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O Passe na visão Espírita

O que é o passe?

Segundo Manoel Philomeno de Miranda: “... Um ato humano de doação-recepção, acompanhado de


uma manifestação mediúnica sutil e amorosa, em que o doador e o receptor encarnados se integram
numa busca que transcende a eles mesmos para contatarem os Bons Espíritos, fechando um circuito de
forças que atrai as energias divinas restauradoras do equilíbrio físico e psíquico, para que se concretize a
saúde integral nos departamentos da alma e do corpo.”

Quando surgiu o passe na história da humanidade?

Desde as civilizações primitivas, pré-históricas, há registros de uma “emanação” vinda das mãos,
provavelmente observada por indivíduos mais sensíveis (médiuns) que eram capazes de observar a aura
que se forma , particularmente ao redor das mãos. Há pinturas pré-históricas que representam mãos das
quais se emana alguma coisa, como raios ou jatos.

Pela experimentação, o homem primitivo percebeu que certos indivíduos eram capazes de curar ou
provocar alívio impondo as mãos sobre partes do corpo. Esse conhecimento ficou consolidado pela
prática e passou a fazer parte das tradições das diferentes religiões organizadas como as bênçãos, unções
ou imposição de mãos, em diferentes situações.

No antigo testamento, temos o relato do livro de Reis, cap II,v 11 “Certamente ele sairá a ter comigo,
pôr-se-á em pé, invocará o nome do Senhor seu Deus, passará a sua mão sobre o lugar, e curará o
leproso.”

No Egito, o povo procurava os sacerdotes do templo de Ísis para imporem-lhe as mãos e aliviarem seus
sofrimentos.

No novo testamento, temos o Relato de Mateus, cap. 8, v1-3: “ Quando Jesus desceu do monte, grandes
multidões o seguiam. E eis que veio um leproso e o adorava, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-
me limpo. Jesus, pois, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. No mesmo instante ficou
purificado da sua lepra.

Mateus, 9: 27-29, também narra: “Partindo Jesus dali, seguiram-no dois cegos, que clamavam, dizendo:
Tem compaixão de nós, Filho de Davi. E, tendo ele entrado em casa, os cegos se aproximaram dele; e
Jesus perguntou-lhes: Credes que eu posso fazer isto? Responderam-lhe eles: Sim, Senhor. Então lhes
tocou os olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa fé.”

Em ambos os casos, vemos que é necessária uma VONTADE ATIVA, a FÉ. Essa condição de busca e de
confiança, faz com que se feche um circuito entre aquele que se dispõe, amorosamente, a ser um canal
de energias superiores, através do seu próprio ser, e aquele que recebe essa doação.

No século XVIII, Anton Mesmer, Austríaco, estudou de maneira um pouco mais experimental a
existência de uma “força magnética que se manifestava através de um fluido universalmente distribuído,
que se insinuava na substância dos nervos e dava, ao corpo humano, propriedades análogas ao do ímã.
Esse fluido, sob controle, poderia ser utilizado como finalidade terapêutica.”

Criação das “Sociedades Magnéticas”. Mesmer também começou a trabalhar com pacientes
sonambúlicos, que apresentavam fenômenos diversos quando eram magnetizados. Na verdade, eram
médiuns que eram mais facilmente levados a um estado de transe mediúnico quando magnetizados (ou
quando levavam passes) segundo o método de Mesmer.

Kardec freqüentou uma sociedade magnética, sendo considerado um magnetizador (médium passista)
pelos colegas de estudos, mas depois interessou-se mais pelo fenômeno mediúnico que deu origem à
codificação espírita.

Em 1831 a Academia de Ciências de Paris, estudando os fenômenos do Magnetismo, reconheceu a


existência dos fluidos magnéticos, mas em 1837 voltou atrás, provavelmente devido às encenações
espalhafatosas e pouco sérias de alguns dos seguidores do magnetismo ou mesmerismo.

O Passe na visão Espírita

Pode ser de três categorias:

- O passe magnético (energias do médium ou magnetizador)


- O passe espiritual (energias dos espíritos)
- O passe mediúnico (energias do espírito e dos médiums)

O processo do passe:

Durante o passe, energias são transmitidas através do médium principalmente através dos centros
energéticos do corpo, ou chakras, reequilibrando, energizando e desobstruindo as energias do próprio
corpo. Essas energias ou fluidos agem primeiro sobre o perispírito, que por sua vez age sobre o corpo
material com o qual está em contato.

A água absorve de maneira muito eficiente esses fluidos, e é também utilizada como “água
fluidificada”, na fluidoterapia, transmitindo ao corpo as propriedades dos fluidos absorvidos, quando
ingerida ou aplicada sobre o corpo.

Diferentes denominações religiosas também utilizam a água nos processos de cura, através de lavagem
de partes do corpo ou ingestão.

Quais são as condições ideais para a aplicação do passe?

- O ambiente:
o Deve ser harmonioso, e livre de energias deletérias e negativas, que também poderia ser
transmitidas aos que se afinizam com elas e ter efeitos negativos. Por isso o lugar ideal
para a aplicação do passe é o Centro espírita. E no centro espírita, mesmo as pessoas que
não recebem ou aplicam o passe devem manter o seu nível vibratório elevado nesse
momento, através do recolhimento íntimo e da prece.
o No caso da água fluidificada, utilizada no culto no lar, o ambiente deve ser preparado
anteriormente, numa atitude de recolhimento e prece, podendo-se utilizar leituras ou
músicas edificantes. Essa reunião deve ser íntima e o mais privativa possível.

- O médium:
o Deve estar equilibrado física, psíquica e espiritualmente. Isso significa dizer que deve
gozar de boa saúde, estar equilibrado física e emocionalmente. Fazer uso da prece, evitar,
ao máximo possível, pensamentos e sentimentos desequlibrantes. Não quer dizer que
todos precisam ser santos para serem médiuns, senão não os haveria, mas tentar, se não o
tempo todo, pelo menos no dia do trabalho mediúnico tentar se manter o mais equilibrado
possível.

- O receptor:
o Ter uma atitude de fé, no sentido de acreditar e buscar ativamente a cura dos seus males.
Não basta esperar apenas o alívio imediato, mas sim estar disposto a buscar a causa dos
seus males e a sua reforma íntima, pois toda doença tem a sua causa em desequilíbrios
interiores, que geram desequilíbrios físicos e psíquicos como conseqüência da afinidade
com vibrações inferiores. Se não se procura a reforma íntima, o passe será sempre apenas
um paliativo. Deve-se buscar elevar o seu nível vibracional no momento do passe,
buscando-se a afinidade com energias superiores, a fim de que possamos asimilá-las. A
prece é sempre recomendada nesse momento.

Quando devemos tomar o passe?

- Quando nos sentimos desequilibrados física, moral ou espiritualmente. O passe jamais deve ser
considerado “um hábito” ou tomado sem real necessidade, pois quem toma o passe recebe uma
doação de energias do médium e da espiritualidade, energias que trazem consigo uma
responsabilidade, já que se são aplicadas sem necessidade, poderiam estar sendo utilizadas em
que realmente necessita delas. O médium, no processo do passe, doa parte do seu fluido vital, e
há um limite orgânico que cada médium é capaz de doar.
- O passe é um socorro, um remédio de urgência, que pode sim ser necessário a longo prazo, de
acordo com a necessidade, por exemplo em pessoas que passam por processos obsessivos, mas a
verdadeira cura só vem através da reforma íntima e da modificação de nossos pensamentos e
sentimentos, que são a verdadeira causa de nossos desequilíbrios.
- Se você toma passes seguidamente e não vê modificações nos males que o afligem, é hora de
solicitar ajuda, através do atendimento fraterno no Centro Espírita e/ou de profissionais
especializados, além de começar a refletir mais profundamente sobre a necessidade de sua
reforma íntima.
- Quem pratica a caridade, faz uso da prece e tenta controlar seus sentimentos e emoções, amando
e ajudando o próximo e assim atraindo para si vibrações positivas e harmonizantes, raramente
necessita fazer uso do passe magnético, pois promove, por si só, o reequilíbrio das próprias
energias no trabalho edificante no bem.