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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA POLITÉCNICA DA USP

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA POLITÉCNICA DA USP PECE – PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA EAD –

PECE PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA

EAD ENSINO E APRENDIZADO À DISTÂNCIA

eST 701

GERÊNCIA DE RISCOS

ALUNO

SÃO PAULO, 2011

EPUSP/PECE

DIRETOR DA EP USP José Roberto Cardoso

COORDENADOR GERAL DO PECE Sérgio Médici de Eston

EQUIPE DE TRABALHO

CCD COORDENADOR DO CURSO À DISTÂNCIA Sérgio Médici de Eston

PP PROFESSOR PRESENCIAL Reginaldo Pedreira Lapa Reinaldo Augusto Gomes Simões

CPD CONVERSORES PRESENCIAL PARA DISTÂNCIA Diego Diegues Francisca Luan Linhares Parente Marcelo Simões Válio Maria Renata Machado Stellin Michiel Wichers Schrage Plínio Hideki Kurata

FILMAGEM E EDIÇÃO Felipe Baffi de Carvalho Marcelo Simões Válio Plínio Hideki Kurata

IMAD INSTRUTORES MULTIMÍDIA À DISTÂNCIA Diego Diegues Francisca Felipe Baffi de Carvalho Pedro Margutti de Almeida Thammiris Mohamad El Hajj

CIMEAD CONSULTORIA EM INFORMÁTICA, MULTIMÍDIA E EAD Carlos César Tanaka Jorge Médici de Eston Shintaro Furumoto

GESTÃO TÉCNICA Maria Renata Machado Stellin

GESTÃO ADMINISTRATIVA Neusa Grassi de Francesco Vicente Tucci Filho

“Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, sem a prévia autorização de todos aqueles que possuem os direitos autorais sobre este documento”

SUMÁRIO i

SUMÁRIO

i

SUMÁRIO

CAPÍTULO 1. RISCOS TECNOLÓGICOS E EVOLUÇÃO DA

1

1.1

Introdução

2

1.2

Conceito de Segurança

3

1.3

Gerenciamento de Riscos e o Processo de Gestão de Segurança de Sistemas

4

1.4.

Testes

7

CAPÍTULO 2. TEORIA DE

8

2.1 Introdução

9

2.2 Teoria de Heinrich

9

2.3 Teoria de Bird

9

2.4 Teoria de Fletcher

10

2.5 Teoria dos Dominós

10

2.6 Teoria de Haddon

11

2.7 Outras Teorias

12

2.8 Gestão de Acidentes

14

 

2.9 Testes

15

CAPÍTULO 3. INTRODUÇÃO À GESTÃO DE

17

3.1.

Introdução

18

3.2

Conceitos Iniciais de Análise de Riscos Tecnológicos

20

3.3

Conceito de Risco e de Sistemas de Gerenciamento

21

3.4

Necessidade de Gerenciamento de Riscos

31

3.5

Sistemas de Gestão de Riscos

33

3.6

Testes

36

CAPÍTULO 4. IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS E ANÁLISE DE RISCOS ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCOS

38

4.1.

Introdução

39

4.2

Problemática do Risco

40

4.3.

Metodologia de Identificação de Perigos e de Análise De Riscos

41

4.3.1. Introdução

41

4.3.2. Criação de uma Metodologia

41

4.4.

Técnicas Preliminares De Identificação De Perigos

44

4.4.1

MSDS (FISPQs)

44

4.4.1.1. Classificação de gases e líquidos tóxicos (CETESB - Critério para a Classificação

de Instalações Industriais, quanto à Periculosidade.)

45

4.4.1.2. Classificação de gases e líquidos inflamáveis

47

4.4.2 Regulamentações e Normas Legais

47

4.4.3 Análise Preliminar de Perigos (APP)

48

4.4.4 Análise Preliminar de Perigos Modificada

52

4.5.

EXERCÍCIO

59

SUMÁRIO ii

SUMÁRIO

ii

4.6.

Testes

61

CAPÍTULO 5. OBJETIVOS E PROGRAMAS DE GESTÃO DE

63

5.1.

Introdução

64

5.2

EXERCÍCIO

69

5.3.Testes

71

CAPÍTULO 6. ERRO HUMANO E O FATOR HUMANO NOS ACIDENTES

72

6.1 Introdução

73

6.2 Conceituação de Erros e Falhas Humanas

73

6.3 Algumas Estatísticas sobre Erros e Falhas Humanas

76

6.4 Fatores que causam o erro humano

78

6.5 Fatores humanos nos acidentes

79

6.6 Tipos de Erros Humanos

80

6.6.1 Deslizes Simples ou Atos Falhos ou Parapraxias

80

6.6.2 Enganos (Mistakes)

80

6.7

Fatores de recuperação

81

6.8.

A Forma Atual de se Trabalhar as Falhas Humanas na Operação

83

6.9

Falhas humanas no processo

84

6.10

Stress

85

6.11

Automação: benefícios e desvantagens

87

6.12

Prevenção de Acidentes Durante o Projeto do Sistema

88

6.13.

Testes

90

CAPÍTULO 7. TÉCNICAS DE IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS E OPERABILIDADE WHAT IF

92

7.1

Introdução

93

7.2

Técnica “What / If”

93

7.3

Exemplos de questões “What / If” típicas

95

7.4.EXERCÍCIO

96

 

7.5.Testes

98

CAPÍTULO 8. TÉCNICAS DE IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS E OPERABILIDADE

99

8.1 Introdução

100

8.2 A técnica do Hazop

100

8.3 Terminologia do Hazop

101

8.4 Exemplo de aplicação do Hazop

102

8.5 Hazop em processos contínuos e em processos descontínuos

106

8.6 EXERCÍCIO

108

 

8.7.Testes

111

SUMÁRIO iii

SUMÁRIO

iii

CAPÍTULO 9. FUNDAMENTOS MATEMÁTICOS PARA A ANÁLISE QUANTITATIVA

DE RISCOS E

112

9.1 Álgebra Booleana

113

9.2 Diagramas de Venn

113

9.3 A Lógica das Comportas

115

9.4 Noções de Confiabilidade

116

9.5.Testes

119

CAPÍTULO 10. ANÁLISE DA ÁRVORE DE FALHAS - AAF (FAULT TREE ANALYSIS -

FTA)

120

10.1

Introdução

121

10.2.Testes

126

CAPÍTULO 11. ANÁLISE DE MODOS DE FALHA E EFEITOS (FAILURE MODE AND

EFFECT ANALYSIS - FMEA)

127

11.1 Introdução

128

11.2 Etapas da Realização de uma FMEA

129

11.3 Exemplo de aplicação da técnica de FMEA da Segurança

130

11.4 EXERCÍCIO

136

11.5.Testes

138

CAPÍTULO 12. GERENCIAMENTO DE RISCOS

139

12.1 Aperfeiçoamento da Análise de Riscos

140

12.2 Metodologia de uma Análise de Riscos

140

12.3 Risco Individual e Risco Social

145

12.4 Análise de Conseqüências

151

12.5 EXERCÍCIO

158

12.6.Testes

160

CAPÍTULO 13. GERENCIAMENTO DE RISCOS

161

13.1 Introdução

162

13.2 Administração do Risco Empresarial

166

13.3 Responsabilidade Pelo Produto / Segurança e Qualidade

167

13.4 EXERCÍCIO

170

13.5.Testes

172

CAPÍTULO 14. INTRODUÇÃO À INVESTIGAÇÃO E ANÁLISE DE ACIDENTES DO TRABALHO E DE DOENÇAS OCUPACIONAIS

173

14.1. Introdução

174

14.2. As causas do acidente

175

14.3. Testes

176

SUMÁRIO iv

SUMÁRIO

iv

CAPÍTULO 15. TERMINOLOGIA

177

15.1

Introdução

178

15.2.

Acidentes

178

15.3.

Incidentes

178

15.4.Classificação dos acidentes

179

15.4.1. Acidentes com perda de tempo

179

15.4.2. Acidentes sem perda de tempo

179

15.5. Indicadores de Desempenho

180

 

15.6. Testes

183

CAPÍTULO 16. - TEORIAS SOBRE OS ACIDENTES

184

16.1

Introdução

185

16.2.

Teoria da causalidade múltipla

186

16.3.

Teoria da causalidade pura

186

16.4.

Teoria da transferência de energia ou teoria de Haddon

186

16.5.

Abordagem de Frank Bird

187

16.6.

Abordagem de Fletcher

187

16.7.

Abordagem de Surry

188

16.8.

Abordagem da WEF

189

16.9.

Modelos de não conformidade ou desvios

192

16.10.

Modelo de Informações de Acidentes de Merseyside MAIM

192

16.11.

O Modelo de Kirchner

193

16.12.

Comentários gerais

195

16.14.

Testes

199

CAPÍTULO 17. FATORES HUMANOS NOS ACIDENTES DE TRABALHO

200

17.1

Introdução

201

17.2.

O Fator Humano no trabalho

203

17.3.

Conceito de Trabalho

205

17.4.

Concepção individual e coletiva do homem no trabalho

206

17.5.

O hexágono de falhas

208

17.5.1. Falha na informação ou falha por insuficiência de informação:

208

17.5.2. Falta de Capacidade:

209

17.5.3. Falta de aptidão física ou mental:

209

17.5.4. Falha devido a Condições Ergonômicas Inadequadas:

209

17.5.5.Falha devido a Motivação Incorreta:

210

17.5.6.

Falha por deslize:

210

17.6. O trabalho, os fatores humanos e o acidente

211

 

17.7. Testes

213

SUMÁRIO v

SUMÁRIO

v

CAPÍTULO 18. O CONCEITO DE PROCESSO PRODUTIVO

214

18.1 Introdução

215

18.2.

Testes

218

CAPÍTULO 19. FERRAMENTAS DA QUALIDADE APLICADAS À SEGURANÇA

219

19.1.

Diagrama de Pareto

220

19.1.1. Construção do Diagrama de Pareto

220

19.1.2. Sugestões Para construção e utilização de Diagrama de Pareto

221

19.2.

Diagrama de Causa e Efeito

222

19.2.1. Construção do Diagrama Causa e Efeito

222

19.2.2. Sugestões Para Construção e Utilização de Diagrama de Causa e Efeito

223

19.3. Brainstorming

226

19.4. Fluxograma

228

19.5. Estimadores de Significância

229

19.6. Plano de Ação ou 5W1H

230

19.7. PDCA de solução de problemas

230

 

19.8. Testes

233

CAPÍTULO 20. PASSOS NA INVESTIGAÇÃO DO ACIDENTE

234

20.1. Introdução

235

20.2. O que vamos investigar e por que estamos investigando?

235

20.3. Quem deve investigar o acidente?

236

20.4. Quem e como as pessoas devem investigar um acidente?

237

20.5. Deve o supervisor ser parte do time de investigação?

237

20.6. Como assegurar a imparcialidade da equipe de investigação?

237

20.7. Quais são os passos a serem dados na ocorrência de um acidente?

238

20.8. O que deve ser verificado como causas de um acidente?

238

20.8.1. Tarefa

238

20.8.2. Material

239

20.8.3. Ambiente

239

20.8.4. Pessoal

239

20.8.5. Gerenciamento

240

20.9.

Testes

246

BIBLIOGRAFIA

247

ANEXO A A DAMA E O TIGRE - NOVA VERSÃO DE UM ANTIGO CONTO DE FADAS

254

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança 1

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança

1

Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança 1 CAPÍTULO 1. RISCOS TECNOLÓGICOS E EVOLUÇÃO DA

CAPÍTULO 1. RISCOS TECNOLÓGICOS E EVOLUÇÃO DA SEGURANÇA.

OBJETIVOS DO ESTUDO

Introduzir os alunos na problemática dos riscos para as organizações modernas, abordando a preocupação da sociedade com o risco tecnológico e a reação da indústria; apresentar a evolução do conceito de segurança e definir os principais conceitos relacionados a risco; introduzir os elementos de um sistema de gestão de riscos voltado para a pró-atividade.

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança 2

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança

2

1.1. INTRODUÇÃO

Porque se torna necessário impor controles, relacionados com a segurança e saúde e o meio ambiente, em produtos construídos ou fabricados pelo ser humano? É óbvio que a humanidade beneficiou-se, e muito, pelo desenvolvimento da agricultura, das áreas urbanas, das redes de transporte e de outros sistemas. Contudo, começa-se a acreditar que esse desenvolvimento pode resultar em perdas para as pessoas e suas organizações e alterar excessivamente o meio ambiente natural. Essa visão tornou-se mais pronunciada a partir dos anos sessenta, e desde então tem provocado uma revolução no comportamento humano. Nos anos 60, a Indústria de maneira geral, e a Química especificamente, sofreram uma expansão muito rápida, que resultou em grandes mudanças nos processos químicos envolvidos. Condições de operação como pressão e temperatura tornaram-se mais severas, e a quantidade de energia armazenada em seus processos aumentou, passando a representar um maior risco. Mesmo nas áreas de materiais de construção e controle de processos surgiram problemas de difícil resolução. Paralelamente as plantas químicas cresceram em grande tamanho. E como resultado passaram a conter um maior número de equipamentos, existindo, também, um alto grau de interligação com outras plantas através, por exemplo, da troca de subprodutos. A operação de tais plantas é relativamente difícil, e a sua partida e parada é extremamente complexa e onerosa. Estes fatores deram como resultado um aumento do potencial de perdas - tanto humanas quanto econômicas - e, como conseqüência, um maior número de acidentes, inclusive ambientais. Estas perdas podem ocorrer de várias maneiras, sendo a mais freqüente, a perda de confinamento que pode, conforme sua intensidade, tomar a forma de um: incêndio, explosão, ou liberação tóxica, sendo tais perdas relacionadas com o chamado “acidente maior”. A principal conseqüência destas perdas foi que o público passou a se preocupar com os aspectos de Segurança e Meio Ambiente nas instalações industriais, particularmente em relação a incidentes que poderiam afetar as comunidades vizinhas. Em função disso desenvolveram-se políticas e metodologias para estudos e revisões de segurança que levam em consideração os seguintes aspectos:

a) Ocorrência de acidentes extremamente graves (Flixborough, México, Bhopal,

Cubatão, Basiléia, Exxon Valdez, Chernobyl, etc.);

b) Preocupação do público quanto aos processos de fabricação e quanto aos

próprios produtos químicos em si;

c) Aumento da consciência ambiental;

d) Mudança na atitude das empresas de um conceito de que a proteção de seus

interesses deveria ser resguardada atrás de seus muros para um conceito de diálogo franco e ético com seus parceiros e público;

e) Compromissos voluntários para com a melhoria contínua de seus produtos e

operações, de forma a torná-los mais seguros e menos impactantes ao meio ambiente;

f) Maior preocupação com a imagem da empresa;

g) Imposições legais.

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança 3

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança

3

A necessidade, portanto, de controles e procedimentos de segurança foram desenvolvidos em função de falhas ocorridas, ou porque alguém conseguiu prever uma falha e implantou controles para impedir que elas ocorressem. Apesar de o primeiro caso ser mais comum, o segundo também é responsável pelo desenvolvimento de incontáveis projetos de segurança, praticados hoje em dia na indústria. Os dois são também as bases em que os engenheiros de segurança operam.

1.2. CONCEITO DE SEGURANÇA

A idéia ou conceito de sistemas de segurança teve início no final dos anos 40 com

a indústria de produção bélica. Entretanto, passa a ser definida como uma disciplina somente no final dos anos 50 e começo dos anos 60, quando da sua utilização pelas indústrias: bélica, de aviação e espacial. Antes de 1940 os projetistas e engenheiros utilizavam essencialmente a técnica da “tentativa e erro” para conseguirem um projeto seguro. Esta técnica era relativamente boa numa época em que a complexidade de um sistema era relativamente simples, comparada com o desenvolvimento atual. Por exemplo, na indústria aeronáutica esse processo de sistema de segurança era conhecido como a técnica “voa - conserta - voa”, em relação aos problemas de um projeto. Uma aeronave era projetada baseada nas já existentes ou com tecnologia já conhecida, depois voava até que os problemas começassem a aparecer ou no pior dos casos, até

que caísse. Se a queda fosse causada por problemas do projeto e não por falhas humanas, estes eram arrumados e a aeronave voaria de novo. Obviamente este método de segurança funcionava bem quando as aeronaves voavam a baixa altitude e devagar e eram construídas de madeira, arame e pano. Porém, com o aumento das aeronaves e a maior complexidade do sistema de vôo e das capacidades das aeronaves (velocidade e maneabilidade), também cresceu a probabilidade de resultados desastrosos vindos de uma falha no sistema. Fatos como estes, aceleraram o desenvolvimento da Engenharia de Segurança de Sistemas da qual eventualmente cresceu o conceito de Sistema de Segurança. O início do programa espacial na metade dos anos 50 também contribuiu com a crescente necessidade de projetos mais seguros. Os foguetes e o desenvolvimento de programas espaciais se tornaram uma força impulsionadora no desenvolvimento da Engenharia de Segurança de Sistemas. Aqueles sistemas em desenvolvimento no final dos anos 50 e início dos 60 precisavam de novas metodologias e técnicas de controle de acidentes, assim como aqueles ligados a armas e foguetes (por exemplo: componentes explosivos e pirotecnia, sistemas de propulsão instáveis e máquinas extremamente sensíveis). O “Foguete

Balístico Intercontinental” foi um dos primeiros sistemas a ter um programa de segurança de sistema formal, disciplinado e definido. Em Julho de l969, o Departamento de Defesa Americano formalizou a necessidade de um sistema de segurança publicando uma normativa intitulada “Necessidades de um Programa de Sistema de Segurança”.

A NASA rapidamente reconheceu a necessidade de um sistema de segurança e

desde então tem mantido esta idéia como uma parte integral das atividades dos

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança 4

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança

4

programas espaciais. Os primeiros anos dos programas de lançamentos espaciais foram repletos de falhas catastróficas e dramáticas. Durante aqueles anos, era sabido e falado “os foguetes simplesmente não funcionam, eles explodem”.

1.3. GERENCIAMENTO DE RISCOS E O PROCESSO DE GESTÃO DE SEGURANÇA DE SISTEMAS

Para melhor entender essa evolução, torna-se, inicialmente, necessário definir alguns conceitos, princípios e termos:

Segurança - uma medida do grau de liberdade do risco ou de condições que podem causar a morte, dano físico, ou dano a equipamento ou propriedade (Levenson,

1986);

Perigo (definição da OHSAS 18001 e BS 8800, hazard) - uma fonte ou uma situação com potencial para provocar danos em termos de lesão, doença, dano à propriedade, dano ao meio ambiente, ou uma combinação destes; Risco (definição da OHSAS 18001 e BS 8800, risk) - a combinação da probabilidade de ocorrência e da conseqüência de um determinado evento perigoso; Incidente - evento não planejado que tem o potencial de levar a um acidente; Acidente - evento não planejado que resulta em morte, doença, lesão, dano ou outra perda. A antecipação de uma possível falha e a tentativa de evitá-la ou a correção e prevenção de uma já ocorrida, através de procedimentos e o uso de requisitos legais, é o que, normalmente, o engenheiro de segurança faz quando analisa um projeto ou uma condição de operação. Entretanto, sempre que possível e prático, dever-se-ia usar o conceito de Gerenciamento de Riscos, que vai além desse modo de gerenciar e tenta administrar os riscos de um processo de uma maneira mais abrangente. Nesse sentido, o método “voa - conserta - voa” deve ser transformado no método “Identificar, Analisar e Eliminar”, atuando de modo a assegurar que trabalhos ou tarefas sejam realizados da maneira mais segura possível, reduzindo riscos de danos ou perdas inaceitáveis. O Gerenciamento de Riscos deve levar em consideração que, dentro de um ambiente de trabalho, seres humanos, procedimentos de trabalho, equipamento /hardware e recursos materiais são fatores integrais que podem ou não afetar a realização de um trabalho ou tarefa (fig. 1.1). Separadamente cada um destes elementos pode por si mesmo apresentar algum risco aos operadores ou aos equipamentos, durante a realização de uma tarefa. Os operadores, por exemplo, podem ser perigosos para si mesmos ou para outros em um ambiente de trabalho industrial ou tecnológico. A falta de atenção, de treinamento adequado, cansaço, stress, utilização abusiva de alguma substância e problemas pessoais (casamento, financeiros etc.) são fatores humanos que interferem no desempenho de um trabalho ótimo ou desejável. Determinados equipamentos ou ferramentas, também, podem apresentar riscos, mesmo se operados conforme planejado (ex: sistemas de pressão, reatores nucleares, ferramentas). Da mesma forma, instruções de operação inadequadas ou com erros e procedimentos podem causar riscos para o fluxo operacional.

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança 5

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança

5

A Engenharia de Segurança, portanto, deve levar em consideração cada um destes fatores para identificar perigos e avaliar riscos que podem estar associados com a realização de uma tarefa ou trabalho específico.

com a realização de uma tarefa ou trabalho específico. Figura 1.1. Os elementos de um sistema

Figura 1.1. Os elementos de um sistema de gestão de segurança.

Por exemplo, considere uma operação de transporte por empilhadeira envolvida em se recolocar vários tambores de um solvente extremamente volátil e inflamável de um local a outro da planta. Qual o potencial ou grau de risco para uma falha ou acidente numa operação tão simples como esta? Para responder a esta questão, dever-se-ia pensar sobre o operador e seu treinamento e nível de experiência. A empilhadeira e outros equipamentos associados devem também ser avaliados como fontes potenciais de falhas operacionais. A instalação em que os tambores estão situados foi projetada para armazená-los de maneira adequada. O sistema de proteção e combate a incêndio também deve ter sua adequação avaliada. Existem procedimentos normais de operações e requisitos de controle de situação crítica e de vazamentos? Essa identificação de perigos e a conseqüente análise de riscos potenciais podem tornar-se bastante detalhadas. No caso deste exemplo, aparentemente o gerenciamento dos riscos dessa atividade deveria ser bastante simples. Entretanto, existe uma grande dose de riscos potenciais associados à tarefa descrita. Uma das funções da Engenharia de Segurança é a busca desta avaliação na maior extensão possível, considerando-se a complexidade da tarefa, o sistema, as operações ou os procedimentos. O Gerenciamento de Riscos requer a identificação em tempo dos perigos associados a esta operação e a conseqüente avaliação dos riscos, antes que ocorram perdas. Os perigos devem ser então eliminados ou os riscos controlados em determinado nível para atingir o objetivo de se ter uma segurança aceitável para o sistema em estudo. Em síntese, o processo de segurança do sistema vai identificar quaisquer ações preventivas e corretivas que devem ser implementadas antes que a tarefa tenha permissão de prosseguir.

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança 6

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança

6

A abordagem “voa –conserta -voa”, discutida anteriormente, também tem sido apresentada, por alguns especialistas como uma tentativa “pós-fato” de melhorar o desempenho da segurança. Pelo contrário: os conceitos de gestão de segurança de sistemas e de gerenciamento de riscos requerem um controle “pré-fato” dos riscos do sistema. Não importa o quão preciso o projeto ou operação de um programa de segurança é considerado, a sua gestão correta é um dos elementos mais importantes de sucesso. Esse modelo de gestão de segurança de sistemas, iniciado pelos militares americanos e a NASA, vem sendo adotado por outros setores industriais como: nuclear, refinação, petroquímica, transporte, química e, mais recentemente, na programação de computadores. Muitas das regras, normas e estatutos de segurança das indústrias hoje em dia, são resultados diretos dessa verdadeira necessidade de uma gestão tão controlada. No entanto, ainda, observam-se algumas dificuldades do ponto de vista operacional no sentido de tomada de decisão quanto à necessidade ou não da realização dos estudos de análise de riscos, quanto ao momento em que os mesmos devem ser solicitados e em que níveis de detalhamento devem ser realizados.

Quadro 1.1.

Pesquise a definição do conceito de sistema e relacione-a aos elementos de um

sistema de gestão de segurança.

Sugestão de solução:

Conjunto de elementos inter-relacionados voltados para um objetivo. Os

equipamentos, instalações, procedimentos, recursos humanos e outros são os

elementos que, inter-relacionados, devem levar aos objetivos de segurança ou

redução dos riscos.

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança 7

Capítulo1. Riscos Tecnológicos e Evolução da Segurança

7

1.4. TESTES

1.

Fonte ou situação com potencial para provocar dano.

a)

Perigo.

b)

Risco.

c)

Acidente.

d)

Incidente.

e)

Perda.

2.

Evento não planejado que resulta em dano.

a)

Perigo.

b)

Risco.

c)

Acidente.

d)

Incidente.

e)

Perda.

3.

Combinação de probabilidade de ocorrência e conseqüência de um evento.

a)

Perigo.

b)

Risco.

c)

Acidente.

d)

Incidente.

e)

Perda.

4.

Evento com potencial para levar a dano.

a)

Perigo.

b)

Risco.

c)

Acidente.

d)

Incidente.

e)

Perda.

5. Ferimentos; mal estar; doenças; danos ao meio ambiente; custos diretos e indiretos; danos à imagem da organização.

a) Perigo.

b) Risco.

c) Acidente.

d) Incidente.

e) Perda.

Capítulo 2. Teoria de Acidentes 8

Capítulo 2. Teoria de Acidentes

8

Capítulo 2. Teoria de Acidentes 8 CAPÍTULO 2. TEORIA DE ACIDENTES. OBJETIVOS DO ESTUDO Apresentar as

CAPÍTULO 2. TEORIA DE ACIDENTES.

OBJETIVOS DO ESTUDO

Apresentar as principais teorias elaboradas para analisar e gerenciar a ocorrência dos acidentes industriais, como as teorias de Heinrich, Bird, Fletcher, Dominó, Haddon e outras, e sua importância na abordagem sistêmica para o gerenciamento dos riscos.

Capítulo 2. Teoria de Acidentes 9

Capítulo 2. Teoria de Acidentes

9

2.1. INTRODUÇÃO

Embora a qualidade de vida tenha melhorado para o ser humano, a sociedade paga um preço alto por este nível de vida. A cada ano, somente nos Estados Unidos, ocorrem mais de 100.000 mortes e cerca de 11 milhões de casos de invalidez, por acidentes. O custo deste total de acidentes é mais ou menos de US$ 100 bilhões anualmente,

excluindo-se alguns custos indiretos e o valor resultante relativo à dor e sofrimento. Acidentes são a principal causa de morte para as pessoas entre 1 e 44 anos. Para os indivíduos com 45 anos ou mais velhos, a taxa de morte por acidentes aumenta com a idade; somente doenças coronárias e câncer excedem esta taxa. Para o total da população, as duas causas principais de morte acidental são acidentes de trânsito e quedas. Embora a taxa de mortes por acidentes tenha baixado nos Estados Unidos, de 85 à 90 por 100.000 habitantes para abaixo de 50 recentemente,

o número total de mortes por acidente aumentou no mesmo período.

2.2. TEORIA DE HEINRICH

Até o ano de 1926 não se pensava em nenhuma ação, atitude ou medida de prevenção. Heinrich, que trabalhava numa companhia americana de seguros, observou os altos custos que representava para a seguradora a reparação dos danos decorrentes de acidentes e doenças do trabalho. Ele analisou 75.000 acidentes e encontrou que 88 % desses acidentes eram causados por atos inseguros, 10 % por condições inseguras e 2 % por causas não previsíveis. É a relação de Heinrich, 88 : 10 : 2. Desenvolveu, então, uma forma de gerenciar estes problemas dentro das empresas, privilegiando a prevenção acima de tudo. As ações de prevenção deveriam estar focalizadas inicialmente nos acidentes e suas causas, e se deveria dar menos atenção aos seus efeitos, tais como danos, ferimentos e suas causas imediatas. Para demonstrar sua teoria, desenvolveu uma relação de 300 : 29 : 1. Para cada grupo de 330 acidentes do mesmo tipo, 300 resultariam em nenhum ferimento, 29 produziriam ferimentos leves e 1 resultaria num acidente maior com afastamento.

2.3. TEORIA DE BIRD

Em 1966, Frank Bird Jr, Diretor de Serviços de Engenharia da Companhia de Seguros Americana, através da análise de 1.753.498 acidentes reportados por 297 empresas associadas, que representavam 21 tipos diferentes de organizações com cerca de 1.750.000 empregados, propôs um novo enfoque. As empresas deveriam não somente se preocupar com os danos aos trabalhadores, mas também com os danos às instalações, aos equipamentos, aos seus bens em geral. Esse enfoque foi chamado de “Loss Control, ou “Controle de Perdas, com o objetivo de dar uma abrangência maior a essas questões, tendo em vista que as causas básicas dos acidentes eram, e ainda são, de origem humana ou de falhas de material. O estudo de Bird mostrou que para cada acidente grave ou com lesão permanente - chamados de “acidentes com afastamento” - havia aproximadamente 10 lesões menores

- “acidentes sem afastamento” - e 30 danos à propriedade, reportados. Através de entrevistas com empregados com experiência em suas funções, verificou que, na

Capítulo 2. Teoria de Acidentes 10

Capítulo 2. Teoria de Acidentes

10

ocorrência de incidentes, em condições ligeiramente diferentes, teriam ocorrido cerca de 600 incidentes sem perdas. Esta relação é conhecida como pirâmide ou triângulo de Bird (figura 2.1).

como pirâmide ou triângulo de Bird (figura 2.1). Figura 2.1. Pirâmide de Bird. A relação exata

Figura 2.1. Pirâmide de Bird.

A relação exata entre acidentes e os diferentes tipos de danos não são o resultado importante desse estudo. Uma lição é que danos sérios ocorrem menos freqüentemente que os de menores danos, e estes menos freqüentemente daqueles sem danos pessoais. Estes últimos, entretanto, constituem-se numa ferramenta importante na formulação de ações de prevenção e de sistemas de gestão.

2.4. TEORIA DE FLETCHER

Em 1970, o canadense J. Fletcher ampliou a extensão deste conceito, no sentido de englobar também as questões de proteção ambiental, de segurança patrimonial e de segurança de produto, e, recentemente, de segurança de processos, criando o chamado Total Loss Controlou Controle Total de Perdas.

2.5. TEORIA DOS DOMINÓS

Baseado em seu triângulo, Bird desenvolveu uma teoria chamada de Teoria dos Dominós, conforme a figura mostrada a seguir, onde é possível verificar que um acidente ocorre por falta de gestão e de gerenciamento, e principalmente se não houver um comprometimento da alta administração.

Capítulo 2. Teoria de Acidentes 11

Capítulo 2. Teoria de Acidentes

11

Capítulo 2. Teoria de Acidentes 11 Figura 2.2. Teoria dos Dominós. O último dominó, que representa

Figura 2.2. Teoria dos Dominós.

O último dominó, que representa as perdas - relativas a pessoas (acidentes),

propriedade, processos produtivos e meio ambiente - é função de uma série de fatores decorrentes dos dominós anteriores. O dominó acidente / incidente representa o contato com energia ou substância. O de causas imediatas representa as condições que podem estar abaixo de padrões ou procedimentos (por exemplo: utilização de equipamento sem autorização ou por

incompetência; equipamento ou ferramenta defeituosa; uso incorreto de um EPI; etc.).

O de causas básicas ou fundamentais relaciona-se aos fatores pessoais ou às

condições de trabalho (por exemplo: insuficiência de capacidade física ou psicológica; falta de treinamento; equipamento ou ferramenta inadequados; normas e procedimentos inadequados; falta de supervisão; etc.).

A falta de controle ou gerenciamento indica que há falta de um sistema de

gestão ou uma não conformidade com uma norma. Esta teoria dos dominós é conhecida como Modelo Causal de Perdas, sendo o primeiro dominó à Administração, o segundo à Origem, o terceiro o Sintoma e o quarto e o quinto às Conseqüências. Os três primeiros dominós representam a fase de Pré- contato, o quarto de Contato (freqüência) e o quinto de Pós-contato (gravidade).

2.6. TEORIA DE HADDON

Em 1970, William Haddon propôs uma teoria onde a ocorrência de muitos acidentes e ferimentos envolviam a transferência de energia. Objetos, eventos ou o meio ambiente interagindo com as pessoas ilustra essa idéia:

incêndios, tornados, projéteis, veículos a motor, várias formas de radiação, etc. produzem ferimentos e doenças.

A teoria da energia sugere que quantidades de energia, meios e taxas de

transferência de energia relacionam-se com o tipo e severidade dos ferimentos. A proposta de Haddon baseia-se num modelo paralelo de ações de prevenção, em vez de um modelo serial como proposto por Heinrich. Um modelo paralelo inclui múltiplas ações operando ao mesmo tempo. Um modelo serial possui ações operando uma por vez.

Haddon observou que não há razão para selecionar uma dada estratégia de prevenção ou priorizar contramedidas de acordo com a seqüência do acidente. Qualquer medida que previna o dano é satisfatória. Existe uma exceção para esse modelo, a

Capítulo 2. Teoria de Acidentes 12

Capítulo 2. Teoria de Acidentes

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quantidade de energia envolvida. Com o aumento da quantidade de energia, contramedidas mais altas na lista são mais desejáveis.

2.7. OUTRAS TEORIAS

Existem teorias para acidentes nas quais estes podem ser causados por muitos fatores atuando juntos. A causa imediata pode ser um ato inseguro ou uma condição insegura atuando sozinho. Nas teorias de causas múltiplas, certos fatores combinam-se de maneira randômica e causando acidentes. V. L. Grose, por exemplo, propôs um modelo de fator múltiplo, conhecido como os quatros Ms: homem (man); máquina (machine); meio (media); e gerenciamento (management). Homem refere-se a pessoas; máquina a qualquer tipo de equipamento ou veículo; meio inclui coisas como, por exemplo: ambientes; estradas e tempo; gerenciamento é o contexto no qual os outros três Ms existem e operam.

é o contexto no qual os outros três Ms existem e operam. Figura 2.3. Os quatro

Figura 2.3. Os quatro Ms.

Os fatores incluídos em cada teoria de fatores múltiplos variam, sendo as características dos fatores envolvidos num acidente particular identificados. Por exemplo, as características do homem são: idade, altura, sexo, nível de conhecimento, treinamento recebido, força, motivação, estado emocional, etc. Características do meio podem incluir condições térmicas numa edificação, chuvas ou vento numa estrada, água doce contra água salgada ou a presença de um contaminante no ar. Características de gerenciamento incluem estilo de gerenciamento, estrutura organizacional, fluxo de comunicação, políticas e procedimentos. Características de máquinas podem incluir tamanho, peso, formato, fonte de energia, tipo de ação ou movimento e material de construção. Essas teorias de fatores múltiplos são bastante úteis na prevenção de acidentes. Permitem identificar quais características ou fatores estão envolvidos numa dada operação ou atividade. As características podem ser analisadas para mostrar qual a

Capítulo 2. Teoria de Acidentes 13

Capítulo 2. Teoria de Acidentes

13

combinação mais provável de causar um acidente ou perdas. Métodos estatísticos podem ser utilizados para analisar as características. Árvores de falhas, árvores de eventos e outros métodos são também usados para estabelecer associações entre características e suas relações com danos, ferimentos, doenças e morte. Muitos dos métodos usados não estabelecem causa e efeito, mas somente relações.

Quadro 2.1.

Desenhe o diagrama de Ishikawa (também chamado “Espinha de Peixe” ou

“4Ms”). Você consegue propor outros tipos de Ms?

Sugestão de solução:

Material, Máquina, Método, Mão-de-Obra,

(Meio

Ambiente),

(Medição

ou

(Management) e (Money).

Monitoramento),

(Manutenção),

Capítulo 2. Teoria de Acidentes 14

Capítulo 2. Teoria de Acidentes

14

2.8. GESTÃO DE ACIDENTES

Dessa maneira não se pode mais falar em Ato ou Condição Insegura e começa-se a falar em Causas Básicas ou Fundamentais, Causas Imediatas, Perdas , Falta de Controle / Gerenciamento ou Gestão. Apesar das taxas de ferimentos ou mortes haverem diminuído como decorrência desses enfoques e das legislações e regulamentações criadas, o público ainda não está satisfeito plenamente com a proteção oferecida em relação ao risco tecnológico. Em recentes pesquisas de opiniões americanas, 50 % dos entrevistados alegaram que o governo está realizando menos do que poderia fazer para obrigar as grandes empresas a terem uma atitude mais compatível, no tocante a aumentar a proteção da população, quanto aos riscos industriais e tecnológicos criados por essas empresas.

Capítulo 2. Teoria de Acidentes 15

Capítulo 2. Teoria de Acidentes

15

2.9. TESTES

1.

O que é um desastre?

a)

Acidente com alta gravidade.

b)

Acidente com alta freqüência.

c)

Acidente decorrente da tecnologia.

d)

Acidente decorrente de fatores naturais.

e)

Acidente decorrente de alta velocidade.

2.

Os desastres com maior número de mortes foram causados:

a)

Pelo trânsito.

b)

Pelo rompimento de represas.

c)

Pela tecnologia.

d)

Pela natureza.

e)

Por explosões.

3.

Acidente é a principal causa de mortes das pessoas com idade:

a)

Entre 0 e 1 ano.

b)

Entre 1 e 45 anos.

c)

Entre 45 e 65 anos.

d)

Acima de 65 anos.

4.

Os acidentes mais comuns na sociedade são:

a)

Cortes e atropelamentos.

b)

Quedas e armas de fogo.

c)

Trânsito e quedas.

d)

Armas de fogo e trânsito.

e)

Atropelamentos e armas de fogo.

5.

A principal fonte de dados para os estudos de Heinrich e Bird foi:

a)

Estatísticas do governo.

b)

Pesquisas junto às indústrias.

c)

Pesquisas junto a hospitais.

d)

Dados de companhias de seguros.

e)

Dados de concessionárias de veículos.

6.

A proporção da pirâmide de Heinrich é:

a)

88:10:2.

b)

300: 30:10:1.

c)

30:10:1.

d)

600: 30:10:1.

e)

44:5:1

Capítulo 2. Teoria de Acidentes 16

Capítulo 2. Teoria de Acidentes

16

7.

O Controle Total de Perdas foi proposto por:

a)

Heinrich.

b)

Fletcher.

c)

Bird.

d)

Haddon.

e)

Ishikawa.

8.

Outro nome para o Modelo Causal de Perdas:

a)

Pirâmide de Bird.

b)

Teoria dos Fatores Múltiplos.

c)

Teoria do Dominó.

d)

Pirâmide de Fletcher.

e)

Teoria de Heinrich.

9.

Outro nome para causas fundamentais:

a)

Causas imediatas.

b)

Causas gerenciais.

c)

Causas básicas.

d)

Causas reais.

e)

Causas fundamentalistas.

10. Faz parte do diagrama de Ishikawa:

a) Melhoria.

b) Mulher.

c) Modelo.

d) Método.

e) Mercado.

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 17

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

17

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 17 CAPÍTULO 3. INTRODUÇÃO À GESTÃO DE RISCOS. OBJETIVOS

CAPÍTULO 3. INTRODUÇÃO À GESTÃO DE RISCOS.

OBJETIVOS DO ESTUDO

Apresentar os diferentes tipos de riscos aos quais as organizações estão sujeitas e a necessidade de seu gerenciamento eficaz para permitir a tomada de decisão baseada em riscos; definir os conceitos de sistema e processo e a ferramenta do PDCA para a gestão da melhoria dos riscos; iniciar a análise dos diferentes níveis de risco e sua relação com a aceitação de riscos; apresentar as etapas do gerenciamento de riscos.

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 18

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

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3.1. INTRODUÇÃO

De certa maneira, o conceito de Risco está relacionado com a incerteza e a variabilidade, enquanto a sua gestão envolve tudo que uma organização faz ou fornece. Numa visão abrangente pode-se considerar riscos para as organizações humanas, como:

a) Especulativos, relacionados à possibilidade de ganho ou chance de perda;

b) Administrativos, dependente de decisões gerenciais:

1. riscos de mercado;

2. riscos financeiros;

3. riscos de produção;

c) Políticos, vinculados às leis, decretos, portarias, etc.;

d) Inovação, relacionados às novas tecnologias, novos produtos, etc.

