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Prefeitura Municipal de Rio Branco-Acre Prefeito Raimundo Angelim Vasconcelos Vice-Prefeito Eduardo Farias

Secretaria Executiva do Programa de Zoneamento Econômico, Ambiental, Social e Cultural de Rio Branco-AC - ZEAS

Grupo de Trabalho – GT

Secretário Municipal de Governo - SEGOV José Fernandes do Rêgo

Coordenadora Geral do Programa ZEAS Nádia W. Valentim Pereira Bióloga – M.Sc. Manejo Ambiental

Secretário Municipal de Meio Ambiente

Eixo Recursos Naturais

-

SEMEIA

Lúcio Flávio Zancanela do Carmo Geógrafo – M.Sc. Solos

Arthur Cézar Pinheiro Leite

Secretário Municipal de Agricultura e Floresta -SAFRA Mário Jorge da Silva Fadell

Marconde Maia Ferreira Biólogo – M.Sc. Ecologia

Diretor da Fundação Garibaldi Brasil - FGB Marcos Vinícius Simplício das Neves

Raimundo Nonato de Souza Moraes Engenheiro Agrônomo – M.Sc. Fitotecnia

Secretária Municipal de Planejamento

Sonaira Souza da Silva Engenheira Agrônoma

-

SEPLAN

Antônia Francisca de Oliveira

Neide Daiana Soares de Brito Bióloga

Secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais - SEMA Eufran Ferreira do Amaral

Eixo Cultural-político Wladimyr Sena de Araújo Antropólogo – M.Sc. Antropologia Social

Chefe Geral do Centro de Pesquisa Agroflo- restal do Acre - Embrapa Acre Judson Ferreira Valentim

Eixo Sócio-econômico Raimundo Cláudio Gomes Maciel Economista – Dr. Economia Aplicada

Técnica Administrativa Neuza Teresinha Boufleuer Bióloga – M.Sc. Ecologia

APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

Lúcio Flávio Zancanela do Carmo Sonaira Souza da Silva Raimundo Nonato de Souza Moraes

Programa de Zoneamento Econômico, Ambiental, Social e Cultural de Rio Branco-AC (ZEAS). Boletim Técnico, n. 010

Exemplares desta publicação podem ser obtidos no:

 

Programa ZEAS Rua Coronel Alexandrino, 301 – Bosque Rio Branco – AC – CEP: 69909-730 Telefones: +55 (68) 3211-2200/3211-2231 zeas@riobranco.ac.gov.br

Tiragem: 250 exemplares

Instituições colaboradoras Governamentais Centro de Pesquisa Agroflorestal do Acre – EMBRAPA ACRE. Universidade Federal do Acre – UFAC Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Acre - SEMA Secretaria de Estado de Agropecuária do Acre – SEAP

Revisores técnicos:

Marcelo de Oliveira Latuf–SEMA Judson Ferreira Valentim–EMBRAPA ACRE João Luiz Lani-NEPUT-UFV Neuza Teresinha Boufleuer–GT Programa ZEAS

Correção ortográfica e gramatical:

Não Governamentais Vectra Engenharia e Tecnologia da Informação Núcleo de Estudos de Planejamento e Uso da Terra (NEPUT)

Ana Maria Alves de Oliveira

Designer e diagramação:

Thiago Nicheli e Gilberto Lobo

Apoio Financeiro Banco da Amazônia Prefeitura Municipal de Rio Branco-PMRB

Fotos:

GT/ZEAS e Dhárcules Pinheiro

Geração de mapas:

 

Lúcio Flávio Zancanela do Carmo-GT Programa ZEAS Sonaira Souza da Silva-GT Programa ZEAS Kamilla Andrade de Oliveira-Bolsista SEMA-Programa ZEAS

Execução Prefeitura Municipal de Rio Branco-PMRB

1ª edição 1ª impressão, 2008.

Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610)

Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP)

Carmo, Lúcio Flávio Zancanela do Aptidão dos solos à mecanização agrícola no Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita, no Município de Rio Branco-AC./ Lúcio Flávio Zancanela do Carmo, Sonaira Souza da Silva, Raimundo Nonato

de Souza Moraes 42p.: il.

Rio Branco: PMRB, 2008. (Boletim de Pesquisa, 010).

Programa de Zoneamento Econômico, Ambiental, Social e Cultural de Rio Branco-AC, ZEAS.

1. Solo – Mecanização agrícola – Rio Branco (AC). 2. Solo – Uso – Rio Branco (AC). I. Título. II. Série.III. Silva, Sonaira Souza da. IV. Moraes, Raimundo Nonato de Souza.

CDD.21ed. 631.3098112

AUTORES

COLABORADORES

Sonaira Souza da Silva Engenheira Agrônoma Técnica do Programa ZEAS-PMRB. sonairasouza@yahoo.com.br

Mário Jorge da Silva Fadell-SAFRA/PMRB Jorge de Souza Rebouças-SAFRA/PMRB Marina Jardim-SAFRA/PMRB Eufran Ferreira do Amaral-SEMA Emanoel Ferreira do Amaral-VECTRA Nilson Bardales-EMBRAPA ACRE Edson Alves de Araújo-SEAP/SEMA João Luiz Lani – NEPUT/UFV

Lúcio Flávio Zancanela do Carmo Geógrafo, M.Sc. em Solos e Nutrição de Plantas Técnico do Programa ZEAS-PMRB lucio.geo@ufv.br

Raimundo Nonato de Souza Moraes Engenheiro Agrônomo, M.Sc. em Fitotecnia Técnico do Programa ZEAS-PMRB moraes.rns@gmail.com

SUMÁRIO

 

LISTA DE FIGURAS LISTA DE TABELAS RESUMO ABSTRACT INTRODUÇÃO

16

MATERIAL E MÉTODOS

18

1

ÁREA DE ESTUDO

26

2

APTIDÃO À MECANIZAÇÃO

26

2.1

Mapa de Solos

28

2.2

Classificação das Fragilidades Edáficas

31

2.3

Análise por Geoprocessamento (Avaliação de Pesos e Notas)

35

2.4

Validações Internas e Externas

38

RESULTADOS

42

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

45

REFERÊNCIAS

48

LISTA DE FIGURAS

Figura

1

Localização do Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita no município de Rio Branco-AC

19

Figura

2

Fluxograma esquemático da geração das Classes de Aptidão à Mecanização

27

Figura

3

Reuniões de validação interna com técnicos do ZEAS e da SAFRA/PMRB, ocorridas em Salas de Reunião da Prefeitura Municipal de Rio Branco no Bosque

29

Figura

4

Validação de campo: áreas de Restrição Mo- derada, mecanizadas em 2007, com plantio de Arroz (à esquerda) e de Mucuna como prá- tica de conservação de solo (à direita), no Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita no município de Rio Branco-AC

32

Figura

5

Classes de aptidão dos solos à mecanização no Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita no município de Rio Branco-AC

34

Figura

6

Aptidão dos solos à mecanização no Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita no município de Rio Branco-AC

35

LISTA DE QUADROS

Tabela 1

Parâmetros morfológicos avaliativos da aptidão

 

dos solos à mecanização

agrícola

30

Tabela 2

Parâmetros físicos avaliativos da aptidão dos

solos à mecanização

agrícola 33

Tabela 3

Caracterização das classes de aptidão à meca-

 

nização

agrícola

39

Tabela 4

Viabilidade de melhoramentos indicada por clas-

se de aptidão à mecanização

agrícola

41

Tabela 5

Notas por classe de aptidão à mecanização agrí- cola

43

por classe de aptidão à mecanização agrí - cola 43 Área mecanizada para cultivo. Foto: Dhárcules

Área mecanizada para cultivo. Foto: Dhárcules Pinheiro (2008).

APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

Lúcio Flávio Zancanela do Carmo Raimundo Nonato de Souza Moraes Sonaira Souza da Silva

RESUMO: O estudo da aptidão dos solos para mecanização agrícola nas áreas desmatadas do Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita tem o objetivo de fornecer informação técnica visando o propósito de reconciliar a produção agrícola com a conservação dosrecursosnaturais.Esteestudofoipautadonaanáliseintegrada por geoprocessamento dos dados dos parâmetros avaliados das diferentes classes de solos identificadas no Pólo. Para a determinação da aptidão à mecanização foram interpretadas e modeladas as características morfológicas e físicas dos solos componentes desta área. Dentre as características morfológicas foram utilizadas as variáveis: profundidade do solum, drenagem e relevo e, dentre as características físicas:

textura e pedregosidade. As áreas desmatadas do Pólo foram divididas em quatro classes de aptidão à mecanização: restrição leve, restrição moderada, restrição moderada a severa e inapta. Como principal resultado deste estudo obteve-se o Mapa de Aptidão dos Solos à Mecanização para o Pólo, na escala de 1:10.000, indicando cartograficamente as terras com suas respectivas classes de aptidão e numericamente o quanto cada classe ocupa (hectare) e representa (%). As quatro categorias de aptidão para a agricultura mecanizada possuem a seguinte participação na área total desmatada do Pólo: Restrição Leve, com 3%; Restrição Moderada, com 5%; Restrição Moderada a Severa, com 66%; e Inapta, com 3%. As áreas das classes com Restrição Leve e Restrição Moderada representam 8% do total das áreas convertidas do Pólo, até 2005. Recomenda-se priorizar as ações de mecanização agrícola e de intensificação dos sistemas de produção para estas áreas, desde que sejam consideradas as práticas de conservação de solo e água.

Esta estratégia permitirá conciliar o aumento da produção agropecuária e agroflorestal com a geração de emprego e melhoria da qualidade de vida da população rural e com o abastecimento de alimentos para a população urbana de Rio Branco. Nas áreas com Restrição Moderada a Severa, que compreendem a maior porção territorial (66%), a mecanização mostra-se praticamente inviável, pois o custo benefício, tanto num viés econômico quanto ambiental, será desfavorável.

Termos para indexação: manejo do solo, uso da terra, recursos naturais, produção agroflorestal.

Área de residência com quintal agroflo- restal e açude para criação de peixes. Foto: Dhárcules Pinheiro (2008).

SOIL POTENTIAL FOR MECHANIZED AGRICULTURE IN THE GERAL MESQUITA AGROFORESTRY SETTLEMENT, IN RIO BRANCO-AC

ABSTRACT: The study of the soil potential for mechanized agriculture in the Geraldo Mesquita Agroforestry Settlement had the objective of providing technical information for the achievement of the dual purpose of reconciling agricultural production with the conservation of the natural resources. This study was based on integrated analysis of data of the parameters evaluated in the different soil classes identified in this settlement using geographic information systems. In order to determine the soil potential for mechanized agriculture the morphological and physical soil characteristics o the settlement were interpreted and modeled. Among the morphological characteristics used were soil depth, soil drainage and relief. Among the physical characteristics used were soil texture and pedregosidade. The deforested areas of the settlement were divided in four classes of potential for mechanized agriculture: Light Restriction, Moderate Restriction, Moderate to Severe Restriction and Inadequate. The main product of this study was the Map of Soil Potential for Mechanized Agriculture, in a 1:10.000 scale, indicating cartographically the areas with their respective classes of potential and, numerically, how much each class occupies (hectares) and represents (%). The four classes of potential form mechanized agriculture occupy the following proportion of the deforested area of this settlement: Light Restriction with 3%; Moderate Restriction with 5%; Moderate to Severe Restriction with 66%; and Inadequate with 3%. The areas with Light Restriction and Moderate Restriction represent 8% of the total area deforested in this settlement until 2005. These areas are recommended as priority for programs o mechanized agriculture for the establishment of intensive agricultural production systems in association with management practices aimed at soil and water conservation. This strategy will contribute to reconcile the increase in agricultural and agroforestry production, creation of new jobs, improvement in living conditions of the rural population

and of the food supply for the urban population of Rio Branco. In the areas with Moderate to Severe Restriction, which represent most part of the territory of the settlement (66%), mechanized agriculture is almost unviable, because the economic and environmental trade-offs are unfavorable.

Index terms: agroforestry production, land use, natural resources, soil management

Transporte de pessoas e produtos Foto: Dhárcules Pinheiro (2008).

INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO

A utilização agronômica sustentada das terras requer o conhecimento de suas características intrínsecas e extrínsecas, permitindo avaliar, cientificamente, sua real capacidade de suporte, bem como sua vulnerabilidade e seu manejo adequado. Este procedimento tem por finalidade prolongar ou mesmo aumentar o potencial produtivo dos recursos naturais, ao mesmo tempo preservando sua integridade e conservando-os para as gerações futuras. A análise da aptidão dos solos à mecanização agrícola de uma determinada área mostra-se como ação fundamental para a utilização agronômica sustentável das terras sendo importante para efetivar a realização de agricultura de precisão, buscando

identificar, “cirurgicamente”, áreas com diferentes potenciais e fragilidades à mecanização agrícola. Nas últimas décadas, tem se observado uma tendência de modernização da agropecuária, sendo a mecanização da agricultura um dos principais elementos nesse processo (NOGUEIRA, 2001). De modo geral, uma família, com lotes com área média de 4,5 ha, como os do Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita, utilizando apenas simples ferramentas como enxada, terçado, machado e foice, não consegue obter da produção agrícola

o necessário para sua subsistência e geração de renda. Não

é por outra razão que os assentados da reforma agrária e os

agricultores familiares pressionam o Governo pelo crédito adequado à mecanização. Ela é, assim, um dos fatores

indispensáveis para a plena ocupação do estabelecimento

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17

e para um padrão de vida mais elevado dos proponentes da agricultura familiar.

As máquinas e equipamentos são indispensáveis para se

realizar as tarefas dentro do calendário ótimo e de acordo com as variações climáticas, além de proporcionar maior conforto para os trabalhadores rurais, otimização dos esforços, redução dos custos de produção e melhora na qualidade dos produtos (NOGUEIRA, 2001). O município de Rio Branco, capital do estado do Acre, tem 88% de sua população ocupando a área urbana, concentrando também o principal parque industrial do Estado, o que pode justificar a presença deste grande contingente populacional.

Assim, as tecnologias da agricultura familiar devem propiciar à família a capacidade de produção de excedente que remunere seu trabalho, competitivamente, em relação às opções da cidade e em linha com suas aspirações, as quais crescem rapidamente com o grau de instrução, evitando assim o Êxodo Rural 1 .

No dia 10 de março de 2006, a Prefeitura de Rio Branco,

por meio do Decreto n. 1.076, de 10 de março de 2006, instituiu

o Zoneamento Econômico, Ambiental, Social e Cultural de Rio Branco (ZEAS) (RIO BRANCO, 2006). Este Programa

de Zoneamento Municipal tem como objetivo contribuir para

o planejamento e reorientação das políticas públicas, dando

suporte à gestão territorial e subsidiando a tomada de decisões do setor privado e da sociedade em geral, visando promover o

desenvolvimento sustentável e eqüitativo do Município.

O ZEAS vem trabalhando na escala estratégica de

1:100.000 para todo o Município e nas escalas operacionais de 1:50.000 para o Seringal São Francisco do Espalha e 1:10.000

APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO

18 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

para os Pólos Agroflorestais. Entre os vários estudos realizados pelo Programa ZEAS nos Pólos Agroflorestais, destaca-se o de Indicação da Aptidão dos Solos para Mecanização Agrícola no Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita. Buscou-se com este estudo dar subsídios às ações do Governo, principalmente na esfera Municipal, no sentido de disciplinar a produção agrícola nas áreas rurais já desmatadas do Município, apoiando-se em fatores como: pressão de uso

da terra, necessidade de melhorar a produtividade das culturas, minimização dos impactos negativos nos recursos naturais, preservação das áreas de reserva legal e manutenção das Áreas de Preservação Permanente (APP) e reincorporação ao processo produtivo as áreas de capoeiras e de pastagens abandonadas, dos variados estágios de degradação.

O principal objetivo deste trabalho foi identificar, dentre

as áreas já convertidas e desmatadas, a aptidão dos solos para a realização de mecanização agrícola, tendo como princípio o melhoramento e manutenção do binômio: produção agrícola- conservação dos recursos naturais.

MATERIAL E MÉTODOS

MATERIAL E MÉTODOS
MATERIAL E MÉTODOS
MATERIAL E MÉTODOS

1 ÁREA DE ESTUDO

1 ÁREA DE ESTUDO
1 ÁREA DE ESTUDO
1 ÁREA DE ESTUDO

O Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita possui uma área

registrada de 216 ha, com aproximadamente 57 famílias, tendo

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19

em média 4,5 ha por lote. Este Pólo dispõe de uma localização privilegiada, situando-se, praticamente, dentro dos limites urbanos do município de Rio Branco (Figura 1). Sua localização estratégica, limítrofe aos bairros Floresta e Calafate, mostra-se como uma variável positiva na efetivação das relações comerciais, sociais e culturais com o núcleo urbano de Rio Branco. Seus limites compreendem as coordenadas 2 8896306 e 8893659 de latitude Sul e 624274 e 621487 de longitude Oeste.

de latitude Sul e 624274 e 621487 de longitude Oeste. Figura 1. Localização do Pólo Agroflorestal

Figura 1. Localização do Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita no mu- nicípio de Rio Branco-AC.

As estradas que dão acesso ao Pólo são asfaltadas e as internas, de terra, encontram-se em bom estado de conservação.

2 As coordenadas indicadas são métricas – Universal Transversa

de Mercator (UTM). Indicadas para áreas pequenas como os Pólos Agro- florestais, pois este tipo de coordenadas conserva os ângulos da figura em relação à realidade do terreno.

APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO

20 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

Vale ressaltar que não há Unidades de Conservação na área onde se localiza o Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita. Este Pólo apresenta como áreas limítrofes a área urbana de Rio Branco (bairros) e pequenas propriedades rurais, com predominância da atividade agropecuária, com ênfase na pecuária extensiva.

2 APTIDÃO À MECANIZAÇÃO

2 APTIDÃO À MECANIZAÇÃO
2 APTIDÃO À MECANIZAÇÃO
2 APTIDÃO À MECANIZAÇÃO

Para a determinação dos níveis de aptidão à mecanização para o Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita, foram adaptados métodos e parâmetros, componentes dos estudos sobre aptidão à mecanização do estado do Acre (PACHECO et al., 2001), e componentes dos Sistemas de Classificação de Terras e Capacidade de Uso (BENNEMA et al., 1965; MARQUES, 1971; LEPSCH et al., 1983; RAMALHO FILHO et al., 1983; RAMALHO FILHO e BEEK, 1995). A análise integrada por geoprocessamento dos dados analíticos (parâmetros avaliativos) foi baseada nos preceitos do Sistema de Análise Geo-Ambiental por Geoprocessamento do SIG SAGA/UFRJ 3 (XAVIER-DA- SILVA, 2001). As etapas metodológicas da geração da aptidão à mecanização encontram-se esquematizadas na Figura 2 e detalhadas nos subitens 2.1, 2.2, 2.3 e 2.4.

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21

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Figura 2. Fluxograma esquemático da geração das Classes de Apti-
dão à Mecanização.
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2.1 Mapa de Solos
O estudo da aptidão à mecanização baseou-se no Mapa
de Solos do Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita, na escala de
1:10.000 (RIO BRANCO, 2007).
Estudos de levantamento, classificação e distribuição
espacial dos solos são fundamentais no tocante ao planejamento
ambiental de áreas, principalmente rurais, permitindo o
conhecimento dos condicionantes dos solos que interferem
diretamente no seu uso e manejo adequados (CARMO et al.,
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2005).
Com o mapa de solos do Pólo realizou-se a modelagem
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APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO

22 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

do banco de dados geográficos 4 atrelado ao mapa em um arquivo Shapefile. Este banco de dados, atrelado ao mapa de solos, contém informações das características e variáveis dos solos que compõem a área de estudo. As características podem ser divididas em químicas, físicas e morfológicas. Para a determinação da aptidão à mecanização foram interpretadas e modeladas as características morfológicas e físicas dos solos componentes do Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita. Dentre as características morfológicas foram utilizadas as seguintes variáveis: profundidade (somente a profundidade do solum 5 ), drenagem 6 e relevo 7 e, dentre as características físicas:

textura 8 e pedregosidade 9 . A interpretação do levantamento de solos é uma tarefa da mais alta relevância para a utilização racional desse recurso natural na agricultura. Com a interpretação e modelagem dos dados de solo as terras podem ser classificadas de acordo com sua aptidão para as diversas culturas, sob diferentes condições de manejo e viabilidade de melhoramento com o uso de novas tecnologias.

4 Informações sobre os solos, inseridas em uma tabela de atributos

em que cada dado possui referência sobre sua localização em relação à superfície da terra. Neste caso, as classes de solos e suas respectivas ca- racterísticas.

5 Dentro do perfil do solo, consideram-se somente os horizontes ge- néticos, em geral representados pelos horizontes A, E, B e seus transicionais e alguns horizontes H e C (SANTOS et al., 2005).

6 As classes de drenagem referem-se à quantidade e rapidez com

que a água recebida pelo solo se escoa por infiltração e escorrimento, afe- tando as condições hídricas do solo (EMBRAPA, 2006).

7 O relevo refere-se às classes de declividade indicadas por SANTOS

et al., 2005 e EMBRAPA, 2006.

8 A parte inorgânica (sólida) é constituída de diferentes tamanhos:

argila, silte, areia, cascalhos, calhaus e matacões. Em solos, refere-se à proporção das frações argila, silte e areia (RESENDE et al., 2002).

9 Em Rio Branco, a pedregosidade refere-se, principalmente, à pre-

sença de concreções (piçarras).

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APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO

24 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

2.2 Classificação das Fragilidades Edáficas

2.2 Classificação das Fragilidades Edáficas
2.2 Classificação das Fragilidades Edáficas
2.2 Classificação das Fragilidades Edáficas

De acordo com RESENDE et al. (2002), o solo ideal seria aquele que não apresentasse problema algum de deficiência de nutrientes ou fertilidade, nem deficiência de água, de oxigênio, de drenagem, de suscetibilidade à erosão e, nem tampouco, oferecesse dificuldades ao uso de máquinas agrícolas. Considera-se, no entanto, que solos ideais não existem. Mesmo em estado natural, os solos não são completamente aptos às diferentes práticas agropecuárias. E isso não é diferente para a mecanização agrícola, pois os solos irão apresentar níveis distintos de limitações a esta prática e são esses níveis que estão refletidos nas classes de aptidão geradas neste estudo. A classificação das fragilidades edáficas refere-se a uma classificação das características dos solos em relação à prática de mecanização agrícola. Tanto as características morfológicas como as físicas foram estratificadas e classificadas em cinco classes de aptidão à mecanização: Apta (A), Restrição Leve (RL), Restrição Moderada (RM), Restrição Severa (RS) e Inapta (I). As Tabelas 1 e 2 mostram a classificação das variáveis estratificadas.

(RM), Restrição Severa (RS) e Inapta (I). As Tabelas 1 e 2 mostram a classificação das
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25
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Tabela 1. Parâmetros morfológicos avaliativos da aptidão dos solos à
mecanização agrícola.
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Fonte: Adaptado de: PACHECO et al. (2001) RESENDE et al. (2002), SAN- TOS et al. (2005), EMBRAPA (2006).

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APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO

26 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

Tabela 2. Parâmetros físicos avaliativos da aptidão dos solos à meca-

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nização agrícola.

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Fonte:   Adaptado de PACHECO et al. (2001), RESENDE et al. (2002), SANTOS et
Fonte:
 
Adaptado de PACHECO et al. (2001), RESENDE et al. (2002),
SANTOS et al. (2005), EMBRAPA (2006).
A classificação de Apta a Inapta apresentada nas Tabelas
1 e 2, para as variáveis edáficas utilizadas na determinação da
aptidão à mecanização, foi adaptada para a realidade, de certa
forma singular, da composição pedogenética 10 do município de
Rio Branco e, especificamente, dos Pólos Agroflorestais.
Os parâmetros avaliativos (drenagem, relevo e
profundidade, entre as variáveis das características
morfológicas e concreções e textura entre as variáveis das
características físicas), utilizados para definir a aptidão à
mecanização dos solos do Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita,
foram estratificados e enquadrados em classes, considerando
a descrição da Tabela 3.



              
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10
Composição da formação e evolução dos solos.
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 

27 ZEAS Tabela 3. Caracterização das classes de aptidão à mecanização agrícola.   
27
ZEAS
Tabela 3. Caracterização das classes de aptidão à mecanização
agrícola.
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Fonte: Adaptado de PACHECO et al. (2001), RESENDE et al. (2002), SAN-
TOS et al. (2005), EMBRAPA (2006).


Acompanhando os níveis de limitações à mecanização
agrícola estão as possibilidades de manejo e melhoramentos
para a consolidação da mecanização com ganhos produtivos
e ambientais. As classes de manejo e viabilidade de
melhoramentos indicadas por classe de aptidão a mecanização
agrícola encontram-se na Tabela 4.
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
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Tabela 4. Viabilidade de melhoramentos indicada por classe de apti-
dão à mecanização agrícola.
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Observação: a classe Apta (A), não necessita de melhoramentos para viabilizar
uma mecanização adequada.
 

 

APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO

28 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

2.3 Análise por Geoprocessamento (Avaliação de Pesos e Notas)

2.3 Análise por Geoprocessamento (Avaliação de Pesos e Notas)
2.3 Análise por Geoprocessamento (Avaliação de Pesos e Notas)
2.3 Análise por Geoprocessamento (Avaliação de Pesos e Notas)

A tecnologia de Sistemas de Informação Geográfica (SIG), dada sua capacidade para armazenar, gerenciar e analisar diversos tipos de dados espacialmente referenciados, mostra-se como importante instrumento na realização de consultas e análises, gerando novas informações e permitindo uma melhor visualização da distribuição espacial de fenômenos demográficos, sociais, econômicos, agronômicos e ambientais (CARMO, 2006; CATÃO e SARTOR, 2001). Aanáliseporgeoprocessamentodaaptidãoàmecanização do Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita, no município de Rio Branco-AC, envolveu, inicialmente, a adequação cartográfica das bases do Programa ZEAS, em relação à escala (1:10.000) e às projeções cartográficas (UTM SAD 69). Foram utilizadas bases como: solos, limites municipais, perímetro do Pólo, rede de drenagem, vias de circulação, Áreas de Preservação Permanente (APPs), uso e cobertura do solo, dentre outras. Aobtenção das classes de aptidão à mecanização baseou- se em procedimentos metodológicos de “Pesos e Notas”. Com base no mapa de Solos da área e no banco de dados modelado por variáveis edáficas (drenagem, relevo, profundidade, concreções e textura) para cada unidade de mapeamento de solo 11 , atribuiu-se as notas para cada categoria/ legenda, tendo variação de 1 a 10. As notas foram atribuídas às classes de aptidão à mecanização, sendo que as características mais aptas receberam as menores notas e as menos aptas, as

11 Área de distribuição geográfica de, no mínimo, uma classe de solo

como corpos naturais, determinados por um conjunto de relações e proprie- dades observáveis na natureza.

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
29
ZEAS
maiores,  como descritas na Tabela 5.
Tabela 5. Notas por classe de aptidão à mecanização agrícola.

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informação   (mapas temáticos).    O  total  dos planos   de  informação
vale 100%. Assim, a distribuição dos valores por mapa temático
é relacionada   à  importância   da temática  dentro  da análise,   neste
caso, aptidão à mecanização para o Pólo Agroflorestal Geraldo
 Mesquita. Os planos de informação utilizados nesta análise
foram os mapas de variáveis morfológicas e de variáveis físicas,
ambos após atribuição das notas. Para a análise em questão,


foram atribuídos 70% para o mapa de variáveis morfológicas e

30% para o de variáveis físicas. Após atribuição das notas para as categorias/ legendas e pesos para os planos de informação (mapas temáticos), realizou-se o cruzamento dos mapas. O cruzamento dos mapas temáticos foi realizado em ambiente de Sistemas de Informação Geográfica (SIG), utilizando-se o software ArcGIS 9.2 no módulo de operações ArcMap. Após o cruzamento, que considerou e realizou as operações matemáticas de pesos e notas para cada área do terreno, obteve-se o mapa preliminar de Aptidão à Mecanização Agrícola para o Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita. Além do mapa com informações especiais, foram gerados dados

APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO

30 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

numéricos (hectare e percentagem) das áreas ocupadas por cada classe de aptidão.

2.4 Validações Internas e Externas

2.4 Validações Internas e Externas
2.4 Validações Internas e Externas
2.4 Validações Internas e Externas

As validações referem-se às comparações do resultado da análise da aptidão à mecanização agrícola (mapa) com a realidade natural do terreno do Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita. As validações contaram com duas frentes de ações, uma interna e outra externa (em campo). A validação interna foi realizada através de reuniões entre os técnicos do Programa ZEAS e os da Secretaria de Agricultura e Floresta (SAFRA) da Prefeitura Municipal de Rio Branco, responsáveis por ações de mecanização agrícola e de extensão rural nos Pólos Agroflorestais. A troca de experiência com os executores da mecanização na área rural do Município foi fundamental para a maior aproximação dos dados obtidos na análise com a realidade, referente à aptidão à mecanização das áreas analisadas (Figura 3).

aptidão à mecanização das áreas analisadas (Figura 3). Figura 3. Reuniões de validação interna com técnicos

Figura 3. Reuniões de validação interna com técnicos do ZEAS e da SAFRA/PMRB, ocorridas em Salas de Reunião da Prefeitura Municipal de Rio Branco no Bosque.

ZEAS

31

A validação externa, ou de campo, foi parte primordial para a consolidação do diagnóstico da aptidão à mecanização deste Pólo. Com esta validação de campo buscou-se “lapidar” o mapa produto deste estudo. Na validação de campo, o Pólo foi percorrido com o objetivo de comparar as informações geoespaciais (classes de aptidão à mecanização do mapa) com a realidade do terreno, em seus diversos ambientes, heterogêneos em solo, relevo e hidrografia. Além da comparação dos dados do mapa com a composição geofísica do terreno, foram coletadas informações georreferenciadas de áreas mecanizadas em anos e meses anteriores, áreas a serem mecanizadas e áreas degradadas por mecanizações equivocadas. A validação do resultado do mapa com os dados de campo foi feita por técnica de navegação em tempo real, ajustando-se um GPS de navegação (modelo GARMIN 60 CSX) a um Laptop, utilizando o software Trackmaker PRO. Em todas as classes de aptidão foram colhidas amostras georreferenciadas com informações da realidade natural do terreno, bem como outras informações importantes para a validação. Juntamente com a obtenção de amostras georreferenciadas foram realizadas amostras do solo, com o uso de um Trado Holandês, verificando assim alguns aspectos naturais dos solos. As imagens da Figura 4 representam ações de validação em campo no Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita.

APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO

32 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

PÓLO 32 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC Figura 4. Validação de campo: áreas de Restrição

Figura 4. Validação de campo: áreas de Restrição Moderada, meca- nizadas em 2007, com plantio de Arroz (à esquerda) e de Mucuna como prática de conservação de solo (à direita), no Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita no município de Rio Branco-AC.

prática de conservação de solo ( à direita), no Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita no município de

ZEAS

33

RESULTADOS

RESULTADOS
RESULTADOS
RESULTADOS

Os indicativos da aptidão à mecanização no Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita só irão considerar as áreas convertidas, áreas que já sofreram algum tipo de alteração antrópica 12 , como áreas de pastagem, capoeira, agricultura, solo exposto, de habitação, entre outras. Os indicativos também não irão considerar Áreas de Preservação Permanente (APPs), conforme CONAMA, pela Resolução n. 303/2002 13 , a qual dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente (BRASIL, 2002). Asáreasocupadasporfragmentosdeflorestasrepresentam 6% (13 ha) do total da área do Pólo (Figura 5) e se distribuem, principalmente, pela sua borda oriental e leste, apresentando também uma mancha na porção norte (Figura 6).

também uma mancha na porção norte (Figura 6). Figura 5. Classes de aptidão dos solos à

Figura 5. Classes de aptidão dos solos à mecanização no Pólo Agro- florestal Geraldo Mesquita no município de Rio Branco-AC.

12 Alterações no ambiente natural causadas por atividades humanas,

tanto de caráter produtivo como doméstico.

13 De acordo com o CONAMA, Resolução n. 303, de 20 de março

de 2002, as Áreas de Preservação Permanente são espaços especialmen- te protegidos, tratados como instrumentos de relevante interesse sócio-am- biental, integram o desenvolvimento sustentável, objetivo das presentes e futuras gerações.

APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO

34 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

Figura 6. de Aptidão dos solos à mecanização no Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita no município
Figura 6. de
Aptidão
dos solos à mecanização no Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita no município
Rio Branco-AC.

ZEAS

35

AsÁreasdePreservaçãoPermanente(APPs)compreendem

13% do Pólo (Figura 5), sendo distribuídas entre as faixas marginais dos igarapés, nascentes e açudes (Figura 6).

As melhores áreas para mecanização no PóloAgroflorestal

Geraldo Mesquita foram classificadas como Restrições Leves

(RL), compreendendo os solos mais desenvolvidos do Pólo (Argissolos Vermelho-Amarelos), onde pelo menos uma característica, de ordem física ou morfológica, apresenta restrição à mecanização, sendo neste caso, a capacidade de drenagem do solo. Esta classe de aptidão ocupa somente 3%

(7,5 ha) do total da área (Figura 5) e localiza-se na porção sul do Pólo (Figura 6).

A classe Restrição Moderada (RM) compreende áreas

que apresentam solos com restrições relacionadas à drenagem,

relevo e profundidade da camada arável. A maioria constitui-se de Argissolos Vermelho-Amarelos plínticos, tornando-se menos propícios às práticas de mecanização agrícola. Esta classe ocupa 5% (10,5 ha) da área em estudo (Figura 5) e encontra-se localizada na porção sul do Pólo (Figura 6).

A realização de mecanização nessas áreas é viável,

porém devem ser consideradas as práticas de conservação de solo e água, como: distribuição racional dos caminhos em nível e de acordo com a drenagem do terreno; plantio direto; terraceamento; adubação verde com leguminosas, preparo do solo e plantio em contorno; bacias de captação e retenção de águas pluviais, dentre outras. As práticas conservacionistas são fundamentais para a maximização dos benefícios da mecanização e manutenção do equilíbrio ambiental. Essas práticas de conservação de solo e água devem ser adequadas às realidades geoambientais, sociais e culturais locais.

APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO

36 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

A classe de aptidão à mecanização Restrição Moderada

a Severa (RM-RS) compreende a maior porção territorial, com

66% (153 ha) da área total (Figura 5) e encontra-se distribuída por quase toda a área do Pólo em questão (Figura 6). As variáveis que limitam a mecanização são, principalmente, a drenagem e a profundidade da camada arável dos solos. No entanto, o relevo, caracterizado por baixas declividades na

maior parte das áreas, diminui a restrição a tal prática agrícola,

o que atribuiu a variação de Moderada a Severa nesta classe

de aptidão, mesmo predominando as condições severas sobre as moderadas. No entanto, nesta área, a mecanização mostra- se praticamente inviável, pois o custo benefício, tanto num viés econômico quanto ambiental, será desfavorável. A classe Inapta (I) constitui-se de áreas inaptas à mecanização agrícola. Esta classe ocupa 4% (8 ha) da área

total do Pólo (Figura 5), distribuindo-se, principalmente, na sua porção centro-sul (Figura 6). São áreas não recomendadas

à mecanização, pois são solos extremamente frágeis a essa

prática agrícola. Devido às características naturais dos solos que compreendem esta classe de aptidão, a realização de mecanização nessas áreas mostra-se inviável, tanto no âmbito econômico quanto ambiental.

ZEAS

37

APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO

38 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

As áreas que apresentam a melhor aptidão à mecanização: Aptas a Restrições Leves e as de Restrições Moderadas, somam 8% da área total do Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita, o que equivale a 18 ha. Assim, recomenda- se, preferencialmente, direcionar as ações de mecanização agrícola para estas áreas. Entre os Pólos Agroflorestais de Rio Branco, este foi o que apresentou a menor área com boa aptidão à mecanização para atividades agrícolas. Este estudo deve pautar as ações de planejamento municipal dos órgãos gestores, além de apoiar ações individuais ou associadas dos produtores rurais no que diz respeito às práticas de mecanização agrícola neste Pólo. As práticas de conservação de solo e água devem ser aplicadas em todas as classes de aptidão, ora com menos esforço e custo, ora com maior intensidade e custo, de acordo com as características naturais de cada área. O emprego de tração animal e técnicas alternativas de preparo do solo e plantio agrícola, para pequenas áreas como os lotes do Pólo Agroflorestal Geraldo Mesquita, pode mostrar-se vantajoso tanto nos vieses econômico-produtivo como ambiental. Essas ações podem representar diminuição das limitações naturais à mecanização agrícola nas áreas mais frágeis. Recomenda-se a realização de treinamentos para os técnicos da Secretaria de Agricultura e Floresta (SAFRA), sobre práticas ambientalmente sustentáveis de conservação de solo e água e de mecanização agrícola. A realização de oficinas e dias-de-campo com os

ZEAS

39

produtores rurais sobre a aptidão à mecanização das áreas do Pólo e sobre práticas de conservação de solo e água poderá facilitar a assimilação deste estudo por parte da comunidade rural, permitindo a adequação dos sistemas de produção atuais às potencialidades e fragilidades ambientais. Outra ação que se mostra capaz de ampliar e efetivar a assimilação dos resultados do estudo pela comunidade do Pólo é a realização de lotes “vitrines”. Estes lotes “vitrines” consistem da implantação da mecanização e práticas de conservação de solo e água, em um lote específico, aplicando os indicativos deste estudo. Com esta ação, as vantagens produtivas e ambientais da realização correta da mecanização agrícola deverão ser demonstradas na prática. Recomenda-se implantar o quintal “vitrine” em um lote com geoambientes heterogêneos, ou seja, com classes de aptidão distintas, podendo assim mostrar ações diferenciadas por características naturais diferentes. O processo de transferência de tecnologias e conhecimentos deve ser complementado com a realização de dias-de-campo no lote “vitrine” com os produtores rurais, nos principais períodos agrícolas, como antes do preparo do solo, após o preparo, no decorrer do desenvolvimento da produção e após colheita.

como antes do preparo do solo, após o preparo, no decorrer do desenvolvimento da produção e

APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO

40 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

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APTIDÃO DOS SOLOS À MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA NO PÓLO

42 AGROFLORESTAL GERALDO MESQUITA, EM RIO BRANCO-AC

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