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Universidade da Beira Interior

Departamento de Matemática

Análise Matemática II

Apontamentos Teóricos
Cursos: Bioquı́mica, Eng. Quı́mica, Fı́sica e Quı́mica (ensino de), e

Quı́mica Industrial

♦♦

Docente : Ana Catarina Santos Carapito

Ano lectivo 2005/2006


Índice

1 Séries 1
1.1 Séries Numéricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.1.1 Definição. Convergência. Propriedades . . . . . . . . . . . . . 1
1.1.2 Séries de termos não negativos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.1.3 Séries alternadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
1.1.4 Convergência absoluta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
1.2 Séries de funções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.2.1 Convergência pontual e uniforme . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.2.2 Séries de potências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
1.2.3 Teorema de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16

2 Funções de várias variáveis reais 19


2.1 Definição. Domı́nio e sua representação geométrica. . . . . . . . . . . 19
2.2 Limites e continuidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
2.3 Derivadas parciais e direccionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
2.4 Diferenciabilidade. Plano tangente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
2.5 Noção de diferencial. Aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
2.6 Gradiente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
2.7 Derivada da função composta. Regra da Cadeia. . . . . . . . . . . . . 52
2.8 Teorema da Função implı́cita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
2.9 Extremos de funções reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

1
2.9.1 Extremos livres . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
2.9.2 Extremos condicionados. Método dos Multiplicadores de La-
grange . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
2.10 Aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61

3 Cálculo Integral em IRn 63


3.1 Integrais duplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
3.1.1 Definição e propriedades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
3.1.2 Mudança de variável num integral duplo. Coordenadas polares 69
3.2 Integrais triplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
3.2.1 Mudança de variáveis num integral triplo. Coordenadas cilı́ndricas
e esféricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72

2
Capı́tulo 1

Séries

1.1 Séries Numéricas

1.1.1 Definição. Convergência. Propriedades

Definição 1.1.1. Seja un uma sucessão numérica. Chama-se série gerada por un
à sucessão Sn definida do seguinte modo:

S 1 = u1
S 2 = u1 + u2
S 3 = u1 + u2 + u3
..
.
S n = u1 + u2 + u3 + · · · + un
..
.
As somas S1 , S2 , ... chamam-se somas parciais.

Uma série pode ser representada por



X
un ou por u1 + u2 + u 3 + · · · ,
n=1

1
Capı́tulo 1. Séries 2

onde os números u1 , u2 , . . . , chamam-se termos da série; un diz-se o termo geral


da série.


X
Definição 1.1.2. A série un diz-se convergente se existir e for finito o limite
n=1

n
X
lim Sn = lim ui .
n→+∞ n→+∞
i=1

Neste caso, ao valor do limite, S, chama-se soma da série.


Se aquele limite não existir ou não for finito a série diz-se divergente.

Exemplos 1.1.3 (Séries especiais).

1. Uma série gerada por uma progressão geométrica chama-se série Geométrica
e pode ser escrita como

X
u1 rn−1 ,
n=1

onde u1 é o primeiro termo da série e r é a razão da progressão.

• Se un é uma progressão geométrica de razão r 6= 1 tem-se

1 − rn
Sn = u1 + u1 r2 + u1 r3 + · · · + u1 rn = u1 . .
1−r

E Sn é convergente se, e só se, |r| < 1, pois neste caso lim rn = 0
n→+∞
1 1
e, portanto, lim Sn = u1 . , isto é, S = u1 . . Com efeito,
n→+∞ 1−r 1−r
uma série geométrica é convergente quando |r| < 1.

Quando |r| > 1 ou r = −1, a série geométrica é divergente (exo ).

• Se un é uma progressão geométrica de razão r = 1, obtém-se uma série


X∞
cujo termo geral é constante, isto é, uma série da forma u1 . Neste
n=1
caso, Sn = nu1 e, se u1 6= 0, a série será divergente.
Capı́tulo 1. Séries 3

2. Uma série cujo termo geral un se pode escrever na forma an −an+k , com k ∈ N
chama-se série de Mengoli ou Telescópica e pode ser escrita como

X
(an − an+k ).
n=1

Se existir e for finito , lim an ,


n→+∞

n
X
Sn = (ai − ai+k )
i=1
n
X n
X
= ai − ai+k
i=1 i=1
= a1 + · · · + ak + ak+1 + · · · + an − (ak+1 + · · · + an + an+1 + · · · + an+k )

= a1 + · · · + ak + ak+1 − (an+1 + · · · + an+k ).

Donde,

lim Sn = a1 + · · · + ak + ak+1 − k lim an ,


n→+∞ n→+∞

pois se an é convergente então lim ai+n existe e lim an = lim ai+n .


n→+∞ n→+∞ n→+∞

Exercı́cios 1.1.4. 1. Usando a definição, determine a natureza das séries


X∞ µ ¶
n
(a) ln
n=1
n+1
X∞
1
(b) √
n=1
n

X 1
(c)
n=1
n(n + 1)

2. Estude a natureza das seguintes séries, e no caso de existirem, calcule as re-


spectivas somas:

X e2n−1
(a)
n=0
e3n+1
Capı́tulo 1. Séries 4

X∞
4 2n−1
(b)
n=1
6n+2

X 1
(c)
n=1
n2
+ 3n
X∞ µ ¶ µ ¶
1 1
(d) cos − cos −
n=1
n n+4

O resultado que se segue indica uma condição necessária mas não suficiente para
que uma série seja convergente.

X
Teorema 1.1.5. Se a série un é convergente então lim un = 0.
n→+∞
n=1

Exemplos 1.1.6.

X∞
n n
1. Como lim = 1 6= 0, então a série é divergente.
n→+∞ n + 1 n+1
n=1

1
2. Como lim √ = 0, então não podemos concluir nada sobre a natureza da
n→+∞ n
X∞
1
série √ . No entanto, verifique que anteriormente mostrou que a série é
n=1
n
divergente.


X ∞
X
Teorema 1.1.7. Sejam un e vn séries convergentes de somas A e B, respec-
n=1 n=1
tivamente, e λ ∈ IR. Então,

X
1. A série (un + vn ) também é convergente e a sua soma é A + B:
n=1


X ∞
X ∞
X
(un + vn ) = un + vn .
n=1 n=1 n=1
Capı́tulo 1. Séries 5

X
2. A série λun é convergente e a sua soma é λA:
n=1

X ∞
X
λun = λ un .
n=1 n=1

Teorema 1.1.8. A natureza de uma série não é alterada se lhe suprimirmos um


número finito, arbitrário de termos.

X∞
1 1
Exemplo 1.1.9. A série harmónica , cujo primeiro termo é é divergente,
n=3
n 3
porque
X∞ ∞ ∞
1 X1 1 X 1
= −1− e é divergente.
n=3
n n=1 n 2 n=1
n


X 1
Exercı́cio 1.1.10. Mostre que a série é convergente e a sua
n=1
n(n + 3)(n + 6)
73
soma é igual a .
1080

Exemplos 1.1.11 (Outras séries especiais).


X∞
1
Uma série da forma α
chama-se Série de Dirichelet. É convergente se
n=1
n
α < 1; é divergente se α ≥ 1.
X∞
1
Um caso particular de uma série de Dirichelet é a série , denominada por
n=1
n
Série Harmónica.

1.1.2 Séries de termos não negativos

Nesta secção apresentam-se alguns critérios de convergência de séries de termos


não negativos. Estes critérios surgem da necessidade de estudar a natureza de uma
série quando não é possı́vel fazê-lo a partir da sucessão das somas parciais.
Capı́tulo 1. Séries 6

X
Teorema 1.1.12. Seja un uma série de termos não negativos. Então a série
n=1

X
un é convergente se, e só se, a sucessão das suas somas parciais é limitada.
n=1


X ∞
X
Teorema 1.1.13 (Critério de comparação geral). Sejam un e vn duas
n=1 n=1
séries de termos não negativos tais que un ≤ vn , ∀n ∈ N. Então,

X ∞
X
a) Se a série vn é convergente então a série un é convergente.
n=1 n=1


X ∞
X
b) Se a série un é divergente então a série vn é divergente.
n=1 n=1

Exercı́cios 1.1.14. Estude a natureza das seguintes séries:



X 1
1.
n=1
n3 ln n

X∞
1
2.
n=1
n!

