DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 1. 2. 3. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES.....................................................................................................................4 IMPORTÂNCIA........................................................................

.................................................................5 OBRIGAÇÃO...........................................................................................................................................6 3.1. Caracteres .....................................................................................................................................7 3.1.1. Caráter Transitório. .........................................................................................................7 3.1.2. Caráter Bilateral. .............................................................................................................7 3.1.3. Caráter Econômico. ........................................................................................................8 3.1.4. Caráter Pessoal. .............................................................................................................8 4. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA OBRIGAÇÃO. ........................................................................................8 4.1. Elemento Pessoal ou Subjetivo: Duplo Sujeito.........................................................................8 4.1.1. Credor ou Parte Ativa. ....................................................................................................9 4.1.2. Devedor ou Parte Passiva. .............................................................................................9 4.2. Elemento Material: Objeto .........................................................................................................10 4.2.1. Caracteres do Objeto....................................................................................................11 4.2.1.1. Possibilidade do Objeto:...........................................................................................11 4.2.1.1.1. Impossibilidade material ou física. .....................................................................11 4.2.1.1.2. Impossibilidade Jurídica ou legal: ......................................................................11 4.2.1.2. Licitude do Objeto:....................................................................................................12 4.2.1.3. Determinação do Objeto:..........................................................................................12 4.2.1.4. Apreciação Econômica: ............................................................................................13 4.3. Elemento de Conexão: Vínculo Jurídico..................................................................................13 4.3.1. Teorias a Respeito do Vínculo Jurídico Obrigacional...................................................14 4.3.1.1. Teoria Monista. .........................................................................................................14 4.3.1.2. Teoria Dualista ou Teoria do Débito e da Responsabilidade ...................................14 4.3.1.3. Teoria Eclética. .........................................................................................................15 5. FONTES DAS OBRIGAÇÕES. ..................................................................................................................16 5.1. Obrigações no Direito Romano.................................................................................................16 a) Contrato ........................................................................................................................17 b) Quase-contrato .............................................................................................................17 c) Delito .............................................................................................................................17 d) Quase-delito..................................................................................................................17 5.2. Obrigações no Direito Francês. ................................................................................................17 5.3. Obrigações no Direito Italiano...................................................................................................17 5.4. Obrigações no Direito Brasileiro. .............................................................................................18 5.4.1. Fonte Imediata: .............................................................................................................18 5.4.2. Fonte Mediata ...............................................................................................................19 5.4.3. Classificação Analítica ..................................................................................................19 5.4.4. Classificação Sintética. .................................................................................................20 a) Negócios Jurídicos: ...............................................................................................................20 b) Atos Jurídicos Não-negociais:...............................................................................................20 6. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES.......................................................................................................21 6.1. Classificação das Obrigações no Direito Romano. ................................................................21 a) Dare: .............................................................................................................................21 b) Facere: ..........................................................................................................................21 c) Praestare.......................................................................................................................21 6.2. Classificação das Obrigações no Direito Brasileiro. ..............................................................21 6.2.1. Obrigação de Não Fazer Geral e Especial. ..................................................................22 6.3. Classificação Especial das Obrigações ...................................................................................22 6.3.1. Quanto ao Vínculo. .......................................................................................................23 6.3.1.1. Obrigação Civil e Empresarial. .................................................................................23 6.3.1.2. Obrigação Moral. ......................................................................................................23 6.3.1.3. Obrigação Natural.....................................................................................................24 6.3.1.3.1. Caracteres da Obrigação Natural.......................................................................24 6.3.1.3.2. Efeitos da Obrigação Natural. ............................................................................25 6.3.1.3.3. Obrigação Natural no Código Civil. ....................................................................25 6.3.2. Quanto à Liquidez. ........................................................................................................26 6.3.2.1. Obrigação Líquida ....................................................................................................26 6.3.2.2. Obrigação Ilíquida. ...................................................................................................27 6.3.3. Quanto ao Modo de Execução. ....................................................................................27 6.3.3.1. Obrigação Simples e Cumulativa (ou Conjunta) ......................................................27 6.3.3.1.1. Simples ...............................................................................................................27 6.3.3.1.2. Cumulativas: .......................................................................................................27 6.3.3.2. Obrigação Alternativa (ou Disjuntiva) .......................................................................27

6.3.3.2.1. Características:...................................................................................................27 6.3.3.2.2. Concentração do Débito.....................................................................................27 6.3.3.2.3. Conseqüências da Inexequibilidade da Obrigação: ...........................................28 a) Inexequibilidade Superveniente decorrente de caso fortuito ou força Maior. ....28 b) Inexequibilidade por Culpa do Devedor .............................................................29 c) Inexequibilidade por Culpa do Credor................................................................29 6.3.3.3. Obrigação Facultativa. ..................................................................................................30 6.3.3.3.1. Conseqüências da Inexequibilidade da Obrigação: ...........................................30 a) Inexequibilidade decorrente de caso fortuito ou força maior. ...............................30 b) Inexequibilidade por culpa do devedor..................................................................30 6.3.4. Quanto ao Tempo. ........................................................................................................30 6.3.4.1. Instantâneas: ......................................................................................................30 6.3.4.2. Periódicas ...........................................................................................................30 6.3.5. Quanto aos Elementos Acidentais................................................................................31 6.3.5.1. Elementos Constitutivos do Negócio Jurídico ..........................................................31 6.3.5.1.1. Elementos Essenciais ........................................................................................31 6.3.5.1.2. Elementos Naturais: ...........................................................................................31 6.3.5.1.3. Elementos Acidentais: ........................................................................................31 6.3.5.2. Obrigação Pura e Simples........................................................................................32 6.3.5.3. Obrigação Condicional. ............................................................................................32 6.3.5.3.1. Requisitos: ..........................................................................................................32 a) Evento futuro: ........................................................................................................32 b) Evento incerto:.......................................................................................................32 6.3.5.3.2. Geralidades: .......................................................................................................32 6.3.5.4. Obrigação Modal. .....................................................................................................33 6.3.5.5. Obrigação a termo. ...................................................................................................33 6.3.6. Quanto ao Sujeito .........................................................................................................34 6.3.6.1. Única:........................................................................................................................34 6.3.6.2. Múltipla: ....................................................................................................................34 6.3.6.2.1. Obrigações Divisíveis e Indivisíveis. ..................................................................35 Obrigações divisíveis .....................................................................................................35 Obrigações Indivisíveis ..................................................................................................35 a) Espécies de Indivisibilidade: .....................................................................................36 6.3.6.2.2. Obrigações Solidárias. .......................................................................................36 a) Caracteres .............................................................................................................36 b) Classificação:.........................................................................................................37 b.1. Solidariedade Ativa:.................................................................................................37 b.2) Solidariedade Passiva:............................................................................................37 b.3) Recíproca ou Mista:.................................................................................................37 c) Princípios da Solidariedade:..................................................................................37 6.3.6.2.2.1. Solidariedade Ativa. ....................................................................................37 a) Inconveniências:..................................................................................................37 b) Efeitos Jurídicos:.................................................................................................38 6.3.6.2.2.2. Solidariedade Passiva.................................................................................38 a) Efeitos Jurídicos:.................................................................................................39 6.3.7. Quanto ao Conteúdo.....................................................................................................39 6.3.7.1. Obrigação de Meio. ..................................................................................................39 6.3.7.2. Obrigação de Resultado...........................................................................................39 6.3.7.3. Obrigação de Garantia. ............................................................................................39 7. MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES .........................................................................................................40 7.1. Obrigações de Dar......................................................................................................................40 7.1.1. Conteúdo.......................................................................................................................40 7.1.2. Do Princípio “aliud pro alio”...........................................................................................41 7.1.3. Classificação das Obrigações de Dar...........................................................................42 7.1.3.1. Quanto à Propriedade. .............................................................................................42 7.1.3.2. Obrigação de Dar Coisa Certa. ................................................................................43 7.1.3.2.1. Noção e Compreensão.......................................................................................43 7.1.3.2.2. Compreensão dos Acessórios. ..........................................................................44 7.1.3.2.3. Da Perda e da Deterioração da Coisa. ..............................................................44 7.1.3.2.4. Do Direito às Melhorias e Acréscimos. ..............................................................46 7.1.3.3. Obrigação de Restituir Coisa Certa..........................................................................46 7.1.3.3.1. Noção e Compreensão.......................................................................................46 7.1.3.3.2. Da Perda e da Deterioração da Coisa. ..............................................................47 7.1.3.3.3. Do Direito às Melhorias e Acréscimos. ..............................................................48 7.1.3.4. Obrigação de Contribuir. ..........................................................................................49

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7.2.

7.3.

7.1.3.5. Obrigação Pecuniária. ..............................................................................................50 7.1.3.5.1. Curso Forçado. ...................................................................................................51 7.1.3.5.2. Princípio do Nominalismo...................................................................................51 7.1.3.6. Obrigação de Dar Coisa Incerta. ..............................................................................52 7.1.3.6.1. Noção e Compreensão.......................................................................................52 7.1.3.6.2. Preceitos Legais que Regulam as Obrigações Genéricas:................................53 7.1.3.6.2.1. Gênero Limitado e Ilimitado. .......................................................................55 Obrigações de Fazer. .................................................................................................................56 7.2.1. Conceito..............................................................................................................................56 7.2.2. Diferenças para as Obrigações de Dar. .............................................................................56 7.2.3. Espécies de Obrigações de Fazer. ....................................................................................58 7.2.4. Pacto de Contrahendo........................................................................................................58 7.2.5. Consequências do Inadimplemento. ..................................................................................58 7.2.6.Cumprimento In Natura. ......................................................................................................60 Obrigações de Não Fazer..........................................................................................................60 7.3.1. Preceitos Legais. ................................................................................................................62

3

No dizer de Washigton de Barros Monteiro1 “todo direito. A obrigação é. natural ou jurídica como sendo. Na ordem do estudo do Direito Civil viu-se em primeiro lugar a pessoa. seja qual for sua natureza. 04 – pág. encerra sempre uma idéia de obrigação. como preferem alguns autores a irradiação do direito para o mundo. como antítese natural”. Logo a seguir tratamos das circunstâncias. 02 – Pág. Maria Helena – Curso de Direito Civil Brasileiro – Vol. sendo estes sobre os quais. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES.2008 Diniz. ou. capaz de direitos e deveres na ordem civil. Assim diziam os romanos: ius et obligatio sunt correlata. Maria Helena Diniz2 afirma que “o direito das obrigações consiste num complexo de normas que regem as relações jurídicas de ordem patrimonial.1. Resulta concluir que a todo direito corresponde uma obrigação. seguindo a orientação do Código Civil disciplinadas a partir do art. que têm por objeto prestações de um sujeito em relação a outro”. 233. 03 – Saraiva . têm um sentido mais restrito. Cuidou-se a seguir das classes de bens. Em uma primeira análise é possível verificar que o homem pode relacionar-se apenas com um objeto. 1º do Código Civil. se assentam os direitos da pessoa. como também de direitos. naturais ou humanas que faziam nascer. tendo-o como seu e dele extraindo o proveito 1 2 Monteiro. Washington de Barros – Curso de Direito Civil – Vol. cuidando de normatizar as relações obrigacionais decorrentes de declarações de vontade emitidas por pessoas entre si. desse modo. e em especial estabelece vínculos entre estas pessoas e os seus respectivos direitos. o oposto natural do direito. perecer ou modificar os direitos. no mais das vezes. 1º do Código Civil. verificamos que toda pessoa é capaz não apenas de direitos. Retornando á redação do art. No estudo do negócio jurídico sedimentou-se a idéia de relação jurídica que. (direito e obrigação são correlatos). pela vontade humana. na forma do art. um dever. 4 . 03 – Saraiva – 2003. na ordem civil. O estudo do Direito das Obrigações. relaciona as pessoas e os objetos.

em que a reunião de pessoas. 2. 06 – Forense – 2007. A obriga-se quanto ao pagamento do valor correspondente ao serviço prestado ao passo em que B obriga-se a prestar o trabalho. cada qual cumprindo o seu papel naquele contexto faz resultar um meio mais adequado às necessidades de cada um e a todos os seus membros. B obriga-se ao pagamento do valor correspondente. 3 Gomes. que se realiza pela disposição das coisas e do aproveitamento de serviços3. 5 . É a essência da atividade econômica que remonta aos tempos mais longínquos. Ou seja. é indispensável que alguém os realize. as relações jurídicas obrigacionais são a base da economia.que lhe interesse. sendo ao mesmo tempo credores e devedores. A contrata B para realizar um trabalho de plantio de sementes na sua propriedade. Nasce aí a relação jurídica entre pessoas. IMPORTÂNCIA. Relaciona-se com a própria idéia de sociedade. pois é a partir desses vínculos que ocorre a circulação de riquezas e a distribuição da renda. Como se disse. o homem. Porém. não possuindo bens é dotado de talentos ou capacidade para auxiliar a outro na fruição de seus bens. Em uma relação de direito. mas para poder aproveitar-se de atos alheios. Orlando – Obrigações – pág. sem que necessite estabelecer relações negociais com outras pessoas. o momento em que se estabelecem vínculos recíprocos de obrigações. transmitindo a propriedade ou o uso das coisas ou então realizando serviços que lhe permitam fruir de seus próprios. necessita ele que também outras pessoas realizem atos que de algum modo atendam aos interesses deste e pelos quais de algum modo este deverá dar a devida contraprestação. De outro lado está aquele que. Veja-se que no exemplo na medida em que B se compromete a cumprir uma tarefa. Ambos têm a um só tempo obrigações recíprocas. Ou seja. para dispor de seus bens não precisa da intervenção de terceiros. havida a manifestação de vontade. nasce a obrigação quanto ao cumprimento da prestação. para a satisfação de seus interesses não bastará ao homem a utilização direta dos seus bens.

OBRIGAÇÃO. o devedor inadimplente tornava-se escravo de seu credor. se incumba de dotar o direito de instrumentos legais capazes de regular essas relações de modo a fomentar o estabelecimento destas na medida em que confere segurança às partes envolvidas quanto à satisfação de seus créditos.Tendo essa importância para a sociedade. tudo como forma garantir segurança às relações comerciais. Tendo a obrigação uma relação de débito e crédito. ou em virtude da lei. Portanto. essencial que o estado. 6 . Não há dúvida que a economia tem como fundamento a confiança. manifestada a vontade obriga-se o agente ao seu cumprimento. Durante o mercantilismo na Europa do cuidado do homem com a relação obrigacional levou ao surgimento de várias figuras societárias até hoje utilizadas. que. no cumprimento de seu dever precípuo que é estabelecer a ordem social. como também na existência de mecanismos jurídicos de garantia que se prestam a cingir este a cumprir com a vontade manifestada. se a relação jurídica é a essência da economia. em aproveitamento de alguém. como o nascimento dos títulos de crédito. O vocábulo confiança tem como sinônimo crédito. 3. Deriva do latim credere que significa acreditar. Desde há muito o homem preocupa-se com o vínculo obrigacional. que nos constrange a dar. O direito das obrigações se apresenta como atividade estatal essencial para a realização das relações jurídicas e por conseguinte da atividade econômica. tendo o credor. Assim. por ato nosso. o direito as obrigações é o esteio da economia. O crédito na relação obrigacional assenta. Em Roma. mediante o império da lei o direito e as ferramentas necessárias para lhe fazer cumprir. fazer ou não fazer alguma coisa economicamente apreciável. Segundo Clóvis Beviláqua “obrigação é a relação transitória de direito. dar crédito significa confiar. ou de alguém conosco juridicamente relacionado. não somente no caráter pessoal da pessoa do creditado. adquiriu o direito de exigir de nós essa ação ou omissão”.

com a satisfação do crédito. estabelecida entre credor e devedor e cujo objeto consiste numa prestação pessoal. Cit. Caracteres.1.2. trata a obrigação como relação unilateral.A crítica que se faz à definição de Clóvis é a ausência da responsabilidade correlata. econômica. encerrase a relação jurídica. em vernáculo: “Obrigação é vínculo jurídico em virtude do qual uma pessoa fica adstrita a satisfazer uma prestação em proveito da outra”. 7 . ao devedor é garantido o direito ao seu pagamento. 16. Toda obrigação é bilateral. pois vincula credor e devedor. Desse modo toda obrigação está fadada a extinção no menor ou maior espaço de tempo. casa qual ocupando um dos pólos opostos da relação jurídica. O conceito adotado por Orlando Gomes peca pela omissão do caráter de transitoriedade a que se referiram Clóvis e Monteiro 3. porque assim como ao credor é assegurado o direito de exigir o cumprimento da obrigação. ou seja. daí porque o caráter transitório Afirmam os autores que a obligatio tem como contraponto obrigatório a solutio. – Pág. 4 5 Washington de Barros Monteiro – Ob. positiva ou negativa. quo necesitae adstringimur alicujus solvendae rei”. Não existem obrigações perpétuas. Daí porque ao devedor são conferidos meios de obrigar o credor ao recebimento. soltar. devida pelo primeiro ao segundo. 08.Ob. 3. pois cumprida a prestação.1. Caráter Bilateral. garantindo-lhe o adimplemento através de seu patrimônio” Orlando Gomes5 prefere a simplicidade do conceito romano: “Obligatio est juris vinculum. 3. Gomes. – Pág. proveniente verbo solvere: desatar.1. como também lhe é conferido o instituto da prescrição.1. Washington de Barros Monteiro4 define a obrigação como “relação jurídica de caráter transitório. Orlando . A obrigação tem caráter transitório. Caráter Transitório. Cit.

ao credor somente cabe pretender a solução da pessoa obrigada ou daquela que sub-rogar-se na obrigação. a obrigação manterá seu caráter pessoal. Elemento Pessoal ou Subjetivo: Duplo Sujeito Toda obrigação é bilateral. Caráter Econômico. a pretensão ou o poder do credor assenta sobre o bem. Obrigação tem caráter econômico. credor e devedor. Tendo a obrigação caráter pessoal. pois encerra sempre a idéia de que o bem jurídico tutelado pelo direito das obrigações compreende aquilo que é economicamente apreciável. 3. pis relaciona as pessoas. portanto. não haverá relação obrigacional. por meio do objeto. assitindo-lhe o direito de exigi-lo contra qualquer pessoa que o detenha.1.3. Quanto à prestação ela poderá ser positiva (dar e fazer) ou negativa (não fazer). 4. 8 . A caracterização de uma relação jurídica obrigacional exige a presença concorrente de vários elementos. como dizia Clóvis. Sem qualquer deles a relação obrigacional não existirá 4. entendido como uma relação de dois elementos.Obrigação constitui-se em um binômio. Ainda que ao exigir o cumprimento da obrigação o credor requeira e o juiz defira a constrição de bens do devedor. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA OBRIGAÇÃO.1. imprescindível a existência da obrigação sem que ali estejam presentes duas partes ocupando pólos opostos da relação. pois esta garantia é meramente substitutiva à obrigação principal. Não se confunde com direito real porque a obrigação não assenta sobre o patrimônio do devedor. 3. Também nos casos de garantia real a obrigação manterá se caráter pessoal.1. Obrigação é direito pessoal.4. Nos direitos reais. Caráter Pessoal. mas quando ao dever deste em entregar o objeto ao credor. ausente um. De modo que.

Nos casos em que não se puder determinar quem é o credor ao tempo do cumprimento da obrigação. nacional ou estrangeiro. Sendo assim. pode-se não saber com precisão quem será o credor. ou seja. de direito interno ou externo poderão ocupar o pólo ativo da relação. sorteio). 1º do Código Civil. Na forma do art. a fim de liberar-se da obrigação consigná-la em juízo. menor.2. pois a obrigação poderá ser transferida de uma pessoa para outra. o devedor. A palavra devedor deriva do latim debitor que designa carga. duplo sujeito. toda pessoa é capaz para ocupar o pólo ativo da relação obrigacional. 9 . De um lado está a parte ativa da relação.A Obrigação requer. que poderá ser identificado somente quando da quitação (ex. poderá haver mais de uma pessoa ocupando o pólo ativo da relação Admite-se a substituição do credor. O pólo ativo pode ser individual ou coletivo. Credor ou Parte Ativa. capaz ou incapaz. cada um ocupando um dos pólos da relação jurídica obrigacional. neste caso. eventuais exceções oponíveis ao credor originário podem não acompanhar a obrigação.1. Credor é a pessoa que tem o direito de exigir o cumprimento da obrigação. passando esta a ocupar o pólo ativo com os mesmos direitos do credor primitivo. Trata-se da pessoa obrigada.: promessa de recompensa. Devedor ou Parte Passiva. Poderá ser pessoa determinada ou determinável. toda pessoa é capaz de direitos. Isto é. casado ou solteiro. ou seja. sujeição. dívida. o credor. ao tempo da manifestação de vontade. 4. Todavia. Também a pessoa jurídica pública ou privada.1.1. maior. assiste ao devedor. 4. aquela de quem o credor poderá exigir o cumprimento da vontade manifestada. assim.

Não havendo solidariedade. Em todos os casos se observa que por conta da relação jurídica obrigacional. positiva ou negativa. quando se diz que o devedor está adstrito a dar. fazer ou deixar de fazer algo em favor do credor.A exemplo do credor. Não se confunde o objeto da obrigação com o objeto do contrato. se diz que ele estará obrigado a uma prestação. poderá ser qualquer pessoa. Igualmente poderá ser único ou plural. Havendo solidariedade. positiva ou negativa. terá o direito de regresso quando aos demais co-obrigados. a parte passiva estará adstrita a entregar. aquele que for compelido a prestá-la no todo. Já Washington de Barros afirmou que o objeto da relação obrigacional consiste numa prestação pessoal. adequado chamar de prestação. também na forma do art. econômica. Não havendo soldar Também poderá ser pessoa determinada ou determinável. em favor do credor. Havendo mais de um devedor.2. alguém estará obrigado a dar. fazer ou não fazer. cada qual responderá por uma fração da prestação. Para que a idéia de objeto da obrigação não se resuma a pagamento. 10 . Elemento Material: Objeto Clóvis disse que por conta da relação jurídica. Nas institutas a que se referiu Orlando Gomes encontramos a expressão alicujus solvendae rei. 1º do Código Civil que diz que qualquer pessoa é capaz de deveres na ordem civil. é aquilo a que o devedor está obrigado. fazer ou não fazer alguma coisa economicamente apreciável. Desse modo. cada devedor responderá pela fração que lhe compete. Este algo é o objeto da relação obrigacional. 4. assim o objeto da obrigação é uma prestação devida pela parte passiva à parte ativa.

1. nestes casos vedação específica quanto ao objeto em especial. lícito determinado ou determinável e economicamente mensurável. o objeto do contrato consiste na ocupação e o uso pacífico do imóvel.1. o devedor estará desonerado de seu cumprimento. pois a alienação de bens ou a cessão de herança ou até mesmo a exploração de loterias são condutas lícitas. da fração da mulher. a aquisição. Consiste na circunstância. Possibilidade do Objeto: Trata-se da possibilidade de realização da obrigação. como a alienação de bens públicos.1.2. Caracteres do Objeto O objeto da obrigação deverá ser possível. própria do objeto que contraria as leis da natureza (trazer o monte Everest para o Brasil). por exemplo.1. quando casados sob o regime de comunhão de bens. objeto do contrato é a operação que as partes pretendem realizar. ultrapasse a força humana (uma viagem a outras galáxias) ou ser irreal em sua essência (a entrega de um unicórnio). 4. São duas as espécies de impossibilidade: a impossibilidade física ou material ou a impossibilidade jurídica ou lega. 4. ou seja.Objeto da obrigação é a prestação devida ao credor por conta da obrigação. sua natureza ou estado. não haverá a obrigação.1. o objeto da obrigação.1. Em um contrato de locação. 4. Impossibilidade Jurídica ou legal: Diz respeito à estipulação de obrigação que contrarie a lei. ocorrem. 4. Se a obrigação não se puder realizar. cessão de herança de pessoa viva ou loteria não autorizada. mas sua ocorrência decorre de lógica jurídica como. para o que o locador se obriga ao pagamento dos alugueres que é a prestação. Veja-se que não são objetos ilícitos em sua essência. Há casos em que essa vedação nem está prevista na lei.2. 11 .1.2.2. Impossibilidade material ou física.1.2. pelo marido.

Poderá ser ainda determinável o objeto quando ao tempo do cumprimento da obrigação se puder individualizá-lo por meio de critérios técnicos. contrabando. porém se esta impossibilidade cessar antes do tempo em que deverá ser cumprida. Determinação do Objeto: A validade da obrigação requer sua perfeita individualização. haverá sua perfeita identificação: imóvel composto pelo lote nº. 4. para o fim de desobrigar o devedor deverá ser superveniente. Se no ato da manifestação da vontade seu objeto era impossível a obrigação será inexistente. qualquer obstáculo que possa ser superado com maior esforço ou dispêndio. Na compra e venda de um imóvel. Também.1. porque penalmente proibidos. haverá a desobrigação do devedor. podendo-se alterar o conteúdo. a impossibilidade do objeto. ou seja. a moral os bons costumes. nula (ad impossibilia nulla obligatio).2. embora não vedada em lei tampouco crime. Se a impossibilidade diz respeito somente ao devedor. 12 .2. Cumpre ao devedor provar a impossibilidade do objeto. Se a impossibilidade decorrer de fato posterior. permanecerá vinculado. tráfico. ou seja superveniente.3. Licitude do Objeto: O objeto da obrigação precisa ser lícito. Ou imóvel situado na rua tal com as seguintes características. do loteamento tal.2. sendo que. não poderá consistir em prestação que contrarie texto expresso de lei. ela será relativa e não o desobrigará.1. se foi o próprio devedor quem deu causa à impossibilidade. são objetos ilícitos a usura. da quadra nº. não admitindo escusar o devedor a mera dificuldade. remanescerá a obrigação. Assim. A alcovitagem é moralmente inaceitável e por isso ilícita.A impossibilidade do objeto há que ser real e absoluta. ou seja. posterior ao tempo da manifestação da vontade. 4. sob pena de invalidade.

seja porque inestimável ou porque abunda de tal maneira que não é capaz de atribuição de valor Um único grão de areia é de tamanha insignificância que não pode ser aferido economicamente. apurado o seu valor. ou seja Obrigação é vínculo jurídico. em caso de inadimplemento. Apreciação Econômica: Essencial á validade do negócio jurídico que seu objeto seja passível de avaliação. se saberá o quanto deverá aquele que o achou devolver ao estado. estabelecida entre credor e devedor. estabelece um liame à partir da manifestação da vontade e que somente se desfaz com a prestação do objeto. 4.3. Novamente reportando aos conceitos antes transcritos. por isso. À luz dos ensinamentos. não podem ser estimados antes de recolhidos. O ar atmosférico. poderá lhe exigir o cumprimento. depreende-se que a obrigação é relação que liga a parte ativa à parte passiva. que nos constrange. Seja porque dada a sua insignificância. encontramos na definição dada por Clóvis a expressão: obrigação é a relação de direito.Os tesouros de um navio naufragado. Interessa analisar que vínculo é este e qual a sua natureza. Nas institutas. porque inestimável.4. Já Washington de Barros afirma que a Obrigação é relação jurídica. não ser possível aferir a extensão dos danos. porém havendo critérios técnicos para a sua divisão. a que se refere Orlando Gomes encontra-se a expressão: Obligatio est juris vinculum.1. de sua conversão em moeda. sob pena de. existe em tal abundância que é acessível a todos e portanto não há como he atribuir valor econômico e até mesmo os deveres dos cônjuges. 4. 13 . ou entregar aos investidores da expedição. Elemento de Conexão: Vínculo Jurídico A existência da relação obrigacional exige que as partes estejam vinculadas entre si quanto ao objeto.2. haverá obrigação quando a parte passiva haja manifestado validamente o desejo de prestar o objeto determinado à parte credora que. Importa dizer.

Consiste no débito que os doutrinadores italianos chamaram de debitum e os alemães de “shuld”. na relação obrigacional. está fora dela. Teoria Monista. conquanto para a parte ativa o direito de exigir o seu cumprimento.1. há para a parte passiva o dever de prestar. concretizada a obrigação desaparece o débito. O vínculo espiritual reside na própria vontade do devedor em cumprir com o dever empenhado em favor do credor.1. Para a doutrina tradicional.3. no caso de inadimplemento. existe apenas um vínculo. Porém. com duas faces opostas. segundo esta teoria. o obligatio ou haftung.1. um de caráter espiritual outro de caráter material. O outro vínculo de ordem material consiste no direito ou no poder do credor de exigir o cumprimento da obrigação ou sua responsabilização. ou monista. de acordo com esta teoria. uma expressão de dois termos.4. pela qual responderá com seu patrimônio. Porém se não cumprida a prestação. Assim. o credor tem o direito de lhe exigir o cumprimento. surgindo somente quando o devedor se torna inadimplente. porém correlatas. Teoria Dualista ou Teoria do Débito e da Responsabilidade Nascida a partir do Século XIX a doutrina dualista afirma que são dois os vínculos que integram a obrigação. estabelecida a relação. correspondendo ao obligatio ou “Haftung”. caracterizando-se em um binômio. Nesse caso o vínculo primário é o dever.2.1. inerente à relação. 14 . o dever de exigir inerente ao dever de prestar.3. Outros autores entendem que o direito de exigir não integra a relação jurídica. 4. ou seja. nascendo a responsabilidade.3. o debitum ou o shuld. fundado nos princípios de justiça de Justiniano: honeste vivere. Teorias a Respeito do Vínculo Jurídico Obrigacional Várias teorias se propõem a explicar o vínculo jurídico obrigacional 4. alternatum non laedere e summ cuique tribuendi.

havendo o inadimplemento por parte deste. Segundo aquilo que expõe a autora. ainda que assuma contornos dualistas ao afirmar a existência de vínculos de natureza diversa. aquele se insere diretamente na relação obrigacional para responsabilizar-se. este espontâneo. porém. não tem a obrigação quanto a prestação. aquele coativo. em que não existe para o credor o poder de exigir. portanto. ambos os vínculos nascem em um só momento. Segundo esta autora. Dessa teoria são adeptos Orlando Gomes e Washington de Barros Monteiro. mas apenas ao devedor o sentimento de debitum.1. traz uma terceira teoria acerca do vínculo jurídico a Teoria Eclética. são dois os vínculos. o garantidor não é devedor. olvidando que o dever é a regra a responsabilidade a exceção. a teoria dualista não poderia se aplicar nos casos em que existe a responsabilidade sem haver o dever.3. Nestes. como ocorre no caso do aval e da fiança.3. o haftung. Teoria Eclética. Não nos filiamos a essa teoria haja vista que nos parece de uma primeira vista um retrocesso à teoria monista. Maria Helena Diniz. É o que ocorre nas obrigações naturais. partem de um único fato gerador assim que a existência do débito induz à da responsabilidade. não em sentidos opostos. Segundo esta teoria. da doutrina monista na medida em que entende os dois vínculos coexistindo. Também ocorrem circunstâncias em que há o elemento volitivo. mas tendo naturezas diversas e de ocorrência sucessiva na relação jurídica obrigacional. sendo ambos essenciais. débitum e obligatio. a teoria dualista peca pelo fato de evidenciar o obligatio em detrimento do debitum. o dever sem a responsabilidade. 15 .Assim. Difere. por seu cumprimento ou seus efeitos. dever é o vínculo social ao passo em que a responsabilidade o vínculo jurídico. com seu patrimônio. Ademais. que se reúnem e se completam resultando em uma unidade porque correlatos. 4.

Obrigações no Direito Romano. o ato ou fato idôneo a criar obrigações em conformidade com o ordenamento jurídico.Segundo porque. nas Institutas de Justiniano se destaca a expressão omnis vero obligatio vel ex contractu nascitur vel ex delicto. como vimos. Utiliza-se a expressão fonte em lugar de causa. A expressão fonte designa origem de um curso de água. 5. a tradução das reiterações dos entendimentos que se verificaram adiante. FONTES DAS OBRIGAÇÕES. ou seja. aquilo que contrário ao ordenamento não gerará obrigação. Constitui. assim novas causas para as obrigações além do contrato e do delito peça expressão variis causarum figuris. Todavia. não haveria obrigação pelo garantidor. Finalmente. o ato ou fato que dá ensejo ao dever de alguém em favor de outro. Segundo Gaio. Segundo os estudiosos do direito romano. quasi contractu. 16 . objetivando indicar o lugar se onde as obrigações se originam. Se diz em conformidade com o ordenamento jurídico porque. e portanto. nos parece que a própria autora se contradiz. seu elemento genético. o nascedouro deste.1. no Digesto se destaca a expressão: “obligationis aut ex contractu nascuntur aut ex malefício aut proprio quodam iure ex variis causarum figuris” acrescentando. porque lhe faltaria o dever ao passo em que não existiria a obrigação natural por não haver responsabilidade. ex delicto quasi ex delicto”. Em direito a expressão é usada em caráter metafórico. Porque esta é mais tradicional e não conflita com a expressão causa enquanto elemento integrante das obrigações. por ser ilícito ou juridicamente impossível. ou. 5. em outro texto se destacou a expressão: “Obligatio ex contractu. ao passo em que as demais eram resultantes de uma interpolação. a expressão trazida por Gaio continha as fontes do direito em sua forma tradicional. portanto. na medida em que ao afirmar que toda a obrigação contém dever e obrigação estaria excluindo aquelas hipóteses de que se valeu para se contrapor à teoria dualista. originária. De onde de extrai que as fontes da obrigação seriam o contrato e o delito. como prefere Washington. ou seja.

c) Delito: o ato doloso. b) Quase-contrato: situações jurídicas assemelhadas aos contratos. d) Quase-delito: atos danosos ao direito de terceiro. Alguns autores afirmam que se tratavam de relações obrigacionais contratuais porém não chanceladas pelo direito romano. não existia enquanto fonte das obrigações. De todo modo a forma mais difundida veio a ser a divisão quadripartida que incluía o quase-contrato e o quase-delito ao lado do contrato e do delito. consciente da ilicitude. ou seja. Somente com a reforma do Código Civil Italiano em 1942 é que a divisão foi suprimida. Pothier. quando da Edição do Código de Napoleão.2. 5.Assim.3. 5. que causa prejuízo outrem. atos humanos lícitos. A divisão quadripartida do direito romano resistiu até o Século XIX. assumindo a Lei como fonte do direito. mas lhe acrescenta a Lei como fonte das obrigações. as fontes das obrigações no direito romano seriam apenas o contrato e o delito. O Código Civil Italiano de 1865 absorve a concepção de Pothier. Assim. não haveria obrigação se o objeto fosse ilícito ou juridicamente impossível. a convenção firmada entre as duas partes. (ato ilícito culposo) Destaque-se que a lei. 17 . Afirmavam os autores do projeto que a validade de toda obrigação exige a chancela da Lei. como fontes do direito. quando passou a conceber a Lei como a única fonte das obrigações. porém de forma não consciente. sendo as demais resultado de construção doutrinária pósclássica. equiparáveis aos contratos. o autor do projeto não rejeita a divisão quadripartida romana. autonomamente. para outros tratavam-se de atos humanos lícitos mas em que ausente a convenção. Obrigações no Direito Francês. seriam as fontes das Obrigações: a) Contrato: O acordo de Vontades. Obrigações no Direito Italiano.

Fonte Imediata: Aquilo que Orlando Gomes chama também de causa eficiente da obrigação. o ato ou fato idôneo a criar obrigações em conformidade com o ordenamento jurídico. nas obrigações propter rem e até mesmo na obrigação alimentar. ou seja.4.1. consoante a lição de Washignton: seu elemento genético. a lei. essencial à todas as obrigações. Orlando Gomes leciona que toda obrigação é uma relação jurídica e. afirmar que a lei é a fonte única do direito resulta inconcludente. e como na obrigação tributária. Estabelece-se a divisão em fonte imediata e fonte mediata das obrigações. A Lei é a causa primaz. Portanto. Istpo porque há situações em que a obrigação não provem de qualquer ato mas unicamente da lei. 5. recepciona no mundo do direito e outroga o credor de provocar a Tutela do Estado para forçar o devedor ao seu cumprimento. que lhe confere validade. Isto porque é o direito que confere validade ao à obrigação. Obrigações no Direito Brasileiro. se remeteria obrigatoriamente ao direito. quando se interessa perquirir qual a fonte da obrigação. sua fonte há que ser necessariamente a lei. Desse modo se perderia no vazio qualquer indagação quanto às fontes porque em qualquer análise que se fizesse. em sendo assim. há que se buscar qual o fato jurídico previsto no ordenamento que lhe dá origem. que impregna qualquer obrigação. segundo aquela concepção dada pelo Código italiano de 1942.5. Assim.4. 18 . ou seja. A solução da questão resulta em uma divisão que contemple os fatos ou atos geradores da obrigação sem excluir a lei como fonte primária. Consiste naquele elemento fundamental.

o direito do estado de exigir o comprimento da obrigação assenta na hipótese de incidência prevista na lei. Importaria em um retrocesso à forma do Código de Napoleão.5. A solução resulta na redução ao ato jurídico e à lei como fontes do direito. 19 . admite a forma empregada e reconhece a personalidade e a capacidade das partes. deixando àquilo que se denominou de grupo heterogêneo a reunião dos fatos idôneos a produzir obrigação. resume-se às categorias fundamentais. Fonte Mediata Ou condição determinante. se teria a obrigação tributária igual a todos. que consiste na ocorrência de fato ou a prática de ato conforme a hipótese de incidência. com base no princípio da isonomia. no caso do contrato.3. Há sempre um fato ou uma situação que a lei leva em conta para que surja a obrigação.4. Ora. a obrigação existe porque a lei recepciona seu objeto enquanto lícito. Assim a condição determinante da obrigação será o fato gerador. mas se a lei e a única fonte das obrigações. o contrato e o ato ilícito como fontes das obrigações. Ou então a lei. haja vista que o fato jurídico (strictu sensu) não gera obrigação dada a ausência da intervenção humana. Na obrigação tributaria.2. A própria legislação tributária resolve a questão quando remete a obrigação tributária ao implemento do fato gerador. consiste no fato ou ato. neste e em outros casos em que a obrigação provém dela diretamente seria ao mesmo tempo fonte imediata e mediata. Mas a fonte mediata ou condição determinante será a vontade manifestada pelas partes. Assim. Classificação Analítica O Código Civil Italiano vigente. e é nela que origina a obrigação. libertando-se das idéias romanescas acerca das fontes da obrigações como também rendendo-se à impossibilidade de classificação absoluta das obrigações.4. a circunstância real que dá ensejo à obrigação. 5.

como o efeito não decorre diretamente da vontade manifestada. materiais e materiais aos quais a lei também contempla eficácia. atos ilícitos.4. abuso acontecimentos naturais. como fonte da obrigação apenas aqueles que contém a conduta humana. À exceção dos atos lícitos e os atos ilícitos as demais espécies estão enquadradas naquilo que Gaio chamou de variis causarum figurae. o abuso de direito. isolam aqueles acontecimentos que têm capacidade de gerar efeitos jurídicos. Desse modo as fontes da obrigações teriam duas categorias: a) Negócios Jurídicos: Contratos. resultará. essas condições determinantes seriam correspondentes aos fatos jurídicos em sentido amplo. Classificação Sintética. negócios unilaterais. Para a classificação sintética. fatos materiais. o abuso de direito e certas situações de fato.4. atos voluntários. as situações especiais de direito. o enriquecimento sem causa. o ato ilícito. o enriquecimento sem causa. os atos coletivos. a declaração unilateral de vontade. contemplando. embora provoquem modificação no mundo jurídico não poderão ser imputados à ninguém. consoante a vontade em voluntários e involuntários. Essa divisão. os atos jurídicos em sentido estrito e os atos ilícitos. o fator capacidade será irrelevante. o pagamento indevido. Os demais. Assim. 20 . Existem obrigações reconhecidas pela lei em razão da proteção jurídica dada à autonomia da vontade ao passo em que outros fatos humanos. hipótese em que a capacidade do agente será relevante para a sua validade. definir os fatos voluntários que produzam efeitos conforme a vontade manifestada pelo agente. assim tanto os fatos naturais quanto os humanos. importa isolar. No universo dos atos jurídicos voluntários estão os negócios jurídicos. Todos essas figuras podem se considerar condição determinante para a geração de uma obrigação. promessas unilaterais e atos coletivos. ainda que voluntários. embora não estejam fundadas na manifestação de vontade.São eles: o contrato. Tendo em vista que os fatos naturais. 5. embora não esgote a classificação das fontes do direito. b) Atos Jurídicos Não-negociais: Atos jurídicos strictu sensu.

dada a sua imprecisão. Criticas que se fazem à essa divisão tricotômica se deve ao fato de esta colocar em um mesmo nível as obrigações de dar. a tradição que consiste na transferência da propriedade (tradiotionibus et usucapionibus domina rerum. Afirmam esses doutrinadores que a metodologia empregada se revela imprecisa na medida em que a divisão tricotômica não é capaz de criar espécies 21 . de modo que seria mais adequado reparti-los em duas classes: obrigações positivas e obrigações negativas.1. Inspirado totalmente do direito romano o Código Civil brasileiro adotou divisão semelhante. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES. e finalmente a corrente que diz tratar-se de uma obrigação de garantia quanto a uma indenização. Locação de serviço. 6. 6.2. classificando as obrigações em 3 (três) grupos: dar. Classificação das Obrigações no Direito Romano. b) Facere: todas as obrigações em que o devedor se comprometia a fazer certo trabalho ou a cumprir certa tarefa em favor do credor. Entretanto não contemplava outros direitos reais que exigiam maior formalidade e não apenas a entrega da coisa. doação. alguns autores afirmam tratar-se de obrigações que importavam. c) Praestare: não há uniformidade quando à conceituação dessa espécie de obrigação. sendo que somente quanto a esta última deixou de lado a formula romana. dação em pagamento). fazer e não fazer. requerendo além da dação. O direito romano adotou classificação que toma por base apenas o objeto da prestação. a transferir a propriedade ou outro direito real. As obrigações de fazer compreendiam as obrigações de non facere. (compra e venda. permuta. quando na verdade não se trataria de uma divisão dos objetos. ao mesmo tempo. em dare e facere. non nudis pactis transferentur). outros afirmam que se tratavam de obrigações ex-delicto. sem importar em transferência de propriedade ou de direito. classificou as obrigações em 3 (três) categorias: a) Dare: correspondia àquela prestação em que o devedor estava comprometido à entrega de uma coisa ou valor.6. mandado ou empreitada. fazer e não fazer. Assim sendo. para assumir a obrigação de não fazer como uma espécie autônoma. Classificação das Obrigações no Direito Brasileiro.

estanques, dada a existência de obrigações que podem a um só tempo compreender dar e fazer, ou dar e não fazer e assim por diante. Tem-se adotado a divisão dual das obrigações, por ser esta capaz de delimitar as espécies de obrigações. Conforme esta classificação, as obrigações positivas são as de dar e de fazer, ao passo em que as negativas a obrigação de não fazer. Porém a classificação tricotômica não perde sua importância pois tais espécies compreendem todas as obrigações, nesse sentido a afirmação de Washington de Barros Monteiro6:
“todas as obrigações que se constituam ou venham a se constituir na vida jurídica, na sua infinita variedade, compreenderão sempre alguns desses fatos, que resumem o invariável objeto da prestação: dar, fazer ou não fazer.

6.2.1. Obrigação de Não Fazer Geral e Especial. Importante diferenciar as obrigações de não fazer de caráter geral, das obrigações de não fazer de caráter especial. O ordenamento jurídico estabelece certas limitações à atividade do cidadão, que dizem respeito à toda coletividade indistintamente. Sendo assim, havendo vedação legal, todos estaremos obrigados à abstenção daquela conduta, de tal modo que não existe elemento volitivo mas a obediência ao império da lei. Por outro lado, poderão as partes convencionar quanto à limitação da atividade de uma ou de outra, ou seja, a pessoa manifesta a vontade de abster-se da prática de um ato tolerado pela lei, um ato que, normalmente poderia praticar livremente. 6.3. Classificação Especial das Obrigações

Antes de ingressar no estudo das obrigações de Dar, Fazer e não Fazer, a que alguns autores chamam de modalidades das obrigações a fim de diferenciá-la desta, convém trabalhar a assim chamada classificação especial. São várias as formas de se classificar as obrigações, não havendo unanimidade dos autores quanto à sistemática.

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Monteiro Washington de Barros – Ob. Cit. – Pág. 52

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Orlando Gomes7, classifica as obrigações quanto ao sujeito e quanto ao objeto. Washington da Barros Monteiro prefere uma sistemática mais direta, não se atendo a uma divisão por categorias, ao passo em que Maria Helena Diniz8 faz uma sistematização mais ampla, classificando as obrigações quanto ao vínculo, objeto, modo de execução, tempo, elementos acidentais, sujeito e conteúdo. Por razões didáticas, utilizaremos a sistemática adotada por Maria Helena Diniz. 6.3.1. Quanto ao Vínculo. 6.3.1.1. Obrigação Civil e Empresarial. Obrigação Civil é obrigação completa, ou seja, em que estão presentes todos os seus elementos, e portanto apta a cingir o devedor ao seu cumprimento, e dotada de potencialidade ao credor para lhe exigir o cumprimento. É aquela obrigação em que o devedor se sente intimamente obrigado ao cumprimento (debitum, dever, shuld) e em que o credor poderá responsabilizá-lo em caso se descumprimento (obligatio, responsabilidade, haftung). Obrigação Empresarial é obrigação características próprias da atividade mercantil. 6.3.1.2. Obrigação Moral. Consiste em uma obrigação que se situa tão somente no foro íntimo do devedor (shuld), porém não dotada de exigibilidade (haftung). Falta-lhe, portanto, o vínculo obrigacional. Se diz obrigação moral porque neste caso o débito não existe de direito, porém o agente se sente moralmente obrigado ao seu cumprimento e o faz por mera liberalidade, como no cumprimento de disposição de última vontade não inscrita em testamento. Assim, em caso de inadimplemento, não poderá o devedor ser compelido ao seu cumprimento, porque não é dotado de ação. civil, porém dotada de

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Gomes, Orlando - Ob. Cit. – Pág.74 Diniz, Maria Helena. - Ob. Cit. – Pág. 59

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Porém, se o fizer, não poderá pretender a restituição da prestação, porque o direito confere ao beneficiário a soluti retentio (solução de retenção) Assenta no brocardo cuius per errorem dati repetitio est, eius consulto dati donatio ou seja, a prestação consciente ou intencional de um indevido absoluto não pode ser repetida, constituindo mera liberalidade. Porém, podendo o devedor provar que o fez em erro, poderá exigir-lhe a devolução. 6.3.1.3. Obrigação Natural. Ocorre a obrigação natural quando existente o vínculo, porém perdeu o credor o direito de ação. É uma obrigação incompleta: existem o credor, o devedor e objeto, mas falta ao credor a capacidade de exigir o seu cumprimento (haftung), por não haver meio para lhe exigir a execução forçada. Também neste caso, havido o pagamento, torna-se irrepetível. Diferentemente da obrigação moral o pagamento, neste caso, não se considera mera liberalidade, mas efetivo cumprimento da obrigação, podendo, por isso, o credor reter a prestação a título de pagamento efetivo. Assim se conceitua a obrigação natural: “aquela em que o credor não pode exigir do devedor uma certa prestação, embora, em caso de seu adimplemento espontâneo ou voluntário, possa retê-la a título de pagamento e não de liberalidade”. 6.3.1.3.1. Caracteres da Obrigação Natural. a) b) c) d) e) não se trata de obrigação moral; a prestação é inexigível cumprida espontaneamente por pessoa capaz, o pagamento é válido; dado o pagamento válido, é irrepetível; seus efeitos dependem de previsão normativa.

A validade do pagamento exige espontaneidade, isenta de vícios de consentimento. Não valerá o pagamento se obtido por dolo ou coação, como também não valerá se feito por incapaz, por se entender que este não pode consentir. Igualmente não valerá o pagamento se feito por terceira pessoa, porém sem o consentimento do devedor.

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Art. 814. 564. 25 .1. salvo se foi ganha por dolo. Não se revogam por ingratidão: III . b) Dívida de Jogo.1. b) Não enseja novação: o pagamento da obrigação natural não se constitui em um novo pacto. não poderá ela ser revogada.as que se fizerem em cumprimento de obrigação natural As doações poderão ser revogadas em caso de ato atentatório contra a pessoa do doador. de modo que seu pagamento. impossível sua prática.3. espontaneidade e capacidade daquele que pagou. O jogo é considerado contrato aleatório.3.3. igualmente não poderá alcançar o fiador. ou se o perdente é menor ou interdito. que voluntariamente se pagou. portanto. a) É Irrepetível: o pagamento feito a título de obrigação natural poderá ser retido a título de pagamento efetivo. ainda que em caso de ingratidão. pois o credor do direito de ação.3. ao sabor da sorte. e) Não admite evicção ou vício redibitório: no caso de a coisa ter sido dada em pagamento de obrigação natural.Exige. não se torna exigível o saldo remanescente que permanecerá incompleto. mas não se pode recobrar a quantia. portanto liberdade. 6. c) Não pode ser compensada: a compensação exige que as dívidas estejam vencidas e exigíveis. d) Não comporta fiança: se a obrigação não vale para o devedor principal. não se torna exigível o saldo remanescente que permanecerá incompleto. sendo inexigível a obrigação natural. carecendo.2. a) Doação a Título de Obrigação Natural. Art. não transforma a obrigação natural em obrigação civil bem assim que no caso de pagamento parcial de obrigação natural. Obrigação Natural no Código Civil. Não é considerado um ato jurídico exigível. ocorrendo evicção ou vício redibitório não poderá o credor exigir seus efeitos em relação ao devedor. ainda que parcial. pelo donatário. 6. No caso de pagamento parcial de obrigação natural. (art 555 e seguintes) Contudo se a doação se fez a título de obrigação natural. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento. Efeitos da Obrigação Natural.3.

d) Dação para Fim Ilícito. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero. Não terá direito à repetição aquele que deu alguma coisa para obter fim ilícito. ou proibido por lei. Baseada no direito consuetudinário. no ato de apostar ou jogar. não pode ser reavido nem do mutuário. c) Dívida Prescrita. O mútuo feito a pessoa menor. 586. Assim porque o pagamento espontâneo dela é válido. 883. Não se pode exigir reembolso do que se emprestou para jogo ou aposta. poderá ser reclamada por meio de execução forçada.2. e. Quanto à Liquidez. 6. 882. são ambos os apostadores delinqüentes. 6.3. no caso do jogo. Atinge a ação e não o direito de crédito. É. sem prévia autorização daquele sob cuja guarda estiver.2. sendo exigível. f) Gorjetas e Comissões Eventuais. Art. Art. nem de seus fiadores.3. imoral. 588.Porém. ou cumprir obrigação judicialmente inexigível. Art. portanto obrigação cujo pagamento não requer qualquer apuração.1. Obrigação Líquida É certa quanto à sua existência e determinada quanto ao objeto9. 9 Monteiro Washington de Barros – Ob. Art. 815. qualidade e quantidade. Igualmente não terá o direito de exigir o pagamento aquele que emprestou para favorecer ou permitir sua prática Art. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. eis porque o pagamento é válido. pelo que a dívida se torna inexigível. e) Mútuo Feito a Menor. Cit. 57 26 . as gorjetas pagas as garçons e as comissões pagas a alguém que eventualmente intermédia um negócio caracterizam-se obrigações morais e por isso são irrepetíveis. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita. – Pág. A prescrição é a perda do direito de ação pelo credor.

ocorre a exoneração do devedor com a entrega de apenas uma delas.3. 6. 6.2. mas individualizável.2.3. o devedor se exonera cumprindo apenas uma delas. 6.3.3.2. Simples as obrigações quando o seu objeto consiste em uma só coisa ou ato. há dualidade ou multiplicidade de prestações heterogêneas.1.2.3. É obrigação única.3. 6.2.2. antes. sem exclusão de uma só. A cobrança da obrigação ilíquida requer. entre as alternativas existentes. É aquela incerta quanto à quantidade. singular ou coletivo.3.1. Cumulativas: quando a obrigação recai sobre mais de um objeto. Obrigação Ilíquida.1.3. escolhendo uma.3.3. Consiste em um vínculo jurídico pelo qual o devedor se compromete a realizar diversas prestações. Ocorre quando aquele a quem é dado o direito de eleger a prestação exerce esse direito. com prestação não individualizada.6. para a quitação da obrigação. Consiste na conversão da obrigação múltipla e indeterminada em obrigação simples e determinada. podendo ser de classes diferentes e todas deverão ser cumpridas. de tal modo que não se considerará cumprida a obrigação até a execução de todas as prestações prometidas. Características: 1.2. 2. 6. Quanto ao Modo de Execução.3.3. Obrigação Simples e Cumulativa (ou Conjunta) 6.1. Obrigação Alternativa (ou Disjuntiva) Embora haja uma pluralidade de prestações.3. o procedimento de apuração do quantum debeatur. 27 . 6.3.1.3. Concentração do Débito.

3. assistindo o direito de concentração a cada uma das prestações. 252. Contudo. Se após o estabelecimento do vínculo obrigacional uma das prestações se tornar impossível. se todas as prestações se tornarem inexeqüíveis. 252. § 2º. subsistirá o direito de escolha quanto às formas remanescentes. Art. dando-se a concentração automática. 256.3. Diferem estas espécies em razão de que a escolha in solutione ocorre pala simples manifestação de vontade do devedor. 253. Dada a concentração. esta se tornará obrigatória para ambas as partes não podendo qualquer delas pretender o pagamento de modo diverso. Admite a lei que a escolha seja conferida a terceira pessoa.É a disposição do art. sem culpa do devedor e desde que este não esteja em mora. sem culpa do devedor. a escolha cabe ao devedor. Conseqüências da Inexequibilidade da Obrigação: a) Inexequibilidade Superveniente decorrente de caso fortuito ou força Maior. Por outro lado. remanescerá o débito quanto à outra. 252. responderá ele pela impossibilidade. 6. quando se tratar de obrigações periódicas. seguida da oferta do pagamento. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível. Cabendo ao devedor a escolha esta se dará in solutione. 252 do Código Civil: Art. mediante a expressa vedação do § 1º do art. porém ainda restarem outras ainda alternativas. mesmo que o fato da impossibilidade decorra de caso fortuito ou 28 . extinguir-se-á a obrigação.3. ou mesmo por sorteio. estando em mora o devedor. Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor. Exceção à essa regra se encontra estampada no art. se outra coisa não se estipulou. ao passo em que a escolha in petitione exige que o devedor tome conhecimento da mesma para que se dê a concentração. Art. Feita a escolha estará o devedor obrigado a cumpri-la integralmente na forma eleita. Nas obrigações alternativas. subsistirá o débito quanto à outra.2. estará ele exonerado da obrigação. Se uma das prestações se tornar inexeqüível. cabendo ao credor ocorre a escolha in petitione.

se a escolha couber ao devedor. 399. além da indenização por perdas e danos. e por culpa do credor uma se tornar impossível. com perdas e danos. 255. salvo se provar que a mora não era culposa ou que o dano subsistiria ainda que houvesse o cumprimento pontual da prestação. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornarse impossível por culpa do devedor. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação. pois a ele assistia o direito de escolha e o perecimento de uma consistiu em violação dessa faculdade. ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou. e a escolha não coubesse ao credor. este ficará obrigado ao pagamento do valor correspondente àquela que se perdeu por último. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornarse impossível por culpa do devedor. poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas. acrescida de perdas e danos. Art. O entendimento é que se a escolha competir ao devedor. além da indenização por perdas e danos. Art. ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada. se. Art. aquele poderá exigir a prestação remanescente ou o valor da outra. não se puder cumprir nenhuma das prestações. ocorre a concentração automática da obrigação assentada na prestação remanescente. b) Inexequibilidade por Culpa do Devedor Se uma das prestações se tornar impossível por culpa do devedor. além das perdas e danos. e coubesse ao credor a escolha. 254. se. poderá este reclamar o valor correspondente a qualquer delas. que nesse caso se torna simples e determinada. Se todas as prestações perecerem por culpa do devedor. o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra. Se a escolha coubesse ao credor. o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra. Contudo. se estes ocorrerem durante o atraso. poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas. embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior. Se. c) Inexequibilidade por Culpa do Credor Não existe norma jurídica que trate da impossibilidade das obrigações alternativas por culpa do credo. porque antes de seu perecimento teria ocorrido a concentração automática da obrigação nesta. este estará desobrigado caso não prefira efetuar o 29 . mais as perdas e danos que o caso determinar. 255. por culpa do devedor. não competindo ao credor a escolha. além das perdas e danos. salvo se provar isenção de culpa.força maior. ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis. com perdas e danos. Art. ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis. por culpa do devedor. por culpa do devedor.

4. estará o devedor desobrigado do pagamento. Quanto ao Tempo.1. hipótese em que poderá exigir perdas e danos por parte do credor. Periódicas ou de execução continuada. Tornado impossível o objeto da obrigação.3. b) Inexequibilidade por culpa do devedor. em seu artigo 643. 30 .pagamento por meio da outra. na medida em que nesta a prestação facultativa não integra a relação jurídica.1. mais perdas e danos. com culpa do devedor. caso o devedor não queira prestá-la em lugar da que desapareceu.3.3. Obrigação Facultativa. Se todas as prestações se tornarem impossíveis por culpa do credor. 6.3. poderá o credor exigir apenas o valor da que se perdeu. não se encontra prevista no nosso Código Civil. Tendo o objeto da prestação se tornado impossível sem culpa do devedor.3. salvo o devedor não queira entregar a prestação facultativa. Instantâneas: Aquela que se exaure em um único ato. 6. mais perdas e danos. este poderá exigir o equivalente a qualquer uma delas.3. ou as perdas e danos. Conseqüências da Inexequibilidade da Obrigação: a) Inexequibilidade decorrente de caso fortuito ou força maior.3.3. 6. Diferencia das obrigações alternativas. salvo se o credor preferir a outra. de modo que de modo algum poderá o credor lhe exigir o pagamento. e por sua culpa uma das prestações se tornar impossível. porém encontra-se regulada no Código Civil argentino.4.4.2. 6. e ao devedor cabia a escolha. Trata-se de obrigação que possui apenas uma espécie de prestação.3. e sendo a prestação facultativa uma liberdade exclusiva do deste e que não integra a relação jurídica obrigacional. Finalmente. A obrigação facultativa. se a escolha fosse do credor. 6. estará desonerado da obrigação. porém que a lei ou o contrato permitem ao devedor substituí-la por outra para lhe facilitar o pagamento.

é fracionada e cumprida em parcelas. Elementos Constitutivos do Negócio Jurídico 6. 6.1.1.3. Elementos Naturais: São as conseqüências naturais elementares do negócio jurídico. o credor não poderá reclamar quanto às prestações pretéritas. Elementos Acidentais: São estipulações que facultativamente se adicionam ao contrato modificando suas conseqüências naturais: condição. Ex. que permite a modificação da prestação em razão de fato superveniente. Trata-se das obrigações classificadas quanto aos elementos acidentais do negócio jurídico. Quanto aos Elementos Acidentais.3.5. 6. termo. a coisa.1.O cumprimento da obrigação ocorre por sucessivos pagamentos periódicos e em um espaço razoável de tempo. 6.1.5.5. o preço e o consentimento. ou seja.2. a prestação. Ocorre a quitação parcial da obrigação a cada pagamento. Essa classificação é fundamental quanto à aplicação da cláusula rebus sic standibus. Elementos Essenciais (essencialia negotii): São aqueles elementos que pertencem à estrutura do negócio e sem os quais este não pode existir. Em geral.3.5. baseada na teoria da imprevisão. 6.1. afetando o princípio do pacta sunt servanda. conforme as estipulações especiais do contrato que modificam os efeitos dos elementos naturais.3. encargo ou a exclusão da responsabilidade pelo vício redibitório ou evicção. da lei.: na compra e venda. que é simples.5. que ocorrem independentemente de manifestação da vontade das partes. 31 . ou seja. imprevisível e que importe em substancial desequilíbrio contratual. decorrendo.3. de modo que havendo o inadimplemento. que tem direito anterior). Ex: Vício Redibitório e Evicção (perda total ou parcial da coisa adquirida em favor de terceiro.3.

Aplica-se às obrigações condicionais as regras alusivas aos negócios jurídicos condicionais.3. a vinculação da obrigação a evento futuro certo. deverão todas ocorrerem para o implemento do negócio. pois não haverá circunstância que poderá modificar seus efeitos. esta não terá o condão de condicionar o evento. a obrigação será pura e simples.3. São lícitas. modo ou termo. que poderá aproveitar a ambas as partes. Considera-se condição a cláusula que. naquela a incerteza não afeta a existência do negócio.2.6.3. 121. modais e a termo. Requisitos: a) Evento futuro: Se a condição estabelecida disser respeito a evento presente ou pretérito. Não se confunde com obrigação aleatória. ao passo em que se alternativas. 122. quando suspensivas. ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. todas as condições não contrárias à lei. Obrigação cuja eficácia não está subordinada a qualquer modalidade dos atos jurídicos.5. subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Art. Obrigação Condicional. hipótese em que se terá uma obrigação a termo.3. Aquela que contém cláusula que subordina o efeito do negócio a evento futuro e incerto. em geral.1. 6. à ordem pública ou aos bons costumes. Nesta. mas apenas a extensão do resultado. Se a condição já houver ocorrido ou estiver ocorrendo ao tempo da celebração do negócio. 6. Obrigação Pura e Simples.3. Geralidades: Admite-se a vinculação da obrigação a mais de uma condição. 32 . 123. ou seja. Art. b) Evento incerto: Não se admite.2. enquanto cláusula condicional. caso em que se forem cumulativas. entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico.3. derivando exclusivamente da vontade das partes. dependerão da ocorrência de apenas uma delas.as condições física ou juridicamente impossíveis. a nenhuma condição. Art.5. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I .5. a existência do vínculo depende de acontecimento futuro e incerto.5. 6.3.

podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. nos casos de condição suspensiva ou resolutiva. como condição suspensiva. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva. não se terá adquirido o direito. Art. Art. se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica. 129.as condições incompreensíveis ou contraditórias.5. Ao titular do direito eventual. quanto aos efeitos jurídicos. III .II . quando resolutivas. 128. enquanto esta se não realizar. 126. e. caso em que se invalida o negócio jurídico. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível. Art.5. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. 125. enquanto esta se não verificar. extingue-se. a que ele visa. 136. a sua realização.3. mas subordina sua permanência ao cumprimento do encargo. salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade. Art. não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento. realizada a condição. Se o encargo for ilícito ou impossível.5. desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé. mas. salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico. ou de fazer coisa ilícita. Art. para todos os efeitos. Sobrevindo a condição resolutiva.3. a condição cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer. Aquela em que a eficácia do ato está subordinada a um acontecimento futuro e certo. vigorará o negócio jurídico. ao contrário. Têm-se por inexistentes as condições impossíveis. 124. 130. 6. Art. um ônus à pessoa sendo a eficácia do ato subordinada ao seu cumprimento. Essa espécie de obrigação não suspende a aquisição do bem o exercício do direito. senão quando expressamente disposto: Art. e as de não fazer coisa impossível. Obrigação Modal. Art. 33 . se com ela forem incompatíveis. salvo disposição em contrário. o direito a que ela se opõe.as condições ilícitas.4. 137. Se for resolutiva a condição. 6. Art. pendente esta. 127. considera-se não escrito. considerando-se. Obrigação a termo. não tem eficácia quanto aos atos já praticados. é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva. pelo disponente. Reputa-se verificada. Obrigação modal é aquela em que se impõe um encargo. estas não terão valor. fizer quanto àquela novas disposições.

se do teor do instrumento. Termo Inicial ou suspensivo impede a exigibilidade da obrigação até a sua verificação. computam-se os prazos. 133. nos contratos. sem se discriminar a parte de cada um na obrigação.2. Art. no que couber. serem únicas ou múltiplas. as obrigações admitem pluralidade de pessoas tanto no pólo ativo quanto no pólo passivo.6. Quando a dívida houver sido contraída por todos os condôminos. Art. portanto. Art. se faltar exata correspondência. 135. Nos testamentos.6. não podendo o credor exigir de cada devedor mais do que a cota a esse correspondente e cada devedor não responderá senão pela parte que lhe cabe. 6.3. nem se estipular 34 .6. o seu décimo quinto dia. Quanto ao Sujeito Como antes visto. e incluído o do vencimento. 6. Art. são exeqüíveis desde logo. § 3º Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início. assim. quanto a esses.3. § 4º Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto. 131. mas não a aquisição do direito.Termo é. § 2º Meado considera-se. as disposições relativas à condição suspensiva e resolutiva. excluído o dia do começo.3.1. sem prazo. Art. Nas obrigações múltiplas a obrigação se desdobra em tantas quantos forem os devedores ou os credores. 1317. 6. Termo final ou resolutivo determina o fim da eficácia da relação obrigacional. 132. Ao termo inicial e final aplicam-se. Múltipla: Quando existem mais de uma pessoa quer no pólo ativo quer o no passivo. considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. e. 134. Art. salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo. Única: Quanto se tem apenas um credor e um devedor. ou no imediato. o acontecimento que marca o início ou o fim da eficácia da obrigação. Salvo disposição legal ou convencional em contrário. Os negócios jurídicos entre vivos. ou das circunstâncias. resultar que se estabeleceu a benefício do credor. § 1º Se o dia do vencimento cair em feriado. salvo. podendo. em proveito do devedor. presume-se o prazo em favor do herdeiro. O termo inicial suspende o exercício. em qualquer mês. ou de ambos os contratantes.

Porém a regra não é absoluta. divisíveis são aquelas cujas prestações admitem Obrigações Indivisíveis somente podem ser cumpridas por inteiro. Contudo. entende-se que cada qual se obrigou proporcionalmente ao seu quinhão na coisa comum. No entanto. na proporção do que herdaram. iguais e distintas. O dono de uma servidão pode fazer todas as obras necessárias à sua conservação e uso. Neste caso. sem prejuízo de sua substância e de seu valor. Tanto assim que o Código Civil sequer cuidou de conceituar as obrigações divisíveis. independentemente dos demais co-obrigados. Art. no art. 145 35 .6. 257. tratou de definir as obrigações indivisíveis: 10 Diniz. embora haja o concurso de pessoas. e. Em ambas. em se tratando de obrigações com pluralidade de credores ou devedores. Essa classificação tem pouca ou nenhuma importância quanto tratamos de uma obrigação única. se a servidão pertencer a mais de um prédio.solidariedade. Maria Helena Diniz10 as define como aquelas cuja prestação é suscetível de cumprimento parcial. a classificação adquire extrema relevância prática. o cumprimento dos legados incumbe aos herdeiros e. cada credor terá o direito de exigir a obrigação por inteiro e cada devedor responde igualmente pela totalidade da obrigação. . 257. esta presume-se dividida em tantas obrigações.3. exonera-se da obrigação. – Pág. 6. não os havendo. Obrigações cumprimento parcial. Maria Helena. Obrigações Divisíveis e Indivisíveis. aos legatários. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível. limitando-se a referi-las como no caso do art. pois a obrigação será exigida por inteiro salvo se estipularam as partes de modo diverso. 258. serão as despesas rateadas entre os respectivos donos.2. Cit.Ob. Art. quantos os credores ou devedores. 1380.1. se um devedor pagar a sua cota. No silêncio do testamento. 1934. Art. pois comporta duas exceções que são as obrigações indivisíveis e as obrigações solidárias.

3) Convencional: a indivisibilidade decorre da vontade das partes que expressamente pactuam a impossibilidade de prestação fracionada. ressalvado a casa um deles o direito ou a obrigação de resolver-se quanto aos demais.2) Legal: a indivisibilidade decorre de lei. a. como os direitos reais de garantia. Art.4. Nas obrigações solidárias cada credor poderá exigir a obrigação como um todo. Há solidariedade.1) Pluralidade de Sujeitos ativos ou passivos: mais de um credor ou mais de um devedor. a. a. responde. cada credor mantém relação obrigacional quanto aos demais concredores. a) Espécies de Indivisibilidade: a. à dívida toda. a) Caracteres. que não admite entrega fracionada. Obrigações Solidárias. As obrigações solidárias compreendem um feixe de relações obrigacionais pois nelas. 258. a. ou seja. ou obrigado.1) Física: a indivisibilidade assenta sobre a natureza da coisa a ser prestada.2. a. ao passo em que cada devedor relaciona-se quanto aos seus. ou mais de um devedor.3) Unicidade de prestação: cada devedor responde pelo objeto todo e cada credor possa exigi-lo por inteiro.2. à totalidade da prestação. quando na mesma obrigação concorre mais de um credor. por motivo de ordem econômica. cada um com direito.Art. a exibição de um documento ou a entrega de coisa alugada. ainda que seja materialmente divisível. 264. como a entrega de um cavalo. além das relações entre credores e devedores. 36 .) Judicial: quando a indivisibilidade é determinada pelos tribunais como nos casos da obrigação de indenizar pelo acidente de trabalho 6.2) Multiplicidade de Vínculos: relacionando cada um dos credores a cada um dos devedores. ou dada a razão determinante do negócio jurídico. ou tem direito.3. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão. encontramse as relações entre os credores e as relações entre os devedores entre si. por sua natureza. Aquelas em que cada titular.6. a. bem como de apenas um dos devedores poderá ser exigida a totalidade da obrigação. isoladamente.

Cit. b. Facilita a liquidação do débito e a extinção da obrigação.a.) Não Presunção da Solidariedade: a solidariedade não se presume. isoladamente exigir do devedor o cumprimento integral da obrigação. Relação jurídica entre vários credores de uma obrigação. – Pág. ainda que aquele que pagou possa reclamar quanto aos demais b) Classificação: b. respondendo cada um deles pela totalidade da obrigação. resulta da lei (solidariedade imprópria) ou da vontade das partes.4) Co-responsabilidade dos interessados: o pagamento feito a qualquer dos credores exonera a todos os devedores.1.3. Aumenta a garantia o adimplemento. Maria Helena. 161 37 . 6.2) Solidariedade Passiva: Ocorre a pluralidade de devedores. em que cada credor tem o direito de exigir do devedor a realização da prestação por inteiro. Solidariedade Ativa: Contém plúrimos credores. b. podendo cada um deles. não podendo qualquer deles recusar-se ao recebimento.2.1) Variabilidade do modo de ser: as obrigações solidárias admitem ser a obrigação condicional modal ou a termo para um dos devedores e pura e simples para outro c. Solidariedade Ativa. a) Inconveniências: 11 Diniz. O devedor se exonera entregando a prestação a qualquer dos credores solidários.1.2.2. . e o devedor se exonera do vínculo obrigacional.Ob. Cada co-credor pode exigir a dívida por inteiro. Caberá ao devedor a escolha do credor caso nenhum deles tenha proposto ação de cobrança.6. c) Princípios da Solidariedade: c.3) Recíproca ou Mista: ocorre simultaneamente a pluralidade ativa e passiva. pagando o débito a qualquer dos co-credores11.

• Cada credor fica à mercê do outro. Falecendo um dos credores. O devedor poderá opor compensação a qualquer um dos credores e esta afetará o crédito por inteiro. Qualquer dos credores pode tomar providências para proteger o crédito. conferindo maior segurança ao credor no recebimento de seu crédito. 268). § 1º). Se um dos credores decai da ação. O pagamento feito a qualquer um dos credores extingue a dívida por inteiro. Se um dos credores se tornar incapaz. A renúncia da prescrição em favor de um se estende aos demais. Qualquer dos credores poderá demandar contra o devedor. 201). desonra ou insolvência. salvo se a prestação for indivisível. (art 267). Tem importância no direito comercial ou empresarial. Ocorre.6. seus herdeiros não poderá exigir mais que a respectiva cota parte na razão de seus quinhões. Cada um dos credores pode constitui em mora o devedor. Solidariedade Passiva. Enquanto não houver demanda. A suspensão da prescrição em favor de um dos credores aproveita aos demais se a obrigação for indivisível (art. Relação obrigacional com multiplicidade de devedores. Melhor que a solidariedade ativa é a outorga de procurações recíprocas que poderão ser revogadas. portanto a unificação dos devedores. Havendo confusão esta afetará o crédito até o limite do quinhão. no caso das contas conjuntas b) Efeitos Jurídicos: • • • • • • • • • • • • • • • Cada um dos credores poderá exigir a prestação por inteiro.2. 204. em que cada um responde pela totalidade da obrigação como se fosse ele o único devedor. • Impossibilidade de revogação da solidariedade por improbidade. A conversão em perdas e danos não afeta a solidariedade.2.2. Cada co-credor responde aos demais quanto àquilo que houver recebido 6.3. os demais não ficarão inibidos de acionar o devedor. não afetará a solidariedade. o devedor poderá pagar a qualquer dos credores (art. A constituição em mora do credor solidário afeta a todos. A interrupção da prescrição por um aproveita aos demais (art. 38 • • .

sem vincular-se com o resultado colimado. 6. • O estabelecimento de cláusula aditiva entre um dos co-devedores e o credor não afetará os demais se deles não houver anuência. somente se desonerando quando este alcançar a plenitude do desiderato.a) Efeitos Jurídicos: • O credor tem o direito de exigir do devedor que escolher o cumprimento sem que perca ele o direito de demandar contra os demais quanto ao remanescente (não ocorre concentração da dívida). 764) 39 . • A morte de um dos co-devedores não encerra a solidariedade passiva (art. respondendo os herdeiros unicamente pela respectiva cota parte. • A confusão extingue a obrigação na proporção do crédito. Obrigação de Meio.7. (Art. 276).3.3. limitado ao quinhão deste. • Havendo pagamento parcial a quitação correspondente aproveita a todos. • A novação entre credor e um dos co-devedores faz recair os efeitos somente sobre o patrimônio do novado. Obrigação de Resultado. • Pode o credor renunciar a um.3.2. 282).1. • A transação somente terá efeito quanto àqueles que dela tomam parte. 6.7. • A interrupção da prescrição a um dos devedores se estende a todos e a seus herdeiros. 6.7. 6.3.7. Visa eliminar o risco que pende sobre o credor. • O devedor solidário somente poderá compensar com o credor o que este deve ao seu coobrigado. O devedor obriga-se pelo resultado. • O Credor poderá exigir o cumprimento total ou parcial da obrigação. caso em que aquele beneficiado com a renuncia responderá ao credor apenas por sua respectiva cota parte. mais de um ou a todos quanto á solidariedade art. ainda que a hipótese não se verifique. Aquela em que o devedor se obriga apenas pela prudência e diligência normais à prestação de certo serviço.3. embora o devedor não possa de per si efetuar o pagamento parcial. Obrigação de Garantia. Quanto ao Conteúdo. caracteriza-se pela simples assunção de responder pelo risco. liberando os demais quanto àquela.

1.1. 40 – 2ª Ed. consoante a disposição do art. importante acentuar que não importa em um direito real sobre a coisa (jus in re). 1267 do Código Civil: Art.1. mas tão somente em um direito pessoal (jus in rem). Não basta a assunção da obrigação de dar para que se transfira o domínio que se dá unicamente pela tradição. que poderá ser certa ou incerta e cuja prestação consiste na entrega de um bem pelo devedor ao credor. antes da qual o objeto continua a pertencer ao alienante. não caberá ao credor o direito de reivindicar a coisa. falta-lhe o elemento essencial: o domínio. Embora a obrigação de dar compreenda a transferência de um bem do devedor para o credor. 02 – Pág. ainda que o credor tenha pago o preço todo. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. Maria Helena. Ao credor resta apenas o direito de promover ação objetivando a resolução do contrato em perdas e danos. 1267. Obrigações de Dar. 7. na forma do art. Saraiva – 2005. Assim. 389. É o que dispõe o art. No dizer de Fábio Ulhôa Coelho13: “prestação devida pelo sujeito passivo consiste em entregar alguma coisa para o sujeito ativo”. A obrigação de dar gera apenas um crédito. Isto porque esta obrigação consiste em um “compromisso”. 40 . é aquela cujo objeto consiste em uma coisa. 389 do Código Civil: Art. Conteúdo. Fábio Ulhôa – Curso de Direito Civil – Vol. não ocorrendo desde logo a tradição.Ob. O ato translativo da propriedade é a tradição. Não cumprida a obrigação. . – Pág. A propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição. não havendo o cumprimento do pacto. responde o devedor por perdas e danos. uma promessa da entrega da coisa. 237 do Código Civil: 12 13 Diniz. 79. Também denominada prestação de coisa12. e não um direito real. Coelho. e honorários de advogado. MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES 7. pois sobre ela não detém qualquer direito.7. Cit.

Assim. O credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida. Romênia e Itália. se o credor não anuir. a título de determinação da natureza jurídica do pagamento.1. não caracteriza o efetivo adimplemento da obrigação. mas in solutione. 7. Assim. mesmo que seja divisível a prestação. 237. 356 do Código Civil: Art. o contrato gera a obrigação e transfere o direito real. de tal sorte que para esses sistemas. se diz que ocorre não in obrigatione. que encerra a idéia de que o credor não poderá ser obrigado a receber coisa diversa da pactuada. No mesmo sentido. e. Algumas legislações como a da Bélgica. que se encontra prevista no art. Não caracteriza ofensa ou exceção ao princípio “nemo aliud pro alio”. embora com a dação em pagamento também se dê a exoneração da obrigação. pelo devedor ao credor. eis que não realizada na forma contratada. Compreende a idéia de que não lhe compete tampouco substituir o objeto prometido pelo seu respectivo valor. entendem reunidas as obrigações de dar e de transferir. Vigora no direito brasileiro o princípio romano: “tradiotionibus et iusucapionibus dominia rerum non nudis pactis transferuntur” Operada a tradição.Art. torna-se este o proprietário. Polônia. ainda que mais valiosa. se assim não se convencionou. poderá o devedor resolver a obrigação. não poderá o devedor entregar a prestação de modo fracionado. Até a tradição pertence ao devedor a coisa. de acordo com a disposição do art. somente poderá o devedor liberar-se entregando uma coisa pela outra se houver a anuência do credor. Do Princípio “aliud pro alio”14. pelos quais poderá exigir aumento no preço. haja vista que a dação em pagamento ocorre mediante o consentimento. portanto não ocorre modificação unilateral. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. ainda que mais valiosa. 313 do Código Civil: Art. 313. O direito brasileiro adota o principio romano “nemo aluid pro alio invito creditore solvere potest”. entre tantas. com os seus melhoramentos e acrescidos. 356. Assenta na idéia de que ao devedor não é lícito modificar unilateralmente o objeto a prestação. mas a solução da dívida. 14 “uma coisa pela outra” 41 .2. ou seja.

não pode o credor ser obrigado a receber. A doutrina admite que a obrigação de dar (em sentido amplo) compreende três espécies de obrigações distintas cuja diferença reside no aspecto que concerne à propriedade. Washington de Barros Monteiro15 refere essa classificação acentuando que tal tem apenas importância acadêmica. na pretensão quanto ao objeto que poderá se realizar ou não. se assim não se ajustou. Cit. o direito do credor assenta apenas no crédito. que o entregou. 7. 15 Monteiro Washington de Barros – Ob. 314 do Código Civil: Art. locação comodato e mútuo. A obrigação de entregar. gozo ou fruição. o bem pertence ao credor. A diferenciação entre as obrigações de dar e de restituir tem grande importância prática. Na extinção da locação. A obrigação de restituir importa na devolução do bem entregue. recebe tratamento jurídico idêntico ao das obrigações de dar. nem o devedor a pagar. Como antes dito.3. em caráter temporário.3. em caráter temporário.É a disposição do art.1. haja vista que embora a legislação às vezes faça referência à entrega da coisa. Ex.1. para uso. Contratos de Compra e Venda.1. Ex. Já as obrigações de restituir mereceram tratamento pelo legislador do código de 2002. Segundo a doutrina. porque não importa em transferência da propriedade até a tradição. até esta. 314. Quanto à Propriedade. mas numa concessão para uso. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. razão pela qual. – Pág. do devedor ao credor. 7. não importa na transferência do direito real. especialmente no Direito Processual Civil. Classificação das Obrigações de Dar. ex. 61 42 . a obrigação de dar consiste em mero direito pessoal. Nas obrigações de restituir. todavia. fruição ou posse. do comodato ou mútuo. a obrigação de dar (em sentido estrito) consiste na promessa de transferência do direito real sobre a coisa. por partes.

– Pág. Tem aplicação direta a disposição do art. Maria Helena. na forma do art. Consiste no vínculo jurídico pelo qual o devedor fica adstrito a fornecer ao credor determinado bem.2. O art.3. Igualmente não poderá o devedor efetuar o cumprimento da prestação em partes se assim não se pactuou. não poderá o devedor liberar-se da obrigação. 18 Venosa. o inadimplemento da obrigação de restituir admite a busca e apreensão da coisa. o iate Cristina ou o Cavalo Odorico”.3. na forma do art. 43 . 74 – Saraiva 2008. p.17 Assim. 313 do Código Civil: Art. ex. Noção e Compreensão. 313 do Código Civil encerra a consagração do princípio do pacta sunt servanda. por meio de traços característicos que o tornem único.. – Curso de Direito Civil Brasileiro – Vol. por exemplo. estabelecendo entre as partes da relação obrigacional um vínculo que em nome do devedor deverá entregar ao credor uma coisa individuada como. 7.Desse modo.18 Somente admitirá a dação de coisa diversa em pagamento mediante a celebração de novo pacto.16 Por objeto perfeitamente individuado entende-se aquele que possa ser distinguido. 59 – Atlas – 2008. 356: o credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. 58 Diniz. 356 do Código Civil: Art. 02 – Pág.1. Cit.2. trata-se de obrigação de dar coisa certa a entrega do quadro “Guernica” de Pablo Picasso ou os “Girassóis” de Van Gogh. Obrigação de Dar Coisa Certa. “Temos obrigação de dar coisa certa quando seu objeto é constituído por um corpo certo e determinado. Silvio – Direito Civil – Vol. 02 – pág. 625 do Código de Processo Civil. 313. senão com a entrega da coisa pactuada. que tanto pode ser móvel como imóvel. 16 17 Monteiro Washington de Barros – Ob. ainda que mais valiosa.1. perfeitamente individuado. destacando-se de outros da mesma espécie. 7. Estabelecida a obrigação de dar coisa certa.1.

como visto.3. pelo que não possuem autonomia jurídica. e os do preço por conta do comprador. inclusive com a utilização dos meios judiciais adequados. ao tempo do vencimento. que obriga ao portador receber o pagamento parcial. Deve-se ao fato de que. 7. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados. Uma vez obrigado à entrega de coisa certa o devedor está obrigado também a guardá-la com zelo e dedicação até a tradição. Até o momento da tradição. 7. que trata das letras de Câmbio. 233 do Código Civil: Art. Art. É a aplicação da regra geral de que o acessório segue o principal.3. 492. 22.2. O acessório somente não acompanhará o principal na hipótese de pacto expresso das partes nesse sentido. enquanto a deterioração afeta parcialmente. § 1º do Decreto 2. Essa obrigação compreende não só o armazenamento cuidadoso mas também a defesa do objeto quanto a terceiros. Dispõe o art. Aplica-se a regra do art. Da Perda e da Deterioração da Coisa. 233. Perda consiste no desaparecimento da coisa por completo. apesar de todos os cuidados do devedor. mas que devam voltar a integrar a coisa principal. Compreensão dos Acessórios. os riscos da coisa correm por conta do vendedor. 44 . Pode-se o bem se perder ou avariar-se. 233 ainda que os acessórios hajam sido separados temporariamente da coisa.1. como o conhecimento prévio do vício pelo comprador que impede a redibição do negócio.2.1. ou por circunstâncias próprias do caso que evidenciem a exclusão.2.Essa regra admite exceção pelo que dispõe o art. o acessório não existir sem o principal.044/1908. salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.3.

235. § 2º Correrão também por conta do comprador os riscos das referidas coisas. fica resolvida a obrigação para ambas as partes. imprudência ou imperícia) ou se teve a intenção de prejudicar (dolo). no caso da perda culposa. em um ou em outro caso.Venosa entende imprópria a nomenclatura. o devedor fica seguro de todo risco. suportará apenas o prejuízo. indenização das perdas e danos Operada a tradição. • Se o devedor agiu com culpa (exteriorizada através de negligência. no caso do artigo antecedente. não sendo o devedor culpado. Se houver culpa do devedor. 234. sem culpa do devedor. passará ele a correr os riscos pela perda da coisa. ou seja. e a coisa perder-se ou deteriorar-se em seguida. entendendo mais adequado falar-se em perda total e parcial do objeto. se a perda resultar de culpa do devedor. ou pendente condição suspensiva. sem direito às perdas e danos. • Perdendo-se a coisa. ou pendente a condição suspensiva. porém se não culposa. conforme a disposição do art. Cumpre verificar o tratamento dado pela lei aos casos de perda e deterioração: Art. 45 . 236. se estiver em mora de as receber. Sendo culpado o devedor. sem culpa do devedor. abatido de seu preço o valor que perdeu. abatendo-se proporcionalmente o preço. b) aceitar a coisa no estado em que se acha e reclamar a indenização pelas perdas e danos. o mesmo responde por perdas e danos. a coisa se perder. resolvendo a obrigação ou aceitá-la no estado em que se encontrar. quando postas à sua disposição no tempo. A escolha é do credor porque a coisa foi alterada. antes da tradição. Diferente a aplicação ocorre no caso de deterioração da coisa. pois operada a entrega. haja vista que no caso de deterioração a parte afetada torna-se absolutamente imprópria para o uso a que se destinava. Se. Deteriorando-se a coisa. poderá o credor exigir o equivalente. Art. motivando o desaparecimento do objeto da prestação antes da tradição. poderá o credor enjeitá-la. sem culpa do devedor. lugar e pelo modo ajustados. Deteriorada a coisa. já não é a mesma. fica resolvida a obrigação para ambas as partes. antes da tradição. poderá o credor resolver a obrigação. o prejuízo será suportado pelo credor. com direito a reclamar. salvo em caso de fraude. E o credor poderá optar entre: a) exigir o equivalente mais a indenização por perdas e danos. responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos. 492. ou aceitar a coisa. Art. ou aceitar a coisa no estado em que se acha. responderá pelo equivalente e mais as perdas e danos. o devedor suportará os prejuízos e responderá pelas perdas e danos. § 2º do Código Civil. • Importa dizer que. Posta a coisa à disposição do credor e este não comparecendo para receber ou se recusando a fazê-lo.

De Page prefere colocá-la entre as obrigações de fazer. Dado à circunstância característica de que não existe transferência da propriedade. Art. 7. independentemente do esforço do devedor. Importante anotar que em tal caso. como nos casos de reaparecimento do ausente. s obrigação do credor quirografário de devolver ao monte aquilo que recebeu de devedor insolvente quando não vencida a dívida. assistindolhe o direito de exigir o preço pelas melhorias que sobrevierem ao bem desde a realização do negócio jurídico e até a tradição. 237 do Código Civil. entretanto. Do Direito às Melhorias e Acréscimos. pelos quais poderá exigir aumento no preço. 237.2. a lei lhe confere o direito a exigir a diferença ou resolver o negócio. aproveitam as melhorias. 238.3.4. poderá o devedor resolver a obrigação. pelo reencontro do objeto com o seu legítimo titular.3. não o seu equivalente. se o credor não anuir. Consiste na obrigação do devedor de devolver coisa que pertence ao credor e que foi recebida em caráter temporário. na forma do art. cabe ao devedor restituir exatamente aquilo que recebeu. até a tradição a coisa pertence ao devedor.3.7.1. Obrigação de Restituir Coisa Certa. Neste caso. encontram-se as obrigações de restituir. arts. Como já exposto. entre tantas 46 . havendo a valorização do bem. Até a tradição pertence ao devedor a coisa. Cumpre anotar que neste caso. disciplinada à partir do art. 7.3. Noção e Compreensão Inserida no Código Civil entre as obrigações de Dar coisa certa. 36 e 39 do Código Civil. Assenta na idéia de que àquele a quem pertence o bem e bem assim suportava os riscos.3. resolvendo-se o negócio não sobrevirá a qualquer das partes o direito às perdas e danos.1. com os seus melhoramentos e acrescidos.1. Muitas são as hipóteses legais de Obrigações de Restituir. bem assim que ao credor não assistirá o direito de reivindicar o objeto. mas somente uma restauração do estado natural da coisa.1. não sendo este. o tratamento dispensado pelo Código Civil.

3. este além das perdas e danos. Na hipótese de ocorrência de deterioração da coisa a ser devolvida. 238. sem direito a indenização. e a obrigação se resolverá. mais perdas e danos. Art. O artigo 238 do Código Civil determina que se a coisa a ser restituída se perder sem culpa do devedor. mas afetará o patrimônio do credor.2. porém com a ressalva de seus direitos até o dia da perda. 7. responderá também pelo preço da coisa. ressalvados os seus direitos até o dia da perda. mais perdas e danos. por sua natureza. recompondo o prejuízo do credor. Art. responderá este pelo equivalente. 240. se perder antes da tradição. podendo este enjeitá-la e exigir as perdas e danos. não mais lhe conferindo a faculdade de receber ou enjeitar. 239. dada a culpa do devedor. sem culpa do devedor. Veja-se que neste caso a norma obriga o credor a receber a coisa deteriorada. Liberando-se o devedor da obrigação de restituir.1. Da Perda e da Deterioração da Coisa. Se a coisa se deteriorou por culpa do devedor. Note-se que ora. sem direito à indenização alguma consoante prevê o artigo 240 do Código Civil. porque a ele pertencia o bem perdido. 239. o depósito. a perda do objeto sua perda ou deterioração enquanto na posse do devedor. tal qual se ache. que novamente compreenderão ao equivalente ao preço da coisa. como ela se encontra. o credor não está mais obrigado a receber a coisa em restituição. se por culpa do devedor.Em linhas gerais são exemplos clássicos de obrigação de restituir a locação. Perdendo-se a coisa por culpa do devedor.3. Se a obrigação for de restituir coisa certa. 47 . Se a coisa se perder por culpa do devedor. responderá este pelo equivalente. suportando o credor os prejuízos. vai além do eventual inadimplemento. compreende o empréstimo de coisas fungíveis. Art. Se tratando de obrigação de restituir. observar-se-á o disposto no art. o comodato. sem que haja culpa do devedor. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor. tendo em vista que o bem pertence ao credor. o penhor. sofrerá o credor a perda. o credor deverá recebê-la. e esta. recebêla-á o credor. Não se inclui entre as hipóteses de obrigação de restituir coisa certa o contrato de mútuo que. resolver-se-á a obrigação. além dos outros danos que este experimentar.

em benefício do credor. desobrigado de indenização. no caso do art. feita a atualização dos valores monetários. Nesse sentido dispõe o art. trata-se de obrigações diversas porque têm origem diferente. se para esse fim o devedor efetuou despesas. sem despesa ou trabalho do devedor.1. lucrará o credor. Se. quanto aquilo que razoavelmente deixou de ganhar (lucro cessante). se a obrigação de reparar equivale à obrigação de restituir. Assim. Aquele que. 884 do Código Civil: Art. o credor estará obrigado a pagá-las. assim. Isto ocorre porque o bem pertence ao credor e se acha em mãos do devedor em caráter precário. 238. assentando. se a coisa receber melhorias sem que para elas o devedor haja despendido. sendo na verdade sanção imposta ao devedor pela inexecução. Assim é que as perdas e danos compreendem tanto a perda efetivamente sofrida pela parte lesada (dano emergente). será obrigado a restituir o indevidamente auferido. se enriquecer à custa de outrem. 884. receber por elas caracterizaria enriquecimento sem causa.3. 242. Art. ou seja. sem indenização ao devedor. porém sem que este tenha contribuído para tanto. mas no ato ilícito como fonte da obrigação. reparar não significa cumprir o contrato. Em se tratando de obrigação de restituir. Se para o melhoramento. por que foi a ele entregue não transferido. Porém. se o bem sofreu melhorias. ou aumento. não no contrato. ainda que em mãos do devedor.Responder pelo equivalente significa responder pelo valor que a coisa tinha no momento em que se perdeu.3. Segundo essa corrente.3. sem justa causa. 7. sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa. Art. Assenta divergência acerca da natureza jurídica da prestação no caso de conversão em perdas e danos. o caso se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de má-fé 48 . 241. Para outros. estas acrescerão ao bem. a conversão em perdas e danos não descaracteriza a obrigação porque de qualquer maneira sua fonte é o contrato e não a sua inexecução. empregou o devedor trabalho ou dispêndio. Para uns. Do Direito às Melhorias e Acréscimos.

razão pela qual é regulada pelas normas gerais referentes às obrigações de dar.3. Assim. quando o puder sem detrimento da coisa. assistindo ao devedor o direito àquilo com que contribuiu para tal resultado. Obrigação de Contribuir. 1219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. 1220. acrescida dessas melhorias. nem o de levantar as voluptuárias. O comodatário não poderá jamais recobrar do comodante as despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada O tratamento diferenciado se deve ao fato de que na vigência do comodato pôde o comodatário usar e fruir da coisa sem que para tanto fosse obrigado a qualquer pagamento. verbis: Art. bem como pelas que tratam do pagamento em dinheiro. e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis. quanto às voluptuárias. 584.1. 7. A obrigação de Contribuir constitui-se em uma modalidade das obrigações de dar. não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas. pelo que conferir-lhe o direito à receber afetaria o equilíbrio contratual. se não lhe forem pagas. Art. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias. sem que por elas fosse obrigado a pagar. porém não mereceu tratamento especial por parte da legislação. 584 do Código Civil que veda ao comodatário o direito a receber pelo que contribuiu para o aumento de valor da coisa. a levantá-las. na forma estatuída pelo artigo 1219 do Código Civil: Art. o aumento da qualidade ou do preço da coisa decorre do trabalho ou do dispêndio do devedor. Exceção à essa regra se encontra disciplinada no art. 49 .Situação diametralmente oposta ocorre no caso de a coisa houver recebido melhorias com o empenho do devedor. O melhoramento ou aumento decorrente do esforço do devedor corresponde para os efeitos legais à benfeitoria. Portanto lhe incumbe pagar pelas melhorias introduzidas pelo devedor. bem como. Neste caso. entre outros.4. como nos casos dos artigos 1315. 1331 do Código Civil. Alguns dispositivos do Código Civil referem-se à obrigação de contribuir. estaria ele enriquecendo sem causa. se o credor a receber.

Na obrigação pecuniária a prestação consiste na entrega de soma em dinheiro. em que pese a ausência de individualização do objeto. portanto. pela moeda. peças de coleção. Não se cuida. neste caso. • Dívida Remuneratória: o devedor está obrigado a pagar ao credor uma renda por conta da utilização de determinado bem ou dinheiro. este que naquele tempo era utilizado como meio usual de troca. Incluem. A moeda não consiste na obrigação principal. sendo. composta exatamente pelas moedas aquiridas. 50 .7. atualmente. bastando a entrega da prestação em moeda com poder liberatório.5. determinada e imutável. Também chamada de “Obrigação de Solver Dívida em Dinheiro” é espécie de obrigação de dar cuja prestação consiste na entrega ao credor de certa soma em dinheiro. por exemplo. Desse modo o dinheiro poderá constituir-se na obrigação em si. Não é qualquer obrigação que tenha por objeto a entrega de moeda que se caracteriza de obrigação pecuniária. entretanto de obrigação de dar coisa incerta pois. portanto as chamadas dívidas de dinheiro. de modo que a moeda não representa exatamente o conteúdo da dívida. não havendo qualquer individuação do objeto. certa. Se. dada sua fácil mobilidade. tratar-se da compra de algumas moedas raras. papel este desempenhado.1. mas apenas no meio empregado para o pagamento de uma remuneração. dívidas de valor e a dívida remuneratória. Obrigação Pecuniária. (ex. o valor da prestação é certo quanto ao montante e determinado quanto à forma de pagamento. individuada. nos casos das obrigações originalmente pecuniárias. a obrigação do vendedor é a entrega da coisa determinada. • Dívida de Dinheiro: obrigação cuja prestação consiste originalmente na entrega de soma em dinheiro. A expressão pecúnia origina-se do latim pecus nome dado ao gado ma antiga Roma.3. pagamento dos títulos de crédito) • Dívida de Valor: o débito não é de certo número de unidades monetárias. como ainda em valor quantitativo. mas uma simples medida de valor. uma obrigação de dar coisa certa. no qual este não passa de um meio para o cumprimento da prestação efetiva que será a reparação do dano ou a remuneração do capital. contemplando na apenas os contratos cuja prestação ab ovo seja o pagamento em dinheiro como ainda as prestações a título de reparação de danos como também os juros. mas do pagamento de uma soma correspondente a certo valor.

Pelo princípio do nominalismo. Nas obrigações pecuniárias a prestação há que ser cumprida por meio da entrega de soma em dinheiro. Sendo este o seu poder liberatório. é obrigatória e estipulação em moeda corrente nacional. com o advento do Decreto-lei nº 857/69.5.5.3. 7. No passado a legislação brasileira admitia a estipulação do pagamento em moeda nacional ou estrangeira. Segundo este princípio a moeda terá sempre o valor legal outrogado pelo Estado. Pelo princípio no nominalismo.7. 2º do referido decreto-lei lista as exceções a esta regra geral. 51 .1. Princípio do Nominalismo. O art. no ato da emissão ou cunhagem.2. Se o valor da moeda não fosse o legal. ainda que se tenha referenciado pela moeda o pagamento de bens ou serviços. mas o câmbio. o valor estaria à mercê do sabor da economia podendo sofrer enorme variação para mais ou para menos de acordo com os rumos desta. como ainda a estipulação da Cláusula Ouro.3. À partir de 1969. ou moeda. Significa que a moeda há que ser dotada de capacidade para a quitação dos haveres. o Governo impõe curso forçado da moeda nacional para a quase totalidade dos contratos. O princípio do nominalismo. considera-se como valor da moeda o valor nominal que lhe atribuiu o estado. Curso Forçado. capacidade esta que é determinada pela lei. de tal modo quem em não se tratando de operação ali contemplada. as obrigações de dinheiro. se aplica tão somente às obrigações originalmente pecuniárias. ter-se-ia verdadeira incerteza a todas as relações jurídicas que tivessem por objeto prestação pecuniária. o valor publice impositus determina o poder aquisitivo da moeda.1. em não se admitindo o emprego da moeda senão pelo valor nela estampado.1. com poder liberatório que se define pela “Capacidade da cédula. cumulando de nulidade as estipulações que não a contemple ou a repudie. Não estão compreendidas pelo princípio do nominalismo as obrigações de valor e as obrigações remuneratórias. de efetuar pagamentos”. de liberar débitos.

3.3.1. sendo que cada qual desses seres denomina-se espécie (specie). Em linguagem jurídica genus ou gênero é o conjunto de seres semelhantes. Notável que nestas o devedor se encontra em posição mais favorável haja vista poder liberar-se com a entrega de um objeto que poderá ser destacado entre uma universalidade dentro do gênero indicado no contrato. que se fará por um ato de escolha.1. A prestação é indeterminada ao tempo da celebração do pacto. de modo a permitir às partes ao tempo do adimplemento. dotou a economia de mecanismos de correção monetária que se constituem em verdadeiras exceções ao princípio do nominalismo. coisa indeterminada. determinável.1. conhecer perfeitamente o objeto a ser entregue. porém recebe informações que permitem sua oportuna determinação. logo. o objeto adquire individualidade. mas determinável. De modo que gênero é a reunião de espécies semelhantes.6.A legislação brasileira em virtude principalmente do processo inflacionário brutal experimentado especialmente nas décadas de 1980 e 1990. não é uma coisa qualquer. 7. nestas a prestação não é determinada. Obrigação de Dar Coisa Incerta. a coisa é referida no contrato segundo caracteres genéricos e comuns a certa categoria de coisas ou de objetos que formam um conjunto de seres semelhantes. Para tanto. Também chamada de Obrigações Genéricas. Portanto o objeto da obrigação de dar coisa incerta.6. naquelas maior é o 52 . mas coisa passível de determinação. mas que visam atenuar os efeitos corrosivos da inflação à moeda. Noção e Compreensão. Diferencia das obrigações de dar coisa certa pois naquelas o objeto é certo e determinado desde o ato de celebração do contrato. porém agrupados segundo esses traços comuns e conformes àqueles caracteres. 7. Procedida a escolha. transmudando-se a obrigação em prestação de coisa certa. Trata-se de modalidade de obrigação de dar cuja prestação consiste na entrega de um objeto indicado de forma genérica no início da relação obrigacional e cuja determinação dar-se-á na oportunidade do pagamento. A coisa não é designada por sua individualidade (specie) mas por caracteres genéricos genus.

ter-se-á que avaliar se se trata de uma ou outra espécie conforme as estipulações próprias de cada contrato. embora não individualizada. de sorte que para estas. mas determinável segundo elementos específicos. quando o genus corresponde a um número limitado de objetos (um quadro de uma certa galeria. posto que genéricos e comuns.3. nas obrigações alternativas o ato de concentração poderá ocorrer independentemente da vontade das partes. ao menos. Além disso.1. As obrigações genéricas exigem no mínimo que a indicação do gênero e da quantidade do objeto da prestação ex: 10 sacas de soja. Diferem das obrigações alternativas pois naquelas o credor dispõe de uma multiplicidade de prestações heterogêneas podendo liberar-se mediante a entrega de uma delas. a determinação genérica. nas obrigações de dar coisa incerta. Essa indeterminação não poderá ser absoluta nem elástica demais de modo a permitir que o devedor se exonere entregando coisa sem valor ou sem utilidade para o credor. acompanhada pela determinação numérica permite às partes conhecer o mínimo necessário para saber qual e quantos objetos perfazem a prestação. Embora não haja a individuação do objeto. sem o que não se terá a obrigação. Logo. A coisa incerta será indicada. pois sua caracterização se dá pelo gênero da coisa e este nunca perece (genus nunquam perit). Todavia. o objeto é único. 243: Art. o perecimento do objeto não tem relevância jurídica. 53 . Dispõe o art.2. como no caso de uma ou mais prestações se impossibilitarem. Preceitos Legais que Regulam as Obrigações Genéricas: As obrigações de dar coisa incerta encontram-se disciplinadas a partir do art. já quanto às Genéricas isso não poderá jamais ocorrer. ou um livro de uma certa estante).6. a indeterminação do objeto é maior do que nas alternativas. 243 do Código Civil. 200 cabeças de gado. 243. pelo gênero e pela quantidade. 7. correm por sua conta os riscos.risco do devedor pois até a entrega do objeto único e individualizado. ao passo em que nesta.

Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade. Estabelece ainda o art. para o efetivo cumprimento é necessário que a coisa indeterminada se determine por meio de um ato de escolha. cabe ao devedor. nem será obrigado a prestar a melhor. O ato de concentração. Cabendo a escolha ao credor. mas não poderá dar a coisa pior. salvo disposição contratual em contrário. este. feita a escolha pelo devedor. a esse ato de escolha se denomina concentração. A exemplo das obrigações alternativas. e o contrato não o esclarece: a entrega de arroz. 342. Art. que consiste na individuação da coisa. Cientificado da escolha o credor. 244 do Código Civil estabelece a regra para a concentração Art. como a promessa de entregar um animal sem referir sua espécie. sem determinação do número. dentro da média entre aquelas de mesma espécie. de modo que o devedor se exoneraria com a entrega de animal sem valor algum ou até mesmo nocivo. vigorará o disposto na Seção antecedente. 244. se o contrário não resultar do título da obrigação. sob cominação de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher. poderá ser constituído em mora. permitiria ao devedor exonerar-se entregando apenas um grão. 245. b) quando a coisa for daquelas que somente são úteis quando em quantidade. 54 . proceder-se-á como no artigo antecedente. 244 que a coisa a ser entregue deverá situar-se. O art. Feita a escolha o devedor dará ciência ao credor. Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor. Pois. transmudando-se em obrigação de dar coisa certa e se aplicando as regras a elas pertinentes: Art. se não o fizer. quanto à qualidade.Será nula a obrigação: a) quanto o objeto da obrigação esteja determinado por um genus amplo demais. será ele citado para esse fim. a escolha pertence ao devedor. Este estado de indeterminação é transitório. pela simples notificação.

Neste caso. ainda que por força maior ou caso fortuito.3. Se o objeto da prestação são cem sacas de café e todas as sacas da fazenda do devedor se perderem. aos livros de uma certa biblioteca. Gênero Limitado e Ilimitado. Como se disse. 246 é imprecisa e pode levar a interpretação equivocada. 55 . caberá a ele adquirir outras para entregar ao credor. antes da escolha. pois podem haver situações em que o genus indicado no contrato. Outro problema a ser enfrentado se dá quando o número de objetos que compõem o genus é insuficiente para atender a todas as obrigações assumidas. Art. de coisas que se achem em um determinado lugar.1. efetuando-se a entrega conforme a regra da prevenção (ordem de chegada). Outra corrente afirma que deve tratar-se os contratos isoladamente. Quando o gênero se limita a um número muito restrito de objetos. a obrigação deixará de ser genérica para tornar-se alternativa recebendo então o tratamento legal a estas dispensado. Contudo essa regra admite interpretação restrita. Antes da escolha.7. recomenda parte da doutrina que se faça o rateio eqüitativo dos objetos. 246. alegar o perecimento do objeto. tornando inexistente a obrigação. caberá a exoneração. A expressão “antes da escolha” referida na parte inicial do art.2. Quando o genus é ilimitado aplica-se sem restriçoes a regra do genus nunquam perit. por sua limitação.1. pode vir a se perder.6. estando as obrigações genéricas regidas pelo princípio do (genus nunquam perit). Contudo. não podendo servir-se da perda para desobrigar-se sem o cumprimento. não poderá o devedor. independentemente de culpa. Isto ocorre quando o genus está circunscrito aos bens de uma patrimônio específico. não se pode confundir o genus ilimitatum com o genus summum. sendo este sem culpa do devedor. Havendo tal delimitação é admissível que haja o perecimento de todos os objetos que o integram e. hipótese em que se teria amplitude tão ampla do genus que se cairia em uma situação de indeterminação quase absoluta. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa.

ou se a tarefa de entregar não é resultado da obrigação de dar. 7. Compreende todas as espécies de atividade humana.Pela leitura do dispositivo. haja a tarefa de entregar. sem o que o ato de escolha não servirá para tornar certa a coisa. artísticos ou científicos. a de prestar fiança. umas estão compreendidas nas outras. de locar um imóvel. Alguns autores afirmam que não existe qualquer diferença entre as obrigações de dar e de fazer. consistem em ações que aproveitam ao credor.2. ainda que nas obrigações de dar. havida a perda ou deterioração não culposas.1. aplicando-se a ela as regras a ela pertinentes na forma do art. que será enfim uma obrigação de fazer. Compreendem também outros atos que. A melhor interpretação do dispositivo faz exigir que o credor. trabalhos manuais. estaria ele desobrigado. intelectuais. bastaria ao devedor escolher o objeto para que a obrigação se transmude em obrigação de dar coisa certa. O elemento essencial de diferenciação reside em verificar se o dar ou o entregar não é conseqüência de fazer. além da escolha.2. a prestação é uma tarefa. 7. chegando a afirmar a inexistência de aplicação prática para a distinção. 56 . Diferenças para as Obrigações de Dar. 7. embora não contenham a realização de um trabalho pelo devedor. como promessa de recompensa. Outros afirmam que as obrigações são também obrigações de fazer. obrigação de quitar. porém de um modo particular. em sua forma literal. que justifica o estudo em separado. 245 e em conseqüência. pois. Obrigação de fazer é aquela cuja prestação consiste em um ato do devedor que deverá ser praticado em proveito do credor. coloque o bem à disposição do credor. ou sujeitar-se a ajuízo arbitral. Obrigações de Fazer. renunciar a uma herança. ao passo em que nas de fazer. para alguns. Nas obrigações de dar o objeto consiste na entrega de uma coisa.2.2. Conceito.

nas obrigações de dar. sendo a natureza jurídica da obrigação aquela de maior valor. 139. temos uma obrigação de dar. no mais das vezes a obrigação é intuitu personae. desde que tenha influído nesta de modo relevante. a de dar. pois o interesse do credor recai sobre a coisa que foi objeto do negócio. dado o seu renome. 249. recai sobre a pessoa do devedor. outros recomendam avaliar segundo o valor econômico destas. Nas obrigações de dar a pessoa do devedor tem caráter secundário. não cumprindo o devedor a tarefa. sem prejuízo da indenização cabível As Obrigações de fazer comportam as astreíntes. 57 . que paga a dívida em seu próprio nome. O erro é substancial quando: II . no entanto. ao passo em que as de dar não comportam. mas não está obrigado a confeccioná-la antes. mas podendo ela ser executada por terceiro. A solução. Ainda. resolvendo-se em perdas e danos. será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor. Nas obrigações de dar a prestação poderá ser dada por terceiro. mais apropriada é a de admitir a existência de duas obrigações distintas em um único ato. O terceiro não interessado. Art. mas não se sub-roga nos direitos do credor. teremos uma obrigação de fazer que determina. no entanto. Se o fato puder ser executado por terceiro.Se o devedor tem que entregar alguma coisa. Art. que as duas espécies se acham entrelaçadas no mesmo ato jurídico. ou seja. ao final. Por ser assim o erro quanto á pessoa raramente nulifica a obrigação de dar. se compromete a fornecer o materiais. Há casos. poderá o credor exigir que seja prestada pela pessoa do devedor. poderá o credor mandar fazê-la às expensas do devedor. como no caso da empreitada em que o empreiteiro (devedor) além da obra em si. nas obrigações de fazer. não cumprida a obrigação.concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade. não poderá o credor forçar-lhe ao cumprimento. se não. 305. porém essa fórmula não resolve totalmente as equações. nas obrigações de fazer. tem direito a reembolsar-se do que pagar. ao passo em que quase sempre é considerado vício de consentimento das obrigações de fazer: Art. ao passo em que nas de fazer. havendo recusa ou mora deste. entendendo pela existência de uma obrigação cumulativa e lhe aplicando as regras pertinentes. Alguns autores recomendam tratar as obrigações numa relação de acessoriedade.

Nas obrigações de fazer. Estabelecida a relação jurídica obrigacional nasce para o devedor o dever de cumprir a tarefa que consiste no objeto do contrato.7. Espécies de Obrigações de Fazer.2. resolve-se a obrigação. mas na pessoa a quem a tarefa incumbe. Pacto de Contrahendo. Consequências do Inadimplemento. Temos uma obrigação fungível quando a pessoa que realiza a tarefa é irrelevante. É o Contrato preliminar ou o pré-contrato.4. pois o devedor não se obriga quanto ao objeto do contrato definitivo. resultando nas chamadas “obrigações de fazer intuitu personae”. Isto porque nas obrigações de fazer a pessoa do devedor é de grande importância. pois o que importa é o resultado. quando o contrato estabelecer que o devedor deverá cumpri-la pessoalmente. existe quando as partes se obrigam à celebração de contrato futuro e definitivo. o pacto de contrahendo se constitui em uma obrigação de fazer. Se a obrigação se tornar impossível. São nesses casos que poderá o credor requerer que o trabalho seja realizado por outro às expensas do devedor. 7.5.2. dadas certas características pessoais que o distinguem. restaurar as coisas ao seu estado original. chamadas também de infungíveis. responderá por perdas e danos. resolver-se-á a obrigação. 248. 58 .2.3. 7. Seja qual a natureza do contrato definitivo. ou seja. Note-se que a infungibilidade não assenta no objeto. se por culpa dele. Art. sem culpa do devedor. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor. o credor não pode ser obrigado a aceitar o cumprimento da obrigação por terceira pessoa. mas quanto à sua celebração. como no caso de um conserto de um relógio ou a pintura de uma parede. devendo restabelecer-se o status quo ante.

nesse caso. 59 . suprindo o devedor. são duas as hipóteses cabíveis: Em se tratando de obrigação infungível. Se o fato puder ser executado por terceiro. a lei faculta ao credor mandar executar o serviço por terceiro. responderá ele pelas perdas e danos: Art. sem prejuízo do direito de exigir ainda as perdas e danos. Em caso de urgência. a outorga de escritura definitiva ao comprador de um imóvel. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta. sendo depois ressarcido. estará liberado do cumprimento sem o pagamento de qualquer quantia. havendo recusa ou mora deste. sem prejuízo da indenização cabível Esse direito não pode ser exercido pelo credor sem autorização judicial. como. resolver-se-á a obrigação. responderá por perdas e danos. executar ou mandar executar o fato. no entanto. mas pelo juízo. ou só por ele exeqüível. manda ao Oficial do Registro civil que proceda à averbação da venda. será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor. independentemente de autorização judicial. Porém se recebeu. 248.Assim. 249. em uma outorga. 247 do Código Civil: Art. Pode ocorrer que o devedor. deverá restituir aquilo que recebeu sob pena de se caracterizar o enriquecimento ilícito. porque ninguém poderá forçado a fazer coisa impossível. Se a prestação for fungível. Art. às custas do devedor. que a prestação poderá ser cumprida não por ordem do juízo. mesmo podendo cumprir a obrigação não o faça ou se recuse a fazê-lo. Pode o comprador promover ação de adjudicação compulsória em que o juiz. independentemente de outorga de escritura. se o devedor nada recebeu pelo trabalho. se decorre de culpa. senão em casos de urgência. pode o credor. obrigando-se o devedor ao seu pagamento. razão pela qual a prestação se converte em pecúnia. Há circunstâncias. se por culpa dele. consoante a disposição do parágrafo único desse artigo: Parágrafo único. por exemplo. Ocorre naqueles casos em que a prestação consiste em uma manifestação. Não se admite a execução forçada no sentido de impor a solução pela prestração in natura. dar-se-á a aplicação do art. Entretanto. 247.

Art. forçá-lo ao cumprimento de obrigação mediante o emprego da força. Condenado o devedor a emitir declaração de vontade. caso não houvesse o estabelecimento dessa relação. de 22.12. poderá requerer cominação de pena pecuniária para o caso de descumprimento da sentença ou da decisão antecipatória de tutela.2. Obrigações de Não Fazer. a sentença.232. Evidentemente que o permissivo do art. A regra geral. Se o autor pedir que seja imposta ao réu a abstenção da prática de algum ato. importa. 287. Obrigação de não fazer é aquela em que o devedor se compromete a não praticar certo ato que poderia livremente praticar.O Código de Processo Civil. assim. e que a prestação in natura está introduzida no direito brasileiro. em uma abstenção. 466-A. 466-A. Figura inexistente no Direito Romano. No entanto.3. mediante as disposições dos artigos 249 do Código Civil e 466-A do Código de Processo Civil. ou seja. aplicável também às obrigações de fazer: Art. não alcança as prestações infungíveis. É portanto obrigação negativa. 60 . no que toca às obrigações de fazer é a da impossibilidade de obrigar o devedor ao cumprimento da prestação in natura. É aquilo do que trata o art. Cumprimento In Natura. tolerar alguma atividade. é possível verificar que essa regra admite exceções. no art. 466-A. das obrigações de não fazer de caráter especial. confere ao juiz poderes de suprir a manifestação de vontade da parte que a isto se obrigou. recentemente acrescentado pela Lei nº pela Lei nº 11. Trata-se de disposição de alcance limitado. que subordina o devedor a um non faciendum. limitando-se àquilo que poderá se realizar pala simples manifestação de vontade. 7. produzirá todos os efeitos da declaração não emitida.2005. pois não admitirá suprir as prestações infungíveis como ainda não poderá ocorrer se houver constrangimento corporal ou coação material à liberdade física do devedor. prestar ato ou entregar coisa. uma vez transitada em julgado. 7. Importante relembrar a diferença das obrigações de não fazer de caráter geral.6. 287 do Código de Processo Civil.

as obrigações de não fazer não poderão ser exageradamente limitativas da liberdade. Deixando ele de ser o proprietário. Ocorre. e constitui-se mediante declaração expressa dos proprietários. Portanto. A servidão proporciona utilidade para o prédio dominante. por exemplo. 1378. o ônus não é pessoal. sua pessoa estará liberada. mas não incorpora ao imóvel. o elemento que caracteriza as obrigações de não fazer de Caráter Especial é a manifestação de vontade quanto ao non facere de “ato que poderia livremente praticar”. independe do império da lei que. nas servidões. que pertence a diverso dono. não se admitem estipulações que proíbam o devedor de casar-se ou o pacto absoluto de não alienar certo bem. obriga apenas a pessoa. ou por testamento. Sendo assim. em que o proprietário de um prédio é obrigado a tolerar que o proprietário de outro se utilize deste para fim determinado: Art. O não fazer é então voluntário. Porém. contudo a obrigação transmite-se àquele que o substituiu. a pessoa manifesta a vontade de abster-se da prática de um ato tolerado pela lei. de tal modo que não existe elemento volitivo mas a obediência ao império da lei. não o proíbe desse ato. Portanto. com elas não se confundem. que dizem respeito à toda coletividade indistintamente. ou seja. ao contrário. obrigação de não fazer embora traga grande analogia com as servidões. havendo vedação legal. poderão as partes convencionar quanto à limitação da atividade de uma ou de outra. Assim. mas real. 61 . Assim é que o proprietário de um prédio que se obriga a não estabelecer naquele endereço determinada atividade que conflite com a do locatário. porque naquelas o ônus é pessoal. normalmente poderia praticar livremente.O ordenamento jurídico estabelece certas limitações à atividade do cidadão. todos estaremos obrigados à abstenção daquela conduta. e subseqüente registro no Cartório de Registro de Imóveis Importante destacar que no caso da servidão predial. um ato que. quando isso resultar da manifestação de vontade das partes. porque a pessoa do proprietário somente estará obrigada enquanto permanecer nesta condição. Por outro lado. e grava o prédio serviente.

dispõe o art. o credor pode exigir dele que o desfaça.1. Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente desde o dia em que executou o ato de que se devia abster 62 . não admitirá violência física contra a pessoa do devedor. a cuja abstenção se obrigara. muro construído e que lhe impede a visão. 250. poderá o credor desfazer ou mandar desfazer. 251. em se tratando de medida de urgência. 251. não poderá o ato ser desfeito. Preceitos Legais. sob pena de se desfazer à sua custa. independentemente de autorização judicial. Nas cláusulas de sigilo. extinguese a obrigação sem qualquer outra conseqüência. desde que. unicamente. resolvendo-se unicamente pelas perdas e danos. sem culpa do devedor. Quanto contagem do tempo destas. sem prejuízo das perdas e danos: Art. Praticado pelo devedor o ato. A regulamentação das obrigações de não fazer se econcontram no Código Civil a partir do art. ou em caso de urgência. Não poderá o devedor ser obrigado a fechar estabelecimento que abriu em prédio próprio. que se obrigou a não praticar. senão por ordem judicial. sem prejuízo do ressarcimento devido. 390. estando imposta ao devedor a abstenção de certa conduta. Este ato. sob pena de que este seja desfeito ás suas custas. No entanto. Assim. se lhe torne impossível abster-se do ato. 250 Art. sem que para isso tenha ele concorrido. Extingue-se a obrigação de não fazer.3. ressarcindo o culpado perdas e danos No caso do art.7. uma vez violadas. desde que não haja violência física. Em caso de urgência. poderá o credor exigir o desfazimento do ato. tornando-se impossível tal fato. poderá o credor praticar o ato independentemente de ordem judicial: Parágrafo único. 390: Art. resolvendo-se em perdas e danos. em contrariedade à manifestação expressa em contrato. Não poderá o credor derrubar manu militari. se está ele obrigado à abstenção e sponte própria age em desconformidade com a obrigação.

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