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Ideologização da

Universidade
Resumo: Em qualquer lugar do mundo desenvolvido,
universidade boa é universidade livre.

por Rafael Vitola Brodbeck


Um monstrengo de claríssimas feições
soviéticas ameaça,
como nunca, o ensino superior no país.

Atendendo pelo nome de reforma universitária, o pacote de medidas, proposto


pelo MEC faz certo tempo, presta-se mais a uma deforma. Não
estranhamos nada. Já era previsto que, ao tomar o poder, o PT (que tudo
sabe e tudo pode, como o “Moderno Príncipe” de Gramsci, pensador-mor
do comunismo italiano, e de cujas teorias os petistas nunca esconderam
se embriagar) iria investir com tudo na utilização da educação para difundir
sua ideologia, impor uma pedagogia de esquerda, enfraquecer a
autonomia universitária, e transformar a escola e a academia em espaços
políticos facilmente controláveis por seus asseclas aparelhados no Estado,
nas ONGs financiadas com dinheiro público e nos sindicatos ao partido
ligados mediante os tais movimentos sociais.
Semelhante realidade ocorreu no Rio
Grande do Sul
durante o trágico governo Olívio Dutra, em que até os concursos públicos para
seleção de professores continham questões tendenciosas, próprias para
aprovar os afinados com a cartilha socialista do PT, pouco importando,
salvo raras exceções, que um candidato “de direita” ou “das elites” fosse
tão preparado quanto aqueles.

Primeira ação do MEC vermelho, ainda com Cristovam Buarque, que depois
migrou para o igualmente socialista PDT, foi o desmonte do Provão –
instrumento questionável em certos aspectos, mas ao menos confiável na
medição do aproveitamento, dado que 100% dos formandos dos cursos
avaliados eram a ele submetidos, e que forçou as instituições a se
qualificarem – e sua substituição pelo obscuro ENADE, que avalia
conforme duvidosas amostragens e vem sendo duramente criticado por
especialistas não comprometidos com as doutrinas petistas.
Outro absurdo, que o MEC inclusive
comemora (!!!),
em seu site na internet, é o fim da GED, a Gratificação de Estímulo à
Docência, sob a alegação de que o professor, por ter obrigação de
ensinar e trabalhar, não deve ser estimulado com remuneração.

Ora, a GED premiava quem mais produzia, quem ensinava no período


noturno, quem acumulava mais horas-aula, quem tinha melhor
desempenho. Com a GED, tinha-se em mente alcançar a
excelência acadêmica. Sem ela, regredimos ao culto da
improdutividade (pois, pela ótica petista, a produção de molde
capitalista deve ser combatida).
A ideologia torna-se mais importante
do que a qualidade do ensino.
Enfim, com o trotskista Tarso Genro, veio a bomba, por ora esquecida em
decorrência dos escândalos de corrupção: a “deforma” universitária. Prevê
a mesma a eleição direta para reitor, atacando a liberdade das instituições
(princípio fundamental mesmo nas universidades estatais), tornando tal
cargo facilmente permeável a pressões político-sindicais “que nada têm a
ver com a produção do saber.” (Rui Nogueira, in Primeira Leitura,
abril/2005, p. 30). Estabelece cotas para egressos de colégios públicos,
negros e índios – tema que já enfrentei neste e noutros espaços –,
privando quem tem mais mérito (por alcançar maior nota no vestibular) em
detrimento de quem menos, igualando os desiguais, em moldes marxistas.
Nesse sentido, é pertinente o alerta de um dos mais cultos juristas do
Brasil, Dr. Ives Gandra Martins, presidente da Academia Paulista de
Letras: “a título de colocar carentes, índios e negros na Universidade, (...)
retiram a oportunidade de 10% dos alunos que poderiam entrar por
mérito.” (JB, 24/02/05)
Mesmo o Papa João XXIII,
beatificado, já ensinava que
“se deve facilitar o acesso aos graus mais altos da instrução segundo os
méritos pessoais.” (Enc. Pacem in Terris, Denz. 3960)

Que desenvolvimento social é esse que despeja na faculdade alunos


despreparados? E que justiça é essa que tolhe as oportunidades de quem,
por nota, esforço e estudo, merece estar nos bancos universitários? É o
desabafo de uma estudante: “Sou negra, e entrei para a faculdade sem
precisar de cotas. (...) Se o não-negro dispensa cotas (...), por que nós
negros precisamos?” (OESP, 12/12/04).

Não esqueçamos, também presentes no texto do anteprojeto, dos diversos


conselhos que devem ser instalados nas instituições. É uma mania de
conselho para lá, conselho para cá, bem à moda de Lênin, na processo de
comunização da Rússia. Todos com participação de pessoas estranhas à
comunidade acadêmica (como os servidores não-professores) e mesmo à
própria universidade em si (a tal “participação da sociedade civil”).
Ora, a função do ensino superior não é
“produzir métodos supostamente democráticos de decisão” (Nogueira, loc.
cit.), mas alcançar a excelência pela produção do saber. Ao invés de
centros de elite, no melhor sentido do termo, i.e., de locais destinados
especificamente à formação dos líderes intelectuais do país, função essa
de toda universidade, as faculdades brasileiras, com a pseudo-democracia
imposta pelos totalitários com sua reforma, tendem a perder o que há de
fundamental na missão do ensino superior, a preparação de qualidade.

Essas as deficiências... E nem falamos da perturbação na gestão interna das


universidades, no cerceamento das instituições particulares (em sério
atentado à propriedade privada) e na inobservância do princípio da
subsidiariedade.

Em qualquer lugar do mundo desenvolvido, universidade boa é universidade


livre. Por aqui, a mão pesada do Estado absolutista do PT, não contente
em destruir os próprios centros públicos, acelera seu sucateamento para
servir a fins ideológicos, e meter-se, indevidamente, com as faculdades
privadas, na contramão das lições que a Europa e os EUA nos dão.

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