O Gerenciamento de Riscos como visto pela Engenharia de Segurança está mais relacionado com os riscos tecnológicos. A Tecnologia sempre foi uma variável importante no estudo da teoria das organizações. Antes da Revolução Industrial, a Tecnologia representava apenas um conjunto de conhecimentos práticos, sem qualquer preocupação de base teórica. Esses conhecimentos práticos levaram a invenção de mecanismos como a roda, os moinhos d' água e de vento, os teares entre outras coisas. Modernamente, o conceito de tecnologia está mais ligado ao desenvolvimento industrial, e, portanto, sua evolução passou a ser cada vez mais rápida. Não há discordância sobre isso; é claro que as mudanças da tecnologia têm sido cada vez mais intensas, em busca de uma maior competitividade. Longo (1996), por exemplo, define tecnologia como o conjunto organizado de todos os conhecimentos científicos, empíricos ou intuitivos, empregados na produção e comercialização de bens e serviços. A Tecnologia fez com que ocorressem mudanças importantes nas organizações humanas. O trabalho manual cedeu lugar á automação e industrialização, com o conseqüente aumento das taxas de produção. Algumas destas mudanças tiveram uma contribuição para uma melhoria sensível da sociedade, enquanto outras contribuíram de maneira negativa. Algumas contribuíram para a melhoria de qualidade de vida, outras criaram novos problemas econômicos, sociais, políticos, ambientais ou de segurança e saúde. Por exemplo, houve uma elevação do padrão de vida da humanidade aumentando, conseqüentemente, a média de vida do ser humano (de 35 anos, durante a Revolução Industrial, para 70 anos atualmente nos países desenvolvidos), principalmente pela redução da mortalidade devida a causas naturais (dentre outras, as doenças e epidemias). Em função dessa melhoria, agora a atenção dos seres humanos se volta no sentido de evitar que a mortalidade decorra de causas não naturais. Com essa melhoria de qualidade de vida, a população humana aumentou de 0,3 bilhões no ano 1 D.C. para 1,1 bilhões em 1850 e para mais de 6 bilhões hoje em dia.

Este aumento criou novas demandas de recursos naturais disponíveis. Outra mudança importante ocasionada pela Tecnologia é o aumento de velocidade no transporte de

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 19

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

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pessoas e de cargas, nos meios de comunicação, no fluxo de informações e conseqüentemente, na criação de novos materiais. A inovação tecnológica, por outro lado, não somente, introduziu novos métodos,

produtos, processos e equipamentos para a melhoria da qualidade de vida dos seres humanos, mas também novos riscos [TARALLI, 1999]. Como resposta a esses riscos,

a sociedade criou inicialmente regulamentações e legislações voltadas mais a uma

preocupação na reparação de danos à saúde e integridade física dos trabalhadores e ao meio ambiente. A Agenda 21, por exemplo, em seu capítulo 4 afirma que "as principais causas

da deterioração ininterrupta do meio ambiente mundial são os padrões insustentáveis de consumo e produção, especialmente nos países industrializados" [CETESB, 1998]. Meio ambiente e tecnologia estão, de certa maneira, intimamente relacionados.

A tecnologia traduz ou reflete valores de quem a desenvolve ou a utiliza em relação à

Natureza. Não obstante, as relações entre ambos não são simples e muito menos lineares, fazendo com que esse tema inovação e riscos se mantenha permanentemente envolto em acirradas polêmicas [BARBIERI, 1996]. Promover, portanto, o desenvolvimento procurando evitar a geração de graves acidentes (ambientais e de segurança) passou a ser o grande desafio para as organizações humanas. Kletz (1993) indica, por exemplo, que graves acidentes são uma das principais causas de mudanças na área de segurança. Maior o número de perdas de vidas, o dano e os problemas ambientais conseqüentes, maior a probabilidade de que ocorrerá uma mudança. De qualquer maneira, Kletz aponta que a ocorrência de mudanças não

é somente resultado de acidentes sérios. Do ponto de vista de meio ambiente e de segurança, o processo de industrialização sempre esteve voltado para um modelo econômico que levava a uma grande destruição do meio ambiente físico, social e econômico. Victória Chitepo mostra bem essa proposição, quando diz que:

"Os grandes feitos da tão celebrada Revolução Industrial estão começando a ser seriamente questionados, sobretudo porque na época não se levou em conta o meio ambiente. Achava-se que o céu era tão vasto e claro que nada jamais mudaria sua cor; que os rios eram tão grandes e suas águas tão abundantes que as atividades humanas jamais lhes alterariam a qualidade; e que as árvores e florestas eram tantas que jamais acabaríamos com elas“ [In CMMAD, 1991, p. 37].

Esse foi o pensamento da Revolução Industrial e, pode-se afirmar que ele permeou todo o processo de industrialização até pouco tempo, isto é, produzir a qualquer custo sem levar em conta a preservação do meio ambiente e segurança e saúde no trabalho. É a chamada lógica do quanto mais, melhor. Observa-se que o aumento do interesse público sobre problemas de meio ambiente, segurança e saúde é cada vez mais maior. Uma recente pesquisa, nos Estados Unidos, nas indústrias de refinação e petroquímicas encontrou que todas as empresas pesquisadas estão direcionando recursos para programas com as partes interessadas, principalmente as comunidades. Sem esse suporte das comunidades e do público, as empresas vêm considerando ser difícil e custoso investir em expansões das unidades, recuperações de solos contaminados, e a implementação de novos produtos. As organizações

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 20

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

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devem agora operar numa maneira que assegure sua “licença para inovar”, e que é crítica para ter-se sucesso num prazo longo [LARSON et al., 2000]. Infelizmente, mudar um processo de fabricação para acomodar uma nova tecnologia que encoraje, por exemplo, a prevenção de perdas, nunca é uma decisão fácil. Esta resistência a mudanças, às vezes, é tão difícil de vencer que, mesmo empresas que são consideradas líderes em inovações tecnológicas tem dificuldades quando se trata de estudos de inovação voltados para a prevenção de perdas. Muitas empresas simplesmente falham tanto em pesquisar essas novas tecnologias, quanto em reconhecer a habilidade dessas “tecnologias seguras e limpas” em fornecer um retorno razoável do investimento, numa relação custo-benefício [POSAJEK, 1999]. Tudo isso está relacionado, de certa maneira, com o processo de inovação tecnológica e a implantação de tecnologias mais seguras e mais limpas. Ou seja, a utilização contínua de uma estrutura ambiental integrada, preventiva e aplicada visando a aumentar a eco-eficiência e reduzir riscos para os seres humanos e para o meio ambiente [MALAMON, 1996; OCDE, 1995]. As inovações de caráter preventivo que consistem tanto na redefinição dos processos de produção quanto na de composição de insumos e aquelas que substituem os produtos altamente tóxicos por outros menos tóxicos constituem exemplos de Tecnologias Mais Limpas e Mais Seguras [MALAMON, 1996; OCDE,

1995].

3.2. CONCEITOS INICIAIS DE ANÁLISE DE RISCOS TECNOLÓGICOS

O interesse público em relação ao tema da análise de riscos vem crescendo e

expandindo-se na última década. Além disso, durante os últimos vinte anos, a análise de riscos vem se tornando um procedimento efetivo e compreensivo que busca suplementar e complementar o gerenciamento global de quase todos os aspectos da vida do ser humano.

A gestão da saúde, do meio ambiente, e dos sistemas de infra estrutura física

(por exemplo: recursos hídricos, transporte, e energia elétrica, para citar alguns) incorpora a análise de riscos nos seus processos de decisão.

A tomada de decisões baseada em riscos é um termo usado para indicar que

algum processo sistemático que se relaciona com incertezas está sendo usado para formular políticas e estimar seus impactos. Profissionais e gerentes numa organização industrial, governamental e universitária estão devotando uma grande parte de seu tempo e recursos para a tarefa de melhorar seu conhecimento e enfoque na tomada

de decisão baseada em análise de riscos. Para orientar os diversos tipos de

organização na gestão de seus riscos, alguns países já elaboraram normas com esta finalidade, como a australiana-neo-zelandesa AS/NZS 4360:2004.

A adaptação da análise de riscos nas mais diferentes disciplinas e o seu uso

pelas organizações industriais e pelas agências governamentais na tomada de decisões vem possibilitando um desenvolvimento rápido de sua teoria, metodologia e ferramentas práticas. Áreas como projeto, desenvolvimento, integração de sistemas,

construção, meio ambiente vem utilizando conceitos, ferramentas e tecnologias de análise de riscos. O mesmo se aplica para estudos de confiabilidade, controle de qualidade e na estimativa de custos e de cronogramas e no gerenciamento de projetos.

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 21

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

21

O desafio que a sociedade humana tem atualmente é que todo esse

conhecimento ainda não foi totalmente duplicado, compartilhado e transferido de um campo de comportamento para outro. Isto implica no estabelecimento de um esforço contínuo no entendimento de relações comuns e diferenciais entre os diferentes campos de conhecimento para o benefício mútuo da sociedade como um todo. Tal transferência de conhecimento tem sido sempre a chave para o avanço das ciências

natural, social e comportamental e da própria engenharia.

3.3. CONCEITO DE RISCO E DE SISTEMAS DE GERENCIAMENTO

A medição do risco como função de uma probabilidade e gravidade leva em consideração o aspecto quantitativo, desconsiderando a noção de valor. Por exemplo, ao considerar-se duas cidades A e B, onde o risco de acidente fatal pode ser descrito da seguinte maneira:

 

Probabilidade de ocorrência do acidente

Gravidade do acidente

Risco do acidente

Cidade A

1000 / ano

1 morte / acidente

1000

mortes/ano

Cidade B

0,1 / ano

10000 mortes/acidente

1000

mortes/ ano

A cidade A pode ser considerada como sendo tipicamente uma metrópole e o acidente em questão ser devido ao trânsito. Ao longo de 10 anos, o total de mortos seria de 10000. Já na cidade B ocorrem 0,1 acidentes / ano. No entanto, cada

acidente gera 10000 mortes (acidente tipo terremoto). Em 10 anos, ter-se-ia, como na cidade A, 10000 mortes. Em qual cidade você gostaria de morar?

Se você respondeu A, estará dentro da grande maioria, que acha “normal“

morrerem 10000 pessoas por ano em acidentes de trânsito, mas, não admitem, como na cidade B, um acidente único gerador de 10000 mortes, mesmo que sua probabilidade seja baixa. Este é o conceito de valor associado ao risco, o qual poderá ser percebido de

maneira diferente pelas pessoas em função da época, local onde moram, cultura e sua história. Portanto, tem-se aqui um certo número de abordagens possíveis:

Um exame da situação existente permite definir um risco intrínseco que resulta numa situação indesejável ou numa situação aceitável;

Se a situação é aceitável, ela será aceita e assumida e o risco será considerado como estando gerenciado;

Se a situação é indesejável. então iniciar-se-a uma fase de análise

meios de prevenção e de proteção que

permitam atingir uma situação aceitável, isto é o gerenciamento do risco.

visando colocar em prática

Pode-se definir:

Prevenção - Diminuição da probabilidade de ocorrência do evento

indesejável

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 22

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

22

Proteção - Diminuição da gravidade das conseqüências do evento indesejável

É fato que o risco percebido é quase sempre diferente do risco avaliado. Isto pode ser ilustrado pela comparação entre os dados relacionados às viagens em avião comparadas com as em automóvel (ver tabelas 3.1, 3.2 e 3.3). O risco de acidente é bem menor em viagens em avião do que em automóvel, mas as pessoas, em geral, percebem o inverso. Por exemplo, segundo a Organização Mundial de Saúde, as chances de uma pessoa contrair Aids são de 1 em 18.000. Por essa lógica, as pessoas deveriam temer muito mais a morte no trânsito do que de Aids. Entretanto, como a morte de um jovem por Aids é um evento mais raro do que um atropelamento fatal, a imprensa vai dar sempre mais destaque à doença. Isso cria um medo infundado maior da Aids do que do trânsito. A mesma coisa ocorre com relação ao medo de voar. Como são mais raros os acidentes aéreos, eles sempre vão ter mais destaque na imprensa do que os de automóvel. A probabilidade de morrer num acidente aéreo é de 0,2 em 1 milhão, menor do que a de ser atingido por um raio (1,1 em 1 milhão) - e bem menor do que a probabilidade de morrer num acidente de trânsito no Brasil, que é de 2,7 em 100!! O mesmo se aplica para o comportamento das pessoas e organizações, que tomam uma série de medidas de proteção após a ocorrência de uma grande catástrofe. Outro aspecto importante a ser considerado é muito comum na atividade industrial avaliações de riscos realizadas independentemente por diferentes áreas (segurança, econômica, mercado, finanças) com diferentes grupos de especialistas. Pode ocorrer que um dado grupo desconheça ou mesmo despreze os riscos avaliados pelos outros grupos. Outra dificuldade está relacionada com o balanço adequado de medidas de prevenção e proteção a serem tomadas, esquecendo-se de levar em conta o risco de perder e o de não ganhar. Por exemplo, os dispositivos de proteção de instrumentação de segurança de um determinado sistema devem ser previstos de acordo com um balanço prévio entre o risco de não operar quando deve e, portanto, não proteger, e o de operar quando não deve e, portanto, deixar de produzir. Nem sempre riscos ambientais têm um tratamento objetivo e normalizado. Por exemplo, têm-se os riscos relacionados a interesses comerciais, ou resultantes de campanhas movidas contra alguns tipos de produtos, sendo difícil estabelecer os limites entre a preocupação com o meio ambiente e o protecionismo comercial camuflado. Organizações que procuram estabelecer uma imagem ambiental, mas trabalham com produtos potencialmente perigosos, ou que estão instaladas em áreas críticas, devem adotar uma postura pró-ativa em relação aos riscos que podem causar.

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 23

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

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Tabela 3.1. Elenco de alguns desastres, naturais e causados pela tecnologia humana.

EVENTO

LOCALIZAÇÃO

NÚMERO DE MORTES

INUNDAÇÃO

HWANG-ho CHINA

3.700.000 (1931)

TERREMOTO

SHENSI CHINA

830.000

(1556)

TSUNAMI

INDONÉSIA

+ de 200.000 (2004)

DESABAMENTO

KANSU CHINA

200.000

(1920)

AVALANCHE DE NEVE

HUARASA PERÚ

+/- 5.000 (1941)

ROMPIMENTO DE REPRESA

SOUTH FORK EUA

2.209

(1889)

INCÊNDIO ( PRÉDIO )

TEATRO CHINA

1.670

(1845)

EXPLOSÃO

HALIFAX CANADÁ

1.963

(1917)

MINA

HONKEIKO CHINA

1.572

(1942)

VAZAMENTO DE GASES TÓXICOS

BHOPAL ÍNDIA

+/- 4.000 (1984)

FERROVIA

MODANE FRANÇA

543

(1917)

QUEDA DE AVIÃO

KLM/PANAM TENERIFE

579

(1977)

RODOVIA

SOTOUBANA TOGO

125

(1965)

Tabela 3.2. Perigos/Riscos (EUA, 1975)

Viagem em automóvel

56.000

casos mortais

Atividade profissional

14.200

casos mortais

2,5 x 106 acidentes com incapacidade

Viagem em avião

1.550

casos mortais

Natação

7.300

afogados

Permanecer em casa

6.800

casos mortais, resultantes de 7.500 incidentes

Ir à Igreja

10 a 15 casos mortais resultantes de 4.300 incidentes

Comer um filé de carne

3.000

mortes por engasgamento

Jogar golf

150 mortes por raio

Acidentes em instalações nucleares

nenhum ( até 1975 )

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 24

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

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Tabela 3.3. Comparação de alguns riscos comuns USA 2003.

Risco

Probabilidade de Morte

Ataque cardíaco

1 chance em 300

Câncer

1 chance em 509

Atingido por uma arma de fogo

1 chance em 9450

Acidente de carro

1 chance em 18800

AIDS

1 chance em 19400

Tombo

1 chance em 20700

Câncer de pele

1 chance em 37900

Atropelamento

1 chance em 45200

Acidente de trabalho

1 chance em 47600

Acidente de moto

1 chance em 118000

Gripe espanhola

1 chance em 159000

Afogamento

1 chance em 225000

Acidente de bicicleta

1 chance em 341000

Acidente de barco

1 chance em 402000

Vacina contra varíola

1 chance em 750000

Raio

1 chance em 4.260.000

Acidente de ônibus

1 chance em 4.400.000

Acidente de trem

1 chance em 5.050.000

Terremoto

1 chance em 5.930.000

Esquiando na neve

1 chance em 6.330.000

Avalanche

1 chance em 8.140.000

Acidente de avião

1 chance em 8.450.000

Ataque terrorista

1 chance em 9.270.000

Atacado por um cachorro

1 chance em 10.900.000

Enchente

1 chance em 18.200.000

Montanha russa

1 chance em 70.000.000

Malária

1 chance em 93.800.000

Ataque de tubarão

1 chance em 94.900.000

Risco, como uma medida da probabilidade e severidade de efeitos adversos, é um conceito que muitas pessoas têm dificuldade de compreender, e sua quantificação tem sido um desafio e até confundido tanto pessoas leigas, quanto técnicos. Há inúmeras razões para tanto. Um dos elementos fundamentais que causa esta confusão e não entendimento do conceito de risco é que este se compõe de dois conceitos diversos. É uma composição e mistura complexa de dois componentes: um real (o dano potencial, ou efeitos e conseqüências adversos desfavoráveis), o outro um imaginado, baseado em modelo matemático, conhecido como probabilidade. Esta, por si, é intangível, entretanto ela está sempre presente na tomada de decisões baseada em riscos. Além

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 25

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

25

disso, a medida da probabilidade, que domina a mensuração do risco, é por si mesma incerta, principalmente para eventos raros e extremos, como quando existe um elemento de surpresa. Dessa maneira deve-se procurar através de um esforço concentrado, balancear as dimensões quantitativas e empíricas da estimativa e do gerenciamento do risco com os aspectos qualitativos e normativos da tomada de decisão em situações de

risco e de incerteza. Em particular, buscar selecionar métodos e ferramentas analíticos. A metodologia de gerenciamento de riscos que será apresentada baseia-se na premissa que sistemas complexos, tais como sistemas de controle de tráfego aéreo, podem ser estudados e modelados nas mais diferentes maneiras. Como tais complexidades não podem ser adequadamente modeladas ou representadas através de um modelo ou visão simples, levar em consideração tais visões passam a ser inevitável. Isto pode realmente ser útil quando se providenciam uma apreciação holística das inter-relações entre os vários componentes, aspectos, objetivos e tomada de decisões associadas com um sistema. Torna-se, portanto, necessário definir-se sistema como sendo uma coleção de componentes, conectados por algum tipo de interação ou relacionamento, sendo capaz de responder a estímulos ou demandas, e de realizar algum propósito ou função. Cada componente responde ao estímulo de acordo com a sua natureza, porém o estímulo recebido, assim como o comportamento do componente é condicionado pela sua interação com os demais componentes. As seguintes características são inerentes a um sistema [GUALDA, 1995]:

1. Há algum propósito a ser satisfeito ou alguma função a ser realizada;

2. Há um número de componentes (pelo menos dois) que podem ser

identificados como integrantes do problema, cada componente possuído atributos capazes de permitir a sua descrição;

3. Os componentes se relacionam de maneira consistente, obedecendo à natureza da interface entre eles;

4. Há restrições que restringem o comportamento e a resposta individual de

cada componente. Há, também, a necessidade de introduzir conceitos de abordagem de processos, onde se pretende que um resultado desejado seja alcançado com mais eficiência, quando atividades e seus recursos são tratados como um processo. Define-se processo conforme a ISO 9000:2000, como o conjunto de atividades inter- relacionadas ou interativas que transforma insumos (entradas) em produtos (saídas),

conforme Figura 3.1. Entradas e saídas podem ser tangíveis ou intangíveis. Exemplos de entradas e saídas podem incluir equipamentos, materiais, componentes, energia, informação e recursos financeiros, entre outros. Para desenvolver atividades dentro de um processo, devem ser alocados recursos apropriados.

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 26

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

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Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 26 Figura 3.1. Abordagem de Processo. Utiliza-se para essa

Figura 3.1. Abordagem de Processo.

Utiliza-se para essa abordagem o modelo “Planejar- Executar- Checar- Agir”, que foi desenvolvido primeiro na década dos anos 20, do século XX, por Walter Shewhart, e foi popularizado, mais tarde, por W. Edwards Deming. Por esta razão ele é freqüentemente chamado de “O círculo de Deming”. O conceito PDCA é algo que está presente em todas as áreas das nossas vidas profissionais e pessoais, sendo usada continuamente, tanto formalmente quanto informalmente, consciente ou inconscientemente em tudo o que nós fazemos. Toda atividade, não importando quão simples ou complexa, entra nesse ciclo sem fim.

Tabela 3.4. PDCA

“Plan”

Estabelecer os objetivos e processos necessários para fornecer resultados de acordo com os requisitos do cliente e políticas da organização

(planejar)

“Do”(fazer)

Implementar os processos.

“Check”

Monitorar e medir processos e produtos em relação às políticas, aos objetivos e aos requisitos para o produto e relatar os resultados.

(checar)

“Act” (agir)

Executar ações para promover continuamente a melhoria do desempenho do processo.

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 27

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

27

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 27 Figura 3.2. O Ciclo PDCA, de Deming. O

Figura 3.2. O Ciclo PDCA, de Deming.

O PDCA é um modelo dinâmico que pode ser desdobrado dentro de cada um dos processos da organização, e para o sistema de processos como um todo. É intimamente associado com o planejamento, implementação, controle e melhoria contínua, tanto da realização de produto quanto de outros processos, como por exemplo, o Gerenciamento de Riscos (ISO 9000:2000).

O PROCESSO DE MELHORIA Toda ação de melhoria ou implantação de uma mudança deve passar
O PROCESSO DE MELHORIA
Toda
ação
de
melhoria
ou
implantação de uma mudança deve
passar por 4 etapas:
 Planejamento,
 Desenvolvimento,
 Checagem, e
 Ação.
O gerenciamento através do PDCA
confere
continuidade às ações,
direcionando-as ao aperfeiçoamento
contínuo.

Figura 3.3. O Processo de Melhoria através do PDCA.

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 28

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

28

APLICAR / AGIR:

 

Sobre os desvios encontrados na análise entre o Planejado e o Realizado, deve-se decidir por ajustes visando a efetivação da melhoria, considerando, se necessário:

Disposições;

Ações Corretivas;

Ações Preventivas.

Oportunidades de Melhorias e/ou Problemas Potenciais identificados alimentam a melhoria

contínua do processo, realimentando o ciclo PDCA.

PLANEJAMENTO:

O sucesso do trabalho depende da atuação cuidadosa e sistêmica na aplicação das etapas:

Identificação do problema,

Priorização,

Busca das causas,

Definição de alternativas de solução,

Planejamento das ações.

A

divulgação dos resultados obtidos é fator

de grande influência no aspecto motivacional relacionado à sistematização da metodologia PDCA

Evitar sempre que puder decidir por intuição, utilizar os indicadores.

 
 
 
 
 
 

CONTROLE (CHECAGEM):

DESENVOLVIMENTO:

análise dos dados coletados / registrados,

deve permitir a comparação contra o planejamento,

para verificar se as ações foram implementadas e atingiram seus objetivos, tais como:

A

Eventos;

Datas;

Tempos;

Medidas;

Clima;

Expectativas

As ações de execução devem seguir o plano de melhoria definido, colocando em prática todas as ações determinadas e, respeitando:

Prazos;

Responsabilidades;

Autoridades;

Necessidades de Treinamento;

Geração de registros;

Clima motivador;

A

implementação está associada à

Clareza quanto aos resultados esperados.

Eficiência ou, emprego de recursos disponíveis;

O

atingimento dos objetivos está associado

 

à Eficácia, ou eliminação da situação indesejável ou causa raiz do problema.

Figura 3.4. Fases do PDCA.

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 29

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

29

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 29 Figura. 3.5. Processo de solução de um problema

Figura. 3.5. Processo de solução de um problema baseado no PDCA.

Um outro principio importante é de Abordagem de Sistema para a Gestão (System Approach to Management), que estabelece que “Identificar, entender e

administrar processos inter-relacionados como um sistema contribui para a efetividade e eficiência da organização em alcançar seus objetivos”. A abordagem de processo enfatiza a importância de:

Entendimento e atendimento de requisitos de um Sistema de Gerenciamento de Riscos;

Necessidade de considerar os processos em termos de valor agregado;

Obtenção de resultados de desempenho e eficácia de processo;

Melhoria contínua dos processos, baseada em medições objetivas.

Além disso, a necessidade de se empregar um enfoque holístico, faz com que a realização de um processo de estimativa e gerenciamento de risco passe a ser uma mistura de arte e ciência. Pois, embora, a formulação e a modelagem matemática de um problema seja importante para a tomada de decisão, elas não são suficientes para aquele propósito. Claramente, considerações institucionais, organizacionais, gerenciais, políticas e culturais, entre outras, podem ser tão importantes quanto os aspectos científicos, tecnológicos, econômicos ou financeiros e devem ser levados em consideração num processo de tomada de decisão. Considere-se, por exemplo, a proteção e o gerenciamento de um sistema de abastecimento de água. É possível levar em consideração a natureza holística do sistema em termos da sua estrutura de tomada de decisão hierárquica incluindo os diferentes horizontes temporais, os múltiplos tomadores de decisão, parte interessadas e usuários, assim como condições e fatores hidrológicos, tecnológicos,

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 30

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

30

legais e sócio-econômicos que requerem consideração. A efetiva identificação dos riscos para os quais qualquer sistema de abastecimento de água está exposto é melhorada se forem considerados todos os riscos reais, percebidos ou imaginários a partir de suas múltiplas decomposições, visões e perspectivas.

Quadro 3.1.

Desenhe o ciclo do PDCA, resuma e indique nele as principais características

de cada etapa.

Sugestão de solução:

1. Planejamento identificar do problema, priorizar, buscar de causas e

alternativas de soluções, planejar (o quê, onde, quando, quem, como);

2. Desenvolvimento cumprir o plano, respeitando prazos,

responsabilidades etc.;

3. Controle ou Checagem analisar os dados e verificar se as ações foram

cumpridas conforme o plano (prazos, responsabilidades etc.)

4. Ação ações corretivas e preventivas sobre os desvios e identificação

das oportunidades de melhorias a serem realizadas no ciclo seguinte.

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 31

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

31

3.4. NECESSIDADE DE GERENCIAMENTO DE RISCOS

O gerenciamento de riscos, como parte do gerenciamento global de um sistema,

é particularmente importante no gerenciamento de sistemas tecnológicos, onde a falha do sistema pode ser causada pela falha do “hardware”, “software”, da organização, ou dos seres humanos envolvidos.

O termo gerenciamento pode ter vários significados de acordo com a disciplina

envolvida. Gerenciamento de riscos geralmente é distinto de análise de riscos, apesar de que se pode usar o termo gerenciamento de riscos para o inteiro processo de análise e gerenciamento de riscos. Na análise de riscos procura-se responder às seguintes questões:

O que pode acontecer de errado?;

O que poderia acontecer de errado?;

Quais as conseqüências?.

Responder a essas questões ajuda o analista de riscos a identificar, medir, quantificar e avaliar riscos e suas conseqüências e impactos. No processo de gerenciamento de riscos, por sua vez, procura-se a resposta às seguintes questões:

O que pode ser feito?

Quais as alternativas disponíveis, e quais os benefícios em termos de custo?

Quais são os impactos das atuais decisões gerenciais sobre opções futuras? Esta última questão é a mais crítica para qualquer tomada de decisão. Isto é verdadeiro porque a menos que os impactos positivos e negativos de decisões atuais sobre opções futuras tenham sido avaliados na medida do possível essas decisões não podem ser consideradas como “ótimas”. Ou seja, a análise e o gerenciamento de riscos são essencialmente uma síntese de esforços empíricos e normativos, quantitativos, qualitativos, objetivos e subjetivos. De certa maneira até cerca de 1980 nenhum esforço era feito no sentido de se fazer uma análise sistemática de todos os riscos com relação à probabilidade de ocorrência ou quanto a seus efeitos. Também os investimentos em segurança e políticas de segurança, referentes ao controle dos riscos principais, não estavam baseados em estudos adequados. A sociedade assumia uma posição de espera. Ocorrendo um desastre, tomavam-se as precauções necessárias, e freqüentemente com base em reações emocionais, sem a preocupação de analisar todas as conseqüências e/ou alternativas. Ou seja, após um grave incidente, como o vazamento de uma substância tóxica ou uma explosão em uma fábrica, a mesma era fechada ou se tomavam precauções extremamente severas sem que se fizesse, primeiramente, um estudo acurado. Por outro lado, os acidentes industriais, em particular na década de 80 do século XX, e o aumento de acidentes nos locais de trabalho ocorridos nos últimos anos, contribuíram de forma significativa para despertar a atenção das autoridades governamentais, da indústria e da sociedade como um todo, no sentido de buscar

mecanismos para a prevenção desses episódios que comprometem a segurança das pessoas e a qualidade do meio ambiente.

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 32

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

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Assim, as técnicas e métodos já amplamente utilizados nas indústrias bélica, aeronáutica e nuclear passaram a ser adaptados para a realização de estudos de análise e avaliação dos riscos associados a outras atividades industriais, em especial nas áreas de petróleo, química e petroquímica. As seguintes premissas e necessidades devem ser levadas em consideração para a necessidade de realização de estudos e de gerenciamento de riscos:

1. Cada vez mais os órgãos de fiscalização e os legisladores têm

cobrado a necessidade de realização de estimativas e de gerenciamento de riscos mais explicitamente para as áreas de proteção ambiental e de saúde, segurança do ser humano ou industrial. No Brasil, em particular no Estado de São Paulo, com a publicação da Resolução No 1, de 23/01/86, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), que instituiu a necessidade de realização do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do respectivo Relatório

de Impacto Ambiental (RIMA) para o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente, os estudos de análise de riscos passaram a ser incorporados nesse processo, para determinados tipos de empreendimentos, de forma que, além dos aspectos relacionados com a poluição crônica, também a prevenção de acidentes maiores fosse contemplada no processo de licenciamento. (CETESB, 1999);

2. A modelagem e estimativa de riscos necessariamente conduzem a

objetivos não comensuráveis e conflitantes. Invariavelmente, a redução ou a gestão do risco leva a necessidade de gastar fundos. Então, no nível de modelo mais simples, ao mínimo dois objetivos devem ser considerados:

minimização e gestão do risco (por exemplo: risco ambiental; risco de saúde, risco de falha) e minimização do custo associado para alcançar estes objetivos;

3. Risco tem sido geralmente quantificado através de uma fórmula

matemática de expectativa. Fundamentalmente, o conceito matemático de

valor esperado pré-mensura eventos de conseqüências extremas ou

catastróficas de baixa freqüência com eventos de alta freqüência de pequeno ou nenhum impacto. Embora a expectativa matemática forneça uma medida valiosa do risco, falha em reconhecer ou acentuar eventos de conseqüências extremas;

4. Uma das tarefas mais difíceis é como modelar um sistema. Existe

uma série de teorias e metodologias para a resolução de problemas isto é, otimizar um modelo de sistema pré-assumido. Como não se pode gerenciar riscos a menos que ele tenha sido apropriadamente estimado e que o melhor processo de estimativa é realizado através de alguma forma de modelo, portanto o processo de modelização torna-se uma etapa imperativa numa estimativa e gerenciamento de riscos sistêmicos. Muitas pessoas consideram o campo de análise de riscos como uma disciplina separada, independente e bem definida. Entretanto, a teoria e metodologia de análise de riscos devem ser vistas no contexto mais amplo de modelagem e otimização de

sistemas. Este enfoque filosófico legitima a pedagogia da separação e subseqüente integração da modelagem do risco (estimativa do risco) e otimização e implementação

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 33

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

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de sistemas (gerenciamento de riscos). Permite, também, ao analista de riscos beneficiar-se plenamente da utilização de teorias, metodologias, ferramentas e experiência geradas sob a mais ampla rubrica de análise de sistemas e engenharia de sistemas. Sem dúvida, torna-se imperativo em qualquer análise de riscos o uso de conceitos fundamentais como modelagem, otimização, simulação, regressão, análise de falhas, árvores de decisões, árvore de eventos, e inúmeras outras ferramentas utilizadas para a tomada de decisões.

3.5. SISTEMAS DE GESTÃO DE RISCOS

A idéia, conceito ou processo de sistema de gerenciamento de riscos , como já

descrito anteriormente, tem o propósito específico de eliminar falhas ou probabilidades

de falhas - que possam levar a acidentes e danos potenciais -, bem como diminuir suas conseqüências, nas fases de: projeto, construção e montagem, partida e operação de um sistema. Apesar de “segurança” ter sido tradicionalmente definida como sendo uma situação livre de condições que possam causar mortes, ferimentos, doenças e danos ou perda de equipamentos, reconhece-se que essa definição é de alguma maneira irreal.

Essa definição indicaria que quaisquer sistemas contendo algum grau de risco são considerados inseguros. Obviamente isso não é lógico, já que quase todo sistema que produz benefícios no nível pessoal, social, tecnológico, científico ou industrial contém um elemento de risco indispensável. Por exemplo, equipamentos de segurança não são inteiramente seguros, apenas mais seguros que suas alternativas. Eles apresentam um nível de risco aceitável enquanto preservam os benefícios das invenções menos seguras que substituíram. Um exemplo mais claro da redução do risco e aceitação envolve o esporte do pára-quedismo. A maioria dos pára-quedistas profissionais nunca pularia de um avião sem o pára-quedas. A função do pára-quedas é a de providenciar uma certa medida de controle visando minimizar o nível de risco. Entretanto, mesmo estando o pára- quedas em perfeitas condições, o pára-quedista ainda deve aceitar o risco de alguma falha.

O sistema de gerenciamento de riscos, portanto, se preocupa com o aspecto de

reduzir ao máximo o nível aceitável de um dado risco. Na realidade nenhum avião poderia voar, nenhum automóvel se mexer e nenhum navio poderia sair ao mar se todos os perigos e riscos tivessem que ser eliminados antes. Da mesma maneira nenhuma broca poderia ser manuseada, petróleo refinado, jantar preparado em um forno de microondas, água fervida, etc., sem algum elemento de risco. Este problema é mais complicado pelo fato de que a tentativa da eliminação do perigo ou risco pode resultar em uma outra causa de risco. Por exemplo, alguns conservantes atualmente utilizados para a prevenção do crescimento de bactérias ou perda de sabor são suspeitos de causar câncer (por exemplo, Nitratos de Sódio). Do mesmo modo, existe a dúvida entre os benefícios conhecidos da melhoria nos

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 34

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

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diagnósticos e tratamentos médicos que resultam do uso de radiação (raios X e radioterapia) contra os riscos conhecidos da exposição humana à radiação. Dessa maneira, segurança é um conceito relativo, já que nada é completamente seguro em todas as circunstâncias e condições. Existe sempre algum exemplo no qual um material ou equipamento relativamente seguro se torna perigoso. O simples ato de beber água, se feito em excesso, pode causar vários problemas renais. Infelizmente a questão “Quão seguro é seguro suficiente?” não tem uma resposta simples. Tomem-se alguns exemplos: é comum ouvir o termo “99,9% seguro” usado para significar uma grande confiabilidade e baixo risco de acidente, especialmente na indústria de publicidade. Na verdade seria mais seguro dizer que essa terminologia é de alguma maneira usada de forma errada em nossa sociedade. Entretanto, considere os seguintes fatos estatísticos:

Hoje nos Estados Unidos, 99,9% seguro significa:

Uma hora de água contaminada por mês;

20.000 crianças por ano sofrendo convulsões devido a problemas na vacina contra coqueluche;

16.000 cartas perdidas por hora;

500 operações cirúrgicas erradas por semana;

500 recém-nascidos derrubados pelos médicos todos os dias.

Claramente, portanto, 99,9% seguro não é “seguro suficiente” na sociedade de hoje em dia. Se a porcentagem fosse acrescentada por um fator de 10 para 99,99% as seguintes informações indicam que esse nível de risco é ainda inaceitável em certas circunstâncias. 99,99% seguro significaria:

2.000 prescrições de remédios incorretas por ano;

370.000 cheques debitados em contas erradas por semana;

3.200 vezes por ano que seu coração pararia de bater;

5 crianças com problemas permanentes no cérebro por ano devido a problemas na vacina contra coqueluche.

De qualquer modo a necessidade de proporcionar a maior segurança possível num sistema, indústria ou processo é absolutamente essencial. Na verdade, em certas partes do sistema, não existe espaço para erros ou falhas, como evidenciado nos exemplos anteriores. Assim, a segurança se torna uma função da situação que é mensurada. A questão, portanto ainda retoma a definição de segurança. Uma possível melhoria à definição anterior, poderia ser que segurança seja “a medida do grau de liberdade sem risco em qualquer ambiente”. Daí, a segurança em um dado sistema ou processo deve ser medida e baseada considerando a medição do nível de risco associado com a operação daquele sistema ou processo. Esse conceito fundamental de risco aceitável é a base na qual o sistema de gerenciamento de riscos tem sido desenvolvido e praticado hoje em dia.

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 35

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

35

Em termos de Segurança, a necessidade sempre presente de atingir uma conformidade de 100% com códigos, regras, regulamentações ou princípios de operação estabelecidos é um desafio. Entretanto, na prática da Engenharia de Segurança, deve ser claramente entendido que a resolução de problemas de segurança simplesmente utilizando-se normas não devem se constituir num substituto da engenharia inteligente e que normas somente estabelecem as mínimas bases, que

em vários sistemas ou situações, precisam ser excedidas para eliminar e controlar adequadamente riscos identificados. Uma conformidade de 100% no atendimento a normas e padrões, quando possível, significa, portanto, que o sistema conseguiu ter somente as mínimas necessidades de segurança. Os sistemas de gerenciamento de riscos visam exceder essas necessidades mínimas e promover o mais alto nível de segurança - isto é, o menor nível de risco aceitável - atingível por um dado sistema. Além disso, é importante mencionar que sistemas de gerenciamento de riscos têm sido normalmente usados para demonstrar que os usos de alguns requisitos normativos podem ser demasiadamente excessivos, enquanto promovem uma insuficiente redução do risco para justificar os altos custos envolvidos. Custos relacionados ao uso de procedimentos, normas operacionais e restrições operacionais, medidas reativas de um sistema, perda de tempo, etc., são todos elementos que devem ser levados em conta para determinar a validade da implementação de qualquer novo controle de conformidade.

A utilização de sistemas de gerenciamento de riscos tem servido como uma

excelente ferramenta para avaliar o valor de tais controles, levando em conta as economias e a redução do risco.

A Engenharia de Segurança e de Saúde no Trabalho procura se concentrar

principalmente em assegurar um padrão mínimo de segurança e saúde. Tal objetivo, geralmente, é alcançado através do uso de regras ou normas de conduta que formam

as bases da maioria dos programas de segurança e saúde atualmente instalados nos setores privados e públicos. Entretanto, como já comentado, a maioria desses regulamentos e padrões reflete, somente, uma necessidade mínima de segurança. Sistemas de gerenciamento de riscos vêm sendo desenvolvidos como alternativa porque levam justamente em consideração uma expectativa de segurança ou de confiabilidade de operação (especialmente quando um dado sistema é reconhecido como perigoso por sua natureza). Durante anos, numerosas técnicas, usadas formalmente para alcançar a segurança de um dado sistema ou processo, têm sido desenvolvidas, permitindo

expandir novas capacidades de identificar perigos, eliminando ou controlando-os e reduzindo o risco a um nível aceitável.

O conceito de sistemas de gerenciamento de riscos baseia-se, portanto, em:

1. Avaliar e analisar sistematicamente um projeto, processo, produto, instalações e serviços para identificar os perigos e avaliar os riscos associados; 2. Recomendar e implantar ações de eliminação dos perigos e de prevenção e de controle de riscos para que se possa tomar decisões inteligentes visando reduzir os riscos ao mais baixo nível aceitável.

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 36

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

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3.6 TESTES

1.

O gerenciamento de riscos não pode auxiliar as organizações:

a)

Em alcançar resultados lucrativos.

b)

Em eliminar o grau de risco.

c)

Na tomada de decisões de negócio.

d)

Na tomada de decisões operacionais.

e)

Em proteger o meio ambiente.

2.

O gerenciamento de riscos pode tratar do(s) seguinte(s) risco(s) aos quais as

organizações estão sujeitas.

I- Riscos à segurança e à saúde. II- Riscos da situação de negócio e de mercado. III- Riscos de imagem e de meio ambiente.

a)

Apenas a afirmativa I está correta.

b)

Apenas as afirmativas I e III estão corretas.

c)

Apenas a afirmativa II está correta.

d)

Apenas as afirmativas II e III estão corretas.

e)

Todas as afirmativas estão corretas.

3.

A sigla PDCA pode ser traduzida como:

a)

Planejar, Diagnosticar, Checar, Atuar.

b)

Perguntar, Diagnosticar, Checar, Agir.

c)

Planejar, Desempenhar, Checar, Agir.

d)

Planejar, Desempenhar, Chegar aos resultados, Atuar.

e)

Perguntar, Desempenhar, Conferir, Atualizar.

4.

Corre-se menor risco de morrer em conseqüência de:

a)

AIDS.

b)

Ataque cardíaco.

c)

Acidente de motocicleta.

d)

Câncer.

e)

Atropelamento.

5.

Não tem relação com sistema:

a)

Objetivo alcançado.

b)

Abordagem holística.

c)

Gerenciamento do processo.

d)

Elementos isolados.

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos. 37

Capítulo 3. Introdução à Gestão de Riscos.

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6.

Qual frase faz mais sentido?

a)

Segurança é uma avaliação do risco.

b)

Risco é uma avaliação da segurança.

c)

Avaliação é a segurança do risco.

d)

Avaliação é um risco da segurança.

e)

O risco da avaliação é a segurança.

7.

Qual a ordem correta do processo de gerenciamento de riscos?

a)

Identificação, Avaliação, Controle.

b)

Avaliação, Controle e Identificação.

c)

Avaliação, Identificação e Controle.

d)

Controle, Identificação e Avaliação.

e)

Identificação, Controle e Avaliação.

8.

Qual a priorização correta dos riscos?

a)

Trivial, Intolerável, Baixo, Médio, Alto.

b)

Intolerável, Alto, Médio, Baixo, Trivial.

c)

Trivial, Alto, Médio, Baixo, Intolerável.

d)

Alto, Intolerável, Médio, Trivial e Baixo.

e)

Médio, Trivial, Baixo, Intolerável, Alto.

9.

São sinônimos:

a)

Risco controlado e risco aceitável.

b)

Risco controlado e risco tolerável.

c)

Risco tolerável e risco aceitável.

d)

Nenhuma das anteriores.

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos – Análise Preliminar de Riscos (APR).

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos Análise Preliminar de Riscos (APR).

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de Riscos – Análise Preliminar de Riscos (APR). 38 CAPÍTULO 4. IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS E ANÁLISE

CAPÍTULO 4. IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS E ANÁLISE DE RISCOS ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCOS (APR).

OBJETIVOS DO ESTUDO

Aprofundar os conceitos de avaliação e aceitação de riscos e a aplicação de técnicas em organizações e processos industriais; ressaltar a importância de requisitos para a metodologia; explicar as etapas para implementação do método; apresentar as técnicas de Análise Preliminar de Perigos e de Riscos e exemplificar análises e o uso de formulários.

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos – Análise Preliminar de Riscos (APR).

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos Análise Preliminar de Riscos (APR).

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4.1. INTRODUÇÃO

A maioria das pessoas não deseja ter perdas, embora possa aceitar alguma perda potencial se houver a possibilidade de um ganho. Apesar dos esforços para evitar eventos indesejáveis, erros, falhas, acidentes, etc. podem ocorrer. A lei de Murphy, por exemplo, segue essa idéia: “se é possível algo dar errado, seguramente dará”. Variações e corolários dessa lei, aplicados à segurança são:

Um automóvel e um caminhão se aproximando em direções contrárias se encontrarão numa ponte estreita;

Muitos projetos requerem três mãos;

Somente Deus pode fazer uma seleção randômica;

Quando tudo falha, leia as instruções;

Qualquer sistema que dependa de confiabilidade humana não é confiável;

Se numa instalação teste tudo funciona perfeitamente, todos os outros subseqüentes sistemas não funcionarão;

Qualquer erro num cálculo será sempre na direção de causar o maior dano;

Um circuito do tipo “ falha-segura “ destruirá outros;

Uma falha somente ocorrerá após a unidade ter passado pela inspeção final.

Um dos objetivos principais do gerenciamento de riscos é evitar que a lei de Murphy ocorra. Para os engenheiros que tenham um papel importante em produtos, equipamentos, processos e meio ambiente, o objetivo é reduzir riscos, eliminar ou diminuir os fatores que contribuam para acidentes, através de planejamento, projeto e análise de produção e operação. Para que se tenha êxito no Gerenciamento de Riscos torna-se necessário, previamente, a realização de uma Análise de Riscos profunda e meticulosa. Como já descrito, anteriormente, o Gerenciamento de Riscos tem como objetivo a eliminação do perigo ou pelo menos a minimização da probabilidade de ocorrência e/ou das conseqüências do risco. A Engenharia de Segurança tem a participação total nesse esforço de eliminação ou minimização, lembrando-se, entretanto, que existe uma interdisciplinaridade para a sua realização e a inclusão de aspectos econômicos, jurídicos, humanos e de seguros. Uma das tarefas mais importantes da Engenharia de Segurança é conduzir a análise de riscos numa grande variedade de aplicações visando à prevenção de perdas e à redução de riscos.

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos – Análise Preliminar de Riscos (APR).

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos Análise Preliminar de Riscos (APR).

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4.2. PROBLEMÁTICA DO RISCO

A medição do risco como função de uma probabilidade e gravidade leva em consideração o aspecto quantitativo, desconsiderando a noção de valor. Este é o conceito de valor associado ao risco, o qual poderá ser percebido de maneira diferente pelas pessoas em função da época, local onde moram, cultura e sua história. Os exemplos a seguir, tirados da vida cotidiana elucidam melhor as definições de perigo e risco e que esta noção de valor existe sempre, admitindo-se viver com certo nível de risco residual.

Exemplo 1: Pastilha de freio De maneira geral admite-se que utilizar um carro representa um risco. O perigo, neste caso, é o acidente. Entretanto quando o motorista percebe, ou o seu mecânico o informa, de que o estado de suas pastilhas de freio não está bom, e toma a decisão de continuar rodando com o veículo, ele está aumentando o nível do risco (probabilidade).

Exemplo 2: Seguro de pára-brisa do carro O perigo neste caso é a quebra do pára-brisa do carro, e mesmo ocorrer um acidente. O prêmio do seguro pode custar até R $ 40,00 por ano para o motorista; a probabilidade de quebra de um pára-brisa pode ser estimada como sendo de 1 a cada 5 anos e o custo de sua troca de R$ 250,00. O motorista pode, então, decidir, por simples lógica econômica, de não fazer o seguro do pára-brisa e admitir assim certo nível de risco.

Portanto, tem-se aqui certo número de abordagens possíveis:

Um exame da situação existente permite definir um risco intrínseco que resulta numa situação indesejável ou numa situação aceitável;

Se a situação é aceitável, ela será aceita e assumida e o risco será considerado como estando gerenciado;

Se a situação é indesejável, então iniciar-se-á uma fase de análise

meios de prevenção e de proteção que

visando colocar em prática

permitam atingir uma situação aceitável, isto é o gerenciamento do risco.

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos – Análise Preliminar de Riscos (APR).

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos Análise Preliminar de Riscos (APR).

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4.3. METODOLOGIA DE IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS E DE ANÁLISE DE RISCOS

4.3.1. INTRODUÇÃO

A metodologia de identificação de perigos e de análise de riscos deve ser projetada para ser usada em novos tipos de produtos, subsistemas, processos ou

instalações, ou para modificações em projetos, armazenamento, sistemas, processos ou instalações existentes, principalmente para os seguintes casos:

a) Plantas químicas de processo;

b) Sistemas de armazenamento de substâncias químicas e outros empreendimentos similares;

c) Atividades extrativas;

d) Sistemas de dutos, externos à instalações industriais, destinados ao transporte de petróleo, derivados, gases ou outras substâncias químicas;

e) Plataformas de exploração de petróleo e/ou gás;

f) Instalações que operam com substâncias inflamáveis e/ou tóxicas;

g) Substâncias com riscos diferenciados, como por exemplo explosivos ou reativos;

h) Em situações em que os perigos parecem apresentar uma ameaça significativa, e é incerto se os controles planejados ou existentes são adequados em princípio ou na prática;

i) Em organizações que procuram a melhoria contínua de seu desempenho em Segurança, além dos requisitos legais mínimos.

4.3.2. CRIAÇÃO DE UMA METODOLOGIA

O objetivo principal da análise de riscos é a redução do Risco. Para tanto, deve- se utilizar uma metodologia adaptável às circunstancias e aos resultados esperados. Quanto maior o conhecimento dessas circunstâncias, maior será a probabilidade de obtenção de resultados confiáveis. De qualquer modo, identificar perigos não é uma tarefa fácil, porque sempre é possível esquecer alguma coisa. Requer treinamento e experiência, por exemplo, para se observar condições inseguras. Por outro lado, para obter-se um melhor gerenciamento de riscos a metodologia a ser usada para identificar perigos e analisar riscos, deve facilitar a “visibilidade” da probabilidade de ocorrência de um evento, assim como a severidade da ocorrência. O nível de informação deve, portanto, ser de tal grandeza que permita estabelecer um “nível de proteção”, e, conseqüentemente, estabelecer claramente a prioridade e a seqüência de medidas para eliminar ou reduzir o risco. Além disso, a metodologia a ser aplicada deve ser suficientemente flexível na sua aplicação. Há a necessidade de levar em consideração as diferentes perspectivas dos sistemas a serem analisados, assim como seu o objetivo da análise em si. Não é fácil, também, entender como a combinação de coisas e a complexidade das operações, equipamentos e instalações podem levar a eventos não desejáveis.

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos – Análise Preliminar de Riscos (APR).

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O objetivo na identificação de riscos é reduzir a incerteza na descrição de fatores que contribuam para acidentes, ferimentos, doenças e mesmo morte. Essa identificação envolve inicialmente a identificação de perigos. A identificação envolve o levantamento de fatos e dados, que devem ser analisados para determinar quais desvios de processo podem contribuir para uma conseqüência de danos, perdas, ferimentos ou doenças e se dados de um caso

particular podem ser generalizados para outras situações ou populações. Riscos mudam com o tempo, portanto, o processo de identificação de riscos requer uma metodologia contínua e sistemática, envolvendo o reconhecimento dos perigos e dos desvios, e, principalmente, de valores aceitos pela população envolvida. Desta maneira torna-se prioritário estabelecer um procedimento para identificar perigos das atividades, produtos e serviços da instalação. Para tanto, é necessário seguir uma seqüência de etapas, descritas a seguir:

1. Torna-se necessário, inicialmente, estabelecer uma equipe multidisciplinar esta equipe deve ser liderada por uma pessoa com habilidades e conhecimento sobre técnicas organizacionais e de comunicação e competência, autoridade, credibilidade e capacitação, para obtenção das informações necessárias;

2. Preparar a documentação necessária, que deve refletir a situação

atual do sistema em estudo (atividade, serviço e produto), ou seja, o

conhecimento de como os processos relacionados são "operados" realmente (não necessariamente como poderiam ou deveriam ser conduzidos);

3. Identificar os perigos e avaliar os riscos, o que envolve três passos

básicos:

a) Identificação de perigos relacionados às atividades estudadas, nas diferentes condições dessas (normais, anormais, emergências, rotineiras e não rotineiras); b) Estimativa do risco, através do estabelecimento de uma probabilidade e gravidade, e levando em consideração os controles e meios existentes; c) Decisão sobre a aceitabilidade do risco;

4. Indicar as ações de melhoria proteção, controle e/ou prevenção - e

respectivos planos de ação (responsabilidades e cronograma);

5. Analisar criticamente os planos de ação, considerando os aspectos

de tecnologia, de treinamento e competência e econômicos disponíveis.

Essa integração - administração e operadores - permite uma percepção compartilhada dos danos e riscos e quais as ações ou procedimentos necessários para seu controle com enfoque na prevenção de perdas. Normalmente, não há necessidade de realizar análises quantificadas que, somente são realizadas quando as conseqüências de possíveis falhas podem ser catastróficas. Na maioria das organizações métodos simples e subjetivos são os mais adequados. Algumas avaliações, entretanto, podem requerer uma série de medições da situação existente ou de níveis de exposição a um dado agente tóxico ou nocivo, para diminuir um pouco a subjetividade.

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O formulário para registro da identificação de perigos e análise dos riscos geralmente contém as seguintes colunas:

Atividade ou processo;

Perigo;

Causas;

Meios de controles existentes;

Pessoas sujeitas a riscos;

Danos;

Probabilidade do dano;

Gravidade do dano;

Níveis de risco;

Ações de melhoria a serem tomadas.

O resultado de uma avaliação deve ser um inventário de ações, em ordem de prioridade, para recomendar, manter ou melhorar os controles. Esses devem ser escolhidos levando em consideração:

a) Eliminação, se possível, dos perigos, ou o controle do risco na fonte (prevenção e segurança intrínseca);

b) Redução do risco;

c) Adaptação da tarefa ou processo;

d) Melhoria tecnológica;

e) Medidas de proteção das pessoas ou do meio ambiente;

f) Manutenção primitiva ou preventiva;

g) Medidas de emergência;

h) Indicadores pró-ativos para monitorar a conformidade com os controles.

As informações necessárias para uma identificação e avaliação geralmente incluem:

a) Fluxos de atividades e/ou processos ( diagrama de blocos, fluxogramas de processo, procedimentos );

b) Implantações ("lay-outs", desenho de máquinas, plantas baixas, etc.);

c) Listas de matérias-primas, subprodutos, produtos, efluentes, emissões, resíduos e respectivas fichas de segurança;

d) Tarefas executadas com duração e freqüência;

e) Pessoal envolvido (normal, ocasional, manutenção);

f) Treinamentos recebidos;

g) Utilidades empregadas;

h) Forma física das substâncias utilizadas;

i) Requisitos de regulamentações, normas internas;

j) Controles em uso;

k) Planos de emergência existentes;

l) Monitoramento (contínuo; ocasional; pontual);

m) Inspeções de segurança e de meio ambiente realizadas.

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4.4. TÉCNICAS PRELIMINARES DE IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS

Em qualquer processo sempre haverá riscos que são óbvios, tanto pela natureza do processo quanto pelos produtos envolvidos. Por exemplo, reações de cloração apresentam risco tóxico associado; o manuseio de líquidos inflamáveis um risco de incêndio, etc. Nesse sentido, portanto, é fundamental nas avaliações, inicialmente, pesquisar dados de segurança e meio ambiente de todos os produtos envolvidos no sistema (MSDS Material Safety Data Sheet ou FISPQ Fichas de Informação de Segurança de Produto Químico) e conhecer preliminarmente os riscos envolvidos no processo.

4.4.1. MSDS (FISPQS)

A criação e o uso de fichas de informação de segurança de produtos químicos para todas as substâncias manipuladas constituem-se num ponto de partida, pelo fato que, geralmente, elas apresentam dados relacionados com características de segurança e de meio ambiente, proteção pessoal e instruções de manuseio (incluindo- se medidas de emergência), e precauções com o meio ambiente. Exemplos de informações contidas nessas fichas encontram-se representados nas figuras 4.1, 4.2 e na tabela 4.1.

representados nas figuras 4.1, 4.2 e na tabela 4.1. Figura 4.1. Temperaturas importantes a serem consideradas.

Figura 4.1. Temperaturas importantes a serem consideradas.

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos – Análise Preliminar de Riscos (APR).

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos Análise Preliminar de Riscos (APR).

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de Riscos – Análise Preliminar de Riscos (APR). 45 Figura 4.2. Faixas de concentração para explosão

Figura 4.2. Faixas de concentração para explosão de gases e vapores inflamáveis.

Tabela 4.1. Medidas da Toxicidade.

TLV

Valor Limite de Tolerância é a concentração que não deve ser ultrapassada para uma exposição de 8 horas

Valor não oficial, publicado pela ACGIH.

STEL

Concentração limite de pico, durante 15 minutos.

PEL

Limite de exposição permitida para 8 horas ( 40 h / sem ) publicado pela OSHA ( oficial )

LT no Brasil.

IDLH

Concentração imediatamente perigosa à vida ou à saúde representa o nível máximo de concentração no ar, no qual uma pessoa pode escapar no máximo em 30 minutos, sem efeitos irreversíveis à saúde.

LCLo

Concentração letal (valor mais baixo publicado).

TCLo

Concentração tóxica (valor mais baixo publicado ).

4.4.1.1. Classificação de gases e líquidos tóxicos (CETESB - Critério para a Classificação de Instalações Industriais, quanto à Periculosidade.)

Para a classificação das substâncias foram definidos quatro níveis de toxicidade, de acordo com a CL50, via respiratória para rato ou camundongo, para substâncias que possuam pressão de vapor igual ou superior a 10 mmHg a 25 o C, conforme apresentado na Tabela 4.2.

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos – Análise Preliminar de Riscos (APR).

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos Análise Preliminar de Riscos (APR).

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Tabela 4.2. Classificação de substâncias tóxicas.

 

Nível de toxicidade

C (ppm.h)

4

Muito tóxica.

C 500

3

Tóxica.

500 < C 5000

2

Pouco tóxica.

5000 < C 50000

1

Praticamente não tóxica.

50000 < C 150000

C = concentração letal 50% (CL50) em ppm multiplicada pelo tempo de exposição em horas. (Fonte: CETESB - Critério para a Classificação de Instalações Industriais, quanto à Periculosidade)

Para as substâncias cujos valores de CL50 não estavam disponíveis foram utilizados os valores de DL50, via oral rato ou camundongo, considerando-se os mesmos valores de pressão de vapor, ou seja, pressão de vapor igual ou superior a 10 mmHg a 25ºC, conforme apresentado na Tabela 4.3.

Tabela 4.3. Classificação de substâncias tóxicas pelo DL 50 .

 

Nível de toxicidade

DL50 (mg/kg)

4

Muito tóxica.

DL50 50

3

Tóxica.

50 < DL50 500

2

Pouco tóxica.

500 < DL50 5000

1

Praticamente não tóxica.

5000 < DL50 15000

CETESB - Critério para a Classificação de Instalações Industriais, quanto à Periculosidade.

Para efeito deste trabalho, todas as substâncias classificadas nos níveis de toxicidade 3 e 4, foram consideradas como gases e líquidos tóxicos perigosos. Deve- se ressaltar que esta classificação se aplica às substâncias tóxicas que possuem pressão de vapor igual ou superior a 10 mmHg nas condições normais de temperatura e pressão ( 25oC e 1 atm) e também àquelas cuja pressão de vapor puder se tornar igual ou superior a 10 mmHg em função das condições de armazenamento ou processo.

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos – Análise Preliminar de Riscos (APR).

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4.4.1.2. Classificação de gases e líquidos inflamáveis

Da mesma forma que para as substâncias tóxicas, foi adotada uma classificação para as substâncias inflamáveis, segundo níveis de periculosidade, conforme apresentado na Tabela 4.4.

Tabela 4.4. Classificação de substâncias inflamáveis.

 

Ponto de fulgor (PF) e/ou

 

Nível de inflamabilidade

Ponto de ebulição (PE)

 

(oC)

4

-

Gás

ou

líquido

altamente

PF 37,8 e PE 37,8

inflamável.

 

3

- Líquido facilmente inflamável.

PF 37,8 e PE 37,8

2

- Líquido inflamável.

 

37,8 PF 60

1

- Líquido pouco inflamável.

 

PF 60

Para efeito deste trabalho, todas as substâncias do nível 4, líquidas ou gasosas, e do nível 3, somente líquidas, foram consideradas substâncias inflamáveis perigosas. Em relação aos riscos de segurança de “serviços“ de uma planta ou unidade de fabricação, uma primeira aproximação para sua identificação e procurar entender quais são os serviços específicos oferecidos. Por exemplo, se uma planta possuir uma área responsável por sua manutenção e reparos com certeza estas atividades utilizam produtos químicos perigosos - novamente o uso de fichas de segurança permite a identificação de perigos e riscos.

4.4.2. REGULAMENTAÇÕES E NORMAS LEGAIS

Outra técnica é o desenvolvimento de um método de verificação de conformidade com os requisitos legais. Uma maneira efetiva de assegurar esta identificação é a realização de uma auditoria de conformidade, com auditores treinados para verificar a aplicação de requisitos legais específicos. Requisitos legais incluem, também, demonstrar conformidade com itens administrativos, como licenças, que podem, conforme o caso, indicar a necessidade de atender recomendações e/ou imposições identificadas pelo órgão administrativo, que se não atendidas podem causar impactos ambientais e riscos às comunidades vizinhas. Outras áreas relacionadas com a necessidade de se atender requisitos legais são a embalagem e transporte de cargas perigosas. O principal objetivo destas regulamentações é prevenir o vazamento destas cargas durante o transporte e, na possibilidade de um acidente minimizar danos à saúde humana e ao meio ambiente. O entendimento de como tais regulamentações são aplicadas pode ser útil na identificação de aspectos ambientais.

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4.4.3. ANÁLISE PRELIMINAR DE PERIGOS (APP)

A APP é uma técnica de Identificação de Perigos que teve origem nos programas de Segurança Militar criados no Departamento de Defesa dos EUA. Trata- se de uma técnica estruturada que tem por objetivo identificar os perigos presentes numa instalação, que podem ser ocasionados por eventos indesejáveis. Procura pesquisar quais são os Pontos de Maior Risco do sistema e estabelecer uma priorização destes, quando da continuação dos estudos de segurança ou de uma Análise de Riscos Quantificada. A técnica pode ser utilizada durante as etapas de desenvolvimento, estudo básico, detalhamento, implantação e mesmo nos estudos de revisão de segurança de uma instalação existente. O seu desenvolvimento inicia-se com uma explicação sobre o sistema em estudo, e o grupo envolvido procura, baseado na sua experiência e competência, identificar os eventos indesejáveis. A partir desta identificação o grupo procura descrever quais seriam as causas prováveis destes eventos e quais as suas conseqüências ou efeitos. Terminada esta fase, o grupo deve classificar cada evento identificado conforme a tabela 4.6 e propor ações ou medidas de prevenção e/ou proteção para diminuir as probabilidades de ocorrência do evento ou para minimizar suas conseqüências.

Tabela 4.5. Exemplo de Planilha.

PERIGO CAUSA EFEITO CATEGORIA DE SEREVIDADE OBSERVAÇÕES E RECOMENDAÇÕES
PERIGO
CAUSA
EFEITO
CATEGORIA
DE SEREVIDADE
OBSERVAÇÕES E
RECOMENDAÇÕES
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Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos Análise Preliminar de Riscos (APR).

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Tabela 4.6. Categorias de Severidade.

CATEGORIA DE SEVERIDADE

EFEITOS

I Desprezível

Se a falha ocorrer não haverá degradação do sistema, nem haverá danos ou lesões às pessoas envolvidas;

II Marginal

A falha poderá degradar o sistema de certa maneira,

porém sem comprometê-lo seriamente, não causando danos às pessoas envolvidas (risco considerado como controlável);

Danos irrelevantes ao meio ambiente e à comunidade externa.

A falha irá causar danos consideráveis ao sistema e

danos e lesões graves às pessoas envolvidas, resultando, portanto, num risco inaceitável que irá exigir ações de prevenção e proteção imediatas;

III Crítica

Possíveis danos ao meio ambiente devido a liberações de substâncias químicas, tóxicas ou inflamáveis, alcançando áreas externas à instalação. Pode provocar lesões de gravidade moderada na população externos ou impactos ambientais com reduzido tempo de recuperação.

A falha provocará uma severa degradação do sistema

podendo resultar na sua perda total e causando lesões graves e mortes às pessoas envolvidas, resultando num Risco Maior que exigirá ações de prevenção e proteção imediatas.

IV Catastrófica

Impactos ambientais devido a liberações de substâncias químicas, tóxicas ou inflamáveis, atingindo áreas externas às instalações. Provoca mortes ou lesões graves na população externa ou impactos ao meio ambiente com tempo de recuperação elevado.

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos – Análise Preliminar de Riscos (APR).

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50

A técnica pode ser aplicada tanto em novos projetos e em ampliações ou

modificações quanto em unidades existentes. Nas unidades existentes permite,

também, pesquisar

liberação para manutenção, etc. É possível também utilizá-la para estudar a influência de eventos externos (umidade, temperatura, terremotos, inundações, etc.) A equipe envolvida geralmente pode ser constituída de:

atividades de interface como: paradas, partidas,

riscos

em

Pessoal de operação da unidade;

Engenheiro de Processo;

Manutenção (elétrica, mecânica, instrumentação);

Logística;

Engenheiro de Segurança.

Preferencialmente, as pessoas envolvidas devem possuir experiência e

competência sobre o sistema em estudo. A técnica permite rever e comparar problemas conhecidos através de análise de sistemas similares. Outras vantagens:

Facilita o estudo de segurança numa unidade, pois permite classificar previamente os riscos;

Prioriza, também, as ações mitigadoras e indica quem será o responsável pelas suas soluções e os respectivos prazos;

Desenvolve uma série de diretrizes e critérios a serem utilizados pelas equipes de projeto, construção e operação de um sistema;

Permite uma conscientização prévia sobre os riscos identificados.

mais

complexos a sua aplicação é dificultosa. E em sistemas onde há uma grande experiência acumulada sobre o processo é de pouca utilidade.

Entretanto,

é

uma

análise

essencialmente

qualitativa.

Em

sistemas

Exemplo Ilustrativo

O exemplo escolhido para ilustração da APP é bastante antigo, fictício. Segundo

a

mitologia grega o rei Minos, da ilha de Creta, mandou aprisionar Dédalo, o arquiteto

e

construtor do famoso labirinto, e seu filho Ícaro. Sabendo ser impossível escapar

com vida do labirinto, pelas condições normais, Dédalo idealizou fabricar asas para tentar fugir pelo ar. Estas asas foram construídas com penas de aves, linho e cera de

abelhas. Antes da fuga Dédalo avisou o filho que tomasse cuidado com a altura do vôo, pois se voasse muito baixo as ondas do mar molhariam suas penas, e ele cairia; se voasse muito alto, o sol derreteria a cera, e novamente ele poderia cair. Essa advertência, uma das primeiras análises de riscos que conhecemos, define de certa maneira o que hoje conhecemos como Análise Preliminar de Perigos. Como é do conhecimento de todos, Ícaro resolveu assumir um risco, voou muito alto e conforme previsto caiu no mar. A análise está esquematizada na tabela 4.7, e segue-se outro exemplo na tabela 4.8.

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos – Análise Preliminar de Riscos (APR).

Capítulo 4. Identificação de Perigos e Analise de Riscos Análise Preliminar de Riscos (APR).

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Tabela 4.7. Exemplo Mitológico de uma Análise Preliminar de Perigos.

 

ANÁLISE PRELIMINAR DE PERIGOS

 
 

IDENTIFICAÇÃO: Sistema de vôo Ded I

 
 

SUBSISTEMA: Asas

PROJETISTA: Dédalo

PERIGO

CAUSA

EFEITO

CAT.

 

MEDIDAS PREVENTIVAS OU CORRETIVAS

SEVERIDADE

 

Voar muito

Calor pode derreter cera de abelhas, que une as penas. Esta separação pode causar má sustentação aerodinâmica. Aeronauta pode morrer no mar.

 

Providenciar advertência contra vôo muito alto e perto do Sol. Manter rígida supervisão sobre aeronauta. Prover trela de linho entre aeronautas para evitar que o mais jovem, impetuoso, voe alto. Restringir área da superfície aerodinâmica.

Radiação

alto em

térmica do

presença de

IV

Sol

forte

radiação.

   

Asas podem absorver a umidade, aumentando de peso e falhando. O poder de propulsão limitado pode não ser adequado para compensar o aumento de peso. Resultado: perda da função e afogamento possível do aeronauta

 

Advertir aeronauta para voar

Voar muito

a