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De trabalhador a empreendedor: a permeabilidade das relações de poder na Economia Solidária.

1.Introdução.

Karina Fortete 1

O valor do trabalho - e as relações que se estabeleceram ao redor deste - sofreu diversas mudanças ao longo da história, mas foi, principalmente, com o advento do capitalismo e sua permanência, que estas transformações se intensificaram. Na década de 1990 as mudanças mais significativas foram a ampliação do assalariamento no setor de serviços, crescente incorporação das mulheres no mercado de trabalho, e a expansão do trabalho parcial, temporário e/ou subcontratado, características que foram constituindo o desemprego estrutural (Antunes, 1995). Dessa maneira, a América Latina se encontra com o que Marx chamou de “exército industrial de reserva” à deriva, sendo que no fim do século XX verificava-se um alto contingente de trabalhadores desempregados ou subempregados, efeitos deixados pelas novas medidas econômicas adotadas pelos países periféricos. Este cenário exige respostas, que envolverão a participação de diversos atores: o Estado que, mesmo mínimo, terá de fornecer subsídios; as organizações da sociedade civil, doravante OSC, que se tornam o seu maior aliado; os organismos internacionais que participarão na elaboração e financiamento de políticas sociais e principalmente; a preponderância da responsabilidade individual que coloca os trabalhadores como agentes únicos de seu próprio desenvolvimento. No decorrer deste artigo, dar-se-á ênfase neste último ator, chamado por Foucault de homo economicus”, analisando especialmente o papel do “indivíduo empreendedor” brasileiro, que surge entre a população de baixa renda nas últimas décadas e suas correspondências com as estratégias que o Estado e a sociedade civil e seus gestores, implementam para a gestão da pobreza, à luz das contribuições de Michel Foucault.

2. Brasil economicamente solidário: novas formas de produção e reprodução da força de trabalho.

Como mencionado na introdução, a economia de mercado via acumulação capitalista encontra, nas últimas décadas e fundamentalmente a partir dos anos 90, limites no seu próprio desenvolvimento, ameaçada fundamentalmente pela incapacidade de responder às exigências que ela mesma cria. A adoção de uma política econômica que visa uma intensa e rápida abertura externa e que elimina parte da capacidade produtiva de vários segmentos de atividade interfere abruptamente no funcionamento do sistema. Entre as mais evidentes manifestações deste declínio encontram-se as mudanças no mercado e nas relações de trabalho. Os avanços tecnológicos, a evolução das comunicações e a robotização das atividades, entre outras mudanças importantes, fazem com que a figura do trabalhador experimente mudanças significativas. A mão-de-obra que foi fundamental para o desenvolvimento do capitalismo é hoje amplamente substituída por equipamentos tecnológicos que fazem o trabalho de muitos operários legitimados por discursos de racionalização, otimização e terceirização. Por outro lado, a mão-de-obra que ainda é necessária, precisa ser cada vez mais qualificada, expulsando do setor operário a massa da população que historicamente fez parte do mercado formal de emprego. Isto tudo implica na perda de importância do trabalho assalariado no mercado, fundamentalmente no que diz respeito às atividades industriais, e em um considerável aumento da participação relativa de autônomos e empregados nas atividades terciárias. Ante a emergência destes acontecimentos, o Estado pactuacom o setor privado, o filantrópico e com o âmbito familiarcomunitário em prol da produção e reprodução da força de trabalho. Uma força de trabalho que, em muitos casos, experimenta uma volta aos princípios cooperativos e associativos, em busca de melhores condições de vida, desta vez, mediados pela participação do Estado e suas instituições. Como expressa Foucault na seguinte passagem:

Essas coisas das quais o governo deve encarregar-se são os homens, mas em suas relações, seus laços, seus emaranhamentos com essas coisas que são as riquezas, os recursos, as substâncias, o território, com certeza, em suas fronteiras, com suas qualidades, seu clima, sua aridez, sua fertilidade; são os homens em suas relações com essas outras coisas que são os

costumes, os hábitos, as maneiras de fazer ou de pensar”. (Foucault, 1979:

290)

