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Disciplina

Docente
Organização, Estrutura e Políticas
Profa. Dra. Marina Caprio
}}} Públicas em Educação
Semestre Data
3º Semestre Curricular 05/11/2007

Texto
PILETTI, N. Estrutura e Funcionamento do Ensino
Fundamental. São Paulo: Ática, 2004, pág. 106-110

MODALIDADES ESPECIAIS DE EDUCAÇÃO

1. Educação Especial
2. Educação Profissional
3. Educação De Jovens E Adultos
4. Educação Dos Povos Indígenas
5. Educação A Distância

Entre aquelas que poderiam ser chamadas de "modalidades especiais de


educação", destinadas a atender a características particulares e específicas de
determinados grupos de educandos, a lei 9394/96 dispõe sobre as seguintes:
- educação especial: oferecida aos educandos portadores de necessidades
especiais;
- educação profissional: destinada ao desenvolvimento de aptidões para a vida
produtiva;
- educação de jovens e adultos: para aqueles que não tiveram acesso ou
continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria;
- educação dos povos indígenas: programas integrados de ensino e pesquisa para
os índios;
- educação a distância: veiculação de programas de ensino a distância e de
educação continuada.

1. EDUCAÇÃO ESPECIAL

Embora oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para portadores de


necessidades especiais (art. 58), "os órgãos normativos dos sistemas de ensino
estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos,
especializadas e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico
e financeiro pelo Poder Público" (art. 60). Independentemente do apoio a essas
instituições, o Poder Público adotará de preferência a ampliação do atendimento aos
educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino (art. 60,
parágrafo único). Para tanto, o Poder Público providenciará, de acordo com o artigo 58:
- quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular;
- atendimento educacional especial em classes, escolas ou serviços especializados
sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua
integração nas classes comuns de ensino regular;
- o início da oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, na faixa
etária de zero a seis anos, durante a educação infantil.
Aos educandos com necessidades especiais, os sistemas de ensino têm o dever de
assegurar, conforme o artigo 59:
I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos;
II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido
para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração
para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados;
III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para
atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a
integração desses educandos nas classes comuns;
IV - educação especial para o trabalho, visando à sua efetiva integração na vida em
sociedade;
V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares
disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.

2. EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
A educação profissional deve estar acessível tanto ao aluno matriculado ou egresso do
ensino fundamental, médio e superior quanto ao trabalhador em geral, jovem ou adulto, e
integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduzindo
ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva (art. 39).
Quanto à educação profissional, os artigos 40 a 42 da lei nº 9 394/96 estabelecem ainda:
- o seu desenvolvimento em articulação com o ensino regular ou por diferentes
estratégias de educação continuada, em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho;
- a sua avaliação, reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de
estudos;
- diplomas de cursos de educação profissional de nível médio com validade nacional,
quando registrados;
- oferta, além dos cursos regulares, de cursos especiais, abertos à comunidade, pelas
escolas técnicas e profissionais.

Uma das formas de superar o fracasso escolar é oferecer a todos iguais condições de
estudo, o que não acontece atualmente: existe uma escola bem aparelhada para poucos e uma
escola sem as mínimas condições para a maioria.

3. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS


A oferta de educação a jovens e adultos que não puderam efetuar os estudos na idade
regular está regulamentada nos artigos 37 e 38 da lei nº 9 394/96, segundo os quais o Poder
Público garantirá:
- cursos e exames gratuitos, viabilizando e estimulando o acesso e a permanência do
trabalhador na escola, compreendendo a base nacional comum do currículo e habilitando ao
prosseguimento de estudos em caráter regular;
- exames realizados no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de
quinze anos, e no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito anos;
- aferição e reconhecimento, mediante exames, dos conhecimentos e habilidades
adquiridos pelos educandos por meios informais.

4. EDUCAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS


O sistema de ensino da União, com a colaboração das agências federais de fomento à
cultura e de assistência aos índios, e os demais sistemas de ensino, estes com apoio técnico e
financeiro da União, desenvolverão programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de
educação escolar bilíngüe e intercultural aos povos indígenas.
Esses programas deverão ser planejados com audiência das comunidades indígenas e
incluídos nos Planos Nacionais de Educação, com os seguintes objetivos expressos nos artigos
78 e 79 da lei nº 9 394/96:
- proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação de suas memórias
históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências;
- garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às informações,
conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e
não-índias;
- fortalecer as práticas socioculturais e a língua materna de cada comunidade indígena;
- manter programas de formação de pessoal especializado, destinado à educação escolar
nas comunidades indígenas;
- desenvolver currículos e programas específicos, neles incluindo os conteúdos culturais
correspondentes às respectivas comunidades;
- elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e diferenciado.

5. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
De acordo com o artigo 80 da lei nº 9394/96, o Poder Público incentivará o
desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância em todos os níveis e
modalidades de ensino, oferecidos em regime especial por instituições especificamente
credenciadas pela União, que também regulamentará os requisitos para a realização de Exames
e registro de diplomas relativos a cursos de educação a distância.
A educação a distância, que terá as normas para produção, controle e avaliação, bem
como a autorização para a implementação dos programas, estabelecidas pelos respectivos
sistemas de ensino ou por diversos sistemas integrados, terá tratamento diferenciado, incluindo:
- custos de transmissão reduzidos em canais comerciais e radiodifusão sonora e de sons
e imagens;
- concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas;
- reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de
canais comerciais.
Essas diversas modalidades de educação especial, previstas na lei 9 394/96 e
apresentadas neste capítulo, têm uma única finalidade: tornar o ensino básico, especialmente o
fundamental, mais eficiente, no sentido de atender adequadamente ao maior número possível
de brasileiros, fazendo com que encontrem nos diversos sistemas educacionais condições
favoráveis ao seu desenvolvimento.
Assim, para os que freqüentam o ensino regular, a lei prevê um atendimento especial de
acordo com as condições dos alunos: educação adequada aos portadores de necessidades
especiais, educação profissional para aqueles que têm necessidade de trabalhar em idade
precoce, programas integrados de ensino e pesquisa para os índios. Para os que não puderam
freqüentar os estudos na idade regular, a lei prevê cursos e exames supletivos, além de
programas de educação a distância.
Portanto, a lei abre diversas possibilidades para que o Poder Público possa oferecer
ensino fundamental a todos os brasileiros. É preciso que as autoridades implementem essas
medidas para que possamos superar de fato as graves deficiências do nosso ensino, que nos
colocam em situação vergonhosa diante das demais nações do mundo.
A escola é parte de um todo mais amplo, o sistema social. Ao mesmo tempo que
trabalhamos para melhorar a escola, é preciso que lutemos para modificar as estruturas sociais.