HISTÓRIA DA PSICOLOGIA

Os primeiros estudos das Ciências que se desenvolveram, há séculos atrás, foram os que tratavam das coisas mais distantes do homem, como por exemplo, a Astronomia. Já as Ciências que se preocuparam com o desenvolvimento do comportamento Intelectual e afetivo do ser humano, ou com quaisquer relações com o ser humano, desenvolveram-se muito mais tarde. Entretanto, apesar de ser uma Ciência jovem o homem sempre tentou explicar a si mesmo e a própria conduta, e encontravam explicações pelo sobrenatural, como por exemplo, “indício da cólera dos deuses”. No século VI AC, foi através da Filosofia que houveram as primeiras explicações para os eventos naturais em função de outros semelhantes,

tentando sistematizar uma Psicologia. Como Sócrates, desde 470-395 AC, e também Platão, de 427347 AC, com seus estudos filosóficos, fizeram com que se despertasse o interesse pela natureza do homem. O primeiro, defendia a relação entre o pensamento e a realidade como fonte e origem para o conhecimento levantando, desta forma, as questões que até hoje se discutem na psicologia,mas que na época faziam parte dos questionamentos dos filósofos. Os posicionamentos destes filósofos, Sócrates e Platão, não apresentavam explicações científicas, mas sim, explicações moralistas, éticas e por abordagens racionalistas.

Dando seqüência ao pensamento dos filósofos, seguiremos uma linha de tempo procurando entender a essência de cada uma das teorias.

Começaremos por Aristóteles, de 384-322 AC, que é apontado como o primeiro filósofo a observar os eventos naturais buscando sua compreensão.

A partir de suas observações, afirmava que o conhecimento tinha origem nas evidências dencias proporcionadas pelos sentidos. Estudava a forma como aconteciam as aprendizagens,identificando em suas obras as : - funções cognitivas (sensação, memória, associação). - e a influência da experiência no ato de conhecer.

Mas foi somente em 1250, quando Tomás de Aquino adaptou as obras de ARISTÒTELES ao Cristianismo é que suas idéias projetaramse e alcançaram grande repercussão. Os fundamentos empíricos da Psicologia (introduzidos por Aristóteles) foram usados por Aquino na associação com as crenças religiosas. Nesta fase da Idade Média, os estudos sobre os fenômenos naturais eram considerados nocivos para a salvação da alma e não foram levados adiante. Assim como o estudo do próprio organismo humano era rejeitado por muitos, pois acreditava-se que o corpo era o “sacrário da alma”.

Antes de prosseguirmos, faça um esquema seguindo a seqüência temporal, o nome de cada filósofo, data e suas idéias. Isto facilitará seu auto-estudo e a continuação deste tópico, está bem?

Posteriormente, foi com René Descartes (1596-1650), filósofo francês, que a curiosidade sobre o ser humano e com o funcionamento de sua mente, foi criada sua teoria sobre o dualismo psicofísico. Esta teoria dizia que o homem era constituído de duas realidades: uma material, o corpo (cujos movimentos seriam previsíveis e apresentariam diversidade de processos fisiológicos como, por exemplo, a alimentação, o sistema nervoso etc); e outra imaterial, a alma (livre dos determinismos físicos). Sendo a mente exclusividade do homem ela tem atividades próprias como conhecer, recordar, raciocinar. O corpo e a mente, em interação, produz algumas atividades específicas como a sensação, a imaginação e o instinto.

Com esta concepção de HOMEM, Descartes sugeriu duas áreas específicas de estudo:

- o estudo do CORPO (que deveria interessar à Ciência ) - e o estudo da ALMA ou da MENTE (que seria o objeto de estudo da Filosofia )
Descartes,portanto, influenciou profundamente a filosofia nos dois séculos seguintes.Seus estudos dividiram-se em duas escolas de pensamento:
• •

o empirismo inglês e o racionalismo alemão.

O EMPIRISMO, cujo representante foi John Locke (1632-1704), ampliou a idéia Aristotélica sobre os sentidos como fonte de conhecimento onde : “... a mente humana era uma tábula rasa, a qual recebia as impressões que chegam aos sentidos, gerando, mediante uma atividade interna de reflexão, todo o conhecimento”. No Empirismo valorizava-se os processos perceptivos e a aprendizagem no desenvolvimento da mente e para isto o meio ambiente foi considerado de grande importância, pois estimula

a percepção que é a base do conhecimento. O cérebro ao receber os estímulos sensoriais processa a informação. Nele são impressos, pela experiência, todas as idéias e conhecimentos. Já no RACIONALISMO o autor, considerado hoje como o mais “influente” desta teoria educativa do século XIX , foi Herbart (1776-1841). Ele defendia a idéia de que “a psique” humana mostra uma tendência à autoconservação de maneira que as sensações e as idéias que vão sendo formadas são frutos das experiências do ser humano e que, pela lei da associação, permanecem e influem nas aprendizagens posteriores. Essas idéias e sensações constituem um “massa aperceptiva”, ou seja, “... um conjunto de representações que exerce uma influência sobre as experiências posteriores proporcional ao nível de consciência que a pessoa tiver sobre elas”.

No Racionalismo, acreditava-se que a mente tem capacidade inata para gerar idéias, independentemente dos estímulos do meio. Nesta teoria o papel da pessoa era enfatizado no processo de percepção, afirmando que a percepção é ativamente seletiva o que resulta em interpretações individuais das informações produzidas pelos órgãos dos sentidos, que podem ser bastante diferentes entre si. Preocuparam-se mais com as atividades da mente como as de perceber, recordar, raciocinar, desejar, enfatizando o conceito de faculdades mentais, isto é, capacidades especiais da mente para realizar determinadas atividades. As controvérsias entre as teorias, empirista e racionalista, permaneceram até o início do século XX. Um único ponto comum estabeleceu-se no final do século XIX: o de que as faculdades (ou poderes para fazer alguma coisa) que configuram o psiquismo humano são: inteligência, emoções e vontade. Paralelamente ao estudo da mente, desenvolveu-

(Sacconi. Mera hipótese. que no século XIX investigou e teorizou sobre a natureza da atividade nervosa. etc. Com o avanço dos estudos da Fisiologia associado à Teoria das FACULDADES MENTAIS. mecanismos da visão. Todos esses estudos relacionavam-se com as escolas filosóficas e não psicológicas. GLOSSÁRIO: Teoria: idéia ou série de idéias que pretende explicar algum fenômeno. Concepção particular sobre os princípios de uma ciência ou arte.1988) No final do século XIX e início do século XX. velocidade da condução do impulso nervoso. iniciou-se a separação entre a Filosofia e a Psicologia. audição.se a Fisiologia. a PSICOLOGIA encontrou seu próprio método experimental e separou-se da filosofia .Dicionário Língua Portuguesa.

Neste ano. Wundt foi bastante influenciado pelo ponto de vista dos filósofos empiristas e pelo desenvolvimento da Fisiologia e Psicofísica experimentais. o Gestaltismo. Várias teorias e escolas psicológicas sucederam-se aos estudos iniciais da Psicologia como o Funcionalismo. como o do nascimento da Psicologia propriamente dita. Foi Wundt que fez nascer uma escola psicológica denominada Estruturalismo porque buscava a estrutura da mente (compreender os fenômenos mentais pela decomposição dos estados de consciência produzidos pela estimulação ambiental).transformando-se em uma disciplina científica e autônoma. a Psicanálise e o Humanismo. o Behaviorismo. foi criado por Wilhelm Wundt. caracteriza-se o ano de 1879. Historicamente. . o primeiro laboratório de Psicologia na Universidade de Leipzig. na Alemanha.

Berns (2002. Bowlby Watson.8) apresenta o seguinte quadro sobre as principais Teorias do Desenvolvimento: Principais Teorias do Desenvolvimento Algumas Perspectivas Desenvolvimentista Forças Internas da Criança Forças externas à criança Foco Biologia Aprendizado Cultura Interação entre forças internar e Psicanálise externas à criança (influências internacionais) Cognição Exemplo de Teoria Maturação Etologia Behaviorismo Cognitiva social Sócio-cultural Histórica Psicossexual Psicossocial Cognitivo Desenvolvimental Processamento de Informação Ecológica Sistemas Principais Teóricos Gessel Lorenz. Skinner Bandura Vigotsky Elder Freud Erikson PiagetNenhum Teórico principal Bronfenbrenner . p.TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO Conheça alguns representantes das teorias e escolas psicologicas.

esta caracterização “reafirma a necessidade de uma aproximação multidisciplinar ao estudo dos processos educativos e supõe uma rejeição explícita ao reducionismo psicologizante que.17 e 18). planejamento e melhoria dos processos educativos. psicologia da educação é uma disciplina com suas próprias teorias. defende a Psicologia da Educação como matéria educativa que “juntamente com a Didática e a Sociologia da Educação integra os componentes específicos das Ciências da Educação. de planejamento e projeto.. contribui com suas idéias para uma melhor compreensão.e de intervenção prática”. área do tema em questão. campo. p. 1978. os estudiosos da área. como disciplina de natureza aplicada.Como a Psicologia se ocupa de Processos de Mudança comportamental. Segundo Coll (1995. ou seja. inclui conhecimentos de caráter teórico-conceitual.. métodos de pesquisa. Já Woolfolk (2000) defende que a “. o núcleo de ciências cuja finalidade específica é estudar os processos educativos”. Como resultado. .como vimos. a progressiva especialização leva as diferentes especificações ou estudos a centrarem-se em termos específicos. presidiu constantemente as ligações entre a Psicologia e a Educação como disciplina educativa. Pérez Comez. em uma perspectiva multidisciplinar e. ainda hoje polemizam sobre concepções.

145) defende que: “os psicólogos da educação estudam o que as pessoas pensam.problemas e técnicas”.138) “A psicologia da educação distingue-se dos outros ramos da psicologia. fazem ou sentem quando ensinam e aprendem em um currículo específico. em um ambiente específico no qual a educação e o treinamento devem acontecer”. p. p. Já Wittrock (00-00-0000) resume dizendo: . Apóia-se na afirmação de Wittrock(1992. porque tem a compreensão e o aperfeiçoamento da educação como seu objetivo primário”. O OBJETO DE ESTUDO DA PSICOLOGIA Berliner (1992.

análise estatísticas e procedimentos de medição e avaliação apropriados para estudar o pensamento e os processos afetivos dos estudantes e os processos cultural e socialmente complexos das escolas”.“que a psicologia da educação se concentra no estudo psicológicos dos problemas cotidianos da educação. bem como métodos de pesquisa. como resultado de sua participação em atividades educativas”.18) coloca que o objeto de estudo da Psicologia da Educação “são os processos de mudança comportamental provocados ou induzidos nas pessoas. . p. Coll (1995. dos quais se derivam princípios.A pesquisa deve seguir rigorosamente o método científico . Para compreender o ensino e aprendizagem e alcançar seu objetivo básico a Psicologia da Educação utiliza-se da pesquisa como ferramenta básica. teorias. modelos. procedimentos de ensino e métodos práticos de instrução e avaliação.

análise estatística para determinar se os dados apóiam as hipóteses. e divulgação pública das descobertas . analisar e desenvolver o trabalho.2000. coleta de dados (informações obtidas através da pesquisa). de forma que outros observadores possam conferir .(Olds e Papalia. Psicologia do Desenvolvimento) . também a Psicologia Evolutiva (ou para alguns autores.Glossário: Método Científico: refere-se a princípios e processos que caracterizam a investigação científica em qualquer campo : Identificação do problema a ser estudado. formulação de hipóteses (explicações ou previsões que possam ser verificadas). aprender. pg 33) PSICOLOGIA EVOLUTIVA A semelhança da Psicologia da Educação.

configurandose assim um espaço evolutivo que até certo ponto é espaço social e cultural. progressivamente retardada. trouxeram as primeiras considerações sobre a infância como etapa diferenciada da idade adulta e.. Tal concepção defendia a idéia de que eram frágeis e menos inteligentes. (como conhecidas hoje) foram sempre consideradas “mini adultos” e como tal foram tratadas. é algo diferente da idade adulta e transformou-se não mais no .11) ressalta um aspecto interessante: “a passagem ao status adulto vai sendo.. portanto merecedora de tratamento diferenciado. antes de ser espaço psicológico.derivou de estudos. Algo parecido pode ser dito com respeito à velhice. Os estudos no século XX definiram a infância e a adolescência como períodos claramente diferenciados da vida adulta. “na Idade Média. nos séculos XVI e XVII.. industriais e cristãos do final do século XIX propiciaram à infância um status especial. p. que da forma como conhecemos atualmente em nosso meio. Os movimentos educacionais.De acordo com Palacios (1995). Coll (1995. pois. passando a ter responsabilidades que se tornavam progressivamente mais próximas às dos adultos”. Os movimentos culturais como o Iluminismo e o Protestantismo . Historicamente as crianças. Nesta época a chegada da puberdade marcava o ingresso na vida adulta. a partir dos sete anos as crianças tornavam-se aprendizes sob a tutela de um adulto. teorias e pesquisas que foram desenvolvidas ao longo do tempo.

as experiências particulares de cada um e que não são generalizáveis para outras pessoas. 3. Segundo o autor. senão em um fato psicossocial novo”. as mudanças que interessam ao estudo do desenvolvimento se relacionam com três fatores: 1. culturais e sociais nas quais a existência do indivíduo transcorre. as circunstâncias históricas. 2. a etapa da vida em que a pessoa se encontra. .fato biológico que sempre foi.

como no crescimento físico ou no vocabulário. Podem ser observadas subjetivamente. a ciência que estuda como os indivíduos mudam ao longo do tempo e os fatores que influenciam ou produzem as mudanças é chamada de psicologia do desenvolvimento . Quantitativas: quando estão relacionadas as mudanças de volume.DEFINIÇÃO DE DESENVOLVIMENTO “Desenvolvimento refere-se a mudanças progressivas ao longo do tempo(Berns. Podem ser facilmente observadas e medidas objetivamente. Qualitativas: referem-se as mudanças desenvolvimentais como as de compreensão moral ou adaptação social.” Essas mudanças podem ser quantitativas e ou qualitativas.2002). Para autores como Berns(2002).

Enfoques Teóricos: As teorias diferem quanto a valoração maior de aspectos qualitativos e ou quantitativos. pois esta regula todo o seu trabalho ( métodos. Outras dão mais valor aos aspectos inatos. Os pesquisadores do desenvolvimento oferecem explicações variadas sobre seu objeto de trabalho. Portanto. etc). ou à experiência realizada. Perspectivas teóricas.e não de psicologia evolutiva. Como não há uma explicação única ou aceitação universal de determinadas idéias criam-se diferentes “teorias “ para explicar os fatos observados. ou am ambiente externo. para avaliar resultados é preciso conhecer a perspectiva teórica do pesquisador. interpretação de dados. .

2002. e elas também nos permitem fazer previsões de comportamento não previamente observado.40). em seu livro “ Desenvolvimento Humano “.P.Vá até o glossário para não ficar com dúvidas a respeito da expressões utilizadas no texto As teorias organizam a informação em princípios gerais de modo que o desenvolvimento podem ser logicamente explicado. explica eventos e prediz futuras conseqüências.7) Olds e Papalia (2002. p. dividem as teorias sobre o estudo do desenvolvimento em cinco ( 5 ) grandes grupos: . São um método de explicar o desenvolvimento (BERNS. É um conjunto de afirmações que relacionam diferentes fatos ou eventos.

Alguns já foram abordados por nós. sobre a natureza humana e seu desenvolvimento transformaram-se em ponto de partida para as diferentes concepções teóricas existentes. de acordo com as suas origens. .Para Palácios (1995) as teorias existentes podem ser agrupadas em dois grandes modelos. como é o caso do Empirismo de Locke que deu origem às teorias Mecanicista ou Condutistas. As concepções filosóficas do século XVII e XVIII.

característicos da espécie humana. Portanto. uma certa “necessidade evolutiva” que faz com que o desenvolvimento aconteça em todos os indivíduos. os posicionamentos podem ser denominados. .No continente europeu.1804) defendiam a idéia de que o ser humano nasce com determinadas características inatas ou organistícas ou organicistas. suas características próprias. hoje. O importante não é o que há dentro do organismo. cada um. muitos mais do que os estímulos externos. os quais tinham. a análise da história da pessoa. Organicistas: consideram centrais os processos internos. Os processos internos à pessoa e que fogem da possível intervenção. senão o que vem de fora e o molda. Rosseau (1712-1778) e Kant (1724. Existe sim. pois esta é a história de suas aprendizagens. através de determinados estágios considerados universais e evolutivos. de condutistas ou organicistas: Condutistas: situam-se na tradição do empirismo. Interessa sim. Rosseau dividia a infância em estágios. verificação ou operacionalização não são considerados. O desenvolvimento não ocorre de maneira indeterminada e vivenciada pelos sujeitos de maneiras diferentes.

Objetivos buscam o desenvolvimento do educando –a construção das estruturasde .O quadro a seguir ilustra a diferença entre os dois modelos: QUADRO COMPARATIVO DOS DOIS MODELOS TEÓRICOS ESTUDADOS MECANICISTAS Teóricos Representativos Desenvolvimento Thorndike.Skinner. Integração dasexperiências internas ou subjetivas com as externas. Aprender Internalização de valores e conhecimentospréestabelecidos pelo social.transmissão de informações. Concepçõesdo processo deAprendizagem Conhecimento Conjunto de informações aprendidas comvistas a conseguir êxito nas performancesintelectuais e sociais. Matson. Kohler. Não é algo quepossa ser dado. Pensamento crescepartindo de ações. Vygotsky Progressão através de umaseqüência invariável e universalde estágios. Processo mental interno (processamento de informações. Mudança na conduta ORGANICISTAS Koffka. É fazer.Pensamento cresce partindo da palavra. Bandura Padrão inato que reage a transmissão cultural. Tolman.mudança de conduta etc. percepção. exercícios. Localizaçãoda aprendizagem Propósito daEducação Estrutura cognitiva interna Desenvolver a capacidade edestreza de aprender melhor. Deve ser descoberto. Lewin. Objetivos sãorelativos – arbitrados pela sociedade.) Resulta de um processo deconstrução.memória.Resultado da experimentaçãoindividual. Piaget.Bruner.). Guthrie. Ausubel. Maslow. Utilização de métodos específicospara produzir a mudança (análise de tarefas.Pavlov.objetivas. Estímulos em ambientes externos Produzir uma mudança conductual na direçãodesejada.Resultado de treinamentos. Gagné.Recepção de informações e seuarmazenamento na memória.

da nascimento até a morte. Hoje. . inteligência.EDUCAR PARA CONHECER Estruturar o conteúdo e aatividade de aprendizagem. que considera que os processos de mudança psicológica acontecem em qualquer momento do ciclo vital humano. outros modelos estão surgindo como conseqüência da evolução dos estudos na área como o Modelo do Ciclo Vital (Life-span).escolaou educadores. Defendem que a cultura em que se cresce e a geração à qual se pertence influem consideravelmente no desenvolvimento humano.EDUCAR PARA APRENDER A FAZER Papel do formador Dispor o ambiente para que se produza aresposta desejada. valores e atitudes transmitidas. nosso próximo módulo. Os autores criticam o modelo evolutivo organicista no sentido da característica geral dos estágios universais. Buscam respostas internalizadas.

o DESENVOLVIMENTO DO CICLO VITAL. do nascimento à velhice. que vamos acompanhar em seu CICLO VITAL. Agora iniciaremos o Módulo III.CICLO VITAL Seja bem vindo à segunda fase de sua disciplina! Apresentamos a você nossos amigos. dividida em 3 fases: .

De 21 anos em diante . 2. cognitiva e sócio-afetiva do indivíduo desde o seu nascimento.Adolescência.De zero a 12 anos .De 12 a 21 anos .Vida Adulta à Velhice. 3.1. psicomotora. INTRODUÇÃO Daremos início a este módulo introduzindo alguns conceitos fundamentais para a sua compreensão sobre como ocorre a evolução física.Infância. .

Procuram-se fatores que afetam o desenvolvimento e razões para . a mudança. Da mesma forma os grupos sociais tem estabelecido para si determinados conceitos nem sempre corretos do ponto de vista de um estudo científico. esperam-se sempre modificações comportamentais ou físicas em uma criança ou em um adolescente. Não se esperam estas “ mudanças” em um adulto. Os estudos sobre o tema focalizam-se nos aspectos que permanecem e nos que mudam durante todo o ciclo de vida dos seres humanos. Para exemplificar um destes conceitos. espera-se sempre um “ mesmo tipo de comportamento “. o crescimento e a aprendizagem são uma constante na vida das pessoas independentemente da faixa etária. por exemplo. temos conhecimento sobre o desenvolvimento humano quando comparamos o comportamento e ou crescimento de uma criança com outra.Sabemos que os seres humanos passam por diferentes processos de desenvolvimento durante todo o seu ciclo de vida. entretanto . Deste. Empiricamente.

são elas o foco principal dos estudos científicos da área. TIPOS DE MUDANÇAS DE DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO Papalia e Olds ( 2000) apontam para dois tipos de mudanças de desenvolvimento: . Por isso. Obviamente as mudanças que ocorrem chamam mais atenção.determinados comportamentos.

como o peso. cada um com características peculiares e identidade própria. de caráter biológico como conseqüência. a altura. a aquisição da fala ou de um novo comportamento cognitivo podem ser exemplos desta mudança. de estrutura. . o vocabulário dos sujeitos. de organização. a educação não teria uma função especialmente relevante na evolução das pessoas. podem ser delimitados em dois tipos de posições.• a quantitativa é uma mudança capaz de ser medida em números ou quantidades. a qualitativa é uma mudança de tipo. • Os diferentes posicionamentos dos autores quanto ao estudo do tema em questão e sua relação com a educação. segundo César Coll (1999): A primeira compreende o desenvolvimento e a educação como processos essencialmente dissociados independentes. Nesse contexto. a partir dessa perspectiva. deve-se a resultados de fatores basicamente internos. É marcada pelo aparecimento de novos fenômenos.defende-se que o desenvolvimento ocorre de maneira natural e espontânea. em grande medida.

e especialmente em situações educativas. ao contrário. defende a existência de uma forte interrelação entre o desenvolvimento das pessoas e os processos educativos. (p.A segunda posição.81). . OUTROS ENFOQUES SOBRE O DESENVOLVIMENTO HUMANO Outros estudos sobre o desenvolvimento humano abordam dois enfoques diferentes. levariam a níveis mais altos de evolução e de desenvolvimento. ao menos em boa parte. o produto da influência de fatores externos. Os conhecimentos e as habilidades adquiridas graças à participação em situações de interação com os outros. o desenvolvimento das pessoas seria.entre os quais as suas experiência educativas.

“O termo desenvolvimento. . como chegamos a esse modo de ser e o que podemos fazer para aprimorar a nós mesmos” (Berns. 2002). pesquisar e descrever todos os aspectos do desenvolvimento em cada etapa da vida. porque somos. pesquisar e descrever um aspecto do desenvolvimento humano de cada vez . O segundo – abordagem por tópicos .O primeiro – abordagem cronológica – procura estudar.procura estudar. em seu sentido psicológico mais amplo. CONCEITOS Outros conceitos sobre o tema : “O desenvolvimento humano é estudado para compreender quem somos.

p.. pelo menos aquelas que ocorrem cedo na vida. eficazes e complexos” (Mussen. Pressupõe que as mudanças. 1984. 36). INFLUÊNCIAS NO DESENVOLVIMENTO A hereditariedade e o ambiente externo sempre foram considerados . àquelas que aparecem de maneira ordenada e que se mantém por um período razoavelmente longo. organizados.refere-se a certas mudanças que ocorrem nos seres humanos (ou animais) entre a concepção e morte. mas sim. O termo não se aplica a todas as mudanças. sejam para melhor e resultem em comportamentos mais adaptativos. in Woolfolk 2000. Conger e Kagan..

advindas do meio ambiente. condições sociais. como a linguagem ou a inteligência. como do desenvolvimento físico e psicomotor tem íntima ligação com outros. A aprendizagem é uma conseqüência do desenvolvimento. estilo de vida. relacionamentos. dinâmica familiar e educação são considerados hoje mais relevantes para a área em questão. Os estudos sobre cultura. Algumas características específicas como a cor dos olhos e o tipo sanguíneo são herdados enquanto que determinados traços que formam a inteligência ou a personalidade do ser humano estão sujeitas tanto a forças internas ou herdadas como a externas. Um aspecto específico.como determinantes no desenvolvimento. Ela não . Seu desenvolvimento se dá de forma integrada. Hoje sabemos que sua influência não é tão marcante e que as pessoas podem definir-se de maneira diferenciada do que apontam suas características genéticas e seu meio ambiente. raça. Os seres humanos são pessoas inteiras. Os estudos mais recentes mostram que as influências genéticas raramente são imutáveis.

DIVISÃO DO CICLO VITAL O Ciclo vital divide-se em três fases: . O aprender inicia-se pelas ações psicomotores que se aperfeiçoam e proporcionam a aquisição cognitiva. segmentando o desenvolvimento humano em diferentes etapas e este em diferentes acontecimentos significativos. que obedecem a determinados pontos de referência para o curso normal do desenvolvimento . de todos os aspectos sincronizados. a partir deste momento. Para fins de estudo estamos. mas sim.depende exclusivamente da mente. psicossocial e outras.

segunda infância. terceira infância ou pré-escolar e fase escolar.FASES Infância Escolar Adolescência Adultos/Velhice IDADES Nascimento até 6 anos 6 até 12 anos 12 até 18 anos 18 anos em diante Ressalte-se que inúmeras subdivisões podem ser aí estabelecidas nos períodos da: Infância • • • primeira infância. .

a meia-idade e terceira idade. Assim. de calendários maturativos tendo como conseqüência comportamentos claramente definidos. 3. AQUISIÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM. 4. DESENVOLVIMENTO AFETIVO E DA PERSONALIDADE. O DESENVOLVIMENTO FÍSICO E PSICOMOTOR. dentro de cada uma das fases indicadas estudaremos : 1. . DESENVOLVIMENTO COGNITIVO.Adolescência • • PRÉ ADOLESCÊNCIA ADOLESCÊNCIA Vida Adulta • • • o jovem adulto. 2. Diferentes acontecimentos significativos dentro das fases estabelecem-se em função de lógicas biológicas.

.ESTUDAREMOS AGORA O INÍCIO E DESENVOLVIMENTO DO CICLO VITAL DA VIDA: O NASCIMENTO E A FASE MAIS IMPORTANTE DA VIDA DE UM INDIVÍDUO A INFÂNCIA A primeira infância: do nascimento 0 a 2 anos.

.

Resiliência. das interações que as pessoas lhe oferecem e.o psiquismo humano é construído como conseqüência do entrelaçamento entre o que ele metaforicamente chamava de dois “inconscientes”: o inconsciente biológico o inconsciente social”. vamos entender porque o organismo físico/maturacional é interdependente das interações estabelecidas com o meio onde está inserido ocorrendo. em torno de uma determinada etapa. porém isto dependerá não só do que é maturativo e sim . de seu nível de “resiliência”. cor..etc.DESENVOLVIMENTO FÍSICO E PSICOMOTOR Para iniciarmos o tópico de desenvolvimento físico e psicomotor é fundamental citar WALLON (1931) já afirmava que “. etmologicamente vem do Latim resilientia e significaa idéia de uma ação que se desenvolve a partir daquilo . também. Ao nascer uma criança. O processo de evolução do ser humano é organizado e segue uma determinada seqüência universal . o desenvolvimento psicomotor. assim. das condições do seu entorno. Seguindo nesta lógica. sabemos de antemão o que ocorrerá primeiro e sua ordem de maturação biológica.. ainda. independente de raça.

estamos falando de um diferencial entre os indivíduos que demonstram suas formas diferentes de enfrentamento às adversidades. desenvolver capacidades físicas ou fisiológicas conducentes a determinados a determinados níveis de endurance física e psicológica e até uma certa imunidade. de texturas fiáveis..”. saudável decorrente da própria etmologia de resiliência que permite a esse objeto ou sujeito auto- . Predomina. pois. alguma complicação orgânica. Para TAVARES (in: Fazenda. desde o nascimento. uma cirurgia para correção de má formação congênita. São Paulo: Cortez. desenvolver-se ao longo dos processos de crescimento. flexíveis e consistentes.é uma qualidade de resistência e perseverança da pessoa humana face às dificuldades que encontra. que tem elasticidade no sentido de ser capaz e suscetível de ativar-se. É a capacidade de resistir r persistir frente a situações adversas.. Segundo François Ruegg(1997:9) “. como por exemplo: os primeiros momentos pósparto. Ivani (org).. Portanto.etc. pois a idéia de uma realidade sólida.que tem flexibilidade. Dicionário em Construção: Interdisciplinaridade..2001) : “Ser resiliente seria.

. está preparado para reagir e enfrentar o mundo através de seus Reflexos.resilience Em Inglês .resiliency Vamos estudar agora como um bebê. Este conceito também tem sido utilizado nas Ciências Sociais E Humanas. de certa forma. Alguns reflexos desaparecerão com o passar dos primeiros meses. como o Reflexo de Sucção.(p. ao nascer.198) É importante salientar que este é um conceito aplicado também à Ciência Psicológica e à Educação nas primeiras etapas de desenvolvimento dos indivíduos. • • • Em Italiano .resilienza Em Francês . como o Reflexo de Moro e o Reflexo de Enraizamento e outros passarão de reflexos involuntários para Condutas aprendidas e voluntárias. auto-recuperar-se”.regular-se e.

jogue-os para trás e depois feche-os sobre seu próprio corpo como um abraço. fechando e . Reflexo de Moro – é uma reação semelhante a um susto que faz com que o bebê abra os braços bruscamente.OS REFLEXOS Reflexo de Sucção – que é a reação dos lábios ao toque de um objeto. em geral o seio da mãe. Reflexo de Enraizamento – é quando o estímulo na bochecha do bebê o faz girar a cabeça na direção do estímulo. Reflexo Palmar – é quando o bebê reage com força.

O desenvolvimento Psicomotor está relacionado diretamente com o crescimento físico da criança. em consultas regulares de acompanhamento do crescimento. Depois do nascimento. o desenvolvimento físico do bebê é enorme pois aumentam de peso e altura rapidamente. Reflexo de Marcha – ao levantarmos o bebê pelas axilas. O desenvolvimento psicomotor é fundamental para construir as noções internas e externas de seu corpo. alternadamente. os componentes relacionais do bebê com as pessoas que o cercam. Estes reflexos podem ser observados quando aparecem. como se fosse andar sem sair do lugar. são fundamentais para seu amadurecimento psicomotor.agarrando um objeto que se coloque na palma de sua mão. Além dos componentes maturativos do cérebro. para adquirir o domínio de suas percepções e o controle do próprio corpo até adquirir a marcha e o . espontaneamente ou pela avaliação do Pediatra ao examinar o bebê. colocando as plantas de seus pés a altura de uma superfície ( em geral a mesa de exame do Pediatra). durante os dois primeiros anos. sua reação será a de flexionar e estirar. através de suas ações e reações.

até por volta de 6 anos. céfalo-caudal coordena o desenvolvimento das partes do .equilíbrio que permita sua movimentação autônoma. através de componentes psíquicos internos e simbólicos. que são as representações de seu corpo e de suas possibilidades de movimentação e interação com o meio. Este controle e domínio do corpo e das noções perceptivas vai sendo adquirido. LEIS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO É importante ressaltar duas Leis de Desenvolvimento : • • a lei Céfalo-Caudal e a lei Próximo-Distal A primeira lei.

corpo que ficam mais próximas da cabeça. próximo-distal a maturação das partes do corpo que estão mais próximas do eixo-corporal. por fim. a articulação dos ombros é adquirida antes do cotovelo. O controle das partes mais afastadas do eixo-corporal só é adquirida na segunda fase da infância. punho e. por volta de 3 a 6 anos. já na fase da escola infantil. o controle das pernas. AQUISIÇÃO DO CONTROLE PSICOMOTOR Essas duas leis fundamentais regem também a aquisição do controle . por fim. Isto significa que o pescoço será controlado antes do tronco. mãos e dedos. depois virão os braços e. Eixo este imaginário que separa da cabeça aos pés o corpo em duas partes simétricas. Na segunda Lei. Dessa forma.

. – Coordenação olho-mão: inicialmente. Controle da cabeça: ao nascer o bebê já tem um pequeno controle da cabeça. a coordenação é involuntária com movimentos que entram no campo visual do bebê e será desenvolvida por volta de 3 a 4 meses.Psicomotor. mas este só será completo por volta de 3 a 4 meses.

O engatinhar: até aqui a locomoção dos bebês é conduzida por quem os leva no colo. porém após adquirir a posição sentada eles começam a usar os braços para ajudá-los a deslizar pelo chão e vão . com apoios laterais (almofadas e travisseiros) e com 6 a 7 meses os bebês já conseguem sentar sem apoio e manter-se equilibrados.O sentar: entre 4 e 5 meses inicia-se a posição sentada dos bebês. Aqui ocorre uma ampliação do campo visual dos bebês.

suscessivamente. Este é o início de sua independência psicomotora. joelhos e pés são capazes de movimentarse muito mais rápido e facilitam a descoberta de um novo mundo a explorar.descobrindo que com as mãos. pois se até aqui já fez . vai atingindo o equilíbrio total do corpo para a marcha. Isso ocorre por volta dos 8 a 10 meses O caminhar: a partir do engatinhar o bebê começa a segurar-se nos móveis e outros objetos e mantêm-se de pé com apoio aumentando a visão de seu entorno e levando-o a ser estimulado a dar seus primeiros passos e apesar de inicialmente cair. ele levanta-se novamente e.

várias aprendizagens. . A evolução do desenvolvimento psicomotor acontece ao mesmo tempo que o desenvolvimento afetivo e cognitivo. Eles são interdependentes e ocorrem a partir das interações do bebê com a mãe e dos estímulos que recebe. daqui para frente será muito maior sua curiosidade. Para que possamos visualizar melhor o desenvolvimento da criança da qual estamos falando vamos analisar o quadro abaixo.

Eleva a cabeça até 90 graus se deitado de bruços Começa a bater em objetos ao alcance. Vira-se. Reflexo Enraizamento Habilidades manipulativas Segura objeto se colocado no chão 2-3 meses Levanta um pouco a cabeça acompanha com os olhos um objeto movimentado lentamente. Alcança e agarra objetos.Pg. 137) PSICOMOTORAS Idade 0 a 2 meses Habilidades Reflexo de Sucção.6 meses . (Extraídos e Complementados de Ciclo Vital. Reflexo de Moro. 1977. 4. rola.QUADROS DE DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR MARCOS DO DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR 0 A 2 ANOS. senta com auxílio. Helen Bee.

Transfere objetos de uma mão à outra. Arrasta e empurra brinquedos grandes em torno de obstáculos. coloca objetos em pequenos recipientes e os descarrega. Sobe escadas com um péem cada degrau. atira uma bola pequena para frente enquanto de pé. Constrói torre de 2 cubos Apanha pequenos objetos. Mantém costas retas braços livres para agarrar e alcançar. caminha em qualquer direção puxando um brinquedo grande. Anda segurando os móveis (circulação). mas não consegue levar o alimento à boca. 2. Encaixa Evidencia clara preferência pela mão. engatinha Tenta ficar em pé. usar o banheiro sozinho. segura o lápis entre o polegar e os dois primeiros dedos. os pés em cada degrau. sobe em móveis e desce deles sem ajuda.movimenta-se sobre mãos e joelhos (engatinha) 7-9 meses Senta sem apoio. Caminha para trás e para os lados. anda na ponta dos pés. corta papel com tesoura. Agarra com Polegar e indicador. Alguns sinais de preferência de mão. depois anda sem ajuda Fica de pé de maneira segura. empilha 4 a 6 blocos. Capacidade de servir-se. Desenha um círculo 10-12 meses 13-18 meses Rola bola para um adulto 18-24 meses Corre (20m).3 anos 3. Empurra e puxa caixas ou brinquedos caminha bem(24m). comer com talheres. corre(14-20 meses) Levanta-se sobre os braços.4 anos . fica de pé com apoio. sobe escada comambos Desenrosca tampas de copo. pega coisas sem perder o equilíbrio. uma de cada vez. Agacha-se e inclina-se. Mantém ereta a cabeça quando sentado. Corre com facilidade. vira páginas. segura uma colher colocada na palma da mão. com rodas. Pedala e guia um triciclo. pula comambos os pés. Empilha dois blocos. Apanha bolas grandes entre os braços estendidos.

formas geométricas. enfia fios em agulha.6 anos Pula alternando os pés. recorta tiras. entrelaça contas mas não usa agulha. Recorta sobre uma linha. modela formas arredondadas. caminha sobre uma linha estreita. inicia os contornos de figurase coloridos em formas pequenas. Dobra papel em triângulos. conhecimentos prévios ao desenho associado às noções espaciais. dá alguns pontos. Desenha uma pessoa razoavelmente completa. chuta e apanha a bola. modela derivados da forma arredondada. Faz Desenhos e letras grosseiras . 5. Sabe vestir-se com ajuda. fica em pé. balança-se Veste-se sem ajuda . corta em linha reta e franjas. segura o lápis com maturidade. desliza. corre e caminha bem na ponta dos pés.4-5 anos Sobe e desce escadas com um pé em cada degrau. Atinge a bola com bastão. Joga diversos tipos de jogo com bola.

para muitos uma questão fortuita. O que acontece é que o ar passa pela glote. formam suas . a evolução da linguagem segue um mesmo padrão para todas as crianças: choram.se “prazeroso" para a criança que tenta repeti-lo. Este torna .AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM A aquisição inicial da linguagem pode parecer. arrulham. dizem as primeiras palavras. balbuciam. combinam duas ou mais. faz vibrar as cordas vocais e produz um som. A partir daí.

. pois em cada criança a construção da linguagem é “continuum” e uma coisa leva a outra. percepções. constrói suas hipóteses lingüísticas que são mantidas. As diferentes faces da linguagem (tempo para sons.primeiras frases. amadurecimento cognitivo tudo está envolvido. Da linguagem que escuta a criança extrai modelos. a formação da linguagem não pode ser isolada de um contexto de desenvolvimento global do indivíduo: atenção. aquisições psicomotoras. É impossível compreender a linguagem isolada do resto. conexões cerebrais. É importante ressaltar que a formação da linguagem é objeto de uma aprendizagem. tempo para palavras) aparecem tão somente para fins de estudo. sentimentos. ou seja. Ela ocorre em "uma rede de comunicação sem o qual não poderíamos apreciar as aquisições do primeiro ano " ( Aimard.1998). reforçadas ou contrariadas pelo ambiente. Entretanto.

Inicia-se pelo choro. Em função das inúmeras conexões cerebrais existentes ainda nesta fase. controle do aparelho fonador ( língua. que ocorre muito antes da fala em si é extremamente importante para que a linguagem alcance seu pleno desenvolvimento mais tarde. . . maxilar e lábios) e o desenvolvimento rápido das conexões cerebrais das áreas da linguagem preparam a comunicação. Da mesma forma. passam a perceber e diferenciar fonemas. como a expansão da cavidade oral.LINGÜÍSTICAS O desenvolvimento pré-linguístico.HABILIDADES PRÉ.primeira comunicação vocal de uma criança. A interação da criança com os outros também é outro precursor importante da Língua. nas semanas iniciais de vida os bebês começam a distinguir os sons. após são capazes de distinguir os sons da fala de outros. Os bebês interagem com as pessoas que cuidam deles através do choro. suas absorções são maiores. Pelo choro a criança comunica seu mal estar. Nesta fase inicial toda a maturação física e cerebral que ocorre.

toca. inicia o que autores chamam de: • Linguagem receptiva. da voz. apontar. A medida que progride cognitivamente o sujeito estrutura imagens mentais. desenvolvimento motor permitirá ao sujeito acompanhar visualmente os objetos.do sorriso. mais eficientes as mesmas se sentirão na comunicação. das posturas. A compreensão da existência dos objetos de forma permanente (objeto permanente) é o primeiro passo para a formulação da linguagem oral. próximodistal e o. do olhar. conseqüente. Estes sinais são iniciadores da comunicação. tentando atrair a atenção do adulto. . estrutura conceitos . ou a resposta dos adultos aos sinais emitidos pela criança. Os estudos indicam que quanto maior a interação. A maturação céfalo-caudal. A criança passa a emitir pequenos sinais de pedido. De acordo com BERNS ( 2002) o quarto precursor à língua é a “habilidade de compreender o próprio mundo".

Ou seja. Portanto. interação com os outros. percepção dos sons. acumulam experiências próprias que lhes fornecem “bagagens internas”.• Linguagem interior ou compreensiva. que criam lastros para a comunicação oral.objeto permanente. como habilidades pré-lingüísticas temos: • • • • a a a a maturação física e cerebral. . compreensão do mundo.

) JARGÃO = variedade de sílabas moduladas de um modo que se aproxima da fala conectada significativa (8/9 meses) . (Para alguns – duplicação de sílabas. ARRULHO= associado ao contentamento.(para alguns é sinônimo de balbucio) BALBUCIO = experimentação volitiva de sons . Sons de tipo vocálico produzido no fundo da garganta.SEQÜÊNCIAS DE DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM NA VISÃO DE DIFERENTES AUTORES Observação : os itens assinalados nos parêntese “ Para alguns” denotam os diferentes posicionamentos dos autores com relação aos termos estudados e seus significados.

sentimentos.PROSÓDIA DA LÍNGUA MÂE = melodia da fala. • A Linguagem é considerada em bloco no conjunto das aquisições da criança: atenção. . A criança acrescenta intenção de comunicação.Uso de uma palavra para transmitir um pensamento inteiro. Freqüência e intensidade da voz. A • Percepção. Acentuação/entonação. gestos e expressões. ECOLALIA = tendência de repetir sem modificações o que é falado para ele (18-24 meses) PALAVRAS-FRASES: Holófrases = forma reduzida a um mínimo expressivo. mas com um nítido sentido. Amálgamas = produções globais ASPECTOS EVOLUTIVOS Segundo Paule Aimard compreensão e produção são fenômenos que atuam em conjunto na aquisição da Linguagem. utilizando a voz. • A formatação da Linguagem não é objeto de uma aprendizagem. motricidade. percepções.

Prosódia Língua Mãe Formas Sonoras repetitivas ( em torno dos 10 meses) Formas Sonoras repetitivas com significado Ecolalia Palavras frases _ Frases: • • • verbo-complementar. aperfeiçoamento).criança constrói. Podemos enriquecer . melhorar sua linguagem. MacCarthy . Jargão. advérbios. preposições. • Idade-chave = 3 anos FASES: Diálogo tônico-emocional • • • • • • Grito/choro Balbucio. Lennenberg ETAPAS NO DESENVOLVIMENTO LINGÜÌSTICO . verbos. Início mais elaborado da sintática e semântica Produção de frases construídas (pronomes. Segundo Bayley.

uso da entonação. di) Duplicação de sílabas (mama. Bayley. Entende gestos e responde a “tchau” Responde a ordens simples Diz a primeira palavra Diz cinco ou mais palavras Entende “não” e ordens simples Repete coisas Usa duas palavras combinadas Usa o primeiro pronome. reage à fala. Fonte: McCarthy. entende a maior parte do que o adulto diz. dada). 2002 .Idade Nascimento 1 mês 2 a 3 meses 3 a 4 meses 4 a 6 meses 7 a 9 meses 9 meses 10 a 12 meses 11 a 14 meses 15 a 18 meses 16 a 20 meses 20 meses 21 a 24 meses 23 a 24 meses 23 a 25 meses 24 meses 24 a 30 meses 30 a 36 meses Resposta Choro Vocalização monossilábica. ma. 1954: Lenneberg. 1967. 1969 Citado em Berns . Arrulho Vocaliza ao estímulo social Balbucio (da. a primeira frase/oração Entende as preposições “em” e “debaixo” Vocabulário de mais de 50 palavras Pergunta nomes de objetos e repete as respostas Vocabulário de cerca de 1000 palavras.

4º ao 7º mês dos mecanismos respiratórios e orais. IV. agente. • Comportamento fonético exploratório. • Intenção de ser ouvido. (inflexão prosódia) . Controle motor vocal-pulmonar. brinquedo e expansão fascinação por seu balbucio. Alguma voliçào III. objeto.7º ao 10º mês • Prosódia • Controle da Língua mãe • Mudanças no papel de comunicadores de ação.3º mês • Sons prazerosos.Segundo Boone (1997) Estágios de Produção da Fala: I – 1º/ 2º mês • Sons biológicos primitivos II.

12 a 18 meses motores: ficar de pé. • Linguagem expressiva: Jargão sendo substituído por palavras reai • Combinação real de 2 palavras • Caminhando • Progressos • Balbucio . • Linguagem compreensiva: entender algumas palavras (nomes de pessoas e coisas que – se encontram ao seu redor) – Aponta • Linguagem expressiva: diz 3 palavras • Primeiras 50 palavras (Nelson.18 meses – 2 palavras juntas (substantivoverbo) 18 a 24 meses – Explora o ambiente coloca prioridade na exploração e brinquedo do que na comunicação. alguns passos.entendidas mais pela entonação e contexto situacional. 1973) • Imitação jogos sonoros e palavras ocasionais • Complexo jargão .11 a 13 meses variado ou não repetido • Sons são individualizados • Protopalavras (formas primitivas de uma palavra real) .• Prazer – Balbucio socializado V. alimentação.

pronomes. verbos. adjetivos.• Muitas palavras novas: substantivo-verbo • Adjetivo-verbo • + .300 palavras: substantivos. Linguagem Compreensiva: • Capaz de apontar para figuras corretas • Representação do ambiente 24 a 36 meses narrativas telegráficas com decisões cognitivas • Reconhece a necessidade da ordem correta das palavras para expressar seu sentido visado • Aprimora a linha de tempo = usando passado e experimentando tempo presente • Início da fase das perguntas: quem? Como? Onde? Quando? • 30 meses: mudança na prosódia 36 – 48 meses • 50% • Combina a 70% de consoantes corretas • Vocabulário falado de 500 a 1000 palavras • Entende e produz frases em interações sociais • Receptiva: aponta corretamente a maioria dos objetos .

Sorriso social.4º ano a 2 ordens corretamente • Repete uma frase de até 10 palavras • Vocabulário de + . • Ex. Fala baixinho para não acordar o irmão. Aparecimento das primeiras sílabas. Choro com intenção comunicativa.500 palavras • Uso adequado de negativo • Frases compostas ( com conjunções) • Domínio do som das consoantes • Padrões pragmáticos = muda os padrões de vocalizações. Compreendendo o tom .1. Murmúrios . Idade dos monossílabos Primeiras palavras em forma de sílabas duplas (mama-papa). Enriquecimento da linguagem infantil. para adaptar-se a seus ouvintes. • Obedece Segundo Ruiz e Ortega (1993) Idade Do 1º ao 2º mês Do 3º ao 4º mês Do 5º ao 6º mês Do 7º ao 8º mês Do 9º ao 10º mês Do 11º ao 12º mês Evolução da Linguagem Emissão de sons guturais. Escuta e joga com seus próprios sons e trata de imitar os sons emitidos pelos outros. Idade do balbucio Idade do laleio. Emissão de vocalizações· Emissão de sons vocais e consonontais.

. Usa orações. Construção de estruturas sintáticas mais complexas de forma progressiva Aos 3 anos Aos 4 anos Aos 5 anos 6 anos em diante Segundo Piaget Para Piaget a linguagem faz parte de uma capacidade cognitiva mais . (1 só palavra) Aos 2 anos Usa frases a modo de orações. Usa artigos e pronomes.Desaparece a articulação infantil . Compreende termos que estabelecem comparações. Lecto escrita. Seu vocabulário varia de 12 a algumas centenas de palavras Linguagem compreensível para estranhos. Joga com as palavras . adjetivos e pronomes. Melhora sua construção gramatical. Progressiva consolidação da noção corporal. Usa substantivos. Pode nomear imagens.. Construção gramatical correta. A partir desta fase incrementa o léxico e o grau de abstração. Período florescente da linguagem. Frases holáfrases. Começa a diferenciar tempos e modos verbais. Etapa do monólogo individual e coletivo. Importante evolução neuromatriz. É capaz de estabelecer semelhanças e diferenças. Compreende contrários. conjugação verbal e articulação fonemática. Usa nexos . Primeiras combinações substantivo-verbo e substantivo-adjetivo. espacial e temporal. Linguagem em jargão. Idade das “perguntas”. Uso social da linguagem. Uso freqüente do “não”. noções espaciais etc. Pensamento animista e mágico.Compreende o significado de algumas frases habituais do seu entorno.Do 12º ao 18º mês das frases Sabe algumas palavras. Inicia singular e plural. Acompanha sua fala com gestos e expressões. verbos. Progresso intelectual que conduz ao raciocínio. Compreende e responde a instruções. Seu vocabulário consta de 5 a 20 palavras.

É sim. a aprendizagem da criança. Tem na sua gênese uma raiz egocêntrica e depois evolui tornando-se sociocêntrica. uma organização da função de representação. Piaget não enfatiza o papel da linguagem no desenvolvimento infantil e nem considera o papel comunicativo da mesma. mas não o gera. A tabela abaixo nos indica a evolução da linguagem segundo o autor. Auxilia sim. desenho ) . Ela serve ao progresso do desenvolvimento cognitivo. Não é fonte de desenvolvimento. Níveis evolutivos Processos Formadores Pensamen to Linguagem . No período operatório a linguagem ajuda o sujeito a conhecer.ampla e não é mais do que uma das manifestações da função de representação ou semiótica. interage com o pensamento e o subsidia. como todas as outras funções semióticas ou de representação ( jogo simbólico. imitação. portanto não cria cognição e não influencia o início da mesma. Para ele a linguagem nasce da ação sensório-motora.

Plano Sensório-motor Plano representativosimbólico Plano representativoconceptual Equilibração entreAssimilação Esquema sensório-motor – e acomodação percepção eações Equilibração incompleta entre Esquema a Assimilação e a Acomodação simbólico=imagens Equilibração entreAssimilação eacomodação Indício = palavra napresença do objeto Semi-signo=Palavra na ausência doobjeto. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO: DE 0 A 6 ANOS Já vimos na unidade anterior que algumas teorias insistem no papel decisivo do ambiente para a aprendizagem. Para o professor é extremamente importante entender como são formados os conhecimentos a fim de poder utilizar estes conhecimentos para desenvolver uma ótima abordagem didático-pedagógico obtendo. assim. acompanhandosua imagem. contrapondo-se as teorias que evidenciam o papel organizador do próprio indivíduo. o melhor desempenho de seus alunos. As idéias que mais encontraram apoio nas pesquisas desenvolvidas .

Um dos objetivos básicos do ensino hoje é o de que o indivíduo seja capaz de enfrentar situações novas e agir de forma eficaz diante das mesmas. A questão de como são formados os conhecimentos está profundamente vinculada à questão do Ensino.em ambientes educacionais são aquelas que defendem que a escola deve favorecer a atividade da criança. . A idéia chave está na análise do organismo que produz a conduta e não na relação entre o que entra no organismo e o que saí (estímulos/ respostas). Destas idéias surge o interesse e a necessidade maior do conhecimento da psicologia evolutiva.

ou seja.. Defendemos o princípio básico..A raiz desta questão está na explicação de como são formados os instrumentos intelectuais do indivíduo e não somente na forma como o indivíduo adquire os conhecimentos concretos do ensino. aprendizagem é a mudança na disposição ou na conduta de um organismo relativamente permanente e que não se deve a um processo de simples crescimento” . As diferentes teorias encaram de forma diferenciada as questões da aprendizagem (como já vimos). (1998) de que: “. os conteúdos. apresentado por Delval.

se faz necessário ao professor conhecer o desenvolvimento intelectual do ser humano. O estudo sobre o desenvolvimento cognitivo progrediu muito no decorrer do século XX. . Das idéias iniciais que subestimavam a inteligência dos bebês até as teorias que hoje estudamos. Para isso. Raciocínio. Conceitos. O que capacita o sujeito o aprender são as formas de abordagens dos problemas de que dispõe. Percepção. Linguagem.Assim sendo. Memória. de forma ampla como conhecimento e envolve diferentes aspectos como: • • • • • • Inteligência. só poderemos entendê-la a medida que aceitarmos ser ela um elemento do processo de desenvolvimento no seu conjunto. os progressos foram fantásticos. Cognição pode ser entendida.

é pré-lógico ou semilógico. Durante este estágio. Estágio do pensamento pré-operacional (2 a 7 anos). neste estágio. Na visão de Wadsworth (1993): 1. nem sempre padronizada ou indicativa dos mesmos aspectos.A VISÃO DE DIFERENTES AUTORES SOBRE OS ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVO Esta apresentação tem o objetivo de destacar a visão dos autores sobre os estágios de desenvolvimento elaborados por PIAGET. 3. 2. O raciocínio. o comportamento é basicamente motor. o desenvolvimento cognitivo é constatado à medida que os esquemas são construídos. Este estágio é caracterizado pelo desenvolvimento da linguagem e outras formas de representação e pelo rápido desenvolvimento conceitual. Estágio da inteligência sensório-motora (0 a 2 anos). apresentando variações nas idades e nas características indicadas. A criança ainda não representa eventos internamente e não “Pensa" conceitualmente. Estágio das operações concretas (7 a 11 anos). visão esta. Durante estes anos a criança desenvolve a capacidade de aplicar o pensamento lógico a . apesar disso.

Estágio pré-operatório (de 2 a 6 anos) • Inteligência • Inteligência representativa (esquemas de ações interiorizadas) • Egocentrismo (o ponto de vista da criança domina) • Pensamento intuitivo. no presente. temporalmente. as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento. 3. Estágio sensório-motor (0 a 2 anos) prática • O bebê começa a ser capaz de resolver problemas práticos cada vez mais complexos • A evolução dos esquemas permite que o muno vá sendo organizado (espacialmente. e as crianças tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas.problemas concretos.Estágio das operações concretas ( de 6 a 11 anos) • Inteligência operatória (baseada em um conjunto de operações . causalmente) 2. baseado na percepção. Estágio das operações formais (11 a 15 anos ou mais). Neste estágio. Na visão de Coll et al (1993) : 1. 4.

Estágio das operações formais (de 11 a 15 anos) formal (pode aplicar-se a qualquer conteúdo) • Pensamento combinatório (capacidade de pensar em todas as combinações e variantes possíveis de um fenômeno) • Pensamento hipotético-dedutivo (capacidade de racionar por meio de hipóteses) • Inteligência Na visão Anita Woolfolk (2000) Estágio Idade Aproximada Características Começa a fazer uso da imitação. Passa das ações reflexas para a atividade voltada para um objetivo. Passa das ações reflexas para a atividade voltada para um objetivo. Gradualmente desenvolve o uso da linguagem e Sensório-motor 0.lógicas) • Pensamento mais lógico e racional • As operações permitem organizar a realidade de uma maneira mais estável (conservações) 4. memória e pensamento. Começa a reconhecer que os objetos não deixam de existir quando estão ocultos.7 anos .2 anos Pré-operacional 2 .

Compreende a reversibilidade. Operacional concreto 7 –11 anos FATORES DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO Maturação Biológica/ Hereditariedade: as características biológicas influem. Tem dificuldade em ver o ponto de vista de outra pessoa Capaz de resolver problemas concretos (práticos) de maneira lógica. mas não oferecem uma .a capacidade de pensar de forma simbólica Capaz de pensar sobre as operações logicamente em uma direção. Compreende as leis da conservação e é capaz de classificar e seriar.

estrutura pronta desde o nascimento. conceitos de valores “ajuda ao . É fator educativo principalmente para o desenvolvimento do conhecimento social. como por exemplo . – como os que não tem tais referenciais como. “mana" .cobertor . por exemplo. Transmissões Sociais / Interação Social: Intercâmbio de idéias entre pessoas. Os conceitos ou esquemas que o sujeito desenvolve pode ser classificados: – como os que tem referenciais físicos acessíveis (podem ser percebidos pelos sentidos). A criança necessita assimilar o que lhe procuram inculcar do exterior.

próximo".físico. Todo o conhecimento construído pela criança . São estas experiências ativas que tem como resultado a mudança cognitiva. Equilibração: coordenação entre os três elementos anteriores. sua experiência pessoal. A construção do conhecimento só ocorre a medida que o sujeito experiência. “honestidade". É fator essencial e determinante ao desenvolvimento neste processo contínuo de adaptação ao meio em que vive. Experiência com os objetos / Experiência ativa: conhecimento que a criança retira de suas experiências com os objetos físicos e sociais. sua vivência. . lógico-matemático e social .requer sua troca. Nesta construção precisa equilibrar a nova experiência com os fatores anteriores (maturação biológica.

transmissões sociais e experiências física). Muitos estudiosos pós–piagetianos acrescentaram subperíodos aos períodos inicialmente indicados na obra original. nos estudos realizados até o momento que os autores dividem de forma diferenciada os períodos de desenvolvimento cognitivo. Cria-se assim um conflito cognitivo e é necessário um jogo de regulações e de compensações para que se atinja uma coerência entre o que já sabia com as novidades provocadoras deste conflito = isto se dá através das Leis da equilibração que nós veremos no Módulo III com mais profundidade. O importante é termos clareza de que em cada um desses períodos acontecem transformações substanciais e conseqüentemente também superação de um tipo de . com aquilo que já sabe (produto das suas experiências anteriores). Já vimos.

egocentrismo. A TEORIA DE PIAGET SOBRE O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO .

mas . o principal trabalho que a criança precisa realizar no seu desenvolvimento é conseguir que o mundo. tanto físico como social. 106). tenha uma organização e uma constância” (p.O Estágio Sensório – Motor A criança no período sensório-motor (período anterior ao aparecimento da linguagem) aprendeu a agir sobre as coisas e prever seus comportamentos. O surgimento desta. Esta capacidade não é simplesmente acrescentada às outras. atividade representativa ou jogo simbólico. Jean Piaget “. representa o término do período sensório-motor e o início do pré-operatório.. Estabelece um instrumento básico para agir e interpretar a realidade: a representação..

grãos. Assim. Esta é uma construção longa que se encerra somente no fim da adolescência.Esta representação do objeto ausente (comida) demonstra sua capacidade de representação mental. os acontecimentos vividos fixados em nossa memória. substituímos. Para nós adultos. palitos. o que existia no plano concreto passa a existir também no plano da representação. Ao recordarmos qualquer fato e o comentarmos em uma roda de amigos.sim. reconstruímos. . Quando uma criança brinca de fazer comidinha pode representá-la por folhas. esta capacidade está de tal forma internalizada que pode tornar-se muitas vezes difícil o entendimento do grande avanço que acontece no plano cognitivo de uma criança nesta fase. buscamos as coisas ausentes. obriga o ser humano a reconstruir o que sabe em outro plano. surgem lembranças de cenas vividas que se interligam intimamente com as palavras que estamos utilizando. Ou seja.

“A capacidade de representação de objetos e eventos é o principal desenvolvimento do estágio pré-operacional” (Wadsworth. 1988) O ESTÁGIO SENSÓRIO-MOTOR .

A criança ao nascer age sobre o mundo através das suas condutas reflexas. coordenando-as começa a construir as primeiras noções sobre os objetos. Neste período inicial todo o contato da criança com o seu meio se faz através das atividades sensoriais e motoras.Ela não é um ser passivo ou simplesmente um ser receptor da estimulação do meio. Não existe linguagem e nenhuma outra forma de representação.O conhecimento vem das ações físicas sobre os objetos. perde o interesse pela mesma. Repetindo ações.Resumo: Chamado de sensório-motor porque as crianças usam os sentidos e a atividade motora para descobrir o ambiente. Organiza toda a informação obtida pelos sentidos e desenvolve respostas aos estímulos ambientais. Inicia então. o processo de modificação da mesma. Estas ações tornam-se esquemas. A repetição tem um papel preponderante no desenvolvimento. explorando novas possibilidades. Servem para consolidar as condutas. . Quando a criança já dominou determinada ação. modificando-as a criança produz novas condutas.

Esta noção chama-se noção de objeto permanente.Portanto. Sua existência não depende de poder ver. Ou seja. tempo e causalidade. ouvir. . Sua existência marca a passagem para o estágio seguinte. sentir. e as coisas dele são permanentes. seu comportamento caracteriza-se pela adaptação. É a noção mais importante deste período. é básica para construção das noções de espaço. tocar. cheirar. A consciência de que os objetos são permanentes e não são destruídos quando desaparecem é desenvolvida pouco a pouco a partir das experiências. Ela está constantemente modificando esquemas de ação para responder ao ambiente. é a capacidade de reconhecer que o mundo. Este estágio inicial divide-se em uma série de etapas que se iniciam com o exercício dos reflexos e que através da consolidação dos esquemas ampliam suas redes de relações e se consolidam. Desta forma acontece o desenvolvimento.

. agora . no plano sensório motor.no plano do pensamento. Esta possibilidade de substituição é chamada também de “ capacidade representativa “ ou “ simbolismo “.processo de conceituação que envolve a interiorização e reconstrução das ações executadas antes. Esta fase é o início de um processo de reconstrução que se tornará cada vez mais complexos e que perdurará até o estabelecimento da maturidade intelectual. pelos desenhos. mas sim obriga o sujeito a reconstruir. de substituir as coisas ausentes pelas imagens. pelas modelagens etc. pelas brincadeiras de faz de conta. Para que o pensamento aconteça é necessário que haja a capacidade de “ tornar presente” ...O ESTÁGIO PRÉ-OPERATÓRIO Resumo: A característica central do estágio préoperatório é a “ tomada de consciência” . pelas palavras. A importância da capacidade de representação reside no fato de que ela simplesmente não acrescenta fatos novos aos já existentes.

A criança. o jogo simbólico. no que percebe). a imagem mental e a linguagem falada. ou seja. Normalmente todas elas manifestam-se em torno dos dois anos de idade. Aos poucos.Interessante observar que Piaget ao caracterizar este período como pré-operatório não destacou o grande avanço da criança. no que vê. a utilização do pensamento operatório ( pensamento ordenado de acordo com um conjunto de princípios lógicos). no que sente. Esta capacidade tem diferentes formas ou tipos de manifestações como: imitação diferida. segundo Piaget.Neste estágio a criança ainda se encontra muito ligada a aparência e a percepção das situações ( ligada no fato concreto. a medida que aumentam suas capacidades simbólicas a criança passa a prestar maior atenção nas transformações que acontecem no seu meio e como estas transformações ligam uma situação à outra. demonstra desta forma sua capacidade . ressaltou o que elas ainda não fazem. ou sejam sua capacidade de utilizar o pensamento simbólico. mas sim. o desenho.

no caso da comidinha. a capacidade de representação mental em essência se confunde com o próprio pensamento. ou capacidade representativa da criança manifesta-se inicialmente pela imitação (reprodução por meio de gestos de condutas observadas).as folhas. a idéia compreensiva do que foi percebido. Estas manifestações do pensamento se desenvolvem de maneira . a capacidade de distinguir entre um significante (imagem. ou seja. A função simbólica. conforme já explicado. ou seja. A função semiótica.simbólica ou semiótica. e um significado . o objeto ausente. na brincadeira de faz de conta e na linguagem. palavra ou símbolo). ou seja.

Outro grande avanço deste período está no fato de que a representação da realidade tornar-se socializada e compartilhada.interligadas. a modelagem. a dança. causalidade e permanência do objeto que o bebê usava nos seus processos de reconhecimento (do tempo presente). através de ações e percepções. refeitas no nível da representação. a construção de objetos. ou agia sobre os próprios objetos situações.À medida que a criança evolui formando imagens mentais mais sólidas. Explicando: no período sensório motor a criança trabalhava. que já dominava pela ação. Na inteligência pré-operatória a criança age através de signos e símbolos. dentro de um determinado tempo e espaço. e exatamente por isso reconstroem as categorias de espaço (evoca algo que não está presente) e de tempo (evoca situações passadas ou antecipa o futuro imediato). já vivenciou. Fala-se que o estágio Pré-operatório é o estágio da reconstrução exatamente porque as categorias de tempo. agora precisam ser reconstruídas. pois os signos e símbolos pertencem a sistema sociais comuns e não são . Esta só pode acontecer tendo por referência as coisas que a criança já conhece. esta capacidade encontrará outras formas de manifestação como o desenho. de espaço. já experimentou.

a aquisição da linguagem e sua inserção dentro da ação é uma característica mais importantes. Da mesma maneira que a imitação e o jogo do “faz-de-conta”.no desenvolvimento da disciplina a linguagem é tratada em um capítulo especial. o desenho é uma forma de representação: . e ao mesmo tempo uma das tarefas mais difíceis e complexas com que o ser humano se defronta ao longo de seu desenvolvimento. apesar de ser absolutamente necessário ter-se claramente estabelecido o conceito de que para Piaget a linguagem é uma forma de representação. Assim.comportamentos isolados. Nas capacidades representativas desta fase surge também o desenho. como no período anterior. Na etapa pré-operatória. Consideramos a aquisição da linguagem como uma etapa marcante no desenvolvimento do ser humano por ser ela uma forma de conhecimento social.

que brotam de suas experiências pessoais . a criança está ainda muito ligada a aparência dos objetos. físicos. A criança vai aprendendo a formar categorias com os objetos. cor. porque o sujeito não é capaz de realizar “operações”. descobre um princípio básico para seu desenvolvimento . a classificá-los e ordená-los de acordo com suas diferenças ou semelhanças. Desta forma. tamanho. aos seus aspectos perceptivos ( forma. usando para isto atributos perceptivos.) Esta característica faz com que preste menos atenção às transformações que ligam uma situação à outra.CARACTERÍSTICAS DO PENSAMENTO PRÉOPERATÓRIO Nesta etapa chamada assim. de sua ação com o mundo dos objetos que a cercam.

transformações. Estas características são: egocentrismo.106). vêem as coisas e agem como ela. 1999.definida por Piaget como a incapacidade da criança de se colocar no lugar do outro.o da lógica. Ressalte-se que nos movimentos e nas transformações é capaz de compreender o que não contradiz o que já sabe. Ex: meu avô não é avô de meu irmão ou de meu primo. ainda preso as características perceptivas. Que seu • Pensamento .cognitivo . o que já vivenciou. por assim dizer. a criança opta sempre a favor dos dados perceptivos em detrimento das transformações que ocorreram. centração e reversibilidade. o pensamento pré-operatório.p. Compreende dados perceptivos que melhorem suas experiências anteriores. no surgimento de um conflito lógico. ou seja. egocêntrico . Assim “o que é essencial no desenvolvimento intelectual é a organização do mundo e a construção paralela dos procedimentos para reorganizá-lo” (Delval. estas se tornam. Por estar. obstáculos ao desenvolvimento ou alcance do pensamento lógico. Ela acredita que todos pensam.

nas transformações. • Estados . Seu pensamento é estático e rígido.” e transformações . na totalidade. Normalmente acredita que a evidência é que está errada.pensamento está sempre correto e lógico. mesmo diante de evidências que lhe mostrem ações contraditórias. Na visão de Wadsworth (2001 “o egocentrismo pode ser concebido como a forma de inibir o desequilíbrio.definida como incapacidade para raciocinar com sucesso sobre as transformações que ocorrem com os objetos ou com os eventos. Não consegue acompanhar ou reconstruir a transformação ocorrida. ou o pensamento egocêntrico é absolutamente normal nesta fase que a criança não tem consciência de que a sua forma de pensar pode estar diferindo da forma de pensar do grupo. com base nas observações do momento. A conseqüência mais direta do pensamento egocêntrico é o fato de que a criança não questiona as ações que ocorrem em seu meio. É importante saber que o egocentrismo. Ele age no sentido de manter o status quo da estrutura cognitiva. Não consegue pensar nas conseqüências.

ou um atributo. Ex: reconhecer que o gelo é a água colocada no congelador ou que a água do copo derramada na bacia é a mesma em quantidade. incapaz de descentrar o enfoque visual. normalmente. Ex. apesar de apresentar relações pobres e conflitos hierárquicos entre as classes. diversos aspectos de uma situação. Onde tem mais? Ao explorar uma mesma quantidade de líquido colocado em recipientes diferentes. . Estas noções estabelecem-se no período concreto. • Centração . que a quantidade de água de A não é a mesma de C porque só consegue focalizar uma dimensão por vez (neste caso. apesar da centração a criança pré-operatório é capaz de formar classes e categorias.O conflito é resolvido com base nos dados perceptivos (no destaque. Exatamente por isto tem dificuldade para considerar. simultaneamente. É exatamente esta característica de pensamento que Piaget chama centração.focaliza apenas uma dimensão do estímulo. naquele que é mais fácil de perceber) e não nas transformações ocorridas. a criança pré-operatória dirá. Incapaz de levar em conta mais de uma dimensão ao mesmo tempo.: massinha transformada em cobra. altura ou largura dos recipientes). Entretanto.

A reversibilidade existente no início do período relaciona-se as noções práticas de espaço e de grupos de deslocamento. ou seja. a centração e outras dificultam o desenvolvimento do conceito de reversibilidade. o fato de que o ambiente físico normalmente não oferece muitas condições específicas para a “descoberta” destes conceitos através de manipulação direta. de um líquido derramado ( que não retorna ao vasilhame original).incapacidade de entender que as transformações que acontecem podem ser revertidas. como acontece com tantos outros. Acresça-se a isto. ou portão que se abre.: gelo transformar-se novamente em água. “Capacidade de entender que certos • Irreversibilidade . Ex. outras tantas já a dificultam como é o caso de um objeto jogado (que não volta sozinho). Entretanto. ou seja. pode ser fechado (portanto esta é uma ação que pode levar a formação do conceito de reversibilidade). janela. Exemplificando: uma porta.. As características do pensamento pré-operatório já comentadas até o momento como o egocentrismo. Já colocamos anteriormente que para Piaget uma das características que define de forma clara a inteligência do ser humano é a reversibilidade. voltar ao seu estado original. a capacidade de seguir uma linha de raciocínio de volta a ponto de partida.

podemos também desfazê-la e reinstaurar o estado original” ( Biaggio. . Normalmente o princípio da conservação não é claramente entendido pela criança pré-operatória e estabelece-se com mais exatidão no período seguinte. compreensão de que duas coisas que são iguais continuam iguais caso sua forma seja alterada contando que nada seja adicionado ou retirado. É importante destacar que para Piaget a noção de conservação surge espontaneamente como resultado de processos de assimilação e acomodação de experiências ativas. Entretanto é preciso ressaltar novamente que a manipulação direta de objetos que favoreçam esta aquisição ou o desenvolvimento das noções de conservação é que respondem pelas variações que as crianças apresentam. • Conservação . classificação e outras. Ou.a quantidade de uma matéria permanece sempre a mesma apesar de estar sujeita a mudanças.fenômenos são reversíveis. que quando fazemos uma transformação. elas não podem ser “ ensinadas” . A característica da irreversibilidade explica em grande parte as dificuldade das crianças pré-operatórias ao lidarem com noções mais abstratas como a da conservação. Portanto. isto é.2001).

como conseqüência natural. massa. No período pré-operatório as Classificações e relações progridem rapidamente da habilidade de apenas agrupar de modo rudimentar para a • Classificação . a medida que atingir o pensamento de reversibilidade desenvolve . É a segunda habilidade básica para a compreensão de conceitos numéricos. Colocar as coisas em conjuntos ou tipos e utilizar propriedades abstratas. como a cor. das diferenças e semelhanças entre os objetos e completam-se mais tarde nas noções de quantificação. líquido. à medida que aprender a descentrar suas percepções e seguir as transformações que observa. ou a nomenclatura verbal. peso. a forma.A medida em que a criança torna-se menos egocêntrica aprendendo a questionar seu próprio pensamento. os esquemas de conservação. Iniciam-se pela identificação. A noção de conservação aplica-se a número. área e volume. A noção de classificação possibilita a construção de arranjos com invenções progressivas dos critérios utilizados para a reunião de objetos numa ou em várias coleções. – É o ato de agrupar objetos por similaridades. para juntá-las. pela própria criança. volume.

agrupa utilizando o critério forma seguido pelo critério cor. Nas classificações não adota um critério único. . cor. • Noção Contagem e conceito de número são duas coisas totalmente diferentes.classificação adequada (forma. mas modifica-o de acordo com o estímulo anterior. Assim. experimentações com os mesmos. de número . Realiza sim. tamanho). em torno de 4/5 anos ainda não é capaz de colocar os objetos em determinada ordem.a conceituação de quantidade depende essencialmente da capacidade de conservação (mesma quantidade independentemente de sua divisão). Entretanto.

tendo como base os textos de Maria da Glória Seber. a seu uso. citado na bibliografia. Na etapa inicial ocorrem na presença do modelo e posteriormente (pela representação simbólica) na ausência do mesmo. A reprodução de arranjos feitos com objetos conduz à compreensão de um conjunto de relações topológicas (proximidade. nomes de brincadeira etc. separação. ângulos etc nos níveis posteriores.Para que tenhamos clareza quanto a alguns conceitos fundamentais os mesmos são aqui explorados. . Abrangem questões relacionadas aos objetos. Helen Bee e Juan Delval. BRINCADEIRA SIMBÓLICA: atividade na qual os objetos são utilizados como suporte para o diálogo com a criança. Favorecem o desenvolvimento da atividade representativa em seus aspectos simbólico e lingüístico. ordem espacial) que formarão noções diversas de direção. IMITAÇÂO: Significa reproduzir um modelo fornecido.

Significa entender que é possível aplicar-se uma determinada ordem sistematicamente a quaisquer conjuntos de objetos. a ordenação de conjunto de objetos que apresentam entre si diferença constante. de peso. Possibilitam a construção de séries. que ocorre antes do volume. A noção de quantificação leva ao estabelecimento de condições intelectuais ou lógicas para a conquistada noção de conservação de . QUANTIFICAÇÃO: significa estabelecer em um primeiro momento. correspondência um a um entre um conjunto de objetos (onde tem mais. amassar. de textura e outros. massa).BRINCADEIRA SENSÓRIO-MOTORA : relacionamse ao amadurecimento céfalo-caudal E próximodistal. de tonalidade. A seriação por tamanho ocorre antes do peso. visam o aprimoramento dos esquemas motores. Estas diferenças podem ser de tamanho. areia. de forma. onde tem menos?) e em outro momento avaliar as proporções entre pequenos montes de elementos não contáveis ( líquido. SERIAÇÃO: Capacidade de classificar itens em maior e menor. empurrar. ou seja. Exemplo: rolar.

em síntese é sempre apresentado. TEMPO: exige o desenvolvimento da representação para formar-se como uma noção abstrata. A evocação vai permitir à criança pegar um determinado objeto e recordar um fato relativo a ele. A noção de tempo envolve duração. Começa a se desenvolver desde o nascimento. o período pré-operatório. Destaca as questões que a criança ainda não é . em termos negativos. depois a seus deslocamentos e aos deslocamentos dos objetos. ou definido. ordem e simultaneidade Como resultado das pesquisas realizadas e principalmente das comparações estabelecidas com o período ou estágio posterior. Tem íntima relação ou é inseparável da noção de tempo. A vivência vai propiciar a reconstruções dessas relações espaciais no plano da representação.substância e de unidade. e finalmente aos deslocamentos dos objetos entre si. ESPAÇO: estabelecimento de um sistema de relações referentes inicialmente a seus próprios movimentos.

pessoas e eventos. apesar desta reflexão ter como base suas observações concretas. Entretanto é necessário destacar o grande avanço da criança na sua capacidade de representar e refletir mentalmente sobre objetos. . A criança mostra sinais de estarem construindo uma teoria a respeito das coisas. de seus próprios pensamentos.capaz de resolver. e inclusive de enganar propositalmente para alcançarem seus propósitos. mostram terem consciência muitas vezes. Já são capazes de distinguir alguns eventos reais dos imaginários.

subtração.CONCRETO : DE 6 A 12 ANOS As mudanças cognitivas de 6 a 12 anos. multiplicação. adição. ordenação seriada e outros) que a criança descobre.O PERÍODO OPERATÓRIO . Inicia-se com o surgimento das operações concretas e concluem-se com o surgimento das operações formais. ou de esquemas internos. elabora e reelabora para o exame do mundo ou para a sua interação com ele. abstratos e poderosos ( reversibilidade. Como uma regra básica podemos dizer que as operações são ações implicadas nos símbolos matemáticos comuns e . Em termos piagetianos este é um período de grandes transformações cognitivas. de estratégias. Piaget chama de "operações" o conjunto de regras.

. pertencendo ao domínio das operações intelectuais. segundo Berns ( 2002 ). é a fase de consolidação e organização da evolução da inteligência representativa. Cada um dos esquemas que a criança forma é uma espécie de regra interna que a criança constroe e passa a utilizar sobre os objetos e suas relações. a divisão ( ). São.. multiplicação ( X) . a SUBTRAÇÃO ( -). . maior ou menor ( < > ) portanto.conhecidos como a ADIÇÃO ( +). precedida pelo período préoperatório e seguida pela preparação e consolidação de uma segunda fase de equilíbrio da inteligência representativa constituída pelo estágio das operações . “ representações mentais reversíveis “. igualdade ( =).

ou seja. transformam-se em operações mentais.formais. problemas concretos. Depois. Organiza suas percepções do mundo. Esta organização faz com que ela entenda muito melhor .(Marti apud Coll. ou seja. dos objetos. Na fase das operações concretas a criança não necessita agir efetiva e constantemente sobre os objetos para entendê-los. 1995) Piaget diz que em torno dos sete anos o pensamento da criança torna-se lógico. mediante signos. Inicialmente esta lógica é aplicada a problemas que existem. apresenta características de reversibilidade. Pode representar as coisas e agir sobre a realidade de maneira mediatizada. símbolos e ações mentais.

ou seja. apesar de desenvolver as operações lógicas (reversibilidade. .) emprega-as apenas na solução de problemas reais. classificação.o termo concreto. Explicando: diferentemente da pré-operátoria a criança nesta fase toma decisões cognitivas e lógicas. Significa que a criança não tem condições de aplicar a lógica a problemas . observáveis. em suma. Significa que neste estágio a criança. É importante ter-se claro um dos termos que caracteriza este período. (Piaget. conservação etc. 1972). em problemas que envolvam objetos e fatos concretos e imediatos. Ela descentra suas percepções e é capaz de acompanhar as transformações. É um pensamento que costuma ser acompanhado de um sentimento de coerência. apresentando argumentos corretos que contrariam os dados obtidos unicamente através da percepção (fase anterior).as transformações e os estados a que as coisas estão sujeitas.

Agora ele é percebido no seu todo. conseguir coordenar os diferentes pontos de vista.Com base em Eduardo Marti (1995) e complementado por outros autores citados na bibliografia podemos defini-las da seguinte forma: Descentração: capacidade de poder seguir as transformações sucessivas da realidade através de todos os caminhos e rodeios possíveis. Na etapa anterior cada passo é percebido de forma independente. Piaget distingue três características básicas da inteligência operatória: a descentração. A criança tem consciência e compreensão das relações que se estabelecem entre os diferentes passos de uma transformação.verbais ou abstratos ou mesmo os problemas concretos que envolvam vários fatos. . a conservação e a reversibilidade. ou seja. e ao invés de proceder a partir de um ponto de vista único.

(possibilidade de ir e vir) Que a salsicha de argila pode voltar a ser uma bola. Ressalta que o conceito de reversibilidade é básico para o entendimento do processo de construção da inteligência.Ou seja. Capacidade de retroceder e de avançar no pensamento sobre as relações. Esta compreensão aplica-se também aos sentimentos. A criança passa a compreender as razões de mudanças nos estados afetivos dos outros. como e porque as razões das mudanças. Isto tem profundo significado nas suas relações sociais Reversibilidade: Piaget acredita ser a reversibilidade a noção mais crítica a ser adquirida. Torna o pensamento móvel e dinâmico. que a água colocada no copo mais alto pode retornar ao copo mais baixo e permanecer com a mesma quantidade.no que aconteceu. compreender que as operações mentais e as ações físicas podem ser invertidas ou revertidas. A característica das operações concretas é .

mas de cores diferentes. . ou seja. Ao virarse o cilindro em 180º para fazer com que as balas saiam pelo outro lado. o que denota a incapacidade do pensamento pré-operatória em reverter a operação.poder desenvolver-se de maneira reversível por inversão – (volta ao estado anterior . A criança operatória concreta já responde com lógica correta. A pré-operatória responderá pela ordem das cores que as mesmas foram colocadas. em usar a inversão. mostrando a inversão estabelecida ou por reciprocidade ( lei da compensação). Coloca-se em um cilindro três calas do mesmo tamanho. a resposta será a mesma – pela ordem das cores em que foram colocadas.ou lei da compensação.se eu fizesse isso voltar ao que era. seria o mesmo) capacidade de reverter mentalmente as operações. Piaget explica a lei da inversão ou com um exemplo de atividades. Pergunta-se para a criança que sairá da boca do mesmo.

2002. “Envolve a compreensão de que. ou seja. rosas e flores. B é menor do que A “. A reversibilidade leva o sujeito a compreender operações lógicas abstratas como “ se A é maior do que B . Conservação: é a possibilidade que existe de algo se conservar apesar das transformações que possa sofrer. permanecem. ou compreender hierarquias de classes como cachorro e animal. È a compreensão de invariantes. de que nas transformações. algumas coisas não se modificam. se nada é acrescentado ou tirado de um objeto.p. esse objeto permanece o mesmo embora possa sofrer mudanças na aparência” (Berns.350). diz que no copo mais alto entrou a mesma água porque a altura “compensa” largura do copo inicial.A criança operatória concreta procura nas “leis de compensação” explicações para fenômenos ou transformações realizadas. Por exemplo. Se transformamos um objeto em sua forma ( bolas e .

Conservações numéricas (a quantidade não muda mesmo que modifique a disposição) e conservação de comprimento são também adquiridas no final desta fase. de reverter operações por inversão e por reciprocidade são todas necessárias para o desenvolvimento das capacidades de conservação e para o progresso do raciocínio” (Wadsworth. 1998) . de acompanhar transformações. a noção de conservação entendendo que a substância permanece a mesma . ou seja. a . “ As capacidades já descritas anteriormente de descentração. depois a quantidade. é um dos indícios mais claros de agrupamento das ações em sistemas organizados. A noção de conservação. para Piaget.depois o líquido. um dos indícios mais claros da passagem da intuição à operação. ( pré-operatório ao estágio operatório concreto). seguida do peso e do volume. Na verificação da estimativa da linha de nível de líquidos. normalmente .salsicha) algo muda e algo permanece. A criança inicia.

baseando-se em princípios lógicos. O brincar é tão importante para o desenvolvimento psicomotor. Através do brincar uma criança vai desenvolvendo sua criatividade e vai internalizando e aceitando as regras sociais e morais. A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR PARA O DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DO SER HUMANO Para uma criança ter seu desenvolvimento físico/psicomotor. já a criança concreta conserva a horizontalidade.criança pré-operatória baseia-se em fatores perceptivos intuitivos e normalmente apresenta uma mesma reposta. . brincando. cognitivo e afetivo estimulado deve ter mais chances de interagir com seus pais e cuidadores.

que enfatiza que: “o brincar. pois brincar e imitar são as formas de aprender a viver a partir dos modelos que assistem e copiam. Jamais o Brincar é involuntário.. Além disto. ao contrário de ser constituído pela realidade psíquica. ele é seu constituinte”. é uma atividade universal. de um desejo efetivo da criança. das mais primitivas às mais sofisticadas. o brincar depende de uma determinação consciente. Mas o que é o Brincar? Para Roza (1999): .. presente em todas as formas de organização social. A mesma autora cita Winnicott (in ROZA.. 1999)..cognitivo e afetivo quanto para o social e moral.. .

é nas manifestações da criança que ela vai elaborando e organizando. agressividade. o mundo que a rodeia já que muitas vezes ela não pode ou não sabe ainda falar a respeito do que vê. a regulação do afeto. conduzindo-os para um crescimento saudável. as estruturas mentais só se desenvolvem se houver possibilidade de expressão e comunicação com o meio (Oliveira et al. 2000). entre o brincar e o amadurecimento das funções cerebrais. Nas brincadeiras infantis. por isso é tão importante que pais e educadores possibilitem o brincar livre e ofereçam materiais variados sobre os quais as crianças possam exercer sua criatividade. cooperação. ouve e sente. criatividade. aparecem as interações com outras crianças.. competição. Além disso. A aprendizagem do agir só pode ser em contato significativo com o . imaginação e seus potenciais individuais. do ponto de vista orgânico. Crianças usam diferentes linguagens para expressar suas emoções.Existe uma correlação fundamental. O brincar é a forma de representação simbólica mais importante para a construção de sua inteligência e equilíbrio emocional uma vez que. o controle dos impulsos. com suas possibilidades.

as crianças começam as brincadeiras e os jogos coletivos. As brincadeiras simbólicas possibilitam reviver um tempo anterior. O prazer pode predominar no brincar. a mãe ou seus cuidadores. através do brincar. muitas vezes. preparando-as para o enfrentamento do futuro. É no brincar que a criança desenvolve seus aspectos cognitivos. o que favorece a criatividade.outro. Os ritos e regras das brincadeiras e dos jogos coletivos facilitam o processo de integração grupal e o desenvolvimento sócio-afetivo e cultural criança. pois em suas experiências reais não lhes foram compreensíveis. ajudando-as a modular os laços afetivos com outras crianças. afetivos e sócio-culturais. Com o crescimento. contando fatos ou situações que as crianças vivenciaram e tentando. . elaborar através do lúdico situações que necessitam ser entendidas. necessário para assegurar a unidade dos grupos e sua identidade. pois vai internalizando as regras de convívios nos grupos. a combinação de novas idéias que reúnem conteúdos conscientes e inconscientes. Essas recordações e imagens vão construindo a subjetividade de cada criança. do passado mais próximo ao mais remoto.

ou seja. dos objetos. Na fase das operações concretas a criança não necessita agir efetiva e constantemente sobre os objetos para entendê-los. Piaget diz que em torno dos sete anos o pensamento da criança torna-se lógico. apresentando argumentos . problemas concretos. mediante signos. símbolos e ações mentais. Pode representar as coisas e agir sobre a realidade de maneira mediatizada. Depois. transformam-se em operações mentais. Esta organização faz com que ela entenda muito melhor as transformações e os estados a que as coisas estão sujeitas.Nessa medida. ou seja. todos os esforços empreendidos pela sociedade. como tanto temos assistido. É um pensamento que costuma ser acompanhado de um sentimento de coerência. através de iniciativas públicas ou privadas (principalmente as ONG’sOrganizações Não Governamentais) são tão importantes para a prevenção de uma infância feliz. adequada e com menos sofrimentos. Organiza suas percepções do mundo. apresenta características de reversibilidade. Inicialmente esta lógica é aplicada a problemas que existem. Explicando: diferentemente da pré-operátoria a criança nesta fase toma decisões cognitivas e lógicas.

Significa que a criança não tem condições de aplicar a lógica a problemas verbais ou abstratos ou mesmo os problemas concretos que envolvam vários fatos. observáveis. apesar de desenvolver as operações lógicas (reversibilidade. (Piaget. 1972). É importante ter-se claro um dos termos que caracteriza este período. ou seja. Ela descentra suas percepções e é capaz de acompanhar as transformações.corretos que contrariam os dados obtidos unicamente através da percepção (fase anterior). . . Piaget distingue três características básicas da inteligência operatória: a descentração. e ao invés de proceder a partir de um ponto de vista único. conseguir coordenar os diferentes pontos de vista. classificação.Com base em Eduardo Marti (1995) e complementado por outros autores citados na bibliografia podemos defini-las da seguinte forma: Descentração: capacidade de poder seguir as transformações sucessivas da realidade através de todos os caminhos e rodeios possíveis. Significa que neste estágio a criança.o termo concreto. em problemas que envolvam objetos e fatos concretos e imediatos. em suma. a conservação e a reversibilidade. conservação etc.) emprega-as apenas na solução de problemas reais.

Esta compreensão aplica-se também aos sentimentos. que a água colocada no copo mais alto pode retornar ao copo mais baixo e permanecer com a mesma quantidade. ou seja. (possibilidade de ir e vir) Que a salsicha de argila pode voltar a ser uma bola. Isto tem profundo significado nas suas relações sociais Reversibilidade: Piaget acredita ser a reversibilidade a noção mais crítica a ser adquirida. Torna o pensamento móvel e dinâmico. no que aconteceu. como e porque as razões das mudanças. A criança passa a compreender as razões de mudanças nos estados afetivos dos outros. Capacidade de retroceder e de avançar no pensamento sobre as relações.Ou seja. Ressalta que o conceito de reversibilidade é básico para o entendimento do processo de construção da inteligência.A criança tem consciência e compreensão das relações que se estabelecem entre os diferentes passos de uma transformação. Agora ele é percebido no seu todo. compreender que as operações mentais e as ações físicas podem ser invertidas ou revertidas. A característica das operações concretas é poder desenvolver-se . Na etapa anterior cada passo é percebido de forma independente.

de maneira reversível por inversão – (volta ao estado anterior . diz que no copo mais alto entrou a mesma água porque a altura “compensa” largura do copo inicial. ou seja. A criança operatória concreta procura nas “leis de compensação” explicações para fenômenos ou transformações realizadas. A criança operatória concreta já responde com lógica correta. A reversibilidade leva o sujeito a compreender operações lógicas abstratas como “ se A é maior do que B . Pergunta-se para a criança que sairá da boca do mesmo. o que denota a incapacidade do pensamento pré-operatória em reverter a operação. B é menor do que A “. Coloca-se em um cilindro três calas do mesmo tamanho. em usar a inversão. a resposta será a mesma – pela ordem das cores em que foram colocadas. Piaget explica a lei da inversão ou com um exemplo de atividades. Por exemplo.se eu fizesse isso voltar ao que era.ou lei da compensação. ou compreender hierarquias de classes como cachorro e animal. seria o mesmo) capacidade de reverter mentalmente as operações. A pré-operatória responderá pela ordem das cores que as mesmas foram colocadas. Ao virar-se o cilindro em 180º para fazer com que as balas saiam pelo outro lado. mostrando a inversão estabelecida ou por reciprocidade ( lei da compensação). rosas e . mas de cores diferentes.

Conservações numéricas (a quantidade não muda mesmo que modifique a disposição) e conservação de comprimento . 1998) . um dos indícios mais claros da passagem da intuição à operação. A noção de conservação. para Piaget. depois a quantidade. ou seja. 2002. algumas coisas não se modificam.depois o líquido. Se transformamos um objeto em sua forma ( bolas e salsicha) algo muda e algo permanece. ( pré-operatório ao estágio operatório concreto). ou seja. seguida do peso e do volume. “Envolve a compreensão de que. de que nas transformações. a noção de conservação entendendo que a substância permanece a mesma .p. “ As capacidades já descritas anteriormente de descentração. esse objeto permanece o mesmo embora possa sofrer mudanças na aparência” (Berns. de acompanhar transformações. normalmente .flores. Conservação: é a possibilidade que existe de algo se conservar apesar das transformações que possa sofrer. se nada é acrescentado ou tirado de um objeto. A criança inicia. é um dos indícios mais claros de agrupamento das ações em sistemas organizados. È a compreensão de invariantes. de reverter operações por inversão e por reciprocidade são todas necessárias para o desenvolvimento das capacidades de conservação e para o progresso do raciocínio” (Wadsworth. permanecem.350).

basicamente. O ser humano é a única espécie animal que não sobrevive sózinho pois nasce sem as condições para tal. . seu mundo é sua mãe que lhe satisfaz a fome. a criança préoperatória baseia-se em fatores perceptivos intuitivos e normalmente apresenta uma mesma reposta. o frio.são também adquiridas no final desta fase. já a criança concreta conserva a horizontalidade. DESENVOLVIMENTO AFETIVO E DA PERSONALIDADE Para um bebê recém-nascido. Na verificação da estimativa da linha de nível de líquidos. seu conforto mas. baseando-se em princípios lógicos. o seu afeto.

na idade escolar de 2 a 6 anos. haver frustrações que o levem a tornar-se ativo. efetivar a aprendizagem da sua comunicação com outras pessoas. é que se inicia a comunicação entre mãe /bebê. aprendendo a tolerá-la é que o bebê aprenderá a integrarse. a ambos. é necessário a . A partir desta interação. cada vez mais. Da mesma forma. a importância da comunicação para a formação do sistema psíquico e da personalidade alegando que um bebê não pode receber só prazer e satisfação pois é necessário. SPITZ (1991) salientava.É preciso construí-las no decorrer de seu desenvolvimento. também. há mais de uma década. desde os primeiros momentos de vida. a procurar. compreenderem-se mútuamente e a partir desta experiência inicial. Comunicação esta que possibilitará. ao seu mundo. a demonstrar suas necessidades e seus desejos. principalmente através do contato visual. Para o desenvolvimento físico e psicomotor de um bebê existe uma condição primordial que é a interação com a mãe e com seus estímulos. A frustração deve estar incorporada ao desenvolvimento do bebê e.

desde o início de seu crescimento. 2002. se sentirá insegura.36) O afeto tem dois componentes intimamente ligados aos aspectos intelectuais: 1º.Seleção . Uma criança que não recebe limites de seus pais. valores e emoções em geral. é propulsora. Wadsworth. desejos. orientadas. para sentirem-se seguras de estão sendo protegidas. tendências. ao mesmo tempo. interesses. A teoria cognitivista considera que o desenvolvimento intelectual tem dois componentes básicos: • • Um cognitivo e Outro afetivo Afeto inclui sentimentos. 2º.é interna. Para Piaget o afeto se desenvolve. em resumo.Muitas vezes dentre grupos aparentemente . muito amadas.Motivação / Energização . pg. aciona ou desliga o esforço empreendido na aquisição dos conhecimentos. em sua vida.colocação de limites bem claros a fim de ensinar as crianças a tolerarem frustrações que a realidade lhes impõem. pouco ou não amada e terá muitas dificuldades de incorporar as regras externas mais tarde.

homogêneos. Sabe-se claramente que o aspecto afetivo tem uma clara e marcante influência sobre o cognitivo. os sujeitos escolhem determinados assuntos e dedica-se a ele com maior afinco. A explicação para esta dedicação normalmente está no interesse do sujeito. Piaget defende que o aspecto afetivo desenvolve-se no mesmo . Em todo o comportamento do ser humano estes aspectos se fazem presentes. Eles estão intimamente ligados . com intensidades diferenciadas.formam uma unidade.

O aspecto afetivo é responsável pela dinamização da atividade mental e pela seleção dos objetos e eventos sobre os quais agir. Encaram a batida. 2000) . ou a mordida como fato normal. Destaca-se aqui outra aplicabilidade educacional da teoria ao confrontar-se os conceitos de motivação ligados ao behaviorismo ou comportamentalismo que colocam sobre o professor a responsabilidade de motivar seu aluno e os conceitos piagetianos que explicam a relação entre o afetivo e o cognitivo. através do mesmo mecanismo. passam a reagir de outra forma. (Wadsworth. Defende a idéia usando exemplos de crianças que no início de seus contatos sociais são agredidos por outras e não a percebem como agressão. Entretanto a medida que desenvolvem conceitos abstratos como o da agressão ou da intencionalidade . da mesma forma.sentido que a inteligência.

Os afetos adquirem uma medida. portanto. este egocentrismo está representado pela dificuldade da criança em diferenciar entre o que se percebe e o que se pensa. tanto mais proveitoso será seu investimento de ensino. A evolução do raciocínio moral também acompanha o amadurecimento cognitivo. No estágio operacional concreto. o desenvolvimento afetivo é indissociável do desenvolvimento cognitivo. A criança pré-operatória é dominada pelo egocentrismo. essa forma egocêntrica diminui e observa-se uma consciência crescente da visão dos outros e. é incapaz de compreender a visão dos outros e não necessidade de validar os próprios pensamentos. moral e social. Quanto mais o professor estabelecer im bom vínculo de afeto e confiança com seu grupo de alunos e com cada um em especial. pois redundará em importantes aprendizagens. ou seja. segundo alguns autores. um aumento da disposição de procurar validação para os próprios pensamentos. Com a aquisição da capacidade de refletir sobre o próprio pensamento. estabilidade e consistência que não .Conforme o que foi visto no Módulo sobre Teorias de Aprendizagem Cognitivistas.

Desenvolve-se também o senso de obrigação.apresentavam antes. pelo prazer motor ou pelo “ querer vencer “ (egocentrismo) e passa a jogar pelo prazer da convivência. como oposto ao sentimento de obediência. está no fato de que a criança deixa de jogar. a criança tem condições de compreender o significado das regras . convenções e ou normas sociais.As regras inicialmente são compreendidas como fixas e permanentes ( préoperatório). necessidades. No início do pensamento operatório concreto as crianças começam a entender as regras para que um jogo seja correto. não admitem perder.JOGO SOCIAL. ao jogar. sentimentos. As crianças podem chegar a um acordo a fim de brincarem juntas. Por isso. Nesta fase “emerge a conservação dos sentimentos e dos valores”. Por . Ao iniciarem os sentimentos de cooperação as regras deixam de ser vistas de forma rígida e concordam que as mesmas podem ser alteradas Piaget descreve que o importante do jogo nesta fase. necessário. respeito semelhantes aos seus. Exigem dos outros adesão rígidas às mesmas. Desta forma. torna-se possível a cooperação. Ao compreender que os outros tem direitos.

. é a capacidade da criança criar novos argumentos capazes de se fazer entender pelo outro.volta dos 7 ou 8 anos. inicialmente egocêntrico. A coordenação gera uma nova compreensão da realidade pelas crianças. Portanto. conforme a teoria Piagetiana. mas não necessariamente idêntica entre os colegas que realizaram a experiência de cooperação. progride na conquista da moral autônoma. a criança evolui da heteronomia para a autonomia moral. as crianças brincam com jogos de regras.Rangel (1992) assim define descentração: . Assim. e se colocar no ponto de vista dos outros. capacidade da criança poder " sair" do seu ponto de vista... a partir de 6-7 anos . a medida em que progride na descentração. Na idade escolar. Isto porque são capazes de conceitualizar o papel dos outros jogadores. diferenciada e superior à anterior. Tal movimento é necessário para o surgimento das leis de reciprocidade. determinadas pela coordenação mútua dos diferentes pontos de vista. a reciprocidade e o respeito mútuo são os primeiros sinais de moral autônoma. Passam a entender que as regras .

As virtudes ou boas ações devem ser recompensadas. pais. ou seja . ou intenções é que conduzem a avaliação. adultos etc. porque as pessoas. a criança atinge o nível de Moral Convencional.devem ser obedecidas não porque alguma autoridade externa (Deus. Em torno dos 10 anos. mas sim. centrando-se nos motivos ou intenções que geraram a conduta. Entretanto neste período ainda não são capazes de julgamentos imparciais. Sobre o respeito a autoridade devem prevalecer as questões de cumprimento do dever. Estes caracterizam-se por " tratar a todos da mesma maneira ".o de conformidade com a ordem social estabelecida. Estes motivos. no conjunto de seu grupo concordaram em aceitá-las. independentemente da autoridade adulta. Igualmente passam a perceber que a violação das regras nem sempre traz como conseqüência o castigo. . Segundo Kohlberg. cresce a capacidade de avaliar os atos praticados.) o determinam.

e as convenções morais deste grupo.. 1999) Obviamente. do respeito por suas idéias. são extremamente importantes na formulação de seus conceitos e na conquista da moral autônoma.Autonomia neste sentido significa auto-regulação. O pensamento autônomo estabelece-se a medida em que a criança elabora um conjunto próprio de normas. na promoção do raciocínio moral. a demonstração de expectativas elevadas quanto a seu modo justo. Ela já não aceita passivamente os valores estabelecidos pelos outros. mas é fruto das interações que ela mantém com ele”. com a criança préescolar predominam as práticas afetuosas. parecem obter maiores resultados. ( Mª Luiza Padilla em Desenvolvimento Psicológico e Educação . por seus critérios.MEIO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO MORAL “O desenvolvimento moral não só é insensível às influências do meio social em que a criança se desenvolve. . na idade escolar as práticas de promoção da autonomia. mas os avalia levando em conta os outros e a si próprio. Enquanto que. propiciando o alcance dos comportamentos desejados. ético ou altruísta. que diante da afirmação acima podemos concluir que as relações da criança dentro de seu meio social.

Só ao atingir um nível mais avançado do pensamento operatórioconcreto é que a criança tem condições de perceber “ as intenções” que provocaram a mentira e portanto estabelecer juízos de valores sobre os mesmos. A verdade nos períodos iniciais confunde-se com as distorções de realidade que ela mesma faz ao interpretar os fatos. Respeito mútuo = respeito entre “iguais”. – Mentira é algo que não é verdade.O “respeito mútuo” é um fator preponderante no desenvolvimento do pensamento autônomo. . Mentira Inicialmente a criança não tem o mesmo conceito do adulto sobre a mentira. Obviamente tanto o respeito mútuo como a auto-regulação só podem surgir depois que as crianças tornam-se capazes de considerar o ponto de vista dos outros.

ADOLESCÊNCIA Ao falarmos sobre adolescência surgem algumas perguntas básicas como: que idade ela começa? Qual a sua duração? • É produto de determinada organização social ou cultural? • É uma fase psicológica necessária? • É produto do nosso século? • Como o pensamento adolescente difere do das crianças? • Em .

Para outros. . Alguns defendem um posicionamento. o atingir da puberdade é o ponto inicial das mudanças que começam entre os 10 e 11 anos e vai até os 21 anos. outros o oposto.Os estudiosos do assunto naturalmente discordam quanto a respostas positivas ou negativas a estas perguntas. Para autores como JONES e HOLMES (IN BERGER: 2003). o período da adolescência localiza-se entre os 12 e 18 anos de idade cronológica. que tem no desenvolvimento fisiológico seu parâmetro básico. Como as características individuais apresentam grandes diferenças.

Os filósofos gregos já identificavam um determinado período da vida em que “as crianças tornavam-se indisciplinadas.da mesma forma. a adolescência marca o início das mudanças psicológicas. teste de força e resistência. Portanto é imprescindível diferenciar a puberdade e a adolescência pois se a puberdade marca o início das mudanças fisiológicas. Estes ritos são os mais diversos possíveis. ainda hoje. Um ponto comum que os estudos indicam é o de que a Adolescência. os chamados “ Ritos de Passagem ”– rituais que indicam a passagem da idade de criança para a maturidade. desde bênçãos religiosas. tudo parece indicar como improcedente a tentativa de usar-se a idade biológica como critério conclusivo. tal e qual a conhecemos e tratamos. é sem dúvida um produto do nosso século. mutilações genitais. separação da família. mutilações genitais. ritos associados a religião e a grupos sociais estão bem presentes na sociedade oriental. Muito povos registram em suas tradições ou costumes. Costumamos achar que estes Ritos de Passagens são “coisas do passado” mas. questionadoras . etc. o amadurecimento biológico entre os sexos acontecem em idades diferentes.

• de uma cultura própria (moda. Porém estes “rebeldes” constituíam-se em minorias. • Busca de emprego estável. • Membros . as estatísticas apontam hoje. formação.demonstrando comportamento sexual que se aproximava de características dos adultos “. Da mesma forma. hábitos.da autoridade. Com o advento da era industrial a estas características agregam-se outras como: Vínculos ao sistema escolar (necessidade de capacitação. apego centrado em uma só pessoa. estudo – aumento dos anos de estudo). • Troca do sistema de apego familiar para sistema de apego grupal e após. que um 1 em cada cinco 5 adolescentes enfrentam problemas mais sérios. valores. preocupações). estilos de vida. • Dependência dos pais. é a de que a incorporação dos adolescentes ao status de adulto retardou-se notavelmente no século XX. tal e qual descrita acima. A conseqüência mais palpável destas características da fase de adolescência.

etc. pois envolve a descoberta da identidade. Costuma-se definir a fase como sendo uma etapa de transição entre o ser criança e ser adulto. ainda. poderemos observar claramente que os “sinais” apontados como característicos da adolescência não estão presentes em todas elas. • – Indicadores sociais: escolha da carreira. Alguns “indicadores” são considerados nas sociedades atuais como sinalizadores para o ingresso na idade adulta. Esta última. autosuficiência econômica. Se considerarmos as diferentes etnias existentes no mundo. casamento. as diferentes culturas e suas tradições. é motivo de muita controvérsia. o estabelecimento de relacionamentos . a independência dos pais.se comparado com séculos anteriores. de responsabilidade individual sobre seus atos. • • Indicadores psicológicos: maturidade cognitiva e emocional. tais como: Indicadores legais: idade do alistamento. contratos. do casamento sem permissão dos pais. o desenvolvimento de um sistema de valores.

os aspectos cognitivos e psicológicos costumam demorar mais. Processo que leva à maturidade sexual. a fertilidade. • Puberdade = fenômeno universal. a auto-estima ou seja. A maioria dos estudos aponta o período da adolescência como um período marcante no ciclo de vida das pessoas. cognitivas e culturais. biológico de modificações físicas. a capacidade de Reprodução. • Adolescência . É exatamente por isso que outros autores fazem uma clara distinção entre adolescência e puberdade. = período de modificações psicológicas. a intimidade. o crescimento.estáveis. as mudanças biopsicossociais. como o estabelecimento da autonomia. Destes. 25 ou 30 anos. o aspecto biológico é o que normalmente ocorre de forma mais rápida. a competência . Alguns autores registram que este desenvolvimento acontece até 18. Isto porque uma série de mudanças significativas para a vida adulta acontece nele.

“Período de rápido crescimento físico e maturação sexual que finaliza a infância e dá início à adolescência” (Berger. MUDANÇAS FÍSICAS E PSICOLÓGICAS . 2003).

o aparecimento da menarca e um salto de crescimento. o alargamento dos quadris. A puberdade começa quando a glândula pituitária começa a “enviar mensagens” para as glândulas sexuais. pois o sujeito está atento ao próprio corpo. Relacionam-se a mudanças nos órgãos sexuais. o desenvolvimento dos seios. músculos. Acontecendo de forma precoce ou de forma tardia causa impacto. São eles os responsáveis pelas grandes alterações corporais e psicológicas desta fase. o aparecimento dos pelos pubianos. Nas meninas o aumento do estrógeno estimula o crescimento dos genitais. Esta maturação tem implicações genéticas e ambientais. com o acúmulo de gordura e com a atividade física. Altera-se drasticamente a altura e a forma do corpo. . gordura.As várias modificações corporais que acontecem na puberdade então associadas a produção de hormônios. ossos e órgãos do corpo. É interessante observar que o aparecimento da menarca tem relação direta com a genética. Estas iniciam o aumento de sua secreção de hormônios.

Todas estas transformações iniciam. O tronco é a última coisa a crescer. . primeira ejaculação. típica dos adultos. Daí a expressão: “São só braços e pernas”!. Uma das últimas partes a adquirir a forma final é a cabeça. engrossamento da voz. Nestes. normalmente em torno de 10 a 11 anos e concluem entre 14 e 16anos. Nos meninos estas modificações normalmente iniciam em torno de 12 a 13 anos e concluem-se em torno dos 16 a 18 anos.Meninas com pouca gordura no corpo e mais ativas fisicamente mestruam mais tarde. Geralmente a altura estaciona dentro desta fase. Na maioria das vezes as orelhas. Os dedos das mãos e pés e eles próprios crescem antes dos braços e pernas. mas os músculos adicionais e a gordura continuam a aparecer durante os anos seguintes. salto de crescimento. o crescimento dos genitais e dos pêlos corporais. Acontece das extremidades para o centro. a produção da testosterona estimula igualmente. desenvolvimento da barba. O crescimento físico desta etapa é desequilibrado e imprevisível. lábios e nariz crescem antes que o crânio adquira sua forma maior e mais oval.

modificam os ciclos dia-noite. seio. citado por Berger (2003). Um lado pode.Igualmente podem registrar-se crescimentos desiguais das partes do corpo. aumentam a necessidade de sono. notadamente ser maior ( nas suas partes específicas como pé. de mudanças de humor e dos . a oleosidade do cabelo. mão. além do aumento do volume de sangue. Estudos recentes como os de Arnett (1999). Golub (1992). Suswan (1997). Os pulmões e o coração aumentam de tamanho o que significa o aumento da profundidade da respiração e a diminuição do ritmo cardíaco. Essas mudanças trazem uma maior resistência física. dos conflitos . indicam que algumas das variações emocionais. glândulas sebáceas. O crescimento físico externo é acompanhado do crescimento dos órgãos internos. Richards ( 1966). o odor do corpo. tais como. As mudanças hormonais também causam mudanças significantes no esquema geral e de impacto psicológico significativo. sudoríparas e odoríferas da pele tornam-se mais ativas aumentando o acne . testículo) do que o outro. O equilíbrio normalmente é atingido em um 1 ou dois 2 anos – o que pode ser tempo muito longo para um adolescente.

• ADOLESCÊNCIA E SEXUALIDADE . principalmente em meninos. As variações rápidas nas emoções. o sentir-se bem e.impulsos sexuais característicos desta fase tem relação direta com as mudanças hormonais que caracterizam a puberdade tais como: • • O despertar mais rápido das emoções. Pensamentos constantes ou fixações sobre sexo e masturbação. momentos depois. péssimo.

A puberdade permite atos e experiências – enquanto dá lugar a resultados no âmbito da sexualidade. que não possuem análogo .

1998). de regulação – que é estabelecido pela sociedade que influencia. ou seja. Assim. enquanto criança. Com a puberdade a capacidade sexual própria do organismo brota para a maturidade e o adolescente vive a realidade biológica altamente influenciada pelos seus hormônios. a capacidade de gerar filhos. Adquirem (segundo a psicanálise). podem ter resultados que não existiam na etapa anterior. Na puberdade estes comportamentos sexuais se expandem. O comportamento sexual está ligado a dois fatores: da reprodução e o da continuidade da espécie – inerente ao ser humano e faz parte de seu código genético obtido pela hereditariedade. um caráter genital (sexualidade em explosão). a expressão da sexualidade do indivíduo •O •O . Durante as fases anteriores.significativo na vida da criança ( Fierro. certamente vivenciou “jogos ou comportamentos sexuais” com o sexo oposto. positiva ou negativamente.

Estabeleceu-se entre homens e mulheres condutas autônomas e ao mesmo tempo integradas. Alguns estudiosos do assunto explicam que “os velhos padrões foram abandonados sem que surgissem outros através dos quais se pudesse pautar a conduta sexual de forma que esta não fosse geradora de conflitos (Carvalho. 2002). . Os problemas que eram tradicionalmente reprimidos estão surgindo de forma mais gritante.Historicamente a questão da sexualidade sempre foi dominada pela religião. Ultimamente a sexualidade passou a ser analisada sob a dimensão humana e psicológica. Normalmente as religiões estimulavam o “sacrifício da carne” como bom para o cresimento do espírito. Segundo Angeli (1992) esta postura gerava conflitos entre o “espírito” e a “carne”. Tem-se claro as diferenças entre os sexos como produtos biológicos culturais e sociais. de forma mais marcante. nas suas relações como pares. Os conflitos sexuais dos adolescentes aparecem hoje.

estímulos ao ato sexual. a gestação constitui-se em instrumento de pressão e a educação sexual enfatiza os aspectos reprodutivos e ainda não sabe trabalhar a questão do desejo e do prazer. Assim. As gerações mais velhas notadamente demonstram confusão com relação a sua própria conduta sexual e aparece marcadamente a ausência de decodificação do processo de comunicação entre as gerações. pornografias nos mais diversos meios de comunicações. a mulher. Em contrapartida. principalmente. o outro passa a ser condição necessária para que o sujeito se aceite ou não. A exposição do corpo passa a ser condição para despertar o desejo do outro. Os padrões indefinidos do adulto agravam as situações dos . exposições esclarecedoras sobre sexo. Os meios de comunicação de massa estimulam a fragmentação do corpo separando-o da personalidade.A sociedade permite hoje expor de forma explícita várias questões ligadas à sexualidade como: propaganda com fortes apelos sexuais. De acordo com CARVALHO et al (2002) a situação atual é de grande complexidade. os jovens precisam esperar mais para alcançar o status de adulto.

dos quais se espera maturidade e responsabilidade. sem lhes fornecer os meios e as premissas para que as desenvolvam (. sobre a idade média da primeira relação. de valores e de habilidades sociais que ajudem os adolescentes a se absterem de relações sexuais até que tenham o . sobre o uso de contraceptivos... voltados para a interação sexual. paralelamente as questões sexuais. obviamente tornam-se necessários programas de educação sexual mais práticos. a complexidade da organização social é percebida pelo adolescente de forma intensa.adolescentes (. conforme os autores citados “assinalam de forma clara e inequívoca que a sexualidade na adolescência transcendeu os limites do relacionamento a dois e tem se tornado. Assim. sobre a gravidez na adolescência e outros.(Carvalho. cada vez mais.).. Esta conduta traduz-se na cobrança aos adolescentes. Os programas devem voltar-se para o desenvolvimento de atitudes. Pela primeira vez..). Os estudos mais recentes envolvendo questões relacionadas a conhecimento de itens básicos sobre sexualidade. 2002). demonstram índices preocupantes e. também uma questão de saúde pública”.

cirurgias para mudanças de sexo. • Autoprazer (masturbação).2002) . questões políticas.p. •A . fetichismo. processos de esterilização. • Sexualidade e normas sociais.. virgindade. que transcrevemos a título de sugestão para integrarem possíveis programas de educação sexual : importância da sexualidade e da afetividade na vida das pessoas. namoro. sua significação psicossocial e biológica / aspectos fisiológico do sexo. que geralmente são solicitados pelos adolescentes e comentados pelas autoras Betânia Gonçalves e Claudia Godoi (IN: CARVALHO. e a sensatez para assumir a responsabilidade das conseqüências (Berger. • Comportamentos variantes: sadomasoquismo. prostituição. sexo anal. pornografia. a comunicação. amizade. • Contracepção ( anticoncepção). • Erotismo. crendices. relações sexuais. relações afetivas – “ficar”. questões de gênero e papéis sexuais.conhecimento necessário para compreender. aborto. sexo oral. pedofilia.comportamentos de homens e mulheres. exibicionismo. questões de classes sociais. contracepção de emergência. Ao comentarmos sobre a sexualidade e a afetividade é importante que se estabeleça uma relação interessante de assuntos. • Sexo e sua interface com a reprodução. 2003. o prazer . zoofilia etc. • Mitos. tabus: conceitos e preconceitos.275). voyerismo.

• Repressão sexual.. liberação sexual. Violência sexual.variantes culturais. Os problemas de saúde desta fase estão quase sempre associados aos estilos de vida ou de pobreza como: uso de .e outros..• Relações • entre sexo e amor. QUESTÕES DE SAÚDE RELACIONADAS À ADOLESCÊNCIA Geralmente o período da adolescência é um período saudável.

Transtornos alimentares como obesidade. seus riscos parecem serem subestimados pelos próprios adolescentes e pela sociedade. nesta fase (1 a 3%). As principais causas de morte nesta fase são acidentes. . principalmente as relacionadas ao uso de álcool e drogas são permanentemente pesquisadas.álcool ou drogas. Seu uso ocorre com a maioria dos adolescentes e está aumentando sensivelmente nas últimas décadas. em alguns países. homicídios ou suicídios. Estas questões. estilo de vida perigoso ou sedentário. Apesar das estatísticas alarmantes. anorexia nervosa e bulimia nervosa tem incidência relativamente alta.

. Na teoria Piagetiana o pensamento operacional formal é o quarto e último estágio do desenvolvimento cognitivo.DESENVOLVIMENTO COGNITIVO O estágio operatório formal.

concreta e prática de resolver problemas. na relação com a família e grupo. O pensamento está voltado e é limitado à solução de problemas concretos. Uma das características qualitativas marcantes desta fase é a capacidade de pensar na possibilidade e não apenas na realidade. ou interação entre o ambiente mais rico em experiências e a maturação cerebral ou neurológica. conhecidos pela experiência anterior. Analisa a realidade perceptiva que está a sua frente e responde de acordo com a mesma. Os dois fatores não podem ser dissociados. Ou seja. mudanças na vida social. as mudanças na sistemática escolar como professores e turmas diferentes.É na adolescência que ele começa a ser alcançado por ser o resultado de uma combinação de fatores maturacionais (desenvolvimento neurológico) e de experiência (ambiente mais amplo). pesquisas. palpáveis. . o ingresso na escola secundária. o acúmulo de melhorias no processamento cognitivo e na memória elevam qualitativamente o pensamento. Um sujeito na fase anterior tende a uma abordagem simples. Para Piaget o crescimento cognitivo só é possível graças a combinação. trabalhos de casa.

seriações. situações e deslocamentos no tempo e no espaço. ou respostas possíveis. enumerações. A diferença está no fato de que os agrupamentos dão-se através das proposições.Encontra soluções para problemas presentes. tem validade . ou testar suas várias hipóteses chega a conclusão sobre qual das relações. mas tem dificuldades para raciocinar sobre hipóteses ou questões futuras. Precisa trabalhar com cada problema isoladamente. Já o sujeito operatório formal geralmente parte da análise das possibilidades. Lógica proposicional O sujeito nesta fase estabelece distinção clara entre o real e o possível. medidas. constituindo a chamada LÓGICA PROPOSICIONAL. pois não tem capacidade de integrar suas soluções pelo raciocínio coordenado de teorias. que exprimem as operações. especula. Após analisar um experimentar. formula hipótese e depois se volta para a realidade. Para isso usa os mesmos conteúdos operatórios empregados no período anterior. Fantasia. classificações.

é capaz de imaginar conseqüências resultantes da escolha do momento presente. Planeja enfim. • A possibilidade assume vida própria. . Um exemplo bem simples uma criança pré-escolar brinca de “vestirse”. conjunção.” O adolescente pensa sobre opções e possibilidades..“estou indo para. passado e futuro. usando roupas verdadeiras. disjunção. O escolar “escolhe” uma roupa de acordo com determinado momento . Imagina-se em situações diversas que podem vir a acontecer.real. raciocinar sobre presente. A LOGICA PROPOSICIONAL. Ele pode lidar com todas as classes de problema. identidade. Estabelecer conclusões de hipóteses com base em experiências passadas. portanto.. mas sem que tenha vivenciado as mesmas. Na seqüência do desenvolvimento deste encontramos explicações e ou definições mais claras destes termos. toma os resultados das operações concretas e os modela sob a forma de proposições. etc. estabelecendo diferentes tipos de vínculos lógicos como implicação.

Segundo OLDS e PAPALIA ( 2000) “ o que diferencia o pensamento adolescente dos processos de pensamento de crianças mais jovens é a consciência do conceito “ E. O operatório formal interpretará o provérbio no seu significado simbólico. 2002). Para Piaget o pensamento formal tem como propriedades estruturais ser: • Hipotético-dedutivo .. como operações concretas. (Berns. de forma simultânea e sistemática na solução de um problema. emprega teorias e hipóteses diferentes. Exemplificando na interpretação de um provérbio como “ água mole em pedra dura. Podemos definir “Operações formais.. tanto bate até que fura”.. 1988). Desta forma. representações mentais que podem ser revertidos”..?”. um sujeito operatório concreto poderá dar longas explicações sobre o “ como” a água age sobre a pedra.Implica em dizer que “está apto a pensar sobre seus próprios pensamentos e sentimentos como se eles fossem objetos” (Wadsworth. Os adolescentes tomam consciência do mundo como ele poderia ser. se.

se é da cor de laranjasó pode SER LARANJA”. uma morgota (da família dos cítricos). As crianças da etapa escolar. Exemplo: “ Se é redonda como laranja. . As “proposições” ou “hipóteses” imaginados pelo adolescente ao vestir-se para determinada ocasião.• Científico-indutivo • Reflexivo – abstrato Pensamento Hipotético “É o pensamento que envolve o raciocínio sobre proposições que podem ou não refletir a realidade” ( Berger. os conhecimentos que acumularam sobre as coisas para chegarem a conclusões. 2003) No exemplo citado anteriormente sobre o vestir. explica que “ é um raciocínio que transcende a percepção e a memória e lida com objetos dos quais não temos conhecimento direto. a criança busca seus conhecimentos anteriores para análise do novo. p. As se lhe apresentar uma fruta que nunca viu antes. Wadsworth ( 1989. objetos hipotéticos”. refletir a realidade. podem ou não. como já vimos utilizam sua experiência. ou seja. 127).

a sua conclusão.Este tipo de raciocínio é chamado de INDUTIVO.. Um dos exemplos . As abstrações tornam-se hipóteses (conjunto de informações possíveis) que posteriormente são submetidos à prova para comprovar sua confirmação empírica.. ou seja.” para uma conclusão geral. Representando graficamente poderíamos usar o seguinte esquema: Raciocínio Dedutivo Os adolescentes à medida que desenvolvem a capacidade de raciocinar hipoteticamente passam a utilizar e aperfeiçoar o raciocínio DEDUTIVO. Concentra-se na aparência para chegar a uma conclusão. porque parte do particular: “redonda como. – é o que vai do geral para o específico.

É o principal processo empregado pelos cientistas para chegar a leis . independe da verdade ou da falsidade do seu conteúdo. – A criança operacional concreta imediatamente diz que não é verdade e que. Raciocínio Científico . O sujeito operatório formal aceita a” hipótese “ou a afirmação que lhe é apresentada e trabalha sobre a mesma”. ao lhe ser proposto um problema do tipo:” Supondo que você more a 200 km da escola. portanto não há como resolver o problema.Indutivo Este raciocínio é definido como o “que vai dos fatos específicos às conclusões gerais”. Ela pode tirar conclusões. de premissas: “e não de fatos. ”. e B menor que C.mais conhecidos deste tipo de pensamento são os problemas matemáticos que exigem dedução como: Se A é menor que B. experimentos.. observações que tenha realmente vivenciado ou verificado. ou aplicar a lógica do argumento. Assim. o raciocínio hipotético-dedutivo tira conclusões de “hipóteses”. A é menor que C? Portanto..

Para que o raciocínio científico – indutivo aconteça.definidas ou a generalizações. Para isso é necessário: formular hipóteses. Estes variáveis são “pensadas” ao mesmo tempo. experimentar. de modo sistemático. registrar efeitos para extrair conclusões sistemáticas dos resultados. procedendo portanto a uma análise combinatória.– Piaget chamou a esta propriedade do pensamento de Raciocínio combinatório: “ capacidade em que o pensamento isola todas as variáveis individuais. método que assegura a realização de um inventário exaustivo do possível ( Campos. Raciocínio Combinatório As variáveis são construídas através do raciocínio e verificadas através da experimentação sistemática. 2001) Um dos exemplos mais clássicos sobre experimentos realizados por . o sujeito deve ser capaz de pensar sobre um certo número de variáveis que possam levar a determinado resultado. de modo coordenado e podem levar a conclusões ou efeitos de uma delas (isoladamente) de algumas delas ou de todas ao mesmo tempo. controlar variáveis. e realiza todas as combinações possíveis destas variáveis.

ou seja: o comprimento do fio. peso pesado e fio curto. • Solicita-se que a criança imagine que fator (variáveis) ou combinações de fatores determina a rapidez com que o pêndulo balança. criança é solicitada a determinar e explicar o que controla o ritmo do movimento e a oscilação do pêndulo. após alguns experimentos de variações do tamanho do cordão. Fio comprido e peso leve.Piaget na verificação desta capacidade é o do Pêndulo: • Mostra-se •A à criança um pêndulo – um objeto pendurado num fio. No período pré-operatório a criança é incapaz de formular qualquer espécie de plano para resolver o problema. mais rápido . • Indica-se quatro fatores capazes de explicarem a resposta buscada. Esta criança não apenas consegue compreender o problema... Ele tenta uma coisa atrás da outra por ensaio e erro. a altura da qual o objeto é largado e a quantidade de força ( ou impulso) que se pode usar para por o pêndulo em movimento. o peso do objeto. No período das operações concretas. descobrem as relações entre o comprimento do cordão e o ritmo: “quanto menor é o cordão. também não consegue relatar os resultados de seus experimentos.

no estágio das operações formais. mas ainda não sabe determinar claramente se o mais importante é o comprimento do fio ou o peso. altura e força ou impulsão.” Raciocínio Reflexivo . peso.é o movimento”. . ordenam corretamente os efeitos de alteração de uma variável. Em torno de 15 anos. Portanto.comprimento. Testa todos os fatores. o sujeito organiza o experimento de forma sistemática.Abstrato Para a compreensão deste conceito precisamos retomar um conceito inicial sobre conhecimento. variando um fato de cada vez . Como ainda não são capazes de separar variáveis fixam-se também no peso – “com o mais pesado ele cai melhor e o movimento é mais rápido. Desta forma chega a conclusão correta: “ é o comprimento do cordão que faz o movimento mais ou menos rápido. “ Nesta fase o raciocínio já avançou muito em termos de chegar a explicações relacionados aos fatores. mas não conseguem excluir os outros fatores...

O pensamento reflexivo (pensamento interno). ANALOGIAS . tamanho. Piaget propõe uma série de atividades para “examinar” o pensamento reflexivo do sujeito. no nível operacional formal. o que não acontece nos níveis anteriores. através de uma reflexão interna. conhecimento físico) para um nível mais alto. peso. O conhecimento lógico-matemático é construído a partir das ações físicas ou mentais sobre os objetos. Assim. volume.O conhecimento tem dois níveis diferenciados: conhecimento físico e conhecimento lógico matemático. 1989). ultrapassa o observável e tem como resultado uma reorganização mental. forma. parte de um nível elementar (exemplo. a reflexão exclusivamente interna pode gerar ou resultar em um novo conhecimento. O conhecimento físico resulta da manipulação dos objetos.Entre eles as atividades de ANALOGIAS. É o conhecimento de suas propriedades físicas como cor. baseada no conhecimento disponível. Os mecanismos por meio dos quais se produz o conhecimento lógicomatemático chama-se abstração reflexiva ( Wadsworth.

ou seja. é uma relação que se dá pela reflexão e não pela observação. (peixe-escama). Mas o núcleo da analogia (A está para B. Exemplo: . 1981) foram criadas pelos pesquisadores atividades interessantes. principalmente. (ovelha-lã). assim como C para D) . Em duas descrições de pesquisas realizadas sobre o pensamento analógico (Flavell.Segundo Piaget as relações que se estabelecem nas analogias não podem ser deduzidas diretamente da experiência. peixe e escamas e entre os dois grupos. peixe. Exemplificando: A ovelha está para a lã assim como o peixe está para a escama Todos os elementos da analogia (ovelha. Elas são produto da abstração reflexiva. lá e escamas) são conhecidos pelos sujeitos através da experiência. pois requerem construção e comparação de relações entre os membros que incluem a analogia – ( A está para B). 1978 e Gallagher. a relação entre ovelha.lã. (lã-escama). ( C está para D). mas não conduz a formação do pensamento capaz de estabelecer a relação analógica existente. A observação leva a formação de pares (ovelha-peixe). Foram apresentadas para as crianças figuras para que elas as organizassem em pares e explicassem sua organização.

Os pesquisadores relatam que crianças de nível pré-operatório .

ferro elétrico precisa de luz”. com a apresentação da camisa e diante da pergunta mudam suas respostas. na camisa. normalmente. tomada) e explicam a relação estabelecida com base na observação e experiência nas características observáveis: “carro precisa de gasolina para funcionar”. porque esta precisa do ferro para estar em ordem e ser usada”. como por exemplo: a figura de uma camisa colocada junto ao ferro elétrico. Assim. apresenta-se a mesma perguntando: “E a camisa não vai tão bem quanto a tomada?”.organizam rapidamente os pares de figura (carro/bomba). ( ferro. A partir dos onze anos a criança demonstra ser capaz de resistir ao . Crianças entre 8 e 11 anos. Diante da camisa. As contra-sugestões são usadas para verificar se o sujeito raciocina com base na analogia e é capaz de mantê-la. Entretanto não estabelecem relações comparadas como “ carro precisa de gasolina assim como o ferro da luz elétrica”. dizem que “ferro está para a camisa. Exemplo: inicialmente respondem que “ferro elétrico está para a tomada porque” ferro precisa da luz elétrica para funcionar “. Piaget propõe a oferta de contra-sugestões. no caso. (pensamento analógico) Ampliando a exploração do nível de pensamento do sujeito.

contra-argumento e manter a analogia inicial: A: B assim como C: D Carro está para gasolina assim como ferro para luz elétrica. São eles: • Operações • proposicionais ou combinatórias ou combinatórias Esquemas operacionais formais. A característica central da analogia está. Exemplo: “A Terra é um planeta”. Conteúdo do Pensamento Formal As características e propriedades do pensamento formal já foram apresentadas. na comparação das relações que se estabelecem entre pares e exatamente aí reside sua característica de construção abstrata. Lógicas das Proposições Define-se proposição como um conjunto de palavras que exprimem um pensamento de sentido completo. .As proposições são geralmente designados por letras latinas minúsculas. q . portanto. como : p . Piaget identificou também os “conteúdos” deste tipo de pensamento.

As proposições obedecem a dois princípios da Lógica: – Toda a proposição tem um dos dois valores: falso ou verdadeiro. Da mesma forma utilizam-se os símbolos p e q para confirmar ou não a verdade de uma segunda afirmação. As afirmações p e q podem ser combinadas entre si de todas as formas possíveis. – Uma proposição não pode ser. falsa e verdadeira Princípio da não contradição. Princípio do terceiro excluído. todos os experimentos já realizados permitem confirmar claramente a afirmação piagetiana de que na fase das operações formais . excluindo-se qualquer outro. No uso dos princípios lógicos e de seus símbolos costuma-se representar p = afirmação verdadeira p = afirmação falsa. Este tipo de raciocínio e sua possibilidade de organização em 16 combinações binárias diferenciadas nem sempre aparecem ou se organizam de forma lógica. gerando no mínimo 16 combinações binárias diferentes. ao mesmo tempo. Entretanto.

Esquema das Operações Formais Os esquemas das operações formais têm como base o desenvolvimento dos conceitos de proporção e probabilidade. – Podem descobrir que um peso pequeno colocado mais distante do centro da balança pode equilibrar um peso maior colocado próximo do centro. Ao atingirem a compreensão do princípio da proporção são capazes . Assim. determinando o que é relevante. manipulando diferentes variáveis e mantendo alguns atributos constantes até solucionar o problema ou chegar a conclusão seguras. mas não são capazes de coordenar as duas funções de peso e distância como uma proporção.os adolescentes já são capazes de testar sistematicamente hipóteses. Elas são capazes de igualar pesos e comprimento. A proporção usa como base os dois tipos de pensamento: • • e reversibilidade – inversão e Reciprocidade estabelecidos no período anterior com base em objetos concretos. ao tentar equilibrar diferentes pesos em uma balança uma criança nos estágios anteriores o fará por ensaio e erro.

de resolver imediatamente a questão. DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM . Compreendem que o aumento no peso de um lado da balança pode compensar o aumento na distância da colocação do peso do outro lado.

seja pelo diálogo interno ou pelas diferentes formas de expressão das relações .A forma de comunicação básica deste período.

Desta forma. O equilíbrio entre o social e o cognitivo nesta fase está na relação de troca entre o emissor ( que apresenta a idéia) e o receptor ( que acolhe a idéia e a devolve no mesmo nível. escrita. reciprocidade. ( Oliveira. ou não plano das igualdades. ou . como colocamos acima..interpessoais é a TRADUÇÃO DAS PROPOSIÇÕES características do pensamento formal. A linguagem..) estão ligadas as necessidades sociais e lógica. Todos deverão estar aptos a lidar com operações diversos como correspondência. defesa de idéias. 1999). leitura. “O pensar logicamente implica em obediência a regras e normas comuns a coordenação das operações formais supõe vida social. Cada um oferecerá hipóteses que deverão ser compreendidos pelo grupo. portanto demonstrará o paralelismo existente entre os aspectos cognitivo e social. de argumentação. Aparecem as partículas proposicionais. troca de opiniões. É preciso demonstrar coerência de pensamento. todas as formas de expressões. ( diálogos. complementaridade entre outros.

negação ( não).a linguagem desenvolve a autonomia do ..em que o grupo estabelece linguagens próprias com gírias e jargões específicos . O primeiro: social .. Explica-se estes resultados sob dois pontos de vista. O segundo: cognitivo . da morfologia. da organização do pensamento. Faz uso inadequado da sintaxe. então por condicionais Por noção de inclusão como ou Por proposicional como se. da semântica... da linguagem muitas vezes acaba por fazer uso mais restrito das possibilidades que tem. somente se Interessante observar resultados de pesquisas contemporâneos que demonstram que o adolescente no uso.conectivos como: • • • • • As representações da conjunção ( e) disjunção ( ou). causalidade ( porque) Adequam-se pelo uso e efetivação os termos responsáveis: se.

sujeito. comparações . “Assim. (. 123)! .. reescreve letras para canções conhecidas ou para melodias por ele mesmo criados. Este passa a utilizar analogias. produz crônicas ou de crítica em tom jocozo ou clínico situações reais e imaginárias” (Oliveira.) por outro faz uso dessa capacidade de lidar com a linguagem de forma criativa: escreve poesias. Já os defensores da interpretação social obviamente usam a tese contrária. se por um lado o adolescente apresenta” erros de português “ao se expressar. defendem a explicação cognitiva como desencadeadora da social ( linguagem própria do grupo) . quer por escrito quer oralmente.. 1999 p. metáforas de maneira criativa. Os estudiosos da linguagem mais ligados a epistemologia genética.

