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Universidade de São Paulo

Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas


Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas

Edição e Análise Lingüística de Documentos Manuscritos


da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (1850-1894)
no Arquivo Público do Estado de São Paulo

Mônica Messias Silva


Orientador: Prof. Dr. Gabriel Antunes de Araújo
Relatório de Iniciação Científica, CNPq
São Paulo, fevereiro de 2007.
Sumário

Resumo
1 Apresentação 2
1.1 Atividades 3
1.2 Da coleta e digitalização do material 4
2 Atividades acadêmicas 4
2.1 Filologia Portuguesa 4
2.2 Atividades Futuras 5
3 O corpus 7
3.1 Da natureza da edição 7
3.2 A edição semidiplomática 7
4 Comentários 8
4.1 Dos documentos 8
4.2 Das dificuldades 8
5 Normas de transcrição 9
Conclusão 13
Referências 15
Edição fac-similar e semidiplomática 16

1
Resumo

O objetivo inicial deste projeto de Iniciação Científica é editar documentos manuscritos1 cujo tema
central é a Faculdade de Direito (atual Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo),
relativos ao período de 1850 a 1894, arquivados sob o número C-05640 no Acervo do Arquivo
Público do Estado de São Paulo. Com o apoio da bolsa científica PIBIC-CNPq-USP, iniciada em
agosto de 2006, as seguintes atividades foram realizadas: leitura da bibliografia fundamental, coleta
de material, edição semidiplomática de 50% dos manuscritos e participação como aluna ouvinte da
matéria obrigatória do 6º semestre do curso de Letras: Filologia Portuguesa.

Palavras-chave: Filologia, Faculdade de Direito, edição de manuscritos, século XIX, USP.

1 Apresentação

A pesquisa em curso pretende editar documentos da Faculdade de Direito de São Paulo, atual
Faculdade de Direito da USP, situada desde sua fundação no Largo de São Francisco, na cidade de
São Paulo, e torná-los acessíveis a um público mais amplo, incluindo profissionais de áreas
específicas como lingüistas, historiadores, sociólogos e outros. O resultado deste trabalho também
poderá ser utilizado como base para futuras pesquisas sobre o português do Brasil escrito no século
XIX.

A edição do material procurou eliminar todas as restrições de acesso a um público mais


amplo. Anteriormente, para que estes documentos pudessem ser lidos sem que houvesse uma edição
(seja edição semidiplomática2 ou crítica3), eram necessários que o leitor estivesse familiarizado com
a prática da leitura de manuscritos. Ou seja, a partir do momento em que é feita a edição de um
manuscrito, o documento antes restrito a especialistas, passa a ser acessível a qualquer pessoa
interessada.
A edição dos manuscritos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco pretende construir
um corpus que sirva como material de pesquisa no campo lingüístico, bem como no histórico, no
social, entre outros. No campo da lingüística tem-se um acervo com material de múltiplo interesse.
No que diz respeito, por exemplo, à variação ortográfica e à ordem sintática, que incluem uma
simples troca de letras até a construção de expressões hoje inadmissíveis a um cidadão culto,

1
Fólio com texto escrito à mão, com pena e tinteiro.
2
Edição que conserva a escrita original do manuscrito com mínimas intervenções. Neste trabalho, optou-se
por desenvolver apenas as abreviaturas.
3
Edição que atualiza para a escrita atual a escrita do manuscrito.

2
embora comuns no século XIX. Do ponto de vista histórico, há documentos que registram momentos
do crescimento e da transformação da cidade de São Paulo em metrópole e no surgimento do ensino
universitário do país. Já para o estudo social, principalmente no ramo das Ciências Políticas, é
válido mencionar que foram os alunos da Academia os principais intelectuais do movimento
republicano e abolicionista e de lá também saíram muitos dos líderes políticos do Brasil Imperial e
Republicano: “O liberalismo brasileiro foi, durante longo tempo, quase privilégio de uma categoria
de homens: o bacharel4, que se converteu em político profissional e procurou ascender ao poder por
intermédio do partido. Bacharel que fez da política vocação, lutou pelo êxito das causas e que se
apaixonou e transformou a política em atividade ética, em verdadeira cruzada civilizatória...”
(Adorno 1988).
Os documentos ora editados, ao serem digitalizados e divulgados, passam a ter maiores
chances de serem preservados, pois, na sua forma manuscrita, a qualidade sensível de papéis e tintas
utilizados no século XIX faz com que sua deterioração seja inevitável. A importância de se preservar
esse material transcende o objetivo da edição dos documentos.

1.1 Atividades

Conforme o cronograma inicial, o projeto foi dividido em duas etapas. Os documentos incluem
manuscritos que chegaram ao Gabinete da Presidência da Província de São Paulo cujo tema é a
Faculdade de Direito. A lata, dividida em pastas catalogadas pelo ano do recebimento da
correspondência não é totalmente homogênea. Há documentos relativos aos anos de 1850, 1856,
1860, 1864-66, 1868, 1870, 1872, 1875-76 e 1881-84. A primeira etapa desta pesquisa, consistia na
leitura da bibliografia, digitalização do material para a pesquisa do primeiro ano, edição de 50% dos
manuscritos coletados (1850, 1856, 1860, 1864, 1865), freqüência às aulas de Filologia Portuguesa
e elaboração do relatório semestral. A segunda metade dos manuscritos será editada no segundo
semestre da Iniciação Cientifica, enquanto que o material referente aos anos de 1866 a 1884 será
editado no segundo ano.
Inicialmente, as leituras foram concentradas nos temas relativos à história da Faculdade de
Direito do Largo São Francisco e, com o intuito de adquirir conhecimentos e técnicas necessárias
para a edição de manuscritos, nos temas concernentes à Filologia e à Paleografia. A disciplina
Filologia Portuguesa abordou toda a bibliografia relevante para a pesquisa com os manuscritos e
contribuíram para uma melhor absorção e aproveitamento da pesquisa. Por meio de aulas práticas
submetidas à avaliação constante, os melhores métodos a serem aplicados nesta iniciação científica

4
Aqui, a palavra bacharel se refere aos alunos formados na Faculdade de Direito.

3
puderam ser avaliados. Futuramente, acrescentarei ao trabalho um índice onomástico a fim de
facilitar o acesso de pesquisadores.

1.2 Da coleta e digitalização do material

Primeiramente, foi feita uma visita ao Arquivo Público do Estado de São Paulo, local em que está
depositado o material a ser editado. A digitalização do material foi solicitada, posteriormente, ao
Arquivo Público. Como o material pode ser consultado somente in loco, o próprio Arquivo se
encarregou de fazer as cópias digitais (com a ajuda de um scanner de mesa?), fornecendo-as ao
custo de R$1,20 (um real e vinte centavos) por cópia de cada fólio.
O corpus deste projeto contém material suficiente para dois anos de trabalho, porém, como a
atual bolsa tem duração de um ano, apenas os manuscritos correspondentes aos anos 1850, 1856,
1860, 1864-66, 1868, 1870, 1872, 1875-76, 1881-84, serão editadas no primeiro ano de vigência da
bolsa. Neste primeiro semestre, a metade deste material do primeiro ano foi editada, ou seja, o
material correspondente aos anos de 1850, 1856, 1860, 1864 e 1865. No segundo ano de pesquisa,
os manuscritos correspondentes aos anos de 1885-1891 e 1894 serão editados.
Foram editados todos os manuscritos previstos no cronograma inicial. Devido à fragilidade
dos manuscritos, evitou-se o seu manuseio direto. No entanto, as cópias digitalizadas permitem a
solução de 95% dos problemas. Faz-se necessário recorrer aos próprios manuscritos para sanar
determinadas dúvidas. Dessa forma, visitamos o Arquivo Público sempre que necessário para
dirimir pequenas dúvidas.

2 Atividades acadêmicas

2.1 Filologia Portuguesa

Na grade curricular do Curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da


Universidade de São Paulo, a disciplina FLC 0284 Filologia Portuguesa é obrigatória para a
habilitação ‘Português’. No entanto, essa disciplina é oferecida aos alunos do sexto semestre
(terceiro ano). O sistema de pré-requisitos e conflito de horários impede que o aluno do primeiro ou
do segundo ano a curse. Por isso, cursei esta disciplina, crucial para o desenvolvimento desta
pesquisa, como aluna ouvinte. A seguir, a ementa e o programa da disciplina.

4
Ementa e programa: ‘Apresentar ao aluno de Graduação uma Introdução à Filologia, stricto e lato
sensu. Mostrar a necessidade de busca do texto fidedigno, como edição de documentos,
manuscritos ou impressos. Valorizar o estado de língua em que foi escrito originalmente o
documento. Conceito e objeto da Filologia. Relações com a Diplomática, com a Codicologia e com
a Paleografia. O documento original e a cultura de sua época. A Crítica Textual. Escolas de
Crítica Textual. O exame de testemunhos. Os tipos de edição. As etapas do trabalho filológico.
Critérios de edição do manuscrito medieval. Critérios de edição do manuscrito moderno.’

Além das aulas teóricas, foram realizados os seguintes trabalhos práticos:

• Edições paleográfica5, diplomática6, semidiplomática e crítica de diversos documentos;


• Aparato crítico (cotejo de diferentes testemunhos de um mesmo documento);
• Análise lingüística (analisando peculiaridades de ordem ortográfica, fonológica,
morfológica, lexical, sintática e semântica).

Os documentos trabalhados variavam do século XV ao XIX, desde textos literários, a


correspondências e diários de bordo. O aproveitamento do curso foi considerado bom, visto que foi
obtida uma média final 9,8, com freqüência máxima (100%) às aulas. A nota será incluída no meu
histórico escolar no próximo ano .O curso de Filologia Portuguesa é indispensável àqueles que
desejam trabalhar com a edição de manuscritos. No curso de Filologia Portuguesa, dúvidas
freqüentes puderam ser esclarecidas, pois se havia acompanhamento passo a passo no transcorrer
dos trabalhos desenvolvidos.
No curso de Filologia Portuguesa, ministrado pelo Prof. Dr. Heitor Megale, trabalha-se com
manuscritos e suas respectivas edições. As aulas teóricas e práticas, freqüentemente, concentravam-
se no trabalho com manuscritos dos séculos XV ao XIX. A avaliação do cursou foi feita através de
trabalhos práticos regulares em sala de aula, dois trabalhos mais criteriosos de análise lingüística e
uma avaliação final.

2.2 Atividades futuras

Para o segundo ano do curso de graduação em Letras, mais especificamente, para o terceiro
semestre, assistirei duas disciplinas (optativas), Paleografia I e O Manuscrito Literário à Luz da

5
Edição que mantém as mesmas características do fólio original, incluindo caracteres pitorescos.
6
Edição que mantém as mesmas características do fólio original, excluindo caracteres pitorescos.

5
Crítica Genética, a fim de que estas mesmas matérias venham enriquecer o campo de conhecimento
na área de Filologia e Paleografia. As matérias são oferecidas pelo Instituto de Estudos Brasileiros
da USP.

• Paleografia I (ementa oficial)

Objetivos: Disciplina optativa, visando desenvolver no aluno a capacidade de leitura e


transcrição de documentos histórico-literários do Brasil Colônia, explorando os manuscritos
existentes no Arquivo do IEB, com base em conceito histórico, técnica e metodologia da
Paleografia Moderna. Programa resumido: Conceito e objeto da Paleografia. Conceito e objeto
da Diplomática. Disciplinas afins, auxiliares e auxiliadas. A evolução da escrita. Tipos de escrita,
histórico e evolução. Escrita antiga ou latina: principais tipos. Escrita medieval portuguesa:
principais tipos. Sistema abreviativo medieval. Escritas modernas em português: principais tipos.
Transcrição de textos modernos (sécs. XVI ao XIX). Critérios de normas de transcrição
paleográfica. Sinais convencionais.

• O Manuscrito Literário à Luz da Crítica Genética (ementa oficial)

Objetivos: Estudar o processo criativo em manuscritos de escritores brasileiros do século


XX, distinguindo os diferentes documentos que o compõem - notas de trabalho, planos, esboços,
roteiros, versões em autógrafos, datiloscritos7 ou digitados, em exemplares impressos rasurados e
em cartas. Trabalhar a classificação nos enfoques arquivísticos, codicológicos e genéticos;
desenvolver um banco de dados. Deter-se na questão das rasuras e das etapas de redação nas
versões. Montar o dossiê genético de uma obra de um escritor vivo. Programa resumido: História
sucinta da escrita e do livro; definição e tipologia dos manuscritos; a análise histórico-literária; a
análise documentária; o processo criativo segundo a crítica genética; as etapas da escritura em
manuscritos de Mário de Andrade, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Otto Lara Rezende, entre
outros; campos para uma base de dados; a transcrição dos manuscritos; montagem do dossiê
genético de uma obra de um escritor vivo.

7
Fólio escrito em máquina de escrever ou tipográfica.

6
3 O corpus

O corpus utilizado nesta pesquisa inclui cartas, na maioria das vezes, remetidas pelo diretor da
Faculdade de Direito ao Presidente da Província, bilhetes e despachos. Com exceção de uma das
pastas, que contém um documento datiloscrito, todos os documentos são manuscritos8.
As cartas remetidas a partir da direção da Faculdade de Direito trazem, em sua maioria,
caligrafia na assinatura diferente da caligrafia do corpo do texto. Isso demonstra que o verdadeiro
autor das cartas não as escrevia. É possível, portanto, que o diretor da Faculdade ditasse as cartas a
um secretario. Há, também, nos documentos anotações feitas por terceiros, ou seja, anotações que
não eram nem de quem escrevera o corpo do documento, nem daquele que assinara. Trata-se de
anotações feitas pelo corpo administrativo da Faculdade, do Gabinete da Presidência da Província
ou por arquivistas.

3.1 A natureza da edição

O projeto Edição e Análise Lingüística de Documentos Manuscritos da Faculdade de Direito do


Largo São Francisco (1850-1894) no Arquivo Público do Estado de São Paulo adotou como padrão
a técnica de edição semidiplomática. As cópias fornecidas pelo Arquivo Público (a edição fac-
similar) foram alinhadas com suas respectivas edições para que se possa fazer comparações de
documento a documento, da edição fac-similar, para a edição semidiplomática.

3.2 Da edição semidiplomática

A edição semidiplomática permite manter ao máximo as características do documento original,


desenvolvendo somente as abreviaturas. Dessa forma, estudiosos de áreas como a lingüística, a
literatura epistolar, a historiografia, entre outras, podem se beneficiar da fidelidade das edições, pois
é de fundamental importância para estes estudiosos que se mantenham os traços originais da escrita
pertencente à época do manuscrito.
Cada transcrição traz consigo um grau de fidelidade ao documento original. No caso do
presente trabalho, cujo objetivo é manter ao máximo a fidedignidade à escrita da época do
manuscrito, optou-se pela edição semidiplomática. Nesse tipo de edição são conservados: a
separação vocabular (intra- e interlinear), os diacríticos, a pontuação, a paragrafação, entre outros.
Tendo essas características sidas mantidas, pode-se levantar um estudo a respeito das variações

8
Fólio com texto escrito à mão, com pena e tinteiro.

7
lingüísticas e a respeito da grafia, da ortografia, da fonética, da fonologia, da morfologia, do léxico,
da sintaxe e da semântica do português escrito na segunda metade do século XIX com o português
falado e escrito de hoje.
O material editado encontra-se em anexo.

4 Comentários

4.1 Dos documentos

A maioria dos documentos transcritos até o momento pode ser chamada de requerimentos e
pareceres, pois se trata de solicitações e pareceres, freqüentemente encaminhados pelos diretores da
Faculdade ao Gabinete do Presidente da Província de São Paulo. Entretanto, há outros tipos de
documentos, como por exemplo, uma “carta anônima”, um atestado médico, uma carta confidencial
muito parecida com um bilhete, cartas pessoais (como a remetida pelo Visconde de Baependy),
relatório de desempenho e freqüência dos alunos, entre outros.
No decorrer do trabalho, percebemos que houve uma (possível) troca de documentos entre as
pastas ‘5’ e ‘7’. Arquivada na pasta ‘7’, foi encontrada uma carta anônima composta por três fólios,
um deles com fólio recto e fólio verso, e outro, somente com o fólio recto. Nesta carta, havia,
manuscrita por terceiros, a informação ‘P.5’ e ‘D.1A’, ou seja, tratava-se de uma carta pertencente à
pasta 5, numerada como Documento 1A. Entretanto, o ano da data da carta encontra-se rasurado e
ilegível.
O documento versa sobre assunto encontrado em um outro manuscrito, guardado na pasta 5,
sob o código ‘P.5’ - ‘D.1’. Isso pode ser confirmado pela leitura e cotejo das cartas mencionadas.
Há, ainda nesta mesma pasta 5, mais dois documentos referentes à carta sob o código ‘P.5’ - ‘D.1’:
a carta sob o código ‘P.5’- ‘D.1B’ e a carta sob o código ‘P.5’ - ‘D.1C’. Conclui-se, assim, que a
carta anônima foi trocada de pasta, podendo-se afirmar, então, que a data rasurada nesta mesma
carta é correspondente ao ano de 1860.

4.2 Das dificuldades

O orientador deste projeto procurou me introduzir ao estudo da Filologia. Sob sua orientação,
freqüentei como aluna ouvinte no horário matutino (posto que curso o Noturno), a disciplina
Filologia Portuguesa, lecionada pelo Professor Dr. Heitor Megale. Mesmo sendo esta uma matéria
obrigatória do terceiro ano, mais especificamente, do sexto semestre, o Prof. Dr. Heitor Megale,

8
gentilmente, acolheu uma aluna do primeiro ano entre seus discentes. A segunda dificuldade, ainda
dentro da disciplina de Filologia Portuguesa, foi o uso dos conhecimentos específicos de lingüística
na análise de documentos trabalhados em sala de aula, como por exemplo, as matérias de fonética e
fonologia, ainda não cursadas com profundidade no ciclo básico. Para conseguir bons resultados
dentro do curso de Filologia Portuguesa foi preciso dedicar-me a essas matérias.
No que diz respeito ao trabalho com os manuscritos objeto desta pesquisa, a maior
dificuldade foi o trabalho com as cópias digitalizadas, uma vez que as digitalizações são de baixa
resolução, devido à precariedade dos equipamentos do Arquivo Público de SP. Foram poucos os
manuscritos que para serem mais bem visualizados não precisaram ser alterados através do uso de
recursos de programas editores de imagens (Photoshop). Muitas palavras e expressões escritas a
lápis não puderam ser transcritas a partir da cópia digital cedida pelo Arquivo Público. O fato de
não poder trabalhar diretamente com os manuscritos originais também se tornou uma dificuldade.
Embora estivessem disponíveis, optou-se por recorrer aos manuscritos apenas para dirimir dúvidas.
As edições foram feitas através de cópias digitais (e/ou mecânicas) gravadas em CD, ou seja, da
edição fac-similar9 dos documentos, pois os manuscritos utilizados para o desenvolvimento desta
pesquisa, por serem de um material sensível, do século XIX, encontram-se em estado delicado e de
fácil deterioração ao ser manuseado.
A quinta dificuldade foi com a formatação das edições. Cada edição requer um cuidado
minucioso, como em relação à pontuação, à verificação da fonte (se esta está em caixa alta ou caixa
baixa), à verificação do parágrafo, atenção às notas de rodapé e a qualquer informação adicional
(anotações de terceiros, dúvidas levantadas a respeito da origem de determinado fólio, o tipo do
documento, etc.), transcrição fidedigna do manuscrito, entre vários outros cuidados. O cuidado deve
ser redobrado, pois a escrita do século XIX não tem os mesmos padrões da escrita em vigor da
norma gramatical atual. A sexta e última dificuldade está na elaboração do relatório que requer uma
descrição que seja, ao mesmo tempo, detalhada e também suficientemente concisa.

5 Normas de transcrição

As seguintes normas e justificativas norteiam o trabalho (cf. Spina 1994, Cambraia 1999, Oliveira
2005, inter alia):

1. Norma geral: cotejar a edição semidiplomática com a reprodução fac-similar.

9
Edição que reproduz através de fotocópia, digitalização de imagens, entre outros recursos, um documento
original.

9
Justificativa: permite o acesso ao manuscrito original.

2. Norma geral: preservar as características do original ao máximo.


Justificativa: possibilita análises do texto nos níveis grafemáticos e ortográficos, fonético,
fonológico, morfológico, lexical, sintático, e semântico.

3. Norma: manter características grafemáticas (forma e posição de diacríticos, separação dos


vocábulos, sinais de pontuação, grafia de palavras, uso de maiúsculas e minúsculas).
Justificativa: A manutenção de formas e posição de diacríticos (por exemplo, relaçaõ), da
separação vocabular (por exemplo, d’ella, opresidente, etc.), da grafia da época (por exemplo,
allega) e dos sinais de pontuação pode fornecer informações a respeito da interpretação de
características de cunho fonético-fonológico, como por exemplo, variação de alofones, unidades de
entonação, limites entre sílabas e palavras fonológicas, processos de sândi, qualidade de vogais
tônicas e não-tônicas, etc. O uso de letras maiúsculas e minúsculas pode indicar as fronteiras entre
frases ou ênfase em determinadas palavras, destacando seu valor semântico, por exemplo.

4. Norma: desenvolver as abreviaturas.


Justificativa: o uso de abreviaturas é um recurso de economia de meios (papel, tinta e tempo)
e estilístico muito comum em manuscritos brasileiros. Interpretar e desenvolver as abreviaturas
facilita a leitura do manuscrito. O desenvolvimento de abreviaturas deve ter como referência formas
desenvolvidas no próprio manuscrito ou, no máximo, formas de manuscritos do mesmo autor ou
período, a fim de se evitar que traços lingüísticos de outras épocas ou fases ortográficas se
manifestem no documento. Dessa forma, sabemos, graças à vasta documentação, que a palavra
ilustríssimo (forma desenvolvida de Ilmo ou Illmo) era, no século XIX, grafada como illustrissimo.
Todas as abreviaturas encontradas nos documentos serão desenvolvidas para a escrita atual,
ressaltando que, as letras abreviadas aparecerão em itálico, assim como os números que indicarem
abreviação, também serão desenvolvidos. Ex: Faculde > Faculdade; 9bro > Novembro. No caso de
abreviaturas que, ao serem desenvolvidas na escrita atual, exijam por ordem gramatical a presença
de diacríticos, não serão acentuadas, pois será mantida a não-acentuação de palavras correntes à
época do manuscrito. Ex: Nº >Numero.

5. Norma: marcar as intervenções feitas por editores, copiadores ou arquivistas.


Justificativa: Muitos dos documentos manuscritos no nosso corpus receberam marcas do
corpo administrativo da Faculdade. Essas marcas facilitavam o arquivamento do material ou

10
informavam explicitamente o tipo de tratamento que o material deveria receber. Em geral, essas
intervenções (numeração, pedido de arquivamento (‘arquive-se’), despachos diversos, etc.) são
facilmente identificáveis pelo tipo de tinta e tipo de letra. Anotações feitas por terceiros,
encontradas no documento, serão marcadas por colchetes duplos ‘[[ ]]’, como por exemplo em [[Ao
Senhor Director]].

6. Norma: manter eventuais erros de ortografia e grafias diferentes de uma palavra.


Justificativa: os eventuais erros de ortografia podem indicar descuidos de quem escreve, mas
também revelam características pessoais do ato de editar o próprio texto.

7. Norma: procedimento em relação à edição de palavras ilegíveis.


Justificativa: Muitas vezes, devido a características gráficas ou por eventuais danos no
documento, não é possível a leitura de algumas palavras ou datas. Nesses casos, essas palavras
serão marcadas por colchetes, acrescentadas da palavra ‘ilegível’, como em [ilegível].

8. Norma: procedimento em relação à leitura por conjectura e leitura duvidosa.


Justificativa: A leitura por conjectura (quando há um problema na grafia da palavra que torna
parte ou todo ilegível, embora se possa recuperar a palavra, por conjectura) sem possibilidade de
falha será assinalada com o uso de colchetes simples, como em ‘justi[ça]’. No caso de leitura
duvidosa, empregar-se-á parênteses no trecho em que possa haver outras interpretações ou nos
quais, embora legíveis, haja dúvidas em relação à interpretação, como em ‘minis(tro)’ — que
também pode ser ‘minis(terio)’.

9. Norma: procedimento em relação à numeração da edição justalinear (contínua — de 5 em 5


— ao lado do texto editado).
Justificativa: A numeração no texto editado facilita a localização do trecho equivalente no
manuscrito fac-similado, bem como, na fortuna crítica, abrevia a busca de um determinado trecho
do manuscrito. A técnica de numeração justalinear facilita a leitura, pois cada linha do documento
editado corresponde a uma linha no original. A numeração será iniciada em paralelo com a primeira
linha do documento. Não serão contadas como linhas do documento, as anotações feitas por
terceiros.

10. Norma: o cabeçalho de cada manuscrito editado conterá uma sinopse escrita em itálico com
dados relevantes do documento: tipo do documento, remetente e destinatário e data, etc.

11
11. Norma: quando se tratar de documento com mais de um fólio, o número de fólios será
indicado mencionando-se também se se trata do fólio recto ou verso. O fólio recto será indicado
apenas com a numeração arábica, como em 1, e o fólio verso receberá a numeração mais a letra
minúscula v, como em 1v.

12. Norma: os números que se referirem às datas (por exemplo: 1º de Junho de 1860), sejam eles
cardeais ou ordinais, serão transcritos como se apresentarem nos manuscritos originais. Com
exceção quando se tratar de abreviações para nomes de meses (por exemplo, 9bro > Novembro).

13. Norma: as transcrições que não couberem em uma única folha terão o tamanho de sua fonte
reduzida.

14. Norma: Os nomes de pessoas descritos nas sinopses preservarão a escrita da época do
manuscrito, sendo atualizados, somente os eventuais diacríticos que neles aparecerem.

15. Norma: o cabeçalho do documento conterá o código de identificação (nome do arquivo,


correspondente à reprodução digital) e uma sinopse, em itálico.
O nome do arquivo incluirá as seguintes informações: APESP-C0-5640-Pasta 1-0001, onde
APESP significa Arquivo Público do Estado de São Paulo, C0-5640 (corresponde ao código da lata
em que se encontram os documentos), Pasta X (os documentos estão separados por ano. Cada ano
corresponde a uma pasta de documentos.) e um número que corresponde à imagem. Assim,
considerando-se a ordem de documentos na pasta, a imagem 0001corresponde ao primeiro arquivo
digitalizado.
A sinopse conterá: o tipo de documento, a data, o remetente, o destinatário e uma breve
descrição do assunto. Em seguida, na próxima linha, haverá a indicação do fólio (se recto ou verso).
Imediatamente depois, serão apresentadas as informações de terceiros (se houver). Finalmente o
documento. As informações impressas (timbradas) serão apresentadas em negrito entre colchetes
duplos, pois, embora relevantes, constituem informações de terceiros. Se houver rasura na
informação timbrada, a informação virá entre colchetes simples ou parênteses, a depender do caso
(cf. uso de colchetes simples e parênteses.)

12
16. Norma: no cabeçalho, os nomes, relevantes no documento, serão transcritos conforme

aparecem no texto, respeitando sua grafia.

17. Os manuscritos serão editados com fonte Times New Roman, corpo 11. As margens serão

fixadas em 2,5 cm (todos os lados), espaçamento simples.

6 Conclusão

A pesquisa em andamento atingiu seus objetivos propostos para o semestre: editar a metade dos
manuscritos recolhidos da Faculdade de Direito arquivados na lata sob o código C-0.5640 do
Arquivo Público do Estado de São Paulo. Os resultados obtidos contribuíram para minha formação
acadêmica e para o desenvolvimento dentro no curso de Letras. A eleição de um foco de estudo
possibilitou a organização de uma grade de disciplinas, benéficas tanto para as futuras etapas desta
pesquisa, como também, para a pavimentação de uma carreira acadêmica.
Além da possibilidade de se planejar uma carreira dentro do curso de Letras, trabalhar nesta
pesquisa de iniciação científica trouxe um melhor rendimento dentro de sala de aula: aumento no
aproveitamento (notas) e, concomitantemente, na média ponderada entre todas as matérias. Somado
a estes fatores se junta o desenvolvimento da prática de argumentação e a interpretação de leituras.
Em outras palavras, o desenvolvimento de pesquisas externas à grade curricular obrigatória sempre
traz benefícios ao aluno de qualquer graduação. A edição dos manuscritos permitiu observar a
complexidade presente nos documentos, no que diz respeito à sua riqueza lingüística, histórica e
social.
Como a pesquisa trata da edição de documentos, não há como se cotejar testemunhos
diferentes de um mesmo documento para que se resolvam dúvidas a respeito de determinadas
transcrições. Logo, para que se mantivesse a fidelidade à escrita original dos documentos, em
trechos e palavras ilegíveis ou de transcrição duvidosa, o trabalho embasou-se nas normas de
transcrição mencionadas neste relatório.
O Arquivo Público é, como o próprio nome diz, aberto a todos os interessados, porém sua
inacessibilidade está no fato de que poucas pessoas são capazes de decifrar e identificar o que
trazem escritos os documentos ali guardados. A dificuldade em lê-los não reside apenas na
caligrafia distanciada da atual, mas também no uso de abreviaturas, construções sintáticas diferentes
do padrão gramatical atual, do emprego do léxico, e mais uma infinidade de fenômenos lingüísticos

13
que fazem com que manuscritos fiquem restritos a especialistas, sobretudo filólogos e paleógrafos.
Logo, editar esses documentos manuscritos é uma das formas de trazer a um público amplo material
de fundamental importância para a sociedade e para a Universidade de São Paulo, pois podemos
assim, conhecer aspectos da criação do Ensino Superior no Brasil. Os manuscritos da Faculdade de
Direito ora editados são inéditos, fato que reforça a importância desta Pesquisa.
A partir dos documentos editados, observou-se que parte da correspondência trata da vida
cotidiana da Faculdade, como pedidos de licença de professores e requerimentos solicitando
dispensas de funcionários e a requisição de professores (lentes) substitutos. Dessa forma, os
documentos abrem uma janela para compreendermos a história da vida privada daquela que foi,
juntamente com a Faculdade de Olinda, a primeira instituição de ensino superior do Brasil Imperial.

14
Referências

ADORNO, Sérgio. 1998. Os aprendizes do poder: o bacharelismo na política brasileira. Rio


de Janeiro: Paz e Terra.
CAMBRAIA, César Nardelli. 1999. Subsídios para uma proposta de normas de edição de textos
antigos para estudos lingüísticos. In Rodrigues, Ângela et al. I Seminário de Filologia e Língua
Portuguesa, 13-24. São Paulo: Humanitas.

CAMBRAIA, César Nardelli. 2005. Introdução à crítica textual. São Paulo: Martins Fontes.

CUNHA, Antonio Geraldo da. 1999. A carta de Pero Vaz de Caminha. São Paulo: Humanitas.

MARTINS, Ana Luiza Martins & Heloisa Barbuy. 1999. Arcadas-História da Faculdade de
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NOGUEIRA, José Luis de Almeida. 1977. Academia de São Paulo: Tradições e Reminiscências.
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SAMARA, Eni de Mesquita. 2005. Paleografia e fontes do período colonial brasileiro. São Paulo:
Humanitas.

15
Edição semidiplomática dos manuscritos

16
APESP C0-5640-Pasta01-0001

Ofício, datado de 23 de abril de 1850, remetido pelo diretor interino da Faculdade,


Manoel Joaquim do Amaral Gurgel, ao Presidente da Província, Vicente Pires da
Motta, relatando o requerimento de licença médica do professor de geometria,
Francisco Maria Goulart.

[[C.1]]
[[P.1]]
[[D.1]]
[[0.5640]]
[[Faculdade de Direito 1850]]

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

Tenho a honra de informar a Vossa Excellencia o re-


querimento do Professor de Geometria d’es-
5 ta Academia Francisco Maria Goulart, que
pede tres mezes de licença com seus venci-
mentos para tractar de sua saude.
Á vista das razoẽs que allega o suppli-
cante Vossa Excellencia lhe deferirá como julgar de ju[s-]
10 tiça.
Deos guarde a Vossa Excellencia Saõ Paulo 23 de
Abril de 1850

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Doutor Vicente Pires da Motta,


15 Presidente d’esta Provincia

Manoel Joaquim do Amaral [Gurgel],


Director interino1

1
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

17
18
APESP C0-5640-Pasta01-0002

Atestado médico, datado de 17 de abril de 1850, anexado à carta ‘D.1’, assinado pelo
Dr. Ernesto Benedito Ottavi[o], informando sobre doença do professor Francisco
Maria Goulart.

[[C.1]]
[[P.1]]
[[D.1A]]
[[0.5640]]

Eu abaixo assignado attesto que


o Senhor Francisco Maria Gularti2,
soffre uma bronchite cronica e
ulceraçoens na garganta, que riquer
5 um tratamento regular emetho-
dico. E por esta me ser pedida
assigno por minha letra efir-
ma. Saõ Paulo 17 de Abril de
1850
10 Doutor Ernesto Benedito Ottavi[o]

2
No cabeçalho, foi mantida a grafia do nome, identica à grafia do documento ‘D1’.

19
20
APESP C0-5640-Pasta02-0001

Carta, datada de 13 de novembro de 1854, remetida pelo Visconde de Baependy ao


Presidente da Província, José Antonio Saraiva, informando-lhe que seu filho conclui o
curso de preparatórios e pedindo-lhe informações sobre os livros necessários para a
Faculdade de Direito.

[[C.1]]
[[P.2]]
[[D.1]]
[[0.5640]]
[[Faculdade de Direito]] [[Saõ Paulo, 1854]]

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Doutor José Antonio Saraiva.

Resposta

5 Meu filho mais velho acaba de concluir o seu curso de prepa-


ratorios no Collegio de Pedro Segundo, e tem de hir no proximo futuro anno
para a Faculdade de Direito dessa Capital. Por isso desejo saber
quaes o compendios e outros livros que convirá levar do Rio de Ja-
neiro, e por tanto recorro á bondade de Vossa Excellencia para obter essas informa-
10 çoẽs com brevidade, rogando-lhe que mande pelo correio da Côr[te] [a] [sua]
resposta com direcçaõ para Vassouras.
É provavel que possa acompanhar meu filho afim de melhor
encaminha-lo no seu estabelecimento nessa Capital; entaõ naõ deixarei
de procurar a Vossa Excelencia para comprimenta-lo e pedir-lhe toda apro-
15 tecçaõ e interesse para com este moço.
Sou com toda a estima e consideraçaõ.

De Vossa Excelen(cia).

20 Collega amigo e obrigadu.

Visconde de Baependy.

Fazenda de Santa Rosa 13 de Novembro de 1854.

21
22
APESP C0-5640-Pasta03-0001

Bilhete confidencial, datado de 29 de janeiro de 1856, remetido por autor não


identificado, provavelmente a alguma autoridade ligada ao Presidente da Província.

[[C.1]]
[[P.3]]
[[D.1]]
[[0.5640]]
[[Faculdade de Direito 1854]]

Confidencial
Sala Número 27

Remetto a Vossa Senhoria3 a inclusa relaçaõ dos Bachareis


5 Formados pela Faculdade de Direito no anno
findo, assim como a informaçaõ confi-
dencial do Director sobre a capacida-
de e comportamento de cada um,
a fim de que Vossa Senhoria, conforme exige o Avi-
10 so do Ministério da Justiça de 15 de Dezembro
ultimo, acrescenta o que constar sobre
tua conducta.
[ilegível]
[ilegível]Sao Paulo 29 de Janeiro 1856

3
Não se deduz que o bilhete mencionado foi diretamente enviado ao Presidente da Província devido ao pronome de tratamento que
é utilizado: Vossa Senhoria ao invés de Vossa Excelência.

23
24
APESP C0-5640-Pasta05-0001

Parecer, datado de 30 de maio de 1860, remetido por Diogo de Mendonça Pinto, da


Inspetoria Geral, ao Presidente da Província, Polycarpo Lopes de Leão.

[[C.1]]
[[P.5]]
[[D.1]]
[[Faculdade de Direito 1860]]
[[Reservado]]
[[Officio 10 – do Ministro do Imperio a 9 de Maio de 1860]]

Inspectoria Geral da Instrucçaõ Publica


de Saõ Paulo 30 de Maio de 1860
(Numero 234)4
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor
5
Sobre amateria da Carta anonyma in-
clusa tenho a informar o seguinte á Vossa Excellencia.
O artigo 58 dos novos Estatutos da Fa-
culdade de Direito d’esta Cidade véda os
10 Professores d’ella de ensinar as materias das
aulas preparatorias em instituiçoẽs parti-
culares, mas não de serem proprietarios e
directores dos Collegios d’Instrucçaõ secun-
daria, onde taes materias outros ensinem.
15 Naõ obstante tendo o Professor de Latim
da dicta Faculdade o Reverendo Doutor Mamede
José Gomes da Silva um Collegio n’aquel-
las circunstancias denominado “Lyceo Pau-
listano” eu consultei ao Governo da Provincia,
20 quando se promulgaraõ os Estatutos, se po-
dia o Collegio continuar. O Excellentissimo Governo

4
Esta formatação marcando parênteses não corresponde à leitura duvidosa, mas sim, à formatação do documento original.

25
26
APESP C0-5640-Pasta05-0002

Continuação do documento anterior.

1v

consultando ao Imperial teve resposta ne-


gativa; em consequencia mandei fechar o
Lyceo Paulistano. Posteriormente o mes-
mo Governo Imperial nomeou Professor
5 Substituto das linguas Latina, Franceza, e
Ingleza ao Doutor José Feu Ferraõ, Dire-
ctor do Collegio “Ypiranga” identico ao
Lyceo. Esse Doutor naõ tomou posse, e decla-
rou ao Director da Faculdade que naõ
10 acceitava a nomeaçaõ se porventura o cons-
tituia na obrigaçaõ de fechar o seu Collegio.
O Director da Faculdade levou o facto ao
conhecimento do Excellentissimo Ministro do Imperio
e este respondeu “que em virtude do artigo 58
15 dos Estatutos ao dito Doutor Ferraõ era prohi-
bido ensinar no seu Collegio”5, d’onde se in-

5
Esta formatação entre aspas pertence à formatação do documento original.

27
28
APESP C0-5640-Pasta05-0003

Continuação do documento anterior.

[[C.1]]
[[P.5]]
[[D.1]]
[[0.5640]]

infere6 pelo emprêgo das palavras “seu Colle-


gio” que podia ser d’elle proprietario e o di-
rigir. Ora o ser a prohibiçaõ só relativa
ao ensino, e naõ á propriedade e direcçaõ
5 das aulas de um Collegio particular, o naõ
ter o executor das Leis a faculdade de am-
pliar os onus e coarctaçoẽs da liberdade
a casas, a que ella naõ se refere expressa-
mente; o haver o Governo nomeado Professor
10 Substituto ao Doutor Ferraõ sendo elle ja en-
taõ Director e proprietario d’Um Collegio,
a referida resposta dada á consulta da
Directoria da Faculdade; os factos de naõ
ser esta Repartiçaõ a executora das Leis
15 Geraes, que concernem á Academia, á frente
da qual se acha um Director; e de naõ ter

6
A sílaba [in] foi repetida.

29
30
APESP C0-5640-Pasta05-0004

Continuação do documento anterior.

2v

esse Director entendido que haja infracçaõ


dos Estatutos, visto nada ter ordenado ao
Doutor Ferraõ acerca da existencia da sua
instituiçaõ d’instruccão secundaria; e fi-
5 nalmente o facto d’estar elle em posse da
licença, concedida por esta Repartiçaõ, deraõ
logar a que continue a funccionar o Colle-
gio “Ypiranga”7; podendo asserverar á
Vossa Excellencia a inexactidaõ de tudo quanto se diz
10 em contrario á bondade d’aquella institui-
çaõ, o que Vossa Excellencia póde verificar em visita
d’inspecçaõ, a que se digne subjeital-a.
Pelo que respeita ao Collegio “Pirati-
ninga”, de quem é um dos Directores o Doutor
15 Manuel José Chaves, ainda naõ se a-
cha elle autorizado por esta Repartiçaõ.

7
Idem à nota 5.

31
32
APESP C0-5640-Pasta05-0005

Continuação do documento anterior.

[[C.1]]
[[P.5]]
[[D.1]]
[[0.5640]]

Foi requerida a licença, eu despachei a


favor, mas declarei ao Doutor Joaõ da Silva
Carraõ, e outras pessoas que me fallaraõ
a respeito, que naõ expediria a Carta de
5 licença sem entender-me pessoalmente com
Vossa Excellencia, naõ obstante estar elle nas mesmas cir-
cunstancias do Doutor Ferraõ. E com effeito
tendo sido o requerimento apresentado a 19 do
mez passado até hoje ainda naõ assignei
10 a Carta de licença por naõ ter tido ainda
a honra de fallar com Vossa Excellencia a esse respeito.
Deos guarde a Vossa Excellencia
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Doutor Polycarpo Lopes de Leaõ
Presidente d’est[a] Provincia
15
Diogo de Mendonça Pinto8

8
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

33
34
APESP C0-5640-Pasta05-0006

Cópia de ofício, datado de 01 de julho de 1860, remetido por José Maria de Avellar
Brotero ao Marquês de Olinda.

[[C.1]]
[[P.5]]
[[D.1B]]
[[0.5640]]

Copia −

Segunda Secçaõ. Rio de Janeiro. — Ministerio


dos Negocios do Imperio em 3 d’Abril de
5 1858. — Á vista da expressa disposiçaõ
do artigo 58 dos Estatutos das Faculdades de
Direito naõ póde o Doutor José Feu Ferraõ,
nomeado Substituto das Cadeiras de Francez,
Inglez, e Latim, continuar a leccionar no seu
10 Collegio de instrucçaõ primaria e secundaria
estabelecido n’essa Cidade as materias que
se ensinaõ nas aulas preparatorias d’essa Fa-
culdade — Deos guarde á Vossa Senhoria — Marquez
de Olinda. — Senhor Director da Faculdade
15 de Direito de Saõ Paulo. — Cumpra-se e re-
giste-se. Saõ Paulo 14 de abril de 1858 —
Gurgel. — José Maria de Avellar Brotero. —

Secretaria da Faculdade de Direito de


20 Saõ Paulo 1º de junho de 1860.

José Maria de Avellar Brotero


Secretario9

9
A caligrafia da assinatura e diferente da caligrafia do corpo do documento.

35
36
APESP C0-5640-Pasta05-0007

Ofício, datado de 01 de junho de 1858, remetido pelo diretor da Faculdade de Direito,


Manoel Joaquim do Amaral Gurgel, ao Presidente da Província, Polycarpo Lopes de
Leão.

[[C.1]]
[[P.5]]
,[[D.1C]]
[[0.5640]]

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

Satisfazendo o que Vossa Excellencia exige em officio datado


d’hontem tenho a honra de levar ao conhecimento de
5 Vossa Excellencia o Aviso de 3 de Abril de 1858.

Deos guarde a Vossa Excellencia


Saõ Paulo 1º de Junho de 1860

10 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Doutor


Polycarpo Lopes de Leaõ,
Presidente d’esta Provincia

Manoel Joaquim do Amaral Gurgel


15 Director10

10
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

37
38
APESP C0-5640-Pasta06-0001

Documento impresso, datado 02 de março de 1865, de produzido pelo secretário José


Maria de Avellar Brotero, relatando desempenho e freqüência dos alunos da Faculdade
de Direito durante o ano de 1864 e propondo mudanças na grade curricular do Curso
Jurídico.

[[C.1]]
[[P.6]]
[[D.1]]
[[0.5640]]

MEMORIA HISTÓRICA
DOS ACONTECIMENTOS NOTAVEIS
DA
FACULDADE DE DIREITO DE SÃO PAULO
5 DURANTE O ANO DE 1864.
llustrissimos Senhores

Em desempenho da honrosa tarefa de que me incumbio esta ilustrada corporação, venho


hoje apresentar-lhe, em rapidos traços, a historia dos trabalhos da Faculdade de Direito no
10 anno proximo preterito. Vejo de sobra quão deficiente há de ser esta resenha, formulada pelo
mais novo e menos autorisado dos Lentes da Faculdade; suppra-lhe porém os defeitos a re-
conhecida benevolencia da Congregação, em quem tanto mais confio, quanto é certo que não
estava no meu arbitrio declinar da honra que me conferio.
Antes de tudo, corre-me o triste dever de memorar neste documento o profundo des-
15 gosto por que passou a Faculdade de Direito de São11 Paulo, com a perda do seu Director o
Conselheiro Doutor Manoel Joaquim do Amaral Gurgel, de saudosa recordação. No dia 15 de
Novembro ultimo desceu á jazida dos mortos esse prestante varão, cujo nome fica registrado
nos fastos do magisterio superior, da tribuna sagrada e parlamentar, e da alta administração
da Província; cuja vida publica e privada foi sempre o conjuncto das mais raras virtudes;
20 e que a tantos merecimentos reunia a gloria de haver sido um dos principais promotores
da Independencia do Imperio. No recolhimento em que se achava por semelhante facto, sus-
pendeu naquelle dia a Faculdade os seus trabalhos, e resolvêrão seus membros, assim como
os professores das salas menores, tomar luto pelos oito dias seguintes.
Do dia 4 de Fevereiro a 9 de Março e, de 22 de outubro por diante, até a nomeação
25 e posse do novo Director, dirigio interinamente os trabalhos da Faculdade de Direito o decano
dos nossos mestres, o Senhor Conselheiro Doutor José Maria de Avellar Brotero, que desta maneira
ainda prestou, por mais uma vez, ao estabelecimento creado por elle proprio, o auxilio dos
seus serviços.

30 Aulas maiores.

Na Congregação do 1º de Março forão, segundo os estylos, as cadeiras da Faculdade de


Direito distribuidas pelo modo seguinte:

35 1º Anno12.

Primeira Cadeira. – O Senhor Conselheiro Doutor Brotero.


Segunda Cadeira. – O Doutor. Duarte de Azevedo.

11
Neste datiloscristo, a centuação (nesse caso ‘~’) das palavras ocorre como a acentuação corrente nos dias de hoje.
12
Esta formatação em itálico não corresponde à abreviatura, mas sim, à formatação documento original, pois este, não se trata de um
documento manuscrito, mas sim, um datiloscristo (documento feito em máquina de escrever ou máquina de tipos).

39
40
APESP C0-5640-Pasta06-0002
Continuação do documento anterior.
1v
–2–
2º Anno13.
5 Primeira Cadeira. – O Senhor Doutor João Theodoro.
Segunda Cadeira – O Senhor Doutor Faleão Filho.

3º Anno14.

10 Primeira Cadeira. – O Senhor Doutor Gonçalves de Andrade.


Segunda Cadeira. – O Senhor Conselheiro Doutor Dias de Toledo.
4º Anno15.
15 Primeira Cadeira. – O Senhor Doutor Ribas.
Segunda Cadeira. – O Senhor Conselheiro Doutor Falcão.
5º Anno16.
20 Primeira Cadeira. – O Senhor Conselheiro Doutor Ramalho.
Segunda Cadeira. – O Senhor Doutor Antonio Carlos.
Terceira Cadeira. – O Senhor Conselheiro Doutor Furtado.
Por esta desiginação se demonstra que varios Lentes Cathedraticos não se achavão ao ser-
25 viço da Faculdade, no tempo em que ella devia começar os seus trabalhos ordinarios. Com
effeito, tinha então assento nos Conselhos da Corôa, como Ministro do Imperio, o Senhor Con-
selheiro Doutor José Bonifacio; presidia a Provincia do Rio de Janeiro o Senhor Conselheiro Doutor
Crispiniano; occupava emprego de administração na Côrte o Senhor Conselheiro Doutor Pedreira; e
fazião parte da Camara dos Senhores Deputados os Senhores Doutores Carrão e Martim Francisco.
30 Dos Substitutos tambem quasi todos deixárão de funccionar na Faculdade do dia 15 de
Março, época legal da abertura das aulas. O autor desta memoria, e os Senhores Doutores Antonio
Carlos, João Theodoro e Ferreira França, estavão com assento na Assembléa Provincial; de
modo que só ocorrêrão aos trabalhos do magisterio, uns delles no fim de Abril, e outros
no começo do mez de Maio, tendo até então ficado desertas, por falta de Lentes, as res-
35 pectivas cadeiras.
Este inconveniente gravissimo, que se tem reproduzido com frequencia, e para o qual
não existe por ora remedio legal, deve merecer a mais seria attenção do Governo de Sua
Magestade o Imperador. Não sympathiso com o principio das incompatibilidades extensamente
applicado, mórmente em um paiz novo, como o nosso, ainda deficiente de pessoal idoneo,
40 a ser extremado o pessoal dos diferentes empregos, para o grande numero dos cargos pu-
blicos. Accresce que tal principio arreda muitas vezes do encargo de legisladores e de outras
posições políticas os homens por ventura mais competentes para o exercicio dellas. E’ força
porém convir em que a ascendencia que a vida politica tem ganho entre nós sobre outra
qualquer, e o abatimento em que jazem todas as posições sociaes litterarias ou scientificas,
45 por falta de consideração propria ou de perspectivas de futuro, afastão da decidida vocação,
que por ellas deverião ter, aquelles cidadãos, que bem ou mal avisados, nutrem aspirações
pela carreira que unica, até hoje, póde dar honras, fortuna e gloria no nosso paiz. De taes
tendencias é facil de ver quantos e perniciosos resultados se derivão para a sorte da instruc-
ção superior, e para a marcha e prosperidade das Faculdades do Imperio.
50 Tratem porém os legisladores de considerar e de erguer o magisterio á altura do seu
incontestavel merecimento, e da benefica influencia que lhe cumpre exercer na sociedade,
tornem-no independente com remunerações, que não desdigão do posto eminente, que occu-
pão aquelles servidores do Estado, e que os ponhão ao abrigo da penuria de meios para a
deccente mantença de suas familias; facultem ao Governo a jubilação com o ordenado pro-
55 porcional, daquelles que em 8 ou 10 annos se não mostrarem capazes de ensino, e reservem
a aposentadoria de todos os vencimentos para os que consumirem 25 ou 30 annos no pro-
fessorado, ou nelle se inhabilitarem para outro qualquer serviço; desperte assim a Lei, e
por outras medidas que taes , tão usadas na Europa, as verdadeiras vocações, arredando dos
concursos, pela severidade das provas, as aspirações illegitimas, e aniquilando, no animo dos
60 que se destinão á vida pesada do magisterio, a fraqueza, senão desejo natural, de melhorarem

13
Idem à nota 10.
14
Idem à nota 10.
15
Idem à nota 10.
16
Idem à nota 10.

41
42
APESP C0-5640-Pasta06-0003

Continuação do documento anterior.

2v

[[C.1]]
[[P.5]]*
[[D.1]]
[[0.5640]]
–3–
de condição; proceda assim, e não faltará sob a regra das incompatibilidades ou independente
della quem se dedique de alma e coração ao professorado, e exhiba abundantemente o fructo
5 de suas locubrações e fadigas, com proveito da mocidade e do paiz. A politica ficaria então
de parte; e até a advocacia judicial, que tanto distrahe o Lente dos seus estudos quotidianos,
e das leituras da sua cadeira, muita vez de materia estranha ao serviço de advogado, não
se reputaria mais occupação propria e digna de um professor de Direito, que sómente no
melhor desempenho do seu honroso cargo deverá concentrar todas as vantagens e glorias do
10 seu presente e do seu futuro.
Reflexões destas já outros collegas das duas Faculdades do Imperio as tem feito em
suas memorias annuaes. Lembro entre outras, a memoria do Senhor Doutor Conselheiro José Bonifácio
em 1859, do Senhor Doutor Villela Tavares em 1863, e do Senhor Doutor Drumond em 1864. E’ de crer que
não sejão baldados tão fundados reclamos.
15 A distribuição das cadeiras pela Congregação do 1º de Março não foi observada invaria-
velmente até o fim do anno. A segunda cadeira do 2º anno foi regida de 21 de Setembro até 15
de Outubro, época do encerramento das aulas, pelo rspectivo Lente Cathedratico, o Senhor Doutor
Martim Francisco. A primeira cadeira do 3º anno foi regida de 30 de Setembro a 15 de Outubro
pelo Lente Cathedratico della, o Senhor Conselheiro Doutor José Bonifacio.
20 A segunda cadeira do 4º anno foi regida pelo Senhor Conselheiro Doutor Falcão sómente até o dia 19 de
Março; de 27 de Abril até 30 de Junho esteve a cargo do Senhor Doutor Ferreira França; de 23 de
Setembro até 7 de Outubro leu nella o Senhor Doutor Falcão Filho; e de 11 a 15 de Outubro o Senhor
Doutor Antonio Carlos. A segunda cadeira do 3º anno foi regida até 14 de Maio pelo Senhor Doutor Antonio
Carlos; de 23 deste mez a 25 de Julho pelo Senhor Conselheiro Doutor Ramalho, Lente da primeira ca-
25 deira do 5º anno; de 29 de Julho até 7 de outubro foi de novo confiada ao Senhor Doutor An-
tonio Carlos; e de 11 a 15 do ultimo mez ao Senhor Doutor Gonçalves de Andrade.
O Senhor Conselheiro Doutor Clemente Falcão de Souza, que por longo tempo honrou com a
sua palavra prestigiosa a cadeira de direito commercial e maritimo do 4º anno, foi jubilado,
a pedido seu, e na fórma dos estatutos, por Decreto de 20 de Agosto do anno transacto. Sua Excellen(cia)
30 deixa bem viva na Faculdade a memoria dos eminentes serviços, que com tanta devotação prestou
no seu afamado cargo. Permitta-me a Congregação, a mim que fui seu discipulo, como quasi
todos nós, que nesta occasião preste a homenagem de respeito e gratidão, que devo á pessoa
de um mestre tão conspicuo.
Em consequencia desta jubilação, foi nomeado Lente da segunda cadeira do 4º anno, por
35 Decreto de 10 de Setembro, o substituto mais antigo, o nosso estimável collega Senhor Doutor An-
tonio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva, que prestou juramento, e tomou posse de
seu lugar, perante a Congregação, no dia 8 de Outubro.
Com a nomeação referida do Senhor Doutor Antonio Carlos, deu-se uma vaga a um dos lugares
de Lente substituto da Faculdade, para cujo preenchimento abrio-se a 19 de Setembro com
40 o prazo da lei, o respectivo concurso, que se ha de encerrar a 20 do corrente mez, por ser
feriado o dia 19. Está inscripto o Doutor José Maria Corrêa de Sá e Benevides.
Sem mais accidentes notaveis, a não ser uma defeza de theses em que o pretendente foi
mal succedido, corrêrão os trabalhos da Faculdade, nas aulas maiores, do dia 15 de Março até
15 de Outubro, em que se encerrarão.
45 Matriculárão-se nos cinco annos do curso Juridico 430 estudantes, e distribuidos da ma-
neira seguinte:
No 1º anno 90
No 2º anno 110
No 3º anno 73
No 4º anno 76
No 5º anno 81
430

Destes perdêrão o anno:


No 1º anno 2
No 2º anno 2
No 3º anno 1
5
Deixárão de fazer acto:
No 2º anno 15
No 5º anno 2
17

43
44
APESP C0-5640-Pasta06-0004
Continuação do documento anterior.
2v
–4–
Forão approvados:
Plenamente Simplesmente Total
No 1º anno 56 31 87
No 2º anno 53 26 79
No 3º anno 60 13 73
No 4º anno 58 17 75
No 5º anno 79 - 79
306 87 393
5 Reprovados:
No 1º anno 1
No 2º anno 306 87 14
15
De dia em dia se vai tornando mais sensível o defeito da distribuição das materias no curso
das nossas Faculdades de Direito. A divisão, tão natural, das sciencias sociais e juridicas, não
foi por maneira alguma attendida, nem produz os seus salutares effeitos no systema da orga-
10 nisação adoptada.
As cadeiras mais importantes do curso tem desenvolvimento incompleto; por exemplo:
as de Direito civil, que é e deve ser a base do ensino nas Faculdades de Direito, são lidas
sômente por dous annos, tempo escassissimo, para que os estudantes adquirão, senão profundo,
ao menos geral conhecimento das mais importantes instituições de direito patrio privado; e
15 acontecce por isso que, entre outros, o ramo vastississimo das obrigações17 , o de mais frequente
uso na vida pratica, nunca faz objecto das prelecções annuaes. A cadeira de theoria e pratica
do processo está por tal modo sobrecarregada, que é impossivel ao Lente chegar, nem se quer
ao meio do mais rapido curso que tiver delineado; e entretanto é a cadeira de pratica a luz
viva que há de guiar os passos do futuro juiz e advogado nas veredas tortuosas do fôro. O
20 direito romano, a mais proxima e abundante fonte do nosso direito privado, a base de todas
as legislações civis dos povos da Europa, como disse Cousin18 , a mais bella applicação da lei
natural na phrase de Bossuet19, a razão escripta e o direito modelo, como o denominarão tantos
outros, ahi é ensinado em um anno só: e o que é mais grave, ensinado no 1º anno da Fa-
culade, quando a intelligencia dos alumnos, removida de chofre dos estudos preparatorios para
25 as aulas de direito, não está ainda em estado de investir com as difficuldades da mais technica
e systematica das legislações conhecidas. “A sciencia, disse Thiercilin20, no seu opusculo da litte-
ratura de direito21, só entra na intelligencia por camadas superpostas.”22
“O que se póde esperar, pergunta elle censurando o methodo de se analysar exegeticamente na
França o Codigo civil no 1º anno, o que se póde esperar de um ensino, que para logo abisma
30 o alumno no mais fundo das inextrocaveis dificuldades, que suggere a explicação do nosso Co-
digo?”23
Os estatutos que regem as Faculdades do Imperio ainda não estão approvados por lei
e por mais de uma vez o Governo Imperial tem manifestado o desejo de acolher a lição da
experiencia, afim de refaze-los. Sem desvanecer-me por um momento só de que a minha hu-
35 milde opinião possa ser attendida nas altas regiões do poder, fico entretanto em que cumpro
um dever rigoroso, expendendo-a francamente á congregação, que lhe dará o peso, que em
sua sabedoria merecer.
Apreciando a distribuição das materias nos cursos das Faculdaes e Direito da França
e de outros Estados da Europa, como os da Hollanda e da Belgica, sem esquecer o da Uni-
40 versidade de Coimbra de tão gloriosas tradições, tenho para mim que a melhor combinação
a que entre nós, sem ferir conveniencias já radicadas, se poderia chegar seria a seguinte:
Curso de sciencias sociais

1º anno24
45
Primeira cadeira. – Direito natural e direito das gentes.
Segunda cadeira. – Direito constitucional, em suas relações com o direito publico universal e
o direito ecclesiastico.

17
Idem à nota 10.
18
Idem à nota 10.
19
Idem à nota 10.
20
Idem à nota 10.
21
Idem à nota 10.
22
Esta formatação entre aspas pertence à formatação do documento original.
23
Idem à nota 23.
24
Idem à nota 10.

45
46
APESP C0-5640-Pasta06-0005

Continuação do documento anterior.

[[C.1]]
[[P.6]]
[[D.1]]
[[0.5640]]
–5–
2º anno25
5 cadeira. – Direito administrativo.
cadeira. – Econimia politica.
3. cadeira. – Diplomacia.26
Curso de sciencias juridicas
10
1º anno27
O primeiro anno do curso de sciencias sociais.
15 2º anno28
Primeira cadeira. – Direito Romano.
Segunda cadeira. – Direito civil patrio.
20 3º anno29
Primeira cadeira. – Direito Romano.
Segunda caeira. – Direito civil e patrio.
Terceira cadeira. – Direito e processo criminal.
25
4º anno30
Primeira cadeira. – Processo civil.
Segunda cadeira. – Direito civil patrio.
30 Terceira cadeira. – Direito commercial.
Em ambos estes cursos se poderia conferir o gráo de bacharel em sciencias sociaes ou
juridicas. O bacharel porém, que se propuzesse a obter o gráo de doutor, dever-se-hia mostrar
examinado e approvado mediante a frequencia, antes da defeza das theses, em todos os cinco
35 annos da Faculdade. Os substitutos, tres para cada um dos cursos, serião destinados a reger
de preferencia, nas vagas dos cathedraticos, as cadeiras dos cursos a que pertencessem.
No plano que offereço não apparece a cadeira de direito ecclesiastico, que tambem não
existe em nenhuma das Faculdades de Direito da França, e cujas noções podem ser conve-
nientemente expostas na cadeira de direito constitucional. O direito maritimo, qual o inter-
40 pretamos na nossa Faculdade, não é sciencia distincta da do direito das gentes. A hermeneu-
tica juridica póde ser dada em cada cadeira, applicando-se a cada ramo do direito as regras de
interpretação que lhes forem concernentes.
Entendem alguns que, devendo o conhecimento e estudo dos sugeitos do direito preceder
naturalmente ao de suas manifestações juridicas, não se deve estudar o direito internacional
45 antes do direito publico, que determina a natureza e a constituição organica das sociedades
politicas e portanto das nações. Outros são de parecer que, sendo o direito das gentes em
suas maximas fundamentaes, a applicação da lei natural ás relações da vida dos povos, com
a modificação que acarreta-lhe a differente natureza e destino de taes pessoas juridicas, não ha
conveniencia alguma em desprendel-o do estudo do direito natural, cujo complemento é. Qual-
50 quer que seja porém o valor das duas opiniões, é certo que a segunda tem em seu favor
a pratica da Universidade de Coimbra; além de que, no plano que proponho, ellas se conci-
lião, porque, chegado ao direito das gentes, já o estudante deve ter largas noções de direito
público, que faz objecto da segunda cadeira do 1º anno.
Nos programmas das cadeiras de direito Romano e civil se estabeleceria o modo de tor-
55 nar-se mais facil e proveitoso o estudo destas importantes materias, partindo-se da historia, me-

25
Idem à nota 10.
26
Preferiu-se, aqui, manter a formatação original. Provavelmente, quando esse documento foi datilografado, houve um problema de
formatação, pois como se pode notar nos outros fólios deste mesmo documento, as formatações correspondentes se dão por ‘1ª; 2ª e
3ª cadeira’.
27
Idem à nota 10.
28
Idem à nota 10.
29
Idem à nota 10.
30
Idem à nota 10.

47
48
APESP C0-5640-Pasta06-0006

Continuação do documento anterior.

5 3v

–6–

thodologia, systematisação ou generalisação do direito, para o exame das diversas instituições,


conforme a classificação adoptada e para a analyse dos textos.
5 Hoje reune-se frequentemente a Congregação para serviços insignificantes, ou de mero
expediente, que mais quadrarião com as funcções do Director da Faculdade, orgão mais activo
della. Porque se não farião antes taes reuniões, de ordem e feição academica, para a melhor
discussão e adopção dos programmas das differentes cadeiras? Com isso os lentes mais novos
se aproveitarião das luzes dos mais provectos, e conseguir-se-ia, por acordo de todos, tal
10 conveniencia no arranjo e distribuição das materias do curso, que as que fizessem assumpto
principal de uma cadeira poderião deixar de ser amplamente discutidas em outras. Se o Lente
de Direito Romano, por exemplo, se encarregasse de dar em sua aula o desenvolvimento ne-
cessario á generalisação do direito, ou á posse, dominio e prescripções, só de leves indicações
e referencias carecerião taes materiaes nas cadeiras do direito civil patrio; estudada a materia
15 das obrigações no direito civil, fora superfluo aprofundal-a no codigo commercial.

Aulas menores.

As aulas de preparatorios annexas á Faculdade de Direito forão regidas, durante o anno


20 lectivo de 1864, pelos respectivos professores, salvas as seguintes alterações.
A de arithmetica e geometria se vio privada, até o fim de Abril, de seu professor o
Bacharel Francisco Aurelio de Souza Carvalho, que estava com assento na Assembleia Provincial.
As de francez e Inglez, para que tinha sido nomeado o Bacharel Pare João Jacintho
Gonçalves de Andrade, forão separadas por proposta da Congregação, e Decreto numero 3.287
25 de 14 de Junho, ficando na de inglez o referido professor, e regendo interinamente a de
francez o substituto Bacharel Victorino Caetano de Brito. A 23 de Julho pôz-se a cadeira
de fracez em concurso, que se encerrou a 23 de Novembro. Inscreveu-se unicamente para
ella o Dr. José Joaquim de Almeida Reis. Ainda não está provida.
Por Decreto de 10 de Agosto foi jubilado na fórma dos Estatutos, o professor de rhe-
30 torica Reverendo Conego Fidelis Sigmaringa de Moraes, que encaneceu no serviço pu-
blico. A 22 de dito mez pôz-se a cadeira em concurso, que se fechou no dia 4 de Fevereiro
do corrente anno. Estão inscriptos o Dr. Paulo Antonio do Valle e o Bacharel Francisco
Quirinho dos Santos.
A Faculdade teve que lamentar no anno passado a morte do distincto professor de latim
35 o Reverendo Doutor Mamede José Gomes da Silva. Pôz-se a cadeira em concurso a 9 de Se-
tembro; fechou-se o concurso a 4 de Fevereiro deste anno; e achão-se inscriptos o Bacharel
Victorino Caetano de Brito, que tem-n’a regido como substituto, e Augusto Antonio Emilio
do Couto Milagres Lafayete e Castro.
Os exames de preparatorios dos mezes de Fevereiro e Março derão o resultado seguinte:
40
Latim.31
Requerèrão exame 74
Approvado plenamente 1
Approvados simplesmente 11
Reprovados 25
Deixárão de fazer exame 37
74
Francez.32
Requerèrão 100
Approvados plenamente 6
Approvados simplesmente 41
Reprovados 33
Deixárão de fazer exame 20
100

31
Idem à nota 10.
32
Idem à nota 10.

49
50
APESP C0-5640-Pasta06-0007

Continuação do documento anterior.

[[C.1]]
[[P.6]]
[[D.1]]
[[0.5640]]

–7–

Inglez.33
Requerêrão 93
Approvados plenamente 1
Approvados simplesmente 22
Reprovados 12
Deixárão de fazer exame 58
93

5 Rhetorica.34
Requerêrão 89
Approvados plenamente 3
Approvados simplesmente 19
Reprovados 35
Deixárão de fazer exame 32
89

Philosophia.35
Requerèrão 63
Approvados plenamente 2
Approvados simplesmente 7
Reprovados 21
Deixárão de fazer exame 33
63

Geometria.36
Requerêrão 116
Approvados plenamente 9
Approvados simplesmente 19
Reprovados 19
Deixárão de fazer exame 69
116
10
Historia e Geographia.37
Requerêrão 72
Approvados plenamente 1
Approvados simplesmente 15
Reprovados 23
Deixárão de fazer exame 33
72

33
Idem à nota 10.
34
Idem à nota 10.
35
Idem à nota 10.
36
Idem à nota 10.
37
Idem à nota 10.

51
52
APESP C0-5640-Pasta06-0008

Continuação do documento anterior.

4v

–8–

SYNOPSE DOS EXAMES.

Approvados plenamente Simplesmente Reprovados


Em latim 1 11 25
Francez 6 41 33
Inglez 1 22 12
Rhetorica 3 19 35
Philosophia 2 7 21
Geometria 9 19 19
História 1 15 23
23 134 168
5
Approvados 157
Reprovados 168
- -
Examinados 325
Deixárão de fazer exame 282
- -
Requerêrão exame 607

No mez de Novembro os exames de preperatorios derão o seguinte resultado:

Latim.38
Requererão exame 72
Approvados plenamente 1
Approvados simplesmente 27
Reprovados 19
Deixárão de fazer exame 25
72
10
Francez.39
Requerêrão 91
Approvados plenamente 7
Approvados simplesmente 13
Reprovados 10
Deixárão de fazer exame 61
91

Inglez.40
Requerêrão 65
Approvados plenamente 11
Approvados simplesmente 23
Reprovados 14
Deixárão de fazer exame 17
65

38
Idem à nota 10.
39
Idem à nota 10.
40
Idem à nota 10.

53
54
APESP C0-5640-Pasta06-0009

Continuação do documento anterior.

[[C.1]]
[[P.6]]
[[D.1]]
[[0.5640]]

–9–

Rhetorica.41
Requerêrão 50
Approvados plenamente 3
Approvados simplesmente 20
Deixárão de fazer exame 27
50

5 Philosophia.42
Requerêrão 70
Approvados plenamente 8
Approvados simplesmente 11
Reprovados 21
Deixárão de fazer exame 30
70

Geometria.43
Requerêrão 68
Approvados plenamente 4
Approvados simplesmente 32
Reprovados 9
Deixárão de fazer exame 23
68

Historia e Geographia.44
Requerêrão 73
Approvados plenamente 9
Approvados simplesmente 27
Reprovados 11
Deixárão de fazer exame 26
73
10
SYNOPSE DOS EXAMES.

Approvados plenamente Simplesmente Reprovados


Em latim 1 27 19
Francez 7 13 10
Inglez 11 23 14
Rhetorica 3 20 -
Philosophia 8 11 21
Geometria 4 32 9
História 9 27 11
43 153 81

Approvados 196
Reprovados 84
- -
Examinados 280
Deixárão de fazer exame 209
- -
Requerêrão exame 489

41
Idem à nota 10.
42
Idem à nota 10.
43
Idem à nota 10.
44
Idem à nota 10.

55
56
APESP C0-5640-Pasta06-0010

Continuação do documento anterior.

– 10 –

5v
Entre os que deixarão de fazer exame contemplo não só os que suspenderão, que poucos
forão, como os que não poderão ser chamados para a exhibição de suas provas, os quaes forão
em grande numero.
Por mais de uma vez, entre outras na memoria apresentada a esta Faculdade em 1861 pelo
5 nosso digno collega o Senhor Doutor Falcão Filho, tem-se clamado contra este incoveniente, para não
dizer injustiça. Dos 607 estudantes que requererão exame em Fevereiro e Março, só fize-
rão-no 325; dos 489 que requêrerào em Novembro, só forão examinados 280. Sei que nem
sempre estão devidamente preparados os pretendentes ao exame, e delles muitos ha em que tal
pretenção é o resultado apenas de uma audacia inqualificavel, mas também entre os que não
10 são chamados é possivel que se achem os mais habilitados, e a circunstancia, de nenhuma
ponderação, de terem recebido na pia baptismal um nome cuja primeira letra é das pri-
meiras do alphabeto45 os arredará por certo do incontestável direito que possuem de serem
admittidos á examinação.
Sobre outros defeitos, bastaria este para condemnar o novo systema de exames de prepa-
15 ratorios, e estabelecer a preferencia do antigo regimen. Por mais que se haja apregoado a
excellencia da exhibição das provas escriptas, que tem em seu favor a grande autoridade de
Cousin46, a experiencia tem demonstrado, entre nós ao menos, que de outro valor e efficacia
são as provas oraes para a verificação da capacidade do examinado. Na impossibilidade de
apreciarem todos os membros da commissão julgadora as provas litteraes diarias, correm ellas
20 por conta e unica syndicancia dos professores das cadeiras, cujas notas são a unica base do
voto que proferem os mais membros da commissão. Se aquellas notas vão sempre de acordo,
como sinceramente creio com o merecimento das provas escriptas, nem sempre estas são do-
cumento certo das habilitações do examinando; porque a despeito da mais rigorosa vigilancia
muita vez se offerecem ao julgamento peças, que não são fructo do trabalho do alumno, mas
25 de auxílio e subsidios extranhos. Neste caso, e é elle frequentissimo, a prova escripta, quando
acolhida, produz veradeira mistificação; o contrabando lá passa franco nos navios neutros
da sciencia.
Que mais se devia exigir de um estudante, qua arguido por espaço de meia hora, por
dous professores em linguas ou em sciencias, dá mostras de saber e de capacidade? Não é
30 assim que se verifica o talento e applicação dos estudantes das aulas maiores da Faculdade?
Há porventura examinador algum que confie no merecimento da maior parte das dissertações
annuaes e de exame dos estudantes do curso de direito?
Tem-se dito que o novo systema, ampliando o numero de julgadores, offerece garantias
de justiça pela suppressão da prepondêrancia do voto dos professores das cadeiras. Mas nos exames
35 das aulas maiores sempre preponderou, sem inconveniente, o parecer dos lentes das respectivas
cadeiras, e os estylos tem mantido com razão a pratica de se tomarem em consideração as in-
formações, que sobre o merecimento dos examinados, costumão dar os seus mestres do anno.
Ora não é a mais grave das injustiças pretendermos, que sómente nós cumprimos com escru-
pulo e imparcialidade os nossos deveres? E no systema actual, quando a prova oral não for
40 rematante como nunca é, para della formar-se conceito seguro das habilitaçõs do alumno,
não serão as informações dos professores das cadeiras, e principalmente a qualificação que
derem às provas escriptas, que hão de determinar o voto dos commissarios e do proprio Di-
rector da Faculdade, presidente do acto? Na peior hypothese porém, quando injustamente
tivesse de prevalecer o voto dos professores seria tal resultado muito mais vantajoso para a
45 moralidade do ensino, do que o produzido por um systema, cuja base tem a triste conve-
niencia allegada de desprestigiar o pessoal do professorado.
Dos quadros expostos dos exames do anno passado se verifica, que em Fevereiro e Março
mais de metade dos estudantes examinados forão reprovados, predominando assim, nessa quadra
o salutar pensamento da severidade nos julgamentos: ao passo que em Novembro as repro-
50 vações descêrão abaixo do traço dos exames effectuados. Achar-se-ia então desalentado aquelle
principio salvador? Póde ser; porém é muito mais provavel o rigor dos julgadores no
começo do anno, abrindo nova época, houvesse desanimado os intrepdos, senão temerarios,
aspirantes das approvações eventuaes.
A experiencia tem posto a limpo que da sevridade dos julgamentos nos exames de pre-
55 paratorios depende principalmente a sorte e a felicidade do estudante no curso superior de
direito. E com razão. Quem possue, já não digo profundamente, mas com certa sufficiencia,
as disciplinas que se ensinão como preparatorios dos estudos da Faculdade, não é homem so-
menos, e póde facilmente, com a inteligencia cultivada que tem, emprehender commetimentos
litterarios e scientificos de maior vulto. O que esperar-se porém de aum alumno, para quem
60 a traducção do compendio é tarefa insuperavel, ou que entra para o estudo de direito phi-
losophico sem a essencial iniciação das aulas de philosophia? “A inclinação para as letras
e sciencias, dizia em 1862 o nosso illustrado collega Senhor Doutor Gonçalves de Andrade, alentada
e fortalecida com o habito de applicação, adquirido no exercicio de varios preparatorios, é
penhor seguro de que, nas materias de direito, os mais talentosos serão distinctos estudantes,

45
Idem à nota 10.
46
Idem à nota 10.

57
58
APESP C0-5640-Pasta06-0011

Continuação do documento anterior.

[[C.1]]
[[P.6]]
[[D.1]]
[[0.5640]]

– 11 –

os de mediana capacidade mui regulares. Ao avesso destes, continuarão mal soffridos, com
pouco ou nenhum aproveitamento, os que se mostrárão reluctantes, remissos, ou destituidos
5 de engenho e penetração nos estudos secundários.”47 A incontestavel verdade desta apreciação
eu proprio a verifiquei no anno proximo passado, em que tive a honra de reger a cadeira de
direito Romano. Os estudantes que passarão pelas bancas rigorosas de Fevereiro e Março assim
como os filhos do collegio de Pedro Segundo, mostrarão-se pela maior parte, capazes de es-
tudo e susceptiveis de futuro desenvolvimento.
10 Não largarei mão desta parte da minha tosca exposição, sem offerecer ao esclarecido criterio
da congregação e do Governo Imperial algumas considerações no sentido de se aperfeiçoarem
os estudos secundarios da Faculdade de Direito.
Todo mundo sabe com que avidez se procurão as obras dos jurisconsultos allemães, quando
compostas em latim, ou traduzidas para o francez; nem há quem desconheça o subsidio enorme
15 que a douta Allemanha nos póde fornecer para o conhecimento e estudo dos differentes e
vastissimos ramos da sciencia do direito. Com tão ricos mananciaes, parece-me que a lingua
de Hugo, de Savigny, de Kant, de Mittermayer e de Fenerbach, devera-se reputar indispensavel
preparatorio de um curso regular de direito.
Mais uma reflexão, e terminarei. Se a Faculdade de Direito possue um curso annexo de
20 estudos secundarios, é obvio que de pouco proveito será elle, se não for methodisado. Um
acervo de aulas sem nexo algum, e que podem ser frequentadas simultaneamente, ou de modo
desconcertado, ao arbitrio dos alumnos, é anomalia difficil de se explicar. Como se hão de es-
tudar sciencias antes do estudo das linguas, rhetorica e poetica sem o conhecimento dos mo-
delos que se analysão? Já vi nesta Faculdade estudantes approvados em todos os preparatorios
25 serem mais de uma vez reprovados em francez ultimo exame que lhes faltava! Contra tal
confusão e desordem, que serve tão sómente para dificultar o estudo, com grande perda de
tempo para o alumno, e despezas e decepções de suas familias, facil é o remedio. Organise-se
um curso regular de preparatorios, de certo numero de annos, como se pratica no Collegio de
Pedro Segundo, distribuindo-se as respectivas materias pelos differentes annos, conforme a
30 importancia e o nexo dellas, com matriculas, frequencia rigorosa, e exames no fim de cada
anno. Este melhoramento se poderia conseguir de um dia para outro sem augmento de despeza;
uma lei, ou um decreto do Governo, é todo fiat48 por que espera semelhante cahos.
Ao concluir o meu perfunctorio trabalho, supponho que interpreto fielmente os senti-
mentos desta nobre e illustre Congregação, congratulando-me com ella pela acertada escolha
35 que da pessoa do Senhor Conselheiro Doutor Vicente Pires da Motta acaba de fazer o Governo Im-
perial para o lugar do Director da nossa Faculdade de Direito. Filho, e ornamento da Fa-
culdade, em que regeo por largo tempo uma das cadeiras de direito civil; collega e mestre
dos seus actuais companheiros de serviço; conhecedor das tradições desta casa, de suas neces-
sidades e aspirações; temos fundada esperança, de que o nome prestigioso do Senhor Conselheiro
40 Pires da Motta ha de ser a mais firme garantia de prosperidade e reputação deste Estabe-
lecimento.
São Paulo 2 de Março de 1865. – Doutor Manoel Antonio Duarte de Azevedo49 – Approvado na
Sessão de Congregação do dia 2 de Março de 1865. – José Maria Avellar Brotero50, Secretario.51

47
Idem à nota 23.
48
Idem à nota 10.
49
Idem à nota 10.
50
Idem à nota 10. Abriu-se aqui uma exceção às regras das normas de transcrição. Como a abreviatura do nome de José Maria de
Avelar Brotero já se encontrava em itálico, utilizou-se o sublinhado para destacar o desenvolvimento da abreviatura.
51
Idem à nota 11.

59
60
APESP C0-5640-Pasta07-0002

Ofício, datado de 21 de janeiro de 1865, remetido pelo diretor interino, José Maria de
Avellar Brotero, ao Presidente da Província, João Crispiniano Soares, reclamando a
respeito da construção de um novo muro da Faculdade de Direito e, conseqüentemente,
solicitando sua dispensa de tomar conta de tais serviços.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.1]]
[[0.5640]]
[[Por copia ao Min(isterio) do Imperio em 18 de Janeiro de1865.]]

Illustrissimo Excellentissimo Senhor

Tenho a honra de accusar a recepção do officio de


Vossa Excellencia em data de 19 do corrente mez de Janeiro, no qual
5 Vossa Excellencia me autorisa a mandar levantar ũm novo
muro na travessa da rua da casa sancta no lugar
em que existia antigamente aquelle outro mandado
demolir pela Camara Municipal, e que formava a
Area da antiga corrente chamada – jogo da bola dos
10 frades –, cumpre-me respeitosamente levar ao conhe-
cimento de Vossa Excellencia, que a autorisaçaõ, com que me hon-
rou, excede as forças da directoria previstas no
Artigo 12 0.0.7,8, dos Estatutos. A obra sendo ordenada
pela directoria da Faculade ha de trazer serias
15 questões com a camara municipal. do mais in-
teressados, sobra a chamada servidaõ publica, lar-
gura e aterro da travessa, nivelamento e sahida
APESP C0-5640-Pasta07-0001
das aguas seja qual fôr a planta e orçamento

61
62
APESP C0-5640-Pasta07-0003

Continuação do documento anterior.

1v

do Engenheiro Doutor Raymundo de Pennaforte Alves do


Sacramento Black, e a directoria naõ tem á sua
disposiçaõ engenheiro, empregados, e meios, para en-
trar em tais questoẽs, ordenando e inspeccionando ser-
5 viços que a camara municipal chama seus.
Muito attenciosamente rogo a Vossa Excellencia se digne
desonerar-me da commissaõ supra mencionada.
Deos Guarde a Vossa Excellencia Saõ Paulo 21 de Janeiro
1865.
10
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Conselheiro Doutor Joaõ Crispiniano
Soares
Dignissimo Presidente da Provincia de Saõ Paulo

15 José Maria de Avellar Brotero


Director interino.

63
64
APESP C0-5640-Pasta07-0004

Ofício, datado de 24 de janeiro de 1865, remetido pelo diretor interino, José Maria de
Avellar Brotero, ao Presidente da Província, João Crispiniano Soares, relatando sobre
um requerimento de licença do bedel Fermino José Soares.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.2]]
[[0.5640]]
[[Não ha logar]]

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

Tenho a honra de fazer subir á presença


deVossa Excellencia o incluso requerimento de Fermino
5 José Soares, Bedel d’esta Faculdade, no qual
pede dous mezes de licença com ordenado; e tenho
a dar a seguinte informação: o supplicante no
anno proximo passado obteve do Governo Provinci-
al tres mezes de licença, Portaria de 4 de Junho
10 de 1864, da qual gosou, dando parte de prompto
no dia 4 do mez de Novembro, e no fim do anno
lectivo na forma do artigo 11 do Regulamento
de 5 de Maio de 1856 foi nomeado para
tomar n’este anno por termo as matrîculas das
15 aulas de preparatorios, trabalho que deve prin-
cipiar hoje; dignando-se porêm Vossa Excellencia conceder
a licença pedida, elle pode por estes dous
mezes ser substituïdo no serviço por algum
dos Continuos.
20 Vossa Excellencia resolverá como achar de jus-

65
66
APESP C0-5640-Pasta07-0005

Continuação do documento anterior.

1v

justiça.52
Deos guarde a VossaExcellencia
Saõ Paulo 24 de Janeiro de 1865

5 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Conselheiro


Doutor João Crispiniano Soares
Presidente d’esta Provincia

José Maria de Avelar Brotero.


10 Director interino.53

52
A sílaba [jus] foi repetida.
53
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

67
68
APESP C0-5640-Pasta07-0006

Carta anônima, datada de 20 de maio de 18[ilegível], remetida ao Presidente da


Província, delatando professores da Academia que infringiam os Estatutos da
Faculdade.

[[C.1]]
[[P.5]]*
[[D.1A]]
[[0.5640]]
*Esta carta anônima, provavelmente, foi colocada por engano entre os documentos da pasta 7, sob o
código P.7, pois as anotações encontradas nesta carta a vinculam à carta sob o código D.1, pertencente
a pasta 5, sob o código P.5.

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

Saõ Paulo 20 de Maio de 18[ilegivel]

5 Reconhecendo em Vossa Excellencia zelo pela instruc-


çaõ dos jovens que, algum dia, deverão assumir
a direcçaõ dos negocios do Brazil, me animo
em nome do futuro do nosso Imperio, a
chegar junto de Vossa Excellencia com uma emportuna-
10 ção pedindo justiça, moralidade e execuçaõ da
letra da lei. Desejava escrever pelos jornais
artigos que mostrassem, naõ ao Publico de
Saõ Paulo por que esse bem o sabe; mas sim
ao Governo Imperial porque julgo que o i-
15 gnora. athe que ponto tem chegado o pa-
tronato nesta desgraçada Cidade onde se vem
conquistar a sciencia. (Naõ tenho taõ bem
amizade a Vossa Excellencia para que em confidencia [ilegivel]
verbalmente me dirige-se para queixar-me)54
20 Como jà disse reconheço em Vossa Excellencia amor a jus-
tiça e fidelidade em executar as leis naõ olh[an-]
do para a torpe afilhadagem, que em geral
é protegida pelos politicos administradores.
“Recahia o peso da lei sobre quem recahir”55
25 He a macha que tenho visto seguir VossaExcellencia no
curto espaço de sua benefica administraçaõ
essencialmente justiceira. E taõ bem por isto não
recorro a imprensa para que não pareça que ha
uma pena que agita a administraçaõ. Não
30 tenho titulos para merecer de Vossa Excellencia, a atten-
ção, mas tenho Direitos por que sou Brasi-
leiro. Animado por estas e outras

54
Esse parêntese compreendendo toda a expressão é original do documento.
55
Esta formatação entre aspas pertence à formatação do documento original.

69
70
APESP C0-5640-Pasta07-0007

Continuação do documento anterior.

1v

circunstancias vou usando do anonymo. naõ para men-


tir ou caluniar como frequentemente acontece
[mas] sim para mostrar a Vossa Excellencia um abuso uma infra-
çaõ expressa na lei que os trabalhos de que [se]
5 acha sobrecarregada essa administraçaõ não dei-
ixaraõ por certo, tempo para mostrar com minucia
[ver]dades como estas. A questaõ e da instruc-
ção Publica vejo bem que um ramo taõ apr[e]-
ciado por Vossa Excellencia que tem dado tantas provas,
10 visitando e acoroçoando os estabilicimentos, e cor-
denando. Existe [ilegivel] um artigo dos estatutos
da nossa Academia digo Faculdade de Direito, que ex-
[pressa]mente prohibi aos professores de preparatórios da mesma Faculdade de56
lecionarem ou terem collegios de meninos; is-
15 to para evitar que estes professores que saõ os
examinadores das materias de seo ensino, não
comescem por este modo dando entrada a Fa-
culdade rapazes que nada sabem so por que fre-
quentaõ os seos collegios, he este o espirito desse
20 artigo esta interpretaçaõ he literal gramati-
cal. No entanto naõ sei se pelos os esta-
tutos naõ terem merecido a attençaõ dos ante-
cessores de Vossa Excellencia ou por que motivo, existio
sempre o collegio denominado do Joaõ Carlos
25 que ha pouco falleceo, e que era frequenta-
do por grande nunmero de alumnos por que esse
collegio era de uma sociedade com o Doutor Chaves
Lente de Philosophia na Academia e examina-
dor da materia, daria uma proteção ás no-
30 tas das philosophia nesse collegio, Depois
fechou-se o ditto collegio, e agora tornou-se
a abrir (com) Sociedade entre Doutor Chaves e Cintra

56
A expressão sublinhada é foi inserida pelo autor da carta como continuação da linha 13.

71
72
APESP C0-5640-Pasta07-0008

Continuação do documento anterior.

[[C.1]]
[[P.5]]
[[D.1A]]
[[0.5640]]

para continuarem na (mesma) imoralidade. Vossa Excellencia


proceda as indagaçoẽs com cautela que conhe
cera a verdade do que digo. O Senhor Ferrão
esse afronta a decencia Publica por que ain-
5 da a outro tem a cautella de naõ querer
taõ escandolosamente afrontar a lei e no es-
pirito com semelhante, monopolio, e imorali-
dade, para alimentar a vadiaçaõ da nossa
Mocidade com meios taõ repugnantes, tem um
10 estabelecimento de alumnos ou vadios sem re-
gularidade alguma, d’onde apezar delle ser exami-
nador de Inglez e em falta tem cido de muitas
outras materias so deo um ou 2 estudantes
para o curso neste (anno). Peço por tanto que
15 pelos meios de que Vossa Excellencia dispoẽ corte com
semelhante escandalo suprimindo estes 2
collegios que existem contra a letra da lei
prejudicando o ensino publico estabelecendo a
afilhadagem em detrimento dos Direitos de ca-
20 da um dos rapazes que naõ tem a fili-
cidade de pertencer a este ou aquelle colle-
gio. A Policia naõ deve consentir em
tal e muito menos Vossa Excellencia, 1ª autteoriade
da Provincia e que deve zelar sobre o
25 importante ramo Insttrucçaõ Publica
O mais seccrecto e admirador de Vossa Excellencia

Um anonymo

73
74
APESP C0-5640-Pasta07-0009

Ofício, datado de 01 de fevereiro de 1865, remetido pelo diretor interino, José Maria de
Avellar Brotero, ao Presidente da Província, João Crispiniano Soares, relatando a
respeito do requerimento de pedido de licença do professor substituto Couto Antonio do
Valle .

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.3]]
[[0.5640]]
[[Corado]]

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

Tenho a honra de fazer subir á presença de


Vossa Excellencia o requerimento juncto do Doutor Couto Antonio do
5 Valle, Substituto da Cadeira de Arithmetica e Geome-
tria d’esta Faculdade, no qual pede um mez de licença
com vencimentos; e tenho a dar a seguinte informa-
ção: o supplicante naõ tem tido licença desde o anno de
1860, está portanto nas circunstancias da lei de obter a
10 licença pedida com ordenado. É do meu dever porêm
respeitosamente fazer a seguinte observação: está-se em
exames de preparatorios, e a aula se deve abrir no dia
3 do corrente, o Professor Cathedratico é Deputado Pro-
vincial, vindo a faltar este e o substituto vejo-me
15 obrigado a convidar dous extranhos para se reali-
zarem os mesmos exames; e outro sim a nomear
um Substituto extraordinario para reger a Cadeira
Vossa Excellencia entretanto resolverá como julgar conveniente.
Deos guarde a Vossa Excellencia.
20 Saõ Paulo 1º de Fevereiro de 1865.

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Conselheiro Doutor Joao Crispiniano Soares.


Presidente d’esta Provincia.

25 José Maria de Avellar Brotero


Director interino.57

57
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

75
76
APESP C0-5640-Pasta07-0010

Ofício, datado de 03 de fevereiro de 1865, remetidao pelo diretor interino, José Maria
de Avellar Brotero, ao Presidente da Província, João Crispiniano Soares, informando-
lhe sobre o início dos trabalhos da Faculdade.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.4]]
[[0.5640]]
[[Accene – e communiquem ao Senhor Ministro do Imperio]]
[[Respondido a 3 de Fevereiro de 1865.]]

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

Tenho a honra de levar ao conhecimen-


to de Vossa Excellencia que hoje, na forma do artigo 51
5 dos Estatutos, principiarão os trabalhos da
Faculdade.
Deos guarde a VossaExcellencia.
São Paulo 3 de Fevereiro de 1865.

10 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Conselheiro


Doutor João Crispiniano Soares,
Presidente d’esta Provincia

José Maria de Avellar Brotero.


15 Director interino.58

58
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

77
78
APESP C0-5640-Pasta07-0011

Ofício, datado de 6 de fevereiro de 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de


Direito, Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João Crispiniano Soares,
informando-lhe a respeito de sua posse na direção da Faculdade.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.5]]
[[0.5640]]
[[Archive-se Comuniqu[e] (Thesouraria) da Faculdade]]
[[(Communiquem) a Thesouraria da Fazenda a 6 de Fevereiro de 1865.]]
[[Respondido na mesma data.]]

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

Tenho a honra de levar ao conhecimento


de Vossa Excellencia que hoje tomei posse da Directoria
5 da Faculdade de Direito d’esta Cidade.
Deos guarde a Vossa Excellencia.
Saõ Paulo 6 de Fevereiro de 1865

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Conselheiro


10 Doutor Joaõ Crispiniano Soares,
Presidente d’esta Província.

Vicente Pires da Motta59

59
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

79
80
APESP C0-5640-Pasta07-0012

Ofício, datado de 15 de fevereiro de 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de


Direito, Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João Crispiniano Soares,
requerendo informações sobre pagamentos aludidos ao professor substituto Victorino
Caetano de Britto.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.6]]
[[0.5650]]
[[Requeira a (Thesouraria) da Faculdade]]

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

Levo á presença de Vossa Excellencia o requerimento do


Professor Substituto das cadeiras de Latim, Fran-
5 cez, e Inglez, Victorino Caetano de Britto, e te-
nho a dar a seguinte informação.
O supplicante no anno proximo passado, na
forma do artigo 28 do Regulamento de 5 de Maio
de 1856, regeo cumulativamente as Cadeiras de
10 Latim e Francez, que estão vagas, e o Director in-
terino nos attestados declarou que o supplicante esta-
va regendo as mesmas Cadeiras a fim de na
thesouraria pagarem as gratificações extraordi-
narias, determinadas no artigo 274 do decreto numero 1134
15 de 30 de Março de 1853, nos mezes de Novembro,
Desembro e Janeiro, porêm, não fez tal declara-
ção, nem podia fazer, visto que não houve regen-
cia de Cadeiras, tendo-se fechado as aulas de
prêparatorios no ultimo dia util do mez de
20 Outubro como manda o artigo 16 do Regulamento
sûpra citado.
Se o supplicante, Professor Substituto, pelo facto
de ter regido Cadeiras vagas tem ou não direito
de continuar a receber depois das aulas fechadas
25 as mesmas gratificações acertadas á regencia
das

81
82
APESP C0-5640-Pasta07-0013

Continuação do documento anterior.

1v

das60 Cadeiras, é questão que não pertencia, nem


pertence á Directoria resolver.
Vossa Excellencia determinará o que julgar justo.

5 Deos guarde a Vossa Excellencia.


Saõ Paulo 15 de Fevereiro de 1865.

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Conselheiro


Doutor João Crêspiniano Soares,
10 Presidente d’esta Provincia

O Director

Vicente Pires da Motta61

60
A preposição [das] foi repetida.
61
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

83
84
APESP C0-5640-Pasta07-0014

Ofício, datado de 10 de março de 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de Direito,


Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João Crispiniano Soares,
relatando pedido de licença do professor substituto Victorino Caetano de Britto.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.7]]
[[0.5640]]

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

Cumprindo o despacho de Vossa Excellencia no requerimento


juncto, em que o Professor Substituto de Latim,
5 Francez, e Inglez, Bacharel Victorino Caetano
de Britto, pede oito dias de licença para tractar
de seus negocios, informo que, com quanto naõ
haja quem suppra as faltas, todavia como naõ
é por este tempo dos exames preparatorios frequenta-
10 da a aula do supplicante, póde sem detrimento do en-
sino ser deferido como aprouver a Vossa Excellencia.

Deos guarde a Vossa Excellencia.


Saõ Paulo 10 de Março de 1865.
15
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Conselheiro
Doutor João Crispiniano Soares,
Presidente d’esta Provincia

20 O Director

Vicente Pires da Motta62

62
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

85
86
APESP C0-5640-Pasta07-0015

Ofício, datado de 05 de maio de 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de Direito,


Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João Crispiniano Soares,
relatando sobre concurso de vagas às Cadeiras a serem ocupadas na Faculdade .

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.8]]
[[0.5640]]
[[Nomeio o Conselheiro Ramalho Recuze, indicando o nomeado, e á este officio]]
[[15,3,65]]
[[Respondido a 14 de Maio de 1865.]]

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

Devendo-se preceder nos dias 1º e 3 do proximo


mez d’Abril aos exames de concurso ás Cadeiras
5 vagas de Rhetorica e Poetica, e Latim, rogo á
Vossa Excellencia se digne nomear o Commissario do Governo
que tem de fazer parte da commissão de exames
na forma do artigo 77 do Regulamento de 5 de
Maio de 1856.
10 Deos guarde a Vossa Excellencia
Saõ Paulo 15 de Março de 1865.

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Conselheiro


Doutor Joaõ Crispiniano Soares,
15 Presidente d’esta Provincia

O Director

Vicente Pires da Motta.63

63
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

87
88
APESP C0-5640-Pasta07-0016

Ofício, datado de 18 de julho de 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de Direito,


Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João Crispiniano Soares,
relatando a necessidade da demolição de um dos muros da Faculdade .

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.9]]
[[0.5640]]
[[Espere-se o exame dos Engenheiros]]
[[Ajunte-se á [ilegível] da Camara e volte. Registre-se no requerimento da Camara]]

Faculdade de Direito de São Paulo


18 de Julho de 1865
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

5 Cumprindo o que Vossa Excellencia determina em data de


hontem informo que ha necessidade como representa
a Camara Municipal, de demolir-se o muro, que
fecha a área do antigo convento de São Francisco; e
informo mais que tambem ha necessidade de levan-
10 tar-se outro muro em substituição do que deve ser
arrazado, e de segurar-se a parte do edificio, que
fica sobre a nova rua, sem o que infallivelmente
virá abaixo essa parte.
Deos Guarde a Vossa Excellencia
15
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Conselheiro
Doutor João Crispiniano Soarez
Presidente d’esta Provincia

20 O Director

Vicente Pires da Motta64

64
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

89
90
APESP C0-5640-Pasta07-0017

Ofício, remetido pelo diretor da Faculdade de Direito, Vicente Pires da Motta ao Vice-
Presidente da Província, Coronel Joaquim Floriano de Toledo, relatando a devolução
de um ofício da Câmara Municipal em 26 de julho de 1865.

[[Ajunte-se a informaçaõ do Di-]]


[[rector sobre a [ilegível] junta]]

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

Tenho a honra de devolver a Vossa Excellencia o officio da Ca-


mara municipal desta Cidade que acompanhou
5 aquelle outro de Vossa Excellencia em data de 27 do corrente
mez dirigido a esta directoria.
Deos Guarde a Vossa Excellencia Saõ Paulo 26 de Julho de 1865.

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Coronel Joaquim Floriano


10 de Toledo.
Dignissimo Vice – Presidente da Provincia.

O Director

15 Vicente Pires da Motta65

65
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

91
92
APESP C0-5640-Pasta07-0018

Ofício, datado de 29 de julho de 1865, remetido por Casttro Netto, relatando a


necessidade de se demolir um dos muros da Faculdade de Direito.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.9.A]]
[[0.5640]]

Primeira Secçaõ

A Camara Municipal
da Capital em officio de 11 de
5 Julho corrente, faz ver a
necessidade de demolir-se
o restante do muro que fe-
cha areã do antigo conven-
to de Saõ Francisco, naõ só por es-
10 tar eminente a sua queda,
como por que d’ella pode resul-
tar serias consequencias
aos transitantes.
Este officio foi ao Director
15 da Faculdade para infor-
mar e elle declara que
há necesidade naõ só da
demoliçaõ do muro deque
trata a camara, como da recos-
20 tituicaõ de outro para se-
parar a parte do Edificio
que fica sobre a meza rua
Vossa Excellencia em vista de expen-
do, dignar se ha resalvas com[o]
25 julgar o conveniente Sessao de 29

93
94
APESP C0-5640-Pasta07-0019

Continuação do documento anterior.


[[Visto – Barbosa]]
[[Visto. Senhor (Telles)]]

1v

de julho de 1865
Casttro Netto

95
96
APESP C0-5640-Pasta07-0020

Ofício, datado de 12 de julho de 1865, remetido pela Câmara Municipal ao Presidente


da Província, João Crispiniano Soares, relatando sobre a demolição de um muro da
Faculdade de Direito.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.9B]]
[[0.5640]]
[[Peça informaçoẽs ao Senhor Conselheiro Director da Faculdade de direito]]

Illustrissimo Excellentissimo Senhor

Tendo-se de franquear brevemente do publi-


co parte da sua projectada em prolongamen-
5 tto da da Caza Santa, e fazendo-se sentir a
urgente necessidade de ter demolido o restante
do muro, que fechara a área do antigo Con-
vento de Saõ Francisco, naõ só por esttar eminen-
te a sua queda, como por que d’ella pode re-
10 zultar serias consequencias aos transitantes, a
Camara roga a Vossa Excellencia que dedique dar as ne-
cessarias providencias a tal respeito.

Deos Guarde a Vossa Excellencia


15
Paço da Camara Municipal de Saõ Paulo
12 de Julho de 1865

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Conselheiro Doutor Joaõ Crispiniano Soares


20 Dignissimo Presidente d’esta Provincia

Antonio Jose Osorio da Fonseca


e
Joao Ribeiro da Silva
25
Vicente de Souza Queirós
Malachias (Rogerio) detelles Gressa
Baraõ de Itapetininga66
Joaquim Pinto da Silva67

66
Excetuando a caligrafia da assinatura de Antonio Jose Osorio da Fonseca, o restante das assinaturas é diferente da caligrafia do
corpo do documento.
67
Embora a assinatura não apareca na edição fac-simile, no documento original ela se encontra no folio verso, sozinha, no alto do
documento.

97
98
APESP C0-5640-Pasta07-0021

Ofício, datado de 7 de Agosto de 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de Direito,


Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João da Silva Carrão, relatando
sobre a debilidade da parede exterior do edifício da Faculdade.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.10]]
[[0.5640]]
[[Convide-se o engenheiro obter para com o Senhor]]
[[(Arquivado) Margo sim e devem a um exame]]
[[e comunique-se ao Director (departamento) que aquelle acceitar]]
[[Respondido a 12 de Agosto de 1865.]]
[[Officiou-se aos Engenheiros Albert e Azevedo Arquive-se a 8 de agosto de 1865.]]

Faculdade de Direito da Cidade de Saõ Paulo 7 deAgosto de 1865

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

5 Dou parte a Vossa Excellencia que a parede exterior do


edificio da Faculdade de Direito que fica sobre
a rua da caza Santa, está bastante pensa, e
infalivelmente desabará, se com tempo não
for reparada.
10 Deos Guarde a Vossa Excellencia

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Doutor João da Silva Carrão


Presidente da Provincia de São Paulo.

15 O Director
Vicente Pires da Motta68

68
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

99
100
APESP C0-5640-Pasta07-0022

Carta, datada de 9 de agosto 1865, remetida pelo engenheiro fiscal, Ernesto Diniz
[ilegível] ao Presidente da Província, João da Silva Carrão, relatando a respeito de
exames feitos às obras da parede exterior da Faculdade de Direito em .

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.10A]]
[[0.5640]]

[[Communique-se ao Director da Faculdade]]


[[na forma da vista da Vossa Excellencia do officio do mesmo Director]]
Repartição fiscal.
Estrada de Ferro de Santos a Jundiahy.
São Paulo em 9 de Agosto de 1865

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

Accusando a recepçaõ do com-


vite que Vossa Excellencia me fez em data de hoje,
5 para uma commissaõ junto com o
Engenheiro Henrique Luiz d’Azevedo
Marques, afim de examinar as obras
que carece a parede exterior do edificio
da Faculdade de Direito d’essa Capital;
10 cabe-me levar ao conhecimento de
Vossa Excellencia: que acho-me muito honrado
com a sua escolha e que desde-ja
estou a disposiçaõ da Excellentissima Presidencia

15 Deus Guarde a Vossa Excellencia


Illustrissimo e Excellentissimo Senhor
Doutor João da Silva Carrão
Dignissimo Presidente d’essa Provincia

20 Engenheiro fiscal
Ernesto Diniz [ilegivel]

101
102
APESP C0-5640-Pasta07-0023

Ofício, datado de 10 de agosto de 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de Direito,


Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João da Silva Carrão, pedindo
dispensa de incorporação para o funcionário Fortunato José dos Santos.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.11]]
[[0.5640]]

[[Respondida a 11 de Agosto de1865.


[[[ilegível] ao Communique-se (Supervisor) (interno)]]
[[Fim]]

Faculdade de Direito da Cidade de São69 Paulo 10 de Agosto de 1865.

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

5 O Cidadão Fortunato José dos Santos porteiro desta Fa-


culdade, foi avisado, como Tenente da Guarda Nacional
em reserva, para se appresentar no quartel no dia
13 do corrente mez para fazer o serviço da goarnição;
como porem o serviço da Faculdade soffre com a au-
10 sencia do mesmo empregado, rogo a Vossa Excellencia se digne
dispensal-o do serviço para que foi chamado.
Deos Guarde a Vossa Excellencia
Illustrissimo e Excellentissimo Doutor João da Silva Carrão
Presidente desta Provincia
15
O Director

Vicente Pires da Motta70

69
O diacrítico da palavra ‘São’ foi colocado em cima da letra ‘a’ porque nas cartas que trazem esta mesma caligrafia, o escrevente
mantém o acento igual aos acentos correntes na escrita atual. Note-se como exemplo o nome de ‘Carrão’, no final da carta. Os
demais fólios que trouxerem esta caligrafia, também serão acentuados como neste exemplo.
70
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

103
104
APESP C0-5640-Pasta07-0024

Ofício, datado de 19 de agosto de 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de Direito,


Vicente Pires da Motta ao Presidente da Província, João da Silva Carrão, relatando a
respeito do oficio enviado a Manoel José Chaves para que comparecesse ao Palácio.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.12]]
[[0.5640]]

Faculdade de Direito da Cidade de São Paulo 19 de Agosto de 1865

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

5 Em cumprimento da ordem de Vossa Excellencia transmittida


em officio de hontem, foi o Doutor Manoel José Chaves a-
visado para comparecer hoje no Palacio para o ser-
viço determinado por Vossa Excellencia. Deos Guarde Vossa Excellencia.

10 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Doutor João da Silva Carrão


Dignissimo Presidente desta Provincia.

O Director

15 Vicente Pires da Motta71

71
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

105
106
APESP C0-5640-Pasta07-0025

Ofício, datado de 24 de agosto de 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de Direito,


Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João da Silva Carrão, solicitando
a nomeação de um comissário para assistir o exame de capacidade para a vaga de
professor substituto.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.13]]
[[0.5640]]

[[[ilegível] com(missario) Ramalho comunique-se]]


[[Respondido a 30 de Agosto de 1865.]]

Faculdade de Direito da Cidade de São Paulo 24 de Agosto de 1865.

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

5 Digne-se Vossa Excellencia nomear hum Comminssario pa-


ra assistir aos exames de capacidade profissional dos
candidatos ao lugar vago de Professor substituto da
Cadeira de Arithmetica e Geometria desta Facul-
dade; exames que hão-de ter lugar no dia 2 do
10 proximo futuro mez de Setembro as 9 horas da
manhã. Deos guarde a Vossa Excellencia.

Illustrissimo e Excellentissimo Doutor João da Silva Carrão


Dignissimo Presidente desta Provincia.
15
O Director
Vicente Pires da Motta72

72
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

107
108
APESP C0-5640-Pasta07-0026

Ofício, datado de 5 de Setembro de 1865, remetido pelo Diretor da Faculdade de


Direito, Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João da Silva Carrão,
solicitando a dispensa de incorporação dos funcionários João Alexandrino Costa e
Francisco Ignácio de Siqueira.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.14]]
[[0.5640]]

[[Respondido expedido [ilegível] ao]]


[[(Conselho) (Superior) a 5 de Setembro de 1865.]]
[[ilegível]]

Faculdade de Direito da Cidade de São Paulo 5 de Setembro de 1865

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

5 Os empregados desta Faculdade o Bedel João Ale-


xandrino da Costa, e o Continuo Francisco Ignacio
de Siqueira, Guardas Nacionaes do Batalhão numero primeiro,
actualmente destacado, fazem falta no serviço das
Aulas, razão por que rogo a Vossa Excellencia se digne dar
10 suas ordens afim dos mesmos empregados serem
dispensados do destacamento. Deos Guarde a Vossa Excellencia.

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Doutor João da


Silva Carrão.
15 Dignissimo Presidente desta Provincia.

O Director

Vicente Pires da Motta73

73
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

109
110
APESP C0-5640-Pasta07-0027

Ofício, datado de 19 de Setembro de 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de


Direito, Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João da Silva Carrão,
relatando o requerimento do professor Manoel Antonio Duarte de Azevedo.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.15]]
[[0.5640]]
[[Fim]]

Faculdade de Direito da Cidade


de São Paulo 19 de Setembro de 1865
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

5 Tenho a honra de apresentar a Vossa Excellencia o requeri-


mento do Doutor Manoel Antonio Duarte de Azeve-
do, que pede a Vossa Excellencia quinze dias de licença pa-
ra tratar de sua saude. Deos Guarde a Vossa Excellencia.

10 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Doutor João da Sil-


va Carrão.
Dignissimo Presidente desta Provincia.

O Director
15 Vicente Pires da Motta74

74
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

111
112
APESP C0-5640-Pasta07-0028

Ofício, datado de 26 de setembro 1865, remetido pelo Diretor da Faculdade de Direito,


Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João da Silva Carrão,
comunicando a cerimônia de colação de grau professor João Jacinto Gonçalves
d’Andrade.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.16]]
[[0.5640]]
[[Visto]]

Faculdade de Direito da Cidade


de São Paulo 26 de Setembro de 1865
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

5 Tenho a honra de convidar a Vossa Excellencia para assistir


a collação de Gráo de Doutor, que no dia 28 do cor-
rente mez, as dez horas da manhã, nesta Fa-
culdade, se ha de conferir áo Doutorando Reverendo
Conego João Jacintto Gonçalves d’Andrade
10 Deos Guarde a Vossa Excellencia.

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Doutor


João da Silva Carrão
Dignissimo Presidente desta Provincia.
15
O Director

Vicente Pires da Motta75

75
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

113
114
APESP C0-5640-Pasta07-0029

Ofício, datado de 7 de outubro de 1865, remetido pelo Diretor da Faculdade de Direito,


Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João da Silva Carrão, solicitando
um lente para a comissão de exames do concurso às cadeiras de Latim, Francês e
Inglês.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.17]]
[[0.5640]]

[[Respondido a 10 de Outubro de 1865.]]


[[o Doutor Justino Andrade Facão-se as comemoraçoẽs]]

Faculdade de Direito da Cidade de


São Paulo 7 de Outubro de 1865

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor


5
Rogo a Vossa Excellencia se digne nomear hum lente para a
commissão de exames em concurso, a que se vai proceder
nesta Faculdade nos dias -16,-17-,18- do corrente mez,
em lugar vago de Professor substituto das Cadeiras de Latim
10 Francez e Inglez: os exames principião as 9 horas da
manhã.
Deos Guarde a Vossa Excellencia
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Doutor
João da Silva Carrão.
15 Dignissimo Presidente desta Provincia.

O Director

Vicente Pires da Motta76

76
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

115
116
APESP C0-5640-Pasta07-0030

Ofício, datado de 26 de outubro de 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de


Direito, Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João da Silva Carrão,
solicitando a nomeação de um comissário para assistir aos exames de preparatórios.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.18]]
[[0.5640]]

[[Nomeio ao Doutor Chaves, e no-]]


[[vos impedimentos ao Doutor Senhor Amelio.]]
[[Respondido a 26 de Outubro de 1865]]

Faculdade de Direito da Cidade


de São Paulo 26 de Outubro de 1865.
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

5 Como na forma dos Estatutos devem os exames


de preparatorios começar no dia 3 de Novembro
proximo futuro, rogo a Vossa Excellencia se digne nomear
o Commissario, que por parte do Governo deve
assistir áos mencionados exames.
10 Deos Guarde a Vossa Excellencia

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Doutor


João da Silva Carrão
Dignissimo Presidente d’esta Provincia.
15
O Director

Vicente Pires da Motta77

77
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

117
118
APESP C0-5640-Pasta07-0031

Ofício, datado de 26 de outubro de 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de


Direito, Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João da Silva Carrão,
solicitando a dispensa do contínuo Ignácio Plácido da Silva de se incorporar à Guarda
Nacional nos meses de novembro e dezembro.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.19]]
[[0.5640]]

[[Fim]]
[[O Comando Superior o dispensa ate fixar-se]]
[[Respondido e expedido ordem ao Comando Superior]]
[[á 26 de Outubro de 1865.]]

Faculdade de Direito da Cidade


de São Paulo 26 de Outubro de 1865.
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

5 O Continuo desta Faculadade Ignacio Placi-


do da Silva, Guarda Nacional do Batalhão
Numero 2, foi avisado para destacar nos mezes
proximos futuros de Novembro e Dezem-
bro; como, porem, na Faculdade ha falta
10 d’Empregados pois dois estão gravemente do-
entes, e no dia 28 do corrente mez principi-
ão os actos, rogo a Vossa Excellencia se digne dispensar
o mesmo Continuo, que he necessario para o ser-
viço desta Faculdade, até ella se fechar.
15 Deos Guarde a Vossa Excellencia

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Doutor João


da Silva Carrão.
Dignissimo Presidente desta Provincia.
20
O Director

Vicente Pires da Motta78

78
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

119
120
APESP C0-5640-Pasta07-0032

Ofício, datado de 1 de dezembro de 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de


Direito, Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João da Silva Carrão,
solicitando a nomeação de dois lentes, um para ser o Comissário efetivo e outro para
ser substituto em casos de impedimento do efetivo.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.20]]
[[0.5640]]
[[Respondido a 10 de Dezembro de1865]]
[[Os mesmos]]

Faculdade de Direito da Cidade


de São Paulo 1º de Dezembro de 1865
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

5 Determinando o Imperial Aviso de 22 de Janeiro


de 1862 que as nomeações dos Commissarios, que de-
vem assistir aos exames preparatorios, sejão feitas
com a necessaria antecedencia no fim de cada an-
no lectivo, tenho a honra de pedir a Vossa Excellencia se digne
10 nomear dois Lentes, sendo hum para Commissario
effectivo, e outro para o substituir nos casos do im-
pedimento do effectivo. Deos Guarde a Vossa Excellencia São Pau-
lo 1º de Dezembro de 1865

15 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Doutor João da Silva Carrão


Dignissimo Presidente d’esta Provincia.

O Director

20 Vicente Pires da Motta79

79
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo documento.

121
122
APESP C0-5640-Pasta07-0033

Ofício, datado de 12 de dezembro 1865, remetido pelo diretor da Faculdade de Direito,


Vicente Pires da Motta, ao Presidente da Província, João da Silva Carrão, informando-
lhe sobre o encerramento das aulas.

[[C.1]]
[[P.7]]
[[D.21]]
[[0.5640]]

Faculdade de Direito da Cidade


de São Paulo 12 de Dezembro de 1865.
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

Levo ao conhecimento de Vossa Excellencia que hoje


a Congregação, na forma do Artigo 51 dos Es-
tatutos, fechou os trabalhos da Faculdade
Deos Guarde a Vossa Excellencia.

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor


Doutor João da Silva Carrão
Dignissimo Presidente d’esta
Provincia.

O Director

Vicente Pires da Motta80

80
A caligrafia da assinatura é diferente da caligrafia do corpo do documento.

123