C@p í tulo 1

AMOR.COM

Sempre tive uns pensamentos estranhos, desejos diferentes que um garoto normal da minha idade tinha, às vezes me sentia muito mal, mas não sabia o que era, tinha dias que eu pensava estar louco, me achava anormal, não sei explicar, era uma sensação muito ruim. Às vezes eu beijava minha namorada e não sentia nada, era como se eu estivesse beijando uma parede, certa vez ela cobrou isso de mim, e o que eu poderia dizer? Explicar? Eu também não sabia o que era, eu não conseguia controlar aqueles desejos, certo dia tive vontade de beijar o irmão dela, vendo ele jogando futebol na rua com outros garotos, sem camisa, todo suado, será que eu estava ficando louco? Não era normal um garoto ficar pensando em outro, muito menos desejar um corpo masculino, principalmente o irmão da própria namorada, perdi a conta de quantas vezes aliviei minhas vontades no banho pensando em corpos masculinos, por causa desses e outros pensamentos um dia eu sai de casa na intenção de acabar com tudo isso. Eu nasci e fui criado em Londrina, sou filho único, vim de uma família humilde, apesar disso meu pai nunca deixou nos faltar nada, porém nossa vida sempre foi muito simples, eu me lembro que no meu último aniversário meu pai me deu uma bicicleta de presente, o coitado economizou o ano inteiro para poder conseguir comprá-la. Perto de casa havia uma represa onde ficava cheia de moradores da região em dias de verão, minha mãe costumava me levar todos os domingos à tarde quando eu era criança, ficávamos lá por um longo tempo, tenho saudade daquela época. Ao sair de casa naquela manhã de sábado, deixei um bilhete sobre meu travesseiro, era uma marca de despedida. Mãe e pai! Por todo esse tempo eu venho sofrendo, lutando contra um sentimento que insiste em me perseguir, às vezes quando eu escuto vocês conversando sobre a hora de ter netos eu me entristeço, pois não consigo mais desejar uma mulher, não sei o que acontece comigo, não acho isso normal, não pode ser normal. Por isso, estou me despedindo através dessa carta, não vejo mais sentido em viver, não quero mais sofrer ouvindo vocês desejarem uma casa cheia de netos e eu não poder dar. Desculpa por não ser o filho ideal. Amo vocês! Lucas. 1

Chegando à beira do rio eu respirei fundo, olhei para aquela água que corria em um movimento sincronizado, com o bater do vento ela chegava a molhar meus pés, o silêncio predominava por ali, quebrado apenas pelo barulho da água corrente. Atrás de mim havia árvores cheias de flores e frutos, uma delas me chamou atenção, me aproximei e vi um ninho de passarinho, lá de dentro vinha um piado bem baixinho, me apoiei em um dos galhos e fiquei na ponta dos pés para espiar, dentro havia um passarinho recém nascido e outro quebrando a casca do ovo, fiquei ali parado olhando aquela cena inédita, uma graça de Deus, porém o passarinho não estava conseguindo quebrar direito a casca, com um pouco de receio e muito cuidado comecei a ajudar, ao vê-lo fora da casca e aparentemente bem, sem querer deixei escorrer uma lágrima. Sentei na beirada do rio e comecei a refletir sobre tudo, uma vida acaba de nascer e eu querendo acabar com a minha. Será um sinal? Quem sabe, só sei que graças aquele passarinho eu desisti da idéia de me afogar naquele rio. Voltei pra casa feliz, aliviado por dentro, o engraçado é que eu não sentia mais culpa dentro de mim, quando entrei minha mãe estava na cozinha preparando arroz doce, fui correndo pro meu quarto e o bilhete ainda estava sobre a cama, fechei a porta e respirei aliviado, ainda bem que ninguém havia visto ainda, na mesma hora peguei o bilhete e rasguei em vários pedaços, nessa hora minha mãe entrou no quarto, acabei levando um susto: -O que você está rasgando ai, Lucas? -Nada não, mãe... -Estou fazendo um arroz doce com bastante leite condensado... -Hummm... Que delicia... Estou sentindo o cheiro daqui... Sentei na cama quando vi minha mãe olhando de um lado pro outro e fechando a porta do quarto, limpando a mão no avental amarrado em sua cintura ela se sentou ao meu lado e pegou na minha mão: -Filho, estou preocupada com seu pai... -O que houve, mãe? -Não sei, eu notei essa noite que ele gemia ao dormir... -Será que... -Eu também estou achando. -A senhora já falou com ele? -Não. Há alguns anos meu pai vinha sofrendo de alguns problemas de saúde, paramos de falar no assunto assim que ele chegou em casa. Depois que minha mãe voltou para a cozinha peguei os pedaços de papel e fui jogar no cesto de lixo na área de serviço. Aos meus 17 anos eu já trabalhava e ao mesmo tempo estudava, pois meus pais não tinham condições de me dar tudo que eu queria, vendo a situação em que nós passávamos decidi procurar um emprego para poder ajudar um pouco em casa, de inicio meu pai não concordou muito com a idéia, orgulhoso do jeito que ele era quase me bateu, minha mãe também achou um pouco cedo demais, mas depois acabaram concordando, afinal, uma hora eu tinha que adquirir

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minha independência. Depois desse turbilhão nossa vida parecia estar tranqüila, até que um dia voltando da escola levei um susto: -Lucas, preciso falar com você, meu filho. -Pode falar, mãe. -A doença do seu pai está se agravando, vamos ter que levá-lo para fazer um tratamento no Rio de Janeiro. -Mas por que no Rio de Janeiro? -Porque lá tem mais recursos que aqui. -Se for assim vamos pra São Paulo... -Não Lucas, só vamos pro Rio de Janeiro porque um conhecido de seu pai tem um apartamento lá e vai nos emprestar por enquanto... -Entendi... Vamos depressa então mãe, vou arrumar minhas malas. -Lucas espere. -O quê? -Não temos dinheiro suficiente para sustentar nós três... -Como assim? -Sua tia Helena disse que vai cuidar de você pelo tempo que vamos ficar no Rio. -Como assim? Eu vou ficar longe de vocês? -Meu filho, entenda que não temos condições de sustentar os três... São muito remédios, despesas, táxi... Já falei com sua tia e ela disse que você pode ficar na casa dela pelo tempo que precisar... -Não vai ser a mesma coisa... -Não fique assim meu filho, você vai poder nos visitar quando senti saudade... Vai ser por pouco tempo, você vai ver. Receber aquela noticia pra mim foi um baque, me afastar da minha família assim por tempo indeterminado me causava medo, nunca fiquei longe dos meus pais, também fazia muito tempo que eu não via a tia Helena, a última vez que ela foi nos visitar eu tinha 8 anos, mal lembrava de seu rosto, apenas de sua voz, pois sempre nos falávamos por telefone. Antes do anoitecer dei uma passada na casa da minha namorada para me despedir dela, achei que seria um pouco difícil, mas até que não foi, acho que eu já nem sentia mais nada por ela: -Oi Lucas... Você não avisou que vinha... -Precisamos conversar... -Que cara é essa? -Meu pai está muito doente. -Ele não tinha melhorado? -Não... Ele vai precisar se tratar na cidade grande... -Ele vai pra Curitiba? -Não... -Pra onde então? -Rio de Janeiro. -Nossa... Mas por que tão longe? -Porque lá tem mais recursos... -Entendi. -Por isso vim me despedir de você. -Como assim?

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. quando cheguei na rodoviária minha tia Helena já me esperava toda sorridente. -Lucas. -E vai me deixar? -Não posso ficar aqui sozinho. nosso namoro termina aqui.. -To feia? -Claro que não. está muito bonita. -E você... -Se a senhora diz.... Na mesma semana eu me mudei para São Paulo. igual você! -Eu mandei fotos dele pra sua mãe ver. -Você tem certeza? -Tchau Lucas. Aqui querido... -Você não está pensando nem um pouco em mim..... Quase machuquei o nariz quando ela bateu a porta na minha cara. -Desculpa... quando eu cheguei em São Paulo me senti igual você.. não era um dos melhores lugares para se viver. O que foi? -Nada. -Não se preocupe. muita gente nas ruas. olhando pela janela impressionado com a rotina dessa grande cidade. É verdade. todo mundo parecia 4 ..... preocupado e com medo do que me esperava em São Paulo. vem comigo. -Meu carro está logo ali. -Ok. -Obrigado tia. Quando cheguei fiquei assustando com o tamanho da cidade. -Há cinco anos atrás né. está pensando em mim? -Eu estou pensando em nós. Logo você se acostuma também... -Medo de quê? -Sei lá...... Como você cresceu... pelo que falavam por lá. -Nossa. Lucas. muitas obras. mas a saúde do meu pai está em primeiro lugar. colocamos as malas no banco de trás. mas fui me acostumando... Olha só esse monte de pessoas.. Parecia estar em outro mundo. muito barulho. foi até bom terminar com esse namoro que já não me agradava mais como no início. quer saber.. -Tem certeza? -To com um pouco de medo. -Oi tia... só isso.... A senhora também está diferente. Entrei em seu carro que estava parado no estacionamento. -Sério? Como ele está. Você está tão bonito..-Vou morar com minha tia em São Paulo por esse tempo. É assim? -Sim.. -Hahaha.... deixei minha casa com o coração apertado.... -Muito bem. fui ao seu lado no banco de passageiro.. -O Robson não vê a hora de você chegar. -Ah.. tia? -Já está um homem. trânsito.

. Jaqueline era uma moça que trabalhava para minha tia. um guarda-roupa enorme que pegava de uma parede à outra. -Minha mãe mandou preparar um dos quartos pra você. Vem comigo que eu te mostro. enorme. Nem acreditei quando minha mãe disse que você viria pra cá. o Robson deu risada e pulou comigo. é como eu te disse. Lucas? -Nada não. me enxuguei com uma toalha bem branquinha e macia. Olhei para a tia Helena que esboçou um sorriso e disse: -Vai com ele. muito boba. em um apartamento de quatro dormitórios.. -Que os anjos digam Amém! -Vamos subir.. Depois do banho passei um óleo que estava em cima da pia do meu banheiro. deixe que depois eu levo suas malas pra lá. já comecei a ter aqueles pensamentos outra vez. -Quando eu cheguei aqui era uma caipirinha idiota. nem eu.. um computador. -Que cara é essa. todo luxo que eu nunca tive lá em Londrina morando com meus pais. A tia Helena morava em um bairro de alto padrão com meu tio César e meu primo Robson. Chegamos no estacionamento do prédio e começamos a pegar as malas do banco de trás do carro.. quase não o reconheci quando ele se levantou do sofá e veio em minha direção para me cumprimentar. Aproveitei e já fui tomar um banho para me livrar do suor e cansaço da viagem. a enrolei na cintura e fui pegar uma peça de roupa no meu novo guarda-roupa. ele estava muito bonito.. entrei na sala e logo em frente à porta havia um lindo aquário com vários peixes.. não eram muitas. Quando ele me deu um abraço até deixei as malas caírem no chão.. pois não tinha muita coisa mesmo para trazer. -Lucas.. uma cama grande com um lindo edredom xadrez forrado. logo quando saí do 5 . retribui com um abraço também. mas claro que não demonstrei nenhuma atitude que pudesse dar a entender esse meu “desvio”. tinha até um banheiro dentro do meu quarto.. andando rápido.estar com pressa. -Obrigado tia! Ganhei um quarto só para mim.. ônibus passando cheio ao nosso lado. um monte de carro nas ruas. Não perdi tempo e me joguei na cama. dentro da minha cabeça estava um tremendo redemoinho. seu abraço foi muito gostoso. ar condicionado... quando entrei mal pude acreditar. não sei por que eu sentia aquelas coisas.. se eu consegui você também consegue. Ao chegar ela abriu a porta pra mim. tinha uma TV de 29” tela plana. enquanto isso o Robson ia ajudando a Jaqueline guardar minhas roupas no armário... apenas duas. muito bonita por sinal.. meus olhos brilhavam de felicidade. -Pois é.. me deu até um frio na espinha.. aquele colchão macio. deitado no sofá estava meu primo Robson. enfim. mas não demorou muito me acostumei. To com medo de não me adaptar aqui. lençóis perfumados. -Tem certeza? -Ah tia. mais que bonito ele estava gostoso.. -Sério? -Sim.

tio? -Da cidade. mas nem levei na maldade. onde deitamos para assistir o filme comendo pipoca. Da nossa casa. a principio eu não gostei muito não. pai. muito bacana tio. -Bom. Depois do jantar fui pro meu quarto assistir um pouco de TV. por dentro eu sentia uma angustia que me incomodava. Deitamos em meio às almofadas no chão e assistíamos o filme atentamente.. não deu pra disfarçar.. Continuei assistindo o filme até notar o Robson olhando pra mim.... querido.. Enquanto isso eu juntei várias almofadas no chão e forrei o edredom. -Pode deixar mãe. Por um lado eu estava feliz por estar desfrutando de tudo aquilo. -Você já assistiu a esse filme? -Ainda não.. Já da casa eu adorei. ele queria que eu e o Robson tivéssemos um futuro brilhante. eu estava sem camisa. Na hora do jantar eu comi uma comida maravilhosa. vou tirar essa impressão dele rapidinho. apenas de samba-canção. começou. estou muito agradecido por vocês me receberem aqui com tanto carinho. minha tia estava muito feliz pela minha estadia em sua casa.. Olha lá. -Está gostando. aluguei hoje e esperei você chegar pra assistirmos juntos. tirei a camisa e fiquei só de cueca samba-canção. -Com licença. a cidade é muito grande. Eu trouxe aqui esse DVD pra nós assistirmos juntos.. pra mim era tudo uma novidade. -Deixa comigo. eu que sempre gostei de filmes de ação estava quase dormindo. Ele trocou o que eu estava assistindo pelo que ele trouxe: -Peraê que vou buscar a pipoca. mas depois o filme foi pegando fogo e no meio acontecia uma cena erótica que me deixou excitado. -Isso ai filho. inocente eu 6 .. Lucas? -De que.. estava todo esparramado na cama quando o Robson bateu duas vezes na porta e entrou no quarto trazendo na mão um vídeo: -Posso entrar? -Claro. -Beleza. no começo parecia ser um pouco chato. liguei o DVD e deitei na minha cama.. parado. quando ele me viu quase nu saindo do banheiro reparei que ele deu um leve suspiro e um sorriso meio safado. o volume me denunciava. -Ta bom. -Não tem de que agradecer.. shopping. estando dois homens no quarto não precisaria ficar com vergonha..banheiro vi o Robson sentado em minha cama me observando. pra mim foi uma surpresa ele me incluir nos planos de futuro para seu filho.. os museus.. -Relaxa. -Obrigado pela consideração. e você? -Também não. eu não conseguia tirar o olho da frente da TV. mas por outro eu estava me sentindo um pouco estranho. mas até então não tinha problema nenhum. o tio César já fazia planos pro meu futuro... meus pensamentos ainda estavam no meu pai que estava doente. leve ele pra conhecer as baladas.

abri a porta bem devagar. acabei adormecendo pensando naquele beijo.. Empurrei meu primo pra longe de mim e pedi para que ele saísse do quarto. eu sabia que você ia voltar.. ele acordou e eu tentei me desculpar: -Olha Robson. encostei com todo cuidado pra não fazer barulho. não sei o que deu em mim naquela hora.. Suas mãos foram tocando minha perna e subindo cada vez mais. deitado sobre as almofadas no escuro do quarto eu senti seus lábios tocarem os meus. uma de suas mãos veio deslizando por baixo da minha cueca me fazendo tremer. Ele tapou minha boca com seus dedos. não sei exatamente o motivo. me deixe sozinho? -Tudo bem. me senti seguro. principalmente o seu perfume que havia ficado na minha pele. Algo me perturbava. o Robson pegou o controle e desligou a TV. acabei acordando na madrugada. a trancando para que ninguém entrasse e nos surpreendesse. comecei a chorar. um beijo tão gostoso. não sei o que deu em mim de permitir que aquilo acontecesse. mas precisava interromper aquela pouca vergonha. eu deveria estar ficando louco . aquele beijo mexeu comigo e não me deixava em paz. mas ao mesmo tempo em que eu chorava. me aproximei de sua cama e sentei na beirada. estava ficando maluco. -Chega. aí eu fui perceber que havia uma certa maldade em seus olhares pra mim.. dei-lhe um abraço e deitamos 7 . O Robson me olhou triste e confuso.. no beijo... mas um frio pela espinha vinha subindo e uma satisfação enorme tomava conta de mim. o pior era que eu estava gostando.. encostando atrás dela e respirando ofegante. aproveitou e apagou todas as luzes deixando somente a luz da janela penetrar pela persiana. -Mas o que foi? -Sai daqui. Sai daqui.. não sei explicar.. firme. mas aquele beijo foi tão diferente. fiquei totalmente sem reação. corri e deitei na minha cama. eu não deveria estar gostando. se levantou e foi até a porta. Preciso ficar sozinho. -Fiz algo de errado? -Por favor. Parecia que ele já tinha planejado tudo. apenas fechei meus olhos e não pensei em mais nada.nem dei muita atenção e continuei vendo o filme até que ele tocou na minha perna. no cheiro.. afinal eu estava beijando um homem. aquilo estava me consumindo. pois eu era homem e um homem não poderia ter nada com outro homem. no breu do quarto o Robson tocou em minha mão esquerda e mais uma vez me beijou. olhou pra mim com cara de desejo e sussurrou: -Não fale mais nada.. era um abraço forte. me levantei e fui até o quarto do Robson. eu sem saber o que fazer não me movi. eu precisava fazer alguma coisa. naquele momento eu paralisei. destrancou a porta e saiu do meu quarto a deixando meio aberta.. pensava também naquele abraço. eu fui muito bruto com você hoje. não era possível. com minha mão aberta eu segurei sua nuca enquanto ele me beijava com muito desejo. levantei e fechei a porta. recebi um abraço que jamais havia recebido antes. isso é pecado..

. eu já não conseguia mais raciocinar. aquelas alturas eu já não pensava mais em nada. não parava de pensar nele. a pegada firme. estavam me enlouquecendo. tio César me perguntou como tinha sido minha noite. arranquei sua camisa regata e ele foi tirando minha cueca com o roçar de seu corpo no meu. ao mesmo tempo dando aquelas baforadas que me causavam arrepio. eu adorei sim. entrei e encostei na porta com a respiração faltando. o gosto dele ainda estava em meus lábios e seu perfume exalava em minha pele. mas depois acostumei. quando ele chupou meu mamilo eu não resisti. o Robson não hesitou em encher a mão tocando meu pau.. uma mistura de selvagem com romance. eu já não me agüentava de tanto tesão. tudo bem que às vezes eu pensava em garotos.na cama nos beijando. C@p í tulo 2 Voltei pro meu quarto correndo. não foi muito alto. como passou sua primeira noite fora de casa? -Bem tio. estranhei um pouco no começo.. na sede de beijá-lo outra vez passava minha língua em volta dos lábios para senti-lo um pouco mais. uma adrenalina me consumia. aquela boca safada não parava quieta. Não parávamos de nos beijar. não demorou muito e fiquei excitado.. mas até ai tudo bem. “fazer” já era um passo bem longo. -É normal. levantei e fui tomar um banho pra acordar disposto.. depois do banho vesti uma camisa e uma bermuda bem confortáveis e fui tomar café da manhã com todos na mesa. gostei mesmo. -Ontem eu e o Lucas assistimos DVD e conversamos até tarde. depois sua boca foi descendo e passou a chupar meu pescoço. mal sabe ele que havia sido uma noite muito “prazerosa”: -Bom dia! -Bom dia. um fogo foi subindo e me consumindo de uma tal forma que eu sai do controle. os gemidos eram baixinhos. olhei no relógio e já passavam das 5 horas. tamanha era a intensidade do clima que rolava há poucos instantes. 8 . algo que eu nunca havia sentido antes. mas iam se tornando mais intensos na medida em que o tesão aumentava. vinha descendo cada vez mais. a provocação era demais. No outro dia acordei com uma dor no pescoço por dormir de mau jeito. mas foi suficiente pro Robson saber que eu estava morrendo de tesão. fiquei ali parado relembrando cada momento em que eu havia passado há poucos minutos atrás. Lú! -E então Lucas. deitei na minha cama e adormeci pensando naqueles momentos. era uma experiência nova. nossa. acabei deixando escapar um grito. o cheiro. deixei que o clima me envolvesse e continuei. -Eu ouvi mesmo uma movimentação pelo corredor. mas sim “as chupadas”.. mas quer saber. ao mesmo tempo em que eu sentia medo eu estava adorando. quando ele ia colocar sua boca no meu pau eu recuei. o clima estava esquentando. me senti mais seguro. tudo me fazia melhor. É estranho você se imaginar com outro cara. não eram umas simples chupadas. minha vontade de estar com ele novamente ia aumentando. ele começou a morder minha orelha bem devagar. justo eu que sempre fiz muito sucesso com as meninas.

-Fala baixo.. né Lucas. Sabe. Após o café me levantei e fui para meu quarto. sem camisa. Mas meus pais não sabem. -Por que você fez aquilo? -Porque me senti atraído por você Lucas. sim. -Por mim tudo bem.. decidimos que a partir de segunda-feira vocês vão trabalhar no escritório do César. começarão fazendo um estagio. deitou na cama e abraçou o travesseiro se matando de gargalhar. eu percebi pela sua excitação. na vida lá fora não é fácil ganhar dinheiro. na hora até levei um susto. tio! -Mas que saco. Eu confesso que gostei da noite passada. era tão estranho. Aquela boca bem feita tocando a 9 . eu sou gay. simplesmente não gostava.. mãe? -Na verdade sua mãe queria que eu bancasse o curso de vocês. -Você é gay. -Lucas. quando voltei ao quarto o Robson estava me esperando sentado na minha cama. pele branquinha. quando ele começou a contar eu gelei.. essa noite eu e seu tio conversamos bastante sobre seu futuro e o do Robson. -Seria uma ótima idéia.. pela sua “avantajada” satisfação. -Pois é. -Ajudar.. -Claro que você gostou. encostei a porta e entrei no banheiro para escovar os dentes e lavar o rosto. não contente ele roçava sua perna na minha por baixo da mesa. portanto se você quiser eu ajudo pagando uma parte.. embora teve um pouco de receio. Às vezes eu sentia uma vontade de beijar o meu vizinho..... -Percebi que você gostou da noite passada. Fiquei muito feliz com a novidade.. Mas está na hora de você adquirir responsabilidade em sua vida e aprender a controlar seus gastos. Robson? Ele caiu na risada. e vão pensando em que curso vocês querem fazer que eu e seu tio vamos ajudar vocês a pagarem suas faculdade. eu não vou contar. sentado à minha frente na mesa ele me olhava com desejo. sem pelos. -Você é tão gostosinho Lucas! -Pare com isso.. Uma sensação que nunca havia sentido até o momento. bronzeado de sol encostando junto ao meu. Sabe. mas me senti tão bem. O Robson falava com um sorriso bem safado na cara e usou um duplo sentido. acabou me deixando sem graça. corpinho definido. até levei um susto ao vê-lo ali. no chuveiro eu pensava nele. eu não sei por que. quase engasguei com o suco de acerola que bebia.. mas é muito fácil gastar. safado e audacioso ele começou a rir. -Tudo bem.-O Lucas é bem “divertido”. tanto que meus pais não teriam condições de me dar o que eu estava recebendo na casa da minha tia. -Sim.. agora que vocês já terminaram a escola está na hora de começarem a seguir uma profissão. meus tios olharam pra nós sem entender o que se passava. parece que ele gostava de correr certos riscos. só de ver já fiquei perturbado. confesso que essa palavra “gay” me deixava meio apreensivo.. aquele peitoral definido.

.minha. O Robson era muito safado e atrevido. por isso não consegui ouvir o Robson entrar no quarto. sem malicia ou segunda intenção.. daqui a pouco to saindo pra balada. foi inocente. Fui pro meu quarto tomar um banho antes de sair. só carinho. -Você é louco? -Por quê? -E se alguém nos pega aqui? -Ué.. 10 . todo arrepiado.. ele disse que iria me levar para conhecer às baladas. cheguei da escola. quando a coisa estava começando a esquentar eu pedi pra parar. Palavras intercaladas com beijos e mordidas nos lábios: -Parar.. mal deixou eu falar e já foi me beijando... dessa vez o abraço foi diferente. -AINDA não. Á noite o Robson disse que iria sair. -Robson. ele precisa se divertir um pouco nessa cidade. Não demorou muito o Robson deixou meu quarto.. O Robson veio até mim e me deu um abraço. -É melhor a gente parar por aqui.... ficamos ali nos beijando por um bom tempo. que tesão.. Estamos fazendo algo de errado? -Não. ainda mais na balada que ele iria me levar. -Já entendi. Deixe o tempo passar e vamos nos permitir aproveitar um pouco.. Você quer mesmo parar?. eu nunca havia ido a uma balada. não tem como explicar. que bom que eu pude desabafar algumas coisas que estavam me sufocando. fazendo com que caísse xampu no meu olho e o fizesse arder: -Caramba. você quis dizer. só fui perceber quando ele abriu a porta do box no banheiro. eu pensava nele até na cama com minha namorada. só sei que eu estava muito melhor que antes.. escrevi uma carta de despedido e coloquei em cima da minha cama. aquela boca safada chupando meu pescoço de uma tal maneira que me deixava anestesiado. -Eu sabia que não.. já sem roupa ele passava seu corpo no meu deixando minha imaginação pervertidamente afiada. sempre gostei de cantar no chuveiro.. com a cabeça cheia de xampu tomei um susto. mas não aceitava isso. leve o Lucas com você. eu adorei a idéia e o Robson também. entrou embaixo do chuveiro com roupa e tudo.. Depois daquela conversa com meu primo me senti um pouco mais aliviado. deitei na cama e fiquei pensando no que ele disse. satisfeito.. pra eu conhecer um pouco da cidade. Não precisa se assustar..... -Mãe. eu me sentia estranho e ao mesmo tempo aliviado.. -Claro.. Fiquei calado. Sentir aquelas mãos tocando no meu corpo era meu sonho de consumo. uma vez eu tentei me matar. chorava dias e dias por isso. -Calma.. mas tinha vezes que eu me reprimia.. ele soube me compreender direitinho. tia Helena pediu para que ele me levasse junto. Você sentia atração por homens.

vim com meu primo.-Robson você vai acabar comigo. Ele começou a rir. o céu estrelado e uma lua belíssima. mas depois acabei me acostumando. Você não é de São Paulo.. tive que deixar minha namorada e vir morar com meus tios. era um ambiente bem sofisticado. a primeira vista eu me assustei. na boate só tinha gente bonita. fui andando pelo lugar e observando o ambiente. Só se for de tanto prazer. Quando chegamos minha idéia de balada gay foi mudando. bem vestido. aquele casal parecia se conhecer ha algum tempo.. moreno de olhos puxados. No começo eu fiquei com um pouco de receio. Ficamos conversando por um bom tempo. afinal. mas acredito que ele vai demorar a voltar.. fiquei com medo de me perder. 11 . -Acabar como.. eu era novo nesse “meio”. meu nome é Denis. aliás. Só me dei conta que estava sozinho quando meu primo acabou sumindo com os amigos. um deles era muito bonito. pois se tratavam com intimidade. não demorou muito e um rapaz se aproximou de mim dizendo: C@p í tulo 3 -Com licença. Fiquei vendo eles ali se beijando e me deu uma vontade de beijar também. -Mas você não disse que estava acompanhado? -Estou. que por sinal eram muito bonitos. quanta gente beijando pessoas do mesmo sexo. muitas gírias diferentes das que eu costumava ouvir. então sentei em uma das mesas e fiquei ali observando todo o movimento do lugar. Logo quando chegamos o Robson encontrou com uns amigos seus e veio me apresentá-los. pessoas de alto nível. afinal. fomos a uma boate gay que o Robson dizia gostar muito. eu era quem tinha que dominar meu preconceito. ele era um rapaz muito legal. transando com qualquer um pelos cantos do lugar. cabelo espetado. -Notei pelo sotaque. nunca vi dois homens se beijando sem vergonha do que estavam fazendo perante as pessoas. sou de Londrina. e você? -Prazer. eu não entendi nada. não entendia quase nada do que as pessoas falavam. sinceramente pra mim uma balada gay não passava de suruba coletiva.. eu imaginava um monte de garotos afeminados dando em cima de todo mundo. A noite estava linda.. -Qual seu nome? -Sou Lucas. certo? -Não. me deu algumas dicas também. bem vestidas. você está acompanhado? -Sim. totalmente diferente da idéia que eu fazia antes de conhecer. -Posso me sentar com você? -Fique à vontade. fui muito bem recebido na portaria pelos funcionários. -Você namora há quanto tempo? -Não namoro mais. ele me explicou algumas gírias que o pessoal usava. para todo mundo que estava ali isso era normal.

ofereci carona para ele que aceitou na boa. Quando meu primo apareceu já chegou de mãos dadas com um garoto. -Ta bom. parecia uma mistura de amêndoas com morango. aquele seu perfume ficou na minha pele. daqui a pouco vamos embora. sem saber o que responder. Esse é o Gabriel. -Lucas. -Eu? -Posso te dar um beijo? Olhei pra ele com os olhos estufados. mas ao mesmo tempo feliz por mim. passo a passo. ao me ver junto com o Denis ele ficou surpreso. Confesso que eu também me senti atraído. mas aquele beijo foi muito gostoso.. fechou seus olhos e aos poucos foi aproximando seu rosto do meu e encostando sua boca na minha. era um perfume doce. embora eu ainda estivesse um pouco apreensivo por ser a primeira vez que recebia uma indireta tão direta de um cara. -Prazer. cabelo liso com topete espetadinho e luzes. me senti mais à vontade também. tocou em meu rosto com sua mão esquerda delicadamente. tinha um sorriso de anjo e uma voz muito serena. ele sabia onde pegar. sua respiração já estava ofegante. mas fiquei constrangido quando ele me pediu um beijo: -Lucas. Claro que ele notou minha falta de “jeito” para esse tipo de situações. -Beleza? -Tudo bacana. em meio aos beijos intercalados com mordidas nos lábios ele ruborizava. eu não sei explicar. nem aparentava ser gay. -Tudo bem. -Não perdeu tempo hein Lucas. alternava entre o seco e molhado. foi muito bom. tinha bom gosto para roupa e perfume pelo que pude notar.. foi aí que ele puxou sua cadeira pra perto da minha. -É que fiquei muito afim de você. o deixamos na estação do metrô próxima da balada. era um toque leve. o que mais me encantou foram aqueles olhos negros e brilhantes que me olhavam de uma tal maneira a me tirar um raio-x por completo. Meu nome é Robson. prazer. Denis. olhou lá dentro dos meus olhos.me tratou com muito carinho e muita atenção. abusado como ele era já foi tomando a iniciativa e se apresentou ao Denis. enquanto nos beijávamos carícias no rosto e na nuca rolavam de ambas as partes. -Vou dançar um pouco na pista e depois eu volto pra te buscar. mas ao mesmo tempo firme. com aquela pele morena de sol. Ficamos nos beijando por mais um tempo. -Deixa eu te apresentar.. o jeito que ele me tocava me deixava louco. não soube como agir de momento. Depois de um tempo eu comecei a me familiarizar com o ambiente.. aos poucos ia abrindo sua boca e o beijo estava ficando cada vez melhor. ficamos conversando e nos beijando a noite inteira quase. Na hora de ir embora. primeiro um selinho delicado. Lucas? -Pode. um pouco mais baixo que eu. um rapaz muito bonito. 12 . -Posso te beijar outra vez.

e nem sei mexer em computador. não precisa esconder. -O Denis é muito bacana. às vezes de cueca. hein? -Por quê? -Ele era muito gatinho. 13 . -Até parece que agora você tem o poder de prever a felicidade dos outros...... -Tchau. ta certo que o seu é tudo de bom. parecia ser muito legal também. -Calma. -Não custa tentar. Ao entrar no quarto encostei a porta e fui direto tomar um banho. -Tudo bem. vem aqui que eu te ensino. né? -Humpft. -Você bobeou com o garoto. -Falou cara... criou um e-mail pra mim. aproveitei para descarregar meu tesão acumulado da noite toda.. tranqüilidade. -Quando é que vocês irão se ver outra vez? -Não sei. entramos no bate papo. não demorou muito e eu já havia pegado o jeito de usar o computador: -Vamos começar criando um e-mail pra você. visitamos alguns sites picantes. -Como não sabe? -Não sei... acorde. No outro dia acordei com o Robson me chamando dentro do quarto. -Caramba. Como foi com o Denis ontem? -Foi ótimo. fui pego de surpresa: -Lucas. -Da uma olhada no nick desse cara... eu já vi muitos desses. -Olha só como você fala? -Quer parar? -Você fala com tanta calma. -Você queria que eu falasse como? -Bom. odeio perder a oportunidade de ser feliz... na minha pele. -Com o tempo você acostuma. eu tinha o costume de dormir nu. adorei. eu levantei correndo procurando uma toalha para me cobrir. eu no seu lugar estaria desesperado.. como é bom você poder beijar alguém com prazer sem se preocupar com quem está olhando ou peso na consciência.. puxou uma cadeira junto da minha e foi me ensinando como usar. depois do banho me enxuguei e fui me deitar. -Precisa aprender. Robson ligou o computador.-Obrigado! -Por nada. Cheguei em casa e aquele perfume ainda estava em minha roupa. -Você está me deixando sem graça. como vou encontrá-lo? -Vocês não trocaram telefones? E-mail? -Não decorei o telefone daqui. isso eu não posso negar.

-Credo. é fácil de conseguir arrumar alguém pra transar nessa sala de bate papo? -Muito fácil.. Pelo visto você está confiante com esse garoto. Vai querer sair com ele? -Ta louco? -Bom.. Quer ver? Robson fala pra BoyToy: Beleza cara? BoyToy fala para Robson: firmeza. se sou ativo ou passivo. Robson fala para BoyToy: BoyToy fala para Robson: Robson fala para BoyToy: eu curto um sexo bem gostoso e você? eu também. Pode ser que era só implicância minha. talvez estivesse rolando um ciuminho da minha parte pra cima do meu primo.. -Vou torcer por você. -Nossa. -Como você sabe? -O próprio apelido dele na sala insinua que ele é um brinquedinho para os outros. pois ele estava tão feliz que fiquei com receio de magoá-lo. dificilmente tem alguém procurando fazer amizade. -Ah.. Não sei por que.. então fique ai se divertindo um pouco.. conversar com os caras no bate papo era um 14 .. -Ele só está a fim de gozar..... porém não tive coragem de dizer ao Robson. o que curte? -O que ele quis dizer com isso? -Quer saber o que eu faço na cama. -O que tem ele? -Provavelmente ele já entrou na intenção de encontrar alguém pra fazer sexo.. mas se esse garoto fosse fazêlo feliz o que eu poderia desejar era sorte apenas.. -Parece que ele ficou muito afim de sair com você. Enquanto ele foi ligar para o seu mais recente amor eu continuei conversando com alguns caras no bate papo. -Pra quem? -Para o Gabriel.. E você curte o que? -Você não descobriu ainda? -Uhum.. só estou zoando.. mas não fui muito com a cara do Gabriel..... -Aonde você vai? -Vou telefonar pro meu gato. tem local? topa motel? -Você vai sair com ele? -Claro que não. as pessoas só entram aqui pra procurar sexo...-Qual deles? -O BoyToy.. hein? -Espero que agora eu tenha acertado na felicidade. Vem cá.. -Obrigado...

-Conheceu alguma garota? Na hora eu não sabia o que dizer. é só me ensinar o caminho que eu vou sozinho. deixa pra lá... bom dia mãe! -Bom dia meu filho. -Eu vou levar? -Claro que vai.... -Se o Robson não quiser ir tudo bem tia. -Bom dia! -Não tem torta de maçã? -Hoje não. -Deixa que daqui a pouco ele vem.. Como foi a balada ontem? -Foi bacana. Depois o Robson vai levar você no shopping e lá vocês compram. -Bom dia pai.pouco difícil.. -Chega. Helena? -Não fique fazendo esse tipo de pergunta idiota para o garoto. Lucas! Você viu o Robson? -Eu acho que está no quarto dele.. Depois de ficar quase duas horas na frente do computador fui vestir uma roupa e tomar café da manhã. pois só pensavam em sexo. Robson? -Isso o quê? -Você anda muito malcriado. -Não começa me alugar. Robson.. -Aproveite e compre um celular para o Lucas também. até cheguei a trocar e-mail com um deles. aproveitamos e pegamos um cinema. -O que é isso. Lucas. Vamos falar de coisas boas? É amanhã que a gente começa a trabalhar com o senhor.... meu tio também tinha que fazer esse tipo de pergunta? Sorte foi que minha tia interrompeu o assunto e o Robson chegou bem na hora propicia para mudarmos de conversa: -César. mãe. -De jeito nenhum... tio? -Com certeza. vão ter que acordar cedo.. foram muito poucos os caras no qual consegui conversar um papo cabeça.. -Relaxa.. fiquei vermelho de vergonha. -Claro! -Posso comprar um tênis novo? -Você já tem muitos tênis. 15 . o Robson vai te levar. ele vai precisar.... vestir terno e gravata.. -Tudo bem.. você não está vendo que ele é tímido? -Mas o que foi. -Mas. Lucas. -Que droga. A gente vai dar umas voltas no shopping mais tarde.. -Bom dia! -Bom dia. -Não tem problema. -Tudo bem.. Eu não tenho terno nem gravata.

vou te esperar na garagem. -Tenho certeza de que vai dar tudo certo.. -Contou? -Estou tão orgulhosa de você. peguei o telefone da mão dela.. Voltei pro quarto na intenção de ligar no celular do Robson avisando que não iria mais com ele ao shopping. amanhã ele vai passar com o médico pra marcar o inicio do tratamento.. Quando contar isso ao seu pai ele vai ficar muito feliz. em como seria nosso primeiro dia na empresa.... -Lucas. Fui até o banheiro. -Pois é.... -Eu e seu pai chegamos ontem aqui no Rio. falar com minha mãe acabou me encorajando para ir ao shopping com o Robson e o insuportável do seu 16 . mãe? -Continua na mesma.. eu não estava a fim de olhar pra cara do idiota do Gabriel.Terminamos de tomar nosso café da manhã falando sobre trabalho. -Como o pai está. coloquei na cabeça e me despedi da tia Helena. ao entrar no quarto minha tia entrou com o telefone na mão. resolvi assumir minha implicância com ele e pronto. -Entre tia. -Ok.. mas não adiantava. -Sua tia me contou que você vai trabalhar com o César. de principio não gostei muito da idéia... era minha mãe que havia ligado para dar noticias. o Robson foi ligar para o Gabriel o convidando para ir conosco ao shopping. peguei um boné dentro do armário.. agora preciso ir. poder estudar. confesso que fiquei muito empolgado com a idéia de trabalhar em um escritório com meu tio e meu primo. -Filho? -Oi mãe. mãe. já está pronto? -Só vou passar um pouco de gel no cabelo.. -Minha mãe? -Sim! -Alô. -Como você está? -Eu estou bem na medida do possível. olhei bem pro meu rosto no espelho e pensei em desistir.. ganhar uma grana boa. tudo bem que eu nem cheguei a conhecer o cara direito..... Enquanto eu me arrumava em meu quarto. -Filho. Lucas.. -Tudo bem. mas não tinha outra escolha. fique com Deus.... passei a sonhar com um futuro promissor. -Tchau! Desliguei o telefone super feliz. Te amo! -Eu também meu filho. -Sua mãe no telefone. ficar segurando vela pros outros não era comigo. sentei na cama e morrendo de saudade conversei com minha mãe: -Lucas. -Tudo bem.

pelo tom de voz que ele usava e a forma com que ele falava estava obvio demais. Contra minha vontade fomos procurar uma loja de roupa social.. -Nossa... nos deu bastante atenção. -Depois eu vou embora e vocês decidem o que vão fazer. Chegando no estacionamento ele já estava dentro do carro falando no celular. vamos nos divertir um pouco.. vou ter que desligar... nunca tinha me olhado no espelho de social. podemos ir logo. mas o Robson disse que era ali que iríamos gastar. Lucas? -Beleza.. É melhor eu ficar de boca fechada... não via a hora de comprar o que precisava logo e ir embora. -Pare com isso Lucas. sua adaptação. -E depois? -Depois. -Vamos ver nessa loja.. A vendedora era muito simpática... -Sem comentários. -Oi amor. -Só não quero demorar. é claro que o interesse dela é vender e por isso nos tratou nas nuvens. será que ele conseguiu conviver em um ambiente tão diferente do nosso? Paramos em frente à uma loja de roupas sociais que vendia roupas de varias grifes de marca e os preços praticamente colados no teto. Fomos até a porta do cinema encontrar o Gabriel.. em que posso ajudar? -Veja alguns ternos para meu primo.. cinto. Põe o cinto.. Provei vários ternos. Pronto.. -Podemos ir? -Gato. claro que nem me dei ao trabalho de adivinhar quem era do outro lado da linha. -Oi meu gato! Tudo bem. -Pra onde vamos? -Vamos comprar algumas roupas e um celular. 17 . eu quase desisti na hora que vi uma camisa branca custando mais de 200 pau. ok? Beijão. -Podem me acompanhar. Lucas? -Já to com ciúme.. Gabriel.. o que você tem hoje? -Humpft. me sentia mal no meio de muita gente aglomerada. naquele dia o shopping estava lotado. sapato. te espero lá. e eu sempre detestei multidão... -Que isso amor. -Já? -Sim.. o cumprimentei apenas por educação.. até que eu fiquei bonito. naquela hora eu ficava imaginando como estava meu pai no Rio de Janeiro.. Robson? -Calma Lucas.. gravata... Boa tarde! -Boa tarde. Você está precisando de um amor. Como você ficou bonito....namorado. aquele ambiente estava me fazendo mal. modéstia a parte é claro. então não dei palpite em nada. Chegamos no shopping e deixamos o carro no estacionamento..

-Desculpa.. Como eu já não estava mais com saco pra ficar em chat 18 . -Sobre o que vocês estão falando? -O Gabriel estava elogiando as roupas. isso me deixava mais puto ainda... entreguei para a vendedora que os separou em cima da mesa. -Claro que merece. peguei as sacolas do porta-mala e subi. fiz vários amigos na internet.. Você parece não ir muito com a minha cara. fiquei on-line por um tempo até me cansar e quando eu estava saindo da sala de bate papo um garoto me chama pra teclar. -Humpft. tirei minha carta de habilitação. só sei que não gostava dele. Enquanto ela foi anotando tudo na nota e separando as peças o Gabriel se aproximou de mim e começou a puxar assunto: -Ficou muito bonito vestido de social. Depois de comprar as roupas eu pedi para o Robson me levar pra casa.. -Gostou? -Ficaram legais. -Demais.-Acho que vou levar um pra mim também.... -O que eu fiz pra você? -Vamos mudar de assunto? -Nossa Lucas. achava seu olhar muito falso. -Todos? -Sim. eu já estava quase quebrando a cara do Gabriel... na terça-feira entrei na internet e estava muito chata. eles ainda queriam que eu fosse ao cinema. O carnaval estava chegando. você é muito sincero Lucas.. Tem vezes que eu paro pra pensar e não me conformo em como pode existir pessoas tão estúpidas como o Gabriel. mas é claro que eu recusei. enquanto o Robson foi provar um terno na cabine eu trouxe todas as que eu havia provado... mas agradeço.. -Caramba. pelos passos que as coisas andavam eu voltaria pro Sul com minha família muito em breve. Sorte a minha que o Robson chegou na hora certa de interromper aquele dialogo estúpido. Se eu te fiz alguma coisa de ruim me desculpa. sem contar sua cara de pau de vir falar comigo como se fossemos amigos íntimos.. -Só não queria que ficasse esse clima chato entre nós. dava pra notar também que ele era uma pessoa muito interesseira. toda semana eu falava com a minha mãe e as noticias de meu pai eram boas. né? -Boa observação a sua. imagine segurando vela para dois marmanjos.. vou levar.. Você não me fez nada de ruim. me sinto tão mal com isso.. Três meses se passaram e minha vida parecia estar se ajustando. O Robson me deixou na portaria do prédio e disse que iria dar uma volta com seu namorado. mas não me peça para ser seu amigo. tive uma semana sem aulas na faculdade. Não mereço. pois não te suporto. Fingi que nem ouvi o que o Gabriel me disse. -Não. mas eu não sabia o por que tinha tanta raiva assim dele. não sei se era ciúme do meu primo. já fiz o sacrifício de comprar roupa junto com aquele idiota.

uniu as distancias literalmente. hoje em dia os propósitos mudaram. as correspondências chegam na hora.. Depois que inventaram o e-mail com certeza facilitou a vida de muita gente. divertido e interessante. foram os minutos mais longos de minha vida. Tudo bem. Esperei durante vinte e cinco minutos. ele era um garoto adorável.. entre outras inúmeras coisas.. Cheguei dez minutos adiantado. ele disse que adorava carnaval e até iria desfilar na escola. eu gosto sim.. gosto de futebol. estilo de roupa. minhas pernas tremeram. pois sua família costumava desfilar... -Podemos ir a um lugar mais calmo para conversarmos? -Podemos.teclando com alguém trocamos e-mail e passamos a conversar por lá. -Ok.. tudo bom? -Tudo ótimo. Lucas? -O que você gostaria de saber? -Tudo. pode perguntar então. -Antes o carnaval era uma festa onde todos podiam participar. mas gostava de ver os desfiles pela TV.. comecei a suar. Passei a conversar com aquele garoto por dias. a comunicação fica mais rápida. é difícil encontrar alguém assim que você se identifique.. Depois de conversarmos por quase quinze dias marcamos um encontro no shopping. seria meu primeiro encontro com alguém que eu conhecia via internet. -Não é que eu não gosto de carnaval. -Hahaha.. -O que você gosta de fazer nas horas vagas? -Eu gosto de cinema. eu particularmente não gostava muito de carnaval. se tem bom papo. de qualquer idade e religião. quando já não agüentava mais esperar escutei alguém pronunciando meu nome: -Lucas? C@p í tulo 4 -Você é o André? -Sim. comprei um milkshake e sentei em uma mesa na praça de alimentação. é que acabei tendo uns problemas em casa.. a gente fica imaginando as pessoas de todas as formas. Saímos do shopping e fomos dar umas voltas de carro pelas ruas da cidade. -Desculpa o atraso. muito simpático.. mas também na expectativa de encontrar alguém legal. o que eu não gosto é essa pouca vergonha que se tornou. adoro teatro. não sei se isso acontece só comigo. as pessoas usam o carnaval pra 19 . -Pena que não gosta de carnaval. tentando adivinhar qual perfume será que ele usa. creio que deve acontecer com várias pessoas quando vão ao primeiro encontro com alguém. -Me fale um pouco de você. fiquei ali ansioso esperando por ele. -Nossa. fiquei com um pouco de receio. quando meu relógio marcou a hora do encontro minha barriga começou a doer.

apenas fiz sinal com a cabeça dizendo que sim.encher a cara. meu coração quase saiu pela boca.. ele fechou seus olhos e veio lentamente encostando sua boca na minha. pois ele era bem menino. Quando estávamos no maior clima meu celular tocou. com sua outra mão ele pegou por trás da minha cabeça e a puxou para perto de si. muito bonito. só conversando muito tempo com você pra perceber uma pequena diferença na maneira de falar. estava um pouco escura.. aquelas mãos grandes. mas já passou. carinho.. a voz não saia. -Você já terminou a escola. A noite estava agradável.. ficar pelado mostrando o corpo. e você? -Ainda estou terminando. -Por um lado você tem razão. o André era um rapaz negro. -Repetente. lá fora ventava um pouco. -Fez mal.. De qual cidade você veio? -Londrina. embora tínhamos a mesma idade. na doçura que ele tinha nos olhos. -Engraçado.. que deixei tudo apagado.. Antes de irmos embora ele tocou em minha mão. eu não sabia nem o que dizer. sussurrando em meu ouvido ele perguntou: -Posso te beijar? Não consegui responder.. pouco a pouco. sua mão tocava minha barriga e me deixava pirado. não sei explicar.. -A festa em si eu gosto sim. no início fiquei um pouco tímido. a música de fundo proporcionava um clima mais romântico ainda. liguei o rádio bem baixinho e começou a tocar “As brigas que perdi . Conversamos durante um bom tempo. por isso tratei de tomar o maior cuidado com ele. parei de estudar por um ano.. de olhos abertos eu via como ele tinha o cuidado e o romantismo de beijar alguém. com os vidros filmados não era possível nos ver dentro do carro. era minha tia preocupada comigo. a rua estava deserta. -Eu me adapto fácil.. trazendo minha boca pra perto da sua.. olhando dentro dos seus olhos eu notava seu desejo.. o André era um garoto muito meigo.... mas não no sentido de delicado.. mas agora já não é tão perceptível assim. um pouco mais alto que eu. não aparentava nem de longe ser gay. mas sim na maneira de falar das coisas.. Lucas? -Terminei um pouco antes de vir pra São Paulo. sair facinho beijando todo mundo. normal com todo mundo que vai ao seu primeiro encontro com alguém que conhece pela internet. com jeitinho. 20 . aos poucos eu fui fechando meus olhos e me deixando levar pelo clima.Pato fu”. era algo muito cativante que vinha dele. Depois de rodar por um tempo parei o carro em uma rua atrás do shopping. -Fiquei arrependido. -O que é engraçado? -Você não tem sotaque do Sul. no começo fiquei com um garoto que percebeu. -Faz quanto tempo que você está em São Paulo? -Cheguei em novembro do ano passado. tia Helena havia me emprestado seu carro... -Eu não repeti.

ou arrependido de não ter feito algo. -Meu? -Sim. é seu. -Quer que eu te deixe em casa? -Não precisa. -Lucas.. a gente se encontra outra hora. agora que você tirou sua carteira de motorista. vou precisar ir embora. Desliguei o celular e comecei a me despedir do André com mais um longo beijo. seguimos em direção a um carro novinho.. Pegamos o elevador e fomos até a garagem do prédio. -Tchau. acho que todo mundo deveria fazer o mesmo pra depois não ficar com aquela perturbação na cabeça. quero ver você e o Robson formados. -Tudo bem tia. -André. mas fiquei surpreso quando ela me contou a verdade. crescendo como pessoa. Era impossível esquecer os beijos daquela noite. preocupada com o horário e os locais aonde eu ia. Obrigado tia. Sou uma pessoa muito intensa.. enquanto estava rolando o clima no carro eu fiz questão de fazer tudo que me deu vontade no momento. -Caramba. -Agradeça estudando. pois estava com tendinite. -Tem certeza? -Tenho sim. trabalhando com seu tio. Lú. e fazer compras a uma hora daquelas? -Lucas. não vamos demorar. -Tudo bem. -Cadê seu carro tia? -Está na sua frente.. já está ficando tarde. -Não precisa. dirija você porque estou com tendinite.. pegue a chave e abra o carro. a tia Helena pediu para que eu dirigisse o carro para ela. tia? -Lembrei que não temos nada pra comer no café amanhã. 21 . -Eu que agradeço.avisei que estava tudo bem e que já estava voltando pra casa. o gosto de seus lábios ainda estava nos meus. os abraços. é rapidinho.. eu e seu tio estamos te dando um carro de presente. -Nem sei como agradecer. preciso que você vá comigo ao supermercado. -Claro que você quem vai pagar..... até ai não vi problema nenhum. Cheguei em casa e minha tia me esperava na sala.. pois em uma cidade grande como essa a violência é constante. vamos lá então. trabalhando. dois homens de verdade. ela pediu para que eu a acompanha-se até o supermercado. pego o metrô aqui. ela cuidava de mim como se fosse minha mãe. deixa-me pegar um casaco.. -Ok. até estranhei no começo. só não entendi o por que ela não levou a Jaqueline. Muito obrigado pela noite... gosto de aproveitar os momentos ao máximo possível. estudando e tirando notas boas na faculdade. -A senhora trocou de carro? -Esse carro não é meu Lucas. pra mim ela tinha trocado de carro. -Mas à uma hora dessas.

-Você demorou muito.. acabava de ganhar um carro do ano. pois quase todo dia ele me acordava pulando na minha cama. Ainda não acostumei com a idéia de que você dorme pelado.. agradeci minha tia com um beijo. pensei que você poderia ir comigo. -Opa.. -Hum. -Sei. é chato malhar sozinho.. Vamos. só o fato de me receber em sua casa já era muito gratificante pra mim. né? -Se você tivesse a deixado fechada. segui em direção ao banheiro e disse: -Se é surpresa eu não vou contar. só percebi esse detalhe quando fui surpreendido pelo Robson. -Poderia ter batido na porta antes. -Humpft.... eu não gostava muito de fazer a barba com água quente.. filmado. -Quer parar? -Já parei. peguei o carro e fui dar uma volta com ele pelas ruas próximas de casa. -Ta bom. nunca irei te decepcionar. deixa-me tomar um banho antes. esperei a água esquentar pra poder entrar embaixo do chuveiro. todo equipado. -Ok... -Uau. levante. ok? -Obaaaaaa. 22 . depois o pelo nascia encravado e ai eu sofria.. não demorou muito e eu já fiquei excitado.. por conta dos amassos da noite anterior acabei ficando com as partes um pouco dolorida.-Pode deixar tia. -Bom dia Lú. distraído com o ato acabei esquecendo de trancar a porta. Vou te esperar lá na sala então. Já terminei de tomar banho mesmo... pois ardia minha pele. Está na hora de acordar... -Se eu não estivesse namorando até te ajudaria a aliviar. não esperava ganhar um carro da minha tia.. -Pega uma toalha lá no quarto pra mim. No outro dia acordei cedo com o Robson me chamando... mas só de olhar para aquela carinha que ele tinha eu o perdoava. Desculpa. vim ver se estava vivo. -Qualquer hora você vai ter uma surpresa... Parecia um sonho.. A água estava quentinha..... Que tipo de surpresa? Levantando da cama ainda pelado. -Por que você veio me acordar à uma hora dessas? -É que estou indo pra academia. -Calma. às vezes eu ficava puto. enquanto passava xampu no cabelo fiquei relembrando a noite anterior que passei com o André... -Caramba.. sempre esqueço.. preto. Adoro esse tipo de mistérios.. Meus olhos brilharam naquele momento. precisava dar uma aliviada aproveitando que estava no banho. me batendo com o travesseiro. graças e Deus meus tios eram muito bons e pensavam no meu bem estar. eu já estava até me acostumando. Tudo bem. Depois de fazer a barba entrei no box e liguei o chuveiro. Entrei no banheiro e antes de entrar no chuveiro fui fazer a barba..

-Opa... Toma. -Obrigado. -Você vai demorar muito? -Por que, está com pressa? -Não, só perguntei... Você é tão cheiroso... -É? -Sim... Na cama é muito gostoso também... -Pare com isso, você está me deixando sem graça. -Ok. Podemos ir? -Podemos. Deixamos o apartamento e pegamos o elevador até o estacionamento, o Robson que foi dirigindo o carro até a academia, no caminho fomos conversando sobre varias coisas. -Gostou do carro novo? -Adorei... -Nossa, quando eu ganhei o meu fiquei bobo, é muito boa a sensação... -É... -Na primeira semana eu estreei. -Como assim? -Ah... Na época eu namorava né... -Pode parar, já entendi. Chegamos na academia, o Robson deixou o carro no estacionamento em frente e seguimos para a entrada, logo na recepção as meninas me receberam super bem, o Robson conseguiu me convencer a fazer a matricula na academia e começar a malhar com ele, claro que com a ajuda das meninas da recepção. -Que bom que vamos malhar juntos... -Espero não me arrepender depois... -Claro que não vai... Ta vendo aquele professor? -Sim, o que tem? -Eu pago um pau pra ele, o cara é tudo de bom, as meninas arrastam um caminhão por ele... -Ele parece ser tudo de bom mesmo. -Se ao menos ele me desse sopa... -Esqueceu que você namora? -Claro que não, estou falando da época que eu era solteiro... -Hahaha... Sei... Não vou ser hipócrita e dizer que o professor não era gostoso, pois ele era bem gostoso, mas foi um exagero da forma que o Robson contou, tudo bem que pra ele o Glauco era um Deus grego, talvez fosse também para aquelas meninas que ficavam se jogando pra ele, mas pra mim era normal. Saindo da academia dei uma passada em casa e depois fui encontrar com o André antes de ir a faculdade. -Oi Lú... -Oi André, tudo bem? -Tudo... Quer dizer... -Você não parece estar muito bem, o que acontece?

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-Sabe, Lú... Às vezes eu me sinto mal em ter que esconder da minha mãe minha condição... -Por que você não conta? -Eu tenho vontade de contar, mas tenho medo... -Medo de quê? -Sei lá, da reação dela... -Você acha que ela seria capaz de te fazer algum mal? -Não... Mas meu pai sim. -Entendi... Vamos falar de coisas boas, olha o que eu trouxe pra você... -Uma foto sua? -Sim, atrás tem uma dedicatória minha pra você. -Nossa Lú... Adorei! Eu sempre acreditei que mãe sente o que o filho sente, toda mãe sabe quando o filho é homossexual, algumas se calam com medo de ter a certeza confirmada pelo filho, outras preferem ouvir da boca do próprio. Claro que as mães só querem o bem de seus filhos, a maior parte delas não recriminam a maneira de seu filho ser, o que as mais entristece é pensar no preconceito que seu filho vai sofrer no mundo a fora, claro que elas têm razão, a sociedade é muito preconceituosa, seja com sexualidade, religião, cor, etnia, entre outras, uma tremenda bobagem, pois as pessoas só vêem valores em dinheiro e aparência. Conversamos um pouco e depois o levei para dar uma volta em meu carro novo, aproveitamos para dar uns beijos gostosos como fizemos da outra vez, passamos pouco tempo juntos, mas foi muito gostoso pelo tempo que curtimos, deixei-no próximo de sua casa e depois fui para a faculdade. Mal consegui prestar atenção na aula, meus pensamentos estavam no André, não que eu estivesse apaixonado, sei lá ele mexia comigo, talvez eu estivesse começando a gostar dele. Quando cheguei em casa recebi o recado de que o André tinha me ligado, fui pro meu quarto, deixei minha mochila em cima da cama, tirei toda a roupa e fiquei só de cueca, liguei o computador e entrei na internet, coincidência ou não ele estava on-line, começamos a teclar e notei que ele estava um pouco estranho, algo me dizia que sua mãe estava envolvida nisso. -DarkDragon -Lucas Lucas -DarkDragon -Lucas Lucas -DarkDragon -Lucas Lucas -DarkDragon diz diz diz diz diz diz diz (00:32) : oi Lú... (00:33): ola André! Tudo bem? (00:35): não muito... (00:35): O que aconteceu? (00:37): minha mãe descobriu tudo (00:38): Como? (00:41): ela viu sua foto...

Na verdade a intenção do André sempre foi contar para sua mãe sobre sua sexualidade, ele já não agüentava mais esconder, me senti um pouco usado, pois ele se aproveitou da minha foto pra contar para sua mãe. Claro que sua intenção nunca foi me prejudicar, mas me entristeceu um pouco saber que ele

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usou minha foto para contar sobre sua preferência sexual, tanto que sua mãe começou a achar que eu era o culpado. -Lucas Lucas diz (00:42): Ela está aí? -DarkDragon diz (00:45): ta sim. -Lucas Lucas diz (00:45): Posso falar com ela? -DarkDragon diz (00:47): ela não vai querer falar com você Lú... -Lucas Lucas diz (00:47): Então eu vou escrever aqui e você mostra pra ela, ok? -DarkDragon diz (00:48): ta. -Lucas Lucas diz (00:48): Boa noite! Eu entendo que a senhora deve estar achando que eu sou o culpado por seu filho ser um homossexual, mas queria dizer que ninguém é assim por que quer, eu não pedi para nascer homossexual, sofri demais para aceitar isso e ainda sofro um pouco. -DarkDragon diz (00:53): Lú ela disse que isso é safadeza nossa e podemos mudar sim. -Lucas Lucas diz (00:54): Isso não é verdade, se eu pudesse escolher não escolheria ser assim, ser homossexual não é opção, ninguém opta por sofrer a vida inteira com preconceito, apanhando da vida, tendo que fazer amor e trocar carinho escondido... Nessa hora sua mãe tomou a frente do computador e para minha surpresa começou a desabafar comigo. -DarkDragon diz (00:58): não é fácil pra uma mãe ter um filho homossexual, esse mundo é muito promíscuo... -Lucas Lucas diz (00:59): Eu sei que não é fácil, mas também não é um bicho de sete cabeças. Eu não sou um promíscuo e nem os homossexuais são, o homem é promíscuo. Se a senhora deixar seu marido ir a uma festa e uma mulher ficar dando bola pra ele, o que a senhora acha que vai acontecer? Claro que ele vai catar, pois a desculpa dele vai ser : “Eu sou homem...” Um homossexual não deixa de ser homem, não vou ser hipócrita em dizer que não rola sexo fácil, pois rola, mas não pela condição sexual, mas sim pelo instinto masculino. -DarkDragon diz (01:02): imagine quando a família começar a perguntar das namoradas, o André nunca vai trazer uma namorada pra casa, não me dará um neto... -Lucas Lucas diz (01:05): Mas a senhora tem 5 filhos, vai ter muitos netos, a família não tem que cobrar namorada de ninguém, o André não precisa abrir sua cama para todos deitarem, sua vida íntima só diz respeito a ele... -DarkDragon diz (01:07): meu filho não era assim... -Lucas Lucas diz (01:08): Seu filho sempre foi assim, não foi eu que o transformei em homossexual, tanto que não fui eu que o procurei, mas sim ele quem me procurou no bate-papo... -DarkDragon diz (01:10): Lú ela foi pra cozinha chorando, acho que não fizemos bem...

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claro que ao nos encontrar ficou um clima estranho no ar. Uma semana depois eu e o André marcamos de nos encontrar novamente. Desculpa pelo que minha mãe falou. paramos embaixo de uma árvore e aos poucos ele foi se aproximando de mim.. não adiantou eu explicar para ela que não é uma questão de escolha. -Como vai... -Sente-se e jante com a gente. me culpou pelo filho dela ser gay. -Obrigado! 26 . no rádio estava tocando “GIRL FROM THE GUTTER”. me colocou contra a árvore com seu corpo e ali mesmo foi me beijando e tomando meu corpo só pra ele.. que o filho dela nunca lhe daria um neto. o convidei para jantar comigo. -Lú. -Oi. simplesmente você é e pronto. graças a Deus. se aquela rua escura falasse. -Não se preocupe. ele mostrou um lindo sorriso em sua face e aceitou. toquei em seus lábios e fechei os olhos. quando chegamos em casa o jantar estava sendo servido. Rimos juntos. tudo aconteceu tão rápido que mal consegui reagir. -Você quer namorar comigo? C@p í tulo 5 Meu coração disparou. -Prazer André. -Eu posso te fazer uma pergunta? -Pode. olhei em seus olhos. Lucas. fui me aproximando de sua boca e respondi com um longo beijo em seus lábios carnudos. mas sim de falta de opção. beijos e mão boba rolavam a vontade. -Já estão jantando? -Pensamos que iria jantar fora. sem medo de ser feliz. tio. -Tia. mas aos poucos nós nos soltando e entramos no clima novamente.. que era pura safadeza nossa e que se quiséssemos mudar poderíamos.: -Lú.. De início ela foi muito mal criada comigo. e que ninguém opta por ser o que é. disse que eu era um promíscuo... fiz um pouco de suspense antes de responder..-Lucas Lucas diz (01:12): Deixa ela dar uma pensada.. eu nunca fui pedido em namoro e ainda mais por um homem. já esqueci tudo.... ele olhou dentro dos meus olhos. me deixei levar pelo momento e me fiz seu prisioneiro. dei partida no carro e fomos. André? -Bem. esse é o André. estávamos caminhando por uma rua pouco movimentada. -Boa noite! -Boa noite. Estávamos próximo de casa.

em meio a sussurros e leves mordidas na orelha. chegou uma hora que nossos corpos se tornaram um só. nossas bocas coladas uma na outra explorando parte por parte. Fomos dormir quando o dia já estava amanhecendo. eu não sabia o que fazer. pois não gostava de dormir descoberto. entrei no quarto. sua língua ia descendo e passando por cada parte do meu corpo. já que a descoberta de sua homossexualidade era recente e qualquer contato com homem era suspeito. um arrepio na espinha tomou conta de mim. em silêncio ele se levantou e deitou ao meu lado. sua mão já havia percorrido todo o meu corpo. comecei a sentir um frio na barriga. acabou virando parte da família. fica mais um pouco? -Eu adoraria. percebi que existem várias maneiras de se fazer sexo sem penetração. desenrolando vagarosamente. depois de escovar os dentes e tomar um banho. assim ele continuou até me deixar completamente nu. ele ia tirando minha roupa. o que me deixava com mais tesão ainda. parte por parte. não demorou muito comecei a sentir aqueles braços passando pelo meu corpo. já passou da 01h00. Olhamos um para a cara do outro e demos um sorriso. aquele corpo definido e lisinho deslizando sobre minha pele. -Já vai André. eu tive outra visão sobre sexo. nossas respirações já estavam ofegantes. na hora fiquei sem jeito. aos poucos ele foi juntando seu corpo nu junto ao meu. Quando nos demos conta já era tarde. meu coração palpitava a mil. apaguei a luz. deixei que o clima me conduzisse. não me movi. quase não pude me conter. no vai e vem do chupar. -Avise sua mãe que você vai dormir na casa do seu amigo. língua com língua simulavam sexo oral. -Mas agora não tem transporte pra você ir André. Aquelas alturas. a tia Helena sugeriu que ele dormisse em casa. à uma hora daquelas já não tinha mais transporte para ele ir embora. até chegar no ponto onde ele queria. delicadamente ele tirou uma bermuda que eu havia emprestado para ele dormir. o clima já estava quente demais. mas com toda paciência e carinho ele foi me deixando a vontade. nos sentamos à mesa e conversamos o jantar inteiro. eu estava adorando a idéia e ele também: -Adorei ter conhecido vocês. Naquele momento não pensei em mais nada. Todos foram dormir. vou pedir para arrumarem um colchonete no quarto do Lucas pra você passar a noite. mas não posso. nosso suor se misturando. Acordamos 27 . até tomar o meu corpo todo só pra ele. embora eu quase todas as noites dormisse seminu. alem de ser muito divertido também. depois daquela noite maravilhosa que André me deu. pensei levá-lo em casa quando para minha surpresa. realmente ele era um garoto encantador. dei um beijo de boa noite no André e deitei na minha cama.Apresentei o André aos meus tios e ao meu primo. ainda bem que ele era bastante paciente. O André era um garoto bem safado e atrevido. pois se dissesse que era um amigo sua mãe faria um escândalo. Quando eu estava quase pegando no sono senti um toque na minha mão. mas agora eu tenho que ir. aos poucos ele pegou minha mão e a colocou em seu pau. meus tios adoraram o André. do meu celular o André ligou para sua mãe e disse que iria dormir na casa de uma amiga. joguei um lençol por cima de mim. duas almas unidas em um corpo.

ela estava com pressa. mas já estou de saída. -Deus te acompanhe meu filho.. Lucas ontem sua mãe ligou.. eu também estou de saída.abraçados um ao outro.. da última vez que nos vimos ele parecia estar muito feliz... desde aquele dia o André nunca mais havia me procurado. -Você não vem almoçar em casa? -Hoje não. pois onde eles estavam não tinha telefone. sentamos à mesa e tomamos café com tia Helena. fechei o portão e fui me arrumar. mas pediu pra eu dizer a você que está tudo bem e que seu pai está morrendo de saudade de você. -Oi Dé.. minha família era tudo pra mim e cada dia que eu passava sem ter noticias deles era uma tortura. meu carro não poderia sair aquele dia por conta do rodízio na cidade.. mãe. Vamos tomar um banho pra despertar? -Vamos.. -Bom dia! -Bom dia meninos. Não entendo o por que... pena vocês terem chegado só agora. passaram duas semanas.... quando eu e o André chegamos para tomar café meu tio já estava de saída.. desculpem a falta de educação.. nem e-mail ele mandou e todos que mandei pra ele voltaram. -Sério. peguei minhas coisas e segui pra faculdade de ônibus.. -Dormiu bem? -Maravilhosamente bem.. de inicio uma duvida ficou me corroendo por dentro. Depois do café acompanhei o André até a portaria do prédio.. vestimos nossas roupas e fomos tomar café. fomos tomar banho juntos. 28 . -Obrigado.. Ao receber aquela noticia meus olhos começaram a encher de lágrimas. -Tchau César! -Bom. Na mesa já estavam todos. Acorda. eu nem se quer podia ligar pra eles. e você? -Dormi no céu e acordei nos braços de um anjo. mas depois acabei deixando de lado. o Robson também logo iria sair.. -Lú. tenho um encontro com um amigo na hora do almoço. -Bom.. queria entender o motivo que o fez sumir. -Daqui a pouco preciso ir. -Não se preocupe tio. ficamos só nós agora. minha mãe ligava da rua para a casa da tia Helena. pois tinha que encontrar o Gabriel na hora do almoço. no meu ouvido ele disse que me ligaria à noite. Esperei ansioso o André me ligar. -Eu também estou com muita saudade deles. resolvi esquecer e seguir minha vida como antes. nos despedimos com um aperto de mão e um abraço. E ai? -Não nos falamos muito.. -Bom. cinco meses...

O aniversário do entojado do Gabriel estava chegando. seria mais fácil dar logo um carro.. Robson. -Não... -Fala aí Lucas.. -Você dirige então. -Não tenho essa sorte.. o que você acha de dar essa jaqueta pro Biel? -Nossa. Em qual shopping você quer ir? -Vamos a qualquer um. -O que acha dessa cobra? -Isso lá é presente que se dá pra alguém? -Seja moderno... onde tinham desde animais domésticos até animais silvestres.. o shopping não estava muito cheio. -O que você disse? -Eu disse que está muito cara...... Estávamos passando em frente a uma loja de animais.. -Lucas. tirando o fato de ter me tirado o Robson. fomos descendo pela escada rolante até a praça principal. -O que foi? -Por esse preço. o Robson parecia enfeitiçado por ele. claro que eu não perdi a oportunidade de entrar na loja para ver.. Ainda indeciso o Robson não sabia o que comprar ao Gabriel.. Odiei quando ele pediu minha ajuda para escolher algo pro “Biel” dele. Vamos sair dessa loja.. -Quem sabe você encontra o Gabriel aqui. só tem animal nessa loja. -É filhote de tubarão.. o Robson ia olhando as vitrines das lojas na dúvida do que iria dar para seu namorado. Deixamos a loja de animais e continuamos caminhando pelo corredor do shopping que terminava na praça de alimentação.... 29 . Chegando no shopping deixamos o carro no estacionamento do terraço. só concordei em ir pra não chatear meu primo. eu não tinha um motivo para não gostar dele.. -Vamos ver nessa loja. Lucas? -Olha que peixe lindo. -Ok. Veja essa tarântula. -O quê? -Quem sabe você encontra o presente do Gabriel aqui.. será que sua mãe se importaria se eu comprasse e colocasse no aquário da sala? -Ela mataria você. vai que ela o pica. -Hahaha. vamos comigo ao shopping comprar um presente para o Biel? -Tem certeza que quer minha companhia? -Por que diz isso? -Deixa pra lá.. -Melhor não comprar então. -Ah. -Adorei. Pior que é verdade. -Credo Lucas.

vamos embora. eu tinha vontade de chorar. eu não conseguia raciocinar.. amor e sofrimento seguem juntos.. me tira daqui por favor? -Tudo bem. ninguém sai de um relacionamento sem derramar uma lágrima. acho que não tem mesas. -Robson. confesso que isso serviu também como experiência.. se esse episódio acontecesse um tempo depois eu sofreria bastante. achando que existem seres humanos em que poderíamos confiar. pois o que eu sentia por ele não era forte. C@p í tulo 6 Na hora em que o avistei fiquei surpreso. Lucas? -Por favor.. na mesma hora dei meia volta e fui procurar o Robson. vamos parar aqui e comer alguma coisa? -Vamos. eu fui burro e inocente de acreditar naquelas juras de amor. o que mais me deixou mal foi o fato dele ter me usado para conseguir o que queria. -Vamos procurar mais pro meio. Uma angústia tomou conta de mim. vamos sair desse shopping? -Você quer me falar o que está acontecendo? -Não me pergunte mais nada. o Robson ficou preocupado comigo. vamos embora. 30 . Começamos a procurar por mesas. passando a terceira pilastra olhei para meu lado esquerdo e avistei o André sentado a uma mesa. meus pensamentos começaram a ficar confusos. ao mesmo tempo feliz por saber que ele estava bem. Dentro do carro eu não dei uma palavra. como pude ser tão idiota? Como ele pode ser tão falso? Parando pra pensar. o Robson também dizia que queria almoçar então começamos a procurar uma mesa. me senti enganado. foi até bom que isso aconteceu naquele momento. depois me deixou de escanteio. estava apenas começando a gostar. em meus pensamentos vieram várias coisas. Cheguei em casa e me tranquei no quarto.. mas não contei o motivo naquele momento e seguimos direto pra casa. de uma certa forma tirei uma lição disso tudo.Passando pela praça de alimentação comecei a ficar com fome.. quando eu estava quase chegando eu vejo um garoto se aproximando e se sentando na mesma mesa em que ele estava. a cena do garoto se aproximando dele e o beijando ficaram me torturando. pensava e repensava no por que passar por aquilo. não que eu ainda gostasse dele. Assim é a vida. -Robson. preferi sofrer sozinho. mas a praça de alimentação estava lotada. segui em direção a sua mesa na intenção de conversar com ele e saber o motivo pelo qual ele sumiu. parecia ter perdido o controle de mim mesmo.. -Por que. -Lú. Entramos no meio das pessoas e fomos procurar pelo centro. e com um beijo na boca eles se cumprimentaram.. meu coração doía. Foi a primeira vez que tive uma decepção amorosa. estou começando a ficar com fome. chorei durante o dia todo. um trapo.

-Mas você vai. -Tudo bem. O Robson não gostou muito da idéia de ter que ir para Buenos Aires resolver problemas da empresa. ao chegar na sala recebi a noticia: -Bom dia. eu até entendo que eles queriam passar o maior tempo juntos possível... abri bem devagar e encostei no batente.. -Não fique assim. Chega desse assunto. Lucas! -Bom dia! -Estávamos contando ao Robson que hoje à noite ele embarca pra Buenos Aires. me ajuda a fechar essa mala? -Sim. -Por quanto tempo você vai ficar lá? -Uma semana. Acho que são suficientes para eu passar uma semana por lá. já que iriam ficar uma semana separados. que droga. então o Robson vai representá-lo... tomei um banho rapidinho e fui tomar café com todos. a tia Helena também estava na sala dando conselhos ao Robson. -Robson? -Pode entrar. Passei a tarde estudando um pouco. -Por que não vai o Lucas no meu lugar? -Eu? -Não. -Já está pronto? -Estou quase. -Pronto. já decidimos que você vai e não falamos mais nisso. -Diga que já estou indo.. pois ela sempre o achou meio desmiolado: 31 . baixei uma musica e depois desconectei. Vou tomar um banho e te espero na sala. -Vou vestir uma roupa pra te levar ao aeroporto. -Fazer o quê? -Seu tio tem alguns problemas a serem resolvidos e não poderá ir.. -Pode entrar..No outro dia acordei um pouco mais cedo. o Lucas não. estou esperando o Biel que vai com a gente. Sai do quarto do Robson e fui tomar um banho antes de levá-lo ao aeroporto. Cheguei na sala e o Robson me esperava junto com o Gabriel. Fui até o quarto do Robson.. mãe! -Seu amigo Gabriel está la na sala. não fiquei nem um pouco feliz em saber que o Gabriel iria conosco. -Entendi. se eu soubesse falar espanhol teria me oferecido para ir em seu lugar. -Humpft. -Não estou nem um pouco a fim de ir. -Não precisa ter pressa. você sabe falar espanhol fluente.. -Humpft. fiquei alguns minutos conectado a internet. bati na porta antes de entrar.....

-Ele tem razão. não vai querer que ele perca seu compromisso.. -Então me beija? -Claro! Aquela ladainha já estava me dando vontade de vomitar.. tenha uma boa viagem.-Podemos ir? -Vamos logo que não quero perder o avião. -Se você perder o vôo seu pai te mata.. -Chegamos. abri a porta do carro e fui tirar as bagagens do Robson do porta-malas. Robson.. né? -Claro seu bobo. eles estavam praticamente transando dentro do carro. -Eu queria ir com você. -É que estávamos nos despedindo... -Vou sentir muitas saudades de você Ro. tive que ser enérgico porque os dois nem me ouviam.. mesmo assim era possível ouvir as declarações de amor do Gabriel. -Te amo. mas às vezes era inevitável. -Eu também Gabi.. não vou esquecer você. -Tudo bem.. 32 . Que horror. até parecia que Robson iria morar em outro planeta. coloquei em um carrinho e abri a porta de trás do carro.. mas você sabe que agora estou meio sem grana.. se não eu levaria você comigo. Liguei o rádio para tentar me distrair.. O Robson e a tia Helena se despediram e depois seguimos para o aeroporto.. -Só faltou eu berrar no alto-falante que havíamos chego.... não sei mais viver sem você! -Você jura que é só meu? -Só seu. pare com isso. Biel. -Foi ele que começou..... pra mim aquilo tudo não passava de falsidade. Os dois não paravam de se beijar. ou fingiam que não me ouviam. mas você vai me esperar. Agora pare de chorar. sorte que os vidros eram filmados. -Nossa. -Se você gosta mesmo do meu primo. achei um exagero todo aquele drama que os dois estavam fazendo. eu amo você.. -O quê? Eu estou aqui preocupado com você. fiz questão de acelerar o carro para chegar logo no aeroporto. vocês parecem não ter escutado. eu evitava olhar para trás... mas não precisava abrir a porta desse jeito.... sabia? -Eu também te amo. -É mesmo Lucas. Eu disse que chegamos. tamanho era o drama em que o Gabriel fazia. Você vai me ligar? -Todos os dias. Gabriel. até juraram amor eterno. amor. -Calma Lucas. no caminho ele e o Gabriel iam se amassando no banco de trás. -Vamos parar de discutir... de mais ninguém.. -Eu sei amor. e ainda me crucifica? Pega aí sua mala..

ao contrário de Gabriel que estava muito descontrolado. -Não delira.. ele nem era tão bonito assim. -Por que você me odeia? -Eu não te odeio.. e estava quase conseguindo. Robson. -Promete que vai pensar em mim? -Prometo. não. O Gabriel estava querendo jogar meu primo contra mim. Brequei o carro. Biel.-Espere Lucas. -Promete que não vai olhar pra mais ninguém? -Prometo. fiquei até com dó do coitado. -Olha garoto. Na volta pra casa acabei dando carona ao Gabriel que chorava como uma criança. -De onde você tirou essa idéia? -Está escrito na sua testa.. histérico. Deixei Gabriel na porta de sua casa e fui pra casa. . -A raiva que você sente de mim é porque o Robson escolheu preferiu estar comigo e não com você.. -Obrigado.. apenas não te suporto. aproveitaram até o último momento.. -Sabe o que eu acho.. -Claro que você não vai disputar. todos que passavam pelo portão de embarque olhavam assustados. -Não duvide de mim. -Até parece que eu estou disputando o Robson com você.. eu só não paro o carro agora e te ponho pra fora do meu carro porque tenho dó de você. sabe que vai perder. pra mim não passava de teatro. -Então me beija? O Robson parecia estar mais calmo. Desculpa. -Boa viagem.. Você gosta do Robson. -Tchau Lú. talvez fosse muito bom de cama. ascendendo um cigarro ele disse: -O que eu te fiz? -O quê? -Fiz alguma coisa pra você não ir com minha cara? -Que eu me lembre. não sei o que aquele garoto tinha que deixava meu primo tão caído de amores. -Eu também. -Você não teria coragem de fazer isso. mas nem isso eu acho que era o suficiente para segurar alguém.. 33 .. o Robson foi o último passageiro a embarcar..” -Preciso ir. Os dois se abraçaram e com um longo beijo na boca selaram a despedida. se antes eu já não gostava do Gabriel ao conversar com ele dentro do carro passei a não gostar mais ainda. -Te amo Ro.“Última chamada para o vôo com destino a Buenos Aires. os dois não estavam nem aí.

me arrumei. fui deletando tudo até ver um e-mail do Hugo. qual era o vôo que o Robson embarcou? -Não me lembro tia.. o Robson pediu para eu pegar informação da hora que o vôo iria sair.. tudo bem? -Cuidado. Voltei ao estacionamento e peguei meu carro. vou dar uma saída.. divirta-se! -Pode deixar. ele queria ir à balada. 34 . só não joguei ele pra fora do meu carro por consideração ao meu primo. um amigo que eu havia conhecido pela internet há um tempo atrás. eu precisava sair um pouco pra tirar o stress. mas o telefone continuava ocupado. ao entrar na sala minha tia estava tomando um calmante. ao chegar no hall peguei meu celular para desligar e notei que haviam 7 chamadas não atendidas. a porta da sala estava aberta e o zelador estava saindo de casa. Eu vou buscar. acelerei o carro ansioso e preocupado. -Rápido. confesso que fiquei muito puto. corre lá então.. o número era de casa. -Se acalme Helena. liguei o rádio e entrei na internet pra acessar meus e-mails.. mas só dava ocupado. chegamos à balada já passada da 01h00. ela estava deitada na cama assistindo o noticiário na TV: -Com licença. fui até o quarto da tia Helena avisar que iria sair. minha caixa estava lotada de propagandas.. -Desculpa. Assim que abri a porta do elevador.. eu ligo pra casa e só da ocupado... -Oi Lucas. ao me ver começou a chorar desesperadamente. -Deus te acompanhe. -Está aqui tia. -O que houve? -Não sei. já com o rosto inchado de tanto chorar ela me perguntou: -Lucas. Tomei banho. sentada no sofá amparada pelo tio César e a nossa vizinha Laura. -Hugo. no caminho de casa fui ligando o tempo todo pra casa tentando saber o que estava acontecendo. tem 7 ligações não atendidas no meu celular. Pelo amor de Deus. Encostei a porta do quarto e fui encontrar o Hugo... fiquei preocupado e avisei ao Hugo que eu precisava ir embora. preciso voltar pra casa. fiquei preocupado e retornei a ligação. mas eu tenho anotado lá no meu quarto. reparei uma movimentação estranha dentro de casa. -Tia.ele se mostrou muito arrogante dizendo que ganhava na disputa do Robson. achei tudo muito estranho e correndo.. algo deveria ter acontecido por ter tantas ligações no meu celular. -Tudo bem. -Amém. -Relaxa. na mesma hora liguei para o celular dele e marcamos de nos encontrar. talvez não seja o mesmo vôo que o Robson estava. como se eu estivesse a fim de concorrer com ele. Chegando em casa fui direto pro meu quarto.

senti a mesma dor que minha tia estava sentindo. parecia até brincadeira. -Nãoooooooooooooo. lentamente fui abrindo a porta até presenciar o Gabriel transando com outro garoto. -O Lucas anotou o vôo que ele iria embarcar. imagine quando eu contasse para o Gabriel que nunca mais ele voltaria a ver o rosto de seu amor. a luz estava acesa. essa vida é muito injusta mesmo. uma tristeza pairou sobre aquela casa. lubrificante. vendo que a coragem não vinha dei meia volta e chamei o elevador. Olá Gabriel. Peguei meu carro e segui para a casa do Gabriel.. voltei até a porta de sua casa e abri a porta e entrei na sala. antes de entrar no elevador pensei duas vezes em subir e contar sobre a fatalidade. a porta estava apenas encostada. enquanto eu esperava ouvi um barulho vindo de dentro da casa do Gabriel. o que me permitia ouvir uns ruídos bizarros. a TV estava ligada... embalagem de camisinha. Gabriel. pode ser que o Robson tenha ido em outro vôo. desci pelo elevador chorando e refletindo sobre como nós seres humanos somos vulneráveis. foi horrível... em frente ao espelho fiquei treinando em como falar para o Gabriel que seu namorado havia falecido em um acidente de avião.. então não precisou avisar ao Gabriel que eu estava subindo. era como se o chão abrisse e eu caísse em um buraco negro sem fim. sentir seu perfume.. fiquei estatuo vendo aquela cena.. me doía o peito pensar que aquele foi o último abraço que recebi do meu primo.. Não agüentei aquela cena e sai de casa. seu namorado morreu. tio? -Um avião que estava seguindo para Buenos Aires teve um problema e caiu. Ainda procurando pelo Gabriel fui até a cozinha. Não restou nenhum sobrevivente.. o porteiro de seu prédio já me conhecia. Uma vida inteira pela frente.. -Meu Deus. Parei na porta de seu apartamento e esperei a coragem vim. meu coração estava em pedaços. o mesmo cara que há algum tempo atrás prometia amor eterno ao meu primo estava transando da maneira mais suja com outro cara.. meu filho não. Por que Deus fez isso comigo? -Helena se acalme. o avião que o Robson estava caiu.. deveria ter rendido a noite anterior com meu primo. meu coração apertou. a luz estava acesa. deixei a cozinha e fui até o quarto. esperei por mais um tempo. não sabia como iria dar essa notícia. C@p í tulo 7 35 ... com lágrimas no rosto e a voz embargando meu tio deu a notícia: -Helena você vai precisar ser forte.-César compara e vê se é o mesmo? -Mas o que está acontecendo. no chão da sala haviam roupas espalhadas. Naquele momento meu mundo desabou. sobre a pia havia três latas de cerveja vazias e uma garrafa de vinho quase vazia.. nunca mais poderia tocá-lo. Chegando em frente ao condomínio apertei o interfone. trepando igual um animal selvagem. Só por um milagre. eu havia estado com meu primo a poucas horas atrás. -Boa noite.

não conte nada ao Robson. -Espere Lucas. o que você faz de sua vida não me interessa... eu estou péssimo. minha tia está totalmente dopada. coitado do meu primo. Lucas? -O vôo que ele estava caiu. Ainda bem que ele não viveu pra ver isso. não poderemos fazer um enterro digno porque só restaram cinzas do acidente.. -Pode dizer o que você quiser Lucas. você precisa me ouvir.. -Por favor. Você tem 1 segundo pra sair da minha frente.. -Fale logo Lucas. amor próprio. Lucas.. pudor. -Por favor... o que eu vi dentro daquele quarto não parecia ser nada forçado. Gabriel caiu no chão e começou a chorar feito uma criança.. eu não tive culpa de nada. Gabriel. abri a porta da sala e o Gabriel me puxou pra dentro.. Gabriel? -Do que você ta falando. -Deixa de ser mentiroso. Lucas? -Nada. Olhando pra você eu tenho vontade de vomitar. -Cala a boca antes que eu enfie a mão na sua cara. me escute. Lucas... vegetando. o que está acontecendo? -Como você é nojento. Será que você pode sair da minha frente? -Por favor. não houve nenhum sobrevivente. Olha só o seu estado. olha só a que ponto você foi capaz de chegar.. foi inevitável não olhar para aquelas roupas espalhadas pelo chão. Você não tem moral. Lucas. volta pro quarto e espere que o Gabriel já está voltando. batendo a porta e entrando na frente. mas nunca me passou pela cabeça que um dia ele chegaria a tanto. não conte ao seu primo. pelo amor de Deus. -Isso Ronaldo. -Do que você está falando.Que cena horrível. minha família está na sarjeta. não tem nem a vergonha de aparecer na minha frente pelado. pelo contrario. o arrependimento deveria ter batido em seu coração. -Deixe-me passar Gabriel. namorava um canalha que pensava ser um príncipe. ele me agarrou e me forçou. ele não merecia o meu primo. . rolava uma vontade louca pela cara que você fazia. venho aqui trazer a noticia da tragédia pra você e te vejo transando com outro cara sem a menor culpa. aquela choradeira toda com a partida do Robson era tudo teatro.. quem sabe 36 .. -Eu não vou contar nada. tudo bem que antes eu já não gostava dele. Saí rapidamente do quarto e me dirigi até a porta da sala. não conte ao Robson. como uma pessoa poderia ser tão falsa? Jamais eu imaginaria que o Gabriel se prestasse àquele papel. por favor. volte pro quarto. meu tio está a ponto de ter um derrame. fechei meus olhos e pensei bem se deveria contar a ele sobre o acidente com o Robson. que desgosto você daria ao meu primo.. deu pra notar que foi imediato. contra fatos não há argumentos. -Pelo visto a ocasião esquentou tanto que você não prestou atenção no noticiário da TV né. só de pensar que nem o corpo do meu primo poderemos ver mais. -O que está acontecendo? -Nada Ronaldo.. -Eu não tenho nada pra ouvir Gabriel..Lucas.

fechei a porta e encostei na parede. seria um milagre? Eu estava falando com meu primo. enganando meu primo. Meu coração foi a mil. todos nossos momentos juntos passavam pela minha cabeça como um filme. me senti atraído por você.. um silêncio mortal pairava sobre aquele apartamento. quem é? -É o Robson. -Que palhaçada é essa? -Do que você está falando? -Robson? -Sim. eu ouvi. ficamos uma semana de castigo. eu não estava preparado para ouvir o pior. deixei o telefone cair da minha mão. parece que eu via ele abrir a porta e se jogar no sofá como ele sempre fazia.. Lucas? -Sou eu. trazido de volta pelo barulho do telefone tocando.. tantas juras de amor antes do Robson embarcar. Lucas? Não me reconhece mais? Quase desmaiei naquele momento. Lucas? -Você se salvou do acidente.” “-Desculpa.. abri a porta da sala.. a tia Helena ficou tão brava nesse dia. será que eu estava louco? Ouvindo coisas? Não pode ser. É um milagre. mas do que você ta falando? -Você não estava no avião que caiu? 37 . era ele. teatro. meu primo não merecia aquele maldito.. na certa seria outra notícia ruim. o peguei novamente e deixei o Robson falar: -Mas o que ta acontecendo aí? Você ta bêbado? -É um milagre.. promessas. minha intuição estava certa.... depois de um tempo segui para meu quarto. ao deitar na cama meu celular tocou: -Alô? -Alô. “-Deixa de ser caipira Lucas. como o Robson fazia falta. eu já estava até achando que era implicância minha. sem poder usar internet nem sair pra balada. ele realmente não valia nada mesmo. Voltei pra casa arrasado. tanto choro. se aproveitando da bondade e ingenuidade do Robson. -Que milagre. mas nada na vida acontece por acaso. mas era tudo mentira.isso lhe sirva de lição e melhore seu caráter. fiquei olhando cada canto e relembrando todos os momentos que passamos juntos desde a minha chegada naquela casa. -Que acidente.. o Gabriel estava era fazendo cena. eu ria e chorava ao mesmo tempo. embora eu ache essa possibilidade quase impossível. respirei fundo. mas ao mesmo tempo com muita dor no coração. Deixei aquele prédio com ódio.” Chorando eu me lembrava o dia em que fizemos uma guerra de almofadas e deixamos a sala toda cheia de espumas. o que você tem. fui transportando para as lembranças do passado. me deixei levar pelos pensamentos.. deixei que ele tocasse até parar.

. afinal todos pensávamos que você tinha morrido.-Mas que avião? Eu fiz uma escala em Porto Alegre. meu Deus. bati na porta e entrei. -Robson. Estávamos todos pensando que você tinha morrido. preferi não contar nada por enquanto. buzinei pra ele que se aproximou do meu carro: 38 . não se preocupe. o telefonema do Robson pegou todo mundo de surpresa. como ele está? Eu não sabia o que dizer. mas acabei me atrasando e perdi o vôo para Buenos Aires. quase contei ao meu primo sobre a cena que havia presenciado naquele dia. -Vira essa boca pra lá Lucas. -Quem é. Assim como eu fiquei surpreso. Robson? -Provavelmente amanhã estarei chegando por aí. -Humpft.. já que ele amava o Gabriel e estava feliz com ele. to com tanta saudade daquele moleque... amanhã já estarei voltando para São Paulo. hahahaha. No outro dia acordei cedo e fui procurar pelo Gabriel. -Robson? Deus seja louvado. cheguei na portaria de seu prédio e ele estava saindo. Enquanto tio César ficou conversando com Robson eu fiquei pensando em como seria quando ele chegasse. você está bem meu filho? -Estou bem pai. ao mesmo tempo senti um aperto no coração. vou levar o telefone pra tia ouvir sua voz e ficar aliviada. -Ta bom. -Você sempre atrasado. avise meu pai que a reunião foi adiada para o mês que vem. pois a tia Helena já estava dormindo: -Tio. o que devo fazer? C@p í tulo 8 Fiquei entre a cruz e a espada.. agora estou aqui aguardando outro vôo pra São Paulo. telefone pro senhor. acabei entregando o telefone para o tio César. esperálo voltar para tomar uma decisão a respeito. passei a noite em claro pensando nesse assunto que estava acabando comigo. tenho muito que viver ainda. Já estou com saudade de vocês. olhar em seu rosto sabendo sobre seu namorado e não ter a coragem de contar. não poderia contar toda a verdade. principalmente por telefone. Lucas? -É o Robson. pois a reunião foi cancelada na Argentina. não vejo a hora de voltar para os braços do meu Gabriel. quero chegar logo em casa e rever minha família e meu Gabriel. Nessa hora tive vontade de jogar o telefone na parede. por outro lado. então eu desviei o assunto. eu não poderia deixar ele ser enganado daquele jeito. -Quando você volta. por mais que eu disfarçasse não iria conseguir mentir para o meu primo. Levei o telefone até o quarto da tia Helena. e agora? Será que eu deveria contar? Mas eu não tinha o direito de estragar a felicidade do meu primo. mas também não tinha o direito de estragar a felicidade dele. ela estava deitada na cama e tio César sentado ao seu lado segurando sua mão.. por outro lado meu primo não merecia ser enganado.

Teve uma vez que fomos a um motel ma-ra-vi-lho-so.. só está com ele por interesse que eu já notei. ficamos na suíte presidencial. -Está escrito na sua testa que você não vale um rolo de papel higiênico... -Chega de falsidade Gabriel.. -Cada vez que eu olho pra sua cara tenho vontade de vomitar. se você não contar. -Não vou mentir.. -Sabe Lucas... pelo andar de nossa conversa parecia que iríamos nos acertar: -Pode falar Lucas. Quando ele ligou dando noticias até pensei que fosse alguma brincadeira de mau gosto. para que você me trouxe aqui? -Ontem à noite ficamos sabendo que o Robson não morreu. Lucas. -Eu te odeio. e quando ele volta? Não vejo a hora de poder tê-lo em meus braços outra vez. essa situação não poderia continuar da forma que estava. Lucas. É justamente pra falar disso que te chamei aqui. Acho que se ele souber por mim será pior. contarei eu. o Robson é mão aberta mesmo... -Você ta ficando louco? Ele jamais me perdoaria.. Quer saber da verdade? Seu primo é um idiota. mas não é por isso que estou com ele. -Eu também não vou muito com a sua cara. claro que eu vou me aproveitar disso. -Isso já não é problema meu. cansei.-Gabriel... não posso permitir que ele seja enganado. eu sempre notei que você não ia com minha cara. faz tudo que eu quero. vive arrancando dinheiro do meu primo. o que será que eu tenho que você não tem? Hahaha. apesar de ter transado com outro cara e você ter visto eu gosto do seu primo. me da tudo que eu peço.. apesar de eu nunca ter feito nada pra você. quer coisa melhor? -Como você é maldito. preciso falar com você. é meu dever protegê-lo e querer seu bem.. por isso estou te dando a opção de contar.. minha intenção era fazer um acordo com ele. Precisamos resolver essa situação.. Seguimos para uma churrascaria na Avenida Rebouças.. -Humpft. -Não? Você me enganou.. Infelizmente seu primo preferiu escolher a mim que você. -Graças a Deus. -Como assim? -Eu amo meu primo. 39 . adoro os presentinhos que ele me dá. acabou deixando de embarcar no vôo que caiu. os lugares maravilhosos que ele me leva. Lucas? -Vem comigo que eu te conto. Sabe Lucas. -E como ele conseguiu se salvar? -Distraído como ele é. -Eu sei que você queria muito estar no meu lugar.. entre aqui no carro. não deixarei que meu primo seja enganado.. Lucas? Por que fez isso? -Não enganei ninguém. -Você gosta é dos presentinhos caros que ele te dá.. todos nós pensávamos que ele havia morrido no acidente. -O que você quer... Você vai contar toda a verdade ao Robson..

Agora eu vou indo. -Eu sei mãe.... -Precisamos conversar sério.-Confesse Lucas. O Robson ama a mim e não você. quando ele volta? -Hoje ele chega em São Paulo. só estávamos esperando por você para irmos buscar o Robson. eu me esforçava para conversar com o Gabriel.. -Tudo bem.. Enquanto tio César e a tia Helena vinham no banco da frente conversando. fui sentado no banco de trás do carro e ao meu lado foi o insuportável do Gabriel que fazia questão de esbarrar em mim nas curvas. eu vou contar tudo que vi ao Robson. mas todo aquele atraso foi recompensado quando vimos o Robson desembarcando. Robson. -Fiquei com tanto medo de te perder primo.. Olha quem vai conosco? -Oi Lucas.. -Para com isso Lucas. mais falso que Judas. paga pra ver? -Tudo bem. Saí da churrascaria puto da vida. Pena que eu não o amo. Saímos de casa em direção ao aeroporto de São Paulo. -Que medo eu fiquei de te perder meu filho. tenho muitas noitadas pra curtir ainda na minha vida. se um dia eu chegar a amá-lo será muito bom. -Lucas. -Chega de falsidade. quanto tempo. olhando para o céu azul eu via as nuvens passar lentamente. C@p í tu lo 9 Voltamos para casa e o Gabriel nos acompanhou.. -Vá pro inferno. preciso me arrumar para receber meu baby no aeroporto. ele me conhece a mais tempo do que conhece você. -Gabriel. entendo. O vôo chegou com um pouco de atraso. às vezes eu dava umas olhadas de relance e via aqueles dois juntos na maior falsidade. -Você acha que ele vai acreditar em mim ou em você? -Não sei. essa guerra você perdeu.. o Robson e ele sentados no banco de trás do carro. -Humpft. se eu não intervisse o Gabriel iria arruinar sua vida. como se nada tivesse acontecido. Segui para o Parque Villa Lobos e fiquei caminhando por lá. Quando cheguei em casa tia Helena já estava sabendo da novidade. arrependido de ter procurado o Gabriel e ficar sabendo que ele era muito pior do que eu imaginava. aos nos ver ele largou suas malas e veio correndo nos abraçar. 40 . refletindo sobre até que ponto um ser humano é capaz de chegar. Podemos ir? -Vamos.. viemos eu. coitado do Robson. assim como o tempo. Depois eu ligo pra falar com a Helena e combinarmos de ir buscá-lo.. sentados no sofá da sala estavam me aguardando para irmos juntos buscar o Robson no aeroporto. o que mais doía meu coração era ver que o Robson amava demais aquele maldito. -Tudo bem... como eu senti sua falta. fiquei feliz até ver o Gabriel sentado na sala junto com eles. isso eu não ia permitir que acontecesse..

-Sério? -Claro. acabamos assistindo DVD na sala.. acompanhada por uma leve brisa que soprava ao meu ouvido. sem camisa e apenas de bermuda com um pacote de pipoca ao lado e um copo de refrigerante do outro. 41 . o dia já estava quase amanhecendo.. deveria ser a empregada chegando. levantei da cama e liguei o computador.... até que ele parecia ser um cara legal. tirei a bermuda e deitei na cama pelado. o sono não vinha.. bem idiota.. passei a madrugada inteira conversando com ele. Gabriel? -Não liga Robson... Quando o filme terminou fui para o meu quarto. -Huglok diz: olha meu amigo Lucas aí.. -Posso explicar pra ele. ficamos em casa apenas eu. fiquei ali deitado olhando aquela luz do luar que entrava pelas frestas da janela e penetrava pela cortina do quarto. -Driko diz: Cadê o baba ovo do Pedro? -Lucas diz: Galera to de saída. fiquei deitado no tapete. Lucas saiu da conversa Saí daquela conversa chata.. não demorou muito e ele me adicionou em um chat com vários amigos dele. apaguei a luz. À noite o Robson foi dormir na casa do Gabriel. seu nick era Driko. -Realmente. mas seu nome era Adriano. tia Helena e tio César. fechei a porta. -Todos nós achávamos que você tinha morrido no acidente de avião. imagine-me ficar sem você. eu estava todo perdido naquele aeroporto. -Driko diz: bem vindo Lucas -Lucas diz: Obrigado. quando o Lucas foi até minha casa me contar eu quase morri. logo quando conectei notei que o Hugo estava on-line. -Nossa. diferente daquela impressão que eu havia ficado dele dentro daquele chat. você deve ter sentido uma tremenda falta do meu primo. conectei na internet na intenção de ficar até o sono vir. o filme era tão bom que eu não conseguia tirar os olhos da tela. não demorou muito e recebi um pedido para adicionar um contato em minha lista.. me despedi do Adriano.. O sono não vinha e as horas estavam passando.. ele ta com inveja. -Não entendi esse tom de ironia.-Quando liguei pra casa achei que o Lucas estava ficando louco.. -Eu nem sabia que o avião havia caído. trocamos telefones e fui dormir. escutei a porta da sala se fechando. quando eu estava dentro do chat achei aquele cara muito imbecil. boa noite pra vocês..

onde quer que chegava chamava atenção.. sozinho com certeza não ficaria se não quisesse. vocês são muito amigos.... pela cara dela alguma coisa havia acontecido. Robson?. ele vai te ouvir. -Que horas foi isso tia? -Agora há pouco. eu fiz isso pelo seu bem.. Deixa que eu falo com ele.. seu safado. seu olhar estava perdido em pensamentos profundos.. No caminho eu fui pensando. parecia estar bem longe. -O que aconteceu com o Robson? -Ele chegou hoje furioso.. Nunca esperava isso de você. Como você é sujo. Robson. sentei na mesa e a tia Helena parecia estar preocupada... O Robson estava deitado em sua cama olhando para o teto... tia. foi direto pro quarto e se trancou lá. escovei os dentes e fui para a sala tomar café... ele nem deu atenção quando entrei em seu quarto. Sem eu menos esperar levei um soco no olho. se não você inventaria que ele havia me traído. acordei e vesti uma calça. -Pelo meu bem? -Claro.. Ele me contou que você propôs uma noite no motel com ele. deixei 42 . mal falou comigo e com o César.... Você da em cima do meu namorado e diz que foi pro meu bem?. a janela do quarto estava aberta. mas acabei deixando quieto. pela expressão de seu rosto ele parecia estar com muito ódio... -Bom dia! -Bom dia Lucas. -Tudo o quê? -A verdade. pensei em revidar.. na certa deveria ser pelo que o Gabriel havia aprontado. -Saber como estou. -Que história é essa de que dei em cima do Gabriel? -Ele me contou tudo hoje. o coitado deveria estar arrasado por saber que seu namorado não prestava. -Isso Lucas. -Você está bem. primo?. Bati na porta de seu quarto e ninguém respondeu. -O que você quer? -Saber como você está. bati mais uma vez e percebi que a porta não estava trancada... -O que a senhora tem... Lucas. Você ainda tem a coragem de falar comigo? -Por que você está dizendo isso? -Você não vale nada. meu primo não merecia uma coisa daquelas. Depois de chantagear o meu namorado ainda quer saber como estou? -Espera ai. apenas o segurei para não receber mais golpes dele. tia? -Estou preocupada com seu primo. -Licença.No outro dia. ele era um cara bonito. Eu dei a opção dele escolher. -Nossa. -Que absurdo.. Lucas. então resolvi entrar.

-Pára. -Seu ordinário... fiquei ali por quase duas horas. não conseguia me controlar. o procurei por toda parte e não encontrava. eu estava louco para por as mãos nele e quebrar aquela carinha de santo que ele tinha. Saí daquela academia atordoado.. abri a porta e escutei barulho de água. mas o que eu preciso mesmo não é de conversa. baixei a cabeça e desabei em lágrimas.seu quarto e fui para o banheiro. -Lucas? -Sou eu. que entrou no vestiário para ver o que estava acontecendo e não deixou que eu desse uma lição naquele pulha. ao dar uma brecha o Gabriel conseguiu se soltar e correu pelado gritando pelo vestiário. -Maldito eu vou acabar com você. mas não hoje. ok? -Beleza. Entrei no carro. -Tudo bom com você? -Sinceramente não. é de paz. coloquei as mãos sobre o volante. varias coisas se passavam pela minha cabeça. peguei pelo seu braço e o arranquei do chuveiro.. seu verme? -Hahahaha. entrei em baixo do chuveiro frio com roupa e tudo. a vontade que eu tinha era de forçá-lo a contar toda a verdade ao Robson. Liguei o carro e quando ia dando partida meu celular tocou. uma hora eu iria encontrá-lo e aí sim acertaríamos nossas contas. 43 . se você precisar conversar. -Ok. O que você acha de a gente se encontrar? -Podemos marcar um dia. Você está me enforcando. muito irado. não entendia como poderia existir pessoa assim. Sentado no canto do box eu deixava a água cair sobre minha cabeça. troquei de roupa e desci até a garagem para pegar o carro.. nunca pensei que o Gabriel seria capaz de tanto.. o pressionei contra a parede. -Vou matar você. chorei muito. meu sangue já estava fervendo e minha raiva só aumentava... era o Adriano. mas o que era dele estava guardado. com uma mão eu segurava seu pescoço e com a outra eu torcia seu braço.. por que você mentiu dizendo que eu te chantageei. e você acha que eu ia contar a verdade e me foder? Se liga seu trouxa. -Obrigado. perguntei para uma professora e ela me disse que ele estava no vestiário. -Nossa. pode contar comigo.. fui até o box onde ele tomava banho. o que houve? -Deixa pra lá. não estou muito bem. Eu apertava seu pescoço como se fosse uma galinha no matadouro. até que depois de pensar muito resolvi ir falar com o Gabriel. não vale a pena ficar relembrando. C@p í tulo 10 Na parte da manhã eu sabia que o Gabriel estava na academia. seus gritos chamaram atenção do pessoal da academia. na certa ele estava tomando banho na maior tranqüilidade. Fui bufando até o vestiário louco pra quebrar a cara dele. então eu fui até lá pra conversar com ele.

. Com um abraço apertado ele dizia: -Não fique assim. -Não foi esse tipo de gostar que eu perguntei. por dentro havia uma mistura de raiva com inveja.. sempre o prejudicado será você que se passará por invejoso... olha como você está. claro que isso eu não iria permitir... -Você precisa se apaixonar por outra pessoa.. o Driko parece ser um cara bacana. -Cara. assim você esquece o Robson.. falsa e mentirosa.. O que aconteceu? -Aquele bandido está acabando com a minha vida. já estou decepcionado com a vida. Eu quero saber se você gosta como um namorado.. mas como eu iria contar? Eu também corria o risco de ser chamado de invejoso. me ligou hoje. mas se ele acha que está feliz ao lado do Gabriel... Você gosta do Robson? -Gosto.. eu quero sua felicidade. Cheguei na casa do Hugo chorando... -Sim. -Humpft. no caminho eu fui pensando n tamanho da falta de caráter do Gabriel. mas ele não quer saber. só enxerga o que quer ver. Uma pessoa apaixonada fica cega. Eu nunca te vi nesse estado. eu estava chorando muito. Desliguei o celular e joguei dentro do porta-luva. Você ama seu primo. -Por quê? 44 . a gente se fala outra hora então. -Lú.. -Por que você diz isso? -Ta respondido.-Tudo bem.. -É sim.. -Nós sabemos disso. não sei explicar o que era aquilo. -Não quero me apaixonar por outra pessoa.. quem é você pra dizer o contrário? -Mas o Gabriel não vale nada. pois o Gabriel era uma pessoa muito perigosa. ninguém nunca havia me visto assim. pois até morar juntos eles já estavam planejando. desliguei o telefone logo.... eu acho que estava começando a amar o Robson.... -Humpft. ódio com amor. se meu primo continuasse com ele com certeza teria seu futuro arruinado. -Mesmo assim. está escrito em seus olhos que você o ama. por isso que você está sofrendo desse jeito. liguei o carro e segui para a casa do Hugo.. o Robson precisava saber disso.. eu precisava desabafar com um amigo sobre tudo que vinha acontecendo. não adianta você dizer que o namorado dele não presta. já que ele fechou os olhos pra tudo e só ouvia o anjo Gabriel.... Meu primo não merece aquele moleque... -E ai? -Não nos falamos muito.. quando ele me viu naquele estado ele ficou muito preocupado. ele é um cara bacana. Olha aqui pra mim. -Ok.. -Deixa de bobagem. -Não. -Eu entendo.

não combinamos nada ainda... -Que nada.. -Lucas... a questão é que estava me envolvendo com seres humanos. as mesmas decepções que tive no mundo heterossexual estava tendo no homo. eu tinha mesmo que dar uma oportunidade para outras pessoas me conhecerem. -Não vou dizer nada. como você é burro. 45 . vocês vão sair? -Ah. -O Adriano quer falar com você.. faz tempo que eu não saio. -Humpft..... -Ah.. é a sua felicidade que está em jogo. Peguei o telefone e falei um pouco com o Adriano. as pessoas caminhando. aquela impressão que eu havia tido dele no inicio acabou mudando. -E desde quando você tem idade pra entrar em uma balada? -Ué. mas eu não estava em condições de paquerar via telefone. fala logo. ele é um cara legal. ali mesmo entrei profundo em meus pensamentos e comecei a refletir sobre o que era a vida. desculpa... -Chega de putaria.. Olha só a oportunidade que você perdeu.. pois ele se mostrou ser uma pessoa bem amadurecida... alguns abusam. me conta? -Contar o quê? -Se entenderam? -Ah. eu sei que ele tinha as melhores das intenções. -Se te pegam você está ferrado. tem defeitos e qualidades. os carros passando. -Ta viajando? -Um pouco... independente de sua condição sexual ser humano é tudo igual... Conversamos por quase uma hora no telefone.. eu tenho RG falso. -Lucas. -E ai. com seu jeito compreensivo ele acabou entendendo meu lado. Alem do mais ele estava a fim de sair.. -Cogitamos a hipótese de ir ao cinema. O Hugo pegou o telefone e ligou na hora pro Adriano. pedi desculpa por tê-lo tratado com frieza há algumas horas atrás. -Quer parar de me irritar? -Vou ligar pra ele agora. Lucas.. Nós conversamos. mas não dê as costas ao destino. eu já havia ouvido falar que o mundo homossexual era repleto de decepções. -Vai sim.. enquanto eles conversavam fui até a janela e fiquei olhando o movimento da rua. ficar chorando por uma pessoa que não te quer é cruel. -Oi. -Eu escutei vocês falando de cinema. até que o Hugo tinha razão....-Porque não estava a fim de falar com ninguém. um passeio qualquer.. -Marca uma balada logo. agora vivendo dentro desse mundo eu percebi que não é verdade.. chame ele pra um cinema. você vai dizer que topa sair com ele. mas não estão livres de errar. pelo menos vá conhecê-lo.

. 46 . Antes de sair do banheiro passei um óleo no corpo. já completamente nu fui pro banheiro tomar um longo banho. pelo visto não havia ninguém em casa.. segurei na maçaneta e fiquei pensando se entraria em casa ou dormiria fora. preciso ir. já pensou ela respondendo processo em seu lugar? -Você fala como se só eu que falsificasse RG pra entrar na balada. relaxava.-Você só tem 17 anos Hugo. coloquei a chave na porta e tranquei sem fazer barulho. completamente nu. acabei jantando por lá mesmo. mas o Robson vinha dando muito na cara que era gay. eu duvido que 90% da balada nunca saiu pela primeira vez com menos de 18 anos. Quando cheguei no hall do elevador. No banho era o momento onde eu esquecia da vida... parei na porta e respirei fundo dez vezes antes de entrar.. começamos a conversar sobre várias coisas. Assim que terminei de tomar o iogurte fui para o meu quarto. -Ok. Saindo da casa do Hugo eu segui pro shopping. acabei absorvendo os problemas externos pra mim. -Depois a gente se fala mais. já não pensava mais em mim. principalmente sobre minha troca de roupa ao vivo. o que me fez adquirir uma sensibilidade muito grande. tomando meu iogurte sem me preocupar com mais nada. uma vez eu escutei um comentário do tio César para a tia Helena perguntando quem era aquele amigo “estranho” do Robson. C@pítulo 11 Fui até a cozinha. -Tudo bem. ao me levantar da cadeira eu bati a mão no mouse e acionei a web cam sem perceber. sentei-se à mesa da cozinha e fiquei ali por um tempo. dentro do meu peito ainda continha uma angustia instalada que me incomodava. Não sei se meus tios já tinham descoberto ou não. enrolei uma toalha na cintura e fui pro quarto navegar um pouco na internet. Depois que meu pai adoeceu eu acabei me descuidando. -Humpft. liguei o computador para baixar uns e-mails e havia algumas pessoas on-line cujo apenas cumprimentei. com o olhar perdido. fechei a porta e comecei a tirar a roupa. verifiquei minha caixa de mensagens. Sem querer acabei fazendo um streaper para os que estavam on-line. abri a porta da sala de cabeça baixa. para quando eu chegar em casa não precisar sentar à mesa com o Robson e ficar aquele clima chato. mas não havia nada de interessante. porém todo mundo estava me vendo sem roupa do outro lado. abri a geladeira e peguei um iogurte de morango. pela maneira em que ele falava do Gabriel e o tratava. -Obrigado pelo presente.. apenas um bilhete do Robson sobre a mesa dizendo que iria chegar tarde. é menor e sua mãe que responde por você. o Adriano estava on-line. Bom. brincava. ascendi à luz. cantava. eles deveriam estar se divertindo me vendo sem roupa. -Olá! -Tudo bem? -Tudo ótimo. esquecia dos problemas. continuei tirando minha roupa ali no quarto inocentemente.

me deixando uma esperança de que amar e ser amado ainda era possível.. passei o tempo todo em outra dimensão.. -Poupe-me desses detalhes. -Pare com isso. nunca gostei muito de falar sobre essas coisas. Assim como ele. -Eu fiz? Foi aí que eu notei ter deixado a web cam ligada. assim nós viveríamos apenas os bons momentos eternamente. -Nossa. conversamos a noite inteira quase.... tomar banho de rio. Pela manhã acordei cedo. Meu dia havia começado muito difícil. educado. Desculpa.. pois ele tinha um jeito especial de ensinar. eu não estava conseguindo prestar atenção na aula. falamos sobre vários assuntos até entrarmos no tema AMOR. comecei a ficar vermelho de vergonha e a desliguei na hora. não consegui nem abrir os livros. um corpo muito bem feito e definido.. jogar bola na rua. -Você é gostoso demais. -Não resisti. Sendo um dos docentes mais populares da escola atraía atenção de muita gente. foi muito bom passar a madrugada rindo sem ter sono. O Glauco era o professor mais disputado pelas garotas e professoras da faculdade e da academia. -Desculpa. nossa. ainda estava vazia. fiquei no pátio deitado embaixo de uma árvore. era incrível como ele conseguia fazer todo mundo entrar não clima legal..-Que presente? -O streap que você fez pra mim. com seu jeito sorridente.. -Posso te dizer uma coisa? -Humpft. logo depois fui dormir. tomei um banho morno para despertar e segui para a faculdade.. cabelos espetados com topete. olhando para as nuvens do céu fiquei pensando na minha família. ao relembrar os almoços de domingo onde todos se sentavam à mesa para almoçar e passávamos horas falando de varias coisas. como já estava ficando tarde eu desconectei e ficamos nos falando um pouco por telefone. acho que fui um dos primeiros a chegar. Posso dizer que a partir daquele dia eu comecei a sentir um carinho especial por ele. -Desculpa de quê? -Foi sem querer. minha concentração era na vida lá fora. inteligente. confesso que em sua aula eu consegui me concentrar. Pode. lembro de uma vez que tia Helena foi passar uma semana em casa com o tio César e o Robson. as mulheres arrastavam um ônibus por ele. tive que bater uma aqui. ele deveria ficar horas na academia trabalhando 47 . deveriam inventar uma máquina que tivesse o poder de parar o tempo. mas naquela hora ele falou tudo que eu precisava ouvir. As duas últimas aulas eram do professor Glauco. com a cabeça apoiada sobre minha mochila. em como eu tive uma infância feliz. o mesmo que dava aula na academia aonde eu e o Robson íamos. nos problemas. outros que me viram sem roupa deveriam ter feito a mesma coisa.

Aos poucos ele foi tirando peça por peça de sua roupa... me imaginei várias vezes no lugar daquele apito que ele usava nas aulas.aqueles 186cm de pura gostosura. minha imaginação começou a fantasiar coisas. não preciso me preocupar com quem entra em um banheiro masculino. -Calma Lucas. levei um susto ao ver o Glauco ali parado me olhando. 48 .. minha reação foi enrolar a toalha na cintura imediatamente. já sem roupa nenhuma o Glauco se aproximou de mim: -É impressão minha ou você está nervoso. aquela camiseta colada ao suor de seu corpo estava me deixando com tesão. pois os chuveiros da faculdade demoravam um pouco pra esquentar. mas continuei a tomar meu banho normalmente... era o que eu fazia sempre quando tinha aula pratica. -Relaxa. Assustei-me. sai do box enxugando meu corpo e fui pegar minha roupa na mochila que estava em cima do banco do outro lado do vestiário.. pois estava tão aéreo na saída da sala que esqueci quando desci pra aula prática. somente com a toalha. me imaginei lambendo cada centímetro daquele corpo bronzeado. ver o Glauco pelado. com a toalha enrolada na cintura comecei a pegar minha roupa dentro da mochila. Lucas? -Deve ser impressão sua Glauco. marcando a pontinha dos seus mamilos arrepiados. todos já deveriam ter ido embora. fui até a sala de aula busca minha mochila. sou eu! -Desculpa Glauco. Assim que terminei meu banho peguei minha toalha e comecei a enxugar meu cabelo. sabonete e xampu nas mãos. Entrei no vestiário masculino e já não havia mais ninguém. fui andando pelado mesmo. mesmo com o chuveiro ligado e o barulho da água senti a presença de mais alguém ali. Coloquei a mochila sobre o banco de madeira que ficava no corredor dos armários e comecei. Com a mochila nas costas fui até o vestiário para tomar banho e tirar o suor antes de ir trabalhar. era um escorpião que começava na barriga e ia descendo até o “playground”. disfarçadamente às vezes eu dava uma olhada de canto de olho. só dava pra ver o começo dela quando ele fazia algum movimento que levantava sua camisa. melhor pra mim que poderia tomar banho mais à vontade. Eu às vezes pensava em como seria beijar aquela boca carnuda.. afinal. aquela aliança em sua mão esquerda denunciava que ele era casado. suas pernas torneadas à mostra com aqueles shorts que ele costuma usar.. mas eu não teria chance com ele. você se importa se eu tirar minha roupa na sua frente? -Fique a vontade. parecia que foi esculpido à mão. deixei sobre o banco mesmo e dei a volta até os boxes onde ficavam os chuveiros. fui abrir a água do chuveiro e a deixei esquentando enquanto tirava a roupa. mas sonhar não me custava nada. Na verdade era tudo que eu mais queria. Entrei no box e deixei a porta aberta. até que enfim eu iria ver sua tatuagem por completo. o que provocava uma curiosidade de onde iria terminar as pinças do escorpião. estava distraído. embora eu parecia enfeitiçado por ele notei que vez ou outra ele me dava umas olhadas fora do comum. Nem tranquei minha mochila no armário. Após o termino do jogo.

-Eu quero. sua respiração já era ofegante e meu tesão já estava no limite total. na mesma hora ele deu um sorriso safado. machão. É melhor parar. -Então relaxa. -Pena que não posso provar. como se eu fosse uma puta ele puxava meu cabelo e lambia meu pescoço. senti aquilo crescendo rapidamente e molhando minhas coxas de tesão. era a primeira vez que eu “dava” pra alguém.. Sentir aquele corpo pesado sobre o meu me fazia delirar de prazer.. -Alguma vez eu disse que não? Sem querer soltei essa resposta. me dava umas pegadas com força que marcavam minha pele como ferro em brasa marcando um gado. com muita habilidade ele tirou uma camisinha de sua mochila e com cuidado foi me penetrando sem pedir licença. no começo ele ia devagar. ele tinha um pau exageradamente avantajado. com jeitinho. sem pudor nenhum ele beijou a minha boca como nenhum outro havia beijado. ao me jogar na parede e me prender com seu corpo nu eu percebi que a intenção dele era outra.-Pensei que minha presença tinha te causado um nervosismo. Lucas! -Obrigado. cara. enquanto isso sua boca tapava minha boca com beijos ardentes e molhados. o tesão estava a ponto de explodir como uma bomba nuclear. matando minha sede de prazer. faz muito tempo que eu estou a fim de fazer isso e sei que você também quer. com brutalidade e selvageria ele puxou minha toalha rasgando-a ao meio. lambendo minhas orelhas e baforando no meu ouvido fui jogado no banco do vestiário como uma toalha molhada sobre a cama. sua 49 . olhando fundo nos meus olhos ele veio até mim e segurou pelo meu braço com uma mão só.. rústico.. -Você tem uma boca linda. -Parar coisa nenhuma. Nossa... quase tive um orgasmo. foi até a porta do vestiário e a trancou. sua mão foi descendo pelo meu corpo me causando um arrepio mais que prazeroso. -Não. eu nem acreditava que aquele Deus Grego estava me consumindo no vestiário da faculdade. Aquele clima me deixou rapidamente excitado. mas depois ele dava umas com força. aquela mão cafajeste fazia vários papéis ao mesmo tempo. meu corpo amoleceu na hora. seria tão bom se fosse verdade. naquele instante eu pensei que ele iria me bater.. roçava seu pau em minhas pernas com tesão e desejo.... tanto no tamanho quanto na espessura. seu suor se misturava com o meu ao pingar sobre meu corpo. Glauco. corpo colado no corpo. sempre havia feito o ativo da relação e até então não tinha interesse nem tesão por fazer passivo. sentindo seu peitoral roçando nas minhas costas com as “bombadas” sincronizadas que ele dava. o Glauco tinha um jeito meio selvagem. enquanto ele fazia aqueles movimentos de ir e vir eu ficava pensando em como as meninas da faculdade gostariam de estar no meu lugar naquele momento. acho que por isso ele fazia sucesso com as mulheres.. essa sua cara de safado me mata de tesão. -Não entendi. ao mesmo tempo em que ele me conduzia com carinho. preso na parede com seu corpo era impossível reagir.. ficamos totalmente nus. seguidas de altos gemidos e palavrões.

o Glauco me deu mais um beijo na testa e se deitou ao meu lado. -Então vamos lá pro meu quarto. -Você também.. Tesão. você é muito gostoso cara. e como meu primo não estava falando comigo o único amigo mais próximo que eu tinha era o Hugo.. ai você me conta tudo.. na virilha havia um vermelhão. mas havia deixado um bilhete dizendo que precisou ir embora. mãe! -Olá Lucas.. Tratei de me vestir rapidamente antes que entrasse alguém e me visse daquele jeito. eu precisava desabafar com alguém..performance sexual pirou minha cabeça. Fomos para o quarto do Hugo onde contei tudo que havia acontecido. -Quem é. Glauco. acabei perdendo a hora de trabalhar. tamanho era o prazer que nós sentimos.. -Oi Lucas. Ofegante e quase sem forças. O perfume dele ainda estava impregnado em minha pele. porque se tratando de sexo ele era perfeito. -Tudo bem. Com os corpos colados e nus acabamos adormecendo. embora cansado não perdia o bom humor. 50 . é que não consegui segurar. -Tudo bem com a senhora. o que aconteceu? -Sabe o Glauco? -Que Glauco? -Aquele professor que te contei.. simplesmente um Deus na cama. foram momentos inesquecíveis de puro prazer. entre. -Foi mal. C@pítulo 12 Quando ele chegou nos “finalmentes” não soou um gemido. em sua face ele exibia um sorriso de satisfação. Acordei como se estivesse dormido no céu. Vão acabar ouvindo. -Ah. Aconteceu alguma coisa? -Sim.. passando seu braço sobre meu corpo trazendo pra junto do seu. -Conte. principalmente se a pessoa for um tesão como o Glauco.. acho que foi aquela chupada magnífica que recebi. olhei para o lado e o Glauco não estava. Hugo? -É o Lucas. Não tem nada que se compare a uma transa bem feita. um pouco abaixo do meu mamilo ficou uma marca de mordida feita por aquela boca majestosa... -O que é isso. me levou ao céu e ao inferno. aliás ele era mais que um tesão.... então sai da faculdade e fui direto pra casa do Hugo. dona Maria? -Tudo ótimo e com você? -Tudo maravilhosamente bem também. mas sim um grito de tesão acumulado. eu suspeitava que ele já havia trabalhado profissionalmente “nesse ramo”. -Nossa.

. Gosto demais de você. ai eu apresento pra você. acabamos fazendo uma troca. -Olha lá hein. -O quê? -Pois é. me conta? -E ai que ele me curtiu e eu o curti. não quero que passe por maus momentos assim como eu passei. Tomara que dê certo... -Você é meu amigo. -Que bom... 51 .. Humpft.... conheci um cara super legal. Hugo. no vestiário da faculdade. eu vou te apresentá-lo ainda. se não me pegaram até agora não me pegam mais. Nunca me trataram com tanto carinho.. -Sério? -Sim. Desabafei um pouco com ele. -Humpft.. -Entendo Lucas.. Você é um super amigo! -Obrigado. -Sabe Lucas.. já foram se conhecer pessoalmente? -Já sim. -E ai. transamos hoje de manhã. pra mais tarde não se machucar como eu me machuquei. já que pra mim ele era um dos melhores amigos que eu tinha... acho que transamos por vaidade. -Balada?. O que tem ele? -Transei com ele hoje de manhã. Enquanto conversávamos o Hugo navegava na internet. Tenho uma coisa pra te contar. tome cuidado que hoje em dia não podemos confiar muito nas pessoas. -Que demais cara. ao mesmo tempo em que eu teclava com ele eu ouvia o Hugo falando de seu novo “Affair”.. parecia estar apaixonado.. -Vai dar sim. Hugo. embora estivesse me ouvindo. sentir-se atraído por ele não era difícil. -O que você quer dizer com isso? -Pra você não ir com muita sede ao pote.. o Vini é especial.. -Quando é que você vai me apresentá-lo? -Vamos marcar de ir a uma balada. -Uau... viciado como ele era nem tirava o olho da tela direito. -Relaxa Lucas. Jamais pensei em ter algo sério com o Glauco. -O quê? -Estou ficando com um carinha super legal.. pois seus olhos brilhavam quando ele falava do Vini. se te pegam com documento falso. conversamos um pouco e acabamos ficando.. -Como ele se chama? -Vini. você não tem idade pra entrar na balada. luxúria e tesão.. Hugo. quando ele começou a falar sobre seu caso com o Vini eu pedi para usar seu computador um pouco. Logo que me conectei o Adriano que estava on-line puxou assunto comigo.-Ah.

-Temos capas de couro.. ouvir algumas palavras de carinho. deixa-me embrulhar pra você. -Não precisa.. Depois de escolher uma capa pro celular e paquerado o vendedor eu deixei a loja e segui para o estacionamento. magro... -Quê? -Vou ligar pra ele.. em que posso ajudá-lo? -Eu quero uma capa pro meu celular... plástico. -Não foi nada. peraê. estou deixando rolar.. tiara segurando os cachos. preta. transparentes.... -Bacana.. depois que conheci o Adriano comecei a enxergar uma luz no fim do túnel. -Eu sei. deixando sua mão sobre a minha ele pediu para que eu provasse a capa. nem preciso dizer que ele me atendeu super bem... -E como anda o romance de vocês? -Ah. já que ao entrar na loja ele se jogou pra cima de mim. Ao sair da casa do Hugo fui até o shopping comprar uma capa nova para meu celular. Nos falamos pouco....-Qual a idade do Vini? -Ele tem 19 anos. com aquele cabelo enrolado. mas foi muito bom escutar sua voz outra vez. sentir que alguém me queria de verdade. Sua mão está gelada. Peguei o telefone da mão do Hugo e comecei a falar com o Adriano.. esperai que tem alguém aqui que vai falar com você. -Alô. não teve como evitar que nossas mãos se encostassem uma na outra e foi o que aconteceu. Driko? É o Hugo... -Com quem você está teclando ai? -Com o Driko. você com 17 e ele com 19. Vou ficar com essa mesmo.. um cara todo estiloso. -Ok. olhar de predador. branca. vocês estão precisando se encontrar e se conhecerem. um pouco mais alto que eu.. entrei na primeira loja que vi na frente e fui atendido por um vendedor bonitinho. -Eu quero aquela capa ali. -Pois é. mostrei pra ele a que eu queria e ao mesmo tempo em que eu fui pegar ele também teve a idéia. -Tem alguma preferência? -Sei lá. -Deixa que eu pego pra você.. eu pego. Desculpa. coloridas.. -Olá.. Em meio a todas aquelas capas que havia na vitrine eu escolhi uma que estava bem escondida. -Deixa que eu ajudo... acrílico. -Quê? Nada disso. Enquanto eu escolhia a capa reparei que ele me dava umas olhadas. -Não. dentro do elevador eu abri a sacola para 52 . é obvio que ele queria que eu percebesse que ele também era gay. ao me ver ele fixou o olhar e veio até mim. conversamos pouca coisa..

era mais confortável e nos permitia mudar de posição varias vezes. Fiquei na escada esquivado e esperando uma oportunidade de um deles se virar para eu conseguir ver o rosto. provavelmente eles haviam descido. minha vontade era dar uma surra nele e jogá-lo daqueles degraus para baixo. Quando eu vinha descendo pelo elevador panorâmico me pareceu ter visto o Gabriel na companhia de um rapaz que não era meu primo. pois se o dono percebesse as entradas que ele estava me dando com certeza teria sido demitido. pois nasceu em mim a esperança de que o Robson e o Gabriel não estivessem mais juntos. Ao chegar em casa segui direto pro quarto do Robson. elevadores. em um movimento brusco de um deles consegui ver que minha suspeita tinha fundamento. segurando pelo corrimão do lado direito eu fui descendo rapidinho até escutar alguns sussurros. Uma escada de emergência não é lugar pra fazer esse tipo de coisas. teve uma hora que eu pensei tê-los perdido de vista ao entrarem na saída de emergência. era mesmo o Gabriel que estava se amassando com um carinha no meio da escada de emergência. olhando através do pára-brisa eu fui longe em meus pensamentos. aos poucos eu ia me aproximando na ponta dos pés para não ser notado. Deixei que eles fossem caminhando na frente enquanto eu ia atrás me esquivando entre os quiosques e pilastras dos corredores. mas seria pior se eu ficasse na dúvida. porem não tinha certeza se era ele mesmo. entrei no carro e coloquei as mãos no volante.colocar a capa no celular e percebi que junto havia um cartão da loja. já do corredor notei que a porta estava apenas encostada. muito corajoso ele era. talvez estivessem realizando uma fantasia sexual. já que quando envolve adrenalina tudo fica mais gostoso. Às pressas eles vestiram as camisas e abotoaram a calça. já que aquele shopping era cercado de escadas. provavelmente alguém estava subindo ou descendo as escadas. lençol perfumado. pra não ficar na dúvida resolvi descer e averiguar quem era. me aproximei dela e percebi que ele estava no telefone conversando com alguém. na esperança de meu primo ter descoberto o patife que o Gabriel era. antes de entrar no quarto fiquei esperando ele terminar de falar no telefone e acabei ouvindo o que ele falava. Cada dia que passava eu sentia mais nojo daquele porco. sempre preferi uma boa cama mesmo. os dois já estavam sem camisa e com a calça desabotoada quando escutamos uma porta-corta-fogo bater. uma sombra na parede denunciava que alguém transava sem o mínimo receio de chegar alguém. deixei o local correndo para que eles não me vissem e fui pro estacionamento. estranhei o fato de escolher justo a saída de emergência ao invés da escada rolante ou elevador. e pra minha surpresa era com o Gabriel: 53 . porém resolvi ir também. Liguei meu carro e fui pra casa ansioso da vida. Eu nunca tive esse tipo de fantasias com escadas. eles falavam tão baixinho que estava impossível de reconhecer pela voz. sei que essa atitude de ficar seguindo os outros é muito feia. por dentro eu estava feliz. o que me deixou na duvida se eles ainda estavam juntos. o pior de tudo era que o cara que ele estava “pegando” não era meu primo. Olhei para os degraus de cima e não notei nenhum movimento. atrás do cartão estava o telefone do vendedor que me atendeu.

Após o jantar eu voltei pro meu quarto. agora só falta você chamar o Driko pra ir com a gente.. há algum tempo eu venho notando uma séria mudança no relacionamento de você e seu primo.. Repete que me ama? Eu também amo você... Fui para o meu quarto cabisbaixo. deitei na cama e fiquei esperando o sono vir. conhecê-lo foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. -Já sei. apenas tivemos uma discussão. Claro que fiquei triste por não ter visto você hoje. -Robson volte aqui. tentei avisar meu primo da primeira vez e acabei ficando como vilão da historia.. estava quase dormindo quando o Hugo ligou me convidando pra ir a balada no fim de semana. vai? O Vini já topou ir comigo. tio César e a tia Helena estranharam meu relacionamento com o Robson que era praticamente de irmãos: -Lucas.. meus tios não eram idiotas e perceberam que não estava tudo bem entre nós. -Alô? -Lucas? -Fala Hugo? -Vamos à balada sábado? -Não sei. tranquei a porta e entrei no banheiro para tomar um delicioso banho morno antes de jantar e dormir. né? -Vamos mudar de assunto. -Agora eu vou dormir.. gastava muito dinheiro e não trazia nada pra casa.. havia ficado mais agressivo. Tudo que vinha do Gabriel já não me assustava mais... -Vai lá. então deixei de lado. assim que sai do chuveiro vesti uma samba canção.-Claro amor. vou falar com o Adriano depois e vejo se ele topa ir com a gente. Jogando o guardanapo na mesa o Robson largou tudo e saiu.. mas mentir pro meu primo dizendo que iria ficar em casa e ir ao shopping trepar com outro é muita safadeza. essa conversa está me irritando. vocês brigaram? -Não tia.. claro que era pro prostituto do Gabriel. mas eu entendo seus motivos. porém eu não tinha nada com isso. parece um sonho estar com você.. Beijão! -Outro. -Ah. pois ele era capaz de fazer as coisas mais cabeludas que já vi na vida.. vamos.. mas a gente pode sair amanhã.. Beijos e bom estudo.. Desliguei o telefone e mandei um torpedo pro Adriano. Por mais que tentávamos disfarçar. Eu sei que você está triste por ter que ficar o dia todo sem sair estudando. desliguei também o 54 . por favor? -O que aconteceu pra vocês ficarem assim? -Chega mãe.. se você precisa estudar é melhor mesmo ficar em casa. tem mulher no meio. -Ok. -Tudo bem. desde que o Robson havia conhecido o Gabriel ele mudou dentro de casa. cada um tem o que merece. uma camiseta regata e fui jantar com todos a mesa.

. -Amor.. o Vini e Hugo. -Lucas? -Acertou.. caindo por cima de algumas pessoas que estavam na fila.. -Tudo bem com você.. enquanto isso o Hugo e o Vini aproveitaram a brecha e entraram. o Adriano não havia dado certeza se iria ou não.. vá se divertir com seus amigos. se eles forem eu vou. se o cara está a fim de sair contigo ele não fica esperando a boa vontade do amigo pra poder sair de casa. -Estou ligando pra saber como você está e convidá-lo para uma balada sábado. eu também estava pouco me importando.. 55 . -Calma. -Bom. Entrar na balada foi meio complicado. se ele quisesse me conhecer ele toparia ir comigo e não ficar dando prioridades que não justificam. eu não trouxe meu RG falso.. e com você? -Agora ficou maravilha. pois se ele estivesse mesmo a fim de me ver não ficaria fazendo doce.. -Deixa pra lá. eu vou chamar atenção do segurança e quando ele se distrair você entra correndo. -É que.... -Como assim?... -O que você vai fazer? -Observem. os seguranças estão pedindo documento. -Como assim o que? -Deixa-me ver se eu entendi. C@pítulo 13 No sábado fomos para a balada eu. -Tenha um ótimo dia! Desliguei o telefone muito puto da vida. -Ah não? Nossa....celular e fui dormir... -Alô? -Oi. -Não é isso.... preciso ver se algum amigo meu vai. causando um tumulto e atraindo a atenção do segurança que estava na porta. -Lucas. pois o Hugo era menor e os seguranças estavam pedindo RG. gato? -Tudo ótimo.. não por que quer me ver. você só vai se um amigo seu for. puxa vida. pra isso tivemos que distraí-lo para o Hugo poder passar despercebido e poder entrar. No outro dia liguei para o Adriano logo pela manhã e o convidei para ir à balada no sábado. -Fudeu. Caminhei dois passos à frente e fingi que tropecei..

mas ele disse que só viria se um amigo também viesse. até que começou o show de Drag. -Obrigado Hugo. no meio daquela multidão era impossível ele me ver ali. Seguimos até o mezanino e pedimos uma cerveja. -Nossa Lucas. pois já que iria poderia ao menos mandar um torpedo avisando. por favor.. Após o término do show deixei a pista e quando me virei avistei o Adriano em um bar que ficava perto da cabine do DJ. -Nessas horas eu me lembro das aulas de teatro que fazia e ponho em pratica tudo que aprendi.. -Deixa comigo. Coitado do Hugo. mas pedi só uma cerveja pra ficar um pouco mais alegre. o que me fazia sentir mais saudade da minha cidade. -Caracas. você foi demais. essa preocupação que ele tinha comigo. às vezes nem foi por mal. Eu vou falar com ele. -Sei lá. eu não gostava muito de bebida alcoólica. me sentia mal segurando vela para os dois. Enquanto eles ficaram no mezanino eu subi pra pista e fiquei por um bom tempo dançando.. -Vocês brigaram? -Sim. No corredor após a porta de entrada o Hugo e o Vini me esperavam.. então fiquei esperando eles terminarem e me aproximei deles. rodei a balada toda. -Podemos ir agora. -Uma cerveja. estavam trocando altos beijos.. então disse que iria dar umas voltas e dançar um pouco na pista.. eu não iria interromper o clima dos dois. -Por quê? -Eu o chamei pra vir com a gente. Lucas? -Não sei. porém era o suficiente.. Cansado de andar fiquei sentado no sofá do hall esperando a casa 56 . eu falo com ele e resolvo tudo. Parado no meio da pista eu prestava atenção em tudo. -Obrigado amigo! -Vamos dar uma circulada? -Sim. Só sei que me deixou triste. -Não precisa. foi apenas um “acidente”. mas não os encontrei. a produção do show era muito bem feita.. um verdadeiro amigo.. é minha obrigação querer te ver bem.. eu achava muito legal isso nele. porque eu iria dirigir depois.. o único lugar que eu não havia procurado era no Dark Room. lembrei dos meus tempos de teatro vendo aquelas encenações. também te considero um amigão. o Vini encostado na parede com as pernas abertas e o Hugo colado nele.. eu entendi aquilo como uma falta de interesse por mim. mas eu o avistei e já foi o suficiente pra me deixar magoado. acabamos brigando. A noite pra mim terminou no momento em que eu o vi.. -Precisa sim. afinal. você é meu amigo. desci até o mezanino e comecei a procurar pelo Hugo e o Vini. O Driko não vem. então não poderia beber. sempre querendo me ajudar a encontrar um substituto que me tirasse o Robson da cabeça.Depois de tudo esclarecido permitiram que eu entrasse na casa.. Por mais legal que o Vini e o Hugo fossem a presença deles estava me incomodando.

pelo menos a pessoa que eu vi parecia com ele. mas nem precisou porque antes que eu saísse eles apareceram suados.. se nem eu que estou ligado diretamente com ele estou me roendo de raiva.. vamos procurá-lo. naquele mesmo 57 . -Nossa. o Hugo não tinha motivos pra ter. -Não. Teve uma hora que eu cansei de procurar e fui dançar um pouco na pista.. eu já não agüentava mais ouvir aquela mesma ladainha. se nem eu tive chilique ao vê-lo. Não agüento mais ouvir você falar o tempo todo no Adriano. Que cara é essa? -Eu quero ir embora. pegou pelo meu braço e me arrastou para procurá-lo... o que houve? -Acabei de ver o Adriano na pista. -Mas Hugo... tive que intervir no meio da conversa: -Eu to passado. A reação do Hugo quando eu falei isso foi inesperada tanto pra mim quanto pro garoto com quem ele estava ficando..... -Mentira porque procurei vocês pela balada toda e não os encontrei. beijando outro? Vamos procurá-lo agora. eu até estranhei aquela atitude do Hugo. também não tinha certeza se era ele mesmo que estava na pista... -Quê? Onde? -Beijando um garoto na pista de cima. vou acabar com ele.esvaziar e sair novamente para procurá-los. -Chega Hugo. como ele foi capaz de uma coisa dessas... tamanha era sua preocupação comigo. No outro dia logo pela manhã o Adriano me ligou pedindo desculpas pela briga. só porque eu havia dito que vi o Adriano beijando um garoto. Procuramos o Adriano pela boate toda... Hugo. -Eu também acho.. -Ele veio e nem me ligou avisando.. mas não o encontramos. Hugo... -Vagabundo.. -Por que. não acredito que o Driko veio na balada e nem avisou a gente. mas não encontrou... -Nada disso. -Agora ele vai se ver comigo... Não falo mais nada então.. -Deixa quieto.. nunca fui de guardar mágoas então acabei desculpando. você não tem o porque ficar ofendido pelo simples fato dele ter vindo à balada e não ter te avisado. Vocês estavam no Dark Room. ele estava acompanhado... Eu o mato. -Como assim... mas eu também não poderia cobrar algo do Adriano já que nós não tínhamos nada por enquanto. na mesma hora ele largou o Vini.. Hugo ficou puto da vida. Na volta pra casa o Hugo foi falando o tempo todo nisso. -Abafa Lucas. -Eu acho melhor mesmo. Visivelmente o Hugo ficou mais bravo do que eu.. mas o Hugo deixou o Vini lá no sofá do mezanino e continuou procurando pelo Adriano até a hora de ir embora... -Onde vocês estavam? -Na pista.

.. passa o e-mail dele pra mim? Anotei o e-mail dele em um papel e deixei sobre a mesa do meu quarto. -Preciso de um favor seu. tchau... -Fala Hugo. com apenas quatro dias de diferença de um pro outro. quando você vai se conectar? -Eu já estou conectado. tudo porque eu estava começando a gostar dele de verdade. eu já estava gostando muito do Adriano. logo que o adicionei em minha lista ele apareceu como online e veio puxar assunto comigo.. conseqüentemente éramos do mesmo signo.. eu e o Hugo fazíamos aniversário no mesmo mês. mas não havia percebido até então. -Ta bom. -Já anotei. -Alô? -Lú. você pode checar pra mim? -Tudo bem.dia fizemos as pazes. mas ainda não havíamos nos encontrado novamente. O mês se passou em um piscar de olhos.. -Ok. -CARAio diz: Quem é você? -Lucas diz: Meu nome é Lucas e o seu? -CARAio diz: Caio -Lucas diz: Tudo bem Caio? -CARAio diz: Beleza e você? -Lucas diz: Beleza também!!! Você conhece algum Hugo? -CARAio diz: Vixi -Lucas diz: O que foi? -CARAio diz: Conheço um filho da puta que se chama Hugo.. pensando nele diariamente.. vamos ver se ele está on-line agora. Desliguei o telefone e entrei na internet para checar se o rapaz havia mesmo bloqueado o Hugo.... É o Hugo. Meu aniversário estava chegando.. -Qual? -Eu saí com um cara um dia desses e eu acho que ele me bloqueou na net.. pelo que ele mostrava parecia estar muito apaixonado por mim. -Lucas diz: Será que estamos falando da mesma pessoa? -CARAio diz: Como ele é? -Lucas diz: 58 .

. -Lucas diz: Mas o que ele te fez? -CARAio diz: Meu. o que me incentivava cada vez mais. pelos meus amigos eu matava e morria. -Mas você não tinha 17? -Não.. toma cuidado com ele. Chegou o dia do aniversário do Hugo. parece que seu pai havia dado de presente pra ele uma viagem pra Disney. usa aparelho no dente..... que não se pode comprar nem trocar. à tarde minha mãe me ligou e disse que meu pai estava bem e me mandou um 59 .. ele estava todo feliz pelo seu aniversario.. -O quê? -Hoje estou fazendo 17 anos. -Quem me dera. -Ta tirando? -Hahaha.. logo pela manhã liguei para ele desejando um ótimo dia. Eu sempre fui assim... quando eu cruzar com ele na rua vou quebrar a cara dele -Lucas diz: Você não vai encostar um dedo nele -CARAio diz: Quem é você? -Lucas diz: Eu sou amigo dele.. eu tinha 16. amizade era algo sagrado. o bom de tudo era que ele também mostrava sentir o mesmo por mim. pois não tem preço. esse moleque não vale nada.... -CARAio diz: Coitado... me senti na obrigação de defender meu amigo. -CARAio diz: É esse mesmo. a cada dia que passava eu me sentia mais atraído por ele... meu telefone não parou de tocar um minuto se quer. esse moleque não vale nada cara. -Mas nem precisava. -18 anos. Finalmente eu e o Adriano nos acertamos e nossa relação estava indo cada vez melhor... Maior de idade.. Chega o dia do meu aniversário. Assim que desliguei o telefone liguei pro Adriano e o avisei sobre o aniversario do Hugo. até sonho eu vinha tendo com ele.... -Valeu. Eu dizia que tinha 17 pra não assustar os outros. pois você tem cara de 15. estando certo ou errado.. PA-RA-BENS.. logo quando acordei recebi uma cesta de café da manhã da minha tia.Baixinho... Exclui e o bloqueei da na minha lista na mesma hora. eu não gostei do jeito que ele falou do meu amigo e comprei a briga. que ligou logo em seguida para parabenizá-lo. -Fala moleque....

-Lucas diz: Nossa... O que você está fazendo aí? -Driko diz: Estava teclando com o Hugo.... -Driko diz: Lucas não to a fim de brigar contigo. fiquei tão emocionado que comecei a chorar no telefone e ela percebeu. -Driko diz: 60 . desabafando uns problemas aí. Vamos mudar de assunto então. cobrei isso dele e sua reação não foi uma das melhores.. mas ele nem falou comigo. Nem lembrou do meu niver.. E o que vocês estavam falando? -Driko diz: Eu estava teclando com ele.. mas isso não impede de dar ao menos um parabéns pra pessoa que você diz gostar. -Driko diz: Ah. fiquei um bom tempo esperando ele me parabenizar....beijo... era muito bom saber que meu pai estava melhorando. -Lucas diz: Ah. mas estou com uns problemas aqui.. até pensei que havia acontecido algo.. -Driko diz: Desculpa Lucas. -Lucas diz: Ok. -Lucas diz: Ah. Parabéns! -Lucas diz: Valeu. Entrei na internet e o Adriano estava on-line. -Lucas diz: Mas eu acho que nada impede de você ao menos me dar um oi.... -Lucas diz: Tudo bem? -Driko diz: Não muito -Lucas diz: O que aconteceu? -Driko diz: To com uns problemas aqui em casa.... -Lucas diz: Não está esquecendo de nada? -Driko diz: De que? -Lucas diz: Meu niver. então resolvi perguntar o que havia acontecido.. Tudo bem que enfrentar problemas familiares não é fácil.

-Não vai me dar bom dia? -Bom dia. o Robson havia saído com o Gabriel e não voltaria pra casa naquela noite. estou um pouco triste. em um restaurante ou qualquer outro lugar. ficar esperando surgir um interesse da outra parte para poder namorar.. À noite acabei saindo com meus tios.. O que eu queria era comemorar mais um ano de vida com ele... Teve uma hora que eu parei pra pensar se valia a pena passar por isso. toda brincadeira tem um fundo de verdade.. ficar só no virtual não era comigo.. -Lucas diz: Calma o caralho. foi só uma brincadeira. Quer sair para comemorar meu niver comigo? -Driko diz: Melhor não. 61 . depois a tia Helena contou algumas historia do tempo em que ela e minha mãe eram jovens.. até imaginava aonde eles iriam.. pois pensava que todos ainda estavam dormindo. fui até a cozinha beber um copo de água. foi muito bom poder curtir aquele momento em paz... me olhando de cima a baixo.. -Lucas diz: Ok. mais uma vez ele deu preferência ao amigo do que a mim. marquei com um amigo meu de dar umas voltas de carro pra distrair um pouco.. fiquei até sem jeito.Ele até brincou comigo dizendo que se eu quisesse ele viria aqui me fazer um carinho. eu já disse que foi só uma brincadeira. No outro dia acordei tarde. -Driko diz: Vamos esquecer isso? -Lucas diz: Vou tentar. eu estava apenas de cueca. nos divertimos muito com as palhaçadas do meu tio. quando cheguei na cozinha dei de cara com o Gabriel que paralisou na minha frente. Terminamos a noite bêbados e rindo de tudo e todos. Ridículo é esse papel que vocês dois estão se prestando. Fomos jantar em uma churrascaria na Marginal Pinheiros. que palhaçada é essa? -Driko diz: Calma Lucas. -Que bom dia mais seco.. pare com isso.. só faltou o Robson e meus pais para ficar perfeito. -Driko diz: Lucas por favor. fiquei muito triste quando ele recusou meu convite para sair... -Lucas diz: Como assim ir até ai te fazer um carinho.. -Lucas diz: O que? -Driko diz: Mas foi na brincadeira. -Driko diz: Quer parar com essa cena de ciúme ridícula? -Lucas diz: Ridícula?..

mas nem me dei ao trabalho de puxar assunto. -Eu. enganando? -Você sim. -Driko diz: 62 . Como foi ontem? -Lucas diz: Fui comemorar com meus tios em uma churrascaria.. -Lucas diz: Então você trocou uma noite comigo por uma noite no autorama. comecei a abrir meus emails e havia vários me desejando felicidades pelo aniversário. Liguei o radio e entrei um pouco na internet... -Driko diz: Tudo bem? -Lucas diz: Tudo e com você? -Driko diz: Indo. comecei a responder um por um até ser chamado pelo Adriano.-O que você queria. passa lá em casa amanhã à noite pra conversarmos. deixa de fazer essa linha de bom menino. -Lucas diz: Oi. -Eu também... eu já tinha notado que ele estava on-line.. -Bobagem gatinho... -Eu não faço linha de nada. coloquei um pouco no copo e voltei pro meu quarto antes que eu me irritasse e acabasse quebrando a cara daquele palhaço.. -Lucas diz: Autorama? -Driko diz: É. -Deixa meu primo escutar isso.... eu sou o que sou... mas tome cuidado.... -Driko diz: Oi... -Vá pro inferno. eu iria adorar ter esse seu corpinho gostoso na minha cama. você pode se dar mal. Ambos de corpos nus depois de uma longa noite de amor e prazer. depois do fora que havia levado na noite anterior acabei ficando magoado.. E você o que fez ontem? -Driko diz: Meu amigo passou aqui em casa e fomos dar uma volta no autorama. -Ele está dormindo.... um beijo na boca? -E por que não? -Você não tem vergonha nessa sua cara deslavada? -Pare com isso Lucas. você deveria deixar de ser falso e agir como um homem de verdade. se aproveita que meu primo está cego de amores por você e abusa. Tomei a jarra de água de sua mão. Deveria estar dormindo abraçadinho com você. fiquei conversando com a tia do acarajé.. tomando vergonha nessa cara e parando de enganar os outros. -Era o que eu deveria estar fazendo agora.

. -Lucas diz: Ficar com o Hugo? -Driko diz: É. com certeza não. -Driko diz: Quer saber. como assim o Hugo havia pedido pra ficar com ele.. claro que antes de gostar dele eu tinha que gostar de mim e foi aí que começamos a discutir e altas revelações começaram a surgir: -Lucas diz: Então quer dizer que você poderia ir ao autorama. Qualquer lugar seria melhor que o autorama. -Lucas diz: Você ia ficar com o Hugo? -Driko diz: Não. -Driko diz: Eu não gostei do que você fez.. -Lucas diz: Você acabou de dizer que. queria você ao meu lado comemorando meu aniversário. -Lucas diz: Muito menos eu. C@pítulo 14 Saber que o Adriano não quis comemorar meu aniversario comigo. meu melhor amigo me traindo? Demorei a acreditar. que fui a vitima. me senti um lixo na hora que ele falou onde havia ido.. mas também uma falta de respeito comigo. sabe lá o que ele fez naquele lugar enquanto eu ficava pensando nele. queria ver se fosse eu que estivesse em seu lugar se ele agiria diferente. o palhaço nessa historia toda foi eu.. todo mundo que passava por lá tinha uma segunda intenção. mas eu não fiquei.. mas sair comigo não... pra você largar a mão de ser besta. Eu deveria ter ficado com o Hugo quando ele pediu.Nada ver Lucas. olhei-me no espelho e passei a questionar o amor que ele dizia sentir por mim e o amor que eu tinha por mim mesmo. Naquela hora eu queria que o chão se abrisse e eu caísse não buraco sem fim. o Hugo não faria isso comigo. pelo que meu primo me disse uma vez o autorama é um motel em céu aberto. -Lucas diz: Briguei porque gosto de você. você começou brigando comigo. Que mundo nós estamos? Ao ler aquilo eu quase caí da janela. o Adriano deveria estar inventando isso 63 ... -Driko diz: Eu disse que ele pediu pra ficar comigo.. não era só uma falta de interesse. mas depois foi ao autorama com os amigos me deixou muito mal. -Driko diz: Ah..

aquela natureza misturada com luxuosos prédios de fundo davam um contraste da hora. -O que você fez. depois do banho me olhei no espelho tive vontade de bater com a cabeça na parede. sentei no chão do box e deixei a água cair sobre minha cabeça. alguns fazendo exercício por vaidade e outros por necessidade. deu? -Sim. andei por cerca de uma hora e meia e depois me sentei na grama pra descansar um pouco. passei um perfume suave.. Hugo? -O Adriano me convidou pra ir ficar com ele no autorama e eu aceitei. era uma decepção atrás da outra. -Você fez o quê? Pronto. senhoras levando seus cães para passearem.pra me deixar com raiva. 64 . No outro dia levantei cedo e fui tomar um banho gelado. pra mim o tempo deixou de passar. então peguei o telefone e liguei pro Hugo pra tirar essa história a limpo: -Hugo. deitei na minha cama e comecei a chorar. até que ponto o ser humano é capaz de chegar. eu sentia falta de áreas verdes desde que vim pra São Paulo. maldita como o Hugo. ao menos que você tenha dado motivos pra isso. cada um com seu objetivo. mas sim ciúme explícito. coloquei meus óculos.. cretina. é muito bom caminhar ou andar de bicicleta dentro de um parque enorme que fica concentrado dentro de uma cidade que é puro concreto. saí pelas ruas pedalando até o Parque do Ibirapuera que ficava próximo de casa. rapazes bonitos e malhados que iam fazer caminhada antes de irem pra faculdade ou trabalhar. Desliguei o computador e o telefone. será que nem nos amigos mais a gente pode confiar? A que ponto um ser humano é capaz de chegar.. me achei um imbecil. falsa. na verdade não era proteção de amigo. A medida em que o tempo passava comecei a reparar um pouco nas pessoas que ali passavam. -Oi Lucas. Eu gostaria de entender o que se passa na cabeça de uma pessoa dessas. Com os olhos inchados de tanto chorar lavei bem meu rosto. era inacreditável que alguém pudesse trocar uma amizade tão bonita como a nossa por uma noite de sexo. idiota em acreditar que existisse amigos verdadeiros e alguém que eu pudesse amar confiando cegamente. desci até a garagem e peguei minha bicicleta. no Sul eu tinha bastante e acabei me acostumando com o verde. será que uma noite de sexo vale mais que uma amizade forte como a nossa? Será que pessoas como o Hugo sabem o quanto é preciosa uma amizade e o tamanho de seu valor? Foram perguntas como essas que pensei a noite toda e que não me deixaram dormir. quando tudo parecia ir bem algo tinha que aparecer pra estragar tudo. você está bravo comigo? -Eu não. ao mesmo tempo eu fiquei pensando em como eu pude confiar em uma pessoa tão baixa. Com o travesseiro tampando meu rosto eu comecei e relembrar todos os momentos desde o começo e ai que eu comecei a entender aquele carnaval que o Hugo fez na balada quando falei que vi o Adriano beijando outro. Saí do banho decidido a mandar tudo pro inferno e seguir minha vida me dedicando somente ao meu futuro. Abri a porta do meu guarda-roupa. um palhaço. peguei uma roupa leve..

só o que me deixou curioso foi o valor que havia vindo na fatura do cartão. com direito a hotel 5 estrelas é claro. pelo menos era o que eu havia ouvido comentarem. -Oi tia. -Não fique tia. que automaticamente me fez ligar ao Gabriel. Por um lado minha tia tinha razão. claro que já me veio em mente algum problema envolvendo o Robson. comprei uma passagem de avião pra ele ir visitar seus pais no Rio de Janeiro. na verdade foram duas passagens. “Hoje resolvi fazer uma surpresa para o meu namorado. deixei a bicicleta no suporte para bicicletas no estacionamento do prédio e subi pelo elevador de serviço mesmo. meu amor merece tudo e mais um pouco.. e se ele foi com uma garota pra um motel. -Obrigada Lucas..” Mas que estranho. ele não é disso. ele apagou os nomes e só deixou o valor total. resolvi averiguar os fatos buscando informações com um amigo dele.. 65 . não vai mais ficar te contando tudo o que ele faz. eu conheço o Robson. entrei na internet e comecei a acessar o blog dele para tentar descobrir alguma coisa. pode ter certeza que bobagens ele não está fazendo. Eu estou desconfiada que ele esteja envolvido com drogas. o Robson cresceu. -Mas na fatura do cartão não está escrito onde ele gastou? -Não. tive a certeza quando a tia Helena me mostrou a fatura do cartão de credito do Robson.. -Tia. o Robson estava se envolvendo com drogas. -Nossa Lucas. -Então o que será? -Vai ver ele gastou com roupas.. no que será que o Robson gastaria tanto dinheiro assim? Corri para meu quarto e liguei o computador. que ultrapassava 3 mil. -Mas ele teria me contado. -O que houve tia Helena? -Estou preocupada com seu primo.. você é um garoto muito especial.Voltei pra casa mais aliviado. -Será que é isso? -Claro tia. viagem. logo no primeiro Post achei a informação que eu queria. Lucas... -Lucas meu filho. eu estava muito preocupada. -Estou muito preocupada... -O que aconteceu com o Robson? -Ele gastou mais de 3 mil e não me disse em quê. Pra mim essa história estava muito mal contada. a moça que se casar com você terá muita sorte. Quando abri a porta da sala me deparei com a tia Helena que parecia estar muito preocupada. esqueça isso e pare de pensar bobagens. -Não se preocupe tia. agora ele é um homem. pois ele queria levar seu irmão junto. essa droga se chamava “Gabriel” e disso eu tinha certeza. eu pensava que o Gabriel era filho único e sua família fosse de Minas Gerais.

Passei um número de telefone qualquer e desliguei.. mas nem tanto. mas deixei pra lá. será que acreditar na sinceridade do 66 . se foi ele mesmo quem escolheu seu destino quem era eu pra dizer a ele que o Gabriel não era a pessoa certa. colocava o som bem alto e tentava encontrar alguma brecha e descobrir onde eu havia errado. na mesma hora peguei meu celular e liguei pra ele como quem não queria nada. então resolvi ligar pra você me apresentando. mas pra isso o Gabriel tem que ir junto pra nos apresentar.. é que o Gabriel me passou seu telefone.... melhor amigo do Gabriel.. -Ele pediu pra não contar. pensei que seria um pouco mais trabalhoso descobrir a verdade. por favor não comente com ninguém.. -Agora eu preciso ir.. -Olá Henrique... -Com certeza. A gente poderia marcar um encontro e se conhecer. -É. já não bastavam meus problemas ainda tinha os do Robson que de certa forma eram meus também. o que acha? -Ótima idéia... Foi com o. -Por quê? -Porque ele viajou em lua de mel. -Bobos somos nós que ficamos aqui. -Então vai demorar.. foi só jogar um xaveco bobo e aquele idiota caiu.. -Pode deixar.. -Sou eu. o Robson merecia passar por isso. foi com o Edson. -Fez muito bem.. Como é o nome dele mesmo? -O Edson? -Isso.. faz bem ele. Não entendo o por que eu ainda insistia em me preocupar com o Robson se o Gabriel não valia nada. ele nem me falou nada. não me disse quando voltava. -Quem é? -Aqui é o Mário.. desculpa estar ligando pra você assim. Às vezes.Fucei na agenda do Robson e encontrei o telefone do Henrique. depois eu ligo pra você. -Alô. quem fala? -Você quer falar com quem? -Com o Henrique.. disse que ia nos apresentar mas deve ter esquecido. no trânsito a caminho da faculdade eu refletia sobre toda minha vida e as pessoas ao meu redor. -Em lua de mel? Caramba. C@pítulo 15 Tudo na minha vida estava acontecendo de uma vez só. Até pensei em ir avisar meu primo sobre a lua de mel que seu namorado iria passar com outro as custas dele. Foram passar um tempo no Rio de Janeiro.. já que por várias e várias vezes eu tentei alertar sobre o caráter do Gabriel e ele se recusou a me ouvir. Com o. ok? -Passe seu telefone pra mim? -Anote aí...

eu te avisei e você debochou de mim. -Eu sei que eu errei.. e como um cordeiro caiu na toca do lobo. confesso também que fiquei decepcionado com sua inocência.. já que até ontem você dizia me amar e hoje você se desculpa por ter caído no jogo de sedução de um garoto de 16 anos.. e muito menos ficar te ouvindo. o Hugo me ligou insistentemente. que ele me odiava. não consegui aceitar e muito menos perdoar.... desejo a vocês dois um mar de felicidades. -Eu não tenho o que desculpar.. ok? 67 . não sei por qual motivo ele começou a dizer aquelas coisas. eu não conseguia compreender... -Deixa-me falar. eu fiquei muito bravo e disse que se ele me achava tudo aquilo mesmo eu poderia provar que não era um galinha. depois teve aquela brincadeira de vocês falando um pro outro que iriam transar.. -Pense como você quiser. era um sentimento horrível que parou no meu peito e não saia. amor. tudo bem. sem contar na angustia que se instalou de uma tal maneira que eu não conseguia mais sorrir.. -Chega... você mais uma vez disse que eu estava vendo coisas que não existiam. já fazia algum tempo que eu vinha reparando esse desejo do Hugo por você. você permitiu que eu me apaixonasse por ele. -Lucas? -Sim. sem pensar duas vezes ele disse que se eu fosse buscá-lo em casa ele iria.. não prestava.. se você optou pelo Hugo vai fundo. -Alô. Sem que você percebesse o Hugo estava seduzindo você... se você hoje se diz apaixonado por ele.. -Eu também não. mas cada um sabe o que faz de sua vida. por favor. esperava um pouco de maturidade sua.. o que você quer Adriano? -Eu queria conversar com você. quando eu atendi o celular ele começou a falar que eu era um galinha.. -Primeiramente eu quero te pedir desculpas. não preciso saber de detalhes. pior ainda eu fiquei por saber que meu melhor amigo jogou nossa amizade no lixo. -Mas a culpa foi sua Lucas. Eu sabia que cedo ou tarde isso ia acontecer.. foi aí que ele perguntou como e eu disse pra ele ir até lá ficar comigo.. eu notei uma segunda intenção dele. não foi eu quem pediu pra ficar com o Hugo.. -Bom. disse que eu estava vendo maldade onde não existia.ser humano era errado? Será que algum dia eu iria encontrar alguém verdadeiro o suficiente pra me fazer feliz? Saber que o Adriano me trocou pelo meu melhor amigo me deixou mal.. -Me escute.. -Deixa-me concluir meu pensamento. -Diga. passei uma noite inteira em claro chorando. -Ok. -Seja breve e objetivo. -Depois que eu e você brigamos.

.. enquanto o da felicidade continha obstáculos que você preferiu ignorar. -Mentira. se jogou pra cima do cara que eu estava afim na intenção de transar com ele.. deitado na minha cama comecei a chorar muito. um de lágrimas e outro de felicidade. pois ninguém consegue viver com uma máscara o tempo inteiro... -Adriano. pois o Hugo era baixinho. talvez o que tenha atraído o Adriano foi seu físico. hoje eu tenho que confessar que ele tinha razão. se o Hugo pelo menos fosse bonito até entenderia. você deve. -Por favor. -Mas o Adriano me disse que vocês não estavam mais juntos e. Desliguei o telefone e fui dormir.. uma amizade ou uma noite de sexo? -Lucas eu não tive culpa. Boa noite pra você! Desliguei o telefone com um ódio gigantesco.. mas beleza ele não tinha.. você simplesmente seria um corpo opaco preenchendo sua cama. Se agora eu te disser que o Hugo não presta você não vai acreditar em mim. agora eu te pergunto. Saiba que ele me ama. e são os que mais sofrem. não sei o que eu faço. você escolheu o de lágrimas porque estava enfeitado com fantasias.. No meio de toda essa confusão eu ainda não havia escutado a versão do Hugo. eu acho que vou quebrar sua cara. tivemos apenas uma briga boba.Rouge. embora tivesse acabado de completar 17 anos.. um pouco mais aliviado por ter desabafado e dito quase tudo que estava engasgado na minha garganta. -Lucas eu não tive culpa de nada. me perdoe Lucas? -Perdoar? O dia em que eu cruzar com você. nenhum dos dois teve culpa e pronto. deixarei uma marca minha pra nunca mais se esquecer.. o que vale mais. você jogou nossa amizade no lixo como um objeto descartável. -É sempre assim. -Não existem inocentes nessa história. pois você está optando pelo seu triste destino. ele ainda vai te fazer sofrer e um dia eu vou te ver me dando razão e pedindo perdão. pra mim era incompreensível ser trocado pelo seu melhor amigo. era meu perfume que ele sentiria e minha pele que ele tocaria. liguei o rádio e começou a tocar Um anjo veio me falar.. um dia você vai ver quem é o Hugo de verdade.. -Hugo? -Oi Lucas. um dia uma pessoa me disse que o Hugo não valia nada e eu duvidei. como uma puta satisfazendo o desejo de um homem. na mesma hora peguei o telefone e liguei pra ele.... A vida lhe deu dois caminhos. não aparentava ter mais de 14 anos. não veio me perguntar se era verdade ou não. enquanto vocês estivessem transando seria em mim que ele estaria pensando. Ou melhor. se aproveitou de um momento frágil entre nosso relacionamento para satisfazer um desejo sexual seu. nosso envolvimento foi recente. mas já será tarde demais. você nem esperou um parecer meu. existem muitos caras como o Adriano que preferem ficar com meninos meio criança.. tá certo que fui 68 . o que me deixou pior ainda eram nossas diferenças. boa noite.. Mesmo que isso fosse verdade. mas a verdade sempre aparece.-Eu estou confuso. era meu nome que ele chamaria. -Eu devo.

porém meus pensamentos estavam longe dali. eu estou apaixonado por outra pessoa. -Não começa com essa historia estúpida de intenções. arrebentar aquela carinha de anjinho que ele tinha. nunca gostei de violência. me da outra chance. ele também está afim de mim e nós estamos ficando. -Por favor. eu não quero perder sua amizade que é muito importante pra mim. também queria acabar com ele. porém era uma mistura de ira com pena. enquanto isso meus pensamentos iam longe. -Você me desculpa? -Não. comovente.. esclarecer.. sua justificativa é muito bonitinha. Embora fôssemos parecidos. -Mas que inferno. de tão atordoado que eu havia ficado já nem lembrava mais do filme... de tão profundo que estava em meu subconsciente. joguei as almofadas que eu estava abraçado no outro sofá e corri para atender ao telefone. eu nunca usei do meu poder de sedução para conseguir o que queria. C@pítulo 16 Não tinha uma pessoa que não conhecesse o Hugo e não se encantasse com seu jeitinho maroto. mas “se um dia eu chorei não foi porque perdi. por mais arrependido que ele estivesse eu estava pouco me importando. -Você outra vez. esqueça que eu existo.. eu quero te apresentar o Igor.. -Lucas.. Ta bom. confesso que até eu caí em sua armadilha de bom menino... Lucas. Hugo? -Desculpa. vá pro Diabo que te carregue. levantei do sofá.. tive que paralisar o filme na melhor parte. -Alô? -Lucas. eu não tive a intenção... O filme acabou e eu nem percebi. tirei o DVD e guardei na caixa. será que você ainda não percebeu que eu não quero nunca mais ouvir sua voz? -Pelo amor de Deus Lucas. -Obrigado pela consideração Hugo. mas sim porque amei”. E agora eu te peço pela última vez que nunca mais me procure.. Ao mesmo tempo em que eu queria perdoar o Hugo. -Humpft. diferente do Hugo que se aproveitava de sua sensualidade para tirar muitas vantagens na vida. Estava na sala assistindo um DVD quando escutei meu celular tocando lá no quarto. Desliguei o telefone puto da vida e ao mesmo tempo indignado com a cara de pau do Hugo.... mas eu acho que a gente precisa conversar.. não tem nada haver com o Driko. mas na hora da raiva a gente fala qualquer coisa. peguei as almofadas e deitei no sofá para continuar vendo o DVD de onde eu havia parado. dei o play e deixei o filme passar. não sei se teria coragem de bater nele se o encontrasse. eu queria que ele e o Adriano fossem pro quinto dos infernos e me deixassem em paz. Voltei pra sala. mas não me convenceu.. só esperando a hora certa para dar o bote. desliguei a TV e fui pro meu 69 . pois o anjo sem asa que ele aparentava ser na verdade era um lobo faminto.dormir chorando de nervoso e muita raiva.

ele não tem culpa sozinho...quarto me distrair um pouco na internet. E você com o driko? -Lucas diz: Não existe mais Lucas e Driko... -Juninho diz: oi Lú... tudo bem? -Juninho diz: sim.. Tranquei a porta que já era pra ninguém me incomodar.. porque o Driko nunca foi meu.. -Lucas diz: Sério? Que maravilha. casais jovenzinhos assim eu acho tão fofo. logo quando eu me conectei o Junior veio falar comigo. 14. -Lucas diz: Qual a idade dele? -Juninho diz: a mesma que a minha.. -Juninho diz: o Hugo roubou o driko de você? -Lucas diz: Roubar não. fazendo com que o Adriano ficasse confuso e achasse que estava apaixonado por ele. todo feliz porque estava namorando um garoto da sua idade... -Juninho diz: Lú se você quiser eu do um pau nele pra você -Lucas diz: Nada disso.. -Juninho diz: héée. tenho uma novidade -Lucas diz: Qual? -Juninho diz: to namorando. e ele é lindo -Lucas diz: Parabéns meu anjo... -Juninho diz: Por que? -Lucas diz: Seu amigo Hugo jogou um xaveco nele e eu fui jogado pra escanteio. se rolou alguma coisa os dois têm culpa nessa história.. -Juninho diz: é. mas interferiu em nosso início de relacionamento.. -Juninho diz: Obrigado. -Lucas diz: Que gracinha.. 70 . -Lucas diz: Olá Jr. ambos tinham 14 anos...

ela tinha 17 anos. enquanto isso eu observava as pessoas que ali estavam também para assistir o filme.-Juninho diz: como esse Hugo é filho da puta -Lucas diz: Rsrsrs. pura mentira. Nos tempos de hoje as pessoas estão se descobrindo muito cedo. Ao chegar no shopping fiquei quinze minutos esperando pra estacionar no subsolo. mas a pressa em ser adulto quando se entra na adolescência é tanta que se perde a melhor parte da vida que é a infância. Ainda faltavam mais de trinta minutos para começar o filme. O filme acabou já passava 71 . eu estava lhe dando com seres humanos. Pode ser um pensamento careta meu. Ambientes fechados me causavam um pouco de falta de ar. enquanto isso eu liguei o rádio do carro e fiquei me distraindo com as músicas. depois subi até o cinema e comprei um ingresso para ver um lançamento. de vidros fechados e portas travadas eu me tranquei naquele mudo só meu. o importante é que você agora esta feliz com seu namoradinho. Minha primeira namorada eu tive aos 16 anos e foi minha primeira transa também. -Juninho diz: sim. o que ele não compra é amor. sendo de sua idade era melhor ainda.. pois acabam se tornando pais e mães muito jovens. sendo assim são inevitáveis. Vamos deixar isso pra lá.. iniciam a vida sexual antes de completarem 16 anos e alguns até já são pais aos 18 anos. não gostava de ficar por muito tempo dentro da sala de cinema. por isso eu só ia assistir filmes com menos de duas horas de duração. pois os dois iam se descobrir juntos e isso é de extrema importância tanto pra um quanto pro outro. me perguntava o por que eu não poderia ser feliz igual eles? Será que algum dia encontraria um amor assim? Até aquele momento eu só havia sofrido decepções. já tendo certeza de sua sexualidade antes de completar seus 15 anos. mesmo assim era possível ouvir aquela falação de ansiedade pra ver logo o tão esperado filme... ao me aproximar do vidro eu podia ver meu rosto abatido sendo refletido e de fundo uma pilha de perfumes importados. a falta de responsabilidade de alguns faz também perder a adolescência. muito!!! É tão bonitinho ver um casal tão novinho namorando. suspirava ao ver aqueles casais passando por mim de mãos dadas e felizes. Passando pela praça de alimentação não resisti e parei pra tomar um Milkshake de Ovomaltine que eu adorava. dinheiro traz sim felicidade. Caminhando pelos corredores do shopping eu olhava aquelas vitrines enfeitadas com ânsia de comprar. ficamos juntos por 8 meses e depois nos separamos porque ela queria casar e eu era muito novo pra isso. dizem que dinheiro não traz felicidade. Dentro da sala havia muitas pessoas... C@pítulo 17 Peguei meu carro e fui até o shopping comprar alguma coisa pra me distrair. o sistema de isolamento de som dava uma amenizada no barulho. enquanto não começava eu fiquei na área vip terminando de tomar meu Milkshake. fiquei hiper feliz por ele ter encontrado o amor que ele tanto procurava.

No outro dia acordei bem cedinho e fui para a academia. tranquei para não correr o risco de encontrar o Gabriel aprontando alguma das suas.. depois voltei pra casa pra almoçar com todos a mesa. Cheguei em casa por volta de 00h.. -Você quer parar de me esconder as coisas e me contar o que é isso? -Deixa pra lá Ro.. -Não é nada não. te deixar preocupado? Nunca amor. a luz da sala já estava apagada. revoltado com a palhaçada que havia acabado de escutar.. Na certa era uma chupada do outro carinha com o qual ele viajou... os bandidos me bateram. Claro! Eu tive vontade de entrar naquele quarto e jogar o Robson pela janela. ao menos que ele queira.. -Não. então vem me dar um abraço? -Hum. -Eu sei. indignado com a inocência de certas pessoas. me aproximando mais da porta foi possível identificar a voz enjoada do Gabriel: -Olha o que eu trouxe do Rio pra você. coloquei a chave na mesinha ao lado do sofá e segui para meu quarto.. Abri a porta do meu quarto bem devagar. fiquei cheio de marcas pelo corpo. Você fez Boletim de Ocorrência? -Eu fiquei tão desesperado que nem pensei nisso.. -Como assim me preocupar? -Humpft. o silêncio da noite foi quebrado pelo barulho da chave na porta. Eu fui assaltado na praia quando andava pelo calçadão à noite.. -Por que você não me ligou? -Pra quê. Tranquei a porta..das 23h. amor.. meu papel é ficar do seu lado sempre. segui até o estacionamento pra pegar o carro e fui embora.. mas o Robson não era burro e ia acabar descobrindo a verdade finalmente.. Ao entrar na sala o almoço já 72 . vamos esquecer isso? -Tudo bem. -Eu sou seu namorado. como uma pessoa pode ser tão ingênua a ponto de acreditar em uma mentira tão imbecil e sem nexo como essa? Seria amor de mais? Não acredito que alguém quando ama fica totalmente cega. foi horrível. Você vai falar o que é isso se não o bicho vai pegar... o que dava a entender que não havia ninguém em casa ou estavam dormindo... tirei toda minha roupa e deitei na cama. -Obrigado. tentaram me enforcar... -Tudo bem.... caminhando pelo corredor dos quartos escutei algumas vozes que vinham do quarto do Robson.. não havia passado a noite muito bem pensando naquela palhaçada que havia escutado. o Gabriel era tão burro que nem se atentou ao detalhes e foi ver meu primo cheio de marcas de chupada no pescoço. Que marca é essa no seu pescoço? -Qual marca? -Essa vermelha aí. Passei a manhã inteira malhando.... você tem que confiar em mim. -Credo. Eu não te contei antes porque não queria te preocupar. o shopping já havia fechado..

embora na minha vida tivesse ocorrido uma enorme mudança eu preferia continuar com a tranqüilidade de antes... ele estava me contando o sofrimento. -Faz bem. -Olha aqui Robson.estava sendo servido. pai. -Boa tarde. com licença.. onde tudo era previsível e decepções amorosas quase nem sofria.. viajou pro Rio e foi assaltado. Coitado.. corri até meu quarto. falar nesse assunto iria me deixar revoltado e antes que eu cometesse uma besteira preferi me retirar da mesa. garotão. fazia algum tempinho que eu não ia... Que absurdo... liguei o computador e entrei na internet pra me distrair um pouco. quase morreu nas mãos dos bandidos. hein. -Juninho diz: Oi Lú  -Lucas diz: Olá Jr. O final do ano estava chegando. -Pois é. Exercício é ótimo pro corpo e pra saúde.. perdi a fome. -Onde você foi? -Fui na academia.. to triste.. Pega pra mim um pouco de purê. Entrei no meu quarto. -Meu Deus. -Lucas diz: Mas por que? -Juninho diz: por que o Igor quer um tempo -Lucas diz: 73 . -Boa tarde Lucas! -Estou com uma fome. Robson? -Como a senhora sabe? -Escutei vozes. -Gente.... -Era o Gabriel. logo quando me conectei o Junior veio me procurar querendo desabafar. -Mas você e esse garoto não se desgrudam mais.. tirei o tênis e entrei embaixo do chuveiro de roupa e tudo. tia? -Claro. -Ele é meu amigo..... Quem estava com você essa noite no seu quarto..... deixei a mochila no canto da cama e voltei pra sala. Tudo bem? -Juninho diz: Não -Lucas diz: O que houve? -Juninho diz: Ah Lú.. pois estava muito calor. Eu era uma pessoa só pra ficar ouvindo tanta lorota de uma vez. -É isso aí tio. você que não invente de ir pra lá sem me avisar. eu precisava de um banho gelado pra tirar o cansaço e me acalmar das lorotas que fui obrigado a ouvir. Ao sair do banho apenas enrolei a toalha em volta da cintura..

. não leve a sério. pois aquele garoto não media esforços para conseguir o que queria. -Lucas diz: Eu não entendo o que se passa pela cabeça desse garoto. Eu até tinha esperanças de estar enganado..... -Juninho diz: boato nada...... ele quer roubar meu amor de mim. mas se tratando do Hugo tudo era possível. o Igor e o Hugo são amigos.. -Lucas diz: O que você está pensando em fazer? 74 .... acho que acabei fazendo besteira contando ao Junior o que eu desconfiava.. mas Igor é o mesmo nome do garoto que o Hugo disse estar ficando...Igor? -Juninho diz: sim.. Nada não.. eu vou ter uma conversinha com ele agora...... -Juninho diz: Peraí.. o que aconteceu? -Lucas diz: Pode ser que eu esteja enganado.. -Juninho diz: Isso não vai ficar assim não... -Juninho diz: Não.. esse Hugo é um filho da puta mesmo.. -Juninho diz: Luuuuuuuuuuuuuuuuuuuu -Lucas diz: Eu. até quando ele vai ficar interferindo na vida das pessoas assim? -Juninho diz:  -Lucas diz: O pior de tudo é que ele acaba seduzindo as pessoas. -Lucas diz: Não creio. -Lucas diz: Deve ser boato.. destruindo a vida dos outros e depois que ele consegue separar ele larga.. -Juninho diz: Fala Lú.. -Juninho diz: É o meu Igor que o Hugo ta ficando. por que o espanto? -Lucas diz: Não.. C@pítulo 18 Eu não tinha certeza se era o mesmo Igor que o Hugo havia comentado comigo.

eu que não vou dar meu namorado de mão beijada pra ele não. Lucas. -Triste? Aconteceu alguma coisa? -Que eu saiba não. mas depois eu percebi que não valia a pena. o Igor não vai querer namorar um banguela. aluguei uns DVDs e pedi uma pizza por telefone. rostinho bonitinho. pele lisinha. pura maldade... Às vezes eu parava pra pensar e tentava imaginar como seria o Hugo e o Gabriel quando ficassem velhos. -Que alívio. ele só seduzia os garotos até vê-los separados e depois caia fora. mas e quando começarem a aparecer as rugas? Será que alguém teria coragem de viver ao lado de uma pessoa com fama de destruidor de lares? Não entendo qual a graça de tirar o namorado dos outros e depois jogar fora. -E como ela está? -Disse que está bem.. A reação do Junior foi a mesma que a minha ao saber que ele havia seduzido o Adriano. todo mundo cai matando. -Tia Helena. -Oi Lucas! -Falei com minha mãe.. com a maior cara de pau ainda disse que estava ficando com o Igor e não abria mão. Eu não entendia o que levava o Hugo a ficar destruindo o relacionamento dos outros.... como está? -Está bem.. pois agora que eles são novos. Dois meses se passaram. vou bater nele por mim e por você.. Nos momentos de raiva eu também pensei em quebrar aquela carinha de santo que ele tem. eu vou quebrar os dentes do Hugo. -Juninho diz: Deixa comigo Lú. mas antes que ele escolha. o Robson viajou com o Gabriel para Porto Seguro e eu acabei passando em casa sozinho. falei com ele e me pareceu estar bem melhor. mas eu a achei um pouco triste.-Juninho diz: ele disse que do meu Igor ele não abre mão. não sei por que a felicidade de uns incomoda tanto outras pessoas. matei um pouco da saudade que eu estava deles e prometi ir visitálos assim que meus tios voltassem de viagem. fiquei acordado vendo os fogos pela janela do apartamento... -Juninho diz: sim. 75 . -Lucas diz: Huahuahuahua.. falei com meus pais por quase uma hora ao telefone. -E seu pai. mas nem isso o intimidou.. chegou até a ameaçar o Hugo.. -Lucas diz: Você tem que deixar seu namorado escolher com quem ele quer ficar. depois fui dormir abraçado com o travesseiro.. assim como eu o Junior ficou muito bravo. a tia Helena e tio César passaram as festas de fim de ano na Europa curtindo uma segunda lua de mel.. eu acho que é a reação de todo mundo quando é pego de surpresa.... Assim que meus tios voltaram de viagem conversei com eles que na mesma hora concordaram e me deram dinheiro para ir visitar meus pais no Rio de Janeiro..

né? Estava na hora mesmo de você ir visitá-los. -Ah. -Vou nessa. -Não precisa tia. a senhora se importa? -Mas é claro que não. -Bom. envolvido nos meus pensamentos que foram interrompidos por uma voz: -O senhor está passando bem? -Como? -Perguntei se o senhor está passando bem. respirei aliviado ao deixar meus problemas em São Paulo. parecia um modelo. guarde esse dinheiro. -Obrigado tia! -De nada. Agora trate de ir fazer suas malas.-Eu queria te pedir um favor. cabelos lisos e aloirados com uma franja levemente caída na testa. Encostei minha cabeça na janela e fiquei olhando o mundo lá embaixo. ao decolar notei que havia várias poltronas vazias.. obrigado.. vou fazer um cheque. aquilo na cama deveria bater um bolão. Olhando pela janela eu enxergava minha vida ao horizonte. era real mesmo. ansioso para ver meu pai e minha mãe. aqui está o menu. um monumento vestido de comissário. -Digo sim.. minha vontade era de dar um beijo naquela boca bem desenhada.. Com esse dinheiro da pra você comprar as passagens de avião e se manter por lá por uns 15 dias. o corredor do avião parecia uma passarela de moda. parecia até filme de terror. mas aos poucos fui me acostumando. alto. Estou bem sim. -O senhor quer uma bebida? Até parecia provocação.. confesso que no início fiquei com medo de viajar com poucas pessoas. Fui imediatamente para meu quarto arrumar minhas coisas.. Tudo bem... sentei bem na janela. -Qual você me recomenda? 76 . Quando você pretende ir? -Não sei. o quanto antes. onde o modelo era o comissário delicioso... eu tenho dinheiro. -Eu aceito! -Pode escolher. -Está aqui. Era a primeira vez que eu andava de avião. quem sabe você precise mais tarde? -Humpft... -Lucas. juntei tudo que iria precisar dentro de uma mala média que a tia Helena me emprestou e no mesmo dia embarquei para o Rio. Era uma visão? Não. cara de homem. até perdi o equilíbrio ao vê-lo parado ali na minha frente me olhando com aquele par de olhos verdes... finalmente eu iria ter um pouco da paz que eu tanto precisava... tia. Preenchendo o cheque ela ia falando: -Diga pra sua mãe me ligar que estou com saudade. -Qual? -Eu quero ir visitar meus pais no Rio.

mas fiquei surpreso quando ele me pegou pelo braço.. já ansioso e impaciente me levantei e fui até lá. era tudo que uma pessoa gostaria de ter na vida e na cama. ok? -Obrigado. Eu vou querer esse drink aqui.. Tive que me controlar pra não agarrá-lo. fale baixo. será um segredo só nosso. -Eu notei como você estava me olhando.. mas estou trabalhando agora. ao se virar acabou levando um susto: -Senhor. não é permitido permanecer aqui.. não contarei a ninguém. volte para o seu lugar... ele chupava minha língua simulando um sexo oral. claro que além de mim existem muito mais pessoas que tem fantasias com homem uniformizado. aquele modelo disfarçado de comissário era melhor do que eu pensava. -Diz que você não quer? -Eu.. pra falar a verdade deve ser tudo de bom ir tirando aquela farda pouco a pouco com os dentes. A cada palavra dele eu dava um passo à frente.-Depende de gosto. 77 .. -Você venceu. na mesma hora ele interrompeu: -Lucas. Fiquei ali sentado pensando besteiras enquanto ele foi até a cozinha buscar minha bebida... Sem ao menos respirar comecei a tirar sua camisa ali mesmo. meu Deus.. -Estava ficando e vai continuar. -Obrigado nada. senhor. além de gostoso ele era hiper educado. eu posso ser demitido. me prendeu na parede e começou a me beijar loucamente. -Tudo bem. -Você.. -Tudo bem. com aquela camisa branca e gravatinha preta ele ficava um tesão. não. chegando cada vez mais perto. quando entrei naquela cozinha apertadinha ele estava de costas para mim. você vai me dar um beijo ou eu vou ter que roubar? -Ai meu Deus. -Psiu. tomara que eu não me arrependa depois. mas que beijo gostoso. até me arrepio só de pensar. Eu.. vou buscar para o senhor. -Até quando você vai me chamar de “senhor”? -Mas. você é um gato. -Pode me chamar só de Lucas. Eu tinha certeza que ele estava a fim de me beijar. -Por favor... Tem as mais alcoólicas. o jeito que ele chupava minha língua instigava para que o clima esquentasse descontroladamente. se chegar aos ouvidos de alguém isso. Lucas.... -Por que não? -Pode chegar alguma comissária aqui e aí estarei ferrado. Hum.. Sei que está louco pra me beijar assim como eu. -Obrigado. por favor volte para o seu lugar. sem álcool. -Hum. minha imaginação teve uma pane de tantas coisas que eu pensava fazer ao mesmo tempo com aquele pedaço de mal caminho.. com pouco álcool. -Mas estava ficando tão bom.. perdi o fôlego e todo o juízo..

Ele pegou pelo meu braço e me arrastou até um toalete que havia na cozinha, com muita cautela ele fechou a porta, olhou pra mim com aqueles olhos verdes e graúdos dizendo: -A partir desse momento, realize comigo as suas fantasias, que a minha vou realizar agora. Começamos a nos beijar descontroladamente, em pouco tempo sua cueca já estava em minhas mãos que por sinal fazia parte do uniforme também. Enquanto eu tirava minha calça ele me olhava com um olhar "animal", de caçador, o que me deixava com mais tesão ainda, com o nível de testosterona transbordando tirei minha camiseta, ele suspirou e tocou em meu tórax passando sua língua nos lábios, como eu não costumava usar cueca ao abrir o botão da calça fiquei praticamente pelado, em uma sede incontrolável ele começou a chupar meu mamilo, passando sua língua safada de um lado para o outro, às vezes dava umas mordidas que me faziam gemer, depois ele foi descendo cada vez mais, suas chupadas eram ótimas, principalmente quando ele dava uma mordidela de leve, não teve como segurar os gemidos quando ele começou a chupar minha virilha, não dava pra segurar, ele sabia como deixar um cara com o tesão no limite, sexualmente ele era ótimo, foi o melhor sexo oral que já recebi até então, o toque de suas mãos instigavam meu prazer, as carícias e às vezes até uns beliscões, será que no curso para comissário ensinam? Eu já estava quase gozando e não fazia nem cinco minutos que estávamos ali dentro, fechei meus olhos de maneira a guardar o momento pra mim, o clima só esquentava e quando chegamos no auge do orgasmo fomos interrompidos por alguém batendo na porta. -Com licença... Tem alguém ai? C@pítulo 19 Assustado eu comecei a entrar em pânico, se alguém nos pegasse ali juntos iria causar muita confusão e o rapaz poderia perder seu emprego, tudo por culpa minha. -E agora? -Calma, comece a se debater... -Pra que isso? -Não fique pedindo explicações... Faça o que eu to mandando. -Ok. Comecei a me debater como um louco, me segurando tentando me “controlar” ele abriu a porta e uma das comissárias estava ali parada querendo saber o que estava acontecendo, ao me ver daquele jeito acabou ficando assustada e iniciou o trabalho de primeiros socorros junto com o comissário: -O que está acontecendo? -Ele esta tendo uma convulsão, me ajude aqui... -Tira ele daí... Fui colocado deitado no chão da cozinha e “reanimado” pela comissária que ficou muito preocupada comigo, pouco tempo depois acabei me “recuperando” e voltei para meu assento e respirei aliviado, embora não tivesse terminado meu 78

“ato”, foi ótimo ter dado uns beijos naquele comissário-modelo maravilhoso. Pela sua cara foi possível perceber que ele estava bem satisfeito, às vezes ele passava por mim e dava uma piscadinha, um sorrisinho safado, quando ele veio me trazer a bebida que eu havia pedido há um tempo antes me entregou junto um papel contendo seu telefone, sinal de que ele estava a fim de continuar de onde havíamos parado, abaixo do telefone havia o nome e o endereço do hotel onde ele iria ficar, dobrei o papel e guardei no bolso da calça. O avião já estava se preparando para pousar, ouvimos o aviso para todos apertarem os cintos, já comecei a sentir um frio na barriga, igual quando o avião decolou. Enfim cheguei ao Rio, um calor insuportável me fazia suar como gelo derretendo, ao sair pelo portão de desembarque vi minha mãe que já estava me esperando ansiosa, com o sorriso de orelha a orelha. -Como você está, meu filho? -Estou bem mãe, e vocês, como estão? -Na medida do possível Lucas. Depois que desembarquei da aeronave não vi mais o Rodolfo, aquele comissário lindo de parar qualquer aeroporto, a última vez que trocamos olhares foi um pouco antes do avião pousar. Pegamos um táxi e deixamos o aeroporto, minha mãe me levou até a pensão onde ela estava, enquanto ela falava fui o caminho todo relembrando os minutos que havia me aventurado. Ao chegar na pensão reparei na simplicidade do lugar, na verdade eles tiveram que mudar da casa do amigo do meu pai, porque de última hora ele resolveu alugar para um pessoal que estava de férias, não tendo para onde ir meus pais tiveram que alugar um quarto de pensão pra não ficarem na rua. Olhei de um lado e do outro, mas não vi meu pai, preocupado perguntei à minha mãe onde ele estava e ela me respondeu que ocorreram algumas complicações e ele teve que voltar pro hospital, indicando que sua saúde não estava muito bem: -Mãe... O pai não melhorou? -Humpft... Às vezes ele melhora, às vezes ele piora, não sei mais o que fazer. Às vezes eu o vejo sofrendo naquela cama de hospital, choro sozinha no banheiro, no corredor, mas nunca na frente dele... -E quando poderei visitá-lo? -Depois de amanhã, filho. -Mas... -É que ele não pode ficar recebendo muitas visitas, os médicos pedem pra deixá-lo descansar o tempo todo... Se você visse como ele está magro, abatido... -Oh mãe... Não chore, ele vai melhorar... É só uma fase... -Filho... Estou com medo... Seu pai é a única pessoa que eu tenho além de você... -Pare com isso, mãe. Não fique pensando besteiras, o pai vai ficar bom logo... Abraçado com minha mãe eu tentava me controlar, passando segurança e força para a ela, mas por dentro eu estava chorando, com medo, inseguro, por mais que eu negasse uma angustia se fazia presente dentro do meu peito. À noite liguei para o Rodolfo, o convidei para dar umas voltas pelo calçadão, como sempre ele foi muito simpático e atencioso.

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-Alô? -Rodolfo? -Sim... -Aqui é o Lucas... -Tudo bem com você, gato? -Tudo ótimo, e com você? -Melhor agora... Está a fim de dar uma saída... -Pra onde você quer ir? -Sei lá, dar umas voltas pelo calçadão... -Por que você não vem aqui pro hotel? Estou sozinho aqui... -Ok, o endereço é esse aqui mesmo? -Sim... Vou deixar um recado na recepção liberando sua entrada. -Beleza, daqui a pouco to aí... Quando cheguei no hotel procurei por ele na recepção, era um hotel muito elegante, a recepcionista foi muito simpática e disse que eu poderia subir, me indicando o elevador e o andar onde era seu quarto. Ao tocar a campainha da suíte quase que de imediato ele abriu a porta, me recebendo de regata branca mostrando seus músculos e calça jeans, com uma toca preta de malandro na cabeça, olhando nos meus olhos ele disse: -Agora nós vamos terminar o que começamos naquele banheiro... Você será a pior e a melhor coisa que já me aconteceu na vida. Num leve toque no interruptor a luz se apagou, com o vento que entrava pela janela fazia a cortina do ambiente dançar, com muito carinho e romantismo o Rodolfo tocou em meu braço e me deitou na cama. C@pítulo 20 O Rodolfo foi um cara muito bacana naquele curto espaço de tempo que ficamos juntos, existem pessoas que surgem em nossas vidas na hora certa e o Rodolfo foi uma dessas pessoas, naquela noite transamos pela última vez, foi maravilhosa, eu acredito que pessoas entram em nossas vidas por um motivo, ninguém aparece por acaso. Dois dias se passaram, pela manhã acordei cedo para visitar meu pai, tomei um banho bem rapidinho, comi um pão de queijo e seguimos para o hospital. -Vamos logo que às 9h20 o ônibus passa... -Não se preocupe com isso mãe, podemos pegar um táxi... -Lucas, eu e seu pai estamos economizando ao máximo, tem dias que eu vou até o hospital caminhando pra economizar. -Ei... Olha aqui pra mim... Vou mandar dinheiro pra vocês aliviarem um pouco, deixa que o táxi eu pago, ta bom? -Tudo bem meu filho... No percurso até o hospital fui observando pela janela aqueles corpos deslumbrantes que desfilavam pelo calçadão da praia, mulheres de corpos bronzeados e biquínis quase invisíveis chamavam atenção de muitos que por ali passavam, rodas de amigos jogando vôlei sem camisa matando os outros de tesão, quanta gente bonita passeando pela praia, parecia que ninguém 80

camisa regata. o rapaz aparentava ter uns vinte e dois anos. tinha tv. o semáforo abriu e fomos embora. minha mãe me puxou pelo braço e me encostou no canto da parede. O que está acontecendo? -Mas do que a senhora ta falando? -Lucas eu não sou idiota. -Lucas.. -Lucas. eu não consegui conter minha emoção.. ele estava me olhando de um jeito diferente. O quarto onde ele estava até que era agradável... vem aqui. Ao parar no semáforo um carro encostou ao lado do que estávamos. vou ao banheiro.. realmente uma graça. demorei a acreditar que aquele cara gatão estava me dando mole. -Tudo bem. Lucas. que saudade. A enfermeira saiu do quarto encostando a porta e nos deixando as sós.. -Mas o que tem haver um carro encostar ao meu lado e eu olhar? 81 . -O senhor está melhor? -Na medida do possível. de onde eu nunca deveria ter saído. seus olhos pareciam cuspir fogo e sua mão estava gelada. fui acompanhando seu carro até perdê-lo de vista completamente. -Ele sempre foi assim. finalmente eu estava ao lado da minha família novamente. involuntariamente eu olhei para o motorista e quando notei. notei muito bem aquela troca de olhares no táxi quando aquele carro encostou do seu lado.. Enquanto meu pai foi ao banheiro. -Mãe. parecia estar nervosa. cabelo arrepiado. ficamos somente nós três.... Um homem. -Quer ajuda? -Não precisa. só deu tempo de retribuir com um sorriso meio safadinho depois de ganhar uma piscadinha de leve.. garoto.. tudo limpinho. quando entrei no quarto a emoção tomou conta de nós.... comecei a chorar e o abracei.? -Eu é que pergunto. nem parecia hospital público.. -Já volto. O que está havendo. Ah meu filho. seus olhos encheram de lágrimas. -Vou trazer o seu almoço. dei um suspiro e encostei minha cabeça no banco tentando acordar do “sonho”. você não imagina como.trabalhava ali. na hora eu me assustei e não entendi.. banheiro.. tinha uma janela ao lado direito de sua cama que dava pra avistar o Cristo. Bonito. sempre. uma tatuagem no bíceps. Lucas. Chegando no hospital subimos direto pro quarto. né Lucas? -Sempre mãe. luta pela vida. -Eu também pai. pode deixar que eu vou sozinho.. meu pai estava andando de um lado pro outro com a ajuda da enfermeira e um andador.... -Pai. sabonete.. -Seu pai tem melhorado. Ele é um homem de fibra.. no meio ficava a cama. -Como você está grande. no banheiro tinha toalha. usava óculos escuros. e a melhor parte era que estava me dando bola.

não deixei de ser homem por ser homossexual. dois homens trepando. algumas preferem fingir que nada acontece pra não se decepcionar. Almir.. -Medo de que. -Almir. assim como eu fiquei calada por esse tempo. Será que você está achando que eu sou estúpida o bastante de não perceber aquele olhar que vocês trocaram? Acha que eu não percebi quando ele piscou pra você e você deu um sorrisinho? Dei um suspiro e me calei.. mãe. nos abraçamos. -Não importa o que você sente. -Pai. não me amar mais. mas chegou a hora que eu precisava ter a certeza.. -Ah que graça. olhando nos meus olhos ela dizia: -Lucas.. eu tinha a intenção de contar. eu sou sua mãe. Nesse momento meu pai vinha saindo do banheiro: -Que história é essa de homossexual? O Lucas é boiola? C @ pítulo 21 Ao ouvir a voz do meu pai falando aquilo eu gelei. corri pelo corredor do hospital driblando as macas e as pessoas que passavam por ali. por favor. -Ah mãe. o meu amor por você é incondicional. você não existe.. mãe de verdade não abandona seu filho só por ele ser um homossexual. Cria vergonha nessa sua cara.. a um viado. -Não tem nada de pai. sua marica. Chorando. Sua tia Helena já sabe? E Gabriel sabe disso? -A tia Helena não sabe de nada. jamais deixaria de amar você. o Gabriel também é gay. Saí daquele quarto chorando. -Tudo bem. você é bicha.. desci pelas escadas de emergência 82 . por enquanto não era um bom momento para ele ficar sabendo... sofri muito quando você nasceu... meu Deus? -Medo de a senhora não me entender. não quero um filho-moça não... tremendo muito. o que você faz. -Eu te carreguei por 9 meses na barriga.. -Vai proteger a viadagem agora? -Ele é nosso filho..... toda mãe sabe e conhece seu filho. eu sou gay. minha mãe já estava com os olhos cheios de lágrimas e nervosa. acho que Helena também deve saber.. -Eu tenho medo.. mas não naquela situação em que ele se encontrava. eu criei foi um homem. -Humpft.. honre o pau que você tem no meio das pernas.-Chega Lucas. -Mas eu sou homem. chega de mentiras. -Seu filho. ou melhor dizendo. -Não fale assim pai. Lucas? -Não fala assim com ele. me conte a verdade.. Prefiro ter um filho ladrão.. -Eu sempre desconfiei... -Cala essa boca e sai daqui seu moleque...... meu filho.

Vou pro meu quarto. -Lucas. não tem palavras que justificam. está melhor que nós todos. vou querer me afogar todos os dias. não me lembro exatamente do que aconteceu. ao me ver de volta tão cedo até se surpreendeu. brisa fresca. de fato eu pretendia voltar em no mínimo uma semana depois. peguei um táxi e segui direto pra casa. quando tudo estava indo bem sempre aparecia alguém pra estragar tudo. Lucas? -Prefiro não comentar. dizer que não tem mais filho só porque ele é um homossexual. Cruzei a porta do hospital e atravessei a rua correndo. tia. fazendo respiração boca a boca em mim. parece que o mundo é movido a dinheiro e sexo. apesar de que na hora eu nem prestei atenção nisso. e quando as duas coisas vêm acompanhadas é pior ainda. Desembarquei no aeroporto de Congonhas. principalmente sua língua. Cheguei em casa cabisbaixo. tentei seguir minha vida normalmente. por que a vida sexual do outro interfere tanto na vida de alguns? Eu não entendo isso. e me “afogar” foi muito bom. como se a performance na cama fosse o atestado de caráter. acabei comendo um yakisoba na Avenida Paulista. Você sabe o que é ouvir isso de um pai? Cruel. não é legal. espreguicei meu corpo nu naqueles lençóis 83 . -Haha. um tênis confortável e a noite fui dar uma volta pela rua. pois quando eu acordei estava frente a frente com um moreno molhado.. ao abrir a porta da sala eu cruzei com a tia Helena. encostei a porta e fui pro banheiro tomar um banho de água fria para me libertar desses problemas que me atormentavam. mas não fiquei lá mais que três dias. por que. se no Rio de Janeiro os turistas tem essa hospitalidade. será minha? Não sei. Uma semana se passou. Saindo do banho vesti uma roupa leve. corri por aquele calçadão chorando. fui buscar minhas malas e embarquei no primeiro vôo que consegui pra São Paulo. puxando a mala de rodinha pelo corredor do condomínio. de óculos escuros eu olhava a vida fora daquele carro. Entrei no meu quarto. sem olhar para os lados nem me importar com nada. Já de volta? -Sim tia. estava uma noite linda. Eu não entendo como as pessoas não conseguem conviver com as diferenças das outras. pois ganhei um beijo por tabela de um monumento vestido de bombeiro. -Está bem. sem camisa. Aquele morenão bombeiro era tudo de bom. é horrível. mas eu acredito que tudo isso que passei foi um aprendizado e serviu para eu amadurecer. -Por que voltou tão de pressa? Seu pai está bem? -Se duvidar. pensando na minha vida desde que comecei a morar em São Paulo. fiquei tentando imaginar de quem era a culpa. acordei em uma linda manhã de domingo.quase que rolando pelos degraus.. parei o trânsito sem noção do que estava fazendo. fui caminhando em direção ao mar como se estivesse hipnotizado. a voz do meu pai soava como um eco nos meus ouvidos: “Prefiro ter um filho ladrão”. a voz do meu pai ainda me atormentava na cabeça como um sino soando na hora da missa. deixei a mala no canto. procurando um buraco para me enfiar e nunca mais sair. teve uma hora que parei de correr e fiquei de frente para o mar. cheia de altos e baixos.

sentei no sofá e comecei a escrever um bilhete para que quando meus tios chegassem não ficassem preocupados comigo. meu filho. -Vem rápido meu filho. ao meu lado estava o Robson que não deu uma só palavra. cartão e dinheiro. algo de errado estava acontecendo. -Por quê? -Minha mãe ligou agora a pouco desesperada pedindo pra eu voltar. peguei a mala que eu nem havia desfeito ainda e já deixei pronta para embarcar novamente... dizendo que meu pai havia piorado. de tanto que eu tremia.. Chegamos no aeroporto e pegamos um táxi direto para 84 .. Aonde você vai com essa mala? -Preciso voltar pro Rio..perfumados que eram cuidados pela minha tia.. -Vou ver se consigo chegar ai ainda hoje. Desliguei o telefone. fui até a cozinha pegar um iogurte. Preciso de você. Lucas... -Meu Deus. depois do iogurte eu peguei uma maçã e quando dei a primeira mordida o telefone da sala tocou: -Alô? -Quem ta falando? -Mãe? -Lucas? Pelo amor de Deus meu filho. to indo. todos haviam ido à missa e eu estava sozinho em casa.. durante a viagem fiquei calado. preciso ver se tem vôo. pois logo a tia Helena desligou e disse: -Vamos todos pro Rio. minha irmã está precisando de mim nesse momento. -Tudo bem. pare de chorar e me conte o que aconteceu? -Seu pai não está bem. você precisa voltar pro Rio.. troquei de roupa rapidinho e fui até a sala... C @ pítulo 22 Conseguimos vaga no vôo que estava partindo para o Rio e embarcamos na mesma hora. -Quê? -Peguem só os documentos.. comecei a sentir um mau pressentimento.. depois de tomar um bom banho e vestir uma cueca samba canção. -Dê um jeito. Lucas venha pra cá imediatamente. -Calma mãe. ao abri-la dei de frente com a tia Helena que ao olhar eu saindo de mala estranhou e quis saber o motivo.. A tia Helena pegou o telefone e ligou para minha mãe. -O que ele tem? -Ainda não sei.... -Meu Deus do céu. Quase nem conseguia escrever direito. os médicos não quiseram me dizer. Achei um pouco estranha a atitude da tia Helena de decidir levar todo mundo pro Rio de Janeiro após conversar com a minha mãe. -Lucas. tia. olhando a vista pela janela e rezando para que meu pai estivesse bem. peguei minha mala e fui puxando-a até a porta. deixei o bilhete ao lado do telefone na mesinha. a conversa não demorou muito tempo.

toda minha vida se passou diante daquelas águas. Caminhei pelas ruas da cidade até parar na lagoa Rodrigo de Freitas.. seus olhos começaram a descer lágrimas que revelava a triste notícia: -Não mãe. “Humpft.. subimos até o 4º andar que era onde meu pai estava. “Já tomou banho Lucas?”.. mas nem isso eu pude fazer. Não brinca comigo... 85 .. Seu pai nos deixou Lucas.. a tia Helena colocou sua mão sobre meu ombro fazendo um carinho.. quando saímos do elevador um enfermeiro passava com um corpo em uma maca coberto por um lençol branco. parado ali na porta meus olhos se encheram de lágrimas.. você. que estendeu sua mão pra mim e me abraçou: -Robson.? Eu. Agora... quando entrei foi inevitável não reparar que a cama estava vazia. Senti-me destruído.. -Calma Lucas. -Pára mãe. ele faleceu minutos antes de eu chegar. Você precisa ser forte. meu filho. aquele corpo que passou por mim quando eu saia do elevador era do meu pai. todos os momentos em que vivi com meu pai vieram à minha cabeça. Saí correndo pelo corredor daquele hospital derrubando tudo. Emocionada a tia Helena começou a chorar. meu pai faleceu brigado comigo. o elevador já estava parado no térreo. A porta do quarto estava aberta.o hospital.... só de pensar que se eu chegasse poucos minutos antes eu ainda o encontraria vivo e poderia dizer o quanto eu o amava....... quando me virei vi meu primo Robson. Você vai me bater... ao entrar na recepção recebemos a informação de que já nos esperavam no quarto. meu coração batia acelerado de ansiedade... “Esse é pra você filho!” “Meu pai é demais!” “Lucas... pai?” “Claro que não meu filho.....” Por um momento um de meus pensamentos foi interrompido por uma mão que tocou meu ombro. -Não pode ser mãe. Não é o que eu to pensando. Que nota vermelha é essa no seu boletim?”. -Lucas... ao lado da janela estava minha mãe que ao me ver olhou com tristeza.. -Não. Mãe ele não pode ter nos deixado assim.. Gooooooooooooooool”. “Jaaaaaaaaaaaaaaa” “Mais pro meio.. Mas vai precisar estudar e deixar de ver TV.. minha mãe me olhava e vinha se aproximando com suas mãos trêmulas: -Meu filho... -Cadê meu pai? Cadê o meu pai? -Se acalme.. Ele não pode ter partido brigado comigo.. Vai. chorava como nunca. Vai. e chorava como uma criança....

.. caminhando pelo meio dos jazigos eu olhei pra ela que já sem forças me fez um sinal com a cabeça. eu com a cabeça sobre seu ombro esquerdo chorando enquanto ele acariciava minhas costas e fazia afago em meus cabelos.. revirei na cama a madrugada toda. mas não consegui engolir nada. ao me aproximar ela me abraçou e começamos a chorar como duas crianças. Um pouco antes das 7h fui tomar um banho para tirar o cansaço. -Eu estava. Robson. chego a pensar que a dor da perda pode superar até a dor física.. as ondas quebravam nas pedras mesclando na água o branco com o dourado refletido pelo sol. Obrigado. sei lá.. confirmou sua suspeita quando me viu trocando olhares com um cara no carro ao lado.. a minha mãe aceitou numa boa e não vai falar nada.. -Limpe essas lágrimas.. C @ pítulo 23 86 . É duro perder alguém que você ama. Lucas. no começo eu fiquei. desci para tomar café. -Então por que você não falava comigo? -Por orgulho. Anoiteceu e fui dormir em um hotel com meus tios e meu primo. -Mas agora sua mãe vai contar sobre você para a minha e. Com lágrimas descendo de seus olhos ele me deu um abraço carinhoso. vamos caminhar um pouco pra você melhorar. era tudo que eu precisava naquele momento.. -E ai. -Meu Deus... -Não se preocupe. ficamos ali abraçados por mais de dez minutos. Lucas. logo avistei minha mãe na porta da sala de velório. -Sim. e sua mãe? -Minha mãe desconfiava.. é uma dor tão grande que às vezes pensamos que não vamos suportar. -Mas você estava com raiva de mim. Depois do café fomos todos para o velório. por que você disse que seu pai estava brigado com você? -Ele descobriu sobre a minha homossexualidade. a cada quilometro percorrido era equivalente a uma tonelada esmagando meu peito que mal conseguia respirar. naquela noite eu mal consegui dormir. -Então vamos esquecer tudo isso. ao chegar no cemitério não consegui me conter e entrei em desespero. nisso meu pai vinha entrando no quarto e ouviu tudo..? -Aí ele disse que preferia ter um filho ladrão a viado. mas depois passou.. a sensação que eu tinha era como se uma faca estivesse rasgando o meu peito. fui até a varanda do quarto onde acompanhei o nascer do Sol..-Não fale nada.. minha garganta simplesmente travou.. a paisagem que se formou entre o mar e a montanha era linda. Mas me diz uma coisa. minha mãe ficou no hospital aguardando a liberação do corpo do meu pai para ser velado no outro dia. aí ela me forçou a confessar.. Por isso que eu voltei pra São Paulo tão rápido. -Não tem o que agradecer. -Ta bem. o Robson com toda calma foi me segurar.

. aquele cheiro de vela queimada misturado ao cheiro das margaridas estava me deixando com dor de cabeça. a cada instante que eu olhava para aquelas coroas de flores com mensagens eu tinha vontade de entrar naquele caixão e ir com ele.. um exemplo de homem e pai.. Antes de morrer ele disse que falou aquilo da boca pra fora e estava arrependido.. Sei lá. ao lado de sua cama havia um criado-mudo e sobre ele tinha o nosso retrato. por conta do efeito do calmante que minha tia havia me dado. Achando que ele se foi me odiando. eu aceito sua ajuda sim. -Filho. -Tia. ele morreu me odiando. Eu já não sabia mais o que era dormir. fiquei emocionado ao ver seu sorriso abraçado com a minha mãe e eu entre os dois.. Aceite o pedido de perdão dele meu filho. meu fiel amigo. ouvir sua voz. Foi difícil retornar naquele quarto. “Te amamos”. era o diário dele. as pessoas olhavam pra mim com dó.. Não é fácil se despedir pra sempre de alguém que foi presente em toda sua vida. imaginar que nunca mais eu poderia tocá-lo... No outro dia acordei ainda tonto. Lucas seu pai te amava. ele se ofereceu para ajudar nas malas e minha mãe aceitou sua ajuda. Lucas? -Nada. -Ah mãe.. minha mãe me segurava pelo braço. no tempo em que nossa família era tranqüila. “De seus familiares”. -Eu não tenho o que perdoar mãe. só conseguia chorar. Depois de tomar um banho fui até o hospital com minha mãe buscar algumas coisas do meu pai que ainda haviam ficado lá.. meu ídolo. e o que é pior. Pra mim ela só estava falando aquilo pra me sentir melhor e tirar o peso da consciência. estou olhando esses retratos. Lucas? -Estou tentando ficar bem. seu perfume ainda rolava pelo ar.. apesar de ter aliviado um pouco a angustia que eu sentia. -O que foi. mas vou dar uma olhada antes. -Você já está melhor. -Vocês precisam de ajuda? -Oi Robson. -E o que eu faço com esse caderno velho? -Pode jogar fora. 87 . meus olhos estavam tão inchados que pareciam estar saltando. -Ta bom. pois eu já quase nem tinha mais forças. aquela cena de família feliz me fez relembrar nossos momentos de alegria. seu pai não te odiava.. -Nunca... Sem que eu notasse o Robson entrou no quarto. só consegui dormir depois de tomar alguns comprimidos de calmante. onde eu guardo esse sapato? -Coloque dentro daquela mala preta junto com os outros.. Pouco a pouco fui entrando naquela sala de velório. um exemplo que eu sempre admirei desde moleque.Eu não conseguia me conformar em ter perdido meu pai. Não fique assim. mas está difícil... parecia um pesadelo que eu não conseguia acordar.. fiquei me sentindo culpado. pediu para mim que cuidasse de você e dissesse que ele te amava. ficamos conversando e separando tudo que era do meu pai. ele disse isso antes de morrer. Meu pai era tudo pra mim.

queria muito voltar a vê-lo. pois meu estado se agravou de uma tal maneira que não há mais o que ser feito. aliviando um pouco a dor da perda que eu estava sentindo. acabei magoando sem querer. tentei me desculpar.. pedir desculpas e me despedir do Lucas ainda em vida. chorei de arrependimento.. ao ler seus relatos minhas lágrimas desciam como uma torneira aberta. quero deixar registrado que eu amo minha família e que estarei olhando por eles de onde eu estiver. eu disse coisas que não sentia. Quando meu filho deixou esse quarto de hospital meu coração sangrou. hoje eu ouvi o médico conversar com a enfermeira. mas teve uma hora que seus olhos começaram a encher d'água. disse que eu teria menos de um mês de vida.” C @ pítulo 24 Terminei de ler o que estava escrito em seu diário chorando de alívio. Acho melhor você ler isso aqui. Sei que estou morrendo. acabei sendo covarde e não deixei recado. peguei o diário de sua mão. mas eu sinto que amanhã eu já não estarei mais nesse plano. mas não vai ser possível. depois de dar um suspiro profundo ele olhou pra mim e disse: -Lucas. disquei imediatamente o menu para ouvir o recado do meu pai. ler aquele desabafo me tirou um peso enorme da consciência. Almir. jamais deixaria de amar meu filho. na hora me faltou coragem. Escutar sua voz na caixa postal do celular me fez chorar. somente um suspiro e um barulho de telefone sendo colocado no gancho. falei coisas que não devia. Nesse momento que estou sozinho dentro desse quarto confesso que estou muito arrependido... Caminhei até a ponta da cama onde ele estava sentado. Agora ha pouco liguei para ele. sentei ao seu lado e lá estava meu pai contando sobre nossa briga.O Robson se sentou na beirada da cama e folhava o diário concentrado como se visse um filme rodar na tela de cinema. até eu ficava assim ao ouvir as histórias que meu pai me contava. assim como estou chorando agora escrevendo pela última vez nesse diário.. mas foi tudo da boca pra fora. onde nunca mais escreverei. mas seu telefone estava na caixa postal. várias reações eram esboçadas ao mesmo tempo. magoado. peço que Deus lhe proteja.. onde quer que eu estiver olharei e rezarei por você”. que meus dias estão contados. ansioso para escutar sua voz acabei me decepcionando ao perceber que ele não havia deixado recado nenhum gravado. Há poucos dias briguei com meu filho. tamanha era minha emoção. Na mesma hora peguei meu celular e notei mesmo que havia um recado na caixa postal. “Estou muito triste. meu Lucas que eu tanto amo. -O que. Meu filho.. Pra finalizar.. 88 .

..... -Sério? -Sim. -Obrigado. fiquei aproximadamente meia hora deixando aquela água morna cair sobre a minha nuca.. enrolei a toalha na cintura e ao sair do banheiro cruzei com Robson que entrava em meu quarto. você entrando assim de mansinho. Quando chegamos em casa fui direto pro meu quarto. vim te fazer companhia.. me despedi da minha mãe e voltei para São Paulo com meus tios e o Robson.. -Posso te dar outro beijo? -Deve! Voltamos a nos abraçar e nos beijar. de olhos fechados e mãos abertas eu conseguia sentir suas energias sendo transmitidas pra mim através do toque de nossas peles. depois desliguei o chuveiro. -Uou. quer dizer. -Eu não te contei? -O que? -Eu e Gabriel terminamos. Você é comprometido.Depois de tudo arrumado deixamos as malas na pensão onde eles estavam. Tudo foi acontecendo naturalmente como antes. já minha mãe decidiu voltar pra Londrina.. ele terminou tudo. -Hahaha.. aos poucos íamos caminhando no sentido da cama.. -O que houve? -Não podemos. -Louco. Isso não é certo. Lucas. joguei a mala sobre a cama e entrei embaixo do chuveiro.. de olhos fechados tropeçamos no edredom que estava espalhado pelo chão e caímos na cama.. 89 .. -Você aceitou numa boa? -O que eu posso fazer? Matar-me? -Ok. deixei a porta entreaberta.. Ro! Aproximando-se de mim ele jogou o travesseiro e o edredom no chão e me abraçou forte. mas ao cair em mim dei um empurrão nele e me afastei. eu? -É. -Obrigado! -Você me dá mais um abraço? -Nem precisa pedir. -Sabe que essas loucuras que eu faço com você me fazem muito bem? -A é? -É. Você foi uma das melhores coisas que já me apareceu na vida. aos poucos nosso rosto foi se virando até que quando nos demos conta já estávamos nos beijando. deixa pra lá. ele pediu para terminar tudo e disse que poderíamos nos tornar amigos... Seu louco. com um travesseiro e um edredom nas mãos ele sorriu pra mim e disse: -Assustou? -Claro.. acho que agora mais que nunca você vai precisar. -Desculpa.

.. Enquanto eu passava xampu em seu cabelo ele passava sabonete em mim. fique acordado velando seu sono a noite inteira. o Robson já tinha um fogo incontrolável e eu quando provocado também despertava uma safadeza que poucos conseguiam saciar. começamos a gargalhar e sem querer rimos alto. gastamos um sabonete inteiro e um tubo de xampu. -Ro. -Por que você tapou minha boca? -Pra você não acordar ninguém.. -E então. depois veio à hora da 90 . nós acabamos adormecendo abraçadinhos.. por que não? -Ai Lú.. ao abrir os olhos eu vi o Robson olhando pra mim com aqueles olhinhos de cachorro abandonado e acariciando minha face. -Hahaha. com medo que alguém ouvisse tapei a boca do Robson. Alguém pode acordar. vamos. O encostei no canto da parede e comecei a beijá-lo loucamente. fazendo com que nossos corpos ficassem juntos.. Sinceramente eu senti um alívio quando ele disse que havia terminado com o Gabriel e se sentia bem ao meu lado. -Psiu. estava preocupado. -Me preocupo sim. Tomar banho com o Robson me fez esquecer dos problemas... mas achei que ainda não fosse o momento. ta bom... nos abraçamos bem forte e depois fomos tomar banho juntos.. Robson. trocando muitas carícias e longos beijos. -Vamos tomar banho? -Juntos? -Sim. claro que aproveitávamos pra tocar caricias e beijos também.. Ao ouvir que ele gostava de mim meu coração quase saiu pela boca de felicidade. No dia seguinte.. o mais engraçado foi quando deixamos o sabonete cair: -E agora? -Quem pega? -Podemos revezar. pele com pele. com a porta do box fechada o espaço se tornou mínimo. -Dormiu bem? -Na medida do possível sim e você? -Não dormi. porque gosto de você. eu pego uma vez e você pega outra. demos um longo selinho. naquela hora eu tive vontade de dizer a ele que o amava. Foi muito bom tomar banho junto com ele. com seu nariz quase colado ao meu. -Como você é safado. você topa? Quem pega o sabonete? C @ pítulo 25 Acabamos pegando o sabonete juntos.Deitados na cama.. Não se preocupe.. eu já estou bem.. -E por que você não tapou minha boca com um beijo? -Não seja por isso. eu posso tapar agora.

-Gabriel? -Sim filho. eu já estava de saída quando ele chegou. vou até a padaria comprar algo pra comermos. Obrigado! -Bom. -Olha quem está aqui.. -Ta... roçando minhas pernas nas suas até começar a "briga de espadas".. 91 . você viu que ele começou? -Dessa vez quem começou a provocar foi você. o Robson e o Gabriel. nem nada. ele disse que precisa falar com você... só quando ela chegar agora. Tia o café já está pronto? -Tem algumas coisas na geladeira. Não vou mais brigar com vocês. estou indo ao mercado fazer compras. Quando o Gabriel me disse que ele e o Robson voltaram a namorar eu levei um choque. -Humpft. tia. Morre o assunto por aqui.. ao ver a cara de apaixonado dos dois me conformei em mais uma vez perder o Robson para o falso do Gabriel que ao me ver disse: -Estou tão feliz Lucas. Sem ter o que comer e o que fazer voltei pra sala e liguei a TV. oi Lucas. virei as costas e fui pra cozinha procurar algo pra comer. nu em pelos encostei o Robson na parede e não o soltei mais. em um movimento sincronizado de ir e vir ele correspondia com tesão. -Oi Robson. com a ida da tia Helena ao mercado junto com a empregada acabamos ficando somente eu. -E você quer que eu diga o quê? -Nossa. -Não tem pão. onde cruzei com os dois saindo do quarto do Robson. enquanto isso os dois foram para o quarto do Robson e ficaram lá por um bom tempo.. mãe. -Tudo bem. ta.. -Vamos parar com essa briga? -Amor. -Olha aqui Lucas. só de pensar que eu iria sentar à mesa com ele até perdi a fome. com a maior cara de pau o Gabriel estava na sala sentado à mesa conversando com tia Helena. -Gabriel. essa foi a melhor parte. pois não gosto de você..toalha. Depois te termos "brincado" um pouco vestimos uma roupa e fomos até a sala tomar café. Não precisava responder assim. -Sua mãe foi às compras. nem capuccino. eu gosto dos dois e. Eu esperei vocês acordarem para fazer companhia para ele.... Gabriel.. vínhamos conversando e rindo pelo corredor quando me deparei com uma pessoa que acreditava nunca mais ter que encontrar na vida. vão precisar de alguma coisa? -Eu quero um pacote de batata. corpo colado no corpo eu o beijava com toda intensidade. Tchau meninos. Lucas? Nem me dei ao trabalho de responder. parecia que o edifício iria desabar. portanto não fale comigo. onde cada um enxugava o outro. ta. Já dentro do quarto.. Robson.. você sabe muito bem que eu sou contra esse relacionamento.. por favor. -Não quero nada. No caminho da cozinha pra sala passei pelo corredor dos quartos. eu e seu primo fizemos as pazes e voltamos a namorar. nem torta.. -Eu não vou esperar ela voltar. então eu vou indo.

me poupou de ter que repetir pela milionésima vez. eu já sem paciência comecei a mudar os canais da televisão sem parar. gostoso. deixa que eu vou. por isso já me ofereci para ir até a padaria. Ele falava e completava com um selinho no Gabriel. levantei do sofá e me encostei na parede 92 . Gabriel.. pois quero comprar uma coisa bem gostosa pro meu amorzinho. -Calma... mas tive que esperar o Robson voltar com a comida do café. -Explicar o caralho. -Ta bom! Assim que ele saiu o Gabriel se sentou no sofá e insistentemente voltou a puxar assunto comigo. C @ pítulo 26 -Robson? -Seu ordinário.. né? -Iria adiantar? Quando contei pra ele que você não prestava. ele era lindo.. me deixe explicar.. eu detestei a idéia de ficar sozinho naquele apartamento fazendo sala para aquele defeito de ser humano chamado Gabriel. -Não me chame de Lú que não te dei essa liberdade.. eu sinto um enorme desejo em ter você na minha cama... mas transar com aquele rapaz foi ótimo... Assim como o Gabriel eu também levei um susto. e você sem um pingo de remorso. -Lú. ele acreditou em você. pois eu vi você transando com outro cara.. e quer saber mais? Não me arrependo nem um pouco do que eu fiz. sem que nós esperássemos o Robson estava ouvindo tudo que falávamos e sua reação foi se jogar pra cima do Gabriel enchendo-lhe de socos.. Filho da puta. -Já volto. -Ainda bem que você sabe. Lucas. -Desculpa gato. e eu fiquei muito mal com tudo isso. sem que pudéssemos perceber ele estava ali parado atrás da porta ouvindo toda nossa conversa. Lucas pra você. -Eu sei que você não gosta de mim. transei sim.. -Sabe Lucas. -A é? Eu também sinto um desejo por você. -Sério? Qual? -Um desejo de quebrar sua cara. Você não tem vergonha do que faz com o tonto do Robson? -O que eu faço? -Você acha que eu não sei que você viajou pro Rio de Janeiro as custas dele e ainda levou um amante? -Você não foi contar pra ele.. -O quê? Então era verdade? Levamos um susto quando olhamos para trás e vimos o Robson parado na porta. muito mais gostoso que o idiota do seu primo.. -Não demore amor.-Quer que eu vá? -Não Lucas.

.. sem nenhum pudor ele puxou com tudo a cueca que Gabriel vestia.. deixe-o ir. -Por favor. Robson. Essa calça fui eu que te dei. -Pára Robson. que começou a esguichar sangue sem parar. -Cala essa boca. -Robson. ele parecia estar fora de si. de primeira ele levou um soco no nariz. Robson. e agora vai pro lixo seu maldito. -Libera ele. ainda não contente. meigo. portanto tire-a agora. pudesse se tornar tão vingativo. Essa camiseta fui eu que te dei. com as mãos em seu pescoço ele dizia: -Então eu sou trouxa de ficar bancando você. -Mudei de idéia e quero de volta.. Vendo que o Gabriel não iria tirar a calça o Robson a rasgou sem dó nem piedade. -O quê? Nem pensar.. né? Vamos ver quem é o trouxa aqui. alegre. imagine o tanto de gente por ai que deve estar rindo da minha cara.. eu te odeio. principalmente na hora que o Robson o colocou para fora de casa: -Agora. -Humilhar? Você ainda acha que isso é humilhar? Humilhação é o que eu estou passando.. seus olhos pareciam jorrar fogo. fazendo um barulho que provavelmente deve ter quebrado um ou mais dentes.... Eu nunca vi o Robson daquela maneira. essa cueca fui eu que te dei. Você já me humilhou demais. Você acabou com a minha vida.. o Robson estava totalmente descontrolado. essa calça é minha e tudo que é meu vai ficar comigo. nunca pensei que o Robson fosse capaz de fazer o que ele fez com o Gabriel. né? -Foi. Ao se negar a tirar a calça o Robson virou um tapa na cara do Gabriel. Acho que eu em seu lugar teria feito a mesma coisa. ele bufava como um touro feroz e seus olhos pareciam lançar flechas de tanta raiva... -Passe ela pra cá..... repetindo várias vezes: -O trouxa aqui não te banca mais... Eu quero sair daqui.. me deixe ir em paz. inconformado em ser tirado como otário pelo Gabriel ele deu um tapa em seu peito e rasgou a camiseta que ele vestia. Meu primo parecia um animal selvagem. -Eu já disse que você não vai sair da minha casa levando o que me pertence. o deixando totalmente nu pela sala de casa... -Mas essa cueca você me deu. quem conhecia o jeito do Robson jamais poderia imaginar que aquele rapaz carinhoso. ele tirou o celular do bolso da calça e atirou pela janela da sala. Por falar nisso. não satisfeito meu primo deu-lhe um golpe de capoeira o jogando no chão. porém confesso que fiquei com pena do Gabriel. -Esse celular também é meu..sem interferir entre a briga.. cai fora da minha casa.. -Mas Robson... Chega. o Gabriel nem conseguiu reagir. 93 . -Não. Você tem 1 segundo pra tirar ou então terei que arrancar..

A porta se fechou e eu não vi mais nada.. -O problema é seu. pois na noite anterior havia chovido muito. o porteiro destravou o portão automático e o Robson o puxou. Empurrando o Gabriel como um gado em direção ao abate ele o levou até a metade da calçada. foraaaaaaa...-Mas eu estou nu. você não tem idéia do quanto meu coração está partido. cobrindo o rosto com uma das mãos ele chorava de vergonha. chame a polícia. fiquei com muita pena do Gabriel. 94 .. meu primo conseguiu humilhá-lo ao máximo. o que eu fiz não tampa nem 1% do rombo que ele deixou no meu peito. As feridas que deixei nele vão se curar cedo ou tarde. Nunca vi meu primo tão violento como naquele dia. Fui até a porta da sala e fiquei assistindo tudo. -Ah. mas as feridas que ele me deixou jamais irão se curar. Eu assistia a tudo da varanda da sala. O Robson pegou pelo braço de Gabriel e o arrancou do sofá com um puxão pelo braço. -Peguei pesado? O que eu fiz foi pouco perto do estrago que ele causou na minha vida. Depois disso o Robson virou as costas e entrou.. quando eu estava quase descendo o Robson apareceu arrastando o Gabriel pelo braço. o clima estava frio. -Sim senhor. ainda caído naquela poça de lama o Robson não contente tirou uma moeda do bolso e jogou para Gabriel: -Uma esmola para um pobre necessitado. pois as feridas do coração permanecem pra sempre. achei que por pior que fosse o castigo viria da própria vida. faço questão de te levar até a portaria. Quando chegou o elevador o Robson abriu a porta e empurrou o Gabriel com toda força para dentro. pois o que meu primo fez com ele praticamente tirou sua dignidade. eu acho que o Gabriel merecia coisa pior. -Eu não vou sair assim. sem dó nenhuma o Robson pegou o Gabriel e o jogou em uma poça de lama que havia na em frente ao condomínio devido às obras de gás encanado.. assim que fechou o portão ele disse ao porteiro: -Se esse individuo permanecer aqui na porta por mais de trinta segundos. deixando também uma rachadura no espelho do elevador social. às vezes ele o chacoalhava com força batendo suas costas várias vezes na parede... fazendo com que ele fosse com tudo de encontro ao espelho onde bateu sua cabeça e fez um pequeno corte no supercílio. Achei que você pegou pesado com o Gabriel.. ventava e garoava um pouco. ele perdeu totalmente o controle. Quando o Robson entrou na sala eu fiquei o olhando assustado: -Prontinho. mas vendo toda aquela situação fiquei com o coração apertado. humilhou o Gabriel da maneira mais cruel que um ser humano poderia suportar.. Mas você vai sair sim. aproveitando que ela só estava encostada apenas a abriu com o pé e ainda segurando pelo braço do Gabriel chamou o elevador. arrastando ele até a porta. Ta me olhando com essa cara de assustado por quê? -Não sei. corri para a varanda da sala e fiquei olhando pra baixo esperando eles aparecerem. pois ele não valia nada. Comecei a ficar preocupado com a demora deles em aparecer na portaria.

levou até a cozinha e colocou dentro de um balde de lata. e parece que conseguiu. -O que está finalizado? Você aprontou alguma coisa? -Não aprontei nada.. -Não vejo a hora de chegar ai e poder te dar um abraço. Um certo dia navegando por um site de automobilismo fiquei sabendo que uma escola estava oferecendo bolsa de estudo para um curso de engenharia automobilística na Alemanha. Logo depois que Robson viajou o tio César viajou também. 95 .. quando não falávamos por telefone nos falávamos pela internet. estou morrendo de saudade. ele tinha assuntos para resolver em Portugal.Com a maior tranqüilidade o Robson pegou o telefone e discou para um amigo. só concretizei os fatos. O Robson nos ligava de Recife quase todos os dias. -Imagino sim. tranqüila. Anotei o telefone e na mesma hora liguei para me inscrever. Ro. aumentando as estatísticas dessa cidade. depois de discar ele levou o telefone sem fio para seu quarto e ficou conversando por um longo tempo contando o que ele havia feito com o Gabriel. acho que qualquer um em seu lugar faria o mesmo. claro que ele não quer ter um funcionário do caráter dele. por isso o Gabriel é mais um desempregado a partir de hoje. -Vou sonhar com esse dia. a última noticia que tivemos foi que ele havia virado garoto de programa e viajado com um empresário para Hilton. como o tio César não poderia ir acabou mandando o Robson para representá-lo. umedeceu com álcool e botou fogo. meu primo estava mesmo decidido a se livrar do passado. Liguei para um amigo meu e expliquei quem é Gabriel Soares.. Algumas semanas se passaram e nunca mais vimos ou ouvimos falar do Gabriel. O Robson não tocava mais no "assunto Gabriel" e quando algum amigo nosso vinha falar dele na mesma hora já era cortado. Depois de desligar o telefone.. quando você volta? -Ainda não sei. fui perguntar ao Robson o que ele estava aprontando: -Agora sim. então ficamos somente eu e tia Helena em casa. eu sempre fui apaixonado por carros e se eu tivesse a oportunidade de ir pra Alemanha estudar não pensaria duas vezes. mas estou morrendo de saudade de você. finalizado. enquanto isso eu fiquei em São Paulo trabalhando na matriz. mas vi que me enganei. Ta um calor aqui que você não imagina. eu achava o Robson uma pessoa calma. ingênua.. C @ pítulo 27 A empresa do tio César inaugurou uma filial em Recife. era impressionante como a ausência do Robson me fazia falta. O Robson juntou as roupas rasgadas do chão. -E essas roupas espalhadas pela sala? -A é.. Lú! -Eu também. -Luuuuuuuuuuu. Fiquei imaginando o que uma pessoa enganada é capaz de fazer. quase todas as noites eu sonhava com ele.

além de ler bastante... -Lucas diz: Sei lá.. meu medo era que uma das exigências fosse ter alemão fluente. depois fui até meu quarto trocar de roupa. assim que terminei entreguei na mesa de uma mulher muito mal humorada que me devolveu um canhoto para checar o gabarito posteriormente. isso não é certo. mas um servia de complemento pro outro.. -Te assustei? -Claro. só estava um pouco trabalhosa. -Juninho diz: Eu acho que você ama seu primo e ainda não percebeu. -Bom.. -Lucas diz: É estranho. a matéria foi de conhecimentos gerais.. -E. -Que isso. -Sei.. -Quando você chegou? -Agora ha pouco. Nunca precisamos disso. Não vou dizer que a prova estava difícil. não tinha a intenção. 96 ... -É sério. Deixei o consulado e antes de ir pra casa passei no shopping e comprei algumas esfihas pra comer em casa. -Desculpa... Quando cheguei fui até a cozinha e guardei dentro do microondas o pacote com as esfihas. teve até um dia que ao olhar nossas fotos eu chorei de saudade. Seu cheiro no lençol. aproveitei que você não estava em casa e vim matar um pouco da saudade. Quando ele ligava pra casa e eu escutava sua voz meu coração ia de 0 a 100. No outro dia fui fazer a prova na escola para concorrer à bolsa. Algumas questões da prova tinham pegadinhas que se eu não prestasse bem atenção acabaria errando... não tem nada aí que eu já não tenha visto. quando abri a porta levei um susto enorme ao ver o Robson sentado na minha cama. mas para minha surpresa não necessitava falar alemão.. Uma vez até comentei com o Junior pela internet. olha meu coração?. Lucas.. Ele é meu primo. pois a escola que os bolsistas iriam ficar era de brasileiros. -Juninho diz: Não tem nada haver isso. -E?... várias vezes eu adormeci em sua cama abraçado com seu travesseiro..Todo esse tempo de convivência com o Robson nos fez muito próximos. -A tia Helena já sabe que você chegou? -Ainda não. minha sorte foi que sempre gostei de ver telejornais e documentários. Passei um pouco mais de uma hora na sala respondendo às questões. preciso trocar de roupa. -Caramba. embora não fosse muito tempo. tinha vezes que eu entrava em seu quarto e deitava sobre sua cama para sentir seu cheiro.... pra falar a verdade não avisei ninguém.. Lú. Preciso que você saia do meu quarto.

-Não.. ao se aproximar ele sentou próximo dos meus pés e tocando na minha perna ele dizia: -Fico tão arrependido de ter me afastado de você.. antes de dormir chequei meus e-mails na internet.-Robson. -Por quê? -Você só me procura quando quer satisfazer suas vontades. juntei todos os travesseiros na cabeceira e deitei na cama. No outro dia acordei era quase 10h.. -Não adianta ficarmos remoendo o passado. porém não me senti arrependido de nada. embora eu também estivesse com vontade preferi não cair na provocação e para evitar um envolvimento maior eu me esquivei. -Mas Lucas. é que escutei um barulho aqui.. por favor.. -Você não tem de que se desculpar. Evitei ao máximo me "aproximar" do Robson como antes.. acha que sou um objeto? -Isso não é verdade... -Ok.. como não havia nenhum de interessante apaguei todos e desliguei o computador. -Robson. Será que você pode me fazer esse favor? -Tudo bem. eu quero pedir perdão pra você. -Eu sei. -Todo ser humano que ama corre esse risco. eu sempre acabava sofrendo com tudo isso. 97 . sai do meu quarto. sai do meu quarto. Ele veio se aproximando de mim na tentativa de me beijar. Já passava das 00h e o sono já estava me pegando. Fiquei com um pouco de remorso ao vê-lo se levantar da cama com a cabeça baixa e o olhar triste. Depois de tomar banho só me enxuguei e ainda pelado liguei o computador pra checar o gabarito da prova. -Como assim? -Nada. quando ia me cobrir escuto alguém batendo na porta: -Pode entrar. os tempos mudaram. -Licença. -Por favor. quando ele fechou a porta do quarto me virei na cama e fiquei pensando se havia feito a coisa certa. fiz você sofrer. mas já estava quase. Você já estava dormindo? -Não. fui tomar um banho e dentro do box mesmo escovei os dentes com a água do chuveiro caindo nas minhas costas.. mal apareci on-line e o Adriano pediu minha atenção por um momento. Ele foi caminhando em direção a minha cama. o sentimento que eu sentia por ele era mais forte que amor de primo. Gostoso! Assim que ele encostou a porta eu fiz questão de trancá-la para não correr nenhum risco de ser pego de surpresa... -Desculpa. -Tenho sim... esse era meu medo. Lucas. vamos esquecer essa história? -Tudo bem.

.. -Lucas diz: É por quem eu to pensando? -Driko diz: Não sei quem você ta pensando. pois eu havia começado a trabalhar naquele momento. lenga. -Driko diz: 98 . -Lucas diz: Vou ser mais claro então.. logo quando começamos a namorar ele me pediu um celular de presente.. -Driko diz: É -Lucas diz: Só não entendo o motivo dessa sua lamentação. eu te avisei desde o começo que ele não valia nada. To sofrendo.... É pelo Hugo? -Driko diz: Humpft. -Lucas diz: Insinuando que já estava mais que na hora de você ir morar sozinho. Tudo bem? -Driko diz: To mal.. Adriano.. -Driko diz: Como assim? -Lucas diz: Foi você quem escolheu viver com ele...-Driko diz: Oi.... eu não tinha como dar um celular para ele.. -Lucas diz: Bom dia... você mereceu tudo isso. -Lucas diz: É pelo Hugo ou não? -Driko diz: É... -Lucas diz: E ele te fez sofrer? -Driko diz: Muito. foi ai que aconteceu nossa primeira briga. -Driko diz: Sim. Não importa quem é. -Lucas diz: Sofrendo por amor? -Driko diz: É.. -Lucas diz: Então quer dizer que vocês ficaram juntos mesmo. Ficamos todo esse tempo nessa lenga.. Depois ele vivia dando umas indiretas de que eu já estava bem grandinho pra morar com os pais..

cedo ou tarde você iria perceber.. -Driko diz: Lú pelo amor de Deus me perdoa? -Lucas diz: Adriano. pois um dia eu lhe avisei que o Hugo não prestava e você brigou comigo. Um dia eu te dei a oportunidade de escolher. não agarrou a oportunidade de ser feliz. me esnobando e optando pela pessoa que eu mais odeio. mas agora você viu que eu tinha razão. te mostrei o caminho. -Driko diz: Eu sei.. pára de pisar em mim por isso. mas você desprezou.. Agora que fiquei sabendo que vocês ficaram juntos eu sinto nojo de você. seu amigo por ser seu amigo não deveria nem se aproximar. 99 ... e você tendo 24 já sabe muito bem guiar os passos de sua vida. Pense bem daqui pra frente.. eu estou arrependido. -Lucas diz: Faça o que você achar melhor. mas acho que vou pedir desculpa.. -Lucas diz: “Você não pode voltar atrás e fazer um novo começo. já chorei demais ontem.. mas todo mundo te avisou. eu gosto demais desse moleque.. Você preferiu se levar pela sedução de um garoto de 16 anos.. eu sei que demorou. Mas sendo sincero com você.. seu amigo e o Hugo. você fez sua escolha e não tem volta. Vocês ainda estão namorando? -Driko diz: Nós brigamos. Fiquei muito mal quando soube que o Hugo transou com meu melhor amigo semana passada. -Lucas diz: Eu imagino. só pra me fazer sofrer. tinha tempo de cair fora. -Driko diz: que 3? -Lucas diz: Você.... -Driko diz: Mas Lucas. nunca mais quero ter contato com você. -Lucas diz: Sinceramente? Os 3 não valem nada. se você se deixou levar pelo Hugo foi por que quis. te abri a porta da felicidade. -Driko diz: O que você quer dizer com isso? Você me aceita de volta? -Lucas diz: NUNCA. mas pode começar agora e fazer um novo fim”. Não adianta colocar toda a culpa nele. -Lucas diz: Eu imagino. estou muito feliz com essa notícia. não só eu. está sofrendo porque quis.To sofrendo muito. -Driko diz: Eu to arrependido Lú. eu quero que vocês dois vão pro inferno.

.. agora eu preciso ir.. -Driko diz: Ah Lú...-Driko diz: Eu sei. -Driko diz: Não entendo por que pessoas como essas entram na vida dos outros e destroem a felicidade. pois ficar aqui escutando historias tristes não é comigo. o amor pelo seu corpo. meu ego foi às alturas quando fiquei sabendo que o Adriano estava muito arrependido do que havia feito. -Driko diz: Se você soubesse como me arrependo.. -Lucas diz: Só lamento. -Lucas diz: Sem lamentações. mas seria muita hipocrisia minha achar que só ele teve culpa.. ele é interesseiro assim? -Driko diz: Demais. -Lucas diz: Esse detalhe eu já não sabia. -Driko diz: Ele não deixou que nós fôssemos felizes.. eu sabia que cedo ou tarde ele viria me procurar.. Agora preciso ir. bom.. foi você que assim fez. Desconectei e deitei na minha cama pra refletir um pouco. e pra quê? C @ pítulo 28 100 ... foi você que escolheu deitar no conto dele. Hoje estou morando sozinho por causa do Hugo. a consciência? Qual a graça de roubar o namorado dos outros só pra satisfazer um prazer sexual? Não consigo entender... estou passando dificuldades. hoje estou sem ele e com meu nome em protesto. -Lucas diz: Eu sei que o que ele fez foi errado. você também tem culpa. ele em um ano destruiu três namoros que estavam indo muito bem. ele não fez tudo sozinho. Confesso que depois de ler os desabafos do Adriano conclui que o Hugo era pior do que eu imaginava. Ele só me chamava de “amor” quando eu tinha dinheiro.. só não tinha conhecimento do detalhe financeiro que o Hugo exigia de seus parceiros. me arrependo de ter saído da casa dos meus pais e ter trocado você por ele. fiz até empréstimo no banco pra dar tudo que ele me pedia. -Lucas diz: Faz parte da vida. transar com o amigo só pra fazer o outro sofrer? Onde é que está a dignidade. -Lucas diz: Ele não entrou na sua vida e a destruiu..

. ânsia de vômito.. provável que eu passe a tarde toda no shopping. -Obaaaaa... depois te dou uma resposta. -O que você está sentindo? -Enjôo. -Semana que vem nós vamos juntos... -Humpft. -Lú. ta? Te adoro.? -Oi Ro! -Você não vai? -Não. -Você está falando sério? -Sim -Então eu vou.. -Ta. -Acordaaaaaaaa. tão macio. no comecinho da noite comecei a ter fome. Nos vemos a noite. -Não estou me sentindo muito bem. -Ta ok. O Robson passou a tarde toda se preparando para ir a balada. preguiçoso do jeito que eu era abri a geladeira e peguei um iogurte de morango que a tia Helena havia comprado. vá você e divirta-se. -Agora me deixa terminar de fazer minhas abdominais.. Fiquei triste por não ter condições de ir com ele. com essa barriga linda e gostosa. Acabei adormecendo e quando o Robson chegou fez questão de me acordar. -Desculpa Ro... então decidi ficar em casa.Deixe o computador ligado e deitei no chão para fazer minhas abdominais.. -Ok. Lú.. Lucas. -Queria muito que você fosse... fique bem. deitado no sofá assistindo desenho eu comia biscoito e bebia iogurte.. -Mas já? -Vou comprar roupa. O Robson estava empolgadíssimo com a balada e eu queria muito acompanhá-lo... -Mas sem você não vai ser a mesma coisa. Concentrado na série de abdominais nem reparei quando o Robson entrou dentro do quarto: -Lucas.. ta.. estou me sentindo mal. Fui para meu quarto e deitei na minha cama depois de ter tomado meu remédio. mas pelo visto não teria como e não era justo atrapalhar sua noite. ainda inconformado com o fato de ser trocado pelo Hugo. -Eu também.. com aquele jeitinho maroto ganhei um beijo na testa. -Mas você nem precisa. estava coberto vendo tv quando o Robson entrou todo feliz. Vou me arrumar.. mas desse jeito eu não vou não. -Hahaha. -Vou pegar um remédio pra você tomar e melhorar antes de ir pra balada.. -Mas que cara é essa? Você está pálido. suave. antes de sair ele apertou minha mão 101 . Quer ir para a balada hoje? -Não sei.

tivemos que adotar o Robson. correr atrás dele e dizer: “Será que você não percebeu ainda que te amo?”. Eu fui ao médico hoje e ele disse que você tem como reverter esse problema. Na manhã seguinte logo quando acordei fui até o quarto do Robson espiá-lo. na terceira gaveta do armário havia uma caixa de primeiros socorros onde havia vários remédios. Lucas! -Bom dia. em que trocávamos carícias. Claro que essa noticia me tirou mais um peso da consciência. dando uma piscada de olhos antes de sair do quarto. poderíamos namorar sem culpa por ter laços de sangue. mas sim filho adotivo da tia Helena e do tio César. lá pelas 3 da manhã eu me levantei e fui até a cozinha procurar um remédio mais forte para ver se aliviava aquele embrulho no estômago.. e depois de saber que ele era "meio primo" se tornou um sonho possível. Era estranho eu estar apaixonado pelo meu próprio primo. aquela sombra que fazia nas curvas do seu corpo me faziam lembrar dos nossos momentos de carinho logo quando cheguei à São Paulo. Meu coração espremeu quando ele fechou a porta daquele quarto. sentei-me à mesa e dei um gole no suco quando a tia Helena chegou na cozinha arrastando a pantufa do Ursinho Puff que ela adorava.. olhando pro teto fiquei imaginando a noite inteira como seria namorá-lo. -Podemos sim. C @ pítulo 29 Encostei a porta bem devagar para não fazer barulho e acordá-lo. tive vontade de levantar da cama.. -Nós já fizemos uma vez e não deu certo..e encostou a porta. Voltei pro meu quarto e me joguei na cama feliz da vida. ter o Robson como primo era ótimo.. -Bom dia. andando na ponta dos pés fui até a cozinha pegar um copo de suco. já era hora dele saber sobre meus sentimentos e eu estava decidido a contar. se você fizer um tratamento. mas acabei me apaixonando e isso foi inevitável.. Pra mim foi um susto ouvir sem querer que o Robson na verdade não era meu primo. adormeci pensando nisso. tia! -Tem iogurte na geladeira? 102 . ao passar na frente do quarto dos meus tios ouvi uma discussão entre eles: -Eu quero ter outro filho. Não consegui dormir a noite toda com náusea. César. -Você desistiu na metade do tratamento. eu não via a hora dele acordar. às vezes eu achava que ele também gostava de mim. a luz do abajur estava acesa. eu conversei com o médico e ele disse que eu tenho condições de engravidar. mas tinha horas que eu achava que ele só sentia um carinho por mim. com esse tratamento sua quantidade de espermatozóides aumentaria e eu poderia engravidar. -Mas você sabe que não podemos ter filhos. por termos o mesmo sangue não sei se era certo. tê-lo como namorado era um sonho. altos beijos. César. de camiseta regata e cueca boxer branca ele dormia todo espalhado pela cama. após tomar dois comprimidos guardei a caixa dentro do armário.

Tenho uma coisa pra te contar. -O que.. não demorou muito e ele entrou no meu quarto todo feliz... Bom. no hospital os médicos fizeram uma cesariana e o Robson ficou uma semana em estado grave na incubadora... -Ai que bom. liguei o rádio e fiquei deitado no carpete do quarto cantando e esperando o Robson acordar. mas parece que a mãe do Robson levou um tiro do próprio pai dele quando ainda estava grávida. Quando me aproximei do berço e vi aquela criança miudinha. -Pois é. -Ah. mas ontem eu não pude deixar de ouvir.. Até eu fiquei emocionado. -Lú. vou tirar esse pijama e ver o que faremos pro almoço.. obrigado.? -Oi Ro. -Bom.... -Você está melhor? -To sim. sentou do meu lado e começamos a conversar. -Ah. quando toquei em seu bracinho ele segurou meu dedo com aquela mãozinha bem pequena com muita força e abriu levemente o olhinho direito. 103 . Na tv não tinha nada de interessante pra ver. mas é melhor a senhora não comer.. tia? -Desde quando ele tinha quinze anos.. ao sair do banheiro vesti uma roupa fresca.. mas não foram satisfatórios. Humpft. -Ro. Ele sabe disso... Desculpa.. -Ta bom...-Acho que tem dois. eu fiquei comovida com a história e fui visitar o bebê mais comentado do hospital... mas não resistiu e acabou morrendo. Foi uma história muito complexa a do Robson. fizemos alguns tratamentos. então peguei uma toalha e fui tomar um banho pra relaxar... -A senhora pode ou quer me contar? -Eu não sei ao certo o que aconteceu. toda minha concentração estava perdida nos pensamentos pelo Robson.. tia. frágil e indefesa comecei a chorar. -Tia. eu e seu tio não conseguíamos ter filho pelo método tradicional. o pai se matou logo em seguida e a mãe ainda ficou viva por umas duas horas.. -Então vou comer só essa salada de frutas. Enquanto a tia Helena foi pro seu quarto eu fui pro meu assistir um pouco de tv... pois ontem eu comi e me fez mal. então decidimos adotar uma criança. Quando chegaram no hospital o bebê ainda estava vivo dentro do corpo da mãe. naquele momento eu tive a certeza de que Deus acabara de me dar o filho que eu e o César tanto esperávamos. deitado na cama eu não conseguia prestar atenção em nada. olhou pra mim com aquele olhar que só ele sabia fazer. -E como a senhora conheceu o Robson? -Uma amiga minha que trabalhava no hospital me contou sobre o caso.. -Nossa. É.. -Nossa.... -Eu também Lú. Que tragédia. Lucas? -A senhora dizendo que adotou o Robson..

torça por mim.. vim te fazer companhia. Vou tomar um banho e depois vou ligar pra ele. -Eu estava. -Obrigado. Lú.. -Ah. Obrigado.. -Não tem o que agradecer. meu coração já estava aos cacos. sentei embaixo de uma árvore e fiquei lendo um livro.. mas claro que não dependia só de mim.. afinal.. No outro dia peguei o gabarito da prova que havia feito. Lú. 104 . Imprimi o resultado e deixei sobre a mesinha do computador... -Mas deixa pra lá. ele estava afim de um outro garoto e não de mim. não era nada... moído de tanto sofrer por quem nunca soube me dar valor. eu achava que o Robson também era afim de mim. -Pode falar.... o que eu queria era estar no lugar desse garoto.. -Assustou? -Claro. acho que agora mais que nunca você vai precisar. mas com a correria que vinham acontecendo os fatos até nem lembrava mais. me fazendo lembrar aquele tempo em que eu e o Robson nos entendíamos. ser desejado pelo Robson assim como eu o desejava. o que você queria me contar? -Nada de importante. -Mas você estava com raiva de mim.. você entrando assim. -Ok. -Bom.. vamos caminhar um pouco pra você melhorar. -Já disse. Conversamos um bom tempo. criei expectativas à toa. -E você está interessado nele? -Fiquei muito afim. Lucas. encher sua cabeça com mais preocupação não era minha intenção.. Vendo que ele estava feliz preferi ficar na minha e não falar nada.-Pode falar. C @ pítulo 30 Gostar de alguém é complicado.. -Fala você primeiro. Depois de um certo tempo passou um casal de garotos que me chamou atenção. ele é muito fofo. -Ta bom. É obvio que eu fiquei triste. fala você. entre um capitulo e outro meus pensamentos se perdiam em meio aquela natureza. principalmente quando não se é correspondido. Ro! -Limpe essas lágrimas. -Tá bem. mas nem se mostrou interessado por mim. no começo eu fiquei. mas depois passou. -Não. -Desculpa. já era pra eu ter pegado ha algum tempo. Robson. ontem eu conheci um menino tão gracinha. depois vesti uma roupa leve e fui dar uma volta no parque Villa-Lobos.

-Imagino sim. -Diga Robson. mostrei o álbum de fotos da família. ai eu contei que éramos primos. vamos. aí ele fechou o álbum e começou a me beijar.-Dormiu bem? -Na medida do possível sim e você? -Não dormi. Lú. Naquela situação eu não poderia mais falar dos meus sentimentos para o Robson. aí a gente foi se conhecendo. Algo que eu te fiz? 105 . vou adorar sair com você. embora fosse um amor não correspondido. -Eu o trouxe aqui pra te apresentar.. -Você tá bem? -Sinceramente? Não.. ao abrir a geladeira ouvi o barulho da porta da sala batendo. estava preocupado. Lú.. Ta um calor aqui que você não imagina. eu o amava tanto que não queria estragar sua felicidade. por isso preferi me calar... -Legal.. São momentos que jamais esquecerei. estou morrendo de saudade de você! -Hoje vamos para a balada? -Vamos. ta bom.. mas que já tínhamos ficado algumas vezes. -Ta bom. quando você volta? -Não vejo a hora de voltar. quando ele viu sua foto perguntou o que éramos.. -Eu também. algo que meu coração registrou como brasa em pele de gado. -Desculpa. fiquei velando seu sono a noite inteira.. -Me preocupo sim. era o Robson que acabara de chegar do seu encontro com seu "novo caso": -Luuuuuuuuuuuuuuuuu. -Eu estava louco para te apresentar aquele garoto que te falei. -Não faltarão oportunidades. porque gosto de você. -Não se preocupe. chega. -Ai ele é tão fofo.... coloquei o livro sobre a mesinha de centro da sala e fui até a cozinha beber um copo d'água. curtos momentos que eu poderia chamar de “A mágica do amor”. -Luuuuuuuuuuu. -Vamos tomar banho? -Juntos? -Sim. Robson. Ao chegar em casa não havia ninguém. por que não? -Ai Lú. aquelas alturas ele já estava afim de outro e eu mais uma vez como já era de se esperar fui jogado pra escanteio. sabe que no começo eu não botava muita fé que iria rolar algo entre nós.

lembra de quando ele aprontou comigo? -Lembro vagamente... Ele só finge. existem pessoas que nasceram pra fazer o mal. -Chega Lucas.... -Deixa-me sofrer. Entrei na internet e minha tela se encheu de mensagens. que adorava interferir na vida dos outros só para destruir os relacionamentos. brigue comigo depois se quiser. sentem prazer em destruir a felicidade das outras e assim era o Hugo. desculpa.. não liga. -Calma Lucas. C @ pítulo 31 O ser humano é incompreensível.. 106 . são neuras minhas. -Você seria capaz de brigar comigo por ele? -Lucas. Robson. O meu Hugo é muito fofo. mas o que eu disse foi suficiente para ele entender. você vai sofrer. se você continuar falando dele assim vamos perder nossa amizade. não disse diretamente.. jamais abandono as pessoas que amo.? -Quem é Hugo? -Meu novo namorado. Se fosse quem eu estava pensando a coisa ia ficar preta. -Esperai. Se um dia você se arrepender.. parece que o Robson caiu em si e se deu conta de que eu o amava. -Não falarei mais do Hugo na sua frente então. Eu já não agüentava mais ver aquele monte de desocupados me perguntando a mesma coisa. Confuso com toda a situação ele correu para seu quarto e bateu a porta. espalhando cacos de vidro por todos os lados.. decepcionado mais uma vez com a escolha do Robson. isso que não quero. Vai passar.. tenha certeza que estarei aqui pra te amparar.... mandei todo mundo pro inferno. Ele não vale nada... pulei os cacos de vidro do chão da cozinha e sai chorando. -Mas Robson. eu já havia cansado de esconder e só ficar insinuando..-Não.. -Tudo bem. até derrubei o copo com água no chão.. não era possível que aquele garoto entrou na minha vida mais uma vez pra interferir na minha felicidade. por quê? Ouvir aquele maldito nome foi como injetar uma ampola de adrenalina na minha veia. por favor. o que você disse? -Sobre. por favor. mas me deixe curtir esse momento. Não pode ser do mesmo Hugo que estamos falando. me tranquei no quarto e liguei o computador. havia várias pessoas querendo me perguntar a mesma coisa.. se ele estava pensando que iria se dar bem. pois a notícia do momento era o namoro do Robson com o Hugo. deixa-me viver em paz com ele. -Não.. um amor de pessoa. -Robson.. desculpa. infelizmente dessa vez a vítima era o Robson. não poderíamos estar falando do mesmo Hugo. dessa vez se enganou. Se afaste desse moleque. meigo. Não atrapalhe.. Robson. eu só quero ser feliz e sinto que serei ao lado dele. Nesse momento brotou um silêncio entre nós..

-NeNê diz: ele só quer te ferir e está usando seu primo pra isso. não me contendo de felicidade liguei pra minha mãe e dei a notícia de que iria estudar na Alemanha.. Mãe? -Oi filho.. peguei a folha da prova e comecei a comparar as respostas.. eu achava que nunca passaria naquela prova.. tudo bem com você? -Tudo ótimo.. Mais do que nunca tomei uma decisão em minha vida.. você foi aprovado. Desliguei o telefone feliz da vida. -Você é o Lucas? -Isso! -Parabéns Lucas..-NeNê diz: Lucas? -Lucas diz: fala -NeNê diz: vc já ta sabendo do namoro do seu primo com o Hugo? -Lucas diz: eu não quero saber e tenho raiva de quem sabe. Bloqueei todo mundo para não me amolarem com essa história e parei pra pensar. chorei. é o 5041. -Alô. Bom. -Lucas diz: já tentei avisar ao Robson. pulei. -Sério?. Tenho uma novidade. eu queria entender quando foi que eu fiz mal a esse garoto? Por que ele me perseguia dessa maneira? Seria inveja? Eu não sei...... tenho a consciência de que eu jamais o fiz algum mal. você tem o numero do canhoto? -Tenho.... Olhando para a mesa notei que o gabarito da prova estava ali esquecido.. -NeNê diz: desculpa. que era lutar pelo meu amor até onde fosse possível. pra ser sincero não quero mais saber. -Lucas diz: eu já imaginava.. depois de tudo anotado comecei a fazer os cálculos e quando eu vi que havia acertado 93% quase tive um infarto. agora preciso ir.. trancado no quarto eu gritei. obrigado pelo toque. Muito obrigado. já saiu o resultado da prova? -Já sim.. paciência. mas ele prefere fechar os olhos.. -Lucas diz: do que vc ta falando? -NeNê diz: os boatos que correm por aí é que o Hugo só está com o seu primo por que ele já ficou com vc. mãe! 107 . na mesma hora liguei para o consulado: -Oi. mas pensei que vc soubesse o motivo pelo qual o Hugo aceitou namorar seu primo.

-Mas ele sabe disso? -Hoje eu soltei uma indireta. Tenho estado tão triste. mas ao mesmo tempo tão ruim.. torci tanto por você meu filho. Eu descobri que amo o Robson. Não sei o que faz uma pessoa se sujeitar a uma situação tão estúpida como essa.. Se abra pra ele.. mãe. O Robson tentava beijá-lo e o Hugo desviava o rosto com repugnância. converse com ele. Mudando um pouco de assunto. -Mas meu filho. -Eu te amo meu filho. -Ah eu também mãe. é sofrer.. -Lucas. desabafe.. tenho um mês apenas para acertar a documentação e embarcar. meu filho? -Humpft.. seja claro e objetivo. -Eu não sabia que amar alguém era tão bom.. sempre que me sentia mal procurava os conselhos dela. -Dói ouvi-lo falando de outro na minha frente... -Somente pessoas sensíveis sabem e conseguem amar de verdade.. você vai me deixar? -Claro que não. o sinônimo de amar. Mas não se preocupe que eu volto. -Lucas? Você está chorando? -Ah mãe. -Também te amo mãe. -Por que. Uma semana depois fui a um barzinho encontrar os amigos para me despedir antes de viajar. deixei o meu sentimento de lado e observei como uma pessoa neutra. mãe... Mãe. acredito que ele tenha notado.. mãe... você é uma delas. Eu volto nas férias pra matar a saudade. meu filho. Qual? -Passei na prova de bolsa pra estudar na Alemanha. Beijo! -Outro! Desliguei o telefone mais aliviado depois de ter ouvido as palavras de conforto da minha mãe. -Que ótimo Lucas. parece que a senhora tem sempre a resposta que eu preciso ouvir.. Depois de um tempo o Hugo se levantou da cadeira e foi embora. -É tão bom conversar com a senhora. na maior cara de pau ele paquerava outro rapaz que estava atrás do Robson e ele nem se dava conta.. Ninguém fica ileso de amar sem ter chorado ao menos uma vez. Faz eu me sentir melhor. é preciso amar demais para ficar mendigando carinho e amor da outra pessoa. ficando somente o Robson e dois amigos dele. a senhora sabia que o Robson é filho adotivo da tia Helena? -Sim. coisa que eu jamais faria. conte tudo o que sente. -Vou sentir saudade... meu filho. sorte que eles não me viram. C @ pítulo 32 108 . logo quando cheguei acabei encontrando o Robson e o Hugo por lá. -Sim mãe. e depois deixe que ele decida. sentei em uma mesa bem longe e fiquei observando. conte com sua mãe sempre que precisar. -Meu filho.. por quê? -Por nada.-Novidade...

. -Não posso fazer isso. -Havia entrado numa suíte de motel. mas eu volto. -Hahaha. Robson. por favor? -Essa vermelha? -É.. -E o que você fez com ele? -Nada demais..... -Isso... -Mas e seu documento? -Era falso. eu fico. Se você disser que me quer. Estaria sendo egoísta. pois o RG dele era falso. -Da rua eu liguei pra policia e fiz uma denuncia de que um menor. -Mas você acha que pega alguma coisa? -No mínimo ele foi parar na delegacia. Pega aquela caixa ali pra mim. Você tem mesmo certeza que quer ir? -A única coisa que pode me impedir de partir é você.. eu queria muito que você ficasse. -Tem outra solução? -Vou sentir muito a sua falta..... vou conferir a hora que o avião sai. Lucas.. fiquei imune a esse tipo de pessoas que não valem nada.. -Eu também. -Não. sem que eu esperasse o Robson entrou no meu quarto... -Lucas espere. Agora preciso dar uma saída... dobrei todas as roupas e separei em cima da cama antes de arrumar tudo dentro da mala... -Sim? -Humpft. fechou a porta. Pense bem. -Depois de cair no golpe do Gabriel. Já pensou a cara da mãe dele em ter que ir buscar o filho na delegacia nessa situação? -Hahaha.. fique comigo". -Eu pensei que você estava gostando dele. Você achou mesmo que algum dia eu me interessei por ele? -E não? -Claro que não.. -Você está falando do Hugo? -Quem sabe... Acorda Lucas. o safado se jogou pra cima de mim. o levei pro Motel e enquanto ele dormia eu fui embora... só me deixei aproximar dele pra vingar você. Lú. mas vai ter com o que se distrair. Você estará acompanhado. 109 .. -Hahaha. ele ainda não tem 18 aninhos.. Eu amo você. encostou-se nela e com um ar de tristeza pediu para conversar comigo: -Você vai mesmo embora para a Alemanha?. Encostando ele na parede e falando boca com boca eu disse: -Então diga: "Lucas. jogo tudo pro alto só pra ficar junto de ti.Dois dias antes de embarcar para a Alemanha eu estava em meu quarto arrumando minhas coisas... era a chance que eu precisava pra zoar ele um pouco. não digo que seja em boa companhia. pelo que ele fez com você. você estaria lutando pela sua felicidade apenas. assim que ele soube que eu e você ficamos.. eu já tinha tudo esquematizado. -Aqui está.

-Você está indo em busca de um sonho. vou providenciar isso ainda hoje... fiquei me revirando na cama até dar 07h pra poder levantar. acabei nem dormindo direito durante a noite que antecedeu a viagem. Andei pela casa enquanto todos dormiam.. a trazendo para próximo do meu corpo e acariciando-a. com pessoas diferentes. -Se a gente se gosta.. hábitos e costumes diferentes. peguei aquela peça de roupa como se estivesse pegando o próprio dono. eu iria para um lugar desconhecido. -Olha só. às vezes uma lágrima insistia e escorregava pelo canto do olho. meu filho. -Alô. Lucas. gostaria muito de ficar. -O meu sonho é ser feliz. o Robson ficou sentado na beirada da cama olhando para as malas quase prontas. inferno? -Não tenho esse direito. Peguei o elevador e desci até o estacionamento. aproveitei também e verifiquei os procedimentos de embarque no check-in. sentei no sofá e fiquei pensando no que será que ela estaria se referindo. -Tudo bem. peguei meu celular e a carteira. o que ela iria pensar me vendo cheirando a jaqueta do Robson? -Você tem mesmo certeza que é isso que você quer.-Eu não posso fazer isso. eu vou com o coração apertado.. Lucas? -Humpft. Levei um susto quando a tia Helena colocou sua mão em meu ombro. Deixei as malas no canto do quarto.. Logo quando cheguei fui correndo telefonar pra minha mãe para avisar a hora que eu iria embarcar. tocava aqueles móveis que foram cenários dos melhores momentos que vivi desde que cheguei à São Paulo. enquanto ia dirigindo coloquei na rádio que eu costumava ouvir e fui o caminho todo ouvindo música e pensando em como seria minha vida na Alemanha com a minha família toda aqui. Finalmente chegou o dia de me despedir das pessoas que eu gostava e embarcar em rumo ao desconhecido. tia? -Pense bem. ficava na dúvida se conseguiria me adaptar. no caminho de volta pra casa acabei pegando o maior trânsito... às vezes me dava medo.. encostei a porta do quarto e saí.. na ponta do sofá havia uma jaqueta do Robson. Lú. -Eu sei. olhando dentro do seu olho eu suspirei. mãe. mas não tem jeito. Amo você! -Eu também te amo. pois ela viria me ver e acompanhar até o aeroporto.. Ela seguiu pro banheiro de cabeça baixa deixando uma incógnita. até pareceu ser 110 . peguei meu carro e seguindo direto pro Aeroporto de Cumbica... -Mas por que não. o avião vai partir do Aeroporto Internacional às 13h. -Será que dá tempo de chegar ai em São Paulo? -Se a senhora vier de avião sim.. -E você vai deixar de lutar pela sua felicidade? -Do que você está falando. mãe? -Oi Lucas.. só isso. É meu sonho tia. Verifiquei no balcão o horário de partida do vôo..

.. foi ali onde tudo começou... Tchau tia. a senhora não está um pouco atrasada? -Estou.... é que teve um problema no embarque e o avião ficou quase duas horas parado na pista. -Helena.. Ao ouvir a campainha tocar coloquei a foto dentro da mala e fui até a sala abrir a porta: -Bom dia mãe. saí do banheiro com a toalha enrolada na cintura. prefiro me despedir aqui mesmo. Tomei um banho demorado. com as pessoas que você for sair.... foi nele que chorei de tristeza e de alegria. Tirei o retrato de dentro do suporte e o trouxe para próximo do meu peito. foi dentro daquele pequeno cômodo que eu me descobri.. até parece minha mãe. ainda tenho algumas horas.uma indireta com suas frases não terminadas. -Tudo bem. Está pronto? -Estou.. não se esqueça do agasalho que lá faz muito frio. -Hahaha. lembrando em como aquele ambiente tem história. peguei uma roupa que havia separado para viajar e comecei a me vestir. -Pensei que você não vinha mais. -Tchau Lucas.. -Vamos meu filho.. foi nele que vivi meus melhores momentos desde que cheguei a São Paulo. olhamos um dentro do olho do outro e demos um abraço profundo. nós chorávamos juntos como duas crianças.. vamos embora então? Ainda tenho que despachar as malas. me desejando boa sorte. Você nos acompanha até o aeroporto? -Infelizmente não. nessa hora tirei do bolso uma moeda japonesa e lhe entreguei: 111 . a tia Helena me deu em beijo na testa e emocionada ela me deu conselhos. O tio César me puxou e me deu um abraço bem apertado.. cada objeto que por um bom tempo ficaria sem ver.. Juntei todas as malas em cima da cama e reparei que um porta retrato havia caído no chão.. -Bom dia meu filho. seria muito ruim ver meu menino indo embora e não poder fazer nada. Fui pro meu quarto tomar banho e começar a me preparar para a viagem. emocionado sentei na beirada da cama e fiquei olhando cada canto. Cuidado nos lugares por onde você for andar. -Bom.... -E você acha que eu iria ficar em paz sem dar um beijo no meu filho? -Você tem um filho precioso. dava para sentir as batidas do seu coração que estava acelerado.. bem coisa de tia preocupada.. -E você acha que eu não sei?. -Obrigado. A pior parte foi ter que me despedir do Robson. ao entrar no meu quarto fiquei emocionado. -Tchau Lucas. -Tchau tio. -Chega tia. com a mão direita eu segurava sua cabeça que estava apoiada em meu ombro.... te desejo uma boa viagem e sorte na sua nova carreira. coloquei de volta no lugar e notei que na foto estava eu e o Robson abraçados que tiramos uma vez que fomos no Museu do Imigrante logo que cheguei na cidade. seria meu último banho naquela casa..

Vou sentir saudades. num andar sincronizado e uniforme impecável.. Levei as malas para o check-in.. morar em São Paulo.. minha mãe se levantou e me deu um forte abraço. você é jovem ainda. com uma tristeza grande no olhar eu avistei os comissários passando e seguindo em direção ao portão 3... em meus pensamentos você se fará presente e se sentir necessidade da minha presença grite por mim.. aos poucos eles estavam me consumindo. abra sua janela que chegarei até você em forma de brisa. -Vamos. embarque no portão 3” A hora de embarcar chegou. Sentado no salão de espera eu estralava os dedos de ansiedade..... só de pensar que em alguns minutos eu estaria decolando. Toda vez que você sentir minha falta. jamais imaginei indo estudar na Alemanha. toque nessa moeda. -O que foi. É incrível como o mundo dá voltas... Te amo! 112 . Deus te acompanhe... ter meu próprio carro. Seria tão fácil se a gente gostasse de alguém que correspondesse. “Atenção passageiros do vôo com destino à Berlim.. assinei as etiquetas que eles colaram na alça e depois fiquei aguardando outra chamada para embarcar na aeronave. -Eu também.. te amo! -Lú. -Obrigado.. mãe? -Porque só existe felicidade onde existe amor. me apaixonar por um homem. me desejando boa sorte: -Filho. "Atenção passageiros do vôo com destino à Berlim. Chorei o tempo todo no caminho até o aeroporto. eles chamavam a atenção do aeroporto todo com aquela pose e elegância que só eles tinham. Lucas. pois meu coração continuou lá. -Humpft. minha alma chorava. -A senhora também. Se cuide.-Fique com isso. embarque no portão 3" -Já estão chamando... é impressionante como minha vida teve uma revira mudança.. minha mãe foi abraçada comigo dentro do táxi o tempo inteiro. tem muito tempo ainda pra se apaixonar. Peguei as malas e deixei aquele apartamento apenas de corpo. e se a falta for muito grande. eu não via a hora de embarcar logo naquele avião e acabar com tudo isso de uma vez. -Você também. que em pensamentos virei até você. meu filho? -Por que nós encontramos a felicidade nas coisas mais simples da vida.. Fique com Deus.. Chegando no aeroporto o motorista do táxi ia tirando as bagagens do porta-malas enquanto eu observava o decolar e pousar dos aviões. aqueles minutos de espera pareciam uma eternidade. mãe! -Se cuida. Lucas. -Será que algum dia eu saberei o que é ser feliz? -Mas é claro. mãe.

era o Robson que parava o aeroporto gritando por mim. Lucas.. -Eu também te amo Lucas. -Desde quando você me ama? -Eu sempre te amei e ainda não havia me dado conta. fica comigo? Eu fiquei sem reação.. me arrepio só de lembrar. dei um giro de 360º e vi o tio César e minha mãe também gritando pra eu ficar. um sorriso se abriu de ponta a ponta em minha face.Segui em direção ao portão 3. "Ultima chamada para o vôo com destino à Berlim. eu não esperava que ele viesse se despedir de mim no aeroporto.. onde demos um forte abraço e vários selinhos seguidos. -Eu te amo tanto Robson.. Fica.. na mesma hora larguei tudo que tinha nas mãos e corri ao encontro dele que correu em minha direção.. Lucas. fiquei olhando aquela foto e percebendo o quanto você já era importante em minha vida. -Robson? Veio se despedir de mim? Com a respiração ofegante... não vá. quando me virei não acreditei no que vi. sem saber o que dizer eu fiquei imóvel.. mas hoje assim que você saiu eu fui para o seu quarto arrependido por não pedir pra você ficar. mas pelo que podemos notar era que o pessoal gostou. por um momento olhamos olho no olho e sem se preocupar com quem estava em volta nos beijamos com toda aquela vontade que estava acumulada. aqueles gritos chamaram a atenção de todos que estavam ali. em cima da sua cama tinha uma foto nossa juntos que você deve ter esquecido... favor embarque no portão 3" -Lú. Fica. não deixe sua felicidade escapar. ele ficou parado olhando pra mim.... “Se você pedir eu fico”. -Ama? -Sim.. Incluindo a tia Helena que foi quem começou agitando. quando chegou minha vez de carimbar a passagem e passar pelo detector eu escutei alguém gritando meu nome: -Lucas. Na hora eu me assustei. foi quando minha mãe entrou no quarto e se sentou ao meu lado dizendo: “-Ainda dá tempo de você voltar atrás. correr atrás dela. pois todos começaram a aplaudir nosso ato de amor.. Fica? De repente o aeroporto todo começou a gritar: -Fica. lute por ela. reparei que junto com ele eu vi a tia Helena e o tio César: -Lucas espere. lembra? Então eu peço agora... abriu um sorriso no canto da boca e disse: -Não.. nunca é tarde pra se arrepender. sem nos importar com quem estava olhando." 113 .... Fica... havia uma pequena fila para passar pelo detector de metais. já que havíamos nos despedido em casa mesmo. foi o momento mais feliz da minha vida.

Oito meses se passaram. Todos os dias quando acordo e olho para o Robson dormindo ao meu lado eu penso: "Valeu a pena lutar por você. mas continuamos trabalhando na empresa do tio César. que para mim foi como um sinal. a tia Helena conseguiu finalmente engravidar pelo método natural como ela tanto queria. Mas então.. -Humpft. apenas a respiração de meu pai..... Fica. Então sua mãe já sabia sobre sua sexualidade? -Acho que sim. já minha mãe se mudou pra São Paulo e ficou sócia da tia Helena em uma doceria no Jardim Paulista. -Nossa. respirei fundo e o aeroporto todo começou a gritar novamente. Hoje eu e Robson vivemos sozinhos em um apartamento. Tudo que vivi serviu para me tornar o homem que sou hoje. Fica. Quando aceitei ficar com o Robson ainda no aeroporto.. Você ainda me quer? Nesse momento a moça que estava no portão de embarque interrompeu questionando se eu iria embarcar. tudo depende somente de nós e da nossa vontade. olhei para todos que estavam ao meu redor. Há alguns dias eu fiquei sabendo que o Hugo acabou apanhando de um cara que ele estava saindo e o Adriano continuava se arrastando por ele.. o senhor vai embarcar? -Fica. o meu celular avisou que havia uma nova mensagem na caixa postal.. mas o táxi já havia partido... mas na verdade não havia nada quando verifiquei.-Na mesma hora calcei um tênis e corri atrás de você. te amo!" 114 .. Vou ficar aqui com o meu amor. às vezes quando estou triste escuto na caixa postal do celular a respiração do meu pai que permanece lá até hoje e me conforta nos momentos difíceis. o avião precisa decolar.. quanto ao Gabriel nunca mais tive notícia. olhei para os olhos do meu amor e tomei uma decisão: -Senhor... peguei meu carro e vim voando pro aeroporto na esperança de ainda te encontrar e consegui... Não. Com tudo isso aprendemos que nunca é tarde para se arrepender e tentar ser feliz.

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