MUDANÇAS E /OU DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL As teorias psicanalíticas situam a ADOLESCÊNCIA como uma fase (depois da latência) de tensões. contexto completo e problemático. conflitos adormecidos. As teorias Antropológicas afirmam ser a adolescência um produto .

Isto para deixar claro que os fenômenos. O nosso meio cultural pouco contribui para uma boa transição da adolescência para à idade adulta. ou sinais observados devem ser avaliados da perspectiva histórica do sujeito.cultural. conforme já comentamos. São difíceis as condições sociais para acender ao mundo laboral. defendem a influência hormonal como responsável pelas características da fase. Alguns autores. prolonga-se a escolaridade. A maioria dos psicólogos concorda que a personalidade emerge de predisposições biológicas (emocionalidade. Os estudos hoje falam em adolescentes e não em adolescência. “O meio cultural prolonga o estado infantil” – o que dificulta o desenvolvimento de uma nova identidade que deve ser atingida pelo desempenho de novos papeis e pelo alcance do status social de sujeito adulto. Outros afirmam que estas não têm uma contribuição direta tão . atividade e sociabilidade) e interações sociais com os outros em vários contextos.

O momento da maturação tem seu lugar entre esses fatores. não é o mais importante. “ A forma como os adolescentes vivem sua adolescência e realizam a transição para a vida adulta parece ser afetada por um conjunto de fatores. sempre vendendo imagens bonitas. Estas reforçam o estereótipo cultural de que os homens devem ser altos e musculosos e as mulheres magras e bem formadas. mas provavelmente. o êxito ou fracasso acadêmico. Atribuem ao ambiente. do grupo de colegas.marcante e que o impacto psicológico das mudanças é mais significativo. da adolescência. entre os quais se destacam a história evolutiva anterior à adolescência. as relações com os adultos e os iguais significativos. da cultura do entorno) como fatores determinantes da maioria das reações emocionais. o surgimento de conflitos depende basicamente do contexto social. as reações que as mudanças físicas provocam nas outras pessoas (expectativas da família. o impacto da mídia. Ou seja. nem o mais impactante “Palácios et Coll (1997) . hoje. positivas ou não. para estes. Há que se considerar também.

. O problema está em encontrar o ponto de equilíbrio entre o necessário apoio. auto-estima e aceitação social. que os adolescente atravessam. estabelecimento de limites e a não permissão para a exploração emocional dos pais que pode estabelecer-se. tratamento médico para o acne podem ser significativos e trazer benefícios de longo alcance para a imagem corporal. Segundo McKinley (1999). ou intensificar-se. incentivo ao exercício.Os adultos exercem um importante papel nestes momentos de “conflitos com sua imagem”. Os adultos devem servir de apoio. nesta fase. Ajuda como roupas novas. esta preocupação não pode ser desprezada ou considerada em termos superficiais.

comentando Piaget. Na sua lógica estendem o raciocínio ao extremo : ninguém em lugar . por exemplo. Sob este prisma estabelecem seus julgamentos. elas devem ser sempre aplicadas e seguidas. o que é ilógico é sempre errado. se o grupo social estabelece regras. O que é certo é o que é lógico. Assim. Se a escola e ou família proíbem o fumo. Sentimentos Idealistas: estão intimamente ligados as características do pensamento formal. Os adolescentes valorizam acima de tudo os esquemas lógicos. ninguém que faça parte deste meio deve fumar.DESENVOLVIMENTO AFETIVO E DA PERSONALIDADE Wadsworth ( 1989). coloca que o desenvolvimento afetivo nesta fase caracteriza-se por dois fatores: o desenvolvimento dos sentimentos idealistas e a continuação da formação da personalidade.

O desejo adolescente de “ reformar” a sociedade ( visto muitas vezes pelo adulto como rebelde.) explica-se pelo egocentrismo do início da fase pela interpretação lógica dos fatos. Para a adaptação a vida adulta será preciso aprender a assumir . Piaget chama este tipo de pensamento de egocentrismo do adolescente. aquele que funciona sempre de acordo com o estabelecido. ou seja. Seu “ mundo melhor” ( idealismo) é aquele mais lógico. tornam-se extremamente críticos das idéias sociais e dos comportamentos. Nesta forma de interpretação muitas vezes negam os esquemas de realidade. ingrato.algum deve fumar e ou ninguém deveria plantar fumo. Como analisam a realidade com base no raciocínio. suas conclusões parecem idealistas porque são lógicas. Não aceitam que a realidade possa funcionar de maneira diferenciada do que eles pensam que deveria ser. Assim. Suas críticas à sociedade estão ligadas a esta forma lógica de interpretação das coisas.. inadequado.

no capítulo 22 do livro “Desenvolvimento Psicológico e Educação” define Personalidade: “Um conjunto de processos e de sistemas comportamentais. complementar ao anterior. Piaget coloca claramente que o rompimento com “este mundo melhor. de sonhos.345 apud Wadsworth.p. na mesma situação ou em situação semelhante. o fenômeno. intimamente relacionados entre si. 1958. “A objetividade de pensamento com respeito a problemas conflitantes é alcançada e o egocentrismo diminui quando o adolescente assume um papel adulto no mundo e pode diferenciar os muitos pontos de vista possíveis “ ( Inhelder e Piaget. definidos principalmente pelos seguintes elementos: o fato de que. as pessoas manifestam algum tipo de regularidade e estabilidade em sua maneira de se conduzir.152). diferentes indivíduos reagem e se comportam de maneira diferente. a realidade da unidade do sujeito de se conduzir em suas diferentes atividades psicológicas e de . teorias e hipóteses egocêntricas” estabelecer-se-à pelo desiquilíbrio que o próprio mundo real proporcionará ao adolescente. Alfredo Fierro.papéis adultos (realísticos no mundo real). p. de que em momentos e situações diferentes. 1989. Será preciso entender que o comportamento humano muitas vezes nada tem a ver com a lógica.

também é um aprendizado.comportamento. Ela se dá na busca da adpatação à soceidade. ao mundo do trabalho. de cooperação. Na adolescência. ou “ de si próprio”. de autonomia.. As ligações afetivas iniciam-se durante o estágio sensório-motor e progridem para relações de mútuo respeito.para nos referirmos a certas classes de condutas . na teoria em questão. seja ao reconhecimento interpessoal na apresentação da própria identidade nas relações sociais “. o fato de que este sujeito é verdadeiramente agente. . relativas seja ao autoconhecimento ( autoconceito e autoestima) .. ou o “ eu”. Nestes períodos iniciais a personalidade é chamada. após a finalização das estruturas ou esquemas das operações formais é que se estabelecem as definições da personalidade do sujeito.porque toda a atividade do ser humano é centrada no seu eu. ativo e não apenas reativo diante da estimulação ou pressão externa. Para Piaget o desenvolvimento social também é uma construção. de “EU”. de senso de obrigação para com aqueles que são alvo de afetos.

na relação existente entre o amadurecimento cognitivo e a aquisição de regras e de respeito às mesmas. DESENVOLVIMENTO MORAL E SOCIAL A moralidade ou consciência normalmente é conceituada como um conjunto de regras culturais que foram internalizadas pelo indivíduo. Entende-se que estão internalizadas quando são obedecidas na ausência de incentivos ou de sanções sociais.Significa submeter o seu “eu” egocêntrico a outras formas ou pontos de vista. . ou seja. Implica em cooperação e autonomia pessoal. A concepção de moralidade de Piaget centrou-se no desenvolvimento do raciocínio moral.

na adolescência. À medida que a criança aprende a cooperar com os outros através de sua interação. por exemplo. conforme já afirmamos acima. O resultado final da compreensão de regras é a noção de que é possível alterá-las por acordos mútuos. obediência a autoridade . em jogos. codificação e obediências às regras. Normalmente isto acontece no período operatório concreto e conclui. Piaget e seus seguidores aprofundaram suas pesquisas com relação a alguns itens específicos como: justiça. doze anos tem a respeito de regras vincula-se ao seu pensamento operatório . Significa que o indivíduo compreende que as regras fazem parte de uma realidade social que tem uma determinada organização racional e moral.Esta aquisição inicia-se no período sensório-motor (anomia) e conclui na época da adolescência com o amadurecimento e a conquista da autonomia. mentira. quando as mudanças propostas para as regras são acordadas com base na análise do mérito das mudanças propostas.A compreensão que a criança de onze. Codificação de regras . ela aprende que as regras existem porque todos acordaram sobre elas.

Reconhecem que as regras são necessárias para a cooperação e participação efetiva nas ações de todos. Inicialmente como alguma coisa errada.formal . Estabelecem seus juízos com base nas intenções que provocaram os .A criança entende a mentira de forma diferenciada nos seus diferentes períodos evolutivos. Na fase de transição entre o pensamento concreto e o formal. Não mais se intimidam com regras permanentes e impostas por autoridades. na adolescência o sujeito sabe que a mentira é alguma coisa “intencionalmente” falsa. Na sua característica egocêntrica podem interessar-se pelas regras para contemplar e favorecer ações próprias. após como verdade ou falsidade. Reconhecem. Mentira . diante de seu pensamento idealista (comentado anteriormente) que não mentir é necessário para a construção das relações de grupo e para a cooperação. no sentido de que as entendem como passíveis de mudança mediante acordos entre os componentes dos grupos. Assim. o sujeito passa a ter uma visão clara de julgamento moral.

Justiça .comportamentos analisados. A ação moral é valorizada e predomina a igualdade entre as pessoas. a lei serve para todos e igualmente a punição. Finalmente. é que agora o sujeito analisa as intenções. O que diferencia o estabelecimento do juízo de valor. defendem a idéia da igualdade. por volta dos onze.certo é o que os adultos dizem. doze anos os juízos estabelecem-se com base na reciprocidade/eqüidade. A punição igualmente. A criança não faz julgamentos sobre estas questões.Inicialmente este conceito está ligado ao de subordinação ao adulto que decide sobre o mérito de um ato: . da etapa anterior. as circunstâncias em que as mentiras ocorreram. A obediência é importante e inquestionável. ou seja. independente da circunstância o castigo deve ser infligido em proporção direta ao prejuízo causado. A punição é um resultado aceitável que deriva da justiça Punição expiatória (devo pagar pelo erro). Após. pode ser . entre oito e onze anos. nem sempre se aplica.

A BUSCA DA IDENTIDADE .desconsiderada de acordo com as circunstâncias. ou seja o perdão pode ser posto acima da justiça.

.

Alguns autores chamam-na inclusiva de “drama da adolescência” – ou seja. resolver o “ Quem sou eu ?” A Identidade pessoal é a consciência de si mesmo. . É a coordenação de suas próprias experiências e das expectativas de futuro.Um dos aspectos mais importantes desta fase está relacionado a busca da identidade.

julgamento moral. na construção de suas teorias.imagem do sujeito já foram comentados como : o surto de crescimento e a conseqüente mudança na aparência e atributos físicos. a identidade antiga não responde mais. nas suas experiências.É a apresentação de si mesmo aos outros. psicológicos e social as transformações que ocorrem. O autor coloca que. Uma das mais conhecidas é a de Erickson( 1982). despertar sexual. sob o ponto de vista biológicos. não é mais suficiente para o momento vivido e para o que está por vir. nesta fase. dos instrumentos para a sua relação com a sociedade adulta. desempenho escolar. A questão da formação da identidade é bastante delicada nesta fase. Alguns fatores que estão diretamente relacionados a formação da auto. Os jovens precisam considerar como as crenças adquiridas no . A identidade pessoal forma-se na história de cada um. na assimilação das ideologias que caracterizam esta sociedade. habilidades cognitivas. preparação para o mundo do trabalho. diferentemente das fases anteriores em que a identidade do sujeito é formada pela modelagem ao ambiente. Inúmeras teorias procuram explicar.

Moratória de Identidade = período em que os jovens declaram . Difusão de identidades = comprometem-se poucos com os objetivos e valores dos pais. Identidade negada = expressa-se pela negação aos valores familiares ou do grupo social e por uma atitude de desafio rebelde . a identificação política e aos compromissos religiosos. se ajustam ás expectativas presentes e futuras. em na verdade examinar hipóteses ou alternativas próprias. Manifestam-se através de condutas apáticas no cumprimento das tarefas escolares. do planejamento do futuro etc. a ética sexual. É o caso em que há total negação da profissão dos pais e muitas vezes a manifestação de uma atitude extremamente agressiva e de agressão. Nesta busca podem assumir diferentes papeis como: Resolução precipitada = o adolescente adota papéis.passado com relação a opções de carreira. um filho de militar tornar-se contrabandista. entre outros. È o caso de adolescentes que decidem seguir a profissão dos pais sem nenhuma análise mais aprofundada sobre o assunto. do grupo social e até dos colegas. valores do grupo social ou dos pais de forma indiscriminada. Como por exemplo.

normalmente ideológicos. Experimentam diversas alternativas sem fixar-se definitivamente em nenhuma. e o desenvolvimento de uma identidade sexual satisfatória”. a adoção de valores nos quais acreditar e segundo os quais viver. Neste período os jovens procuram compromissos. uma busca criativa ou um grupo étnico “ ( Erikson.“uma suspensão breve” no processo de busca de uma identidade amadurecida. um movimento político. ” A fidelidade pode significar identificação com um conjunto de valores. p. uma religião. Segundo o autor. aos quais se dedicar.343) coloca “A identidade se forma à medida que as pessoas resolvem três questões importantes: a escolha da ocupação. . 1982) Sobre a questão da identidade Papalia (2000. o grau de fidelidade a estes compromissos influencia sua capacidade de resolver sua crise de identidade. uma ideologia.

que aparentemente são .AS RELAÇÕES NA ADOLESCÊNCIA Relações com os pais Segundo Helen Bee nas relações do adolescente com seus pais aparecem duas tarefas.

Não há entre os autores concordância com relação às causas destes conflitos. encontros. do que para os filhos”. notas. Busca da autonomia: manifesta-se pelo aumento dos conflitos. Pesquisas mais recentes apontam para um ângulo interessante nestas relações: “A de que a adolescência é fato mais estressante para os pais. Explica-se a questão na visão dos pais. As mudanças hormonais. a necessidades de autoafirmação. as influências dos colegas são apontadas como causas principais. distribuição das tarefas domésticas). Consistem em aumento nas brigas leves ou discussões sobre as questões do cotidiano como regras e regulamentos (vestuário. no sentido de que há uma perda de controle sobre o adolescente associado .contraditórias: 1.

2. Apesar do aumento da intimidade com os grupos de . liberdade e outros. sua preocupação e sua proteção para com seus filhos. considerados pelos jovens como “seus direitos”. estes podem encará-las como uma tentativa de controle e de dominação. Os conflitos tornam-se preocupantes quando envolvem valores básicos como privacidade pessoal. muitas vezes.às preocupações com segurança. Apego aos pais: o surgimento dos conflitos familiares e de um possível “distanciamento” parece não diminuir ou enfraquecer o apego emocional do jovem para com seus pais. interpretações diferenciadas. Os conflitos que surgem tem. vida futura e outras. Enquanto que os pais consideram que as normas paternas são necessárias e comprovam seu amor.

amigos. as pesquisas mostram que os jovens têm seus pais como fontes consistentes de carinho e atenção. Relações com os colegas .

nesta fase. in Berger ( 2003. apoio social. biológica e sociocognitiva e os ajuda a se adaptarem à ecologia social da adolescência” . 284) explica: “Os adolescentes constroem um universo de colegas que reflete a sua crescente maturidade psicológica. formação da identidade. Outros pesquisadores mostram que a ajuda.p. O grupo torna-se extremamente importante nesta fase. O mesmo estudo mostra que entre as funções especiais encontradas nos relacionamentos entre colegas e amigos encontram-se: auto-ajuda puberal. a interação e o afeto mútuos formam o núcleo central da amizade.As relações com seus amigos. Brown ( 1990) . . esclarecimento de valores. tornam-se bastante mais significativas. Normalmente as amizades são bastante estáveis. tornam-se mais complexas e psicologicamente mais ricas. influentes e intensas do que nas etapas anteriores e do que em qualquer outra etapa da vida.

pegas de carro. Destacam-se a lealdade. estímulo a independência da família. relações heterossexual). o compartilhar de pensamentos. a intimidade.por ser o veículo de transição entre a vida familiar protegida para a vida independente do adulto. o apoio. Alguns sentimentos acirram-se nesta fase. A força da pressão do grupo tem sido bastante estudada.(uso de drogas. resultando em ações arriscadas. . proibidas e ou destrutivas. principalmente nos momentos de incerteza. à obtenção de boas notas. a confiança. Esta pode ser positiva em vários aspectos como: adoção de um comportamento mais adulto ou de um comportamento pró-social. a participação de equipes esportivas. Pode também ser negativa. a bons hábitos de saúde etc. Podem estimular o desafio às restrições dos adultos.

O presente estudo está aqui apresentado para fins de estudo. O Adolescente Amadurece à Medida que Passa.. apresenta um estudo sobre o amadurecimento do adolescente apresentando uma tabela comparativa de diferentes comportamentos que caracterizam a passagem do período de adolescência para a vida adulta. p.285) comenta “a pressão dos colegas atua como um amortecedor entre o mundo relativamente dependente da infância e o mundo comparativamente independente do jovem adulto”.Berger (2003. PROBLEMAS CONCRETOS DOS ADOLESCENTES Dinah Martins em seu livro.. . Psicologia da Adolescência.

atitude habitual de enfrentar e às situações conflitivas resolver as situações conflitivas b) Estabelecimento de interesse heterossexuais DE: 1. interesse por indivíduos do mesmo sexo 2.a) Maturidade emocional em geral DE: PARA: 1. escolha do companheiro ou companheira 3. interesse somente por indivíduos do sexo oposto 2. exteriorização pacífica ou das emoções construtiva das emoções. exteriorização agressiva 1. Motivos emocionais adultos 4. aguda consciência do seu próprio desenvolvimento sexual PARA: 1. 2. encara com naturalidade a maturidade sexual. interpretação objetiva das situações 3. . experiências amorosas variadas 3. atitude habitual de fuga 4. interesses e medos infantis 2. interpretação subjetiva das situações 3.

busca de apoio nos pais em momentos difíceis 3. intolerância social 2. autocontrole 2. sentimentos de insegurança boa aceitação entre os seus quanto a ser aceito pelos seus pares iguais 2.c) Maturidade social em geral DE: PARA: 1. imitação integral e submissão 4. tratar os pais como amigos . pais exercendo controle firme 2. socialmente adequado 3. liberdade da imitação servil ao grupo de idade servil d) Emancipação do lar DE: 1. sentimento de que tem 1. tolerância social 4. socialmente desajeitado 3. identificação com os pais como modelos PARA: 1. busca em si mesmo os recursos para enfrentar momentos difíceis 3.

Apreço equilibrado de que valem as aptidões 4. Interesses numerosos. aceitação da verdade omitida autoritariamente 2. conciliação entre capacidades e interesses . f) Escolha de uma ocupação DE: 1. porém de 3. sub ou superestimação das aptidões 4. ânsia por fatos PARA: 1. interesse em inúmeras ocupações 3. poucos interesses. interesses desproporcionados às aptidões PARA: 1. exigir evidência antes da aceitação 2. necessidade de explicações 3. interesse em determinadas ocupações 3. interesse por ocupações extravagantes 2.e) Maturidade intelectual DE: 1. interesse em atividades práticas 2. curta duração porém estáveis.

2. participação em jogos 4. hábitos morais circunscritos a certos atos ( particulares) 3. espectador interessado em jogos 4. interesse por poucos passatempos 5. conduta baseada na PARA: 1. Sócio de alguns clubes . Moral generalizada 3. interesse em jogos de equipe 2. interesse por muitos passatempos 5. porém sem regras. interesse em princípios gerais 2. Interesse em jogos vigorosos. conduta baseada na busca do PARA: 1. valorização da coragem pessoal 3.g) O uso do lazer DE: 1. interesse pela vitória do seu time 3. Sócio de muitos clubes h) Filosofia da vida DE: 1. indiferença em relação a princípios gerais 2.

permaneciam em uma espécie de “platô” de poucos acontecimentos significativos do ponto de vista do desenvolvimento. sobre o desenvolvimento do ciclo vital modificaram consideravelmente os conceitos existentes. os sujeitos.prazer e fuga à dor. Os trabalhos de Paul Baltes (1987). . consciência e no dever VIDA ADULTA Durante algum tempo. os desenvolvimentistas consideraram que entre os anos do fim da adolescência até a terceira idade.

que o desenvolvimento pára após a adolescência. principalmente. os aspectos biológicos como quanto ao desenvolvimento psicológico. O preconceito já estabelecido muitas vezes está ligado diretamente às variações de pesquisas. do aperfeiçoamento. que os registrados nos períodos anteriores. ainda merecem ser estudadas de forma mais precisa.Como conseqüência. Questões sobre o desenvolvimento na vida adulta (ele existe?). do declínio. Contrariando o que se sabia anteriormente. considerando que as decisões tomadas na fase inicial da . com resultados menos dramáticos. hoje. Baltes (1987) sugere que o crescimento e o declínio ocorrem num equilíbrio que apresenta variações de sujeito para sujeito. As mudanças na vida adulta continuam. com um ritmo bem menor. do acréscimo. Já os adultos normalmente são observados e estudados sob a visão de perdas. ou seja. tem se voltado tanto para as questões relacionadas às mudanças físicas. Uma das dificuldades ao estudarmos a vida adulta reside na metodologia. as questões relacionadas a vida adulta passaram a ser mais observadas e pesquisadas. Os estudos. pois as crianças são observadas e estudadas sob a visão do progresso.

Por exemplo: – O estilo de vida sedentário pode afetar a saúde. – As pressões no trabalho podem afetar a vida emocional – E. para alguns autores poderiam ser definidos como: – Início da vida adulta. . Todos os aspectos do desenvolvimento físico. Os pesquisadores discordam com relação a divisão dos anos da vida adulta e suas respectivas idades cronológicas. conseqüentemente. que decisões específicas podem influenciar todo um conjunto. Normalmente são três fases. cognitivo e psicossocial.Idade Adulta afetarão muitas vezes o resto das vidas dos sujeitos. costuram-se de tal forma. ou o jovem adulto. nesta fase se entrelaçam. a vida familiar do sujeito.

cognitivos. – Final da vida adulta ou velhice (65 anos até a morte). – Vida adulta intermediária (40 a 65 anos).) a autora citada apresenta sua classificação: – Início da vida adulta ou vida adulta jovem (20 a 40 anos).– Meia idade – E velhice ou terceira idade. em fatores psicológicos e sociais (vida independente dos filhos. comenta estas divisões com base em fatores físicos. produção no trabalho etc. Helen Bee. . em seu livro O Ciclo Vital (ano do livro).

gripes. mais percepção olfativa e gustativa. de visão. de olfato. principalmente. câncer. sistema imunológico mais eficiente. mais massa cerebral. infecções e problemas digestivos. maior capacidade de oxigenação. as pesquisas apontam para o início de uma perda gradual de audição. presença forte de cálcio nos ossos. para sons agudos. mais força e velocidade. homicídios e doenças cardíacas também . os acidentes quase sempre são a principal causa de morte nesta fase.MUDANÇAS FÍSICAS Início da vida adulta: Normalmente considera-se que o adulto jovem encontra-se “no auge” de sua vida por uma série de características como : tecido muscular. Após os 25 anos. As pesquisas apontam para a permanência destas características até aproximadamente 40 a 45 anos. menos sensibilidade a dor. Nesta fase as doenças que aparecem são mais relacionadas a resfriados. AIDS. suicídios. Como a maioria dos jovens adultos é saudável.

Alguns outros estudos recentes aumentam a gama de investigações sobre outras “condições indiretas” que geram incapacidades durante esta fase e nas futuras. apontam para boas capacitações futuras e uma expectativa de vida majorada. A ligação entre comportamentos e saúde assinala os interrelacionamentos entre os aspectos físicos. Já o uso de tabaco. cognitivos e emocionais do desenvolvimento. 2000). Os estudos recentes demonstram a relação direta entre comportamentos de saúde desta fase e as capacitações ou incapacitações futuras. comportamentos saudáveis como dieta ou forma de alimentação correta e exercícios físicos. Vida Adulta Intermediária: Helen Bee (1997) coloca que o declínio físico normalmente pode . Nesta relação apontada por Papalia (2000). e o que fazem afeta como se sentem (Papalia. O que as pessoas sabem sobre a saúde afeta o que elas fazem. outras drogas e álcool apontam para incapacidades.aparecem nas estatísticas mundiais.

Estabelecimento da menopausa: redução da produção de hormônios que levam a interrupção definitiva da ovulação. Visualmente. – Ossos e músculos: Entre 40 e 70 anos há uma perda considerável da massa óssea. procura visual. embora a grande maioria dos estudos cita este declínio em torno de 25 a 30 anos. perturbação do sono.. Ocorre perda da capacidade de se ouvir sons com freqüência muito alta ou muito baixa.iniciar em torno dos 40 a 50 anos. elasticidade dos músculos oculares. perda da capacidade reprodutiva.. da menstruação e a uma série de mudanças físicas e comportamentais nas mulheres (ondas de calor. principalmente a capacidade de focalizar objetos próximos (braços compridos). Auditivamente a perda se acelera após os 55 anos. Sensibilidade às cores.). Entre 50 e 60 anos registra-se também a perda da massa muscular que é .. sensibilidade à luz. Nas mulheres esta perda aumenta após a menopausa. Mudanças mais acentuadas: – Sistema reprodutor: Início do climatério. percepção de profundidade. visão dinâmica (ler palavras em movimento). adaptação à escuridão. – Visão e Audição: A acuidade visual e auditiva diminui sensivelmente por volta dos 45 a 50anos. da mesma forma distinguir tons puros . alguns desequilíbrios psíquicos.

pressão alta.substituída por gordura. Da mesma forma intensifica-se a perda da sensibilidade ao toque e a dor. podem resultar em aumento da massa e da densidade muscular. – Mudanças na saúde: Na fase intermediária da vida adulta surgem mais doenças crônicas e incapacitação. Quando mantidos os programas de exercícios físicos associados a boa nutrição . Doenças como problemas respiratórios. – Aparência: O duplo padrão de envelhecimento – aparece marcadamente os indesejáveis sinais de envelhecimento como rugas e flacidez. o que gera um enfraquecimento dos músculos. artrite e condições cardíacas deficientes são as mais comuns. Na sociedade atual a mulher ainda é mais atingida pela aparência . As limitações físicas impeditivas de algumas atividades começam a tornar-se mais comuns e mais significativas após os 65 anos. infecções. A sensibilidade ao gosto e cheiro começa a diminuir. Nesta fase a resistência (tempo que uma pessoa pode continuar a exercer força máxima antes de sentir fadiga) – se sustenta melhor do que a força.

As necessidades e capacidades físicas e sociais são bastantes variáveis e parecem estar bastante associadas às etapas anteriores. – Eles são sinais de “já ter ultrapassado a curva”.envelhecida do que o homem. FINAL DA VIDA ADULTA OU VELHICE As pesquisas recentes mostram que o processo de envelhecimento é algo totalmente individual. Esta aceitação positiva leva a uma melhor qualidade de vida. – . Os sinais de envelhecimento nos homens são muitas vezes vistos como indicadores de experiência ou de maior conhecimento o que quase sempre não acontece com as mulheres. Quase sempre os adultos tendem a aceitar de maneira realista as mudanças que vem ocorrendo no seu físico.

ou que merece.”. Essa desaceleração total é uma conseqüência geral do envelhecimento” (Berger. entretanto. são mais resistentes às enfermidades e inclusive apresentam índices de vida mais longa que os homens. Uma das conseqüências visíveis desta redução é a diminuição do tempo de reação em várias tarefas diárias.. – Audição e Visão: Nesta fase aumentam consideravelmente as perdas de audição e visão. As dificuldades auditivas: . Algumas doenças específicas ligadas ao cérebro e que podem causar danos permanentes podem surgir. Sua estrutura sinóptica torna-se menos densa e eficiente. As mulheres. desde a fala até o ritmo cardíaco. 2003). do tempo de reação ao tempo de leitura. Em uma síntese do período podemos afirmar que “cada parte do corpo desacelera..perda da capacidade de ouvir sons de alta . – Mudanças no cérebro: Ocorre nesta fase uma redução no peso do cérebro.“cada um tem a velhice que ganhou. As pesquisas mostram que estas perdas são mais acentuadas nos homens que nas mulheres. da velocidade do caminhar à rapidez de pensamento.

no entendimento da fala transmitida eletronicamente. Se não entendidos ou admitidos podem gerar dificuldades sociais maiores como a do isolamento. dificuldade de discriminação geral quando da existência de ruídos paralelos. obviamente. – Mudanças nos sentidos da gustação. o glaucoma e a degeneração macular senil . que é a deterioração da retina que pode levar a cegueira. Iniciam normalmente com incapacidades de escutar sons puros como a campainha de uma porta e continuam com a dificuldade de ouvir a fala.freqüência em uma altura normal. olfato e tato: Apresentam-se cada vez mais imperfeitos nesta fase. são os problemas de comunicação. dificuldade para identificar palavras. especialmente os timbres mais agudos das vozes e os sons das consoantes. . Surgem também uma séries de doenças relacionadas especificamente a visão como a catarata. erros na detecção de onde estão vindo os sons. A conseqüência geral destas perdas. chiados ou “tilintar” persistente nos ouvidos. Estas perdas normalmente atingem 40% das pessoas de 65 anos ou mais.

As conseqüências destas perdas reduzem. A gordura substitui a massa muscular. vasos sanguíneos e bolsas sob os olhos. as artérias e veias que conduzem o sangue.5 cm) a aparência e o peso corporal. Altera-se também a altura (diminui normalmente 2. e que nas fases anteriores é . estão mais relacionados à detecção do sal. principalmente nas extremidades. sem dúvida. acumulando-se principalmente na cintura e mo queixo. tornam-se mais enrijecidas. Os cabelos igualmente sofrem mudanças perceptíveis tornando-se mais finos e grisalhos.Os do gosto não são tão significativos. do azedo e do amargo. Os órgãos digestivos tornam-se menos eficiente o que traz uma série de transtornos alimentares. – Mudanças na aparência: Aparecem manchas escuras. Enquanto que as do olfato são maiores e mais definidas. O tato reduz-se sensivelmente. A perda de peso característica desta idade. os prazeres relacionados à alimentação e podem causar desmotivação. – Mudanças em determinados órgãos vitais: O coração bombeia menos sangue a cada batimento.

movimentar as pernas. – Saúde e Incapacitação: As pesquisas longitudinais apontam para um crescimento significativo dos problemas de saúde que levam a problemas de incapacitação funcional (trabalhos domésticos. Principalmente porque ela é conseqüência da diminuição dos músculos. da perda de cálcio e conseqüente ossatura mais fina e leve. vestir-se. dormir cedo e cochilar durante o dia. – Mudanças no Sono: Aparecem alterações significativas como diminuição das horas de sono. nesta fase já não o é.vista como algo positivo. Mas estas podem ser passageiras em grupos bem significativos. ajustar as cobertas. Acordam mais vezes durante a noite por uma série de razões como urinar. . higiene pessoal). As pessoas idosas são mais suscetíveis às doenças e tem mais probabilidade de não se recuperarem facilmente das mesmas. menos profundo e com sonhos curtos. Igualmente o cérebro diminui a atividade elétrica durante o sono. tornando-o mais leve. Conseqüentemente tendem a acordar cedo. alternância entre períodos de sono e vigília. compras.

dificuldades de adaptar-se às mudanças de temperatura. desaceleração geral (geralmente associadas a todos os movimentos motores). serem mais leves ou mais significativos. declínio e ou interrupção completa da vida sexual. na compreensão de diálogos. . Tumores. Dificuldades na realização de tarefas diárias. Depressão. As incapacidades mentais (demências) que podem surgir nesta fase estão relacionadas a doenças como Alzheimer. de iluminação. problemas cardiovasculares. Parkinson. hipertensão. Isquemias. Os efeitos físicos e comportamentais resultantes destas transformações podem. conforme já comentados.Os problemas mais comuns incluem artrite.

