MEIOS DE CONTRASTE RADIOLÓGICO São substâncias que pelas suas características físico-químicas são contrastes capazes de absorver

raios X. A necessidade de combinar uma capacidade de absorção satisfatória com uma tolerância suficiente por parte do organismo humano limitou a escolha de elementos ao iodo, ao bário (apenas sob a forma de sais insolúveis e não absorvíveis, dada a toxicidade do catião) e, ao tândalo (técnica especializada - broncografia). . Produtos iodados A estrutura química comum à maioria destes compostos é a molécula de benzeno à qual se ligam vários átomos de iodo. A radiopacidade depende da concentração do iodo na solução de contraste, que naturalmente resulta do número de átomos de iodo na molécula. A osmolalidade depende do número das partículas em solução, sobretudo como iões, podendo atingir valores 5 a 8 vezes superiores à osmolalidade plasmática. A elevada concentração osmótica tem vários inconvenientes, entre os quais a modificação da forma dos eritrócitos que se tornam mais agregáveis aumentando a viscosidade do sangue na microcirculação. O objetivo a atingir com estes contrastes é obter a mais alta radio-opacidade com a menor osmolalidade possível. Os meios de contraste iodados agrupam-se em: a) Compostos de alta osmolalidade São os meios de contraste convencionais- englobam monómeros tri-iodados (geralmente iônicos): amidotrizoato, iodamida, ioxitalamato, etc. utilizados por via intravenosa em urografia e angiografia; o amidotrizoato e o ioxitalamato são também utilizados por via oral ou retal; iopodato, ácido iopanóico, entre outros - utilizado por via oral, em colecistografia. b) Compostos de média osmolalidade São hiperosmolares mas em menor grau que os anteriores. Correspondem a compostos nãoiónicos como o iomeprol, iopamidol, o ioversol, com osmolalidades entre 410 mosmol/kg e 630 mosmol/kg. c) Compostos de baixa osmolalidade Uns são iso-osmolares não-iónicos ( iotrolano, iodixanol) e outros são hipo-osmolares. A introdução dos compostos iodados de baixa osmolalidade condicionou uma diminuição significativa dos efeitos adversos destes contrastes (nefrotoxicidade, reacções anafilácticas), os iso-osmolares são preferíveis, em especial, quando é necessário administrar grandes doses, por exemplo em angiografias e em doentes com insuficiência renal. Devido ao elevado custo destes contrastes, tem sido recomendado reservá-los para os doentes incluídos em grupos de risco: insuficiência renal, diabetes, história anterior de efeitos adversos com contrastes iodados, insuficiência cardíaca congestiva. d) Outros compostos iodados Inclui meios iodados, oleosos ou aquosos, para visualização de fístulas, canais excretores, glândulas salivares, útero, trompas e bexiga. Para broncografia usam-se substâncias hidrossolúveis, pouco irritantes e facilmente elimináveis. Reacções adversas dos contrastes iodados injectáveis: 1. A sensação de calor cefálica ou generalizada, dor, náusea e mesmo vómito são bem conhecidos e não acarretam risco; são inexistentes ou menos frequentes com a utilização de

"estabilizado". Embora a patogenia destes acidentes não esteja completamente esclarecida. Reacções anafilactóides . Nestas situações utilizar sempre os compostos de baixa osmolalidade.Dose do contraste (utilizar a quantidade mínima possível. etc. contudo pode haver casos raros com anúria onde a hemodiálise remove 50 a 90% da dose do contraste em circulação. 4. As características mais importantes das suspensões de bário são o tamanho das partículas e a viscosidade que determinam a velocidade de sedimentação das partículas e a sua maior ou menor capacidade de revestir as mucosas. até choque anafiláctico e morte. edema da glote. a população a eles submetida é em regra mais idosa e portadora de factores de risco múltiplos.Diabetes mellitus e insuficiência cardíaca congestiva A nefropatia dos meios de contraste é em regra não oligúrica. . asma ou doença pulmonar grave e alergia atópica (é recomendável a administração profiláctica de corticosteróides). 3. angiografias) quer para apoio de intervenções (angioplastia). Produtos baritados O sulfato de bário é utilizado por via oral ou em clister. . Nem todos as formas desta nefropatia são graves e por vezes apenas há uma subida da creatinina plasmática durante 2 a 3 dias. Dado que certos compostos contêm entre 30% a 40% de iodo. sob a forma de suspensões preparadas extemporaneamente ou já prontas para uso. não repetir exames com intervalos curtos).compostos de baixa osmolalidade. pelo que expressões como "micronizado". choque. -Insuficiência renal anterior (o risco de agravamento e/ou de insuficiência renal aguda aumenta se a creatinina sérica for > 2. É indispensável ter sempre presente quais os factores de risco para o instalar da nefropatia dos contrastes: . as quantidades deste elemento injectado por via intravenosa atingem com facilidade valores de 15 g a 30 g ou mesmo 60 g a 70 g em arteriografia. sendo apenas menos agressivos. em relação ao total de casos de insuficiência renal aguda. A frequência da nefropatia devida aos contrastes iodados. . pavor. pelo que a hidratação prévia é das melhores medidas profilácticas).A utilização de contrastes iodados tem aumentado rapidamente. "micropartículas". As medidas profilácticas mais importantes consistem na detecção de factores de risco (determinar previamente os valores de creatinina sérica em diabéticos e idosos) e na prática uma boa hidratação. Os médicos que utilizam meios de contraste iodados têm de conhecer os sintomas característicos (taquipneia. os compostos de baixa osmolalidade não provaram inocuidade absoluta.0 mg/dl). durante algumas semanas. Podem surgir pequenas quantidades de iodo livre por desalogenização o que vai inibir a síntese hormonal na tiroideia e tornar impossível.podem variar desde o aparecimento de algumas pápulas. enquadram-se bem naquele tipo de processos e constituem grupo de risco os indivíduos com história de reacções em exames anteriores. Nefrotoxicidade . convulsões) e estar equipados para os corrigir com capacidade de monitorização e meios de suporte.Deplecção de volume (a desidratação é um dos mais evidentes factores de risco. não correspondem a qualquer definição. quer para fins de diagnóstico (TAC. opressão. aumentou nos últimos anos de 4 a 6 vezes. qualquer prova funcional significativa para aquela glândula. para obter o contraste dos vários segmentos do tubo digestivo. 2. Os produtos à base de sulfato de bário contém partículas de diversos tamanhos que podem variar desde décimos até algumas dezenas de micrómetro.

Estão associados a maior risco de efeitos adversos. Contraste iodado de baixa osmolalidade: são contrastes com menor osmolalidade que o grupo anterior. nenhum estudo demonstrou redução de risco para pacientes que apresentaram reação alérgica grave. Em nosso serviço. Com esses contrastes se realizam exame do esôfago. Efeitos adversos ao meio de contraste A incidência global de reações adversas ao contraste não iônico é estimada em 1 a 3%. chamamos de reação anafilactóide.04%. Entretanto. porém. Na sua grande maioria são contrastes não iônicos. . o qual não é absorvido pela mucosa gastrointestinal. teoricamente. principalmente de nefropatia induzida pelo contraste. Se a via venosa for necessária. O componente mais importante do esquema é o corticóide e é necessário que seja administrado pelo menos 6 horas antes do uso do contraste para que se obtenha algum efeito. CONTRASTES RADIOLÓGIOCOS São substâncias que ao serem introduzidas no organismo.Allegra 60 mg). Radiology 1990 175:621). Contraste iodado isosmolar: contrastes com osmolalidade igual ao do plasma e. Além disso. porém. proporcionam maior ou menos atenuação aos raios X. de urticária e de sintomas respiratórios. em nosso serviço. e em 0. o que dificulta a sua comprovação científica. CONTRASTES BARITADOS Usados em exames do aparelho digestivo na forma de sulfato de bário (BaSO4). este manual aguardará estudos mais conclusivos sobre este tema. os estudos têm sido contraditórios e não têm demonstrado vantagens definitivas em relação a todos os contrastes de baixa osmolalidade e. caso seja necessário.Benadryl. pode-se substituir pela via venosa (200 mg IV de hidrocortisona – Solucortef) 12 horas e 2 horas antes do exame. portanto. Uso de pré-medicação: O uso de medicamentos prévia pode reduzir a chance de reação alérgica ao contraste. do intestino grosso. Reação anafilactóide: As reações ao contraste são idênticas a reações anafiláticas a drogas ou a alérgenos. estômago e duodeno (REED). pois existem relatos de aumento da incidência de reações alérgicas com o seu uso.Tipos de Contraste Contraste iodado de alta osmolalidade: são contrastes com osmolalidade muito superior ao do plasma (de 6 a 8 vezes). reserva-se o uso da pré-medicação aos pacientes que apresentaram reações alérgicas leves ou moderadas e que não tenham contraindicação às drogas preconizadas. porém. Recomenda-se o uso oral 2 horas antes do exame (padronizado cloridrato de fexofenadina . O uso de anti-histamínicos H2 é controverso e não é recomendado pelo nosso serviço. devido a sua composição contendo elementos de números atômicos elevados ou baixos. compostos pelos contraste iônicos. são 2 a 3 vezes mais osmolales que o plasma. O tratamento é o mesmo da reação anafilática. De rotina. pode ser substituído por 50 mg difenidramina . possivelmente devido à raridade desta manifestação. O uso do anti-histamínico (H1) reduz a incidência de angioedema. como não se estabeleceu uma resposta anticorpo-antígeno. Os contrastes baritados não podem ser injetados na corrente sanguínea. são utilizados contrastes de baixa osmolalidade não iônicos. com menor risco de reações adversas. H. nenhum esquema foi capaz de prevenir completamente a sua recorrência. do intestino delgado (trânsito intestinal). A via preferível é a oral. Entretanto. quando consideradas somente as reações graves (Katayama.

ureteres e bexiga). ocasionando maior toxicidade para os tecidos. o contraste demorará mais para ser excretado ou não será excretado permanecendo maior tempo na corrente sanguínea. . São contrastes que podem ser injetados na corrente sanguínea.CONTRASTES IODADOS São contrastes que contém o elemento iodo (Z=53) na sua fórmula. Mesmo assim devem ser evitados ou usados com cuidado em pacientes portadores de insuficiência renal. são eliminados na sua grande maioria pelos rins. Quando injetados na corrente sanguínea são misturados a fraco soro do sangue e permitem a realização de angiografias (arteriografias e flebografias). Nestes casos. Hidrossolúveis e incolores. O fato de serem eliminados pelos rins premitem a realização de urografias excretorras (rins. EXCREÇÃO DO CONTRASTE Os contrastes iodados proporcionam graus de toxicidade bixos aos tecidos do corpo. dependendo do grau de insuficiência renal.

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