HISTÓRIA DA PSICOLOGIA

Os primeiros estudos das Ciências que se desenvolveram, há séculos atrás, foram os que tratavam das coisas mais distantes do homem, como por exemplo, a Astronomia. Já as Ciências que se preocuparam com o desenvolvimento do comportamento Intelectual e afetivo do ser humano, ou com quaisquer relações com o ser humano, desenvolveram-se muito mais tarde. Entretanto, apesar de ser uma Ciência jovem o homem sempre tentou explicar a si mesmo e a própria conduta, e encontravam explicações pelo sobrenatural, como por exemplo, “indício da cólera dos deuses”. No século VI AC, foi através da Filosofia que houveram as primeiras explicações para os eventos naturais em função de outros semelhantes,

tentando sistematizar uma Psicologia. Como Sócrates, desde 470-395 AC, e também Platão, de 427347 AC, com seus estudos filosóficos, fizeram com que se despertasse o interesse pela natureza do homem. O primeiro, defendia a relação entre o pensamento e a realidade como fonte e origem para o conhecimento levantando, desta forma, as questões que até hoje se discutem na psicologia,mas que na época faziam parte dos questionamentos dos filósofos. Os posicionamentos destes filósofos, Sócrates e Platão, não apresentavam explicações científicas, mas sim, explicações moralistas, éticas e por abordagens racionalistas.

Dando seqüência ao pensamento dos filósofos, seguiremos uma linha de tempo procurando entender a essência de cada uma das teorias.

Começaremos por Aristóteles, de 384-322 AC, que é apontado como o primeiro filósofo a observar os eventos naturais buscando sua compreensão.

A partir de suas observações, afirmava que o conhecimento tinha origem nas evidências dencias proporcionadas pelos sentidos. Estudava a forma como aconteciam as aprendizagens,identificando em suas obras as : - funções cognitivas (sensação, memória, associação). - e a influência da experiência no ato de conhecer.

Mas foi somente em 1250, quando Tomás de Aquino adaptou as obras de ARISTÒTELES ao Cristianismo é que suas idéias projetaramse e alcançaram grande repercussão. Os fundamentos empíricos da Psicologia (introduzidos por Aristóteles) foram usados por Aquino na associação com as crenças religiosas. Nesta fase da Idade Média, os estudos sobre os fenômenos naturais eram considerados nocivos para a salvação da alma e não foram levados adiante. Assim como o estudo do próprio organismo humano era rejeitado por muitos, pois acreditava-se que o corpo era o “sacrário da alma”.

Antes de prosseguirmos, faça um esquema seguindo a seqüência temporal, o nome de cada filósofo, data e suas idéias. Isto facilitará seu auto-estudo e a continuação deste tópico, está bem?

Posteriormente, foi com René Descartes (1596-1650), filósofo francês, que a curiosidade sobre o ser humano e com o funcionamento de sua mente, foi criada sua teoria sobre o dualismo psicofísico. Esta teoria dizia que o homem era constituído de duas realidades: uma material, o corpo (cujos movimentos seriam previsíveis e apresentariam diversidade de processos fisiológicos como, por exemplo, a alimentação, o sistema nervoso etc); e outra imaterial, a alma (livre dos determinismos físicos). Sendo a mente exclusividade do homem ela tem atividades próprias como conhecer, recordar, raciocinar. O corpo e a mente, em interação, produz algumas atividades específicas como a sensação, a imaginação e o instinto.

Com esta concepção de HOMEM, Descartes sugeriu duas áreas específicas de estudo:

- o estudo do CORPO (que deveria interessar à Ciência ) - e o estudo da ALMA ou da MENTE (que seria o objeto de estudo da Filosofia )
Descartes,portanto, influenciou profundamente a filosofia nos dois séculos seguintes.Seus estudos dividiram-se em duas escolas de pensamento:
• •

o empirismo inglês e o racionalismo alemão.

O EMPIRISMO, cujo representante foi John Locke (1632-1704), ampliou a idéia Aristotélica sobre os sentidos como fonte de conhecimento onde : “... a mente humana era uma tábula rasa, a qual recebia as impressões que chegam aos sentidos, gerando, mediante uma atividade interna de reflexão, todo o conhecimento”. No Empirismo valorizava-se os processos perceptivos e a aprendizagem no desenvolvimento da mente e para isto o meio ambiente foi considerado de grande importância, pois estimula

a percepção que é a base do conhecimento. O cérebro ao receber os estímulos sensoriais processa a informação. Nele são impressos, pela experiência, todas as idéias e conhecimentos. Já no RACIONALISMO o autor, considerado hoje como o mais “influente” desta teoria educativa do século XIX , foi Herbart (1776-1841). Ele defendia a idéia de que “a psique” humana mostra uma tendência à autoconservação de maneira que as sensações e as idéias que vão sendo formadas são frutos das experiências do ser humano e que, pela lei da associação, permanecem e influem nas aprendizagens posteriores. Essas idéias e sensações constituem um “massa aperceptiva”, ou seja, “... um conjunto de representações que exerce uma influência sobre as experiências posteriores proporcional ao nível de consciência que a pessoa tiver sobre elas”.

No Racionalismo, acreditava-se que a mente tem capacidade inata para gerar idéias, independentemente dos estímulos do meio. Nesta teoria o papel da pessoa era enfatizado no processo de percepção, afirmando que a percepção é ativamente seletiva o que resulta em interpretações individuais das informações produzidas pelos órgãos dos sentidos, que podem ser bastante diferentes entre si. Preocuparam-se mais com as atividades da mente como as de perceber, recordar, raciocinar, desejar, enfatizando o conceito de faculdades mentais, isto é, capacidades especiais da mente para realizar determinadas atividades. As controvérsias entre as teorias, empirista e racionalista, permaneceram até o início do século XX. Um único ponto comum estabeleceu-se no final do século XIX: o de que as faculdades (ou poderes para fazer alguma coisa) que configuram o psiquismo humano são: inteligência, emoções e vontade. Paralelamente ao estudo da mente, desenvolveu-

Mera hipótese. a PSICOLOGIA encontrou seu próprio método experimental e separou-se da filosofia . (Sacconi. iniciou-se a separação entre a Filosofia e a Psicologia. etc.1988) No final do século XIX e início do século XX. Com o avanço dos estudos da Fisiologia associado à Teoria das FACULDADES MENTAIS. audição.se a Fisiologia. que no século XIX investigou e teorizou sobre a natureza da atividade nervosa. Todos esses estudos relacionavam-se com as escolas filosóficas e não psicológicas. mecanismos da visão.Dicionário Língua Portuguesa. Concepção particular sobre os princípios de uma ciência ou arte. velocidade da condução do impulso nervoso. GLOSSÁRIO: Teoria: idéia ou série de idéias que pretende explicar algum fenômeno.

o Gestaltismo.transformando-se em uma disciplina científica e autônoma. Wundt foi bastante influenciado pelo ponto de vista dos filósofos empiristas e pelo desenvolvimento da Fisiologia e Psicofísica experimentais. foi criado por Wilhelm Wundt. como o do nascimento da Psicologia propriamente dita. . Neste ano. na Alemanha. Várias teorias e escolas psicológicas sucederam-se aos estudos iniciais da Psicologia como o Funcionalismo. Historicamente. Foi Wundt que fez nascer uma escola psicológica denominada Estruturalismo porque buscava a estrutura da mente (compreender os fenômenos mentais pela decomposição dos estados de consciência produzidos pela estimulação ambiental). caracteriza-se o ano de 1879. a Psicanálise e o Humanismo. o primeiro laboratório de Psicologia na Universidade de Leipzig. o Behaviorismo.

Skinner Bandura Vigotsky Elder Freud Erikson PiagetNenhum Teórico principal Bronfenbrenner . p. Bowlby Watson.TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO Conheça alguns representantes das teorias e escolas psicologicas. Berns (2002.8) apresenta o seguinte quadro sobre as principais Teorias do Desenvolvimento: Principais Teorias do Desenvolvimento Algumas Perspectivas Desenvolvimentista Forças Internas da Criança Forças externas à criança Foco Biologia Aprendizado Cultura Interação entre forças internar e Psicanálise externas à criança (influências internacionais) Cognição Exemplo de Teoria Maturação Etologia Behaviorismo Cognitiva social Sócio-cultural Histórica Psicossexual Psicossocial Cognitivo Desenvolvimental Processamento de Informação Ecológica Sistemas Principais Teóricos Gessel Lorenz.

ainda hoje polemizam sobre concepções. defende a Psicologia da Educação como matéria educativa que “juntamente com a Didática e a Sociologia da Educação integra os componentes específicos das Ciências da Educação. de planejamento e projeto. psicologia da educação é uma disciplina com suas próprias teorias. os estudiosos da área. métodos de pesquisa. presidiu constantemente as ligações entre a Psicologia e a Educação como disciplina educativa. ou seja. Como resultado. como disciplina de natureza aplicada.Como a Psicologia se ocupa de Processos de Mudança comportamental.. o núcleo de ciências cuja finalidade específica é estudar os processos educativos”. a progressiva especialização leva as diferentes especificações ou estudos a centrarem-se em termos específicos. .como vimos.e de intervenção prática”. em uma perspectiva multidisciplinar e. contribui com suas idéias para uma melhor compreensão.. esta caracterização “reafirma a necessidade de uma aproximação multidisciplinar ao estudo dos processos educativos e supõe uma rejeição explícita ao reducionismo psicologizante que. Segundo Coll (1995. área do tema em questão. campo. Já Woolfolk (2000) defende que a “. inclui conhecimentos de caráter teórico-conceitual. 1978. p. planejamento e melhoria dos processos educativos.17 e 18). Pérez Comez.

p. Apóia-se na afirmação de Wittrock(1992. em um ambiente específico no qual a educação e o treinamento devem acontecer”.problemas e técnicas”. porque tem a compreensão e o aperfeiçoamento da educação como seu objetivo primário”.138) “A psicologia da educação distingue-se dos outros ramos da psicologia. p. fazem ou sentem quando ensinam e aprendem em um currículo específico. Já Wittrock (00-00-0000) resume dizendo: .145) defende que: “os psicólogos da educação estudam o que as pessoas pensam. O OBJETO DE ESTUDO DA PSICOLOGIA Berliner (1992.

. análise estatísticas e procedimentos de medição e avaliação apropriados para estudar o pensamento e os processos afetivos dos estudantes e os processos cultural e socialmente complexos das escolas”. dos quais se derivam princípios. modelos.A pesquisa deve seguir rigorosamente o método científico . p. Coll (1995. procedimentos de ensino e métodos práticos de instrução e avaliação.18) coloca que o objeto de estudo da Psicologia da Educação “são os processos de mudança comportamental provocados ou induzidos nas pessoas. Para compreender o ensino e aprendizagem e alcançar seu objetivo básico a Psicologia da Educação utiliza-se da pesquisa como ferramenta básica. bem como métodos de pesquisa. como resultado de sua participação em atividades educativas”. teorias.“que a psicologia da educação se concentra no estudo psicológicos dos problemas cotidianos da educação.

2000. também a Psicologia Evolutiva (ou para alguns autores. análise estatística para determinar se os dados apóiam as hipóteses. de forma que outros observadores possam conferir .Glossário: Método Científico: refere-se a princípios e processos que caracterizam a investigação científica em qualquer campo : Identificação do problema a ser estudado. e divulgação pública das descobertas . pg 33) PSICOLOGIA EVOLUTIVA A semelhança da Psicologia da Educação. aprender. analisar e desenvolver o trabalho.(Olds e Papalia. formulação de hipóteses (explicações ou previsões que possam ser verificadas). coleta de dados (informações obtidas através da pesquisa). Psicologia do Desenvolvimento) .

Os movimentos educacionais. industriais e cristãos do final do século XIX propiciaram à infância um status especial. Os movimentos culturais como o Iluminismo e o Protestantismo .11) ressalta um aspecto interessante: “a passagem ao status adulto vai sendo. Historicamente as crianças. antes de ser espaço psicológico.derivou de estudos. trouxeram as primeiras considerações sobre a infância como etapa diferenciada da idade adulta e. passando a ter responsabilidades que se tornavam progressivamente mais próximas às dos adultos”. é algo diferente da idade adulta e transformou-se não mais no . configurandose assim um espaço evolutivo que até certo ponto é espaço social e cultural. que da forma como conhecemos atualmente em nosso meio. Tal concepção defendia a idéia de que eram frágeis e menos inteligentes. Os estudos no século XX definiram a infância e a adolescência como períodos claramente diferenciados da vida adulta. pois.. p. a partir dos sete anos as crianças tornavam-se aprendizes sob a tutela de um adulto. Coll (1995. Nesta época a chegada da puberdade marcava o ingresso na vida adulta.. nos séculos XVI e XVII. teorias e pesquisas que foram desenvolvidas ao longo do tempo. (como conhecidas hoje) foram sempre consideradas “mini adultos” e como tal foram tratadas. Algo parecido pode ser dito com respeito à velhice. “na Idade Média. progressivamente retardada..De acordo com Palacios (1995). portanto merecedora de tratamento diferenciado.

fato biológico que sempre foi. Segundo o autor. . as circunstâncias históricas. as experiências particulares de cada um e que não são generalizáveis para outras pessoas. 2. culturais e sociais nas quais a existência do indivíduo transcorre. a etapa da vida em que a pessoa se encontra. 3. senão em um fato psicossocial novo”. as mudanças que interessam ao estudo do desenvolvimento se relacionam com três fatores: 1.

a ciência que estuda como os indivíduos mudam ao longo do tempo e os fatores que influenciam ou produzem as mudanças é chamada de psicologia do desenvolvimento . Quantitativas: quando estão relacionadas as mudanças de volume.2002). como no crescimento físico ou no vocabulário.” Essas mudanças podem ser quantitativas e ou qualitativas. Podem ser facilmente observadas e medidas objetivamente.DEFINIÇÃO DE DESENVOLVIMENTO “Desenvolvimento refere-se a mudanças progressivas ao longo do tempo(Berns. Para autores como Berns(2002). Podem ser observadas subjetivamente. Qualitativas: referem-se as mudanças desenvolvimentais como as de compreensão moral ou adaptação social.

para avaliar resultados é preciso conhecer a perspectiva teórica do pesquisador. Os pesquisadores do desenvolvimento oferecem explicações variadas sobre seu objeto de trabalho. ou am ambiente externo. etc). . Enfoques Teóricos: As teorias diferem quanto a valoração maior de aspectos qualitativos e ou quantitativos. interpretação de dados.e não de psicologia evolutiva. pois esta regula todo o seu trabalho ( métodos. ou à experiência realizada. Portanto. Como não há uma explicação única ou aceitação universal de determinadas idéias criam-se diferentes “teorias “ para explicar os fatos observados. Outras dão mais valor aos aspectos inatos. Perspectivas teóricas.

em seu livro “ Desenvolvimento Humano “.7) Olds e Papalia (2002.P.Vá até o glossário para não ficar com dúvidas a respeito da expressões utilizadas no texto As teorias organizam a informação em princípios gerais de modo que o desenvolvimento podem ser logicamente explicado. p. É um conjunto de afirmações que relacionam diferentes fatos ou eventos. explica eventos e prediz futuras conseqüências. dividem as teorias sobre o estudo do desenvolvimento em cinco ( 5 ) grandes grupos: . 2002. São um método de explicar o desenvolvimento (BERNS. e elas também nos permitem fazer previsões de comportamento não previamente observado.40).

As concepções filosóficas do século XVII e XVIII. como é o caso do Empirismo de Locke que deu origem às teorias Mecanicista ou Condutistas.Para Palácios (1995) as teorias existentes podem ser agrupadas em dois grandes modelos. sobre a natureza humana e seu desenvolvimento transformaram-se em ponto de partida para as diferentes concepções teóricas existentes. Alguns já foram abordados por nós. . de acordo com as suas origens.

os quais tinham.No continente europeu. através de determinados estágios considerados universais e evolutivos. pois esta é a história de suas aprendizagens. muitos mais do que os estímulos externos. hoje. Existe sim. . cada um. de condutistas ou organicistas: Condutistas: situam-se na tradição do empirismo. Os processos internos à pessoa e que fogem da possível intervenção. suas características próprias. O importante não é o que há dentro do organismo. Portanto. verificação ou operacionalização não são considerados. característicos da espécie humana. os posicionamentos podem ser denominados. uma certa “necessidade evolutiva” que faz com que o desenvolvimento aconteça em todos os indivíduos. Rosseau (1712-1778) e Kant (1724. senão o que vem de fora e o molda. O desenvolvimento não ocorre de maneira indeterminada e vivenciada pelos sujeitos de maneiras diferentes. Interessa sim. Organicistas: consideram centrais os processos internos.1804) defendiam a idéia de que o ser humano nasce com determinadas características inatas ou organistícas ou organicistas. a análise da história da pessoa. Rosseau dividia a infância em estágios.

É fazer. Aprender Internalização de valores e conhecimentospréestabelecidos pelo social. Objetivos sãorelativos – arbitrados pela sociedade.Pavlov.objetivas. Pensamento crescepartindo de ações.Resultado da experimentaçãoindividual. Ausubel.Objetivos buscam o desenvolvimento do educando –a construção das estruturasde .) Resulta de um processo deconstrução. Deve ser descoberto. Processo mental interno (processamento de informações. exercícios. Não é algo quepossa ser dado.Bruner. Guthrie.memória. Gagné. Utilização de métodos específicospara produzir a mudança (análise de tarefas.O quadro a seguir ilustra a diferença entre os dois modelos: QUADRO COMPARATIVO DOS DOIS MODELOS TEÓRICOS ESTUDADOS MECANICISTAS Teóricos Representativos Desenvolvimento Thorndike.Recepção de informações e seuarmazenamento na memória. Maslow.mudança de conduta etc.Resultado de treinamentos. Bandura Padrão inato que reage a transmissão cultural. Mudança na conduta ORGANICISTAS Koffka. Concepçõesdo processo deAprendizagem Conhecimento Conjunto de informações aprendidas comvistas a conseguir êxito nas performancesintelectuais e sociais.Skinner. Matson. Lewin. Localizaçãoda aprendizagem Propósito daEducação Estrutura cognitiva interna Desenvolver a capacidade edestreza de aprender melhor. Integração dasexperiências internas ou subjetivas com as externas. Kohler. Vygotsky Progressão através de umaseqüência invariável e universalde estágios. percepção. Piaget. Tolman. Estímulos em ambientes externos Produzir uma mudança conductual na direçãodesejada.transmissão de informações.).Pensamento cresce partindo da palavra.

nosso próximo módulo. Os autores criticam o modelo evolutivo organicista no sentido da característica geral dos estágios universais. . Buscam respostas internalizadas. da nascimento até a morte. inteligência. outros modelos estão surgindo como conseqüência da evolução dos estudos na área como o Modelo do Ciclo Vital (Life-span).EDUCAR PARA APRENDER A FAZER Papel do formador Dispor o ambiente para que se produza aresposta desejada. que considera que os processos de mudança psicológica acontecem em qualquer momento do ciclo vital humano.escolaou educadores.EDUCAR PARA CONHECER Estruturar o conteúdo e aatividade de aprendizagem. valores e atitudes transmitidas. Hoje. Defendem que a cultura em que se cresce e a geração à qual se pertence influem consideravelmente no desenvolvimento humano.

CICLO VITAL Seja bem vindo à segunda fase de sua disciplina! Apresentamos a você nossos amigos. o DESENVOLVIMENTO DO CICLO VITAL. dividida em 3 fases: . que vamos acompanhar em seu CICLO VITAL. Agora iniciaremos o Módulo III. do nascimento à velhice.

Adolescência. psicomotora.1.De zero a 12 anos . 2.Vida Adulta à Velhice.De 12 a 21 anos .Infância. cognitiva e sócio-afetiva do indivíduo desde o seu nascimento. INTRODUÇÃO Daremos início a este módulo introduzindo alguns conceitos fundamentais para a sua compreensão sobre como ocorre a evolução física. .De 21 anos em diante . 3.

por exemplo. Da mesma forma os grupos sociais tem estabelecido para si determinados conceitos nem sempre corretos do ponto de vista de um estudo científico. Para exemplificar um destes conceitos. Empiricamente. esperam-se sempre modificações comportamentais ou físicas em uma criança ou em um adolescente. Não se esperam estas “ mudanças” em um adulto. temos conhecimento sobre o desenvolvimento humano quando comparamos o comportamento e ou crescimento de uma criança com outra. o crescimento e a aprendizagem são uma constante na vida das pessoas independentemente da faixa etária. Deste. Os estudos sobre o tema focalizam-se nos aspectos que permanecem e nos que mudam durante todo o ciclo de vida dos seres humanos. Procuram-se fatores que afetam o desenvolvimento e razões para .Sabemos que os seres humanos passam por diferentes processos de desenvolvimento durante todo o seu ciclo de vida. espera-se sempre um “ mesmo tipo de comportamento “. entretanto . a mudança.

Obviamente as mudanças que ocorrem chamam mais atenção.determinados comportamentos. Por isso. são elas o foco principal dos estudos científicos da área. TIPOS DE MUDANÇAS DE DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO Papalia e Olds ( 2000) apontam para dois tipos de mudanças de desenvolvimento: .

em grande medida. • Os diferentes posicionamentos dos autores quanto ao estudo do tema em questão e sua relação com a educação. segundo César Coll (1999): A primeira compreende o desenvolvimento e a educação como processos essencialmente dissociados independentes. como o peso. a altura. É marcada pelo aparecimento de novos fenômenos. . a qualitativa é uma mudança de tipo.• a quantitativa é uma mudança capaz de ser medida em números ou quantidades. a aquisição da fala ou de um novo comportamento cognitivo podem ser exemplos desta mudança. de caráter biológico como conseqüência. o vocabulário dos sujeitos. cada um com características peculiares e identidade própria.defende-se que o desenvolvimento ocorre de maneira natural e espontânea. a educação não teria uma função especialmente relevante na evolução das pessoas. podem ser delimitados em dois tipos de posições. Nesse contexto. deve-se a resultados de fatores basicamente internos. de organização. a partir dessa perspectiva. de estrutura.

ao menos em boa parte. levariam a níveis mais altos de evolução e de desenvolvimento. o desenvolvimento das pessoas seria. defende a existência de uma forte interrelação entre o desenvolvimento das pessoas e os processos educativos. Os conhecimentos e as habilidades adquiridas graças à participação em situações de interação com os outros. . ao contrário. OUTROS ENFOQUES SOBRE O DESENVOLVIMENTO HUMANO Outros estudos sobre o desenvolvimento humano abordam dois enfoques diferentes.entre os quais as suas experiência educativas. e especialmente em situações educativas. o produto da influência de fatores externos.81).A segunda posição. (p.

porque somos. . pesquisar e descrever um aspecto do desenvolvimento humano de cada vez . “O termo desenvolvimento. O segundo – abordagem por tópicos . CONCEITOS Outros conceitos sobre o tema : “O desenvolvimento humano é estudado para compreender quem somos. 2002).procura estudar. em seu sentido psicológico mais amplo. pesquisar e descrever todos os aspectos do desenvolvimento em cada etapa da vida. como chegamos a esse modo de ser e o que podemos fazer para aprimorar a nós mesmos” (Berns.O primeiro – abordagem cronológica – procura estudar.

sejam para melhor e resultem em comportamentos mais adaptativos. àquelas que aparecem de maneira ordenada e que se mantém por um período razoavelmente longo. 36). organizados.. O termo não se aplica a todas as mudanças. pelo menos aquelas que ocorrem cedo na vida.. INFLUÊNCIAS NO DESENVOLVIMENTO A hereditariedade e o ambiente externo sempre foram considerados . eficazes e complexos” (Mussen. 1984. Pressupõe que as mudanças. Conger e Kagan. mas sim.refere-se a certas mudanças que ocorrem nos seres humanos (ou animais) entre a concepção e morte. in Woolfolk 2000. p.

Os estudos mais recentes mostram que as influências genéticas raramente são imutáveis. Seu desenvolvimento se dá de forma integrada. estilo de vida. condições sociais. Hoje sabemos que sua influência não é tão marcante e que as pessoas podem definir-se de maneira diferenciada do que apontam suas características genéticas e seu meio ambiente. raça. dinâmica familiar e educação são considerados hoje mais relevantes para a área em questão. Um aspecto específico. Ela não .como determinantes no desenvolvimento. advindas do meio ambiente. Os estudos sobre cultura. Os seres humanos são pessoas inteiras. relacionamentos. como a linguagem ou a inteligência. como do desenvolvimento físico e psicomotor tem íntima ligação com outros. Algumas características específicas como a cor dos olhos e o tipo sanguíneo são herdados enquanto que determinados traços que formam a inteligência ou a personalidade do ser humano estão sujeitas tanto a forças internas ou herdadas como a externas. A aprendizagem é uma conseqüência do desenvolvimento.

de todos os aspectos sincronizados. Para fins de estudo estamos. psicossocial e outras. DIVISÃO DO CICLO VITAL O Ciclo vital divide-se em três fases: . segmentando o desenvolvimento humano em diferentes etapas e este em diferentes acontecimentos significativos. O aprender inicia-se pelas ações psicomotores que se aperfeiçoam e proporcionam a aquisição cognitiva. mas sim. a partir deste momento. que obedecem a determinados pontos de referência para o curso normal do desenvolvimento .depende exclusivamente da mente.

segunda infância.FASES Infância Escolar Adolescência Adultos/Velhice IDADES Nascimento até 6 anos 6 até 12 anos 12 até 18 anos 18 anos em diante Ressalte-se que inúmeras subdivisões podem ser aí estabelecidas nos períodos da: Infância • • • primeira infância. . terceira infância ou pré-escolar e fase escolar.

3. 4. . DESENVOLVIMENTO AFETIVO E DA PERSONALIDADE. O DESENVOLVIMENTO FÍSICO E PSICOMOTOR. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO. a meia-idade e terceira idade. 2. Assim. de calendários maturativos tendo como conseqüência comportamentos claramente definidos. Diferentes acontecimentos significativos dentro das fases estabelecem-se em função de lógicas biológicas.Adolescência • • PRÉ ADOLESCÊNCIA ADOLESCÊNCIA Vida Adulta • • • o jovem adulto. AQUISIÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM. dentro de cada uma das fases indicadas estudaremos : 1.

ESTUDAREMOS AGORA O INÍCIO E DESENVOLVIMENTO DO CICLO VITAL DA VIDA: O NASCIMENTO E A FASE MAIS IMPORTANTE DA VIDA DE UM INDIVÍDUO A INFÂNCIA A primeira infância: do nascimento 0 a 2 anos. .

.

. também. das interações que as pessoas lhe oferecem e. cor. de seu nível de “resiliência”.etc. porém isto dependerá não só do que é maturativo e sim .o psiquismo humano é construído como conseqüência do entrelaçamento entre o que ele metaforicamente chamava de dois “inconscientes”: o inconsciente biológico o inconsciente social”. Resiliência. vamos entender porque o organismo físico/maturacional é interdependente das interações estabelecidas com o meio onde está inserido ocorrendo. das condições do seu entorno..DESENVOLVIMENTO FÍSICO E PSICOMOTOR Para iniciarmos o tópico de desenvolvimento físico e psicomotor é fundamental citar WALLON (1931) já afirmava que “. etmologicamente vem do Latim resilientia e significaa idéia de uma ação que se desenvolve a partir daquilo . ainda. O processo de evolução do ser humano é organizado e segue uma determinada seqüência universal . assim. Ao nascer uma criança. o desenvolvimento psicomotor. Seguindo nesta lógica. sabemos de antemão o que ocorrerá primeiro e sua ordem de maturação biológica. independente de raça. em torno de uma determinada etapa.

. pois. desde o nascimento. Predomina.é uma qualidade de resistência e perseverança da pessoa humana face às dificuldades que encontra. estamos falando de um diferencial entre os indivíduos que demonstram suas formas diferentes de enfrentamento às adversidades.que tem flexibilidade. que tem elasticidade no sentido de ser capaz e suscetível de ativar-se.etc.. flexíveis e consistentes. É a capacidade de resistir r persistir frente a situações adversas.2001) : “Ser resiliente seria. São Paulo: Cortez. de texturas fiáveis.. Dicionário em Construção: Interdisciplinaridade.. Para TAVARES (in: Fazenda. Portanto. como por exemplo: os primeiros momentos pósparto. Ivani (org). desenvolver-se ao longo dos processos de crescimento.”. pois a idéia de uma realidade sólida. alguma complicação orgânica. desenvolver capacidades físicas ou fisiológicas conducentes a determinados a determinados níveis de endurance física e psicológica e até uma certa imunidade. Segundo François Ruegg(1997:9) “. saudável decorrente da própria etmologia de resiliência que permite a esse objeto ou sujeito auto- . uma cirurgia para correção de má formação congênita.

resilienza Em Francês . • • • Em Italiano .regular-se e. . auto-recuperar-se”. de certa forma. Este conceito também tem sido utilizado nas Ciências Sociais E Humanas. como o Reflexo de Moro e o Reflexo de Enraizamento e outros passarão de reflexos involuntários para Condutas aprendidas e voluntárias.resiliency Vamos estudar agora como um bebê. Alguns reflexos desaparecerão com o passar dos primeiros meses. como o Reflexo de Sucção.198) É importante salientar que este é um conceito aplicado também à Ciência Psicológica e à Educação nas primeiras etapas de desenvolvimento dos indivíduos. ao nascer.resilience Em Inglês . está preparado para reagir e enfrentar o mundo através de seus Reflexos.(p.

jogue-os para trás e depois feche-os sobre seu próprio corpo como um abraço.OS REFLEXOS Reflexo de Sucção – que é a reação dos lábios ao toque de um objeto. Reflexo de Moro – é uma reação semelhante a um susto que faz com que o bebê abra os braços bruscamente. fechando e . Reflexo de Enraizamento – é quando o estímulo na bochecha do bebê o faz girar a cabeça na direção do estímulo. em geral o seio da mãe. Reflexo Palmar – é quando o bebê reage com força.

são fundamentais para seu amadurecimento psicomotor. o desenvolvimento físico do bebê é enorme pois aumentam de peso e altura rapidamente. através de suas ações e reações. sua reação será a de flexionar e estirar.agarrando um objeto que se coloque na palma de sua mão. os componentes relacionais do bebê com as pessoas que o cercam. alternadamente. Além dos componentes maturativos do cérebro. espontaneamente ou pela avaliação do Pediatra ao examinar o bebê. Depois do nascimento. Reflexo de Marcha – ao levantarmos o bebê pelas axilas. durante os dois primeiros anos. O desenvolvimento Psicomotor está relacionado diretamente com o crescimento físico da criança. como se fosse andar sem sair do lugar. em consultas regulares de acompanhamento do crescimento. colocando as plantas de seus pés a altura de uma superfície ( em geral a mesa de exame do Pediatra). Estes reflexos podem ser observados quando aparecem. para adquirir o domínio de suas percepções e o controle do próprio corpo até adquirir a marcha e o . O desenvolvimento psicomotor é fundamental para construir as noções internas e externas de seu corpo.

equilíbrio que permita sua movimentação autônoma. através de componentes psíquicos internos e simbólicos. Este controle e domínio do corpo e das noções perceptivas vai sendo adquirido. até por volta de 6 anos. que são as representações de seu corpo e de suas possibilidades de movimentação e interação com o meio. céfalo-caudal coordena o desenvolvimento das partes do . LEIS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO É importante ressaltar duas Leis de Desenvolvimento : • • a lei Céfalo-Caudal e a lei Próximo-Distal A primeira lei.

já na fase da escola infantil. Na segunda Lei.corpo que ficam mais próximas da cabeça. por fim. O controle das partes mais afastadas do eixo-corporal só é adquirida na segunda fase da infância. a articulação dos ombros é adquirida antes do cotovelo. Isto significa que o pescoço será controlado antes do tronco. punho e. por fim. Eixo este imaginário que separa da cabeça aos pés o corpo em duas partes simétricas. por volta de 3 a 6 anos. depois virão os braços e. o controle das pernas. mãos e dedos. AQUISIÇÃO DO CONTROLE PSICOMOTOR Essas duas leis fundamentais regem também a aquisição do controle . próximo-distal a maturação das partes do corpo que estão mais próximas do eixo-corporal. Dessa forma.

mas este só será completo por volta de 3 a 4 meses. Controle da cabeça: ao nascer o bebê já tem um pequeno controle da cabeça.Psicomotor. a coordenação é involuntária com movimentos que entram no campo visual do bebê e será desenvolvida por volta de 3 a 4 meses. . – Coordenação olho-mão: inicialmente.

Aqui ocorre uma ampliação do campo visual dos bebês. O engatinhar: até aqui a locomoção dos bebês é conduzida por quem os leva no colo. porém após adquirir a posição sentada eles começam a usar os braços para ajudá-los a deslizar pelo chão e vão .O sentar: entre 4 e 5 meses inicia-se a posição sentada dos bebês. com apoios laterais (almofadas e travisseiros) e com 6 a 7 meses os bebês já conseguem sentar sem apoio e manter-se equilibrados.

vai atingindo o equilíbrio total do corpo para a marcha. pois se até aqui já fez . ele levanta-se novamente e. joelhos e pés são capazes de movimentarse muito mais rápido e facilitam a descoberta de um novo mundo a explorar. Este é o início de sua independência psicomotora.descobrindo que com as mãos. suscessivamente. Isso ocorre por volta dos 8 a 10 meses O caminhar: a partir do engatinhar o bebê começa a segurar-se nos móveis e outros objetos e mantêm-se de pé com apoio aumentando a visão de seu entorno e levando-o a ser estimulado a dar seus primeiros passos e apesar de inicialmente cair.

Para que possamos visualizar melhor o desenvolvimento da criança da qual estamos falando vamos analisar o quadro abaixo. . Eles são interdependentes e ocorrem a partir das interações do bebê com a mãe e dos estímulos que recebe. A evolução do desenvolvimento psicomotor acontece ao mesmo tempo que o desenvolvimento afetivo e cognitivo. daqui para frente será muito maior sua curiosidade.várias aprendizagens.

Pg. Helen Bee. 137) PSICOMOTORAS Idade 0 a 2 meses Habilidades Reflexo de Sucção.QUADROS DE DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR MARCOS DO DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR 0 A 2 ANOS. Alcança e agarra objetos. Vira-se. 1977. senta com auxílio.6 meses . rola. Reflexo Enraizamento Habilidades manipulativas Segura objeto se colocado no chão 2-3 meses Levanta um pouco a cabeça acompanha com os olhos um objeto movimentado lentamente. Reflexo de Moro. (Extraídos e Complementados de Ciclo Vital. 4. Eleva a cabeça até 90 graus se deitado de bruços Começa a bater em objetos ao alcance.

Pedala e guia um triciclo. pega coisas sem perder o equilíbrio. Capacidade de servir-se. Anda segurando os móveis (circulação). 2. Encaixa Evidencia clara preferência pela mão. Mantém ereta a cabeça quando sentado. Constrói torre de 2 cubos Apanha pequenos objetos. atira uma bola pequena para frente enquanto de pé.movimenta-se sobre mãos e joelhos (engatinha) 7-9 meses Senta sem apoio. pula comambos os pés. sobe em móveis e desce deles sem ajuda. coloca objetos em pequenos recipientes e os descarrega. Agarra com Polegar e indicador. Transfere objetos de uma mão à outra. vira páginas. os pés em cada degrau. Empilha dois blocos. segura o lápis entre o polegar e os dois primeiros dedos. caminha em qualquer direção puxando um brinquedo grande. Alguns sinais de preferência de mão. fica de pé com apoio. segura uma colher colocada na palma da mão. empilha 4 a 6 blocos. Corre com facilidade. Agacha-se e inclina-se. Mantém costas retas braços livres para agarrar e alcançar. usar o banheiro sozinho. com rodas. mas não consegue levar o alimento à boca. uma de cada vez.3 anos 3. corre(14-20 meses) Levanta-se sobre os braços. Desenha um círculo 10-12 meses 13-18 meses Rola bola para um adulto 18-24 meses Corre (20m). Apanha bolas grandes entre os braços estendidos. Arrasta e empurra brinquedos grandes em torno de obstáculos. Sobe escadas com um péem cada degrau. anda na ponta dos pés. Caminha para trás e para os lados. Empurra e puxa caixas ou brinquedos caminha bem(24m). engatinha Tenta ficar em pé.4 anos . corta papel com tesoura. comer com talheres. depois anda sem ajuda Fica de pé de maneira segura. sobe escada comambos Desenrosca tampas de copo.

modela derivados da forma arredondada. Joga diversos tipos de jogo com bola.4-5 anos Sobe e desce escadas com um pé em cada degrau. corta em linha reta e franjas. recorta tiras. corre e caminha bem na ponta dos pés. Desenha uma pessoa razoavelmente completa. caminha sobre uma linha estreita. enfia fios em agulha. 5. segura o lápis com maturidade. Recorta sobre uma linha. entrelaça contas mas não usa agulha. inicia os contornos de figurase coloridos em formas pequenas. Sabe vestir-se com ajuda. dá alguns pontos. chuta e apanha a bola. modela formas arredondadas. Dobra papel em triângulos. fica em pé.6 anos Pula alternando os pés. balança-se Veste-se sem ajuda . Atinge a bola com bastão. conhecimentos prévios ao desenho associado às noções espaciais. desliza. Faz Desenhos e letras grosseiras .formas geométricas.

faz vibrar as cordas vocais e produz um som. arrulham. a evolução da linguagem segue um mesmo padrão para todas as crianças: choram. O que acontece é que o ar passa pela glote. formam suas .se “prazeroso" para a criança que tenta repeti-lo. para muitos uma questão fortuita.AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM A aquisição inicial da linguagem pode parecer. combinam duas ou mais. balbuciam. Este torna . A partir daí. dizem as primeiras palavras.

. É importante ressaltar que a formação da linguagem é objeto de uma aprendizagem. constrói suas hipóteses lingüísticas que são mantidas. Da linguagem que escuta a criança extrai modelos. ou seja. Ela ocorre em "uma rede de comunicação sem o qual não poderíamos apreciar as aquisições do primeiro ano " ( Aimard.primeiras frases. tempo para palavras) aparecem tão somente para fins de estudo. amadurecimento cognitivo tudo está envolvido. percepções. É impossível compreender a linguagem isolada do resto. a formação da linguagem não pode ser isolada de um contexto de desenvolvimento global do indivíduo: atenção. Entretanto. conexões cerebrais. sentimentos. aquisições psicomotoras.1998). As diferentes faces da linguagem (tempo para sons. reforçadas ou contrariadas pelo ambiente. pois em cada criança a construção da linguagem é “continuum” e uma coisa leva a outra.

Os bebês interagem com as pessoas que cuidam deles através do choro. Em função das inúmeras conexões cerebrais existentes ainda nesta fase. A interação da criança com os outros também é outro precursor importante da Língua. controle do aparelho fonador ( língua. nas semanas iniciais de vida os bebês começam a distinguir os sons. maxilar e lábios) e o desenvolvimento rápido das conexões cerebrais das áreas da linguagem preparam a comunicação. Nesta fase inicial toda a maturação física e cerebral que ocorre. passam a perceber e diferenciar fonemas. Da mesma forma. .primeira comunicação vocal de uma criança.HABILIDADES PRÉ.LINGÜÍSTICAS O desenvolvimento pré-linguístico. após são capazes de distinguir os sons da fala de outros. Inicia-se pelo choro. que ocorre muito antes da fala em si é extremamente importante para que a linguagem alcance seu pleno desenvolvimento mais tarde. . suas absorções são maiores. Pelo choro a criança comunica seu mal estar. como a expansão da cavidade oral.

estrutura conceitos . A medida que progride cognitivamente o sujeito estrutura imagens mentais. A compreensão da existência dos objetos de forma permanente (objeto permanente) é o primeiro passo para a formulação da linguagem oral.do sorriso. desenvolvimento motor permitirá ao sujeito acompanhar visualmente os objetos. De acordo com BERNS ( 2002) o quarto precursor à língua é a “habilidade de compreender o próprio mundo". . A criança passa a emitir pequenos sinais de pedido. A maturação céfalo-caudal. das posturas. inicia o que autores chamam de: • Linguagem receptiva. tentando atrair a atenção do adulto. apontar. conseqüente. da voz. do olhar. Estes sinais são iniciadores da comunicação. mais eficientes as mesmas se sentirão na comunicação. toca. Os estudos indicam que quanto maior a interação. próximodistal e o. ou a resposta dos adultos aos sinais emitidos pela criança.

compreensão do mundo. . que criam lastros para a comunicação oral. percepção dos sons.objeto permanente. como habilidades pré-lingüísticas temos: • • • • a a a a maturação física e cerebral. Portanto. interação com os outros. acumulam experiências próprias que lhes fornecem “bagagens internas”.• Linguagem interior ou compreensiva. Ou seja.

ARRULHO= associado ao contentamento.SEQÜÊNCIAS DE DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM NA VISÃO DE DIFERENTES AUTORES Observação : os itens assinalados nos parêntese “ Para alguns” denotam os diferentes posicionamentos dos autores com relação aos termos estudados e seus significados.(para alguns é sinônimo de balbucio) BALBUCIO = experimentação volitiva de sons . (Para alguns – duplicação de sílabas.) JARGÃO = variedade de sílabas moduladas de um modo que se aproxima da fala conectada significativa (8/9 meses) . Sons de tipo vocálico produzido no fundo da garganta.

Freqüência e intensidade da voz. gestos e expressões.Uso de uma palavra para transmitir um pensamento inteiro. utilizando a voz. Acentuação/entonação. motricidade. percepções. .PROSÓDIA DA LÍNGUA MÂE = melodia da fala. Amálgamas = produções globais ASPECTOS EVOLUTIVOS Segundo Paule Aimard compreensão e produção são fenômenos que atuam em conjunto na aquisição da Linguagem. ECOLALIA = tendência de repetir sem modificações o que é falado para ele (18-24 meses) PALAVRAS-FRASES: Holófrases = forma reduzida a um mínimo expressivo. A criança acrescenta intenção de comunicação. • A Linguagem é considerada em bloco no conjunto das aquisições da criança: atenção. • A formatação da Linguagem não é objeto de uma aprendizagem. mas com um nítido sentido. A • Percepção. sentimentos.

• Idade-chave = 3 anos FASES: Diálogo tônico-emocional • • • • • • Grito/choro Balbucio. aperfeiçoamento). Lennenberg ETAPAS NO DESENVOLVIMENTO LINGÜÌSTICO . Início mais elaborado da sintática e semântica Produção de frases construídas (pronomes. advérbios. preposições. Prosódia Língua Mãe Formas Sonoras repetitivas ( em torno dos 10 meses) Formas Sonoras repetitivas com significado Ecolalia Palavras frases _ Frases: • • • verbo-complementar. MacCarthy . Podemos enriquecer .criança constrói. verbos. melhorar sua linguagem. Segundo Bayley. Jargão.

di) Duplicação de sílabas (mama. uso da entonação. reage à fala. 1967. Entende gestos e responde a “tchau” Responde a ordens simples Diz a primeira palavra Diz cinco ou mais palavras Entende “não” e ordens simples Repete coisas Usa duas palavras combinadas Usa o primeiro pronome. ma. entende a maior parte do que o adulto diz. 2002 . 1969 Citado em Berns . 1954: Lenneberg. Bayley. Fonte: McCarthy. dada).Idade Nascimento 1 mês 2 a 3 meses 3 a 4 meses 4 a 6 meses 7 a 9 meses 9 meses 10 a 12 meses 11 a 14 meses 15 a 18 meses 16 a 20 meses 20 meses 21 a 24 meses 23 a 24 meses 23 a 25 meses 24 meses 24 a 30 meses 30 a 36 meses Resposta Choro Vocalização monossilábica. Arrulho Vocaliza ao estímulo social Balbucio (da. a primeira frase/oração Entende as preposições “em” e “debaixo” Vocabulário de mais de 50 palavras Pergunta nomes de objetos e repete as respostas Vocabulário de cerca de 1000 palavras.

brinquedo e expansão fascinação por seu balbucio.4º ao 7º mês dos mecanismos respiratórios e orais. agente. IV.3º mês • Sons prazerosos.Segundo Boone (1997) Estágios de Produção da Fala: I – 1º/ 2º mês • Sons biológicos primitivos II. Alguma voliçào III. Controle motor vocal-pulmonar. objeto. (inflexão prosódia) . • Intenção de ser ouvido. • Comportamento fonético exploratório.7º ao 10º mês • Prosódia • Controle da Língua mãe • Mudanças no papel de comunicadores de ação.

11 a 13 meses variado ou não repetido • Sons são individualizados • Protopalavras (formas primitivas de uma palavra real) . 1973) • Imitação jogos sonoros e palavras ocasionais • Complexo jargão .18 meses – 2 palavras juntas (substantivoverbo) 18 a 24 meses – Explora o ambiente coloca prioridade na exploração e brinquedo do que na comunicação. 12 a 18 meses motores: ficar de pé.• Prazer – Balbucio socializado V.entendidas mais pela entonação e contexto situacional. • Linguagem expressiva: Jargão sendo substituído por palavras reai • Combinação real de 2 palavras • Caminhando • Progressos • Balbucio . alguns passos. • Linguagem compreensiva: entender algumas palavras (nomes de pessoas e coisas que – se encontram ao seu redor) – Aponta • Linguagem expressiva: diz 3 palavras • Primeiras 50 palavras (Nelson. alimentação.

300 palavras: substantivos. Linguagem Compreensiva: • Capaz de apontar para figuras corretas • Representação do ambiente 24 a 36 meses narrativas telegráficas com decisões cognitivas • Reconhece a necessidade da ordem correta das palavras para expressar seu sentido visado • Aprimora a linha de tempo = usando passado e experimentando tempo presente • Início da fase das perguntas: quem? Como? Onde? Quando? • 30 meses: mudança na prosódia 36 – 48 meses • 50% • Combina a 70% de consoantes corretas • Vocabulário falado de 500 a 1000 palavras • Entende e produz frases em interações sociais • Receptiva: aponta corretamente a maioria dos objetos .• Muitas palavras novas: substantivo-verbo • Adjetivo-verbo • + . pronomes. adjetivos. verbos.

Emissão de vocalizações· Emissão de sons vocais e consonontais. Sorriso social.500 palavras • Uso adequado de negativo • Frases compostas ( com conjunções) • Domínio do som das consoantes • Padrões pragmáticos = muda os padrões de vocalizações. Choro com intenção comunicativa. • Ex. Compreendendo o tom . Fala baixinho para não acordar o irmão.4º ano a 2 ordens corretamente • Repete uma frase de até 10 palavras • Vocabulário de + .1. Murmúrios . Idade do balbucio Idade do laleio. Enriquecimento da linguagem infantil. para adaptar-se a seus ouvintes. Escuta e joga com seus próprios sons e trata de imitar os sons emitidos pelos outros. Idade dos monossílabos Primeiras palavras em forma de sílabas duplas (mama-papa). • Obedece Segundo Ruiz e Ortega (1993) Idade Do 1º ao 2º mês Do 3º ao 4º mês Do 5º ao 6º mês Do 7º ao 8º mês Do 9º ao 10º mês Do 11º ao 12º mês Evolução da Linguagem Emissão de sons guturais. Aparecimento das primeiras sílabas.

Construção de estruturas sintáticas mais complexas de forma progressiva Aos 3 anos Aos 4 anos Aos 5 anos 6 anos em diante Segundo Piaget Para Piaget a linguagem faz parte de uma capacidade cognitiva mais . Inicia singular e plural. Uso social da linguagem.Desaparece a articulação infantil . Progressiva consolidação da noção corporal. Pode nomear imagens. Joga com as palavras .Do 12º ao 18º mês das frases Sabe algumas palavras. Pensamento animista e mágico. A partir desta fase incrementa o léxico e o grau de abstração. Período florescente da linguagem. Uso freqüente do “não”. Usa substantivos. Compreende termos que estabelecem comparações. Frases holáfrases. Construção gramatical correta. Idade das “perguntas”. Usa orações. Lecto escrita.. Seu vocabulário consta de 5 a 20 palavras. Etapa do monólogo individual e coletivo. Melhora sua construção gramatical. Acompanha sua fala com gestos e expressões. adjetivos e pronomes. Usa artigos e pronomes. Seu vocabulário varia de 12 a algumas centenas de palavras Linguagem compreensível para estranhos. É capaz de estabelecer semelhanças e diferenças.Compreende o significado de algumas frases habituais do seu entorno. verbos. Usa nexos . conjugação verbal e articulação fonemática. Progresso intelectual que conduz ao raciocínio.. Primeiras combinações substantivo-verbo e substantivo-adjetivo. Compreende contrários. espacial e temporal. Compreende e responde a instruções. (1 só palavra) Aos 2 anos Usa frases a modo de orações. Linguagem em jargão. noções espaciais etc. Começa a diferenciar tempos e modos verbais. Importante evolução neuromatriz.

Para ele a linguagem nasce da ação sensório-motora. uma organização da função de representação. Piaget não enfatiza o papel da linguagem no desenvolvimento infantil e nem considera o papel comunicativo da mesma. portanto não cria cognição e não influencia o início da mesma. É sim.ampla e não é mais do que uma das manifestações da função de representação ou semiótica. imitação. como todas as outras funções semióticas ou de representação ( jogo simbólico. desenho ) . Tem na sua gênese uma raiz egocêntrica e depois evolui tornando-se sociocêntrica. Ela serve ao progresso do desenvolvimento cognitivo. Níveis evolutivos Processos Formadores Pensamen to Linguagem . No período operatório a linguagem ajuda o sujeito a conhecer. A tabela abaixo nos indica a evolução da linguagem segundo o autor. a aprendizagem da criança. mas não o gera. interage com o pensamento e o subsidia. Auxilia sim. Não é fonte de desenvolvimento.

As idéias que mais encontraram apoio nas pesquisas desenvolvidas . o melhor desempenho de seus alunos.Plano Sensório-motor Plano representativosimbólico Plano representativoconceptual Equilibração entreAssimilação Esquema sensório-motor – e acomodação percepção eações Equilibração incompleta entre Esquema a Assimilação e a Acomodação simbólico=imagens Equilibração entreAssimilação eacomodação Indício = palavra napresença do objeto Semi-signo=Palavra na ausência doobjeto. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO: DE 0 A 6 ANOS Já vimos na unidade anterior que algumas teorias insistem no papel decisivo do ambiente para a aprendizagem. acompanhandosua imagem. contrapondo-se as teorias que evidenciam o papel organizador do próprio indivíduo. Para o professor é extremamente importante entender como são formados os conhecimentos a fim de poder utilizar estes conhecimentos para desenvolver uma ótima abordagem didático-pedagógico obtendo. assim.

A idéia chave está na análise do organismo que produz a conduta e não na relação entre o que entra no organismo e o que saí (estímulos/ respostas). Destas idéias surge o interesse e a necessidade maior do conhecimento da psicologia evolutiva. . A questão de como são formados os conhecimentos está profundamente vinculada à questão do Ensino.em ambientes educacionais são aquelas que defendem que a escola deve favorecer a atividade da criança. Um dos objetivos básicos do ensino hoje é o de que o indivíduo seja capaz de enfrentar situações novas e agir de forma eficaz diante das mesmas.

apresentado por Delval. (1998) de que: “. As diferentes teorias encaram de forma diferenciada as questões da aprendizagem (como já vimos).A raiz desta questão está na explicação de como são formados os instrumentos intelectuais do indivíduo e não somente na forma como o indivíduo adquire os conhecimentos concretos do ensino. Defendemos o princípio básico. os conteúdos.. aprendizagem é a mudança na disposição ou na conduta de um organismo relativamente permanente e que não se deve a um processo de simples crescimento” .. ou seja.

Das idéias iniciais que subestimavam a inteligência dos bebês até as teorias que hoje estudamos. Para isso. os progressos foram fantásticos. O estudo sobre o desenvolvimento cognitivo progrediu muito no decorrer do século XX. Conceitos. Memória. Percepção. Raciocínio.Assim sendo. . O que capacita o sujeito o aprender são as formas de abordagens dos problemas de que dispõe. de forma ampla como conhecimento e envolve diferentes aspectos como: • • • • • • Inteligência. se faz necessário ao professor conhecer o desenvolvimento intelectual do ser humano. Cognição pode ser entendida. só poderemos entendê-la a medida que aceitarmos ser ela um elemento do processo de desenvolvimento no seu conjunto. Linguagem.

o desenvolvimento cognitivo é constatado à medida que os esquemas são construídos. A criança ainda não representa eventos internamente e não “Pensa" conceitualmente. nem sempre padronizada ou indicativa dos mesmos aspectos. Durante estes anos a criança desenvolve a capacidade de aplicar o pensamento lógico a . Estágio do pensamento pré-operacional (2 a 7 anos). 2.A VISÃO DE DIFERENTES AUTORES SOBRE OS ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVO Esta apresentação tem o objetivo de destacar a visão dos autores sobre os estágios de desenvolvimento elaborados por PIAGET. apesar disso. Estágio das operações concretas (7 a 11 anos). Durante este estágio. neste estágio. 3. é pré-lógico ou semilógico. visão esta. apresentando variações nas idades e nas características indicadas. o comportamento é basicamente motor. O raciocínio. Este estágio é caracterizado pelo desenvolvimento da linguagem e outras formas de representação e pelo rápido desenvolvimento conceitual. Estágio da inteligência sensório-motora (0 a 2 anos). Na visão de Wadsworth (1993): 1.

temporalmente.Estágio das operações concretas ( de 6 a 11 anos) • Inteligência operatória (baseada em um conjunto de operações . 3. no presente. Estágio das operações formais (11 a 15 anos ou mais). Estágio pré-operatório (de 2 a 6 anos) • Inteligência • Inteligência representativa (esquemas de ações interiorizadas) • Egocentrismo (o ponto de vista da criança domina) • Pensamento intuitivo. Estágio sensório-motor (0 a 2 anos) prática • O bebê começa a ser capaz de resolver problemas práticos cada vez mais complexos • A evolução dos esquemas permite que o muno vá sendo organizado (espacialmente. Na visão de Coll et al (1993) : 1. 4. Neste estágio. causalmente) 2. baseado na percepção.problemas concretos. e as crianças tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas. as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento.

7 anos . Passa das ações reflexas para a atividade voltada para um objetivo.lógicas) • Pensamento mais lógico e racional • As operações permitem organizar a realidade de uma maneira mais estável (conservações) 4. memória e pensamento. Passa das ações reflexas para a atividade voltada para um objetivo.2 anos Pré-operacional 2 . Começa a reconhecer que os objetos não deixam de existir quando estão ocultos.Estágio das operações formais (de 11 a 15 anos) formal (pode aplicar-se a qualquer conteúdo) • Pensamento combinatório (capacidade de pensar em todas as combinações e variantes possíveis de um fenômeno) • Pensamento hipotético-dedutivo (capacidade de racionar por meio de hipóteses) • Inteligência Na visão Anita Woolfolk (2000) Estágio Idade Aproximada Características Começa a fazer uso da imitação. Gradualmente desenvolve o uso da linguagem e Sensório-motor 0.

a capacidade de pensar de forma simbólica Capaz de pensar sobre as operações logicamente em uma direção. Compreende a reversibilidade. mas não oferecem uma . Tem dificuldade em ver o ponto de vista de outra pessoa Capaz de resolver problemas concretos (práticos) de maneira lógica. Compreende as leis da conservação e é capaz de classificar e seriar. Operacional concreto 7 –11 anos FATORES DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO Maturação Biológica/ Hereditariedade: as características biológicas influem.

A criança necessita assimilar o que lhe procuram inculcar do exterior. por exemplo. Transmissões Sociais / Interação Social: Intercâmbio de idéias entre pessoas.cobertor . É fator educativo principalmente para o desenvolvimento do conhecimento social. Os conceitos ou esquemas que o sujeito desenvolve pode ser classificados: – como os que tem referenciais físicos acessíveis (podem ser percebidos pelos sentidos). “mana" . como por exemplo . conceitos de valores “ajuda ao . – como os que não tem tais referenciais como.estrutura pronta desde o nascimento.

É fator essencial e determinante ao desenvolvimento neste processo contínuo de adaptação ao meio em que vive. A construção do conhecimento só ocorre a medida que o sujeito experiência.próximo". sua vivência. Equilibração: coordenação entre os três elementos anteriores.físico. Todo o conhecimento construído pela criança .requer sua troca. São estas experiências ativas que tem como resultado a mudança cognitiva. . Experiência com os objetos / Experiência ativa: conhecimento que a criança retira de suas experiências com os objetos físicos e sociais. sua experiência pessoal. Nesta construção precisa equilibrar a nova experiência com os fatores anteriores (maturação biológica. “honestidade". lógico-matemático e social .

Muitos estudiosos pós–piagetianos acrescentaram subperíodos aos períodos inicialmente indicados na obra original. O importante é termos clareza de que em cada um desses períodos acontecem transformações substanciais e conseqüentemente também superação de um tipo de . Cria-se assim um conflito cognitivo e é necessário um jogo de regulações e de compensações para que se atinja uma coerência entre o que já sabia com as novidades provocadoras deste conflito = isto se dá através das Leis da equilibração que nós veremos no Módulo III com mais profundidade.transmissões sociais e experiências física). nos estudos realizados até o momento que os autores dividem de forma diferenciada os períodos de desenvolvimento cognitivo. com aquilo que já sabe (produto das suas experiências anteriores). Já vimos.

A TEORIA DE PIAGET SOBRE O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO .egocentrismo.

. O surgimento desta. representa o término do período sensório-motor e o início do pré-operatório.O Estágio Sensório – Motor A criança no período sensório-motor (período anterior ao aparecimento da linguagem) aprendeu a agir sobre as coisas e prever seus comportamentos. Esta capacidade não é simplesmente acrescentada às outras.. atividade representativa ou jogo simbólico. Estabelece um instrumento básico para agir e interpretar a realidade: a representação. o principal trabalho que a criança precisa realizar no seu desenvolvimento é conseguir que o mundo. mas . tanto físico como social. 106). Jean Piaget “. tenha uma organização e uma constância” (p.

esta capacidade está de tal forma internalizada que pode tornar-se muitas vezes difícil o entendimento do grande avanço que acontece no plano cognitivo de uma criança nesta fase. Esta é uma construção longa que se encerra somente no fim da adolescência. grãos. Ou seja. palitos.sim. buscamos as coisas ausentes. obriga o ser humano a reconstruir o que sabe em outro plano. Para nós adultos.Esta representação do objeto ausente (comida) demonstra sua capacidade de representação mental. . reconstruímos. Ao recordarmos qualquer fato e o comentarmos em uma roda de amigos. os acontecimentos vividos fixados em nossa memória. substituímos. o que existia no plano concreto passa a existir também no plano da representação. Assim. Quando uma criança brinca de fazer comidinha pode representá-la por folhas. surgem lembranças de cenas vividas que se interligam intimamente com as palavras que estamos utilizando.

1988) O ESTÁGIO SENSÓRIO-MOTOR .“A capacidade de representação de objetos e eventos é o principal desenvolvimento do estágio pré-operacional” (Wadsworth.

. Quando a criança já dominou determinada ação.Resumo: Chamado de sensório-motor porque as crianças usam os sentidos e a atividade motora para descobrir o ambiente. Servem para consolidar as condutas.Ela não é um ser passivo ou simplesmente um ser receptor da estimulação do meio. Não existe linguagem e nenhuma outra forma de representação. Inicia então. modificando-as a criança produz novas condutas. A criança ao nascer age sobre o mundo através das suas condutas reflexas. perde o interesse pela mesma. explorando novas possibilidades. coordenando-as começa a construir as primeiras noções sobre os objetos. Organiza toda a informação obtida pelos sentidos e desenvolve respostas aos estímulos ambientais. o processo de modificação da mesma. A repetição tem um papel preponderante no desenvolvimento. Repetindo ações. Estas ações tornam-se esquemas. Neste período inicial todo o contato da criança com o seu meio se faz através das atividades sensoriais e motoras.O conhecimento vem das ações físicas sobre os objetos.

A consciência de que os objetos são permanentes e não são destruídos quando desaparecem é desenvolvida pouco a pouco a partir das experiências. tocar. e as coisas dele são permanentes. cheirar. sentir. Sua existência marca a passagem para o estágio seguinte. . Esta noção chama-se noção de objeto permanente. seu comportamento caracteriza-se pela adaptação. Este estágio inicial divide-se em uma série de etapas que se iniciam com o exercício dos reflexos e que através da consolidação dos esquemas ampliam suas redes de relações e se consolidam. tempo e causalidade. ouvir. Sua existência não depende de poder ver.Portanto. é básica para construção das noções de espaço. Ou seja. Desta forma acontece o desenvolvimento. Ela está constantemente modificando esquemas de ação para responder ao ambiente. É a noção mais importante deste período. é a capacidade de reconhecer que o mundo.

no plano do pensamento. pelos desenhos. pelas modelagens etc. pelas brincadeiras de faz de conta. Esta fase é o início de um processo de reconstrução que se tornará cada vez mais complexos e que perdurará até o estabelecimento da maturidade intelectual. A importância da capacidade de representação reside no fato de que ela simplesmente não acrescenta fatos novos aos já existentes.. Para que o pensamento aconteça é necessário que haja a capacidade de “ tornar presente” .. mas sim obriga o sujeito a reconstruir. Esta possibilidade de substituição é chamada também de “ capacidade representativa “ ou “ simbolismo “. de substituir as coisas ausentes pelas imagens. no plano sensório motor. pelas palavras.O ESTÁGIO PRÉ-OPERATÓRIO Resumo: A característica central do estágio préoperatório é a “ tomada de consciência” .processo de conceituação que envolve a interiorização e reconstrução das ações executadas antes. agora . .

A criança.Neste estágio a criança ainda se encontra muito ligada a aparência e a percepção das situações ( ligada no fato concreto.Interessante observar que Piaget ao caracterizar este período como pré-operatório não destacou o grande avanço da criança. no que sente. Normalmente todas elas manifestam-se em torno dos dois anos de idade. ou seja. ou sejam sua capacidade de utilizar o pensamento simbólico. segundo Piaget. demonstra desta forma sua capacidade . no que vê. a medida que aumentam suas capacidades simbólicas a criança passa a prestar maior atenção nas transformações que acontecem no seu meio e como estas transformações ligam uma situação à outra. o jogo simbólico. ressaltou o que elas ainda não fazem. no que percebe). a imagem mental e a linguagem falada. o desenho. Aos poucos. mas sim. a utilização do pensamento operatório ( pensamento ordenado de acordo com um conjunto de princípios lógicos). Esta capacidade tem diferentes formas ou tipos de manifestações como: imitação diferida.

as folhas.simbólica ou semiótica. a capacidade de distinguir entre um significante (imagem. ou capacidade representativa da criança manifesta-se inicialmente pela imitação (reprodução por meio de gestos de condutas observadas). a idéia compreensiva do que foi percebido. A função semiótica. ou seja. ou seja. no caso da comidinha. o objeto ausente. e um significado . conforme já explicado. a capacidade de representação mental em essência se confunde com o próprio pensamento. A função simbólica. na brincadeira de faz de conta e na linguagem. ou seja. palavra ou símbolo). Estas manifestações do pensamento se desenvolvem de maneira .

pois os signos e símbolos pertencem a sistema sociais comuns e não são . Explicando: no período sensório motor a criança trabalhava. já vivenciou.interligadas. através de ações e percepções. Na inteligência pré-operatória a criança age através de signos e símbolos. que já dominava pela ação. refeitas no nível da representação. dentro de um determinado tempo e espaço. Esta só pode acontecer tendo por referência as coisas que a criança já conhece. já experimentou. ou agia sobre os próprios objetos situações. a construção de objetos. Fala-se que o estágio Pré-operatório é o estágio da reconstrução exatamente porque as categorias de tempo. agora precisam ser reconstruídas. causalidade e permanência do objeto que o bebê usava nos seus processos de reconhecimento (do tempo presente). a dança.À medida que a criança evolui formando imagens mentais mais sólidas. a modelagem. Outro grande avanço deste período está no fato de que a representação da realidade tornar-se socializada e compartilhada. e exatamente por isso reconstroem as categorias de espaço (evoca algo que não está presente) e de tempo (evoca situações passadas ou antecipa o futuro imediato). esta capacidade encontrará outras formas de manifestação como o desenho. de espaço.

o desenho é uma forma de representação: . como no período anterior. Consideramos a aquisição da linguagem como uma etapa marcante no desenvolvimento do ser humano por ser ela uma forma de conhecimento social. Nas capacidades representativas desta fase surge também o desenho. a aquisição da linguagem e sua inserção dentro da ação é uma característica mais importantes.no desenvolvimento da disciplina a linguagem é tratada em um capítulo especial. Assim. apesar de ser absolutamente necessário ter-se claramente estabelecido o conceito de que para Piaget a linguagem é uma forma de representação. e ao mesmo tempo uma das tarefas mais difíceis e complexas com que o ser humano se defronta ao longo de seu desenvolvimento. Da mesma maneira que a imitação e o jogo do “faz-de-conta”. Na etapa pré-operatória.comportamentos isolados.

de sua ação com o mundo dos objetos que a cercam. que brotam de suas experiências pessoais . A criança vai aprendendo a formar categorias com os objetos. aos seus aspectos perceptivos ( forma.) Esta característica faz com que preste menos atenção às transformações que ligam uma situação à outra. usando para isto atributos perceptivos. Desta forma. descobre um princípio básico para seu desenvolvimento . cor. a classificá-los e ordená-los de acordo com suas diferenças ou semelhanças. porque o sujeito não é capaz de realizar “operações”. físicos. tamanho.CARACTERÍSTICAS DO PENSAMENTO PRÉOPERATÓRIO Nesta etapa chamada assim. a criança está ainda muito ligada a aparência dos objetos.

transformações. centração e reversibilidade. Ex: meu avô não é avô de meu irmão ou de meu primo.o da lógica. ou seja. estas se tornam. por assim dizer. Que seu • Pensamento . 1999. Ressalte-se que nos movimentos e nas transformações é capaz de compreender o que não contradiz o que já sabe.definida por Piaget como a incapacidade da criança de se colocar no lugar do outro. Estas características são: egocentrismo. egocêntrico . vêem as coisas e agem como ela. no surgimento de um conflito lógico. obstáculos ao desenvolvimento ou alcance do pensamento lógico. o pensamento pré-operatório. Assim “o que é essencial no desenvolvimento intelectual é a organização do mundo e a construção paralela dos procedimentos para reorganizá-lo” (Delval.cognitivo . Compreende dados perceptivos que melhorem suas experiências anteriores.106). ainda preso as características perceptivas.p. Por estar. a criança opta sempre a favor dos dados perceptivos em detrimento das transformações que ocorreram. Ela acredita que todos pensam. o que já vivenciou.

com base nas observações do momento. É importante saber que o egocentrismo. Na visão de Wadsworth (2001 “o egocentrismo pode ser concebido como a forma de inibir o desequilíbrio. Normalmente acredita que a evidência é que está errada. Ele age no sentido de manter o status quo da estrutura cognitiva. mesmo diante de evidências que lhe mostrem ações contraditórias.pensamento está sempre correto e lógico.definida como incapacidade para raciocinar com sucesso sobre as transformações que ocorrem com os objetos ou com os eventos. ou o pensamento egocêntrico é absolutamente normal nesta fase que a criança não tem consciência de que a sua forma de pensar pode estar diferindo da forma de pensar do grupo. Não consegue acompanhar ou reconstruir a transformação ocorrida. nas transformações. A conseqüência mais direta do pensamento egocêntrico é o fato de que a criança não questiona as ações que ocorrem em seu meio. na totalidade.” e transformações . Não consegue pensar nas conseqüências. Seu pensamento é estático e rígido. • Estados .

• Centração . que a quantidade de água de A não é a mesma de C porque só consegue focalizar uma dimensão por vez (neste caso. apesar da centração a criança pré-operatório é capaz de formar classes e categorias. Exatamente por isto tem dificuldade para considerar. incapaz de descentrar o enfoque visual. a criança pré-operatória dirá. Ex: reconhecer que o gelo é a água colocada no congelador ou que a água do copo derramada na bacia é a mesma em quantidade. ou um atributo. naquele que é mais fácil de perceber) e não nas transformações ocorridas. . diversos aspectos de uma situação. Estas noções estabelecem-se no período concreto.focaliza apenas uma dimensão do estímulo. Incapaz de levar em conta mais de uma dimensão ao mesmo tempo. Ex. apesar de apresentar relações pobres e conflitos hierárquicos entre as classes. altura ou largura dos recipientes). Onde tem mais? Ao explorar uma mesma quantidade de líquido colocado em recipientes diferentes.: massinha transformada em cobra. É exatamente esta característica de pensamento que Piaget chama centração. simultaneamente. Entretanto.O conflito é resolvido com base nos dados perceptivos (no destaque. normalmente.

de um líquido derramado ( que não retorna ao vasilhame original). Exemplificando: uma porta. a capacidade de seguir uma linha de raciocínio de volta a ponto de partida. ou portão que se abre. o fato de que o ambiente físico normalmente não oferece muitas condições específicas para a “descoberta” destes conceitos através de manipulação direta. Já colocamos anteriormente que para Piaget uma das características que define de forma clara a inteligência do ser humano é a reversibilidade. “Capacidade de entender que certos • Irreversibilidade . A reversibilidade existente no início do período relaciona-se as noções práticas de espaço e de grupos de deslocamento.: gelo transformar-se novamente em água. janela. voltar ao seu estado original. a centração e outras dificultam o desenvolvimento do conceito de reversibilidade. ou seja. ou seja. Acresça-se a isto. Entretanto. pode ser fechado (portanto esta é uma ação que pode levar a formação do conceito de reversibilidade). como acontece com tantos outros. As características do pensamento pré-operatório já comentadas até o momento como o egocentrismo. Ex.incapacidade de entender que as transformações que acontecem podem ser revertidas.. outras tantas já a dificultam como é o caso de um objeto jogado (que não volta sozinho).

2001).fenômenos são reversíveis. compreensão de que duas coisas que são iguais continuam iguais caso sua forma seja alterada contando que nada seja adicionado ou retirado. Entretanto é preciso ressaltar novamente que a manipulação direta de objetos que favoreçam esta aquisição ou o desenvolvimento das noções de conservação é que respondem pelas variações que as crianças apresentam. É importante destacar que para Piaget a noção de conservação surge espontaneamente como resultado de processos de assimilação e acomodação de experiências ativas.a quantidade de uma matéria permanece sempre a mesma apesar de estar sujeita a mudanças. • Conservação . classificação e outras. isto é. Portanto. . elas não podem ser “ ensinadas” . Normalmente o princípio da conservação não é claramente entendido pela criança pré-operatória e estabelece-se com mais exatidão no período seguinte. A característica da irreversibilidade explica em grande parte as dificuldade das crianças pré-operatórias ao lidarem com noções mais abstratas como a da conservação. Ou. podemos também desfazê-la e reinstaurar o estado original” ( Biaggio. que quando fazemos uma transformação.

A noção de conservação aplica-se a número. volume. ou a nomenclatura verbal. área e volume. a medida que atingir o pensamento de reversibilidade desenvolve . pela própria criança. Iniciam-se pela identificação.A medida em que a criança torna-se menos egocêntrica aprendendo a questionar seu próprio pensamento. peso. os esquemas de conservação. para juntá-las. A noção de classificação possibilita a construção de arranjos com invenções progressivas dos critérios utilizados para a reunião de objetos numa ou em várias coleções. No período pré-operatório as Classificações e relações progridem rapidamente da habilidade de apenas agrupar de modo rudimentar para a • Classificação . É a segunda habilidade básica para a compreensão de conceitos numéricos. como a cor. das diferenças e semelhanças entre os objetos e completam-se mais tarde nas noções de quantificação. à medida que aprender a descentrar suas percepções e seguir as transformações que observa. massa. como conseqüência natural. – É o ato de agrupar objetos por similaridades. Colocar as coisas em conjuntos ou tipos e utilizar propriedades abstratas. líquido. a forma.

• Noção Contagem e conceito de número são duas coisas totalmente diferentes. Entretanto. de número . Assim. tamanho). . em torno de 4/5 anos ainda não é capaz de colocar os objetos em determinada ordem.classificação adequada (forma. agrupa utilizando o critério forma seguido pelo critério cor. mas modifica-o de acordo com o estímulo anterior. Realiza sim. cor. experimentações com os mesmos. Nas classificações não adota um critério único.a conceituação de quantidade depende essencialmente da capacidade de conservação (mesma quantidade independentemente de sua divisão).

ordem espacial) que formarão noções diversas de direção. IMITAÇÂO: Significa reproduzir um modelo fornecido. Na etapa inicial ocorrem na presença do modelo e posteriormente (pela representação simbólica) na ausência do mesmo. a seu uso. BRINCADEIRA SIMBÓLICA: atividade na qual os objetos são utilizados como suporte para o diálogo com a criança. nomes de brincadeira etc. ângulos etc nos níveis posteriores. tendo como base os textos de Maria da Glória Seber. citado na bibliografia.Para que tenhamos clareza quanto a alguns conceitos fundamentais os mesmos são aqui explorados. separação. Favorecem o desenvolvimento da atividade representativa em seus aspectos simbólico e lingüístico. . Abrangem questões relacionadas aos objetos. Helen Bee e Juan Delval. A reprodução de arranjos feitos com objetos conduz à compreensão de um conjunto de relações topológicas (proximidade.

Estas diferenças podem ser de tamanho. empurrar. ou seja.Significa entender que é possível aplicar-se uma determinada ordem sistematicamente a quaisquer conjuntos de objetos. A noção de quantificação leva ao estabelecimento de condições intelectuais ou lógicas para a conquistada noção de conservação de . de textura e outros.BRINCADEIRA SENSÓRIO-MOTORA : relacionamse ao amadurecimento céfalo-caudal E próximodistal. de forma. Exemplo: rolar. a ordenação de conjunto de objetos que apresentam entre si diferença constante. areia. SERIAÇÃO: Capacidade de classificar itens em maior e menor. correspondência um a um entre um conjunto de objetos (onde tem mais. visam o aprimoramento dos esquemas motores. amassar. Possibilitam a construção de séries. onde tem menos?) e em outro momento avaliar as proporções entre pequenos montes de elementos não contáveis ( líquido. que ocorre antes do volume. A seriação por tamanho ocorre antes do peso. de tonalidade. QUANTIFICAÇÃO: significa estabelecer em um primeiro momento. massa). de peso.

ou definido. e finalmente aos deslocamentos dos objetos entre si. ordem e simultaneidade Como resultado das pesquisas realizadas e principalmente das comparações estabelecidas com o período ou estágio posterior. o período pré-operatório. Tem íntima relação ou é inseparável da noção de tempo.substância e de unidade. A vivência vai propiciar a reconstruções dessas relações espaciais no plano da representação. Começa a se desenvolver desde o nascimento. em síntese é sempre apresentado. A evocação vai permitir à criança pegar um determinado objeto e recordar um fato relativo a ele. TEMPO: exige o desenvolvimento da representação para formar-se como uma noção abstrata. A noção de tempo envolve duração. em termos negativos. Destaca as questões que a criança ainda não é . ESPAÇO: estabelecimento de um sistema de relações referentes inicialmente a seus próprios movimentos. depois a seus deslocamentos e aos deslocamentos dos objetos.

Entretanto é necessário destacar o grande avanço da criança na sua capacidade de representar e refletir mentalmente sobre objetos. mostram terem consciência muitas vezes. A criança mostra sinais de estarem construindo uma teoria a respeito das coisas. de seus próprios pensamentos. apesar desta reflexão ter como base suas observações concretas.capaz de resolver. pessoas e eventos. . e inclusive de enganar propositalmente para alcançarem seus propósitos. Já são capazes de distinguir alguns eventos reais dos imaginários.

O PERÍODO OPERATÓRIO . multiplicação. elabora e reelabora para o exame do mundo ou para a sua interação com ele. ordenação seriada e outros) que a criança descobre. Como uma regra básica podemos dizer que as operações são ações implicadas nos símbolos matemáticos comuns e .CONCRETO : DE 6 A 12 ANOS As mudanças cognitivas de 6 a 12 anos. de estratégias. Em termos piagetianos este é um período de grandes transformações cognitivas. ou de esquemas internos. Piaget chama de "operações" o conjunto de regras. subtração. adição. abstratos e poderosos ( reversibilidade. Inicia-se com o surgimento das operações concretas e concluem-se com o surgimento das operações formais.

igualdade ( =). maior ou menor ( < > ) portanto. multiplicação ( X) . precedida pelo período préoperatório e seguida pela preparação e consolidação de uma segunda fase de equilíbrio da inteligência representativa constituída pelo estágio das operações . “ representações mentais reversíveis “. pertencendo ao domínio das operações intelectuais. é a fase de consolidação e organização da evolução da inteligência representativa. Cada um dos esquemas que a criança forma é uma espécie de regra interna que a criança constroe e passa a utilizar sobre os objetos e suas relações. a divisão ( ).conhecidos como a ADIÇÃO ( +). segundo Berns ( 2002 ).. a SUBTRAÇÃO ( -).. São. .

Esta organização faz com que ela entenda muito melhor . símbolos e ações mentais. Pode representar as coisas e agir sobre a realidade de maneira mediatizada. mediante signos. Depois. transformam-se em operações mentais. Inicialmente esta lógica é aplicada a problemas que existem. dos objetos.formais. Na fase das operações concretas a criança não necessita agir efetiva e constantemente sobre os objetos para entendê-los. Organiza suas percepções do mundo.(Marti apud Coll. ou seja. problemas concretos. 1995) Piaget diz que em torno dos sete anos o pensamento da criança torna-se lógico. apresenta características de reversibilidade. ou seja.

É importante ter-se claro um dos termos que caracteriza este período.o termo concreto. observáveis. Ela descentra suas percepções e é capaz de acompanhar as transformações. É um pensamento que costuma ser acompanhado de um sentimento de coerência. classificação. apesar de desenvolver as operações lógicas (reversibilidade. 1972). Significa que a criança não tem condições de aplicar a lógica a problemas . Explicando: diferentemente da pré-operátoria a criança nesta fase toma decisões cognitivas e lógicas. Significa que neste estágio a criança.as transformações e os estados a que as coisas estão sujeitas. em suma. . (Piaget. em problemas que envolvam objetos e fatos concretos e imediatos. apresentando argumentos corretos que contrariam os dados obtidos unicamente através da percepção (fase anterior). ou seja. conservação etc.) emprega-as apenas na solução de problemas reais.

ou seja. . Na etapa anterior cada passo é percebido de forma independente. Agora ele é percebido no seu todo.verbais ou abstratos ou mesmo os problemas concretos que envolvam vários fatos. A criança tem consciência e compreensão das relações que se estabelecem entre os diferentes passos de uma transformação. e ao invés de proceder a partir de um ponto de vista único. Piaget distingue três características básicas da inteligência operatória: a descentração.Com base em Eduardo Marti (1995) e complementado por outros autores citados na bibliografia podemos defini-las da seguinte forma: Descentração: capacidade de poder seguir as transformações sucessivas da realidade através de todos os caminhos e rodeios possíveis. conseguir coordenar os diferentes pontos de vista. a conservação e a reversibilidade.

Capacidade de retroceder e de avançar no pensamento sobre as relações. A característica das operações concretas é . Isto tem profundo significado nas suas relações sociais Reversibilidade: Piaget acredita ser a reversibilidade a noção mais crítica a ser adquirida. como e porque as razões das mudanças. A criança passa a compreender as razões de mudanças nos estados afetivos dos outros. Esta compreensão aplica-se também aos sentimentos. (possibilidade de ir e vir) Que a salsicha de argila pode voltar a ser uma bola. que a água colocada no copo mais alto pode retornar ao copo mais baixo e permanecer com a mesma quantidade. Torna o pensamento móvel e dinâmico.Ou seja. compreender que as operações mentais e as ações físicas podem ser invertidas ou revertidas. Ressalta que o conceito de reversibilidade é básico para o entendimento do processo de construção da inteligência.no que aconteceu.

o que denota a incapacidade do pensamento pré-operatória em reverter a operação. Ao virarse o cilindro em 180º para fazer com que as balas saiam pelo outro lado. mostrando a inversão estabelecida ou por reciprocidade ( lei da compensação).se eu fizesse isso voltar ao que era. mas de cores diferentes.poder desenvolver-se de maneira reversível por inversão – (volta ao estado anterior . em usar a inversão. ou seja. Pergunta-se para a criança que sairá da boca do mesmo. . A pré-operatória responderá pela ordem das cores que as mesmas foram colocadas. Piaget explica a lei da inversão ou com um exemplo de atividades. Coloca-se em um cilindro três calas do mesmo tamanho. A criança operatória concreta já responde com lógica correta. seria o mesmo) capacidade de reverter mentalmente as operações. a resposta será a mesma – pela ordem das cores em que foram colocadas.ou lei da compensação.

2002. permanecem. rosas e flores. B é menor do que A “. Por exemplo. ou seja. ou compreender hierarquias de classes como cachorro e animal. se nada é acrescentado ou tirado de um objeto.p. Se transformamos um objeto em sua forma ( bolas e .350).A criança operatória concreta procura nas “leis de compensação” explicações para fenômenos ou transformações realizadas. algumas coisas não se modificam. È a compreensão de invariantes. esse objeto permanece o mesmo embora possa sofrer mudanças na aparência” (Berns. A reversibilidade leva o sujeito a compreender operações lógicas abstratas como “ se A é maior do que B . diz que no copo mais alto entrou a mesma água porque a altura “compensa” largura do copo inicial. Conservação: é a possibilidade que existe de algo se conservar apesar das transformações que possa sofrer. de que nas transformações. “Envolve a compreensão de que.

seguida do peso e do volume. normalmente . ou seja. A noção de conservação. um dos indícios mais claros da passagem da intuição à operação. de acompanhar transformações.salsicha) algo muda e algo permanece.depois o líquido. a . a noção de conservação entendendo que a substância permanece a mesma . “ As capacidades já descritas anteriormente de descentração. Na verificação da estimativa da linha de nível de líquidos. A criança inicia. para Piaget. é um dos indícios mais claros de agrupamento das ações em sistemas organizados. depois a quantidade. Conservações numéricas (a quantidade não muda mesmo que modifique a disposição) e conservação de comprimento são também adquiridas no final desta fase. de reverter operações por inversão e por reciprocidade são todas necessárias para o desenvolvimento das capacidades de conservação e para o progresso do raciocínio” (Wadsworth. 1998) . ( pré-operatório ao estágio operatório concreto).

Através do brincar uma criança vai desenvolvendo sua criatividade e vai internalizando e aceitando as regras sociais e morais. . cognitivo e afetivo estimulado deve ter mais chances de interagir com seus pais e cuidadores. brincando. já a criança concreta conserva a horizontalidade. baseando-se em princípios lógicos. O brincar é tão importante para o desenvolvimento psicomotor. A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR PARA O DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DO SER HUMANO Para uma criança ter seu desenvolvimento físico/psicomotor.criança pré-operatória baseia-se em fatores perceptivos intuitivos e normalmente apresenta uma mesma reposta.

é uma atividade universal... ele é seu constituinte”.. de um desejo efetivo da criança. Além disto. que enfatiza que: “o brincar. Jamais o Brincar é involuntário. presente em todas as formas de organização social.. A mesma autora cita Winnicott (in ROZA. Mas o que é o Brincar? Para Roza (1999): . das mais primitivas às mais sofisticadas.cognitivo e afetivo quanto para o social e moral. pois brincar e imitar são as formas de aprender a viver a partir dos modelos que assistem e copiam. ao contrário de ser constituído pela realidade psíquica. 1999). .. o brincar depende de uma determinação consciente.

a regulação do afeto. as estruturas mentais só se desenvolvem se houver possibilidade de expressão e comunicação com o meio (Oliveira et al. cooperação.. imaginação e seus potenciais individuais. ouve e sente. entre o brincar e o amadurecimento das funções cerebrais. com suas possibilidades. o controle dos impulsos. Além disso. o mundo que a rodeia já que muitas vezes ela não pode ou não sabe ainda falar a respeito do que vê. por isso é tão importante que pais e educadores possibilitem o brincar livre e ofereçam materiais variados sobre os quais as crianças possam exercer sua criatividade. Nas brincadeiras infantis. do ponto de vista orgânico. conduzindo-os para um crescimento saudável. agressividade. é nas manifestações da criança que ela vai elaborando e organizando. A aprendizagem do agir só pode ser em contato significativo com o . O brincar é a forma de representação simbólica mais importante para a construção de sua inteligência e equilíbrio emocional uma vez que.Existe uma correlação fundamental. 2000). criatividade. aparecem as interações com outras crianças. Crianças usam diferentes linguagens para expressar suas emoções. competição.

através do brincar. a combinação de novas idéias que reúnem conteúdos conscientes e inconscientes. As brincadeiras simbólicas possibilitam reviver um tempo anterior. necessário para assegurar a unidade dos grupos e sua identidade. elaborar através do lúdico situações que necessitam ser entendidas. É no brincar que a criança desenvolve seus aspectos cognitivos. do passado mais próximo ao mais remoto. O prazer pode predominar no brincar. preparando-as para o enfrentamento do futuro. Os ritos e regras das brincadeiras e dos jogos coletivos facilitam o processo de integração grupal e o desenvolvimento sócio-afetivo e cultural criança. muitas vezes. . contando fatos ou situações que as crianças vivenciaram e tentando. Essas recordações e imagens vão construindo a subjetividade de cada criança. as crianças começam as brincadeiras e os jogos coletivos. Com o crescimento. pois em suas experiências reais não lhes foram compreensíveis. o que favorece a criatividade. pois vai internalizando as regras de convívios nos grupos. a mãe ou seus cuidadores. afetivos e sócio-culturais. ajudando-as a modular os laços afetivos com outras crianças.outro.

como tanto temos assistido. mediante signos. ou seja.Nessa medida. Explicando: diferentemente da pré-operátoria a criança nesta fase toma decisões cognitivas e lógicas. Esta organização faz com que ela entenda muito melhor as transformações e os estados a que as coisas estão sujeitas. Organiza suas percepções do mundo. todos os esforços empreendidos pela sociedade. símbolos e ações mentais. Piaget diz que em torno dos sete anos o pensamento da criança torna-se lógico. Na fase das operações concretas a criança não necessita agir efetiva e constantemente sobre os objetos para entendê-los. Depois. Inicialmente esta lógica é aplicada a problemas que existem. ou seja. Pode representar as coisas e agir sobre a realidade de maneira mediatizada. dos objetos. através de iniciativas públicas ou privadas (principalmente as ONG’sOrganizações Não Governamentais) são tão importantes para a prevenção de uma infância feliz. transformam-se em operações mentais. É um pensamento que costuma ser acompanhado de um sentimento de coerência. adequada e com menos sofrimentos. problemas concretos. apresentando argumentos . apresenta características de reversibilidade.

Piaget distingue três características básicas da inteligência operatória: a descentração. conseguir coordenar os diferentes pontos de vista. classificação. em problemas que envolvam objetos e fatos concretos e imediatos. Significa que a criança não tem condições de aplicar a lógica a problemas verbais ou abstratos ou mesmo os problemas concretos que envolvam vários fatos. Ela descentra suas percepções e é capaz de acompanhar as transformações. . (Piaget. apesar de desenvolver as operações lógicas (reversibilidade.o termo concreto.Com base em Eduardo Marti (1995) e complementado por outros autores citados na bibliografia podemos defini-las da seguinte forma: Descentração: capacidade de poder seguir as transformações sucessivas da realidade através de todos os caminhos e rodeios possíveis. 1972). e ao invés de proceder a partir de um ponto de vista único.) emprega-as apenas na solução de problemas reais. É importante ter-se claro um dos termos que caracteriza este período. a conservação e a reversibilidade. Significa que neste estágio a criança. em suma. . conservação etc. observáveis. ou seja.corretos que contrariam os dados obtidos unicamente através da percepção (fase anterior).

Esta compreensão aplica-se também aos sentimentos.Ou seja. compreender que as operações mentais e as ações físicas podem ser invertidas ou revertidas. Torna o pensamento móvel e dinâmico. como e porque as razões das mudanças. Na etapa anterior cada passo é percebido de forma independente. A criança passa a compreender as razões de mudanças nos estados afetivos dos outros. A característica das operações concretas é poder desenvolver-se .A criança tem consciência e compreensão das relações que se estabelecem entre os diferentes passos de uma transformação. Capacidade de retroceder e de avançar no pensamento sobre as relações. Ressalta que o conceito de reversibilidade é básico para o entendimento do processo de construção da inteligência. (possibilidade de ir e vir) Que a salsicha de argila pode voltar a ser uma bola. Agora ele é percebido no seu todo. Isto tem profundo significado nas suas relações sociais Reversibilidade: Piaget acredita ser a reversibilidade a noção mais crítica a ser adquirida. no que aconteceu. ou seja. que a água colocada no copo mais alto pode retornar ao copo mais baixo e permanecer com a mesma quantidade.

de maneira reversível por inversão – (volta ao estado anterior . Ao virar-se o cilindro em 180º para fazer com que as balas saiam pelo outro lado. em usar a inversão. ou seja. mostrando a inversão estabelecida ou por reciprocidade ( lei da compensação).se eu fizesse isso voltar ao que era. Coloca-se em um cilindro três calas do mesmo tamanho. A reversibilidade leva o sujeito a compreender operações lógicas abstratas como “ se A é maior do que B . rosas e . ou compreender hierarquias de classes como cachorro e animal. diz que no copo mais alto entrou a mesma água porque a altura “compensa” largura do copo inicial. seria o mesmo) capacidade de reverter mentalmente as operações. mas de cores diferentes. Piaget explica a lei da inversão ou com um exemplo de atividades. o que denota a incapacidade do pensamento pré-operatória em reverter a operação.ou lei da compensação. Pergunta-se para a criança que sairá da boca do mesmo. A criança operatória concreta procura nas “leis de compensação” explicações para fenômenos ou transformações realizadas. A pré-operatória responderá pela ordem das cores que as mesmas foram colocadas. Por exemplo. A criança operatória concreta já responde com lógica correta. B é menor do que A “. a resposta será a mesma – pela ordem das cores em que foram colocadas.

seguida do peso e do volume.p. de que nas transformações. depois a quantidade. ou seja. È a compreensão de invariantes. de acompanhar transformações. A criança inicia. ou seja. ( pré-operatório ao estágio operatório concreto).flores. 1998) . algumas coisas não se modificam. para Piaget. Conservação: é a possibilidade que existe de algo se conservar apesar das transformações que possa sofrer. normalmente . Conservações numéricas (a quantidade não muda mesmo que modifique a disposição) e conservação de comprimento . permanecem. “Envolve a compreensão de que. 2002. A noção de conservação. esse objeto permanece o mesmo embora possa sofrer mudanças na aparência” (Berns. de reverter operações por inversão e por reciprocidade são todas necessárias para o desenvolvimento das capacidades de conservação e para o progresso do raciocínio” (Wadsworth. “ As capacidades já descritas anteriormente de descentração. um dos indícios mais claros da passagem da intuição à operação. a noção de conservação entendendo que a substância permanece a mesma .350).depois o líquido. Se transformamos um objeto em sua forma ( bolas e salsicha) algo muda e algo permanece. é um dos indícios mais claros de agrupamento das ações em sistemas organizados. se nada é acrescentado ou tirado de um objeto.

DESENVOLVIMENTO AFETIVO E DA PERSONALIDADE Para um bebê recém-nascido.basicamente. já a criança concreta conserva a horizontalidade. seu mundo é sua mãe que lhe satisfaz a fome. o frio. O ser humano é a única espécie animal que não sobrevive sózinho pois nasce sem as condições para tal. seu conforto mas. . a criança préoperatória baseia-se em fatores perceptivos intuitivos e normalmente apresenta uma mesma reposta. Na verificação da estimativa da linha de nível de líquidos. baseando-se em princípios lógicos.são também adquiridas no final desta fase. o seu afeto.

SPITZ (1991) salientava. aprendendo a tolerá-la é que o bebê aprenderá a integrarse. efetivar a aprendizagem da sua comunicação com outras pessoas. a ambos. na idade escolar de 2 a 6 anos. a importância da comunicação para a formação do sistema psíquico e da personalidade alegando que um bebê não pode receber só prazer e satisfação pois é necessário. Comunicação esta que possibilitará. A partir desta interação. principalmente através do contato visual. A frustração deve estar incorporada ao desenvolvimento do bebê e. Para o desenvolvimento físico e psicomotor de um bebê existe uma condição primordial que é a interação com a mãe e com seus estímulos. cada vez mais. Da mesma forma. desde os primeiros momentos de vida. é necessário a . compreenderem-se mútuamente e a partir desta experiência inicial. haver frustrações que o levem a tornar-se ativo. há mais de uma década. a procurar.É preciso construí-las no decorrer de seu desenvolvimento. a demonstrar suas necessidades e seus desejos. também. ao seu mundo. é que se inicia a comunicação entre mãe /bebê.

pg. desde o início de seu crescimento. ao mesmo tempo. em sua vida. muito amadas. para sentirem-se seguras de estão sendo protegidas. em resumo. Wadsworth.Motivação / Energização .Muitas vezes dentre grupos aparentemente . Uma criança que não recebe limites de seus pais. interesses. tendências. desejos. se sentirá insegura.é interna. 2002.Seleção . orientadas. A teoria cognitivista considera que o desenvolvimento intelectual tem dois componentes básicos: • • Um cognitivo e Outro afetivo Afeto inclui sentimentos. Para Piaget o afeto se desenvolve. é propulsora. pouco ou não amada e terá muitas dificuldades de incorporar as regras externas mais tarde. valores e emoções em geral.36) O afeto tem dois componentes intimamente ligados aos aspectos intelectuais: 1º. 2º.colocação de limites bem claros a fim de ensinar as crianças a tolerarem frustrações que a realidade lhes impõem. aciona ou desliga o esforço empreendido na aquisição dos conhecimentos.

homogêneos.formam uma unidade. A explicação para esta dedicação normalmente está no interesse do sujeito. Em todo o comportamento do ser humano estes aspectos se fazem presentes. com intensidades diferenciadas. Piaget defende que o aspecto afetivo desenvolve-se no mesmo . Eles estão intimamente ligados . Sabe-se claramente que o aspecto afetivo tem uma clara e marcante influência sobre o cognitivo. os sujeitos escolhem determinados assuntos e dedica-se a ele com maior afinco.

sentido que a inteligência. ou a mordida como fato normal. 2000) . passam a reagir de outra forma. (Wadsworth. Encaram a batida. Destaca-se aqui outra aplicabilidade educacional da teoria ao confrontar-se os conceitos de motivação ligados ao behaviorismo ou comportamentalismo que colocam sobre o professor a responsabilidade de motivar seu aluno e os conceitos piagetianos que explicam a relação entre o afetivo e o cognitivo. O aspecto afetivo é responsável pela dinamização da atividade mental e pela seleção dos objetos e eventos sobre os quais agir. através do mesmo mecanismo. da mesma forma. Defende a idéia usando exemplos de crianças que no início de seus contatos sociais são agredidos por outras e não a percebem como agressão. Entretanto a medida que desenvolvem conceitos abstratos como o da agressão ou da intencionalidade .

Quanto mais o professor estabelecer im bom vínculo de afeto e confiança com seu grupo de alunos e com cada um em especial. tanto mais proveitoso será seu investimento de ensino. é incapaz de compreender a visão dos outros e não necessidade de validar os próprios pensamentos. moral e social. pois redundará em importantes aprendizagens. A evolução do raciocínio moral também acompanha o amadurecimento cognitivo. o desenvolvimento afetivo é indissociável do desenvolvimento cognitivo. estabilidade e consistência que não .Conforme o que foi visto no Módulo sobre Teorias de Aprendizagem Cognitivistas. ou seja. essa forma egocêntrica diminui e observa-se uma consciência crescente da visão dos outros e. segundo alguns autores. portanto. Com a aquisição da capacidade de refletir sobre o próprio pensamento. Os afetos adquirem uma medida. este egocentrismo está representado pela dificuldade da criança em diferenciar entre o que se percebe e o que se pensa. A criança pré-operatória é dominada pelo egocentrismo. No estágio operacional concreto. um aumento da disposição de procurar validação para os próprios pensamentos.

Exigem dos outros adesão rígidas às mesmas. As crianças podem chegar a um acordo a fim de brincarem juntas. necessidades. necessário. pelo prazer motor ou pelo “ querer vencer “ (egocentrismo) e passa a jogar pelo prazer da convivência. não admitem perder. ao jogar.apresentavam antes. como oposto ao sentimento de obediência. Nesta fase “emerge a conservação dos sentimentos e dos valores”. a criança tem condições de compreender o significado das regras . está no fato de que a criança deixa de jogar. Ao iniciarem os sentimentos de cooperação as regras deixam de ser vistas de forma rígida e concordam que as mesmas podem ser alteradas Piaget descreve que o importante do jogo nesta fase. convenções e ou normas sociais. respeito semelhantes aos seus. sentimentos.As regras inicialmente são compreendidas como fixas e permanentes ( préoperatório). Ao compreender que os outros tem direitos. Desenvolve-se também o senso de obrigação. Desta forma. Por .JOGO SOCIAL. torna-se possível a cooperação. No início do pensamento operatório concreto as crianças começam a entender as regras para que um jogo seja correto. Por isso.

. é a capacidade da criança criar novos argumentos capazes de se fazer entender pelo outro. Na idade escolar. inicialmente egocêntrico. Isto porque são capazes de conceitualizar o papel dos outros jogadores. as crianças brincam com jogos de regras. capacidade da criança poder " sair" do seu ponto de vista. conforme a teoria Piagetiana. Portanto. Passam a entender que as regras . a criança evolui da heteronomia para a autonomia moral. e se colocar no ponto de vista dos outros. a medida em que progride na descentração. progride na conquista da moral autônoma. Assim.Rangel (1992) assim define descentração: . a partir de 6-7 anos . determinadas pela coordenação mútua dos diferentes pontos de vista.. diferenciada e superior à anterior. A coordenação gera uma nova compreensão da realidade pelas crianças. Tal movimento é necessário para o surgimento das leis de reciprocidade. a reciprocidade e o respeito mútuo são os primeiros sinais de moral autônoma.volta dos 7 ou 8 anos.. mas não necessariamente idêntica entre os colegas que realizaram a experiência de cooperação.

cresce a capacidade de avaliar os atos praticados. Em torno dos 10 anos.devem ser obedecidas não porque alguma autoridade externa (Deus. Sobre o respeito a autoridade devem prevalecer as questões de cumprimento do dever. ou seja . Entretanto neste período ainda não são capazes de julgamentos imparciais.) o determinam. no conjunto de seu grupo concordaram em aceitá-las. pais. Igualmente passam a perceber que a violação das regras nem sempre traz como conseqüência o castigo. ou intenções é que conduzem a avaliação. independentemente da autoridade adulta. Segundo Kohlberg. . Estes motivos. centrando-se nos motivos ou intenções que geraram a conduta. Estes caracterizam-se por " tratar a todos da mesma maneira ". mas sim. porque as pessoas. a criança atinge o nível de Moral Convencional. As virtudes ou boas ações devem ser recompensadas.o de conformidade com a ordem social estabelecida. adultos etc.

propiciando o alcance dos comportamentos desejados.Autonomia neste sentido significa auto-regulação. na promoção do raciocínio moral. por seus critérios. que diante da afirmação acima podemos concluir que as relações da criança dentro de seu meio social. e as convenções morais deste grupo. Ela já não aceita passivamente os valores estabelecidos pelos outros. parecem obter maiores resultados. 1999) Obviamente.MEIO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO MORAL “O desenvolvimento moral não só é insensível às influências do meio social em que a criança se desenvolve. mas os avalia levando em conta os outros e a si próprio. ético ou altruísta. ( Mª Luiza Padilla em Desenvolvimento Psicológico e Educação . O pensamento autônomo estabelece-se a medida em que a criança elabora um conjunto próprio de normas. do respeito por suas idéias. na idade escolar as práticas de promoção da autonomia. mas é fruto das interações que ela mantém com ele”. com a criança préescolar predominam as práticas afetuosas. .. são extremamente importantes na formulação de seus conceitos e na conquista da moral autônoma. Enquanto que. a demonstração de expectativas elevadas quanto a seu modo justo.

A verdade nos períodos iniciais confunde-se com as distorções de realidade que ela mesma faz ao interpretar os fatos. Obviamente tanto o respeito mútuo como a auto-regulação só podem surgir depois que as crianças tornam-se capazes de considerar o ponto de vista dos outros.O “respeito mútuo” é um fator preponderante no desenvolvimento do pensamento autônomo. Respeito mútuo = respeito entre “iguais”. Só ao atingir um nível mais avançado do pensamento operatórioconcreto é que a criança tem condições de perceber “ as intenções” que provocaram a mentira e portanto estabelecer juízos de valores sobre os mesmos. – Mentira é algo que não é verdade. . Mentira Inicialmente a criança não tem o mesmo conceito do adulto sobre a mentira.

ADOLESCÊNCIA Ao falarmos sobre adolescência surgem algumas perguntas básicas como: que idade ela começa? Qual a sua duração? • É produto de determinada organização social ou cultural? • É uma fase psicológica necessária? • É produto do nosso século? • Como o pensamento adolescente difere do das crianças? • Em .

que tem no desenvolvimento fisiológico seu parâmetro básico. Alguns defendem um posicionamento. Para autores como JONES e HOLMES (IN BERGER: 2003). outros o oposto. Para outros.Os estudiosos do assunto naturalmente discordam quanto a respostas positivas ou negativas a estas perguntas. . Como as características individuais apresentam grandes diferenças. o atingir da puberdade é o ponto inicial das mudanças que começam entre os 10 e 11 anos e vai até os 21 anos. o período da adolescência localiza-se entre os 12 e 18 anos de idade cronológica.

a adolescência marca o início das mudanças psicológicas. mutilações genitais. tal e qual a conhecemos e tratamos. ritos associados a religião e a grupos sociais estão bem presentes na sociedade oriental. Um ponto comum que os estudos indicam é o de que a Adolescência. Costumamos achar que estes Ritos de Passagens são “coisas do passado” mas. tudo parece indicar como improcedente a tentativa de usar-se a idade biológica como critério conclusivo. os chamados “ Ritos de Passagem ”– rituais que indicam a passagem da idade de criança para a maturidade. mutilações genitais. é sem dúvida um produto do nosso século. Estes ritos são os mais diversos possíveis. questionadoras . teste de força e resistência. ainda hoje. etc. separação da família. desde bênçãos religiosas. Os filósofos gregos já identificavam um determinado período da vida em que “as crianças tornavam-se indisciplinadas.da mesma forma. o amadurecimento biológico entre os sexos acontecem em idades diferentes. Portanto é imprescindível diferenciar a puberdade e a adolescência pois se a puberdade marca o início das mudanças fisiológicas. Muito povos registram em suas tradições ou costumes.

• Membros . Com o advento da era industrial a estas características agregam-se outras como: Vínculos ao sistema escolar (necessidade de capacitação. estudo – aumento dos anos de estudo).da autoridade. é a de que a incorporação dos adolescentes ao status de adulto retardou-se notavelmente no século XX. • de uma cultura própria (moda. formação. A conseqüência mais palpável destas características da fase de adolescência. • Troca do sistema de apego familiar para sistema de apego grupal e após. tal e qual descrita acima. valores. Da mesma forma. apego centrado em uma só pessoa. que um 1 em cada cinco 5 adolescentes enfrentam problemas mais sérios. • Dependência dos pais.demonstrando comportamento sexual que se aproximava de características dos adultos “. hábitos. as estatísticas apontam hoje. preocupações). estilos de vida. Porém estes “rebeldes” constituíam-se em minorias. • Busca de emprego estável.

poderemos observar claramente que os “sinais” apontados como característicos da adolescência não estão presentes em todas elas. tais como: Indicadores legais: idade do alistamento. • – Indicadores sociais: escolha da carreira. casamento. Alguns “indicadores” são considerados nas sociedades atuais como sinalizadores para o ingresso na idade adulta. autosuficiência econômica. contratos. ainda. Esta última. de responsabilidade individual sobre seus atos. do casamento sem permissão dos pais. pois envolve a descoberta da identidade. as diferentes culturas e suas tradições. etc. é motivo de muita controvérsia. Costuma-se definir a fase como sendo uma etapa de transição entre o ser criança e ser adulto. o estabelecimento de relacionamentos . o desenvolvimento de um sistema de valores.se comparado com séculos anteriores. Se considerarmos as diferentes etnias existentes no mundo. • • Indicadores psicológicos: maturidade cognitiva e emocional. a independência dos pais.

a capacidade de Reprodução. a auto-estima ou seja. biológico de modificações físicas. a fertilidade. o aspecto biológico é o que normalmente ocorre de forma mais rápida.estáveis. 25 ou 30 anos. como o estabelecimento da autonomia. • Puberdade = fenômeno universal. cognitivas e culturais. a competência . Alguns autores registram que este desenvolvimento acontece até 18. Processo que leva à maturidade sexual. Isto porque uma série de mudanças significativas para a vida adulta acontece nele. = período de modificações psicológicas. • Adolescência . Destes. a intimidade. o crescimento. A maioria dos estudos aponta o período da adolescência como um período marcante no ciclo de vida das pessoas. os aspectos cognitivos e psicológicos costumam demorar mais. É exatamente por isso que outros autores fazem uma clara distinção entre adolescência e puberdade. as mudanças biopsicossociais.

2003).“Período de rápido crescimento físico e maturação sexual que finaliza a infância e dá início à adolescência” (Berger. MUDANÇAS FÍSICAS E PSICOLÓGICAS .

o aparecimento da menarca e um salto de crescimento. Nas meninas o aumento do estrógeno estimula o crescimento dos genitais. o desenvolvimento dos seios. É interessante observar que o aparecimento da menarca tem relação direta com a genética. com o acúmulo de gordura e com a atividade física. o aparecimento dos pelos pubianos. pois o sujeito está atento ao próprio corpo. Relacionam-se a mudanças nos órgãos sexuais. São eles os responsáveis pelas grandes alterações corporais e psicológicas desta fase. A puberdade começa quando a glândula pituitária começa a “enviar mensagens” para as glândulas sexuais. músculos. Altera-se drasticamente a altura e a forma do corpo. ossos e órgãos do corpo. o alargamento dos quadris. Esta maturação tem implicações genéticas e ambientais. gordura. Acontecendo de forma precoce ou de forma tardia causa impacto. Estas iniciam o aumento de sua secreção de hormônios. .As várias modificações corporais que acontecem na puberdade então associadas a produção de hormônios.

Acontece das extremidades para o centro. salto de crescimento. engrossamento da voz. a produção da testosterona estimula igualmente. O tronco é a última coisa a crescer. lábios e nariz crescem antes que o crânio adquira sua forma maior e mais oval. Geralmente a altura estaciona dentro desta fase. primeira ejaculação. Nestes. O crescimento físico desta etapa é desequilibrado e imprevisível. . normalmente em torno de 10 a 11 anos e concluem entre 14 e 16anos. desenvolvimento da barba. Todas estas transformações iniciam. Nos meninos estas modificações normalmente iniciam em torno de 12 a 13 anos e concluem-se em torno dos 16 a 18 anos. Daí a expressão: “São só braços e pernas”!. mas os músculos adicionais e a gordura continuam a aparecer durante os anos seguintes. Os dedos das mãos e pés e eles próprios crescem antes dos braços e pernas. típica dos adultos. Na maioria das vezes as orelhas. o crescimento dos genitais e dos pêlos corporais.Meninas com pouca gordura no corpo e mais ativas fisicamente mestruam mais tarde. Uma das últimas partes a adquirir a forma final é a cabeça.

Suswan (1997). citado por Berger (2003). notadamente ser maior ( nas suas partes específicas como pé. Golub (1992). sudoríparas e odoríferas da pele tornam-se mais ativas aumentando o acne . modificam os ciclos dia-noite. dos conflitos . tais como. aumentam a necessidade de sono. de mudanças de humor e dos .Igualmente podem registrar-se crescimentos desiguais das partes do corpo. além do aumento do volume de sangue. O equilíbrio normalmente é atingido em um 1 ou dois 2 anos – o que pode ser tempo muito longo para um adolescente. O crescimento físico externo é acompanhado do crescimento dos órgãos internos. Os pulmões e o coração aumentam de tamanho o que significa o aumento da profundidade da respiração e a diminuição do ritmo cardíaco. o odor do corpo. Essas mudanças trazem uma maior resistência física. Estudos recentes como os de Arnett (1999). mão. a oleosidade do cabelo. seio. testículo) do que o outro. indicam que algumas das variações emocionais. As mudanças hormonais também causam mudanças significantes no esquema geral e de impacto psicológico significativo. Um lado pode. glândulas sebáceas. Richards ( 1966).

péssimo.impulsos sexuais característicos desta fase tem relação direta com as mudanças hormonais que caracterizam a puberdade tais como: • • O despertar mais rápido das emoções. Pensamentos constantes ou fixações sobre sexo e masturbação. As variações rápidas nas emoções. momentos depois. • ADOLESCÊNCIA E SEXUALIDADE . o sentir-se bem e. principalmente em meninos.

A puberdade permite atos e experiências – enquanto dá lugar a resultados no âmbito da sexualidade. que não possuem análogo .

Na puberdade estes comportamentos sexuais se expandem.significativo na vida da criança ( Fierro. ou seja. enquanto criança. certamente vivenciou “jogos ou comportamentos sexuais” com o sexo oposto. O comportamento sexual está ligado a dois fatores: da reprodução e o da continuidade da espécie – inerente ao ser humano e faz parte de seu código genético obtido pela hereditariedade. Assim. um caráter genital (sexualidade em explosão). a capacidade de gerar filhos. Durante as fases anteriores. Com a puberdade a capacidade sexual própria do organismo brota para a maturidade e o adolescente vive a realidade biológica altamente influenciada pelos seus hormônios. de regulação – que é estabelecido pela sociedade que influencia. Adquirem (segundo a psicanálise). a expressão da sexualidade do indivíduo •O •O . 1998). positiva ou negativamente. podem ter resultados que não existiam na etapa anterior.

2002). nas suas relações como pares. Tem-se claro as diferenças entre os sexos como produtos biológicos culturais e sociais. Ultimamente a sexualidade passou a ser analisada sob a dimensão humana e psicológica. Alguns estudiosos do assunto explicam que “os velhos padrões foram abandonados sem que surgissem outros através dos quais se pudesse pautar a conduta sexual de forma que esta não fosse geradora de conflitos (Carvalho. .Historicamente a questão da sexualidade sempre foi dominada pela religião. Segundo Angeli (1992) esta postura gerava conflitos entre o “espírito” e a “carne”. Os conflitos sexuais dos adolescentes aparecem hoje. de forma mais marcante. Estabeleceu-se entre homens e mulheres condutas autônomas e ao mesmo tempo integradas. Normalmente as religiões estimulavam o “sacrifício da carne” como bom para o cresimento do espírito. Os problemas que eram tradicionalmente reprimidos estão surgindo de forma mais gritante.

os jovens precisam esperar mais para alcançar o status de adulto. principalmente. a mulher. Os padrões indefinidos do adulto agravam as situações dos . exposições esclarecedoras sobre sexo. a gestação constitui-se em instrumento de pressão e a educação sexual enfatiza os aspectos reprodutivos e ainda não sabe trabalhar a questão do desejo e do prazer. Em contrapartida. As gerações mais velhas notadamente demonstram confusão com relação a sua própria conduta sexual e aparece marcadamente a ausência de decodificação do processo de comunicação entre as gerações. Assim. estímulos ao ato sexual. De acordo com CARVALHO et al (2002) a situação atual é de grande complexidade. o outro passa a ser condição necessária para que o sujeito se aceite ou não. Os meios de comunicação de massa estimulam a fragmentação do corpo separando-o da personalidade. pornografias nos mais diversos meios de comunicações. A exposição do corpo passa a ser condição para despertar o desejo do outro.A sociedade permite hoje expor de forma explícita várias questões ligadas à sexualidade como: propaganda com fortes apelos sexuais.

. conforme os autores citados “assinalam de forma clara e inequívoca que a sexualidade na adolescência transcendeu os limites do relacionamento a dois e tem se tornado. sobre a idade média da primeira relação. paralelamente as questões sexuais. Pela primeira vez. demonstram índices preocupantes e. de valores e de habilidades sociais que ajudem os adolescentes a se absterem de relações sexuais até que tenham o . cada vez mais. também uma questão de saúde pública”..adolescentes (. Os programas devem voltar-se para o desenvolvimento de atitudes. voltados para a interação sexual. sobre a gravidez na adolescência e outros..). sem lhes fornecer os meios e as premissas para que as desenvolvam (. dos quais se espera maturidade e responsabilidade. Assim.).(Carvalho.. sobre o uso de contraceptivos. obviamente tornam-se necessários programas de educação sexual mais práticos. 2002). Esta conduta traduz-se na cobrança aos adolescentes. a complexidade da organização social é percebida pelo adolescente de forma intensa. Os estudos mais recentes envolvendo questões relacionadas a conhecimento de itens básicos sobre sexualidade.

comportamentos de homens e mulheres. contracepção de emergência. sua significação psicossocial e biológica / aspectos fisiológico do sexo. zoofilia etc. aborto.275).2002) . • Sexualidade e normas sociais. pedofilia. • Comportamentos variantes: sadomasoquismo. pornografia. e a sensatez para assumir a responsabilidade das conseqüências (Berger. relações sexuais. • Autoprazer (masturbação). relações afetivas – “ficar”. exibicionismo. questões de gênero e papéis sexuais. sexo anal. • Contracepção ( anticoncepção). virgindade. questões de classes sociais. prostituição. • Mitos. a comunicação. que geralmente são solicitados pelos adolescentes e comentados pelas autoras Betânia Gonçalves e Claudia Godoi (IN: CARVALHO. voyerismo. cirurgias para mudanças de sexo.p.. • Sexo e sua interface com a reprodução. o prazer . 2003. crendices. sexo oral.conhecimento necessário para compreender. • Erotismo. questões políticas. que transcrevemos a título de sugestão para integrarem possíveis programas de educação sexual : importância da sexualidade e da afetividade na vida das pessoas. namoro. amizade. •A . processos de esterilização. Ao comentarmos sobre a sexualidade e a afetividade é importante que se estabeleça uma relação interessante de assuntos. fetichismo. tabus: conceitos e preconceitos.

. • Repressão sexual.e outros.. Os problemas de saúde desta fase estão quase sempre associados aos estilos de vida ou de pobreza como: uso de . liberação sexual.variantes culturais. Violência sexual. QUESTÕES DE SAÚDE RELACIONADAS À ADOLESCÊNCIA Geralmente o período da adolescência é um período saudável.• Relações • entre sexo e amor.

As principais causas de morte nesta fase são acidentes. Apesar das estatísticas alarmantes.álcool ou drogas. estilo de vida perigoso ou sedentário. . Transtornos alimentares como obesidade. principalmente as relacionadas ao uso de álcool e drogas são permanentemente pesquisadas. seus riscos parecem serem subestimados pelos próprios adolescentes e pela sociedade. Seu uso ocorre com a maioria dos adolescentes e está aumentando sensivelmente nas últimas décadas. Estas questões. em alguns países. homicídios ou suicídios. anorexia nervosa e bulimia nervosa tem incidência relativamente alta. nesta fase (1 a 3%).

DESENVOLVIMENTO COGNITIVO O estágio operatório formal. Na teoria Piagetiana o pensamento operacional formal é o quarto e último estágio do desenvolvimento cognitivo. .

Um sujeito na fase anterior tende a uma abordagem simples. Para Piaget o crescimento cognitivo só é possível graças a combinação.É na adolescência que ele começa a ser alcançado por ser o resultado de uma combinação de fatores maturacionais (desenvolvimento neurológico) e de experiência (ambiente mais amplo). o acúmulo de melhorias no processamento cognitivo e na memória elevam qualitativamente o pensamento. ou interação entre o ambiente mais rico em experiências e a maturação cerebral ou neurológica. Os dois fatores não podem ser dissociados. mudanças na vida social. Uma das características qualitativas marcantes desta fase é a capacidade de pensar na possibilidade e não apenas na realidade. as mudanças na sistemática escolar como professores e turmas diferentes. trabalhos de casa. pesquisas. Ou seja. . concreta e prática de resolver problemas. na relação com a família e grupo. O pensamento está voltado e é limitado à solução de problemas concretos. conhecidos pela experiência anterior. Analisa a realidade perceptiva que está a sua frente e responde de acordo com a mesma. o ingresso na escola secundária. palpáveis.

especula.Encontra soluções para problemas presentes. ou testar suas várias hipóteses chega a conclusão sobre qual das relações. A diferença está no fato de que os agrupamentos dão-se através das proposições. Após analisar um experimentar. Fantasia. tem validade . seriações. constituindo a chamada LÓGICA PROPOSICIONAL. Para isso usa os mesmos conteúdos operatórios empregados no período anterior. situações e deslocamentos no tempo e no espaço. formula hipótese e depois se volta para a realidade. classificações. Precisa trabalhar com cada problema isoladamente. pois não tem capacidade de integrar suas soluções pelo raciocínio coordenado de teorias. medidas. enumerações. que exprimem as operações. Lógica proposicional O sujeito nesta fase estabelece distinção clara entre o real e o possível. Já o sujeito operatório formal geralmente parte da análise das possibilidades. mas tem dificuldades para raciocinar sobre hipóteses ou questões futuras. ou respostas possíveis.

conjunção. usando roupas verdadeiras. • A possibilidade assume vida própria. raciocinar sobre presente. Ele pode lidar com todas as classes de problema.. portanto. mas sem que tenha vivenciado as mesmas. passado e futuro. etc. Um exemplo bem simples uma criança pré-escolar brinca de “vestirse”. estabelecendo diferentes tipos de vínculos lógicos como implicação. é capaz de imaginar conseqüências resultantes da escolha do momento presente. Imagina-se em situações diversas que podem vir a acontecer. O escolar “escolhe” uma roupa de acordo com determinado momento . toma os resultados das operações concretas e os modela sob a forma de proposições. identidade.real. Estabelecer conclusões de hipóteses com base em experiências passadas.. disjunção. Planeja enfim.” O adolescente pensa sobre opções e possibilidades.“estou indo para. Na seqüência do desenvolvimento deste encontramos explicações e ou definições mais claras destes termos. A LOGICA PROPOSICIONAL. .

O operatório formal interpretará o provérbio no seu significado simbólico. Os adolescentes tomam consciência do mundo como ele poderia ser. Podemos definir “Operações formais.Implica em dizer que “está apto a pensar sobre seus próprios pensamentos e sentimentos como se eles fossem objetos” (Wadsworth. um sujeito operatório concreto poderá dar longas explicações sobre o “ como” a água age sobre a pedra. 2002). como operações concretas.?”.. Exemplificando na interpretação de um provérbio como “ água mole em pedra dura.. 1988). (Berns. se. Para Piaget o pensamento formal tem como propriedades estruturais ser: • Hipotético-dedutivo . de forma simultânea e sistemática na solução de um problema. emprega teorias e hipóteses diferentes... Desta forma. Segundo OLDS e PAPALIA ( 2000) “ o que diferencia o pensamento adolescente dos processos de pensamento de crianças mais jovens é a consciência do conceito “ E. representações mentais que podem ser revertidos”. tanto bate até que fura”.

a criança busca seus conhecimentos anteriores para análise do novo. como já vimos utilizam sua experiência. Exemplo: “ Se é redonda como laranja. As “proposições” ou “hipóteses” imaginados pelo adolescente ao vestir-se para determinada ocasião. As crianças da etapa escolar. os conhecimentos que acumularam sobre as coisas para chegarem a conclusões. objetos hipotéticos”. . podem ou não. se é da cor de laranjasó pode SER LARANJA”. As se lhe apresentar uma fruta que nunca viu antes.• Científico-indutivo • Reflexivo – abstrato Pensamento Hipotético “É o pensamento que envolve o raciocínio sobre proposições que podem ou não refletir a realidade” ( Berger. 2003) No exemplo citado anteriormente sobre o vestir. p. Wadsworth ( 1989. 127). ou seja. explica que “ é um raciocínio que transcende a percepção e a memória e lida com objetos dos quais não temos conhecimento direto. refletir a realidade. uma morgota (da família dos cítricos).

Este tipo de raciocínio é chamado de INDUTIVO. – é o que vai do geral para o específico. ou seja. Representando graficamente poderíamos usar o seguinte esquema: Raciocínio Dedutivo Os adolescentes à medida que desenvolvem a capacidade de raciocinar hipoteticamente passam a utilizar e aperfeiçoar o raciocínio DEDUTIVO..” para uma conclusão geral.. Concentra-se na aparência para chegar a uma conclusão. porque parte do particular: “redonda como. a sua conclusão. As abstrações tornam-se hipóteses (conjunto de informações possíveis) que posteriormente são submetidos à prova para comprovar sua confirmação empírica. Um dos exemplos .

É o principal processo empregado pelos cientistas para chegar a leis .mais conhecidos deste tipo de pensamento são os problemas matemáticos que exigem dedução como: Se A é menor que B.. ”. experimentos.Indutivo Este raciocínio é definido como o “que vai dos fatos específicos às conclusões gerais”. de premissas: “e não de fatos. ou aplicar a lógica do argumento. Raciocínio Científico . independe da verdade ou da falsidade do seu conteúdo. – A criança operacional concreta imediatamente diz que não é verdade e que.. e B menor que C. A é menor que C? Portanto. portanto não há como resolver o problema. ao lhe ser proposto um problema do tipo:” Supondo que você more a 200 km da escola. O sujeito operatório formal aceita a” hipótese “ou a afirmação que lhe é apresentada e trabalha sobre a mesma”. Ela pode tirar conclusões. observações que tenha realmente vivenciado ou verificado. o raciocínio hipotético-dedutivo tira conclusões de “hipóteses”. Assim.

– Piaget chamou a esta propriedade do pensamento de Raciocínio combinatório: “ capacidade em que o pensamento isola todas as variáveis individuais. o sujeito deve ser capaz de pensar sobre um certo número de variáveis que possam levar a determinado resultado. de modo sistemático. e realiza todas as combinações possíveis destas variáveis. Raciocínio Combinatório As variáveis são construídas através do raciocínio e verificadas através da experimentação sistemática. Para isso é necessário: formular hipóteses. procedendo portanto a uma análise combinatória. controlar variáveis. de modo coordenado e podem levar a conclusões ou efeitos de uma delas (isoladamente) de algumas delas ou de todas ao mesmo tempo. experimentar. 2001) Um dos exemplos mais clássicos sobre experimentos realizados por . registrar efeitos para extrair conclusões sistemáticas dos resultados. Para que o raciocínio científico – indutivo aconteça.definidas ou a generalizações. Estes variáveis são “pensadas” ao mesmo tempo. método que assegura a realização de um inventário exaustivo do possível ( Campos.

No período das operações concretas. Ele tenta uma coisa atrás da outra por ensaio e erro. após alguns experimentos de variações do tamanho do cordão. descobrem as relações entre o comprimento do cordão e o ritmo: “quanto menor é o cordão.. criança é solicitada a determinar e explicar o que controla o ritmo do movimento e a oscilação do pêndulo. Esta criança não apenas consegue compreender o problema. o peso do objeto. ou seja: o comprimento do fio. mais rápido . a altura da qual o objeto é largado e a quantidade de força ( ou impulso) que se pode usar para por o pêndulo em movimento. No período pré-operatório a criança é incapaz de formular qualquer espécie de plano para resolver o problema. também não consegue relatar os resultados de seus experimentos. peso pesado e fio curto.. • Solicita-se que a criança imagine que fator (variáveis) ou combinações de fatores determina a rapidez com que o pêndulo balança. • Indica-se quatro fatores capazes de explicarem a resposta buscada. Fio comprido e peso leve.Piaget na verificação desta capacidade é o do Pêndulo: • Mostra-se •A à criança um pêndulo – um objeto pendurado num fio.

. Testa todos os fatores. mas não conseguem excluir os outros fatores. Desta forma chega a conclusão correta: “ é o comprimento do cordão que faz o movimento mais ou menos rápido.” Raciocínio Reflexivo . Portanto. variando um fato de cada vez . o sujeito organiza o experimento de forma sistemática. altura e força ou impulsão.Abstrato Para a compreensão deste conceito precisamos retomar um conceito inicial sobre conhecimento. “ Nesta fase o raciocínio já avançou muito em termos de chegar a explicações relacionados aos fatores. peso. Em torno de 15 anos. . ordenam corretamente os efeitos de alteração de uma variável. Como ainda não são capazes de separar variáveis fixam-se também no peso – “com o mais pesado ele cai melhor e o movimento é mais rápido. mas ainda não sabe determinar claramente se o mais importante é o comprimento do fio ou o peso..é o movimento”.comprimento. no estágio das operações formais.

o que não acontece nos níveis anteriores. peso. baseada no conhecimento disponível. no nível operacional formal. tamanho. ANALOGIAS . 1989). parte de um nível elementar (exemplo.Entre eles as atividades de ANALOGIAS. ultrapassa o observável e tem como resultado uma reorganização mental. O conhecimento lógico-matemático é construído a partir das ações físicas ou mentais sobre os objetos. através de uma reflexão interna. Assim. a reflexão exclusivamente interna pode gerar ou resultar em um novo conhecimento. Os mecanismos por meio dos quais se produz o conhecimento lógicomatemático chama-se abstração reflexiva ( Wadsworth. conhecimento físico) para um nível mais alto.O conhecimento tem dois níveis diferenciados: conhecimento físico e conhecimento lógico matemático. volume. Piaget propõe uma série de atividades para “examinar” o pensamento reflexivo do sujeito. O pensamento reflexivo (pensamento interno). É o conhecimento de suas propriedades físicas como cor. forma. O conhecimento físico resulta da manipulação dos objetos.

pois requerem construção e comparação de relações entre os membros que incluem a analogia – ( A está para B). 1981) foram criadas pelos pesquisadores atividades interessantes. Mas o núcleo da analogia (A está para B. (ovelha-lã). lá e escamas) são conhecidos pelos sujeitos através da experiência. ( C está para D). Elas são produto da abstração reflexiva. peixe. A observação leva a formação de pares (ovelha-peixe). ou seja. principalmente. assim como C para D) . (peixe-escama). 1978 e Gallagher.lã. mas não conduz a formação do pensamento capaz de estabelecer a relação analógica existente. (lã-escama).Segundo Piaget as relações que se estabelecem nas analogias não podem ser deduzidas diretamente da experiência. Exemplo: . é uma relação que se dá pela reflexão e não pela observação. Exemplificando: A ovelha está para a lã assim como o peixe está para a escama Todos os elementos da analogia (ovelha. peixe e escamas e entre os dois grupos. a relação entre ovelha. Foram apresentadas para as crianças figuras para que elas as organizassem em pares e explicassem sua organização. Em duas descrições de pesquisas realizadas sobre o pensamento analógico (Flavell.

Os pesquisadores relatam que crianças de nível pré-operatório .

com a apresentação da camisa e diante da pergunta mudam suas respostas. Crianças entre 8 e 11 anos. As contra-sugestões são usadas para verificar se o sujeito raciocina com base na analogia e é capaz de mantê-la. na camisa. Exemplo: inicialmente respondem que “ferro elétrico está para a tomada porque” ferro precisa da luz elétrica para funcionar “.organizam rapidamente os pares de figura (carro/bomba). dizem que “ferro está para a camisa. no caso. Piaget propõe a oferta de contra-sugestões. Assim. apresenta-se a mesma perguntando: “E a camisa não vai tão bem quanto a tomada?”. porque esta precisa do ferro para estar em ordem e ser usada”. Entretanto não estabelecem relações comparadas como “ carro precisa de gasolina assim como o ferro da luz elétrica”. ferro elétrico precisa de luz”. tomada) e explicam a relação estabelecida com base na observação e experiência nas características observáveis: “carro precisa de gasolina para funcionar”. como por exemplo: a figura de uma camisa colocada junto ao ferro elétrico. normalmente. Diante da camisa. A partir dos onze anos a criança demonstra ser capaz de resistir ao . (pensamento analógico) Ampliando a exploração do nível de pensamento do sujeito. ( ferro.

As proposições são geralmente designados por letras latinas minúsculas. q . portanto. Lógicas das Proposições Define-se proposição como um conjunto de palavras que exprimem um pensamento de sentido completo. Exemplo: “A Terra é um planeta”. A característica central da analogia está. .contra-argumento e manter a analogia inicial: A: B assim como C: D Carro está para gasolina assim como ferro para luz elétrica. como : p . Piaget identificou também os “conteúdos” deste tipo de pensamento. na comparação das relações que se estabelecem entre pares e exatamente aí reside sua característica de construção abstrata. São eles: • Operações • proposicionais ou combinatórias ou combinatórias Esquemas operacionais formais. Conteúdo do Pensamento Formal As características e propriedades do pensamento formal já foram apresentadas.

No uso dos princípios lógicos e de seus símbolos costuma-se representar p = afirmação verdadeira p = afirmação falsa. Da mesma forma utilizam-se os símbolos p e q para confirmar ou não a verdade de uma segunda afirmação. todos os experimentos já realizados permitem confirmar claramente a afirmação piagetiana de que na fase das operações formais . excluindo-se qualquer outro. Princípio do terceiro excluído.As proposições obedecem a dois princípios da Lógica: – Toda a proposição tem um dos dois valores: falso ou verdadeiro. Este tipo de raciocínio e sua possibilidade de organização em 16 combinações binárias diferenciadas nem sempre aparecem ou se organizam de forma lógica. ao mesmo tempo. Entretanto. – Uma proposição não pode ser. falsa e verdadeira Princípio da não contradição. As afirmações p e q podem ser combinadas entre si de todas as formas possíveis. gerando no mínimo 16 combinações binárias diferentes.

determinando o que é relevante. ao tentar equilibrar diferentes pesos em uma balança uma criança nos estágios anteriores o fará por ensaio e erro. Assim. – Podem descobrir que um peso pequeno colocado mais distante do centro da balança pode equilibrar um peso maior colocado próximo do centro. A proporção usa como base os dois tipos de pensamento: • • e reversibilidade – inversão e Reciprocidade estabelecidos no período anterior com base em objetos concretos. Ao atingirem a compreensão do princípio da proporção são capazes .os adolescentes já são capazes de testar sistematicamente hipóteses. mas não são capazes de coordenar as duas funções de peso e distância como uma proporção. manipulando diferentes variáveis e mantendo alguns atributos constantes até solucionar o problema ou chegar a conclusão seguras. Esquema das Operações Formais Os esquemas das operações formais têm como base o desenvolvimento dos conceitos de proporção e probabilidade. Elas são capazes de igualar pesos e comprimento.

Compreendem que o aumento no peso de um lado da balança pode compensar o aumento na distância da colocação do peso do outro lado.de resolver imediatamente a questão. DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM .

seja pelo diálogo interno ou pelas diferentes formas de expressão das relações .A forma de comunicação básica deste período.

defesa de idéias.) estão ligadas as necessidades sociais e lógica. O equilíbrio entre o social e o cognitivo nesta fase está na relação de troca entre o emissor ( que apresenta a idéia) e o receptor ( que acolhe a idéia e a devolve no mesmo nível. leitura. ( diálogos. como colocamos acima. ( Oliveira. troca de opiniões. ou .. portanto demonstrará o paralelismo existente entre os aspectos cognitivo e social. de argumentação. ou não plano das igualdades. “O pensar logicamente implica em obediência a regras e normas comuns a coordenação das operações formais supõe vida social.. É preciso demonstrar coerência de pensamento. escrita. complementaridade entre outros. A linguagem. 1999).interpessoais é a TRADUÇÃO DAS PROPOSIÇÕES características do pensamento formal. Cada um oferecerá hipóteses que deverão ser compreendidos pelo grupo. Desta forma. todas as formas de expressões. reciprocidade. Todos deverão estar aptos a lidar com operações diversos como correspondência. Aparecem as partículas proposicionais.

da organização do pensamento.. O primeiro: social . da linguagem muitas vezes acaba por fazer uso mais restrito das possibilidades que tem. Explica-se estes resultados sob dois pontos de vista. causalidade ( porque) Adequam-se pelo uso e efetivação os termos responsáveis: se. negação ( não). então por condicionais Por noção de inclusão como ou Por proposicional como se.a linguagem desenvolve a autonomia do . O segundo: cognitivo .conectivos como: • • • • • As representações da conjunção ( e) disjunção ( ou). da semântica. Faz uso inadequado da sintaxe. somente se Interessante observar resultados de pesquisas contemporâneos que demonstram que o adolescente no uso.... da morfologia.em que o grupo estabelece linguagens próprias com gírias e jargões específicos .

123)! .) por outro faz uso dessa capacidade de lidar com a linguagem de forma criativa: escreve poesias. comparações .. metáforas de maneira criativa. reescreve letras para canções conhecidas ou para melodias por ele mesmo criados. Os estudiosos da linguagem mais ligados a epistemologia genética. “Assim. 1999 p. se por um lado o adolescente apresenta” erros de português “ao se expressar. Este passa a utilizar analogias. produz crônicas ou de crítica em tom jocozo ou clínico situações reais e imaginárias” (Oliveira.. defendem a explicação cognitiva como desencadeadora da social ( linguagem própria do grupo) . quer por escrito quer oralmente. (. Já os defensores da interpretação social obviamente usam a tese contrária.sujeito.

contexto completo e problemático. As teorias Antropológicas afirmam ser a adolescência um produto .MUDANÇAS E /OU DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL As teorias psicanalíticas situam a ADOLESCÊNCIA como uma fase (depois da latência) de tensões. conflitos adormecidos.

cultural. conforme já comentamos. defendem a influência hormonal como responsável pelas características da fase. Alguns autores. Outros afirmam que estas não têm uma contribuição direta tão . Isto para deixar claro que os fenômenos. prolonga-se a escolaridade. A maioria dos psicólogos concorda que a personalidade emerge de predisposições biológicas (emocionalidade. atividade e sociabilidade) e interações sociais com os outros em vários contextos. O nosso meio cultural pouco contribui para uma boa transição da adolescência para à idade adulta. São difíceis as condições sociais para acender ao mundo laboral. “O meio cultural prolonga o estado infantil” – o que dificulta o desenvolvimento de uma nova identidade que deve ser atingida pelo desempenho de novos papeis e pelo alcance do status social de sujeito adulto. ou sinais observados devem ser avaliados da perspectiva histórica do sujeito. Os estudos hoje falam em adolescentes e não em adolescência.

do grupo de colegas. Atribuem ao ambiente. Ou seja. o impacto da mídia. “ A forma como os adolescentes vivem sua adolescência e realizam a transição para a vida adulta parece ser afetada por um conjunto de fatores. positivas ou não. sempre vendendo imagens bonitas. o surgimento de conflitos depende basicamente do contexto social. Estas reforçam o estereótipo cultural de que os homens devem ser altos e musculosos e as mulheres magras e bem formadas.marcante e que o impacto psicológico das mudanças é mais significativo. da adolescência. Há que se considerar também. entre os quais se destacam a história evolutiva anterior à adolescência. hoje. o êxito ou fracasso acadêmico. as relações com os adultos e os iguais significativos. nem o mais impactante “Palácios et Coll (1997) . da cultura do entorno) como fatores determinantes da maioria das reações emocionais. não é o mais importante. O momento da maturação tem seu lugar entre esses fatores. as reações que as mudanças físicas provocam nas outras pessoas (expectativas da família. para estes. mas provavelmente.

incentivo ao exercício. nesta fase.Os adultos exercem um importante papel nestes momentos de “conflitos com sua imagem”. que os adolescente atravessam. estabelecimento de limites e a não permissão para a exploração emocional dos pais que pode estabelecer-se. esta preocupação não pode ser desprezada ou considerada em termos superficiais. ou intensificar-se. tratamento médico para o acne podem ser significativos e trazer benefícios de longo alcance para a imagem corporal. Os adultos devem servir de apoio. O problema está em encontrar o ponto de equilíbrio entre o necessário apoio. . Ajuda como roupas novas. Segundo McKinley (1999). auto-estima e aceitação social.

coloca que o desenvolvimento afetivo nesta fase caracteriza-se por dois fatores: o desenvolvimento dos sentimentos idealistas e a continuação da formação da personalidade. comentando Piaget.DESENVOLVIMENTO AFETIVO E DA PERSONALIDADE Wadsworth ( 1989). se o grupo social estabelece regras. o que é ilógico é sempre errado. Se a escola e ou família proíbem o fumo. Os adolescentes valorizam acima de tudo os esquemas lógicos. por exemplo. Na sua lógica estendem o raciocínio ao extremo : ninguém em lugar . Sob este prisma estabelecem seus julgamentos. ninguém que faça parte deste meio deve fumar. Sentimentos Idealistas: estão intimamente ligados as características do pensamento formal. elas devem ser sempre aplicadas e seguidas. O que é certo é o que é lógico. Assim.

algum deve fumar e ou ninguém deveria plantar fumo. Para a adaptação a vida adulta será preciso aprender a assumir . ou seja. ingrato. Suas críticas à sociedade estão ligadas a esta forma lógica de interpretação das coisas.) explica-se pelo egocentrismo do início da fase pela interpretação lógica dos fatos. Piaget chama este tipo de pensamento de egocentrismo do adolescente. Seu “ mundo melhor” ( idealismo) é aquele mais lógico. Assim. tornam-se extremamente críticos das idéias sociais e dos comportamentos. aquele que funciona sempre de acordo com o estabelecido.. Nesta forma de interpretação muitas vezes negam os esquemas de realidade. Como analisam a realidade com base no raciocínio. inadequado. O desejo adolescente de “ reformar” a sociedade ( visto muitas vezes pelo adulto como rebelde. Não aceitam que a realidade possa funcionar de maneira diferenciada do que eles pensam que deveria ser. suas conclusões parecem idealistas porque são lógicas.

papéis adultos (realísticos no mundo real). definidos principalmente pelos seguintes elementos: o fato de que. intimamente relacionados entre si. complementar ao anterior.152). no capítulo 22 do livro “Desenvolvimento Psicológico e Educação” define Personalidade: “Um conjunto de processos e de sistemas comportamentais. a realidade da unidade do sujeito de se conduzir em suas diferentes atividades psicológicas e de . teorias e hipóteses egocêntricas” estabelecer-se-à pelo desiquilíbrio que o próprio mundo real proporcionará ao adolescente. p.p. “A objetividade de pensamento com respeito a problemas conflitantes é alcançada e o egocentrismo diminui quando o adolescente assume um papel adulto no mundo e pode diferenciar os muitos pontos de vista possíveis “ ( Inhelder e Piaget. diferentes indivíduos reagem e se comportam de maneira diferente. Alfredo Fierro. as pessoas manifestam algum tipo de regularidade e estabilidade em sua maneira de se conduzir. o fenômeno. de que em momentos e situações diferentes. na mesma situação ou em situação semelhante. de sonhos. 1958. Piaget coloca claramente que o rompimento com “este mundo melhor.345 apud Wadsworth. Será preciso entender que o comportamento humano muitas vezes nada tem a ver com a lógica. 1989.

Nestes períodos iniciais a personalidade é chamada. ao mundo do trabalho. ou o “ eu”. Ela se dá na busca da adpatação à soceidade. Na adolescência. relativas seja ao autoconhecimento ( autoconceito e autoestima) . na teoria em questão. de “EU”. após a finalização das estruturas ou esquemas das operações formais é que se estabelecem as definições da personalidade do sujeito. ou “ de si próprio”. Para Piaget o desenvolvimento social também é uma construção.comportamento. As ligações afetivas iniciam-se durante o estágio sensório-motor e progridem para relações de mútuo respeito. de cooperação. . ativo e não apenas reativo diante da estimulação ou pressão externa. de autonomia..porque toda a atividade do ser humano é centrada no seu eu. o fato de que este sujeito é verdadeiramente agente.para nos referirmos a certas classes de condutas . também é um aprendizado. seja ao reconhecimento interpessoal na apresentação da própria identidade nas relações sociais “. de senso de obrigação para com aqueles que são alvo de afetos..

Entende-se que estão internalizadas quando são obedecidas na ausência de incentivos ou de sanções sociais. ou seja.Significa submeter o seu “eu” egocêntrico a outras formas ou pontos de vista. na relação existente entre o amadurecimento cognitivo e a aquisição de regras e de respeito às mesmas. A concepção de moralidade de Piaget centrou-se no desenvolvimento do raciocínio moral. DESENVOLVIMENTO MORAL E SOCIAL A moralidade ou consciência normalmente é conceituada como um conjunto de regras culturais que foram internalizadas pelo indivíduo. Implica em cooperação e autonomia pessoal. .

ela aprende que as regras existem porque todos acordaram sobre elas. À medida que a criança aprende a cooperar com os outros através de sua interação. conforme já afirmamos acima. doze anos tem a respeito de regras vincula-se ao seu pensamento operatório . por exemplo. obediência a autoridade . Piaget e seus seguidores aprofundaram suas pesquisas com relação a alguns itens específicos como: justiça. Codificação de regras . na adolescência. em jogos. Significa que o indivíduo compreende que as regras fazem parte de uma realidade social que tem uma determinada organização racional e moral.Esta aquisição inicia-se no período sensório-motor (anomia) e conclui na época da adolescência com o amadurecimento e a conquista da autonomia. O resultado final da compreensão de regras é a noção de que é possível alterá-las por acordos mútuos. quando as mudanças propostas para as regras são acordadas com base na análise do mérito das mudanças propostas. codificação e obediências às regras. Normalmente isto acontece no período operatório concreto e conclui.A compreensão que a criança de onze. mentira.

após como verdade ou falsidade.A criança entende a mentira de forma diferenciada nos seus diferentes períodos evolutivos. Na fase de transição entre o pensamento concreto e o formal. o sujeito passa a ter uma visão clara de julgamento moral. Mentira . Reconhecem que as regras são necessárias para a cooperação e participação efetiva nas ações de todos. Na sua característica egocêntrica podem interessar-se pelas regras para contemplar e favorecer ações próprias. Não mais se intimidam com regras permanentes e impostas por autoridades. na adolescência o sujeito sabe que a mentira é alguma coisa “intencionalmente” falsa. no sentido de que as entendem como passíveis de mudança mediante acordos entre os componentes dos grupos. diante de seu pensamento idealista (comentado anteriormente) que não mentir é necessário para a construção das relações de grupo e para a cooperação.formal . Inicialmente como alguma coisa errada. Reconhecem. Estabelecem seus juízos com base nas intenções que provocaram os . Assim.

pode ser .Inicialmente este conceito está ligado ao de subordinação ao adulto que decide sobre o mérito de um ato: . ou seja. A ação moral é valorizada e predomina a igualdade entre as pessoas. doze anos os juízos estabelecem-se com base na reciprocidade/eqüidade. entre oito e onze anos. defendem a idéia da igualdade.certo é o que os adultos dizem. a lei serve para todos e igualmente a punição. Justiça . A punição igualmente. é que agora o sujeito analisa as intenções. independente da circunstância o castigo deve ser infligido em proporção direta ao prejuízo causado.comportamentos analisados. Finalmente. A criança não faz julgamentos sobre estas questões. da etapa anterior. por volta dos onze. A obediência é importante e inquestionável. Após. nem sempre se aplica. A punição é um resultado aceitável que deriva da justiça Punição expiatória (devo pagar pelo erro). as circunstâncias em que as mentiras ocorreram. O que diferencia o estabelecimento do juízo de valor.

ou seja o perdão pode ser posto acima da justiça.desconsiderada de acordo com as circunstâncias. A BUSCA DA IDENTIDADE .

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.Um dos aspectos mais importantes desta fase está relacionado a busca da identidade. Alguns autores chamam-na inclusiva de “drama da adolescência” – ou seja. É a coordenação de suas próprias experiências e das expectativas de futuro. resolver o “ Quem sou eu ?” A Identidade pessoal é a consciência de si mesmo.

nesta fase. preparação para o mundo do trabalho. despertar sexual. Uma das mais conhecidas é a de Erickson( 1982). habilidades cognitivas. a identidade antiga não responde mais.É a apresentação de si mesmo aos outros. nas suas experiências. Alguns fatores que estão diretamente relacionados a formação da auto. A identidade pessoal forma-se na história de cada um.julgamento moral. Os jovens precisam considerar como as crenças adquiridas no . A questão da formação da identidade é bastante delicada nesta fase. sob o ponto de vista biológicos. O autor coloca que. não é mais suficiente para o momento vivido e para o que está por vir. na assimilação das ideologias que caracterizam esta sociedade. desempenho escolar.imagem do sujeito já foram comentados como : o surto de crescimento e a conseqüente mudança na aparência e atributos físicos. na construção de suas teorias. psicológicos e social as transformações que ocorrem. diferentemente das fases anteriores em que a identidade do sujeito é formada pela modelagem ao ambiente. Inúmeras teorias procuram explicar. dos instrumentos para a sua relação com a sociedade adulta.

Como por exemplo. do grupo social e até dos colegas. É o caso em que há total negação da profissão dos pais e muitas vezes a manifestação de uma atitude extremamente agressiva e de agressão. a ética sexual. entre outros. um filho de militar tornar-se contrabandista. valores do grupo social ou dos pais de forma indiscriminada. Manifestam-se através de condutas apáticas no cumprimento das tarefas escolares.passado com relação a opções de carreira. Nesta busca podem assumir diferentes papeis como: Resolução precipitada = o adolescente adota papéis. Difusão de identidades = comprometem-se poucos com os objetivos e valores dos pais. È o caso de adolescentes que decidem seguir a profissão dos pais sem nenhuma análise mais aprofundada sobre o assunto. em na verdade examinar hipóteses ou alternativas próprias. do planejamento do futuro etc. a identificação política e aos compromissos religiosos. Moratória de Identidade = período em que os jovens declaram . se ajustam ás expectativas presentes e futuras. Identidade negada = expressa-se pela negação aos valores familiares ou do grupo social e por uma atitude de desafio rebelde .

” A fidelidade pode significar identificação com um conjunto de valores. a adoção de valores nos quais acreditar e segundo os quais viver. uma busca criativa ou um grupo étnico “ ( Erikson. Segundo o autor. aos quais se dedicar. uma religião. normalmente ideológicos. Experimentam diversas alternativas sem fixar-se definitivamente em nenhuma. uma ideologia. p. Neste período os jovens procuram compromissos. 1982) Sobre a questão da identidade Papalia (2000. . um movimento político. o grau de fidelidade a estes compromissos influencia sua capacidade de resolver sua crise de identidade.“uma suspensão breve” no processo de busca de uma identidade amadurecida.343) coloca “A identidade se forma à medida que as pessoas resolvem três questões importantes: a escolha da ocupação. e o desenvolvimento de uma identidade sexual satisfatória”.

AS RELAÇÕES NA ADOLESCÊNCIA Relações com os pais Segundo Helen Bee nas relações do adolescente com seus pais aparecem duas tarefas. que aparentemente são .

distribuição das tarefas domésticas). Explica-se a questão na visão dos pais. As mudanças hormonais. Busca da autonomia: manifesta-se pelo aumento dos conflitos. Consistem em aumento nas brigas leves ou discussões sobre as questões do cotidiano como regras e regulamentos (vestuário. Pesquisas mais recentes apontam para um ângulo interessante nestas relações: “A de que a adolescência é fato mais estressante para os pais. encontros. do que para os filhos”. as influências dos colegas são apontadas como causas principais.contraditórias: 1. no sentido de que há uma perda de controle sobre o adolescente associado . notas. Não há entre os autores concordância com relação às causas destes conflitos. a necessidades de autoafirmação.

vida futura e outras. considerados pelos jovens como “seus direitos”. 2. sua preocupação e sua proteção para com seus filhos. Apesar do aumento da intimidade com os grupos de . muitas vezes. Os conflitos tornam-se preocupantes quando envolvem valores básicos como privacidade pessoal. Os conflitos que surgem tem. Enquanto que os pais consideram que as normas paternas são necessárias e comprovam seu amor. interpretações diferenciadas. liberdade e outros. estes podem encará-las como uma tentativa de controle e de dominação.às preocupações com segurança. Apego aos pais: o surgimento dos conflitos familiares e de um possível “distanciamento” parece não diminuir ou enfraquecer o apego emocional do jovem para com seus pais.

amigos. as pesquisas mostram que os jovens têm seus pais como fontes consistentes de carinho e atenção. Relações com os colegas .

O grupo torna-se extremamente importante nesta fase. esclarecimento de valores. Brown ( 1990) . apoio social. Normalmente as amizades são bastante estáveis. . in Berger ( 2003. nesta fase. biológica e sociocognitiva e os ajuda a se adaptarem à ecologia social da adolescência” . Outros pesquisadores mostram que a ajuda. O mesmo estudo mostra que entre as funções especiais encontradas nos relacionamentos entre colegas e amigos encontram-se: auto-ajuda puberal. tornam-se mais complexas e psicologicamente mais ricas. tornam-se bastante mais significativas. influentes e intensas do que nas etapas anteriores e do que em qualquer outra etapa da vida.p. 284) explica: “Os adolescentes constroem um universo de colegas que reflete a sua crescente maturidade psicológica. formação da identidade.As relações com seus amigos. a interação e o afeto mútuos formam o núcleo central da amizade.

Pode também ser negativa. estímulo a independência da família. à obtenção de boas notas. .por ser o veículo de transição entre a vida familiar protegida para a vida independente do adulto. principalmente nos momentos de incerteza. a participação de equipes esportivas. Destacam-se a lealdade. pegas de carro. o compartilhar de pensamentos. resultando em ações arriscadas.(uso de drogas. proibidas e ou destrutivas. a bons hábitos de saúde etc. Esta pode ser positiva em vários aspectos como: adoção de um comportamento mais adulto ou de um comportamento pró-social. A força da pressão do grupo tem sido bastante estudada. Podem estimular o desafio às restrições dos adultos. relações heterossexual). Alguns sentimentos acirram-se nesta fase. a intimidade. a confiança. o apoio.

. O Adolescente Amadurece à Medida que Passa. p. apresenta um estudo sobre o amadurecimento do adolescente apresentando uma tabela comparativa de diferentes comportamentos que caracterizam a passagem do período de adolescência para a vida adulta. PROBLEMAS CONCRETOS DOS ADOLESCENTES Dinah Martins em seu livro.Berger (2003...285) comenta “a pressão dos colegas atua como um amortecedor entre o mundo relativamente dependente da infância e o mundo comparativamente independente do jovem adulto”. O presente estudo está aqui apresentado para fins de estudo. Psicologia da Adolescência.

aguda consciência do seu próprio desenvolvimento sexual PARA: 1. interesse por indivíduos do mesmo sexo 2.a) Maturidade emocional em geral DE: PARA: 1. 2. interpretação subjetiva das situações 3. Motivos emocionais adultos 4. exteriorização pacífica ou das emoções construtiva das emoções. atitude habitual de fuga 4. . atitude habitual de enfrentar e às situações conflitivas resolver as situações conflitivas b) Estabelecimento de interesse heterossexuais DE: 1. interesses e medos infantis 2. escolha do companheiro ou companheira 3. interesse somente por indivíduos do sexo oposto 2. interpretação objetiva das situações 3. experiências amorosas variadas 3. encara com naturalidade a maturidade sexual. exteriorização agressiva 1.

c) Maturidade social em geral DE: PARA: 1. sentimento de que tem 1. tolerância social 4. intolerância social 2. tratar os pais como amigos . sentimentos de insegurança boa aceitação entre os seus quanto a ser aceito pelos seus pares iguais 2. imitação integral e submissão 4. busca de apoio nos pais em momentos difíceis 3. pais exercendo controle firme 2. socialmente desajeitado 3. liberdade da imitação servil ao grupo de idade servil d) Emancipação do lar DE: 1. busca em si mesmo os recursos para enfrentar momentos difíceis 3. autocontrole 2. identificação com os pais como modelos PARA: 1. socialmente adequado 3.

interesse em determinadas ocupações 3. interesse por ocupações extravagantes 2.e) Maturidade intelectual DE: 1. interesse em inúmeras ocupações 3. conciliação entre capacidades e interesses . necessidade de explicações 3. interesse em atividades práticas 2. porém de 3. interesses desproporcionados às aptidões PARA: 1. Apreço equilibrado de que valem as aptidões 4. curta duração porém estáveis. exigir evidência antes da aceitação 2. poucos interesses. f) Escolha de uma ocupação DE: 1. sub ou superestimação das aptidões 4. aceitação da verdade omitida autoritariamente 2. Interesses numerosos. ânsia por fatos PARA: 1.

conduta baseada na PARA: 1. Sócio de muitos clubes h) Filosofia da vida DE: 1. Sócio de alguns clubes . interesse por muitos passatempos 5. espectador interessado em jogos 4. porém sem regras. conduta baseada na busca do PARA: 1. valorização da coragem pessoal 3. hábitos morais circunscritos a certos atos ( particulares) 3. interesse em jogos de equipe 2. indiferença em relação a princípios gerais 2.g) O uso do lazer DE: 1. Moral generalizada 3. interesse por poucos passatempos 5. interesse pela vitória do seu time 3. interesse em princípios gerais 2. participação em jogos 4. Interesse em jogos vigorosos. 2.

Os trabalhos de Paul Baltes (1987). consciência e no dever VIDA ADULTA Durante algum tempo. os sujeitos. sobre o desenvolvimento do ciclo vital modificaram consideravelmente os conceitos existentes.prazer e fuga à dor. os desenvolvimentistas consideraram que entre os anos do fim da adolescência até a terceira idade. permaneciam em uma espécie de “platô” de poucos acontecimentos significativos do ponto de vista do desenvolvimento. .

Como conseqüência. que os registrados nos períodos anteriores. O preconceito já estabelecido muitas vezes está ligado diretamente às variações de pesquisas. do aperfeiçoamento. principalmente. que o desenvolvimento pára após a adolescência. considerando que as decisões tomadas na fase inicial da . ainda merecem ser estudadas de forma mais precisa. Questões sobre o desenvolvimento na vida adulta (ele existe?). ou seja. do acréscimo. As mudanças na vida adulta continuam. Baltes (1987) sugere que o crescimento e o declínio ocorrem num equilíbrio que apresenta variações de sujeito para sujeito. Contrariando o que se sabia anteriormente. com resultados menos dramáticos. Os estudos. Uma das dificuldades ao estudarmos a vida adulta reside na metodologia. do declínio. Já os adultos normalmente são observados e estudados sob a visão de perdas. com um ritmo bem menor. tem se voltado tanto para as questões relacionadas às mudanças físicas. os aspectos biológicos como quanto ao desenvolvimento psicológico. as questões relacionadas a vida adulta passaram a ser mais observadas e pesquisadas. pois as crianças são observadas e estudadas sob a visão do progresso. hoje.

Os pesquisadores discordam com relação a divisão dos anos da vida adulta e suas respectivas idades cronológicas. . costuram-se de tal forma.Idade Adulta afetarão muitas vezes o resto das vidas dos sujeitos. Por exemplo: – O estilo de vida sedentário pode afetar a saúde. Normalmente são três fases. ou o jovem adulto. conseqüentemente. Todos os aspectos do desenvolvimento físico. para alguns autores poderiam ser definidos como: – Início da vida adulta. cognitivo e psicossocial. que decisões específicas podem influenciar todo um conjunto. nesta fase se entrelaçam. a vida familiar do sujeito. – As pressões no trabalho podem afetar a vida emocional – E.

Helen Bee.– Meia idade – E velhice ou terceira idade. cognitivos.) a autora citada apresenta sua classificação: – Início da vida adulta ou vida adulta jovem (20 a 40 anos). produção no trabalho etc. comenta estas divisões com base em fatores físicos. em fatores psicológicos e sociais (vida independente dos filhos. – Final da vida adulta ou velhice (65 anos até a morte). em seu livro O Ciclo Vital (ano do livro). – Vida adulta intermediária (40 a 65 anos). .

principalmente. os acidentes quase sempre são a principal causa de morte nesta fase. mais massa cerebral.MUDANÇAS FÍSICAS Início da vida adulta: Normalmente considera-se que o adulto jovem encontra-se “no auge” de sua vida por uma série de características como : tecido muscular. gripes. As pesquisas apontam para a permanência destas características até aproximadamente 40 a 45 anos. Nesta fase as doenças que aparecem são mais relacionadas a resfriados. para sons agudos. as pesquisas apontam para o início de uma perda gradual de audição. presença forte de cálcio nos ossos. Como a maioria dos jovens adultos é saudável. Após os 25 anos. de olfato. mais força e velocidade. de visão. câncer. menos sensibilidade a dor. maior capacidade de oxigenação. infecções e problemas digestivos. mais percepção olfativa e gustativa. AIDS. sistema imunológico mais eficiente. suicídios. homicídios e doenças cardíacas também .

comportamentos saudáveis como dieta ou forma de alimentação correta e exercícios físicos. apontam para boas capacitações futuras e uma expectativa de vida majorada. Vida Adulta Intermediária: Helen Bee (1997) coloca que o declínio físico normalmente pode . A ligação entre comportamentos e saúde assinala os interrelacionamentos entre os aspectos físicos. Já o uso de tabaco. Alguns outros estudos recentes aumentam a gama de investigações sobre outras “condições indiretas” que geram incapacidades durante esta fase e nas futuras. O que as pessoas sabem sobre a saúde afeta o que elas fazem. e o que fazem afeta como se sentem (Papalia. cognitivos e emocionais do desenvolvimento. Os estudos recentes demonstram a relação direta entre comportamentos de saúde desta fase e as capacitações ou incapacitações futuras. Nesta relação apontada por Papalia (2000). outras drogas e álcool apontam para incapacidades.aparecem nas estatísticas mundiais. 2000).

.iniciar em torno dos 40 a 50 anos. perturbação do sono. elasticidade dos músculos oculares. Estabelecimento da menopausa: redução da produção de hormônios que levam a interrupção definitiva da ovulação. embora a grande maioria dos estudos cita este declínio em torno de 25 a 30 anos. visão dinâmica (ler palavras em movimento). Visualmente. Mudanças mais acentuadas: – Sistema reprodutor: Início do climatério. principalmente a capacidade de focalizar objetos próximos (braços compridos). percepção de profundidade. procura visual. Nas mulheres esta perda aumenta após a menopausa. da mesma forma distinguir tons puros . – Visão e Audição: A acuidade visual e auditiva diminui sensivelmente por volta dos 45 a 50anos. Sensibilidade às cores. adaptação à escuridão. sensibilidade à luz. perda da capacidade reprodutiva.). alguns desequilíbrios psíquicos. da menstruação e a uma série de mudanças físicas e comportamentais nas mulheres (ondas de calor. Auditivamente a perda se acelera após os 55 anos. – Ossos e músculos: Entre 40 e 70 anos há uma perda considerável da massa óssea.. Entre 50 e 60 anos registra-se também a perda da massa muscular que é . Ocorre perda da capacidade de se ouvir sons com freqüência muito alta ou muito baixa..

artrite e condições cardíacas deficientes são as mais comuns. o que gera um enfraquecimento dos músculos. infecções. Nesta fase a resistência (tempo que uma pessoa pode continuar a exercer força máxima antes de sentir fadiga) – se sustenta melhor do que a força. pressão alta. Doenças como problemas respiratórios. podem resultar em aumento da massa e da densidade muscular. Quando mantidos os programas de exercícios físicos associados a boa nutrição . Da mesma forma intensifica-se a perda da sensibilidade ao toque e a dor. Na sociedade atual a mulher ainda é mais atingida pela aparência . As limitações físicas impeditivas de algumas atividades começam a tornar-se mais comuns e mais significativas após os 65 anos. A sensibilidade ao gosto e cheiro começa a diminuir. – Aparência: O duplo padrão de envelhecimento – aparece marcadamente os indesejáveis sinais de envelhecimento como rugas e flacidez. – Mudanças na saúde: Na fase intermediária da vida adulta surgem mais doenças crônicas e incapacitação.substituída por gordura.

Os sinais de envelhecimento nos homens são muitas vezes vistos como indicadores de experiência ou de maior conhecimento o que quase sempre não acontece com as mulheres. FINAL DA VIDA ADULTA OU VELHICE As pesquisas recentes mostram que o processo de envelhecimento é algo totalmente individual. Esta aceitação positiva leva a uma melhor qualidade de vida.envelhecida do que o homem. – Eles são sinais de “já ter ultrapassado a curva”. As necessidades e capacidades físicas e sociais são bastantes variáveis e parecem estar bastante associadas às etapas anteriores. Quase sempre os adultos tendem a aceitar de maneira realista as mudanças que vem ocorrendo no seu físico. – .

do tempo de reação ao tempo de leitura. ou que merece.. entretanto. – Mudanças no cérebro: Ocorre nesta fase uma redução no peso do cérebro. são mais resistentes às enfermidades e inclusive apresentam índices de vida mais longa que os homens.“cada um tem a velhice que ganhou. As dificuldades auditivas: . desde a fala até o ritmo cardíaco. Em uma síntese do período podemos afirmar que “cada parte do corpo desacelera. da velocidade do caminhar à rapidez de pensamento.”. As mulheres. As pesquisas mostram que estas perdas são mais acentuadas nos homens que nas mulheres. Sua estrutura sinóptica torna-se menos densa e eficiente. Essa desaceleração total é uma conseqüência geral do envelhecimento” (Berger.. – Audição e Visão: Nesta fase aumentam consideravelmente as perdas de audição e visão. Uma das conseqüências visíveis desta redução é a diminuição do tempo de reação em várias tarefas diárias. 2003). Algumas doenças específicas ligadas ao cérebro e que podem causar danos permanentes podem surgir.perda da capacidade de ouvir sons de alta .

o glaucoma e a degeneração macular senil . são os problemas de comunicação. erros na detecção de onde estão vindo os sons. dificuldade para identificar palavras. . especialmente os timbres mais agudos das vozes e os sons das consoantes.freqüência em uma altura normal. que é a deterioração da retina que pode levar a cegueira. obviamente. Iniciam normalmente com incapacidades de escutar sons puros como a campainha de uma porta e continuam com a dificuldade de ouvir a fala. Estas perdas normalmente atingem 40% das pessoas de 65 anos ou mais. Surgem também uma séries de doenças relacionadas especificamente a visão como a catarata. no entendimento da fala transmitida eletronicamente. dificuldade de discriminação geral quando da existência de ruídos paralelos. chiados ou “tilintar” persistente nos ouvidos. Se não entendidos ou admitidos podem gerar dificuldades sociais maiores como a do isolamento. A conseqüência geral destas perdas. – Mudanças nos sentidos da gustação. olfato e tato: Apresentam-se cada vez mais imperfeitos nesta fase.

do azedo e do amargo. – Mudanças na aparência: Aparecem manchas escuras. os prazeres relacionados à alimentação e podem causar desmotivação. e que nas fases anteriores é . As conseqüências destas perdas reduzem. vasos sanguíneos e bolsas sob os olhos. – Mudanças em determinados órgãos vitais: O coração bombeia menos sangue a cada batimento. Enquanto que as do olfato são maiores e mais definidas. acumulando-se principalmente na cintura e mo queixo. sem dúvida. A perda de peso característica desta idade. estão mais relacionados à detecção do sal. as artérias e veias que conduzem o sangue.5 cm) a aparência e o peso corporal. tornam-se mais enrijecidas. O tato reduz-se sensivelmente. Os órgãos digestivos tornam-se menos eficiente o que traz uma série de transtornos alimentares. Altera-se também a altura (diminui normalmente 2. Os cabelos igualmente sofrem mudanças perceptíveis tornando-se mais finos e grisalhos. A gordura substitui a massa muscular. principalmente nas extremidades.Os do gosto não são tão significativos.

higiene pessoal). – Mudanças no Sono: Aparecem alterações significativas como diminuição das horas de sono. vestir-se. . – Saúde e Incapacitação: As pesquisas longitudinais apontam para um crescimento significativo dos problemas de saúde que levam a problemas de incapacitação funcional (trabalhos domésticos. tornando-o mais leve. As pessoas idosas são mais suscetíveis às doenças e tem mais probabilidade de não se recuperarem facilmente das mesmas. Igualmente o cérebro diminui a atividade elétrica durante o sono. ajustar as cobertas.vista como algo positivo. nesta fase já não o é. dormir cedo e cochilar durante o dia. alternância entre períodos de sono e vigília. Acordam mais vezes durante a noite por uma série de razões como urinar. da perda de cálcio e conseqüente ossatura mais fina e leve. Principalmente porque ela é conseqüência da diminuição dos músculos. movimentar as pernas. Conseqüentemente tendem a acordar cedo. Mas estas podem ser passageiras em grupos bem significativos. compras. menos profundo e com sonhos curtos.

na compreensão de diálogos. serem mais leves ou mais significativos. Isquemias. dificuldades de adaptar-se às mudanças de temperatura. .Os problemas mais comuns incluem artrite. Parkinson. As incapacidades mentais (demências) que podem surgir nesta fase estão relacionadas a doenças como Alzheimer. de iluminação. declínio e ou interrupção completa da vida sexual. desaceleração geral (geralmente associadas a todos os movimentos motores). problemas cardiovasculares. hipertensão. Depressão. Dificuldades na realização de tarefas diárias. Os efeitos físicos e comportamentais resultantes destas transformações podem. conforme já comentados. Tumores.

Nenhuma perda aparente na capacidade de discriminar gostos. Perda da capacidade de ouvir tonalidade muito altas ou mais baixas.RESUMO DAS MUDANÇAS DECORRENTES DA IDADE NO FUNCIONAMENTO FÍSICO Função do corpo Idade em que a mudança começa a aparecer ou a ficar mensurável 40-45 Natureza da mudança Visão Audição Olfato Gustação Músculos Por volta dos 50 Por volta dos 40 Nenhuma Por volta Lentes dos olhos espessam-se e perdem o poder de acomodação. resultando em uma visão de perto mais deficiente e maior sensibilidade à claridade. Perda de tecido muscular. Declínio na capacidade de detectar e discriminar entre diferentes cheiros. .

a osseoartrite. perda de matéria cinzenta do cérebro. Sistema Adolescênc Perda do tamanho do timo. mais marcante após os 60 anos. Sistema Metade Aumento no risco durante reprodutor dos 30 nas gravidez e fertilidade reduzida. resultando em perda de força Perda de cálcio nos ossos. imunológico ia redução no número e maturidade das células T. queda no peso do cérebro. Sistema 40-45 Perda da densidade dos nervoso dendritos. mais tarde nos homens Coração e 35 ou 40 Nenhuma diferença etária nas pulmões medidas tomadas em repouso. Também desgaste nas juntas dos ossos. declínio na maioria dos aspectos da função quando ocorre mensuração durante ou após o exercício. . a oesteoporose. Ossos especialmente nas fibras dos “ arranques rápidos” usados para repentes de força ou velocidade. velocidade das sinapses mais lenta.dos 50 Após menopausa nas mulheres.

Gordura também redistribuída na meia-idade. Compreessão de discos na coluna. o que inclui a pele. glândulas secretoras de óleo e suor tornam-se menos eficientes. por volta de 2. Torna-se mais fino e pode .mulheres Elasticidad Gradativa e Altura 40 Peso Padrão não-linear Pele 40 Cabelo Por volta Perda gradativa da maioria das células. Em estudos nos Estados Unidos. devido à perda da elasticidade. o peso máximo na meia-idade. Aumento de rugas.5 a 5 cm aos 80 anos. com resultante perda de altura.a famosa disseminação da meia-idade. os músculos. os tendões e as células dos vasos sangüíneos. e acrescida na porção superior dos braços. Mais rápida deterioração nas células expostas à luz solar. nas pernas e na parte inferior dos braços. quando essa gordura é perdida no rosto. na cintura e nas nádegas.

. pg. As pesquisas mais recentes indicam que os escores de inteligência geral permanecem mais ou menos estáveis até por volta dos 60 anos. Extraída para fins de estudo. de Helen Bee. sociais e cognitivos depois de determinada idade. do Livro Ciclo Vital. especialmente nas sociedades urbanas.dos 50 embranquecer. os que caracterizam os declínios físicos. 391 Funcionamento Cognitivo Início da Vida Adulta Existem estereótipos característicos de determinados grupos sociais. Entre entres.

já habilidades matemáticas. Buscam sempre a resposta “certa” e apesar de reconhecerem. Os jovens no início da vida adulta (transição da adolescência) ainda estão presos a características iniciais do pensamento formal como a rigidez. são mantidas ao longo da meia idade. afirma. de conhecimento e formação específica (que são dependentes da educação).Os decréscimos aparecem a partir de 65-70 anos. inúmeras idéias diferentes. Alguns pesquisadores como Gisela Labouvie Vief (1990). que envolvem raciocínio abstrato. velocidade de respostas. inclusive. encaram- . – Mudanças na estrutura cognitiva: Os teóricos pós-piagetianos apontam para alterações ou reorganização da estrutura de pensamento (pós-formal). quando são pesquisadas determinadas dimensões cognitivas os resultados são mais variáveis. Entretanto. parecem iniciar seu declínio na meia idade. nos novos ambientes em que convivem. Habilidades verbais. que é no início da vida adulta que o pensamento formal se instala ou se estrutura completamente.

Os pesquisadores chamam o pensamento relativista de pensamento pós-formal. de escolhas quanto a seus valores e crenças. passa-se a aceitar que “certezas não são sempre possíveis no dia-a-dia e que muitas vezes os problemas tem várias soluções” . o que alguns autores chamam de pensamento relativista. As mudanças apontadas sugerem: – A instalação de uma forma mais pragmática de pensamento. – Mudança na forma da compreensão inicialmente analítica e de procura de respostas claras para um modo ligado à imaginação. Desta forma. ligada aos papeis que está desempenhando e a seu trabalho. indicando avanços significativos à teoria Piagetiana. Passam a reconhecer outras possibilidades como válidas. Ao conquistarem. isto é.nas como temporárias e buscam a idéia certa. a metáforas e a criatividade. capacidade de escolher a melhor solução entre diversas apresentadas e reconhecer os critérios da escolha. os jovens tornam-se capazes de julgamentos próprios. Transita-se do raciocínio abstrato .

Dentro de um tópico resumido. principalmente relacionadas a fase adulta. – Pensamento mais rico e mais complexos-consciência das diversas causas e soluções de alguns problemas. Portanto. Vida adulta intermediária Há diferentes abordagens no estudo da inteligência.para conclusões mais práticas. Novas teorias sobre características específicas como multidimensionalidade. são multidirecionais. se mantêm ou se ampliam. contextualidade e plasticidade vêm sendo desenvolvidas. de acordo com sua utilidade prática. ou seja. como este que estamos desenvolvendo é impraticável aprofundar estes temas. análise de que algumas causas ou soluções tem mais lógica e capacidade de funcionar do que outras. . abordaremos algumas questões que consideramos mais significativas quanto ao tema. multidirecionalidade. As habilidades cognitivas. isto é. nesta fase.

a capacidade de moldar-se a inteligência de muitas maneiras. ou seja. para outros autores conceitua-se como plasticidade.. e pode contribuir para a resolução prática de problemas”. As aptidões seguem trajetórias de desenvolvimento diferenciadas. Aptidões como raciocínio matemático podem sofrer variações de aumento e diminuição dependendo essencialmente do seu uso. quando e por que uma pessoa as utiliza. O conceito de multidirecionalidade apresentado. 2003.. pós-formal representa um novo estágio de desenvolvimento cognitivo. p. Pesquisadores como Sinnott (in BERGER. uma forma especial de inteligência. integra a emoção com o intelecto.446) colocam que o pensamento maduro. Normalmente aperfeiçoa-se o vocabulário e a capacidade de solucionar problemas. Este tipo de pensamento depende de sentimentos subjetivos. e a experiência com o aprendizado. dependendo de como. da .envolvendo perdas e ganhos. a qual aparece pela primeira vez durante a idade adulta. “.

elas o filtram pela sua experiência de vida e aprendizagem prévia”. precisam estar mais motivados e ter tempo para exercitar novas habilidades.intuição e da lógica.p. Os adultos são mais seletivos nos seus aprendizados.447) coloca que uma característica importante deste pensamento é a sua natureza integradora. As variações de um adulto para outro são significativas. vêem ou ouvem em termos de seu significado para eles. – Memória: Ocorrem algumas perdas que estão mais relacionadas a memória de . integram fatos e idéias. Eles interpretam o que lêem. Berger (2003. pois já não aprendem tão rapidamente. “Adultos maduros integram a lógica com a intuição e a emoção. Ao invés de aceitar algo pelo que parece ser. As evidências das pesquisas contemporâneas indicam evidências de declínios cognitivos relacionados à idade. e integram novas informações com o que já sabem.

manejo de emergências. uso de informações apresentam-se eficientes nesta fase. trabalhos de pesquisas. Da mesma forma questões relacionadas às medidas de uso de estratégia. . planejamento. demonstrações artísticas diversas.curto prazo quando de memorização de números e a memória de longo prazo ( codificação e recuperação) que se tornam menos eficientes e menos rápidas após os 60 anos . – Produtividade criativa: Todos os estudos recentes apontam a fase da vida adulta intermediária como a mais rica e produtiva em termos de produções intelectuais como publicações.

É preciso ter-se claro também que a metodologia usada para “observar” ou “pontuar” a inteligência dos idosos. Em alguns aspectos como no vocabulário as mudanças são pouco perceptíveis ou praticamente não existem. muitas vezes é mascarada por fatores diferenciados tais como: .não verbais e resolução de problemas não-familiares. 1983). ou comuns – diminuem. principalmente nas últimas décadas tem desfeito o mito de que na velhice o ser humano torna-se menos inteligente. (Schaie. Sabe-se claramente que algumas habilidades – principalmente as que envolvem tarefas .Final da Vida Adulta O trabalho de pesquisadores. pode ser percebido em todas as habilidades. o que sugere que os declínios podem ser prevenidos. “um decréscimo sem qualquer dúvida. por volta dos 74 anos”. As variações individuais são marcantes. Posições contraditórias sobre o tema são bastante freqüentes e ainda não há completa clareza sobre o assunto.

A razão desta relação com o tempo reside no fato de algumas correntes defendem que a rapidez é função do sistema nervoso central e.Visão.VEJA AQUI SUA PRÓXIMA TAREFA Procure na sua comunidade pessoas que tenham as características de um adulto na fase intermediária. Questione-os sobre sua capacidade cognitiva no sentido de saber se houve alterações. portanto indicador do funcionamento cognitivo. causado por problemas cardiovasculares. mais um fator a ser considerado nas observações. de hipertensão e ou neurológicos podem interferir no desempenho e conseqüentemente alterar um resultado.Saúde física: A diminuição do fluxo sanguíneo no cérebro. em sua percepção.Rapidez: Todos os testes de inteligência são cronometrados. Sabe-se que pessoas idosas tem diminuídas suas funções físicas. . . tanto para melhor quanto para pior e em que áreas. audição e coordenação: Já vimos no item Funcionamento . Portanto. . psicológicas e perceptivas e portanto precisam mais tempo para realizarem suas tarefas.

Da mesma forma é preciso ter-se em conta a questão do rótulo que está sempre nestas situações. obviamente. carecem de motivação e de confiança para participar dos mesmos. interferem nos resultados. Além destes fatores há que se considerar também a questão do envolvimento de pessoas idosas em testes específicos. Questiona-se a aplicação e a validade dos mesmos em se tratando de adultos e ou idosos. – O idoso tem menos inteligência . Estas situações. Podemos. observações e pesquisas para chegarmos a resultados mais precisos ou conclusivos sobre o tema.é . concluir que se fazem necessários ainda inúmeros estudos. – Demonstram não ter interesse em participar dos mesmos. Inicialmente é preciso ter-se claro a questão de “usos de testes” já discutido no primeiro capítulo deste manual. desta forma há que se compreender a dificuldade manifestada muitas vezes na compreensão de certas tarefas usadas para “medir” a inteligência. Os testes de inteligência foram desenvolvidos para determinadas faixas etárias. portanto.físico que estas funções são afetadas pela idade.

de fazer compras. Apresentam condições de administrar suas finanças. de controlar horários e tomar medicação. de usar meios de comunicação. Estão surgindo novas visões a respeito do tema “ser inteligente”. de preparar refeições. de utensílios domésticos de embalagens. como também as pessoas com maior capacidade cognitiva tendem a obter melhor educação e cuidar de sua saúde”. Depois dos primeiros estudos de Baltes já citado anteriormente neste tópico.fato considerado. embora não provado. as pesquisas têm se voltado e aprofundado seus conhecimentos . “Não apenas a má saúde e a falta de instrução podem limitar a cognição. Interessante destacar-se resultados de pesquisas como de Schaie & Willis (in Berger: 2003) que apresentam uma correlação significativa entre educação e saúde.de ler mapas etc..de preencher formulários. Sabe-se que um dos propósitos da inteligência é adaptar-se a vida diária e seus problemas..de ler rótulos de remédios. Neste sentido muito das pessoas idosas mostram claramente suas capacidades.

Uma pesquisa da Universidade da Pensilvânia trouxe dados longitudinais significativos sobre o resultado de treinamentos cognitivos as pessoas idosas. .sobre o desempenho cognitivo de pessoas idosas. Destaca que alguns aspectos podem continuar a desenvolver-se e outros deterioram-se. O modelo identifica e procura medir duas dimensões de inteligência: mecânica e pragmática. Papalia ( 2000) comentando as pesquisas de Baltes ( 1993) coloca que o autor em questão propôs um modelo de Processo Dual sobre o funcionamento cognitivo na terceira idade . A Plasticidade da Inteligência é um dos temas pesquisados. Com o devido treinamento e acompanhamento os idosos tem demonstrado melhoras significativas em Orientação Espacial e Raciocínio Indutivo. Aproximadamente 4 a cada 10 participantes recuperaram o nível de proficiência de quatorze anos antes.

· Memória: Comumentemente a sociedade vê a perda ou falha de memória como . esta dimensão tende a apresentar resultados inferiores. Pragmática: refere-se ao uso da inteligência em situações práticas. Os adultos mais velhos tendem a aperfeiçoar o uso pragmático de informações . a produtividade profissional e a sabedoria. (ex.Mecânica: “consiste das funções. perdas de visão e audição). Como a mecânica da inteligência tem base fisiológica que costuma declinar com a idade. ou seja a aplicação de conhecimentos e habilidade acumulados. livre de conteúdo. p. Os resultados desta dimensão são altamente positivos.515). Muitas vezes esta dimensão continua a desenvolver-se nesta fase e são usadas para compensar a diminuição das funções mecânicas. de processamento de informações e resolução atenção de problemas” (Papalia2000. o conhecimento especializado.

mas sim.). se fechou a casa. Ao serem confrontados com situações que exigem memorização de seqüências normalmente não utilizam “estratégias de eficiência” como organização por grupos lógicos. Os pesquisadores apontam esta questão não como “uma incapacidade”. Os investigadores apontam bases biológicas como . de locais de encontro. como desuso da memória. Estas perdas podem ter relações significativas com o dia a dia da pessoa como: não lembrar se desligou algum aparelho.sinal de envelhecimento. principalmente quando estas tarefas estão ligadas a situações mais espontâneas. Normalmente as pessoas mais velhas condicionam-se ao uso de listas e não ao estímulo da memória.. poemas.. de localização de objetos ou ruas etc. se pagou alguma conta etc. Lembranças de longo prazo tornam-se menos acessíveis. lestas de compras) e de recuperação (lembrar nome de alguém. As perdas decorrentes da idade são mais significativas nas tarefas mnemônicas secundárias de codificação (memorização de números.

responsáveis pelas perdas de memória. Com a idade o hipocampo vai perdendo suas células nervosas. Esta deterioração parece estar ligada as questões de pressão sangüínea. Estas distrações causam uma dificuldade maior para “voltar” ao foco original. principalmente a alta. Como resultado aparece o declínio na rapidez perceptiva afetando a eficiência do processamento. O cérebro se deteriora fisicamente com a idade. Ele é o responsável pelo armazenamento de novas informações na memória de longo prazo. · Atenção: A investigação tem mostrado que pessoas nesta faixa etária sofrem mais crises de desatenção. muitas vezes causadas por estímulos irrelevantes. . Entre várias áreas afetadas encontra-se o hipocampo. Tem dificuldade de dividirem sua atenção entre diferentes estímulos ou mesmo de coordená-los simultaneamente o que acarreta distração.

o que aumenta o risco de doenças. de maneira significativa. (hábitos de merendar são considerados prejudiciais). a eficácia do sistema imunológico em curto prazo. não fumar. . beber com moderação. ou de grupos de indivíduos indicam claramente que as variações positivas encontradas são resultado de hábitos de saúde saudáveis mantidos desde o início da vida adulta e na fase intermediária. Outro fator indicado como capaz de afetar a saúde em qualquer idade é o estress. Pesquisadores como Kaplan e Gularnik. excesso ou falta de comida. Destacam-se: manutenção de exercícios físicos (mínimo 3 vezes por semana). são difíceis de romper e normalmente seus efeitos são cumulativos na vida adulta. tomar café da manhã e dormir de 7 a 8 horas por noite. estabelecidos na juventude. citados por Helen Bee. indicam que hábitos deficitários.· Resolução de Problemas: Diminui a eficácia na resolução de problemas a medida que a idade aumenta. · Saúde e Cognição: A relação existente entre o envelhecimento físico e cognitivo e o comportamento de cada indivíduo. O estress “reduz”.

existem fatores protetores capazes de auxiliar na manutenção da saúde. no capítulo 24 do livro “Desenvolvimento Psicológico e Educação” descreve a relação entre saúde envelhecimento da seguinte forma: “Os psicólogos evolutivos. È esse conjunto de fatores e não a idade cronológica persi. o que determina boa parte das probabilidades êxito que as pessoas apresentam. . ao enfrentar as diversas demandas de natureza cognitiva”. como muito importantes.Por outro lado. Palácios. Entre esses fatores. seu bem-estar psicológico). a experiência o tônus vital das pessoas (sua motivação. entre eles o apoio social adequado e o senso de controle pessoal interno ou externo (crença na sua capacidade). estão cada vez mais convencidos de que o que determina o nível de competência cognitiva das pessoas mais velhas não é tanto a idade em si mesma. quanto uma série de fatores de natureza diversa. o nível de saúde. podem-se destacar. o nível educativo e cultural.

. segundo Helen Bee . “Isso significa aquisição. Os papeis citados por Bee. o de parceiro/cônjuge. a relação com outras pessoas. como traço essencial. ou seja. a conquista de um sentimento de intimidade”.FUNCIONAMENTO SOCIAL E DA PERSONALIDADE Início da Vida Adulta Caracteriza-se. o conjugal e o parental”. aprendizado e desempenho de três papeis fundamentais para a vida adulta: o profissional. na adolescência e juventude. a saber. o ser humano obrigatoriamente terá que deixar de lado e até mesmo abdicar de uma série de questões relacionadas a si próprio (EU SOU – eixo central até esta fase). Nesta fase. envolvem-se nevralgicamente com um ponto chave – o da passagem de EU para o NÓS. para voltar-se ao NÒS (NÒS SOMOS). em um período em que cada um assume seu lugar na sociedade. possui. Erikson (1982 ) descreve este período como da “conquista de um sentimento da intimidade” – “o período que se segue à conquista da identidade. o de pai e o de profissional.

fazer sacrifícios pessoais pelo bem da relação e da outra pessoa. As amizades desempenham papel importante nesta fase. “É necessário que o jovem adulto venha a entender seus pais de maneira mais objetiva. A constituição de grupos de amigos geralmente baseia-se em interesses e valores comuns. de uma vinculação íntima privilegiada com outra pessoa. desfrutar dessa relação. comprometer-se. “pois os amigos tendem a aprovar as crenças e os comportamentos uns dos outros” (Dykstra. O processo de desenvolvimento social e da personalidade no inicio da vida adulta envolve um processo de emancipação psicológica importante. Ela envolve um certo grau de distanciamento emocional do jovem e seus pais. relações e vinculações marcadas por traços como entregar-se. a criação de uma relação estável entre outros. compartilhar. e não como pais”. 1995) in Papalia (2000). a escolha do parceiro. como pessoas. Este processo de emancipação psicológica está ligado à saída de casa. (Bee 1997).Isso está relacionado com o estabelecimento de relações amorosas. etc. .

como: aparência física e atratividade. atitudes e crenças e adequação de papéis.A amizade tem como pressuposto a confiança. o casamento como instituição formal está sendo substituído pela coabitação-união consensual ou informal. o prazer da companhia. Interessante ressaltar que a escolha de um parceiro é bastante influenciada pelos modelos internos de apego. saúde mental. normalmente é considerado como forma adequada de criar filhos. a disposição para ajudar e confiar. . Os estudos sobre a questão trazem resultados interessantes no sentido de demonstrarem que pessoas que vivem em coabitação tendem a ter atitudes não convencionais em relação à família. Desenvolvem relações instáveis. Hoje. popularidade. Normalmente os “parceiros” têm algo em comum. em contrapartida a presença de crianças tem um efeito estabilizador na união. a espontaneidade e liberdade para ser o que se é. religião. condição sócio econômica. educação e outros. raça. o respeito. O casamento. Este algo em comum é bastante diversificado. a compreensão e aceitação.

Ele pode oferecer aos parceiros intimidade.” Gottman (1991) citado por Helen Bee diz que “um casamento é mais do que a soma das qualidades. Além da constituição de uma família própria. Igualmente importante para o sucesso do casamento é a qualidade das reais interações que se desenvolve entre o casal. a capacidade dos parceiros para criar essa interligação mútua e esse sistema interativo de apoio parece ser fundamental para a sobrevivência do casamento (Bee pg. 420 / 422) ou componentes das duas pessoas. Nos bons casamentos. (Bee pág. lêem as dicas recíprocas e reagem positivamente. Independentemente do medo interno de apego que um indivíduo possa trazer para o casamento. afeto. Na relação é importante ter-se claramente determinada a divisão de trabalhos do que os autores chamam hoje de “ unidade de consumo e trabalho. Parceiros satisfeitos revezam-se. 420/422).. ou de uma relação . há um nível elevado da mesma espécie de reatividade aos sinais do outro que encontramos entre bebês com apegos seguros e seus pais. realização sexual.. companheirismo.

Entre estes. as mudanças nos papeis sexuais (normalmente a . background familiar. Uma nova pessoa totalmente dependente muda os indivíduos e os relacionamentos. maior senso de responsabilidade e amadurecimento. Obviamente que. classe social. Este comboio geralmente permanece estável ou necessário ao longo da vida. abertura mútua e franqueza pessoal destacam – se como fatores mantenedores de amizade intima. o que Toni Antonucci (1991) chama de “comboio de relações” ou seja uma “camada protetora de familiares parceiros (as) e amigos que circundam o indivíduo nas negociações bem – sucedidas dos desafios da vida” . para a maioria dos casais.estável. traz uma série de mudanças. ciclo da vida. outros fatores destacam –se na questão do desenvolvimento social na primeira fase da vida adulta. Agrega-se a estes. a paternidade responsável traz satisfação. interesses. Paternidade: O segundo novo papel da vida adulta: tornar – se pai. fora de casa dos pais. Compõe-se normalmente de pessoas que “escolhemos” como parceiros por razões diversos como: instrução.

hoje são mais marcantes na vida das mulheres. como a de sustentar-se economicamente. Na escolha da profissão uma série de fatores estão relacionados como importantes e influentes inteligência . A questão dos papeis na relação familiar está sendo muito discutida nos dias de hoje e é causadora de inúmeros conflitos.mãe assumindo a tarefa de apoiar emocionalmente e os pais de apoiar fisicamente e protetoramente). sexo entre outros . citado por Bee apresenta uma tabela em que procura relacionar as características pessoais. mesmo tendo antes deste tempo idéias diferenciadas . Estas vivenciam mais os conflitos entre o papel familiar e o profissional. O papel profissional: Obviamente que ocupar uma posição no mundo do trabalho tem razões primeiras. principalmente durante o início da vida adulta enquanto os filhos são pequenos e dependentes. (1973). personalidade . As pesquisas mostram que as mulheres assumem mais a responsabilidade pelas tarefas domésticas e pelos cuidados com os filhos . Holland. de personalidade com os ambientes . mas também está diretamente relacionada a satisfação pessoal e a consequentemente satisfação de viver . Estes.

persuasivo e com grande liderança. necessita de atenção. Gosta de trabalhar com pessoas e não gosta de atividades intelectuais ou altamente organizadas. Atendimento. não individual.. preciso e minuciosos. biológicos ou culturais.adequados de trabalho. Tipo Artístico Empresarial Ambiente adequado de trabalho Prefere atividade Atividades livres. prestação de serviços. registros.associal. Pesquisa criativa ou observação de fenômenos físicos. bastante falante e dominador. sistematizadas para produzir arte ou performance. contabilidade e organização. precisa e sistemática de dados. não-estruturada. atividades estruturadas e papéis de subordinação.comumente ocorre em vendas. arquivos.g. e. Gosta de organizar e Manipulação dos outros. tal como dirigir os outros. treinamento. Social Pesquisador . esclarecimento aos outros. Gosta de tarefas ambíguas e desafiadoras que Personalidade Convencional Manipulação ordenada. Gosta de orientações claras.

máquinas ou animais. Gosta de atividades Manipulação sistemática mecânicas e de uso de ferramentas. Normalmente ocorre inicialmente o estágio da tentativa ou do estabelecimento (20. 430 Na manutenção da carreira. A maior produtividade está ligada a fase da estabilização. de Extraída para fins de estudo de Bee. pg.30 anos) em que podem ocorrer diferentes opções até a estabilização (30 – 45 anos) e o domínio das habilidades necessárias. agressiva. a organização. fisicamente forte. o planejamento. ferramentas. costuma apresentar habilidades verbais ou interpessoais insuficientes. os pesquisadores diferem em suas colocações. Ciclo Vital.Realista envolvam o pensamento abstrato. comumente possui habilidades sociais insuficientes. . masculina.

Vida Adulta Intermediária Generalizando a questão do desenvolvimento social nesta fase podemos afirmar que “a maioria encontra –se casada. exerce o papel de pais e possui uma profissão”. A meia –idade é considerada a época do repensar. Os resultados de estudos.Mudanças na personalidade: Os estudiosos do assunto diferem muito nas suas conclusões a respeito de mudanças na personalidade durante a vida adulta. (Bee pág. A medida em que o jovem domina os vários papeis afirma com mais capacidade sua individualidade. “parecem apontar para a possibilidade de que na vida adulta ocorre uma mudança básica de personalidade”. entretanto. mais recentes. ao maior autocontrole e positividade pessoal. do reexaminar. Esta está relacionada diretamente a autonomia conquistada. esta fase é permeada de mudanças significativas e que alteram as relações sociais. 479) Entretanto. .

casamento. entre outras. na responsabilidade na manutenção dos elos afetivos.Geralmente neste reexame incluem-se questões relativas a produtividade. equilíbrio entre trabalho e família. Entre as mudanças significativas desta fase. reduz significativamente o papel de pais e com o passar do tempo também o dos filhos. Nesta fase. . Estabelecem – se relações familiares baseadas no auxílio mútuo. além das já citadas destacam -se: 1) A saída dos filhos . Alteram –se as posições na cadeia das gerações. normalmente. os pais idosos tornam-se mais fragilizados e precisam ser assistidos por seus filhos (de meia idade) – o que altera significativamente as relações familiares. Alguns estudiosos chamam esta fase de geração sanduíche exatamente porque ela se encontra pressionada por obrigações para com a geração mais nova e a mais velha. pois filhos crescidos significam pais envelhecidos.chamada de síndrome do ninho vazio.

Apoia financeira e emocionalmente seus filhos e ao mesmo tempo ajuda de diversas maneiras seus próprios pais. As relações mais próximos afetivamente. 2) O Papel de Avós . proximidade física e relações estabelecidas. . com relação aos netos variam muito de acordo com os vínculos afetivos. Podem ser de afastamento.Normalmente a geração adulta intermediária presta mais auxílio do que recebe. e mesmo o papel de ”pais substitutos “ parecem ser mais características de povos latinos ou que tenham a afetividade como característica cultural . Os papeis vividos pelos avós. de camaradagem ou de envolvimento ativo segundo Cherlin e Fustenberg (1985).nesta fase acrescenta – se este outro papel na cadeia das relações familiares.

as amizades que persistem são revestidas de um caráter qualitativo aprimorado.(Bee 1997) As pesquisas mostram também que os adultos nesta fase estão muito ocupados com seus diferentes papéis. . ou ao contrário. Trabalho/Aposentadoria: Nesta idade os papéis já estão bem definidos. são persistentes. Entretanto os estudos sugerem que “as amizades podem ser menos importantes na vida de adultos na meia idade do que o foram na fase inicial ou virão a ser na fase final da vida adulta”. além do que parecem contentar-se com as amizades que tem sem grandes preocupações com fazer novas. As pessoas costumam estar no auge de sua satisfação profissional e de sua carreira. fonte de apoio e bem-estar emocional. não tem mais expectativas quanto a promoções.Amigos na meia idade: São poucas as pesquisas sobre o tema. Entretanto.

Ao aproximar-se a idade da mesma costumam aumentar os preparativos formais e informais como: diminuição da carga horária de trabalho. Nossa realidade é bastante diferenciada e culturalmente não adotamos padrões de preparação para a mesma. estrutura. .O trabalho proporciona amizades. status. estima além de salário. planejamento financeiro. mas é diferenciado para aquelas cuja história de trabalho é mais variável. Culturalmente podemos afirmar que o padrão é o mesmo para mulheres que sempre trabalharam. Entre homens e mulheres há comportamentos diferenciados e poucas pesquisas de resultado determinantes. Um aspecto que evolui nesta fase é a procura do equilíbrio entre trabalho. família e pessoa. Em países mais desenvolvidos a preparação para a aposentadoria inicia no mínimo 15 anos antes.

procuram a interioridade. Vários traços são altamente consistentes durante a meia idade enquanto outros se modificam. “parece menos vivaz. outros apontam para uso maior de mecanismos de defesa. aos 60 anos. apesar de tentarem qualificar mudanças significativas de personalidade na meia idade. Bee coloca que o adulto. outros para características de flexibilidade e tenacidade. Certos traços como. menos preocupado em atingir metas específicas. a cordialidade em relação aos outros e a confiança em si mesmo parecem ser padrões específicos e . talvez mais desejoso ou capaz de se adaptar às circunstâncias. não apresentam coerência de resultados em seus trabalhos. mais capacitado a expressar todas as suas facetas. Alguns se manifestam dizendo que adultos. nesta fase. por exemplo.Personalidade na meia-idade: Vários autores. ou compartilhado de mudança de personalidade.” As diferentes variações de pesquisas trazem como um resultado conclusivo o fato de que não existe um padrão único. talvez levemente mais introvertido.

ou quando se instalam um conjunto de novos valores em sua vida ( ex. As experiências familiares. Aceita-se que podem ocorrer transformações na personalidade do adulto quando circunstâncias de vida são drasticamente alteradas. deficiência da saúde.individuais. Crises específicas como divórcio. inclusive na personalidade. desemprego podem gerar determinados níveis de estresse que podem associar-se a um funcionamento mais deficiente do sistema imunológico causando impactos em várias áreas da vida adulta. Final da Vida Adulta ou Velhice . viuvez precoce. conversão religiosa). da vida profissional e social de cada indivíduo parecem ter relação direta com os padrões de vida adulta. Na sua relação com o ambiente normalmente os adultos reforçam seu temperamento básico.

1997) Modificações nos papéis: No final da vida adulta grande parte dos papéis que vinham sendo exercidos ao longo da existência não tem mais razão de ser.” ( Bee. . Em alguns casos. as mudanças de papéis e das relações também são bastantes significativas. por exemplo. de cônjuge e até mesmo de líderes de organizações específicas. e a meia-idade é o período em que tais papéis são redefinidos e renegociados. o período da fase adulta tardia é aquele em que muitos desses papéis são postos de lado. alguns idosos recebem títulos como. “ Se a fase adulta inicial é o período em que acrescentamos papéis complexos e que exigem mais tempo. Entretanto. o de professor emérito.Normalmente esta fase é sempre mais marcada pelo declínio físico. como forma de reconhecimento. o de filho. como por exemplo. de profissional.

Assim. As relações com os amigos na velhice constituem-se em importante ponto de satisfação geral de vida e de auto-estima. mas raramente trazem consigo alguma obrigação. Relações na vida adulta: A alteração de papéis e a conseqüente mudança de rotina afetam sensivelmente as relações sociais na vida adulta. netos e família é mais. Quando os ambientes são propícios os vínculos afetivos familiares estreitam-se nesta fase. posição social. (mantenedoras do parentesco). Já as relações com os filhos. .Quase sempre estes títulos significam reconhecimento. ou menos. benefícios. apego. principalmente entre as mulheres. depende de fatores como aproximação geográfica. satisfação ou insatisfações anteriores. Manifestam-se por atividades comuns. por cuidados e assistência que os cônjuges oferecem um ao outro. a “ausência de papéis” no final da vida adulta significa reestruturação de rotinas pessoais que podem ser positivas ou negativas. No casamento o companheirismo constante está mais presente. significativa nesta fase.

Uma condição limitante para a atividade social na velhice é a incapacidade física Trabalho/Aposentadoria: A idade média para a aposentadoria é bastante variada em diferentes países. Em outros. Nos mais aculturados o processo de transição parece ser aceito com mais tranqüilidade. Interessante ressaltar que os estudos indicam que as mulheres. Uma delas. gerada pela diminuição dos rendimentos.O fenômeno da solidão tem relação direta com a diminuição gradativa do número de amigos. sem dúvida. nesta faixa etária. como sendo resultado natural de um processo. costumam cultivar mais amplamente as redes sociais. tornam-se menores as redes de relações. Mudanças na personalidade: Não há evidências claras que fundamentam alguma teoria sobre . A medida que morrem. a aposentadoria pode ser acompanhada de várias crises.

mudanças de personalidade na fase da velhice. TEORIAS DE APRENDIZAGEM . . agora. estudar as Teorias de Aprendizagem desde o início do século XX até hoje. mais de qualquer medida de cunho social ou econômico.Introdução Vamos. um novo século. Os resultados de pesquisas apresentam como ponto comum e fundamental para esta fase a “percepção que o indivíduo tem de sua situação”. Esta percepção tem relação direta com o estado de espírito elevado.

Teorias de aprendizagem são construções humanas !!!!! O que é a aprendizagem? Depende da teoria!!!!!! . Nas teorias de aprendizagem aparecem três aspetos muito relacionados: representa o ponto de vista de um autor sobre como abordar o assunto aprendizagem. Teoria :Interpretação sistemática de uma área de conhecimento. Teorias de Teoria: aprendizagem: tentativas de interpretar sistematicamente. procura resumir uma grande quantidade de conhecimento sobre aprendizagem em uma formulação compacta. tenta. quais as variáveis que são relevantes e valem a pena ser investigadas e estudadas. de forma criativa. explicar o que é a aprendizagem e porque funciona da maneira como parece funcionar. de fazer predições sobre conhecimentos relativos à aprendizagem. quais os fenômenos importantes e quais as perguntas significativas. de organizar.Iniciaremos conhecendo alguns conceitos básicos para que você possa compreender melhor este novo Módulo.

resultante do desenvolvimento. O que determina uma Teoria de Aprendizagem é a Filosofia em que está embasada. existem poucas teorias de aprendizagem propriamente ditas. .geradora do desenvolvimento. Algumas teorias você já estudou no Módulo I. .a aquisição de informação ou habilidades.. quando estudamos o .A APRENDIZAGEM é : . . Cada teoria têm conceitos de aprendizagem (e construtos especiais para caracterizá-lo) que não são compartilhados por outras teorias..mudança relativamente permanente de comportamento devida à experiência.. . e que podem ter conseqüências aplicáveis para a aprendizagem. em geral são teorias psicológicas que tratam ou do comportamento ou da cognição. Em geral.

Humanismo: Vê o ser que aprende primordialmente como pessoa. e reveja o assunto para sentir mais seguro. um reflexo dela. As Principais Teorias de Aprendizagem . Observação: Caso seja preciso retorne ao Módulo I.histórico da Psicologia. Comportamentalismo: a tônica da visão de mundo behaviorista está nos comportamentos observáveis e mensuráveis do sujeito. como um todo—sentimentos. Principio da correspondência: se existe mente ela deve ser cópia da realidade. como reação ao estruturalismo introspectivo . Filosofias subjacentes às Teorias de Aprendizagem. pensamentos e ações—não sé intelecto. inícios do século XX.inicial. nas respostas que ele da aos estímulos externos. Cognitivismo: trata principalmente dos processos mentais Tanto comportamentalismo como cognitivismo surgem na mesma época.

já que foi o principal expoente da Psicologia americana. cada uma. . em sua época mas que no entanto são usadas até hoje.Consideramos as principais teorias como aquelas que ficaram mais famosas.Vamos ver como ? O COMPORTAMENTALISMO Escolhemos Skinner para representar a Teoria comportamentalista / behaviorista pela relevância de sua obra na metade do século XX.

.Observação: Quando nos referirmos a Comportamentalismo também usaremos a palavra Behaviorismo pois significa o mesmo em Inglês. Iniciaremos conhecendo alguns conceitos básicos para que você possa compreender melhor este novo Módulo.

preocupava-se unicamente com o comportamento observável.mi. As pessoas tendem a se comportar de modo a obter recompensas e a evitar . Para Skinner a maior parte do comportamento humano não é resultante do condicionamento clássico (eliciado involuntariamente frente a determinados estímulos) e sim pelo condicionamento operante (controlado pelas conseqüências).TEORIA BEHAVIORISTA DE SKINNER (1904-1990) Skinner com seu enfoque teve enorme influência nos procedimentos e materiais usados em sala de aula. principalmente nas décadas de 60 e 70.> consultado em 12/01/2004 R é a resposta (ato comportamental) que “leva ao” E estímulo reforçador.kirtland. Como todo comportamentalista.htm.cc. sendo irrelevantes para ele os processo intermediários entre estímulo e resposta.us/socialscience/psych/psychpage. no ensino de qualquer disciplina. Foto disponível na Internet: <www.

punições. Reforços positivos : eventos ou objetos que vem após um comportamento e subseqüentemente aumentam sua freqüência. . Para Skinner o reforço positivo e as contingências de reforço (situações que acompanham a situação) têm um papel preponderante na aprendizagem.

O importante é saber arranjar as situações de maneira que as respostas dadas pelo sujeito sejam reforçadas e tenham sua probabilidade de ocorrência reforçada. o ensino se dá apenas quando o que precisa ser ensinado pode ser colocado . Não é a presença do estímulo ou a presença da resposta que leva á aprendizagem. mas. sim. Ou seja. é a presença das contingências de reforço.Para Skinner a aprendizagem ocorre devido ao reforço.

sob o controle de certas contingências de reforço. O papel do professor é justamente o de programar as contingências do reforço (dar reforço no momento apropriado, reforçar respostas que levam ao aprendiz a exibir o comportamento terminal desejado), mais do que a seleção de estímulos propriamente dita. A aprendizagem segundo a filosofia comportamentalista Aprendizagem : mudança condutual.

A única forma de aprendizagem é por associação. Toda conduta, por complexa que fosse pode ser redutível a uma série de associações entre elementos simples— caráter atomista –elementar. A aprendizagem é iniciada e controlada pelo ambiente. Ou seja, embora o estudante possa ser ativo, a aprendizagem é passiva: ela decorre ou precisa ser impulsionada desde o ambiente. O motor da conduta encontra-se fora do sujeito.

A aprendizagem é um processo geral : todos os estímulos e respostas são equivalentes (ou seja, independem do conteúdo da tarefa); existe uma universalidade filogenética dos mecanismos associativos (ou seja, todas as espécies, incluído o homem, aprendem mediante os mesmos mecanismos), existe uma equivalência de todos os organismos de uma mesma espécie. Ou seja, embora o estudante possa ser ativo, a aprendizagem é passiva: ela decorre ou precisa ser impulsionada desde o ambiente. O motor da conduta encontra-se

fora do sujeito. A aprendizagem é um processo geral : todos os estímulos e respostas são equivalentes (ou seja, independem do conteúdo da tarefa); existe uma universalidade filogenética dos mecanismos associativos (ou seja, todas as espécies, incluído o homem, aprendem mediante os mesmos mecanismos), existe uma equivalência de todos os organismos de uma mesma espécie.

A TEORIA HUMANISTA
As pessoas tendem a se comportar de modo a obter recompensas e a evitar punições. IDÉIA-CHAVE DO HUMANISMO: pensamentos, sentimentos e ações estão integradas.

O importante é a auto-realização da pessoa, seu crescimento pessoal. Na escola, originou o chamado “ensino centrado no aluno” e as “escolas abertas”, onde os alunos tinham ampla liberdade de escolha, inclusive sobre o que estudar.

Seu principal representante foi : Carl Rogers que viveu em Chicago
Foto disponível na Internet: < www.institutoananda.com/ 55rogers.html.> consultado em 12/01/2004

Para Rogers( in:LA ROZA,2001) a aprendizagem vem de dentro para fora pois a resolução de problemas está dentro da pessoa : ...a aprendizagem significativa tem a qualidade de um envolvimento pessoal – a pessoa como um todo inclui-se no fato da aprendizagem.Ela é auto-iniciada – mesmo quando o primeiro impulso ou estímulo vem de fora, o senso da descoberta , do alcançar, do captar e do compreender vem de dentro. É penetrante – suscita modificação no comportamento, nas atitudes, talvez mesmo na

personalidade do educando.É avaliada pelo educando[...] Quando se verifica a aprendizagem, o elemento de significação desenvolve-se para o educando, dentro da sua experiência como um todo. Mais recentemente, temos Joseph Novak; defende um humanismo mais viável para a sala de aula: é a aprendizagem significativa, que está por trás da integração construtiva de pensar, sentir e agir: o aprendiz é visto como um ser que pensa. O princípio geral de aprendizagem na Teoria Humanista Rogeriana é:

. estabelecendo as diferenças .. Emita sua opinião sobre o uso destas duas teorias nos ambientes educativos: em casa com os pais... AS TEORIAS COGNITIVISTAS Compare a Teoria Comportamentalista de Skinner com a Teoria Humanista de Rogers. o que se pode é facilitar a aprendizagem.. .não se pode ensinar diretamente alguém.

nos clubes onde se praticam esportes e /ou outros. ingenuamente. ou ainda. Em todos os momentos da vida e em qualquer ambiente estamos aprendendo não é mesmo? Remeta seu trabalho para o seu tutor. ou com “aprendizagem por descoberta”. que só por estar manipulando coisas o aluno . o que é pior. com simples atividades manipulativas (crê-se. por e-mail O construtivismo tem sido confundido com “método construtivista”.na escola.

No ensino. Não existe um método construtivista. Existem sim. o aluno passa a ser considerado agente de uma construção que é sua própria estrutura cognitiva. teorias construtivistas e metodologias construtivistas.esta “construindo”) Construtivismo não é isso. Os representantes do cognitivismo escolhidos por nós para representarem o . todas consistentes com a postura filosófica construtivista.

BRUNER. . . cada um com suas particularidades são: . Esta Teoria é baseada numa Filosofia que enfatiza exatamente aquilo que é ignorado pela visão behaviorista: a cognição. o ato de conhecer. . . como o ser humano conhece o mundo através de estruturas cognitivas.AUSUBEL.COGNITIVISMO.PIAGET.VYGOTSKY.

nas cognições. A filosofia cognitivista trata. . então. principalmente dos processos mentais. da compreensão. armazenamento e uso da informação envolvida na cognição. processamento de informações.Para os cognitivistas. nos processos mentais superiores (percepção. ocupa-se da atribuição de significados. resolução de problemas. tomada de decisões. transformação. compreensão). o foco está nas chamadas variáveis intervenientes entre estímulos e respostas.

tão apregoado nos anos noventa. que a cognição se dá por construção chega-se ao CONSTRUTIVISMO. de como o indivíduo conhece.Na medida em que se admite. Interpretacionista: porque é uma teoria que nos mostra que os eventos e objetos do . Cognitivista: porque é uma teoria que ocupa-se da cognição. O construtivismo é uma posição filosófica cognitivista interpretacionista. ou seja. nessa perspectiva. de como ele constrói sua estrutura cognitiva.

O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO NA TEORIA CONSTRUTIVISTA. .universo são interpretados pelo sujeito cognoscente.

/projects/ loo/theory/construct.ac.up. .html..O representante do Construtivismo mais conhecido foi Piaget e por isso nos estenderemos um pouco mais em sua obra.suíço (1896-1980) .Menino prodígio .za/.Jean Piaget .> consultado em 12/01/2004 O HOMEM . Foto disponível na Internet: <hagar.11 anos publicou seu primeiro trabalho: descrição da vida de um pardal que observava em um parque..Aos 15 anos publica uma série de notas .

de universidades e de museus enquanto ainda estava no College.Segue com o Doutorado em Biologia. .Recebe convites de colegas. . . .Ingressa na Universidade aos 18 anos – cursa Biologia.Conflito entre a mãe (protestante convicta) e seu pai (historiador e cético) – Seu desafio: conciliar a fé e a ciência ou a razão. .como suplemento ao catálogo dos moluscos de Neuchâtel.

. . ..Incursiona pela Filosofia e pela Psicologia por mais de 40 anos.Convidado para trabalhar no laboratório de SIMON (teste de inteligência) em Paris . Concluiu que o desenvolvimento biológico era um processo de adaptação ao meio e não somente conseqüência da maturação e hereditariedade. Esta base.Seu trabalho com moluscos é que estabeleceu a base para suas investigações futuras. Piaget trouxe para seus estudos sobre o desenvolvimento mental.

de mensuração de diferenças individuais através de testes padronizados para voltarse ao “como” e ao “porque” a criança apresenta determinada conduta.para padronizar provas de raciocínio rejeitou o enfoque psicométrico. com 84 anos). Neste trabalho inicia a grande virada nas teorias existentes sobre o ser humano e sua inteligência: “Mais interessante do que classificar e ou padronizar é descobrir as razões dos fracassos”. (PIAGET.1980. . de QI.

ou seja.AS PRIMEIRAS IDÉIAS – A ORIGEM DA OBRA Sua teoria foi influenciada por sua formação. Com o trabalho no laboratório de Simon afasta-se das normas de teste padronizados na época . portanto. da Lógica e da Epistemologia .e dialoga com as crianças procurando descobrir os processos de raciocínio que conduziam às respostas erradas e as que conduziam às respostas certas. por concepções advindas da Biologia. em estudar a maneira como os conhecimentos são . Interessou-se.

devemos questionar os processos subjacentes às respostas . como se passa de um estado de menor conhecimento a outro de maior conhecimento.as respostas erradas não são déficit. Destas experiências surgiram as primeiras concepções de sua teoria : .devemos considerar as respostas em sua própria originalidade. .adquiridos. não são carências. . tentar descobrir a lógica dos erros.

.em vez de nos contentarmos em catalogá-las . Formulou a 1ª teoria coerente e rigorosa do desenvolvimento da inteligência humana. Não é uma teoria do desenvolvimento psicológico – É UMA TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA. Publica vários artigos sobre suas descobertas e é convidado por Claparéde (1921) para integrar a equipe do Instituto Jean-Jacques Rosseau de Genebra.

ou seja. como alguém que estuda como o conhecimento é adquirido. desde o pensamento infantil até o raciocínio adulto.Propôs-se a estudar a gênese do conhecimento. Define-se como Epistemólogo Genético. .

perguntas individuais às crianças e registro de suas respostas. Envolvia.Seu foco principal de investigação sempre foi o desenvolvimento qualitativo das estruturas intelectuais. descrição e análise do comportamento das crianças. . na sua essência. Seu trabalho foi de observação sistemática. concentrando-se na análise do tipo de raciocínio desenvolvido pela criança e demonstrado pelas suas respostas. Desenvolveu um método de pesquisa chamado “técnica clínico-descritiva" .

.

.Piaget atribui um papel ativo ao sujeito e ao que ele faz sobre o mundo. INTERACIONISTA Interação = inter + ação Ação da criança sobre o mundo e ação do mundo sobre a criança.AS PRINCIPAIS IDEIAS DE SUA TEORIA . O desenvolvimento mental é entendido como produto da interação do organismo da criança com o meio.

É fator educativo principalmente . Transmissões Sociais / Interação Social: Intercâmbio de idéias entre pessoas.FATORES DO DESENVOLVIMENTO Maturação Biológica/ Hereditariedade: as características biológicas influem. mas não oferecem uma estrutura pronta desde o nascimento.

por exemplo. “honestidade". Os conceitos ou esquemas que o sujeito desenvolve pode ser classificados: (1) como os que tem referenciais físicos acessíveis (podem ser percebidos pelos sentidos) . conceitos de valores “ajuda ao próximo". como por exemplo . “mana" . (2) como os que não tem tais referenciais como.para o desenvolvimento do conhecimento social. A criança necessita assimilar o que lhe procuram inculcar do exterior.cobertor . .

lógico-matemático e social requerem sua troca.físico. São estas experiências ativas que tem como resultado a mudança cognitiva. Equilibração:coordenação entre os três elementos anteriores. É fator essencial e determinante ao desenvolvimento neste .Experiência com os objetos / Experiência ativa : conhecimento que a criança retira de suas experiências com os objetos físicos e sociais. Todo o conhecimento construído pela criança . sua vivência. sua experiência pessoal.

transmissões sociais e experiências física).processo contínuo de adaptação ao meio em que vive A construção do conhecimento só ocorre a medida que o sujeito experencia . com aquilo que já sabe (produto das suas Experiências anteriores) Cria-se assim um conflito cognitivo e é necessário um jogo de regulações e de compensações para que se atinja uma coerência entre o que já sabia com as . Nesta construção precisa equilibrar a nova experiência com os fatores anteriores (maturação biológica.

novidades provocadoras deste conflito = isto se dá através das Leis da equilibração. Foram adaptados de Anita Woolfolk (vide bibliografia) e complementados com conceitos expressos em toda a bibliografia . CONCEITOS IMPORTANTES PARA O DOMÍNIO DA TEORIA Os seguintes conceitos são chaves para o entendimento da teoria piagetiana.

Produzem o desequilíbrio e permitem a assimilação e ou acomodação. Organização: processo de combinar informações e experiências em sistemas ou . Ações: são comportamentos que estimulam o aparato intelectual da criança. ou atos internos (ações mentais) como a resposta a um determinado cálculo apresentado. A ação é um dos vários determinantes do desenvolvimento cognitivo. Podem ser atos visíveis (ações físicas) como o movimento de mão em um bebê.desta unidade. podendo ou não ser observáveis.

ou psicológico como a combinação do esquema de olhar e de estender o braço para pegar. Esquemas: sistemas ou categorias mentais de percepção e experiência. como por exemplo. Assimilação: encaixar novas informações em esquemas já existentes. Adaptação: ajustamento ao ambiente .Estes sistemas podem ser físicos. . Mudança contínua como resultado de sua interação com o meio.categorias mentais . o aparelho digestivo.

Ex: transformação do esquema de sucção para o de comer com a colher. Ou seja. refere-se a mudanças que o organismo faz em suas estruturas para lidar com as novas informações. Equilibração: a busca de estabilidade mental entre esquemas cognitivos e informações do ambiente.Acomodação: alterar os esquemas existentes ou criar novos esquemas em respostas a novas informações . Desequilíbrio: estado de instabilidade que ocorre quando uma pessoa percebe que seu modo atual de pensar não está .

Conteúdo: é o que a criança conhece.assimilação e acomodação. As estruturas modificamse de acordo com as experiências a que o . Função: refere-se as características estáveis e contínuas do desenvolvimento cognitivo . São os comportamentos observáveis que espelham a atividade intelectual. Estruturas: referem-se às propriedades organizacionais inferidas ( esquemas ) que explicam a ocorrência de determinados comportamentos.funcionando para solucionar um problema ou compreender uma situação.

seriação ou contando-os. comparando-os.é transformá-los. Reversibilidade: reconhecimento de que qualquer mudança de posição. isto é. forma. encaixando-os em sistemas de classificação.sujeito está exposto. O conhecimento tem como fonte a interação indissociável sujeito conhecedor – objeto a . Conhecimento: é agir sobre os objetos . forma ou ordem inicial. pode ser reversível. São as estruturas que nos fornecem pistas valiosas a respeito do desenvolvimento do sujeito. retornada à posição. ordem e outros. medindo-os.

O conhecimento pode ser físico . forma. Todo o conhecimento é uma construção resultante das ações da criança. textura .quando resulta do pensar sobre as experiências com objetos e eventos. Pode ser lógico-matemático . peso e outras.ser conhecido. . As contribuições são recíprocas.quando refere-se as propriedades físicas de objetos e eventos : tamanho. altura. Ele é construído a partir das ações das crianças sobre os objetos. Ele é inerente ao objeto.

moral. ética. regras.quando se origina na cultura . sistema de linguagem que os grupos sociais e culturais estabelecem como necessários . Pode ser social . Este conhecimento é construído pela criança a partir das interações com outras pessoas.Estes são meios que permitem o desenvolvimento dos conceitos. forma de equilíbrio . Inteligência: caso particular de adaptação biológica . Exemplo : soma. leis. São valores.

. a atividade executada tem um fim em si mesma . sistema de operações vivas e atuantes. Ou seja. Jogo: Atividade que tem um fim sem si mesma. Tem uma importante função de adaptação. Inicia-se no período sensório-motor com o jogo de exercício. em oposição a outras que tem objetivos externos. capacidade de adaptação a novas situações. transformando-se em jogo simbólico e após jogo de regras.para a qual tendem todas as estruturas cognitiva. resultado do movimento que gera novos esquemas .

Ou seja. para Piaget o “desenvolvimento cognitivo é um processo coerente de sucessivas mudanças qualitativas das estruturas cognitivas”. Do nascimento até a vida adulta os conhecimentos são construídos e reconstruídos .OS ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO Através da constante busca do equilíbrio pela assimilação ou acomodação processase o crescimento e o desenvolvimento cognitivo do ser humano.em um processo .

níveis . depois em quatro e a medida que os analisava sob diferentes ângulos. estão associados a . Este processo continuum foi dividido em diferentes etapas. criou subestágios. Esta construção acontece de forma gradual. exatamente na mesma ordem. Todas as pessoas passam pelos mesmos estágios. Esses estágios .continuum. no progressão de sua pesquisa. estágios. Inicialmente Piaget dividiu este processo em três estágios.

diferentes idades mas elas não podem ser consideradas padrões . . Muitas vezes as pessoas podem usar um nível de pensamento para resolver um tipo de problema e um nível diferente para resolver outro. Os indivíduos podem também passar por períodos de transição entre os estágios. demonstrando características de um nível e de outro simultaneamente. A idade em que determinada conduta ocorre sofre variações de acordo com a experiência individual e o potencial hereditário . são apenas diretrizes gerais.

movido pela busca do estado de equilíbrio. SABER A IDADE DE UM ALUNO NUNCA É GARANTIA DE QUE VOCE SABERÁ COMO ELE VAI PENSAR . O que diferencia um estágio do outro são as condutas do sujeito. o mecanismo do desenvolvimento é sempre o mesmo em todas as idades. mas o repertório dos . A passagem de um estágio para o outro se dá pela formação de novos esquemas .PORTANTO. O procedimento é o mesmo em todas as idades. Portanto.

299)”. . Nas palavras de Piaget : O novo estágio poderia ser definido pelo fato de a criança tornar-se capaz de certos padrões de comportamentos dos quais era incapaz. e não pelo fato de renunciar a padrões de Comportamentos de estágios precedentes. dando origem a estruturas diferentes nas diferentes idades.esquemas vai mudando . ainda que sejam contrários aos novos ou contraditórios do ponto de vista do observador “(p.

AS TENDÊNCIAS BÁSICAS DO PENSAMENTO A adaptação do ser humano ao meio natural (eminentemente social) é um processo ativo com base mais cultural do que Biológica. Os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e ajudam a organizar o ambiente. .

Não há possibilidade de separar o funcionamento do corpo e da mente. Para Piaget todas as espécies herdam duas tendências básicas ou “funções invariáveis”. . mas aos poucos se organiza. Os atos intelectuais e biológicos são entendidos como atos de organização e adaptação ao meio. Eles submetem-se as mesmas leis de desenvolvimento. A conduta humana não obedece a padrões instintivos.

ou outra que nos permite respirar . recombinação e reordenação de comportamentos e pensamentos em sistemas coerentes.A primeira destas funções invariáveis é a: Organização – combinação. Da mesma forma temos uma estrutura mental. Estas estruturas são nossos .o estômago. Piaget entendeu que a semelhança do corpo. a mente também é dotada de estruturas. ordenação.o pulmão.Exemplo: temos uma estrutura que nos permite ingerir e digerir .

portanto.corresponde. ESQUEMA . portanto. Piaget chama estas estruturas de ESQUEMAS . e. mais eficientes.sistemas para compreender e interagir com o mundo. Estruturas simples são continuamente combinadas e coordenadas para tornaremse mais sofisticadas. ao aspecto organizador de uma ação. a estrutura que permite que essa ação possa repetir-se e ser repetida e aplicada com ligeiras modificações – em situações .

Esquema de ação : são os elementos básicos do pensamento. São sistemas organizados de ação ou pensamentos que nos permitem representar mentalmente ou “pensar sobre” os objetos e eventos de nosso mundo.distintas para conseguir objetivos similares. . Esquemas são as estruturas mentais ou cognitivas pelas quais os indivíduos intelectualmente se adaptam e organizam o meio.

o que é comum às diversas repetições ou aplicações da mesma ação .São aquilo que em uma ação é transportável. elaborada pelo indivíduo a partir de sua experiência individual que podem coordenar-se variavelmente em função de uma meta intencional e formar estruturas de conhecimento de diferentes níveis. generalizável ou diferenciável de uma outra ou. À medida que os processos de . É a representação adquirida. dito de outra maneira.

Não tem correlatos físicos e não são observáveis diretamente. . O desenvolvimento intelectual consiste em um contínuo processo de construção e reconstrução . o comportamento também se torna mais sofisticado e adequado ao ambiente.pensamentos de uma pessoa tornam-se mais organizados e novos esquemas se desenvolvem. Os esquemas não são objetos reais (como pulmão ou estômago) são um conjunto de processos dentro do sistema nervoso.

construir seus esquemas de ação e de coordená-los em sistemas.A inteligência começa a ser construída no período SENSÓRIO MOTOR que se caracteriza por uma ampliação constante de ESQUEMAS.o . segundo Piaget. Ao se construírem em nível exógeno esses esquemas dão origem a uma transformação em nível endógeno ou neuronal que permitirá novas concepções de estímulos do meio. nasce com a possibilidade de. “O ser humano. A esses. em contato com o meio.

p. Além da tendência a organizar suas estruturas psicológicas. ou seja.67).organismo” responderá “construindo outros esquemas de ação. através da ação adaptativa que ocorre a construção orgânica das estruturas . É pelas trocas do organismo com o meio. concomitantemente. as pessoas também herdam a tendência a se adaptarem ao seu ambiente. novas transformações. provocando. 1974. em nível neuronal. que se constituirão nas estruturas mentais “ (Chiarottino.

o ser humano está constantemente em processo de ADAPTAÇÃO . No sentido Piagetiano entendemos um indivíduo ativo. a sua própria inteligência.mentais: Portanto. construindo seus conhecimentos. A FUNÇÃO QUE INTEGRA ESTAS ESTRUTURAS E SUA MUDANÇA É A . ou seja. capaz de transformar esta realidade na qual interage e de transformar a si mesmo. interagindo no mundo e sofrendo a influência da ação deste sobre si.

Dois processos básicos estão envolvidos na adaptação : a assimilação e a acomodação. ASSIMILAÇÃO Para RANGEL(1992): Chamaremos de assimilação o mecanismo que o sujeito aplica ao procurar compreender o seu mundo.INTELIGÊNCIA DESENVOLVIMENTO Processo contínuo de adaptação. .

inicialmente. todas as idéias. É assim que. emitindo hipóteses possíveis . Diremos que o sujeito está constantemente num movimento de assimilação desta realidade aos seus esquemas ou estruturas cognitivas. pelo próprio sujeito . em função de seus esquemas ou estruturas cognitivas até então construídas. primeiramente buscamos interpretála segundo nossas concepções atuais.Todas as coisas. diante de qualquer situação nova. todas as reações dos outros do dele próprio tendem a ser explicadas.

à sua interpretação dentro do contexto presente de nossa inteligência. E para WADSWORTH (2002) : Chamaremos de assimilação o mecanismo que o sujeito aplica ao procurar compreender o seu mundo. pelo próprio sujeito . Todas as coisas. todas as reações dos outros do dele próprio tendem a ser explicadas. todas as idéias. em função de seus esquemas ou estruturas cognitivas até então . inicialmente.

diante de qualquer situação nova. primeiramente buscamos interpretála segundo nossas concepções atuais. emitindo hipóteses possíveis à sua interpretação dentro do contexto presente de nossa inteligência.construídas. É assim que. A assimilação ocorre quando as pessoas usam seus esquemas existentes para . Diremos que o sujeito está constantemente num movimento de assimilação desta realidade aos seus esquemas ou estruturas cognitivas.

atribuir sentido aos eventos de seu mundo. Exemplo: chamar um gambá de gatinho. ocorre a incorporação desta situação aos seus sistema cognitivos. Se. Ela envolve tentar compreender algo novo. Quando diante de uma situação nova que se apresenta ao sujeito. encaixando-o naquilo que já sabem. Muitas vezes o sujeito distorce a nova informação para fazê-la enquadrar-se nos seus esquemas existentes. no entanto. a situação nova não pode . a assimilação é possível.

precisa elaborar novas hipóteses. ACOMODAÇÃO . precisa mudar os esquemas existentes para responder a nova situação . O sujeito precisa dar nova interpretação.ser incorporada tal e qual (não é reconhecida pelo organismo) instala-se o desequilíbrio. Este processo chamamos de ACOMODAÇÃO.O sujeito ou cria um novo esquema no qual acomoda o estímulo (situação nova) ou modifica seus esquemas prévios para incluir nele o novo estímulo.

Ela surge a partir das perturbações provocadas pelas situações novas que o sujeito enfrenta. então..Novamente RANGEL ( 1992) enfatiza : O movimento de ajustamento dos esquemas ou estruturas cognitivas provocado pelas situações novas (que não podem ser.. simplesmente assimiladas) se diferencia em função dos objetos aos quais é aplicado (. No conceito de WADSWORTH (2002) : . chamamos de acomodação.) é esta diferenciação dos esquemas de assimilação em resposta à ação dos objetos sobre os esquemas que.

de conhecimento do mundo.20) Portanto. Se formos capazes de perceber os .Acomodação é a criação de novos esquemas ou a modificação de velhos . de compreensão. Ambas as ações resultam em mudança na estrutura cognitiva (esquemas) ou no seu desenvolvimento.(pg. Exatamente nesta questão está uma das grandes aplicações da teoria Piagetiana à educação. os esquemas refletem o nível de pensamento do sujeito.

de crescimento.esquemas da criança podemos ter uma idéia aproximada de seu conhecimento. a estrutura cognitiva existente se impõe aos estímulos em processamento. A assimilação pode ser considerada uma mudança quantitativa . Já a acomodação pode ser considerada . porque os estímulos são ajustados à estrutura cognitiva da pessoa. O Professor poderá organizar estrategicamente atividades que propiciem o desenvolvimento ou o alcance do nível seguinte. De uma certa forma.

As pessoas se adaptam a ambientes cada vez mais complexos.uma mudança qualitativa . como já explicado anteriormente neste texto. Estes processos são necessários na maior parte do tempo. portanto. usando os esquemas existentes de assimilação e acomodação. e. pois o sujeito é obrigado a mudar seu esquema para acomodar os estímulos novos que não conseguiu assimilar. acontecem situações em que as pessoas deparam-se com algo que é estranho . Entretanto . responsável pelo desenvolvimento .

Elas podem tentar ignorá-la. enquanto que o ato da busca de estabilidade é a equilibração. usando os esquemas existente. Este estado de desconforto é o desequilíbrio . e acomodamos nosso pensamento sempre que tentativas .demais. assimilamos continuamente novas informações. Para mantermos um equilíbrio entre nossos esquemas para entender o mundo e os dados que este fornece. ou sentemse desconfortáveis e procuram uma solução diferenciada.

fracassadas de assimilar produzem desequilíbrio. O desequilíbrio proporciona a motivação interna necessária para que o sujeito assimile ou acomode, ou seja: - equilibrese. Desta forma, ocorrem as aprendizagens. Explica-se assim o fato de entender-se a aprendizagem como um processo individual. Outra aplicação destes conceitos piagetianos à educação: - desequilibrar é importante para a promoção, para a busca do novo conhecimentos.

CONCEITOS IMPORTANTES PARA O DOMÍNIO DA TEORIA

Os seguintes conceitos são chaves para o entendimento da teoria piagetiana. Foram adaptados de Anita Woolfolk e complementados com conceitos expressos em toda a bibliografia desta unidade. Ações: São comportamentos que estimulam o aparato intelectual da criança, podendo ou não ser observáveis. Produzem o desequilíbrio e permitem a assimilação e ou acomodação. Podem ser atos visíveis (ações físicas) como o movimento de mão

em um bebê, ou atos internos (ações mentais) como a resposta a um determinado cálculo apresentado. A ação é um dos vários determinantes do desenvolvimento cognitivo. Organização: Processo de combinar informações e experiências em sistemas ou categorias mentais. Estes sistemas podem ser físicos, como por exemplo, o aparelho digestivo, ou psicológico como a combinação do esquema de olhar e de estender o

braço para pegar. Adaptação: Ajustamento ao ambiente . Mudança contínua como resultado de sua interação com o meio. Esquemas: Sistemas ou categorias mentais de percepção e experiência. Assimilação: Encaixar novas informações em esquemas já existentes.

Acomodação : Alterar os esquemas existentes ou criar novos esquemas em respostas a novas informações . Ou seja, refere-se a mudanças que o organismo faz em suas estruturas para lidar com as novas informações. Ex: transformação do esquema de sucção para o de comer com a colher. Equilibração: A busca de estabilidade mental

entre esquemas cognitivos e informações do ambiente. Desequilíbrio : Estado de instabilidade que ocorre quando uma pessoa percebe que seu modo atual de pensar não está funcionando para solucionar um problema ou compreender uma situação. Conteúdo: É o que a criança conhece. São os comportamentos observáveis que

espelham a atividade intelectual. Função: Refere-se as características estáveis e contínuas do desenvolvimento cognitivo assimilação e acomodação. Estruturas: Refere-se as características estáveis e contínuas do desenvolvimento cognitivo assimilação e acomodação.

ordem e outros. forma. retornada à posição. seriação ou contando-os. forma ou ordem inicial. comparando-os.Reversibilidade: Reconhecimento de que qualquer mudança de posição. encaixando-os em sistemas de classificação. Conhecimento: É agir sobre os objetos . . medindo-os.é transformá-los. pode ser reversível. isto é.

altura.quando refere-se as propriedades físicas de objetos e eventos : tamanho. peso e outras. Todo o conhecimento é uma construção resultante das ações da criança.quando .O conhecimento em como fonte a interação indissociável sujeito conhecedor – objeto a ser conhecido. O conhecimento pode ser físico . Ele é inerente ao objeto. Pode ser lógico-matemático . As contribuições são recíprocas. forma. textura .

Pode ser social . ética. regras. Exemplo : adição. leis. Este conhecimento é construído pela criança a partir das interações com outras . Estes são meios que permitem o desenvolvimento dos conceitos. sistema de linguagem que os grupos sociais e culturais estabelecem como necessários . Ele é construído a partir das ações das crianças sobre os objetos. São valores. moral.resulta do pensar sobre as experiências com objetos e eventos.quando se origina na cultura .

Ou seja. resultado do movimento que gera novos esquemas . forma de equilíbrio para a qual tendem todas as estruturas cognitiva. Jogo: Atividade que tem um fim sem si mesma. capacidade de adaptação a novas situações.pessoas. Tem uma importante função de adaptação. . a atividade executada tem um fim em si mesma. sistema de operações vivas e atuantes. em oposição a outras que tem objetivos externos. Inteligência : caso particular de adaptação biológica .

TEORIA SÓCIOINTERACIONISTA OU SÓCIOHISTÓRICA DE VYGOTSKY. . transformando-se em jogo simbólico e após jogo de regras.Inicia-se no período sensório-motor com o jogo de exercício.

Foto disponível na Internet: < www. na Rússia em 1896.edu/chass/extension/ci/applied. Interessava-se por questões de várias áreas de conhecimento: Arte. formou-se em Direito pela Universidade de Moscou. vivenciou a Revolução Russa sendo influenciado pelo marxismo-leninismo.. psicologia. . Nesta época.> consultado em 12/01/2004 Em 1917.html. lingüística.ncsu. ciências sociais. filosofia ..O Homem Nasceu em Orsha.

O . Em 1924. vítima de tuberculose. Faleceu em 1934. teve início o seu trabalho em psicologia. Principais Obras: Pensamento e Linguagem.A Formação Social da Mente.Lecionou em diversas Universidades e dirigiu um departamento para a Educação de crianças fisicamente deficientes e mentalmente retardadas. Sakharov. Seus colaboradores: Luria. Leontiev. aos 38 anos.

Problemas de Psicologia. lidando com os mecanismos através dos quais a cultura se converte em uma parte da natureza humana do indivíduo. O homem através do trabalho.. A Psicologia da Arte. transformando por um processo dialético a si mesmo e à .. Vygotsky foi contemporâneo de Piaget Sua Teoria Elaborou uma teoria dialética dos processos mentais superiores.Problema da Consciência.. cria ferramentas e signos.

através da mediação dos signos e das ferramentas. A linguagem como fator determinante da evolução do pensamento. Integrar os aspectos cognitivos e afetivos do funcionamento psicológico humano. A gênese das funções psicológicas superiores geradas pela interação homemnatureza-cultura. . Interação entre aprendizado e desenvolvimento: A zona de desenvolvimento proximal.natureza.

Elas resultam da interação dialética do homem e seu meio sócio-cultural. As funções psicológicas humanas se originam nas relações do indívíduo com o . nem são mero resultado das pressões do meio externo.A EPISTEMOLOGIA SÓCIOHISTÓRICA OU SOCIOCULTURAL Vygotsky afirma que as características tipicamente humanas não estão presentes desde o nascimento do indivíduo.

também o transforma.seu contexto cultural e social. permitindo que ele seja visto . O homem transforma-se de biológico em sócio-histórico. cria a cultura que. transformando-a. o desenvolvimento mental humano não é passivo e nem independente do desenvolvimento histórico e das formas sociais da vida humana. num processo em que a cultura é a parte essencial da constituição da natureza humana. Na medida em que o homem age sobre a natureza. por sua vez.

pela . MEDIAÇÃO Enquanto sujeito do conhecimento. através de recortes do real.simultaneamente como produtor e produto da cultura. assim como no construtivismo e sim. o homem não tem acesso direto aos objetos. operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. portanto enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias relações. mas acesso mediado. ou seja. o conhecimento não está sendo visto como uma ação do sujeito sobre a realidade.

DESENVOLVIMENTO COGNITIVO A Linguagem Sistema de signos que possibilita o intercâmbio social entre indivíduos que compartilhem desse sistema de representação da realidade.mediação feita por outros sujeitos. .

Ela oferece significados precisos permitindo a comunicação entre os homens. É por meio deste que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente transmitidas.Ex: PÁSSARO .traduz o conceito deste elemento na natureza. a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. portanto. as formas de organização de real. É a linguagem que fornece os conceitos. sociedade e culturas diferentes produzem estruturas diferenciadas. .

mesmo suas primeiras palavras são estágios do desenvolvimento da fala que não tem nenhuma relação com a evolução do pensamento. Isto é. Risadas. São formas emocionais. um ato de pensamento. sons . ao mesmo tempo.O significado é um componente essencial da palavra e é. uma generalização. pois o significado de uma palavra já é em si. no significado da palavra é que o pensamento e a fala se unem em pensamento verbal O balbucio e o choro da criança.

movimentos. Porém.. ao fazer perguntas.. tenta ativamente aprender os significados vinculados aos objetos.inarticulados. agora passa para a fase intelectual. A fala. a criança sente a necessidade das palavras e.. Ela parece ter descoberto a função simbólica das palavras. As linhas do desenvolvimento da fala e do pensamento se encontram. ou seja. a fala não pode ser descoberta sem o . que na primeira fase era afetivoconativa.

Zona de Desenvolvimento Proximal: . Zona de Desenvolvimento Real É o nível de desenvolvimento já atingido de fato pelo sujeito da aprendizagem.pensamento. É a partir desta condição de aprender que foi construindo ao longo de seu desenvolvimento que será capaz de incorporar novas informações transformando-as em conhecimento e integrando-as às aprendizagens até então realizadas.

mas ainda não foi alcançado. Aquilo que é zona de desenvolvimento proximal hoje será o nível de desenvolvimento real amanhã. Portanto. o bom ensino é o que incide na .Zdp É a distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial que já está próximo. ela será capaz de fazer sozinha amanhã. aquilo que uma criança pode fazer com assistência hoje. ou seja.

. Aquilo que a criança é capaz de fazer. a criança realiza tarefas e soluciona problemas através do diálogo. Nesse caso. Zona de Desenvolvimento Potencial.zona de desenvolvimento proximal. só que mediante a ajuda de outra pessoa. da colaboração Ensinar o que a criança já sabe é pouco desafiador e ir além do que ela pode aprender é ineficaz. O ideal é partir do que ela domina para ampliar seu conhecimento.

da escrita e da leitura como instrumentos simbólicos que repercutem no desenvolvimento mental.A Alfabetização O objetivo é ampliar o universo de expressões para facilitar a incorporação da escrita. não uma cópia mecânica. A CÓPIA: O oferecimento de modelos de texto é uma estratégia válida desde que resulte numa atividade criativa.O construtivismo rígido exclui o . A ênfase é na elaboração da fala.

O PAPEL DO PROFESSOR: É o condutor do processo.trabalho com cópias. O ERRO: Faz parte do processo de aprendizado. pois deve . atuando na ZDP. O construtivismo também faz correções mas considerando o desenvolvimento da criança. Sua intervenção é direta. mas o professor deve apontá-lo sempre para que a criança o corrija. Não se pode esperar que o aluno descubra sozinho o que errou.

Em cada trabalho com seus colegas os alunos caminham de um nível de alta dependência do professor para uma independência na formulação de hipóteses.ajudar a criança a avançar. . O TRABALHO EM DUPLAS: O tamanho reduzido das equipes amplia as interações facilitando o aprendizado. O estudo em parcerias é um estímulo à autonomia. “Os alunos acham muitas coisas. mas não podem ficar no achismo”.

IMPLICAÇÕES QUE A ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL TRAZ PARA A PRÁTICA DE .A ATIVIDADE DE LINGUAGEM: A linguagem é o principal instrumento de intermediação do conhecimento e corresponde ao desenvolvimento de uma linguagem interna. as atividades de escrita.fala e leitura ganham importância.

deve propor desafios. EM SALA DE AULA O processo de constituição de conhecimentos é tão importante quanto o produto (avaliação final).PROFESSORES. O professor é o agente mediador. em que aqueles que estiverem mais adiantados poderão cooperar com os demais. realizando com eles ou proporcionar atividades em grupos. Romper com a falsa verdade de que o aluno deve sozinho descobrir suas .

Para que todo este processo tenha condições de se consolidar.respostas. o diálogo deve permear constantemente o trabalho escolar. A aprendizagem escolar implica apropriação de conhecimentos. . que exigem planejamento constante e reorganização contínua de experiências significativas para os alunos.

linguagem. 2º Os processos mentais só podem . comportamento volitivo) dos indivíduos tem origem em processos sociais.PILARES DA TEORIA DE VYGOTSKY 1º Processos mentais superiores (pensamento.

concluíram que o desenvolvimento dos processos que resultam na formação de conceitos começa desde cedo na infância (fase mais precoce).ser entendidos se entendermos os instrumentos (ferramentas) e signos que os mediam. Vygotsky e seus colaboradores. Formação de Conceitos Segundo estudos experimentais. 3º “Método genéticoexperimental”:Análise do desenvolvimento cognitivo do ser humano. .

controlamos seu curso e as canalizamos em direção à . se configura e se desenvolve somente quando a criança atinge a puberdade (adolescência).mas que as funções intelectuais.o uso de signo (palavra).. como meio pelo qual conduzimos nossas operações mentais.. o papel de conceitos verdadeiros. sendo que o fator preponderante é . as quais forma a base psicológica do processo de formação de conceitos amadurece. Nesse processo aparecem formações intelectuais que exercem. provisoriamente.

O novo significado uso da palavra. . 1987. (Vygotsky.solução do problema que enfrentamos.51) Quando uma criança opera com conceitos espontâneos ela tem sua atenção centrada para o objeto ao qual o conceito se refere. a sua utilização como um meio para a formação de conceitos é a causa psicológica imediata da transformação radical que passa o processo intelectual no limiar da adolescência. mas não está consciente do seu próprio ato de pensamento.pg.

não espontâneas. O desenvolvimento cognitivo de um conceito científico se inicia conscientemente. a partir de sua definição verbal e aplicações a situações artificiais. se referem a coisas que ela não pode ver ou vivenciar diretamente e têm sua relação com os objetos mediados por outros conceitos. E se consolida quando pode ser aplicado a situações concretas: “É preciso que o desenvolvimento de um conceito espontâneo tenha alcançado um . quase sempre.Isto não ocorre com os conceitos científicos que.

Os postulados de Vygotsky acerca da . imagina e se sensibiliza. raciocina. Cognição e afeto não se encontram dissociados no ser humanos. deduz e abstrai. se emociona. mas também como alguém que sente. Existe uma relação entre intelecto e afeto. deseja. Afetividade na Obra de Vygotsky Vygotsky concebe o homem como um ser que pensa.certo nível para que a criança possa absorver um conceito científico correlato”.

o lugar do afetivo na obra de Vygotsky torna-se particularmente interessante pelo fato de que esse autor. propõe uma abordagem unificadora das dimensões afetiva e cognitiva do .. que produziu sua obra nos anos 20 e 30 deste século e poderia ser atualmente considerado um cognitivista. Segundo Oliveira (1992): .questão da afetividade impressionam por sua atualidade..

é através dos outros que as relações entre sujeito e objeto de conhecimento são estabelecidos.funcionamento psicológico que muito se aproxima das tendências contemporâneas”.83). O Papel do Outro na Construção do Conhecimento: Construir conhecimentos implica numa ação partilhada. O Bom Ensino é o que se Adianta ao Desenvolvimento: Se dirige às funções psicológicas que . ( p.

É uma forma de internalizar o conhecimento externo.estão em vias de se completarem. A brincadeira tem uma função significativa no processo de desenvolvimento infantil. Ela também é responsável por criar “uma . de cópia e repetição. Papel da Imitação no Aprendizado: Associa-se a atividade imitativa a um processo mecânico. O Brincar e sua Importância no Contexto Escolar.

.zona de desenvolvimento proximal”. refazer ou simular os passos. que passam a orientar o seu próprio comportamento e desenvolvimento cognitivo . Outro exemplo são as atividades experimentais. aprendendo não apenas o conteúdo da atividade mas. como trabalhar experimentalmente. principalmente. é possível através destas reproduzir. a criança internaliza regras de conduta. porque através da imitação realizada na brincadeira. valores. modos de agir e pensar de seu grupo social.

o objetivo da escola é fazer com que os CONCEITOS ESPONTÂNEOS. que as crianças desenvolvem na convivência social evoluem para o nível dos CONCEITOS .O PAPEL MEDIADOR DO PROFESSOR NA DINÂMICA DAS INTERAÇÕES INTERPESSOAIS E NA INTERAÇÃO DAS CRIANÇAS COM OS OBJETOS DE CONHECIMENTO Priorizando as interações entre os próprios alunos e deles com o professor.

para as contradições. para as diferenças. Onde há espaço para transformações.CIENTÍFICOS. Nesse sentido. Os postulados de Vygotsky apontam para a necessidade de criação de uma escola em que as pessoas possam dialogar. para o erro. Os postulados de Vygotsky apontam para . discutir. para a colaboração mútua e para a criatividade. questionar e compartilhar saberes. o educador assume o papel de mediador privilegiado na formação de conhecimentos. duvidar.

para as contradições. JEROME BRUNER . duvidar. questionar e compartilhar saberes. discutir. para a colaboração mútua e para a criatividade. para o erro. Onde há espaço para transformações. para as diferenças.a necessidade de criação de uma escola em que as pessoas possam dialogar.

htm .Foto disponível na Internet: < helios.unive. Focalizou as atividades simbólicas que os seres humanos empregavam para construir .it/pedagog/ bruner.> consultado em 12/01/2004 Revolução cognitiva (final da década de 50) Objetivo:estabelecer o conceito de significado como conceito central em psicologia Revolução profunda cuja meta era descobrir e descrever formalmente os significados que os seres humanos criavam a partir de seus encontros com o mundo e então levantar hipóteses sobre que processos de produção de significado.

mas de si mesmos. O cognitivismo não veio reformar o comportamentalismo. Experimentos: seguiam a tradição de examinar formas abstratas de categorização-exame de cartas de um conjunto. cada uma delas exibindo uma forma geométrica diferente.e extrair significado não apenas do mundo. pertencente a uma categoria particular. mas substituí-lo. .

os sujeitos eram tratados como solucionadores de problemas ativos e construtivos. e não como se simplesmente reagissem aos estímulos apresentados a eles . É sempre possível ensinar-lhe algo desde que se leve em consideração as diversas .Contrariando a metodologia behaviorista estabelecida. Um tema principal na estrutura teórica de Bruner é que aprender é um processo ativo em que os aprendizes constroem as idéias ou os conceitos novos baseados em seu conhecimento anterior.

Essas etapas são caracterizadas por modos particulares de representação e explicação do mundo Representação ativa: estabelecimento de relações entre a .etapas de seu desenvolvimento.

O aprendiz seleciona e transforma a informação. e toma as decisões. Representação icônica: manipulação de símbolos que representam coisas e relações . modelos mentais) fornece o . Representação simbólica: capacidade de operar com proposições hipotéticas . A estrutura cognitiva (isto é. confiando em uma estrutura cognitiva.experiência e ação. estruturas. esquemas. constrói hipóteses.

A estrutura. as idéias e as relações fundamentais da matéria de ensino tornamse relevantes. . Tanto quanto a instrução. aprendizagem socrática). o instrutor deve tentar e incentivar estudantes descobrir princípios por si mesmo. O instrutor e o estudante devem engajar em um diálogo ativo (isto é.significado e a organização às experiências e permite que o indivíduo “vá além da informação dada”.

O currículo deve ser organizado em uma maneira espiral de modo que as configurações do estudante continuamente em cima de o que têm aprendido .A tarefa do instrutor é traduzir a informação a ser aprendida em um formato apropriado ao estado atual da compreensão do aprendiz.

predisposição para a aprendizagem .especificar como um corpo do conhecimento pode ser estruturado de modo que possa ser o mais prontamente apreendido pelo .APRENDIZAGEM POR DESCOBERTA Bruner (1966) indica que uma teoria de ensino deve se dirigir a quatro aspectos principais: .

Bruner (1986. Os bons métodos para estruturar o conhecimento devem resultar em simplificar.estudante. .definir as seqüências mais apropriadas para a apresentação do material. em gerar proposições novas. e a natureza e aplicação das recompensas e das punições. Em seus trabalhos mais recente. 1990) expandiu sua estrutura teórica para abranger os aspectos sociais e culturais . e em aumentar a manipulação da informação.

. Muito da teoria é ligada à pesquisa do desenvolvimento da criança (especialmente Jean Piaget ).da aprendizagem. A teoria do construtivista de Bruner é uma estrutura geral para a instrução baseada no estudo da cognição.

A instrução deve ser projetada para facilitar a extrapolação e ou preencher as aberturas (que vão além da informação dada). A instrução deve ser estruturada de modo que possa facilmente ser apreendida pelo estudante (organização espiral). .PRINCÍPIOS A instrução deve estar estruturada de acordo com as experiências e os contextos que tornam o estudante disposto e capaz aprender (prontidão).

na linguagem.APRESENTAÇÃO Já estudamos o que é a Psicologia e o quanto ela nos ajuda a compreender como ocorre o desenvolvimento dos indivíduos nos aspectos físicos. em sua .

personalidade e em seu desenvolvimento afetivocognitivo. Passaremos agora para uma nova etapa de nossos estudos que se refere àqueles sujeitos que apresentam uma desarmonia no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. inserido no seu meio social e aprendendo normas e regras morais de sua cultura. . Estudaremos.

talvez? . De quem é a culpa? É do aluno? De sua família? É de suas condições de vida? Da sociedade? Do governo? Ou será que é da escola? Dos professores? Do sistema educacional.então. as consequências para os aluno e como a Escola pode buscar soluções. o Fracasso Escolar procurado analisar suas causas.

INTRODUÇÃO . não as tenhamos todas..Afinal será que todos estes fatores não contribuem para o não-aprender e para o fracasso escolar? Vamos começar a buscar as respostas? Talvez.. ainda.

no Brasil. para a igualdade social. o que se constata é que a forma como foi implantada a “escolaridade obrigatória”. no fim do século XIX. No entanto. na Europa.Cordié (1996) afirma que o fracasso escolar é uma patologia recente pois surgiu a partir da escolaridade obrigatória. com as leis da escola “para todos”. e por volta de 1930. não foi a mais adequada para a realidade daquele momento. As escolas que até então eram preparadas. pensadas e organizadas para uma elite sócio-econômica e recebia . pelo menos no Brasil.

estrutura familiar e estavam inseridos num mundo letrado. saúde. está na escola por . a poesia e a literatura. agora. A verdade é que as instituições escolares não estavam preparadas para a recepção de alunos de outras classes sociais e com outras condições de vida. Já a criança. e nem tinham infra-estrutura física e humana para recebêlos. culto onde cultivava.se a música.somente crianças atendidas em todas as suas necessidades básicas: almentação. higiene.

como um todo.obrigação e não porque esta seja a decorrência natural da sua vida. As pesquisas atuais têm apontado o despreparo do sistema educacional. como o fator desencadeante de um fenômeno até então desconhecido: o fracasso escolar. de sua realidade ou de suas expectativas. de seu desenvolvimento. Por outro lado. contrapondo sua .

a de alunos bem atendidos e elitizados.expectativa. a escola aponta como causa do fracasso o próprio aluno pobre e seu entorno familiar. perceptomotor e mental. social. econômico e cultural. Estamos nos referindo aqui a uma maioria de crianças e adolescentes normais do ponto de vista físico. LETRAMENTO é o que se considera uma experiência com o universo letrado . que chega à escola sem a experiência do que denominamos letramento.

ou muitas vezes. Outdoors. revistas. cartas de parentes. e é o que diferencia a criança da classe média e alta da criança de classe desfavorecida. livros. . por exemplo.etc) no convívio diário e direto com seus familiares e amigos os quais têm pouca escolaridade. Na verdade a criança e o adoloescente das classes desfavorecidas tem uma culturta muito mais oral do lida e escrita. contas de luz.(jornais. nenhuma escolaridade. Esta é uma experiência determinante para uma boa Alfabetização.

segundo FERREIRO(1996). Hoje, estes alunos, apesar das múltiplas dificuldades impostas por esta escola que se apresenta sem procurar alternativas de superação do fracasso que ela mesma vem produzindo, constituem a maioria, senão a totalidade dos alunos em muitas escolas públicas de nosso país. Antunes (2003) alerta-nos para a resiliência* destes alunos, afirma que eles são muito mais resilientes do que se imagina e fala-nos do tipo de aluno que freqüenta a escola pública hoje:

“De um integrante da clase média, satisfatoriamente limentado e usufruindo de razoável condição de habitação e lazer, passa a ser filho de mães solteiras ou pais desconhecidos, egresso de uma família estruturada em bases totalmente diferentes da famíla convencional, suportando duras pressões sociais que se associam a um quadro de fome qualitativa, indigência, miséria e violência.” (p. 25)

Portanto, resiliência “...é uma “ capacidade de enfrentamento, de superação do que é adverso” e como tal pode ser olhada de forma positiva- como um valor a construir- ou negativacomo uma característica a lamentar. O importante é podermos refletir sobre o quanto uma criança que nasce em condições desfavoráveis com o que lhe impôe a vida suporta, sobrevive e organiza-se demonstrando uma resiliência que se fortalece cada vez mais no enfrentamento

de seu dia-a-dia, superando desafios. Estas crianças e adolescentes são os alunos resilientes da escola pública de nosso país, que depois de meio século de “obrigatoriedade do ensino”, “da escola para todos”, “da igualdade de oportunidades” parece ainda desconhecer esta realidade da qual estamos falando. Quais os fatores que levam a isto? Temos estudado a partir de resultados de pesquisas alguns destes fatores que tornamse impedimentos para uma relação de ensino e de aprendizagem adequada e

eficiente: 1) Os Preconceitos da Própria Instituição Escolar
2) A Formação dos Professores 3) A Negligência e os Maus-Tratos Psicológicos com os Alunos 4) Os Conhecimentos Prévios dos Alunos 5) O Disciplinamento no lugar dos Limites
Resiliência: é a propriedade de retornar à forma original após ter sido submetido a uma deformação; ou capacidade de se recobrar ou de se readaptar à má sorte, às mudanças. Dicionário de língua portuguesa. Do Houaiss. (Antunes, 2003, p. 13)

O PRECONCEITO DA PRÓPRIA INSTITUIÇÃO ESCOLAR
Freqüentemente , os alunos tem sido desprestigiados e depreciados por seus próprios professores ao referirem-se a eles na sala de Professores, nos Conselhos de Classe, etc. Há uma discriminação , um preconceito velado contra o aluno pobre que não tem contemplado as expectativas dos professores quanto a sua aparência, higiene e forma de se expressar com sua linguagem oriunda de seu meio sócio-econômico e

cultural. A isto FERREIRO (1996) chama de “exclusão encoberta” que é tudo aquilo que não é DITO explicitamente, porém subliminarmente é captado. Numa sala de 40 alunos pobres e 1 professor ou professora que tem no mínimo moradia, emprego, alimentação, acesso a cultura e lazer quem é a regra e quem é a exceção?

Quando somente o professor tem as condições de ter uma infra-estrutura que lhe permite ter a sua disposição coisas tão básicas que sequer pára para refletir sobre elas, como água à vontade, energia elétrica, roupas lavadas com detergentes e amaciantes, shampoos, creme rinse e sabonetes perfumados para seu banho e troca de roupas diárias, quem é a exceção? Não somos nós os diferentes ? Os privilegiados ? A regra não é a vida sem todos estes odores e confortos para a

maioria de nossos alunos e da maioria dos cidadãos brasileiros? Então, como pode os professores reclamar da REALIDADE ? Ou não a querem ver ? Ou não se importam? Ou já tem tanto preconceito que estão incapazes de um rompimento com falsas crenças como a que há décadas cultivam como se fossem os únicos trabalhadores injustiçados:“que trabalham demais e ganham pouco” e que “não são pagos para atender uma clientela com tantos

problemas e cuja responsabilidade é de suas famílias”. Quem na sociedade deve então responsabilizar-se por atender as necessidades de crianças e adolescentes oriundos de famílias onde há fome, frio, desemprego, violência, insegurança e que por motivos sociais e de responsabilidade de nossos governantes não terão seus problemas de base resolvidos, pelo menos não a curto prazo, como o analfabetismo de adultos, a mão de obra desqualificada, a falta de empregos e de oportunidades de uma vida digna e, principalmente, a

desesperança e o desespero em que vivem por saberem-se incapazes de mudar o rumo de suas vidas e a de seus filhos. Dessas famílias vem os alunos das escolas públicas, um contingente que forma a maioria da população que daqui a pouco mais de 5 a 10 anos será responsável pela produção, dentro de um sistema capitalista em que estamos inseridos. Não seria a escola, depois da família, a responsável por oferecer as condições necessárias às novas gerações de jovens e adultos trabalhadores que tem, sim, a

esperança e o direito de ter pelo menos a chance de uma vida melhor ?

A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES
Temos visto que apesar de já termos entrado no século XXI e de fazermos parte de um mundo globalizado, a escola continua sem a competência para valer-se daquilo

que é inovador e diferente para acompanhar também neste setor, o da Educação, uma nova sociedade que se descortina com seus novos padrões de comportamento e cultura. Um dos fatores mais sérios do Fracasso Escolar e que contribui ,sem dúvida, para as dificuldades de aprendizagem é a estagnação em que se encontra uma grande parte dos professores. Muitos ainda têm apenas o diploma do Curso Normal, de 2° grau, por várias razões é claro, porém sem ter a consciência que isto só não basta e que é preciso atualizar-

estudando por conta própria ou em cursos de formação e procurando tomar conhecimento de tudo que vem sendo descoberto e publicado para o acesso dos demais. Ao entrarmos em uma sala de aula dos cursos de formação ou atualização de professores voltamos a sentir a esperança de que esses profissionais não só se aprofundem teoricamente mas que possam olhar de frente e enfrentar a realidade de nosso país onde uma maioria é. ainda.se. .analfabetos. analfabetos ou semi.

A educação continuada deve ser o caminho e a meta de profissionais responsáveis pela formação de pessoas do ponto de vista cognitivo. E também há as questões pessoais e profissionais. O próprio Ministério da Educação avaliou no último ano as condições dos professores . que levam os professores a um quadro de desmotivação tão grande que os impede de analisar sua postura frente a seu desempenho profissional. social e moral a fim de levá-los a ter oportunidades de um futuro melhor como cidadãos. afetivo.

em todo o Brasil e chegou a resultados lamentáveis. É evidente que a responsabilidade do governo em relação às condições do profissional professor e dos recursos das escolas é inegável. . incluindo o que foi denominado de “Síndrome da Desistência Simbólica”. a qual inclue vários dados que iremos pesquisar.

. talvez sem ter a consciência de tê-lo. É possível que um professor seja determinante para construir um ótimo aluno ou para destruir outros.NEGLIGÊNCIA E OS MAUSTRATOS PSICOLÓGICOS AOS ALUNOS Há muito vimos analisando o quanto o professor é importante na vida de seus alunos e quanto poder ele tem. A criança que não tem em sua família uma estrutura que lhe permita ter segurança.

para que viesse a desenvolver seus potenciais para as aprendizagens formais e informais e assim. com um bom auto-conceito e uma auto-estima adequada. acima de tudo respeito. tornar-se capaz de ser um indivíduo mais fortalecido. deveria poder ter na escola uma nova chance de ter ali um ambiente estruturado.afeto. sem falar na falta de condições sócioeconômicas. Cordié (1996) salienta que o fracasso escolar de uma criança retrata seu . com pessoas que se preocupassem com ela e com suas dificuldades e onde pudesse receber afeto e respeito.

Significa também “ser alguém”.) é algo temido angustiante. Quando se fala em futuro para uma criança em situação de fracasso escolar (. O dinheiro e o poder.desempenho na escola e como conseqüência. 4.. 5 anos. ou mais.. ser considerado. de ter acesso portanto. uma nação não deve sempre aumentar suas riquezas e suas competências? O fracasso escolar pressupõe a renúncia a tudo isso. (p. não são eles a felicidade? O próprio Estado alimenta esta aspiração. é o que as espera “se elas não trabalharem bem na escola. na mesma série sem que sejam investigadas e avaliadas estas crianças a fim de definir as causas de . na sua trajetória de vida: (. possuir o falo imaginário. 21) E a negligência? O que chamamos de negligência é o fato de algumas escolas assitirem a permanência de alunos por 3.) ser bem-sucedido na escola é ter a perspectiva. mais tarde. de ter uma bela situação. isto é. a renúncia ao gozo. ao consumo de bens. Para ser grande... respeitado.

. no dia-a-dia presenciamos vários professores constrangerem seus alunos na frente de seus coleguinhas. Além disso. ou até de outros professores com xingamentos. desdém e com palavras que rebaixam a auto-estima dos alunos. Estatuto da Criança e do Adolescente passível inclusive de punição.trato psicológico previsto no ECA.seu não-aprender ou questionar o que é de responsabilidade do professor ou da escola nesse evidente fracasso do aluno e da instituição escolar. admoestações. Isto é mau.

só como exemplos de um discurso que parece estar incorporado a cultura desta classe profissional.É incompreensível a permissividade com que agem as direções das escolas em relação ao comportamento destes professores sem sequer serem advertidos. Por sorte temos professores que não se ..”.. Há um “senso comum” de que estas crianças e adolescentes não merecem sua consideração pois seu discurso é sempre o mesmo: “não somos pagos para isto. “não é nossa a responsabilidade de suprir o que a família não oferece”.

as DIFICULDADES de ENSINAGEM que ela mesma conceitua como : . POLITY(2003) desenvolveu uma importante pesquisa sobre a questão do fracasso escolar e propõe que se analise.conformam com esta situação para seus alunos e tomam outras atitudes. como dedicar-se a seu trabalho como profissionais e não como amadores. ao contrário das dificuldades de aprendizagem.

(p. que pode gerar raiva. fantasias de incompetência. onde a interação e os vínculos de afeto e confiança deveriam andar juntos.. E cita como definição de Ensinagem aquilo que ...“..é o movimento de ensinar carregado de emoção: ansiedade por ter de cumprir uma missão . medo e/ou frustração por não entender o aluno. POLITY (2003) salienta que o ensino é um processo de natureza relacional.”. 16) Ao falar de dificuldades de Ensinagem.

há muito se espera que aconteça: Além do processo emocional. esse processo demanda. ela refere-se a uma comunicação interativa em que os estados de intersubjetividade podem tornar-se significativos. Por isso. implícito no ato de ensinar. A ensinagem é portanto. um . para seu entendimento.Supõe relacionamento e considera as trocas emocionais que permeiam o ato de ensinar. ensinar com a emoção e a razão.

enquadre nos paradigmas Construtivistas/Construcionistas Sociais. OS CONHECIMENTOS PRÉVIOS DO ALUNO .(p. 29) Como já vimos no Módulo III – Teorias de Aprendizagem – a teoria ou paradigma que rege a ação do professor é fundamental para um bom ensino e uma efetiva aprendizagem.

Outra questão importante é saber que crianças e jovens são desconsiderados em suas aprendizagens não-formais. Como justificar esta incoerência? Será que a escola já percebeu que os conhecimentos prévios ou cotidianos dos alunos são aprendizagens importantes para a vida e que devem ser valorizados? Weisz (2003) levanta uma questão . sendo que muitas vezes em sua vida cotidiana são aptos para situações bem mais complexas do que as da escola e é nela justamente que se saem mal.

pois é conversando com a criança sobre como ela pensou para responder ou resolver questões propostas em sala de aula que o professor poderá entender como está operando seu pensamento. Existe uma crença da criança que tudo que ela tem que aprender é lógico ou que .importantíssima: o que sabe uma criança que parece não saber nada? E diz que para descobrir o que pensa o aprendiz é preciso que o professor tenha um olhar e uma escuta cuidadosa sobre os erros que a criança comete.

os estágios são: sensório-motor. No entanto. Segundo Piaget. estudamos os vários estágios de desenvolvimento cognitivo. algumas aprendizagens não são baseadas em lógica.tem uma lógica que ela seja capaz de compreender. Relembrando: no Módulo IICiclo Vital. estágio préoperatório. estágio operatório- . ou pelo menos não numa lógica que seja acessível ao seu nível de pensamento.

o conhecimento prévio do aluno é todo aquele que ele já aprendeu. Releia-os para compreender melhor o que estamos estudando agora. tanto com conteúdos escolares como com . É também importante o que Weisz (2003) salienta sobre os conhecimentos prévios dos alunos. os quais não podem ser entendidos como os conteúdos ensinados pelo professor. Evidentemente. Pois nem sempre o que se ensina foi aprendido pelo outro.concreto e operatório formal.

suas aprendizagens de vida que precisam ser valorizadas pelos professores a fim de que as crianças e adolescentes estabeleçam relações entre conhecimentos científicos e conhecimentos cotidianos. ao professor (que lhe possibilita estas condições) e à instituição . situando-os e respondendo a uma pergunta permanente de quem aprende: por que devo aprender estes conteúdos? Para que servirão na minha vida? Cada vez que um aluno estabelece uma ligação do que aprende na escola com a aplicação em sua vida. tanto mais vincula-se ao aprender.

por um grupo de pesquisadores da ULBRA. mostraram resultados surpreendentes.escolar que freqüenta. . O DISCIPLINAMENTO NO LUGAR DE LIMITES Pesquisas realizadas em 2002 e 2003. sentindo-a importante e até indispensável em sua vida.

Encontramos nas escolas. não só um ensino tradicional e uma prática empirista como também uma forte tendência repressora quase unânime em quase todas as escolas.. Os mesmos professores que nas entrevistas diziam-se construtivistas e interacionistas onde “. recebiam ordens de silenciamento e de imobilidade. de 1 a 8 séries.seus alunos .. as crianças e adolescentes observados em escolas de 1 grau. Ao contrário de limites que necessitam receber. municipais e estaduais. privadas.

seriam muito necessários.” mostravam-se autoritários em sala de aula e exigia como prerrogativas do aprender não conversar e não sair de seus lugares.interagiam com os colegas e com materiais concretos os quais facilitavam suas aprendizagens.. Em compensação não os vimos colocarem limites em situações que no nosso entener. Ao se estabelecer limites às situações está se ajudando a criança a sentir-se protegida e segura pois vai internalizando o .. como observadores.

que pode e o que não lhe é permitido fazer... 2001): A função protetora dos limites não se restringe apenas aos Limites colocados com o objetivo de evitar situações de perigo ou risco (. tal como proteger a criança de sentimento de culpa por remorso quando vê que nos .) mas abrange algo bem mais amplo. Para MALDONADO (apud in SISTO.

atacou. FRANCO e MORAES (2002). denominam de “corpos dóceis e produtivos”.. visando a eficiência e a obediência e citam: “(. nos machucou ou destruiu alguma coisa importante para nós. aqueles que são disciplinados no espaço escolar. sendo impedidos de manifestação..(p.) Silêncio e imobilidade servem a estes .83) A autora salienta outra função dos limites que é a de ensinar a criança a controlar sua ansiedade e a tolerar frustrações aprendendo que não pode ter tudo na hora e do jeito que quer.

propósitos” (p. . 337) Para COLL (1996) a importância das interações constitui o valor educativo das mesma e do desenvolvimento global do indivíduo.

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