PEDAGOGIA

DISCIPLINA: METODOLOGIA DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

PROFª NÁDIA C. LAURITI

2011

PLANO DE ENSINO 1 sem 2011 CURSO: PEDAGOGIA DISCIPLINA: METODOLOGIA DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
POSIÇÃO NA GRADE DO CURSO: 5o. semestre

CÓDIGO

CARGA HORÁRIA SEMESTRAL: 80 horas

EMENTA: O ensino da Língua Portuguesa: seu estado atual e alternativas de transformação; preconceito linguístico; níveis de linguagem e variantes linguísticas; gêneros textuais; o ensino da gramática; o ensino da leitura; o ensino da escrita; questões de letramento; PCN de Língua Portuguesa. OBJETIVOS: A disciplina pretende, a partir da leitura de textos de estudiosos no campo da linguagem e da educação, refletir sobre as formas com o ensino da Língua Portuguesa vem se organizando na escola, tendo em vista aspectos históricos, políticos e culturais. Discutir e propor alternativas para um ensino da Língua Portuguesa voltado para a formação do cidadão comunicativo e crítico.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: CRONOGRAMA
SEMA NAS: 1º 2º CONTEÚDO
Apresentação da disciplina; O ensino de Língua Portuguesa; PCNs: Objetivos do ensino da LP. Conceitos linguagem. Variação linguística; Níveis de linguagem; Gênero receita. Preconceito lingüístico; Pcns: língua oral e língua escrita; Gênero carta Trabalhando os vários gêneros textuais; gênero: poesia infantil; Como ensinar a escrever: paródia de fábulas; O tratamento didático para ensinar a escrever. Orientações dos PCNs. Como fazer a correção/ refação: PCNs sobre avaliação.. Como ensinar a ler: formas de leitura, objetivos e incentivo. A leitura oral. O tratamento didático para ensinar a ler. Orientações dos PCNs. Como ensinar a compreender

SEMA CONTEÚDO NAS: 11º Conhecendo a gramática
Conhecendo melhor alguns conteúdos gramaticais do Ensino Fundamental 1. Resolução de exercícios de gramática.

12º

3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º

13º 14º 15o 16o 17o Elaboração de um gibi sobre conteúdos gramaticais determinados. A gramática nos PCNs. Discussão do filme “crianças invisíveis”, relacionando-o às questões da disciplina.
Atividade sobre aspectos teóricos da disciplina presentes no filme

18º 19º 20º

Letramento X Alfabetização: atividades diferenciadas.
Recursos didáticos que auxiliam no ensino da Língua Portuguesa As tecnologias e a Língua Portuguesa na alfabetização. PCNs: comparação entre 1o. e 2o. ciclos.

10º

METODOLOGIA DE ENSINO: Por meio de aulas expositivas, debates abertos, atividades direcionadas individuais e em grupo, produção de materiais didáticos, apresentação de vídeos e apresentação de seminários, tudo relacionado aos referenciais teóricos, pretende-se atingir os objetivos propostos. AVALIAÇÃO: O processo avaliativo será composto pela soma das notas dos alunos em atividades distintas: provas dissertativas individuais de compreensão conceitual dos temas abordados nas aulas e nos PCNs; trabalhos de transposição didática realizados na sala de aula, em grupo, sobre o referencial teórico; AV1 – prova individual sobre variantes lingüísticas, o ensino da escrita e da leitura e trabalho em grupo sobre preconceito lingüístico e formas de avaliação de uma redação; AV2 –avaliação integrada constituída por questões específicas e interdisciplinares de múltipla escolha ; AV3 – avaliação integrada constituída por questões específicas da disciplina, interdisciplinares e propostas de intervenção, referentes à análise teórica do filme “Crianças Invisíveis”.
Bibliografia básica: GERALDI, João Wanderley (org.) O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 2007. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros curriculares nacionais: Língua portuguesa. Brasília: Ministério da Educação, 1998. TARDELLI, Marlete Carboni. O ensino da língua materna: interações em sala de aula. São Paulo: Cortez, 2002 (Coleção Aprender e ensinar com textos; Vol 9) Bibliografia complementar: ALMEIDA, Geraldo Peçanha de. Práticas de alfabetização e letramento. São Paulo: Cortez, 2006. GOMES, Maria Lúcia de Castro. Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa. Curitiba: IBPEX, 2007. KLEIMAN, Ângela. Oficina de leitura: teoria & prática. Campinas: Pontes, 1998. LERNER, Delia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002. POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: ALB, 1998. Profs. responsáveis:

Nádia Lauriti Adriana Lílian Garcia Elenice Alves da Costa Elisabeth Márcia Ribeiro Machado Niuza Barone Joel Rosa Taís Lírio

DOWNLOAD DOS PCNs de Língua Portuguesa (1o. e 2o. ciclos) http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/portugues.pdf

PROGRAMAS DE VÍDEO DOS PCNs DE LP (em Biblioteca Virtual do Estudante de LP) http://www.seed.pr.gov.br/portals/portal/usp/segundo_trimestre/videos/tv_escola/tv_escol a.html#linguaport

c) Leitura tópica (para identificar informações pontuais). A essas finalidades correspondem vários procedimentos a) Leitura integral de um texto. Compreensão – relacionadas às estratégias cognitivas da leitura (antecipação. ler para revisar um texto. reler para compreensão. ler por prazer estético. B – Comportamentos leitores e de escrita (valores em relação à leitura) Refere-se ao que Lerner (2002) aponta como dimensão social da leitura: socializar critérios de apreciação estética da leitura. ler trechos de textos que o aluno gostou para os colegas. seleção de hipóteses inferência e avaliação). comparar o que se leu com outras obras. compartilhar a leitura com outros. ler para aprender. ler oralmente para apresentar um texto (sarau. b) Leitura inspecional (para a escolha de um texto). ler para obter informação geral. C – Procedimentos de leitura (finalidades) ler para estudar.2011 QUADRO GERAL DE CONTEÚDOS DE LÍNGUA PORTUGUESA 1 – CONTEÚDOS DE LEITURA E ESCUTA A – Capacidade de leitura e escuta Decodificação – relacionadas à compreensão do sistema. frequentar bibliotecas (de classe ou não). Essas capacidades se inter-relacionam e a mobilização de algumas auxiliam na constituição de outras. comentar o que se está lendo. recomendar livros ou outras leituras que considera valiosas. jornal).AULA INTRODUTÓRIA . confrontar com outros leitores sua interpretação. ler para obter informação específica.OS CONTEÚDOS DE ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: UMA ORGANIZAÇÃO GERAL Profª Nádia C. Lauriti . . Interação entre texto e leitor – (apreciação e réplica) relacionadas à reconstrução do sentido do texto.

Roda de leitores – Possibilitar a socialização das leituras realizadas de maneira independente para observar os comportamentos leitores já construídos pelos alunos. no qual se leia em determinado horário. textualização (oral/escrito). mobilizando nos alunos as estratégias necessárias para a construção coletiva do sentido. comportamentos e capacidades de escrita e de fala (no que couber): a) b) c) d) planejamento de texto para cada linguagem (prévio e processual). É preciso que o contexto faça sentido como: ler em comemorações. para que o professor tenha uma referência do tipo de leitura que já é de competência autônoma dos alunos. a professora as discute com os alunos para construção do sentido. gênero. refacção de textos. jornal da escola entre outros. anunciar produtos. ilustrações). dramatização. Os leitores podem ser tanto o professor. Atividades seqüenciadas de leitura – Possibilitar o estudo de determinado tema por meio de uma sequência de atividades que preveem a leitura de textos com grau crescente de aprofundamento de informações. f) Leitura expressiva. gravar CD de divulgação. considerando os aspectos focalizados na revisão. quanto os alunos. entre outros). Leitura colaborativa – Trabalhar com o texto coletivamente. possibilitando o contato com textos de boa qualidade para ampliação do repertório. revisão de texto (processual e final). e) Leitura item a item (para realizar uma tarefa). entonação. Leitura individual com questões para interpretação escrita – Trata-se de verificação de competência já construída não só de leitura como de produção de textos. se o tema for socializado e combinado previamente. D – Atividades de leitura Leitura diária ou semanal – Trata-se de instituir um dia fixo na semana. Leitura programada – Ampliar a proficiência a partir da leitura prévia de cada parte do livro. Leitura em voz alta – Permite o trabalho com aspectos da oralização do texto escrito (dicção. Leitura em voz alta feita pelo professor – Explicitar critérios de escolha da obra como (autor. Aspectos que devem ser considerados na produção de textos: . ler em saraus literários.d) Leitura de revisão (para corrigir inadequações no texto). 2 – PRODUÇÃO DE TEXTOS Procedimentos. Leitura de escolha pessoal – Possibilitar aos alunos a escolha livre de textos de acordo com suas preferências.

C – ESCRITA DE TEXTO QUE SE SABE DE MEMÓRIA (escrita de próprio punho) – Possibilitar a apropriação das características do sistema de escrita. por exemplo. coerência e seleção lexical). E – REESCRITA COM MODIFICAÇÕES (mudar o final. B – PRODUÇÃO COLETIVA ORAL (tendo o professor como escriba) – Possibilitar a apropriação das características do gênero e a modelização dos aspectos de revisão processual e final do texto. pontuação. adequação do gênero solicitado). morfologia. ATIVIDADES DE PRODUÇÃO DE TEXTO A – RECONTO ORAL (tendo o professor como escriba) – Possibilitar a apropriação das características da linguagem escrita por meio do reconto oral. mesa-redonda etc). focalizando apenas uma parte do texto. apresentando-se ao aluno contos em que falte a parte que se deseja tematizar. estilísticas. prova escrita. por exemplo) – PRODUÇÕES HÍBRIDAS – Possibilitar ao aluno a aprendizagem de procedimentos de textualização e criatividade. revisão processual e final. assim como procedimentos de escritor: planejamento. coesão e coerência.Discursivos – relativos ao contexto de produção (para quem se escreve. F – PRODUÇÃO DE PARTES DO TEXTO QUE NÃO SE CONHECE. Notacionais – relativos à compreensão do sistema da escrita. com qual finalidade. D – REESCRITA DE TEXTO QUE NÃO SE SABE DE MEMÓRIA – Possibilitar ao aluno apropriação de recursos de aspectos textuais e gramaticais. Gramaticais – ortografia. seminário. organização sintática. textuais e discursivos. em qual portador circulará. utilizando léxico adequado. complicação ou resolução. Considerações importantes: . Textuais – relativos à coesão e coerência textuais. acentuação. progressão temática. APRESENTANDO-SE AS DEMAIS – Possibilitar ao aluno a aprendizagem de determinadas partes de um texto organizado em determinado gênero. G – TEXTO DE AUTORIA – Possibilitar ao aluno a produção de textos na qual se articulem produção temática e textual. o que diminui a complexidade em relação à produção totalmente de autoria. semântica. na aprendizagem do conto de fadas é possível focalizar o cenário. focalizando apenas uma parte de sua organização interna. Pragmáticos – características da situação comunicativa do texto (sarau. O foco desta atividade é o textual (coesão. como se o aluno fosse o autor do texto. 3 – CONTEÚDOS DE ANÁLISE E REFLEXÃO LINGUÍSTICA ATIVIDADES: A – REVISÃO – São atividades de análise do texto produzido pelos alunos para a aprendizagem de conteúdos gramaticais.

b) Isolamento do fato linguístico a ser estudado. b) Exercitação dos conteúdos estudados. c) Priorização e Planejamento dos conteúdos a serem trabalhados. o outro texto. coerência. adequação do texto aos aspectos textuais e gramaticais discutidos em aulas anteriores. 2ª ETAPA: A) Ação do professor a) Apresentação da metalinguagem (regras gramaticais). depois. Após a indicação dos aspectos a serem ajustados. ortografia. b) Organização e registro das conclusões. O professor precisa possibilitar ao aluno o acesso a diversos textos que contemplem os conteúdos selecionados. na prática da escrita e da leitura ou na prática de produção de textos orais e escritos. As atividades devem proporcionar aos alunos uma reflexão cada vez mais ampliada de determinado conteúdo (acentuação. ortografia.Organizar a revisão nos três momentos de agrupamento: coletivo / classe. primeiro. a quantidade e a qualidade dos dados.No processo de revisão. uso de conectores. tomar como critérios os relativos à: adequação do texto ao contexto de produção. B) Ação do aluno a) Reinvestimento dos diferentes conteúdos exercitados em atividades mais complexas. Devem prever estudo concentrado em espaço não muito longo de tempo. o que altera é o grau de aprofundamento metalingüístico (concordância nominal e verbal. Esse movimento metodológico prevê as seguintes etapas: 1ª ETAPA: A) Ação do professor a) Levantamento das necessidades (avaliação diagnóstica). gramaticais ou textuais.Quando em duplas.. tomando como ponto de partida as capacidades já dominadas pelo aluno. promovendo o agrupamento dos dados a partir das indicações das regularidades observadas (observação + comparação)... sejam eles discursivos. coesão. para tal organizam-se sequências didáticas que são atividades elaboradas com a finalidade de se estudar determinado conteúdo de linguagem. d) Construção de um corpus que leve em conta a relevância. concordância.Selecionar conteúdos específicos para fazer a revisão. pontuação. a cada aluno reescreve o seu texto. . após as experiências de manipulação do aspecto selecionado. . os dois alunos devem revisar um texto. . indicando aspectos que precisem de ajustes e. para que o aluno se aproprie efetivamente das descobertas feitas. B) Ação do aluno a) Análise do corpus. para que o aluno possa perceber as regularidades. grupo / duplas e individual. pontuação.). . seleção lexical etc). colocação de pronomes. os vários conteúdos gramaticais devem ser contemplados.

escrevendo”. personagens. Crie uma estratégia de sedução para a leitura do texto (jogo de adivinhação. recuperando em uma sentença B um elemento presente na sentença A. Ao atuarem como leitores e escritores. É preciso instalar as práticas de leitura e escrita como objeto de ensino. inferência e avaliação do sentido). operadores argumentativos (conjunções). relativos. são aspectos que se espera que os alunos aprendam (conceitos e atitudes). COERÊNCIA – Refere-se às condições de interpretabilidade lógica do texto. durante e depois da leitura. É importante organizar os registros de reflexão sobre a língua dos conteúdos discutidos. Envolve o trabalho com pronomes pessoais. COESÃO – Refere-se à forma como os elementos linguísticos presentes na superfície do texto se interligam. 2. contracapa. A B Exemplo: A jovem acordou sobressaltada. ter continuidade. não apresentar contradições. Os comportamentos do leitor e do escritor são conteúdos e não tarefas. Exemplos: . autor. os quais serão referência para a produção e revisão dos textos. progressivamente. da coerência etc). transformando-se em fonte de reflexão metalinguística (estudo da gramática. seleção de hipóteses. advérbios de lugar. dramatização. Ao exercer o comportamento de leitor e de escritor possibilita-se que os alunos se apropriem dos traços distintivos dos diferentes gêneros para ir detectando progressivamente as características da “linguagem que se escreve” que se diferenciam da oralidade coloquial. os alunos têm a oportunidade de se apropriarem dos conteúdos linguísticos que adquirem sentido nas práticas de leitura e escrita. demonstrativos. expressão. utilizando análise da capa. As ideias devem se completar. música que trate do tema. Tarefas: 1. ATIVIDADE 1 – CONTEÚDO DE LEITURA E ESCRITA A – Escolha um livro de literatura infantil e elabore com seu grupo uma aula (ou sequência didática) de leitura e escrita para apresentação para um grupo maior. Antes. fantoche. lendo e a escrever. Exemplo: Animais vegetarianos comem animais não-vegetarianos.Qual é o assunto do livro? . concordância e pontuação. Ela não se lembrava de como fora parar ali. sinônimos. dança.LEMBRETES IMPORTANTES “Aprende-se a ler. ilustrações. Elabore perguntas que utilizem as estratégias de leitura (antecipação. Por meio dela o texto encaixa-se nas macro-categorias específicas do texto. repetições ou desvios lógicos. Um texto não é uma soma de frases. filme. possessivos. caixinha de surpresa entre outros). Ele necessita de coesão e coerência. hiperônimos. da coesão.

sucata. INTERTEXTUALIDADE E INTERDISCIPLINARIDADE a) Você conhece outras histórias sobre o mesmo tema deste livro que tenham personagens diferentes? b) Compare o livro lido com outro texto que possua o mesmo tema. AULA 1 – O QUE É ENSINAR LÍNGUA PORTUGUESA .Para quem o livro foi escrito? Por que o autor o escreveu? . d) Partindo de uma música conhecida. poesia. d) Como você faria uma nova capa para o livro. receita). fábula. b) Faça uma mímica que caracterize cada personagem.. usando máscaras de papel sulfite. FRUIÇÃO AUDITIVA a) Quantas vozes diferentes aparecem no livro? b) Como você imitaria a voz do narrador? E dos personagens? Por quê? c) Essa história faz você lembrar de algum som ou música em especial? Faça a trilha sonora para o texto.. sem usar a voz. FRUIÇÃO CINESTÉSICA a) Dramatize o texto. dedoches.O que mais chamou sua atenção? .Quem é o narrador do texto? E o(s) herói(s)? E o(s) vilão(ões)? .. O que eles têm de igual? Quais são as diferenças? c) Você já passou por uma situação semelhante à apresentada pelo livro? Escreva sobre isso.Resumir o enredo usando uma ou duas frases apenas. VI – O autor escreveu esse texto para falar sobre qual idéia? (TEMA: conceito mais importante). Explicar de forma simples a estrutura do texto. sacos de papel. crie uma letra sobre o texto que estamos estudando. TEMAS TRANSVERSAIS. d) Para trabalhar a interdisciplinaridade proponha questões relacionadas às outras disciplinas sugeridas pelo livro. meias. I – Qual a situação inicial (O que aconteceu? Onde? Quando? Como?) II – Qual é o problema (conflito) do texto? III – O que aconteceu para resolver o problema? IV – Como o problema foi resolvido? V – Qual é o tipo de texto? (conto. fantoches. FRUIÇÃO VISUAL a) Se a história fosse representada em uma revista em quadrinhos como seria? b) Qual a ilustração mais bonita no livro? Por quê? c) Ilustre o trecho do texto de que você mais gostou.). carta.

ganhar bem. vá! . mas até que bonito. .Poxa! Agora estou entendendo melhor: pra arranjar um bom emprego.Bem. vão ter que saber português. .. mal vestido e falando de qualquer jeito... que tá todo mundo passando fome. claro.. Portanto. por exemplo... Você é professor de português.Claro. .. pera aí! num é bem assim. . Mas pra subir na vida.Ah! Então você troca de língua como troca de roupa. em escolas do primeiro ao terceiro graus.Agora me lembrei. nem uma boa colocação. essa língua que a gente usa todo dia? .Entendi.. a meio caminho entre o sério e o cômico (também trágico. se você não souber falar e escrever direito....Ô meu...). . mas só pra coisinhas. natural. tenho diploma. se eu vou falar com um cara tão importante. que a indústria dele joga todo dia esse cheiro de bosta no nariz de todo mundo.. É claro que você precisa falar direitinho.. imaginando um diálogo.Serve sim.Claro que não. . . . Soou um pouco estranho. Que já falam português!.Não simplifica. . .Como assim? . claro que falam.. você não arranja um bom emprego.. né? Você já tá baixando o nível.Texto 1 ENSINAR PORTUGUÊS? Milton José de Almeida Português: uma só língua? Comecemos a conversa. preciso me expressar corretamente. não? .Claro que não. você não quer que eu vá falar com o diretor daquela indústria ali.. Quando esses caras quiserem novamente emprego.Ensina-se mesmo português. Epa. somente em alguns lugares e com algumas pessoas. você está equivocado. desde crianças. pára. Ah! Então eles não falam bem português?! . . que todo mundo já nasce falando e uma outra. isso que você acabou de me falar está nessa língua estrangeira? . Então é por isso que se ensina português: para as pessoas aprenderem a falar direitinho com os patrões! ... não? . deixe-me começar novamente a frase. esse assunto não é exatamente como você está colocando. .. corretamente.Vê se não goza. pô! Você não entendeu? . que é preciso ir à escola aprender. estrangeira. Então esses milhões de desempregados que estão por aí foram despedidos porque não sabiam escrever e falar corretamente! Eles não podem voltar pra escola?. não consegue passar num concurso.. que enquanto ele viaja de Mercedes você anda a pé. . às vezes mais chiques. ..Então você poderia abrir um cursinho de português para desempregados!. além de estrangeiros interessados.. há aulas de português.. cursos de aperfeiçoamento.Tem mais? . lá vem você de novo com questões que não dizem respeito ao ensino de português. ensina-se principalmente a brasileiros.Ah! Entendi.. não! .Sim. trabalhos publicados etc. até pra reclamar...É claro.Claro! Por exemplo. . né?! Não é só isso.. Desculpe-me.Ô meu......Ora... a língua que a gente usa não serve. .. outras mais esportivas. Um momento...Ué. também? .. conversinhas banais......Mesmo se você vai lá pra dizer que os salários estão horríveis. com palavras bonitas e gramaticalmente bem colocadas. não é? -Sou.Ah!... outras mais populares.... não.Ora. Você fala assim na sua casa.Então você sabe português perfeitamente... Existem duas línguas com o mesmo nome "português": uma nacional. . Alguém pergunta a um professor de português.. . .Ah! Entendi.A quem se ensina português? ..

O português que você ensina é o mesmo..Ah! quer dizer que você deve ganhar super bem. etc..é? . um monte de coisas..Não quero te deixar chateado. Que pena! Em nosso país há pouquíssimas boas famílias e milhões de péssimas. não têm tempo de ler. pode arranjar um bom emprego lá.. trabalharam o dia inteiro.... não se faça de bobo! Você.É mesmo! Sabe que um amigo meu foi contratado numa indústria prum cargo ótimo. Mas me lembrei de outra coisa: um vizinho meu foi procurar emprego de office-boy deram um teste de gramática pra ele.. . mas me diga só uma outra coisa.. o resto não é necessário. Parece que você ainda é adolescente. -. estadual... ou melhor. por exemplo. com motorista.Ah! lá é diferente. ... que sabe tantos tipos de português. estudar.. . enxergando só um lado das coisas..E ele passou? . . Você sabe. É só falar e escrever bem.. hum. Também é necessário que eles saibam muitas outras coisas. Só têm tempo para ganhar e gastar.. colocação de pronomes. têm muita cultura. Garanto que ela ficará menos chateada.Ah. não é bem assim.. os tempos verbais. lêem bastante. . .Ah!.Ah!.. e outra.Então..Não.. . obediente e fazer tudo para o bem da empresa. mas você.Nem sei direito..PÔ. onde todos falam bem e corretamente.Tudo isso pra ganhar metade de um salário mínimo! . não.. vão passando de ano sem saber nada. E ele ganha muito mais que nós todos juntos. radicalizando.Pera aí.. É com o professor de história. Parece que tinha uns mil na fila.. aprendem tudo igualzinho? .Eu tenho que dar um curso mais fraco.. não.... usa menos material e.A única coisa que ele teve que demonstrar era que ia ser um diretor bom. meu! . quase dormem na aula. se ele tivesse sido meu aluno. numa e noutra? . Mas isso não é problema meu. você vai lá e explica pro sujeito na língua dele. de estudo.Quer dizer que os alunos das duas escolas são iguais..Bem.. nem esse da escola. a vida. ele não precisou fazer teste de português porque de certo só no contato já perceberam que ele era uma pessoa educada. não? Fiquei até com vontade de fazer um curso de Letras... nem aquele vulgarzinho. . mas não entende quase nada de educação. Você dá aulas. onde vai a vírgula..você tá um saco hoje. quando uma pessoa vai ser mandada embora.. Nesse ponto você está no mesmo ponto do seu aluno que não sabe ler.Não querendo te gozar.. . Gente imatura é que é assim. mordomias. caríssima. .. . . eles falam e escrevem bem. ehr..Então suas aulas na escola estadual são mais baratas. . . .. .Ah! agora entendi bem. .... é isso aí: uma boa família.. Você acha que a língua dos ricos é melhor.. onde estão aqueles..Chega.. Por exemplo. chega! Não quero mais papo com você hoje. ensinar menos coisas.Não. que eles consigam acompanhar o meu curso..Você sabe. todo mundo tem que falar igual. fazer mil cursinhos. então só se fala bem nas boas famílias? O que é uma boa família? ..Bem... já vêm com muitas informações.. de boa família. vamos mudar de assunto. etc. . .. tá legal.. não sabe falar português nenhum.... e que os alunos mais pobres devem se esforçar para chegar lá. não têm base. todos são educados. o diretor daquela indústria.Mas os mais ricos são os que menos lêem.. rebelde. é de uma boa família. mas sabe.Então já sei: boa família é uma família com dinheiro. O Estado paga mal.. onde dou aula à noite. .Bem.. é evidente que não! Na escola estadual.. ordenado altíssimo. cheio de perguntas sobre orações subordinadas. Quero que os meus alunos cheguem até onde estão os alunos ricos. menos estudam. . freqüentar faculdades.. . sobre a sociedade. vende aulas em duas escolas: uma particular. que você mostrou agorinha.E na escola particular? ... o curso anda bem..Puxa! Já vi que você pode entender muito de português. tudo mais.PÔ. não é isso. você capricha menos. bastante dinheiro. ....Poxa.. .Claro que é! O português é uma língua só. . exagerando. que na escola particular tem um nível mais alto.. e nem fez teste de português? . ahn.Tá legal.. Tudo tem seu lado ruim e seu lado bom. de estudos sociais. Está muito agressivo e complicando. eles vêm cansados. então devem ter selecionado só os muito bons! Tá vendo.E daí? . têm dinheiro para comprar livros.... Vem logo ironizando. você não agüenta mesmo levar um papo sério. mas continuam sendo de uma boa família... . dar mais bases e. Eles lêem muito mais.Bem...

e encara-o como problema pedagógico. • conhecer e analisar criticamente os usos da língua como veículo de valores e preconceitos de classe. aos objetivos a que se propõem e aos assuntos tratados. sabendo como proceder para ter acesso. Essas crianças passarão alguns anos na escola sem saber que poderão acertar o sujeito da oração. organizar notas. histórica. Para que essa expectativa se concretize.p. índices. ignorâncias. fazer resumos. Sem o menor respeito pelas condições de vida de seus freqüentadores. depois de aulas onde não faltam castigos e broncas. impõe-lhes modelos de ensino e conteúdos justamente produzidos para a conservação dessa situação injusta. compreender e fazer uso de informações contidas nos textos: identificar aspectos relevantes. idéias e opiniões. muitas vezes baseado em preconceitos. elaborar roteiros.E a escola? Muitas vezes a escola esquece que educação é um problema social. que acabam.. etc. O texto na sala de aula. sendo capazes de expressar seus sentimentos. sabendo adequá-los às circunstâncias da situação comunicativa de que participam. 2007. bem como de acolher.33) Ao longo dos oito anos do ensino fundamental. adequados a seus destinatários. sabendo assumir a palavra e produzir textos — tanto orais como escritos — coerentes. • compreender os textos orais e escritos com os quais se defrontam em diferentes situações de participação social. • utilizar diferentes registros. tragicamente. São Paulo: Ática. que esboçamos anteriormente. experiências. mas nunca serão os sujeitos das suas próprias histórias. credo. pálidas. espera-se que os alunos adquiram progressivamente uma competência em relação à linguagem que lhes possibilite resolver problemas da vida cotidiana. interpretando-os corretamente e inferindo as intenções de quem os produz. • conhecer e respeitar as diferentes variedades lingüísticas do português falado. compor textos coerentes a partir de trechos oriundos de diferentes fontes. interpretar e considerar os dos outros. gênero ou etnia. • usar os conhecimentos adquiridos por meio da prática de reflexão sobre a língua para expandirem as possibilidades de uso da linguagem e a capacidade de análise crítica. . sendo capazes de recorrer aos materiais escritos em função de diferentes objetivos. João Wanderley(org). • valer-se da linguagem para melhorar a qualidade de suas relações pessoais.. • utilizar a linguagem como instrumento de aprendizagem. verdades incontestáveis. E assim vemos muitos professores de português. 10 a 16. A menos que. do saber que coloca aos alunos. ensinando análise sintática a crianças mal alimentadas. a escola considera todo e qualquer conteúdo válido. dogmáticas. via de acesso aos mundos criados pela literatura e possibilidade de fruição estética. (GERALDI. o ensino de Língua Portuguesa deverá organizar-se de modo que os alunos sejam capazes de: • expandir o uso da linguagem em instâncias privadas e utilizá-la com eficácia em instâncias públicas. condicionadas a distinguir o sujeito de uma oração. ter acesso aos bens culturais e alcançar a participação plena no mundo letrado. • valorizar a leitura como fonte de informação. inclusive os mais formais da variedade lingüística valorizada socialmente.) Texto 2 OBJETIVOS GERAIS DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL (PCN.. Sem fazer a crítica verdadeira. indecente. contrapondo-os quando necessário. esquemas. p. coesos.

Existem muitos tipos de linguagem: a fala. um chefe de Estado. a pintura. João Wanderley(org). 2se você vir o Antônio diga-lhe que quero falar-lhe. de idade diferente. Por isso seria estranho. que têm exercido um papel nivelador. à mulher trabalhar fora do lar. muitas vezes percebem-se diferenças na fala das pessoas de classes diferentes. Já a frase 2 demonstra domínio das formas lingüísticas ausentes na linguagem popular. mais empregado pelos indivíduos dessa faixa etária) Sexo (de acordo com a comunidade. os gestos. Um político. devido a certos tabus morais. a música. advogados. entendendo-se como tal um vocabulário com gírias. fala-se muito em uma linguagem jovem. ou por ambos ao mesmo tempo. a oposição linguagem do homem/ linguagem da mulher pode determinar diferenças sensíveis. etc. Raça (ligada a fatores etnológicos ou culturais) Profissão (linguagem técnica – jargão técnico . aos colégios mistos e aos movimentos feministas. embora possam conviver na mesma comunidade em que atuam. o desenho. de etnia diferente. essas diferenças se refletem na linguagem. quando não ridículo. As variações linguísticas Todas as línguas variam. assim como um bancário ou um operário não têm o mesmo nível de linguagem. uma autoridade falar como um marginal social etc. um dirigente industrial. o que limita o tipo de ouvinte capaz de entendê-la. Muitos meninos não podem usar a chamada linguagem correta na escola sob pena de serem marcados pelos colegas. Por isso. um velho falar como uma criança. o código Morse. não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma. ambulantes.ou profissional em que os falantes utilizam um vocabulário condizente com sua atividade: médicos. Modernamente. como em todas as sociedades existe alguma diferença de status ou de papel.se você ver o Antônio diz pra ele que eu quero falar com ele. em especial no campo do vocabulário.AULA 2 – VARIANTES LINGUÍSTICAS VARIAÇÕES DE LINGUAGEM Linguagem é a representação do pensamento por meio de sinais que permitem a comunicação e a interação entre as pessoas. posição social e instrução. Normalmente o grau de escolaridade está associado à classe econômica do falante) . isto é. p. porque em nossa sociedade a correção é considerada uma marca feminina. As variações linguísticas são condicionadas por fatores internos da língua ou por fatores sociais. as variações devidas às faixas etárias se limitam muito mias ao vocabulário e nem sempre são fáceis de perceber. Esta variação tende a minimizar-se devido à mídia (meio de comunicação de massa). 2007. militares. 35) Variedades ligadas ao falante ou a aspectos socioculturais: Idade (considerando-se o locutor adulto. As línguas fornecem também meios de constituição de identidade social. policiais) Posição social (O status do falante também exige dele um cuidado com a linguagem a fim de ser distinguido dentro do grupo em que atua. Grau de escolaridade (observe: 1. Na frase 1 temos uma economia lingüística que torna a frase mais compreensível a todos os ouvintes. Seu idioleto (saber linguístico individual) varia de acordo com a sua cultura. A variedade linguística é o reflexo da variedade social e. a dança. de sexo diferente. o código de trânsito etc. (GERALDI.

Dessa maneira. Usar o português rígido.Local em que reside (linguagem urbana: mais próxima da linguagem comum. Caracteriza-se por maior rigor no uso do vocabulário e pela obediência às regras gramaticais adquiridas por anos na escola. a mais adequada a cada contexto. fala bem aquele que se mostra capaz de escolher a variante adequada a cada situação e consegue o máximo de eficiência dentro da variante escolhida. também existe uma variedade lingüística adequada a cada situação. próprio da língua escrita formal. por pessoas escolarizadas. como uma gradação: Registro formal ou culto: é o nível de linguagem utilizado em situações formais. provas escolares. Soa como pretensioso. jogando bola com os amigos. do mais formal ao mais informal. linguagem rural: mais conservadora e isolada. com mais adjetivos e até palavrões do que quando estamos calmos) Grau de intimidade entre os falantes. intimidade e vocabulário do que para outros) Estado emocional do falante (quando estamos nervosos usamos uma linguagem mais eufórica. textos acadêmicos e ao fazermos discursos em formaturas. literatura etc. desrespeitosos. pois recebe influência direta de fatores culturais como escolas. Registro coloquial ou popular: é a maneira informal de se comunicar no dia-a-dia. numa situação descontraída da comunicação oral é falar de modo inadequado. intuitiva. seminários palestras etc. Falar uma língua é parecido com vestir-se: assim existe uma roupa adequada para cada situação. Resposta: não existe a mais correta em termos absolutos. ADEQUAÇÃO Diante de tantas variantes lingüísticas. é inadequado em situação formal usar gírias. “batendo papão” com colegas etc. meios de comunicação de massa. aprendida fora da escola com pessoas próximas. LINGUAGEM FORMAL Hierarquia de poder (não igual) Contato não freqüente Pouco envolvimento afetivo Léxico formal (formas não abreviadas e não emprego de gírias) Emprego de apelidos e diminutivos Emprego de títulos Expressões de afeto e despreocupação com a Expressões de deferência e preocupação com a polidez polidez Uso de expressões que indicam opinião Uso de expressões que indicam sugestão LINGUAGEM INFORMAL Poder igual entre os falantes Contato freqüente Grande envolvimento afetivo Léxico coloquial (abreviações e gírias) . termos chulos. escrevendo bilhete para a namorada. extinguindo-se gradualmente com a chegada da civilização) Variedades ligadas à situação: Ambiente (falamos diferentemente em casa e no trabalho. Por outro lado. artificial. NÍVEIS DE LINGUAGEM O fato de cada pessoa. documentos. ou grupo de pessoas. mas sim. fugir afinal das normas típicas dessa situação. Ao usar esse registro. por exemplo) Época (o português de nossos antepassados é diferente do que falamos hoje) Tema (para alguns temas temos mais facilidade. Optamos por este nível ao escrevermos requerimentos. pedante. é inevitável perguntar qual delas é a correta. utilizar a língua de maneira diferente cria vários níveis de linguagem. o emissor segue a sua gramática interior.

durante 60 minutos. O texto abaixo é uma receita. elementos próprios da linguagem informal e. devidamente afiado. A fusão completa do melaço marca o fim da preparação. vertendo sobre ele cerca de 250 ml de H2O. Coloque num forno préaquecido a 150º. a seguir. na redação de nossos textos na universidade ou na empresa. Recoloque a peça no recipiente utilizado anteriormente.Se o objetivo de um indivíduo é falar para ser bem compreendido pelo ouvinte. Tome 125 ml de licor de Genebra e faça uma aspersão sobre a superfície da peça. Reescreva o texto utilizando uma linguagem mais apropriada. devemos ficar atentos para não utilizar. Cubra. bastante culta e inadequada para o seu público leitor. adequando-os ao interlocutor e à situação de comunicação. portanto. inadequados à linguagem acadêmica ou empresarial. Faça voltar ao forno por 15 minutos a uma temperatura de 220º. Com um instrumento cortante. Atividade Vamos ver como você se sai na cozinha. Assim preparado o material. deixando-o exposto à temperatura ambiente até que seja atingido o equilíbrio térmico. ele deve saber usar convenientemente os níveis de linguagem. . pressionando manualmente. Assim. Insira em cada ponto de intersecção das linhas de incisão um cravo aromático (botão seco da Eugenia caryophylatta) de que foi previamente retirado o elemento esférico superior. Faça incisões cuidadosas em forma de losangos sobre a superfície da peça. destaque o couro que deve recobrir a estrutura muscular do trem posterior de um suíno. Retire do recipiente o produto cozido. bem como parte do revestimento adiposo. Corte ananás sativus em secções delgadas e aplique estas secções sobre a peça. coloque-o num recipiente metálico de proporções adequadas. porém escrita em linguagem científica. esta superfície com melaço de açúcar bruto queimado.

saber adequar o registro às diferentes situações comunicativas. diálogos com autoridades. um professor. ou seja. por mais prestígio que um deles tenha em um dado momento histórico. é produzir o efeito pretendido. do contexto e dos interlocutores a quem o texto se dirige. sua existência no interior de práticas sociais comunicativas não-escolarizadas.p. É saber. Ao longo deste documento a expressão foi usada também referindose a textos. no Brasil. enfim. um religioso. a escola não tenha tomado para si a tarefa de ensinar quaisquer usos e formas da língua oral. a circunstâncias de enunciação. considerando a quem e por que se diz determinada coisa. Assim. do que se é. seminários. dificilmente ocorrerá se a escola não tomar para si a tarefa de promovê-la. como parte do objetivo educacional mais amplo de educação para o respeito à diferença. etc. Expressar-se oralmente é algo que requer confiança em si mesmo. Talvez por isso. Quando se usa aqui a expressão ―de fato‖. Quando o fez. pois seria descabido ―treinar‖ o uso mais formal da fala. denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos. A questão não é falar certo ou errado. quais variedades e registros da língua oral são pertinentes em função da intenção comunicativa. dramatizações. Trata-se de propor situações didáticas nas quais essas atividades façam sentido de fato14 . tratando sua comunidade como se fosse formada por incapazes. Cabe à escola ensinar o aluno a utilizar a linguagem oral nas diversas situações comunicativas. O problema do preconceito disseminado na sociedade em relação às falas dialetais deve ser enfrentado. de utilização eficaz da linguagem: falar bem é falar adequadamente. Texto 2 LÍNGUA ORAL: USOS E FORMAS (PCN – p. na escola. especialmente nas mais formais: planejamento e realização de entrevistas.26) A Língua Portuguesa. seria preciso ―consertar‖ a fala do aluno para evitar que ele escreva errado. 14. em contextos mais formais.AULA 3 – O ENSINO DA ORALIDADE Texto 1 Que fala cabe à escola ensinar (PCN. A própria condição de aluno exige o domínio de determinados usos da linguagem oral. As instituições sociais fazem diferentes usos da linguagem oral: um cientista. utilizam diferentes registros em razão das também diferentes instâncias nas quais essa prática se realiza. sendo assim. a intenção é marcar a existência sociocultural extra-escolar dessas atividades discursivas. além de desvalorizar a forma de falar do aluno. todos aqueles que tomam a palavra para falar em voz alta. mas saber qual forma de fala utilizar. um repórter. Reforçou assim o preconceito contra aqueles que falam diferente da variedade prestigiada. um feirante. e também para poder ensinar Língua Portuguesa. possui muitas variedades dialetais 13. A questão não é de correção da forma. etc. o . portanto. Isso se conquista em ambientes favoráveis à manifestação do que se pensa. Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que. Identificam-se geográfica e socialmente as pessoas pela forma como falam. um radialista. ou seja. A aprendizagem de procedimentos eficazes tanto de fala como de escuta. debates.39 a 41) Não é papel da escola ensinar o aluno a falar: isso é algo que a criança aprende muito antes da idade escolar. a escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma ―certa‖ de falar — a que se parece com a escrita — e o de que a escrita é o espelho da fala — e. considerando as características do contexto de comunicação. num dado momento histórico. mas de sua adequação às circunstâncias de uso. Para isso. do que se sente. É saber coordenar satisfatoriamente o que falar e como fazê-lo. com a esperança de evitar que escrevessem errado. 13. um político. Variedades dialetais ou dialetos são compreendidos como os diferentes falares regionais presentes numa dada sociedade. a usos da linguagem. foi de maneira inadequada: tentou corrigir a fala ―errada‖ dos alunos — por não ser coincidente com a variedade lingüística de prestígio social —. Mas há muitos preconceitos decorrentes do valor social relativo que é atribuído aos diferentes modos de falar: é muito comum se considerarem as variedades lingüísticas de menor prestígio como inferiores ou erradas.

coloquiais. de certa forma. é necessário diversificar as situações propostas tanto em relação ao tipo de assunto como em relação aos aspectos formais e ao tipo de atividade que demandam — fala. de reflexão sobre os recursos que a língua oferece para alcançar diferentes finalidades comunicativas. a fazer uso da língua oral de forma cada vez mais competente. a apresentação de resultados. Em geral o procedimento de expor oralmente em público não costuma ser ensinado. boa parte dessas situações também tenha lugar no espaço escolar. ensinar-lhe a utilizar adequadamente a linguagem em instâncias públicas. Supõe também um profundo respeito pelas formas de expressão oral trazidas pelos alunos. sobretudo. portanto. É fundamental que essa tarefa didática se organize de tal maneira que os alunos transitem das situações mais informais e coloquiais que já dominam ao entrar na escola a outras mais estruturadas e formais. apenas o falar cotidiano e a exposição ao falar alheio não garantem a aprendizagem necessária. quer sejam da área de Língua Portuguesa. Mas. escuta e/ou reflexão sobre a língua. Considerar objeto de ensino escolar a língua que elas já falam requer. a explicitação do que se deve ensinar e de como fazê-lo. São essas situações que podem se converter em boas situações de aprendizagem sobre os usos e as formas da língua oral: atividades de produção e interpretação de uma ampla variedade de textos orais. pois atravessa todas as áreas do conhecimento. De nada adianta aceitar o aluno como ele é mas não lhe oferecer instrumentos para enfrentar situações em que não será aceito se reproduzir as formas de expressão próprias de sua comunidade. narração de acontecimentos e fatos conhecidos apenas por quem narra. descrição do funcionamento de aparelhos e equipamentos em situações onde isso se faça necessário. É preciso. A produção oral pode acontecer nas mais diversas circunstâncias. A capacidade de uso da língua oral que as crianças possuem ao ingressar na escola foi adquirida no espaço privado: contextos comunicativos informais. se feita em grupo. por sua vez. Esse tipo de tarefa requer preparação prévia. para que possam conhecer seus modos de funcionamento e aprender a utilizá-las. As situações de comunicação diferenciam-se conforme o grau de formalidade que exigem. • atividades de produção oral de planejamento de um texto. mas o contrário também vale: as atividades relacionadas às diferentes áreas são. considerando o nível de conhecimento do interlocutor e. comparação e confronto de procedimentos empregados. E isso é algo que depende do assunto tratado. a coordenação da fala própria com a dos colegas — dois procedimentos complexos que raramente se aprendem sem ajuda. não se trata de reproduzi-las para ensinar aos alunos o que já sabem. a tomada de decisões sobre encaminhamentos. e um grande empenho por ensinar-lhes o exercício da adequação aos contextos comunicativos. cuja finalidade é a exposição de temas estudados. A linguagem tem um importante papel no processo de ensino. Eleger a língua oral como conteúdo escolar exige o planejamento da ação pedagógica de forma a garantir. depende de a escola ensinar-lhe os usos da língua adequados a diferentes situações comunicativas. dentro dos mais diversos projetos: • atividades em grupo que envolvam o planejamento e realização de pesquisas e requeiram a definição de temas. Não basta deixar que as crianças falem. portanto. atividades sistemáticas de fala. quer sejam das demais áreas do conhecimento. de suas comunidades. de elaboração propriamente e de análise de sua qualidade. É preciso que as atividades de uso e as de reflexão sobre a língua oral estejam contextualizadas em projetos de estudo. sobre temas estudados apenas por quem expõe. familiares. a diferença e a diversidade. Para isso. diante de diferentes interlocutores. de observação de diferentes usos. da relação entre os interlocutores e da intenção comunicativa. Ainda que. a divisão de tarefas. escuta e reflexão sobre a língua.desenvolvimento da capacidade de expressão oral do aluno depende consideravelmente de a escola constituir-se num ambiente que respeite e acolha a vez e a voz. A exposição oral ocorre tradicionalmente a partir do 4º ano. a partir de intenções de natureza diversa. na sala de aula. • atividades de resolução de problemas que exijam estimativa de resultados possíveis. fundamentais para a realização de aprendizagens de natureza lingüística. por meio das chamadas apresentações de trabalho. verbalização. etc. mas que tenham sempre sentido de comunicação de fato: exposição oral. • atividades dos mais variados tipos. Possivelmente por se imaginar que a boa .

exposição oral decorra de outros procedimentos já dominados (como falar e estudar). No entanto, o texto expositivo — tanto oral como escrito — é um dos que maiores dificuldades apresenta, tanto ao produtor como ao destinatário. Assim, é importante que as situações de exposição oral freqüentem os projetos de estudo e sejam ensinadas desde as séries iniciais, intensificando-se posteriormente. A preparação e a realização de atividades e projetos que incluam a exposição oral permitem a articulação de conteúdos de língua oral e escrita (escrever o roteiro da fala, falar a partir do roteiro, etc.). Além disso, esse tipo de atividade representa um espaço privilegiado de intersecção entre diferentes áreas do conhecimento, pois são os assuntos estudados nas demais áreas que darão sentido às atividades de exposição oral em seminários. O trabalho com linguagem oral deve acontecer no interior de atividades significativas: seminários, dramatização de textos teatrais, simulação de programas de rádio e televisão, de discursos políticos e de outros usos públicos da língua oral. Só em atividades desse tipo é possível dar sentido e função ao trabalho com aspectos como entonação, dicção, gesto e postura que, no caso da linguagem oral, têm papel complementar para conferir sentido aos textos. Além das atividades de produção é preciso organizar situações contextualizadas de escuta, em que ouvir atentamente faça sentido para alguma tarefa que se tenha que realizar ou simplesmente porque o conteúdo valha a pena. Propostas desse tipo requerem a explicação prévia dos seus objetivos, a antecipação de certas dificuldades que podem ocorrer, a apresentação de pistas que possam contribuir para a compreensão, a explicitação das atitudes esperadas pelo professor ao longo da atividade, do tempo aproximado de realização e de outros aspectos que se façam necessários. Mais do que isso, é preciso, às vezes, criar um ambiente que convide à escuta atenta e mobilize a expectativa: é o caso, por exemplo, dos momentos de contar histórias ou relatos (o professor ou os próprios alunos). A escuta e demais regras do intercâmbio comunicativo devem ser aprendidas em contextos significativos, nos quais ficar quieto, esperar a vez de falar e respeitar a fala do outro tenham função e sentido, e não sejam apenas solicitações ou exigências do professor.
6. Registro refere-se, aqui, aos diferentes usos que se pode fazer da língua, dependendo da situação comunicativa. Assim, é possível que uma mesma pessoa ora utilize a gíria, ora um falar técnico (o “pedagoguês”, o “economês”), ora uma linguagem mais popular e coloquial, ora um jeito mais formal de dizer, dependendo do lugar social que ocupa e do grupo no qual a interação verbal ocorrer. 7. Interação verbal, aqui, é entendida como toda e qualquer comunicação que se realiza pela linguagem, tanto as que acontecem na presença (física) como na ausência do interlocutor. É interação verbal tanto a conversação quanto uma conferência ou uma produção escrita, pois todas são dirigidas a alguém, ainda que esse alguém seja virtual. 8. Coesão, neste documento, diz respeito ao conjunto de recursos por meio dos quais as sentenças se interligam, formando um texto. 9. O termo “gênero” é utilizado aqui como proposto por Bakthin e desenvolvido por Bronckart e Schneuwly.

ATIVIDADE a) Carta da mãe portuguesa Querido filho: Escrevo-te estas linhas para que saibas que a mãe está viva. Como sei que não consegues ler rápido, vou me pôr a escrever bem devagar. Estas bem? Faz tempo que não sei o que anda a acontecer contigo. Caso estejas sem tempo de escrever à mãe, manda uma carta dizendo que quando estiveres mais tranqüilo vais mandar notícias. Se tu viesses hoje aqui em casa não irias reconhecer mais nada, porque mudamos. Temos agora uma maquina de lavar roupa. Mas não trabalha muito bem. Na semana passada pus lá catorze camisas e apertei um botão e nunca mais as vi. Vai ver que essa marca Hydra não é das melhores. Tua irmã Maria está grávida. Mas ainda não sabemos se vai ser menino ou menina. Portanto, não podemos te dizer se vais ser tio ou tia. Teu pai arranjou um bom emprego. Tem 2.300 homens abaixo dele. É o responsável pelo corte de grama no cemitério. Quem anda sumido é seu tio Venâncio, que morreu ano passado e teu primo Jacinto que sempre acreditou ser mais rápido que um touro. Bem que se viu que não era. Lembras-te do tio Joaquim? Então, afogou-se mês passado num depósito de vinho.Oito compadres dele tentaram salvá-lo, mas o tio lutou bravamente contra eles. O corpo foi cremado há duas semanas. Levaram oito dias para apagar o incêndio. Estou preocupada com o nosso cachorro, ele não para de perseguir os carros parados. Os engarrafadores de refrigerantes aqui finalmente tiveram a grande idéia de colocar uma indicação na tampinha, dizendo "Abra por aqui". Facilitou-nos muito a vida. Espero que os daí façam a mesma coisa. Caso esteja difícil para

ti, a mãe te manda algumas garrafas. Teu irmão, João, continua o mesmo de sempre. Semana passada fechou o carro com as chaves dentro. Perdeu um tempão indo até a casa pegar a cópia da chave, para pode tirar-nos todos de dentro do automóvel. Estava um calor de rachar. Por falar em calor, o tempo aqui está muito estranho. Esta semana só choveu duas vezes. Na primeira vez choveu durante três dias. Na segunda, choveu durante quatro dias. A política neste país continua a mesma de sempre. Há poucos dias houve a eleição para presidente do sindicato dos metalúrgicos. Ganhou o Manuel Inácio Da Silva, o Mula. Esta carta mando-te através do Gabriel, que vai amanhã para aí. A propósito, será que podes pegá-lo no aeroporto? Lembrei-me de uma coisa importante: terás um problema para falar com a mãe, caso decidas escrever-me. Não sei o endereço desta casa nova. A última família que morou aqui antes de nós, também era portuguesa e levou a placa da rua e o número da casa para não precisar mudar de endereço. Se encontrares a Tereza, dê um alô de minha parte. Caso não a encontres, não precisas dizer nada. Adeus. Tua mãe que te ama... Ps. Ia te mandar 2000 escudos, mas fica para outra vez. Já fechei o envelope.

Atividade: Após este exemplo, escreva uma carta para os pais da escola de EI onde você trabalha comunicando uma epidemia e a consequente suspensão das aulas por 1 semana.

AULA 4 – GÊNEROS TEXTUAIS
A VARIEDADE DE TEXTOS: OS GÊNEROS TEXTUAIS Os gêneros devem ser adequados à idade dos alunos, fazerem parte da realidade social e escolar dos alunos. QUADRO DE GÊNEROS TEXTUAIS:
Domínios sociais Aspecto de comunicação tipológico Cultura literária NARRAR ficcional Capacidades de linguagens dominantes Imitação da ação através da criação da intriga. (fictício) Exemplos de gêneros orais e escritos

Documentação ou RELATAR memorização das ações humanas

Representação pelo discurso de experiências vividas, situadas no tempo. (real)

Discussão de ARGUMEN problemas sociais TAR

Sustentação, refutação e negociação de tomadas de posição. (defesa de idéias)

Transmissão construção saberes

e EXPOR de

Apresentação textual de diferentes formas dos saberes. (científico)

Conto maravilhoso Conto de fadas Fábula Lenda Narrativa de aventura Narrativa de ficção científica Narrativa de enigma Histórias engraçadas Biografia romanceada Romance Romance histórico Novela Conto Paródia Adivinha Piada Crônica literária Relatos de experiências vividas Relatos de viagem Diário íntimo Testemunho Anedota Autobiografia Curriculum vitae Notícia Reportagem Crônica mundana Crônica esportiva Históricos Relatos históricos Textos de opinião/ diálogo argumentativo Carta de leitor Carta de reclamação Carta de solicitação Debate regrado Editorial Discurso de defesa (advocacia) Requerimento ensaio Resenhas críticas Texto expositivo Conferência Entrevista de especialista Texto explicativo Resumo de textos expositivos e explicativos

são os textos que favorecem a reflexão crítica e imaginativa. por que fez assim e não de outra maneira. essas diferenças existirão mesmo. Não há problema. Por isso. com os quais o aluno se defronta sistematicamente no cotidiano escolar e. ensinar a produzi-los e a interpretá-los. Pode ser que o seu aluno não apresente essas fases assim descritas e já vá direto ao processo quase formal da escrita. não consegue manejar. pois dela depende a possibilidade de aprender os diferentes conteúdos.26) Diversidade de textos A importância e o valor dos usos da linguagem são determinados historicamente segundo as demandas sociais de cada momento. Em conseqüência. bem como a constituição de práticas que possibilitem ao aluno aprender linguagem a partir da diversidade de textos que circulam socialmente. Sem negar a importância dos que respondem a exigências práticas da vida diária. à escola viabilizar o acesso do aluno ao universo dos textos que circulam socialmente. De modo geral. Cabe. os mais vitais para a plena participação numa sociedade letrada. dependendo dos estímulos e do ambiente alfabetizador de onde ele vem. a necessidade de atender a essa demanda. é necessário observar as fases do processo. Um exemplo: nas aulas de Língua Portuguesa. Toda educação verdadeiramente comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para o desenvolvimento da capacidade de uso eficaz da linguagem que satisfaça necessidades pessoais — que podem estar relacionadas às ações efetivas do cotidiano. implica uma revisão substantiva das práticas de ensino que tratam a língua como algo sem vida e os textos como conjunto de regras a serem aprendidas. não se ensina a trabalhar com textos expositivos como os das áreas de História. mesmo assim. se ela acha que está certo. pois considera-se que trabalhar com textos é uma atividade específica da área de Língua Portuguesa. Atualmente exigem-se níveis de leitura e de escrita diferentes e muito superiores aos que satisfizeram as demandas sociais até bem pouco tempo atrás — e tudo indica que essa exigência tende a ser crescente. ao exercício da reflexão. como espaço institucional de acesso ao conhecimento. Para a escola. à transmissão e busca de informação. lidos e ouvidos em razão de finalidades desse tipo. argumentar a favor ou contra uma determinada hipótese ou teoria.25. que permite o acesso à informação escrita com autonomia. pois não há um trabalho planejado com essa finalidade. portanto. e nessas aulas também não. todas as disciplinas têm a responsabilidade de ensinar a utilizar os textos de que fazem uso. se ela tem dúvida no que fez. Texto 2 CONCEITOS IMPORTANTES PARA A FORMAÇÃO DO ALFABETIZADOR Reconhecimento das fases da escrita Para que você possa acompanhar o processo de aquisição e desenvolvimento da escrita. os textos são produzidos. o aluno não se torna capaz de utilizar textos cuja finalidade seja compreender um conceito. Isso inclui os textos das diferentes disciplinas. · Tome o cuidado de estar sempre perguntando para a criança se isto é igual àquilo. apresentar uma informação nova. Geografia e Ciências Naturais. mas é a de Língua Portuguesa que deve tomar para si o papel de fazê-lo de modo mais sistemático. . o exercício de formas de pensamento mais elaboradas e abstratas. comparar diferentes pontos de vista. é condição para o bom aprendizado. E essa capacidade. o mais importante é que você saiba reconhecer as fases que são normais e comuns. descrever um problema.Instruções prescrições e Descrever ações Regulação mútua de comportamento (instrucional) Resenhas Relatório científico Relato de experiências (científicas) Instrução de uso Instrução de montagem Receita Regulamento Regras de jogo Texto 1 (PCNs p.

sempre fazendo ligações com outras coisas já vistas por eles: um nome de alguém da escola. alguém saberia contar uma história parecida. Deixe que proponham e. É como se essa atitude fosse a nossa mais básica obrigação diária. · O isolamento e o destaque da sílaba que devemos trabalhar deve ser fruto dessas conversas informais. uma comida que nunca comemos etc. · Escreva sempre a sílaba que estiver trabalhando. Quando estiver trabalhando com a escrita. assim por diante. O importante é justificar o porquê daquela palavra-chave e o porquê daquela sílaba específica. Caso essas escolhas estejam muito fora do contexto da escola ou da sala de aula. É necessário que o professor abra espaços para que os alunos possam colocar-se como agentes ativos no processo. apresentando no quadro as respectivas grafias em maiúscula e minúscula. da história. quem era ele. assim. não é possível saber para onde se quer ir e. Depois dos títulos vêm as tramas dos textos (os problemas enfrentados pelas personagens). é importante deixar claro que o título aponta para o caminho que o escritor irá percorrer. já lemos outro texto assim. · Justificar a leitura e a escrita que foram propostas é sempre uma postura louvável por parte do professor.· É importante fazer a criança refletir: se eu ouvi cinco pausas na leitura da professora. sempre buscando evidenciar os elementos que estruturam um texto. · Leia para os alunos e com eles.Mas. Se não se coloca um título. mas antes garanta que eles estabeleçam um propósito possível para eles e dê-lhes condições para alcançá-lo. Se todos os dias tivermos essa atitude mínima. · Cuide para que os apontamentos feitos pelos alunos. um nome de programa de televisão. baseados na realidade de cada um. vale a pena discutir o assunto e resgatar junto com eles qual é o sentido da escola. mas o aluno que a trouxe sabe. principalmente. faça desenhos para facilitar o trabalho de percepção. do desenho ou figura numa conversa informal com seus alunos. · Procure estimulá-los e fazê-los lembrar de coisas que começam pela mesma sílaba e. sobretudo. eles já dominam. até modifiquem a sua intenção. para que eles realmente as percebam. textos. é referente a um fato. possam tomar significados maiores. quais são as diferenças culturais e sociais entre eles e. Não seja rígido nas suas propostas. coisas que querem fazer. Eles podem escolher livros. em relação a sua temática do dia. de quem veio. você irá perceber as coisas que eles vivem. por que o meu registro tem só duas marcas? Ao refletir. o que de conteúdo. se quiser. é uma história real ou não. · Sempre faça a apresentação do texto. se tiver feito desenhos. uma comida de que todos gostem. Os títulos são as principais percepções dos alunos no início do trabalho. Assim. mas cuide para sempre registrar as colocações no formato de listas. Tem de haver um propósito plausível. Faça seu trabalho com base nisso. mude um pouco a atividade e dê uma atenção maior àquilo que acabou de surgir e que despertou a curiosidade. . sua construção e as diferenças entre textos anteriormente acessados por ele. Atitudes pedagógicas Há uma série de procedimentos que devem nortear a atitude profissional do professor nas suas práticas diárias numa turma de alfabetização. ela elabora uma percepção mais consistente em relação à fala e à escrita. · Chame a atenção dos alunos para o título do texto ou para o título daquilo que se propõe a escrever ou a ler. sua apresentação. em letra de forma e em cursiva. Se um aluno trouxer uma palavra que é usada lá na zona onde vive e há uma variação lingüística ali ou um desconhecimento geral sobre o significado dela. o texto pode ficar sem sentido.Não ser arbitrário nessa questão faz diferença no bom relacionamento com a turma. é necessário construir essa habilidade na prática diária da leitura. A flexibilidade costuma dar melhores resultados. Questões pertinentes podem ser: Vocês repararam que esta história tem várias partes? Alguém pode dizer onde estão elas? Onde está o começo da história? Em que parte aconteceu tal coisa?Em que parte as personagens brigam? Onde alguém conta o que viu? · É importante identificar o texto ou a escrita: para quem é. da proposta-base do professor modificada com a interferência dos alunos. às vezes. palavras que querem estudar. escreva abaixo deles. sua forma. das colocações feitas pelos alunos e. certamente já estaremos dando condições de o aluno perceber melhor aquilo que estamos propondo.

ou ainda. editoriais. regras de jogo. os pronomes e uma porção de outros elementos das mais diferentes classes de palavras. desenvolvimento e conclusão. inventários. seja um dicionário. se necessário. · Direção da escrita: primeiramente. É a arbitrariedade do professor que vai direcionar esta produção. com as mesmas características. · Crie situações naturais ou artificiais que tornem a escrita fundamental para que os alunos possam perceber as suas aplicabilidades. Isso se deve ao fato de que a coordenação motora nesta fase ainda está em desenvolvimento e. no entanto. Concentre-se nos aspectos da leitura. sejam eles o escriba ou não. manuais de operação e de uso. eles começarão a perceber que essa ordem dá uma organização final que é imprescindível para que todos possam ler aquilo que eles escrevem. é imprescindível que. lendas. pequenas delícias do texto secundário. dando sentido ao texto. cartas (pessoais. as conjunções. convocações. de que para sempre necessitarão. é compreensível por parte de quem ouve. » textos narrativos: contos. ensaios. Os alunos em alfabetização também costumam escrever tudo junto (eugostodemelcommamão). A escrita tem de ser uma necessidade para a criança. relatórios de experiências. biografias. Caso contrário. artigos opinativos. qualquer que seja o processo. contos de fadas. piadas. uma farta diversidade de gêneros literários e vários tipos textuais. sem linhas e sem marcas). eles desenvolverão uma percepção somente da trama principal e deixarão de lado as minúcias. Essas questões ajudarão a desenvolver um comportamento salutar em relação à clareza da escrita. Além disso. Faça-lhes sempre perguntas para ajudá-los a perceber se o que está sendo apresentado por eles. "e então". · Espaçamento entre palavras e entre linhas: depois da direção vem a etapa do espaçamento. com a qual o aluno precisa ter contato desde o começo. petições). Produção textual A compreensão dos conteúdos que estão envolvidos na produção textual é fundamental para o trabalho de alfabetização. autobiografias. Essas são dicas de que a criança não tem a menor idéia do que seja um elemento de coesão nos textos escritos. os alunos começam a fazer tentativas de escrita em várias direções. daí ele fez aquilo. crônicas. reportagens. Mas a prioridade deve ser resgatar a compreensão e a interpretação deles para cada um dos tipos textuais. depoimentos.· Os textos têm uma idéia central e uma porção de outras que se desenrolam em torno dela. "daí ele fez isso. ficção. · Deixe sempre à disposição dos alunos um canal para consulta. "causos". Deixe que os alunos saboreiem livremente cada um dos textos e depois. o próprio professor ou qualquer outro material para que ele possa recorrer num momento de dúvida. . » textos instrucionais: receitas. Com o tempo. faça o trabalho de produção textual. Cuide para que os alunos percebam também as nuanças e os detalhes de uma boa narrativa. os artigos. aventuras. como as preposições. é muito difícil para a criança desenvolver o traço dentro de espaços tão pequenos como os determinados pelas linhas. regimentos e estatutos. · Elementos de coesão: são aqueles elementos da escrita que ligam umas idéias nas outras. Tome o cuidado de escolher bons textos de cada tipo. » textos argumentativos: diálogos. É dessa forma que as tentativas dos alunos de produção de textos se tornarão mais compreensíveis e claras para o professor. notícias. de reclamação. resenhas. o desejo de dominá-la. » textos expositivos: verbetes de dicionário. · Paragrafação: a idéia de parágrafo não deve ser trabalhada tão cedo. dentro de cada gênero. nos momentos de leitura compartilhada. Assim. avisos. · Sequência lógica: o texto exige uma seqüência lógica: introdução. não se pode jogá-la fora. » relatos: diários. fábulas. assim. o professor chame a atenção para eles. despertando. testemunhos. no trabalho diário. Resgate-as. eles amontoam um pouco a primeira linha com a segunda e assim por diante (lembrando que no início da alfabetização trabalhamos com folhas sem pauta. · Apresente-lhes. determinar claramente qual é o objetivo da escrita ou qual é a idéia que percorrerá a leitura antes de iniciá-la pode resolver uma série de questões acerca do entendimento prévio necessário para que o aluno acompanhe. bulas de remédios. trechos de livro didático. por isso. Quando a criança ainda não os domina é comum aparecer nos textos as expressões: "e aí". daí ele saiu". Mesmo que os alunos ainda não consigam perceber a distinção entre eles. etc.

mas sobretudo aguda ou fina. Mas não seja negligente. Letramento é a letra que ganha vida ativa. certamente o objetivo será alcançado ao final. Sempre aponte para a criança os erros e os acertos. · Essa vivificação do alfabeto torna o texto elemento central do trabalho. quais interferências lhe são possíveis. por exemplo. · A vivificação exige um compromisso de que todas as atividades sejam estruturadas como situações de desafio. Pode-se fazer um sarau de poesias infantis com os livros trazidos pelos colegas . sob orientação e de forma contextualizada. para obter melhor resultado. e deve colocá-los na ordem que julgar melhor. Não se desespere. dá boas condições motoras para a execução do traço.10 a 17) Atividade Cada dupla ou grupo recebe um poema separado em versos soltos. uma vez que tenha consciência do mundo e do papel que pode desempenhar nele. (ALMEIDA. A forma como a criança vive. Trabalhar com eixos norteadores É preciso que o professor desenvolva uma percepção dos eixos norteadores e geradores acerca do letramento. situações-problema que cobrem dos alunos mais participação. . ajudam na tonicidade muscular. E para desenvolvê-lo é necessário constituir eixos geradores.com a vivificação da alfabetização. na firmeza e na destreza das mãos. se o trabalho for intensificado aos poucos. Depois. É importante que a criança tenha este tipo de trabalho motor. mais ação. É a vivificação da alfabetização. você tem de unir os tipos de trabalho. como a letra entra no cotidiano dela. jogos e atividades lúdicas ajudam muito. o trabalho com coordenação motora global. Nossa letra tem uma relação direta com aquilo que somos. mas não tenha uma preocupação excessiva com essa questão. Geraldo Peçanha de. como elemento desencadeador da ação.· Legibilidade da letra: o traçado da letra é primeiramente uma habilidade motora. Assim. mais atividade. evitando o estado de passividade. Isso é normal. tendo como ponto de partida temas sociais de toda natureza. É a dominância hemisférica que irá definir a opção. · Erros ortográficos: O texto produzido livremente. sem deixar que se percam a beleza da palavra e o prazer do texto. Brincadeiras infantis. Por isso. sempre apresentará uma série de erros ortográficos. A criança tem em média 12anos de escolarização para ter um bom domínio da língua pátria. seja ele oral ou escrito. É a vida que surge da palavra. Não se esqueça de que até aos 12 anos a criança pode mudar a mão com a qual se sente melhor para escrever. por meio da interferência dela própria.levar a criança à superação do espontaneísmo e da mera permanência no senso comum e na reprodução mecânica da escola. como ela elabora suas ações. na escola. Letramento é a função social da escrita na vida da criança. · Esse trabalho deve ser baseado em critérios criativos e lúdicos. não só mecânico. Depois ele passa a ser uma parte da nossa personalidade. discute-se o conceito de poesia e obra literária. · O letramento é composto pelas experiências de vida da criança dentro e fora da escola. P. mas o processo precisa ser cognitivo. · Busca-se. sejam próximos ou mais distantes da realidade da criança. Mas isso não é tudo. em desordem. tudo isso aliado aos aspectos de caráter crítico-social. inicialmente.

AULA 5 – COMO ENSINAR A ESCREVER . não é possível tomar como unidade básica de ensino nem a letra. reportagem) Objetivo/finalidade (convite. conto de fadas. a juntar palavras para formar frases e a juntar frases para formar textos. 28 e 29) O TEXTO COMO UNIDADE DE ENSINO O ensino da Língua Portuguesa tem sido marcado por uma seqüenciação de conteúdos que se poderia chamar de aditiva: ensina-se a juntar sílabas (ou letras) para formar palavras. é um texto cuja extensão é a de uma palavra. A palavra ―pare‖. pintada no asfalto em um cruzamento. Analisando os textos que costumam ser considerados adequados para os leitores iniciantes. todos são textos. Se o objetivo é que o aluno aprenda a produzir e a interpretar textos. não é nem um texto nem parte de um texto. A produção de textos escritos Categorias didáticas de práticas de produção escrita Transcrição Reprodução (paráfrases. Essa abordagem aditiva levou a escola a trabalhar com ―textos‖ que só servem para ensinar a ler. que é questão central. paródias) Autoria (a tarefa do sujeito torna-se complexa) Texto 1 (PCN p. Dentro desse marco. prova. resumos) Decalque (modelos lacunados: cartas comerciais. de se comover. um conto ou um romance. criança) O meio de divulgação: suporte (carta. aviso. numa lista de palavras começadas com ―p‖. de poucas frases.Paródia Antes da produção. mural) Gênero (conto. novamente aparece a confusão entre a capacidade de interpretar e produzir discurso e a capacidade de ler sozinho e escrever de próprio punho. em geral. Um texto não se define por sua extensão. ―Textos‖ que não existem fora da escola e. Ao aluno são oferecidos textos curtos.. Essa visão do que seja um texto adequado ao leitor iniciante transbordou os limites da escola e influiu até na produção editorial: livros com uma ou duas frases por página e a preocupação de evitar as chamadas ―sílabas complexas‖. amigo. adulto. Precisa ser articulado Precisa ser articulado Plano da forma/expressão (como dizer) Determinado pelo texto original Possibilita tratar de aspectos coesivos da língua Definido pelo texto modelo . pois não se insere em nenhuma situação comunicativa de fato. permite que o aluno se concentre no que tem a dizer. nem sequer podem ser considerados textos. descontextualizadas. às vezes. nem a frase que. no mínimo. jornal. O nome que assina um desenho. livro. simplificados. a unidade básica de ensino só pode ser o texto. A possibilidade de se divertir. Por trás da boa intenção de promover a aproximação entre crianças e textos há um equívoco de origem: tenta-se aproximar os textos das crianças — simplificandoos —. lazer) A necessidade de revisão (processual e final) e refacção. a lista do que deve ser comprado. mas isso não significa que não se enfoquem palavras ou frases nas situações didáticas específicas que o exijam. nem a sílaba. de fruir esteticamente num texto desse tipo é. no lugar de aproximar as crianças dos textos de qualidade. remota. pouco têm a ver com a competência discursiva 21 . nem a palavra. até o limite da indigência. O mesmo ―pare‖. relato. Plano do conteúdo (o que dizer) Determinado pelo texto original Definido pelo texto modelo Em suas aplicações mais criativas. pois não passam de simples agregados de frases. desconhecido. é necessário explicitar para o aluno: Quem será o leitor/receptor (prof. proposta pelo professor. como os escritos das cartilhas.

Atividade Após assistir ao DVD com várias fábulas tradicionais e ler as fábulas trazidas pelos colegas. considerando todos os aspectos e decisões envolvidos nesse processo. com alteração de significado (paródia) e incluindo elementos de outros contos (intertextualidade). Competência discursiva. pede-se que cada grupo faça uma nova versão de um deles.Não se formam bons leitores oferecendo materiais de leitura empobrecidos. . de alguma forma. 21. a qualidade de suas idas melhora com a leitura. As pessoas aprendem a gostar de ler quando. neste documento. está sendo compreendida como a capacidade de se produzir discursos — orais ou escritos — adequados às situações enunciativas em questão. justamente no momento em que as crianças são iniciadas no mundo da escrita.

Um escritor29 competente é alguém que. ainda. arriscar-se a fazer como consegue e receber ajuda de quem .  Pragmáticos: características da situação comunicativa do texto (sarau. É disso que se está falando quando se diz que é preciso ―aprender a escrever. Ao contrário. um leitor competente. conhecendo possibilidades que estão postas culturalmente. o escritor competente selecionará um gênero que lhe possibilite a produção de um texto predominantemente argumentativo. sem desconsiderar as características específicas do gênero. o que efetivamente se escreve e a interpretação de quem lê. que sabe esquematizar suas anotações para estudar um assunto. a outros textos quando precisa utilizar fontes escritas para a sua própria produção. Para aprender a escrever. se é fazer uma solicitação a determinada autoridade. e a escrita não é o espelho da fala. se é enviar notícias a familiares. 47 a 53) Prática de produção de textos O trabalho com produção de textos tem como finalidade formar escritores competentes capazes de produzir textos coerentes. considerando. É alguém que sabe elaborar um resumo ou tomar notas durante uma exposição oral. obscuro ou incompleto. com qual finalidade. estilística. que é possível saber produzir textos sem saber grafá-los e é possível grafar sem saber produzir. Ou seja: é capaz de revisa-lo e reescrevê-lo até considerá-lo satisfatório para o momento. provavelmente redigirá um ofício.). têm provocado uma revolução na forma de compreender como esse conhecimento é construído. é necessário ter acesso à diversidade de textos escritos. Por exemplo: se o que deseja é convencer o leitor. escrevendo‖. morfologia. é preciso oferecer aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a escrever em condições semelhantes às que caracterizam a escrita fora da escola. que não se aprende a ortografia antes de se compreender o sistema alfabético de escrita. o que pretendem dizer e a quem o texto se destina — afinal. capaz de olhar para o próprio texto como um objeto e verificar se está confuso. ambíguo. sabe selecionar o gênero no qual seu discurso se realizará escolhendo aquele que for apropriado a seus objetivos e à circunstância enunciativa em questão.AULA 6 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES DE ESCRITA DOS PCNS Aspectos que devem ser considerados na produção de texto:  Discursivos: relativos ao contexto de produção (para quem se escreve. ao mesmo tempo. seminário. adequação ao gênero solicitado. As pesquisas na área da aprendizagem da escrita. O conhecimento a respeito de questões dessa natureza tem implicações radicais na didática da alfabetização. ao produzir um discurso. em qual portador circulará. também. A principal delas é que não se deve ensinar a escrever por meio de práticas centradas apenas na codificação de sons em letras. pontuação. acentuação. coesos e eficazes. testemunhar a utilização que se faz da escrita em diferentes circunstâncias. com sucesso. É preciso que se coloquem as questões centrais da produção desde o início: como escrever. escreverá uma carta. mesa-redonda etc). TEXTO 1 (PCN p. semântica.  Notacionais: relativos à compreensão do sistema de escrita. nos últimos vinte anos. É preciso que aprendam os aspectos notacionais da escrita (o princípio alfabético e as restrições ortográficas) no interior de um processo de aprendizagem dos usos da linguagem escrita. que o domínio da linguagem escrita se adquire muito mais pela leitura do que pela própria escrita. Um escritor competente é alguém que planeja o discurso e conseqüentemente o texto em função do seu objetivo e do leitor a que se destina. É. capaz de recorrer. prova escrita. defrontar-se com as reais questões que a escrita coloca a quem se propõe produzi-la.  Gramaticais: ortografia. redundante. a eficácia da escrita se caracteriza pela aproximação máxima entre a intenção de dizer. que sabe expressar por escrito seus sentimentos. Hoje já se sabe que aprender a escrever envolve dois processos paralelos: compreender a natureza do sistema de escrita da língua — os aspectos notacionais — e o funcionamento da linguagem que se usa para escrever — os aspectos discursivos. Um escritor competente é. experiências ou opiniões.  Textuais: relativos à coesão e coerência textuais.

o termo ―escritor‖ está sendo utilizado aqui para referir-se não a escritores profissionais e sim a pessoas capazes de redigir. enquanto um terceiro revisa. e apesar de todas as correções feitas pelo professor. para quem. Sendo assim. que tenham condições de assumir a palavra — também por escrito — para produzir textos adequados. portanto. ouvir alguém lendo o texto que produziu é uma experiência importante. Experimentando esses diferentes papéis enunciativos. Essa é uma estratégia didática bastante produtiva porque permite que as dificuldades inerentes à exigência de coordenar muitos aspectos ao mesmo tempo sejam divididas entre os alunos. esse é o início de um caminho que deverão trilhar para se transformarem em cidadãos da cultura escrita. textos expositivos que não expõem idéias. por meio da leitura (quando os alunos ainda não lêem com independência. envolvendo-se com cada um. o que precisa. uma prática continuada de produção de textos na sala de aula. • solicitar aos alunos que produzam textos muito antes de saberem grafá-los. situações de produção de uma grande variedade de textos de fato e uma aproximação das condições de produção às circunstâncias nas quais se produzem esses textos. ao contrário. . Formar escritores competentes. Além disso. TRATAMENTO DIDÁTICO Alguns procedimentos didáticos para implementar uma prática continuada de produção de textos na escola: • oferecer textos escritos impressos de boa qualidade. o tratamento que se dá à escrita na escola não pode inibir os alunos ou afastá-los do que se pretende. Compreendida como um complexo processo comunicativo e cognitivo. Uma das prováveis razões dessas dificuldades para redigir pode ser o fato de a escola colocar a avaliação como objetivo da escrita. Para tanto é preciso que. • propor situações de produção de textos. portanto. grafar e revisar. isso se torna possível mediante leituras de textos realizadas pelo professor. podem ir construindo sua competência para posteriormente realizarem sozinhos todos os procedimentos envolvidos numa produção de textos. supõe. 29. é preciso aproximá-los. encontram-se também enormes dificuldades no que diz respeito à segmentação do texto em frases. Se o objetivo é formar cidadãos capazes de utilizar a escrita com eficácia. textos argumentativos que não defendem nenhum ponto de vista. Eles podem. em pequenos grupos. ensinar os alunos a lidar tanto com a escrita da linguagem — os aspectos notacionais relacionados ao sistema alfabético e às restrições ortográficas — como com a linguagem escrita — os aspectos discursivos relacionados à linguagem que se usa para escrever. a cada vez.já sabe escrever. principalmente quando são iniciados ―oficialmente‖ no mundo da escrita por meio da alfabetização. freqüentemente se encontram narrações que ―não contam histórias‖. cartas que não parecem cartas. por exemplo. Ditar para o professor. por sua vez. Quando se analisam as principais dificuldades de redação nos diferentes níveis de escolaridade. São situações em que um aluno produz e dita a outro. também. o professor tem um papel decisivo tanto para definir os agrupamentos como para explicitar claramente qual a tarefa de cada aluno. além de oferecer a ajuda que se fizer necessária durante a atividade. mesmo que não o faça convencionalmente. onde e como se escreve. numa atividade colaborativa. Afinal. a escrever como lhe for possível. tão logo o aluno chegue à escola. Nessas situações. Quando ainda não se sabe escrever. para um colega que já saiba escrever ou para ser gravado em fita cassete é uma forma de viabilizar isso. a prática de produção de textos precisa realizar-se num espaço em que sejam consideradas as funções e o funcionamento da escrita. como atividade discursiva. bem como as condições nas quais é produzida: para que. Diferentes objetivos exigem diferentes gêneros e estes. nas quais os alunos compartilhem as atividades. É necessário. seja solicitado a produzir seus próprios textos. ser uma prática continuada e freqüente). é preciso organizar o trabalho educativo para que experimentem e aprendam isso na escola. dedicar-se a uma tarefa mais específica enquanto os outros cuidam das demais. Como já foi explicado anteriormente. que escreve. momentaneamente. São esses textos que podem se converter em referências de escrita para os alunos. ao agrupamento dessas em parágrafos e à correção ortográfica. têm suas formas características que precisam ser aprendidas. mesmo que não saiba grafá-los. embora realizando diferentes tarefas: produzir propriamente.

uma importante estratégia didática em se tratando da prática de produção de textos: ela permite. escuta de leituras. O fato de o objetivo ser compartilhado. é fundamental que os alunos saibam que escrever. por exemplo. e de haver um produto final em torno do qual o trabalho de . sua importância e instruções para realização. ela. envolver ou não outras áreas do conhecimento e resultar em diferentes produtos: uma coletânea de textos de um mesmo gênero (poemas. uma cartilha sobre cuidados com a saúde. uma revista sobre vários temas estudados. ALGUMAS SITUAÇÕES DIDÁTICAS FUNDAMENTAIS PARA A PRÁTICA DE PRODUÇÃO DE TEXTOS Projetos Os projetos30 são excelentes situações para que os alunos produzam textos de forma contextualizada — além do que. que características possuem ou quais têm mais qualidade. um livro sobre um tema pesquisado. 30. um folheto informativo. por exemplo. desde o início. Por exemplo. dificilmente. é imprescindível que se faça uso do registro escrito como recurso de documentação e de estudo. além de oferecerem reais condições de produção de textos escritos. Isso poderá alertar tanto alunos como professores sobre o fato de que cartazes produzidos com textos longos e letra manuscrita pequena (como algumas vezes se pode observar nos corredores das escolas) não são eficazes. um mural. um jornal mensal. nesse caso.).). no ensino das outras áreas. deve aprender que não poderá usar dêiticos (ele. Este.Por outro lado. a explicitação das dificuldades e a discussão de certas fantasias criadas pelas aparências. um panfleto. Os projetos. mesmo caminhando. lá. ou um panfleto com estatísticas a respeito de um assunto discutido. em função do objetivo de trabalhar com textos informativos. carregam exigências de grande valor pedagógico: • podem apontar a necessidade de ler e analisar uma grande variedade de textos e portadores do tipo que se vai produzir: como se organizam. ―a característica básica de um projeto é ter um objetivo compartilhado por todos os envolvidos. etc. lá. • o exercício de o escritor ajustar o texto à imagem que faz do leitor fisicamente ausente permite que o aluno aprenda a produzir textos escritos mais completos. por exemplo. exigem leitura. • por intermédio dos projetos é possível uma intersecção entre conteúdos de diferentes áreas: por um lado. ela. produção de textos orais. privilegiam assuntos de outras áreas.• a conversa entre professor e alunos é. onde é aqui. Por exemplo: fazer um diário de viagem (pelos lugares que estão sendo estudados). muito mais que mostra. a necessidade de revisão e de cuidado com o trabalho se impõe. com características de textos escritos mesmo. lendas. aqui. ainda que gratificante para muitos. pois a legibilidade passa a ser um objetivo deles também e não só do professor. pesquisa ou outras atividades. estudo. • os projetos favorecem o necessário compromisso do aluno com sua própria aprendizagem. • quando há leitores de fato para a escrita dos alunos. escrever um livro sobre as grandes navegações. que a correta ortografia pode ajudar na compreensão de quem lê. possa ler. A tarefa de fazer um cartaz.) sem que o referente já tenha aparecido anteriormente no texto (quem é ele. as pessoas suportam ler textos cuja letra é incompreensível. Trata-se. também. etc. Conforme já especificado anteriormente. esconde o processo pelo qual foi produzido. que não se pode ser tão redundante a ponto de correr o risco de o leitor desistir de ler o texto. os cartazes de divulgação de uma festa na escola ou um único cartaz. que. ao final ou durante o trabalho. etc. Esse registro pode resultar na elaboração de portadores de textos específicos. Podem ser de curta ou média duração. contos de assombração ou de fadas. dos temas transversais. Sendo assim. de uma atividade de reflexão sobre aspectos próprios do gênero que será produzido. há os projetos da área de Língua Portuguesa que. elaborar uma cartilha sobre o que é a coleta seletiva do lixo. o texto praticamente não deixa traços de sua produção. Uma delas é a da facilidade que os bons escritores (de livros) teriam para redigir. Quando está acabado. dependendo de como se organizam. poderá pôr em evidência o fato de que praticamente todos os cartazes são escritos com letras grandes — para permitir a leitura a distância — e com mensagens curtas — para que o leitor. não é fácil para ninguém. que se expressa num produto final em função do qual todos trabalham‖.

