PEDAGOGIA

DISCIPLINA: METODOLOGIA DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

PROFª NÁDIA C. LAURITI

2011

PLANO DE ENSINO 1 sem 2011 CURSO: PEDAGOGIA DISCIPLINA: METODOLOGIA DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
POSIÇÃO NA GRADE DO CURSO: 5o. semestre

CÓDIGO

CARGA HORÁRIA SEMESTRAL: 80 horas

EMENTA: O ensino da Língua Portuguesa: seu estado atual e alternativas de transformação; preconceito linguístico; níveis de linguagem e variantes linguísticas; gêneros textuais; o ensino da gramática; o ensino da leitura; o ensino da escrita; questões de letramento; PCN de Língua Portuguesa. OBJETIVOS: A disciplina pretende, a partir da leitura de textos de estudiosos no campo da linguagem e da educação, refletir sobre as formas com o ensino da Língua Portuguesa vem se organizando na escola, tendo em vista aspectos históricos, políticos e culturais. Discutir e propor alternativas para um ensino da Língua Portuguesa voltado para a formação do cidadão comunicativo e crítico.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: CRONOGRAMA
SEMA NAS: 1º 2º CONTEÚDO
Apresentação da disciplina; O ensino de Língua Portuguesa; PCNs: Objetivos do ensino da LP. Conceitos linguagem. Variação linguística; Níveis de linguagem; Gênero receita. Preconceito lingüístico; Pcns: língua oral e língua escrita; Gênero carta Trabalhando os vários gêneros textuais; gênero: poesia infantil; Como ensinar a escrever: paródia de fábulas; O tratamento didático para ensinar a escrever. Orientações dos PCNs. Como fazer a correção/ refação: PCNs sobre avaliação.. Como ensinar a ler: formas de leitura, objetivos e incentivo. A leitura oral. O tratamento didático para ensinar a ler. Orientações dos PCNs. Como ensinar a compreender

SEMA CONTEÚDO NAS: 11º Conhecendo a gramática
Conhecendo melhor alguns conteúdos gramaticais do Ensino Fundamental 1. Resolução de exercícios de gramática.

12º

3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º

13º 14º 15o 16o 17o Elaboração de um gibi sobre conteúdos gramaticais determinados. A gramática nos PCNs. Discussão do filme “crianças invisíveis”, relacionando-o às questões da disciplina.
Atividade sobre aspectos teóricos da disciplina presentes no filme

18º 19º 20º

Letramento X Alfabetização: atividades diferenciadas.
Recursos didáticos que auxiliam no ensino da Língua Portuguesa As tecnologias e a Língua Portuguesa na alfabetização. PCNs: comparação entre 1o. e 2o. ciclos.

10º

METODOLOGIA DE ENSINO: Por meio de aulas expositivas, debates abertos, atividades direcionadas individuais e em grupo, produção de materiais didáticos, apresentação de vídeos e apresentação de seminários, tudo relacionado aos referenciais teóricos, pretende-se atingir os objetivos propostos. AVALIAÇÃO: O processo avaliativo será composto pela soma das notas dos alunos em atividades distintas: provas dissertativas individuais de compreensão conceitual dos temas abordados nas aulas e nos PCNs; trabalhos de transposição didática realizados na sala de aula, em grupo, sobre o referencial teórico; AV1 – prova individual sobre variantes lingüísticas, o ensino da escrita e da leitura e trabalho em grupo sobre preconceito lingüístico e formas de avaliação de uma redação; AV2 –avaliação integrada constituída por questões específicas e interdisciplinares de múltipla escolha ; AV3 – avaliação integrada constituída por questões específicas da disciplina, interdisciplinares e propostas de intervenção, referentes à análise teórica do filme “Crianças Invisíveis”.
Bibliografia básica: GERALDI, João Wanderley (org.) O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 2007. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros curriculares nacionais: Língua portuguesa. Brasília: Ministério da Educação, 1998. TARDELLI, Marlete Carboni. O ensino da língua materna: interações em sala de aula. São Paulo: Cortez, 2002 (Coleção Aprender e ensinar com textos; Vol 9) Bibliografia complementar: ALMEIDA, Geraldo Peçanha de. Práticas de alfabetização e letramento. São Paulo: Cortez, 2006. GOMES, Maria Lúcia de Castro. Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa. Curitiba: IBPEX, 2007. KLEIMAN, Ângela. Oficina de leitura: teoria & prática. Campinas: Pontes, 1998. LERNER, Delia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002. POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: ALB, 1998. Profs. responsáveis:

Nádia Lauriti Adriana Lílian Garcia Elenice Alves da Costa Elisabeth Márcia Ribeiro Machado Niuza Barone Joel Rosa Taís Lírio

DOWNLOAD DOS PCNs de Língua Portuguesa (1o. e 2o. ciclos) http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/portugues.pdf

PROGRAMAS DE VÍDEO DOS PCNs DE LP (em Biblioteca Virtual do Estudante de LP) http://www.seed.pr.gov.br/portals/portal/usp/segundo_trimestre/videos/tv_escola/tv_escol a.html#linguaport

ler trechos de textos que o aluno gostou para os colegas. ler oralmente para apresentar um texto (sarau. B – Comportamentos leitores e de escrita (valores em relação à leitura) Refere-se ao que Lerner (2002) aponta como dimensão social da leitura: socializar critérios de apreciação estética da leitura. ler para obter informação específica. comparar o que se leu com outras obras. c) Leitura tópica (para identificar informações pontuais). b) Leitura inspecional (para a escolha de um texto).OS CONTEÚDOS DE ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: UMA ORGANIZAÇÃO GERAL Profª Nádia C. ler para obter informação geral. compartilhar a leitura com outros. jornal). Compreensão – relacionadas às estratégias cognitivas da leitura (antecipação. seleção de hipóteses inferência e avaliação). Essas capacidades se inter-relacionam e a mobilização de algumas auxiliam na constituição de outras. Lauriti . ler para aprender. confrontar com outros leitores sua interpretação. frequentar bibliotecas (de classe ou não). . reler para compreensão. comentar o que se está lendo.AULA INTRODUTÓRIA . A essas finalidades correspondem vários procedimentos a) Leitura integral de um texto.2011 QUADRO GERAL DE CONTEÚDOS DE LÍNGUA PORTUGUESA 1 – CONTEÚDOS DE LEITURA E ESCUTA A – Capacidade de leitura e escuta Decodificação – relacionadas à compreensão do sistema. ler para revisar um texto. C – Procedimentos de leitura (finalidades) ler para estudar. ler por prazer estético. Interação entre texto e leitor – (apreciação e réplica) relacionadas à reconstrução do sentido do texto. recomendar livros ou outras leituras que considera valiosas.

considerando os aspectos focalizados na revisão. e) Leitura item a item (para realizar uma tarefa). se o tema for socializado e combinado previamente. entonação. Aspectos que devem ser considerados na produção de textos: . Atividades seqüenciadas de leitura – Possibilitar o estudo de determinado tema por meio de uma sequência de atividades que preveem a leitura de textos com grau crescente de aprofundamento de informações. Leitura em voz alta feita pelo professor – Explicitar critérios de escolha da obra como (autor. 2 – PRODUÇÃO DE TEXTOS Procedimentos. quanto os alunos. para que o professor tenha uma referência do tipo de leitura que já é de competência autônoma dos alunos. entre outros). revisão de texto (processual e final). ilustrações). f) Leitura expressiva. Leitura programada – Ampliar a proficiência a partir da leitura prévia de cada parte do livro. Leitura colaborativa – Trabalhar com o texto coletivamente. É preciso que o contexto faça sentido como: ler em comemorações. Roda de leitores – Possibilitar a socialização das leituras realizadas de maneira independente para observar os comportamentos leitores já construídos pelos alunos. Leitura de escolha pessoal – Possibilitar aos alunos a escolha livre de textos de acordo com suas preferências. Os leitores podem ser tanto o professor. possibilitando o contato com textos de boa qualidade para ampliação do repertório. a professora as discute com os alunos para construção do sentido. Leitura em voz alta – Permite o trabalho com aspectos da oralização do texto escrito (dicção. gênero. gravar CD de divulgação. comportamentos e capacidades de escrita e de fala (no que couber): a) b) c) d) planejamento de texto para cada linguagem (prévio e processual). refacção de textos. D – Atividades de leitura Leitura diária ou semanal – Trata-se de instituir um dia fixo na semana. Leitura individual com questões para interpretação escrita – Trata-se de verificação de competência já construída não só de leitura como de produção de textos.d) Leitura de revisão (para corrigir inadequações no texto). dramatização. ler em saraus literários. textualização (oral/escrito). anunciar produtos. mobilizando nos alunos as estratégias necessárias para a construção coletiva do sentido. jornal da escola entre outros. no qual se leia em determinado horário.

semântica. assim como procedimentos de escritor: planejamento.Discursivos – relativos ao contexto de produção (para quem se escreve. mesa-redonda etc). o que diminui a complexidade em relação à produção totalmente de autoria. com qual finalidade. O foco desta atividade é o textual (coesão. B – PRODUÇÃO COLETIVA ORAL (tendo o professor como escriba) – Possibilitar a apropriação das características do gênero e a modelização dos aspectos de revisão processual e final do texto. focalizando apenas uma parte do texto. complicação ou resolução. 3 – CONTEÚDOS DE ANÁLISE E REFLEXÃO LINGUÍSTICA ATIVIDADES: A – REVISÃO – São atividades de análise do texto produzido pelos alunos para a aprendizagem de conteúdos gramaticais. Considerações importantes: . apresentando-se ao aluno contos em que falte a parte que se deseja tematizar. adequação do gênero solicitado). utilizando léxico adequado. como se o aluno fosse o autor do texto. revisão processual e final. C – ESCRITA DE TEXTO QUE SE SABE DE MEMÓRIA (escrita de próprio punho) – Possibilitar a apropriação das características do sistema de escrita. seminário. organização sintática. na aprendizagem do conto de fadas é possível focalizar o cenário. F – PRODUÇÃO DE PARTES DO TEXTO QUE NÃO SE CONHECE. prova escrita. Pragmáticos – características da situação comunicativa do texto (sarau. Gramaticais – ortografia. ATIVIDADES DE PRODUÇÃO DE TEXTO A – RECONTO ORAL (tendo o professor como escriba) – Possibilitar a apropriação das características da linguagem escrita por meio do reconto oral. coerência e seleção lexical). por exemplo) – PRODUÇÕES HÍBRIDAS – Possibilitar ao aluno a aprendizagem de procedimentos de textualização e criatividade. focalizando apenas uma parte de sua organização interna. coesão e coerência. E – REESCRITA COM MODIFICAÇÕES (mudar o final. por exemplo. progressão temática. pontuação. acentuação. APRESENTANDO-SE AS DEMAIS – Possibilitar ao aluno a aprendizagem de determinadas partes de um texto organizado em determinado gênero. em qual portador circulará. G – TEXTO DE AUTORIA – Possibilitar ao aluno a produção de textos na qual se articulem produção temática e textual. estilísticas. Notacionais – relativos à compreensão do sistema da escrita. D – REESCRITA DE TEXTO QUE NÃO SE SABE DE MEMÓRIA – Possibilitar ao aluno apropriação de recursos de aspectos textuais e gramaticais. Textuais – relativos à coesão e coerência textuais. morfologia. textuais e discursivos.

o outro texto. Devem prever estudo concentrado em espaço não muito longo de tempo. B) Ação do aluno a) Reinvestimento dos diferentes conteúdos exercitados em atividades mais complexas. para que o aluno se aproprie efetivamente das descobertas feitas. .Quando em duplas. gramaticais ou textuais. .. grupo / duplas e individual. os vários conteúdos gramaticais devem ser contemplados. sejam eles discursivos. os dois alunos devem revisar um texto. na prática da escrita e da leitura ou na prática de produção de textos orais e escritos. pontuação. ortografia. primeiro. tomando como ponto de partida as capacidades já dominadas pelo aluno. . colocação de pronomes. concordância. para que o aluno possa perceber as regularidades. c) Priorização e Planejamento dos conteúdos a serem trabalhados. adequação do texto aos aspectos textuais e gramaticais discutidos em aulas anteriores. coesão. para tal organizam-se sequências didáticas que são atividades elaboradas com a finalidade de se estudar determinado conteúdo de linguagem. indicando aspectos que precisem de ajustes e. b) Isolamento do fato linguístico a ser estudado. . 2ª ETAPA: A) Ação do professor a) Apresentação da metalinguagem (regras gramaticais).Selecionar conteúdos específicos para fazer a revisão. b) Exercitação dos conteúdos estudados.Organizar a revisão nos três momentos de agrupamento: coletivo / classe.. b) Organização e registro das conclusões. a quantidade e a qualidade dos dados. d) Construção de um corpus que leve em conta a relevância. tomar como critérios os relativos à: adequação do texto ao contexto de produção. B) Ação do aluno a) Análise do corpus. uso de conectores. coerência. Após a indicação dos aspectos a serem ajustados. O professor precisa possibilitar ao aluno o acesso a diversos textos que contemplem os conteúdos selecionados.. depois. pontuação. a cada aluno reescreve o seu texto.No processo de revisão. promovendo o agrupamento dos dados a partir das indicações das regularidades observadas (observação + comparação). ortografia. após as experiências de manipulação do aspecto selecionado. seleção lexical etc). Esse movimento metodológico prevê as seguintes etapas: 1ª ETAPA: A) Ação do professor a) Levantamento das necessidades (avaliação diagnóstica). As atividades devem proporcionar aos alunos uma reflexão cada vez mais ampliada de determinado conteúdo (acentuação. o que altera é o grau de aprofundamento metalingüístico (concordância nominal e verbal.).

Um texto não é uma soma de frases. COESÃO – Refere-se à forma como os elementos linguísticos presentes na superfície do texto se interligam. operadores argumentativos (conjunções).Qual é o assunto do livro? . Ela não se lembrava de como fora parar ali. filme. Os comportamentos do leitor e do escritor são conteúdos e não tarefas. Ele necessita de coesão e coerência. dança. ilustrações. utilizando análise da capa. 2. repetições ou desvios lógicos. COERÊNCIA – Refere-se às condições de interpretabilidade lógica do texto. sinônimos. lendo e a escrever. inferência e avaliação do sentido). da coesão. os quais serão referência para a produção e revisão dos textos. Antes. da coerência etc). ter continuidade. possessivos. relativos. Ao atuarem como leitores e escritores. Tarefas: 1. personagens. hiperônimos. Envolve o trabalho com pronomes pessoais. ATIVIDADE 1 – CONTEÚDO DE LEITURA E ESCRITA A – Escolha um livro de literatura infantil e elabore com seu grupo uma aula (ou sequência didática) de leitura e escrita para apresentação para um grupo maior. seleção de hipóteses. autor. Por meio dela o texto encaixa-se nas macro-categorias específicas do texto. progressivamente.LEMBRETES IMPORTANTES “Aprende-se a ler. expressão. Exemplos: . contracapa. fantoche. demonstrativos. concordância e pontuação. A B Exemplo: A jovem acordou sobressaltada. durante e depois da leitura. recuperando em uma sentença B um elemento presente na sentença A. Exemplo: Animais vegetarianos comem animais não-vegetarianos. É preciso instalar as práticas de leitura e escrita como objeto de ensino. caixinha de surpresa entre outros). música que trate do tema. não apresentar contradições. transformando-se em fonte de reflexão metalinguística (estudo da gramática. Crie uma estratégia de sedução para a leitura do texto (jogo de adivinhação. É importante organizar os registros de reflexão sobre a língua dos conteúdos discutidos. Elabore perguntas que utilizem as estratégias de leitura (antecipação. As ideias devem se completar. dramatização. escrevendo”. Ao exercer o comportamento de leitor e de escritor possibilita-se que os alunos se apropriem dos traços distintivos dos diferentes gêneros para ir detectando progressivamente as características da “linguagem que se escreve” que se diferenciam da oralidade coloquial. são aspectos que se espera que os alunos aprendam (conceitos e atitudes). advérbios de lugar. os alunos têm a oportunidade de se apropriarem dos conteúdos linguísticos que adquirem sentido nas práticas de leitura e escrita.

fábula. O que eles têm de igual? Quais são as diferenças? c) Você já passou por uma situação semelhante à apresentada pelo livro? Escreva sobre isso. d) Para trabalhar a interdisciplinaridade proponha questões relacionadas às outras disciplinas sugeridas pelo livro. fantoches.Quem é o narrador do texto? E o(s) herói(s)? E o(s) vilão(ões)? .).. INTERTEXTUALIDADE E INTERDISCIPLINARIDADE a) Você conhece outras histórias sobre o mesmo tema deste livro que tenham personagens diferentes? b) Compare o livro lido com outro texto que possua o mesmo tema. VI – O autor escreveu esse texto para falar sobre qual idéia? (TEMA: conceito mais importante).Resumir o enredo usando uma ou duas frases apenas. sucata. poesia. carta. dedoches. FRUIÇÃO CINESTÉSICA a) Dramatize o texto. d) Partindo de uma música conhecida. b) Faça uma mímica que caracterize cada personagem.. FRUIÇÃO VISUAL a) Se a história fosse representada em uma revista em quadrinhos como seria? b) Qual a ilustração mais bonita no livro? Por quê? c) Ilustre o trecho do texto de que você mais gostou.O que mais chamou sua atenção? . crie uma letra sobre o texto que estamos estudando. AULA 1 – O QUE É ENSINAR LÍNGUA PORTUGUESA .Para quem o livro foi escrito? Por que o autor o escreveu? . usando máscaras de papel sulfite. TEMAS TRANSVERSAIS.. Explicar de forma simples a estrutura do texto. meias. d) Como você faria uma nova capa para o livro. sacos de papel. I – Qual a situação inicial (O que aconteceu? Onde? Quando? Como?) II – Qual é o problema (conflito) do texto? III – O que aconteceu para resolver o problema? IV – Como o problema foi resolvido? V – Qual é o tipo de texto? (conto. FRUIÇÃO AUDITIVA a) Quantas vozes diferentes aparecem no livro? b) Como você imitaria a voz do narrador? E dos personagens? Por quê? c) Essa história faz você lembrar de algum som ou música em especial? Faça a trilha sonora para o texto. receita). sem usar a voz.

deixe-me começar novamente a frase.Como assim? ... estrangeira. Então esses milhões de desempregados que estão por aí foram despedidos porque não sabiam escrever e falar corretamente! Eles não podem voltar pra escola?.Vê se não goza. somente em alguns lugares e com algumas pessoas. lá vem você de novo com questões que não dizem respeito ao ensino de português. isso que você acabou de me falar está nessa língua estrangeira? . que é preciso ir à escola aprender. em escolas do primeiro ao terceiro graus. natural. pera aí! num é bem assim.Ah! Então você troca de língua como troca de roupa. Que já falam português!. que tá todo mundo passando fome.Não simplifica. cursos de aperfeiçoamento...... ..Ah! Entendi. . a língua que a gente usa não serve.). não é? -Sou.. Você fala assim na sua casa.... vão ter que saber português.. .. É claro que você precisa falar direitinho. desde crianças.. corretamente. nem uma boa colocação. Existem duas línguas com o mesmo nome "português": uma nacional. .. essa língua que a gente usa todo dia? . preciso me expressar corretamente.. por exemplo..Ora.. . . vá! .. .. tenho diploma. pára..Ensina-se mesmo português.... . você não arranja um bom emprego.Claro! Por exemplo.Tem mais? .Texto 1 ENSINAR PORTUGUÊS? Milton José de Almeida Português: uma só língua? Comecemos a conversa.Ora... . Portanto.. ..Ué. se você não souber falar e escrever direito. Soou um pouco estranho. Ah! Então eles não falam bem português?! .Poxa! Agora estou entendendo melhor: pra arranjar um bom emprego.. Desculpe-me.Claro.. .. Então é por isso que se ensina português: para as pessoas aprenderem a falar direitinho com os patrões! . Um momento. Epa.. Alguém pergunta a um professor de português. mas até que bonito. além de estrangeiros interessados..Ô meu. Você é professor de português.. pô! Você não entendeu? . que a indústria dele joga todo dia esse cheiro de bosta no nariz de todo mundo.. outras mais esportivas.Serve sim. .. conversinhas banais.. outras mais populares... ..Claro que não.. a meio caminho entre o sério e o cômico (também trágico.É claro. Mas pra subir na vida.Então você sabe português perfeitamente.Ô meu. né? Você já tá baixando o nível. com palavras bonitas e gramaticalmente bem colocadas. mal vestido e falando de qualquer jeito. que todo mundo já nasce falando e uma outra... também? .. que enquanto ele viaja de Mercedes você anda a pé.. você está equivocado. Quando esses caras quiserem novamente emprego. .. você não quer que eu vá falar com o diretor daquela indústria ali. .Entendi... . trabalhos publicados etc.. não. . claro que falam.A quem se ensina português? .Bem. se eu vou falar com um cara tão importante.. há aulas de português.Ah!. né?! Não é só isso.Mesmo se você vai lá pra dizer que os salários estão horríveis.Agora me lembrei. não? . . imaginando um diálogo. às vezes mais chiques. até pra reclamar.Ah! Entendi. não? . esse assunto não é exatamente como você está colocando.. mas só pra coisinhas.. ensina-se principalmente a brasileiros. . claro.Claro que não. ganhar bem. não consegue passar num concurso.Então você poderia abrir um cursinho de português para desempregados!.Sim.. não! .

Então suas aulas na escola estadual são mais baratas. mas você. E ele ganha muito mais que nós todos juntos. . rebelde.. . nem aquele vulgarzinho. Também é necessário que eles saibam muitas outras coisas. vamos mudar de assunto. então devem ter selecionado só os muito bons! Tá vendo. não têm base. é de uma boa família. não sabe falar português nenhum. Gente imatura é que é assim. .E daí? . têm dinheiro para comprar livros. mas continuam sendo de uma boa família.. mordomias... lêem bastante....Pera aí. .Ah!.. usa menos material e.E ele passou? ..Tudo isso pra ganhar metade de um salário mínimo! . .Não querendo te gozar.. .. Só têm tempo para ganhar e gastar. Vem logo ironizando.A única coisa que ele teve que demonstrar era que ia ser um diretor bom. não.Bem. todo mundo tem que falar igual.Claro que é! O português é uma língua só. exagerando. . . . Você sabe.. que sabe tantos tipos de português. estudar. não... um monte de coisas. não têm tempo de ler. ordenado altíssimo... É só falar e escrever bem.Quer dizer que os alunos das duas escolas são iguais. chega! Não quero mais papo com você hoje.. Você acha que a língua dos ricos é melhor. você vai lá e explica pro sujeito na língua dele. . . nem esse da escola. não se faça de bobo! Você. tá legal.Poxa. por exemplo. eles falam e escrevem bem. não é bem assim... de boa família... Está muito agressivo e complicando..PÔ. se ele tivesse sido meu aluno. não é isso. ele não precisou fazer teste de português porque de certo só no contato já perceberam que ele era uma pessoa educada. ahn. ou melhor. .. ..Você sabe. é isso aí: uma boa família.é? ... com motorista.. e nem fez teste de português? .. Parece que você ainda é adolescente. vende aulas em duas escolas: uma particular... bastante dinheiro. tudo mais.. obediente e fazer tudo para o bem da empresa..Bem. os tempos verbais. É com o professor de história..Mas os mais ricos são os que menos lêem..Ah! lá é diferente..Bem. já vêm com muitas informações. e outra. onde estão aqueles. O português que você ensina é o mesmo. eles vêm cansados... Nesse ponto você está no mesmo ponto do seu aluno que não sabe ler..Nem sei direito.. .É mesmo! Sabe que um amigo meu foi contratado numa indústria prum cargo ótimo.Então. onde vai a vírgula... pode arranjar um bom emprego lá.. trabalharam o dia inteiro.E na escola particular? .. enxergando só um lado das coisas. Mas isso não é problema meu.. vão passando de ano sem saber nada.. .. ... dar mais bases e. não? Fiquei até com vontade de fazer um curso de Letras. mas me diga só uma outra coisa. . Por exemplo.Chega. sobre a sociedade.Tá legal. o diretor daquela indústria. que na escola particular tem um nível mais alto. Eles lêem muito mais. o resto não é necessário... ... Parece que tinha uns mil na fila. .. freqüentar faculdades. meu! .Puxa! Já vi que você pode entender muito de português. . a vida. estadual. onde dou aula à noite. que você mostrou agorinha.. o curso anda bem. etc. Você dá aulas.Eu tenho que dar um curso mais fraco. todos são educados..Ah! agora entendi bem.Então já sei: boa família é uma família com dinheiro. . aprendem tudo igualzinho? . é evidente que não! Na escola estadual. você capricha menos. têm muita cultura. de estudos sociais... -.Bem. então só se fala bem nas boas famílias? O que é uma boa família? ... Que pena! Em nosso país há pouquíssimas boas famílias e milhões de péssimas... quando uma pessoa vai ser mandada embora. O Estado paga mal. .PÔ..Ah! quer dizer que você deve ganhar super bem... .. mas sabe..Não. ehr. mas não entende quase nada de educação. que eles consigam acompanhar o meu curso.. Quero que os meus alunos cheguem até onde estão os alunos ricos.. fazer mil cursinhos.Não. etc.Não quero te deixar chateado. numa e noutra? . Garanto que ela ficará menos chateada. menos estudam.. . de estudo. Tudo tem seu lado ruim e seu lado bom.Ah.. caríssima... quase dormem na aula..Ah!.. Mas me lembrei de outra coisa: um vizinho meu foi procurar emprego de office-boy deram um teste de gramática pra ele. . radicalizando. você não agüenta mesmo levar um papo sério. colocação de pronomes. ensinar menos coisas.. . hum.você tá um saco hoje. onde todos falam bem e corretamente. cheio de perguntas sobre orações subordinadas.. e que os alunos mais pobres devem se esforçar para chegar lá..

contrapondo-os quando necessário. adequados a seus destinatários. O texto na sala de aula. compreender e fazer uso de informações contidas nos textos: identificar aspectos relevantes. dogmáticas. fazer resumos. A menos que. compor textos coerentes a partir de trechos oriundos de diferentes fontes. • valorizar a leitura como fonte de informação. • utilizar diferentes registros.) Texto 2 OBJETIVOS GERAIS DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL (PCN. via de acesso aos mundos criados pela literatura e possibilidade de fruição estética. elaborar roteiros. a escola considera todo e qualquer conteúdo válido. p.. gênero ou etnia. depois de aulas onde não faltam castigos e broncas. • usar os conhecimentos adquiridos por meio da prática de reflexão sobre a língua para expandirem as possibilidades de uso da linguagem e a capacidade de análise crítica. sendo capazes de expressar seus sentimentos. o ensino de Língua Portuguesa deverá organizar-se de modo que os alunos sejam capazes de: • expandir o uso da linguagem em instâncias privadas e utilizá-la com eficácia em instâncias públicas. • utilizar a linguagem como instrumento de aprendizagem. do saber que coloca aos alunos. aos objetivos a que se propõem e aos assuntos tratados. João Wanderley(org). inclusive os mais formais da variedade lingüística valorizada socialmente. espera-se que os alunos adquiram progressivamente uma competência em relação à linguagem que lhes possibilite resolver problemas da vida cotidiana. interpretando-os corretamente e inferindo as intenções de quem os produz. • valer-se da linguagem para melhorar a qualidade de suas relações pessoais. histórica.p. experiências. interpretar e considerar os dos outros. E assim vemos muitos professores de português. Sem o menor respeito pelas condições de vida de seus freqüentadores. ensinando análise sintática a crianças mal alimentadas.E a escola? Muitas vezes a escola esquece que educação é um problema social. etc. que acabam.. idéias e opiniões. ignorâncias. esquemas. tragicamente. . ter acesso aos bens culturais e alcançar a participação plena no mundo letrado.33) Ao longo dos oito anos do ensino fundamental. mas nunca serão os sujeitos das suas próprias histórias.. sabendo assumir a palavra e produzir textos — tanto orais como escritos — coerentes. sendo capazes de recorrer aos materiais escritos em função de diferentes objetivos. • conhecer e respeitar as diferentes variedades lingüísticas do português falado. índices. que esboçamos anteriormente. sabendo como proceder para ter acesso. 10 a 16. organizar notas. • conhecer e analisar criticamente os usos da língua como veículo de valores e preconceitos de classe. coesos. sabendo adequá-los às circunstâncias da situação comunicativa de que participam. verdades incontestáveis. impõe-lhes modelos de ensino e conteúdos justamente produzidos para a conservação dessa situação injusta. credo. (GERALDI. Essas crianças passarão alguns anos na escola sem saber que poderão acertar o sujeito da oração. 2007. São Paulo: Ática. pálidas. Sem fazer a crítica verdadeira. • compreender os textos orais e escritos com os quais se defrontam em diferentes situações de participação social. indecente. muitas vezes baseado em preconceitos. e encara-o como problema pedagógico. condicionadas a distinguir o sujeito de uma oração. Para que essa expectativa se concretize. bem como de acolher.

essas diferenças se refletem na linguagem. As variações linguísticas são condicionadas por fatores internos da língua ou por fatores sociais. Na frase 1 temos uma economia lingüística que torna a frase mais compreensível a todos os ouvintes. ambulantes. um chefe de Estado.AULA 2 – VARIANTES LINGUÍSTICAS VARIAÇÕES DE LINGUAGEM Linguagem é a representação do pensamento por meio de sinais que permitem a comunicação e a interação entre as pessoas. a dança. entendendo-se como tal um vocabulário com gírias. um velho falar como uma criança. que têm exercido um papel nivelador. Raça (ligada a fatores etnológicos ou culturais) Profissão (linguagem técnica – jargão técnico . o código Morse. aos colégios mistos e aos movimentos feministas. de etnia diferente. 35) Variedades ligadas ao falante ou a aspectos socioculturais: Idade (considerando-se o locutor adulto. os gestos. muitas vezes percebem-se diferenças na fala das pessoas de classes diferentes. (GERALDI. Por isso seria estranho. de sexo diferente. fala-se muito em uma linguagem jovem. mais empregado pelos indivíduos dessa faixa etária) Sexo (de acordo com a comunidade. o que limita o tipo de ouvinte capaz de entendê-la. Modernamente. devido a certos tabus morais. posição social e instrução. ou por ambos ao mesmo tempo. Muitos meninos não podem usar a chamada linguagem correta na escola sob pena de serem marcados pelos colegas. o código de trânsito etc. a oposição linguagem do homem/ linguagem da mulher pode determinar diferenças sensíveis. porque em nossa sociedade a correção é considerada uma marca feminina. Seu idioleto (saber linguístico individual) varia de acordo com a sua cultura. Grau de escolaridade (observe: 1. isto é. As variações linguísticas Todas as línguas variam. 2se você vir o Antônio diga-lhe que quero falar-lhe. um dirigente industrial. uma autoridade falar como um marginal social etc. Esta variação tende a minimizar-se devido à mídia (meio de comunicação de massa). Já a frase 2 demonstra domínio das formas lingüísticas ausentes na linguagem popular.se você ver o Antônio diz pra ele que eu quero falar com ele. Por isso. etc. a música. Normalmente o grau de escolaridade está associado à classe econômica do falante) .ou profissional em que os falantes utilizam um vocabulário condizente com sua atividade: médicos. assim como um bancário ou um operário não têm o mesmo nível de linguagem. como em todas as sociedades existe alguma diferença de status ou de papel. não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma. policiais) Posição social (O status do falante também exige dele um cuidado com a linguagem a fim de ser distinguido dentro do grupo em que atua. Um político. o desenho. à mulher trabalhar fora do lar. quando não ridículo. as variações devidas às faixas etárias se limitam muito mias ao vocabulário e nem sempre são fáceis de perceber. 2007. p. militares. João Wanderley(org). embora possam conviver na mesma comunidade em que atuam. advogados. A variedade linguística é o reflexo da variedade social e. de idade diferente. a pintura. em especial no campo do vocabulário. As línguas fornecem também meios de constituição de identidade social. Existem muitos tipos de linguagem: a fala.

textos acadêmicos e ao fazermos discursos em formaturas. também existe uma variedade lingüística adequada a cada situação. Falar uma língua é parecido com vestir-se: assim existe uma roupa adequada para cada situação. linguagem rural: mais conservadora e isolada. utilizar a língua de maneira diferente cria vários níveis de linguagem. seminários palestras etc. provas escolares. mas sim. Caracteriza-se por maior rigor no uso do vocabulário e pela obediência às regras gramaticais adquiridas por anos na escola. próprio da língua escrita formal. Usar o português rígido. termos chulos. Optamos por este nível ao escrevermos requerimentos. artificial. por exemplo) Época (o português de nossos antepassados é diferente do que falamos hoje) Tema (para alguns temas temos mais facilidade. a mais adequada a cada contexto. LINGUAGEM FORMAL Hierarquia de poder (não igual) Contato não freqüente Pouco envolvimento afetivo Léxico formal (formas não abreviadas e não emprego de gírias) Emprego de apelidos e diminutivos Emprego de títulos Expressões de afeto e despreocupação com a Expressões de deferência e preocupação com a polidez polidez Uso de expressões que indicam opinião Uso de expressões que indicam sugestão LINGUAGEM INFORMAL Poder igual entre os falantes Contato freqüente Grande envolvimento afetivo Léxico coloquial (abreviações e gírias) . Soa como pretensioso. aprendida fora da escola com pessoas próximas. do mais formal ao mais informal. extinguindo-se gradualmente com a chegada da civilização) Variedades ligadas à situação: Ambiente (falamos diferentemente em casa e no trabalho. é inevitável perguntar qual delas é a correta. Registro coloquial ou popular: é a maneira informal de se comunicar no dia-a-dia. escrevendo bilhete para a namorada. como uma gradação: Registro formal ou culto: é o nível de linguagem utilizado em situações formais. desrespeitosos. jogando bola com os amigos. o emissor segue a sua gramática interior. meios de comunicação de massa. Ao usar esse registro. pois recebe influência direta de fatores culturais como escolas. “batendo papão” com colegas etc. numa situação descontraída da comunicação oral é falar de modo inadequado. Resposta: não existe a mais correta em termos absolutos. Dessa maneira. pedante. documentos. ou grupo de pessoas. NÍVEIS DE LINGUAGEM O fato de cada pessoa. fala bem aquele que se mostra capaz de escolher a variante adequada a cada situação e consegue o máximo de eficiência dentro da variante escolhida. intimidade e vocabulário do que para outros) Estado emocional do falante (quando estamos nervosos usamos uma linguagem mais eufórica. ADEQUAÇÃO Diante de tantas variantes lingüísticas. com mais adjetivos e até palavrões do que quando estamos calmos) Grau de intimidade entre os falantes. é inadequado em situação formal usar gírias. fugir afinal das normas típicas dessa situação. por pessoas escolarizadas. intuitiva.Local em que reside (linguagem urbana: mais próxima da linguagem comum. literatura etc. Por outro lado.

Faça voltar ao forno por 15 minutos a uma temperatura de 220º. a seguir. adequando-os ao interlocutor e à situação de comunicação. coloque-o num recipiente metálico de proporções adequadas. Atividade Vamos ver como você se sai na cozinha. devemos ficar atentos para não utilizar. Faça incisões cuidadosas em forma de losangos sobre a superfície da peça. ele deve saber usar convenientemente os níveis de linguagem.Se o objetivo de um indivíduo é falar para ser bem compreendido pelo ouvinte. elementos próprios da linguagem informal e. A fusão completa do melaço marca o fim da preparação. pressionando manualmente. Reescreva o texto utilizando uma linguagem mais apropriada. vertendo sobre ele cerca de 250 ml de H2O. inadequados à linguagem acadêmica ou empresarial. durante 60 minutos. na redação de nossos textos na universidade ou na empresa. deixando-o exposto à temperatura ambiente até que seja atingido o equilíbrio térmico. esta superfície com melaço de açúcar bruto queimado. Assim. . Insira em cada ponto de intersecção das linhas de incisão um cravo aromático (botão seco da Eugenia caryophylatta) de que foi previamente retirado o elemento esférico superior. porém escrita em linguagem científica. bem como parte do revestimento adiposo. Corte ananás sativus em secções delgadas e aplique estas secções sobre a peça. Cubra. Retire do recipiente o produto cozido. Com um instrumento cortante. Recoloque a peça no recipiente utilizado anteriormente. devidamente afiado. Tome 125 ml de licor de Genebra e faça uma aspersão sobre a superfície da peça. destaque o couro que deve recobrir a estrutura muscular do trem posterior de um suíno. O texto abaixo é uma receita. bastante culta e inadequada para o seu público leitor. Assim preparado o material. Coloque num forno préaquecido a 150º. portanto.

etc. dificilmente ocorrerá se a escola não tomar para si a tarefa de promovê-la. seria preciso ―consertar‖ a fala do aluno para evitar que ele escreva errado. do que se sente. 14. um feirante. Texto 2 LÍNGUA ORAL: USOS E FORMAS (PCN – p. em contextos mais formais. um radialista. utilizam diferentes registros em razão das também diferentes instâncias nas quais essa prática se realiza. todos aqueles que tomam a palavra para falar em voz alta. Expressar-se oralmente é algo que requer confiança em si mesmo. a circunstâncias de enunciação. especialmente nas mais formais: planejamento e realização de entrevistas. possui muitas variedades dialetais 13. Quando o fez. Quando se usa aqui a expressão ―de fato‖. o . além de desvalorizar a forma de falar do aluno. Assim. Isso se conquista em ambientes favoráveis à manifestação do que se pensa. mas de sua adequação às circunstâncias de uso. A aprendizagem de procedimentos eficazes tanto de fala como de escuta. com a esperança de evitar que escrevessem errado. saber adequar o registro às diferentes situações comunicativas. considerando as características do contexto de comunicação.p. um professor.39 a 41) Não é papel da escola ensinar o aluno a falar: isso é algo que a criança aprende muito antes da idade escolar. É saber coordenar satisfatoriamente o que falar e como fazê-lo. Variedades dialetais ou dialetos são compreendidos como os diferentes falares regionais presentes numa dada sociedade. um político. dramatizações. um repórter. a usos da linguagem. diálogos com autoridades. 13. Para isso. Ao longo deste documento a expressão foi usada também referindose a textos. etc.AULA 3 – O ENSINO DA ORALIDADE Texto 1 Que fala cabe à escola ensinar (PCN. tratando sua comunidade como se fosse formada por incapazes. seminários. um religioso. A questão não é de correção da forma. Talvez por isso. Identificam-se geográfica e socialmente as pessoas pela forma como falam. de utilização eficaz da linguagem: falar bem é falar adequadamente. debates.26) A Língua Portuguesa. a intenção é marcar a existência sociocultural extra-escolar dessas atividades discursivas. ou seja. portanto. a escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma ―certa‖ de falar — a que se parece com a escrita — e o de que a escrita é o espelho da fala — e. sua existência no interior de práticas sociais comunicativas não-escolarizadas. por mais prestígio que um deles tenha em um dado momento histórico. e também para poder ensinar Língua Portuguesa. O problema do preconceito disseminado na sociedade em relação às falas dialetais deve ser enfrentado. A própria condição de aluno exige o domínio de determinados usos da linguagem oral. na escola. enfim. sendo assim. quais variedades e registros da língua oral são pertinentes em função da intenção comunicativa. pois seria descabido ―treinar‖ o uso mais formal da fala. do contexto e dos interlocutores a quem o texto se dirige. mas saber qual forma de fala utilizar. ou seja. Cabe à escola ensinar o aluno a utilizar a linguagem oral nas diversas situações comunicativas. As instituições sociais fazem diferentes usos da linguagem oral: um cientista. Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que. Reforçou assim o preconceito contra aqueles que falam diferente da variedade prestigiada. foi de maneira inadequada: tentou corrigir a fala ―errada‖ dos alunos — por não ser coincidente com a variedade lingüística de prestígio social —. A questão não é falar certo ou errado. é produzir o efeito pretendido. É saber. num dado momento histórico. Trata-se de propor situações didáticas nas quais essas atividades façam sentido de fato14 . a escola não tenha tomado para si a tarefa de ensinar quaisquer usos e formas da língua oral. considerando a quem e por que se diz determinada coisa. no Brasil. denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos. do que se é. Mas há muitos preconceitos decorrentes do valor social relativo que é atribuído aos diferentes modos de falar: é muito comum se considerarem as variedades lingüísticas de menor prestígio como inferiores ou erradas. como parte do objetivo educacional mais amplo de educação para o respeito à diferença.

diante de diferentes interlocutores. portanto. é necessário diversificar as situações propostas tanto em relação ao tipo de assunto como em relação aos aspectos formais e ao tipo de atividade que demandam — fala. se feita em grupo. de certa forma. • atividades de resolução de problemas que exijam estimativa de resultados possíveis. descrição do funcionamento de aparelhos e equipamentos em situações onde isso se faça necessário. etc. quer sejam das demais áreas do conhecimento. mas que tenham sempre sentido de comunicação de fato: exposição oral. São essas situações que podem se converter em boas situações de aprendizagem sobre os usos e as formas da língua oral: atividades de produção e interpretação de uma ampla variedade de textos orais. para que possam conhecer seus modos de funcionamento e aprender a utilizá-las. Considerar objeto de ensino escolar a língua que elas já falam requer. familiares. A linguagem tem um importante papel no processo de ensino. • atividades de produção oral de planejamento de um texto. mas o contrário também vale: as atividades relacionadas às diferentes áreas são. A capacidade de uso da língua oral que as crianças possuem ao ingressar na escola foi adquirida no espaço privado: contextos comunicativos informais. de observação de diferentes usos. cuja finalidade é a exposição de temas estudados. sobre temas estudados apenas por quem expõe. a tomada de decisões sobre encaminhamentos. Em geral o procedimento de expor oralmente em público não costuma ser ensinado. Não basta deixar que as crianças falem. a coordenação da fala própria com a dos colegas — dois procedimentos complexos que raramente se aprendem sem ajuda. considerando o nível de conhecimento do interlocutor e. coloquiais. É preciso. a explicitação do que se deve ensinar e de como fazê-lo. Eleger a língua oral como conteúdo escolar exige o planejamento da ação pedagógica de forma a garantir. escuta e/ou reflexão sobre a língua. É fundamental que essa tarefa didática se organize de tal maneira que os alunos transitem das situações mais informais e coloquiais que já dominam ao entrar na escola a outras mais estruturadas e formais. Para isso. escuta e reflexão sobre a língua. fundamentais para a realização de aprendizagens de natureza lingüística. A exposição oral ocorre tradicionalmente a partir do 4º ano. a divisão de tarefas. da relação entre os interlocutores e da intenção comunicativa. na sala de aula. comparação e confronto de procedimentos empregados. a apresentação de resultados. A produção oral pode acontecer nas mais diversas circunstâncias. de reflexão sobre os recursos que a língua oferece para alcançar diferentes finalidades comunicativas. depende de a escola ensinar-lhe os usos da língua adequados a diferentes situações comunicativas. E isso é algo que depende do assunto tratado. Esse tipo de tarefa requer preparação prévia. verbalização. a partir de intenções de natureza diversa. atividades sistemáticas de fala. por meio das chamadas apresentações de trabalho. ensinar-lhe a utilizar adequadamente a linguagem em instâncias públicas. De nada adianta aceitar o aluno como ele é mas não lhe oferecer instrumentos para enfrentar situações em que não será aceito se reproduzir as formas de expressão próprias de sua comunidade. narração de acontecimentos e fatos conhecidos apenas por quem narra. portanto.desenvolvimento da capacidade de expressão oral do aluno depende consideravelmente de a escola constituir-se num ambiente que respeite e acolha a vez e a voz. Supõe também um profundo respeito pelas formas de expressão oral trazidas pelos alunos. quer sejam da área de Língua Portuguesa. de suas comunidades. As situações de comunicação diferenciam-se conforme o grau de formalidade que exigem. Ainda que. sobretudo. pois atravessa todas as áreas do conhecimento. apenas o falar cotidiano e a exposição ao falar alheio não garantem a aprendizagem necessária. e um grande empenho por ensinar-lhes o exercício da adequação aos contextos comunicativos. dentro dos mais diversos projetos: • atividades em grupo que envolvam o planejamento e realização de pesquisas e requeiram a definição de temas. a fazer uso da língua oral de forma cada vez mais competente. Mas. É preciso que as atividades de uso e as de reflexão sobre a língua oral estejam contextualizadas em projetos de estudo. não se trata de reproduzi-las para ensinar aos alunos o que já sabem. boa parte dessas situações também tenha lugar no espaço escolar. de elaboração propriamente e de análise de sua qualidade. por sua vez. Possivelmente por se imaginar que a boa . a diferença e a diversidade. • atividades dos mais variados tipos.

exposição oral decorra de outros procedimentos já dominados (como falar e estudar). No entanto, o texto expositivo — tanto oral como escrito — é um dos que maiores dificuldades apresenta, tanto ao produtor como ao destinatário. Assim, é importante que as situações de exposição oral freqüentem os projetos de estudo e sejam ensinadas desde as séries iniciais, intensificando-se posteriormente. A preparação e a realização de atividades e projetos que incluam a exposição oral permitem a articulação de conteúdos de língua oral e escrita (escrever o roteiro da fala, falar a partir do roteiro, etc.). Além disso, esse tipo de atividade representa um espaço privilegiado de intersecção entre diferentes áreas do conhecimento, pois são os assuntos estudados nas demais áreas que darão sentido às atividades de exposição oral em seminários. O trabalho com linguagem oral deve acontecer no interior de atividades significativas: seminários, dramatização de textos teatrais, simulação de programas de rádio e televisão, de discursos políticos e de outros usos públicos da língua oral. Só em atividades desse tipo é possível dar sentido e função ao trabalho com aspectos como entonação, dicção, gesto e postura que, no caso da linguagem oral, têm papel complementar para conferir sentido aos textos. Além das atividades de produção é preciso organizar situações contextualizadas de escuta, em que ouvir atentamente faça sentido para alguma tarefa que se tenha que realizar ou simplesmente porque o conteúdo valha a pena. Propostas desse tipo requerem a explicação prévia dos seus objetivos, a antecipação de certas dificuldades que podem ocorrer, a apresentação de pistas que possam contribuir para a compreensão, a explicitação das atitudes esperadas pelo professor ao longo da atividade, do tempo aproximado de realização e de outros aspectos que se façam necessários. Mais do que isso, é preciso, às vezes, criar um ambiente que convide à escuta atenta e mobilize a expectativa: é o caso, por exemplo, dos momentos de contar histórias ou relatos (o professor ou os próprios alunos). A escuta e demais regras do intercâmbio comunicativo devem ser aprendidas em contextos significativos, nos quais ficar quieto, esperar a vez de falar e respeitar a fala do outro tenham função e sentido, e não sejam apenas solicitações ou exigências do professor.
6. Registro refere-se, aqui, aos diferentes usos que se pode fazer da língua, dependendo da situação comunicativa. Assim, é possível que uma mesma pessoa ora utilize a gíria, ora um falar técnico (o “pedagoguês”, o “economês”), ora uma linguagem mais popular e coloquial, ora um jeito mais formal de dizer, dependendo do lugar social que ocupa e do grupo no qual a interação verbal ocorrer. 7. Interação verbal, aqui, é entendida como toda e qualquer comunicação que se realiza pela linguagem, tanto as que acontecem na presença (física) como na ausência do interlocutor. É interação verbal tanto a conversação quanto uma conferência ou uma produção escrita, pois todas são dirigidas a alguém, ainda que esse alguém seja virtual. 8. Coesão, neste documento, diz respeito ao conjunto de recursos por meio dos quais as sentenças se interligam, formando um texto. 9. O termo “gênero” é utilizado aqui como proposto por Bakthin e desenvolvido por Bronckart e Schneuwly.

ATIVIDADE a) Carta da mãe portuguesa Querido filho: Escrevo-te estas linhas para que saibas que a mãe está viva. Como sei que não consegues ler rápido, vou me pôr a escrever bem devagar. Estas bem? Faz tempo que não sei o que anda a acontecer contigo. Caso estejas sem tempo de escrever à mãe, manda uma carta dizendo que quando estiveres mais tranqüilo vais mandar notícias. Se tu viesses hoje aqui em casa não irias reconhecer mais nada, porque mudamos. Temos agora uma maquina de lavar roupa. Mas não trabalha muito bem. Na semana passada pus lá catorze camisas e apertei um botão e nunca mais as vi. Vai ver que essa marca Hydra não é das melhores. Tua irmã Maria está grávida. Mas ainda não sabemos se vai ser menino ou menina. Portanto, não podemos te dizer se vais ser tio ou tia. Teu pai arranjou um bom emprego. Tem 2.300 homens abaixo dele. É o responsável pelo corte de grama no cemitério. Quem anda sumido é seu tio Venâncio, que morreu ano passado e teu primo Jacinto que sempre acreditou ser mais rápido que um touro. Bem que se viu que não era. Lembras-te do tio Joaquim? Então, afogou-se mês passado num depósito de vinho.Oito compadres dele tentaram salvá-lo, mas o tio lutou bravamente contra eles. O corpo foi cremado há duas semanas. Levaram oito dias para apagar o incêndio. Estou preocupada com o nosso cachorro, ele não para de perseguir os carros parados. Os engarrafadores de refrigerantes aqui finalmente tiveram a grande idéia de colocar uma indicação na tampinha, dizendo "Abra por aqui". Facilitou-nos muito a vida. Espero que os daí façam a mesma coisa. Caso esteja difícil para

ti, a mãe te manda algumas garrafas. Teu irmão, João, continua o mesmo de sempre. Semana passada fechou o carro com as chaves dentro. Perdeu um tempão indo até a casa pegar a cópia da chave, para pode tirar-nos todos de dentro do automóvel. Estava um calor de rachar. Por falar em calor, o tempo aqui está muito estranho. Esta semana só choveu duas vezes. Na primeira vez choveu durante três dias. Na segunda, choveu durante quatro dias. A política neste país continua a mesma de sempre. Há poucos dias houve a eleição para presidente do sindicato dos metalúrgicos. Ganhou o Manuel Inácio Da Silva, o Mula. Esta carta mando-te através do Gabriel, que vai amanhã para aí. A propósito, será que podes pegá-lo no aeroporto? Lembrei-me de uma coisa importante: terás um problema para falar com a mãe, caso decidas escrever-me. Não sei o endereço desta casa nova. A última família que morou aqui antes de nós, também era portuguesa e levou a placa da rua e o número da casa para não precisar mudar de endereço. Se encontrares a Tereza, dê um alô de minha parte. Caso não a encontres, não precisas dizer nada. Adeus. Tua mãe que te ama... Ps. Ia te mandar 2000 escudos, mas fica para outra vez. Já fechei o envelope.

Atividade: Após este exemplo, escreva uma carta para os pais da escola de EI onde você trabalha comunicando uma epidemia e a consequente suspensão das aulas por 1 semana.

AULA 4 – GÊNEROS TEXTUAIS
A VARIEDADE DE TEXTOS: OS GÊNEROS TEXTUAIS Os gêneros devem ser adequados à idade dos alunos, fazerem parte da realidade social e escolar dos alunos. QUADRO DE GÊNEROS TEXTUAIS:
Domínios sociais Aspecto de comunicação tipológico Cultura literária NARRAR ficcional Capacidades de linguagens dominantes Imitação da ação através da criação da intriga. (fictício) Exemplos de gêneros orais e escritos

Documentação ou RELATAR memorização das ações humanas

Representação pelo discurso de experiências vividas, situadas no tempo. (real)

Discussão de ARGUMEN problemas sociais TAR

Sustentação, refutação e negociação de tomadas de posição. (defesa de idéias)

Transmissão construção saberes

e EXPOR de

Apresentação textual de diferentes formas dos saberes. (científico)

Conto maravilhoso Conto de fadas Fábula Lenda Narrativa de aventura Narrativa de ficção científica Narrativa de enigma Histórias engraçadas Biografia romanceada Romance Romance histórico Novela Conto Paródia Adivinha Piada Crônica literária Relatos de experiências vividas Relatos de viagem Diário íntimo Testemunho Anedota Autobiografia Curriculum vitae Notícia Reportagem Crônica mundana Crônica esportiva Históricos Relatos históricos Textos de opinião/ diálogo argumentativo Carta de leitor Carta de reclamação Carta de solicitação Debate regrado Editorial Discurso de defesa (advocacia) Requerimento ensaio Resenhas críticas Texto expositivo Conferência Entrevista de especialista Texto explicativo Resumo de textos expositivos e explicativos

Um exemplo: nas aulas de Língua Portuguesa. Para a escola. o exercício de formas de pensamento mais elaboradas e abstratas. portanto. não consegue manejar. lidos e ouvidos em razão de finalidades desse tipo. mesmo assim. pois dela depende a possibilidade de aprender os diferentes conteúdos. dependendo dos estímulos e do ambiente alfabetizador de onde ele vem. descrever um problema. se ela acha que está certo. por que fez assim e não de outra maneira. são os textos que favorecem a reflexão crítica e imaginativa. os textos são produzidos. Texto 2 CONCEITOS IMPORTANTES PARA A FORMAÇÃO DO ALFABETIZADOR Reconhecimento das fases da escrita Para que você possa acompanhar o processo de aquisição e desenvolvimento da escrita. .26) Diversidade de textos A importância e o valor dos usos da linguagem são determinados historicamente segundo as demandas sociais de cada momento. comparar diferentes pontos de vista. E essa capacidade.Instruções prescrições e Descrever ações Regulação mútua de comportamento (instrucional) Resenhas Relatório científico Relato de experiências (científicas) Instrução de uso Instrução de montagem Receita Regulamento Regras de jogo Texto 1 (PCNs p. Atualmente exigem-se níveis de leitura e de escrita diferentes e muito superiores aos que satisfizeram as demandas sociais até bem pouco tempo atrás — e tudo indica que essa exigência tende a ser crescente. Toda educação verdadeiramente comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para o desenvolvimento da capacidade de uso eficaz da linguagem que satisfaça necessidades pessoais — que podem estar relacionadas às ações efetivas do cotidiano. argumentar a favor ou contra uma determinada hipótese ou teoria. Não há problema. Pode ser que o seu aluno não apresente essas fases assim descritas e já vá direto ao processo quase formal da escrita. os mais vitais para a plena participação numa sociedade letrada. bem como a constituição de práticas que possibilitem ao aluno aprender linguagem a partir da diversidade de textos que circulam socialmente. essas diferenças existirão mesmo. se ela tem dúvida no que fez. Por isso. é necessário observar as fases do processo.25. como espaço institucional de acesso ao conhecimento. De modo geral. Em conseqüência. apresentar uma informação nova. e nessas aulas também não. implica uma revisão substantiva das práticas de ensino que tratam a língua como algo sem vida e os textos como conjunto de regras a serem aprendidas. pois não há um trabalho planejado com essa finalidade. à transmissão e busca de informação. que permite o acesso à informação escrita com autonomia. Cabe. é condição para o bom aprendizado. · Tome o cuidado de estar sempre perguntando para a criança se isto é igual àquilo. Isso inclui os textos das diferentes disciplinas. não se ensina a trabalhar com textos expositivos como os das áreas de História. Sem negar a importância dos que respondem a exigências práticas da vida diária. ensinar a produzi-los e a interpretá-los. o mais importante é que você saiba reconhecer as fases que são normais e comuns. ao exercício da reflexão. Geografia e Ciências Naturais. à escola viabilizar o acesso do aluno ao universo dos textos que circulam socialmente. pois considera-se que trabalhar com textos é uma atividade específica da área de Língua Portuguesa. com os quais o aluno se defronta sistematicamente no cotidiano escolar e. mas é a de Língua Portuguesa que deve tomar para si o papel de fazê-lo de modo mais sistemático. o aluno não se torna capaz de utilizar textos cuja finalidade seja compreender um conceito. a necessidade de atender a essa demanda. todas as disciplinas têm a responsabilidade de ensinar a utilizar os textos de que fazem uso.

· Justificar a leitura e a escrita que foram propostas é sempre uma postura louvável por parte do professor.Não ser arbitrário nessa questão faz diferença no bom relacionamento com a turma. apresentando no quadro as respectivas grafias em maiúscula e minúscula. em relação a sua temática do dia. quem era ele. Os títulos são as principais percepções dos alunos no início do trabalho. Faça seu trabalho com base nisso. certamente já estaremos dando condições de o aluno perceber melhor aquilo que estamos propondo. · Chame a atenção dos alunos para o título do texto ou para o título daquilo que se propõe a escrever ou a ler. do desenho ou figura numa conversa informal com seus alunos. Deixe que proponham e. às vezes. · O isolamento e o destaque da sílaba que devemos trabalhar deve ser fruto dessas conversas informais. sua apresentação. o texto pode ficar sem sentido. Assim. Se um aluno trouxer uma palavra que é usada lá na zona onde vive e há uma variação lingüística ali ou um desconhecimento geral sobre o significado dela. quais são as diferenças culturais e sociais entre eles e. mude um pouco a atividade e dê uma atenção maior àquilo que acabou de surgir e que despertou a curiosidade. ela elabora uma percepção mais consistente em relação à fala e à escrita. se tiver feito desenhos. A flexibilidade costuma dar melhores resultados. principalmente. alguém saberia contar uma história parecida. É como se essa atitude fosse a nossa mais básica obrigação diária. é necessário construir essa habilidade na prática diária da leitura. sempre fazendo ligações com outras coisas já vistas por eles: um nome de alguém da escola. se quiser. · Procure estimulá-los e fazê-los lembrar de coisas que começam pela mesma sílaba e. Depois dos títulos vêm as tramas dos textos (os problemas enfrentados pelas personagens). Se não se coloca um título. É necessário que o professor abra espaços para que os alunos possam colocar-se como agentes ativos no processo. não é possível saber para onde se quer ir e. palavras que querem estudar. Tem de haver um propósito plausível.Mas. em letra de forma e em cursiva. · Sempre faça a apresentação do texto. escreva abaixo deles. mas antes garanta que eles estabeleçam um propósito possível para eles e dê-lhes condições para alcançá-lo.· É importante fazer a criança refletir: se eu ouvi cinco pausas na leitura da professora. um nome de programa de televisão. · Cuide para que os apontamentos feitos pelos alunos. Eles podem escolher livros. · Escreva sempre a sílaba que estiver trabalhando. textos. por que o meu registro tem só duas marcas? Ao refletir. é uma história real ou não. Quando estiver trabalhando com a escrita. Atitudes pedagógicas Há uma série de procedimentos que devem nortear a atitude profissional do professor nas suas práticas diárias numa turma de alfabetização. mas o aluno que a trouxe sabe. sobretudo. é referente a um fato. para que eles realmente as percebam. das colocações feitas pelos alunos e. Se todos os dias tivermos essa atitude mínima. baseados na realidade de cada um. Não seja rígido nas suas propostas. mas cuide para sempre registrar as colocações no formato de listas. · Leia para os alunos e com eles. . é importante deixar claro que o título aponta para o caminho que o escritor irá percorrer. de quem veio. da história. assim. da proposta-base do professor modificada com a interferência dos alunos. sua construção e as diferenças entre textos anteriormente acessados por ele. assim por diante. coisas que querem fazer. o que de conteúdo. sua forma. eles já dominam. até modifiquem a sua intenção. O importante é justificar o porquê daquela palavra-chave e o porquê daquela sílaba específica. possam tomar significados maiores. uma comida que nunca comemos etc. faça desenhos para facilitar o trabalho de percepção. já lemos outro texto assim. você irá perceber as coisas que eles vivem. vale a pena discutir o assunto e resgatar junto com eles qual é o sentido da escola. sempre buscando evidenciar os elementos que estruturam um texto. Questões pertinentes podem ser: Vocês repararam que esta história tem várias partes? Alguém pode dizer onde estão elas? Onde está o começo da história? Em que parte aconteceu tal coisa?Em que parte as personagens brigam? Onde alguém conta o que viu? · É importante identificar o texto ou a escrita: para quem é. uma comida de que todos gostem. Caso essas escolhas estejam muito fora do contexto da escola ou da sala de aula.

Os alunos em alfabetização também costumam escrever tudo junto (eugostodemelcommamão). · Elementos de coesão: são aqueles elementos da escrita que ligam umas idéias nas outras. dentro de cada gênero. Essas questões ajudarão a desenvolver um comportamento salutar em relação à clareza da escrita. Assim. · Deixe sempre à disposição dos alunos um canal para consulta. bulas de remédios. · Paragrafação: a idéia de parágrafo não deve ser trabalhada tão cedo. reportagens. Com o tempo. de que para sempre necessitarão. lendas. É a arbitrariedade do professor que vai direcionar esta produção. Além disso. os pronomes e uma porção de outros elementos das mais diferentes classes de palavras. Deixe que os alunos saboreiem livremente cada um dos textos e depois.· Os textos têm uma idéia central e uma porção de outras que se desenrolam em torno dela. editoriais. despertando. avisos. Mas a prioridade deve ser resgatar a compreensão e a interpretação deles para cada um dos tipos textuais. Produção textual A compreensão dos conteúdos que estão envolvidos na produção textual é fundamental para o trabalho de alfabetização. regras de jogo. aventuras. uma farta diversidade de gêneros literários e vários tipos textuais. Quando a criança ainda não os domina é comum aparecer nos textos as expressões: "e aí". etc. nos momentos de leitura compartilhada. ensaios. . » textos argumentativos: diálogos. notícias. Concentre-se nos aspectos da leitura. crônicas. daí ele saiu". Mesmo que os alunos ainda não consigam perceber a distinção entre eles. por isso. Tome o cuidado de escolher bons textos de cada tipo. pequenas delícias do texto secundário. é muito difícil para a criança desenvolver o traço dentro de espaços tão pequenos como os determinados pelas linhas. se necessário. as conjunções. autobiografias. seja um dicionário. biografias. dando sentido ao texto. · Espaçamento entre palavras e entre linhas: depois da direção vem a etapa do espaçamento. desenvolvimento e conclusão. » textos instrucionais: receitas. relatórios de experiências. no entanto. » relatos: diários. fábulas. sejam eles o escriba ou não. contos de fadas. com a qual o aluno precisa ter contato desde o começo. Faça-lhes sempre perguntas para ajudá-los a perceber se o que está sendo apresentado por eles. depoimentos. convocações. ficção. inventários. testemunhos. · Sequência lógica: o texto exige uma seqüência lógica: introdução. eles começarão a perceber que essa ordem dá uma organização final que é imprescindível para que todos possam ler aquilo que eles escrevem. · Apresente-lhes. » textos narrativos: contos. não se pode jogá-la fora. eles amontoam um pouco a primeira linha com a segunda e assim por diante (lembrando que no início da alfabetização trabalhamos com folhas sem pauta. sem linhas e sem marcas). Cuide para que os alunos percebam também as nuanças e os detalhes de uma boa narrativa. eles desenvolverão uma percepção somente da trama principal e deixarão de lado as minúcias. determinar claramente qual é o objetivo da escrita ou qual é a idéia que percorrerá a leitura antes de iniciá-la pode resolver uma série de questões acerca do entendimento prévio necessário para que o aluno acompanhe. É dessa forma que as tentativas dos alunos de produção de textos se tornarão mais compreensíveis e claras para o professor. o desejo de dominá-la. como as preposições. os artigos. "e então". o próprio professor ou qualquer outro material para que ele possa recorrer num momento de dúvida. de reclamação. Resgate-as. manuais de operação e de uso. "daí ele fez isso. o professor chame a atenção para eles. Isso se deve ao fato de que a coordenação motora nesta fase ainda está em desenvolvimento e. ou ainda. · Crie situações naturais ou artificiais que tornem a escrita fundamental para que os alunos possam perceber as suas aplicabilidades. qualquer que seja o processo. piadas. é imprescindível que. "causos". petições). Essas são dicas de que a criança não tem a menor idéia do que seja um elemento de coesão nos textos escritos. » textos expositivos: verbetes de dicionário. · Direção da escrita: primeiramente. assim. resenhas. com as mesmas características. regimentos e estatutos. faça o trabalho de produção textual. daí ele fez aquilo. é compreensível por parte de quem ouve. A escrita tem de ser uma necessidade para a criança. cartas (pessoais. os alunos começam a fazer tentativas de escrita em várias direções. Caso contrário. artigos opinativos. no trabalho diário. trechos de livro didático.

· A vivificação exige um compromisso de que todas as atividades sejam estruturadas como situações de desafio. inicialmente. · Essa vivificação do alfabeto torna o texto elemento central do trabalho. Depois ele passa a ser uma parte da nossa personalidade. para obter melhor resultado. situações-problema que cobrem dos alunos mais participação. sob orientação e de forma contextualizada. não só mecânico. E para desenvolvê-lo é necessário constituir eixos geradores. mas não tenha uma preocupação excessiva com essa questão. Não se esqueça de que até aos 12 anos a criança pode mudar a mão com a qual se sente melhor para escrever. na firmeza e na destreza das mãos. mais atividade. ajudam na tonicidade muscular. uma vez que tenha consciência do mundo e do papel que pode desempenhar nele. em desordem. . É importante que a criança tenha este tipo de trabalho motor. se o trabalho for intensificado aos poucos. mais ação. Letramento é a letra que ganha vida ativa. mas sobretudo aguda ou fina. Geraldo Peçanha de. discute-se o conceito de poesia e obra literária. você tem de unir os tipos de trabalho. · O letramento é composto pelas experiências de vida da criança dentro e fora da escola.10 a 17) Atividade Cada dupla ou grupo recebe um poema separado em versos soltos. Letramento é a função social da escrita na vida da criança. Sempre aponte para a criança os erros e os acertos. Brincadeiras infantis. na escola. seja ele oral ou escrito. quais interferências lhe são possíveis. o trabalho com coordenação motora global. sempre apresentará uma série de erros ortográficos. tudo isso aliado aos aspectos de caráter crítico-social. Assim. Por isso. P. como ela elabora suas ações. como elemento desencadeador da ação. mas o processo precisa ser cognitivo. por meio da interferência dela própria. (ALMEIDA.· Legibilidade da letra: o traçado da letra é primeiramente uma habilidade motora. É a vida que surge da palavra. Nossa letra tem uma relação direta com aquilo que somos. A criança tem em média 12anos de escolarização para ter um bom domínio da língua pátria. Pode-se fazer um sarau de poesias infantis com os livros trazidos pelos colegas . Não se desespere. Mas não seja negligente. dá boas condições motoras para a execução do traço. tendo como ponto de partida temas sociais de toda natureza. por exemplo. como a letra entra no cotidiano dela. certamente o objetivo será alcançado ao final. evitando o estado de passividade. sejam próximos ou mais distantes da realidade da criança.levar a criança à superação do espontaneísmo e da mera permanência no senso comum e na reprodução mecânica da escola. É a vivificação da alfabetização. · Esse trabalho deve ser baseado em critérios criativos e lúdicos. Depois. Isso é normal. É a dominância hemisférica que irá definir a opção. sem deixar que se percam a beleza da palavra e o prazer do texto. A forma como a criança vive. jogos e atividades lúdicas ajudam muito. e deve colocá-los na ordem que julgar melhor. Mas isso não é tudo. · Erros ortográficos: O texto produzido livremente. Trabalhar com eixos norteadores É preciso que o professor desenvolva uma percepção dos eixos norteadores e geradores acerca do letramento.com a vivificação da alfabetização. · Busca-se.

proposta pelo professor. não é nem um texto nem parte de um texto. reportagem) Objetivo/finalidade (convite. no lugar de aproximar as crianças dos textos de qualidade. pintada no asfalto em um cruzamento. O mesmo ―pare‖. não é possível tomar como unidade básica de ensino nem a letra. Analisando os textos que costumam ser considerados adequados para os leitores iniciantes.AULA 5 – COMO ENSINAR A ESCREVER . a lista do que deve ser comprado.Paródia Antes da produção. Dentro desse marco. às vezes. Ao aluno são oferecidos textos curtos. novamente aparece a confusão entre a capacidade de interpretar e produzir discurso e a capacidade de ler sozinho e escrever de próprio punho. um conto ou um romance. aviso. ―Textos‖ que não existem fora da escola e. no mínimo. lazer) A necessidade de revisão (processual e final) e refacção. mas isso não significa que não se enfoquem palavras ou frases nas situações didáticas específicas que o exijam. jornal. A possibilidade de se divertir. pouco têm a ver com a competência discursiva 21 . simplificados. remota. Se o objetivo é que o aluno aprenda a produzir e a interpretar textos. como os escritos das cartilhas. numa lista de palavras começadas com ―p‖. de poucas frases. conto de fadas. até o limite da indigência. é necessário explicitar para o aluno: Quem será o leitor/receptor (prof. pois não se insere em nenhuma situação comunicativa de fato. permite que o aluno se concentre no que tem a dizer. Por trás da boa intenção de promover a aproximação entre crianças e textos há um equívoco de origem: tenta-se aproximar os textos das crianças — simplificandoos —. desconhecido. prova. todos são textos. nem a palavra. a juntar palavras para formar frases e a juntar frases para formar textos. que é questão central. amigo. adulto. a unidade básica de ensino só pode ser o texto. criança) O meio de divulgação: suporte (carta. Essa abordagem aditiva levou a escola a trabalhar com ―textos‖ que só servem para ensinar a ler. descontextualizadas. A produção de textos escritos Categorias didáticas de práticas de produção escrita Transcrição Reprodução (paráfrases. resumos) Decalque (modelos lacunados: cartas comerciais. é um texto cuja extensão é a de uma palavra. nem a frase que. Essa visão do que seja um texto adequado ao leitor iniciante transbordou os limites da escola e influiu até na produção editorial: livros com uma ou duas frases por página e a preocupação de evitar as chamadas ―sílabas complexas‖. 28 e 29) O TEXTO COMO UNIDADE DE ENSINO O ensino da Língua Portuguesa tem sido marcado por uma seqüenciação de conteúdos que se poderia chamar de aditiva: ensina-se a juntar sílabas (ou letras) para formar palavras. Precisa ser articulado Precisa ser articulado Plano da forma/expressão (como dizer) Determinado pelo texto original Possibilita tratar de aspectos coesivos da língua Definido pelo texto modelo . pois não passam de simples agregados de frases. livro. em geral. Plano do conteúdo (o que dizer) Determinado pelo texto original Definido pelo texto modelo Em suas aplicações mais criativas. mural) Gênero (conto. relato. de se comover. nem a sílaba. nem sequer podem ser considerados textos. paródias) Autoria (a tarefa do sujeito torna-se complexa) Texto 1 (PCN p. A palavra ―pare‖. O nome que assina um desenho. Um texto não se define por sua extensão. de fruir esteticamente num texto desse tipo é..

a qualidade de suas idas melhora com a leitura. Atividade Após assistir ao DVD com várias fábulas tradicionais e ler as fábulas trazidas pelos colegas. de alguma forma. pede-se que cada grupo faça uma nova versão de um deles. As pessoas aprendem a gostar de ler quando.Não se formam bons leitores oferecendo materiais de leitura empobrecidos. neste documento. . 21. está sendo compreendida como a capacidade de se produzir discursos — orais ou escritos — adequados às situações enunciativas em questão. Competência discursiva. com alteração de significado (paródia) e incluindo elementos de outros contos (intertextualidade). considerando todos os aspectos e decisões envolvidos nesse processo. justamente no momento em que as crianças são iniciadas no mundo da escrita.

escreverá uma carta. coesos e eficazes. É disso que se está falando quando se diz que é preciso ―aprender a escrever. se é fazer uma solicitação a determinada autoridade.  Textuais: relativos à coesão e coerência textuais. experiências ou opiniões. que não se aprende a ortografia antes de se compreender o sistema alfabético de escrita. têm provocado uma revolução na forma de compreender como esse conhecimento é construído. ao mesmo tempo. em qual portador circulará. semântica. Um escritor competente é. capaz de recorrer. ambíguo. ao produzir um discurso.  Gramaticais: ortografia. TEXTO 1 (PCN p. Um escritor29 competente é alguém que. com sucesso. o que efetivamente se escreve e a interpretação de quem lê. adequação ao gênero solicitado. a outros textos quando precisa utilizar fontes escritas para a sua própria produção. pontuação. testemunhar a utilização que se faz da escrita em diferentes circunstâncias.  Notacionais: relativos à compreensão do sistema de escrita. É preciso que aprendam os aspectos notacionais da escrita (o princípio alfabético e as restrições ortográficas) no interior de um processo de aprendizagem dos usos da linguagem escrita. é necessário ter acesso à diversidade de textos escritos. se é enviar notícias a familiares. É alguém que sabe elaborar um resumo ou tomar notas durante uma exposição oral. Para aprender a escrever.  Pragmáticos: características da situação comunicativa do texto (sarau. sabe selecionar o gênero no qual seu discurso se realizará escolhendo aquele que for apropriado a seus objetivos e à circunstância enunciativa em questão. mesa-redonda etc). que o domínio da linguagem escrita se adquire muito mais pela leitura do que pela própria escrita. É. arriscar-se a fazer como consegue e receber ajuda de quem . Por exemplo: se o que deseja é convencer o leitor. que é possível saber produzir textos sem saber grafá-los e é possível grafar sem saber produzir. o escritor competente selecionará um gênero que lhe possibilite a produção de um texto predominantemente argumentativo. É preciso que se coloquem as questões centrais da produção desde o início: como escrever. morfologia. com qual finalidade. que sabe esquematizar suas anotações para estudar um assunto. escrevendo‖. acentuação.AULA 6 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES DE ESCRITA DOS PCNS Aspectos que devem ser considerados na produção de texto:  Discursivos: relativos ao contexto de produção (para quem se escreve. a eficácia da escrita se caracteriza pela aproximação máxima entre a intenção de dizer. nos últimos vinte anos. considerando. um leitor competente. é preciso oferecer aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a escrever em condições semelhantes às que caracterizam a escrita fora da escola. redundante. conhecendo possibilidades que estão postas culturalmente. Hoje já se sabe que aprender a escrever envolve dois processos paralelos: compreender a natureza do sistema de escrita da língua — os aspectos notacionais — e o funcionamento da linguagem que se usa para escrever — os aspectos discursivos. seminário.). e a escrita não é o espelho da fala. O conhecimento a respeito de questões dessa natureza tem implicações radicais na didática da alfabetização. 47 a 53) Prática de produção de textos O trabalho com produção de textos tem como finalidade formar escritores competentes capazes de produzir textos coerentes. que sabe expressar por escrito seus sentimentos. defrontar-se com as reais questões que a escrita coloca a quem se propõe produzi-la. sem desconsiderar as características específicas do gênero. o que pretendem dizer e a quem o texto se destina — afinal. Um escritor competente é alguém que planeja o discurso e conseqüentemente o texto em função do seu objetivo e do leitor a que se destina. também. provavelmente redigirá um ofício. prova escrita. A principal delas é que não se deve ensinar a escrever por meio de práticas centradas apenas na codificação de sons em letras. Ao contrário. capaz de olhar para o próprio texto como um objeto e verificar se está confuso. obscuro ou incompleto. As pesquisas na área da aprendizagem da escrita. ainda. estilística. Ou seja: é capaz de revisa-lo e reescrevê-lo até considerá-lo satisfatório para o momento.

TRATAMENTO DIDÁTICO Alguns procedimentos didáticos para implementar uma prática continuada de produção de textos na escola: • oferecer textos escritos impressos de boa qualidade. • propor situações de produção de textos. Experimentando esses diferentes papéis enunciativos. • solicitar aos alunos que produzam textos muito antes de saberem grafá-los. supõe. envolvendo-se com cada um. embora realizando diferentes tarefas: produzir propriamente. para um colega que já saiba escrever ou para ser gravado em fita cassete é uma forma de viabilizar isso. que tenham condições de assumir a palavra — também por escrito — para produzir textos adequados. portanto. o professor tem um papel decisivo tanto para definir os agrupamentos como para explicitar claramente qual a tarefa de cada aluno. portanto. em pequenos grupos. que escreve. a prática de produção de textos precisa realizar-se num espaço em que sejam consideradas as funções e o funcionamento da escrita. Quando ainda não se sabe escrever. podem ir construindo sua competência para posteriormente realizarem sozinhos todos os procedimentos envolvidos numa produção de textos. por meio da leitura (quando os alunos ainda não lêem com independência. a escrever como lhe for possível. grafar e revisar. a cada vez. mesmo que não saiba grafá-los. Sendo assim. como atividade discursiva. ser uma prática continuada e freqüente). além de oferecer a ajuda que se fizer necessária durante a atividade. textos argumentativos que não defendem nenhum ponto de vista. têm suas formas características que precisam ser aprendidas. Formar escritores competentes. para quem. textos expositivos que não expõem idéias. uma prática continuada de produção de textos na sala de aula.já sabe escrever. ao contrário. seja solicitado a produzir seus próprios textos. ouvir alguém lendo o texto que produziu é uma experiência importante. Eles podem. Como já foi explicado anteriormente. enquanto um terceiro revisa. por exemplo. isso se torna possível mediante leituras de textos realizadas pelo professor. também. Compreendida como um complexo processo comunicativo e cognitivo. e apesar de todas as correções feitas pelo professor. numa atividade colaborativa. Diferentes objetivos exigem diferentes gêneros e estes. esse é o início de um caminho que deverão trilhar para se transformarem em cidadãos da cultura escrita. nas quais os alunos compartilhem as atividades. mesmo que não o faça convencionalmente. Se o objetivo é formar cidadãos capazes de utilizar a escrita com eficácia. . 29. ao agrupamento dessas em parágrafos e à correção ortográfica. Para tanto é preciso que. o que precisa. é preciso organizar o trabalho educativo para que experimentem e aprendam isso na escola. onde e como se escreve. cartas que não parecem cartas. encontram-se também enormes dificuldades no que diz respeito à segmentação do texto em frases. Uma das prováveis razões dessas dificuldades para redigir pode ser o fato de a escola colocar a avaliação como objetivo da escrita. Nessas situações. momentaneamente. Essa é uma estratégia didática bastante produtiva porque permite que as dificuldades inerentes à exigência de coordenar muitos aspectos ao mesmo tempo sejam divididas entre os alunos. São situações em que um aluno produz e dita a outro. é preciso aproximá-los. Quando se analisam as principais dificuldades de redação nos diferentes níveis de escolaridade. principalmente quando são iniciados ―oficialmente‖ no mundo da escrita por meio da alfabetização. por sua vez. São esses textos que podem se converter em referências de escrita para os alunos. ensinar os alunos a lidar tanto com a escrita da linguagem — os aspectos notacionais relacionados ao sistema alfabético e às restrições ortográficas — como com a linguagem escrita — os aspectos discursivos relacionados à linguagem que se usa para escrever. o termo ―escritor‖ está sendo utilizado aqui para referir-se não a escritores profissionais e sim a pessoas capazes de redigir. tão logo o aluno chegue à escola. dedicar-se a uma tarefa mais específica enquanto os outros cuidam das demais. bem como as condições nas quais é produzida: para que. situações de produção de uma grande variedade de textos de fato e uma aproximação das condições de produção às circunstâncias nas quais se produzem esses textos. Além disso. Afinal. É necessário. freqüentemente se encontram narrações que ―não contam histórias‖. Ditar para o professor. o tratamento que se dá à escrita na escola não pode inibir os alunos ou afastá-los do que se pretende.

Os projetos. um panfleto. produção de textos orais. que não se pode ser tão redundante a ponto de correr o risco de o leitor desistir de ler o texto. dependendo de como se organizam. um jornal mensal. O fato de o objetivo ser compartilhado. Por exemplo: fazer um diário de viagem (pelos lugares que estão sendo estudados). muito mais que mostra. etc. uma revista sobre vários temas estudados. ALGUMAS SITUAÇÕES DIDÁTICAS FUNDAMENTAIS PARA A PRÁTICA DE PRODUÇÃO DE TEXTOS Projetos Os projetos30 são excelentes situações para que os alunos produzam textos de forma contextualizada — além do que. as pessoas suportam ler textos cuja letra é incompreensível. deve aprender que não poderá usar dêiticos (ele. Trata-se. que. aqui.) sem que o referente já tenha aparecido anteriormente no texto (quem é ele. e de haver um produto final em torno do qual o trabalho de . há os projetos da área de Língua Portuguesa que. exigem leitura. que se expressa num produto final em função do qual todos trabalham‖. etc. Sendo assim.Por outro lado. que características possuem ou quais têm mais qualidade.• a conversa entre professor e alunos é. pois a legibilidade passa a ser um objetivo deles também e não só do professor. um folheto informativo.). • os projetos favorecem o necessário compromisso do aluno com sua própria aprendizagem. A tarefa de fazer um cartaz. poderá pôr em evidência o fato de que praticamente todos os cartazes são escritos com letras grandes — para permitir a leitura a distância — e com mensagens curtas — para que o leitor. escrever um livro sobre as grandes navegações. uma cartilha sobre cuidados com a saúde. de uma atividade de reflexão sobre aspectos próprios do gênero que será produzido. carregam exigências de grande valor pedagógico: • podem apontar a necessidade de ler e analisar uma grande variedade de textos e portadores do tipo que se vai produzir: como se organizam. Esse registro pode resultar na elaboração de portadores de textos específicos. Por exemplo. é fundamental que os alunos saibam que escrever. esconde o processo pelo qual foi produzido. no ensino das outras áreas. por exemplo. ela. escuta de leituras. um mural. ainda que gratificante para muitos. etc. a necessidade de revisão e de cuidado com o trabalho se impõe. Uma delas é a da facilidade que os bons escritores (de livros) teriam para redigir. Conforme já especificado anteriormente. sua importância e instruções para realização. Podem ser de curta ou média duração. uma importante estratégia didática em se tratando da prática de produção de textos: ela permite. 30. lá. que a correta ortografia pode ajudar na compreensão de quem lê. lá. privilegiam assuntos de outras áreas. desde o início. Este. • o exercício de o escritor ajustar o texto à imagem que faz do leitor fisicamente ausente permite que o aluno aprenda a produzir textos escritos mais completos. dos temas transversais. lendas. em função do objetivo de trabalhar com textos informativos. • por intermédio dos projetos é possível uma intersecção entre conteúdos de diferentes áreas: por um lado.). ela. dificilmente. envolver ou não outras áreas do conhecimento e resultar em diferentes produtos: uma coletânea de textos de um mesmo gênero (poemas. nesse caso. elaborar uma cartilha sobre o que é a coleta seletiva do lixo. Isso poderá alertar tanto alunos como professores sobre o fato de que cartazes produzidos com textos longos e letra manuscrita pequena (como algumas vezes se pode observar nos corredores das escolas) não são eficazes. um livro sobre um tema pesquisado. ―a característica básica de um projeto é ter um objetivo compartilhado por todos os envolvidos. também. por exemplo. possa ler. com características de textos escritos mesmo. • quando há leitores de fato para a escrita dos alunos. é imprescindível que se faça uso do registro escrito como recurso de documentação e de estudo. o texto praticamente não deixa traços de sua produção. estudo. por exemplo. Quando está acabado. mesmo caminhando. contos de assombração ou de fadas. onde é aqui. a explicitação das dificuldades e a discussão de certas fantasias criadas pelas aparências. ou um panfleto com estatísticas a respeito de um assunto discutido. além de oferecerem reais condições de produção de textos escritos. não é fácil para ninguém. os cartazes de divulgação de uma festa na escola ou um único cartaz. pesquisa ou outras atividades. ao final ou durante o trabalho.

a revisão do texto32 assume um papel fundamental na prática de produção. durante e depois. etc. cada vez mais. É preciso ser sistematicamente ensinada. é preciso também oferecer condições . 31. • planejar coletivamente o texto (o enredo da história. de certa forma. como também permite romper a situação de produção do texto. escrita e revisão dos textos. nesse caso. A maioria dos escritores iniciantes costuma contentar-se com uma única versão de seu texto e. • produzir textos a partir de outros conhecidos: um bilhete ou carta que o personagem de um conto teria escrito a outro. do que quando essas são definidas pelo professor. ao longo de todo o processo: antes. É uma excelente estratégia didática para que o aluno perceba a provisoriedade dos textos e analise seu próprio processo. possam ―eliminar‖ algumas delas. 32. Nesse sentido.. progressivamente. por exemplo) para que depois cada aluno escreva a sua versão (ou que o façam em pares ou trios).. uma crônica sobre acontecimentos curiosos. para o processo de produção. a própria escola sugere esse procedimento. muitas vezes. Por exemplo: • reescrever ou parafrasear bons textos já repertoriados mediante a leitura. Isso significa deslocar a ênfase da intervenção. O termo ―rascunho‖ está sendo usado aqui com o sentido de ―esboço‖ e não com o sentido que lhe é habitual em muitas escol as de texto escrito com ―letra feia‖ que precisa ser ―passado a limpo‖. o item ―Revisão de texto‖. Essa possibilidade cria um efeito de distanciamento que permite trabalhar sobre o texto depois de uma primeira escrita. Textos provisórios A materialidade da escrita. a produção coletiva de textos. no produto final. depende de o escritor. uma notícia informando a respeito do desfecho de uma trama. para que escrevam o início e o meio). transformar uma entrevista em reportagem e vice-versa. etc. etc. um trecho do diário de um personagem. o ditado. É importante que essas situações sejam planejadas de tal forma que os alunos apenas se preocupem com as variáveis que o professor priorizou por se relacionarem com o desenvolvimento do conteúdo em questão. leitor e avaliador do seu próprio texto. uma mensagem de alerta sobre os perigos de uma dada situação. Ver. pode assumir um papel mais intencional e ativo no desenvolvimento de seus procedimentos de produção. contribui muito mais para o engajamento do aluno nas tarefas como um todo. Situações de criação Quando se pretende formar escritores competentes. a correção exaustiva do produto final. A melhor qualidade do produto. assuma sua real função: monitorar todo o processo de produção textual desde o planejamento. separando produtor e produto. de modo que. Produção com apoio A constatação das dificuldades inerentes ao ato de escrever textos — dificuldades decorrentes da exigência de coordenar muitos aspectos ao mesmo tempo — requer a apresentação de propostas para os alunos iniciantes que. permite separar não só o escritor do destinatário da mensagem (comunicação a distância). para que se concentrem em outras. • dar o começo de um texto para os alunos continuarem (ou o fim. de tal maneira que o escritor possa coordenar eficientemente os papéis de produtor. tomar nas mãos o seu próprio processo de planejamento. ou seja. adiante. que faz do seu produto um objeto ao qual se pode voltar. Quando isso ocorre. determinadas práticas habituais que não fazem qualquer sentido quando trabalhadas de forma descontextualizada podem ganhar significado no interior dos projetos: a cópia. Isso em nada contribui para o texto ser entendido como processo ou para desenvolver a habilidade de revisar. desde o planejamento. revisar.todos se organiza. O trabalho com rascunhos 31 é imprescindível. a exigência de uma ortografia impecável. • transformar um gênero em outro: escrever um conto de mistério a partir de uma notícia policial e viceversa.

Paragrafação bem delineada. Evidentemente. tempo. ortografia. espaço. jornais. É importante que nunca se perca de vista que não há como criar do nada: é preciso ter boas referências. Finalmente. Presença de narrador. Esse trabalho de explicitação permite que.. eventualmente. indicadores de início. isso só se torna possível se tiverem constituído um amplo repertório de modelos. os procedimentos de análise propostos pelo professor se incorporem à prática de reflexão do aluno. dificuldades ou as alternativas escolhidas e abandonadas — o percurso propriamente. Linguagem clara. A possibilidade de avaliar o percurso criador é importante para a tomada de consciência das questões envolvidas no processo de produção de textos. AULA 7 – COM FAZER A CORREÇÃO /REVISÃO TEXTUAL Para escrever/corrigir. desenvolvimento. Isso é algo que depende de o professor chamar a atenção para certos aspectos. não seja necessário analisar unidades como as palavras e até mesmo as sílabas. é dar sentido às atividades de escrita. clímax e desfecho). seja por meio de textos por eles escritos sobre o tema ou de vídeos. O importante. S: sim. Domínio das técnicas de construção de discursos (direto e indireto) Uso freqüente de sinais de pontuação. em função do que vão produzir: outros textos do mesmo gênero. LEGENDA: N: não. entrevistas. enredo (introdução. seja por meio de um contato direto. A3.. . com o tempo. assunto. etc. Adequação do título à narrativa. personagens.) Organização e conteúdo Forma e linguagem Texto organizado em parágrafos. A2. atlas. como “e depois”. mas de uma prática constante de leitura. revistas e todo tipo de fonte impressa eventualmente necessária (até mesmo um banco de personagens criados e caracterizados pelos próprios alunos para serem utilizados nas oficinas).de os alunos criarem seus próprios textos e de avaliarem o percurso criador. Por isso. pontuação) 3) Superestrutura esquemática (características de cada tipo de texto) CRITÉRIOS PARA CORREÇÃO DE UM TEXTO NARRATIVO Descrição Código dos alunos (A1. fazer com que os alunos exponham suas preferências. dicionários. Uma forma de trabalhar a criação de textos são as oficinas ou ateliês de produção. Emprego de mecanismos de sequenciação. considerar o texto como unidade básica do ensino de Língua Portuguesa não significa que. enciclopédias. Propriedade vocabular. deve-se orientar/observar: 1) Macroestrutura (conteúdo. Suficiente domínio das normas de convenção ortográfica. desenvolvimento e conclusão. A4. recriar as próprias criações. Por outro lado. favorecendo um controle maior sobre seu processo criador. “e daí”. formar bons escritores depende não só de uma prática continuada de produção de textos. “e então”. é preciso escrever unicamente para aprender. idéia) 2) Microestrutura (forma. que lhes permita recriar. criar. Uma oficina é uma situação didática onde a proposta é que os alunos produzam textos tendo à disposição diferentes materiais de consulta. Uma contribuição importante é conhecer o processo criador de outros autores. de qualquer forma. é importante destacar que nem todos os conteúdos são possíveis de serem trabalhados por meio de propostas que contextualizem a escrita de textos: às vezes.

a ortografia. Ou bem se foca a atenção na coerência da apresentação do conteúdo. tem objetivos pedagógicos importantes: o desenvolvimento da atitude crítica em relação à própria produção e a aprendizagem de procedimentos eficientes para imprimir qualidade aos textos. etc. sistematizar os resultados do trabalho coletivo e devolvê-lo organizadamente ao grupo de alunos. produzindo alterações que afetam tanto o conteúdo como a forma do texto. com base nas produções textuais dos alunos de 5 a. como situação didática. identificar os problemas do texto e aplicar os conhecimentos sobre a língua para resolvê-los: acrescentando. Pressupõe a existência de rascunhos sobre os quais se trabalha. Essas situações. ortografia). a pontuação. dão origem a um tipo de conhecimento que precisa ir se incorporando progressivamente à atividade de escrita. apresentação. quando se toma apenas um desses aspectos para revisar. deslocando ou transformando porções do texto. paragrafação. O que pode significar tanto torná-lo mais claro e compreensível quanto mais bonito e agradável de ler. bem como em atividades realizadas em parceria e sob a orientação do professor. retirando. com o objetivo de torná-lo mais legível para o leitor. necessário desde o planejamento e ao longo do processo de redação e não somente após a finalização do produto. A revisão de texto. Para os escritores iniciantes. precisam aprender a detectar os pontos onde o que está dito não é o que se pretendia. ou na ortografia. Dessa perspectiva. Durante a atividade de revisão. para o momento. a revisão de texto seria uma espécie de controle de qualidade da produção. deve-se: considerar sempre o aspecto positivo primeiro (elogiar). nas quais são trabalhadas as questões que surgem na produção. Para tanto. série e nos diálogos mantidos com as professoras titulares das turmas –IN: Teorias e práticas na formação de prof.235) Sobre os bilhetes do professor ao aluno. suficientemente bem escrito. os alunos e o professor debruçam-se sobre o texto buscando melhorá-lo. além do objetivo imediato de buscar a eficácia e a correção da escrita. exige que o professor selecione em quais aspectos pretende que os alunos se concentrem de cada vez. ocasião em que o professor pode desempenhar um importante papel de modelo de revisor. assim mesmo. quer seja em pequenos grupos. fazer considerações sobre a forma de escrita (microestrutura – gramática. colocando boas questões para serem analisadas e dirigindo o olhar dos alunos para os problemas a serem resolvidos.54 e 55) Revisão de texto Um espaço privilegiado de articulação das práticas de leitura. para melhorar sua qualidade. E. produção escrita e reflexão sobre a língua (e mesmo de comparação entre linguagem oral e escrita) é o das atividades de revisão de texto.. apontar aspectos a serem melhorados. Texto 1. procedimento difícil especialmente para crianças pequenas. relembrar o compromisso com o leitor: letra. colocando sugestões efetivas para a modificação da qualidade do texto. pois não é possível tratar de todos ao mesmo tempo. Esse procedimento — parte integrante do próprio ato de escrever — é aprendido por meio da participação do aluno em situações coletivas de revisão do texto escrito. os procedimentos de coesão utilizados. p. ATIVIDADE . estética. Quer seja com toda a classe. a discussão sobre os textos alheios e próprios. esta pode ser uma tarefa complexa. Chama-se revisão de texto o conjunto de procedimentos por meio dos quais um texto é trabalhado até o ponto em que se decide que está. pois requer distanciamento do próprio texto. fazer considerações sobre a proposta: conteúdo abordado (macroestrutura). é possível. ao fim da tarefa.(esses critérios foram estabelecidos pela professora doutora Maria Antônia Granville.PCN (p. é interessante utilizar textos alheios para serem analisados coletivamente. Nesse caso. nos aspectos coesivos e pontuação. que permitem e exigem uma reflexão sobre a organização das idéias. isto é.

25) (5.0) BILHETE DO GRUPO CORRETOR: Aspectos positivos a serem mantidos na refacção: _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ Aspectos negativos a serem alterados na refacção: _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ INTEGRANTES DO GRUPO CORRETOR _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ . Depois. carta de aluno “PARA PAPAI NOEL”.Cada grupo deve fazer e apresentar para a classe a correção das redações “MINHAS FÉRIAS” . CORREÇÃO DA PARÓDIA (título): Ótimo (1.0) superestrutura Adequação ao gênero macroestrutura Adequação à proposta Coesão e coerência microestrutura Adequação da linguagem Correção gramatical Muito bom (0. Então cada grupo faz a correção de uma fábula de outro grupo elaborada na aula anterior.5) Regular TOTAL (0. juntamente com a redação já corrigida por um professor (xérox).75) Bom (0. discutese as formas de avaliação vigentes e sugeridas pelos PCNs. preenchendo a fixa abaixo.

de modo a influir ao máximo no seu bem-estar e levá-lo à auto-realização. tais processos não podem separar-se um do outro. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa. usar textos diversificados. 2. A habilidade de ler perfeitamente não consiste na capacidade bem treinada de ―combinar sons em palavras e palavras em unidades de pensamento‖. 22 a 29) Atividade 1 De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea. Texto 1 O ensino eficaz da Leitura 1. (Bamberger. Conceito e natureza da leitura O ensino da leitura deveria corresponder à percepção que conseguimos da natureza da leitura. Antes de mais nada. fundem-se no ato da leitura. não consiste apenas na compreensão das idéias percebidas. a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. p. decorrente de uma extensa leitura silenciosa. no entanto. Para todas as finalidades práticas. devemos nos preocupar com: incentivo. Processo complexo. O processo mental. c) Ampliação constante dos interesses de leitura dos estudantes. Cruisoo. não ahca? Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. atividades de atenção e concentração. mas no ―reconhecimento imediato de grupos armazenados de palavras‖. ocorre a transferência para conceitos intelectuais. O objetivo do ensino da leitura Além da orientação relativa à natureza e ao processo da leitura. Essa tarefa mental se amplia num processo reflexivo à proporção que as idéias se ligam em unidades de pensamento cada vez maiores. mas a plravaa cmoo um tdoo. mas também na sua interpretação e avaliação. a leitura compreende várias fases de desenvolvimento.61-8) salienta quatro pontos: a) Incentivo ao pleno uso das potencialidades do indivíduo em sua leitura. análise do conteúdo. Exercícios especiais (exercícios para fixação rápida ) também concorrem para o aperfeiçoamento.1995. Estímulo a atitudes que levem a um interesse permanente da leitura de muitos gêneros e para inúmeros fins. Em seguida. A ampliação do período de fixação e da capacidade de armazenagem resulta de um ―efeito prático‖. 35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 . é um processo perceptivo durante o qual se reconhecem símbolos. b) Emprego eficiente da leitura como um instrumento de aprendizado e crítica e também de relaxamento e diversão. o objetivo da educação literária é também importante para um ensino eficaz. Staiger (120. p.AULA 8 – COMO ENSINAR A LER: FORMAS DE LEITURA E INCENTIVO Ao ensinar leitura. não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso. R.

em grande parte. ler por prazer estético. O investimento será. a transferência de informações do cérebro do paciente para um membro robótico. que segundo ele estava em maior sintonia com suas preocupações sociais.folha. que informações serão encontradas no texto? De onde ele foi retirado (fonte) e qual o objetivo do autor? 17/06/2005 . A técnica poderia ajudar pacientes com membros amputados. mas o cientista acabou optando pelo Sírio-Libanês. perto de Natal. ler para obter informações específicas. (http://www1. "Nada impede que esse valor seja ampliado no decorrer do trabalho". rapidamente. leitura para revisão (para corrigir inadequações no texto). pessoas com lesões na coluna que as tenham deixado paraplégicas ou tetraplégicas ou os que perderam a movimentação por doenças degenerativas do sistema nervoso. que pretende oferecer educação integral e atendimento de saúde à população carente da região. S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO.09h45 Brasileiro quer desenvolver ciborgue humano em três anos REINALDO JOSÉ LOPES (da Folha de S. assinado por Nicolelis em nome da ONG Associação Alberto Santos Dumont de Apoio à Pesquisa. os neurologistas do Sírio-Libanês receberão treinamento para lidar com a tecnologia de eletrodos e modelagem matemática que permitirá. destinado ao enfoque social do instituto. leitura expressiva. M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3. Texto 2 Passe os olhos pelo texto abaixo e diga. superintendente corporativo do Sírio-Libanês. disse o gastroenterologista Mauricio Ceschin. Esse é o objetivo de uma parceria firmada ontem entre o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. jornal). da Universidade Duke (EUA). O acordo.com. "Vamos tentar fazer história". UMA INTENÇÃO.shtml) .br/folha/ciencia/ult306u13300. resumiu Ceschin. ler oralmente para apresentar um texto (sarau. segundo Nicolelis. leitura item a item (para realizar uma tarefa). C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5! LER EXIGE UMA PROPOSTA.CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO. que classificou o pesquisador da Duke de "maior cientista brasileiro vivo".Paulo) O primeiro ser humano a movimentar um braço robótico apenas com a força da própria mente poderá ser brasileiro --e se transformar em ciborgue num hospital de São Paulo. leitura inspecional (para a escolha de um texto). ler para aprender. ler para obter informações gerais.uol. O hospital se comprometeu a investir US$ 1 milhão nos próximos três anos. e o Hospital Sírio-Libanês. leitura tópica (para identificar informações pontuais). beneficiará também o instituto de neurociências que o pesquisador paulistano pretende fundar em Macaíba (RN). A ESSAS FINALIDADES CORRESPONDEM VÁRIOS PROCEDIMENTOS: leitura integral de um texto. dentro de três anos. Para o projeto. 44. Nicolelis primeiro tentou acertar uma parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein. No acerto. ler para revisar um texto. OBJETIVOS: ler para estudar. reler para compreensão.

Estudos de leitura (Kleiman. Podemos fazer a resenha lendo os inícios de alguns parágrafos ou alguns parágrafos inteiros. É simples: folheie algum livro ou jornal sem se deter por mais de alguns minutos e logo a seguir veja se é capaz de dizer qual o assunto do livro ou de alguma notícia. pois estamos em busca de informações importantes para nossa formação e para isso é preciso estabelecer um objetivo. Esquadrinhar (ou scanning) o texto é uma dessa formas de leitura. que permite a busca de informações específicas. . Depois comece de novo. COMO ENCONTRAR OS 7 ERROS. Já a Resenha lhe dá a oportunidade de decidir o que ler superficialmente e o que ler em profundidade. Então você faz anotações para rever ou para melhorar a compreensão. capa. que se trata de uma notícia de jornal retirado da Folha de São Paulo e que por isso o objetivo do autor deve ser informa o leitor sobre o assunto em questão. em que buscamos verbetes que nos façam lembrar do possível conteúdo do texto todo. ENCONTRAR UM PERSONAGEM EM UM DESENHO. nome do autor. sem voltar ao texto. Faça uma limpeza mental. quadros. Atividade 2 INSTRUÇÃO PARA GRUPO 1: leia o texto abaixo. relacione todos os dados da casa que você puder lembrar. e da resenha. apenas estamos tendo contado com o material impresso para saber do que se trata. Esse tipo de leitura exige de nós maior atenção. Identifique um alvo: o título ou o resumo do material serve de pista. Fixe um tempo ou limite de quantidade. Consiste em passar os olhos a procura de material relevante. como nomes de títulos ou capítulos. sumário. você focaliza sua atenção em uma pequena quantidade de informações. Dica: para fazer uma leitura detalhada pergunte-se: por que leio isso? Para que me serve isso? Assim você estará fixando algumas metas. pára-se o fluxo de leitura para obter um ponto de apoio em algo que pensa que deveria saber muito bem ou que deseja compreender de maneira mais completa. A seguir.Mesmo sem que você tenha lido o texto todo. LEITURA INFORMATIVA Esse tipo de leitura é bem rápida e não exige grande reflexão do leitor ou memória para os fatos lidos. uma só vez. Prepare-se para ler. que é de nosso interesse e estamos motivados para saber. manchetes. Ao esquadrinhar. ESCRAVOS DE JÓ. desenhos e legendas. acalme-se da melhor maneira (sem álcool ou calmantes). Além do esquadrinhamento. com muita atenção. temos também a leitura superficial (ou mapeamento conceitual). Ela é importante para auxiliá-lo a decidir o que deseja aprender dos materiais que tem à mão. Concentre seu pensamento na leitura estabelecendo um objetivo para a sessão com o livro ou o artigo. concentra sua atenção e elimina o acúmulo mental de informações. Assim você terá feito uma leitura informativa e estará pronto para fazer ou não uma leitura mais detalhada. uma meta a atingir com a atividade de leitura (como identificar a opinião do autor ou seus argumentos). 1998) mostram que somos capazes de lembra melhor daquilo que nos propomos a entender. tentando memorizar tudo aquilo que seria interessante. Quando se lê para conhecer. A leitura informativa serve para selecionarmos o que deve ser lido com prioridade e o que deve ser descartado. Fixe uma meta realista e possível. mas que o faça esforçar-se um pouco. Para fazermos essa leitura ainda não precisamos ter um objetivo. FAÇA EXERCÍCIOS DE CONCENTRAÇÃO USANDO RECURSOS VISUAIS. caso você estivesse interessado(a) em comprar a casa descrita no texto abaixo. diagramas etc. Ela economiza tempo. OBSERVAR MUDANÇAS NOS COLEGAS. que possibilita uma apreensão maior das partes do texto. Outras metas podem ser atingidas se mos perguntarmos também: o que é importante? O que é imediatamente necessário? Qual a sua função? E principalmente: o que eu quero extrair dessa leitura? PARA TER ATENÇÃO/ CONCENTRAÇÃO Para prestar atenção você deve se comprometer totalmente. LEITURA DETALHADA A leitura para adquirir conhecimento começa com a resenha e a leitura superficial pelo material para se ter uma visão geral e intuir o ponto de vista do escritor. possivelmente você deve ter respondido que serão encontradas informações sobre robótica. Isso aconteceu porque temos duas formas de ler: leitura informativa e leitura detalhada.

Então. Eduardo ligou o som: o barulho preocupou Marcos. A sala de jantar. caso você estivesse interessado(a) em roubar a casa descrita no texto abaixo. e tampouco constitui uma “receita de êxito”. Texto e Leitor. Eduardo começou a mostrá-la pela sala de estar. "Taking different perspectives on a story. A. Não era tão bonito como o de seus pais. Este breve apanhado das várias possibilidades de ativação do trabalho com os livros está longe de ser completo. Marcos se sentiu mais confortável. Autores lêem trechos de suas obras. Pontes Editores. que estava revestido de mármore. Eduardo explicou que ela ficava sempre aberta para suas irmãs mais novas entrarem e saírem sem dificuldade. 1997:69. porque ele ficara úmido e mofado. "É. mas ela está mais bonita agora. A seguir. Eles entraram pela porta lateral. "Eu não sabia que sua casa era tão grande". uma vez que o encanamento arrebentara. Propaganda de livros. sobretudo na escola. Eduardo comentou que o melhor de tudo era que o banheiro do corredor era seu. havia três quartos no andar superior da casa. Os livros como base de discussão. R. (traduzido e adaptado de Pitchert. Fez-se tão somente uma tentativa para descrever atividades que já foram testadas em trabalhos práticos e para proporcionar estímulo a um trabalho adicional nessa direção. In: KLEIMAN. Estava recém-pintada. com toda a porcelana. "Aqui é onde meu pai guarda a coleção de selos e coisas raras".80 a 88) . reuniões e outros acontecimentos informativos sobre o conteúdo da leitura das crianças. Exposições de livros. enquanto eles davam uma olhada no escritório. Altos arbustos escondiam a entrada da casa. desde que meu pai mandou revestir com pedras essa parede lateral e colocou uma lareira". Havia portas na frente e atrás e uma parta lateral que levava à garagem. Journal of Psychology. Programas de livros nos meios de comunicação de massa. que estava vazia. p. disse Marcos. disse Eduardo. tentando memorizar tudo aquilo que seria interessante. uma só vez. "Não se preocupe. Mostras de livros com discussões. Os dois garotos correram até a entrada da casa. “Veja. Eduardo mostrou a Marcos o closet de sua mãe cheio de roupas e o cofre trancado onde havia jóias. Marcos queria ver a casa. acrescentou. São necessárias as atividades que põem os jovens em contato direto ou indireto com livros. os meninos podiam correr no jardim extremamente bem cuidado. como o resto do primeiro andar. O quarto de suas irmãs não era tão interessante. (Bamberger. Eduardo disse que não era para usar o lavabo. eu disse a você que hoje era um bom dia para brincar aqui". Além do escritório. Cursos. exceto pela televisão com Atari. prata e cristais. mas para ele era a melhor coisa do mundo. Ouvir ou olhar – ler – discutir. a casa mais próxima está a meio quilômetro daqui". desde que outro fora construído no quarto de suas irmãs. Clubes do livro e de leitura. na biblioteca e nos grupos de jovens. 1989) Texto 3 Atividades para promover o interesse pela leitura Para que se revelem vantajosas as pesquisas no campo da leitura e a experiência do ensino da leitura. é preciso encontrar meios de aplicá-las no trabalho prático. gritou Eduardo. relacione todos os dados da casa que você puder lembrar. disse Eduardo. exceto pelas três bicicletas com marchas guardadas aí. ao observar que nenhuma casa poderia ser vista em qualquer direção além do enorme jardim. & Anderson. J. não era lugar para brincar: os garotos foram para a cozinha e fizeram um lanche. Desenhando histórias. "Mamãe nunca está em casa na quinta-feira". sem voltar ao texto. Círculos de livros ou “indução à leitura”. Começaremos com as atividades a seguir: a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k) l) Leitura em voz alta e relato de histórias.INSTRUÇÃO PARA O GRUPO 2: leia o texto acima.1995. Campinas.

sem modificar a estrutura essencial. Ora. o tempo que levava em sua meditação era longo demais para ela. há determinadas qualidades que contribuem para a eclosão desse talento e podem ser estimuladas. depois. 9) O direito de ler em voz alta. Contar histórias é uma arte. latente aliás em todo educador.Você deve ter um pouco mais de paciência. Além do conjunto de técnicas que a Didática ensina. naturalidade depende de segurança e esta é adquirida através da certeza de que conhece a história.. por conseguinte requer certa tendência inata. Contar com naturalidade implica ser simples. (Pennac. Convertia-se num ser todo-poderoso assim que iniciava mais uma demonstração de sua arte. 7) O direito de ler em qualquer lugar. 10) O direito de calar. São também indispensáveis sobriedade nos gestos e equilíbrio na expressão corporal. acontecia que. Um narrador não se agita. Mas ele balançava a cabeça e respondia. pois aprendera a arte de narrar no Oriente. pelas regiões mais fascinantes. de preferência sentado. uma predisposição. 6) O direito ao bovarismo (satisfação imediata de nossas sensações). imperceptivelmente. o contador precisa estar consciente de que a história é que é importante. pensar! Mas.e o faz com naturalidade. desenvolvidas. o espírito já vagava. Assim era a maneira de ele contar suas histórias. sem afetação. representando. impassível: .Tenho de pensar! . que se zangava. alegre e receoso. não se movimenta para um . É necessário exercitar a criatividade para recriar o texto com originalidade. Se o contador vivencia o enredo com interesse e entusiasmo. Por isso. embora emocionalmente envolvido com a narrativa. ele estabelece sintonia com o auditório. em toda pessoa que se propõe a lidar com crianças. Quem o escutava. embora continuasse tranqüilamente sentado. A caça brava fica escondida e é preciso armar emboscadas e ficar de tocaia horas e horas a fio. Eu diria ainda que um bom contador de histórias não pode proceder como se estivesse num palco. pois.respondia-lhe. sem artificialismos. O direito de ler qualquer coisa. onde essa função é altamente apreciada e seus praticantes são considerados uma espécie de magos. . levava a imaginação dos ouvintes para onde muito bem ele queria. deixando as palavras fluírem. desde que tivesse meditado o tempo bastante e começasse a falar.D. não mais parava enquanto não tivesse contado a história completa. absorto em suas palavras. sua postura vai influenciar muito: sempre no mesmo nível dos ouvintes.Conta-me uma história . na boca dos precipícios florestas. por vezes. Jamais começava suas histórias em países estranhos. para onde o espírito do ouvinte não podia voar com força própria. Ele é apenas o transmissor. O direito de reler.desde a pequena folha de grama até o azul da abóbada celeste(. domina a técnica e está convenientemente preparado para contá-la. O direito de não terminar um livro. que corria ininterrupta e fluente como um rio descendo montanha abaixo e em cujas águas tudo se reflete. Uma boa história é como uma boa montaria. conta o que aconteceu . Como um romance) Atividade: Realizar uma biblioteca de classe (simulação) com livros infantis trazidos pelos colegas. de modo que a narrativa transcorria com naturalidade. Principiava sempre com algo que os olhos pudessem ver. Deixa-me.Texto 4 Os direitos imprescindíveis do leitor 1) 2) 3) 4) 5) O direito de não ler. Os caçadores mais apressados e impetuosos afugentam a caça e nunca obtêm os melhores exemplares. Em primeiro lugar. 8) O direito de ler frase aqui e outra ali.pedia-lhe a moça. Ora.). Texto 5 O CONTADOR DE HISTÓRIAS . O direito de pular páginas..

flores. tem de saber modulá-la de acordo com o que está contando.. varia também conforme a emoção que se quer passar. 49 a 52) . que volta a crescer. Tudo alegre. exercícios califásicos. Saber modular a voz e tomá-la expressiva deverá constituir um treino constante para que ela possa ser utilizada em toda a sua plenitude. forma e emoção. pra respirar. As emoções se transmitem pela voz. esquece 'sua' voz. Betty. entenderam? etc. (COELHO. para melhor escolher as histórias. aí. "Será que fui parar em outro lago sem saber?" indagou-se surpreso. para converter-se. sem consistência. espinhenta. se não se diverte tanto quanto elas com a história. o narrador reveste-se de ternura. Durante cursos de treinamento. reflete a esperança em sua singeleza. Até que um dia. de captar com sensibilidade a mensagem narrativa. Pixote descobriu o que tinha acontecido e começou a rir: 'Lógico! Eu só nadava de olho fechado!' Sendo a literatura infantil portadora de verdades eternas.Evidentemente o narrador precisa aprofundar-se nos estudos de literatura infantil. A propósito.CII" som. todo ele. Vamos refletir sobre O peixe Pixote (33):vivia num lago e sentia. os cacoetes (certo?.se infeliz. torna-a mais grave. de maneira íntima e pessoal. principal instrumento do narrador. sem falsear a voz. intensa. Contar histórias é uma prática tão gratificante. quando é capaz de sentir que o ato de narrar é uma interação integral.Significa boa dicção. suave. adocicada. E a emoção chega aos pequenos". se a quem narra. aí sim. defeitos esses que podem ser corrigidos com disciplina. nada disso funciona se ele não gosta de crianças. 1997. que chega a produzir no narrador uma catarse dos conflitos mais íntimos. senão as crianças não saberão a quem acompanhar. então. vibrante. O narrado r conta o que o lobo disse ao porquinho e sendo o lobo um animal de maior porte que assume na história um papel violento.O timbre de voz varia na razão direta da distância de quem fala a quem ouve. inexpressivas. impostação de voz.. recorrendo-se quando preciso aos cursos de foniatria. Era tudo tão belo! "De repente. reparou em outros peixes que brincavam contentes nas águas claras e límpidas. Isso é muito importante. "Lá era muito escuro e Pixote morria de medo do escuro. monocórdicas. evitando repetições desnecessárias. Refletindo sobre tais impressões. Noto que existe em mim uma certa preferência por determinadas histórias. considerando os seguintes aspectos: Intensidade . num tom mais baixo. botava a cabeça para fora e achava tudo lindo a sua volta.. se aos personagens da história. "sempre sozinho. algumas pessoas perguntam como se faz a voz do lobo ou do porquinho. se escapa à realidade imediata. apreciar os comentários das crianças e avaliar as suas reações. sem jamais tomar-se estridente. reflete a força irresistível da confiança que provoca em cada ser a descoberta de sua própria força. Há vários tipos de vozes: sussurrante. E lobos falam? Nunca escutei a voz de um porco. suave. dissimula 'seu' corpo.. ora mais pausada. o narrador engrossa a voz. pra não morrer. cálida. folclore e possuir noções básicas de psicologia evolutiva. inconfundível. mas também adultos podem descobrir numa história a solução de algum problema e guardo depoimentos valiosos que confirmam isso. Não apenas as crianças. Se o foco da narrativa gira em tomo de crianças.). sem vibrações. (. (.lado e para outro. os chamados "tiques" de linguagem. correção de linguagem. parece-me esclarecedora: "O 'Era uma vez' levanta a cortina de um mundo novo que. nadando. sem modulações. metálica. O narrador tem de expressar-se numa voz definida. p. Conhecimentos . Funciona. uma passagem de Alícia Prieto (57) em artigo recentemente publicado. que esquece 'seu' rosto. Clareza . eriçada.)Todos os elementos são sugeridos pela voz e pela mímica do narrador." Nadava até a margem. seres delicados. a inflexão e as entonações. que conto talvez com vibração mais intensa. irritante ou de falsete. ora mais forte. juntamente com o ritmo. inertes." E era assim a vida de Pixote. acabo por encontrar em cada uma dessas histórias um motivo que me toca particularmente. Entretanto. das trevas da água à claridade da margem. em pincel e paleta. É a voz que sugere o que aconteceu. tão claro! "Mas tinha de voltar pra água. suscita em troca uma realidade simbólica dotada de uma intensidade tal que as reações que nela se dão podem tomar um matiz às vezes fascinante. cheio de medo".

animais e encantamento *aventuras no ambiente próximo: família. jamais funcionando como imposição e delas participam apenas os que quiserem. A linguagem deve ser correta. recortes. animais domésticos. Sempre que possível. se demonstra riqueza de imaginação e se consegue agradar às crianças. baseadas nas sugestões que o enredo oferece: dramatização. precisamos saber se se trata de assunto interessante. alimentos. *histórias de crianças. narrativas de viagens. invenções *fábulas. As chamadas atividades de enriquecimento ajudam a “digerir” esse alimento num processo de associação a outras práticas artísticas e educativas. comunidade.inspirando cada pessoa a manifestar-se. seres da natureza (humanizados) *histórias de crianças *histórias de repetição e acumulativas *histórias com ritmo *histórias de fadas *histórias de repetição e acumulativas *histórias de crianças. Mas ainda é necessário respeitar o estágio emocional da criança. brinquedos. p. objetos.Texto 6 INDICADORES QUE POSSIBILITAM A ESCOLHA DE UM LIVRO Antes de contar uma história. A história é um alimento da imaginação da criança e precisa ser dosada conforme sua estrutura cerebral. Os recursos onomatopaicos e as repetições contribuem para tornar a história mais interessante e dão força às expressões. A história funciona então como agente desencadeador de criatividade. mitos e lendas (COELHO. (COELHO. de acordo com sua preferência. criação de textos orais e escritos. Betty. *histórias de fadas *histórias de fadas com ambiente mais elaborado *histórias humorísticas *histórias de fadas *histórias vinculadas à realidade *aventuras. São atividades espontâneas. festas. 1997. simples sem ser vulgar nem rebuscada. modelagem. de bom gosto. com tratamento literário. 1997. Então. convém propor atividades subseqüentes. expressivamente. pantomima (mímica) desenhos. circo. o que contar tendo em vista a quem contar? FAIXA ETÁRIA E INTERESSE *histórias de bichinhos.59) . dobradura. Betty. brincadeiras. Há vários tipos de atividades que podem ser desenvolvidas. p. construção de maquetes. Ela permanece na mente da criança. explorações. que a incorpora como um alimento de sua imaginação criadora.14 e 15) Pré-escolares Até 3 anos: fase pré-mágica (ela vive o enredo) 3 a 6 anos: fase mágica 7 anos 8 anos Escolares 9 anos 10 anos em diante Texto 7 ATIVIDADES A PARTIR DAS HISTÓRIAS CONTADAS A história não acaba quando chega ao fim. Se é original. bem trabalhado.

Cuidados especiais e métodos para o ensino da leitura Conquanto o método a ser utilizado dependa muitíssimo do professor e do material de leitura disponível.40 a 47) Prática de leitura O trabalho com leitura tem como finalidade a formação de leitores competentes e. 4) Leitura informativa ou dirigida para o fato: reserva-se principalmente para do quinto ao nono ano da escola. e mais importante ainda para a motivação da leitura. e métodos usados. interpretativa. f) Adaptar as habilidades envolvidas na leitura ao material e aos objetivos da leitura: julga-se melhor o grau de perfeição na leitura considerando-se a maior ou menor facilidade com que o leitor adapta suas habilidades de leitura (velocidade. ecléticos. desde o princípio. informativa. 22 a 29) TEXTO 2 (PCNs – p. d) Leitura oral ou silenciosa na sala de aula? Como na vida adulta a leitura silenciosa vai predominar.1995. . os textos feitos em casa. g) Treinamento sistemático da consecução da leitura. criativa e estética. 2) Velocidade: através do treinamento faz habilidades envolvidas na leitura (ampliação do período de fixação e aumento da concentração – portanto menos regressão). certos princípios fundamentais são sempre importantes. c) Leitura em unidades de pensamento: no processo de alfabetização é preciso encontrar. e textos tirados da vida prática. i) Seleção de material de leitura para o ensino: além do material didático.AULA 9 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES DE LEITURA Texto 1 O ensino eficaz da Leitura 3. a) Promover a prontidão para a leitura em todos os níveis: Na idade pré-escolar e nos primeiros anos da escola. é importantíssimo que a medida do rendimento e a interpretação dos resultados sejam feitas regularmente. contar e ler histórias em voz alta e falar sobre livros de gravuras é importantíssimo para o desenvolvimento do vocabulário. a velocidade de leitura pode ser desenvolvida de forma sistemática. e deve ser desenvolvida em combinação com vários assuntos. (Bamberger. desde o princípio. concentração na compreensão) à dificuldade e à importância do material e às suas próprias intenções. crítica. devem ser usados. A leitura silenciosa é a base da educação individual da leitura. e) Ensino individualizado da leitura em todos os níveis de escolarização: os relatórios das pesquisas concordam em que o prazer e o interesse da leitura e o desenvolvimento do hábito de ler se alcançam muito melhor pelo método individualizado de ensino da leitura do que pelo ensino sistemático de toda a classe. b) Superar o dogmatismo metodológico quando se alfabetiza: a abordagem deve ser multilateral para todos os alunos. meios para evitar a leitura mecânica de sílabas e palavras e para aumentar a compreensão. na linguagem das crianças. 3) Compreensão: o contato com o conteúdo do texto deve progredir à proporção que progride a concepção de leitura. Quando a leitura oral é bem feita. h) Medindo e avaliando o progresso: visto que a educação literária precisa ser revertida para o padrão alcançado pelos estudantes individualmente. p. os grupos de palavras armazenados são percebidos em unidades de pensamento num duplo impulso – visualmente e através da pronúncia. Motivação e uma atitude questionadora favorecem a leitura como “processo mental”. isso também deveria ocorrer na sala de aula. avançando da compreensão de palavras para a leitura compreensiva.

Um leitor competente é alguém que. se pretenda fazê-lo para efeito de análise do processo. inferência e verificação. 26. 27. de antecipação permitem supor o que ainda está por vir. O uso dessas estratégias durante a leitura não ocorre de forma deliberada — a menos que. O termo ―portador‖ está sendo utilizado aqui para referir-se a livros. pois a possibilidade de produzir textos eficazes tem sua origem na prática de leitura. etc. isto é. ou o significado implícito nas entrelinhas. Estratégias de seleção possibilitam ao leitor se ater apenas aos índices úteis. evidentemente. tomar decisões diante de dificuldades de compreensão. Se o objetivo é formar cidadãos capazes de compreender os diferentes textos com os quais se defrontam. Para que possa constituir também objeto de aprendizagem. estudar. intencionalmente. A leitura. a partir de um trabalho que deve se organizar em torno da diversidade de textos que circulam socialmente. É preciso. Tratase de uma atividade que implica. escrever ou revisar o próprio texto — e com as diferentes formas de leitura em função de diferentes objetivos e gêneros: ler buscando as informações relevantes. Esse trabalho pode envolver todos os alunos. Qualquer leitor experiente que conseguir analisar sua própria leitura constatará que a decodificação é apenas um dos procedimentos que utiliza quando lê: a leitura fluente envolve uma série de outras estratégias como seleção. Não se trata simplesmente de extrair informação da escrita. etc. A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto. Formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê. divertir-se. os diferentes ―para quês‖ — resolver um problema prático. dentre os trechos que circulam socialmente. sobre o autor. do seu ponto de vista. palavra por palavra. os suportes em que os textos foram impressos originalmente. revistas. sem descaracterizá-la. contribui para a constituição de modelos: como escrever. é capaz de selecionar. sem as quais não é possível rapidez e proficiência28 . modelos de leitores proficientes e práticas de leitura eficazes. Significa trabalhar com a diversidade de objetivos e modalidades que caracterizam a leitura. espaço de construção da intertextualidade e fonte de referências modelizadoras. do portador 27 . que possa aprender a ler também o que não está escrito. arriscarse diante do desconhecido. jornais e outros objetos que usualmente portam textos. Que consegue utilizar estratégias de leitura adequada para abordá-los de forma a atender a essa necessidade. Eis a primeira e talvez a mais importante estratégia didática para a prática de leitura: o trabalho com a . nos fornece a matéria-prima para a escrita: o que escrever. do sistema de escrita. portanto. antecipação. desprezando os irrelevantes. a formação de escritores26. Por outro. é preciso organizar o trabalho educativo para que experimentem e aprendam isso na escola. identificando elementos implícitos. apenas no livro didático. a escola deve oferecer materiais de qualidade. Como se trata de uma prática social complexa. de tudo o que sabe sobre a língua: características do gênero. Isso significa trabalhar com a diversidade de textos e de combinações entre eles. As estratégias são um recurso par a construir significado enquanto se lê. que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto. fundamentalmente. Não se trata. a objetivos de realização imediata. Principalmente quando os alunos não têm contato sistemático com bons materiais de leitura e com adultos leitores. ou seja. se a escola pretende converter a leitura em objeto de aprendizagem deve preservar sua natureza e sua complexidade. Uma estratégia de leitura é um amplo esquema para obter. de formar escritores no sentido de profissionais da escrita e sim de pessoas capazes de escrever com eficácia. inclusive aqueles que ainda não sabem ler convencionalmente.conseqüentemente. aqueles que podem atender a uma necessidade sua. de inferência permitem captar o que não está dito explicitamente no texto e de verificação tornam possível o ―controle‖ sobre a eficácia ou não das demais estratégias. apenas porque o professor pede. É o uso desses procedimentos que permite controlar o que vai sendo lido. a atividade de leitura deve responder. que estabeleça relações entre o texto que lê e outros textos já lidos. informar-se. um objeto de ensino. oferecer-lhes os textos do mundo: não se formam bons leitores solicitando aos alunos que leiam apenas durante as atividades na sala de aula. a partir dos seus objetivos. ou dados para a solução de um problema. por iniciativa própria. avaliar e utilizar informação. Um leitor competente só pode constituir-se mediante uma prática constante de leitura de textos de fato. 28. que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos. TRATAMENTO DIDÁTICO A leitura na escola tem sido. é necessário que faça sentido para o aluno. do seu conhecimento sobre o assunto. decodificando-a letra por letra. buscar no texto a comprovação das suposições feitas. quando não participam de práticas onde ler é indispensável. isto é. por um lado. Essa pode ser a única oportunidade de esses alunos interagirem significativamente com textos cuja finalidade não seja apenas a resolução de pequenos problemas do cotidiano. necessariamente. compreensão na qual os sentidos começam a ser constituídos antes da leitura propriamente dita.

não se decodifica palavra por palavra. como prática social. No entanto. se deseja ler sem parar. é preciso negociar o conhecimento que já se tem e o que é apresentado pelo texto. é preciso agir como se o aluno já soubesse aquilo que deve aprender. Há leituras que requerem um enorme esforço intelectual e. lendo‖: de adquirir o conhecimento da correspondência fonográfica. favorece a evolução de suas estratégias de resolução das questões apresentadas pelos textos. Isso não significa que na escola não se possa eventualmente responder a perguntas sobre a leitura. o que está atrás e diante dos olhos. dentro de uma prática ampla de leitura. Ler é resposta a um objetivo. Entre a condição de destinatário de textos escritos e a falta de habilidade temporária para ler autonomamente é que reside a possibilidade de. A leitura. Sem ela pode-se até ensinar a ler. a uma necessidade pessoal. Para aprender a ler. converter letras em sons. conseqüentemente. cada qual. Os materiais feitos exclusivamente para ensinar a ler não são bons para aprender a ler: têm servido apenas para ensinar a decodificar. aprender a ler pela prática da leitura. entregue apenas ao prazer de ler. Por conta desta concepção equivocada a escola vem produzindo grande quantidade de ―leitores‖ capazes de decodificar qualquer texto. ou ler em voz alta quando necessário. que verifiquem suas suposições — tanto em relação à escrita. modalidades e textos que caracterizam as práticas de leitura de fato. Há textos que se pode ler rapidamente. outras em que se segue adiante sem dificuldade. Essa atividade só poderá ser realizada com a intervenção do professor. mesmo assim. buscando-se a informação necessária. a despeito disso. contribuindo para que o aluno construa uma visão empobrecida da leitura. Para aprender a ler. Uma prática constante de leitura na escola pressupõe o trabalho com a diversidade de objetivos. outros precisam ser lidos exaustivamente e várias vezes. Trata-se de uma situação na qual é necessário que o aluno ponha em jogo tudo que sabe para descobrir o que não sabe. exige uma modalidade de leitura. é preciso interagir com a diversidade de textos escritos. que façam inferências a partir do contexto ou do conhecimento prévio que possuem. é sempre um meio. é preciso oferecer aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a ler usando os procedimentos que os bons leitores utilizam. A heterogeneidade do grupo. sendo a compreensão conseqüência natural dessa ação. não se responde a perguntas de verificação do entendimento preenchendo fichas exaustivas. Há textos que podem ser lidos apenas por partes. De certa forma. quanto ao significado. portanto. outras em que o esforço é mínimo e. por sua vez. o desejo é deixa-las para depois. voltando atrás para certificar-se do entendimento. da própria aprendizagem. não se faz desenho sobre o que mais gostou e raramente se lê em voz alta. uma situação de aprendizagem. desempenha a função adicional de permitir que o professor não seja o único informante da turma. da colaboração e. É preciso que antecipem. nunca um fim. APRENDIZADO INICIAL DA LEITURA É preciso superar algumas concepções sobre o aprendizado inicial da leitura. . de compreender a natureza e o funcionamento do sistema alfabético. testemunhar a utilização que os já leitores fazem deles e participar de atos de leitura de fato. portanto. Há leituras em que é necessário controlar atentamente a compreensão. Fora da escola. Diferentes objetivos exigem diferentes textos e. de vez em quando desenhar o que o texto lido sugere. por sua vez. não se lê só para aprender a ler. uma prática constante de leitura não significa a repetição infindável dessas atividades escolares. portanto. mas com enormes dificuldades para compreender o que tentam ler. Ao contrário. O conhecimento atualmente disponível a respeito do processo de leitura indica que não se deve ensinar a ler por meio de práticas centradas na decodificação. procurar garantir que a heterogeneidade do grupo seja um instrumento a serviço da troca. propriamente. com a ajuda dos já leitores. Essa circunstância requer do aluno uma atividade reflexiva que. recebendo incentivo e ajuda de leitores experientes. não se lê de uma única forma. outros devem ser lidos devagar. agrupar seus alunos de forma a favorecer a circulação de informações entre eles. A principal delas é a de que ler é simplesmente decodificar. É disso que se está falando quando se diz que é preciso ―aprender a ler. se pedagogicamente bem explorada. mas certamente não se formarão leitores competentes. é preciso que o aluno se defronte com os escritos que utilizaria se soubesse mesmo ler — com os textos de verdade.diversidade textual. sobretudo em classes numerosas nas quais não é possível atender a todos os alunos da mesma forma e ao mesmo tempo. que deverá colocar-se na situação de principal parceiro.

condições favoráveis para a prática de leitura que não se restringem apenas aos recursos materiais disponíveis. pois. Fora da escola. Tanto quanto for possível. optar sempre pela variedade: é infinitamente mais interessante que haja na classe. • organizar momentos de leitura livre em que o professor também leia. • dispor. o autor. É necessário que o professor tente compreender o que há por trás dos diferentes sentidos atribuídos pelos alunos aos textos: às vezes é porque o autor ―jogou com as palavras‖ para provocar interpretações múltiplas. a partir não só do que está escrito. só cumprem suas finalidades se houver compreensão do que deve ser feito. No primeiro caso. enunciados de atividades e problemas matemáticos. Precisará torná-los confiantes. Há outros que não: textos instrucionais. Para tornar os alunos bons leitores — para desenvolver. • possibilitar aos alunos a escolha de suas leituras. constrói-se pelo esforço de interpretação do leitor. muito mais do que a capacidade de ler. dará autonomia e independência. Formar leitores é algo que requer. compreende mal. é fundamental ver seu professor envolvido com a leitura e com o que conquista por meio dela. Para os alunos não acostumados com a participação em atos de leitura. no entanto. mas do conhecimento que traz para o texto. pois aprender a ler (e também ler para aprender) requer esforço. Leitura diária . Bons textos podem ter o poder de provocar momentos de leitura junto com outras pessoas da casa — principalmente quando se trata de histórias tradicionais já conhecidas. na verdade. algo que. portanto. é necessário que isso se preserve na escola. às vezes é porque o leitor tem pouco conhecimento sobre o assunto tratado e. O significado. de um acervo de classe com livros e outros materiais de leitura. Precisará fazê-los achar que a leitura é algo interessante e desafiador.Uma prática constante de leitura na escola deve admitir várias leituras. Há textos nos quais as diferentes interpretações fazem sentido e são mesmo necessárias: é o caso de bons textos literários. Ver alguém seduzido pelo que faz pode despertar o desejo de fazer também. nos ciclos iniciais. • possibilitar aos alunos o empréstimo de livros na escola. a obra ou o gênero são decisões do leitor. o uso que se faz dos livros e demais materiais impressos é o aspecto mais determinante para o desenvolvimento da prática e do gosto pela leitura. Além das condições descritas. • construir na escola uma política de formação de leitores na qual todos possam contribuir com sugestões para desenvolver uma prática constante de leitura que envolva o conjunto da unidade escolar. A seguir são apresentadas algumas sugestões para o trabalho com os alunos. se estão entendendo e outras questões. no segundo apenas um. conquistado plenamente. por exemplo. pois outra concepção que deve ser superada é a do mito da interpretação única. às vezes é porque o texto é difícil ou confuso. por exemplo. que não conhecem o valor que possui. Uma prática de leitura que não desperte e cultive o desejo de ler não é uma prática pedagógica eficiente. condição para poderem se desafiar a ―aprender fazendo‖. a despeito do seu esforço. que podem servir de referência para a geração de outras propostas. 35 diferentes livros — o que já compõe uma biblioteca de classe — do que 35 livros iguais. • quando houver oportunidade de sugerir títulos para serem adquiridos pelos alunos. • garantir que os alunos não sejam importunados durante os momentos de leitura com perguntas sobre o que estão achando. o aluno tem oportunidade de ler 35 títulos. • planejar as atividades diárias garantindo que as de leitura tenham a mesma importância que as demais. a escola terá de mobilizá-los internamente. fruto do pressuposto de que o significado está dado no texto. são necessárias propostas didáticas orientadas especificamente no sentido de formar leitores. Algumas dessas condições: • dispor de uma boa biblioteca na escola. o gosto e o compromisso com a leitura —.

ler para estudar. durante a leitura. em que faz sentido. os projetos permitem dispor do tempo de uma forma flexível. Esse é um procedimento especializado que precisa ser ensinado em todas as séries. linguagem escrita. etc. Leitura colaborativa A leitura colaborativa é uma atividade em que o professor lê um texto com a classe e. dividir e redimensionar as tarefas. variando apenas o grau de aprofundamento em função da capacidade dos alunos. ler para escrever. escrever para não .O trabalho com leitura deve ser diário. Os projetos são situações em que linguagem oral. pois o tempo tem o tamanho necessário para conquistar o objetivo: pode ser de alguns dias ou de alguns meses. etc. questiona os alunos sobre as pistas lingüísticas que possibilitam a atribuição de determinados sentidos. validar antecipações feitas. ler para decorar. Ao professor cabe orientar a discussão. escrever para ler. fazer com que os alunos levantem hipóteses sobre o tema a partir do título. ler para revisar. etc. leitura e produção de textos se inter-relacionam de forma contextualizada. ler buscando identificar a intenção do escritor. são alguns dos aspectos dos conteúdos relacionados à compreensão de textos. por exemplo. com antecedência — uma ou várias vezes. A possibilidade de interrogar o texto.São ocasiões em que eles podem tomar decisões sobre muitas questões: controlar o tempo. e • pela escuta de alguém que lê. • em voz alta (individualmente ou em grupo) quando fizer sentido dentro da atividade. Quando são de longa duração têm ainda a vantagem adicional de permitir o planejamento de suas etapas com os alunos. Há inúmeras possibilidades para isso. ler para descobrir o que deve ser feito. pois a leitura pode ser realizada: • de forma silenciosa. a inferência sobre a intencionalidade do autor. • é necessário refletir com os alunos sobre as diferentes modalidades de leitura e os procedimentos que elas requerem do leitor. antecipar determinados acontecimentos. Trata-se. No entanto. • ao propor atividades de leitura convém sempre explicitar os objetivos e preparar os alunos. oferecer informações que situem a leitura. para os quais a leitura colaborativa tem muito a contribuir. a identificação de elementos discriminatórios e recursos persuasivos. Projetos de leitura A característica básica de um projeto é que ele tem um objetivo compartilhado por todos os envolvidos. portanto. que se expressa num produto final em função do qual todos trabalham. a diferenciação entre realidade e ficção. São coisas muito diferentes ler para se divertir. Além disso. ler para escrever. essa negociação precisa ser fruto da compreensão do grupo e produzir-se pela argumentação dos alunos. pois quase sempre envolvem tarefas que articulam esses diferentes conteúdos. a interpretação de sentido figurado. É completamente diferente ler em busca de significado — a leitura. É interessante.. de uma excelente estratégia didática para o trabalho de formação de leitores. avaliar os resultados em função do plano inicial. dar conhecimento do assunto previamente. É particularmente importante que os alunos envolvidos na atividade possam explicitar para os seus parceiros os procedimentos que utilizam para atribuir sentido ao texto: como e por quais pistas lingüísticas lhes foi possível realizar tais ou quais inferências. • nos casos em que há diferentes interpretações para um mesmo texto e faz-se necessário negociar o significado (validar interpretações). posicionando-se apenas quando necessário. de um modo geral — e ler em busca de inadequações e erros — a leitura para revisar. individualmente. A compreensão crítica depende em grande medida desses procedimentos. por exemplo. criar um certo suspense quando for o caso. São situações lingüisticamente significativas. alguns cuidados são necessários: • toda proposta de leitura em voz alta precisa fazer sentido dentro da atividade na qual se insere e o aluno deve sempre poder ler o texto silenciosamente.

esquecer. a atividade pode se realizar semanalmente ou quinzenalmente.‖ (histórias. • permitir a compreensão do funcionamento comunicativo da escrita: escreve-se para ser lido. na classe. Atividades sequenciadas de leitura São situações didáticas adequadas para promover o gosto de ler e privilegiadas para desenvolver o comportamento do leitor. Atividades permanentes de leitura São situações didáticas propostas com regularidade e voltadas para a formação de atitude favorável à leitura. A leitura em voz alta feita pelo professor não é uma prática muito comum na escola. Alguns exemplos de projetos de leitura: produção de fita cassete de contos ou poemas lidos para a biblioteca escolar ou para enviar a outras instituições. • estimular o desejo de outras leituras. etc. analisando o tom de voz e a dicção. são os alunos maiores que mais precisam de bons modelos de leitores. notícias. a entonação. muitas vezes. por sua qualidade e beleza. constituição de padrões de gosto pessoal. sugere outros títulos do mesmo autor ou conta uma pequena parte da história para ―vender‖ o livro que o entusiasmou aos colegas. etc. ler em voz alta em tom adequado. o exercício da fantasia e da imaginação.. • informar como escrever e sugerir sobre o que escrever. rastreamento da obra de escritores preferidos. eleger um gênero específico. É o caso da leitura compartilhada de livros em capítulos.). Nas atividades seqüenciadas de leitura pode-se. ou seja. Na escola. promoção de eventos de leitura numa feira cultural ou exposição de trabalhos. mas não têm um produto final predeterminado: neste caso o objetivo explícito é a leitura em si. levam o material para casa por um tempo e se revezam para fazer a leitura em voz alta. • aproximar o leitor dos textos e os tornar familiares — condição para a leitura fluente e para a produção de textos. • possibilitar a vivência de emoções. E. o que não deveria acontecer. • possibilitar produções orais. inclusive —. em determinados casos. Dependendo da extensão dos textos e do que demandam em termos de preparo. um determinado autor ou um tema de interesse. produção de vídeos (ou fitas cassete) de curiosidades gerais sobre assuntos estudados ou de interesse. planejando as pausas. Os alunos escolhem o que desejam ler. uma parte deles relata suas impressões. por exemplo. mais incomum se torna. • expandir o conhecimento a respeito da própria leitura. a própria leitura oral e suas convenções. Nos projetos em que é preciso expor ou ler oralmente para uma gravação que se destina a pessoas ausentes. que possibilita aos alunos o acesso a textos bastante longos (e às vezes difíceis) que. comenta o que gostou ou não. Os projetos de leitura são excelentes situações para contextualizar a necessidade de ler e. Funcionam de forma parecida com os projetos — e podem integrá-los. pois. por um ou mais alunos a cada vez. quanto mais avançam as séries. No dia combinado. pode incluir também uma breve caracterização da obra do autor ou curiosidades sobre sua vida. Ela pode: • ampliar a visão de mundo e inserir o leitor na cultura letrada. . Um exemplo desse tipo de atividade é a ―Hora de. curiosidades científicas. uma circunstância interessante se apresenta: o fato de os interlocutores não estarem fisicamente presentes obriga a adequar a fala ou a leitura a fim de favorecer sua compreensão. uma prática de leitura intensa é necessária por muitas razões. atitudes e procedimentos que os leitores assíduos desenvolvem a partir da prática de leitura: formação de critérios para selecionar o material a ser lido. Leitura feita pelo professor Além das atividades de leitura realizadas pelos alunos e coordenadas pelo professor há as que podem ser realizadas basicamente pelo professor. escritas e em outras linguagens. temporariamente. o que pensou.. Quando for pertinente. etc. ainda que nem sempre sejam capazes de lê-los sozinhos. Outro exemplo é o que se pode chamar ―Roda de Leitores‖: periodicamente os alunos tomam emprestado um livro (do acervo de classe ou da biblioteca da escola) para ler em casa. podem vir a encantá-los.

. • favorecer a aquisição de velocidade na leitura. do autor. não se respondem perguntas de verificação do entendimento preenchendo fichas. Não se lê só para aprender a ler. podemos ler até 200 palavras por minuto – a leitura em voz alta demora mais. antecipamos significados. São elas: Estratégias de seleção que permitem que o leitor se atenha aos elementos úteis e despreze o que é irrelevante. suas características etc). A leitura envolve outras estratégias. maior a eficácia da leitura. • favorecer a estabilização de formas ortográficas. a partir do conhecimento que já possui a respeito do assunto. Quanto mais os olhos puderem se apoiar naquilo que faz sentido para quem vê. A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto. participando de atividades de uso da escrita. não se fazem desenhos para mostrar o que mais gostou se raramente se lê em voz alta. Estratégias de inferência permitem captar o que não está dito no texto. Ex: Nosso cérebro sabe que não precisa se deter na letra que vem após o ―q‖. isto é. com base em informações explícitas e em suposições. Para se ler a decodificação é apenas um dos procedimentos que se utiliza. do gênero. desenvolver atitudes e construir estratégias de organização do trabalho com a leitura. do portador. Conseguimos eliminar letras em cada uma das palavras escritas e até mesmo uma palavra a cada cinco outras. pois o movimento dos olhos é mais rápido do que a emissão das palavras. pois certamente será o ―u‖. da língua. é previsível que encontraremos determinados personagens e que alguma travessura ocorrerá. necessária. permitindo confirmar ou não as inferências. AULA 10 – O ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA Objetivo: . porque ler ensina a ler e a escrever. Ao ler Monteiro Lobato. Além de letras. só nos damos conta delas quando analisamos nosso processo de leitura. As crianças aprendem a ler. na perspectiva de favorecer o acesso e o desenvolvimento progressivo da capacidade da criança de compartilhar significados da cultura. Não se lê de uma única forma. do sistema de escrita. Utilizamos todas as estratégias de leitura mais ou menos ao mesmo tempo sem ter consciência disso. Estratégias de antecipação que tornam possível prever o que está por vir. a prática da leitura não significa a repetição dessas atividades escolares. Uma prática intensa de leitura na escola é. Estratégias de verificação tornam possível o controle da eficácia ou não das demais estratégias. que implica familiaridade com o assunto tratado.Definir objetivos. que é visto pelos olhos. SAIBA MAIS 01 Quando lemos um texto fácil cujo conteúdo é conhecido. • possibilitar ao leitor compreender a relação que existe entre a fala e a escrita. A leitura como prática social é sempre um meio. conhecimento acerca da linguagem e da própria leitura (organização do texto. é aquilo que lemos.• ensinar a estudar. mas não está escrito. e aquilo que está por trás dos olhos: o conhecimento prévio do leitor. não se codifica palavra por palavra. Não se entende um texto escrito decodificando letra por letra ou palavra por palavra. sílabas e palavras. nunca um fim. junto com pessoas que já dominam esse conhecimento. sobretudo. outros recursos para construir significados. Dois fatores determinam a leitura: o texto impresso. ou seja. São adivinhações baseadas em pistas dadas pelo próprio texto como em conhecimentos que o leitor possui.

Ainda assim. não importando se a criança está ―pronta‖ para lê-los. colocando em jogo aquilo que já construíram sobre o sistema alfabético. livros didáticos de diferentes anos escolares precisam estar presentes na classe. a completar frases transcritas diretamente do texto ou a responder perguntas que. Intuitivamente. antecipação. que a finalidade da leitura é a aquisição de habilidades de decodificação ou pretextos para exercícios escolares. páginas e letras. Por exemplo.). possibilitam (ou direcionam . folhetos. procurando desenvolver. além de decifrar. algumas crianças ficam bloqueadas para a leitura. para que possa questionar e opinar sobre o conteúdo implícito e explícito do texto. o que significa: • atribuir significado a textos de gêneros variados. decifrando ou não a sua escrita. decodificação. a leitura crítica. unir letras e emitir sons correspondentes: isso é muito mais um trabalho de discriminação visual e auditiva que antecede a leitura propriamente dita. ela escolhe o material escrito de acordo com suas necessidades e opta por livros com maior ou menor número de desenhos. marcas. A leitura faz parte da rotina diária da criança e ela não espera receber instruções de outra pessoa para iniciá-la. a maioria das crianças lê a palavra Coca-Cola. a partir de atividades de leitura desenvolvidas pelo professor e pelo próprio aluno (de forma individual. O professor precisa incentivar o gosto pela leitura. modalidades e textos. As competências dos alunos que estão sendo alfabetizados devem ser desenvolvidas. opiniões e interpretações. jornais. a criança escolhe um livro e troca-o logo em seguida sem ter feito um bom uso dele porque. é interpretar a mensagem. na escola. títulos e todos os objetos constantes no seu dia a dia transmitem uma significação própria e se tornam tão familiares que sua leitura é espontânea. artigos. Isso permite que os alunos possam aprender comportamentos de leitor. desde o início. para compreender etc. Bilhetes e comunicados dirigidos aos pais devem ser lidos junto com as crianças. principalmente quando são apresentados textos pouco significativos para elas. Essas situações ocorrem tanto em momentos nos quais os alunos leem com a ajuda do professor como também quando eles são desafiados a lerem sozinhos. Placas. • confrontar ideias. em função do texto e dos objetivos de leitura (ler para buscar informação. sempre que possível. No entanto. Material escrito. desde que o material a ser lido seja interessante e desafie sua inteligência. gibis. • fazer uso de estratégias de leitura (seleção. Os alunos devem ter confiança para enfrentar o desafio e ―aprender fazendo‖. sensibilizando-a de alguma maneira. o aluno precisa ter liberdade de escolher e de usar diferentes modelos de escrita e isso deve ser feito de modo que ele não sinta. aquela que estimula a criança. distinguir símbolos e sinais. aquele material ainda não parecia ser suficientemente interessante ou não era adequado ao seu ―estágio‖ de leitor. inferência e verificação). visivelmente. programas de TV. • apropriar-se das convenções e das estruturas características de cada gênero textual. A sala de aula deve dar continuidade à leitura prazerosa. como livros de histórias. atribuir a ela uma vivência pessoal e interiorizá-la. Assim. embalagens. em duplas.É preciso ensinar a ler com diferentes objetivos. que aguça sua curiosidade. no aluno. Ler. porque ela é a base da escrita. • colocar em ação diferentes tipos de leitura. podendo ocorrer muito antes da decifração dos códigos. para se divertir. curiosos e observadores. comentando e recomendando leituras para os colegas. letreiros. As crianças demonstram ser leitores atentos. coletivamente ou em pequenos grupos) de textos de gêneros variados e com diferentes propósitos. como algo interessante e desafiador. Muitas vezes. A interpretação não deve se resumir. ler não deve se resumir a decifrar caracteres. certamente. revistas. simplesmente.

repetentes. embalagens e avisos são elementos que oferecem uma base interessante para se fazer. portanto é bom escolher um texto diferente. o professor precisa respeitar as interferências do aluno e garantir que.Ler palavras ou frases que formam o Banco de Palavras. apontando as palavras com o dedo ou com a régua. uma letra de rap ou de uma canção. o tema e os significados do texto escolhido são decisivos. sim. . mostrando os espaços em branco entre as palavras. Mostre aos alunos que quando falamos as palavras parecem emendadas umas nas outras. um anúncio ou um bilhete sejam mais atraentes. as atividades de reflexão sobre a língua ou mesmo quaisquer outros trabalhos ligados às diferentes áreas de estudo.Ler textos produzidos pelos próprios alunos e fazer a interpretação oral ou escrita. os espaços existentes entre elas no papel é uma das características da língua escrita. Em se tratando de crianças grandes. . mas deve. além de algumas palavras simples ou sílabas. estar baseada no que o texto transmite ao aluno enquanto indivíduo. tornando o texto coerente. . . fazer a leitura dialogada: o professor lê um texto e incentiva o diálogo. A escolha dos textos Que textos escolher para as crianças? No momento de começar o ensino sistemático da leitura. histórias vivenciadas pela classe. . a separação entre as palavras. canções de roda. do que gostam. . ele ―participe‖ do texto que está sendo lido.para) uma única resposta.Recortar de jornais e revistas somente as palavras ou frases que saiba ler e fazer a leitura para o professor. se trabalham. que estão iniciando o processo de alfabetização cheias de curiosidade e disposição para aprender.Com o professor. aprendendo coisas novas. faça a leitura didática. trava-línguas. o que fazem fora da escola. numa cartolina grande ou em papel manilha. lançando perguntas e desafiando os alunos a sugerir uma continuidade para a história. Assim. de alguma forma. talvez uma notícia sobre futebol. Faça uma leitura normal. . Para crianças de 6 anos. contos de fada.Ler o que está fixado nas paredes: ler e interpretar o material que faz parte do ambiente alfabetizador. . manchetes de jornal.Leituras silenciosa ou em voz alta. usado na vida social.Antecipar uma história com base no título e/ ou na capa do livro.Ler textos que a criança tem na memória (pseudoleitura). regras de jogos. Deve ser aflitivo para essas crianças ter sempre a sensação de começar do zero. Sugestões de tipos de leitura . Nesse caso. que seja uma novidade para elas. Leituras de letras de música. Ao fazer a leitura. . Trata-se de dar a essas crianças a certeza de que estão avançando.Ler um texto e reduzir (resumir) as informações. Em seguida. para que depois ele possa externar suas opiniões.Leituras individual ou coletiva. há muitas escolhas: histórias.Ler frases fora de ordem e organizá-las. . que já passaram por vários métodos e cartilhas. receitas de culinária. etc. . poemas. uma piada. além da interpretação. fluente e converse com a turma sobre o texto. deve-se conversar sobre a vida deles. Como começar a estudar o texto? O professor pode escrever o texto na lousa. até porque a maioria já passou por muitas experiências frustrantes e já conhece os nomes das letras.

um anúncio. narrada pela professora. Produção de um texto a partir de um título dado: títulos de histórias conhecidas como histórias de fadas. Maria de Fátima e VIAN. Referências bibliográficas CARVALHO. Maria Inês Aguiar. DE OLHO NA PRÁTICA – ATIVIDADE INTEGRADORA: 1) Selecione dez livros infantis que você utilizaria para o ensino da leitura para o 1º ano. lendas.Como fazer para mostrar os sons das letras? Aprender a ler envolve aprender que as letras representam sons. que conte uma história. que tem que ser passado por uma pessoa que conheça o código alfabético. com suas próprias palavras. o que realmente não pode faltar. Alfabetizar e letrar: um diálogo entre a teoria e a prática. 2005. 2001. Sugestões para o trabalho com a leitura e a oralidade Paráfrase: pedir ao aluno que diga a mesma coisa lida de um outro jeito. Alfabetização: um processo em construção. podem ser usados para iniciar a atividade. é conhecimento sistemático. Para isso. há muitas repetições e modos de dizer típicos da língua oral. Quando é que elas vão começar a ler realmente? As crianças estarão lendo quando forem capazes de perceber como as letras funcionam para representar os sons da língua e ao mesmo tempo possam entender o que diz o texto. uma poesia. Brincadeiras com palavras: pedir a dois alunos que digam cada qual uma palavra e a partir daí deixar a turma criar uma história. significativo (e não por um texto acartilhado) e caminhar gradativamente na direção do conhecimento de palavras. Classificação dos diversos tipos de textos: cada vez que apresentar um texto. um capítulo de novela ou uma notícia. Resumo: propor resumos orais de uma história. pode-se sistematizar o ensino da leitura e da escrita. Petrópolis: Vozes. sílabas. etc. São Paulo: Saraiva. Não é uma questão de adivinhação da criança. uma notícia jornalística. Histórias assim podem ser retrabalhadas para ficar de acordo com as convenções da escrita. letras e regras ortográficas. Reprodução de histórias: No exemplo abaixo. que a mesma letra pode representar mais de um som de acordo com o contexto e o mesmo som pode ser representado por mais de uma letra. . Ensinar que no resumo destacamos aquilo que consideramos mais importante. um texto didático. fábulas. explicar de que tipo de texto se trata: uma narrativa. Marlene. RUSSO. uma receita. começando pelo texto natural.

Atividades A) Pontue o texto abaixo. Nada aos pobres”. O alfaiate pediu cópia do original e puxou a brasa pra sua sardinha: “Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Morreu antes de fazer a pontuação. Transposição didática Produzir um livro infantil sobre as novas normas ortográficas TRAZER NA PRÓXIMA AULA Trazer uma BOA gramática (POR GRUPO) AULA 12 – CONHECENDO A GRAMÁTICA (ANÁLISE E REFLEXÃO SOBRE A LÍNGUA) Gramática é a descrição completa da língua. Jamais será paga a conta do alfaiate. a palavra seguinte: 1) Quem ensina ou orienta ( ) precisa desenvolver ( ) a habilidade de ser empático ( ) a empatia ( ) consiste ( ) na capacidade de colocar-se ( ) no lugar do outro ( ) de ver as coisas da perspectiva dele ( ) por exemplo ( ) uma professora ( ) ao avaliar um novo jogo de palavras cruzadas destinado a ampliar ( ) o vocabulário de suas crianças ( ) pode achá-lo fascinante ( ) mas deve perguntar-se ( ) se as crianças lidarão bem com o novo jogo ( ) será que elas vão gostar ( ) será que vão entender as regras de funcionamento ( ) será que o vocabulário vai realmente ser ampliado ( ) B) Se você acha que os sinais de pontuação. pediu papel e caneta e assim escreveu: “Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres”. Divisão da gramática normativa Fonologia: estabelece os princípios que regulam a estrutura sonora da língua. no exemplo abaixo. Semântica: estuda a relação entre conteúdos e significados. não é necessário corrigir. utilizando-se de todos os sinais gráficos. Sintaxe: define a organização dos elementos internos da frase estabelecendo a relação entre eles. Que competências os alunos desenvolvem ao realizarem essas provas? Faça com capricho e atenção. Nada aos pobres”. Um deles. chegaram os descamisados da cidade. Morfologia: estuda a estrutura da palavra e sua classificação. não fazem muita diferença. quem ficará com a herança? Um homem rico estava muito doente. dos princípios de organização da língua. sabido. Para quem deixava ele a fortuna? Eram quatro concorrentes. pois erros de ortografia serão descontados em 0. O sobrinho fez a seguinte pontuação: “Deixo meus bens à minha irmã? Não. A irmã chegou logo em seguida e pontuou assim o escrito: “Deixo meus bens à minha irmã. com letra maiúscula. isto é. Aos pobres”. Agora tente responder às questões abaixo e ANALISE essas provas. a meu sobrinho. Quando ocorrer ponto. Estilística: estuda a organização da linguagem do ponto de vista de seu conteúdo afetivo. fez esta interpretação: “Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho.1 . Nada aos pobres”.AULA 11 – PRODUZINDO UM LIVRO INFANTIL/GIBI CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE Gênero livro infantil ou gibi. Aí. veja. jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada. não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. por serem pequenos.

.0) 5) Reescreva. z. não tem duas. h. Ele observa todas as etiquetas das roupas novas.0) 1.ditongo oral crescente 2. ch. no planeta do principezinho havia. ç. (cada 0. diga a que classe gramatical cada uma pertence. como em todos os outros planetas. ervas boas e más.2 = 2.1) a) No quinta____ havia um pequeno ba___de furado.” (O Pequeno Príncipe) 7)Reescreva todos os substantivos que aparecem no texto acima.ditongo nasal crescente a) b) c) d) ( ( ( ( ) ) ) ) freqüência ciência água mais 3.2 = 4. x. Elas dormem no segredo da terra até que uma queira despertar. (vale 1 ponto) 8) Faça a classificação morfológica de cada palavra sublinhada nas frases abaixo. Mas as sementes são invisíveis. completando-as com as letras adequadas (l. Por conseguinte. Rapidamente. b) O rapa___ chegou atra___ado porque o pára-___oque tra___eiro de seu carro estava ama___ado. Total de 5 pontos) a) b) c) d) Eu fiquei muito aborrecido. sementes boas. de ervas boas. “Com efeito. escrevendo por que elas são acentuadas ou porque não têm acentos. Não é necessário repeti-los. u. de ervas más. Você só tem uma vida. avistei o sinal vermelho. s.ditongo nasal decrescente 3) Reescreva as palavras acentuando-as se necessário.3 = 3. 6) Leia o texto abaixo e responda às questões 1 e 2 . na folha de respostas. (cada 0. a) b) c) d) e) f) Sorriso Submarino Exceção Braço Longe Caminho h) flecha i) Brasil j) pneu k)querer l) olho m) lâmpada 2) Classifique os ditongos destacados seguindo o código abaixo: (cada item 0.Boa prova. (turma A) 1) Para cada palavra abaixo. j.0) a) reporter b) cafe c) medico d) tuneis e) album f) hifen g) paroxitona h) moeda i) sofa j) proton 4) Justifique a acentuação das palavras do exercício anterior. escreva se há dígrafos ou encontros consonantais e em seguida circule-os (lembre-se que há dígrafos vocálicos). ss) (cada palavra 0. g. o. sementes más. Então ela espreguiça.ditongo oral decrescente 4. apenas as palavras que faltam letras. preso a um ca____le. e lança timidamente para o Sol um inofensivo galhinho. ou seja. (cada item vale 1 ponto.

ou compro os dez doces e gasto o dinheiro.e) O vento frio agitava as águas daquele enorme lago. pronomes e numerais) e classifique as palavras do texto nessas colunas. . Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo. 9) Leia o texto com atenção. Quem fica no chão não sobe nos ares. Depois. ou se põe o anel verde e não se calça a luva branca! Quem sobe nos ares não fica no chão. ou vivo com tristeza e não trabalho com amor. Ou guardo o dinheiro e não compro os dez doces. faça 4 colunas (substantivos.. Ou trabalho com amor e não vivo com tristeza. Nem todas as palavras serão classificadas. adjetivos. (3 pontos) Ou se tem chuva e não se tem sol ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva branca e não se põe o anel verde..

com. Estudo em grupo de alguns conteúdos gramaticais.maquinadequadrinhos. TRAZER NA PRÓXIMA AULA (POR GRUPO) TEXTO 1 (PCNs p. . o ensino da ortografia dá-se por meio da apresentação e repetição verbal de regras. ortografia. TRAZER NA PRÓXIMA AULA AULA 15 – APRESENTAÇÃO DE JOGOS DE GRAMÁTICA CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE TRAZER NA PRÓXIMA AULA Gênero gibi e morfologia. E.br) AULA 16 – A GRAMÁTICA NOS PCNS CONTEÚDO A reflexão sobre a língua. 57 a 60) Ortografia De modo geral. ortografia. pontuação. PCNs ATIVIDADE Leitura interpretativa e debate sobre o texto. aspectos gramaticais. pontuação. com sentido de ―fórmulas‖. seguida de uma tarefa onde o aluno copia várias vezes as palavras que escreveu errado. AULA 14 – RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS ESPECÍFICOS DE CONTEÚDOS GRAMATICAIS CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE morfologia. ortografia. Elabora um gibi no site da Mônica (www. Fazer exercícios de gramática trazidos pelo professor. e da correção que o professor faz de redações e ditados. pontuação. sobre conteúdos já estudados anteriormente.AULA 13 – CONHECENDO MELHOR AS PARTES DA GRAMÁTICA CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE TRAZER NA PRÓXIMA AULA (POR GRUPO) morfologia.

NH. apesar de se encontrar no sistema alfabético mais de um grafema para notar o mesmo fonema. independentemente de serem regulares ou irregulares — definidas por regras ou não —. e • a distinção entre palavras de uso freqüente e infreqüente na linguagem escrita impressa. É importante que as estratégias didáticas para o ensino da ortografia se articulem em torno de dois eixos básicos: • o da distinção entre o que é ―produtivo‖ e o que é ―reprodutivo‖ 37 na notação da ortografia da língua. • a tomada de consciência de que existem palavras cuja ortografia não é definida por regras e exigem. não há regras que justifiquem as formas corretas fixadas pela norma e. comparem com a escrita convencional e tomem progressiva-mente consciência do funcionamento da ortografia). • a inferência dos princípios de geração da escrita convencional. quando não. mas de tratar diferentemente. os alunos — se bem que capazes de ―recitar‖ as regras quando solicitados — continuam a escrever errado.e reprodutivo o que não se pode gerar. a partir da explicitação das regularidades do sistema ortográfico (isso é possível utilizando como ponto de partida a exploração ativa e a observação dessas regularidades: é preciso fazer com que os alunos explicitem suas suposições de como se escrevem as palavras. INGLE(S)A: adjetivos gentílicos terminados em /esa/. as formas ortográficas mais freqüentes na escrita devem ser aprendidas o quanto antes. a escrita inadequada de ―quando‖ e de ―questiúncula‖. a norma restringe os usos daqueles grafemas formulando regras que se aplicam parcial ou universalmente aos contextos em que são usados. para a qual a intervenção pedagógica tem muito a contribuir. o que se pode gerar a partir de regras . GU. FIZE(SS)E. em primeiro lugar. O princípio gerador biunívoco é o próprio sistema alfabético nas correspondências em que a cada grafema corresponde apenas um fonema e vice-versa. Ainda que tenha um forte apelo à memória. a tomada de consciência de que.).: ANDA(R). RIQUE(Z)A. ―contextuais‖ e ―morfológicos‖. QU. A aprendizagem da ortografia das palavras irregulares — cuja escrita não se orienta por regularidades da norma — exige. É produtivo. As regras do tipo contextual (ex. a aprendizagem da ortografia não é um processo passivo: trata-se de uma construção individual. de ―hoje‖ e de ―homilia‖ — dada a enorme diferenciação da freqüência de uso de umas e outras. portanto. É importante observar que a realização desse tipo de trabalho não requer necessariamente a utilização de nomenclatura gramatical. PORTUGUE(S)A.apesar do grande investimento feito nesse tipo de atividade.) são aquelas em que. É preciso que se diferencie o que deve . Em função dessas especificidades. as regras do tipo morfológico são as que remetem aos aspectos morfológicos e à categoria gramatical da palavra para poder decidir sua forma ortográfica (ex. Os casos em que as regras existem podem ser descritos 38 como produzidos por princípios geradores ―biunívocos‖. E. PENSA(R): verbos no infinitivo. nesses casos. A posição que se defende é a de que. um posicionamento do professor a respeito de quais dessas formas deverão receber um maior investimento no ensino. a consulta a fontes autorizadas e o esforço de memorização. por exemplo. reflitam sobre possíveis alternativas de grafia. permitindo no primeiro caso o descobrimento explícito de regras geradoras de notações corretas e.o que permite a escrita de palavras nunca antes vistas por escrito .: o uso de RR. OUVI(SS)E: imperfeito do subjuntivo. Não se trata de definir rigidamente um conjunto de palavras a ensinar e desconsiderar todas as outras. por fim. M/N antes de consoante. em segundo lugar. etc. o ensino da ortografia deveria organizar-se de modo a favorecer: 37. em ortografia. etc. obrigando uma escrita de memória. POBRE(Z)A: substantivos terminados em /eza/. a consciência de que não há regras que justifiquem as formas corretas fixadas pela norma.

A história da pontuação é tributária da história das práticas sociais de leitura. diferentemente de outros aspectos da notação escrita — como a pontuação —. por exemplo. ou seja. obtendo assim efeitos estilísticos. A consulta ao dicionário pressupõe conhecimento sobre as convenções da escrita e sobre as do próprio portador: além de saber que as palavras estão organizadas segundo a ordem alfabética (não só das letras iniciais mas também das seguintes). basicamente. Assim. as partes do . pois. Deve estar voltado para o desenvolvimento de uma atitude crítica em relação à própria escrita. A partir da compreensão de que o procedimento de pontuar é parte da atividade de textualização39 . A pontuação aparece sempre em posições que indicam fronteiras sintático-semânticas. O trabalho com a normatização ortográfica deve estar contextualizado. as restrições da norma ortográfica estão definidas basicamente no nível da palavra. Utilizou-se aqui a descrição proposta por Artur Gomes de Morais e Ana Teberosky. Pontuação O ensino da pontuação tem-se confundido com o ensino dos sinais de pontuação. incorporou ao texto um aparato gráfico cuja função é indicar ao leitor unidades para o processamento da leitura 41 . é um fluxo contínuo que precisa ser dividido em partesfrase que podem ou não conter partes também — os apostos. Isso faz com que o ensino da ortografia possa desenvolver-se por meio tanto de atividades que tenham o texto como fonte de reflexão como de atividades que tenham palavras não necessariamente vinculadas a um texto específico. Tudo o mais são possibilidades. essa abordagem se mostra inadequada e indica a necessidade de rever algumas idéias. a pontuação — aí considerados os brancos da escrita: espaços entre parágrafos e alíneas42 — organiza o texto para a leitura visual fragmentando-o em unidades separadas de tal forma que a leitura possa reencontrar. etc. em situações em que os alunos tenham razões para escrever corretamente. de preocupação com a adequação e correção dos textos. pois requer a aprendizagem de procedimentos bastante complexos. Não se trata. que o significado da palavra procurada é um critério para verificar se determinada escrita se refere realmente a ela. não é essa sua função no texto escrito43 . mais de uma possibilidade de pontuar um texto. nem sempre explícitas. quase sempre. A primeira delas é que a pontuação serviria para indicar as pausas na leitura em voz alta e a segunda é que o que se pontuam são as frases. por exemplo. portanto. Frases que se agrupam tipograficamente em parágrafos 44 . A única regra obrigatória da pontuação é a que diz onde não se pode pontuar: entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e seu complemento. No entanto. Desse momento em diante costuma-se esperar que os alunos incorporem a pontuação a seus textos. as conexões intelectuais ou discursivas do raciocínio. Aprender a pontuar é aprender a partir e a reagrupar o fluxo do texto de forma a indicar ao leitor os sentidos propostos pelo autor. Há. Na página impressa. que caracteriza a forma moderna de ler 40. ainda que um locutor possa usar a pontuação para isso. é preciso saber. em que a legibilidade seja fundamental porque existem leitores de fato para a escrita que produzem. O texto não é uma soma de frases. o manejo do dicionário precisa ser orientado. que os verbos não aparecem flexionados. Por isso — ao contrário da ortografia — na pontuação a fronteira entre o certo e o errado nem sempre é bem definida. a ponto de alguns gramáticos45 apresentarem-na como ―a arte de dividir. 38. Aliás. O escritor indica as separações (pontuando) e sua natureza (escolhendo o sinal) e com isso estabelece formas de articulação entre as partes que afetam diretamente as possibilidades de sentido. é principalmente para isso que ela serve: para separar. na articulação visual da página. A uma apresentação do tipo ―serve para‖ ou ―é usado para‖ segue-se uma exemplificação cujo objetivo é servir de referência ao uso. O costume de ler apenas com os olhos. de indicar pausas para respirar. por meio de sinais gráficos.estar automatizado o mais cedo possível para liberar a atenção do aluno para outros aspectos da escrita e o que pode ser objeto de consulta ao dicionário. sobre as quais esta didática se apóia.

coerência. O estudo de textos antigos mostra que quem pontuava o texto não era o escritor e sim o leitor . aprender um conjunto de regras a seguir e sim aprender um procedimento que incide diretamente sobre a textualidade. nas séries iniciais. sujeito. empregando bem esses conhecimentos. portanto. estabelecia a su a interpretação e preparava a leitura em voz alta marcando de próprio punho as pausas que considerava necessárias ao bom entendimento pelos ouvintes. Por exemplo. enquanto o escritor monitora a própria escrita para assegurar sua adequação. etc. Ele lia. analisam e estabelecem regularidades na acentuação de palavras e chegam à regra de que são sempre acentuadas as palavras em que a sílaba tônica é a antepenúltima. O parágrafo. 1988). verbo.discurso que não têm entre si ligação íntima. segundo Todorov (DUCROT e TODOROV. o que é ―proparoxítona‖. se é verdade que sempre que há uma vírgula (no escritor) há uma pausa (no oral). Saber o que é substantivo. isto é. e de mostrar do modo mais claro as relações que existem entre essas partes‖. por outro. 45. Aprender a pontuar não é. A prática de leitura silenciosa disseminou-se a partir da produção de livros em escala industrial. Hoje. de estreitar o campo das possibilidades de interpretação indicando graficamente as unidades de processamento e sua hierarquia interna. adjetivo. O critério do que deve ser ou não ensinado é muito simples: apenas os termos que tenham utilidade para abordar os conteúdos e facilitar a comunicação nas atividades de reflexão sobre a língua excluindo-se tudo o que for desnecessário e costuma apenas confundir os alunos. 1994) e Napoleão Mendes de Almeida. ao mesmo tempo que é fonte de conteúdos a serem trabalhados. Aspectos gramaticais É no interior da situação de produção de texto. torna-se necessário saber. fazendo juntamente com quem sabe: — conversando sobre as decisões que cada um tomou ao pontuar e por quê. 40. Em relação a essa terminologia característica. coesão e correção. Usou-se o termo ―alínea‖ para designar o recurso da linha no início dos parágrafos. ser ensinados prioritariamente — deve ser composto pela combinação de dois fatores: por um lado. Convém lembrar que. 39. uma metalinguagem. Também é possível ensinar concordância sem necessariamente falar em sujeito ou em verbo. esta função. artigo. por exemplo. é preciso considerar que. no fim de um processo em que os alunos. 43. sem precisar passar pela sonoriz ação do que está escrito. O critério de relevância dos aspectos identificados como problemáticos — que precisam. que ganham utilidade os conhecimentos sobre os aspectos gramaticais. embora seja peculiar a situações de análise lingüística (em que inevitavelmente se fala sobre língua). não se deve sobrecarregar os alunos com um palavreado sem função. Um procedimento que só é possível aprender sob tutoria. 42. o contrário não é verdadeiro. Até então o ato de ler se confundia com o ato de recitar o texto em voz alta. 41. por exemplo). fazer uma pausa (no oral) entre o sujeito e o predicado de uma oração. Quando se enfatiza a importância das atividades de revisão é por esta razão: trata-se de uma oportunidade privilegiada de ensinar o aluno a utilizar os conhecimentos que possui. — observando os usos característicos da pontuação nos diferentes gêneros e suas razões (a grande quantidade de vírgulas/aposições nas notícias jornalísticas como instrumento para condensar o texto. é uma unidade tipográfica de várias frases. — analisando os efeitos estilísticos obtidos por meio da pontuação pelos bons autores. Isso porque os aspectos gramaticais — e outros discursivos como a pontuação — devem ser selecionados a partir dos das produções escritas dos alunos. atividade discursiva e textualidade‖. não significa ser capaz de construir bons textos. . Julio Ribeiro (ALMEIDA. quando o texto impresso é formado para ser lido diretamente pelo olho. justificado exclusivamente pela tradição de ensiná-lo. Ver capítulo ―linguagem. a capacidade dos alunos em cada momento. É comum. pertence ao escritor. A propriedade que a linguagem tem de poder referir-se a si mesma é o que torna possível a análise da língua e o que define um vocabulário próprio. o que seria inconcebível por escrito. preposição. o que pode contribuir para maior adequação e legibilidade dos textos e. 44. — analisando alternativas tanto do ponto de vista do sentido desejado quanto dos aspectos estilísticos e escolhendo a que parece melhor entre as possíveis. predicado. portanto. sob orientação do professor.

de herança biológica.. de comparação de diferentes pontos de vista. Nesse sentido. é preciso organizar o trabalho educativo nessa perspectiva. Ou.já falamos disso mais acima -. O fato observável é que todos falam. o trabalho dos adultos e das crianças é contínuo e. muito menos. negativas. Isso não significa que se aprenda facilmente. com todas as variações que esses rótulos permitem. e. Leitura complementar LÍNGUA NÃO SE ENSINA. eles devem remeter-se diretamente às atividades de uso da linguagem. se entendermos por ensino aquele conjunto de atividades que se dão. em maior ou menor quantidade. de todas as épocas.. e sem ser ensinados. APRENDE-SE [. interacionistas ou comportamentalistas. isto é. Principalmente. [. poderíamos enunciar uma espécie de lei. Observemos como esta afirmação fica quase óbvia se pensarmos em como uma . métodos. é sempre o mesmo: partir do que os alunos já sabem sobre o que se pretende ensinar e focar o trabalho nas questões que representam dificuldades para que adquiram conhecimentos que possam melhorar sua capacidade de uso da linguagem. ainda que os conteúdos relacionados a esse tipo de prática estejam organizados num bloco separado. O princípio didático básico das atividades não apenas deste bloco.. Tudo isso se faz nas escolas. Tudo isso são exemplos de exercícios. de colaboração entre os alunos para a resolução de tarefas de aprendizagem. é constante. é preciso voltar a enfatizar o papel que o trabalho em grupo desempenha em atividades de análise e reflexão sobre a língua: é um espaço de discussão de estratégias para a resolução das questões que se colocam como problemas. pretende-se que o aluno evolua não só como usuário mas que possa assumir. nem conhece quem faça. o monitoramento da própria atividade lingüística. fazer frases interrogativas. afirmativas. E. mas de todos os outros. certamente. Nada disso se faz na vida real. e muito.mas talvez não muito distantes da verdade . numa escola. Na verdade. tipicamente. por mais que seja efetiva e constante a presença dos adultos junto às crianças. porque nada disso ajuda ninguém a aprender uma língua. mas que elas devem ser oferecidas à medida que se tornarem necessárias para a reflexão sobre a língua. de qualquer forma temos que reconhecer que os adultos não propõem exercícios de linguagem às crianças na vida cotidiana. De fato. por mais que haja entre eles atividades lingüísticas.talvez venham a pensar que as crianças do mundo todo.] O que é ainda mais espantoso é que todos aprendem com velocidade espantosa um objeto complexo. morfologia ou sintaxe. um pouco mais maldosos . aumentativos. Sendo assim. dar diminutivos. Não. uma tentativa forte de dar sentido ao que o outro diz etc. mas por práticas significativas. aprendem suas línguas exatamente porque não são ensinadas – exatamente porque pais não agem com elas como se houvesse necessariamente fases. difícil. ou. não ensinam as línguas às crianças.Isso não significa que não é para ensinar fonética. copiar. os pais. nenhum de nós faria. não há nada que se assemelhe a um ensino formal de uma disciplina. progressivamente. E. o que podemos observar é que ocorre um uso efetivo da linguagem. um uso sempre contextualizado. o que há nela eventualmente de inato. às vezes. tanto em situações de comunicação escrita quanto oral. Se o objetivo é que os alunos utilizem os conhecimentos adquiridos por meio da prática de reflexão sobre a língua para melhorar a capacidade de compreensão e expressão. exercícios. mesmo. construir uma frase com palavras dispersas. devem estar a seu serviço. procurar palavras de um certo tipo num texto. quer sejamos inatistas. separar sílabas. Em resumo.. pelo menos. coisas como as seguintes: propor a uma criança de dois anos (ou menos) que faça tarefas como completar.é uma atividade significativa. de verificação de diferentes hipóteses. algo que se assemelhe a exercícios. ou adultos em geral. dizer alguma coisa vinte ou cem vezes. ninguém sabe muito bem o que se passa na mente humana. Qualquer que seja a teoria que adotemos sobre o que seja uma criança . Alguns. decorar conjugações verbais etc. Esta parece ser a questão principal e crucial. e bem. Finalmente. Deixados de lado detalhes (às vezes certamente importantes). repetir. mais fundamental ainda . Mais do que isso. a partir dos três anos de idade.] De fato. de busca de alternativas. que seria: não se aprende por exercícios.

Nélson Rodrigues diria que se trata do óbvio ululante. ouvem suas opiniões. Por exemplo: para descobrir o que os alunos de uma próxima sexta série já sabem e o que ainda não sabem. parece-me que a atitude dos profissionais dos diversos escalões. exercícios de fixação e de recuperação etc. presos a uma tradição que não se justifica a não ser por ser tradição. nas casas. Na escola. Eles pesquisam. A escola pode muito bem agir dessa forma. não repitam formas fora de um contexto significativo não significa que não sejam expostas suficientemente às línguas. contextualizadas. a menos praticada. lêem outros livros. jornalistas. como escrevem.. segundo sua especificidade e eventual . Só depois escrevem. e reescrevendo. Seguindo esse princípio. por exemplo. Falar é um trabalho (certamente menos cansativo que outros). por comparação com o projeto da escola. certamente sua contribuição para o domínio da escrita será praticamente nula. A escola é um lugar de trabalho. De todas as teses sobre língua e seu ensino que estou defendendo aqui. com uma freqüência semelhante à freqüência da fala e das correções da fala. em relação ao português padrão (escrito. o que se faz é falar e ouvir. escrever e ler. Ler e escrever são trabalhos essenciais no processo de aprendizagem. as atitudes. são um pouco heterogêneas. com objetivos e estratégias. principalmente). castigo.criança aprende a falar com os adultos com quem convive e com seus colegas de brinquedo e de interação em geral. Por isso. na rua. Como aprenderam? Ouvindo. e lêem e relêem. vou fornecer aqui uma "receita" óbvia para estipular programas de ensino para língua materna nos diversos anos escolares (com a ressalva de que jamais me refiro à alfabetização. quais os principais problemas que ainda têm (se ainda os houver). pelo menos nos estágios iniciais . talvez o que se vai ver agora seja ainda mais óbvio. é o resultado de práticas efetivas. O fato de que as crianças não façam exercícios. mas falamos tanto e as regras são relativamente tão poucas que acabamos por aprender. talvez. Ler e escrever são trabalhos. Descobriremos que livros já leram. saberemos o que os alunos já dominam realmente e o que lhes falta ainda. bem ou mal. Nos cursos de didática que fazemos nas faculdades ou nos cursos de magistério. é de "seriedade" e cerimônia tamanha que merece ser desmistificada. O modo de conseguir na escola a eficácia obtida nas casas e nas ruas é "imitar" da forma mais próxima possível as atividades lingüísticas da vida. trata-se de trabalho e papelada inúteis. Como aprendemos a falar? Falando e ouvindo. Para se ter uma idéia do que significaria escrever como trabalho. após determinado número de anos na escola. vão à rua. Mas. Nada. aprendemos a elaborar planos de cursos. Como aprenderemos a escrever? Escrevendo e lendo.. e sendo corrigidos. significativas. Em relação às outras. portanto. mas que veríamos claramente que conhecem. com um professor conhecido na escola e com quem se pode discutir alternativas. desses programas pré-fabricados para ir do simples ao complexo. O princípio é o mais elementar possível. organizaremos os "problemas" em séries. e mostram para colegas ou chefes. as práticas mais relevantes serão. Mas não existe reprovação. desde os das Secretarias de Educação até os professores. Adotando esse critério para todas as séries. portanto. não são exercícios. Nada de consultar manuais e guias para saber o que se deve ensinar. portanto. No processo de aquisição fora da escola existe correção. os programas anuais poderiam basear-se num levantamento bem feito do conhecimento prático de leitura e escrita que os alunos já atingiram e. passando por coordenadores e diretores. tudo o que foi dito anteriormente são apenas coisas óbvias. basta analisar os cadernos e demais materiais dos que acabaram de concluir a quinta série na mesma escola. Mas. Na minha opinião. lêem arquivos. Na vida. uma avaliação do que ainda lhes falta aprender. e depois reescrevem. Eles não fazem redações. O que já é sabido não precisa ser ensinado. numa sexta série. crianças com alguns anos de idade utilizam o tempo todo formas que sequer imaginamos. apenas para avaliação. basta que verifiquemos como escrevem os que escrevem: escritores. O domínio de uma língua. Com base em tal levantamento. a que se segue é a mais evidente de todas e. ouvem os outros. Sendo corrigidas: isto é importante. e depois reescrevem de novo. humilhação. em relação aos conteúdos de ensino. Por isso. babás e mesmo de crianças.refiro-me. É que pode não parecer. repito. a programas de português para alunos que já lêem e escrevem minimamente). A escola poderia aprender muito com os procedimentos "pedagógicos" de mães. Se não passarem de exercícios eventuais. em geral. Mas. ou como se escreve de fato "na vida" . dizendo e sendo corrigidas quando utilizam formas que os adultos não aceitam. ou significativamente. se examinássemos sua fala com cuidado. de bom senso. desde que não pense só em listas de conteúdos e em avaliação "objetiva" SABEMOS O QUE OS ALUNOS AINDA NÃO SABEM? De uma certa forma. e tendo nossos textos lidos e comentados muitas vezes.

cada escola acabará por saber com bastante clareza o que lhe cabe no ensino do padrão e o que os alunos aprendem fora da escola. para. a tradição é tão forte que não conseguimos ver o que de fato fazemos quando ensinamos uma língua que os alunos conhecem fazendo de conta que eles não a conhecem. Para dar um exemplo óbvio. parece razoável ensinar apenas quando os alunos erram. pelo menos. Só vale a pena trabalhar sobre tais questões para chamar a atenção para os valores de tais formas. concordância etc. na maioria absoluta dos casos em que a estrutura da língua prevê a ocorrência do fenômeno da concordância. os erros sejam pouco numerosos. é necessário estar atento ao uso e ao sentido reais de tais palavras. por um lado.dificuldade. alguns dos problemas serão postos como prioritários. uma língua "desde o início" . se a escola tiver um projeto de ensino interessante. que se trabalhe sobre eles. além de descobrir o valor social associado a tais recursos . se os alunos falam português o tempo todo? Não seria melhor ensinar-lhes apenas o que não sabem? ENSINAR LÍNGUA OU ENSINAR GRAMÁTICA? Todas as sugestões feitas nos textos anteriores só farão sentido se os professores estiverem convencidos . Se fizermos este tipo de levantamento de forma adequada por vários anos. com variação de gênero). por exemplo). Tentemos colocar-nos em outra posição. exatamente como fazem os adultos com as crianças.de que o domínio efetivo e ativo de uma língua dispensa o domínio de uma metalinguagem técnica. número. Em resumo. basta dar-se conta de que é em circunstâncias e com sentidos diferentes que dizemos "que corpinho!"e" há corpúsculos visíveis apenas com instrumentos como os microscópios". poderão ser deixados para séries mais avançadas (ou. Neste último caso. aprendem a distinguir estilos diversos e avaliá-los. Por exemplo: é provavelmente uma enorme perda de tempo ensinar a alunos de primeiro grau que existem diminutivos e aumentativos.ou puderem ser convencidos . Se ocorrerem problemas. em seguida. definida com base também na psicologia de aprendizagem que adotamos na escola. porque. Assim. "dê o aumentativo de". Outros. que o passar do tempo é um fator importante de aprendizado lingüístico. Diria que estes casos não são do tipo em que é melhor prevenir do que remediar. Mesmo nesses casos. na nossa sociedade. casos de sujeitos compostos com elementos masculino e feminino e alguns outros casos raros. Que saber uma língua é uma coisa e saber analisá-la é outra. não há porque trabalhar com eles. Além disso. mas se nunca dizem" vaca preto" . Se os alunos utilizam estruturas como "os livro" . . por alguma razão. por exemplo. se ficar claro que conhecer uma língua é uma coisa e conhecer sua gramática é outra. haverá problemas apenas nos lugares de sempre: palavras com" gênero duvidoso" (ou seja. Certamente. Em outras palavras. Por que temos que "começar do começo" nas aulas de inglês? Porque nossos alunos não falam inglês. para crianças que. Que se pode falar e escrever numa língua sem saber nada “sobre" ela. solicitar que efetuem exercícios do tipo" dê o diminutivo de" . provavelmente concluiremos que não é necessário estudar gênero. para que se possa perceber claramente qual é o espírito que preside o ensino de língua materna para alunos que já falam. que essas estruturas sejam objeto de trabalho. por outro lado. Se não ocorrerem. na qual se usam as formas padrões que a escola quer que ele aprenda. Não se pode esquecer. através da leitura esse aluno terá tido cada vez mais contato com a língua escrita. para o fato de que há formas peculiares (como "copázio" e "corpúsculo". no Brasil. aparecessem nas nossas escolas falando em inglês. para isso. é perfeitamente possível saber muito" sobre" uma língua sem saber dizer uma frase nessa língua em situações reais. para que insistir em estudar o gênero de "vaca" ? Vou fazer uma comparação com o ensino de outra língua para que as coisas fiquem bem claras. não lhes ensinaríamos o que lhes ensinamos. além disso. Mas. Que saber usar suas regras é uma coisa e saber explicitamente quais são as regras é outra. como em outras. Assim. isto é. o aumento da idade dos jovens implica numa diversificação e sofisticação da interação social. para efeito de raciocínio: pensemos o que seria ensinar inglês.isto é. não serão os prioritários numa determinada série). o que acarreta uma multiplicação dos recursos de linguagem que eles aprendem a manipular. exatamente aqueles que achamos que alunos típicos de determinada série podem eliminar. O mesmo vale para numerosas outras lições de gramática normativa. Em geral. para que não ocorra que se ensine que "corpúsculo" é o diminutivo de "corpo" em qualquer contexto. a não ser quando os alunos efetivamente erram e naqueles casos em que erram.. por que fazemos coisas semelhantes nas aulas de português. Ou seja: há uma grande probabilidade de que. Provavelmente haverá mais casos problemáticos de concordância verbal do que de concordância nominal. e que.

eles sabiam grego). nas quais não há escrita e muito menos gramáticas. não faz sentido ensinar nomenclaturas a quem não chegou a dominar habilidades de utilização corrente e não traumática da língua. há questões de gramática. Não vale a pena recolocar a discussão pró ou contra a gramática. façam o mesmo com os alunos certamente fracassará. (POSSENTI. isto é.. isto é.eu disse mais importante.basta. Mas.sabe evidentemente mais inglês uma criança de três anos que fala inglês usualmente com os adultos e outras crianças para pedir coisas. dando mais espaço em nossas aulas à literatura e à interpretação de textos? c) em muitos testes.que é ensinar língua padrão. eram bastante diferentes das nossas). Tentemos responder à seguinte pergunta: que gramáticas do grego consultaram Ésquilo e Platão? Ora. mas não tem condições de guiar um turista americano para passear numa cidade brasileira. e não surgem para que possam ser aprendidas pelos falantes. pelo menos. Por último. então. Seria interessante que ficasse claro que são os gramáticos que consultam os escritores para verificar quais são as regras que eles seguem. já há condições de fazê-lo segundo critérios bem melhores do que muitos dos utilizados atualmente pelas gramáticas e manuais indicados nas escolas. isto é. exatamente porque o grego ia mudando e. logo se levantam objeções baseadas nos vestibulares e outros testes. mas é menos. como os concursos públicos.. 1998. o que se vê são alunos que. Além do mais. Claro que este fato deve ser considerado. principalmente porque se sabe que refletir sobre a língua é uma das atividades usuais dos falantes e não há razão para reprimi-Ia na escola. não é verdade que crucial para a aprovação é a gramática. Trata-se apenas de reorganizar a discussão. mesmo assim. É perfeitamente possível aprender uma língua sem conhecer os termos técnicos com os quais ela é analisada. mas para organizar certos princípios de leitura que permitissem ler textos antigos. Mas há também questões de literatura e de interpretação de textos. mas é preciso distinguir seu papel do papel da escola .. Mas. xingar. professores de português . b) em muitos vestibulares e outras provas. depois de uma década de aulas de gramática. uma última: as únicas pessoas em condições de encarar um trabalho de modificação das escolas são os professores. o mesmo valendo. de alterar prioridades (discutir os preconceitos é certamente mais importante do que fazer análise sintática . vestibulares incluídos. p. Quando se discute ensino de língua e se sugere que as aulas de gramática sejam abolidas. surgem no segundo século antes de Cristo apenas. portanto. damos tanta ênfase à gramática. As primeiras obras que poderiam ser chamadas de gramáticas (mas. então.não reflita sobre questões de língua. que os especialistas mudem de estratégia de avaliação. os gregos escreveram muito antes de existir a primeira gramática grega. por sua vez. Qualquer projeto que não considere como ingrediente prioritário os professores desde que estes. evidentemente. Mas. d) admitindo que a gramática fosse importante. A maior prova disso é que em muitos lugares do mundo se fala sem que haja gramáticas codificadas. deveríamos estar formando alunos que teriam notas próximas de dez em provas de gramática. para coroar uma série de obviedades. a redação é eliminatória.. sem poder aprender o grego antigo. tiram notas mais próximas de um do que de dez. adequadamente. que não sejam as únicas aulas existentes na escola. 45 a 56) . Portanto. Mas. para os escritores latinos. ou abolidas nas séries iniciais ou. e sem as quais evidentemente não pode haver aulas de gramática como as que conhecemos. Seria contraditório propor esta atitude. não existiam gramáticas gregas (a não ser na cabeça dos falantes. portugueses. no sentido de listas de regras ou procedimentos de análise. é verdade. criar condições para seu uso efetivo. Por isso. nos quais seria impossível ser aprovado sem saber gramática. Sírio. então. Espero que ninguém diga que não sabem sua língua os falantes de sociedades ágrafas. e não os escritores que consultam os gramáticos para saber que regras devem seguir. ao invés de invertermos ou pelo menos equilibrarmos os critérios de importância. não é só entre os que poderiam ser chamados preconceituosamente de primitivos que isso ocorre. Ou será que não é porque não sabem gramática que têm notas baixas? Se for. veríamos que o conhecimento explícito de gramática não é tão relevante nessas circunstâncias. Por várias razões: a) quem elabora provas de português são. como poderiam os novos falantes entender textos antigos? Ou seja.). Por que. Se verificássemos os fatos e não nossa representação deles (fora o achismo!). reclamar ou brincar. só há uma explicação: é que as provas não são compostas apenas de questões de gramática. em geral. espanhóis etc. se se quiser analisar fatos de língua. do que alguém que tenha estudado a gramática do inglês durante anos. o que significa que a análise sintática é importante. Falar contra a "gramatiquice" não significa propor que a escola só seja "prática" .

seriam apenas mais alguns dados para pessoas comuns. Eliane Bisi da Silva (FAFIA). tanto de crianças que saem da escola e de outros que não tiveram a oportunidade de se apropriarem do saber da leitura e escrita. Ivan Batista da Silva (FAFIA). e então passou a ter veiculação no setor educacional.html http://www.br/viiicnlf/anais/caderno09-06. De acordo com informações (MEC/INEP. Recentemente. para os acadêmicos desse setor. Ela ressalta. A mesma registra. Esses.filologia. É neste ponto que entra a grande questão da intervenção do educador e a inclusão da prática geradora do letramento.br/viiicnlf/anais/caderno09-06. por exemplo. 2001) cerca de 980. Letramento: onde. como e por que foi criado este termo? O vocábulo é um tanto quanto fora do comum para muitos profissionais da área da educação e. e mais de 1. e avaliou que mais da metade dos alunos não é capaz de responder a questões que requerem raciocínio e 60% só conseguem identificar informações muito simples. bem como também. fez uma pesquisa intitulada “Provão do Fantástico” aplicada em 27 capitais brasileiras (somente em escolas públicas). nada foi encontrado. Luciano Dutra Ferreira Não é novidade que o Brasil ainda enfrenta insistentemente o problema do analfabetismo. a Rede Globo. que foram feitas buscas em dicionários da língua portuguesa quanto ao significado da palavra. Há alguns anos. pode-se dizer que menos de vinte. no dicionário Aurélio. PCNs/ vídeo ATIVIDADE A critério do professor TRAZER NA PRÓXIMA AULA AULA 19 – ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO Texto 1 http://www.org. o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa de Caldas Aulete.AULA 17 – DEBATE DO FILME “crianças invisíveis” CONTEÚDO Perceber as diferentes formas de “ler” o filme e relacioná-lo à disciplina PCNs/ vídeo ATIVIDADE Debate sobre o filme TRAZER NA PRÓXIMA AULA AULA 18 – ATIVIDADE SOBRE O FILME CONTEÚDO Relacionar cenas do filme com a disciplina. esse vocábulo surgiu entre os lingüistas e estudiosos da língua portuguesa. Kato.600 são capazes de ler apenas frases simples.org.000 crianças na 4ª série do ensino fundamental não sabem ler. contém o verbete com o simples significado de “escrita”.filologia.html http://www. principalmente. porém. não foi encontrado o verbo “letrar”.br/viiicnlf/anais/caderno09-06.filologia. Constatou-se que uma das primeiras menções feitas deste termo ocorreu em No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística (1986) por Mary A. mas é algo extremamente alarmante para o educador.html LETRAMENTO: VOCÊ PRATICA? Cyntia Santuchi Peixoto (FAFIA). É fato que o nosso país possui um número significativo de indivíduos que não adquiriram o saber necessário para atender às exigências de uma sociedade letrada. nesta obra. através do Programa semanal “Fantástico”. . segundo Magda Soares (2003: 15).org. com edição constando de mais de um século.

e. pelo aspecto sociointeracionista. por que este termo tem sido utilizado agora com certa freqüência nos campos educacionais e lingüísticos? Devemos esclarecer que esse vocábulo não tem sido usado. A realidade é que existe a extensão e a amplitude da alfabetização no educando. Leda Verdiani Tfouni. para ler e escrever. sabemos que todo indivíduo possui. portanto. Ainda. observou-se que para o estado / condição daquele que sabe ler e escrever. atualmente. afinal. coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra. Não que o educando não tenha qualquer saber antes da alfabetização. isto. muitos estudiosos discutem a necessidade de se transpor os rígidos conceitos estabelecidos sobre a alfabetização. que no mesmo dicionário esse vocábulo é classificado como “antiquado”. O mal-entendido que parece estar na base da primeira perspectiva é que a alfabetização é algo que chega a um fim. condição. com a denotação supracitada. o processo que levará ao crescimento e desenvolvimento. Mas. ou qualidade de ser literate. e literate é definido como educado. de alguma forma. não há um ponto final. ou como um processo de representação de objetos diversos. podemos analisá-la à medida que esta reproduz a “formação social existente. Neste âmbito. com a representação etimológica de estado. gerou-se uma crescente preocupação em desenvolver um controle sobre essa questão. que responde de maneira ampla e satisfatória as demandas sociais fazendo uso de alguma maneira da leitura e . e pode. Esse é um ponto de suma importância para aqueles que pretendem despojar-se dos restritos. Com isso. afirma que a alfabetização. 1990: 10). e incisivos. especialmente. pois. fica subentendido. é algo que nunca será alcançado por completo. este termo caiu em desuso há bastante tempo em nossa língua. que a alfabetização do individuo. Então. e assim. em “Letramento e alfabetização” (1995). surgindo o “analfabetismo”. ampliando a abrangência da alfabetização. depois revelaram o mundo e a seguir escreveram as palavras. através da atualização individual.ainda. Mas. ou como um conjunto de práticas culturais que promove a mudança emancipadora” (DONALDO. ser descrita sob a forma de objetivos instrucionais. Até mesmo historicamente. têm-se conhecimento sobre a problemática da falta do saber ler e escrever. Com isso. Como processo que é parece-me antes que o que caracteriza a alfabetização é a sua incompletude. logo. de naturezas diferentes. não se diz que é o que adquiriu o estado ou condição de quem se apossou da leitura e da escrita. os seres humanos primeiro mudaram o mundo. por que e para que surgiu o que se denominou letramento? Por todo o tempo em que já vivemos como uma sociedade grafocêntrica. níveis de conhecimento. pelo contrário. este está em constante processo de transformação. E. através de muitos estudos e ações com o objetivo de erradicar o problema. Ora. está sendo mal entendida: Há duas formas segundo as quais comumente se entende a alfabetização: ou como um processo de aquisição individual de habilidades requeridas para a leitura e escrita. considerá-la como a relação entre os educandos e o mundo. conceitos em que a alfabetização é estabelecida em termos mecânicos e funcionais. no que diz respeito às práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita. O termo se originou de uma versão feita da palavra da língua inglesa “literacy”. Nos dicionários da língua portuguesa o termo alfabetizado diz respeito ao indivíduo que somente aprendeu a ler e escrever. logo. foi muito bem discorrido por Paulo Freire: O ato de ler e escrever deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo. foi preciso criar um termo e fazê-lo conhecido no campo da pesquisa. e que responde de maneira satisfatória as demandas das práticas sociais. por muitas vezes. E o indivíduo para não ser atropelado e marginalizado pelas mudanças sociais deverá acompanhar.

O letramento é um fenômeno de cunho social. e denota estado ou condição em que um indivíduo ou sociedade obtém como resultado de ter-se “apoderado” de um sistema de grafia. e por que não dizer. com a dificuldade que adultos e jovens revelam para fazer uso adequado da leitura e da escrita: sabem ler e escrever. que já existem mudanças consideráveis em nossos parâmetros. Então. 11 anos na Inglaterra). necessário é saber fazer uso do ler e do escrever. nos países citados. mas com os níveis de letramento. devemos separá-los quanto ao seu abarcamento. estes dois processos estão diretamente ligados. contudo. depara-se com a necessidade de se criar novos vocábulos ou nomes para se tratar com determinados assuntos (SOARES. e ainda. mas enfrentam dificuldades para escrever um ofício. como já mencionamos. 1995). tem duração maior que a do nosso ensino fundamental . Ou seja. freqüentes mudanças sociais geram novas demandas sociais de uso da leitura e da escrita. Por outro lado. Essa confusão implica no exercício de um e de outro. o número de pessoas que não sabem ler ou escrever aproxima-se de zero. estes dois de maneira confusa têm sido fundidos como um só processo. Um exemplo do que acabamos de mencionar (SOARES. portanto. mas demonstra claramente as diferenças entre os dois processos acima citados. e. Pois. ou surgem novas idéias à respeito de fenômenos. ou grupo. isto é. surpreendente porque: como podem ter altos níveis de analfabetismo países em que a escolaridade básica é realmente obrigatória e.) quando os jornais noticiam a preocupação com altos níveis de „analfabetismo‟ em países como os Estados Unidos.10 anos nos Estados Unidos e na França. o nome letramento surgiu mediante a esta nova constatação. 2003). Na verdade. preencher um formulário. devido as suas distinções já mencionadas anteriormente. as diferenças que há em avaliar níveis de letramento e níveis de alfabetização.. Apesar da constatação de que os critérios de avaliação deles não se assemelham muito aos nossos quanto à alfabetização. não existe analfabetismo nesses países. a Inglaterra. praticamente toda a população conclui o ensino fundamental (que. isso se fez necessário devido à constatação de uma nova situação: de que não basta apenas o saber ler e escrever. logo.. Letramento e alfabetização: onde está a diferença? A alfabetização. Ele é o resultado da ação de ensinar e/ou de aprender a ler e escrever. quando a nossa mídia traduz para o português a preocupação desses países. Mais tarde.os níveis de letramento é que são baixos. históricas? Ainda quanto às diferenças entre letramento e alfabetização é necessário alertar que. mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita. Quando fatos “novos” são constatados. o que também se observa é que. pois. não é com os níveis de analfabetismo. saber responder às exigências de leitura e de escrita que a sociedade faz. se trabalham os dois simultaneamente? . se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo. e salienta as características sócio-históricas ao se adquirir um sistema de escrita por um grupo social. Há verificações de que a concepção de alfabetização também reflete diretamente no processo de letramento. é satisfatório saber também. a França. inclusive. é o estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever.escrita. O exemplo acima são verificações feitas fora do Brasil. 2003: 56-57): Analfabetismo no primeiro mundo? (. ainda não havia uma denominação. É que. registrar a candidatura a um emprego . Enquanto o letramento “focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade” (TFOUNI. gerando novos termos específicos. a preocupação. com freqüência. o que se observa é que isso tem gerado mudanças sociais e culturais. traduz illiteracy (inglês) e illetrisme (francês) por analfabetismo. onde entra a alfabetização? E o letramento? Ou.

e que não saiba ainda ler e escrever. neste ponto divergimos. alguns “quase” nenhum. mesmo que seja mínimo. Esse exemplo nos remete a outro. tem contato com livros. também. muito conhecido. gostaríamos de destacar que nessa nota acima mencionada diz também que esse tipo de indivíduo pode ser uma pessoa alfabetizada. que fez uso de sua capacidade de ler e escrever uma profissão. porém não com plenitude. Não queremos estabelecer uma ordem. pelo qual estamos tratando. O mesmo faz quando pede para alguém ler alguma carta que recebeu. porém. não possuem habilidades para práticas que envolvem a leitura e a escrita: não lêem revistas. Mediante essas definições percebemos que esses adjetivos não tem relação com o sentido do letramento. apresentam grandes dificuldades para interpretar textos lidos. não possui a tecnologia da decodificação dos signos. em se tratando deste viver em uma sociedade grafocêntrica. E ainda. e estão eles ligados às necessidades e exigências de uma sociedade e de cada indivíduo no seu meio social. presencia a prática de leitura. assim ele poderá alfabetizar letrando. mesmo que indiretamente. Com isto. já quase desconhecida. mas é necessário enfatizar que é o próprio analfabeto que dita o seu texto. O que pretendemos é incentivar o educador a fazer uso do conhecimento nato de mundo que o educando possui e sua relação com a língua escrita. Ainda na nota de Magda Soares (2003: 47) eles também exemplificam o caso de uma criança que mesmo antes de estar em contato com a escolarização. contudo. pode ser letrado. Com tudo isso. pois já defendemos que todo tipo de indivíduo possui algum grau de letramento. de alguma forma. por acreditarmos que a possibilidade de uma pessoa possuir grau zero de letramento não exista. ele não aprendeu a ler e escrever. sinalizações diversas. Este indivíduo é analfabeto. Todavia. criando seus próprios textos “lidos”. bem como indivíduo letrado/iletrado? Os dicionários da língua portuguesa definem os vocábulos letrado e iletrado. ou texto que contém informações importantes para ele: seja uma notícia em um jornal. sobre o assunto. Estes. e ainda. ele possui um certo grau de letramento devido a sua experiência de vida em uma sociedade que é atravessada pela escrita. jornais. poderíamos dizer que este é o letramento. acordamos que os dois processos andam de mãos dadas. iletrado “que ou quem não tem conhecimentos literários. Ele demonstra com isso que conhece. utiliza a escrita para escrever uma carta através de um outro indivíduo alfabetizado. Ao saber de algumas distinções básicas destes dois termos poderíamos. livros diversos.Se afirmamos que a alfabetização é algo que não tem um ponto final. ou de escrita. em que a personagem escrevia correspondências para pessoas analfabetas em troca de dinheiro. como também podem não ser capazes de sequer escrever uma carta ou bilhete. então dizemos que ela tem um continuum. são capazes de ler e escrever. por exemplo. no dicionário Aurélio o verbete letrado é definido como “que ou quem é versado em letras. logo. todavia. analfabeto ou quase”. um escriba. itinerário de transportes. O texto exemplifica como um adulto pode até ser analfabeto. ele lança mão de todos os recursos necessários da língua para se comunicar. receita do médico. a de se corresponder. este é letrado. é a personagem de Fernanda Montenegro no filme “Central do Brasil” de Walter Salles. ela também pode ser considerada letrada. as estruturas e funções da escrita. ou seja. Os indivíduos que a usavam como ferramenta para se envolver em uma prática social. Sociedade letrada/iletrada: indivíduo letrado/iletrado Há uma definição única e restrita quanto ao conceito de sociedade letrada/iletrada. mesmo que tudo seja carregado de suas particularidades. mas. manuais de instrução. visto de uma maneira prática e real. . há pelo menos uma constatação: existem diferentes tipos e níveis de letramento. a de “escriba”. mesmo que seja só encenação. ou seja. há casos de indivíduos com variados níveis de escolarização e alfabetização que apresentam níveis baixíssimos de letramento. ou seqüência. revistas. contudo. E. placas. informativos. mas não é letrada. utilizavam os códigos da escrita. erudito”. que talvez não tenha sido percebido por quem assistiu. No entanto. e a partir daí também se interessa por ler. levantar questões sobre as desigualdades de alfabetizado para letrado. bulas de remédios. ouve histórias lidas por pessoas alfabetizadas. logo. Uma nota no livro “Letramento: um tema em três gêneros” de Magda Soares (2003: 47) faz um apanhado. de forma peculiar a sua condição eles demonstram possuir características de grupos letrados.

Afinal. nem transmissão de idéias. Levando assim. gera o enriquecimento tanto para o educador quanto para o educando. é bem mais elevado do que simplesmente se enquadrar na mesma. Então. “o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática”. o ato de aprender “é construir. Ele. e isto. e condenado à morte porque suas idéias foram consideradas ofensivas e cheias de heresias. foi considerado perigoso por que entendeu que quem tivesse a capacidade de domínio e transmissão da cultura escrita teria o poder. o que certamente. também poderíamos considerá-los como novos vocábulos. no que diz respeito à sociedades tecnologizadas. instintivo. o que não era muito comum naquela época. e principalmente. mesmo que estas sejam consideradas muito boas. Esta constatação não está relacionada somente ao educando. é uma contribuição no “processo de humanização”. de Leda Verdiani Tfouni. pois o ato de educar não é uma doação de conhecimento do professor aos educandos. Vimos. resulta em mudanças de vários aspectos. pois a possibilidade de existir indivíduos que não possuem nem um grau sequer de letramento é quase impossível. No nosso ponto de vista. que devemos analisar bem antes de aplicar o termo letrado. habilidades diversas para que este se envolva com as variadas demandas sociais de leitura e escrita. assim. Isso quer dizer que o indivíduo não é um depósito vazio e zerado antes da alfabetização. mais crítica ela se tornará” (FREIRE. como também particularizou a releitura dos mesmos textos com “materialismo elementar. O mesmo afirma que a pedagogia se tornará crítica se for investigativa e menos certa de certezas. Comenta a autora que Menochio não foi condenado apenas por saber ler e escrever. necessário é que o educador atente-se para aquilo que é sumariamente importante na sua formação. Ao contrário. que necessariamente. do livro “Letramento e Alfabetização”. só os eclesiásticos católicos detinham o poder de interpretação da Bíblia Sagrada. acredita-se que é inconveniente afirmar que existe “nível zero” de letramento. em consideração o que Paulo Freire muitas vezes insistiu em sua pedagogia “de que a leitura do mundo precede a leitura da palavra”. e. centrada na escrita. 1990). XVI chamado Menocchio que foi perseguido. constatar para mudar. porque fazia suas próprias interpretações dos textos bíblicos e da religião. ou seja. são abordados em trabalhos sobre o letramento não se assemelham ao dos dicionários. e ali. logo. Achavam eles que. Ela registra em sua obra algumas passagens de Ginszburg (1987). não seria adequado a utilização do mesmo em uma sociedade considerada moderna e/ou industrializada. e que para isso se torna um instrumento de cooperação para o crescimento dos seus educandos. competências. gerará novos conhecimentos. trará ao indivíduo capacidades. mas sim. coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra”. o que se propõe é o uso de termos próprios. O papel do educador no letramento como “professor-letrador” Paulo Freire afirma que para o educador. o termo “iletrado”. não há veracidade nessa afirmação. que com certeza lucrará com esse desenvolvimento. e ainda. anteriormente. para dizer que um indivíduo não está num estado pleno de letramento. estaremos enchendo-o com informações mecânicas e institucionais. A partir disso. levando-os a criar seus próprios conceitos e conhecimento. reconstruir. Processo este de fundamental papel no exercício de educador que acredita na construção de saberes e de conhecimentos para o desenvolvimento humano. pois sabemos que o educador tem que estar sempre adquirindo novos aprendizados. Já mencionamos por várias vezes que o letramento é um fenômeno social. através de uma escolarização. foi isto o que fomentou uma sumária perseguição por parte da Inquisição. torturado. como também. Ele pertencia à classe subalterna. “quanto mais inquieta for uma pedagogia. das gerações de camponeses”. “o ato de aprender a ler e escrever deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo. é o mesmo da autora. iletrado. é que a autora conclui e propõe que não deve ser usado o termo “iletrado”. o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito”. Então. educadores. lançando-se a novos saberes. essa intervenção que se faz necessária pode ser proporcionada por ele. mas sabia ler e escrever.Os termos que. Ele já possui sua peculiar capacidade de leitura dentro do seu contexto social para sobreviver em meio ao grupo em que vive. nós. normalmente. bem como “iletramento” é impraticável. e isto. e ainda. Por isso. do tipo: níveis ou graus de letramento. . O profissional de educação deve ser capaz de fazer sua interferência na realidade. A alfabetização com a prática do letramento. A lingüista comenta que essa história demonstra como o termo “letrado” não pode ter um sentido único. dentre elas a história de um homem que viveu no séc.

7) avaliar de forma individual. mas desenvolver uma metodologia avaliativa com certa sensibilidade. completos de suas certezas. 5) recognição. habilidades de leitura e escrita que funcionem dentro da sociedade. pois sabemos que alguns desses profissionais. que geram subsídios-suportes. inclusive na escola. e essas refletem em todos os setores. e o letramento é um exemplo claro disso. sobretudo. 4) incentivar o aluno a praticar socialmente a leitura e a escrita. ou a prática do letramento por parte do professor. requer a participação transformadora dos sujeitos sociais que a utilizam. se há mutações contínuas na sociedade contemporânea. porque são produtos do modelo imposto pelo sistema padrão de ensino. se colocam em uma posição quase inatingível. num determinado momento. ainda não finalizada. autônoma e ativa. ser professor-aprendiz tanto quanto os seus educandos. 6) não ser julgativo. adequando-as à sala de aula e aos conteúdos a serem trabalhados. Porém. implicando assim o reconhecimento daquilo que o educando já possui de conhecimento empírico. 9) ativar mais do que o intelecto em um ambiente de aprendizagem. levar os seus educandos a um processo mais profundo nas práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita. crítica. descobridora. mas vamos neste trabalho nos ater nesse meio por considerar que cabe à escola. Reconhecidamente. as insuficiências do sistema escolar na formação de indivíduos absolutamente letrados não sucedem somente pelo fato de o “professor não ser um representante pleno da cultura letrada. enfatizamos a importância da aplicação. nem das falhas num currículo que não instrumentaliza o professor para o ensino” (KLEIMAN. as suas dimensões e. como tal. acima de tudo. e respeitar. 2) planejar suas ações visando ensinar para que serve a linguagem escrita e como o aluno poderá utilizá-la. neste ponto entendemos que surge a necessidade de se letrar os sujeitos envolvidos no processo de aprendizagem. obtenha informações a respeito do tema. 1995: 47). a variedade de discursos e linguagens diferentes. já que a linguagem é interação e. pois o conhecimento nunca se completa. Entretanto. Para o educador se tornar um “professor-letrador” necessário se faz que. 3) desenvolver no aluno. é lógico que a cristalização dos saberes do educador é um equívoco. levando em consideração as peculiaridades de cada indivíduo. 8) trabalhar a percepção de seu próprio valor e promover a auto-estima e a alegria de conviver e cooperar. Essa última é desenvolvida através de pesquisas e investigação. de forma criativa. a sua aplicação. Contudo. e 10) reconhecer a importância do letramento. e abandonar os métodos de aprendizado repetitivo. primeiramente. fundamentalmente.O letramento não está restrito ao sistema escolar. . através da leitura. Saber ler e escrever um montante de palavras não é o bastante para capacitar o indivíduo para a leitura diversificada. esse conhecimento. destacamos alguns passos fundamentais para o desempenho do papel do “professor-letrador”: 1) investigar as práticas sociais que fazem parte do cotidiano do aluno. ou se finda. e em análise. medrar subsídios para educadores é uma tarefa difícil de ser exercida. interpretação e produção de diferentes gêneros de textos. pois essas falhas são mais enraizadas. atentando-se para a pluralidade de vozes. por parte do professor. baseados na descontextualização.

o que nos interessa no âmbito a que nos propusemos neste trabalho. pois o preparo dos educadores proporcionará alterações no ensino / aprendizagem dos educandos e desenvolverá o letramento de ambos os envolvidos. Com isso. Como também o seu abarcamento. Na intenção de compreender os caminhos percorridos (ou perdidos) para a transformação da escolarização. reformular e construir a compreensão acerca das bases teóricas da aprendizagem. e por suas equivocadas práticas de ensino. é de informar descritivamente sobre o letramento quanto a etimologia. seremos aptos a promover o letramento. Subsidiar seria uma pretensão.Quando nos dermos conta de que o processo natural de desenvolvimento do ser humano é massacrado pela escola. De qualquer forma. para que incorporem uma nova educação para crianças. somos levados a considerar a hipótese de que o despreparo e desinformação dos profissionais e. suas dimensões e o mais intrigante. Pretende ainda. os acadêmicos da área de educação promovem a distância entre a assimilação prática e conceitual do letramento. jovens e adultos. ainda. gerarão pessoas com capacidades múltiplas de interação com a sociedade. Possibilitar a esses uma reflexão sobre a visão de mundo e de alfabetização. De certo. mas reais possibilidades têm-se mostrado como verdadeiras mudanças educacionais. promovendo novas formas de relações no processo do letramento. mas este trabalho visa dar um suporte para os educadores que desejam reconstruir suas propostas pedagógicas. como estar desenvolvendo-o na sala de aula. . pois esse abre caminho para o indivíduo estabelecer conhecimentos do mundo em que vive. e analisando especificamente o recorte investigado neste trabalho. informando-se para gerar conhecimento crítico e analítico quanto às atividades do letramento versus a pedagogia mecânica e institucional por tanto tempo praticada em nossas escolas. sabemos que o processo é lento devido a situação atual do sistema escolar e da formação profissional do professor. o seu surgimento e as suas diversificadas práticas sociais.

transparências de textos para serem utilizadas no retroprojetor. romances. brincadeiras e jogos infantis. por exemplo. agrupamentos dos livros no espaço disponível. fotografias. etc. etc. Do acervo da classe também podem constar produções dos próprios alunos. — deve garantir que todos os alunos tenham acesso ao material disponível. diários de viagens. fundamentais para um trabalho como o proposto por este documento. a aprendizagem de procedimentos de utilização de bibliotecas (empréstimo. utilização de índices. Mais do que isso: deve possibilitar ao aluno o gosto por freqüentar aquele espaço e. O emprego de recursos audiovisuais pode ser de grande utilidade na realização de diversas atividades lingüísticas. dossiês sobre assuntos específicos. revistas. O papel da escola (e principalmente do professor) é fundamental. sempre que possível. trava-línguas. estantes e disposição dos livros. de forma a promover a leitura autônoma. livros de consulta das diversas áreas do conhecimento. Também é possível que se tenha. desenhos gráficos. dicionários. um volume para cada aluno de um único título: nesse caso. Além dos materiais impressos que se pode adquirir no mercado. entre outros. revistas (infantis. Além disso. e a constituição de atitudes de cuidado e conservação do material disponível para consulta. Da mesma forma. seleção de textos adequados às suas necessidades. ilustrações. almanaques. em quadrinhos. respeitados os seus portadores: livros de contos. de palavras cruzadas e outros jogos). Na biblioteca escolar é necessário que sejam colocados à disposição dos alunos textos dos mais variados gêneros.AULA 20 – RECURSOS DIDÁTICOS E SUA UTILIZAÇÃO TEXTO 1 (PCNs – p. para a organização de critérios de seleção de material impresso de qualidade e para a orientação dos alunos. o gosto pela leitura. A utilização de textos autênticos pressupõe cuidado com a manutenção de suas características gráficas: formatação. mobiliário. é preciso que a variedade de materiais e títulos esteja garantida. .). é importante que esses textos. diferentes elementos utilizados para atribuição de sentido — como fotografias. consulta a diferentes fontes de informação. As bibliotecas — escolar e de classe — são. etc. e • as necessidade colocadas pelas situações de ensino e aprendizagem. jornais. enciclopédias. dessa forma. para atender a necessidades específicas dos projetos de estudo). revistas de literatura de cordel. nessa perspectiva. jornais. é preciso que se tenha propostas específicas de trabalho que justifiquem essa opção. etc. o que permite uma diversificação de leitura aos alunos. Ao contrário. também aqueles que são produzidos pelos alunos — produtos dos mais variados projetos de estudo — podem compor o acervo da biblioteca escolar: coletâneas de contos. paginação. deve-se levar em consideração os seguintes aspectos: • sua utilização nas diferentes situações de comunicação de fato. textos gravados em áudio e em vídeo. a organização do espaço físico — iluminação. —. etc. piadas. cartazes. tanto no que se refere à biblioteca escolar quanto à de classe. poesia. possuem aplicações didáticas interessantes para a organização de situações de aprendizagem da língua. A biblioteca de classe não precisa ser excessivamente ampla no que se refere ao número de volumes disponíveis. estão os textos autênticos. Entre as diferentes possibilidades — slides. seleção de repertório. 61 e 62) Os recursos didáticos e sua utilização Ao selecionar recursos didáticos para o trabalho pedagógico na área de Língua Portuguesa. livros de narrativas ficcionais. sejam trazidos para a sala de aula nos seus portadores de origem (ainda que em algumas situações possam ser agrupados segundo gênero ou tema. o gravador e o vídeo merecem destaque: além de possibilitarem o acesso a textos que combinam sistemas verbais e não-verbais de comunicação (o que é importante do ponto de vista comunicativo). em algumas situações. Entre os principais recursos que precisam estar disponíveis na escola para viabilizar a proposta didática da área.

é necessário que se faça menção ao computador: alguns programas possibilitam a digitação e edição de textos produzidos pelos alunos para publicações internas da classe ou da escola. LENER. O mais importante. São Paulo: Ática. Belo Horizonte: Autêntica. Campinas: Pontes. Magda. Graziella. possibilitam o trabalho com aprendizagens específicas. KATO. 2003. 1995. em outras. _______. São Paulo: Cortez. Maria Lúcia de Castro. o ritmo. postura corporal. dicionários organizados pelos alunos com suas dificuldades ortográficas mais freqüentes. Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa. Roxane (org. E ZILBERMAN. pastas de determinados gêneros de textos. Contar histórias: uma arte sem idades. São Paulo: Ática. Ao serem gravadas leituras expressivas de textos. como se faz. Como incentivar a leitura. 1997.O gravador é um recurso bastante útil nas atividades de revisão de textos orais produzidos pelos alunos. etc. Finalmente. 1999. Práticas de ensino: subsídios para a atividade docente. 1998. ed. A criança na fase inicial da escrita: a alfabetização como processo discursivo. POSSENTI.) O aprendizado da ortografia. no entanto. São Paulo: Cortez. Betty. o possível e o necessário. por exemplo. cadernos de textos conhecidos pela classe. LAJOLO. Delia. jogos didáticos que proponham exercícios lingüísticos. estados. São Paulo: EDUC. Mary A No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. países. crachás ou cartazes com os nomes dos alunos. 1999. COELHO. ainda. R. Curitiba: IBPEX. Os significados do letramento. 2000. ZÓBOLI. 1999. 1988. Daniel. 1997. SOARES. ROJO. 1998. tendo como critério a qualidade tanto do ponto de vista lingüístico quanto gráfico. sobretudo a leitura. Como um romance. KLEIMAN. por exemplo. alguns materiais podem ser de grande utilidade ao professor: alfabetos. Práticas de alfabetização e letramento. Sírio. 2007.) da produção do discurso. Richard. PENNAC. MORAIS. haverá necessidade de se recorrer a materiais produzidos com finalidades especificamente didáticas. Preconceito lingüístico: o que é. Ana Luiza Bustamante. Artur Gomes de (org. 2007. BAMBERGER. Campinas: ALB. BAGNO. Além disso. 1995. Campinas: Mercado de Letras. 2a. Porto Alegre: Artmed. Bibliografia de apoio (para leituras complementares) ALMEIDA. São Paulo: Ática. Oficina de leitura: teoria & prática. é realizar uma boa seleção dos materiais que se incorporarão à aula. . O vídeo também pode ser útil nas atividades de revisão de texto: permite que se volte sobre as produções orais dos alunos para analisar tanto aspectos lingüísticos como nãolingüísticos (gesto. São Paulo: Ática. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica. Ângela. SMOLKA. M. Rio de Janeiro: Rocco. Geraldo Peçanha de. Literatura infantil brasileira: histórias & histórias. Por que (não) ensinar gramática na escola. é possível que os alunos revisem esses textos de maneira a centrar sua atenção sobre alguns aspectos específicos da produção oral: a entonação. 2006. 2000. é fundamental que sejam adequados à proposta didática a ser desenvolvida: há ocasiões em que é possível utilizar materiais do entorno próximo. expressão facial. a redundância no uso de certos termos e a organização do discurso. simulações de anúncios e programas de rádio e entrevistas. São Paulo: Ática. Ler e escrever na escola: o real. 2002. São Paulo: Loyola. Marcos. Campinas: Mercado das Letras.) A prática da linguagem em sala de aula. outros permitem a comunicação com alunos de outras escolas. GOMES. outros. Na alfabetização inicial.

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