Perda de tecido muscular. Perda da capacidade de ouvir tonalidade muito altas ou mais baixas. Declínio na capacidade de detectar e discriminar entre diferentes cheiros. resultando em uma visão de perto mais deficiente e maior sensibilidade à claridade. Nenhuma perda aparente na capacidade de discriminar gostos.RESUMO DAS MUDANÇAS DECORRENTES DA IDADE NO FUNCIONAMENTO FÍSICO Função do corpo Idade em que a mudança começa a aparecer ou a ficar mensurável 40-45 Natureza da mudança Visão Audição Olfato Gustação Músculos Por volta dos 50 Por volta dos 40 Nenhuma Por volta Lentes dos olhos espessam-se e perdem o poder de acomodação. .

dos 50 Após menopausa nas mulheres. Sistema Adolescênc Perda do tamanho do timo. mais marcante após os 60 anos. mais tarde nos homens Coração e 35 ou 40 Nenhuma diferença etária nas pulmões medidas tomadas em repouso. Ossos especialmente nas fibras dos “ arranques rápidos” usados para repentes de força ou velocidade. . declínio na maioria dos aspectos da função quando ocorre mensuração durante ou após o exercício. Sistema Metade Aumento no risco durante reprodutor dos 30 nas gravidez e fertilidade reduzida. imunológico ia redução no número e maturidade das células T. velocidade das sinapses mais lenta. resultando em perda de força Perda de cálcio nos ossos. Também desgaste nas juntas dos ossos. queda no peso do cérebro. a oesteoporose. perda de matéria cinzenta do cérebro. a osseoartrite. Sistema 40-45 Perda da densidade dos nervoso dendritos.

na cintura e nas nádegas. os músculos. quando essa gordura é perdida no rosto. o peso máximo na meia-idade. Mais rápida deterioração nas células expostas à luz solar. nas pernas e na parte inferior dos braços.5 a 5 cm aos 80 anos. e acrescida na porção superior dos braços. Gordura também redistribuída na meia-idade. Aumento de rugas. os tendões e as células dos vasos sangüíneos.a famosa disseminação da meia-idade. Compreessão de discos na coluna. com resultante perda de altura.mulheres Elasticidad Gradativa e Altura 40 Peso Padrão não-linear Pele 40 Cabelo Por volta Perda gradativa da maioria das células. Em estudos nos Estados Unidos. o que inclui a pele. glândulas secretoras de óleo e suor tornam-se menos eficientes. Torna-se mais fino e pode . por volta de 2. devido à perda da elasticidade.

do Livro Ciclo Vital. de Helen Bee. pg. As pesquisas mais recentes indicam que os escores de inteligência geral permanecem mais ou menos estáveis até por volta dos 60 anos. . os que caracterizam os declínios físicos. sociais e cognitivos depois de determinada idade.dos 50 embranquecer. 391 Funcionamento Cognitivo Início da Vida Adulta Existem estereótipos característicos de determinados grupos sociais. Extraída para fins de estudo. Entre entres. especialmente nas sociedades urbanas.

Habilidades verbais. são mantidas ao longo da meia idade. Os jovens no início da vida adulta (transição da adolescência) ainda estão presos a características iniciais do pensamento formal como a rigidez. Entretanto. inúmeras idéias diferentes. que é no início da vida adulta que o pensamento formal se instala ou se estrutura completamente. nos novos ambientes em que convivem. quando são pesquisadas determinadas dimensões cognitivas os resultados são mais variáveis. já habilidades matemáticas. inclusive. encaram- . que envolvem raciocínio abstrato. afirma. – Mudanças na estrutura cognitiva: Os teóricos pós-piagetianos apontam para alterações ou reorganização da estrutura de pensamento (pós-formal). velocidade de respostas. Buscam sempre a resposta “certa” e apesar de reconhecerem.Os decréscimos aparecem a partir de 65-70 anos. de conhecimento e formação específica (que são dependentes da educação). parecem iniciar seu declínio na meia idade. Alguns pesquisadores como Gisela Labouvie Vief (1990).

Passam a reconhecer outras possibilidades como válidas. o que alguns autores chamam de pensamento relativista. Os pesquisadores chamam o pensamento relativista de pensamento pós-formal. – Mudança na forma da compreensão inicialmente analítica e de procura de respostas claras para um modo ligado à imaginação. a metáforas e a criatividade. Ao conquistarem. capacidade de escolher a melhor solução entre diversas apresentadas e reconhecer os critérios da escolha. ligada aos papeis que está desempenhando e a seu trabalho. os jovens tornam-se capazes de julgamentos próprios. passa-se a aceitar que “certezas não são sempre possíveis no dia-a-dia e que muitas vezes os problemas tem várias soluções” . Transita-se do raciocínio abstrato . de escolhas quanto a seus valores e crenças.nas como temporárias e buscam a idéia certa. isto é. Desta forma. As mudanças apontadas sugerem: – A instalação de uma forma mais pragmática de pensamento. indicando avanços significativos à teoria Piagetiana.

Dentro de um tópico resumido. de acordo com sua utilidade prática. As habilidades cognitivas. Vida adulta intermediária Há diferentes abordagens no estudo da inteligência. ou seja. principalmente relacionadas a fase adulta. análise de que algumas causas ou soluções tem mais lógica e capacidade de funcionar do que outras. contextualidade e plasticidade vêm sendo desenvolvidas. isto é. . se mantêm ou se ampliam. Portanto. abordaremos algumas questões que consideramos mais significativas quanto ao tema. são multidirecionais. Novas teorias sobre características específicas como multidimensionalidade. nesta fase.para conclusões mais práticas. como este que estamos desenvolvendo é impraticável aprofundar estes temas. multidirecionalidade. – Pensamento mais rico e mais complexos-consciência das diversas causas e soluções de alguns problemas.

uma forma especial de inteligência. para outros autores conceitua-se como plasticidade. O conceito de multidirecionalidade apresentado. integra a emoção com o intelecto. 2003. e pode contribuir para a resolução prática de problemas”. “. e a experiência com o aprendizado. a capacidade de moldar-se a inteligência de muitas maneiras. p.446) colocam que o pensamento maduro. a qual aparece pela primeira vez durante a idade adulta.. Este tipo de pensamento depende de sentimentos subjetivos.. dependendo de como.envolvendo perdas e ganhos. Pesquisadores como Sinnott (in BERGER. Aptidões como raciocínio matemático podem sofrer variações de aumento e diminuição dependendo essencialmente do seu uso. quando e por que uma pessoa as utiliza. As aptidões seguem trajetórias de desenvolvimento diferenciadas. Normalmente aperfeiçoa-se o vocabulário e a capacidade de solucionar problemas. pós-formal representa um novo estágio de desenvolvimento cognitivo. ou seja. da .

As evidências das pesquisas contemporâneas indicam evidências de declínios cognitivos relacionados à idade. Os adultos são mais seletivos nos seus aprendizados. Berger (2003. precisam estar mais motivados e ter tempo para exercitar novas habilidades. Ao invés de aceitar algo pelo que parece ser. “Adultos maduros integram a lógica com a intuição e a emoção. elas o filtram pela sua experiência de vida e aprendizagem prévia”. vêem ou ouvem em termos de seu significado para eles. e integram novas informações com o que já sabem.intuição e da lógica.p. As variações de um adulto para outro são significativas. pois já não aprendem tão rapidamente. integram fatos e idéias. Eles interpretam o que lêem. – Memória: Ocorrem algumas perdas que estão mais relacionadas a memória de .447) coloca que uma característica importante deste pensamento é a sua natureza integradora.

Da mesma forma questões relacionadas às medidas de uso de estratégia. planejamento. demonstrações artísticas diversas. uso de informações apresentam-se eficientes nesta fase. trabalhos de pesquisas.curto prazo quando de memorização de números e a memória de longo prazo ( codificação e recuperação) que se tornam menos eficientes e menos rápidas após os 60 anos . . manejo de emergências. – Produtividade criativa: Todos os estudos recentes apontam a fase da vida adulta intermediária como a mais rica e produtiva em termos de produções intelectuais como publicações.

pode ser percebido em todas as habilidades. As variações individuais são marcantes. ou comuns – diminuem. principalmente nas últimas décadas tem desfeito o mito de que na velhice o ser humano torna-se menos inteligente. Em alguns aspectos como no vocabulário as mudanças são pouco perceptíveis ou praticamente não existem. É preciso ter-se claro também que a metodologia usada para “observar” ou “pontuar” a inteligência dos idosos. muitas vezes é mascarada por fatores diferenciados tais como: . o que sugere que os declínios podem ser prevenidos. Sabe-se claramente que algumas habilidades – principalmente as que envolvem tarefas .não verbais e resolução de problemas não-familiares. 1983). (Schaie. “um decréscimo sem qualquer dúvida. Posições contraditórias sobre o tema são bastante freqüentes e ainda não há completa clareza sobre o assunto.Final da Vida Adulta O trabalho de pesquisadores. por volta dos 74 anos”.

em sua percepção.VEJA AQUI SUA PRÓXIMA TAREFA Procure na sua comunidade pessoas que tenham as características de um adulto na fase intermediária. audição e coordenação: Já vimos no item Funcionamento .Saúde física: A diminuição do fluxo sanguíneo no cérebro. Questione-os sobre sua capacidade cognitiva no sentido de saber se houve alterações. .Visão. portanto indicador do funcionamento cognitivo. Portanto. tanto para melhor quanto para pior e em que áreas. Sabe-se que pessoas idosas tem diminuídas suas funções físicas. causado por problemas cardiovasculares. mais um fator a ser considerado nas observações. psicológicas e perceptivas e portanto precisam mais tempo para realizarem suas tarefas. . .Rapidez: Todos os testes de inteligência são cronometrados. de hipertensão e ou neurológicos podem interferir no desempenho e conseqüentemente alterar um resultado. A razão desta relação com o tempo reside no fato de algumas correntes defendem que a rapidez é função do sistema nervoso central e.

Questiona-se a aplicação e a validade dos mesmos em se tratando de adultos e ou idosos. portanto. Estas situações.físico que estas funções são afetadas pela idade. Podemos. – O idoso tem menos inteligência . Da mesma forma é preciso ter-se em conta a questão do rótulo que está sempre nestas situações. interferem nos resultados. observações e pesquisas para chegarmos a resultados mais precisos ou conclusivos sobre o tema. Além destes fatores há que se considerar também a questão do envolvimento de pessoas idosas em testes específicos. carecem de motivação e de confiança para participar dos mesmos. concluir que se fazem necessários ainda inúmeros estudos. Inicialmente é preciso ter-se claro a questão de “usos de testes” já discutido no primeiro capítulo deste manual. obviamente. desta forma há que se compreender a dificuldade manifestada muitas vezes na compreensão de certas tarefas usadas para “medir” a inteligência. Os testes de inteligência foram desenvolvidos para determinadas faixas etárias.é . – Demonstram não ter interesse em participar dos mesmos.

“Não apenas a má saúde e a falta de instrução podem limitar a cognição. embora não provado. de usar meios de comunicação. Depois dos primeiros estudos de Baltes já citado anteriormente neste tópico. as pesquisas têm se voltado e aprofundado seus conhecimentos . de fazer compras. de controlar horários e tomar medicação. Neste sentido muito das pessoas idosas mostram claramente suas capacidades. de utensílios domésticos de embalagens. de preparar refeições..fato considerado. como também as pessoas com maior capacidade cognitiva tendem a obter melhor educação e cuidar de sua saúde”.de ler rótulos de remédios.de preencher formulários. Sabe-se que um dos propósitos da inteligência é adaptar-se a vida diária e seus problemas.de ler mapas etc.. Estão surgindo novas visões a respeito do tema “ser inteligente”. Interessante destacar-se resultados de pesquisas como de Schaie & Willis (in Berger: 2003) que apresentam uma correlação significativa entre educação e saúde. Apresentam condições de administrar suas finanças.

sobre o desempenho cognitivo de pessoas idosas. Com o devido treinamento e acompanhamento os idosos tem demonstrado melhoras significativas em Orientação Espacial e Raciocínio Indutivo. Aproximadamente 4 a cada 10 participantes recuperaram o nível de proficiência de quatorze anos antes. Uma pesquisa da Universidade da Pensilvânia trouxe dados longitudinais significativos sobre o resultado de treinamentos cognitivos as pessoas idosas. Destaca que alguns aspectos podem continuar a desenvolver-se e outros deterioram-se. . A Plasticidade da Inteligência é um dos temas pesquisados. O modelo identifica e procura medir duas dimensões de inteligência: mecânica e pragmática. Papalia ( 2000) comentando as pesquisas de Baltes ( 1993) coloca que o autor em questão propôs um modelo de Processo Dual sobre o funcionamento cognitivo na terceira idade .

p. · Memória: Comumentemente a sociedade vê a perda ou falha de memória como . Os adultos mais velhos tendem a aperfeiçoar o uso pragmático de informações . livre de conteúdo. esta dimensão tende a apresentar resultados inferiores. (ex. o conhecimento especializado. Muitas vezes esta dimensão continua a desenvolver-se nesta fase e são usadas para compensar a diminuição das funções mecânicas. de processamento de informações e resolução atenção de problemas” (Papalia2000. Os resultados desta dimensão são altamente positivos. Como a mecânica da inteligência tem base fisiológica que costuma declinar com a idade.515).Mecânica: “consiste das funções. Pragmática: refere-se ao uso da inteligência em situações práticas. ou seja a aplicação de conhecimentos e habilidade acumulados. a produtividade profissional e a sabedoria. perdas de visão e audição).

Ao serem confrontados com situações que exigem memorização de seqüências normalmente não utilizam “estratégias de eficiência” como organização por grupos lógicos. lestas de compras) e de recuperação (lembrar nome de alguém. de locais de encontro. de localização de objetos ou ruas etc.. Normalmente as pessoas mais velhas condicionam-se ao uso de listas e não ao estímulo da memória. como desuso da memória. principalmente quando estas tarefas estão ligadas a situações mais espontâneas. Lembranças de longo prazo tornam-se menos acessíveis. Estas perdas podem ter relações significativas com o dia a dia da pessoa como: não lembrar se desligou algum aparelho. Os investigadores apontam bases biológicas como . se pagou alguma conta etc. se fechou a casa. mas sim. Os pesquisadores apontam esta questão não como “uma incapacidade”. As perdas decorrentes da idade são mais significativas nas tarefas mnemônicas secundárias de codificação (memorização de números. poemas..sinal de envelhecimento.).

muitas vezes causadas por estímulos irrelevantes. . Ele é o responsável pelo armazenamento de novas informações na memória de longo prazo. Como resultado aparece o declínio na rapidez perceptiva afetando a eficiência do processamento.responsáveis pelas perdas de memória. Estas distrações causam uma dificuldade maior para “voltar” ao foco original. Esta deterioração parece estar ligada as questões de pressão sangüínea. principalmente a alta. Entre várias áreas afetadas encontra-se o hipocampo. O cérebro se deteriora fisicamente com a idade. · Atenção: A investigação tem mostrado que pessoas nesta faixa etária sofrem mais crises de desatenção. Tem dificuldade de dividirem sua atenção entre diferentes estímulos ou mesmo de coordená-los simultaneamente o que acarreta distração. Com a idade o hipocampo vai perdendo suas células nervosas.

Pesquisadores como Kaplan e Gularnik. indicam que hábitos deficitários. . são difíceis de romper e normalmente seus efeitos são cumulativos na vida adulta. a eficácia do sistema imunológico em curto prazo. citados por Helen Bee. beber com moderação. não fumar. tomar café da manhã e dormir de 7 a 8 horas por noite. Destacam-se: manutenção de exercícios físicos (mínimo 3 vezes por semana). o que aumenta o risco de doenças. O estress “reduz”. · Saúde e Cognição: A relação existente entre o envelhecimento físico e cognitivo e o comportamento de cada indivíduo. estabelecidos na juventude. Outro fator indicado como capaz de afetar a saúde em qualquer idade é o estress. excesso ou falta de comida. (hábitos de merendar são considerados prejudiciais). ou de grupos de indivíduos indicam claramente que as variações positivas encontradas são resultado de hábitos de saúde saudáveis mantidos desde o início da vida adulta e na fase intermediária.· Resolução de Problemas: Diminui a eficácia na resolução de problemas a medida que a idade aumenta. de maneira significativa.

existem fatores protetores capazes de auxiliar na manutenção da saúde. Palácios. podem-se destacar. entre eles o apoio social adequado e o senso de controle pessoal interno ou externo (crença na sua capacidade). ao enfrentar as diversas demandas de natureza cognitiva”. a experiência o tônus vital das pessoas (sua motivação.Por outro lado. . seu bem-estar psicológico). Entre esses fatores. È esse conjunto de fatores e não a idade cronológica persi. estão cada vez mais convencidos de que o que determina o nível de competência cognitiva das pessoas mais velhas não é tanto a idade em si mesma. quanto uma série de fatores de natureza diversa. o que determina boa parte das probabilidades êxito que as pessoas apresentam. o nível de saúde. no capítulo 24 do livro “Desenvolvimento Psicológico e Educação” descreve a relação entre saúde envelhecimento da seguinte forma: “Os psicólogos evolutivos. o nível educativo e cultural. como muito importantes.

o conjugal e o parental”. . possui.FUNCIONAMENTO SOCIAL E DA PERSONALIDADE Início da Vida Adulta Caracteriza-se. o ser humano obrigatoriamente terá que deixar de lado e até mesmo abdicar de uma série de questões relacionadas a si próprio (EU SOU – eixo central até esta fase). segundo Helen Bee . na adolescência e juventude. a saber. ou seja. “Isso significa aquisição. aprendizado e desempenho de três papeis fundamentais para a vida adulta: o profissional. envolvem-se nevralgicamente com um ponto chave – o da passagem de EU para o NÓS. Nesta fase. Os papeis citados por Bee. em um período em que cada um assume seu lugar na sociedade. para voltar-se ao NÒS (NÒS SOMOS). a relação com outras pessoas. Erikson (1982 ) descreve este período como da “conquista de um sentimento da intimidade” – “o período que se segue à conquista da identidade. o de pai e o de profissional. a conquista de um sentimento de intimidade”. como traço essencial. o de parceiro/cônjuge.

A constituição de grupos de amigos geralmente baseia-se em interesses e valores comuns. O processo de desenvolvimento social e da personalidade no inicio da vida adulta envolve um processo de emancipação psicológica importante. como pessoas. fazer sacrifícios pessoais pelo bem da relação e da outra pessoa. a escolha do parceiro. desfrutar dessa relação. de uma vinculação íntima privilegiada com outra pessoa. “É necessário que o jovem adulto venha a entender seus pais de maneira mais objetiva. a criação de uma relação estável entre outros.Isso está relacionado com o estabelecimento de relações amorosas. comprometer-se. compartilhar. “pois os amigos tendem a aprovar as crenças e os comportamentos uns dos outros” (Dykstra. 1995) in Papalia (2000). As amizades desempenham papel importante nesta fase. Ela envolve um certo grau de distanciamento emocional do jovem e seus pais. (Bee 1997). Este processo de emancipação psicológica está ligado à saída de casa. . e não como pais”. relações e vinculações marcadas por traços como entregar-se. etc.

popularidade. Este algo em comum é bastante diversificado. O casamento. Interessante ressaltar que a escolha de um parceiro é bastante influenciada pelos modelos internos de apego. educação e outros. Desenvolvem relações instáveis. atitudes e crenças e adequação de papéis. Os estudos sobre a questão trazem resultados interessantes no sentido de demonstrarem que pessoas que vivem em coabitação tendem a ter atitudes não convencionais em relação à família. condição sócio econômica. a compreensão e aceitação. . como: aparência física e atratividade. saúde mental. a disposição para ajudar e confiar. Normalmente os “parceiros” têm algo em comum. em contrapartida a presença de crianças tem um efeito estabilizador na união. normalmente é considerado como forma adequada de criar filhos. religião.A amizade tem como pressuposto a confiança. o prazer da companhia. o casamento como instituição formal está sendo substituído pela coabitação-união consensual ou informal. a espontaneidade e liberdade para ser o que se é. Hoje. raça. o respeito.

” Gottman (1991) citado por Helen Bee diz que “um casamento é mais do que a soma das qualidades. há um nível elevado da mesma espécie de reatividade aos sinais do outro que encontramos entre bebês com apegos seguros e seus pais. Na relação é importante ter-se claramente determinada a divisão de trabalhos do que os autores chamam hoje de “ unidade de consumo e trabalho. a capacidade dos parceiros para criar essa interligação mútua e esse sistema interativo de apoio parece ser fundamental para a sobrevivência do casamento (Bee pg. Parceiros satisfeitos revezam-se. Além da constituição de uma família própria. Nos bons casamentos.Ele pode oferecer aos parceiros intimidade.. afeto. 420/422). Igualmente importante para o sucesso do casamento é a qualidade das reais interações que se desenvolve entre o casal. lêem as dicas recíprocas e reagem positivamente. (Bee pág. ou de uma relação . Independentemente do medo interno de apego que um indivíduo possa trazer para o casamento. realização sexual. companheirismo.. 420 / 422) ou componentes das duas pessoas.

Agrega-se a estes. Este comboio geralmente permanece estável ou necessário ao longo da vida. Paternidade: O segundo novo papel da vida adulta: tornar – se pai. o que Toni Antonucci (1991) chama de “comboio de relações” ou seja uma “camada protetora de familiares parceiros (as) e amigos que circundam o indivíduo nas negociações bem – sucedidas dos desafios da vida” . as mudanças nos papeis sexuais (normalmente a . a paternidade responsável traz satisfação. interesses. Entre estes. ciclo da vida. classe social. abertura mútua e franqueza pessoal destacam – se como fatores mantenedores de amizade intima. outros fatores destacam –se na questão do desenvolvimento social na primeira fase da vida adulta. maior senso de responsabilidade e amadurecimento. traz uma série de mudanças.estável. Uma nova pessoa totalmente dependente muda os indivíduos e os relacionamentos. Obviamente que. para a maioria dos casais. Compõe-se normalmente de pessoas que “escolhemos” como parceiros por razões diversos como: instrução. fora de casa dos pais. background familiar.

como a de sustentar-se economicamente. hoje são mais marcantes na vida das mulheres. A questão dos papeis na relação familiar está sendo muito discutida nos dias de hoje e é causadora de inúmeros conflitos. mesmo tendo antes deste tempo idéias diferenciadas . Estes. personalidade . mas também está diretamente relacionada a satisfação pessoal e a consequentemente satisfação de viver . sexo entre outros . As pesquisas mostram que as mulheres assumem mais a responsabilidade pelas tarefas domésticas e pelos cuidados com os filhos . de personalidade com os ambientes .mãe assumindo a tarefa de apoiar emocionalmente e os pais de apoiar fisicamente e protetoramente). citado por Bee apresenta uma tabela em que procura relacionar as características pessoais. Estas vivenciam mais os conflitos entre o papel familiar e o profissional. Holland. principalmente durante o início da vida adulta enquanto os filhos são pequenos e dependentes. Na escolha da profissão uma série de fatores estão relacionados como importantes e influentes inteligência . (1973). O papel profissional: Obviamente que ocupar uma posição no mundo do trabalho tem razões primeiras.

sistematizadas para produzir arte ou performance. contabilidade e organização. e. Atendimento. Social Pesquisador . não-estruturada.associal. Gosta de trabalhar com pessoas e não gosta de atividades intelectuais ou altamente organizadas.comumente ocorre em vendas. persuasivo e com grande liderança. arquivos. Tipo Artístico Empresarial Ambiente adequado de trabalho Prefere atividade Atividades livres. esclarecimento aos outros. necessita de atenção. biológicos ou culturais. Gosta de orientações claras. Pesquisa criativa ou observação de fenômenos físicos. treinamento. prestação de serviços. atividades estruturadas e papéis de subordinação. Gosta de organizar e Manipulação dos outros. preciso e minuciosos. não individual. registros. precisa e sistemática de dados. bastante falante e dominador. Gosta de tarefas ambíguas e desafiadoras que Personalidade Convencional Manipulação ordenada.adequados de trabalho.. tal como dirigir os outros.g.

agressiva. 430 Na manutenção da carreira. pg. Ciclo Vital. ferramentas. fisicamente forte. comumente possui habilidades sociais insuficientes. o planejamento. A maior produtividade está ligada a fase da estabilização. Gosta de atividades Manipulação sistemática mecânicas e de uso de ferramentas. . os pesquisadores diferem em suas colocações.Realista envolvam o pensamento abstrato. máquinas ou animais.30 anos) em que podem ocorrer diferentes opções até a estabilização (30 – 45 anos) e o domínio das habilidades necessárias. masculina. Normalmente ocorre inicialmente o estágio da tentativa ou do estabelecimento (20. costuma apresentar habilidades verbais ou interpessoais insuficientes. de Extraída para fins de estudo de Bee. a organização.

A medida em que o jovem domina os vários papeis afirma com mais capacidade sua individualidade. Os resultados de estudos. A meia –idade é considerada a época do repensar. “parecem apontar para a possibilidade de que na vida adulta ocorre uma mudança básica de personalidade”. entretanto.Mudanças na personalidade: Os estudiosos do assunto diferem muito nas suas conclusões a respeito de mudanças na personalidade durante a vida adulta. ao maior autocontrole e positividade pessoal. Esta está relacionada diretamente a autonomia conquistada. Vida Adulta Intermediária Generalizando a questão do desenvolvimento social nesta fase podemos afirmar que “a maioria encontra –se casada. . do reexaminar. (Bee pág. esta fase é permeada de mudanças significativas e que alteram as relações sociais. exerce o papel de pais e possui uma profissão”. mais recentes. 479) Entretanto.

. pois filhos crescidos significam pais envelhecidos. Entre as mudanças significativas desta fase. entre outras.Geralmente neste reexame incluem-se questões relativas a produtividade. equilíbrio entre trabalho e família. Nesta fase. na responsabilidade na manutenção dos elos afetivos. normalmente. Alteram –se as posições na cadeia das gerações. Estabelecem – se relações familiares baseadas no auxílio mútuo.chamada de síndrome do ninho vazio. além das já citadas destacam -se: 1) A saída dos filhos . os pais idosos tornam-se mais fragilizados e precisam ser assistidos por seus filhos (de meia idade) – o que altera significativamente as relações familiares. reduz significativamente o papel de pais e com o passar do tempo também o dos filhos. casamento. Alguns estudiosos chamam esta fase de geração sanduíche exatamente porque ela se encontra pressionada por obrigações para com a geração mais nova e a mais velha.

As relações mais próximos afetivamente. com relação aos netos variam muito de acordo com os vínculos afetivos. e mesmo o papel de ”pais substitutos “ parecem ser mais características de povos latinos ou que tenham a afetividade como característica cultural . . Podem ser de afastamento.nesta fase acrescenta – se este outro papel na cadeia das relações familiares. Apoia financeira e emocionalmente seus filhos e ao mesmo tempo ajuda de diversas maneiras seus próprios pais. Os papeis vividos pelos avós. 2) O Papel de Avós . de camaradagem ou de envolvimento ativo segundo Cherlin e Fustenberg (1985).Normalmente a geração adulta intermediária presta mais auxílio do que recebe. proximidade física e relações estabelecidas.

as amizades que persistem são revestidas de um caráter qualitativo aprimorado. Trabalho/Aposentadoria: Nesta idade os papéis já estão bem definidos. não tem mais expectativas quanto a promoções.(Bee 1997) As pesquisas mostram também que os adultos nesta fase estão muito ocupados com seus diferentes papéis. .Amigos na meia idade: São poucas as pesquisas sobre o tema. além do que parecem contentar-se com as amizades que tem sem grandes preocupações com fazer novas. ou ao contrário. fonte de apoio e bem-estar emocional. Entretanto. As pessoas costumam estar no auge de sua satisfação profissional e de sua carreira. são persistentes. Entretanto os estudos sugerem que “as amizades podem ser menos importantes na vida de adultos na meia idade do que o foram na fase inicial ou virão a ser na fase final da vida adulta”.

Ao aproximar-se a idade da mesma costumam aumentar os preparativos formais e informais como: diminuição da carga horária de trabalho. estima além de salário. Um aspecto que evolui nesta fase é a procura do equilíbrio entre trabalho. mas é diferenciado para aquelas cuja história de trabalho é mais variável. . Em países mais desenvolvidos a preparação para a aposentadoria inicia no mínimo 15 anos antes.O trabalho proporciona amizades. Nossa realidade é bastante diferenciada e culturalmente não adotamos padrões de preparação para a mesma. família e pessoa. Culturalmente podemos afirmar que o padrão é o mesmo para mulheres que sempre trabalharam. planejamento financeiro. Entre homens e mulheres há comportamentos diferenciados e poucas pesquisas de resultado determinantes. status. estrutura.

Bee coloca que o adulto. Certos traços como. nesta fase. por exemplo. Vários traços são altamente consistentes durante a meia idade enquanto outros se modificam. menos preocupado em atingir metas específicas. a cordialidade em relação aos outros e a confiança em si mesmo parecem ser padrões específicos e . talvez levemente mais introvertido.” As diferentes variações de pesquisas trazem como um resultado conclusivo o fato de que não existe um padrão único.Personalidade na meia-idade: Vários autores. talvez mais desejoso ou capaz de se adaptar às circunstâncias. Alguns se manifestam dizendo que adultos. outros para características de flexibilidade e tenacidade. mais capacitado a expressar todas as suas facetas. ou compartilhado de mudança de personalidade. outros apontam para uso maior de mecanismos de defesa. não apresentam coerência de resultados em seus trabalhos. apesar de tentarem qualificar mudanças significativas de personalidade na meia idade. procuram a interioridade. “parece menos vivaz. aos 60 anos.

As experiências familiares. da vida profissional e social de cada indivíduo parecem ter relação direta com os padrões de vida adulta.individuais. inclusive na personalidade. ou quando se instalam um conjunto de novos valores em sua vida ( ex. conversão religiosa). viuvez precoce. deficiência da saúde. Aceita-se que podem ocorrer transformações na personalidade do adulto quando circunstâncias de vida são drasticamente alteradas. Crises específicas como divórcio. desemprego podem gerar determinados níveis de estresse que podem associar-se a um funcionamento mais deficiente do sistema imunológico causando impactos em várias áreas da vida adulta. Final da Vida Adulta ou Velhice . Na sua relação com o ambiente normalmente os adultos reforçam seu temperamento básico.

“ Se a fase adulta inicial é o período em que acrescentamos papéis complexos e que exigem mais tempo. o de filho. 1997) Modificações nos papéis: No final da vida adulta grande parte dos papéis que vinham sendo exercidos ao longo da existência não tem mais razão de ser. como forma de reconhecimento. e a meia-idade é o período em que tais papéis são redefinidos e renegociados. Em alguns casos. as mudanças de papéis e das relações também são bastantes significativas. de profissional.” ( Bee. por exemplo. Entretanto. . o período da fase adulta tardia é aquele em que muitos desses papéis são postos de lado.Normalmente esta fase é sempre mais marcada pelo declínio físico. alguns idosos recebem títulos como. de cônjuge e até mesmo de líderes de organizações específicas. o de professor emérito. como por exemplo.

Manifestam-se por atividades comuns. Já as relações com os filhos. Assim. por cuidados e assistência que os cônjuges oferecem um ao outro. benefícios. . depende de fatores como aproximação geográfica. (mantenedoras do parentesco). ou menos. apego. a “ausência de papéis” no final da vida adulta significa reestruturação de rotinas pessoais que podem ser positivas ou negativas. Quando os ambientes são propícios os vínculos afetivos familiares estreitam-se nesta fase. No casamento o companheirismo constante está mais presente. posição social. mas raramente trazem consigo alguma obrigação. netos e família é mais. satisfação ou insatisfações anteriores. As relações com os amigos na velhice constituem-se em importante ponto de satisfação geral de vida e de auto-estima. significativa nesta fase. Relações na vida adulta: A alteração de papéis e a conseqüente mudança de rotina afetam sensivelmente as relações sociais na vida adulta.Quase sempre estes títulos significam reconhecimento. principalmente entre as mulheres.

costumam cultivar mais amplamente as redes sociais. Uma delas. tornam-se menores as redes de relações.O fenômeno da solidão tem relação direta com a diminuição gradativa do número de amigos. A medida que morrem. gerada pela diminuição dos rendimentos. a aposentadoria pode ser acompanhada de várias crises. Mudanças na personalidade: Não há evidências claras que fundamentam alguma teoria sobre . Interessante ressaltar que os estudos indicam que as mulheres. Nos mais aculturados o processo de transição parece ser aceito com mais tranqüilidade. sem dúvida. nesta faixa etária. como sendo resultado natural de um processo. Em outros. Uma condição limitante para a atividade social na velhice é a incapacidade física Trabalho/Aposentadoria: A idade média para a aposentadoria é bastante variada em diferentes países.

agora. TEORIAS DE APRENDIZAGEM . um novo século.mudanças de personalidade na fase da velhice. . mais de qualquer medida de cunho social ou econômico. estudar as Teorias de Aprendizagem desde o início do século XX até hoje.Introdução Vamos. Esta percepção tem relação direta com o estado de espírito elevado. Os resultados de pesquisas apresentam como ponto comum e fundamental para esta fase a “percepção que o indivíduo tem de sua situação”.

de fazer predições sobre conhecimentos relativos à aprendizagem. explicar o que é a aprendizagem e porque funciona da maneira como parece funcionar.Iniciaremos conhecendo alguns conceitos básicos para que você possa compreender melhor este novo Módulo. tenta. quais as variáveis que são relevantes e valem a pena ser investigadas e estudadas. procura resumir uma grande quantidade de conhecimento sobre aprendizagem em uma formulação compacta. Teorias de Teoria: aprendizagem: tentativas de interpretar sistematicamente. Teoria :Interpretação sistemática de uma área de conhecimento. Nas teorias de aprendizagem aparecem três aspetos muito relacionados: representa o ponto de vista de um autor sobre como abordar o assunto aprendizagem. de organizar. Teorias de aprendizagem são construções humanas !!!!! O que é a aprendizagem? Depende da teoria!!!!!! . quais os fenômenos importantes e quais as perguntas significativas. de forma criativa.

. O que determina uma Teoria de Aprendizagem é a Filosofia em que está embasada. existem poucas teorias de aprendizagem propriamente ditas. em geral são teorias psicológicas que tratam ou do comportamento ou da cognição. . . . quando estudamos o . e que podem ter conseqüências aplicáveis para a aprendizagem.geradora do desenvolvimento. Cada teoria têm conceitos de aprendizagem (e construtos especiais para caracterizá-lo) que não são compartilhados por outras teorias. Em geral.a aquisição de informação ou habilidades.mudança relativamente permanente de comportamento devida à experiência. ... Algumas teorias você já estudou no Módulo I.resultante do desenvolvimento.A APRENDIZAGEM é : .

como reação ao estruturalismo introspectivo . Principio da correspondência: se existe mente ela deve ser cópia da realidade. nas respostas que ele da aos estímulos externos. inícios do século XX. Comportamentalismo: a tônica da visão de mundo behaviorista está nos comportamentos observáveis e mensuráveis do sujeito. Humanismo: Vê o ser que aprende primordialmente como pessoa. Cognitivismo: trata principalmente dos processos mentais Tanto comportamentalismo como cognitivismo surgem na mesma época. um reflexo dela. Filosofias subjacentes às Teorias de Aprendizagem. como um todo—sentimentos. pensamentos e ações—não sé intelecto. e reveja o assunto para sentir mais seguro.histórico da Psicologia. As Principais Teorias de Aprendizagem .inicial. Observação: Caso seja preciso retorne ao Módulo I.

já que foi o principal expoente da Psicologia americana. .Consideramos as principais teorias como aquelas que ficaram mais famosas. cada uma.Vamos ver como ? O COMPORTAMENTALISMO Escolhemos Skinner para representar a Teoria comportamentalista / behaviorista pela relevância de sua obra na metade do século XX. em sua época mas que no entanto são usadas até hoje.

Iniciaremos conhecendo alguns conceitos básicos para que você possa compreender melhor este novo Módulo.Observação: Quando nos referirmos a Comportamentalismo também usaremos a palavra Behaviorismo pois significa o mesmo em Inglês. .

principalmente nas décadas de 60 e 70. As pessoas tendem a se comportar de modo a obter recompensas e a evitar .us/socialscience/psych/psychpage.> consultado em 12/01/2004 R é a resposta (ato comportamental) que “leva ao” E estímulo reforçador. sendo irrelevantes para ele os processo intermediários entre estímulo e resposta. Foto disponível na Internet: <www. Para Skinner a maior parte do comportamento humano não é resultante do condicionamento clássico (eliciado involuntariamente frente a determinados estímulos) e sim pelo condicionamento operante (controlado pelas conseqüências).TEORIA BEHAVIORISTA DE SKINNER (1904-1990) Skinner com seu enfoque teve enorme influência nos procedimentos e materiais usados em sala de aula.kirtland. Como todo comportamentalista.mi.cc.htm. preocupava-se unicamente com o comportamento observável. no ensino de qualquer disciplina.

Para Skinner o reforço positivo e as contingências de reforço (situações que acompanham a situação) têm um papel preponderante na aprendizagem. . Reforços positivos : eventos ou objetos que vem após um comportamento e subseqüentemente aumentam sua freqüência.punições.

Não é a presença do estímulo ou a presença da resposta que leva á aprendizagem. Ou seja. O importante é saber arranjar as situações de maneira que as respostas dadas pelo sujeito sejam reforçadas e tenham sua probabilidade de ocorrência reforçada. é a presença das contingências de reforço. sim. mas.Para Skinner a aprendizagem ocorre devido ao reforço. o ensino se dá apenas quando o que precisa ser ensinado pode ser colocado .

sob o controle de certas contingências de reforço. O papel do professor é justamente o de programar as contingências do reforço (dar reforço no momento apropriado, reforçar respostas que levam ao aprendiz a exibir o comportamento terminal desejado), mais do que a seleção de estímulos propriamente dita. A aprendizagem segundo a filosofia comportamentalista Aprendizagem : mudança condutual.

A única forma de aprendizagem é por associação. Toda conduta, por complexa que fosse pode ser redutível a uma série de associações entre elementos simples— caráter atomista –elementar. A aprendizagem é iniciada e controlada pelo ambiente. Ou seja, embora o estudante possa ser ativo, a aprendizagem é passiva: ela decorre ou precisa ser impulsionada desde o ambiente. O motor da conduta encontra-se fora do sujeito.

A aprendizagem é um processo geral : todos os estímulos e respostas são equivalentes (ou seja, independem do conteúdo da tarefa); existe uma universalidade filogenética dos mecanismos associativos (ou seja, todas as espécies, incluído o homem, aprendem mediante os mesmos mecanismos), existe uma equivalência de todos os organismos de uma mesma espécie. Ou seja, embora o estudante possa ser ativo, a aprendizagem é passiva: ela decorre ou precisa ser impulsionada desde o ambiente. O motor da conduta encontra-se

fora do sujeito. A aprendizagem é um processo geral : todos os estímulos e respostas são equivalentes (ou seja, independem do conteúdo da tarefa); existe uma universalidade filogenética dos mecanismos associativos (ou seja, todas as espécies, incluído o homem, aprendem mediante os mesmos mecanismos), existe uma equivalência de todos os organismos de uma mesma espécie.

A TEORIA HUMANISTA
As pessoas tendem a se comportar de modo a obter recompensas e a evitar punições. IDÉIA-CHAVE DO HUMANISMO: pensamentos, sentimentos e ações estão integradas.

O importante é a auto-realização da pessoa, seu crescimento pessoal. Na escola, originou o chamado “ensino centrado no aluno” e as “escolas abertas”, onde os alunos tinham ampla liberdade de escolha, inclusive sobre o que estudar.

Seu principal representante foi : Carl Rogers que viveu em Chicago
Foto disponível na Internet: < www.institutoananda.com/ 55rogers.html.> consultado em 12/01/2004

Para Rogers( in:LA ROZA,2001) a aprendizagem vem de dentro para fora pois a resolução de problemas está dentro da pessoa : ...a aprendizagem significativa tem a qualidade de um envolvimento pessoal – a pessoa como um todo inclui-se no fato da aprendizagem.Ela é auto-iniciada – mesmo quando o primeiro impulso ou estímulo vem de fora, o senso da descoberta , do alcançar, do captar e do compreender vem de dentro. É penetrante – suscita modificação no comportamento, nas atitudes, talvez mesmo na

personalidade do educando.É avaliada pelo educando[...] Quando se verifica a aprendizagem, o elemento de significação desenvolve-se para o educando, dentro da sua experiência como um todo. Mais recentemente, temos Joseph Novak; defende um humanismo mais viável para a sala de aula: é a aprendizagem significativa, que está por trás da integração construtiva de pensar, sentir e agir: o aprendiz é visto como um ser que pensa. O princípio geral de aprendizagem na Teoria Humanista Rogeriana é:

o que se pode é facilitar a aprendizagem. AS TEORIAS COGNITIVISTAS Compare a Teoria Comportamentalista de Skinner com a Teoria Humanista de Rogers. Emita sua opinião sobre o uso destas duas teorias nos ambientes educativos: em casa com os pais.. .. estabelecendo as diferenças ..não se pode ensinar diretamente alguém...

na escola. com simples atividades manipulativas (crê-se. ou ainda. ingenuamente. o que é pior. ou com “aprendizagem por descoberta”. que só por estar manipulando coisas o aluno . por e-mail O construtivismo tem sido confundido com “método construtivista”. Em todos os momentos da vida e em qualquer ambiente estamos aprendendo não é mesmo? Remeta seu trabalho para o seu tutor. nos clubes onde se praticam esportes e /ou outros.

Não existe um método construtivista. o aluno passa a ser considerado agente de uma construção que é sua própria estrutura cognitiva. teorias construtivistas e metodologias construtivistas. Os representantes do cognitivismo escolhidos por nós para representarem o . todas consistentes com a postura filosófica construtivista. No ensino.esta “construindo”) Construtivismo não é isso. Existem sim.

Esta Teoria é baseada numa Filosofia que enfatiza exatamente aquilo que é ignorado pela visão behaviorista: a cognição.AUSUBEL.VYGOTSKY. .BRUNER. . cada um com suas particularidades são: . o ato de conhecer. como o ser humano conhece o mundo através de estruturas cognitivas.COGNITIVISMO.PIAGET. . .

da compreensão. então. compreensão). principalmente dos processos mentais. o foco está nas chamadas variáveis intervenientes entre estímulos e respostas. armazenamento e uso da informação envolvida na cognição. transformação. nas cognições. A filosofia cognitivista trata.Para os cognitivistas. . ocupa-se da atribuição de significados. resolução de problemas. processamento de informações. nos processos mentais superiores (percepção. tomada de decisões.

Interpretacionista: porque é uma teoria que nos mostra que os eventos e objetos do . de como o indivíduo conhece. Cognitivista: porque é uma teoria que ocupa-se da cognição. que a cognição se dá por construção chega-se ao CONSTRUTIVISMO. de como ele constrói sua estrutura cognitiva. nessa perspectiva. ou seja. O construtivismo é uma posição filosófica cognitivista interpretacionista.Na medida em que se admite. tão apregoado nos anos noventa.

O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO NA TEORIA CONSTRUTIVISTA.universo são interpretados pelo sujeito cognoscente. .

za/. .ac..> consultado em 12/01/2004 O HOMEM ./projects/ loo/theory/construct.Aos 15 anos publica uma série de notas .suíço (1896-1980) .up..Menino prodígio .Jean Piaget .html. Foto disponível na Internet: <hagar.11 anos publicou seu primeiro trabalho: descrição da vida de um pardal que observava em um parque.O representante do Construtivismo mais conhecido foi Piaget e por isso nos estenderemos um pouco mais em sua obra.

. de universidades e de museus enquanto ainda estava no College.Ingressa na Universidade aos 18 anos – cursa Biologia. . .Recebe convites de colegas.como suplemento ao catálogo dos moluscos de Neuchâtel.Segue com o Doutorado em Biologia. .Conflito entre a mãe (protestante convicta) e seu pai (historiador e cético) – Seu desafio: conciliar a fé e a ciência ou a razão. .

. Esta base.Incursiona pela Filosofia e pela Psicologia por mais de 40 anos. .Seu trabalho com moluscos é que estabeleceu a base para suas investigações futuras..Convidado para trabalhar no laboratório de SIMON (teste de inteligência) em Paris . Concluiu que o desenvolvimento biológico era um processo de adaptação ao meio e não somente conseqüência da maturação e hereditariedade. . Piaget trouxe para seus estudos sobre o desenvolvimento mental.

de QI. . com 84 anos). de mensuração de diferenças individuais através de testes padronizados para voltarse ao “como” e ao “porque” a criança apresenta determinada conduta.1980. Neste trabalho inicia a grande virada nas teorias existentes sobre o ser humano e sua inteligência: “Mais interessante do que classificar e ou padronizar é descobrir as razões dos fracassos”.para padronizar provas de raciocínio rejeitou o enfoque psicométrico. (PIAGET.

portanto.AS PRIMEIRAS IDÉIAS – A ORIGEM DA OBRA Sua teoria foi influenciada por sua formação.e dialoga com as crianças procurando descobrir os processos de raciocínio que conduziam às respostas erradas e as que conduziam às respostas certas. por concepções advindas da Biologia. Interessou-se. em estudar a maneira como os conhecimentos são . ou seja. da Lógica e da Epistemologia . Com o trabalho no laboratório de Simon afasta-se das normas de teste padronizados na época .

adquiridos.as respostas erradas não são déficit. . tentar descobrir a lógica dos erros. .devemos questionar os processos subjacentes às respostas .devemos considerar as respostas em sua própria originalidade. não são carências. como se passa de um estado de menor conhecimento a outro de maior conhecimento. Destas experiências surgiram as primeiras concepções de sua teoria : .

. Formulou a 1ª teoria coerente e rigorosa do desenvolvimento da inteligência humana.em vez de nos contentarmos em catalogá-las . Não é uma teoria do desenvolvimento psicológico – É UMA TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA. Publica vários artigos sobre suas descobertas e é convidado por Claparéde (1921) para integrar a equipe do Instituto Jean-Jacques Rosseau de Genebra.

Propôs-se a estudar a gênese do conhecimento. Define-se como Epistemólogo Genético. . desde o pensamento infantil até o raciocínio adulto. ou seja. como alguém que estuda como o conhecimento é adquirido.

na sua essência. . Envolvia. perguntas individuais às crianças e registro de suas respostas. descrição e análise do comportamento das crianças. Seu trabalho foi de observação sistemática.Seu foco principal de investigação sempre foi o desenvolvimento qualitativo das estruturas intelectuais. Desenvolveu um método de pesquisa chamado “técnica clínico-descritiva" . concentrando-se na análise do tipo de raciocínio desenvolvido pela criança e demonstrado pelas suas respostas.

.

.AS PRINCIPAIS IDEIAS DE SUA TEORIA . O desenvolvimento mental é entendido como produto da interação do organismo da criança com o meio. INTERACIONISTA Interação = inter + ação Ação da criança sobre o mundo e ação do mundo sobre a criança.Piaget atribui um papel ativo ao sujeito e ao que ele faz sobre o mundo.

FATORES DO DESENVOLVIMENTO Maturação Biológica/ Hereditariedade: as características biológicas influem. É fator educativo principalmente . Transmissões Sociais / Interação Social: Intercâmbio de idéias entre pessoas. mas não oferecem uma estrutura pronta desde o nascimento.

como por exemplo . . conceitos de valores “ajuda ao próximo".cobertor . A criança necessita assimilar o que lhe procuram inculcar do exterior.para o desenvolvimento do conhecimento social. “honestidade". “mana" . Os conceitos ou esquemas que o sujeito desenvolve pode ser classificados: (1) como os que tem referenciais físicos acessíveis (podem ser percebidos pelos sentidos) . (2) como os que não tem tais referenciais como. por exemplo.

Equilibração:coordenação entre os três elementos anteriores.físico.Experiência com os objetos / Experiência ativa : conhecimento que a criança retira de suas experiências com os objetos físicos e sociais. sua vivência. São estas experiências ativas que tem como resultado a mudança cognitiva. Todo o conhecimento construído pela criança . sua experiência pessoal. É fator essencial e determinante ao desenvolvimento neste . lógico-matemático e social requerem sua troca.

transmissões sociais e experiências física).processo contínuo de adaptação ao meio em que vive A construção do conhecimento só ocorre a medida que o sujeito experencia . com aquilo que já sabe (produto das suas Experiências anteriores) Cria-se assim um conflito cognitivo e é necessário um jogo de regulações e de compensações para que se atinja uma coerência entre o que já sabia com as . Nesta construção precisa equilibrar a nova experiência com os fatores anteriores (maturação biológica.

Foram adaptados de Anita Woolfolk (vide bibliografia) e complementados com conceitos expressos em toda a bibliografia .novidades provocadoras deste conflito = isto se dá através das Leis da equilibração. CONCEITOS IMPORTANTES PARA O DOMÍNIO DA TEORIA Os seguintes conceitos são chaves para o entendimento da teoria piagetiana.

desta unidade. Produzem o desequilíbrio e permitem a assimilação e ou acomodação. Organização: processo de combinar informações e experiências em sistemas ou . Podem ser atos visíveis (ações físicas) como o movimento de mão em um bebê. ou atos internos (ações mentais) como a resposta a um determinado cálculo apresentado. Ações: são comportamentos que estimulam o aparato intelectual da criança. A ação é um dos vários determinantes do desenvolvimento cognitivo. podendo ou não ser observáveis.

Estes sistemas podem ser físicos. . Esquemas: sistemas ou categorias mentais de percepção e experiência. Assimilação: encaixar novas informações em esquemas já existentes. Mudança contínua como resultado de sua interação com o meio. Adaptação: ajustamento ao ambiente .categorias mentais . ou psicológico como a combinação do esquema de olhar e de estender o braço para pegar. o aparelho digestivo. como por exemplo.

Desequilíbrio: estado de instabilidade que ocorre quando uma pessoa percebe que seu modo atual de pensar não está . Ou seja. Equilibração: a busca de estabilidade mental entre esquemas cognitivos e informações do ambiente. refere-se a mudanças que o organismo faz em suas estruturas para lidar com as novas informações.Acomodação: alterar os esquemas existentes ou criar novos esquemas em respostas a novas informações . Ex: transformação do esquema de sucção para o de comer com a colher.

Função: refere-se as características estáveis e contínuas do desenvolvimento cognitivo . Conteúdo: é o que a criança conhece. Estruturas: referem-se às propriedades organizacionais inferidas ( esquemas ) que explicam a ocorrência de determinados comportamentos.assimilação e acomodação. São os comportamentos observáveis que espelham a atividade intelectual.funcionando para solucionar um problema ou compreender uma situação. As estruturas modificamse de acordo com as experiências a que o .

O conhecimento tem como fonte a interação indissociável sujeito conhecedor – objeto a . pode ser reversível. seriação ou contando-os. Conhecimento: é agir sobre os objetos .é transformá-los. medindo-os. encaixando-os em sistemas de classificação. forma ou ordem inicial.sujeito está exposto. Reversibilidade: reconhecimento de que qualquer mudança de posição. forma. ordem e outros. São as estruturas que nos fornecem pistas valiosas a respeito do desenvolvimento do sujeito. isto é. retornada à posição. comparando-os.

quando resulta do pensar sobre as experiências com objetos e eventos. textura . peso e outras. Todo o conhecimento é uma construção resultante das ações da criança. Pode ser lógico-matemático . forma.ser conhecido. altura. O conhecimento pode ser físico . .quando refere-se as propriedades físicas de objetos e eventos : tamanho. Ele é construído a partir das ações das crianças sobre os objetos. Ele é inerente ao objeto. As contribuições são recíprocas.

Exemplo : soma. Inteligência: caso particular de adaptação biológica . regras. São valores. moral. Este conhecimento é construído pela criança a partir das interações com outras pessoas. Pode ser social . ética.quando se origina na cultura . leis. sistema de linguagem que os grupos sociais e culturais estabelecem como necessários . forma de equilíbrio .Estes são meios que permitem o desenvolvimento dos conceitos.

Tem uma importante função de adaptação. Ou seja. . transformando-se em jogo simbólico e após jogo de regras. Inicia-se no período sensório-motor com o jogo de exercício. a atividade executada tem um fim em si mesma . capacidade de adaptação a novas situações. resultado do movimento que gera novos esquemas . sistema de operações vivas e atuantes. em oposição a outras que tem objetivos externos. Jogo: Atividade que tem um fim sem si mesma.para a qual tendem todas as estruturas cognitiva.

OS ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO Através da constante busca do equilíbrio pela assimilação ou acomodação processase o crescimento e o desenvolvimento cognitivo do ser humano. para Piaget o “desenvolvimento cognitivo é um processo coerente de sucessivas mudanças qualitativas das estruturas cognitivas”. Ou seja. Do nascimento até a vida adulta os conhecimentos são construídos e reconstruídos .em um processo .

no progressão de sua pesquisa. Este processo continuum foi dividido em diferentes etapas. depois em quatro e a medida que os analisava sob diferentes ângulos. estágios. Esta construção acontece de forma gradual.continuum. Esses estágios . exatamente na mesma ordem. Inicialmente Piaget dividiu este processo em três estágios. criou subestágios. níveis . estão associados a . Todas as pessoas passam pelos mesmos estágios.

Os indivíduos podem também passar por períodos de transição entre os estágios. são apenas diretrizes gerais.diferentes idades mas elas não podem ser consideradas padrões . demonstrando características de um nível e de outro simultaneamente. Muitas vezes as pessoas podem usar um nível de pensamento para resolver um tipo de problema e um nível diferente para resolver outro. . A idade em que determinada conduta ocorre sofre variações de acordo com a experiência individual e o potencial hereditário .

Portanto. O procedimento é o mesmo em todas as idades. mas o repertório dos . o mecanismo do desenvolvimento é sempre o mesmo em todas as idades. SABER A IDADE DE UM ALUNO NUNCA É GARANTIA DE QUE VOCE SABERÁ COMO ELE VAI PENSAR . movido pela busca do estado de equilíbrio. O que diferencia um estágio do outro são as condutas do sujeito. A passagem de um estágio para o outro se dá pela formação de novos esquemas .PORTANTO.

ainda que sejam contrários aos novos ou contraditórios do ponto de vista do observador “(p. dando origem a estruturas diferentes nas diferentes idades. .esquemas vai mudando .299)”. e não pelo fato de renunciar a padrões de Comportamentos de estágios precedentes. Nas palavras de Piaget : O novo estágio poderia ser definido pelo fato de a criança tornar-se capaz de certos padrões de comportamentos dos quais era incapaz.

Os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e ajudam a organizar o ambiente. .AS TENDÊNCIAS BÁSICAS DO PENSAMENTO A adaptação do ser humano ao meio natural (eminentemente social) é um processo ativo com base mais cultural do que Biológica.

Não há possibilidade de separar o funcionamento do corpo e da mente. Para Piaget todas as espécies herdam duas tendências básicas ou “funções invariáveis”. mas aos poucos se organiza. . A conduta humana não obedece a padrões instintivos. Eles submetem-se as mesmas leis de desenvolvimento. Os atos intelectuais e biológicos são entendidos como atos de organização e adaptação ao meio.

Da mesma forma temos uma estrutura mental. ou outra que nos permite respirar .Exemplo: temos uma estrutura que nos permite ingerir e digerir . Estas estruturas são nossos . recombinação e reordenação de comportamentos e pensamentos em sistemas coerentes. Piaget entendeu que a semelhança do corpo. ordenação.o pulmão.A primeira destas funções invariáveis é a: Organização – combinação.o estômago. a mente também é dotada de estruturas.

corresponde.sistemas para compreender e interagir com o mundo. ao aspecto organizador de uma ação. a estrutura que permite que essa ação possa repetir-se e ser repetida e aplicada com ligeiras modificações – em situações . Estruturas simples são continuamente combinadas e coordenadas para tornaremse mais sofisticadas. e. mais eficientes. portanto. portanto. ESQUEMA . Piaget chama estas estruturas de ESQUEMAS .

Esquema de ação : são os elementos básicos do pensamento.distintas para conseguir objetivos similares. Esquemas são as estruturas mentais ou cognitivas pelas quais os indivíduos intelectualmente se adaptam e organizam o meio. . São sistemas organizados de ação ou pensamentos que nos permitem representar mentalmente ou “pensar sobre” os objetos e eventos de nosso mundo.

À medida que os processos de . o que é comum às diversas repetições ou aplicações da mesma ação . generalizável ou diferenciável de uma outra ou.São aquilo que em uma ação é transportável. dito de outra maneira. É a representação adquirida. elaborada pelo indivíduo a partir de sua experiência individual que podem coordenar-se variavelmente em função de uma meta intencional e formar estruturas de conhecimento de diferentes níveis.

pensamentos de uma pessoa tornam-se mais organizados e novos esquemas se desenvolvem. Os esquemas não são objetos reais (como pulmão ou estômago) são um conjunto de processos dentro do sistema nervoso. o comportamento também se torna mais sofisticado e adequado ao ambiente. Não tem correlatos físicos e não são observáveis diretamente. O desenvolvimento intelectual consiste em um contínuo processo de construção e reconstrução . .

nasce com a possibilidade de. segundo Piaget.construir seus esquemas de ação e de coordená-los em sistemas. “O ser humano.o . A esses.A inteligência começa a ser construída no período SENSÓRIO MOTOR que se caracteriza por uma ampliação constante de ESQUEMAS. em contato com o meio. Ao se construírem em nível exógeno esses esquemas dão origem a uma transformação em nível endógeno ou neuronal que permitirá novas concepções de estímulos do meio.

É pelas trocas do organismo com o meio.p. em nível neuronal. através da ação adaptativa que ocorre a construção orgânica das estruturas .67). as pessoas também herdam a tendência a se adaptarem ao seu ambiente. Além da tendência a organizar suas estruturas psicológicas. que se constituirão nas estruturas mentais “ (Chiarottino. 1974. ou seja. concomitantemente.organismo” responderá “construindo outros esquemas de ação. provocando. novas transformações.

o ser humano está constantemente em processo de ADAPTAÇÃO . A FUNÇÃO QUE INTEGRA ESTAS ESTRUTURAS E SUA MUDANÇA É A . construindo seus conhecimentos.mentais: Portanto. ou seja. interagindo no mundo e sofrendo a influência da ação deste sobre si. a sua própria inteligência. No sentido Piagetiano entendemos um indivíduo ativo. capaz de transformar esta realidade na qual interage e de transformar a si mesmo.

.INTELIGÊNCIA DESENVOLVIMENTO Processo contínuo de adaptação. Dois processos básicos estão envolvidos na adaptação : a assimilação e a acomodação. ASSIMILAÇÃO Para RANGEL(1992): Chamaremos de assimilação o mecanismo que o sujeito aplica ao procurar compreender o seu mundo.

Todas as coisas. primeiramente buscamos interpretála segundo nossas concepções atuais. Diremos que o sujeito está constantemente num movimento de assimilação desta realidade aos seus esquemas ou estruturas cognitivas. É assim que. diante de qualquer situação nova. inicialmente. emitindo hipóteses possíveis . em função de seus esquemas ou estruturas cognitivas até então construídas. todas as idéias. todas as reações dos outros do dele próprio tendem a ser explicadas. pelo próprio sujeito .

todas as idéias. todas as reações dos outros do dele próprio tendem a ser explicadas. em função de seus esquemas ou estruturas cognitivas até então .à sua interpretação dentro do contexto presente de nossa inteligência. inicialmente. Todas as coisas. E para WADSWORTH (2002) : Chamaremos de assimilação o mecanismo que o sujeito aplica ao procurar compreender o seu mundo. pelo próprio sujeito .

primeiramente buscamos interpretála segundo nossas concepções atuais.construídas. A assimilação ocorre quando as pessoas usam seus esquemas existentes para . diante de qualquer situação nova. emitindo hipóteses possíveis à sua interpretação dentro do contexto presente de nossa inteligência. É assim que. Diremos que o sujeito está constantemente num movimento de assimilação desta realidade aos seus esquemas ou estruturas cognitivas.

Ela envolve tentar compreender algo novo. ocorre a incorporação desta situação aos seus sistema cognitivos. Muitas vezes o sujeito distorce a nova informação para fazê-la enquadrar-se nos seus esquemas existentes. Se. encaixando-o naquilo que já sabem. a situação nova não pode .atribuir sentido aos eventos de seu mundo. a assimilação é possível. Exemplo: chamar um gambá de gatinho. no entanto. Quando diante de uma situação nova que se apresenta ao sujeito.

precisa elaborar novas hipóteses. Este processo chamamos de ACOMODAÇÃO. O sujeito precisa dar nova interpretação. precisa mudar os esquemas existentes para responder a nova situação .ser incorporada tal e qual (não é reconhecida pelo organismo) instala-se o desequilíbrio. ACOMODAÇÃO .O sujeito ou cria um novo esquema no qual acomoda o estímulo (situação nova) ou modifica seus esquemas prévios para incluir nele o novo estímulo.

então.Novamente RANGEL ( 1992) enfatiza : O movimento de ajustamento dos esquemas ou estruturas cognitivas provocado pelas situações novas (que não podem ser. chamamos de acomodação. simplesmente assimiladas) se diferencia em função dos objetos aos quais é aplicado (.. No conceito de WADSWORTH (2002) : . Ela surge a partir das perturbações provocadas pelas situações novas que o sujeito enfrenta..) é esta diferenciação dos esquemas de assimilação em resposta à ação dos objetos sobre os esquemas que.

de compreensão. de conhecimento do mundo. os esquemas refletem o nível de pensamento do sujeito.(pg.Acomodação é a criação de novos esquemas ou a modificação de velhos . Exatamente nesta questão está uma das grandes aplicações da teoria Piagetiana à educação. Se formos capazes de perceber os .20) Portanto. Ambas as ações resultam em mudança na estrutura cognitiva (esquemas) ou no seu desenvolvimento.

de crescimento. a estrutura cognitiva existente se impõe aos estímulos em processamento. Já a acomodação pode ser considerada . porque os estímulos são ajustados à estrutura cognitiva da pessoa. A assimilação pode ser considerada uma mudança quantitativa .esquemas da criança podemos ter uma idéia aproximada de seu conhecimento. O Professor poderá organizar estrategicamente atividades que propiciem o desenvolvimento ou o alcance do nível seguinte. De uma certa forma.

portanto. como já explicado anteriormente neste texto. responsável pelo desenvolvimento . acontecem situações em que as pessoas deparam-se com algo que é estranho . pois o sujeito é obrigado a mudar seu esquema para acomodar os estímulos novos que não conseguiu assimilar. usando os esquemas existentes de assimilação e acomodação. Estes processos são necessários na maior parte do tempo. Entretanto . e. As pessoas se adaptam a ambientes cada vez mais complexos.uma mudança qualitativa .

ou sentemse desconfortáveis e procuram uma solução diferenciada.demais. Este estado de desconforto é o desequilíbrio . Para mantermos um equilíbrio entre nossos esquemas para entender o mundo e os dados que este fornece. usando os esquemas existente. assimilamos continuamente novas informações. enquanto que o ato da busca de estabilidade é a equilibração. Elas podem tentar ignorá-la. e acomodamos nosso pensamento sempre que tentativas .

fracassadas de assimilar produzem desequilíbrio. O desequilíbrio proporciona a motivação interna necessária para que o sujeito assimile ou acomode, ou seja: - equilibrese. Desta forma, ocorrem as aprendizagens. Explica-se assim o fato de entender-se a aprendizagem como um processo individual. Outra aplicação destes conceitos piagetianos à educação: - desequilibrar é importante para a promoção, para a busca do novo conhecimentos.

CONCEITOS IMPORTANTES PARA O DOMÍNIO DA TEORIA

Os seguintes conceitos são chaves para o entendimento da teoria piagetiana. Foram adaptados de Anita Woolfolk e complementados com conceitos expressos em toda a bibliografia desta unidade. Ações: São comportamentos que estimulam o aparato intelectual da criança, podendo ou não ser observáveis. Produzem o desequilíbrio e permitem a assimilação e ou acomodação. Podem ser atos visíveis (ações físicas) como o movimento de mão

em um bebê, ou atos internos (ações mentais) como a resposta a um determinado cálculo apresentado. A ação é um dos vários determinantes do desenvolvimento cognitivo. Organização: Processo de combinar informações e experiências em sistemas ou categorias mentais. Estes sistemas podem ser físicos, como por exemplo, o aparelho digestivo, ou psicológico como a combinação do esquema de olhar e de estender o

braço para pegar. Adaptação: Ajustamento ao ambiente . Mudança contínua como resultado de sua interação com o meio. Esquemas: Sistemas ou categorias mentais de percepção e experiência. Assimilação: Encaixar novas informações em esquemas já existentes.

Acomodação : Alterar os esquemas existentes ou criar novos esquemas em respostas a novas informações . Ou seja, refere-se a mudanças que o organismo faz em suas estruturas para lidar com as novas informações. Ex: transformação do esquema de sucção para o de comer com a colher. Equilibração: A busca de estabilidade mental

entre esquemas cognitivos e informações do ambiente. Desequilíbrio : Estado de instabilidade que ocorre quando uma pessoa percebe que seu modo atual de pensar não está funcionando para solucionar um problema ou compreender uma situação. Conteúdo: É o que a criança conhece. São os comportamentos observáveis que

espelham a atividade intelectual. Função: Refere-se as características estáveis e contínuas do desenvolvimento cognitivo assimilação e acomodação. Estruturas: Refere-se as características estáveis e contínuas do desenvolvimento cognitivo assimilação e acomodação.

comparando-os. retornada à posição.Reversibilidade: Reconhecimento de que qualquer mudança de posição. encaixando-os em sistemas de classificação. isto é. seriação ou contando-os. .é transformá-los. medindo-os. forma ou ordem inicial. pode ser reversível. forma. ordem e outros. Conhecimento: É agir sobre os objetos .

O conhecimento em como fonte a interação indissociável sujeito conhecedor – objeto a ser conhecido. forma. O conhecimento pode ser físico .quando refere-se as propriedades físicas de objetos e eventos : tamanho. textura . As contribuições são recíprocas.quando . Ele é inerente ao objeto. Todo o conhecimento é uma construção resultante das ações da criança. Pode ser lógico-matemático . altura. peso e outras.

moral.quando se origina na cultura . Ele é construído a partir das ações das crianças sobre os objetos. ética. sistema de linguagem que os grupos sociais e culturais estabelecem como necessários . Pode ser social . São valores. Este conhecimento é construído pela criança a partir das interações com outras . Exemplo : adição.resulta do pensar sobre as experiências com objetos e eventos. Estes são meios que permitem o desenvolvimento dos conceitos. leis. regras.

a atividade executada tem um fim em si mesma.pessoas. resultado do movimento que gera novos esquemas . forma de equilíbrio para a qual tendem todas as estruturas cognitiva. Tem uma importante função de adaptação. Ou seja. Inteligência : caso particular de adaptação biológica . sistema de operações vivas e atuantes. . capacidade de adaptação a novas situações. Jogo: Atividade que tem um fim sem si mesma. em oposição a outras que tem objetivos externos.

. transformando-se em jogo simbólico e após jogo de regras.Inicia-se no período sensório-motor com o jogo de exercício. TEORIA SÓCIOINTERACIONISTA OU SÓCIOHISTÓRICA DE VYGOTSKY.

ciências sociais. vivenciou a Revolução Russa sendo influenciado pelo marxismo-leninismo. Interessava-se por questões de várias áreas de conhecimento: Arte.ncsu.O Homem Nasceu em Orsha. psicologia.> consultado em 12/01/2004 Em 1917. filosofia . Nesta época. Foto disponível na Internet: < www.html. na Rússia em 1896.edu/chass/extension/ci/applied.. formou-se em Direito pela Universidade de Moscou.. . lingüística.

vítima de tuberculose. Faleceu em 1934. Leontiev. Em 1924. Principais Obras: Pensamento e Linguagem. O .Lecionou em diversas Universidades e dirigiu um departamento para a Educação de crianças fisicamente deficientes e mentalmente retardadas. Sakharov. aos 38 anos.A Formação Social da Mente. Seus colaboradores: Luria. teve início o seu trabalho em psicologia.

Vygotsky foi contemporâneo de Piaget Sua Teoria Elaborou uma teoria dialética dos processos mentais superiores... cria ferramentas e signos. lidando com os mecanismos através dos quais a cultura se converte em uma parte da natureza humana do indivíduo. transformando por um processo dialético a si mesmo e à . A Psicologia da Arte.Problema da Consciência.. Problemas de Psicologia. O homem através do trabalho.

através da mediação dos signos e das ferramentas. .natureza. A linguagem como fator determinante da evolução do pensamento. Interação entre aprendizado e desenvolvimento: A zona de desenvolvimento proximal. A gênese das funções psicológicas superiores geradas pela interação homemnatureza-cultura. Integrar os aspectos cognitivos e afetivos do funcionamento psicológico humano.

Elas resultam da interação dialética do homem e seu meio sócio-cultural. As funções psicológicas humanas se originam nas relações do indívíduo com o .A EPISTEMOLOGIA SÓCIOHISTÓRICA OU SOCIOCULTURAL Vygotsky afirma que as características tipicamente humanas não estão presentes desde o nascimento do indivíduo. nem são mero resultado das pressões do meio externo.

O homem transforma-se de biológico em sócio-histórico. transformando-a.seu contexto cultural e social. também o transforma. por sua vez. num processo em que a cultura é a parte essencial da constituição da natureza humana. Na medida em que o homem age sobre a natureza. permitindo que ele seja visto . cria a cultura que. o desenvolvimento mental humano não é passivo e nem independente do desenvolvimento histórico e das formas sociais da vida humana.

o homem não tem acesso direto aos objetos. assim como no construtivismo e sim. através de recortes do real. operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. portanto enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias relações. MEDIAÇÃO Enquanto sujeito do conhecimento. ou seja. mas acesso mediado.simultaneamente como produtor e produto da cultura. pela . o conhecimento não está sendo visto como uma ação do sujeito sobre a realidade.

mediação feita por outros sujeitos. . DESENVOLVIMENTO COGNITIVO A Linguagem Sistema de signos que possibilita o intercâmbio social entre indivíduos que compartilhem desse sistema de representação da realidade.

É por meio deste que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente transmitidas. as formas de organização de real. sociedade e culturas diferentes produzem estruturas diferenciadas. . a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento.Ex: PÁSSARO .traduz o conceito deste elemento na natureza. portanto.Ela oferece significados precisos permitindo a comunicação entre os homens. É a linguagem que fornece os conceitos.

Risadas. Isto é. no significado da palavra é que o pensamento e a fala se unem em pensamento verbal O balbucio e o choro da criança.O significado é um componente essencial da palavra e é. uma generalização. um ato de pensamento. sons . São formas emocionais. pois o significado de uma palavra já é em si. ao mesmo tempo. mesmo suas primeiras palavras são estágios do desenvolvimento da fala que não tem nenhuma relação com a evolução do pensamento.

A fala. movimentos. que na primeira fase era afetivoconativa.. a fala não pode ser descoberta sem o . a criança sente a necessidade das palavras e. agora passa para a fase intelectual. As linhas do desenvolvimento da fala e do pensamento se encontram. tenta ativamente aprender os significados vinculados aos objetos. Porém. ao fazer perguntas.. ou seja.. Ela parece ter descoberto a função simbólica das palavras.inarticulados.

É a partir desta condição de aprender que foi construindo ao longo de seu desenvolvimento que será capaz de incorporar novas informações transformando-as em conhecimento e integrando-as às aprendizagens até então realizadas. Zona de Desenvolvimento Proximal: .pensamento. Zona de Desenvolvimento Real É o nível de desenvolvimento já atingido de fato pelo sujeito da aprendizagem.

Portanto. mas ainda não foi alcançado. aquilo que uma criança pode fazer com assistência hoje. Aquilo que é zona de desenvolvimento proximal hoje será o nível de desenvolvimento real amanhã. ela será capaz de fazer sozinha amanhã. ou seja. o bom ensino é o que incide na .Zdp É a distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial que já está próximo.

O ideal é partir do que ela domina para ampliar seu conhecimento. Zona de Desenvolvimento Potencial. Nesse caso.zona de desenvolvimento proximal. . a criança realiza tarefas e soluciona problemas através do diálogo. só que mediante a ajuda de outra pessoa. Aquilo que a criança é capaz de fazer. da colaboração Ensinar o que a criança já sabe é pouco desafiador e ir além do que ela pode aprender é ineficaz.

A CÓPIA: O oferecimento de modelos de texto é uma estratégia válida desde que resulte numa atividade criativa.A Alfabetização O objetivo é ampliar o universo de expressões para facilitar a incorporação da escrita.O construtivismo rígido exclui o . A ênfase é na elaboração da fala. não uma cópia mecânica. da escrita e da leitura como instrumentos simbólicos que repercutem no desenvolvimento mental.

O PAPEL DO PROFESSOR: É o condutor do processo. mas o professor deve apontá-lo sempre para que a criança o corrija.trabalho com cópias. atuando na ZDP. Não se pode esperar que o aluno descubra sozinho o que errou. O construtivismo também faz correções mas considerando o desenvolvimento da criança. pois deve . Sua intervenção é direta. O ERRO: Faz parte do processo de aprendizado.

mas não podem ficar no achismo”. O TRABALHO EM DUPLAS: O tamanho reduzido das equipes amplia as interações facilitando o aprendizado. O estudo em parcerias é um estímulo à autonomia. Em cada trabalho com seus colegas os alunos caminham de um nível de alta dependência do professor para uma independência na formulação de hipóteses. “Os alunos acham muitas coisas.ajudar a criança a avançar. .

as atividades de escrita.A ATIVIDADE DE LINGUAGEM: A linguagem é o principal instrumento de intermediação do conhecimento e corresponde ao desenvolvimento de uma linguagem interna.fala e leitura ganham importância. IMPLICAÇÕES QUE A ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL TRAZ PARA A PRÁTICA DE .

realizando com eles ou proporcionar atividades em grupos. Romper com a falsa verdade de que o aluno deve sozinho descobrir suas . EM SALA DE AULA O processo de constituição de conhecimentos é tão importante quanto o produto (avaliação final). em que aqueles que estiverem mais adiantados poderão cooperar com os demais. O professor é o agente mediador.PROFESSORES. deve propor desafios.

.respostas. Para que todo este processo tenha condições de se consolidar. que exigem planejamento constante e reorganização contínua de experiências significativas para os alunos. o diálogo deve permear constantemente o trabalho escolar. A aprendizagem escolar implica apropriação de conhecimentos.

comportamento volitivo) dos indivíduos tem origem em processos sociais. 2º Os processos mentais só podem . linguagem.PILARES DA TEORIA DE VYGOTSKY 1º Processos mentais superiores (pensamento.

3º “Método genéticoexperimental”:Análise do desenvolvimento cognitivo do ser humano. Vygotsky e seus colaboradores. concluíram que o desenvolvimento dos processos que resultam na formação de conceitos começa desde cedo na infância (fase mais precoce).ser entendidos se entendermos os instrumentos (ferramentas) e signos que os mediam. Formação de Conceitos Segundo estudos experimentais. .

o papel de conceitos verdadeiros. sendo que o fator preponderante é . controlamos seu curso e as canalizamos em direção à . provisoriamente. as quais forma a base psicológica do processo de formação de conceitos amadurece.. como meio pelo qual conduzimos nossas operações mentais..mas que as funções intelectuais.o uso de signo (palavra). se configura e se desenvolve somente quando a criança atinge a puberdade (adolescência). Nesse processo aparecem formações intelectuais que exercem.

pg. 1987. a sua utilização como um meio para a formação de conceitos é a causa psicológica imediata da transformação radical que passa o processo intelectual no limiar da adolescência.solução do problema que enfrentamos. mas não está consciente do seu próprio ato de pensamento.51) Quando uma criança opera com conceitos espontâneos ela tem sua atenção centrada para o objeto ao qual o conceito se refere. (Vygotsky. .O novo significado uso da palavra.

E se consolida quando pode ser aplicado a situações concretas: “É preciso que o desenvolvimento de um conceito espontâneo tenha alcançado um . se referem a coisas que ela não pode ver ou vivenciar diretamente e têm sua relação com os objetos mediados por outros conceitos. a partir de sua definição verbal e aplicações a situações artificiais.Isto não ocorre com os conceitos científicos que. quase sempre. O desenvolvimento cognitivo de um conceito científico se inicia conscientemente. não espontâneas.

Cognição e afeto não se encontram dissociados no ser humanos. se emociona. raciocina. Existe uma relação entre intelecto e afeto. deseja.certo nível para que a criança possa absorver um conceito científico correlato”. Afetividade na Obra de Vygotsky Vygotsky concebe o homem como um ser que pensa. imagina e se sensibiliza. deduz e abstrai. Os postulados de Vygotsky acerca da . mas também como alguém que sente.

questão da afetividade impressionam por sua atualidade.. propõe uma abordagem unificadora das dimensões afetiva e cognitiva do . que produziu sua obra nos anos 20 e 30 deste século e poderia ser atualmente considerado um cognitivista.o lugar do afetivo na obra de Vygotsky torna-se particularmente interessante pelo fato de que esse autor.. Segundo Oliveira (1992): .

O Bom Ensino é o que se Adianta ao Desenvolvimento: Se dirige às funções psicológicas que .83). O Papel do Outro na Construção do Conhecimento: Construir conhecimentos implica numa ação partilhada.funcionamento psicológico que muito se aproxima das tendências contemporâneas”. é através dos outros que as relações entre sujeito e objeto de conhecimento são estabelecidos. ( p.

Papel da Imitação no Aprendizado: Associa-se a atividade imitativa a um processo mecânico. A brincadeira tem uma função significativa no processo de desenvolvimento infantil. É uma forma de internalizar o conhecimento externo. de cópia e repetição.estão em vias de se completarem. Ela também é responsável por criar “uma . O Brincar e sua Importância no Contexto Escolar.

valores. que passam a orientar o seu próprio comportamento e desenvolvimento cognitivo . como trabalhar experimentalmente. modos de agir e pensar de seu grupo social. refazer ou simular os passos. principalmente.zona de desenvolvimento proximal”. Outro exemplo são as atividades experimentais. . aprendendo não apenas o conteúdo da atividade mas. porque através da imitação realizada na brincadeira. a criança internaliza regras de conduta. é possível através destas reproduzir.

O PAPEL MEDIADOR DO PROFESSOR NA DINÂMICA DAS INTERAÇÕES INTERPESSOAIS E NA INTERAÇÃO DAS CRIANÇAS COM OS OBJETOS DE CONHECIMENTO Priorizando as interações entre os próprios alunos e deles com o professor. que as crianças desenvolvem na convivência social evoluem para o nível dos CONCEITOS . o objetivo da escola é fazer com que os CONCEITOS ESPONTÂNEOS.

questionar e compartilhar saberes. para as diferenças. para o erro.CIENTÍFICOS. o educador assume o papel de mediador privilegiado na formação de conhecimentos. para a colaboração mútua e para a criatividade. Onde há espaço para transformações. Os postulados de Vygotsky apontam para . Os postulados de Vygotsky apontam para a necessidade de criação de uma escola em que as pessoas possam dialogar. Nesse sentido. discutir. para as contradições. duvidar.

questionar e compartilhar saberes. JEROME BRUNER . para as diferenças. Onde há espaço para transformações. para o erro. para as contradições. para a colaboração mútua e para a criatividade. discutir.a necessidade de criação de uma escola em que as pessoas possam dialogar. duvidar.

> consultado em 12/01/2004 Revolução cognitiva (final da década de 50) Objetivo:estabelecer o conceito de significado como conceito central em psicologia Revolução profunda cuja meta era descobrir e descrever formalmente os significados que os seres humanos criavam a partir de seus encontros com o mundo e então levantar hipóteses sobre que processos de produção de significado.unive.it/pedagog/ bruner.htm .Foto disponível na Internet: < helios. Focalizou as atividades simbólicas que os seres humanos empregavam para construir .

mas substituí-lo. cada uma delas exibindo uma forma geométrica diferente. pertencente a uma categoria particular. Experimentos: seguiam a tradição de examinar formas abstratas de categorização-exame de cartas de um conjunto. mas de si mesmos.e extrair significado não apenas do mundo. O cognitivismo não veio reformar o comportamentalismo. .

os sujeitos eram tratados como solucionadores de problemas ativos e construtivos.Contrariando a metodologia behaviorista estabelecida. É sempre possível ensinar-lhe algo desde que se leve em consideração as diversas . e não como se simplesmente reagissem aos estímulos apresentados a eles . Um tema principal na estrutura teórica de Bruner é que aprender é um processo ativo em que os aprendizes constroem as idéias ou os conceitos novos baseados em seu conhecimento anterior.

Essas etapas são caracterizadas por modos particulares de representação e explicação do mundo Representação ativa: estabelecimento de relações entre a .etapas de seu desenvolvimento.

O aprendiz seleciona e transforma a informação. Representação simbólica: capacidade de operar com proposições hipotéticas .experiência e ação. e toma as decisões. estruturas. constrói hipóteses. Representação icônica: manipulação de símbolos que representam coisas e relações . confiando em uma estrutura cognitiva. esquemas. modelos mentais) fornece o . A estrutura cognitiva (isto é.

A estrutura.significado e a organização às experiências e permite que o indivíduo “vá além da informação dada”. O instrutor e o estudante devem engajar em um diálogo ativo (isto é. aprendizagem socrática). Tanto quanto a instrução. . o instrutor deve tentar e incentivar estudantes descobrir princípios por si mesmo. as idéias e as relações fundamentais da matéria de ensino tornamse relevantes.

A tarefa do instrutor é traduzir a informação a ser aprendida em um formato apropriado ao estado atual da compreensão do aprendiz. O currículo deve ser organizado em uma maneira espiral de modo que as configurações do estudante continuamente em cima de o que têm aprendido .

predisposição para a aprendizagem .APRENDIZAGEM POR DESCOBERTA Bruner (1966) indica que uma teoria de ensino deve se dirigir a quatro aspectos principais: .especificar como um corpo do conhecimento pode ser estruturado de modo que possa ser o mais prontamente apreendido pelo .

e em aumentar a manipulação da informação. Os bons métodos para estruturar o conhecimento devem resultar em simplificar. . em gerar proposições novas. e a natureza e aplicação das recompensas e das punições.definir as seqüências mais apropriadas para a apresentação do material.estudante. 1990) expandiu sua estrutura teórica para abranger os aspectos sociais e culturais . Bruner (1986. Em seus trabalhos mais recente.

Muito da teoria é ligada à pesquisa do desenvolvimento da criança (especialmente Jean Piaget ). . A teoria do construtivista de Bruner é uma estrutura geral para a instrução baseada no estudo da cognição.da aprendizagem.

A instrução deve ser projetada para facilitar a extrapolação e ou preencher as aberturas (que vão além da informação dada). . A instrução deve ser estruturada de modo que possa facilmente ser apreendida pelo estudante (organização espiral).PRINCÍPIOS A instrução deve estar estruturada de acordo com as experiências e os contextos que tornam o estudante disposto e capaz aprender (prontidão).

em sua . na linguagem.APRESENTAÇÃO Já estudamos o que é a Psicologia e o quanto ela nos ajuda a compreender como ocorre o desenvolvimento dos indivíduos nos aspectos físicos.

inserido no seu meio social e aprendendo normas e regras morais de sua cultura. Estudaremos.personalidade e em seu desenvolvimento afetivocognitivo. Passaremos agora para uma nova etapa de nossos estudos que se refere àqueles sujeitos que apresentam uma desarmonia no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. .

então. talvez? . as consequências para os aluno e como a Escola pode buscar soluções. o Fracasso Escolar procurado analisar suas causas. De quem é a culpa? É do aluno? De sua família? É de suas condições de vida? Da sociedade? Do governo? Ou será que é da escola? Dos professores? Do sistema educacional.

. ainda. INTRODUÇÃO .Afinal será que todos estes fatores não contribuem para o não-aprender e para o fracasso escolar? Vamos começar a buscar as respostas? Talvez.. não as tenhamos todas.

Cordié (1996) afirma que o fracasso escolar é uma patologia recente pois surgiu a partir da escolaridade obrigatória. o que se constata é que a forma como foi implantada a “escolaridade obrigatória”. não foi a mais adequada para a realidade daquele momento. pelo menos no Brasil. no Brasil. pensadas e organizadas para uma elite sócio-econômica e recebia . com as leis da escola “para todos”. para a igualdade social. no fim do século XIX. e por volta de 1930. No entanto. na Europa. As escolas que até então eram preparadas.

somente crianças atendidas em todas as suas necessidades básicas: almentação. A verdade é que as instituições escolares não estavam preparadas para a recepção de alunos de outras classes sociais e com outras condições de vida. estrutura familiar e estavam inseridos num mundo letrado. está na escola por . culto onde cultivava.se a música. higiene. agora. a poesia e a literatura. e nem tinham infra-estrutura física e humana para recebêlos. Já a criança. saúde.

obrigação e não porque esta seja a decorrência natural da sua vida. Por outro lado. contrapondo sua . de seu desenvolvimento. como o fator desencadeante de um fenômeno até então desconhecido: o fracasso escolar. As pesquisas atuais têm apontado o despreparo do sistema educacional. como um todo. de sua realidade ou de suas expectativas.

que chega à escola sem a experiência do que denominamos letramento.expectativa. econômico e cultural. Estamos nos referindo aqui a uma maioria de crianças e adolescentes normais do ponto de vista físico. a de alunos bem atendidos e elitizados. social. LETRAMENTO é o que se considera uma experiência com o universo letrado . perceptomotor e mental. a escola aponta como causa do fracasso o próprio aluno pobre e seu entorno familiar.

nenhuma escolaridade. Na verdade a criança e o adoloescente das classes desfavorecidas tem uma culturta muito mais oral do lida e escrita. Outdoors.etc) no convívio diário e direto com seus familiares e amigos os quais têm pouca escolaridade. livros. por exemplo. ou muitas vezes. e é o que diferencia a criança da classe média e alta da criança de classe desfavorecida. revistas. Esta é uma experiência determinante para uma boa Alfabetização. contas de luz.(jornais. . cartas de parentes.

segundo FERREIRO(1996). Hoje, estes alunos, apesar das múltiplas dificuldades impostas por esta escola que se apresenta sem procurar alternativas de superação do fracasso que ela mesma vem produzindo, constituem a maioria, senão a totalidade dos alunos em muitas escolas públicas de nosso país. Antunes (2003) alerta-nos para a resiliência* destes alunos, afirma que eles são muito mais resilientes do que se imagina e fala-nos do tipo de aluno que freqüenta a escola pública hoje:

“De um integrante da clase média, satisfatoriamente limentado e usufruindo de razoável condição de habitação e lazer, passa a ser filho de mães solteiras ou pais desconhecidos, egresso de uma família estruturada em bases totalmente diferentes da famíla convencional, suportando duras pressões sociais que se associam a um quadro de fome qualitativa, indigência, miséria e violência.” (p. 25)

Portanto, resiliência “...é uma “ capacidade de enfrentamento, de superação do que é adverso” e como tal pode ser olhada de forma positiva- como um valor a construir- ou negativacomo uma característica a lamentar. O importante é podermos refletir sobre o quanto uma criança que nasce em condições desfavoráveis com o que lhe impôe a vida suporta, sobrevive e organiza-se demonstrando uma resiliência que se fortalece cada vez mais no enfrentamento

de seu dia-a-dia, superando desafios. Estas crianças e adolescentes são os alunos resilientes da escola pública de nosso país, que depois de meio século de “obrigatoriedade do ensino”, “da escola para todos”, “da igualdade de oportunidades” parece ainda desconhecer esta realidade da qual estamos falando. Quais os fatores que levam a isto? Temos estudado a partir de resultados de pesquisas alguns destes fatores que tornamse impedimentos para uma relação de ensino e de aprendizagem adequada e

eficiente: 1) Os Preconceitos da Própria Instituição Escolar
2) A Formação dos Professores 3) A Negligência e os Maus-Tratos Psicológicos com os Alunos 4) Os Conhecimentos Prévios dos Alunos 5) O Disciplinamento no lugar dos Limites
Resiliência: é a propriedade de retornar à forma original após ter sido submetido a uma deformação; ou capacidade de se recobrar ou de se readaptar à má sorte, às mudanças. Dicionário de língua portuguesa. Do Houaiss. (Antunes, 2003, p. 13)

O PRECONCEITO DA PRÓPRIA INSTITUIÇÃO ESCOLAR
Freqüentemente , os alunos tem sido desprestigiados e depreciados por seus próprios professores ao referirem-se a eles na sala de Professores, nos Conselhos de Classe, etc. Há uma discriminação , um preconceito velado contra o aluno pobre que não tem contemplado as expectativas dos professores quanto a sua aparência, higiene e forma de se expressar com sua linguagem oriunda de seu meio sócio-econômico e

cultural. A isto FERREIRO (1996) chama de “exclusão encoberta” que é tudo aquilo que não é DITO explicitamente, porém subliminarmente é captado. Numa sala de 40 alunos pobres e 1 professor ou professora que tem no mínimo moradia, emprego, alimentação, acesso a cultura e lazer quem é a regra e quem é a exceção?

Quando somente o professor tem as condições de ter uma infra-estrutura que lhe permite ter a sua disposição coisas tão básicas que sequer pára para refletir sobre elas, como água à vontade, energia elétrica, roupas lavadas com detergentes e amaciantes, shampoos, creme rinse e sabonetes perfumados para seu banho e troca de roupas diárias, quem é a exceção? Não somos nós os diferentes ? Os privilegiados ? A regra não é a vida sem todos estes odores e confortos para a

maioria de nossos alunos e da maioria dos cidadãos brasileiros? Então, como pode os professores reclamar da REALIDADE ? Ou não a querem ver ? Ou não se importam? Ou já tem tanto preconceito que estão incapazes de um rompimento com falsas crenças como a que há décadas cultivam como se fossem os únicos trabalhadores injustiçados:“que trabalham demais e ganham pouco” e que “não são pagos para atender uma clientela com tantos

problemas e cuja responsabilidade é de suas famílias”. Quem na sociedade deve então responsabilizar-se por atender as necessidades de crianças e adolescentes oriundos de famílias onde há fome, frio, desemprego, violência, insegurança e que por motivos sociais e de responsabilidade de nossos governantes não terão seus problemas de base resolvidos, pelo menos não a curto prazo, como o analfabetismo de adultos, a mão de obra desqualificada, a falta de empregos e de oportunidades de uma vida digna e, principalmente, a

desesperança e o desespero em que vivem por saberem-se incapazes de mudar o rumo de suas vidas e a de seus filhos. Dessas famílias vem os alunos das escolas públicas, um contingente que forma a maioria da população que daqui a pouco mais de 5 a 10 anos será responsável pela produção, dentro de um sistema capitalista em que estamos inseridos. Não seria a escola, depois da família, a responsável por oferecer as condições necessárias às novas gerações de jovens e adultos trabalhadores que tem, sim, a

esperança e o direito de ter pelo menos a chance de uma vida melhor ?

A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES
Temos visto que apesar de já termos entrado no século XXI e de fazermos parte de um mundo globalizado, a escola continua sem a competência para valer-se daquilo

que é inovador e diferente para acompanhar também neste setor, o da Educação, uma nova sociedade que se descortina com seus novos padrões de comportamento e cultura. Um dos fatores mais sérios do Fracasso Escolar e que contribui ,sem dúvida, para as dificuldades de aprendizagem é a estagnação em que se encontra uma grande parte dos professores. Muitos ainda têm apenas o diploma do Curso Normal, de 2° grau, por várias razões é claro, porém sem ter a consciência que isto só não basta e que é preciso atualizar-

analfabetos ou semi. Ao entrarmos em uma sala de aula dos cursos de formação ou atualização de professores voltamos a sentir a esperança de que esses profissionais não só se aprofundem teoricamente mas que possam olhar de frente e enfrentar a realidade de nosso país onde uma maioria é. . estudando por conta própria ou em cursos de formação e procurando tomar conhecimento de tudo que vem sendo descoberto e publicado para o acesso dos demais. ainda.analfabetos.se.

A educação continuada deve ser o caminho e a meta de profissionais responsáveis pela formação de pessoas do ponto de vista cognitivo. afetivo. O próprio Ministério da Educação avaliou no último ano as condições dos professores . social e moral a fim de levá-los a ter oportunidades de um futuro melhor como cidadãos. E também há as questões pessoais e profissionais. que levam os professores a um quadro de desmotivação tão grande que os impede de analisar sua postura frente a seu desempenho profissional.

. É evidente que a responsabilidade do governo em relação às condições do profissional professor e dos recursos das escolas é inegável. incluindo o que foi denominado de “Síndrome da Desistência Simbólica”.em todo o Brasil e chegou a resultados lamentáveis. a qual inclue vários dados que iremos pesquisar.

. É possível que um professor seja determinante para construir um ótimo aluno ou para destruir outros. A criança que não tem em sua família uma estrutura que lhe permita ter segurança.NEGLIGÊNCIA E OS MAUSTRATOS PSICOLÓGICOS AOS ALUNOS Há muito vimos analisando o quanto o professor é importante na vida de seus alunos e quanto poder ele tem. talvez sem ter a consciência de tê-lo.

sem falar na falta de condições sócioeconômicas. com um bom auto-conceito e uma auto-estima adequada. deveria poder ter na escola uma nova chance de ter ali um ambiente estruturado.afeto. acima de tudo respeito. Cordié (1996) salienta que o fracasso escolar de uma criança retrata seu . tornar-se capaz de ser um indivíduo mais fortalecido. com pessoas que se preocupassem com ela e com suas dificuldades e onde pudesse receber afeto e respeito. para que viesse a desenvolver seus potenciais para as aprendizagens formais e informais e assim.

. respeitado. ser considerado. de ter acesso portanto..) é algo temido angustiante. possuir o falo imaginário. na mesma série sem que sejam investigadas e avaliadas estas crianças a fim de definir as causas de . a renúncia ao gozo. na sua trajetória de vida: (. não são eles a felicidade? O próprio Estado alimenta esta aspiração. ao consumo de bens. mais tarde. 21) E a negligência? O que chamamos de negligência é o fato de algumas escolas assitirem a permanência de alunos por 3. Quando se fala em futuro para uma criança em situação de fracasso escolar (. isto é.. é o que as espera “se elas não trabalharem bem na escola. 5 anos. ou mais.. Significa também “ser alguém”. de ter uma bela situação. Para ser grande. 4.) ser bem-sucedido na escola é ter a perspectiva. (p. uma nação não deve sempre aumentar suas riquezas e suas competências? O fracasso escolar pressupõe a renúncia a tudo isso.desempenho na escola e como conseqüência. O dinheiro e o poder.

Além disso. Estatuto da Criança e do Adolescente passível inclusive de punição. admoestações. no dia-a-dia presenciamos vários professores constrangerem seus alunos na frente de seus coleguinhas. Isto é mau. .seu não-aprender ou questionar o que é de responsabilidade do professor ou da escola nesse evidente fracasso do aluno e da instituição escolar. ou até de outros professores com xingamentos. desdém e com palavras que rebaixam a auto-estima dos alunos.trato psicológico previsto no ECA.

. Há um “senso comum” de que estas crianças e adolescentes não merecem sua consideração pois seu discurso é sempre o mesmo: “não somos pagos para isto.. só como exemplos de um discurso que parece estar incorporado a cultura desta classe profissional.”. Por sorte temos professores que não se . “não é nossa a responsabilidade de suprir o que a família não oferece”.É incompreensível a permissividade com que agem as direções das escolas em relação ao comportamento destes professores sem sequer serem advertidos.

POLITY(2003) desenvolveu uma importante pesquisa sobre a questão do fracasso escolar e propõe que se analise. como dedicar-se a seu trabalho como profissionais e não como amadores. ao contrário das dificuldades de aprendizagem. as DIFICULDADES de ENSINAGEM que ela mesma conceitua como : .conformam com esta situação para seus alunos e tomam outras atitudes.

.”.“. 16) Ao falar de dificuldades de Ensinagem.. E cita como definição de Ensinagem aquilo que .. medo e/ou frustração por não entender o aluno.. que pode gerar raiva. POLITY (2003) salienta que o ensino é um processo de natureza relacional. onde a interação e os vínculos de afeto e confiança deveriam andar juntos. fantasias de incompetência.(p.é o movimento de ensinar carregado de emoção: ansiedade por ter de cumprir uma missão .

esse processo demanda. ela refere-se a uma comunicação interativa em que os estados de intersubjetividade podem tornar-se significativos. um . A ensinagem é portanto.há muito se espera que aconteça: Além do processo emocional. para seu entendimento. implícito no ato de ensinar.Supõe relacionamento e considera as trocas emocionais que permeiam o ato de ensinar. ensinar com a emoção e a razão. Por isso.

(p. OS CONHECIMENTOS PRÉVIOS DO ALUNO . 29) Como já vimos no Módulo III – Teorias de Aprendizagem – a teoria ou paradigma que rege a ação do professor é fundamental para um bom ensino e uma efetiva aprendizagem.enquadre nos paradigmas Construtivistas/Construcionistas Sociais.

Outra questão importante é saber que crianças e jovens são desconsiderados em suas aprendizagens não-formais. Como justificar esta incoerência? Será que a escola já percebeu que os conhecimentos prévios ou cotidianos dos alunos são aprendizagens importantes para a vida e que devem ser valorizados? Weisz (2003) levanta uma questão . sendo que muitas vezes em sua vida cotidiana são aptos para situações bem mais complexas do que as da escola e é nela justamente que se saem mal.

pois é conversando com a criança sobre como ela pensou para responder ou resolver questões propostas em sala de aula que o professor poderá entender como está operando seu pensamento. Existe uma crença da criança que tudo que ela tem que aprender é lógico ou que .importantíssima: o que sabe uma criança que parece não saber nada? E diz que para descobrir o que pensa o aprendiz é preciso que o professor tenha um olhar e uma escuta cuidadosa sobre os erros que a criança comete.

Segundo Piaget. estágio operatório- . Relembrando: no Módulo IICiclo Vital. ou pelo menos não numa lógica que seja acessível ao seu nível de pensamento. No entanto. algumas aprendizagens não são baseadas em lógica. estudamos os vários estágios de desenvolvimento cognitivo. estágio préoperatório. os estágios são: sensório-motor.tem uma lógica que ela seja capaz de compreender.

concreto e operatório formal. Evidentemente. os quais não podem ser entendidos como os conteúdos ensinados pelo professor. tanto com conteúdos escolares como com . Releia-os para compreender melhor o que estamos estudando agora. o conhecimento prévio do aluno é todo aquele que ele já aprendeu. Pois nem sempre o que se ensina foi aprendido pelo outro. É também importante o que Weisz (2003) salienta sobre os conhecimentos prévios dos alunos.

situando-os e respondendo a uma pergunta permanente de quem aprende: por que devo aprender estes conteúdos? Para que servirão na minha vida? Cada vez que um aluno estabelece uma ligação do que aprende na escola com a aplicação em sua vida. tanto mais vincula-se ao aprender.suas aprendizagens de vida que precisam ser valorizadas pelos professores a fim de que as crianças e adolescentes estabeleçam relações entre conhecimentos científicos e conhecimentos cotidianos. ao professor (que lhe possibilita estas condições) e à instituição .

mostraram resultados surpreendentes.escolar que freqüenta. . por um grupo de pesquisadores da ULBRA. O DISCIPLINAMENTO NO LUGAR DE LIMITES Pesquisas realizadas em 2002 e 2003. sentindo-a importante e até indispensável em sua vida.

as crianças e adolescentes observados em escolas de 1 grau. Ao contrário de limites que necessitam receber. recebiam ordens de silenciamento e de imobilidade. municipais e estaduais. privadas...seus alunos .Encontramos nas escolas. de 1 a 8 séries. Os mesmos professores que nas entrevistas diziam-se construtivistas e interacionistas onde “. não só um ensino tradicional e uma prática empirista como também uma forte tendência repressora quase unânime em quase todas as escolas.

” mostravam-se autoritários em sala de aula e exigia como prerrogativas do aprender não conversar e não sair de seus lugares.. Ao se estabelecer limites às situações está se ajudando a criança a sentir-se protegida e segura pois vai internalizando o .interagiam com os colegas e com materiais concretos os quais facilitavam suas aprendizagens. seriam muito necessários. Em compensação não os vimos colocarem limites em situações que no nosso entener. como observadores..

2001): A função protetora dos limites não se restringe apenas aos Limites colocados com o objetivo de evitar situações de perigo ou risco (. Para MALDONADO (apud in SISTO.que pode e o que não lhe é permitido fazer.. tal como proteger a criança de sentimento de culpa por remorso quando vê que nos .) mas abrange algo bem mais amplo..

(p.atacou...83) A autora salienta outra função dos limites que é a de ensinar a criança a controlar sua ansiedade e a tolerar frustrações aprendendo que não pode ter tudo na hora e do jeito que quer. FRANCO e MORAES (2002). aqueles que são disciplinados no espaço escolar.) Silêncio e imobilidade servem a estes . denominam de “corpos dóceis e produtivos”. nos machucou ou destruiu alguma coisa importante para nós. visando a eficiência e a obediência e citam: “(. sendo impedidos de manifestação.

337) Para COLL (1996) a importância das interações constitui o valor educativo das mesma e do desenvolvimento global do indivíduo.propósitos” (p. .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful