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Disciplinas Espirituais Cristãs

Somos estudantes que participam de grupos que tem como objetivo claro a missão de
alcançar outros estudantes para Cristo. Com essa meta definida de ser um grupo voltado
para os que são de fora, e é bom que seja assim, experimentamos a tentação que e a de
sermos pessoas voltadas exclusivamente para atividades, para um programa definido. E por
mais que sejam boas e adequadas as programações e eventos planejados, um grupo não
sobrevive se tiver sua existência como um fim em si mesmo, ou se esquecer de sua
motivação central e base ultima: um relacionamento intimo com Deus, conhece-lo e
glorifica-lo.
Quando reconhecemos a importância de uma relação pessoal com Deus que cada
integrante do grupo deve cultivar, normalmente surgem as queixas sobre as dificuldades
(tempo, lugar, habito, método,...) para se aprofundar essa relação com o Pai. Essas
dificuldades são tão comuns assim como e a nossa condição e natureza. "Os movimentos
naturais de nossas vidas produzem lama e lodo. O pecado e parte da estrutura interna de
nossas vidas" (Foster). Por isso e que precisamos de disciplinas espirituais. Mas vida
disciplinada não e o mesmo que escravidão sob leis e regras rígidas. "A disciplina não e
algo que torna uma pessoa não natural ou atarraxada. Ela significa que as forcas da vida são
forcas aparelhadas, dirigidas e com propósito definido. São dirigidas para os propósitos de
Deus. São forcas disciplinadas"(Stanley Jones).
Crescemos e amadurecemos, nos tornando pessoas disciplinadas, na medida em que cresce
e amadurece nossa relação com Deus. Quando Jesus chamou os doze, em primeiro lugar
chamou-os a si, para que estivessem com ele, antes de fazerem qualquer coisa (Mc. 3:13).
As disciplinas espirituais nada mais são do que meios de desfrutarmos dessa relação com
Jesus, sintonizando toda a nossa vida e missão a partir desse eixo principal. Na verdade, os
meios, as formas e os métodos não são nem de perto a coisa mais importante. Não e o ritual
que importa mais, nem determinada pratica e mais importante do que o seu fim. O
problema e que somos muito apegados as tradições, quaisquer que sejam. Sacralizamos
tanto determinadas maneiras de orar, louvar, jejuar, meditar na Palavra que acabamos por
classificar outros ritos que nos são estranhos como frios ou quentes demais, barulho ou
silencio em excesso, muito intelecto ou muita emoção, repudiando assim aquilo que e
diferente, perigoso ou "herege". E aqui não estamos falando de conteúdos básicos da fé
que não devem ser alterados mas de formas externas e maneiras de expressar nossa
espiritualidade. A historia da igreja crista ao longo dos séculos nos mostra uma riqueza
imensa de tradições diferentes de espiritualidade da qual devemos aprender. Quem sabe
assim evitamos de sacralizar nossa própria maneira de se relacionar com Deus, evitando os
estereótipos, preconceitos e divisões que tanto entristecem o Espirito de Deus.
Nisto consiste a grande aventura da vida, essa e a essência da vida eterna: "que te
conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo"(Jo. 17:3).
Conhecer a Deus nos humilha, por estarmos diante da grandeza de Deus; nos expande a
mente, ao entendermos os propósitos de Deus para a nossa vida e para a criação; nos
consola e nos da esperança. Ao mesmo tempo, conhecer a Deus e algo extremamente
pratico. "Seriamos cruéis conosco mesmos se tentássemos viver neste mundo sem saber
nada a respeito do Deus que e dono e Senhor do universo"(Packer). Conhecer a Deus e o
alvo maior de nossas vidas. Isso nos dará um propósito, um senso de direção e uma
motivação correta para tudo o mais que fizermos em nossas vidas.
Ha muitas disciplinas e praticas que nos ajudam nessa caminhada. Cito algumas
apenas como exemplos que possam nos encorajar: o estudo da Palavra; a leitura
devocional; a leitura panorâmica da Bíblia; o tempo separado para oração compreendendo a
adoração pelo que Deus e, ação de graças pelo que faz, confissão pelo que temos feito,
pedidos por nos e intercessão pelos outros; a oração que dura todo o dia; meditação; jejum
regular, aprendendo com a renuncia e dependência de Deus, também com uma intenção
especifica (não como troca de favores) diante de Deus; anotações de suas experiências com
Deus, num rico registro de nossa caminhada com Ele, altos e baixos, confissões, orações e
louvores escritos; dias de descanso que também podem ser separados para planejamento e
reavaliarão de vida. Enfim, investir nessas e em outras disciplinas deve ter sempre a meta
maior de conhecer a Deus, seu caráter, seu poder, sua vontade, sua verdade, a fim de que
possamos viver de acordo com essa verdade. Esse e o alvo e fim das disciplinas cristas.

Ricardo Wesley Morais Borges

Literatura Recomendada:

Disciplinas para um coração faminto, Paul Stevens, Abba Press


Celebração da disciplina, Richard Foster, Editora Vida
O Conhecimento de Deus, J.I.Packer, Mundo Cristão
Orar com Deus, James Houston, Abba Press
As Raízes da espiritualidade latino-americana, Segundo Galilea, Paulinas
Caminho dos ascetas, iniciação a vida espiritual, Tito Colliander, Paulinas
Imitação de Cristo, Tomas de Kempis, Paulinas
Obras completas, São João da Cruz, Vozes
Confissões, Santo Agostinho, Vozes