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Métodos de Diagnóstico

Fernando Afonso Borges de Macedo


Nº 14906

2005\ 2006
Queratocone 2

Índice

ÍNDICE............................................................................................................................................ 2

INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 3

CARACTERIZAÇÃO DO QUERATOCONE ............................................................................ 4

MEIOS DE DIAGNÓSTICO ........................................................................................................ 7

MEIOS NÃO ESPECÍFICOS .............................................................................................................. 7


LÂMPADA DE FENDA..................................................................................................................... 8
PAQUIMETRO DE ULTRA-SONS ................................................................................................... 10
SISTEMAS ÓPTICOS ..................................................................................................................... 11
Sistema de paquimetria tridimensional (Orbscan) ............................................................... 11
Videoqueratoscópio .............................................................................................................. 12
MODELOS MATEMÁTICOS UTILIZADOS EM ABERROMETRIA ........................................................ 13
Análise de Fourier ................................................................................................................ 13
Polinómios de Zernike .......................................................................................................... 14

TRATAMENTO ........................................................................................................................... 16

TRATAMENTO NÃO CIRÚRGICO ................................................................................................... 16


Óculos ................................................................................................................................... 16
Lentes de contacto................................................................................................................. 16
TRATAMENTO CIRÚRGICO........................................................................................................... 17
Queratoplastia penetrante .................................................................................................... 17
Epiqueratoplastia.................................................................................................................. 18
Anéis intra-corneais.............................................................................................................. 18

CONCLUSÕES............................................................................................................................. 19

GLOSSÁRIO ................................................................................................................................ 20

BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................... 21

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ...................................................................................................... 21


BIBLIOGRAFIA UTILIZADA .......................................................................................................... 22
Queratocone 3

Introdução

O trabalho que a seguir se apresenta, teve inicialmente como objectivo único a


apresentação dos polinómios de Zernike como potencial meio de diagnóstico precoce do
queratocone. No entanto, com o decorrer da recolha bibliográfica e a consulta de alguns blogs
onde, principalmente jovens, portadores desta patologia trocam experiências e partilham medos,
rapidamente constatei duas realidades distintas:
1. Existe muita bibliografia interessante mas dispersa sobre queratocone, escrita por e
para profissionais da visão;
2. A informação apreendida pelo cidadão comum pela interpretação que se pode fazer
das mensagens trocadas nos blogs é inadequada e insuficiente.
Partindo então destas constatações, passou a ser meu objectivo, para este trabalho, fazer
um documento que integre o conhecimento actual sobre o queratocone, as formas de
diagnóstico (na qual incluo a avaliação das aberrações da superfície anterior da córnea utilizando
os polinómios de zernike), os tratamentos disponíveis e a sua efectividade. Tudo isto tentando
manter uma linguagem simples e acessível.
Queratocone 4

Caracterização do Queratocone

O que é o queratocone?
O queratocone é uma patologia não inflamatória, progressiva e bilateral que se apresenta
como um adelgaçamento da córnea.
Este adelgaçamento dá-se ao nível do estroma devido à destruição das fibras de
colagénio, o que vai levar ao surgimento de uma protuberância em forma e cone na zona mais
debilitada normalmente no centro ou na parte inferior da córnea.1

Qual a sua incidência?


O queratocone afecta aproximadamente 1 em cada 2000 pessoas na população geral,
normalmente tem início na puberdade e progride até à terceira ou quarta década de vida, altura
em que costuma deixar de evoluir. Raramente se manifesta após os 30 anos.
É uma patologia que ocorre em todos os grupos étnicos, não havendo uma
preponderância sobre um dos sexos. 2,3

Quais as alterações observáveis?


Na fase inicial os sinais clínicos desta patologia podem passar facilmente despercebidos,
podendo apenas ser detectada mediante uma avaliação exaustiva da córnea.
Quando o processo degenerativo evolui e começa a distorcer as imagens, os sinais
externos observáveis são: sinal de Munson e o fenómeno de Ruzuti. Através da lâmpada de
fenda podemos observar: o adelgaçamento do estroma, linhas de tensão internas (estrias de
Vogt), anéis de Fleischer e cicatrizes epiteliais ou sub-epiteliais.
A nível estrutural podem ser observadas quebras na membrana de Bowman e a deposição
de ferro na camada basal do epitélio corneal. A membrana de Descemet raramente é afectada,
podendo apenas verificar-se quebras quando existem derrames agudos. O endotélio
normalmente não é afectado.2

Como se classifica?
O queratocone pode ser classificado pela forma do cone, leituras queratométricas ou pela
progressão, sendo os dois primeiros métodos os mais simples:
Baseado na curvatura:
Ligeiro menos de 45 D em ambos os meridianos
Queratocone 5

Moderado entre 45 e 52 D em ambos os meridianos


Avançado mais de 52 D em ambos os meridianos
Severo mais de 62 D em ambos os meridianos

Baseado na forma do cone:


Mamilo pequeno diâmetro (5mm); forma redonda; o mais fácil de corrigir com lentes de
contacto;
Oval diâmetro médio (> 5mm); normalmente posicionado inferiormente; mais difícil de
corrigir com lentes de contacto; mais comum em topografia;
Globular maior diâmetro (> 6mm); 75%da córnea afectada; mais difícil de corrigir com
lentes.

Utilizando a conjugação destes dois métodos de classificação podemos descrever


praticamente qualquer tipo de queratocone.

Qual a sua origem?


Apesar do muito trabalho clínico e laboratorial realizado, as causas do queratocone ainda
não são muito claras: as investigações clínicas indicam um papel importante dos genes no
surgimento desta patologia, enquanto que a investigação laboratorial tem apresentado as
enzimas degradadoras do colagénio e inibidoras de proteínase como os principais responsáveis.2

Quais as implicações na visão?


O paciente pode queixar-se de diminuição da acuidade visual, fotofobia, diplopia
monocular, distorção visual, astenopia e halos em volta das luzes.4
Numa fase mais avançada verifica-se uma distorção significativa das imagens
acompanhada de uma importante perda de visão.
Apesar da severidade dos sintomas na fase mais avançada o paciente nunca chegará
a perder totalmente a visão devido a esta patologia.2

Pode ser detectado numa fase precoce?


Sim. A detecção do queratocone numa fase precoce é possível quando o optometrista
realiza um bom estudo exploratório e, se tiver à sua disposição a instrumentação adequada, a
tarefa será facilitada.
Queratocone 6

As técnicas actuais com as quais se obtém um bom resultado são: paquimetria de ultra-
sons, paquimetria e topografia ópticas e análise numérica das aberrações da superfície interior
da córnea.
Claro que o trabalho exploratório inicial pode ser realizado com recurso a um
biomicroscópio mas, para além da perícia técnica e capacidade de interacção com o paciente, o
optometrista teria que ser capaz de, num curto espaço de tempo, avaliar um grande número de
pontos da córnea o que é manifestamente impraticável. No entanto, de uma forma geral, esta
tarefa não deve ser negligenciada pois normalmente é através dela que surge a suspeita de um
queratocone.

Existem indícios que permitam dizer que uma pessoa irá desenvolver um
queratocone?
Apesar de, na maior parte das vezes, o queratocone aparecer devido a uma desordem
isolada e esporádica, existem indícios de haver uma componente de hereditariedade, surgindo
também bastantes vezes associado a desordens genéticas raras: síndrome de Down e Amaurose
congénita de Leber. Podendo também surgir associado a desordens do tecido conjuntivo, uso de
lentes de contacto rígidas ou ao acto de esfregar excessivamente os olhos.
Será importante referir que relativamente ao uso de lentes de contacto rígidas e esfregar
dos olhos, muito provavelmente não serão a causa do queratocone mas antes actuarão como
factores ambientais que favorecem a progressão da patologia em pessoas geneticamente
predispostas.2

Quais as vantagens de uma detecção precoce?


A questão que se poderá colocar de imediato é se o queratocone pode ser impedido de
evoluir quando detectado numa fase precoce: No momento actual a resposta é não; mas os
progressos da genética estão a evoluir nesse sentido.
Actualmente, o verdadeiro interesse em detectar precocemente um queratocone reside no
facto de se fazer uma correcção adequada logo desde o início não obrigando o paciente a um
frustrante processo de avaliação na base da tentativa e erro bem como detectar
atempadamente a inadequação do paciente para a realização de uma cirurgia de correcção
refractiva; que provavelmente terá como resultado o fracasso.1, 2
Queratocone 7

Meios de Diagnóstico
Uma boa parte dos queratocones é diagnosticado através da lâmpada de fenda pela
observação dos sinais típicos e confirmado com instrumentação simples como:
Dispositivo manual de projecção de Anéis de Plácido (queratómetro de Klein);
Distorção das miras do queratómetro;
Observando se obtém reflexo em forma de tesoura com o retinoscópio2
considerando-se os resultados obtidos por estes meios fiáveis e, na maior parte de vezes,
suficientes para uma intervenção adequada nos cuidados de saúde. Acontece que, com a
evolução tecnológica, surgiram várias novas formas de compensação e correcção do sistema
visual que, para serem levadas a cabo correctamente é necessário mais informação acerca da
topografia do olho:
Para uma boa adaptação de lentes de contacto com geometrias complexas ou
personalizadas é necessária informação sobre a superfície onde vão ser aplicadas;
Para realização de cirurgia laser para correcção de ametropias é fundamental ter
conhecimento prévio da inexistência de queratocone pois caso contrário a
operação pode estar condenada ao fracasso;3, 5
A colocação de anéis intra-oculares para contenção do queratocone só pode ser
levada a cabo se o olho tiver espessura suficiente;16
Novas técnicas como o cruzamento do colagénio com riboflavina para aumentar a
espessura da córnea que agora começam a ser experimentadas deverão, ser
aplicadas num estádio precoce da patologia4

Meios não específicos


Normalmente os pacientes com queratocone apresentam um histórico com várias
prescrições de óculos num curto espaço de tempo sem resultados satisfatórios. A refracção
normalmente é variável e inconsistente, havendo queixas de diplopia monocular e distorção das
imagens para visão ao perto e longe. Há pacientes que dizem ver halos em volta de luzes e
sofrer de fotofobia.
A retinoscopia apresenta reflexos em tesoura.
Na oftalmoscopia directa podemos observar uma sombra em forma de gota de óleo
produzida pelo cone (este efeito é observável se a pupila estiver dilatada e tivermos uma lente de
+6,00 D no oftalmoscópio).
Queratocone 8

Ilustração 1: Oftalmoscopia

O queratómetro pode ser útil no diagnóstico do queratocone pois é observável uma


ausência de paralelismo e inclinação das miras.
O sinal de Munson é um dos sinais mais característicos do queratocone e é observável
directamente sem recurso a instrumentação. Ocorre no queratocone avançado quando a
deformação da córnea é tal que se forma um ângulo na pálpebra inferior quando o paciente olha
para baixo.

Ilustração 2: Sinal de Munson

Reflexo luminoso de Ruzuti é um exame simples que consiste na projecção de luz no lado
temporal da face ao nível do olho, observando o comportamento do feixe luminoso no lado nasal
ao nível do limbo. Uma deslocação para além do limbo indica um astigmatismo e curvatura
elevados.3

Lâmpada de fenda
A lâmpada de fenda é o único instrumento que permite ao optometrista observar muitos
dos sinais clássicos do queratocone:
Anéis de Fleischer é um anel acastanhado que normalmente circunda a base do
cone. Forma-se quando pigmentos ferrosos se depositam no epitélio. A inspecção
cuidadora das córneas com queratocone revelará esta linha em 50% dos casos.3
Queratocone 9

Ilustração 3: Anel de Fleisher

Linhas de Vogt Estas linhas são pequenas e geralmente verticais, podendo


também ter orientação oblíqua. Podem ser encontradas nas camadas profundas
do estroma e alinhadas com o meridiano de maior curvatura; as linhas
desaparecem quando se aplica uma ligeira pressão no globo ocular através da
pálpebra. A utilização de lentes de contacto rígidas por vezes acentua as linhas.3

Ilustração 4: Linhas de Vogt

Adelgaçamento da córnea É observável um adelgaçamento significativo da


córnea, podendo atingir 1/5 da sua espessura total.3

Ilustração 5: Alteração de espessura da córnea

Cicatrizes O surgimento das cicatrizes é devido a rupturas da membrana de


Bowman, pelo que normalmente não são observáveis nas fases iniciais do
queratocone. A adaptação de lentes de contacto aplanadas é também referida
como responsável pelo surgimento ou aceleração de das cicatrizes corneais.3
Queratocone 10

Ilustração 6: Cicatrizes corneais

Nervos corneais O espessamento dos nervos corneais torna-os mais visíveis no


queratocone, sendo possível ver uma extensa rede de fibras cinzentas.3
Infiltrações (hydrops) Normalmente estas infiltrações ocorrem nos casos
mais avançados de queratocone, quando a membrana de Descemet rompe,
permitindo a passagem do humor aquoso para a córnea. Um paciente que tenha
um episódio agudo de infiltração sofre uma perda repentina da visão e é visível
um ponto branco na córnea. Como a membrana de Descemet se regenera, o
edema e opacificação produzidas pela infiltração têm tendência a diminuir
naturalmente sem qualquer intervenção.3

Ilustração 7: "Infiltração" (hydrops)

Paquimetro de Ultra-sons
Este paquimetro utiliza o som em frequências muito elevadas para obter informação
detalhada das estruturas que estão a ser analisadas. Os ultra-sons são transmitidos ao olho
através de um transdutor que é constituído por um material com propriedades piezoeléctricas, e
que recebe as ondas acústicas reflectidas pela interface córnea/ humor aquoso.6 Este
paquimetro baseia-se nos instrumentos de ultra-sonografia de modo A, em que o registo é
unidimensional; isto significa que os impulsos emissores e os seus ecos aparecem no ecrã ao
Queratocone 11

longo de uma linha. A distância que separa dois ecos corresponde ao tempo que os ultra-sons
necessitam para percorrer dois pontos cujas estruturas dão origem ao eco.7
Este tipo de técnica tem como grande vantagem a grande precisão com que determina e
espessura da córnea, podendo detectar as mais pequenas variações. Adicionalmente, dado que
localiza as estruturas através de eco, pode detectar assimetrias da face posterior da córnea que
acompanhadas de adelgaçamento do epitélio, são indetectáveis através de técnicas topográficas.
As desvantagens prendem-se com o facto de ter que haver um compromisso entre
qualidade das imagens obtidas e profundidade a que se consegue recolher a informação
pretendida, isto é, quanto mais alta for a frequência, melhor será a resolução mas o sinal será
absorvido mais depressa não penetrando tão profundamente nos tecidos.8, 6 Outra desvantagem
adicional tem a ver com o facto deste tipo de equipamentos utilizar de uma sonda em contacto
directo com o olho sendo por isso necessária a utilização de anestésicos locais para a realização
do exame.

Sistemas Ópticos
As tentativas de medição da espessura da córnea remontam a 1723, quando Petit mediu
a espessura de córneas de olhos enucleados de cadáveres. Foi no entanto em 1880 que Blix fez
as primeiras medições in vivo utilizando para o efeito dois microscópios montados com um
ângulo de 40º entre si.9, 6 Após esta data de referência, muitos outros progressos foram levados
acabo no domínio da paquimetria por ilustres investigadores; no entanto não falarei desses
instrumentos pois saem do âmbito deste trabalho.
Mais recentemente e já na era dos sistemas informatizados temos, entre outros, dois
sistemas de diagnóstico que se têm tornado uma referência no mercado. Os instrumentos que a
seguir são referidos, para além de determinarem a espessura da córnea (paquimetria), têm
também a capacidade de apresentar num mapa tridimensional a sua forma (topografia).

Sistema de paquimetria tridimensional (Orbscan)

O sistema Orbscan® é um sistema topográfico tridimensional (3D) de varrimento em


fenda, desenhado para analisar as superfícies anterior e posterior da córnea. Este sistema tem a
capacidade de medir de forma independente a localização x, y e z de vários milhares de pontos
em cada superfície da córnea e da câmara anterior. Pontos esses que depois são usados para
construir mapas topográficos. Através dos dados recolhidos é possível obter: mapas
paquimétricos, topografia de ambas as superfícies da córnea, profundidade de câmara anterior e
o valor do ângulo K.6, 10
Queratocone 12

Na imagem que se segue temos um exemplo dos mapas obtidos com o Orbscan® para
um paciente com queratocone. Nele é possível ver-se uma área de elevação crescente rodeada
de zonas concêntricas de elevação decrescente e o apex do cone está definido como o ponto
com a elevação máxima.10

Ilustração 8: Mapas de um queratocone do Orbscan

Este sistema de topografia tridimensional é actualmente considerado como estando ao


nível do paquimetro de ultra-sons, e a única diferença que é apontada entre os dois métodos tem
a ver com o facto do Orbscan® não necessitar de contacto directo com a córnea para a
realização das mediçõe;6 o que representa uma vantagem a favor deste.

Videoqueratoscópio

Este sistema é composto por num biomicroscópio, um sistema de iluminação e uma


câmara de alta velocidade. O sistema de iluminação projecta um determinado alvo na córnea e a
câmara de filmar recolhe e envia as imagens para um computador onde são analisadas.
Até algum tempo atrás, os vídeoqueratoscópios utilizavam um sistema de iluminação
baseado nos discos de Plácido, e a análise era feita com recurso a algoritmos sagitais.10
Acontece que este método apresenta algumas limitações, sendo referida a distorção dos anéis
por acção do filme lacrimal, como uma delas pois dificulta a focagem e o alinhamento.10
Mais recentemente foram desenvolvidos videoqueratoscópios cujo sistema de iluminação
se aproxima mais do Orbscan®, isto é, em vez dos discos de Plácido é utilizado um feixe de luz
Queratocone 13

com movimento de rotação. Este método vai permitir a recolha de informação sobre a superfície
anterior e posterior da córnea a uma velocidade muito elevada que, por um lado, vai permitir a
criação de mapas paquimétricos e topográficos, e por outro, tornar irrelevantes os movimentos
oculares realizados pelo paciente durante a realização do exame.6

Modelos matemáticos utilizados em aberrometria


Os modelos matemáticos não constituem por si só sistemas de diagnóstico de problemas
oculares, são antes as ferramentas matemáticas integradas ou complementares aos sistemas
ópticos atrás descritos que vão utilizar os dados obtidos por estes e tratá-los para que possam
ser extraídas mais informações deles.

Análise de Fourier

O princípio básico deste método assenta na possibilidade que temos de representar um


corte sagital de uma superfície sob a forma de uma função (bidimensional); função essa que,
sendo periódica, pode ser decomposta em funções trigonométricas de seno e co-seno análise
de Fourier.
A onda fundamental, conhecida como o primeiro harmónico, é uma onda seno cujo
período é igual ao da onda que está a ser analisada. O período do segundo harmónico é metade
do primeiro, o terceiro metade do segundo e assim por diante.

Ilustração 9: Função periódica a ser analizada11

Ilustração 10: Decomposição em duas ondas seno e uma co-seno11

Após a realização de vários cortes sagitais e a sua decomposição nos seus harmónicos
fundamentais, é possível reconstruir várias superfícies diferentes recorrendo à união dos
harmónicos do mesmo grau, isto é, podemos obter a primeira superfície através do componente
Queratocone 14

de ordem zero da onda que vai ter a forma de anéis concêntricos individuais (Ilustr.11a), depois
a curvatura de cada anel é decomposta em ondas seno e co-seno por transformações de
Fourier. Na ilustração 11b temos o primeiro harmónico que tem um período de metade do
harmónico fundamental (temos um máximo e um mínimo). Os componentes resultantes de
todos os anéis são reagrupados segundo uma metodologia específica, permitindo que
determinadas características sobressaiam: neste caso a sobreposição das duas imagens torna
obvia a existência de um queratocone.

a) b) c)
Ilustração 11: a) Equivalente esférico, b) harmónico de primeira ordem, c) sobreposição das
duas ondas anteriores

Apesar das vantagens evidentes deste método, ele apresenta limitações. Estas limitações
têm a ver com a dificuldade de detectar variações muito subtis na superfície da córnea, por
estas serem facilmente mascaradas pelos seus componentes esfero-cilíndricos. 11
Surge então a necessidade de desenvolver um método alternativo que torne visíveis estas
variações ligeiras: os polinómios de Zernike.

Polinómios de Zernike

Qualquer superfície tridimensional circunscrita por uma curva circular pode ser
representada pela soma de polinómios de zernike.11 Estes polinómios normalmente são
expressos em coordenadas polares ( , ) na pupila, onde =r/rmax é a coordenada radial relativa,
rmax o raio máximo da pupila e o ângulo azimutal.13 Basicamente, temos a análise de Fourier
aplicada a pontos (x, y, z) de uma superfície.
Dada a complexidade que rodeia a explicação da forma matemática como os polinómios
de zernike são obtido, iremos reter apenas que este método permite descrever e classificar
qualquer desvio comparativamente à frente de onda que seria gerada pela reflexão de um feixe
de luz numa superfície esférica perfeita;11 e a notação usada é: Z nm ( , ) onde n indica o grau

do polinómio e m corresponde ao multiplicador do ângulo azimutal (indica o número de vezes


que o padrão se repete no movimento em torno da pupila)13 (ver ilustração 12).
Como cada grau do polinómio de Zernike é independente e matematicamente representa
uma depuração do anterior, isto é, à medida que aumenta o grau Z n do polinómio aumenta a
Queratocone 15

informação que podemos retira da curvatura; podendo, em última análise ter um polinómio de
grau infinito que representa uma córnea real e integra em si o total das aberração, que é a soma
dos seus componentes.12 Isto quer dizer que podemos, para cada termo do polinómio, atribuir
um tipo específico de aberração corneal.11

Ilustração 12: Aberrações ópticas associadas a cada grau dos polinómios de Zernike13

Assim, quanto maior é a aberração total do sistema óptico, mais polinómios serão
necessários para uma descrição precisa da córnea em análise. Isto quer dizer que, normalmente
4 a 6 graus bastam para descrever uma córnea normal enquanto uma superfície com
queratocone necessita de 8 a 12 graus para ser caracterizada.11
Este método de análise abriu novas possibilidades de estudo até ao momento
impraticáveis e por isso é visto com muito optimismo por muitos investigadores.11, 13
Claro que todas as novas técnicas têm limitações e imprecisões que só através da
investigação poderão ser detalhadamente analisadas, corrigidas e identificadas as situações
limite para as quais não é aplicável.
Assim, no estado actual da arte , há a necessidade de salvaguardar determinados
pressupostos: nomeadamente o diâmetro mínimo da pupila (pois um diâmetro inferior a 3mm
não vai apresentar aberrações significativas)13, devendo ser levado também em linha de
consideração algumas limitações do próprio modelo matemático14 ou o facto do modelo não
caracterizar adequadamente a córnea para um número relativamente baixo de graus.15
Relativamente à última observação, o problema é facilmente ultrapassável pelo avanço na
capacidade de processamento dos meios informáticos que agora permitem mais cálculos por
unidade de tempo.
Queratocone 16

Tratamento
O tratamento do queratocone depende do seu grau de severidade. Na fase inicial da
doença, o uso de óculos é bem sucedido no restauro da visão. Contudo, à medida que a doença
progride, o paciente necessitará de lentes de contacto para obter acuidade visual óptima.
Quando o paciente não tolera o uso de lentes de contacto, ou o queratocone evolui a um
ponto que as lentes de contacto já não dão uma resposta adequada, é possível recorrer à
cirurgia para resolver o problema.
É importante referir que, antes de recomendar a um paciente a cirurgia, deve repensar a
estratégia de adaptação de lentes que está a utilizar ou enviar o paciente a um colega para este
testar uma nova abordagem; isto porque a maioria dos pacientes enviados para realização de
cirurgia são rejeitados e corrigidos opticamente4

Tratamento não cirúrgico


Este tratamento é usado na fase mais inicial do desenvolvimento do queratocone e só vai
ser efectivo pelo período em que a distorção induzida pelas aberrações é muito baixa ou baixa.
Aqui podemos ter dois tipos de abordagem:

Óculos

Este meio de correcção é utilizado na fase mais inicial do queratocone. Proporciona uma
correcção visual adequada, evitando por algum tempo uma intervenção mais agressiva para o
olho.2 É inclusive recomendado que o uso de óculos seja prolongado o máximo possível no
tempo (desde que a qualidade de visão não se deteriore significativamente) para que o paciente
tenha uma percepção significativa da melhoria da visão na altura de adaptar as lentes de
contacto, e assim mantenha a motivação durante o, por vezes difícil, período de adaptação das
mesmas.4

Lentes de contacto

Com o evoluir do queratocone, a córnea torna-se mais irregular (devido ao astigmatismo


irregular) e como os óculos já não se ajustam a esta situação, a resposta ao problema é a maior
parte das vezes encontrada nas lentes de contacto que, devido à sua forma, vão ajustar-se
melhor à topografia da córnea.
Queratocone 17

A lente de contacto, mesmo depois de aplicada, tem tendência a manter a sua forma
original, permitindo que as irregularidades menores da córnea se preencham com lágrima.
Quando não há intolerância às lentes de contacto por parte do paciente, esta é a forma de
correcção preferida pois para além de esteticamente agradável, representa uma solução
bastante eficaz e duradoura. Claro que à medida que a patologia progride, terá que se passar de
lentes macias e de geometria mais simples, para lentes rígidas e de geometrias mais complexas.
Daí que do ponto de vista do optometrista o procedimento de adaptação de lentes de contacto
em pacientes com queratocone é muito exigente e como tal, por vezes evitado.
As complicações que normalmente surgem associadas ao uso de lentes de contacto são:
abrasão corneal, cicatrizes apicais, neovascularização induzida pela hipoxia, desconforto ocular e
problemas associados ao posicionamento da lente na córnea.2

Tratamento cirúrgico
Quando as alternativas com recurso a lentes de contacto se esgotam, a cirurgia pode
tornar-se necessária para se obter um grau de visão adequado. A opção cirúrgica mais comum é
a queratoplastia penetrante (transplante de córnea), mas existem outras opções como os anéis
intracorneais ou epiqueratoplastia entre outras.
Alguns dos pressupostos de elegibilidade para a realização da cirurgia são: ter uma
grande área de adelgaçamento em relação à periferia da córnea, se já não é possível estabilizar
as lentes de contacto ou se a córnea apresenta uma neovascularização significativa.4

Queratoplastia penetrante

Segundo Rabinowitz2, o transplante de córnea (queratoplastia penetrante) é o melhor e


mais bem sucedido método cirúrgico de tratamento para pacientes que não toleram lentes de
contacto ou não conseguem uma boa correcção refractiva através delas. No entanto, apesar da
elevada taxa de sucesso (93%a 96%), trata-se de um tipo cirurgia que deve ser bem ponderada
uma vez que:
- Um paciente com queratocone apenas em 10 20%dos casos necessita efectivamente
de um transplante;
- A córnea com queratocone quase nunca sofre perfuração; o que significa que o seu
adelgaçamento, só por si, não leva à necessidade de cirurgia;
Queratocone 18

- Existe 50% de hipóteses do paciente necessitar de lentes de contacto para corrigir


alguma miopia residual ou astigmatismo pós-operatório (este valor pode ser minimizado através
da escolha de uma córnea adequada).

Epiqueratoplastia

O objectivo da epiqueratoplastia é aplanar a ectasia corneal e suportar a cúpula corneal


adicionando tecido saudável de um doador. Este procedimento pode ser utilizado para tratar
queratocones ligeiros ou moderados, sendo possível deter a sua progressão.
Uma vantagem deste procedimento é que se o transplante não for bem sucedido, é
possível repor a situação inicial, não comprometendo a viabilidade de um futuro transplante
corneal.1

Anéis intra-corneais

Apesar de haver muita controvérsia em relação à utilização dos anéis de Ferrara (ou
Intacts) tanto para correcção da miopia como no queratocone, esta técnica tem vindo a
popularizar-se devido ao facto de ser menos invasiva, reversível e ajustável, isto é, os anéis
pequenas semicircunferências de PMMA são aplicados no estroma não havendo interacção
com o interior do globo ocular (e por isso menos riscos de infecção) e caso o procedimento não
obtenha os resultados desejados pode ser revertido não provocando danos na córnea.
Dependendo do estado de desenvolvimento do queratocone, esta técnica pode prevenir ou
adiar o transplante da córnea; sendo o prognóstico tanto melhor quanto menos avançado estiver
o queratocone.16, Erro! Marcador não definido.
Como limitação importante à utilização deste método temos a espessura da córnea no
momento da cirurgia pois esta nunca pode ser inferior nem demasiado aproximada da
espessura do próprio anel.16
Queratocone 19

Conclusões
Este trabalho teve como objectivo a compilação de informação sobre o queratocone,
tentando fazer uma exposição simples e clara do que é a patologia, como pode ser detectada e
quais os tratamentos disponíveis actualmente; não podendo ser visto como a súmula do
conhecimento actual sobre este tema.
O seu conteúdo foi intencionalmente simplificado para que a informação possa chegar ao
cidadão comum que apenas quer saber alguma coisa sobre o seu problema e as alternativas de
tratamento disponíveis.
Penso também ser um documento interessante para os colegas optometristas que, no seu
gabinete, se deparem com a necessidade de fazer uma consulta rápida sobre a patologia;
deixando-lhes ainda um alerta particular para o facto de deverem fazer uma avaliação ocular
muito detalhada quando um paciente seu colocar a hipótese de uma correcção de ametropias
com recurso a cirurgia laser.
Para terminar, ainda que tenha sido falado ao longo deste trabalho sobre o carácter
extraordinário da utilização dos métodos avançados de diagnóstico precoce, estes começam a
ser integrados na rotina dos gabinetes de oftalmologia e optometria; com vantagens evidentes
para o paciente e técnico de saúde que ficam com um histórico da evolução ocular, tornando
qualquer intervenção mais eficaz.
Queratocone 20

Glossário
Abrasão corneal: Eliminação de fragmentos de epitélio da córnea.17
Amaurose congénita de Leber: Distúrbio circulatório no qual a obstrução temporária de vasos
oculares com detritos em circulação leva à turbidez da visão ou cegueira temporária
(segundos a minuros).18
Ametropias: Defeito óptico do olho que altera a refracção.18
Apex corneal: ponte de maior curvatura da córnea
Astenopia: Cansaço ocular
Biomicroscopia: Também conhecido como Lâmpada de fenda, trata-se de um sistema óptico
que permite o visionamento in vivo as estruturas oculares de forma ampliada.
Bowman, membrana: Ver córnea
Córnea: Superfície transparente mais anterior do globo ocular composta por várias camadas de
células. Da superfície exterior para a interior temos: epitélio, membrana de Bowman,
estroma, membrana de Descemet e endotélio.Erro! Marcador não definido.
Descemet, membrana: Ver córnea
Diplopia: Termo médico para visão dupla.18
Down, Síndrome: Anomalia cromossómica caracterizada por atraso mental e aparência física
peculiar.18
Endotélio: Ver córnea
Epitélio: Ver córnea
Estroma: Ver córnea
Fotofobia: Sensibilidade anormal ou intolerância em relação à luz.18
Hipoxia: Nível de oxigénio abaixo do normal.
Klein, queratómetro: É um instrumento composto por um disco de plácido (ver Plácido, anéis)
auto iluminado com uma bateria alojada no suporte para a mão.19
Neovascularização: Surgimento de novos vasos sanguíneos
Plácido, anéis: Consiste num disco com linhas brancas e pretas intercaladas e concêntricas.19
PMMA: Polimetilmetacrilato (polímero utilizado na produção de material oftálmico)
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