SISTEMAS ELÉTRICOS

DE POTÊNCIA
Notas de Aula





Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida
Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR
Departamento Acadêmico de Eletrotécnica – DAELT
alvaroaugusto@utfpr.edu.br








Versão 03/07/2011

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
SUMÁRIO
1. UM POUCO DE HISTÓRIA .......................................................................................................................... 4
2. GLOSSÁRIOS ............................................................................................................................................... 6
3. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 8
4. O SISTEMA POR UNIDADE .......................................................................................................................11
4.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 11
4.2. DEFINIÇÃO DE PU ....................................................................................................................................... 11
4.3. MUDANÇA DE BASE ..................................................................................................................................... 15
4.4. TRANSFORMADOR DE DOIS ENROLAMENTOS .................................................................................................. 17
4.5. TRANSFORMADOR DE TRÊS ENROLAMENTOS .................................................................................................. 21
4.6. TRANSFORMADOR COM TAP FORA DO VALOR NOMINAL ................................................................................... 23
4.7. MODELOS DE GERADORES SÍNCRONOS ........................................................................................................... 32
4.8. MODELOS DE LINHAS DE TRANSMISSÃO ......................................................................................................... 36
4.9 MODELOS DE CARGAS .................................................................................................................................. 38
4.10 INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS DE CURTO-CIRCUITO. ........................................................................................... 41
4.11 EXERCÍCIOS ................................................................................................................................................ 48
5. COMPONENTES SIMÉTRICAS ..................................................................................................................53
5.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 53
5.2. O TEOREMA DE FORTESCUE ......................................................................................................................... 53
5.3. POTÊNCIA COMPLEXA .................................................................................................................................. 60
5.4. IMPEDÂNCIAS DE SEQUÊNCIA ........................................................................................................................ 61
5.5. IMPEDÂNCIAS DE SEQUÊNCIA DOS COMPONENTES DE UM SEP.......................................................................... 63
5.6. EXERCÍCIOS ................................................................................................................................................ 83
6. CÁLCULO DE CURTO-CIRCUITO ..............................................................................................................87
6.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 87
6.2. CURTO-CIRCUITO FASE-TERRA ..................................................................................................................... 88
6.3. CURTO-CIRCUITO FASE-FASE ........................................................................................................................ 90
6.4. CURTO-CIRCUITO FASE-FASE-TERRA ............................................................................................................. 92
6.5. MÉTODO DA MATRIZ IMPEDÂNCIA DE BARRA ............................................................................................... 100
6.6. OBTENÇÃO DIRETA DA MATRIZ IMPEDÂNCIA DE BARRA ................................................................................. 107
6.7. EXERCÍCIOS .............................................................................................................................................. 109
7. FLUXO DE POTÊNCIA ............................................................................................................................. 112
7.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................ 112
7.2. MÉTODO DE GAUSS ................................................................................................................................... 115
7.3. MÉTODO DE GAUSS-SEIDEL ....................................................................................................................... 121
7.4. MÉTODO DE NEWTON-RAPHSON ................................................................................................................ 122
7.5. MÉTODO DESACOPLADO RÁPIDO ................................................................................................................ 137
7.6. EXERCÍCIOS .............................................................................................................................................. 140
8. ESTABILIDADE ESTÁTICA E TRANSITÓRIA ......................................................................................... 142
8.1 ESTABILIDADE EM REGIME PERMANENTE .................................................................................................... 142
8.2 MÁQUINA DE POLOS LISOS EM REGIME PERMANENTE .................................................................................... 143
8.3 CURVA DE CAPABILIDADE E CURVAS “V” ...................................................................................................... 149
8.4 MÁQUINA DE POLOS SALIENTES EM REGIME PERMANENTE ............................................................................ 151
8.5 ESTABILIDADE EM REGIME TRANSITÓRIO ..................................................................................................... 151
8.6 DINÂMICA DA MÁQUINA SÍNCRONA LIGADA AO BARRAMENTO INFINITO .......................................................... 151
8.7 EQUAÇÃO GERAL DA OSCILAÇÃO.................................................................................................................. 152
8.8 ANÁLISE LINEARIZADA – MÁQUINA DE POLOS LISOS ...................................................................................... 153
8.9 MÉTODO DAS ÁREAS IGUAIS – MÁQUINA CONECTADA AO BARRAMENTO INFINITO ............................................ 159
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8.10 MÉTODO DAS ÁREAS IGUAIS – SISTEMAS DE DUAS MÁQUINAS ......................................................................... 159
8.11 SOLUÇÃO NUMÉRICA PARA MÁQUINA CONECTADA AO BARRAMENTO INFINITO ................................................. 159
8.12 SOLUÇÃO NUMÉRICA PARA SISTEMAS MULTIMÁQUINAS ................................................................................. 159
8.13 SERVIÇOS ANCILARES ................................................................................................................................ 159
8.14 RESERVAS GIRANTE E NÃO GIRANTE ............................................................................................................ 159
8.15 REGULAÇÕES PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA ....................................................................................................... 159
8.16 CONTROLE AUTOMÁTICO DE GERAