Introdução ao Direito.........................................................................................................

6
Tema 1: O Homem, a Sociedade e o Direito................................................................6
1. A Problemática Social da Ordem Social...............................................................6
1.1 – A Natureza Social do Homem......................................................................6
Ordem Social e Ordem Natural.........................................................................6
Ordem Social ................................................................................................6
Ordem Natural...............................................................................................8
1.2 – A Necessidade de Regras como condição de Subsistência da Vida Social. .9
1.3 – As Diversas Ordens Sociais Normativas....................................................10
O Ordem Moral...........................................................................................10
O Ordem Religiosa.....................................................................................11
O Ordem do Trato Social............................................................................11
O Ordem Jurídica........................................................................................11
As Relações entre as diversas Ordens Sociais Normativas.............................12
O Direito e Moral........................................................................................12
O Direito e Religião....................................................................................12
O Direito e Ordem do Trato Social.............................................................12
1.4 – Ordem Jurídica e Ordenamento Jurídico....................................................14
Funções da Ordem Jurídica.............................................................................14
Características das Normas Jurídicas..............................................................14
Direito e Ordem Jurídica.................................................................................15
As Instituições.................................................................................................16
1.5 – O Direito como Produto Cultural...............................................................18
Conceito de Direito......................................................................................18
Os diversos sentidos do termo “Direito”.........................................................18
Valores Fundamentais do Direito....................................................................18
O Justiça......................................................................................................18
C Justiça Distributiva .............................................................................19
C Justiça Comutativa ou Correctiva.......................................................19
C Justiça Geral ou Legal.........................................................................19
O Segurança................................................................................................20
I– Segurança como sentido de paz social................................................20
II– Segurança com sentido de certeza jurídica........................................20
III– Segurança no seu sentido mais amplo..............................................21
Relação entre o Direito, a Justiça e a Segurança.............................................21
A Equidade......................................................................................................22
Direito, Cultura e Ideologia.............................................................................22
1.6 – O Direito e a Mudança Social.....................................................................24
Direito do Consumidor................................................................................25
Direito do Ambiente....................................................................................26
Direito da Informação..................................................................................26
2. A Pessoa, Fundamento e Fim da Ordem Jurídica ...............................................27
2.1 – Noção de Personalidade Jurídica................................................................27
2.2 – Os Direitos Fundamentais dos Cidadãos: Direitos, Liberdades e Garantias
.............................................................................................................................28
Constituição da República ......................................................................28
Os Direitos de Personalidade...........................................................................29
----- Direito -----
1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05
Direitos Civis e Políticos ................................................................................30
C Direitos Civis..........................................................................................30
C Direitos Políticos.....................................................................................30
Direitos Sociais, Económicos e Culturais........................................................32
C Direitos Sociais.......................................................................................32
C Direitos Económicos...............................................................................32
C Direitos Culturais....................................................................................32
Direitos de Solidariedade.............................................................................33
Direito ao Desenvolvimento e Direito do Ambiente...............................33
2.3 – A Problemática dos Direitos do Homem....................................................34
Direito Positivo e Direito Natural....................................................................34
O Direito Natural na Antiguidade...............................................................34
A Escola Racionalista do Direito Natural................................................35
A Escola Histórica do Direito Natural.....................................................35
O Positivismo Jurídico.............................................................................35
Decisionismo...........................................................................................35
O Direito Natural na Actualidade................................................................36
Declaração dos Direitos do Homem................................................................36
Primeiras Declarações dos Direitos do Homem..........................................37
Internacionalização da Problemática dos direitos do Homem.....................37
Direito Público e Direito Privado....................................................................39
Critérios de Distinção..................................................................................39
A – Critério da natureza dos interesses...................................................39
B – Critérios da qualidade dos sujeitos...................................................40
C – Critério da posição dos sujeitos na relação jurídica..........................40
2.4 – O Provedor de Justiça.................................................................................42
Tema 2: Direito e a Organização da Sociedade: O Estado e a comunidade
Internacional................................................................................................................43
1. O Estado – Sociedade Politicamente Organizada................................................43
1.1– Elementos do Estado...................................................................................43
Povo  ........................................................................................................44
Nação.......................................................................................................44
População.................................................................................................44
Território  .................................................................................................45
Poder Político  .........................................................................................46
1.2 – Poderes e Funções do Estado......................................................................48
Fins do Estado.................................................................................................49
C Segurança................................................................................................49
C Justiça......................................................................................................49
C Bem-estar económico e social................................................................49
Funções do Estado...........................................................................................50
1.3 – Órgãos de Soberania...................................................................................52
Independência dos Tribunais...................................................................56
Categorias de Tribunais...........................................................................57
Hierarquia dos Tribunais de Justiça.........................................................57
1.4 – Do Estado de Direito ao Estado Social de Direito......................................58
Estado Liberal de Direito.................................................................................58
Estado Social de Direito..................................................................................58
Estado de Direito Democrático........................................................................60
2. A Comunidade Internacional...............................................................................61
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----- Direito -----
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2.1 – As Relações Internacionais.........................................................................61
2.2 – O Direito Internacional...............................................................................61
Problema da Eficácia do Direito Internacional................................................62
2.3 – Direito Comunitário ...................................................................................64
Direito Comunitário Derivado.........................................................................64
Processo Comunitário de Decisão...................................................................65
A Aplicação das Normas Comunitárias...........................................................65
1. princípio do primado do Direito Comunitário sobre o Direito Interno
.................................................................................................................65
2. princípio da “aplicabilidade directa”...................................................65
3. princípio do “efeito directo”................................................................66
Tema 3: As Fontes do Direito.....................................................................................67
1. As Fontes do Direito no Sistema Jurídico Português..........................................67
1.1 – A Lei...........................................................................................................69
Os Vários Sentidos da Lei...............................................................................69
O Processo de elaboração de uma Lei.............................................................70
Processo de Formação das leis da Assembleia da República .....................70
Processo de Formação dos decretos-lei pelo Governo ...............................71
Início e Termo de Vigência ............................................................................73
Início de Vigência........................................................................................73
Termo de Vigência......................................................................................73
A Hierarquia das Leis......................................................................................75
Leis ou Normas Constitucionais..............................................................76
Leis ou Normas Ordinárias......................................................................76
A Interpretação da Lei.....................................................................................80
Noção...........................................................................................................80
Interpretação e Ordenamento.......................................................................81
Formas de Interpretação segundo a sua Fonte e Valor................................81
Elementos da Interpretação.........................................................................82
Elemento Gramatical ou Literal..............................................................82
Elemento Lógico......................................................................................83
O Elemento Sistemático .....................................................................83
O Elemento Histórico.........................................................................83
O Elemento Teleológico.....................................................................84
Resultados da Interpretação.........................................................................84
C Interpretação Declarativa....................................................................84
C Interpretação Extensiva.......................................................................85
C Interpretação Restritiva.......................................................................85
A Integração da Lei.........................................................................................85
Lacunas da Lei e sua Interpretação..............................................................85
Analogia...............................................................................................86
Artigo 10º, nº 3 do Código Civil..........................................................88
Introdução....................................................................................................88
Aplicação das Leis no Tempo.................................................................88
Aplicação das Leis no Espaço.................................................................89
1.2 – O Costume..................................................................................................90
1.3 – A Jurisprudência ........................................................................................92
1.4 – A Doutrina..................................................................................................93
1.5 – Os Tratados Internacionais.........................................................................94
1.6 – A Codificação.............................................................................................95
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Conveniência da Codificação......................................................................95
Tema 4: O Controlo da Legalidade............................................................................96
1. O Problema da Inconstitucionalidade..................................................................96
Conceito.......................................................................................................96
Tipos de Inconstitucionalidade........................................................................96
1.1 – A Fiscalização da Inconstitucionalidade....................................................97
1.2 – O Tribunal Constitucional..........................................................................98
1.3 – Efeitos Jurídicos da Inconstitucionalidade.................................................99
1.4 – A Revisão Constitucional.........................................................................100
Tema 5: A Relação Jurídica......................................................................................101
1. Noção ................................................................................................................101
2. Estrutura da Relação Jurídica............................................................................102
3. Direitos e Deveres Jurídicos..............................................................................103
3.1 – Direito Subjectivo propriamente dito e Dever Jurídico............................104
3.2 – Direito Potestativo e Sujeição ..................................................................104
Direitos Potestativos Constitutivos........................................................104
Direitos Potestativos Modificativos.......................................................104
Direitos Potestativos Extintivos.............................................................105
3.3 – Algumas classificações de Direitos Subjectivos......................................105
Direitos Públicos e Privados..........................................................................105
Direitos Absolutos e Relativos......................................................................105
Direitos Patrimoniais e Não Patrimoniais ou Pessoais..................................106
Direitos Inatos e Não Inatos..........................................................................106
4. Elementos da Relação Jurídica..........................................................................107
4.1 – Os Sujeitos................................................................................................107
Capacidade Jurídica.......................................................................................107
Pessoas Singulares.................................................................................107
Pessoas Colectivas.................................................................................108
As Incapacidade de Exercício....................................................................108
O Incapacidade por Menoridade.......................................................109
O Incapacidade por Interdição..........................................................109
O Incapacidade por Inabilitação.......................................................110
O Incapacidade Acidental.................................................................110
4.2 – O Objecto..................................................................................................111
Modalidades de Objecto da Relação Jurídica................................................111
Possíveis Objectos da Relação Jurídica.....................................................111
Pessoas...................................................................................................111
Prestações..............................................................................................112
Coisas Corpóreas ..................................................................................112
Coisas Incorpóreas.................................................................................112
4.3 – Facto Jurídico...........................................................................................113
O Negócio Jurídico .....................................................................................115
Classificação dos Negócios Jurídicos........................................................115
Negócios Jurídicos Unilaterais, Bilaterais ou Plurilaterais ou Contratos
...........................................................................................................115
Negócios Jurídicos Onerosos e Gratuitos..........................................116
Negócios Jurídicos Consensuais, ou Não Solenes, e Formais, ou
Solenes...............................................................................................116
Negócios Jurídicos Entre Vivos e Mortis Causa...............................117
4.4 – A Tutela Jurídica - Garantia das Obrigações ..........................................118
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O Tutela Repressiva..............................................................................119
O Medidas Compulsivas.......................................................................119
O Tutela Repressiva..............................................................................120
C Sanções Reconstitutivas................................................................120
C Sanções Compensatórias...............................................................120
C Sanções Punitivas..........................................................................121
A Garantia das Obrigações............................................................................122
Tema 6: Conduta Ilícita e causas da exclusão da ilicitude.......................................124
1. Noção de Ilicitude..............................................................................................124
1.1 – Ilícito Civil e Ilícito Criminal...................................................................124
1.2 – Ilícito Disciplinar......................................................................................126
1.3 – Ilícito de Mera Ordenação Social.............................................................126
O Regime das Contra-Ordenações................................................................127
1.4 – Ilícito Intencional e Ilícito Meramente Culposo ......................................127
2. Responsabilidade Civil Contratual e Extracontratual .......................................128
2.1 – Responsabilidade Civil Extracontratual ..................................................128
O Responsabilidade por Factos Ilícitos (baseada na culpa)......................128
Formas de Ilicitude................................................................................128
Abuso do Direito...................................................................................129
O Responsabilidade Objectiva ou Pelo Risco...........................................129
O Responsabilidade por Factos Lícitos....................................................130
3. Causas da Exclusão da Ilicitude........................................................................131
4. Incumprimento não culposo das Obrigações ....................................................133
Caso Fortuito.....................................................................................133
Caso de Força Maior..........................................................................133
5. Ineficácia dos Actos em Contravenção da Norma.............................................134
A Inexistência Jurídica .............................................................................134
A Invalidade..............................................................................................134
Ineficácia em Sentido Restrito...................................................................135
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INTRODUÇÃO AO DIREITO
Tema 1: O Homem, a Sociedade e o
Direito
1. A Problemática Social da Ordem Social
1.1 – A Natureza Social do Homem
“O Homem é um animal social” (Aristóteles)
× O Homem é desde o início da humanidade um ser social, pois o Homem sempre
procurou, por instinto ou necessidade, em comunidade, assegurar a subsistência da
espécie e a realização dos seus fins.
C Contudo, a convivência em sociedade só é possível se existir um elenco mínimo
de princípios ou regras que pautem a conduta humana, pelo que a definição de normas é
um dado inerente à própria vida em sociedade.
· “ubi homo, ibi societas” “Onde há Homem, há sociedade”
· “ubi societas, ibi jus”  “Onde há sociedade, há Direito”
Ordem Social e Ordem Natural
A ordem é, desta forma, um dado primário da observação sociológica, logo toda a
ordem social implica um complexo de normas propostas à observância dos seus
membros.
Ordem Social Ordem Social
(^ ordem de liberdade)
- as leis ou normas de condutas sociais, que se dirigem à vontade do Homem e se
propõem a nortear as suas condutas e, para além disso, são violáveis
O Homem pode violar, ou mesmo rebelar-se, contra as normas, podendo mesmo
alterá-las. Porém, a violação destas normas só as atinge na sua eficácia e não na sua
validade (p. ex: a regra “não matar”).
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Ordem Natural Ordem Natural
(^ ordem de necessidade)
- as leis da física ou da Natureza, que exprimem uma relação entre os seres e são
invioláveis
As suas leis não são substituíveis e aplicam-se de forma invariável e constante,
independentemente da vontade humana, ou seja, as leis são inerentes à própria natureza
das coisas (p. ex: posição dos astros).
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----- Direito -----
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1.2 – A Necessidade de Regras como condição de Subsistência da
Vida Social
A vida em sociedade só é possível porque os Homens acatam as regras que visam
instituir a ordem, a paz, a segurança, a justiça e “mediar” os conflitos que
inevitavelmente surgem nas relações pessoais.
C Deste modo, é através da norma jurídica que o Direito impõe os comportamentos
que os indivíduos têm que efectuar.
É geralmente aceite que o Direito foi e será sempre necessário. No entanto, existem
teses que se pronunciam em sentido contrário:
º o Direito é uma consequência da maldade dos Homens e está destinado a
desaparecer com o mítico aperfeiçoamento destes
º o Direito está ligado à existência de classes sociais e prevê-se o seu
desaparecimento com o fim dessas mesmas classes (cariz marxista)
º “na sociedade ideal, a simpatia será universal que não se concebe a possibilidade
de acção contraria ao interesse comum (…) os códigos passarão a estar dentro da cabeça
dos homens” (Alfred Fouillée)
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1.3 – As Diversas Ordens Sociais Normativas
A Ordem Social é muito complexa e na sua composição entram diversas ordens, as
quais pautam aspectos diferentes da vida do Homem em sociedade. Só com o decorrer
do tempo é que se começaram a demarcar e diferenciar umas das outras.
Todas elas exprimem regras que moldam o comportamento em sociedade e que
podemos considerar como verdadeiros fundamentos da vida social.
O O Ordem Moral Ordem Moral
× É uma ordem de condutas que visa o aperfeiçoamento do indivíduo, dirigindo-o
para o bem. Na sua essência, trata-se de uma ordem intra-subjectiva, porque relaciona a
pessoa consigo mesma (com a sua consciência)
A violação destas regras pode implicar uma censura por parte da própria pessoa
que a violou, mas pode originar também a marginalização ou a rejeição da
comunidade/círculo social onde estava inserida (p. ex: remorso e arrependimento).
Critérios de distinção entre a Ordem Moral e o Direito:
C critério do “mínimo ético”  o Direito limita-se a impor as regras morais cuja
observância/cumprimento é imprescindível para a subsistência da paz, da liberdade e da
justiça na vida social
C critério da exterioridade  ao Direito basta que se observem as normas em vigor,
enquanto a Moral exige uma adesão íntima aos valores que estão na base da consciência
ética do ser humano (p. ex: pensar em matar/matar efectivamente)
C critério da coercibilidade  no Direito existem sanções externas, ou seja, o
cumprimento das normas é imposto pela força; por outro lado, na Moral as regras são
apenas assistidas de uma coercibilidade psíquica e a sua violação dá lugar a sanções
puramente éticas
Por tudo isto, podemos dizer que enquanto o Direito pressupõe sempre uma
manifestação exterior da conduta, a Moral não espera por essa exteriorização e antecipa-
se, porquanto parte do lado interno dessa mesma conduta.
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O O Ordem Religiosa Ordem Religiosa
× É uma ordem de fé e que é constituída por um conjunto de regras de
comportamento entre o crente e o seu Deus, logo trata-se de uma ordem social
essencialmente intra-individual e de carácter extra terreno – sentimento extraterrestre (p.
ex: punições ou castigos noutra vida)
O O Ordem do Trato Social Ordem do Trato Social
(boa educação)
× Exprime-se através dos usos sociais, os quais podem ser de diversa natureza –
desde sempre existiram regras de convivência social que tornam muito agradável e fácil
o convívio entre os seus membros.
 Por outro lado, a sua violação implica apenas uma sanção social inorgânica –
sentimento de reprovação da comunidade, podendo mesmo levar à segregação do
infractor (p. ex: assistir-se a um espectáculo sem fato de gala pode ser considerado uma intolerável falta
de maneiras; antigamente, o duelo era a forma mais utilizada para resolver diferendos)
O O Ordem Jurídica Ordem Jurídica
× Ocupa-se dos aspectos mais importantes da convivência social e impõe os
comportamentos que os indivíduos têm que efectuar, e tem como objectivo atingir a
Justiça, a Segurança e o bem-estar económico. Em suma, é a ordem social que é
imposta pelo Direito no sentido de conciliar os interesses em conflito.
E Caracteriza-se por ser inter-subjectiva, dotada de coercibilidade, imperatividade,
generalidade (abrange todos e não só 1) e abstracção (abrange um conjunto alargado de factos que
se incluem na previsão da norma).
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----- Direito -----
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As Relações entre as diversas Ordens Sociais
Normativas
4 coincidência 4 indiferença 4 conflito
(ordens são irrelevantes para a Jurídica)
O O Direito e Moral Direito e Moral
× Entre o Direito e a Moral existe largas zonas de coincidência, pois seria muito
difícil conceber a ordem jurídica totalmente contrária aos conceitos morais vigentes na
sociedade.
Porém, podemos também encontrar relações de indiferença – preceitos jurídicos
meramente organizativos ou técnicos (p. ex: regras de trânsito) e de conflito (p. ex: a
despenalização do aborto nalgumas sociedades).
O O Direito e Religião Direito e Religião
× Entre o Direito e a Religião predominam as relações de indiferença, limitando-se
o Direito a garantir o livre exercício da actividade religiosa (p. ex: santificação do Domingo;
ir à missa).
 Existem, também, relações de coincidência (p. ex: casamento católico assumiu
relevância na ordem jurídico-legal) e mesmo de conflito (p. ex: despenalização do aborto contra os
preceitos religiosos).
O O Direito e Ordem do Trato Social Direito e Ordem do Trato Social
× Entre o Direito e a Ordem do Trato Social verifica-se, sobretudo, relações de
indiferença.
 Todavia, pode-se dar o caso de existir uma relação de conflito (p. ex: o duelo que era
proibido por lei e cuja não aceitação implicaria a desclassificação social), ou mesmo de coincidência
– caso de alguns usos sociais que se desenvolveram na prática e que ganharam eficácia
coerciva com o seu elevar de categoria, por parte do Direito (p. ex: os funcionários públicos
têm que tratar com respeito os utentes; o estabelecimento de uma taxa de serviço legalmente cobrada foi
uma tentativa “mal-sucedida” para acabar com a gorjeta).
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SUMA:
C Como já vimos, uma norma pode pertencer a várias ordens sociais (p. ex: “não
matar”; “não furtar”). Para além disso, pode deixar de ser jurídica mantendo-se apenas
moral ou religiosa (p. ex: despenalização do aborto ou do consumo das drogas leves); ou, pelo
contrário, pode adquirir carácter jurídico quando antes era apenas um simples uso
social.
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1.4 – Ordem Jurídica e Ordenamento Jurídico
× O Ordenamento Jurídico é uma função essencial do Direito e consiste na
ordenação das relações sociais. Por regra, os comportamentos diários dos indivíduos
estão de acordo com as normas jurídicas, todavia quando isso não acontece e alguém
comete actos ilícitos a Ordem Jurídica procura defender-se, recorrendo, para tal, aos
meios de protecção, tanto os preventivos como repreensivos – sanções aplicáveis
(consequência desfavorável que recai sobre quem violou uma regra jurídica).
Funções da Ordem Jurídica
 a ordem jurídica funciona como principio de acção da conduta do Homem na
sociedade – função primária ou prescritiva ¬ surge como fundamento normativo da
conduta social, colocando os cidadãos uns perante os outros num plano de igualdade
jurídico-social, atribuindo-lhes poderes, prescrevendo-lhes deveres e definindo-lhes
responsabilidades
 a ordem jurídica estabelece as regras de organização da sociedade e das
instituições sociais – função secundária ou organizatória ¬ materializa-se através das
instituições, determinando-lhes o estatuto funcional e organiza os processos jurídicos de
actuação da função primária. Nesta função, a ordem jurídica constitui o seu próprio
sistema ou ordenamento jurídico, garantindo a sua coerência pela instituição de órgãos
(tribunais) que impõem o cumprimento das sanções que aplicam pelo desrespeito das
normas, ainda que seja pelo uso da força.
Características das Normas Jurídicas
A norma jurídica – “comando geral, abstracto e coercível, emanado da autoridade
competente” – possui determinadas características:
 imperatividade
 generalidade e abstracção
 coercibilidade
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Imperatividade Imperatividade ¬ estatuição da norma C
A norma contém um comando, porque impõe ou ordena certo comportamento
(obriga a adoptar uma conduta).
Generalidade e Abstracção Generalidade e Abstracção ¬ previsão da norma C
+ Generalidade  A norma jurídica refere-se a toda uma categoria mais ou menos
ampla de pessoas e não a destinatários singulares determinados – pessoas em concreto.
(a norma pode ter como destinatário uma única pessoa – competências e deveres do Presidente
da República).
+ Abstracção  A norma abarca um número indeterminado de casos ou uma
categoria mais ou menos ampla de situações e nunca situações concretas ou
individualizadas.
º (p. ex: Uma lei que imponha aos proprietários de certa região o arranque de determinadas espécies
arbóreas)
¬ A 1ª parte corresponde à generalidade, enquanto a 2ª diz respeito à abstracção.
Coercibilidade Coercibilidade ¬ sanções aplicáveis C
 Consiste na susceptibilidade de aplicação coactiva de sanções, caso a norma seja
violada (susceptível de imposição coactiva de sanções).
C previsão da norma – a norma jurídica fixa padrões de conduta (comportamentos)
que regulam situações, isto é, casos concretos da vida que se espera venham a acontecer
(previsíveis), contendo em si mesma a representação da situação futura → casos que
contempla no futuro
C estatuição → conduta que a norma impõe perante a situação previsível
C sanções aplicáveis → sanção a aplicar caso a estatuição não seja cumprida
Direito e Ordem Jurídica
Tanto quando falamos em Direito como em Ordem Jurídica referimo-nos a
complexos normativos. Todavia, será que designa a mesma realidade? Será que o
Direito inclui ou não alguns elementos implícitos na noção de Ordem Jurídica?
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Actualmente, podemos considerar que a Ordem Jurídica engloba mais elementos e é
algo mais amplo e global que o próprio Direito.
Assim, é constituída por:
° as Instituições ° o sistema de Regras
° os Órgãos ° as situações Jurídicas
° as Fontes de Direito
Por outro lado, ao Direito atribuímos um sentido mais restrito, abrangendo apenas
os últimos dois elementos enunciados ¬ complexo de regras gerais e abstractas que
organizam a vida em sociedade e as situações jurídicas que resultam da aplicação dessas
regras.
No entanto, é necessário referir que, na prática, quando não seja preciso distinguir
Ordem Jurídica e Direito, podemos utilizar uma ou outra expressão com relativa
indiferença.
As Instituições
© Linguagem corrente → acção ou efeito de instituir, sendo que funda qualquer
coisa de estável e durável – fixar, estabelecer e ordenar
© Linguagem jurídica → instituição designa complexos normativos que
regulamentam um determinado tipo de relações sociais, ou então, para denominar a
realidade social que está na base de tais relações – o próprio fenómeno disciplinado pelas
ditas normas
 transcende as pessoas que a compõem e servem, existindo independentemente
delas lá estarem ou não (entidade perdurável na sociedade)
 entidade regulamentada/estruturada pelo Direito
 entidade dotada de personalidade colectiva – constituída por determinados
órgãos, cujos representantes exprimem a vontade funcional
 possuem uma base orçamental, humana e material
 parte integrante do poder político de e da cultura
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----- Direito -----
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¬ instituição familiar – é aquela que tem por objectivo a regulamentação de
relações de procriação e de sangue entre os indivíduos, bem como a socialização inicial
dos novos membros de cada geração (p. ex: casamento, filiação, adopção, poder paternal…)
¬ instituição educativa – é fundamentalmente o processo de socialização formal
dos jovens, procurando integrá-los como membros responsáveis da educação, através de
um dispositivo complexo de ensino (p. ex: escola, universidade…)
¬ instituição económica – regula a produção, distribuição e consumo de bens e
serviços na sociedade (p. ex: propriedade, contratos, empresas, associações profissionais, industriais,
comerciais…)
¬ instituição política – tem por objectivo a satisfação da necessidade de
administração geral e de ordem pública das sociedades (p. ex: Estado, exército, polícia,
partidos políticos, relações diplomáticas…)
¬ instituição religiosa – visa satisfazer a necessidade social fundamental do
Homem, enquanto ser relacionado com Deus ou com os deuses, e expressa-se nas
crenças e formas de culto (p. ex: Igreja…)
¬ instituição cultural – procura a promoção de condições que facilitem a criação de
manifestações culturais, artísticas, científicas e desportivas (p. ex: teatros, museus, academias,
centros de investigação…)
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1.5 – O Direito como Produto Cultural
Conceito de Direito Conceito de Direito
- Direito é constituído por um conjunto de normas de conduta social emanadas pelo
Estado e garantidas pelo seu poder
- o Direito é um fenómeno humano e social, pois decorre da vivência em sociedade
do Homem que é necessário regular para garantir a paz social, a justiça, a segurança e o
bem-estar económico
“ ” Os diversos sentidos do termo Direito
Distingue-se:
 Direito Subjectivo – exigir a outrem um determinado comportamento ou acção
(poder ou faculdade, conferidos pela lei ao titular de um direito objectivo, de agir ou
não de acordo com o conteúdo daquele)
 Direito Objectivo – norma ou conjunto de normas jurídicas
Para além disso, o Direito Subjectivo pressupõe, pois, a existência do
correspondente Direito Objectivo.
Valores Fundamentais do Direito
O O Justiça Justiça
O principal fim a atingir pelo Direito é a Justiça – o seu valor fundamental. Por
outro lado, trata-se de uma palavra ambígua e difícil de analisar.
4 Justiça DistributivaC 4 J. Comutativa (ou Correctiva)C 4 J. Legal (ou Geral)C
Estas modalidades correspondem a três tipos de relações, conforma a justiça C se
refere ao que a sociedade como um todo deve aos seus membros; C ao que é devido
pelos membros da sociedade uns aos outros; e, por fim, C ao que estes devem à
sociedade.
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C Justiça Distributiva
E Diz respeito à repartição de bens comuns que a sociedade deve fazer por todos os
seus membros, segundo um critério de igualdade proporcional, que atende à finalidade
da distribuição e à situação pessoal de quem a recebe (segundo o mérito, as necessidades…).
É a justiça, por excelência, dos governantes, visto que estes são administradores do
bem comum.
C Justiça Comutativa ou Correctiva
E Regula as relações dos membros da sociedade entre si, visando restabelecer ou
corrigir os desequilíbrios que surgem nas relações interpessoais.
Opera segundo um critério de igualdade simples, que se traduz na equivalência
das prestações, e abrange tanto as trocas voluntárias ou lícitas como as involuntárias ou
ilícitas (p. ex: se o Pedro vende um apartamento ao João, este deve pagar-lhe o valor equivalente ao
apartamento).
C Justiça Geral ou Legal
E Relações entre a sociedade e os seus membros, no que concerne aos encargos que
lhes são exigidos como contribuição para o bem comum e que devem ser repartidos (p.
ex: impostos que são progressivos).
SUMA:
C Todos estes tipos de justiça podem levar a situações de injustiça, quando não se
pondere devidamente a natureza e o valor intrínseco da pessoa humana ou não se tenha
uma visão adequada das exigências individuais, dos fins da sociedade ou do bem
comum.
Actualmente, a maioria dos Estados reclama a justiça como um dos seus fins
(sobretudo, nas vertentes comutativa e distributiva), embora a sua concretização não
seja fácil nem pacífica, dada a variabilidade dos critérios usados e as diversas visões
sobre a realização da justiça.
Porém, cabe ao Estado, através de políticas apropriadas, corrigir as desigualdades ou
desequilíbrios que surgem ou, pelo menos, evitar que se agravem os já existentes.
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Por isto tudo, cabe dizer que a justiça representa um ideal pelo qual se deve nortear
o ordenamento jurídico e que implica um constante e duro esforço para a sua realização
concreta, perante as circunstâncias e a contínua evolução da vida social.
O O Segurança Segurança
Embora não tenha a projecção da Justiça, porquanto se encontra num valor de
hierarquia inferior, não deixa de ser indispensável à vida social, pois está directamente
ligada à utilidade, às necessidades práticas e às urgências da vida.
I– Segurança como sentido de paz social
O Direito visa garantir a convivência pacífica entre os homens, prevenindo e
solucionando os conflitos que surgem inevitavelmente na vida social – missão
pacificadora.
II– Segurança com sentido de certeza jurídica
Exprime a aspiração a regras certas, ou seja, susceptíveis de serem conhecidas, pois
corresponde a uma necessidade de previsibilidade e estabilidade na vida jurídica – é
necessário que cada um possa prever quais as consequências jurídicas dos seus actos e
saber aquilo com que pode contar.
Existem inúmeras disposições nas quais se manifesta a preocupação de atender à
certeza e estabilidade nas relações jurídicas:
· leis genéricas, claras e abstractas que não dêem margem a ambiguidades; para
além disso, devem ser publicadas oficialmente para garantir o conhecimento e
compreensão de todos
· evitar as lacunas nas leis, que permitam uma interpretação mais ou menos
subjectiva e arbitrária do intérprete
· certas formalidades que a lei exige para a validade ou prova de determinados actos
jurídicos
SUMA:
C Assim, as leis devem ser claras, genéricas, abstractas, não devem suscitar dúvidas
e devem ser do conhecimento geral ¬ visa atingir o rigor e a objectividade
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° princípio da não retroactividade da lei procura evitar-se que as leis venham a
produzir efeitos imprevisíveis e a alterar situações ou direitos adquiridos, porque a regra
é a de que a lei só dispõe para o futuro
Esta regra tem como objectivo que a pessoa não seja punida por um acto que na
altura em que o cometeu não era considerado “crime”, ou que venha a sofrer uma
sanção mais grave do que a prevista no momento do “crime”.
Contudo, existe retroactividade da lei quando a nova lei é favorável ao arguido.
° princípio do caso julgado  não há possibilidade de recurso ordinário contra
decisões transitadas em julgado, ou seja, o caso objecto de decisão judicial não pode ser
reposto perante os tribunais.
III– Segurança no seu sentido mais amplo
O Direito deve “proteger os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos e os
defender das eventuais arbitrariedades dos poderes públicos ou abusos de poder”.
Com efeito, surge uma limitação do poder político em benefício dos direitos e
liberdades reconhecidos aos cidadãos – esta segurança é garantida por alguns artigos da
Constituição (18º, 20º, 266º e 268º).
Hoje em dia ampliou-se ainda mais este último sentido da segurança, devido à
importância dos direitos económicos, sociais e culturais dos cidadãos correspondentes à
nova escala de objectivos e funções do Estado, que o leva inclusive a assegurar aos
cidadãos condições materiais de vida dignas (p. ex: as leis que estabelecem níveis salariais
mínimos, pensões sociais, gratuidade na escolaridade obrigatória ou nos serviços de saúde, etc).
, Relação entre o Direito a Justiça e a Segurança
Como vimos, os dois fins primordiais do Direito são a Justiça e a Segurança.
Contudo, a compatibilização da segurança com a justiça não é fácil, pelo que há que
prever situações de tensão ou conflito entre estes dois valores e tentar resolvê-las da
maneira mais adequada – na prática, a realização da justiça e segurança
simultaneamente apresenta grandes dificuldades, pelo que o Direito umas vezes dê
prevalência à justiça sobre a segurança e outras vezes o inverso.
Em qualquer dos casos, o sacrifício tem de ser parcial, o que significa que não se
pode afastar totalmente de qualquer desses valores, pois a finalidade é conjugar ambos.
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Enfim, terá sempre de existir prudência a regular o doseamento destes dois valores,
procurando-se uma certa racionalidade na criação do Direito, a fim de que este cumpra a
sua missão de realizar a ordem segundo a justiça.
A Equidade
C Como já estudámos, as normas jurídicas são genéricas e abstractas, sendo-lhes
impossível prever todos os casos singulares, extremamente variáveis. Desta forma,
podem acontecer soluções que não se mostrem as mais adequadas e justas na sua
aplicação a determinados casos concretos, consideradas as circunstâncias particulares
que os acompanham.
× Seria então mediante a equidade que se resolveriam estes casos, facultando-se ao
juiz o afastar-se da norma, para que, atendendo às particularidades de cada caso,
encontrasse a solução mais justa, ou seja, a equidade adapta-se melhor ao caso concreto
do que a solução estabelecida na lei, da qual se afasta.
× Deste modo, a equidade sai da legalidade e toma uma decisão sua, por causa do
caso concreto (situação específica) em relação à lei genérica, mas sempre tendo em
conta o valor justiça (garantir que o Direito é justo).
C Porém, o recurso à equidade, porque dá lugar a um largo campo de actuação
pessoal do julgador, poderia implicar sérios riscos de incerteza e insegurança; daí que os
legisladores limitem a sua aplicação, pois o Direito, para além da justiça, tem como fim
a segurança jurídica.
Por tudo isto, a Ordem Jurídica portuguesa é muito restritiva na admissão da
equidade (o artigo 4º do Cód. Civil estabelece as condições para a resolução com recurso à equidade).
, Direito Cultura e Ideologia
O Direito enquanto obra do espírito humano é um fenómeno cultural e, como tal,
fortemente influenciado pelas realidades sociais, económicas, culturais, políticas e, por
conseguinte, ideológicas.
Todas estas realidades evoluem incessantemente, em grande parte devido à
propagação das ideologias pelos meios de comunicação social.
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 Ideologia designa um conjunto mais ou menos alargado de crenças que
influenciam os grupos ou que legitimam as respectivas formas de acção na sociedade,
tendo em vista um projecto colectivo de organização social.
C As ideologias são factores de propulsão para a evolução social e, por
consequência, para o Direito, mas o Direito é também muito importante para a
imposição de uma ideologia – sem o qual ela nunca se imporia.
C Muitas vezes o Estado para atingir os seus objectivos, nomeadamente os de
carácter económico e social, recorre a um conjunto complexo de normas – engenharia
jurídica; assim, o Direito surge como um instrumento de realização das acções do
Estado, e é através dessas políticas que o Estado tenta acabar com os conflitos de
interesse.
O critério ideológico tem sido o mais utilizado para distinguir as várias Ordens
Jurídicas, de acordo com as ideias e o espírito das instituições ao serviço das quais
estão.
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1.6 – O Direito e a Mudança Social
A mudança social caracteriza-se, actualmente, pela rapidez com que ocorre e pelos
vários domínios que abrange. De facto, graças à difusão (novas tecnologias da informação)
qualquer acontecimento tem consequências mundiais e é difícil, a qualquer sociedade,
resistir à importação de atitudes, de modos de vida e novos valores.
× Deste modo, o Direito enquanto ciência social e fenómeno cultural tem de
acompanhar essa mudança, e o legislador tem de estar atento, com o objectivo de
adaptar a legislação às novas realidades.
O papel do Direito será, assim, o de estimular a mudança de mentalidades,
suscitando práticas e costumes novos.
Por exemplo, a Constituição de 76 introduziu novos e importantes princípios, entre
os quais da igualdade.
C Devido à tomada de consciência que os cidadãos foram adquirindo ao longo do
tempo, em áreas que interferem na sua qualidade de vida, esses interesses passaram a
ser objecto de tutela jurídica.
Assim, a regulamentação das políticas de Defesa do Consumidor, do Ambiente e da
Informação, bem como de aspectos das práticas científicas (p. ex: manipulação genética,
transplante de órgãos, etc), tornaram-se uma exigência social, cultural e económica da
sociedade contemporânea, a qual está em constante mudança.
As novas tutelas regulamentam interesses antigamente difusos.
^ Interesses difusos: estão previstos em disposições legais que protegem áreas de
interesses pluri-individuais (p. ex: direito a um ambiente sadio, direito do consumidor, direito à
cultura), abrangendo, desta forma, uma pluralidade indeterminada ou indeterminável de
sujeitos – não diz respeito a ninguém em particular, mas sim a todos no geral.
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Direito do Consumidor Direito do Consumidor
Os direitos dos consumidores são o resultado da constatação de que os
consumidores são os principais agentes económicos numa economia de mercado,
porquanto até aí não lhes eram, reconhecidos quaisquer direitos.
O Presidente J. F. Kennedy foi o primeiro a reconhecer os direitos:
º o direito de escolher
º o direito de se fazer ouvir
º o direito de se fazer representar
º o direito a uma justiça pronta
A partir dessa altura, começaram a formar-se associações para a defesa dos
consumidores, que resultaram da organização dos mesmos, e ainda hoje constituem o
meio mais adequado para a representação dessa classe, pois actuam na salvaguarda dos
seus direitos.
Surgiram, assim, os direitos dos consumidores e o poder político assumiu a
obrigação de os salvaguardar em diferentes domínios (artigo 60º da CRP e artigo 3º da Lei da
Defesa do Consumidor):
 saúde e segurança
 interesse económicos, financeiros e sociais
 informação e educação
 protecção jurídica
Em Portugal, a DECO foi a primeira associação de defesa do consumidor e ainda
desempenha um papel muito importante, nomeadamente no domínio da informação e
educação do consumidor.
No quadro dos organismos oficiais possuímos o Instituto do Consumidor.
 Instituto do Consumidor  Este organismo público não possui poder de decisão
para resolver os conflitos de consumo. Com efeito, as suas atribuições situam-se,
essencialmente, no domínio da informação e educação dos consumidores, do apoio às
suas organizações, bem como na promoção de políticas de salvaguarda dos direitos dos
consumidores – desempenha funções de apoio ao consumidor.
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Direito do Ambiente Direito do Ambiente
“O Direito do Ambiente é o primeiro ramo do Direito que nasce não
para regular as relações dos homens entre si, mas sim para tentar disciplinar
as relações do Homem com a Natureza – os direitos do Homem sobre a
Natureza, os deveres do Homem para com a Natureza e, eventualmente, os
direitos da Natureza perante o Homem” (Diogo Freitas do Amaral)
Em 1987 foi publicada a Lei de Bases do Ambiente.
^ Lei de Bases: como o próprio nome sugere, é uma base para leis, ou seja, o que
lhe dá vida são os diplomas regulamentares.
À LBA, embora tenha sido regulamentada nalguns sectores, falta-lhe o essencial: os
princípios da responsabilidade civil, isto é, os instrumentos jurídicos que tornam
qualquer lei eficaz e, ainda, a ausência de uma acção fiscalizadora efectiva, permanente
e sem transigências.
Em 2000, adoptou-se em Portugal um diploma que visa ser uma resposta à poluição
sonora e, mais especificamente, ao ruído (artigo 1º do Regulamento Geral do Ruído).
As associações de Defesa do Ambiente têm, por sua vez, um papel pedagógico
importante na defesa do meio ambiente e da qualidade de vida dos cidadãos, o que lhes
é reconhecido pelo poder político – têm direito de participação e intervenção na vida
pública.
Direito da Informação Direito da Informação
Após o 25 de Abril de 74 existiu a abolição da censura e do exame prévio (artigos 37º
e 40º da CRP – direitos e deveres que devem reger o direito de informação).
Com a publicação da Lei da Imprensa de 1975 foram definidos o Estatuto do
Jornalista e a Orgânica das Empresas Jornalísticas. Posteriormente, surgiram novas leis
para regulamentar o exercício da actividade de radiodifusão e do regime da actividade
da televisão.
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de gozo – adquire-se com o nascimento e com a personalidade
jurídica (crianças têm e não têm cap. jurídica de exercício)
de exercício
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2. A Pessoa, Fundamento e Fim da Ordem Jurídica
2.1 – Noção de Personalidade Jurídica
O Direito serve o Homem e só a sua existência (da sociedade) justifica a Ordem
Jurídica e o Direito.
· “Hominum causa omne jus constitutum est”  “o Direito é constituído por causa e
para o serviço dos homens”
´ relações jurídicas ¬ são a multiplicidade de relações sociais determinadas pela
necessidade da vida em comum e que são tuteladas pelo Direito; relação entre as
pessoas do ponto de vista jurídico
´ personalidade jurídica ¬ aptidão para se ser titular de relações jurídicas, ou seja,
de direitos e obrigações; susceptibilidade de ser titular de direitos e obrigações jurídicas
C A personalidade jurídica adquire-se com o nascimento completo e com vida e
cessa/extingue-se com a morte do ser humano.
Assim, a personalidade jurídica corresponde a uma exigência da natureza e da
própria dignidade do Homem, que deve ser reconhecida pelo direito objectivo, no
sentido de garantir a vida social pacífica e ordenada – indispensável para que cada
homem, nas suas relações com os outros, realize os seus fins e interesses.
Capacidade Jurídica
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atribuição
“Direitos” e “Deveres jurídicos” aos sujeitos de direito
· são pessoas em sentido jurídico (na linguagem jurídica, “pessoa”
significa ser sujeito/titular de direitos e obrigações e não há coincidência com a
noção de “ser humano” – p. ex: os “escravos” não eram considerados pessoas)
e, como tal, são dotados de personalidade jurídica
direitos do Homem ¬ direitos inerentes à própria natureza e essência do Homem e
que, por isso, possuem um carácter inviolável, intemporal e universal
direitos fundamentais ¬ o legislador garante-os no Direito Positivo, ou seja, são os
direitos do Homem reconhecidos pela Constituição
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2.2 – Os Direitos Fundamentais dos Cidadãos: Direitos,
Liberdades e Garantias
Normalmente,
dividem-se/agrupam-se em três gerações, conforme as etapas/épocas históricas em que
foram declarados:
 direitos da 1ª Geração  direitos civis e políticos
 direitos da 2ª Geração  direitos económicos, sociais e culturais
 direitos da 3ª Geração  direitos de solidariedade (p. ex: direito à paz, ao
desenvolvimento, ao ambiente, aos recursos naturais…) ou direitos novíssimos
Grande parte dos direitos fundamentais tem carácter civil ou político e os mais
importantes/com maior significado são:
E direito à vida
E direito à liberdade e segurança
E direito a uma administração equitativa da justiça
E direito ao respeito pela vida privada e familiar, pelo domínio e pela
correspondência
E direito à liberdade de pensamento, consciência e religião
E direito à liberdade de expressão e opinião
E direito de casar e constituir família
Constituição da República
PARTE I
¬ Título I, “os princípios gerais”
¬ Título II, “os direitos, liberdades e garantias pessoais” (1ª Geração)
¬ Título III, “os direitos e deveres económicos, sociais e culturais” (2ª Geração)
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Contudo, e embora os direitos do Homem se encontrem presentes na grande maioria
das Constituições de todos os países, são várias as noticiais que dão conta de atropelos
diários a esses direitos. Por isto, são muitas as organizações (estatais ou privadas) que
promovem iniciativas com vista à defesa dos direitos humanos. Para além disso, estas
organizações têm como objectivo denunciar as violações aos direitos do Homem, que se
assiste nos Estados contemporâneos.
Os Direitos de Personalidade
× Os direitos de personalidade são os direitos fundamentais que estão ligados à
personalidade jurídica (nem todos o estão). Têm esta designação um certo número de
poderes jurídicos pertencentes a todas as pessoas por força do seu nascimento, e que se
impõem ao respeito de todos os outros.
São verdadeiros direitos subjectivos que incidem sobre a vida da pessoa, a sua
integridade física, a sua honra, a sua liberdade física e psicológica, o seu nome, a sua
imagem, a intimidade sua vida privada, etc.
Classificam-se como:
- gerais – todos os possuem
- não patrimoniais ou pessoais – não são susceptíveis de expressão pecuniária,
embora a sua violação possa implicar uma reparação monetária
- absolutos – corresponde-lhes um dever geral de respeito por parte de todas as
pessoas
Deste modo, a violação de um direito de personalidade desencadeia
responsabilidade civil (p. ex: a aplicação de uma sanção civil como a obrigação de “indemnizar” os
danos causados) e penal (p. ex: sanção penal como a “prisão”), ou só civil, do infractor, bem
como a adopção de determinadas medidas adequadas às circunstâncias do caso (p. ex:
requerer-se a apreensão de uma publicação que incluía um artigo ou uma fotografia que violava o “direito
à intimidade privada” de uma pessoa).
Para além disso, os direitos de personalidade encontram-se no artigo 70º e seguintes
do Cód. Civil.
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Direitos Civis e Políticos
(=surgiram após a Revolução Francesa e a Declaração da
Independência dos EUA)
C direitos civis – CRP - Título II, capitulo I - art. 24º a 47º
C direitos políticos – CRP - Título II, capitulo II art. 48º a 52º
C C Direitos Civis Direitos Civis
“O Estado deve respeitar o espaço de autonomia dos cidadãos no gozo e exercício
dos direitos civis – trata-se de uma posição essencialmente passiva”
× São os direitos dos indivíduos enquanto tal e que decorrem da livre actuação dos
indivíduos em sociedade, isolada ou colectivamente.
São direitos subjectivos que o Estado reconhece aos indivíduos, através de um
conjunto de preconceitos que definem o estatuto de cada um de nós na sociedade
politicamente organizada.
Exemplos:
E direito à vida
E direito a constituir família
E direito à liberdade de expressão e informação
C C Direitos Políticos Direitos Políticos
“O Estado deve não só respeitar os direitos políticos, como criar
incentivos, proporcionando as condições necessárias para que os cidadãos os
possam gozar e exercer plenamente”
× São os direitos que atribuem aos cidadãos o poder de cooperarem na vida estadual
ou no exercício de funções públicas, ou de manifestarem a sua própria vontade para a
formação da vontade colectiva.
(=capacidade de poder eleger ou ser eleito para cargos públicos; ou a
faculdade de poder contribuir para a tomada de decisões públicas e
participação na vida pública)
Exemplos:
E direito de voto
E direito de acesso a cargos públicos
E direito de constituição de partidos públicos
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E direito de petição
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, Direitos Sociais Económicos e Culturais
(=surgiram após a Revolução Industrial)
C direitos sociais – CRP - Título III, capitulo II art. 63º a 72º
C direitos económicos – CRP - Título III, capitulo I - art. 58º a 62º
C direitos culturais – CRP - Título III, capitulo III art. 73º a 79º
C C Direitos Sociais Direitos Sociais
“Perante os direitos sociais, o Estado, através, essencialmente, da Administração
Pública, deve efectuar as prestações concretas que lhe corresponde”
× São fundamentalmente as faculdades que se traduzem na exigência ao Estado da
prestação de bens e serviços indispensáveis para a consecução (garantia) de condições
mínimas de vida em sociedade.
Exemplos:
E direito à segurança social
E direito à saúde
E (direito ao trabalho)
E (direito à educação)
¬ Dentro dos direitos sociais distinguem-se ainda “os direitos económicos e os
culturais, consoante a natureza do bem juridicamente tutelado” (Marcelo Rebelo de
Sousa)
C C Direitos Económicos Direitos Económicos
Exemplos:
E direito ao trabalho
E direito de propriedade privada
C C Direitos Culturais Direitos Culturais
Exemplos:
E direito à educação, cultura e ciência
E direito ao ensino
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Direitos de Solidariedade Direitos de Solidariedade
Exemplos:
E direito à paz
E direito ao desenvolvimento
E direito ao ambiente e recursos naturais
E direito ao espaço aéreo
E direito ao fundo dos mares
A sua importância e necessidade de efectiva implantação são por demais evidentes
e, apesar de se multiplicarem as conferências e outras acções nesse sentido, os
resultados ainda não são muito satisfatórios.
Direito ao Desenvolvimento e Direito do Ambiente

Contudo, a cruzada levada acabo por algumas organizações e Estados não parece ter
sido em vão, porquanto a maioria dos governos está de acordo num ponto: a
industrialização e o desenvolvimento económico não podem ser realizados de qualquer
maneira, nem a qualquer preço. É, pois, necessário que exista desenvolvimento
sustentável, ou seja, é importante proteger o ambiente e gerir de uma forma adequada os
recursos naturais, defendendo-se, ao mesmo tempo, a qualidade de vida e evitando o
hipotecar das gerações futuras  preservar e garantir o futuro, porque a Terra é um
sistema limitado que é urgente defender.
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Todos concordam que o desenvolvimento
económico é preciso, mas como efectuá-lo?
Podemos construir novas infra-estruturas
necessárias sem estudar o seu impacto
ambiental?
=Foi preciso que o ambiente se degradasse
muitíssimo para que a maioria dos países se
começasse a preocupar, a despertar e a
consciencializar-se para o grave perigo que é
de todos – a destruição do planeta Terra
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2.3 – A Problemática dos Direitos do Homem
Direito Positivo e Direito Natural
- Direito Positivo ¬ o Direito entendido enquanto conjunto de normas reguladoras
das relações sociais, obra da vontade do Homem, variável no tempo e de sociedade para
sociedade (espaço) (CRP de 1933 e de 1976)
O Direito Vigente e Positivo traduz-se no conjunto de normas pelas quais se
rege uma sociedade e que é válido nessa sociedade em dado momento da sua vida (CRP
de 76)
- Direito Natural ¬ direito fundado na natureza das coisas, mais concretamente na
natureza humana ou emanado de um poder superior e, por isso, revestido de autoridade
eterna e universal, com vista à realização da justiça (os seus defensores são os jusnaturalistas)
A problemática do Direito Natural tem preocupado os pensadores desde a
Antiguidade. Admitido por uns e repelido por outros, coloca-se sempre no caminho dos
estudiosos do Direito, visto que uma das suas grandes preocupações é a de saber se,
para além dos diversos sistemas normativos de cada povo e de cada época, existe ou não
um conjunto de princípios superiores dotados de validade eterna e universal, ou seja,
uma série de preceitos justos e verdadeiros para todos os povos e todas as épocas.
De seguida, uma pequena perspectiva histórica do Direito Natural.
O Direito Natural na Antiguidade O Direito Natural na Antiguidade
• No século IV a.C., Aristóteles distinguia o justo legítimo (obra da vontade
humana) e o justo natural (revelação da essência das coisas, imposto pela natureza do Homem
e do Mundo). O Direito Natural era visto como um direito universal e intemporal,
distinto das leis humanas transitórias.
• As doutrinas cristãs continuaram o pensamento grego, mas ligaram a lei natural
à própria lei eterna, emana de Deus.
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• No século XIII, São Tomás de Aquino defendeu que o universo resulta de uma
síntese harmoniosa de três ordens de leis: a lei eterna, a lei natural e a lei humana que
estão hierarquizadas por esta mesma ordem. No topo, a lei eterna, emana da vontade de
Deus; abaixo encontra-se a lei natural – considerada como a participação da criatura
racional na lei eterna; e, por último, a lei humana que é criação da sociedade política.
Assim, a lei humana não é mais do que a expressão e concretização da lei natural, a qual
não pode ser contrariada.
A Escola Racionalista do Direito Natural
Desenvolveu-se a partir do século XVI e integrou nomes como Hobbes, Locke e
Rousseau. Defendia que o Direito Natural era fruto exclusivo da razão humana e não de
Deus, como se pensava até aí. Desta forma, cada autor podia construir o seu Direito
Natural e proclamá-lo universalmente válido.
A Escola Histórica do Direito Natural
Surgiu no século XIX, como resposta à escola racionalista, e à qual ficou ligado o
nome de Savigny. Nega que o Direito Natural seja uniforme e imutável. Porém, admite
a existência de um Direito Ideal – produto da história de cada povo, que se manifestava
nos costumes e que era variável no tempo e no espaço. Deste modo, o Direito Natural
perde a unidade que o caracterizava, desagregando-se numa pluralidade de ideais
jurídicos.
O Positivismo Jurídico
Desenvolveu-se também no século XIX e rejeitava a metafísica. Para os defensores
desta corrente, o Direito é e só pode ser Direito Positivo – só é Direito a vontade do
Estado expressa devidamente através dos órgãos adequados.
Decisionismo
Um dos seus principais teorizadores foi Karl Schmidt, o qual defendeu que o Direito
Natural não é mais do que um somatório de decisões ou actos do poder político.
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O Direito Natural na Actualidade O Direito Natural na Actualidade
“o Direito Natural é uma ideologia que aparece nas civilizações já evoluídas e que
se reveste de um carácter funcional. Tem sido uma alavanca que se destina a modificar
o Direito e a introduzir instituições mais conformes às aspirações da época”
× Em cada sociedade, os homens podem encontrar conjuntos de princípios que
tomam como referência para as suas condutas, longe da intemporalidade e da
historicidade das antigas teorias jusnaturalistas. Deste modo, o Direito Natural assume
uma certa variabilidade espacio-temporal. Nos nossos dias, verifica-se uma
revivescência do Direito Natural, pois são abundantes as vozes que reclamam o regresso
à “natureza das coisas” e várias as manifestações de ressurgimento da ideia de Direito
Natural, quer na lei quer na doutrina.
× Assim, a luta pela afirmação dos direitos dos cidadãos e dos direitos
fundamentais não é mais do que o reviver da aceitação de valores universais referentes à
dignidade do Homem.
Declaração dos Direitos do Homem
“Uma ideia jusnaturalista que se vem afirmando desde o século VIII é a da
declaração de direitos subjectivos que devem ser reconhecidos em toda a parte, a todo o
Homem, por derivarem da natureza deste” (Castro Mendes)
Se durante muito tempo eram os Estados que criavam todas as suas próprias leis,
posteriormente, com intensificação dos “laços humanos”, esta problemática estendeu-se
um pouco a todo o mundo e as leis que reconhecem a dignidade do homem são,
actualmente, reconhecidas e aceites em quase todo o planeta – direitos e deveres são
universais e invioláveis.
Precursores das Declarações:
1 A Magna Carta inglesa, de 1215, é considerada a primeira afirmação oficial dos
Direitos do Homem – reconhece os direitos, regalias e garantias individuais aos barões
ingleses.
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1 Habeas Corpus Acta, datada de 1679, que confere a qualquer pessoa encarcerada
o direito de requerer a sua apresentação a um juiz, perante quem deve ser efectuada a
prova de um motivo válido para a detenção. Caso tal prova não seja efectuada, o juiz
deve ordenar a sua imediata libertação.
Primeiras Declarações dos Direitos do Homem Primeiras Declarações dos Direitos do Homem
Surgem com os primórdios do Constitucionalismo e constam de textos autónomos
às Constituições, onde foram consagrados os grandes direitos cívicos e políticos.
1 Declaração de Direitos do Estado da Virgínia, de 12 de Junho de 1776, e
Declaração da Independência das Colónias Americanas – Declaração de Filadélfia
(4 de Abril de 1776) que, inspiradas na filosofia jusnaturalista, proclamam pela primeira
vez que todos os homens são, por natureza, livres e iguais em direitos.
1 Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada em 26 de Agosto
de 1789, distingue dois tipos de direitos: os do Homem, que considera como direitos
naturais inerentes ao Homem e inalienáveis pelo cidadão, reconhecidos ao indivíduo
face ao Estado e que faziam parte do Direito Positivo; e os direitos do cidadão, os quais
se destinavam a garantir direitos do Homem, tais como a soberania nacional, direito de
votar as leis, igualdade de acesso aos empregos públicos, etc.
Internacionalização da Problemática dos direitos do Homem Internacionalização da Problemática dos direitos do Homem
Entretanto, e para fazer face às atrocidades cometidas pelos nazis e a todos os
atropelos aos mais elementares direitos humanos, existe uma tendência para o aumento
e a internacionalização dos direitos do Homem, surgindo, assim:
1 Carta das Nações Unidas, resultante da Conferência de S. Francisco – realizada
a 26 de Junho de 1945, com representação de cinquenta estados. Afirma-se que “os
Povos estavam resolvidos a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do Homem, na
dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das
mulheres, bem como da grandes e pequenas Nações…”.
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1 Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pelas Nações Unidas a
10 de Dezembro de 1948, é considerada como o primeiro instrumento internacional
sobre os direitos do Homem, pois embora não vincule juridicamente os Estados, obriga-
os moralmente. A igualdade dos cidadãos perante o Direito e a proibição de todo e
qualquer tipo de discriminação são as suas principais bandeiras.
1 Conselho da Europa, criado em 1949, considerado a primeira instituição política
europeia com o objectivo de realizar uma união estreita entre os seus membros, a fim de
salvaguardar e promover o desenvolvimento dos direitos do homem e das liberdades
fundamentais.
1 Convenção Europeia dos Direitos do Homem, assinada em Roma a 4 de
Novembro de 1950, sendo considerado como o instrumento mais avançado na defesa da
realização internacional dos direitos humanos. Mais tarde, e no sentido de dar maior
eficácia a esta Convenção e de assegurar o respeito pelos compromissos assumidos,
criaram-se a Comissão Europeia dos Direitos do Homem e o Tribunal Europeu dos
Direitos do Homem (sede em Estrasburgo).
1 Acta Final de Helsínquia, de 1 de Agosto de 1975, onde os Estados participantes
reconhecem a estreita relação entre a paz e a segurança não só na Europa, mas também
em todo o Mundo entre; e declaram respeito pelos direitos do Homem e liberdades
fundamentais.
1 Carta de Paris para uma nova Europa, de 21 de Novembro de 1990, onde se
reconhece expressamente a protecção das minorias, mais especificamente, dos ciganos.
Mais, “todos os Estados outorgantes se comprometiam a lutar contra todas as formas de
discriminação racial, social, cultural, linguística e religiosa das minorias nacionais”.
Em conclusão desta matéria, sempre se dirá que os Estados modernos democráticos
e alguns organismos internacionais se têm empenhado na protecção dos direitos do
Homem, com destaque para a Amnistia Internacional, já referida anteriormente, que,
através das suas intervenções e relatórios, dá a conhecer muitas das violações dos
direitos do Homem que ocorrem no mundo, pressionando a opinião pública e os Estados
a tomar medidas – nos últimos relatórios podemos perceber que continuam a existir, nos
nossos dias, atropelos diários aos direitos e liberdades fundamentais do Homem, por
todo o mundo (p. ex: em Timor Lorosae a população foi reduzida a 1/3 graças às torturas, abusos e
genocídios de que foram vitimas – tal despertou uma grande solidariedade mundial).
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º conjunto de normas que regulam interesses predominantemente públicos
º interesses privados
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Direito Público e Direito Privado
Estão em causa todas as relações do Homem em sociedade: o Direito reflecte a
variedade dessas relações e tem de cindir em tantos ramos quantos os seus grupos
fundamentais.
Actualmente, distingue-se entre Direito Privado e Público. Esta distinção remonta
aos jurisconsultos romanos que distinguem entre ius Publicum e ius Privatum.
· ius Publicum  tudo o que era tornado público, do conhecimento de todos e a
todos se aplica
· ius Privatum  todas as cláusulas insertas nos contratos e testamentos, cujo
conhecimento se limitava às pessoas que outorgavam o contrato e só a estas era
vinculativa
Todavia, esta diferenciação já não é válida e tem sido polémica, ao longo dos
tempos, existindo por isso alguns critérios.
Critérios de Distinção Critérios de Distinção
A – Critério da natureza dos interesses
Antigamente, tinha como base a qualidade dos interesses que a norma visava tutelar.
Assim:
× Direito Público  teria como objectivo a satisfação dos interesses públicos (ex: as
normas que fixam impostos, penas aplicáveis aos diversos crimes, etc)
× Direito Privado  visava a satisfação dos interesses privados (ex: as normas que
regulam os direitos e deveres dos senhorios e inquilinos)
Este critério suscita algumas críticas, porquanto é difícil saber quando é que a norma
regula interesses privados ou públicos. Para além disso, todas as normas são elaboradas
tendo em conta interesses públicos e privados simultaneamente.
No entanto, este critério foi reformulado e passou a basear-se na natureza do
interesse:
× Direito Público  constituído pelo conjunto de normas que tutelassem
predominantemente interesses da colectividade
× Direito Privado  constituído pelo conjunto de normas que tutelassem
predominantemente interesses particulares
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Porém, também este novo critério levanta algumas dúvidas, pois não possibilita
saber, na maioria das normas, qual o interesse predominante, logo passa a distinção a
ser feita por critérios de valoração.
B – Critérios da qualidade dos sujeitos
De acordo com este critério:
× Direito Público  normas que regulam as relações em que intervenha o Estado
ou qualquer ente público ou geral
× Direito Privado  normas que regulam as relações entre os particulares
Este critério também não está isento de críticas, porquanto o Estado pode actuar nos
mesmos termos que qualquer particular (p. ex: quando o Estado celebra com outro ente público
um contrato de compra e venda, as normas que regulam o referido contrato são as do Direito Privado)
C – Critério da posição dos sujeitos na relação jurídica
A distinção faz-se de acordo com a posição relativa que os sujeitos ocupam na
relação jurídica:
× Direito Público  constituído pelo conjunto de normas que regulam as relações
em que intervenha o Estado, ou qualquer ente público dotado de poder de soberania
× Direito Privado  constituído por normas que regulam as relações entre os
cidadãos ou entre estes e o Estado/entes públicos, caso estes não estejam dotados de
imperium – Estado intervém em igualdade com os particulares
C Este é o critério que maior unanimidade e menos críticas recebe, mostrando-se o
mais adequado actualmente.
ex: Direito Privado – contrato de arrendamento
Direito Público – relações com o poder soberano
Por outro lado, estes não são dois domínios estanques, existindo muitas situações de
conexão entre eles.
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ex: no contrato de compra e venda existe simultaneamente normas de Direito Privado e Público,
sendo o contrato em sim uma relação do D. Privado, enquanto que o imposto a pagar é uma relação de D.
Público
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2.4 – O Provedor de Justiça
A figura do Provedor de Justiça foi consagrada após o 25-Abril.
^ art.º 23º CRP
 não tem poder decisório para modificar ou anular quaisquer acto administrativo,
mas apenas para dirigir as recomendações necessárias aos órgãos competentes
 órgão independente
 a sua principal função é garantir a defesa e promoção dos direitos, liberdades,
garantias e interesses legítimos dos indivíduos e repor a legalidade democrática quando
ela for violada – controlo da legalidade
 recorre a meios informais, podendo solicitar auxílio às entidades necessárias, as
quais têm o dever de lhe prestar todos os esclarecimentos e informações
 actua com base em queixas apresentadas pelos cidadãos ou por iniciativa própria,
relativamente a factos que lhe cheguem ao conhecimento por qualquer modo ou via
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Tema 2: Direito e a Organização da
Sociedade: O Estado e a comunidade Internacional

1. O Estado – Sociedade Politicamente Organizada
O instinto gregário do Homem cedo o impulsionou a procurar formas de
associativismo que lhe permitissem vencer e aproveitar as formas da Natureza. No
entanto, o carácter individualista do Homem fez com que fosse necessário criar
mecanismos de defesa da comunidade, pois a multiplicidade de interesses individuais
tendem a colidir. É, desta forma, que surge o Direito para regular essas relações.
 Estado  é uma instituição que se situa acima da comunidade, que é dotado de
meios capazes de fazer cumprir a lei e que possibilita a realização do bem-estar social,
através da prestação de serviços importantes para a colectividade – mais progressista e
complexa forma de sociedade política; é a afirmação de um poder soberano exercido
uniformemente sobre um povo, num determinado território
Deste modo, existe uma forte interdependência entre o Estado e o Direito, pois
enquanto o primeiro é uma necessidade, o segundo representa a disciplina dele. O
Estado, ao fazer e impor as leis, é, de facto, um instrumento indispensável para
assegurar a vida do Homem em sociedade.
1.1– Elementos do Estado
O Estado apareceu, com vimos, para dar resposta aos problemas criados pela
Natureza e pela vida social ao Homem. Assim, o ser humano consentiu a alienar parte
da sua liberdade no sentido de garantir a segurança das pessoas e bens.
Os três elementos do Estado são:
O povo
O território
O poder político
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  Povo Povo
 é a comunidade de cidadãos ou nacionais de cada Estado. Abrange os
destinatários permanentes da ordem jurídica estatal
O vínculo que une os cidadãos ao Estado é a cidadania ou nacionalidade, logo o
conceito de povo corresponde a um conceito jurídico e político. A condição de quem faz
parte do povo é definida pelo Direito Interno de cada Estado, o qual estabelece as
condições de aquisição e perda da nacionalidade.
Os dois critérios que presidem à atribuição de nacionalidade ou cidadania são:
º ius sanguinis, ou seja, atribuição da cidadania é feita em função dos laços
sanguíneos ou de filiação em relação a nacionais de determinado Estado
º ius soli, ou seja, a nacionalidade é atribuída em função do local de nascimento
O direito à nacionalidade constitui um direito fundamental dos cidadãos,
encontrando-se consagrado quer na ordem Jurídica Interna dos Estados quer no Direito
Internacional.
Nação
 Por Nação entende-se uma comunidade estável, com aspirações materiais e
espirituais comuns, que se funda numa história e cultura comuns e que tem por base,
quase sempre, um território; o agregado de indivíduos constituídos por vontade própria
e geralmente com vocação ou aspiração a comunidade política.
Embora se identifique vulgarmente com o conceito de Estado, nem sempre essa
identificação existe, pois há casos de nações que não são Estados (p. ex. o caso dos Judeus
antes da criação do Estado de Israel), mas também o contrário (p. ex: o Estado do Vaticano que não
tem elemento humano). Há ainda o caso de Estados que compreendem várias nações (p. ex:
ex-URSS, ex- Jugoslávia, Espanha) e nações divididas por mais de um Estado (p. ex: Alemanha
com o muro de Berlim).
População
 O termo população tende a identificar-se com o conjunto de pessoas que residem
habitualmente num determinado território e que integra eventualmente cidadãos de
outras nacionalidades – conceito de natureza demográfica e económica.
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Por outro lado, só deverão ser considerados cidadãos os indivíduos que estão ligados
ao Estado pelo vínculo de cidadania ou nacionalidade.
  Território Território
Actualmente, não se consegue conceber um Estado contemporâneo sem um
território onde exerça plenamente o seu poder soberano.
O território do Estado compreende o solo e o subsolo (território terrestre), o espaço
aéreo (território aéreo) e o mar territorial (território marítimo).
O território terrestre é delimitado pelas fronteiras terrestres naturais ou
convencionais do Estado e engloba todo o subsolo que lhe corresponde.
O território aéreo abrange todo o espaço aéreo compreendido entre as verticais
traçadas a partir das fronteiras e, nos Estados ribeirinhos, inclui ainda o espaço sobre o
mar.
O território marítimo abrange 12 milhas, contadas a partir da costa. Nestas milhas, o
Estado exerce também a sua jurisdição.
^ conjunto de espaço delimitado pelas fronteiras terrestres, marítimas e aéreas
Posteriormente, em 1973, surgiu a “Zona Económica Exclusiva”, com uma extensão
de 200 milhas a partir da costa, e onde o Estado apenas exerce certos poderes limitados,
como o direito à exploração económica dos recursos marítimos, o controlo da pesca efectuada por barcos
estrangeiros, bem como a preservação e investigação científica dos recursos naturais.
Por outro lado, fazem igualmente parte do território de um Estado:
O navios, aeronaves e veículos sob bandeira nacional, mesmo que em território
estrangeiro
O consulados, enclaves e embaixadas do país no estrangeiro
O Território do Estado Português é constituído não só por Portugal Continental, mas
também pelos arquipélagos da Madeira e dos Açores.
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  Poder Político Poder Político
“a faculdade exercida por um povo de, por autoridade própria, instituir órgãos que
exerçam com relativa autonomia a jurisdição sobre um território, nele criando e
executando normas jurídicas, usando para o efeito os necessários meios de coacção”
 autoridade que um povo fixado num território exerce por direito próprio,
instituindo órgãos governativos
 a actuação dos órgãos políticos concretiza-se na criação e execução das normas
jurídicas, bem como na garantia da execução dessas regras, através de meios de coacção
O poder político pode assumir várias modalidades, entre elas o poder político
soberano ou a soberania.
A soberania caracteriza-se por ser um poder político supremo e independente:
× supremo (plano interno)  porque não está limitado por nenhum outro na ordem
interna de um determinando Estado
× independente (plano externo)  porque na ordem internacional não tem de acatar
normas que não sejam voluntariamente aceites e está ao mesmo nível dos poderes
supremos de outros Estados
Em todos os países há poder político, mas nem sempre os Estados são soberanos, ou
seja, nem sempre detém o poder soberano. Nestes Estados, o exercício do poder político
está condicionado por um poder diferente e superior e, por isso, são conhecidos como
Estados não soberanos (p. ex: estados Federados do Brasil e EUA, que têm acima de si o estado
federal).
Desta forma, o conceito de Estado pode ter vários sentidos:
 num sentido restrito, o Estado pode definir-se como uma sociedade politicamente
organizada, fixa em determinado território, que lhe é privativo, e tendo como
características a soberania e a independência – estados soberanos
 num sentido lato, põem-se de lado todas estas características e fala-se de Estados
não soberanos (EUA, Suíça e Brasil) – estados soberanos e não soberanos
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Os Estados Federados possuem Constituição própria, governo próprio, legislam,
dentro do seu domínio, e têm meios para garantir a execução das suas leis no seu
território. Contudo, não são Estados soberanos, pois as suas leis não podem ser
contrárias às da Constituição Federal.
Assim, a soberania reside apenas no Estado Federal, o qual é composto por vários
Estados Federados, logo no Estado Federal coexistem as duas formas de poder político
(um soberano e outros dependentes).
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1.2 – Poderes e Funções do Estado
“toda a sociedade na qual não esteja assegurada a garantia dos direitos, nem
determinada a separação de poderes não tem Constituição”
A teoria dos poderes tripartidos do Estado surgiu no século XVII e foi formulada
pelo filósofo inglês John Locke. Este constatou que em Inglaterra, onde as funções
política, executiva e jurisdicional eram exercidas por órgãos diferentes (Rei, Parlamento
e Juízes), não se verificavam os abusos de poder que se registavam em locais onde os
três poderes estavam concentrados num único órgão – o Rei.
Posteriormente, Montesquieu afirmou que a liberdade não existia se o mesmo
homem ou o mesmo corpo de magistratura exercesse os três poderes – teoria contra o
absolutismo real:
´ o de fazer leis – poder legislativo
´ o de executar as relações públicas – poder executivo
´ o de julgar os crimes e os diferendos entre os indivíduos – poder judicial
 para garantir os direitos e liberdades públicas e privadas é necessário que exista a
separação dos poderes existentes, mas numa base de interdependência e controlo de
poderes e órgãos, ou seja, os diversos poderes devem actuar em regime de permanente e
harmoniosa colaboração
Actualmente, deixou de se falar na “separação de poderes” para se falar na “divisão
dos poderes do Estado”, isto é, na divisão de cada função por vários órgãos distintos, de
forma a ser necessária a sua colaboração para praticar qualquer acto fundamental do
Estado.
Porém, é de realçar que existe uma grande diferença entre “separação de poderes” e
“divisão de funções ou tarefas”, porquanto a primeira é consequência do Estado de
Direito, enquanto a segunda já remonta à antiguidade, visto que o rei e seus demais
assistentes exerciam uma diversidade de funções, apesar de estarem todas concentradas
no mesmo órgão, o qual possuía a totalidade do poder.
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Fins do Estado
Os três principais fins ou objectivos a atingir pelo Estado:
C segurança
C justiça
C bem-estar económico e social
C C Segurança Segurança
° segurança individual  o indivíduo necessita de saber que existem normas
jurídicas que lhe reconhecem direitos e deveres e que o protegem e defendem dos actos
que o perturbem. Por outro lado, a previsibilidade e a estabilidade da vida jurídica são
duas características fundamentais nas relações jurídicas, com o intuito de que cada um
possa prever saber quais as consequências jurídicas dos seus actos.
° segurança colectiva  defesa da colectividade face ao exterior
C C Justiça Justiça
° justiça  visa substituir nas relações sociais o arbítrio da violência individual por
um conjunto de regras capazes de satisfazer o instinto natural da justiça
^ A ordem justa será aquela em que a segurança ao serviço da justiça permita a
realização do homem
C C Bem-estar económico e social Bem-estar económico e social
° bem-estar económico-social  implica a promoção das condições de vida dos
cidadãos, através do acesso a bens e serviços considerados fundamentais para a
colectividade, tais como a Educação, a Saúde, a Segurança Social, etc (normalmente, a
satisfação das necessidades sociais é feita pelos chamados serviços sociais)
Hoje em dia, também assumem grande relevância como tarefas do Estado a
preservação do ambiente e a protecção e valorização do património cultural,
considerados indispensáveis à realização do bem-estar dos cidadãos.
^ art.º 9º CRP – tarefas fundamentais do Estado
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Por outro lado, e visto que o objectivo é assegurar a justiça, tornando-a compatível
com a segurança e útil ao bem-estar. Logo, os três fins do Estado são, portanto,
interdependentes e complementares.
Funções do Estado
O Estado tem a sua razão de ser na realização permanente dos seus fins e para os
atingir é preciso realizar, através dos seus órgãos, um conjunto de actividades a que
chamamos funções do Estado.
As funções do Estado são:
- função política ou governativa O
- função legislativa O
- função administrativa ou executiva O
- função jurisdicional ou judicial O
  Função Política ou Governativa Função Política ou Governativa
 actividade desenvolvida por órgãos do Estado, tendo em vista a definição e
prossecução dos interesses gerais da comunidade, mediante a livre escolha das opções e
soluções consideradas melhores em cada momento – pratica dos actos em que se
concretiza a política geral do país
· exercida pelo Presidente da República, pela Assembleia da República e pelo
Governo
  Função Legislativa Função Legislativa
 actividade pela qual o Estado cria o seu Direito Positivo, disciplinando as
relações não só entre indivíduos como também com os órgãos estatais
· exercida pela Assembleia da República e pelo Governo
  Função Executiva ou Administrativa Função Executiva ou Administrativa
 actividade que tem por fim a execução das leis e a satisfação das necessidades
colectivas que se incubem ao Estado
· exercida pelo Governo
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 Função Judicial ou Jurisdicional Função Judicial ou Jurisdicional
 actividade cujo objectivo é dirimir/resolver os conflitos de interesses,
reprimir a violação da legalidade democrática e assegurar a defesa dos direitos e
interesses legalmente protegidos aos cidadãos
· exercida pelos tribunais
Porém, esta divisão de podres é mais teórica do que prática, pois a nossa experiência
contemporânea mostra-nos que ela não é rígida, verificando-se uma interdependência de
poderes (p. ex: a AR, órgão legislativo por excelência, poderá exercer funções de inquérito e
fiscalização; por outro lado, o Governo, órgão superior da Administração Publica, também tem
competências legislativas).
= Em suma, os poderes são interdependentes, principalmente o governativo e o
legislativo.
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1.3 – Órgãos de Soberania
Como já afirmámos anteriormente, o Estado necessita de desenvolver, através dos
seus órgãos, um conjunto de actividades.
E Órgãos de Soberania  certos órgãos que se encontram em posição dominante
no Estado e que decidem independentemente da obediência a ordens de outros órgãos. É
através destes órgãos que, num Estado democrático, o povo exerce a sua soberania.
^ estes órgãos são os centros de formação e manifestação da vontade soberana do
povo
Os representantes dos cidadãos para exercerem determinados cargos são eleitos
pelos próprios, o que lhes confere alguma representação.
E Órgão do Estado  “o cargo singular, o colégio ou a assembleia que, por força
do Direito Constitucional vigente, tem competência para participar no processo de
manifestação de uma vontade funcional imediata ou mediatamente imputável ao
Estado”
· órgão singular: o Presidente da República
· órgão colegial de tipo assembleia
1
: a Assembleia da República
· órgão colegial de tipo colégio
2
: o Conselho de Ministros

1/2
os órgãos distinguem-se conforme sejam constituídos por um número limitado de membros (colégio)
ou por um número elevado de componentes (assembleia)
2
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Os Órgãos de Soberania em Portugal são:
C Presidente da República
C Assembleia da República
C Governo
C Tribunais
Todavia, não se deve confundir o órgão do Estado com o seu titular.
 Presidente da República Presidente da República
O PR representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a
unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas. É, por
inerência, o comandante das Forças Armadas. (art.º 120º CRP)
Eleição
© universal  visto que é extensível a todos os cidadãos portugueses com
capacidade eleitoral, ou seja, que preencham os requisitos exigidos por lei para votar
© directo  porque os eleitores escolhem directamente o PR. No sufrágio indirecto,
os eleitores votam noutras pessoas que, por sua vez, elegem o candidato
© secreto  pois nenhum eleitor está obrigado a revelar o sentido do seu voto
© sistema de representação maioritária a duas voltas
© o direito de voto no território português é exercido presencialmente
Mandato
5 anos, não se podendo recandidatar a um terceiro mandato consecutivo – procura-
se, assim, evitar a longa permanência da mesma pessoa no cargo e respeita-se o
princípio da renovação
Competência
O (art.º 133º CRP) – competência quanto a outros órgãos
O (art.º 134º CRP) – competência para a pratica de actos próprios
O (art.º 135º CRP) – competência nas relações internacionais
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Compete ainda:
· promulgar as leis e decretos-lei ou exercer o direito de veto
· proceder à fiscalização preventiva da constitucionalidade de uma norma que lhe
tenha sido submetido para ratificação, podendo exercer o direito de veto (art.º 278º e
279º CRP)
· convocar extraordinariamente a AR e dissolvê-la
· nomear o 1º ministro e os ministros e demitir o governo
 Assembleia da República Assembleia da República
A AR é representativa de todos os cidadãos, pois apesar de os deputados serem
eleitos por círculos eleitorais eles representam todo o pais e não só o círculo pelo qual
foram eleitos. (art.º 147º CRP)
Eleição
© os deputados são eleitos por círculos eleitorais
© são elegíveis todos os cidadãos portugueses eleitores, salvo aqueles que a lei
eleitoral considera incompatíveis e restringe-os (incompatibilidades locais ou exercício de certos
cargos)
© sistema eleitoral do método de Hondt  técnica de apuramento de resultados
(representação proporcional)
Legislatura/ Composição
 tem a duração de 4 sessões legislativas, com a duração de um ano cada uma –
início a 15 de Setembro; entre 180 e 230 deputados
Competência
O competência política e legislativa (art.º 161º CRP)
O competência de fiscalização (art.º 162º CRP)
O competência quanto a outros órgãos (art.º 163º CRP)
O reserva absoluta de competência legislativa  a AR não pode conceder ao
Governo a autorização para legislar sobre essas matérias (art.º 164º CRP)
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O reserva relativa de competência legislativa  a AR pode conceder ao Governo a
autorização para legislar sobre essas matérias (art.º 165º CRP)
 Governo Governo
O Governo é o órgão da política geral do país e o órgão superior da administração
pública. (art.º 182º CRP)
Composição
O Governo é constituído por:
© primeiro-ministro
© ministros
© secretários e subsecretários de Estado
Formação
 O primeiro-ministro é nomeado pelo PR, ouvidos os partidos políticos
representados na AR e tendo em conta os resultados eleitorais (art.º 187º CRP)
Programa de Governo
 O programa de Governo é submetido à apreciação da AR, através de uma
declaração do 1º ministro, no prazo máximo de dez dias após a sua nomeação (art.º 190º
CRP)
Por outro lado, a rejeição desse programa exige a maioria de Deputados em
efectividade de funções e implica a demissão do Governo.
Competência
O política (art.º 197º CRP)
O legislativa (art.º 198º CRP)
O administrativa/executiva (art.º 199º CRP)  garantir a boa execução das leis e
realizar todas as tarefas para garantir o bem-estar dos cidadãos, através da prestação de
serviços
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 independência
 inamovibilidade
 irresponsabilidade
 vitalidade
----- Direito -----
1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05
 Tribunais Tribunais
Os tribunais são órgãos de soberania com competência para administrar a justiça em
nome do povo. (art.º 202º, nº1 CRP)
Competência (art.º 202º, nº2 CRP)
O assegurar a defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos aos cidadãos
O reprimir a violação da legalidade democrática
O dirimir os conflitos de interesses públicos ou privados
Características dos
Tribunais/Juízes
Independência dos Tribunais
Os tribunais são independentes, pois não estão sujeitos a nada, excepto à lei (art.º
203º CRP) e as suas decisões são vinculativas, ou seja, são obrigatórias e prevalecem
sobre as das outras autoridades. (art.º 205º, nº 2 CRP)
Por outro lado, esta independência dos tribunais perante os poderes executivo e
legislativo é indispensável à existência de um verdadeiro Estado democrático e traduz-
se na inexistência de instruções ou ordens aos juízes quanto à maneira de julgar as
causas – o juiz decide segundo o critério que considera certo e encontra-se unicamente
vinculado à lei.
Os juízes possuem os atributos de inamovibilidade e irresponsabilidade:
× inamovibilidade  caracteriza-se pelo facto de os magistrados judiciais serem
nomeados vitaliciamente e não poderem ser transferidos, suspensos, aposentados ou
demitidos, salvo nos casos previstos na lei (art.º 216º, nº1 CRP)
× irresponsabilidade  dos juízes significa que estes não podem ser culpabilizados
e responsabilizados pelas suas acções (art.º 216º, nº2 CRP)
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Por outro lado, a confiança na justiça dos tribunais garante-se também no facto de as
suas sessões serem públicas, excepto quando o tribunal decidir em contrário para
salvaguardar as pessoas ou garantir o seu normal funcionamento. (art.º 206º CRP)
Categorias de Tribunais
4 Tribunal Constitucional
4 Supremo Tribunal de Justiça e os tribunais judiciais de 1ª e 2ª Instância
4 Supremo Tribunal Administrativo e os demais tribunais administrativos e fiscais
4 Tribunal de Contas
Hierarquia dos Tribunais de Justiça
De acordo com a Constituição (art.º 210º CRP) a hierarquia é a seguinte, por ordem
decrescente:
C Supremo Tribunal de Justiça, que tem jurisdição sobre todo o território nacional e
tem sede em Lisboa. Os juízes deste tribunal têm o título de Juízes Conselheiros e o seu
presidente é eleito pelos seus pares.
C Tribunais da Relação são em regra tribunais de 2ª Instância, os quais têm
jurisdição dentro do distrito judicial em que se encontram instalados. Os seus juízes são
os Juízes Desembargadores.
C Tribunais Judiciais de 1ª Instância que são em regra tribunais de comarca.
Quando o volume ou a natureza do serviço o justifiquem, podem existir na mesma
comarca vários tribunais. Os seus juízes são os Juízes de Direito.
Caso o arguido não concorde com a decisão de um tribunal inferior, este poderá
recorrer da decisão proferida para um tribunal de categoria superior.
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1.4 – Do Estado de Direito ao Estado Social de Direito
O conceito de Estado de Direito surgiu como o resultado de várias técnicas jurídicas
de limitação do poder jurídico em benefício dos direitos reconhecidos aos cidadãos.
° Estado de Direito  aquele em que toda a actuação do poder político está
subordinada a regras jurídicas, de modo a assegurar os direitos e liberdades dos
cidadãos perante o próprio Estado.
Estado Liberal de Direito
Surgiu com a Revolução Francesa, aparecendo como reacção ao absolutismo real
(omnipresença e intervencionismo grande do rei). Assentava na separação de poderes e:
E império da lei
E salvaguarda dos direitos individuais tidos como naturais
E defesa do princípio da separação dos poderes por diferentes órgãos, para garantir
o respeito pelas liberdades e direitos fundamentais
E atribuição aos tribunais da competência de zelar pela legalidade
E possibilidade de recurso dos cidadãos para os tribunais, sempre que se julguem
prejudicados pela administração pública
 No entanto, este tipo de Estado tinha como única função zelar pela defesa e
garantia dos direitos e liberdades fundamentais e individuais (civis), possuindo, por
outro lado, um carácter abstencionista da vida económica e social.
Estado Social de Direito
As reacções contra o Estado Liberal de Direito começaram a partir de finais do
século XIX. Assim, o abstencionismo estatal, ou seja, o facto de o Estado não intervir
na vida económica e social, gerou situações gravosas para os direitos e liberdades
individuais e para a protecção e defesa do bem comum.
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Posteriormente, as crises que se seguiram à 1ª e 2ª Guerras Mundiais e a evolução
nos sistemas democráticos/liberais do Ocidente fizeram com que o Estado abandonasse
a sua posição abstencionista, o que deu origem ao Estado Social de Direito.
° Estado de Social de Direito  procurou evitar as características demasiado
individualistas e abstencionistas do Estado Liberal de Direito, exercendo uma função
correctiva das desigualdades e supletiva (o Estado substitui a iniciativa privada em áreas
fundamentais) em relação à iniciativa privada, sem, contudo, deixar de reconhecer a
iniciativa e as liberdades privadas.
^ Esta concepção pressupõe, então, uma política decididamente intervencionista de
forma a garantir simultaneamente a manutenção do capitalismo como sistema
económico e a consecução do bem-estar geral.
Tradicionalmente, os requisitos do Estado Social de Direito são:
O império da lei
O separação de poderes: legislativo, executivo e judicial
O legalidade da administração
O direitos e liberdades fundamentais: garantia jurídico-formal e efectiva realização
material
  Império da lei Império da lei
A lei é a expressão da vontade geral/popular, pelo que tem de ser acatada quer pelos
cidadãos quer pelo Estado.
Por outro lado, a lei ordinária/comum (revisão sem grande exigência para a sua alteração –
leis e decretos-lei) relaciona-se e subordina-se à lei fundamental, que é a Constituição (a
revisão constitucional é um processo mais agravado e exigente).
  Separação de Poderes: legislativo, executivo e judicial Separação de Poderes: legislativo, executivo e judicial
Esta divisão não deve ser entendida de uma forma absoluta e rígida. O poder judicial
deve ser totalmente independente para garantir o combate à arbitrariedade do poder
político e ao atropelo dos direitos fundamentais, ou seja, a separação do poder judicial é
o essencial nesta divisão de poderes. Já o Governo, como executor de leis, deve estar
sujeito ao controlo parlamentar e à fiscalização jurisdicional.
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  Legalidade da Administração Legalidade da Administração
Este princípio pode ser enunciado como uma exigência da submissão da
administração à lei, isto é, todos se regem pelos mesmos princípios – o Estado está
submetido ao próprio Direito que cria.
Deste modo, os cidadãos lesados por actos ilegais podem recorrer aos tribunais
independentes para anularem esses actos ou para obterem a reparação dos danos
causados. Mais, os cidadãos podem, ainda, requerer aos órgãos competentes a
inconstitucionalidade de leis contrárias aos seus direitos e liberdade fundamentais.
  Garantia Jurídico-formal e efectiva realização material dos Garantia Jurídico-formal e efectiva realização material dos
direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos
O que se pretende é a protecção, a garantia e a realização efectiva dos direitos
fundamentais do Homem pelo Estado.
Estado de Direito Democrático
O Estado de Direito, hoje em dia, postula a democracia representativa e pluralista;
considera-se, assim, mais adequado falar em Estado de Direito Democrático.
^ art.º 2º CRP – A Constituição Portuguesa acolheu esta designação
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 Privado – conjunto de regras/normas que regulam as relações
que se estabelecem entre indivíduos de diferentes Estados
 Público – conjunto de normas que regulam as relações que se
estabelecem entre Estados soberanos ou organizações internacionais
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2. A Comunidade Internacional
2.1 – As Relações Internacionais
Todos os países, seja qual for o seu sistema político, fazem parte de uma rede
económica mundial.
Assim, actualmente existe uma grande interdependência entre os países, porque os
problemas são planetários, o que requer soluções globais. As organizações
internacionais, com diversos objectivos, visam resolver os problemas de acordo com o
Direito Internacional, pois pretendem facilitar a cooperação e o diálogo entre os países.
 Organizações Intergovernamentais  cada Estado-membro mantém a sua
soberania e a organização não interfere nas questões internas – mais, vigora o princípio
da igualdade jurídica dos seus membros
 Organizações Supranacionais  os seus membros delegam parte da sua
soberania a autoridades supranacionais, porquanto as suas decisões impõem-se de forma
vinculativa
2.2 – O Direito Internacional
Direito Público — “conjunto de regras e princípios decorrentes de um processo que não
é específico de um só Estado, mas resulta da convergência de diversos Estados ou da
manifestação de outras entidades internacionais, como as organizações internacionais”
Direito Internacional
ex: a Carta das Nações Unidas constitui uma espécie de compilação do Direito Internacional,
porquanto a ONU pode intervir, adoptando medidas com os seus membros, no sentido de garantir a paz e
a segurança internacional
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As fontes mais importantes do Direito Internacional são:
º o costume internacional, como resultado de uma prática geral de procedimento,
uniforme e constante, aceite como juridicamente obrigatório pelos membros da
sociedade internacional nas suas relações recíprocas
º as convenções internacionais gerais ou particulares, que estabeleçam normas
expressamente reconhecidas pelos Estados celebrantes
º os actos das organizações internacionais, que podem ser “decisões” ou
“deliberações”, conforme provenham de órgãos singulares ou colectivos
º os princípios gerais do Direito, reconhecidos e aceites pelas “nações civilizadas” e
cuja importância é decisiva na regulamentação das relações internacionais
Deste modo, qualquer tribunal que seja chamado a aplicar o Direito Internacional
deve, pois, ter em conta estas fontes, donde resultam regras ou opiniões jurídicas (art.º
8º CRP).
Problema da Eficácia do Direito Internacional
C No que se refere ao Direito Internacional a criação de um sistema geral de
sanções por parte do ordenamento internacional está ainda longínqua, ou seja, embora
possua sanções a sua eficácia é bastante precária (formas de coacção muito
rudimentares, porque a coercibilidade só tem efeito se o prevaricador for mais fraco que
a vítima).
Será que existe efectivamente um Direito Internacional?
× As normas existem, apresentam tais características, têm uma vigência efectiva na
sociedade – apesar de não possuírem uma coercibilidade tão grande como o Direito
Interno, são bem claras e definidas e a sua esfera de aplicação é também muito clara.
Então, podemos afirmar que o Direito Internacional existe, visto que as suas normas
também são analisadas e sistematizadas por especialistas e aplicadas por tribunais
internacionais, porque é legítimo a coacção para repor a violação da justiça, e porquanto
existe uma vigilância efectiva e normal nas relações entre os Estados.
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× Em suma, embora lhe falte a coercibilidade e a eficácia ele possui as
características próprias de um verdadeiro Direito, apesar de não ter consequências como
no Direito Interno dos Estados.
Desta forma, o facto de os Estados aceitarem as normas do Direito Internacional é
uma maneira de diminuir as querelas e conflitos entre eles, sem o uso da força.
Ao Direito Comparado compete proceder ao confronto entre as diversas Ordens
Jurídicas, realçando as suas analogias e diferenças. Por outro lado, ajuda a Política
Legislativa pois auxilia o legislador interno a efectuar as leis – ponto de referência,
embora se tenha que adaptar à realidade sobre a qual vai ter de legislar.
Graças à adesão à União Europeia, tornou-se necessário e imprescindível que o
legislador conheça as diversas Ordens Jurídicas dos outros países comunitários.
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2.3 – Direito Comunitário
Direito Comunitário Derivado
Os diplomas que, emanados dos órgãos comunitários com funções normativas,
constituem o Direito Comunitário derivado:
  Regulamentos Regulamentos
Contém normas gerais e abstractas aplicáveis a uma generalidade de pessoas e bens.
- são compulsivos na sua totalidade, pois nenhuma Estado pode obstar à sua
execução, nem aplicá-los de forma incompleta ou restritiva
- gozam de aplicabilidade directa, ou seja, entram directamente em vigor na Ordem
Jurídica Interna nacional
  Directivas Directivas
Contém instruções das instituições comunitárias aos Estados-membros e são um
meio de harmonização da Ordem Jurídica Comunitária com a dos Estados,
pretendendo-se atingir objectivos comuns.
- são vinculativas nos Estados-membros a que se destinam, mas só no que diz
respeito ao objectivo a alcançar, deixando a forma e os métodos para o atingir ao
discernimento das autoridades nacionais
- para que vigorem num Estado é necessário que sejam transpostas para o Direito
Nacional
  Decisões Decisões
São tomadas pelo Conselho ou pela Comissão e podem destinar-se a uma empresa, a
um governo ou a um indivíduo
- são vinculativas, na sua totalidade, para os seus destinatários
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  Pareceres e Recomendações Pareceres e Recomendações
- não são vinculativos, pois apenas traduzem o ponto de vista da instituição que os
emite
Processo Comunitário de Decisão
As três instituições que decididamente contam para a tomada de decisões, nas
Comunidades Europeias, são: a Comissão Europeia, o Conselho da União Europeia e o
Parlamento Europeu.
Processo legislativo:
· tratado de Roma: proposta da Comissão; consulta prévia ao Parlamento; e uma
decisão final do Conselho da UE
· acto único europeu: alargaram e reforçaram consideravelmente o papel do
Parlamento no processo legislativo – processo de “co-decisão” (Parlamento em pé de
igualdade com o Conselho).
A Aplicação das Normas Comunitárias
As relações entre o Direito Comunitário e o Direito Interno regem-se pelos
seguintes princípios:
1. princípio do primado do Direito Comunitário sobre o
Direito Interno
× em caso de conflito entre normas, aplica-se a norma comunitária (caso as normas
sejam opostas poderá o Estado nacional fazer o reenvio pré-judicial)
2. princípio da “aplicabilidade directa”
× consiste na susceptibilidade que uma norma comunitária tem de se aplicar aos
Estados-membros sem necessidade de qualquer acto de transposição, isto é, a norma
entra imediatamente em vigor na Ordem Jurídica Nacional (ex: regulamento comunitário)
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3. princípio do “efeito directo”
× os particulares têm a possibilidade de invocar, no órgão competente, uma norma
de Direito Comunitário para afastar uma do Direito Nacional que lhes seja desfavorável,
desde que a norma comunitária seja clara, precisa e incondicional
O efeito directo pode ser:
· vertical – de particular para empresa pública
· horizontal – de empresa privada contra empresa privada
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Tema 3: As Fontes do Direito
“A legislação (Direito) surge, assim, como um facto vivo e
progressivo, isto é, procura a cada momento adaptar-se e responder
às exigências da evolução económica e social”
1. As Fontes do Direito no Sistema Jurídico Português

A expressão Fontes de Direito – origem do Direito, ou seja, como se criam as norma que
disciplinam o homem nas suas relações sociais – tem sido utilizada em vários sentidos:
 sentido sociológico-material O
 sentido histórico-instrumental O
 sentido político-orgânico O
 sentido técnico-jurídico O
O Sentido sociológico-material
 são fontes do Direito todas as circunstâncias de ordem social que estiveram na
origem de determinada norma jurídica
ex: o aumento do parque automóvel nacional e a consequente multiplicação de acidentes de viação
deram origem ao Código da Estrada; a seca deu origem à tomada de medidas compensatórias
O Sentido histórico-instrumental
 são fontes do Direito os diplomas ou monumentos legislativos que contém
normas jurídicas
ex: a lei das 12 tábuas; a CRP; o Código Penal
O Sentido político-orgânico
 são fontes do Direito os órgãos políticos que, em cada sociedade, estão
incumbidos de emanar normas jurídicas
ex: a AR; o Governo
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O Sentido técnico-jurídico
são fontes do Direito as formas através das quais o Direito é criado e dado a
conhecer, ou seja, evidencia a maneira como é criada e se manifesta socialmente a
norma jurídica
São geralmente consideradas fontes do Direito:
O a lei (1)
O o costume (2)
O a jurisprudência (conjunto das decisões dos tribunais) (2)
O a doutrina (2)
Existe uma tradicional distinção entre:
f (1) fontes imediatas do Direito — as que têm força vinculativa própria, sendo,
portanto, os verdadeiros modos de produção do Direito
f (2) fontes mediatas do direito — não tendo força vinculativa própria, são,
contudo, importantes pelo modo como influenciam o processo de formação e revelação
da norma jurídica
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1.1 – A Lei
Os Vários Sentidos da Lei
A lei é o processo mais vulgarizado na criação do Direito.
= leis são “todas as disposições genéricas provindas dos órgãos estaduais
competentes e que se impõem a todos os cidadãos”
Pressupostos da lei:
· uma autoridade competente
· observância das formas previstas para essa actividade
· a introdução de um preceito genérico (o conteúdo tem que ser genérico)
A distinção entre lei em sentido material e formal:
E formal  é aquela que se reveste das formas destinadas, por excelência, ao
exercício da função legislativa do Estado: leis constitucionais, leis ordinárias e os
decretos-lei, exigindo que se revista das formalidades relativas a essa competência
E material  é todo o acto normativo proveniente de um órgão do Estado, ainda
que não esteja no exercício da função legislativa, desde que contenha uma verdadeira
regra jurídica (não obedece aos formalismos solenes ou feita por uma órgão sem
capacidade legislativa) – leis, decretos-lei, decretos regionais, regulamentos, despachos,
portarias, decretos regulamentares…
Se no primeiro caso o que releva é o elemento formal do documento, ou seja, o
modo como surge no ordenamento jurídico; no segundo sentido vai-se atender à
matéria/conteúdo contida no diploma. Desta forma, há leis que só o são em sentido
material, outras em sentido formal e algumas que se revestem de ambos os sentidos.
ex: formal — lei da AR que concede uma condecoração a um PR
material — portaria que aprove o Regulamento dos Exames
formal e material — leis constitucionais, generalidade das leis ordinárias…
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 ordenamento jurídico
 acto da AR
 acto legislativo/normativo
 norma jurídica
 objectivo
 subjectivo
----- Direito -----
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Há que distinguir ainda:
lei em sentido amplo — abrange qualquer norma jurídica (sentido material)
 lei em sentido restrito — compreende apenas os diplomas emanados no fruto do
exercício das competências legislativas (sentido formal)
diversos sentidos da lei
O Processo de elaboração de uma Lei
Cada órgão dotado de competência legislativa tem o seu modo próprio de agir na
feitura das leis.
Salientemos a actividade legislativa da AR e do Governo.
Processo de Formação das leis da Assembleia da República Processo de Formação das leis da Assembleia da República
Inicia-se com a apresentação do texto, a qual pode ser efectuada: (art.º 167º CRP)
´ pelos deputados
´ pelos grupos parlamentares
´ pelo Governo
´ pelos grupos de cidadãos eleitores
Posteriormente, existe em primeiro lugar a discussão e votação na generalidade;
votação na especialidade; e, por fim, uma votação final global.
A seguir, o decreto é enviado para promulgação e caso o seja para a referenda,
seguindo-se a publicação em Diário da República – passa a chamar-se lei após a sua
publicação.
O Iniciativa Legislativa
O Discussão e Votação/Aprovação
O Promulgação, Referenda e Publicação (quando sai da AR passa a chamar-se decreto)
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f iniciativa governamental
f promulgação e referenda ministerial
f publicação e ratificação
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Processo de Formação dos decretos-lei pelo Governo Processo de Formação dos decretos-lei pelo Governo
Fases
Depois de publicados, os decretos-lei que não tenham sido aprovados no exercício
da competência legislativa exclusiva do governo podem ser sujeitos a apreciação por
parte da AR para efeitos de recusa de ratificação ou para efeitos de alteração do texto, a
requerimento de dez deputados, nos trinta dias subsequentes à publicação, descontados
os períodos de suspensão do funcionamento da AR (art.º 169º CRP).
Requerida a referida apreciação, e no caso de serem apresentadas propostas de
alteração, a AR poderá suspender, no todo ou em parte, a vigência do decreto-lei. Tal
suspensão durará até à publicação da lei que vier alterar o decreto-lei ou até à rejeição
das propostas apresentadas.
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Governo
proposta
Conselho de Ministros
Decreto
Aprovação
Presidente da República veto político
requer a apreciação
da constitucionalidade
Promulgação
Decreto-lei
Referenda Ministerial
Publicação
entrada em vigor
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Início e Termo de Vigência
Início de Vigência Início de Vigência
O legislador baseia-se rigidamente no pressuposto de que a lei é conhecida e nem
sequer admite o seu desconhecimento.
Assim, a vigência da lei não depende do seu conhecimento efectivo, mas é
necessário torná-la conhecida, através da publicação.
^ art.º 119º CRP – o que se publica no Diário da República
· a não publicação implica a ineficácia jurídica
Os prazos normais de vacatio legis:
no Continente, as leis entram em vigor 5 dias após a sua publicação
 nos Açores e Madeira, as leis entram em vigor 15 dias após a sua publicação
No entanto, estes prazos só são validos quando o legislador nada disser. Podem
existir outras duas situações:
carácter urgente  impondo-se a imediata entrada em vigor
 necessidade de adaptação e complexidade de matéria  dilata-se o prazo de
vacatio legis
Termo de Vigência Termo de Vigência
Passado o tempo de vacatio legis, se este existir, a lei ficará, em princípio,
ilimitadamente em vigor, ou seja, o decurso do tempo não é razão suficiente para que
esta cesse.
- Caducidade  pode resultar de uma cláusula expressa pelo legislador, contida na
própria lei, ou enquanto durar determinada situação; pode ainda resultar do
desaparecimento dos pressupostos de aplicação da lei.
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ex: a lei sobre a caça ao javali cessa com o desaparecimento da espécie
a lei que se destina a vigurar durante uma situação de guerra
a lei que estabelece para cada Ana o preço do melão, na altura da campanha
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- Revogação  resulta de uma nova manifestação de vontade do legislador,
contrária à anterior.
Quanto à sua forma pode ser:
 expressa: quando a nova lei declara que revoga uma determinada lei anterior
 tácita: quando resulta da incompatibilidade entre as normas da lei nova e da
anterior
Quanto à extensão pode ser:
 total: quando todas as disposições de uma lei são atingidas (ab-rogação)
 parcial: quando só algumas disposições da lei antiga são revogadas pela lei nova
(derrogação)
A caducidade distingue-se da revogação, porque resulta de uma nova lei, contendo
expressa ou implicitamente o afastamento da antiga, enquanto que a caducidade se dá
independentemente de qualquer nova lei.
“A lei especial tem em conta situações particulares que não são
valoradas pela lei geral, presumindo o legislador que a mudança desta não
afecte esse regime particular” (Oliveira Ascensão)
Assim, a lei geral não revoga a lei especial, excepto se outra for a intenção
inequívoca do legislador.
ex: A revogação da lei geral sobre o turismo não afectará uma eventual lei especial sobre o turismo
no Algarve
Uma lei sobre transportes não deverá, em princípio, revogar uma lei especial sobre transportes
ferroviários
A Hierarquia das Leis
Existem várias categorias de leis, logo é necessário estabelecer uma
ordenação/hierarquia. Desta hierarquia podemos concluir que as leis de hierarquia
inferir não podem contrariar as de ordem superior, tendo de se conformar com elas; por
outro lado, as de hierarquia igual ou superior podem contrariar as de ordem igual ou
inferior, dizendo-se que a lei mais recente revoga a mais antiga.
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Por outro lado, a hierarquia das leis resulta da hierarquia das fontes. Assim, há que
distinguir:
leis ou normas constitucionais
 leis ou normas ordinárias
Leis ou Normas Constitucionais
O poder de estabelecer normas constitucionais denomina-se poder constituinte e
ocupa o lugar cimeiro do poder legislativo.
f constituição ¬ lei fundamental de um Estado, a qual fixa os grandes princípios
fundamentais da organização política e da ordem jurídica em geral
Deste modo, as leis ou normas constitucionais são aquelas que estão incluídas na
Constituição e que se encontram no topo hierárquico.
Leis ou Normas Ordinárias
As leis ou normas ordinárias são todas as restantes e agrupam-se em:
C leis ou normas reforçadas
C leis ou normas comuns
C As leis ou normas reforçadas encontram-se imediatamente abaixo das leis
constituintes, não têm a mesma finalidade e o seu processo de elaboração é mais
facilitado. São verdadeiros actos legislativos e provêm de órgãos com competências
legislativa:
º Assembleia da República – leis
º Governo – decretos-lei
º Assembleias legislativas regionais – decretos legislativos regionais
Note-se que as Leis e os Decretos-Lei têm, em princípio, o mesmo valor e, por isso,
encontram-se ao mesmo nível hierárquico (podem revogar-se umas às outras e
vice-versa).
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1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05
C As leis ou normas ordinárias comuns estão subordinadas às leis ordinárias
reforçadas e, consequentemente, encontram-se a um nível hierárquico inferior (p. ex:
decretos e decretos regulamentares).
A AR é considerada o órgão legislativo por excelência e dela provêm as leis,
moções e resoluções. (Porém só as leis estabelecem verdadeiras regras jurídicas).
O Governo, no exercício da função legislativa, emite Decretos-Lei. Por outro lado,
possui competência regulamentar (exerce-a através dos regulamentos), sendo o principal
órgão com competência regulamentar/administrativa.
f regulamentos ¬ destinam-se a pormenorizar a lei, de forma a conduzir à sua boa
execução (o dec-lei limita-se a enunciar os princípios fundamentais ou bases gerais)
Os regulamentos do Governo podem assumir as seguintes formas:
decretos regulamentares C
 resoluções do Conselho de Ministros C
 portarias C
 despachos normativos ou ministeriais C
 instruções ©
 circulares C
C Os decretos regulamentares são diplomas emanados pelo Governo e promulgados
pelo Presidente da República. Devem ser referendados pelo Governo ou Ministros
interessados.
C As resoluções do Conselho de Ministros provêm do Conselho de Ministros e não
têm de ser promulgados pelo PR.
C As portarias são ordens do Governo, dadas por um ou mais ministros e que
também não têm de ser promulgadas pelo PR.
O facto de tanto as resoluções como as portarias não terem de ser promulgadas pelo
PR faz com que possuam um valor inferior em relação aos decretos regulamentares em
termos hierárquicos.
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1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05
C Os despachos são diplomas que têm apenas como destinatários os subordinados
do ministro (s) signatário (s) e valem unicamente nesse (s) ministério (s).
© As instruções são meros regulamentos internos que contém ordens dadas pelos
ministros aos respectivos funcionários.
C Circulares é a designação dada às instruções quando são dirigidas a diversos
serviços.
Para além disso, a forma decreto é utilizada ainda para outros actos que podemos
designar como decretos especiais. Podem vir:
 do PR, pois, embora não possua capacidade legislativa, é através do decreto que
nomeia o 1º Ministro e o Governo
 do Governo, porque é por decreto que aprova os tratados internacionais
Estas são as normas gerais que são aplicáveis a todo o país. No entanto, existem
órgãos com poder normativo sectorial, como é o caso das Assembleias Legislativas
Regionais dos Açores e Madeira, os quais emitem Decretos Legislativos Regionais.
Mais, existem órgãos com poder regulamentar local específico, destacando-se as
autarquias locais – emitem posturas.
As posturas são regulamentos autónomos locais, provindos dos corpos
administrativos competentes.
ex: Postura de uma Câmara Municipal que regulamente o trânsito dentro do concelho
Postura que discipline as feiras que se realizam no concelho
Por último, existe ainda a temática das Convenções ou Tratados Internacionais.
f tratados ¬ não são mais do que acordos celebrados entre Estados sobre as mais
diversas matérias. Quando os Estados contratantes se obrigam a introduzir e respeitar
certas normas na sua ordem interna, designam-se tratados normativos
Estes ocupam uma posição intermédia entre a Constituição e as Leis/Decretos-Lei.
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Constituição
Convenções/Tratados
Internacionais
Leis e Decretos-Lei
Decretos Regionais
Decretos Regulamentares
Resoluções do Conselho de Ministros
Decretos Regulamentares Regionais
Portarias
Despachos
Posturas
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SUMA:
Existem diversos princípios subjacentes à hierarquia das leis:
as leis especiais prevalecem sobre as leis gerais
 a lei de grau inferior não pode dispor contra uma norma de uma lei de grau
superior
 a hierarquia das leis respeita a hierarquia dos órgãos das quais são emanadas
 os actos legislativos dos órgãos da administração nacional prevalecem sobre os
actos legislativos dos órgãos de administração local, e ambos sobre as leis de órgãos
corporativos
A Interpretação da Lei
Noção Noção
A interpretação das normas é um pressuposto indispensável da sua aplicação, sendo
sempre necessária e constitui uma das tarefas mais importantes do jurista. Logo, é
preciso saber interpretar as disposições legais reguladoras da actividade social.
 interpretar a lei consiste na determinação ou fixação do exacto sentido com que
ela deve valer; conteúdo e alcance das normas
Por vezes pressupõe-se que a lei clara não necessita de interpretação, o que é um
erro, pois toda a norma exige um maior ou menor trabalho de interpretação na busca do
seu espírito ou conteúdo.
Existem vários factores que contribuem para que a interpretação seja uma
necessidade: o texto pode comportar múltiplos sentidos (termos ambíguos ou obscuros),
conceitos de difícil determinação e pela generalidade das leis (indefinidos casos e
generalidade de indivíduos).
C Metodologia da interpretação ou hermenêutica jurídica é o conjunto de critérios
ou princípios gerais orientadores da actividade interpretativa e que garantem um
mínimo razoável de uniformidade de soluções e a indispensável segurança jurídica.
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Interpretação e Ordenamento Interpretação e Ordenamento
Ora, com a interpretação da lei procura fixar-se o sentido e o alcance com que ela
deve prevalecer. Desta forma, a interpretação é necessariamente uma tarefa de conjunto,
devendo assentar no ordenamento jurídico no seu todo.
“de facto, a interpretação é sempre revelação de um trecho da ordem global,
pelo que esta é condição da relevância de cada elemento, e determina o seu
significado (…) as fórmulas legais, integrando-se na ordem total, ganharam
desta, por repercussão, um sentido frequentemente muito diverso do originário”
Formas de Interpretação segundo a sua Fonte e Valor Formas de Interpretação segundo a sua Fonte e Valor
Atendendo ao critério da sua fonte e valor (consoante o “agente da interpretação” e a
“força vinculativa” da interpretação”), costumam-se distinguir duas formas:
- autêntica O
- doutrinal O
O Interpretação autêntica é realizada pelo próprio órgão legislador, mediante uma
lei de valor igual ou superior à lei interpretada. Trata-se de uma lei interpretativa que
fixa o sentido decisivo da lei interpretada – força vinculativa da própria lei.
ex: se uma lei, após promulgação, suscitar fortes dúvidas acerca do seu exacto sentido e alcance,
pode o órgão donde emanou fazer a sua interpretação através de uma nova lei
O Interpretação doutrinal é efectuada por jurisconsultos ou outras pessoas não
revestidas de autoridade – não tem força vinculativa.
^ Alguns autores ainda distinguem da interpretação doutrinal a interpretação
judicial, que é realizada pelos tribunais num processo e que só tem valor vinculativo
nesse processo em relação às partes envolvidas.
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Elementos da Interpretação Elementos da Interpretação
Em grande parte dos ordenamentos jurídicos, a interpretação da lei está sujeita a
regras legais, fixando a própria lei os critérios gerais sobre a maneira de fazer a sua
interpretação regras de interpretação - art.º 9º Cód. Civil.
f elementos de interpretação ¬ vários factores ou critérios de que se socorre o
intérprete para determinar o verdadeiro sentido e alcance da lei
É frequente reduzir a dois os elementos fundamentais da interpretação:
° o elemento gramatical ou literal, constituído pelo texto legislativo, a “letra da lei”
° o elemento lógico, constituído pelo “espírito da lei”, isto é, o seu sentido
profundo/pensamento legislativo
Estes elementos têm de ser utilizados conjuntamente, pois completam-se no
exercício da actividade interpretativa.
Elemento Gramatical ou Literal
A “letra da lei” representa o ponto de partida da interpretação, é o seu elemento
base, pois a “principal tarefa do intérprete é ler e ver o que aí se diz”.
× Assim, o elemento gramatical consiste na utilização das palavras da lei,
isoladamente e no seu contexto sintáctico, para determinar o seu sentido possível.
Todavia, é necessário recorrer a outros elementos, devido às dificuldades que o
texto legislativo frequentemente comporta e que dificultam a determinação do seu
sentido e alcance (expressos anteriormente).
Por isto, é indispensável considerar o “espírito da lei”, porque apreender o sentido
das leis não é só conhecer as suas palavras, mas também penetrar na sua força e poder –
“scire leges non hoc est verba earum tenere, sed vim ac potestem”.
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Elemento Lógico
É constituído por todos os outros factores a que se pode recorrer para determinar o
sentido e alcance da lei.
Subdivide-se:
O sistemático O histórico O teológico
O O Elemento Sistemático Elemento Sistemático
ter em conta a unidade do sistema jurídico  as normas não existem isoladas, mas
num conjunto/contexto da lei
Como já vimos, cada norma faz parte de um ordenamento global e unitário. Logo, a
interpretação não se faz isoladamente, mas numa perspectiva de globalidade e unidade.
Desta forma, considera-se o contexto da lei e os lugares paralelos.
× contexto da lei ¬ ponderam-se as relações que a norma a interpretar tem com o
conjunto de disposições a que ela pertence e que regulam a mesma matérias ou instituto
× lugares paralelos ¬ consideram-se as relações que a norma a interpretar tem com
outras disposições legais, que, embora distanciadas, regulam problemas normativos
paralelos ou afins.
ex: pág. 129
O O Elemento Histórico Elemento Histórico
 compreende todos os dados ou acontecimentos históricos (circunstancialismos
histórico-culturais) que expliquem a criação da lei
Socorre-se de vários meios:
· precedentes normativos
· trabalhos preparatórios
· occasio legis
Os precedentes normativos são constituídos pelas normas que vigoram em períodos
anteriores e que são objecto da História do Direito, como pelas normas de Direito
estrangeiro que tiveram influência na formação da lei.
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Os trabalhos preparatórios são os estudos prévios, os anteprojectos e projectos de
lei, as respostas a críticas feitas aos projectos, as actas das comissões encarregadas da
elaboração do projecto ou da sua discussão, que precedem a lei e documentam o
processo da sua elaboração.
Occasio legis é todo o conjunto de circunstâncias que envolveram e influenciaram o
aparecimento da lei – “as circunstâncias em que a lei foi elaborada”.
ex: pág. 130
O O Elemento Teleológico Elemento Teleológico
consiste na razão de ser da lei (ratio legis), no fim que o legislador teve em vista
ao elaborar a lei “espírito da lei”
ex: pág. 130
art.º 9º Cód. Civil manda considerar as circunstâncias especiais do tempo em que é
aplicada a lei, logo a finalidade da lei é também tomada em consideração como elemento para a
sua interpretação
Resultados da Interpretação Resultados da Interpretação
Feita a interpretação com o auxílio dos elementos anteriores, o intérprete chegará a
um dos seguintes resultados ou modalidades de interpretação, consoante a relação da
“letra da lei” com o seu “espírito”:
O interpretação declarativa C
O interpretação extensiva C
O interpretação restritiva C
C Interpretação Declarativa
Acontece quando o sentido que o intérprete fixou à norma coincide com o
significado literal ou um dos significados literais que o texto comporta, por ser o que
corresponde ao pensamento legislativo.
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A interpretação declarativa pode ser lata ou restritiva, consoante o sentido mais
amplo ou restrito dado a algumas palavras que têm mais do que um significado. Porém,
em ambos os casos trata-se de sentidos que cabem dentro do texto e não ultrapassa o
significado gramatical do termo/expressão empregue.
ex: A palavra “homem” pode ser interpretada:
· num sentido mais lato – ser humano, interpretação declarativa lata
· num sentido mais restritivo – ser humano do sexo masculino, interpretação declarativa
restritiva
C Interpretação Extensiva
 Acontece quando o intérprete chega à conclusão que a “letra da lei” fica aquém
do seu “espírito”, ou seja, o legislador disse menos do que no fundo pretendia.
Deste modo, torna-se necessário alargar o texto legal, fazendo-o corresponder ao
pensamento legislativo – fazer corresponder a “letra da lei” ao seu “espírito”.
ex: pág. 131
C Interpretação Restritiva
Neste caso, contrário do anterior, a “letra da lei” vai além do seu “espírito”, porque
o legislador disse mais do que aquilo que pretendia.
Assim, deve-se restringir o texto, isto é, encurtar o significado das palavras
utilizadas, de modo a harmonizá-las com o pensamento legislativo.
ex: pág. 132
A Integração da Lei
Lacunas da Lei e sua Interpretação Lacunas da Lei e sua Interpretação
“a integração supõe a interpretação (em sentido técnico) mas não é ela própria”
Existe uma lacuna jurídica (caso omisso) quando uma determinada situação,
merecedora de tutela jurídica, não se encontra prevista na lei.
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f integração de lacunas ¬ actividade que visa precisamente encontrar soluções
jurídicas para os casos omissos
C Primeiramente, tem que se verificar que não há nenhuma regra aplicável, ou seja,
que o caso não está regulamentado.
Embora possa parecer estranho que o ordenamento jurídico possua lacunas, nunca
se consegue prever todas as relações da vida social, por várias razões:
º certas situações são imprevisíveis no momento da elaboração da lei
º outras situações, embora previsíveis, escapam ao olhar do legislador devido à
complexidade de formas da vida social
º por vezes, o legislador abstém-se propositadamente de regular casos novos ou
complexos, pelas dificuldades que sente em faze-lo convenientemente
ex: pág. 133
Por outro lado, mesmo que se verifique uma lacuna, o caso concreto tem de ser
resolvido (art.º 8º e 90º do Cód. Civil e art.º 3º do Estatuto dos Magistrados).
Assim, existem dois métodos para a resolução dos casos omissos:
 a analogia
 art.º 10º, nº 3 do Cód. Civil
Analogia Analogia
Sempre que possível recorre-se à analogia  consiste em aplicar ao caso omisso a
norma reguladora de qualquer caso análogo.
ex: a circulação aérea quando surgiu constituiu uma lacuna na lei que foi resolvida com recurso à
analogia em relação aos outros meios de transporte
× Justifica-se por uma questão de coerência normativa do próprio sistema jurídico.
De facto, casos semelhantes merecem do Direito o mesmo tratamento, favorecendo
assim a certeza e segurança jurídicas.
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C A aplicação analógica distingue-se da interpretação extensiva, porque esta
pressupõe que determinada situação, não estando compreendida na “letra da lei”, o está
no seu “espírito”, enquanto a analogia leva a uma aplicação da lei a situações não
abrangidas nem na “letra” nem no “espírito” da lei.
Proibições do uso da analogia:
O nas normas excepcionais
O nas normas penais incriminadoras
O no Direito Fiscal (normas incidência do imposto e garantias dos contribuintes)
O Art.º 11º do Cód. Civil = as normas excepcionais não comportam aplicação
analógica, mas admitem a interpretação extensiva
Significa esta disposição que se excluem da aplicação analógica as regras que
contrariam princípios fundamentais informadores da Ordem Jurídica ou de um ramo do
Direito em particular, só se podendo utilizar a interpretação extensiva.
O Art.º 1º do Código Penal = Princípio da Legalidade: “só se pode punir actos que
já sejam crimes à data da sua prática” – princípio da não retroactividade da lei; não é
permitido a analogia para qualificar o facto como crime, definir um estado de
perigosidade ou determinar a pena/medida de segurança que lhe corresponde.
Para além da analogia é também proibido o recurso à interpretação extensiva. Tal
facto deve-se à salvaguarda da liberdade individual contra abusos de poder (também está
presente no princípio da legalidade do art.º 29º CRP).
O Não é permitida a analogia em relação às normas de incidência e às que definem
as garantias dos contribuintes.
Não é possível a analogia por causa do princípio da legalidade.
Art.º 103º CRP, ponto 3 = ninguém pode ser obrigado a pagar impostos que não
tenham sido criados nos termos da Constituição, que tenham natureza retroactiva ou
cuja liquidação e cobrança se não façam nos termos da lei.
EXTRA:
incidência pessoal subjectiva = quem está sujeito a pagar o imposto
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 incidência pessoal objectiva = quanto é que está sujeito a pagar de imposto
Artigo 10º, nº 3 do Código Civil Artigo 10º, nº 3 do Código Civil
N situação resolvida segundo a norma que o próprio intérprete criaria se tivesse de
legislar dentro do espírito do sistema é segundo este artigo que caso não se possa
recorrer à analogia se deve agir.
Desta forma, o intérprete não é remetido para juízos de equidade, dirigindo para
uma categoria de casos em que se enquadra o caso omisso, válido apenas para esse caso.
Assim, só tem carácter vinculativo nesse caso e nunca para casos futuros.
No entanto, este processo tem o inconveniente da permissão da subjectividade do
intérprete.
Aplicação das Leis no Tempo e Espaço
Introdução Introdução
O Direito que é, na sua essência, um ordenamento normativo e coactivo das relações
sociais não pode ignorar a evolução social. Logo, existe uma mutabilidade do Direito –
aparecimento de novas regras que substituem as antigas. Porém, este facto não implica
um corte radical no Ordenamento Jurídico, pois as antigas leis, às vezes, coexistem com
as novas.
Por vezes há situações em que é necessário identificar a lei a aplicar, criando-se o
problema da:
¬ aplicação das leis no tempo
¬ aplicação das leis no espaço
Aplicação das Leis no Tempo
¬ uma das possíveis soluções para os problemas da sucessão de leis no tempo são
as disposições transitórias estabelecidas nessa mesma lei e que se destinam a regular a
transição de um regime legal para outro.
No entanto, na maioria das vezes o legislador nada diz acerca desse período de
transição. Assim, é preciso recorrer a princípios doutrinais e gerais:
princípio da “não retroactividade da lei” (art.º 12º Cód. Civil)
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Contudo, este princípio não é absoluto, logo existem leis retroactivas, embora a
regra geral seja a de que a lei só dispõe para o futuro.
Por exemplo, como excepção a este princípio, temos as leis interpretativas fazem a
interpretação autêntica das leis anteriores e são retroactivas porque se unem, formando
uma só, e porque actuam sobre o passado.
 princípio da legalidade (art.º 29º CRP)
Em Portugal, é constitucionalmente proibida a retroactividade em matéria de lei
penal incriminadora, excepto de a nova lei for favorável ao arguido.
ex: Um indivíduo comete um crime punido pela lei do tempo da sua prática em 3 anos.
Posteriormente, a lei fixa a pena em 2 anos – dever-lhe-á ser aplicada a pena mais leve, ou seja, 2 anos.
Aplicação das Leis no Espaço
Actualmente, existe uma autêntica sociedade internacional, cada vez mais complexa
e exigente, o que origina uma Ordem Jurídica Internacional.
Logo, os Estados não aplicam exclusivamente o seu Direito Interno no seu espaço, e
têm que aplicar nos seus tribunais leis de outros Estados.
Deste modo, leis nacionais e estrangeiras entram em concorrência quando se
relaciona mais do que um ordenamento jurídico estadual:
 quer pela nacionalidade ou domicílio dos sujeitos
 quer pelo lugar da situação do objecto
 quer pelo lugar da prática do facto constitutivo da relação ou do lugar onde os
seus efeitos se vão produzir
Assim, os conflitos entre leis de ordenamentos jurídicos diferentes será resolvido
mediante regras de conflito – constituem o Direito Internacional Privado e estão
presentes nos art.
os
25º a 65º do Cód. Civil.
* Direito Internacional Privado  conjunto de normas jurídicas que indicam a lei
reguladora das relações que estão em conexão com mais do que um sistema jurídico
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1.2 – O Costume
× A base de todo o costume é uma repetição de práticas sociais que podemos
designar por usos sociais (corpus).
× Todavia, não basta o uso para que o costume exista: é necessário que seja
acompanhado da consciência da sua obrigatoriedade, ou seja, a prática só leva à criação
de uma norma quando as pessoas se convencerem de que aquela prática não é algo de
arbitrário, mas é isso sim vinculativo e essencial à vida em comunidade (animus).
Dois elementos:
° corpus – prática constante
° animus – convicção de obrigatoriedade
1 costume ¬ conjunto de práticas sociais reiteradas e acompanhadas da convicção
da obrigatoriedade
Em Portugal, reconhece-se a aplicação das normas consuetudinárias (formadas
através do costume), competindo a quem o invocar fazer prova da sua existência e
conteúdo – art.º 348º Cód. Civil.
Por outro lado, antigamente o costume representou historicamente a mais importante
fonte do Direito. Contudo, com o passar do tempo o costume passou a ser olhado com
desconfiança e suspeita, restringindo-se o seu âmbito de actuação.
Em Portugal, surgiu a Lei da Boa Razão de 1769, do Marquês de Pombal, que
condicionava o costume aos seguintes requisitos:
º não ser contrário à lei expressa
º ter pelo menos 100 anos
º ser conforme à boa razão
Art.º 3º Cód. Civil
(valor jurídico dos usos)
1. Os usos que não forem contrários aos princípios da boa fé são juridicamente
atendíveis quando a lei o determinar (…)
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Em termos do Direito Internacional, o costume (internacional) continua a ser uma
importante fonte do Direito. Para além disso, vigora directamente na Ordem Jurídica
Interna Portuguesa (art.º 8º CRP).
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1.3 – A Jurisprudência
Dois significados:
× conjunto de decisões dos tribunais sobre os litígios que lhe são submetidos
N orientação geral seguida pelos tribunais no julgamento dos diversos casos
concretos da vida social
· sentenças – quando proferidas por um tribunal singular (1 juiz)
· acórdãos – quando proferidas por um tribunal colectivo (3 juízes)
Assim, a Jurisprudência não é fonte imediata do Direito, na actual Ordem Jurídica
Nacional, pois o juiz tem de julgar unicamente em “harmonia com a lei e a sua
consciência” (art.º 8º Cód. Civil) – não vigora a regra do precedente.
Porém, contribui para a formação de verdadeiras normas jurídicas, pois vai
explicitando uma determinada consciência jurídica geral.
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1.4 – A Doutrina
× compreende as opiniões ou pareceres dos jurisconsultos sobre a regulamentação
das diversas relações sociais
Em Portugal, o valor de uma opinião, por mais categorizada que seja o jurista que a
emite, não lhe confere razão extrínseca, de carácter formal e que a imponha como
obrigatória, isto é, não é vinculativa.
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1.5 – Os Tratados Internacionais
× tratado – acordo de vontades, sob a forma escrita, entre Estados, sobre as mais
diversas matérias e que tem por objectivo produzir determinados efeitos/consequências
jurídicas (denomina-se tratados normativos quando se obriga a introduzir normas na ordem
interna dos contraentes).
Em Portugal, de acordo com a CRP, as normas dos tratados internacionais têm de
ser C aprovadas pelas AR ou governo; C ratificadas pelo PR; e C publicadas em
Diário da República para fazerem automaticamente parte do Direito português.
Art.º 8º CRP, nº 3 as normas emanadas dos órgãos competentes das organizações
internacionais de que Portugal faz parte vigoram directamente na ordem interna (p. ex:
regulamentos comunitários).
Três fazes do processo de conclusão de tratados:
O negociação
O assinatura
O ratificação
O o objectivo é chegar à redacção do texto final do Tratado e faz-se através dos
representantes de cada Estado
O depois de concluídas as negociações; embora não implique a entrada em vigor do
Tratado, os Estados contraentes ficam obrigados a desenvolver todas as diligências
conducentes à ratificação no respectivo Estado
O acto jurídico individual e solene pelo qual o órgão competente do Estado afirma a
vontade de este estar vinculado ao Tratado cujo texto foi por ele assinado
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1.6 – A Codificação
× codificação = reunião num mesmo texto – código – segundo determinados
critérios sistemático, científico e sintético, de um conjunto de normas referentes a um
determinado ramo do Direito.
Já antigamente existiram antecedentes da codificação, embora as compilações de
leis fossem feitas segundo critérios meramente empiristas, faltando-lhe a base
sistemática e científica.
Conveniência da Codificação Conveniência da Codificação
 Vantagens:
¯ permite um conhecimento mais facilitado do Direito, tornando-o mais certo e
preciso (contribui para a segurança jurídica)
¯ impõe uma regulamentação única às matérias que regula, evitando contradições
entre leis
¯ permite situar mais facilmente as normas no seu contexto sistemático e detectar
possíveis lacunas de regulamentação
¯ contribui para o progresso e perfeição do Direito, pelo exposto anteriormente
 Desvantagens:
^ dificulta a evolução do Direito, pois conduz à sua cristalização
^ formaliza e torna mais rígido o Direito, tirando-lhe maleabilidade e capacidade de
adaptação à evolução social
Em suma, é ponto assente que o/a código/codificação é um instrumento
indispensável face à complexidade crescente da vida social e jurídica.
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Tema 4: O Controlo da Legalidade
1. O Problema da Inconstitucionalidade
Conceito Conceito
A inconstitucionalidade consiste no não cumprimento da Constituição, por acção ou
omissão, por parte dos órgãos do poder político.
Tipos de Inconstitucionalidade
- inconstitucionalidade por acção – são inconstitucionais as normas que infrinjam o
disposto na Constituição ou os princípios nela consagrados (art.º 277º CRP)
Várias modalidades:
C inconstitucionalidade material: quando existe contradição entre o conteúdo do
acto do poder político e o das normas constitucionais
C inconstitucionalidade formal: quando um acto do poder político é praticado sem
que se tenham seguido todos os tramites previstos nas normas constitucionais
C inconstitucionalidade orgânica: quando o acto de poder político é emanado de um
órgão que não dispõe de competência para a sua prática, face à Constituição
- inconstitucionalidade por omissão – resulta da não prática de acções por parte de
um determinado órgão, que pela Constituição estava obrigado a praticar (art.º 283º
CRP)
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1.1 – A Fiscalização da Inconstitucionalidade
Esta tarefa pode ser realizada por:
 órgãos políticos
 órgãos jurisdicionais
No panorama português actual, a fiscalização da constitucionalidade é
essencialmente jurisdicional, ou seja, feita pelos tribunais (art.
os
204º e 233º CRP).
Porém, a declaração de inconstitucionalidade cabe exclusivamente ao Tribunal
Constitucional (art.º 281º CRP).
No âmbito da fiscalização da inconstitucionalidade cabe referir:
× fiscalização preventiva da constitucionalidade (art.º 278º CRP), requerer a
inconstitucionalidade antes da promulgação, ratificação ou assinatura de qualquer
diploma.
× fiscalização concreta da constitucionalidade (art.º 280º CRP), quando o juiz se
depara, numa situação concreta, com uma dúvida acerca da existência ou não de
inconstitucionalidade.
× fiscalização abstracta da constitucionalidade (art.º 281º CRP), apreciação de
inconstitucionalidade de normas já em vigor.
Por outro lado, o Tribunal Constitucional também tem como função verificar e
analisar a inconstitucionalidade por omissão (art.º 283º CRP).
art.º 282º CRP  consequências da declaração da inconstitucionalidade: implica a
repristinação, ou seja, reentra em vigor a lei que fora revogada pela lei inconstitucional.
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1.2 – O Tribunal Constitucional
Art.º 221º CRP  O Tribunal Constitucional é o tribunal ao qual compete
especificamente administrar a justiça em matérias de natureza jurídico-constitucional.
Composto por 13 juízes, sendo 10 designados pela AR e 3 cooptados por estes (art.º
222º CRP) – uns têm de ser juízes de carreira e outros juristas, possuindo idoneidade,
isto é, têm de reunir competência/autoridade/legitimidade e possuir os conhecimentos
necessários.
Características dos juízes:
º independência em relação a todas as outras instituições (só têm de obedecer à lei e
à sua consciência)
º inamovibilidade, pois são nomeados por um período de nove anos e as suas
funções não podem cessar antes do respectivo termo
º imparcialidade, logo estão impedidos de julgar causas em que possuam qualquer
aparência de interesse
º irresponsabilidade, visto que não podem ser responsabilizados/culpabilizados
pelas sãs decisões
Por fim, as decisões do Tribunal Constitucional são obrigatórias para todas as outras
entidades públicas e privadas e prevalecem sobre as dos restantes tribunais e de
quaisquer outras autoridades.
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1.3 – Efeitos Jurídicos da Inconstitucionalidade
A inconstitucionalidade pode levar a:
¬ inexistência jurídica – trata-se de um vicio tão grande que implica a não
produção de quaisquer efeitos jurídicos (p. ex: falta de assinatura do PR nos casos em que a Lei o
obrigue)
¬ invalidade – verifica-se sempre que for desrespeitada uma regra sobre a produção
jurídica
 nulidade: o acto não produz quaisquer efeitos desde o momento da sua
elaboração e é por si só inaplicável
 anulabilidade: o acto só deixa de produzir efeitos depois da decisão do
órgão fiscalizador
¬ ineficácia em sentido restrito – quando os órgãos com competência para aplicara
as normas jurídicas, as não aplicam aos casos concretos (p. ex: a falta de publicação no Diário
da República dos actos que necessitam de o ser, art.º 119º CRP)
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1.4 – A Revisão Constitucional
O poder de revisão constitucional traduz-se na faculdade de alterar ou modificar as
regras contidas no texto constitucional – este poder está limitado pela própria
Constituição.
Assim, a consagração de limites visa impedir a livre alteração da CRP pela AR e é
uma garantia da própria CRP.
Os limites têm diversas naturezas:
+ limites formais – a CRP é revista por um processo e sob a forma diferente do
previsto para as leis ordinárias (art.
os
284º, 285º, 286º e 287º da CRP)
+ limites temporais – pois a CRP só pode ser revista dentro de certos prazos
(revisão ordinária), ou então em qualquer altura com a concordância de 4/5 dos
deputados em efectividade de funções (revisão extraordinária, art.º 284º CRP)
+ limites materiais – determinados princípios da CRP não podem ser objecto de
revisão (art.º 288º CRP)
+ limites circunstanciais – consiste no facto de não se poder rever a Constituição em
período de grave crise política ou social, ou seja, caso os cidadãos não tenham
condições de participar livremente no processo de revisão (art.º 289º CRP)
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Tema 5: A Relação Jurídica
1. Noção
As relações jurídicas resultam da intervenção do Direito sobre as relações sociais,
regulando-as.
Pode ter dois sentidos:
= sentido amplo – toda e qualquer relação da vida social disciplinada pelo Direito
= sentido restrito – relação social disciplinada pelo Direito, mediante a atribuição a
um sujeito de um direito subjectivo e a imposição a outro de um dever jurídico ou
imposição
 relação jurídica abstracta, definição em termos genéricos e aplicável a uma
infinidade de casos da mesma maneira
 relação jurídica concreta, a mesma relação, mas efectivamente constituída e
individualmente determinada
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2. Estrutura da Relação Jurídica
A estrutura da relação jurídica é o seu conteúdo.
Consideramo-la integrada por um direito subjectivo e por um dever jurídico ou
sujeição – estrutura interna/conteúdo.
· Direito Objectivo: complexo de normas gerais e abstractas que ordenam a vida em
sociedade e que são impostas pelo Estado
· Direito Subjectivo: poder ou faculdade, conferidos pela lei, de exigir a outro
determinado comportamento
Duas principais teorias para explicar a essência e a natureza dos D. Subjectivos:
C Teoria da Vontade – defendida por Windscheid e Sarigny; para eles a essência do
D. Subjectivo residia na vontade do indivíduo e consistiria “num poder da vontade,
conferido ao sujeito pela Ordem Jurídica”.
Porém, os críticos defendem que a essência não residia puramente na vontade e que
esta não é necessária para a titularidade do sujeito.
C Teoria do Interesse – defendida por Ihering; considera o D. Subjectivo “um
interesse juridicamente protegido”.
Os críticos dizem que o interesse é o fim a atingir pelo D. Subjectivo, logo o D.
Subjectivo trata-se de um meio ou instrumento para alcançar esse fim.
Em suma, nem uma nem outra das teorias nos dão uma noção exacta da essência e
natureza do D. Subjectivo.
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3. Direitos e Deveres Jurídicos
Há que distinguir:
- o lado activo, correspondente ao titular do Direito Subjectivo (sujeito activo)
- o lado passivo, correspondente ao titular do dever jurídico ou sujeição (sujeito
passivo)
× direito subjectivo ¬ poder atribuído pela Ordem Jurídica a uma pessoa de
livremente exigir ou pretender de outro certo comportamento positivo (acção) ou
negativo (omissão); ou de por um acto de livre vontade, só de per si ou integrado numa
acção judicial, produzir determinados efeitos jurídicos inevitáveis na esfera jurídica
alheia.
Assim, só existe D. Subjectivo quando o seu titular é livre de o exercer ou não, ou
seja, está dependente da vontade do indivíduo. Logo, os chamados poderes-deveres não
são considerados verdadeiros D. Subjectivos, visto que lhes falta liberdade de expressão
(p. ex: poderes-deveres = direitos do poder paternal ou tutelar).
Também não são D. Subjectivos os chamados poderes jurídicos stricto sensu, ou
faculdades jurídicas, porque se trata da manifestação imediata da capacidade jurídica,
não se estabelecendo relações jurídicas (p. ex: faculdade de contratar, testar…).
Dois tipos de direitos subjectivos:
¯ direitos subjectivos propriamente ditos (sentido restrito)
¯ direitos potestativos
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3.1 – Direito Subjectivo propriamente dito e Dever Jurídico
× poder, atribuído pela Ordem Jurídica a uma pessoa, de exigir ou pretender de
outro certo comportamento positivo (acção) ou negativo (omissão)
Sobre o sujeito passivo recai um dever jurídico: necessidade de realizar o
comportamento a que tem direito o titular activo da relação jurídica (susceptível de não
cumprimento, embora corra o risco de ser sancionado).
ex: direitos de crédito, propriedade, personalidade e de família, quando estes não forem poderes-
deveres
o credor tem o poder de exigir que o devedor lhe entregue certo objecto, realize determinado
acto ou se abstenha de determinados factos
3.2 – Direito Potestativo e Sujeição
× poder jurídico pertencente ao titular activo da relação jurídica de por um acto de
livre vontade, só de per si ou integrado numa acção judicial, produzir determinados
efeitos jurídicos inevitáveis na esfera jurídica alheia – pessoa sobre quem recai essas
consequências não pode evitá-las
Ao sujeito passivo da relação corresponde uma sujeição: a situação em que ele se
encontra de não poder evitar que determinadas consequências se produzam na sua esfera
jurídica (o sujeito passivo não pode, de maneira alguma, contrariar os efeitos jurídicos).
Os direitos potestativos classificam-se, quanto aos efeitos que produzem, em
constitutivos, modificativos ou extintivos, conforme provoquem, respectivamente, a
constituição, a modificação ou a extinção de relações jurídicas.
Direitos Potestativos Constitutivos
ex: constituição de servidão de passagem em benefício de prédio encravado (art.º 1550º Cód. Civil)
direito de preferência (art.
os
1117º, 1380º e 1409º Cód. Civil) e comunhão forçada a favor do
proprietário (art.º 1370º Cód. Civil)
Direitos Potestativos Modificativos
ex: mudança de servidão para outro lugar (art.º 1568º Cód. Civil)
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direito dos conjugues à separação judicial de pessoas e bens (art.º 1794º Cód. Civil) ou simples
separação judicial de bens (art.º 1767º Cód. Civil)
Direitos Potestativos Extintivos
ex: extinção de servidão
revogação do mandato (art.º 1170º Cód. Civil), direito de obter o divorcio (art.º 1773º Cód.
Civil) e denuncia de arrendamento (art.º 1055 Cód. Civil)
3.3 – Algumas classificações de Direitos Subjectivos
Direitos Públicos e Privados
Assenta na qualidade da norma – pública ou privada.
= direitos subjectivos públicos: correspondem a relações do Direito Público –
aqueles direitos que competem ao Estado ou a outros entes público munidos de
autoridade pública e aos cidadãos em face ao Estado (p. ex: os direitos do Estado ao pagamento
dos impostos; direito de voto; direito à acção judicial; direito de elegibilidade…).
= direitos subjectivos privados: relações do Direito Privado – aquelas que se
estabelecem entre os particulares ou entre estes e o Estado, na qualidade de particulares
(p. ex: direito do Estado a uma prestação, após ter estabelecido um contrato, na qualidade de paridade
com os particulares; direito dos conjugues na relação matrimonial…).
Direitos Absolutos e Relativos
= direitos absolutos: aquele que se impõem a todas as pessoas, ou seja,
corresponde-lhes um dever geral de respeito por todos. Assim, ninguém pode impedir
ou interferir no exercício destes direitos (p. ex: direitos de personalidade, propriedade…).
= direitos relativos: quando só algumas pessoas têm o dever de realizar a conduta
que é devida ao titular activo do direito subjectivo (p. ex: direito crédito, obrigacional…).
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Direitos Patrimoniais e Não Patrimoniais ou Pessoais
= direitos patrimoniais: são redutíveis a dinheiro (p. ex: direito propriedade, crédito…).
= direitos não patrimoniais ou pessoais: não são susceptíveis de expressão
pecuniária (p. ex: direitos de personalidade, família…).
No entanto, a violação dos direitos pessoais pode também ter repercussões de
natureza pecuniária.
Direitos Inatos e Não Inatos
= direitos inatos: os que nascem com a pessoa, a qual não necessita de os adquirir
(p. ex: a maioria dos direitos de personalidade…).
= direitos não inatos: são os restantes direitos subjectivos que se adquirem
posteriormente ao nascimento (p. ex: direitos de autor, de voto…).
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4. Elementos da Relação Jurídica
O conceito de relação jurídica pressupõe um conjunto de elementos cuja
sistematização tradicional é a seguinte:
C os sujeitos – pessoas entre as quais ela se estabelece
C o objecto – tudo aquilo sobre que recaem os poderes do titular do direito
C o facto jurídico – todo o acontecimento natural ou acção humana que produz
efeitos ou consequências jurídicas
C a garantia – susceptibilidade de protecção coactiva da posição do sujeito activo
da relação jurídica
Exemplo:
O Carlos vendeu a João uma propriedade rústica.
· sujeitos: o João e o Carlos
· objecto: a propriedade rústica
· facto jurídico: contrato de compra e venda
· garantia: faculdade de recorrer ao tribunal caso um dos sujeitos não cumpra a sua obrigação
4.1 – Os Sujeitos
- são as entidades susceptíveis de serem titulares de relações jurídicas.
Além disso, é necessário distinguir o sujeito activo, titular do direito subjectivo, do
sujeito passivo (dever jurídico ou sujeição).
Os sujeitos podem ser singulares (indivíduos) ou colectivos (organizações).
Por outro lado, todos os sujeitos/pessoas jurídicas possuem personalidade jurídica
que lhes permite ser titular de direitos e vínculos jurídicos.
Capacidade Jurídica
Pessoas Singulares
O conceito de capacidade jurídica pode ser encarado de duas perspectivas
diferentes: titularidade ou exercício de direitos.
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O capacidade jurídica de gozo: aptidão para se ser titular de relações jurídicas
(adquire-se com o nascimento completo e com vida)
O capacidade jurídica de exercício: possibilidade de exercer e dispor livremente das
relações jurídicas que possui (adquire-se, normalmente, com a maioridade)
Porém, existem situações de incapacidade de exercício de direitos. Nestes casos
recorre-se a formas legais de suprimento de incapacidades:
 instituto da Representação Legal – quando a lei permite agir outra pessoa em
nome e no interesse do incapaz (p. ex: poder paternal, tutela…)
 instituto da Assistência – quando a lei permite agir o incapaz, mas exige o
consentimento de outra pessoa ou entidade, o assistente
^ Desta forma, no primeiro caso o representante legal actua em nome do incapaz,
enquanto no segundo impede o incapaz de agir ou intervém a seu lado.
Pessoas Colectivas
São organizações destinadas à realização dos interesses comuns ou colectivos, e às
quais a Ordem Jurídica atribui personalidade jurídica (p. ex: Estado, municípios, fundações,
associações, sociedades comerciais, etc).
Contudo, a capacidade de gozo das pessoas colectivas é uma capacidade específica,
pois está limitada aos direitos e vinculações adequadas à prossecução dos seus
interesses – princípio da legalidade.
As Incapacidade de Exercício As Incapacidade de Exercício
Os principiais tipos são:
C menoridade C interdição
C inabilitação C incapacidade acidental
^ Para além disso, o interesse visado com o estabelecimento das incapacidades é a
defesa dos interesses do próprio incapaz.
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O O Incapacidade por Menoridade Incapacidade por Menoridade
“Salvo disposição em contrário, os menores carecem de capacidade para o exercício
de direitos” (art.º 123 Cód. Civil)
Assim, as únicas excepções a este princípio geral estão integradas e incluídas no
art.º 127º Cód. Civil.
A forma de suprimento comum da incapacidade de exercício dos menores é a
representação. Os meios são:
* poder paternal, em primeiro lugar *
* a tutela, subsidiariamente
* compete a ambos os pais, não distinguindo a lei poderes especiais para o pai ou a mãe
Para além disso, os negócios jurídicos praticados pelo menor ferido de incapacidade
são anuláveis (de acordo com o art.º 125º Cód. Civil).
Por outro lado, actualmente, a emancipação só ocorre em duas situações: maioridade
ou casamento com o consentimento dos pais (após os 16 anos de idade).
O O Incapacidade por Interdição Incapacidade por Interdição
Esta incapacidade, a mais grave, resulta de determinadas deficiências psíquicas ou
físicas que afectam a vontade e o normal discernimento das pessoas para poderem
administrar/dispor dos seus bens.
¬ anomalias psíquicas graves, surdez-mudez e cegueira muito graves
A forma de suprimento desta incapacidade é a representação legal. Deste modo, para
alguém ser considerado interdito, a sua incapacidade tem de ser declarada por sentença
judicial. Por outro lado, esta incapacidade só se extingue quando e se o tribunal aprovar
o pedido de “levantamento da interdição”.
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O O Incapacidade por Inabilitação Incapacidade por Inabilitação
Os motivos da inabilitação são os mesmos da interdição, mas com
menor gravidade, aos quais se juntam certos modos habituais de comportamento:
prodigalidade (“malbaratar o património”) e o abuso de bebidas alcoólicas ou
estupefacientes (quando resulta de um destes três factores, só pode ser levantada,
no mínimo, 5 anos depois de ser decretada).
Esta incapacidade resulta também de uma decisão judicial, sendo que a sentença
determina a extensão da incapacidade, a qual pode ter um conteúdo variável, conforme
a gravidade da situação, e ser mais ou menos ampla.
É suprida pelo instituto da assistência, designando-se por curador a pessoa
encarregue de a exercer. Contudo, também pode existir o instituto da representação em
certas circunstâncias.
Os actos praticados pelo incapaz são anuláveis.
O O Incapacidade Acidental Incapacidade Acidental
 Resulta de qualquer causa transitória (p. ex: embriaguês, intoxicação, estado hipnótico…)
que leva a pessoa a agir sem ter consciência dos seus actos.
Desta forma, os actos praticados nestas condições são anuláveis.
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4.2 – O Objecto
- tudo aquilo sobre que incidem os poderes do titular activo da relação.
Correntemente identifica-se o objecto da relação jurídica com o objecto do Direito
Subjectivo, que constitui o lado activo da mesma relação.
- bem jurídico é todo e qualquer meio de satisfação de necessidades estritamente
ligadas a relações sociais, tuteladas pelo Direito
Modalidades de Objecto da Relação Jurídica
Distingue-se:
objecto imediato: quando os poderes do titular activo incidem directamente sobre
o bem, sem que se interponha qualquer intermediário.
(ex: Quando enuncio que tenho direito aos meus livros, estes são o objecto imediato da relação de
propriedade de que eu sou titular activo).
 objecto mediato: quando, pelo contrário, os poderes do titular activo incidem
indirectamente sobre o bem.
(ex: Quando digo que tenho direito à entrega de uma livro que emprestei, constitui o objecto mediato
do meu Direito).
^ A diferença existe na existência ou não de um intermediário entre o sujeito e a
coisa/objecto.
Possíveis Objectos da Relação Jurídica Possíveis Objectos da Relação Jurídica
Pessoas
As pessoas só podem ser objecto nos denominados poderes-deveres ou poderes
funcionais, que não são verdadeiros direitos subjectivos (p. ex: poder paternal ou tutelar…).
Tal só pode acontecer porque estes direitos não conferem qualquer domínio sobre
outro ser humano. Deste modo, conferem apenas poderes destinados a habilitarem os
pais e os tutores ao cumprimento dos deveres que lhes são impostos por lei.
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Prestações
Denomina-se prestação à conduta a que o devedor está obrigado (p. ex: nos direitos de
crédito, o objecto é o comportamento do devedor e não rigorosamente uma coisa).
Coisas Corpóreas
São as coisas físicas, ou seja, aquelas que podem ser apreendidas pelos sentidos (p.
ex: propriedade sobre um automóvel – o automóvel é o objecto da relação).
Coisas Incorpóreas
Não são mais do que valores da natureza que não podem ser apreendidos pelos
sentidos (p. ex: obras literárias, científicas, artisiticas… sobre as quais recaem os “direitos de autor”).
Desta forma, o objecto de tais direitos é a respectiva obra na sua forma ideal e não
as coisas materiais – apenas a obra na sua concepção ideal é objecto de direitos.
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4.3 – Facto Jurídico
- acontecimento ou evento da vida social que produz efeitos jurídicos relevantes.
· factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos são manifestações de vontade, quer
do sujeito, quer de quem o represente (têm que constituir, modificar ou extinguir uma
relação jurídica).
· factos jurídicos involuntários são estranhos e independentes da vontade, ou seja,
são puramente obra da natureza (p. ex: nascimento e morte).
Os factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos podem ser:
O actos jurídicos lícitos – aqueles que estão em conformidade com a Ordem
Jurídica.
O actos jurídicos ilícitos – os que contrariam a Ordem Jurídica e implicam uma
sanção para o seu autor (p. ex: homicídio, furto…).
O Os actos jurídicos lícitos classificam-se:
O negócios jurídicos – são os factos jurídicos voluntários constituídos por uma ou
mais manifestações de vontade, destinadas a produzir intencionalmente efeitos jurídicos
(p. ex: casamento, a locação [arrendamento urbano]…).
O simples actos jurídicos – são factos jurídicos voluntários, cujos efeitos jurídicos,
embora eventualmente concordantes com a vontade dos seus autores, não são todavia
determinados pelo conteúdo desta vontade, mas directa e imperativamente pela lei (p. ex:
com a criação de uma obra adquire-se “direitos de autor”, mesmo que não fosse essa a intenção do
artista).
O Os actos jurídicos ilícitos podem ser:
O dolosos – quando existe por parte do indivíduo o propósito de fazer mal, ou de
prejudicar (p. ex: homicídio, furto, injúrias…).
O meramente culposos – quando o indivíduo não prevê o resultado, mas houve
imprudência ou negligência, que lhe conferem culpa  imputação moral de um facto a
certa pessoa (p. ex: atropelamento por distracção…).
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Factos
Jurídicos
Voluntários ou
Actos Jurídicos
Involuntários
Lícito
s
Ilícitos
Dolosos
Meramente
Culposos
Negócios
Jurídicos
Simples Actos
Jurídicos
Bilaterais ou
Contratos
Unilaterais
Contratos
Unilaterais
Contratos
Bilaterais
Sinalagmáticos
Imperfeitos
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O Negócio Jurídico
¬ facto jurídico, voluntário, lícito, constituído por uma ou mais declarações de
vontade dirigidas à realização de determinados efeitos práticos, normalmente de
carácter patrimonial, com a intenção de que tais efeitos sejam tutelados pelo Direito.
^ O conteúdo do negócio jurídico consiste num conjunto de cláusulas nele contidas
Dentro dos elementos essenciais:
× elementos essenciais genéricos: são aqueles que têm de existir em todo e qualquer
negócio jurídico, tais como: capacidade das partes; declaração de vontade; definição do
objecto; e fim.
× elementos essenciais específicos: são aqueles que se mostram essenciais para a
existência de um negócio jurídico concreto, diferenciando-o dos restantes (p. ex: para
haver “compra e venda” tem de existir fixação de preço e determinação da coisa).
Classificação dos Negócios Jurídicos Classificação dos Negócios Jurídicos
Negócios Jurídicos Unilaterais, Bilaterais ou Plurilaterais Negócios Jurídicos Unilaterais, Bilaterais ou Plurilaterais
ou Contratos ou Contratos
Nos negócios jurídicos unilaterais há uma só manifestação de vontade, ou várias
declarações convergentes formando um só grupo – só há um lado/uma parte (p. ex:
testamento, a aceitação ou repúdio da herança).
1 testamento o acto unilateral e revogável pelo qual uma pessoa dispõe, para
depois da morte, de todos os seus bens ou parte deles
Nos negócios jurídicos bilaterais ou contratos há duas ou mais declarações de
vontade, com conteúdos diversos e até opostos, mas que se harmonizam ou conciliam
reciprocamente, com vista à produção de um resultado jurídico unitário.
Existem:
° contratos unilaterais (p. ex: a doação)
° contratos bilaterais
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Princípios fundamentais
dos contratos
* princípio da liberdade
contratual (art.º 405º Cód.
Civil)
* princípio da
consualidade ou de
forma
* princípio da boa-

* princípio da força
vinculativa
· liberdade de contratar
· liberdade de fixação de conteúdo
· liberdade de selecção do tipo contratual
· liberdade de estipulação
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Os contratos bilaterais dividem-se em:
 sinalagmáticos – ambas as partes contraem obrigações que estão ligadas entre si
por um nexo de causalidade e onde as obrigações são realizadas em simultâneo (p. ex: a
empreitada, a locação, a “compra e venda”…).
 imperfeitos – inicialmente só há obrigações para uma das partes, surgindo
eventualmente mais tarde obrigações para a outra parte, em virtude do cumprimento das
primeiras – não se realizam em simultâneo as obrigações (p. ex: o depósito, o mandato…).
Negócios Jurídicos Onerosos e Gratuitos Negócios Jurídicos Onerosos e Gratuitos
^ Esta distinção tem como principal critério o conteúdo e o fim do negócio.
 negócios jurídicos onerosos, pressupõem atribuições patrimoniais de ambas as
partes, existindo uma relação de equivalência entre as referidas atribuições, isto é, cada
parte dá e recebe (p. ex: locação, empreitada…).
 negócios jurídicos gratuitos, caracterizam-se pela chamada intervenção liberal de
uma das partes. Assim, uma das partes tem a intenção de efectuar uma atribuição
patrimonial a favor da outra, sem obter qualquer contrapartida (p. ex: a doação, o mandato a
título gratuito, o testamento…).
Negócios Jurídicos Consensuais, ou Não Solenes, e Negócios Jurídicos Consensuais, ou Não Solenes, e
Formais, ou Solenes Formais, ou Solenes
O negócio jurídico, como já vimos, assenta numa declaração de vontade.
Contudo, é necessário arranjar uma forma de a exteriorizar. Forma é o modo de
revelação ou exteriorização da vontade. Assim, todas as declarações têm de ter uma
forma.
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O princípio da liberdade contratual desdobra-se em vários aspectos:
a) a possibilidade de as partes contratarem ou não, como melhor entenderem.
b) a faculdade de, contratando, escolher cada uma delas, livremente, o outro
contraente.
c) a possibilidade de, na regulamentação dos seus interesses, se afastarem dos
contratos típicos ou paradigmáticos disciplinados na lei (celebrar contratos
atípicos/liberdade de estipular cláusulas).
Em regra, um negócio jurídico é válido seja qual for a sua forma – princípio da
liberdade de forma.
No entanto, existem algumas situações em que a lei exige a observância de uma
determinada forma – negócios formais ou solenes. Logo, a forma por vezes exigida é a
escrita, sob a forma de documento.
Os documentos podem revestir várias modalidades face à lei:
º autênticos – são os documentos exarados, com as formalidades legais, pelas
autoridade públicas, mais precisamente, pelo notário ou outro oficial público provido de
fé pública (p. ex: venda de imóveis, testamento…).
º particulares – todos os outros documentos (p. ex: arrendamento comercial, trespasse…).
º autenticados – quando os documentos particulares são confirmados pelas partes,
perante o notário
^ Resta dizer que se a forma exigida pela lei não for respeitada o contrato jurídico
diz-se nulo.
Negócios Jurídicos Entre Vivos e Mortis Causa Negócios Jurídicos Entre Vivos e Mortis Causa
× Os negócios entre vivos destinam-se a produzir efeitos em vida das partes (a
maioria dos negócios).
× Os negócios mortis causa são os destinados a produzir efeitos só depois da morte
da respectiva parte ou de alguma delas (p. ex: testamento).
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4.4 – A Tutela Jurídica - Garantia das Obrigações
- trata-se do quarto elemento da relação jurídica e tem como principal objectivo a
defesa dos direitos dos cidadãos, através do recurso a meios coactivos.
Relembremos a estrutura das normas:
º previsão: prevê um acontecimento ou estado de coisas, ou seja, contém a
representação da situação futura
º estatuição: comportamento a adoptar caso a previsão não se verifique
º sanção: consequência desfavorável que atinge quem violou a estatuição/regra
A sanção representa a possibilidade de reagir à violação da norma, pela força, se
preciso for, impondo coactivamente a reparação da violação.
A protecção coactiva distingue-se consoante a qualidade do agente protector:
 tutela privada ou auto tutela – levada a cabo pelo próprio titular do direito
violado e só é lícita a titulo subsidiário (o sujeito não pode exceder o minimamente
necessário e o prejuízo não pode ser superior àquele que o sujeito poderia sofrer)
 tutela publica estadual – aquela que é realizada pelo Estado e que tem como
objectivo garantir o cumprimento das normas jurídicas.
Podem revestir a forma:
 judiciária, a cargo dos tribunais
 administrativa, a cargo das forças policiais (PSP, GNR, PJ, etc)
Importa analisar os principais meios de tutela:
O tutela preventiva
O medidas compulsivas
O tutela repressiva ou sancionatória
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O Tutela Repressiva
- conjunto de medidas destinadas a impedir a violação da Ordem Jurídica ou a
evitar a observância das regras jurídicas (meios preventivos: certos serviços de ordem e
segurança).
Destacam-se:
´ medidas de segurança – medidas com o objectivo essencial de colocar certas
categorias de pessoas que se consideram perigosas, aptas a praticar crimes, em situação
de não os cometer, contribuindo para que não voltem a praticá-los no futuro (p. ex:
internamento de presos, regime de liberdade preventiva…).
´ procedimentos cautelares – consistem num conjunto de medidas que podem ser
tomadas pelo cidadão, de forma a evitar a lesão de um direito (art.º 381º e seguintes Cód.
Civil).
Uma das providências cautelares mais vulgares é o chamado Arresto: consiste na
apreensão judicial de bens e pode ser requerido quando o credor tenha justo receio de
perder a garantia patrimonial do seu crédito.
O Medidas Compulsivas
- medidas que se destinam a actuar sobre o infractor de determinada norma, de
forma a obrigá-lo a adoptar um determinado comportamento que até aí omitiu.
Actualmente, a Ordem Jurídica Portuguesa não contempla ou prevê quaisquer meios
compulsivos privativos de liberdade (art.º 27º CRP).
Contudo, outros tipos de medidas compulsivas, como as multas aplicáveis aos
empreiteiros de obras públicas por cada dia de atraso na entrega da obra.
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O Tutela Repressiva
- traduz-se na organização de sanções aplicáveis em consequência da violação das
normas jurídicas.
As sanções podem ser classificadas, de acordo com a finalidade:
C reconstitutivas (sanções civis)
C compensatórias
C punitivas
C C Sanções Reconstitutivas Sanções Reconstitutivas
f sempre que possível, a lei faz cumprir coactivamente a norma – execução
específica – o que implica a entrega da coisa objecto do contrato.
(ex: Se Carlos comprou uma pulseira a João e este não lha integrou, violando a norma jurídica,
Carlos pode requerer ao tribunal que apreenda a pulseira e lha entregue).
f Quando não é possível o cumprimento coactivo da norma recorre-se à
reintegração, cujo objectivo é reconstituir a situação anterior à violação da norma.
Reintegração pode ser: (art.º 562º Cód. Civil)
N in natura, situação normal de troca por outro igual
N por mero equivalente, quando é impossível ao devedor reconstituir a situação
anterior à violação da norma (p. ex: partir uma peça única…) – art.º 556º Cód. Civil: regras
da reintegração por mero equivalente
C C Sanções Compensatórias Sanções Compensatórias
f Acontece quando não e possível recorrer à reintegração ou quando esta não
repara totalmente a violação cometida. Neste caso, não se pretende reconstituir a
situação passada, antes proporcionar uma satisfação ao lesado em contrapartida da lesão
sofrida.
A situação mais característica da compensação é a indemnização por danos morais
ou não pessoais (p. ex: Paulo atropelou Marta e provocou-lhe inúmeras lesões não susceptíveis de
avaliação patrimonial. Assim, Paulo fica obrigado a indemnizar Marta pelos danos morais e sofrimentos
causados, compensando a lesada e proporcionando-lhe alguma satisfação).
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C C Sanções Punitivas Sanções Punitivas
f Nos casos mais graves, o Direito recorre a penas. Visam essencialmente infligir
um castigo ao infractor.
De entre as sanções penais sobressaem:
¨ as corpóreas – revestem essencialmente a forma de prisão e são, em geral, de
carácter patrimonial (p. ex: violação do Regulamento de Disciplina Militar…).
¨ as pecuniárias – traduzem-se geralmente nas chamadas multas processuais ou
administrativas (p. ex: indemnizações…).
Ainda se pode distinguir as sanções, quanto à sua natureza:
· sanções civis – tendem apenas a restabelecer os interesses da pessoa ofendida, a
restitui-la, tanto quanto possível, ao estado anterior à lesão (várias formas: restituição em
espécie, por equivalente e compensatória).
· sanções criminais – têm por fim a reprovação e regeneração das pessoas que, pelos
seus actos, põem em perigo e lesam bens relevantes sob o ponto de vista social, e a
prevenção de futuras práticas ilícitas (p. ex: sanções corporais, multas…).
· sanções disciplinares – visam proteger valores de coesão ou de relação internas na
Empresa e na Administração Publica e resultam da violação dos deveres próprios dos
trabalhadores , no domínio da sua actividade (p. ex: repreensão, suspensão, despedimento…).
· sanções das contra-ordenações – a coima é a sanção típica das contra-ordenações.
Reveste sempre a forma pecuniária, não podendo ser convertida em pena de prisão.
Assim, a coima corresponde a uma infracção que não tem a dignidade necessária para
ser qualificada como crime.
Por fim, podemos concluir que estas sanções são cumulativas em relação a uma
determinada violação.
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----- Direito -----
1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05
A Garantia das Obrigações
“O incumprimento de uma obrigação dá ao respectivo credor a faculdade de recorrer
aos tribunais, de modo a executar o património do devedor, obtendo, assim, a satisfação
do seu crédito” (art.º 817º Cód. Civil).
Desta forma, o “património do devedor” (constituído pelo conjunto de bens
penhoráveis do devedor que respondem por determinadas dívidas) constitui uma
garantia geral ou comum dos credores.
Além destas, existem garantias especiais, pessoais ou reais, mas que só existem
quando foram previamente definidas ou por determinação da lei.
As garantias pessoais são aquelas em que, para além do devedor, outras pessoas
podem ficar responsáveis, com os seus patrimónios, pelo cumprimento da obrigação.
Uma figura-tipo desta modalidade é a Fiança = consiste no facto de uma terceiro
assegurar com o seu património o cumprimento de obrigação alheia, ficando
pessoalmente obrigado perante o respectivo credor caso o devedor não cumpra a sua
obrigação.
^ Por fim, a fiança só se extingue com o cumprimento da obrigação pelo devedor.
As garantias reais caracterizam-se por recair sobre bens certos e determinados do
próprio devedor ou de terceiro – reforço da garantia das obrigações.
O credor adquire o direito de ser pago preferencialmente sobre qualquer outro
credor comum, pelo valor de tais bens ou rendimentos, desde que:
º se trate de bens sujeitos a registo
º a garantia tenha sido registada
º não concorra com privilégios especiais
Diversas garantias reais:
Penhor = consiste na entrega ao credor, por parte do devedor ou terceiro, de um
objecto móvel para garantir o cumprimento da obrigação (art.º 666º Cód. Civil).
Caso o devedor não cumpra a obrigação, o credor pode vender, judicial ou
extrajudicialmente, o(s) objectos(s) penhorado (s).
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Hipoteca = traduz-se no direito conferido a certos credores de serem pagos
preferencialmente a outros credores (que não gozem de privilégios especiais) pelo valor
de certos bens imóveis do devedor, desde que os créditos tenham sido devidamente
registados (art.º 686º Cód. Civil).
Pode incidir sobre: (art.º 688º Cód. Civil)
· prédios rústicos ou urbanos
· direito de superfície
· bens móveis sujeitos a registo, equiparados a imóveis (p. ex: carros, naves, barcos…)
Esta garantia é muito usada e assume grande importância no mundo comércio. Por
fim, extingue-se com o cumprimento da obrigação pelo devedor.
Direito de Retenção = considerado uma causa legitima do não cumprimento das
obrigações (art.
os
754º, 758º e 759º Cód. Civil).
Só acontece caso as despesas feitas ou o prejuízo resultem do objecto a ser retido, e
nunca se pode reter uns objectos pelos outros.
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1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05
Tema 6: Conduta Ilícita e causas da
exclusão da ilicitude
1. Noção de Ilicitude
· a vontade formulada na acção ou omissão
Elementos do ilícito · a acção, ou abstenção do agente
· o resultado lesivo do interesse juridicamente protegido
A responsabilidade traduz-se na situação, mais ou menos grave, em que se coloca o
infractor da norma com a consequente sujeição à aplicação de sanções.
Desta forma, a ilicitude, qualidade do acto ilícito, consiste na violação de uma
norma e do dever jurídico que ela impõe.
° ilícito  acto exterior ao Homem, que pode consistir numa acção ou omissão, que
resulta de uma formação de vontade do agente e que gera um resultado lesivo de um
interesse juridicamente protegido (bem jurídico).
1.1 – Ilícito Civil e Ilícito Criminal
A distinção entre estes dois tipos de ilícitos baseia-se na diferente natureza das suas
sanções.
Os actos ilícitos civis, porque violam Direito Privado, atingem simples interesses
particulares e dão lugar a sanções civis. Nestas sanções o objectivo é restituir os
interesses lesados da pessoa ofendida – sanções privadas e disponíveis, “carácter
disponível” significa que o lesado pode livremente prescindir da sua aplicação.
A prática destes actos desencadeia responsabilidade civil, à qual está subjacente a
ideia da reparação patrimonial de um dano privado – situação em que uma pessoa tem
de reparar os danos sofridos por outrem.
(p. ex: o não pagamento de uma dívida em devido tempo)
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Os actos ilícitos criminais ou penais, porque violam Direito Público, atingem
interesses gerais e valores básicos da sociedade, dando origem a sanções criminais. O
intuito destas sanções é reprovar os crimes, prevenir a sua futura repetição e readaptar
socialmente o criminoso – sanções públicas e indisponíveis, “natureza indisponível”
significa que não se pode impedir a sua aplicação.
Desencadeia responsabilidade penal ou criminal, aparecendo como uma defesa
contra os autores de factos que atingem a Ordem Social, visando satisfazer os interesses
da comunidade – sujeição às sanções impostas ao autor de um facto considerado punível
pela lei penal.
(p. ex: tentativa de crime, uso de arma de fogo sem licença…)
Ilícito penal:
f a conduta do infractor
f a vontade com que praticou o ilícito
f o fim que o infractor teve em vista com a prática do crime
f os meios usados para a prática do crime
· princípio da tipicidade – todos os crimes estão tipificados na lei
^ Porém, apesar das diferenças entre estas duas formas de responsabilidade, elas
não se excluem e existe casos de factos ilícitos que reúnem simultaneamente o ilícito
criminal e o civil (p. ex: homicídio).
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1.2 – Ilícito Disciplinar
Há ilícito disciplinar quando um funcionário ou agente integrado em certa
organização pratica um acto voluntário que viola um dever seu ou uma regra de
funcionamento da organização (p. ex: falta de assiduidade, incompetência…).
Desencadeia responsabilidade disciplinar, dando origem a sanções disciplinares.
1.3 – Ilícito de Mera Ordenação Social
No Direito das Contra-Ordenações o conteúdo é o ilícito de mera ordenação social,
e já não o ilícito criminal, que abrange as contra-ordenações e que consiste no
desrespeito de regras que visam proteger valores de segunda relevância e importância.
Pontos fundamentais da criação e desenvolvimento deste ramo do Direito:
C pendor crescentemente intervencionista do Estado contemporâneo e a
necessidade de regular estas novas actividades
C colmatar de uma lacuna na Ordem Jurídica
C diferente natureza dos bens jurídicos que tutelam
C inferior “ressonância ética” das contra-ordenações em relação aos crimes
(p. ex: venda de bens alimentares em condições higiénicas inaceitáveis, venda de produtos após o
expirar do prazo de validade, venda sem referência ao preço…)
Duas grandes diferenças entre os ilícitos penais e as contra-ordenações:
C no regime do ilícito de mera ordenação social podem ser punidos não só os
particulares, mas também as pessoas colectivas, ao contrário dos ilícitos penais onde só
podem ser punidas as pessoas físicas.
C os ilícitos penais só podem ser julgados e sancionados pelos tribunais, enquanto
nos ilícitos de mera ordenação social as coimas podem ser aplicadas tanto pelos
tribunais como pelas autoridades administrativas.
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- O Regime das Contra Ordenações
“Constitui uma contra-ordenação todo o facto ilícito e censurável que preencha um
tipo legal no qual se comine uma coima”.
Deste modo, a coima é a sanção típica das contra-ordenações.
¬ reveste sempre a forma pecuniária, não convertida em pena
de prisão (o valor varia conforme a infracção)
Estas coimas tanto podem ser aplicadas a pessoas singulares como colectivas.
1.4 – Ilícito Intencional e Ilícito Meramente Culposo
Os factos ilícitos classificam-se em intencionais e meramente culposos.
Os primeiros são praticados com a intenção de prejudicar, causar dano (dolo),
enquanto nos segundos não existe essa intenção, mas apenas a imprudência ou
negligência do seu autor.
Aos intencionais chama-se delitos e aos culposos quase-delitos.
O infractor é obrigado a indemnizar o lesado por danos e perdas, seja, qual dor a
característica do seu facto ilícito. Contudo, caso o acto tenha sido praticado sem dolo a
indemnização pode ser limitada e inferior, já no caso de ser praticado com dolo o
infractor tem de reparar todos os danos causados ao lesado.
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2. Responsabilidade Civil Contratual e Extracontratual
A responsabilidade civil contratual consiste “na infracção de uma relação
obrigacional ou direito de crédito, que existia entre o lesante e o ofendido num
contrato”.
A responsabilidade civil extracontratual resulta “da infracção de um dever ou
vínculo jurídico geral, isto é, um daqueles deveres gerais de abstenção impostos a todas
as pessoas e que correspondem aos direitos absolutos”.
2.1 – Responsabilidade Civil Extracontratual
Podemos distinguir:
C responsabilidade por factos ilícitos
C responsabilidade objectivo ou pelo risco
C responsabilidade por factos lícitos danosos
O O Responsabilidade por Factos Ilícitos (baseada na culpa) Responsabilidade por Factos Ilícitos (baseada na culpa)
O dever de indemnizar pressupõe: (art.º 483º Cód. Civil)
- o facto – tem de existir um facto voluntário e não um mero facto natural produtor
de danos
- a ilicitude – o facto do agente tem de ser ilícito
- a imputação do facto ao lesante – a infracção tem de ser cometida com culpa
- o dano – o facto ilícito tem de causar dano ou prejuízo a alguém
- nexo de causalidade entre o facto e o dano – ligação entre estes dois elementos,
de modo a concluir-se que o facto constitui a causa do dano
Formas de Ilicitude
Importa fazer referência a duas formas de ilicitude: (art.º 483º Cód. Civil)
E violação de um direito de outrem, o que implica muitas vezes indemnizar (p. ex:
usurpação do nome, furtar, difamar…).
E violação da lei que protege interesses alheios (p. ex: violação do código da estrada,
infracção da lei aduaneira…).
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Abuso do Direito
Uma conduta geradora de responsabilidade civil extracontratual é o “abuso do
direito” – acontece quando um determinado direito é exercido de modo a que ofenda o
sentimento de justiça na comunidade social (art.º 334º Cód. Civil).
O O Responsabilidade Objectiva ou Pelo Risco Responsabilidade Objectiva ou Pelo Risco
O desenvolvimento de certas actividades e profissões do Homem fizeram
multiplicar os riscos. Além disso, muitas vezes os factores causadores de danos não são
imputáveis a um só indivíduo, mas sim a um conjunto de pessoas.
× A responsabilidade objectiva ou pelo risco, independentemente da culpa, obriga à
reparação, mesmo que não tenha existido qualquer dolo ou culpa por parte do agente.
Desta forma, nestes casos “o dever de indemnizar não resulta forçosamente de um
acto ilícito do responsável, mas de uma conduta perigosa”.
Casos especiais a que se aplica esta responsabilidade:
E danos causados por animais  danos resultantes do perigo especial que envolve
a sua utilização
E acidentes causados por veículos  danos provenientes dos riscos próprios dos
veículos
E danos causados por instalações eléctricas ou a gás  danos resultantes da própria
instituição
Neste ponto importa distinguir caso fortuito de caso de força maior:
¯ O primeiro caso consiste em qualquer risco natural das coisas ou maquinismos
utilizados pelo agente (p. ex: rebentamento de um pneu, quebra de direcção…).
¯ O segundo deve-se a uma força da natureza estranha a essas coisas ou
maquinismos (p. ex: faísca que provoca um incêndio, ciclone que arremessa um carro contra uma
pessoa…).
Enfim, podemos concluir que só no caso do acidente resultar de “causa de força
maior estranha ao funcionamento do veículo” é que se afasta a responsabilidade e a
consequente obrigação de indemnizar o lesado.
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O O Responsabilidade por Factos Lícitos Responsabilidade por Factos Lícitos
× Resulta da prática de um acto lícito, mas que obriga o seu autor a reparar o
prejuízo que porventura tenha causado a terceiros.
Assim, impõe-se nuns casos e admite-se noutros a fixação de uma indemnização ao
lesado. Contudo, não existe nenhuma legislação específica acerca deste tipo de
responsabilidade.
E art.º 1332º Cód. Civil  captura enxame de abelhas
E art.º 1367º Cód. Civil  apanha de frutas
E expropriação por utilidade pública
Deste modo, o infractor fica obrigado a indemnizar o lesado, apesar do facto
praticado ser totalmente lícito.
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3. Causas da Exclusão da Ilicitude
As causas da exclusão da ilicitude não são mais do que circunstâncias que retiram ao
facto que ocasionou determinado dano a sua ilicitude e excluem a responsabilidade civil
– justificam actos ilícitos pelo agente em defesa de direitos próprios sempre que não
seja possível recorrer em tempo útil aos meios coercivos normais.
* acção directa = situação em que se considera justificado o recurso à força com o
fim de preservar ou realizar o próprio direito, quando não seja possível recorrer em
tempo útil aos meios coercivos normais e desde que o agente use da força apenas na
medida necessária para evitar o prejuízo (art.º 336º Cód. Civil).
Exemplo: Um filho menor está confiado à guarda do pai; a mãe tenta apoderar-se do filho – é lícito
que o pai impeça pela força a mãe de levar o filho, desde que não exceda os limites do necessário.
* legítima defesa = situação em que se considera justificado o acto destinado a
afastar qualquer agressão, desde que na agressão e na defesa se verifiquem os requisitos
que a lei enumera: (art.º 337º Cód. Civil)
º agressão actual e lícita
º defesa necessária e proporcional
Exemplo: Paulo prepara-se para deitar fogo a uma seara de João. Carlos, ao passar no local,
apercebe-se e agride Paulo. Assim, a atitude é lícita, pois defendeu o património de João e não usou de
meios mais do que os necessários para isso.
* estado de necessidade = situação de constrangimento em que fica quem sacrifica
coisa alheia com o fim de afastar um perigo actual de um prejuízo manifestamente
superior.
Em estado de necessidade actua-se por iniciativa própria e como meio de defesa
para afastar o perigo, mas nunca uma agressão.
Exemplos: Para apagar um incêndio em certa propriedade causam-se danos na propriedade contígua.
Assim, o lesante é obrigado a indemnizar.
Para conduzir alguém a um hospital é lícito utilizar um automóvel alheio. Porém, se
causar prejuízos é obrigado a reparar.
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* consentimento do lesado = consiste no consentimento do titular do direito à
prática de determinado acto que, sem esse consentimento, constituiria uma violação de
um direito ou norma jurídica.
Exemplos: Caso Augusto entre em casa de João para ler o correio ou apanhar fruta, mas com
autorização do dono.
Numa operação o médico descobre que o paciente tem um órgão, que não estava a
operar, danificado: presume-se que o paciente também autorizou a operar “tudo o que estiver mal”.
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1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05
4. Incumprimento não culposo das Obrigações
- fonte de obrigação  o facto jurídico de onde nasce o vínculo obrigacional (as
principais são os contratos e a responsabilidade civil)
 Art.º 397º Cód. Civil = Obrigação é o vínculo jurídico por virtude do qual uma
pessoa fica adstrita para com outra à realização de uma prestação
Desta forma, o cumprimento da obrigação representa o aspecto culminante da vida
da relação obrigacional, ou seja, após o seu cumprimento, o devedor fica livre do
vínculo que o prendia.
Para além disso, dá-se o não cumprimento da obrigação quando a respectiva
prestação debitória deixa de ser efectuada nos termos adequados.
Causas do não cumprimento das obrigações:
 culpa do devedor  culpa do credor  causa não imputável a nenhum deles
Porém, para o nosso estudo só interessa a terceira causa – situações decorrentes de
caso fortuito ou de força maior.
Caso Fortuito Caso Fortuito
 ocorre por desenvolvimento de forças naturais a que é estranha a acção do
Homem.
Assim, o conceito assenta na ideia da imprevisibilidade: o facto não se pode prever,
mas seria evitável se tal tivesse acontecido (p. ex: incêndios, inundações…).
Caso de Força Maior Caso de Força Maior
 todo o acontecimento natural ou acção humana que, embora previsível ou até
prevenido, não se pôde evitar, nem em si mesmo nem as suas consequências danosas.
Sobressai a ideia de inevitabilidade (p. ex: guerra, roubo, prisão, ordem da autoridade…).
Deste modo, os efeitos jurídicos decorrentes da falta de cumprimento não imputável
ao devedor são os mesmos: extinção da obrigação.
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1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05
5. Ineficácia dos Actos em Contravenção da Norma
Quando o negócio jurídico é desconforme da lei, esta considera-o inadequado para
produzir os efeitos que as partes tinham em vista.
Três tipos de ineficácia em sentido amplo/lato:
= a inexistência jurídica
= a invalidade
= a ineficácia em sentido restrito
A Inexistência Jurídica A Inexistência Jurídica
¬ corresponde aos casos mais graves de violação da regra jurídica, em que o direito
não atribui quaisquer efeitos ao negócio celebrado entre as partes e nem sequer
reconhece a sua existência (p. ex: o casamento que não esteja de acordo com o art.º 1628º Cód.
Civil).
A Invalidade A Invalidade
¬ diz-se inválido quando não produz os efeitos jurídicos desejados pelas partes.
Pode revestir duas modalidades:
C nulidade
C anulabilidade
C A nulidade verifica-se quando o negócio jurídico não produz os efeitos jurídicos
desejáveis por ambas as partes.
· vícios de forma, declaração negocial que carece de forma legalmente prescrita
· vícios de objecto, o objecto seja física ou legalmente impossível, contrário à lei
ou indeterminável (p. ex: contrabando…)
· falta de vontade, caso o declarante não tenha consciência do que fez ou fê-lo sob
coacção física
· contrariedade à lei, negócios celebrados contra disposição legal de carácter
imperativo
^ A nulidade tem por objectivo proteger um interesse público.
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1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05
A anulabilidade – o negócio, não obstante estar ferido de um vício, é tratado como
válido. Deste modo, ambas as partes têm hipótese e o direito de anular o negócio,
podendo destruir retroactivamente os efeitos jurídicos já produzidos.
A anulabilidade resulta dos seguintes factores:
· incapacidade do agente (p. ex: actos dos menores)
· vícios de vontade (p. ex: o erro, a incapacidade acidental, etc)
^ A anulabilidade só pode ser pedida no prazo de um ano subsequente à cessação
do vício que lhe serve de fundamento.
Ineficácia em Sentido Restrito Ineficácia em Sentido Restrito
¬ as situações em que a lei não considera inválido o acto que não observe os
requisitos exigidos, mas impede que ele venha a produzir todas ou parte das
consequências jurídicas que visava produzir (p. ex: casamento do menor sem autorização dos
pais).
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----- Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Direitos Civis e Políticos ................................................................................30  Direitos Civis..........................................................................................30  Direitos Políticos.....................................................................................30 Direitos Sociais, Económicos e Culturais........................................................32  Direitos Sociais.......................................................................................32  Direitos Económicos...............................................................................32  Direitos Culturais....................................................................................32 Direitos de Solidariedade.............................................................................33 Direito ao Desenvolvimento e Direito do Ambiente...............................33 2.3 – A Problemática dos Direitos do Homem....................................................34 Direito Positivo e Direito Natural....................................................................34 O Direito Natural na Antiguidade...............................................................34 A Escola Racionalista do Direito Natural................................................35 A Escola Histórica do Direito Natural.....................................................35 O Positivismo Jurídico.............................................................................35 Decisionismo...........................................................................................35 O Direito Natural na Actualidade................................................................36 Declaração dos Direitos do Homem................................................................36 Primeiras Declarações dos Direitos do Homem..........................................37 Internacionalização da Problemática dos direitos do Homem.....................37 Direito Público e Direito Privado....................................................................39 Critérios de Distinção..................................................................................39 A – Critério da natureza dos interesses...................................................39 B – Critérios da qualidade dos sujeitos...................................................40 C – Critério da posição dos sujeitos na relação jurídica..........................40 2.4 – O Provedor de Justiça.................................................................................42 Tema 2: Direito e a Organização da Sociedade: O Estado e a comunidade Internacional................................................................................................................43 1. O Estado – Sociedade Politicamente Organizada................................................43 1.1– Elementos do Estado...................................................................................43  Povo........................................................................................................44 Nação.......................................................................................................44 População.................................................................................................44  Território.................................................................................................45  Poder Político.........................................................................................46 1.2 – Poderes e Funções do Estado......................................................................48 Fins do Estado.................................................................................................49  Segurança................................................................................................49  Justiça......................................................................................................49  Bem-estar económico e social................................................................49 Funções do Estado...........................................................................................50 1.3 – Órgãos de Soberania...................................................................................52 Independência dos Tribunais...................................................................56 Categorias de Tribunais...........................................................................57 Hierarquia dos Tribunais de Justiça.........................................................57 1.4 – Do Estado de Direito ao Estado Social de Direito......................................58 Estado Liberal de Direito.................................................................................58 Estado Social de Direito..................................................................................58 Estado de Direito Democrático........................................................................60 2. A Comunidade Internacional...............................................................................61
-2-

----- Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 2.1 – As Relações Internacionais.........................................................................61 2.2 – O Direito Internacional...............................................................................61 Problema da Eficácia do Direito Internacional................................................62 2.3 – Direito Comunitário ...................................................................................64 Direito Comunitário Derivado.........................................................................64 Processo Comunitário de Decisão...................................................................65 A Aplicação das Normas Comunitárias...........................................................65 1. princípio do primado do Direito Comunitário sobre o Direito Interno .................................................................................................................65 2. princípio da “aplicabilidade directa”...................................................65 3. princípio do “efeito directo”................................................................66 Tema 3: As Fontes do Direito.....................................................................................67 1. As Fontes do Direito no Sistema Jurídico Português..........................................67 1.1 – A Lei...........................................................................................................69 Os Vários Sentidos da Lei...............................................................................69 O Processo de elaboração de uma Lei.............................................................70 Processo de Formação das leis da Assembleia da República .....................70 Processo de Formação dos decretos-lei pelo Governo ...............................71 Início e Termo de Vigência ............................................................................73 Início de Vigência........................................................................................73 Termo de Vigência......................................................................................73 A Hierarquia das Leis......................................................................................75 Leis ou Normas Constitucionais..............................................................76 Leis ou Normas Ordinárias......................................................................76 A Interpretação da Lei.....................................................................................80 Noção...........................................................................................................80 Interpretação e Ordenamento.......................................................................81 Formas de Interpretação segundo a sua Fonte e Valor................................81 Elementos da Interpretação.........................................................................82 Elemento Gramatical ou Literal..............................................................82 Elemento Lógico......................................................................................83  Elemento Sistemático .....................................................................83  Elemento Histórico.........................................................................83  Elemento Teleológico.....................................................................84 Resultados da Interpretação.........................................................................84  Interpretação Declarativa....................................................................84  Interpretação Extensiva.......................................................................85  Interpretação Restritiva.......................................................................85 A Integração da Lei.........................................................................................85 Lacunas da Lei e sua Interpretação..............................................................85 Analogia...............................................................................................86 Artigo 10º, nº 3 do Código Civil..........................................................88 Introdução....................................................................................................88 Aplicação das Leis no Tempo.................................................................88 Aplicação das Leis no Espaço.................................................................89 1.2 – O Costume..................................................................................................90 1.3 – A Jurisprudência ........................................................................................92 1.4 – A Doutrina..................................................................................................93 1.5 – Os Tratados Internacionais.........................................................................94 1.6 – A Codificação.............................................................................................95
-3-

........................... e Formais..95 Tema 4: O Controlo da Legalidade................................................2 – O Objecto..........................................................................115 Classificação dos Negócios Jurídicos.............................................. O Problema da Inconstitucionalidade.........................................................105 Direitos Patrimoniais e Não Patrimoniais ou Pessoais................ Direitos e Deveres Jurídicos.........99 1...........................107 4.....109  Incapacidade por Inabilitação......................................................1 – A Fiscalização da Inconstitucionalidade..................................................105 3....107 Capacidade Jurídica..................................................................................................................................104 Direitos Potestativos Extintivos..................109  Incapacidade por Interdição............................1 – Direito Subjectivo propriamente dito e Dever Jurídico...........................105 Direitos Públicos e Privados...105 Direitos Absolutos e Relativos.......112 Coisas Incorpóreas.......................................3 – Facto Jurídico.... Noção ...............4 – A Revisão Constitucional................................................................................107 Pessoas Colectivas........102 3..............................................................................1 – Os Sujeitos......................3 – Efeitos Jurídicos da Inconstitucionalidade.......................................................................96 Conceito..............................................Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Conveniência da Codificação............................104 3......................................................................................................116 Negócios Jurídicos Consensuais....................................108 As Incapacidade de Exercício.....................3 – Algumas classificações de Direitos Subjectivos.............................115 Negócios Jurídicos Unilaterais........................108  Incapacidade por Menoridade...............................................106 Direitos Inatos e Não Inatos.....................................................................................................................117 4................................................................................................115 Negócios Jurídicos Onerosos e Gratuitos....................................................................................................110  Incapacidade Acidental.......100 Tema 5: A Relação Jurídica...................................................................................................................................................111 Prestações...................................................----..106 4.......................................................................................111 Modalidades de Objecto da Relação Jurídica...............................................................111 Possíveis Objectos da Relação Jurídica.101 2...............................................................................................................................113 O Negócio Jurídico ...................................104 Direitos Potestativos Modificativos......................................2 – O Tribunal Constitucional....................................107 Pessoas Singulares........................................................................................................................... Bilaterais ou Plurilaterais ou Contratos ................96 Tipos de Inconstitucionalidade...................118 -4- ..........103 3.............................................................................Garantia das Obrigações .....................97 1......................................................................111 Pessoas..........................................112 Coisas Corpóreas .........116 Negócios Jurídicos Entre Vivos e Mortis Causa......................... ou Solenes........................................................... ou Não Solenes.............................................................104 Direitos Potestativos Constitutivos................................................................................................................................................................................................................................ Estrutura da Relação Jurídica.............................. Elementos da Relação Jurídica..........96 1...................................................................................................................................110 4................................................................................101 1...............................................................................................2 – Direito Potestativo e Sujeição .......112 4.....................................96 1............................................4 – A Tutela Jurídica .98 1..........

..................................................127 2............................................................................................134 A Invalidade........................................................121 A Garantia das Obrigações..................................................................3 – Ilícito de Mera Ordenação Social.......... Ineficácia dos Actos em Contravenção da Norma..................................................................134 A Inexistência Jurídica ...............................................................................................................................4 – Ilícito Intencional e Ilícito Meramente Culposo .....................................................................1 – Ilícito Civil e Ilícito Criminal....131 4...........................................128 Abuso do Direito.119  Tutela Repressiva................................128  Responsabilidade por Factos Ilícitos (baseada na culpa).............. Noção de Ilicitude. Responsabilidade Civil Contratual e Extracontratual ........................128 2.......Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Tutela Repressiva................................................................................ Incumprimento não culposo das Obrigações .....................133 Caso Fortuito............................124 1................................................120  Sanções Compensatórias.................................129  Responsabilidade por Factos Lícitos......... Causas da Exclusão da Ilicitude.........126 1.............................................................................................................................................122 Tema 6: Conduta Ilícita e causas da exclusão da ilicitude.........................................................................................................................120  Sanções Punitivas..........120  Sanções Reconstitutivas.........----..............................130 3..................................................119  Medidas Compulsivas................133 5.......................................128 Formas de Ilicitude.............................................................................................134 Ineficácia em Sentido Restrito.....129  Responsabilidade Objectiva ou Pelo Risco.......................................................................................................124 1............................................................................................2 – Ilícito Disciplinar........135 -5- .....127 1.................................................................1 – Responsabilidade Civil Extracontratual .............................................................................124 1..133 Caso de Força Maior...............................................................126 O Regime das Contra-Ordenações.................................................................................

Porém. -6- .1 – A Natureza Social do Homem “O Homem é um animal social” (Aristóteles)  O Homem é desde o início da humanidade um ser social. que se dirigem à vontade do Homem e se propõem a nortear as suas condutas e. A Problemática Social da Ordem Social 1. ibi jus”  “Onde há sociedade. a Sociedade e o Direito 1. ibi societas”  “Onde há Homem. um dado primário da observação sociológica. desta forma. para além disso. há sociedade”  “ubi societas. pois o Homem sempre procurou. a violação destas normas só as atinge na sua eficácia e não na sua validade (p. assegurar a subsistência da espécie e a realização dos seus fins. podendo mesmo alterá-las.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 INTRODUÇÃO AO DIREITO Tema 1: O Homem. são violáveis O Homem pode violar. Ordem Social ( ordem de liberdade)  as leis ou normas de condutas sociais. pelo que a definição de normas é um dado inerente à própria vida em sociedade. logo toda a ordem social implica um complexo de normas propostas à observância dos seus membros. há Direito” Ordem Social e Ordem Natural A ordem é.  Contudo. contra as normas. ex: a regra “não matar”). a convivência em sociedade só é possível se existir um elenco mínimo de princípios ou regras que pautem a conduta humana.  “ubi homo. por instinto ou necessidade.----. em comunidade. ou mesmo rebelar-se.

----.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 -7- .

ex: posição dos astros).Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Ordem Natural ( ordem de necessidade)  as leis da física ou da Natureza. as leis são inerentes à própria natureza das coisas (p. independentemente da vontade humana. -8- . que exprimem uma relação entre os seres e são invioláveis As suas leis não são substituíveis e aplicam-se de forma invariável e constante.----. ou seja.

existem teses que se pronunciam em sentido contrário:  o Direito é uma consequência da maldade dos Homens e está destinado a desaparecer com o mítico aperfeiçoamento destes  o Direito está ligado à existência de classes sociais e prevê-se o seu desaparecimento com o fim dessas mesmas classes (cariz marxista)  “na sociedade ideal.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1. é através da norma jurídica que o Direito impõe os comportamentos que os indivíduos têm que efectuar.----.2 – A Necessidade de Regras como condição de Subsistência da Vida Social A vida em sociedade só é possível porque os Homens acatam as regras que visam instituir a ordem. É geralmente aceite que o Direito foi e será sempre necessário. a paz. a segurança. a simpatia será universal que não se concebe a possibilidade de acção contraria ao interesse comum (…) os códigos passarão a estar dentro da cabeça dos homens” (Alfred Fouillée) -9- .  Deste modo. No entanto. a justiça e “mediar” os conflitos que inevitavelmente surgem nas relações pessoais.

Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1. trata-se de uma ordem intra-subjectiva. Todas elas exprimem regras que moldam o comportamento em sociedade e que podemos considerar como verdadeiros fundamentos da vida social. ex: remorso e arrependimento). Só com o decorrer do tempo é que se começaram a demarcar e diferenciar umas das outras. da liberdade e da justiça na vida social  critério da exterioridade  ao Direito basta que se observem as normas em vigor. Na sua essência. porquanto parte do lado interno dessa mesma conduta. dirigindo-o para o bem.3 – As Diversas Ordens Sociais Normativas A Ordem Social é muito complexa e na sua composição entram diversas ordens. o cumprimento das normas é imposto pela força. Critérios de distinção entre a Ordem Moral e o Direito:  critério do “mínimo ético”  o Direito limita-se a impor as regras morais cuja observância/cumprimento é imprescindível para a subsistência da paz. as quais pautam aspectos diferentes da vida do Homem em sociedade. porque relaciona a pessoa consigo mesma (com a sua consciência) A violação destas regras pode implicar uma censura por parte da própria pessoa que a violou.  Ordem Moral  É uma ordem de condutas que visa o aperfeiçoamento do indivíduo. . ou seja. na Moral as regras são apenas assistidas de uma coercibilidade psíquica e a sua violação dá lugar a sanções puramente éticas Por tudo isto. mas pode originar também a marginalização ou a rejeição da comunidade/círculo social onde estava inserida (p. ex: pensar em matar/matar efectivamente)  critério da coercibilidade  no Direito existem sanções externas. enquanto a Moral exige uma adesão íntima aos valores que estão na base da consciência ética do ser humano (p.10 - . podemos dizer que enquanto o Direito pressupõe sempre uma manifestação exterior da conduta. por outro lado. a Moral não espera por essa exteriorização e antecipase.----.

 Por outro lado. generalidade (abrange todos e não só 1) e abstracção (abrange um conjunto alargado de factos que se incluem na previsão da norma). é a ordem social que é imposta pelo Direito no sentido de conciliar os interesses em conflito.11 - .----. logo trata-se de uma ordem social essencialmente intra-individual e de carácter extra terreno – sentimento extraterrestre (p. .Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Ordem Religiosa  É uma ordem de fé e que é constituída por um conjunto de regras de comportamento entre o crente e o seu Deus. a sua violação implica apenas uma sanção social inorgânica – sentimento de reprovação da comunidade. e tem como objectivo atingir a Justiça. o duelo era a forma mais utilizada para resolver diferendos)  Ordem Jurídica  Ocupa-se dos aspectos mais importantes da convivência social e impõe os comportamentos que os indivíduos têm que efectuar. ex: assistir-se a um espectáculo sem fato de gala pode ser considerado uma intolerável falta de maneiras. antigamente.  Caracteriza-se por ser inter-subjectiva. dotada de coercibilidade. imperatividade. a Segurança e o bem-estar económico. ex: punições ou castigos noutra vida)  Ordem do Trato Social (boa educação)  Exprime-se através dos usos sociais. os quais podem ser de diversa natureza – desde sempre existiram regras de convivência social que tornam muito agradável e fácil o convívio entre os seus membros. Em suma. podendo mesmo levar à segregação do infractor (p.

relações de coincidência (p. ex: o duelo que era proibido por lei e cuja não aceitação implicaria a desclassificação social) .  Direito e Ordem do Trato Social  Entre o Direito e a Ordem do Trato Social verifica-se.  Existem. podemos também encontrar relações de indiferença – preceitos jurídicos meramente organizativos ou técnicos (p. ex: despenalização do aborto contra os preceitos religiosos). ex: regras de trânsito) e de conflito (p. ex: casamento católico assumiu relevância na ordem jurídico-legal) e mesmo de conflito (p. por parte do Direito (p. ex: os funcionários públicos têm que tratar com respeito os utentes. também. ir à missa).----. Porém.  Direito e Religião  Entre o Direito e a Religião predominam as relações de indiferença. limitando-se o Direito a garantir o livre exercício da actividade religiosa (p. ou mesmo de coincidência – caso de alguns usos sociais que se desenvolveram na prática e que ganharam eficácia coerciva com o seu elevar de categoria. sobretudo. o estabelecimento de uma taxa de serviço legalmente cobrada foi uma tentativa “mal-sucedida” para acabar com a gorjeta). relações de indiferença. ex: santificação do Domingo.12 - . ex: a despenalização do aborto nalgumas sociedades).Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 As Relações entre as diversas Ordens Sociais Normativas  coincidência  indiferença  conflito (ordens são irrelevantes para a Jurídica)  Direito e Moral  Entre o Direito e a Moral existe largas zonas de coincidência. pois seria muito difícil conceber a ordem jurídica totalmente contrária aos conceitos morais vigentes na sociedade. pode-se dar o caso de existir uma relação de conflito (p. .  Todavia.

pelo contrário.----. Para além disso. ou.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 SUMA:  Como já vimos. ex: despenalização do aborto ou do consumo das drogas leves). uma norma pode pertencer a várias ordens sociais (p. pode deixar de ser jurídica mantendo-se apenas moral ou religiosa (p. “não furtar”). pode adquirir carácter jurídico quando antes era apenas um simples uso social.13 - . ex: “não matar”. .

Por regra. abstracto e coercível. recorrendo.14 - . colocando os cidadãos uns perante os outros num plano de igualdade jurídico-social. Características das Normas Jurídicas A norma jurídica – “comando geral. tanto os preventivos como repreensivos – sanções aplicáveis (consequência desfavorável que recai sobre quem violou uma regra jurídica). determinando-lhes o estatuto funcional e organiza os processos jurídicos de actuação da função primária. prescrevendo-lhes deveres e definindo-lhes responsabilidades  a ordem jurídica estabelece as regras de organização da sociedade e das instituições sociais – função secundária ou organizatória  materializa-se através das instituições. Nesta função. aos meios de protecção.----. para tal. ainda que seja pelo uso da força. Funções da Ordem Jurídica  a ordem jurídica funciona como principio de acção da conduta do Homem na sociedade – função primária ou prescritiva  surge como fundamento normativo da conduta social. os comportamentos diários dos indivíduos estão de acordo com as normas jurídicas. atribuindo-lhes poderes. emanado da autoridade competente” – possui determinadas características:  imperatividade  generalidade e abstracção  coercibilidade . a ordem jurídica constitui o seu próprio sistema ou ordenamento jurídico.4 – Ordem Jurídica e Ordenamento Jurídico  O Ordenamento Jurídico é uma função essencial do Direito e consiste na ordenação das relações sociais.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1. todavia quando isso não acontece e alguém comete actos ilícitos a Ordem Jurídica procura defender-se. garantindo a sua coerência pela instituição de órgãos (tribunais) que impõem o cumprimento das sanções que aplicam pelo desrespeito das normas.

isto é. Coercibilidade  sanções aplicáveis   Consiste na susceptibilidade de aplicação coactiva de sanções. ex: Uma lei que imponha aos proprietários de certa região o arranque de determinadas espécies arbóreas)  A 1ª parte corresponde à generalidade. porque impõe ou ordena certo comportamento (obriga a adoptar uma conduta).  (p.  Abstracção  A norma abarca um número indeterminado de casos ou uma categoria mais ou menos ampla de situações e nunca situações concretas ou individualizadas. será que designa a mesma realidade? Será que o Direito inclui ou não alguns elementos implícitos na noção de Ordem Jurídica? .15 - . (a norma pode ter como destinatário uma única pessoa – competências e deveres do Presidente da República). contendo em si mesma a representação da situação futura → casos que contempla no futuro  estatuição → conduta que a norma impõe perante a situação previsível  sanções aplicáveis → sanção a aplicar caso a estatuição não seja cumprida Direito e Ordem Jurídica Tanto quando falamos em Direito como em Ordem Jurídica referimo-nos a complexos normativos. Generalidade e Abstracção  previsão da norma   Generalidade  A norma jurídica refere-se a toda uma categoria mais ou menos ampla de pessoas e não a destinatários singulares determinados – pessoas em concreto. enquanto a 2ª diz respeito à abstracção.  previsão da norma – a norma jurídica fixa padrões de conduta (comportamentos) que regulam situações. caso a norma seja violada (susceptível de imposição coactiva de sanções).Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Imperatividade  estatuição da norma  A norma contém um comando.----. Todavia. casos concretos da vida que se espera venham a acontecer (previsíveis).

existindo independentemente delas lá estarem ou não (entidade perdurável na sociedade)  entidade regulamentada/estruturada pelo Direito  entidade dotada de personalidade colectiva – constituída por determinados órgãos.----. podemos utilizar uma ou outra expressão com relativa indiferença. é constituída por:  as Instituições  os Órgãos  as Fontes de Direito Por outro lado. ao Direito atribuímos um sentido mais restrito. para denominar a realidade social que está na base de tais relações – o próprio fenómeno disciplinado pelas ditas normas  o sistema de Regras  as situações Jurídicas  transcende as pessoas que a compõem e servem. na prática. Assim. abrangendo apenas os últimos dois elementos enunciados  complexo de regras gerais e abstractas que organizam a vida em sociedade e as situações jurídicas que resultam da aplicação dessas regras. As Instituições  Linguagem corrente → acção ou efeito de instituir. ou então. cujos representantes exprimem a vontade funcional  possuem uma base orçamental. é necessário referir que.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Actualmente. No entanto. sendo que funda qualquer coisa de estável e durável – fixar. quando não seja preciso distinguir Ordem Jurídica e Direito. humana e material  parte integrante do poder político de e da cultura . estabelecer e ordenar  Linguagem jurídica → instituição designa complexos normativos que regulamentam um determinado tipo de relações sociais. podemos considerar que a Ordem Jurídica engloba mais elementos e é algo mais amplo e global que o próprio Direito.16 - .

Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  instituição familiar – é aquela que tem por objectivo a regulamentação de relações de procriação e de sangue entre os indivíduos. ex: teatros. contratos. ex: casamento. poder paternal…)  instituição educativa – é fundamentalmente o processo de socialização formal dos jovens. polícia. procurando integrá-los como membros responsáveis da educação. artísticas. filiação. e expressa-se nas crenças e formas de culto (p. partidos políticos. ex: Estado. museus. bem como a socialização inicial dos novos membros de cada geração (p. através de um dispositivo complexo de ensino (p. científicas e desportivas (p. academias. ex: propriedade. comerciais…)  instituição política – tem por objectivo a satisfação da necessidade de administração geral e de ordem pública das sociedades (p. relações diplomáticas…)  instituição religiosa – visa satisfazer a necessidade social fundamental do Homem. industriais. empresas. ex: Igreja…)  instituição cultural – procura a promoção de condições que facilitem a criação de manifestações culturais. centros de investigação…) . ex: escola. enquanto ser relacionado com Deus ou com os deuses. exército.----.17 - . distribuição e consumo de bens e serviços na sociedade (p. adopção. associações profissionais. universidade…)  instituição económica – regula a produção.

. a segurança e o bem-estar económico Os diversos sentidos do termo “ Direito” Distingue-se:  Direito Subjectivo – exigir a outrem um determinado comportamento ou acção (poder ou faculdade.18 - . de agir ou não de acordo com o conteúdo daquele)  Direito Objectivo – norma ou conjunto de normas jurídicas Para além disso. conferidos pela lei ao titular de um direito objectivo. pois decorre da vivência em sociedade do Homem que é necessário regular para garantir a paz social. o Direito Subjectivo pressupõe. a existência do correspondente Direito Objectivo.  Justiça Distributiva  J. por fim.  ao que é devido pelos membros da sociedade uns aos outros. Por outro lado.----. a justiça.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1. pois. e.5 – O Direito como Produto Cultural Conceito de Direito  Direito é constituído por um conjunto de normas de conduta social emanadas pelo Estado e garantidas pelo seu poder  o Direito é um fenómeno humano e social. Legal (ou Geral) Estas modalidades correspondem a três tipos de relações.  ao que estes devem à sociedade. trata-se de uma palavra ambígua e difícil de analisar. Comutativa (ou Correctiva)  J. conforma a justiça  se refere ao que a sociedade como um todo deve aos seus membros. Valores Fundamentais do Direito  Justiça O principal fim a atingir pelo Direito é a Justiça – o seu valor fundamental.

embora a sua concretização não seja fácil nem pacífica. Porém. SUMA:  Todos estes tipos de justiça podem levar a situações de injustiça. dos fins da sociedade ou do bem comum.19 - . as necessidades…). a maioria dos Estados reclama a justiça como um dos seus fins (sobretudo. ex: se o Pedro vende um apartamento ao João. quando não se pondere devidamente a natureza e o valor intrínseco da pessoa humana ou não se tenha uma visão adequada das exigências individuais. Actualmente. e abrange tanto as trocas voluntárias ou lícitas como as involuntárias ou ilícitas (p. através de políticas apropriadas. ex: impostos que são progressivos). por excelência.----. visando restabelecer ou corrigir os desequilíbrios que surgem nas relações interpessoais. Opera segundo um critério de igualdade simples. pelo menos. no que concerne aos encargos que lhes são exigidos como contribuição para o bem comum e que devem ser repartidos (p. evitar que se agravem os já existentes. este deve pagar-lhe o valor equivalente ao apartamento). visto que estes são administradores do bem comum.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Justiça Distributiva  Diz respeito à repartição de bens comuns que a sociedade deve fazer por todos os seus membros. segundo um critério de igualdade proporcional. dos governantes. nas vertentes comutativa e distributiva). .  Justiça Comutativa ou Correctiva  Regula as relações dos membros da sociedade entre si. É a justiça. que se traduz na equivalência das prestações.  Justiça Geral ou Legal  Relações entre a sociedade e os seus membros. cabe ao Estado. dada a variabilidade dos critérios usados e as diversas visões sobre a realização da justiça. corrigir as desigualdades ou desequilíbrios que surgem ou. que atende à finalidade da distribuição e à situação pessoal de quem a recebe (segundo o mérito.

as leis devem ser claras. não devem suscitar dúvidas e devem ser do conhecimento geral  visa atingir o rigor e a objectividade . que permitam uma interpretação mais ou menos subjectiva e arbitrária do intérprete  certas formalidades que a lei exige para a validade ou prova de determinados actos jurídicos SUMA:  Assim. I– Segurança como sentido de paz social O Direito visa garantir a convivência pacífica entre os homens. cabe dizer que a justiça representa um ideal pelo qual se deve nortear o ordenamento jurídico e que implica um constante e duro esforço para a sua realização concreta. pois está directamente ligada à utilidade. prevenindo e solucionando os conflitos que surgem inevitavelmente na vida social – missão pacificadora. genéricas. claras e abstractas que não dêem margem a ambiguidades. perante as circunstâncias e a contínua evolução da vida social. susceptíveis de serem conhecidas. porquanto se encontra num valor de hierarquia inferior.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Por isto tudo. devem ser publicadas oficialmente para garantir o conhecimento e compreensão de todos  evitar as lacunas nas leis.20 - . não deixa de ser indispensável à vida social.----. ou seja. pois corresponde a uma necessidade de previsibilidade e estabilidade na vida jurídica – é necessário que cada um possa prever quais as consequências jurídicas dos seus actos e saber aquilo com que pode contar. Existem inúmeras disposições nas quais se manifesta a preocupação de atender à certeza e estabilidade nas relações jurídicas:  leis genéricas. II– Segurança com sentido de certeza jurídica Exprime a aspiração a regras certas. abstractas. às necessidades práticas e às urgências da vida.  Segurança Embora não tenha a projecção da Justiça. para além disso.

Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  princípio da não retroactividade da lei procura evitar-se que as leis venham a produzir efeitos imprevisíveis e a alterar situações ou direitos adquiridos. gratuidade na escolaridade obrigatória ou nos serviços de saúde. Relação entre o Direito. Com efeito. a realização da justiça e segurança simultaneamente apresenta grandes dificuldades. que o leva inclusive a assegurar aos cidadãos condições materiais de vida dignas (p. os dois fins primordiais do Direito são a Justiça e a Segurança.  princípio do caso julgado  não há possibilidade de recurso ordinário contra decisões transitadas em julgado.21 - . porque a regra é a de que a lei só dispõe para o futuro Esta regra tem como objectivo que a pessoa não seja punida por um acto que na altura em que o cometeu não era considerado “crime”. a Justiça e a Segurança Como vimos. devido à importância dos direitos económicos. III– Segurança no seu sentido mais amplo O Direito deve “proteger os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos e os defender das eventuais arbitrariedades dos poderes públicos ou abusos de poder”.----. Contudo. ou que venha a sofrer uma sanção mais grave do que a prevista no momento do “crime”. 20º. pelo que há que prever situações de tensão ou conflito entre estes dois valores e tentar resolvê-las da maneira mais adequada – na prática. . pois a finalidade é conjugar ambos. 266º e 268º). etc). pensões sociais. sociais e culturais dos cidadãos correspondentes à nova escala de objectivos e funções do Estado. o que significa que não se pode afastar totalmente de qualquer desses valores. Em qualquer dos casos. ex: as leis que estabelecem níveis salariais mínimos. pelo que o Direito umas vezes dê prevalência à justiça sobre a segurança e outras vezes o inverso. o caso objecto de decisão judicial não pode ser reposto perante os tribunais. existe retroactividade da lei quando a nova lei é favorável ao arguido. ou seja. surge uma limitação do poder político em benefício dos direitos e liberdades reconhecidos aos cidadãos – esta segurança é garantida por alguns artigos da Constituição (18º. a compatibilização da segurança com a justiça não é fácil. o sacrifício tem de ser parcial. Contudo. Hoje em dia ampliou-se ainda mais este último sentido da segurança.

para além da justiça. culturais. extremamente variáveis. por causa do caso concreto (situação específica) em relação à lei genérica. para que. daí que os legisladores limitem a sua aplicação.  Porém. poderia implicar sérios riscos de incerteza e insegurança. a equidade sai da legalidade e toma uma decisão sua. sendo-lhes impossível prever todos os casos singulares. Todas estas realidades evoluem incessantemente. tem como fim a segurança jurídica.  Deste modo.----. ideológicas. consideradas as circunstâncias particulares que os acompanham.  Seria então mediante a equidade que se resolveriam estes casos. procurando-se uma certa racionalidade na criação do Direito. terá sempre de existir prudência a regular o doseamento destes dois valores.22 - . porque dá lugar a um largo campo de actuação pessoal do julgador. Civil estabelece as condições para a resolução com recurso à equidade). económicas. por conseguinte. da qual se afasta. políticas e. o recurso à equidade. mas sempre tendo em conta o valor justiça (garantir que o Direito é justo). Cultura e Ideologia O Direito enquanto obra do espírito humano é um fenómeno cultural e. podem acontecer soluções que não se mostrem as mais adequadas e justas na sua aplicação a determinados casos concretos. em grande parte devido à propagação das ideologias pelos meios de comunicação social. a fim de que este cumpra a sua missão de realizar a ordem segundo a justiça. Por tudo isto.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Enfim. pois o Direito. . a Ordem Jurídica portuguesa é muito restritiva na admissão da equidade (o artigo 4º do Cód. atendendo às particularidades de cada caso. Desta forma. a equidade adapta-se melhor ao caso concreto do que a solução estabelecida na lei. Direito. A Equidade  Como já estudámos. as normas jurídicas são genéricas e abstractas. ou seja. encontrasse a solução mais justa. fortemente influenciado pelas realidades sociais. facultando-se ao juiz o afastar-se da norma. como tal.

por consequência.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Ideologia designa um conjunto mais ou menos alargado de crenças que influenciam os grupos ou que legitimam as respectivas formas de acção na sociedade.  Muitas vezes o Estado para atingir os seus objectivos. nomeadamente os de carácter económico e social. recorre a um conjunto complexo de normas – engenharia jurídica.23 - . de acordo com as ideias e o espírito das instituições ao serviço das quais estão. e é através dessas políticas que o Estado tenta acabar com os conflitos de interesse. assim.  As ideologias são factores de propulsão para a evolução social e. tendo em vista um projecto colectivo de organização social. O critério ideológico tem sido o mais utilizado para distinguir as várias Ordens Jurídicas.----. . mas o Direito é também muito importante para a imposição de uma ideologia – sem o qual ela nunca se imporia. o Direito surge como um instrumento de realização das acções do Estado. para o Direito.

direito do consumidor. suscitando práticas e costumes novos. o de estimular a mudança de mentalidades. em áreas que interferem na sua qualidade de vida. assim.----. pela rapidez com que ocorre e pelos vários domínios que abrange.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1. com o objectivo de adaptar a legislação às novas realidades. ex: direito a um ambiente sadio. de modos de vida e novos valores. As novas tutelas regulamentam interesses antigamente difusos. abrangendo. bem como de aspectos das práticas científicas (p. o Direito enquanto ciência social e fenómeno cultural tem de acompanhar essa mudança. O papel do Direito será. Assim. resistir à importação de atitudes. ex: manipulação genética.  Deste modo. transplante de órgãos. direito à cultura). a qual está em constante mudança.  Devido à tomada de consciência que os cidadãos foram adquirindo ao longo do tempo. tornaram-se uma exigência social.6 – O Direito e a Mudança Social A mudança social caracteriza-se. entre os quais da igualdade. . Por exemplo. actualmente. cultural e económica da sociedade contemporânea. do Ambiente e da Informação. a regulamentação das políticas de Defesa do Consumidor.  Interesses difusos: estão previstos em disposições legais que protegem áreas de interesses pluri-individuais (p. mas sim a todos no geral. e o legislador tem de estar atento. esses interesses passaram a ser objecto de tutela jurídica. etc). De facto. a qualquer sociedade.24 - . graças à difusão (novas tecnologias da informação) qualquer acontecimento tem consequências mundiais e é difícil. uma pluralidade indeterminada ou indeterminável de sujeitos – não diz respeito a ninguém em particular. a Constituição de 76 introduziu novos e importantes princípios. desta forma.

Kennedy foi o primeiro a reconhecer os direitos:  o direito de escolher  o direito de se fazer ouvir  o direito de se fazer representar  o direito a uma justiça pronta A partir dessa altura. as suas atribuições situam-se. pois actuam na salvaguarda dos seus direitos. No quadro dos organismos oficiais possuímos o Instituto do Consumidor.----. Com efeito. financeiros e sociais  informação e educação  protecção jurídica Em Portugal. porquanto até aí não lhes eram.25 - . essencialmente. que resultaram da organização dos mesmos. reconhecidos quaisquer direitos. F. começaram a formar-se associações para a defesa dos consumidores. os direitos dos consumidores e o poder político assumiu a obrigação de os salvaguardar em diferentes domínios (artigo 60º da CRP e artigo 3º da Lei da Defesa do Consumidor):  saúde e segurança  interesse económicos. a DECO foi a primeira associação de defesa do consumidor e ainda desempenha um papel muito importante. nomeadamente no domínio da informação e educação do consumidor.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Direito do Consumidor Os direitos dos consumidores são o resultado da constatação de que os consumidores são os principais agentes económicos numa economia de mercado. no domínio da informação e educação dos consumidores. e ainda hoje constituem o meio mais adequado para a representação dessa classe. bem como na promoção de políticas de salvaguarda dos direitos dos consumidores – desempenha funções de apoio ao consumidor. assim. do apoio às suas organizações. O Presidente J. . Surgiram.  Instituto do Consumidor  Este organismo público não possui poder de decisão para resolver os conflitos de consumo.

----- Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Direito do Ambiente “O Direito do Ambiente é o primeiro ramo do Direito que nasce não para regular as relações dos homens entre si, mas sim para tentar disciplinar as relações do Homem com a Natureza – os direitos do Homem sobre a Natureza, os deveres do Homem para com a Natureza e, eventualmente, os direitos da Natureza perante o Homem” (Diogo Freitas do Amaral) Em 1987 foi publicada a Lei de Bases do Ambiente.  Lei de Bases: como o próprio nome sugere, é uma base para leis, ou seja, o que lhe dá vida são os diplomas regulamentares. À LBA, embora tenha sido regulamentada nalguns sectores, falta-lhe o essencial: os princípios da responsabilidade civil, isto é, os instrumentos jurídicos que tornam qualquer lei eficaz e, ainda, a ausência de uma acção fiscalizadora efectiva, permanente e sem transigências. Em 2000, adoptou-se em Portugal um diploma que visa ser uma resposta à poluição sonora e, mais especificamente, ao ruído (artigo 1º do Regulamento Geral do Ruído). As associações de Defesa do Ambiente têm, por sua vez, um papel pedagógico importante na defesa do meio ambiente e da qualidade de vida dos cidadãos, o que lhes é reconhecido pelo poder político – têm direito de participação e intervenção na vida pública. Direito da Informação Após o 25 de Abril de 74 existiu a abolição da censura e do exame prévio (artigos 37º
e 40º da CRP – direitos e deveres que devem reger o direito de informação).

Com a publicação da Lei da Imprensa de 1975 foram definidos o Estatuto do Jornalista e a Orgânica das Empresas Jornalísticas. Posteriormente, surgiram novas leis para regulamentar o exercício da actividade de radiodifusão e do regime da actividade da televisão.

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----- Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 2. A Pessoa, Fundamento e Fim da Ordem Jurídica

2.1 – Noção de Personalidade Jurídica
O Direito serve o Homem e só a sua existência (da sociedade) justifica a Ordem Jurídica e o Direito.  “Hominum causa omne jus constitutum est”  “o Direito é constituído por causa e para o serviço dos homens”  relações jurídicas  são a multiplicidade de relações sociais determinadas pela necessidade da vida em comum e que são tuteladas pelo Direito; relação entre as pessoas do ponto de vista jurídico atribuição

“Direitos” e “Deveres jurídicos” aos sujeitos de direito

 são pessoas em sentido jurídico (na linguagem jurídica, “pessoa” significa ser sujeito/titular de direitos e obrigações e não há coincidência com a noção de “ser humano” – p. ex: os “escravos” não eram considerados pessoas) e, como tal, são dotados de personalidade jurídica  personalidade jurídica  aptidão para se ser titular de relações jurídicas, ou seja, de direitos e obrigações; susceptibilidade de ser titular de direitos e obrigações jurídicas  A personalidade jurídica adquire-se com o nascimento completo e com vida e cessa/extingue-se com a morte do ser humano. Assim, a personalidade jurídica corresponde a uma exigência da natureza e da própria dignidade do Homem, que deve ser reconhecida pelo direito objectivo, no sentido de garantir a vida social pacífica e ordenada – indispensável para que cada homem, nas suas relações com os outros, realize os seus fins e interesses. de gozo – adquire-se com o nascimento e com a personalidade  Capacidade Jurídica
jurídica (crianças têm e não têm cap. jurídica de exercício)

de exercício

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----- Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05

2.2

Os

Direitos

Fundamentais

dos

Cidadãos:

Direitos,

Liberdades e Garantias
direitos do Homem  direitos inerentes à própria natureza e essência do Homem e que, por isso, possuem um carácter inviolável, intemporal e universal direitos fundamentais  o legislador garante-os no Direito Positivo, ou seja, são os Normalmente, foram declarados:  direitos da 1ª Geração  direitos civis e políticos  direitos da 2ª Geração  direitos económicos, sociais e culturais  direitos da 3ª Geração  direitos de solidariedade (p. ex: direito à paz, ao
desenvolvimento, ao ambiente, aos recursos naturais…) ou direitos novíssimos

direitos do Homem reconhecidos pela Constituição

dividem-se/agrupam-se em três gerações, conforme as etapas/épocas históricas em que

Grande parte dos direitos fundamentais tem carácter civil ou político e os mais importantes/com maior significado são:  direito à vida  direito à liberdade e segurança  direito a uma administração equitativa da justiça  direito ao respeito pela vida privada e familiar, pelo domínio e pela correspondência  direito à liberdade de pensamento, consciência e religião  direito à liberdade de expressão e opinião  direito de casar e constituir família Constituição da República PARTE I  Título I, “os princípios gerais”  Título II, “os direitos, liberdades e garantias pessoais” (1ª Geração)  Título III, “os direitos e deveres económicos, sociais e culturais” (2ª Geração)

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o seu nome. a sua imagem. e embora os direitos do Homem se encontrem presentes na grande maioria das Constituições de todos os países. ex: sanção penal como a “prisão”). embora a sua violação possa implicar uma reparação monetária  absolutos – corresponde-lhes um dever geral de respeito por parte de todas as pessoas Deste modo. Civil. etc. a sua integridade física. ex: requerer-se a apreensão de uma publicação que incluía um artigo ou uma fotografia que violava o “direito à intimidade privada” de uma pessoa). a sua liberdade física e psicológica. os direitos de personalidade encontram-se no artigo 70º e seguintes do Cód. que se assiste nos Estados contemporâneos. ex: a aplicação de uma sanção civil como a obrigação de “indemnizar” os danos causados) e penal (p. são várias as noticiais que dão conta de atropelos diários a esses direitos. Os Direitos de Personalidade  Os direitos de personalidade são os direitos fundamentais que estão ligados à personalidade jurídica (nem todos o estão). e que se impõem ao respeito de todos os outros. São verdadeiros direitos subjectivos que incidem sobre a vida da pessoa. a intimidade sua vida privada. Têm esta designação um certo número de poderes jurídicos pertencentes a todas as pessoas por força do seu nascimento. bem como a adopção de determinadas medidas adequadas às circunstâncias do caso (p.----. a violação de um direito de personalidade desencadeia responsabilidade civil (p. Para além disso. Para além disso. Classificam-se como:  gerais – todos os possuem  não patrimoniais ou pessoais – não são susceptíveis de expressão pecuniária. Por isto. . estas organizações têm como objectivo denunciar as violações aos direitos do Homem. são muitas as organizações (estatais ou privadas) que promovem iniciativas com vista à defesa dos direitos humanos. ou só civil. do infractor.29 - .Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Contudo. a sua honra.

(capacidade de poder eleger ou ser eleito para cargos públicos. proporcionando as condições necessárias para que os cidadãos os possam gozar e exercer plenamente”  São os direitos que atribuem aos cidadãos o poder de cooperarem na vida estadual ou no exercício de funções públicas.Título II. ou de manifestarem a sua própria vontade para a formação da vontade colectiva. 24º a 47º  direitos políticos – CRP .art. através de um conjunto de preconceitos que definem o estatuto de cada um de nós na sociedade politicamente organizada.30 - . como criar incentivos.----. isolada ou colectivamente. São direitos subjectivos que o Estado reconhece aos indivíduos. 48º a 52º  Direitos Civis “O Estado deve respeitar o espaço de autonomia dos cidadãos no gozo e exercício dos direitos civis – trata-se de uma posição essencialmente passiva”  São os direitos dos indivíduos enquanto tal e que decorrem da livre actuação dos indivíduos em sociedade. ou a faculdade de poder contribuir para a tomada de decisões públicas e participação na vida pública) Exemplos:  direito de voto  direito de acesso a cargos públicos  direito de constituição de partidos públicos .Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Direitos Civis e Políticos (surgiram após a Revolução Francesa e a Declaração da Independência dos EUA)  direitos civis – CRP . capitulo I . Exemplos:  direito à vida  direito a constituir família  direito à liberdade de expressão e informação  Direitos Políticos “O Estado deve não só respeitar os direitos políticos.Título II. capitulo II art.

31 - .----.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  direito de petição .

capitulo II art. através. da Administração Pública. capitulo III art.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Direitos Sociais. essencialmente. 63º a 72º  direitos económicos – CRP . Económicos e Culturais (surgiram após a Revolução Industrial)  direitos sociais – CRP . 58º a 62º  direitos culturais – CRP .Título III.Título III. o Estado. 73º a 79º  Direitos Sociais “Perante os direitos sociais.32 - .art. cultura e ciência  direito ao ensino . consoante a natureza do bem juridicamente tutelado” (Marcelo Rebelo de Sousa)  Direitos Económicos Exemplos:  direito ao trabalho  direito de propriedade privada  Direitos Culturais Exemplos:  direito à educação.----. capitulo I . deve efectuar as prestações concretas que lhe corresponde”  São fundamentalmente as faculdades que se traduzem na exigência ao Estado da prestação de bens e serviços indispensáveis para a consecução (garantia) de condições mínimas de vida em sociedade.Título III. Exemplos:  direito à segurança social  direito à saúde  (direito ao trabalho)  (direito à educação)  Dentro dos direitos sociais distinguem-se ainda “os direitos económicos e os culturais.

defendendo-se. Direito ao Desenvolvimento e Direito do Ambiente Todos concordam que o desenvolvimento económico é preciso. ou seja. . ao mesmo tempo. porquanto a maioria dos governos está de acordo num ponto: a industrialização e o desenvolvimento económico não podem ser realizados de qualquer maneira. pois.----. a qualidade de vida e evitando o hipotecar das gerações futuras  preservar e garantir o futuro. mas como efectuá-lo? Podemos construir novas infra-estruturas necessárias sem estudar o seu impacto ambiental? Foi preciso que o ambiente se degradasse muitíssimo para que a maioria dos países se começasse a preocupar. os resultados ainda não são muito satisfatórios. é importante proteger o ambiente e gerir de uma forma adequada os recursos naturais. a despertar e a consciencializar-se para o grave perigo que é de todos – a destruição do planeta Terra Contudo. a cruzada levada acabo por algumas organizações e Estados não parece ter sido em vão. É. nem a qualquer preço. necessário que exista desenvolvimento sustentável. apesar de se multiplicarem as conferências e outras acções nesse sentido.33 - . porque a Terra é um sistema limitado que é urgente defender.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Direitos de Solidariedade Exemplos:  direito à paz  direito ao desenvolvimento  direito ao ambiente e recursos naturais  direito ao espaço aéreo  direito ao fundo dos mares A sua importância e necessidade de efectiva implantação são por demais evidentes e.

por isso. obra da vontade do Homem.----. visto que uma das suas grandes preocupações é a de saber se. uma série de preceitos justos e verdadeiros para todos os povos e todas as épocas. uma pequena perspectiva histórica do Direito Natural.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 2. O Direito Natural era visto como um direito universal e intemporal. com vista à realização da justiça (os seus defensores são os jusnaturalistas) A problemática do Direito Natural tem preocupado os pensadores desde a Antiguidade.3 – A Problemática dos Direitos do Homem Direito Positivo e Direito Natural  Direito Positivo  o Direito entendido enquanto conjunto de normas reguladoras das relações sociais. Aristóteles distinguia o justo legítimo (obra da vontade humana) e o justo natural (revelação da essência das coisas.34 - . . Admitido por uns e repelido por outros. distinto das leis humanas transitórias. imposto pela natureza do Homem e do Mundo). mas ligaram a lei natural à própria lei eterna. para além dos diversos sistemas normativos de cada povo e de cada época. mais concretamente na natureza humana ou emanado de um poder superior e. existe ou não um conjunto de princípios superiores dotados de validade eterna e universal.. • As doutrinas cristãs continuaram o pensamento grego. coloca-se sempre no caminho dos estudiosos do Direito. revestido de autoridade eterna e universal. O Direito Natural na Antiguidade • No século IV a. variável no tempo e de sociedade para sociedade (espaço) (CRP de 1933 e de 1976)  Direito Vigente e Positivo  traduz-se no conjunto de normas pelas quais se rege uma sociedade e que é válido nessa sociedade em dado momento da sua vida (CRP de 76)  Direito Natural  direito fundado na natureza das coisas. ou seja. emana de Deus. De seguida.C.

----. Porém. No topo. como resposta à escola racionalista. Desta forma. Para os defensores desta corrente. a lei humana que é criação da sociedade política. Assim. Locke e Rousseau. por último. e. como se pensava até aí. e à qual ficou ligado o nome de Savigny. O Positivismo Jurídico Desenvolveu-se também no século XIX e rejeitava a metafísica. Decisionismo Um dos seus principais teorizadores foi Karl Schmidt.35 - . São Tomás de Aquino defendeu que o universo resulta de uma síntese harmoniosa de três ordens de leis: a lei eterna.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 • No século XIII. A Escola Histórica do Direito Natural Surgiu no século XIX. desagregando-se numa pluralidade de ideais jurídicos. a lei humana não é mais do que a expressão e concretização da lei natural. a lei eterna. . a qual não pode ser contrariada. o Direito é e só pode ser Direito Positivo – só é Direito a vontade do Estado expressa devidamente através dos órgãos adequados. admite a existência de um Direito Ideal – produto da história de cada povo. Deste modo. abaixo encontra-se a lei natural – considerada como a participação da criatura racional na lei eterna. Defendia que o Direito Natural era fruto exclusivo da razão humana e não de Deus. a lei natural e a lei humana que estão hierarquizadas por esta mesma ordem. emana da vontade de Deus. que se manifestava nos costumes e que era variável no tempo e no espaço. o Direito Natural perde a unidade que o caracterizava. o qual defendeu que o Direito Natural não é mais do que um somatório de decisões ou actos do poder político. cada autor podia construir o seu Direito Natural e proclamá-lo universalmente válido. A Escola Racionalista do Direito Natural Desenvolveu-se a partir do século XVI e integrou nomes como Hobbes. Nega que o Direito Natural seja uniforme e imutável.

é considerada a primeira afirmação oficial dos Direitos do Homem – reconhece os direitos. Nos nossos dias. . Tem sido uma alavanca que se destina a modificar o Direito e a introduzir instituições mais conformes às aspirações da época”  Em cada sociedade. o Direito Natural assume uma certa variabilidade espacio-temporal. de 1215. verifica-se uma revivescência do Direito Natural. actualmente.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 O Direito Natural na Actualidade “o Direito Natural é uma ideologia que aparece nas civilizações já evoluídas e que se reveste de um carácter funcional. Deste modo.----.  Assim. por derivarem da natureza deste” (Castro Mendes) Se durante muito tempo eram os Estados que criavam todas as suas próprias leis. a todo o Homem. Precursores das Declarações:  A Magna Carta inglesa. quer na lei quer na doutrina. esta problemática estendeu-se um pouco a todo o mundo e as leis que reconhecem a dignidade do homem são. reconhecidas e aceites em quase todo o planeta – direitos e deveres são universais e invioláveis. longe da intemporalidade e da historicidade das antigas teorias jusnaturalistas. posteriormente. Declaração dos Direitos do Homem “Uma ideia jusnaturalista que se vem afirmando desde o século VIII é a da declaração de direitos subjectivos que devem ser reconhecidos em toda a parte. pois são abundantes as vozes que reclamam o regresso à “natureza das coisas” e várias as manifestações de ressurgimento da ideia de Direito Natural. os homens podem encontrar conjuntos de princípios que tomam como referência para as suas condutas.36 - . regalias e garantias individuais aos barões ingleses. a luta pela afirmação dos direitos dos cidadãos e dos direitos fundamentais não é mais do que o reviver da aceitação de valores universais referentes à dignidade do Homem. com intensificação dos “laços humanos”.

direito de votar as leis. onde foram consagrados os grandes direitos cívicos e políticos. . etc.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Habeas Corpus Acta. Caso tal prova não seja efectuada. assim:  Carta das Nações Unidas. Internacionalização da Problemática dos direitos do Homem Entretanto. proclamam pela primeira vez que todos os homens são. aprovada em 26 de Agosto de 1789. resultante da Conferência de S. inspiradas na filosofia jusnaturalista. Afirma-se que “os Povos estavam resolvidos a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do Homem. distingue dois tipos de direitos: os do Homem. reconhecidos ao indivíduo face ao Estado e que faziam parte do Direito Positivo. igualdade de acesso aos empregos públicos. de 12 de Junho de 1776. perante quem deve ser efectuada a prova de um motivo válido para a detenção. os quais se destinavam a garantir direitos do Homem. existe uma tendência para o aumento e a internacionalização dos direitos do Homem.37 - .----. e os direitos do cidadão. Primeiras Declarações dos Direitos do Homem Surgem com os primórdios do Constitucionalismo e constam de textos autónomos às Constituições. na dignidade e no valor da pessoa humana. tais como a soberania nacional. com representação de cinquenta estados. que confere a qualquer pessoa encarcerada o direito de requerer a sua apresentação a um juiz. que considera como direitos naturais inerentes ao Homem e inalienáveis pelo cidadão. por natureza. livres e iguais em direitos.  Declaração de Direitos do Estado da Virgínia. bem como da grandes e pequenas Nações…”. surgindo. na igualdade de direitos dos homens e das mulheres. Francisco – realizada a 26 de Junho de 1945.  Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. e Declaração da Independência das Colónias Americanas – Declaração de Filadélfia (4 de Abril de 1776) que. e para fazer face às atrocidades cometidas pelos nazis e a todos os atropelos aos mais elementares direitos humanos. datada de 1679. o juiz deve ordenar a sua imediata libertação.

mais especificamente. dos ciganos.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Declaração Universal dos Direitos do Homem. pois embora não vincule juridicamente os Estados. Em conclusão desta matéria. pressionando a opinião pública e os Estados a tomar medidas – nos últimos relatórios podemos perceber que continuam a existir.38 - . obrigaos moralmente.  Carta de Paris para uma nova Europa. criaram-se a Comissão Europeia dos Direitos do Homem e o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (sede em Estrasburgo). assinada em Roma a 4 de Novembro de 1950. A igualdade dos cidadãos perante o Direito e a proibição de todo e qualquer tipo de discriminação são as suas principais bandeiras. por todo o mundo (p.  Acta Final de Helsínquia. “todos os Estados outorgantes se comprometiam a lutar contra todas as formas de discriminação racial. mas também em todo o Mundo entre. ex: em Timor Lorosae a população foi reduzida a 1/3 graças às torturas.----. cultural.  Conselho da Europa. a fim de salvaguardar e promover o desenvolvimento dos direitos do homem e das liberdades fundamentais. com destaque para a Amnistia Internacional. é considerada como o primeiro instrumento internacional sobre os direitos do Homem. que. nos nossos dias. já referida anteriormente. de 21 de Novembro de 1990. considerado a primeira instituição política europeia com o objectivo de realizar uma união estreita entre os seus membros. onde os Estados participantes reconhecem a estreita relação entre a paz e a segurança não só na Europa. e declaram respeito pelos direitos do Homem e liberdades fundamentais. e no sentido de dar maior eficácia a esta Convenção e de assegurar o respeito pelos compromissos assumidos. Mais tarde. Mais. atropelos diários aos direitos e liberdades fundamentais do Homem. criado em 1949. onde se reconhece expressamente a protecção das minorias. através das suas intervenções e relatórios. sempre se dirá que os Estados modernos democráticos e alguns organismos internacionais se têm empenhado na protecção dos direitos do Homem. abusos e genocídios de que foram vitimas – tal despertou uma grande solidariedade mundial). de 1 de Agosto de 1975. . linguística e religiosa das minorias nacionais”. sendo considerado como o instrumento mais avançado na defesa da realização internacional dos direitos humanos. social. aprovada pelas Nações Unidas a 10 de Dezembro de 1948.  Convenção Europeia dos Direitos do Homem. dá a conhecer muitas das violações dos direitos do Homem que ocorrem no mundo.

ao longo dos tempos. Para além disso. distingue-se entre Direito Privado e Público.----. No entanto. Esta distinção remonta aos jurisconsultos romanos que distinguem entre ius Publicum e ius Privatum. Critérios de Distinção A – Critério da natureza dos interesses Antigamente. todas as normas são elaboradas tendo em conta interesses públicos e privados simultaneamente. tinha como base a qualidade dos interesses que a norma visava tutelar. Assim:  Direito Público  teria como objectivo a satisfação dos interesses públicos (ex: as normas que fixam impostos. do conhecimento de todos e a todos se aplica  ius Privatum  todas as cláusulas insertas nos contratos e testamentos.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Direito Público e Direito Privado  interesses privados  conjunto de normas que regulam interesses predominantemente públicos Estão em causa todas as relações do Homem em sociedade: o Direito reflecte a variedade dessas relações e tem de cindir em tantos ramos quantos os seus grupos fundamentais. este critério foi reformulado e passou a basear-se na natureza do interesse:  Direito Público  constituído pelo conjunto de normas que tutelassem predominantemente interesses da colectividade  Direito Privado  constituído pelo conjunto de normas que tutelassem predominantemente interesses particulares . penas aplicáveis aos diversos crimes. esta diferenciação já não é válida e tem sido polémica.  ius Publicum  tudo o que era tornado público. cujo conhecimento se limitava às pessoas que outorgavam o contrato e só a estas era vinculativa Todavia.39 - . Actualmente. etc)  Direito Privado  visava a satisfação dos interesses privados (ex: as normas que regulam os direitos e deveres dos senhorios e inquilinos) Este critério suscita algumas críticas. existindo por isso alguns critérios. porquanto é difícil saber quando é que a norma regula interesses privados ou públicos.

porquanto o Estado pode actuar nos mesmos termos que qualquer particular (p. caso estes não estejam dotados de imperium – Estado intervém em igualdade com os particulares  Este é o critério que maior unanimidade e menos críticas recebe. qual o interesse predominante. existindo muitas situações de conexão entre eles. também este novo critério levanta algumas dúvidas. mostrando-se o mais adequado actualmente. estes não são dois domínios estanques. B – Critérios da qualidade dos sujeitos De acordo com este critério:  Direito Público  normas que regulam as relações em que intervenha o Estado ou qualquer ente público ou geral  Direito Privado  normas que regulam as relações entre os particulares Este critério também não está isento de críticas. logo passa a distinção a ser feita por critérios de valoração. ex: Direito Privado – contrato de arrendamento Direito Público – relações com o poder soberano Por outro lado.----. ex: quando o Estado celebra com outro ente público um contrato de compra e venda. ou qualquer ente público dotado de poder de soberania  Direito Privado  constituído por normas que regulam as relações entre os cidadãos ou entre estes e o Estado/entes públicos. . na maioria das normas.40 - . pois não possibilita saber. as normas que regulam o referido contrato são as do Direito Privado) C – Critério da posição dos sujeitos na relação jurídica A distinção faz-se de acordo com a posição relativa que os sujeitos ocupam na relação jurídica:  Direito Público  constituído pelo conjunto de normas que regulam as relações em que intervenha o Estado.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Porém.

sendo o contrato em sim uma relação do D.----.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 ex: no contrato de compra e venda existe simultaneamente normas de Direito Privado e Público. Público . Privado. enquanto que o imposto a pagar é uma relação de D.41 - .

mas apenas para dirigir as recomendações necessárias aos órgãos competentes  órgão independente  a sua principal função é garantir a defesa e promoção dos direitos. liberdades.----. garantias e interesses legítimos dos indivíduos e repor a legalidade democrática quando ela for violada – controlo da legalidade  recorre a meios informais. relativamente a factos que lhe cheguem ao conhecimento por qualquer modo ou via .  art. podendo solicitar auxílio às entidades necessárias.º 23º CRP  não tem poder decisório para modificar ou anular quaisquer acto administrativo.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 2.4 – O Provedor de Justiça A figura do Provedor de Justiça foi consagrada após o 25-Abril. as quais têm o dever de lhe prestar todos os esclarecimentos e informações  actua com base em queixas apresentadas pelos cidadãos ou por iniciativa própria.42 - .

pois enquanto o primeiro é uma necessidade. é a afirmação de um poder soberano exercido uniformemente sobre um povo. No entanto. o ser humano consentiu a alienar parte da sua liberdade no sentido de garantir a segurança das pessoas e bens. é. O Estado – Sociedade Politicamente Organizada O instinto gregário do Homem cedo o impulsionou a procurar formas de associativismo que lhe permitissem vencer e aproveitar as formas da Natureza. pois a multiplicidade de interesses individuais tendem a colidir. o segundo representa a disciplina dele. com vimos. Assim.1– Elementos do Estado O Estado apareceu. de facto. ao fazer e impor as leis.  Estado  é uma instituição que se situa acima da comunidade.----. o carácter individualista do Homem fez com que fosse necessário criar mecanismos de defesa da comunidade. O Estado. existe uma forte interdependência entre o Estado e o Direito. Os três elementos do Estado são:  povo  território  poder político . É. um instrumento indispensável para assegurar a vida do Homem em sociedade. desta forma.43 - . que surge o Direito para regular essas relações. através da prestação de serviços importantes para a colectividade – mais progressista e complexa forma de sociedade política. que é dotado de meios capazes de fazer cumprir a lei e que possibilita a realização do bem-estar social. 1. num determinado território Deste modo.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Tema 2: Direito e a Organização da Sociedade: O Estado e a comunidade Internacional 1. para dar resposta aos problemas criados pela Natureza e pela vida social ao Homem.

ex: ex-URSS. nem sempre essa identificação existe. Abrange os destinatários permanentes da ordem jurídica estatal O vínculo que une os cidadãos ao Estado é a cidadania ou nacionalidade.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Povo  é a comunidade de cidadãos ou nacionais de cada Estado. População  O termo população tende a identificar-se com o conjunto de pessoas que residem habitualmente num determinado território e que integra eventualmente cidadãos de outras nacionalidades – conceito de natureza demográfica e económica. Espanha) e nações divididas por mais de um Estado (p. ex.Jugoslávia. o caso dos Judeus antes da criação do Estado de Israel) . A condição de quem faz parte do povo é definida pelo Direito Interno de cada Estado. atribuição da cidadania é feita em função dos laços sanguíneos ou de filiação em relação a nacionais de determinado Estado  ius soli.44 - . ou seja. o qual estabelece as condições de aquisição e perda da nacionalidade. ex. mas também o contrário (p. o agregado de indivíduos constituídos por vontade própria e geralmente com vocação ou aspiração a comunidade política. com aspirações materiais e espirituais comuns. encontrando-se consagrado quer na ordem Jurídica Interna dos Estados quer no Direito Internacional. ex: Alemanha com o muro de Berlim). Nação  Por Nação entende-se uma comunidade estável. ex: o Estado do Vaticano que não tem elemento humano). pois há casos de nações que não são Estados (p. quase sempre. Embora se identifique vulgarmente com o conceito de Estado. Os dois critérios que presidem à atribuição de nacionalidade ou cidadania são:  ius sanguinis. que se funda numa história e cultura comuns e que tem por base. ou seja. um território. Há ainda o caso de Estados que compreendem várias nações (p.----. . a nacionalidade é atribuída em função do local de nascimento O direito à nacionalidade constitui um direito fundamental dos cidadãos. logo o conceito de povo corresponde a um conceito jurídico e político.

 Território Actualmente. fazem igualmente parte do território de um Estado:  navios. O território aéreo abrange todo o espaço aéreo compreendido entre as verticais traçadas a partir das fronteiras e. o Estado exerce também a sua jurisdição.45 - . enclaves e embaixadas do país no estrangeiro O Território do Estado Português é constituído não só por Portugal Continental. como o direito à exploração económica dos recursos marítimos. inclui ainda o espaço sobre o mar.  conjunto de espaço delimitado pelas fronteiras terrestres.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Por outro lado. . O território do Estado compreende o solo e o subsolo (território terrestre). marítimas e aéreas Posteriormente. o controlo da pesca efectuada por barcos estrangeiros. aeronaves e veículos sob bandeira nacional. surgiu a “Zona Económica Exclusiva”. Nestas milhas. não se consegue conceber um Estado contemporâneo sem um território onde exerça plenamente o seu poder soberano. com uma extensão de 200 milhas a partir da costa.----. mas também pelos arquipélagos da Madeira e dos Açores. Por outro lado. em 1973. o espaço aéreo (território aéreo) e o mar territorial (território marítimo). bem como a preservação e investigação científica dos recursos naturais. contadas a partir da costa. mesmo que em território estrangeiro  consulados. só deverão ser considerados cidadãos os indivíduos que estão ligados ao Estado pelo vínculo de cidadania ou nacionalidade. nos Estados ribeirinhos. O território marítimo abrange 12 milhas. O território terrestre é delimitado pelas fronteiras terrestres naturais ou convencionais do Estado e engloba todo o subsolo que lhe corresponde. e onde o Estado apenas exerce certos poderes limitados.

bem como na garantia da execução dessas regras. Nestes Estados. o conceito de Estado pode ter vários sentidos:  num sentido restrito. usando para o efeito os necessários meios de coacção”  autoridade que um povo fixado num território exerce por direito próprio. instituir órgãos que exerçam com relativa autonomia a jurisdição sobre um território. nem sempre detém o poder soberano. através de meios de coacção O poder político pode assumir várias modalidades. põem-se de lado todas estas características e fala-se de Estados não soberanos (EUA. são conhecidos como Estados não soberanos (p. o exercício do poder político está condicionado por um poder diferente e superior e.----. que têm acima de si o estado federal). ou seja. Suíça e Brasil) – estados soberanos e não soberanos . mas nem sempre os Estados são soberanos. o Estado pode definir-se como uma sociedade politicamente organizada. fixa em determinado território. por isso. Desta forma.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Poder Político “a faculdade exercida por um povo de. que lhe é privativo.46 - . A soberania caracteriza-se por ser um poder político supremo e independente:  supremo (plano interno)  porque não está limitado por nenhum outro na ordem interna de um determinando Estado  independente (plano externo)  porque na ordem internacional não tem de acatar normas que não sejam voluntariamente aceites e está ao mesmo nível dos poderes supremos de outros Estados Em todos os países há poder político. e tendo como características a soberania e a independência – estados soberanos  num sentido lato. por autoridade própria. ex: estados Federados do Brasil e EUA. entre elas o poder político soberano ou a soberania. nele criando e executando normas jurídicas. instituindo órgãos governativos  a actuação dos órgãos políticos concretiza-se na criação e execução das normas jurídicas.

dentro do seu domínio. e têm meios para garantir a execução das suas leis no seu território. legislam. .Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Os Estados Federados possuem Constituição própria. a soberania reside apenas no Estado Federal. Assim. governo próprio. pois as suas leis não podem ser contrárias às da Constituição Federal. o qual é composto por vários Estados Federados. não são Estados soberanos.----. Contudo. logo no Estado Federal coexistem as duas formas de poder político (um soberano e outros dependentes).47 - .

----.2 – Poderes e Funções do Estado “toda a sociedade na qual não esteja assegurada a garantia dos direitos. Porém. não se verificavam os abusos de poder que se registavam em locais onde os três poderes estavam concentrados num único órgão – o Rei. Parlamento e Juízes). apesar de estarem todas concentradas no mesmo órgão. executiva e jurisdicional eram exercidas por órgãos diferentes (Rei. de forma a ser necessária a sua colaboração para praticar qualquer acto fundamental do Estado.48 - . na divisão de cada função por vários órgãos distintos. isto é. Posteriormente. o qual possuía a totalidade do poder. mas numa base de interdependência e controlo de poderes e órgãos. enquanto a segunda já remonta à antiguidade. deixou de se falar na “separação de poderes” para se falar na “divisão dos poderes do Estado”. Este constatou que em Inglaterra. onde as funções política. Montesquieu afirmou que a liberdade não existia se o mesmo homem ou o mesmo corpo de magistratura exercesse os três poderes – teoria contra o absolutismo real:  o de fazer leis – poder legislativo  o de executar as relações públicas – poder executivo  o de julgar os crimes e os diferendos entre os indivíduos – poder judicial  para garantir os direitos e liberdades públicas e privadas é necessário que exista a separação dos poderes existentes. . porquanto a primeira é consequência do Estado de Direito.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1. é de realçar que existe uma grande diferença entre “separação de poderes” e “divisão de funções ou tarefas”. visto que o rei e seus demais assistentes exerciam uma diversidade de funções. ou seja. os diversos poderes devem actuar em regime de permanente e harmoniosa colaboração Actualmente. nem determinada a separação de poderes não tem Constituição” A teoria dos poderes tripartidos do Estado surgiu no século XVII e foi formulada pelo filósofo inglês John Locke.

a Saúde.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Fins do Estado Os três principais fins ou objectivos a atingir pelo Estado:  segurança  justiça  bem-estar económico e social  Segurança  segurança individual  o indivíduo necessita de saber que existem normas jurídicas que lhe reconhecem direitos e deveres e que o protegem e defendem dos actos que o perturbem. tais como a Educação.º 9º CRP – tarefas fundamentais do Estado .----. através do acesso a bens e serviços considerados fundamentais para a colectividade. a satisfação das necessidades sociais é feita pelos chamados serviços sociais) Hoje em dia.  art. com o intuito de que cada um possa prever saber quais as consequências jurídicas dos seus actos. Por outro lado. a Segurança Social. a previsibilidade e a estabilidade da vida jurídica são duas características fundamentais nas relações jurídicas. considerados indispensáveis à realização do bem-estar dos cidadãos.49 - . também assumem grande relevância como tarefas do Estado a preservação do ambiente e a protecção e valorização do património cultural. etc (normalmente.  segurança colectiva  defesa da colectividade face ao exterior  Justiça  justiça  visa substituir nas relações sociais o arbítrio da violência individual por um conjunto de regras capazes de satisfazer o instinto natural da justiça  A ordem justa será aquela em que a segurança ao serviço da justiça permita a realização do homem  Bem-estar económico e social  bem-estar económico-social  implica a promoção das condições de vida dos cidadãos.

mediante a livre escolha das opções e soluções consideradas melhores em cada momento – pratica dos actos em que se concretiza a política geral do país  exercida pelo Presidente da República.----. portanto. As funções do Estado são:  função política ou governativa   função legislativa   função administrativa ou executiva   função jurisdicional ou judicial   Função Política ou Governativa  actividade desenvolvida por órgãos do Estado. e visto que o objectivo é assegurar a justiça. Funções do Estado O Estado tem a sua razão de ser na realização permanente dos seus fins e para os atingir é preciso realizar. interdependentes e complementares. Logo. os três fins do Estado são. disciplinando as relações não só entre indivíduos como também com os órgãos estatais  exercida pela Assembleia da República e pelo Governo  Função Executiva ou Administrativa  actividade que tem por fim a execução das leis e a satisfação das necessidades colectivas que se incubem ao Estado  exercida pelo Governo .50 - . um conjunto de actividades a que chamamos funções do Estado. tendo em vista a definição e prossecução dos interesses gerais da comunidade. tornando-a compatível com a segurança e útil ao bem-estar. pela Assembleia da República e pelo Governo  Função Legislativa  actividade pela qual o Estado cria o seu Direito Positivo.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Por outro lado. através dos seus órgãos.

pois a nossa experiência contemporânea mostra-nos que ela não é rígida. esta divisão de podres é mais teórica do que prática.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Função Judicial ou Jurisdicional  actividade cujo objectivo é dirimir/resolver os conflitos de interesses. órgão legislativo por excelência. ex: a AR.51 - . também tem competências legislativas). reprimir a violação da legalidade democrática e assegurar a defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos aos cidadãos  exercida pelos tribunais Porém. principalmente o governativo e o legislativo.----. por outro lado. poderá exercer funções de inquérito e fiscalização. verificando-se uma interdependência de poderes (p. os poderes são interdependentes. órgão superior da Administração Publica. o Governo.  Em suma. .

tem competência para participar no processo de manifestação de uma vontade funcional imediata ou mediatamente imputável ao Estado”  órgão singular: o Presidente da República  órgão colegial de tipo assembleia1: a Assembleia da República  órgão colegial de tipo colégio2: o Conselho de Ministros 1/2 os órgãos distinguem-se conforme sejam constituídos por um número limitado de membros (colégio) ou por um número elevado de componentes (assembleia) 2 .----.3 – Órgãos de Soberania Como já afirmámos anteriormente. através dos seus órgãos. o Estado necessita de desenvolver.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1. num Estado democrático. o que lhes confere alguma representação. o colégio ou a assembleia que.52 - .  estes órgãos são os centros de formação e manifestação da vontade soberana do povo Os representantes dos cidadãos para exercerem determinados cargos são eleitos pelos próprios. o povo exerce a sua soberania.  Órgãos de Soberania  certos órgãos que se encontram em posição dominante no Estado e que decidem independentemente da obediência a ordens de outros órgãos.  Órgão do Estado  “o cargo singular. um conjunto de actividades. É através destes órgãos que. por força do Direito Constitucional vigente.

º 134º CRP) – competência para a pratica de actos próprios  (art. que preencham os requisitos exigidos por lei para votar  directo  porque os eleitores escolhem directamente o PR. por sua vez.º 120º CRP) Eleição  universal  visto que é extensível a todos os cidadãos portugueses com capacidade eleitoral.º 133º CRP) – competência quanto a outros órgãos  (art. É. garante a independência nacional. ou seja. o comandante das Forças Armadas. evitar a longa permanência da mesma pessoa no cargo e respeita-se o princípio da renovação Competência  (art.  Presidente da República O PR representa a República Portuguesa. (art. não se deve confundir o órgão do Estado com o seu titular. não se podendo recandidatar a um terceiro mandato consecutivo – procura5 se. No sufrágio indirecto. elegem o candidato  secreto  pois nenhum eleitor está obrigado a revelar o sentido do seu voto  sistema de representação maioritária a duas voltas  o direito de voto no território português é exercido presencialmente Mandato  anos. a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas. os eleitores votam noutras pessoas que.----.º 135º CRP) – competência nas relações internacionais .Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Os Órgãos de Soberania em Portugal são:  Presidente da República  Assembleia da República  Governo  Tribunais Todavia. assim.53 - . por inerência.

com a duração de um ano cada uma – início a 15 de Setembro.º 164º CRP) .º 161º CRP)  competência de fiscalização (art. podendo exercer o direito de veto (art. entre 180 e 230 deputados Competência  competência política e legislativa (art.º 278º e 279º CRP)  convocar extraordinariamente a AR e dissolvê-la  nomear o 1º ministro e os ministros e demitir o governo  Assembleia da República A AR é representativa de todos os cidadãos.----. salvo aqueles que a lei eleitoral considera incompatíveis e restringe-os (incompatibilidades locais ou exercício de certos cargos)  sistema eleitoral do método de Hondt  técnica de apuramento de resultados (representação proporcional) Legislatura/ Composição  tem a duração de 4 sessões legislativas.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Compete ainda:  promulgar as leis e decretos-lei ou exercer o direito de veto  proceder à fiscalização preventiva da constitucionalidade de uma norma que lhe tenha sido submetido para ratificação.º 162º CRP)  competência quanto a outros órgãos (art. pois apesar de os deputados serem eleitos por círculos eleitorais eles representam todo o pais e não só o círculo pelo qual foram eleitos.54 - .º 147º CRP) Eleição  os deputados são eleitos por círculos eleitorais  são elegíveis todos os cidadãos portugueses eleitores. (art.º 163º CRP)  reserva absoluta de competência legislativa  a AR não pode conceder ao Governo a autorização para legislar sobre essas matérias (art.

ouvidos os partidos políticos representados na AR e tendo em conta os resultados eleitorais (art. no prazo máximo de dez dias após a sua nomeação (art. a rejeição desse programa exige a maioria de Deputados em efectividade de funções e implica a demissão do Governo.º 165º CRP)  Governo O Governo é o órgão da política geral do país e o órgão superior da administração pública.º 182º CRP) Composição O Governo é constituído por:  primeiro-ministro  ministros  secretários e subsecretários de Estado Formação  O primeiro-ministro é nomeado pelo PR.º 198º CRP)  administrativa/executiva (art. Competência  política (art.----. (art. através da prestação de serviços .55 - . através de uma declaração do 1º ministro.º 197º CRP)  legislativa (art.º 190º CRP) Por outro lado.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  reserva relativa de competência legislativa  a AR pode conceder ao Governo a autorização para legislar sobre essas matérias (art.º 199º CRP)  garantir a boa execução das leis e realizar todas as tarefas para garantir o bem-estar dos cidadãos.º 187º CRP) Programa de Governo  O programa de Governo é submetido à apreciação da AR.

º 203º CRP) e as suas decisões são vinculativas. aposentados ou demitidos. pois não estão sujeitos a nada. ou seja. nº2 CRP)  assegurar a defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos aos cidadãos  reprimir a violação da legalidade democrática  dirimir os conflitos de interesses públicos ou privados  independência Características dos Tribunais/Juízes  inamovibilidade  irresponsabilidade  vitalidade Independência dos Tribunais Os tribunais são independentes. nº 2 CRP) Por outro lado. (art. nº2 CRP) . esta independência dos tribunais perante os poderes executivo e legislativo é indispensável à existência de um verdadeiro Estado democrático e traduzse na inexistência de instruções ou ordens aos juízes quanto à maneira de julgar as causas – o juiz decide segundo o critério que considera certo e encontra-se unicamente vinculado à lei. salvo nos casos previstos na lei (art.----. Os juízes possuem os atributos de inamovibilidade e irresponsabilidade:  inamovibilidade  caracteriza-se pelo facto de os magistrados judiciais serem nomeados vitaliciamente e não poderem ser transferidos.º 216º. são obrigatórias e prevalecem sobre as das outras autoridades. nº1 CRP)  irresponsabilidade  dos juízes significa que estes não podem ser culpabilizados e responsabilizados pelas suas acções (art.º 202º. nº1 CRP) Competência (art. (art.º 202º.º 205º.56 - . excepto à lei (art.º 216º.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Tribunais Os tribunais são órgãos de soberania com competência para administrar a justiça em nome do povo. suspensos.

a confiança na justiça dos tribunais garante-se também no facto de as suas sessões serem públicas.  Tribunais Judiciais de 1ª Instância que são em regra tribunais de comarca. que tem jurisdição sobre todo o território nacional e tem sede em Lisboa. Os seus juízes são os Juízes de Direito. por ordem decrescente:  Supremo Tribunal de Justiça.57 - . podem existir na mesma comarca vários tribunais. os quais têm jurisdição dentro do distrito judicial em que se encontram instalados. Os seus juízes são os Juízes Desembargadores. Quando o volume ou a natureza do serviço o justifiquem. (art.º 206º CRP) Categorias de Tribunais  Tribunal Constitucional  Supremo Tribunal de Justiça e os tribunais judiciais de 1ª e 2ª Instância  Supremo Tribunal Administrativo e os demais tribunais administrativos e fiscais  Tribunal de Contas Hierarquia dos Tribunais de Justiça De acordo com a Constituição (art. Os juízes deste tribunal têm o título de Juízes Conselheiros e o seu presidente é eleito pelos seus pares.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Por outro lado.  Tribunais da Relação são em regra tribunais de 2ª Instância.----.º 210º CRP) a hierarquia é a seguinte. . Caso o arguido não concorde com a decisão de um tribunal inferior. este poderá recorrer da decisão proferida para um tribunal de categoria superior. excepto quando o tribunal decidir em contrário para salvaguardar as pessoas ou garantir o seu normal funcionamento.

um carácter abstencionista da vida económica e social. . Assim. gerou situações gravosas para os direitos e liberdades individuais e para a protecção e defesa do bem comum. o facto de o Estado não intervir na vida económica e social.4 – Do Estado de Direito ao Estado Social de Direito O conceito de Estado de Direito surgiu como o resultado de várias técnicas jurídicas de limitação do poder jurídico em benefício dos direitos reconhecidos aos cidadãos. sempre que se julguem prejudicados pela administração pública  No entanto. de modo a assegurar os direitos e liberdades dos cidadãos perante o próprio Estado. aparecendo como reacção ao absolutismo real (omnipresença e intervencionismo grande do rei). Assentava na separação de poderes e:  império da lei  salvaguarda dos direitos individuais tidos como naturais  defesa do princípio da separação dos poderes por diferentes órgãos. possuindo.  Estado de Direito  aquele em que toda a actuação do poder político está subordinada a regras jurídicas. por outro lado.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1.----. Estado Liberal de Direito Surgiu com a Revolução Francesa. Estado Social de Direito As reacções contra o Estado Liberal de Direito começaram a partir de finais do século XIX. ou seja. este tipo de Estado tinha como única função zelar pela defesa e garantia dos direitos e liberdades fundamentais e individuais (civis). o abstencionismo estatal.58 - . para garantir o respeito pelas liberdades e direitos fundamentais  atribuição aos tribunais da competência de zelar pela legalidade  possibilidade de recurso dos cidadãos para os tribunais.

deve estar sujeito ao controlo parlamentar e à fiscalização jurisdicional. o que deu origem ao Estado Social de Direito. executivo e judicial  legalidade da administração  direitos e liberdades fundamentais: garantia jurídico-formal e efectiva realização material  Império da lei A lei é a expressão da vontade geral/popular. como executor de leis.----. contudo. executivo e judicial Esta divisão não deve ser entendida de uma forma absoluta e rígida.  Estado de Social de Direito  procurou evitar as características demasiado individualistas e abstencionistas do Estado Liberal de Direito. . a lei ordinária/comum (revisão sem grande exigência para a sua alteração – leis e decretos-lei) relaciona-se e subordina-se à lei fundamental.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Posteriormente. Tradicionalmente. os requisitos do Estado Social de Direito são:  império da lei  separação de poderes: legislativo. O poder judicial deve ser totalmente independente para garantir o combate à arbitrariedade do poder político e ao atropelo dos direitos fundamentais. então. ou seja. pelo que tem de ser acatada quer pelos cidadãos quer pelo Estado. a separação do poder judicial é o essencial nesta divisão de poderes. as crises que se seguiram à 1ª e 2ª Guerras Mundiais e a evolução nos sistemas democráticos/liberais do Ocidente fizeram com que o Estado abandonasse a sua posição abstencionista. uma política decididamente intervencionista de forma a garantir simultaneamente a manutenção do capitalismo como sistema económico e a consecução do bem-estar geral.  Separação de Poderes: legislativo. que é a Constituição (a revisão constitucional é um processo mais agravado e exigente). exercendo uma função correctiva das desigualdades e supletiva (o Estado substitui a iniciativa privada em áreas fundamentais) em relação à iniciativa privada.59 - . Por outro lado.  Esta concepção pressupõe. deixar de reconhecer a iniciativa e as liberdades privadas. Já o Governo. sem.

requerer aos órgãos competentes a inconstitucionalidade de leis contrárias aos seus direitos e liberdade fundamentais. Mais.º 2º CRP – A Constituição Portuguesa acolheu esta designação . ainda. Deste modo. postula a democracia representativa e pluralista. isto é.----. mais adequado falar em Estado de Direito Democrático. os cidadãos podem. assim.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Legalidade da Administração Este princípio pode ser enunciado como uma exigência da submissão da administração à lei. a garantia e a realização efectiva dos direitos fundamentais do Homem pelo Estado.  Garantia Jurídico-formal e efectiva realização material dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos O que se pretende é a protecção. os cidadãos lesados por actos ilegais podem recorrer aos tribunais independentes para anularem esses actos ou para obterem a reparação dos danos causados. considera-se. todos se regem pelos mesmos princípios – o Estado está submetido ao próprio Direito que cria. hoje em dia. Estado de Direito Democrático O Estado de Direito.  art.60 - .

porque os problemas são planetários. porquanto as suas decisões impõem-se de forma vinculativa 2. adoptando medidas com os seus membros.1 – As Relações Internacionais Todos os países. mas resulta da convergência de diversos Estados ou da manifestação de outras entidades internacionais. no sentido de garantir a paz e a segurança internacional . com diversos objectivos. visam resolver os problemas de acordo com o Direito Internacional. As organizações internacionais.2 – O Direito Internacional Direito Público — “conjunto de regras e princípios decorrentes de um processo que não é específico de um só Estado.61 - . como as organizações internacionais”  Privado – conjunto de regras/normas que regulam as relações Direito Internacional que se estabelecem entre indivíduos de diferentes Estados  Público – conjunto de normas que regulam as relações que se estabelecem entre Estados soberanos ou organizações internacionais ex: a Carta das Nações Unidas constitui uma espécie de compilação do Direito Internacional. vigora o princípio da igualdade jurídica dos seus membros  Organizações Supranacionais  os seus membros delegam parte da sua soberania a autoridades supranacionais. pois pretendem facilitar a cooperação e o diálogo entre os países.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 2. Assim. o que requer soluções globais. seja qual for o seu sistema político. actualmente existe uma grande interdependência entre os países.  Organizações Intergovernamentais  cada Estado-membro mantém a sua soberania e a organização não interfere nas questões internas – mais. porquanto a ONU pode intervir. A Comunidade Internacional 2.----. fazem parte de uma rede económica mundial.

----. pois. como resultado de uma prática geral de procedimento. apresentam tais características. ter em conta estas fontes. donde resultam regras ou opiniões jurídicas (art. visto que as suas normas também são analisadas e sistematizadas por especialistas e aplicadas por tribunais internacionais. qualquer tribunal que seja chamado a aplicar o Direito Internacional deve. aceite como juridicamente obrigatório pelos membros da sociedade internacional nas suas relações recíprocas  as convenções internacionais gerais ou particulares. Então.62 - . Problema da Eficácia do Direito Internacional  No que se refere ao Direito Internacional a criação de um sistema geral de sanções por parte do ordenamento internacional está ainda longínqua. conforme provenham de órgãos singulares ou colectivos  os princípios gerais do Direito. . que estabeleçam normas expressamente reconhecidas pelos Estados celebrantes  os actos das organizações internacionais. reconhecidos e aceites pelas “nações civilizadas” e cuja importância é decisiva na regulamentação das relações internacionais Deste modo. ou seja. porque a coercibilidade só tem efeito se o prevaricador for mais fraco que a vítima). porque é legítimo a coacção para repor a violação da justiça. podemos afirmar que o Direito Internacional existe. têm uma vigência efectiva na sociedade – apesar de não possuírem uma coercibilidade tão grande como o Direito Interno.º 8º CRP). uniforme e constante. que podem ser “decisões” ou “deliberações”. e porquanto existe uma vigilância efectiva e normal nas relações entre os Estados. são bem claras e definidas e a sua esfera de aplicação é também muito clara. Será que existe efectivamente um Direito Internacional?  As normas existem. embora possua sanções a sua eficácia é bastante precária (formas de coacção muito rudimentares.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 As fontes mais importantes do Direito Internacional são:  o costume internacional.

ajuda a Política Legislativa pois auxilia o legislador interno a efectuar as leis – ponto de referência. Por outro lado. Graças à adesão à União Europeia. apesar de não ter consequências como no Direito Interno dos Estados. embora se tenha que adaptar à realidade sobre a qual vai ter de legislar. tornou-se necessário e imprescindível que o legislador conheça as diversas Ordens Jurídicas dos outros países comunitários.63 - . . realçando as suas analogias e diferenças. Desta forma. Ao Direito Comparado compete proceder ao confronto entre as diversas Ordens Jurídicas.----. sem o uso da força. embora lhe falte a coercibilidade e a eficácia ele possui as características próprias de um verdadeiro Direito.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Em suma. o facto de os Estados aceitarem as normas do Direito Internacional é uma maneira de diminuir as querelas e conflitos entre eles.

constituem o Direito Comunitário derivado:  Regulamentos Contém normas gerais e abstractas aplicáveis a uma generalidade de pessoas e bens. pretendendo-se atingir objectivos comuns.  são vinculativas nos Estados-membros a que se destinam. emanados dos órgãos comunitários com funções normativas. a um governo ou a um indivíduo  são vinculativas. entram directamente em vigor na Ordem Jurídica Interna nacional  Directivas Contém instruções das instituições comunitárias aos Estados-membros e são um meio de harmonização da Ordem Jurídica Comunitária com a dos Estados. mas só no que diz respeito ao objectivo a alcançar.  são compulsivos na sua totalidade.3 – Direito Comunitário Direito Comunitário Derivado Os diplomas que. ou seja. deixando a forma e os métodos para o atingir ao discernimento das autoridades nacionais  para que vigorem num Estado é necessário que sejam transpostas para o Direito Nacional  Decisões São tomadas pelo Conselho ou pela Comissão e podem destinar-se a uma empresa. pois nenhuma Estado pode obstar à sua execução.64 - . na sua totalidade. para os seus destinatários .Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 2. nem aplicá-los de forma incompleta ou restritiva  gozam de aplicabilidade directa.----.

o Conselho da União Europeia e o Parlamento Europeu. consulta prévia ao Parlamento. A Aplicação das Normas Comunitárias As relações entre o Direito Comunitário e o Direito Interno regem-se pelos seguintes princípios: 1. e uma decisão final do Conselho da UE  acto único europeu: alargaram e reforçaram consideravelmente o papel do Parlamento no processo legislativo – processo de “co-decisão” (Parlamento em pé de igualdade com o Conselho).----. nas Comunidades Europeias. aplica-se a norma comunitária (caso as normas sejam opostas poderá o Estado nacional fazer o reenvio pré-judicial) 2. princípio do primado do Direito Comunitário sobre o Direito Interno  em caso de conflito entre normas. princípio da “aplicabilidade directa”  consiste na susceptibilidade que uma norma comunitária tem de se aplicar aos Estados-membros sem necessidade de qualquer acto de transposição.65 - . são: a Comissão Europeia. a norma entra imediatamente em vigor na Ordem Jurídica Nacional (ex: regulamento comunitário) . Processo legislativo:  tratado de Roma: proposta da Comissão. pois apenas traduzem o ponto de vista da instituição que os emite Processo Comunitário de Decisão As três instituições que decididamente contam para a tomada de decisões. isto é.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Pareceres e Recomendações  não são vinculativos.

----- Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 3. princípio do “efeito directo”  os particulares têm a possibilidade de invocar, no órgão competente, uma norma de Direito Comunitário para afastar uma do Direito Nacional que lhes seja desfavorável, desde que a norma comunitária seja clara, precisa e incondicional O efeito directo pode ser:  vertical – de particular para empresa pública  horizontal – de empresa privada contra empresa privada

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----- Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05

Tema 3: As Fontes do Direito
“A legislação (Direito) surge, assim, como um facto vivo e progressivo, isto é, procura a cada momento adaptar-se e responder às exigências da evolução económica e social” 1. As Fontes do Direito no Sistema Jurídico Português A expressão Fontes de Direito – origem do Direito, ou seja, como se criam as norma que
disciplinam o homem nas suas relações sociais – tem sido utilizada em vários sentidos:

 sentido sociológico-material   sentido histórico-instrumental   sentido político-orgânico   sentido técnico-jurídico   Sentido sociológico-material  são fontes do Direito todas as circunstâncias de ordem social que estiveram na origem de determinada norma jurídica
ex: o aumento do parque automóvel nacional e a consequente multiplicação de acidentes de viação deram origem ao Código da Estrada; a seca deu origem à tomada de medidas compensatórias

 Sentido histórico-instrumental  são fontes do Direito os diplomas ou monumentos legislativos que contém normas jurídicas
ex: a lei das 12 tábuas; a CRP; o Código Penal

 Sentido político-orgânico  são fontes do Direito os órgãos políticos que, em cada sociedade, estão incumbidos de emanar normas jurídicas
ex: a AR; o Governo

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----- Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Sentido técnico-jurídico  são fontes do Direito as formas através das quais o Direito é criado e dado a conhecer, ou seja, evidencia a maneira como é criada e se manifesta socialmente a norma jurídica São geralmente consideradas fontes do Direito:  a lei (1)  o costume (2)  a jurisprudência (conjunto das decisões dos tribunais) (2)  a doutrina (2) Existe uma tradicional distinção entre:
 (1) fontes imediatas do Direito — as que têm força vinculativa própria, sendo,

portanto, os verdadeiros modos de produção do Direito
 (2) fontes mediatas do direito — não tendo força vinculativa própria, são,

contudo, importantes pelo modo como influenciam o processo de formação e revelação da norma jurídica

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há leis que só o são em sentido material. portarias. outras em sentido formal e algumas que se revestem de ambos os sentidos.  leis são “todas as disposições genéricas provindas dos órgãos estaduais competentes e que se impõem a todos os cidadãos” Pressupostos da lei:  uma autoridade competente  observância das formas previstas para essa actividade  a introdução de um preceito genérico (o conteúdo tem que ser genérico) A distinção entre lei em sentido material e formal:  formal  é aquela que se reveste das formas destinadas. ex: formal — lei da AR que concede uma condecoração a um PR material — portaria que aprove o Regulamento dos Exames formal e material — leis constitucionais. por excelência. decretos regionais. desde que contenha uma verdadeira regra jurídica (não obedece aos formalismos solenes ou feita por uma órgão sem capacidade legislativa) – leis. despachos. generalidade das leis ordinárias… . exigindo que se revista das formalidades relativas a essa competência  material  é todo o acto normativo proveniente de um órgão do Estado. decretos-lei. leis ordinárias e os decretos-lei. ao exercício da função legislativa do Estado: leis constitucionais. no segundo sentido vai-se atender à matéria/conteúdo contida no diploma.1 – A Lei Os Vários Sentidos da Lei A lei é o processo mais vulgarizado na criação do Direito. regulamentos. Desta forma.----. o modo como surge no ordenamento jurídico. decretos regulamentares… Se no primeiro caso o que releva é o elemento formal do documento.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1. ainda que não esteja no exercício da função legislativa. ou seja.69 - .

----. votação na especialidade. Salientemos a actividade legislativa da AR e do Governo. por fim. e. o decreto é enviado para promulgação e caso o seja para a referenda.  Iniciativa Legislativa  Discussão e Votação/Aprovação  Promulgação.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Há que distinguir ainda:  em sentido amplo — abrange qualquer norma jurídica (sentido material) lei  lei em sentido restrito — compreende apenas os diplomas emanados no fruto do exercício das competências legislativas (sentido formal)  ordenamento jurídico  acto da AR diversos sentidos da lei  acto legislativo/normativo  norma jurídica  objectivo  subjectivo O Processo de elaboração de uma Lei Cada órgão dotado de competência legislativa tem o seu modo próprio de agir na feitura das leis. Referenda e Publicação (quando sai da AR passa a chamar-se decreto) . seguindo-se a publicação em Diário da República – passa a chamar-se lei após a sua publicação. existe em primeiro lugar a discussão e votação na generalidade. A seguir.70 - .º 167º CRP)  pelos deputados  pelos grupos parlamentares  pelo Governo  pelos grupos de cidadãos eleitores Posteriormente. Processo de Formação das leis da Assembleia da República Inicia-se com a apresentação do texto. a qual pode ser efectuada: (art. uma votação final global.

a requerimento de dez deputados.71 - .º 169º CRP). Tal suspensão durará até à publicação da lei que vier alterar o decreto-lei ou até à rejeição das propostas apresentadas.----. . descontados os períodos de suspensão do funcionamento da AR (art. a AR poderá suspender. e no caso de serem apresentadas propostas de alteração. Requerida a referida apreciação. no todo ou em parte.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Processo de Formação dos decretos-lei pelo Governo  iniciativa governamental Fases  promulgação e referenda ministerial  publicação e ratificação Depois de publicados. a vigência do decreto-lei. nos trinta dias subsequentes à publicação. os decretos-lei que não tenham sido aprovados no exercício da competência legislativa exclusiva do governo podem ser sujeitos a apreciação por parte da AR para efeitos de recusa de ratificação ou para efeitos de alteração do texto.

----.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Governo proposta Conselho de Ministros Aprovação Decreto requer a apreciação da constitucionalidade veto político Presidente da República Promulgação Decreto-lei Referenda Ministerial Publicação entrada em vigor .72 - .

as leis entram em vigor 5 dias após a sua publicação no  nos Açores e Madeira. o decurso do tempo não é razão suficiente para que esta cesse.  art. Assim. através da publicação.----. mas é necessário torná-la conhecida. a lei ficará. ou seja.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Início e Termo de Vigência Início de Vigência O legislador baseia-se rigidamente no pressuposto de que a lei é conhecida e nem sequer admite o seu desconhecimento.  Caducidade  pode resultar de uma cláusula expressa pelo legislador.73 - . a vigência da lei não depende do seu conhecimento efectivo. em princípio. . pode ainda resultar do desaparecimento dos pressupostos de aplicação da lei. Podem existir outras duas situações:  carácter urgente  impondo-se a imediata entrada em vigor  necessidade de adaptação e complexidade de matéria  dilata-se o prazo de vacatio legis Termo de Vigência Passado o tempo de vacatio legis.º 119º CRP – o que se publica no Diário da República  a não publicação implica a ineficácia jurídica Os prazos normais de vacatio legis:  Continente. se este existir. contida na própria lei. ou enquanto durar determinada situação. as leis entram em vigor 15 dias após a sua publicação No entanto. ilimitadamente em vigor. estes prazos só são validos quando o legislador nada disser.

Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 ex: a lei sobre a caça ao javali cessa com o desaparecimento da espécie a lei que se destina a vigurar durante uma situação de guerra a lei que estabelece para cada Ana o preço do melão.74 - .----. na altura da campanha .

contrária à anterior. em princípio. presumindo o legislador que a mudança desta não afecte esse regime particular” (Oliveira Ascensão) Assim. revogar uma lei especial sobre transportes ferroviários A Hierarquia das Leis Existem várias categorias de leis.----. tendo de se conformar com elas. excepto se outra for a intenção inequívoca do legislador. dizendo-se que a lei mais recente revoga a mais antiga. logo é necessário estabelecer uma ordenação/hierarquia.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Revogação  resulta de uma nova manifestação de vontade do legislador. ex: A revogação da lei geral sobre o turismo não afectará uma eventual lei especial sobre o turismo no Algarve Uma lei sobre transportes não deverá. por outro lado. enquanto que a caducidade se dá independentemente de qualquer nova lei. a lei geral não revoga a lei especial. “A lei especial tem em conta situações particulares que não são valoradas pela lei geral. contendo expressa ou implicitamente o afastamento da antiga. porque resulta de uma nova lei. . Desta hierarquia podemos concluir que as leis de hierarquia inferir não podem contrariar as de ordem superior. as de hierarquia igual ou superior podem contrariar as de ordem igual ou inferior.75 - . Quanto à sua forma pode ser:  expressa: quando a nova lei declara que revoga uma determinada lei anterior  tácita: quando resulta da incompatibilidade entre as normas da lei nova e da anterior Quanto à extensão pode ser:  total: quando todas as disposições de uma lei são atingidas (ab-rogação)  parcial: quando só algumas disposições da lei antiga são revogadas pela lei nova (derrogação) A caducidade distingue-se da revogação.

a hierarquia das leis resulta da hierarquia das fontes. as leis ou normas constitucionais são aquelas que estão incluídas na Constituição e que se encontram no topo hierárquico. São verdadeiros actos legislativos e provêm de órgãos com competências legislativa:  Assembleia da República – leis  Governo – decretos-lei  Assembleias legislativas regionais – decretos legislativos regionais Note-se que as Leis e os Decretos-Lei têm. por isso.76 - . . não têm a mesma finalidade e o seu processo de elaboração é mais facilitado. há que distinguir:  ou normas constitucionais leis  leis ou normas ordinárias Leis ou Normas Constitucionais O poder de estabelecer normas constitucionais denomina-se poder constituinte e ocupa o lugar cimeiro do poder legislativo.  constituição  lei fundamental de um Estado.----. Assim. encontram-se ao mesmo nível hierárquico (podem revogar-se umas às outras e vice-versa). em princípio. a qual fixa os grandes princípios fundamentais da organização política e da ordem jurídica em geral Deste modo.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Por outro lado. Leis ou Normas Ordinárias As leis ou normas ordinárias são todas as restantes e agrupam-se em:  leis ou normas reforçadas  leis ou normas comuns  As leis ou normas reforçadas encontram-se imediatamente abaixo das leis constituintes. o mesmo valor e.

Devem ser referendados pelo Governo ou Ministros interessados. (Porém só as leis estabelecem verdadeiras regras jurídicas).77 - . . sendo o principal órgão com competência regulamentar/administrativa. possui competência regulamentar (exerce-a através dos regulamentos). de forma a conduzir à sua boa execução (o dec-lei limita-se a enunciar os princípios fundamentais ou bases gerais) Os regulamentos do Governo podem assumir as seguintes formas:  decretos regulamentares   resoluções do Conselho de Ministros   portarias   despachos normativos ou ministeriais   instruções   circulares   Os decretos regulamentares são diplomas emanados pelo Governo e promulgados pelo Presidente da República. O Governo.  As portarias são ordens do Governo. O facto de tanto as resoluções como as portarias não terem de ser promulgadas pelo PR faz com que possuam um valor inferior em relação aos decretos regulamentares em termos hierárquicos. A AR é considerada o órgão legislativo por excelência e dela provêm as leis. dadas por um ou mais ministros e que também não têm de ser promulgadas pelo PR.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  As leis ou normas ordinárias comuns estão subordinadas às leis ordinárias reforçadas e. encontram-se a um nível hierárquico inferior (p. moções e resoluções.  regulamentos  destinam-se a pormenorizar a lei. ex: decretos e decretos regulamentares). Por outro lado.----. consequentemente. no exercício da função legislativa.  As resoluções do Conselho de Ministros provêm do Conselho de Ministros e não têm de ser promulgados pelo PR. emite Decretos-Lei.

As posturas são regulamentos autónomos locais. No entanto.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Os despachos são diplomas que têm apenas como destinatários os subordinados do ministro (s) signatário (s) e valem unicamente nesse (s) ministério (s). os quais emitem Decretos Legislativos Regionais. .78 - . a forma decreto é utilizada ainda para outros actos que podemos designar como decretos especiais. Podem vir:  do PR. existem órgãos com poder regulamentar local específico.  Circulares é a designação dada às instruções quando são dirigidas a diversos serviços. como é o caso das Assembleias Legislativas Regionais dos Açores e Madeira. Mais. existem órgãos com poder normativo sectorial. existe ainda a temática das Convenções ou Tratados Internacionais. ex: Postura de uma Câmara Municipal que regulamente o trânsito dentro do concelho Postura que discipline as feiras que se realizam no concelho Por último.  tratados  não são mais do que acordos celebrados entre Estados sobre as mais diversas matérias. provindos dos corpos administrativos competentes. Para além disso. Quando os Estados contratantes se obrigam a introduzir e respeitar certas normas na sua ordem interna. pois.----. embora não possua capacidade legislativa. é através do decreto que nomeia o 1º Ministro e o Governo  do Governo.  As instruções são meros regulamentos internos que contém ordens dadas pelos ministros aos respectivos funcionários. designam-se tratados normativos Estes ocupam uma posição intermédia entre a Constituição e as Leis/Decretos-Lei. porque é por decreto que aprova os tratados internacionais Estas são as normas gerais que são aplicáveis a todo o país. destacando-se as autarquias locais – emitem posturas.

----.79 - .Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Constituição Convenções/Tratados Internacionais Leis e Decretos-Lei Decretos Regionais Decretos Regulamentares Decretos Regulamentares Regionais Resoluções do Conselho de Ministros Portarias Despachos Posturas .

e ambos sobre as leis de órgãos corporativos A Interpretação da Lei Noção A interpretação das normas é um pressuposto indispensável da sua aplicação. conteúdo e alcance das normas Por vezes pressupõe-se que a lei clara não necessita de interpretação.----. o que é um erro. Existem vários factores que contribuem para que a interpretação seja uma necessidade: o texto pode comportar múltiplos sentidos (termos ambíguos ou obscuros). . conceitos de difícil determinação e pela generalidade das leis (indefinidos casos e generalidade de indivíduos).  interpretar a lei consiste na determinação ou fixação do exacto sentido com que ela deve valer.80 - .Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 SUMA: Existem diversos princípios subjacentes à hierarquia das leis:  leis especiais prevalecem sobre as leis gerais as  a lei de grau inferior não pode dispor contra uma norma de uma lei de grau superior  a hierarquia das leis respeita a hierarquia dos órgãos das quais são emanadas  os actos legislativos dos órgãos da administração nacional prevalecem sobre os actos legislativos dos órgãos de administração local. sendo sempre necessária e constitui uma das tarefas mais importantes do jurista.  Metodologia da interpretação ou hermenêutica jurídica é o conjunto de critérios ou princípios gerais orientadores da actividade interpretativa e que garantem um mínimo razoável de uniformidade de soluções e a indispensável segurança jurídica. é preciso saber interpretar as disposições legais reguladoras da actividade social. pois toda a norma exige um maior ou menor trabalho de interpretação na busca do seu espírito ou conteúdo. Logo.

Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Interpretação e Ordenamento Ora. e determina o seu significado (…) as fórmulas legais. com a interpretação da lei procura fixar-se o sentido e o alcance com que ela deve prevalecer. mediante uma lei de valor igual ou superior à lei interpretada. “de facto. ex: se uma lei. costumam-se distinguir duas formas:  autêntica   doutrinal   Interpretação autêntica é realizada pelo próprio órgão legislador. Desta forma. suscitar fortes dúvidas acerca do seu exacto sentido e alcance. Trata-se de uma lei interpretativa que fixa o sentido decisivo da lei interpretada – força vinculativa da própria lei. por repercussão. após promulgação. integrando-se na ordem total. que é realizada pelos tribunais num processo e que só tem valor vinculativo nesse processo em relação às partes envolvidas. pode o órgão donde emanou fazer a sua interpretação através de uma nova lei  Interpretação doutrinal é efectuada por jurisconsultos ou outras pessoas não revestidas de autoridade – não tem força vinculativa.  Alguns autores ainda distinguem da interpretação doutrinal a interpretação judicial.81 - .----. a interpretação é necessariamente uma tarefa de conjunto. pelo que esta é condição da relevância de cada elemento. devendo assentar no ordenamento jurídico no seu todo. . a interpretação é sempre revelação de um trecho da ordem global. ganharam desta. um sentido frequentemente muito diverso do originário” Formas de Interpretação segundo a sua Fonte e Valor Atendendo ao critério da sua fonte e valor (consoante o “agente da interpretação” e a “força vinculativa” da interpretação”).

isto é.----. o elemento gramatical consiste na utilização das palavras da lei. fixando a própria lei os critérios gerais sobre a maneira de fazer a sua interpretação  regras de interpretação . é o seu elemento base.82 - . para determinar o seu sentido possível. o seu sentido profundo/pensamento legislativo Estes elementos têm de ser utilizados conjuntamente. isoladamente e no seu contexto sintáctico. Civil. constituído pelo “espírito da lei”. sed vim ac potestem”. Todavia. pois a “principal tarefa do intérprete é ler e ver o que aí se diz”.  Assim. porque apreender o sentido das leis não é só conhecer as suas palavras. pois completam-se no exercício da actividade interpretativa. Elemento Gramatical ou Literal A “letra da lei” representa o ponto de partida da interpretação. .  elementos de interpretação  vários factores ou critérios de que se socorre o intérprete para determinar o verdadeiro sentido e alcance da lei É frequente reduzir a dois os elementos fundamentais da interpretação:  o elemento gramatical ou literal. Por isto.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Elementos da Interpretação Em grande parte dos ordenamentos jurídicos. a “letra da lei”  o elemento lógico. é necessário recorrer a outros elementos. mas também penetrar na sua força e poder – “scire leges non hoc est verba earum tenere. é indispensável considerar o “espírito da lei”. devido às dificuldades que o texto legislativo frequentemente comporta e que dificultam a determinação do seu sentido e alcance (expressos anteriormente).art. constituído pelo texto legislativo.º 9º Cód. a interpretação da lei está sujeita a regras legais.

mas ter num conjunto/contexto da lei Como já vimos. como pelas normas de Direito estrangeiro que tiveram influência na formação da lei. embora distanciadas.83 - . cada norma faz parte de um ordenamento global e unitário.  contexto da lei  ponderam-se as relações que a norma a interpretar tem com o conjunto de disposições a que ela pertence e que regulam a mesma matérias ou instituto  lugares paralelos  consideram-se as relações que a norma a interpretar tem com outras disposições legais. regulam problemas normativos paralelos ou afins. Desta forma. 129  histórico  teológico  Elemento Histórico  compreende todos os dados ou acontecimentos históricos (circunstancialismos histórico-culturais) que expliquem a criação da lei Socorre-se de vários meios:  precedentes normativos  trabalhos preparatórios  occasio legis Os precedentes normativos são constituídos pelas normas que vigoram em períodos anteriores e que são objecto da História do Direito. a interpretação não se faz isoladamente. . Subdivide-se:  sistemático  Elemento Sistemático  em conta a unidade do sistema jurídico  as normas não existem isoladas.----. ex: pág. mas numa perspectiva de globalidade e unidade. Logo.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Elemento Lógico É constituído por todos os outros factores a que se pode recorrer para determinar o sentido e alcance da lei. considera-se o contexto da lei e os lugares paralelos. que.

Civil manda considerar as circunstâncias especiais do tempo em que é aplicada a lei. no fim que o legislador teve em vista ao elaborar a lei  “espírito da lei” ex: pág. 130 art.º 9º Cód. por ser o que corresponde ao pensamento legislativo.84 - . 130  Elemento Teleológico  consiste na razão de ser da lei (ratio legis).----. . Occasio legis é todo o conjunto de circunstâncias que envolveram e influenciaram o aparecimento da lei – “as circunstâncias em que a lei foi elaborada”. as actas das comissões encarregadas da elaboração do projecto ou da sua discussão. consoante a relação da “letra da lei” com o seu “espírito”:  interpretação declarativa   interpretação extensiva   interpretação restritiva   Interpretação Declarativa Acontece quando o sentido que o intérprete fixou à norma coincide com o significado literal ou um dos significados literais que o texto comporta. os anteprojectos e projectos de lei. que precedem a lei e documentam o processo da sua elaboração. ex: pág. o intérprete chegará a um dos seguintes resultados ou modalidades de interpretação. logo a finalidade da lei é também tomada em consideração como elemento para a sua interpretação Resultados da Interpretação Feita a interpretação com o auxílio dos elementos anteriores.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Os trabalhos preparatórios são os estudos prévios. as respostas a críticas feitas aos projectos.

Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 A interpretação declarativa pode ser lata ou restritiva. a “letra da lei” vai além do seu “espírito”. não se encontra prevista na lei. Assim. ex: A palavra “homem” pode ser interpretada:  num sentido mais lato – ser humano. porque o legislador disse mais do que aquilo que pretendia. o legislador disse menos do que no fundo pretendia. ou seja. contrário do anterior.----. ex: pág. 132 A Integração da Lei Lacunas da Lei e sua Interpretação “a integração supõe a interpretação (em sentido técnico) mas não é ela própria” Existe uma lacuna jurídica (caso omisso) quando uma determinada situação. de modo a harmonizá-las com o pensamento legislativo. Porém. interpretação declarativa restritiva  Interpretação Extensiva  Acontece quando o intérprete chega à conclusão que a “letra da lei” fica aquém do seu “espírito”. interpretação declarativa lata  num sentido mais restritivo – ser humano do sexo masculino. consoante o sentido mais amplo ou restrito dado a algumas palavras que têm mais do que um significado. fazendo-o corresponder ao pensamento legislativo – fazer corresponder a “letra da lei” ao seu “espírito”. deve-se restringir o texto. merecedora de tutela jurídica.85 - . encurtar o significado das palavras utilizadas. torna-se necessário alargar o texto legal. em ambos os casos trata-se de sentidos que cabem dentro do texto e não ultrapassa o significado gramatical do termo/expressão empregue. isto é. . ex: pág. 131  Interpretação Restritiva Neste caso. Deste modo.

por várias razões:  certas situações são imprevisíveis no momento da elaboração da lei  outras situações.º 3º do Estatuto dos Magistrados).Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  integração de lacunas  actividade que visa precisamente encontrar soluções jurídicas para os casos omissos  Primeiramente.----. existem dois métodos para a resolução dos casos omissos:  a analogia  art. De facto. o caso concreto tem de ser resolvido (art. favorecendo assim a certeza e segurança jurídicas. o legislador abstém-se propositadamente de regular casos novos ou complexos.86 - . ou seja. pelas dificuldades que sente em faze-lo convenientemente ex: pág. Assim. que o caso não está regulamentado. escapam ao olhar do legislador devido à complexidade de formas da vida social  por vezes. nº 3 do Cód.º 10º. Civil e art. Embora possa parecer estranho que o ordenamento jurídico possua lacunas.º 8º e 90º do Cód. nunca se consegue prever todas as relações da vida social. embora previsíveis. 133 Por outro lado. mesmo que se verifique uma lacuna. casos semelhantes merecem do Direito o mesmo tratamento. ex: a circulação aérea quando surgiu constituiu uma lacuna na lei que foi resolvida com recurso à analogia em relação aos outros meios de transporte  Justifica-se por uma questão de coerência normativa do próprio sistema jurídico. Civil Analogia Sempre que possível recorre-se à analogia  consiste em aplicar ao caso omisso a norma reguladora de qualquer caso análogo. . tem que se verificar que não há nenhuma regra aplicável.

Art. mas admitem a interpretação extensiva Significa esta disposição que se excluem da aplicação analógica as regras que contrariam princípios fundamentais informadores da Ordem Jurídica ou de um ramo do Direito em particular. que tenham natureza retroactiva ou cuja liquidação e cobrança se não façam nos termos da lei.  Não é permitida a analogia em relação às normas de incidência e às que definem as garantias dos contribuintes.º 29º CRP).º 103º CRP. Proibições do uso da analogia:  nas normas excepcionais  nas normas penais incriminadoras  no Direito Fiscal (normas incidência do imposto e garantias dos contribuintes)  Art. EXTRA:  incidência pessoal subjectiva = quem está sujeito a pagar o imposto . Civil  as normas excepcionais não comportam aplicação analógica. Tal facto deve-se à salvaguarda da liberdade individual contra abusos de poder (também está presente no princípio da legalidade do art. Para além da analogia é também proibido o recurso à interpretação extensiva.87 - .Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  A aplicação analógica distingue-se da interpretação extensiva. só se podendo utilizar a interpretação extensiva. enquanto a analogia leva a uma aplicação da lei a situações não abrangidas nem na “letra” nem no “espírito” da lei. Não é possível a analogia por causa do princípio da legalidade. não é permitido a analogia para qualificar o facto como crime.  Art.º 1º do Código Penal  Princípio da Legalidade: “só se pode punir actos que já sejam crimes à data da sua prática” – princípio da não retroactividade da lei.----. o está no seu “espírito”. definir um estado de perigosidade ou determinar a pena/medida de segurança que lhe corresponde. ponto 3  ninguém pode ser obrigado a pagar impostos que não tenham sido criados nos termos da Constituição.º 11º do Cód. não estando compreendida na “letra da lei”. porque esta pressupõe que determinada situação.

válido apenas para esse caso. este facto não implica um corte radical no Ordenamento Jurídico. este processo tem o inconveniente da permissão da subjectividade do intérprete. Logo. existe uma mutabilidade do Direito – aparecimento de novas regras que substituem as antigas. o intérprete não é remetido para juízos de equidade. Aplicação das Leis no Tempo e Espaço Introdução O Direito que é. dirigindo para uma categoria de casos em que se enquadra o caso omisso.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  incidência pessoal objectiva = quanto é que está sujeito a pagar de imposto Artigo 10º. Assim. na maioria das vezes o legislador nada diz acerca desse período de transição. Porém. Assim. No entanto.º 12º Cód. Civil) . nº 3 do Código Civil  situação resolvida segundo a norma que o próprio intérprete criaria se tivesse de legislar dentro do espírito do sistema é segundo este artigo que caso não se possa recorrer à analogia se deve agir. criando-se o problema da:  aplicação das leis no tempo  aplicação das leis no espaço Aplicação das Leis no Tempo  uma das possíveis soluções para os problemas da sucessão de leis no tempo são as disposições transitórias estabelecidas nessa mesma lei e que se destinam a regular a transição de um regime legal para outro. Por vezes há situações em que é necessário identificar a lei a aplicar. pois as antigas leis. na sua essência. Desta forma. um ordenamento normativo e coactivo das relações sociais não pode ignorar a evolução social. coexistem com as novas. No entanto. às vezes.88 - . só tem carácter vinculativo nesse caso e nunca para casos futuros.----. é preciso recorrer a princípios doutrinais e gerais:  princípio da “não retroactividade da lei” (art.

e porque actuam sobre o passado.º 29º CRP) Em Portugal. Deste modo. o que origina uma Ordem Jurídica Internacional.89 - .  Direito Internacional Privado  conjunto de normas jurídicas que indicam a lei reguladora das relações que estão em conexão com mais do que um sistema jurídico . como excepção a este princípio.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Contudo. existe uma autêntica sociedade internacional. Civil. ou seja. os Estados não aplicam exclusivamente o seu Direito Interno no seu espaço. os conflitos entre leis de ordenamentos jurídicos diferentes será resolvido mediante regras de conflito – constituem o Direito Internacional Privado e estão presentes nos art. temos as leis interpretativas  fazem a interpretação autêntica das leis anteriores e são retroactivas porque se unem. Por exemplo.os 25º a 65º do Cód. este princípio não é absoluto.  princípio da legalidade (art. Posteriormente. e têm que aplicar nos seus tribunais leis de outros Estados.----. cada vez mais complexa e exigente. Logo. é constitucionalmente proibida a retroactividade em matéria de lei penal incriminadora. leis nacionais e estrangeiras entram em concorrência quando se relaciona mais do que um ordenamento jurídico estadual:  quer pela nacionalidade ou domicílio dos sujeitos  quer pelo lugar da situação do objecto  quer pelo lugar da prática do facto constitutivo da relação ou do lugar onde os seus efeitos se vão produzir Assim. ex: Um indivíduo comete um crime punido pela lei do tempo da sua prática em 3 anos. excepto de a nova lei for favorável ao arguido. 2 anos. Aplicação das Leis no Espaço Actualmente. logo existem leis retroactivas. embora a regra geral seja a de que a lei só dispõe para o futuro. formando uma só. a lei fixa a pena em 2 anos – dever-lhe-á ser aplicada a pena mais leve.

----.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1.º 3º Cód. Contudo. antigamente o costume representou historicamente a mais importante fonte do Direito. com o passar do tempo o costume passou a ser olhado com desconfiança e suspeita. Em Portugal.º 348º Cód. Civil (valor jurídico dos usos) 1. não basta o uso para que o costume exista: é necessário que seja acompanhado da consciência da sua obrigatoriedade. que condicionava o costume aos seguintes requisitos:  não ser contrário à lei expressa  ter pelo menos 100 anos  ser conforme à boa razão Art. restringindo-se o seu âmbito de actuação. Civil.90 - . mas é isso sim vinculativo e essencial à vida em comunidade (animus). Por outro lado. ou seja.2 – O Costume  A base de todo o costume é uma repetição de práticas sociais que podemos designar por usos sociais (corpus). reconhece-se a aplicação das normas consuetudinárias (formadas através do costume). Os usos que não forem contrários aos princípios da boa fé são juridicamente atendíveis quando a lei o determinar (…) . Dois elementos:  corpus – prática constante  animus – convicção de obrigatoriedade  costume  conjunto de práticas sociais reiteradas e acompanhadas da convicção da obrigatoriedade Em Portugal.  Todavia. do Marquês de Pombal. surgiu a Lei da Boa Razão de 1769. competindo a quem o invocar fazer prova da sua existência e conteúdo – art. a prática só leva à criação de uma norma quando as pessoas se convencerem de que aquela prática não é algo de arbitrário.

º 8º CRP). vigora directamente na Ordem Jurídica Interna Portuguesa (art. o costume (internacional) continua a ser uma importante fonte do Direito.91 - .Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Em termos do Direito Internacional. Para além disso. .----.

Civil) – não vigora a regra do precedente. pois vai explicitando uma determinada consciência jurídica geral.3 – A Jurisprudência Dois significados:  conjunto de decisões dos tribunais sobre os litígios que lhe são submetidos  orientação geral seguida pelos tribunais no julgamento dos diversos casos concretos da vida social  sentenças – quando proferidas por um tribunal singular (1 juiz)  acórdãos – quando proferidas por um tribunal colectivo (3 juízes) Assim.º 8º Cód. Porém. pois o juiz tem de julgar unicamente em “harmonia com a lei e a sua consciência” (art. contribui para a formação de verdadeiras normas jurídicas.----.92 - . na actual Ordem Jurídica Nacional. .Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1. a Jurisprudência não é fonte imediata do Direito.

4 – A Doutrina  compreende as opiniões ou pareceres dos jurisconsultos sobre a regulamentação das diversas relações sociais Em Portugal. de carácter formal e que a imponha como obrigatória. não lhe confere razão extrínseca. por mais categorizada que seja o jurista que a emite. o valor de uma opinião.----.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1. não é vinculativa. .93 - . isto é.

 ratificadas pelo PR. e  publicadas em Diário da República para fazerem automaticamente parte do Direito português.94 - . entre Estados. embora não implique a entrada em vigor do Tratado. Três fazes do processo de conclusão de tratados:  negociação  assinatura  ratificação  o objectivo é chegar à redacção do texto final do Tratado e faz-se através dos representantes de cada Estado  depois de concluídas as negociações. ex: regulamentos comunitários). Em Portugal.----. Art. de acordo com a CRP. as normas dos tratados internacionais têm de ser  aprovadas pelas AR ou governo.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1. sob a forma escrita. os Estados contraentes ficam obrigados a desenvolver todas as diligências conducentes à ratificação no respectivo Estado  acto jurídico individual e solene pelo qual o órgão competente do Estado afirma a vontade de este estar vinculado ao Tratado cujo texto foi por ele assinado .5 – Os Tratados Internacionais  tratado – acordo de vontades. sobre as mais diversas matérias e que tem por objectivo produzir determinados efeitos/consequências jurídicas (denomina-se tratados normativos quando se obriga a introduzir normas na ordem interna dos contraentes).º 8º CRP. nº 3  normas emanadas dos órgãos competentes das organizações as internacionais de que Portugal faz parte vigoram directamente na ordem interna (p.

faltando-lhe a base sistemática e científica. científico e sintético. . pois conduz à sua cristalização  formaliza e torna mais rígido o Direito. embora as compilações de leis fossem feitas segundo critérios meramente empiristas. é ponto assente que o/a código/codificação é um instrumento indispensável face à complexidade crescente da vida social e jurídica. Conveniência da Codificação  Vantagens:  permite um conhecimento mais facilitado do Direito.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1. Já antigamente existiram antecedentes da codificação.95 - .6 – A Codificação  codificação  reunião num mesmo texto – código – segundo determinados critérios sistemático. tornando-o mais certo e preciso (contribui para a segurança jurídica)  impõe uma regulamentação única às matérias que regula.----. pelo exposto anteriormente  Desvantagens:  dificulta a evolução do Direito. de um conjunto de normas referentes a um determinado ramo do Direito. evitando contradições entre leis  permite situar mais facilmente as normas no seu contexto sistemático e detectar possíveis lacunas de regulamentação  contribui para o progresso e perfeição do Direito. tirando-lhe maleabilidade e capacidade de adaptação à evolução social Em suma.

face à Constituição  inconstitucionalidade por omissão – resulta da não prática de acções por parte de um determinado órgão.----.96 - .º 277º CRP) Várias modalidades:  inconstitucionalidade material: quando existe contradição entre o conteúdo do acto do poder político e o das normas constitucionais  inconstitucionalidade formal: quando um acto do poder político é praticado sem que se tenham seguido todos os tramites previstos nas normas constitucionais  inconstitucionalidade orgânica: quando o acto de poder político é emanado de um órgão que não dispõe de competência para a sua prática.º 283º CRP) . por parte dos órgãos do poder político.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Tema 4: O Controlo da Legalidade 1. que pela Constituição estava obrigado a praticar (art. O Problema da Inconstitucionalidade Conceito A inconstitucionalidade consiste no não cumprimento da Constituição. por acção ou omissão. Tipos de Inconstitucionalidade  inconstitucionalidade por acção – são inconstitucionais as normas que infrinjam o disposto na Constituição ou os princípios nela consagrados (art.

Porém.1 – A Fiscalização da Inconstitucionalidade Esta tarefa pode ser realizada por:  órgãos políticos  órgãos jurisdicionais No panorama português actual. . o Tribunal Constitucional também tem como função verificar e analisar a inconstitucionalidade por omissão (art.----.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1. apreciação de inconstitucionalidade de normas já em vigor. reentra em vigor a lei que fora revogada pela lei inconstitucional.º 281º CRP). No âmbito da fiscalização da inconstitucionalidade cabe referir:  fiscalização preventiva da constitucionalidade (art. ratificação ou assinatura de qualquer diploma. quando o juiz se depara.  fiscalização abstracta da constitucionalidade (art.º 281º CRP). com uma dúvida acerca da existência ou não de inconstitucionalidade.  fiscalização concreta da constitucionalidade (art. art.º 278º CRP). feita pelos tribunais (art.º 283º CRP). a fiscalização da constitucionalidade é essencialmente jurisdicional. requerer a inconstitucionalidade antes da promulgação.º 282º CRP  consequências da declaração da inconstitucionalidade: implica a repristinação. numa situação concreta. ou seja.º 280º CRP).os 204º e 233º CRP).97 - . Por outro lado. a declaração de inconstitucionalidade cabe exclusivamente ao Tribunal Constitucional (art. ou seja.

isto é. possuindo idoneidade. logo estão impedidos de julgar causas em que possuam qualquer aparência de interesse  irresponsabilidade.----. as decisões do Tribunal Constitucional são obrigatórias para todas as outras entidades públicas e privadas e prevalecem sobre as dos restantes tribunais e de quaisquer outras autoridades.2 – O Tribunal Constitucional Art.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1.º 222º CRP) – uns têm de ser juízes de carreira e outros juristas. pois são nomeados por um período de nove anos e as suas funções não podem cessar antes do respectivo termo  imparcialidade. visto que não podem ser responsabilizados/culpabilizados pelas sãs decisões Por fim. Composto por 13 juízes.98 - . têm de reunir competência/autoridade/legitimidade e possuir os conhecimentos necessários. Características dos juízes:  independência em relação a todas as outras instituições (só têm de obedecer à lei e à sua consciência)  inamovibilidade. sendo 10 designados pela AR e 3 cooptados por estes (art.º 221º CRP  O Tribunal Constitucional é o tribunal ao qual compete especificamente administrar a justiça em matérias de natureza jurídico-constitucional. .

3 – Efeitos Jurídicos da Inconstitucionalidade A inconstitucionalidade pode levar a:  inexistência jurídica – trata-se de um vicio tão grande que implica a não produção de quaisquer efeitos jurídicos (p. ex: a falta de publicação no Diário da República dos actos que necessitam de o ser. as não aplicam aos casos concretos (p. art. ex: falta de assinatura do PR nos casos em que a Lei o obrigue)  invalidade – verifica-se sempre que for desrespeitada uma regra sobre a produção jurídica  nulidade: o acto não produz quaisquer efeitos desde o momento da sua elaboração e é por si só inaplicável  anulabilidade: o acto só deixa de produzir efeitos depois da decisão do órgão fiscalizador  ineficácia em sentido restrito – quando os órgãos com competência para aplicara as normas jurídicas.----.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1.99 - .º 119º CRP) .

º 284º CRP)  limites materiais – determinados princípios da CRP não podem ser objecto de revisão (art.----.100 - . Assim.º 288º CRP)  limites circunstanciais – consiste no facto de não se poder rever a Constituição em período de grave crise política ou social.4 – A Revisão Constitucional O poder de revisão constitucional traduz-se na faculdade de alterar ou modificar as regras contidas no texto constitucional – este poder está limitado pela própria Constituição. Os limites têm diversas naturezas:  limites formais – a CRP é revista por um processo e sob a forma diferente do previsto para as leis ordinárias (art. art.os 284º. ou seja. ou então em qualquer altura com a concordância de 4/5 dos deputados em efectividade de funções (revisão extraordinária. a consagração de limites visa impedir a livre alteração da CRP pela AR e é uma garantia da própria CRP. 286º e 287º da CRP)  limites temporais – pois a CRP só pode ser revista dentro de certos prazos (revisão ordinária). 285º.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1.º 289º CRP) . caso os cidadãos não tenham condições de participar livremente no processo de revisão (art.

definição em termos genéricos e aplicável a uma infinidade de casos da mesma maneira  relação jurídica concreta. mediante a atribuição a um sujeito de um direito subjectivo e a imposição a outro de um dever jurídico ou imposição  relação jurídica abstracta. regulando-as.101 - . Noção As relações jurídicas resultam da intervenção do Direito sobre as relações sociais. mas efectivamente constituída e individualmente determinada . Pode ter dois sentidos:  sentido amplo – toda e qualquer relação da vida social disciplinada pelo Direito  sentido restrito – relação social disciplinada pelo Direito.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Tema 5: A Relação Jurídica 1. a mesma relação.----.

Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 2. logo o D.----. Subjectivos:  Teoria da Vontade – defendida por Windscheid e Sarigny. Estrutura da Relação Jurídica A estrutura da relação jurídica é o seu conteúdo. os críticos defendem que a essência não residia puramente na vontade e que esta não é necessária para a titularidade do sujeito. de exigir a outro determinado comportamento Duas principais teorias para explicar a essência e a natureza dos D. Subjectivo “um interesse juridicamente protegido”.102 - . . Subjectivo.  Direito Objectivo: complexo de normas gerais e abstractas que ordenam a vida em sociedade e que são impostas pelo Estado  Direito Subjectivo: poder ou faculdade. Consideramo-la integrada por um direito subjectivo e por um dever jurídico ou sujeição – estrutura interna/conteúdo. conferido ao sujeito pela Ordem Jurídica”. Subjectivo. Em suma.  Teoria do Interesse – defendida por Ihering. considera o D. nem uma nem outra das teorias nos dão uma noção exacta da essência e natureza do D. Os críticos dizem que o interesse é o fim a atingir pelo D. Subjectivo trata-se de um meio ou instrumento para alcançar esse fim. para eles a essência do D. Subjectivo residia na vontade do indivíduo e consistiria “num poder da vontade. Porém. conferidos pela lei.

Subjectivo quando o seu titular é livre de o exercer ou não.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 3. ex: faculdade de contratar. ex: poderes-deveres = direitos do poder paternal ou tutelar). só de per si ou integrado numa acção judicial. Subjectivos. porque se trata da manifestação imediata da capacidade jurídica. Subjectivos os chamados poderes jurídicos stricto sensu. só existe D. ou de por um acto de livre vontade. testar…).----. ou seja. não se estabelecendo relações jurídicas (p.103 - . Direitos e Deveres Jurídicos Há que distinguir:  o lado activo. Também não são D. correspondente ao titular do Direito Subjectivo (sujeito activo)  o lado passivo. correspondente ao titular do dever jurídico ou sujeição (sujeito passivo)  direito subjectivo  poder atribuído pela Ordem Jurídica a uma pessoa de livremente exigir ou pretender de outro certo comportamento positivo (acção) ou negativo (omissão). está dependente da vontade do indivíduo. os chamados poderes-deveres não são considerados verdadeiros D. produzir determinados efeitos jurídicos inevitáveis na esfera jurídica alheia. visto que lhes falta liberdade de expressão (p. Logo. Assim. ou faculdades jurídicas. Dois tipos de direitos subjectivos:  direitos subjectivos propriamente ditos (sentido restrito)  direitos potestativos .

quando estes não forem poderesdeveres o credor tem o poder de exigir que o devedor lhe entregue certo objecto. 1380º e 1409º Cód. personalidade e de família.º 1370º Cód. a modificação ou a extinção de relações jurídicas.1 – Direito Subjectivo propriamente dito e Dever Jurídico  poder. conforme provoquem. Civil) e comunhão forçada a favor do proprietário (art. Civil) direito de preferência (art. respectivamente. de exigir ou pretender de outro certo comportamento positivo (acção) ou negativo (omissão) Sobre o sujeito passivo recai um dever jurídico: necessidade de realizar o comportamento a que tem direito o titular activo da relação jurídica (susceptível de não cumprimento. Civil) Direitos Potestativos Modificativos ex: mudança de servidão para outro lugar (art. Os direitos potestativos classificam-se. em constitutivos. só de per si ou integrado numa acção judicial.º 1568º Cód. realize determinado acto ou se abstenha de determinados factos 3.----. embora corra o risco de ser sancionado). quanto aos efeitos que produzem.os 1117º.2 – Direito Potestativo e Sujeição  poder jurídico pertencente ao titular activo da relação jurídica de por um acto de livre vontade. produzir determinados efeitos jurídicos inevitáveis na esfera jurídica alheia – pessoa sobre quem recai essas consequências não pode evitá-las Ao sujeito passivo da relação corresponde uma sujeição: a situação em que ele se encontra de não poder evitar que determinadas consequências se produzam na sua esfera jurídica (o sujeito passivo não pode. de maneira alguma. ex: direitos de crédito. Civil) . Direitos Potestativos Constitutivos ex: constituição de servidão de passagem em benefício de prédio encravado (art. contrariar os efeitos jurídicos). propriedade. a constituição. modificativos ou extintivos.º 1550º Cód.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 3. atribuído pela Ordem Jurídica a uma pessoa.104 - .

º 1794º Cód.  direitos relativos: quando só algumas pessoas têm o dever de realizar a conduta que é devida ao titular activo do direito subjectivo (p. Civil). propriedade…). após ter estabelecido um contrato.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 direito dos conjugues à separação judicial de pessoas e bens (art. direito de voto.  direitos subjectivos privados: relações do Direito Privado – aquelas que se estabelecem entre os particulares ou entre estes e o Estado. direito de elegibilidade…).º 1767º Cód. Civil) Direitos Potestativos Extintivos ex: extinção de servidão revogação do mandato (art. Civil) ou simples separação judicial de bens (art. ou seja. obrigacional…). Direitos Absolutos e Relativos  direitos absolutos: aquele que se impõem a todas as pessoas. na qualidade de paridade com os particulares.º 1773º Cód.3 – Algumas classificações de Direitos Subjectivos Direitos Públicos e Privados Assenta na qualidade da norma – pública ou privada. na qualidade de particulares (p. direito de obter o divorcio (art. direito dos conjugues na relação matrimonial…). direito à acção judicial. Civil) 3.º 1055 Cód. ex: direitos de personalidade. Assim.105 - . corresponde-lhes um dever geral de respeito por todos.º 1170º Cód.  direitos subjectivos públicos: correspondem a relações do Direito Público – aqueles direitos que competem ao Estado ou a outros entes público munidos de autoridade pública e aos cidadãos em face ao Estado (p. ex: direito crédito. ex: os direitos do Estado ao pagamento dos impostos. Civil) e denuncia de arrendamento (art. ex: direito do Estado a uma prestação.----. . ninguém pode impedir ou interferir no exercício destes direitos (p.

 direitos não inatos: são os restantes direitos subjectivos que se adquirem posteriormente ao nascimento (p. Direitos Inatos e Não Inatos  direitos inatos: os que nascem com a pessoa. ex: a maioria dos direitos de personalidade…). a qual não necessita de os adquirir (p.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Direitos Patrimoniais e Não Patrimoniais ou Pessoais  direitos patrimoniais: são redutíveis a dinheiro (p. No entanto. a violação dos direitos pessoais pode também ter repercussões de natureza pecuniária. de voto…).106 - .  direitos não patrimoniais ou pessoais: não são susceptíveis de expressão pecuniária (p. crédito…). . família…). ex: direitos de personalidade.----. ex: direito propriedade. ex: direitos de autor.

107 - .1 – Os Sujeitos  são as entidades susceptíveis de serem titulares de relações jurídicas. é necessário distinguir o sujeito activo. titular do direito subjectivo. Os sujeitos podem ser singulares (indivíduos) ou colectivos (organizações). do sujeito passivo (dever jurídico ou sujeição). todos os sujeitos/pessoas jurídicas possuem personalidade jurídica que lhes permite ser titular de direitos e vínculos jurídicos. Por outro lado.----. Capacidade Jurídica Pessoas Singulares O conceito de capacidade jurídica pode ser encarado de duas perspectivas diferentes: titularidade ou exercício de direitos. Elementos da Relação Jurídica O conceito de relação jurídica pressupõe um conjunto de elementos cuja sistematização tradicional é a seguinte:  os sujeitos – pessoas entre as quais ela se estabelece  o objecto – tudo aquilo sobre que recaem os poderes do titular do direito  o facto jurídico – todo o acontecimento natural ou acção humana que produz efeitos ou consequências jurídicas  a garantia – susceptibilidade de protecção coactiva da posição do sujeito activo da relação jurídica Exemplo: O Carlos vendeu a João uma propriedade rústica. Além disso. .Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 4.  sujeitos: o João e o Carlos  objecto: a propriedade rústica  facto jurídico: contrato de compra e venda  garantia: faculdade de recorrer ao tribunal caso um dos sujeitos não cumpra a sua obrigação 4.

etc). Contudo. pois está limitada aos direitos e vinculações adequadas à prossecução dos seus interesses – princípio da legalidade. municípios. com a maioridade) Porém. ex: poder paternal. Pessoas Colectivas São organizações destinadas à realização dos interesses comuns ou colectivos. fundações. enquanto no segundo impede o incapaz de agir ou intervém a seu lado. Nestes casos recorre-se a formas legais de suprimento de incapacidades:  instituto da Representação Legal – quando a lei permite agir outra pessoa em nome e no interesse do incapaz (p. tutela…)  instituto da Assistência – quando a lei permite agir o incapaz.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  capacidade jurídica de gozo: aptidão para se ser titular de relações jurídicas (adquire-se com o nascimento completo e com vida)  capacidade jurídica de exercício: possibilidade de exercer e dispor livremente das relações jurídicas que possui (adquire-se. a capacidade de gozo das pessoas colectivas é uma capacidade específica. associações. As Incapacidade de Exercício Os principiais tipos são:  menoridade  inabilitação  interdição  incapacidade acidental  Para além disso. ex: Estado.108 - . no primeiro caso o representante legal actua em nome do incapaz. normalmente. o assistente  Desta forma. . mas exige o consentimento de outra pessoa ou entidade. sociedades comerciais.----. existem situações de incapacidade de exercício de direitos. o interesse visado com o estabelecimento das incapacidades é a defesa dos interesses do próprio incapaz. e às quais a Ordem Jurídica atribui personalidade jurídica (p.

A forma de suprimento comum da incapacidade de exercício dos menores é a representação. a emancipação só ocorre em duas situações: maioridade ou casamento com o consentimento dos pais (após os 16 anos de idade). Por outro lado. Os meios são:  poder paternal. Civil) Assim. Civil. resulta de determinadas deficiências psíquicas ou físicas que afectam a vontade e o normal discernimento das pessoas para poderem administrar/dispor dos seus bens. as únicas excepções a este princípio geral estão integradas e incluídas no art.109 - . .º 127º Cód. a sua incapacidade tem de ser declarada por sentença judicial.  anomalias psíquicas graves. esta incapacidade só se extingue quando e se o tribunal aprovar o pedido de “levantamento da interdição”.  Incapacidade por Interdição Esta incapacidade. os negócios jurídicos praticados pelo menor ferido de incapacidade são anuláveis (de acordo com o art.----. surdez-mudez e cegueira muito graves A forma de suprimento desta incapacidade é a representação legal. a mais grave. em primeiro lugar *  a tutela.º 123 Cód. Deste modo.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Incapacidade por Menoridade “Salvo disposição em contrário. actualmente.º 125º Cód. os menores carecem de capacidade para o exercício de direitos” (art. Civil). Por outro lado. para alguém ser considerado interdito. não distinguindo a lei poderes especiais para o pai ou a mãe Para além disso. subsidiariamente * compete a ambos os pais.

Desta forma. aos quais se juntam certos modos habituais de comportamento: prodigalidade (“malbaratar o património”) e o abuso de bebidas alcoólicas ou estupefacientes (quando resulta de um destes três factores. só pode ser levantada. É suprida pelo instituto da assistência.110 - . 5 anos depois de ser decretada). conforme a gravidade da situação. mas com menor gravidade. e ser mais ou menos ampla. ex: embriaguês.----.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Incapacidade por Inabilitação Os motivos da inabilitação são os mesmos da interdição. no mínimo. estado hipnótico…) que leva a pessoa a agir sem ter consciência dos seus actos. os actos praticados nestas condições são anuláveis. designando-se por curador a pessoa encarregue de a exercer. Esta incapacidade resulta também de uma decisão judicial. Contudo.  Incapacidade Acidental  Resulta de qualquer causa transitória (p. também pode existir o instituto da representação em certas circunstâncias. intoxicação. Os actos praticados pelo incapaz são anuláveis. . sendo que a sentença determina a extensão da incapacidade. a qual pode ter um conteúdo variável.

(ex: Quando enuncio que tenho direito aos meus livros.  bem jurídico é todo e qualquer meio de satisfação de necessidades estritamente ligadas a relações sociais. Deste modo. Correntemente identifica-se o objecto da relação jurídica com o objecto do Direito Subjectivo.  A diferença existe na existência ou não de um intermediário entre o sujeito e a coisa/objecto. tuteladas pelo Direito Modalidades de Objecto da Relação Jurídica Distingue-se:  objecto imediato: quando os poderes do titular activo incidem directamente sobre o bem. .----. estes são o objecto imediato da relação de propriedade de que eu sou titular activo).111 - . os poderes do titular activo incidem indirectamente sobre o bem. ex: poder paternal ou tutelar…). (ex: Quando digo que tenho direito à entrega de uma livro que emprestei. sem que se interponha qualquer intermediário.  objecto mediato: quando. que constitui o lado activo da mesma relação.2 – O Objecto  tudo aquilo sobre que incidem os poderes do titular activo da relação. constitui o objecto mediato do meu Direito). Possíveis Objectos da Relação Jurídica Pessoas As pessoas só podem ser objecto nos denominados poderes-deveres ou poderes funcionais.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 4. Tal só pode acontecer porque estes direitos não conferem qualquer domínio sobre outro ser humano. pelo contrário. conferem apenas poderes destinados a habilitarem os pais e os tutores ao cumprimento dos deveres que lhes são impostos por lei. que não são verdadeiros direitos subjectivos (p.

Coisas Incorpóreas Não são mais do que valores da natureza que não podem ser apreendidos pelos sentidos (p. o objecto de tais direitos é a respectiva obra na sua forma ideal e não as coisas materiais – apenas a obra na sua concepção ideal é objecto de direitos.112 - . Coisas Corpóreas São as coisas físicas. o objecto é o comportamento do devedor e não rigorosamente uma coisa). ou seja. ex: nos direitos de crédito. ex: propriedade sobre um automóvel – o automóvel é o objecto da relação).----. científicas. artisiticas… sobre as quais recaem os “direitos de autor”).Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Prestações Denomina-se prestação à conduta a que o devedor está obrigado (p. Desta forma. . ex: obras literárias. aquelas que podem ser apreendidas pelos sentidos (p.

 actos jurídicos ilícitos – os que contrariam a Ordem Jurídica e implicam uma sanção para o seu autor (p. ex: casamento. ou de prejudicar (p.113 - . são puramente obra da natureza (p. quer do sujeito.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 4. embora eventualmente concordantes com a vontade dos seus autores. mas houve imprudência ou negligência.  meramente culposos – quando o indivíduo não prevê o resultado. a locação [arrendamento urbano]…). furto. cujos efeitos jurídicos. ex: nascimento e morte).  Os actos jurídicos ilícitos podem ser:  dolosos – quando existe por parte do indivíduo o propósito de fazer mal. ex: homicídio. mesmo que não fosse essa a intenção do artista).----. mas directa e imperativamente pela lei (p. Os factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos podem ser:  actos jurídicos lícitos – aqueles que estão em conformidade com a Ordem Jurídica. ex: atropelamento por distracção…). modificar ou extinguir uma relação jurídica). .  factos jurídicos involuntários são estranhos e independentes da vontade.3 – Facto Jurídico  acontecimento ou evento da vida social que produz efeitos jurídicos relevantes.  factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos são manifestações de vontade. furto…). ex: com a criação de uma obra adquire-se “direitos de autor”. que lhe conferem culpa  imputação moral de um facto a certa pessoa (p. ex: homicídio. não são todavia determinados pelo conteúdo desta vontade.  simples actos jurídicos – são factos jurídicos voluntários. destinadas a produzir intencionalmente efeitos jurídicos (p. quer de quem o represente (têm que constituir.  Os actos jurídicos lícitos classificam-se:  negócios jurídicos – são os factos jurídicos voluntários constituídos por uma ou mais manifestações de vontade. injúrias…). ou seja.

Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Contratos Unilaterais Bilaterais ou Contratos Contratos Sinalagmáticos Negócios Jurídicos Lícito s Simples Actos Jurídicos Voluntários ou Actos Jurídicos Bilaterais Imperfeitos Unilaterais Dolosos Factos Jurídicos Meramente Culposos Ilícitos Involuntários .114 - .----.

com vista à produção de um resultado jurídico unitário. constituído por uma ou mais declarações de vontade dirigidas à realização de determinados efeitos práticos. de todos os seus bens ou parte deles Nos negócios jurídicos bilaterais ou contratos há duas ou mais declarações de vontade. mas que se harmonizam ou conciliam reciprocamente. ex: para haver “compra e venda” tem de existir fixação de preço e determinação da coisa).  testamento o acto unilateral e revogável pelo qual uma pessoa dispõe. Classificação dos Negócios Jurídicos Negócios Jurídicos Unilaterais. diferenciando-o dos restantes (p. lícito.  elementos essenciais específicos: são aqueles que se mostram essenciais para a existência de um negócio jurídico concreto. a aceitação ou repúdio da herança). com a intenção de que tais efeitos sejam tutelados pelo Direito. para depois da morte. ou várias declarações convergentes formando um só grupo – só há um lado/uma parte (p. definição do objecto.----.  O conteúdo do negócio jurídico consiste num conjunto de cláusulas nele contidas Dentro dos elementos essenciais:  elementos essenciais genéricos: são aqueles que têm de existir em todo e qualquer negócio jurídico. declaração de vontade. ex: testamento. com conteúdos diversos e até opostos.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 O Negócio Jurídico  facto jurídico. normalmente de carácter patrimonial. Bilaterais ou Plurilaterais ou Contratos Nos negócios jurídicos unilaterais há uma só manifestação de vontade. voluntário. ex: a doação)  contratos bilaterais . tais como: capacidade das partes.115 - . Existem:  contratos unilaterais (p. e fim.

ex: o depósito. uma das partes tem a intenção de efectuar uma atribuição patrimonial a favor da outra. a “compra e venda”…). ex: a doação. Forma é o modo de revelação ou exteriorização da vontade.116 vinculativa . Civil)  liberdade de contratar  liberdade de fixação de conteúdo  liberdade de selecção do tipo contratual  liberdade de estipulação Princípios fundamentais dos contratos  princípio da consualidade ou de forma  princípio da boafé  princípio da força . assenta numa declaração de vontade.  negócios jurídicos gratuitos. isto é. ou Solenes O negócio jurídico. é necessário arranjar uma forma de a exteriorizar. como já vimos. Assim. Negócios Jurídicos Consensuais. empreitada…).----.  princípio da liberdade contratual (art.º 405º Cód.  imperfeitos – inicialmente só há obrigações para uma das partes. e Formais. existindo uma relação de equivalência entre as referidas atribuições. surgindo eventualmente mais tarde obrigações para a outra parte. pressupõem atribuições patrimoniais de ambas as partes. o testamento…). Negócios Jurídicos Onerosos e Gratuitos  Esta distinção tem como principal critério o conteúdo e o fim do negócio. em virtude do cumprimento das primeiras – não se realizam em simultâneo as obrigações (p. cada parte dá e recebe (p. ex: a empreitada. ex: locação. a locação. ou Não Solenes. todas as declarações têm de ter uma forma.  negócios jurídicos onerosos. o mandato a título gratuito. Assim.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Os contratos bilaterais dividem-se em:  sinalagmáticos – ambas as partes contraem obrigações que estão ligadas entre si por um nexo de causalidade e onde as obrigações são realizadas em simultâneo (p. sem obter qualquer contrapartida (p. caracterizam-se pela chamada intervenção liberal de uma das partes. o mandato…). Contudo.

Os documentos podem revestir várias modalidades face à lei:  autênticos – são os documentos exarados. Negócios Jurídicos Entre Vivos e Mortis Causa  Os negócios entre vivos destinam-se a produzir efeitos em vida das partes (a maioria dos negócios). a forma por vezes exigida é a escrita. se afastarem dos contratos típicos ou paradigmáticos disciplinados na lei (celebrar contratos atípicos/liberdade de estipular cláusulas). No entanto.  particulares – todos os outros documentos (p. existem algumas situações em que a lei exige a observância de uma determinada forma – negócios formais ou solenes. com as formalidades legais. perante o notário  Resta dizer que se a forma exigida pela lei não for respeitada o contrato jurídico diz-se nulo. livremente. mais precisamente. testamento…). sob a forma de documento. pelo notário ou outro oficial público provido de fé pública (p.117 - .  Os negócios mortis causa são os destinados a produzir efeitos só depois da morte da respectiva parte ou de alguma delas (p. na regulamentação dos seus interesses. ex: venda de imóveis. . escolher cada uma delas. pelas autoridade públicas. contratando. um negócio jurídico é válido seja qual for a sua forma – princípio da liberdade de forma.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 O princípio da liberdade contratual desdobra-se em vários aspectos: a) a possibilidade de as partes contratarem ou não. como melhor entenderem. ex: arrendamento comercial. trespasse…). Em regra.----.  autenticados – quando os documentos particulares são confirmados pelas partes. b) a faculdade de. Logo. c) a possibilidade de. o outro contraente. ex: testamento).

impondo coactivamente a reparação da violação. PJ. GNR. A protecção coactiva distingue-se consoante a qualidade do agente protector:  tutela privada ou auto tutela – levada a cabo pelo próprio titular do direito violado e só é lícita a titulo subsidiário (o sujeito não pode exceder o minimamente necessário e o prejuízo não pode ser superior àquele que o sujeito poderia sofrer)  tutela publica estadual – aquela que é realizada pelo Estado e que tem como objectivo garantir o cumprimento das normas jurídicas. Relembremos a estrutura das normas:  previsão: prevê um acontecimento ou estado de coisas.118 - . contém a representação da situação futura  estatuição: comportamento a adoptar caso a previsão não se verifique  sanção: consequência desfavorável que atinge quem violou a estatuição/regra A sanção representa a possibilidade de reagir à violação da norma. pela força.Garantia das Obrigações  trata-se do quarto elemento da relação jurídica e tem como principal objectivo a defesa dos direitos dos cidadãos. através do recurso a meios coactivos.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 4. Podem revestir a forma:  judiciária.----. a cargo das forças policiais (PSP. etc) Importa analisar os principais meios de tutela:  tutela preventiva  medidas compulsivas  tutela repressiva ou sancionatória .4 – A Tutela Jurídica . a cargo dos tribunais  administrativa. se preciso for. ou seja.

Destacam-se:  medidas de segurança – medidas com o objectivo essencial de colocar certas categorias de pessoas que se consideram perigosas. de forma a evitar a lesão de um direito (art. regime de liberdade preventiva…).  procedimentos cautelares – consistem num conjunto de medidas que podem ser tomadas pelo cidadão. Civil). Actualmente.----. em situação de não os cometer.º 27º CRP). Contudo. aptas a praticar crimes. de forma a obrigá-lo a adoptar um determinado comportamento que até aí omitiu. outros tipos de medidas compulsivas. .119 - . ex: internamento de presos.º 381º e seguintes Cód. contribuindo para que não voltem a praticá-los no futuro (p. Uma das providências cautelares mais vulgares é o chamado Arresto: consiste na apreensão judicial de bens e pode ser requerido quando o credor tenha justo receio de perder a garantia patrimonial do seu crédito. como as multas aplicáveis aos empreiteiros de obras públicas por cada dia de atraso na entrega da obra. a Ordem Jurídica Portuguesa não contempla ou prevê quaisquer meios compulsivos privativos de liberdade (art.  Medidas Compulsivas  medidas que se destinam a actuar sobre o infractor de determinada norma.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Tutela Repressiva  conjunto de medidas destinadas a impedir a violação da Ordem Jurídica ou a evitar a observância das regras jurídicas (meios preventivos: certos serviços de ordem e segurança).

compensando a lesada e proporcionando-lhe alguma satisfação). a lei faz cumprir coactivamente a norma – execução específica – o que implica a entrega da coisa objecto do contrato.º 556º Cód. não se pretende reconstituir a situação passada. Reintegração pode ser: (art. Carlos pode requerer ao tribunal que apreenda a pulseira e lha entregue). Assim.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Tutela Repressiva  traduz-se na organização de sanções aplicáveis em consequência da violação das normas jurídicas. Neste caso. As sanções podem ser classificadas. cujo objectivo é reconstituir a situação anterior à violação da norma. situação normal de troca por outro igual  por mero equivalente. Paulo fica obrigado a indemnizar Marta pelos danos morais e sofrimentos causados. . violando a norma jurídica. Civil)  in natura. ex: partir uma peça única…) – art. antes proporcionar uma satisfação ao lesado em contrapartida da lesão sofrida. A situação mais característica da compensação é a indemnização por danos morais ou não pessoais (p. ex: Paulo atropelou Marta e provocou-lhe inúmeras lesões não susceptíveis de avaliação patrimonial. quando é impossível ao devedor reconstituir a situação anterior à violação da norma (p.  Quando não é possível o cumprimento coactivo da norma recorre-se à reintegração.120 - . de acordo com a finalidade:  reconstitutivas (sanções civis)  compensatórias  punitivas  Sanções Reconstitutivas  sempre que possível. (ex: Se Carlos comprou uma pulseira a João e este não lha integrou.----.º 562º Cód. Civil: regras da reintegração por mero equivalente  Sanções Compensatórias  Acontece quando não e possível recorrer à reintegração ou quando esta não repara totalmente a violação cometida.

e a prevenção de futuras práticas ilícitas (p.  sanções das contra-ordenações – a coima é a sanção típica das contra-ordenações. em geral. no domínio da sua actividade (p.  sanções disciplinares – visam proteger valores de coesão ou de relação internas na Empresa e na Administração Publica e resultam da violação dos deveres próprios dos trabalhadores . despedimento…). a restitui-la. não podendo ser convertida em pena de prisão. ex: indemnizações…). Reveste sempre a forma pecuniária. ex: sanções corporais. Assim.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Sanções Punitivas  Nos casos mais graves. ao estado anterior à lesão (várias formas: restituição em espécie.121 - . ex: violação do Regulamento de Disciplina Militar…). ex: repreensão. põem em perigo e lesam bens relevantes sob o ponto de vista social. De entre as sanções penais sobressaem:  as corpóreas – revestem essencialmente a forma de prisão e são. quanto à sua natureza:  sanções civis – tendem apenas a restabelecer os interesses da pessoa ofendida. multas…). suspensão. Ainda se pode distinguir as sanções. pelos seus actos. . podemos concluir que estas sanções são cumulativas em relação a uma determinada violação. Visam essencialmente infligir um castigo ao infractor. por equivalente e compensatória).  sanções criminais – têm por fim a reprovação e regeneração das pessoas que. de carácter patrimonial (p. tanto quanto possível. a coima corresponde a uma infracção que não tem a dignidade necessária para ser qualificada como crime.  as pecuniárias – traduzem-se geralmente nas chamadas multas processuais ou administrativas (p. Por fim.----. o Direito recorre a penas.

 Por fim. ficando pessoalmente obrigado perante o respectivo credor caso o devedor não cumpra a sua obrigação. pelo cumprimento da obrigação. a satisfação do seu crédito” (art. com os seus patrimónios. para além do devedor. judicial ou extrajudicialmente. o “património do devedor” (constituído pelo conjunto de bens penhoráveis do devedor que respondem por determinadas dívidas) constitui uma garantia geral ou comum dos credores. por parte do devedor ou terceiro. Além destas. de um objecto móvel para garantir o cumprimento da obrigação (art. existem garantias especiais. .º 817º Cód. assim. obtendo. o(s) objectos(s) penhorado (s). Caso o devedor não cumpra a obrigação. Civil). o credor pode vender. Civil). a fiança só se extingue com o cumprimento da obrigação pelo devedor. As garantias pessoais são aquelas em que. pelo valor de tais bens ou rendimentos. O credor adquire o direito de ser pago preferencialmente sobre qualquer outro credor comum. Desta forma.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 A Garantia das Obrigações “O incumprimento de uma obrigação dá ao respectivo credor a faculdade de recorrer aos tribunais. Uma figura-tipo desta modalidade é a Fiança  consiste no facto de uma terceiro assegurar com o seu património o cumprimento de obrigação alheia.122 - .----.º 666º Cód. desde que:  se trate de bens sujeitos a registo  a garantia tenha sido registada  não concorra com privilégios especiais Diversas garantias reais: Penhor  consiste na entrega ao credor. de modo a executar o património do devedor. pessoais ou reais. outras pessoas podem ficar responsáveis. mas que só existem quando foram previamente definidas ou por determinação da lei. As garantias reais caracterizam-se por recair sobre bens certos e determinados do próprio devedor ou de terceiro – reforço da garantia das obrigações.

758º e 759º Cód. Civil)  prédios rústicos ou urbanos  direito de superfície  bens móveis sujeitos a registo. Só acontece caso as despesas feitas ou o prejuízo resultem do objecto a ser retido. Civil). Civil).----.º 688º Cód. extingue-se com o cumprimento da obrigação pelo devedor. Pode incidir sobre: (art. e nunca se pode reter uns objectos pelos outros. ex: carros. equiparados a imóveis (p. Direito de Retenção  considerado uma causa legitima do não cumprimento das obrigações (art. . Por fim.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Hipoteca  traduz-se no direito conferido a certos credores de serem pagos preferencialmente a outros credores (que não gozem de privilégios especiais) pelo valor de certos bens imóveis do devedor. barcos…) Esta garantia é muito usada e assume grande importância no mundo comércio. desde que os créditos tenham sido devidamente registados (art.º 686º Cód.123 - .os 754º. naves.

124 - . A prática destes actos desencadeia responsabilidade civil.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Tema 6: Conduta Ilícita e causas da exclusão da ilicitude 1. que pode consistir numa acção ou omissão. em que se coloca o infractor da norma com a consequente sujeição à aplicação de sanções. porque violam Direito Privado. (p. a ilicitude. ou abstenção do agente  o resultado lesivo do interesse juridicamente protegido A responsabilidade traduz-se na situação. consiste na violação de uma norma e do dever jurídico que ela impõe. 1. atingem simples interesses particulares e dão lugar a sanções civis.  ilícito  acto exterior ao Homem. mais ou menos grave. qualidade do acto ilícito. que resulta de uma formação de vontade do agente e que gera um resultado lesivo de um interesse juridicamente protegido (bem jurídico). ex: o não pagamento de uma dívida em devido tempo) . Noção de Ilicitude  a vontade formulada na acção ou omissão Elementos do ilícito  a acção.----. Desta forma. Os actos ilícitos civis. “carácter disponível” significa que o lesado pode livremente prescindir da sua aplicação. à qual está subjacente a ideia da reparação patrimonial de um dano privado – situação em que uma pessoa tem de reparar os danos sofridos por outrem. Nestas sanções o objectivo é restituir os interesses lesados da pessoa ofendida – sanções privadas e disponíveis.1 – Ilícito Civil e Ilícito Criminal A distinção entre estes dois tipos de ilícitos baseia-se na diferente natureza das suas sanções.

“natureza indisponível” significa que não se pode impedir a sua aplicação. Desencadeia responsabilidade penal ou criminal. apesar das diferenças entre estas duas formas de responsabilidade. aparecendo como uma defesa contra os autores de factos que atingem a Ordem Social. prevenir a sua futura repetição e readaptar socialmente o criminoso – sanções públicas e indisponíveis. visando satisfazer os interesses da comunidade – sujeição às sanções impostas ao autor de um facto considerado punível pela lei penal. elas não se excluem e existe casos de factos ilícitos que reúnem simultaneamente o ilícito criminal e o civil (p. O intuito destas sanções é reprovar os crimes. (p.125 - . ex: tentativa de crime. dando origem a sanções criminais.----. porque violam Direito Público. atingem interesses gerais e valores básicos da sociedade. uso de arma de fogo sem licença…) Ilícito penal:  a conduta do infractor  a vontade com que praticou o ilícito  o fim que o infractor teve em vista com a prática do crime  os meios usados para a prática do crime  princípio da tipicidade – todos os crimes estão tipificados na lei  Porém.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Os actos ilícitos criminais ou penais. . ex: homicídio).

3 – Ilícito de Mera Ordenação Social No Direito das Contra-Ordenações o conteúdo é o ilícito de mera ordenação social.----. venda de produtos após o expirar do prazo de validade. ex: falta de assiduidade. enquanto nos ilícitos de mera ordenação social as coimas podem ser aplicadas tanto pelos tribunais como pelas autoridades administrativas. incompetência…). dando origem a sanções disciplinares. 1. Pontos fundamentais da criação e desenvolvimento deste ramo do Direito:  pendor crescentemente intervencionista do Estado contemporâneo e a necessidade de regular estas novas actividades  colmatar de uma lacuna na Ordem Jurídica  diferente natureza dos bens jurídicos que tutelam  inferior “ressonância ética” das contra-ordenações em relação aos crimes (p. . ex: venda de bens alimentares em condições higiénicas inaceitáveis.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 1.126 - . venda sem referência ao preço…) Duas grandes diferenças entre os ilícitos penais e as contra-ordenações:  no regime do ilícito de mera ordenação social podem ser punidos não só os particulares. mas também as pessoas colectivas. e já não o ilícito criminal.2 – Ilícito Disciplinar Há ilícito disciplinar quando um funcionário ou agente integrado em certa organização pratica um acto voluntário que viola um dever seu ou uma regra de funcionamento da organização (p. que abrange as contra-ordenações e que consiste no desrespeito de regras que visam proteger valores de segunda relevância e importância.  os ilícitos penais só podem ser julgados e sancionados pelos tribunais. ao contrário dos ilícitos penais onde só podem ser punidas as pessoas físicas. Desencadeia responsabilidade disciplinar.

127 - . Contudo. mas apenas a imprudência ou negligência do seu autor.  reveste sempre a forma pecuniária. a coima é a sanção típica das contra-ordenações. enquanto nos segundos não existe essa intenção.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 O Regime das Contra. não convertida em pena de prisão (o valor varia conforme a infracção) Estas coimas tanto podem ser aplicadas a pessoas singulares como colectivas. .----. causar dano (dolo). qual dor a característica do seu facto ilícito. já no caso de ser praticado com dolo o infractor tem de reparar todos os danos causados ao lesado. O infractor é obrigado a indemnizar o lesado por danos e perdas.Ordenações “Constitui uma contra-ordenação todo o facto ilícito e censurável que preencha um tipo legal no qual se comine uma coima”. seja. Aos intencionais chama-se delitos e aos culposos quase-delitos. Os primeiros são praticados com a intenção de prejudicar. caso o acto tenha sido praticado sem dolo a indemnização pode ser limitada e inferior. 1.4 – Ilícito Intencional e Ilícito Meramente Culposo Os factos ilícitos classificam-se em intencionais e meramente culposos. Deste modo.

----- Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 2. Responsabilidade Civil Contratual e Extracontratual A responsabilidade civil contratual consiste “na infracção de uma relação obrigacional ou direito de crédito, que existia entre o lesante e o ofendido num contrato”. A responsabilidade civil extracontratual resulta “da infracção de um dever ou vínculo jurídico geral, isto é, um daqueles deveres gerais de abstenção impostos a todas as pessoas e que correspondem aos direitos absolutos”.

2.1 – Responsabilidade Civil Extracontratual
Podemos distinguir:  responsabilidade por factos ilícitos  responsabilidade objectivo ou pelo risco  responsabilidade por factos lícitos danosos  Responsabilidade por Factos Ilícitos (baseada na culpa) O dever de indemnizar pressupõe: (art.º 483º Cód. Civil)  o facto – tem de existir um facto voluntário e não um mero facto natural produtor de danos  a ilicitude – o facto do agente tem de ser ilícito  a imputação do facto ao lesante – a infracção tem de ser cometida com culpa  o dano – o facto ilícito tem de causar dano ou prejuízo a alguém  nexo de causalidade entre o facto e o dano – ligação entre estes dois elementos, de modo a concluir-se que o facto constitui a causa do dano Formas de Ilicitude Importa fazer referência a duas formas de ilicitude: (art.º 483º Cód. Civil)  violação de um direito de outrem, o que implica muitas vezes indemnizar (p. ex:
usurpação do nome, furtar, difamar…).

 violação da lei que protege interesses alheios (p. ex: violação do código da estrada,
infracção da lei aduaneira…).

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----- Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 Abuso do Direito Uma conduta geradora de responsabilidade civil extracontratual é o “abuso do direito” – acontece quando um determinado direito é exercido de modo a que ofenda o sentimento de justiça na comunidade social (art.º 334º Cód. Civil).  Responsabilidade Objectiva ou Pelo Risco O desenvolvimento de certas actividades e profissões do Homem fizeram multiplicar os riscos. Além disso, muitas vezes os factores causadores de danos não são imputáveis a um só indivíduo, mas sim a um conjunto de pessoas.  A responsabilidade objectiva ou pelo risco, independentemente da culpa, obriga à reparação, mesmo que não tenha existido qualquer dolo ou culpa por parte do agente. Desta forma, nestes casos “o dever de indemnizar não resulta forçosamente de um acto ilícito do responsável, mas de uma conduta perigosa”. Casos especiais a que se aplica esta responsabilidade:  danos causados por animais  danos resultantes do perigo especial que envolve a sua utilização  acidentes causados por veículos  danos provenientes dos riscos próprios dos veículos  danos causados por instalações eléctricas ou a gás  danos resultantes da própria instituição Neste ponto importa distinguir caso fortuito de caso de força maior:  O primeiro caso consiste em qualquer risco natural das coisas ou maquinismos utilizados pelo agente (p. ex: rebentamento de um pneu, quebra de direcção…).  O segundo deve-se a uma força da natureza estranha a essas coisas ou maquinismos (p. ex: faísca que provoca um incêndio, ciclone que arremessa um carro contra uma
pessoa…).

Enfim, podemos concluir que só no caso do acidente resultar de “causa de força maior estranha ao funcionamento do veículo” é que se afasta a responsabilidade e a consequente obrigação de indemnizar o lesado.

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----- Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  Responsabilidade por Factos Lícitos  Resulta da prática de um acto lícito, mas que obriga o seu autor a reparar o prejuízo que porventura tenha causado a terceiros. Assim, impõe-se nuns casos e admite-se noutros a fixação de uma indemnização ao lesado. Contudo, não existe nenhuma legislação específica acerca deste tipo de responsabilidade.  art.º 1332º Cód. Civil  captura enxame de abelhas  art.º 1367º Cód. Civil  apanha de frutas  expropriação por utilidade pública Deste modo, o infractor fica obrigado a indemnizar o lesado, apesar do facto praticado ser totalmente lícito.

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 estado de necessidade  situação de constrangimento em que fica quem sacrifica coisa alheia com o fim de afastar um perigo actual de um prejuízo manifestamente superior. .  acção directa  situação em que se considera justificado o recurso à força com o fim de preservar ou realizar o próprio direito. mas nunca uma agressão. desde que não exceda os limites do necessário. desde que na agressão e na defesa se verifiquem os requisitos que a lei enumera: (art.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 3. pois defendeu o património de João e não usou de meios mais do que os necessários para isso. quando não seja possível recorrer em tempo útil aos meios coercivos normais e desde que o agente use da força apenas na medida necessária para evitar o prejuízo (art. o lesante é obrigado a indemnizar.º 337º Cód. Civil)  agressão actual e lícita  defesa necessária e proporcional Exemplo: Paulo prepara-se para deitar fogo a uma seara de João. apercebe-se e agride Paulo. Assim. Carlos. Assim. Exemplo: Um filho menor está confiado à guarda do pai. Em estado de necessidade actua-se por iniciativa própria e como meio de defesa para afastar o perigo.----. Civil). a mãe tenta apoderar-se do filho – é lícito que o pai impeça pela força a mãe de levar o filho.131 - . ao passar no local. Causas da Exclusão da Ilicitude As causas da exclusão da ilicitude não são mais do que circunstâncias que retiram ao facto que ocasionou determinado dano a sua ilicitude e excluem a responsabilidade civil – justificam actos ilícitos pelo agente em defesa de direitos próprios sempre que não seja possível recorrer em tempo útil aos meios coercivos normais.  legítima defesa  situação em que se considera justificado o acto destinado a afastar qualquer agressão. a atitude é lícita.º 336º Cód. se causar prejuízos é obrigado a reparar. Porém. Para conduzir alguém a um hospital é lícito utilizar um automóvel alheio. Exemplos: Para apagar um incêndio em certa propriedade causam-se danos na propriedade contígua.

mas com Numa operação o médico descobre que o paciente tem um órgão. que não estava a operar. autorização do dono.----. danificado: presume-se que o paciente também autorizou a operar “tudo o que estiver mal”. .132 - . constituiria uma violação de um direito ou norma jurídica.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05  consentimento do lesado  consiste no consentimento do titular do direito à prática de determinado acto que. Exemplos: Caso Augusto entre em casa de João para ler o correio ou apanhar fruta. sem esse consentimento.

o conceito assenta na ideia da imprevisibilidade: o facto não se pode prever. Causas do não cumprimento das obrigações:  culpa do devedor  culpa do credor  causa não imputável a nenhum deles Porém. Incumprimento não culposo das Obrigações  fonte de obrigação  o facto jurídico de onde nasce o vínculo obrigacional (as principais são os contratos e a responsabilidade civil)  Art. ex: guerra. dá-se o não cumprimento da obrigação quando a respectiva prestação debitória deixa de ser efectuada nos termos adequados. Deste modo. Assim. Sobressai a ideia de inevitabilidade (p.º 397º Cód. não se pôde evitar. inundações…). o cumprimento da obrigação representa o aspecto culminante da vida da relação obrigacional. o devedor fica livre do vínculo que o prendia. mas seria evitável se tal tivesse acontecido (p. Para além disso.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 4. Caso de Força Maior  todo o acontecimento natural ou acção humana que. ou seja. embora previsível ou até prevenido.----. nem em si mesmo nem as suas consequências danosas. prisão. os efeitos jurídicos decorrentes da falta de cumprimento não imputável ao devedor são os mesmos: extinção da obrigação. Civil  Obrigação é o vínculo jurídico por virtude do qual uma pessoa fica adstrita para com outra à realização de uma prestação Desta forma. após o seu cumprimento.133 - . ordem da autoridade…). . para o nosso estudo só interessa a terceira causa – situações decorrentes de caso fortuito ou de força maior. roubo. Caso Fortuito  ocorre por desenvolvimento de forças naturais a que é estranha a acção do Homem. ex: incêndios.

Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 5. Ineficácia dos Actos em Contravenção da Norma Quando o negócio jurídico é desconforme da lei. A Invalidade  diz-se inválido quando não produz os efeitos jurídicos desejados pelas partes. . caso o declarante não tenha consciência do que fez ou fê-lo sob coacção física  contrariedade à lei. negócios celebrados contra disposição legal de carácter imperativo  A nulidade tem por objectivo proteger um interesse público.º 1628º Cód. Civil). esta considera-o inadequado para produzir os efeitos que as partes tinham em vista. declaração negocial que carece de forma legalmente prescrita  vícios de objecto. ex: o casamento que não esteja de acordo com o art.  vícios de forma.134 - . o objecto seja física ou legalmente impossível. contrário à lei ou indeterminável (p. ex: contrabando…)  falta de vontade. Três tipos de ineficácia em sentido amplo/lato:  a inexistência jurídica  a invalidade  a ineficácia em sentido restrito A Inexistência Jurídica  corresponde aos casos mais graves de violação da regra jurídica.----. Pode revestir duas modalidades:  nulidade  anulabilidade  A nulidade verifica-se quando o negócio jurídico não produz os efeitos jurídicos desejáveis por ambas as partes. em que o direito não atribui quaisquer efeitos ao negócio celebrado entre as partes e nem sequer reconhece a sua existência (p.

135 - .----. mas impede que ele venha a produzir todas ou parte das consequências jurídicas que visava produzir (p. . é tratado como válido. A anulabilidade resulta dos seguintes factores:  incapacidade do agente (p.Direito ----1º Teste – 31/10/05 & 2º Teste 28/11/05 A anulabilidade – o negócio. ex: o erro. Ineficácia em Sentido Restrito  as situações em que a lei não considera inválido o acto que não observe os requisitos exigidos. ambas as partes têm hipótese e o direito de anular o negócio. etc)  A anulabilidade só pode ser pedida no prazo de um ano subsequente à cessação do vício que lhe serve de fundamento. podendo destruir retroactivamente os efeitos jurídicos já produzidos. Deste modo. ex: actos dos menores)  vícios de vontade (p. ex: casamento do menor sem autorização dos pais). não obstante estar ferido de um vício. a incapacidade acidental.

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