva no homem todas as suas disposições naturais é
verdadeira absolutamente” (Kant, 2004, p. 17).
Portanto, nesse sentido, “o ideal, a idéia de educação é, sem dúvida,
verídica porque a idéia reguladora que a razão pura lhe impõe é a de
humanidade” (Perine, 1987, p.16), e é em conformidade com essa
premissa que Kant assevera:

Um princípio de pedagogia, o qual mormente os


homens que propõe planos para a arte de educar
deveriam ter ante os olhos, é: não se deve educar as
crianças segundo o presente estado da espécie
humana, mas segundo um estado melhor, possível no
futuro, isto é, segundo a idéia de humanidade e da sua
inteira destinação (Kant, 2004, p. 22).

Dentro desta perspectiva, de acordo com Perine, “na idéia de


humanidade estão implicados” (1987, p. 16), os três “postulados da
razão pura prática em geral” (Kant, 2002, p. 212). Pois, a idéia de
humanidade assim, como:
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As três idéias da razão especulativa, já mencionadas,


não são em si ainda nenhum conhecimento; são,
contudo, pensamentos (transcendentes) nos quais nada
é impossível. Ora, mediante uma lei prática apodíctica
elas, enquanto condições necessárias da possibilidade
do que esta ordena tomar-se por objetos, obtêm
realidade objetiva ” (Kant, 2002, p. 216).

Entretanto, isso não implica uma extensão do conhecimento


relativamente aos objetos supra-sensíveis dados:

[...] mas de uma ampliação da razão teórica e do


conhecimento da mesma em relação ao supra-sensível
em geral, na medida em que ela, ao ser coagida a
conceder que tais objetos existem, sem todavia os
determinar mais proximamente, por conseguinte, sem
ela mesma poder ampliar esse conhecimento dos
objetos (que agora lhe foram dados a partir de razões
práticas e somente para o uso prático), a razão teórica
pura, portanto, para a qual todas aquelas idéias são
transcendentes e sem objeto, deve esse incremento
unicamente à sua faculdade prática pura” (Kant, 2002,
p. 217).

Esta passagem supracitada, enfim, mostra que a idéia de


humanidade, enquanto idéia reguladora da razão pura prática, é o
que possibilita Kant a pensar e a esperar que os germes existentes
no homem (Cf. Kant, 2004, p. 18) possam ser desenvolvidos pela
educação. E uma vez desenvolvida a humanidade pelo viés educativo,
o homem teria condições de galgar a sua destinação final.
Evidentemente, que só o homem precisa buscar alcançar tal destino,
no entanto, isso não pode acontecer se ele não possui um conceito de
sua destinação, ou seja, o de aperfeiçoamento progressivo da
humanidade na espécie humana. (Cf. Kant, 2004, p. 18). E é em
conformidade com essa premissa, enfim, que Kant escreve: “É certo
igualmente que os indivíduos, ao educarem seus filhos, não poderão
jamais fazer que estes cheguem a atingir a sua destinação. Essa
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finalidade, pois, não pode ser atingida pelo homem singular, mas
unicamente pela espécie humana” (Kant, 2004, p. 18-19).

Considerações finais

Na filosofia kantiana, a idéia de humanidade é apresentada


como idéia reguladora da razão pura prática, pois, na mesma estão
implicados os três postulados da razão pura. Disso segue que a idéia
de humanidade possui um estatuto metafísico, no entanto, tal
humanidade encontra sua concretização e realização por meio da
educação (filosofia prática). Dentro desta perspectiva, afirma-se que
a educação é a responsável direta pela construção e realização da
humanidade no homem.
Ademais, a natureza humana não é dada, mas, é o resultado de
um processo educativo. Nesse sentido, a educação afirma-se como o
lugar do nascimento do homem, nascimento pelo qual só o homem
pode ser considerado responsável. Ou ainda, em conformidade como
Kant, o homem não pode se tornar um verdadeiro homem senão via
educação, ele é aquilo que a educação dele faz. É através da
educação que o homem chega a sua destinação final, pois, o
aperfeiçoamento da natureza humana é o caminho para tal intento.
Em uma belíssima passagem Kant assevera: “A Providência quis que
o homem extraísse de si mesmo o bem e, por assim dizer, assim lhe
fala: Entra no mundo. Coloquei em ti toda espécie de disposições
para o bem. Agora compete a ti desenvolvê-las e a tua felicidade ou a
tua infelicidade depende de ti” (Kant, 2004, p. 19). Com isso, Kant
estaria afirmando que o homem deve desenvolver as suas
disposições para o bem, ou ainda, para a humanidade, pois, a
Providência não as colocou nele prontas. Na verdade, são simples
disposições que precisam ser desenvolvidas. Enfim, reafirma-se aqui
11

a importância da educação no pensamento kantiano como construção


da humanidade no homem.

Bibliografia

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