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O SORO DA VIDA
Everton
autor
KURT BRAND

Tradução
RICHARD PAUL NETO

Tumulto no zôo galáctico:
um homem fugiu...

A pesar das hábeis manobras realizadas no espaço galáctico, o
trabalho pelo poder e pelo reconhecimento da Humanidade no seio do
Universo, realizado por Perry Rhodan, forçosamente teria de ficar
incompleto, pois os recursos de que a Humanidade podia dispor na
época eram insuficientes face aos padrões cósmicos.
Cinqüenta e seis anos passaram-se desde a pretensa destruição
da Terra, que teria ocorrido no ano de 1.984.
Uma nova geração de homens surgiu. E, da mesma forma que em
outros tempos, a Terceira Potência evoluiu até transformar-se no
governo terrano, esse governo já se ampliou, formando o Império
Solar. Marte, Vênus e as luas de Júpiter e Saturno foram colonizados.
Os mundos do sistema solar que não se prestam à colonização são
utilizados como bases terranas ou jazidas inesgotáveis de substâncias
minerais.
No sistema solar não foram descobertas outras inteligências.
Dessa forma os terranos são os soberanos incontestes de um pequeno
reino planetário, cujo centro é formado pelo planeta Terra.
Esse reino planetário, que alcançou grau elevado de evolução
tecnológica e civilizatória, evidentemente possui uma poderosa frota
espacial, que devia estar em condições de enfrentar qualquer atacante.
Mas Perry Rhodan, administrador do Império Solar, ainda não
está disposto a dispensar o manto protetor do anonimato. Seus agentes
cósmicos — todos eles mutantes do célebre exército — continuam a ser
instruídos no sentido de, em quaisquer circunstâncias, manter em
sigilo sua origem terrana.
Será que os dois agentes enviados a Tolimon obedecem a estas
instruções, no momento em que dão início à busca d’o Soro da Vida...?

======= Personagens Principais: = = = = = = =
John Marshall — Que se instalou em Tolimon sob o disfarce de um mercador de
animais.
Laury Marten — A linda filha dos mutantes Anne Sloane e Ralf Marten.
Rohun — Um mercador galáctico.
Huxul — Funcionário do Serviço de Vigilância de Estrangeiros.
Otznam — Que usa o mesmo disfarce de um mascarado.
Man Regg — Um genial médico ara.
Futgris — Que se sente muito feliz por ter o privilégio de trabalhar para Ixt.
Conde Rodrigo de Berceo — Um jovem do ano de 1.652.

1

Enquanto o cruzador leve deixava o planeta Hellgate, levando a bordo, como
prisioneiro, o solitário do tempo, Atlan, dirigindo-se ao planeta Terra, situado a 12.348
anos-luz, Perry Rhodan tomou lugar diante da memória do hipercomunicador. Só agora
teve tempo para deixar desfilar diante de si as mensagens dos últimos meses, expedidas
pelos agentes que se encontravam no planeta Tolimon.
Por enquanto, notícias de terceira categoria lhe feriam o ouvido. Rhodan mal
prestava atenção. Lançou os olhos para fora da abóbada de aço, que era o único lugar
daquele planeta supersaturado de calor em que a vida humana podia manter-se, e
contemplou o deserto que tremeluzia sob os raios amarelo-pálido do sol ZW-2536-K-
957.
Rhodan escolhera Hellgate, o único astro que gravitava em torno desse sol, e que
constituía um mundo inútil e sem vida, para servir de base secreta situada nos limites
extremos do Império de Árcon, a fim de ficar o mais próximo possível do planeta
Tolimon. A oitenta e um anos-luz de Hellgate esse planeta gravitava, como segundo de
um grupo de seis mundos, em torno da estrela Revnur, um sol do tipo G.
Há um ano — mais precisamente, em maio de 2.039 — Perry Rhodan tivera pela
primeira vez sua atenção despertada para Tolimon. Estava interessado mais do que nunca
em saber o que estariam fazendo os aras, os mais geniais dentre os médicos galácticos. E
Tolimon era um mundo dos aras. Talvez ocupasse uma posição sem par no seio da
imensa Galáxia: era formado por um único zoológico.
Rhodan chegou a uma conclusão lógica: médicos galácticos mais zoológico, igual a
pesquisa. A conclusão levou-o a empregar seus agentes em Tolimon. E a essa hora o
telepata John Marshall e a mutante Laury Marten encontravam-se há oito meses nesse
mundo dos aras, empenhados na solução de um problema específico. E Rhodan deixava
desfilar diante de si justamente os comunicados que os agentes haviam enviado a
intervalos irregulares para Hellgate por meio do hipercomunicador.
O dispositivo de memória estava reproduzindo uma mensagem transmitida três
semanas atrás. A voz de John Marshall era inconfundível. Apenas disse três frases. E
cada uma dessas frases continha uma informação negativa. John Marshall e Laury Marten
não estavam conseguindo nada em Tolimon.
Depois disso, a memória do aparelho emudeceu.
Perry Rhodan desligou. Para ele, o longo tempo de espera começaria. Acontece que
não dispunha de tempo para esperar muito.
O que estava em jogo era a vida de Thora, sua esposa, e de Crest. Os dois estavam
envelhecendo de repente. A arte médica, que até então conseguira deter o processo,
começava a revelar-se ineficaz. Um novo soro, produzido na Terra, também não
conseguiu retardar a decadência biológica. E no planeta Peregrino, o mundo da vida
eterna, aquilo recusava a ducha celular aos dois arcônidas.
O fim natural parecia aproximar-se inexoravelmente, quando seus agentes chegaram
à Terra com boatos que falavam num certo planeta Tolimon, um mundo pertencente aos
médicos galácticos. Segundo esses boatos, há séculos alguns seres humanos estariam
sendo conservados num zoológico dos aras existente em Tolimon, sem apresentar
qualquer sinal de envelhecimento.

John Marshall e Laury Marten finalmente conseguissem aproximar-se do objetivo. Perry Rhodan tinha que apoderar-se dele. depois de tanto tempo. haviam descoberto um soro prolongador da vida. era o mínimo que poderia fazer por Thora e Crest. cuja eficácia era muitíssimo superior ao dos arcônidas? Se é que esse soro existia. Será que os médicos galácticos. encontrava-se em Hellgate. sob a proteção da abóbada de aço. Será que a notícia não passava de boato? Ou seria algo mais que isso? O amor que sentia pela esposa e por seu amigo Crest fez com que recorresse aos mutantes John Marshall e Laury Marten para encontrar a resposta a essa pergunta. enviando-os a Tolimon. aguardando que. . os aras. Por isso.

Não sabe que uma das características destas criaturas é a de que só não fazem barulho enquanto estão dormindo? No momento. Subitamente um largo sorriso cobriu seu rosto. — É verdade. Minha sogra faz anos amanhã. estou disposto a pagar cento e oitenta. — Trata-se de presente. 2 O saltador Ixt saiu de seu luxuoso escritório. Em vez de um casal de gegerutavis cantores eu lhe dou estas crias do inferno. no centro recém-construído da cidade de Trulan. que dormiam nesta. — É o cúmulo da sem-vergonhice — disse o ara enfurecido. com um sorriso amável para o ara enfurecido. Um dos hiobargulus. Um ara de ombros largos regateava em voz alta com dois vendedores. Futgris sorriu. Permite que pergunte qual é a experiência que pretende realizar com os hiobargulus? O ara sorriu e esfregou as mãos. batendo com o punho numa gaiola. desde que garanta que estes bichos fazem este barulho infernal toda vez que são assustados. — Não há problema. são seis filhotes de cada vez. De acordo? — Cento e oitenta por peça! — disse Futgris. e entrou discretamente no salão amplo e moderno destinado às vendas. — Isso não é nenhum preço. — Ora — apressou-se Futgris em asseverar. gaguejou: — Isso é um truque para levar seus fregueses a pagar os preços extorsivos pedidos pelo senhor? Futgris respondeu com o maior sangue-frio: — Vendemos os hiobargulus muito barato: apenas vinte por peça. — Que experiência. Compramos os gegerutavis em Aralon. para . — Cento e oitenta o casal — fungou este. o ara deu um enorme salto. por isso estão quietos. o melhor vendedor de Ixt. Embrulhe também um casal de gegerutavis. assustou-se e fez um barulho tremendo. Para o casal. fazemos o preço de trinta e cinco. Acenou gravemente com a cabeça e disse em tom deprimido: — Talvez o senhor tenha razão. — Em Aralon estes bichos são vendidos a quarenta o casal. é uma extorsão. depois que o hiobargulu se tinha acalmado. Amigos. Acontece que de Aralon para Tolimon temos as despesas de transporte: são cerca de dez mil anos-luz. Dão cria oito vezes por ano. fitou a pequena gaiola da qual vinha o barulho infernal e. No mesmo instante. colocamos estes bichos num estado de profunda sonolência. O ara não deixava de ter seu senso de humor. que nada! — exclamou. Será que o senhor poderia pôr os animais para dormir. Em qualquer lugar consigo os gegerutavis pela metade. de tal forma que só comecem a fazer barulho amanhã ao meio-dia? Será muito divertido! Futgris teve o atrevimento de perguntar: — Será que o senhor não está exagerando com a senhora sua sogra? O ara logo desanimou. situado na Rua do Grande Mo. — Pode embrulhar um casal.

estas reações violentas não devem surgir em . Ixt resmungou: — Parece que na Terra alguém cometeu um erro. um comandante dos saltadores. conforme costumava fazer todas as manhãs. Quando atravessou a grande sala de exposições e vendas para voltar ao seu luxuoso escritório. apoiado sobre três barbatanas. só tinha um problema: chegar ao esconderijo. Nunca tivera um chefe como Ixt. O homem ainda estava meio surdo quando saiu da grande casa de animais de Ixt. de cerca de dez centímetros de comprimento. sem ser percebido. Não havia nenhum sinal que traísse o fato de que não era um saltador.qualquer emergência. Depois de ter dado dez passos na rua. Pensava no ara que acabara de comprar um casal de hiobargulus e um casal dos caríssimos gegerutavis com o dinheiro do governo. Naquele momento. que vivia maldizendo a tarefa absurda de vigiar esse saltador. Teria que tomar suas providências até a manhã do dia seguinte. Achou que seria muito arriscado usar o sistema de comunicações da cidade de Trulan para entrar em contato com Rohun. Bateu com o punho sobre a gaiola e. — O que é isso? — gritou a voz potente do ara.. Não havia nada em seu rosto que revelasse a enorme preocupação que o afligia. o homem atreveu-se a olhar para dentro da gaiola. Mas resolveu experimentar de novo. cumprimentou os empregados que se encontravam à direita e à esquerda. — Não venha me dizer que um bichinho como este faz um ruído tão infernal. ao retirar-se da casa. *** — Arga — disse Gege Moge em tom contrariado. Os pensamentos de Ixt estavam longe dali. que lançou um olhar desconfiado para Futgris e voltou a bater na gaiola. carregando seu mini-zôo.. mais uma vez. inclusive Ixt. com a cabeça enfiada na pelanca. no bairro dos cortiços. — Ainda não percebeu que mais uma vez nos encontramos diante de um choque anafilático? Quantas vezes ainda terei de lhe dizer que. apesar de todas as indagações. que desse a perceber que seu aspecto exterior era apenas um excelente disfarce. só porque os dados sobre o lugar do nascimento e o clã por ele fornecidos apresentavam alguns pontos obscuros. Dali a dez minutos. ouviu-se o barulho infernal. Todos os vendedores seguiram-no com os olhos. Sentia verdadeiro prazer em trabalhar na firma. Ixt lia todos os pensamentos do ara. que se encontrava entre as mais sofisticadas de Trulan. Represente-me condignamente. apontando nervosamente para o ser estendido sobre a mesa estofada. que. com os olhos azuis superdimensionados e uma pelanca bamboleante no pescoço. que se mantivera discretamente nos fundos. Outro animalzinho dormia sob o efeito dos narcóticos. — Sim senhor — asseverou o vendedor com os olhos radiantes de alegria. Afetado visivelmente pela nova orgia de sons. no estágio das experiências preliminares. não puderam ser esclarecidos. O barulho recomeçou. e fitava-o com os olhos sonolentos. Um animalzinho azul e peludo. estava agachado num canto. John Marshall já se esquecera de que era dono de uma grande casa de animais. disse de passagem a Futgris: — Só voltarei à tarde. Depois de ter fechado a porta atrás de si.

Não se via absolutamente nada da boca. o médico ara respondeu: — Providenciarei para que a administração lhe conceda uma permissão perpétua. Por que o soro U-1f54. Dirigiu-se a ela. dotado de cinco membros. no fundo. Finalmente estou em condições de comunicar um pequeno êxito a John Marshall. — Já o conheço há mais de trezentos anos. nunca poderia trair John Marshall e Laury Marten. morrera do soro produzido por seu próprio corpo. mas no que dizia respeito à comida e à bebida apresentava traços animais inconfundíveis. — Não tenho permissão para entrar na parte reservada do zoológico. mas um ser dotado de inteligência. muito embora esta fosse bastante limitada. Seus pensamentos já estavam formulando o texto do comunicado que pretendia transmitir a John Marshall. providencie logo! O médico ara seguiu a estudante arcônida Arga Slim com um olhar contrariado. Preciso deles para amanhã de manhã. disfarçada numa estudante arcônida. da abertura destinada ao sentido de orientação ou dos olhos. situando-o na categoria do quociente C. caminhou em direção ao elevador antigravitacional. Sempre gostei de trabalhar com você. Marshall . fria e enrijecida.” Laury Marten. Apesar disso. “Realmente diz apenas o que pensa. A pesquisa terá de revelar por que esse ser é supersensível ao próprio soro. enquanto pode ser usado sem receio e com os melhores resultados nos grupos B e F? Avise o setor de dissecação de que preciso do resultado amanhã de manhã. o binn não era nem planta nem animal. — Coitado! — disse o cientista ara com certa emoção. que serviam tanto à locomoção quanto à apreensão de objetos e ao trabalho. É uma pena. Rohun. no corredor. extraído do binn. Tratava-se de um ser que nenhum homem seria capaz de classificar. tal qual John Marshall. Tinha-se relacionado muito profundamente com os agentes de Perry Rhodan para que lhe fosse possível recuar. que a levou ao pavimento em que residia há vários meses. fitou o binn. De qualquer maneira. para verificar se está tudo em ordem. A criatura de sangue quente estava estendida sobre o leito duro. Pensativa. absorvia o ar à maneira das plantas. Tratava-se de um ser situado entre os reinos animal e vegetal. Depois disso. — Vá ao zoológico ainda hoje e escolha dois dos novos binns. E. A cabeça em forma de caule de flor fechara as dobras que escondiam os órgãos dos sentidos. “O homem não está mentindo”. O binn tinha menos de um metro de altura e pesava cerca de quarenta quilos. não pode ser empregado nas categorias de inteligência situadas abaixo do grupo C. binn. sabia ler os pensamentos dos outros.nenhuma hipótese? Agora corremos o risco de perder todo o trabalho das experiências preliminares. pensou a estudante de Árcon. Moge — ponderou a estudante. Saiu da sala e. e de repente sua vida termina de uma hora para outra. *** O comandante dos saltadores. dirija-se à administração antes de ir ao zoológico. voltou a encontrar-se com a estudante arcônida Arga Slim. Seus lindos olhos brilhantes fitaram-no com uma expressão de expectativa. não era o tipo do traidor. Vamos. Mande levar o binn imediatamente ao setor de dissecação. Enquanto se afastava. Gege Moge contemplou com olhos de cientista o cadáver chato como uma folha.

o contato entre os dois humanos foi interrompido. O que me diz? Marshall controlou automaticamente os pensamentos do comandante dos saltadores. Foi por isso que resolvi procurá-lo. Existe algum lugar em que possa esconder-me? O mercador. Daqui a pouco o senhor deverá receber uma visita. segundo os quais no zoológico são mantidos homens. Marshall mantinha-se em atitude rígida. Entendido? — Entendido — foi o impulso mental de. Após isso. Laury Marten. Concentrado ao extremo. — Rohun — disse — os serviços de defesa dos aras não dormem. durante sua visita ao zoológico. constituía novidade para ele. Laury Marten que ele captou. John Marshall acabara de transformar-se num receptor telepático. filha de Ralf Marten e Anne Sloane. com os olhos semicerrados e sem fazer o menor movimento. arriscarei até minha nave. O mesmo ara que apareceu na minha firma hoje de manhã já se encontra na nave e está a caminho de seu camarote. John Marshall parecia um homem despertando de um leve cochilo. — Não arrisquei o pescoço juntamente com meu clã? Assim que der o alarma. que o mercador galáctico já observara mais de uma vez. — Ixt — disse Rohun. Recorra à desintegração sempre que isso se torne necessário. Em hipótese alguma. homem impetuoso e calculista. Já tivera várias oportunidades de constatar que Marshall possuía um tipo de sexto sentido para o perigo. Rohun aborrecera-se com a pergunta de seu interlocutor. Por um instante seus olhos refletiram a preocupação. Agora estava sentado diante dele. Mas o fato de que esse sentido lhe dava a capacidade de perceber nitidamente acontecimentos futuros. A seguir transmitiu a Laury Marten. Rohun compreendeu que deveria ter calma e voltou a reclinar-se. — Não pretendo desistir do comércio de animais. Enquanto o serviço secreto dos aras realiza investigações. subitamente assumiu uma expressão rígida. Atirou a cabeça para trás. Laury. meus agentes mais capazes serão colocados em campo para tirá-lo do aperto. a ordem de. Laury Marten. ainda não existe um perigo concreto. a senhora tem de descobri-los. Retomou o fio da palestra no mesmo ponto em que interrompera o mercador galáctico. deixe de estabelecer contato com eles. não deixar de certificar-se se ali realmente eram mantidos homens terranos atrás de grades de radiações. inclinando-se para a frente — o senhor ainda me ouve? Marshall fez um ligeiro gesto de impaciência. Quando o saltador estava insistindo para que Marshall abandonasse seu negócio de animais — em vez de procurar ocultar-se nos gigantescos cortiços de Trulan — o rosto do chefe dos mutantes. Se for necessário.controlara muitas vezes seus pensamentos e nunca encontrara motivo para desconfianças. Mais uma vez Marshall fez um movimento brusco com a cabeça. soltou alguns sons desconexos. — Saia por aqui! — exclamou Rohun em tom exaltado. abriu os olhos e descontraiu-se. . o ano do nascimento e o sexo. Rohun. mas logo a máscara apática dos saltadores voltou a surgir. — Não tenho nada a dizer — resmungou. estava transmitindo seu primeiro êxito de maior importância. Apenas preciso saber se numa emergência poderei contar com seu auxílio. colocando-se junto a uma porta estreita. por via telepática. Existem vários relatórios de nossos agentes. — Procure descobrir a nacionalidade.

— Huxul. — Huxul. Sou um mercador galáctico. Ofereceu a Huxul a poltrona em que John Marshall estivera sentado há pouco. Prefiro ficar no seu camarote.. A modificação começou a assustar Rohun. mas nunca me daria na cabeça formular uma pergunta idiota e estúpida como a sua. Rohun ficou surpreso. — Não. É um homem inteligente.. um perito na área da zoologia. — O senhor interpretou mal as minhas palavras — respondeu Huxul apressadamente e com uma amabilidade desconcertante. Sim. Interrompeu o visitante em tom áspero: — Acredite no que quiser! Se não estiver disposto a falar em tom civilizado. — Ele não fará muitas perguntas. Marshall estirou-se de frente e enfiou-se embaixo do leito de Rohun. estou lembrado do tal do Ixt. a zoologia também é um hobby meu. Huxul. riu gostosamente e respondeu: — Vejo que sua visita não é nada amigável. Aliás. mas com certa relutância. não conhecia o medo e nunca toleraria um atrevimento desse tipo. — Não torne o homem desconfiado — preveniu Marshall. não sou um ara. Mal Huxul acomodou-se. Se não me engano. que o encobria completamente. e aquilo que Marshall lhe estava oferecendo era exatamente uma percepção desse tipo. diga logo por que veio até aqui! Qual é a suspeita que pesa sobre mim? No mesmo instante. Embora o mercador não se sentisse satisfeito com a visita do funcionário do serviço secreto dos aras. É por isso que consigo lembrar-me de Ixt. por si. apresentava-se como um homem cortês. entrou no camarote. Minha nave é um mundo. Muito interessado e com a mente tensa. sugestionando-o para que considerasse sua missão como cumprida e transformasse o tempo restante de sua permanência na nave numa palestra amável. De repente. perguntou com um sorriso matreiro: — Onde está a pessoa que esteve sentada nesta poltrona há poucos instantes? Rohun não pestanejou. Marshall aliviou a pressão sugestiva que irradiava sobre o ara. Nem desconfiava da existência do projetor mental de John Marshall. Pouco depois um membro do clã entrou no camarote do mercador galáctico e perguntou-lhe se concordava em receber Huxul. — O senhor é o comandante dos saltadores. que irradiava toda sua potência sobre o agente dos aras. Faça o favor de sentar ali. Mas acabou cedendo diante do olhar hipnotizante do outro. Transformara-se de uma hora para outra: de repente. O homem do serviço secreto não desconfiou de nada quando disse toda a verdade. tomou a . o ara que comprara um casal de gegerutavis e um de hiobargulus na firma de Ixt. Finalmente reclinou-se confortavelmente na poltrona. O comandante sou eu. Huxul. O ara não sabe que me encontro a bordo. não dava muito valor às percepções extra-sensoriais. amável e pouco interessado no seu trabalho. Tal qual todos os mercadores galácticos. Veja logo onde posso esconder-me. Rohun prestava atenção às suas palavras. O comandante é a única pessoa que faz perguntas aqui. Rápido! Rohun estava bastante desconfiado. Com estas palavras. eu o expulso da nave. — Não tenho outra alternativa — respondeu Rohun. Rohun? Se for. funcionário do Serviço de Vigilância de Estrangeiros. John Marshall ouviu que o comandante dos saltadores se tornava enérgico. eu lhe digo que não acredito nessa mentira do defeito do transmissor audiovisual. Digo-lhe mais. não voluntariamente.

