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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO....................................................................................................................... 1
O FEUDALISMO.................................................................................................................... 2
A IDADE MODERNA............................................................................................................ 3
A BURGUESIA....................................................................................................................... 5
O ABSOLUTISMO................................................................................................................. 6
A MULHER............................................................................................................................. 7
A EVOLUÇÃO DA CONSTITUIÇÃO............................................................................... 10
AS FAZES DAS CONSTITUIÇOES................................................................................... 11
AS DECLARAÇÕES DO DIREITO DO HOMEM........................................................... 12
REVOLUÇÃO INGLESA.................................................................................................... 13
COMMON LAW.................................................................................................................... 15
REVOLUÇÃO AMERICANA............................................................................................. 16
REVOLUÇÃO FRANCESA................................................................................................ 18
HISTORICO DAS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS.................................................. 21
CONSTITUIÇÃO DE 1824.................................................................................................... 21
CONSTITUIÇÃO DE 1891.................................................................................................... 22
CONSTITUIÇÃO DE 1934.................................................................................................... 23
CONSTITUIÇÃO DE 1937.................................................................................................... 24
CONSTITUIÇÃO DE 1946.................................................................................................... 25
CONSTITUIÇÃO DE 1967.................................................................................................... 26
CONSTITUIÇÃO DE 1969.................................................................................................... 27
CONSTITUIÇÃO DE 1988.................................................................................................... 27
AS CODIFICAÇÕES NA FRANÇA................................................................................... 28
A CODIFICAÇÃO CIVIL NO MUNDO............................................................................ 30
OS PODERES PRIVADOS.................................................................................................. 31
CONCLUSÃO....................................................................................................................... 37
REFERENCIAS.................................................................................................................... 39
INTRODUÇÃO

Este trabalho tem por objetivo principal a análise do direito no Estado moderno
desde sua formação, as revoluções mais importantes tanto do direito moderno como as
constituições e codificações que ocorreram nesse período de tempo. Assim, a Idade Moderna
se destaca das demais por ter sido um período de transição por excelência. Tradicionalmente
aceita-se o início estabelecido pelos historiadores franceses, 1453 quando ocorreu a tomada de
Constantinopla pelos Turcos otomanos, e o término com a Revolução Francesa
Abordaremos então assuntos como a burguesia, o absolutismo, Common Law, a
Magna Carta, o Bill of Rights, as constituições dessa época, tanto no mundo como no Brasil,
suas principais codificaçoes civis e suas principais revoluções.
Contudo a Revolução Inglesa teve, como ponto culminante, a afirmação do
Parlamento e a implantação de uma monarquia constitucional, lançando a MagnaCarta e o Bill
of Rights. A Revolução Americana teve duplo significado: a emancipação das colônias
inglesas na América, anunciada na célebre Declaração de Independência, de 1776; e sua
reunião em um Estado independente, delineado na Carta de 1787. e por fim a Revolução
Francesa, cuja deflagração é simbolizada pela queda da Bastilha, em 1789, foi um processo
mais profundo, radical e tormentoso de transformação política e social se tornado o grande
divisor histórico, o marco do advento do Estado liberal, o qual deu também a passagem da
idade moderna para a idade contemporânea.

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O Feudalismo

Os reis bárbaros - francos, hunos, godos, estrogodos, visigodos, lombardos entre


outros - uma vez completada a dominação dos vastos territórios que integravam a órbita de
hegemonia do extinto império Romano, passaram a distribuir cargos, vantagens e privilégios a
seus chefes guerreiros, o que resultou na fragmentação do poder. Como eram imensos os
territórios e impossível a manutenção de sua unidade sob um comando central único, criaram
uma hierarquia imperial de condes, viscondes, marqueses, barões e duques, que dominavam
determinadas zonas territoriais como concessionários do poder jurisdicional do Rei. Em
compensação se comprometiam a defender o território, dar ajuda militar, pagar tributos e
manter o principio de fidelidade ao Rei. O senhor feudal era o proprietário exclusivo das
terras, e todos os habitantes seus vassalos. Exercia as atribuições de chefe de Estado,
decretava e arrecadava tributos, administrava a justiça, expedia leis, promovia guerras. Era um
monarca absoluto em seus domínios.
Assim, um sistema de poderes superpostos e uma autoridade dividida dominou a
ocidente (Europa) entre os séculos VIII e XIV, adotando várias formas. O poder político era
local e personalizado e configurava um mundo social de pretensões e poderes superpostos.
Alguns destes poderes e pretensões entravam em conflito entre si; e nenhum governante ou
Estado era soberano no sentido de deter a supremacia absoluta sobre um território e uma
população. O ponto de partida de todos os feudos foi a crise interior e exterior que pôs fim ao
Império Romano, outro traço comum a todos foi a utilização de um direito romano vulgar,
recolhido, adaptado, resumido e positivado, constituindo-se na primeira herança normativa
que receberam os medievos ocidentais.
A jurisdição pertencia ao senhor da terra e era exercida sobre todas as pessoas que ali
viviam. Não havia a noção de interesse público em punir os delitos, assim o direito acusatório
pertencia a pessoa lesionada, ou, em caso de morte, a seus descendentes. O sistema processual
era ‘acusatório’, dotado das seguintes características: necessidade de iniciativa por parte da
vítima, igualdade de direitos entre as partes e formalismo, que se destinava unicamente a
satisfazer o interesse individual do lesionado. Evidentemente estamos nos referindo aos
nobres, aos cavalheiros e aos homens livres; os membros das classes servis estavam
inteiramente submetidos a vontade de seus senhores e as medidas punitivas exercidas.

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Um período de esclarecimento tomou conta do cotidiano das cidades, o que faz
surgir centros de reflexão e distribuição de conhecimento como as Universidades de Bolonha
– que no século XII ressuscitou o Direito Romano, ou seja, o direito imperial consolidado no
Corpus Juris Civilis, que havia caído no esquecimento, o que fez com que os juristas
compreendessem o quanto os costumes medievais eram rudimentares e inconfiáveis -
Salamanca, Paris, Coimbra e Oxford. Mas, sem dúvida, o Cisma na igreja promovido por
Urbano VI e Clemente VII (1378-1417), foi definitivo para o surgimento do Estado Moderno.
Com a eleição, em 1378, de Urbano VI, apoiado e reconhecido pelo Imperador do Sacro
Império e a eleição pelos franceses de Roberto de Genebra, que adotou o nome de Clemente
VII e estabeleceu sua sede em Avigon, com cada Papa nomeando seus próprios cardeais, cada
monarca se aliou a um Papa, visando essencialmente seus interesses políticos. Isto minou as
bases do poder clerical, dando oportunidade ao surgimento de um novo poder, em especial
com os acordos bilaterais firmados entre a Igreja e os Estados, onde a primeira reconhecia a
soberania dos últimos.
Mas o período histórico era extremamente difícil. Os europeus criaram o seu sistema
de Estados num momento particularmente crítico. A grande depressão econômica – a mais
prolongada da história – tem início em 1280. A Europa tinha atingido o limite de suas
possibilidades em matéria de produção agrícola, de trocas comerciais e de atividade industrial.
Até que se descobrissem novas técnicas, novos mercados e novas fontes de abastecimento, a
estagnação era certa e a regressão inevitável. O excesso de população exercia uma grande
pressão sobre a terra; a fome e as pestes que acabaram por reduzir um grande número de
habitantes, em nada contribuíram para melhorar a moral dos sobreviventes. A peste negra que
irrompeu violentamente em meados do século, voltou a atacar em várias ocasiões, fazendo
desaparecer vários governos locais.
A insegurança física e econômica refletiu-se na instabilidade política. Nenhum
governo poderia ter evitado a depressão, a fome e as pestes, porque os conhecimentos e as
técnica necessárias ainda não existiam, mas poderiam evitar as longas e custosas guerras dos
séculos XIV e XV, que vieram a aumentar em muito os sofrimentos e a desmoralização da
população. Neste período não se sabia bem quem era independente e quem não era, pois não
haviam limites claros e em muitas zonas as autoridades se sobrepunham.

A idade moderna

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A idade moderna foi bem diferente da média, suas características foram bem opostas.
A idade média foi marcada pelo: regionalismo político - onde os feudos e as comunas tinham
autonomia política, causando a fragmentação no sistema administrativo; e pelo poder da
igreja- que enfatizava e colocava a autoridade do Papa sobre os reinos da época.
A partir do século XV ao XVIII surgem novos regimes políticos: as monarquias
absolutas, como na França, Espanha, Rússia e outros, e as monarquias constitucionais, como
na Inglaterra e Holanda.
O Estado nasce, pois, como uma construção; é desse modo, um sujeito artificial,
centralizador, institucionalizado, que se fortalece cada vez mais, na medida em que detém o
monopólio da força e da burocracia.
No entanto o estado moderno desenvolveu-se com a noção da soberania, isto é, a
idéia de que o governante tinha o direito de consolidar suas decisões perante seus súditos que
morassem em seu território, e para isso ocorrer, o estado desenvolveu vários meios para
controlar a política de seu território. Alguns desses meios foram:
• burocracia: funcionários que cumpriam ordens do rei e desempenhavam as
tarefas de administração pública. Estes cargos eram ocupados pela nobreza
palaciana e pela alta burguesia.
• Poder militar: incluía toda as forças armadas - marinha, exército e polícia- para
assegurar a ordem pública na sociedade e o poder do governo.
• União da justiça: a legislação passou a valer em todo o território nacional.
• Sistema tributário: ou seja, sistema de impostos regulares e obrigatórios para
manter o governo e a administração pública.
• Idioma oficial: um mesmo idioma falado em todo território do estado, que
transmitia as leis, ordens e tradições da nação, além de valorizar seus costumes e
cultura.
O estado moderno também é conhecido como estado absolutista, porque o poder
estava concentrado nas mãos de poucos como reis e ministros que se aproveitavam das
limitações dos grupos sociais dominantes como a nobreza e a burguesia para controlar a
política.
O estado dependia dos impostos arrecadados sobre as atividades comerciais e
manufatureiras. Por isso era necessário o estado ter burgueses em cargos do governo,
incentivar o lucro, a expansão do mercado e a exploração das colônias.

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A burguesia

Os burgueses eram pobres e não sonhavam em ficar ricos, e tão pouco tomar o poder.
Estes burgueses eram herdeiros da classe medieval dos vilãos, eram desprezados pelos nobres
e pelos artesãos, por falta de alternativas, se dedicaram ao comércio, dando início assim à
acumulação de riquezas que, alguns séculos mais tarde, serviria de base para o surgimento do
capitalismo.
Com a aparição da doutrina marxista, a partir do século XIX, a burguesia passou a
ser identificada como a classe dominante do modo de produção capitalista e, como tal, lhe
foram atribuídos os méritos do progresso tecnológico, mas foi também responsabilizada pelos
males da sociedade contemporânea.
Na alta Idade Média, quando as cidades começaram a se formar e crescer, artesões e
comerciantes começaram a surgir como uma força econômica. Eles formaram as guildas, que
eram associações e companhias que tinham o objetivo de promover o comércio e seus
próprios interesses. Essas pessoas eram os burgueses originais. Na baixa Idade Média,
aliaram-se com os reis para enfraquecer o sistema feudal, transformando-se gradualmente na
classe governante de nação-estado industrializadas.
No século XVII e XVIII, essa classe de forma geral apoiou a revolução americana e
a revolução francesa fazendo cair as leis e os privilégios da ordem feudal absolutista,
limpando o caminho para a rápida expansão do comércio. Os conceitos tais como liberdades
pessoais, direitos religiosos e civis, e livre comércio todos derivam-se das filosofias
burguesas. Com a expansão do comércio, e da economia de mercado, o poder e a influência da
burguesia cresceu. Em todos os países industrializados, a aristocracia perdeu gradualmente o
poder ou foi expurgada por revoltas burguesas, passando para o topo da hierarquia social.
Com os avanços da indústria, surgiu uma classe mais baixa inteiramente nova, o proletariado
ou classe trabalhadora.
Mas a ascensão do elemento burguês também se verifica através, por exemplo, do
estudo - o acumular de riquezas possibilita aos filhos dos mercadores estudar nas
universidades, instruírem-se, tornaram-se corpo de letrados que auxilia o rei numa época de

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restauração do direito e de fortalecimento do poder real, conducente mais tarde ao que se
chamou de absolutismo. Muitos destes letrados, filhos de burgueses, que servem
devotadamente o rei, são recompensados, muitas das vezes, com títulos de nobreza,
verificando-se assim a estreita fusão entre os dois grupos que muitos, entre os burgueses,
propugnavam (mas que, muitas vezes, à nobreza tradicional, de sangue, desagradava).

