O PAPEL DO ORIENTADOR EDUCACIONAL: DIÁLOGO COM ALGUNS AUTORES

Iury Gutterres Portalet1 Resumo. Este artigo tem como objetivo mostrar, através de pesquisa bibliográfica, a evolução das responsabilidades do Orientador Educacional em relação aos alunos, alunas e à escola. Indicando que a função passou da simples tarefa de encaminhar os estudantes considerados problema à psicólogos, para atualmente trabalhar intermediando conflitos escolares e ajudando professores a lidarem com crianças e jovens com dificuldade de aprendizagem, diferentemente do papel paternalista que vinha sendo desenvolvido de forma geral. Busca-se, com este artigo, ressaltar o verdadeiro papel do Orientador. Conclui-se que para que seja exercida a ação precípua da escola, educar, o aluno deve ser compreendido e orientado de forma qualificada, considerando-o como de fato um sujeito construído e transformado pela história, pelos valores e crenças, inserido em sua comunidade e no mundo globalizado.

Palavras-chave: Orientador Educacional, Papel do Orientador, Escola, Desenvolvimento. Abstract. This article aims to show, through bibliographic research, the evolving responsibilities of the Guidance Counselor in relation to students and school. Indicating that became from the simple task of guiding the students considered the problem to psychologists, to currently work mediating school conflicts and helping teachers to cope with children and young people with learning difficulties, differently of the paternalistic role that had been developed in general. The aim, with this article is highlight the true role of the supervisor. We conclude that for major duty is carried out on school action, school, students should be understood and directed so qualified, considering it as a guy actually built and transformed by history, values and beliefs embedded in their community and the globalized world. Key words: Guidance Counselor, Guidance Counselor's Role, School, Development. 1. INTRODUÇÃO O papel do Orientador Educacional em um diálogo com alguns autores indica a relevância da história desses profissionais e contribui para o conhecimento desta área profissional incentivando a modernização de práticas cotidianas de relacionamento entre os atores do processo ensino aprendizagem, a qual está mais voltada às relações humanas como forma de minimizar traumas e potencializar comportamentos pessoais e sociais positivos em busca da felicidade de uma forma ampla. Atualmente o dever do profissional da Orientação Escolar, é o de colaborar com a constante evolução da comunidade escolar considerando sentimentos, valores, emoções, atitudes, mantendo sempre uma postura crítico-construtiva. O orientador educacional faz parte do grupo de profissionais responsáveis pela gestão da escola, tem a responsabilidade de trabalhar de forma comprometida com alunos e alunas, auxiliando-os em seu desenvolvimento pessoal sempre em parceria com professores e professoras, procurando perceber no comportamento dos estudantes e das estudantes, seus conflitos e, assim, agir de maneira adequada em relação a eles e a elas. Outras questões que envolvem o Orientador Educacional são o compromisso com o arranjo e a
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Pós-Graduando pela Sociedade Educacional de Santa Catarina – SOCIESC. E-mail: iury@portalet.com.br.

4024 previa que o antigo ensino normal se encarregasse da formação de Orientadores Educacionais para o então primário. A seguir far-se-á algumas considerações teóricas a respeito das questões elencadas. p. Tal lei abrangia na maior parte a formação do Orientador Educacional em detrimento ao conceito da função deste profissional. que fixa as diretrizes e bases para o Ensino de 1º e 2º graus e que no artigo 10 institui a obrigatoriedade da Orientação Educacional. 2002) 5. Em 1961 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº. ouvindo. que tratam desde seu histórico. pudessem ser selecionados e encaminhados para a formação técnica em Mecânica no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo” (Pinto. p. na forma de “Orientação Profissional dirigida a jovens que. 14)3. em cooperação com os professores. 43)8. abrangendo a Orientação Vocacional. A Orientação Educacional sob a LDB nº. profissional. p. do governo de Getúlio Vargas. através do professor da Politécnica de São Paulo. que objetivava conduzir seu público na opção pelo seu lugar social através da escolha profissional. 2002. recreativa e familiar (GRINSPUN. Neste momento a Orientação Educacional aparece com o objetivo de subsidiar a formação da personalidade dos e das adolescentes. incluindo aconselhamento vocacional. tendo terminado a escola média. de psicólogo e facilitador de aprendizagem e vai com o tempo. especialmente da “busca das finalidades de um projeto político-pedagógico formulado para a escola em favor de seus próprios alunos” (GRINSPUN. assim como previa que as faculdades de Filosofia formassem profissionais para o atendimento do normal. legislação assim como o andamento habitual das escolas. Em 1942 com as Leis Orgânicas do Ministro Gustavo Capanema. assim. mães e responsáveis e oferecendo-lhes as devidas orientações sobre cotidiano familiar. sintam-se fortalecidos para lutar por seus direitos de cidadãos" (MILLET 1987. ganha destaque. Suas principais áreas de abrangência seriam as orientações escolar. "É necessário pensar junto com os alunos sobre o ambiente que os circunda e as relações que estabelecem com esse ambiente. . Atentava também para que os estudos e descanso dos alunos e alunas ocorressem de acordo com as normas pedagógicas daquele tempo. que como diretor do Departamento de Educação do Estado de São Paulo. 17)2. instituiu o Serviço de Orientação Profissional e Educacional. para que. tomando consciência da expropriação a que são submetidos. 2002)7. Millet já apresentou uma mudança de enfoque no trabalho do orientador educacional.concretização da proposta pedagógica da escola e também com a comunidade escolar. em 1931. 1987. 2. A Orientação Educacional teve seu princípio em 1924. como procurava esclarecer possíveis dúvidas dos alunos e alunas e dirigir seus estudos para que sozinhos buscassem sua profissionalização. relações intra e interpessoais e escolhas particulares. A autora citada trata da história da profissão. ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL: REFLEXÕES TEÓRICAS A obra de Grinspun (2002)1 agrupa uma variedade em artigos que abrangem a questão da Orientação Educacional. 5692 de 1971. O orientador começa a ultrapassar o papel de combatente dos alunos-problema. Numa atuação ousada para a época e incompreendida pelos profissionais da educação da escola onde trabalhava. dialogando com pais. a partir da década de 1980. Por outra via Nérici (1976)4 afirma que o princípio da Orientação Educacional no Brasil é creditado a Lourenço Filho. a família e a comunidade. assumindo com mais propriedade técnica seu compromisso assim como ao mesmo tempo se expandem as pesquisas sobre o tema tendendo para uma visão que repensa sua própria prática e assumindo também uma visão política empenhada com as causas sociais (ibid. consistindo a Orientação Vocacional a mais privilegiada para atender aos objetivos de ensino da própria Lei emanados (GRINSPUN. Roberto Mange. psicológica. 2006)6. Naquela época a Orientação Educacional tinha caráter corretivo e direcionado para o atendimento aos alunos problemas. da saúde. para seu amoldamento pessoal e social. foi que se surgiram as referências especificas à Orientação Educacional.

em seu artigo 64 diz que A formação de profissionais de educação para administração. Contudo.. político e econômico que a caracteriza de uma forma única e específica no momento histórico de sua análise. 2002. momento em que diversos fatores permitem tal processo. a Orientação é reconhecida como fazendo parte da educação por tanto deve considerar as dimensões sociais. p. Eles ficaram em cima do muro e calados. a base comum nacional.28)10. através das relações que ocorrem (. o orientador tem espaço próprio junto aos demais protagonistas da escola para um trabalho pedagógico integrado. 2002. 29)12. Desta forma fica enaltecida a importância da interdisciplinaridade em que todo currículo é realizado em conjunto. a critério da instituição de ensino. a orientação educacional pode abranger cinco pontos: o aluno.. devem-se determinar as tarefas de um orientador envolvido com as mudanças sociais. p. A manutenção da orientação educacional é frequentemente discutida no âmbito escolar.. diferentes estados dispõem deste profissional e ratificam sua necessidade. A Orientação Educacional manteve sempre estreita relação com as tendências pedagógicas. quando o orientador educacional desempenhava um papel ligado às inadequações escolares. Por essa razão. momento em que a educação e a orientação educacional passam a marchar unidas. garantida. Isso significa ajudar nosso aluno ‘por inteiro’ (grifo da autora): com utopias. p. Fica claro assim que o orientador educacional é imprescindível ao processo educacional. (. no qual todos buscam os melhores processos e resultados. A Orientação deve ser útil ao novo paradigma em que a educação lida com o real e suas perspectivas. guiar. a escola. inspeção. A Lei 9394/96 das Diretrizes e Bases da educação não prevê obrigatoriedade do serviço de Orientação. sendo seu trabalho desenvolvido de acordo com o que se esperava nas diversas concepções.. 19)14 destaca que "os orientadores educacionais deixaram a banda passar sem dar a sua contribuição. No que se refere aos aspectos legais. 2002. a orientação está inserida num contexto sociocultural. será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação. a família. As experiências de outros momentos da história educacional paulistana. Tais transformações têm início na década de 1990.) coadjuvantes na prática docente” (ibid. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96)11. Como integrante da gestão.. compreendendo-se que na origem da palavra educação estão outras como conduzir. Assim como a educação. políticas e econômicas atuais as quais está inserida. compreendendo criticamente as relações que se estabelecem no processo educacional” (GRINSPUN..) na instituição Escola (GRINSPUN. desejos e paixões. O Estado de São Paulo não conta com a Orientação Educacional integrada a gestão escolar. nesta formação. as ocorrências pedagógicas assim como as socioculturais que circundam a educação. 27)9. sendo “os orientadores (. p. A função da orientação educacional então segue como o de mediar à relação entre o aluno. Este . com o momento histórico ao qual faz parte. mas para entendê-lo. tentando reconstruir a qualidade na educação. planejamento. deixou fortes cicatrizes que não se consegue esconder. conectado. e a escola.. na organização e realização de seu projeto pedagógico. sem fazer parte dela. Balestro (2005.Grinspun aborda a questão atual da Orientação Educacional numa perspectiva mediadora somando esforços com os outros educadores da escola. isto é. a comunidade e a sociedade. De acordo com Millet (1987)13. não criando um serviço de orientação (grifo da autora) para atender aos excluídos (. Há uma conexão entre este profissional e a educação em si. “mas por efetiva consciência profissional. orientar o aluno. culturais. supervisão e orientação educacional (grifo nosso) para a educação básica.. O principal papel da Orientação será ajudar o aluno na formação de uma cidadania crítica. o que o confundia com o psicólogo escolar. perderam um espaço para demarcar o seu território na educação e a função social da profissão de OE".).) a Orientação trabalha na escola em favor da cidadania.

à formação de um clima educativo. p. Ciências Políticas.13) 17.63)19 diz que Alguns diretores tratam os equipamentos da escola como se fossem objetos pessoais. História da Educação e História do Brasil (até nossos dias). ou insensibilidade de professores e adultos em geral á individualidade do educando. às atividades que precisariam ser ampliadas pelo aluno para seu autoconhecimento. É no cotidiano da escola onde crianças e jovens tem acesso a diferentes conteúdos curriculares que estes devem ser selecionados de forma a efetivar a aprendizagem. A separação da orientação nos faz intuir que as posturas teóricas que os orientadores educacionais adotaram no transcorrer dos períodos estavam relacionadas. professor-comunidade. por exemplo.profissional pode executar desde a realização de matrículas. não devem ser consideradas separadamente. para que o educando pudesse ter um bom desempenho nesta instituição. p. podemos citar a abertura da escola à comunidade. O Orientador Educacional se dedicava unicamente para total desenvolvimento do aluno. obtido através do diálogo nas relações estabelecidas. atualmente. desinteresse. Tal procedimento não reconhece que. A Orientação. A autora diz que a Filosofia ajuda o orientador educacional no sentido da prática pedagógica e acrescenta: "outros conhecimentos devem fundamentar a prática do orientador educacional. oriundos da Antropologia. ao contrário. Para alcançar este objetivo. apontando a carência do domínio de conteúdos essenciais a uma nova performance. Nesse caminhar de mudanças. metodologia e demonstra o imperativo de que os professores e professoras tenham ciência e repensem o verdadeiro significado da existência da escola e seu papel na sociedade. dedicada à construção de um cidadão que seja mais envolvido com seu tempo e sua gente. Pretende-se em uma perspectiva mais social trabalhar com o aluno no desenvolvimento do seu processo de cidadania. Sociologia. indisciplina. aluno-conteúdo. dentre outros. conteúdos. reclamações corriqueiras de educadores. Portanto há demanda para incutir uma nova visão de Orientação. A grandeza sócio-histórica do Brasil reflete intensamente no trabalho educativo. em sua maioria. Vasconcellos (2002. objetivos. aproximando-se logo dos alunos e alunas e da realidade de cada família. currículo e programas e condições individuais regulamentos inflexíveis. como a relação professor-aluno. “A cidadania aparece como objetiva. Como estratégia que pode colaborar para o bom andamento do trabalho educativo. aluno-comunidade. Metodologia e Pesquisa em uma abordagem qualitativa" (p. Desvenda o papel do orientador educacional numa grandeza bastante vasta e fala também da escola como locus privilegiado de participação. trabalhando a subjetividade e a intersubjetividade. Assis (1994) discute sobre a formação profissional. por disfunções ambientais como. propriedades privadas. segundo Grispun (2001)15 um profissional que possuía alto sentido de autoridade e conhecimento no campo educacional e cuja prática se estendia. Dificuldades de aprendizagem. além da orientação ao aluno. tais como: Psicologia. na escola. através da qual indivíduos livrem concordam em construir e viver numa sociedade melhor” (GRINSPUN. avaliação. Segundo Luck (2001)16 a suposição implícita é de que no aluno está a causa do problema. o dever da Orientação Educacional constitui em ação fundamental na leitura crítica continuada do desenvolvimento do aluno e sua interação social através da colaboração recíproca e prática da construção coletiva como possibilidade de incentivar experiências inovadoras. além de outros. 137)18. até a preparação do projeto político – pedagógico da escola. mas a partir de um estudo das relações entre professor-aluno. agressividade. A autora argúi a respeito das práticas docentes abarcando as características didáticas e pedagógicas. apresenta a relevância do orientador educacional como co-responsável pela aprendizagem dos alunos. aluno-aluno. profissionais da Orientação Pedagógica devem articular para que a escola organize-se criando garantias de que cada ação pedagógica seja uma contribuição para o processo de aprendizagem de cada aluno. comportamentos inadequados do educando são causados. 2002. muitas vezes. estabelecem relações de parceria com a . outros. deve estar conectada com outros propósitos que não apenas cuidar e ajudar os alunos com problemas.

. In: GRINSPUN. O cerne do total zelo escolar deve ser o educando. de se deixar sensibilizar pelas exigências colocadas pela sociedade . 3. do trabalho participativo de toda equipe pedagógica. PINTO. LDB 9394/96. Uma orientação que ultrapassa os muros da escola. R. São Paulo: Cortez.S. M. 8. Leda MPMO.P. ASSIS. 5.. 3. construído pela história. 2004/2005. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. MILLET. Desta forma. 1976. N. não só passam a contar com ela como elemento de apoio para as mudanças. NÉRICI. 2. Vozes. das condições de trabalho entendendo que a escola deve estar para o aluno e. Portanto a escola deve viver. São Paulo: Cortez. REFERÊNCIAS 1. Ação Integrada . Revendo o meu fazer sob uma perspectiva teórico-prática. todos os âmbitos do aparelhamento educacional deve apontar para o fim primeiro a que a escola se designa criando oportunidades e circunstâncias próprias ao amadurecimento emocional e a evolução de seu potencial afetivo. São Paulo: Atlas. A trajetória e a prática da orientação educacional. inserido em sua comunidade e no mundo globalizado. brevemente. os alunos se sentem acolhidos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste artigo. passando. 1994. deve estar para o aluno. num sentido mais sutil. Revista Prospectiva n. LUCK. M. Imídeo G. Heloísa. 28. com isto. Petrópolis: Ed.) A prática dos orientadores educacionais. mercado e sociedade. quanto. Queremos deixar claro que estamos nos referindo à abertura tanto no que diz respeito às instalações e equipamentos. da violência.Administração. BRASIL. Revista Ande nº 10. psicomotor e cognitivo. valores e crenças.M. especialmente do papel do Orientador diante de tudo isso. do currículo oculto. Esse profissional que tem como compromisso garantir a função precípua da escola que é educar.L.(org. habilidades e conhecimentos que transforme suas atitudes e que lhe possibilitem encarar as exigências vitais e existenciais.S. A orientação educacional: conflito de paradigmas e alternativas para a escola. 7. In: Introdução à orientação Educacional.P. a evolução das responsabilidades do Orientador Educacional em relação aos alunos. 4. por movimentos históricos de cultura. M. procurou-se cumprir o objetivo de mostrar através de pesquisa bibliográfica. Supervisão e Orientação Educacional. o que atualmente depende da percepção sobre um aluno-ator. a observação critica do currículo existente na escola. alunas e à escola. São Paulo: 1987. 2002. 1987. Origens da Orientação Educacional e Necessidades da Orientação Educacional & A Orientação Educacional. experimentam a escola como território aliado. fica a contribuição no sentido de indicar a necessidade de se promover debates mais aprofundados a cerca dos objetivos do cotidiano escolar. a fim de que o mesmo construa competências. legislação. BALESTRO. Orientação educacional: estudo de sua situação nas escolas particulares na cidade de São Paulo.comunidade e. GRINSPUN. 6. como ainda obtém diminuição do vandalismo. 2001.

9. C. . São Paulo: Libertad. Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto políticopedagógico ao cotidiano da sala de aula. 2002. VASCONCELLOS. S.

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