1

A FAMÍLIA: AS IMAGENS DA FAMÍLIA
Jonylson Pontes Silva, acadêmico cursando o 2° período do curso de licenciatura em biologia na Universidade do Estado Amazonas. /CEST- Centro de estudos Superiores de Tefé. jps.bio@uea.edu.br. Marcondes Cavalcante de Sousa, acadêmico cursando o 2° período do curso de licenciatura em biologia na Universidade do Estado Amazonas. /CEST- Centro de estudos Superiores de Tefé. Marcondesdesousa7@hotmail.com RESUMO O desenvolvimento do sentimento de família medrou durante o período da idade média onde se predominava a iconografia profana (não religiosa) até na idade moderna a partir do século XV e o início do século XVI até o século XVIII cuja, época a distinção de iconografia religiosa e iconografia medieval não lograram completa e rígida interpretação, pois, durante muito tempo o ofício e não a família foi à principal atividade da vida das pessoas atividade esta que, se agregava ao culto fúnebre e a noção erudita do mundo medieval-visto nos calendários das catedrais. A iconografia dos séculos XVI e XVII nos concede a possibilidade de confirmar o despontar de um novo sentimento (o sentimento de família). Este sentimento foi sustentado e fortificado por influências semíticas e não apenas romana e bíblica, desta forma, este sentimento se distinguiu em seu nascimento mediante a ligação à religiosidade leiga (e não a tendência religiosa da idade média) e também pela ligação ao sentimento da infância (que se distanciava cada vez mais da índole de honra, renome aspiração ligados ao sentimento de linhagem medieval). O estudo iconográfico mostra o novo lugar da família na vida sentimental na Europa nos século XVI e XVII onde houve uma mudança de atitude da relação da família com a criança. A família medieval se estendeu a te o século XV e a família moderna até os dias de hoje; nesse período a aprendizagem se dava na forma de apreensão de ofícios e serviços em geral. Enfim todo este processo de desenvolução da imagem de família passou a ser construída centrada na criança. PALAVRAS-CHAVES: Família, Sentimento, Criança. ABSTRACT The development of the family feeling thrived during the period of the medium age where she prevailed the iconography profanes (no religious person) even in the modern age starting from the century XV and the beginning of the century XVI to the century XVIII whose, time the distinction of religious iconography and medieval iconography didn't achieve completes and rigid interpretation, because, for a long time the occupation and no the family went to the main activity of the life of the people activity this that, if she joined to the funereal cult and the erudite notion of the world medieval-seen in the calendars of the cathedrals. The iconography of the centuries XVI and XVII grant us the possibility to confirm blunting of a new feeling (the family feeling). This feeling was sustained and fortified by relative influences to the Jews and not just Roman and biblical, this way, this feeling stood out in his/her birth by the connection to the lay religiosity (and no the religious tendency of the medium age) and also for the connection to the feeling of the childhood (that went away more and more of the honor nature, fame aspiration linked to the feeling of medieval lineage). THE study of the iconography shows the new place of the family in the love life in Europe in the centuries XVI and XVII where there was a change of attitude of the relationship of the family with the child. The medieval family extended the you the century XV and the modern family until the days today; in that period the learning felt in the form of apprehension of occupations and services in general. Finally this whole process of development of the family image passed to be built centered in the child. KEY- WORDS: Family, Feeling, Child.

INTRODUÇÃO Mediante uma retrospectiva da história social da criança e da família durante o período da idade média nos permite a visualizar de forma concisa sucessiva transformações e desenvoluções que nos ajudam a compreender diversos conceitos e sentimentos advindos deste processo evolutivo que transcorreram entre os séculos XV à XVIII. começam a ser substituídas mediante a necessidade de se ensinar algo teórico para as crianças. Assim a aprendizagem que era totalmente de forma prática dos serviços comuns da época como atividades do campo e serviços gerais. A iconografia (arte de representar por meio da imagem) nos dá liberdade de acompanhar a elevação de um sentimento novo: O sentimento de família. de imediato ao observarmos as representações da era medieval.2 1. as profissões este que tem constante relação com o 12 meses do ano e as estações do ano. este que estava abstrato ou ainda não existia na época medieval. Mas no decorrer do tempo começa agora a surgir novas representações de novas imagens ilustrativas que passam a serem introduzidas mulheres e crianças que mostram a evolução de nascimento deste novo sentimento citado acima. deste modo que aparentemente denota que a mulher e até mesmo a criança não existiam ou não estava apta a ter lugar neste mundo. ou seja. neste período predominavam como ato mais importante os ofícios. pois uma vez que. Todo este processo iconográfico que relata detalhadamente a evolução da família medieval para moderna onde se observa que a há uma grande preocupação com os métodos usados na aprendizagem onde mais tarde a educação infantil foi alvo de maior cuidado e esta será abordada mais sucintamente do decorre deste trabalho. desta forma passa a surgir às escolas com objetivo de se transmitir conselhos e conceitos cabíveis e relevantes para este tempo. é tão axiomático que os pintores deste tempo ilustravam por meio de diversas pinturas fatos ocorridos onde nas imagens mostrava quase sempre homem do campo sozinho na sua casa ao lado do fogo. . A partir deste novo sentimento e das novas atitudes da sociedade da época medieval a família que até então denotava não existir começam agora a ser construída tendo como centro a criança.

Fevereiro pertence ao plebeu de volta a casa carregando lenha e se aquece perto do fogo. em Senlis. Porém podemos perceber que a iconografia começou a evoluir ao longo dos livros de homens de acordo com as tendências significativas até o século XV. Nessas cenas. em Saint-Denis. Janeiro (a festa do Reis) pertence ao nobre diante de uma mesa na qual não falta nada. pois é muito difícil crer que essa ausência se devesse à falta de habilidades ou competências. é a evocação da juventude participando das festas de maio. 1981. os camponeses. Em todo o casão. ora um jovem que parte da caça e prepara seu facão. a mulher passa neste momento a surgir . o trigo.3 2. Nesta iconografia tradicional especialmente do século XII notamos que sempre os ofícios. os grandes trabalhos da terra: o feno. De outro. tal que como encontramos. em Chartres. (Ariès. São camponeses que trabalham. ou seja. do inverno e da primavera. a sociedade neste período representava o ofício como algo mais importante de suas vidas. Com a evolução dos tempos agora já no mês de fevereiro assim como relata o livro de horas do Duque de Berry. mas a representação dos momentos de interrupção do trabalho oscila entre o camponês e o nobre. o que nos leva a compreender que a existência da mulher não era explanada na iconografia da arte da idade média. porém o mais verossímil é que a infância não tinha lugar naquele mundo. e isso nos mostra claramente que a mulher e a criança pareciam não disponibilizar-se de espaço ou lugar. indagamos. De um lado. Por outro lado. ou não representada pela arte medieval. o interessante que sempre as imagens denotavam representações que só apareciam homens e nunca mulher. em Reims etc.: os trabalhos e os dias. com muito poucas variantes. a pausa. em Amiens. Maio ora é um camponês no meio das flores. pois. percebemos que a infância era desconhecida. as profissões da época se relacionaram com os meses do ano onde envolvia duas classes econômicas Axiomáticas que eram os nobres o plebeu. o porco. a vinha e o vinho. o homem está sempre sozinho: excepcionalmente um jovem criado (como em São Denis) aparece de pé atrás do ano. p. que come sentado em sua mesa. trata-se sempre de um rapaz e nunca de uma mulher. 23). em Paris. DESENVOLVIMENTO Segundo Áries: Até por volta do século XII. Na iconografia tradicional dos 12 meses do ano foi fixaram no século XII. ou seja. Notamos que no decorrer deste processo de evolução do século XII onde a família parecia não existir de forma que denotava nas iconografias da época de que o povo da era medieval não conhecia o valor do sentimento de família. Segundo Ariès (1981).

ou seja. outubro. As “idades da vida” passaram a ser representadas dentro de uma família.. portanto. “E durante ao longo do século XVI. dezembro. Nesse momento percebe-se uma modificação significativa na sociedade da época (já dentro de uma perspectiva moderna) que estava sendo traduzida na iconografia. Sendo assim. etc.4 estando agora não somente o camponês a se aquecer como nas paredes de Senlis. adolescência. Ainda há diversas outras pinturas que denotam a evolução onde a mulher agora passa a ocupar um espaço significante junto com o homem tornando-o não mais um ser sozinho. novembro. Três mulheres da casa agora passam a estar sentadas em torno do fogo e o homem ainda ao lado fogo se aquecendo. eram termos eruditos de tratados falsos científicos. surgiu uma nova idéia que emblemou a duração da vida através da ordem familiar. e principalmente da criança. o grupo de vizinhos. no museu Saint-Raimond. puerilidade. Foi ilustrado quanto ao tema da família. onde foi possível observarmos que houve .a refeição em família. A partir do século XVI e XII a iconografia sofreu uma evolução que trouxe uma tendência que fez deslocar a iconografia da idade média. os companheiros e a criança – a partir do século XVI. e partir daí as representações ao ar livre começaram a fluir ilustrando a intimidade da família tanto no interior como na vida privada e mediante esta tendência é que surgiram as representações em estampas e tapeçarias da vida privada principalmente na frança e na Holanda.nesse calendário da segunda metade do século XVI. etc. O estudo iconográfico nos relata explicitamente o novo lugar da família na vida sentimental na Europa nos séculos XVI e XVII. as pessoas não sabiam sua data de nascimento e as fases que atualmente separam nossa vida em infância. um ofício que estava intimamente relacionada à família: agosto. de Paris ou de amiens. pois. que as representações dos meses e dos anos “introduziram novos personagens”: a mulher. de que durante a Idade Média. A idade não fazia parte da identidade medieval no século XVI.a morte do pai. a iconografia dos meses se tornaria uma iconografia da família”. esse calendário demonstrou um sentimento novo que surgia: o sentimento de família. nos século XVI e XVII. A essas representações uniram-se as representações das idades da vida na iconografia da família no século XVI. em Toulouse.o pai está velho e doente. cada mês do ano representava uma atividade. Na qual as representações de momentos e datas familiares – como o nascimento. Os calendários agora passaram a representar as idades da vida “na forma de ilustração denotativa da história de uma família”. o casamento.era o mês da colheita. portanto.

A família passou a se construir em torno da criança. Ainda. Com o surgimento do sentimento de família no século XV. A partir daí houve uma proliferação das escolas. esta agora passa a se aproximar das crianças e ao mesmo tempo surge mediante uma substituição da aprendizagem pela escola. uma vez que. Logo depois esta aprendizagem seria então transmitida diretamente de uma geração à outra se diferenciando totalmente da escola como a conhecemos hoje. Portanto. toda a transmissão de educação na Idade Média se dava mediante a aprendizagem – e essa aprendizagem se confundia com o serviço doméstico em geral. A escola foi generalizada.5 uma mudança de atitude da família para com a criança. esta a se ampliar principalmente nas camadas médias da sociedade tornado–se depois efetiva para as outras classes da sociedade e entre as meninas. estas características da educação infantil foram abordas na Idade Média. a aprendizagem se dava a través de “contratos de aprendizagem”. uma vez que o tema sentimental da família se assemelhava da nossa moderna denotando assim que ambas nasceram ao mesmo tempo em que a escola. Já que a família se transformou e modificou suas relações internas com a criança. sendo esta a forma de como se dava a sua educação na época. em outras palavras as crianças eram entregues a famílias estranhas para que pudessem aprender ofícios e serviços em geral. esta era um hábito irradiado por todas as condições sociais e não apenas uma parte da sociedade. Na Idade Média Ocidental. O método de transmissão do conhecimento de uma geração para outra possuía duas características peculiar: eram feita com coisas de forma prática usando utensílios do dia a dia e era uma aprendizagem garantida principalmente pela interação e participação familiar das crianças na vida dos adultos. porém este processo não se deu de forma rápida e total. que atendia uma grande necessidade de suprir a ausência de uma educação teórica que substituísse a antiga prática de aprendizagem unindo-se ao novo desejo familiar de manter as crianças mais próximas dos pais. por conseguinte dessa nova família sentimental características importantes começaram a surgir na qual foram: igualdade entre os filhos e um sentimento ou clima afetivo e moral que devido uma intimidade entre pais e filhos. deste modo a família passava a ser realidade mais moral e basicamente social do que sentimental. .

3. Assim a educação infantil teve uma evolução bastante sistemática da era medieval para a moderna dos dias de hoje com o surgimento da escola cujo objetivo era transmitir conhecimentos teóricos. pra se representar por meio da arte e com uma força de definitiva no século XVII. Como principais exemplos desses tratados foram citados os de “civilidade” de Erasmo e do “cortesão” de Castiglione – na segunda metade do século XVII. 210 que o sentimento da família era basicamente desconhecido da sociedade medieval e nasceu no século XV-XVI. Nesse período começa agora a se observar com maior preocupação com a educação infantil e com a necessidade de “conselhos educativos” – recomendações que eram dirigidas apenas às crianças. 4. se estabeleceu a leitura do capítulo terceiro (A FAMÍLIAAs imagens da família) do livro A HISTÓRIA SOCIAL DA CRIANÇA E DA FAMÍLIA do autor Philippe Áries.Centro de estudos Superiores de Tefé onde. Embora denotar a inexistência da família é totalmente errôneo pensar deste modo. estes que constantemente se relacionam com diversos aspectos que são inteiramente relevantes para nossa apreensão. .Universidade do Estado do Amazonas CEST. pois uma vez que se observamos com atenção iremos concluir que realmente o sentimento era novo e não a família. além de consultas em web sites relacionadas com o tema em si descrito pelo autor que nos possibilitou na construção deste artigo com a mais índole verdadeiro das ideias. CONCLUSÃO Portanto todo este processo iconográfico nos mostra claramente segundo Ariès (1981) p. Este estudo retrospectivo da iconografia histórica social da criança e da família nos dá a capacidade e entender a forma de como os fatos ocorrem translúcidos mediante imagens que ilustram e exprimem estes períodos.6 Salientes mudanças passaram a se tornar significativas e notáveis nos “Tratados de Civilidade” bastante comuns até o século XVII. METODOLOGIA Este artigo de revisão foi elaborado mediante uma rígida e minuciosa pesquisa no acervo bibliográfico da UEA .

Essa ideia de infância também foi uma transformação social e histórica. História Social da Criança e da Família. às crianças dedicamos características peculiares que as diferenciam em aspectos fundamentais de um adulto. segundo Philippe Ariès.blogspot. Nesta época o conceito de idade da vida não fazia parte da sociedade medieval e isto também passou a ser construído no decorrer do tempo. “A vida era a continuidade inevitável.7 Hoje. para a identidade medieval a idade da vida não fazia parte. e. mais do que na experiência real. cíclica.” (Philippe Ariès. REFERÊNCIAS ARIÈS. Philippe. uma continuidade inscrita na ordem geral e abstrata das coisas. Rio de Janeiro. http://disciplinasdehistoria.com . surgiu apenas por volta do século XIII. pág. LTC. Ed. 1981. pois estas transformações e evoluções nos dão uma nova visão do processo construtivo da família e de seus laços afetivos que perduram e se repassam de geração a geração. pois poucos homens tinham o privilégio de percorrer todas as idades da vida naquelas épocas de grande mortalidade. Por fim é claramente relevante a interpretação iconográfica da história social da criança e da família. 2ª ed. História Social da Criança e da Família. 39).

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful