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A IMPORTÂNCIA

DA PESQUISA
NO MUNDO
GLOBALIZADO

Fernando Antonio
Dal Piero
A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA NO MUNDO GLOBALIZADO

Muito mais que o século agora preste a se encerrar, o próximo no qual


entraremos será aquele da ciência e da tecnologia, disso ninguém tem dúvidas.
Portanto, é de se esperar que as atividades de investigação e desenvolvimento
tecnológico sejam as que apresentam um futuro mais promissor para todos. Mas,
no Brasil, pelo menos sob a visão deste autor, é preocupante a situação em que
se encontra a investigação científica. Pensamos que, sem uma ação para corrigir
esta situação, corre-se o risco de vermos as tendências atuais se tornarem fatos
e o nosso país deixar de crescer e ter melhores condições de competir no
contexto da economia global. A permanecer este "estado de latência" o
desfasamento brasileiro comparado às outras potências tecnológicas irá
acentuar-se ainda mais. Pode até ser possível que o Brasil não conseguia fazer a
transição para a economia do conhecimento.

Vemos que, em média, as atividades de investigação no Brasil representam


atualmente 80% menos, em comparação com os Estados Unidos da América e
86% no Japão.

Nos últimos anos, a balança comercial de produtos de alta tecnologia - ainda que
estejamos exportando algo - apresenta um déficit que tende a aumentar. Vale
lembrar que a investigação e a tecnologia estão na origem de 25 a 50% do
crescimento econômico e determinam fortemente a competitividade e o emprego,
bem como a qualidade de vida dos cidadãos em todo o mundo.

Em termos de emprego, os investigadores brasileiros representam apenas 0,21%


do total de trabalhadores, em comparação com 6,7% nos Estados Unidos e 6%
no Japão.
Mas, a investigação não é só emprego "per si". Por exemplo: o mercado de
produtos decorrentes da biotecnologia, que representa atualmente na Europa
cerca de 60 bilhões de euros por ano, deverá atingir 250 bilhões daqui a cinco
anos.

É também à pesquisa que os Estados Unidos devem cerca de 1,2 milhões de


empregos criados anualmente a partir de 1991. E mais: tais empregos foram
desenvolvidos especificamente nas pequenas, micro e médias empresas que se
tornam "organizações com elevado potencial de crescimento".

Mas, os reflexos de uma política saudável para o desenvolvimento da pesquisa


se apresentam também nas grandes empresas. É nas indústrias com elevada
intensidade de investigação e desenvolvimento, como a indústria farmacêutica, a
aeronáutica ou biotecnologia, que o emprego se manteve mais estável e em que
se verificou mesmo um aumento.

Se considerarmos que a investigação constitui um elemento de resposta à


procura social contribuindo para a evolução do trabalho e a criação de novos
mercados e produtos é então impensável não investir nessa atividade. Portanto, a
investigação científica e o desenvolvimento tecnológico, mais especificamente,
constituem um elemento fulcral do funcionamento das sociedades do mundo
globalizado. Além disso, a ciência sempre foi e continua a ser uma das maiores e
mais excitante aventura do espírito humana. Ela é o produto de uma criatividade
que não deveria desaparecer no Brasil do século XXI.

Ao nosso entender, uma política pública em matéria de pesquisa passa pela


criação de um "espaço brasileiro da investigação". Podemos até reconhecer que
não se trata de uma idéia nova, no entanto, agora temos necessidade de unir
esforços para alcançar esse objetivo.
Este conceito inclui especialmente os seguintes elementos:

1 - Efetuar a ligação em rede virtual dos centros de excelência existentes visando


também a promoção dos valores sociais e éticos comuns em matéria de ciência e
tecnologia.

2 - Estabelecer uma abordagem que permita atender às necessidades individuais


e compartilhar os meios de financiamento - especialmente das grandes infra-
estruturas - de tal maneira que atenda a todos os Estados brasileiros valorizando
a diversidade e o "atavismo" dos cidadãos. Isso dará coerência as atividades de
investigação nacionais e reforçará as relações entre as diferentes organizações
de cooperação científica e tecnológica brasileiras. Além de permitir uma melhor
utilização dos instrumentos e meios acabará estimulando o respeito das regras
comunitárias, por exemplo, em matéria de auxílios estatais, patentes e capitais de
risco.

3 - Por outro lado, é necessário o estabelecimento de um sistema para aceitar e


incentivar uma maior mobilidade para os investigadores bem como a introdução
de uma dimensão brasileira nas carreiras científicas valorizando o papel das
mulheres na investigação. Paralelamente deve ser realizado um reforço para
tornar o território brasileiro atraente para os investigadores do resto do mundo. É
assim que os pesquisadores brasileiros tomarão contacto com as melhores
experiências mundiais e poderão efetuar a transferência de conhecimentos ao
nível regional e local.

Nesta proposta as instituições de ensino assumem um papel fundamental. São


elas as responsáveis por provocar os jovens para o desenvolvimento do "gosto"
pela investigação e pelas carreiras científicas bem como se tornam o "canal de
entrada e distribuição" de pesquisadores.
Torna-se ainda necessário aprofundar a questão da "investigação participativa".
Fora do próprio campo. Em domínios como a aeronáutica, tecnologias da
informação e das comunicações, numerosos trabalhos de investigação podem
dar lugar, simultaneamente, a aplicações civis e no setor de origem
simultaneamente criando novas e diferentes oportunidades para gerar empregos
continuamente.

No mundo globalizado a investigação é um dos mais importantes pilares do


desenvolvimento sustentável. Isso por quê, se o progresso tecnológico cria os
empregos de amanhã, a investigação cria os empregos de depois de amanhã.

| Fernando Antonio Dal Piero é professor no Centro Superior de Vila Velha, Espírito Santo -
U.V.V. (Revisão de Alina da Silva Bonella - fone 02127 327 1518)

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