Neste contexto, aparecem novos discursos e novas estratégias sustentadas pela sociedade civil e o governo e criam-se iniciativas que pretendem diminuir os efeitos emergentes dos modelos econômicos que imperam em cada época. Neste sentido, reconhece-se o surgimento da Economia Solidária como uma das estratégias que originada no setor social, pretende produzir mudanças a nível local e garantir a produção e reprodução da força de trabalho, mesmo dentro do sistema capitalista imperante Quando o trabalho assalariado perde centralidade e o chamado trabalho “alternativo” e “informal” passa a influenciar o comportamento do mercado de trabalho, a economia relacionada ao social e ao solidário ganha se não centralidade, pelo menos visibilidade. Diversas são as interpretações sobre o que se entende por econômico-social- solidário. Alguns autores encontram subsídios no passado e remontam ao socialismo do século XIX, inspirados na ideia da organização da economia a partir de unidades produtivas de autogestão, outros entendem que é uma estratégia do presente, que está de olho no futuro. De acordo com França Filho e Laville, a Economia Solidária pode ser definida

como:

outra economia que se gesta em diferentes partes do mundo a partir de iniciativas, sobretudo de natureza cooperativista e associativista, oriundas da sociedade civil e dos meios populares. Tais iniciativas assumem diferentes configurações, desde aquelas que criam o seu próprio circuito de produção e consumo, alimentando cadeias sócio-produtivas autônomas e, em alguns casos, fortemente baseadas em relações não-monetarizadas, até outras que empreendem relações mais permanentes com o mercado e desenvolvem diferentes tipos de parcerias com os poderes públicos. (França Filho e Laville, 2004:15)

Como se observa na explicação dos autores, se trata de uma concepção ampla, que permite atribuir-lhe as mais diversas funções, criando expectativas que nem sempre serão correspondidas. Assim, a Economia Solidária pode ser vista como um campo de trabalho institucional, mas também como uma estratégia de contenção da pobreza, ou até como uma oportunidade de caráter estratégico que procura dar respostas a um setor excluído, comprometendo-se a buscar saídas frente à precariedade procedente das políticas neoliberais. (Gaiger, 2003)

Esta dualidade que pode se observar nas conceptualizações da Economia Solidária traz à tona um dos seus limites: se constituir em uma estratégia efetiva de autogestão e emancipação. O caso do Brasil é ilustrativo para se observar dita questão. Trata-se de um país que nos anos 80 possuía experiências de cooperativismo, que anteriormente tinham-se iniciado no meio rural, porém nesta década surgem no meio urbano, acompanhadas de um ambiente democrático que se iniciava no país, e de uma crescente preocupação pelas questões do mundo do trabalho, fundamentalmente, o desemprego (Leite, 2009). Neste sentido, Leite (2009) menciona quatro iniciativas que ela considera os pilares fundamentais da economia solidária no Brasil. A saber:

(1) A criação de incubadoras de cooperativas por todo o território, por parte da Cáritas, a partir de 1990; (2) o nascimento da Associação Nacional de Trabalhadores em Empresas de Autogestão e Participação Acionária (ANTEAG) para assessorar tecnicamente projetos que estavam sendo desenvolvidos neste âmbito; (3) o surgimento das incubadoras universitárias a partir de 1998, que possibilitaram a disseminação e transferência de tecnologias e conhecimento entre as Universidades e os grupos de autogestão, e, finalmente, (4) a atuação da Central Única de Trabalhadores (CUT). Esta possui três entidades que fomentam a economia solidária: a Agência de Desenvolvimento Solidário (ADS), a Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (UNISOL) e a Cooperativa Central de Crédito e Economia Solidária (ECOSOL) 2 . Pouco tempo depois, com o Brasil sedeando o Primeiro Fórum Social Mundial, no ano de 2001, entra na lista dos países com terra fértil para legitimar e desenvolver projetos de economia solidária, que cativam a participação de OSCs e movimentos sociais, porém que exigem também o envolvimento do Estado. Neste sentido, em junho de 2003, no segundo governo Lula, cria-se a Secretaria Nacional de Economia Solidária 3 (SENAES/MTE), dentro da estrutura do Ministério do Trabalho e Emprego. O seu Secretário Nacional, Paul Singer, que se mantém no cargo de Secretário até a atualidade explica que a Secretaria surge como defensa contra a exclusão social, sendo que as vítimas da crise” buscam se inserir na produção social por meio de formas de trabalho autônomo, individuais e

coletivas, promovendo a autogestão, e com isto, a administração participativa e democrática dos empreendimentos que constituem a economia solidária. (Singer,

2004)

Paralelamente ao surgimento da Secretaria, cria-se o Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), um espaço de articulação da sociedade civil, que por meio de fóruns estaduais se vincula com a SENAES “com o compromisso de promover um intercâmbio qualificado de interesses econômicos, sociais e políticos, numa perspectiva de superar práticas tradicionais de dependência” (FBES, 2003) Pode se observar, a partir do exposto, que no caso do Brasil, assim como vários outros países da América Latina, está se atendo à questão da economia solidária, a partir de uma visão não apenas de opção e concepção de uma classe que não quer se submeter ao tipo de sistema capitalista, senão que responde a uma concepção política, de forma a construir enquadramentos legais em aliança entre o Estado e os setores sociais, que permitirão seu desenvolvimento e permanência. Nesse sentido, concorda-se com a posição de Quijano, que mesmo sem desconhecer alguns efeitos positivos destas experiências, se mantém alerta frente a suas manifestações e limites. O autor adverte que as organizações da economia solidária:

surgem por iniciativa ou como o apoio de instituições de ajuda

assistencial aos pobres (igrejas ou organizações não governamentais ligadas a elas, como a Caritas, etc.) subsistem e até parecem ajudar no desenvolvimento da convivência social dos seus membros em direção a uma ética de solidariedade. Mas quase todas elas desintegram-se logo que é interrompida a ajuda financeira externa. E as muito poucas que sobrevivem transformam-se em pequenas ou médias empresas dedicadas, explicita ou conscientemente, ao lucro individual sob o controle e em benefício dos que administravam essas organizações „solidárias‟”. (Quijano 2002: 496)

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Nesse sentido, cabe olhar para as muitas formas que admite a arte de governar em uma perspectiva foucaultiana onde “governar é estruturar o eventual campo de ação dos outros” (Foucault, 1995: 244), Assim, importa chamar a atenção para o papel do Estado no desenvolvimento destas estratégias, que longe de ser um ator apenas colaborador, é um propulsor deste tipo de iniciativas. Foge de este artigo avaliar se elas têm efeitos positivos ou negativos, ou ambos, ou nenhum, na vida das pessoas de baixa renda. Porém tem a intenção de alertar ao leitor para um olhar crítico destas estratégias que colocam os indivíduos como únicos responsáveis pelo seu desenvolvimento econômico e também social.

3. De trabalhador a empreendedor.

Entre as mutações observadas no mundo do trabalho e as relações que se estabelecem em torno delas, pode se observar, a partir do início do século XXI, o surgimento do empreendedorismo como um fenômeno atual, relativamente pouco estudado, e que é responsável por assegurar a participação no mercado de trabalho de um contingente importante de indivíduos. Aos efeitos deste artigo, cabe esclarecer que se trata somente dos empreendedores de baixa renda que desenvolvem atividades de forma autônoma ou coletiva criando pequenos empreendimentos produtivos. Entre as variadas dimensões que adota a Economia Solidária, foi possível observar anteriormente, que ela inclui o trabalho autônomo de indivíduos e/ou de pequenos grupos, sendo que se diferencia da economia tradicional por envolver valores e princípios cooperativos e solidários. Embora não se possa atribuir o surgimento do empreendedorismo à Economia Solidária, se entende que ela favorece o desenvolvimento destes empreendimentos, já que faz parte de suas estratégias produzirem mecanismos de geração de trabalho e renda, que contribuam com a melhora da qualidade de vida de setores de baixa renda. Com o surgimento dos empreendedores na cena laboral, isto é super homens e mulheres que trabalham por conta própria, muitas vezes subsidiados com fundos governamentais, não governamentais e empresariais na forma principalmente de capacitação e microcréditos, aparece o risco da informalidade. Buscando minimizá- los, além de oferecer benefícios relativos à formalização como direito à aposentadoria por invalidez e por idade, salário maternidade, auxílio doença, pensão por morte, ou auxílio reclusão, em 2009 entra em vigor, a Lei Complementar 12/08. Trata-se de uma lei que aprimora a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (LC 123/06) instituindo a figura jurídica do Empreendedor Individual, criada para facilitar a formalização de pequenos empreendimentos e incentivar o empreendedorismo. Desta forma, o governo garante que estes novos trabalhadores não fiquem à margem da formalidade. Neste contexto é que se observa a relevância da passagem da figura do trabalhador, que cede espaço para a do empreendedor. Empreendedor que deve ser inovador, criativo e parceiro. Atributos fundamentais para fazer parte da nova estrutura, e se essas são características que

não possui, haverá organizações que o ajudem a descobri-las. Espalhadas por todo o país, elas oferecem programas de qualificação que abordam temas tais como:

empreendedorismo, administração, gestão do dinheiro, negócios, entre outros. Também faz parte de suas atividades o apoio, consultoria e acompanhamento na formalização destes empreendimentos, que muitas vezes se constituem em microempresas, inclusive contribuem na busca pelo microcrédito e capital de giro inicial.

Neste contexto, o sujeito precisa se enxergar e instituir como empreendedor responsável pelo seu sucesso e seu fracasso numa sociedade ocidental moderna disposta a recebê-los. Os efeitos disciplinares do trabalho fabril cedem espaço aos efeitos disciplinares do trabalho por conta própria. O chefe continua existindo: é ele mesmo. As oito horas de trabalho viram doze, e as horas extras não entram na folha de pagamento. As elações de poder continuam presente exercendo-se de diversas formas. De acordo com Foucault:

Esta forma (de poder) exerce-se sobre a vida quotidiana imediata, que classifica os indivíduos em categorias, os designa pela sua individualidade própria, liga-os a sua identidade, impõe-lhes uma lei de verdade que é necessário reconhecer e que os outros devem reconhecer neles. É uma forma de poder que transforma os indivíduos em sujeitos. Há dois sentidos para a palavra “sujeito”: sujeito submetido a outro pelo controle e a dependência e sujeito ligado à sua própria identidade pela consciência ou pelo conhecimento de si. Nos dois casos a palavra sugere uma forma de poder que subjuga e submete. (Foucault, 1995: 235)

O declínio do trabalho material é acompanhado da ascendência do trabalho imaterial, e o Estado regulador deve-se adaptar a estas novas formas para continuar cumprindo seu papel. Papel regulador, governante dos seus governados, que na arte de governar exerce o poder segundo o modelo da economia no caminho de “Utilizar mais táticas do que leis ou utilizar ao máximo as leis como táticas. Fazer por vários meios que determinados fins possam ser atingidos”. (Foucault, 1979: 284) Enquanto isso, para muitos, ser empreendedor significa uma oportunidade de inserção econômica, mas também de inserção social. Muitos dos participantes desta nova cadeia produtiva, são inseridos em redes sociais, estabelecem novos e diversos vínculos, conquistam a independência econômica, adquirem diversas habilidades e ampliam o leque de oportunidades. Paralelamente, o Estado direta ou indiretamente, mantém estas iniciativas e cria necessidades que garantam a permanência destes projetos, deixando em evidência o que magistralmente Foucault

expõe: “o poder é cada vez menos o direito de fazer morrer e cada vez mais o direito de intervir para fazer viver, e na maneira de viver, e no “como” da vida” (FOUCAULT, 1999: 295) Neste sentido, é importante retomar a concepção de homo economicus trazida por Foucault, entendendo o indivíduo, no neoliberalismo, como um empresário de si mesmo e já não mais como um parceiro de troca. O atual homo economicus é por ele mesmo capital, produtor e fonte da própria renda; produtor, em primeira e última instância, de sua própria satisfação (Foucault, 2006). Assim, ele se torna governável, “aparece justamente como o que é manejável, o que vai responder sistematicamente a modificações sistemáticas que serão introduzidas artificialmente no meio” (Foucault, 2006:369). Neste sentido, as políticas públicas adotadas pelo governo em relação ao assunto abordado, chamam a atenção por promoverem formas que individualizam as responsabilidades, em detrimento de ações sociais coletivas que poderiam ter maior capacidade de garantir direitos sociais. Ao dizer de Meneleu Neto, “Do mesmo modo que o capital financeiro se libertou do controle do Estado Nação, o capital produtivo passou a exigir um mercado de trabalho o mais possível desregulamentado”. (Meneleu Neto, 1998:80) Trata-se assim, de uma forma de governar implícita, difusa, diferente daquela do século XV que se baseava fundamentalmente no governo do espírito por meio da religiosidade, diferente também da que exibiam os monarcas, professores, agentes de segurança, diferente das convencionais formas de dirigir as ações dos seres humanos. Esta é uma nova forma, também eficaz, que enquanto desvenda novas alternativas frente a velhos problemas, impede a revolta e minimiza os efeitos do desconforto, até porque este, muitas vezes, nem é percebido. Assiste-se assim à

Transição de um poder de Estado soberano, que operava negativamente pela colocação de limites e coerções, para um poder disciplinar descentralizado que penetra nossas almas, corpos e mentes, transformando-os ativamente e produzindo efeitos positivos que nos tornam a todos cidadãos autodominados”. (Krieken, 1996: 155)

Colocada esta série de questões, entende-se que é na observação crítica dos fatores que constituem as novas formas de trabalho, onde radica a importância de analisar a passagem do individuo trabalhador para o individuo empreendedor, atendendo às mudanças significativas que aconteceram desde a década de 1990, com o auge do capitalismo e olhando para os limites e possibilidades que as novas formas de produção e reprodução da força de trabalho, oferecem. Trata-se de uma

passagem complexa, de múltiplas interpretações, não imune às relações de poder que permeiam a vida econômica, social e política de um Estado e de uma sociedade.

BIBLIOGRAFIA

ANTUNES, Ricardo (1995) Adeus ao trabalho? Ensaio sobre a metamorfose e a centralidade do mundo do trabalho. São Paulo, Cortez. FOUCAULT, Michel (1999). Em defesa da sociedade. São Paulo, Martins Fontes. X pag. FOUCAULT, Michel (2008). Nascimento da biopolítica: curso dado no Collège de France (1978-1979). Tradução Eduardo Brandão. São Paulo, Martins Fontes. FOUCAULT, Michel (1995). O sujeito e o poder. In: DREYFUS, Hubert; RABINOW, Paul. Michel Foucault. Uma trajetória filosófica: para além do estruturalismo e da hermenêutica. Rio de Janeiro, Forense Universitária. FOUCAULT, Michel. (1979) Governamentalidade. In R. Machado (Ed.), Microfísica do poder, 1.ª ed, pp. 277-295, Rio de Janeiro, Graal. FRANÇA FILHO, Genauto e LAVILLE, Jean-Louis. (2004) Economia Solidária: uma abordagem internacional. Porto Alegre, Editora da UFRGS. GAIGER, Luiz Inácio. (2003) “A economia solidária diante do modo de produção capitalista”. Caderno CRH, Salvador, n. 39, p. 181-211, jul/dez 2003. Disponível em <www.ecosol.org.br>. Consultado em julho de 2011. KRIEKEN, Robert (1996). “A organização da alma: Elias e Foucault sobre a disciplina e o eu” In Plural, Sociologia USP, 1º semestre. p. 153 180. LEITE Marcia (2009). A Economia Solidária e o Trabalho Associativo: Teorias e Realidades. Revista Brasileira de Ciências Sociais, VOL. 24, Nº 69. MENELEU NETO, José et al. (1998). Neoliberalismo e reestruturação Produtiva. As novas determinações do mundo do trabalho. São Paulo, Cortez. QUIJANO, Aníbal (2002), “Sistemas alternativos de produção?” In Souza Santos, Produzir para viver, São Paulo, Civilização Brasileira. SINGER, Paul (2004). A Economia Solidária no Governo Federal. Revista Mercado de Trabalho, IPEA N° 24, agosto.

NOTAS

1- Licenciada en Trabajo Social Universidad de la República Uruguay; Mestranda no Programa de Integração da América Latina. Universidade de São Paulo, Brasil.

2- Para mais informação sobre o assunto, ver M. Leite, Revista Brasileira de Ciências Sociais, Vol. 24. N 69. 2009.

3- O Decreto 5063, de 08 de maio de 2004, estabeleceu as seguintes competências da SENAES: I - subsidiar a definição e coordenar as políticas de economia solidária no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego; II - articular-se com representações da sociedade civil que contribuam para a determinação de diretrizes e prioridades da política de economia solidária; III - planejar, controlar e avaliar os programas relacionados à economia solidária; IV - colaborar com outros órgãos de governo em programas de desenvolvimento e combate ao desemprego e à pobreza; V - estimular a criação, manutenção e ampliação de oportunidades de trabalho e acesso à renda, por meio de empreendimentos autogestionados, organizados de forma coletiva e participativa, inclusive da economia popular; VI - estimular as relações sociais de produção e consumo baseadas na cooperação, na solidariedade e na satisfação e valorização dos seres humanos e do meio ambiente; VII - contribuir com as políticas de microfinanças, estimulando o cooperativismo de crédito, e outras formas de organização deste setor; VIII - propor medidas que incentivem o desenvolvimento da economia solidária; IX - apresentar estudos e sugerir adequações na legislação, visando o fortalecimento dos empreendimentos solidários; X - promover estudos e pesquisas que contribuam para o desenvolvimento e divulgação da economia solidária; XI - supervisionar e avaliar as parcerias da Secretaria com outros órgãos do Governo Federal e com órgãos de governos estaduais e municipais; XII - supervisionar e avaliar as parcerias da Secretaria com movimentos sociais, agências de fomento da economia solidária, entidades financeiras solidárias e entidades representativas do cooperativismo; XIII - supervisionar, orientar e coordenar os serviços de secretaria do Conselho Nacional de Economia Solidária; XIV - apoiar tecnicamente os órgãos colegiados do Ministério do Trabalho e Emprego, em sua área de competência; e XV - articular-se com os demais órgãos envolvidos nas atividades de sua área de competência.