C@p í tulo 1

AMOR.COM

Sempre tive uns pensamentos estranhos, desejos diferentes que um garoto normal da minha idade tinha, às vezes me sentia muito mal, mas não sabia o que era, tinha dias que eu pensava estar louco, me achava anormal, não sei explicar, era uma sensação muito ruim. Às vezes eu beijava minha namorada e não sentia nada, era como se eu estivesse beijando uma parede, certa vez ela cobrou isso de mim, e o que eu poderia dizer? Explicar? Eu também não sabia o que era, eu não conseguia controlar aqueles desejos, certo dia tive vontade de beijar o irmão dela, vendo ele jogando futebol na rua com outros garotos, sem camisa, todo suado, será que eu estava ficando louco? Não era normal um garoto ficar pensando em outro, muito menos desejar um corpo masculino, principalmente o irmão da própria namorada, perdi a conta de quantas vezes aliviei minhas vontades no banho pensando em corpos masculinos, por causa desses e outros pensamentos um dia eu sai de casa na intenção de acabar com tudo isso. Eu nasci e fui criado em Londrina, sou filho único, vim de uma família humilde, apesar disso meu pai nunca deixou nos faltar nada, porém nossa vida sempre foi muito simples, eu me lembro que no meu último aniversário meu pai me deu uma bicicleta de presente, o coitado economizou o ano inteiro para poder conseguir comprá-la. Perto de casa havia uma represa onde ficava cheia de moradores da região em dias de verão, minha mãe costumava me levar todos os domingos à tarde quando eu era criança, ficávamos lá por um longo tempo, tenho saudade daquela época. Ao sair de casa naquela manhã de sábado, deixei um bilhete sobre meu travesseiro, era uma marca de despedida. Mãe e pai! Por todo esse tempo eu venho sofrendo, lutando contra um sentimento que insiste em me perseguir, às vezes quando eu escuto vocês conversando sobre a hora de ter netos eu me entristeço, pois não consigo mais desejar uma mulher, não sei o que acontece comigo, não acho isso normal, não pode ser normal. Por isso, estou me despedindo através dessa carta, não vejo mais sentido em viver, não quero mais sofrer ouvindo vocês desejarem uma casa cheia de netos e eu não poder dar. Desculpa por não ser o filho ideal. Amo vocês! Lucas. 1

Chegando à beira do rio eu respirei fundo, olhei para aquela água que corria em um movimento sincronizado, com o bater do vento ela chegava a molhar meus pés, o silêncio predominava por ali, quebrado apenas pelo barulho da água corrente. Atrás de mim havia árvores cheias de flores e frutos, uma delas me chamou atenção, me aproximei e vi um ninho de passarinho, lá de dentro vinha um piado bem baixinho, me apoiei em um dos galhos e fiquei na ponta dos pés para espiar, dentro havia um passarinho recém nascido e outro quebrando a casca do ovo, fiquei ali parado olhando aquela cena inédita, uma graça de Deus, porém o passarinho não estava conseguindo quebrar direito a casca, com um pouco de receio e muito cuidado comecei a ajudar, ao vê-lo fora da casca e aparentemente bem, sem querer deixei escorrer uma lágrima. Sentei na beirada do rio e comecei a refletir sobre tudo, uma vida acaba de nascer e eu querendo acabar com a minha. Será um sinal? Quem sabe, só sei que graças aquele passarinho eu desisti da idéia de me afogar naquele rio. Voltei pra casa feliz, aliviado por dentro, o engraçado é que eu não sentia mais culpa dentro de mim, quando entrei minha mãe estava na cozinha preparando arroz doce, fui correndo pro meu quarto e o bilhete ainda estava sobre a cama, fechei a porta e respirei aliviado, ainda bem que ninguém havia visto ainda, na mesma hora peguei o bilhete e rasguei em vários pedaços, nessa hora minha mãe entrou no quarto, acabei levando um susto: -O que você está rasgando ai, Lucas? -Nada não, mãe... -Estou fazendo um arroz doce com bastante leite condensado... -Hummm... Que delicia... Estou sentindo o cheiro daqui... Sentei na cama quando vi minha mãe olhando de um lado pro outro e fechando a porta do quarto, limpando a mão no avental amarrado em sua cintura ela se sentou ao meu lado e pegou na minha mão: -Filho, estou preocupada com seu pai... -O que houve, mãe? -Não sei, eu notei essa noite que ele gemia ao dormir... -Será que... -Eu também estou achando. -A senhora já falou com ele? -Não. Há alguns anos meu pai vinha sofrendo de alguns problemas de saúde, paramos de falar no assunto assim que ele chegou em casa. Depois que minha mãe voltou para a cozinha peguei os pedaços de papel e fui jogar no cesto de lixo na área de serviço. Aos meus 17 anos eu já trabalhava e ao mesmo tempo estudava, pois meus pais não tinham condições de me dar tudo que eu queria, vendo a situação em que nós passávamos decidi procurar um emprego para poder ajudar um pouco em casa, de inicio meu pai não concordou muito com a idéia, orgulhoso do jeito que ele era quase me bateu, minha mãe também achou um pouco cedo demais, mas depois acabaram concordando, afinal, uma hora eu tinha que adquirir

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minha independência. Depois desse turbilhão nossa vida parecia estar tranqüila, até que um dia voltando da escola levei um susto: -Lucas, preciso falar com você, meu filho. -Pode falar, mãe. -A doença do seu pai está se agravando, vamos ter que levá-lo para fazer um tratamento no Rio de Janeiro. -Mas por que no Rio de Janeiro? -Porque lá tem mais recursos que aqui. -Se for assim vamos pra São Paulo... -Não Lucas, só vamos pro Rio de Janeiro porque um conhecido de seu pai tem um apartamento lá e vai nos emprestar por enquanto... -Entendi... Vamos depressa então mãe, vou arrumar minhas malas. -Lucas espere. -O quê? -Não temos dinheiro suficiente para sustentar nós três... -Como assim? -Sua tia Helena disse que vai cuidar de você pelo tempo que vamos ficar no Rio. -Como assim? Eu vou ficar longe de vocês? -Meu filho, entenda que não temos condições de sustentar os três... São muito remédios, despesas, táxi... Já falei com sua tia e ela disse que você pode ficar na casa dela pelo tempo que precisar... -Não vai ser a mesma coisa... -Não fique assim meu filho, você vai poder nos visitar quando senti saudade... Vai ser por pouco tempo, você vai ver. Receber aquela noticia pra mim foi um baque, me afastar da minha família assim por tempo indeterminado me causava medo, nunca fiquei longe dos meus pais, também fazia muito tempo que eu não via a tia Helena, a última vez que ela foi nos visitar eu tinha 8 anos, mal lembrava de seu rosto, apenas de sua voz, pois sempre nos falávamos por telefone. Antes do anoitecer dei uma passada na casa da minha namorada para me despedir dela, achei que seria um pouco difícil, mas até que não foi, acho que eu já nem sentia mais nada por ela: -Oi Lucas... Você não avisou que vinha... -Precisamos conversar... -Que cara é essa? -Meu pai está muito doente. -Ele não tinha melhorado? -Não... Ele vai precisar se tratar na cidade grande... -Ele vai pra Curitiba? -Não... -Pra onde então? -Rio de Janeiro. -Nossa... Mas por que tão longe? -Porque lá tem mais recursos... -Entendi. -Por isso vim me despedir de você. -Como assim?

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. -Se a senhora diz. tia? -Já está um homem. Você está tão bonito.. -Muito bem. nosso namoro termina aqui. -O Robson não vê a hora de você chegar. todo mundo parecia 4 .. Olha só esse monte de pessoas. Logo você se acostuma também.. Como você cresceu.... fui ao seu lado no banco de passageiro. colocamos as malas no banco de trás. A senhora também está diferente... É assim? -Sim. -Você não está pensando nem um pouco em mim. igual você! -Eu mandei fotos dele pra sua mãe ver.. mas a saúde do meu pai está em primeiro lugar... só isso. não era um dos melhores lugares para se viver.. Entrei em seu carro que estava parado no estacionamento. -E você..-Vou morar com minha tia em São Paulo por esse tempo.. -Não se preocupe. -Hahaha. Na mesma semana eu me mudei para São Paulo...... quando cheguei na rodoviária minha tia Helena já me esperava toda sorridente. -Obrigado tia.. -Ok. muito barulho.. está muito bonita.. -Oi tia.. foi até bom terminar com esse namoro que já não me agradava mais como no início.... muitas obras. -Lucas.... -Há cinco anos atrás né. -E vai me deixar? -Não posso ficar aqui sozinho. -To feia? -Claro que não. -Você tem certeza? -Tchau Lucas.. -Ah. deixei minha casa com o coração apertado.... -Medo de quê? -Sei lá.. pelo que falavam por lá. quando eu cheguei em São Paulo me senti igual você. Aqui querido.. olhando pela janela impressionado com a rotina dessa grande cidade. -Desculpa.. Quase machuquei o nariz quando ela bateu a porta na minha cara... Quando cheguei fiquei assustando com o tamanho da cidade. -Tem certeza? -To com um pouco de medo. muita gente nas ruas. quer saber.. -Sério? Como ele está. É verdade. preocupado e com medo do que me esperava em São Paulo. O que foi? -Nada.. vem comigo. trânsito. mas fui me acostumando.. -Meu carro está logo ali. está pensando em mim? -Eu estou pensando em nós.. Parecia estar em outro mundo...... -Nossa. Lucas.

. todo luxo que eu nunca tive lá em Londrina morando com meus pais... Não perdi tempo e me joguei na cama.. To com medo de não me adaptar aqui. Lucas? -Nada não. me enxuguei com uma toalha bem branquinha e macia. aquele colchão macio. A tia Helena morava em um bairro de alto padrão com meu tio César e meu primo Robson. Quando ele me deu um abraço até deixei as malas caírem no chão. -Quando eu cheguei aqui era uma caipirinha idiota. já comecei a ter aqueles pensamentos outra vez.. Chegamos no estacionamento do prédio e começamos a pegar as malas do banco de trás do carro. Ao chegar ela abriu a porta pra mim. mas não demorou muito me acostumei. mais que bonito ele estava gostoso. enfim. uma cama grande com um lindo edredom xadrez forrado.. Aproveitei e já fui tomar um banho para me livrar do suor e cansaço da viagem..... quando entrei mal pude acreditar. me deu até um frio na espinha. Jaqueline era uma moça que trabalhava para minha tia. tinha até um banheiro dentro do meu quarto. ar condicionado. lençóis perfumados.. -Obrigado tia! Ganhei um quarto só para mim. ele estava muito bonito. Nem acreditei quando minha mãe disse que você viria pra cá.. nem eu. meus olhos brilhavam de felicidade. -Tem certeza? -Ah tia. Depois do banho passei um óleo que estava em cima da pia do meu banheiro.. -Que cara é essa. entrei na sala e logo em frente à porta havia um lindo aquário com vários peixes.. deitado no sofá estava meu primo Robson.. Vem comigo que eu te mostro. andando rápido. -Minha mãe mandou preparar um dos quartos pra você.. ônibus passando cheio ao nosso lado. quase não o reconheci quando ele se levantou do sofá e veio em minha direção para me cumprimentar. muito boba.estar com pressa. um guarda-roupa enorme que pegava de uma parede à outra. -Lucas. -Pois é. enquanto isso o Robson ia ajudando a Jaqueline guardar minhas roupas no armário. um computador.. é como eu te disse. -Sério? -Sim. dentro da minha cabeça estava um tremendo redemoinho... deixe que depois eu levo suas malas pra lá. Olhei para a tia Helena que esboçou um sorriso e disse: -Vai com ele. muito bonita por sinal. tinha uma TV de 29” tela plana. se eu consegui você também consegue. retribui com um abraço também. não eram muitas. um monte de carro nas ruas. logo quando saí do 5 . seu abraço foi muito gostoso. a enrolei na cintura e fui pegar uma peça de roupa no meu novo guarda-roupa. não sei por que eu sentia aquelas coisas. o Robson deu risada e pulou comigo. mas claro que não demonstrei nenhuma atitude que pudesse dar a entender esse meu “desvio”. apenas duas. -Que os anjos digam Amém! -Vamos subir.. em um apartamento de quatro dormitórios. pois não tinha muita coisa mesmo para trazer. enorme.

.. -Beleza. -Não tem de que agradecer. quando ele me viu quase nu saindo do banheiro reparei que ele deu um leve suspiro e um sorriso meio safado. vou tirar essa impressão dele rapidinho.. pai. por dentro eu sentia uma angustia que me incomodava. mas nem levei na maldade.banheiro vi o Robson sentado em minha cama me observando. Depois do jantar fui pro meu quarto assistir um pouco de TV. -Pode deixar mãe. eu não conseguia tirar o olho da frente da TV.. shopping. aluguei hoje e esperei você chegar pra assistirmos juntos. muito bacana tio... -Você já assistiu a esse filme? -Ainda não... -Deixa comigo. meus pensamentos ainda estavam no meu pai que estava doente. parado. eu estava sem camisa.. pra mim foi uma surpresa ele me incluir nos planos de futuro para seu filho. Na hora do jantar eu comi uma comida maravilhosa. -Ta bom. -Com licença.. Da nossa casa. Eu trouxe aqui esse DVD pra nós assistirmos juntos. leve ele pra conhecer as baladas. -Obrigado pela consideração. o tio César já fazia planos pro meu futuro. pra mim era tudo uma novidade. -Bom. o volume me denunciava. Ele trocou o que eu estava assistindo pelo que ele trouxe: -Peraê que vou buscar a pipoca. mas depois o filme foi pegando fogo e no meio acontecia uma cena erótica que me deixou excitado. Olha lá. estou muito agradecido por vocês me receberem aqui com tanto carinho.. ele queria que eu e o Robson tivéssemos um futuro brilhante.. querido. apenas de samba-canção. os museus. mas até então não tinha problema nenhum.. Deitamos em meio às almofadas no chão e assistíamos o filme atentamente.. começou. tirei a camisa e fiquei só de cueca samba-canção. -Relaxa. a principio eu não gostei muito não. mas por outro eu estava me sentindo um pouco estranho. liguei o DVD e deitei na minha cama. Enquanto isso eu juntei várias almofadas no chão e forrei o edredom.. Lucas? -De que. Continuei assistindo o filme até notar o Robson olhando pra mim. no começo parecia ser um pouco chato. eu que sempre gostei de filmes de ação estava quase dormindo. Por um lado eu estava feliz por estar desfrutando de tudo aquilo. a cidade é muito grande. minha tia estava muito feliz pela minha estadia em sua casa. estava todo esparramado na cama quando o Robson bateu duas vezes na porta e entrou no quarto trazendo na mão um vídeo: -Posso entrar? -Claro. -Isso ai filho.. e você? -Também não. onde deitamos para assistir o filme comendo pipoca. tio? -Da cidade. Já da casa eu adorei. -Está gostando. inocente eu 6 . não deu pra disfarçar. estando dois homens no quarto não precisaria ficar com vergonha...

me deixe sozinho? -Tudo bem. deitado sobre as almofadas no escuro do quarto eu senti seus lábios tocarem os meus. mas precisava interromper aquela pouca vergonha. no beijo. principalmente o seu perfume que havia ficado na minha pele. ele acordou e eu tentei me desculpar: -Olha Robson... eu não deveria estar gostando. era um abraço forte. no breu do quarto o Robson tocou em minha mão esquerda e mais uma vez me beijou. pensava também naquele abraço. não sei o que deu em mim de permitir que aquilo acontecesse. corri e deitei na minha cama. não era possível. me aproximei de sua cama e sentei na beirada.. firme. recebi um abraço que jamais havia recebido antes. destrancou a porta e saiu do meu quarto a deixando meio aberta.. eu deveria estar ficando louco .. acabei adormecendo pensando naquele beijo. eu fui muito bruto com você hoje.. encostei com todo cuidado pra não fazer barulho. aproveitou e apagou todas as luzes deixando somente a luz da janela penetrar pela persiana. um beijo tão gostoso. Ele tapou minha boca com seus dedos.. aquilo estava me consumindo. uma de suas mãos veio deslizando por baixo da minha cueca me fazendo tremer. abri a porta bem devagar. Algo me perturbava. mas um frio pela espinha vinha subindo e uma satisfação enorme tomava conta de mim... o pior era que eu estava gostando. encostando atrás dela e respirando ofegante.. Preciso ficar sozinho. isso é pecado. Suas mãos foram tocando minha perna e subindo cada vez mais.. Sai daqui. estava ficando maluco. pois eu era homem e um homem não poderia ter nada com outro homem. com minha mão aberta eu segurei sua nuca enquanto ele me beijava com muito desejo. comecei a chorar. O Robson me olhou triste e confuso. naquele momento eu paralisei.. me levantei e fui até o quarto do Robson. no cheiro. acabei acordando na madrugada. o Robson pegou o controle e desligou a TV. fiquei totalmente sem reação.. se levantou e foi até a porta. eu sabia que você ia voltar. aí eu fui perceber que havia uma certa maldade em seus olhares pra mim. não sei o que deu em mim naquela hora. -Mas o que foi? -Sai daqui. eu precisava fazer alguma coisa. não sei explicar. mas ao mesmo tempo em que eu chorava. me senti seguro. aquele beijo mexeu comigo e não me deixava em paz. olhou pra mim com cara de desejo e sussurrou: -Não fale mais nada. Empurrei meu primo pra longe de mim e pedi para que ele saísse do quarto. a trancando para que ninguém entrasse e nos surpreendesse. levantei e fechei a porta. -Chega. apenas fechei meus olhos e não pensei em mais nada. afinal eu estava beijando um homem. dei-lhe um abraço e deitamos 7 . Parecia que ele já tinha planejado tudo. não sei exatamente o motivo. eu sem saber o que fazer não me movi. mas aquele beijo foi tão diferente. -Fiz algo de errado? -Por favor.nem dei muita atenção e continuei vendo o filme até que ele tocou na minha perna..

. C@p í tulo 2 Voltei pro meu quarto correndo. Não parávamos de nos beijar. aquela boca safada não parava quieta. 8 . No outro dia acordei com uma dor no pescoço por dormir de mau jeito. estranhei um pouco no começo. arranquei sua camisa regata e ele foi tirando minha cueca com o roçar de seu corpo no meu. levantei e fui tomar um banho pra acordar disposto. era uma experiência nova. depois do banho vesti uma camisa e uma bermuda bem confortáveis e fui tomar café da manhã com todos na mesa. -É normal. Lú! -E então Lucas. fiquei ali parado relembrando cada momento em que eu havia passado há poucos minutos atrás. mas foi suficiente pro Robson saber que eu estava morrendo de tesão. não demorou muito e fiquei excitado. deitei na minha cama e adormeci pensando naqueles momentos. acabei deixando escapar um grito.. na sede de beijá-lo outra vez passava minha língua em volta dos lábios para senti-lo um pouco mais. -Ontem eu e o Lucas assistimos DVD e conversamos até tarde. ao mesmo tempo dando aquelas baforadas que me causavam arrepio. deixei que o clima me envolvesse e continuei. ele começou a morder minha orelha bem devagar. tudo me fazia melhor. não foi muito alto. tamanha era a intensidade do clima que rolava há poucos instantes.. eu já não me agüentava de tanto tesão. quando ele chupou meu mamilo eu não resisti. -Eu ouvi mesmo uma movimentação pelo corredor.. mas iam se tornando mais intensos na medida em que o tesão aumentava. ao mesmo tempo em que eu sentia medo eu estava adorando. depois sua boca foi descendo e passou a chupar meu pescoço. uma adrenalina me consumia. um fogo foi subindo e me consumindo de uma tal forma que eu sai do controle. estavam me enlouquecendo. o Robson não hesitou em encher a mão tocando meu pau. olhei no relógio e já passavam das 5 horas. eu adorei sim. aquelas alturas eu já não pensava mais em nada. o clima estava esquentando. mas depois acostumei. não parava de pensar nele. a provocação era demais.. justo eu que sempre fiz muito sucesso com as meninas.. não eram umas simples chupadas. mas sim “as chupadas”. gostei mesmo. minha vontade de estar com ele novamente ia aumentando. nossa. eu já não conseguia mais raciocinar. me senti mais seguro. É estranho você se imaginar com outro cara. algo que eu nunca havia sentido antes. tio César me perguntou como tinha sido minha noite. o cheiro. os gemidos eram baixinhos. mas até ai tudo bem. “fazer” já era um passo bem longo.na cama nos beijando. mas quer saber. o gosto dele ainda estava em meus lábios e seu perfume exalava em minha pele. mal sabe ele que havia sido uma noite muito “prazerosa”: -Bom dia! -Bom dia. quando ele ia colocar sua boca no meu pau eu recuei. vinha descendo cada vez mais. entrei e encostei na porta com a respiração faltando. uma mistura de selvagem com romance. como passou sua primeira noite fora de casa? -Bem tio. a pegada firme. tudo bem que às vezes eu pensava em garotos.

portanto se você quiser eu ajudo pagando uma parte. -Percebi que você gostou da noite passada... -Você é gay. quando ele começou a contar eu gelei. confesso que essa palavra “gay” me deixava meio apreensivo. -Seria uma ótima idéia... na vida lá fora não é fácil ganhar dinheiro. -Tudo bem. Uma sensação que nunca havia sentido até o momento. pele branquinha. na hora até levei um susto. sentado à minha frente na mesa ele me olhava com desejo. sem pelos. Sabe. Mas meus pais não sabem. Mas está na hora de você adquirir responsabilidade em sua vida e aprender a controlar seus gastos. meus tios olharam pra nós sem entender o que se passava. -Você é tão gostosinho Lucas! -Pare com isso. Aquela boca bem feita tocando a 9 .. no chuveiro eu pensava nele. eu percebi pela sua excitação. quando voltei ao quarto o Robson estava me esperando sentado na minha cama. O Robson falava com um sorriso bem safado na cara e usou um duplo sentido. né Lucas. não contente ele roçava sua perna na minha por baixo da mesa. essa noite eu e seu tio conversamos bastante sobre seu futuro e o do Robson.-O Lucas é bem “divertido”. começarão fazendo um estagio. pela sua “avantajada” satisfação.. Após o café me levantei e fui para meu quarto. quase engasguei com o suco de acerola que bebia. até levei um susto ao vê-lo ali. mas me senti tão bem. mas é muito fácil gastar. -Por que você fez aquilo? -Porque me senti atraído por você Lucas. Fiquei muito feliz com a novidade. parece que ele gostava de correr certos riscos. -Sim. bronzeado de sol encostando junto ao meu. acabou me deixando sem graça. eu sou gay. sim... Eu confesso que gostei da noite passada. mãe? -Na verdade sua mãe queria que eu bancasse o curso de vocês. Robson? Ele caiu na risada. sem camisa. tio! -Mas que saco. aquele peitoral definido.. só de ver já fiquei perturbado. -Fala baixo. agora que vocês já terminaram a escola está na hora de começarem a seguir uma profissão. Sabe.. corpinho definido.. tanto que meus pais não teriam condições de me dar o que eu estava recebendo na casa da minha tia.. decidimos que a partir de segunda-feira vocês vão trabalhar no escritório do César.. -Pois é. -Claro que você gostou. e vão pensando em que curso vocês querem fazer que eu e seu tio vamos ajudar vocês a pagarem suas faculdade... embora teve um pouco de receio. -Ajudar. -Por mim tudo bem. Às vezes eu sentia uma vontade de beijar o meu vizinho. era tão estranho. encostei a porta e entrei no banheiro para escovar os dentes e lavar o rosto. -Lucas. eu não vou contar. safado e audacioso ele começou a rir. deitou na cama e abraçou o travesseiro se matando de gargalhar.. simplesmente não gostava. eu não sei por que.

. Deixe o tempo passar e vamos nos permitir aproveitar um pouco.. -Já entendi. só sei que eu estava muito melhor que antes. Estamos fazendo algo de errado? -Não.. Fiquei calado. ele soube me compreender direitinho. -É melhor a gente parar por aqui.. aquela boca safada chupando meu pescoço de uma tal maneira que me deixava anestesiado. Você quer mesmo parar?. com a cabeça cheia de xampu tomei um susto. sem malicia ou segunda intenção.. deitei na cama e fiquei pensando no que ele disse. sempre gostei de cantar no chuveiro. uma vez eu tentei me matar. pra eu conhecer um pouco da cidade. dessa vez o abraço foi diferente. ficamos ali nos beijando por um bom tempo. escrevi uma carta de despedido e coloquei em cima da minha cama. eu adorei a idéia e o Robson também. eu pensava nele até na cama com minha namorada.. chorava dias e dias por isso.... ele disse que iria me levar para conhecer às baladas...... -AINDA não. já sem roupa ele passava seu corpo no meu deixando minha imaginação pervertidamente afiada..minha.. foi inocente. satisfeito. Você sentia atração por homens.. quando a coisa estava começando a esquentar eu pedi pra parar. Palavras intercaladas com beijos e mordidas nos lábios: -Parar. -Calma. você quis dizer.. eu nunca havia ido a uma balada.. Á noite o Robson disse que iria sair. entrou embaixo do chuveiro com roupa e tudo. ele precisa se divertir um pouco nessa cidade. Não precisa se assustar. -Robson.. leve o Lucas com você. fazendo com que caísse xampu no meu olho e o fizesse arder: -Caramba. O Robson era muito safado e atrevido. mas não aceitava isso. não tem como explicar. só fui perceber quando ele abriu a porta do box no banheiro. -Eu sabia que não. por isso não consegui ouvir o Robson entrar no quarto. Depois daquela conversa com meu primo me senti um pouco mais aliviado. que tesão.. mal deixou eu falar e já foi me beijando.. só carinho.. 10 .. cheguei da escola. Fui pro meu quarto tomar um banho antes de sair. que bom que eu pude desabafar algumas coisas que estavam me sufocando. Sentir aquelas mãos tocando no meu corpo era meu sonho de consumo. -Claro. daqui a pouco to saindo pra balada. tia Helena pediu para que ele me levasse junto. mas tinha vezes que eu me reprimia. -Você é louco? -Por quê? -E se alguém nos pega aqui? -Ué. O Robson veio até mim e me deu um abraço... eu me sentia estranho e ao mesmo tempo aliviado. todo arrepiado. -Mãe. ainda mais na balada que ele iria me levar. Não demorou muito o Robson deixou meu quarto.

Você não é de São Paulo. cabelo espetado. Ele começou a rir. eu era novo nesse “meio”. Quando chegamos minha idéia de balada gay foi mudando. fui andando pelo lugar e observando o ambiente. meu nome é Denis. vim com meu primo. -Você namora há quanto tempo? -Não namoro mais. Só se for de tanto prazer. fiquei com medo de me perder. -Mas você não disse que estava acompanhado? -Estou. não entendia quase nada do que as pessoas falavam. certo? -Não.. mas acredito que ele vai demorar a voltar. muitas gírias diferentes das que eu costumava ouvir. fui muito bem recebido na portaria pelos funcionários. aquele casal parecia se conhecer ha algum tempo. aliás. na boate só tinha gente bonita. sinceramente pra mim uma balada gay não passava de suruba coletiva. Ficamos conversando por um bom tempo. tive que deixar minha namorada e vir morar com meus tios. quanta gente beijando pessoas do mesmo sexo. não demorou muito e um rapaz se aproximou de mim dizendo: C@p í tulo 3 -Com licença. No começo eu fiquei com um pouco de receio. era um ambiente bem sofisticado. fomos a uma boate gay que o Robson dizia gostar muito. a primeira vista eu me assustei. ele me explicou algumas gírias que o pessoal usava. me deu algumas dicas também.. mas depois acabei me acostumando. -Posso me sentar com você? -Fique à vontade. que por sinal eram muito bonitos. bem vestidas. para todo mundo que estava ali isso era normal.-Robson você vai acabar comigo. o céu estrelado e uma lua belíssima. e você? -Prazer. pois se tratavam com intimidade. -Acabar como. -Qual seu nome? -Sou Lucas. você está acompanhado? -Sim... moreno de olhos puxados. eu não entendi nada. sou de Londrina. ele era um rapaz muito legal.. eu imaginava um monte de garotos afeminados dando em cima de todo mundo. totalmente diferente da idéia que eu fazia antes de conhecer. 11 . nunca vi dois homens se beijando sem vergonha do que estavam fazendo perante as pessoas. eu era quem tinha que dominar meu preconceito. Fiquei vendo eles ali se beijando e me deu uma vontade de beijar também. afinal. transando com qualquer um pelos cantos do lugar. Logo quando chegamos o Robson encontrou com uns amigos seus e veio me apresentá-los. um deles era muito bonito. Só me dei conta que estava sozinho quando meu primo acabou sumindo com os amigos. -Notei pelo sotaque. A noite estava linda. bem vestido. pessoas de alto nível.. afinal. então sentei em uma das mesas e fiquei ali observando todo o movimento do lugar.

primeiro um selinho delicado. alternava entre o seco e molhado. o que mais me encantou foram aqueles olhos negros e brilhantes que me olhavam de uma tal maneira a me tirar um raio-x por completo. -Beleza? -Tudo bacana. fechou seus olhos e aos poucos foi aproximando seu rosto do meu e encostando sua boca na minha. nem aparentava ser gay. -Prazer. passo a passo. cabelo liso com topete espetadinho e luzes. -Não perdeu tempo hein Lucas. não soube como agir de momento.. mas ao mesmo tempo feliz por mim. tinha bom gosto para roupa e perfume pelo que pude notar. prazer. o jeito que ele me tocava me deixava louco.. me senti mais à vontade também. o deixamos na estação do metrô próxima da balada. sua respiração já estava ofegante. foi aí que ele puxou sua cadeira pra perto da minha. tinha um sorriso de anjo e uma voz muito serena. abusado como ele era já foi tomando a iniciativa e se apresentou ao Denis. em meio aos beijos intercalados com mordidas nos lábios ele ruborizava. ele sabia onde pegar. Meu nome é Robson.. aos poucos ia abrindo sua boca e o beijo estava ficando cada vez melhor. 12 . -Posso te beijar outra vez. -Lucas. tocou em meu rosto com sua mão esquerda delicadamente. Claro que ele notou minha falta de “jeito” para esse tipo de situações. foi muito bom. Lucas? -Pode. Esse é o Gabriel. sem saber o que responder. Ficamos nos beijando por mais um tempo. Quando meu primo apareceu já chegou de mãos dadas com um garoto. embora eu ainda estivesse um pouco apreensivo por ser a primeira vez que recebia uma indireta tão direta de um cara. daqui a pouco vamos embora. um pouco mais baixo que eu. Confesso que eu também me senti atraído. parecia uma mistura de amêndoas com morango. um rapaz muito bonito. mas ao mesmo tempo firme. olhou lá dentro dos meus olhos. Depois de um tempo eu comecei a me familiarizar com o ambiente. era um perfume doce. ficamos conversando e nos beijando a noite inteira quase. aquele seu perfume ficou na minha pele. -Tudo bem.. Denis. enquanto nos beijávamos carícias no rosto e na nuca rolavam de ambas as partes. mas aquele beijo foi muito gostoso. mas fiquei constrangido quando ele me pediu um beijo: -Lucas. Na hora de ir embora. era um toque leve. -Deixa eu te apresentar. -Vou dançar um pouco na pista e depois eu volto pra te buscar. eu não sei explicar. -Ta bom. ao me ver junto com o Denis ele ficou surpreso. com aquela pele morena de sol.me tratou com muito carinho e muita atenção. -É que fiquei muito afim de você. -Eu? -Posso te dar um beijo? Olhei pra ele com os olhos estufados. ofereci carona para ele que aceitou na boa.

às vezes de cueca. Ao entrar no quarto encostei a porta e fui direto tomar um banho.. como é bom você poder beijar alguém com prazer sem se preocupar com quem está olhando ou peso na consciência.. adorei. Robson ligou o computador. -Você queria que eu falasse como? -Bom. -Tchau.. -Olha só como você fala? -Quer parar? -Você fala com tanta calma. ta certo que o seu é tudo de bom... eu levantei correndo procurando uma toalha para me cobrir. entramos no bate papo. não demorou muito e eu já havia pegado o jeito de usar o computador: -Vamos começar criando um e-mail pra você. -Falou cara. aproveitei para descarregar meu tesão acumulado da noite toda.. isso eu não posso negar. puxou uma cadeira junto da minha e foi me ensinando como usar... -Caramba. -Com o tempo você acostuma. -Como não sabe? -Não sei. odeio perder a oportunidade de ser feliz. fui pego de surpresa: -Lucas.. 13 . visitamos alguns sites picantes. e nem sei mexer em computador. como vou encontrá-lo? -Vocês não trocaram telefones? E-mail? -Não decorei o telefone daqui... depois do banho me enxuguei e fui me deitar.. -Não custa tentar. -Calma. -Precisa aprender. parecia ser muito legal também.. -Você bobeou com o garoto. -Até parece que agora você tem o poder de prever a felicidade dos outros. hein? -Por quê? -Ele era muito gatinho. não precisa esconder. eu já vi muitos desses. -Quando é que vocês irão se ver outra vez? -Não sei.-Obrigado! -Por nada. Cheguei em casa e aquele perfume ainda estava em minha roupa.. vem aqui que eu te ensino. -Você está me deixando sem graça. -O Denis é muito bacana. né? -Humpft. No outro dia acordei com o Robson me chamando dentro do quarto. -Da uma olhada no nick desse cara. eu tinha o costume de dormir nu. -Tudo bem. na minha pele. eu no seu lugar estaria desesperado. acorde. criou um e-mail pra mim.. Como foi com o Denis ontem? -Foi ótimo. tranqüilidade..

-Vou torcer por você.. -Parece que ele ficou muito afim de sair com você.. é fácil de conseguir arrumar alguém pra transar nessa sala de bate papo? -Muito fácil.. o que curte? -O que ele quis dizer com isso? -Quer saber o que eu faço na cama. mas não fui muito com a cara do Gabriel... se sou ativo ou passivo. -Obrigado. hein? -Espero que agora eu tenha acertado na felicidade... E você curte o que? -Você não descobriu ainda? -Uhum.. conversar com os caras no bate papo era um 14 ... então fique ai se divertindo um pouco. -Como você sabe? -O próprio apelido dele na sala insinua que ele é um brinquedinho para os outros... pois ele estava tão feliz que fiquei com receio de magoá-lo. -O que tem ele? -Provavelmente ele já entrou na intenção de encontrar alguém pra fazer sexo. -Ah. Pelo visto você está confiante com esse garoto. só estou zoando. porém não tive coragem de dizer ao Robson. -Aonde você vai? -Vou telefonar pro meu gato.... -Nossa... Não sei por que. Vai querer sair com ele? -Ta louco? -Bom. Pode ser que era só implicância minha. as pessoas só entram aqui pra procurar sexo. tem local? topa motel? -Você vai sair com ele? -Claro que não.. -Ele só está a fim de gozar. -Pra quem? -Para o Gabriel..-Qual deles? -O BoyToy.. Quer ver? Robson fala pra BoyToy: Beleza cara? BoyToy fala para Robson: firmeza. mas se esse garoto fosse fazêlo feliz o que eu poderia desejar era sorte apenas. -Credo.. Robson fala para BoyToy: BoyToy fala para Robson: Robson fala para BoyToy: eu curto um sexo bem gostoso e você? eu também..... talvez estivesse rolando um ciuminho da minha parte pra cima do meu primo. Vem cá.. dificilmente tem alguém procurando fazer amizade. Enquanto ele foi ligar para o seu mais recente amor eu continuei conversando com alguns caras no bate papo.

tio? -Com certeza.. mãe. Lucas. fiquei vermelho de vergonha. Robson. você não está vendo que ele é tímido? -Mas o que foi... -Tudo bem.. o Robson vai te levar. -Não começa me alugar.. vão ter que acordar cedo. -Mas. vestir terno e gravata.. foram muito poucos os caras no qual consegui conversar um papo cabeça. é só me ensinar o caminho que eu vou sozinho.. Lucas. Eu não tenho terno nem gravata. até cheguei a trocar e-mail com um deles. A gente vai dar umas voltas no shopping mais tarde. -Que droga... -Bom dia! -Bom dia. meu tio também tinha que fazer esse tipo de pergunta? Sorte foi que minha tia interrompeu o assunto e o Robson chegou bem na hora propicia para mudarmos de conversa: -César. Lucas! Você viu o Robson? -Eu acho que está no quarto dele. Helena? -Não fique fazendo esse tipo de pergunta idiota para o garoto. -Chega. aproveitamos e pegamos um cinema.. Depois de ficar quase duas horas na frente do computador fui vestir uma roupa e tomar café da manhã. -De jeito nenhum.... -Tudo bem. ele vai precisar. -O que é isso. -Deixa que daqui a pouco ele vem... Depois o Robson vai levar você no shopping e lá vocês compram. pois só pensavam em sexo.. -Relaxa.. -Conheceu alguma garota? Na hora eu não sabia o que dizer.. -Claro! -Posso comprar um tênis novo? -Você já tem muitos tênis. -Se o Robson não quiser ir tudo bem tia.. -Não tem problema. 15 . -Aproveite e compre um celular para o Lucas também...pouco difícil. Robson? -Isso o quê? -Você anda muito malcriado.. deixa pra lá. -Bom dia pai. Vamos falar de coisas boas? É amanhã que a gente começa a trabalhar com o senhor.. Como foi a balada ontem? -Foi bacana. -Eu vou levar? -Claro que vai. -Bom dia! -Não tem torta de maçã? -Hoje não.. bom dia mãe! -Bom dia meu filho.

-Ok. em como seria nosso primeiro dia na empresa. ficar segurando vela pros outros não era comigo. poder estudar. falar com minha mãe acabou me encorajando para ir ao shopping com o Robson e o insuportável do seu 16 . agora preciso ir. vou te esperar na garagem... passei a sonhar com um futuro promissor. Fui até o banheiro... ganhar uma grana boa.Terminamos de tomar nosso café da manhã falando sobre trabalho. Te amo! -Eu também meu filho. -Tenho certeza de que vai dar tudo certo. -Pois é.... ao entrar no quarto minha tia entrou com o telefone na mão.. -Lucas. -Sua tia me contou que você vai trabalhar com o César. -Tchau! Desliguei o telefone super feliz. mas não adiantava. eu não estava a fim de olhar pra cara do idiota do Gabriel... Quando contar isso ao seu pai ele vai ficar muito feliz. -Como o pai está. amanhã ele vai passar com o médico pra marcar o inicio do tratamento.. era minha mãe que havia ligado para dar noticias. o Robson foi ligar para o Gabriel o convidando para ir conosco ao shopping.. olhei bem pro meu rosto no espelho e pensei em desistir. já está pronto? -Só vou passar um pouco de gel no cabelo.. -Filho. -Contou? -Estou tão orgulhosa de você. coloquei na cabeça e me despedi da tia Helena... -Filho? -Oi mãe.. de principio não gostei muito da idéia. peguei o telefone da mão dela. mãe? -Continua na mesma. confesso que fiquei muito empolgado com a idéia de trabalhar em um escritório com meu tio e meu primo. -Minha mãe? -Sim! -Alô. -Como você está? -Eu estou bem na medida do possível. -Sua mãe no telefone. -Eu e seu pai chegamos ontem aqui no Rio. mas não tinha outra escolha.. -Tudo bem. fique com Deus. Enquanto eu me arrumava em meu quarto. mãe... Voltei pro quarto na intenção de ligar no celular do Robson avisando que não iria mais com ele ao shopping. resolvi assumir minha implicância com ele e pronto... Lucas.. sentei na cama e morrendo de saudade conversei com minha mãe: -Lucas.. peguei um boné dentro do armário. tudo bem que eu nem cheguei a conhecer o cara direito.. -Tudo bem. -Entre tia.

. podemos ir logo.. até que eu fiquei bonito. -Oi meu gato! Tudo bem.. será que ele conseguiu conviver em um ambiente tão diferente do nosso? Paramos em frente à uma loja de roupas sociais que vendia roupas de varias grifes de marca e os preços praticamente colados no teto. cinto.. -Sem comentários.. em que posso ajudar? -Veja alguns ternos para meu primo.. é claro que o interesse dela é vender e por isso nos tratou nas nuvens. Robson? -Calma Lucas. o que você tem hoje? -Humpft. ok? Beijão..... -Oi amor. então não dei palpite em nada. Fomos até a porta do cinema encontrar o Gabriel. Lucas? -Beleza. Põe o cinto. Gabriel. não via a hora de comprar o que precisava logo e ir embora.. -Podemos ir? -Gato.. Chegamos no shopping e deixamos o carro no estacionamento. Boa tarde! -Boa tarde. -Podem me acompanhar. me sentia mal no meio de muita gente aglomerada. Pronto. nunca tinha me olhado no espelho de social.. Contra minha vontade fomos procurar uma loja de roupa social.. Chegando no estacionamento ele já estava dentro do carro falando no celular. naquela hora eu ficava imaginando como estava meu pai no Rio de Janeiro.. sua adaptação.. vamos nos divertir um pouco. gravata. mas o Robson disse que era ali que iríamos gastar.. -Pra onde vamos? -Vamos comprar algumas roupas e um celular.. te espero lá. -Nossa. Como você ficou bonito. Você está precisando de um amor.namorado. -Só não quero demorar. vou ter que desligar.. É melhor eu ficar de boca fechada.. aquele ambiente estava me fazendo mal. -Já? -Sim. sapato... 17 . -Vamos ver nessa loja.... Lucas? -Já to com ciúme. A vendedora era muito simpática.. eu quase desisti na hora que vi uma camisa branca custando mais de 200 pau. pelo tom de voz que ele usava e a forma com que ele falava estava obvio demais. naquele dia o shopping estava lotado.. -Depois eu vou embora e vocês decidem o que vão fazer.. o cumprimentei apenas por educação. -E depois? -Depois. -Que isso amor... nos deu bastante atenção. e eu sempre detestei multidão. modéstia a parte é claro. claro que nem me dei ao trabalho de adivinhar quem era do outro lado da linha. Provei vários ternos. -Pare com isso Lucas.

. mas agradeço.. Se eu te fiz alguma coisa de ruim me desculpa. eu já estava quase quebrando a cara do Gabriel. -O que eu fiz pra você? -Vamos mudar de assunto? -Nossa Lucas. entreguei para a vendedora que os separou em cima da mesa. O Robson me deixou na portaria do prédio e disse que iria dar uma volta com seu namorado.-Acho que vou levar um pra mim também... não sei se era ciúme do meu primo. toda semana eu falava com a minha mãe e as noticias de meu pai eram boas.. pois não te suporto... -Desculpa. -Caramba. imagine segurando vela para dois marmanjos. O carnaval estava chegando. eles ainda queriam que eu fosse ao cinema. Enquanto ela foi anotando tudo na nota e separando as peças o Gabriel se aproximou de mim e começou a puxar assunto: -Ficou muito bonito vestido de social. -Demais. Não mereço. me sinto tão mal com isso. vou levar. Tem vezes que eu paro pra pensar e não me conformo em como pode existir pessoas tão estúpidas como o Gabriel. Você não me fez nada de ruim. Fingi que nem ouvi o que o Gabriel me disse. fiz vários amigos na internet. -Sobre o que vocês estão falando? -O Gabriel estava elogiando as roupas. enquanto o Robson foi provar um terno na cabine eu trouxe todas as que eu havia provado. Depois de comprar as roupas eu pedi para o Robson me levar pra casa.. Sorte a minha que o Robson chegou na hora certa de interromper aquele dialogo estúpido.. já fiz o sacrifício de comprar roupa junto com aquele idiota. tive uma semana sem aulas na faculdade. Como eu já não estava mais com saco pra ficar em chat 18 . -Humpft. mas eu não sabia o por que tinha tanta raiva assim dele. -Não.. mas é claro que eu recusei. -Todos? -Sim. dava pra notar também que ele era uma pessoa muito interesseira. -Claro que merece. né? -Boa observação a sua. peguei as sacolas do porta-mala e subi. fiquei on-line por um tempo até me cansar e quando eu estava saindo da sala de bate papo um garoto me chama pra teclar. só sei que não gostava dele. na terça-feira entrei na internet e estava muito chata..... Três meses se passaram e minha vida parecia estar se ajustando. tirei minha carta de habilitação... pelos passos que as coisas andavam eu voltaria pro Sul com minha família muito em breve. achava seu olhar muito falso. você é muito sincero Lucas. -Gostou? -Ficaram legais. -Só não queria que ficasse esse clima chato entre nós. isso me deixava mais puto ainda. sem contar sua cara de pau de vir falar comigo como se fossemos amigos íntimos. mas não me peça para ser seu amigo.. Você parece não ir muito com a minha cara..

-Me fale um pouco de você. é difícil encontrar alguém assim que você se identifique. ele era um garoto adorável. uniu as distancias literalmente. -Nossa. hoje em dia os propósitos mudaram. estilo de roupa. tentando adivinhar qual perfume será que ele usa. seria meu primeiro encontro com alguém que eu conhecia via internet. creio que deve acontecer com várias pessoas quando vão ao primeiro encontro com alguém.. pode perguntar então. -Pena que não gosta de carnaval.. comprei um milkshake e sentei em uma mesa na praça de alimentação. -O que você gosta de fazer nas horas vagas? -Eu gosto de cinema.. divertido e interessante.. -Podemos ir a um lugar mais calmo para conversarmos? -Podemos. muito simpático. -Ok. comecei a suar. gosto de futebol. Tudo bem. a gente fica imaginando as pessoas de todas as formas. Depois que inventaram o e-mail com certeza facilitou a vida de muita gente. Depois de conversarmos por quase quinze dias marcamos um encontro no shopping. pois sua família costumava desfilar. é que acabei tendo uns problemas em casa. o que eu não gosto é essa pouca vergonha que se tornou. eu gosto sim. fiquei ali ansioso esperando por ele. tudo bom? -Tudo ótimo.. a comunicação fica mais rápida. as pessoas usam o carnaval pra 19 .teclando com alguém trocamos e-mail e passamos a conversar por lá. as correspondências chegam na hora. mas gostava de ver os desfiles pela TV. minhas pernas tremeram. Cheguei dez minutos adiantado. -Hahaha. Passei a conversar com aquele garoto por dias.. eu particularmente não gostava muito de carnaval.. Lucas? -O que você gostaria de saber? -Tudo. não sei se isso acontece só comigo. foram os minutos mais longos de minha vida.. Esperei durante vinte e cinco minutos. entre outras inúmeras coisas. adoro teatro.. -Desculpa o atraso. quando meu relógio marcou a hora do encontro minha barriga começou a doer.. -Não é que eu não gosto de carnaval. mas também na expectativa de encontrar alguém legal. de qualquer idade e religião. Saímos do shopping e fomos dar umas voltas de carro pelas ruas da cidade... -Antes o carnaval era uma festa onde todos podiam participar. ele disse que adorava carnaval e até iria desfilar na escola. fiquei com um pouco de receio. se tem bom papo. quando já não agüentava mais esperar escutei alguém pronunciando meu nome: -Lucas? C@p í tulo 4 -Você é o André? -Sim.

-Eu não repeti. sair facinho beijando todo mundo.. com os vidros filmados não era possível nos ver dentro do carro. embora tínhamos a mesma idade. e você? -Ainda estou terminando. A noite estava agradável.. o André era um garoto muito meigo. -Faz quanto tempo que você está em São Paulo? -Cheguei em novembro do ano passado. ele fechou seus olhos e veio lentamente encostando sua boca na minha.. -O que é engraçado? -Você não tem sotaque do Sul. mas sim na maneira de falar das coisas. -Por um lado você tem razão. -Repetente. aquelas mãos grandes. o André era um rapaz negro. trazendo minha boca pra perto da sua. na doçura que ele tinha nos olhos. ficar pelado mostrando o corpo. eu não sabia nem o que dizer. a música de fundo proporcionava um clima mais romântico ainda. normal com todo mundo que vai ao seu primeiro encontro com alguém que conhece pela internet. carinho. -A festa em si eu gosto sim. -Fiquei arrependido. meu coração quase saiu pela boca.. liguei o rádio bem baixinho e começou a tocar “As brigas que perdi .Pato fu”. não aparentava nem de longe ser gay. mas agora já não é tão perceptível assim. tia Helena havia me emprestado seu carro. De qual cidade você veio? -Londrina. com sua outra mão ele pegou por trás da minha cabeça e a puxou para perto de si.encher a cara. no começo fiquei com um garoto que percebeu. sussurrando em meu ouvido ele perguntou: -Posso te beijar? Não consegui responder. lá fora ventava um pouco.. só conversando muito tempo com você pra perceber uma pequena diferença na maneira de falar. pouco a pouco. estava um pouco escura. Conversamos durante um bom tempo. -Eu me adapto fácil. que deixei tudo apagado. apenas fiz sinal com a cabeça dizendo que sim. no início fiquei um pouco tímido. com jeitinho.. não sei explicar... mas não no sentido de delicado. a rua estava deserta. -Fez mal.. de olhos abertos eu via como ele tinha o cuidado e o romantismo de beijar alguém. aos poucos eu fui fechando meus olhos e me deixando levar pelo clima..... muito bonito. um pouco mais alto que eu. -Você já terminou a escola... era minha tia preocupada comigo... Lucas? -Terminei um pouco antes de vir pra São Paulo.. mas já passou. a voz não saia. sua mão tocava minha barriga e me deixava pirado. olhando dentro dos seus olhos eu notava seu desejo. parei de estudar por um ano.. 20 . era algo muito cativante que vinha dele. Quando estávamos no maior clima meu celular tocou. Antes de irmos embora ele tocou em minha mão. por isso tratei de tomar o maior cuidado com ele.. pois ele era bem menino. Depois de rodar por um tempo parei o carro em uma rua atrás do shopping. -Engraçado.

. ela pediu para que eu a acompanha-se até o supermercado. trabalhando. -Tchau. Sou uma pessoa muito intensa. pois estava com tendinite. preciso que você vá comigo ao supermercado. Pegamos o elevador e fomos até a garagem do prédio. é seu. -Eu que agradeço.. -Cadê seu carro tia? -Está na sua frente.. e fazer compras a uma hora daquelas? -Lucas. Era impossível esquecer os beijos daquela noite. deixa-me pegar um casaco. ou arrependido de não ter feito algo. pego o metrô aqui.. -Mas à uma hora dessas. -Tudo bem. quero ver você e o Robson formados. mas fiquei surpreso quando ela me contou a verdade. estudando e tirando notas boas na faculdade. Desliguei o celular e comecei a me despedir do André com mais um longo beijo. a tia Helena pediu para que eu dirigisse o carro para ela. -Quer que eu te deixe em casa? -Não precisa. agora que você tirou sua carteira de motorista. a gente se encontra outra hora. -Meu? -Sim. dirija você porque estou com tendinite. Cheguei em casa e minha tia me esperava na sala. trabalhando com seu tio.avisei que estava tudo bem e que já estava voltando pra casa. até ai não vi problema nenhum. é rapidinho. gosto de aproveitar os momentos ao máximo possível. 21 . crescendo como pessoa. o gosto de seus lábios ainda estava nos meus. -Nem sei como agradecer. pois em uma cidade grande como essa a violência é constante. dois homens de verdade. -Agradeça estudando. preocupada com o horário e os locais aonde eu ia. tia? -Lembrei que não temos nada pra comer no café amanhã. eu e seu tio estamos te dando um carro de presente. ela cuidava de mim como se fosse minha mãe. enquanto estava rolando o clima no carro eu fiz questão de fazer tudo que me deu vontade no momento. -Caramba. Muito obrigado pela noite. -Ok.. Lú.... até estranhei no começo. vamos lá então. -Claro que você quem vai pagar.. vou precisar ir embora. Obrigado tia.. seguimos em direção a um carro novinho. -Não precisa.. -Lucas. acho que todo mundo deveria fazer o mesmo pra depois não ficar com aquela perturbação na cabeça. os abraços.. -A senhora trocou de carro? -Esse carro não é meu Lucas. não vamos demorar. só não entendi o por que ela não levou a Jaqueline. -Tudo bem tia. já está ficando tarde. -André. pra mim ela tinha trocado de carro.. pegue a chave e abra o carro. -Tem certeza? -Tenho sim..

peguei o carro e fui dar uma volta com ele pelas ruas próximas de casa.. Depois de fazer a barba entrei no box e liguei o chuveiro. sempre esqueço. vim ver se estava vivo. -Sei.. eu já estava até me acostumando. preto.-Pode deixar tia.... -Por que você veio me acordar à uma hora dessas? -É que estou indo pra academia. -Pega uma toalha lá no quarto pra mim.. pois ardia minha pele. por conta dos amassos da noite anterior acabei ficando com as partes um pouco dolorida. Adoro esse tipo de mistérios.... esperei a água esquentar pra poder entrar embaixo do chuveiro. levante. só percebi esse detalhe quando fui surpreendido pelo Robson. Tudo bem. -Quer parar? -Já parei. -Calma. 22 . deixa-me tomar um banho antes. -Humpft. ok? -Obaaaaaa. não demorou muito e eu já fiquei excitado. é chato malhar sozinho. -Se eu não estivesse namorando até te ajudaria a aliviar. né? -Se você tivesse a deixado fechada. -Bom dia Lú. me batendo com o travesseiro. enquanto passava xampu no cabelo fiquei relembrando a noite anterior que passei com o André. -Hum... eu não gostava muito de fazer a barba com água quente. depois o pelo nascia encravado e ai eu sofria. -Você demorou muito. pensei que você poderia ir comigo. filmado. No outro dia acordei cedo com o Robson me chamando. distraído com o ato acabei esquecendo de trancar a porta. segui em direção ao banheiro e disse: -Se é surpresa eu não vou contar. todo equipado.. Entrei no banheiro e antes de entrar no chuveiro fui fazer a barba. agradeci minha tia com um beijo. Vamos. acabava de ganhar um carro do ano..... graças e Deus meus tios eram muito bons e pensavam no meu bem estar. Ainda não acostumei com a idéia de que você dorme pelado. -Caramba. Desculpa.. precisava dar uma aliviada aproveitando que estava no banho. nunca irei te decepcionar.. Que tipo de surpresa? Levantando da cama ainda pelado. -Ok..... -Qualquer hora você vai ter uma surpresa. A água estava quentinha.. às vezes eu ficava puto.. -Uau. não esperava ganhar um carro da minha tia. Já terminei de tomar banho mesmo.... -Poderia ter batido na porta antes. só o fato de me receber em sua casa já era muito gratificante pra mim. -Ta bom.. pois quase todo dia ele me acordava pulando na minha cama. -Opa.. mas só de olhar para aquela carinha que ele tinha eu o perdoava.. Parecia um sonho.. Vou te esperar lá na sala então.. Está na hora de acordar. Meus olhos brilharam naquele momento.

-Opa... Toma. -Obrigado. -Você vai demorar muito? -Por que, está com pressa? -Não, só perguntei... Você é tão cheiroso... -É? -Sim... Na cama é muito gostoso também... -Pare com isso, você está me deixando sem graça. -Ok. Podemos ir? -Podemos. Deixamos o apartamento e pegamos o elevador até o estacionamento, o Robson que foi dirigindo o carro até a academia, no caminho fomos conversando sobre varias coisas. -Gostou do carro novo? -Adorei... -Nossa, quando eu ganhei o meu fiquei bobo, é muito boa a sensação... -É... -Na primeira semana eu estreei. -Como assim? -Ah... Na época eu namorava né... -Pode parar, já entendi. Chegamos na academia, o Robson deixou o carro no estacionamento em frente e seguimos para a entrada, logo na recepção as meninas me receberam super bem, o Robson conseguiu me convencer a fazer a matricula na academia e começar a malhar com ele, claro que com a ajuda das meninas da recepção. -Que bom que vamos malhar juntos... -Espero não me arrepender depois... -Claro que não vai... Ta vendo aquele professor? -Sim, o que tem? -Eu pago um pau pra ele, o cara é tudo de bom, as meninas arrastam um caminhão por ele... -Ele parece ser tudo de bom mesmo. -Se ao menos ele me desse sopa... -Esqueceu que você namora? -Claro que não, estou falando da época que eu era solteiro... -Hahaha... Sei... Não vou ser hipócrita e dizer que o professor não era gostoso, pois ele era bem gostoso, mas foi um exagero da forma que o Robson contou, tudo bem que pra ele o Glauco era um Deus grego, talvez fosse também para aquelas meninas que ficavam se jogando pra ele, mas pra mim era normal. Saindo da academia dei uma passada em casa e depois fui encontrar com o André antes de ir a faculdade. -Oi Lú... -Oi André, tudo bem? -Tudo... Quer dizer... -Você não parece estar muito bem, o que acontece?

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-Sabe, Lú... Às vezes eu me sinto mal em ter que esconder da minha mãe minha condição... -Por que você não conta? -Eu tenho vontade de contar, mas tenho medo... -Medo de quê? -Sei lá, da reação dela... -Você acha que ela seria capaz de te fazer algum mal? -Não... Mas meu pai sim. -Entendi... Vamos falar de coisas boas, olha o que eu trouxe pra você... -Uma foto sua? -Sim, atrás tem uma dedicatória minha pra você. -Nossa Lú... Adorei! Eu sempre acreditei que mãe sente o que o filho sente, toda mãe sabe quando o filho é homossexual, algumas se calam com medo de ter a certeza confirmada pelo filho, outras preferem ouvir da boca do próprio. Claro que as mães só querem o bem de seus filhos, a maior parte delas não recriminam a maneira de seu filho ser, o que as mais entristece é pensar no preconceito que seu filho vai sofrer no mundo a fora, claro que elas têm razão, a sociedade é muito preconceituosa, seja com sexualidade, religião, cor, etnia, entre outras, uma tremenda bobagem, pois as pessoas só vêem valores em dinheiro e aparência. Conversamos um pouco e depois o levei para dar uma volta em meu carro novo, aproveitamos para dar uns beijos gostosos como fizemos da outra vez, passamos pouco tempo juntos, mas foi muito gostoso pelo tempo que curtimos, deixei-no próximo de sua casa e depois fui para a faculdade. Mal consegui prestar atenção na aula, meus pensamentos estavam no André, não que eu estivesse apaixonado, sei lá ele mexia comigo, talvez eu estivesse começando a gostar dele. Quando cheguei em casa recebi o recado de que o André tinha me ligado, fui pro meu quarto, deixei minha mochila em cima da cama, tirei toda a roupa e fiquei só de cueca, liguei o computador e entrei na internet, coincidência ou não ele estava on-line, começamos a teclar e notei que ele estava um pouco estranho, algo me dizia que sua mãe estava envolvida nisso. -DarkDragon -Lucas Lucas -DarkDragon -Lucas Lucas -DarkDragon -Lucas Lucas -DarkDragon diz diz diz diz diz diz diz (00:32) : oi Lú... (00:33): ola André! Tudo bem? (00:35): não muito... (00:35): O que aconteceu? (00:37): minha mãe descobriu tudo (00:38): Como? (00:41): ela viu sua foto...

Na verdade a intenção do André sempre foi contar para sua mãe sobre sua sexualidade, ele já não agüentava mais esconder, me senti um pouco usado, pois ele se aproveitou da minha foto pra contar para sua mãe. Claro que sua intenção nunca foi me prejudicar, mas me entristeceu um pouco saber que ele

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usou minha foto para contar sobre sua preferência sexual, tanto que sua mãe começou a achar que eu era o culpado. -Lucas Lucas diz (00:42): Ela está aí? -DarkDragon diz (00:45): ta sim. -Lucas Lucas diz (00:45): Posso falar com ela? -DarkDragon diz (00:47): ela não vai querer falar com você Lú... -Lucas Lucas diz (00:47): Então eu vou escrever aqui e você mostra pra ela, ok? -DarkDragon diz (00:48): ta. -Lucas Lucas diz (00:48): Boa noite! Eu entendo que a senhora deve estar achando que eu sou o culpado por seu filho ser um homossexual, mas queria dizer que ninguém é assim por que quer, eu não pedi para nascer homossexual, sofri demais para aceitar isso e ainda sofro um pouco. -DarkDragon diz (00:53): Lú ela disse que isso é safadeza nossa e podemos mudar sim. -Lucas Lucas diz (00:54): Isso não é verdade, se eu pudesse escolher não escolheria ser assim, ser homossexual não é opção, ninguém opta por sofrer a vida inteira com preconceito, apanhando da vida, tendo que fazer amor e trocar carinho escondido... Nessa hora sua mãe tomou a frente do computador e para minha surpresa começou a desabafar comigo. -DarkDragon diz (00:58): não é fácil pra uma mãe ter um filho homossexual, esse mundo é muito promíscuo... -Lucas Lucas diz (00:59): Eu sei que não é fácil, mas também não é um bicho de sete cabeças. Eu não sou um promíscuo e nem os homossexuais são, o homem é promíscuo. Se a senhora deixar seu marido ir a uma festa e uma mulher ficar dando bola pra ele, o que a senhora acha que vai acontecer? Claro que ele vai catar, pois a desculpa dele vai ser : “Eu sou homem...” Um homossexual não deixa de ser homem, não vou ser hipócrita em dizer que não rola sexo fácil, pois rola, mas não pela condição sexual, mas sim pelo instinto masculino. -DarkDragon diz (01:02): imagine quando a família começar a perguntar das namoradas, o André nunca vai trazer uma namorada pra casa, não me dará um neto... -Lucas Lucas diz (01:05): Mas a senhora tem 5 filhos, vai ter muitos netos, a família não tem que cobrar namorada de ninguém, o André não precisa abrir sua cama para todos deitarem, sua vida íntima só diz respeito a ele... -DarkDragon diz (01:07): meu filho não era assim... -Lucas Lucas diz (01:08): Seu filho sempre foi assim, não foi eu que o transformei em homossexual, tanto que não fui eu que o procurei, mas sim ele quem me procurou no bate-papo... -DarkDragon diz (01:10): Lú ela foi pra cozinha chorando, acho que não fizemos bem...

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se aquela rua escura falasse. disse que eu era um promíscuo. De início ela foi muito mal criada comigo. sem medo de ser feliz. tudo aconteceu tão rápido que mal consegui reagir. -Sente-se e jante com a gente. -Obrigado! 26 . simplesmente você é e pronto.. o convidei para jantar comigo. que era pura safadeza nossa e que se quiséssemos mudar poderíamos. Desculpa pelo que minha mãe falou. fiz um pouco de suspense antes de responder. graças a Deus... não adiantou eu explicar para ela que não é uma questão de escolha. -Oi. ele olhou dentro dos meus olhos. me colocou contra a árvore com seu corpo e ali mesmo foi me beijando e tomando meu corpo só pra ele.. -Boa noite! -Boa noite. -Tia. Estávamos próximo de casa. -Como vai. e que ninguém opta por ser o que é. -Prazer André. já esqueci tudo. Uma semana depois eu e o André marcamos de nos encontrar novamente. paramos embaixo de uma árvore e aos poucos ele foi se aproximando de mim. tio. estávamos caminhando por uma rua pouco movimentada. André? -Bem. -Você quer namorar comigo? C@p í tulo 5 Meu coração disparou. me deixei levar pelo momento e me fiz seu prisioneiro. me culpou pelo filho dela ser gay... toquei em seus lábios e fechei os olhos. eu nunca fui pedido em namoro e ainda mais por um homem. mas sim de falta de opção.. que o filho dela nunca lhe daria um neto.. Lucas. beijos e mão boba rolavam a vontade. -Eu posso te fazer uma pergunta? -Pode. dei partida no carro e fomos. -Já estão jantando? -Pensamos que iria jantar fora.. esse é o André.-Lucas Lucas diz (01:12): Deixa ela dar uma pensada. olhei em seus olhos. ele mostrou um lindo sorriso em sua face e aceitou. fui me aproximando de sua boca e respondi com um longo beijo em seus lábios carnudos. Rimos juntos... claro que ao nos encontrar ficou um clima estranho no ar. quando chegamos em casa o jantar estava sendo servido.. no rádio estava tocando “GIRL FROM THE GUTTER”.: -Lú. mas aos poucos nós nos soltando e entramos no clima novamente.. -Lú. -Não se preocupe.

aos poucos ele foi juntando seu corpo nu junto ao meu. sua mão já havia percorrido todo o meu corpo. comecei a sentir um frio na barriga. Acordamos 27 . o clima já estava quente demais. sua língua ia descendo e passando por cada parte do meu corpo. Quando nos demos conta já era tarde. -Avise sua mãe que você vai dormir na casa do seu amigo. não demorou muito comecei a sentir aqueles braços passando pelo meu corpo. mas não posso. embora eu quase todas as noites dormisse seminu. -Já vai André. joguei um lençol por cima de mim.Apresentei o André aos meus tios e ao meu primo. desenrolando vagarosamente. não me movi. dei um beijo de boa noite no André e deitei na minha cama. depois daquela noite maravilhosa que André me deu. Fomos dormir quando o dia já estava amanhecendo. assim ele continuou até me deixar completamente nu. deixei que o clima me conduzisse. pois não gostava de dormir descoberto. quase não pude me conter. entrei no quarto. em silêncio ele se levantou e deitou ao meu lado. meus tios adoraram o André. parte por parte. delicadamente ele tirou uma bermuda que eu havia emprestado para ele dormir. Olhamos um para a cara do outro e demos um sorriso. eu estava adorando a idéia e ele também: -Adorei ter conhecido vocês. depois de escovar os dentes e tomar um banho. acabou virando parte da família. até tomar o meu corpo todo só pra ele. um arrepio na espinha tomou conta de mim. à uma hora daquelas já não tinha mais transporte para ele ir embora. do meu celular o André ligou para sua mãe e disse que iria dormir na casa de uma amiga. apaguei a luz. em meio a sussurros e leves mordidas na orelha. eu não sabia o que fazer. Aquelas alturas. duas almas unidas em um corpo. vou pedir para arrumarem um colchonete no quarto do Lucas pra você passar a noite. meu coração palpitava a mil. até chegar no ponto onde ele queria. nos sentamos à mesa e conversamos o jantar inteiro. mas agora eu tenho que ir. já que a descoberta de sua homossexualidade era recente e qualquer contato com homem era suspeito. Todos foram dormir. Quando eu estava quase pegando no sono senti um toque na minha mão. alem de ser muito divertido também. realmente ele era um garoto encantador. Naquele momento não pensei em mais nada. fica mais um pouco? -Eu adoraria. nosso suor se misturando. percebi que existem várias maneiras de se fazer sexo sem penetração. aquele corpo definido e lisinho deslizando sobre minha pele. pensei levá-lo em casa quando para minha surpresa. nossas bocas coladas uma na outra explorando parte por parte. eu tive outra visão sobre sexo. no vai e vem do chupar. a tia Helena sugeriu que ele dormisse em casa. já passou da 01h00. chegou uma hora que nossos corpos se tornaram um só. aos poucos ele pegou minha mão e a colocou em seu pau. O André era um garoto bem safado e atrevido. mas com toda paciência e carinho ele foi me deixando a vontade. língua com língua simulavam sexo oral. na hora fiquei sem jeito. ele ia tirando minha roupa. nossas respirações já estavam ofegantes. ainda bem que ele era bastante paciente. o que me deixava com mais tesão ainda. -Mas agora não tem transporte pra você ir André. pois se dissesse que era um amigo sua mãe faria um escândalo.

ela estava com pressa. quando eu e o André chegamos para tomar café meu tio já estava de saída... cinco meses. -Você não vem almoçar em casa? -Hoje não. de inicio uma duvida ficou me corroendo por dentro. eu nem se quer podia ligar pra eles. -Bom dia! -Bom dia meninos.. -Tchau César! -Bom. tenho um encontro com um amigo na hora do almoço. -Não se preocupe tio.. E ai? -Não nos falamos muito.. ficamos só nós agora. e você? -Dormi no céu e acordei nos braços de um anjo... -Deus te acompanhe meu filho.. da última vez que nos vimos ele parecia estar muito feliz. Depois do café acompanhei o André até a portaria do prédio. Ao receber aquela noticia meus olhos começaram a encher de lágrimas. mas pediu pra eu dizer a você que está tudo bem e que seu pai está morrendo de saudade de você... -Lú.. passaram duas semanas. meu carro não poderia sair aquele dia por conta do rodízio na cidade.. queria entender o motivo que o fez sumir. -Dormiu bem? -Maravilhosamente bem. vestimos nossas roupas e fomos tomar café. Na mesa já estavam todos. desde aquele dia o André nunca mais havia me procurado. peguei minhas coisas e segui pra faculdade de ônibus. pois tinha que encontrar o Gabriel na hora do almoço. nos despedimos com um aperto de mão e um abraço. Esperei ansioso o André me ligar. mas depois acabei deixando de lado. eu também estou de saída.. -Bom. Vamos tomar um banho pra despertar? -Vamos.. -Obrigado. o Robson também logo iria sair.. nem e-mail ele mandou e todos que mandei pra ele voltaram.abraçados um ao outro. -Oi Dé. 28 . pena vocês terem chegado só agora.. -Bom. resolvi esquecer e seguir minha vida como antes. no meu ouvido ele disse que me ligaria à noite. Acorda.. Não entendo o por que.. fomos tomar banho juntos. sentamos à mesa e tomamos café com tia Helena.. -Sério.. fechei o portão e fui me arrumar. mãe.. -Daqui a pouco preciso ir. Lucas ontem sua mãe ligou... -Eu também estou com muita saudade deles. mas já estou de saída. minha mãe ligava da rua para a casa da tia Helena. pois onde eles estavam não tinha telefone.. minha família era tudo pra mim e cada dia que eu passava sem ter noticias deles era uma tortura. desculpem a falta de educação.

. o shopping não estava muito cheio.... -Não tenho essa sorte. -Quem sabe você encontra o Gabriel aqui. -Você dirige então. -Credo Lucas. o Robson parecia enfeitiçado por ele. Vamos sair dessa loja. fomos descendo pela escada rolante até a praça principal. Em qual shopping você quer ir? -Vamos a qualquer um. -Fala aí Lucas... vai que ela o pica. Robson. Deixamos a loja de animais e continuamos caminhando pelo corredor do shopping que terminava na praça de alimentação. será que sua mãe se importaria se eu comprasse e colocasse no aquário da sala? -Ela mataria você.. Odiei quando ele pediu minha ajuda para escolher algo pro “Biel” dele. -Melhor não comprar então. eu não tinha um motivo para não gostar dele. claro que eu não perdi a oportunidade de entrar na loja para ver.. -Vamos ver nessa loja. vamos comigo ao shopping comprar um presente para o Biel? -Tem certeza que quer minha companhia? -Por que diz isso? -Deixa pra lá. -Lucas. -É filhote de tubarão.. Pior que é verdade.. -O que acha dessa cobra? -Isso lá é presente que se dá pra alguém? -Seja moderno. -O que você disse? -Eu disse que está muito cara.. o Robson ia olhando as vitrines das lojas na dúvida do que iria dar para seu namorado. Veja essa tarântula.O aniversário do entojado do Gabriel estava chegando. -Ah. -Não.. tirando o fato de ter me tirado o Robson.... Chegando no shopping deixamos o carro no estacionamento do terraço... só concordei em ir pra não chatear meu primo.. -O quê? -Quem sabe você encontra o presente do Gabriel aqui. 29 .. o que você acha de dar essa jaqueta pro Biel? -Nossa.. Ainda indeciso o Robson não sabia o que comprar ao Gabriel. -O que foi? -Por esse preço. -Hahaha. Estávamos passando em frente a uma loja de animais.. seria mais fácil dar logo um carro.. onde tinham desde animais domésticos até animais silvestres. só tem animal nessa loja.. -Adorei. -Ok.. Lucas? -Olha que peixe lindo.

Lucas? -Por favor. de uma certa forma tirei uma lição disso tudo.. -Vamos procurar mais pro meio. confesso que isso serviu também como experiência. Dentro do carro eu não dei uma palavra. na mesma hora dei meia volta e fui procurar o Robson. depois me deixou de escanteio. vamos embora. segui em direção a sua mesa na intenção de conversar com ele e saber o motivo pelo qual ele sumiu.. não que eu ainda gostasse dele. amor e sofrimento seguem juntos. mas não contei o motivo naquele momento e seguimos direto pra casa. se esse episódio acontecesse um tempo depois eu sofreria bastante.. me senti enganado. estou começando a ficar com fome. chorei durante o dia todo. acho que não tem mesas. passando a terceira pilastra olhei para meu lado esquerdo e avistei o André sentado a uma mesa. Cheguei em casa e me tranquei no quarto. foi até bom que isso aconteceu naquele momento. parecia ter perdido o controle de mim mesmo. o Robson ficou preocupado comigo. 30 . -Robson.. ao mesmo tempo feliz por saber que ele estava bem. eu não conseguia raciocinar. -Lú. o que mais me deixou mal foi o fato dele ter me usado para conseguir o que queria. o Robson também dizia que queria almoçar então começamos a procurar uma mesa. estava apenas começando a gostar. a cena do garoto se aproximando dele e o beijando ficaram me torturando. e com um beijo na boca eles se cumprimentaram. preferi sofrer sozinho. vamos parar aqui e comer alguma coisa? -Vamos. meu coração doía. um trapo. vamos sair desse shopping? -Você quer me falar o que está acontecendo? -Não me pergunte mais nada. pensava e repensava no por que passar por aquilo.Passando pela praça de alimentação comecei a ficar com fome. ninguém sai de um relacionamento sem derramar uma lágrima.. eu tinha vontade de chorar. Foi a primeira vez que tive uma decepção amorosa. Uma angústia tomou conta de mim. me tira daqui por favor? -Tudo bem. em meus pensamentos vieram várias coisas.. meus pensamentos começaram a ficar confusos.. Entramos no meio das pessoas e fomos procurar pelo centro. achando que existem seres humanos em que poderíamos confiar. Começamos a procurar por mesas. vamos embora. Assim é a vida. -Robson.. quando eu estava quase chegando eu vejo um garoto se aproximando e se sentando na mesma mesa em que ele estava. -Por que. C@p í tulo 6 Na hora em que o avistei fiquei surpreso. mas a praça de alimentação estava lotada. como pude ser tão idiota? Como ele pode ser tão falso? Parando pra pensar. eu fui burro e inocente de acreditar naquelas juras de amor. pois o que eu sentia por ele não era forte.

Acho que são suficientes para eu passar uma semana por lá. bati na porta antes de entrar. -Humpft. já que iriam ficar uma semana separados.. -Pronto. -Por que não vai o Lucas no meu lugar? -Eu? -Não. você sabe falar espanhol fluente. -Entendi.. eu até entendo que eles queriam passar o maior tempo juntos possível. Cheguei na sala e o Robson me esperava junto com o Gabriel. -Mas você vai.. -Humpft.... O Robson não gostou muito da idéia de ter que ir para Buenos Aires resolver problemas da empresa. já decidimos que você vai e não falamos mais nisso. se eu soubesse falar espanhol teria me oferecido para ir em seu lugar. baixei uma musica e depois desconectei..No outro dia acordei um pouco mais cedo... abri bem devagar e encostei no batente. fiquei alguns minutos conectado a internet.. -Pode entrar. pois ela sempre o achou meio desmiolado: 31 . -Já está pronto? -Estou quase. estou esperando o Biel que vai com a gente. a tia Helena também estava na sala dando conselhos ao Robson. -Fazer o quê? -Seu tio tem alguns problemas a serem resolvidos e não poderá ir. -Não precisa ter pressa. -Não fique assim. Passei a tarde estudando um pouco. -Tudo bem... me ajuda a fechar essa mala? -Sim. Fui até o quarto do Robson.. Sai do quarto do Robson e fui tomar um banho antes de levá-lo ao aeroporto. o Lucas não. Vou tomar um banho e te espero na sala. que droga. então o Robson vai representá-lo. não fiquei nem um pouco feliz em saber que o Gabriel iria conosco. ao chegar na sala recebi a noticia: -Bom dia. Chega desse assunto. mãe! -Seu amigo Gabriel está la na sala. Lucas! -Bom dia! -Estávamos contando ao Robson que hoje à noite ele embarca pra Buenos Aires. -Vou vestir uma roupa pra te levar ao aeroporto. -Robson? -Pode entrar. tomei um banho rapidinho e fui tomar café com todos.. -Não estou nem um pouco a fim de ir. -Por quanto tempo você vai ficar lá? -Uma semana. -Diga que já estou indo.

. 32 ... tive que ser enérgico porque os dois nem me ouviam. eu evitava olhar para trás. até juraram amor eterno. mas não precisava abrir a porta desse jeito. -Se você perder o vôo seu pai te mata. mas você vai me esperar.. -Eu queria ir com você. não vou esquecer você. mesmo assim era possível ouvir as declarações de amor do Gabriel. não vai querer que ele perca seu compromisso. Liguei o rádio para tentar me distrair. mas você sabe que agora estou meio sem grana. se não eu levaria você comigo. tenha uma boa viagem.. Você vai me ligar? -Todos os dias.. Os dois não paravam de se beijar. eu amo você. -Foi ele que começou.. -Ele tem razão..... de mais ninguém.. tamanho era o drama em que o Gabriel fazia. -Eu também Gabi. -Calma Lucas. -O quê? Eu estou aqui preocupado com você. -Vamos parar de discutir. achei um exagero todo aquele drama que os dois estavam fazendo. -Vou sentir muitas saudades de você Ro. abri a porta do carro e fui tirar as bagagens do Robson do porta-malas. ou fingiam que não me ouviam.. Robson... Eu disse que chegamos. mas às vezes era inevitável. né? -Claro seu bobo. Gabriel. -É mesmo Lucas. -Então me beija? -Claro! Aquela ladainha já estava me dando vontade de vomitar.. e ainda me crucifica? Pega aí sua mala.. sorte que os vidros eram filmados.. não sei mais viver sem você! -Você jura que é só meu? -Só seu. -Nossa... pra mim aquilo tudo não passava de falsidade... eles estavam praticamente transando dentro do carro. vocês parecem não ter escutado. coloquei em um carrinho e abri a porta de trás do carro. -Chegamos. -Eu sei amor. -Só faltou eu berrar no alto-falante que havíamos chego. fiz questão de acelerar o carro para chegar logo no aeroporto.. até parecia que Robson iria morar em outro planeta.. amor. Que horror.. -É que estávamos nos despedindo. sabia? -Eu também te amo. no caminho ele e o Gabriel iam se amassando no banco de trás..-Podemos ir? -Vamos logo que não quero perder o avião. pare com isso.. -Se você gosta mesmo do meu primo... Agora pare de chorar. -Tudo bem. O Robson e a tia Helena se despediram e depois seguimos para o aeroporto. Biel.. -Te amo.

O Gabriel estava querendo jogar meu primo contra mim. ele nem era tão bonito assim. os dois não estavam nem aí.... Robson. -Você não teria coragem de fazer isso. fiquei até com dó do coitado. apenas não te suporto. não. -Até parece que eu estou disputando o Robson com você. -De onde você tirou essa idéia? -Está escrito na sua testa. -A raiva que você sente de mim é porque o Robson escolheu preferiu estar comigo e não com você. -Boa viagem.. -Tchau Lú.-Espere Lucas.. -Promete que não vai olhar pra mais ninguém? -Prometo. -Não duvide de mim. histérico.. Os dois se abraçaram e com um longo beijo na boca selaram a despedida. Você gosta do Robson.” -Preciso ir. Brequei o carro. -Por que você me odeia? -Eu não te odeio. -Promete que vai pensar em mim? -Prometo. -Olha garoto. ao contrário de Gabriel que estava muito descontrolado. se antes eu já não gostava do Gabriel ao conversar com ele dentro do carro passei a não gostar mais ainda... Deixei Gabriel na porta de sua casa e fui pra casa. talvez fosse muito bom de cama. -Claro que você não vai disputar. Biel.“Última chamada para o vôo com destino a Buenos Aires.. -Eu também. o Robson foi o último passageiro a embarcar. Na volta pra casa acabei dando carona ao Gabriel que chorava como uma criança. .. mas nem isso eu acho que era o suficiente para segurar alguém. -Então me beija? O Robson parecia estar mais calmo. sabe que vai perder. não sei o que aquele garoto tinha que deixava meu primo tão caído de amores. todos que passavam pelo portão de embarque olhavam assustados. -Obrigado. ascendendo um cigarro ele disse: -O que eu te fiz? -O quê? -Fiz alguma coisa pra você não ir com minha cara? -Que eu me lembre. Desculpa.. -Sabe o que eu acho. -Não delira. -Te amo Ro. aproveitaram até o último momento.. eu só não paro o carro agora e te ponho pra fora do meu carro porque tenho dó de você. pra mim não passava de teatro. e estava quase conseguindo. 33 .

-Hugo. na mesma hora liguei para o celular dele e marcamos de nos encontrar.. o Robson pediu para eu pegar informação da hora que o vôo iria sair. -O que houve? -Não sei.. minha caixa estava lotada de propagandas. fiquei preocupado e retornei a ligação. Chegando em casa fui direto pro meu quarto. 34 . acelerei o carro ansioso e preocupado. -Amém.. preciso voltar pra casa. liguei o rádio e entrei na internet pra acessar meus e-mails. achei tudo muito estranho e correndo. -Está aqui tia. um amigo que eu havia conhecido pela internet há um tempo atrás.. já com o rosto inchado de tanto chorar ela me perguntou: -Lucas. tudo bem? -Cuidado.. -Oi Lucas. mas o telefone continuava ocupado. tem 7 ligações não atendidas no meu celular. fui deletando tudo até ver um e-mail do Hugo.. reparei uma movimentação estranha dentro de casa. -Relaxa. divirta-se! -Pode deixar. Encostei a porta do quarto e fui encontrar o Hugo. como se eu estivesse a fim de concorrer com ele. mas só dava ocupado. ao me ver começou a chorar desesperadamente. ela estava deitada na cama assistindo o noticiário na TV: -Com licença. chegamos à balada já passada da 01h00. ele queria ir à balada. fiquei preocupado e avisei ao Hugo que eu precisava ir embora. eu precisava sair um pouco pra tirar o stress. Tomei banho. corre lá então..ele se mostrou muito arrogante dizendo que ganhava na disputa do Robson. só não joguei ele pra fora do meu carro por consideração ao meu primo. fui até o quarto da tia Helena avisar que iria sair.. confesso que fiquei muito puto.. a porta da sala estava aberta e o zelador estava saindo de casa. -Deus te acompanhe. sentada no sofá amparada pelo tio César e a nossa vizinha Laura. -Se acalme Helena. -Rápido. o número era de casa. qual era o vôo que o Robson embarcou? -Não me lembro tia. -Desculpa. Voltei ao estacionamento e peguei meu carro. mas eu tenho anotado lá no meu quarto. no caminho de casa fui ligando o tempo todo pra casa tentando saber o que estava acontecendo.. algo deveria ter acontecido por ter tantas ligações no meu celular. talvez não seja o mesmo vôo que o Robson estava. Assim que abri a porta do elevador. ao chegar no hall peguei meu celular para desligar e notei que haviam 7 chamadas não atendidas. Eu vou buscar. vou dar uma saída. Pelo amor de Deus. ao entrar na sala minha tia estava tomando um calmante... -Tudo bem. -Tia. me arrumei. eu ligo pra casa e só da ocupado.

. deveria ter rendido a noite anterior com meu primo. Parei na porta de seu apartamento e esperei a coragem vim. nunca mais poderia tocá-lo. Não agüentei aquela cena e sai de casa. desci pelo elevador chorando e refletindo sobre como nós seres humanos somos vulneráveis. eu havia estado com meu primo a poucas horas atrás.. senti a mesma dor que minha tia estava sentindo. com lágrimas no rosto e a voz embargando meu tio deu a notícia: -Helena você vai precisar ser forte. Por que Deus fez isso comigo? -Helena se acalme. Uma vida inteira pela frente. Olá Gabriel.. o mesmo cara que há algum tempo atrás prometia amor eterno ao meu primo estava transando da maneira mais suja com outro cara.. meu coração apertou. sentir seu perfume. -O Lucas anotou o vôo que ele iria embarcar. esperei por mais um tempo. meu coração estava em pedaços. parecia até brincadeira. me doía o peito pensar que aquele foi o último abraço que recebi do meu primo. uma tristeza pairou sobre aquela casa. era como se o chão abrisse e eu caísse em um buraco negro sem fim. antes de entrar no elevador pensei duas vezes em subir e contar sobre a fatalidade. a TV estava ligada. voltei até a porta de sua casa e abri a porta e entrei na sala.. meu filho não. em frente ao espelho fiquei treinando em como falar para o Gabriel que seu namorado havia falecido em um acidente de avião. Só por um milagre. trepando igual um animal selvagem. seu namorado morreu. -Nãoooooooooooooo. foi horrível.. então não precisou avisar ao Gabriel que eu estava subindo. essa vida é muito injusta mesmo. o porteiro de seu prédio já me conhecia. embalagem de camisinha. o avião que o Robson estava caiu. -Boa noite. Naquele momento meu mundo desabou. Não restou nenhum sobrevivente. enquanto eu esperava ouvi um barulho vindo de dentro da casa do Gabriel.. no chão da sala haviam roupas espalhadas. deixei a cozinha e fui até o quarto. o que me permitia ouvir uns ruídos bizarros... C@p í tulo 7 35 . -Meu Deus. não sabia como iria dar essa notícia.....-César compara e vê se é o mesmo? -Mas o que está acontecendo. Gabriel.. tio? -Um avião que estava seguindo para Buenos Aires teve um problema e caiu. lentamente fui abrindo a porta até presenciar o Gabriel transando com outro garoto.. a luz estava acesa. a luz estava acesa. Peguei meu carro e segui para a casa do Gabriel. imagine quando eu contasse para o Gabriel que nunca mais ele voltaria a ver o rosto de seu amor. sobre a pia havia três latas de cerveja vazias e uma garrafa de vinho quase vazia. lubrificante. Chegando em frente ao condomínio apertei o interfone. a porta estava apenas encostada. pode ser que o Robson tenha ido em outro vôo.. Ainda procurando pelo Gabriel fui até a cozinha. fiquei estatuo vendo aquela cena. vendo que a coragem não vinha dei meia volta e chamei o elevador.

. Você tem 1 segundo pra sair da minha frente. vegetando. fechei meus olhos e pensei bem se deveria contar a ele sobre o acidente com o Robson. -Por favor... amor próprio. volte pro quarto. -Deixe-me passar Gabriel. por favor. minha família está na sarjeta.. Gabriel caiu no chão e começou a chorar feito uma criança.Lucas. -Fale logo Lucas.. -Pelo visto a ocasião esquentou tanto que você não prestou atenção no noticiário da TV né. -Eu não tenho nada pra ouvir Gabriel. ele não merecia o meu primo. não tem nem a vergonha de aparecer na minha frente pelado. -Deixa de ser mentiroso. deu pra notar que foi imediato. não poderemos fazer um enterro digno porque só restaram cinzas do acidente. Lucas? -Nada.. pelo amor de Deus. -Eu não vou contar nada. me escute. Saí rapidamente do quarto e me dirigi até a porta da sala. Gabriel.. não conte ao seu primo. -Cala a boca antes que eu enfie a mão na sua cara. volta pro quarto e espere que o Gabriel já está voltando. Ainda bem que ele não viveu pra ver isso. o que eu vi dentro daquele quarto não parecia ser nada forçado.. você precisa me ouvir.. coitado do meu primo. aquela choradeira toda com a partida do Robson era tudo teatro. não conte nada ao Robson. pudor. -Pode dizer o que você quiser Lucas. . venho aqui trazer a noticia da tragédia pra você e te vejo transando com outro cara sem a menor culpa.... Será que você pode sair da minha frente? -Por favor.. o que está acontecendo? -Como você é nojento. abri a porta da sala e o Gabriel me puxou pra dentro. foi inevitável não olhar para aquelas roupas espalhadas pelo chão. Lucas. batendo a porta e entrando na frente. Gabriel? -Do que você ta falando. pelo contrario. rolava uma vontade louca pela cara que você fazia. eu estou péssimo. que desgosto você daria ao meu primo. eu não tive culpa de nada. ele me agarrou e me forçou. mas nunca me passou pela cabeça que um dia ele chegaria a tanto. -O que está acontecendo? -Nada Ronaldo. contra fatos não há argumentos. o que você faz de sua vida não me interessa. -Isso Ronaldo.. não houve nenhum sobrevivente.Que cena horrível. -Por favor. Olha só o seu estado.. tudo bem que antes eu já não gostava dele. namorava um canalha que pensava ser um príncipe. o arrependimento deveria ter batido em seu coração. não conte ao Robson. quem sabe 36 . Olhando pra você eu tenho vontade de vomitar.. Lucas? -O vôo que ele estava caiu. -Espere Lucas. -Do que você está falando. Você não tem moral. meu tio está a ponto de ter um derrame. Lucas. só de pensar que nem o corpo do meu primo poderemos ver mais... minha tia está totalmente dopada. Lucas. como uma pessoa poderia ser tão falsa? Jamais eu imaginaria que o Gabriel se prestasse àquele papel. olha só a que ponto você foi capaz de chegar.

o Gabriel estava era fazendo cena. Voltei pra casa arrasado. ao deitar na cama meu celular tocou: -Alô? -Alô. -Que milagre. parece que eu via ele abrir a porta e se jogar no sofá como ele sempre fazia... deixei que ele tocasse até parar. seria um milagre? Eu estava falando com meu primo.isso lhe sirva de lição e melhore seu caráter. trazido de volta pelo barulho do telefone tocando. embora eu ache essa possibilidade quase impossível... É um milagre. Lucas? -Sou eu. -Que palhaçada é essa? -Do que você está falando? -Robson? -Sim. -Que acidente. depois de um tempo segui para meu quarto. enganando meu primo. eu já estava até achando que era implicância minha. meu primo não merecia aquele maldito. mas ao mesmo tempo com muita dor no coração. o que você tem. minha intuição estava certa. quem é? -É o Robson. ele realmente não valia nada mesmo. a tia Helena ficou tão brava nesse dia. na certa seria outra notícia ruim. era ele. tantas juras de amor antes do Robson embarcar. Meu coração foi a mil. teatro. Lucas? Não me reconhece mais? Quase desmaiei naquele momento. me deixei levar pelos pensamentos. mas nada na vida acontece por acaso. tanto choro.... “-Deixa de ser caipira Lucas. um silêncio mortal pairava sobre aquele apartamento. deixei o telefone cair da minha mão.. como o Robson fazia falta. me senti atraído por você. sem poder usar internet nem sair pra balada. será que eu estava louco? Ouvindo coisas? Não pode ser. eu ria e chorava ao mesmo tempo. todos nossos momentos juntos passavam pela minha cabeça como um filme. Deixei aquele prédio com ódio. mas era tudo mentira.” “-Desculpa. abri a porta da sala. ficamos uma semana de castigo. mas do que você ta falando? -Você não estava no avião que caiu? 37 . Lucas? -Você se salvou do acidente. promessas. se aproveitando da bondade e ingenuidade do Robson. o peguei novamente e deixei o Robson falar: -Mas o que ta acontecendo aí? Você ta bêbado? -É um milagre.. eu ouvi. fiquei olhando cada canto e relembrando todos os momentos que passamos juntos desde a minha chegada naquela casa. fui transportando para as lembranças do passado...” Chorando eu me lembrava o dia em que fizemos uma guerra de almofadas e deixamos a sala toda cheia de espumas. respirei fundo. eu não estava preparado para ouvir o pior.. fechei a porta e encostei na parede.

-Ta bom. por outro lado.. preferi não contar nada por enquanto.. tenho muito que viver ainda. vou levar o telefone pra tia ouvir sua voz e ficar aliviada. -Humpft. -Você sempre atrasado. -Quando você volta. to com tanta saudade daquele moleque... por outro lado meu primo não merecia ser enganado. não vejo a hora de voltar para os braços do meu Gabriel. ao mesmo tempo senti um aperto no coração. olhar em seu rosto sabendo sobre seu namorado e não ter a coragem de contar. agora estou aqui aguardando outro vôo pra São Paulo. afinal todos pensávamos que você tinha morrido. hahahaha. já que ele amava o Gabriel e estava feliz com ele. então eu desviei o assunto. não poderia contar toda a verdade. não se preocupe. avise meu pai que a reunião foi adiada para o mês que vem. passei a noite em claro pensando nesse assunto que estava acabando comigo.. quero chegar logo em casa e rever minha família e meu Gabriel. telefone pro senhor. Assim como eu fiquei surpreso. pois a tia Helena já estava dormindo: -Tio.. amanhã já estarei voltando para São Paulo. principalmente por telefone. mas também não tinha o direito de estragar a felicidade dele. Nessa hora tive vontade de jogar o telefone na parede. acabei entregando o telefone para o tio César. -Robson. pois a reunião foi cancelada na Argentina. ela estava deitada na cama e tio César sentado ao seu lado segurando sua mão. você está bem meu filho? -Estou bem pai. o que devo fazer? C@p í tulo 8 Fiquei entre a cruz e a espada. Estávamos todos pensando que você tinha morrido. cheguei na portaria de seu prédio e ele estava saindo. -Vira essa boca pra lá Lucas. quase contei ao meu primo sobre a cena que havia presenciado naquele dia. Enquanto tio César ficou conversando com Robson eu fiquei pensando em como seria quando ele chegasse. Levei o telefone até o quarto da tia Helena. Já estou com saudade de vocês. buzinei pra ele que se aproximou do meu carro: 38 . por mais que eu disfarçasse não iria conseguir mentir para o meu primo. meu Deus. bati na porta e entrei. mas acabei me atrasando e perdi o vôo para Buenos Aires. como ele está? Eu não sabia o que dizer.-Mas que avião? Eu fiz uma escala em Porto Alegre. esperálo voltar para tomar uma decisão a respeito. e agora? Será que eu deveria contar? Mas eu não tinha o direito de estragar a felicidade do meu primo. o telefonema do Robson pegou todo mundo de surpresa. eu não poderia deixar ele ser enganado daquele jeito. -Quem é. Lucas? -É o Robson. -Robson? Deus seja louvado. Robson? -Provavelmente amanhã estarei chegando por aí. No outro dia acordei cedo e fui procurar pelo Gabriel.

Sabe Lucas. adoro os presentinhos que ele me dá.. só está com ele por interesse que eu já notei. Quer saber da verdade? Seu primo é um idiota. Lucas. todos nós pensávamos que ele havia morrido no acidente. o Robson é mão aberta mesmo. não posso permitir que ele seja enganado.. -O que você quer. quer coisa melhor? -Como você é maldito. Lucas.. -Humpft. o que será que eu tenho que você não tem? Hahaha. -Eu também não vou muito com a sua cara. acabou deixando de embarcar no vôo que caiu. preciso falar com você. minha intenção era fazer um acordo com ele. é meu dever protegê-lo e querer seu bem. cansei. para que você me trouxe aqui? -Ontem à noite ficamos sabendo que o Robson não morreu. Lucas? -Vem comigo que eu te conto. -Você ta ficando louco? Ele jamais me perdoaria..-Gabriel. Quando ele ligou dando noticias até pensei que fosse alguma brincadeira de mau gosto.. contarei eu. ficamos na suíte presidencial. Acho que se ele souber por mim será pior. claro que eu vou me aproveitar disso. -Isso já não é problema meu. mas não é por isso que estou com ele. -Não vou mentir.. vive arrancando dinheiro do meu primo.. entre aqui no carro. essa situação não poderia continuar da forma que estava.. por isso estou te dando a opção de contar. Lucas? Por que fez isso? -Não enganei ninguém... faz tudo que eu quero. -Graças a Deus... -Cada vez que eu olho pra sua cara tenho vontade de vomitar. me da tudo que eu peço... -E como ele conseguiu se salvar? -Distraído como ele é. não deixarei que meu primo seja enganado.. -Não? Você me enganou... É justamente pra falar disso que te chamei aqui.. e quando ele volta? Não vejo a hora de poder tê-lo em meus braços outra vez. -Sabe Lucas.. -Eu te odeio. os lugares maravilhosos que ele me leva. -Eu sei que você queria muito estar no meu lugar. Infelizmente seu primo preferiu escolher a mim que você. Precisamos resolver essa situação.. apesar de eu nunca ter feito nada pra você. -Como assim? -Eu amo meu primo. -Você gosta é dos presentinhos caros que ele te dá. se você não contar. -Está escrito na sua testa que você não vale um rolo de papel higiênico. Seguimos para uma churrascaria na Avenida Rebouças... eu sempre notei que você não ia com minha cara. apesar de ter transado com outro cara e você ter visto eu gosto do seu primo.. Você vai contar toda a verdade ao Robson.. pelo andar de nossa conversa parecia que iríamos nos acertar: -Pode falar Lucas. 39 . Teve uma vez que fomos a um motel ma-ra-vi-lho-so. -Chega de falsidade Gabriel.

só estávamos esperando por você para irmos buscar o Robson.. paga pra ver? -Tudo bem. -Gabriel. Saímos de casa em direção ao aeroporto de São Paulo. -Para com isso Lucas. Podemos ir? -Vamos.. Depois eu ligo pra falar com a Helena e combinarmos de ir buscá-lo. 40 .. às vezes eu dava umas olhadas de relance e via aqueles dois juntos na maior falsidade. eu vou contar tudo que vi ao Robson. -Chega de falsidade.. C@p í tu lo 9 Voltamos para casa e o Gabriel nos acompanhou. quando ele volta? -Hoje ele chega em São Paulo.. -Que medo eu fiquei de te perder meu filho. arrependido de ter procurado o Gabriel e ficar sabendo que ele era muito pior do que eu imaginava. -Vá pro inferno. entendo. como eu senti sua falta.. -Tudo bem. preciso me arrumar para receber meu baby no aeroporto. -Lucas. -Você acha que ele vai acreditar em mim ou em você? -Não sei. o Robson e ele sentados no banco de trás do carro. Robson. Quando cheguei em casa tia Helena já estava sabendo da novidade. eu me esforçava para conversar com o Gabriel. O Robson ama a mim e não você. Saí da churrascaria puto da vida. mais falso que Judas. se eu não intervisse o Gabriel iria arruinar sua vida.. viemos eu. essa guerra você perdeu. se um dia eu chegar a amá-lo será muito bom.. -Tudo bem. assim como o tempo. O vôo chegou com um pouco de atraso.. -Fiquei com tanto medo de te perder primo. Enquanto tio César e a tia Helena vinham no banco da frente conversando.. isso eu não ia permitir que acontecesse.. fiquei feliz até ver o Gabriel sentado na sala junto com eles. Agora eu vou indo. Segui para o Parque Villa Lobos e fiquei caminhando por lá. coitado do Robson. Pena que eu não o amo. como se nada tivesse acontecido.. sentados no sofá da sala estavam me aguardando para irmos juntos buscar o Robson no aeroporto. aos nos ver ele largou suas malas e veio correndo nos abraçar. -Humpft. -Precisamos conversar sério. -Eu sei mãe. mas todo aquele atraso foi recompensado quando vimos o Robson desembarcando. tenho muitas noitadas pra curtir ainda na minha vida.-Confesse Lucas. o que mais doía meu coração era ver que o Robson amava demais aquele maldito. Olha quem vai conosco? -Oi Lucas. refletindo sobre até que ponto um ser humano é capaz de chegar. fui sentado no banco de trás do carro e ao meu lado foi o insuportável do Gabriel que fazia questão de esbarrar em mim nas curvas.. quanto tempo. olhando para o céu azul eu via as nuvens passar lentamente. ele me conhece a mais tempo do que conhece você..

bem idiota. -Todos nós achávamos que você tinha morrido no acidente de avião. -Driko diz: Cadê o baba ovo do Pedro? -Lucas diz: Galera to de saída. Gabriel? -Não liga Robson.. seu nick era Driko. acompanhada por uma leve brisa que soprava ao meu ouvido. me despedi do Adriano.. tirei a bermuda e deitei na cama pelado. eu estava todo perdido naquele aeroporto. fechei a porta. Lucas saiu da conversa Saí daquela conversa chata.. boa noite pra vocês. -Não entendi esse tom de ironia. ficamos em casa apenas eu. conectei na internet na intenção de ficar até o sono vir. levantei da cama e liguei o computador. apaguei a luz. -Eu nem sabia que o avião havia caído. -Driko diz: bem vindo Lucas -Lucas diz: Obrigado.. tia Helena e tio César.. -Huglok diz: olha meu amigo Lucas aí. trocamos telefones e fui dormir. quando eu estava dentro do chat achei aquele cara muito imbecil. acabamos assistindo DVD na sala.. passei a madrugada inteira conversando com ele. diferente daquela impressão que eu havia ficado dele dentro daquele chat.. -Nossa. quando o Lucas foi até minha casa me contar eu quase morri.. sem camisa e apenas de bermuda com um pacote de pipoca ao lado e um copo de refrigerante do outro. escutei a porta da sala se fechando. logo quando conectei notei que o Hugo estava on-line. O sono não vinha e as horas estavam passando..-Quando liguei pra casa achei que o Lucas estava ficando louco. o dia já estava quase amanhecendo.. o filme era tão bom que eu não conseguia tirar os olhos da tela... mas seu nome era Adriano. não demorou muito e recebi um pedido para adicionar um contato em minha lista. 41 . -Posso explicar pra ele. fiquei deitado no tapete. não demorou muito e ele me adicionou em um chat com vários amigos dele. Quando o filme terminou fui para o meu quarto. até que ele parecia ser um cara legal. -Sério? -Claro.. imagine-me ficar sem você... você deve ter sentido uma tremenda falta do meu primo. fiquei ali deitado olhando aquela luz do luar que entrava pelas frestas da janela e penetrava pela cortina do quarto.. o sono não vinha. À noite o Robson foi dormir na casa do Gabriel. deveria ser a empregada chegando. -Realmente. ele ta com inveja.

escovei os dentes e fui para a sala tomar café.. Robson. onde quer que chegava chamava atenção. ele vai te ouvir.. -Bom dia! -Bom dia Lucas. foi direto pro quarto e se trancou lá.. tia? -Estou preocupada com seu primo. então resolvi entrar. ele era um cara bonito. -Pelo meu bem? -Claro. Bati na porta de seu quarto e ninguém respondeu. na certa deveria ser pelo que o Gabriel havia aprontado. pensei em revidar... mal falou comigo e com o César.... Deixa que eu falo com ele. Eu dei a opção dele escolher. sentei na mesa e a tia Helena parecia estar preocupada. eu fiz isso pelo seu bem. No caminho eu fui pensando. -Licença.. sozinho com certeza não ficaria se não quisesse.No outro dia. primo?.. tia.. acordei e vesti uma calça. pela cara dela alguma coisa havia acontecido.. -Que absurdo. o coitado deveria estar arrasado por saber que seu namorado não prestava.. Robson?. seu safado. Sem eu menos esperar levei um soco no olho.. parecia estar bem longe.. mas acabei deixando quieto.. -Você está bem. Depois de chantagear o meu namorado ainda quer saber como estou? -Espera ai. bati mais uma vez e percebi que a porta não estava trancada. meu primo não merecia uma coisa daquelas. Você da em cima do meu namorado e diz que foi pro meu bem?. deixei 42 .. -O que aconteceu com o Robson? -Ele chegou hoje furioso. -Nossa. Ele me contou que você propôs uma noite no motel com ele. Lucas. Você ainda tem a coragem de falar comigo? -Por que você está dizendo isso? -Você não vale nada. vocês são muito amigos. -Saber como estou.. -Que horas foi isso tia? -Agora há pouco. pela expressão de seu rosto ele parecia estar com muito ódio.... -O que a senhora tem. -Tudo o quê? -A verdade. Lucas. O Robson estava deitado em sua cama olhando para o teto. ele nem deu atenção quando entrei em seu quarto... -Isso Lucas.. seu olhar estava perdido em pensamentos profundos. -Que história é essa de que dei em cima do Gabriel? -Ele me contou tudo hoje... se não você inventaria que ele havia me traído. Como você é sujo. -O que você quer? -Saber como você está. a janela do quarto estava aberta. Nunca esperava isso de você. apenas o segurei para não receber mais golpes dele.

chorei muito. era o Adriano.. na certa ele estava tomando banho na maior tranqüilidade. ok? -Beleza. eu estava louco para por as mãos nele e quebrar aquela carinha de santo que ele tinha. baixei a cabeça e desabei em lágrimas.. então eu fui até lá pra conversar com ele. o procurei por toda parte e não encontrava.. mas o que era dele estava guardado. -Ok.. Entrei no carro. varias coisas se passavam pela minha cabeça. mas não hoje. fiquei ali por quase duas horas. até que depois de pensar muito resolvi ir falar com o Gabriel. nunca pensei que o Gabriel seria capaz de tanto.. -Vou matar você. fui até o box onde ele tomava banho. -Tudo bom com você? -Sinceramente não. -Nossa. por que você mentiu dizendo que eu te chantageei. que entrou no vestiário para ver o que estava acontecendo e não deixou que eu desse uma lição naquele pulha. com uma mão eu segurava seu pescoço e com a outra eu torcia seu braço. a vontade que eu tinha era de forçá-lo a contar toda a verdade ao Robson. Eu apertava seu pescoço como se fosse uma galinha no matadouro. -Pára. peguei pelo seu braço e o arranquei do chuveiro. e você acha que eu ia contar a verdade e me foder? Se liga seu trouxa. C@p í tulo 10 Na parte da manhã eu sabia que o Gabriel estava na academia.seu quarto e fui para o banheiro. 43 . não entendia como poderia existir pessoa assim. muito irado. Sentado no canto do box eu deixava a água cair sobre minha cabeça. o que houve? -Deixa pra lá. -Seu ordinário.. ao dar uma brecha o Gabriel conseguiu se soltar e correu pelado gritando pelo vestiário. seus gritos chamaram atenção do pessoal da academia. Fui bufando até o vestiário louco pra quebrar a cara dele. perguntei para uma professora e ela me disse que ele estava no vestiário. entrei em baixo do chuveiro frio com roupa e tudo... meu sangue já estava fervendo e minha raiva só aumentava. é de paz. mas o que eu preciso mesmo não é de conversa. Liguei o carro e quando ia dando partida meu celular tocou. uma hora eu iria encontrá-lo e aí sim acertaríamos nossas contas. se você precisar conversar. Você está me enforcando. seu verme? -Hahahaha. Saí daquela academia atordoado. não vale a pena ficar relembrando. pode contar comigo. -Maldito eu vou acabar com você. não estou muito bem. -Lucas? -Sou eu. troquei de roupa e desci até a garagem para pegar o carro. coloquei as mãos sobre o volante. abri a porta e escutei barulho de água. o pressionei contra a parede.. -Obrigado. O que você acha de a gente se encontrar? -Podemos marcar um dia. não conseguia me controlar..

Você ama seu primo. quem é você pra dizer o contrário? -Mas o Gabriel não vale nada. eu quero sua felicidade.. -Cara. -Por que você diz isso? -Ta respondido. pois o Gabriel era uma pessoa muito perigosa. -Nós sabemos disso... desliguei o telefone logo. Olha aqui pra mim.... Você gosta do Robson? -Gosto... ele é um cara bacana. -Eu entendo.. -Mesmo assim. por isso que você está sofrendo desse jeito.. mas ele não quer saber. sempre o prejudicado será você que se passará por invejoso.. eu acho que estava começando a amar o Robson. -Deixa de bobagem. mas se ele acha que está feliz ao lado do Gabriel. já estou decepcionado com a vida... ódio com amor. -Lú. mas como eu iria contar? Eu também corria o risco de ser chamado de invejoso... só enxerga o que quer ver. o Driko parece ser um cara bacana.. -Você precisa se apaixonar por outra pessoa.-Tudo bem. no caminho eu fui pensando n tamanho da falta de caráter do Gabriel. -Não. a gente se fala outra hora então. não adianta você dizer que o namorado dele não presta. Cheguei na casa do Hugo chorando.. Eu quero saber se você gosta como um namorado. já que ele fechou os olhos pra tudo e só ouvia o anjo Gabriel. quando ele me viu naquele estado ele ficou muito preocupado.. Meu primo não merece aquele moleque.. ninguém nunca havia me visto assim... O que aconteceu? -Aquele bandido está acabando com a minha vida.. Uma pessoa apaixonada fica cega.. -Sim.... me ligou hoje.. -Humpft. se meu primo continuasse com ele com certeza teria seu futuro arruinado. Desliguei o celular e joguei dentro do porta-luva. -Não quero me apaixonar por outra pessoa. olha como você está.. -E ai? -Não nos falamos muito. -Ok. eu estava chorando muito. -Por quê? 44 .. assim você esquece o Robson... falsa e mentirosa. liguei o carro e segui para a casa do Hugo.. -Não foi esse tipo de gostar que eu perguntei. Eu nunca te vi nesse estado. está escrito em seus olhos que você o ama. -Humpft. Com um abraço apertado ele dizia: -Não fique assim. o Robson precisava saber disso. por dentro havia uma mistura de raiva com inveja. eu precisava desabafar com um amigo sobre tudo que vinha acontecendo. pois até morar juntos eles já estavam planejando.. -É sim. claro que isso eu não iria permitir.. não sei explicar o que era aquilo.

enquanto eles conversavam fui até a janela e fiquei olhando o movimento da rua. -Humpft.-Porque não estava a fim de falar com ninguém. um passeio qualquer. aquela impressão que eu havia tido dele no inicio acabou mudando. com seu jeito compreensivo ele acabou entendendo meu lado. não combinamos nada ainda. fala logo. -Cogitamos a hipótese de ir ao cinema. -Eu escutei vocês falando de cinema. as mesmas decepções que tive no mundo heterossexual estava tendo no homo.... como você é burro. -Oi. -Quer parar de me irritar? -Vou ligar pra ele agora. -Não vou dizer nada.. Alem do mais ele estava a fim de sair. mas eu não estava em condições de paquerar via telefone. desculpa. Peguei o telefone e falei um pouco com o Adriano. tem defeitos e qualidades. -E ai.. O Hugo pegou o telefone e ligou na hora pro Adriano.. -O Adriano quer falar com você. pedi desculpa por tê-lo tratado com frieza há algumas horas atrás.. -Lucas.. Olha só a oportunidade que você perdeu.. mas não estão livres de errar. -Marca uma balada logo... eu já havia ouvido falar que o mundo homossexual era repleto de decepções. Conversamos por quase uma hora no telefone... -Que nada... Lucas. as pessoas caminhando.. me conta? -Contar o quê? -Se entenderam? -Ah.. pelo menos vá conhecê-lo.. eu sei que ele tinha as melhores das intenções. -Ah. você vai dizer que topa sair com ele. até que o Hugo tinha razão. alguns abusam.. -Chega de putaria. eu tinha mesmo que dar uma oportunidade para outras pessoas me conhecerem.. ali mesmo entrei profundo em meus pensamentos e comecei a refletir sobre o que era a vida..... pois ele se mostrou ser uma pessoa bem amadurecida... -Vai sim. Nós conversamos. -Lucas. é a sua felicidade que está em jogo.. -E desde quando você tem idade pra entrar em uma balada? -Ué. faz tempo que eu não saio. ele é um cara legal. independente de sua condição sexual ser humano é tudo igual.. os carros passando.. -Ta viajando? -Um pouco. agora vivendo dentro desse mundo eu percebi que não é verdade. chame ele pra um cinema. vocês vão sair? -Ah. eu tenho RG falso.. mas não dê as costas ao destino. 45 . -Se te pegam você está ferrado. a questão é que estava me envolvendo com seres humanos. ficar chorando por uma pessoa que não te quer é cruel.

. eu duvido que 90% da balada nunca saiu pela primeira vez com menos de 18 anos. enrolei uma toalha na cintura e fui pro quarto navegar um pouco na internet.-Você só tem 17 anos Hugo. acabei absorvendo os problemas externos pra mim. principalmente sobre minha troca de roupa ao vivo. Saindo da casa do Hugo eu segui pro shopping. preciso ir. tomando meu iogurte sem me preocupar com mais nada. é menor e sua mãe que responde por você. Assim que terminei de tomar o iogurte fui para o meu quarto. 46 . já não pensava mais em mim. Quando cheguei no hall do elevador. ao me levantar da cadeira eu bati a mão no mouse e acionei a web cam sem perceber. completamente nu. -Olá! -Tudo bem? -Tudo ótimo.. com o olhar perdido. verifiquei minha caixa de mensagens. Sem querer acabei fazendo um streaper para os que estavam on-line. mas o Robson vinha dando muito na cara que era gay. porém todo mundo estava me vendo sem roupa do outro lado. No banho era o momento onde eu esquecia da vida. Antes de sair do banheiro passei um óleo no corpo. -Ok. ascendi à luz. Bom.. abri a porta da sala de cabeça baixa. -Depois a gente se fala mais. fechei a porta e comecei a tirar a roupa. -Obrigado pelo presente. pela maneira em que ele falava do Gabriel e o tratava. Não sei se meus tios já tinham descoberto ou não. eles deveriam estar se divertindo me vendo sem roupa.. parei na porta e respirei fundo dez vezes antes de entrar. cantava. dentro do meu peito ainda continha uma angustia instalada que me incomodava. esquecia dos problemas. mas não havia nada de interessante. -Tudo bem. segurei na maçaneta e fiquei pensando se entraria em casa ou dormiria fora. Depois que meu pai adoeceu eu acabei me descuidando. relaxava. pelo visto não havia ninguém em casa. abri a geladeira e peguei um iogurte de morango. para quando eu chegar em casa não precisar sentar à mesa com o Robson e ficar aquele clima chato. acabei jantando por lá mesmo. já pensou ela respondendo processo em seu lugar? -Você fala como se só eu que falsificasse RG pra entrar na balada. o que me fez adquirir uma sensibilidade muito grande.. sentei-se à mesa da cozinha e fiquei ali por um tempo. C@pítulo 11 Fui até a cozinha. o Adriano estava on-line. começamos a conversar sobre várias coisas.. coloquei a chave na porta e tranquei sem fazer barulho. liguei o computador para baixar uns e-mails e havia algumas pessoas on-line cujo apenas cumprimentei. continuei tirando minha roupa ali no quarto inocentemente. uma vez eu escutei um comentário do tio César para a tia Helena perguntando quem era aquele amigo “estranho” do Robson. apenas um bilhete do Robson sobre a mesa dizendo que iria chegar tarde. já completamente nu fui pro banheiro tomar um longo banho. brincava. -Humpft.

ele deveria ficar horas na academia trabalhando 47 . eu não estava conseguindo prestar atenção na aula. acho que fui um dos primeiros a chegar. mas naquela hora ele falou tudo que eu precisava ouvir. -Pare com isso. O Glauco era o professor mais disputado pelas garotas e professoras da faculdade e da academia. um corpo muito bem feito e definido.-Que presente? -O streap que você fez pra mim. fiquei no pátio deitado embaixo de uma árvore. conversamos a noite inteira quase. com seu jeito sorridente. nos problemas. jogar bola na rua. com a cabeça apoiada sobre minha mochila. Sendo um dos docentes mais populares da escola atraía atenção de muita gente. Posso dizer que a partir daquele dia eu comecei a sentir um carinho especial por ele. lembro de uma vez que tia Helena foi passar uma semana em casa com o tio César e o Robson. Assim como ele. Pode. pois ele tinha um jeito especial de ensinar. como já estava ficando tarde eu desconectei e ficamos nos falando um pouco por telefone. olhando para as nuvens do céu fiquei pensando na minha família. assim nós viveríamos apenas os bons momentos eternamente. não consegui nem abrir os livros. As duas últimas aulas eram do professor Glauco. ao relembrar os almoços de domingo onde todos se sentavam à mesa para almoçar e passávamos horas falando de varias coisas. me deixando uma esperança de que amar e ser amado ainda era possível. -Não resisti.. as mulheres arrastavam um ônibus por ele. Meu dia havia começado muito difícil. nunca gostei muito de falar sobre essas coisas.. -Você é gostoso demais.. comecei a ficar vermelho de vergonha e a desliguei na hora. inteligente. -Desculpa. -Nossa. passei o tempo todo em outra dimensão. -Posso te dizer uma coisa? -Humpft. -Eu fiz? Foi aí que eu notei ter deixado a web cam ligada. outros que me viram sem roupa deveriam ter feito a mesma coisa. tomar banho de rio. era incrível como ele conseguia fazer todo mundo entrar não clima legal. minha concentração era na vida lá fora. logo depois fui dormir. tive que bater uma aqui. confesso que em sua aula eu consegui me concentrar. Desculpa. Pela manhã acordei cedo... -Poupe-me desses detalhes. educado. -Desculpa de quê? -Foi sem querer. em como eu tive uma infância feliz. falamos sobre vários assuntos até entrarmos no tema AMOR.... o mesmo que dava aula na academia aonde eu e o Robson íamos. cabelos espetados com topete. nossa. deveriam inventar uma máquina que tivesse o poder de parar o tempo.. tomei um banho morno para despertar e segui para a faculdade. foi muito bom passar a madrugada rindo sem ter sono. ainda estava vazia..

você se importa se eu tirar minha roupa na sua frente? -Fique a vontade. fui abrir a água do chuveiro e a deixei esquentando enquanto tirava a roupa. fui andando pelado mesmo. melhor pra mim que poderia tomar banho mais à vontade. não preciso me preocupar com quem entra em um banheiro masculino.. Entrei no vestiário masculino e já não havia mais ninguém. sou eu! -Desculpa Glauco. deixei sobre o banco mesmo e dei a volta até os boxes onde ficavam os chuveiros.... mas eu não teria chance com ele. afinal. era o que eu fazia sempre quando tinha aula pratica. mas continuei a tomar meu banho normalmente. fui até a sala de aula busca minha mochila. com a toalha enrolada na cintura comecei a pegar minha roupa dentro da mochila. somente com a toalha. mas sonhar não me custava nada. me imaginei lambendo cada centímetro daquele corpo bronzeado. só dava pra ver o começo dela quando ele fazia algum movimento que levantava sua camisa.. Aos poucos ele foi tirando peça por peça de sua roupa. Na verdade era tudo que eu mais queria.. aquela aliança em sua mão esquerda denunciava que ele era casado.. já sem roupa nenhuma o Glauco se aproximou de mim: -É impressão minha ou você está nervoso. sai do box enxugando meu corpo e fui pegar minha roupa na mochila que estava em cima do banco do outro lado do vestiário. pois estava tão aéreo na saída da sala que esqueci quando desci pra aula prática. Assim que terminei meu banho peguei minha toalha e comecei a enxugar meu cabelo.. Assustei-me. até que enfim eu iria ver sua tatuagem por completo. Com a mochila nas costas fui até o vestiário para tomar banho e tirar o suor antes de ir trabalhar. -Calma Lucas. Lucas? -Deve ser impressão sua Glauco. minha imaginação começou a fantasiar coisas. -Relaxa. estava distraído. ver o Glauco pelado.aqueles 186cm de pura gostosura. me imaginei várias vezes no lugar daquele apito que ele usava nas aulas. o que provocava uma curiosidade de onde iria terminar as pinças do escorpião. Nem tranquei minha mochila no armário. embora eu parecia enfeitiçado por ele notei que vez ou outra ele me dava umas olhadas fora do comum. Entrei no box e deixei a porta aberta. Coloquei a mochila sobre o banco de madeira que ficava no corredor dos armários e comecei. disfarçadamente às vezes eu dava uma olhada de canto de olho. Após o termino do jogo. suas pernas torneadas à mostra com aqueles shorts que ele costuma usar. parecia que foi esculpido à mão. mesmo com o chuveiro ligado e o barulho da água senti a presença de mais alguém ali. minha reação foi enrolar a toalha na cintura imediatamente. Eu às vezes pensava em como seria beijar aquela boca carnuda. 48 . levei um susto ao ver o Glauco ali parado me olhando. sabonete e xampu nas mãos. marcando a pontinha dos seus mamilos arrepiados. todos já deveriam ter ido embora. aquela camiseta colada ao suor de seu corpo estava me deixando com tesão. era um escorpião que começava na barriga e ia descendo até o “playground”. pois os chuveiros da faculdade demoravam um pouco pra esquentar.

roçava seu pau em minhas pernas com tesão e desejo. com muita habilidade ele tirou uma camisinha de sua mochila e com cuidado foi me penetrando sem pedir licença... -Pena que não posso provar. meu corpo amoleceu na hora.. foi até a porta do vestiário e a trancou. enquanto isso sua boca tapava minha boca com beijos ardentes e molhados. aquela mão cafajeste fazia vários papéis ao mesmo tempo. -Eu quero.. olhando fundo nos meus olhos ele veio até mim e segurou pelo meu braço com uma mão só.. -Parar coisa nenhuma. lambendo minhas orelhas e baforando no meu ouvido fui jogado no banco do vestiário como uma toalha molhada sobre a cama. sua respiração já era ofegante e meu tesão já estava no limite total.. mas depois ele dava umas com força. como se eu fosse uma puta ele puxava meu cabelo e lambia meu pescoço. seu suor se misturava com o meu ao pingar sobre meu corpo. -Alguma vez eu disse que não? Sem querer soltei essa resposta. o tesão estava a ponto de explodir como uma bomba nuclear. tanto no tamanho quanto na espessura. ao mesmo tempo em que ele me conduzia com carinho.. corpo colado no corpo.. sua mão foi descendo pelo meu corpo me causando um arrepio mais que prazeroso. -Não entendi. sem pudor nenhum ele beijou a minha boca como nenhum outro havia beijado..-Pensei que minha presença tinha te causado um nervosismo. no começo ele ia devagar. quase tive um orgasmo. Aquele clima me deixou rapidamente excitado. sentindo seu peitoral roçando nas minhas costas com as “bombadas” sincronizadas que ele dava. o Glauco tinha um jeito meio selvagem. ele tinha um pau exageradamente avantajado. ficamos totalmente nus. Sentir aquele corpo pesado sobre o meu me fazia delirar de prazer. naquele instante eu pensei que ele iria me bater. machão. com brutalidade e selvageria ele puxou minha toalha rasgando-a ao meio. enquanto ele fazia aqueles movimentos de ir e vir eu ficava pensando em como as meninas da faculdade gostariam de estar no meu lugar naquele momento. Nossa. acho que por isso ele fazia sucesso com as mulheres. essa sua cara de safado me mata de tesão. faz muito tempo que eu estou a fim de fazer isso e sei que você também quer. sempre havia feito o ativo da relação e até então não tinha interesse nem tesão por fazer passivo. Glauco. seguidas de altos gemidos e palavrões. com jeitinho. senti aquilo crescendo rapidamente e molhando minhas coxas de tesão.. me dava umas pegadas com força que marcavam minha pele como ferro em brasa marcando um gado. era a primeira vez que eu “dava” pra alguém. preso na parede com seu corpo era impossível reagir. Lucas! -Obrigado. rústico. cara. seria tão bom se fosse verdade. É melhor parar. na mesma hora ele deu um sorriso safado. ao me jogar na parede e me prender com seu corpo nu eu percebi que a intenção dele era outra.. -Então relaxa. sua 49 . -Não. matando minha sede de prazer.. eu nem acreditava que aquele Deus Grego estava me consumindo no vestiário da faculdade. -Você tem uma boca linda.

em sua face ele exibia um sorriso de satisfação. Acordei como se estivesse dormido no céu. -Conte. é que não consegui segurar. Com os corpos colados e nus acabamos adormecendo. -Tudo bem com a senhora. acabei perdendo a hora de trabalhar. aliás ele era mais que um tesão. porque se tratando de sexo ele era perfeito. mãe! -Olá Lucas. 50 ... Tesão.. principalmente se a pessoa for um tesão como o Glauco. -Tudo bem.. Não tem nada que se compare a uma transa bem feita. acho que foi aquela chupada magnífica que recebi... ai você me conta tudo. entre. e como meu primo não estava falando comigo o único amigo mais próximo que eu tinha era o Hugo.. -Ah.. o Glauco me deu mais um beijo na testa e se deitou ao meu lado. então sai da faculdade e fui direto pra casa do Hugo. foram momentos inesquecíveis de puro prazer.. Hugo? -É o Lucas. -Você também. Aconteceu alguma coisa? -Sim. Ofegante e quase sem forças. -Quem é. eu precisava desabafar com alguém. -Oi Lucas. O perfume dele ainda estava impregnado em minha pele. simplesmente um Deus na cama. me levou ao céu e ao inferno.performance sexual pirou minha cabeça. o que aconteceu? -Sabe o Glauco? -Que Glauco? -Aquele professor que te contei.. -Foi mal. olhei para o lado e o Glauco não estava. Fomos para o quarto do Hugo onde contei tudo que havia acontecido. Tratei de me vestir rapidamente antes que entrasse alguém e me visse daquele jeito. tamanho era o prazer que nós sentimos. na virilha havia um vermelhão. passando seu braço sobre meu corpo trazendo pra junto do seu. mas sim um grito de tesão acumulado. -Nossa. você é muito gostoso cara.. dona Maria? -Tudo ótimo e com você? -Tudo maravilhosamente bem também... mas havia deixado um bilhete dizendo que precisou ir embora. um pouco abaixo do meu mamilo ficou uma marca de mordida feita por aquela boca majestosa. Glauco.. eu suspeitava que ele já havia trabalhado profissionalmente “nesse ramo”. C@pítulo 12 Quando ele chegou nos “finalmentes” não soou um gemido. embora cansado não perdia o bom humor. Vão acabar ouvindo. -Então vamos lá pro meu quarto. -O que é isso.

. o Vini é especial.. você não tem idade pra entrar na balada. -Humpft. -Você é meu amigo.. Gosto demais de você. Hugo. -O que você quer dizer com isso? -Pra você não ir com muita sede ao pote. -Olha lá hein. -Entendo Lucas. já foram se conhecer pessoalmente? -Já sim. -Balada?. quando ele começou a falar sobre seu caso com o Vini eu pedi para usar seu computador um pouco. ai eu apresento pra você.. Nunca me trataram com tanto carinho. Você é um super amigo! -Obrigado..... -O quê? -Estou ficando com um carinha super legal.. -Vai dar sim. Hugo.. -Sério? -Sim. Desabafei um pouco com ele. parecia estar apaixonado... Enquanto conversávamos o Hugo navegava na internet.. -O quê? -Pois é. O que tem ele? -Transei com ele hoje de manhã.. eu vou te apresentá-lo ainda. -E ai. no vestiário da faculdade. acho que transamos por vaidade. não quero que passe por maus momentos assim como eu passei. conversamos um pouco e acabamos ficando. acabamos fazendo uma troca.. se te pegam com documento falso. transamos hoje de manhã. me conta? -E ai que ele me curtiu e eu o curti.. -Uau. pra mais tarde não se machucar como eu me machuquei. se não me pegaram até agora não me pegam mais. Humpft. tome cuidado que hoje em dia não podemos confiar muito nas pessoas. luxúria e tesão.. sentir-se atraído por ele não era difícil... embora estivesse me ouvindo. -Quando é que você vai me apresentá-lo? -Vamos marcar de ir a uma balada.. Tenho uma coisa pra te contar.-Ah.. 51 . -Que demais cara.. -Que bom. -Relaxa Lucas.. conheci um cara super legal. já que pra mim ele era um dos melhores amigos que eu tinha. Logo que me conectei o Adriano que estava on-line puxou assunto comigo. pois seus olhos brilhavam quando ele falava do Vini.. -Como ele se chama? -Vini. -Sabe Lucas. Jamais pensei em ter algo sério com o Glauco. viciado como ele era nem tirava o olho da tela direito. Tomara que dê certo. ao mesmo tempo em que eu teclava com ele eu ouvia o Hugo falando de seu novo “Affair”. Hugo.

-Deixa que eu ajudo. deixa-me embrulhar pra você. entrei na primeira loja que vi na frente e fui atendido por um vendedor bonitinho. -Quê? -Vou ligar pra ele. não teve como evitar que nossas mãos se encostassem uma na outra e foi o que aconteceu.. um pouco mais alto que eu. -E como anda o romance de vocês? -Ah.... -Não. -Com quem você está teclando ai? -Com o Driko. deixando sua mão sobre a minha ele pediu para que eu provasse a capa. sentir que alguém me queria de verdade. -Quê? Nada disso. Enquanto eu escolhia a capa reparei que ele me dava umas olhadas. -Tem alguma preferência? -Sei lá... -Ok. com aquele cabelo enrolado. peraê. Em meio a todas aquelas capas que havia na vitrine eu escolhi uma que estava bem escondida. ouvir algumas palavras de carinho. Ao sair da casa do Hugo fui até o shopping comprar uma capa nova para meu celular.. -Eu sei.-Qual a idade do Vini? -Ele tem 19 anos. dentro do elevador eu abri a sacola para 52 . nem preciso dizer que ele me atendeu super bem.. acrílico.... coloridas... vocês estão precisando se encontrar e se conhecerem. magro... -Temos capas de couro.. -Eu quero aquela capa ali. -Pois é.. Peguei o telefone da mão do Hugo e comecei a falar com o Adriano.. Desculpa. estou deixando rolar. mostrei pra ele a que eu queria e ao mesmo tempo em que eu fui pegar ele também teve a idéia. -Não foi nada. Vou ficar com essa mesmo. branca. -Bacana. já que ao entrar na loja ele se jogou pra cima de mim. transparentes. -Não precisa. esperai que tem alguém aqui que vai falar com você. mas foi muito bom escutar sua voz outra vez. ao me ver ele fixou o olhar e veio até mim.. plástico. preta.. eu pego... depois que conheci o Adriano comecei a enxergar uma luz no fim do túnel. Sua mão está gelada. -Deixa que eu pego pra você.. Depois de escolher uma capa pro celular e paquerado o vendedor eu deixei a loja e segui para o estacionamento. tiara segurando os cachos. você com 17 e ele com 19. -Alô.... Driko? É o Hugo... -Olá. em que posso ajudá-lo? -Eu quero uma capa pro meu celular. conversamos pouca coisa. Nos falamos pouco. é obvio que ele queria que eu percebesse que ele também era gay. olhar de predador. um cara todo estiloso.

Deixei que eles fossem caminhando na frente enquanto eu ia atrás me esquivando entre os quiosques e pilastras dos corredores. provavelmente alguém estava subindo ou descendo as escadas. era mesmo o Gabriel que estava se amassando com um carinha no meio da escada de emergência. entrei no carro e coloquei as mãos no volante. muito corajoso ele era. Uma escada de emergência não é lugar pra fazer esse tipo de coisas. em um movimento brusco de um deles consegui ver que minha suspeita tinha fundamento. já que quando envolve adrenalina tudo fica mais gostoso. Quando eu vinha descendo pelo elevador panorâmico me pareceu ter visto o Gabriel na companhia de um rapaz que não era meu primo. era mais confortável e nos permitia mudar de posição varias vezes. eles falavam tão baixinho que estava impossível de reconhecer pela voz. Olhei para os degraus de cima e não notei nenhum movimento. os dois já estavam sem camisa e com a calça desabotoada quando escutamos uma porta-corta-fogo bater. e pra minha surpresa era com o Gabriel: 53 . Eu nunca tive esse tipo de fantasias com escadas. pois nasceu em mim a esperança de que o Robson e o Gabriel não estivessem mais juntos. uma sombra na parede denunciava que alguém transava sem o mínimo receio de chegar alguém. sempre preferi uma boa cama mesmo. minha vontade era dar uma surra nele e jogá-lo daqueles degraus para baixo. porém resolvi ir também. pois se o dono percebesse as entradas que ele estava me dando com certeza teria sido demitido. lençol perfumado. mas seria pior se eu ficasse na dúvida. por dentro eu estava feliz. na esperança de meu primo ter descoberto o patife que o Gabriel era. já do corredor notei que a porta estava apenas encostada. olhando através do pára-brisa eu fui longe em meus pensamentos. o que me deixou na duvida se eles ainda estavam juntos. elevadores. Cada dia que passava eu sentia mais nojo daquele porco. porem não tinha certeza se era ele mesmo. provavelmente eles haviam descido. pra não ficar na dúvida resolvi descer e averiguar quem era. me aproximei dela e percebi que ele estava no telefone conversando com alguém. antes de entrar no quarto fiquei esperando ele terminar de falar no telefone e acabei ouvindo o que ele falava. teve uma hora que eu pensei tê-los perdido de vista ao entrarem na saída de emergência. segurando pelo corrimão do lado direito eu fui descendo rapidinho até escutar alguns sussurros. já que aquele shopping era cercado de escadas. Às pressas eles vestiram as camisas e abotoaram a calça. o pior de tudo era que o cara que ele estava “pegando” não era meu primo. aos poucos eu ia me aproximando na ponta dos pés para não ser notado.colocar a capa no celular e percebi que junto havia um cartão da loja. sei que essa atitude de ficar seguindo os outros é muito feia. talvez estivessem realizando uma fantasia sexual. atrás do cartão estava o telefone do vendedor que me atendeu. Liguei meu carro e fui pra casa ansioso da vida. estranhei o fato de escolher justo a saída de emergência ao invés da escada rolante ou elevador. deixei o local correndo para que eles não me vissem e fui pro estacionamento. Fiquei na escada esquivado e esperando uma oportunidade de um deles se virar para eu conseguir ver o rosto. Ao chegar em casa segui direto pro quarto do Robson.

Desliguei o telefone e mandei um torpedo pro Adriano. tem mulher no meio. então deixei de lado... claro que era pro prostituto do Gabriel. -Robson volte aqui. desde que o Robson havia conhecido o Gabriel ele mudou dentro de casa. deitei na cama e fiquei esperando o sono vir. mas mentir pro meu primo dizendo que iria ficar em casa e ir ao shopping trepar com outro é muita safadeza. parece um sonho estar com você.. por favor? -O que aconteceu pra vocês ficarem assim? -Chega mãe. -Tudo bem. assim que sai do chuveiro vesti uma samba canção. Claro que fiquei triste por não ter visto você hoje. pois ele era capaz de fazer as coisas mais cabeludas que já vi na vida. -Vai lá. -Já sei. vamos.. -Ah. -Alô? -Lucas? -Fala Hugo? -Vamos à balada sábado? -Não sei. -Ok. vou falar com o Adriano depois e vejo se ele topa ir com a gente. vai? O Vini já topou ir comigo. agora só falta você chamar o Driko pra ir com a gente.. há algum tempo eu venho notando uma séria mudança no relacionamento de você e seu primo.. Por mais que tentávamos disfarçar. mas eu entendo seus motivos. Eu sei que você está triste por ter que ficar o dia todo sem sair estudando. gastava muito dinheiro e não trazia nada pra casa.. Beijos e bom estudo... se você precisa estudar é melhor mesmo ficar em casa. desliguei também o 54 .. Fui para o meu quarto cabisbaixo.. Beijão! -Outro. vocês brigaram? -Não tia. tentei avisar meu primo da primeira vez e acabei ficando como vilão da historia. tranquei a porta e entrei no banheiro para tomar um delicioso banho morno antes de jantar e dormir. havia ficado mais agressivo... apenas tivemos uma discussão. tio César e a tia Helena estranharam meu relacionamento com o Robson que era praticamente de irmãos: -Lucas. cada um tem o que merece.-Claro amor.. -Agora eu vou dormir. porém eu não tinha nada com isso. meus tios não eram idiotas e perceberam que não estava tudo bem entre nós.. Jogando o guardanapo na mesa o Robson largou tudo e saiu. estava quase dormindo quando o Hugo ligou me convidando pra ir a balada no fim de semana.. uma camiseta regata e fui jantar com todos a mesa.. conhecê-lo foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. essa conversa está me irritando. Após o jantar eu voltei pro meu quarto. né? -Vamos mudar de assunto.. mas a gente pode sair amanhã. Repete que me ama? Eu também amo você. Tudo que vinha do Gabriel já não me assustava mais.

não por que quer me ver.. o Vini e Hugo. C@pítulo 13 No sábado fomos para a balada eu.. se ele quisesse me conhecer ele toparia ir comigo e não ficar dando prioridades que não justificam. eu não trouxe meu RG falso. pois se ele estivesse mesmo a fim de me ver não ficaria fazendo doce. gato? -Tudo ótimo. -Não é isso.. causando um tumulto e atraindo a atenção do segurança que estava na porta. preciso ver se algum amigo meu vai. enquanto isso o Hugo e o Vini aproveitaram a brecha e entraram.... 55 . você só vai se um amigo seu for. -Tudo bem com você.. o Adriano não havia dado certeza se iria ou não. -Bom..celular e fui dormir. os seguranças estão pedindo documento. Caminhei dois passos à frente e fingi que tropecei. pois o Hugo era menor e os seguranças estavam pedindo RG. se eles forem eu vou.. -Tenha um ótimo dia! Desliguei o telefone muito puto da vida.. -Alô? -Oi. se o cara está a fim de sair contigo ele não fica esperando a boa vontade do amigo pra poder sair de casa. -Lucas. pra isso tivemos que distraí-lo para o Hugo poder passar despercebido e poder entrar... -Lucas? -Acertou.. -Deixa pra lá. caindo por cima de algumas pessoas que estavam na fila. -É que. -O que você vai fazer? -Observem.. eu também estava pouco me importando... puxa vida. -Como assim?. -Como assim o que? -Deixa-me ver se eu entendi... vá se divertir com seus amigos. eu vou chamar atenção do segurança e quando ele se distrair você entra correndo. e com você? -Agora ficou maravilha. -Estou ligando pra saber como você está e convidá-lo para uma balada sábado.... Entrar na balada foi meio complicado. -Calma. -Ah não? Nossa. No outro dia liguei para o Adriano logo pela manhã e o convidei para ir à balada no sábado... -Fudeu.. -Amor.

você é meu amigo. me sentia mal segurando vela para os dois. acabamos brigando. é minha obrigação querer te ver bem. até que começou o show de Drag. então fiquei esperando eles terminarem e me aproximei deles... lembrei dos meus tempos de teatro vendo aquelas encenações. A noite pra mim terminou no momento em que eu o vi. Cansado de andar fiquei sentado no sofá do hall esperando a casa 56 . mas pedi só uma cerveja pra ficar um pouco mais alegre.. essa preocupação que ele tinha comigo.. pois já que iria poderia ao menos mandar um torpedo avisando. -Nossa Lucas. às vezes nem foi por mal.. desci até o mezanino e comecei a procurar pelo Hugo e o Vini. Seguimos até o mezanino e pedimos uma cerveja. -Sei lá.. então disse que iria dar umas voltas e dançar um pouco na pista. eu entendi aquilo como uma falta de interesse por mim. Parado no meio da pista eu prestava atenção em tudo. foi apenas um “acidente”. o único lugar que eu não havia procurado era no Dark Room. -Vocês brigaram? -Sim... eu não gostava muito de bebida alcoólica. porém era o suficiente. mas ele disse que só viria se um amigo também viesse. por favor. -Obrigado amigo! -Vamos dar uma circulada? -Sim. um verdadeiro amigo. o que me fazia sentir mais saudade da minha cidade.. Eu vou falar com ele. -Obrigado Hugo. o Vini encostado na parede com as pernas abertas e o Hugo colado nele. então não poderia beber.. -Deixa comigo. mas não os encontrei. -Precisa sim. mas eu o avistei e já foi o suficiente pra me deixar magoado.Depois de tudo esclarecido permitiram que eu entrasse na casa. a produção do show era muito bem feita. estavam trocando altos beijos. -Nessas horas eu me lembro das aulas de teatro que fazia e ponho em pratica tudo que aprendi. você foi demais. Lucas? -Não sei.. -Caracas. No corredor após a porta de entrada o Hugo e o Vini me esperavam. também te considero um amigão.. rodei a balada toda. sempre querendo me ajudar a encontrar um substituto que me tirasse o Robson da cabeça. Por mais legal que o Vini e o Hugo fossem a presença deles estava me incomodando. eu achava muito legal isso nele. Só sei que me deixou triste. -Uma cerveja. -Por quê? -Eu o chamei pra vir com a gente. O Driko não vem. no meio daquela multidão era impossível ele me ver ali.. afinal. Enquanto eles ficaram no mezanino eu subi pra pista e fiquei por um bom tempo dançando. eu não iria interromper o clima dos dois. -Podemos ir agora. -Não precisa. Após o término do show deixei a pista e quando me virei avistei o Adriano em um bar que ficava perto da cabine do DJ. eu falo com ele e resolvo tudo. porque eu iria dirigir depois.. Coitado do Hugo.

.. só porque eu havia dito que vi o Adriano beijando um garoto. pelo menos a pessoa que eu vi parecia com ele.... eu até estranhei aquela atitude do Hugo. Hugo. mas o Hugo deixou o Vini lá no sofá do mezanino e continuou procurando pelo Adriano até a hora de ir embora. naquele mesmo 57 . tive que intervir no meio da conversa: -Eu to passado... -Abafa Lucas. -Não.. Eu o mato. Hugo.. -Como assim.. Hugo ficou puto da vida. -Vagabundo.... se nem eu que estou ligado diretamente com ele estou me roendo de raiva. -Quê? Onde? -Beijando um garoto na pista de cima.. vamos procurá-lo. -Mas Hugo.... A reação do Hugo quando eu falei isso foi inesperada tanto pra mim quanto pro garoto com quem ele estava ficando. como ele foi capaz de uma coisa dessas. vou acabar com ele. pegou pelo meu braço e me arrastou para procurá-lo. mas não o encontramos.. -Chega Hugo. o que houve? -Acabei de ver o Adriano na pista. -Onde vocês estavam? -Na pista. Não agüento mais ouvir você falar o tempo todo no Adriano.. Visivelmente o Hugo ficou mais bravo do que eu... -Por que.. -Eu acho melhor mesmo.. No outro dia logo pela manhã o Adriano me ligou pedindo desculpas pela briga. tamanha era sua preocupação comigo. também não tinha certeza se era ele mesmo que estava na pista. você não tem o porque ficar ofendido pelo simples fato dele ter vindo à balada e não ter te avisado. se nem eu tive chilique ao vê-lo. nunca fui de guardar mágoas então acabei desculpando.. -Ele veio e nem me ligou avisando. ele estava acompanhado.. mas eu também não poderia cobrar algo do Adriano já que nós não tínhamos nada por enquanto.. Teve uma hora que eu cansei de procurar e fui dançar um pouco na pista. Não falo mais nada então. Procuramos o Adriano pela boate toda. Vocês estavam no Dark Room.. na mesma hora ele largou o Vini.. -Mentira porque procurei vocês pela balada toda e não os encontrei. -Nada disso.. Na volta pra casa o Hugo foi falando o tempo todo nisso. o Hugo não tinha motivos pra ter. -Nossa.. eu já não agüentava mais ouvir aquela mesma ladainha.. mas nem precisou porque antes que eu saísse eles apareceram suados. Que cara é essa? -Eu quero ir embora.. -Deixa quieto... -Agora ele vai se ver comigo. beijando outro? Vamos procurá-lo agora. -Eu também acho.esvaziar e sair novamente para procurá-los... mas não encontrou. não acredito que o Driko veio na balada e nem avisou a gente.

-Ta bom. Desliguei o telefone e entrei na internet para checar se o rapaz havia mesmo bloqueado o Hugo. -Lucas diz: Será que estamos falando da mesma pessoa? -CARAio diz: Como ele é? -Lucas diz: 58 . -Já anotei...... É o Hugo. pelo que ele mostrava parecia estar muito apaixonado por mim. conseqüentemente éramos do mesmo signo.. -CARAio diz: Quem é você? -Lucas diz: Meu nome é Lucas e o seu? -CARAio diz: Caio -Lucas diz: Tudo bem Caio? -CARAio diz: Beleza e você? -Lucas diz: Beleza também!!! Você conhece algum Hugo? -CARAio diz: Vixi -Lucas diz: O que foi? -CARAio diz: Conheço um filho da puta que se chama Hugo.. -Preciso de um favor seu.... vamos ver se ele está on-line agora. -Qual? -Eu saí com um cara um dia desses e eu acho que ele me bloqueou na net.. passa o e-mail dele pra mim? Anotei o e-mail dele em um papel e deixei sobre a mesa do meu quarto. quando você vai se conectar? -Eu já estou conectado..dia fizemos as pazes. -Alô? -Lú. com apenas quatro dias de diferença de um pro outro. eu e o Hugo fazíamos aniversário no mesmo mês. tchau. Meu aniversário estava chegando. logo que o adicionei em minha lista ele apareceu como online e veio puxar assunto comigo. pensando nele diariamente. mas não havia percebido até então.. mas ainda não havíamos nos encontrado novamente. -Ok. você pode checar pra mim? -Tudo bem.. O mês se passou em um piscar de olhos. -Fala Hugo. tudo porque eu estava começando a gostar dele de verdade. eu já estava gostando muito do Adriano.

-O quê? -Hoje estou fazendo 17 anos. -CARAio diz: É esse mesmo....Baixinho... que ligou logo em seguida para parabenizá-lo. usa aparelho no dente. -Mas você não tinha 17? -Não. pois não tem preço. logo quando acordei recebi uma cesta de café da manhã da minha tia. Eu sempre fui assim.... Maior de idade.... que não se pode comprar nem trocar.. toma cuidado com ele. -Ta tirando? -Hahaha. -Quem me dera. pelos meus amigos eu matava e morria. -Fala moleque. -Valeu. esse moleque não vale nada cara. eu tinha 16. parece que seu pai havia dado de presente pra ele uma viagem pra Disney.... à tarde minha mãe me ligou e disse que meu pai estava bem e me mandou um 59 .. -CARAio diz: Coitado. -18 anos. quando eu cruzar com ele na rua vou quebrar a cara dele -Lucas diz: Você não vai encostar um dedo nele -CARAio diz: Quem é você? -Lucas diz: Eu sou amigo dele.. Assim que desliguei o telefone liguei pro Adriano e o avisei sobre o aniversario do Hugo...... até sonho eu vinha tendo com ele. ele estava todo feliz pelo seu aniversario. o que me incentivava cada vez mais. amizade era algo sagrado. eu não gostei do jeito que ele falou do meu amigo e comprei a briga.. estando certo ou errado. Exclui e o bloqueei da na minha lista na mesma hora. pois você tem cara de 15. -Lucas diz: Mas o que ele te fez? -CARAio diz: Meu. me senti na obrigação de defender meu amigo... Finalmente eu e o Adriano nos acertamos e nossa relação estava indo cada vez melhor.. logo pela manhã liguei para ele desejando um ótimo dia.. Eu dizia que tinha 17 pra não assustar os outros. o bom de tudo era que ele também mostrava sentir o mesmo por mim.. Chegou o dia do aniversário do Hugo. Chega o dia do meu aniversário.... meu telefone não parou de tocar um minuto se quer. -Mas nem precisava. PA-RA-BENS.. a cada dia que passava eu me sentia mais atraído por ele. esse moleque não vale nada.

. fiquei tão emocionado que comecei a chorar no telefone e ela percebeu. -Lucas diz: Nossa. era muito bom saber que meu pai estava melhorando... mas estou com uns problemas aqui. então resolvi perguntar o que havia acontecido..beijo.. -Lucas diz: Não está esquecendo de nada? -Driko diz: De que? -Lucas diz: Meu niver. -Driko diz: 60 . E o que vocês estavam falando? -Driko diz: Eu estava teclando com ele. fiquei um bom tempo esperando ele me parabenizar. cobrei isso dele e sua reação não foi uma das melhores. até pensei que havia acontecido algo... desabafando uns problemas aí. -Driko diz: Desculpa Lucas. Entrei na internet e o Adriano estava on-line... mas isso não impede de dar ao menos um parabéns pra pessoa que você diz gostar. -Lucas diz: Mas eu acho que nada impede de você ao menos me dar um oi. -Lucas diz: Ah. Tudo bem que enfrentar problemas familiares não é fácil. mas ele nem falou comigo... -Lucas diz: Tudo bem? -Driko diz: Não muito -Lucas diz: O que aconteceu? -Driko diz: To com uns problemas aqui em casa........ Vamos mudar de assunto então. -Lucas diz: Ah. -Driko diz: Lucas não to a fim de brigar contigo. -Lucas diz: Ok.. Parabéns! -Lucas diz: Valeu.. -Driko diz: Ah... O que você está fazendo aí? -Driko diz: Estava teclando com o Hugo. Nem lembrou do meu niver.

me olhando de cima a baixo. eu já disse que foi só uma brincadeira. o Robson havia saído com o Gabriel e não voltaria pra casa naquela noite.Ele até brincou comigo dizendo que se eu quisesse ele viria aqui me fazer um carinho.. fui até a cozinha beber um copo de água... marquei com um amigo meu de dar umas voltas de carro pra distrair um pouco. Fomos jantar em uma churrascaria na Marginal Pinheiros. Quer sair para comemorar meu niver comigo? -Driko diz: Melhor não... -Driko diz: Vamos esquecer isso? -Lucas diz: Vou tentar.. quando cheguei na cozinha dei de cara com o Gabriel que paralisou na minha frente.. foi muito bom poder curtir aquele momento em paz.... nos divertimos muito com as palhaçadas do meu tio.. Ridículo é esse papel que vocês dois estão se prestando. À noite acabei saindo com meus tios.. pois pensava que todos ainda estavam dormindo.. Terminamos a noite bêbados e rindo de tudo e todos. fiquei muito triste quando ele recusou meu convite para sair. O que eu queria era comemorar mais um ano de vida com ele. até imaginava aonde eles iriam.. estou um pouco triste. Teve uma hora que eu parei pra pensar se valia a pena passar por isso. ficar só no virtual não era comigo. -Que bom dia mais seco.. toda brincadeira tem um fundo de verdade. depois a tia Helena contou algumas historia do tempo em que ela e minha mãe eram jovens. -Lucas diz: Calma o caralho. No outro dia acordei tarde. -Driko diz: Lucas por favor.. pare com isso. -Lucas diz: Como assim ir até ai te fazer um carinho.. -Driko diz: Quer parar com essa cena de ciúme ridícula? -Lucas diz: Ridícula?. 61 . só faltou o Robson e meus pais para ficar perfeito. mais uma vez ele deu preferência ao amigo do que a mim. eu estava apenas de cueca. -Lucas diz: Ok. foi só uma brincadeira. fiquei até sem jeito. que palhaçada é essa? -Driko diz: Calma Lucas. em um restaurante ou qualquer outro lugar. -Lucas diz: O que? -Driko diz: Mas foi na brincadeira. ficar esperando surgir um interesse da outra parte para poder namorar.. -Não vai me dar bom dia? -Bom dia.

. -Lucas diz: Oi. enganando? -Você sim.. eu sou o que sou. eu já tinha notado que ele estava on-line. você deveria deixar de ser falso e agir como um homem de verdade. você pode se dar mal.. mas nem me dei ao trabalho de puxar assunto.. E você o que fez ontem? -Driko diz: Meu amigo passou aqui em casa e fomos dar uma volta no autorama. deixa de fazer essa linha de bom menino. Como foi ontem? -Lucas diz: Fui comemorar com meus tios em uma churrascaria. -Driko diz: 62 .. -Driko diz: Tudo bem? -Lucas diz: Tudo e com você? -Driko diz: Indo.. -Vá pro inferno.. se aproveita que meu primo está cego de amores por você e abusa. eu iria adorar ter esse seu corpinho gostoso na minha cama. comecei a abrir meus emails e havia vários me desejando felicidades pelo aniversário. fiquei conversando com a tia do acarajé.... -Lucas diz: Autorama? -Driko diz: É. -Lucas diz: Então você trocou uma noite comigo por uma noite no autorama. comecei a responder um por um até ser chamado pelo Adriano.. Ambos de corpos nus depois de uma longa noite de amor e prazer... depois do fora que havia levado na noite anterior acabei ficando magoado... -Deixa meu primo escutar isso. passa lá em casa amanhã à noite pra conversarmos. tomando vergonha nessa cara e parando de enganar os outros.. Tomei a jarra de água de sua mão. -Ele está dormindo. -Era o que eu deveria estar fazendo agora... Deveria estar dormindo abraçadinho com você.. -Eu não faço linha de nada. -Driko diz: Oi. mas tome cuidado. Liguei o radio e entrei um pouco na internet. um beijo na boca? -E por que não? -Você não tem vergonha nessa sua cara deslavada? -Pare com isso Lucas... coloquei um pouco no copo e voltei pro meu quarto antes que eu me irritasse e acabasse quebrando a cara daquele palhaço.. -Bobagem gatinho.-O que você queria. -Eu também... -Eu.

-Driko diz: Ah. -Lucas diz: Ficar com o Hugo? -Driko diz: É. pelo que meu primo me disse uma vez o autorama é um motel em céu aberto... você começou brigando comigo. Que mundo nós estamos? Ao ler aquilo eu quase caí da janela.. -Lucas diz: Briguei porque gosto de você. o palhaço nessa historia toda foi eu. queria ver se fosse eu que estivesse em seu lugar se ele agiria diferente. não era só uma falta de interesse. mas sair comigo não. mas depois foi ao autorama com os amigos me deixou muito mal. Naquela hora eu queria que o chão se abrisse e eu caísse não buraco sem fim. -Driko diz: Quer saber. claro que antes de gostar dele eu tinha que gostar de mim e foi aí que começamos a discutir e altas revelações começaram a surgir: -Lucas diz: Então quer dizer que você poderia ir ao autorama. -Driko diz: Eu não gostei do que você fez. o Hugo não faria isso comigo.. meu melhor amigo me traindo? Demorei a acreditar. olhei-me no espelho e passei a questionar o amor que ele dizia sentir por mim e o amor que eu tinha por mim mesmo.. -Lucas diz: Você ia ficar com o Hugo? -Driko diz: Não. todo mundo que passava por lá tinha uma segunda intenção. -Driko diz: Eu disse que ele pediu pra ficar comigo. o Adriano deveria estar inventando isso 63 . -Lucas diz: Muito menos eu. que fui a vitima. C@pítulo 14 Saber que o Adriano não quis comemorar meu aniversario comigo. mas eu não fiquei. com certeza não. sabe lá o que ele fez naquele lugar enquanto eu ficava pensando nele.Nada ver Lucas..... como assim o Hugo havia pedido pra ficar com ele. Qualquer lugar seria melhor que o autorama... pra você largar a mão de ser besta. Eu deveria ter ficado com o Hugo quando ele pediu.. -Lucas diz: Você acabou de dizer que. queria você ao meu lado comemorando meu aniversário. me senti um lixo na hora que ele falou onde havia ido. mas também uma falta de respeito comigo.

me achei um imbecil. sentei no chão do box e deixei a água cair sobre minha cabeça.. A medida em que o tempo passava comecei a reparar um pouco nas pessoas que ali passavam.. cada um com seu objetivo. então peguei o telefone e liguei pro Hugo pra tirar essa história a limpo: -Hugo. cretina.. rapazes bonitos e malhados que iam fazer caminhada antes de irem pra faculdade ou trabalhar. Hugo? -O Adriano me convidou pra ir ficar com ele no autorama e eu aceitei. alguns fazendo exercício por vaidade e outros por necessidade. coloquei meus óculos. -Você fez o quê? Pronto. senhoras levando seus cães para passearem. andei por cerca de uma hora e meia e depois me sentei na grama pra descansar um pouco. Com os olhos inchados de tanto chorar lavei bem meu rosto. saí pelas ruas pedalando até o Parque do Ibirapuera que ficava próximo de casa. depois do banho me olhei no espelho tive vontade de bater com a cabeça na parede. Abri a porta do meu guarda-roupa. mas sim ciúme explícito. será que uma noite de sexo vale mais que uma amizade forte como a nossa? Será que pessoas como o Hugo sabem o quanto é preciosa uma amizade e o tamanho de seu valor? Foram perguntas como essas que pensei a noite toda e que não me deixaram dormir. -O que você fez. 64 . ao menos que você tenha dado motivos pra isso. eu sentia falta de áreas verdes desde que vim pra São Paulo. deu? -Sim. falsa. Saí do banho decidido a mandar tudo pro inferno e seguir minha vida me dedicando somente ao meu futuro. na verdade não era proteção de amigo. era inacreditável que alguém pudesse trocar uma amizade tão bonita como a nossa por uma noite de sexo. maldita como o Hugo. peguei uma roupa leve. ao mesmo tempo eu fiquei pensando em como eu pude confiar em uma pessoa tão baixa. pra mim o tempo deixou de passar. idiota em acreditar que existisse amigos verdadeiros e alguém que eu pudesse amar confiando cegamente. deitei na minha cama e comecei a chorar. passei um perfume suave. é muito bom caminhar ou andar de bicicleta dentro de um parque enorme que fica concentrado dentro de uma cidade que é puro concreto.. Eu gostaria de entender o que se passa na cabeça de uma pessoa dessas. Desliguei o computador e o telefone. -Oi Lucas. no Sul eu tinha bastante e acabei me acostumando com o verde. No outro dia levantei cedo e fui tomar um banho gelado. até que ponto o ser humano é capaz de chegar.pra me deixar com raiva. era uma decepção atrás da outra. desci até a garagem e peguei minha bicicleta. quando tudo parecia ir bem algo tinha que aparecer pra estragar tudo. Com o travesseiro tampando meu rosto eu comecei e relembrar todos os momentos desde o começo e ai que eu comecei a entender aquele carnaval que o Hugo fez na balada quando falei que vi o Adriano beijando outro. um palhaço. você está bravo comigo? -Eu não. aquela natureza misturada com luxuosos prédios de fundo davam um contraste da hora. será que nem nos amigos mais a gente pode confiar? A que ponto um ser humano é capaz de chegar.

. no que será que o Robson gastaria tanto dinheiro assim? Corri para meu quarto e liguei o computador. pois ele queria levar seu irmão junto. -Lucas meu filho. -Obrigada Lucas. o Robson estava se envolvendo com drogas. na verdade foram duas passagens.. entrei na internet e comecei a acessar o blog dele para tentar descobrir alguma coisa.. comprei uma passagem de avião pra ele ir visitar seus pais no Rio de Janeiro. -Mas na fatura do cartão não está escrito onde ele gastou? -Não. resolvi averiguar os fatos buscando informações com um amigo dele. ele não é disso.” Mas que estranho. com direito a hotel 5 estrelas é claro. eu estava muito preocupada. “Hoje resolvi fazer uma surpresa para o meu namorado. meu amor merece tudo e mais um pouco. ele apagou os nomes e só deixou o valor total. Lucas. 65 . Por um lado minha tia tinha razão. deixei a bicicleta no suporte para bicicletas no estacionamento do prédio e subi pelo elevador de serviço mesmo.Voltei pra casa mais aliviado. logo no primeiro Post achei a informação que eu queria. -Nossa Lucas.. -Então o que será? -Vai ver ele gastou com roupas. -Estou muito preocupada. pelo menos era o que eu havia ouvido comentarem. eu conheço o Robson... -Oi tia.. claro que já me veio em mente algum problema envolvendo o Robson. Pra mim essa história estava muito mal contada. não vai mais ficar te contando tudo o que ele faz. só o que me deixou curioso foi o valor que havia vindo na fatura do cartão. esqueça isso e pare de pensar bobagens.. que automaticamente me fez ligar ao Gabriel. o Robson cresceu. -Não se preocupe tia. pode ter certeza que bobagens ele não está fazendo.. -Mas ele teria me contado. -O que houve tia Helena? -Estou preocupada com seu primo. que ultrapassava 3 mil. você é um garoto muito especial.. -Será que é isso? -Claro tia. eu pensava que o Gabriel era filho único e sua família fosse de Minas Gerais. Eu estou desconfiada que ele esteja envolvido com drogas. e se ele foi com uma garota pra um motel. viagem. agora ele é um homem. tive a certeza quando a tia Helena me mostrou a fatura do cartão de credito do Robson. a moça que se casar com você terá muita sorte. -Não fique tia. essa droga se chamava “Gabriel” e disso eu tinha certeza. -O que aconteceu com o Robson? -Ele gastou mais de 3 mil e não me disse em quê. -Tia. Quando abri a porta da sala me deparei com a tia Helena que parecia estar muito preocupada.

. -É. foi com o Edson.. Com o.Fucei na agenda do Robson e encontrei o telefone do Henrique. -Em lua de mel? Caramba. -Então vai demorar. Até pensei em ir avisar meu primo sobre a lua de mel que seu namorado iria passar com outro as custas dele... -Fez muito bem.. -Por quê? -Porque ele viajou em lua de mel... -Pode deixar. -Quem é? -Aqui é o Mário. não me disse quando voltava... por favor não comente com ninguém. mas pra isso o Gabriel tem que ir junto pra nos apresentar. C@pítulo 15 Tudo na minha vida estava acontecendo de uma vez só. -Olá Henrique. ele nem me falou nada. Não entendo o por que eu ainda insistia em me preocupar com o Robson se o Gabriel não valia nada. -Ele pediu pra não contar.. depois eu ligo pra você.. ok? -Passe seu telefone pra mim? -Anote aí... será que acreditar na sinceridade do 66 . -Alô. -Sou eu. se foi ele mesmo quem escolheu seu destino quem era eu pra dizer a ele que o Gabriel não era a pessoa certa. já não bastavam meus problemas ainda tinha os do Robson que de certa forma eram meus também. -Com certeza.. o Robson merecia passar por isso. desculpa estar ligando pra você assim.. colocava o som bem alto e tentava encontrar alguma brecha e descobrir onde eu havia errado. disse que ia nos apresentar mas deve ter esquecido.. A gente poderia marcar um encontro e se conhecer.. -Agora eu preciso ir... Passei um número de telefone qualquer e desliguei.. mas nem tanto. Como é o nome dele mesmo? -O Edson? -Isso. Às vezes. Foram passar um tempo no Rio de Janeiro. mas deixei pra lá. então resolvi ligar pra você me apresentando. -Bobos somos nós que ficamos aqui. quem fala? -Você quer falar com quem? -Com o Henrique. no trânsito a caminho da faculdade eu refletia sobre toda minha vida e as pessoas ao meu redor. o que acha? -Ótima idéia. faz bem ele. na mesma hora peguei meu celular e liguei pra ele como quem não queria nada.. foi só jogar um xaveco bobo e aquele idiota caiu.. já que por várias e várias vezes eu tentei alertar sobre o caráter do Gabriel e ele se recusou a me ouvir. é que o Gabriel me passou seu telefone. Foi com o. melhor amigo do Gabriel. pensei que seria um pouco mais trabalhoso descobrir a verdade.

-Lucas? -Sim. esperava um pouco de maturidade sua.. Sem que você percebesse o Hugo estava seduzindo você... -Deixa-me falar. tudo bem.ser humano era errado? Será que algum dia eu iria encontrar alguém verdadeiro o suficiente pra me fazer feliz? Saber que o Adriano me trocou pelo meu melhor amigo me deixou mal. o Hugo me ligou insistentemente.. se você hoje se diz apaixonado por ele. pior ainda eu fiquei por saber que meu melhor amigo jogou nossa amizade no lixo.. -Bom. mas cada um sabe o que faz de sua vida. disse que eu estava vendo maldade onde não existia. -Primeiramente eu quero te pedir desculpas.. Eu sabia que cedo ou tarde isso ia acontecer. -Seja breve e objetivo. o que você quer Adriano? -Eu queria conversar com você.. já fazia algum tempo que eu vinha reparando esse desejo do Hugo por você. eu notei uma segunda intenção dele.. já que até ontem você dizia me amar e hoje você se desculpa por ter caído no jogo de sedução de um garoto de 16 anos. foi aí que ele perguntou como e eu disse pra ele ir até lá ficar comigo. que ele me odiava. -Ok.. por favor.. -Eu também não.... e muito menos ficar te ouvindo.... -Me escute. eu te avisei e você debochou de mim. sem contar na angustia que se instalou de uma tal maneira que eu não conseguia mais sorrir... -Eu não tenho o que desculpar. -Pense como você quiser. -Alô. eu não conseguia compreender. -Mas a culpa foi sua Lucas. não prestava. você permitiu que eu me apaixonasse por ele. e como um cordeiro caiu na toca do lobo. não sei por qual motivo ele começou a dizer aquelas coisas.. ok? 67 .. amor. você mais uma vez disse que eu estava vendo coisas que não existiam. se você optou pelo Hugo vai fundo. depois teve aquela brincadeira de vocês falando um pro outro que iriam transar. desejo a vocês dois um mar de felicidades.. -Depois que eu e você brigamos. quando eu atendi o celular ele começou a falar que eu era um galinha. não foi eu quem pediu pra ficar com o Hugo. eu fiquei muito bravo e disse que se ele me achava tudo aquilo mesmo eu poderia provar que não era um galinha.. confesso também que fiquei decepcionado com sua inocência. -Deixa-me concluir meu pensamento. sem pensar duas vezes ele disse que se eu fosse buscá-lo em casa ele iria. -Chega. -Diga. -Eu sei que eu errei. não preciso saber de detalhes.. não consegui aceitar e muito menos perdoar. passei uma noite inteira em claro chorando... era um sentimento horrível que parou no meu peito e não saia.

um de lágrimas e outro de felicidade. Saiba que ele me ama. pra mim era incompreensível ser trocado pelo seu melhor amigo. não veio me perguntar se era verdade ou não. -Adriano. -Mentira. A vida lhe deu dois caminhos.. enquanto o da felicidade continha obstáculos que você preferiu ignorar.. hoje eu tenho que confessar que ele tinha razão.. nenhum dos dois teve culpa e pronto.. tá certo que fui 68 .. pois o Hugo era baixinho.. -Não existem inocentes nessa história. você simplesmente seria um corpo opaco preenchendo sua cama. mas beleza ele não tinha. Se agora eu te disser que o Hugo não presta você não vai acreditar em mim. -Mas o Adriano me disse que vocês não estavam mais juntos e. um dia você vai ver quem é o Hugo de verdade.. embora tivesse acabado de completar 17 anos. enquanto vocês estivessem transando seria em mim que ele estaria pensando.-Eu estou confuso. você nem esperou um parecer meu. você escolheu o de lágrimas porque estava enfeitado com fantasias. eu acho que vou quebrar sua cara. deitado na minha cama comecei a chorar muito.. -É sempre assim. não sei o que eu faço.. e são os que mais sofrem.. você jogou nossa amizade no lixo como um objeto descartável. era meu nome que ele chamaria. se o Hugo pelo menos fosse bonito até entenderia. deixarei uma marca minha pra nunca mais se esquecer. um pouco mais aliviado por ter desabafado e dito quase tudo que estava engasgado na minha garganta.. mas a verdade sempre aparece.. -Eu devo.. pois ninguém consegue viver com uma máscara o tempo inteiro. mas já será tarde demais. o que vale mais. Boa noite pra você! Desliguei o telefone com um ódio gigantesco. tivemos apenas uma briga boba. Desliguei o telefone e fui dormir. me perdoe Lucas? -Perdoar? O dia em que eu cruzar com você.. -Por favor. se jogou pra cima do cara que eu estava afim na intenção de transar com ele. liguei o rádio e começou a tocar Um anjo veio me falar. um dia uma pessoa me disse que o Hugo não valia nada e eu duvidei. existem muitos caras como o Adriano que preferem ficar com meninos meio criança. agora eu te pergunto.. era meu perfume que ele sentiria e minha pele que ele tocaria. o que me deixou pior ainda eram nossas diferenças. ele ainda vai te fazer sofrer e um dia eu vou te ver me dando razão e pedindo perdão. uma amizade ou uma noite de sexo? -Lucas eu não tive culpa. pois você está optando pelo seu triste destino.. você deve.. na mesma hora peguei o telefone e liguei pra ele.. Ou melhor.Rouge. boa noite. como uma puta satisfazendo o desejo de um homem. nosso envolvimento foi recente. não aparentava ter mais de 14 anos. Mesmo que isso fosse verdade. -Hugo? -Oi Lucas. talvez o que tenha atraído o Adriano foi seu físico. -Lucas eu não tive culpa de nada. No meio de toda essa confusão eu ainda não havia escutado a versão do Hugo. se aproveitou de um momento frágil entre nosso relacionamento para satisfazer um desejo sexual seu.

. eu queria que ele e o Adriano fossem pro quinto dos infernos e me deixassem em paz.. sua justificativa é muito bonitinha. C@pítulo 16 Não tinha uma pessoa que não conhecesse o Hugo e não se encantasse com seu jeitinho maroto. pois o anjo sem asa que ele aparentava ser na verdade era um lobo faminto. -Alô? -Lucas. E agora eu te peço pela última vez que nunca mais me procure. só esperando a hora certa para dar o bote. mas eu acho que a gente precisa conversar. não sei se teria coragem de bater nele se o encontrasse. desliguei a TV e fui pro meu 69 . joguei as almofadas que eu estava abraçado no outro sofá e corri para atender ao telefone.. não tem nada haver com o Driko. enquanto isso meus pensamentos iam longe. peguei as almofadas e deitei no sofá para continuar vendo o DVD de onde eu havia parado. esclarecer.. confesso que até eu caí em sua armadilha de bom menino.. eu quero te apresentar o Igor. será que você ainda não percebeu que eu não quero nunca mais ouvir sua voz? -Pelo amor de Deus Lucas. vá pro Diabo que te carregue.. -Você me desculpa? -Não. mas não me convenceu.. -Lucas. mas “se um dia eu chorei não foi porque perdi. -Não começa com essa historia estúpida de intenções. Embora fôssemos parecidos. Desliguei o telefone puto da vida e ao mesmo tempo indignado com a cara de pau do Hugo. eu nunca usei do meu poder de sedução para conseguir o que queria. Ao mesmo tempo em que eu queria perdoar o Hugo. -Mas que inferno.. Voltei pra sala. eu estou apaixonado por outra pessoa. nunca gostei de violência. me da outra chance. eu não tive a intenção. Ta bom. de tão profundo que estava em meu subconsciente.. dei o play e deixei o filme passar. porém era uma mistura de ira com pena. -Você outra vez. -Obrigado pela consideração Hugo. O filme acabou e eu nem percebi. diferente do Hugo que se aproveitava de sua sensualidade para tirar muitas vantagens na vida. esqueça que eu existo.. comovente. tirei o DVD e guardei na caixa.. Estava na sala assistindo um DVD quando escutei meu celular tocando lá no quarto. Lucas. por mais arrependido que ele estivesse eu estava pouco me importando.. levantei do sofá. Hugo? -Desculpa. porém meus pensamentos estavam longe dali.. -Por favor. mas sim porque amei”.dormir chorando de nervoso e muita raiva. mas na hora da raiva a gente fala qualquer coisa. -Humpft.. de tão atordoado que eu havia ficado já nem lembrava mais do filme. ele também está afim de mim e nós estamos ficando. tive que paralisar o filme na melhor parte... também queria acabar com ele.. eu não quero perder sua amizade que é muito importante pra mim.. arrebentar aquela carinha de anjinho que ele tinha.

e ele é lindo -Lucas diz: Parabéns meu anjo.... -Juninho diz: Lú se você quiser eu do um pau nele pra você -Lucas diz: Nada disso. -Juninho diz: o Hugo roubou o driko de você? -Lucas diz: Roubar não. ambos tinham 14 anos.quarto me distrair um pouco na internet.. casais jovenzinhos assim eu acho tão fofo. tenho uma novidade -Lucas diz: Qual? -Juninho diz: to namorando. logo quando eu me conectei o Junior veio falar comigo. Tranquei a porta que já era pra ninguém me incomodar. -Lucas diz: Que gracinha...... -Juninho diz: héée. mas interferiu em nosso início de relacionamento. 14. se rolou alguma coisa os dois têm culpa nessa história. -Juninho diz: Obrigado. porque o Driko nunca foi meu. -Lucas diz: Sério? Que maravilha.. -Juninho diz: Por que? -Lucas diz: Seu amigo Hugo jogou um xaveco nele e eu fui jogado pra escanteio. ele não tem culpa sozinho. tudo bem? -Juninho diz: sim... -Lucas diz: Qual a idade dele? -Juninho diz: a mesma que a minha.. -Juninho diz: é... -Lucas diz: Olá Jr. todo feliz porque estava namorando um garoto da sua idade. -Juninho diz: oi Lú.... fazendo com que o Adriano ficasse confuso e achasse que estava apaixonado por ele. E você com o driko? -Lucas diz: Não existe mais Lucas e Driko. 70 ...

a falta de responsabilidade de alguns faz também perder a adolescência.. Ainda faltavam mais de trinta minutos para começar o filme.. ao me aproximar do vidro eu podia ver meu rosto abatido sendo refletido e de fundo uma pilha de perfumes importados. Minha primeira namorada eu tive aos 16 anos e foi minha primeira transa também. Nos tempos de hoje as pessoas estão se descobrindo muito cedo. pura mentira. -Juninho diz: sim. já tendo certeza de sua sexualidade antes de completar seus 15 anos. enquanto isso eu liguei o rádio do carro e fiquei me distraindo com as músicas. o que ele não compra é amor. não gostava de ficar por muito tempo dentro da sala de cinema. Passando pela praça de alimentação não resisti e parei pra tomar um Milkshake de Ovomaltine que eu adorava. mesmo assim era possível ouvir aquela falação de ansiedade pra ver logo o tão esperado filme.. C@pítulo 17 Peguei meu carro e fui até o shopping comprar alguma coisa pra me distrair. me perguntava o por que eu não poderia ser feliz igual eles? Será que algum dia encontraria um amor assim? Até aquele momento eu só havia sofrido decepções.-Juninho diz: como esse Hugo é filho da puta -Lucas diz: Rsrsrs. Vamos deixar isso pra lá. sendo assim são inevitáveis. de vidros fechados e portas travadas eu me tranquei naquele mudo só meu. eu estava lhe dando com seres humanos. mas a pressa em ser adulto quando se entra na adolescência é tanta que se perde a melhor parte da vida que é a infância. muito!!! É tão bonitinho ver um casal tão novinho namorando. pois acabam se tornando pais e mães muito jovens. o sistema de isolamento de som dava uma amenizada no barulho. Ao chegar no shopping fiquei quinze minutos esperando pra estacionar no subsolo. pois os dois iam se descobrir juntos e isso é de extrema importância tanto pra um quanto pro outro... depois subi até o cinema e comprei um ingresso para ver um lançamento. iniciam a vida sexual antes de completarem 16 anos e alguns até já são pais aos 18 anos. o importante é que você agora esta feliz com seu namoradinho. ela tinha 17 anos.. O filme acabou já passava 71 . dizem que dinheiro não traz felicidade. dinheiro traz sim felicidade. enquanto isso eu observava as pessoas que ali estavam também para assistir o filme. sendo de sua idade era melhor ainda. suspirava ao ver aqueles casais passando por mim de mãos dadas e felizes. por isso eu só ia assistir filmes com menos de duas horas de duração. Pode ser um pensamento careta meu. ficamos juntos por 8 meses e depois nos separamos porque ela queria casar e eu era muito novo pra isso. Dentro da sala havia muitas pessoas. Ambientes fechados me causavam um pouco de falta de ar. enquanto não começava eu fiquei na área vip terminando de tomar meu Milkshake. fiquei hiper feliz por ele ter encontrado o amor que ele tanto procurava. Caminhando pelos corredores do shopping eu olhava aquelas vitrines enfeitadas com ânsia de comprar.

meu papel é ficar do seu lado sempre. -Eu sou seu namorado. No outro dia acordei bem cedinho e fui para a academia. Claro! Eu tive vontade de entrar naquele quarto e jogar o Robson pela janela. te deixar preocupado? Nunca amor. coloquei a chave na mesinha ao lado do sofá e segui para meu quarto.... indignado com a inocência de certas pessoas.. vamos esquecer isso? -Tudo bem.das 23h. Passei a manhã inteira malhando. -Tudo bem. amor. -Como assim me preocupar? -Humpft.. segui até o estacionamento pra pegar o carro e fui embora. tranquei para não correr o risco de encontrar o Gabriel aprontando alguma das suas. depois voltei pra casa pra almoçar com todos a mesa. então vem me dar um abraço? -Hum... você tem que confiar em mim... tirei toda minha roupa e deitei na cama... Eu não te contei antes porque não queria te preocupar. caminhando pelo corredor dos quartos escutei algumas vozes que vinham do quarto do Robson... Cheguei em casa por volta de 00h... mas o Robson não era burro e ia acabar descobrindo a verdade finalmente. Você vai falar o que é isso se não o bicho vai pegar.. -Credo..... -Por que você não me ligou? -Pra quê. revoltado com a palhaçada que havia acabado de escutar. -Não... o shopping já havia fechado. tentaram me enforcar. o que dava a entender que não havia ninguém em casa ou estavam dormindo. não havia passado a noite muito bem pensando naquela palhaçada que havia escutado.. -Eu sei. os bandidos me bateram.. o Gabriel era tão burro que nem se atentou ao detalhes e foi ver meu primo cheio de marcas de chupada no pescoço. foi horrível. -Você quer parar de me esconder as coisas e me contar o que é isso? -Deixa pra lá Ro. Abri a porta do meu quarto bem devagar. Que marca é essa no seu pescoço? -Qual marca? -Essa vermelha aí... Tranquei a porta. Na certa era uma chupada do outro carinha com o qual ele viajou. fiquei cheio de marcas pelo corpo.. a luz da sala já estava apagada. como uma pessoa pode ser tão ingênua a ponto de acreditar em uma mentira tão imbecil e sem nexo como essa? Seria amor de mais? Não acredito que alguém quando ama fica totalmente cega. o silêncio da noite foi quebrado pelo barulho da chave na porta. Você fez Boletim de Ocorrência? -Eu fiquei tão desesperado que nem pensei nisso.. Eu fui assaltado na praia quando andava pelo calçadão à noite. -Obrigado. -Não é nada não. ao menos que ele queira. Ao entrar na sala o almoço já 72 . me aproximando mais da porta foi possível identificar a voz enjoada do Gabriel: -Olha o que eu trouxe do Rio pra você.

Entrei no meu quarto. -Pois é. perdi a fome. Eu era uma pessoa só pra ficar ouvindo tanta lorota de uma vez. com licença. -Juninho diz: Oi Lú  -Lucas diz: Olá Jr.. pai.estava sendo servido.. -Faz bem. Pega pra mim um pouco de purê. -Olha aqui Robson... logo quando me conectei o Junior veio me procurar querendo desabafar. to triste. Robson? -Como a senhora sabe? -Escutei vozes. tia? -Claro. você que não invente de ir pra lá sem me avisar. Que absurdo.. -É isso aí tio. embora na minha vida tivesse ocorrido uma enorme mudança eu preferia continuar com a tranqüilidade de antes.. Tudo bem? -Juninho diz: Não -Lucas diz: O que houve? -Juninho diz: Ah Lú. deixei a mochila no canto da cama e voltei pra sala. quase morreu nas mãos dos bandidos. eu precisava de um banho gelado pra tirar o cansaço e me acalmar das lorotas que fui obrigado a ouvir. liguei o computador e entrei na internet pra me distrair um pouco. Coitado. tirei o tênis e entrei embaixo do chuveiro de roupa e tudo..... -Ele é meu amigo... falar nesse assunto iria me deixar revoltado e antes que eu cometesse uma besteira preferi me retirar da mesa. -Boa tarde.. garotão. onde tudo era previsível e decepções amorosas quase nem sofria.. -Boa tarde Lucas! -Estou com uma fome.. fazia algum tempinho que eu não ia. viajou pro Rio e foi assaltado.. O final do ano estava chegando.. -Onde você foi? -Fui na academia... pois estava muito calor. Quem estava com você essa noite no seu quarto.. -Lucas diz: Mas por que? -Juninho diz: por que o Igor quer um tempo -Lucas diz: 73 . Ao sair do banho apenas enrolei a toalha em volta da cintura... corri até meu quarto.. -Gente. ele estava me contando o sofrimento.. -Mas você e esse garoto não se desgrudam mais. -Meu Deus. Exercício é ótimo pro corpo e pra saúde... hein. -Era o Gabriel.

.. -Lucas diz: Eu não entendo o que se passa pela cabeça desse garoto. destruindo a vida dos outros e depois que ele consegue separar ele larga. -Juninho diz: boato nada. o Igor e o Hugo são amigos. -Lucas diz: Não creio. -Lucas diz: O que você está pensando em fazer? 74 . -Juninho diz: Luuuuuuuuuuuuuuuuuuuu -Lucas diz: Eu.. esse Hugo é um filho da puta mesmo.... até quando ele vai ficar interferindo na vida das pessoas assim? -Juninho diz:  -Lucas diz: O pior de tudo é que ele acaba seduzindo as pessoas.Igor? -Juninho diz: sim..... pois aquele garoto não media esforços para conseguir o que queria... C@pítulo 18 Eu não tinha certeza se era o mesmo Igor que o Hugo havia comentado comigo...... mas se tratando do Hugo tudo era possível.... -Juninho diz: Isso não vai ficar assim não. Nada não...... -Juninho diz: Não.. mas Igor é o mesmo nome do garoto que o Hugo disse estar ficando. -Juninho diz: Fala Lú.. não leve a sério. Eu até tinha esperanças de estar enganado.. por que o espanto? -Lucas diz: Não. acho que acabei fazendo besteira contando ao Junior o que eu desconfiava... -Lucas diz: Deve ser boato. ele quer roubar meu amor de mim... o que aconteceu? -Lucas diz: Pode ser que eu esteja enganado. eu vou ter uma conversinha com ele agora... -Juninho diz: Peraí. -Juninho diz: É o meu Igor que o Hugo ta ficando.

depois fui dormir abraçado com o travesseiro. o Robson viajou com o Gabriel para Porto Seguro e eu acabei passando em casa sozinho.. falei com meus pais por quase uma hora ao telefone... ele só seduzia os garotos até vê-los separados e depois caia fora. o Igor não vai querer namorar um banguela.. todo mundo cai matando. -Lucas diz: Huahuahuahua. -Que alívio. Lucas. pele lisinha.. -Lucas diz: Você tem que deixar seu namorado escolher com quem ele quer ficar. Dois meses se passaram. pura maldade... falei com ele e me pareceu estar bem melhor. -E seu pai. -Juninho diz: sim. pois agora que eles são novos. 75 . rostinho bonitinho. -Triste? Aconteceu alguma coisa? -Que eu saiba não. não sei por que a felicidade de uns incomoda tanto outras pessoas.-Juninho diz: ele disse que do meu Igor ele não abre mão. mas depois eu percebi que não valia a pena. chegou até a ameaçar o Hugo.. Nos momentos de raiva eu também pensei em quebrar aquela carinha de santo que ele tem. vou bater nele por mim e por você.. mas nem isso o intimidou. Às vezes eu parava pra pensar e tentava imaginar como seria o Hugo e o Gabriel quando ficassem velhos. eu vou quebrar os dentes do Hugo. mas antes que ele escolha. A reação do Junior foi a mesma que a minha ao saber que ele havia seduzido o Adriano... Eu não entendia o que levava o Hugo a ficar destruindo o relacionamento dos outros. matei um pouco da saudade que eu estava deles e prometi ir visitálos assim que meus tios voltassem de viagem. eu que não vou dar meu namorado de mão beijada pra ele não. aluguei uns DVDs e pedi uma pizza por telefone. mas e quando começarem a aparecer as rugas? Será que alguém teria coragem de viver ao lado de uma pessoa com fama de destruidor de lares? Não entendo qual a graça de tirar o namorado dos outros e depois jogar fora.. -Oi Lucas! -Falei com minha mãe. -E como ela está? -Disse que está bem. mas eu a achei um pouco triste.. com a maior cara de pau ainda disse que estava ficando com o Igor e não abria mão.. fiquei acordado vendo os fogos pela janela do apartamento. eu acho que é a reação de todo mundo quando é pego de surpresa. -Juninho diz: Deixa comigo Lú.. -Tia Helena. a tia Helena e tio César passaram as festas de fim de ano na Europa curtindo uma segunda lua de mel. como está? -Está bem..... assim como eu o Junior ficou muito bravo. Assim que meus tios voltaram de viagem conversei com eles que na mesma hora concordaram e me deram dinheiro para ir visitar meus pais no Rio de Janeiro..

vou fazer um cheque. -Não precisa tia. cabelos lisos e aloirados com uma franja levemente caída na testa. aquilo na cama deveria bater um bolão. Encostei minha cabeça na janela e fiquei olhando o mundo lá embaixo..... Com esse dinheiro da pra você comprar as passagens de avião e se manter por lá por uns 15 dias... -Ah. sentei bem na janela. confesso que no início fiquei com medo de viajar com poucas pessoas. Tudo bem. parecia até filme de terror. minha vontade era de dar um beijo naquela boca bem desenhada. mas aos poucos fui me acostumando. Era a primeira vez que eu andava de avião. a senhora se importa? -Mas é claro que não. quem sabe você precise mais tarde? -Humpft.. Preenchendo o cheque ela ia falando: -Diga pra sua mãe me ligar que estou com saudade. até perdi o equilíbrio ao vê-lo parado ali na minha frente me olhando com aquele par de olhos verdes. o quanto antes. tia.. era real mesmo. obrigado. alto. cara de homem. juntei tudo que iria precisar dentro de uma mala média que a tia Helena me emprestou e no mesmo dia embarquei para o Rio. -Bom. -Está aqui. envolvido nos meus pensamentos que foram interrompidos por uma voz: -O senhor está passando bem? -Como? -Perguntei se o senhor está passando bem.. aqui está o menu... parecia um modelo.. -Qual você me recomenda? 76 .-Eu queria te pedir um favor.. Fui imediatamente para meu quarto arrumar minhas coisas. finalmente eu iria ter um pouco da paz que eu tanto precisava. respirei aliviado ao deixar meus problemas em São Paulo. -Digo sim. -Lucas. Quando você pretende ir? -Não sei. guarde esse dinheiro.. eu tenho dinheiro. -Qual? -Eu quero ir visitar meus pais no Rio. o corredor do avião parecia uma passarela de moda. -Obrigado tia! -De nada. Era uma visão? Não. ao decolar notei que havia várias poltronas vazias. Olhando pela janela eu enxergava minha vida ao horizonte. onde o modelo era o comissário delicioso. -O senhor quer uma bebida? Até parecia provocação. ansioso para ver meu pai e minha mãe. né? Estava na hora mesmo de você ir visitá-los.. um monumento vestido de comissário.. -Vou nessa. -Eu aceito! -Pode escolher. Agora trate de ir fazer suas malas. Estou bem sim.

. eu posso ser demitido.. -Diz que você não quer? -Eu.-Depende de gosto. não é permitido permanecer aqui. com aquela camisa branca e gravatinha preta ele ficava um tesão. mas estou trabalhando agora. -Estava ficando e vai continuar.. por favor volte para o seu lugar. -Tudo bem... -Até quando você vai me chamar de “senhor”? -Mas. -Por favor. -Obrigado.. -Mas estava ficando tão bom. aquele modelo disfarçado de comissário era melhor do que eu pensava. A cada palavra dele eu dava um passo à frente. Sei que está louco pra me beijar assim como eu. -Você venceu. na mesma hora ele interrompeu: -Lucas. tomara que eu não me arrependa depois. -Você.. meu Deus. ok? -Obrigado. Sem ao menos respirar comecei a tirar sua camisa ali mesmo. Tive que me controlar pra não agarrá-lo. ele chupava minha língua simulando um sexo oral. quando entrei naquela cozinha apertadinha ele estava de costas para mim. Hum. -Eu notei como você estava me olhando. -Pode me chamar só de Lucas... Fiquei ali sentado pensando besteiras enquanto ele foi até a cozinha buscar minha bebida. claro que além de mim existem muito mais pessoas que tem fantasias com homem uniformizado.... você é um gato. até me arrepio só de pensar. além de gostoso ele era hiper educado. mas fiquei surpreso quando ele me pegou pelo braço. com pouco álcool.. -Tudo bem. -Obrigado nada.. perdi o fôlego e todo o juízo. -Psiu. pra falar a verdade deve ser tudo de bom ir tirando aquela farda pouco a pouco com os dentes. Lucas.. sem álcool. minha imaginação teve uma pane de tantas coisas que eu pensava fazer ao mesmo tempo com aquele pedaço de mal caminho. fale baixo. Eu.. -Hum. ao se virar acabou levando um susto: -Senhor. 77 . o jeito que ele chupava minha língua instigava para que o clima esquentasse descontroladamente. Tem as mais alcoólicas. me prendeu na parede e começou a me beijar loucamente. senhor.. será um segredo só nosso.. se chegar aos ouvidos de alguém isso. mas que beijo gostoso. já ansioso e impaciente me levantei e fui até lá.. Eu vou querer esse drink aqui. vou buscar para o senhor. não contarei a ninguém. era tudo que uma pessoa gostaria de ter na vida e na cama.. chegando cada vez mais perto.. Eu tinha certeza que ele estava a fim de me beijar. -Por que não? -Pode chegar alguma comissária aqui e aí estarei ferrado. você vai me dar um beijo ou eu vou ter que roubar? -Ai meu Deus.. volte para o seu lugar. não.

Ele pegou pelo meu braço e me arrastou até um toalete que havia na cozinha, com muita cautela ele fechou a porta, olhou pra mim com aqueles olhos verdes e graúdos dizendo: -A partir desse momento, realize comigo as suas fantasias, que a minha vou realizar agora. Começamos a nos beijar descontroladamente, em pouco tempo sua cueca já estava em minhas mãos que por sinal fazia parte do uniforme também. Enquanto eu tirava minha calça ele me olhava com um olhar "animal", de caçador, o que me deixava com mais tesão ainda, com o nível de testosterona transbordando tirei minha camiseta, ele suspirou e tocou em meu tórax passando sua língua nos lábios, como eu não costumava usar cueca ao abrir o botão da calça fiquei praticamente pelado, em uma sede incontrolável ele começou a chupar meu mamilo, passando sua língua safada de um lado para o outro, às vezes dava umas mordidas que me faziam gemer, depois ele foi descendo cada vez mais, suas chupadas eram ótimas, principalmente quando ele dava uma mordidela de leve, não teve como segurar os gemidos quando ele começou a chupar minha virilha, não dava pra segurar, ele sabia como deixar um cara com o tesão no limite, sexualmente ele era ótimo, foi o melhor sexo oral que já recebi até então, o toque de suas mãos instigavam meu prazer, as carícias e às vezes até uns beliscões, será que no curso para comissário ensinam? Eu já estava quase gozando e não fazia nem cinco minutos que estávamos ali dentro, fechei meus olhos de maneira a guardar o momento pra mim, o clima só esquentava e quando chegamos no auge do orgasmo fomos interrompidos por alguém batendo na porta. -Com licença... Tem alguém ai? C@pítulo 19 Assustado eu comecei a entrar em pânico, se alguém nos pegasse ali juntos iria causar muita confusão e o rapaz poderia perder seu emprego, tudo por culpa minha. -E agora? -Calma, comece a se debater... -Pra que isso? -Não fique pedindo explicações... Faça o que eu to mandando. -Ok. Comecei a me debater como um louco, me segurando tentando me “controlar” ele abriu a porta e uma das comissárias estava ali parada querendo saber o que estava acontecendo, ao me ver daquele jeito acabou ficando assustada e iniciou o trabalho de primeiros socorros junto com o comissário: -O que está acontecendo? -Ele esta tendo uma convulsão, me ajude aqui... -Tira ele daí... Fui colocado deitado no chão da cozinha e “reanimado” pela comissária que ficou muito preocupada comigo, pouco tempo depois acabei me “recuperando” e voltei para meu assento e respirei aliviado, embora não tivesse terminado meu 78

“ato”, foi ótimo ter dado uns beijos naquele comissário-modelo maravilhoso. Pela sua cara foi possível perceber que ele estava bem satisfeito, às vezes ele passava por mim e dava uma piscadinha, um sorrisinho safado, quando ele veio me trazer a bebida que eu havia pedido há um tempo antes me entregou junto um papel contendo seu telefone, sinal de que ele estava a fim de continuar de onde havíamos parado, abaixo do telefone havia o nome e o endereço do hotel onde ele iria ficar, dobrei o papel e guardei no bolso da calça. O avião já estava se preparando para pousar, ouvimos o aviso para todos apertarem os cintos, já comecei a sentir um frio na barriga, igual quando o avião decolou. Enfim cheguei ao Rio, um calor insuportável me fazia suar como gelo derretendo, ao sair pelo portão de desembarque vi minha mãe que já estava me esperando ansiosa, com o sorriso de orelha a orelha. -Como você está, meu filho? -Estou bem mãe, e vocês, como estão? -Na medida do possível Lucas. Depois que desembarquei da aeronave não vi mais o Rodolfo, aquele comissário lindo de parar qualquer aeroporto, a última vez que trocamos olhares foi um pouco antes do avião pousar. Pegamos um táxi e deixamos o aeroporto, minha mãe me levou até a pensão onde ela estava, enquanto ela falava fui o caminho todo relembrando os minutos que havia me aventurado. Ao chegar na pensão reparei na simplicidade do lugar, na verdade eles tiveram que mudar da casa do amigo do meu pai, porque de última hora ele resolveu alugar para um pessoal que estava de férias, não tendo para onde ir meus pais tiveram que alugar um quarto de pensão pra não ficarem na rua. Olhei de um lado e do outro, mas não vi meu pai, preocupado perguntei à minha mãe onde ele estava e ela me respondeu que ocorreram algumas complicações e ele teve que voltar pro hospital, indicando que sua saúde não estava muito bem: -Mãe... O pai não melhorou? -Humpft... Às vezes ele melhora, às vezes ele piora, não sei mais o que fazer. Às vezes eu o vejo sofrendo naquela cama de hospital, choro sozinha no banheiro, no corredor, mas nunca na frente dele... -E quando poderei visitá-lo? -Depois de amanhã, filho. -Mas... -É que ele não pode ficar recebendo muitas visitas, os médicos pedem pra deixá-lo descansar o tempo todo... Se você visse como ele está magro, abatido... -Oh mãe... Não chore, ele vai melhorar... É só uma fase... -Filho... Estou com medo... Seu pai é a única pessoa que eu tenho além de você... -Pare com isso, mãe. Não fique pensando besteiras, o pai vai ficar bom logo... Abraçado com minha mãe eu tentava me controlar, passando segurança e força para a ela, mas por dentro eu estava chorando, com medo, inseguro, por mais que eu negasse uma angustia se fazia presente dentro do meu peito. À noite liguei para o Rodolfo, o convidei para dar umas voltas pelo calçadão, como sempre ele foi muito simpático e atencioso.

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-Alô? -Rodolfo? -Sim... -Aqui é o Lucas... -Tudo bem com você, gato? -Tudo ótimo, e com você? -Melhor agora... Está a fim de dar uma saída... -Pra onde você quer ir? -Sei lá, dar umas voltas pelo calçadão... -Por que você não vem aqui pro hotel? Estou sozinho aqui... -Ok, o endereço é esse aqui mesmo? -Sim... Vou deixar um recado na recepção liberando sua entrada. -Beleza, daqui a pouco to aí... Quando cheguei no hotel procurei por ele na recepção, era um hotel muito elegante, a recepcionista foi muito simpática e disse que eu poderia subir, me indicando o elevador e o andar onde era seu quarto. Ao tocar a campainha da suíte quase que de imediato ele abriu a porta, me recebendo de regata branca mostrando seus músculos e calça jeans, com uma toca preta de malandro na cabeça, olhando nos meus olhos ele disse: -Agora nós vamos terminar o que começamos naquele banheiro... Você será a pior e a melhor coisa que já me aconteceu na vida. Num leve toque no interruptor a luz se apagou, com o vento que entrava pela janela fazia a cortina do ambiente dançar, com muito carinho e romantismo o Rodolfo tocou em meu braço e me deitou na cama. C@pítulo 20 O Rodolfo foi um cara muito bacana naquele curto espaço de tempo que ficamos juntos, existem pessoas que surgem em nossas vidas na hora certa e o Rodolfo foi uma dessas pessoas, naquela noite transamos pela última vez, foi maravilhosa, eu acredito que pessoas entram em nossas vidas por um motivo, ninguém aparece por acaso. Dois dias se passaram, pela manhã acordei cedo para visitar meu pai, tomei um banho bem rapidinho, comi um pão de queijo e seguimos para o hospital. -Vamos logo que às 9h20 o ônibus passa... -Não se preocupe com isso mãe, podemos pegar um táxi... -Lucas, eu e seu pai estamos economizando ao máximo, tem dias que eu vou até o hospital caminhando pra economizar. -Ei... Olha aqui pra mim... Vou mandar dinheiro pra vocês aliviarem um pouco, deixa que o táxi eu pago, ta bom? -Tudo bem meu filho... No percurso até o hospital fui observando pela janela aqueles corpos deslumbrantes que desfilavam pelo calçadão da praia, mulheres de corpos bronzeados e biquínis quase invisíveis chamavam atenção de muitos que por ali passavam, rodas de amigos jogando vôlei sem camisa matando os outros de tesão, quanta gente bonita passeando pela praia, parecia que ninguém 80

o semáforo abriu e fomos embora. quando entrei no quarto a emoção tomou conta de nós. Lucas.. tudo limpinho. eu não consegui conter minha emoção. Ao parar no semáforo um carro encostou ao lado do que estávamos.. só deu tempo de retribuir com um sorriso meio safadinho depois de ganhar uma piscadinha de leve. demorei a acreditar que aquele cara gatão estava me dando mole. que saudade.. tinha tv. -Seu pai tem melhorado. Enquanto meu pai foi ao banheiro.... vem aqui. Bonito. e a melhor parte era que estava me dando bola. você não imagina como.. no meio ficava a cama. né Lucas? -Sempre mãe. ficamos somente nós três... seus olhos pareciam cuspir fogo e sua mão estava gelada. meu pai estava andando de um lado pro outro com a ajuda da enfermeira e um andador. usava óculos escuros.. Chegando no hospital subimos direto pro quarto.. minha mãe me puxou pelo braço e me encostou no canto da parede.. na hora eu me assustei e não entendi. ele estava me olhando de um jeito diferente. Um homem. tinha uma janela ao lado direito de sua cama que dava pra avistar o Cristo. realmente uma graça.? -Eu é que pergunto. fui acompanhando seu carro até perdê-lo de vista completamente.. O quarto onde ele estava até que era agradável. -O senhor está melhor? -Na medida do possível. -Quer ajuda? -Não precisa. cabelo arrepiado. notei muito bem aquela troca de olhares no táxi quando aquele carro encostou do seu lado.. -Pai. -Mas o que tem haver um carro encostar ao meu lado e eu olhar? 81 . Ah meu filho. vou ao banheiro. de onde eu nunca deveria ter saído. O que está acontecendo? -Mas do que a senhora ta falando? -Lucas eu não sou idiota. sabonete. pode deixar que eu vou sozinho. -Lucas. involuntariamente eu olhei para o motorista e quando notei. seus olhos encheram de lágrimas. -Ele sempre foi assim. -Como você está grande. garoto. Lucas... luta pela vida.. banheiro... no banheiro tinha toalha.. -Tudo bem. parecia estar nervosa. comecei a chorar e o abracei. -Lucas. finalmente eu estava ao lado da minha família novamente. -Já volto.. dei um suspiro e encostei minha cabeça no banco tentando acordar do “sonho”. Ele é um homem de fibra. -Vou trazer o seu almoço. O que está havendo. o rapaz aparentava ter uns vinte e dois anos.. sempre. -Mãe. camisa regata.trabalhava ali. A enfermeira saiu do quarto encostando a porta e nos deixando as sós.. nem parecia hospital público. uma tatuagem no bíceps.. -Eu também pai.

Prefiro ter um filho ladrão.. você é bicha. -Mas eu sou homem.. sua marica. Será que você está achando que eu sou estúpida o bastante de não perceber aquele olhar que vocês trocaram? Acha que eu não percebi quando ele piscou pra você e você deu um sorrisinho? Dei um suspiro e me calei. o que você faz... mãe. -Seu filho. eu sou gay. algumas preferem fingir que nada acontece pra não se decepcionar. desci pelas escadas de emergência 82 ...... mas não naquela situação em que ele se encontrava.. -Pai. -Humpft.. toda mãe sabe e conhece seu filho. acho que Helena também deve saber... não deixei de ser homem por ser homossexual. você não existe.. chega de mentiras.. não me amar mais.. -Eu tenho medo. o meu amor por você é incondicional. jamais deixaria de amar você. Saí daquele quarto chorando. nos abraçamos. -Cala essa boca e sai daqui seu moleque. eu tinha a intenção de contar. assim como eu fiquei calada por esse tempo. ou melhor dizendo. meu filho. Cria vergonha nessa sua cara. -Não importa o que você sente.. não quero um filho-moça não. por enquanto não era um bom momento para ele ficar sabendo. mas chegou a hora que eu precisava ter a certeza.-Chega Lucas. minha mãe já estava com os olhos cheios de lágrimas e nervosa.. eu criei foi um homem. corri pelo corredor do hospital driblando as macas e as pessoas que passavam por ali.. o Gabriel também é gay. -Não tem nada de pai. -Ah que graça. -Tudo bem.. -Almir. por favor. Lucas? -Não fala assim com ele. me conte a verdade. Nesse momento meu pai vinha saindo do banheiro: -Que história é essa de homossexual? O Lucas é boiola? C @ pítulo 21 Ao ouvir a voz do meu pai falando aquilo eu gelei.. meu Deus? -Medo de a senhora não me entender.. -Não fale assim pai.. sofri muito quando você nasceu. -Eu sempre desconfiei.. olhando nos meus olhos ela dizia: -Lucas. mãe de verdade não abandona seu filho só por ele ser um homossexual. Sua tia Helena já sabe? E Gabriel sabe disso? -A tia Helena não sabe de nada. a um viado... dois homens trepando. -Medo de que. -Vai proteger a viadagem agora? -Ele é nosso filho. tremendo muito. -Eu te carreguei por 9 meses na barriga. -Ah mãe. honre o pau que você tem no meio das pernas. eu sou sua mãe.... Almir. Chorando..

não tem palavras que justificam. pensando na minha vida desde que comecei a morar em São Paulo. a voz do meu pai ainda me atormentava na cabeça como um sino soando na hora da missa. pois quando eu acordei estava frente a frente com um moreno molhado.. dizer que não tem mais filho só porque ele é um homossexual. estava uma noite linda. mas não fiquei lá mais que três dias. por que. se no Rio de Janeiro os turistas tem essa hospitalidade. encostei a porta e fui pro banheiro tomar um banho de água fria para me libertar desses problemas que me atormentavam. vou querer me afogar todos os dias. fui caminhando em direção ao mar como se estivesse hipnotizado. a voz do meu pai soava como um eco nos meus ouvidos: “Prefiro ter um filho ladrão”. por que a vida sexual do outro interfere tanto na vida de alguns? Eu não entendo isso. é horrível. parece que o mundo é movido a dinheiro e sexo. Já de volta? -Sim tia. teve uma hora que parei de correr e fiquei de frente para o mar. Desembarquei no aeroporto de Congonhas. não me lembro exatamente do que aconteceu. e quando as duas coisas vêm acompanhadas é pior ainda. está melhor que nós todos. -Por que voltou tão de pressa? Seu pai está bem? -Se duvidar. principalmente sua língua. Uma semana se passou. fazendo respiração boca a boca em mim. Entrei no meu quarto. quando tudo estava indo bem sempre aparecia alguém pra estragar tudo. tia. tentei seguir minha vida normalmente. ao abrir a porta da sala eu cruzei com a tia Helena. peguei um táxi e segui direto pra casa. será minha? Não sei. brisa fresca. mas eu acredito que tudo isso que passei foi um aprendizado e serviu para eu amadurecer. Cruzei a porta do hospital e atravessei a rua correndo. -Haha. ao me ver de volta tão cedo até se surpreendeu. Saindo do banho vesti uma roupa leve. deixei a mala no canto. corri por aquele calçadão chorando. procurando um buraco para me enfiar e nunca mais sair. Você sabe o que é ouvir isso de um pai? Cruel. apesar de que na hora eu nem prestei atenção nisso. parei o trânsito sem noção do que estava fazendo. -Lucas. Vou pro meu quarto. e me “afogar” foi muito bom.. Cheguei em casa cabisbaixo.quase que rolando pelos degraus. acordei em uma linda manhã de domingo. como se a performance na cama fosse o atestado de caráter. pois ganhei um beijo por tabela de um monumento vestido de bombeiro. Lucas? -Prefiro não comentar. acabei comendo um yakisoba na Avenida Paulista. Aquele morenão bombeiro era tudo de bom. fiquei tentando imaginar de quem era a culpa. de óculos escuros eu olhava a vida fora daquele carro. um tênis confortável e a noite fui dar uma volta pela rua. Eu não entendo como as pessoas não conseguem conviver com as diferenças das outras. fui buscar minhas malas e embarquei no primeiro vôo que consegui pra São Paulo. não é legal. -Está bem. espreguicei meu corpo nu naqueles lençóis 83 . sem camisa. de fato eu pretendia voltar em no mínimo uma semana depois. cheia de altos e baixos. puxando a mala de rodinha pelo corredor do condomínio. sem olhar para os lados nem me importar com nada.

. cartão e dinheiro. ao meu lado estava o Robson que não deu uma só palavra. peguei minha mala e fui puxando-a até a porta. C @ pítulo 22 Conseguimos vaga no vôo que estava partindo para o Rio e embarcamos na mesma hora. a conversa não demorou muito tempo. pois logo a tia Helena desligou e disse: -Vamos todos pro Rio. -Quê? -Peguem só os documentos.. Aonde você vai com essa mala? -Preciso voltar pro Rio.. -Dê um jeito.. Lucas venha pra cá imediatamente. preciso ver se tem vôo. Lucas. deixei o bilhete ao lado do telefone na mesinha.. to indo. comecei a sentir um mau pressentimento.. A tia Helena pegou o telefone e ligou para minha mãe.. -Meu Deus do céu. troquei de roupa rapidinho e fui até a sala... Preciso de você. os médicos não quiseram me dizer.. Quase nem conseguia escrever direito.. tia.. pare de chorar e me conte o que aconteceu? -Seu pai não está bem.. minha irmã está precisando de mim nesse momento. todos haviam ido à missa e eu estava sozinho em casa. algo de errado estava acontecendo... -Calma mãe. meu filho. Achei um pouco estranha a atitude da tia Helena de decidir levar todo mundo pro Rio de Janeiro após conversar com a minha mãe.perfumados que eram cuidados pela minha tia. Desliguei o telefone. -Por quê? -Minha mãe ligou agora a pouco desesperada pedindo pra eu voltar. -Tudo bem. depois do iogurte eu peguei uma maçã e quando dei a primeira mordida o telefone da sala tocou: -Alô? -Quem ta falando? -Mãe? -Lucas? Pelo amor de Deus meu filho. -O que ele tem? -Ainda não sei. dizendo que meu pai havia piorado. ao abri-la dei de frente com a tia Helena que ao olhar eu saindo de mala estranhou e quis saber o motivo. depois de tomar um bom banho e vestir uma cueca samba canção... peguei a mala que eu nem havia desfeito ainda e já deixei pronta para embarcar novamente. olhando a vista pela janela e rezando para que meu pai estivesse bem. de tanto que eu tremia. durante a viagem fiquei calado. sentei no sofá e comecei a escrever um bilhete para que quando meus tios chegassem não ficassem preocupados comigo. Chegamos no aeroporto e pegamos um táxi direto para 84 .. fui até a cozinha pegar um iogurte. -Vou ver se consigo chegar ai ainda hoje. -Meu Deus. -Lucas. -Vem rápido meu filho. você precisa voltar pro Rio.

-Não.. Caminhei pelas ruas da cidade até parar na lagoa Rodrigo de Freitas....... Você precisa ser forte. toda minha vida se passou diante daquelas águas. ao entrar na recepção recebemos a informação de que já nos esperavam no quarto. parado ali na porta meus olhos se encheram de lágrimas.? Eu. todos os momentos em que vivi com meu pai vieram à minha cabeça. -Não pode ser mãe. “Já tomou banho Lucas?”. “Jaaaaaaaaaaaaaaa” “Mais pro meio.. “Humpft.. quando me virei vi meu primo Robson.... pai?” “Claro que não meu filho. -Calma Lucas. -Lucas. Seu pai nos deixou Lucas.. chorava como nunca.. Vai. Você vai me bater. Ele não pode ter partido brigado comigo...... ele faleceu minutos antes de eu chegar... minha mãe me olhava e vinha se aproximando com suas mãos trêmulas: -Meu filho.” Por um momento um de meus pensamentos foi interrompido por uma mão que tocou meu ombro. o elevador já estava parado no térreo... Não é o que eu to pensando..... e chorava como uma criança. ao lado da janela estava minha mãe que ao me ver olhou com tristeza.. “Esse é pra você filho!” “Meu pai é demais!” “Lucas.. aquele corpo que passou por mim quando eu saia do elevador era do meu pai.. só de pensar que se eu chegasse poucos minutos antes eu ainda o encontraria vivo e poderia dizer o quanto eu o amava. Gooooooooooooooool”. A porta do quarto estava aberta.. -Pára mãe. Saí correndo pelo corredor daquele hospital derrubando tudo. quando saímos do elevador um enfermeiro passava com um corpo em uma maca coberto por um lençol branco. subimos até o 4º andar que era onde meu pai estava.. 85 .... que estendeu sua mão pra mim e me abraçou: -Robson. Vai. Agora... a tia Helena colocou sua mão sobre meu ombro fazendo um carinho. -Cadê meu pai? Cadê o meu pai? -Se acalme.. seus olhos começaram a descer lágrimas que revelava a triste notícia: -Não mãe. mas nem isso eu pude fazer... Emocionada a tia Helena começou a chorar. Mãe ele não pode ter nos deixado assim. Senti-me destruído.... Não brinca comigo. Mas vai precisar estudar e deixar de ver TV. meu pai faleceu brigado comigo. meu filho.. meu coração batia acelerado de ansiedade. Que nota vermelha é essa no seu boletim?”. você. quando entrei foi inevitável não reparar que a cama estava vazia.o hospital.

Um pouco antes das 7h fui tomar um banho para tirar o cansaço. minha mãe ficou no hospital aguardando a liberação do corpo do meu pai para ser velado no outro dia. vamos caminhar um pouco pra você melhorar. revirei na cama a madrugada toda. Lucas. Depois do café fomos todos para o velório. a cada quilometro percorrido era equivalente a uma tonelada esmagando meu peito que mal conseguia respirar. era tudo que eu precisava naquele momento. por que você disse que seu pai estava brigado com você? -Ele descobriu sobre a minha homossexualidade. a sensação que eu tinha era como se uma faca estivesse rasgando o meu peito. Anoiteceu e fui dormir em um hotel com meus tios e meu primo. -Eu estava. logo avistei minha mãe na porta da sala de velório... eu com a cabeça sobre seu ombro esquerdo chorando enquanto ele acariciava minhas costas e fazia afago em meus cabelos. caminhando pelo meio dos jazigos eu olhei pra ela que já sem forças me fez um sinal com a cabeça... minha garganta simplesmente travou. C @ pítulo 23 86 . chego a pensar que a dor da perda pode superar até a dor física. -Não tem o que agradecer. -Mas você estava com raiva de mim. -Ta bem. -Então vamos esquecer tudo isso.. no começo eu fiquei. Robson. nisso meu pai vinha entrando no quarto e ouviu tudo. -Limpe essas lágrimas. e sua mãe? -Minha mãe desconfiava. mas depois passou. ao me aproximar ela me abraçou e começamos a chorar como duas crianças. mas não consegui engolir nada. -Sim. Lucas... é uma dor tão grande que às vezes pensamos que não vamos suportar.. -Meu Deus.. ficamos ali abraçados por mais de dez minutos. ao chegar no cemitério não consegui me conter e entrei em desespero... o Robson com toda calma foi me segurar.. aí ela me forçou a confessar..? -Aí ele disse que preferia ter um filho ladrão a viado. Mas me diz uma coisa.. Com lágrimas descendo de seus olhos ele me deu um abraço carinhoso.. a minha mãe aceitou numa boa e não vai falar nada. confirmou sua suspeita quando me viu trocando olhares com um cara no carro ao lado. -Não se preocupe. fui até a varanda do quarto onde acompanhei o nascer do Sol. as ondas quebravam nas pedras mesclando na água o branco com o dourado refletido pelo sol. -Mas agora sua mãe vai contar sobre você para a minha e. Obrigado.-Não fale nada.. -Então por que você não falava comigo? -Por orgulho. sei lá. a paisagem que se formou entre o mar e a montanha era linda. É duro perder alguém que você ama.. naquela noite eu mal consegui dormir. Por isso que eu voltei pra São Paulo tão rápido. desci para tomar café. -E ai..

Antes de morrer ele disse que falou aquilo da boca pra fora e estava arrependido... fiquei emocionado ao ver seu sorriso abraçado com a minha mãe e eu entre os dois. Eu já não sabia mais o que era dormir. a cada instante que eu olhava para aquelas coroas de flores com mensagens eu tinha vontade de entrar naquele caixão e ir com ele.. mas está difícil. Sei lá. as pessoas olhavam pra mim com dó. só conseguia chorar. onde eu guardo esse sapato? -Coloque dentro daquela mala preta junto com os outros. seu pai não te odiava. Pouco a pouco fui entrando naquela sala de velório. Foi difícil retornar naquele quarto... -Você já está melhor. e o que é pior. por conta do efeito do calmante que minha tia havia me dado. minha mãe me segurava pelo braço. ele se ofereceu para ajudar nas malas e minha mãe aceitou sua ajuda. seu perfume ainda rolava pelo ar. Aceite o pedido de perdão dele meu filho.. ele morreu me odiando. Depois de tomar um banho fui até o hospital com minha mãe buscar algumas coisas do meu pai que ainda haviam ficado lá.. um exemplo que eu sempre admirei desde moleque. No outro dia acordei ainda tonto. “De seus familiares”. -Tia. Meu pai era tudo pra mim. eu aceito sua ajuda sim.. apesar de ter aliviado um pouco a angustia que eu sentia.Eu não conseguia me conformar em ter perdido meu pai. aquela cena de família feliz me fez relembrar nossos momentos de alegria. ao lado de sua cama havia um criado-mudo e sobre ele tinha o nosso retrato. Não é fácil se despedir pra sempre de alguém que foi presente em toda sua vida. aquele cheiro de vela queimada misturado ao cheiro das margaridas estava me deixando com dor de cabeça. Achando que ele se foi me odiando. “Te amamos”. -Ah mãe... mas vou dar uma olhada antes. meu ídolo. Lucas? -Nada.. 87 . meus olhos estavam tão inchados que pareciam estar saltando. -Vocês precisam de ajuda? -Oi Robson. -Nunca. imaginar que nunca mais eu poderia tocá-lo. -Eu não tenho o que perdoar mãe. no tempo em que nossa família era tranqüila. Lucas? -Estou tentando ficar bem. -O que foi. fiquei me sentindo culpado. ouvir sua voz. parecia um pesadelo que eu não conseguia acordar. Pra mim ela só estava falando aquilo pra me sentir melhor e tirar o peso da consciência. Não fique assim. Lucas seu pai te amava.. ele disse isso antes de morrer. só consegui dormir depois de tomar alguns comprimidos de calmante. ficamos conversando e separando tudo que era do meu pai. meu fiel amigo. -E o que eu faço com esse caderno velho? -Pode jogar fora. pois eu já quase nem tinha mais forças. -Filho.... Sem que eu notasse o Robson entrou no quarto.. estou olhando esses retratos. um exemplo de homem e pai.. -Ta bom.. era o diário dele. pediu para mim que cuidasse de você e dissesse que ele te amava.

magoado. eu disse coisas que não sentia. ao ler seus relatos minhas lágrimas desciam como uma torneira aberta. que meus dias estão contados.” C @ pítulo 24 Terminei de ler o que estava escrito em seu diário chorando de alívio. mas seu telefone estava na caixa postal... Pra finalizar. falei coisas que não devia. pois meu estado se agravou de uma tal maneira que não há mais o que ser feito. Nesse momento que estou sozinho dentro desse quarto confesso que estou muito arrependido. queria muito voltar a vê-lo. acabei magoando sem querer. 88 . Almir. “Estou muito triste.O Robson se sentou na beirada da cama e folhava o diário concentrado como se visse um filme rodar na tela de cinema. tamanha era minha emoção. sentei ao seu lado e lá estava meu pai contando sobre nossa briga. meu Lucas que eu tanto amo. quero deixar registrado que eu amo minha família e que estarei olhando por eles de onde eu estiver. ler aquele desabafo me tirou um peso enorme da consciência. Quando meu filho deixou esse quarto de hospital meu coração sangrou... Meu filho. tentei me desculpar. jamais deixaria de amar meu filho. Há poucos dias briguei com meu filho.. até eu ficava assim ao ouvir as histórias que meu pai me contava. somente um suspiro e um barulho de telefone sendo colocado no gancho. Acho melhor você ler isso aqui. Sei que estou morrendo. várias reações eram esboçadas ao mesmo tempo. -O que. Escutar sua voz na caixa postal do celular me fez chorar. hoje eu ouvi o médico conversar com a enfermeira.. mas foi tudo da boca pra fora. aliviando um pouco a dor da perda que eu estava sentindo. assim como estou chorando agora escrevendo pela última vez nesse diário. acabei sendo covarde e não deixei recado. mas teve uma hora que seus olhos começaram a encher d'água.. peço que Deus lhe proteja. Caminhei até a ponta da cama onde ele estava sentado. ansioso para escutar sua voz acabei me decepcionando ao perceber que ele não havia deixado recado nenhum gravado. na hora me faltou coragem.. depois de dar um suspiro profundo ele olhou pra mim e disse: -Lucas. Na mesma hora peguei meu celular e notei mesmo que havia um recado na caixa postal. pedir desculpas e me despedir do Lucas ainda em vida. Agora ha pouco liguei para ele. mas eu sinto que amanhã eu já não estarei mais nesse plano. onde quer que eu estiver olharei e rezarei por você”. mas não vai ser possível. disquei imediatamente o menu para ouvir o recado do meu pai. chorei de arrependimento. onde nunca mais escreverei. disse que eu teria menos de um mês de vida. peguei o diário de sua mão.

... -Posso te dar outro beijo? -Deve! Voltamos a nos abraçar e nos beijar. Quando chegamos em casa fui direto pro meu quarto. -Hahaha. já minha mãe decidiu voltar pra Londrina. ele pediu para terminar tudo e disse que poderíamos nos tornar amigos. 89 .. deixei a porta entreaberta. -Você aceitou numa boa? -O que eu posso fazer? Matar-me? -Ok. aos poucos nosso rosto foi se virando até que quando nos demos conta já estávamos nos beijando. -Obrigado! -Você me dá mais um abraço? -Nem precisa pedir. você entrando assim de mansinho. eu? -É.. deixa pra lá. Você é comprometido. Ro! Aproximando-se de mim ele jogou o travesseiro e o edredom no chão e me abraçou forte.. de olhos fechados tropeçamos no edredom que estava espalhado pelo chão e caímos na cama.. joguei a mala sobre a cama e entrei embaixo do chuveiro. Você foi uma das melhores coisas que já me apareceu na vida. -Louco... Seu louco... Isso não é certo. com um travesseiro e um edredom nas mãos ele sorriu pra mim e disse: -Assustou? -Claro.. mas ao cair em mim dei um empurrão nele e me afastei. vim te fazer companhia.. Tudo foi acontecendo naturalmente como antes. me despedi da minha mãe e voltei para São Paulo com meus tios e o Robson. ele terminou tudo.. aos poucos íamos caminhando no sentido da cama. -Desculpa. enrolei a toalha na cintura e ao sair do banheiro cruzei com Robson que entrava em meu quarto. -Obrigado. -Uou. quer dizer.. depois desliguei o chuveiro. -Sério? -Sim.Depois de tudo arrumado deixamos as malas na pensão onde eles estavam. fiquei aproximadamente meia hora deixando aquela água morna cair sobre a minha nuca. de olhos fechados e mãos abertas eu conseguia sentir suas energias sendo transmitidas pra mim através do toque de nossas peles. -Sabe que essas loucuras que eu faço com você me fazem muito bem? -A é? -É. acho que agora mais que nunca você vai precisar.. Lucas... -O que houve? -Não podemos. -Eu não te contei? -O que? -Eu e Gabriel terminamos.

. No dia seguinte. O encostei no canto da parede e comecei a beijá-lo loucamente. ta bom. por que não? -Ai Lú.. com medo que alguém ouvisse tapei a boca do Robson. eu já estou bem... nós acabamos adormecendo abraçadinhos. -Como você é safado. Não se preocupe.. naquela hora eu tive vontade de dizer a ele que o amava. vamos. -Ro. com seu nariz quase colado ao meu... começamos a gargalhar e sem querer rimos alto.. você topa? Quem pega o sabonete? C @ pítulo 25 Acabamos pegando o sabonete juntos. porque gosto de você. trocando muitas carícias e longos beijos.Deitados na cama. mas achei que ainda não fosse o momento. eu posso tapar agora. Sinceramente eu senti um alívio quando ele disse que havia terminado com o Gabriel e se sentia bem ao meu lado. fazendo com que nossos corpos ficassem juntos.. demos um longo selinho.. pele com pele. Enquanto eu passava xampu em seu cabelo ele passava sabonete em mim. nos abraçamos bem forte e depois fomos tomar banho juntos. depois veio à hora da 90 .. gastamos um sabonete inteiro e um tubo de xampu. Alguém pode acordar. Foi muito bom tomar banho junto com ele. ao abrir os olhos eu vi o Robson olhando pra mim com aqueles olhinhos de cachorro abandonado e acariciando minha face. -Por que você tapou minha boca? -Pra você não acordar ninguém. -Hahaha. o mais engraçado foi quando deixamos o sabonete cair: -E agora? -Quem pega? -Podemos revezar. claro que aproveitávamos pra tocar caricias e beijos também. -E por que você não tapou minha boca com um beijo? -Não seja por isso. com a porta do box fechada o espaço se tornou mínimo. eu pego uma vez e você pega outra. -Dormiu bem? -Na medida do possível sim e você? -Não dormi. estava preocupado. Tomar banho com o Robson me fez esquecer dos problemas. -E então. Ao ouvir que ele gostava de mim meu coração quase saiu pela boca de felicidade. -Me preocupo sim. -Vamos tomar banho? -Juntos? -Sim.... fique acordado velando seu sono a noite inteira. -Psiu.. o Robson já tinha um fogo incontrolável e eu quando provocado também despertava uma safadeza que poucos conseguiam saciar. Robson..

-Ta. ta. -Sua mãe foi às compras. só de pensar que eu iria sentar à mesa com ele até perdi a fome. -Olha aqui Lucas. nem torta. o Robson e o Gabriel. portanto não fale comigo. -Gabriel. enquanto isso os dois foram para o quarto do Robson e ficaram lá por um bom tempo.. No caminho da cozinha pra sala passei pelo corredor dos quartos. onde cada um enxugava o outro. vínhamos conversando e rindo pelo corredor quando me deparei com uma pessoa que acreditava nunca mais ter que encontrar na vida. nem nada. -Tudo bem. então eu vou indo. -Não tem pão..toalha. -E você quer que eu diga o quê? -Nossa. Lucas? Nem me dei ao trabalho de responder.. estou indo ao mercado fazer compras.. -Oi Robson. Gabriel. pois não gosto de você. virei as costas e fui pra cozinha procurar algo pra comer. roçando minhas pernas nas suas até começar a "briga de espadas". -Gabriel? -Sim filho. Depois te termos "brincado" um pouco vestimos uma roupa e fomos até a sala tomar café. Tchau meninos. nem capuccino... Quando o Gabriel me disse que ele e o Robson voltaram a namorar eu levei um choque. Tia o café já está pronto? -Tem algumas coisas na geladeira. -Humpft. só quando ela chegar agora. -Olha quem está aqui. nu em pelos encostei o Robson na parede e não o soltei mais. onde cruzei com os dois saindo do quarto do Robson. 91 .. em um movimento sincronizado de ir e vir ele correspondia com tesão.. -Vamos parar com essa briga? -Amor. Obrigado! -Bom.. você viu que ele começou? -Dessa vez quem começou a provocar foi você. Eu esperei vocês acordarem para fazer companhia para ele. eu e seu primo fizemos as pazes e voltamos a namorar.. -Eu não vou esperar ela voltar. oi Lucas. ele disse que precisa falar com você.... com a ida da tia Helena ao mercado junto com a empregada acabamos ficando somente eu.. com a maior cara de pau o Gabriel estava na sala sentado à mesa conversando com tia Helena. tia. vão precisar de alguma coisa? -Eu quero um pacote de batata. -Não quero nada. Não vou mais brigar com vocês. Morre o assunto por aqui. Não precisava responder assim. vou até a padaria comprar algo pra comermos. ao ver a cara de apaixonado dos dois me conformei em mais uma vez perder o Robson para o falso do Gabriel que ao me ver disse: -Estou tão feliz Lucas. eu já estava de saída quando ele chegou. por favor. parecia que o edifício iria desabar. Robson... você sabe muito bem que eu sou contra esse relacionamento. ta. corpo colado no corpo eu o beijava com toda intensidade. Sem ter o que comer e o que fazer voltei pra sala e liguei a TV. Já dentro do quarto.. mãe.. essa foi a melhor parte. eu gosto dos dois e.

Ele falava e completava com um selinho no Gabriel. ele era lindo. gostoso. Gabriel. me deixe explicar.. eu já sem paciência comecei a mudar os canais da televisão sem parar. -Calma. Lucas. me poupou de ter que repetir pela milionésima vez. né? -Iria adiantar? Quando contei pra ele que você não prestava.. muito mais gostoso que o idiota do seu primo. -Sabe Lucas..-Quer que eu vá? -Não Lucas. pois eu vi você transando com outro cara. sem que pudéssemos perceber ele estava ali parado atrás da porta ouvindo toda nossa conversa.. Filho da puta. e você sem um pingo de remorso. e eu fiquei muito mal com tudo isso. transei sim. Assim como o Gabriel eu também levei um susto.. eu sinto um enorme desejo em ter você na minha cama... pois quero comprar uma coisa bem gostosa pro meu amorzinho. deixa que eu vou... -Ta bom! Assim que ele saiu o Gabriel se sentou no sofá e insistentemente voltou a puxar assunto comigo. por isso já me ofereci para ir até a padaria... -Ainda bem que você sabe.. Você não tem vergonha do que faz com o tonto do Robson? -O que eu faço? -Você acha que eu não sei que você viajou pro Rio de Janeiro as custas dele e ainda levou um amante? -Você não foi contar pra ele. sem que nós esperássemos o Robson estava ouvindo tudo que falávamos e sua reação foi se jogar pra cima do Gabriel enchendo-lhe de socos. -Desculpa gato. -Não me chame de Lú que não te dei essa liberdade. -Não demore amor. Lucas pra você.. -Lú. mas transar com aquele rapaz foi ótimo. -Sério? Qual? -Um desejo de quebrar sua cara. -Eu sei que você não gosta de mim. e quer saber mais? Não me arrependo nem um pouco do que eu fiz.. -A é? Eu também sinto um desejo por você... eu detestei a idéia de ficar sozinho naquele apartamento fazendo sala para aquele defeito de ser humano chamado Gabriel. -Já volto. mas tive que esperar o Robson voltar com a comida do café. -Explicar o caralho. C @ pítulo 26 -Robson? -Seu ordinário. levantei do sofá e me encostei na parede 92 . ele acreditou em você. -O quê? Então era verdade? Levamos um susto quando olhamos para trás e vimos o Robson parado na porta.

Robson. -Cala essa boca. -Mas essa cueca você me deu. não satisfeito meu primo deu-lhe um golpe de capoeira o jogando no chão. cai fora da minha casa..... Eu nunca vi o Robson daquela maneira. Essa calça fui eu que te dei.. portanto tire-a agora. sem nenhum pudor ele puxou com tudo a cueca que Gabriel vestia. imagine o tanto de gente por ai que deve estar rindo da minha cara. Por falar nisso. o deixando totalmente nu pela sala de casa. -Passe ela pra cá. com as mãos em seu pescoço ele dizia: -Então eu sou trouxa de ficar bancando você. -Robson. né? -Foi. Vendo que o Gabriel não iria tirar a calça o Robson a rasgou sem dó nem piedade.. -Não. de primeira ele levou um soco no nariz.... Você já me humilhou demais. me deixe ir em paz. repetindo várias vezes: -O trouxa aqui não te banca mais. Essa camiseta fui eu que te dei.. -Mas Robson. quem conhecia o jeito do Robson jamais poderia imaginar que aquele rapaz carinhoso. eu te odeio. seus olhos pareciam jorrar fogo.. ele tirou o celular do bolso da calça e atirou pela janela da sala.. que começou a esguichar sangue sem parar. né? Vamos ver quem é o trouxa aqui. -Por favor. o Gabriel nem conseguiu reagir.. inconformado em ser tirado como otário pelo Gabriel ele deu um tapa em seu peito e rasgou a camiseta que ele vestia. Ao se negar a tirar a calça o Robson virou um tapa na cara do Gabriel. -Humilhar? Você ainda acha que isso é humilhar? Humilhação é o que eu estou passando. porém confesso que fiquei com pena do Gabriel.. essa calça é minha e tudo que é meu vai ficar comigo. Robson. meigo. o Robson estava totalmente descontrolado. -Libera ele.... principalmente na hora que o Robson o colocou para fora de casa: -Agora. Eu quero sair daqui. alegre. ainda não contente. e agora vai pro lixo seu maldito. Você tem 1 segundo pra tirar ou então terei que arrancar.. fazendo um barulho que provavelmente deve ter quebrado um ou mais dentes. Meu primo parecia um animal selvagem. deixe-o ir. 93 . essa cueca fui eu que te dei. Acho que eu em seu lugar teria feito a mesma coisa.. -Mudei de idéia e quero de volta... -Eu já disse que você não vai sair da minha casa levando o que me pertence.. -O quê? Nem pensar.. ele bufava como um touro feroz e seus olhos pareciam lançar flechas de tanta raiva.. Você acabou com a minha vida.... ele parecia estar fora de si. Chega. -Pára Robson. pudesse se tornar tão vingativo. nunca pensei que o Robson fosse capaz de fazer o que ele fez com o Gabriel..sem interferir entre a briga. -Esse celular também é meu.

-Mas eu estou nu.. achei que por pior que fosse o castigo viria da própria vida.. -Eu não vou sair assim.. o porteiro destravou o portão automático e o Robson o puxou. fiquei com muita pena do Gabriel. Eu assistia a tudo da varanda da sala. pois as feridas do coração permanecem pra sempre. O Robson pegou pelo braço de Gabriel e o arrancou do sofá com um puxão pelo braço. foraaaaaaa.. assim que fechou o portão ele disse ao porteiro: -Se esse individuo permanecer aqui na porta por mais de trinta segundos... Fui até a porta da sala e fiquei assistindo tudo. sem dó nenhuma o Robson pegou o Gabriel e o jogou em uma poça de lama que havia na em frente ao condomínio devido às obras de gás encanado. Empurrando o Gabriel como um gado em direção ao abate ele o levou até a metade da calçada. Comecei a ficar preocupado com a demora deles em aparecer na portaria.. Nunca vi meu primo tão violento como naquele dia.. Achei que você pegou pesado com o Gabriel. você não tem idéia do quanto meu coração está partido. eu acho que o Gabriel merecia coisa pior. -O problema é seu. arrastando ele até a porta. quando eu estava quase descendo o Robson apareceu arrastando o Gabriel pelo braço. Quando chegou o elevador o Robson abriu a porta e empurrou o Gabriel com toda força para dentro. -Sim senhor. chame a polícia. o que eu fiz não tampa nem 1% do rombo que ele deixou no meu peito. mas as feridas que ele me deixou jamais irão se curar. A porta se fechou e eu não vi mais nada. Mas você vai sair sim. ainda caído naquela poça de lama o Robson não contente tirou uma moeda do bolso e jogou para Gabriel: -Uma esmola para um pobre necessitado. -Ah. humilhou o Gabriel da maneira mais cruel que um ser humano poderia suportar. ventava e garoava um pouco. faço questão de te levar até a portaria.. ele perdeu totalmente o controle. pois ele não valia nada. cobrindo o rosto com uma das mãos ele chorava de vergonha. aproveitando que ela só estava encostada apenas a abriu com o pé e ainda segurando pelo braço do Gabriel chamou o elevador. corri para a varanda da sala e fiquei olhando pra baixo esperando eles aparecerem. Depois disso o Robson virou as costas e entrou. deixando também uma rachadura no espelho do elevador social. 94 . fazendo com que ele fosse com tudo de encontro ao espelho onde bateu sua cabeça e fez um pequeno corte no supercílio. pois na noite anterior havia chovido muito.. Quando o Robson entrou na sala eu fiquei o olhando assustado: -Prontinho. -Peguei pesado? O que eu fiz foi pouco perto do estrago que ele causou na minha vida. Ta me olhando com essa cara de assustado por quê? -Não sei. às vezes ele o chacoalhava com força batendo suas costas várias vezes na parede. meu primo conseguiu humilhá-lo ao máximo. pois o que meu primo fez com ele praticamente tirou sua dignidade. mas vendo toda aquela situação fiquei com o coração apertado. o clima estava frio. As feridas que deixei nele vão se curar cedo ou tarde.

eu achava o Robson uma pessoa calma.. ele tinha assuntos para resolver em Portugal.. O Robson juntou as roupas rasgadas do chão. 95 . Anotei o telefone e na mesma hora liguei para me inscrever. -Imagino sim. C @ pítulo 27 A empresa do tio César inaugurou uma filial em Recife. -Vou sonhar com esse dia. umedeceu com álcool e botou fogo. a última noticia que tivemos foi que ele havia virado garoto de programa e viajado com um empresário para Hilton. -Não vejo a hora de chegar ai e poder te dar um abraço. depois de discar ele levou o telefone sem fio para seu quarto e ficou conversando por um longo tempo contando o que ele havia feito com o Gabriel. Lú! -Eu também. -E essas roupas espalhadas pela sala? -A é. -O que está finalizado? Você aprontou alguma coisa? -Não aprontei nada. Ta um calor aqui que você não imagina. finalizado. O Robson não tocava mais no "assunto Gabriel" e quando algum amigo nosso vinha falar dele na mesma hora já era cortado. quando não falávamos por telefone nos falávamos pela internet. mas vi que me enganei. por isso o Gabriel é mais um desempregado a partir de hoje. -Luuuuuuuuuuu. então ficamos somente eu e tia Helena em casa. quando você volta? -Ainda não sei. enquanto isso eu fiquei em São Paulo trabalhando na matriz. aumentando as estatísticas dessa cidade.. só concretizei os fatos. e parece que conseguiu. O Robson nos ligava de Recife quase todos os dias. Um certo dia navegando por um site de automobilismo fiquei sabendo que uma escola estava oferecendo bolsa de estudo para um curso de engenharia automobilística na Alemanha. levou até a cozinha e colocou dentro de um balde de lata.. Ro. eu sempre fui apaixonado por carros e se eu tivesse a oportunidade de ir pra Alemanha estudar não pensaria duas vezes. tranqüila. quase todas as noites eu sonhava com ele. Depois de desligar o telefone.Com a maior tranqüilidade o Robson pegou o telefone e discou para um amigo. Liguei para um amigo meu e expliquei quem é Gabriel Soares. acho que qualquer um em seu lugar faria o mesmo. Algumas semanas se passaram e nunca mais vimos ou ouvimos falar do Gabriel. estou morrendo de saudade. como o tio César não poderia ir acabou mandando o Robson para representá-lo.. Fiquei imaginando o que uma pessoa enganada é capaz de fazer. ingênua. meu primo estava mesmo decidido a se livrar do passado.. mas estou morrendo de saudade de você. claro que ele não quer ter um funcionário do caráter dele. era impressionante como a ausência do Robson me fazia falta. Logo depois que Robson viajou o tio César viajou também. fui perguntar ao Robson o que ele estava aprontando: -Agora sim.

só estava um pouco trabalhosa. teve até um dia que ao olhar nossas fotos eu chorei de saudade... a matéria foi de conhecimentos gerais. 96 . -Que isso.. olha meu coração?.. -Desculpa.. -Juninho diz: Não tem nada haver isso.. -E. -A tia Helena já sabe que você chegou? -Ainda não. Deixei o consulado e antes de ir pra casa passei no shopping e comprei algumas esfihas pra comer em casa. Lú.. -É sério.. -Juninho diz: Eu acho que você ama seu primo e ainda não percebeu.. -Quando você chegou? -Agora ha pouco. depois fui até meu quarto trocar de roupa.. tinha vezes que eu entrava em seu quarto e deitava sobre sua cama para sentir seu cheiro. Ele é meu primo. não tinha a intenção... não tem nada aí que eu já não tenha visto. -Sei. isso não é certo. mas um servia de complemento pro outro. Quando ele ligava pra casa e eu escutava sua voz meu coração ia de 0 a 100... Preciso que você saia do meu quarto... -Caramba. além de ler bastante. -Te assustei? -Claro. Não vou dizer que a prova estava difícil. Nunca precisamos disso. -E?. Algumas questões da prova tinham pegadinhas que se eu não prestasse bem atenção acabaria errando. -Lucas diz: É estranho.. Uma vez até comentei com o Junior pela internet. pois a escola que os bolsistas iriam ficar era de brasileiros.. -Bom. -Lucas diz: Sei lá..Todo esse tempo de convivência com o Robson nos fez muito próximos. Passei um pouco mais de uma hora na sala respondendo às questões. mas para minha surpresa não necessitava falar alemão. preciso trocar de roupa. assim que terminei entreguei na mesa de uma mulher muito mal humorada que me devolveu um canhoto para checar o gabarito posteriormente. Quando cheguei fui até a cozinha e guardei dentro do microondas o pacote com as esfihas. várias vezes eu adormeci em sua cama abraçado com seu travesseiro. embora não fosse muito tempo. quando abri a porta levei um susto enorme ao ver o Robson sentado na minha cama. Lucas. No outro dia fui fazer a prova na escola para concorrer à bolsa. minha sorte foi que sempre gostei de ver telejornais e documentários. pra falar a verdade não avisei ninguém.. meu medo era que uma das exigências fosse ter alemão fluente. Seu cheiro no lençol... aproveitei que você não estava em casa e vim matar um pouco da saudade.

como não havia nenhum de interessante apaguei todos e desliguei o computador. os tempos mudaram. -Desculpa. esse era meu medo. acha que sou um objeto? -Isso não é verdade.. 97 . sai do meu quarto. -Eu sei. eu sempre acabava sofrendo com tudo isso. eu quero pedir perdão pra você. embora eu também estivesse com vontade preferi não cair na provocação e para evitar um envolvimento maior eu me esquivei. -Todo ser humano que ama corre esse risco. -Por quê? -Você só me procura quando quer satisfazer suas vontades.. fiz você sofrer. mal apareci on-line e o Adriano pediu minha atenção por um momento.... Ele foi caminhando em direção a minha cama. Depois de tomar banho só me enxuguei e ainda pelado liguei o computador pra checar o gabarito da prova... Fiquei com um pouco de remorso ao vê-lo se levantar da cama com a cabeça baixa e o olhar triste. Gostoso! Assim que ele encostou a porta eu fiz questão de trancá-la para não correr nenhum risco de ser pego de surpresa. quando ele fechou a porta do quarto me virei na cama e fiquei pensando se havia feito a coisa certa. sai do meu quarto.. -Não adianta ficarmos remoendo o passado. No outro dia acordei era quase 10h... Já passava das 00h e o sono já estava me pegando. vamos esquecer essa história? -Tudo bem. Você já estava dormindo? -Não. -Por favor. porém não me senti arrependido de nada. -Ok. Lucas. -Não. fui tomar um banho e dentro do box mesmo escovei os dentes com a água do chuveiro caindo nas minhas costas.-Robson. -Mas Lucas. por favor.. antes de dormir chequei meus e-mails na internet. -Tenho sim. -Robson. o sentimento que eu sentia por ele era mais forte que amor de primo.. juntei todos os travesseiros na cabeceira e deitei na cama. -Você não tem de que se desculpar. é que escutei um barulho aqui. Evitei ao máximo me "aproximar" do Robson como antes. -Como assim? -Nada. quando ia me cobrir escuto alguém batendo na porta: -Pode entrar. -Licença. ao se aproximar ele sentou próximo dos meus pés e tocando na minha perna ele dizia: -Fico tão arrependido de ter me afastado de você. Ele veio se aproximando de mim na tentativa de me beijar.. mas já estava quase.. Será que você pode me fazer esse favor? -Tudo bem.

. -Lucas diz: Vou ser mais claro então. -Driko diz: Sim. -Lucas diz: E ele te fez sofrer? -Driko diz: Muito. -Lucas diz: Insinuando que já estava mais que na hora de você ir morar sozinho. foi ai que aconteceu nossa primeira briga. pois eu havia começado a trabalhar naquele momento.. Depois ele vivia dando umas indiretas de que eu já estava bem grandinho pra morar com os pais. -Driko diz: 98 . -Lucas diz: É por quem eu to pensando? -Driko diz: Não sei quem você ta pensando. É pelo Hugo? -Driko diz: Humpft.. você mereceu tudo isso. eu te avisei desde o começo que ele não valia nada.......-Driko diz: Oi.. Ficamos todo esse tempo nessa lenga....... -Lucas diz: É pelo Hugo ou não? -Driko diz: É. eu não tinha como dar um celular para ele. To sofrendo. logo quando começamos a namorar ele me pediu um celular de presente..... lenga. -Lucas diz: Então quer dizer que vocês ficaram juntos mesmo. Não importa quem é. -Driko diz: Como assim? -Lucas diz: Foi você quem escolheu viver com ele. Tudo bem? -Driko diz: To mal. Adriano.. -Driko diz: É -Lucas diz: Só não entendo o motivo dessa sua lamentação.. -Lucas diz: Sofrendo por amor? -Driko diz: É. -Lucas diz: Bom dia.

pára de pisar em mim por isso. Agora que fiquei sabendo que vocês ficaram juntos eu sinto nojo de você. Você preferiu se levar pela sedução de um garoto de 16 anos. Um dia eu te dei a oportunidade de escolher. eu sei que demorou. você fez sua escolha e não tem volta. só pra me fazer sofrer. Mas sendo sincero com você. seu amigo por ser seu amigo não deveria nem se aproximar... me esnobando e optando pela pessoa que eu mais odeio. seu amigo e o Hugo... mas acho que vou pedir desculpa. -Driko diz: Eu to arrependido Lú.. pois um dia eu lhe avisei que o Hugo não prestava e você brigou comigo. mas agora você viu que eu tinha razão. -Driko diz: O que você quer dizer com isso? Você me aceita de volta? -Lucas diz: NUNCA. -Lucas diz: Sinceramente? Os 3 não valem nada.. está sofrendo porque quis. já chorei demais ontem. Não adianta colocar toda a culpa nele.To sofrendo muito. te abri a porta da felicidade. e você tendo 24 já sabe muito bem guiar os passos de sua vida.. estou muito feliz com essa notícia.. 99 . eu gosto demais desse moleque. eu estou arrependido. tinha tempo de cair fora. Pense bem daqui pra frente... -Lucas diz: “Você não pode voltar atrás e fazer um novo começo. -Lucas diz: Faça o que você achar melhor. se você se deixou levar pelo Hugo foi por que quis. não agarrou a oportunidade de ser feliz. não só eu. Vocês ainda estão namorando? -Driko diz: Nós brigamos... -Lucas diz: Eu imagino. cedo ou tarde você iria perceber. mas você desprezou. Fiquei muito mal quando soube que o Hugo transou com meu melhor amigo semana passada. eu quero que vocês dois vão pro inferno. te mostrei o caminho. mas todo mundo te avisou.. -Lucas diz: Eu imagino. -Driko diz: que 3? -Lucas diz: Você.. -Driko diz: Lú pelo amor de Deus me perdoa? -Lucas diz: Adriano. mas pode começar agora e fazer um novo fim”. nunca mais quero ter contato com você. -Driko diz: Eu sei. -Driko diz: Mas Lucas.

. Desconectei e deitei na minha cama pra refletir um pouco. Confesso que depois de ler os desabafos do Adriano conclui que o Hugo era pior do que eu imaginava.. mas seria muita hipocrisia minha achar que só ele teve culpa. foi você que escolheu deitar no conto dele. -Driko diz: Ele não deixou que nós fôssemos felizes. ele é interesseiro assim? -Driko diz: Demais.. -Driko diz: Não entendo por que pessoas como essas entram na vida dos outros e destroem a felicidade... fiz até empréstimo no banco pra dar tudo que ele me pedia.... meu ego foi às alturas quando fiquei sabendo que o Adriano estava muito arrependido do que havia feito. bom.. estou passando dificuldades.. -Lucas diz: Eu sei que o que ele fez foi errado.. hoje estou sem ele e com meu nome em protesto.. e pra quê? C @ pítulo 28 100 . você também tem culpa.-Driko diz: Eu sei. pois ficar aqui escutando historias tristes não é comigo.. -Lucas diz: Só lamento. Ele só me chamava de “amor” quando eu tinha dinheiro. Agora preciso ir. me arrependo de ter saído da casa dos meus pais e ter trocado você por ele. a consciência? Qual a graça de roubar o namorado dos outros só pra satisfazer um prazer sexual? Não consigo entender. ele em um ano destruiu três namoros que estavam indo muito bem. foi você que assim fez.. agora eu preciso ir. -Lucas diz: Ele não entrou na sua vida e a destruiu. ele não fez tudo sozinho... só não tinha conhecimento do detalhe financeiro que o Hugo exigia de seus parceiros. eu sabia que cedo ou tarde ele viria me procurar. o amor pelo seu corpo. -Lucas diz: Esse detalhe eu já não sabia. Hoje estou morando sozinho por causa do Hugo. transar com o amigo só pra fazer o outro sofrer? Onde é que está a dignidade. -Lucas diz: Sem lamentações. -Driko diz: Se você soubesse como me arrependo. -Driko diz: Ah Lú. -Lucas diz: Faz parte da vida.

-O que você está sentindo? -Enjôo. -Lú. estava coberto vendo tv quando o Robson entrou todo feliz. provável que eu passe a tarde toda no shopping.. estou me sentindo mal. Quer ir para a balada hoje? -Não sei.. -Desculpa Ro.. no comecinho da noite comecei a ter fome. -Hahaha. ta? Te adoro.. com essa barriga linda e gostosa. -Eu também... Fui para meu quarto e deitei na minha cama depois de ter tomado meu remédio. ainda inconformado com o fato de ser trocado pelo Hugo. Lucas. -Mas já? -Vou comprar roupa. -Mas você nem precisa. -Mas sem você não vai ser a mesma coisa. preguiçoso do jeito que eu era abri a geladeira e peguei um iogurte de morango que a tia Helena havia comprado. -Ta ok. ânsia de vômito.. -Mas que cara é essa? Você está pálido. O Robson passou a tarde toda se preparando para ir a balada. suave. -Obaaaaa.. Fiquei triste por não ter condições de ir com ele. Nos vemos a noite. -Ta. tão macio. -Semana que vem nós vamos juntos. com aquele jeitinho maroto ganhei um beijo na testa.. mas pelo visto não teria como e não era justo atrapalhar sua noite. -Vou pegar um remédio pra você tomar e melhorar antes de ir pra balada.. O Robson estava empolgadíssimo com a balada e eu queria muito acompanhá-lo. depois te dou uma resposta.. mas desse jeito eu não vou não.. Acabei adormecendo e quando o Robson chegou fez questão de me acordar. deitado no sofá assistindo desenho eu comia biscoito e bebia iogurte. Vou me arrumar.. -Queria muito que você fosse.. -Você está falando sério? -Sim -Então eu vou... -Acordaaaaaaaa. -Não estou me sentindo muito bem.? -Oi Ro! -Você não vai? -Não. fique bem. -Ok.. então decidi ficar em casa.. Concentrado na série de abdominais nem reparei quando o Robson entrou dentro do quarto: -Lucas. antes de sair ele apertou minha mão 101 . -Humpft. Lú. vá você e divirta-se. -Agora me deixa terminar de fazer minhas abdominais.... ta..Deixe o computador ligado e deitei no chão para fazer minhas abdominais.

. eu conversei com o médico e ele disse que eu tenho condições de engravidar. poderíamos namorar sem culpa por ter laços de sangue. C @ pítulo 29 Encostei a porta bem devagar para não fazer barulho e acordá-lo. eu não via a hora dele acordar. Voltei pro meu quarto e me joguei na cama feliz da vida. César. -Você desistiu na metade do tratamento. às vezes eu achava que ele também gostava de mim. lá pelas 3 da manhã eu me levantei e fui até a cozinha procurar um remédio mais forte para ver se aliviava aquele embrulho no estômago. a luz do abajur estava acesa. mas acabei me apaixonando e isso foi inevitável.. tive vontade de levantar da cama. -Mas você sabe que não podemos ter filhos. e depois de saber que ele era "meio primo" se tornou um sonho possível. já era hora dele saber sobre meus sentimentos e eu estava decidido a contar. Claro que essa noticia me tirou mais um peso da consciência. Meu coração espremeu quando ele fechou a porta daquele quarto. correr atrás dele e dizer: “Será que você não percebeu ainda que te amo?”. -Podemos sim.. aquela sombra que fazia nas curvas do seu corpo me faziam lembrar dos nossos momentos de carinho logo quando cheguei à São Paulo. altos beijos. Eu fui ao médico hoje e ele disse que você tem como reverter esse problema. ao passar na frente do quarto dos meus tios ouvi uma discussão entre eles: -Eu quero ter outro filho. Lucas! -Bom dia. Não consegui dormir a noite toda com náusea.. -Nós já fizemos uma vez e não deu certo. com esse tratamento sua quantidade de espermatozóides aumentaria e eu poderia engravidar. andando na ponta dos pés fui até a cozinha pegar um copo de suco. tivemos que adotar o Robson. Era estranho eu estar apaixonado pelo meu próprio primo. por termos o mesmo sangue não sei se era certo. tê-lo como namorado era um sonho. dando uma piscada de olhos antes de sair do quarto. de camiseta regata e cueca boxer branca ele dormia todo espalhado pela cama. sentei-me à mesa e dei um gole no suco quando a tia Helena chegou na cozinha arrastando a pantufa do Ursinho Puff que ela adorava. em que trocávamos carícias.e encostou a porta. César. na terceira gaveta do armário havia uma caixa de primeiros socorros onde havia vários remédios. mas sim filho adotivo da tia Helena e do tio César. adormeci pensando nisso. tia! -Tem iogurte na geladeira? 102 .. -Bom dia.. se você fizer um tratamento. após tomar dois comprimidos guardei a caixa dentro do armário. Na manhã seguinte logo quando acordei fui até o quarto do Robson espiá-lo. mas tinha horas que eu achava que ele só sentia um carinho por mim. Pra mim foi um susto ouvir sem querer que o Robson na verdade não era meu primo. ter o Robson como primo era ótimo. olhando pro teto fiquei imaginando a noite inteira como seria namorá-lo.

-Ta bom. mas não resistiu e acabou morrendo.. o pai se matou logo em seguida e a mãe ainda ficou viva por umas duas horas. -Pois é. mas parece que a mãe do Robson levou um tiro do próprio pai dele quando ainda estava grávida. -Ro.... 103 . tia? -Desde quando ele tinha quinze anos. naquele momento eu tive a certeza de que Deus acabara de me dar o filho que eu e o César tanto esperávamos.. não demorou muito e ele entrou no meu quarto todo feliz. Enquanto a tia Helena foi pro seu quarto eu fui pro meu assistir um pouco de tv. -Então vou comer só essa salada de frutas. deitado na cama eu não conseguia prestar atenção em nada.. mas ontem eu não pude deixar de ouvir. obrigado... -O que.. Quando me aproximei do berço e vi aquela criança miudinha. -Você está melhor? -To sim. Que tragédia. liguei o rádio e fiquei deitado no carpete do quarto cantando e esperando o Robson acordar. -Lú. -Ai que bom.. -E como a senhora conheceu o Robson? -Uma amiga minha que trabalhava no hospital me contou sobre o caso.. eu fiquei comovida com a história e fui visitar o bebê mais comentado do hospital. então peguei uma toalha e fui tomar um banho pra relaxar. pois ontem eu comi e me fez mal. -Tia. Foi uma história muito complexa a do Robson. -Nossa. -A senhora pode ou quer me contar? -Eu não sei ao certo o que aconteceu... mas é melhor a senhora não comer. vou tirar esse pijama e ver o que faremos pro almoço. olhou pra mim com aquele olhar que só ele sabia fazer. tia... então decidimos adotar uma criança. fizemos alguns tratamentos. Ele sabe disso... frágil e indefesa comecei a chorar. eu e seu tio não conseguíamos ter filho pelo método tradicional. mas não foram satisfatórios.. Até eu fiquei emocionado.. Lucas? -A senhora dizendo que adotou o Robson. -Ah... toda minha concentração estava perdida nos pensamentos pelo Robson. no hospital os médicos fizeram uma cesariana e o Robson ficou uma semana em estado grave na incubadora... Na tv não tinha nada de interessante pra ver.? -Oi Ro.. quando toquei em seu bracinho ele segurou meu dedo com aquela mãozinha bem pequena com muita força e abriu levemente o olhinho direito.. -Ah. Humpft.. Tenho uma coisa pra te contar. -Bom.. Bom. Desculpa.. -Nossa... É. sentou do meu lado e começamos a conversar..-Acho que tem dois. Quando chegaram no hospital o bebê ainda estava vivo dentro do corpo da mãe. -Eu também Lú.. ao sair do banheiro vesti uma roupa fresca.

. não era nada. encher sua cabeça com mais preocupação não era minha intenção. Obrigado.. ele estava afim de um outro garoto e não de mim. mas claro que não dependia só de mim.. Vou tomar um banho e depois vou ligar pra ele. -Tá bem.. criei expectativas à toa. moído de tanto sofrer por quem nunca soube me dar valor. C @ pítulo 30 Gostar de alguém é complicado. 104 . mas depois passou. Robson. vamos caminhar um pouco pra você melhorar. me fazendo lembrar aquele tempo em que eu e o Robson nos entendíamos.. -Já disse.. -Ta bom. -Não. mas com a correria que vinham acontecendo os fatos até nem lembrava mais.. ele é muito fofo... -Eu estava... meu coração já estava aos cacos. já era pra eu ter pegado ha algum tempo. ser desejado pelo Robson assim como eu o desejava. afinal... Depois de um certo tempo passou um casal de garotos que me chamou atenção.. torça por mim. eu achava que o Robson também era afim de mim. principalmente quando não se é correspondido. Lú. o que eu queria era estar no lugar desse garoto. Vendo que ele estava feliz preferi ficar na minha e não falar nada. -Mas deixa pra lá. -Obrigado. -Bom. -Não tem o que agradecer. É obvio que eu fiquei triste. Imprimi o resultado e deixei sobre a mesinha do computador.. ontem eu conheci um menino tão gracinha. -Fala você primeiro. -Mas você estava com raiva de mim. no começo eu fiquei. -Pode falar. Lucas. -Ah. -E você está interessado nele? -Fiquei muito afim. sentei embaixo de uma árvore e fiquei lendo um livro. -Ok.. o que você queria me contar? -Nada de importante.-Pode falar.. depois vesti uma roupa leve e fui dar uma volta no parque Villa-Lobos.. fala você. entre um capitulo e outro meus pensamentos se perdiam em meio aquela natureza. Ro! -Limpe essas lágrimas. vim te fazer companhia. -Assustou? -Claro. Lú. -Desculpa. você entrando assim. No outro dia peguei o gabarito da prova que havia feito. acho que agora mais que nunca você vai precisar. Conversamos um bom tempo. mas nem se mostrou interessado por mim.

Robson. ao abrir a geladeira ouvi o barulho da porta da sala batendo. mas que já tínhamos ficado algumas vezes. vamos.. fiquei velando seu sono a noite inteira. -Diga Robson. -Imagino sim. era o Robson que acabara de chegar do seu encontro com seu "novo caso": -Luuuuuuuuuuuuuuuuu... Lú.. aí ele fechou o álbum e começou a me beijar. ai eu contei que éramos primos. eu o amava tanto que não queria estragar sua felicidade.. -Desculpa.. por que não? -Ai Lú. Lú. -Eu estava louco para te apresentar aquele garoto que te falei. coloquei o livro sobre a mesinha de centro da sala e fui até a cozinha beber um copo d'água. -Luuuuuuuuuuu. aí a gente foi se conhecendo. embora fosse um amor não correspondido. sabe que no começo eu não botava muita fé que iria rolar algo entre nós. ta bom. -Não se preocupe. porque gosto de você. -Não faltarão oportunidades. -Legal. mostrei o álbum de fotos da família. por isso preferi me calar. vou adorar sair com você.. quando ele viu sua foto perguntou o que éramos.. -Você tá bem? -Sinceramente? Não. Ta um calor aqui que você não imagina.-Dormiu bem? -Na medida do possível sim e você? -Não dormi.. -Ta bom. algo que meu coração registrou como brasa em pele de gado. quando você volta? -Não vejo a hora de voltar. -Eu também.. Algo que eu te fiz? 105 . -Vamos tomar banho? -Juntos? -Sim. Ao chegar em casa não havia ninguém. -Ai ele é tão fofo.. estava preocupado. São momentos que jamais esquecerei. chega. aquelas alturas ele já estava afim de outro e eu mais uma vez como já era de se esperar fui jogado pra escanteio. curtos momentos que eu poderia chamar de “A mágica do amor”. estou morrendo de saudade de você! -Hoje vamos para a balada? -Vamos. Naquela situação eu não poderia mais falar dos meus sentimentos para o Robson.. -Eu o trouxe aqui pra te apresentar. -Me preocupo sim.

.. infelizmente dessa vez a vítima era o Robson. -Tudo bem. existem pessoas que nasceram pra fazer o mal. pois a notícia do momento era o namoro do Robson com o Hugo. você vai sofrer. Entrei na internet e minha tela se encheu de mensagens... C @ pítulo 31 O ser humano é incompreensível.. -Você seria capaz de brigar comigo por ele? -Lucas. até derrubei o copo com água no chão. por quê? Ouvir aquele maldito nome foi como injetar uma ampola de adrenalina na minha veia. -Mas Robson. se ele estava pensando que iria se dar bem. Robson. um amor de pessoa. não liga... não disse diretamente. eu já havia cansado de esconder e só ficar insinuando. Robson. são neuras minhas... espalhando cacos de vidro por todos os lados. me tranquei no quarto e liguei o computador. -Não falarei mais do Hugo na sua frente então.... Confuso com toda a situação ele correu para seu quarto e bateu a porta.. -Robson. por favor. Ele só finge. O meu Hugo é muito fofo. brigue comigo depois se quiser. Se um dia você se arrepender. Se fosse quem eu estava pensando a coisa ia ficar preta. -Esperai. meigo. pulei os cacos de vidro do chão da cozinha e sai chorando.. Nesse momento brotou um silêncio entre nós.. Ele não vale nada.? -Quem é Hugo? -Meu novo namorado. não era possível que aquele garoto entrou na minha vida mais uma vez pra interferir na minha felicidade. o que você disse? -Sobre. mas o que eu disse foi suficiente para ele entender. -Chega Lucas. desculpa.. dessa vez se enganou. deixa-me viver em paz com ele. Não pode ser do mesmo Hugo que estamos falando. Se afaste desse moleque... jamais abandono as pessoas que amo. por favor. não poderíamos estar falando do mesmo Hugo. -Não. havia várias pessoas querendo me perguntar a mesma coisa. que adorava interferir na vida dos outros só para destruir os relacionamentos. desculpa.. tenha certeza que estarei aqui pra te amparar. Eu já não agüentava mais ver aquele monte de desocupados me perguntando a mesma coisa. sentem prazer em destruir a felicidade das outras e assim era o Hugo. Não atrapalhe..-Não. Vai passar... mas me deixe curtir esse momento. -Deixa-me sofrer. decepcionado mais uma vez com a escolha do Robson.. isso que não quero. lembra de quando ele aprontou comigo? -Lembro vagamente. -Calma Lucas.. 106 . parece que o Robson caiu em si e se deu conta de que eu o amava. eu só quero ser feliz e sinto que serei ao lado dele. mandei todo mundo pro inferno. se você continuar falando dele assim vamos perder nossa amizade.

Mais do que nunca tomei uma decisão em minha vida... trancado no quarto eu gritei... -Lucas diz: eu já imaginava. Desliguei o telefone feliz da vida. chorei. -Sério?.. que era lutar pelo meu amor até onde fosse possível. tenho a consciência de que eu jamais o fiz algum mal.. pra ser sincero não quero mais saber.. eu achava que nunca passaria naquela prova.. mãe! 107 . obrigado pelo toque. agora preciso ir. mas pensei que vc soubesse o motivo pelo qual o Hugo aceitou namorar seu primo. você tem o numero do canhoto? -Tenho... peguei a folha da prova e comecei a comparar as respostas. mas ele prefere fechar os olhos.. -Lucas diz: já tentei avisar ao Robson. depois de tudo anotado comecei a fazer os cálculos e quando eu vi que havia acertado 93% quase tive um infarto.. Mãe? -Oi filho. Bloqueei todo mundo para não me amolarem com essa história e parei pra pensar... -NeNê diz: desculpa. já saiu o resultado da prova? -Já sim.. -Você é o Lucas? -Isso! -Parabéns Lucas. -NeNê diz: ele só quer te ferir e está usando seu primo pra isso. eu queria entender quando foi que eu fiz mal a esse garoto? Por que ele me perseguia dessa maneira? Seria inveja? Eu não sei. não me contendo de felicidade liguei pra minha mãe e dei a notícia de que iria estudar na Alemanha.. é o 5041... Tenho uma novidade. Olhando para a mesa notei que o gabarito da prova estava ali esquecido. você foi aprovado.. -Alô. na mesma hora liguei para o consulado: -Oi.-NeNê diz: Lucas? -Lucas diz: fala -NeNê diz: vc já ta sabendo do namoro do seu primo com o Hugo? -Lucas diz: eu não quero saber e tenho raiva de quem sabe.. tudo bem com você? -Tudo ótimo. -Lucas diz: do que vc ta falando? -NeNê diz: os boatos que correm por aí é que o Hugo só está com o seu primo por que ele já ficou com vc. Muito obrigado. pulei. Bom. paciência.

sempre que me sentia mal procurava os conselhos dela. Eu descobri que amo o Robson. na maior cara de pau ele paquerava outro rapaz que estava atrás do Robson e ele nem se dava conta. -Lucas. tenho um mês apenas para acertar a documentação e embarcar. -Por que. Não sei o que faz uma pessoa se sujeitar a uma situação tão estúpida como essa. mas ao mesmo tempo tão ruim. Qual? -Passei na prova de bolsa pra estudar na Alemanha... desabafe... mãe. Ninguém fica ileso de amar sem ter chorado ao menos uma vez. sentei em uma mesa bem longe e fiquei observando. mãe.. parece que a senhora tem sempre a resposta que eu preciso ouvir. meu filho? -Humpft. acredito que ele tenha notado... ficando somente o Robson e dois amigos dele.-Novidade. o sinônimo de amar. é sofrer. sorte que eles não me viram. O Robson tentava beijá-lo e o Hugo desviava o rosto com repugnância. seja claro e objetivo. Faz eu me sentir melhor. -Meu filho. e depois deixe que ele decida. Beijo! -Outro! Desliguei o telefone mais aliviado depois de ter ouvido as palavras de conforto da minha mãe.. Mãe. -Sim mãe. -Eu não sabia que amar alguém era tão bom... você vai me deixar? -Claro que não. torci tanto por você meu filho. -Eu te amo meu filho. -É tão bom conversar com a senhora.. -Que ótimo Lucas.. -Mas ele sabe disso? -Hoje eu soltei uma indireta. você é uma delas. meu filho. -Dói ouvi-lo falando de outro na minha frente. conte tudo o que sente. Se abra pra ele.. deixei o meu sentimento de lado e observei como uma pessoa neutra. converse com ele... Tenho estado tão triste. conte com sua mãe sempre que precisar.. -Mas meu filho.. mãe. meu filho. Mudando um pouco de assunto. Depois de um tempo o Hugo se levantou da cadeira e foi embora. -Somente pessoas sensíveis sabem e conseguem amar de verdade.. -Ah eu também mãe.. Mas não se preocupe que eu volto. por quê? -Por nada. a senhora sabia que o Robson é filho adotivo da tia Helena? -Sim. Eu volto nas férias pra matar a saudade. coisa que eu jamais faria. C @ pítulo 32 108 .. -Lucas? Você está chorando? -Ah mãe. Uma semana depois fui a um barzinho encontrar os amigos para me despedir antes de viajar. -Também te amo mãe. logo quando cheguei acabei encontrando o Robson e o Hugo por lá... -Vou sentir saudade. é preciso amar demais para ficar mendigando carinho e amor da outra pessoa.

. -Isso. -Não..... Você tem mesmo certeza que quer ir? -A única coisa que pode me impedir de partir é você. Agora preciso dar uma saída. sem que eu esperasse o Robson entrou no meu quarto. Você estará acompanhado. pelo que ele fez com você. jogo tudo pro alto só pra ficar junto de ti. -Hahaha. mas vai ter com o que se distrair. fiquei imune a esse tipo de pessoas que não valem nada. -E o que você fez com ele? -Nada demais. assim que ele soube que eu e você ficamos.... só me deixei aproximar dele pra vingar você. mas eu volto.. não digo que seja em boa companhia.. Estaria sendo egoísta. Acorda Lucas.. -Não posso fazer isso. -Hahaha.. -Havia entrado numa suíte de motel.. -Eu também. eu fico. 109 .. Eu amo você. eu queria muito que você ficasse. Pega aquela caixa ali pra mim. o levei pro Motel e enquanto ele dormia eu fui embora. -Depois de cair no golpe do Gabriel. vou conferir a hora que o avião sai. Lú. Pense bem.. -Da rua eu liguei pra policia e fiz uma denuncia de que um menor.. -Mas e seu documento? -Era falso.. você estaria lutando pela sua felicidade apenas.. Se você disser que me quer... -Tem outra solução? -Vou sentir muito a sua falta. era a chance que eu precisava pra zoar ele um pouco. -Aqui está. por favor? -Essa vermelha? -É. fique comigo". Robson.. dobrei todas as roupas e separei em cima da cama antes de arrumar tudo dentro da mala. pois o RG dele era falso. -Sim? -Humpft. fechou a porta.. o safado se jogou pra cima de mim. Você achou mesmo que algum dia eu me interessei por ele? -E não? -Claro que não. -Mas você acha que pega alguma coisa? -No mínimo ele foi parar na delegacia.... Lucas.. ele ainda não tem 18 aninhos. -Lucas espere..Dois dias antes de embarcar para a Alemanha eu estava em meu quarto arrumando minhas coisas... Já pensou a cara da mãe dele em ter que ir buscar o filho na delegacia nessa situação? -Hahaha. -Eu pensei que você estava gostando dele. eu já tinha tudo esquematizado.. -Você está falando do Hugo? -Quem sabe.. encostou-se nela e com um ar de tristeza pediu para conversar comigo: -Você vai mesmo embora para a Alemanha?. Encostando ele na parede e falando boca com boca eu disse: -Então diga: "Lucas..

meu filho.. -E você vai deixar de lutar pela sua felicidade? -Do que você está falando. -Tudo bem. na ponta do sofá havia uma jaqueta do Robson. tia? -Pense bem. até pareceu ser 110 .. Logo quando cheguei fui correndo telefonar pra minha mãe para avisar a hora que eu iria embarcar.. hábitos e costumes diferentes.. Finalmente chegou o dia de me despedir das pessoas que eu gostava e embarcar em rumo ao desconhecido.. -Olha só.. às vezes uma lágrima insistia e escorregava pelo canto do olho. É meu sonho tia.. pois ela viria me ver e acompanhar até o aeroporto. o que ela iria pensar me vendo cheirando a jaqueta do Robson? -Você tem mesmo certeza que é isso que você quer.. no caminho de volta pra casa acabei pegando o maior trânsito. Andei pela casa enquanto todos dormiam. tocava aqueles móveis que foram cenários dos melhores momentos que vivi desde que cheguei à São Paulo. o avião vai partir do Aeroporto Internacional às 13h. Lucas. Peguei o elevador e desci até o estacionamento.. olhando dentro do seu olho eu suspirei. eu iria para um lugar desconhecido. Deixei as malas no canto do quarto. às vezes me dava medo. só isso. Lú. -Será que dá tempo de chegar ai em São Paulo? -Se a senhora vier de avião sim.. -O meu sonho é ser feliz. o Robson ficou sentado na beirada da cama olhando para as malas quase prontas.. mãe. -Você está indo em busca de um sonho. peguei meu carro e seguindo direto pro Aeroporto de Cumbica. encostei a porta do quarto e saí. Lucas? -Humpft. -Mas por que não. com pessoas diferentes. mas não tem jeito. mãe? -Oi Lucas. Ela seguiu pro banheiro de cabeça baixa deixando uma incógnita. acabei nem dormindo direito durante a noite que antecedeu a viagem. sentei no sofá e fiquei pensando no que será que ela estaria se referindo. fiquei me revirando na cama até dar 07h pra poder levantar. ficava na dúvida se conseguiria me adaptar.. -Se a gente se gosta. -Alô. peguei aquela peça de roupa como se estivesse pegando o próprio dono. vou providenciar isso ainda hoje. enquanto ia dirigindo coloquei na rádio que eu costumava ouvir e fui o caminho todo ouvindo música e pensando em como seria minha vida na Alemanha com a minha família toda aqui. Levei um susto quando a tia Helena colocou sua mão em meu ombro. Verifiquei no balcão o horário de partida do vôo. Amo você! -Eu também te amo. peguei meu celular e a carteira.. -Eu sei. eu vou com o coração apertado.-Eu não posso fazer isso. aproveitei também e verifiquei os procedimentos de embarque no check-in. gostaria muito de ficar. a trazendo para próximo do meu corpo e acariciando-a.. inferno? -Não tenho esse direito...

foi nele que chorei de tristeza e de alegria. Está pronto? -Estou... -Helena. a senhora não está um pouco atrasada? -Estou. -Bom dia meu filho.. ao entrar no meu quarto fiquei emocionado. te desejo uma boa viagem e sorte na sua nova carreira.. olhamos um dentro do olho do outro e demos um abraço profundo. -Tchau Lucas... Tirei o retrato de dentro do suporte e o trouxe para próximo do meu peito.. -Bom.. peguei uma roupa que havia separado para viajar e comecei a me vestir.... -Pensei que você não vinha mais. me desejando boa sorte.. -Tudo bem.. nós chorávamos juntos como duas crianças.uma indireta com suas frases não terminadas. Tomei um banho demorado. -E você acha que eu iria ficar em paz sem dar um beijo no meu filho? -Você tem um filho precioso... nessa hora tirei do bolso uma moeda japonesa e lhe entreguei: 111 . lembrando em como aquele ambiente tem história... -E você acha que eu não sei?. seria meu último banho naquela casa. saí do banheiro com a toalha enrolada na cintura. emocionado sentei na beirada da cama e fiquei olhando cada canto. Cuidado nos lugares por onde você for andar... a tia Helena me deu em beijo na testa e emocionada ela me deu conselhos. prefiro me despedir aqui mesmo.. -Tchau Lucas.. coloquei de volta no lugar e notei que na foto estava eu e o Robson abraçados que tiramos uma vez que fomos no Museu do Imigrante logo que cheguei na cidade. -Hahaha. Ao ouvir a campainha tocar coloquei a foto dentro da mala e fui até a sala abrir a porta: -Bom dia mãe. cada objeto que por um bom tempo ficaria sem ver. -Tchau tio. dava para sentir as batidas do seu coração que estava acelerado. O tio César me puxou e me deu um abraço bem apertado.. foi dentro daquele pequeno cômodo que eu me descobri. bem coisa de tia preocupada. até parece minha mãe.. -Vamos meu filho. foi nele que vivi meus melhores momentos desde que cheguei a São Paulo. ainda tenho algumas horas.. Fui pro meu quarto tomar banho e começar a me preparar para a viagem... com a mão direita eu segurava sua cabeça que estava apoiada em meu ombro. Juntei todas as malas em cima da cama e reparei que um porta retrato havia caído no chão. Tchau tia. é que teve um problema no embarque e o avião ficou quase duas horas parado na pista. A pior parte foi ter que me despedir do Robson. Você nos acompanha até o aeroporto? -Infelizmente não. -Obrigado.. vamos embora então? Ainda tenho que despachar as malas. com as pessoas que você for sair. -Chega tia.. seria muito ruim ver meu menino indo embora e não poder fazer nada. não se esqueça do agasalho que lá faz muito frio. foi ali onde tudo começou.

É incrível como o mundo dá voltas. é impressionante como minha vida teve uma revira mudança. Peguei as malas e deixei aquele apartamento apenas de corpo. em meus pensamentos você se fará presente e se sentir necessidade da minha presença grite por mim. eles chamavam a atenção do aeroporto todo com aquela pose e elegância que só eles tinham.. “Atenção passageiros do vôo com destino à Berlim. Seria tão fácil se a gente gostasse de alguém que correspondesse.. mãe! -Se cuida. tem muito tempo ainda pra se apaixonar. Lucas. Fique com Deus. me apaixonar por um homem. -Humpft. Chegando no aeroporto o motorista do táxi ia tirando as bagagens do porta-malas enquanto eu observava o decolar e pousar dos aviões. me desejando boa sorte: -Filho. "Atenção passageiros do vôo com destino à Berlim. Deus te acompanhe.. aqueles minutos de espera pareciam uma eternidade. Levei as malas para o check-in. -O que foi.... Se cuide. te amo! -Lú. Lucas. embarque no portão 3” A hora de embarcar chegou. -Eu também.. e se a falta for muito grande. -A senhora também. mãe. embarque no portão 3" -Já estão chamando.-Fique com isso.. num andar sincronizado e uniforme impecável... jamais imaginei indo estudar na Alemanha. pois meu coração continuou lá.. -Será que algum dia eu saberei o que é ser feliz? -Mas é claro. aos poucos eles estavam me consumindo.. você é jovem ainda. com uma tristeza grande no olhar eu avistei os comissários passando e seguindo em direção ao portão 3. assinei as etiquetas que eles colaram na alça e depois fiquei aguardando outra chamada para embarcar na aeronave. Toda vez que você sentir minha falta.. minha alma chorava... mãe? -Porque só existe felicidade onde existe amor. Vou sentir saudades.. minha mãe foi abraçada comigo dentro do táxi o tempo inteiro. meu filho? -Por que nós encontramos a felicidade nas coisas mais simples da vida. ter meu próprio carro... Sentado no salão de espera eu estralava os dedos de ansiedade.. Chorei o tempo todo no caminho até o aeroporto. toque nessa moeda. minha mãe se levantou e me deu um forte abraço. -Obrigado. só de pensar que em alguns minutos eu estaria decolando. morar em São Paulo. que em pensamentos virei até você. eu não via a hora de embarcar logo naquele avião e acabar com tudo isso de uma vez. -Você também... Te amo! 112 . -Vamos. abra sua janela que chegarei até você em forma de brisa..

dei um giro de 360º e vi o tio César e minha mãe também gritando pra eu ficar. onde demos um forte abraço e vários selinhos seguidos. havia uma pequena fila para passar pelo detector de metais.. na mesma hora larguei tudo que tinha nas mãos e corri ao encontro dele que correu em minha direção. ele ficou parado olhando pra mim. -Robson? Veio se despedir de mim? Com a respiração ofegante. correr atrás dela. aqueles gritos chamaram a atenção de todos que estavam ali. pois todos começaram a aplaudir nosso ato de amor. não vá." 113 . Fica.. -Ama? -Sim.Segui em direção ao portão 3. já que havíamos nos despedido em casa mesmo. fiquei olhando aquela foto e percebendo o quanto você já era importante em minha vida.. mas hoje assim que você saiu eu fui para o seu quarto arrependido por não pedir pra você ficar. Incluindo a tia Helena que foi quem começou agitando. me arrepio só de lembrar.. nunca é tarde pra se arrepender.. eu não esperava que ele viesse se despedir de mim no aeroporto. -Eu também te amo Lucas... "Ultima chamada para o vôo com destino à Berlim. -Desde quando você me ama? -Eu sempre te amei e ainda não havia me dado conta. Lucas.. Fica? De repente o aeroporto todo começou a gritar: -Fica. “Se você pedir eu fico”. foi o momento mais feliz da minha vida.. Na hora eu me assustei. Fica. quando me virei não acreditei no que vi. -Eu te amo tanto Robson. era o Robson que parava o aeroporto gritando por mim. Lucas...... por um momento olhamos olho no olho e sem se preocupar com quem estava em volta nos beijamos com toda aquela vontade que estava acumulada. em cima da sua cama tinha uma foto nossa juntos que você deve ter esquecido... um sorriso se abriu de ponta a ponta em minha face.. mas pelo que podemos notar era que o pessoal gostou. sem nos importar com quem estava olhando. favor embarque no portão 3" -Lú.. lute por ela.. Fica. não deixe sua felicidade escapar... reparei que junto com ele eu vi a tia Helena e o tio César: -Lucas espere. foi quando minha mãe entrou no quarto e se sentou ao meu lado dizendo: “-Ainda dá tempo de você voltar atrás. fica comigo? Eu fiquei sem reação. quando chegou minha vez de carimbar a passagem e passar pelo detector eu escutei alguém gritando meu nome: -Lucas. sem saber o que dizer eu fiquei imóvel... lembra? Então eu peço agora.. abriu um sorriso no canto da boca e disse: -Não.

-Nossa... Vou ficar aqui com o meu amor. Então sua mãe já sabia sobre sua sexualidade? -Acho que sim. Hoje eu e Robson vivemos sozinhos em um apartamento.. respirei fundo e o aeroporto todo começou a gritar novamente. olhei para os olhos do meu amor e tomei uma decisão: -Senhor. Quando aceitei ficar com o Robson ainda no aeroporto.. tudo depende somente de nós e da nossa vontade. Mas então.. Você ainda me quer? Nesse momento a moça que estava no portão de embarque interrompeu questionando se eu iria embarcar.. Não. Tudo que vivi serviu para me tornar o homem que sou hoje. te amo!" 114 . -Humpft. o meu celular avisou que havia uma nova mensagem na caixa postal. olhei para todos que estavam ao meu redor. Com tudo isso aprendemos que nunca é tarde para se arrepender e tentar ser feliz... Há alguns dias eu fiquei sabendo que o Hugo acabou apanhando de um cara que ele estava saindo e o Adriano continuava se arrastando por ele. apenas a respiração de meu pai. mas o táxi já havia partido. Fica.. Fica. Todos os dias quando acordo e olho para o Robson dormindo ao meu lado eu penso: "Valeu a pena lutar por você. o avião precisa decolar. mas continuamos trabalhando na empresa do tio César. que para mim foi como um sinal. mas na verdade não havia nada quando verifiquei. o senhor vai embarcar? -Fica.... quanto ao Gabriel nunca mais tive notícia... peguei meu carro e vim voando pro aeroporto na esperança de ainda te encontrar e consegui.. a tia Helena conseguiu finalmente engravidar pelo método natural como ela tanto queria. às vezes quando estou triste escuto na caixa postal do celular a respiração do meu pai que permanece lá até hoje e me conforta nos momentos difíceis..-Na mesma hora calcei um tênis e corri atrás de você. Oito meses se passaram. já minha mãe se mudou pra São Paulo e ficou sócia da tia Helena em uma doceria no Jardim Paulista.

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