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O Percival Puggina é Editor do Puggina.org.

Nasceu em Santana
do Livramento (RS) em 1944. Formou-se em arquitetura pela
UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e
coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da
Internacional de Engenharia SA.

O presidente Lula e a alta cúpula do seu partido vêm


insinuando que as reações da oposição ao episódio do
dossiê teriam características golpistas e expressariam a
inconformidade das “zelites” com os avanços sociais
proporcionados pela gestão petista. Em outras palavras: os
que estamos indignados com toda essa desfaçatez seríamos
indivíduos perversos e adversos à democracia.
Olha que é preciso ter
coragem!
Claro que a cena política nacional vive clima de golpe. Mas os
golpistas são outros. Estão sendo golpeados o processo
democrático, a ética, a lei eleitoral e, até mesmo, a tão
proclamada autonomia da Polícia Federal (os delegados que
descobriram a maracutaia acabam de ser afastados do
processo). Adicionalmente, estão sendo esbofeteadas a
dignidade nacional e a inteligência dos que a têm. Desde o
episódio Waldomiro Diniz, que veio à tona em fevereiro de
2004, não passa um mês sem que estoure algum escândalo
tendo como foco e objeto da conduta criminosa o projeto
eleitoral do partido governista, e como principais beneficiários
o detentor do poder e seus anseios políticos. Se isso não é
golpe - e golpe até aqui bem sucedido - não sei o que é golpe.
Rastrear a origem de
recursos
que escorregam das mãos do contribuinte para o partido
governista para as manchetes se converteu em quebra-cabeça
nacional. E a cada vez surgem novos personagens e nomes
para a infindável cadeia de ministros, assessores, amigos e
companheiros do presidente. Seria no mínimo incauto supor
que todas as falcatruas aprontadas por essa elástica e criativa
turma tenham sido descobertas pela imprensa, pelas CPIs
(que se dependessem do governo não se instalariam) e pela
Polícia Federal. Não. Muitas, por certo, foram levadas a “bom
termo” e produziram seus efeitos. E tudo isso é golpe na gama
de dimensões que defini acima.
O eleitorado que confere a
Lula
mais da metade dos votos válidos, segundo as recentes
pesquisas, não é golpista. É bolsista, formado por três grupos:
os muito pobres, os muito ricos e os muito fiéis. Os muito
pobres dependem da bolsa família, da bolsa escola, da bolsa
partido, da bolsa invasão de terra, e da bolsa assentamento
improdutivo; os muito ricos dependem da bolsa lucro
bancário; e os muito fiéis dependem da bolsa-boca (boca no
governo, na estrutura partidária e nas inúmeras ONGs que o
partido organiza para distribuir dinheiro à militância).
Aliás, há um candidato
a vice-governador do Rio Grande do Sul que defende a
federalização do Banrisul, ou seja, quer entregar o banco para
Lula. A valer o exemplo do BESC, onde o enfermeiro-
churrasqueiro do presidente é diretor, se a idéia vingar, logo
teremos um pizzaiolo petista dirigindo o Banrisul. Será a
bolsa-pizza .

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consultar os direitos de propriedade dos respectivos autores
e artistas. Por fim, digo eu, meta la mano!

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