O Absolutismo

O absolutismo marcou uma forma de Estado baseada na absorção das unidades


políticas menores, constituindo uma estrutura maior e mais forte, com capacidade de governar
sobre um território unificado, um sistema legal efetivo e vigente em todo território e com a
formação de um governo unitário, contínuo e efetivo, exercido por uma única cabeça
soberana. Neste período, todos os defeitos e virtudes do monarca absoluto se confundiam com
as qualidades do Estado. A legitimidade do soberano se baseava no direito divino e ele estava
acima do sistema, seu direito ao poder era supremo e absoluto.
No Estado absolutista, o direito era o poder da força, baseado em um tipo de
dominação tradicional, legitimado pelo direito divino dos Reis. Neste Estado a ideologia
existente pode perfeitamente resumir-se na famosa frase de Luis XIV “L’Etat c’est moi”.
Diferentemente, estaria a dominação racional-legal, perpetrada por meio da lei, entendida
como a expressão máxima da razão humana.
Então, por volta do ano 1700, a Europa já tinha implementado e desenvolvido -
ainda que embrionárias - as estruturas características do Estado moderno; estruturas que estão
na base da maioria dos Estados atuais. É claro que aqueles Estados estavam longe do que hoje
entendemos por Estado democrático, mas já não era um despotismo total. As ações de governo
– salvo raras exceções – deviam ser explicadas e justificadas perante os membros das classes
dominantes, além de seguir os preceitos legais.
Vários pensadores formularam teses para justificar o absolutismo, e entre eles
destacam-se:
• Nicolau Maquiavel (1469 -1527) - é considerado o precursor da teoria política
do Estado moderno. Pregou a construção de um Estado forte, independente da
igreja e dirigido de modo absoluto por um príncipe dotado de inteligência e de
inflexibilidade na direção dos negócios públicos. Expondo com grande franqueza
a objetividade de suas idéias, Maquiavel deu astutos conselhos aos governantes,

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rompendo com a religiosidade medieval e separando a moral individual da
publica. O resultado das ações do soberano é que contam, em fim segundo ele
“os fins justificam os meios”
• Jean Bodin (1930 – 1596) - defendeu em sua obra A Republica, o conceito de
soberano perpetuo e absoluto, cuja a autoridade representa a vontade de Deus.
Essa é a teoria da origem divina do poder real. Assim todo aquele que não se
submetesse a autoridade do rei deveria ser considerado inimigo da ordem publica
e do progresso social. Segundo Bodin, o rei deveria possuir poder supremo sobre
todo o estado respeitando o direito de propriedade dos súditos.
• Thomas Hobbes (1588 – 1679) - segundo ele o homem era o lobo do próprio
homem, vivendo em constantes guerras e matanças, cada qual procurando
garantir sua própria sobrevivência. Só havia uma solução para por fim a
brutalidade, entregar o poder a um só homem, o rei que governaria a sociedade
eliminando a desordem e dando segurança a todos.
• Jacques Bossuet (1627 – 1704) – reforçou a teoria da origem divina do poder
real, segundo ele, o rei era um homem predestinado por Deus para assumir o
trono e governar toda a sociedade. Por isso, não precisava justificar suas atitudes.
Com isso ele acabou criando uma frase que se tornaria o verdadeiro lema do
Estado absolutista: “um rei, uma fé, uma lei.

A mulher
• Funções publicas:
A principio a mulher não podia exercer nenhuma função publica, mesmo sendo
excluída da maior parte das profissões, quando se torna-se viúva, podia em geral continuar o
oficio do marido ou o comercio. Na França e na Inglaterra mesmo os maiores feudos
transmitem-se as mulheres, que, então desempenham em pessoa os seus serviços feudais. Do
mesmo modo ocorre com a função real, e ainda é eventualmente exercida por mulheres, como
quando a mulher rege o reino em nome de um filho menor.
• Maior idade:
Como as mulheres atingem a puberdade mais cedo que os rapazes, a maior idade se
diferencia segundo o sexo, as mulheres atingem geralmente 2 ou 3 anos mais cedo do que os
homens. Nos costumes medievais a maior idade das mulheres era de 11 e 22 anos, e as dos

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homens entre 14 e 25 anos. A idade de 25 anos foi instituída no século XVIII, entre os dois
sexos, e o código civil de 1804 a reduziu para 21 anos.
• Sucessão:
A igualdade ente os sexos em quase toda parte em matéria de sucessão de moveis.
Quanto aos outros tipos de sucessões veremos mais a seguir.
• A mulher casada:
A mulher quando casada estava sob o poder do marido, como os filhos estavam sob
o poder do pai. Em ato de adultério o marido podia bater ou ate mesmo machucar de qualquer
forma, mais contanto que a mesma sobreviva (séc.XIV). Mais tarde no século XV os
ferimentos graves já poderiam expor o marido a sanções penais, mais nem Namur, por
exemplo ainda no século XVI o homem não comete infrações ao bater na mulher a menos que
ela permaneça viva.
A mulher casada era incapaz, todos os costumes admitem que não pode nem obrigar-
se, nem contratar, nem estar em juízo sem o consentimento e a autorização do marido. No
entanto havia certas exceções, a mulher comerciante com o conhecimento do não foi nada
favorável com a mulher, a maior parte das incapacidades do antigo regime foram mantidas. O
código de Prússia de 1794 tinha sido mais favorável as mulheres, pelo menos as solteiras e as
divorciadas, estavam libertadas do poder do pai.
Testamento
Existem duas formas de sucessão, a ab intestato e a sucessão pelo testamento.
Na sucessão por testamento os bens são divididos conforme a vontade da pessoa que
faleceu. Mas essa vontade é expressa em um testamento escrito do qual a pessoa deixa parte
dos seus bens ou todo para um ou mais pessoas, diferente da doação que em hipótese alguma
pode dar e depois retirar o testamento pode ser revogado.
No ab intestato a pessoa não deixou um testamento escrito de qual seria a vontade da
mesma, a lei ou o costume supre a vontade de cujos.
Filiação
Apenas os filhos de pais e mães casados um com o outro são considerados legítimos
e podem gozar de todos os direitos. Qualquer filho nascido fora do casamento era um filho
ilegítimo, ou melhor dizendo um bastardo.
Após a revolução francesa

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Com as idéias de igualdade da Revolução Francesa o termo bastardo desaparece da
linguagem jurídica, os filhos naturais deixaram de ser feridos de incapacidade política. Em
1793 os filhos bastardos conseguiram o direito a titulo de alimentos e a terça parte sobre os
bens a que teriam direito se fossem legítimos.

a) filhos legítimos
Tanto no direito medieval e moderno seguiam que o pai é aquele que o casamento
indica, sendo assim o filho concebido durante o casamento tem por pai o marido, e o pai
poderia rejeitar o filho se consegui-se provar que era incapaz de ter filhos (relação sexual com
a esposa). O filho que nascido de um casamento anulado perdia seu estatuto de filho legitimo
segundo o direito romano. Mais o direito canônico foi mais humano, no séc. XII inventou a
teoria do casamento putativo, se alguns dos pais estivessem de boa fé, no momento do
casamento os filhos continuariam sendo legítimos apesar da anulação.
b) filhos naturais
Diferenciavam em duas espécies de bastardos:
• bastardos simples (naturais): nascido de pai e mãe que no momento de conceber
o filho não eram casados mais poderiam contrair o matrimonio.
Filhos nascidos de uniões proibidas como:
• bastardos adulterinos: nascido de pai ou mãe casado, com outra pessoa que não
conjugue.
• Incestuosos: nascido de pai ou mãe ligados entre si por um grau de parentesco,
que impede o casamento.
• Sacrílegos: filhos de um padre ou uma religiosa.
Os bastardos nascidos de uma união proibida ou reprovada, no máximo tinham
direito a alimentos. Diziam que quem faz os filhos devem alimenta-los, séc.XVII. (antes da
revolução francesa).
c) poder paternal
O direito paternal não foi tão extenso como no direito romano ou no germânico, o
pai deixou de ter o direito de vida e de morte sobre os filhos, conservando apenas não mais do
que um direito de correção sobre os filhos. Mais o filho permanecia sobre o poder paternal em
quanto morasse no mesmo teto e sobre a mesma panela.
A jurisprudência

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A jurisprudência desempenhou um papel muito importante na formação do direito
moderno, tanto pela autoridade que os tribunais reconheciam aos precedentes, como pela
influencia nas decisões judiciais, e a reforma dos costumes e doutrinas.
a) função dos precedentes
Esses desempenham uma importante função no judiciário, quando um dos tribunais
já estiverem resolvido um caso a mesma sentença será acolhida para os outros tribunais. De
fato a jurisprudência das grandes jurisdições foi estável.
b) fundamentação das sentenças
Até o séc. XIII os julgamentos eram raramente reduzidos a escrita, e as sentenças
não eram fundamentadas. O estilo do grande conselho de Malines de 1559 proibiu-se revelar
os segredos do tribunal. Os tribunais eram soberanos e decidiam por delegações do príncipe.

A evolução da Constituição

O constitucionalismo moderno se afirma com as revoluções burguesas, na Inglaterra,


Estados Unidos e Franca. Podemos, entretanto, encontrar o embrião deste constitucionalismo
já na Magna Carta de 1215. Não que a Magna Carta seja a primeira constituição moderna,
pois isto não e verdade, mas nela já estão presentes os elementos essenciais deste moderno
constitucionalismo: limitação do poder do Estado e a declaração dos Direitos fundamentais da
pessoa humana.
Podemos dizer que desde então, toda e qualquer constituição do mundo, seja qual for
o seu tipo (ou paradigma), liberal, social ou socialista, contem sempre como conteúdo de suas
normas estes dois elementos: normas de organização e funcionamento do Estado, distribuição
de competências, e, portanto, limitação do poder do Estado e normas que declaram e
posteriormente protegem e garantem os direitos fundamentais da pessoa humana.
O que muda de Constituição para Constituição é a forma de tratamento
constitucional oferecida a este conteúdo, ou seja, o grau de limitação ao poder do Estado, se o
poder é mais ou menos limitado, se o mesmo é mais ou menos autoritário, mais ou menos
democrático, a forma de distribuição de competência e de organização do território do Estado,
a relação entre os poderes (sistema de governo) e os Direitos fundamentais declarados e
garantidos pela constituição.
Outro aspecto do constitucionalismo moderno diz respeito a sua essência. O
nascimento deste constitucionalismo coincide com o nascimento do Estado Liberal, e a adoção

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do modelo econômico liberal. Portanto a essência deste constitucionalismo está na construção
do individualismo, e na construção de uma liberdade individual, construída sobre dois
fundamentos básicos: a omissão estatal e a propriedade privada.
Desde o tempo dos Gregos, de Aristóteles e de Platão; que a idéia de Constituição é
estudada. No entanto, o constitucionalismo moderno surge basicamente com (3) três
acontecimentos revoluções do séc. XVII e séc. XVIII.
• Revolução Inglesa "Glorious Revolution"
• Revolução Americana
• Revolução Francesa
São os três (3) momentos fundamentais do Constitucionalismo moderno as três
origens das constituições modernas. A memória mais antiga está na Revolução Inglesa
"Glorious Revolution". Existe a idéia que o Parlamento mais antigo e mais democrático é o
inglês embora existam à margem, experiências anteriores.
O rei da França perdeu o direito de governar dês do inicio das revoluções francesas,
o poder legislativo passou para os estados gerais, os quais proclamaram a Assembléia
Constituinte desde junho de 1789. Daí pra frente os poderes emanam da nação e não do rei,
esse foi o principio proclamado da maior parte das constituições.
Essa Assembléia legislou muito, contudo pra terminar com as instituições do antigo
regime e as substituir por outras. A primeira constituição francesa foi a de 1791, desde então
os poderes do estado e a garantia de liberdade publica estão escritas nas constituições na maior
parte dos paises da Europa e da América.
Desde que tentaram fixar o direito publico na constituição escrita que foi posta pelos
Estados Unidos em 1776-1780 entre os onze estados dos 13 que tinham declarado a
independência, a palavra constituição se destacou para o ato escrito no qual a forma de
governo de um pais é determinado a ser seguido. Já nos séculos XIX e XX tanto os estados
novos e antigos na maioria deles adotaram essa constituição escrita na qual estão sobretudo 3
poderes que seriam o poder legislativo, o executivo e o judicial, por outro lado a constituição
francesa e a americana contem uma declaração dos direito dos homens.

As fazes das constituições

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A primeira faze aconteceu de 1776 a 1814 na Europa, e na América em 1830, essas
datas correspondem as redações das constituições americanas e francesas e as que foram
elaboradas por influencia direta das mesmas.
Algumas constituições dos estados federados tem o período anterior a primeira
constituição dos EUA, mais a primeira constituição dos Estados Unidos é a de 1776 nessa
época ainda não se chamava constituição mais sim de artigos da confederação, a segunda a de
1787 estabelece um regime presidência e federal em vez de confederal e é considerada a mais
antiga constituição em vigor.no inicio do séc. XIX como a maioria da América Latina tinha
adquirido a independência os estados adotaram constituições inspiradas na dos EUA.
Na França a revolução de 1789 que deu origem a diversos regimes políticos cada um
elaborou a sua constituição: a constituição da legislativa em 1791, os estados gerais levaram
dois anos para redigi-la, essa constituição conserva a realeza mais acaba por limitar os poderes
do rei, introduzindo na França o principio da separação dos poderes, mais não tão rigorosa
como a dos EUA. A constituição montanhesa do ano I (1793) não era aplicada a constituição
do diretório., a do ano III (1795), a qual era muito menos revolucionaria do que a do ano I,
esse regime teria sido uma democracia semi-direta, a constituição do ano VIII (1800), esse
mantinha a separação dos poderes, que foi profundamente modificada pela do ano XII (1804)
que criou o império, e Bonaparte era o imperador.
A segunda fase ocorreu de 1814 a 847, e correspondeu a restauração e ao despertar
das nacionalidades, com a queda de Napoleão a França restabeleceu a monarquia, a qual o rei
Luis XVIII outorgou em 1814 estabelecendo assim um regime parlamentar baseado no
modelo inglês. Em 1830 a revolução derrubou a dinastia e trousse a monarquia, em parte essa
constituição trás as idéias da de 1814. Modificada lógico com um sentido mais liberal,
aumentou a liberdade publica e o poder real. A constituição Belga adotada em 1831 aboliu as
ordens do regime parlamentar e foi considerada por muito tempo a constituição mais liberal da
Europa.
A terceira fase deu-se em 1848 a 1914, onde as maiores partes das revoluções
começaram abalando a Europa, foi marcada por revoluções liberais, e tiveram como resultado
varias constituições novas com a pressão de 1848 a 1849. Após esse curto período das
revoluções as novas constituições tornaram-se raras, pois os regimes políticos ficaram mais
estáveis. Por toda a aparte os textos das constituições estavam estabelecendo monarquias
parlamentares, seguindo os modelos inglês, francês e belga, da qual muitas vezes não
funcionaram.

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A quarta fase ocorreu nos anos de 1918 a 1940, essa parte ocorre as conseqüências
das vitórias e derrotas obtidas em 1918, nos novos estados da Europa Ocidental as
constituições estabeleciam republicas parlamentares, e a Alemanha tentando construir um
regime mais democrático acabou falhando e assim dando lugar a ditadura e o nazismo de
Hitler, mais o mesmo aconteceu na Itália na Espanha e em outros paises.
A quinta fase ocorreu dês de 1945 com a segunda guerra mundial, onde o fascismo
desapareceu e a constituições democráticas surgiram. Ocorreu então a descolonização da Ásia
e da África como em outros paises, muitas constituições com direito dos homens surgiram e
entre o séc. XIX e XX o papel das câmaras legislativas na maioria das vezes se reduziu a
ratificar o que a administração propusera.

As declarações do direito do homem

O jus-naturalismo moderno, sobretudo através dos iluministas, teve uma importante


influência sobre as grandes revoluções liberais dos séculos XVII e XVIII:
• A Declaração de Direitos (Bill of Rights) de 1668 da assim chamada Revolução
Gloriosa que concluiu o período da “revolução inglesa” iniciado em 1640
levando à formação de uma monarquia parlamentar;
• A Declaração dos direitos (Bill of Rights) do Estado da Virgínia de 1777, que foi
a base da declaração da Independência dos Estados Unidos de América (em
particular as primeiras 10 emendas de 1791);
• A Declaração dos direitos do homem e do cidadão da Revolução Francesa de
1789 que foi o “atestado de óbito” do Ancien Régime e abriu caminho para a
proclamação da República.
Os direitos da tradição liberal têm o seu núcleo central nos assim chamados direitos
de liberdade, que são fundamentalmente os direitos do indivíduo (burguês) à liberdade, à
propriedade, à segurança. O Estado limita-se a garantia dos direitos individuais através da lei
sem intervir ativamente na sua promoção. Por isto, estes direitos são chamados de direitos de
liberdade negativa, porque tem como objetivo a não intervenção do Estado na esfera dos
direitos individuais.
Em quase todas as constituições do mundo, encontram-se atualmente uma
enumeração dos direitos do homem e dos meios de garanti-los. Mais apesar disso nem a

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França e nem a América inventaram o Bill of rights, os estados da América do Norte não
fizeram nada alem de continuar a tradição da Inglaterra, onde se encontram leis que garantiam
o direito dos súditos ao rei, assegurava a liberdade de expressão, como os documentos
medievais como a Magna Carta.
Já na França essa declaração foi elaborada em agosto de 1789 no inicio da revolução,
com isso no dia 4 de agosto aboliram o regime feudal junto com todos os privilégios, a
Assembléia Nacional proclamou-a em 26 e agosto de 1789, e foi incorporada como a primeira
constituição francesa em 1791.
Desde os meados do séc. XX tem aparecido declarações de direitos que já o não são
de sentido estritamente nacional mais sim internacional.

Revolução Inglesa

De fato o primeiro país a dar um passo no sentido do constitucionalismo foi à


Inglaterra. A tradição Inglesa sempre foi uma tradição de participação entre o Rei e o seu
Povo, na Inglaterra nunca houve o Absolutismo Real como na França e Portugal, nunca houve
propriamente um poder central muito forte.
No século XIII temos uma das primeiras reações históricas que se conhece contra a
tentativa de um rei se tornar absoluto.
O sistema Inglês da monarquia é um sistema assente no consentimento dos
principais testamentos do reino. Os reis para tomarem decisões ouviam os barões, os membros
da igreja, os representantes das cidades mais importantes; habitualmente os reis não tomavam
decisões apenas em seu único interesse, tentava sempre ouvir as pessoas mais importantes da
terra. Era tradição o rei ouvir as pessoas mais importantes e daí nasce a idéia de Parlamento.
Mas o Rei João sem Terra como herdou várias terras, e acumulava uma linhagem
hereditária espalhada também no Continente, começou a ficar cada vez mais poderoso, e
começou a decidir tudo sem consultar os Barões e os Bispos. Os Nobres e o Clero ( visto nesta
altura não haver qualquer interesse pelo povo ) e a " alta burguesia " revoltam-se contra o João
sem Terra e exigiram que este lhes reconhecesse uma série de Direitos. Resultante de uma
batalha entre João sem Terra e os nobres, na qual os nobres saíram vitoriosos, o rei reconhece-
lhes uma série de direitos contidos num documento chamado "Magna Carta".
A Magna Carta ainda hoje é conhecida como a primeira grande declaração de
liberdades das pessoas. É o primeiro grande documento onde são definidos os Direitos e

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Liberdades dos indivíduos; embora não dos indivíduos em geral, mas sim dos Barões e do
Alto Clero e pouco mais. Em todo o caso é um claro primeiro passo num rumo de
reconhecimento de Liberdade.
A partir do séc. XV já está definido que existe na Inglaterra um parlamento
composto por Câmara dos Comuns e Câmara dos Lordes. As questões financeiras ficavam a
cargo da Câmara dos Comuns, enquanto que as questões de âmbito espiritual e legal na
Câmara dos Lordes.
Para todos os grandes atos era preciso consentimento do Parlamento, mesmo quando
o rei Henrique VIII, um dos reis mais centralizadores de Inglaterra, quis cortar os vínculos
com a igreja católica e criar a igreja anglicana, foi necessário fazê-lo através do Parlamento.
Foi o Parlamento que aprovou a legislação para tal tomada de decisão. Há então uma tradição
na Inglaterra que é a de respeitar a propriedade, as riquezas e algumas liberdades. Ele obteve
do parlamento a chamada lei de supremacia, que o converteu em chefe supremo na terra da
nova igreja, que cujos cargos e rendas ficava sendo exclusivo do senhor.
Chegamos então ao séc. XVII, Rei Carlos I tenta começar a governar sem o
Parlamento e sem ouvir os tais comuns e lordes, o Parlamento não gostou e houve uma guerra
entre o Parlamento e o rei, que culmina com a instauração duma República na Inglaterra
(1649-1660) liderada por Cromwell.
Lançou-se então a Bill of Rights que é uma atualização da Magna Carta, que foi
outorgada por João sem Terra em 15 de Junho de 1215, bem como é criada uma arquitetura
constitucional reformada (onde o parlamento detém poderes definitivos). Obviamente que
com um Rei estrangeiro que pouco conhece da vida inglesa, fato ainda mais patente quando os
alemães são chamados para o trono, se assiste que a pouco e pouco ao diminuir dos poderes
do rei e ao aumento dos poderes do parlamento.
A Revolução Inglesa teve como ponto culminante, a afirmação do Parlamento e a
implantação de uma monarquia constitucional. Em 1689, quando William III e Mary II
ascendem ao trono com poderes limitados pelo Bill of Rights (Declaração de Direitos, 1688),
já estavam lançadas as bases do modelo de organização política que inspiraria o ocidente
pelos séculos afora. E com uma singularidade: fruto de uma longa gestação, que remonta à
Magna Charta (1215), as instituições inglesas tiveram base tão sólida que puderam até mesmo
prescindir de uma Constituição escrita.
A magna carta continha escrita que Logo que uma mulher ficasse viúva, receberia
imediatamente sem dificuldade alguma, seu dote e herança, não ficando obrigada a satisfazer

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quantia alguma por esta restituição, nem pela pensão de viuvez, de que for credora, no tocante
aos bens possuídos pelo casal, até à morte do marido; poderá permanecer na casa principal
deste por espaço de quarenta dias, contados desde o do falecimento; e se lhe consignará,
entretanto, dote, caso não o tenha sido antecipadamente. Estas disposições serão executadas,
se a sobredita casa principal não for uma fortaleza; mas, se o for, ato contínuo, será oferecido
à viúva outra casa mais conveniente, onde possa viver com decência até que se designe o seu
dote, segundo aviso prévio, percebendo dos bens comuns de ambos os cônjuges o necessário
para sua honesta subsistência. A pensão será conforme a terça parte das terras possuídas pelo
marido, a não ser que lhe corresponda menor quantidade em virtude de um contrato celebrado
ao pé dos altares.

Common law

Common law é o sistema jurídico elaborado também na Inglaterra só que a partir do


séc. XII pelos juizes reais. Ela se manteve e se desenvolveu ate os nossos dias essa expressão
significa leu comum, o direito inglês moderno é muito mais histórico do que os da Europa
Continental, o common law sofreu pouca influencia direta do direito romano, ou do direito
medieval, é sim um sistema judiciário.
No séc. XII o costume permaneceu como a única fonte do direito na Inglaterra.
Qualquer pessoa que quisesse pedir justiça ao rei, poderia lhe endereçar um pedido, o
chamado chanceler, um dos principais colaboradores do rei o examinava e se considerasse
com fundamento enviava um ordem chamada WRIT para um xerife que seria um agente local
do rei, os senhores feudais até tentaram lutar contra o desenvolvimento do writs, com a magna
carta de 1215, conseguiram por freio as limitações reais sobre a dos barões, com isso a lista
dos writs ficou limitada á que existia em meados do séc. XIII, mas o common law elaborou-se
com base num numero limitado de formas processuais e não sobre regras relativas ao fundo do
direito, e é por isso que ela e diferente no fundamento com a dos direitos dos paises do
continente europeu.
Se o common law é sobretudo um direito jurisprudencial, a obrigação para o juiz de
decidir a partir das regras expostas pelos judiciários, não foi imposta via legislativo mais sim
em 1875. Os juizes dos tribunais embora fossem nomeados pelo rei tinham se tornado
independentes.

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Revolução Americana

Já a Revolução Americana teve duplo significado: a emancipação das colônias


inglesas na América, anunciada na célebre Declaração de Independência, de 1776; e sua
reunião em um Estado independente, delineado na Carta de 1787. Primeira Constituição
escrita e solenemente ratificada (após o acréscimo do Bill of Rights - Declaração de Direitos,
1791), foi ela o marco inicial do longo sucesso institucional dos Estados Unidos da América,
baseado em um modelo de separação de Poderes, republicano e federativo.
A revolução Americana deu-se a partir de 1776 e culmina com a Constituição de
1789. As colônias Americanas eram colônias pertencentes à Inglaterra e a partir dos meados
do séc. XVIII começa-se a verificar que os ingleses dominavam os Estados Unidos cobravam
impostos aos Americanos e em troca não deixavam os Americanos estarem representados no
Parlamento Inglês. Tradicionalmente existia uma relação direta entre quem pagavam impostos
e quem estava representado no Parlamento, veja-se que o poder dos Comuns na Inglaterra,
deriva em larga medida dos poderes financeiros. Quem estava representado no parlamento era
quem sustentava o reino e o Rei, havia por isso uma relação muito direta no pagamento de
impostos e a representação no parlamento.
Verifica-se que as colônias pagam impostos e não estão representadas no parlamento.
Os Americanos não gostam da idéia, - se os Ingleses não fazem nada por eles, e se são eles
que ainda têm que fazer alguma coisa pelos Ingleses, então mais vale serem independentes e
tratarem de si. Esta questão foi gradativamente tomando mais importância, até que o Rei
Inglês Jorge III decidiu que os impostos deviam ser aumentados, além de aumentar o controlo
sobre a vida americana. Daí surgiu um movimento de revolta que gerou uma guerra,
designada pela Guerra da Independência.
Houve então uma revolução que foi ganha pelos Americanos e daí resultaram os
treze estados originais (a primeira bandeira Americana tinha apenas 13 estrelas em circulo que
representavam os 13 estados originais e a medida que iam entrando novos estados as estrelas
foram-se acumulando). Estes 13 estados numa primeira fase uniram-se numa confederação.
Confederação: união de estados mais leve que uma federação, em que cada um dos
estados mantém um alto grau de independência. Por isso na primeira fase da revolução
Americana cada um dos estados ficou relativamente independente porque tinham medo que
um novo poder central (igual ao poder do Rei Inglês) se impusesse e oprimisse as liberdades

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Americanas. Exatamente para garantirem as liberdades de cada um dos indivíduos, numa
primeira fase os Americanos constituem-se numa confederação (uma federação em menor
grau).
A confederação não funcionou nos primeiros anos, porque os estados não se
entendiam uns com os outros. Daí surgiu a idéia de se fazer uma Constituição Federal,
criando-se uma verdadeira união de estados.
Surge então a Constituição de 1789 que cria os Estados Unidos da América.
É a primeira Constituição escrita dos tempos modernos e a que serve de exemplo para todas as
outras Constituições.
A primeira idéia base é de que a Constituição é feita pelo povo e para o povo, não é
uma Constituição dada pelo Rei. A Constituição Americana começa por dizer we the people
ou seja "nós o povo" estabelecemos esta Constituição. É o povo que estabelece a Constituição
para garantir a sua liberdade. Mas porque se tinha verificado que sem existir um poder político
organizado, não havia poder político possível é criado um poder central federal. Existia então
um problema, se por um lado era necessário dar poder para orientar os EUA por outro havia
receio de dar "poder ao poder", porque o poder iria retirar ao povo a recém conquistada
liberdade.
Decidiu-se fazer a fim de preservar a liberdade do povo um documento onde se
estabelecesse o poder político, mas ao mesmo tempo limita-se esse mesmo poder, fica-se, a
saber, o que é que o Governo faz e quais os seus limites, a Constituição foi o instrumento que
os Americanos descobriram para limitar o poder. O poder é limitado de várias formas. Uma
delas é através da separação de poderes em vez de se instituir um poder centrado no Rei ou no
parlamento, são instituídos três poderes o poder executivo, poder legislativo e o poder judicial.
O poder executivo é dado ao Presidente que é eleito de 4 em 4 anos, o poder
legislativo é dado a duas câmaras como o senado e a câmara dos representantes e o poder
judicial é dado ao Supremo Tribunal.

Revolução Francesa

A revolução francesa um dos grandes acontecimentos históricos que marcaram a


superação do feudalismo pelo capitalismo, foi uma das fundadoras do Constitucionalismo, e é
usada para marcar o inicio da idade contemporânea, cuja deflagração é simbolizada pela
queda da Bastilha, em 1789, foi o processo mais profundo, radical e tormentoso de

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transformação política e social. E na visão de superfície, menos bem sucedido, pela
instabilidade, violência e circularidade dos acontecimentos. Contudo, foi a Revolução
Francesa que se tornou o grande divisor histórico, o marco do advento do Estado liberal. Foi a
Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, com seu caráter universal, que
divulgou a nova ideologia, fundada na Constituição, na separação de Poderes e nos direitos
individuais. Ao final de 1815, uma nova classe - a burguesia - instalara-se no poder,
celebrando o casamento final e até aqui indissolúvel entre o poder econômico e o político.
Quem financiava as guerras eram os impostos e basicamente quem suportava a
maior carga fiscal era o povo, por isso este regime Francês chega a meados do séc. XVIII do
ponto de vista social e econômico completamente comprimido sem haver mecanismos de
representatividade, sem existirem formas institucionais de diálogo entre os vários estados
sociais.
O estado que por um lado oprime o povo e por outro não tem dinheiro está falido.
(Se não tem dinheiro deduziremos que não vai oprimir ninguém porque não vai poder pagar à
tropa não consegue pagar á polícia. Logo não consegue manter o povo acorrentado).
O Rei tenta fazer uma série de reformas nomeando vários Banqueiros e Financeiros
como uma espécie de Primeiros Ministros, mas o fato é que todas essas reformas falharam, e o
rei não conseguiu reformar o fisco e nem fazer com que mais pessoas pagassem os impostos.
Em desespero de causa convoca os chamados Estados Gerais, que são uma reunião do Clero
da Nobreza e do Povo, em que cada um manda separadamente representantes. Estes Estados
Gerais são convocados em 1789 (não se reuniam desde 1614), estes se encontraram para
promover e ver aprovada uma reforma fiscal que de modo geral seria para alargar a base
tributária.
Os representantes do povo aproveitaram o fato de estarem reunidos para
apresentarem uma série de reivindicações, às reivindicações do povo junta-se também uma
parte da pequena nobreza e do clero. E na famosa sala de jogo da Pela (sala interior onde se
jogava tênis) reuniram-se todos os Estados e forma-se uma Assembléia Constituinte, esta
Assembléia cria uma nova Constituição que garante as liberdades, o direito dos homens e do
cidadão. Enfim há de fato uma revolução no sentido de criar uma Constituição escrita que
garantisse as liberdades dos indivíduos e que ao mesmo tempo se mantivesse o Rei, mas
depressa as coisas se descontrolam e se aceleram. O Rei é apanhado e guilhotinado; a
Constituição é aprovada, mas fica suspensa, e é instalado o grande terror liderado por
Robespierre.

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A revolução Francesa começou por ser uma revolta do povo quase espontânea que
declara uma Constituição do tipo "Inglês" que lhes garante liberdades de direitos do homem,
do tipo misto Inglês/Americano. Rapidamente se degenerou para uma ditadura de terror e
finalmente foi trocada pelo Imperador que embora racional e defendendo os interesses da
burguesia, instituiu um estado autoritário.
Acaba-se por trocar o Rei Luís XVI pelo Imperador Napoleão; com algumas
diferenças, sobretudo ao nível da estrutura econômico e social.
É uma revolução básica de nossa história moderna acabou apontando para o direito
três conceitos que são fundamentais:
• Vontade geral (decisão de uma maioria que toma a forma de lei).
• Nação (a soberania na Constituição Americana reside no povo e a francesa não
reside apenas no povo, existe algo mais para além do povo).
• Razão
De forma sumária e inevitavelmente simplificadora, estes são os três grandes
antecedentes do constitucionalismo moderno e das instituições liberais. Eventos que ainda
figuram em várias partes do mundo como mera inspiração, uma referência remota. Lugares
onde a conquista da liberdade não é história, mas uma aventura em curso.
No início da revolução, distinguiam-se, na Assembléia, duas facções antagônicas: os
aristocratas e os patriotas. Com o desenrolar dos acontecimentos, os dois grupos cindiram-se.
Os patriotas dividiram-se em monarquistas, que, temendo a ascensão do movimento popular,
desejavam fortalecer o poder real; constitucionais, que pretendiam limitar o poder do rei sem
aboli-lo; e um pequeno grupo extremado que, desconfiado de Luís XVI, procurava restringir
ao máximo suas atribuições.
A luta política não se travava somente na assembléia. Havia também os clubes, em
que os diversos grupos se reuniam para discutir. O principal deles era o Clube dos Jacobinos,
onde se encontravam os deputados patriotas e a elite da burguesia revolucionária. Os debates
se travavam também pelos jornais: enquanto a aristocracia se manifestava no Petit Gauthier,
na extrema esquerda Jean-Paul, Marat agitava a opinião pública com o L'Ami du Peuple.
Restava à Assembléia tomar medidas que remediassem a crise financeira e
reorganizassem a vida constitucional do país. Como medida extrema, decidiu lançar mão dos
bens do clero. A constituição foi concluída em 1791 e, seguindo o exemplo dos americanos, os
constituintes encabeçaram-na com uma declaração de direitos que valia como uma exposição

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dos princípios filosóficos da revolução. Os mais importantes eram o princípio da soberania do
povo e o da separação dos poderes.
Sendo maioria na Assembléia, a burguesia ditou os princípios que nortearam a
constituição, de acordo com seus interesses de classe, e preocupou-se, ao mesmo tempo, em
restringir o poder real e conter as reivindicações das massas populares. Escolheu o regime
representativo, no qual o povo não poderia influir diretamente no governo e nem todos podiam
votar. Os cidadãos foram divididos em duas categorias -- ativos e passivos -- e a constituição
outorgou o direito de voto somente aos primeiros. A base para a distinção entre as duas
categorias era a propriedade.
A constituição estabeleceu a igualdade de impostos, secularizou o matrimônio, o
registro civil e a instrução pública. Para conter a agitação operária, decorrente da crise
econômica e do desemprego, a Assembléia votou uma lei que proibia as associações
profissionais. Na verdade, a queda do antigo regime trouxe pouca vantagem para o operariado.
Nem mesmo os camponeses pobres foram beneficiados como esperavam

Histórico das Constituições Brasileira

Constituição de 1824
A fase colonial da história brasileira, desprovida de textos constitucionais, tem
capital importância pelo legado político: a formação coronelística oligárquica.
Iniciada em 1808 com a chegada de D. João VI, a fase monárquica registra a
primeira Constituição brasileira. Trata-se da Constituição Política do Império do Brasil, de
1824.
Convocada por D. Pedro I, em 3-06-1822, as sessões só foram abertas em 3-5-1823.
Eram 76 deputados eleitos de catorze províncias, mas cinco delas não puderam mandar seus
representantes, seus trabalhos duraram seis meses.
Esta primeira Constituição foi instituída em meio a um processo extremamente
traumático de conflitos entre o Imperador e a Assembléia Constituinte.
Foi imposta, outorgada após a dissolução da Assembléia Constituinte pelo Imperador
D. Pedro I em 12-11, também chamada "carta de lei de 25 de março de 1824", estabelecia um
governo monárquico, hereditário e constitucional representativo. Além dos três poderes
clássicos institui o quarto poder, o moderador, exclusivo do imperador, que também detinha o
executivo.

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O senado, vitalício, era nomeado pelo chefe de Estado. Foi Instituído o voto
censitário, que excluía a maioria da população das eleições; para câmara do Deputados, de
caráter temporário, podia ser dissolvida pelo imperador, após este ouvir o conselho de estado
que era nomeado por ele próprio. Anunciava-se a liberdade de pensamento e impressa sem
censura, e abolia os açoites, a marca de ferro quente e outras penas cruéis, usadas contra
escravos.
Não havia, nesta Constituição, controle de constitucional idade e caracterizava-se
pelos seguintes elementos: a) contempla o liberalismo reinante na época; b) trata,
basicamente, de organizar o Estado (separação de poderes) e declarar direitos e garantias
individuais (sintomaticamente na parte final do texto). Verifica-se nesta Constituição
outorgada uma característica contrastante com as demais que a sucederam, isto é, a semi-
rigidez. Veja o teor do art. 178 da Carta:é só constitucional o que diz respeito aos limites e
atribuições respectivas dos Poderes Políticos, e aos Direitos Políticos e individuais dos
cidadãos; tudo o que não é constitucional pode ser alterado, sem as formalidades referidas,
pelas Legislaturas ordinárias.
Apesar da declaração de direitos, o Império manteve a escravidão, bem como pena
de morte, banimento, de degredo; c) o governo era hereditário, constitucional e representativo;
d) o território foi divido em províncias, administradas por um presidente de livre nomeação do
Imperador; e) O Imperador exercia o Poder Moderador (chave da organização política e forma
de garantir o equilíbrio e harmonia entre os poderes) e o Poder Executivo; f) O Poder
Legislativo era exercido pela Assembléia Geral, composta de duas câmaras (deputados e
senadores) e g) O Poder Judiciário era composto de juízes e jurado.
A centralização monárquica foi constantemente combatida até resultar no surgimento
da República em 1889. Apesar de ter vigido por apenas 65 anos, aproximadamente, foi a
Constituição que mais durou em relação às demais que chegaram a existir.

Constituição de 1891

Após a Proclamação da República, o mal. Deodoro da Fonseca nomeou uma


comissão, em 3-12-1889, para elaborar um projeto de Constituição que seria apreciado por um
Congresso Constituinte, eleito em 15-9-1990, essa comissão elaborou a Constituição
decretada pelo governo em 22-6-189, apesar das denúncias de fraude em sua eleição. O
Congresso se reuniu e promulgou a primeira Constituição republicana, elegendo Deodoro

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primeiro presidente da República.
A fase republicana de nossa história, inaugurada pela Proclamação da República, em
15 de novembro de 1889, testemunhou a existência de, pelo menos, 6 (seis) Constituições.
A Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, projetada por Rui
Barbosa, foi promulgada, isto é, foi elaborada e aprovada obedecendo todo um processo
democrático, foi promulgada em 24-211891, praticamente inaugurou as seguintes instituições
políticas: a República, a Federação e o Presidencialismo. Adotou a doutrina tripartida de
Montesquieu. Firmou uma ampla autonomia para os Estados. "Era o texto da Constituição
norte-americana completada com algumas disposições das Constituições Suíça e Argentina"
(Amaro Cavalcânti) 1. Ademais, é uma típica Constituição liberal. Nela, organizam-se os
poderes do Estado e são declarados, ao final do texto, os direitos e garantias individuais.
Na chamada Primeira República prevaleceram os poderes locais, revigorados com a
ampla autonomia formal prevista na Constituição. Os "Coronéis" elegiam governadores,
deputados e senadores. Os governadores, por sua vez, impunham o Presidente da República.
A originária formação dos entes como províncias, na Constituição de 1824, foi
substituída, por meio do Decreto N°. 01, que instituía provisoriamente, a forma de República
Federativa de governo, no qual, os entes agora com a designação de Estados possuíam
autonomia para editarem oportunamente suas Constituições.
Com efeito, verifica-se na Constituição de 1891 a tentativa de abandono dos laços do
Estado com a Igreja, pois a primeira das constituições republicanas, se deixarmos de
considerar preâmbulo a exposição de motivos introdutórios da Lei Magna de 1937, todas as
demais constituições brasileiras se referiram à Divindade, ressaltando a natural religiosidade
do povo brasileiro esta já admitiu a liberdade de culto. A ausência de tal referência na
Constituição de 1891 deve-se, certamente, à influência do positivismo, na eclosão do
movimento republicano, preocupado em laicizar o Estado, isto é, separar a Igreja do Poder
Político, estendeu o direito ao voto a todos os cidadãos masculinos maiores de 21 anos.
Como característica marcante do período de 1891 a 1926 assistiu-se à ampliação da
incidência do hábeas corpus, de tal sorte que por meio dele, tomaram-se defensáveis
jurisdicionalmente outros direitos. O hábeas corpus começou a tutelar no plano judicial, o
direito de ir, vir e permanecer, ainda quando este pudesse, na simples condição de direito-
meio, ser afetado apenas de modo reflexo, indireto ou oblíquo.

Constituição de 1934

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Convocada e Promulgada após a publicação do novo código eleitoral, em 25-2-1932
durante o primeiro governo do presidente Getúlio Vargas, esta assembléia Constituinte
reproduz a essência do modelo liberal anterior. Instalada em 15/1/1993, após as eleições de 3-
5-1933, com 254 deputados entre eles quarenta representantes classitas eleitos por sindicados
e, pela primeira vez, uma mulher. No dia 16-7-1934, inspirada na Constituição alemã de
Weimar de 1919 e na Constituição espanhola de 1931. Esta Constituição ampliou os poderes
da união estendendo suas atribuições, e limitou os poderes do Senado incumbindo-o da
coordenação dos poderes federais entre si.
Ao analisarmos outros pontos da Constituição de 1934, dois pontos principais nos
chamam a atenção: 1) o extremo caráter compromissório assumido pelo Texto ante as
múltiplas divergências que dividiam o conjunto de nossas forças político-ideológicas da
época; 2) a curtíssima duração de sua vigência, visto que, promulgada 1934, já estava a ser
abolida em 1937 pela implantação do Estado Novo.
Pode-se destacar como sendo suas principais medidas conferir maior poder ao
governo federal e estabelecer o voto obrigatório e secreto a partir dos 18 anos e o direito de
voto às mulheres, já instituídas pelo Código Eleitoral de 1932. Prevê a criação da Justiça
Eleitoral e da Justiça do Trabalho, também foi criado, durante o governo provisório o
Ministério da Indústria e Comércio, que atuariam como órgãos de realização da política
econômica e social do movimento renovador.
Surge também o mandado de segurança, o que elimina as reais causas que estiveram
por trás da formulação ampliativa da teoria brasileira do hábeas cor pus, tomando protegidos
os demais direitos, desde que líquidos e certos, mesmo quando obliquamente venha a afetar a
liberdade pessoal e coibir atos ilegais da autoridade pública; tal medida passou ser utilizada do
âmbito civil.
Houve também aperfeiçoamento do controle, com fixação do quorum para a
declaração de inconstitucionalidade pelos Tribunais; suspensão da execução de lei pelo
Senado e declaração de inconstitucionalidade para evitar intervenção federal.
A curta duração que teve não deve ser explicada pelos defeitos que trazia em si, mas,
em verdade, pela radicalização do clima social de então. Tanto a extrema esquerda como a
extrema direita, tomaram inviável sua plena aplicação, gerando condições para que fosse
possível o Golpe de 1937.

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Constituição de 1937

Outorgada por Getúlio Vargas em 10-11-1937. Elaborada pelo jurista Francisco


Campos a partir das concepções autoritárias e centralista dos regimes fascista europeus, mais
precisamente, semelhante à Constituição polonesa, concentrou os poderes no Executivo.
Institucionaliza o regime ditatorial do Estado Novo.
Pode-se enumerar como as principais medidas instituídas por esta Constituição, a
centralização do poder político; acabou com o principio de harmonia e independência entre os
três poderes, pois o presidente passou a controlar o executivo e o legislativo extinguido os
partidos políticos; instalou o regime corporativo sob a autoridade direta do presidente foi
criado as Leis Trabalhistas e os sindicatos se atrelam ao governo; criação da LlCC2; criação
da pena de morte; supressão da liberdade partidária e anulação da independência dos poderes,
autonomia federativa. Permite a suspensão de imunidade parlamentar, a prisão e o exílio de
opositores. Estabelece eleição indireta para presidente da República, com mandato de seis
anos.
Interessante observar que a Carta de 1937 aparentava conservar os fundamentos
basilares da democracia, mantendo inclusive, as garantias dos cidadãos no elenco da
Declaração dos Direitos dos Indivíduos e afirmando no seu art. 10 a origem popular do poder,
mas havia na realidade um patente hiato entre o que preconiza a Lei Maior e a sua concreta
aplicabilidade, tanto assim, é que nem se realizou o plebiscito preceituado no art. 187, nem se
convocaram eleições imprescindíveis para a composição e funcionamento efetivo do
Congresso Nacional.
Formalmente, nunca entrou em vigor esta Constituição, o presidente governou
através de decreto-leis, suprimiu a garantia anteriormente estabeleci da: o plebiscito nunca
existiu.
Em 1945 Getúlio Vargas é derrubado por um golpe de Estado e assume o Presidente
do STF, José Unhares, que logo após, convoca uma nova Assembléia Constituinte.

Constituição de 1946

A redemocratização do País em 1945, com a deposição da Ditadura, abriu caminho


para a Constituição de 1946. De tendências liberais, promulgada em 189-1946, permitiu a
liberdade de organização e expressão, o direito de voto aos maiores de 18 anos, de ambos os

26
sexos. Insere entre as melhores, senão a melhor, de todas que tivemos. Tecnicamente é muito
correta e do ponto de vista ideológico traçava nitidamente uma linha de pensamento libertária
no campo político.
A Constituição de 1946 é uma constituição Republicana, Federativa e Democrática.
Por força do princípio republicano tem-se a origem popular de todo poder que é exercido por
mandatários do povo em seu nome e por um período certo.
A estrutura política definida praticamente repetiu a Constituição de 1934. Inspirada
na idéia de democracia social tratou da ordem social e econômica, permitiu técnicas mais
amplas de intervencionismo estatal, regulou os temas da família, da educação e da cultura.
Manteve a tradição de declarar os direitos e garantias individuais ao final do texto. Registre-
se, durante sua existência, a curta experiência parlamentarista, forma de superar a crise
política instalada e as tendências reformistas em curso.
De qualquer sorte ela, no seu conjunto, configura um texto equilibrado e harmônico.
É um texto que procurava dar aos três poderes o seu devido papel na atuação do Estad03.
Promulgada durante o governo Outra, reflete a derrota do nazifascismo na \I Guerra Mundial e
a queda do Estado Novo.
Destaca-se, como as principais medidas, o restabelecimento dos direitos individuais,
e proibiu a pena de morte, extinguindo a censura. Manteve entretanto o ranço conservador e
corporativista do regime anterior em dois pontos: uma estrutura sindical atrelada ao Estado e o
enunciado constitucional do direito a greve, que permitia, na prática, a sua proibição por lei
comum. Devolveu independência dos três poderes, a autonomia dos estados e municípios e a
eleição direta para presidente da República, com mandato de cinco anos. No período de sua
vigência, sofreu emendas e teve cerca de quarenta atos complementares.
Em 1961, a Constituição sofreu uma importante reforma com a adoção do
parlamentarismo, posteriormente anulada pelo plebiscito de 1963, que restaura o regime
presidencialista.

Constituição de 1967

O golpe militar de 1964, depois de impor vários Atos Institucionais e


complementares, viabilizou a aprovação da Constituição de 1967 pelo Congresso Nacional.
Elaborada pelo Ministro da Justiça, Carlos Medeiros da Silva durante o governo Castelo
Branco, promulgada pelo Congresso Nacional em 24/01/1967, com vigência a partir de 15/03,

27
traduzia a necessidade de ordem estabelecida a partir do golpe de 1964, como eleições indireta
para presidente da Republica, estendia ao presidente a iniciativa de projetos de emendas.
A preocupação básica da Carta Política de 1967 estava centrada na idéia de
segurança nacional. Fortaleceu a União e o Presidente da República (escolhido por um
Colégio Eleitoral). Ampliou a técnica do federalismo cooperativo (participação de uma
entidade estatal na receita de outra). Adotou a técnica do orçamento-programa e dos
programas plurianuais de investimento. Reduziu a autonomia individual, permitindo a
suspensão de direitos e garantias. Manteve o trato de assuntos econômicos e sociais. A
declaração de direitos aparece depois da organização do Estado.
Apesar da Constituição autoritária, o regime militar rompeu a ordem constitucional
com o Ato Institucional n°. 5, de 13-12-1968 decretado pelo presidente Costa e Silva. O ato
permitia ao chefe do governo cessar mandatos, suspender direitos políticos e legislar em
substituição ao Congresso após decretar-lhe o recesso. O Ai-5 deu seqüência a uma serie de
atos institucionais e complementares, que passaram a constituir o núcleo da legislação militar.
O recrudescimento do regime levou a uma ampla reformulação do texto
constitucional por intermédio da Emenda Constitucional nº. 1, de 1969, que encarnaria a
pretensão da institucionalização do poder que pretendia vigorar por longo tempo. Subsiste,
inclusive, a discussão no sentido da Emenda nº. 1 ser ou não uma nova Constituição.
A superação do regime militar e o surgimento da Nova República trouxeram a
necessidade de elaboração de um novo pacto político-social. Neste sentido, a Emenda
Constitucional n. 26, de 1985, convoca uma Assembléia Nacional Constituinte, a partir dos
membros do Congresso Nacional (Congresso Constituinte). O resultado dos trabalhos
constituintes, realizados ao longo dos anos de 1987 e 1988, foi à promulgação da Constituição
da República Federativa do Brasil de 1988.

Constituição de 1969

Outorgada pela junta militar que assumiu o poder após a morte do Presidente Costa e
Silva, em 17 de outubro de 1969, foi, na realidade, uma Emenda Constitucional nº 1. O
projeto recebeu uma revisão final do Professor Carlos Medeiros da Silva, que adaptou os
estudos do Professor Pedro Aleixo às normas decretadas pela junta de governo. Estabelecia
que AI-5 continuaria em vigor, assim como os demais atos baixados posteriormente. Recebeu

28
27 Emendas, a mais importante, a de número 11, de 13/10/78, instituiu reformas políticas,
revogou o AI-5 e outros atos institucionais complementares e permitiu ao Presidente decretar
o estado de sítio e o estado de emergência. Ainda em 1978 foi lançado o pacote de abril e os
Senadores eram indicados pelo Executivo, é o surgimento dos "Senadores biônicos" em
19/11/1980, a Emenda nº 15 alterou a de nº 8, tomando diretas as eleições para governador e
senador. No ano de 1982 o voto era vinculado e proibia a coligação partidária.
Como principais medidas adotadas por esta Constituição, destacam-se: criação do
divórcio; Lei Falcão (que restringia a publicidade de propaganda eleitoral); censura prévia;
ampliação do mandato do Presidente para seis anos.

Constituição de 1988

Instalada em 1-2-1987 e integrada por 72 Senador e 487 Deputados federais; foi a


primeira na historia do país a trabalhar sem um anteprojeto inicial e também a primeira a
aceitar emendas populares, organizadas por pelo menos três entidades associativas e que
deveriam ser assinadas por no mínimo 30.000 eleitores. As votações realizaram-se em dois
turnos. Promulgada 5-10-1988 em vigor atual composta por 245 artigos na parte permanente e
por 70 artigos no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias que regulamentam
provisoriamente artigos da Constituição na falta de lei ordinária que lhes garanta plena
vigência: poderia ser revisada ou ratificada pelo Congresso em outubro de 1993
A Constituição de 1988 é classificada como formal (documento solene estabelecido
pelo Poder Constituinte), popular ou democrática (órgão constituinte composto de
representantes do povo), rígida (somente alterável mediante processo especial) e abrangente
ou analítica (define fins e programas de ação de forma extensa e minudente).
A Constituição de 1988 consolida a redemocratização da vida política nacional
estabelecendo um novo pacto social. Trata-se de um texto moderno. Segundo José Afonso da
Silva, apresenta inovações de relevante importância para o constitucionalismo brasileiro e até
mundial.
A Carta atual define princípios fundamentais e fins para o Estado. Os direitos e
garantias fundamentais (individuais, coletivos, sociais e políticos) são elencados antes da
estruturação do Estado (pela primeira vez na história do constitucionalismo brasileiro). A
Federação estabelecida mantém a predominância da União, apesar de garantir significativos
espaços institucionais para os Estados e os Municípios. O Distrito Federal passa a integrar

29
expressamente a Federação (inclusive com representação própria no Senado Federal).
Consagra-se o Presidencialismo, dotado, entre outras possibilidades, de editar Medidas
Provisórias com força de lei. Mantém-se o Legislativo bicameral (Câmara dos Deputados e
Senado Federal).
O Poder Judiciário passa a ter uma estrutura singular com o Supremo Tribunal
Federal (com a função precípua de guarda da Constituição), o Superior Tribunal de Justiça
(destinado a uniformizar a aplicação da legislação federal) e a segunda instância da Justiça
Federal composta por cinco Tribunais Regionais. São fixadas as funções essenciais à Justiça
(Ministério Público, Advocacia do Estado, Defensoria Pública e Advocacia).
O Ministério Público ganha uma importância institucional enorme e deixa de
representar judicialmente o Estado. A antiga idéia de segurança nacional é substituída por
vários instrumentos de defesa do Estado e das Instituições Democráticas. Organiza-se um
extenso e complexo sistema tributário e orçamentário. A ordem econômica e financeira baseia-
se na livre iniciativa (capitalismo) segundo os ditames da justiça social (função social da
propriedade). A ordem social também recebe um tratamento bastante generoso envolvendo
seguridade (saúde, previdência e assistência), educação, cultura, desporto, ciência, tecnologia,
comunicação, meio ambiente, família, criança, adolescente, idosos e índios.
Talvez o melhor resumo da Constituição de 1988 esteja no seu primeiro artigo: a
República Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito.
A Constituição de 1988, até o final do ano de 2002, recebeu 49 (quarenta e nove)
emendas, sendo 6 (seis) delas oriundas da Revisão Constitucional.

As codificações na França

Na França foi Napoleão que conseguiu um conjunto de códigos, de 1804 a 1810


foram promulgados um Código Civil, um Código Processual Civil, Código Comercial, Código
Penal e um Código de Instrução Criminal. A maioria desses se manteve em vigor ate os dias
atuais, tanto na França como na Bélgica. Dês da segunda metade do séc. XVIII os códigos são
legislativos e o poder que o Estado lhe confere é um caráter oficial.
O código civil não foi apenas escrito somente para juizes, mais sim para os cidadãos.
Apesar de tudo a Inglaterra permaneceu refrataria a qualquer codificação, os outros paises
como os EUA e a Índia adotaram a common law, mas alguns esforços deram resultados. Ao
decorrer dos códigos oficiais existem também os códigos privados.

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A idéia de codificação não era nova na Revolução Francesa.
Na idade media, o termo código foi designado as codificações romanas, certas leis na
alta idade media são códigos, e um exemplo é o Breviário Alarico. Nos séc. XIII a XVI
numerosas compilações tenderam a codificar o direito
Sob a influencia do jusnaturalismo e do pespotismo esclarecido, vários paises
elaboraram importantes codificações.
Essa necessidade de codificação é afirmada desde o inicio da revolução francesa, a
Assembléia N. Constituinte decidiu em 1790 que o código civil fosse escrito e único para todo
o reino, de um modo que todos pudessem entender. Fracassando na matéria civil,
promulgaram um código de policia comercial em 1791, com a importante compilação de um
processo penal, o código penal teve 224 artigos designados a penas a infrações.
Foram elaborados dois grandes projetos pela comissão de legislação civil, criminal e
de feudalismo a comissão aprovou um código de delitos e penas, considerado um código de
processo e muito menos que um código penal, esse projeto foi obra de Merlin, porem essa
obra prima se tornou muito difícil na aplicação, pois ele regulamentou e preveu tudo, bom
esses foram em matéria penal, porem em matéria civil, vários projetos foram redigidos o
primeiro submetido a convenção continha 719 artigos, mais depois de 2 meses de discussão a
convenção não aprovou, era considerado muito extenso e complicado de se entender.Porem
foi elaborado um novo projeto que continha apenas 297 artigos, mais só foi submetido a
convenção depois do golpe de estado, e dessa vez ficaram desanimados, o projeto era muito
curto e revolucionário.
Então um novo projeto foi redigido junto com a comissão de classificação das leis, o
mesmo foi apresentado em 1796 contendo 1104 artigos, que por razoes políticas o conselho de
quinhentos quase não examinou. Bom em sete anos foram elaborados 4 projetos de código
civil, e nenhum deles foi promulgado.
b) O Código Civil de 1804
Com o golpe de Estado de 18 de Brumario levou Cambaceres ao poder, considerado
o segundo cônsul ao lado de Bonaparte. Criou então uma comissão de governo de quatro
membros, que estavam encarregados de redigir uma serie de projetos de eis civis, esse projeto
ficou pronto ao fim de quatro meses. (o projeto do ano VIII estava pronto), e o mesmo ia se
transformar no código civil.
Dês do começo a aprovação dos 36 projetos pelo Corpo Legislativo fez-se com
dificuldades, o primeiro foi votado em 5 de março de 1803 e o ultimo um ano mais tarde em

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21 de março, os textos foram reunidos deixando-os com um só corpo e foi chamado de Código
Civil dos Franceses, mais tarde em 1807 o texto foi colocado em harmonia com as novas
instituições, pois o regime político havia mudado, abordando temas como republica, império e
etc.. Esse foi chamado de Código de Napoleão, baseada na família e propriedade, assim
mantendo a abolição dos direitos feudais. Alem disso para a elaboração desse código foi
considerado a influencia das leis e sobretudo dos princípios da Revolução Francesa.
Mais tarde em 1805 Bonaparte fez redigirem mais quatro outros códigos, aplicando
sempre o mesmo método. O conselho examinou o projeto entre 1805 a 1806, nesse ouve
pouca discussão, aprovado o código de processo civil entrou em vigor 1 de janeiro de 1807.
Por fim outros paises inspiravam-se nos numerosos códigos da França, e isso
aconteceu com a Itália, Portugal, Egito, Espanha e ate mesmo o Japão.

A Codificação Civil no Mundo

A história da codificação civil é a trajetória da desigualdade dos poderes privados.


Assim foi e continua sendo. Tal afirmação parece ser paradoxal, num mundo em que tanto se
luta por justiça social, considerando ainda a promessa de igualdade dos iluministas e após os
fundamentos de mais de duzentos anos da Revolução Liberal.
Na verdade, a codificação, especialmente a codificação civil, cristalizou os valores
do liberalismo burguês da época, que tinha por fundamento central a patrimonialização das
relações civis. Era o predomínio do ter sobre o ser. O homem destinatário da codificação civil
sempre foi aquele dotado de patrimônio. E há uma justificação histórica porque, no seu
momento, representou a emancipação do homem.
A propriedade, como dizia Hegel, era a realização da pessoa. Na ruptura com o velho
regime, a propriedade individual simbolizava independência, autonomia, liberdade. Isso
marcou a história da codificação civil. Marcou a ponto de perpassar o Século XX, com o
surgimento do Estado Social, que teve por fito controlar os poderes econômicos e sociais.
Como sabemos, o constitucionalismo, classicamente, voltava-se para a organização e a
contenção do poder político e as garantias individuais. A contenção dos poderes privados dá-
se, posteriormente, com a inserção do terceiro segmento nas Constituições, a saber, a ordem
econômica e social.
A codificação e os códigos desempenharam o papel de constituição do homem
comum burguês, ou proprietário, enquanto perdurou o liberalismo ou a concepção de Estado

32
mínimo. Com o tempo e o advento da legislação social, foram perdendo densidade e se
distanciando, cada vez mais, dos interesses da maioria da população, melhor identificados
com normas especiais fundadas em princípios diferenciados. E, por isso, a preocupação dos
civilistas com um novo Código Civil, por entendermos que o seu momento já tinha sido
ultrapassado e que o momento atual – apesar do respeito que temos à decisão que o Congresso
tomou, como representante legítimo do povo – é, e continua sendo, o dos micros-sistemas
jurídicos que são, necessariamente, interdisciplinares, pois não conseguem ser reduzidos ao
sistema monotemático dos grandes códigos. É impossível introduzir, integralmente, as
relações de consumo num Código Civil, porque elas compreendem, necessariamente, as
interfaces com o Direito Penal, o Direito Processual Civil, o Direito Processual Penal, o
Direito Administrativo e assim por diante. Do mesmo modo, o Estatuto da Criança e do
Adolescente. É impossível pôr-se, dentro de um Código Civil, as matérias que são próprias de
Direito Penal, de Processo Civil e de outras áreas.
O novo Código Civil continuará convivendo com os micros-sistemas. E se impõe ao
intérprete e aplicadores de Direito a imensa tarefa de interpretar esse Código em conformidade
com os valores e princípios constitucionais. Portanto, trazê-lo à contemporaneidade. Até
porque muitos dos artigos do Código de 1916 foram repetidos no Código de 2002. E as
palavras, ali, não podem traduzir e ter o significado pensado por aqueles que a escreveram e as
puseram, no final do Século XIX e início do Século XX.
O esforço será grande. E, ao mesmo tempo, um esforço fascinante. Temos de
reconhecer, contudo, que o Código está produzindo o resultado positivo de despertar na
população a necessidade de conhecer o direito civil, um direito que a todos atinge.

Os poderes privados

Vamos aos principais protagonistas: a propriedade, a família e o contrato. São esses


os principais protagonistas ou entidades das relações civis e do direito civil.
O que tivemos, ao longo do Século XX e ao longo da história do Código de 1916 e,
de certa maneira, ainda persistem?
a) o poder marital; o poder sobre os filhos, o pátrio poder, numa relação entendida
como, necessariamente, desigual, hierarquizada, na relação entre os cônjuges e a relação entre
os filhos e deles com os seus pais; em suma o poder doméstico;

33
b) o poder do proprietário, entendido como exercendo um direito absoluto - não no
sentido que o Direito terminou formalizando mais adiante, que é daquele direito oponível a
todos, que não é só do direito de propriedade - mas daquele que o exerce contra todos e sem
impedimento, segundo o conceito da modernidade, de liberdade como não impedimento, e,
nesse sentido, afastando a intervenção do Estado e da coletividade;
c) o poder contratual dominante que nunca deixou de haver, mas que o Direito
desconsiderava, porque partia do princípio, sempre, da igualdade formal dos contratantes, sem
contemplar as suas potências econômicas; ou, como hoje já tratamos de modo muito mais
jurídico, o poder dominante de um e a vulnerabilidade jurídica de outro, que é pressuposta ou
presumida pela lei, a exemplo do inquilino, do trabalhador, do consumidor, do aderente.
Portanto, essa trajetória dos poderes privados marcou sempre a história do Direito
Civil e sendo revista muito tardiamente, considerando-se que no Brasil o Estado social apenas
foi inaugurado na década de trinta do século passado. Apenas ao final das últimas décadas do
Século XX, os juristas começam a refletir sobre as desigualdades provocadas pelos poderes
privados, que estão em completa desarmonia com os fundamentos da pregação igualitária do
iluminismo e do individualismo liberal. De um lado, nós tivemos o liberalismo político,
assentado na igualdade de todos os cidadãos, mas, do outro lado, as desigualdades dos poderes
privados, nas relações civis, consolidadas na igualdade jurídica formal.
No final do Século XX começa-se, então, a cogitar da igualdade de todos na lei.
Vejam que ainda estamos meramente no plano jurídico, não estamos nem discutindo as
desigualdades que estão subjacentes a toda formulação jurídica, numa sociedade como a
nossa, marcada, fundamentalmente, pelas desigualdades sociais e pela imensa concentração de
renda. O último censo do IBGE, na síntese dos indicadores sociais de 2000, indica que 10%
dos mais ricos da população têm rendimento médio dezenove vezes maior do que o dos 40%
mais pobres. E não houve variação de 1992 a 2000. Ou seja, houve melhora dos indicadores
sociais, nesse período, mas a desigualdade permaneceu. O que indica que é mais fácil
combater a pobreza do que combater as desigualdades sociais. E isso se reflete,
evidentemente, na aplicação nossa, diuturna, do direito e do direito civil.
Essa mudança de atitude, com relação ao princípio da igualdade, faz emergir uma
outra visão da igualdade jurídica, que não afasta, evidentemente, a igualdade formal, porque
isso é uma conquista da humanidade, a igualdade de todos perante a lei. Mas, amplia-se para a
igualdade de todos na lei, fazendo com que cada vez mais a sociedade exija que as
desigualdades saiam do conteúdo das normas jurídicas. Apesar do princípio da igualdade, que

34
estava nas Constituições brasileiras, a mulher somente adquire a plenitude da igualdade, do
direito a ser igual ao marido, em direitos e obrigações na relação conjugal, rigorosamente, em
1988, com a Constituição Federal.
Porque, nem o Estatuto da Mulher Casada, de 1962 e, nem mesmo a Lei do
Divórcio, de 1977, apagaram, por completo, as assimetrias jurídicas havidas historicamente
entre o homem e a mulher. Portanto, em quinhentos anos de existência, levamos, no mínimo
462 anos achando que era absolutamente natural o tratamento desigual entre marido e mulher.
E que seria absolutamente normal, justificável, que o consumidor, o contratante consumidor,
que não tem poder contratual algum, especialmente quando se depara com condições gerais
dos contratos predispostas, pudesse ser tratado como um igual, um contratante igual àquele
que predispôs.
E essa atitude era considerada absolutamente normal, entre nós. Vejam, então, como
essa virada se dá, de modo acentuado, no final do Século XX. E ainda estamos vivendo
intensamente essa mudança no nosso meio, sem contar que temos que ter a perfeita e clara
consciência da limitação da lei, porque lei alguma modifica a realidade social. Contudo, é
muito melhor que haja leis que dizem, às vezes, que “não pegam”; é melhor tê-las, como
instrumento disponível à cidadania, do que não as ter e essa consciência tem crescido.
Essa consciência de mudança, na escala de Heráclito - o pensador grego, como todos
nós sabemos, via sempre o mundo como algo em permanente mutação; o rio nunca é igual,
pois a água que passa não é a mesma de minutos antes – é bem retratada, em nosso país, na
ampla difusão doutrinária voltada à constitucionalização do Direito Civil.
No novo Código Civil eu destacaria, rapidamente, alguns pontos que eu entendo que
avançaram nessa direção. E, mais uma vez, sempre pensando nos três grandes protagonistas:
I - A propriedade. A propriedade deve se encaminhar sempre para a promessa
constitucional dos direitos sociais, contido no artigo 6º, que introduziu o direito à moradia,
que nada tem a ver com o direito da propriedade clássico; e para a relevância da posse, com a
desapropriação judicial do artigo 1.228, consistente de grande avanço, sem dúvida nenhuma.
O trabalho, nesse caso, completa a mera detenção fática da coisa.
II – O contrato. Os princípios sociais despontam com primazia sobre os princípios
individuais do contrato. E os princípios sociais são: a) 0 princípio da função social, agora
referido especialmente no Código, mas que a doutrina e o sistema jurídico já vinha
trabalhando há muito tempo; b) o princípio da boa-fé objetiva, que inclui a probidade; não se
pode pensar em boa-fé objetiva sem probidade, apesar da distinção feita no Código; e c) o

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princípio da equivalência material, não claramente expresso no Código, mas que dele deflui,
necessariamente, exigente do equilíbrio real de direitos e obrigações das partes; a
compreensão da vulnerabilidade do aderente, no contrato de adesão (arts. 423 e 424) é um
sintoma dessa preocupação, com relação à igualdade material dos contratantes.
Há uma ausência completa de regras sobre as condições gerais dos contratos que,
hoje, no Brasil, representam, certamente, o maior número de relações contratuais. Por
exemplo, os contratos de plano de saúde atingem milhões de brasileiros que a eles ficam
submetidos, significando uma massificação contratual brutal. E o Código nada trata sobre esse
assunto, salvo a referência genérica ao contrato de adesão. Há uma ausência lastimável, com
relação à responsabilidade pré-contratual e pós-contratual.
Registraram-se os notáveis avanços com relação à revisão contratual, para o que
poderia listar os artigos 157 (lesão), 317 (correção do valor de prestação desproporcional),
parágrafo único do art. 404 (concessão de indenização complementar, na ausência de cláusula
penal), 413 (redução eqüitativa da cláusula penal), 421 (função social do contrato), 422(boa-fé
objetiva), 423 (interpretação favorável ao aderente), 478 (resolução por onerosidade
excessiva), 480 (redução da prestação em contrato individual), 620 (redução proporcional do
contrato de empreitada). São tentativas que o Código faz, de estabelecer uma igualdade
material maior entre credor e devedor.
III - E a família. Eu chamaria a atenção, além dos já referidos, e a se lamentar, a falta
de admissão expressa das entidades familiares, que estão implícita ou explicitamente referidas
na Constituição. Há um tratamento assimétrico com relação à união estável e nenhum à
família monoparental, sem contar as demais entidades familiares que não estão explicitamente
referidas na Constituição, mas estão tuteladas por ela.
Sendo assim, a nova Codificação civil expressou que afora os princípios liberais
norteadores dos contratos, que já foram citados, deve, o negócio jurídico, estar baseado em
alguns princípios sociais, enumerados pelo código, que são: Função Social; Equivalência
Material e a Boa-Fé.
Entende-se pelo princípio da Função Social que o contrato deve-se adequar ao
interesse social, quando este se apresentar, de modo que não pode contrariar a coletividade.
Por esse princípio já dá para se ter uma noção da preocupação que teve o novo Código Civil
com o lado social dos contratos. Mas, ainda vai além a nova codificação.
Pelo princípio da equivalência material, expõe o código civil que as partes devem ser
igualadas com a execução contratual. Em outras palavras, uma parte não pode lucrar muito,

36
enquanto a outra vá ter prejuízos demasiados. Veja que, apesar da força obrigatória que possui
os contratos firmados com autonomia da vontade, há restrições a sua execução em nome do
social que agora rege o negócio jurídico.
Por último, tem-se a boa-fé, que é o objeto de estudo deste artigo jurídico. A boa-fé
tem que ser intrínseca ao contrato, tanto subjetiva, como objetivamente, sob pena de viciar o
contrato. É bom lembrar ainda, que ela deve ser manifestada tanto no período pré-contratual,
como na execução do contrato, não podendo se esquivar da mesma as partes contratantes.
A boa-fé frente a nova codificação civil: São inúmeras as passagens em que se
demonstra a necessidade da boa-fé nos contratos de hoje em dia. Porém, algumas desta s
passagens ocorrem de forma implícita, contudo tem-se algumas textualmente demonstradas,
senão vejamos:
Art. 422 - Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato,
como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.
Ainda no âmbito do código civil, pode-se encontrar:
Art. 187 - Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo,
excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou
pelos bons costumes.
Mais uma vez a boa-fé aparece:
Art. 113 - Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os
usos do lugar de sua celebração.
Boa-fé Subjetiva:
Entende-se por boa-fé subjetiva, a intenção do contratante na feitura do contrato, ou
seja o seu entendimento de que aquilo que está fazendo é o correto, de acordo com o seu grau
de conhecimento.
Boa-Fé Objetiva:
Neste caso, a boa-fé não é analisada sobre o prisma do intelecto do contratante, não é
a sua intenção psíquica que vai levar a dizer se a parte agiu ou não com boa fé.
Pois bem, o que deve se levar em conta aqui é o homem médio, ou seja, aquele
conhecimento que deve ser intrínseco a todo homem, de modo que suas atitudes devem se
adequar ao que a sociedade convenciona “conhecimento geral”, de modo que o descompasso
de suas atitudes pode demonstrar a má-fé.

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Dessa forma, o novo Código Civil expressa que é necessária a boa-fé objetiva em
todas as fases contratuais sob pena de viciar o contrato, uma vez que é um dos princípios
sociais norteadores do contrato.
A necessidade da presença da boa-fé diante da massificação dos contratos:
Hoje em dia, fala-se muito em globalização. A globalização nada mais é do que uma
interligação entre os países, que faz com que a comunicação entre os mesmos seja facilitada
através das inovações tecnológicas que acontecem a todo instante, como a internet, por
exemplo. Ocorre que com esta facilidade propiciada pela globalização, os contratos são
firmados a todo momento, isto é, inúmeros contratos são formalizados a cada segundo, pois
um mero clique no mouse pode proporcionar um negócio jurídico.
É por esse motivo que tornou de relevante importância o sentido social que deve
estar intimamente ligado ao contrato, uma vez que é corriqueiro se firmar contratos, inclusive,
sem a presença da outra parte, o que acontece com o contrato de adesão, onde são fixadas
cláusulas contratuais de maneira unilateral, cabendo a outra parte aceitar ou não o que já está
predisposto. Ora, mais do que necessário, é imprescindível a presença da boa-fé nos contratos
atuais, em virtude de sua massificação. Sabe-se que estamos na era capitalista, na época da
moeda, a todo instante ocorrendo pacto de vontades, acordando-se sobre diversos assuntos, e
nada mais do que justo, a presença da boa-fé nos contratos.
Tal necessidade foi observada pelo novo Código Civil, não só por ter atribuído a
boa-fé aos contratos, mas, também, os outros princípios sociais, como a equivalência material
e a função social, para reforçar a socialização do instrumento contrato.
Bem-Estar Social:
Quando um Estado procura erigir regulamentos gerais, leis que regulam a vida dos
indivíduos, é porque está querendo normalizar a integração entre as pessoas, para que não
fique um território desorganizado, sem um controle específico.
Ora, o escopo de todo um ordenamento jurídico é a paz social, fazendo com que
através de suas normas as pessoas possam solucionarem os seus conflitos, não fazendo com
que os mesmos perpetuem, estabelecendo o caos. É por isso que se diz: O mundo jurídico
busca sempre o bem-estar sócia. É verdade, quando bem aplicado irá por fim a celeumas que a
todo momento acontecem no mundo capitalista atual, onde tudo se resolve por moeda.
Imaginem um Estado sem Ordenamento Jurídico?
Não dá para imaginar, porque logo vem a desordem que isto poderia acarretar. É
nesse sentido que os Códigos devem se atualizarem, para mais e mais atingirem o seu fim, ou

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seja, o bem-estar social. A observância, a atenção que o novo Código Civil centrou no social
deve ser exaltada. O mesmo possui vários defeitos, por não ter sido logo aprovado, ficando
um pouco desatualizado em relação a algumas matérias, como a internet, por exemplo, mas no
campo dos contratos deu um salto muito grande, cabendo elogios a seus idealizadores.

CONCLUSÃO

Concluímos que o Estado moderno foi inicialmente absolutista o que fez muitas
vezes suas características serem confundidas com as do próprio monarca. Posteriormente,
como conseqüência, o poder público passou a ser visto como inimigo da liberdade individual e
qualquer restrição ao individual em favor do coletivo era considerada.
A partir do século XV ao XVIII surgiu novos regimes políticos: as monarquias
absolutas, como na França, Espanha, Rússia e outros, e as monarquias constitucionais, como
na Inglaterra e Holanda.
Conseguimos entender também que o próprio termo liberalismo teve como origem o
segundo Bill of Rights que o Parlamento impôs a coroa em 1689. Em um de seus treze artigos,
que estabeleciam os princípios de liberdade individual, autorizava o porte de armas aos
cidadãos para que pudessem defender seus direitos constitucionais. Foi precisamente este
sistema de liberdade, defendida pelas armas, que recebeu, na época, a denominação de
liberalismo. Especificando os direitos essenciais, o Bill of Rights firmava os seguintes
princípios: o Rei não pode, sem o consentimento do Parlamento, cobrar impostos, ainda que
seja sob a forma de empréstimos ou contribuições voluntárias; ninguém poderá ser perseguido
por haver-se recusado a pagar impostos não autorizados pelo Parlamento; ninguém poderá ser
destituído de seus juízes naturais; o Rei não instituirá, em hipótese alguma, jurisdições
excepcionais ou extraordinárias, civis ou militares; o Rei não poderá, em nenhuma
circunstância, alojar em casas particulares, soldados ou marinheiros.
E tais princípios passaram mais tarde a figurar nas constituições dos Estados Liberais
que vão se constituindo a partir da implementação das idéias vitoriosas das revoluções (a
americana, 1776, e a francesa, 1789, são os grandes exemplos) um exemplo é a magna carta a
primeira constituição moderna. Se mantiveram definitivamente, em grande parte pela vontade
de se criar uma esfera privada, independente do Estado, assim como pela preocupação de
reformular-se o próprio Estado, isto é, liberar a sociedade civil – a vida pessoal, familiar,
religiosa e econômica – de toda interferência política não necessária e, simultaneamente

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delimitar a autoridade estatal. O constitucionalismo, a propriedade privada e a economia de
mercado, junto com um modelo de família patriarcal, se consagraram como pilares do Estado
liberal. Mas, mesmo tendo o liberalismo celerado os direitos dos indivíduos, a vida, a
liberdade, e a propriedade, foi o proprietário varão quem ocupou o centro de toda atenção; e as
novas liberdades se atribuíram primeira e principalmente aos varões das novas classes médias
ou da burguesia.
Através desta pesquisa histórica, tivemos a oportunidade de estudar sobre a história
das constituições brasileiras, desde 1824 até nossos dias, com a vigência da Constituição de
1988. De grande valia foi este estudo, pois trata-se do mais importante ramo do direito, o
direito constitucional, cujos ensinamentos são utilizados em todas as matérias jurídicas.
Nosso estudo mostrou a evolução constitucional brasileira, utilizando as diversas
constituições, pois tínhamos como objetivo compará-las, mostrando as suas semelhanças e
diferenças. Melhor método de comparação não há, que não o de separar para depois apontar as
semelhanças e diferenças.
Podemos concluir que o recurso a assembléias constituintes soberanas e livremente
eleitas é o método democrático comum para a elaboração de constituições, seus resultados
serão mais ou menos democráticos, dependendo, por um lado, do nível de consciência política
e de organização independente já alcançado pelo povo e, por outro lado, das restrições que
ainda sejam mantidas ao debate de idéias e à escolha de candidatos e também do poder
econômico e de influência ideológica que os donos do poder antigo ainda conservam.
Naturalmente, uma Constituição será tanto mais democrática quanto maior e mais livre for a
participação popular na eleição e debates Constituinte e quanto mais elevado for o nível de
organização e consciência política do povo.
Aprendemos mais sobre a codificação e os códigos e que eles desempenharam o
papel de constituição do homem comum burguês, ou proprietário, enquanto perdurou o
liberalismo ou a concepção de Estado mínimo.
Então podemos concluir que na verdade a codificação civil especialmente,
cristalizou os valores do liberalismo burguês da época, que tinha por fundamento central a
patrimonialização das relações civis. Era o predomínio do ter sobre o ser. O homem
destinatário da codificação civil sempre foi aquele dotado de patrimônio. E há uma
justificação histórica porque, no seu momento, representou a emancipação do homem.

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REFERÊNCIAS

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