E tive que desistir de uma tarefa dessas. por ordem e conta do senhor? Quanto está disposto a pagar pelo processo? — Não dou mais de quinze mil — respondeu Marshall. Mas na realidade. que não permitirá que o berreiro infernal dos hiobargulus chegue ao exterior. tenho de ocupar-me com essas ninharias — disse Huxul. Mas acho que sei quem arranjou isso. Quer que entre em contato com o outro clã. . Nunca houve um roubo como este. — Por estranho que possa parecer. num gesto de recusa. de quase dois metros de altura. para levar os passageiros de um mundo para outro. De repente aquele homem encanecido.nave no terceiro planeta do sol J5457-K1. — Está bem — disse Marshall. ao mesmo tempo. O que é que eu tenho a ver com Ixt? John Marshall. a mesma conterá um aparelho destinado ao registro de vibrações cerebrais. concluindo suas explicações. Aludiu ao controle rotineiro exercido pelo cérebro positrônico instalado em Tolimon. isto é. mediante uma paga adequada. Para isso arranjarei uma máscara. Rohun respondeu: — Como poderia ter informações sobre ele? Com o maior prazer deu a mão a Huxul. Aos poucos a iniciativa de Ixt começava a amedrontá-lo. — Amanha de manhã precisarei de um sósia de primeira linha. aproveitamos qualquer negócio que aparece e muitas vezes transformamos nossas naves em veículos turísticos. Meu caro Huxul. — Por que pronunciou a palavra gaiola com tamanha ênfase. obrigou o agente dos aras a mais uma vez dizer a verdade. O senhor dispõe de três fabricantes de máscaras. Avise seus homens para que reproduzam meu aspecto exterior no objeto que lhes será apresentado. e sentiu um prazer ainda maior quando viu o homem do serviço secreto dos aras retirar-se. — Gostaria de comprar os dados sobre o processo de conservação — disse Marshall. descobrira alguns erros. evidentemente. de tal forma que eu mesmo fique sem saber quem é o verdadeiro Ixt. tentar gravar com sua gaiola meu modelo de vibrações cerebrais. Ixt? — Porque Huxul aparecerá com uma gaiola especial. É claro que o senhor não me pode dar qualquer informação sobre ele. conseguiu roubar na fábrica de soro G-F 45 o processo mais recente de conservação do soro imunizador X-1076. Sacudiu a cabeça. a partir de ontem. Rohun. e veio a Tolimon em vôo direto. desta vez nem eu nem meus agentes temos qualquer coisa a ver com isso. que se despediu. e disse que esse aparelho infalível. — Amanhã de manhã Huxul voltará a aparecer na minha casa de animais para restituir o casal de hiobargulus e. sentiu medo. — Trata-se de alguma missão perigosa? — perguntou Rohun com um triste pressentimento. não é? Com o rosto mais sincero deste mundo. Rohun levantou-se de um salto. no seu esconderijo. nós. ao examinar os dados relativos a Ixt. Marshall e Rohun voltaram a ficar sentados frente a frente. apesar do controle dos robôs. — Estou muito mais interessado em descobrir quem. Rohun sacudiu a cabeça. Mas essa história já é bastante antiga. os mercadores galácticos. — Quando poderei saber se o outro grupo está disposto a fazer o negócio? — Amanhã — disse Rohun. — E desde ontem. para andar espionando o negociante de animais Ixt. Huxul nem se deu conta de que com isso estava adotando um comportamento inadmissível para um agente secreto.

Se me lembro de como Huxul se tornou amável de repente. melhor será para todos. Será que pretende libertar alguém que se encontra no zôo galáctico? Se sua intenção for essa. quanto menos saibam. situado nos gigantescos cortiços de Trulan. E. Tomando todas as precauções. levou duas horas para chegar ao seu esconderijo. e quando isso acontecer. o senhor está fazendo um jogo muito arriscado.. à medida que o tempo passa o senhor me assusta cada vez mais. Por que não me coloca a par dos planos? Será que não confia em mim e nos meus agentes? — Não quero expô-los a um risco desnecessário. — Quem será a pessoa que o senhor me mandará amanhã com a minha máscara. Rohun? — Otznam. eu o previno para que tenha cuidado. Dali a meia hora. — O senhor consegue enxergar o futuro? — perguntou Rohun em tom desconfiado. . John Marshall saiu da nave cilíndrica do comandante dos saltadores Rohun.. — O que acontecerá depois. Ixt. esquivando-se à pergunta. A situação ainda se tornará muito perigosa. — Quando estiver sentado diante de sua mesa de trabalho. — Ixt. para escapar a outra repreensão de seu chefe. Os aras equiparam o zoológico com todos os dispositivos de segurança. Está na hora de dizer o que pretende descobrir em Tolimon. Estava satisfeito com os resultados da visita que acabara de fazer ao mercador galáctico. O que andou fazendo com o homem enquanto estava deitado embaixo de minha cama? — O que poderia ter feito? — disse Marshall. Ixt? John Marshall sorriu. Os olhos de Rohun iluminaram-se. inventará um relatório que não passará de uma grande fraude. Tem a estatura do senhor. Huxul ficará dando tratos à bola para descobrir o motivo por que não captou meu modelo de vibrações cerebrais.

Quando seu carro disparou pela faixa de rolamento. penetrou pela primeira vez nesse zoológico. . e o rosto oval. A administração já anunciara sua chegada. lia os pensamentos do ara como se fossem palavras escritas num livro aberto. os aras haviam realizado algo que não tinha igual em toda a Galáxia. sentiu que o olhar dele a seguia. Laury Marten desenvolveu todos os seus encantos. da Bélgica e dos Países Baixos. Um areal do tamanho da França. a fim de transformar-se numa criatura inesquecível para Lo Pirr. e tudo fora feito para reduzir ao mínimo a pressão psicológica resultante do aprisionamento. Um ara muito gentil colocou um carro à sua disposição. O jovem ara apresentou-se com o nome de Lo Pirr. recebia tamanha profusão de luz de seu astro rei. Laury Marten. O poderio do Império Arcônida não chegava além do sistema de Revnur. pela forma desordenada de sua construção. fora transformado num jardim zoológico em que cada ser dispunha de boa área para mover-se livremente. constituía. usando um caminho que não era acessível ao público. a expressão patente de evolução precipitada. Como telepata que era. Era bem possível que ainda tivesse muitos contatos com o mesmo. Já fazia oito meses que John Marshall se mantinha oculto nessa cidade sob o disfarce de mercador galáctico. não na área em que os aras haviam instalado um zoológico de dimensões fantásticas. capital de Tolimon. Depois de um ligeiro controle. que tendiam para o formato oblíquo. pôde atravessar a barreira de radiações. cortado por uma cadeia de montanhas nuas e poeirentas. explicando-lhe o funcionamento do indicador automático de rota. 3 Tolimon. sem ultrapassar os limites da conveniência. Um dos pontos fundamentais do treinamento dos agentes do Exército de Mutantes de Perry Rhodan consistia na aquisição da capacidade de perceber imediatamente qual era a impressão que causava nos outros. Em meio a um gigantesco deserto de pedra e areia. filha de Ralf Marten e Anne Sloane. Não se cansava de admirar os olhos. a capital planetária de Tolimon e o maior porto espacial desse mundo. uma moça de vinte e três anos. Tolimon era o último dos mundos governados pelo cérebro positrônico de Árcon. Laury percebeu tudo. As condições reinantes no ambiente nativo haviam sido reproduzidas artificialmente. Porém a metrópole sempre o impressionava. Naquele setor. Laury ficou satisfeita com o resultado de suas observações. O ara nunca vira uma arcônida que irradiasse tamanho charme. Isso acontecia em Trulan. no qual foi confirmada sua identidade como a da arcônida Arga Slim. Além de servir de ponto de encontro das raças galácticas. Trulan era o trampolim para o espaço desconhecido. o segundo planeta da estrela de Revnur. *** Trulan. que a temperatura média ao meio-dia chegava a 45 graus na sombra. de cabelo escuro e corpo fascinante.

Será que neste mundo de Tolimon não existiam milagres parecidos? O milagre da vida eterna. Certamente esse erro fora cometido por alguma pessoa negligente que se encontrava na Terra. Uma vez lá. O calor da tarde sufocava os desfiladeiros formados pelas ruas e vielas. virou-se à sua entrada e exibiu um sorriso familiar. e ele atravessou a pé o limite para a zona dos cortiços. Seu traje distinto foi colocado num esconderijo muito bem instalado. Ao que tudo indicava. O fedor saturava o ar. deixando livre um corredor no qual Marshall entrou. Atravessou um restaurante e desapareceu num toalete que possuía três saídas. embora já tivesse noventa e quatro anos de vida. Trinta e seis degraus da escada em caracol levaram-no para cima. para depois de tudo isso desaparecerem nas profundezas da Via Láctea. Mesmo sob o disfarce de mercador galáctico John Marshall tinha o aspecto de um homem de trinta e cinco anos. que realizara esse milagre biológico. Estava usando alguns trapos. Uma coincidência traiçoeira arrastara-o para dentro das engrenagens do cérebro positrônico infalível. Fora a ducha celular do planeta Peregrino. Era nisso que estava pensando quando o elevador radial o deixou nos confins da cidade. Passando por entre o lixo e os objetos abandonados à luz mortiça das luminárias. Após isso. passou pela segunda porta e desapareceu por uma área nos fundos. O corredor em forma de hall estava deserto. Estes últimos faziam negócios normais ou escusos. o mundo do imortal. Marshall colocou uma cédula sobre a mesa e desapareceu na pequena peça contígua sem dizer uma palavra. seguiu seu caminho com segurança absoluta. a miséria e a sujeira iam aumentando. A mesma recuou silenciosamente. A idade de noventa e quatro anos era apenas uma indicação numérica ligada à pessoa de Marshall. John Marshall compreendia perfeitamente que os aras precisavam de um organismo mastodôntico para exercerem controle. atirou-se no elevador antigravitacional e subiu oito andares. À medida que John Marshall penetrava na área dos cortiços. Uma vez lá em cima executou um giro rápido. Entrou num corredor escuro que cheirava a mofo. Ao pisar no . E não se sentia mais velho que isso. levou-o ao porão. a decadência celular fora detida por mais de seis decênios por uma forma incompreensível. Marshall usou a terceira saída. mesmo superficial. Marshall não era o único que o usava para enganar eventuais perseguidores. até atingir uma escada. Um espelho de radiações mostrou-lhe que se parecia com um saltador em ruína. um arcônida maltrapilho olhou ligeiramente para trás. Diante dele. Colocou as mãos contra uma parede estreita que ligava a porta ao armário. viu-se diante de outro poço e deixou- se cair três andares. sobre todos os estrangeiros que permaneciam no planeta por alguns dias ou semanas. O terceiro quarto da esquerda acolheu- o. estabeleciam contatos decentes ou clandestinos. ainda havia um erro nos documentos galácticos falsificados que lhe haviam sido entregues. Um sujeito velho e esfarrapado. deitado num leito. trocou de roupa com alguns movimentos rápidos. que mal dava para um saltador corpulento. Agora pegou uma entrada. Um elevador antigravitacional muito estreito. Por enquanto acreditava que o perigo não era muito grave. que não resistiria a qualquer exame médico de sua constituição orgânica.

começou a esquentar. Mas a porta. agora. em muitos pontos. Mo era um gênio médico. O sinal acústico era necessário para ligar o hipercomunicador. Depois entrou e fechou-a atrás de si. a palavra Mo estava escrita em caracteres luminosos arcônidas. passou a servir de microfone. que provocou um formigamento de sua pele. Quatro quadras adiante. que na base só tinha um metro de diâmetro. Dispositivos de segurança dos mais sofisticados impediam que qualquer pessoa forçasse a entrada. que há mais de três mil anos morrera numa experiência que fizera no próprio corpo. A água continuava a jorrar. Marshall saiu da loja aberta com uma hesitação fingida. era venerado como uma divindade. viu surgir no fim do beco. Sentiu a necessidade de respirar profundamente. embutido na caixa do relógio. o dono barbudo da loja. Encontrava-se num beco que ficava três andares abaixo da entrada do estranho restaurante. Naquele instante. Quando John se aproximou da porta. constituíam novidade até mesmo para os aras e os arcônidas. John Marshall ouviu um sinal breve saído do hipercomunicador. tal qual nas outras bases dos aras. feita de chapa fina de aço arcônida. tão minúscula quanto a anterior. situado no 15o andar. Marshall refletiu ligeiramente. A clarabóia não devia ser fechada. abriu a torneira de água quente e deixou que o líquido jorrasse. Ao virar-se. O chefe encontrava-se no planeta quente de Hellgate. fora do quarto. John Marshall resumiu em oito frases o primeiro êxito alcançado por Laury Marten. Sudf. O alojamento de Marshall. uma peça de aço de trezentos metros de altura. Ao mesmo tempo.último degrau. Abriu o fecho e esperou que a porta recuasse. cruzou as mãos sob a nuca e assobiou a melodia de uma canção da moda dos saltadores. Em Tolimon. Era o sinal de que ninguém tentara penetrar por ali na sua ausência. Depois afastou com os braços uma pilha de roupas usadas. depois que Marshall comprimiu um botão quase invisível. Descerrou a pequena clarabóia. O deformador e o condensador estavam funcionando. parou e aguçou o ouvido. e nela. Tanto ele como Laury Marten haviam sido equipados para esta missão com os instrumentos mais sofisticados que. o hipercomunicador instalado embaixo do telhado. Atirou-se à cama. logo abaixo do telhado. parecia tão sujo como todas as peças situadas naquele corredor escuro. o dispositivo de memória ligou-se automaticamente. era mais que a entrada imunda de um quarto abafado que possuía apenas uma pequena clarabóia. a outra parte. e o minúsculo alto-falante do hipercomunicador estava embutido no relógio que Marshall trazia no pulso esquerdo. por cima dos telhados e junto à coluna esguia do Grande Mo. ficou diante da fachada arruinada do prédio. aguardando notícias sobre os resultados de seu trabalho. piscou às escondidas quando cruzou por ele. Fazendo o papel de um homem que não consegue decidir-se a respeito de uma compra. . Se há pouco parte de seu relógio se transformara no alto-falante do hipercomunicador. esgueirou-se e viu-se entre as fileiras de cabides de uma loja de confecções. sentiu um impulso quase imperceptível. sob cujo telhado se encontrava seu esconderijo. A construção não possuía juntas nem soldas.

Eram os amigos mais fiéis dos aras e os guardas mais temidos pelos habitantes do zoológico. e não animais repugnantes. virou a cabeça e fitou-a com uma expressão de espanto. Enquanto ainda conversava com o frogh.Omitiu o fato de que o serviço secreto dos aras andava no seu encalço. com uma indiferença fingida. Em hipótese alguma deveria permitir que seu esconderijo fosse descoberto. cujas dimensões eram planetárias. que erguera o terço anterior de seu musculoso corpo de cobra e a fitava com os olhos rígidos. Esta lhe pediu que abrisse a barreira de radiações por um instante. O homem esbelto. Subiu uma pequena elevação. que formava um obstáculo invencível. Laury Marten caminhou lentamente junto à barreira de radiações. Marshall estava prestes a sair de seu alojamento quando foi atingido pelo impulso emitido por Laury Marten. Os froghs sempre alcançavam os fugitivos nos confins do deserto. se vira diante de um desses seres em forma de cobra. apagou todas as pistas que poderiam conduzir ao seu hipercomunicador. com seis metros de comprimento. Muitos froghs dominavam. O fato de encontrar-se em Tolimon para preparar-se para os exames finais obrigou-o a desejar-lhe muitas felicidades nas provas. o ara aproximou-se. Este sentiu o olhar de Laury Marten. Com uma voz que tinha um tom surpreendentemente humano perguntou o que Laury desejava. Para comunicar-se entre si recorriam ao vocabulário riquíssimo de sua língua materna. Laury Marten logo encontrasse o areal dos binns. Até então nenhuma das inteligências trancadas ali conseguira escapar. pela primeira vez. Fechou a torneira de água quente e a clarabóia. quando Laury Marten passou. o frogh virou-se abruptamente. Parou com a mão estendida em direção à porta. fez saltar o botão embutido na caixa do relógio e. e estremeceu ao lembrar-se do momento em que. Lançou os olhos em torno. avaro nos menores movimentos e reticente nas palavras. além do intercosmo. O pequeno quarto representava o último elo que o ligava a Perry Rhodan. apesar da grande distância. No entanto. Esta logo se interessou por ele e fez com que se estabelecesse uma palestra animada. restrita a uma área limitada. com isso. vários dialetos arcônidas. à procura de um frogh. Ficou sentado na cama em atitude pensativa. Porém viu-se diante da barreira de radiações. era o primeiro ara que falava um arcônida refinado. pudesse ser restituída à . dentre todos aqueles com que Laury já havia se defrontado. Também desta vez teve de esforçar-se para ver nos froghs seres inteligentes. de rosto intelectualizado. No mesmo instante. lançou os olhos em torno e viu o ser em forma de cobra envolvido numa palestra com um jovem ara. do fenômeno do artus ao tema da necrose e exprimiu sua dúvida de que uma parte morta do organismo. Não sabia explicar por que o frogh não aparecia para perguntar o que desejava. Seu rosto iluminou-se e de seus lábios saiu uma exclamação: — Até que enfim! *** O indicador de rota instalado no carro fizera com que. Dedicou palavras corteses à informação de que Laury estudava zoologia. Refletiu detidamente sobre todos os problemas. para que pudesse escolher dois binns no interior do areal.

não era apenas um dos cem mil médicos que atuavam nesse mundo. mas sob seus próprios pontos de vista. E Man Regg caiu no blefe. Laury Marten prosseguiu no seu jogo. Mas logo surgiu a indagação de Man Regg sobre se estaria interessada em concluir os preparativos para o exame sob orientação dele. e quando acreditava poder formular um juízo seguro. — Tomarei todas as providências e tenho certeza de poder cumprimentá-la amanhã na divisão X-p. além de ser entendida em zoologia. O ara apresentou-se como Man Regg. Um segundo depois. Laury Marten leu em seus pensamentos a intenção de ordenar que essa mulher de inteligência extraordinária fosse incluída em sua equipe de pesquisas. exprimia uma dúvida ainda maior. — Muito bem.vida por meio de ativadores. mostrava-se reticente em suas idéias. Sentiu-se orgulhosa ao perceber o alívio que havia no “até que enfim!” de Marshall. com os dois binns a bordo. controlava a produção do soro prolongador da vida. Arga Slim — disse Man Regg. O médico galáctico não poderia mesmo desconfiar de que essa jovem. Laury Marten já se imaginava de posse do processo de fabricação do soro prolongador da vida. Com dois binns dóceis. . teve de constatar que não estava informada sobre este ponto. E Laury Marten lançou sua isca. O olhar rígido daquele ser em forma de cobra incomodou-a. Lia os pensamentos de seu interlocutor e não tinha a menor intenção de tomar a iniciativa. Pensou aflita: “Será que os froghs também são telepatas?” Com um grande susto. Man Regg. seu carro disparou em direção ao limite do zoológico. Teve de esforçar-se para não exprimir seu júbilo por meio da luminosidade dos olhos. Quando perguntou onde e com quem trabalhava. irradiou para John Marshall a notícia do êxito que acabara de alcançar. Qualquer idéia importante teria que vir de Man Regg. Nos casos em que Man Regg demonstrava dúvida. treinada por meio dos métodos hipnóticos mais eficientes dos arcônidas. Man Regg era o ara que. o ara subitamente demonstrou o maior interesse. o ara. também possuía um saber médico muito extenso. dizia aquilo que seu interlocutor acabava de pensar. Um dos crânios mais inteligentes de Tolimon estava sendo manipulado pelas artes telepáticas de uma jovem do planeta Terra. Quando voou em direção a Trulan. Subitamente Laury Marten virou-se para o frogh. na qualidade de chefe.

Marshall entrou antes dele na ampla sala de exposição com a profusão . Só pelo meio-dia captou-os repentinamente. exercia uma influência hipnótica sobre ele. para voltar à sua repartição. estou no escritório. em linhas gerais. Nem desconfiou de que o chefe. Otznam não se surpreendeu com o fato de conhecer. que sob seu disfarce caminhava pela Rua do Grande Mo. John Marshall saiu de sua loja e ficou perambulando nas proximidades. disfarçado num astronauta barbudo. o escritório do chefe. No seu íntimo admirava o comandante Rohun e seu clã. Verificou que não estava identificando a voz disfarçada de seu chefe. avisarei. o agente dos saltadores familiarizou-se com os rostos de todos os funcionários de Ixt. — Perfeitamente — confirmou Futgris e dirigiu-se ao grande depósito. afastou o vendedor que se aproximou solicitamente. mas Otznam. Acenou para a direita e a esquerda. enviando-o ao depósito e ordenando-lhe que. nada percebeu. não percebeu nada. Sua paciência foi submetida a uma prova muito dura. Marshall voltou a dedicar sua atenção a Otznam. Aguardava a chegada de Huxul. Por mais que tateasse em busca dos impulsos mentais de Huxul. John Marshall observou discretamente seu vendedor tão ativo e controlou os seus pensamentos. agente dos saltadores. Quando Marshall iniciou o tratamento com o projetor mental. Fervendo de raiva. tal qual Ixt costumava fazer todas as manhãs. O homem praguejava contra sua missão com a mesma violência com que Huxul o fizera no momento em que saía da casa de animais com um casal de hiobargulus e gegerutavis. John Marshall leu os pensamentos do outro. Futgris? Marshall também entrou em sua loja e. O mercador galáctico Ixt não era ele. nem seus movimentos. transformado num astronauta robusto e barbudo. — Vou dar uma olhada no que existe por aqui. John Marshall teve de reprimir constantemente o desejo de fitar seu próprio rosto a fim de verificar que impressão causaria nos outros sob o disfarce de um saltador. pois o que os fabricantes de máscaras haviam feito de Otznam era uma coisa inacreditável. agente dos saltadores. em hipótese alguma. Conhecia seus nomes e sabia quais as funções que cada um devia desempenhar. 4 John Marshall ficou grudado nos calcanhares de Otznam. sem desconfiar de que o verdadeiro Ixt lhe seguia todos os passos. procurasse o chefe em seu escritório. recebeu os cumprimentos de Futgris e fez esta observação: — Tudo bem. Enquanto dizia estas palavras. Depois de poucos segundos. em meio ao burburinho das ruas de Trulan. Entrou na loja pela entrada principal. Se resolver comprar alguma coisa. com uma observação áspera. fazendo-o dizer a Futgris: — Se houver algo de importante. onde estava sendo descarregada uma remessa de animais vinda do planeta Oka. Huxul caminhou em direção à casa de animais. Dali a dez minutos. Otznam estava preocupado por ainda não ter recebido instruções precisas sobre a maneira de conduzir-se na firma de Ixt. Tranqüilizado.