X∞
n+1
3. √
n=1
3
n

X 1
4. √
n=2
n− n


X ∞
X
Corolário 1.1.15. Sejam un e vn duas séries tais que un ≥ 0 e vn > 0, ∀n ∈
n=1 n=1
un
N. Se lim = l ∈ IR+ então as séries são da mesma natureza.
n→+∞ vn
Capı́tulo 1. Séries 7

X ∞
X
Corolário 1.1.16. Sejam un e vn duas séries tais que un ≥ 0 e vn > 0, ∀n ∈
n=1 n=1
un
N. Se lim = 0 então
n→+∞ vn


X ∞
X
a) se a série vn é convergente, a série un também é convergente;
n=1 n=1


X ∞
X
b) se a série un é divergente, a série vn também é divergente.
n=1 n=1


X ∞
X
Corolário 1.1.17. Sejam un e vn duas séries tais que un ≥ 0 e vn > 0, ∀n ∈
n=1 n=1
un
N. Se lim = +∞ então
n→+∞ vn


X ∞
X
a) se a série vn é divergente, a série un também é divergente;
n=1 n=1


X ∞
X
b) se a série un é convergente, a série vn também é convergente.
n=1 n=1

Exercı́cios 1.1.18. Estude a natureza das seguintes séries:



X 2n2 + 1
1.
n=1
n4 + 3

X 1 + (−1)n
2.
n=1
n2

X ln n
3.
n=1
n3

X µ ¶
2
4. ln 1 +
n=1
n
Capı́tulo 1. Séries 8

X
Proposição 1.1.19 (Critério D’Alembert ou da Razão). Seja un uma série
n=1
un+1
de termos positivos. Se existir lim = λ (λ ∈ IR0+ ou λ = +∞),então
n→+∞ un

X
a) se λ < 1, a série un é convergente;
n=1

X
b) se λ > 1, a série un é divergente;
n=1

c) se λ = 1, nada se pode concluir acerca da natureza da série.

Exercı́cios 1.1.20. Estude a natureza das seguintes séries:


X∞
2n
1.
n=1
n!

X∞
(n!)2 + n!
2.
n=1
(4n)! + n4


X
Proposição 1.1.21 (Critério de Cauchy ou da Raiz). Seja un uma série
√ n=1
de termos não negativos. Se existir lim n un = λ (λ ∈ IR+
0 ou λ = +∞),então
n→+∞

X
a) se λ < 1, a série un é convergente;
n=1

X
b) se λ > 1, a série un é divergente;
n=1

c) se λ = 1, nada se pode concluir acerca da natureza da série.

Exercı́cios 1.1.22. Estude a natureza das seguintes séries:


X∞ µ ¶ n2
n+1
1.
n=1
n

X 2n nn
2.
n=1
(3 + 9n)n
Capı́tulo 1. Séries 9

1.1.3 Séries alternadas

Definição 1.1.23. Uma série diz-se alternada se os seus termos são alterna-
X∞
damente positivos e negativos, podendo escrever-se da forma (−1)n−1 un , com
n=1
un > 0.

Para estudar a natureza de uma série alternada é útil o seguinte critério de


convergência:

Proposição 1.1.24 (Critério de Leibnitz). Se un é uma sucessão decrescente de



X
termos positivos e lim un = 0, então a série (−1)n−1 un é convergente.
n→+∞
n=1

Exercı́cios 1.1.25. Estude a natureza das seguintes séries:



X (−1)n
1.
n=1
n+1

X cos(nπ)
2.
n=1
3n + 1

X∞
1
3. (−1)n α
n=1
n

X∞ µ ¶
(−1)n (−1)n
4. √ 1+ √
n=1
n n

1.1.4 Convergência absoluta



X
Definição 1.1.26. Uma série un diz-se absolutamente convergente se a
n=1

X
série |un | for convergente.
n=1
Capı́tulo 1. Séries 10

X
Observação 1.1.27. A série un pode ser convergente sem que a série dos
n=1

X ∞
X X∞
1 1
módulos, |un | , o seja. Por exemplo, (−1)n é convergente, e (série
n=1 n=1
n n=1
n
dos módulos) é divergente.


X
Definição 1.1.28. Uma série un diz-se simplesmente convergente se for
n=1

X
convergente e a série |un | for divergente.
n=1


X ∞
X
Proposição 1.1.29. Se a série |un | for convergente, então a série un também
n=1 n=1
é convergente.

Exercı́cios 1.1.30. Determine se são absolutamente convergentes, simplesmente


convergentes ou divergentes as seguintes séries:
X∞ µ ¶n
−5
1.
n=0
n+2
³ nπ ´

X sen
2. 4
n=1
3n2 + n

X∞
1
3. (−1)n
n=1
n
Capı́tulo 1. Séries 11

1.2 Séries de funções

1.2.1 Convergência pontual e uniforme

Nesta secção, ao contrário das anteriores, consideraremos sucessões de funções


e, em consequência, série de funções, relativamente às quais abordaremos a sua
convergência.

Definição 1.2.1. Seja fn uma sucessão de funções, fn : D ⊂ IR → IR. Diz-se que


fn converge num ponto a ∈ D se a sucessão numérica fn (a) é convergente.
Se a sucessão fn converge em todos os pontos de D, pode definir-se uma função
f : D → IR por f (x) = lim fn (x), a qual se diz limite de fn em D. Diz-se
n→+∞
também que fn converge pontualmente para f em D.

³ x ´n
Exemplo 1.2.2. A sucessão de funções 1 + , definidas em IR, converge qual-
n
quer que seja x ∈ IR. A função limite é a função f (x) = ex :
³ x ´n
lim 1 + = ex , ∀x ∈ IR.
n→+∞ n

Definição 1.2.3. Seja fn uma sucessão de funções, fn : X ⊂ IR → IR. Chama-se


série de termo geral fn à sucessão de funções Sn definida por

Sn (x) = f1 (x) + f2 (x) + · · · + fn (x), ∀x ∈ X;



X
representa-se por fn .
n=1


X
Definição 1.2.4. Diz-se que a série fn converge no ponto a ∈ X se a série
n=1

X
numérica fn (a) for convergente.
n=1
Capı́tulo 1. Séries 12

Se a série for convergente em todos os pontos de D ⊂ X, pode definir-se uma


função f : D → IR que a cada ponto x ∈ D faz corresponder a soma da série
X∞
fn (x); à função f chama-se função soma da série .
n=1


X x2
Exemplo 1.2.5. Consideremos a série .
n=1
(1 + x2 )n

Se x = 0 a série dada é a série nula, e por isso convergente.


Se x 6= 0,

X X∞
x2 2 1
= x .
n=1
(1 + x2 )n n=1
(1 + x 2 )n


X 1 1
A série x2 2 n
é uma série geométrica, de razão r = , convergente
(1 + x ) 1 + x2
¯ ¯
n=1
¯ 1 ¯
¯
pois ¯ ¯ < 1. Logo,
1 + x2 ¯

X x2 1
= x2 . = 1 + x2 ,
(1 + x2 )n 1
n=1 1−
1 + x2
isto é, a função soma é

 1 + x2 , se x 6= 0;
f (x) =
 0, se x = 0.


X
Definição 1.2.6. Diz-se que a série fn (x) converge uniformemente para
n=1
função f em D ⊂ IR (D 6= ∅) se

lim sup |f (x) − Sn (x)| = 0.


n→+∞
Capı́tulo 1. Séries 13

Teorema 1.2.7 (Weierstrass). Se existir uma série numérica convergente, de



X
termos positivos, un , tal que
n=1

|fn (x)| ≤ un , ∀x ∈ D, ∀n ∈ N

X
então a série fn é uniformemente convergente em D.
n=1

¯ ¯ ∞
¯ sen (nx) ¯ 1 X 1
Exemplo 1.2.8. Como ¯ ¯ ¯ ≤ 2 , ∀x ∈ IR, e a série é convergente,
n2 ¯ n n2
n=1
X∞
sen (nx)
a série 2
é uniformemente convergente em qualquer subconjunto de IR.
n=1
n

X∞
xn
Exercı́cio 1.2.9. Prove que a série de funções 2n
é uniformemente convergente
n=1
5
em [−a, a], sendo a < 25.

1.2.2 Séries de potências

Aqui, consideraremos um caso particular das séries de funções, as séries de potências.

Definição 1.2.10. Seja a ∈ IR. Chama-se série de potências em x − a a uma



X
série da forma un (x − a)n , com un ∈ IR, ∀n ∈ N.
n=1


X
Observação 1.2.11. Se a = 0 a série de potências toma a forma un x n .
n=1


X
Na série de potências un (x − a)n , x é considerada uma variável, tal que a
n=1
série é convergente para alguns dos seus valores e divergente para outros.
Capı́tulo 1. Séries 14

O conjunto I de todos os valores de x para os quais uma série de potências



X
un (x − a)n é convergente chama-se intervalo de convergência e pode ser:
n=1

1. um intervalo com extremos a − r e a + r com r > 0, que podem pertencer ou


não a I;

2. um intervalo [a, a] = {a};

3. IR.

A r chama-se raio de convergência, que nos casos 2. e 3. é 0 e +∞, respectiva-


mente.

Especificamente,

X
Teorema 1.2.12. A série de potências un (x − a)n é
n=1

1. absolutamente convergente em ]a − r, a + r[;

2. divergente em ] − ∞, a − r[∪]a + r, +∞[;

3. nos pontos a − r e a + r pode ser divergente, absolutamente convergente ou


simplesmente convergente,

sendo
1
r= p .
lim n
|un |


X
Corolário 1.2.13. Seja un (x − a)n uma série de potências com raio de con-
n=1
vergência r, então ¯ ¯
¯ un ¯
r = lim ¯¯ ¯,
n→+∞ un+1 ¯

se existir o limite.
Capı́tulo 1. Séries 15

Exercı́cios 1.2.14.

X
1. Determine o raio de convergência da série (3 + (−1)n )n xn .
n=1

2. Indique, justificando, os valores reais de x para os quais as séries são abso-


lutamente convergentes, simplesmente convergentes e divergentes:

X xn
(a)
n=1
nn
X∞
(b) n!xn
n=1
X∞
xn
(c)
n=1
n
X∞
(x + 1)n
(d) (−1)n
n=1
2n


X
Proposição 1.2.15. Toda a série de potências un xn é uniformemente conver-
n=1
gente em qualquer intervalo fechado [a, b] contido no seu intervalo de convergência
e, nesse intervalo é integrável termo a termo, isto é,
Z bX
∞ ∞
X Z b ∞
X
n n bn+1 − an+1
un x dx = un x dx = un .
a n=1 n=1 a n=1
n+1


X
Proposição 1.2.16. A soma de uma série de potências un xn é uma função
n=1
contı́nua em qualquer ponto do seu intervalo de convergência.
Capı́tulo 1. Séries 16

X
Proposição 1.2.17. Toda a série de potências un xn de raio de convergência
n=1
r > 0 e com soma f (x) em ] − r, r[, é derivável termo a termo no intervalo de
convergência, isto é, Ã∞ !0
X ∞
X
un x n = n un xn−1 .
n=1 n=1

Esta série tem o mesmo intervalo de convergência e tem soma f 0 (x).

Exercı́cios 1.2.18.
Z 1 X∞
x2n
1. Calcule f (x) dx sendo f (x) = (−1)n .
0 n=1
(2n)!

X∞
(x − 5)n
2. Seja f (x) = (−1)n+1 . Indique, justificando, os valores reais de x
n=1
n5n
para os quais f 0 (x) é absolutamente convergentes, simplesmente convergente e
divergente.

1.2.3 Teorema de Taylor

Teorema 1.2.19. Sejam I um intervalo aberto e f : I ⊂ IR → IR uma função de


classe C n em I. Seja a ∈ I. Então, existe c ∈ I tal que

f 00 (a) f (n) (a)


f (x) = f (a) + f 0 (a)(x − a) + (x − a)2 + · · · + (x − a)n + Rn+1 (x),
2! n!
f (n+1) (c)
onde Rn+1 (x) = (x − a)n+1 e é designado por resto de Lagrange da
(n + 1)!
fórmula de Taylor de f em torno do ponto a.
Capı́tulo 1. Séries 17

Definição 1.2.20. Dada uma função f : D ⊂ IR → IR infinitamente diferenciável


numa vizinhança do ponto a ∈ Int(D), chama-se série de Taylor de f em a, á
série de potências

X f (n) (a)
(x − a)n .
n=1
n!
Se a = 0, a série de Taylor designa-se por série de MacLaurin e escreve-se

X f (n) (0)
xn .
n=1
n!

Teorema 1.2.21. Sejam I um intervalo aberto que contém a, f : I ⊂ IR → IR uma


função de classe C ∞ em I. Se lim Rn+1 (x) = 0 para qualquer x ∈ I, então f pode
n→+∞
ser desenvolvida numa série de Taylor, isto é,

X f (n) (a)
f (x) = (x − a)n .
n=1
n!

Teorema 1.2.22. Toda a série de potências de x − a é a série de Taylor (em torno


de a) da função por ela definida. Em particular, o desenvolvimento em série de
potências de x − a é único.

Exercı́cio 1.2.23. Determine a série de Taylor para as seguintes funções nos pontos
indicados:

1. f (x) = ex ; a = 0;

2. f (x) = sen x; a = 0;
1
3. f (x) = ; a = 0;
1−x
4. f (x) = ln x; a = 1.
Capı́tulo 1. Séries 18

1
5. f (x) = ; a = 0;
2 + 3x

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