FACULDADE JOSÉ LACERDA FILHO – FAJOLCA CURSO DE LICENCIATURA OU BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO

GILSON QUEIROZ DA SILVA LENI DE OLIVEIRA ROSENO

A EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO

Ipojuca/PE 2011

GILSON QUEIROZ DA SILVA LENI DE OLIVEIRA ROSENO

A EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO

Trabalho apresentado para à disciplina Economia, no curso de Administração, da Faculdade José Lacerda Filho de Ciências Aplicadas – FAJOLCA. Prof. Fernanda Estelita

Ipojuca/PE 2011

SUMÁRIO 1) RESUMO 2) INTRODUÇÃO • 1.1 - A Evolução do Pensamento Econômico 3) LITERATURA • 2.1 - Fase Pré-Científica da Economia (Antiguidade) • 2.2 - Idade Média • 2.3 - Mercantilismo • 2.4 - Fisiocracia (Criação científica da economia) • 2.5 - Escola Clássica (Final do Século XVIII ao início do SéculoXIX) • 2.6 - Marxismo • 2.7 - A Teoria Neoclássica (Final do Século XIX ao inicio do Século XX) • 2.8 - Keynesianismo (Ciência Econômica Comtemporânea) • 2.9 - Conclusão 4) CONSIDERAÇÕES FINAIS 5) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RESUMO Este trabalho tem como finalidade contextualizar os principais pensadores econômicos em seus respectivos momentos históricos além, de apontar suas contribuições e os relativos impactos dos seus estudos na sociedade. No tema Antiguidade foi abordado como a economia foi estudada como parte da filosofia social. Mercnatilismo abordou a atração e manutenção dos metais preciosos pelos paises. A Fisiocracia com destaque para François Quesnay buscou abordar o estudo da economia baseada na natureza, o livre comércio e o imposto único sobre a agricultura. Sobre os téricos econômicos estudados, Adam Smith foi analisado bem como suas teorias sobre “a mão invisível”, a livre concorrência e a não intervenção do Estado. Sobre as teorias de Thomas Malthus, o estudo referiu-se ás suas afirmações de que o excesso de população seria a causa para todos os males além, de subestimar os avanços técnológicos. Stuart Mill com o estudo sobre o utilitarismo, foi verificado que o valor de um bem depende segundo suas afirmações, da sua utilidade e da satisafação que traz ao consumidor. David Ricardo, abordou-se no estudo verificou a “teoria das vantagens comparativas”(comércio internacional), e suas afirmações onde a utilidade dos bens não determina seu valor. Sobre Karl Marx foi verificado sua sobre a “mais valia” e a divisão da sociedade em três classes (proprietário da riqueza, proprietário das terras e trabalhadores assaláriados). Sobre Alfred Marshal, verificou-se a teoria marginalista (equilibrio da economia) e a teoria sobre o valorutilidade (elasticidade de mercado).Finalmente, sobre Jonh Mayard Keynes, verificou-se suas teorias sobre a intervenção do Estado na economia, o fim do laissez-faire e o pleno emprego.

Escola Clássica e Pensamento Marxista. No entanto a evolução deste pensamento econômico pode ser divida em dois importantes períodos: Fase Pré-Cientifica e Fase Cientifica Econômica. . A teoria Keynesiana procura definir as flutuações de mercado e o desemprego (suas causas. E o Mercantilismo. com a expansão dos mercados consumidores e consequentemente do comércio. soluções e seu funcionamento).INTRODUÇÃO A Evolução do Pensamento Econômico O pensamento econômico passou por diversas fases que se diferenciam por suas discrepâncias e oposições. A fase pré-cientifica pode ser subdividida em 3 subperiodos: A Antiguidade Grega caracterizada por um forte desenvolvimento nos estudos politicos-filosóficos. A Idade Média ou Pensamento Escolástico repleto de doutrinas caracterizado por doutrinas teológicofilosóficas e tentativa de moralização das atividades econômicas. propôs a intervenção do estado para equilibrar o mercado (oferta e demanda) através do ajuste de preços (“mão invisível”). A primeira pregava a existência de uma “ordem natural”. laissez-passer”) nas relações econômicas. onde não haveria a intervenção do estado (“laissez-faire. Na teoria neoclássica definitivamente se consolida e surge a teoria subjetiva de valor. Pode se ressaltar a Escola Neoclássica e o Keneysianismo que se diferenciam dos outros periodos pela elaboração de principios teoricos fundamentais além de revolucionar o pensamento econômico. A escola clássica por sua vez. A fase científica pode ser dividida em Fisiocracia. O marxismo fazia críticas a “ordem natural” e a “harmonia de interesses” (amplamente defendida na teoria clássica) afirmando tanto um como o outro resultava na concentração de renda e eventual exploração do trabalho.

a usura e os salários. apesar da intensa atividade econômica de Roma que possuia um vasto império. restando a economia somente observações ás atividades agrícolas. dos preços e da moeda. Os pensadores romanos estavam mais voltados para a área do Direito. os mesmos sempre estiveram atados á filosofia e a política. a preocupação fundamental romana era a política. os estudos econômicos eram voltados de maneira generalizada. As idéias econômicas emanadas dessa época (baseados em estudos políticosfilosóficos). . para solução de problemas particulares e transações comerciais. com uma desenvolvida rede rodoviária e intensa navegação.LITERATURA Fase Pré-Científica da Economia (Antiguidade) Com o aumento da complexidade social e a escassez. Todas as obras de cunho econômico. eram baseados em princípios morais e políticos sem ênfase no aspecto cientifico. Aristóteles exerceu forte influência na evolução deste pensamento. o valor e a formação da riqueza com grande contribuição nas teorias de valor que hão de vir. No entanto. Nessa época. tornou-se de suma importância um estudo com o objetivo de por meios tecnologicos. apesar das importantes contribuições dos pensadores gregos e romanos. onde em suas obras discuitia as funções do Estado. trabalhando sob a ótica da racionalização e do planejamento. o intercâmbio e a aquisição. satisfazer o maior número possível de pessoas e/ou necessidades. ainda não constituiam um ramo científico independente ocasionado pela fragmentação nesses estudos. elementos que tornavam-a um importante polo econômico estimulando por sua vez as transações comerciais e a criação de sociedades mercantis. Conclui-se então que.

o equilibrio dos atos econômicos protegendo os mais fracos dos mais poderosos. Procurando equilibrar as relações de mercado. Havia um combate á usura que era considerada imoral. Com o crescimento demográfico e o aumento e consequente excesso de mão-de-obra ofertada. com a usura e com os sistemas salariais. a Igreja procurou regular o mercado baseado primordialmente na ética. fomentando o “preço justo”. O grande nome desse periodo foi Tomás de Aquino. que por suas obras demonstrou preocupação com a correta utilização da propriedade privada. mobilizando grandes capitais. com o comércio. com um sistema de preços justos.Idade Média Caracterizada por uma nova fase em relação a cultura e a economia (ocasionada pela decadência grega e romana). onde a igreja controlava o poder político e econômico. onde valorizou a dignidade do trabalho. pois a renda deveria ser gerada pelo trabalho árduo e a natureza e não ser objeto de extorsão de bens do devedor ao credor. condenando os juros. Deste modo a livre concorrência e a livre iniciativa tornavam-se perigosas pois. A cobrança de juros era condenada. A independência do pensamento econômico ainda não foi alcançado nessa época igualmente ocorrida na sociedade greco-romana. Era entusiasta da ética no comércio propondo que. houve um aumento na produção e o desenvolvimento das cidades e do comércio internacional. o sistem bancário e diversas formas de associação que se desenvolveram na evolução do pensamento econômico. A Igreja buscou moralizar o comércio. protegendo os consumidores e os pequenos produtores. os mais poderosos dominariam os mais fracos. o apego ao lucro seria vergonhoso onde se deveria buscá-lo como remuneração ao trabalho e não como fim. . A propriedade privada era considerada legítima quando era subordinada ao bem comum. a divisão do trabalho. Surgiram então diversos elementos da sociedade moderna como.

pela revolução comercial. Apesar da contibuição cientifica obtida pelo mercantilismo ser pequena. geográficas e econômicas.Mercantilismo O mercantilismo foi marcado pela expansão dos mercados consumidores e produtores de matéria prima. a exploração de novas terras e o acumulo significativo de metais preciosos. comportamentais. O comércio não se limitava somente as feiras e transações internas mas voltava-se ao comérco exterior buscando o acúmulo de capitais para o Estado. “O lucro de um país é o prejuízo de outros” (MONTAIGNE). As restrições de outrora da Igreja foram ignoradas. As críticas ao mercantilismo referiam-se ao grande apego ao lucro onde. religiosas. as práticas mercantilistas buscavam essencialmente o lucro a qualquer custo. É considerado que o mercantilismo foi o período de transição de uma economia regional para uma economia nacional. políticas. e os comerciantes com o apoio da comunidade e do Estado começaram a comercializar e a lucrar. Diferentemente da Idade Média ou Período Escolástico. pela centralização do comércio como atividade econômica e pelo protecionismo e o intervencionismo estatal na economia. A diminuição das importações e o incremento das exportações. No inicio a era mercantilista foi marcado por transformações intelectuais. A produção era realizada para o crescimento do Estado e não com a finalidade de bem-estar do indivíduos. . foram requisitos essenciais para o desenvolvimento econômico das nações. A exploração ao máximo da colônia e o impedimento de qualquer desenvolvimento desta evitando-se uma possível concorrência. o país buscava incessantemente a riqueza mesmo que isso custasse o prejuízo de outros. algumas idéias difundidas nesse periodo acabaram influenciando a fase científica da economia.

a existência do antagonismo das classes sociais. autor de livros com por exemplo“Tableau Économique”. sendo de suma importância criar leis de organização econômica. Na fisiocracia a produção agrícola era a base ou seja. não interviria no mercado (“laissez-faire. . isto é. Em seus estudos representa um esquema de fluxo de bens e despesas entre as diferentes classes sociais. a terra fornece todas as riquezas que mais tarde farão parte destes dois campos econômicos. O Estado atuava no sentido de proteger a propriedade e garantir a liberdade econômica. O harmonismo não obstante. um liberalismo agrário onde se podia dividir a sociedade em três classes: produtiva. onde acreditava na compatibilidade e complementariedade dos interesses pessoais em uma sociedade competitiva e a teoria do capital onde os empresários só poderiam lançar-se a um empreendimento se já possuisem um certo capital acumulado e os devidos equipamentos. a máxima satisfação com o minímo de esforço. Deveria haver uma liberdade mais ampla a essas atividades onde acreditava-se que “uma ordem imposta pela natureza e regida pelas leis naturais’ governaria o mercado e tudo se acomodaria á seu próprio modo”. ou seja. A segunda fala sobre a sobre a importância da agricultura sobre o comércio e a industria.Fisiocracia (Criação científica da economia) Fisiocracia significa “governo da natureza”. as atividades econômicas não deveriam ser reguladas excessivamente e nem guiadas por forças “antinaturais”. laissez-passer”) por existir uma “ordem natural” que regia as atividades econômicas. O fundador da fisiocracia e da primeira fase científica da economia foi François Quesnay (1694-1774). Com o surgimento da fisiocracia surgiram duas idéias fundamentais para o desenvolvimento do pensamento econômico. Criou princípios como o da filosofia social utilítarista que pregava. Evidenciou também a interdependência entre as atividades econômicas e mostrou como a agricultura fornece um “produto líquido” que é repartido em sociedade. Na primeira se observa que existe uma ordem natural que rege todas atividades econômicas. proprietários de terras e as demais classes.

da divisão do trabalho. buscando segurança por usar elementos já existentes mas. suas contribuições para o desenvolvimento do pensamento econômico foram fundamentais devido sua clareza e equilibrio. o restante da população estaria excluido destes beneficios gerados pelas atividades econômicas. pelo ajuste de preços (“mão invisível”). Sua obra “Wealth of Nations” busca estabelecer os princípios para a análise do valor.Escola Clássica (Final do Século XVIII ao início do SéculoXIX) A base da escola clássica é o liberalismo econômico e seu principal destaque aconteceu com Adam Smith (1723-1790). de desenvolver teorias sobre o crescimento econômico portanto. dos juros. pois para o mercantilismo apenas a nobreza faria parte desta nação. acreditava que a concorrência produz como resultado o desenvolvimento econômico utilizado por toda a sociedade. Segundo Adam Smith. aloca a força de trabalho em várias linhas de emprego. sobre a causa da riqueza das nações. caracteristica do seu método. Ela vem caracterizada pela busca pelo equilibrio do mercado (oferta e demanda). pela não intervenção estatal na atividade econômica onde a “ordem natural” prevalece e o foco na satisfação das necessidades humanas através da divisão do trabalho que por sua vez. . A teoria clássica surgiu da necessidade de estudos de meios para manter a ordem econômica através do liberalismo a da interpretação das inovações tecnológicas oriundas da Revolução Industrial. a distribuição de renda e a formação e aplicação do capital. a economia não deveria se relegar unicamente a aumentar os estoques de metais preciosos e ao enriquecimento da nação. das rendas da terra além. da intervenção estatal. que contestando a regulamentação comercial do sistema mercantilista. Para alguns críticos Adam Smith não foi de genialidade original por percorrer caminhos traçados por outros. dos lucros. Suas teorias buscavam essencialmente elevar o nível de vida de todo o povo.

Pregava a derrubada da ordem capitalista e a inserção do socialismo.Marxismo Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) criticavam a “ordem natural” e a “harmonia de interesses” de forma ferrenha pois existiria segundo suas proposições. Marx criticava o erro dos teóricos clássicos ao afirmar que a estabilidade e o crescimento econômico estariam vinculados a atuação da “ordem natural”. e consequentemente á reprodução. “ O valor da força de trabalho é determinado como no caso de qualquer outra mercadoria. é. sufocando o crescimento de novas forças que ameaçam solapá-la. pelo tempo de trabalho da produção.” (KARL MARX). O pensamento de Marx não só era voltado á economia mas também á filosofia. “As forças que criaram essa ordem procuram estabiliza-la.” (KARL MARX). "(FRIEDRICH ENGELS). concentração de renda e exploração do trabalho. por regra geral. da classe economicamente dominante. Analisou as crises econômicas. e como. classe que. o Estado da classe mais poderosa. " Como o Estado nasceu da necessidade de conter o antagonismo das classes. se converte também em classe politicamente dominante e adquire novos meios para a repressão e exploração da classe oprimida. Marx modificou a análise do valor-trabalho (teoria objetiva do valor) além. . longa jornada de trabalho. ao mesmo tempo. que é a origem do lucro capitalista de acordo com o pensamento marxista. a distribuição de renda e o acúmulo de capital. nasceu em meio ao conflito delas. desse artigo em especial. por intermédio dele. salarios reduzidos e ausência de leis trabalhistas. até que essas novas forças finalmente se afirmem e realizem suas aspirações. de desenvolver a teoria da mais-valia (exploração do trabalho). sociologia e história. Exerceu grande impacto e provocou diversas mudanças e transformações com a publicação de suas obras “Manifesto Comunista” e “Das Kapital” onde segundo sua doutrina a industrialização viria acompanhada de diversos efeitos nocivos ao proletariado com baixo padrão de vida.

A Escola de Cambridge formulou a Teoria do Equilibrio Parcial que considerava que a economia era o estudo da atividade humana nos negócios econômico portanto. Doutrinava um pensamento econômico competitivo com tendência automática para o equilíbrio. Finalmente a Escola Neoclássica Sueca iniciou a tentativa de integrar a análise monetária a análise real. Conclui-se que a principal preocupação dos teóricos neoclássicos era o funcionamento de mercado e como se chegar a pleno emprego dos fatores de produção. Buscava-se a racionalização e otimização dos recursos escassos. difundia que o valor do trabalho deveria ser determinado pelo valor do produto e não o produto deveria determinar o valor do trabalho. Alfred Marshal (1842-1924) em sua obra “Síntese Neoclássica” teoriza de que forma o livre funcionamento das relações comerciais garantiriam a plena alocação dos fatores de produção. Escola de Lausanne ou Escola Matemática. marxista). a economia seria uma ciência do comportamento humano e não da riqueza. baseada na interdependencia de todos os preços do sistema econômico para se manter o equilíbrio. baseada no pensamento liberal. se disporam a rever toda a análise economica clássica. a um nível pleno de emprego dos fatores de produção. novas concepções de conceitos sobre valor. o valor do bem pela quantidade e utilidade do mesmo. trabalho. Escola de Cambridge e a Escola Neoclássica Sueca. Essa nova teoria pode ser dividida em quatro escolas: Escola de Viena ou Escola Psicológica Austríaca. produção e outros. Os neoclássicos baseados em novos modelos teóricos. Há a consolidação do pensamento liberal. Para a teoria neoclássica o homem teria que saber racionalizar e portanto. Ao contrário de Karl Marx. o produto dependerá da aceitação do preço pelo comprador para ser vendido. .A Teoria Neoclássica (Final do Século XIX ao inicio do Século XX) A teoria neoclássica vem pôr fim ao periodo de incertezas das teorias contrastantes (fisiocrata. Afinal. A primeira destaca-se por formular uma Teoria de Valor. baseada na utilidade (teoria subjetiva do valor) significando que. A Escola de Lausanne enfatizava a Teoria do Equilibrio Geral. oque mais tarde foi realizado por Keynes. um teórico renomado Jevons. em que modificaram-se os métodos dos estudos econômicos. equilibraria seus gastos mediante seus ganhos. clássica.

competiria incentivar o aumento dos meios de produção e a boa remuneração dos seus detentores. fossem feitas reformas significativas já que o capitalismo se mostrava incompatível com a manutenção do pleno emprego e da estabilidade econômica. suas causas e suas soluções. Por outro lado. ao estabelecimento de uma lei única de consumo que ignorava a diferança de classes. além de fazer uam análise economica reestalecedora do contato com a realidade. a revolução matematizante da ciência economica etc. “Teoria Geral do Emprego. mas também nas áreas de contabilidade e estatística. Seus objetivos primordiais eram explicar as flutuações de mercado e o desemprego generalizado.Keynesianismo (Ciência Econômica Comtemporânea) Jonh Maynard Keynes (1883-1946 ). estimularam o desenvolvimento dos estudos não só no campo econômico. Algumas tendências do pensamento Keynesiano prevalecem até hoje no atual sistema econômico e entre as principais podemos citar os grandes modelos macro-econômicos. provocou enorme impacto na evolução do pensamento econômico. do juro e da moeda”. Keynes acreditava que o capitalismo poderia ser mantido. Afirmava que. desde que. pois não seria a posse dos meios de produção que resolveria os problemas sociais e ao Estado. Opondo-se ao marxismo. o estudo do desemprego em uma economia de mercado. com suas obras promoveu uam revolução na doutrina econômica opondo-se principalmente ao marxismo e classicismo com uma nova maneira de racionalizar na economia. algumas de suas idéias foram agregadas ao pensamento socialista. como por exemplo. As obras de Keynes. ou seja. não havia razão para o socialismo do Estado. . o intervencionismo estatal moderado. a política do pleno emprego e a do direcionamento dos investimentos. Foi criticado por diversos socialistas ao que se refere ao aumento da inflação. Em suas teorias defendia a intervenção moderada do Estado.

Simplesmente. um dos livros mais influentes já escritos. Smith tinha uma compreensão radical fresca de como as sociedades humanas realmente funcionam. subsídios aos exportadores. assim como o vendedor faz. . Ele argumentou que. Importações são tão valiosos para nós como nossas exportações são para os outros. fabricantes e comerciantes pediram ao rei para os monopólios de proteção. grande do livre comércio e da expansão econômica. exportação de mercadorias foi visto como bom porque estes metais preciosos permaneciam. A Riqueza das Nações profundamente influenciou os políticos da época e desde que o fundamento intelectual da época do século XIX. independentemente das dificuldades práticas de alcançá-la.o que hoje chamaríamos de produto nacional bruto. disse Smith. as pessoas viram a riqueza nacional em termos de estoque de um país de ouro e prata.os impostos sobre as importações. que aumenta a nossa prosperidade da mesma forma como faz agricultura ou fabricação. A riqueza de uma nação não é a quantidade de ouro e prata em seus cofres. Ele percebeu que a harmonia social iria surgir naturalmente como os seres humanos se esforçou para encontrar formas de viver e trabalhar uns com os outros. e proteção para as indústrias nacionais. Cidades impedindo artesãos de outras cidades que se deslocam para dobrar seu comércio. em uma livre troca. O protecionismo mesmo governou em casa também. foi um filósofo e economista escocês que é mais conhecido como o autor de “Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações (1776)”. Porque os benefícios do comércio ambos os lados. Smith mostrou que este edifício “mercantilistas” vasta era uma loucura. dispositivos de economia de trabalho foram banidos como uma ameaça aos produtores existentes. Nos dias de Smith. os países mantiveram uma vasta rede de controles para evitar essa riqueza de metal drenagem para fora . ambos os lados tornavam-se melhores. Os lucros do comprador. Portanto. Ainda hoje o senso comum de livre comércio é aceito em todo o mundo. porque significava que essa riqueza deve ser dada até pagar por eles. mas o total de sua produção e comércio .Adam Smith Adam Smith (1723-1790). Bens de importação do exterior foram vistos como prejudiciais. ninguém trocaria se deve perder com isso.

Mais uma vez. Então. mas nós também gostamos de ajudar os outros também. há evidentemente alguns princípios em sua natureza. mas um livro sobre ética. que lhe interessam relativamente à fortuna dos outros e que tornam sua felicidade necessária para ele. mas uma pesquisa da psicologia social humana: sobre a vida. que pela primeira vez a reputação de Smith. Que lhes permite compreender como a moderar o seu comportamento e preservar a harmonia. E esta é a base de nossas idéias morais e ações morais. Smith olha para a psicologia social para descobrir a base da moralidade humana. os recursos da nação seriam atraídos automaticamente para os fins e propósitos que as pessoas mais valorizado. “A Teoria dos Sentimentos Morais”. Seria melhor crescer em um mercado aberto e competitivo.A Riqueza das Nações foi.a ordem e a concórdia. Somos auto-interessados. Seria crescer. embora ele nada daí retire a não ser o prazer de vêlo. como um produto da natureza humana. a natureza humana é complexa. E como pessoas atingidas negócios uns com os outros. as instituições políticas.” Em outras palavras. Auto-interesse pode impulsionar a economia. Livros de Smith são complementares: eles mostram como auto-interessados os seres humanos possam viver juntos em paz (na esfera moral) e produtiva (na economia). uma ordem social não prosperando precisam ser controlados por reis e ministros. Não era A Riqueza das Nações. E é o pobre que os benefícios da liberdade econômica e social mais. organicamente. Aqui está sua resposta: “Como o homem soever egoísta pode-se supor.como se guiados por uma "mão invisível" . . mas .Liberdade e auto-interesse não precisam produzir o caos. portanto. Os seres humanos têm uma "simpatia" natural para outros. não apenas um estudo de economia. A riqueza das nações não é endosso da ganância econômica. com intercâmbio livre e sem coerção. a lei e a moralidade. Algumas pessoas se perguntam como o auto-interesse que as unidades do sistema econômico de Smith pode ser enquadrada com a "simpatia" que dirigem a sua ética. como às vezes caricaturado. bem-estar. mas isso é uma força para o bem desde que haja competição genuinamente aberto e sem coerção.

o que provocou um intenso deslocamento da população rural para as cidades. antes de Karl Marx e John Keynes. porque o número de pessoas é restringido pelas limitações naturais. anos depois. que iria se repetir alguns anos depois.os mais pobres e os mais doentes. a Inglaterra passou por uma aguda crise alimentar. 3) mas tende a haver um equilíbrio entre esses polos. período em que a Inglaterra se viu novamente às voltas com a ameaça de escassez de grãos. como a guerra. transcorreram durante as guerras napoleônicas. o que provocou uma redução da taxa de mortalidade e um aumento populacional constante. Malthus destacava que o crescimento das populações é limitado pelos recursos alimentares disponíveis. fome. Seus argumentos podem ser resumidos de forma simples: 1 ) A humanidade tem uma tendência natural para aumentar. 2) A produção de alimentos não consegue acompanhar esse crescimento.Ele viveu na época da Revolução Francesa. ou por ações humanas. . Essa população encontrava nas cidades uma situação sanitária muito melhor. É nesse contexto. foram suas idéias as que exerceram um maior impacto na vida social de seu tempo. quando prosperavam idéias otimistas do aperfeiçoamento humano e alardeava-se o respeito às liberdades individuais. que ele publica um artigo que teria um impacto tremendo no cenário mundial. Em "Um ensaio sobre o princípio da população".Thomas Maltus Thomas Malthus foi um economista brilhante e podemos dizer que. um descompasso que provoca a fome e estimula a disputa entre os homens. A visão de Malthus sobre a vida social de seu tempo era bem pessimista: para ele. As edições seguintes do ensaio. doenças.Em seu ensaio sobre a população.vivia a Revolução Industrial. A Inglaterra – e o mundo em geral . ele defendia a tese de que a população cresce em progressão geométrica enquanto a produção de alimentos cresce em progressão aritmética. Segundo o economista. a humanidade sempre iria se defrontar com a escassez de alimentos. essas restrições eram uma parte necessária da existência humana e recaíam normalmente sobre os membros mais fracos de uma sociedade . em 1798. como morte. No período imediatamente anterior à publicação do ensaio de Malthus.

Malthus defendia na época um maior equilíbrio entre produção industrial e produção agrícola. e era contrário àqueles que consideravam o vigor industrial e as exportações inglesas garantia suficiente de uma oferta estável de alimentos. com sua prima Harriet Eckesall. de uma combinação de argumentos que procuravam conciliar as ideias das ciências da natureza com a moral anglicana. Malthus foi nomeado para estar à frente da primeira cátedra permanente de Economia Política. Assim. . Paralelamente. como a tendência a procriar da raça humana e a falta de capacidade de resposta da agricultura. com o qual manteve uma das mais notáveis relações intelectuais da história do pensamento econômico. Malthus recorreu ao uso de fenômenos naturais. em uma Faculdade da Companhia das Índias. junto com o economista britânico David Ricardo. em grande parte. começou a se aproximar do inglês David Ricardo. Ricardo teria incorporado o princípio da população às suas próprias teorias.. quando não controlada. realçou o papel da conduta individual como sendo capaz de regular o equilíbrio entre população e meios de vida e assim manter a ordem social. os meios de subsistência. considerando-se na média o presente estado da terra. concluiu que argumentos morais podem atuar como “obstáculos preventivos”. Dado o pessimismo que carregava.. para suportar o aumento de um número tão grande. Malthus abandonou seu posto de pastor na igreja anglicana e casou-se.. Sua obra fez com que fosse considerado.] Mas o alimento. sob as condições mais favoráveis da indústria humana. de nenhum modo será obtido com a mesma facilidade.] Pode-se com justeza declarar [. [.. dobra a cada 25 anos.. essa área da economia ficou conhecida como “ciência lúgubre". Em 1804. possivelmente não poderiam crescer mais rapidamente do que numa média aritmética. Cinco anos depois. [. “Pode-se seguramente declarar [. Embora seja conhecido por seu ensaio sobre a população. ou seja. Malthus concluiu que inevitávelmente a fome seria uma realidade caso não houvesse um controle imediato da natalidade:.. Malthus escreveu outros artigos e livros não menos importantes.] que a população.” (Thomas Malthus) O impacto das ideias de Malthus decorreu. com a qual teve 3 filhos. aos 39 anos.. o “Pai da economia política clássica”. para demonstrar que existe uma pressão natural sobre os meios de vida. Em 1805. ou aumenta numa razão geométrica..] que. Com base em sua teoria.

850 milhões de pessoas sofrem de desnutrição crônica. e que os vencedores seriam aqueles que tivessem alguma vantagem sobre os outros. existe fome no mundo. a fome no mundo ainda é relacionada ao crescimento populacional. . A organização chegou a prever que a produção alimentar tem que aumentar 70% até 2050 para dar conta dos 2. devido à escassez de recursos. Hoje. Atualmente. a produção agropecuária mundial é suficiente para alimentar os 6 bilhões de pessoas que habitam o planeta. e ela castiga uma parcela importante de sua população: segundo a Organização das Nações Unidas. mais de dois séculos depois da teoria proposta por Malthus.As idéias de Malthus parecem ter influenciado também o naturalista britânico Charles Darwin na elaboração da teoria da seleção natural. a ONU. as pessoas iriam lutar pela sua sobrevivência. Apesar disso.3 bilhões de pessoas a mais que haverá no planeta. Malthus acreditava que.

Para Marx. por não ter conseguido "amarrar" bem suas idéias. Stuart Mill procurou combinar o utilitarismo (que absorveu de Jeremy Bentham) com o socialismo..] Prazer e ausência de dor são as únicas coisas desejáveis como fins [. no princípio da utilidade. a busca da felicidade. como forma de superação do egoísmo. [. Stuart Mill enfatizava. Consideramos que o problema social do futuro seja como reunir a maior liberdade individual de ação com a propriedade comum das matérias-primas do globo e uma participação igualitária de todos nos benefícios do trabalho associado”. na qual admitiu que o aperfeiçoamento intelectual do homem serve de base ao desenvolvimento social. Daí a principal crítica de Marx a esse tipo de ecletismo do qual Mill é o melhor intérprete. seja como meio de promoção do prazer e prevenção da dor”. da Economia e da Política.] seja pelo prazer inerente a elas. isto é prova inconteste de ingenuidade ou uma tentativa de "conciliação dos inconciliáveis".Stuart Mill As contribuições de Stuart Mill distribuem-se pelos campos da Lógica. em que ressaltou o valor do altruísmo (tão a gosto de Saint-Simon e Comte). ao mesmo tempo.. a ponto de ser considerado um integrante do liberalismo clássico por alguns autores e um pré-socialista por outros. como pode ser visto na citação a seguir: “Nosso ideal de desenvolvimento final vai mais além da democracia e nos classificaria decididamente sob a designação geral de socialismo. No campo da Economia. é ignorado por outros. Ele próprio chegou a se autodefinir um socialista. Nessa tentativa de conciliação de idéias socialistas com seus fundamentos utilitaristas ele fez uso de uma relação entre a religião e a moral. suas idéias refletem diversas influências de outros pensadores contemporâneos. . do Direito. Tamanha diversidade explica em boa parte a descontinuidade que caracteriza a sua obra e a controvérsia que existe em torno de sua figura: é considerado um dos princípais expoentes da Economia por alguns autores e historiadores em razão de sua criatividade e de suas contribuições inovadoras e.. como se vê na seguinte passagem: “Felicidade entendida como prazer e ausência de dor. da Psicologia. que tiveram que ser aperfeiçoadas por diversos economistas e pensadores de gerações posteriores. apresentando em sua evolução uma série de contradições..

e. O trecho que se segue. à colonização e outros itens de interesse da coletividade.. Nessa época sente-se forte influência de Saint-Simon.. Elas permitiram que maior população vivesse a mesma vida de fadiga e aprisionamento e que maior número de manufatureiros e outros fizessem fortuna”. e a presente situação da sociedade com todos os seus sofrimentos e injustiças. 2) Exposta em sua principal obra ”Principles of Political Economy (1848)”. podendo ser identificados em três periodos distintos: 1) Por volta de 1844. quando se convence da fundamental importância dos problemas sociais. quase um século após o início da Revolução Industrial: “. como conseqüência. quando publicou “Essays on some unsettled questions of Political Economy”. a remuneração diminui à medida em que o trabalho cresce mais duro e mais desagradável até que o mais exaustivo e fatigante trabalho não possa contar com a certeza de estar apto a ganhar sempre o mínimo necessário à . uma vez que estava preocupado com os problemas que envolviam os agricultores irlandeses. mas de pouco interesse para o capital privado. já que ele aponta a existência de inúmeras exceções representadas por itens de grande utilidade social. Fica claro que ele não endossa o princípio do laissez-faire. 3) Inicia-se por volta de 1850 e se torna mais estreito à medida que amplia seu contato com as idéias socialistas. a parcela seguinte àquele cujo trabalho é apenas nominal e assim numa escala decrescente. como vemos atualmente. tais como a educação. A diferença de seu pensamento a partir da publicação dos Principles em relação ao seu pensamento original pode ser claramente vista no seguinte trecho: “Se a escolha tiver de ser feita entre comunismo. nos quais se sente uma nítida influência de Ricardo. que o produto do trabalho seja repartido. Até agora se questiona se todas as invenções mecânicas já feitas aliviaram a luta do ser humano. extraído dos “Principles of Political Economy” mostra bem como Stuart Mill sentia o momento. o auxílio aos pobres. se a instituição da propriedade privada necessariamente carrega consigo. quase em razão inversa ao trabalho: as maiores parcelas àqueles que jamais trabalharam para o todo.Sua posição é fundamentada nas circunstâncias históricas da Europa e suas idéias econômicas refletem isso. com todas as suas oportunidades. em que começou a fazer a defesa da criação de propriedades para os camponeses.

Sua preocupação com a influência deletéria do Estado fica clara no trecho que se segue. razão pela qual sua obra representa enorme contribuição à aplicação de métodos à análise econômica. um clero. mais ampla que a de Bentham. E. o caminho seguido por Mill foi o de um liberalismo extremado. Também nesse particular observam-se sensíveis modificações em seu pensamento. em nenhum instante. Se isto. como o molde em que são plasmadas é o que agrada a força dominante no governo. sobre Educação: “Uma educação geral pelo Estado é puro plano para moldar as pessoas de forma exatamente semelhante. a educação pelo Estado. Carl Menger e Leon Walras e. No âmbito da Política. uma aristocracia. conduz a um despotismo sobre o corpo”. Por todas essas razões. serviu de base e foi aperfeiçoada pelos primeiros economistas utilitaristas como William Stanley Jevons. estabelece um despotismo sobre o espírito. . quer a maioria da geração existente. por Alfred Marshall. Stuart Mill pode ser considerado um autor de transição entre o pensamento econômico antigo (que dá maior ênfase aos aspectos ligados à produção da riqueza) e o pensamento econômico moderno (que enfatiza os aspectos ligados à distribuição da riqueza). que. como pode ser visto através da comparação de suas primeiras e de suas últimas obras. grande expoente da Escola Neoclássica. na medida em que é eficaz e bem sucedida. todas as dificuldades maiores ou menores do comunismo serão apenas um átomo na balança”. por uma tendência natural. Sua idéia de utilitarismo. de revelar profunda influência da educação que lhe foi imposta pelo pai. Stuart Mill não deixa. principalmente. ou o comunismo for a alternativa.existência. muito próximo do anarquismo. quer seja esta um monarca.

Ricardo formulou a idéia do custo comparativo. não se . hoje conhecida como Vantagem Comparativa. tendo lido “A Riqueza das Nações” de A d a m Smith . Ricardo despertou a atenção dos economistas com a “controvérsia do bulionismo”. são mais produtivos. Em resumo.David Ricardo David Ricardo foi um dos raros casos em que uma pessoa atingiu enorme sucesso e também fama perene. Em seu “Essay on the Influence of a Low Price of Corn on the Profits of Stock” (Ensaio sobre a influência de um preço baixo do milho sobre os lucros com ações 1815). Conseguem produzir uma garrafa de vinho com três horas de trabalho. Ele escreveu seu primeiro artigo sobre economia com 37 anos.Uma das leis mais famosas da economia. A idéia é a seguinte: um país que compra os produtos que pode obter a um custo mais baixo se beneficia mais do que se os produzisse ele próprio. e uma fornada de pão com uma hora. e durante os 14 anos que se seguiram foi economista profissional. Após ser deserdado por sua família por se casar fora de sua fé judaica. Na sua defesa dolivre comércio . uma idéia muito sutil que é o principal fundamento da crença no livre mercado pela maior parte dos economistas hoje. Os trabalhadores de “Ricolândia”. Aos 27 anos. por produzir ambos os bens em menos tempo de trabalho. Ao seu falecimento. Ricardo esteve entre os primeiros adeptos da teoria quantitativa do dinheiro. Pode-se imaginar que “Ricolândia”. Ricardo articulou o que veio aser conhecido como a lei da produtividade marginal decrescente. o patrimônio de Ricardo valia mais de US$100 milhões em dólares de hoje. Em 1809. ou do que é hoje conhecido como monetarismo. conforme mais mão-de-obra e maquinário são usados em uma quantidade fixa de terras os acréscimos ao resultado vão diminuir. Ricardo se interessou por economia. que a “Pobrelândia” produz uma garrafa de vinho com cinco horas de trabalho. Digamos. afirma que conforme mais e mais recursos são combinados na produção com um recurso fixo por exemplo. que restringiam a importação de trigo. Ricardo também se opõe ao protecionismo das Leis do Milho. por exemplo. Ricardo fez fortuna como corretor de ações e empréstimos. ele escreveu que a inflação na Inglaterra era resultado da propensão do Banco da Inglaterra a emitir excessode papel-moeda. e uma fornada de pão com dez horas. por outro lado.

Para cada garrafa produzida. Portanto. “Pobrelândia” tem a vantagem comparativa na produção de vinho. Esses ganhos surgem. Tanto “Pobrelândia” quanto “Ricolândia” estarão em situação melhor do que se não comercializassem. Ao realocar três horas antes gastas na produção de vinho. De modo semelhante. que podem então ser trocadas por duas fornadas de pão. E “Pobrelândia” não está lucrando às custas de “Ricolândia”. Ricardo é ainda hoje admirado por sua impressionante capacidade de chegar a conclusões complexas sem nenhuma das ferramentas matemáticas hoje consideradas essenciais. embora mais alto do que a de “Ricolândia” em termos de horas de trabalho. enquanto Ricolândia tem que abrir mão de três fornadas para produzir uma garrafa devinho. “Ricolândia” tem a vantagem comparativa na produção de pão. para cada fornada de pão que produz. como observou Ricardo. dez horas de trabalho antes gastas na produção de pão. Resultado: o comércio rende para “Pobrelândia” uma fornada adicional. Ao realocar. O custo da produção de vinho da “Pobrelândia”. “Pobrelândia” abre mão de duas garrafas de vinho. Pobrelândia renuncia a meia fornada de pão. “Ricolândia” tem uma garrafa a mais do que antes. de apenas um terço de garrafa. que pode então se especializar na produção de pão. Portanto. além de mais uma fornada de pão. mas aumenta a produção de pão em três fornadas. ou não comercializaria. “Ricolândia” diminuiu a produção da bebida. . digamos. Tendo produzido um século antes que Paul Samuelson e outros economistas modernos popularizassem o uso de equações. Se os dois países trocarem pão e vinho a unidade por unidade. “Pobrelândia” pode se especializar na produção de vinho e comerciar parte dele para “Ricolândia”. Não é o caso. mas “Ricolândia”. “Ricolândia” também se beneficia. é mais baixo em termos de pão. Mas a mão-de-obra realocada produz duas garrafas de vinho.beneficia em nada com o comércio. Duas dessas fornadas então são trocadas por duas garrafas de vinho de “Ricolândia”. “Pobrelândia” abre mão da fornada que esse trabalho poderia ter produzido. porque cada país se especializa na produção do bem cujo custo comparativo é menor.

discordâncias radicais. são os que se beneficiam das terras mais produtivas.Como escreveu o economista David Friedman em seu livro-texto de 1990. Inspirando-se em Thomas Malthus . Usa-se também um raciocínio similar para explicar por que os beneficiários das leis que restringem o número de táxis não são os motoristas de táxi. Essa descoberta resistiu ao teste do tempo. Resultado: os donos das terras. “PriceTheory” (Teoria do Preço): "O economista moderno. com quem Ricardo tinha uma relação próxima e. encontrasse um andarilho usando camiseta e tênis." Uma das principais contribuições de Ricardo. os fazendeiros eventualmente chegariam às terras menos produtivas. conforme se cultivavam mais terras. se sente como um membro de uma expedição no Monte Everest se sentiria se. ao ler o Principles de Ricardo. rendeiros se disporiam a pagar mais para alugar a terra mais produtiva. ao chegar ao topo da montanha. mas aos donos das terras. e não os rendeiros. Mas como um alqueire de milho da terra mais produtiva é vendido pelo mesmo preço que um alqueire da terra mais produtiva. Ricardo explicou que. freqüentemente. mas os donos do conjunto finito dos alvarás que existiam quando se impôs a restrição. atingida sem ferramental matemático. Conlui-se que os economistas ainda hoje usam o raciocínio de Ricardo para explicar por que os auxílios de preços agrícolas ajudam não aos fazendeiros. é sua Teoria de aluguéis. .

O feudalismo. o regime seria representativo e parlamentar.começava a ser implantado e difundido em todo o território europeu. o Estado se submeteria ao direito. o servo trabalhava alguns dias da semana para seu senhor e outros para si. nos primórdios. por causa de uma série de fatores e acontecimentos. deu espaço a um novo sistema econômico: o capitalismo industrial (que teve seu desenvolvimento por culminar durante a revolução industrial. ocasionando uma necessidade de mudança. mas. o capitalismo mercantilista. ou seja. o escravismo. e assim.com suas descobertas territoriais. Mas com o passar do tempo. em prover as necessidades uns dos outros. por causa de sua ambição. perceberemosque havia um espírito de coletivismo: todos compartilhavam da mesma terra. Como todo sistema tem seu período de crise. especialmente o direito de propriedades.Do latim liberalis . o homem. As pessoas que estavam inseridas nesta comunidade sempre se preocupavam umas com as outras. deve-se citar a economia inglesa como ponto de partida para as teorias marxistas. com o surgimento da classe proletária). então. que significa benfeitor. . e por seu trabalho conquistava um pedaço de terra para sua subsistência. as condições de comércio (surgia a chance do servo obter capital através de sua produção excessiva). generoso. que garantiria ao indivíduo direitos e liberdades inalienáveis. Assim. produzia para ele e o seu viver era em função dele.Karl Marx Se analisarmos o contexto histórico do homem. O coletivismo dos índios acabou. não havia propriedade privada. portanto. acabou tornando inevitável as colonizações e. legislativo e judiciário). Os seus principais ideais eram: o Estado devia obedecer ao princípio da separação de poderes (executivo. O escravo servia exclusivamente ao seu senhor. Adam Smith (o primeiro a incorporar ao trabalho a idéia de riqueza). até a caça era compartilhada por todos. Esta relação servo-senhor feudal funcionou durante um certo período na história da humanidade. e o escravismo se transformou numa nova relação: agora o escravo trabalhava menos para seu senhor. o feudalismo decaiu. desenvolve o liberalismo econômico. tem seu sentido político em oposição ao absolutismo monárquico. entre eles o aumento populacional.

estabeleceu. . socialista. Sobre esta base econômica se ergue uma superestrutura. Pretendendo caracterizar não apenas uma visão econômica da história. Classes econômicas essas de sua que. propiciando a seus proprietários uma renda fundiária igual à diferença dos custos de produção. sociais. a teoria marxista também procura explicar a evolução das relações econômicas nas sociedades humanas ao longo do processo histórico. opressores e oprimidos. época". Haveria. pondo no poder a maioria. morais. para Engels são "os das produtos das relações aparentes. vestuário e outros itens indispensáveis à manutenção do operário e seus dependentes. políticas. mais interessado no estudo da distribuição do que produção das riquezas. segundo a concepção marxista. ou seja. que. os proletários. a história dahumanidade seria constituída por uma permanente luta de classes.E foi isto que fez com que cada sistema fosse modificado. que seria a única força capaz de destruir a sociedade capitalista e construir uma nova sociedade. mas também uma visão histórica da economia. um estado e as idéias econômicas. Ricardo elaborou a lei do preço natural dos salários. com base em Malthus. como foi dito anteriormente. sempre regulada pelo preço da alimentação. segundo a qual os produtos das terras férteis são produzidos a custo menor mas vendidos ao mesmo preço dos demais. ou seja. A base da sociedade é a produção econômica.Sobretudo também deve-se mencionar David Ricardo. filosóficas e artísticas. a lei da renda fundiária (agrária). Pois. uma permanente dialética das forças entre poderosos e fracos. Marx queria a inversão da pirâmide social. Assim apesar diversidades escravidão. A partir da teoria da renda fundiária. como deixa bem claro a primeira frase do primeiro capítulo de “O Manifesto Comunista”: “A história de toda sociedade passada é a história da luta de classes”. com a Revolução Industrial surgiu a classe do proletariado. Para Marx os trabalhadores estariam dominados pela ideologia da classe dominante. servidão e capitalismo seriam essencialmente etapas sucessivas de um processo único. as idéias que eles têm do mundo e da sociedade seriam as mesmas idéias que a burguesia espalha.

sendo a mais-valia a lei fundamental do sistema. quanto menor o preço pago ao operário e quanto maior a duração da jornada de trabalho. Desse modo. Neste campo. Seria um absurdo que a humanidade inteira se dedica-se a trabalhar e a produzir subordinada a um punhado de grandes empresários. o capitalismo. mas durante 8. pois o operário produz mais para o seu patrão do que o seu próprio custo para a sociedade. com a redução progressiva da . burgueses x proletariados). tanto maior o lucro empresarial. e o capitalismo se apresenta necessariamente como um regime econômico de exploração. de acordo com Marx é selvagem. 10. A força vendida pelo operário ao patrão vai ser utilizada não durante 6 horas. para Marx e Engels. em todas as sociedades em que a propriedade é privada existem lutas de classes (senhores x escravos. o partido político. o proletariado deveria contar com uma arma fundamental. ou seja. nobres feudais x servos. Ela deveria também ser a luta ideológica para que o socialismo fosse conhecido pelos trabalhadores e assumido como luta política pela tomada do poder. A mais-valia é constituída pela diferença entre o preço pelo qual o empresário compra a força de trabalho (6 horas) e o preço pelo qual ele vende o resultado (10 horas por exemplo).O capitalismo seria atingido por crises econômicas porque ele se tornou o impedimento para o desenvolvimento das forças produtivas. quanto mais o mundo se unifica economicamente mais ele necessita de socialismo. A luta do proletariado do capitalismo não deveria se limitar à luta dos sindicatos por melhores salários e condições de vida. 12 ou mais horas. Para Marx. A economia do futuro que associaria todos os homens e povos do planeta. Marx tentou demonstrar que no capitalismo sempre haveria injustiça social. o partido político revolucionário que tivesse uma estrutura democrática e que buscasse educar os trabalhadores e levá-los a se organizar para tomar o poder por meio de uma revolução socialista. só poderia ser uma produção controlada por todos os homens e povos. e que o único jeito de uma pessoa ficar rica e ampliar sua fortuna seria explorando os trabalhadores. No capitalismo moderno. Não basta existir uma crise econômica para que haja uma revolução. O que é decisivo são as ações das classes sociais que.

A apropriação do valor incorporado ao objeto graças à força de trabalho do sujeito-produtor. através da racionalização e aperfeiçoamento tecnológico. É o processo de objetificação. Ocorre então a alienação. a negação da negação é a desalienação. a produção representa uma negação . mas ainda assim não deixa de ser o sistema semi-escravista. Sabe-se que as desigualdades sociais já faziam com que os filósofos pensassem num meio de vida onde as pessoas tivessem situações de igualdade.jornada de trabalho. já que o objeto se opõe ao sujeito e o nega na medida em que o pressupõe e até o define. ele já não está mais alienado. o que faz com que ele "se torne uma mercadoria mais vil do que as mercadorias por ele criadas". o trabalho que é alienado (porque cria algo alheio ao sujeito criador) permanece alienado até que o valor nele incorporado pela força de trabalho seja apropriado integralmente pelo trabalhador. . Assim. Ora. o operário se nega no objeto criado. já que todo trabalho é alienado. porém. o socialismo é um modo de organização social no qual existe uma distribuição equilibrada de riquezas e propriedades. Diferentemente do que ocorre no capitalismo. quanto mais o mundo das coisas aumenta de valor. chamada maisvalia absoluta). não é possível fixarmos uma data certa para o início do comunismo ou do socialismo na história da humanidade. Ou seja. onde as desigualdades sociais são imensas. O raciocínio de Marx é muito simples: ao criar algo fora de si. Por isso. pois "o operário cada vez se empobrece mais quando produz mais riquezas". que consiste em aumentar a produtividade do trabalho. tanto em seus direitos como em seus deveres. Em outras palavras. com a finalidade deproporcionar a todos um modo de vida mais justo. promove a negação da negação. o lucro empresarial seria sustentado atravésdo que se denomina mais-valia relativa (em oposição à primeira forma. mais o mundo dos homens se desvaloriza. a partir do momento que o sujeito-produtor dá valor ao que produziu. se a negação é alienação. na medida em que se manifesta como produção de um objeto que é alheio ao sujeito criador.

A sociedade visada aqui é aquela sem classes. que implantou um sistema de abertura econômica e política (Glasnost e Perestroika) em seu país. China.onde os bolcheviques liderados por Lênin. Na visão do pensador e idealizador do socialismo.contudo. durante ogoverno de Mikail Gorbachov (final de década de 1980). após algum tempo. mais precisamente em algumas sociedades de Paris. . União Soviética (atual Rússia). passaram por dificuldades e viram seus sistemas entrarem em colapso.Podemos. A mais significativa experiência socialista ocorreu após a Revolução Russa de 1917. após o ano de 1840 (Comuna de Paris). ou seja. como. implantaram o socialismo na Rússia. o socialismo foi deixando de existir nos países da Europa Oriental. Foi a União Soviética que iniciou este processo. por exemplo. Alguns países. somente com a queda da burguesia é que seria possível a ascensão dos trabalhadores. Cuba e Alemanha Oriental adotaram estas idéias no século XX. Karl Marx. este sistema visa a queda da classe burguesa que lucra com o proletariado desde o momento em que o contrata para trabalhar em suas empresas até a hora de receber o retorno do dinheiro que lhe pagou por seu trabalho. afirmar que ele adquiriu maior evidência na Europa. e por serem a minoria num mundo voltado ao para olucro e acúmulo de riquezas. com os mesmos ganhos e despesas. Segundo ele. Porém. onde todas as pessoas tenham as mesmas condições de vida e de desenvolvimento. Na mesma onda.

ela examina a parte da ação individual e social que está mais intimamente ligada aos resultados e ao uso dos requisitos materiais do bem-estar”.Alfred Marshal Todos os textos de Economia anteriores a Marshall referem-se à matéria tratando-a de "economia política" (political economy). Princípios de economia. para designar o novo estilo de se fazer ciência econômica. pelo fato de se contraporem às reformas propostas pelos socialistas. Marshall representou um marco institucional na história da moderna Economia. fundou o primeiro curso especializado de Economia e seu livro de 1890. Introduziu o nome “Economics” em substituição ao anterior “Political economy”. a principal preocupação do estudo da economia. abandonou essa denominação e passou a se utilizar da expressão "economia" (economics). como muitos dos grandes economistas contemporâneos. Embora os marginalistas e os neoclássicos.e com a pobreza em particular . foi o principal manual dessa disciplina por mais de 30 anos. e procure considerar o indivíduo enquanto agente econômico sempre inserido num determinado contexto sociocultural. tal qual como no Brasil de algumas décadas atrás. na sua opinião. Sua preocupação com as questões sociais de uma forma geral . . Marshall passou então a preocupar-se com a questão social sendo levado à "percepção de que a pobreza estava na raiz de muitos males sociais". fica difícil admitir tal imagem como válida quando se conhece não só como Marshall concebia a economia. já que na época a matéria não existia senão como apêndice ou complemento de outros cursos. na coleção Os Economistas. o que acabou conduzindo-o ao estudo da Economia. mas também quando se observa qual deveria ser. Sua definição de economia mostra a caráter pragmático de como ele a entendia. Marshall. nunca fez curso universitário regular e especializado.é constante. escrita por Ottolmy Strauch. tenham ficado com a imagem de reacionários ou conservadores. como se observa na Introdução de sua obra magna. “A economia é um estudo da humanidade na atividade comum da vida. “Princípios de economia”. embora se opusesse ao conceito de “homo economicus”. Matéria para a qual. por considerá-lo excessivamente simplificador. Nesse sentido.

Segundo a sua convicção. que manteve inalterada pela vida inteira. com um mínimo de realismo. o mal é grande. Aptidões. Malthus. Os dois trechos citados a seguir ilustram com impressionante clareza essa enorme preocupação com que Marshall analisava a importância do investimento em educação para o desenvolvimento de uma nação. sem dúvida. para o crescimento econômico de qualquer país. o qual. . dentre todos os autores da tradição liberal iniciada com os clássicos e continuada pelos marginalistas e neoclássicos que mostraram preocupação com a educação. impedem-nos de investir capital na educação e treinamento dos seus filhos. quem mais se destacou nesse aspecto.A bandeira da educação compulsória e universal. para citar apenas um exemplo. eles. Porém. que..) Por fim. Outro aspecto que vem reforçar o elevado grau de preocupação social de Marshall é a maneira enfática como ele se referiu à importância da educação para a redução das desigualdades sociais e. sugeria que o investimento público maciço em educação popular seria uma resposta muito mais eficaz do que a "Poor Law" no combate ao pauperismo. os filhos de pais pobres. por extensão. não difere muito da situação latino-americana e brasileira da atualidade: “Nas camadas mais baixas da população. é uma tônica constante da economia clássica desde Adam Smith.. financiada total e pelo menos parcialmente provida pelo Estado. voltado para a emancipação da pobreza e a promoção do desenvolvimento econômico. Alfred Marshall aquele que melhor compreendeu a importância da formação de capital humano . vão para o túmulo carregando consigo aptidões e habilidades que jamais foram despertas. Entre os economistas ingleses na tradição liberal-utilitária.para um programa de reforma social eficaz. O primeiro retrata o enorme desperdício humano e econômico da sociedade inglesa do começo do século XX. foi Marshall. foi. com a mesma liberalidade e audácia com que o capital é aplicado no aprimoramento da maquinaria de qualquer fábrica bem administrada (.do investimento na qualidade da força de trabalho . Como ele próprio viria mais tarde a dizer nos Princípios: "O estudo das causas da pobreza é o estudo das causas da degradação de uma grande parte da humanidade". como a sua própria razão de ser. o futuro. o problema da pobreza era não somente fundamental para a Economia. Pois os parcos meios e educação dos pais e sua relativa incapacidade de antever.

ao "traduzir" a teoria econômica para a linguagem matemática. . Com isso.) Mas o ponto sobre o qual devemos insistir agora é que o mal tem caráter cumulativo. demonstração matemática ou experiência laboratorial. isto é. Nesse sentido. teriam adicionado à riqueza material do pais . Com sua sólida formação em Matemática.final do século XIX .. tanto menos compreenderão a importância de desenvolver as melhores faculdades de seus filhos e menor será sua capacidade de fazê-lo”. permitindo. ainda. quanto menos suas próprias faculdades se desenvolvam. gráficos e diagramas numéricos. que nasça de pais destituídos. só eram aceitas como científicas as proposições ou hipóteses que pudessem ser verificadas (comprovadas) por meio de medição. Marshall deu enorme contribuição para a incorporação de métodos quantitativos à análise econômica.o critério da verificabilidade era predominante para que uma dada teoria fosse reconhecida como científica. Quanto pior a alimentação das crianças de uma geração. desde que possa ser combinada com um amplo sistema de bolsas de estudo. Nenhuma mudança favoreceria tanto a um crescimento mais rápido da riqueza material quanto uma melhoria das nossas escolas. Na época .diversas vezes mais do que teria sido necessário para cobrir as despesas de prover oportunidades adequadas para o seu desenvolvimento (. a utilização sistemática de equações matemáticas. E. prestou relevante serviço no sentido de dar mais credibilidade à Economia perante a comunidade científica. vale dizer.se tivessem podido dar frutos. especialmente aquelas de grau médio. consuma sua vida em trabalhos manuais de baixo nível. assim. até conseguir obter a melhor educação teórica e prática que nossa época pode oferecer”. O segundo reforça o caráter cumulativo do desperdício mencionado no trecho anterior e dá ênfase à importância da concentração da maior parte do investimento em capital humano na educação básica da massa da população: “Não existe extravagância mais prejudicial ao crescimento da riqueza nacional do que aquela negligência esbanjadora que permite que uma criança bem-dotada. ao filho inteligente de um trabalhador simples que ele suba gradualmente.para não falarmos em considerações mais elevadas .. de escola em escola. a contribuição de Marshall para que a Economia fosse aceita como uma ciência foi fundamental. menos irão ganhar quando crescerem e menores serão seus poderes de prover adequadamente as necessidades materiais de seus filhos e assim por diante nas gerações seguintes.

que dela partiu para desenvolver a teoria da exploração (mais-valia). 6) Se não conseguir realizar a 4. e creio cada vez mais nas seguintes regras: 1) Use a matemática como abreviação e não como método de pesquisa. Durante muito tempo a determinação do valor de um bem ou serviço enfatizou o lado da oferta . a baseada na oferta e a baseada na procura.para desespero de muitos estudantes -. utilizou-a como um importante instrumento analítico e metodológico. para a qual o valor era algo objetivo. a economia neoclássica pode ser . mas se opôs ao seu uso abusivo na Economia.o custo de produção . então. Para eles o valor de um bem era determinado pela utilidade que esse bem proporcionava a uma pessoa.Muitos historiadores do pensamento econômico. 3) Traduza para o inglês. tornando-se conhecida como a teoria do valor trabalho. tanto é verdade que colocou quase todos os gráficos e diagramas nos rodapés e apêndices de suas obras. Ao contrário. Os primeiros marginalistas. 2) Utilize-a até ter terminado. Marshall sintetizou as duas visões sobre a determinação do valor de um bem ou serviço. segundo Oser e Blanchfield. Essa idéia se consolidou com David Ricardo. como observam . 5) Queime a matemática. idéia que se tornou conhecida como “Teoria do valor utilidade”. então queime a 3”. uma vez que a utilidade proporcionada por um determinado bem ou serviço variava de pessoa para pessoa. com exemplos importantes da vida real. naquilo que pode ser chamado de economia neoclássica. voltaram-se para o extremo oposto e enfatizaram a procura. fazem questão de ressaltar que apesar de seu extraordinário domínio da matemática e da incorporação da mesma à teoria econômica . excluindo completamente a oferta. na Escola Clássica.Tal idéia fica ainda mais reforçada num dos trechos mais reproduzidos de sua autoria: “Um bom teorema matemático que aborde hipóteses econômicas dificilmente será boa economia. 4) Ilustre.como único determinante do valor. segundo a qual o valor de um bem decorre da quantidade de trabalho necessário à sua produção. Ao contrário do que ocorria com a teoria do valor trabalho. medido pelo número de horas incorridas na produção de um determinado bem ou serviço. o valor para os marginalisas tornou-se subjetivo. Assim. Marshall jamais deixou que a matemática se sobrepusesse à preocupação social básica da Economia. Essa idéia foi posteriormente aproveitada por Marx.

seguiu depois com importantes economistas. A Escola Austríaca. destacando-se entre eles A. pode-se assinalar também a vertente que se tornou conhecida como economia monetária (ou monetarista). as análises desenvolvidas a esse respeito consideravam a idéia de equilíbrio geral. Consiste. Ludwig von Mises e Friedrich Hayek (ganhador do Prêmio Nobel em 1974). teve depois von Wieser.vista como "o marginalismo com um reconhecimento sensato da contribuição remanescente da Escola Clássica". pode-se afirmar que sua influência permanece acentuada na Economia até os dias de hoje.especialistas no assunto. Irving Fisher. aí se destacando John Gustav Knut Wicksell. inclusive as reações. assim como os progressos mais recentes no campo da teoria dos jogos. Considerando que a Escola Neoclássica foi uma extensão da Escola Marginalista.senão o maior . Ralph George Hawtrey e Milton Fridman (ganhador do Prêmio Nobel em 1976). Já a Escola de Lausanne. C. essencialmente. Até então. iniciada com Menger. belas. que teve início com Jevons e teve continuidade com Marshall. sendo Walras reconhecido como um dos maiores . em compartimentar a economia de modo que os principais efeitos de uma mudança de parâmetro num determinado minimercado possam ser ressaltados sem considerar os efeitos colaterais em outros mercados. . iniciada com Walras. A Escola de Cambridge. isto é. também chamada de abordagem de Ceteris paribus (iguais às demais coisas. BohnBawerk. teve em Vilfredo Pareto seu principal seguidor. ou feedback destes. Pode-se identificar ainda o vasto desenvolvimento da economia matemática (econometria) como uma conseqüência da influência da Escola Neoclássica. controvertidas contribuições de Marshall. O método de "análise parcial" ou "análise de equilíbrio parcial". Dentre as ramificações posteriores. uma vez que gerações sucessivas têm contribuído para o aperfeiçoamento e a atualização de suas diversas ramificações. Outra grande contribuição de Marshall refere-se à noção de “Equilíbrio parcial”. Pigou. sem que haja modificação de outras características ou circunstâncias) é das mais famosas e.

Schutz (1979). Uma delas. A divisão entre “Polytical Economy e Economics” permanece também dando margem a acalorados debates e muitas trocas de farpas. em muitas partes do mundo. Theodore W. sobre a importância econômica da educação. mas seguem ainda dando muita dor de cabeça aos economistas contemporâneos. costumam haver sessões separadas da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP) e da Sociedade Brasileira de Econometria (SBE). o combate à pobreza. as políticas econômicas levadas a cabo com esse objetivo apresentaram resultados pífios. continua gerando muitas discordâncias e. entre os quais os laureados com o Nobel de Economia.Mas duas das maiores preocupações de Alfred Marshall continuam sendo não apenas atuais. Gary Becker (1992) e James Heckman (2000). segue inspirando renomados economistas contemporâneos. A outra. . Os adeptos de cada uma dessas associações costumam dizer que o que se faz na outra não é propriamente economia. Nas reuniões anuais da Associação Nacional dos Centros de Pós-graduação em Economia (ANPEC).

Embora tenha uma sólida formação matemática. c) A intransigente busca do pleno emprego como objetivo fundamental da política econômica. que acabou se transformando em bibliografia obrigatória dos cursos de economia em todo o mundo. porém. sua consagração veio com a publicação. encontram-se: a) A crítica à teoria do laissez-faire. sem fazer uso do farto conhecimento que possuía de métodos quantitativos. b) A defesa de um papel mais significativo para os instrumentos de política fiscal na definição e execução das políticas econômicas. Keynes conseguiu escrever um livro extremamente acessível. do juro e do dinheiro”. vigorosamente abalada pela Grande Depressão . e) a teoria do multiplicador. laissez-passer. de “A teoria geral do emprego. segundo a qual a economia tende naturalmente ao equilíbrio. “A teoria geral” (nome com o qual o livro normalmente é mencionado) tornou-se um livro de leitura razoavelmente acessível. 60 e 70 do século recém encerrado.consideradas por muita gente como a base da recuperação da economia capitalista. Entre toda a contribuição de Keynes para a teoria econômica. que passa a ser vista como elemento essencial para a análise e formulação de políticas econômicas. em razão da proliferação de políticas econômicas inspiradas em suas idéias nas décadas de 40. d) A valorização da contabilidade nacional. 50. A influência de suas idéias .foi tão ampla que se tornou comum o emprego da expressão consenso keynesiano.Jonh Mayard Keynes Em termos de contribuição à teoria econômica. sem necessidade de intervenção governamental. as mais relevantes. em 1936. até então amplamente dominante. até então fortemente dominadas pelos instrumentos de política monetária e cambial. . Com isso.

a produtividade marginal do capital reduz-se. e como a taxa de acumulação de capital aumenta. nos moldes em que foi feita na União Soviética. o que gera desemprego e reduz a demanda efetiva novamente. nem muito menos operar orçamentos deficitários na fase expansiva dos ciclos. e por sua vez causa uma crise econômica. O que Keynes defendia. a taxa de poupança aumenta simultaneamente. em relação ao investimento. Não se trata promover uma competição entre o Estado e o mercado.A teoria de Keynes é baseada no princípio de que os consumidores aplicam as proporções de seus gastos em bens e poupança. Como esse equilíbrio pode significar a ocorrência de desemprego involuntário em economias avançadas (onde a quantidade de capital acumulado seja grande e sua produtividade seja pequena). deve gastar mais do que arrecada. que agindo sozinho não é capaz de resolver todos os problemas. É importante lembrar que Keynes nunca defendeu o carregamento de déficits de um ciclo econômico para outro. embora necessários para o bom desenvolvimento de um país. na década de 1930. mas sim de obter uma adequada complementação ao mercado. Keynes defendeu a tese de que o Estado deveria intervir na fase recessiva dos ciclos econômicos com sua capacidade de imprimir moeda para aumentar a procura efetiva através de déficits do orçamento do Estado e assim manter o pleno emprego. em função da renda. se a renda agregada aumenta em função do aumento do emprego. . O ciclo de negócios segundo Keynes ocorre porque os empresários têm "impulsos animais" psicológicos que os impedem de investir a poupança dos consumidores. já que o lucro é proporcional à produtividade marginal do capital. para terminar. Assim. A crise. deve ter uma intervenção estatal que aumente a demanda efetiva através do aumento dos gastos públicos. Deve notar-se que. não interessam ou não podem ser atendidos pela inciativa privada. Então ocorre um excesso de poupança. porque a arrecadação de impostos reduz a procura efetiva. enquanto que os gastos aumentam a procura efetiva. e o investimento é reduzido. Keynes nunca defendeu a estatitização da economia. maior a porcentagem desta é poupada. Quanto maior a renda. é uma participação ativa de um Estado enérgico nos segmentos da economia que. para o Estado aumentar a procura efetiva. o que faz com que a demanda (procura) efetiva fique abaixo da oferta e assim o emprego se reduza para um ponto de equilíbrio em que a poupança e o investimento fiquem iguais.

O novo-desenvolvimentismo surge da visão de Keynes. que leve a um crescimento econômico sustentável. e propõe uma estratégia de Transformação produtiva com eqüidade social. com uma melhor distribuição de renda. adaptada aos tempos atuais por economistas keynesianos contemporâneos como Paul Davidson e Joseph Stiglitz.“Não constitui uma dedução correta dos princípios da economia que o auto-interesse esclarecido sempre atua a favor do interesse público”. . que vêem o Estado como sendo um complemento do mercado. e da visão cepalina neoestruturalista que considera que a tardia industrialização latino-americana não foi capaz de resolver os problemas de desigualdades sociais na América Latina.

Convém ressaltar que a ciência econômica é uma ciência social. o estudo da escassez e dos problemas dela decorrentes. gradativamente. não existiriam tampouco sistemas econômicos nem economia. aos mecanismos econômicos. Ou. depois às coisas e. fundamentalmente. embora escassos. A economia considerada preliminarmente á natureza passando. quer seja através de um poder central. . Desde que o fato económico se manifeste através de atos de escolha entre fins e meios. a ciência que estuda as formas do comportamento humano resultantes da relação existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que. o estudo e compreensão das teorias de seus principais teóricos teve por objetivo demonstrar as mudanças no decorrer dos séculos referentes as relações econômicas entre os meios de produção e a sociedade em seu âmbito geral. se prestam a usos alternativos". por estudar a atividade econômica voltada para o homem. a economia pode ser vista como um ramo das ciências sociais que se ocupa da administração eficiente dos escassos recursos existentes. Essas transformações estiveram lastreadas em obras e estudos de importantes autores. Não houvesse escassez nem necessidade de repartir os bens entre os homens.: "A economia é. que é o principal "cliente" e “beneficiário” da economia. empregados na consecução dos fins que tenham sido estabelecidos pela sociedade — quer seja através de descentralizado processo decisório. como Robbins a definiu.CONSIDERAÇÕES FINAIS Toda essa simplificação no conteúdo abordado da evolução do pensamento econômico bem como. atualmente. pois. A economia é. ao homem.

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