O agente dos aras implorou para que Ixt aceitasse os animais de volta e devolvesse o dinheiro. este lhe deu ordem de aceitar os bichinhos de volta. Teve de ser chamado no depósito. Acusaram-no de negligência no desempenho de suas funções e de uma conduta injustificável. Através de Huxul. teve tempo para registrar o modelo de vibrações cerebrais de Huxul. Huxul recebeu de volta o preço da compra. agradeceu com a maior amabilidade. Aos poucos. juntamente com o falso Ixt. Seguiu-o com um olhar pensativo quando este entrou no gigantesco edifício do serviço secreto dos aras. No momento em que colocou a gaiola no chão por ordem de Marshall. Marshall perscrutou os pensamentos de Huxul. disfarçado como Ixt. sob o disfarce de Ixt. Futgris era o homem competente para resolver sobre a troca de animais.desconcertante de animais. O agente dos aras foi a amabilidade em pessoa e concordou plenamente quando Otznam. mas do chefe. John Marshall ativou o contato do projetor mental escondido em seu bolso. Marshall acabara de transmitir-lhe a ordem. Futgris saiu apressadamente com a gaiola. Lembrava-se da bronca que tivera de agüentar no dia anterior. Segurou a gaiola especial com ambas as mãos. logo a seguir. Naquele instante. estava Futgris saindo do escritório. Ixt recusou-se a aceitar os animais de volta. executou um giro de cento e oitenta graus. foi alcançando o agente dos aras. esgueirando-se por entre o tráfego da trepidante Rua do Grande Mo. Subitamente seu rosto assumiu uma feição séria. Acabara de afastar um vendedor insistente quando o agente dos aras entrou no recinto. John Marshall ficara sabendo em que ponto se localizava o contato destinado à captação do modelo de vibrações cerebrais. Otznam. pegou a gaiola vazia e saiu da loja com uma pressa surpreendente. mas Huxul ainda precisaria de tratamento intensivo. muito embora a idéia não tivesse partido dele. Estava arrependido da brincadeira de mau gosto e não sabia como acalmar a velha. Ao fazê-lo. Huxul descansou a gaiola entre as paredes acústicas onde estavam guardados os hiobargulus com sua voz potente. John Marshall considerou concluída sua intervenção. Assim. Tratava- se de versão miniaturizada do conhecido aparelho dos arcônidas. de determinar que o chefe decidisse sobre a troca. com os hiobargulus. junto aos encantadores kikkis. Escondeu-se atrás de uma grande jaula. Por isso mesmo não havia o menor perigo de que o mini-projetor mental fosse descoberto. queria pregar uma peça à sogra. O falso Ixt voltou ao escritório. a trouxe vazia. Mostrou-se interessado na gaiola acústica. com uma gaiola especial na mão. animais em forma de macaco. e Futgris ao depósito. que funcionava somente porque John Marshall reforçava sua ação por meio do dom telepático de que era dotado. Futgris riu ao reconhecer o homem que. . arrasando com ele em questão de capacidade. reforçada por meios hipnomecânicos. Seguiu-o lentamente. Disse que desde a manhã daquele dia a sogra não o deixava em paz. segurando a gaiola como se fosse um objeto extremamente frágil. O agente dos aras ainda fervia de raiva. pegou a gaiola para examiná-la mais detidamente. desapareceu no depósito e. Também foi recriminado por ter adquirido os animais tão caros. ao regressar da nave cilíndrica de Rohun. encostou-a ao peito e colocou-a numa posição em que uma das faces apontava ligeiramente para cima. Huxul exibiu um largo sorriso enquanto resmungava seu “de acordo”.

Entusiasmado. Tornou-se cada vez mais difícil lembrar o que havia acontecido há uma hora na casa de animais de Ixt. via-se esta inscrição singela: X-p. Finalmente a fita rolante trouxe o modelo de vibrações cerebrais acompanhado da respectiva interpretação. Huxul redigiu um relatório que. em meio a um desolado deserto de pedras. Porém cada dia que conseguisse ganhar dava a ele e a Laury Marten novas chances de atingir o objetivo a que se tinham proposto. *** Huxul esperou que o laboratório lhe fornecesse o modelo de vibrações cerebrais com uma interpretação completa. Não estava em condições de impedir a investigação. Enquanto isso pretendia redigir o relatório. As divergências insignificantes em seus dados pessoais foram atribuídas a um lapso. aquecido dia após dia . por enquanto. John Marshall. Mas nem por isso ficou preocupado. Isso bastou para uma ação precipitada. Era ali que estavam armazenados todos os algarismos de identificação dos aras. Subitamente passou a desenvolver uma atividade intensa. acenou com a cabeça. correspondia à verdade dos fatos. Apenas. sobre sua pessoa. controlando os pensamentos de Huxul. — O que é isso? Ixt já está registrado aqui e tem um número de identificação dos aras — disse Huxul em tom de espanto e passou a mão pela testa. em nenhum dos seus detalhes. Por cima da entrada principal. a mentira fatalmente seria descoberta. Aí então. Huxul se esquecia. que explorava o comércio de animais numa loja da Rua do Grande Mo. ao redigir seu relatório fictício. Entrou em contato com a divisão positrônica H. Porém. a tela que se encontrava sobre sua escrivaninha iluminou-se. aguardava o resultado de seus esforços. E levou mais cinco segundos para compreender que já não compreendia mais nada. surgiu diante dos olhos de Laury Marten como uma construção gigantesca. O círculo estrelado que se via no canto inferior esquerdo representava o sinal de que o modelo passara pelo cérebro positrônico. Logo lembrou-se das ameaças que os dois chefes a que estava subordinado haviam formulado no dia anterior. mas havia alguma coisa em sua cabeça que o impedia de conceber qualquer idéia clara. o médico dos aras. quando descobriu o número de código. Levou alguns segundos para compreender que aquilo que estava lendo eram seus próprios dados pessoais. supôs que o complexo penetraria na terra numa profundidade equivalente a três vezes sua altura. isto o livraria de uma repreensão ainda mais intensa dos chefes. Evidentemente esse relatório era extremamente favorável ao mercador galáctico Ixt. protegido pela abóbada de aço. pelo que sabia da arquitetura dos médicos galácticos. E. lembrou-se desse fato. bem longe das áreas acessíveis aos curiosos. que se encontrava em curso. X-p ficava praticamente no centro do zoológico continental. que inevitavelmente haveria de chegar o momento em que o grande cérebro positrônico examinaria o relatório sob o aspecto da coerência lógica. que continuava parado diante do edifício. Transmitiu o número de código. designara diante da barreira energética como X-p. Em Hellgate. Perry Rhodan. Quase no mesmo instante. a cerca de oitenta e um anos-luz de Tolimon. *** Aquilo que Man Regg.

ambos descendentes da raça dos arcônidas. realizada há muito tempo pelos aras. Uma abóbada radiante estendia-se acima de sua cabeça. Só mais tarde ficou sabendo que dessa forma a parte exterior de seu corpo seria libertada de germes. não se deveria esquecer que havia uma diferença enorme entre a tecnologia de Árcon e a dos aras. À sua direita. Já fazia cinco minutos que se encontrava no interior do edifício. que lhe ordenou que atravessasse . terminara num fracasso. Uma abóbada no interior da construção em forma de tubo? Avançou a passos hesitantes. estendia-se a uma distância de vários quilômetros. mas agora. Uma voz sonora mandou que se aproximasse do círculo luminoso desenhado no centro do soalho e caminhasse uma vez por sua periferia. que surgiu repentinamente diante dela. Mas mal havia concluído o giro. não teve tanta certeza. A luz fosforescente que saía das aberturas do teto e se refletia palidamente em torno do centro do soalho compacto deixou-a confusa. tal qual a dos mercadores galácticos. Não sentiu nada enquanto caminhava de um feixe luminoso a outro. A evolução milenar dos médicos galácticos. se transformara numa idéia consagrada e bastava para deixar claro o caminho extraordinário tomado pela evolução autônoma dos médicos galácticos. Surpresa. O sinal azul-claro de liberação. Foi só graças ao cérebro gigante positronizado instalado em Árcon. que parecia fundido numa única peça. aliviou-a da tensão. pensou num cano superdimensionado de extremidades arredondadas. Laury obedeceu. de cores sóbrias e com uma atmosfera agradavelmente refrigerada. Arga Slim. que a tentativa de apoderar-se do Império de Árcon. que numa função autárquica decidia sobre a existência de todos e em todos os sentidos. A seguir. Laury declarou ter sido transferida para X-p por ordem de Man Regg. Laury fosse desmascarada como não-arcônida. pela última vez. ouviu a voz sonora. graças à sua constituição orgânica. pôs-se em movimento e não se espantou quando a grande porta transparente P II recuou silenciosamente diante dela. O edifício de oito pavimentos.pelos raios causticantes do sol. Muito embora na Terra houvessem sido tomadas todas as providências possíveis para que o fato não pudesse ser revelado por meio de simples radioscopia. a mesma voz indagou sobre seus desejos. processara-se por trilhas próprias. Em voz baixa. onde foi testada pelas lentes de cristal. Foram essas as idéias que passaram pela cabeça de Laury Marten enquanto a mesma se encontrava no setor de controle. O simples fato de que o abastecimento de medicamentos aos mundos dominados por Árcon fosse feito pelos aras. Formavam uma população de bilhões de habitantes que corporificava um saber ao qual os arcônidas nada poderiam contrapor na área da medicina. O saber hipnótico que lhe fora ministrado não conseguia explicar esses reflexos luminosos. Laury teve dificuldade em determinar o formato da construção. Sentiu o coração palpitar ligeiramente quando penetrou no setor de controle. pronunciou seu nome arcônida. que se encontrava bem diante do mesmo. Os tapetes abafavam os sons. Qualquer controle envolvia o perigo de que. Surgiu uma abertura circular e. No mesmo instante. deixando livre o interior de X- p. e até então não havia visto um único ara ou robô. Tratava-se de ampla sala decorada com um luxo discreto. e aguardou novas ordens. contemplando a fachada tingida num azul-pálido. À primeira vista. a parede da abóbada abriu-se em forma de diafragma.

Apenas. Arga. que tem sido negligenciada por muito tempo. e passou a expor sua opinião. experimentou novo impulso entre nós. Laury Marten se tornou fria. Lia seus pensamentos e formulava as respostas de acordo com os mesmos. por se tratar de um dos numerosos segredos cuidadosamente guardados de X-p. Recorria ao genial saber do cientista para fazer seus blefes contra o mesmo. O cientista. antes de lhe ser confiada a missão.. mas Laury Marten já preparara a resposta. Man Regg formulou em pensamento as linhas gerais do processo que. acabou por entusiasmar-se com a lógica tão bem elaborada de Laury Marten. Especializara-se principalmente nas áreas da zoologia galáctica e da soroterapia. atrás dela. a arcônida mencionara como que por acaso. Laury Marten acreditava encontrar-se próxima ao objetivo. O erro que acabara de cometer não a deixou perturbada. A tecnologia. para seu espanto. Ao lado da desconfiança. Laury Marten espantou-se com o próprio nervosismo quando a parede que se encontrava diante dela subitamente se abriu para os lados e ela se viu diante de Man Regg. que acabaram por prevalecer. A senhora gostaria de trabalhar na minha equipe pessoal? Ao concordar. uma expressão de desconfiança surgiu nos olhos de Man Regg. Arga. Não viu nenhuma fita. não progredimos apenas no terreno da medicina. Mas o pior não era isso. viu o espanto e a admiração. Isso só lhe foi possível porque. Afinal. boa parte do saber médico dos arcônidas lhe fora transmitido por meio de um processo de aprendizagem hipnótica. — principiou. isenta de qualquer influência emocional. Sentaram-se frente a frente. e brilhou com seu saber. X-p era o lugar em que era produzido o maior segredo dos médicos galácticos: o soro prolongador da vida.. o diafragma se fechou silenciosamente. Com um sorriso nos lábios. De repente. A lição que Perry Rhodan vivia inoculando nos seus homens transformou-se em sua salvação. — O problema resume-se numa seqüência de conclusões lógicas. Inclinou-se para a frente. Man. Sua pergunta terminante e inequívoca ainda pendia no ar. O fato era que nenhum arcônida poderia dispor desse conhecimento. Espantou-se ao perceber que entrara numa sala fechada. a ponto de exclamar impulsivamente: — Estou pensando em outra coisa. .a abertura e deixasse o resto por conta da fita transportadora. Apesar da falha a mutante teve sorte. Mais uma vez. De repente. Jogou com todo charme que possuía. Mais uma vez. o homem que conhecera no dia anterior. disse: — Nós. observou o efeito que suas palavras produziam no rosto de Regg. Depois de cumprimentá-la. Laury Marten sentiu a tensão formiguenta que já se apossara dela quando atravessou a entrada do edifício. o chão começou a trepidar ligeiramente assim que. Seus olhos exprimiram certo orgulho quando notou a perturbação da moça. Laury Marten fez o jogo do gato e do rato com Man Regg. os aras. Tomado por um princípio de desconfiança. Laury Marten se descuidara. Pensou na possibilidade de outro controle. Exprimira seus pensamentos de forma quase inalterada. transformou-se no protótipo do homem lógico. geralmente tão prosaico. Sorriu.

***

John Marshall captou a mensagem telepática de Laury Marten quando se encontrava
a caminho da nave de Rohun, o comandante dos saltadores. Sua exposição otimista
forneceu-lhe certo estímulo moral. A disposição eufórica perdurou até que atingisse o
gigantesco espaçoporto de Trulan e procurasse em vão localizar a nave cilíndrica de
Rohun.
Rohun decolara sem avisá-lo!
No mesmo instante, John Marshall — ainda sob a máscara de um barbudo —
colocou seu espírito num estado de alarma rigorosíssimo.
Naquele instante, recebeu o impulso de Laury Marten.
O movimento intenso do espaçoporto desapareceu diante dos olhos de Marshall.
Não via decolar e pousar as naves e não deu a menor atenção ao que se passava em torno
dele. Apenas perscrutou-se, a fim de ouvir o relato da mutante.
John Marshall enfureceu-se! Acabara de conhecer os menores detalhes do que se
passara entre Laury Marten e Man Regg. Soube inclusive de sua resposta leviana e sua
tentativa de livrar-se da situação embaraçosa em que se encontrava através de novas
peripécias com o saber de Man Regg.
Ainda pertencia ao círculo de colaboradores pessoais do cientista, mas no espírito
de Man Regg haviam surgido dúvidas sobre a pessoa de Laury Marten.
Em X-p, Man Regg entrara em contato não só com a Divisão de Segurança, mas
também com o serviço secreto sediado em Trulan, pedindo-lhe que realizasse um exame
acurado da estudante de zoologia Arga Slim. O argumento de maior peso, que Man Regg
formulou em apoio a suas suspeitas, culminou nestas palavras:
— Como estudante de zoologia, a arcônida Arga Slim dispõe de um saber que
infelizmente tenho procurado em vão entre os meus médicos.
O rosto de John Marshall assumiu uma expressão rígida.
Lembrou-se de suas preocupações, que desde o início giravam em torno de Laury
Marten. Ainda lhe faltava a prática, o último retoque da personalidade, que faria com que
não superestimasse suas próprias habilidades e, principalmente, a necessária visão global
das coisas. Ainda era capaz de embriagar-se com um êxito momentâneo, e essa
embriaguez a levava a cometer erros.
“Se nos dados de Laury também houver alguma divergência, todo o mundo de
Tolimon se colocará em nosso encalço”, pensou e teve uma sensação de desconforto.
Arrancou-se violentamente em meio às suas preocupações. Antes de mais nada,
precisava descobrir por que Rohun decolara com a nave.
Marshall encontrava-se sobre a fita-guia, que levava ao setor G-8 do espaçoporto.
Era o lugar em que ainda ontem estivera estacionada a nave de Rohun. Mais uma vez
passou os olhos pelo enorme campo de pouso. Viu que uma nave arcônida com sua típica
forma esférica rompeu silenciosamente a delgada camada de nuvens e pousou suave.
Virou-se em direção ao distribuidor, um sistema de elevadores antigravitacionais, a fim
de que este o conduzisse à via elevada, onde tomaria uma condução que o levasse de
volta ao centro da cidade.
Finalmente descobriu, em meio à confusão, Egmon, um dos agentes de Rohun
estacionados em Tolimon.
Aquele saltador mais se parecia com um arcônida. Seus cabelos louro-claros
chamavam a atenção de qualquer um. Mas havia em Egmon outro detalhe ainda mais

estranho, que sempre voltava a fascinar Marshall: o aspecto dos olhos do agente mudava
constantemente, da mesma forma que um camaleão muda a cor da pele.
— Egmon — disse Marshall, ao passar por ele.
O agente dos saltadores ouvira seu nome, mas não conhecia o barbudo que lhe
dirigira a palavra.
John dirigiu-se a um dos numerosos robôs de informações. Indicou o número da
nave de Rohun e procurou saber para onde se dirigira o mercador galáctico.
— Não posso dar nenhuma informação — rangeu, um tanto mecanizada, a voz do
robô.
Marshall não esperara outra coisa. Sentiu que alguém se encontrava bem atrás dele.
No mesmo instante, usou seu dom telepático para alcançar os pensamentos desse alguém.
Os pensamentos de Egmon podiam ser tudo, menos pacíficos. O agente de Rohun
via naquele sujeito um espião dos aras e, para estar preparado para qualquer iniciativa,
mantinha engatilhado o radiador de impulsos que trazia no bolso.
Ao virar-se, Marshall cochichou:
— Se eu fosse você, não apertaria o gatilho, Egmon.
O saltador ainda estava desconfiado, porém havia na voz de Marshall alguma coisa
que lhe parecia conhecida. Mas Egmon só se tranqüilizou quando o mutante citou seu
nome.
— O que o torna irreconhecível não é a barba, mas os ombros largos — disse
Egmon em tom perplexo. — Por todas as estrelas, Ixt, estou esperando pelo senhor há
várias horas. Nosso chefe recebeu más notícias. Por isso decolou e encontra-se a meio
caminho entre Tolimon e Hellgate, onde aguarda o desenrolar dos acontecimentos.
— Que acontecimentos?
— Um homem do clã de Estgal foi apanhado e submetido à lavagem cerebral.
Marshall não sabia quem era Estgal, patriarca dos saltadores.
— O clã de Estgal vive contrabandeando medicamentos dos aras. Os aras sabem
disso, mas nunca conseguiram pegar Estgal em flagrante ou desmontar sua organização
que age na superfície. Caso Estgal se tivesse mantido no mesmo ramo, poderia ter ficado
muito velho.
— Estgal está morto?! — indagou admirado, Marshall. De repente, passou a
interessar-se por esse desconhecido patriarca.
— Há três ou quatro horas foi destruído em pleno espaço com dezoito naves, por
uma formação bélica dos aras. É por isso que este lugar está cheio de espiões dos aras.
Egmon, que Marshall tinha na lembrança como um agente de Rohun, fechado e de
poucas palavras, estava desenvolvendo uma verbosidade irritante enquanto apresentava
seu relatório. Foi só graças ao treinamento a que eram submetidos os colaboradores de
Rhodan que Marshall conseguiu dominar-se:
— Faça o favor de limitar-se ao essencial, Egmon. O que foi que Estgal quis
arranjar?
— Já havia arranjado — cochichou o agente louro-claro. — Por meio de um ara
subornado, conseguiu arranjar na fábrica de soro G-F 45 o processo de conservação do
soro imunizador X-1076...
Estas palavras pareciam familiares a Marshall. Lembrou-se de ter lido os
pensamentos de Kuxul, que também se haviam ocupado com esse processo e seu
desaparecimento.
— E depois?
— Na última noite Hduzz, membro do clã de Estgal, foi preso e submetido à

lavagem cerebral. Depois disso, também o ara corrupto foi preso e submetido ao mesmo
tratamento. Quando tudo isso terminou, o dia já estava amanhecendo. Estgal recebeu um
aviso e fugiu para o espaço com suas naves. Mas as naves de guerra dos aras já o
esperavam e destruíram seus veículos cilíndricos. Já compreende por que meu chefe
resolveu deslocar-se para um ponto situado a quarenta anos-luz deste planeta?
Marshall deixou a pergunta sem resposta.
— Vocês mantiveram contatos muito estreitos com os agentes de Estgal?
— Essa informação só pode ser dada por Tulin ou Otznam — respondeu o saltador,
enquanto a cor de seus olhos mudou de novo.
Marshall realizou um exame rápido para verificar se Egmon estava dizendo a
verdade. Não descobriu nenhuma mentira em seus pensamentos. Limitou-se a pedir:
— Amanhã a esta hora quero encontrar-me com Tulin neste lugar. Será que você
poderia avisá-lo?
— Ele poderá estar aqui dentro de uma hora — disse Egmon, enquanto seus olhos
emitiram um brilho esverdeado.
— Será amanhã! — disse Marshall em tom decidido. Fez um gesto quase
imperceptível para Egmon e desapareceu em meio à confusão dos transeuntes.
Entrou no distribuidor, ou seja, o lugar através do qual se atingiam as diversas ruas
por meio dos elevadores antigravitacionais. Subiu e, uma vez na via elevada número
quatro, tomou o expresso radial que corria velozmente em direção ao centro da cidade.
Seus pensamentos estavam absortos na missão que Perry Rhodan havia confiado a
ele e a Laury Marten.
Respirava pesadamente. A missão parecia-lhe quase insolúvel.

***

Man Regg sacudiu a cabeça pela terceira vez, mas não interrompeu o relatório do
ara de sua Divisão de Segurança. Com a paciência de um homem bem equilibrado, ouvia-
o atentamente.
Man Regg, o médico genial dos aras, não era o único ouvinte. Três colegas
encontravam-se em sua companhia, e estes também não interrompiam o relatório.
— Pode retirar-se! — com estas palavras, Man Regg dispensou o chefe da Divisão
de Segurança de X-p.
Quando se viu sozinho com os colegas, perguntou:
— Então?
Três vezes ouviu esta opinião:
— Tudo perfeito, mas...
O mas, três vezes repetido, dizia respeito a Laury Marten.
O serviço secreto dos aras penetrara até o centro do império estelar dos arcônidas,
por meio do hipercomunicador, em busca do passado de Laury Marten. A central de
Trulan seguira outros caminhos que os da Divisão de Segurança do conjunto X-p, mas
ambas chegaram ao mesmo resultado.
Arga Slim era uma arcônida de vinte e três anos, vinda do planeta Dewen. Era
estudante de zoologia e, dentro em breve, teria de prestar os exames finais. Segundo a
opinião dos professores, era dotada de um talento médico extraordinário.
Não havia o que objetar nos dados. O retrato recebido de Dewen pelo
hipercomunicador correspondia aproximadamente ao aspecto de Laury Marten. A
diferença devia provir da falta de nitidez da transmissão.

Sentou e logo se viu envolvida num exame bastante duro. Os três cientistas aras acreditaram que tivessem diante de si uma arcônida desprevenida. Laury deixou que permanecessem nessa convicção. De repente. Man Regg não estava satisfeito com o resultado obtido por dois caminhos diferentes. — Acontece que não nos consta que Moguld se ocupe com a biologia da hereditariedade. já passaram à categoria de informações que são do domínio público!? — surpreso. os quais até agora não se tornaram conhecidos dos médicos. aproveitou o novo lapso de tempo para formular a resposta. Subitamente sentiu-se perturbada por um impulso mais intenso. Apesar disso. Isso aconteceu no momento exato em que seus examinadores formularam uma pergunta importante. Man Regg dirigiu-se à sala contígua. — Será que no Império de Árcon se conhecem todas as pesquisas que já foram realizadas nos mundos dos aras? . Mas. onde acompanharia tudo pelo sistema de comunicação audiovisual. vindo da sala contígua. Dessa forma. só ouviria aplausos à mesma. Ao mesmo tempo. ganhou tempo para descobrir quem se encontrava na sala contígua e concentrava seus pensamentos sobre ela. — Será que Árcon já avançou tanto no campo da pesquisa genética que os estímulos genéticos. Embora fosse telepata e pudesse ler pensamentos. valeu-se dos conhecimentos dos três examinadores para escapar sã e salva de todos os obstáculos e armadilhas do caminho. examinaria Arga Slim em presença dos seus colegas Kelisse e Assa. concentrar-se nas respostas e continuar a oferecer a imagem de uma arcônida segura e confiante. O saber médico arcônida que lhe fora transmitido durante o processo de aprendizagem hipnótica não lhe teria adiantado muito. Entrou com um sorriso amável nos lábios e fingiu-se espantada quando em vez de Man Regg notou três aras desconhecidos à sua frente. Assa exclamou de modo interrogativo. dizendo que não havia entendido a pergunta. Gelte. Passou a responder às perguntas por meio dos pensamentos de Man Regg. um zoólogo ara. da mesma forma que aproveitara o saber de Man Regg para brilhar. pois isto seria uma tolice fora do comum. Laury Marten — recebeu ordem para apresentar-se ao chefe. Arga Slim — ou melhor. Era claro que. via-se obrigada a realizar um trabalho de mestre para controlar três cérebros. Sabia do que se tratava. mas ela o fez de tal forma que apontou como observações menos corretas tudo aquilo que Regg considerava certo. Laury Marten recorreu ao meio empregado em todas as estrelas. Arga continuou amável como antes. sendo o chefe. tornou-se confiante demais. Arga Slim. Estava formulando uma sugestão. que também em Tolimon goza de certa fama. Os examinadores começaram a ver nela um verdadeiro fenômeno médico. Precisou lançar mão de toda energia e concentração de que era capaz para não cair do extremo da estudante superdotada para o extremo oposto. Laury Marten respondeu com a maior amabilidade: — Dos dados a respeito de minha pessoa consta a prova de que durante um ano fui assistente de Moguld. apresentando três argumentos que representavam os pontos mais fracos da série de pesquisas de Man Regg. Man Regg permaneceria na sala contígua.

Naquele instante. Conseguiu enrubescer com o elogio de Man Regg e. Viram que o mais importante dos seus segredos havia sido descoberto. ao que parecia. e Laury Marten rogava aos deuses para que um deles refletisse sobre o problema em seu aspecto global. não se encontravam muito longe do objetivo. encerrando a reunião — que Arga Slim passe a trabalhar na Divisão de Geomorfismo. Ou será que pensam de forma diferente? A Divisão de Geomorfismo estudava as alterações trópicas da pele do rosto de inteligências jovens. Nenhum dos três médicos teve qualquer objeção contra a sugestão do chefe. Assa e Gelte não passavam de um feixe de receios. E. Laury teve que realizar uma obra-prima da telepatia. . Quando isso acontecesse. mas por dentro fervilhava. Mais uma vez. se não contasse com a cooperação de certos mercadores galácticos. Nem mesmo Assa. — Isso não é argumento — falou Assa em tom furioso. Até esse ponto. Ambos não sabiam que o Serviço de Defesa do Sistema Solar nunca teria sido capaz de fornecer dados tão precisos. para que Laury Marten com seu espírito um tanto infantil não se deslocasse para o terreno das areias movediças. Perry Rhodan ficaria livre da tensão psicológica insuportável causada pelo fato de que Thora. Mas só Rhodan e um comandante dos saltadores sabiam que a verdadeira Arga Slim se encontrava há mais de oito meses numa nave cilíndrica. Eram apenas fragmentos. E também era verdade que existia uma estudante de zoologia arcônida chamada Arga Slim. enquanto Crest. John Marshall os repreendia por suas negligências. felicitou no seu íntimo o Serviço de Defesa do Sistema Solar por ter forjado seus dados pessoais com tanto cuidado. haviam refletido sobre o problema. o problema estaria resolvido. quando este afirma que o segredo da vida eterna se encontra nos cromossomos? — Tolice! — resmungou Assa. mesmo sob a desconfiança de Assa. para revelar o processo sofisticado de produção do soro prolongador da vida. se transformava num ancião. Os dados sobre Moguld eram corretos. ao mesmo tempo. — Será que a teoria de Moguld representa um forte argumento. Apesar de tudo. intercalando vez por outra algumas observações científicas de alto gabarito. que muitas vezes adquiria o aspecto envelhecido. a mulher amada que se encontrava a seu lado. Lamentou a interrupção. Se John Marshall participasse da palestra. realizando em mundos distantes estudos zoológicos in loco. As reflexões dos três médicos aras haviam revelado parte do segredo sobre a maneira pela qual pretendiam alcançar a imortalidade. Enquanto Laury Marten elogiava os homens de Terrânia. envelhecia a cada dia. — Sugiro — disse Man Regg. conduziu uma conversação especializada fluente. Kelisse. Tentou influenciar os aras hipnoticamente para esse fim. — Será que ainda se pode falar em tolice se aumentarmos artificialmente o número dos cromossomos ligados à espécie e obrigarmos os cromossomos adicionais a suspenderem a divisão indireta das células? Laury Marten sorriu. o amigo arcônida. que deixavam os aras perplexos. mas nesse instante Man Regg veio da sala contígua e felicitou-a. teria colocado uma poderosa barreira mental. apesar do uso do soro prolongador da vida. Leu novos pensamentos. mas bastaram para que reconhecesse que os três aras que tinha diante de si pretendiam alcançar um prolongamento infinito da vida sem recorrer a qualquer soro.

que durante as ações desempenhadas em muitos planetas já se acostumara às coisas mais estranhas e monstruosas. eu os vendo ao senhor. Eram lagartos. Pretendia fornecer toda a carga aos aras. Uma frase dita ao acaso transformara-se subitamente num impulso muito intenso. Futgris ficou perplexo quando o chefe voltou a confirmar o preço da compra. Ixt lançou um olhar indagador para Futgris. com metade da nave cheia de animais dos tipos mais estranhos. “Quanto mais estreitamente a gente colabora com os aras. 5 O hipercomunicador instalado no luxuoso escritório de Ixt não representava nada de extraordinário. Depois. mais confiantes eles se tornam. Chamou a Bet-765 pelo hipercomunicador. A imagem de Bet desapareceu. um negociante de animais.299 anos-luz do planeta Tolimon. um saltador. Logo a seguir. O contato pelo hipercomunicador não foi interrompido. mas em seus olhos brilhava a chama do entusiasmo. John Marshall pretendia entrar no negócio a todo vapor. Enquanto a Bet-765 ainda se encontrava a 5. Aposto que nem um único destes animais é conhecido no Império de Árcon. Bet sorriu ligeiramente ao ouvir o motivo pelo qual Ixt.” E a experiência de oito meses ensinara a Marshall que a melhor isca para os médicos galácticos eram os animais que ainda não fossem conhecidos em Tolimon. a milhares de anos-luz. — Tudo que tive de fazer foi carregar os animais de um planeta que em cada canto exala um cheiro diferente. enquanto a nave dos saltadores que os trazia a bordo ainda se encontrava no espaço. reteve a respiração. Ixt. Este também não sabia o que fazer. Na tela. se aproximava de Tolimon. um saltador jovem e robusto. mas se o senhor me pagar um preço aceitável. Naquela manhã. estava entrando em contato com ele. um dos agentes de Rohun. Futgris estava sentado à sua frente e deveria socorrê-lo com seus conhecimentos especializados se isso se tornasse necessário. Eram 1. As negociações consumiram meia hora. John Marshall catalogou. Quando o último dos animais acabara de ser fixado fotograficamente. com o auxílio de Futgris. A Bet-765 respondeu. John Marshall. Era uma das ferramentas de um negociante em grande escala de animais raros. lhe contara no dia anterior que Bet. e muitas vezes levava semanas para chegar a Tolimon. os animais que se encontravam a bordo da nave cilíndrica de Bet. Tulin. anfíbios e outros seres que não poderiam ser enquadrados em qualquer categoria. surgiu o rosto de Bet. os animais começaram a surgir na tela. o negócio tomou um fim. . estabelecido em Trulan. um ruivo impetuoso — fornecera-lhe estímulo para isso. Bet tinha uma coleção de monstros terríveis a bordo. Nos últimos meses fizera várias compras de animais esquisitos pelo rádio. John Marshall esquentou seu hipercomunicador.3 milhões. morcegos gigantes. O encontro — que no dia anterior tivera no espaçoporto com Tulin. Um instante! Vou mostrar-lhe meu zoológico de bordo. Marshall pediu que até o meio-dia o vendedor lhe entregasse trinta exemplares do catálogo.

Deixou que falasse. lia-os. John Marshall armou-se de paciência. Depois disso. O robô de trabalho de Ixt ainda mantinha os exemplares seguros nas mãos de aço.. mas em todos esses séculos nunca vira tamanha profusão de coisas terrificantes. o ara estaria disposto a fazer pelo chefe tudo que estivesse ao seu alcance. mas seus dedos não ficaram quietos nem por um segundo. Conhecia os pensamentos de Kolex. O mutante de Perry Rhodan disse o preço. apontando para seu robô de trabalho. Apenas o catálogo ainda não havia sido apresentado. Felicitava-se constantemente por ter resolvido há oito meses entrar para o serviço da firma recém-fundada. Era lá que se encontrava John Marshall. — Um catálogo! — pediu Marshall. Ixt. Futgris foi brindado com um elogio todo especial. A imagem do primeiro animal foi projetada sobre a tela de radiações com uma dimensão de quatro metros por cinco. A única coisa em que estava interessado eram os pensamentos de Kolex. Era exatamente o que Kolex estava pensando. Colocou-o exatamente diante da lente de cristal do projetor de campo. de forma diplomática. respondeu com . Vivia lutando contra a tendência de irromper em demonstrações de entusiasmo. que carregava trinta catálogos. Mas em vez de aceitar a pretensão de Marshall. novas e extraordinárias. Passara por cima de dezoito instâncias competentes. Sua boca permaneceu fechada. seus olhos fitavam John Marshall. que terá dificuldade se não fizer o negócio conosco. Enquanto se mantinha de olhos semicerrados. encontrava-se sentado diante de Kolex. John sabia o que a velha raposa estava fazendo com os dedos. Aquilo que o chefe da Divisão de Compras dos aras ocultava. o ara formulou uma ameaça velada: — Esses seres ainda não chegaram às suas mãos. Acredita que eu teria algum problema em descobrir qual é o saltador que tem essa carga a bordo e negociar diretamente com ele? Posso perfeitamente dar a entender. Numa atitude de espreita. um velho ara.1 milhões. Naquele momento. curvado pelos anos.. *** Divisão de Compras. mantendo-se imóvel atrás do chefe. Estava pondo em polvorosa todos os setores do gigantesco aparelho. Kolex comprimiu mais uma tecla para estabelecer outra comunicação. Quando terminou. O biomédico Man Regg acabara de ser colocado na linha. Dali a duas horas. os trinta exemplares estavam sobre a mesa de John Marshall. Não se sentiu embaraçado ao indicar a soma. que poderiam estar interessados na aquisição de animais desconhecidos. E este estava disposto a chegar até lá. pois lia os pensamentos de Kolex. A palestra estava sendo vista e ouvida em mais de vinte lugares. Fazia mais de oitocentos anos de Tolimon que exercia as funções de chefe da Divisão de Compras. Pediu 2. No mesmo instante a sala foi escurecida automaticamente. acabava sendo revelado através dos seus pensamentos. a luz ofuscante do sol voltou a encher a sala. John Marshall conteve-se para não deixar perceber o triunfo. Pelo que diz. John Marshall. A projeção durou nada menos que uma hora. o negócio foi fechado pelo hipercomunicador. dirigindo-se ao robô. Estava reprimindo o desejo de levantar-se de um salto para exprimir seu espanto. sob o disfarce da extraordinária máscara de saltador. mas que nem por isso deixava de ser uma raposa esperta.

deu a entender que o serviço de vigilância de hipercomunicações de Tolimon não estava em condições de verificar com quem havia falado. Pediu apressadamente uma ligação com o serviço de vigilância de hipercomunicação. veio a resposta da Divisão de Vigilância de Hipercomunicações. no valor de dois milhões.um sorriso condescendente. de que não era possível fornecer a informação solicitada. — Eu sou um saltador. tenho outros interessados além do senhor. os dois se haviam tornado bons amigos. Kolex. Meu hipercomunicador foi construído pelos saltadores. quando a grande comporta da Bet-765 se abriu. Quase no mesmo instante. Mas esse instante não chegou. De acordo? O calor do meio do dia. Alguns zoólogos dos aras. A atitude de espreita nos olhos de seu interlocutor tornou-se mais intensa. a descarga dos animais pôde ser iniciada. respirou profundamente algumas vezes e enxugou o suor que lhe cobria a testa. Um ara prometeu fornecer num instante os dados solicitados. quando a onda olfativa penetrante se aproximava inexoravelmente do gigantesco edifício da recepção do espaçoporto. A ligação foi completada. Kolex ainda teve o atrevimento de formular uma pergunta: — O senhor acha que em Tolimon é permitido o uso de hipercomunicadores desse tipo? John Marshall resolveu falar grosso: — Será que estou aqui para ser interrogado ou para tratar de negócios? O senhor sabe perfeitamente que os mercadores galácticos negociam com todos os povos do Império. o mercador galáctico. a multidão fugiu em disparada. pendia sobre Trulan. que já estavam acostumados a muita coisa em matéria de mau cheiro. pois nunca se vira tamanha quantidade de jaulas transportáveis. Vamos dar a palestra por encerrada. que chegava a quarenta e cinco graus à sombra. A chegada da nave provocara sensação. Mas. Com estas palavras. Quando John Marshall se despediu de Kolex. que estava parado ao lado de Marshall junto à grande rampa. quando a Divisão de Compras dos aras e Ixt. — Ora. A onda olfativa — espalhada como uma densa neblina e reforçada incessantemente pelo cheiro que saía do interior do depósito da Bet-765 — era de intensidade inigualável. a Bet-765 pousou no espaçoporto de Trulan. Também em Trulan não faltavam os curiosos. Kolex. faça-me o favor! Não disse mais nada. fecharam o contrato para o fornecimento de animais. deixando à mostra o depósito F. Só depois de uma hora. O sorriso condescendente de John Marshall tornou-se mais intenso. Marshall logo colocou seu aparelho de respiração. viu um . *** Dois dias depois. dada em tom modesto. haviam desmaiado. — Kolex — disse em tom enfático. e quem possuísse um sentido de olfato humano tapava o nariz e lutava desesperadamente para reprimir as náuseas causadas pelo terrível fedor. Outros fugiam junto com o grupo de curiosos.

sobre os quais correm boatos entre os saltadores. Mas nesse exato momento foi atingido pela mensagem telepática de Laury Marten. mas não agora. é um trapaceiro. Mesmo que fosse um agente.. O senhor já fez alguma coisa contrária às nossas leis no mundo dos aras? O funcionário quis saber com todas as minúcias como foi que fechamos o negócio. — Eu? — disse Marshall em tom de espanto. Era o chefe do comando. Ontem recebi a visita do pessoal do serviço secreto. — Estes animais respiram oxigênio e espalham um fedor destes! — suspirou Kolex. logo conclui-se que o tal do Ixt. O chefe da Divisão de Compras dos aras estava dizendo o que pensava. — Não me lembro de ter violado qualquer lei. Minha influência junto ao serviço secreto é bem considerada. meu coração se abre. no sistema de Hogur. em tom exaltado. Não encontrou nada de importante além daquilo que o mesmo lhe dissera. e proibia a perturbação telepática de Laury. Respirou profundamente. — Qual foi a expressão que o senhor usou. saltador! John Marshall surpreendeu-se porque o chão não se abriu sob seus pés para engoli- lo. Exerceu um controle instantâneo dos pensamentos de Kolex. — Daqui a pouco! — telepatou de volta. Qual seria então o motivo da advertência inequívoca de Kolex? Estaria agindo por intuição? . bancando o mercador galáctico em toda extensão — não teríamos feito o negócio por dois milhões. Marshall examinou os pensamentos do ara. Confie em mim. disse: — Nosso negócio se tornou conhecido em toda cidade. — Agora não! Daqui a dez minutos. Ixt. Tenho necessidade absoluta. Até mesmo um palavrão pode ser transmitido por via telepática. o senhor nos vendeu o lote de animais mais sensacional do milênio. Laury! — Acontece que encontrei humanos trancados no zoológico. — Não me esquecerei do que o senhor se dispôs a fazer por mim. Ixt. Esta observação fez Kolex lembrar-se de que procurara exercer pressão sobre o mercador de animais. quando olho para a beleza que o senhor nos vendeu. Confie em mim. Gostaria de saber por que o serviço secreto está interessado na minha pessoa. Na intenção de reparar alguma coisa. Diz que os dados relativos à sua pessoa não são corretos. O funcionário não explicou o motivo de sua visita? — Explicou. Marshall. ser agarrado pelos raios de tração que o colocaram atrás da grade energética da jaula destinada ao transporte. se for necessário. John Marshall sentiu um calafrio. e procurarei ajudar. além de ser ambíguo e reticente. faria tudo para ajudá-lo. — Tal fato já constitui uma novidade. — Obrigado — prosseguiu. Ixt — respondeu Kolex num tom que. Não poderia deixar de responder a uma observação como esta. Fitou Kolex. Ixt.monstro de dez metros. Todavia. — De qualquer maneira. com o formato de pólipo. mas nunca haverá necessidade disso. que se encontra em Xylon. mas pelo que dizem este reside em Xylon. Ixt. É bem verdade que existe um mercador galáctico de animais. John Marshall não se importou com o fato de que Laury Marten era mulher. encerrava uma advertência. Kolex? — riu. Diga-me uma coisa: Por que todos esses seres exalam um cheiro tão insuportável? — Se eu soubesse disso — disse John Marshall. tenho um pedido. Eu sou Ixt..

Não havia nada de diferente. pensou. Freou subitamente e imobilizou o veículo. mas o quadro que se ofereceu diante de seus olhos . que tinham quase um centímetro de grossura. subia por um barranco. Também possuía o dom da desintegração. Tratava-se de seres semelhantes a macacos. Já agora a construção e os alamos prateados a encobriam. atrás da qual eram mantidos os bombos. A trilha estreita. e as dobradiças. com o telhado de palha que quase tocava o chão. sempre desconfiados. Correu em torno da casa. Quando Laury esbarrou contra a parede energética e foi atirada para trás uns trinta centímetros. sem que sua vida corresse o menor perigo. “Qual será a idade desta casa?”. espantada. Nenhuma das criaturas em formato de cobra estava à vista. Desceu e aproximou-se da grade energética. notava que os aras se esforçavam em manter seus prisioneiros num ambiente que correspondia ao mundo do qual haviam vindo. ler e escrever. sua decisão havia sido tomada. pendurado num tripé. enquanto olhava em torno para ver se havia algum frogh por perto. pensou perplexa e procurou descobrir os habitantes da casa. para ver se descobria algum dos ligeiros froghs. concentrou-se. reforçou a concentração da mente. fez sua vontade atuar sobre uma área reduzida da barreira. Estava intacta. que tinham cabeça dupla e. Sorriu aliviada. Dirigia-se à grade. Laury Marten viu subitamente uma construção parecida com uma casa de camponeses suecos. além de possuírem braços curtos em formato humano. Por onde quer que passasse. A quinhentos metros do lugar em que se encontrava. sabiam falar. Sacudiu a cabeça ao ver a maçaneta desajeitada. *** Ao passar por uma ondulação do terreno em que ficava o zoológico continental. Estendeu a mão em direção à barreira energética invisível. não deixaria passar mais ninguém. A casa de campo sueca da qual Laury se aproximava poderia perfeitamente estar na Suécia. Deu um passo amplo e sorriu aliviada. Passou a andar mais devagar. feita de ferro forjado. Aguardava outra surpresa. cercada de alamos prateados. Todos os detalhes haviam sido incluídos naquela construção. O controle de rota de seu veículo fora regulado para essa grade e foi por simples coincidência que conseguiu ver a casa camponesa sueca. A barreira energética encontrava-se atrás dela. “Estamos em plena Idade Média”. perfeitamente visível. parecia uma lembrança do planeta Terra. Quando resolveu lançar um olhar para o interior da casa viu um fogo aberto e. Estacou diante dela. sentiu a resistência da barreira. A parte do zoológico em que se encontrava ficava a mais de duzentos quilômetros da área acessível ao público. Como se o desejo tivesse atravessado uma lente. um tacho de cobre enegrecido pela fuligem. Mas nem mesmo com suas energias telepáticas conseguiu encontrar qualquer pessoa. Virou-se apressadamente e voltou a examinar o terreno. Até onde alcançava a vista. não via nenhum frogh. Não era apenas telepata. que lhe permitia dissolver aglomerações moleculares pela simples força de sua vontade. Essa faculdade incrível lhe permitia transpor paredes compactas e barreiras energéticas.

. Os cabelos sedosos e brilhantes desciam em cachos escuros. filho da princesa asteca Uxatelxin e do conde espanhol Juan de Berceo. Perplexa. Um homem saiu da grande porta lateral do palácio asteca. . Como chamejavam seus olhos! E como era altiva a expressão da boca! O tamanho do nariz era um tanto exagerado. que provocavam um espanto cada vez maior na moça. Sentou no muro baixo. Laury Marten sentiu o coração palpitar. O homem ainda não a havia notado. fitou um edifício construído em estilo asteca. E agora. Uma pedra bateu na outra. Ao mesmo tempo. a construção que via diante de si — um palácio — lembrava os espetáculos relativos à cultura asteca que conhecia. Seriam astecas? As idéias de Laury Marten desfilaram pelas fases da história. Laury viu o tremor das narinas e notou o olhar. falando como uma mocinha tímida. E Laury Marten viu-se frente a frente com o conde Rodrigo de Berceo! Fitou-o boquiaberta. em que se lia uma veneração extraordinária. Nasci no ano da graça de mil seiscentos e cinqüenta e dois e com a idade de vinte e dois anos fui raptado e levado para Tolimon. vivera quatrocentos anos? Quando Laury Marten teve a idéia de usar suas faculdades telepáticas em relação ao conde Rodrigo. O silêncio propagou o som. Seria o século dezessete? Será que a casa de campo sueca era do século dezessete? Subitamente estremeceu. que nem desconfiava de sua presença. que tinha o aspecto de pessoa de trinta anos. A união do sangue asteca com o sangue espanhol haviam feito do conde Rodrigo um exemplar de beleza masculina.. — Sou o conde Rodrigo de Berceo. como uma mocinha inexperiente.521. foram subjugados por Cortez. colocou a mão direita sobre a espada e com a esquerda tirou o chapéu de aba larga. O jovem homem sorriu para ela. E majestática também eram sua figura e sua postura. De repente. Era um mestiço. verificou-se a destruição de sua cultura e o extermínio da religião cruel e sanguinária que praticavam. viu-a. em direção à casa achatada que se parecia com a cobertura de um poço. Laury tropeçou.519 a 1. habitantes indígenas da América Central. saíra do palácio e caminhava para o lado esquerdo. Voltou a endireitar o corpo. Deseja mais alguma informação? Nascido em mil seiscentos e cinqüenta e dois! A Terra já estava no mês de maio do ano de dois mil e quarenta e dois! Aquele homem. Os astecas. do homem altivo. A mutante foi caminhando devagar. Como caminhava! Seu passo era majestático. Um homem.obrigou-a a ficar parada. mas era justamente o ligeiro excesso desse órgão que conferia ao rosto másculo o feitio do combatente fogoso. — Quem é o senhor? — Laury Marten formulou a pergunta na língua dos aras. Era alto e de ombros largos. O homem levantou a cabeça. Deu um pequeno passo para trás e executou uma mesura profunda e elegante. levantou. Esses dados resumiam tudo que sabia a respeito dos astecas. vários minutos haviam sido consumidos em perguntas formuladas e respondidas às pressas. de 1.

. Não tinha a menor intenção de esfregá-la entre as mãos para entregar-se aos efeitos da toxina. que o faria enxergar uma . conforme combinara com este último. A pesada corrente de ouro que trazia ao pescoço não parecia uma peça de ostentação. ela o fez com grande relutância. Subitamente aquele homem do século XVII ajoelhou-se diante dela. Este homem de trinta anos realmente nascera no México. O cinturão brilhava e a espada presa a uma corrente de prata balançava de um lado para outro. Há pouco ainda se encontrara num gigantesco salão. agentes de Rohun. essa fala talvez teria provocado um sorriso de compaixão em Laury Marten. a calça bem justa feita por um material que se parecia com o veludo. que se encontrava em Trulan. E logo depois John Marshall “desligou”. Não poderia haver um ponto de encontro mais discreto que esse local mal-afamado. no mesmo instante. Parecia mudada. Rodrigo pensou que o susto de Laury Marten tivesse sido causado por sua pessoa e pela admiração que estava demonstrando. procurou convencê-lo da importância do fato. Tudo aquilo que o inferno tivesse descoberto para intoxicar o homem. Marshall só estava disposto a ouvir sua mensagem mais tarde. apesar disso. estava invisível para qualquer pessoa que ali penetrasse. segurou sua mão. Enquanto o conde Rodrigo a admirava à distância. As mangas largas da camisa branca também terminavam em preciosas rendas. Deitou no chão. Em qualquer outra oportunidade. Não se cansava de olhá-lo. Mas lembrou-se de sua missão. A droga herfnis estava a seu lado. captou sua resposta: uma repreensão áspera. tal qual acontecera com ele há pouco. foi este seu único pensamento. Mas o contato durou poucos segundos.. e pediu perdão pelo fogo que sentia no coração. filha do século XXI. Agora. e o penacho preso ao mesmo era agitado pelo vento. John Marshall fechou a grade de radiações. O colete curto e sem mangas estava cingido por um cinto largo. comprimiu os lábios contra a mesma. que era proibido para todo e qualquer ara. em 1. Ali se encontrava tudo quanto era entorpecente. porém. não sabia o que estava acontecendo com ela. num beijo gentil. Numa fração de segundo enxergou tudo com a maior clareza. Mas agora só via nela a homenagem de um homem que receava ter ido longe demais nas manifestações de entusiasmo por uma bela jovem. Mas. O chapéu era de aba larga. e à medida que o contemplava familiarizava-se com suas vestes medievais: botas de cano estreito e revirado que chegavam até os quadris. Laury Marten não retirou a mão. Laury Marten teve a impressão de que seria um crime investigar os pensamentos do conde Rodrigo.652! “Devo avisar Marshall”. Formava parte integrante da vestimenta do século XVII. no pavilhão dos sonhos não haveria o menor problema para ser encontrado. tal qual o amuleto que representava o Deus Sol dos astecas. Acontecia que precisava informá-lo sobre a descoberta que acabara de fazer. O colarinho de renda caía elegantemente por cima do colete. o visitante apenas veria o vazio da gigantesca abóbada. conseguiu estabelecer contato com John Marshall. *** John Marshall encontrou-se no pavilhão dos sonhos com Egmon e Tulin.

tendo sido transformado num sol. São vigias positrônicos. E. quando captou os pensamentos de Tulin e Egmon. por mais insignificante que seja. quando procurou roubar o processo de conservação. na entrada principal do edifício.verdadeira orgia de cores. Colocaram robôs de controle entre os robôs de trabalho. mas estava interessado nos pesadelos de Tulin. confessavam abertamente que no momento estavam com as mãos atadas. há mais de cinco decênios. Ixt — explicou em tom contrariado. Abriu a grade de radiações por alguns segundos. — Tomara que realmente não haja ninguém — disse Egmon.. — Mas este processo não é parte do processo de produção! — interveio John Marshall em tom enérgico. era só o que me faltava para acrescentar aos meus pesadelos. o impetuoso. Os saltadores atiraram alguns grãos no canto. por fora uns não se distinguem dos outros. já que não havia outro lugar em que pudessem acomodar-se. o máximo que os dois mutantes poderiam conseguir era que os aras os desmascarassem como seres terranos. foi paralisado. O ara que conseguimos subornar fracassou por culpa de um robô de controle. — Já sabemos por que o clã de Estgal deixou de existir. Não estava interessado em saber se os agentes dos saltadores enganavam os aras ou não. que até agora tem sido tão próspero. que já haviam passado por tudo quanto era experiência. que acorriam ao lugar à procura de distrações e davam o primeiro passo que os conduziria ao abismo. Pérolas de sonho. — Tenho pena do dinheiro que gastei. o planeta Terra deixara de existir para o Império Arcônida. um homem louro introvertido. mas o que há dentro dos controladores é de pasmar. e com isso nosso negócio. Um alarma vivo. Ixt. será que aqui ninguém pode ouvir-nos? — Ninguém — garantiu Marshall. Tulin cocou a cabeça ruiva. Se os agentes dos saltadores.. Tulin mandou uma praga junto com eles. Marshall não sabia o que eram pérolas de sonho. cochichou para Egmon: — Como poderemos encontrá-lo num lugar como este? John Marshall recorreu ao projetor mental e obrigou-os a atravessar o labirinto de cabines de radiações. que não eram viciados nem sentiam o desejo de brincar com o entorpecente. Ixt. É verdade! Não podem deixar de estar em toda parte. Sua energia telepática atravessou a grade de radiações e. parando diante da barreira que o protegia. Tulin. e voltou a mergulhar em suas meditações. Amaldiçoou a idéia de encontrar-se no Palácio dos Sonhos. — Pois bem. Pelo amor dos deuses. — Pois nesse caso. — Meu pesadelo são os novos robôs dos aras que foram colocados nas fábricas de soro. sorriram ao vê-lo deitado no chão e sentaram a seu lado. Acontece que a utilização dos robôs de controle também representava o fracasso definitivo de sua missão. Egmon e Tulin olharam-no perplexos. os espias positrônicos estão em toda parte. Laury Marten poderia interromper os estudos que estava realizando no zoológico continental. mas sua tarefa consiste em avisar qualquer incidente ocorrido durante o processo de produção. A repugnância deixou-o arrepiado. . É uma vergonha! John Marshall não conseguiu achar graça nessas palavras. Os aras sempre inventam novas infâmias para dificultar nosso trabalho. Trabalham tal qual os outros. captou os pensamentos dos seres viciados.

pois conhecia Tulin. e. o mesmo odiava todos os aras e. uma alergia traiçoeira provocada pela transição das naves espaciais. — Você quer dizer que com isso se consegue neutralizar um robô? — Tulin ainda não estava acreditando no que Egmon acabara de dizer. — Foi atacado? — perguntou Marshall em tom áspero. — Apenas recebeu um jato de gerf. As pastilhas shaks eram o único remédio contra a doença de ferm. tirando do bolso um diapasão. — Para que serve um recurso tão primário? — Marshall sentiu-se tomado de um tremendo nervosismo. — Os controladores têm uma alergia toda especial para o tom da nota si. lançando o olhar para além de John Marshall. — É uma substância que o serviço secreto dos aras também usa nos seus serviços.. Os controladores têm um ponto fraco. Seu sorriso tornou-se mais acentuado.. Os aras já devem ter descoberto nosso truque. sempre que usasse os meios mais radicais na luta contra eles.. ou melhor. Ixt. assim que a nota atinge seu ouvido. dessa forma. Egmon piscou os olhos. — Estamos trabalhando com dezoito agentes. que aquele homem de trinta anos nunca chegara a explicar. o serviço secreto dos aras não poderia deixar de perceber que alguma coisa não estava em ordem com eles. Por pouco Egmon não foi preso. a pessoa dorme durante dez dias e tem de ser alimentada artificialmente. Fiquei agüentando a mulher de Huxul durante duas horas. que matava dentro de poucos meses. Não sei o que acontece com seu aparelho positrônico quando ouvem esse tom. Está internado no hospital. Quando esse narcótico entra no sangue de alguém. — O que vem a ser gerf? — indagou Marshall. É por isso que hoje de noite receberei os cinco mil shaks. Os agentes de Rohun haviam procedido como crianças. mas só daqui a dez dias conseguirão despertar Huxul. . Por algum motivo. levantou a cabeça: — Hoje de noite receberei cinco mil shaks! John Marshall também levantou a cabeça e fitou Egmon. — É com isto! — disse Egmon. Antes que a troca de palavras pudesse degenerar em discussão. — É bom que os aras tratem de fazer suas diabruras médicas — prosseguiu — e deixem de aventurar-se no terreno da construção de robôs. o perigo tornara-se ainda maior. Enquanto isso. se você. regozijou com o espanto de seus interlocutores. — Ainda tenho outro motivo que me traz pesadelos — disse Tulin. Huxul sofreu um acidente. As palavras que o saltador louro acabara de proferir desmentiam as informações de Tulin. mas o fato é que. caem por terra sem avisar sequer a central sobre o defeito surgido em seu mecanismo. Marshall temia pelo pior. o instrumento que na Terra é designado por este nome. — Não foi atacado — resmungou Tulin.. Marshall lembrou-os da finalidade do encontro. Os aras ainda não descobriram. Teve uma sensação desconfortável. que continuava absorto em suas reflexões. — Será que hoje em dia ainda se consegue adquirir em Trulan um único diapasão do tipo antiquado? John Marshall confessou que não estava compreendendo mais nada. Egmon insistia em sua afirmativa. De repente Egmon. A essa hora. senão. Este proferiu uma ameaça indisfarçada contra seu irmão de clã: — Egmon.

realizadas pelo serviço secreto dos aras. no sistema de Hogur. Enquanto Marshall oferecia o aspecto de saltador que escutava atentamente a conversa que se desenvolvia em torno dele. O resultado do exame deixou-o um pouco mais tranqüilo. humanóides vindos de mundos distantes. que deu uma risada gostosa. — Felizmente esse sujeito não existe mais e a Terra foi transformada num sol escaldante — retrucou Marshall com o maior cinismo. segundo a qual o senhor não é o mesmo Ixt que reside em Xylon. — Se Rohun não nos tivesse pedido que fizéssemos tudo para atender aos seus desejos. Arcônidas. Ixt — ponderou Tulin. Apressou-se em controlar os pensamentos dos agentes dos saltadores. saltadores. — É a prova chegada às mãos dos aras. Uma voz retumbante saiu do gigantesco alto-falante: — O Serviço de Vigilância de Estrangeiros dos aras ocupou todas as saídas. Será que isso não basta? Subitamente todas as grades de radiações entraram em colapso no interior do pavilhão dos sonhos. John Marshall enfiou a ficha no bolso e levantou-se. A segurança do Palácio dos Sonhos. quem é mesmo o senhor? — Também estou curioso para descobrir isso — interveio Tulin.. diria que o senhor é um ser vindo daquele planeta e. John Marshall juntou-se ao grupo. que estavam prestes a entregar-se ao vício. Eram oito! . Fez um sinal para os dois agentes dos saltadores... — desta vez foi Egmon. pois pouco lhes importava em que lugar estivessem no momento em que fossem revistados. deixara de existir. — Trabalhamos com dezoito agentes. falando devagar e em tom cativante. Tulin e Egmon fitaram John Marshall. Numa atitude indiferente. lia-se uma idéia: desta vez nos agarraram! Com a maior tranqüilidade. As barreiras energéticas que as tornavam invisíveis haviam desaparecido. Afinal.. concentrou-se ao máximo para lembrar quantas saídas possuía o Palácio dos Sonhos. Em toda parte. tão afamada. Em seus rostos. — Ixt — disse Egmon. Não estavam acreditando em suas próprias insinuações. Fazia mais de cinco decênios que Perry Rhodan desaparecera com a Titan em qualquer lugar do espaço e a Terra se transformara numa fornalha nuclear sob a ação das bombas arcônidas. Ninguém poderá abandonar o Palácio dos Sonhos. Em Tolimon. eu não teria arriscado uma coisa dessas. — Pois é. Marshall ainda não compreendia por que a ficha que segurava na mão seria tão importante como Egmon queria fazer crer. O procedimento não era menos complicado e preciso que o seguido na Terra. — Se não soubesse que Rhodan e a Terra não existem mais. A ficha que o senhor tem na mão representa a interpretação positrônica do resultado das investigações sobre sua pessoa. — O que é isto? — perguntou sem desconfiar de nada. irromperam em ruidosos protestos. embora no seu íntimo se sentisse angustiado. — Três deles trabalham no Serviço de Vigilância de Estrangeiros. Espantado. Bem perto deles. não existe qualquer outro registro sobre sua pessoa. Marshall pegou a ficha que este lhe ofereceu. Tulin e Egmon seguiram-no. um grupo de mercadores galácticos gesticulava exaltadamente. viam-se pessoas embriagadas jogadas no chão. — Devem notar a falta desta ficha! — Marshall sabia de que maneira os aras faziam sua guerra de papéis.

do lado de fora. Egmon mudou a cor dos olhos e ficou um passo atrás dos outros. Encontrava-se logo atrás de Marshall e viu a ficha do cérebro positrônico na mão de um dos aras. Cada um dos mercadores galácticos tornou-se alvo das atenções de dois aras. Quando chegou à quinta. Mas Tulin. — Podem passar — rangeu a voz de um dos aras. por terem conservado a liberdade. fitaram o grupo que se aproximava. — Os aras devem ter colocado seus robôs de controle em todos os lugares ao mesmo tempo. os seis aras que se encontravam na saída número cinco praticamente não tinham nada a fazer. Marshall havia captado sua raiva. O projetor mental irradiava ininterruptamente a vontade de Marshall sobre os aras. Tulin transpirou por todo o corpo. Egmon tentou perturbá-lo. Vou jogá-los fora e. Naquele instante. Também esta estava ocupada por seis elementos do serviço secreto. Não se atrevia a respirar. Caminharam em direção à saída número cinco como pessoas que estivessem entorpecidas. Egmon e Tulin alegraram-se. se haviam misturado à multidão. especialmente na principal. o ruivo impetuoso. como crianças. Transmitiu-lhes a ordem de deixá-los passar depois de fingir um controle rigoroso. Um deles viu quando Egmon pegou a ficha do cérebro positrônico e deu o alarma. contudo. John Marshall foi revistado por dois funcionários furiosos. mas sua ação não passou da tentativa. Os aras voltaram a enfiar os radiadores em seu bolso. as armas passaram às mãos dos aras. Eram aras armados. — Vocês querem saber por que o serviço secreto encenou a batida no Palácio dos Sonhos? — perguntou Marshall depois que. de tão assustado. Pois esta lhes estragara o programa daquele dia. Controlou rapidamente uma saída após a outra. O saltador alto e louro empalideceu. . Lembrou-se dos três radiadores que trazia no bolso. sem que. lembrando-se dos três radiadores que os aras haviam descoberto ao revistá-lo. que ainda os brindou com uma maldição. Ao projetar o controle.. Chegaram à saída número cinco. embora não compreendessem por que haviam escapado dessa forma. E esses aras já se transformaram em vítimas do projetor mental quando o grupo ainda se encontrava no meio do Palácio dos Sonhos. Com uma expressão de curiosidade. Tulin calou-se sob a força do olhar de Marshall. — Foi por causa de Egmon — disse John Marshall. reagissem ao achado e o prendessem. Três deles estavam muito contrariados com a missão que tinham que desempenhar.. “Está tudo no fim”. era de um feitio muito diferente. Enquanto em três das saídas. Fez um sinal discreto para que Tulin e Egmon o seguissem. fitando-os um por um. Lançou um olhar desconfiado para Marshall. Marshall passou a agir sobre os três aras bem dispostos para o serviço. pensou Tulin. Marshall brindou-o com um olhar tão furioso que. — Não deve ter sido por nossa causa — disse Tulin em tom não muito confiante. — O senhor não vai jogar fora coisa alguma! — disse Marshall e conseguiu introduzir um intervalo ligeiríssimo no tratamento hipnótico que estava dispensando aos aras. Imaginava as conseqüências de seu ato. sorriu. o barulho e os protestos se tornavam cada vez mais intensos. Tulin disse com um suspiro: — Tenho comigo três projetores diferentes.

Por que recorre a uma mentira infame como essa para exercer pressão contra nós? Merecemos um tratamento como este? Tulin tinha motivo de sobra para formular a pergunta. O que fez com o ara para que ele mudasse de atitude tão depressa? — Da próxima vez provavelmente não teremos tanta sorte — disse John Marshall. estendendo a mão em sua direção. Mas logo se sentiu esbaforido. à medida que o tempo passa o senhor me deixa cada vez mais apavorado. Naquele instante. Ixt. o ara viu-se diante do saltador louro. vindo de um lado onde a multidão era mais rala. — Cuidado! — cochichou Marshall no último instante. como foi que o senhor soube disso? Mais uma vez. Só depois de alguns minutos. Por isso mesmo. O negócio dos cinco mil shaks caiu na água. . Os dois saltadores. O mutante de Perry Rhodan não pôde deixar de admirar o sangue-frio do agente dos saltadores. a afirmativa de que Egmon havia sido observado por um robô de controle quando se encontrava nas proximidades do cérebro positrônico só poderia ser uma mentira rematada. esquivando-se da pergunta. — O que pretende fazer. — Ixt. — Egmon. Egmon teve oportunidade para formular sua pergunta: — Por todas as estrelas. Num instante. Egmon? Egmon resmungou: — Rohun terá de chegar até aqui para me recolher a bordo. onde tomariam qualquer condução que os levasse o mais depressa possível para fora do centro de Trulan. tirou a mão do bolso em que estava guardada a arma.. o senhor é um sujeito medonho. — chiou o ara. perplexos. em direção ao distribuidor que os levou a uma das ruas situadas mais abaixo. — Egmon do clã de Rohun. que podia ser identificado por seu rosto frio de burocrata. Num gesto quase automático. aproximava-se rapidamente. Partia do pressuposto que o negociante dos animais nada sabia da ação em grande escala que haviam lançado contra o serviço secreto dos aras. John Marshall ficou devendo a resposta. o senhor já acredita que um robô de controle o viu quando se encontrava diante do cérebro positrônico? Correram por entre a massa de gente. O volume do bolso no qual enfiara a mão mostrava que tinha a arma de radiações engatilhada e apontada para Egmon. Despedindo-se com um aceno de cabeça. John Marshall conseguiu dar uma pancada no braço levantado do ruivo Tulin. seguida destas palavras: — Tive um prazer imenso em revê-lo. Um homem caçado pelos aras sempre acaba capturado. Mal teve tempo para dedicar sua atenção a um ara do serviço secreto. perguntaram: — Ixt. O gesto violento da mão terminou numa batidinha no ombro de Egmon. Este soltou uma praga típica dos saltadores. Até a próxima e muitas felicidades. pois a frieza do rosto do ara cedera lugar a uma expressão de amabilidade..

. Seu gênio descontrolou-se. quando se trata de algo extremamente importante. O cérebro robotizado de Árcon não conhecia emoções. Ixt. e. Começou a falar em pesquisas. controlados pelo mutante. Ixt.. — Será que esses estranhos não são uns coitados? — perguntou John. Segundo seus pensamentos. aguardava uma ação fulminante do serviço secreto dos aras. Nós.. os aras. A revelação do crime que estavam cometendo ao abusarem de seres dotados de inteligência elevada. e seus pensamentos. poderia significar a destruição total dos mundos dos aras. eram um hino de louvor a Marshall. não foi uma simples visita de cortesia. Pouco lhe interessava o fato de com isso ter feito um bom negócio. De um instante para outro. somos verdadeiros artistas na área da medicina. 6 Durante dois dias o mutante viveu numa tensão ininterrupta. — .. até mesmo a violação da lei encontra justificativa. O senhor nem imagina quantos elogios tenho recebido por ter arriscado esta compra de dois milhões. Ixt.a designação não é correta — retificou Kolex.. mas há uma ordem de âmbito galáctico que nos obriga a agir dessa forma. — . nos diversos fabricantes de soro. Esperava que aquele homem influente o ajudasse a entrar em contato com o círculo dos médicos galácticos que lidavam com a produção do soro prolongador da vida. Não posso falar demais a este respeito. traçada pela programação. B e mesmo A. a produção do mesmo dependia de inteligências cujos quocientes intelectuais os incluíssem nas classes C. Como nada acontecesse. utilizando-os como portadores de soro. A maior sensação foi esta. Ixt. Sei perfeitamente o que está pensando. A segunda visita que fez a Kolex. Não existe nenhum lugar no Universo em que as inteligências prisioneiras passem tão bem como em nosso zoológico. Sua atuação resumia-se na lógica mais pura. Garanto-lhe uma coisa.. para oferecer-lhe o lote de animais desconhecidos vindos do planeta do fedor. Alguns deles chegam a ser mais inteligentes que nossos froghs. mas não podemos fazer milagres. Kolex revelou-se de uma amabilidade cativante. Kolex estava radiante. Fora justamente por esse motivo que se dirigira em primeiro lugar a Kolex.se não dispusermos de portadores de soro. Com estas palavras tocara num ponto sensível. Kolex protestou.. chefe da Divisão de Compras dos aras. O senhor deve conhecer a lei do regente positrônico de Árcon tão bem quanto eu. Ixt! E o portador de soro tem de ser uma criatura sadia. . Tal procedimento dos aras transgredia uma das leis mais rigorosas de Árcon. voltou a acalmar-se. Sua conversa naturalmente girou em torno desses animais. até parece que quer recriminar-me e desafiar-me. pois do contrário a doença conduz a um resultado falho. nossas mãos estarão atadas. — Por enquanto sim. — Hum — respondeu o mutante e leu os pensamentos de Kolex.. que pensava incessantemente no soro prolongador da vida. não me olhe desse jeito. — Será que as inteligências vindas do planeta do fedor também foram trancadas atrás de grades energéticas? Kolex manteve-se fiel à verdade. — Só oito exemplares pertencem à classe dos animais. Os demais são inteligências.

que não sou nenhum asteca arruinado. A mutante bela e apaixonada esquecia constantemente que Perry Rhodan a enviara a Tolimon para cumprir uma missão de cujo êxito dependia a vida de Thora e de Crest. A terceira pessoa era Nara. E seus pensamentos revelavam muito mais. quando tinha vinte e dois anos. Laury preferiu não explicar-lhe o significado da palavra zoológico. uma moça prosaica do século XXI. presos atrás de uma grade energética intransponível. Os saltadores trancaram-no num camarote no qual já se encontravam três humanos: Mutumbo. cuja tenda fora erguida atrás da grade. Quase não se ocuparam com eles até o momento em que foram descarregados em Trulan. Mutumbo e Alf Tornsten arranhavam o intercosmo e a língua arcônida. contemple esta lâmina fulgurante. violento e belo. mas um pequeno objeto voador alcançou-o e levou-o a bordo. Teve medo e fugiu. *** Quatro homens do século XVII do planeta Terra viviam no gigantesco zoológico de Tolimon. Quando Laury Marten o visitou pela terceira vez às escondidas. fitar os olhos . por ocasião de sua segunda visita. minha flor. — Há de chegar o dia em que provarei aos aras. deprimido pelo fato de que não envelhecia. Lá dentro fora apresentado inúmeras vezes a médicos aras. A reunião das duas séries de dados permitiu que Marshall concluísse que o projeto dos aras já passara da fase experimental. Era uma doente mental incapaz de articular uma palavra sensata. Ser chamada de minha flor. O palácio asteca encerrava um segredo que representava a felicidade de dois seres humanos: Laury Marten e o conde Rodrigo amavam-se. Num gesto teatral. Laury Marten. uma mongol velha e gasta. que no século XVII talvez representasse um costume da corte. Laury reconheceu nele o setor X-p. Já o conde Rodrigo de Berceo brilhava nessas línguas. passando pela Rua do Grande Mo. Aquilo desabara sobre ela com a força de um dilúvio: foi impetuoso. caminhava em direção à firma. Mas. Os quatro séculos que os separavam eram transpostos pela força do amor. Com suas insinuações. E o amor transformava todas as coisas como que por encanto. que se tingirá de vermelho com o sangue dos homens que me maltrataram. amava. onde passaram a viver no zoológico como se fossem animais. o camponês sueco que vivia apaticamente seu dia-a-dia. não se esquecera de perguntar a Rodrigo de Berceo por que nesses quatro séculos só envelhecera alguns anos. Olhe. conversaram no arcônida dos “primeiros dez mil”. A compaixão transformara-se em amor. certo dia estava passeando a cavalo quando viu alguma coisa cilíndrica baixar das nuvens. Laury Marten conhecera todos eles: Mutumbo. “Tomara que não surja nenhum incidente com o serviço secreto dos aras”. um africano supersticioso e Alf Tornsten. Ao responder. Rodrigo lhe falara num imenso palácio. foi tudo que John Marshall desejou depois que se tinha despedido de Kolex e. mas o conde Rodrigo. Alf Tornsten e Nara. arrancou a espada curta da bainha. Kolex revelara tantos dados que não poderia deixar de ser considerado um irresponsável. Consumiram alguns dias no exame de seu organismo e finalmente deram-lhe uma injeção de soro prolongador da vida. com a minha espada. À medida que se demorava na descrição do mesmo. O soro prolongador da vida estava sendo fabricado em grandes quantidades. Seu bem-amado contou-lhe que.

Cada vez que isso acontecia tomava a decisão de. Seu primeiro impulso foi o de destruir o frogh com seu radiador. Laury Marten sentiu-se grudada ao solo. John Marshall ainda não sabia. colocou-se diante de Laury Marten e estendeu um dos braços dotados de mãos preênseis. O efeito foi imediato e tão patente. não conseguiu descobrir a freqüência em que funcionava o cérebro dessa criatura. O frogh engoliu o concentrado e enrijeceu. Laury entregou um tablete ao frogh. por ocasião do primeiro contato telepático que mantivesse com John Marshall. aproximou-se rapidamente. devia fazer cerca de noventa anos. enfiou a mão no bolso e tirou o concentrado energético. Passara mais de duas horas de Tolimon em sua companhia. que Laury obteve através de Rodrigo. Engoliu-o. Para ganhar tempo. O desespero tomou conta de sua mente. A gargalhada do frogh tornou- . E noventa anos não significavam nada para os aras. que graças aos recursos de sua medicina muitas vezes viviam mais de oito séculos. Seus pensamentos moviam-se exclusivamente em torno do desejo de libertar Rodrigo das garras dos aras. De tão nervosa que estava. a cabeça de um frogh saiu da fenda comprida e profunda que se encontrava à sua esquerda e fitou-a com olhos viperinos. Enfiou discretamente a mão no bolso em que se encontrava o radiador. — Permite que eu experimente o concentrado? A víbora centopéica saiu da fenda no solo. Não acreditava que fosse adiantar alguma coisa. Estava decidida a matar o frogh. enquanto procurava desesperadamente descobrir uma saída. *** Laury desprendeu-se violentamente dos braços de Rodrigo. tudo isso fez com que se sentisse muito feliz. A risada penetrante dele a fez recuar alguns passos. Laury Marten percebia constantemente no íntimo a advertência que lhe fazia lembrar o motivo de sua vinda a Tolimon. Mas sentiu-se exausta. tornavam-se importantes porque confirmavam o fato de que em X-p estava sendo fabricado o soro. Ainda teve energia para não mentir a si mesma. confessar o amor que sentia por Rodrigo de Berceo. Naquele instante. Usando o dom desintegratório de que era dotada. mas a mesma fora provocada por sua própria negligência. Tentou em vão captar os pensamentos do frogh. os aras estarão muito interessados em saber que a senhora consegue atravessar uma barreira energética sem que a mesma tenha sido desativada — disse o frogh com a voz fria. Encontrava-se numa situação de legítima defesa. estava por demais enraizada em sua mente. Pelo calendário terrano. mas a lei de Perry Rhodan. A mutante teve medo da cobra-gigante. O brilho dos olhos dele foi ainda mais frio. sentir o braço forte que a enlaçava. atravessou a barreira energética e dirigiu-se ao veículo. — Arga Slim.chamejantes do bem-amado. que o frogh lançou uma pergunta: — O que é isso que a senhora acaba de tomar. Eram horas de auto-recriminação e censura. Arga Slim? Arga disse o que era. As informações. segundo a qual só se devia matar em legítima defesa. Até então. Rodrigo não pôde dar uma indicação precisa sobre o dia em que recebera pela última vez a injeção do soro revitalizador.

Voltou a implorar que amanhã ou depois Laury lhe trouxesse uma quantidade maior do concentrado. O concentrado provocara-lhe um estado de euforia. Apenas pretendia agradecer- lhe. Sentia que o frogh estava escarnecendo de sua perplexidade. Acho que isso já poderia servir de base a um estado de confiança recíproca. A expressão viperina desapareceu de seus olhos. Arga Slim? Queira desculpar. Agzt — disse Laury. — Ora.se mais sonora. O estado do frogh tornava-se cada vez mais perturbador. quando Laury Marten terminou sua jornada diária no setor X-p. Se fizer isso por mim. Ao anoitecer. nenhuma informação do frogh Agzt sobre a travessia da barreira energética havia sido recebida naquele setor. desde que possa confiar em sua discrição. Arga Slim. — Quer agradecer pela oportunidade de me entregar aos aras? — disse Laury em tom furioso. Arga Slim! — disse o frogh e sua voz transformou-se num cochicho. transformara-se num estimulante. A criatura levantou o terço anterior do corpo e passou a contemplar a agente de Perry Rhodan a uma altura de dois metros. que pareciam irradiar uma bondade quase humana. serei o servo mais fiel que a senhora já teve — a estranha proposta terminou num riso borbulhante. De repente. . Laury descobriu a disposição de ânimo do frogh. Aos poucos. — Nunca falarei sobre isso se amanhã a senhora me trouxer mil tabletes destes. que provocava uma alegria exagerada. O frogh respondeu: — Posso até desligar qualquer barreira energética para a senhora. — Eu lhe meti medo. — Posso pensar nisso. começou a acreditar que as intenções de Agzt eram sinceras.

Rohun. com sua ajuda irrestrita quando eu o chamar. Marshall preferiu não responder. Mais uma vez. o mutante fez como se não tivesse entendido. Tranqüilizou o comandante dos saltadores. Mas acho que poderei contar com aquilo que o senhor me prometeu. O senhor sabe perfeitamente o que significaria isso. estou precisando de minha nave. — Antes ter medo que transformar-se em cobaia dos aras. Quando poderei contar com a chegada? É Otznam que vai trazê-la. Marshall não se impressionou com o aviso que Rohun acabara de lhe dar. — Mas voltará com Otznam. — Ixt. — Está com medo? — perguntou John Marshall em tom lacônico. — Ixt — disse. pois tenho uma tarefa para ele. mesmo que a estação receptora só dispusesse de um hiper- comunicador comum. Mas não quero que Otznam participe da ação — exigiu Rohun. apareceu com a jaula com os dois hiobargulus e procurou devolver os animais? Se não tivesse passado por coisa semelhante com o tal do Huxul. Se as coisas continuarem nesse ritmo. As notícias que acabo de receber de Egmon me fizeram envelhecer cem anos. Rohun? Não consigo encontrá-lo aqui em Trulan. O transmissor especial de que se servia. Apesar de tudo. 7 John Marshall acabava de expedir de seu escritório a quinta mensagem de telecomunicação destinada a Hellgate. não é? — Está certo. isto é. — Quando é que o senhor se dignará a explicar as coisas esquisitas que aconteceram em sua loja quando o tal do Huxul. a destruição. — Está aqui! — exclamou Rohun. Quem poderia trazê-la até aqui? Otznam? O rosto do comandante dos saltadores transformou-se numa careta. a morte. — Prometo-lhe que Otznam não participará da ação. da mesma forma que aquele instalado em seu quartel-general na área dos cortiços. Rohun. Rohun! — disse Marshall ao mercador galáctico e desligou. comandante dos saltadores. dispunha de dispositivo especial que evitava a escuta. prevenindo Marshall — já está na hora de desistir do jogo perigoso que está realizando com os aras. Agora partira de Rohun. Isso significaria o desaparecimento total. Ixt? Mais uma vez. Marshall e Rohun acoplaram um condensador e um deformador de mensagens. A mensagem telepática de Laury Marten estava interferindo na palestra pelo . um ara do Serviço de Vigilância de Estrangeiros. — Onde está Tulin. O senhor não poderá utilizá-lo na execução de seu plano. — Rohun. — Cobaia dos aras! Apesar das leis de Árcon! Fim. Não tinha o menor receio de que o serviço secreto dos aras pudesse interceptar sua mensagem. já teria entregado Otznam a um hospital dos aras para submetê-lo a um exame de sanidade mental. — Otznam partirá imediatamente em sua nave. fique sabendo que não sou nenhum ara. tivera de ouvir uma alusão desse tipo. Agora estava mudando para a faixa de Rohun. mas um mercador galáctico — berrou Rohun para dentro do microfone que se encontrava a quarenta anos-luz. Há alguns dias dei uma olhada naquilo: é um verdadeiro couraçado! Onde é que essas naves são construídas. acabarei figurando na lista dos aras. uma vez completada a ligação. — Quando souber que a nave chegou. eu me sentirei muito melhor.

que é totalmente inofensivo para os aras e os arcônidas. Este relatório continha informações sobre a escala intelectual em que deviam ser incluídas as criaturas por ele vendidas ao zoológico. Laury. Vinte e uma espécies. Sentia-se como um homem que acabara de cometer um crime. — Ah. Nunca se deve fazer esperar um funcionário do serviço secreto. — Mais uma vez. pois poderá acontecer que vários dias se passem entre uma visita e outra. pertenciam à escala intelectual A-l. Foi empurrando para o lado o relatório que acabara de receber de Kolex.telecomunicador. Marshall perscrutou seu interior. Não quero que este preparado. foi transmitida a sexta mensagem condensada de hipercomunicação destinada a Hellgate. os aras e os mercadores galácticos. Laury pediu-lhe que prestasse atenção e a avisasse imediatamente assim que qualquer outro veículo se aproximasse desse setor do zoológico. o frogh. Examinou o conteúdo. onde Rhodan esperava. Ixt estava debruçado sobre o primeiro relatório enviado por Kolex. que perdera todo medo do corrupto monstro viperino. John Marshall teve de recuperar-se do abalo que sofrera. Quando levantou os olhos e reconheceu Futgris. Quando Futgris entrou no escritório do chefe. O frogh saltitava sobre seus inúmeros pés e voltava a asseverar ininterruptamente que não era nenhum ingrato.” Lançou um olhar indagador para Futgris. totalmente diferentes no aspecto exterior. Tal qual fizera por ocasião de suas visitas anteriores. colocou a mão no pescoço do mesmo. Futgris. atravessou a barreira energética como se esta não existisse e saiu correndo. A pele do frogh parecia couro. Laury Marten descobrira uma sala do setor X-p onde estava guardada uma ampola do soro revitalizador. Os seres que. Era o grupo ao qual pertenciam os arcônidas. freou e desceu. apenas cinqüenta cápsulas de concentrado? — perguntou em tom decepcionado. Laury notou seu estado eufórico e advertiu-o: — Em cada visita eu lhe trarei cinqüenta cápsulas. em virtude de seu aspecto terrificante. possuíam o grau mais elevado de inteligência. — Convide-os a entrarem. procurou ocultar o tremor da voz: — Chefe — disse com os olhos errantes — três funcionários do serviço secreto querem falar com o senhor. Entregou-lhe uma sacola. O ara. Uma hora depois. Depois. A sacola com os tabletes estava no interior da enorme mão preênsil. . transforme você num doente ou num viciado. protegido por uma abóbada de aço. nada mais. A exclamação de Rohun ressoava no ouvido de Marshall: “Antes ter medo que transformar-se em cobaia dos aras. que admirava e venerava o chefe. *** Agzt. é? — respondeu John Marshall sem trair o nervosismo. Agzt. que a mão preênsil segurou avidamente. que dentro em breve seria utilizada numa experiência. recorreu ao dom da desintegração. Colocara-os nas mãos dos aras. haviam sido considerados animais. parou na beira da estrada quando Laury Marten se aproximou velozmente com seu veículo. e ele os transformara em peças de exibição do zoológico. Gaste suas reservas com muita parcimônia.

o africano. um conde não vale mais que o mais miserável dos homens. permita que eu o ajude! Esqueça-se de que é o conde de Berceo. Eu. ao seu sorriso e ao seu amor. a moça sucumbiu ao charme do conde. Seu plano estava formado. Vamos pedir aos outros que se preparem. mas uma temeridade. — Aconteceu alguma coisa. — Não perturbe! — foi a resposta que captou. Rodrigo não esperara outra coisa. após poucos minutos. nem compreendeu o que a moça desejava e limitou-se a fazer soar sua risada de louca. não. mas hoje não abanou o chapéu de penacho em sua direção. apenas a brindou com um palavrão e deixou-a falando só. você não estará mais aqui amanhã. Como sempre. Seu plano não era apenas uma obra de diletantismo. querido? Rodrigo de Berceo se mantinha rígido. Alf Tornsten. o camponês sueco.. Laury conseguiu descobrir a hora aproximada em que Berceo seria levado para submeter-se à experiência. Rodrigo estava parado junto à enorme entrada principal. Do alto da elevação pôde ver o palácio asteca. Seu beijo a fez calar-se. quando? De manhã? A que hora? O conde Rodrigo de Berceo falava o arcônida e o intercosmo. a velha mongol. Seu olhar vagou ao longe. Nara. o conde. — Amanhã os aras encontrarão esta grade vazia. A moça respondeu com uma frieza na voz: — Peço-lhe que procure compreender que. e você terá que dar um salto por cima desse tempo. — Não. Laury Marten não se deu conta de que naquele instante estava renunciando aos ensinamentos que recebera como agente do Exército dos Mutantes.. A boca estava reduzida a um traço e os olhos chispavam de indignação. isso equivaleria ao fim do mundo de Tolimon. — Amanhã terei de ir ao lugar em que estão os aras! Para Laury. foi o primeiro que recusou. quando chegarem os aras! — com essa jura solene despediu-se e. quando os aras virão buscá-lo? — perguntou apressadamente. Laury enlaçou-o e implorou que falasse. — Amanhã. E comentou de modo altivo: — Nem me sentiria bem na presença desses idiotas. na Terra. Foi sacudida por um soluço sem lágrimas. Rodrigo. Mas logo se controlou. Durante a viagem estabeleceu contato telepático com John Marshall. — Ouça — disse e o triunfo estava escrito em seus olhos. Rodrigo! Não é possível! Oh. pois obrigaria John Marshall a praticar atos que nunca teriam entrado nas cogitações desse mutante extremamente ponderado. — o desespero apertou-lhe a garganta. — Rodrigo. . quatrocentos anos se passaram. Mais uma vez. Comece com isso e... — Amanhã. Sentiu-se segura nos seus braços. Fugirei com os quatro humanos que estão aqui. Mas não receie por minha vida. — Rodrigo. seu veículo corria vertiginosamente em direção ao setor X-p. hoje em dia. Por favor.. mas não tinha conhecimento do que seria “hora”. Mutumbo.. Só depois de muitas perguntas. Olhou-a sem dizer uma palavra e seu rosto permaneceu imóvel quando Laury se encontrava diante dele. até que a realidade cruel evocasse o amanhã em seu espírito. E com a calma recuperou a capacidade de raciocinar.

Quer que eu lhe diga onde estive hoje no zoológico? Dessa forma eu lhe pouparia o trabalho de mandar espiões atrás de mim pela terceira vez. Mas leu pensamentos dele. os aras. pronunciara sua sentença de morte. — Obrigada — disse Laury Marten com um sorriso. apontando para o audiovisual ligado. Com o maior sangue-frio. Assa.. Não havia a menor dúvida de que ao menos cem aras haviam ouvido o diálogo. De repente. deu jogo à sua capacidade telepática para revolver a mente de Assa.. mas possuo bons amigos. Aí encontrou Perry Rhodan. o planeta de Perry Rhodan. nesse mesmo instante Laury Marten voltara a transformar-se na agente de Rhodan. E pela segunda vez. E a esta hora nem acreditava que fosse uma arcônida. chiando alguma coisa que não conseguiu ouvir direito. o planeta da medicina. atravessou os feixes de luz que a desinfetaram e entrou em seu gabinete. mas produziu efeito. depois disso houve a destruição da Terra. Soltou uma risada cristalina quando Assa se retirou com o rosto pálido. Por outro lado. olhando desesperadamente para a frente. . ligou o aparelho de comunicação audiovisual e disse: — Informarei Man Regg de que o senhor andou revistando este gabinete na minha ausência. mandara espiões atrás dela para descobrir por que ia tantas vezes ao zoológico. Nos mundos pertencentes ao Império de Árcon. Foi-se levantando. Partiu para o ataque. quer fossem eles habitados pelos arcônidas. Assa achou que a suspeita de que essa jovem pudesse manter contato com Perry Rhodan era ridícula. O ara gritou sem refletir: — Como soube disso? Quem con. Assa recuperara totalmente o controle de si mesmo. pelos aras e pelos saltadores. Mas as dores de cabeça? Quem seria essa mulher? Laury Marten leu tudo isso num espaço de poucos segundos e controlou seu procedimento de acordo com esses pensamentos. Laury Marten estava tão preocupada com o destino de Rodrigo que nem chegara a sentir a agitação furiosa da mente de Marshall. — Dor de cabeça — respondeu. Aralon. Laury Marten não precisaria de outras testemunhas. a dor de cabeça era desconhecida. Arga? A pergunta a fez estremecer. — Sei perfeitamente que não consegui grangear sua simpatia. Não perdeu o autocontrole. ao proferir estas palavras. e o desaparecimento deste juntamente com a gigantesca Titan. Com um gesto discreto. O cérebro dessas raças tão semelhantes nunca experimentara esse mal. Só viu o médico ara Assa quando já estava sentada atrás de sua escrivaninha. Fez reviver suas lembranças. — O que está sentindo. Não confiava nela. e estes se resumiam num feixe de receios de que Laury pudesse realizar sua ameaça de informar Man Regg sobre os incidentes. a lua Laros.? — a última sílaba não chegou a ser formada. Este revistara o gabinete durante sua ausência. O trunfo com que estava jogando era muito perigoso. No mesmo instante compreendeu que. Sim. porém... Como que num estado de transe penetrou no setor X-p.

Estes robôs permaneceram a seu lado até o momento em que entrou na nave. Tal qual Huxul e muitos outros. Os três aras tinham vindo unicamente para realizar mais um exame minucioso de todos os dados ligados à sua pessoa. . Chamou Laury Marten. Apesar disso Marshall não se entregou à ilusão de que o perigo tivesse sido eliminado. Mas desta vez a mutante pediu que não a perturbasse. ficaram parados junto à entrada da mesma até o momento da decolagem. “Pode deixar”. não com a intenção de absorver seus pensamentos. a visita não deixara de trazer sua vantagem. e finalmente a encontrou. Era ali que os aras estudavam as epidemias para as quais ainda não conheciam antídoto. A destruição dos dados não poderia eliminar a memória dos dois funcionários. Meia hora depois um robô procurou Assa por ordem de Man Regg e lhe deu ordem para que deixasse o setor X-p num prazo extremamente curto e se apresentasse imediatamente para trabalhar em Durrha. *** John Marshall viu os três homens do serviço secreto dos aras chegarem e saírem. Procurou identificar o que conseguira entender em seu breve contato telepático com Laury Marten. Laury Marten não respondeu! Voltou a tentar. chegaria à conclusão de que a única alternativa que restava ao serviço secreto era a ação brutal. e então se dariam conta de que algo de inexplicável havia acontecido por ocasião da visita ao estabelecimento de Ixt. Após o pouso em Durrha. que eram os chefes de Huxul. Era exatamente o contrário. acabaram por ser atingidos pela combinação entre a telepatia e a ação do projetor mental. pelo meio-dia. Esta pretendia entrar em contato com ele no momento em que exercia sua influência hipnótica sobre os três aras que se encontravam em seu escritório. Marshall sabia perfeitamente que essa conjunção de fatos inexplicáveis provocaria o grau mais elevado de alarma no serviço secreto dos aras. O que estaria ela procurando no setor X-p? A energia telepática da moça atingira-o com a força de um curto-circuito. O perigo teria que desabar sobre ele com a força de uma avalanche assim que ficassem livres da influência hipnótica. que se encontrava no espaçoporto. Há poucos minutos havia pousado com a pequena nave de John Marshall. Durrha figurava no catálogo estelar de Árcon como o planeta que trazia maior número de sinais de advertência. Porém acabaram retirando-se depois de três horas sem que tivessem feito o registro. Assa dirigiu-se ao espaçoporto. feita pelo chefe dos mutantes. Era Otznam. Essas reflexões foram interrompidas por um chamado do sistema de comunicações locais. essa nave seria transformada em sucata. Mas no dia seguinte. Pediram os documentos e pretendiam gravar o modelo das vibrações cerebrais dele. De qualquer maneira. acompanhado por dois robôs. O mutante esteve a ponto de formular outra pergunta quando Otznam desligou. intensificou a concentração de sua mente. Marshall ficou sabendo por que o serviço secreto dos aras o assediava tanto. nunca mais sairia dali. a influência hipnótica devia cessar. Quem pusesse os pés naquele mundo. Mas este já soubera de tudo através da comunicação audiovisual. Marshall logo reduziu a intensidade de sua transmissão telepática. Depois disso. E quem ponderasse todos os aspectos dessa situação. mas de os repelir. pensou e concentrou a mente.

O episódio com Assa. 8 O Setor X-p nunca funcionava em ponto morto. Sabia neutralizar as ligações moleculares. Para Laury Marten. A noite cobriu o setor X- p e o zoológico continental. vazio e ameaçador. Não queria ser a primeira mulher do Exército de Mutantes que. concentrada ao máximo. Levantou. sempre se viam diante de terras novas.” As horas passaram. mudou de roupa e saiu do apartamento. falhasse no desempenho de sua missão. embora tantas vezes acreditassem encontrar-se no limiar do objetivo. banhadas pela luz do mistério. Isso resultava do próprio conteúdo de suas atribuições. Outra sala. e poder aparecer diante de Perry Rhodan. Três aras.. Nada. Vazia? Não. que ocorrera há três horas. O trabalho de Laury Marten estava concluído. O corredor estendia-se à sua frente. Devia entrar em contato com Marshall? Decidiu outra coisa.” Apesar da concentração de sua mente lembrou-se da advertência de Marshall relativa aos robôs de controle recentemente colocados em serviço. fez sua energia telepática perambular por todos os recintos do setor X-p que em sua opinião se destinavam à produção do soro revitalizador. Não se cansava de procurar. Mas naquele instante. Seus pensamentos? Nada.. transformando qualquer parede. Mantendo-se no mesmo lugar no interior do elevador. Em todos os lugares. fosse qual fosse o material de que era feita.. numa simples nebulosa que atravessava sem a menor dificuldade. Depois que a atravessou. eliminou a barreira representada pela porta. O elevador antigravitacional levou-a ao quinto pavimento do subsolo. O sol desceu sob a linha do horizonte. a mesma não se movia. À sua frente estendeu-se o corredor monótono. esta voltou a adquirir sua configuração estável. O alarma que deveria ter desencadeado não surgiu. Estendida no leito. Estava banhada em suor. Rodrigo de Berceo. nada. e os aras aceitavam a situação com a maior boa vontade. Mas. Laury Marten continuava estendida sobre o leito. Já era meia-noite. “Vamos à sala seguinte. só havia robôs. ainda desconhecidas. Em todos eles ardia a chama do desejo de desvendar os últimos segredos da vida. Quando procurou abrir a porta que dava para essa área. isso não representava qualquer problema. Não encontrou a menor indicação sobre o lugar em que poderia encontrar as informações sobre o processo de fabricação do soro. Mas foi em vão. devia esquecê-lo para concentrar-se em seu plano. Neste ponto todos eles pareciam loucos. Laury Marten não desistiu. Neutralizou duas barreiras de radiações. Procedeu assim para salvar Rodrigo. que tinha o mesmo aspecto em todos os pavimentes e áreas do setor X-p. Tomou banho. “Outra sala. mergulhou no esquecimento. por uma questão de amor. nada.. ocupava todos os pensamentos da moça. Possuía o dom da desintegração. Não se perturbou com a . o mexicano jovem e altivo. com os olhos fechados e as mãos entrelaçadas sob a cabeça.

Subitamente lembrou-se de Thora. Acabara de tomar banho. as espulas zumbiam. O laboratório brilhava na profusão das luzes. que logo recuperou sua coesão molecular. começaram a apresentar sinais de envelhecimento que não podiam ser detidos por nenhum dos meios empregados. Todo o resto era coisa de segunda ou terceira categoria. A mutante parou de costas para a porta. Num tom suave. A porta perdeu a coesão molecular.solidão. Laury Marten se encontrava a caminho da sala de paredes grossas onde uma porção desse soro estava sendo guardada num frasco. O ara que hoje a guardara ali era um sujeito pedante. os arcônidas. Antes que ela e John Marshall partissem para a missão. Ro-dri-go. Laury atravessou-a. Laury Marten pôs a mão no bolso. nem com a extensão do caminho que teve de percorrer. E os dois arcônidas tanto precisavam desse revitalizador. Ao largá-la. debruçados sobre o trabalho. nem revelava qualquer insegurança. Um ara saiu para o corredor. Naquele instante. diziam seus passos. Aqui a vida estava guardada em ampolas. Sentiu que só esta hora lhe poderia trazer a felicidade. Esse nome dava-lhe uma força imensa. abrigava os centros de pesquisa mais secretos dos aras. soavam seus passos. De repente Thora e Crest. mudara de roupa e se esquecera de tirar o diapasão do bolso do jaleco. E Laury absorvera-lhe os pensamentos como uma esponja. Bem longe.. capaz de prolongar a vida. Não voltou. Aquela área do setor X-p. uma porta abriu-se. Adiante! Nunca desempenhara uma tarefa com tamanha tranqüilidade. os outros teriam de morrer. O passo da mutante não se tornara mais lento. os relês batiam. O preparado produzido na Terra teve um efeito que pouco durou. Com isso Perry Rhodan recuperou a esperança. Tateou com sua energia telepática. Sabia onde estava guardada a ampola. Intensificou seu tato telepático. os líquidos pulsavam através de condutos transparentes. lançou um olhar indiferente para a moça e uns dez metros à sua frente entrou num laboratório. Mais dez passos. Quem recebesse uma injeção desse soro poderia continuar a viver. alguma coisa fervia e borbulhava. Teria de percorrer mais trinta passos. Mais dois! Viu-se diante da porta. Três robôs estavam observando o curso da experiência. Ele ou Aquilo. Qual dos três robôs seria o controlador? . Estes permaneciam atrás das portas pelas quais passava. Este soro era produzido pelos aras. o planeta da vida eterna. ficou refletindo sobre se realmente esse seria o lugar mais seguro. o Ser de Peregrino. Ao que tudo indicava. recusara a ducha celular aos arcônidas. O alarma soou na mente de Laury Marten. Mas logo certos boatos sobre um soro revitalizador. esposa de Perry Rhodan. Estava vazio. Sob o efeito desintegratório das energias da mutante transformou-se em um nada. Os soros dos arcônidas também não detinham o processo de envelhecimento. O laboratório devia estar vazio.. pois não encontrou impulsos de pensamentos. situada cinco pavimentos abaixo do solo. Ninguém deu a menor atenção ao ruído de seus passos. começaram a circular entre os mercadores galácticos. Perry Rhodan explicara-lhes objetivamente o que estava em jogo. à procura de aras. Por que pensara tanto em Rodrigo? Devia voltar? Ro-dri-go. o destino de Thora e Crest estava selado. E ela bem que precisava dessa força.

. viu os movimentos quase humanos e continuou parada junto à porta. a mutante estendeu a mão em direção à ampola. subiu ao armário que se encontrava junto desta e fez com que o teto perdesse a coesão molecular. Os olhos procuraram em vão localizar qualquer sinal que distinguisse as máquinas. Laury Marten não conseguiu prosseguir na leitura. todos os aras que se encontravam no gigantesco centro de pesquisas saberiam que a arcônida Arga Slim fora observada quando estava furtando uma porção do soro secreto. Laury saltou para o lado. Hutwasd era um dos ocupantes do zoológico dos aras. correu em direção à porta.mas amanhã não me darão nenhuma injeção de soro revitalizador. segurou-se nas bordas estáveis e puxou o corpo para cima. monstruosa. Com exceção da cabeça. autorecriminando-se. “Como é que fui esquecer o diapasão?”. 0..75 cudd. Sabia como haviam sido programados os robôs do setor X-p. O ara. A ampola com o soro estava do outro lado. Apesar disso. que me disse isso com uma risada. Eram apenas umas poucas palavras: Hutwasd — C-3 — 0. Viu-se diante de um velho ara que tremia que nem vara verde. Passou pelos três homens mecânicos. Teria de passar por todos os três. os aras o haviam enquadrado na categoria C- 3. segurando a ampola de soro na mão. Pôs a mão no bolso. deixando a descoberto uma lente fluorescente dirigida exatamente sobre Laury. O disparo da arma de radiações contra o robô foi um movimento de puro reflexo. Seus dedos fecharam-se em torno da ampola quando leu a anotação junto ao suporte. Sabia perfeitamente quanto trabalho custara fabricar nas oficinas do setor X-p um diapasão que soasse exatamente a nota si. Esperara encontrar um recipiente pequeno. enfiou a ampola num bolso interno. Virada de lado. pensou. Era o controlador! Em sua testa metálica achatada. tinha um aspecto bastante humano. O raio derreteu seu cérebro positrônico. Laury Marten não hesitou mais. Um dos robôs virara-se em sua direção.. situava-se acima dos homens. era uma moça alegre. Em vez disso terei de respirar um gás que precipita o processo de envelhecimento. . que repetia estas palavras: — . e fazia votos de que nessa área não houvesse nenhuma exceção. O alarma não estava soando? O próximo disparo de Laury Marten desfez o aparelho de comunicação audiovisual. não só o alarma estava soando no setor de Defesa de X-p. quando voltou. e o corpo metálico caiu ao chão. produzindo um ruído enorme. um diafragma abriu-se por uma fração de segundo.. transformara-se numa velha idiota. No que dizia respeito à inteligência. há vários anos fez a mesma experiência com Nara. O homem não conseguia compreender como a moça conseguiu atravessar o soalho do laboratório. Estes nem sequer levantaram a cabeça. Naquele instante. De repente. Laury examinou o teto. mas até seu retrato estava sendo apresentado.75 cudd correspondiam a três centímetros cúbicos. Dentro de alguns minutos. a mongol. Os dedos cingiram a coronha do radiador. Laury colocou-se de joelhos e apontou a arma de radiações para o ara. que era aquela na qual também Rodrigo estava catalogado. teve a impressão de que estava vendo o rosto de Rodrigo e ouvia sua voz. Ouviu as juntas metálicas rangerem levemente. A mutante passou as mãos por este. Quando vieram buscá-la.

empalideceu. Quando se virou e viu que a mulher passava tranqüilamente por ali. Não confiava na resistência daquela área. Tremendo de covardia saiu para o corredor. os terríveis froghs. Ou será que prefere morrer neste instante? Sagala não respondeu. — Acho que o senhor me ajudará a sair deste edifício. Sua partida parecia agora uma fuga precipitada. sua espiã arcônida! Descreveu uma curva enorme em torno do lugar em que Laury penetrara pelo soalho. Enquanto Laury Marten apontava-lhe o radiador. seguido de perto por Laury. não fez o menor movimento. — Vire-se! — gritou. John Marshall. Mais uma vez fez. John Marshall soltou uma praga e vestiu-se apressadamente. antes que o senhor possa dar o alarma. apenas fitou a moça que estava com a arma na mão. fria e bem treinada. Por favor. as sereias de alarma continuavam a uivar. apertarei o gatilho. mas a advertência reforçada pela ameaça roubou-lhe o resto de disposição máscula. Sagala! O chefe do zoológico cedeu à ameaça da arma. dali. Sagala respirava com dificuldade. — Não poderia deixá-lo na mão. não perdeu a visão de conjunto da situação. Subiu a uma mesa e. que viera da sala contígua por ter sua atenção despertada por um ruído. que na escala hierárquica ficava ainda acima de Man Regg. Enquanto passou por ela. No setor X-p. mas esse desabafo em nada . Quando chegou à porta. Quais seriam as notícias que pretendia dar-lhe? Uma fuga através do zoológico? Quem estava com ela? O conde Rodrigo de Berceo? O que acontecera? Naquele instante. Sempre que se lembrava de Laury Marten. fervia por dentro. dirigindo- se à porta. com que o teto se tornasse “transparente” e viu-se diante de Sagala. pois Laury Marten lhe gritara uma advertência: — Sagala. Neste momento estamos fugindo na direção sul-sudoeste e procuramos mergulhar no deserto com o carro. o setor X-p estava alarmando todo o planeta e mobilizava os guardas do zoológico. Laury Marten só havia visto o chefe do zoológico galáctico uma única vez e só trocara poucas palavras com ele. Sagala nem desconfiava de que a moça lia seus pensamentos. O que haveria com essa moça? Estaria apaixonada por Rodrigo de Berceo? Só agora estava sabendo disso! — Está ficando maluca! — desabafou John Marshall. Quem se atrever a sair do setor X-p será destruído. seu rosto adquiriu a cor da cera. Os alto-falantes transmitiram a advertência do Centro de Defesa: — Todas as saídas estão bloqueadas por robôs de combate. chiou: — A senhora não irá longe. escalou outro armário. — Sagala — ordenou ao chefe do zoológico. *** John Marshall sobressaltou-se em meio ao sono profundo. Num tom que quase chegava a ser gentil Laury perguntou a Sagala: — Não quer ter a bondade de acompanhar-me a uma das saídas? É justamente na sua presença que me sinto mais segura. Apesar de tudo. A mensagem telepática expedida por Laury Marten atingiu-o com uma intensidade tremenda. Naquele instante era apenas a agente de Rhodan.

Graças à sua força desintegradora Laury Marten atravessou as paredes do setor X-p. sentiu-se um pouco mais tranqüilo. despertados pelo alarma. o frogh que levitava num estado eufórico. atravessar a sala e desaparecer na parede oposta. atirou-se no antígravo. que Otznam acabara de trazer da nave cilíndrica de Rohun. como se fossem animais. Finalmente chegou ao distribuidor. e a vida de Agzt cessou. que a viam sair da parede. O simples fato de que ela se apaixonara por Rodrigo não o abalou. passando por baixo do campo de pouso nas direções mais diversas.alterava o fato de que o alarma estava soando em todo o planeta dos aras e todo um mundo estava saindo à caça da mutante Laury Marten e de Rodrigo. não podia haver nada que fosse mais humano. penetrando no zoológico galáctico. desligou a barreira energética quando viu Laury aproximar-se com o carro. O monstro viperino. encontrava-se na extremidade oposta do espaçoporto de Trulan. que se agitava numa alegria tumultuosa. Marshall saiu ligeiro do trem expresso. Acontece que Laury só o informara sobre isso num pedido de socorro telepático. não deveria pensar no comportamento incompreensível de Laury Marten. No entanto. para não chamar a atenção em virtude da pressa. Entrou no apertado distribuidor. Agzt. acorreram de todos os lados e viram com seus penetrantes olhos de notívagos que um dos ocupantes do zoológico estava entrando num carro. o mais antigo dos mutantes de Rhodan. em direção ao lugar em que há quatro séculos seres humanos estavam sendo mantidos presos atrás de grades de radiações. Os froghs. Tratava-se de um sistema de elevadores que penetrava no subsolo. Perceberam como a fuga se tornara possível. *** John Marshall nunca achara o caminho até o espaçoporto de Trulan tão longo como nessa noite. Mal atingira o pavimento térreo. Laury Marten acelerou o carro ao máximo. a fim de que os tripulantes e passageiros das naves pudessem atingir os veículos espaciais pelo caminho mais rápido. Logo encontrou um veículo à luz das estrelas. John Marshall. quando subitamente não havia mais ninguém atrás dele. esperando ser morto pela arcônida. onde as faixas rolantes se cruzavam em vários níveis. bem longe das saídas vigiadas. Finalmente atingiu o ar livre. John Marshall teria esbravejado ainda mais se soubesse que caminho Laury Marten havia tomado para sair do setor X-p. — Está aqui! — gritou Sagala num gesto de desespero. Isso mesmo! E quem sabe se a moça ainda lhe ocultava outras coisas? Quando chegou ao fim da estrada deslizante e foi levado para cima por um elevador . Era um abuso de confiança. e era isso que Marshall não compreendia. nem percebeu que com isso pronunciara sua sentença de morte. seguidos por mais de uma dezena de aras muito exaltados. dirigindo-se para sul-sudoeste a fim de sair do zoológico e mergulhar no deserto juntamente com Rodrigo. transformando-se num fantasma para muitos aras. atravessou laboratórios e outras instalações. sempre acompanhada de Sagala. quando três robôs de combate surgiram diante da saída do elevador antigravitacional. abriu caminho entre a confusão de gente e de inteligências humanóides e por fim se conteve. Saiu em disparada. Seu pequeno veículo espacial.

guarde a espada! Esse brinquedo me deixa nervosa — pediu Laury Marten. só uma única vez. Apenas o centro do porto espacial estava inundado pelas luzes. . para encontrar Laury Marten e Rodrigo. aproximava-se dos froghs que encetavam a perseguição pelo sul. A localização. subindo uma imensa encosta. Três dos alto-falantes de microfone captaram mensagens. Na verdade. Mesmo ao olhar de uma pessoa desconfiada. Era uma nave super-rápida e bem armada. Rodrigo de Berceo não chegou a ouvir o grito angustiado de Laury Marten: — Rodrigo! O corpo inconsciente estava pendurado no cinto. Descreveu uma curva. a não ser que John Marshall viesse em seu auxílio. A resistência desses monstros viperinos dotados de muita inteligência a fez suar de medo. O propulsor estava esquentando. em tom enérgico. penetrando cada vez mais profundamente naquele triste deserto de pedra. Depois poderia decolar. Para ele. além das três áreas onde se situavam os gigantescos estaleiros nos quais podia ser reparada qualquer nave. pela terceira vez. Estava empenhado numa missão na qual as chances dele e de Laury Marten eram inferiores a um por cento. tudo estava entrando em funcionamento. para desviar-se de um desfiladeiro. O aparelho de localização confirmou o fato. Os froghs ganhavam terreno ininterruptamente. Rodrigo! O filho de um nobre espanhol e de uma princesa asteca. designara como um couraçado. A noite passou. Marshall soltou uma praga e decolou. O dia estava raiando em Tolimon. Com isso. viu-se sozinho. cairia nas garras desses guardas zoológicos. Tudo quanto era nave policial estacionada nesse mundo dos aras encontrava-se no ar e disparou na direção sul-sudoeste. mais tempo ou menos tempo. Estavam chegando mais perto. Olhou para todos os lados e saiu do elevador. com certo exagero. *** — Rodrigo. quando foi raptado na Terra. O alvorecer cinzento surgiu e. — Segure-se. Mesmo à meia-noite. Sem deter-se e sem ser observado atingiu a pequena nave. o veículo em que se encontrava devia ser uma obra do diabo. descrevendo uma curva arriscada. Mais cinco minutos. que possuía a qualidade de poder ser manobrada nas camadas mais densas da atmosfera com a mesma facilidade com que o era no espaço vazio. o aparelho de radiocomunicação. O inferno estava às soltas em Tolimon. A cabeça tombou para a frente no momento em que Laury freou para desviar-se de uma pedra. era aquilo que Rohun. Tolimon era uma mundo tão quente que qualquer esforço se transformava num martírio. E John Marshall teria que penetrar nesse montão de naves empenhadas na busca. Os últimos cinco minutos do tempo de aquecimento haviam passado. recolhê-los a bordo e fugir. Não se segurou.antigravitacional. John Marshall enxugou o suor da testa. John Marshall olhou para o relógio. a nave pareceria um simples veículo de passeio. Já compreendera que. a cabeça balançava de um lado para outro. porém. por maior que fosse. enquanto seu veículo desenvolvia a velocidade máxima. que fora mantido por quatrocentos anos numa jaula energética. Sua reação veio tarde. tivera oportunidade de entrar em contato direto com a tecnologia dos mundos de Árcon. e dobrou repentinamente à esquerda.

O conde inconsciente representava uma carga excessiva para Laury Marten. apenas três seres humanos. onde provocou um chiado e um borbulhar. O fogo deste consumiu a nave dos aras cujo raio azul-pálido só errara a nave de Laury por algumas centenas de metros. Tirou o homem inconsciente dos braços da moça e berrou: — Vamos embora! A vinte metros do lugar em que se encontravam. enfiou-se no vale estreito. A energia mortífera gaseificou a rocha. Em meio a essa orgia de luzes. passando rente ao paredão. Naquele instante um raio azul- pálido penetrou naquela estreita passagem. — Já consegui — foi a resposta. transformando o vale num desfiladeiro. John Marshall saltou e correu. a mensagem telepática de Marshall. chegou a alcançar o carro. John Marshall devia ser capaz de localizar o desprendimento de energia.também. Laury Marten não sabia em que ponto do deserto se encontrava. Não havia mais nenhum veículo. As montanhas gastas pelo tempo aproximaram-se. O carro estava penetrando num vale estreito. um minúsculo sol surgiu sobre o deserto do planeta Tolimon. dois dos quais corriam para salvar a vida. pousou a menos de vinte metros de Laury Marten. Eram as naves policiais dos aras! A caçada estava sendo feita também pelo ar. algumas centenas de metros à sua frente. Queria que ela lhe desse sua posição. Enquanto o veículo freado começou a derrapar. Laury ainda teve sangue-frio para informar Marshall sobre o ataque da nave dos aras. na mesma direção da qual vinham os froghs! . Corriam de volta. a pequena nave transformou-se numa nuvem gasosa. Marshall já estava de pé na pequena comporta. Um raio energético vindo do céu cinzento atingiu a nave. sobrevoou a rocha que continuava a fervilhar. gesticulando para que a moça se apressasse. Poucos segundos depois. surgiu a nave de John Marshall.

