C@p í tulo 1

AMOR.COM

Sempre tive uns pensamentos estranhos, desejos diferentes que um garoto normal da minha idade tinha, às vezes me sentia muito mal, mas não sabia o que era, tinha dias que eu pensava estar louco, me achava anormal, não sei explicar, era uma sensação muito ruim. Às vezes eu beijava minha namorada e não sentia nada, era como se eu estivesse beijando uma parede, certa vez ela cobrou isso de mim, e o que eu poderia dizer? Explicar? Eu também não sabia o que era, eu não conseguia controlar aqueles desejos, certo dia tive vontade de beijar o irmão dela, vendo ele jogando futebol na rua com outros garotos, sem camisa, todo suado, será que eu estava ficando louco? Não era normal um garoto ficar pensando em outro, muito menos desejar um corpo masculino, principalmente o irmão da própria namorada, perdi a conta de quantas vezes aliviei minhas vontades no banho pensando em corpos masculinos, por causa desses e outros pensamentos um dia eu sai de casa na intenção de acabar com tudo isso. Eu nasci e fui criado em Londrina, sou filho único, vim de uma família humilde, apesar disso meu pai nunca deixou nos faltar nada, porém nossa vida sempre foi muito simples, eu me lembro que no meu último aniversário meu pai me deu uma bicicleta de presente, o coitado economizou o ano inteiro para poder conseguir comprá-la. Perto de casa havia uma represa onde ficava cheia de moradores da região em dias de verão, minha mãe costumava me levar todos os domingos à tarde quando eu era criança, ficávamos lá por um longo tempo, tenho saudade daquela época. Ao sair de casa naquela manhã de sábado, deixei um bilhete sobre meu travesseiro, era uma marca de despedida. Mãe e pai! Por todo esse tempo eu venho sofrendo, lutando contra um sentimento que insiste em me perseguir, às vezes quando eu escuto vocês conversando sobre a hora de ter netos eu me entristeço, pois não consigo mais desejar uma mulher, não sei o que acontece comigo, não acho isso normal, não pode ser normal. Por isso, estou me despedindo através dessa carta, não vejo mais sentido em viver, não quero mais sofrer ouvindo vocês desejarem uma casa cheia de netos e eu não poder dar. Desculpa por não ser o filho ideal. Amo vocês! Lucas. 1

Chegando à beira do rio eu respirei fundo, olhei para aquela água que corria em um movimento sincronizado, com o bater do vento ela chegava a molhar meus pés, o silêncio predominava por ali, quebrado apenas pelo barulho da água corrente. Atrás de mim havia árvores cheias de flores e frutos, uma delas me chamou atenção, me aproximei e vi um ninho de passarinho, lá de dentro vinha um piado bem baixinho, me apoiei em um dos galhos e fiquei na ponta dos pés para espiar, dentro havia um passarinho recém nascido e outro quebrando a casca do ovo, fiquei ali parado olhando aquela cena inédita, uma graça de Deus, porém o passarinho não estava conseguindo quebrar direito a casca, com um pouco de receio e muito cuidado comecei a ajudar, ao vê-lo fora da casca e aparentemente bem, sem querer deixei escorrer uma lágrima. Sentei na beirada do rio e comecei a refletir sobre tudo, uma vida acaba de nascer e eu querendo acabar com a minha. Será um sinal? Quem sabe, só sei que graças aquele passarinho eu desisti da idéia de me afogar naquele rio. Voltei pra casa feliz, aliviado por dentro, o engraçado é que eu não sentia mais culpa dentro de mim, quando entrei minha mãe estava na cozinha preparando arroz doce, fui correndo pro meu quarto e o bilhete ainda estava sobre a cama, fechei a porta e respirei aliviado, ainda bem que ninguém havia visto ainda, na mesma hora peguei o bilhete e rasguei em vários pedaços, nessa hora minha mãe entrou no quarto, acabei levando um susto: -O que você está rasgando ai, Lucas? -Nada não, mãe... -Estou fazendo um arroz doce com bastante leite condensado... -Hummm... Que delicia... Estou sentindo o cheiro daqui... Sentei na cama quando vi minha mãe olhando de um lado pro outro e fechando a porta do quarto, limpando a mão no avental amarrado em sua cintura ela se sentou ao meu lado e pegou na minha mão: -Filho, estou preocupada com seu pai... -O que houve, mãe? -Não sei, eu notei essa noite que ele gemia ao dormir... -Será que... -Eu também estou achando. -A senhora já falou com ele? -Não. Há alguns anos meu pai vinha sofrendo de alguns problemas de saúde, paramos de falar no assunto assim que ele chegou em casa. Depois que minha mãe voltou para a cozinha peguei os pedaços de papel e fui jogar no cesto de lixo na área de serviço. Aos meus 17 anos eu já trabalhava e ao mesmo tempo estudava, pois meus pais não tinham condições de me dar tudo que eu queria, vendo a situação em que nós passávamos decidi procurar um emprego para poder ajudar um pouco em casa, de inicio meu pai não concordou muito com a idéia, orgulhoso do jeito que ele era quase me bateu, minha mãe também achou um pouco cedo demais, mas depois acabaram concordando, afinal, uma hora eu tinha que adquirir

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minha independência. Depois desse turbilhão nossa vida parecia estar tranqüila, até que um dia voltando da escola levei um susto: -Lucas, preciso falar com você, meu filho. -Pode falar, mãe. -A doença do seu pai está se agravando, vamos ter que levá-lo para fazer um tratamento no Rio de Janeiro. -Mas por que no Rio de Janeiro? -Porque lá tem mais recursos que aqui. -Se for assim vamos pra São Paulo... -Não Lucas, só vamos pro Rio de Janeiro porque um conhecido de seu pai tem um apartamento lá e vai nos emprestar por enquanto... -Entendi... Vamos depressa então mãe, vou arrumar minhas malas. -Lucas espere. -O quê? -Não temos dinheiro suficiente para sustentar nós três... -Como assim? -Sua tia Helena disse que vai cuidar de você pelo tempo que vamos ficar no Rio. -Como assim? Eu vou ficar longe de vocês? -Meu filho, entenda que não temos condições de sustentar os três... São muito remédios, despesas, táxi... Já falei com sua tia e ela disse que você pode ficar na casa dela pelo tempo que precisar... -Não vai ser a mesma coisa... -Não fique assim meu filho, você vai poder nos visitar quando senti saudade... Vai ser por pouco tempo, você vai ver. Receber aquela noticia pra mim foi um baque, me afastar da minha família assim por tempo indeterminado me causava medo, nunca fiquei longe dos meus pais, também fazia muito tempo que eu não via a tia Helena, a última vez que ela foi nos visitar eu tinha 8 anos, mal lembrava de seu rosto, apenas de sua voz, pois sempre nos falávamos por telefone. Antes do anoitecer dei uma passada na casa da minha namorada para me despedir dela, achei que seria um pouco difícil, mas até que não foi, acho que eu já nem sentia mais nada por ela: -Oi Lucas... Você não avisou que vinha... -Precisamos conversar... -Que cara é essa? -Meu pai está muito doente. -Ele não tinha melhorado? -Não... Ele vai precisar se tratar na cidade grande... -Ele vai pra Curitiba? -Não... -Pra onde então? -Rio de Janeiro. -Nossa... Mas por que tão longe? -Porque lá tem mais recursos... -Entendi. -Por isso vim me despedir de você. -Como assim?

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. foi até bom terminar com esse namoro que já não me agradava mais como no início. muita gente nas ruas... -Se a senhora diz. -Hahaha. Aqui querido... olhando pela janela impressionado com a rotina dessa grande cidade. Entrei em seu carro que estava parado no estacionamento..-Vou morar com minha tia em São Paulo por esse tempo. quando cheguei na rodoviária minha tia Helena já me esperava toda sorridente.... muitas obras. mas a saúde do meu pai está em primeiro lugar. Como você cresceu.. só isso. -Oi tia.. -E você. -Medo de quê? -Sei lá. -O Robson não vê a hora de você chegar. -Sério? Como ele está. -Ah... não era um dos melhores lugares para se viver. deixei minha casa com o coração apertado. colocamos as malas no banco de trás.. -Você tem certeza? -Tchau Lucas.. É assim? -Sim.. muito barulho. -E vai me deixar? -Não posso ficar aqui sozinho. vem comigo. Quando cheguei fiquei assustando com o tamanho da cidade. -Não se preocupe. está pensando em mim? -Eu estou pensando em nós.. igual você! -Eu mandei fotos dele pra sua mãe ver. Você está tão bonito. O que foi? -Nada. -Tem certeza? -To com um pouco de medo. todo mundo parecia 4 .. -Há cinco anos atrás né.. tia? -Já está um homem.. Logo você se acostuma também..... É verdade. fui ao seu lado no banco de passageiro. -Você não está pensando nem um pouco em mim. quer saber. -To feia? -Claro que não.... -Obrigado tia... está muito bonita.. -Nossa... -Muito bem. Olha só esse monte de pessoas.. mas fui me acostumando.. trânsito... Parecia estar em outro mundo. preocupado e com medo do que me esperava em São Paulo. pelo que falavam por lá. -Meu carro está logo ali...... Quase machuquei o nariz quando ela bateu a porta na minha cara. nosso namoro termina aqui. Na mesma semana eu me mudei para São Paulo.. -Lucas... A senhora também está diferente. quando eu cheguei em São Paulo me senti igual você.. -Ok.... Lucas. -Desculpa.

.estar com pressa. tinha até um banheiro dentro do meu quarto. ele estava muito bonito.. Nem acreditei quando minha mãe disse que você viria pra cá. logo quando saí do 5 . todo luxo que eu nunca tive lá em Londrina morando com meus pais. mas claro que não demonstrei nenhuma atitude que pudesse dar a entender esse meu “desvio”. mais que bonito ele estava gostoso.. Ao chegar ela abriu a porta pra mim... Não perdi tempo e me joguei na cama. deixe que depois eu levo suas malas pra lá. Depois do banho passei um óleo que estava em cima da pia do meu banheiro.. Chegamos no estacionamento do prédio e começamos a pegar as malas do banco de trás do carro. A tia Helena morava em um bairro de alto padrão com meu tio César e meu primo Robson. meus olhos brilhavam de felicidade. a enrolei na cintura e fui pegar uma peça de roupa no meu novo guarda-roupa.. já comecei a ter aqueles pensamentos outra vez... -Sério? -Sim.. retribui com um abraço também.. dentro da minha cabeça estava um tremendo redemoinho. se eu consegui você também consegue. em um apartamento de quatro dormitórios. tinha uma TV de 29” tela plana. -Pois é. apenas duas. nem eu.. ar condicionado. entrei na sala e logo em frente à porta havia um lindo aquário com vários peixes. um monte de carro nas ruas.. -Minha mãe mandou preparar um dos quartos pra você. -Tem certeza? -Ah tia. é como eu te disse. seu abraço foi muito gostoso. me deu até um frio na espinha. Aproveitei e já fui tomar um banho para me livrar do suor e cansaço da viagem. não sei por que eu sentia aquelas coisas. não eram muitas. o Robson deu risada e pulou comigo. Lucas? -Nada não. pois não tinha muita coisa mesmo para trazer. andando rápido. -Quando eu cheguei aqui era uma caipirinha idiota. um guarda-roupa enorme que pegava de uma parede à outra. Vem comigo que eu te mostro. -Que os anjos digam Amém! -Vamos subir. To com medo de não me adaptar aqui. um computador. deitado no sofá estava meu primo Robson. muito bonita por sinal. -Lucas.. mas não demorou muito me acostumei. enquanto isso o Robson ia ajudando a Jaqueline guardar minhas roupas no armário. quase não o reconheci quando ele se levantou do sofá e veio em minha direção para me cumprimentar.. ônibus passando cheio ao nosso lado. Jaqueline era uma moça que trabalhava para minha tia.. -Que cara é essa. enorme. muito boba. -Obrigado tia! Ganhei um quarto só para mim.. quando entrei mal pude acreditar. uma cama grande com um lindo edredom xadrez forrado. Quando ele me deu um abraço até deixei as malas caírem no chão. me enxuguei com uma toalha bem branquinha e macia.. aquele colchão macio. Olhei para a tia Helena que esboçou um sorriso e disse: -Vai com ele. enfim. lençóis perfumados...

aluguei hoje e esperei você chegar pra assistirmos juntos. eu que sempre gostei de filmes de ação estava quase dormindo. mas por outro eu estava me sentindo um pouco estranho. a principio eu não gostei muito não. eu não conseguia tirar o olho da frente da TV. tirei a camisa e fiquei só de cueca samba-canção.banheiro vi o Robson sentado em minha cama me observando. Por um lado eu estava feliz por estar desfrutando de tudo aquilo. querido... Da nossa casa. por dentro eu sentia uma angustia que me incomodava. -Obrigado pela consideração. -Está gostando. pai... o volume me denunciava.. -Relaxa. a cidade é muito grande.. pra mim foi uma surpresa ele me incluir nos planos de futuro para seu filho. -Pode deixar mãe.. pra mim era tudo uma novidade. Na hora do jantar eu comi uma comida maravilhosa. ele queria que eu e o Robson tivéssemos um futuro brilhante... Lucas? -De que. no começo parecia ser um pouco chato. -Ta bom. Continuei assistindo o filme até notar o Robson olhando pra mim.. -Não tem de que agradecer. Eu trouxe aqui esse DVD pra nós assistirmos juntos. o tio César já fazia planos pro meu futuro. liguei o DVD e deitei na minha cama. apenas de samba-canção. eu estava sem camisa. quando ele me viu quase nu saindo do banheiro reparei que ele deu um leve suspiro e um sorriso meio safado.. muito bacana tio.. estou muito agradecido por vocês me receberem aqui com tanto carinho. estava todo esparramado na cama quando o Robson bateu duas vezes na porta e entrou no quarto trazendo na mão um vídeo: -Posso entrar? -Claro. meus pensamentos ainda estavam no meu pai que estava doente. mas depois o filme foi pegando fogo e no meio acontecia uma cena erótica que me deixou excitado. Já da casa eu adorei. inocente eu 6 . estando dois homens no quarto não precisaria ficar com vergonha. os museus. -Bom. começou. vou tirar essa impressão dele rapidinho. Depois do jantar fui pro meu quarto assistir um pouco de TV.. -Com licença. e você? -Também não. -Você já assistiu a esse filme? -Ainda não. -Isso ai filho... minha tia estava muito feliz pela minha estadia em sua casa. Deitamos em meio às almofadas no chão e assistíamos o filme atentamente. Enquanto isso eu juntei várias almofadas no chão e forrei o edredom. parado.. -Beleza. Ele trocou o que eu estava assistindo pelo que ele trouxe: -Peraê que vou buscar a pipoca. leve ele pra conhecer as baladas. -Deixa comigo.. Olha lá. não deu pra disfarçar. shopping.. mas nem levei na maldade. mas até então não tinha problema nenhum. tio? -Da cidade. onde deitamos para assistir o filme comendo pipoca.

eu sabia que você ia voltar. O Robson me olhou triste e confuso. uma de suas mãos veio deslizando por baixo da minha cueca me fazendo tremer. Parecia que ele já tinha planejado tudo. acabei adormecendo pensando naquele beijo. não sei explicar. com minha mão aberta eu segurei sua nuca enquanto ele me beijava com muito desejo. ele acordou e eu tentei me desculpar: -Olha Robson. -Mas o que foi? -Sai daqui. Sai daqui. mas um frio pela espinha vinha subindo e uma satisfação enorme tomava conta de mim. pois eu era homem e um homem não poderia ter nada com outro homem. abri a porta bem devagar. não sei exatamente o motivo. me levantei e fui até o quarto do Robson. não sei o que deu em mim naquela hora. apenas fechei meus olhos e não pensei em mais nada. olhou pra mim com cara de desejo e sussurrou: -Não fale mais nada. -Chega. estava ficando maluco. comecei a chorar. eu não deveria estar gostando. aproveitou e apagou todas as luzes deixando somente a luz da janela penetrar pela persiana. afinal eu estava beijando um homem.. destrancou a porta e saiu do meu quarto a deixando meio aberta. se levantou e foi até a porta. mas precisava interromper aquela pouca vergonha..nem dei muita atenção e continuei vendo o filme até que ele tocou na minha perna. deitado sobre as almofadas no escuro do quarto eu senti seus lábios tocarem os meus.. eu deveria estar ficando louco .. Preciso ficar sozinho. no breu do quarto o Robson tocou em minha mão esquerda e mais uma vez me beijou. Ele tapou minha boca com seus dedos. Suas mãos foram tocando minha perna e subindo cada vez mais.. um beijo tão gostoso. o Robson pegou o controle e desligou a TV. me senti seguro. a trancando para que ninguém entrasse e nos surpreendesse. Empurrei meu primo pra longe de mim e pedi para que ele saísse do quarto.. me deixe sozinho? -Tudo bem. Algo me perturbava. naquele momento eu paralisei. principalmente o seu perfume que havia ficado na minha pele... pensava também naquele abraço. não sei o que deu em mim de permitir que aquilo acontecesse. mas ao mesmo tempo em que eu chorava. fiquei totalmente sem reação. aí eu fui perceber que havia uma certa maldade em seus olhares pra mim.. encostando atrás dela e respirando ofegante. corri e deitei na minha cama. -Fiz algo de errado? -Por favor.. isso é pecado.. não era possível. no beijo.. mas aquele beijo foi tão diferente. acabei acordando na madrugada. aquilo estava me consumindo. me aproximei de sua cama e sentei na beirada. eu sem saber o que fazer não me movi. dei-lhe um abraço e deitamos 7 . encostei com todo cuidado pra não fazer barulho. eu precisava fazer alguma coisa. o pior era que eu estava gostando. firme. era um abraço forte. recebi um abraço que jamais havia recebido antes. no cheiro.. levantei e fechei a porta. aquele beijo mexeu comigo e não me deixava em paz.. eu fui muito bruto com você hoje.

. gostei mesmo. olhei no relógio e já passavam das 5 horas. -Ontem eu e o Lucas assistimos DVD e conversamos até tarde. ele começou a morder minha orelha bem devagar. aquelas alturas eu já não pensava mais em nada. tamanha era a intensidade do clima que rolava há poucos instantes. me senti mais seguro. depois sua boca foi descendo e passou a chupar meu pescoço.. uma adrenalina me consumia. fiquei ali parado relembrando cada momento em que eu havia passado há poucos minutos atrás. não eram umas simples chupadas. estranhei um pouco no começo. É estranho você se imaginar com outro cara. Não parávamos de nos beijar. não demorou muito e fiquei excitado. eu já não me agüentava de tanto tesão. -Eu ouvi mesmo uma movimentação pelo corredor. quando ele ia colocar sua boca no meu pau eu recuei. os gemidos eram baixinhos. um fogo foi subindo e me consumindo de uma tal forma que eu sai do controle. entrei e encostei na porta com a respiração faltando. “fazer” já era um passo bem longo. deitei na minha cama e adormeci pensando naqueles momentos. tudo me fazia melhor. na sede de beijá-lo outra vez passava minha língua em volta dos lábios para senti-lo um pouco mais. tio César me perguntou como tinha sido minha noite. C@p í tulo 2 Voltei pro meu quarto correndo. não parava de pensar nele... eu já não conseguia mais raciocinar. mas até ai tudo bem. levantei e fui tomar um banho pra acordar disposto. algo que eu nunca havia sentido antes. mas sim “as chupadas”. mas depois acostumei. aquela boca safada não parava quieta. quando ele chupou meu mamilo eu não resisti. o gosto dele ainda estava em meus lábios e seu perfume exalava em minha pele. o Robson não hesitou em encher a mão tocando meu pau. uma mistura de selvagem com romance. tudo bem que às vezes eu pensava em garotos. mal sabe ele que havia sido uma noite muito “prazerosa”: -Bom dia! -Bom dia. depois do banho vesti uma camisa e uma bermuda bem confortáveis e fui tomar café da manhã com todos na mesa. vinha descendo cada vez mais. nossa. mas quer saber. a pegada firme. arranquei sua camisa regata e ele foi tirando minha cueca com o roçar de seu corpo no meu. deixei que o clima me envolvesse e continuei. Lú! -E então Lucas.. como passou sua primeira noite fora de casa? -Bem tio.. mas foi suficiente pro Robson saber que eu estava morrendo de tesão.na cama nos beijando. 8 . não foi muito alto. era uma experiência nova. eu adorei sim. o clima estava esquentando. ao mesmo tempo dando aquelas baforadas que me causavam arrepio. estavam me enlouquecendo. ao mesmo tempo em que eu sentia medo eu estava adorando. -É normal. o cheiro. justo eu que sempre fiz muito sucesso com as meninas. No outro dia acordei com uma dor no pescoço por dormir de mau jeito. acabei deixando escapar um grito. mas iam se tornando mais intensos na medida em que o tesão aumentava. minha vontade de estar com ele novamente ia aumentando. a provocação era demais.

-Ajudar. portanto se você quiser eu ajudo pagando uma parte. essa noite eu e seu tio conversamos bastante sobre seu futuro e o do Robson.. Mas meus pais não sabem. confesso que essa palavra “gay” me deixava meio apreensivo. pele branquinha.. Após o café me levantei e fui para meu quarto.. agora que vocês já terminaram a escola está na hora de começarem a seguir uma profissão. mas me senti tão bem. sem pelos. Sabe.-O Lucas é bem “divertido”. eu percebi pela sua excitação.. Mas está na hora de você adquirir responsabilidade em sua vida e aprender a controlar seus gastos.. -Tudo bem. quando voltei ao quarto o Robson estava me esperando sentado na minha cama.. -Você é tão gostosinho Lucas! -Pare com isso. encostei a porta e entrei no banheiro para escovar os dentes e lavar o rosto. era tão estranho. -Sim. eu sou gay. quando ele começou a contar eu gelei. decidimos que a partir de segunda-feira vocês vão trabalhar no escritório do César. mãe? -Na verdade sua mãe queria que eu bancasse o curso de vocês. acabou me deixando sem graça... -Fala baixo. eu não vou contar. sim. -Você é gay. safado e audacioso ele começou a rir.. -Claro que você gostou. na hora até levei um susto. Sabe. Fiquei muito feliz com a novidade. e vão pensando em que curso vocês querem fazer que eu e seu tio vamos ajudar vocês a pagarem suas faculdade. -Por mim tudo bem. embora teve um pouco de receio.. -Seria uma ótima idéia. sentado à minha frente na mesa ele me olhava com desejo. só de ver já fiquei perturbado. tio! -Mas que saco.. bronzeado de sol encostando junto ao meu... Aquela boca bem feita tocando a 9 . sem camisa.. na vida lá fora não é fácil ganhar dinheiro. parece que ele gostava de correr certos riscos. Eu confesso que gostei da noite passada. -Lucas. corpinho definido. eu não sei por que. começarão fazendo um estagio. né Lucas. quase engasguei com o suco de acerola que bebia. não contente ele roçava sua perna na minha por baixo da mesa. -Percebi que você gostou da noite passada. simplesmente não gostava. aquele peitoral definido. Às vezes eu sentia uma vontade de beijar o meu vizinho. -Por que você fez aquilo? -Porque me senti atraído por você Lucas. pela sua “avantajada” satisfação. O Robson falava com um sorriso bem safado na cara e usou um duplo sentido. Uma sensação que nunca havia sentido até o momento. -Pois é. no chuveiro eu pensava nele. até levei um susto ao vê-lo ali. mas é muito fácil gastar. tanto que meus pais não teriam condições de me dar o que eu estava recebendo na casa da minha tia. meus tios olharam pra nós sem entender o que se passava. deitou na cama e abraçou o travesseiro se matando de gargalhar... Robson? Ele caiu na risada.

.. -Você é louco? -Por quê? -E se alguém nos pega aqui? -Ué. Não demorou muito o Robson deixou meu quarto. eu me sentia estranho e ao mesmo tempo aliviado. dessa vez o abraço foi diferente. só sei que eu estava muito melhor que antes. -Claro. entrou embaixo do chuveiro com roupa e tudo. sem malicia ou segunda intenção.. todo arrepiado... Sentir aquelas mãos tocando no meu corpo era meu sonho de consumo.. por isso não consegui ouvir o Robson entrar no quarto. que bom que eu pude desabafar algumas coisas que estavam me sufocando. -Robson. Palavras intercaladas com beijos e mordidas nos lábios: -Parar. Deixe o tempo passar e vamos nos permitir aproveitar um pouco. cheguei da escola. não tem como explicar. ele precisa se divertir um pouco nessa cidade. mas tinha vezes que eu me reprimia. daqui a pouco to saindo pra balada.. 10 ... ele disse que iria me levar para conhecer às baladas. Não precisa se assustar. eu adorei a idéia e o Robson também.. eu nunca havia ido a uma balada... -Mãe.. fazendo com que caísse xampu no meu olho e o fizesse arder: -Caramba.. -AINDA não... que tesão. Você sentia atração por homens.. -É melhor a gente parar por aqui. só carinho. deitei na cama e fiquei pensando no que ele disse. Você quer mesmo parar?. tia Helena pediu para que ele me levasse junto.. ele soube me compreender direitinho. Depois daquela conversa com meu primo me senti um pouco mais aliviado.minha.. O Robson era muito safado e atrevido. Estamos fazendo algo de errado? -Não. Fiquei calado. -Calma. -Já entendi. leve o Lucas com você. sempre gostei de cantar no chuveiro. mas não aceitava isso. Á noite o Robson disse que iria sair. ficamos ali nos beijando por um bom tempo. com a cabeça cheia de xampu tomei um susto. foi inocente.. pra eu conhecer um pouco da cidade. você quis dizer. Fui pro meu quarto tomar um banho antes de sair. já sem roupa ele passava seu corpo no meu deixando minha imaginação pervertidamente afiada. aquela boca safada chupando meu pescoço de uma tal maneira que me deixava anestesiado. ainda mais na balada que ele iria me levar. uma vez eu tentei me matar. O Robson veio até mim e me deu um abraço.. quando a coisa estava começando a esquentar eu pedi pra parar.. mal deixou eu falar e já foi me beijando. satisfeito. escrevi uma carta de despedido e coloquei em cima da minha cama.. eu pensava nele até na cama com minha namorada... só fui perceber quando ele abriu a porta do box no banheiro. -Eu sabia que não. chorava dias e dias por isso..

ele era um rapaz muito legal. o céu estrelado e uma lua belíssima.. e você? -Prazer. pessoas de alto nível. então sentei em uma das mesas e fiquei ali observando todo o movimento do lugar. Ele começou a rir. eu imaginava um monte de garotos afeminados dando em cima de todo mundo. você está acompanhado? -Sim. a primeira vista eu me assustei. -Acabar como.. um deles era muito bonito. Quando chegamos minha idéia de balada gay foi mudando. Ficamos conversando por um bom tempo. que por sinal eram muito bonitos. na boate só tinha gente bonita. A noite estava linda. nunca vi dois homens se beijando sem vergonha do que estavam fazendo perante as pessoas. Você não é de São Paulo. sou de Londrina. -Você namora há quanto tempo? -Não namoro mais. afinal. era um ambiente bem sofisticado. aquele casal parecia se conhecer ha algum tempo. eu era novo nesse “meio”. pois se tratavam com intimidade. ele me explicou algumas gírias que o pessoal usava. cabelo espetado. mas depois acabei me acostumando. totalmente diferente da idéia que eu fazia antes de conhecer. vim com meu primo. -Notei pelo sotaque.-Robson você vai acabar comigo. Só me dei conta que estava sozinho quando meu primo acabou sumindo com os amigos. fui muito bem recebido na portaria pelos funcionários.. certo? -Não. transando com qualquer um pelos cantos do lugar. sinceramente pra mim uma balada gay não passava de suruba coletiva. 11 . não demorou muito e um rapaz se aproximou de mim dizendo: C@p í tulo 3 -Com licença. -Qual seu nome? -Sou Lucas. fui andando pelo lugar e observando o ambiente. quanta gente beijando pessoas do mesmo sexo. Só se for de tanto prazer. mas acredito que ele vai demorar a voltar. -Mas você não disse que estava acompanhado? -Estou. afinal. fiquei com medo de me perder. No começo eu fiquei com um pouco de receio. muitas gírias diferentes das que eu costumava ouvir. -Posso me sentar com você? -Fique à vontade. bem vestidas. tive que deixar minha namorada e vir morar com meus tios. Fiquei vendo eles ali se beijando e me deu uma vontade de beijar também.. meu nome é Denis. Logo quando chegamos o Robson encontrou com uns amigos seus e veio me apresentá-los. fomos a uma boate gay que o Robson dizia gostar muito. me deu algumas dicas também.. para todo mundo que estava ali isso era normal. aliás. eu não entendi nada. não entendia quase nada do que as pessoas falavam. moreno de olhos puxados. eu era quem tinha que dominar meu preconceito.. bem vestido.

mas ao mesmo tempo feliz por mim. Ficamos nos beijando por mais um tempo. -Beleza? -Tudo bacana. ao me ver junto com o Denis ele ficou surpreso. Lucas? -Pode. tocou em meu rosto com sua mão esquerda delicadamente. embora eu ainda estivesse um pouco apreensivo por ser a primeira vez que recebia uma indireta tão direta de um cara. me senti mais à vontade também. não soube como agir de momento. passo a passo. -Não perdeu tempo hein Lucas. o deixamos na estação do metrô próxima da balada. Quando meu primo apareceu já chegou de mãos dadas com um garoto. Denis. o jeito que ele me tocava me deixava louco. primeiro um selinho delicado. mas fiquei constrangido quando ele me pediu um beijo: -Lucas. foi aí que ele puxou sua cadeira pra perto da minha. ficamos conversando e nos beijando a noite inteira quase. abusado como ele era já foi tomando a iniciativa e se apresentou ao Denis. enquanto nos beijávamos carícias no rosto e na nuca rolavam de ambas as partes. o que mais me encantou foram aqueles olhos negros e brilhantes que me olhavam de uma tal maneira a me tirar um raio-x por completo. era um perfume doce.. Confesso que eu também me senti atraído.. nem aparentava ser gay. -É que fiquei muito afim de você. aquele seu perfume ficou na minha pele. tinha bom gosto para roupa e perfume pelo que pude notar. -Eu? -Posso te dar um beijo? Olhei pra ele com os olhos estufados. 12 . Claro que ele notou minha falta de “jeito” para esse tipo de situações. -Vou dançar um pouco na pista e depois eu volto pra te buscar. um rapaz muito bonito.me tratou com muito carinho e muita atenção. cabelo liso com topete espetadinho e luzes. foi muito bom. alternava entre o seco e molhado. ele sabia onde pegar. -Deixa eu te apresentar. parecia uma mistura de amêndoas com morango. eu não sei explicar.. sem saber o que responder. fechou seus olhos e aos poucos foi aproximando seu rosto do meu e encostando sua boca na minha. prazer. Depois de um tempo eu comecei a me familiarizar com o ambiente. um pouco mais baixo que eu. daqui a pouco vamos embora. olhou lá dentro dos meus olhos. mas aquele beijo foi muito gostoso. -Prazer. -Ta bom. Meu nome é Robson. sua respiração já estava ofegante. com aquela pele morena de sol. em meio aos beijos intercalados com mordidas nos lábios ele ruborizava. aos poucos ia abrindo sua boca e o beijo estava ficando cada vez melhor. Esse é o Gabriel. Na hora de ir embora.. -Tudo bem. tinha um sorriso de anjo e uma voz muito serena. mas ao mesmo tempo firme. era um toque leve. -Lucas. ofereci carona para ele que aceitou na boa. -Posso te beijar outra vez.

eu no seu lugar estaria desesperado. ta certo que o seu é tudo de bom. aproveitei para descarregar meu tesão acumulado da noite toda. tranqüilidade. Cheguei em casa e aquele perfume ainda estava em minha roupa... -Da uma olhada no nick desse cara. como é bom você poder beijar alguém com prazer sem se preocupar com quem está olhando ou peso na consciência. 13 . -Até parece que agora você tem o poder de prever a felicidade dos outros. eu levantei correndo procurando uma toalha para me cobrir. não precisa esconder. como vou encontrá-lo? -Vocês não trocaram telefones? E-mail? -Não decorei o telefone daqui. -Você está me deixando sem graça. parecia ser muito legal também. Como foi com o Denis ontem? -Foi ótimo. hein? -Por quê? -Ele era muito gatinho. adorei. -Com o tempo você acostuma.. -Você queria que eu falasse como? -Bom. puxou uma cadeira junto da minha e foi me ensinando como usar. Ao entrar no quarto encostei a porta e fui direto tomar um banho. -Tchau.... -Falou cara. vem aqui que eu te ensino. -Quando é que vocês irão se ver outra vez? -Não sei. às vezes de cueca. No outro dia acordei com o Robson me chamando dentro do quarto.... -Caramba.. Robson ligou o computador. entramos no bate papo.. acorde. visitamos alguns sites picantes. -Você bobeou com o garoto.. odeio perder a oportunidade de ser feliz. -Precisa aprender. -Não custa tentar. criou um e-mail pra mim. -Como não sabe? -Não sei. isso eu não posso negar. na minha pele. fui pego de surpresa: -Lucas..-Obrigado! -Por nada. eu já vi muitos desses. -Tudo bem. -O Denis é muito bacana. né? -Humpft. -Olha só como você fala? -Quer parar? -Você fala com tanta calma. e nem sei mexer em computador. não demorou muito e eu já havia pegado o jeito de usar o computador: -Vamos começar criando um e-mail pra você... -Calma. eu tinha o costume de dormir nu.. depois do banho me enxuguei e fui me deitar.

.. as pessoas só entram aqui pra procurar sexo. -Ah. -Vou torcer por você. Enquanto ele foi ligar para o seu mais recente amor eu continuei conversando com alguns caras no bate papo. Não sei por que. Pelo visto você está confiante com esse garoto. hein? -Espero que agora eu tenha acertado na felicidade...... E você curte o que? -Você não descobriu ainda? -Uhum.. Vem cá.. o que curte? -O que ele quis dizer com isso? -Quer saber o que eu faço na cama.. mas não fui muito com a cara do Gabriel.. mas se esse garoto fosse fazêlo feliz o que eu poderia desejar era sorte apenas.. Vai querer sair com ele? -Ta louco? -Bom. -Pra quem? -Para o Gabriel. então fique ai se divertindo um pouco. Pode ser que era só implicância minha.. -Aonde você vai? -Vou telefonar pro meu gato.. conversar com os caras no bate papo era um 14 .... -Obrigado. -Como você sabe? -O próprio apelido dele na sala insinua que ele é um brinquedinho para os outros. se sou ativo ou passivo. dificilmente tem alguém procurando fazer amizade.... tem local? topa motel? -Você vai sair com ele? -Claro que não. é fácil de conseguir arrumar alguém pra transar nessa sala de bate papo? -Muito fácil.. -Credo. -Parece que ele ficou muito afim de sair com você. pois ele estava tão feliz que fiquei com receio de magoá-lo. porém não tive coragem de dizer ao Robson.. talvez estivesse rolando um ciuminho da minha parte pra cima do meu primo.. só estou zoando..-Qual deles? -O BoyToy.. -Ele só está a fim de gozar. -O que tem ele? -Provavelmente ele já entrou na intenção de encontrar alguém pra fazer sexo.. -Nossa. Robson fala para BoyToy: BoyToy fala para Robson: Robson fala para BoyToy: eu curto um sexo bem gostoso e você? eu também. Quer ver? Robson fala pra BoyToy: Beleza cara? BoyToy fala para Robson: firmeza.

meu tio também tinha que fazer esse tipo de pergunta? Sorte foi que minha tia interrompeu o assunto e o Robson chegou bem na hora propicia para mudarmos de conversa: -César.. -Eu vou levar? -Claro que vai. -O que é isso. -Mas... Robson... -Se o Robson não quiser ir tudo bem tia. -Tudo bem. -Chega. -Que droga.pouco difícil. -Bom dia! -Bom dia. tio? -Com certeza. deixa pra lá... até cheguei a trocar e-mail com um deles... aproveitamos e pegamos um cinema. Eu não tenho terno nem gravata. -Bom dia! -Não tem torta de maçã? -Hoje não.. vão ter que acordar cedo. A gente vai dar umas voltas no shopping mais tarde. foram muito poucos os caras no qual consegui conversar um papo cabeça. -Não começa me alugar. Como foi a balada ontem? -Foi bacana. é só me ensinar o caminho que eu vou sozinho.. Helena? -Não fique fazendo esse tipo de pergunta idiota para o garoto. você não está vendo que ele é tímido? -Mas o que foi. pois só pensavam em sexo. bom dia mãe! -Bom dia meu filho. ele vai precisar. Lucas.... mãe. Robson? -Isso o quê? -Você anda muito malcriado. -Deixa que daqui a pouco ele vem. o Robson vai te levar... Vamos falar de coisas boas? É amanhã que a gente começa a trabalhar com o senhor. -Aproveite e compre um celular para o Lucas também. -De jeito nenhum. Lucas. Depois o Robson vai levar você no shopping e lá vocês compram. -Relaxa. 15 . -Tudo bem. -Bom dia pai. -Claro! -Posso comprar um tênis novo? -Você já tem muitos tênis. Lucas! Você viu o Robson? -Eu acho que está no quarto dele.... -Conheceu alguma garota? Na hora eu não sabia o que dizer... vestir terno e gravata. fiquei vermelho de vergonha.. -Não tem problema.. Depois de ficar quase duas horas na frente do computador fui vestir uma roupa e tomar café da manhã..

. -Sua tia me contou que você vai trabalhar com o César. Quando contar isso ao seu pai ele vai ficar muito feliz. mas não adiantava. -Filho. -Pois é. Voltei pro quarto na intenção de ligar no celular do Robson avisando que não iria mais com ele ao shopping... de principio não gostei muito da idéia... mas não tinha outra escolha. -Minha mãe? -Sim! -Alô. confesso que fiquei muito empolgado com a idéia de trabalhar em um escritório com meu tio e meu primo. -Tudo bem. falar com minha mãe acabou me encorajando para ir ao shopping com o Robson e o insuportável do seu 16 .. Enquanto eu me arrumava em meu quarto... olhei bem pro meu rosto no espelho e pensei em desistir. fique com Deus.. vou te esperar na garagem.. Fui até o banheiro. ficar segurando vela pros outros não era comigo. -Eu e seu pai chegamos ontem aqui no Rio.. peguei um boné dentro do armário. Lucas. mãe. -Tchau! Desliguei o telefone super feliz. eu não estava a fim de olhar pra cara do idiota do Gabriel. poder estudar. tudo bem que eu nem cheguei a conhecer o cara direito. era minha mãe que havia ligado para dar noticias... Te amo! -Eu também meu filho. -Filho? -Oi mãe. sentei na cama e morrendo de saudade conversei com minha mãe: -Lucas. já está pronto? -Só vou passar um pouco de gel no cabelo. -Como você está? -Eu estou bem na medida do possível. -Como o pai está..... -Ok.. -Lucas. amanhã ele vai passar com o médico pra marcar o inicio do tratamento. -Contou? -Estou tão orgulhosa de você. em como seria nosso primeiro dia na empresa.. -Tudo bem. peguei o telefone da mão dela. ganhar uma grana boa... o Robson foi ligar para o Gabriel o convidando para ir conosco ao shopping.. resolvi assumir minha implicância com ele e pronto. agora preciso ir. ao entrar no quarto minha tia entrou com o telefone na mão. -Sua mãe no telefone.. coloquei na cabeça e me despedi da tia Helena. -Tenho certeza de que vai dar tudo certo. mãe? -Continua na mesma.Terminamos de tomar nosso café da manhã falando sobre trabalho. passei a sonhar com um futuro promissor.. -Entre tia.

Gabriel. ok? Beijão.... Você está precisando de um amor. -Oi meu gato! Tudo bem.... Põe o cinto.. -Pare com isso Lucas. me sentia mal no meio de muita gente aglomerada. gravata.. Lucas? -Beleza.... -Podemos ir? -Gato.. Provei vários ternos. em que posso ajudar? -Veja alguns ternos para meu primo. Pronto.namorado. aquele ambiente estava me fazendo mal. vamos nos divertir um pouco. não via a hora de comprar o que precisava logo e ir embora. -Vamos ver nessa loja.. É melhor eu ficar de boca fechada. Chegamos no shopping e deixamos o carro no estacionamento.. nunca tinha me olhado no espelho de social.. -Nossa. naquela hora eu ficava imaginando como estava meu pai no Rio de Janeiro. -Já? -Sim. podemos ir logo. -Que isso amor.. será que ele conseguiu conviver em um ambiente tão diferente do nosso? Paramos em frente à uma loja de roupas sociais que vendia roupas de varias grifes de marca e os preços praticamente colados no teto. mas o Robson disse que era ali que iríamos gastar. Lucas? -Já to com ciúme. cinto. A vendedora era muito simpática. naquele dia o shopping estava lotado... sapato. até que eu fiquei bonito.. -Só não quero demorar. claro que nem me dei ao trabalho de adivinhar quem era do outro lado da linha.. Robson? -Calma Lucas. eu quase desisti na hora que vi uma camisa branca custando mais de 200 pau. então não dei palpite em nada... Boa tarde! -Boa tarde. -E depois? -Depois. modéstia a parte é claro. pelo tom de voz que ele usava e a forma com que ele falava estava obvio demais... -Oi amor. -Podem me acompanhar. nos deu bastante atenção. vou ter que desligar. o que você tem hoje? -Humpft. te espero lá. Contra minha vontade fomos procurar uma loja de roupa social. Fomos até a porta do cinema encontrar o Gabriel. -Sem comentários. Como você ficou bonito. e eu sempre detestei multidão... o cumprimentei apenas por educação. -Depois eu vou embora e vocês decidem o que vão fazer... Chegando no estacionamento ele já estava dentro do carro falando no celular. sua adaptação.. 17 .. é claro que o interesse dela é vender e por isso nos tratou nas nuvens. -Pra onde vamos? -Vamos comprar algumas roupas e um celular.

. fiz vários amigos na internet. vou levar. toda semana eu falava com a minha mãe e as noticias de meu pai eram boas. -Humpft. O carnaval estava chegando. O Robson me deixou na portaria do prédio e disse que iria dar uma volta com seu namorado. dava pra notar também que ele era uma pessoa muito interesseira. você é muito sincero Lucas.. Não mereço.. só sei que não gostava dele. Enquanto ela foi anotando tudo na nota e separando as peças o Gabriel se aproximou de mim e começou a puxar assunto: -Ficou muito bonito vestido de social.. pelos passos que as coisas andavam eu voltaria pro Sul com minha família muito em breve. Depois de comprar as roupas eu pedi para o Robson me levar pra casa... -Caramba.. -O que eu fiz pra você? -Vamos mudar de assunto? -Nossa Lucas. -Desculpa. mas agradeço.. tive uma semana sem aulas na faculdade. Como eu já não estava mais com saco pra ficar em chat 18 .-Acho que vou levar um pra mim também.. pois não te suporto.... eles ainda queriam que eu fosse ao cinema. achava seu olhar muito falso. mas é claro que eu recusei. mas eu não sabia o por que tinha tanta raiva assim dele. Tem vezes que eu paro pra pensar e não me conformo em como pode existir pessoas tão estúpidas como o Gabriel. Sorte a minha que o Robson chegou na hora certa de interromper aquele dialogo estúpido. imagine segurando vela para dois marmanjos.. sem contar sua cara de pau de vir falar comigo como se fossemos amigos íntimos. isso me deixava mais puto ainda. Se eu te fiz alguma coisa de ruim me desculpa. Três meses se passaram e minha vida parecia estar se ajustando. -Demais. -Sobre o que vocês estão falando? -O Gabriel estava elogiando as roupas.. mas não me peça para ser seu amigo.. -Todos? -Sim. -Claro que merece. já fiz o sacrifício de comprar roupa junto com aquele idiota. entreguei para a vendedora que os separou em cima da mesa.. -Não. Fingi que nem ouvi o que o Gabriel me disse.. Você parece não ir muito com a minha cara. fiquei on-line por um tempo até me cansar e quando eu estava saindo da sala de bate papo um garoto me chama pra teclar. não sei se era ciúme do meu primo. né? -Boa observação a sua. eu já estava quase quebrando a cara do Gabriel. peguei as sacolas do porta-mala e subi. me sinto tão mal com isso. tirei minha carta de habilitação. enquanto o Robson foi provar um terno na cabine eu trouxe todas as que eu havia provado. na terça-feira entrei na internet e estava muito chata. Você não me fez nada de ruim. -Gostou? -Ficaram legais.. -Só não queria que ficasse esse clima chato entre nós.

-Desculpa o atraso.. -Antes o carnaval era uma festa onde todos podiam participar. as correspondências chegam na hora. creio que deve acontecer com várias pessoas quando vão ao primeiro encontro com alguém. muito simpático. ele disse que adorava carnaval e até iria desfilar na escola. tudo bom? -Tudo ótimo. comecei a suar.. estilo de roupa.. -Ok. seria meu primeiro encontro com alguém que eu conhecia via internet. Esperei durante vinte e cinco minutos. -O que você gosta de fazer nas horas vagas? -Eu gosto de cinema.. Cheguei dez minutos adiantado. entre outras inúmeras coisas. -Pena que não gosta de carnaval. o que eu não gosto é essa pouca vergonha que se tornou. adoro teatro. -Me fale um pouco de você. pode perguntar então.. -Podemos ir a um lugar mais calmo para conversarmos? -Podemos. minhas pernas tremeram.. pois sua família costumava desfilar. -Nossa. a comunicação fica mais rápida. de qualquer idade e religião. eu particularmente não gostava muito de carnaval. não sei se isso acontece só comigo. divertido e interessante.. -Não é que eu não gosto de carnaval.. comprei um milkshake e sentei em uma mesa na praça de alimentação. ele era um garoto adorável. Passei a conversar com aquele garoto por dias. gosto de futebol. se tem bom papo. -Hahaha.teclando com alguém trocamos e-mail e passamos a conversar por lá. Lucas? -O que você gostaria de saber? -Tudo. mas gostava de ver os desfiles pela TV. é que acabei tendo uns problemas em casa. Tudo bem.. as pessoas usam o carnaval pra 19 .. uniu as distancias literalmente. hoje em dia os propósitos mudaram.. mas também na expectativa de encontrar alguém legal. Depois que inventaram o e-mail com certeza facilitou a vida de muita gente. foram os minutos mais longos de minha vida. fiquei ali ansioso esperando por ele. tentando adivinhar qual perfume será que ele usa. é difícil encontrar alguém assim que você se identifique. Depois de conversarmos por quase quinze dias marcamos um encontro no shopping. eu gosto sim. fiquei com um pouco de receio.. a gente fica imaginando as pessoas de todas as formas. Saímos do shopping e fomos dar umas voltas de carro pelas ruas da cidade. quando meu relógio marcou a hora do encontro minha barriga começou a doer. quando já não agüentava mais esperar escutei alguém pronunciando meu nome: -Lucas? C@p í tulo 4 -Você é o André? -Sim.

muito bonito... mas já passou. era algo muito cativante que vinha dele. -Fiquei arrependido. -A festa em si eu gosto sim. carinho. aquelas mãos grandes. Conversamos durante um bom tempo. A noite estava agradável. que deixei tudo apagado. de olhos abertos eu via como ele tinha o cuidado e o romantismo de beijar alguém.. -Faz quanto tempo que você está em São Paulo? -Cheguei em novembro do ano passado. por isso tratei de tomar o maior cuidado com ele.. não aparentava nem de longe ser gay. ficar pelado mostrando o corpo. -Fez mal. -Repetente. -Você já terminou a escola.. com sua outra mão ele pegou por trás da minha cabeça e a puxou para perto de si. sussurrando em meu ouvido ele perguntou: -Posso te beijar? Não consegui responder. embora tínhamos a mesma idade. trazendo minha boca pra perto da sua. Quando estávamos no maior clima meu celular tocou. só conversando muito tempo com você pra perceber uma pequena diferença na maneira de falar. mas agora já não é tão perceptível assim.. um pouco mais alto que eu. sair facinho beijando todo mundo... parei de estudar por um ano.. o André era um rapaz negro. não sei explicar. normal com todo mundo que vai ao seu primeiro encontro com alguém que conhece pela internet. Antes de irmos embora ele tocou em minha mão. -Eu não repeti.encher a cara. pouco a pouco. era minha tia preocupada comigo.. o André era um garoto muito meigo. mas não no sentido de delicado.. -Por um lado você tem razão. a voz não saia. pois ele era bem menino. meu coração quase saiu pela boca. -O que é engraçado? -Você não tem sotaque do Sul. liguei o rádio bem baixinho e começou a tocar “As brigas que perdi . Depois de rodar por um tempo parei o carro em uma rua atrás do shopping.. no início fiquei um pouco tímido. eu não sabia nem o que dizer.. lá fora ventava um pouco... no começo fiquei com um garoto que percebeu.. com os vidros filmados não era possível nos ver dentro do carro. com jeitinho.Pato fu”. tia Helena havia me emprestado seu carro. a rua estava deserta... aos poucos eu fui fechando meus olhos e me deixando levar pelo clima. mas sim na maneira de falar das coisas. -Engraçado.. sua mão tocava minha barriga e me deixava pirado. apenas fiz sinal com a cabeça dizendo que sim. De qual cidade você veio? -Londrina. -Eu me adapto fácil. estava um pouco escura. 20 . Lucas? -Terminei um pouco antes de vir pra São Paulo. na doçura que ele tinha nos olhos.. olhando dentro dos seus olhos eu notava seu desejo. ele fechou seus olhos e veio lentamente encostando sua boca na minha. a música de fundo proporcionava um clima mais romântico ainda. e você? -Ainda estou terminando.

21 . ela pediu para que eu a acompanha-se até o supermercado.. preocupada com o horário e os locais aonde eu ia. Sou uma pessoa muito intensa.. -Quer que eu te deixe em casa? -Não precisa.. deixa-me pegar um casaco. vamos lá então. -A senhora trocou de carro? -Esse carro não é meu Lucas. Obrigado tia. -Não precisa. mas fiquei surpreso quando ela me contou a verdade.. o gosto de seus lábios ainda estava nos meus. trabalhando. não vamos demorar. pego o metrô aqui. enquanto estava rolando o clima no carro eu fiz questão de fazer tudo que me deu vontade no momento. vou precisar ir embora. -Agradeça estudando. -Ok. Pegamos o elevador e fomos até a garagem do prédio. -Meu? -Sim. -Caramba. agora que você tirou sua carteira de motorista. é rapidinho. -Nem sei como agradecer. a gente se encontra outra hora. Desliguei o celular e comecei a me despedir do André com mais um longo beijo. pegue a chave e abra o carro. -Tchau. preciso que você vá comigo ao supermercado. e fazer compras a uma hora daquelas? -Lucas. trabalhando com seu tio. Era impossível esquecer os beijos daquela noite. dois homens de verdade. acho que todo mundo deveria fazer o mesmo pra depois não ficar com aquela perturbação na cabeça. os abraços. pois estava com tendinite. -Cadê seu carro tia? -Está na sua frente. dirija você porque estou com tendinite.. pra mim ela tinha trocado de carro. já está ficando tarde.. até ai não vi problema nenhum. -André. Muito obrigado pela noite. crescendo como pessoa. ou arrependido de não ter feito algo. estudando e tirando notas boas na faculdade. -Tem certeza? -Tenho sim. tia? -Lembrei que não temos nada pra comer no café amanhã. a tia Helena pediu para que eu dirigisse o carro para ela.. eu e seu tio estamos te dando um carro de presente.. gosto de aproveitar os momentos ao máximo possível. pois em uma cidade grande como essa a violência é constante. seguimos em direção a um carro novinho. -Tudo bem tia. -Lucas. até estranhei no começo. é seu. ela cuidava de mim como se fosse minha mãe..... quero ver você e o Robson formados..avisei que estava tudo bem e que já estava voltando pra casa. -Tudo bem.. Cheguei em casa e minha tia me esperava na sala. -Eu que agradeço. -Mas à uma hora dessas. Lú. só não entendi o por que ela não levou a Jaqueline. -Claro que você quem vai pagar.

graças e Deus meus tios eram muito bons e pensavam no meu bem estar.-Pode deixar tia. -Bom dia Lú. -Você demorou muito.. -Uau.. Entrei no banheiro e antes de entrar no chuveiro fui fazer a barba.. não esperava ganhar um carro da minha tia. Vou te esperar lá na sala então. filmado. Depois de fazer a barba entrei no box e liguei o chuveiro. pois ardia minha pele... todo equipado. -Humpft... Ainda não acostumei com a idéia de que você dorme pelado. ok? -Obaaaaaa.. -Calma... peguei o carro e fui dar uma volta com ele pelas ruas próximas de casa. Meus olhos brilharam naquele momento. Vamos. levante. né? -Se você tivesse a deixado fechada. 22 . Que tipo de surpresa? Levantando da cama ainda pelado.. vim ver se estava vivo..... preto.. pois quase todo dia ele me acordava pulando na minha cama. -Por que você veio me acordar à uma hora dessas? -É que estou indo pra academia. por conta dos amassos da noite anterior acabei ficando com as partes um pouco dolorida. nunca irei te decepcionar.. sempre esqueço. Está na hora de acordar... mas só de olhar para aquela carinha que ele tinha eu o perdoava. -Ok. Adoro esse tipo de mistérios. -Qualquer hora você vai ter uma surpresa.. só percebi esse detalhe quando fui surpreendido pelo Robson. No outro dia acordei cedo com o Robson me chamando. deixa-me tomar um banho antes.. -Sei. -Pega uma toalha lá no quarto pra mim. me batendo com o travesseiro. -Opa.. Desculpa. segui em direção ao banheiro e disse: -Se é surpresa eu não vou contar. -Caramba... eu já estava até me acostumando. às vezes eu ficava puto... acabava de ganhar um carro do ano. -Quer parar? -Já parei. é chato malhar sozinho. precisava dar uma aliviada aproveitando que estava no banho. pensei que você poderia ir comigo.. só o fato de me receber em sua casa já era muito gratificante pra mim. eu não gostava muito de fazer a barba com água quente. -Poderia ter batido na porta antes... Já terminei de tomar banho mesmo.. A água estava quentinha.. -Hum. não demorou muito e eu já fiquei excitado. -Ta bom. -Se eu não estivesse namorando até te ajudaria a aliviar. agradeci minha tia com um beijo.. enquanto passava xampu no cabelo fiquei relembrando a noite anterior que passei com o André. distraído com o ato acabei esquecendo de trancar a porta. Tudo bem. depois o pelo nascia encravado e ai eu sofria. esperei a água esquentar pra poder entrar embaixo do chuveiro. Parecia um sonho.

-Opa... Toma. -Obrigado. -Você vai demorar muito? -Por que, está com pressa? -Não, só perguntei... Você é tão cheiroso... -É? -Sim... Na cama é muito gostoso também... -Pare com isso, você está me deixando sem graça. -Ok. Podemos ir? -Podemos. Deixamos o apartamento e pegamos o elevador até o estacionamento, o Robson que foi dirigindo o carro até a academia, no caminho fomos conversando sobre varias coisas. -Gostou do carro novo? -Adorei... -Nossa, quando eu ganhei o meu fiquei bobo, é muito boa a sensação... -É... -Na primeira semana eu estreei. -Como assim? -Ah... Na época eu namorava né... -Pode parar, já entendi. Chegamos na academia, o Robson deixou o carro no estacionamento em frente e seguimos para a entrada, logo na recepção as meninas me receberam super bem, o Robson conseguiu me convencer a fazer a matricula na academia e começar a malhar com ele, claro que com a ajuda das meninas da recepção. -Que bom que vamos malhar juntos... -Espero não me arrepender depois... -Claro que não vai... Ta vendo aquele professor? -Sim, o que tem? -Eu pago um pau pra ele, o cara é tudo de bom, as meninas arrastam um caminhão por ele... -Ele parece ser tudo de bom mesmo. -Se ao menos ele me desse sopa... -Esqueceu que você namora? -Claro que não, estou falando da época que eu era solteiro... -Hahaha... Sei... Não vou ser hipócrita e dizer que o professor não era gostoso, pois ele era bem gostoso, mas foi um exagero da forma que o Robson contou, tudo bem que pra ele o Glauco era um Deus grego, talvez fosse também para aquelas meninas que ficavam se jogando pra ele, mas pra mim era normal. Saindo da academia dei uma passada em casa e depois fui encontrar com o André antes de ir a faculdade. -Oi Lú... -Oi André, tudo bem? -Tudo... Quer dizer... -Você não parece estar muito bem, o que acontece?

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-Sabe, Lú... Às vezes eu me sinto mal em ter que esconder da minha mãe minha condição... -Por que você não conta? -Eu tenho vontade de contar, mas tenho medo... -Medo de quê? -Sei lá, da reação dela... -Você acha que ela seria capaz de te fazer algum mal? -Não... Mas meu pai sim. -Entendi... Vamos falar de coisas boas, olha o que eu trouxe pra você... -Uma foto sua? -Sim, atrás tem uma dedicatória minha pra você. -Nossa Lú... Adorei! Eu sempre acreditei que mãe sente o que o filho sente, toda mãe sabe quando o filho é homossexual, algumas se calam com medo de ter a certeza confirmada pelo filho, outras preferem ouvir da boca do próprio. Claro que as mães só querem o bem de seus filhos, a maior parte delas não recriminam a maneira de seu filho ser, o que as mais entristece é pensar no preconceito que seu filho vai sofrer no mundo a fora, claro que elas têm razão, a sociedade é muito preconceituosa, seja com sexualidade, religião, cor, etnia, entre outras, uma tremenda bobagem, pois as pessoas só vêem valores em dinheiro e aparência. Conversamos um pouco e depois o levei para dar uma volta em meu carro novo, aproveitamos para dar uns beijos gostosos como fizemos da outra vez, passamos pouco tempo juntos, mas foi muito gostoso pelo tempo que curtimos, deixei-no próximo de sua casa e depois fui para a faculdade. Mal consegui prestar atenção na aula, meus pensamentos estavam no André, não que eu estivesse apaixonado, sei lá ele mexia comigo, talvez eu estivesse começando a gostar dele. Quando cheguei em casa recebi o recado de que o André tinha me ligado, fui pro meu quarto, deixei minha mochila em cima da cama, tirei toda a roupa e fiquei só de cueca, liguei o computador e entrei na internet, coincidência ou não ele estava on-line, começamos a teclar e notei que ele estava um pouco estranho, algo me dizia que sua mãe estava envolvida nisso. -DarkDragon -Lucas Lucas -DarkDragon -Lucas Lucas -DarkDragon -Lucas Lucas -DarkDragon diz diz diz diz diz diz diz (00:32) : oi Lú... (00:33): ola André! Tudo bem? (00:35): não muito... (00:35): O que aconteceu? (00:37): minha mãe descobriu tudo (00:38): Como? (00:41): ela viu sua foto...

Na verdade a intenção do André sempre foi contar para sua mãe sobre sua sexualidade, ele já não agüentava mais esconder, me senti um pouco usado, pois ele se aproveitou da minha foto pra contar para sua mãe. Claro que sua intenção nunca foi me prejudicar, mas me entristeceu um pouco saber que ele

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usou minha foto para contar sobre sua preferência sexual, tanto que sua mãe começou a achar que eu era o culpado. -Lucas Lucas diz (00:42): Ela está aí? -DarkDragon diz (00:45): ta sim. -Lucas Lucas diz (00:45): Posso falar com ela? -DarkDragon diz (00:47): ela não vai querer falar com você Lú... -Lucas Lucas diz (00:47): Então eu vou escrever aqui e você mostra pra ela, ok? -DarkDragon diz (00:48): ta. -Lucas Lucas diz (00:48): Boa noite! Eu entendo que a senhora deve estar achando que eu sou o culpado por seu filho ser um homossexual, mas queria dizer que ninguém é assim por que quer, eu não pedi para nascer homossexual, sofri demais para aceitar isso e ainda sofro um pouco. -DarkDragon diz (00:53): Lú ela disse que isso é safadeza nossa e podemos mudar sim. -Lucas Lucas diz (00:54): Isso não é verdade, se eu pudesse escolher não escolheria ser assim, ser homossexual não é opção, ninguém opta por sofrer a vida inteira com preconceito, apanhando da vida, tendo que fazer amor e trocar carinho escondido... Nessa hora sua mãe tomou a frente do computador e para minha surpresa começou a desabafar comigo. -DarkDragon diz (00:58): não é fácil pra uma mãe ter um filho homossexual, esse mundo é muito promíscuo... -Lucas Lucas diz (00:59): Eu sei que não é fácil, mas também não é um bicho de sete cabeças. Eu não sou um promíscuo e nem os homossexuais são, o homem é promíscuo. Se a senhora deixar seu marido ir a uma festa e uma mulher ficar dando bola pra ele, o que a senhora acha que vai acontecer? Claro que ele vai catar, pois a desculpa dele vai ser : “Eu sou homem...” Um homossexual não deixa de ser homem, não vou ser hipócrita em dizer que não rola sexo fácil, pois rola, mas não pela condição sexual, mas sim pelo instinto masculino. -DarkDragon diz (01:02): imagine quando a família começar a perguntar das namoradas, o André nunca vai trazer uma namorada pra casa, não me dará um neto... -Lucas Lucas diz (01:05): Mas a senhora tem 5 filhos, vai ter muitos netos, a família não tem que cobrar namorada de ninguém, o André não precisa abrir sua cama para todos deitarem, sua vida íntima só diz respeito a ele... -DarkDragon diz (01:07): meu filho não era assim... -Lucas Lucas diz (01:08): Seu filho sempre foi assim, não foi eu que o transformei em homossexual, tanto que não fui eu que o procurei, mas sim ele quem me procurou no bate-papo... -DarkDragon diz (01:10): Lú ela foi pra cozinha chorando, acho que não fizemos bem...

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-Você quer namorar comigo? C@p í tulo 5 Meu coração disparou. -Sente-se e jante com a gente. tudo aconteceu tão rápido que mal consegui reagir. no rádio estava tocando “GIRL FROM THE GUTTER”. André? -Bem. -Eu posso te fazer uma pergunta? -Pode.. fui me aproximando de sua boca e respondi com um longo beijo em seus lábios carnudos. me colocou contra a árvore com seu corpo e ali mesmo foi me beijando e tomando meu corpo só pra ele. se aquela rua escura falasse. -Já estão jantando? -Pensamos que iria jantar fora. -Tia. já esqueci tudo. e que ninguém opta por ser o que é. paramos embaixo de uma árvore e aos poucos ele foi se aproximando de mim. Lucas. -Não se preocupe. simplesmente você é e pronto.. fiz um pouco de suspense antes de responder. me deixei levar pelo momento e me fiz seu prisioneiro. De início ela foi muito mal criada comigo. Desculpa pelo que minha mãe falou. mas aos poucos nós nos soltando e entramos no clima novamente.. -Lú. que o filho dela nunca lhe daria um neto. -Boa noite! -Boa noite... que era pura safadeza nossa e que se quiséssemos mudar poderíamos. disse que eu era um promíscuo. beijos e mão boba rolavam a vontade.. sem medo de ser feliz. -Obrigado! 26 . toquei em seus lábios e fechei os olhos. Uma semana depois eu e o André marcamos de nos encontrar novamente. graças a Deus.: -Lú. me culpou pelo filho dela ser gay. eu nunca fui pedido em namoro e ainda mais por um homem.. esse é o André. mas sim de falta de opção. olhei em seus olhos. -Prazer André. estávamos caminhando por uma rua pouco movimentada... quando chegamos em casa o jantar estava sendo servido. não adiantou eu explicar para ela que não é uma questão de escolha. -Oi.-Lucas Lucas diz (01:12): Deixa ela dar uma pensada. claro que ao nos encontrar ficou um clima estranho no ar.. -Como vai. tio. o convidei para jantar comigo. Rimos juntos.... ele mostrou um lindo sorriso em sua face e aceitou. ele olhou dentro dos meus olhos. dei partida no carro e fomos. Estávamos próximo de casa.

já que a descoberta de sua homossexualidade era recente e qualquer contato com homem era suspeito. eu não sabia o que fazer. não demorou muito comecei a sentir aqueles braços passando pelo meu corpo. o clima já estava quente demais. entrei no quarto. sua mão já havia percorrido todo o meu corpo. comecei a sentir um frio na barriga. Quando nos demos conta já era tarde. Fomos dormir quando o dia já estava amanhecendo. -Avise sua mãe que você vai dormir na casa do seu amigo. não me movi. Acordamos 27 . um arrepio na espinha tomou conta de mim. pois não gostava de dormir descoberto. Quando eu estava quase pegando no sono senti um toque na minha mão. depois de escovar os dentes e tomar um banho. joguei um lençol por cima de mim.Apresentei o André aos meus tios e ao meu primo. até chegar no ponto onde ele queria. meus tios adoraram o André. Todos foram dormir. deixei que o clima me conduzisse. meu coração palpitava a mil. Olhamos um para a cara do outro e demos um sorriso. eu estava adorando a idéia e ele também: -Adorei ter conhecido vocês. à uma hora daquelas já não tinha mais transporte para ele ir embora. já passou da 01h00. fica mais um pouco? -Eu adoraria. a tia Helena sugeriu que ele dormisse em casa. parte por parte. no vai e vem do chupar. ainda bem que ele era bastante paciente. nos sentamos à mesa e conversamos o jantar inteiro. alem de ser muito divertido também. Aquelas alturas. nosso suor se misturando. nossas bocas coladas uma na outra explorando parte por parte. Naquele momento não pensei em mais nada. em meio a sussurros e leves mordidas na orelha. ele ia tirando minha roupa. do meu celular o André ligou para sua mãe e disse que iria dormir na casa de uma amiga. aos poucos ele pegou minha mão e a colocou em seu pau. acabou virando parte da família. depois daquela noite maravilhosa que André me deu. delicadamente ele tirou uma bermuda que eu havia emprestado para ele dormir. aquele corpo definido e lisinho deslizando sobre minha pele. apaguei a luz. chegou uma hora que nossos corpos se tornaram um só. dei um beijo de boa noite no André e deitei na minha cama. aos poucos ele foi juntando seu corpo nu junto ao meu. nossas respirações já estavam ofegantes. sua língua ia descendo e passando por cada parte do meu corpo. O André era um garoto bem safado e atrevido. pensei levá-lo em casa quando para minha surpresa. o que me deixava com mais tesão ainda. -Mas agora não tem transporte pra você ir André. percebi que existem várias maneiras de se fazer sexo sem penetração. mas com toda paciência e carinho ele foi me deixando a vontade. embora eu quase todas as noites dormisse seminu. eu tive outra visão sobre sexo. mas agora eu tenho que ir. pois se dissesse que era um amigo sua mãe faria um escândalo. realmente ele era um garoto encantador. vou pedir para arrumarem um colchonete no quarto do Lucas pra você passar a noite. na hora fiquei sem jeito. desenrolando vagarosamente. quase não pude me conter. assim ele continuou até me deixar completamente nu. língua com língua simulavam sexo oral. duas almas unidas em um corpo. até tomar o meu corpo todo só pra ele. em silêncio ele se levantou e deitou ao meu lado. mas não posso. -Já vai André.

-Não se preocupe tio. pena vocês terem chegado só agora. -Você não vem almoçar em casa? -Hoje não.. sentamos à mesa e tomamos café com tia Helena. peguei minhas coisas e segui pra faculdade de ônibus. -Lú..... pois tinha que encontrar o Gabriel na hora do almoço.. fomos tomar banho juntos. resolvi esquecer e seguir minha vida como antes. nos despedimos com um aperto de mão e um abraço. ela estava com pressa. -Bom dia! -Bom dia meninos. de inicio uma duvida ficou me corroendo por dentro. no meu ouvido ele disse que me ligaria à noite... Vamos tomar um banho pra despertar? -Vamos. passaram duas semanas.. -Sério.. quando eu e o André chegamos para tomar café meu tio já estava de saída. -Obrigado. -Oi Dé.. tenho um encontro com um amigo na hora do almoço.. Depois do café acompanhei o André até a portaria do prédio. mas depois acabei deixando de lado. cinco meses. mãe. nem e-mail ele mandou e todos que mandei pra ele voltaram. mas já estou de saída. -Daqui a pouco preciso ir. Na mesa já estavam todos. Ao receber aquela noticia meus olhos começaram a encher de lágrimas. da última vez que nos vimos ele parecia estar muito feliz. desde aquele dia o André nunca mais havia me procurado. -Bom. -Eu também estou com muita saudade deles.. 28 .. desculpem a falta de educação. minha mãe ligava da rua para a casa da tia Helena. fechei o portão e fui me arrumar.. eu nem se quer podia ligar pra eles. mas pediu pra eu dizer a você que está tudo bem e que seu pai está morrendo de saudade de você... -Bom.. -Dormiu bem? -Maravilhosamente bem. E ai? -Não nos falamos muito. meu carro não poderia sair aquele dia por conta do rodízio na cidade. minha família era tudo pra mim e cada dia que eu passava sem ter noticias deles era uma tortura. eu também estou de saída.. Não entendo o por que. ficamos só nós agora. Acorda. Esperei ansioso o André me ligar.. vestimos nossas roupas e fomos tomar café.. Lucas ontem sua mãe ligou.. queria entender o motivo que o fez sumir.. -Deus te acompanhe meu filho. o Robson também logo iria sair. pois onde eles estavam não tinha telefone.. e você? -Dormi no céu e acordei nos braços de um anjo.abraçados um ao outro. -Tchau César! -Bom.

só concordei em ir pra não chatear meu primo. -Não tenho essa sorte. Chegando no shopping deixamos o carro no estacionamento do terraço. claro que eu não perdi a oportunidade de entrar na loja para ver. -Adorei. -Ok. onde tinham desde animais domésticos até animais silvestres.. -Ah.. Vamos sair dessa loja. Veja essa tarântula. Robson.... -O quê? -Quem sabe você encontra o presente do Gabriel aqui. Estávamos passando em frente a uma loja de animais.. Ainda indeciso o Robson não sabia o que comprar ao Gabriel. -O que foi? -Por esse preço. o Robson ia olhando as vitrines das lojas na dúvida do que iria dar para seu namorado... -É filhote de tubarão. -Hahaha. tirando o fato de ter me tirado o Robson. -Quem sabe você encontra o Gabriel aqui. fomos descendo pela escada rolante até a praça principal. Lucas? -Olha que peixe lindo. 29 . Em qual shopping você quer ir? -Vamos a qualquer um.. -Vamos ver nessa loja. seria mais fácil dar logo um carro. -Você dirige então. o shopping não estava muito cheio.. eu não tinha um motivo para não gostar dele. -Lucas. o que você acha de dar essa jaqueta pro Biel? -Nossa.. vai que ela o pica. -O que acha dessa cobra? -Isso lá é presente que se dá pra alguém? -Seja moderno. será que sua mãe se importaria se eu comprasse e colocasse no aquário da sala? -Ela mataria você.O aniversário do entojado do Gabriel estava chegando... -Melhor não comprar então. -O que você disse? -Eu disse que está muito cara. o Robson parecia enfeitiçado por ele.. -Credo Lucas. Pior que é verdade..... Odiei quando ele pediu minha ajuda para escolher algo pro “Biel” dele. vamos comigo ao shopping comprar um presente para o Biel? -Tem certeza que quer minha companhia? -Por que diz isso? -Deixa pra lá. -Fala aí Lucas. Deixamos a loja de animais e continuamos caminhando pelo corredor do shopping que terminava na praça de alimentação... -Não.. só tem animal nessa loja....

mas a praça de alimentação estava lotada. ao mesmo tempo feliz por saber que ele estava bem.. em meus pensamentos vieram várias coisas. Começamos a procurar por mesas. vamos embora. segui em direção a sua mesa na intenção de conversar com ele e saber o motivo pelo qual ele sumiu. Cheguei em casa e me tranquei no quarto.. -Lú. ninguém sai de um relacionamento sem derramar uma lágrima. Assim é a vida. o Robson ficou preocupado comigo. meu coração doía. 30 . Foi a primeira vez que tive uma decepção amorosa. Lucas? -Por favor. eu não conseguia raciocinar. o Robson também dizia que queria almoçar então começamos a procurar uma mesa. -Robson. vamos embora. mas não contei o motivo naquele momento e seguimos direto pra casa. achando que existem seres humanos em que poderíamos confiar. confesso que isso serviu também como experiência. estava apenas começando a gostar.Passando pela praça de alimentação comecei a ficar com fome. foi até bom que isso aconteceu naquele momento. acho que não tem mesas. parecia ter perdido o controle de mim mesmo. me tira daqui por favor? -Tudo bem.. como pude ser tão idiota? Como ele pode ser tão falso? Parando pra pensar. chorei durante o dia todo. de uma certa forma tirei uma lição disso tudo. passando a terceira pilastra olhei para meu lado esquerdo e avistei o André sentado a uma mesa. Uma angústia tomou conta de mim. pensava e repensava no por que passar por aquilo.. depois me deixou de escanteio. vamos parar aqui e comer alguma coisa? -Vamos. vamos sair desse shopping? -Você quer me falar o que está acontecendo? -Não me pergunte mais nada.. -Por que. -Vamos procurar mais pro meio.. e com um beijo na boca eles se cumprimentaram. um trapo. se esse episódio acontecesse um tempo depois eu sofreria bastante. quando eu estava quase chegando eu vejo um garoto se aproximando e se sentando na mesma mesa em que ele estava. me senti enganado. o que mais me deixou mal foi o fato dele ter me usado para conseguir o que queria. Entramos no meio das pessoas e fomos procurar pelo centro. preferi sofrer sozinho. estou começando a ficar com fome. Dentro do carro eu não dei uma palavra. eu tinha vontade de chorar. a cena do garoto se aproximando dele e o beijando ficaram me torturando. meus pensamentos começaram a ficar confusos. na mesma hora dei meia volta e fui procurar o Robson. não que eu ainda gostasse dele. amor e sofrimento seguem juntos. -Robson. C@p í tulo 6 Na hora em que o avistei fiquei surpreso. eu fui burro e inocente de acreditar naquelas juras de amor.. pois o que eu sentia por ele não era forte..

.. Chega desse assunto.. Cheguei na sala e o Robson me esperava junto com o Gabriel. a tia Helena também estava na sala dando conselhos ao Robson. já decidimos que você vai e não falamos mais nisso. -Diga que já estou indo. -Tudo bem. Lucas! -Bom dia! -Estávamos contando ao Robson que hoje à noite ele embarca pra Buenos Aires. abri bem devagar e encostei no batente. -Fazer o quê? -Seu tio tem alguns problemas a serem resolvidos e não poderá ir. -Humpft.. que droga. Passei a tarde estudando um pouco. -Robson? -Pode entrar. fiquei alguns minutos conectado a internet. Acho que são suficientes para eu passar uma semana por lá. me ajuda a fechar essa mala? -Sim. -Entendi. então o Robson vai representá-lo. O Robson não gostou muito da idéia de ter que ir para Buenos Aires resolver problemas da empresa.. Fui até o quarto do Robson. -Mas você vai. se eu soubesse falar espanhol teria me oferecido para ir em seu lugar.. Sai do quarto do Robson e fui tomar um banho antes de levá-lo ao aeroporto.... ao chegar na sala recebi a noticia: -Bom dia. tomei um banho rapidinho e fui tomar café com todos. -Humpft. não fiquei nem um pouco feliz em saber que o Gabriel iria conosco.. pois ela sempre o achou meio desmiolado: 31 . -Pronto. mãe! -Seu amigo Gabriel está la na sala. baixei uma musica e depois desconectei.. -Vou vestir uma roupa pra te levar ao aeroporto. bati na porta antes de entrar. -Não precisa ter pressa. -Já está pronto? -Estou quase. -Não estou nem um pouco a fim de ir. Vou tomar um banho e te espero na sala. estou esperando o Biel que vai com a gente. o Lucas não. -Por quanto tempo você vai ficar lá? -Uma semana. eu até entendo que eles queriam passar o maior tempo juntos possível. -Por que não vai o Lucas no meu lugar? -Eu? -Não. -Pode entrar.No outro dia acordei um pouco mais cedo. já que iriam ficar uma semana separados.. você sabe falar espanhol fluente. -Não fique assim...

-Te amo. não sei mais viver sem você! -Você jura que é só meu? -Só seu. -Se você gosta mesmo do meu primo. achei um exagero todo aquele drama que os dois estavam fazendo. no caminho ele e o Gabriel iam se amassando no banco de trás. né? -Claro seu bobo.. mesmo assim era possível ouvir as declarações de amor do Gabriel. Gabriel. -Calma Lucas. Eu disse que chegamos. mas você sabe que agora estou meio sem grana.... 32 .. abri a porta do carro e fui tirar as bagagens do Robson do porta-malas. eu evitava olhar para trás. pare com isso.. fiz questão de acelerar o carro para chegar logo no aeroporto.. vocês parecem não ter escutado. -Se você perder o vôo seu pai te mata.. se não eu levaria você comigo. Biel. eu amo você. mas você vai me esperar. -Eu queria ir com você.. -É que estávamos nos despedindo.... eles estavam praticamente transando dentro do carro. coloquei em um carrinho e abri a porta de trás do carro. Liguei o rádio para tentar me distrair. -Foi ele que começou.. -É mesmo Lucas. O Robson e a tia Helena se despediram e depois seguimos para o aeroporto. sorte que os vidros eram filmados..-Podemos ir? -Vamos logo que não quero perder o avião. mas às vezes era inevitável. não vai querer que ele perca seu compromisso..... até juraram amor eterno. -Chegamos.. amor. -Eu sei amor. tamanho era o drama em que o Gabriel fazia. não vou esquecer você.. e ainda me crucifica? Pega aí sua mala. Que horror. até parecia que Robson iria morar em outro planeta. -Nossa... -Ele tem razão... tenha uma boa viagem. de mais ninguém. -Vou sentir muitas saudades de você Ro. Os dois não paravam de se beijar.. -Então me beija? -Claro! Aquela ladainha já estava me dando vontade de vomitar. -Só faltou eu berrar no alto-falante que havíamos chego. Robson.. Você vai me ligar? -Todos os dias. -O quê? Eu estou aqui preocupado com você. -Vamos parar de discutir.. mas não precisava abrir a porta desse jeito.. ou fingiam que não me ouviam.. tive que ser enérgico porque os dois nem me ouviam.. pra mim aquilo tudo não passava de falsidade. -Eu também Gabi. sabia? -Eu também te amo. Agora pare de chorar. -Tudo bem.

-Obrigado. os dois não estavam nem aí. -Olha garoto. -A raiva que você sente de mim é porque o Robson escolheu preferiu estar comigo e não com você. -Boa viagem. se antes eu já não gostava do Gabriel ao conversar com ele dentro do carro passei a não gostar mais ainda.. ao contrário de Gabriel que estava muito descontrolado.. 33 . ascendendo um cigarro ele disse: -O que eu te fiz? -O quê? -Fiz alguma coisa pra você não ir com minha cara? -Que eu me lembre. Você gosta do Robson. eu só não paro o carro agora e te ponho pra fora do meu carro porque tenho dó de você. -Não duvide de mim. -Claro que você não vai disputar..“Última chamada para o vôo com destino a Buenos Aires. -Tchau Lú. e estava quase conseguindo. histérico. -Eu também.. sabe que vai perder.. Desculpa. não sei o que aquele garoto tinha que deixava meu primo tão caído de amores.. o Robson foi o último passageiro a embarcar. pra mim não passava de teatro.. não. -Você não teria coragem de fazer isso. Na volta pra casa acabei dando carona ao Gabriel que chorava como uma criança. Biel.-Espere Lucas. aproveitaram até o último momento. Deixei Gabriel na porta de sua casa e fui pra casa. -Até parece que eu estou disputando o Robson com você. -Por que você me odeia? -Eu não te odeio.. todos que passavam pelo portão de embarque olhavam assustados. -Então me beija? O Robson parecia estar mais calmo.. -Promete que não vai olhar pra mais ninguém? -Prometo.. apenas não te suporto. fiquei até com dó do coitado. -Não delira. -Te amo Ro. -Promete que vai pensar em mim? -Prometo. -Sabe o que eu acho. Os dois se abraçaram e com um longo beijo na boca selaram a despedida..” -Preciso ir. talvez fosse muito bom de cama. O Gabriel estava querendo jogar meu primo contra mim. . Brequei o carro. Robson.. mas nem isso eu acho que era o suficiente para segurar alguém. -De onde você tirou essa idéia? -Está escrito na sua testa. ele nem era tão bonito assim.

Pelo amor de Deus. só não joguei ele pra fora do meu carro por consideração ao meu primo. fiquei preocupado e avisei ao Hugo que eu precisava ir embora. reparei uma movimentação estranha dentro de casa. algo deveria ter acontecido por ter tantas ligações no meu celular. preciso voltar pra casa.. 34 .ele se mostrou muito arrogante dizendo que ganhava na disputa do Robson. um amigo que eu havia conhecido pela internet há um tempo atrás... eu precisava sair um pouco pra tirar o stress. -Está aqui tia. mas eu tenho anotado lá no meu quarto. acelerei o carro ansioso e preocupado. -Deus te acompanhe. -Tudo bem. divirta-se! -Pode deixar.. me arrumei. -Se acalme Helena. o número era de casa. já com o rosto inchado de tanto chorar ela me perguntou: -Lucas. sentada no sofá amparada pelo tio César e a nossa vizinha Laura. achei tudo muito estranho e correndo. -Amém. chegamos à balada já passada da 01h00. como se eu estivesse a fim de concorrer com ele. -Oi Lucas. na mesma hora liguei para o celular dele e marcamos de nos encontrar. talvez não seja o mesmo vôo que o Robson estava. Encostei a porta do quarto e fui encontrar o Hugo.. Voltei ao estacionamento e peguei meu carro. -Hugo.. Assim que abri a porta do elevador. -Rápido. minha caixa estava lotada de propagandas.. Eu vou buscar. ao chegar no hall peguei meu celular para desligar e notei que haviam 7 chamadas não atendidas. no caminho de casa fui ligando o tempo todo pra casa tentando saber o que estava acontecendo. eu ligo pra casa e só da ocupado. tem 7 ligações não atendidas no meu celular. fui até o quarto da tia Helena avisar que iria sair. ele queria ir à balada.. a porta da sala estava aberta e o zelador estava saindo de casa. liguei o rádio e entrei na internet pra acessar meus e-mails. -Relaxa. Chegando em casa fui direto pro meu quarto. -Tia. fui deletando tudo até ver um e-mail do Hugo. ao entrar na sala minha tia estava tomando um calmante. mas o telefone continuava ocupado.. o Robson pediu para eu pegar informação da hora que o vôo iria sair.. corre lá então. fiquei preocupado e retornei a ligação.. Tomei banho. ela estava deitada na cama assistindo o noticiário na TV: -Com licença. tudo bem? -Cuidado. -Desculpa. -O que houve? -Não sei. vou dar uma saída. confesso que fiquei muito puto.. ao me ver começou a chorar desesperadamente. mas só dava ocupado. qual era o vôo que o Robson embarcou? -Não me lembro tia.

-O Lucas anotou o vôo que ele iria embarcar.... C@p í tulo 7 35 . lentamente fui abrindo a porta até presenciar o Gabriel transando com outro garoto. o que me permitia ouvir uns ruídos bizarros. -Nãoooooooooooooo. lubrificante... com lágrimas no rosto e a voz embargando meu tio deu a notícia: -Helena você vai precisar ser forte.-César compara e vê se é o mesmo? -Mas o que está acontecendo. a luz estava acesa. eu havia estado com meu primo a poucas horas atrás. imagine quando eu contasse para o Gabriel que nunca mais ele voltaria a ver o rosto de seu amor. parecia até brincadeira.. o avião que o Robson estava caiu. a luz estava acesa. meu coração apertou. voltei até a porta de sua casa e abri a porta e entrei na sala. senti a mesma dor que minha tia estava sentindo.. Chegando em frente ao condomínio apertei o interfone. vendo que a coragem não vinha dei meia volta e chamei o elevador. deveria ter rendido a noite anterior com meu primo. em frente ao espelho fiquei treinando em como falar para o Gabriel que seu namorado havia falecido em um acidente de avião. Ainda procurando pelo Gabriel fui até a cozinha. antes de entrar no elevador pensei duas vezes em subir e contar sobre a fatalidade. Olá Gabriel..... sobre a pia havia três latas de cerveja vazias e uma garrafa de vinho quase vazia. sentir seu perfume. esperei por mais um tempo. a TV estava ligada. era como se o chão abrisse e eu caísse em um buraco negro sem fim. o mesmo cara que há algum tempo atrás prometia amor eterno ao meu primo estava transando da maneira mais suja com outro cara. seu namorado morreu. enquanto eu esperava ouvi um barulho vindo de dentro da casa do Gabriel.. então não precisou avisar ao Gabriel que eu estava subindo. essa vida é muito injusta mesmo. foi horrível. no chão da sala haviam roupas espalhadas. trepando igual um animal selvagem. o porteiro de seu prédio já me conhecia. fiquei estatuo vendo aquela cena. Não agüentei aquela cena e sai de casa.. não sabia como iria dar essa notícia. Gabriel. pode ser que o Robson tenha ido em outro vôo. Por que Deus fez isso comigo? -Helena se acalme. deixei a cozinha e fui até o quarto. Uma vida inteira pela frente.. embalagem de camisinha. me doía o peito pensar que aquele foi o último abraço que recebi do meu primo. meu filho não. -Boa noite. Peguei meu carro e segui para a casa do Gabriel. Só por um milagre. Não restou nenhum sobrevivente. desci pelo elevador chorando e refletindo sobre como nós seres humanos somos vulneráveis. -Meu Deus.. uma tristeza pairou sobre aquela casa. meu coração estava em pedaços.. a porta estava apenas encostada. nunca mais poderia tocá-lo. Naquele momento meu mundo desabou. tio? -Um avião que estava seguindo para Buenos Aires teve um problema e caiu. Parei na porta de seu apartamento e esperei a coragem vim.

. aquela choradeira toda com a partida do Robson era tudo teatro. -Do que você está falando. quem sabe 36 . -O que está acontecendo? -Nada Ronaldo. Olha só o seu estado.. Será que você pode sair da minha frente? -Por favor. meu tio está a ponto de ter um derrame. você precisa me ouvir. -Cala a boca antes que eu enfie a mão na sua cara.. namorava um canalha que pensava ser um príncipe. foi inevitável não olhar para aquelas roupas espalhadas pelo chão. rolava uma vontade louca pela cara que você fazia. Olhando pra você eu tenho vontade de vomitar. batendo a porta e entrando na frente. Lucas. ele me agarrou e me forçou.. -Fale logo Lucas. -Espere Lucas. não conte ao seu primo. Lucas.. olha só a que ponto você foi capaz de chegar. me escute.. eu não tive culpa de nada. volte pro quarto. Lucas.. não tem nem a vergonha de aparecer na minha frente pelado.. não conte ao Robson. pelo amor de Deus. ele não merecia o meu primo. -Eu não tenho nada pra ouvir Gabriel... venho aqui trazer a noticia da tragédia pra você e te vejo transando com outro cara sem a menor culpa.. . minha família está na sarjeta. Saí rapidamente do quarto e me dirigi até a porta da sala. vegetando.. não poderemos fazer um enterro digno porque só restaram cinzas do acidente.Lucas. Gabriel. por favor. deu pra notar que foi imediato. Ainda bem que ele não viveu pra ver isso. minha tia está totalmente dopada. -Pelo visto a ocasião esquentou tanto que você não prestou atenção no noticiário da TV né. que desgosto você daria ao meu primo. Lucas? -O vôo que ele estava caiu. o arrependimento deveria ter batido em seu coração. tudo bem que antes eu já não gostava dele. como uma pessoa poderia ser tão falsa? Jamais eu imaginaria que o Gabriel se prestasse àquele papel. -Isso Ronaldo. -Eu não vou contar nada. Lucas? -Nada.. -Por favor... Você não tem moral. amor próprio. só de pensar que nem o corpo do meu primo poderemos ver mais. não houve nenhum sobrevivente. pelo contrario. Você tem 1 segundo pra sair da minha frente. mas nunca me passou pela cabeça que um dia ele chegaria a tanto. contra fatos não há argumentos. o que você faz de sua vida não me interessa. -Deixe-me passar Gabriel.. volta pro quarto e espere que o Gabriel já está voltando. pudor. -Deixa de ser mentiroso.. Gabriel? -Do que você ta falando. Gabriel caiu no chão e começou a chorar feito uma criança. -Por favor. -Pode dizer o que você quiser Lucas. o que está acontecendo? -Como você é nojento. coitado do meu primo.Que cena horrível. eu estou péssimo.. abri a porta da sala e o Gabriel me puxou pra dentro. o que eu vi dentro daquele quarto não parecia ser nada forçado. fechei meus olhos e pensei bem se deveria contar a ele sobre o acidente com o Robson. não conte nada ao Robson.

eu ria e chorava ao mesmo tempo. eu ouvi.” “-Desculpa. abri a porta da sala. -Que palhaçada é essa? -Do que você está falando? -Robson? -Sim.” Chorando eu me lembrava o dia em que fizemos uma guerra de almofadas e deixamos a sala toda cheia de espumas. eu não estava preparado para ouvir o pior.. minha intuição estava certa. fiquei olhando cada canto e relembrando todos os momentos que passamos juntos desde a minha chegada naquela casa. fui transportando para as lembranças do passado. Lucas? Não me reconhece mais? Quase desmaiei naquele momento.. ele realmente não valia nada mesmo. tanto choro. todos nossos momentos juntos passavam pela minha cabeça como um filme. seria um milagre? Eu estava falando com meu primo. depois de um tempo segui para meu quarto. mas ao mesmo tempo com muita dor no coração. o peguei novamente e deixei o Robson falar: -Mas o que ta acontecendo aí? Você ta bêbado? -É um milagre. será que eu estava louco? Ouvindo coisas? Não pode ser. Lucas? -Você se salvou do acidente. o que você tem. teatro. -Que acidente. ficamos uma semana de castigo. fechei a porta e encostei na parede. Deixei aquele prédio com ódio. É um milagre. mas era tudo mentira.. Meu coração foi a mil. me deixei levar pelos pensamentos.isso lhe sirva de lição e melhore seu caráter... na certa seria outra notícia ruim. deixei que ele tocasse até parar. mas do que você ta falando? -Você não estava no avião que caiu? 37 . eu já estava até achando que era implicância minha. quem é? -É o Robson. como o Robson fazia falta. a tia Helena ficou tão brava nesse dia. deixei o telefone cair da minha mão. promessas. era ele. enganando meu primo. me senti atraído por você. respirei fundo. um silêncio mortal pairava sobre aquele apartamento.. o Gabriel estava era fazendo cena. trazido de volta pelo barulho do telefone tocando... sem poder usar internet nem sair pra balada. embora eu ache essa possibilidade quase impossível. Lucas? -Sou eu. mas nada na vida acontece por acaso. Voltei pra casa arrasado. -Que milagre. tantas juras de amor antes do Robson embarcar. se aproveitando da bondade e ingenuidade do Robson.. “-Deixa de ser caipira Lucas. meu primo não merecia aquele maldito.. ao deitar na cama meu celular tocou: -Alô? -Alô... parece que eu via ele abrir a porta e se jogar no sofá como ele sempre fazia.

Enquanto tio César ficou conversando com Robson eu fiquei pensando em como seria quando ele chegasse. hahahaha. -Vira essa boca pra lá Lucas. pois a reunião foi cancelada na Argentina. Estávamos todos pensando que você tinha morrido. telefone pro senhor. já que ele amava o Gabriel e estava feliz com ele. preferi não contar nada por enquanto. você está bem meu filho? -Estou bem pai. mas acabei me atrasando e perdi o vôo para Buenos Aires. não se preocupe.. -Robson. como ele está? Eu não sabia o que dizer. Assim como eu fiquei surpreso. to com tanta saudade daquele moleque. olhar em seu rosto sabendo sobre seu namorado e não ter a coragem de contar. quase contei ao meu primo sobre a cena que havia presenciado naquele dia. principalmente por telefone. amanhã já estarei voltando para São Paulo.. não poderia contar toda a verdade. o telefonema do Robson pegou todo mundo de surpresa. -Ta bom. Já estou com saudade de vocês. esperálo voltar para tomar uma decisão a respeito. ela estava deitada na cama e tio César sentado ao seu lado segurando sua mão. acabei entregando o telefone para o tio César. não vejo a hora de voltar para os braços do meu Gabriel.-Mas que avião? Eu fiz uma escala em Porto Alegre. Robson? -Provavelmente amanhã estarei chegando por aí. Lucas? -É o Robson.. -Humpft. tenho muito que viver ainda. por outro lado meu primo não merecia ser enganado. por mais que eu disfarçasse não iria conseguir mentir para o meu primo. passei a noite em claro pensando nesse assunto que estava acabando comigo. pois a tia Helena já estava dormindo: -Tio. afinal todos pensávamos que você tinha morrido... Levei o telefone até o quarto da tia Helena. ao mesmo tempo senti um aperto no coração. -Robson? Deus seja louvado. buzinei pra ele que se aproximou do meu carro: 38 . quero chegar logo em casa e rever minha família e meu Gabriel. -Quem é. eu não poderia deixar ele ser enganado daquele jeito.. bati na porta e entrei. Nessa hora tive vontade de jogar o telefone na parede. No outro dia acordei cedo e fui procurar pelo Gabriel. mas também não tinha o direito de estragar a felicidade dele. meu Deus. agora estou aqui aguardando outro vôo pra São Paulo. -Você sempre atrasado. avise meu pai que a reunião foi adiada para o mês que vem. então eu desviei o assunto. e agora? Será que eu deveria contar? Mas eu não tinha o direito de estragar a felicidade do meu primo. -Quando você volta. por outro lado. vou levar o telefone pra tia ouvir sua voz e ficar aliviada. cheguei na portaria de seu prédio e ele estava saindo. o que devo fazer? C@p í tulo 8 Fiquei entre a cruz e a espada.

.. vive arrancando dinheiro do meu primo.... Lucas? Por que fez isso? -Não enganei ninguém.. Lucas? -Vem comigo que eu te conto. o Robson é mão aberta mesmo. para que você me trouxe aqui? -Ontem à noite ficamos sabendo que o Robson não morreu.. -E como ele conseguiu se salvar? -Distraído como ele é. acabou deixando de embarcar no vôo que caiu. contarei eu. ficamos na suíte presidencial. -Eu sei que você queria muito estar no meu lugar. -Sabe Lucas. claro que eu vou me aproveitar disso.. não posso permitir que ele seja enganado. só está com ele por interesse que eu já notei.. Quer saber da verdade? Seu primo é um idiota. pelo andar de nossa conversa parecia que iríamos nos acertar: -Pode falar Lucas. -Isso já não é problema meu.. apesar de eu nunca ter feito nada pra você. quer coisa melhor? -Como você é maldito.-Gabriel. 39 . por isso estou te dando a opção de contar.... Você vai contar toda a verdade ao Robson. eu sempre notei que você não ia com minha cara. -Humpft. Acho que se ele souber por mim será pior. -Cada vez que eu olho pra sua cara tenho vontade de vomitar. -Você ta ficando louco? Ele jamais me perdoaria. -Como assim? -Eu amo meu primo. todos nós pensávamos que ele havia morrido no acidente. apesar de ter transado com outro cara e você ter visto eu gosto do seu primo.. -Não vou mentir.. e quando ele volta? Não vejo a hora de poder tê-lo em meus braços outra vez. preciso falar com você... Lucas. É justamente pra falar disso que te chamei aqui. faz tudo que eu quero. -Graças a Deus. -Eu te odeio. -Você gosta é dos presentinhos caros que ele te dá. não deixarei que meu primo seja enganado. mas não é por isso que estou com ele. entre aqui no carro. Precisamos resolver essa situação. Teve uma vez que fomos a um motel ma-ra-vi-lho-so. -O que você quer. me da tudo que eu peço. Infelizmente seu primo preferiu escolher a mim que você. -Eu também não vou muito com a sua cara. Seguimos para uma churrascaria na Avenida Rebouças. -Está escrito na sua testa que você não vale um rolo de papel higiênico. -Não? Você me enganou.. cansei. essa situação não poderia continuar da forma que estava. Sabe Lucas... Lucas. -Chega de falsidade Gabriel. se você não contar. adoro os presentinhos que ele me dá. o que será que eu tenho que você não tem? Hahaha. os lugares maravilhosos que ele me leva.. minha intenção era fazer um acordo com ele. é meu dever protegê-lo e querer seu bem... Quando ele ligou dando noticias até pensei que fosse alguma brincadeira de mau gosto..

. Depois eu ligo pra falar com a Helena e combinarmos de ir buscá-lo. se eu não intervisse o Gabriel iria arruinar sua vida. eu vou contar tudo que vi ao Robson. Olha quem vai conosco? -Oi Lucas. -Para com isso Lucas. se um dia eu chegar a amá-lo será muito bom. -Gabriel. o que mais doía meu coração era ver que o Robson amava demais aquele maldito.. como eu senti sua falta. eu me esforçava para conversar com o Gabriel. -Precisamos conversar sério. refletindo sobre até que ponto um ser humano é capaz de chegar. sentados no sofá da sala estavam me aguardando para irmos juntos buscar o Robson no aeroporto. 40 . Pena que eu não o amo. arrependido de ter procurado o Gabriel e ficar sabendo que ele era muito pior do que eu imaginava. viemos eu. O Robson ama a mim e não você. Robson. mais falso que Judas. assim como o tempo. Segui para o Parque Villa Lobos e fiquei caminhando por lá. quando ele volta? -Hoje ele chega em São Paulo. paga pra ver? -Tudo bem. o Robson e ele sentados no banco de trás do carro. -Fiquei com tanto medo de te perder primo... quanto tempo. como se nada tivesse acontecido. Podemos ir? -Vamos. -Chega de falsidade. Quando cheguei em casa tia Helena já estava sabendo da novidade. ele me conhece a mais tempo do que conhece você. Saímos de casa em direção ao aeroporto de São Paulo.. -Tudo bem. -Tudo bem. fui sentado no banco de trás do carro e ao meu lado foi o insuportável do Gabriel que fazia questão de esbarrar em mim nas curvas. -Vá pro inferno... só estávamos esperando por você para irmos buscar o Robson. -Você acha que ele vai acreditar em mim ou em você? -Não sei... O vôo chegou com um pouco de atraso. Saí da churrascaria puto da vida. olhando para o céu azul eu via as nuvens passar lentamente. C@p í tu lo 9 Voltamos para casa e o Gabriel nos acompanhou.. às vezes eu dava umas olhadas de relance e via aqueles dois juntos na maior falsidade. -Humpft. coitado do Robson. isso eu não ia permitir que acontecesse. Enquanto tio César e a tia Helena vinham no banco da frente conversando.. -Eu sei mãe. entendo.. tenho muitas noitadas pra curtir ainda na minha vida.. preciso me arrumar para receber meu baby no aeroporto.. fiquei feliz até ver o Gabriel sentado na sala junto com eles. -Lucas. -Que medo eu fiquei de te perder meu filho. essa guerra você perdeu. Agora eu vou indo.-Confesse Lucas. mas todo aquele atraso foi recompensado quando vimos o Robson desembarcando. aos nos ver ele largou suas malas e veio correndo nos abraçar.

quando o Lucas foi até minha casa me contar eu quase morri.. -Posso explicar pra ele.... o filme era tão bom que eu não conseguia tirar os olhos da tela. trocamos telefones e fui dormir. apaguei a luz. À noite o Robson foi dormir na casa do Gabriel. 41 . -Huglok diz: olha meu amigo Lucas aí. acabamos assistindo DVD na sala. acompanhada por uma leve brisa que soprava ao meu ouvido.. Gabriel? -Não liga Robson. tirei a bermuda e deitei na cama pelado. fiquei deitado no tapete. -Driko diz: Cadê o baba ovo do Pedro? -Lucas diz: Galera to de saída.. o sono não vinha. tia Helena e tio César. Quando o filme terminou fui para o meu quarto.. -Não entendi esse tom de ironia. -Driko diz: bem vindo Lucas -Lucas diz: Obrigado. me despedi do Adriano. você deve ter sentido uma tremenda falta do meu primo. mas seu nome era Adriano.. seu nick era Driko. ele ta com inveja.. -Eu nem sabia que o avião havia caído. até que ele parecia ser um cara legal. passei a madrugada inteira conversando com ele. -Sério? -Claro.. fechei a porta. ficamos em casa apenas eu. O sono não vinha e as horas estavam passando. sem camisa e apenas de bermuda com um pacote de pipoca ao lado e um copo de refrigerante do outro. não demorou muito e ele me adicionou em um chat com vários amigos dele. não demorou muito e recebi um pedido para adicionar um contato em minha lista... bem idiota. fiquei ali deitado olhando aquela luz do luar que entrava pelas frestas da janela e penetrava pela cortina do quarto. -Todos nós achávamos que você tinha morrido no acidente de avião. conectei na internet na intenção de ficar até o sono vir. imagine-me ficar sem você. escutei a porta da sala se fechando. boa noite pra vocês. Lucas saiu da conversa Saí daquela conversa chata. diferente daquela impressão que eu havia ficado dele dentro daquele chat. logo quando conectei notei que o Hugo estava on-line. -Realmente.-Quando liguei pra casa achei que o Lucas estava ficando louco.. -Nossa.. deveria ser a empregada chegando. quando eu estava dentro do chat achei aquele cara muito imbecil. levantei da cama e liguei o computador. eu estava todo perdido naquele aeroporto... o dia já estava quase amanhecendo.

Eu dei a opção dele escolher. -Saber como estou.. Nunca esperava isso de você. vocês são muito amigos. apenas o segurei para não receber mais golpes dele.. o coitado deveria estar arrasado por saber que seu namorado não prestava. -Você está bem. acordei e vesti uma calça. Deixa que eu falo com ele. -Bom dia! -Bom dia Lucas. escovei os dentes e fui para a sala tomar café... parecia estar bem longe. -Que história é essa de que dei em cima do Gabriel? -Ele me contou tudo hoje.. mal falou comigo e com o César. na certa deveria ser pelo que o Gabriel havia aprontado.No outro dia. pela expressão de seu rosto ele parecia estar com muito ódio. -O que aconteceu com o Robson? -Ele chegou hoje furioso. Você da em cima do meu namorado e diz que foi pro meu bem?. ele nem deu atenção quando entrei em seu quarto. a janela do quarto estava aberta. bati mais uma vez e percebi que a porta não estava trancada. -Tudo o quê? -A verdade.. pensei em revidar. Como você é sujo. seu safado. -Que horas foi isso tia? -Agora há pouco.. então resolvi entrar. Lucas.. -Que absurdo. foi direto pro quarto e se trancou lá. onde quer que chegava chamava atenção. Depois de chantagear o meu namorado ainda quer saber como estou? -Espera ai... No caminho eu fui pensando.. se não você inventaria que ele havia me traído. Ele me contou que você propôs uma noite no motel com ele. sozinho com certeza não ficaria se não quisesse. tia? -Estou preocupada com seu primo...... Robson. O Robson estava deitado em sua cama olhando para o teto. sentei na mesa e a tia Helena parecia estar preocupada... Você ainda tem a coragem de falar comigo? -Por que você está dizendo isso? -Você não vale nada. eu fiz isso pelo seu bem. -Isso Lucas. -Pelo meu bem? -Claro. Robson?. primo?. seu olhar estava perdido em pensamentos profundos. Sem eu menos esperar levei um soco no olho.... -Nossa. Bati na porta de seu quarto e ninguém respondeu. ele era um cara bonito. deixei 42 ... tia. meu primo não merecia uma coisa daquelas. ele vai te ouvir.. -Licença. pela cara dela alguma coisa havia acontecido. -O que a senhora tem. Lucas.. -O que você quer? -Saber como você está. mas acabei deixando quieto..

varias coisas se passavam pela minha cabeça. Sentado no canto do box eu deixava a água cair sobre minha cabeça.. C@p í tulo 10 Na parte da manhã eu sabia que o Gabriel estava na academia. com uma mão eu segurava seu pescoço e com a outra eu torcia seu braço. fui até o box onde ele tomava banho.. Entrei no carro. -Nossa. eu estava louco para por as mãos nele e quebrar aquela carinha de santo que ele tinha.. Liguei o carro e quando ia dando partida meu celular tocou. seu verme? -Hahahaha. peguei pelo seu braço e o arranquei do chuveiro. abri a porta e escutei barulho de água. -Lucas? -Sou eu. -Obrigado. Você está me enforcando. uma hora eu iria encontrá-lo e aí sim acertaríamos nossas contas. e você acha que eu ia contar a verdade e me foder? Se liga seu trouxa. não vale a pena ficar relembrando. mas não hoje. por que você mentiu dizendo que eu te chantageei. não entendia como poderia existir pessoa assim. ok? -Beleza. o pressionei contra a parede... nunca pensei que o Gabriel seria capaz de tanto.seu quarto e fui para o banheiro. 43 . não estou muito bem. então eu fui até lá pra conversar com ele. na certa ele estava tomando banho na maior tranqüilidade.. entrei em baixo do chuveiro frio com roupa e tudo. -Ok. o procurei por toda parte e não encontrava.. troquei de roupa e desci até a garagem para pegar o carro. chorei muito. era o Adriano. baixei a cabeça e desabei em lágrimas. ao dar uma brecha o Gabriel conseguiu se soltar e correu pelado gritando pelo vestiário. não conseguia me controlar. O que você acha de a gente se encontrar? -Podemos marcar um dia. mas o que era dele estava guardado. Fui bufando até o vestiário louco pra quebrar a cara dele. -Tudo bom com você? -Sinceramente não. perguntei para uma professora e ela me disse que ele estava no vestiário. se você precisar conversar. -Vou matar você. é de paz. até que depois de pensar muito resolvi ir falar com o Gabriel. o que houve? -Deixa pra lá. que entrou no vestiário para ver o que estava acontecendo e não deixou que eu desse uma lição naquele pulha. pode contar comigo. mas o que eu preciso mesmo não é de conversa. -Seu ordinário.. meu sangue já estava fervendo e minha raiva só aumentava. muito irado.. a vontade que eu tinha era de forçá-lo a contar toda a verdade ao Robson. -Maldito eu vou acabar com você. -Pára.. fiquei ali por quase duas horas. seus gritos chamaram atenção do pessoal da academia. coloquei as mãos sobre o volante. Eu apertava seu pescoço como se fosse uma galinha no matadouro. Saí daquela academia atordoado.

. Você ama seu primo. eu precisava desabafar com um amigo sobre tudo que vinha acontecendo.. ele é um cara bacana.-Tudo bem. -É sim. -Sim... sempre o prejudicado será você que se passará por invejoso. Uma pessoa apaixonada fica cega. ninguém nunca havia me visto assim. quem é você pra dizer o contrário? -Mas o Gabriel não vale nada.... ódio com amor.. já que ele fechou os olhos pra tudo e só ouvia o anjo Gabriel. desliguei o telefone logo. Eu quero saber se você gosta como um namorado. -Lú. Eu nunca te vi nesse estado.. -Não. mas se ele acha que está feliz ao lado do Gabriel. não adianta você dizer que o namorado dele não presta. me ligou hoje.. falsa e mentirosa.. pois o Gabriel era uma pessoa muito perigosa. não sei explicar o que era aquilo. o Robson precisava saber disso.. Desliguei o celular e joguei dentro do porta-luva.. Olha aqui pra mim. -Ok... -Não quero me apaixonar por outra pessoa.. claro que isso eu não iria permitir. olha como você está.. -Eu entendo. eu estava chorando muito. -Cara.. Com um abraço apertado ele dizia: -Não fique assim. liguei o carro e segui para a casa do Hugo. eu quero sua felicidade.. eu acho que estava começando a amar o Robson. mas como eu iria contar? Eu também corria o risco de ser chamado de invejoso.. o Driko parece ser um cara bacana. -Mesmo assim.. Cheguei na casa do Hugo chorando. -E ai? -Não nos falamos muito. -Humpft. -Por quê? 44 . -Por que você diz isso? -Ta respondido. Você gosta do Robson? -Gosto. já estou decepcionado com a vida. está escrito em seus olhos que você o ama. mas ele não quer saber.. pois até morar juntos eles já estavam planejando. -Humpft... quando ele me viu naquele estado ele ficou muito preocupado... assim você esquece o Robson. -Nós sabemos disso. Meu primo não merece aquele moleque.. no caminho eu fui pensando n tamanho da falta de caráter do Gabriel. -Você precisa se apaixonar por outra pessoa. O que aconteceu? -Aquele bandido está acabando com a minha vida. -Deixa de bobagem. a gente se fala outra hora então... por dentro havia uma mistura de raiva com inveja. só enxerga o que quer ver. se meu primo continuasse com ele com certeza teria seu futuro arruinado.. por isso que você está sofrendo desse jeito.. -Não foi esse tipo de gostar que eu perguntei....

Olha só a oportunidade que você perdeu.. as mesmas decepções que tive no mundo heterossexual estava tendo no homo. -E ai. chame ele pra um cinema. -Humpft.. -Lucas.. não combinamos nada ainda. eu sei que ele tinha as melhores das intenções. -Ah.. alguns abusam.. um passeio qualquer.. eu tinha mesmo que dar uma oportunidade para outras pessoas me conhecerem. eu tenho RG falso. fala logo.. Peguei o telefone e falei um pouco com o Adriano. -Oi. -Ta viajando? -Um pouco. tem defeitos e qualidades. ali mesmo entrei profundo em meus pensamentos e comecei a refletir sobre o que era a vida.. me conta? -Contar o quê? -Se entenderam? -Ah. faz tempo que eu não saio. as pessoas caminhando.. -Que nada. Alem do mais ele estava a fim de sair. -Quer parar de me irritar? -Vou ligar pra ele agora.. 45 .... enquanto eles conversavam fui até a janela e fiquei olhando o movimento da rua.. Conversamos por quase uma hora no telefone.. ficar chorando por uma pessoa que não te quer é cruel. -O Adriano quer falar com você. mas não estão livres de errar. -E desde quando você tem idade pra entrar em uma balada? -Ué. aquela impressão que eu havia tido dele no inicio acabou mudando. -Eu escutei vocês falando de cinema. a questão é que estava me envolvendo com seres humanos. com seu jeito compreensivo ele acabou entendendo meu lado. mas eu não estava em condições de paquerar via telefone. você vai dizer que topa sair com ele. é a sua felicidade que está em jogo... agora vivendo dentro desse mundo eu percebi que não é verdade... eu já havia ouvido falar que o mundo homossexual era repleto de decepções. Lucas. ele é um cara legal.. pelo menos vá conhecê-lo.. desculpa.... os carros passando. até que o Hugo tinha razão.. pedi desculpa por tê-lo tratado com frieza há algumas horas atrás. -Vai sim.. independente de sua condição sexual ser humano é tudo igual. -Se te pegam você está ferrado. vocês vão sair? -Ah. -Marca uma balada logo. como você é burro. -Lucas. mas não dê as costas ao destino... O Hugo pegou o telefone e ligou na hora pro Adriano. pois ele se mostrou ser uma pessoa bem amadurecida. Nós conversamos. -Chega de putaria.. -Não vou dizer nada.-Porque não estava a fim de falar com ninguém. -Cogitamos a hipótese de ir ao cinema..

-Obrigado pelo presente. Depois que meu pai adoeceu eu acabei me descuidando. apenas um bilhete do Robson sobre a mesa dizendo que iria chegar tarde. relaxava. mas o Robson vinha dando muito na cara que era gay. Assim que terminei de tomar o iogurte fui para o meu quarto. pela maneira em que ele falava do Gabriel e o tratava. -Ok. já completamente nu fui pro banheiro tomar um longo banho. enrolei uma toalha na cintura e fui pro quarto navegar um pouco na internet. -Humpft. Antes de sair do banheiro passei um óleo no corpo. liguei o computador para baixar uns e-mails e havia algumas pessoas on-line cujo apenas cumprimentei.. Saindo da casa do Hugo eu segui pro shopping. ao me levantar da cadeira eu bati a mão no mouse e acionei a web cam sem perceber. mas não havia nada de interessante. -Tudo bem. porém todo mundo estava me vendo sem roupa do outro lado. C@pítulo 11 Fui até a cozinha. fechei a porta e comecei a tirar a roupa. começamos a conversar sobre várias coisas.. para quando eu chegar em casa não precisar sentar à mesa com o Robson e ficar aquele clima chato... cantava. pelo visto não havia ninguém em casa. com o olhar perdido. continuei tirando minha roupa ali no quarto inocentemente. acabei jantando por lá mesmo.. completamente nu.-Você só tem 17 anos Hugo. Sem querer acabei fazendo um streaper para os que estavam on-line. já não pensava mais em mim. ascendi à luz. segurei na maçaneta e fiquei pensando se entraria em casa ou dormiria fora. abri a geladeira e peguei um iogurte de morango. já pensou ela respondendo processo em seu lugar? -Você fala como se só eu que falsificasse RG pra entrar na balada. Quando cheguei no hall do elevador. Não sei se meus tios já tinham descoberto ou não. preciso ir. abri a porta da sala de cabeça baixa. brincava. acabei absorvendo os problemas externos pra mim. eu duvido que 90% da balada nunca saiu pela primeira vez com menos de 18 anos. sentei-se à mesa da cozinha e fiquei ali por um tempo.. parei na porta e respirei fundo dez vezes antes de entrar. eles deveriam estar se divertindo me vendo sem roupa. uma vez eu escutei um comentário do tio César para a tia Helena perguntando quem era aquele amigo “estranho” do Robson. tomando meu iogurte sem me preocupar com mais nada. esquecia dos problemas. coloquei a chave na porta e tranquei sem fazer barulho. o Adriano estava on-line. principalmente sobre minha troca de roupa ao vivo. verifiquei minha caixa de mensagens. o que me fez adquirir uma sensibilidade muito grande. é menor e sua mãe que responde por você. -Olá! -Tudo bem? -Tudo ótimo. -Depois a gente se fala mais. Bom. dentro do meu peito ainda continha uma angustia instalada que me incomodava. No banho era o momento onde eu esquecia da vida. 46 .

outros que me viram sem roupa deveriam ter feito a mesma coisa. com seu jeito sorridente. passei o tempo todo em outra dimensão. -Pare com isso.. não consegui nem abrir os livros. ele deveria ficar horas na academia trabalhando 47 . com a cabeça apoiada sobre minha mochila. Meu dia havia começado muito difícil. -Desculpa de quê? -Foi sem querer.. foi muito bom passar a madrugada rindo sem ter sono. as mulheres arrastavam um ônibus por ele. conversamos a noite inteira quase.-Que presente? -O streap que você fez pra mim.. -Nossa. era incrível como ele conseguia fazer todo mundo entrar não clima legal. nunca gostei muito de falar sobre essas coisas. ao relembrar os almoços de domingo onde todos se sentavam à mesa para almoçar e passávamos horas falando de varias coisas. inteligente.. logo depois fui dormir. Posso dizer que a partir daquele dia eu comecei a sentir um carinho especial por ele.. fiquei no pátio deitado embaixo de uma árvore. um corpo muito bem feito e definido. minha concentração era na vida lá fora. como já estava ficando tarde eu desconectei e ficamos nos falando um pouco por telefone. nossa. Sendo um dos docentes mais populares da escola atraía atenção de muita gente. assim nós viveríamos apenas os bons momentos eternamente. As duas últimas aulas eram do professor Glauco. -Você é gostoso demais. educado. comecei a ficar vermelho de vergonha e a desliguei na hora. confesso que em sua aula eu consegui me concentrar. mas naquela hora ele falou tudo que eu precisava ouvir. nos problemas.. O Glauco era o professor mais disputado pelas garotas e professoras da faculdade e da academia.. -Não resisti. deveriam inventar uma máquina que tivesse o poder de parar o tempo.. pois ele tinha um jeito especial de ensinar. -Poupe-me desses detalhes. tive que bater uma aqui. jogar bola na rua. -Desculpa. -Eu fiz? Foi aí que eu notei ter deixado a web cam ligada. cabelos espetados com topete.. -Posso te dizer uma coisa? -Humpft. eu não estava conseguindo prestar atenção na aula. tomei um banho morno para despertar e segui para a faculdade. Assim como ele. ainda estava vazia. em como eu tive uma infância feliz. o mesmo que dava aula na academia aonde eu e o Robson íamos. acho que fui um dos primeiros a chegar. Pela manhã acordei cedo. tomar banho de rio. olhando para as nuvens do céu fiquei pensando na minha família. me deixando uma esperança de que amar e ser amado ainda era possível.. falamos sobre vários assuntos até entrarmos no tema AMOR. Desculpa. lembro de uma vez que tia Helena foi passar uma semana em casa com o tio César e o Robson. Pode.

Assustei-me. minha imaginação começou a fantasiar coisas. Assim que terminei meu banho peguei minha toalha e comecei a enxugar meu cabelo. mas continuei a tomar meu banho normalmente.. estava distraído. sabonete e xampu nas mãos. já sem roupa nenhuma o Glauco se aproximou de mim: -É impressão minha ou você está nervoso. me imaginei várias vezes no lugar daquele apito que ele usava nas aulas. fui abrir a água do chuveiro e a deixei esquentando enquanto tirava a roupa. fui andando pelado mesmo. não preciso me preocupar com quem entra em um banheiro masculino. parecia que foi esculpido à mão.. ver o Glauco pelado. até que enfim eu iria ver sua tatuagem por completo. mesmo com o chuveiro ligado e o barulho da água senti a presença de mais alguém ali.aqueles 186cm de pura gostosura. mas eu não teria chance com ele. Lucas? -Deve ser impressão sua Glauco.. sou eu! -Desculpa Glauco. aquela camiseta colada ao suor de seu corpo estava me deixando com tesão. Aos poucos ele foi tirando peça por peça de sua roupa. você se importa se eu tirar minha roupa na sua frente? -Fique a vontade. sai do box enxugando meu corpo e fui pegar minha roupa na mochila que estava em cima do banco do outro lado do vestiário. suas pernas torneadas à mostra com aqueles shorts que ele costuma usar. pois estava tão aéreo na saída da sala que esqueci quando desci pra aula prática. Nem tranquei minha mochila no armário. melhor pra mim que poderia tomar banho mais à vontade.. Com a mochila nas costas fui até o vestiário para tomar banho e tirar o suor antes de ir trabalhar. fui até a sala de aula busca minha mochila. mas sonhar não me custava nada. aquela aliança em sua mão esquerda denunciava que ele era casado. 48 .. era o que eu fazia sempre quando tinha aula pratica. Após o termino do jogo. deixei sobre o banco mesmo e dei a volta até os boxes onde ficavam os chuveiros. me imaginei lambendo cada centímetro daquele corpo bronzeado.. levei um susto ao ver o Glauco ali parado me olhando.. minha reação foi enrolar a toalha na cintura imediatamente. disfarçadamente às vezes eu dava uma olhada de canto de olho. -Calma Lucas. Entrei no box e deixei a porta aberta. Na verdade era tudo que eu mais queria. era um escorpião que começava na barriga e ia descendo até o “playground”.. somente com a toalha. afinal. só dava pra ver o começo dela quando ele fazia algum movimento que levantava sua camisa. pois os chuveiros da faculdade demoravam um pouco pra esquentar. todos já deveriam ter ido embora. Eu às vezes pensava em como seria beijar aquela boca carnuda. o que provocava uma curiosidade de onde iria terminar as pinças do escorpião. embora eu parecia enfeitiçado por ele notei que vez ou outra ele me dava umas olhadas fora do comum. Entrei no vestiário masculino e já não havia mais ninguém. -Relaxa. Coloquei a mochila sobre o banco de madeira que ficava no corredor dos armários e comecei. com a toalha enrolada na cintura comecei a pegar minha roupa dentro da mochila. marcando a pontinha dos seus mamilos arrepiados.

enquanto ele fazia aqueles movimentos de ir e vir eu ficava pensando em como as meninas da faculdade gostariam de estar no meu lugar naquele momento. sua 49 .. tanto no tamanho quanto na espessura.-Pensei que minha presença tinha te causado um nervosismo. essa sua cara de safado me mata de tesão.. -Eu quero. -Alguma vez eu disse que não? Sem querer soltei essa resposta. corpo colado no corpo. machão. roçava seu pau em minhas pernas com tesão e desejo. na mesma hora ele deu um sorriso safado. mas depois ele dava umas com força. com brutalidade e selvageria ele puxou minha toalha rasgando-a ao meio. me dava umas pegadas com força que marcavam minha pele como ferro em brasa marcando um gado. quase tive um orgasmo.. sua respiração já era ofegante e meu tesão já estava no limite total. eu nem acreditava que aquele Deus Grego estava me consumindo no vestiário da faculdade.. -Parar coisa nenhuma.. cara. o Glauco tinha um jeito meio selvagem. Lucas! -Obrigado. -Não. naquele instante eu pensei que ele iria me bater. faz muito tempo que eu estou a fim de fazer isso e sei que você também quer. ficamos totalmente nus. seria tão bom se fosse verdade. meu corpo amoleceu na hora. sem pudor nenhum ele beijou a minha boca como nenhum outro havia beijado. acho que por isso ele fazia sucesso com as mulheres. Aquele clima me deixou rapidamente excitado. com jeitinho. sentindo seu peitoral roçando nas minhas costas com as “bombadas” sincronizadas que ele dava. com muita habilidade ele tirou uma camisinha de sua mochila e com cuidado foi me penetrando sem pedir licença. ele tinha um pau exageradamente avantajado.. sua mão foi descendo pelo meu corpo me causando um arrepio mais que prazeroso. matando minha sede de prazer. como se eu fosse uma puta ele puxava meu cabelo e lambia meu pescoço. Nossa. preso na parede com seu corpo era impossível reagir. -Então relaxa. senti aquilo crescendo rapidamente e molhando minhas coxas de tesão. seguidas de altos gemidos e palavrões. É melhor parar.. Sentir aquele corpo pesado sobre o meu me fazia delirar de prazer. aquela mão cafajeste fazia vários papéis ao mesmo tempo... enquanto isso sua boca tapava minha boca com beijos ardentes e molhados. o tesão estava a ponto de explodir como uma bomba nuclear.. sempre havia feito o ativo da relação e até então não tinha interesse nem tesão por fazer passivo. -Você tem uma boca linda. foi até a porta do vestiário e a trancou. era a primeira vez que eu “dava” pra alguém. rústico. ao me jogar na parede e me prender com seu corpo nu eu percebi que a intenção dele era outra. olhando fundo nos meus olhos ele veio até mim e segurou pelo meu braço com uma mão só. seu suor se misturava com o meu ao pingar sobre meu corpo. lambendo minhas orelhas e baforando no meu ouvido fui jogado no banco do vestiário como uma toalha molhada sobre a cama. -Não entendi. ao mesmo tempo em que ele me conduzia com carinho. no começo ele ia devagar. Glauco.. -Pena que não posso provar..

tamanho era o prazer que nós sentimos. acabei perdendo a hora de trabalhar. -Ah.. Tratei de me vestir rapidamente antes que entrasse alguém e me visse daquele jeito. dona Maria? -Tudo ótimo e com você? -Tudo maravilhosamente bem também. -Você também... Glauco... -Foi mal. simplesmente um Deus na cama. Hugo? -É o Lucas.. Não tem nada que se compare a uma transa bem feita. mas havia deixado um bilhete dizendo que precisou ir embora. foram momentos inesquecíveis de puro prazer. na virilha havia um vermelhão. Aconteceu alguma coisa? -Sim..... embora cansado não perdia o bom humor. o que aconteceu? -Sabe o Glauco? -Que Glauco? -Aquele professor que te contei. Ofegante e quase sem forças. mãe! -Olá Lucas. o Glauco me deu mais um beijo na testa e se deitou ao meu lado.. ai você me conta tudo. -Então vamos lá pro meu quarto. Vão acabar ouvindo.. -O que é isso. então sai da faculdade e fui direto pra casa do Hugo. em sua face ele exibia um sorriso de satisfação.. Tesão. -Tudo bem. -Tudo bem com a senhora. principalmente se a pessoa for um tesão como o Glauco. 50 . -Quem é. C@pítulo 12 Quando ele chegou nos “finalmentes” não soou um gemido. e como meu primo não estava falando comigo o único amigo mais próximo que eu tinha era o Hugo. Acordei como se estivesse dormido no céu. olhei para o lado e o Glauco não estava. um pouco abaixo do meu mamilo ficou uma marca de mordida feita por aquela boca majestosa. -Conte. entre. passando seu braço sobre meu corpo trazendo pra junto do seu.. mas sim um grito de tesão acumulado. Fomos para o quarto do Hugo onde contei tudo que havia acontecido. Com os corpos colados e nus acabamos adormecendo. você é muito gostoso cara. eu precisava desabafar com alguém. é que não consegui segurar. -Nossa.performance sexual pirou minha cabeça. aliás ele era mais que um tesão. porque se tratando de sexo ele era perfeito. -Oi Lucas. acho que foi aquela chupada magnífica que recebi. eu suspeitava que ele já havia trabalhado profissionalmente “nesse ramo”. O perfume dele ainda estava impregnado em minha pele. me levou ao céu e ao inferno.

Enquanto conversávamos o Hugo navegava na internet. conversamos um pouco e acabamos ficando.. acabamos fazendo uma troca... viciado como ele era nem tirava o olho da tela direito. -Vai dar sim. 51 .. no vestiário da faculdade. -Que bom. Logo que me conectei o Adriano que estava on-line puxou assunto comigo. pois seus olhos brilhavam quando ele falava do Vini. Hugo. se não me pegaram até agora não me pegam mais. -Sabe Lucas. Hugo.. eu vou te apresentá-lo ainda. -O quê? -Estou ficando com um carinha super legal. O que tem ele? -Transei com ele hoje de manhã.. Gosto demais de você. Você é um super amigo! -Obrigado. sentir-se atraído por ele não era difícil. -Quando é que você vai me apresentá-lo? -Vamos marcar de ir a uma balada. -Relaxa Lucas. -Humpft. Tenho uma coisa pra te contar. embora estivesse me ouvindo. Desabafei um pouco com ele. acho que transamos por vaidade. -Uau. -E ai.. Hugo... ai eu apresento pra você. luxúria e tesão.. o Vini é especial.. Jamais pensei em ter algo sério com o Glauco. -O que você quer dizer com isso? -Pra você não ir com muita sede ao pote. -Entendo Lucas.. Nunca me trataram com tanto carinho... Tomara que dê certo. me conta? -E ai que ele me curtiu e eu o curti. parecia estar apaixonado. se te pegam com documento falso. você não tem idade pra entrar na balada. -Olha lá hein. pra mais tarde não se machucar como eu me machuquei. -O quê? -Pois é..... transamos hoje de manhã... -Balada?.. quando ele começou a falar sobre seu caso com o Vini eu pedi para usar seu computador um pouco. -Você é meu amigo. já foram se conhecer pessoalmente? -Já sim. já que pra mim ele era um dos melhores amigos que eu tinha. -Que demais cara. Humpft. ao mesmo tempo em que eu teclava com ele eu ouvia o Hugo falando de seu novo “Affair”. tome cuidado que hoje em dia não podemos confiar muito nas pessoas... conheci um cara super legal. -Sério? -Sim. -Como ele se chama? -Vini. não quero que passe por maus momentos assim como eu passei..-Ah.

é obvio que ele queria que eu percebesse que ele também era gay. -Quê? -Vou ligar pra ele.. deixa-me embrulhar pra você.. -Olá. -Eu sei. Nos falamos pouco.. -Pois é... deixando sua mão sobre a minha ele pediu para que eu provasse a capa. em que posso ajudá-lo? -Eu quero uma capa pro meu celular. esperai que tem alguém aqui que vai falar com você. Enquanto eu escolhia a capa reparei que ele me dava umas olhadas... -Tem alguma preferência? -Sei lá. peraê.. -Ok. não teve como evitar que nossas mãos se encostassem uma na outra e foi o que aconteceu.-Qual a idade do Vini? -Ele tem 19 anos. vocês estão precisando se encontrar e se conhecerem. estou deixando rolar. magro.. Sua mão está gelada. depois que conheci o Adriano comecei a enxergar uma luz no fim do túnel. -Deixa que eu ajudo. -Com quem você está teclando ai? -Com o Driko.. eu pego. -Bacana.. -Alô. Vou ficar com essa mesmo. Peguei o telefone da mão do Hugo e comecei a falar com o Adriano. entrei na primeira loja que vi na frente e fui atendido por um vendedor bonitinho. branca. Em meio a todas aquelas capas que havia na vitrine eu escolhi uma que estava bem escondida. você com 17 e ele com 19. -E como anda o romance de vocês? -Ah.. coloridas..... -Temos capas de couro.. dentro do elevador eu abri a sacola para 52 .. -Deixa que eu pego pra você. um pouco mais alto que eu.. ouvir algumas palavras de carinho.. -Quê? Nada disso. ao me ver ele fixou o olhar e veio até mim.. conversamos pouca coisa. mas foi muito bom escutar sua voz outra vez.. Ao sair da casa do Hugo fui até o shopping comprar uma capa nova para meu celular. Depois de escolher uma capa pro celular e paquerado o vendedor eu deixei a loja e segui para o estacionamento. tiara segurando os cachos.... -Não foi nada. Driko? É o Hugo. acrílico. nem preciso dizer que ele me atendeu super bem. -Eu quero aquela capa ali. Desculpa. mostrei pra ele a que eu queria e ao mesmo tempo em que eu fui pegar ele também teve a idéia. -Não precisa. olhar de predador.. sentir que alguém me queria de verdade. um cara todo estiloso.. -Não. plástico.. transparentes. com aquele cabelo enrolado. já que ao entrar na loja ele se jogou pra cima de mim. preta.

Fiquei na escada esquivado e esperando uma oportunidade de um deles se virar para eu conseguir ver o rosto. já que aquele shopping era cercado de escadas. minha vontade era dar uma surra nele e jogá-lo daqueles degraus para baixo. era mais confortável e nos permitia mudar de posição varias vezes. olhando através do pára-brisa eu fui longe em meus pensamentos. segurando pelo corrimão do lado direito eu fui descendo rapidinho até escutar alguns sussurros. Liguei meu carro e fui pra casa ansioso da vida. talvez estivessem realizando uma fantasia sexual. Ao chegar em casa segui direto pro quarto do Robson. pois se o dono percebesse as entradas que ele estava me dando com certeza teria sido demitido. elevadores. Às pressas eles vestiram as camisas e abotoaram a calça. provavelmente eles haviam descido. Cada dia que passava eu sentia mais nojo daquele porco. sempre preferi uma boa cama mesmo. Quando eu vinha descendo pelo elevador panorâmico me pareceu ter visto o Gabriel na companhia de um rapaz que não era meu primo. porém resolvi ir também. mas seria pior se eu ficasse na dúvida. os dois já estavam sem camisa e com a calça desabotoada quando escutamos uma porta-corta-fogo bater. o pior de tudo era que o cara que ele estava “pegando” não era meu primo. Olhei para os degraus de cima e não notei nenhum movimento. estranhei o fato de escolher justo a saída de emergência ao invés da escada rolante ou elevador. o que me deixou na duvida se eles ainda estavam juntos. deixei o local correndo para que eles não me vissem e fui pro estacionamento. porem não tinha certeza se era ele mesmo. lençol perfumado. antes de entrar no quarto fiquei esperando ele terminar de falar no telefone e acabei ouvindo o que ele falava. pois nasceu em mim a esperança de que o Robson e o Gabriel não estivessem mais juntos. em um movimento brusco de um deles consegui ver que minha suspeita tinha fundamento. Uma escada de emergência não é lugar pra fazer esse tipo de coisas. já que quando envolve adrenalina tudo fica mais gostoso. na esperança de meu primo ter descoberto o patife que o Gabriel era. sei que essa atitude de ficar seguindo os outros é muito feia. provavelmente alguém estava subindo ou descendo as escadas. Eu nunca tive esse tipo de fantasias com escadas. já do corredor notei que a porta estava apenas encostada. era mesmo o Gabriel que estava se amassando com um carinha no meio da escada de emergência. muito corajoso ele era. entrei no carro e coloquei as mãos no volante. Deixei que eles fossem caminhando na frente enquanto eu ia atrás me esquivando entre os quiosques e pilastras dos corredores. uma sombra na parede denunciava que alguém transava sem o mínimo receio de chegar alguém. aos poucos eu ia me aproximando na ponta dos pés para não ser notado. eles falavam tão baixinho que estava impossível de reconhecer pela voz. atrás do cartão estava o telefone do vendedor que me atendeu.colocar a capa no celular e percebi que junto havia um cartão da loja. e pra minha surpresa era com o Gabriel: 53 . teve uma hora que eu pensei tê-los perdido de vista ao entrarem na saída de emergência. pra não ficar na dúvida resolvi descer e averiguar quem era. me aproximei dela e percebi que ele estava no telefone conversando com alguém. por dentro eu estava feliz.

-Claro amor. deitei na cama e fiquei esperando o sono vir.. -Robson volte aqui.. por favor? -O que aconteceu pra vocês ficarem assim? -Chega mãe. assim que sai do chuveiro vesti uma samba canção.. Beijão! -Outro.. tem mulher no meio.. Após o jantar eu voltei pro meu quarto.... estava quase dormindo quando o Hugo ligou me convidando pra ir a balada no fim de semana. desde que o Robson havia conhecido o Gabriel ele mudou dentro de casa. né? -Vamos mudar de assunto. tranquei a porta e entrei no banheiro para tomar um delicioso banho morno antes de jantar e dormir. Beijos e bom estudo. vocês brigaram? -Não tia. -Ah.. agora só falta você chamar o Driko pra ir com a gente. claro que era pro prostituto do Gabriel. apenas tivemos uma discussão. pois ele era capaz de fazer as coisas mais cabeludas que já vi na vida. desliguei também o 54 . tio César e a tia Helena estranharam meu relacionamento com o Robson que era praticamente de irmãos: -Lucas. há algum tempo eu venho notando uma séria mudança no relacionamento de você e seu primo. havia ficado mais agressivo. Fui para o meu quarto cabisbaixo.. vai? O Vini já topou ir comigo. Tudo que vinha do Gabriel já não me assustava mais. mas eu entendo seus motivos. se você precisa estudar é melhor mesmo ficar em casa. vou falar com o Adriano depois e vejo se ele topa ir com a gente... parece um sonho estar com você. -Já sei. essa conversa está me irritando. porém eu não tinha nada com isso. -Agora eu vou dormir... -Tudo bem.. então deixei de lado. uma camiseta regata e fui jantar com todos a mesa. vamos.. -Vai lá. mas a gente pode sair amanhã. mas mentir pro meu primo dizendo que iria ficar em casa e ir ao shopping trepar com outro é muita safadeza. -Ok. cada um tem o que merece. gastava muito dinheiro e não trazia nada pra casa. Eu sei que você está triste por ter que ficar o dia todo sem sair estudando. conhecê-lo foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. Desliguei o telefone e mandei um torpedo pro Adriano.. -Alô? -Lucas? -Fala Hugo? -Vamos à balada sábado? -Não sei. Repete que me ama? Eu também amo você. Jogando o guardanapo na mesa o Robson largou tudo e saiu.. Claro que fiquei triste por não ter visto você hoje. Por mais que tentávamos disfarçar. tentei avisar meu primo da primeira vez e acabei ficando como vilão da historia. meus tios não eram idiotas e perceberam que não estava tudo bem entre nós.

. se o cara está a fim de sair contigo ele não fica esperando a boa vontade do amigo pra poder sair de casa. 55 . os seguranças estão pedindo documento. vá se divertir com seus amigos. -Tenha um ótimo dia! Desliguei o telefone muito puto da vida. pra isso tivemos que distraí-lo para o Hugo poder passar despercebido e poder entrar. se ele quisesse me conhecer ele toparia ir comigo e não ficar dando prioridades que não justificam.. No outro dia liguei para o Adriano logo pela manhã e o convidei para ir à balada no sábado. -Lucas... -O que você vai fazer? -Observem. -Como assim?. eu também estava pouco me importando. preciso ver se algum amigo meu vai. pois o Hugo era menor e os seguranças estavam pedindo RG. Entrar na balada foi meio complicado.. -Tudo bem com você. -Calma. Caminhei dois passos à frente e fingi que tropecei. C@pítulo 13 No sábado fomos para a balada eu. -Amor.... caindo por cima de algumas pessoas que estavam na fila. causando um tumulto e atraindo a atenção do segurança que estava na porta.. e com você? -Agora ficou maravilha. eu vou chamar atenção do segurança e quando ele se distrair você entra correndo.. -É que.. -Não é isso... -Fudeu.. puxa vida. -Ah não? Nossa. gato? -Tudo ótimo.... você só vai se um amigo seu for.. -Estou ligando pra saber como você está e convidá-lo para uma balada sábado.. enquanto isso o Hugo e o Vini aproveitaram a brecha e entraram... não por que quer me ver... se eles forem eu vou.. o Vini e Hugo. -Lucas? -Acertou. o Adriano não havia dado certeza se iria ou não. -Deixa pra lá. -Como assim o que? -Deixa-me ver se eu entendi. -Bom. -Alô? -Oi. eu não trouxe meu RG falso.celular e fui dormir. pois se ele estivesse mesmo a fim de me ver não ficaria fazendo doce.

é minha obrigação querer te ver bem. Enquanto eles ficaram no mezanino eu subi pra pista e fiquei por um bom tempo dançando. -Nossa Lucas. também te considero um amigão. O Driko não vem.. o único lugar que eu não havia procurado era no Dark Room. o Vini encostado na parede com as pernas abertas e o Hugo colado nele. acabamos brigando.. eu falo com ele e resolvo tudo. um verdadeiro amigo. A noite pra mim terminou no momento em que eu o vi.. Parado no meio da pista eu prestava atenção em tudo. lembrei dos meus tempos de teatro vendo aquelas encenações.Depois de tudo esclarecido permitiram que eu entrasse na casa. você foi demais. a produção do show era muito bem feita. estavam trocando altos beijos. afinal. -Nessas horas eu me lembro das aulas de teatro que fazia e ponho em pratica tudo que aprendi. Coitado do Hugo. No corredor após a porta de entrada o Hugo e o Vini me esperavam. então disse que iria dar umas voltas e dançar um pouco na pista. -Uma cerveja.. -Vocês brigaram? -Sim. eu achava muito legal isso nele. -Precisa sim. Lucas? -Não sei. então fiquei esperando eles terminarem e me aproximei deles. me sentia mal segurando vela para os dois. então não poderia beber. -Não precisa. -Podemos ir agora.... rodei a balada toda. porque eu iria dirigir depois. às vezes nem foi por mal. até que começou o show de Drag. Após o término do show deixei a pista e quando me virei avistei o Adriano em um bar que ficava perto da cabine do DJ. Seguimos até o mezanino e pedimos uma cerveja. mas não os encontrei. no meio daquela multidão era impossível ele me ver ali. essa preocupação que ele tinha comigo. -Por quê? -Eu o chamei pra vir com a gente.. -Obrigado Hugo. Cansado de andar fiquei sentado no sofá do hall esperando a casa 56 . -Sei lá. foi apenas um “acidente”. -Deixa comigo. pois já que iria poderia ao menos mandar um torpedo avisando. mas pedi só uma cerveja pra ficar um pouco mais alegre. por favor. porém era o suficiente. eu entendi aquilo como uma falta de interesse por mim. Só sei que me deixou triste.. o que me fazia sentir mais saudade da minha cidade. sempre querendo me ajudar a encontrar um substituto que me tirasse o Robson da cabeça. desci até o mezanino e comecei a procurar pelo Hugo e o Vini. eu não gostava muito de bebida alcoólica. eu não iria interromper o clima dos dois. Por mais legal que o Vini e o Hugo fossem a presença deles estava me incomodando.. -Obrigado amigo! -Vamos dar uma circulada? -Sim. -Caracas. Eu vou falar com ele.. mas ele disse que só viria se um amigo também viesse. mas eu o avistei e já foi o suficiente pra me deixar magoado.... você é meu amigo.

mas o Hugo deixou o Vini lá no sofá do mezanino e continuou procurando pelo Adriano até a hora de ir embora.. pegou pelo meu braço e me arrastou para procurá-lo. na mesma hora ele largou o Vini. -Onde vocês estavam? -Na pista... mas não encontrou. -Ele veio e nem me ligou avisando. -Mentira porque procurei vocês pela balada toda e não os encontrei. A reação do Hugo quando eu falei isso foi inesperada tanto pra mim quanto pro garoto com quem ele estava ficando. -Não. tive que intervir no meio da conversa: -Eu to passado. se nem eu tive chilique ao vê-lo. Eu o mato. pelo menos a pessoa que eu vi parecia com ele. -Mas Hugo.. mas não o encontramos. eu já não agüentava mais ouvir aquela mesma ladainha.. vamos procurá-lo.. você não tem o porque ficar ofendido pelo simples fato dele ter vindo à balada e não ter te avisado. eu até estranhei aquela atitude do Hugo.. como ele foi capaz de uma coisa dessas. -Nossa. Vocês estavam no Dark Room. -Quê? Onde? -Beijando um garoto na pista de cima.esvaziar e sair novamente para procurá-los.. -Vagabundo. Procuramos o Adriano pela boate toda.. vou acabar com ele.. se nem eu que estou ligado diretamente com ele estou me roendo de raiva. Não agüento mais ouvir você falar o tempo todo no Adriano. Na volta pra casa o Hugo foi falando o tempo todo nisso.. só porque eu havia dito que vi o Adriano beijando um garoto.. -Nada disso. -Por que. -Como assim. também não tinha certeza se era ele mesmo que estava na pista..... naquele mesmo 57 . Não falo mais nada então.. Teve uma hora que eu cansei de procurar e fui dançar um pouco na pista.... tamanha era sua preocupação comigo. Visivelmente o Hugo ficou mais bravo do que eu.. -Abafa Lucas... o Hugo não tinha motivos pra ter. -Eu também acho. No outro dia logo pela manhã o Adriano me ligou pedindo desculpas pela briga.. nunca fui de guardar mágoas então acabei desculpando. -Chega Hugo.. mas eu também não poderia cobrar algo do Adriano já que nós não tínhamos nada por enquanto.. -Deixa quieto... beijando outro? Vamos procurá-lo agora. -Eu acho melhor mesmo. Hugo ficou puto da vida... não acredito que o Driko veio na balada e nem avisou a gente. mas nem precisou porque antes que eu saísse eles apareceram suados... ele estava acompanhado... Hugo.. Hugo. o que houve? -Acabei de ver o Adriano na pista.. -Agora ele vai se ver comigo. Que cara é essa? -Eu quero ir embora.

dia fizemos as pazes. mas ainda não havíamos nos encontrado novamente.. quando você vai se conectar? -Eu já estou conectado... -Alô? -Lú. conseqüentemente éramos do mesmo signo. Meu aniversário estava chegando... vamos ver se ele está on-line agora. pelo que ele mostrava parecia estar muito apaixonado por mim. logo que o adicionei em minha lista ele apareceu como online e veio puxar assunto comigo... -Fala Hugo. -Lucas diz: Será que estamos falando da mesma pessoa? -CARAio diz: Como ele é? -Lucas diz: 58 . tchau. -Já anotei.. você pode checar pra mim? -Tudo bem. Desliguei o telefone e entrei na internet para checar se o rapaz havia mesmo bloqueado o Hugo. mas não havia percebido até então. -Ta bom.. O mês se passou em um piscar de olhos. eu já estava gostando muito do Adriano. passa o e-mail dele pra mim? Anotei o e-mail dele em um papel e deixei sobre a mesa do meu quarto. É o Hugo. tudo porque eu estava começando a gostar dele de verdade. com apenas quatro dias de diferença de um pro outro... pensando nele diariamente... eu e o Hugo fazíamos aniversário no mesmo mês.. -Qual? -Eu saí com um cara um dia desses e eu acho que ele me bloqueou na net. -Preciso de um favor seu. -CARAio diz: Quem é você? -Lucas diz: Meu nome é Lucas e o seu? -CARAio diz: Caio -Lucas diz: Tudo bem Caio? -CARAio diz: Beleza e você? -Lucas diz: Beleza também!!! Você conhece algum Hugo? -CARAio diz: Vixi -Lucas diz: O que foi? -CARAio diz: Conheço um filho da puta que se chama Hugo. -Ok.

pelos meus amigos eu matava e morria.. Chegou o dia do aniversário do Hugo.. -Mas você não tinha 17? -Não.. eu não gostei do jeito que ele falou do meu amigo e comprei a briga.. me senti na obrigação de defender meu amigo. -18 anos. PA-RA-BENS.. -Valeu. a cada dia que passava eu me sentia mais atraído por ele. meu telefone não parou de tocar um minuto se quer.. o que me incentivava cada vez mais.. Eu dizia que tinha 17 pra não assustar os outros. Assim que desliguei o telefone liguei pro Adriano e o avisei sobre o aniversario do Hugo. logo quando acordei recebi uma cesta de café da manhã da minha tia... Eu sempre fui assim.. usa aparelho no dente. ele estava todo feliz pelo seu aniversario. -CARAio diz: É esse mesmo. estando certo ou errado... pois você tem cara de 15.. Exclui e o bloqueei da na minha lista na mesma hora. até sonho eu vinha tendo com ele. -Mas nem precisava.. à tarde minha mãe me ligou e disse que meu pai estava bem e me mandou um 59 . que ligou logo em seguida para parabenizá-lo.... eu tinha 16. -Fala moleque.. Chega o dia do meu aniversário.... o bom de tudo era que ele também mostrava sentir o mesmo por mim. -Lucas diz: Mas o que ele te fez? -CARAio diz: Meu.. esse moleque não vale nada...Baixinho. -CARAio diz: Coitado. pois não tem preço.. -Quem me dera.... -O quê? -Hoje estou fazendo 17 anos.. quando eu cruzar com ele na rua vou quebrar a cara dele -Lucas diz: Você não vai encostar um dedo nele -CARAio diz: Quem é você? -Lucas diz: Eu sou amigo dele. toma cuidado com ele.. amizade era algo sagrado. Maior de idade. Finalmente eu e o Adriano nos acertamos e nossa relação estava indo cada vez melhor. logo pela manhã liguei para ele desejando um ótimo dia.. -Ta tirando? -Hahaha. esse moleque não vale nada cara. que não se pode comprar nem trocar.. parece que seu pai havia dado de presente pra ele uma viagem pra Disney.

.... fiquei tão emocionado que comecei a chorar no telefone e ela percebeu. -Lucas diz: Ok..beijo.. então resolvi perguntar o que havia acontecido. -Lucas diz: Tudo bem? -Driko diz: Não muito -Lucas diz: O que aconteceu? -Driko diz: To com uns problemas aqui em casa... -Driko diz: Ah.. fiquei um bom tempo esperando ele me parabenizar. -Driko diz: Lucas não to a fim de brigar contigo.. mas isso não impede de dar ao menos um parabéns pra pessoa que você diz gostar.. -Lucas diz: Não está esquecendo de nada? -Driko diz: De que? -Lucas diz: Meu niver... Tudo bem que enfrentar problemas familiares não é fácil. Nem lembrou do meu niver. desabafando uns problemas aí. -Lucas diz: Ah. mas ele nem falou comigo. Vamos mudar de assunto então.... -Driko diz: 60 ... Parabéns! -Lucas diz: Valeu. até pensei que havia acontecido algo. cobrei isso dele e sua reação não foi uma das melhores. -Lucas diz: Nossa.. era muito bom saber que meu pai estava melhorando. -Driko diz: Desculpa Lucas.. mas estou com uns problemas aqui.. -Lucas diz: Mas eu acho que nada impede de você ao menos me dar um oi. -Lucas diz: Ah. O que você está fazendo aí? -Driko diz: Estava teclando com o Hugo. E o que vocês estavam falando? -Driko diz: Eu estava teclando com ele. Entrei na internet e o Adriano estava on-line..

Fomos jantar em uma churrascaria na Marginal Pinheiros.. estou um pouco triste. -Driko diz: Quer parar com essa cena de ciúme ridícula? -Lucas diz: Ridícula?. só faltou o Robson e meus pais para ficar perfeito.. Teve uma hora que eu parei pra pensar se valia a pena passar por isso. -Lucas diz: O que? -Driko diz: Mas foi na brincadeira.. No outro dia acordei tarde. em um restaurante ou qualquer outro lugar. Ridículo é esse papel que vocês dois estão se prestando. eu já disse que foi só uma brincadeira.. me olhando de cima a baixo.. O que eu queria era comemorar mais um ano de vida com ele. nos divertimos muito com as palhaçadas do meu tio. depois a tia Helena contou algumas historia do tempo em que ela e minha mãe eram jovens. que palhaçada é essa? -Driko diz: Calma Lucas. fiquei muito triste quando ele recusou meu convite para sair.. Quer sair para comemorar meu niver comigo? -Driko diz: Melhor não. eu estava apenas de cueca. foi só uma brincadeira.. marquei com um amigo meu de dar umas voltas de carro pra distrair um pouco. -Driko diz: Vamos esquecer isso? -Lucas diz: Vou tentar...... -Que bom dia mais seco. -Lucas diz: Ok. Terminamos a noite bêbados e rindo de tudo e todos. o Robson havia saído com o Gabriel e não voltaria pra casa naquela noite. quando cheguei na cozinha dei de cara com o Gabriel que paralisou na minha frente. até imaginava aonde eles iriam. -Lucas diz: Como assim ir até ai te fazer um carinho.. -Lucas diz: Calma o caralho... pois pensava que todos ainda estavam dormindo. ficar esperando surgir um interesse da outra parte para poder namorar.. À noite acabei saindo com meus tios. mais uma vez ele deu preferência ao amigo do que a mim.Ele até brincou comigo dizendo que se eu quisesse ele viria aqui me fazer um carinho. pare com isso. foi muito bom poder curtir aquele momento em paz. fiquei até sem jeito... -Driko diz: Lucas por favor. fui até a cozinha beber um copo de água. -Não vai me dar bom dia? -Bom dia. ficar só no virtual não era comigo. toda brincadeira tem um fundo de verdade. 61 .

-Lucas diz: Autorama? -Driko diz: É. -Eu não faço linha de nada. E você o que fez ontem? -Driko diz: Meu amigo passou aqui em casa e fomos dar uma volta no autorama. eu iria adorar ter esse seu corpinho gostoso na minha cama. Tomei a jarra de água de sua mão... passa lá em casa amanhã à noite pra conversarmos. eu sou o que sou.. depois do fora que havia levado na noite anterior acabei ficando magoado. tomando vergonha nessa cara e parando de enganar os outros..... -Driko diz: Tudo bem? -Lucas diz: Tudo e com você? -Driko diz: Indo. mas nem me dei ao trabalho de puxar assunto. coloquei um pouco no copo e voltei pro meu quarto antes que eu me irritasse e acabasse quebrando a cara daquele palhaço. -Bobagem gatinho. -Lucas diz: Então você trocou uma noite comigo por uma noite no autorama.. deixa de fazer essa linha de bom menino. mas tome cuidado. você pode se dar mal. Liguei o radio e entrei um pouco na internet. comecei a abrir meus emails e havia vários me desejando felicidades pelo aniversário. Deveria estar dormindo abraçadinho com você.. se aproveita que meu primo está cego de amores por você e abusa.. você deveria deixar de ser falso e agir como um homem de verdade.. comecei a responder um por um até ser chamado pelo Adriano.. -Era o que eu deveria estar fazendo agora. -Deixa meu primo escutar isso..-O que você queria... enganando? -Você sim. -Eu... -Driko diz: 62 .. um beijo na boca? -E por que não? -Você não tem vergonha nessa sua cara deslavada? -Pare com isso Lucas. eu já tinha notado que ele estava on-line. -Ele está dormindo. -Eu também. Como foi ontem? -Lucas diz: Fui comemorar com meus tios em uma churrascaria... -Lucas diz: Oi.. fiquei conversando com a tia do acarajé.. Ambos de corpos nus depois de uma longa noite de amor e prazer.. -Driko diz: Oi. -Vá pro inferno..

Qualquer lugar seria melhor que o autorama. Que mundo nós estamos? Ao ler aquilo eu quase caí da janela.. mas sair comigo não. -Driko diz: Quer saber.. olhei-me no espelho e passei a questionar o amor que ele dizia sentir por mim e o amor que eu tinha por mim mesmo. meu melhor amigo me traindo? Demorei a acreditar... -Lucas diz: Você ia ficar com o Hugo? -Driko diz: Não. com certeza não. não era só uma falta de interesse. -Lucas diz: Muito menos eu. pelo que meu primo me disse uma vez o autorama é um motel em céu aberto. queria você ao meu lado comemorando meu aniversário. -Driko diz: Eu disse que ele pediu pra ficar comigo... C@pítulo 14 Saber que o Adriano não quis comemorar meu aniversario comigo. -Lucas diz: Você acabou de dizer que. o Adriano deveria estar inventando isso 63 . o palhaço nessa historia toda foi eu. que fui a vitima. como assim o Hugo havia pedido pra ficar com ele... pra você largar a mão de ser besta. -Driko diz: Ah. mas também uma falta de respeito comigo. Eu deveria ter ficado com o Hugo quando ele pediu. queria ver se fosse eu que estivesse em seu lugar se ele agiria diferente. -Lucas diz: Briguei porque gosto de você.. todo mundo que passava por lá tinha uma segunda intenção. -Driko diz: Eu não gostei do que você fez. -Lucas diz: Ficar com o Hugo? -Driko diz: É. claro que antes de gostar dele eu tinha que gostar de mim e foi aí que começamos a discutir e altas revelações começaram a surgir: -Lucas diz: Então quer dizer que você poderia ir ao autorama. me senti um lixo na hora que ele falou onde havia ido. Naquela hora eu queria que o chão se abrisse e eu caísse não buraco sem fim.. mas eu não fiquei. você começou brigando comigo. sabe lá o que ele fez naquele lugar enquanto eu ficava pensando nele. o Hugo não faria isso comigo.Nada ver Lucas... mas depois foi ao autorama com os amigos me deixou muito mal.

Com o travesseiro tampando meu rosto eu comecei e relembrar todos os momentos desde o começo e ai que eu comecei a entender aquele carnaval que o Hugo fez na balada quando falei que vi o Adriano beijando outro. saí pelas ruas pedalando até o Parque do Ibirapuera que ficava próximo de casa. deitei na minha cama e comecei a chorar. deu? -Sim. será que nem nos amigos mais a gente pode confiar? A que ponto um ser humano é capaz de chegar. você está bravo comigo? -Eu não. depois do banho me olhei no espelho tive vontade de bater com a cabeça na parede. desci até a garagem e peguei minha bicicleta. na verdade não era proteção de amigo. -Você fez o quê? Pronto. mas sim ciúme explícito. será que uma noite de sexo vale mais que uma amizade forte como a nossa? Será que pessoas como o Hugo sabem o quanto é preciosa uma amizade e o tamanho de seu valor? Foram perguntas como essas que pensei a noite toda e que não me deixaram dormir. -O que você fez. falsa.. no Sul eu tinha bastante e acabei me acostumando com o verde.. Hugo? -O Adriano me convidou pra ir ficar com ele no autorama e eu aceitei. alguns fazendo exercício por vaidade e outros por necessidade. passei um perfume suave. eu sentia falta de áreas verdes desde que vim pra São Paulo. Com os olhos inchados de tanto chorar lavei bem meu rosto. ao mesmo tempo eu fiquei pensando em como eu pude confiar em uma pessoa tão baixa. aquela natureza misturada com luxuosos prédios de fundo davam um contraste da hora. um palhaço. coloquei meus óculos. Abri a porta do meu guarda-roupa. era inacreditável que alguém pudesse trocar uma amizade tão bonita como a nossa por uma noite de sexo. peguei uma roupa leve. Saí do banho decidido a mandar tudo pro inferno e seguir minha vida me dedicando somente ao meu futuro. então peguei o telefone e liguei pro Hugo pra tirar essa história a limpo: -Hugo. cretina. é muito bom caminhar ou andar de bicicleta dentro de um parque enorme que fica concentrado dentro de uma cidade que é puro concreto. 64 . quando tudo parecia ir bem algo tinha que aparecer pra estragar tudo. maldita como o Hugo.pra me deixar com raiva. pra mim o tempo deixou de passar. andei por cerca de uma hora e meia e depois me sentei na grama pra descansar um pouco. senhoras levando seus cães para passearem. -Oi Lucas.. Desliguei o computador e o telefone. A medida em que o tempo passava comecei a reparar um pouco nas pessoas que ali passavam. Eu gostaria de entender o que se passa na cabeça de uma pessoa dessas. rapazes bonitos e malhados que iam fazer caminhada antes de irem pra faculdade ou trabalhar. até que ponto o ser humano é capaz de chegar. me achei um imbecil. ao menos que você tenha dado motivos pra isso. cada um com seu objetivo.. No outro dia levantei cedo e fui tomar um banho gelado. sentei no chão do box e deixei a água cair sobre minha cabeça. era uma decepção atrás da outra. idiota em acreditar que existisse amigos verdadeiros e alguém que eu pudesse amar confiando cegamente.

essa droga se chamava “Gabriel” e disso eu tinha certeza. -Será que é isso? -Claro tia. -Não fique tia. e se ele foi com uma garota pra um motel. na verdade foram duas passagens. ele não é disso. Lucas. a moça que se casar com você terá muita sorte. Pra mim essa história estava muito mal contada.. com direito a hotel 5 estrelas é claro. que automaticamente me fez ligar ao Gabriel.. -Então o que será? -Vai ver ele gastou com roupas.Voltei pra casa mais aliviado.. o Robson estava se envolvendo com drogas.. “Hoje resolvi fazer uma surpresa para o meu namorado. comprei uma passagem de avião pra ele ir visitar seus pais no Rio de Janeiro. claro que já me veio em mente algum problema envolvendo o Robson. meu amor merece tudo e mais um pouco. Por um lado minha tia tinha razão. que ultrapassava 3 mil. -O que houve tia Helena? -Estou preocupada com seu primo.” Mas que estranho. eu conheço o Robson. esqueça isso e pare de pensar bobagens. você é um garoto muito especial. 65 . pelo menos era o que eu havia ouvido comentarem. viagem. eu estava muito preocupada... ele apagou os nomes e só deixou o valor total. entrei na internet e comecei a acessar o blog dele para tentar descobrir alguma coisa. logo no primeiro Post achei a informação que eu queria. pois ele queria levar seu irmão junto. pode ter certeza que bobagens ele não está fazendo. -O que aconteceu com o Robson? -Ele gastou mais de 3 mil e não me disse em quê. Quando abri a porta da sala me deparei com a tia Helena que parecia estar muito preocupada. -Oi tia. agora ele é um homem. resolvi averiguar os fatos buscando informações com um amigo dele.. no que será que o Robson gastaria tanto dinheiro assim? Corri para meu quarto e liguei o computador. -Estou muito preocupada. deixei a bicicleta no suporte para bicicletas no estacionamento do prédio e subi pelo elevador de serviço mesmo. Eu estou desconfiada que ele esteja envolvido com drogas. não vai mais ficar te contando tudo o que ele faz. -Mas ele teria me contado. tive a certeza quando a tia Helena me mostrou a fatura do cartão de credito do Robson. -Não se preocupe tia. -Obrigada Lucas. -Tia. -Nossa Lucas.... o Robson cresceu. -Lucas meu filho. -Mas na fatura do cartão não está escrito onde ele gastou? -Não. só o que me deixou curioso foi o valor que havia vindo na fatura do cartão. eu pensava que o Gabriel era filho único e sua família fosse de Minas Gerais.

-Alô. Foram passar um tempo no Rio de Janeiro.. foi com o Edson... Com o... Foi com o.Fucei na agenda do Robson e encontrei o telefone do Henrique.. já não bastavam meus problemas ainda tinha os do Robson que de certa forma eram meus também. Às vezes. disse que ia nos apresentar mas deve ter esquecido. A gente poderia marcar um encontro e se conhecer. mas deixei pra lá. então resolvi ligar pra você me apresentando. -Em lua de mel? Caramba... mas nem tanto... quem fala? -Você quer falar com quem? -Com o Henrique. Como é o nome dele mesmo? -O Edson? -Isso. depois eu ligo pra você. melhor amigo do Gabriel. C@pítulo 15 Tudo na minha vida estava acontecendo de uma vez só. o que acha? -Ótima idéia. -Olá Henrique. -Ele pediu pra não contar.. por favor não comente com ninguém. já que por várias e várias vezes eu tentei alertar sobre o caráter do Gabriel e ele se recusou a me ouvir. no trânsito a caminho da faculdade eu refletia sobre toda minha vida e as pessoas ao meu redor. -Com certeza. o Robson merecia passar por isso.. -Sou eu. faz bem ele. na mesma hora peguei meu celular e liguei pra ele como quem não queria nada.... desculpa estar ligando pra você assim... não me disse quando voltava. Não entendo o por que eu ainda insistia em me preocupar com o Robson se o Gabriel não valia nada.. -Por quê? -Porque ele viajou em lua de mel. -É. -Agora eu preciso ir. será que acreditar na sinceridade do 66 . -Pode deixar. -Então vai demorar. é que o Gabriel me passou seu telefone. colocava o som bem alto e tentava encontrar alguma brecha e descobrir onde eu havia errado. mas pra isso o Gabriel tem que ir junto pra nos apresentar. Passei um número de telefone qualquer e desliguei. -Quem é? -Aqui é o Mário... -Bobos somos nós que ficamos aqui. se foi ele mesmo quem escolheu seu destino quem era eu pra dizer a ele que o Gabriel não era a pessoa certa. ele nem me falou nada. ok? -Passe seu telefone pra mim? -Anote aí. -Fez muito bem.. foi só jogar um xaveco bobo e aquele idiota caiu. Até pensei em ir avisar meu primo sobre a lua de mel que seu namorado iria passar com outro as custas dele. pensei que seria um pouco mais trabalhoso descobrir a verdade..

. ok? 67 ..... você permitiu que eu me apaixonasse por ele. eu fiquei muito bravo e disse que se ele me achava tudo aquilo mesmo eu poderia provar que não era um galinha.. eu não conseguia compreender. você mais uma vez disse que eu estava vendo coisas que não existiam. o Hugo me ligou insistentemente... pior ainda eu fiquei por saber que meu melhor amigo jogou nossa amizade no lixo.. não prestava. foi aí que ele perguntou como e eu disse pra ele ir até lá ficar comigo. eu te avisei e você debochou de mim. não consegui aceitar e muito menos perdoar. quando eu atendi o celular ele começou a falar que eu era um galinha.. se você optou pelo Hugo vai fundo. -Primeiramente eu quero te pedir desculpas. -Deixa-me concluir meu pensamento. -Eu sei que eu errei. Eu sabia que cedo ou tarde isso ia acontecer. tudo bem. desejo a vocês dois um mar de felicidades. não preciso saber de detalhes. confesso também que fiquei decepcionado com sua inocência. -Me escute..ser humano era errado? Será que algum dia eu iria encontrar alguém verdadeiro o suficiente pra me fazer feliz? Saber que o Adriano me trocou pelo meu melhor amigo me deixou mal. já fazia algum tempo que eu vinha reparando esse desejo do Hugo por você. -Lucas? -Sim. disse que eu estava vendo maldade onde não existia. -Chega. era um sentimento horrível que parou no meu peito e não saia.. esperava um pouco de maturidade sua.. por favor. -Eu não tenho o que desculpar. que ele me odiava. já que até ontem você dizia me amar e hoje você se desculpa por ter caído no jogo de sedução de um garoto de 16 anos... -Deixa-me falar... amor. eu notei uma segunda intenção dele. sem contar na angustia que se instalou de uma tal maneira que eu não conseguia mais sorrir. -Diga. não foi eu quem pediu pra ficar com o Hugo. -Alô.. -Ok. depois teve aquela brincadeira de vocês falando um pro outro que iriam transar.. Sem que você percebesse o Hugo estava seduzindo você... -Bom.. se você hoje se diz apaixonado por ele. -Depois que eu e você brigamos. mas cada um sabe o que faz de sua vida. e como um cordeiro caiu na toca do lobo. sem pensar duas vezes ele disse que se eu fosse buscá-lo em casa ele iria.. passei uma noite inteira em claro chorando. o que você quer Adriano? -Eu queria conversar com você.. e muito menos ficar te ouvindo.. -Seja breve e objetivo. -Pense como você quiser. -Eu também não. -Mas a culpa foi sua Lucas. não sei por qual motivo ele começou a dizer aquelas coisas.

Se agora eu te disser que o Hugo não presta você não vai acreditar em mim. hoje eu tenho que confessar que ele tinha razão. -Adriano. mas beleza ele não tinha... Mesmo que isso fosse verdade. pra mim era incompreensível ser trocado pelo seu melhor amigo. boa noite.. -Não existem inocentes nessa história. -Lucas eu não tive culpa de nada. tá certo que fui 68 . talvez o que tenha atraído o Adriano foi seu físico.. mas a verdade sempre aparece. era meu nome que ele chamaria.. Desliguei o telefone e fui dormir. A vida lhe deu dois caminhos. se o Hugo pelo menos fosse bonito até entenderia. um pouco mais aliviado por ter desabafado e dito quase tudo que estava engasgado na minha garganta. você escolheu o de lágrimas porque estava enfeitado com fantasias. Ou melhor. na mesma hora peguei o telefone e liguei pra ele.-Eu estou confuso. me perdoe Lucas? -Perdoar? O dia em que eu cruzar com você. pois você está optando pelo seu triste destino. -Por favor.. você jogou nossa amizade no lixo como um objeto descartável... pois ninguém consegue viver com uma máscara o tempo inteiro. Boa noite pra você! Desliguei o telefone com um ódio gigantesco. enquanto o da felicidade continha obstáculos que você preferiu ignorar. -É sempre assim. mas já será tarde demais. o que me deixou pior ainda eram nossas diferenças. existem muitos caras como o Adriano que preferem ficar com meninos meio criança. enquanto vocês estivessem transando seria em mim que ele estaria pensando.. -Hugo? -Oi Lucas. como uma puta satisfazendo o desejo de um homem. eu acho que vou quebrar sua cara. você nem esperou um parecer meu. nosso envolvimento foi recente. Saiba que ele me ama. embora tivesse acabado de completar 17 anos.. agora eu te pergunto. -Mentira.. um dia você vai ver quem é o Hugo de verdade.. não aparentava ter mais de 14 anos. deitado na minha cama comecei a chorar muito. liguei o rádio e começou a tocar Um anjo veio me falar. o que vale mais. se jogou pra cima do cara que eu estava afim na intenção de transar com ele. era meu perfume que ele sentiria e minha pele que ele tocaria.. você simplesmente seria um corpo opaco preenchendo sua cama. se aproveitou de um momento frágil entre nosso relacionamento para satisfazer um desejo sexual seu. pois o Hugo era baixinho. nenhum dos dois teve culpa e pronto. -Eu devo. -Mas o Adriano me disse que vocês não estavam mais juntos e. uma amizade ou uma noite de sexo? -Lucas eu não tive culpa.Rouge. e são os que mais sofrem. ele ainda vai te fazer sofrer e um dia eu vou te ver me dando razão e pedindo perdão.. não sei o que eu faço.. tivemos apenas uma briga boba. No meio de toda essa confusão eu ainda não havia escutado a versão do Hugo.. deixarei uma marca minha pra nunca mais se esquecer. um dia uma pessoa me disse que o Hugo não valia nada e eu duvidei. um de lágrimas e outro de felicidade. não veio me perguntar se era verdade ou não.. você deve..

enquanto isso meus pensamentos iam longe.. mas sim porque amei”.. -Obrigado pela consideração Hugo. só esperando a hora certa para dar o bote. porém meus pensamentos estavam longe dali. me da outra chance.. Lucas. Voltei pra sala. -Mas que inferno. não tem nada haver com o Driko. -Alô? -Lucas. esclarecer. também queria acabar com ele. pois o anjo sem asa que ele aparentava ser na verdade era um lobo faminto. desliguei a TV e fui pro meu 69 . comovente... mas eu acho que a gente precisa conversar. mas “se um dia eu chorei não foi porque perdi. mas não me convenceu. eu quero te apresentar o Igor. será que você ainda não percebeu que eu não quero nunca mais ouvir sua voz? -Pelo amor de Deus Lucas... diferente do Hugo que se aproveitava de sua sensualidade para tirar muitas vantagens na vida. eu nunca usei do meu poder de sedução para conseguir o que queria. Hugo? -Desculpa. -Humpft. -Lucas. Ta bom. levantei do sofá. de tão profundo que estava em meu subconsciente. não sei se teria coragem de bater nele se o encontrasse.... vá pro Diabo que te carregue. Estava na sala assistindo um DVD quando escutei meu celular tocando lá no quarto. nunca gostei de violência. arrebentar aquela carinha de anjinho que ele tinha.. tirei o DVD e guardei na caixa. ele também está afim de mim e nós estamos ficando. E agora eu te peço pela última vez que nunca mais me procure. Ao mesmo tempo em que eu queria perdoar o Hugo. eu não quero perder sua amizade que é muito importante pra mim. -Não começa com essa historia estúpida de intenções. C@pítulo 16 Não tinha uma pessoa que não conhecesse o Hugo e não se encantasse com seu jeitinho maroto. Embora fôssemos parecidos.. Desliguei o telefone puto da vida e ao mesmo tempo indignado com a cara de pau do Hugo. eu não tive a intenção. eu queria que ele e o Adriano fossem pro quinto dos infernos e me deixassem em paz. por mais arrependido que ele estivesse eu estava pouco me importando. -Você outra vez.. mas na hora da raiva a gente fala qualquer coisa. joguei as almofadas que eu estava abraçado no outro sofá e corri para atender ao telefone. esqueça que eu existo. tive que paralisar o filme na melhor parte.. -Você me desculpa? -Não. -Por favor.. dei o play e deixei o filme passar. confesso que até eu caí em sua armadilha de bom menino.. sua justificativa é muito bonitinha.. peguei as almofadas e deitei no sofá para continuar vendo o DVD de onde eu havia parado. de tão atordoado que eu havia ficado já nem lembrava mais do filme. porém era uma mistura de ira com pena. eu estou apaixonado por outra pessoa..dormir chorando de nervoso e muita raiva. O filme acabou e eu nem percebi.

-Lucas diz: Que gracinha. E você com o driko? -Lucas diz: Não existe mais Lucas e Driko. -Lucas diz: Qual a idade dele? -Juninho diz: a mesma que a minha. -Lucas diz: Sério? Que maravilha. fazendo com que o Adriano ficasse confuso e achasse que estava apaixonado por ele. -Juninho diz: Lú se você quiser eu do um pau nele pra você -Lucas diz: Nada disso.. -Juninho diz: Obrigado... -Juninho diz: Por que? -Lucas diz: Seu amigo Hugo jogou um xaveco nele e eu fui jogado pra escanteio.. Tranquei a porta que já era pra ninguém me incomodar. -Juninho diz: oi Lú... se rolou alguma coisa os dois têm culpa nessa história. tudo bem? -Juninho diz: sim. ele não tem culpa sozinho.. -Juninho diz: o Hugo roubou o driko de você? -Lucas diz: Roubar não.. e ele é lindo -Lucas diz: Parabéns meu anjo. casais jovenzinhos assim eu acho tão fofo. mas interferiu em nosso início de relacionamento.. logo quando eu me conectei o Junior veio falar comigo...quarto me distrair um pouco na internet... -Lucas diz: Olá Jr. 70 . 14. -Juninho diz: héée... -Juninho diz: é.... ambos tinham 14 anos. tenho uma novidade -Lucas diz: Qual? -Juninho diz: to namorando. porque o Driko nunca foi meu. todo feliz porque estava namorando um garoto da sua idade...

. já tendo certeza de sua sexualidade antes de completar seus 15 anos. o importante é que você agora esta feliz com seu namoradinho. o que ele não compra é amor. ficamos juntos por 8 meses e depois nos separamos porque ela queria casar e eu era muito novo pra isso. me perguntava o por que eu não poderia ser feliz igual eles? Será que algum dia encontraria um amor assim? Até aquele momento eu só havia sofrido decepções. Minha primeira namorada eu tive aos 16 anos e foi minha primeira transa também. Dentro da sala havia muitas pessoas. fiquei hiper feliz por ele ter encontrado o amor que ele tanto procurava.. não gostava de ficar por muito tempo dentro da sala de cinema. depois subi até o cinema e comprei um ingresso para ver um lançamento. Nos tempos de hoje as pessoas estão se descobrindo muito cedo. Ainda faltavam mais de trinta minutos para começar o filme. ela tinha 17 anos. pura mentira. O filme acabou já passava 71 .. suspirava ao ver aqueles casais passando por mim de mãos dadas e felizes. -Juninho diz: sim. eu estava lhe dando com seres humanos. ao me aproximar do vidro eu podia ver meu rosto abatido sendo refletido e de fundo uma pilha de perfumes importados.. Pode ser um pensamento careta meu. por isso eu só ia assistir filmes com menos de duas horas de duração. enquanto não começava eu fiquei na área vip terminando de tomar meu Milkshake. muito!!! É tão bonitinho ver um casal tão novinho namorando. mas a pressa em ser adulto quando se entra na adolescência é tanta que se perde a melhor parte da vida que é a infância. enquanto isso eu observava as pessoas que ali estavam também para assistir o filme. iniciam a vida sexual antes de completarem 16 anos e alguns até já são pais aos 18 anos.-Juninho diz: como esse Hugo é filho da puta -Lucas diz: Rsrsrs. pois acabam se tornando pais e mães muito jovens. Vamos deixar isso pra lá. o sistema de isolamento de som dava uma amenizada no barulho. enquanto isso eu liguei o rádio do carro e fiquei me distraindo com as músicas. C@pítulo 17 Peguei meu carro e fui até o shopping comprar alguma coisa pra me distrair.. de vidros fechados e portas travadas eu me tranquei naquele mudo só meu. Ao chegar no shopping fiquei quinze minutos esperando pra estacionar no subsolo. sendo de sua idade era melhor ainda. a falta de responsabilidade de alguns faz também perder a adolescência. Caminhando pelos corredores do shopping eu olhava aquelas vitrines enfeitadas com ânsia de comprar. sendo assim são inevitáveis. pois os dois iam se descobrir juntos e isso é de extrema importância tanto pra um quanto pro outro. Ambientes fechados me causavam um pouco de falta de ar. Passando pela praça de alimentação não resisti e parei pra tomar um Milkshake de Ovomaltine que eu adorava. dinheiro traz sim felicidade.. mesmo assim era possível ouvir aquela falação de ansiedade pra ver logo o tão esperado filme. dizem que dinheiro não traz felicidade.

... o Gabriel era tão burro que nem se atentou ao detalhes e foi ver meu primo cheio de marcas de chupada no pescoço. tirei toda minha roupa e deitei na cama.. caminhando pelo corredor dos quartos escutei algumas vozes que vinham do quarto do Robson. os bandidos me bateram. tentaram me enforcar. Você fez Boletim de Ocorrência? -Eu fiquei tão desesperado que nem pensei nisso. foi horrível. a luz da sala já estava apagada. você tem que confiar em mim.. me aproximando mais da porta foi possível identificar a voz enjoada do Gabriel: -Olha o que eu trouxe do Rio pra você.. não havia passado a noite muito bem pensando naquela palhaçada que havia escutado.. Tranquei a porta. Que marca é essa no seu pescoço? -Qual marca? -Essa vermelha aí. Abri a porta do meu quarto bem devagar.... vamos esquecer isso? -Tudo bem. Claro! Eu tive vontade de entrar naquele quarto e jogar o Robson pela janela. -Eu sei.. como uma pessoa pode ser tão ingênua a ponto de acreditar em uma mentira tão imbecil e sem nexo como essa? Seria amor de mais? Não acredito que alguém quando ama fica totalmente cega.. depois voltei pra casa pra almoçar com todos a mesa.. -Por que você não me ligou? -Pra quê. coloquei a chave na mesinha ao lado do sofá e segui para meu quarto. tranquei para não correr o risco de encontrar o Gabriel aprontando alguma das suas... -Você quer parar de me esconder as coisas e me contar o que é isso? -Deixa pra lá Ro. Passei a manhã inteira malhando. fiquei cheio de marcas pelo corpo. indignado com a inocência de certas pessoas. -Credo.. o que dava a entender que não havia ninguém em casa ou estavam dormindo. No outro dia acordei bem cedinho e fui para a academia. meu papel é ficar do seu lado sempre. -Obrigado. Na certa era uma chupada do outro carinha com o qual ele viajou... mas o Robson não era burro e ia acabar descobrindo a verdade finalmente. segui até o estacionamento pra pegar o carro e fui embora... -Eu sou seu namorado...das 23h. Eu fui assaltado na praia quando andava pelo calçadão à noite.. o shopping já havia fechado. Você vai falar o que é isso se não o bicho vai pegar.. então vem me dar um abraço? -Hum. te deixar preocupado? Nunca amor.. o silêncio da noite foi quebrado pelo barulho da chave na porta.. revoltado com a palhaçada que havia acabado de escutar.. ao menos que ele queira. Cheguei em casa por volta de 00h. -Não. Ao entrar na sala o almoço já 72 . amor.. -Tudo bem. -Como assim me preocupar? -Humpft. Eu não te contei antes porque não queria te preocupar. -Não é nada não.

.. Que absurdo. -Faz bem. Pega pra mim um pouco de purê.. eu precisava de um banho gelado pra tirar o cansaço e me acalmar das lorotas que fui obrigado a ouvir.. Tudo bem? -Juninho diz: Não -Lucas diz: O que houve? -Juninho diz: Ah Lú.. onde tudo era previsível e decepções amorosas quase nem sofria. Robson? -Como a senhora sabe? -Escutei vozes. garotão. -Olha aqui Robson. O final do ano estava chegando. -Boa tarde. com licença.. -Juninho diz: Oi Lú  -Lucas diz: Olá Jr.. -É isso aí tio.. -Lucas diz: Mas por que? -Juninho diz: por que o Igor quer um tempo -Lucas diz: 73 ... -Gente... -Mas você e esse garoto não se desgrudam mais. corri até meu quarto.. Quem estava com você essa noite no seu quarto.. tirei o tênis e entrei embaixo do chuveiro de roupa e tudo.. logo quando me conectei o Junior veio me procurar querendo desabafar.estava sendo servido. Coitado. Entrei no meu quarto. Eu era uma pessoa só pra ficar ouvindo tanta lorota de uma vez. tia? -Claro... você que não invente de ir pra lá sem me avisar. pois estava muito calor. quase morreu nas mãos dos bandidos. fazia algum tempinho que eu não ia... -Onde você foi? -Fui na academia. ele estava me contando o sofrimento. -Boa tarde Lucas! -Estou com uma fome. -Meu Deus. falar nesse assunto iria me deixar revoltado e antes que eu cometesse uma besteira preferi me retirar da mesa. -Era o Gabriel. -Pois é. to triste.... pai. viajou pro Rio e foi assaltado. hein.. deixei a mochila no canto da cama e voltei pra sala. perdi a fome. Exercício é ótimo pro corpo e pra saúde.. Ao sair do banho apenas enrolei a toalha em volta da cintura. embora na minha vida tivesse ocorrido uma enorme mudança eu preferia continuar com a tranqüilidade de antes. -Ele é meu amigo... liguei o computador e entrei na internet pra me distrair um pouco.

-Juninho diz: boato nada.. C@pítulo 18 Eu não tinha certeza se era o mesmo Igor que o Hugo havia comentado comigo.... o que aconteceu? -Lucas diz: Pode ser que eu esteja enganado. -Lucas diz: Deve ser boato... por que o espanto? -Lucas diz: Não.... ele quer roubar meu amor de mim. -Lucas diz: O que você está pensando em fazer? 74 . Nada não... mas se tratando do Hugo tudo era possível.. o Igor e o Hugo são amigos.... não leve a sério. destruindo a vida dos outros e depois que ele consegue separar ele larga... Eu até tinha esperanças de estar enganado. -Lucas diz: Não creio. esse Hugo é um filho da puta mesmo.......Igor? -Juninho diz: sim. -Lucas diz: Eu não entendo o que se passa pela cabeça desse garoto.. -Juninho diz: Isso não vai ficar assim não... eu vou ter uma conversinha com ele agora. -Juninho diz: Fala Lú. -Juninho diz: Não.. -Juninho diz: É o meu Igor que o Hugo ta ficando... -Juninho diz: Luuuuuuuuuuuuuuuuuuuu -Lucas diz: Eu... mas Igor é o mesmo nome do garoto que o Hugo disse estar ficando. acho que acabei fazendo besteira contando ao Junior o que eu desconfiava.. -Juninho diz: Peraí. pois aquele garoto não media esforços para conseguir o que queria. até quando ele vai ficar interferindo na vida das pessoas assim? -Juninho diz:  -Lucas diz: O pior de tudo é que ele acaba seduzindo as pessoas...

-Lucas diz: Huahuahuahua.. Eu não entendia o que levava o Hugo a ficar destruindo o relacionamento dos outros. -E seu pai. como está? -Está bem. fiquei acordado vendo os fogos pela janela do apartamento. chegou até a ameaçar o Hugo. mas e quando começarem a aparecer as rugas? Será que alguém teria coragem de viver ao lado de uma pessoa com fama de destruidor de lares? Não entendo qual a graça de tirar o namorado dos outros e depois jogar fora. -Lucas diz: Você tem que deixar seu namorado escolher com quem ele quer ficar.. -Oi Lucas! -Falei com minha mãe. vou bater nele por mim e por você.-Juninho diz: ele disse que do meu Igor ele não abre mão. -Juninho diz: sim. mas depois eu percebi que não valia a pena. falei com meus pais por quase uma hora ao telefone. depois fui dormir abraçado com o travesseiro.. matei um pouco da saudade que eu estava deles e prometi ir visitálos assim que meus tios voltassem de viagem.... o Igor não vai querer namorar um banguela. Nos momentos de raiva eu também pensei em quebrar aquela carinha de santo que ele tem. assim como eu o Junior ficou muito bravo.. pois agora que eles são novos. o Robson viajou com o Gabriel para Porto Seguro e eu acabei passando em casa sozinho. pele lisinha... Dois meses se passaram. 75 . mas eu a achei um pouco triste. todo mundo cai matando. falei com ele e me pareceu estar bem melhor. Às vezes eu parava pra pensar e tentava imaginar como seria o Hugo e o Gabriel quando ficassem velhos.. com a maior cara de pau ainda disse que estava ficando com o Igor e não abria mão.. mas antes que ele escolha.. Lucas. Assim que meus tios voltaram de viagem conversei com eles que na mesma hora concordaram e me deram dinheiro para ir visitar meus pais no Rio de Janeiro. -Triste? Aconteceu alguma coisa? -Que eu saiba não.. a tia Helena e tio César passaram as festas de fim de ano na Europa curtindo uma segunda lua de mel. pura maldade. eu que não vou dar meu namorado de mão beijada pra ele não. -Tia Helena.. aluguei uns DVDs e pedi uma pizza por telefone.. rostinho bonitinho. eu acho que é a reação de todo mundo quando é pego de surpresa.... A reação do Junior foi a mesma que a minha ao saber que ele havia seduzido o Adriano. ele só seduzia os garotos até vê-los separados e depois caia fora. -Que alívio. -E como ela está? -Disse que está bem. não sei por que a felicidade de uns incomoda tanto outras pessoas.. mas nem isso o intimidou. -Juninho diz: Deixa comigo Lú.. eu vou quebrar os dentes do Hugo.

-Ah. minha vontade era de dar um beijo naquela boca bem desenhada. eu tenho dinheiro.-Eu queria te pedir um favor. -Não precisa tia. Agora trate de ir fazer suas malas. -Bom. guarde esse dinheiro. aquilo na cama deveria bater um bolão. até perdi o equilíbrio ao vê-lo parado ali na minha frente me olhando com aquele par de olhos verdes. Preenchendo o cheque ela ia falando: -Diga pra sua mãe me ligar que estou com saudade. respirei aliviado ao deixar meus problemas em São Paulo. Tudo bem. era real mesmo. obrigado. um monumento vestido de comissário. Encostei minha cabeça na janela e fiquei olhando o mundo lá embaixo. Com esse dinheiro da pra você comprar as passagens de avião e se manter por lá por uns 15 dias. -Obrigado tia! -De nada. Fui imediatamente para meu quarto arrumar minhas coisas. Estou bem sim.. a senhora se importa? -Mas é claro que não. cara de homem.. juntei tudo que iria precisar dentro de uma mala média que a tia Helena me emprestou e no mesmo dia embarquei para o Rio. mas aos poucos fui me acostumando. ansioso para ver meu pai e minha mãe..... confesso que no início fiquei com medo de viajar com poucas pessoas. Olhando pela janela eu enxergava minha vida ao horizonte.... envolvido nos meus pensamentos que foram interrompidos por uma voz: -O senhor está passando bem? -Como? -Perguntei se o senhor está passando bem. tia.. finalmente eu iria ter um pouco da paz que eu tanto precisava. onde o modelo era o comissário delicioso. parecia um modelo. -Está aqui.. -Digo sim. vou fazer um cheque. -O senhor quer uma bebida? Até parecia provocação. -Qual? -Eu quero ir visitar meus pais no Rio. ao decolar notei que havia várias poltronas vazias. o corredor do avião parecia uma passarela de moda. Era uma visão? Não. Quando você pretende ir? -Não sei.. -Eu aceito! -Pode escolher. aqui está o menu. quem sabe você precise mais tarde? -Humpft. né? Estava na hora mesmo de você ir visitá-los. -Vou nessa. sentei bem na janela. parecia até filme de terror... Era a primeira vez que eu andava de avião... o quanto antes. -Lucas. -Qual você me recomenda? 76 . alto. cabelos lisos e aloirados com uma franja levemente caída na testa.

o jeito que ele chupava minha língua instigava para que o clima esquentasse descontroladamente.. Fiquei ali sentado pensando besteiras enquanto ele foi até a cozinha buscar minha bebida. mas estou trabalhando agora. se chegar aos ouvidos de alguém isso. até me arrepio só de pensar. não contarei a ninguém. na mesma hora ele interrompeu: -Lucas. aquele modelo disfarçado de comissário era melhor do que eu pensava. senhor. -Você. eu posso ser demitido. Tem as mais alcoólicas. -Mas estava ficando tão bom. fale baixo. -Você venceu. -Obrigado nada.. sem álcool.. Hum. Eu. será um segredo só nosso... não é permitido permanecer aqui. quando entrei naquela cozinha apertadinha ele estava de costas para mim.. era tudo que uma pessoa gostaria de ter na vida e na cama. não.. -Por favor. -Obrigado. claro que além de mim existem muito mais pessoas que tem fantasias com homem uniformizado. você é um gato.. já ansioso e impaciente me levantei e fui até lá. 77 . ele chupava minha língua simulando um sexo oral. minha imaginação teve uma pane de tantas coisas que eu pensava fazer ao mesmo tempo com aquele pedaço de mal caminho. Tive que me controlar pra não agarrá-lo. -Pode me chamar só de Lucas.. vou buscar para o senhor.. Sei que está louco pra me beijar assim como eu. pra falar a verdade deve ser tudo de bom ir tirando aquela farda pouco a pouco com os dentes. ao se virar acabou levando um susto: -Senhor. além de gostoso ele era hiper educado. Eu tinha certeza que ele estava a fim de me beijar.. perdi o fôlego e todo o juízo. ok? -Obrigado. -Por que não? -Pode chegar alguma comissária aqui e aí estarei ferrado. Lucas. com aquela camisa branca e gravatinha preta ele ficava um tesão. -Tudo bem.. por favor volte para o seu lugar... -Eu notei como você estava me olhando. -Psiu.. -Estava ficando e vai continuar. -Tudo bem. A cada palavra dele eu dava um passo à frente. mas fiquei surpreso quando ele me pegou pelo braço. mas que beijo gostoso. meu Deus. -Hum. chegando cada vez mais perto... -Diz que você não quer? -Eu. você vai me dar um beijo ou eu vou ter que roubar? -Ai meu Deus. Eu vou querer esse drink aqui. -Até quando você vai me chamar de “senhor”? -Mas. tomara que eu não me arrependa depois. Sem ao menos respirar comecei a tirar sua camisa ali mesmo. com pouco álcool...-Depende de gosto.. volte para o seu lugar. me prendeu na parede e começou a me beijar loucamente...

Ele pegou pelo meu braço e me arrastou até um toalete que havia na cozinha, com muita cautela ele fechou a porta, olhou pra mim com aqueles olhos verdes e graúdos dizendo: -A partir desse momento, realize comigo as suas fantasias, que a minha vou realizar agora. Começamos a nos beijar descontroladamente, em pouco tempo sua cueca já estava em minhas mãos que por sinal fazia parte do uniforme também. Enquanto eu tirava minha calça ele me olhava com um olhar "animal", de caçador, o que me deixava com mais tesão ainda, com o nível de testosterona transbordando tirei minha camiseta, ele suspirou e tocou em meu tórax passando sua língua nos lábios, como eu não costumava usar cueca ao abrir o botão da calça fiquei praticamente pelado, em uma sede incontrolável ele começou a chupar meu mamilo, passando sua língua safada de um lado para o outro, às vezes dava umas mordidas que me faziam gemer, depois ele foi descendo cada vez mais, suas chupadas eram ótimas, principalmente quando ele dava uma mordidela de leve, não teve como segurar os gemidos quando ele começou a chupar minha virilha, não dava pra segurar, ele sabia como deixar um cara com o tesão no limite, sexualmente ele era ótimo, foi o melhor sexo oral que já recebi até então, o toque de suas mãos instigavam meu prazer, as carícias e às vezes até uns beliscões, será que no curso para comissário ensinam? Eu já estava quase gozando e não fazia nem cinco minutos que estávamos ali dentro, fechei meus olhos de maneira a guardar o momento pra mim, o clima só esquentava e quando chegamos no auge do orgasmo fomos interrompidos por alguém batendo na porta. -Com licença... Tem alguém ai? C@pítulo 19 Assustado eu comecei a entrar em pânico, se alguém nos pegasse ali juntos iria causar muita confusão e o rapaz poderia perder seu emprego, tudo por culpa minha. -E agora? -Calma, comece a se debater... -Pra que isso? -Não fique pedindo explicações... Faça o que eu to mandando. -Ok. Comecei a me debater como um louco, me segurando tentando me “controlar” ele abriu a porta e uma das comissárias estava ali parada querendo saber o que estava acontecendo, ao me ver daquele jeito acabou ficando assustada e iniciou o trabalho de primeiros socorros junto com o comissário: -O que está acontecendo? -Ele esta tendo uma convulsão, me ajude aqui... -Tira ele daí... Fui colocado deitado no chão da cozinha e “reanimado” pela comissária que ficou muito preocupada comigo, pouco tempo depois acabei me “recuperando” e voltei para meu assento e respirei aliviado, embora não tivesse terminado meu 78

“ato”, foi ótimo ter dado uns beijos naquele comissário-modelo maravilhoso. Pela sua cara foi possível perceber que ele estava bem satisfeito, às vezes ele passava por mim e dava uma piscadinha, um sorrisinho safado, quando ele veio me trazer a bebida que eu havia pedido há um tempo antes me entregou junto um papel contendo seu telefone, sinal de que ele estava a fim de continuar de onde havíamos parado, abaixo do telefone havia o nome e o endereço do hotel onde ele iria ficar, dobrei o papel e guardei no bolso da calça. O avião já estava se preparando para pousar, ouvimos o aviso para todos apertarem os cintos, já comecei a sentir um frio na barriga, igual quando o avião decolou. Enfim cheguei ao Rio, um calor insuportável me fazia suar como gelo derretendo, ao sair pelo portão de desembarque vi minha mãe que já estava me esperando ansiosa, com o sorriso de orelha a orelha. -Como você está, meu filho? -Estou bem mãe, e vocês, como estão? -Na medida do possível Lucas. Depois que desembarquei da aeronave não vi mais o Rodolfo, aquele comissário lindo de parar qualquer aeroporto, a última vez que trocamos olhares foi um pouco antes do avião pousar. Pegamos um táxi e deixamos o aeroporto, minha mãe me levou até a pensão onde ela estava, enquanto ela falava fui o caminho todo relembrando os minutos que havia me aventurado. Ao chegar na pensão reparei na simplicidade do lugar, na verdade eles tiveram que mudar da casa do amigo do meu pai, porque de última hora ele resolveu alugar para um pessoal que estava de férias, não tendo para onde ir meus pais tiveram que alugar um quarto de pensão pra não ficarem na rua. Olhei de um lado e do outro, mas não vi meu pai, preocupado perguntei à minha mãe onde ele estava e ela me respondeu que ocorreram algumas complicações e ele teve que voltar pro hospital, indicando que sua saúde não estava muito bem: -Mãe... O pai não melhorou? -Humpft... Às vezes ele melhora, às vezes ele piora, não sei mais o que fazer. Às vezes eu o vejo sofrendo naquela cama de hospital, choro sozinha no banheiro, no corredor, mas nunca na frente dele... -E quando poderei visitá-lo? -Depois de amanhã, filho. -Mas... -É que ele não pode ficar recebendo muitas visitas, os médicos pedem pra deixá-lo descansar o tempo todo... Se você visse como ele está magro, abatido... -Oh mãe... Não chore, ele vai melhorar... É só uma fase... -Filho... Estou com medo... Seu pai é a única pessoa que eu tenho além de você... -Pare com isso, mãe. Não fique pensando besteiras, o pai vai ficar bom logo... Abraçado com minha mãe eu tentava me controlar, passando segurança e força para a ela, mas por dentro eu estava chorando, com medo, inseguro, por mais que eu negasse uma angustia se fazia presente dentro do meu peito. À noite liguei para o Rodolfo, o convidei para dar umas voltas pelo calçadão, como sempre ele foi muito simpático e atencioso.

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-Alô? -Rodolfo? -Sim... -Aqui é o Lucas... -Tudo bem com você, gato? -Tudo ótimo, e com você? -Melhor agora... Está a fim de dar uma saída... -Pra onde você quer ir? -Sei lá, dar umas voltas pelo calçadão... -Por que você não vem aqui pro hotel? Estou sozinho aqui... -Ok, o endereço é esse aqui mesmo? -Sim... Vou deixar um recado na recepção liberando sua entrada. -Beleza, daqui a pouco to aí... Quando cheguei no hotel procurei por ele na recepção, era um hotel muito elegante, a recepcionista foi muito simpática e disse que eu poderia subir, me indicando o elevador e o andar onde era seu quarto. Ao tocar a campainha da suíte quase que de imediato ele abriu a porta, me recebendo de regata branca mostrando seus músculos e calça jeans, com uma toca preta de malandro na cabeça, olhando nos meus olhos ele disse: -Agora nós vamos terminar o que começamos naquele banheiro... Você será a pior e a melhor coisa que já me aconteceu na vida. Num leve toque no interruptor a luz se apagou, com o vento que entrava pela janela fazia a cortina do ambiente dançar, com muito carinho e romantismo o Rodolfo tocou em meu braço e me deitou na cama. C@pítulo 20 O Rodolfo foi um cara muito bacana naquele curto espaço de tempo que ficamos juntos, existem pessoas que surgem em nossas vidas na hora certa e o Rodolfo foi uma dessas pessoas, naquela noite transamos pela última vez, foi maravilhosa, eu acredito que pessoas entram em nossas vidas por um motivo, ninguém aparece por acaso. Dois dias se passaram, pela manhã acordei cedo para visitar meu pai, tomei um banho bem rapidinho, comi um pão de queijo e seguimos para o hospital. -Vamos logo que às 9h20 o ônibus passa... -Não se preocupe com isso mãe, podemos pegar um táxi... -Lucas, eu e seu pai estamos economizando ao máximo, tem dias que eu vou até o hospital caminhando pra economizar. -Ei... Olha aqui pra mim... Vou mandar dinheiro pra vocês aliviarem um pouco, deixa que o táxi eu pago, ta bom? -Tudo bem meu filho... No percurso até o hospital fui observando pela janela aqueles corpos deslumbrantes que desfilavam pelo calçadão da praia, mulheres de corpos bronzeados e biquínis quase invisíveis chamavam atenção de muitos que por ali passavam, rodas de amigos jogando vôlei sem camisa matando os outros de tesão, quanta gente bonita passeando pela praia, parecia que ninguém 80

Enquanto meu pai foi ao banheiro. notei muito bem aquela troca de olhares no táxi quando aquele carro encostou do seu lado. na hora eu me assustei e não entendi. que saudade.. fui acompanhando seu carro até perdê-lo de vista completamente.. -Quer ajuda? -Não precisa. -Já volto. O quarto onde ele estava até que era agradável. o semáforo abriu e fomos embora. e a melhor parte era que estava me dando bola. Bonito. né Lucas? -Sempre mãe. nem parecia hospital público.. -Mas o que tem haver um carro encostar ao meu lado e eu olhar? 81 ... de onde eu nunca deveria ter saído. involuntariamente eu olhei para o motorista e quando notei. sempre. vem aqui. ficamos somente nós três. seus olhos encheram de lágrimas. só deu tempo de retribuir com um sorriso meio safadinho depois de ganhar uma piscadinha de leve. -Como você está grande. -Tudo bem. no meio ficava a cama. -Seu pai tem melhorado. -Lucas.. -Eu também pai. tudo limpinho. luta pela vida. -Pai. O que está acontecendo? -Mas do que a senhora ta falando? -Lucas eu não sou idiota. demorei a acreditar que aquele cara gatão estava me dando mole. pode deixar que eu vou sozinho.. -O senhor está melhor? -Na medida do possível.trabalhava ali.. realmente uma graça... Lucas. usava óculos escuros... vou ao banheiro. cabelo arrepiado.. camisa regata. ele estava me olhando de um jeito diferente. A enfermeira saiu do quarto encostando a porta e nos deixando as sós.. -Ele sempre foi assim. parecia estar nervosa. Um homem. comecei a chorar e o abracei.. -Mãe. sabonete.. Ele é um homem de fibra.. -Vou trazer o seu almoço. dei um suspiro e encostei minha cabeça no banco tentando acordar do “sonho”. quando entrei no quarto a emoção tomou conta de nós. Lucas... finalmente eu estava ao lado da minha família novamente. -Lucas. minha mãe me puxou pelo braço e me encostou no canto da parede. banheiro. Ah meu filho. garoto.. no banheiro tinha toalha.? -Eu é que pergunto. o rapaz aparentava ter uns vinte e dois anos. meu pai estava andando de um lado pro outro com a ajuda da enfermeira e um andador... tinha tv. Chegando no hospital subimos direto pro quarto. tinha uma janela ao lado direito de sua cama que dava pra avistar o Cristo. Ao parar no semáforo um carro encostou ao lado do que estávamos. seus olhos pareciam cuspir fogo e sua mão estava gelada. eu não consegui conter minha emoção.. você não imagina como.. O que está havendo. uma tatuagem no bíceps.

sofri muito quando você nasceu. ou melhor dizendo. o meu amor por você é incondicional. mas não naquela situação em que ele se encontrava. não deixei de ser homem por ser homossexual. -Cala essa boca e sai daqui seu moleque. eu criei foi um homem. -Medo de que. -Não fale assim pai. mãe de verdade não abandona seu filho só por ele ser um homossexual... -Vai proteger a viadagem agora? -Ele é nosso filho.... não me amar mais.. a um viado. não quero um filho-moça não. jamais deixaria de amar você. Nesse momento meu pai vinha saindo do banheiro: -Que história é essa de homossexual? O Lucas é boiola? C @ pítulo 21 Ao ouvir a voz do meu pai falando aquilo eu gelei... -Tudo bem.. nos abraçamos.. meu Deus? -Medo de a senhora não me entender.. -Não tem nada de pai.. -Não importa o que você sente.. algumas preferem fingir que nada acontece pra não se decepcionar... olhando nos meus olhos ela dizia: -Lucas.. dois homens trepando.. mas chegou a hora que eu precisava ter a certeza. Saí daquele quarto chorando. -Ah que graça. você é bicha.. assim como eu fiquei calada por esse tempo. -Eu te carreguei por 9 meses na barriga. chega de mentiras. Almir. acho que Helena também deve saber. sua marica. -Ah mãe. desci pelas escadas de emergência 82 . por favor.. Será que você está achando que eu sou estúpida o bastante de não perceber aquele olhar que vocês trocaram? Acha que eu não percebi quando ele piscou pra você e você deu um sorrisinho? Dei um suspiro e me calei. honre o pau que você tem no meio das pernas... -Mas eu sou homem. Lucas? -Não fala assim com ele.. o que você faz. o Gabriel também é gay..-Chega Lucas. -Seu filho. meu filho.. Sua tia Helena já sabe? E Gabriel sabe disso? -A tia Helena não sabe de nada. toda mãe sabe e conhece seu filho. por enquanto não era um bom momento para ele ficar sabendo. Chorando. -Pai.. tremendo muito. mãe. você não existe. eu sou gay... minha mãe já estava com os olhos cheios de lágrimas e nervosa. corri pelo corredor do hospital driblando as macas e as pessoas que passavam por ali. Cria vergonha nessa sua cara.. Prefiro ter um filho ladrão. -Eu tenho medo.. -Humpft. me conte a verdade.. eu tinha a intenção de contar. -Eu sempre desconfiei. -Almir. eu sou sua mãe.

encostei a porta e fui pro banheiro tomar um banho de água fria para me libertar desses problemas que me atormentavam. pensando na minha vida desde que comecei a morar em São Paulo. pois quando eu acordei estava frente a frente com um moreno molhado. cheia de altos e baixos. pois ganhei um beijo por tabela de um monumento vestido de bombeiro. quando tudo estava indo bem sempre aparecia alguém pra estragar tudo. estava uma noite linda. teve uma hora que parei de correr e fiquei de frente para o mar. a voz do meu pai ainda me atormentava na cabeça como um sino soando na hora da missa. Cheguei em casa cabisbaixo. Aquele morenão bombeiro era tudo de bom. apesar de que na hora eu nem prestei atenção nisso. acordei em uma linda manhã de domingo. sem olhar para os lados nem me importar com nada. por que a vida sexual do outro interfere tanto na vida de alguns? Eu não entendo isso. espreguicei meu corpo nu naqueles lençóis 83 . como se a performance na cama fosse o atestado de caráter. procurando um buraco para me enfiar e nunca mais sair. um tênis confortável e a noite fui dar uma volta pela rua. por que. corri por aquele calçadão chorando. Saindo do banho vesti uma roupa leve. de óculos escuros eu olhava a vida fora daquele carro. -Por que voltou tão de pressa? Seu pai está bem? -Se duvidar. é horrível. tentei seguir minha vida normalmente. fui buscar minhas malas e embarquei no primeiro vôo que consegui pra São Paulo. de fato eu pretendia voltar em no mínimo uma semana depois. se no Rio de Janeiro os turistas tem essa hospitalidade. ao me ver de volta tão cedo até se surpreendeu. mas eu acredito que tudo isso que passei foi um aprendizado e serviu para eu amadurecer. Uma semana se passou. Entrei no meu quarto. vou querer me afogar todos os dias. acabei comendo um yakisoba na Avenida Paulista. a voz do meu pai soava como um eco nos meus ouvidos: “Prefiro ter um filho ladrão”. Já de volta? -Sim tia. Vou pro meu quarto. deixei a mala no canto. parece que o mundo é movido a dinheiro e sexo. não tem palavras que justificam. puxando a mala de rodinha pelo corredor do condomínio. e me “afogar” foi muito bom. brisa fresca. e quando as duas coisas vêm acompanhadas é pior ainda.. tia. -Lucas. peguei um táxi e segui direto pra casa. -Haha.quase que rolando pelos degraus. Lucas? -Prefiro não comentar. não me lembro exatamente do que aconteceu. mas não fiquei lá mais que três dias. está melhor que nós todos. -Está bem. será minha? Não sei. não é legal. ao abrir a porta da sala eu cruzei com a tia Helena. Desembarquei no aeroporto de Congonhas. principalmente sua língua. parei o trânsito sem noção do que estava fazendo. fazendo respiração boca a boca em mim. sem camisa.. Eu não entendo como as pessoas não conseguem conviver com as diferenças das outras. Cruzei a porta do hospital e atravessei a rua correndo. fui caminhando em direção ao mar como se estivesse hipnotizado. fiquei tentando imaginar de quem era a culpa. dizer que não tem mais filho só porque ele é um homossexual. Você sabe o que é ouvir isso de um pai? Cruel.

ao abri-la dei de frente com a tia Helena que ao olhar eu saindo de mala estranhou e quis saber o motivo. Chegamos no aeroporto e pegamos um táxi direto para 84 . os médicos não quiseram me dizer. -Quê? -Peguem só os documentos.. Desliguei o telefone. A tia Helena pegou o telefone e ligou para minha mãe. depois do iogurte eu peguei uma maçã e quando dei a primeira mordida o telefone da sala tocou: -Alô? -Quem ta falando? -Mãe? -Lucas? Pelo amor de Deus meu filho. Lucas venha pra cá imediatamente. meu filho. -Por quê? -Minha mãe ligou agora a pouco desesperada pedindo pra eu voltar. -Meu Deus. todos haviam ido à missa e eu estava sozinho em casa.. preciso ver se tem vôo... cartão e dinheiro.. -Tudo bem.. peguei minha mala e fui puxando-a até a porta. a conversa não demorou muito tempo. Aonde você vai com essa mala? -Preciso voltar pro Rio. ao meu lado estava o Robson que não deu uma só palavra.perfumados que eram cuidados pela minha tia. comecei a sentir um mau pressentimento. depois de tomar um bom banho e vestir uma cueca samba canção. -Lucas. C @ pítulo 22 Conseguimos vaga no vôo que estava partindo para o Rio e embarcamos na mesma hora. -O que ele tem? -Ainda não sei.. to indo. Achei um pouco estranha a atitude da tia Helena de decidir levar todo mundo pro Rio de Janeiro após conversar com a minha mãe.. pois logo a tia Helena desligou e disse: -Vamos todos pro Rio. -Vem rápido meu filho. -Dê um jeito... Preciso de você. Lucas.. troquei de roupa rapidinho e fui até a sala. minha irmã está precisando de mim nesse momento. peguei a mala que eu nem havia desfeito ainda e já deixei pronta para embarcar novamente. durante a viagem fiquei calado.... -Meu Deus do céu. deixei o bilhete ao lado do telefone na mesinha. você precisa voltar pro Rio. olhando a vista pela janela e rezando para que meu pai estivesse bem.. fui até a cozinha pegar um iogurte.. Quase nem conseguia escrever direito. -Vou ver se consigo chegar ai ainda hoje. sentei no sofá e comecei a escrever um bilhete para que quando meus tios chegassem não ficassem preocupados comigo. algo de errado estava acontecendo. -Calma mãe. dizendo que meu pai havia piorado... tia. pare de chorar e me conte o que aconteceu? -Seu pai não está bem. de tanto que eu tremia.

-Calma Lucas. -Lucas.. “Jaaaaaaaaaaaaaaa” “Mais pro meio.. subimos até o 4º andar que era onde meu pai estava. ele faleceu minutos antes de eu chegar.. quando me virei vi meu primo Robson. Caminhei pelas ruas da cidade até parar na lagoa Rodrigo de Freitas. toda minha vida se passou diante daquelas águas. meu filho.o hospital. Você precisa ser forte.. todos os momentos em que vivi com meu pai vieram à minha cabeça. -Não. você. Mãe ele não pode ter nos deixado assim. Ele não pode ter partido brigado comigo. quando entrei foi inevitável não reparar que a cama estava vazia..... o elevador já estava parado no térreo... “Humpft... Seu pai nos deixou Lucas. -Pára mãe. 85 . e chorava como uma criança... -Cadê meu pai? Cadê o meu pai? -Se acalme. quando saímos do elevador um enfermeiro passava com um corpo em uma maca coberto por um lençol branco.... Vai... chorava como nunca. Você vai me bater.. que estendeu sua mão pra mim e me abraçou: -Robson. ao entrar na recepção recebemos a informação de que já nos esperavam no quarto. Saí correndo pelo corredor daquele hospital derrubando tudo.. Vai. Gooooooooooooooool”.... Mas vai precisar estudar e deixar de ver TV. minha mãe me olhava e vinha se aproximando com suas mãos trêmulas: -Meu filho.. só de pensar que se eu chegasse poucos minutos antes eu ainda o encontraria vivo e poderia dizer o quanto eu o amava.. a tia Helena colocou sua mão sobre meu ombro fazendo um carinho. ao lado da janela estava minha mãe que ao me ver olhou com tristeza. Senti-me destruído... “Já tomou banho Lucas?”.... aquele corpo que passou por mim quando eu saia do elevador era do meu pai..? Eu.. seus olhos começaram a descer lágrimas que revelava a triste notícia: -Não mãe. Não é o que eu to pensando. Não brinca comigo.. mas nem isso eu pude fazer.” Por um momento um de meus pensamentos foi interrompido por uma mão que tocou meu ombro.. -Não pode ser mãe. “Esse é pra você filho!” “Meu pai é demais!” “Lucas.... pai?” “Claro que não meu filho.... parado ali na porta meus olhos se encheram de lágrimas. Emocionada a tia Helena começou a chorar. meu pai faleceu brigado comigo. A porta do quarto estava aberta. Que nota vermelha é essa no seu boletim?”. Agora.... meu coração batia acelerado de ansiedade.

. Obrigado. -Sim... -Eu estava. -Ta bem.. as ondas quebravam nas pedras mesclando na água o branco com o dourado refletido pelo sol. -Mas você estava com raiva de mim. minha garganta simplesmente travou. Anoiteceu e fui dormir em um hotel com meus tios e meu primo.. a sensação que eu tinha era como se uma faca estivesse rasgando o meu peito. -E ai. mas não consegui engolir nada. por que você disse que seu pai estava brigado com você? -Ele descobriu sobre a minha homossexualidade. -Limpe essas lágrimas. é uma dor tão grande que às vezes pensamos que não vamos suportar. logo avistei minha mãe na porta da sala de velório.. Depois do café fomos todos para o velório. nisso meu pai vinha entrando no quarto e ouviu tudo... -Então por que você não falava comigo? -Por orgulho.-Não fale nada. Um pouco antes das 7h fui tomar um banho para tirar o cansaço. -Não tem o que agradecer. a minha mãe aceitou numa boa e não vai falar nada. É duro perder alguém que você ama. chego a pensar que a dor da perda pode superar até a dor física. fui até a varanda do quarto onde acompanhei o nascer do Sol. ficamos ali abraçados por mais de dez minutos. desci para tomar café. a paisagem que se formou entre o mar e a montanha era linda. Robson. Com lágrimas descendo de seus olhos ele me deu um abraço carinhoso. -Então vamos esquecer tudo isso.? -Aí ele disse que preferia ter um filho ladrão a viado. sei lá. minha mãe ficou no hospital aguardando a liberação do corpo do meu pai para ser velado no outro dia. revirei na cama a madrugada toda. eu com a cabeça sobre seu ombro esquerdo chorando enquanto ele acariciava minhas costas e fazia afago em meus cabelos. Lucas. Lucas. o Robson com toda calma foi me segurar. e sua mãe? -Minha mãe desconfiava... Mas me diz uma coisa.. ao me aproximar ela me abraçou e começamos a chorar como duas crianças. -Não se preocupe. C @ pítulo 23 86 . era tudo que eu precisava naquele momento. ao chegar no cemitério não consegui me conter e entrei em desespero.. aí ela me forçou a confessar.... -Meu Deus. Por isso que eu voltei pra São Paulo tão rápido. -Mas agora sua mãe vai contar sobre você para a minha e.. caminhando pelo meio dos jazigos eu olhei pra ela que já sem forças me fez um sinal com a cabeça. a cada quilometro percorrido era equivalente a uma tonelada esmagando meu peito que mal conseguia respirar. naquela noite eu mal consegui dormir. confirmou sua suspeita quando me viu trocando olhares com um cara no carro ao lado.. no começo eu fiquei.. vamos caminhar um pouco pra você melhorar. mas depois passou.

Depois de tomar um banho fui até o hospital com minha mãe buscar algumas coisas do meu pai que ainda haviam ficado lá. -Vocês precisam de ajuda? -Oi Robson. mas está difícil. aquele cheiro de vela queimada misturado ao cheiro das margaridas estava me deixando com dor de cabeça. Não é fácil se despedir pra sempre de alguém que foi presente em toda sua vida. a cada instante que eu olhava para aquelas coroas de flores com mensagens eu tinha vontade de entrar naquele caixão e ir com ele... -Eu não tenho o que perdoar mãe. ele morreu me odiando.. “Te amamos”... minha mãe me segurava pelo braço. Sei lá. Aceite o pedido de perdão dele meu filho. um exemplo que eu sempre admirei desde moleque. seu pai não te odiava.. Eu já não sabia mais o que era dormir. Achando que ele se foi me odiando. meu ídolo. ele disse isso antes de morrer. era o diário dele. um exemplo de homem e pai... meu fiel amigo. ao lado de sua cama havia um criado-mudo e sobre ele tinha o nosso retrato. -Ta bom... Lucas seu pai te amava. parecia um pesadelo que eu não conseguia acordar. mas vou dar uma olhada antes. -Tia. pois eu já quase nem tinha mais forças. no tempo em que nossa família era tranqüila. No outro dia acordei ainda tonto.. fiquei me sentindo culpado. 87 . -O que foi. Meu pai era tudo pra mim. só consegui dormir depois de tomar alguns comprimidos de calmante. -Filho.. onde eu guardo esse sapato? -Coloque dentro daquela mala preta junto com os outros.. Pra mim ela só estava falando aquilo pra me sentir melhor e tirar o peso da consciência. Antes de morrer ele disse que falou aquilo da boca pra fora e estava arrependido. fiquei emocionado ao ver seu sorriso abraçado com a minha mãe e eu entre os dois. -Ah mãe. aquela cena de família feliz me fez relembrar nossos momentos de alegria. Lucas? -Nada. Lucas? -Estou tentando ficar bem.. ele se ofereceu para ajudar nas malas e minha mãe aceitou sua ajuda. por conta do efeito do calmante que minha tia havia me dado. imaginar que nunca mais eu poderia tocá-lo. eu aceito sua ajuda sim. Não fique assim. Pouco a pouco fui entrando naquela sala de velório.. apesar de ter aliviado um pouco a angustia que eu sentia. pediu para mim que cuidasse de você e dissesse que ele te amava. as pessoas olhavam pra mim com dó. -E o que eu faço com esse caderno velho? -Pode jogar fora. “De seus familiares”. só conseguia chorar..Eu não conseguia me conformar em ter perdido meu pai. meus olhos estavam tão inchados que pareciam estar saltando. -Nunca. estou olhando esses retratos.. Sem que eu notasse o Robson entrou no quarto.. -Você já está melhor. seu perfume ainda rolava pelo ar. ficamos conversando e separando tudo que era do meu pai. Foi difícil retornar naquele quarto. ouvir sua voz. e o que é pior.

.” C @ pítulo 24 Terminei de ler o que estava escrito em seu diário chorando de alívio. ansioso para escutar sua voz acabei me decepcionando ao perceber que ele não havia deixado recado nenhum gravado. quero deixar registrado que eu amo minha família e que estarei olhando por eles de onde eu estiver. queria muito voltar a vê-lo. peço que Deus lhe proteja. Na mesma hora peguei meu celular e notei mesmo que havia um recado na caixa postal. mas teve uma hora que seus olhos começaram a encher d'água. Nesse momento que estou sozinho dentro desse quarto confesso que estou muito arrependido. magoado.O Robson se sentou na beirada da cama e folhava o diário concentrado como se visse um filme rodar na tela de cinema. Acho melhor você ler isso aqui. disquei imediatamente o menu para ouvir o recado do meu pai. tentei me desculpar.. disse que eu teria menos de um mês de vida. meu Lucas que eu tanto amo.. “Estou muito triste. mas não vai ser possível. ler aquele desabafo me tirou um peso enorme da consciência. acabei sendo covarde e não deixei recado. na hora me faltou coragem. ao ler seus relatos minhas lágrimas desciam como uma torneira aberta. Há poucos dias briguei com meu filho. Sei que estou morrendo. falei coisas que não devia. Pra finalizar. onde quer que eu estiver olharei e rezarei por você”. chorei de arrependimento. sentei ao seu lado e lá estava meu pai contando sobre nossa briga. mas eu sinto que amanhã eu já não estarei mais nesse plano. Escutar sua voz na caixa postal do celular me fez chorar. onde nunca mais escreverei. várias reações eram esboçadas ao mesmo tempo. depois de dar um suspiro profundo ele olhou pra mim e disse: -Lucas. acabei magoando sem querer. que meus dias estão contados. eu disse coisas que não sentia. mas seu telefone estava na caixa postal. peguei o diário de sua mão. pois meu estado se agravou de uma tal maneira que não há mais o que ser feito. hoje eu ouvi o médico conversar com a enfermeira. até eu ficava assim ao ouvir as histórias que meu pai me contava.. 88 .. pedir desculpas e me despedir do Lucas ainda em vida. jamais deixaria de amar meu filho. Agora ha pouco liguei para ele. -O que. Caminhei até a ponta da cama onde ele estava sentado... Quando meu filho deixou esse quarto de hospital meu coração sangrou. Almir. aliviando um pouco a dor da perda que eu estava sentindo. assim como estou chorando agora escrevendo pela última vez nesse diário. mas foi tudo da boca pra fora. Meu filho. somente um suspiro e um barulho de telefone sendo colocado no gancho. tamanha era minha emoção..

me despedi da minha mãe e voltei para São Paulo com meus tios e o Robson.Depois de tudo arrumado deixamos as malas na pensão onde eles estavam. depois desliguei o chuveiro. você entrando assim de mansinho.. -Eu não te contei? -O que? -Eu e Gabriel terminamos. -O que houve? -Não podemos. -Sério? -Sim. -Obrigado. ele terminou tudo. Quando chegamos em casa fui direto pro meu quarto. fiquei aproximadamente meia hora deixando aquela água morna cair sobre a minha nuca. -Você aceitou numa boa? -O que eu posso fazer? Matar-me? -Ok.. -Hahaha. Você foi uma das melhores coisas que já me apareceu na vida. 89 ... Tudo foi acontecendo naturalmente como antes. com um travesseiro e um edredom nas mãos ele sorriu pra mim e disse: -Assustou? -Claro. -Posso te dar outro beijo? -Deve! Voltamos a nos abraçar e nos beijar.. Lucas. já minha mãe decidiu voltar pra Londrina. enrolei a toalha na cintura e ao sair do banheiro cruzei com Robson que entrava em meu quarto. -Uou... eu? -É.. Seu louco. aos poucos íamos caminhando no sentido da cama. deixa pra lá. Ro! Aproximando-se de mim ele jogou o travesseiro e o edredom no chão e me abraçou forte. de olhos fechados e mãos abertas eu conseguia sentir suas energias sendo transmitidas pra mim através do toque de nossas peles. aos poucos nosso rosto foi se virando até que quando nos demos conta já estávamos nos beijando. Isso não é certo.... -Sabe que essas loucuras que eu faço com você me fazem muito bem? -A é? -É. quer dizer.. -Desculpa. joguei a mala sobre a cama e entrei embaixo do chuveiro.. mas ao cair em mim dei um empurrão nele e me afastei.. vim te fazer companhia.. -Louco... acho que agora mais que nunca você vai precisar. Você é comprometido. deixei a porta entreaberta. de olhos fechados tropeçamos no edredom que estava espalhado pelo chão e caímos na cama. -Obrigado! -Você me dá mais um abraço? -Nem precisa pedir.. ele pediu para terminar tudo e disse que poderíamos nos tornar amigos.

Sinceramente eu senti um alívio quando ele disse que havia terminado com o Gabriel e se sentia bem ao meu lado.... Enquanto eu passava xampu em seu cabelo ele passava sabonete em mim.. porque gosto de você. depois veio à hora da 90 . -E então. -Psiu. ao abrir os olhos eu vi o Robson olhando pra mim com aqueles olhinhos de cachorro abandonado e acariciando minha face. o Robson já tinha um fogo incontrolável e eu quando provocado também despertava uma safadeza que poucos conseguiam saciar. com seu nariz quase colado ao meu. No dia seguinte. começamos a gargalhar e sem querer rimos alto.. -Por que você tapou minha boca? -Pra você não acordar ninguém. -Como você é safado. você topa? Quem pega o sabonete? C @ pítulo 25 Acabamos pegando o sabonete juntos. Ao ouvir que ele gostava de mim meu coração quase saiu pela boca de felicidade. O encostei no canto da parede e comecei a beijá-lo loucamente. Robson. Não se preocupe. eu posso tapar agora. claro que aproveitávamos pra tocar caricias e beijos também.. por que não? -Ai Lú.. fique acordado velando seu sono a noite inteira. -Hahaha. fazendo com que nossos corpos ficassem juntos.. -E por que você não tapou minha boca com um beijo? -Não seja por isso. -Dormiu bem? -Na medida do possível sim e você? -Não dormi.. estava preocupado.. o mais engraçado foi quando deixamos o sabonete cair: -E agora? -Quem pega? -Podemos revezar. com medo que alguém ouvisse tapei a boca do Robson. demos um longo selinho. mas achei que ainda não fosse o momento. nos abraçamos bem forte e depois fomos tomar banho juntos. pele com pele. gastamos um sabonete inteiro e um tubo de xampu. -Vamos tomar banho? -Juntos? -Sim. Foi muito bom tomar banho junto com ele. vamos. com a porta do box fechada o espaço se tornou mínimo. Alguém pode acordar.. naquela hora eu tive vontade de dizer a ele que o amava.. -Me preocupo sim. nós acabamos adormecendo abraçadinhos. -Ro.. ta bom.. eu pego uma vez e você pega outra..Deitados na cama. eu já estou bem. trocando muitas carícias e longos beijos. Tomar banho com o Robson me fez esquecer dos problemas..

-Eu não vou esperar ela voltar. só quando ela chegar agora. Depois te termos "brincado" um pouco vestimos uma roupa e fomos até a sala tomar café... parecia que o edifício iria desabar. Eu esperei vocês acordarem para fazer companhia para ele. só de pensar que eu iria sentar à mesa com ele até perdi a fome. vínhamos conversando e rindo pelo corredor quando me deparei com uma pessoa que acreditava nunca mais ter que encontrar na vida... portanto não fale comigo. -Gabriel? -Sim filho. -Ta. estou indo ao mercado fazer compras. o Robson e o Gabriel. Quando o Gabriel me disse que ele e o Robson voltaram a namorar eu levei um choque. nem torta. Não precisava responder assim. em um movimento sincronizado de ir e vir ele correspondia com tesão. ao ver a cara de apaixonado dos dois me conformei em mais uma vez perder o Robson para o falso do Gabriel que ao me ver disse: -Estou tão feliz Lucas. corpo colado no corpo eu o beijava com toda intensidade. eu já estava de saída quando ele chegou. eu e seu primo fizemos as pazes e voltamos a namorar. -Não quero nada.. -Tudo bem.. nem capuccino. -E você quer que eu diga o quê? -Nossa. Sem ter o que comer e o que fazer voltei pra sala e liguei a TV. com a maior cara de pau o Gabriel estava na sala sentado à mesa conversando com tia Helena. vou até a padaria comprar algo pra comermos. virei as costas e fui pra cozinha procurar algo pra comer. -Não tem pão. vão precisar de alguma coisa? -Eu quero um pacote de batata. com a ida da tia Helena ao mercado junto com a empregada acabamos ficando somente eu. -Sua mãe foi às compras. -Olha aqui Lucas. tia. por favor. No caminho da cozinha pra sala passei pelo corredor dos quartos.. Morre o assunto por aqui. Lucas? Nem me dei ao trabalho de responder. Já dentro do quarto. Tia o café já está pronto? -Tem algumas coisas na geladeira. Gabriel. você sabe muito bem que eu sou contra esse relacionamento. você viu que ele começou? -Dessa vez quem começou a provocar foi você.. pois não gosto de você. onde cada um enxugava o outro. -Vamos parar com essa briga? -Amor. então eu vou indo. Robson. -Gabriel.. oi Lucas. eu gosto dos dois e. essa foi a melhor parte.toalha. Não vou mais brigar com vocês.. onde cruzei com os dois saindo do quarto do Robson. Tchau meninos... mãe. -Oi Robson. Obrigado! -Bom. roçando minhas pernas nas suas até começar a "briga de espadas". -Olha quem está aqui... nu em pelos encostei o Robson na parede e não o soltei mais.. ele disse que precisa falar com você. ta. enquanto isso os dois foram para o quarto do Robson e ficaram lá por um bom tempo.. -Humpft.. ta.. 91 . nem nada.

Lucas pra você. -Não demore amor.. me deixe explicar.. Você não tem vergonha do que faz com o tonto do Robson? -O que eu faço? -Você acha que eu não sei que você viajou pro Rio de Janeiro as custas dele e ainda levou um amante? -Você não foi contar pra ele.. sem que pudéssemos perceber ele estava ali parado atrás da porta ouvindo toda nossa conversa. ele acreditou em você.. eu já sem paciência comecei a mudar os canais da televisão sem parar.. Ele falava e completava com um selinho no Gabriel. gostoso.. -Eu sei que você não gosta de mim. -Não me chame de Lú que não te dei essa liberdade. -Lú. -Explicar o caralho. mas tive que esperar o Robson voltar com a comida do café. eu detestei a idéia de ficar sozinho naquele apartamento fazendo sala para aquele defeito de ser humano chamado Gabriel. Filho da puta. -O quê? Então era verdade? Levamos um susto quando olhamos para trás e vimos o Robson parado na porta. -Sério? Qual? -Um desejo de quebrar sua cara. sem que nós esperássemos o Robson estava ouvindo tudo que falávamos e sua reação foi se jogar pra cima do Gabriel enchendo-lhe de socos. me poupou de ter que repetir pela milionésima vez... -Desculpa gato. Assim como o Gabriel eu também levei um susto. por isso já me ofereci para ir até a padaria. -Já volto.. mas transar com aquele rapaz foi ótimo.. ele era lindo. eu sinto um enorme desejo em ter você na minha cama.. -Sabe Lucas.. levantei do sofá e me encostei na parede 92 . C @ pítulo 26 -Robson? -Seu ordinário. pois quero comprar uma coisa bem gostosa pro meu amorzinho.. Lucas. -Calma. deixa que eu vou. e você sem um pingo de remorso. -Ta bom! Assim que ele saiu o Gabriel se sentou no sofá e insistentemente voltou a puxar assunto comigo. transei sim. e eu fiquei muito mal com tudo isso. -A é? Eu também sinto um desejo por você.. Gabriel.. pois eu vi você transando com outro cara. né? -Iria adiantar? Quando contei pra ele que você não prestava. muito mais gostoso que o idiota do seu primo. -Ainda bem que você sabe.-Quer que eu vá? -Não Lucas.. e quer saber mais? Não me arrependo nem um pouco do que eu fiz.

-Mas essa cueca você me deu. seus olhos pareciam jorrar fogo.. -Libera ele.. deixe-o ir.. essa cueca fui eu que te dei.. inconformado em ser tirado como otário pelo Gabriel ele deu um tapa em seu peito e rasgou a camiseta que ele vestia. repetindo várias vezes: -O trouxa aqui não te banca mais.. meigo. -Robson.. Robson. ele tirou o celular do bolso da calça e atirou pela janela da sala. -Mudei de idéia e quero de volta. não satisfeito meu primo deu-lhe um golpe de capoeira o jogando no chão. me deixe ir em paz. nunca pensei que o Robson fosse capaz de fazer o que ele fez com o Gabriel. ainda não contente. Ao se negar a tirar a calça o Robson virou um tapa na cara do Gabriel.. Meu primo parecia um animal selvagem. né? -Foi. portanto tire-a agora.. porém confesso que fiquei com pena do Gabriel. Você já me humilhou demais. quem conhecia o jeito do Robson jamais poderia imaginar que aquele rapaz carinhoso. -Eu já disse que você não vai sair da minha casa levando o que me pertence. Acho que eu em seu lugar teria feito a mesma coisa. Você tem 1 segundo pra tirar ou então terei que arrancar.. alegre. Robson. essa calça é minha e tudo que é meu vai ficar comigo.. pudesse se tornar tão vingativo. -Mas Robson. Essa camiseta fui eu que te dei. eu te odeio.. -Cala essa boca. e agora vai pro lixo seu maldito. -Pára Robson... -O quê? Nem pensar.. -Por favor. ele parecia estar fora de si... Eu nunca vi o Robson daquela maneira. -Esse celular também é meu. o Gabriel nem conseguiu reagir. -Humilhar? Você ainda acha que isso é humilhar? Humilhação é o que eu estou passando.sem interferir entre a briga... Chega... Você acabou com a minha vida. ele bufava como um touro feroz e seus olhos pareciam lançar flechas de tanta raiva. Vendo que o Gabriel não iria tirar a calça o Robson a rasgou sem dó nem piedade. fazendo um barulho que provavelmente deve ter quebrado um ou mais dentes... que começou a esguichar sangue sem parar. né? Vamos ver quem é o trouxa aqui.. o deixando totalmente nu pela sala de casa. o Robson estava totalmente descontrolado. imagine o tanto de gente por ai que deve estar rindo da minha cara. cai fora da minha casa... de primeira ele levou um soco no nariz.. Eu quero sair daqui.. Por falar nisso. Essa calça fui eu que te dei.. -Passe ela pra cá. sem nenhum pudor ele puxou com tudo a cueca que Gabriel vestia. -Não. 93 . com as mãos em seu pescoço ele dizia: -Então eu sou trouxa de ficar bancando você. principalmente na hora que o Robson o colocou para fora de casa: -Agora.

Quando o Robson entrou na sala eu fiquei o olhando assustado: -Prontinho. chame a polícia. fiquei com muita pena do Gabriel. Nunca vi meu primo tão violento como naquele dia. ele perdeu totalmente o controle. deixando também uma rachadura no espelho do elevador social. fazendo com que ele fosse com tudo de encontro ao espelho onde bateu sua cabeça e fez um pequeno corte no supercílio. pois na noite anterior havia chovido muito. quando eu estava quase descendo o Robson apareceu arrastando o Gabriel pelo braço. o porteiro destravou o portão automático e o Robson o puxou. Empurrando o Gabriel como um gado em direção ao abate ele o levou até a metade da calçada... Ta me olhando com essa cara de assustado por quê? -Não sei. -Peguei pesado? O que eu fiz foi pouco perto do estrago que ele causou na minha vida. As feridas que deixei nele vão se curar cedo ou tarde.. o clima estava frio. pois as feridas do coração permanecem pra sempre. achei que por pior que fosse o castigo viria da própria vida.. Mas você vai sair sim... pois o que meu primo fez com ele praticamente tirou sua dignidade. o que eu fiz não tampa nem 1% do rombo que ele deixou no meu peito.. -Eu não vou sair assim. foraaaaaaa. ainda caído naquela poça de lama o Robson não contente tirou uma moeda do bolso e jogou para Gabriel: -Uma esmola para um pobre necessitado. Depois disso o Robson virou as costas e entrou. arrastando ele até a porta. às vezes ele o chacoalhava com força batendo suas costas várias vezes na parede. Comecei a ficar preocupado com a demora deles em aparecer na portaria. faço questão de te levar até a portaria. -Ah. você não tem idéia do quanto meu coração está partido. A porta se fechou e eu não vi mais nada. Eu assistia a tudo da varanda da sala. 94 . cobrindo o rosto com uma das mãos ele chorava de vergonha... ventava e garoava um pouco. Quando chegou o elevador o Robson abriu a porta e empurrou o Gabriel com toda força para dentro. sem dó nenhuma o Robson pegou o Gabriel e o jogou em uma poça de lama que havia na em frente ao condomínio devido às obras de gás encanado. corri para a varanda da sala e fiquei olhando pra baixo esperando eles aparecerem.-Mas eu estou nu. O Robson pegou pelo braço de Gabriel e o arrancou do sofá com um puxão pelo braço.. assim que fechou o portão ele disse ao porteiro: -Se esse individuo permanecer aqui na porta por mais de trinta segundos. -Sim senhor. eu acho que o Gabriel merecia coisa pior. Fui até a porta da sala e fiquei assistindo tudo. -O problema é seu. mas as feridas que ele me deixou jamais irão se curar. aproveitando que ela só estava encostada apenas a abriu com o pé e ainda segurando pelo braço do Gabriel chamou o elevador. pois ele não valia nada. meu primo conseguiu humilhá-lo ao máximo. Achei que você pegou pesado com o Gabriel. mas vendo toda aquela situação fiquei com o coração apertado. humilhou o Gabriel da maneira mais cruel que um ser humano poderia suportar.

Anotei o telefone e na mesma hora liguei para me inscrever..Com a maior tranqüilidade o Robson pegou o telefone e discou para um amigo.. O Robson juntou as roupas rasgadas do chão. claro que ele não quer ter um funcionário do caráter dele. -Não vejo a hora de chegar ai e poder te dar um abraço. acho que qualquer um em seu lugar faria o mesmo. quase todas as noites eu sonhava com ele. quando você volta? -Ainda não sei. ingênua. como o tio César não poderia ir acabou mandando o Robson para representá-lo. estou morrendo de saudade. eu achava o Robson uma pessoa calma.. finalizado. e parece que conseguiu. quando não falávamos por telefone nos falávamos pela internet. umedeceu com álcool e botou fogo. fui perguntar ao Robson o que ele estava aprontando: -Agora sim. Um certo dia navegando por um site de automobilismo fiquei sabendo que uma escola estava oferecendo bolsa de estudo para um curso de engenharia automobilística na Alemanha. levou até a cozinha e colocou dentro de um balde de lata. a última noticia que tivemos foi que ele havia virado garoto de programa e viajado com um empresário para Hilton. depois de discar ele levou o telefone sem fio para seu quarto e ficou conversando por um longo tempo contando o que ele havia feito com o Gabriel. Fiquei imaginando o que uma pessoa enganada é capaz de fazer. meu primo estava mesmo decidido a se livrar do passado. tranqüila.. só concretizei os fatos. enquanto isso eu fiquei em São Paulo trabalhando na matriz. mas vi que me enganei. por isso o Gabriel é mais um desempregado a partir de hoje. Lú! -Eu também. mas estou morrendo de saudade de você. Depois de desligar o telefone.. Liguei para um amigo meu e expliquei quem é Gabriel Soares.. -Vou sonhar com esse dia. C @ pítulo 27 A empresa do tio César inaugurou uma filial em Recife. então ficamos somente eu e tia Helena em casa. era impressionante como a ausência do Robson me fazia falta. -E essas roupas espalhadas pela sala? -A é. eu sempre fui apaixonado por carros e se eu tivesse a oportunidade de ir pra Alemanha estudar não pensaria duas vezes. Ro. aumentando as estatísticas dessa cidade. O Robson não tocava mais no "assunto Gabriel" e quando algum amigo nosso vinha falar dele na mesma hora já era cortado. Algumas semanas se passaram e nunca mais vimos ou ouvimos falar do Gabriel. -Imagino sim. -Luuuuuuuuuuu. ele tinha assuntos para resolver em Portugal. Ta um calor aqui que você não imagina. -O que está finalizado? Você aprontou alguma coisa? -Não aprontei nada. 95 . Logo depois que Robson viajou o tio César viajou também. O Robson nos ligava de Recife quase todos os dias.

Uma vez até comentei com o Junior pela internet... olha meu coração?.. Algumas questões da prova tinham pegadinhas que se eu não prestasse bem atenção acabaria errando. meu medo era que uma das exigências fosse ter alemão fluente. tinha vezes que eu entrava em seu quarto e deitava sobre sua cama para sentir seu cheiro. -A tia Helena já sabe que você chegou? -Ainda não. Lucas.. Quando ele ligava pra casa e eu escutava sua voz meu coração ia de 0 a 100. -E. -Juninho diz: Não tem nada haver isso. 96 .. -Te assustei? -Claro.. só estava um pouco trabalhosa. Passei um pouco mais de uma hora na sala respondendo às questões. Quando cheguei fui até a cozinha e guardei dentro do microondas o pacote com as esfihas. pra falar a verdade não avisei ninguém... -Bom. quando abri a porta levei um susto enorme ao ver o Robson sentado na minha cama. -É sério. Preciso que você saia do meu quarto.. várias vezes eu adormeci em sua cama abraçado com seu travesseiro. assim que terminei entreguei na mesa de uma mulher muito mal humorada que me devolveu um canhoto para checar o gabarito posteriormente.. -E?. -Quando você chegou? -Agora ha pouco.. -Juninho diz: Eu acho que você ama seu primo e ainda não percebeu.. pois a escola que os bolsistas iriam ficar era de brasileiros. -Lucas diz: É estranho... Nunca precisamos disso. -Que isso. Ele é meu primo.. não tinha a intenção. Lú.. a matéria foi de conhecimentos gerais. minha sorte foi que sempre gostei de ver telejornais e documentários.Todo esse tempo de convivência com o Robson nos fez muito próximos... teve até um dia que ao olhar nossas fotos eu chorei de saudade. mas um servia de complemento pro outro.. aproveitei que você não estava em casa e vim matar um pouco da saudade. isso não é certo. Não vou dizer que a prova estava difícil. -Sei. Deixei o consulado e antes de ir pra casa passei no shopping e comprei algumas esfihas pra comer em casa. além de ler bastante. depois fui até meu quarto trocar de roupa. -Caramba... mas para minha surpresa não necessitava falar alemão. embora não fosse muito tempo. -Desculpa. Seu cheiro no lençol. preciso trocar de roupa. não tem nada aí que eu já não tenha visto. No outro dia fui fazer a prova na escola para concorrer à bolsa. -Lucas diz: Sei lá..

embora eu também estivesse com vontade preferi não cair na provocação e para evitar um envolvimento maior eu me esquivei... Você já estava dormindo? -Não.-Robson. Ele veio se aproximando de mim na tentativa de me beijar.. -Tenho sim. o sentimento que eu sentia por ele era mais forte que amor de primo. Já passava das 00h e o sono já estava me pegando. Evitei ao máximo me "aproximar" do Robson como antes. fui tomar um banho e dentro do box mesmo escovei os dentes com a água do chuveiro caindo nas minhas costas.. sai do meu quarto. antes de dormir chequei meus e-mails na internet. -Robson. juntei todos os travesseiros na cabeceira e deitei na cama. porém não me senti arrependido de nada. -Não.. os tempos mudaram. fiz você sofrer. Fiquei com um pouco de remorso ao vê-lo se levantar da cama com a cabeça baixa e o olhar triste. -Ok. ao se aproximar ele sentou próximo dos meus pés e tocando na minha perna ele dizia: -Fico tão arrependido de ter me afastado de você. -Mas Lucas. acha que sou um objeto? -Isso não é verdade. -Você não tem de que se desculpar. -Por favor. como não havia nenhum de interessante apaguei todos e desliguei o computador. esse era meu medo. 97 . vamos esquecer essa história? -Tudo bem. -Por quê? -Você só me procura quando quer satisfazer suas vontades. mal apareci on-line e o Adriano pediu minha atenção por um momento.. -Não adianta ficarmos remoendo o passado. Ele foi caminhando em direção a minha cama. Depois de tomar banho só me enxuguei e ainda pelado liguei o computador pra checar o gabarito da prova. Gostoso! Assim que ele encostou a porta eu fiz questão de trancá-la para não correr nenhum risco de ser pego de surpresa. eu quero pedir perdão pra você. Será que você pode me fazer esse favor? -Tudo bem... -Desculpa. -Como assim? -Nada. eu sempre acabava sofrendo com tudo isso. por favor. quando ele fechou a porta do quarto me virei na cama e fiquei pensando se havia feito a coisa certa.. -Eu sei. sai do meu quarto. No outro dia acordei era quase 10h. Lucas.. mas já estava quase.. -Todo ser humano que ama corre esse risco. é que escutei um barulho aqui. -Licença.... quando ia me cobrir escuto alguém batendo na porta: -Pode entrar.

-Driko diz: Oi. -Lucas diz: É por quem eu to pensando? -Driko diz: Não sei quem você ta pensando. foi ai que aconteceu nossa primeira briga... -Lucas diz: É pelo Hugo ou não? -Driko diz: É. -Lucas diz: Sofrendo por amor? -Driko diz: É. -Lucas diz: E ele te fez sofrer? -Driko diz: Muito...... lenga. Não importa quem é. -Driko diz: Sim.. eu te avisei desde o começo que ele não valia nada.. -Lucas diz: Bom dia... você mereceu tudo isso. -Lucas diz: Então quer dizer que vocês ficaram juntos mesmo. eu não tinha como dar um celular para ele.. É pelo Hugo? -Driko diz: Humpft. -Driko diz: É -Lucas diz: Só não entendo o motivo dessa sua lamentação. -Driko diz: 98 .. -Lucas diz: Vou ser mais claro então. pois eu havia começado a trabalhar naquele momento... To sofrendo. Adriano. Depois ele vivia dando umas indiretas de que eu já estava bem grandinho pra morar com os pais. -Lucas diz: Insinuando que já estava mais que na hora de você ir morar sozinho.. Ficamos todo esse tempo nessa lenga. logo quando começamos a namorar ele me pediu um celular de presente.. -Driko diz: Como assim? -Lucas diz: Foi você quem escolheu viver com ele...... Tudo bem? -Driko diz: To mal.

.. Um dia eu te dei a oportunidade de escolher.. mas você desprezou. já chorei demais ontem. te abri a porta da felicidade. Pense bem daqui pra frente. está sofrendo porque quis. não agarrou a oportunidade de ser feliz. mas todo mundo te avisou. seu amigo por ser seu amigo não deveria nem se aproximar. -Lucas diz: Eu imagino. Você preferiu se levar pela sedução de um garoto de 16 anos.. cedo ou tarde você iria perceber. Agora que fiquei sabendo que vocês ficaram juntos eu sinto nojo de você. mas agora você viu que eu tinha razão. -Driko diz: Eu sei. se você se deixou levar pelo Hugo foi por que quis. -Driko diz: Mas Lucas.. eu sei que demorou... mas acho que vou pedir desculpa.. 99 ... -Lucas diz: Eu imagino. tinha tempo de cair fora.. te mostrei o caminho. -Lucas diz: “Você não pode voltar atrás e fazer um novo começo. -Driko diz: O que você quer dizer com isso? Você me aceita de volta? -Lucas diz: NUNCA. Vocês ainda estão namorando? -Driko diz: Nós brigamos. eu estou arrependido.. -Driko diz: Lú pelo amor de Deus me perdoa? -Lucas diz: Adriano. mas pode começar agora e fazer um novo fim”. Fiquei muito mal quando soube que o Hugo transou com meu melhor amigo semana passada. Não adianta colocar toda a culpa nele. pára de pisar em mim por isso. -Driko diz: Eu to arrependido Lú. Mas sendo sincero com você. eu gosto demais desse moleque. só pra me fazer sofrer. me esnobando e optando pela pessoa que eu mais odeio. nunca mais quero ter contato com você. seu amigo e o Hugo.To sofrendo muito.. eu quero que vocês dois vão pro inferno. -Lucas diz: Sinceramente? Os 3 não valem nada. -Lucas diz: Faça o que você achar melhor.. estou muito feliz com essa notícia. pois um dia eu lhe avisei que o Hugo não prestava e você brigou comigo. não só eu. você fez sua escolha e não tem volta. e você tendo 24 já sabe muito bem guiar os passos de sua vida. -Driko diz: que 3? -Lucas diz: Você.

Ele só me chamava de “amor” quando eu tinha dinheiro.. e pra quê? C @ pítulo 28 100 . -Lucas diz: Sem lamentações.. -Lucas diz: Só lamento.-Driko diz: Eu sei. -Driko diz: Ah Lú... -Lucas diz: Eu sei que o que ele fez foi errado. -Lucas diz: Faz parte da vida. mas seria muita hipocrisia minha achar que só ele teve culpa. Agora preciso ir.. me arrependo de ter saído da casa dos meus pais e ter trocado você por ele. só não tinha conhecimento do detalhe financeiro que o Hugo exigia de seus parceiros. ele em um ano destruiu três namoros que estavam indo muito bem.. -Driko diz: Ele não deixou que nós fôssemos felizes. ele não fez tudo sozinho. estou passando dificuldades. -Lucas diz: Ele não entrou na sua vida e a destruiu. o amor pelo seu corpo.. -Driko diz: Não entendo por que pessoas como essas entram na vida dos outros e destroem a felicidade. meu ego foi às alturas quando fiquei sabendo que o Adriano estava muito arrependido do que havia feito. -Lucas diz: Esse detalhe eu já não sabia. ele é interesseiro assim? -Driko diz: Demais. Confesso que depois de ler os desabafos do Adriano conclui que o Hugo era pior do que eu imaginava. Hoje estou morando sozinho por causa do Hugo.. -Driko diz: Se você soubesse como me arrependo. hoje estou sem ele e com meu nome em protesto... pois ficar aqui escutando historias tristes não é comigo.. foi você que assim fez.. Desconectei e deitei na minha cama pra refletir um pouco. foi você que escolheu deitar no conto dele.. fiz até empréstimo no banco pra dar tudo que ele me pedia. eu sabia que cedo ou tarde ele viria me procurar.. agora eu preciso ir.. a consciência? Qual a graça de roubar o namorado dos outros só pra satisfazer um prazer sexual? Não consigo entender.. transar com o amigo só pra fazer o outro sofrer? Onde é que está a dignidade. bom. você também tem culpa.

. O Robson estava empolgadíssimo com a balada e eu queria muito acompanhá-lo. deitado no sofá assistindo desenho eu comia biscoito e bebia iogurte. depois te dou uma resposta. -O que você está sentindo? -Enjôo. antes de sair ele apertou minha mão 101 . com aquele jeitinho maroto ganhei um beijo na testa. -Obaaaaa. -Mas você nem precisa. -Desculpa Ro. ta? Te adoro.. Lú. Acabei adormecendo e quando o Robson chegou fez questão de me acordar. -Semana que vem nós vamos juntos.. -Acordaaaaaaaa.. mas desse jeito eu não vou não. tão macio. -Mas sem você não vai ser a mesma coisa. Vou me arrumar. então decidi ficar em casa.. mas pelo visto não teria como e não era justo atrapalhar sua noite. -Lú.. -Humpft. preguiçoso do jeito que eu era abri a geladeira e peguei um iogurte de morango que a tia Helena havia comprado. no comecinho da noite comecei a ter fome. Fiquei triste por não ter condições de ir com ele.. -Eu também.. Fui para meu quarto e deitei na minha cama depois de ter tomado meu remédio. ainda inconformado com o fato de ser trocado pelo Hugo.. Nos vemos a noite. ânsia de vômito..? -Oi Ro! -Você não vai? -Não.... com essa barriga linda e gostosa. Quer ir para a balada hoje? -Não sei.. -Você está falando sério? -Sim -Então eu vou.. suave. -Hahaha. vá você e divirta-se. O Robson passou a tarde toda se preparando para ir a balada. -Mas que cara é essa? Você está pálido.. ta... -Ta ok. -Queria muito que você fosse. -Vou pegar um remédio pra você tomar e melhorar antes de ir pra balada. fique bem. estava coberto vendo tv quando o Robson entrou todo feliz.. provável que eu passe a tarde toda no shopping. -Agora me deixa terminar de fazer minhas abdominais.. -Não estou me sentindo muito bem. Lucas. -Mas já? -Vou comprar roupa. estou me sentindo mal.. -Ok..Deixe o computador ligado e deitei no chão para fazer minhas abdominais. -Ta. Concentrado na série de abdominais nem reparei quando o Robson entrou dentro do quarto: -Lucas.

Não consegui dormir a noite toda com náusea. tia! -Tem iogurte na geladeira? 102 . lá pelas 3 da manhã eu me levantei e fui até a cozinha procurar um remédio mais forte para ver se aliviava aquele embrulho no estômago. Na manhã seguinte logo quando acordei fui até o quarto do Robson espiá-lo..e encostou a porta. às vezes eu achava que ele também gostava de mim.. Eu fui ao médico hoje e ele disse que você tem como reverter esse problema. dando uma piscada de olhos antes de sair do quarto. correr atrás dele e dizer: “Será que você não percebeu ainda que te amo?”. César. após tomar dois comprimidos guardei a caixa dentro do armário. com esse tratamento sua quantidade de espermatozóides aumentaria e eu poderia engravidar. Pra mim foi um susto ouvir sem querer que o Robson na verdade não era meu primo.. em que trocávamos carícias. ao passar na frente do quarto dos meus tios ouvi uma discussão entre eles: -Eu quero ter outro filho. tive vontade de levantar da cama. mas sim filho adotivo da tia Helena e do tio César. -Mas você sabe que não podemos ter filhos. e depois de saber que ele era "meio primo" se tornou um sonho possível. na terceira gaveta do armário havia uma caixa de primeiros socorros onde havia vários remédios. ter o Robson como primo era ótimo. eu não via a hora dele acordar. Meu coração espremeu quando ele fechou a porta daquele quarto. andando na ponta dos pés fui até a cozinha pegar um copo de suco. tivemos que adotar o Robson. olhando pro teto fiquei imaginando a noite inteira como seria namorá-lo. aquela sombra que fazia nas curvas do seu corpo me faziam lembrar dos nossos momentos de carinho logo quando cheguei à São Paulo. Voltei pro meu quarto e me joguei na cama feliz da vida. -Bom dia. de camiseta regata e cueca boxer branca ele dormia todo espalhado pela cama. César.. mas acabei me apaixonando e isso foi inevitável. sentei-me à mesa e dei um gole no suco quando a tia Helena chegou na cozinha arrastando a pantufa do Ursinho Puff que ela adorava. adormeci pensando nisso. -Podemos sim. por termos o mesmo sangue não sei se era certo. Lucas! -Bom dia. já era hora dele saber sobre meus sentimentos e eu estava decidido a contar. mas tinha horas que eu achava que ele só sentia um carinho por mim.. C @ pítulo 29 Encostei a porta bem devagar para não fazer barulho e acordá-lo. Era estranho eu estar apaixonado pelo meu próprio primo. se você fizer um tratamento. poderíamos namorar sem culpa por ter laços de sangue. eu conversei com o médico e ele disse que eu tenho condições de engravidar. tê-lo como namorado era um sonho. a luz do abajur estava acesa. Claro que essa noticia me tirou mais um peso da consciência. -Você desistiu na metade do tratamento.. altos beijos. -Nós já fizemos uma vez e não deu certo.

. pois ontem eu comi e me fez mal. tia. mas é melhor a senhora não comer. tia? -Desde quando ele tinha quinze anos. -Eu também Lú.. sentou do meu lado e começamos a conversar. Desculpa. -Lú. olhou pra mim com aquele olhar que só ele sabia fazer.? -Oi Ro.. eu e seu tio não conseguíamos ter filho pelo método tradicional.. -Tia.. liguei o rádio e fiquei deitado no carpete do quarto cantando e esperando o Robson acordar. mas não resistiu e acabou morrendo.. -Então vou comer só essa salada de frutas.. Enquanto a tia Helena foi pro seu quarto eu fui pro meu assistir um pouco de tv. -E como a senhora conheceu o Robson? -Uma amiga minha que trabalhava no hospital me contou sobre o caso... então decidimos adotar uma criança... ao sair do banheiro vesti uma roupa fresca.-Acho que tem dois. obrigado. fizemos alguns tratamentos.. vou tirar esse pijama e ver o que faremos pro almoço. -Ro... Quando me aproximei do berço e vi aquela criança miudinha.. 103 ... -Pois é. -Ta bom... Tenho uma coisa pra te contar. Até eu fiquei emocionado.. naquele momento eu tive a certeza de que Deus acabara de me dar o filho que eu e o César tanto esperávamos.. -Ah.. então peguei uma toalha e fui tomar um banho pra relaxar. -Ah. Humpft. -O que. É. Lucas? -A senhora dizendo que adotou o Robson.. -Ai que bom. deitado na cama eu não conseguia prestar atenção em nada. mas não foram satisfatórios. Na tv não tinha nada de interessante pra ver. mas parece que a mãe do Robson levou um tiro do próprio pai dele quando ainda estava grávida. toda minha concentração estava perdida nos pensamentos pelo Robson. não demorou muito e ele entrou no meu quarto todo feliz. eu fiquei comovida com a história e fui visitar o bebê mais comentado do hospital. o pai se matou logo em seguida e a mãe ainda ficou viva por umas duas horas. Ele sabe disso. -Nossa.. -Nossa... mas ontem eu não pude deixar de ouvir. -Você está melhor? -To sim. Quando chegaram no hospital o bebê ainda estava vivo dentro do corpo da mãe. frágil e indefesa comecei a chorar... quando toquei em seu bracinho ele segurou meu dedo com aquela mãozinha bem pequena com muita força e abriu levemente o olhinho direito. -Bom. Foi uma história muito complexa a do Robson... Bom. -A senhora pode ou quer me contar? -Eu não sei ao certo o que aconteceu. Que tragédia.. no hospital os médicos fizeram uma cesariana e o Robson ficou uma semana em estado grave na incubadora..

. Depois de um certo tempo passou um casal de garotos que me chamou atenção.. Lucas.. afinal.. me fazendo lembrar aquele tempo em que eu e o Robson nos entendíamos. não era nada. Lú. -Mas deixa pra lá. -Obrigado. É obvio que eu fiquei triste. -Desculpa. -Bom. ser desejado pelo Robson assim como eu o desejava. -Não... acho que agora mais que nunca você vai precisar. o que eu queria era estar no lugar desse garoto.. moído de tanto sofrer por quem nunca soube me dar valor. 104 . Vou tomar um banho e depois vou ligar pra ele..-Pode falar. -Assustou? -Claro. sentei embaixo de uma árvore e fiquei lendo um livro. criei expectativas à toa. Obrigado. Lú.. mas nem se mostrou interessado por mim. encher sua cabeça com mais preocupação não era minha intenção.. eu achava que o Robson também era afim de mim. C @ pítulo 30 Gostar de alguém é complicado. Vendo que ele estava feliz preferi ficar na minha e não falar nada. mas com a correria que vinham acontecendo os fatos até nem lembrava mais. ele estava afim de um outro garoto e não de mim. meu coração já estava aos cacos. depois vesti uma roupa leve e fui dar uma volta no parque Villa-Lobos. -Tá bem. Imprimi o resultado e deixei sobre a mesinha do computador. Ro! -Limpe essas lágrimas. vim te fazer companhia. -Ta bom.. mas depois passou.. mas claro que não dependia só de mim... -Ok. -Ah. ele é muito fofo. você entrando assim.. fala você. No outro dia peguei o gabarito da prova que havia feito.. -Não tem o que agradecer. -Mas você estava com raiva de mim. -Pode falar. principalmente quando não se é correspondido. Robson.. -Eu estava. ontem eu conheci um menino tão gracinha. o que você queria me contar? -Nada de importante. torça por mim. -Já disse. entre um capitulo e outro meus pensamentos se perdiam em meio aquela natureza. vamos caminhar um pouco pra você melhorar. já era pra eu ter pegado ha algum tempo.. no começo eu fiquei. -E você está interessado nele? -Fiquei muito afim. -Fala você primeiro. Conversamos um bom tempo.

. curtos momentos que eu poderia chamar de “A mágica do amor”. ta bom. -Luuuuuuuuuuu. -Ai ele é tão fofo. por que não? -Ai Lú. por isso preferi me calar. aí ele fechou o álbum e começou a me beijar. ao abrir a geladeira ouvi o barulho da porta da sala batendo. estava preocupado. porque gosto de você.. -Legal.. algo que meu coração registrou como brasa em pele de gado. mas que já tínhamos ficado algumas vezes. mostrei o álbum de fotos da família. quando você volta? -Não vejo a hora de voltar. -Me preocupo sim. estou morrendo de saudade de você! -Hoje vamos para a balada? -Vamos. -Imagino sim. chega.. -Não se preocupe. -Eu estava louco para te apresentar aquele garoto que te falei. sabe que no começo eu não botava muita fé que iria rolar algo entre nós.. -Não faltarão oportunidades. -Eu o trouxe aqui pra te apresentar.. Ta um calor aqui que você não imagina. -Eu também. eu o amava tanto que não queria estragar sua felicidade. Lú. Naquela situação eu não poderia mais falar dos meus sentimentos para o Robson. ai eu contei que éramos primos. vou adorar sair com você. São momentos que jamais esquecerei. fiquei velando seu sono a noite inteira. coloquei o livro sobre a mesinha de centro da sala e fui até a cozinha beber um copo d'água.. aquelas alturas ele já estava afim de outro e eu mais uma vez como já era de se esperar fui jogado pra escanteio.. aí a gente foi se conhecendo. vamos.-Dormiu bem? -Na medida do possível sim e você? -Não dormi. -Ta bom. Lú. Algo que eu te fiz? 105 . era o Robson que acabara de chegar do seu encontro com seu "novo caso": -Luuuuuuuuuuuuuuuuu.. Robson. quando ele viu sua foto perguntou o que éramos.. -Vamos tomar banho? -Juntos? -Sim.. embora fosse um amor não correspondido. Ao chegar em casa não havia ninguém. -Diga Robson. -Desculpa. -Você tá bem? -Sinceramente? Não..

. que adorava interferir na vida dos outros só para destruir os relacionamentos. mandei todo mundo pro inferno. -Calma Lucas. um amor de pessoa. mas o que eu disse foi suficiente para ele entender. Robson. isso que não quero.. decepcionado mais uma vez com a escolha do Robson. pois a notícia do momento era o namoro do Robson com o Hugo. Se um dia você se arrepender. eu já havia cansado de esconder e só ficar insinuando. eu só quero ser feliz e sinto que serei ao lado dele.. Não pode ser do mesmo Hugo que estamos falando.. Eu já não agüentava mais ver aquele monte de desocupados me perguntando a mesma coisa. jamais abandono as pessoas que amo.. pulei os cacos de vidro do chão da cozinha e sai chorando. -Chega Lucas. são neuras minhas... você vai sofrer.-Não. -Deixa-me sofrer. meigo. parece que o Robson caiu em si e se deu conta de que eu o amava. não poderíamos estar falando do mesmo Hugo. -Esperai.. Se afaste desse moleque. por quê? Ouvir aquele maldito nome foi como injetar uma ampola de adrenalina na minha veia. -Você seria capaz de brigar comigo por ele? -Lucas. Não atrapalhe. 106 . O meu Hugo é muito fofo.... Confuso com toda a situação ele correu para seu quarto e bateu a porta. -Não falarei mais do Hugo na sua frente então. não disse diretamente. -Tudo bem. se ele estava pensando que iria se dar bem.. não liga. por favor.. o que você disse? -Sobre... Entrei na internet e minha tela se encheu de mensagens.. Se fosse quem eu estava pensando a coisa ia ficar preta. se você continuar falando dele assim vamos perder nossa amizade. desculpa. -Mas Robson. -Robson. até derrubei o copo com água no chão.. dessa vez se enganou. não era possível que aquele garoto entrou na minha vida mais uma vez pra interferir na minha felicidade. C @ pítulo 31 O ser humano é incompreensível. Ele só finge. -Não.. Nesse momento brotou um silêncio entre nós. lembra de quando ele aprontou comigo? -Lembro vagamente. sentem prazer em destruir a felicidade das outras e assim era o Hugo.. por favor. Vai passar.. Robson. Ele não vale nada.? -Quem é Hugo? -Meu novo namorado. espalhando cacos de vidro por todos os lados.. mas me deixe curtir esse momento. existem pessoas que nasceram pra fazer o mal. desculpa. brigue comigo depois se quiser. infelizmente dessa vez a vítima era o Robson.. deixa-me viver em paz com ele.. havia várias pessoas querendo me perguntar a mesma coisa.. tenha certeza que estarei aqui pra te amparar. me tranquei no quarto e liguei o computador.

. eu queria entender quando foi que eu fiz mal a esse garoto? Por que ele me perseguia dessa maneira? Seria inveja? Eu não sei. tenho a consciência de que eu jamais o fiz algum mal. Olhando para a mesa notei que o gabarito da prova estava ali esquecido. mas pensei que vc soubesse o motivo pelo qual o Hugo aceitou namorar seu primo. -Você é o Lucas? -Isso! -Parabéns Lucas. você tem o numero do canhoto? -Tenho. Bom. Bloqueei todo mundo para não me amolarem com essa história e parei pra pensar. paciência.. obrigado pelo toque. Muito obrigado. -Lucas diz: do que vc ta falando? -NeNê diz: os boatos que correm por aí é que o Hugo só está com o seu primo por que ele já ficou com vc... é o 5041.. que era lutar pelo meu amor até onde fosse possível. -Alô. depois de tudo anotado comecei a fazer os cálculos e quando eu vi que havia acertado 93% quase tive um infarto. Tenho uma novidade... já saiu o resultado da prova? -Já sim. não me contendo de felicidade liguei pra minha mãe e dei a notícia de que iria estudar na Alemanha. Mais do que nunca tomei uma decisão em minha vida.. Mãe? -Oi filho. mãe! 107 . eu achava que nunca passaria naquela prova..... tudo bem com você? -Tudo ótimo. -NeNê diz: ele só quer te ferir e está usando seu primo pra isso.. -NeNê diz: desculpa.. na mesma hora liguei para o consulado: -Oi...-NeNê diz: Lucas? -Lucas diz: fala -NeNê diz: vc já ta sabendo do namoro do seu primo com o Hugo? -Lucas diz: eu não quero saber e tenho raiva de quem sabe. trancado no quarto eu gritei. pulei. -Lucas diz: já tentei avisar ao Robson.. agora preciso ir. chorei. Desliguei o telefone feliz da vida. -Lucas diz: eu já imaginava.. mas ele prefere fechar os olhos. pra ser sincero não quero mais saber. peguei a folha da prova e comecei a comparar as respostas. você foi aprovado.. -Sério?..

Eu volto nas férias pra matar a saudade.. -Lucas. -Mas meu filho.. deixei o meu sentimento de lado e observei como uma pessoa neutra.. é preciso amar demais para ficar mendigando carinho e amor da outra pessoa. Ninguém fica ileso de amar sem ter chorado ao menos uma vez.. -Ah eu também mãe. Faz eu me sentir melhor. -Sim mãe.. -Mas ele sabe disso? -Hoje eu soltei uma indireta. mãe.. você vai me deixar? -Claro que não. meu filho? -Humpft. -Meu filho. -Por que. mãe... coisa que eu jamais faria. -É tão bom conversar com a senhora. Se abra pra ele. -Vou sentir saudade.. -Que ótimo Lucas. -Eu não sabia que amar alguém era tão bom. acredito que ele tenha notado.-Novidade. O Robson tentava beijá-lo e o Hugo desviava o rosto com repugnância. C @ pítulo 32 108 . -Lucas? Você está chorando? -Ah mãe. Eu descobri que amo o Robson. é sofrer.. Mãe. o sinônimo de amar.. -Dói ouvi-lo falando de outro na minha frente. Mas não se preocupe que eu volto.. Beijo! -Outro! Desliguei o telefone mais aliviado depois de ter ouvido as palavras de conforto da minha mãe. converse com ele. Depois de um tempo o Hugo se levantou da cadeira e foi embora. Mudando um pouco de assunto. sorte que eles não me viram. você é uma delas. seja claro e objetivo... torci tanto por você meu filho. parece que a senhora tem sempre a resposta que eu preciso ouvir. mas ao mesmo tempo tão ruim. sempre que me sentia mal procurava os conselhos dela. na maior cara de pau ele paquerava outro rapaz que estava atrás do Robson e ele nem se dava conta. Tenho estado tão triste... -Eu te amo meu filho. Uma semana depois fui a um barzinho encontrar os amigos para me despedir antes de viajar. ficando somente o Robson e dois amigos dele. por quê? -Por nada. sentei em uma mesa bem longe e fiquei observando. meu filho. -Também te amo mãe. desabafe. conte com sua mãe sempre que precisar. meu filho.. conte tudo o que sente... -Somente pessoas sensíveis sabem e conseguem amar de verdade... Não sei o que faz uma pessoa se sujeitar a uma situação tão estúpida como essa. logo quando cheguei acabei encontrando o Robson e o Hugo por lá. a senhora sabia que o Robson é filho adotivo da tia Helena? -Sim. e depois deixe que ele decida. tenho um mês apenas para acertar a documentação e embarcar. Qual? -Passei na prova de bolsa pra estudar na Alemanha. mãe..

eu queria muito que você ficasse... -Não posso fazer isso. eu fico.. encostou-se nela e com um ar de tristeza pediu para conversar comigo: -Você vai mesmo embora para a Alemanha?. -Tem outra solução? -Vou sentir muito a sua falta. dobrei todas as roupas e separei em cima da cama antes de arrumar tudo dentro da mala. fique comigo". Você tem mesmo certeza que quer ir? -A única coisa que pode me impedir de partir é você. vou conferir a hora que o avião sai. -Eu também... -Depois de cair no golpe do Gabriel.. o levei pro Motel e enquanto ele dormia eu fui embora. sem que eu esperasse o Robson entrou no meu quarto... 109 .... por favor? -Essa vermelha? -É. -Isso.. fechou a porta. assim que ele soube que eu e você ficamos. era a chance que eu precisava pra zoar ele um pouco. -Lucas espere. -Aqui está. Robson... Lucas. Você estará acompanhado.. Estaria sendo egoísta. -Você está falando do Hugo? -Quem sabe.. Lú. só me deixei aproximar dele pra vingar você. -Hahaha... não digo que seja em boa companhia.. eu já tinha tudo esquematizado. Se você disser que me quer.. pelo que ele fez com você. -Havia entrado numa suíte de motel. Você achou mesmo que algum dia eu me interessei por ele? -E não? -Claro que não.. Encostando ele na parede e falando boca com boca eu disse: -Então diga: "Lucas. -Eu pensei que você estava gostando dele... -Não. -Hahaha. Pense bem.. -Da rua eu liguei pra policia e fiz uma denuncia de que um menor. Acorda Lucas. mas vai ter com o que se distrair. Eu amo você.. você estaria lutando pela sua felicidade apenas.. Agora preciso dar uma saída. Já pensou a cara da mãe dele em ter que ir buscar o filho na delegacia nessa situação? -Hahaha. -Mas e seu documento? -Era falso.. jogo tudo pro alto só pra ficar junto de ti.. -Sim? -Humpft. mas eu volto.. fiquei imune a esse tipo de pessoas que não valem nada.... pois o RG dele era falso. Pega aquela caixa ali pra mim. o safado se jogou pra cima de mim. -E o que você fez com ele? -Nada demais.Dois dias antes de embarcar para a Alemanha eu estava em meu quarto arrumando minhas coisas. ele ainda não tem 18 aninhos. -Mas você acha que pega alguma coisa? -No mínimo ele foi parar na delegacia.

vou providenciar isso ainda hoje.. às vezes uma lágrima insistia e escorregava pelo canto do olho. ficava na dúvida se conseguiria me adaptar.. mas não tem jeito. sentei no sofá e fiquei pensando no que será que ela estaria se referindo. mãe.. acabei nem dormindo direito durante a noite que antecedeu a viagem. inferno? -Não tenho esse direito. Lucas. -E você vai deixar de lutar pela sua felicidade? -Do que você está falando. o que ela iria pensar me vendo cheirando a jaqueta do Robson? -Você tem mesmo certeza que é isso que você quer. Ela seguiu pro banheiro de cabeça baixa deixando uma incógnita. -Se a gente se gosta. às vezes me dava medo. hábitos e costumes diferentes.. aproveitei também e verifiquei os procedimentos de embarque no check-in. até pareceu ser 110 . a trazendo para próximo do meu corpo e acariciando-a. Deixei as malas no canto do quarto. tia? -Pense bem.. -O meu sonho é ser feliz. o Robson ficou sentado na beirada da cama olhando para as malas quase prontas. Lú. Peguei o elevador e desci até o estacionamento. peguei meu carro e seguindo direto pro Aeroporto de Cumbica.. tocava aqueles móveis que foram cenários dos melhores momentos que vivi desde que cheguei à São Paulo. Finalmente chegou o dia de me despedir das pessoas que eu gostava e embarcar em rumo ao desconhecido. mãe? -Oi Lucas. -Alô. -Será que dá tempo de chegar ai em São Paulo? -Se a senhora vier de avião sim. Amo você! -Eu também te amo.... Lucas? -Humpft. Andei pela casa enquanto todos dormiam. -Olha só. com pessoas diferentes. eu iria para um lugar desconhecido. Levei um susto quando a tia Helena colocou sua mão em meu ombro. enquanto ia dirigindo coloquei na rádio que eu costumava ouvir e fui o caminho todo ouvindo música e pensando em como seria minha vida na Alemanha com a minha família toda aqui. Verifiquei no balcão o horário de partida do vôo. peguei meu celular e a carteira.-Eu não posso fazer isso. só isso. meu filho. fiquei me revirando na cama até dar 07h pra poder levantar. -Você está indo em busca de um sonho. encostei a porta do quarto e saí. gostaria muito de ficar.. no caminho de volta pra casa acabei pegando o maior trânsito. -Tudo bem. olhando dentro do seu olho eu suspirei. peguei aquela peça de roupa como se estivesse pegando o próprio dono. pois ela viria me ver e acompanhar até o aeroporto. Logo quando cheguei fui correndo telefonar pra minha mãe para avisar a hora que eu iria embarcar. na ponta do sofá havia uma jaqueta do Robson.. -Mas por que não... -Eu sei. É meu sonho tia. eu vou com o coração apertado.... o avião vai partir do Aeroporto Internacional às 13h.

prefiro me despedir aqui mesmo. te desejo uma boa viagem e sorte na sua nova carreira. Está pronto? -Estou... -E você acha que eu iria ficar em paz sem dar um beijo no meu filho? -Você tem um filho precioso. foi nele que vivi meus melhores momentos desde que cheguei a São Paulo.. Tchau tia. -Obrigado...... seria meu último banho naquela casa. nós chorávamos juntos como duas crianças. bem coisa de tia preocupada. -Hahaha. -Pensei que você não vinha mais...... com as pessoas que você for sair...uma indireta com suas frases não terminadas. -Bom. lembrando em como aquele ambiente tem história. Fui pro meu quarto tomar banho e começar a me preparar para a viagem. -E você acha que eu não sei?. Você nos acompanha até o aeroporto? -Infelizmente não. foi nele que chorei de tristeza e de alegria.. -Tudo bem. saí do banheiro com a toalha enrolada na cintura. a senhora não está um pouco atrasada? -Estou. a tia Helena me deu em beijo na testa e emocionada ela me deu conselhos. foi ali onde tudo começou.. cada objeto que por um bom tempo ficaria sem ver.. seria muito ruim ver meu menino indo embora e não poder fazer nada. A pior parte foi ter que me despedir do Robson. Cuidado nos lugares por onde você for andar. Ao ouvir a campainha tocar coloquei a foto dentro da mala e fui até a sala abrir a porta: -Bom dia mãe. até parece minha mãe.. Tirei o retrato de dentro do suporte e o trouxe para próximo do meu peito... O tio César me puxou e me deu um abraço bem apertado. ao entrar no meu quarto fiquei emocionado. com a mão direita eu segurava sua cabeça que estava apoiada em meu ombro. é que teve um problema no embarque e o avião ficou quase duas horas parado na pista. Tomei um banho demorado. -Tchau Lucas.. peguei uma roupa que havia separado para viajar e comecei a me vestir. nessa hora tirei do bolso uma moeda japonesa e lhe entreguei: 111 .. olhamos um dentro do olho do outro e demos um abraço profundo. me desejando boa sorte. -Tchau tio.. não se esqueça do agasalho que lá faz muito frio. -Vamos meu filho.. foi dentro daquele pequeno cômodo que eu me descobri. -Bom dia meu filho. -Chega tia. dava para sentir as batidas do seu coração que estava acelerado. vamos embora então? Ainda tenho que despachar as malas. coloquei de volta no lugar e notei que na foto estava eu e o Robson abraçados que tiramos uma vez que fomos no Museu do Imigrante logo que cheguei na cidade.... ainda tenho algumas horas. emocionado sentei na beirada da cama e fiquei olhando cada canto. -Helena. -Tchau Lucas. Juntei todas as malas em cima da cama e reparei que um porta retrato havia caído no chão.

jamais imaginei indo estudar na Alemanha. É incrível como o mundo dá voltas. Chorei o tempo todo no caminho até o aeroporto. que em pensamentos virei até você. me desejando boa sorte: -Filho. Se cuide. Te amo! 112 . só de pensar que em alguns minutos eu estaria decolando. -Eu também. Sentado no salão de espera eu estralava os dedos de ansiedade. é impressionante como minha vida teve uma revira mudança. aqueles minutos de espera pareciam uma eternidade. minha alma chorava.. embarque no portão 3" -Já estão chamando. meu filho? -Por que nós encontramos a felicidade nas coisas mais simples da vida. minha mãe se levantou e me deu um forte abraço.. em meus pensamentos você se fará presente e se sentir necessidade da minha presença grite por mim. -Você também. morar em São Paulo. eles chamavam a atenção do aeroporto todo com aquela pose e elegância que só eles tinham. “Atenção passageiros do vôo com destino à Berlim. -Obrigado. com uma tristeza grande no olhar eu avistei os comissários passando e seguindo em direção ao portão 3. pois meu coração continuou lá. toque nessa moeda.. -Será que algum dia eu saberei o que é ser feliz? -Mas é claro. eu não via a hora de embarcar logo naquele avião e acabar com tudo isso de uma vez.. Vou sentir saudades. ter meu próprio carro... tem muito tempo ainda pra se apaixonar... Toda vez que você sentir minha falta...... "Atenção passageiros do vôo com destino à Berlim.. abra sua janela que chegarei até você em forma de brisa.. Lucas.. Fique com Deus. Deus te acompanhe... Peguei as malas e deixei aquele apartamento apenas de corpo.. -A senhora também. você é jovem ainda. -O que foi. minha mãe foi abraçada comigo dentro do táxi o tempo inteiro. me apaixonar por um homem. num andar sincronizado e uniforme impecável. e se a falta for muito grande. mãe.. Chegando no aeroporto o motorista do táxi ia tirando as bagagens do porta-malas enquanto eu observava o decolar e pousar dos aviões.. te amo! -Lú. aos poucos eles estavam me consumindo. -Humpft.. -Vamos. embarque no portão 3” A hora de embarcar chegou. Lucas. mãe! -Se cuida. Levei as malas para o check-in.-Fique com isso. mãe? -Porque só existe felicidade onde existe amor. assinei as etiquetas que eles colaram na alça e depois fiquei aguardando outra chamada para embarcar na aeronave. Seria tão fácil se a gente gostasse de alguém que correspondesse.

.. não deixe sua felicidade escapar." 113 .Segui em direção ao portão 3.. "Ultima chamada para o vôo com destino à Berlim. não vá. quando me virei não acreditei no que vi. Fica. pois todos começaram a aplaudir nosso ato de amor..... por um momento olhamos olho no olho e sem se preocupar com quem estava em volta nos beijamos com toda aquela vontade que estava acumulada. Incluindo a tia Helena que foi quem começou agitando.. havia uma pequena fila para passar pelo detector de metais.. sem saber o que dizer eu fiquei imóvel... “Se você pedir eu fico”. -Ama? -Sim.. aqueles gritos chamaram a atenção de todos que estavam ali. fica comigo? Eu fiquei sem reação. Na hora eu me assustei. foi o momento mais feliz da minha vida. ele ficou parado olhando pra mim.. -Eu te amo tanto Robson. nunca é tarde pra se arrepender. me arrepio só de lembrar. lute por ela. mas pelo que podemos notar era que o pessoal gostou.. -Desde quando você me ama? -Eu sempre te amei e ainda não havia me dado conta. Fica. eu não esperava que ele viesse se despedir de mim no aeroporto. Fica. reparei que junto com ele eu vi a tia Helena e o tio César: -Lucas espere. onde demos um forte abraço e vários selinhos seguidos. um sorriso se abriu de ponta a ponta em minha face. fiquei olhando aquela foto e percebendo o quanto você já era importante em minha vida. era o Robson que parava o aeroporto gritando por mim. -Eu também te amo Lucas.. mas hoje assim que você saiu eu fui para o seu quarto arrependido por não pedir pra você ficar. foi quando minha mãe entrou no quarto e se sentou ao meu lado dizendo: “-Ainda dá tempo de você voltar atrás. em cima da sua cama tinha uma foto nossa juntos que você deve ter esquecido. quando chegou minha vez de carimbar a passagem e passar pelo detector eu escutei alguém gritando meu nome: -Lucas.. favor embarque no portão 3" -Lú. dei um giro de 360º e vi o tio César e minha mãe também gritando pra eu ficar. -Robson? Veio se despedir de mim? Com a respiração ofegante. Lucas...... já que havíamos nos despedido em casa mesmo. abriu um sorriso no canto da boca e disse: -Não. Fica? De repente o aeroporto todo começou a gritar: -Fica. na mesma hora larguei tudo que tinha nas mãos e corri ao encontro dele que correu em minha direção.. sem nos importar com quem estava olhando. lembra? Então eu peço agora. Lucas... correr atrás dela.

olhei para todos que estavam ao meu redor. Não. tudo depende somente de nós e da nossa vontade. Com tudo isso aprendemos que nunca é tarde para se arrepender e tentar ser feliz. -Humpft. já minha mãe se mudou pra São Paulo e ficou sócia da tia Helena em uma doceria no Jardim Paulista.-Na mesma hora calcei um tênis e corri atrás de você. Tudo que vivi serviu para me tornar o homem que sou hoje. o avião precisa decolar.... Há alguns dias eu fiquei sabendo que o Hugo acabou apanhando de um cara que ele estava saindo e o Adriano continuava se arrastando por ele. Todos os dias quando acordo e olho para o Robson dormindo ao meu lado eu penso: "Valeu a pena lutar por você. mas na verdade não havia nada quando verifiquei. te amo!" 114 . que para mim foi como um sinal. quanto ao Gabriel nunca mais tive notícia.... Oito meses se passaram. às vezes quando estou triste escuto na caixa postal do celular a respiração do meu pai que permanece lá até hoje e me conforta nos momentos difíceis. Então sua mãe já sabia sobre sua sexualidade? -Acho que sim.. olhei para os olhos do meu amor e tomei uma decisão: -Senhor.. -Nossa. Fica.. Mas então... Fica. o senhor vai embarcar? -Fica. a tia Helena conseguiu finalmente engravidar pelo método natural como ela tanto queria.. Quando aceitei ficar com o Robson ainda no aeroporto.. Você ainda me quer? Nesse momento a moça que estava no portão de embarque interrompeu questionando se eu iria embarcar. Hoje eu e Robson vivemos sozinhos em um apartamento. mas o táxi já havia partido. mas continuamos trabalhando na empresa do tio César.. apenas a respiração de meu pai. o meu celular avisou que havia uma nova mensagem na caixa postal. respirei fundo e o aeroporto todo começou a gritar novamente. peguei meu carro e vim voando pro aeroporto na esperança de ainda te encontrar e consegui.. Vou ficar aqui com o meu amor..

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