2010

Diagnóstico Urbano

Brasiléia

DIGNÓSTICO DA CIDADE DE BRASILÉIA – ACRE1
Autoria: Ms. Soad Farias da Franca

1. ASPECTO SÓCIO ECONOMICO E CULTURAL
Brasiléia originou-se sobre uma pequena faixa de terra do antigo Seringal Carmen, onde foi fundada em 1910, com o nome de Brasília. Alçada à condição de Município em 1938, Brasília passou a se chamar Brasiléia em 1943. O novo nome derivou da união das palavras Brasil (Bras) e Hiléia (floresta). Em 1992, Brasiléia teve sua área dividida para a criação do município de Epitaciolândia. Neste município também teve origem a moderna doutrina do Daime, a partir das atividades dos maranhenses Antonio e André Costa e Raimundo Irineu Serra. A origem do município está relacionada ao combate do igarapé Bahia entre brasileiros e bolivianos, vencido pela Bolívia durante a Revolução Acreana (em 1902), delimitando exatamente a fronteira entre esses dois países durante a guerra. Motivado pelos conflitos, o General Pando fundou na margem boliviana do igarapé a cidade de Cobija.

A cidade possui uma grande influência econômica do comércio praticado pela Zona Franca do lado boliviano e pela capital Rio Branco. Há um projeto de transformar Brasiléia também em uma Zona Franca. Sua economia baseia-se no comércio, na pecuária leiteira e de corte, na agricultura de subsistência e no extrativismo vegetal. Com a Estrada do Pacífico, integrando esta região aos países vizinhos, há grande esperança no crescimento econômico do município, principalmente a partir de iniciativas como o abatedouro de aves implementado às margens da estrada. Nos finais de semana a cidade recebe um grande
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Texto resumo do Trabalho de Diagnóstico elaborado pelo CONSÓRCIO DE DESENVOLVIMENTO INTERMUNICIPAL DO ALTO ACRE E CAPIXABA - CONDIAC CONSULTORIA- setembro 2010. Para uso exclusivo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Gestão Urbana de Rio Branco, Acre.

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fluxo de turistas que vão fazer compras na Zona Franca de Cobija. O município ocupa o sexto lugar em número de população e o décimo quarto em tamanho de área.

Após a redefinição dos limites territoriais, em 2003, e com a Nova Linha Cunha Gomes, em decisão do Supremo Tribunal Federal, STF, de 2008, favorável ao Estado do Acre, as áreas dos municípios e do próprio Estado sofreram alterações. O município em estudo possui atualmente uma área de 3,9 mil km², o equivalente a 2,4% da área total do Estado. Com as modificações introduzidas pela Nova Linha Cunha Gomes, Brasiléia reduziu sua superfície em 418km², o equivalente a 9,6% sobre a antiga área do município. O município conta atualmente com pouco mais de 19,0 mil habitantes, de acordo com a contagem da população realizada em 2007 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. Já em 2008, a estimativa da população para o município alcança praticamente 20,0 mil habitantes. Essa totalidade corresponde a um crescimento de 16,6% no período compreendido entre 2000 e os dias atuais. O crescimento desse período corresponde a uma taxa média de 1,9% ao ano. Com relação à distribuição por zonas, urbana e rural, em Brasiléia predomina a ocupação urbana, com 64% do total. A distribuição por sexo indica a predominância do sexo masculino, com 52% do total.

A cidade de Brasiléia é a maior em termos populacionais, dentre os municípios em estudo. É formada também por uma população jovem, assim como no restante do Estado. Metade de sua população está distribuída até o grupo etário com 21 anos. A distribuição segundo os grupos etários demonstra uma predominância nas idades entre 01 e 19 anos. As condições provável e otimista para a população apontam para contingentes da ordem de 21,9 mil e 24,4 mil habitantes respectivamente. Brasiléia o município que apresentou as menores taxas decrescimento populacional. . Em um cenário otimista, a população deve alcançar o patamar de 24,4 mil habitantes, o que significa na prática, aumentar a população em pouco mais de 20% no período de dez anos.

O Município conta para o atendimento da população com 06 unidades básica de saúde, sendo 04 na zona urbana e 02 na zona rural, localizados no km 26 e km 68, e um centro de saúde que é referência no município, para o atendimento básico e atenção aos habitantes. O município conta com um Hospital que é referencia para a Regional que atende a população do município em geral, além dos municípios vizinhos de Assis Brasil, Epitaciolândia, Xapuri e em alguns casos bolivianos oriundos de Cobija. Outros serviços em saúde que o município oferece, não menos importante que os já citados são: Ações de vigilância sanitária e epidemiológica analise clinicas, Centro Hematologia e Hemoterapia e no setor privado com clinicas odontológicas, fisioterapeutica, laboratórios de análise clinicas, e consultórios médicos.

O sistema educacional em Brasiléia é incompleto, no sentido em que nem todos os níveis de ensino são atendidos (carência no nível superior) e as instituições ofertantes são unicamente públicas, da esfera estadual ou municipal, foram identificadas ao todo 10 3

estabelecimentos de ensino, municipal e estadual, na área urbana do município de Brasiléia. Este resultado demonstra a existência de uma crescente demanda deescolas para todos os níveis de ensino, principalmente no ensino fundamental. Exceto o EJA que se constata um decréscimo em 2009, talvez em função do Programa de ensino para os jovens - PRO JOVEM. Por outro lado, houve uma evasão escolar de 25 alunos do ensino infantil,125 do ensino fundamental e 57 do ensino médio e 108 do EJA.

A população ribeirinha representa 13,0% da população estimada para o Estado. Está distribuída em diversos municípios, somando mais de 760 localidades em vários rios e igarapés. A população, de mais de 85,0 mil habitantes, ocupa pouco mais de 21,0 mil moradias, resultando numa média dequatro moradores por habitação. Os dados detalhados do Estado e de Brasiléia estão apresentados noquadro. Ressalta-se que não há registros de população indígena no município. Quadro 01.

QUADRO 01- POPULAÇÃO RIBEIRINHA (2006)

Brasiléia possui um PIB de R$ 155,6 milhões, referente a 2007, cujo valor representou uma variação percentual real (descontada a inflação), de 18,3% em relação ao ano anterior. Se por um lado o PIB do município é relativamente pequeno, representando 2,3% de participação no PIB do Estado, seu crescimento é significativo. No período em análise, de 2002 a 2007, a variação real acumulada no crescimento do PIB municipal alcança uma variação de 23%. Não devem ser esquecidos os investimentos em curso relativos aos programas do Banco Interamericano de Desenvolvimento, BID, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES, Banco Mundial (PróAcre), além do Programa de Aceleração do Crescimento, PAC e outros, os quais possuem interferência no desenvolvimento municipal.

Em se tratando de renda, novamente Brasiléia e Assis Brasil aparecem como os extremos da relação: Brasiléia responde por um Produto Interno Bruto, PIB, da ordem de R$ 126,9 milhões,enquanto Assis Brasil responde por R$ 32,8 milhões. Os demais municípios, por ordem de importância medida a partir do PIB, são: Epitaciolândia, Xapuri e Capixaba, com respectivamente R$ 93,9 milhões, R$ 90,6 milhões e R$ 75,0 milhões. Quadro 02

QUADRO 02 EVOLUÇÃO DO PIB, DA POPULAÇÃO E DO PIB PER CAPITA BRASILÉIA

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A economia de Brasiléia é fortemente impulsionada pela atividade terciária ou de serviços, a qual contribui com 60% do PIB do município. O setor primário da economia ou ainda, o setor agropecuário, participa com 1/3 da economia municipal. E com uma parcela significativamente reduzida consta a atividade secundária, ou atividade industrial, que alcança 7,6% de contribuição para o PIB do município. Segundo os dados do IBGE, há registros de pouco mais de 220 empresas no município. Trata-se de empresas formalizadas, independentemente do porte e do ramo de atividade. Essas empresas empregam mais de 1.200 pessoas, sendo que uma parte dessas recebe salário pelas atividades exercidas. Os salários pagos durante 2007 somaram R$ 7,4 milhões.

As atividades preponderantes do setor primário da economia do Acre são a agricultura, a pecuária e o extrativismo. A mandioca é o produto de maior preponderância na pauta produtiva do município, considerando o valor da produção e a quantidade produzida. Sob o ponto de vista da área utilizada, os produtos preponderantes são o milho e novamente a mandioca. Quanto às culturas permanentes, destaca-se a banana, e, com uma importância reduzida, o café. Quadro 03 e Quadro 04.

QUADRO 03 - PRINCIPAIS CULTURAS TEMPORÁRIAS EM BRASILÉIA (2008)

QUADRO 04 PRINCIPAIS CULTURAS PERMANENTES EM BRASILÉIA (2008)

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De acordo com informações oficiais do Governo do Acre, publicadas no Zoneamento Ecológico – Econômico - Fase I, o rebanho bovino do Estado do Acre cresceu, entre 1970 e 1996, mais de 1.000% ‘sendo o maior crescimento verificado no período entre 1985 e 1996. No quadro estão apresentados os efetivos dos rebanhos no município em estudo em comparação com o total do Estado. Quadro 05.

QUADRO 05 – EFETIVO DOS REBANHOS DO ACRE E DE BRASILÉIA (2008)

Brasiléia possui um rebanho bovino que o classifica como o 7º. maior rebanho bovino dentre os municípios do Estado. E para cada habitante do município, há 9,3 cabeças de bovinos, sendo uma relação acima da média do Estado, situada em 3,6 cabeças/habitante. Com relação ao abate de bovinos, Brasiléia representa atualmente uma participação equivalente a10% do total abatido no Estado. A produção de leite variou bastante no início da década e atualmente atinge 70,0 milhões de litros. Brasiléia permanece com uma participação considerável em relação ao total produzido estadualmente, da ordem de 10,0% do total.

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Em Brasiléia, a castanha do Brasil e a borracha são preponderantes no extrativismo, considerando-se os valores da produção. Sob a ótica da quantidade produzida, destaca-se a lenha, a madeira e a castanha. Quadro 06

QUADRO 06 – DADOS DA EXTRAÇÃO VEGETAL DE BRASILÉIA (2008)

A produção de borracha natural bruta subsidiada pelo Estado alcança atualmente 1,7 milhão de toneladas anuais, sendo que Brasiléia contribui em média com 20% do total produzido pelo Estado. Quadro 07

QUADRO 07 - EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO DE BORRACHA NATURAL BRUTA SUBSIDIADA NO ESTADO (KG)

Brasiléia não possui uma economia representativa no setor secundário. Essa conclusão é o resultado da contribuição desse setor ao PIB municipal, o qual alcança 7,6% do total. Estima-se que o número de unidades produtivas do ramo industrial alcance 50 empresas, com cerca de 300 pessoas ligadas à atividade e salários anuais da ordem de R$ 1,5 milhão. As principais atividades são as industriais de transformação, especialmente aquelas do ramo madeireiro, e da construção civil. Já o setor terciário, com uma participação significativa no PIB municipal, de 60,4% do total, é fortemente representado pelas atividades ligadas à administração pública, ao comércio, alojamento e alimentação e outros tipos de serviços. A estimativa para esse setor é que existam mais de 150 estabelecimentos 7

produtivos, os quais ocupam mais de 800 pessoas e que movimentam em torno de R$ 5,0 milhões anuais em salários.

É importante mencionar que em Brasiléia, assim como nos demais municípios do Estado, a administração pública é aquela que mantém o maior número de pessoas ocupadas e a mais importante em termos de salários pagos. Essa é uma característica particular não apenas dos municípios do Acre, mas generalizada na região Norte do país, onde o setor público possui uma relevância maior que a iniciativa privada em termos de empregos e salários. A renda das famílias de Brasiléia é complementada, ou, em alguns casos, totalmente provida, pelo programas sociais executados pela Prefeitura Municipal, em nome do Governo Federal, além dos programas do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome mencionados, é importante ressaltar o Programa Territórios da Cidadania, em execução pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, MDA.

Os desafios e potencialidades detectados, relacionados aos aspectos da Cultura, Esporte, Lazer, Turismo e Educação do espaço urbano de Brasiléia e entorno, podem contribuir à melhoria da qualidade de vida dos moradores através da implantação de políticas públicas específicas que promova o desenvolvimento no âmbito: social, cultural, econômico, ambiental e político. Figura 01.

FIGURA 01 - EQUIPAMENTOS DE CULTURA, ESPORTE, LAZER, TURISMO E EDUCAÇÃO DE BRASILÉIA - ACRE

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Verificamos como Patrimônio Histórico o bem material, do tipo edificação, o Memorial Wilson Pinheiro, a Paróquia Nossa Senhora das Dores, Santuário São Francisco de Assis, Biblioteca Pública Municipal, Centro de Cultura Sebastião Dantas, Rua das Palmeiras e Praça Hugo Poli. O memorial foi construído no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, em homenagem ao líder seringueiro Wilson Pinheiro, local onde o mesmo foi assassinado. A Paróquia de Nossa Senhora das Dores (figura 6) é responsável pela formação de várias lideranças locais através da formação das Comunidades Eclesiais de Base – CEBs.

Outras Igrejas dediversas denominações religiosas foram localizadas, tais como: Santuário São Francisco de Assis, Assembléia de Deus M.Madureira, Capela São Joaquim,Congregação Cristã do Brasil,Adventista da promessa,Adventista do Sétimo Dia,Batista Independente, Da Paz, Deus é Amor, Evangélica do Poder de Deus,Internacional da Graça de Deus, Mundial do Poder de Deus, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Nazaré, Pentecostal, Presbiteriana do Brasil, Primeira Batista, Quadrangular, Universal do Reino de Deus.

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Existem diversas manifestações culturais voltadas ao artesanato em: madeira para confecção de móveis e brinquedos, pintura em tecido e tela, sementes florestais para confecção de biojóias, cerâmica utilizada para confeccionar utensílios e outros, bonecas de lã, vidro reciclado – vitrofusão usado fazer jóias. Todavia estas experiências estão organizadas e identificados os artesãos e as organizações estabelecidas.

Observamos que as alternativas de espaços para lazer identificados em Brasiléia, como: praças, balneários, praias e clubes são as opções disponíveis para a comunidade, no tocante a recreação, tendo em vista os diversos públicos (idosos, jovens, crianças etc.).Destacamos que o município de Brasiléia tem uma das melhores estruturas para prestação de serviços de hotelaria e restaurantes, com atendimento mais qualificado no território do Alto Acre e Capixaba, tendo em vista que, os empreendedores investem na reestruturação dos espaços, como também na capacitação do quadro de pessoal, porém deve ser ainda, mais qualificado.

2. ASPECTO FUNDIÁRIO E LEGISLAÇÃO A criação de mecanismos de atração de capitais do Centro-Sul do país e a implantação de atividades capitalistas na agricultura tiveram como conseqüência o fato de a terra assumir efetivamente o caráter de mercadoria. É difícil o controle efetivo nessas áreas de fronteiras, pouco povoadas, devido as condições geográficas que limitam o acesso e dificultam a logística de vigilância e controle. Esse fato mostra a importância dos municípios situados na faixa de fronteira de 150 km e a necessidade de articulação direta com o Conselho de Defesa Nacional para a obtenção de recursos que visem a segurança nacional dos limites. Cabe ao governo federal assegurar que os municípios em área de fronteira recebam recursos adequados para a construção de obras publicas, em especial para a manutenção e segurança das áreas de limites internacionais.

Na área de interesse do presente estudo constam os Projetos de Assentamento, PA, os Projetos de Assentamento Dirigido, PAD, Projetos de Assentamento Agroextrativista, PAE, Projeto Estadual Pólo Agroflorestal, PE. O município em estudo possui atualmente uma área de 3,9 mil km², o equivalente a 2,4% da área total do Estado. Com as modificações introduzidas pela Nova Linha Cunha Gomes, Brasiléia reduziu sua superfície em 418km², o equivalente a 9,6% sobre a antiga área do município. Figura 02.

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FIGURA 02 – IMAGEM AÉREA DA CIDADE DE BRASILÉIA- ACRE

O uso mais significativo conferido aos municípios são as unidades de conservação. Essas representam 36% da área total dos municípios, ou, em termos absolutos, de 6,4 mil km². Em seguida, constam os projetos de assentamento e as terras indígenas, cada modalidade com 13% do total da área estudada, ou em termos absolutos, com pouco mais de 2,3 mil km² de área. Quadro 08.

QUADRO 08 – USO DO SOLO NOS MUNICÍPIOS DO ALTO ACRE E CAPIXABA

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Todas as terras do Alto Acre e Capixaba encontram-se em situação similar, ou seja, as áreas não estão em poder dos municípios, em função das sujeições a que o antigo território e atual Estado do Acre sofreu em seu processo de ocupação. A maioria das áreas era registrada nos cartórios, utilizando como medida para dimensionamento, a quantidade de estradas de seringa existentes na propriedade. Com o passar dos anos e o pelo desinteresse pela seringa, muitas áreas forma alienadas, mas outras ficaram em nome de seus proprietários originais, os seringalistas.

Com relação à distribuição por zonas, urbana e rural, em Brasiléia predomina a ocupação urbana,com 64% do total. A distribuição por sexo indica a predominância do sexo masculino, com 52% do total. A Prefeitura Municipal de Brasiléia não sabe precisar a quantidade de imóveis inscritos em seu setor de cadastro imobiliário. O município encontra-se subdividido nove bairros, que se subdividem em quadras e finalmente, em lotes. Um panorama dessas subdivisões por bairros e quadras é apresentado abaixo:

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Centro: 27 quadras; Raimundo Chaar: 20 quadras; 3 Botequins: 22 quadras; Ferreira da Silva: 14 quadras; Francisco José Moreira: 22 quadras; Eldorado: 31 quadras; Alberto Castro: nenhuma quadra; Samaúma: 3 quadras, e, Leonardo Barbosa: 23 quadras.

Além dos bairros, foram identificados junto à Prefeitura mais dois loteamentos, o José Braúna (16 quadras) e o Novo Horizonte II (13 quadras). Há ainda outros loteamentos, sem identificação. Nenhum deles possui inscrição na Prefeitura.

O setor de cadastro imobiliário possui uma série de dados esparsos e sem sistematização. Adicionalmente, as rotinas não são institucionalizadas, o que torna o setor deficiente em termos de informação. A evolução populacional do município foi também percebida no número de domicílios existentes durante o horizonte estudado: o percentual de variação da população e do número de domicílios foi, por assim dizer, equivalente. Quadro 09.

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QUADRO 09 – EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE DOMICÍLIOS DE BRASILÉIA

Com relação à concessão de documentação da área aos proprietários, a Prefeitura opta por conceder títulos definitivos, amparados em Lei Municipal que regula o assunto (Lei Municipal 194/1983). Há ainda o Decreto nº. 193/1983, o qual autoriza o município a conceder terras do patrimônio municipal sob o título de enfiteuse. A prefeitura emite adicionalmente, decreto com a transcrição do conteúdo do título definitivo, além de registrá-lo em livro. O controle dos títulos se resume a um livro com páginas numeradas, onde os registros são averbados de forma manuscrita e correspondem exatamente ao teor dos títulos definitivos.

Não há segurança de posse e nem de propriedade à maioria dos imóveis do município, dada principalmente pela ausência de documentos. A situação do setor de cadastro imobiliário pode agravar ainda mais essa situação, uma vez que os dados existentes podem não corresponder às situações reais; Os loteamentos clandestinos e irregulares, as ocupações e favelas, as habitações coletivas de aluguel ou cortiços e os condomínios rurais são formas de irregularidades identificadas no município e que necessitam ser revertidas, e, A própria Prefeitura de Brasiléia encontra-se imobilizada diante do fato de não dispor de áreas destinadas para suas atividades e para expansão, assim como da postura reativa que assume perante interesses individuais maiores.

Há plena necessidade, portanto, de se estabelecer um programa de regularização fundiária para o município, de forma que a Prefeitura e a população sejam os norteadores das ações e das atividades que devem ser estabelecidas para o processo de regularização.

A Lei Orgânica municipal foi aprovada em abril de 1990, após a promulgação da Constituição do Estado do Acre, promulgada em 03 de outubro de 1989. A Lei Orgânica do Município (LOM) é uma lei municipal correspondente, de uma forma local, à constituição Federal e Estadual e oferece ao município instrumentos legais capazes de enfrentar as grandes transformações que a cidade enfrenta, tendo condições de proporcionar nova ordem ao desenvolvimento de todo o município.

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Brasiléia dispõe de Lei Municipal de Meio Ambiente nº 014, de 18 de maio de 2005, que ainda necessita de regulamentação. Vale ressaltar que esta lei foi elaborada durante a execução do Projeto de Gestão Ambiental do Alto Acre, financiado com recursos do Fundo Nacional de Meio Ambiente – FNMA. A Lei de Meio Ambiente do Município está fundamentada na legislação federal e estadual, com atenção especial à Lei Orgânica do Município. Assim, apesar da necessidade ainda existente, a legislação ambiental é a que melhor está regulada, instituindo a Política Municipal de Meio Ambiente, PMMA, que estabelece a ação de preservação, conservação, defesa, melhoria, recuperação, uso sustentado dos recursos naturais e controle do meio ambiente.

O Conselho de Defesa do Meio Ambiente, CONDEMA, é o órgão consultivo, deliberativo e normativo da Política Municipal de Meio Ambiente, em questões referentes à preservação, defesa, recuperação e melhoria do meio ambiente natural. O CONDEMA é presidido pelo Secretário Municipal de Meio Ambiente e tem composição paritária entre membros do Poder Público local e os representantes da sociedade civil organizada. Assim como fez na elaboração da Lei Municipal de Meio Ambiente, o município vem desenvolvendo ações do Pró-ambiente, encontrando-se empenhado na elaboração e divulgação do Plano de Desenvolvimento Local Sustentável – PDLS, elaborado a partir das ações propostas pela Agenda 21.

O Plano de Desenvolvimento Local Sustentável da Agenda 21 tem como principal objetivo, priorizar, dentre outras ações, a conservação dos recursos naturais, principalmente dos recursos hídricos, tendo em vista o papel do Rio Acre, que conecta os Municípios da Regional, o fortalecimento de atividades sociais, a geração de novos postos de trabalho e renda, além de melhorar o acesso da população local aos serviços básicos e infra-estrutura, valorizando as potencialidades do território.

O primeiro projeto piloto de Ordenamento Territorial Local OTL, desenvolvido no Estado do Acre foi realizado no município de Brasiléia, no ano de 2006, tendo como objetivo principal estimular o uso e a ocupação racional e sustentável do território do município. Este projeto contou com a participação dos órgãos públicos diretamente envolvidos com o tema e da sociedade local. Embora concluída a sua elaboração, ainda precisa ser implementado.

A lei mais recente aprovada pela Câmara de Vereadores de Brasiléia é o Código de Posturas do Município Lei nº 13 de 02 de janeiro de 2008 que dá providências quanto à proteção do cidadão, sossego público, meio ambiente, trânsito e habitações, publicidade e propaganda, comércio de rua, funcionamento de indústria, comércio e prestadores de serviços, administração de logradouros públicos, cemitérios e outros espaços. Prevê ainda a aplicação de penas para infrações ao Código, que variam de multas a perda de bens, cassação de licença e demolição total ou parcial de construções que ponham em risco a segurança da população ou quando se tratar de ruínas que comprometam a estética ou o aspecto paisagístico da cidade. 14

3. INFRAESTRUTURA E SERVIÇOS

O sistema de transportes no município de Brasiléia é formado por ônibus intermunicipais de empresas privadas que atendem o município, táxis locais e intermunicipais, mototáxis e veículos privados.

O transporte utilizado no município concentra-se no modal rodoviário. Há um terminal rodoviário para os ônibus intermunicipais. Há grande movimentação de táxis entre Brasiléia e os demais municípios do Alto Acre e inclusive Rio Branco, por conta dos turistas e viajantes que freqüentam a cidade vizinha de Cobija (Zona Franca de Cobija) com interesses comerciais. Em relação ao transporte fluvial, esse é realizado apenas por pequenas embarcações para o transporte de pessoas e de cargas por pequenos trajetos.

Não há estrutura e nem transporte aeroviário no município. A frota de veículos registrada em Brasiléia é composta de praticamente 2.700 veículos. Desde 2001, a evolução da frota observou um crescimento moderado, da ordem de 155% (crescimento médio de 14% ao ano) como resultado das facilidades de aquisição de veículos e também como reflexo das melhorias implantadas na infra-estrutura rodoviária do Estado como um todo.

A frota total de veículos de Brasiléia (2.673 veículos) corresponde a 2,5% da frota total do Estado, esta, com pouco mais de 107,0 mil veículos em 2008. Essa frota é proporcional ao quantitativo de habitantes do município (a população de Brasiléia representa 2,9% do total da população do Estado). Para cada veículo de Brasiléia, há 7,4 habitantes. Esse número está situado muito próximo do indicador calculado para a totalidade do Estado, onde há 6,4 habitantes cada veículo.

3.1 Abastecimento de água, tratamento, águas de superfície, áreas de risco

Estruturas Administrativa:- O DEAS em Brasiléia conta com um escritório no centro da cidade, onde tem o chefe do escritório regional e vários funcionários que realizam tarefas administrativas.

Estrutura Técnica- A ETA Brasiléia sita na zona no bairro da cidade, conta com técnicos capacitados encarregados do funcionamento da planta os quais se revezam em turnos diurnos e noturnos.Uma equipe auxiliar realiza trabalhos de manutenção e emergenciais da rede e/ou novas instalações domiciliarias. 15

A rede de distribuição é constituída de tubo PVC PBA e PVC DEFOFO Ø 50 mm a 200 mm, atingindo a 95% toda a população. Somente os novos assentamentos urbanos não contam com o serviço de água potável, mas já há projetos de expansão para atingir toda a área urbana.

Atualmente a única fonte de abastecimento de água é o rio Acre, com vazões variáveis de estiagem na ordem de 60 m3/s e de enchente na ordem de 2500 m3/s com variações de níveis até de 8 metros. O sistema da obra de toma do tipo balsa flutuante permite a captação de até 45 lts/s (0,045 m3/s), sem que se produza déficit, em relação ao tirante relativo a esta vazão.

Um novo projeto de obra de captação está em andamento, trata-se do Igarapé Jarinal, distante 07 Quilômetros da cidade de Brasiléia, encontrando-se na fase de aprovação de recursos por parte de órgão financeiro.

O sistema de água potável de Brasiléia está em permanente melhoria, mas ainda falta muito para se obter um serviço de ótima qualidade apesar dos esforços realizados. Sendo este sistema gerenciado pelo Estado através do DEAS, os recursos financeiros não são exatamente aqueles necessários para o bom funcionamento do sistema, agrava-se a situação se o serviço não é suficientemente bem pago, pior ainda se a taxa de inadimplência for muito alta, como é o caso dos municípios atendidos pelo Consórcio de Desenvolvimento Intermunicipal do Alto Acre e Capixaba. Uma das necessidades técnicas para melhorar o sistema é a de realizar o fornecimento continuado de 24 horas/dia, para que este entre em regime, assim evitando as roturas dos canos das linhas de distribuição o que é muito freqüente.

O maior interesse da população é o abastecimento de água em quantidade, não se importando muito pela qualidade, considerando que a população em geral consome água mineral engarrafada, demonstrando a deficiência do abastecimento, faz-se necessário o controle de qualidade e submeter à amostragem periódica na saída e em pontos estrategicamente críticos ao longo da rede até atingir os parâmetros mínimos estabelecidos como água potável segura.

Brasiléia conta com três redes isoladas de esgoto sanitário localizados: - Sistema isolado Centro da cidade, - Sistema isolado Bairro Ferreira da Silva - Sistema isolado Bairro Eldorado (em construção) 16

Na grande maioria da população, se utiliza a técnica individual de tratamento de águas residuais do tipo câmara séptica seguida do poço absorvente (geralmente para águas higiênicas). O esgoto doméstico (água servida de atividade higiênica/ou limpeza) é jogado à vala da rua que aproveitam o escoamento natural e é lançado diretamente aos córregos direcionados ao Rio Acre em diferentes pontos da cidade à beira do rio, contrapondo toda técnica de tratamento, pois estas deveriam ser conduzidas a um tanque séptico ou tanque Imhoff e o efluente desses tanques sim poderão ser vertidos ao corpo da água mais próxima.

A drenagem de superfície da cidade apresenta alguns pontos conflitivos, onde se encontram pontos baixos que em dias de chuva comum alagam a faixa de rolagem veicular, comprometendo o trânsito e o que é pior afetam a durabilidade do asfalto que a cada ano tem que ser reparado. Considerando o alto custo deste, valerá a pena (amplamente) solucionar o tratamento do escoamento superficial das águas de chuva. O centro da cidade não apresenta maiores problemas, pois existe uma rede do sistema de drenagem que funcionam bem, necessitando manutenção temporária quanto ao desentupimento dos canos e reparação das bocas de lobo. Os problemas maiores se apresentam na periferia, nas ruas que ainda não tem pavimentação e onde o acumulo de água empoçada se faz evidente, e é justamente onde mora a população mais carente, mais sujeita às doenças causadas por vetores que se multiplicam na época chuvosa, (dengue, malária).

Áreas de risco

A cidade ao se situar na margem esquerda do rio Acre num trecho cheio de meandros é submetida à pressão de um forte processo erosivo ao longo das margens, provocando perdas importantes de terreno. Nas imagens pode-se observar um meandro abandonado, situado onde está sendo construído o Parque Ecológico. Não foi possível determinar o ano em que se produziu este corte de meandro. Os resultados desse corte são os de manter o grau de instabilidade da margem esquerda (Rua Prefeito Rolando Moreira e Rua Marechal Rondon), pois esta se encontra no trecho da curva externa que é justamente aquela submetida à ação erosiva do rio Acre.

Atualmente outro corte de meandro está se processando, próximo a dois de seus mais populosos e tradicionais bairros de Samauma e Leonardo Barbosa, como resultado deste processo erosivo se tem um perigoso meandro de poucos metros de rádio de curvatura ao ingresso destes bairros, resultando numa estreita faixa de terra na ordem dos trinta metros de largura, que em aumento não precisamente excepcional poderá cortar, isolando estes dois bairros do resto da cidade, causando, porém vultosas perdas de infra-estrutura pública e privada, pondo em risco o restante da cidade que se encontra à jusante (águas abaixo), antes que o rio encontre seu novo regime. Observações realizadas pelo consultor entre os 17

anos 1997 e 2008, registram perdas de terreno na seção crítica na ordem dos 15 metros, neste período.

Efeitos imediatos - Perda de território: A formação da ilha com 200 hectares passará legalmente à Bolívia (Território boliviano). Perda de infra-estrutura: O corte provocará destruição de ruas, da escola próxima ao ponto crítico (PETI), moradias de 30 famílias e o isolamento de outras 428 famílias. (02 escolas). Efeitos à jusante (águas abaixo): A onda de enchente ao provocar o corte causará perdas incalculáveis ao longo das margens. Efeitos em curto prazo - O rio ao voltar ao regime (estabilidade natural), iniciará um novo processo erosivo de fundo do leito até conseguir novamente estabilidade hidráulica. (efeitos sobre os pilares das pontes e barrancos vizinhos)

O meandro em questão merece um estudo especial, para controlar o avanço do processo erosivo, pois se trata da dinâmica natural do rio, e este se produzirá em algum tempo, não previsível, em se tratando de um fenômeno que não mantêm um processo linear.

Duas propostas se desprendem de esta análise: • • A Prefeitura Municipal de Brasiléia deverá regulamentar o uso do solo à beira do rio Acre. Introduzir na sua programação orçamentária, um projeto para elaborar o plano de controle de erosão de barrancas as margens do rio Acre.

3.2 Energia

O abastecimento de energia elétrica na cidade é feito pela ELETROACRE afiada da ELETROBRAS e regulamentada pela ANAEEL, Agência nacional de Eletricidade, segue padrões do sistema integrado à política federal dentro do marco de energia elétrica como elemento estratégico para o desenvolvimento Nacional.

A geração de energia não é mais realizada na cidade. Ela é gerada por termoelétrica (com gás transportado a Porto Velho desde Urucum (AM) e hidroelétrica (Samuel rio Madeira com 200 MW)) no Estado de Rondônia e transmitida à região através do “linhão” (em alta tensão) para todo o Estado.

A planta geradora que existia na cidade foi desativada (sita à Rua Manuel Marinho Montes entrando na Rua da CAGEAGRE em Brasiléia). Na região (BR 317, km 02 sentido Rio 18

Branco) a ELETROACRE instalou uma Sub Estação retificadora abaixadora (de alta tensão à baixa tensão) com capacidade de 138/34, 5/13, 8 KV. A energia elétrica distribuída à população, em baixa tensão:

- Monofásica: 110 Volts. Ciclagem de 50 Hz. - Bifásica /Trifásica: 220 Volts. Ciclagem de 50 Hz.

O programa Luz Para Todos, tem como meta atingir o 100% de cobertura regional. Existem equipes trabalhando permanentemente neste sentido. A área de cobertura local está próxima de 90%. Não se atinge ao total da população pelo custo. O índice de inadimplência é da ordem de 10% sendo que ao segundo mês de atraso no pagamento da fatura, se executa o corte de energia, influindo no percentual de abrangência local.

3.3 Resíduos

Brasiléia dispõe de uma área de disposição de resíduos sólidos de 55 hectares, localizada nos 10 km da estrada do Pacifico (BR 317, sentido Assis Brasil) As condições que se encontram os resíduos são precárias devido à falta de conhecimento técnico e equipamento. Na área é despejado o resíduo coletado ocupando o espaço disponível de forma desordenada, deste modo em pouco tempo o espaço disponível terá colapsado pelo mau uso. A área é apropriada para criar o vertedouro controlado, mas isto não ocorre por falta de equipamento (trator de esteira ou pá carregadeira de grande porte). A rede de coleta é municipal. Existe uma programação semanal

4. RELATÓRIO AMBIENTAL
Dentre as diversas formas de atividades primárias na região se sobressaem à exploração seletiva no extrativismo vegetal (não madeireiros) e na exploração madeireira. Embora venha ocorrendo um grande avanço nos estudos sobre os diferentes usos de um significativo número de espécies da Floresta Amazônica, tais conhecimentos ainda não atingiram a amplitude requerida para uma flora tão diversificada e a utilização em larga escala se restringe a uma pequena parcela de espécies tradicionais.

Os principais entraves ao uso comercial de muitas espécies, com qualidades tecnológicas, são: dificuldade de beneficiamento, desconhecimento do mercado e existência de um grupo restrito de espécies tradicionalmente comercializadas onde se concentra o maior volume de produção. Dentre os produtos extrativos da floresta no Estado do Acre, ressalta-se, pelo volume de produção, a importância da seringueira (Hevea brasiliensis e Hevea 19

benthamiana) na obtenção da borracha, e da castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa H.B.K.)

Na Área de Influência Indireta do município de Brasiléia foram identificadas 3 (três) tipologias florestais em associação com áreas antropizadas.

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Floresta Aberta com Palmeiras - Aluvial; Floresta Densa mais Floresta Aberta com Palmeiras, e, Floresta Aberta com Bambu mais Floresta Aberta com Palmeiras.

Outra forma de utilização dos recursos florestais que merece destaque é a atividade de colheita e comercialização de sementes de espécies nativas, destinadas a produção de mudas para projetos de reflorestamento, principalmente. É uma atividade que vem se estruturando ao longo dos últimos anos e, no contexto local, tem sido uma fonte complementar de renda para as populações tradicionais. As principais espécies comercializadas são: cedro, cerejeira, copaíba, jatobá, freijó, mogno, paricá, tauari, cumarúferro e amarelão. Os volumes de sementes comercializados pela Cooperativa Mista de Produção Agropecuária e Extrativista dos Municípios de Epitaciolândia e Brasiléia, COMPAEB, em 2001 foram de 546 kg, em 2002, 84kg e em 2003, 450kg. A queda no volume comercializado no ano de 2002 evidencia a necessidade de estruturação da cadeia produtiva. O aproveitamento de outras espécies com potencial extrativo não é significativo, embora possam ser citadas as seguintes espécies e utilizações:

Seiva: caucho (látex), balata, amapá-amargoso, amapá-doce (seiva como fortificante), jatobá (seiva vítrea), maçaranduba, breu (seiva p/ fogo), sucuuba (látex p/ borracha), (SILVA, 1977). Artesanato: jussara (p/ fazer arcos), flechal (p/ fazer flechas), buriti (p/ cobertura e cestaria), buçu (p/ cobertura), lamuci (envira p/ fazer cordas), timbó-açu (cipó), e juta; Fibras: timbó, timbó-açú, piaçava e pente-de-macaco; Alimentos: Açaí, patauá, bacaba, buriti, coco, cajá, cajarana, bacuri e envira-caju; Madeiras: mogno, cedro, cumaru, cerejeira, peroba, amarelão, carapanaúba, sumaúma-branca, sumaúma-barriguda, louro-rosa, louro-itaúba, pau-d’arco, breuvermelho, guariúba, cumaru-ferro, mulateiro e outros; Chás, temperos e perfumaria: louro-pimenta, vinagreira (vinagre), sucupira (pó), cumaru (possui a “cumarina”, utilizada para chás e perfumes) e malva; Agrostológico: junco e grama; 20

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Frutos, sementes e palmito: jenipapo, jarana, baunilha (orquídea), visgueira (frutos), bacabão, bacabinha, inajá (a castanha contém óleo semelhante ao babaçu), mucajá, pupunha (frutos), tucumã (frutos), cupuaçu (polpa), sapucaia (sementes), andiroba (sementes c/ óleo) e sorva (frutos);

• Sementes oleaginosas: ucuúba, bacaba, copaíba e palmáceas, como o patauá

(Oenocarpus bataua), o murumuru (Astrocaryum murumuru), o jaci (Attalea wallish) e o buriti;

Medicinais: acapu (casca), verônica (cipó), anuerá (casca p/ ameba), caferana (p/ malária), casca-doce (casca p/ diarréia), caopi (cipó p/ doenças internas), ipê ou paud’arco (casca), miri (casca), samaúma (casca), piquiá (casca anti-térmico e diurética), segundo SILVA, 1977, pracaxi (sementes), andiroba (sementes com óleo medicinal e repelente de insetos), segundo LORENZI, 1992, jatobá (resina chamada “jutaicica”), segundo SILVA, 1977; Importância para fauna: anani, bacabão, bacabinha, buriti, murici, visgueira, miri, que muitas vezes servem como única fonte de alimento para determinada espécie animal, e, Usos diversos: palmeirinha (ornamentação de interiores), tinteira ou visgueira (fornece abundante material tintorial), canjerana (paisagismo, reflorestamentos heterogêneos em áreas e preservação).

Foram identificadas oito áreas verdes ou fragmentos florestais com possibilidades de serem reservadas como áreas verdes urbanas totalizando aproximadamente 168,45 ha. As áreas dos municípios de Brasiléia e Epitaciolândia totalizam respectivamente 72,08 ha e 96,37 ha. Figura 03.

FIGURA 03 – ÁREAS DO INVENTÁRIO FLORESTAL DE BRASILÉIA

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A área I, localizada no município de Brasiléia, ao norte na saída da cidade no sentido para Assis Brasil, à margem esquerda da BR, a vegetação presente é predominantemente de estágio secundário, com indivíduos finos e com grande repetição de indivíduos de uma mesma espécie (itaúba), possuindo apenas um estrato arbóreo com dossel aberto com altura de no máximo 10 metros, reforçando o indicativo de área desflorestada com incidência de queimada. A predominância de cipós e trepadeiras determina também um baixo grau de sucessão vegetacional e estágio inicial de sucessão vegetacioanl, situação que não previlegia o uso como área verde sem uma forte intervenção para recuperação da área.

Na área de influência demarcada no mapa como áreas II e III, correspondem as propriedades particulares com a predominância de habitações e pequenos roçados associados a campos sujos. Em associação as áreas abertas pela agricultura há presença de dois maciços florestais divididos pelo rio Acre com alto índice de conservação e integridade, um maciço descontínuo separado pelo rio e com paisagem florestal complexa.

A avaliação em conjunto prevalece por conta de serem de uma mesma formação ou de um mesmo fragmento florestal, apenas separado pelo rio Acre e, de um mesmo estágio 22

suceesional de alto grau de conservação que, com a construção do novo contorno rodoviávio pelo Deracre sofrerá grande pressão pela especulação imobiliária.

Na área de influência direita determinada por um meandro abandonado do rio Acre, processo este natural de rio em formação, a vegetação presente é um predicado do processo evolutivo do meandro abandonado com forte influência antrópica, por ser uma zona de pressão com entorno urbanizado onde os moradores exerceram uma alteração substancial na ação natural de regeneração do local.

A fauna dos fragmentos altamente antropizados dos municípios, encontram-se em situação crítica uma vez que os mesmos apresentam-se sem conectividade alguma de forma que as populações de mamíferos podem estar sob efeito da depressão genética o que, ao longo prazo, resultará na extinção local das espécies.

PROPOSTAS

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Criar banco de dados sistematizado do patrimônio histórico material e imaterial, patrimônio natural e arqueológico, e manifestações culturais do município; Promover a conscientização e a valorização dos patrimônios culturais; Divulgação dos patrimônios culturais existentes; Construção e ampliação de áreas de esporte (quadras, ginásios etc.) nos bairros; Estudo para levantar o potencial turístico do município; Formação de guias turísticos locais com conhecimento em línguas estrangeiras (espanhol e inglês); Ativar o Centro de Atendimento ao Turista; Melhorar a infraestrutura de hotelarias, restaurantes, transporte, dentre outros; Organização de eventos, feiras, exposições com datas programadas; Recadastramento imobiliário e recuperação de receitas; Elaboração da Planta de valores; Implantação do Controle interno; Elaboração do Código tributário; O coeficiente de aproveitamento básico; A contribuição de melhoria; Criação de grupo de trabalho interdisciplinar a fim de planejar e acompanhar a implantação dos projetos de arborização e gestão de áreas verdes; Convênios: participação e celebração de parceria público-privada para a viabilização de diversos projetos; Programas de capacitação e qualificação da mão-de-obra para serviços de arborização; Programa de produção de mudas nativas e exóticas: visa atender à demanda da prefeitura no Programa de Plantio, priorizando a produção de espécies nativas da Amazônia; 23

Plantio Voluntário: com ênfase a distribuição de mudas, além de orientação à população quanto às espécies mais recomendadas e adequadas a determinado local.

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