O corpo gigantesco do frogh girou. nascido em 1. Laury Marten. correu ao encontro de um dos froghs. A duração da fuga. Viu a expressão de pavor nos olhos de Laury. o monstro soltou um berro.. — Para trás! — berrou Marshall num tremendo desespero. — Quer saber o que tenho no bolso? É isto. Virou-se instantaneamente. Olhou Laury Marten.652. Os froghs vinham de três lados. com a espada desembainhada. E Rodrigo corria em sua direção. para logo em seguida dar um enorme salto para trás a fim de escapar à boca do frogh que procurou agarrá-lo. estava provando que era o melhor espadachim de seu século... depois passou a olhar a mutante. Laury. Não queria assistir à morte do conde. talvez teríamos uma chance de sair vivos disto aqui. Aproximavam-se das vítimas numa velocidade tresloucada. John Marshall sentiu a expressão de felicidade no olhar da mutante. Rodrigo já voltara a juntar-se a eles. Tirou a grande ampola com o soro revitalizador. John e Laury não poderiam atirar sem colocar a vida de Rodrigo em perigo. 9 — Vamos! — gritou John Marshall para Laury Marten e Rodrigo. Olhou para Laury. Este foi o terceiro e. já refeito. Marshall fechou os olhos. Laury soltou um grito estridente: — Está dando outro golpe de espada. as lutas diurnas e noturnas com os froghs. — Mas só agora me comunicou que a senhora já o conseguiu. passou rapidamente por cima do barranco e. isso só representa metade do caminho andado? Como pôde esquecer de me avisar? Laury guardou cuidadosamente a ampola e disse: — Pois eu lhe transmiti a informação de que conhecia o lugar em que estava guardado o soro. no México. as oito ou dez “pernas” dobraram-se e o animal rolou de lado para não se mexer nunca mais. Só então o telepata conseguiu gaguejar: — É só agora que a senhora me conta isso? Santo Deus. É uma . ergueu o terço anterior do corpo. Mas o quinto frogh ainda estava vivo. — Será que este sujeito ficou maluco? — gemeu Marshall quando viu o conde Rodrigo de Berceo aproximar-se daquela criatura. tudo isso contribuiu para criar uma tensão extrema. John Marshall fitou o cilindro de vidro. — Que idiota! — esbravejou Marshall. O conde Rodrigo de Berceo. e suas armas de impulsos chiaram. O conde Rodrigo de Berceo. O quadro com que se deparou apertou-lhe a garganta. a sede que torturava todos eles. Naquele momento. Era tarde. — Se este conde soubesse adaptar-se à nossa técnica com a mesma habilidade com que maneja a espada e emprega sua coragem. — Os froghs ainda estão atrás de nós. — Por que fica mexendo nesse bolso? — perguntou em tom contrariado. Foi o último movimento do inimigo subjugado..

— Água! — balbuciou Rodrigo e deixou-se cair de joelhos para sorver o líquido. o resultado da caçada dos froghs teria sido bem diferente. novamente: “Hipercomunicador. estaremos perdidos. Quando Marshall se virou para ver por que ninguém o seguia. Se não encontrarmos água até hoje de noite. pois este ainda continuava debilitado. caíram. *** Já era noite. O punho de John Marshall teve mais força que o do nobre. De todos os lados. Laury Marten foi a primeira que ficou parada e caiu. sacudindo a cabeça. E os golpes eram mais cruéis que os dos aras e dos froghs. depois de longa espera. Rodrigo achou que devia assumir o papel de protetor. Será que o fim seria ali. Foi só graças à sua precaução que estavam equipados ao menos com um bom sortimento de armas de radiações. Uma esperança nascida do desespero surgiu em sua mente. sem que eles o percebessem. voltaram a pôr-se de pé. o vento tangia nuvens de pó. Enquanto cambaleava para trás. As paredes da caverna devolveram o eco.. John sentiu o olhar desesperado de Laury e logo ouviu seus soluços secos e desinibidos. E. apenas a força suficiente para que pudessem raciocinar? “Hipercomunicador”. — interrompeu-o John Marshall. Laury levará uma vida digna de sua condição no castelo dos meus antepassados. numa caverna cuja temperatura era suficientemente baixa para restituir a três homens. Falando em tom enfático. Era uma poça de cerca de cinco centímetros de profundidade e três metros de diâmetro. disse: — Quando tivermos voltado ao México. antes que pudessem investir .. Também Rodrigo caiu de joelhos. o conde atirou-se sobre o telepata. Rodrigo caiu sem dizer uma palavra. cochichou alguma coisa num incerto local do cérebro de Marshall.” Acontece que por ocasião da destruição de sua nave também o hipercomunicador fora gaseificado. — Não perguntem nada. desceram aos tropeções.. Realmente encontraram água. John Marshall sentira o mau cheiro e agira sem perda de tempo.. O ar era seco e escaldante. Três seres humanos cambaleavam através do vale. não perguntem nada — cochichou. Para remate da confusão. Os lábios rachados e os olhos inflamados deixavam-nos desesperados.. — Temos que prosseguir no nosso caminho. Estavam sendo golpeados pelo deserto selvagem e desolado de Tolimon.diferença considerável. A sede os enlouquecia.. e nada de água. Naquele instante um radiador de impulsos chiou a seu lado e numa fração de segundo evaporou o líquido da poça. A poça refletiu a luz da lanterna. Se não as tivesse levado quando pretendia recolher Laury e Rodrigo. As montanhas desérticas irradiavam um calor igual ao do meio-dia. começaram a enxergar alucinações. soltavam gritos nervosos.. Com um grito tresloucado.. Associou a palavra caverna à idéia de água. suas forças também haviam chegado ao fim. Marshall descobriu a caverna. — Descobri! — gritou John Marshall. subiram pesadamente a primeira montanha. — Coitado. Será venerada pelas damas da corte e pelos pajens. será admirada.

O condensador e o deformador foram intercalados. nada. Sim.. Mais outra. concentrar-me ao máximo. Laury Marten e Rodrigo assistiram à demonstração de fúria sem dizer uma palavra. Nenhum ara seria capaz de acompanhar a troca de mensagens. — O martírio da sede retornara à sua mente.. roubando-lhe as últimas reservas de energia. Mas nada. Neste instante.. Perry Rhodan nunca desistira. Apesar disso. O hipercomunicador estava funcionando. Tinha certeza. Outra tentativa. para certificar-se de que não se entregava a qualquer ilusão. Este nunca abandonara seus colaboradores quando se encontravam em situação difícil. Não poderia abandonar Perry Rhodan. Superara a loucura da sede. Procurou espantar o martírio da sede. mas não assumam qualquer risco. Dispunha de um meio de entrar em contato com Rohun.. Certeza absoluta. Rohun teria que ajudá-los. O hipercomunicador. Esperaram. e agora. Levem-nos ao lugar que escolherem. De repente. Contemplou Otznam e Tulin com os palavrões mais fortes de seu repertório.. *** Rohun estava furioso.. John Marshall. Ouviu a voz do comandante dos saltadores. beber apenas um gole de líquido fresco! Bateu com as mãos na cabeça. A regulagem telepática para a faixa de Rohun. John Marshall sentiu-se forte. — Beber.. Otznam e Tulin nem conseguiram falar. Rohun devia cumprir sua promessa. Rohun devia aparecer. agora o aparelho estava processando os impulsos telepáticos. Concentrar-se. — Só falta um copo de água.contra ele com perguntas. — Será que vocês estão sendo cavalgados por todos os demônios das galáxias? Como puderam trazer essa gente a bordo? Coloquem-nos na nave auxiliar. Estava quase louco de sede. — Irei até aí.. Agora. Teria sido bastante forte para ligar o fantástico aparelho suplementar instalado sob o telhado de seu alojamento situado num cortiço? Apalpar. Se qualquer processo de mentalização exige certo dispêndio de energia. O mercador galáctico lutava com o patife que havia dentro dele. Ixt! — foram estas as últimas palavras de Rohun. Não estou com vontade de ser transformado numa nuvem de gases juntamente com todas as naves de meu clã. Quem terá sido o idiota que concebeu uma idéia como esta? Mas para que tantas palavras? Levem-nos de volta para Tolimon. Isso! O impulso telepático chegara ao destino. Concentração. — Preciso concentrar-me. apalpar em direção a Trulan. Não desistiu. Fora! Marshall já se encontrava junto à escotilha quando o saltador o chamou de volta. Não conseguiu realizá-la. . Novo impulso energético dirigido ao aparelho suplementar. comandante dos saltadores. Concentrar-se ao máximo. e desçam com eles para Tolimon.. o impulso telepático representa um múltiplo dessa energia. John Marshall. devia transmitir seus impulsos telepáticos com a potência máxima... devia realizar alguma coisa que mesmo em condições normais representaria um máximo de desempenho. transformando-os em palavras..

Este leu o que pretendia dizer quando surgiu uma nave dos aras e tomou a direção do ponto em que se encontravam. exibindo seu cronômetro. Além disso. — Aqui está meu hipercomunicador — mentiu Marshall com o maior sangue-frio. — Agora é para valer! Antes que Marshall pudesse esboçar qualquer reação. Estava sendo sincero. Marshall compreendeu as intenções do agente. — Está bem — interrompeu John Marshall. que os levaria de volta para Tolimon. Otznam colocou a minúscula nave de cabeça para baixo e disparou numa velocidade infernal em direção ao planeta Tolimon. Por coincidência. até parecia que as palavras estivessem sendo pronunciadas por um cérebro positrônico. continuaremos amigos. Otznam dirigia-se ao espaçoporto policial dos aras. Seria uma desfaçatez pedir que Rohun fizesse mais do que isso. O que Rohun e eu ouvimos não foi uma voz humana. Mais uma vez. Ixt. — O hipercomunicador está dentro daquilo? Otznam não acreditava numa palavra do que Marshall acabara de contar. um mundo dos aras. — Oba! — gritou o saltador. Tulin olhou-o de lado. nem desconfiara de que ele mesmo era o motivo desse alarma. quando recebemos o chamado.. Os dois saltadores arregalaram os olhos. — Mantenho minha palavra. — Se os agentes do senhor nos levarem sãos e salvos até Tolimon. Marshall sabia perfeitamente que estava usando um blefe infame. pois era quem melhor podia avaliar o que o mercador galáctico arriscara para salvá-los. estava do lado diurno. O olhar despertou a atenção do telepata e fez com que este lesse os pensamentos do agente dos saltadores. estavam os cinco na pequena nave auxiliar. Não via nenhuma possibilidade de pousar sem ser notado. e esta saliência pequenina contém o microfone. o senhor não tinha nenhum hipercomunicador. — Isto é o alto-falante. Nem o comandante nem ele mesmo haviam reconhecido a voz de Marshall. O tráfego por ali era . *** Trulan.. Otznam preferiu não arriscar a aproximação por esse lado. pois traria o perigo de ele e seu clã serem destruídos por um golpe implacável dos aras. Devia haver outra circunstância que desencadeara novo alarma no mundo dos aras. Marshall estava acomodado no assento do co-piloto. — Ixt — disse em tom deprimido. Nem sempre um hipercomunicador tem que ser um aparelho gigantesco. — O ar está fervilhando de impulsos de localização — disse em tom desanimado e apontou para os instrumentos que reagiam constantemente. Dali a pouco. — Fico me perguntando todo o tempo onde está o hipercomunicador com que nos chamou. Tulin se encontrava ao lado do comandante Rohun quando o mercador recebeu o pedido de socorro de Marshall. Apenas a senha lhes deu certeza de que a mensagem não era uma armadilha. Quando pousamos junto à caverna. Otznam e Tulin. Naquela altura. mas não tinha outra alternativa. — O que houve com o senhor? — indagou o telepata ao agente ruivo. capital de Tolimon.

Otznam desceu numa velocidade medonha. Marshall soltou um “graças a Deus”. Quanto mais depressa chegassem até ela. haviam chegado ao espaçoporto policial dos aras mas. o mercador galáctico. girou a nave e disparou para o espaço.intensíssimo. — Enquanto usarmos estes trajes. Depois disso. a partir dali. O piloto cochilava no seu assento. O conde Rodrigo de Berceo flutuava entre os outros. Era ele que estava sendo procurado febrilmente pelos aras. se enfiou na pequena comporta e fechou-a atrás de si. que conhecia seus pensamentos. o homem não poderia ficar admirado ao ver três pessoas entrarem no aparelho e pedirem que as levasse a Trulan. Laury Marten vivia tentando explicar a Rodrigo o que era um campo de deflexão. O tumulto reinante em Tolimon fora provocado por John Marshall. Laury encarregou-se do ara. Mais uma vez acreditava que se tratasse de uma arte do demônio quando viu que pouco acima deles Otznam. o agente dos saltadores. E esse tráfego era sua única chance de escaparem aos aparelhos de localização. John Marshall e Laury Marten dividiram a presa. — Preparem-se para saltar! — gritou John Marshall. A atmosfera. — Muito obrigado. maiores seriam suas chances. para examinar o espaçoporto policial profusamente iluminado. o salto para Trulan. Laury. seguindo os companheiros. dirigindo-se a Laury Marten e Rodrigo. Um dos aras saiu da nave. A nave dos aras que os perseguia não esperara a manobra e demorara demais para modificar a rota. começou a uivar em torno da nave. . todo mundo desconfiará de nós. entusiasmou-se com o plano. O conde não compreendia nada. Soltou um grito de pavor quando uma pressão invisível ameaçou esmagá-lo. como se voava num traje espacial. Desceram na vertical. Rodrigo se debatia. também o homem do século XVII estava enfiado num traje espacial arcônida de boa qualidade. Acreditava ter chegado ao fim da vida e pensava que estava descendo às profundezas do inferno. Perdera a noção do tempo. que entrou num carro e foi levado ao edifício da administração. Nesse instante. o que vinha a ser a gravidade e como a mesma podia ser neutralizada. Finalmente uma pequena nave-correio surgiu da escuridão e pousou no campo espacial. pendurado num cabo de plástico. O agente dos saltadores ganhou alguns segundos muito preciosos. saltadores! — gritou Marshall para Tulin e Otznam quando. que já se tornara mais densa. por mais que lançassem os olhos em torno. Marshall respondeu num tom que quase chegava a ser ameaçador: — Nessa hora. Esconderam os preciosos trajes arcônidas na moita mais próxima. Levava dois homens. já estaremos em Trulan! Dali a uma hora. — Saiam dos trajes espaciais! — ordenou Marshall. Laury Marten ficou perplexa com os pensamentos que extraiu do cérebro do oficial ara. Quando disse: — Dentro de três horas será dia. não descobriram nenhuma nave que pudesse servir aos seus propósitos. Estes dispunham de provas cabais de que o mutante de forma alguma poderia ser Ixt. Marshall já estava trabalhando o piloto com seu projetor mental. A cinqüenta quilômetros de altura os três abandonaram a nave. Tal qual os outros. Brincava cada vez mais intensamente com a idéia de arriscar. Marshall lançou os olhos pela noite. mergulhando em meio à confusão de naves que decolavam e pousavam. Pousaram a menos de um quilômetro do espaçoporto policial e junto a uma estrada. Marshall e Laury Marten sabiam que suas presenças podiam ser constatadas pelas estações de superfície.

O piloto nem sequer se virou quando John Marshall parou junto à comporta interna para deixar que Rodrigo e Laury Marten passassem à sua frente. Encontraram-se com três aras. Foi quando o serviço de controle constatou sua presença. — Tudo pronto. Será que o serviço de controle do espaçoporto não ficaria desconfiado ao notar que uma nave decolava sem aviso? Corriam atrás da noite que deslizava pelo planeta de Tolimon. o crepúsculo começava a descer sobre a capital planetária. A comporta estava aberta e a rampa havia sido descida. — Encareça ao conde a necessidade de não dizer uma única palavra. O piloto identificou o aparelho. As escotilhas da comporta fecharam-se com um chiado. enquanto o ara do serviço secreto olhava fixamente para a frente. Exigiu informações sobre as características da nave. — Aonde vamos? — perguntou o motorista. — Reservamos a posição de estacionamento número onze para o senhor e mandaremos um carro. Marshall e Laury Marten trocaram um olhar ligeiro. Quando Trulan surgiu à sua frente. Passaram a menos de três metros. Laury Marten! — disse Marshall e levantou-se. Laury. — Para a Rua do Grande Mo — respondeu Marshall. para não se preocupar com o destino do vôo e a identidade dos passageiros e retornar imediatamente ao espaçoporto policial — pousou levemente na posição número 11. O carro já os esperava. Submeteram o motorista e o oficial do serviço secreto à força sugestiva. caminharam com o conde entre eles. No mesmo instante o ara que se encontrava no setor de controle do espaçoporto de Trulan demonstrou uma gentileza extraordinária. Laury cochichava ininterruptamente para ele. Por que andar se insistiam em levá-los de carro? E onde poderiam estar mais seguros que num veículo da policia ou do serviço secreto dos aras? O piloto — que fora influenciado apenas no setor da inteligência. Marshall decidiu levar o atrevimento ao grau de uma insolência inacreditável. Mais uma vez. não aconteceu coisa alguma. com o radiador de impulsos engatilhado no bolso. a senhora responde por ele. A nave-correio surgiu diante deles. Mais uma vez. Os mutantes não perderam nem um segundo. Jogariam seu jogo atrevido até o fim. virando-se para os passageiros. — Tudo pronto? — perguntou o ara que se encontrava no assento do piloto. — Tudo pronto! — respondeu John Marshall com a maior tranqüilidade. aconteça o que acontecer. O chamado foi repetido. E mais uma vez. reforçada pelo projetor mental. o motorista gritou para dentro do microfone: . sem tomar conhecimento da presença deles. Marshall foi o último a entrar. Dois tratamentos hipnóticos de curta duração influenciaram os médicos galácticos pela forma desejada. Obedecendo à ordem de Marshall. Foi quando surgiu o incidente com o qual não contavam. A central do serviço secreto dos aras chamou justamente o carro em que iam. embora tremesse por dentro. O motorista e o oficial não reagiram ao chamado.

nem pelos movimentos da multidão. Encontrava-se sobre a escrivaninha e. Tinha certeza de ter conseguido. reclinou-se no assento. Concentrou-se. — Desligue o transmissor — ordenou Marshall. Naquele instante. o homem que usava botas cujos canos iam até os quadris. Objetivo tem de ser mantido em segredo. responda imediatamente e. Eram nove elementos do serviço secreto. Naquele instante. Dali a quatro horas. — Deflagrar! — ordenaram seus pensamentos. parecendo tão inofensivo. John Marshall teve um sexto sentido para o perigo. Rodrigo de Berceo levaria os aras ao esconderijo na área dos cortiços. calça apertada no corpo. o piloto fazia a viatura policial correr em direção à Rua do Grande Mo. Voltarei a chamar dentro de meia hora. De repente. Pensava em seu escritório. não pôde ser apagado de forma alguma. “Acabarão encontrando o novo aparelho de telecomunicação!”. — Pare! — disse ao motorista. John Marshall não via nem ouvia mais nada.. não era maior que uma noz. quando a porta de aço arcônida se fechou atrás deles. Não havia nenhum vendedor por lá! Em compensação. que naquele instante revistavam cuidadosamente o escritório. Mais uma vez. Marshall respirava pesadamente. puxou Laury Marten e arrastou Rodrigo. Dali a pouco.. sem o envoltório que a camuflava. havia aras. não o preocupava nem um pouco. Esta pista se chamava Rodrigo de Berceo. Era algo de indefinível. — Aqui não — respondeu Marshall laconicamente. a central do serviço secreto dos aras chamou: — Viatura KK-107. Rodrigo de Berceo contemplou o alojamento de Marshall com um olhar de desprezo e Laury Marten sorriu pela primeira vez. Pensou na pequena bomba incendiaria que havia no interior do mesmo. John Marshall sabia perfeitamente que a caçada dos aras ainda não havia chegado ao fim. A pista que tinham deixado era muito nítida. O oficial sentado a seu lado olhava fixamente para a frente. — Novo destino da viagem: a coluna do Grande Mo. Procurou captar os pensamentos de Futgris. as sereias de alarma soariam na Rua do Grande Mo e a casa de animais de Ixt ficaria queimada até os alicerces. foi esta a primeira idéia que acudiu a Marshall. O motorista não se espantou. Com a segurança de um sonâmbulo. Futgris não estava mais na loja dos animais. para descobrir as novidades ocorridas durante sua ausência. — Onde devo parar? — perguntou o motorista hipnotizado em meio às suas reflexões. os aras ainda se esforçariam para descobrir por que aquele fogo. colete sem mangas com rendas no decote e chapéu de aba larga encimado por um penacho balouçante. dali a alguns dias. parecia que um contato se fechava. Fim. . — Viatura KK-107 em missão especial. viu duas viaturas do serviço policial pararem do outro lado. O fato de que. O carro ainda estava andando quando Marshall saltou. Aquela impressão voltou a surgir atrás de sua testa. O projetor mental de Laury Marten mantinha-os em estado hipnótico. John Marshall não se interessava nem pela confusão do tráfego. porque existe perigo de escuta. O motorista desligou.

Cuide bem do soro. Não faça mais nada. seu rosto tornava-se mais sério. John Marshall não conseguia estabelecer contato com eles. absorto em seus pensamentos. Sentada sobre a cama. Mas não conseguiram sair de Tolimon. À medida que Perry Rhodan ouvia. baixou a cabeça. Só uma vez exprimiu uma alegria imensa. é este o titulo do próximo volume da série Perry Rhodan. O assunto era muito arriscado. — Temos uma bela perspectiva diante de nós — disse Marshall. Chegará acompanhado de Gucky. Fim. Esta não resistiu ao olhar. . Agüente até minha chegada. Mais uma vez Perry Rhodan se vê obrigado a intervir pessoalmente. como O Pseudo. Haviam-se retirado. *** Perry Rhodan aguçou os ouvidos. Desta vez foi uma mensagem mais longa. — E os saltadores? — perguntou em tom áspero. e sacudiu a cabeça ao olhar para Laury Marten. — Nesse caso irei pessoalmente. Demorarei alguns dias. foi quando Marshall o informou sobre a ampola de soro. dois agentes cósmicos enviados a Tolimon — um dos mundos dos aras — conseguiram um êxito parcial quando se apoderaram do soro revitalizador. *** ** * John Marshall e Laury Marten. O hipercomunicador da abóbada de aço de Hellgate chamou. Marshall. Era outra mensagem de John Marshall. O Pseudo.

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