Nesse sentido. o ditado. etc. como também permite romper a situação de produção do texto. Isso significa deslocar a ênfase da intervenção.todos se organiza. nesse caso. É uma excelente estratégia didática para que o aluno perceba a provisoriedade dos textos e analise seu próprio processo. 32. possam ―eliminar‖ algumas delas. A maioria dos escritores iniciantes costuma contentar-se com uma única versão de seu texto e. no produto final. revisar. escrita e revisão dos textos. Essa possibilidade cria um efeito de distanciamento que permite trabalhar sobre o texto depois de uma primeira escrita. O termo ―rascunho‖ está sendo usado aqui com o sentido de ―esboço‖ e não com o sentido que lhe é habitual em muitas escol as de texto escrito com ―letra feia‖ que precisa ser ―passado a limpo‖. permite separar não só o escritor do destinatário da mensagem (comunicação a distância). a própria escola sugere esse procedimento. de modo que. Produção com apoio A constatação das dificuldades inerentes ao ato de escrever textos — dificuldades decorrentes da exigência de coordenar muitos aspectos ao mesmo tempo — requer a apresentação de propostas para os alunos iniciantes que. durante e depois.. a revisão do texto32 assume um papel fundamental na prática de produção. a produção coletiva de textos. Textos provisórios A materialidade da escrita. separando produtor e produto. por exemplo) para que depois cada aluno escreva a sua versão (ou que o façam em pares ou trios). É preciso ser sistematicamente ensinada. assuma sua real função: monitorar todo o processo de produção textual desde o planejamento. tomar nas mãos o seu próprio processo de planejamento. • planejar coletivamente o texto (o enredo da história. É importante que essas situações sejam planejadas de tal forma que os alunos apenas se preocupem com as variáveis que o professor priorizou por se relacionarem com o desenvolvimento do conteúdo em questão. Situações de criação Quando se pretende formar escritores competentes. • dar o começo de um texto para os alunos continuarem (ou o fim. contribui muito mais para o engajamento do aluno nas tarefas como um todo. • produzir textos a partir de outros conhecidos: um bilhete ou carta que o personagem de um conto teria escrito a outro.. muitas vezes. uma crônica sobre acontecimentos curiosos. Por exemplo: • reescrever ou parafrasear bons textos já repertoriados mediante a leitura. uma mensagem de alerta sobre os perigos de uma dada situação. leitor e avaliador do seu próprio texto. etc. Ver. Isso em nada contribui para o texto ser entendido como processo ou para desenvolver a habilidade de revisar. do que quando essas são definidas pelo professor. que faz do seu produto um objeto ao qual se pode voltar. de certa forma. • transformar um gênero em outro: escrever um conto de mistério a partir de uma notícia policial e viceversa. a correção exaustiva do produto final. O trabalho com rascunhos 31 é imprescindível. etc. o item ―Revisão de texto‖. a exigência de uma ortografia impecável. de tal maneira que o escritor possa coordenar eficientemente os papéis de produtor. para que se concentrem em outras. para que escrevam o início e o meio). determinadas práticas habituais que não fazem qualquer sentido quando trabalhadas de forma descontextualizada podem ganhar significado no interior dos projetos: a cópia. ao longo de todo o processo: antes. cada vez mais. depende de o escritor. 31. desde o planejamento. transformar uma entrevista em reportagem e vice-versa. adiante. A melhor qualidade do produto. é preciso também oferecer condições . progressivamente. ou seja. um trecho do diário de um personagem. para o processo de produção. Quando isso ocorre. uma notícia informando a respeito do desfecho de uma trama. pode assumir um papel mais intencional e ativo no desenvolvimento de seus procedimentos de produção.

tempo. pontuação) 3) Superestrutura esquemática (características de cada tipo de texto) CRITÉRIOS PARA CORREÇÃO DE UM TEXTO NARRATIVO Descrição Código dos alunos (A1. Por isso. etc. seja por meio de um contato direto. que lhes permita recriar. deve-se orientar/observar: 1) Macroestrutura (conteúdo. os procedimentos de análise propostos pelo professor se incorporem à prática de reflexão do aluno. desenvolvimento.. A2. Domínio das técnicas de construção de discursos (direto e indireto) Uso freqüente de sinais de pontuação. favorecendo um controle maior sobre seu processo criador. de qualquer forma. assunto. O importante. enciclopédias. criar. atlas. S: sim. Evidentemente. Uma contribuição importante é conhecer o processo criador de outros autores.. indicadores de início. considerar o texto como unidade básica do ensino de Língua Portuguesa não significa que. É importante que nunca se perca de vista que não há como criar do nada: é preciso ter boas referências. A4. A3. revistas e todo tipo de fonte impressa eventualmente necessária (até mesmo um banco de personagens criados e caracterizados pelos próprios alunos para serem utilizados nas oficinas). LEGENDA: N: não. Adequação do título à narrativa. mas de uma prática constante de leitura. formar bons escritores depende não só de uma prática continuada de produção de textos. eventualmente. jornais. com o tempo. ortografia. dificuldades ou as alternativas escolhidas e abandonadas — o percurso propriamente. não seja necessário analisar unidades como as palavras e até mesmo as sílabas. recriar as próprias criações. Suficiente domínio das normas de convenção ortográfica. Propriedade vocabular. é dar sentido às atividades de escrita. Uma forma de trabalhar a criação de textos são as oficinas ou ateliês de produção. em função do que vão produzir: outros textos do mesmo gênero.) Organização e conteúdo Forma e linguagem Texto organizado em parágrafos. “e daí”. A possibilidade de avaliar o percurso criador é importante para a tomada de consciência das questões envolvidas no processo de produção de textos. espaço. seja por meio de textos por eles escritos sobre o tema ou de vídeos. Isso é algo que depende de o professor chamar a atenção para certos aspectos. é importante destacar que nem todos os conteúdos são possíveis de serem trabalhados por meio de propostas que contextualizem a escrita de textos: às vezes. AULA 7 – COM FAZER A CORREÇÃO /REVISÃO TEXTUAL Para escrever/corrigir. . “e então”. Paragrafação bem delineada. dicionários.de os alunos criarem seus próprios textos e de avaliarem o percurso criador. é preciso escrever unicamente para aprender. Finalmente. clímax e desfecho). Uma oficina é uma situação didática onde a proposta é que os alunos produzam textos tendo à disposição diferentes materiais de consulta. desenvolvimento e conclusão. idéia) 2) Microestrutura (forma. Presença de narrador. personagens. enredo (introdução. Emprego de mecanismos de sequenciação. entrevistas. Linguagem clara. isso só se torna possível se tiverem constituído um amplo repertório de modelos. fazer com que os alunos exponham suas preferências. Esse trabalho de explicitação permite que. como “e depois”. Por outro lado.

p. sistematizar os resultados do trabalho coletivo e devolvê-lo organizadamente ao grupo de alunos. quando se toma apenas um desses aspectos para revisar. Nesse caso. precisam aprender a detectar os pontos onde o que está dito não é o que se pretendia. esta pode ser uma tarefa complexa. dão origem a um tipo de conhecimento que precisa ir se incorporando progressivamente à atividade de escrita. os alunos e o professor debruçam-se sobre o texto buscando melhorá-lo. relembrar o compromisso com o leitor: letra. ortografia). a ortografia. fazer considerações sobre a proposta: conteúdo abordado (macroestrutura). A revisão de texto.(esses critérios foram estabelecidos pela professora doutora Maria Antônia Granville. nos aspectos coesivos e pontuação. é possível. Quer seja com toda a classe. os procedimentos de coesão utilizados. produção escrita e reflexão sobre a língua (e mesmo de comparação entre linguagem oral e escrita) é o das atividades de revisão de texto. identificar os problemas do texto e aplicar os conhecimentos sobre a língua para resolvê-los: acrescentando. deslocando ou transformando porções do texto. com o objetivo de torná-lo mais legível para o leitor. a discussão sobre os textos alheios e próprios. série e nos diálogos mantidos com as professoras titulares das turmas –IN: Teorias e práticas na formação de prof. a revisão de texto seria uma espécie de controle de qualidade da produção. ou na ortografia. Durante a atividade de revisão. como situação didática. pois requer distanciamento do próprio texto. Pressupõe a existência de rascunhos sobre os quais se trabalha. que permitem e exigem uma reflexão sobre a organização das idéias. O que pode significar tanto torná-lo mais claro e compreensível quanto mais bonito e agradável de ler. Dessa perspectiva. apresentação. etc.. colocando sugestões efetivas para a modificação da qualidade do texto. apontar aspectos a serem melhorados. estética. retirando. Ou bem se foca a atenção na coerência da apresentação do conteúdo.PCN (p. nas quais são trabalhadas as questões que surgem na produção.54 e 55) Revisão de texto Um espaço privilegiado de articulação das práticas de leitura. pois não é possível tratar de todos ao mesmo tempo. Para tanto. ao fim da tarefa. exige que o professor selecione em quais aspectos pretende que os alunos se concentrem de cada vez. E. isto é. Essas situações. para o momento. Para os escritores iniciantes. tem objetivos pedagógicos importantes: o desenvolvimento da atitude crítica em relação à própria produção e a aprendizagem de procedimentos eficientes para imprimir qualidade aos textos. deve-se: considerar sempre o aspecto positivo primeiro (elogiar). assim mesmo. Chama-se revisão de texto o conjunto de procedimentos por meio dos quais um texto é trabalhado até o ponto em que se decide que está.235) Sobre os bilhetes do professor ao aluno. além do objetivo imediato de buscar a eficácia e a correção da escrita. a pontuação. Texto 1. bem como em atividades realizadas em parceria e sob a orientação do professor. procedimento difícil especialmente para crianças pequenas. ATIVIDADE . suficientemente bem escrito. para melhorar sua qualidade. fazer considerações sobre a forma de escrita (microestrutura – gramática. paragrafação. é interessante utilizar textos alheios para serem analisados coletivamente. produzindo alterações que afetam tanto o conteúdo como a forma do texto. com base nas produções textuais dos alunos de 5 a. quer seja em pequenos grupos. Esse procedimento — parte integrante do próprio ato de escrever — é aprendido por meio da participação do aluno em situações coletivas de revisão do texto escrito. colocando boas questões para serem analisadas e dirigindo o olhar dos alunos para os problemas a serem resolvidos. necessário desde o planejamento e ao longo do processo de redação e não somente após a finalização do produto. ocasião em que o professor pode desempenhar um importante papel de modelo de revisor.

discutese as formas de avaliação vigentes e sugeridas pelos PCNs. carta de aluno “PARA PAPAI NOEL”.5) Regular TOTAL (0.Cada grupo deve fazer e apresentar para a classe a correção das redações “MINHAS FÉRIAS” . juntamente com a redação já corrigida por um professor (xérox).0) BILHETE DO GRUPO CORRETOR: Aspectos positivos a serem mantidos na refacção: _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ Aspectos negativos a serem alterados na refacção: _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ INTEGRANTES DO GRUPO CORRETOR _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ . CORREÇÃO DA PARÓDIA (título): Ótimo (1.25) (5.75) Bom (0. Então cada grupo faz a correção de uma fábula de outro grupo elaborada na aula anterior. preenchendo a fixa abaixo.0) superestrutura Adequação ao gênero macroestrutura Adequação à proposta Coesão e coerência microestrutura Adequação da linguagem Correção gramatical Muito bom (0. Depois.

análise do conteúdo. não consiste apenas na compreensão das idéias percebidas. decorrente de uma extensa leitura silenciosa. Estímulo a atitudes que levem a um interesse permanente da leitura de muitos gêneros e para inúmeros fins. 35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 . mas também na sua interpretação e avaliação. tais processos não podem separar-se um do outro. Cruisoo. Processo complexo. R. a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. o objetivo da educação literária é também importante para um ensino eficaz. não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso.61-8) salienta quatro pontos: a) Incentivo ao pleno uso das potencialidades do indivíduo em sua leitura. O objetivo do ensino da leitura Além da orientação relativa à natureza e ao processo da leitura. Exercícios especiais (exercícios para fixação rápida ) também concorrem para o aperfeiçoamento. (Bamberger. Antes de mais nada. a leitura compreende várias fases de desenvolvimento. 22 a 29) Atividade 1 De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea. O processo mental. usar textos diversificados. Para todas as finalidades práticas. Essa tarefa mental se amplia num processo reflexivo à proporção que as idéias se ligam em unidades de pensamento cada vez maiores. atividades de atenção e concentração. não ahca? Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito. no entanto.AULA 8 – COMO ENSINAR A LER: FORMAS DE LEITURA E INCENTIVO Ao ensinar leitura. Conceito e natureza da leitura O ensino da leitura deveria corresponder à percepção que conseguimos da natureza da leitura. p. Texto 1 O ensino eficaz da Leitura 1. c) Ampliação constante dos interesses de leitura dos estudantes. p. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. devemos nos preocupar com: incentivo. fundem-se no ato da leitura. Em seguida. mas no ―reconhecimento imediato de grupos armazenados de palavras‖. 2. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa. Staiger (120. A ampliação do período de fixação e da capacidade de armazenagem resulta de um ―efeito prático‖. de modo a influir ao máximo no seu bem-estar e levá-lo à auto-realização. é um processo perceptivo durante o qual se reconhecem símbolos. A habilidade de ler perfeitamente não consiste na capacidade bem treinada de ―combinar sons em palavras e palavras em unidades de pensamento‖.1995. mas a plravaa cmoo um tdoo. b) Emprego eficiente da leitura como um instrumento de aprendizado e crítica e também de relaxamento e diversão. ocorre a transferência para conceitos intelectuais.

br/folha/ciencia/ult306u13300. No acerto. 44. O hospital se comprometeu a investir US$ 1 milhão nos próximos três anos. perto de Natal. segundo Nicolelis. leitura expressiva. assinado por Nicolelis em nome da ONG Associação Alberto Santos Dumont de Apoio à Pesquisa. e o Hospital Sírio-Libanês. "Nada impede que esse valor seja ampliado no decorrer do trabalho". OBJETIVOS: ler para estudar. ler para aprender.folha. destinado ao enfoque social do instituto. resumiu Ceschin.CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO. que segundo ele estava em maior sintonia com suas preocupações sociais. leitura para revisão (para corrigir inadequações no texto). Esse é o objetivo de uma parceria firmada ontem entre o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. ler para revisar um texto. rapidamente. Texto 2 Passe os olhos pelo texto abaixo e diga. "Vamos tentar fazer história". O acordo. leitura item a item (para realizar uma tarefa). Para o projeto. leitura tópica (para identificar informações pontuais). mas o cientista acabou optando pelo Sírio-Libanês. superintendente corporativo do Sírio-Libanês. que classificou o pesquisador da Duke de "maior cientista brasileiro vivo". M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3. reler para compreensão. os neurologistas do Sírio-Libanês receberão treinamento para lidar com a tecnologia de eletrodos e modelagem matemática que permitirá. jornal). que informações serão encontradas no texto? De onde ele foi retirado (fonte) e qual o objetivo do autor? 17/06/2005 . Nicolelis primeiro tentou acertar uma parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein. da Universidade Duke (EUA). ler para obter informações específicas. ler por prazer estético. A ESSAS FINALIDADES CORRESPONDEM VÁRIOS PROCEDIMENTOS: leitura integral de um texto. ler para obter informações gerais. dentro de três anos. S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO.shtml) . (http://www1.Paulo) O primeiro ser humano a movimentar um braço robótico apenas com a força da própria mente poderá ser brasileiro --e se transformar em ciborgue num hospital de São Paulo. C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5! LER EXIGE UMA PROPOSTA. leitura inspecional (para a escolha de um texto). ler oralmente para apresentar um texto (sarau. em grande parte. disse o gastroenterologista Mauricio Ceschin.09h45 Brasileiro quer desenvolver ciborgue humano em três anos REINALDO JOSÉ LOPES (da Folha de S. beneficiará também o instituto de neurociências que o pesquisador paulistano pretende fundar em Macaíba (RN). UMA INTENÇÃO.com. pessoas com lesões na coluna que as tenham deixado paraplégicas ou tetraplégicas ou os que perderam a movimentação por doenças degenerativas do sistema nervoso. que pretende oferecer educação integral e atendimento de saúde à população carente da região.uol. O investimento será. A técnica poderia ajudar pacientes com membros amputados. a transferência de informações do cérebro do paciente para um membro robótico.

Dica: para fazer uma leitura detalhada pergunte-se: por que leio isso? Para que me serve isso? Assim você estará fixando algumas metas. Isso aconteceu porque temos duas formas de ler: leitura informativa e leitura detalhada. com muita atenção. tentando memorizar tudo aquilo que seria interessante.Mesmo sem que você tenha lido o texto todo. Para fazermos essa leitura ainda não precisamos ter um objetivo. Fixe uma meta realista e possível. pois estamos em busca de informações importantes para nossa formação e para isso é preciso estabelecer um objetivo. caso você estivesse interessado(a) em comprar a casa descrita no texto abaixo. Faça uma limpeza mental. Ela economiza tempo. temos também a leitura superficial (ou mapeamento conceitual). apenas estamos tendo contado com o material impresso para saber do que se trata. acalme-se da melhor maneira (sem álcool ou calmantes). 1998) mostram que somos capazes de lembra melhor daquilo que nos propomos a entender. capa. que se trata de uma notícia de jornal retirado da Folha de São Paulo e que por isso o objetivo do autor deve ser informa o leitor sobre o assunto em questão. você focaliza sua atenção em uma pequena quantidade de informações. Já a Resenha lhe dá a oportunidade de decidir o que ler superficialmente e o que ler em profundidade. . quadros. A seguir. É simples: folheie algum livro ou jornal sem se deter por mais de alguns minutos e logo a seguir veja se é capaz de dizer qual o assunto do livro ou de alguma notícia. relacione todos os dados da casa que você puder lembrar. Além do esquadrinhamento. que é de nosso interesse e estamos motivados para saber. Esquadrinhar (ou scanning) o texto é uma dessa formas de leitura. concentra sua atenção e elimina o acúmulo mental de informações. COMO ENCONTRAR OS 7 ERROS. sem voltar ao texto. em que buscamos verbetes que nos façam lembrar do possível conteúdo do texto todo. mas que o faça esforçar-se um pouco. Prepare-se para ler. que possibilita uma apreensão maior das partes do texto. LEITURA INFORMATIVA Esse tipo de leitura é bem rápida e não exige grande reflexão do leitor ou memória para os fatos lidos. Então você faz anotações para rever ou para melhorar a compreensão. Concentre seu pensamento na leitura estabelecendo um objetivo para a sessão com o livro ou o artigo. ESCRAVOS DE JÓ. nome do autor. pára-se o fluxo de leitura para obter um ponto de apoio em algo que pensa que deveria saber muito bem ou que deseja compreender de maneira mais completa. ENCONTRAR UM PERSONAGEM EM UM DESENHO. Podemos fazer a resenha lendo os inícios de alguns parágrafos ou alguns parágrafos inteiros. Fixe um tempo ou limite de quantidade. OBSERVAR MUDANÇAS NOS COLEGAS. Ela é importante para auxiliá-lo a decidir o que deseja aprender dos materiais que tem à mão. como nomes de títulos ou capítulos. Estudos de leitura (Kleiman. desenhos e legendas. LEITURA DETALHADA A leitura para adquirir conhecimento começa com a resenha e a leitura superficial pelo material para se ter uma visão geral e intuir o ponto de vista do escritor. diagramas etc. uma meta a atingir com a atividade de leitura (como identificar a opinião do autor ou seus argumentos). Assim você terá feito uma leitura informativa e estará pronto para fazer ou não uma leitura mais detalhada. Consiste em passar os olhos a procura de material relevante. e da resenha. sumário. Quando se lê para conhecer. que permite a busca de informações específicas. Esse tipo de leitura exige de nós maior atenção. uma só vez. FAÇA EXERCÍCIOS DE CONCENTRAÇÃO USANDO RECURSOS VISUAIS. Outras metas podem ser atingidas se mos perguntarmos também: o que é importante? O que é imediatamente necessário? Qual a sua função? E principalmente: o que eu quero extrair dessa leitura? PARA TER ATENÇÃO/ CONCENTRAÇÃO Para prestar atenção você deve se comprometer totalmente. Ao esquadrinhar. Depois comece de novo. Identifique um alvo: o título ou o resumo do material serve de pista. possivelmente você deve ter respondido que serão encontradas informações sobre robótica. Atividade 2 INSTRUÇÃO PARA GRUPO 1: leia o texto abaixo. A leitura informativa serve para selecionarmos o que deve ser lido com prioridade e o que deve ser descartado. manchetes.

1989) Texto 3 Atividades para promover o interesse pela leitura Para que se revelem vantajosas as pesquisas no campo da leitura e a experiência do ensino da leitura. Autores lêem trechos de suas obras. tentando memorizar tudo aquilo que seria interessante. disse Eduardo. “Veja. havia três quartos no andar superior da casa. Eduardo mostrou a Marcos o closet de sua mãe cheio de roupas e o cofre trancado onde havia jóias. J. Texto e Leitor. p. R. Campinas. A. Eduardo explicou que ela ficava sempre aberta para suas irmãs mais novas entrarem e saírem sem dificuldade. na biblioteca e nos grupos de jovens. Mostras de livros com discussões. uma só vez. acrescentou. Propaganda de livros. "Mamãe nunca está em casa na quinta-feira". é preciso encontrar meios de aplicá-las no trabalho prático. reuniões e outros acontecimentos informativos sobre o conteúdo da leitura das crianças. Além do escritório.1995. & Anderson. disse Marcos. Não era tão bonito como o de seus pais. 1997:69. não era lugar para brincar: os garotos foram para a cozinha e fizeram um lanche. Journal of Psychology. gritou Eduardo.80 a 88) . Clubes do livro e de leitura. (traduzido e adaptado de Pitchert. Eduardo começou a mostrá-la pela sala de estar. "É. desde que meu pai mandou revestir com pedras essa parede lateral e colocou uma lareira". "Eu não sabia que sua casa era tão grande". Desenhando histórias. Então. os meninos podiam correr no jardim extremamente bem cuidado. a casa mais próxima está a meio quilômetro daqui". Fez-se tão somente uma tentativa para descrever atividades que já foram testadas em trabalhos práticos e para proporcionar estímulo a um trabalho adicional nessa direção. que estava revestido de mármore. Estava recém-pintada. mas para ele era a melhor coisa do mundo. Eduardo comentou que o melhor de tudo era que o banheiro do corredor era seu. exceto pela televisão com Atari. Eduardo disse que não era para usar o lavabo. eu disse a você que hoje era um bom dia para brincar aqui". Eles entraram pela porta lateral. disse Eduardo. Os livros como base de discussão.INSTRUÇÃO PARA O GRUPO 2: leia o texto acima. (Bamberger. caso você estivesse interessado(a) em roubar a casa descrita no texto abaixo. que estava vazia. Havia portas na frente e atrás e uma parta lateral que levava à garagem. "Taking different perspectives on a story. O quarto de suas irmãs não era tão interessante. Programas de livros nos meios de comunicação de massa. e tampouco constitui uma “receita de êxito”. com toda a porcelana. sem voltar ao texto. Ouvir ou olhar – ler – discutir. Este breve apanhado das várias possibilidades de ativação do trabalho com os livros está longe de ser completo. Exposições de livros. prata e cristais. como o resto do primeiro andar. In: KLEIMAN. A sala de jantar. porque ele ficara úmido e mofado. uma vez que o encanamento arrebentara. Círculos de livros ou “indução à leitura”. Altos arbustos escondiam a entrada da casa. Eduardo ligou o som: o barulho preocupou Marcos. mas ela está mais bonita agora. Os dois garotos correram até a entrada da casa. Cursos. A seguir. Marcos queria ver a casa. Pontes Editores. exceto pelas três bicicletas com marchas guardadas aí. Marcos se sentiu mais confortável. "Aqui é onde meu pai guarda a coleção de selos e coisas raras". enquanto eles davam uma olhada no escritório. São necessárias as atividades que põem os jovens em contato direto ou indireto com livros. ao observar que nenhuma casa poderia ser vista em qualquer direção além do enorme jardim. desde que outro fora construído no quarto de suas irmãs. Começaremos com as atividades a seguir: a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k) l) Leitura em voz alta e relato de histórias. sobretudo na escola. "Não se preocupe. relacione todos os dados da casa que você puder lembrar.

8) O direito de ler frase aqui e outra ali. Uma boa história é como uma boa montaria. deixando as palavras fluírem.). domina a técnica e está convenientemente preparado para contá-la. 6) O direito ao bovarismo (satisfação imediata de nossas sensações)..Conta-me uma história . representando. Além do conjunto de técnicas que a Didática ensina. que se zangava. O direito de ler qualquer coisa.Tenho de pensar! . desenvolvidas. onde essa função é altamente apreciada e seus praticantes são considerados uma espécie de magos. o espírito já vagava. desde que tivesse meditado o tempo bastante e começasse a falar.Você deve ter um pouco mais de paciência. alegre e receoso. Ora. em toda pessoa que se propõe a lidar com crianças. pois aprendera a arte de narrar no Oriente. Ele é apenas o transmissor. sem afetação. embora continuasse tranqüilamente sentado. (Pennac. Eu diria ainda que um bom contador de histórias não pode proceder como se estivesse num palco. O direito de reler. pelas regiões mais fascinantes. depois.. não se movimenta para um . Contar histórias é uma arte. Em primeiro lugar. A caça brava fica escondida e é preciso armar emboscadas e ficar de tocaia horas e horas a fio. 7) O direito de ler em qualquer lugar. há determinadas qualidades que contribuem para a eclosão desse talento e podem ser estimuladas. Mas ele balançava a cabeça e respondia. sem modificar a estrutura essencial. o tempo que levava em sua meditação era longo demais para ela. Ora. Convertia-se num ser todo-poderoso assim que iniciava mais uma demonstração de sua arte. sem artificialismos. por vezes. para onde o espírito do ouvinte não podia voar com força própria. Texto 5 O CONTADOR DE HISTÓRIAS . pois. o contador precisa estar consciente de que a história é que é importante. conta o que aconteceu . O direito de pular páginas. acontecia que. não mais parava enquanto não tivesse contado a história completa. Jamais começava suas histórias em países estranhos. de preferência sentado. O direito de não terminar um livro. Deixa-me. 9) O direito de ler em voz alta. levava a imaginação dos ouvintes para onde muito bem ele queria. imperceptivelmente. latente aliás em todo educador. Os caçadores mais apressados e impetuosos afugentam a caça e nunca obtêm os melhores exemplares.e o faz com naturalidade. Assim era a maneira de ele contar suas histórias. naturalidade depende de segurança e esta é adquirida através da certeza de que conhece a história. embora emocionalmente envolvido com a narrativa. Contar com naturalidade implica ser simples. Por isso. absorto em suas palavras. Como um romance) Atividade: Realizar uma biblioteca de classe (simulação) com livros infantis trazidos pelos colegas. É necessário exercitar a criatividade para recriar o texto com originalidade.D.pedia-lhe a moça. na boca dos precipícios florestas. Quem o escutava. uma predisposição.Texto 4 Os direitos imprescindíveis do leitor 1) 2) 3) 4) 5) O direito de não ler. Um narrador não se agita. sua postura vai influenciar muito: sempre no mesmo nível dos ouvintes. ele estabelece sintonia com o auditório.desde a pequena folha de grama até o azul da abóbada celeste(.respondia-lhe. impassível: . pensar! Mas. que corria ininterrupta e fluente como um rio descendo montanha abaixo e em cujas águas tudo se reflete. 10) O direito de calar. de modo que a narrativa transcorria com naturalidade. por conseguinte requer certa tendência inata. Se o contador vivencia o enredo com interesse e entusiasmo. Principiava sempre com algo que os olhos pudessem ver. . São também indispensáveis sobriedade nos gestos e equilíbrio na expressão corporal.

de captar com sensibilidade a mensagem narrativa.lado e para outro. algumas pessoas perguntam como se faz a voz do lobo ou do porquinho. tão claro! "Mas tinha de voltar pra água. suave. (. irritante ou de falsete. E lobos falam? Nunca escutei a voz de um porco. Até que um dia. esquece 'sua' voz. 1997. Pixote descobriu o que tinha acontecido e começou a rir: 'Lógico! Eu só nadava de olho fechado!' Sendo a literatura infantil portadora de verdades eternas. num tom mais baixo.. senão as crianças não saberão a quem acompanhar. se a quem narra. inexpressivas. acabo por encontrar em cada uma dessas histórias um motivo que me toca particularmente. que volta a crescer. Há vários tipos de vozes: sussurrante. Contar histórias é uma prática tão gratificante. parece-me esclarecedora: "O 'Era uma vez' levanta a cortina de um mundo novo que. espinhenta. 49 a 52) . correção de linguagem. quando é capaz de sentir que o ato de narrar é uma interação integral. torna-a mais grave. em pincel e paleta. Isso é muito importante. defeitos esses que podem ser corrigidos com disciplina. para converter-se. suave. intensa.. apreciar os comentários das crianças e avaliar as suas reações. reflete a força irresistível da confiança que provoca em cada ser a descoberta de sua própria força. recorrendo-se quando preciso aos cursos de foniatria. "sempre sozinho. (. evitando repetições desnecessárias. os chamados "tiques" de linguagem. reparou em outros peixes que brincavam contentes nas águas claras e límpidas. varia também conforme a emoção que se quer passar. Não apenas as crianças. nadando.CII" som." Nadava até a margem. seres delicados.. inconfundível. que esquece 'seu' rosto. inertes. os cacoetes (certo?. Funciona. ora mais pausada. impostação de voz. juntamente com o ritmo. O narrador tem de expressar-se numa voz definida. vibrante. o narrador engrossa a voz. Durante cursos de treinamento. Se o foco da narrativa gira em tomo de crianças.se infeliz. metálica. sem falsear a voz. cheio de medo". principal instrumento do narrador. reflete a esperança em sua singeleza. cálida. botava a cabeça para fora e achava tudo lindo a sua volta.. forma e emoção. Refletindo sobre tais impressões.)Todos os elementos são sugeridos pela voz e pela mímica do narrador. dissimula 'seu' corpo.Evidentemente o narrador precisa aprofundar-se nos estudos de literatura infantil. todo ele. exercícios califásicos. E a emoção chega aos pequenos". "Lá era muito escuro e Pixote morria de medo do escuro. Noto que existe em mim uma certa preferência por determinadas histórias. ora mais forte. As emoções se transmitem pela voz. pra respirar. uma passagem de Alícia Prieto (57) em artigo recentemente publicado. tem de saber modulá-la de acordo com o que está contando. aí sim. Betty. a inflexão e as entonações. p.O timbre de voz varia na razão direta da distância de quem fala a quem ouve. Vamos refletir sobre O peixe Pixote (33):vivia num lago e sentia. de maneira íntima e pessoal. se não se diverte tanto quanto elas com a história.Significa boa dicção. adocicada. sem vibrações. Era tudo tão belo! "De repente. eriçada. A propósito. Clareza . (COELHO. sem jamais tomar-se estridente. então. folclore e possuir noções básicas de psicologia evolutiva. para melhor escolher as histórias. flores. aí. Conhecimentos . É a voz que sugere o que aconteceu. O narrado r conta o que o lobo disse ao porquinho e sendo o lobo um animal de maior porte que assume na história um papel violento. sem modulações. Tudo alegre." E era assim a vida de Pixote. Entretanto. considerando os seguintes aspectos: Intensidade . monocórdicas. Saber modular a voz e tomá-la expressiva deverá constituir um treino constante para que ela possa ser utilizada em toda a sua plenitude.). entenderam? etc. que chega a produzir no narrador uma catarse dos conflitos mais íntimos. sem consistência. o narrador reveste-se de ternura. se aos personagens da história. mas também adultos podem descobrir numa história a solução de algum problema e guardo depoimentos valiosos que confirmam isso. "Será que fui parar em outro lago sem saber?" indagou-se surpreso. que conto talvez com vibração mais intensa. das trevas da água à claridade da margem. suscita em troca uma realidade simbólica dotada de uma intensidade tal que as reações que nela se dão podem tomar um matiz às vezes fascinante. nada disso funciona se ele não gosta de crianças. se escapa à realidade imediata. pra não morrer.

A história funciona então como agente desencadeador de criatividade. simples sem ser vulgar nem rebuscada. Ela permanece na mente da criança. animais e encantamento *aventuras no ambiente próximo: família. As chamadas atividades de enriquecimento ajudam a “digerir” esse alimento num processo de associação a outras práticas artísticas e educativas. Mas ainda é necessário respeitar o estágio emocional da criança. animais domésticos.14 e 15) Pré-escolares Até 3 anos: fase pré-mágica (ela vive o enredo) 3 a 6 anos: fase mágica 7 anos 8 anos Escolares 9 anos 10 anos em diante Texto 7 ATIVIDADES A PARTIR DAS HISTÓRIAS CONTADAS A história não acaba quando chega ao fim. festas. brincadeiras. A linguagem deve ser correta. que a incorpora como um alimento de sua imaginação criadora. modelagem. Sempre que possível.Texto 6 INDICADORES QUE POSSIBILITAM A ESCOLHA DE UM LIVRO Antes de contar uma história.inspirando cada pessoa a manifestar-se. dobradura. construção de maquetes.59) . o que contar tendo em vista a quem contar? FAIXA ETÁRIA E INTERESSE *histórias de bichinhos. *histórias de crianças. criação de textos orais e escritos. circo. (COELHO. p. com tratamento literário. Betty. de acordo com sua preferência. jamais funcionando como imposição e delas participam apenas os que quiserem. invenções *fábulas. Então. 1997. p. convém propor atividades subseqüentes. alimentos. seres da natureza (humanizados) *histórias de crianças *histórias de repetição e acumulativas *histórias com ritmo *histórias de fadas *histórias de repetição e acumulativas *histórias de crianças. se demonstra riqueza de imaginação e se consegue agradar às crianças. brinquedos. bem trabalhado. narrativas de viagens. objetos. Se é original. Betty. baseadas nas sugestões que o enredo oferece: dramatização. de bom gosto. recortes. expressivamente. explorações. *histórias de fadas *histórias de fadas com ambiente mais elaborado *histórias humorísticas *histórias de fadas *histórias vinculadas à realidade *aventuras. pantomima (mímica) desenhos. Há vários tipos de atividades que podem ser desenvolvidas. Os recursos onomatopaicos e as repetições contribuem para tornar a história mais interessante e dão força às expressões. A história é um alimento da imaginação da criança e precisa ser dosada conforme sua estrutura cerebral. 1997. comunidade. precisamos saber se se trata de assunto interessante. São atividades espontâneas. mitos e lendas (COELHO.

criativa e estética. a velocidade de leitura pode ser desenvolvida de forma sistemática. é importantíssimo que a medida do rendimento e a interpretação dos resultados sejam feitas regularmente. certos princípios fundamentais são sempre importantes. . os textos feitos em casa. 2) Velocidade: através do treinamento faz habilidades envolvidas na leitura (ampliação do período de fixação e aumento da concentração – portanto menos regressão). avançando da compreensão de palavras para a leitura compreensiva. d) Leitura oral ou silenciosa na sala de aula? Como na vida adulta a leitura silenciosa vai predominar. ecléticos. a) Promover a prontidão para a leitura em todos os níveis: Na idade pré-escolar e nos primeiros anos da escola. crítica. isso também deveria ocorrer na sala de aula. 22 a 29) TEXTO 2 (PCNs – p. A leitura silenciosa é a base da educação individual da leitura. meios para evitar a leitura mecânica de sílabas e palavras e para aumentar a compreensão. f) Adaptar as habilidades envolvidas na leitura ao material e aos objetivos da leitura: julga-se melhor o grau de perfeição na leitura considerando-se a maior ou menor facilidade com que o leitor adapta suas habilidades de leitura (velocidade. e métodos usados. (Bamberger. na linguagem das crianças. devem ser usados. desde o princípio. contar e ler histórias em voz alta e falar sobre livros de gravuras é importantíssimo para o desenvolvimento do vocabulário. 4) Leitura informativa ou dirigida para o fato: reserva-se principalmente para do quinto ao nono ano da escola. os grupos de palavras armazenados são percebidos em unidades de pensamento num duplo impulso – visualmente e através da pronúncia. desde o princípio. concentração na compreensão) à dificuldade e à importância do material e às suas próprias intenções. p. informativa. h) Medindo e avaliando o progresso: visto que a educação literária precisa ser revertida para o padrão alcançado pelos estudantes individualmente. e textos tirados da vida prática. e) Ensino individualizado da leitura em todos os níveis de escolarização: os relatórios das pesquisas concordam em que o prazer e o interesse da leitura e o desenvolvimento do hábito de ler se alcançam muito melhor pelo método individualizado de ensino da leitura do que pelo ensino sistemático de toda a classe.40 a 47) Prática de leitura O trabalho com leitura tem como finalidade a formação de leitores competentes e. e mais importante ainda para a motivação da leitura. i) Seleção de material de leitura para o ensino: além do material didático. e deve ser desenvolvida em combinação com vários assuntos. interpretativa. Cuidados especiais e métodos para o ensino da leitura Conquanto o método a ser utilizado dependa muitíssimo do professor e do material de leitura disponível.1995.AULA 9 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES DE LEITURA Texto 1 O ensino eficaz da Leitura 3. Motivação e uma atitude questionadora favorecem a leitura como “processo mental”. g) Treinamento sistemático da consecução da leitura. 3) Compreensão: o contato com o conteúdo do texto deve progredir à proporção que progride a concepção de leitura. b) Superar o dogmatismo metodológico quando se alfabetiza: a abordagem deve ser multilateral para todos os alunos. Quando a leitura oral é bem feita. c) Leitura em unidades de pensamento: no processo de alfabetização é preciso encontrar.

Essa pode ser a única oportunidade de esses alunos interagirem significativamente com textos cuja finalidade não seja apenas a resolução de pequenos problemas do cotidiano. jornais e outros objetos que usualmente portam textos. É preciso. de inferência permitem captar o que não está dito explicitamente no texto e de verificação tornam possível o ―controle‖ sobre a eficácia ou não das demais estratégias. a partir de um trabalho que deve se organizar em torno da diversidade de textos que circulam socialmente. revistas. quando não participam de práticas onde ler é indispensável. É o uso desses procedimentos que permite controlar o que vai sendo lido. O termo ―portador‖ está sendo utilizado aqui para referir-se a livros. que possa aprender a ler também o que não está escrito. Uma estratégia de leitura é um amplo esquema para obter. Para que possa constituir também objeto de aprendizagem. oferecer-lhes os textos do mundo: não se formam bons leitores solicitando aos alunos que leiam apenas durante as atividades na sala de aula. Estratégias de seleção possibilitam ao leitor se ater apenas aos índices úteis. Esse trabalho pode envolver todos os alunos. é necessário que faça sentido para o aluno. apenas no livro didático. A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto. compreensão na qual os sentidos começam a ser constituídos antes da leitura propriamente dita. a partir dos seus objetivos. portanto. apenas porque o professor pede. tomar decisões diante de dificuldades de compreensão. Que consegue utilizar estratégias de leitura adequada para abordá-los de forma a atender a essa necessidade. Se o objetivo é formar cidadãos capazes de compreender os diferentes textos com os quais se defrontam. de formar escritores no sentido de profissionais da escrita e sim de pessoas capazes de escrever com eficácia. necessariamente. evidentemente. Um leitor competente é alguém que. avaliar e utilizar informação. Como se trata de uma prática social complexa. decodificando-a letra por letra. sobre o autor. de antecipação permitem supor o que ainda está por vir. As estratégias são um recurso par a construir significado enquanto se lê. aqueles que podem atender a uma necessidade sua. dentre os trechos que circulam socialmente. é preciso organizar o trabalho educativo para que experimentem e aprendam isso na escola. um objeto de ensino. que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos. buscar no texto a comprovação das suposições feitas. inferência e verificação. Não se trata. Não se trata simplesmente de extrair informação da escrita. Eis a primeira e talvez a mais importante estratégia didática para a prática de leitura: o trabalho com a . por um lado. Significa trabalhar com a diversidade de objetivos e modalidades que caracterizam a leitura. etc. que estabeleça relações entre o texto que lê e outros textos já lidos. fundamentalmente. a formação de escritores26. do seu conhecimento sobre o assunto. antecipação. palavra por palavra. sem as quais não é possível rapidez e proficiência28 . inclusive aqueles que ainda não sabem ler convencionalmente. os diferentes ―para quês‖ — resolver um problema prático. espaço de construção da intertextualidade e fonte de referências modelizadoras. que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto.conseqüentemente. divertir-se. do seu ponto de vista. arriscarse diante do desconhecido. desprezando os irrelevantes. intencionalmente. de tudo o que sabe sobre a língua: características do gênero. Formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê. a escola deve oferecer materiais de qualidade. sem descaracterizá-la. 28. do sistema de escrita. Um leitor competente só pode constituir-se mediante uma prática constante de leitura de textos de fato. isto é. identificando elementos implícitos. modelos de leitores proficientes e práticas de leitura eficazes. por iniciativa própria. estudar. Tratase de uma atividade que implica. TRATAMENTO DIDÁTICO A leitura na escola tem sido. A leitura. Qualquer leitor experiente que conseguir analisar sua própria leitura constatará que a decodificação é apenas um dos procedimentos que utiliza quando lê: a leitura fluente envolve uma série de outras estratégias como seleção. O uso dessas estratégias durante a leitura não ocorre de forma deliberada — a menos que. pois a possibilidade de produzir textos eficazes tem sua origem na prática de leitura. do portador 27 . ou o significado implícito nas entrelinhas. a atividade de leitura deve responder. é capaz de selecionar. os suportes em que os textos foram impressos originalmente. a objetivos de realização imediata. ou dados para a solução de um problema. ou seja. nos fornece a matéria-prima para a escrita: o que escrever. se pretenda fazê-lo para efeito de análise do processo. Isso significa trabalhar com a diversidade de textos e de combinações entre eles. etc. isto é. informar-se. contribui para a constituição de modelos: como escrever. 27. escrever ou revisar o próprio texto — e com as diferentes formas de leitura em função de diferentes objetivos e gêneros: ler buscando as informações relevantes. Principalmente quando os alunos não têm contato sistemático com bons materiais de leitura e com adultos leitores. se a escola pretende converter a leitura em objeto de aprendizagem deve preservar sua natureza e sua complexidade. Por outro. 26.

Essa circunstância requer do aluno uma atividade reflexiva que. lendo‖: de adquirir o conhecimento da correspondência fonográfica. ou ler em voz alta quando necessário. favorece a evolução de suas estratégias de resolução das questões apresentadas pelos textos. Diferentes objetivos exigem diferentes textos e. o desejo é deixa-las para depois. É disso que se está falando quando se diz que é preciso ―aprender a ler. a despeito disso. procurar garantir que a heterogeneidade do grupo seja um instrumento a serviço da troca. não se responde a perguntas de verificação do entendimento preenchendo fichas exaustivas. mas com enormes dificuldades para compreender o que tentam ler. Ao contrário. uma situação de aprendizagem. outras em que o esforço é mínimo e. Há leituras em que é necessário controlar atentamente a compreensão. como prática social. não se faz desenho sobre o que mais gostou e raramente se lê em voz alta. exige uma modalidade de leitura. Fora da escola. por sua vez. APRENDIZADO INICIAL DA LEITURA É preciso superar algumas concepções sobre o aprendizado inicial da leitura. que façam inferências a partir do contexto ou do conhecimento prévio que possuem. No entanto. é preciso negociar o conhecimento que já se tem e o que é apresentado pelo texto. agrupar seus alunos de forma a favorecer a circulação de informações entre eles. A leitura. da própria aprendizagem. é preciso interagir com a diversidade de textos escritos. A heterogeneidade do grupo. Trata-se de uma situação na qual é necessário que o aluno ponha em jogo tudo que sabe para descobrir o que não sabe. o que está atrás e diante dos olhos. De certa forma. conseqüentemente. se deseja ler sem parar. entregue apenas ao prazer de ler. Os materiais feitos exclusivamente para ensinar a ler não são bons para aprender a ler: têm servido apenas para ensinar a decodificar. cada qual. Entre a condição de destinatário de textos escritos e a falta de habilidade temporária para ler autonomamente é que reside a possibilidade de. Essa atividade só poderá ser realizada com a intervenção do professor. . quanto ao significado. se pedagogicamente bem explorada. outras em que se segue adiante sem dificuldade. é preciso oferecer aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a ler usando os procedimentos que os bons leitores utilizam. Para aprender a ler. é sempre um meio. Isso não significa que na escola não se possa eventualmente responder a perguntas sobre a leitura. portanto. O conhecimento atualmente disponível a respeito do processo de leitura indica que não se deve ensinar a ler por meio de práticas centradas na decodificação. Para aprender a ler. sendo a compreensão conseqüência natural dessa ação. portanto. testemunhar a utilização que os já leitores fazem deles e participar de atos de leitura de fato. Uma prática constante de leitura na escola pressupõe o trabalho com a diversidade de objetivos. É preciso que antecipem. outros precisam ser lidos exaustivamente e várias vezes. contribuindo para que o aluno construa uma visão empobrecida da leitura.diversidade textual. recebendo incentivo e ajuda de leitores experientes. A principal delas é a de que ler é simplesmente decodificar. por sua vez. converter letras em sons. uma prática constante de leitura não significa a repetição infindável dessas atividades escolares. Há leituras que requerem um enorme esforço intelectual e. Há textos que se pode ler rapidamente. Há textos que podem ser lidos apenas por partes. dentro de uma prática ampla de leitura. propriamente. voltando atrás para certificar-se do entendimento. aprender a ler pela prática da leitura. com a ajuda dos já leitores. não se lê de uma única forma. não se decodifica palavra por palavra. outros devem ser lidos devagar. que verifiquem suas suposições — tanto em relação à escrita. da colaboração e. mas certamente não se formarão leitores competentes. mesmo assim. desempenha a função adicional de permitir que o professor não seja o único informante da turma. de compreender a natureza e o funcionamento do sistema alfabético. modalidades e textos que caracterizam as práticas de leitura de fato. sobretudo em classes numerosas nas quais não é possível atender a todos os alunos da mesma forma e ao mesmo tempo. a uma necessidade pessoal. portanto. nunca um fim. não se lê só para aprender a ler. buscando-se a informação necessária. é preciso agir como se o aluno já soubesse aquilo que deve aprender. de vez em quando desenhar o que o texto lido sugere. Ler é resposta a um objetivo. que deverá colocar-se na situação de principal parceiro. Por conta desta concepção equivocada a escola vem produzindo grande quantidade de ―leitores‖ capazes de decodificar qualquer texto. é preciso que o aluno se defronte com os escritos que utilizaria se soubesse mesmo ler — com os textos de verdade. Sem ela pode-se até ensinar a ler.

condição para poderem se desafiar a ―aprender fazendo‖. compreende mal. constrói-se pelo esforço de interpretação do leitor. optar sempre pela variedade: é infinitamente mais interessante que haja na classe. pois. dará autonomia e independência. o autor. se estão entendendo e outras questões. a despeito do seu esforço. Para os alunos não acostumados com a participação em atos de leitura. Precisará torná-los confiantes. Fora da escola. muito mais do que a capacidade de ler. • organizar momentos de leitura livre em que o professor também leia. Para tornar os alunos bons leitores — para desenvolver. Uma prática de leitura que não desperte e cultive o desejo de ler não é uma prática pedagógica eficiente. conquistado plenamente. • garantir que os alunos não sejam importunados durante os momentos de leitura com perguntas sobre o que estão achando. por exemplo. condições favoráveis para a prática de leitura que não se restringem apenas aos recursos materiais disponíveis. que não conhecem o valor que possui. a escola terá de mobilizá-los internamente.Uma prática constante de leitura na escola deve admitir várias leituras. mas do conhecimento que traz para o texto. por exemplo. • dispor. Formar leitores é algo que requer. Algumas dessas condições: • dispor de uma boa biblioteca na escola. que podem servir de referência para a geração de outras propostas. Há outros que não: textos instrucionais. É necessário que o professor tente compreender o que há por trás dos diferentes sentidos atribuídos pelos alunos aos textos: às vezes é porque o autor ―jogou com as palavras‖ para provocar interpretações múltiplas. pois aprender a ler (e também ler para aprender) requer esforço. pois outra concepção que deve ser superada é a do mito da interpretação única. • quando houver oportunidade de sugerir títulos para serem adquiridos pelos alunos. Tanto quanto for possível. • possibilitar aos alunos a escolha de suas leituras. são necessárias propostas didáticas orientadas especificamente no sentido de formar leitores. de um acervo de classe com livros e outros materiais de leitura. no entanto. nos ciclos iniciais. a partir não só do que está escrito. Além das condições descritas. às vezes é porque o texto é difícil ou confuso. às vezes é porque o leitor tem pouco conhecimento sobre o assunto tratado e. enunciados de atividades e problemas matemáticos. Leitura diária . só cumprem suas finalidades se houver compreensão do que deve ser feito. o gosto e o compromisso com a leitura —. no segundo apenas um. No primeiro caso. fruto do pressuposto de que o significado está dado no texto. • construir na escola uma política de formação de leitores na qual todos possam contribuir com sugestões para desenvolver uma prática constante de leitura que envolva o conjunto da unidade escolar. Bons textos podem ter o poder de provocar momentos de leitura junto com outras pessoas da casa — principalmente quando se trata de histórias tradicionais já conhecidas. • planejar as atividades diárias garantindo que as de leitura tenham a mesma importância que as demais. na verdade. 35 diferentes livros — o que já compõe uma biblioteca de classe — do que 35 livros iguais. O significado. a obra ou o gênero são decisões do leitor. o uso que se faz dos livros e demais materiais impressos é o aspecto mais determinante para o desenvolvimento da prática e do gosto pela leitura. o aluno tem oportunidade de ler 35 títulos. algo que. é necessário que isso se preserve na escola. é fundamental ver seu professor envolvido com a leitura e com o que conquista por meio dela. Ver alguém seduzido pelo que faz pode despertar o desejo de fazer também. Há textos nos quais as diferentes interpretações fazem sentido e são mesmo necessárias: é o caso de bons textos literários. portanto. A seguir são apresentadas algumas sugestões para o trabalho com os alunos. • possibilitar aos alunos o empréstimo de livros na escola. Precisará fazê-los achar que a leitura é algo interessante e desafiador.

criar um certo suspense quando for o caso. linguagem escrita. variando apenas o grau de aprofundamento em função da capacidade dos alunos. individualmente. avaliar os resultados em função do plano inicial. em que faz sentido. A possibilidade de interrogar o texto. • ao propor atividades de leitura convém sempre explicitar os objetivos e preparar os alunos. escrever para não . pois a leitura pode ser realizada: • de forma silenciosa. validar antecipações feitas. para os quais a leitura colaborativa tem muito a contribuir. dar conhecimento do assunto previamente. posicionando-se apenas quando necessário. É completamente diferente ler em busca de significado — a leitura. Ao professor cabe orientar a discussão. ler buscando identificar a intenção do escritor. Quando são de longa duração têm ainda a vantagem adicional de permitir o planejamento de suas etapas com os alunos. durante a leitura. etc. ler para estudar. portanto.. de um modo geral — e ler em busca de inadequações e erros — a leitura para revisar. escrever para ler. Trata-se. a interpretação de sentido figurado. ler para descobrir o que deve ser feito. No entanto. • nos casos em que há diferentes interpretações para um mesmo texto e faz-se necessário negociar o significado (validar interpretações). pois quase sempre envolvem tarefas que articulam esses diferentes conteúdos. por exemplo. a inferência sobre a intencionalidade do autor. São coisas muito diferentes ler para se divertir. e • pela escuta de alguém que lê. com antecedência — uma ou várias vezes. A compreensão crítica depende em grande medida desses procedimentos. ler para escrever. essa negociação precisa ser fruto da compreensão do grupo e produzir-se pela argumentação dos alunos. • é necessário refletir com os alunos sobre as diferentes modalidades de leitura e os procedimentos que elas requerem do leitor. etc.O trabalho com leitura deve ser diário. oferecer informações que situem a leitura. por exemplo. É interessante. Há inúmeras possibilidades para isso. questiona os alunos sobre as pistas lingüísticas que possibilitam a atribuição de determinados sentidos. leitura e produção de textos se inter-relacionam de forma contextualizada. a diferenciação entre realidade e ficção. de uma excelente estratégia didática para o trabalho de formação de leitores. etc. ler para revisar. são alguns dos aspectos dos conteúdos relacionados à compreensão de textos. ler para decorar. fazer com que os alunos levantem hipóteses sobre o tema a partir do título. Os projetos são situações em que linguagem oral. a identificação de elementos discriminatórios e recursos persuasivos. Leitura colaborativa A leitura colaborativa é uma atividade em que o professor lê um texto com a classe e. Projetos de leitura A característica básica de um projeto é que ele tem um objetivo compartilhado por todos os envolvidos. São situações lingüisticamente significativas. Além disso. antecipar determinados acontecimentos. alguns cuidados são necessários: • toda proposta de leitura em voz alta precisa fazer sentido dentro da atividade na qual se insere e o aluno deve sempre poder ler o texto silenciosamente. dividir e redimensionar as tarefas. os projetos permitem dispor do tempo de uma forma flexível. pois o tempo tem o tamanho necessário para conquistar o objetivo: pode ser de alguns dias ou de alguns meses. É particularmente importante que os alunos envolvidos na atividade possam explicitar para os seus parceiros os procedimentos que utilizam para atribuir sentido ao texto: como e por quais pistas lingüísticas lhes foi possível realizar tais ou quais inferências. ler para escrever. Esse é um procedimento especializado que precisa ser ensinado em todas as séries.São ocasiões em que eles podem tomar decisões sobre muitas questões: controlar o tempo. que se expressa num produto final em função do qual todos trabalham. • em voz alta (individualmente ou em grupo) quando fizer sentido dentro da atividade.

uma circunstância interessante se apresenta: o fato de os interlocutores não estarem fisicamente presentes obriga a adequar a fala ou a leitura a fim de favorecer sua compreensão. Outro exemplo é o que se pode chamar ―Roda de Leitores‖: periodicamente os alunos tomam emprestado um livro (do acervo de classe ou da biblioteca da escola) para ler em casa. Os projetos de leitura são excelentes situações para contextualizar a necessidade de ler e. a atividade pode se realizar semanalmente ou quinzenalmente. A leitura em voz alta feita pelo professor não é uma prática muito comum na escola. Funcionam de forma parecida com os projetos — e podem integrá-los.esquecer. mais incomum se torna. em determinados casos. • possibilitar produções orais. muitas vezes. . • informar como escrever e sugerir sobre o que escrever. escritas e em outras linguagens. produção de vídeos (ou fitas cassete) de curiosidades gerais sobre assuntos estudados ou de interesse. Quando for pertinente. • expandir o conhecimento a respeito da própria leitura.. Leitura feita pelo professor Além das atividades de leitura realizadas pelos alunos e coordenadas pelo professor há as que podem ser realizadas basicamente pelo professor. promoção de eventos de leitura numa feira cultural ou exposição de trabalhos. atitudes e procedimentos que os leitores assíduos desenvolvem a partir da prática de leitura: formação de critérios para selecionar o material a ser lido.‖ (histórias. que possibilita aos alunos o acesso a textos bastante longos (e às vezes difíceis) que. curiosidades científicas. É o caso da leitura compartilhada de livros em capítulos. rastreamento da obra de escritores preferidos. • aproximar o leitor dos textos e os tornar familiares — condição para a leitura fluente e para a produção de textos. pode incluir também uma breve caracterização da obra do autor ou curiosidades sobre sua vida. inclusive —. • permitir a compreensão do funcionamento comunicativo da escrita: escreve-se para ser lido. eleger um gênero específico. o que pensou. levam o material para casa por um tempo e se revezam para fazer a leitura em voz alta. ler em voz alta em tom adequado.. um determinado autor ou um tema de interesse. a entonação. ou seja. analisando o tom de voz e a dicção. comenta o que gostou ou não. Os alunos escolhem o que desejam ler. podem vir a encantá-los. o que não deveria acontecer. são os alunos maiores que mais precisam de bons modelos de leitores. Ela pode: • ampliar a visão de mundo e inserir o leitor na cultura letrada. notícias. • possibilitar a vivência de emoções. Atividades permanentes de leitura São situações didáticas propostas com regularidade e voltadas para a formação de atitude favorável à leitura. a própria leitura oral e suas convenções. E. • estimular o desejo de outras leituras. por um ou mais alunos a cada vez. Nas atividades seqüenciadas de leitura pode-se. Dependendo da extensão dos textos e do que demandam em termos de preparo. uma prática de leitura intensa é necessária por muitas razões. por sua qualidade e beleza. No dia combinado. Alguns exemplos de projetos de leitura: produção de fita cassete de contos ou poemas lidos para a biblioteca escolar ou para enviar a outras instituições. Atividades sequenciadas de leitura São situações didáticas adequadas para promover o gosto de ler e privilegiadas para desenvolver o comportamento do leitor. etc. ainda que nem sempre sejam capazes de lê-los sozinhos. constituição de padrões de gosto pessoal. o exercício da fantasia e da imaginação. na classe. etc. planejando as pausas. Na escola.). Um exemplo desse tipo de atividade é a ―Hora de. quanto mais avançam as séries. Nos projetos em que é preciso expor ou ler oralmente para uma gravação que se destina a pessoas ausentes. temporariamente. etc. uma parte deles relata suas impressões. por exemplo. mas não têm um produto final predeterminado: neste caso o objetivo explícito é a leitura em si. sugere outros títulos do mesmo autor ou conta uma pequena parte da história para ―vender‖ o livro que o entusiasmou aos colegas. pois.

Para se ler a decodificação é apenas um dos procedimentos que se utiliza. não se codifica palavra por palavra. com base em informações explícitas e em suposições. antecipamos significados. não se respondem perguntas de verificação do entendimento preenchendo fichas. do gênero. conhecimento acerca da linguagem e da própria leitura (organização do texto. Não se lê só para aprender a ler. Estratégias de inferência permitem captar o que não está dito no texto. do portador. Estratégias de antecipação que tornam possível prever o que está por vir. • favorecer a estabilização de formas ortográficas. é previsível que encontraremos determinados personagens e que alguma travessura ocorrerá. permitindo confirmar ou não as inferências. pois o movimento dos olhos é mais rápido do que a emissão das palavras. sílabas e palavras. junto com pessoas que já dominam esse conhecimento. nunca um fim. • possibilitar ao leitor compreender a relação que existe entre a fala e a escrita. A leitura como prática social é sempre um meio. Não se entende um texto escrito decodificando letra por letra ou palavra por palavra. da língua. São adivinhações baseadas em pistas dadas pelo próprio texto como em conhecimentos que o leitor possui. Utilizamos todas as estratégias de leitura mais ou menos ao mesmo tempo sem ter consciência disso. A leitura envolve outras estratégias. mas não está escrito. desenvolver atitudes e construir estratégias de organização do trabalho com a leitura. Ex: Nosso cérebro sabe que não precisa se deter na letra que vem após o ―q‖. participando de atividades de uso da escrita. Além de letras. maior a eficácia da leitura. necessária. • favorecer a aquisição de velocidade na leitura. só nos damos conta delas quando analisamos nosso processo de leitura. pois certamente será o ―u‖. Estratégias de verificação tornam possível o controle da eficácia ou não das demais estratégias. As crianças aprendem a ler. não se fazem desenhos para mostrar o que mais gostou se raramente se lê em voz alta. é aquilo que lemos. São elas: Estratégias de seleção que permitem que o leitor se atenha aos elementos úteis e despreze o que é irrelevante. do sistema de escrita. Quanto mais os olhos puderem se apoiar naquilo que faz sentido para quem vê. Dois fatores determinam a leitura: o texto impresso. Ao ler Monteiro Lobato. Uma prática intensa de leitura na escola é.Definir objetivos. a partir do conhecimento que já possui a respeito do assunto. Conseguimos eliminar letras em cada uma das palavras escritas e até mesmo uma palavra a cada cinco outras. podemos ler até 200 palavras por minuto – a leitura em voz alta demora mais. a prática da leitura não significa a repetição dessas atividades escolares. AULA 10 – O ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA Objetivo: . que implica familiaridade com o assunto tratado. do autor. na perspectiva de favorecer o acesso e o desenvolvimento progressivo da capacidade da criança de compartilhar significados da cultura. sobretudo. isto é. SAIBA MAIS 01 Quando lemos um texto fácil cujo conteúdo é conhecido. outros recursos para construir significados. ou seja. A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto. e aquilo que está por trás dos olhos: o conhecimento prévio do leitor. . que é visto pelos olhos. suas características etc).• ensinar a estudar. Não se lê de uma única forma. porque ler ensina a ler e a escrever.

para se divertir. • apropriar-se das convenções e das estruturas características de cada gênero textual. como livros de histórias. além de decifrar. gibis. simplesmente. certamente. algumas crianças ficam bloqueadas para a leitura. visivelmente. opiniões e interpretações. o aluno precisa ter liberdade de escolher e de usar diferentes modelos de escrita e isso deve ser feito de modo que ele não sinta. comentando e recomendando leituras para os colegas. A sala de aula deve dar continuidade à leitura prazerosa. modalidades e textos. em duplas. que a finalidade da leitura é a aquisição de habilidades de decodificação ou pretextos para exercícios escolares. títulos e todos os objetos constantes no seu dia a dia transmitem uma significação própria e se tornam tão familiares que sua leitura é espontânea. na escola. No entanto. decifrando ou não a sua escrita. A interpretação não deve se resumir. folhetos. letreiros. O professor precisa incentivar o gosto pela leitura. aquele material ainda não parecia ser suficientemente interessante ou não era adequado ao seu ―estágio‖ de leitor. curiosos e observadores.É preciso ensinar a ler com diferentes objetivos. • fazer uso de estratégias de leitura (seleção. • colocar em ação diferentes tipos de leitura. decodificação. coletivamente ou em pequenos grupos) de textos de gêneros variados e com diferentes propósitos. para que possa questionar e opinar sobre o conteúdo implícito e explícito do texto. As crianças demonstram ser leitores atentos. Os alunos devem ter confiança para enfrentar o desafio e ―aprender fazendo‖. revistas. Assim. aquela que estimula a criança. o que significa: • atribuir significado a textos de gêneros variados. páginas e letras. no aluno. que aguça sua curiosidade. como algo interessante e desafiador. ela escolhe o material escrito de acordo com suas necessidades e opta por livros com maior ou menor número de desenhos. jornais. sempre que possível. Muitas vezes. inferência e verificação). atribuir a ela uma vivência pessoal e interiorizá-la. Por exemplo. distinguir símbolos e sinais. podendo ocorrer muito antes da decifração dos códigos. programas de TV. a criança escolhe um livro e troca-o logo em seguida sem ter feito um bom uso dele porque. • confrontar ideias. A leitura faz parte da rotina diária da criança e ela não espera receber instruções de outra pessoa para iniciá-la. desde o início. Ainda assim. Intuitivamente. Essas situações ocorrem tanto em momentos nos quais os alunos leem com a ajuda do professor como também quando eles são desafiados a lerem sozinhos. livros didáticos de diferentes anos escolares precisam estar presentes na classe. a maioria das crianças lê a palavra Coca-Cola. Bilhetes e comunicados dirigidos aos pais devem ser lidos junto com as crianças. principalmente quando são apresentados textos pouco significativos para elas. possibilitam (ou direcionam . colocando em jogo aquilo que já construíram sobre o sistema alfabético. a completar frases transcritas diretamente do texto ou a responder perguntas que. Material escrito. Ler. Isso permite que os alunos possam aprender comportamentos de leitor. é interpretar a mensagem. a leitura crítica. procurando desenvolver. marcas. a partir de atividades de leitura desenvolvidas pelo professor e pelo próprio aluno (de forma individual. unir letras e emitir sons correspondentes: isso é muito mais um trabalho de discriminação visual e auditiva que antecede a leitura propriamente dita. desde que o material a ser lido seja interessante e desafie sua inteligência. embalagens. sensibilizando-a de alguma maneira. em função do texto e dos objetivos de leitura (ler para buscar informação. para compreender etc. As competências dos alunos que estão sendo alfabetizados devem ser desenvolvidas. porque ela é a base da escrita. não importando se a criança está ―pronta‖ para lê-los. Placas.). antecipação. artigos. ler não deve se resumir a decifrar caracteres.

tornando o texto coerente. usado na vida social. um anúncio ou um bilhete sejam mais atraentes.Ler textos que a criança tem na memória (pseudoleitura). do que gostam. . para que depois ele possa externar suas opiniões. que estão iniciando o processo de alfabetização cheias de curiosidade e disposição para aprender.Com o professor.para) uma única resposta. Assim.Leituras individual ou coletiva. . Trata-se de dar a essas crianças a certeza de que estão avançando. portanto é bom escolher um texto diferente. Como começar a estudar o texto? O professor pode escrever o texto na lousa. mas deve. numa cartolina grande ou em papel manilha. Sugestões de tipos de leitura . . uma piada.Ler textos produzidos pelos próprios alunos e fazer a interpretação oral ou escrita. Para crianças de 6 anos. fazer a leitura dialogada: o professor lê um texto e incentiva o diálogo. fluente e converse com a turma sobre o texto. . além de algumas palavras simples ou sílabas. mostrando os espaços em branco entre as palavras.Ler palavras ou frases que formam o Banco de Palavras. uma letra de rap ou de uma canção. aprendendo coisas novas. Leituras de letras de música.Antecipar uma história com base no título e/ ou na capa do livro. trava-línguas. contos de fada. . se trabalham. canções de roda. poemas. . . além da interpretação. Em se tratando de crianças grandes. o que fazem fora da escola. há muitas escolhas: histórias. etc. de alguma forma. . os espaços existentes entre elas no papel é uma das características da língua escrita. Faça uma leitura normal. que seja uma novidade para elas. embalagens e avisos são elementos que oferecem uma base interessante para se fazer. . estar baseada no que o texto transmite ao aluno enquanto indivíduo. as atividades de reflexão sobre a língua ou mesmo quaisquer outros trabalhos ligados às diferentes áreas de estudo.Ler frases fora de ordem e organizá-las. receitas de culinária. a separação entre as palavras. deve-se conversar sobre a vida deles. repetentes. lançando perguntas e desafiando os alunos a sugerir uma continuidade para a história. até porque a maioria já passou por muitas experiências frustrantes e já conhece os nomes das letras. que já passaram por vários métodos e cartilhas. Em seguida. . ele ―participe‖ do texto que está sendo lido. Nesse caso. o professor precisa respeitar as interferências do aluno e garantir que. apontando as palavras com o dedo ou com a régua. histórias vivenciadas pela classe. talvez uma notícia sobre futebol. o tema e os significados do texto escolhido são decisivos. sim. .Ler um texto e reduzir (resumir) as informações. faça a leitura didática. regras de jogos. Mostre aos alunos que quando falamos as palavras parecem emendadas umas nas outras. manchetes de jornal. A escolha dos textos Que textos escolher para as crianças? No momento de começar o ensino sistemático da leitura.Recortar de jornais e revistas somente as palavras ou frases que saiba ler e fazer a leitura para o professor. Deve ser aflitivo para essas crianças ter sempre a sensação de começar do zero. Ao fazer a leitura.Ler o que está fixado nas paredes: ler e interpretar o material que faz parte do ambiente alfabetizador.Leituras silenciosa ou em voz alta.

Petrópolis: Vozes. DE OLHO NA PRÁTICA – ATIVIDADE INTEGRADORA: 1) Selecione dez livros infantis que você utilizaria para o ensino da leitura para o 1º ano. Resumo: propor resumos orais de uma história. RUSSO. com suas próprias palavras. Classificação dos diversos tipos de textos: cada vez que apresentar um texto. lendas. São Paulo: Saraiva. um anúncio. que conte uma história. 2001. 2005. um texto didático. uma poesia. Para isso. há muitas repetições e modos de dizer típicos da língua oral. um capítulo de novela ou uma notícia. uma notícia jornalística. significativo (e não por um texto acartilhado) e caminhar gradativamente na direção do conhecimento de palavras. é conhecimento sistemático. etc.Como fazer para mostrar os sons das letras? Aprender a ler envolve aprender que as letras representam sons. . Quando é que elas vão começar a ler realmente? As crianças estarão lendo quando forem capazes de perceber como as letras funcionam para representar os sons da língua e ao mesmo tempo possam entender o que diz o texto. explicar de que tipo de texto se trata: uma narrativa. podem ser usados para iniciar a atividade. Maria de Fátima e VIAN. Brincadeiras com palavras: pedir a dois alunos que digam cada qual uma palavra e a partir daí deixar a turma criar uma história. o que realmente não pode faltar. letras e regras ortográficas. Histórias assim podem ser retrabalhadas para ficar de acordo com as convenções da escrita. fábulas. Sugestões para o trabalho com a leitura e a oralidade Paráfrase: pedir ao aluno que diga a mesma coisa lida de um outro jeito. Referências bibliográficas CARVALHO. pode-se sistematizar o ensino da leitura e da escrita. que tem que ser passado por uma pessoa que conheça o código alfabético. que a mesma letra pode representar mais de um som de acordo com o contexto e o mesmo som pode ser representado por mais de uma letra. Ensinar que no resumo destacamos aquilo que consideramos mais importante. Marlene. Alfabetização: um processo em construção. uma receita. Produção de um texto a partir de um título dado: títulos de histórias conhecidas como histórias de fadas. sílabas. narrada pela professora. Reprodução de histórias: No exemplo abaixo. Alfabetizar e letrar: um diálogo entre a teoria e a prática. começando pelo texto natural. Não é uma questão de adivinhação da criança. Maria Inês Aguiar.

não é necessário corrigir. pediu papel e caneta e assim escreveu: “Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres”. Nada aos pobres”. Morreu antes de fazer a pontuação. isto é. Nada aos pobres”. Nada aos pobres”. a palavra seguinte: 1) Quem ensina ou orienta ( ) precisa desenvolver ( ) a habilidade de ser empático ( ) a empatia ( ) consiste ( ) na capacidade de colocar-se ( ) no lugar do outro ( ) de ver as coisas da perspectiva dele ( ) por exemplo ( ) uma professora ( ) ao avaliar um novo jogo de palavras cruzadas destinado a ampliar ( ) o vocabulário de suas crianças ( ) pode achá-lo fascinante ( ) mas deve perguntar-se ( ) se as crianças lidarão bem com o novo jogo ( ) será que elas vão gostar ( ) será que vão entender as regras de funcionamento ( ) será que o vocabulário vai realmente ser ampliado ( ) B) Se você acha que os sinais de pontuação. Aos pobres”. fez esta interpretação: “Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho.1 . jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada. no exemplo abaixo. pois erros de ortografia serão descontados em 0. A irmã chegou logo em seguida e pontuou assim o escrito: “Deixo meus bens à minha irmã. Sintaxe: define a organização dos elementos internos da frase estabelecendo a relação entre eles.AULA 11 – PRODUZINDO UM LIVRO INFANTIL/GIBI CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE Gênero livro infantil ou gibi. Agora tente responder às questões abaixo e ANALISE essas provas. não fazem muita diferença. Aí. Atividades A) Pontue o texto abaixo. Jamais será paga a conta do alfaiate. Que competências os alunos desenvolvem ao realizarem essas provas? Faça com capricho e atenção. quem ficará com a herança? Um homem rico estava muito doente. Quando ocorrer ponto. Semântica: estuda a relação entre conteúdos e significados. veja. a meu sobrinho. O alfaiate pediu cópia do original e puxou a brasa pra sua sardinha: “Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. com letra maiúscula. Transposição didática Produzir um livro infantil sobre as novas normas ortográficas TRAZER NA PRÓXIMA AULA Trazer uma BOA gramática (POR GRUPO) AULA 12 – CONHECENDO A GRAMÁTICA (ANÁLISE E REFLEXÃO SOBRE A LÍNGUA) Gramática é a descrição completa da língua. Um deles. chegaram os descamisados da cidade. não a meu sobrinho. Morfologia: estuda a estrutura da palavra e sua classificação. Estilística: estuda a organização da linguagem do ponto de vista de seu conteúdo afetivo. dos princípios de organização da língua. Jamais será paga a conta do alfaiate. O sobrinho fez a seguinte pontuação: “Deixo meus bens à minha irmã? Não. Divisão da gramática normativa Fonologia: estabelece os princípios que regulam a estrutura sonora da língua. sabido. utilizando-se de todos os sinais gráficos. Para quem deixava ele a fortuna? Eram quatro concorrentes. por serem pequenos.

sementes boas. Elas dormem no segredo da terra até que uma queira despertar.1) a) No quinta____ havia um pequeno ba___de furado.Boa prova. como em todos os outros planetas. Ele observa todas as etiquetas das roupas novas. ou seja. Mas as sementes são invisíveis. b) O rapa___ chegou atra___ado porque o pára-___oque tra___eiro de seu carro estava ama___ado. a) b) c) d) e) f) Sorriso Submarino Exceção Braço Longe Caminho h) flecha i) Brasil j) pneu k)querer l) olho m) lâmpada 2) Classifique os ditongos destacados seguindo o código abaixo: (cada item 0.ditongo nasal crescente a) b) c) d) ( ( ( ( ) ) ) ) freqüência ciência água mais 3.3 = 3.0) 5) Reescreva. z. apenas as palavras que faltam letras. u. (cada item vale 1 ponto. avistei o sinal vermelho. não tem duas. (vale 1 ponto) 8) Faça a classificação morfológica de cada palavra sublinhada nas frases abaixo. Rapidamente. na folha de respostas.” (O Pequeno Príncipe) 7)Reescreva todos os substantivos que aparecem no texto acima. (turma A) 1) Para cada palavra abaixo. “Com efeito. de ervas boas.0) 1. Então ela espreguiça. Você só tem uma vida.ditongo oral decrescente 4. j. 6) Leia o texto abaixo e responda às questões 1 e 2 . Total de 5 pontos) a) b) c) d) Eu fiquei muito aborrecido. diga a que classe gramatical cada uma pertence. g. no planeta do principezinho havia. ç. ss) (cada palavra 0.ditongo oral crescente 2.2 = 2. completando-as com as letras adequadas (l. s.2 = 4. e lança timidamente para o Sol um inofensivo galhinho. ch. ervas boas e más.ditongo nasal decrescente 3) Reescreva as palavras acentuando-as se necessário. de ervas más. (cada 0. Não é necessário repeti-los. escrevendo por que elas são acentuadas ou porque não têm acentos. x. (cada 0. preso a um ca____le. Por conseguinte. . escreva se há dígrafos ou encontros consonantais e em seguida circule-os (lembre-se que há dígrafos vocálicos). h. o. sementes más.0) a) reporter b) cafe c) medico d) tuneis e) album f) hifen g) paroxitona h) moeda i) sofa j) proton 4) Justifique a acentuação das palavras do exercício anterior.

(3 pontos) Ou se tem chuva e não se tem sol ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva branca e não se põe o anel verde. pronomes e numerais) e classifique as palavras do texto nessas colunas. ou se põe o anel verde e não se calça a luva branca! Quem sobe nos ares não fica no chão. Quem fica no chão não sobe nos ares. . Ou trabalho com amor e não vivo com tristeza. Nem todas as palavras serão classificadas. faça 4 colunas (substantivos. Ou guardo o dinheiro e não compro os dez doces.. ou compro os dez doces e gasto o dinheiro.e) O vento frio agitava as águas daquele enorme lago. Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo. adjetivos. ou vivo com tristeza e não trabalho com amor. Depois.. 9) Leia o texto com atenção.

PCNs ATIVIDADE Leitura interpretativa e debate sobre o texto. o ensino da ortografia dá-se por meio da apresentação e repetição verbal de regras. . AULA 14 – RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS ESPECÍFICOS DE CONTEÚDOS GRAMATICAIS CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE morfologia. 57 a 60) Ortografia De modo geral. Estudo em grupo de alguns conteúdos gramaticais. TRAZER NA PRÓXIMA AULA (POR GRUPO) TEXTO 1 (PCNs p. ortografia. e da correção que o professor faz de redações e ditados. ortografia.maquinadequadrinhos.com. pontuação. ortografia. pontuação. TRAZER NA PRÓXIMA AULA AULA 15 – APRESENTAÇÃO DE JOGOS DE GRAMÁTICA CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE TRAZER NA PRÓXIMA AULA Gênero gibi e morfologia. Elabora um gibi no site da Mônica (www. E. seguida de uma tarefa onde o aluno copia várias vezes as palavras que escreveu errado. com sentido de ―fórmulas‖. pontuação. Fazer exercícios de gramática trazidos pelo professor. sobre conteúdos já estudados anteriormente.br) AULA 16 – A GRAMÁTICA NOS PCNS CONTEÚDO A reflexão sobre a língua.AULA 13 – CONHECENDO MELHOR AS PARTES DA GRAMÁTICA CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE TRAZER NA PRÓXIMA AULA (POR GRUPO) morfologia. aspectos gramaticais.

apesar de se encontrar no sistema alfabético mais de um grafema para notar o mesmo fonema. • a tomada de consciência de que existem palavras cuja ortografia não é definida por regras e exigem.). mas de tratar diferentemente. quando não. não há regras que justifiquem as formas corretas fixadas pela norma e. QU. os alunos — se bem que capazes de ―recitar‖ as regras quando solicitados — continuam a escrever errado. ―contextuais‖ e ―morfológicos‖.o que permite a escrita de palavras nunca antes vistas por escrito . É preciso que se diferencie o que deve . a aprendizagem da ortografia não é um processo passivo: trata-se de uma construção individual. NH. por fim. OUVI(SS)E: imperfeito do subjuntivo. M/N antes de consoante. em segundo lugar. a norma restringe os usos daqueles grafemas formulando regras que se aplicam parcial ou universalmente aos contextos em que são usados. POBRE(Z)A: substantivos terminados em /eza/. o que se pode gerar a partir de regras . A posição que se defende é a de que. Ainda que tenha um forte apelo à memória. Os casos em que as regras existem podem ser descritos 38 como produzidos por princípios geradores ―biunívocos‖. reflitam sobre possíveis alternativas de grafia. INGLE(S)A: adjetivos gentílicos terminados em /esa/. etc. • a inferência dos princípios de geração da escrita convencional. O princípio gerador biunívoco é o próprio sistema alfabético nas correspondências em que a cada grafema corresponde apenas um fonema e vice-versa. para a qual a intervenção pedagógica tem muito a contribuir. em ortografia.: o uso de RR. obrigando uma escrita de memória. as regras do tipo morfológico são as que remetem aos aspectos morfológicos e à categoria gramatical da palavra para poder decidir sua forma ortográfica (ex. É importante observar que a realização desse tipo de trabalho não requer necessariamente a utilização de nomenclatura gramatical. de ―hoje‖ e de ―homilia‖ — dada a enorme diferenciação da freqüência de uso de umas e outras. E. o ensino da ortografia deveria organizar-se de modo a favorecer: 37. FIZE(SS)E. PORTUGUE(S)A. independentemente de serem regulares ou irregulares — definidas por regras ou não —. a consciência de que não há regras que justifiquem as formas corretas fixadas pela norma. a escrita inadequada de ―quando‖ e de ―questiúncula‖.apesar do grande investimento feito nesse tipo de atividade. É produtivo. nesses casos. etc. a partir da explicitação das regularidades do sistema ortográfico (isso é possível utilizando como ponto de partida a exploração ativa e a observação dessas regularidades: é preciso fazer com que os alunos explicitem suas suposições de como se escrevem as palavras. As regras do tipo contextual (ex. Em função dessas especificidades. as formas ortográficas mais freqüentes na escrita devem ser aprendidas o quanto antes. GU. PENSA(R): verbos no infinitivo. em primeiro lugar. A aprendizagem da ortografia das palavras irregulares — cuja escrita não se orienta por regularidades da norma — exige. É importante que as estratégias didáticas para o ensino da ortografia se articulem em torno de dois eixos básicos: • o da distinção entre o que é ―produtivo‖ e o que é ―reprodutivo‖ 37 na notação da ortografia da língua. Não se trata de definir rigidamente um conjunto de palavras a ensinar e desconsiderar todas as outras. comparem com a escrita convencional e tomem progressiva-mente consciência do funcionamento da ortografia).) são aquelas em que.e reprodutivo o que não se pode gerar. a tomada de consciência de que. permitindo no primeiro caso o descobrimento explícito de regras geradoras de notações corretas e.: ANDA(R). a consulta a fontes autorizadas e o esforço de memorização. e • a distinção entre palavras de uso freqüente e infreqüente na linguagem escrita impressa. por exemplo. um posicionamento do professor a respeito de quais dessas formas deverão receber um maior investimento no ensino. portanto. RIQUE(Z)A.

Tudo o mais são possibilidades. Deve estar voltado para o desenvolvimento de uma atitude crítica em relação à própria escrita. incorporou ao texto um aparato gráfico cuja função é indicar ao leitor unidades para o processamento da leitura 41 . Pontuação O ensino da pontuação tem-se confundido com o ensino dos sinais de pontuação. é principalmente para isso que ela serve: para separar. é preciso saber. a pontuação — aí considerados os brancos da escrita: espaços entre parágrafos e alíneas42 — organiza o texto para a leitura visual fragmentando-o em unidades separadas de tal forma que a leitura possa reencontrar. O trabalho com a normatização ortográfica deve estar contextualizado. de indicar pausas para respirar. No entanto. Aprender a pontuar é aprender a partir e a reagrupar o fluxo do texto de forma a indicar ao leitor os sentidos propostos pelo autor. Há. é um fluxo contínuo que precisa ser dividido em partesfrase que podem ou não conter partes também — os apostos. pois requer a aprendizagem de procedimentos bastante complexos. ainda que um locutor possa usar a pontuação para isso. O costume de ler apenas com os olhos. por exemplo. etc. por meio de sinais gráficos. O escritor indica as separações (pontuando) e sua natureza (escolhendo o sinal) e com isso estabelece formas de articulação entre as partes que afetam diretamente as possibilidades de sentido. A consulta ao dicionário pressupõe conhecimento sobre as convenções da escrita e sobre as do próprio portador: além de saber que as palavras estão organizadas segundo a ordem alfabética (não só das letras iniciais mas também das seguintes).estar automatizado o mais cedo possível para liberar a atenção do aluno para outros aspectos da escrita e o que pode ser objeto de consulta ao dicionário. Utilizou-se aqui a descrição proposta por Artur Gomes de Morais e Ana Teberosky. Não se trata. em situações em que os alunos tenham razões para escrever corretamente. por exemplo. de preocupação com a adequação e correção dos textos. as partes do . A pontuação aparece sempre em posições que indicam fronteiras sintático-semânticas. as conexões intelectuais ou discursivas do raciocínio. sobre as quais esta didática se apóia. Aliás. em que a legibilidade seja fundamental porque existem leitores de fato para a escrita que produzem. obtendo assim efeitos estilísticos. diferentemente de outros aspectos da notação escrita — como a pontuação —. Por isso — ao contrário da ortografia — na pontuação a fronteira entre o certo e o errado nem sempre é bem definida. ou seja. Frases que se agrupam tipograficamente em parágrafos 44 . A história da pontuação é tributária da história das práticas sociais de leitura. a ponto de alguns gramáticos45 apresentarem-na como ―a arte de dividir. A partir da compreensão de que o procedimento de pontuar é parte da atividade de textualização39 . que os verbos não aparecem flexionados. 38. essa abordagem se mostra inadequada e indica a necessidade de rever algumas idéias. não é essa sua função no texto escrito43 . o manejo do dicionário precisa ser orientado. as restrições da norma ortográfica estão definidas basicamente no nível da palavra. basicamente. pois. portanto. A primeira delas é que a pontuação serviria para indicar as pausas na leitura em voz alta e a segunda é que o que se pontuam são as frases. mais de uma possibilidade de pontuar um texto. na articulação visual da página. que o significado da palavra procurada é um critério para verificar se determinada escrita se refere realmente a ela. Na página impressa. A uma apresentação do tipo ―serve para‖ ou ―é usado para‖ segue-se uma exemplificação cujo objetivo é servir de referência ao uso. A única regra obrigatória da pontuação é a que diz onde não se pode pontuar: entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e seu complemento. Isso faz com que o ensino da ortografia possa desenvolver-se por meio tanto de atividades que tenham o texto como fonte de reflexão como de atividades que tenham palavras não necessariamente vinculadas a um texto específico. Desse momento em diante costuma-se esperar que os alunos incorporem a pontuação a seus textos. nem sempre explícitas. que caracteriza a forma moderna de ler 40. O texto não é uma soma de frases. quase sempre. Assim.

41. A prática de leitura silenciosa disseminou-se a partir da produção de livros em escala industrial. uma metalinguagem. coesão e correção. Até então o ato de ler se confundia com o ato de recitar o texto em voz alta. que ganham utilidade os conhecimentos sobre os aspectos gramaticais. Ele lia. por exemplo. enquanto o escritor monitora a própria escrita para assegurar sua adequação. e de mostrar do modo mais claro as relações que existem entre essas partes‖. verbo. portanto. por exemplo). empregando bem esses conhecimentos. ao mesmo tempo que é fonte de conteúdos a serem trabalhados. O estudo de textos antigos mostra que quem pontuava o texto não era o escritor e sim o leitor . preposição. Usou-se o termo ―alínea‖ para designar o recurso da linha no início dos parágrafos. o que seria inconcebível por escrito. atividade discursiva e textualidade‖. A propriedade que a linguagem tem de poder referir-se a si mesma é o que torna possível a análise da língua e o que define um vocabulário próprio. Por exemplo. de estreitar o campo das possibilidades de interpretação indicando graficamente as unidades de processamento e sua hierarquia interna. é preciso considerar que. é uma unidade tipográfica de várias frases. sob orientação do professor. quando o texto impresso é formado para ser lido diretamente pelo olho. — analisando os efeitos estilísticos obtidos por meio da pontuação pelos bons autores. Em relação a essa terminologia característica. o que é ―proparoxítona‖.discurso que não têm entre si ligação íntima. se é verdade que sempre que há uma vírgula (no escritor) há uma pausa (no oral). segundo Todorov (DUCROT e TODOROV. Também é possível ensinar concordância sem necessariamente falar em sujeito ou em verbo. artigo. isto é. o que pode contribuir para maior adequação e legibilidade dos textos e. pertence ao escritor. Isso porque os aspectos gramaticais — e outros discursivos como a pontuação — devem ser selecionados a partir dos das produções escritas dos alunos. Aprender a pontuar não é. ser ensinados prioritariamente — deve ser composto pela combinação de dois fatores: por um lado. o contrário não é verdadeiro. Quando se enfatiza a importância das atividades de revisão é por esta razão: trata-se de uma oportunidade privilegiada de ensinar o aluno a utilizar os conhecimentos que possui. Aspectos gramaticais É no interior da situação de produção de texto. aprender um conjunto de regras a seguir e sim aprender um procedimento que incide diretamente sobre a textualidade. Um procedimento que só é possível aprender sob tutoria. fazer uma pausa (no oral) entre o sujeito e o predicado de uma oração. não se deve sobrecarregar os alunos com um palavreado sem função. 1994) e Napoleão Mendes de Almeida. 39. a capacidade dos alunos em cada momento. O critério do que deve ser ou não ensinado é muito simples: apenas os termos que tenham utilidade para abordar os conteúdos e facilitar a comunicação nas atividades de reflexão sobre a língua excluindo-se tudo o que for desnecessário e costuma apenas confundir os alunos. 43. Julio Ribeiro (ALMEIDA. esta função. É comum. 40. O parágrafo. estabelecia a su a interpretação e preparava a leitura em voz alta marcando de próprio punho as pausas que considerava necessárias ao bom entendimento pelos ouvintes. por outro. 1988). embora seja peculiar a situações de análise lingüística (em que inevitavelmente se fala sobre língua). Ver capítulo ―linguagem. sem precisar passar pela sonoriz ação do que está escrito. Saber o que é substantivo. portanto. sujeito. justificado exclusivamente pela tradição de ensiná-lo. no fim de um processo em que os alunos. . torna-se necessário saber. nas séries iniciais. adjetivo. analisam e estabelecem regularidades na acentuação de palavras e chegam à regra de que são sempre acentuadas as palavras em que a sílaba tônica é a antepenúltima. etc. 42. fazendo juntamente com quem sabe: — conversando sobre as decisões que cada um tomou ao pontuar e por quê. 44. — observando os usos característicos da pontuação nos diferentes gêneros e suas razões (a grande quantidade de vírgulas/aposições nas notícias jornalísticas como instrumento para condensar o texto. coerência. Hoje. não significa ser capaz de construir bons textos. Convém lembrar que. 45. predicado. O critério de relevância dos aspectos identificados como problemáticos — que precisam. — analisando alternativas tanto do ponto de vista do sentido desejado quanto dos aspectos estilísticos e escolhendo a que parece melhor entre as possíveis.

ainda que os conteúdos relacionados a esse tipo de prática estejam organizados num bloco separado. Finalmente. procurar palavras de um certo tipo num texto. aumentativos. Observemos como esta afirmação fica quase óbvia se pensarmos em como uma . métodos. poderíamos enunciar uma espécie de lei. mais fundamental ainda . em maior ou menor quantidade. afirmativas. Não. Deixados de lado detalhes (às vezes certamente importantes). Isso não significa que se aprenda facilmente. copiar. de busca de alternativas. repetir. pelo menos. e muito. E.já falamos disso mais acima -. algo que se assemelhe a exercícios. numa escola. construir uma frase com palavras dispersas. progressivamente. de verificação de diferentes hipóteses. negativas. fazer frases interrogativas. morfologia ou sintaxe. E. um pouco mais maldosos . quer sejamos inatistas. aprendem suas línguas exatamente porque não são ensinadas – exatamente porque pais não agem com elas como se houvesse necessariamente fases. Mais do que isso.mas talvez não muito distantes da verdade . Em resumo. Tudo isso são exemplos de exercícios. de todas as épocas. dar diminutivos. às vezes. a partir dos três anos de idade. é sempre o mesmo: partir do que os alunos já sabem sobre o que se pretende ensinar e focar o trabalho nas questões que representam dificuldades para que adquiram conhecimentos que possam melhorar sua capacidade de uso da linguagem.Isso não significa que não é para ensinar fonética. o monitoramento da própria atividade lingüística. porque nada disso ajuda ninguém a aprender uma língua. Leitura complementar LÍNGUA NÃO SE ENSINA. coisas como as seguintes: propor a uma criança de dois anos (ou menos) que faça tarefas como completar. nem conhece quem faça... um uso sempre contextualizado. O princípio didático básico das atividades não apenas deste bloco. ou. que seria: não se aprende por exercícios. Tudo isso se faz nas escolas. por mais que seja efetiva e constante a presença dos adultos junto às crianças. uma tentativa forte de dar sentido ao que o outro diz etc. se entendermos por ensino aquele conjunto de atividades que se dão. O fato observável é que todos falam. interacionistas ou comportamentalistas. eles devem remeter-se diretamente às atividades de uso da linguagem. e bem.talvez venham a pensar que as crianças do mundo todo. e. Nesse sentido. dizer alguma coisa vinte ou cem vezes. mas que elas devem ser oferecidas à medida que se tornarem necessárias para a reflexão sobre a língua. os pais. decorar conjugações verbais etc. tipicamente. De fato. de qualquer forma temos que reconhecer que os adultos não propõem exercícios de linguagem às crianças na vida cotidiana. de comparação de diferentes pontos de vista. o que podemos observar é que ocorre um uso efetivo da linguagem. não há nada que se assemelhe a um ensino formal de uma disciplina. com todas as variações que esses rótulos permitem.é uma atividade significativa. mas por práticas significativas. mas de todos os outros. Principalmente. não ensinam as línguas às crianças.] O que é ainda mais espantoso é que todos aprendem com velocidade espantosa um objeto complexo. nenhum de nós faria. Nada disso se faz na vida real. devem estar a seu serviço... Sendo assim.] De fato. mesmo. é preciso voltar a enfatizar o papel que o trabalho em grupo desempenha em atividades de análise e reflexão sobre a língua: é um espaço de discussão de estratégias para a resolução das questões que se colocam como problemas. separar sílabas. Na verdade. é constante. e sem ser ensinados. Alguns. por mais que haja entre eles atividades lingüísticas. ninguém sabe muito bem o que se passa na mente humana. de colaboração entre os alunos para a resolução de tarefas de aprendizagem. difícil. ou adultos em geral. Qualquer que seja a teoria que adotemos sobre o que seja uma criança . Ou. o que há nela eventualmente de inato. APRENDE-SE [. o trabalho dos adultos e das crianças é contínuo e. exercícios. tanto em situações de comunicação escrita quanto oral. certamente. pretende-se que o aluno evolua não só como usuário mas que possa assumir. isto é. de herança biológica. muito menos. é preciso organizar o trabalho educativo nessa perspectiva. [. Esta parece ser a questão principal e crucial. Se o objetivo é que os alunos utilizem os conhecimentos adquiridos por meio da prática de reflexão sobre a língua para melhorar a capacidade de compreensão e expressão.

Nélson Rodrigues diria que se trata do óbvio ululante. Por isso. Na vida. na rua.criança aprende a falar com os adultos com quem convive e com seus colegas de brinquedo e de interação em geral. O modo de conseguir na escola a eficácia obtida nas casas e nas ruas é "imitar" da forma mais próxima possível as atividades lingüísticas da vida. ouvem os outros. e reescrevendo. e depois reescrevem de novo. O que já é sabido não precisa ser ensinado. Mas. humilhação. nas casas. Nada. exercícios de fixação e de recuperação etc. a menos praticada. O fato de que as crianças não façam exercícios. Mas. Sendo corrigidas: isto é importante. parece-me que a atitude dos profissionais dos diversos escalões. as atitudes. saberemos o que os alunos já dominam realmente e o que lhes falta ainda. basta que verifiquemos como escrevem os que escrevem: escritores. como escrevem. organizaremos os "problemas" em séries. tudo o que foi dito anteriormente são apenas coisas óbvias. repito. O princípio é o mais elementar possível. talvez o que se vai ver agora seja ainda mais óbvio. Como aprendemos a falar? Falando e ouvindo. desde os das Secretarias de Educação até os professores. A escola poderia aprender muito com os procedimentos "pedagógicos" de mães. é de "seriedade" e cerimônia tamanha que merece ser desmistificada. lêem arquivos. aprendemos a elaborar planos de cursos. ou como se escreve de fato "na vida" . com um professor conhecido na escola e com quem se pode discutir alternativas. principalmente). e mostram para colegas ou chefes. em relação ao português padrão (escrito. babás e mesmo de crianças. O domínio de uma língua. Como aprenderam? Ouvindo. ou significativamente. lêem outros livros. Descobriremos que livros já leram. por exemplo. Falar é um trabalho (certamente menos cansativo que outros). Como aprenderemos a escrever? Escrevendo e lendo. vou fornecer aqui uma "receita" óbvia para estipular programas de ensino para língua materna nos diversos anos escolares (com a ressalva de que jamais me refiro à alfabetização. É que pode não parecer. castigo. não são exercícios. portanto. de bom senso. Nos cursos de didática que fazemos nas faculdades ou nos cursos de magistério. jornalistas. Mas não existe reprovação. contextualizadas. A escola é um lugar de trabalho. são um pouco heterogêneas. Nada de consultar manuais e guias para saber o que se deve ensinar. No processo de aquisição fora da escola existe correção. De todas as teses sobre língua e seu ensino que estou defendendo aqui. numa sexta série. Por exemplo: para descobrir o que os alunos de uma próxima sexta série já sabem e o que ainda não sabem. pelo menos nos estágios iniciais . os programas anuais poderiam basear-se num levantamento bem feito do conhecimento prático de leitura e escrita que os alunos já atingiram e. escrever e ler. significativas. com uma freqüência semelhante à freqüência da fala e das correções da fala. Eles pesquisam. por comparação com o projeto da escola. portanto. crianças com alguns anos de idade utilizam o tempo todo formas que sequer imaginamos. Eles não fazem redações. Se não passarem de exercícios eventuais. em geral. Na escola. em relação aos conteúdos de ensino. Seguindo esse princípio. quais os principais problemas que ainda têm (se ainda os houver). ouvem suas opiniões. Para se ter uma idéia do que significaria escrever como trabalho. e lêem e relêem. não repitam formas fora de um contexto significativo não significa que não sejam expostas suficientemente às línguas. uma avaliação do que ainda lhes falta aprender. A escola pode muito bem agir dessa forma. mas que veríamos claramente que conhecem. talvez. se examinássemos sua fala com cuidado. a que se segue é a mais evidente de todas e. portanto. após determinado número de anos na escola. trata-se de trabalho e papelada inúteis.refiro-me. Ler e escrever são trabalhos essenciais no processo de aprendizagem. mas falamos tanto e as regras são relativamente tão poucas que acabamos por aprender.. certamente sua contribuição para o domínio da escrita será praticamente nula. dizendo e sendo corrigidas quando utilizam formas que os adultos não aceitam. presos a uma tradição que não se justifica a não ser por ser tradição. bem ou mal. passando por coordenadores e diretores. Só depois escrevem. segundo sua especificidade e eventual . é o resultado de práticas efetivas. Mas. Na minha opinião. desde que não pense só em listas de conteúdos e em avaliação "objetiva" SABEMOS O QUE OS ALUNOS AINDA NÃO SABEM? De uma certa forma. as práticas mais relevantes serão. desses programas pré-fabricados para ir do simples ao complexo. e depois reescrevem. Com base em tal levantamento. basta analisar os cadernos e demais materiais dos que acabaram de concluir a quinta série na mesma escola. o que se faz é falar e ouvir. Ler e escrever são trabalhos. apenas para avaliação. e sendo corrigidos. e tendo nossos textos lidos e comentados muitas vezes. Adotando esse critério para todas as séries. com objetivos e estratégias. Em relação às outras. Por isso.. vão à rua. a programas de português para alunos que já lêem e escrevem minimamente).

parece razoável ensinar apenas quando os alunos erram. Tentemos colocar-nos em outra posição. cada escola acabará por saber com bastante clareza o que lhe cabe no ensino do padrão e o que os alunos aprendem fora da escola. número. Em resumo. porque. por que fazemos coisas semelhantes nas aulas de português. e que. que se trabalhe sobre eles. no Brasil. Certamente. além de descobrir o valor social associado a tais recursos .ou puderem ser convencidos . a tradição é tão forte que não conseguimos ver o que de fato fazemos quando ensinamos uma língua que os alunos conhecem fazendo de conta que eles não a conhecem. Que se pode falar e escrever numa língua sem saber nada “sobre" ela.dificuldade. definida com base também na psicologia de aprendizagem que adotamos na escola. Se os alunos utilizam estruturas como "os livro" . uma língua "desde o início" . mas se nunca dizem" vaca preto" . haverá problemas apenas nos lugares de sempre: palavras com" gênero duvidoso" (ou seja. em seguida. na nossa sociedade. para o fato de que há formas peculiares (como "copázio" e "corpúsculo". basta dar-se conta de que é em circunstâncias e com sentidos diferentes que dizemos "que corpinho!"e" há corpúsculos visíveis apenas com instrumentos como os microscópios". se a escola tiver um projeto de ensino interessante. O mesmo vale para numerosas outras lições de gramática normativa. através da leitura esse aluno terá tido cada vez mais contato com a língua escrita. se ficar claro que conhecer uma língua é uma coisa e conhecer sua gramática é outra. solicitar que efetuem exercícios do tipo" dê o diminutivo de" . Em outras palavras. Ou seja: há uma grande probabilidade de que. Provavelmente haverá mais casos problemáticos de concordância verbal do que de concordância nominal. Assim. exatamente como fazem os adultos com as crianças. por um lado. alguns dos problemas serão postos como prioritários. para isso.de que o domínio efetivo e ativo de uma língua dispensa o domínio de uma metalinguagem técnica. por exemplo. com variação de gênero). o que acarreta uma multiplicação dos recursos de linguagem que eles aprendem a manipular. Se ocorrerem problemas. para crianças que. Não se pode esquecer. não lhes ensinaríamos o que lhes ensinamos. . Em geral. para. Mesmo nesses casos. Se fizermos este tipo de levantamento de forma adequada por vários anos. a não ser quando os alunos efetivamente erram e naqueles casos em que erram. exatamente aqueles que achamos que alunos típicos de determinada série podem eliminar. para efeito de raciocínio: pensemos o que seria ensinar inglês. provavelmente concluiremos que não é necessário estudar gênero. por outro lado. por alguma razão. na qual se usam as formas padrões que a escola quer que ele aprenda. Por exemplo: é provavelmente uma enorme perda de tempo ensinar a alunos de primeiro grau que existem diminutivos e aumentativos. não serão os prioritários numa determinada série). Neste último caso. os erros sejam pouco numerosos.. não há porque trabalhar com eles. Para dar um exemplo óbvio. o aumento da idade dos jovens implica numa diversificação e sofisticação da interação social. que essas estruturas sejam objeto de trabalho. Assim. se os alunos falam português o tempo todo? Não seria melhor ensinar-lhes apenas o que não sabem? ENSINAR LÍNGUA OU ENSINAR GRAMÁTICA? Todas as sugestões feitas nos textos anteriores só farão sentido se os professores estiverem convencidos . Além disso. por exemplo). além disso. Que saber usar suas regras é uma coisa e saber explicitamente quais são as regras é outra. Que saber uma língua é uma coisa e saber analisá-la é outra. isto é. aprendem a distinguir estilos diversos e avaliá-los. para que se possa perceber claramente qual é o espírito que preside o ensino de língua materna para alunos que já falam. Se não ocorrerem. é perfeitamente possível saber muito" sobre" uma língua sem saber dizer uma frase nessa língua em situações reais. Mas. é necessário estar atento ao uso e ao sentido reais de tais palavras. como em outras. pelo menos. poderão ser deixados para séries mais avançadas (ou. para que insistir em estudar o gênero de "vaca" ? Vou fazer uma comparação com o ensino de outra língua para que as coisas fiquem bem claras. que o passar do tempo é um fator importante de aprendizado lingüístico.isto é. concordância etc. Por que temos que "começar do começo" nas aulas de inglês? Porque nossos alunos não falam inglês. Só vale a pena trabalhar sobre tais questões para chamar a atenção para os valores de tais formas. na maioria absoluta dos casos em que a estrutura da língua prevê a ocorrência do fenômeno da concordância. Outros. aparecessem nas nossas escolas falando em inglês. para que não ocorra que se ensine que "corpúsculo" é o diminutivo de "corpo" em qualquer contexto. Diria que estes casos não são do tipo em que é melhor prevenir do que remediar. casos de sujeitos compostos com elementos masculino e feminino e alguns outros casos raros. "dê o aumentativo de".

é verdade. não é verdade que crucial para a aprovação é a gramática.sabe evidentemente mais inglês uma criança de três anos que fala inglês usualmente com os adultos e outras crianças para pedir coisas. eles sabiam grego). Além do mais. 1998. e não os escritores que consultam os gramáticos para saber que regras devem seguir. (POSSENTI. então. Quando se discute ensino de língua e se sugere que as aulas de gramática sejam abolidas. de alterar prioridades (discutir os preconceitos é certamente mais importante do que fazer análise sintática . Tentemos responder à seguinte pergunta: que gramáticas do grego consultaram Ésquilo e Platão? Ora. só há uma explicação: é que as provas não são compostas apenas de questões de gramática. Sírio. isto é. isto é. ao invés de invertermos ou pelo menos equilibrarmos os critérios de importância. no sentido de listas de regras ou procedimentos de análise. e sem as quais evidentemente não pode haver aulas de gramática como as que conhecemos. e não surgem para que possam ser aprendidas pelos falantes. Mas há também questões de literatura e de interpretação de textos. Mas. o mesmo valendo. eram bastante diferentes das nossas). façam o mesmo com os alunos certamente fracassará.não reflita sobre questões de língua. em geral.. nas quais não há escrita e muito menos gramáticas. Ou será que não é porque não sabem gramática que têm notas baixas? Se for. uma última: as únicas pessoas em condições de encarar um trabalho de modificação das escolas são os professores. Qualquer projeto que não considere como ingrediente prioritário os professores desde que estes. do que alguém que tenha estudado a gramática do inglês durante anos. não faz sentido ensinar nomenclaturas a quem não chegou a dominar habilidades de utilização corrente e não traumática da língua. Mas. mas é menos.. espanhóis etc. mesmo assim. adequadamente. que não sejam as únicas aulas existentes na escola. os gregos escreveram muito antes de existir a primeira gramática grega. exatamente porque o grego ia mudando e. principalmente porque se sabe que refletir sobre a língua é uma das atividades usuais dos falantes e não há razão para reprimi-Ia na escola. há questões de gramática. logo se levantam objeções baseadas nos vestibulares e outros testes. Por isso. mas é preciso distinguir seu papel do papel da escola . É perfeitamente possível aprender uma língua sem conhecer os termos técnicos com os quais ela é analisada.. xingar. mas para organizar certos princípios de leitura que permitissem ler textos antigos. Não vale a pena recolocar a discussão pró ou contra a gramática. nos quais seria impossível ser aprovado sem saber gramática. dando mais espaço em nossas aulas à literatura e à interpretação de textos? c) em muitos testes. Falar contra a "gramatiquice" não significa propor que a escola só seja "prática" . criar condições para seu uso efetivo. Se verificássemos os fatos e não nossa representação deles (fora o achismo!). o que se vê são alunos que. como os concursos públicos. se se quiser analisar fatos de língua.). A maior prova disso é que em muitos lugares do mundo se fala sem que haja gramáticas codificadas. como poderiam os novos falantes entender textos antigos? Ou seja. professores de português . portugueses. Por que.eu disse mais importante. Seria contraditório propor esta atitude. Por último. pelo menos. reclamar ou brincar. surgem no segundo século antes de Cristo apenas. b) em muitos vestibulares e outras provas. então. tiram notas mais próximas de um do que de dez. Portanto.basta. já há condições de fazê-lo segundo critérios bem melhores do que muitos dos utilizados atualmente pelas gramáticas e manuais indicados nas escolas. p. Seria interessante que ficasse claro que são os gramáticos que consultam os escritores para verificar quais são as regras que eles seguem. Mas. mas não tem condições de guiar um turista americano para passear numa cidade brasileira. vestibulares incluídos. que os especialistas mudem de estratégia de avaliação. não existiam gramáticas gregas (a não ser na cabeça dos falantes. para coroar uma série de obviedades. Trata-se apenas de reorganizar a discussão. então. não é só entre os que poderiam ser chamados preconceituosamente de primitivos que isso ocorre. deveríamos estar formando alunos que teriam notas próximas de dez em provas de gramática. veríamos que o conhecimento explícito de gramática não é tão relevante nessas circunstâncias. portanto. Por várias razões: a) quem elabora provas de português são. ou abolidas nas séries iniciais ou. evidentemente. a redação é eliminatória. damos tanta ênfase à gramática. d) admitindo que a gramática fosse importante. Espero que ninguém diga que não sabem sua língua os falantes de sociedades ágrafas. o que significa que a análise sintática é importante. depois de uma década de aulas de gramática. isto é. Claro que este fato deve ser considerado. Mas. para os escritores latinos.. por sua vez. 45 a 56) .que é ensinar língua padrão. As primeiras obras que poderiam ser chamadas de gramáticas (mas. sem poder aprender o grego antigo.

porém. 2001) cerca de 980. Letramento: onde. pode-se dizer que menos de vinte. principalmente. contém o verbete com o simples significado de “escrita”. e avaliou que mais da metade dos alunos não é capaz de responder a questões que requerem raciocínio e 60% só conseguem identificar informações muito simples.filologia.html http://www. É fato que o nosso país possui um número significativo de indivíduos que não adquiriram o saber necessário para atender às exigências de uma sociedade letrada. . Eliane Bisi da Silva (FAFIA). que foram feitas buscas em dicionários da língua portuguesa quanto ao significado da palavra.org. não foi encontrado o verbo “letrar”.filologia.br/viiicnlf/anais/caderno09-06. através do Programa semanal “Fantástico”.br/viiicnlf/anais/caderno09-06.html http://www. esse vocábulo surgiu entre os lingüistas e estudiosos da língua portuguesa. por exemplo. Luciano Dutra Ferreira Não é novidade que o Brasil ainda enfrenta insistentemente o problema do analfabetismo.000 crianças na 4ª série do ensino fundamental não sabem ler.org.filologia. para os acadêmicos desse setor. Ivan Batista da Silva (FAFIA).br/viiicnlf/anais/caderno09-06. Recentemente. o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa de Caldas Aulete.html LETRAMENTO: VOCÊ PRATICA? Cyntia Santuchi Peixoto (FAFIA). seriam apenas mais alguns dados para pessoas comuns. Kato. e então passou a ter veiculação no setor educacional. a Rede Globo. Ela ressalta.AULA 17 – DEBATE DO FILME “crianças invisíveis” CONTEÚDO Perceber as diferentes formas de “ler” o filme e relacioná-lo à disciplina PCNs/ vídeo ATIVIDADE Debate sobre o filme TRAZER NA PRÓXIMA AULA AULA 18 – ATIVIDADE SOBRE O FILME CONTEÚDO Relacionar cenas do filme com a disciplina. e mais de 1. A mesma registra. no dicionário Aurélio. bem como também. nada foi encontrado. De acordo com informações (MEC/INEP. segundo Magda Soares (2003: 15). PCNs/ vídeo ATIVIDADE A critério do professor TRAZER NA PRÓXIMA AULA AULA 19 – ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO Texto 1 http://www. mas é algo extremamente alarmante para o educador. tanto de crianças que saem da escola e de outros que não tiveram a oportunidade de se apropriarem do saber da leitura e escrita. como e por que foi criado este termo? O vocábulo é um tanto quanto fora do comum para muitos profissionais da área da educação e. Esses. Há alguns anos. com edição constando de mais de um século.org. Constatou-se que uma das primeiras menções feitas deste termo ocorreu em No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística (1986) por Mary A. É neste ponto que entra a grande questão da intervenção do educador e a inclusão da prática geradora do letramento. nesta obra.600 são capazes de ler apenas frases simples. fez uma pesquisa intitulada “Provão do Fantástico” aplicada em 27 capitais brasileiras (somente em escolas públicas).

que responde de maneira ampla e satisfatória as demandas sociais fazendo uso de alguma maneira da leitura e . muitos estudiosos discutem a necessidade de se transpor os rígidos conceitos estabelecidos sobre a alfabetização. não se diz que é o que adquiriu o estado ou condição de quem se apossou da leitura e da escrita. por que este termo tem sido utilizado agora com certa freqüência nos campos educacionais e lingüísticos? Devemos esclarecer que esse vocábulo não tem sido usado. Ainda. pelo aspecto sociointeracionista. por muitas vezes. fica subentendido. pois. afirma que a alfabetização. níveis de conhecimento. sabemos que todo indivíduo possui. especialmente. portanto.ainda. Esse é um ponto de suma importância para aqueles que pretendem despojar-se dos restritos. ampliando a abrangência da alfabetização. 1990: 10). e. afinal. por que e para que surgiu o que se denominou letramento? Por todo o tempo em que já vivemos como uma sociedade grafocêntrica. e que responde de maneira satisfatória as demandas das práticas sociais. e incisivos. observou-se que para o estado / condição daquele que sabe ler e escrever. foi muito bem discorrido por Paulo Freire: O ato de ler e escrever deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo. de alguma forma. para ler e escrever. foi preciso criar um termo e fazê-lo conhecido no campo da pesquisa. considerá-la como a relação entre os educandos e o mundo. em “Letramento e alfabetização” (1995). e assim. ser descrita sob a forma de objetivos instrucionais. têm-se conhecimento sobre a problemática da falta do saber ler e escrever. depois revelaram o mundo e a seguir escreveram as palavras. atualmente. com a representação etimológica de estado. este termo caiu em desuso há bastante tempo em nossa língua. o processo que levará ao crescimento e desenvolvimento. logo. E o indivíduo para não ser atropelado e marginalizado pelas mudanças sociais deverá acompanhar. podemos analisá-la à medida que esta reproduz a “formação social existente. Nos dicionários da língua portuguesa o termo alfabetizado diz respeito ao indivíduo que somente aprendeu a ler e escrever. ou qualidade de ser literate. surgindo o “analfabetismo”. condição. através de muitos estudos e ações com o objetivo de erradicar o problema. no que diz respeito às práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita. O mal-entendido que parece estar na base da primeira perspectiva é que a alfabetização é algo que chega a um fim. Mas. pelo contrário. conceitos em que a alfabetização é estabelecida em termos mecânicos e funcionais. ou como um conjunto de práticas culturais que promove a mudança emancipadora” (DONALDO. Como processo que é parece-me antes que o que caracteriza a alfabetização é a sua incompletude. Até mesmo historicamente. Não que o educando não tenha qualquer saber antes da alfabetização. que a alfabetização do individuo. Com isso. O termo se originou de uma versão feita da palavra da língua inglesa “literacy”. Neste âmbito. através da atualização individual. gerou-se uma crescente preocupação em desenvolver um controle sobre essa questão. este está em constante processo de transformação. e pode. está sendo mal entendida: Há duas formas segundo as quais comumente se entende a alfabetização: ou como um processo de aquisição individual de habilidades requeridas para a leitura e escrita. isto. não há um ponto final. Então. E. que no mesmo dicionário esse vocábulo é classificado como “antiquado”. Com isso. Ora. Leda Verdiani Tfouni. de naturezas diferentes. coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra. ou como um processo de representação de objetos diversos. logo. Mas. é algo que nunca será alcançado por completo. e literate é definido como educado. A realidade é que existe a extensão e a amplitude da alfabetização no educando. os seres humanos primeiro mudaram o mundo. com a denotação supracitada.

Ele é o resultado da ação de ensinar e/ou de aprender a ler e escrever. Na verdade. não existe analfabetismo nesses países. isso se fez necessário devido à constatação de uma nova situação: de que não basta apenas o saber ler e escrever. não é com os níveis de analfabetismo. Mais tarde. O exemplo acima são verificações feitas fora do Brasil. portanto. isto é.os níveis de letramento é que são baixos. históricas? Ainda quanto às diferenças entre letramento e alfabetização é necessário alertar que. traduz illiteracy (inglês) e illetrisme (francês) por analfabetismo. preencher um formulário. devido as suas distinções já mencionadas anteriormente. devemos separá-los quanto ao seu abarcamento. mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita. Um exemplo do que acabamos de mencionar (SOARES. mas demonstra claramente as diferenças entre os dois processos acima citados. e por que não dizer. contudo.) quando os jornais noticiam a preocupação com altos níveis de „analfabetismo‟ em países como os Estados Unidos. que já existem mudanças consideráveis em nossos parâmetros. estes dois processos estão diretamente ligados. gerando novos termos específicos. ou grupo. a França. o nome letramento surgiu mediante a esta nova constatação. Letramento e alfabetização: onde está a diferença? A alfabetização. Então. Apesar da constatação de que os critérios de avaliação deles não se assemelham muito aos nossos quanto à alfabetização.. Quando fatos “novos” são constatados. registrar a candidatura a um emprego . é o estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever. surpreendente porque: como podem ter altos níveis de analfabetismo países em que a escolaridade básica é realmente obrigatória e. o que também se observa é que. Ou seja. 1995). e denota estado ou condição em que um indivíduo ou sociedade obtém como resultado de ter-se “apoderado” de um sistema de grafia. se trabalham os dois simultaneamente? . praticamente toda a população conclui o ensino fundamental (que. e ainda. estes dois de maneira confusa têm sido fundidos como um só processo. quando a nossa mídia traduz para o português a preocupação desses países. tem duração maior que a do nosso ensino fundamental . freqüentes mudanças sociais geram novas demandas sociais de uso da leitura e da escrita. o que se observa é que isso tem gerado mudanças sociais e culturais.escrita. ou surgem novas idéias à respeito de fenômenos. onde entra a alfabetização? E o letramento? Ou. a Inglaterra. saber responder às exigências de leitura e de escrita que a sociedade faz. mas com os níveis de letramento. pois.10 anos nos Estados Unidos e na França. inclusive.. 2003: 56-57): Analfabetismo no primeiro mundo? (. as diferenças que há em avaliar níveis de letramento e níveis de alfabetização. logo. Essa confusão implica no exercício de um e de outro. depara-se com a necessidade de se criar novos vocábulos ou nomes para se tratar com determinados assuntos (SOARES. se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo. com freqüência. o número de pessoas que não sabem ler ou escrever aproxima-se de zero. Pois. necessário é saber fazer uso do ler e do escrever. e salienta as características sócio-históricas ao se adquirir um sistema de escrita por um grupo social. É que. 11 anos na Inglaterra). mas enfrentam dificuldades para escrever um ofício. O letramento é um fenômeno de cunho social. a preocupação. com a dificuldade que adultos e jovens revelam para fazer uso adequado da leitura e da escrita: sabem ler e escrever. Por outro lado. é satisfatório saber também. Enquanto o letramento “focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade” (TFOUNI. nos países citados. ainda não havia uma denominação. 2003). como já mencionamos. Há verificações de que a concepção de alfabetização também reflete diretamente no processo de letramento. e.

bulas de remédios. como também podem não ser capazes de sequer escrever uma carta ou bilhete. no dicionário Aurélio o verbete letrado é definido como “que ou quem é versado em letras. utiliza a escrita para escrever uma carta através de um outro indivíduo alfabetizado. O mesmo faz quando pede para alguém ler alguma carta que recebeu. Com tudo isso. ou seqüência. poderíamos dizer que este é o letramento. em que a personagem escrevia correspondências para pessoas analfabetas em troca de dinheiro. apresentam grandes dificuldades para interpretar textos lidos. ou texto que contém informações importantes para ele: seja uma notícia em um jornal. já quase desconhecida. itinerário de transportes. mesmo que indiretamente. ou seja. de alguma forma. por exemplo. todavia. Esse exemplo nos remete a outro. utilizavam os códigos da escrita. e estão eles ligados às necessidades e exigências de uma sociedade e de cada indivíduo no seu meio social. são capazes de ler e escrever. Ele demonstra com isso que conhece. há casos de indivíduos com variados níveis de escolarização e alfabetização que apresentam níveis baixíssimos de letramento. levantar questões sobre as desigualdades de alfabetizado para letrado. mas é necessário enfatizar que é o próprio analfabeto que dita o seu texto. Não queremos estabelecer uma ordem. logo. neste ponto divergimos. Todavia. que fez uso de sua capacidade de ler e escrever uma profissão. mesmo que seja só encenação. informativos. Este indivíduo é analfabeto. ele possui um certo grau de letramento devido a sua experiência de vida em uma sociedade que é atravessada pela escrita. Os indivíduos que a usavam como ferramenta para se envolver em uma prática social. Ainda na nota de Magda Soares (2003: 47) eles também exemplificam o caso de uma criança que mesmo antes de estar em contato com a escolarização. contudo. não possui a tecnologia da decodificação dos signos. analfabeto ou quase”. logo. erudito”. E ainda. E. Mediante essas definições percebemos que esses adjetivos não tem relação com o sentido do letramento. . contudo. Uma nota no livro “Letramento: um tema em três gêneros” de Magda Soares (2003: 47) faz um apanhado.Se afirmamos que a alfabetização é algo que não tem um ponto final. pode ser letrado. e ainda. criando seus próprios textos “lidos”. Estes. não possuem habilidades para práticas que envolvem a leitura e a escrita: não lêem revistas. placas. ou seja. de forma peculiar a sua condição eles demonstram possuir características de grupos letrados. ou de escrita. pelo qual estamos tratando. mas. e que não saiba ainda ler e escrever. ouve histórias lidas por pessoas alfabetizadas. acordamos que os dois processos andam de mãos dadas. por acreditarmos que a possibilidade de uma pessoa possuir grau zero de letramento não exista. ele não aprendeu a ler e escrever. em se tratando deste viver em uma sociedade grafocêntrica. sobre o assunto. receita do médico. manuais de instrução. a de “escriba”. O que pretendemos é incentivar o educador a fazer uso do conhecimento nato de mundo que o educando possui e sua relação com a língua escrita. alguns “quase” nenhum. assim ele poderá alfabetizar letrando. revistas. iletrado “que ou quem não tem conhecimentos literários. as estruturas e funções da escrita. Com isto. há pelo menos uma constatação: existem diferentes tipos e níveis de letramento. visto de uma maneira prática e real. Ao saber de algumas distinções básicas destes dois termos poderíamos. mesmo que seja mínimo. tem contato com livros. ela também pode ser considerada letrada. é a personagem de Fernanda Montenegro no filme “Central do Brasil” de Walter Salles. gostaríamos de destacar que nessa nota acima mencionada diz também que esse tipo de indivíduo pode ser uma pessoa alfabetizada. pois já defendemos que todo tipo de indivíduo possui algum grau de letramento. a de se corresponder. porém não com plenitude. um escriba. então dizemos que ela tem um continuum. que talvez não tenha sido percebido por quem assistiu. jornais. O texto exemplifica como um adulto pode até ser analfabeto. porém. e a partir daí também se interessa por ler. também. No entanto. bem como indivíduo letrado/iletrado? Os dicionários da língua portuguesa definem os vocábulos letrado e iletrado. muito conhecido. livros diversos. mesmo que tudo seja carregado de suas particularidades. mas não é letrada. este é letrado. sinalizações diversas. presencia a prática de leitura. ele lança mão de todos os recursos necessários da língua para se comunicar. Sociedade letrada/iletrada: indivíduo letrado/iletrado Há uma definição única e restrita quanto ao conceito de sociedade letrada/iletrada.

O papel do educador no letramento como “professor-letrador” Paulo Freire afirma que para o educador. não seria adequado a utilização do mesmo em uma sociedade considerada moderna e/ou industrializada. Afinal. centrada na escrita. torturado. e que para isso se torna um instrumento de cooperação para o crescimento dos seus educandos. assim. “o ato de aprender a ler e escrever deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo. “quanto mais inquieta for uma pedagogia. porque fazia suas próprias interpretações dos textos bíblicos e da religião. Então. Levando assim. O profissional de educação deve ser capaz de fazer sua interferência na realidade. pois sabemos que o educador tem que estar sempre adquirindo novos aprendizados. lançando-se a novos saberes. foi considerado perigoso por que entendeu que quem tivesse a capacidade de domínio e transmissão da cultura escrita teria o poder. Comenta a autora que Menochio não foi condenado apenas por saber ler e escrever. Então. bem como “iletramento” é impraticável. Isso quer dizer que o indivíduo não é um depósito vazio e zerado antes da alfabetização. são abordados em trabalhos sobre o letramento não se assemelham ao dos dicionários. Vimos. ou seja. que necessariamente. de Leda Verdiani Tfouni. reconstruir. só os eclesiásticos católicos detinham o poder de interpretação da Bíblia Sagrada. Achavam eles que. das gerações de camponeses”. constatar para mudar. No nosso ponto de vista. é o mesmo da autora. anteriormente. A alfabetização com a prática do letramento. Ela registra em sua obra algumas passagens de Ginszburg (1987). 1990). como também. A lingüista comenta que essa história demonstra como o termo “letrado” não pode ter um sentido único. através de uma escolarização. e ali. mesmo que estas sejam consideradas muito boas. o ato de aprender “é construir. o que não era muito comum naquela época. nem transmissão de idéias. e isto. do livro “Letramento e Alfabetização”. o que certamente. gerará novos conhecimentos. levando-os a criar seus próprios conceitos e conhecimento. no que diz respeito à sociedades tecnologizadas. e ainda. A partir disso. coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra”. trará ao indivíduo capacidades. Esta constatação não está relacionada somente ao educando. Ele pertencia à classe subalterna.Os termos que. gera o enriquecimento tanto para o educador quanto para o educando. Ele. que devemos analisar bem antes de aplicar o termo letrado. pois a possibilidade de existir indivíduos que não possuem nem um grau sequer de letramento é quase impossível. educadores. mas sim. Processo este de fundamental papel no exercício de educador que acredita na construção de saberes e de conhecimentos para o desenvolvimento humano. necessário é que o educador atente-se para aquilo que é sumariamente importante na sua formação. acredita-se que é inconveniente afirmar que existe “nível zero” de letramento. é uma contribuição no “processo de humanização”. o termo “iletrado”. o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito”. e principalmente. . não há veracidade nessa afirmação. competências. dentre elas a história de um homem que viveu no séc. XVI chamado Menocchio que foi perseguido. é bem mais elevado do que simplesmente se enquadrar na mesma. o que se propõe é o uso de termos próprios. instintivo. mais crítica ela se tornará” (FREIRE. como também particularizou a releitura dos mesmos textos com “materialismo elementar. logo. também poderíamos considerá-los como novos vocábulos. é que a autora conclui e propõe que não deve ser usado o termo “iletrado”. foi isto o que fomentou uma sumária perseguição por parte da Inquisição. Ele já possui sua peculiar capacidade de leitura dentro do seu contexto social para sobreviver em meio ao grupo em que vive. habilidades diversas para que este se envolva com as variadas demandas sociais de leitura e escrita. pois o ato de educar não é uma doação de conhecimento do professor aos educandos. normalmente. Ao contrário. que com certeza lucrará com esse desenvolvimento. do tipo: níveis ou graus de letramento. essa intervenção que se faz necessária pode ser proporcionada por ele. O mesmo afirma que a pedagogia se tornará crítica se for investigativa e menos certa de certezas. iletrado. nós. e ainda. Por isso. e isto. Já mencionamos por várias vezes que o letramento é um fenômeno social. e. e condenado à morte porque suas idéias foram consideradas ofensivas e cheias de heresias. mas sabia ler e escrever. estaremos enchendo-o com informações mecânicas e institucionais. para dizer que um indivíduo não está num estado pleno de letramento. “o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática”. em consideração o que Paulo Freire muitas vezes insistiu em sua pedagogia “de que a leitura do mundo precede a leitura da palavra”. resulta em mudanças de vários aspectos.

as insuficiências do sistema escolar na formação de indivíduos absolutamente letrados não sucedem somente pelo fato de o “professor não ser um representante pleno da cultura letrada. crítica. acima de tudo. pois o conhecimento nunca se completa. num determinado momento. enfatizamos a importância da aplicação. Entretanto. ser professor-aprendiz tanto quanto os seus educandos. 5) recognição. ou se finda. pois sabemos que alguns desses profissionais. Para o educador se tornar um “professor-letrador” necessário se faz que. baseados na descontextualização. por parte do professor. atentando-se para a pluralidade de vozes. de forma criativa. e 10) reconhecer a importância do letramento. pois essas falhas são mais enraizadas. como tal. e o letramento é um exemplo claro disso. 4) incentivar o aluno a praticar socialmente a leitura e a escrita. 2) planejar suas ações visando ensinar para que serve a linguagem escrita e como o aluno poderá utilizá-la. medrar subsídios para educadores é uma tarefa difícil de ser exercida. a sua aplicação. ainda não finalizada. Porém. adequando-as à sala de aula e aos conteúdos a serem trabalhados. fundamentalmente. autônoma e ativa. requer a participação transformadora dos sujeitos sociais que a utilizam. porque são produtos do modelo imposto pelo sistema padrão de ensino. sobretudo. se colocam em uma posição quase inatingível. inclusive na escola. a variedade de discursos e linguagens diferentes. ou a prática do letramento por parte do professor. e essas refletem em todos os setores.O letramento não está restrito ao sistema escolar. . levar os seus educandos a um processo mais profundo nas práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita. implicando assim o reconhecimento daquilo que o educando já possui de conhecimento empírico. habilidades de leitura e escrita que funcionem dentro da sociedade. descobridora. destacamos alguns passos fundamentais para o desempenho do papel do “professor-letrador”: 1) investigar as práticas sociais que fazem parte do cotidiano do aluno. 9) ativar mais do que o intelecto em um ambiente de aprendizagem. Reconhecidamente. e abandonar os métodos de aprendizado repetitivo. Essa última é desenvolvida através de pesquisas e investigação. 6) não ser julgativo. 7) avaliar de forma individual. nem das falhas num currículo que não instrumentaliza o professor para o ensino” (KLEIMAN. 3) desenvolver no aluno. mas desenvolver uma metodologia avaliativa com certa sensibilidade. primeiramente. levando em consideração as peculiaridades de cada indivíduo. através da leitura. esse conhecimento. completos de suas certezas. obtenha informações a respeito do tema. 1995: 47). e respeitar. se há mutações contínuas na sociedade contemporânea. interpretação e produção de diferentes gêneros de textos. e em análise. mas vamos neste trabalho nos ater nesse meio por considerar que cabe à escola. as suas dimensões e. é lógico que a cristalização dos saberes do educador é um equívoco. Saber ler e escrever um montante de palavras não é o bastante para capacitar o indivíduo para a leitura diversificada. 8) trabalhar a percepção de seu próprio valor e promover a auto-estima e a alegria de conviver e cooperar. Contudo. já que a linguagem é interação e. que geram subsídios-suportes. neste ponto entendemos que surge a necessidade de se letrar os sujeitos envolvidos no processo de aprendizagem.

os acadêmicos da área de educação promovem a distância entre a assimilação prática e conceitual do letramento. suas dimensões e o mais intrigante. Subsidiar seria uma pretensão. como estar desenvolvendo-o na sala de aula. e analisando especificamente o recorte investigado neste trabalho. sabemos que o processo é lento devido a situação atual do sistema escolar e da formação profissional do professor. seremos aptos a promover o letramento. informando-se para gerar conhecimento crítico e analítico quanto às atividades do letramento versus a pedagogia mecânica e institucional por tanto tempo praticada em nossas escolas. jovens e adultos. Possibilitar a esses uma reflexão sobre a visão de mundo e de alfabetização. somos levados a considerar a hipótese de que o despreparo e desinformação dos profissionais e. Com isso. e por suas equivocadas práticas de ensino. reformular e construir a compreensão acerca das bases teóricas da aprendizagem. promovendo novas formas de relações no processo do letramento. mas reais possibilidades têm-se mostrado como verdadeiras mudanças educacionais.Quando nos dermos conta de que o processo natural de desenvolvimento do ser humano é massacrado pela escola. é de informar descritivamente sobre o letramento quanto a etimologia. o que nos interessa no âmbito a que nos propusemos neste trabalho. De qualquer forma. ainda. Pretende ainda. De certo. pois o preparo dos educadores proporcionará alterações no ensino / aprendizagem dos educandos e desenvolverá o letramento de ambos os envolvidos. Como também o seu abarcamento. gerarão pessoas com capacidades múltiplas de interação com a sociedade. o seu surgimento e as suas diversificadas práticas sociais. para que incorporem uma nova educação para crianças. . mas este trabalho visa dar um suporte para os educadores que desejam reconstruir suas propostas pedagógicas. pois esse abre caminho para o indivíduo estabelecer conhecimentos do mundo em que vive. Na intenção de compreender os caminhos percorridos (ou perdidos) para a transformação da escolarização.

ilustrações. tanto no que se refere à biblioteca escolar quanto à de classe. por exemplo. agrupamentos dos livros no espaço disponível. Entre os principais recursos que precisam estar disponíveis na escola para viabilizar a proposta didática da área. textos gravados em áudio e em vídeo. piadas.AULA 20 – RECURSOS DIDÁTICOS E SUA UTILIZAÇÃO TEXTO 1 (PCNs – p. desenhos gráficos. etc. o gravador e o vídeo merecem destaque: além de possibilitarem o acesso a textos que combinam sistemas verbais e não-verbais de comunicação (o que é importante do ponto de vista comunicativo). A biblioteca de classe não precisa ser excessivamente ampla no que se refere ao número de volumes disponíveis. jornais. Da mesma forma. a aprendizagem de procedimentos de utilização de bibliotecas (empréstimo. romances. para atender a necessidades específicas dos projetos de estudo). de palavras cruzadas e outros jogos). trava-línguas. livros de consulta das diversas áreas do conhecimento. o que permite uma diversificação de leitura aos alunos. seleção de repertório. é preciso que a variedade de materiais e títulos esteja garantida. dicionários. estantes e disposição dos livros. Na biblioteca escolar é necessário que sejam colocados à disposição dos alunos textos dos mais variados gêneros. etc. almanaques. dessa forma. fotografias. de forma a promover a leitura autônoma. Mais do que isso: deve possibilitar ao aluno o gosto por freqüentar aquele espaço e. e a constituição de atitudes de cuidado e conservação do material disponível para consulta. revistas de literatura de cordel. 61 e 62) Os recursos didáticos e sua utilização Ao selecionar recursos didáticos para o trabalho pedagógico na área de Língua Portuguesa. Além dos materiais impressos que se pode adquirir no mercado. fundamentais para um trabalho como o proposto por este documento. revistas (infantis. a organização do espaço físico — iluminação. poesia. sejam trazidos para a sala de aula nos seus portadores de origem (ainda que em algumas situações possam ser agrupados segundo gênero ou tema. etc. . transparências de textos para serem utilizadas no retroprojetor.). diferentes elementos utilizados para atribuição de sentido — como fotografias. Entre as diferentes possibilidades — slides. etc. um volume para cada aluno de um único título: nesse caso. seleção de textos adequados às suas necessidades. O papel da escola (e principalmente do professor) é fundamental. estão os textos autênticos. Também é possível que se tenha. deve-se levar em consideração os seguintes aspectos: • sua utilização nas diferentes situações de comunicação de fato. para a organização de critérios de seleção de material impresso de qualidade e para a orientação dos alunos. As bibliotecas — escolar e de classe — são. paginação. brincadeiras e jogos infantis. Ao contrário. é importante que esses textos. e • as necessidade colocadas pelas situações de ensino e aprendizagem. é preciso que se tenha propostas específicas de trabalho que justifiquem essa opção. respeitados os seus portadores: livros de contos. utilização de índices. jornais. — deve garantir que todos os alunos tenham acesso ao material disponível. possuem aplicações didáticas interessantes para a organização de situações de aprendizagem da língua. também aqueles que são produzidos pelos alunos — produtos dos mais variados projetos de estudo — podem compor o acervo da biblioteca escolar: coletâneas de contos. O emprego de recursos audiovisuais pode ser de grande utilidade na realização de diversas atividades lingüísticas. diários de viagens. A utilização de textos autênticos pressupõe cuidado com a manutenção de suas características gráficas: formatação. nessa perspectiva. consulta a diferentes fontes de informação. em quadrinhos. o gosto pela leitura. Além disso. enciclopédias. —. cartazes. etc. dossiês sobre assuntos específicos. em algumas situações. Do acervo da classe também podem constar produções dos próprios alunos. mobiliário. sempre que possível. entre outros. revistas. livros de narrativas ficcionais.

países. GOMES. Além disso. haverá necessidade de se recorrer a materiais produzidos com finalidades especificamente didáticas. como se faz. Literatura infantil brasileira: histórias & histórias. Campinas: ALB. Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa. E ZILBERMAN. SOARES. Geraldo Peçanha de. São Paulo: Ática. LENER. Ao serem gravadas leituras expressivas de textos. 1999. Ângela. Preconceito lingüístico: o que é. expressão facial. KATO. 1999. tendo como critério a qualidade tanto do ponto de vista lingüístico quanto gráfico. 1997. em outras. Curitiba: IBPEX. Contar histórias: uma arte sem idades. Maria Lúcia de Castro. Magda. é fundamental que sejam adequados à proposta didática a ser desenvolvida: há ocasiões em que é possível utilizar materiais do entorno próximo. Finalmente. jogos didáticos que proponham exercícios lingüísticos. a redundância no uso de certos termos e a organização do discurso. R. Belo Horizonte: Autêntica. Como incentivar a leitura.O gravador é um recurso bastante útil nas atividades de revisão de textos orais produzidos pelos alunos. M. Daniel. outros. 2007. São Paulo: Ática. A criança na fase inicial da escrita: a alfabetização como processo discursivo. Artur Gomes de (org. _______. Oficina de leitura: teoria & prática. 1995. é possível que os alunos revisem esses textos de maneira a centrar sua atenção sobre alguns aspectos específicos da produção oral: a entonação. sobretudo a leitura. 2007. MORAIS. Os significados do letramento. 2006. Graziella. é necessário que se faça menção ao computador: alguns programas possibilitam a digitação e edição de textos produzidos pelos alunos para publicações internas da classe ou da escola.) da produção do discurso. Mary A No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística.) O aprendizado da ortografia. alguns materiais podem ser de grande utilidade ao professor: alfabetos. São Paulo: Cortez. 1998. Betty. Delia. Campinas: Mercado das Letras. Como um romance. ZÓBOLI. 2000. 2003. COELHO. 1999. POSSENTI. no entanto.) A prática da linguagem em sala de aula. Letramento: um tema em três gêneros. Ana Luiza Bustamante. KLEIMAN. O mais importante. PENNAC. estados. Bibliografia de apoio (para leituras complementares) ALMEIDA. crachás ou cartazes com os nomes dos alunos. ainda. São Paulo: Ática. Campinas: Pontes. Belo Horizonte: Autêntica. dicionários organizados pelos alunos com suas dificuldades ortográficas mais freqüentes. LAJOLO. 1988. BAGNO. o possível e o necessário. 2002. possibilitam o trabalho com aprendizagens específicas. cadernos de textos conhecidos pela classe. postura corporal. por exemplo. Roxane (org. Na alfabetização inicial. Porto Alegre: Artmed. o ritmo. por exemplo. São Paulo: EDUC. outros permitem a comunicação com alunos de outras escolas. Práticas de alfabetização e letramento. Richard. é realizar uma boa seleção dos materiais que se incorporarão à aula. 1997. 1995. simulações de anúncios e programas de rádio e entrevistas. etc. 2a. SMOLKA. São Paulo: Loyola. ROJO. BAMBERGER. Práticas de ensino: subsídios para a atividade docente. São Paulo: Ática. 1998. 2000. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado de Letras. Sírio. O vídeo também pode ser útil nas atividades de revisão de texto: permite que se volte sobre as produções orais dos alunos para analisar tanto aspectos lingüísticos como nãolingüísticos (gesto. Rio de Janeiro: Rocco. pastas de determinados gêneros de textos. São Paulo: Cortez. ed. São Paulo: Ática. Ler e escrever na escola: o real. Marcos. .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful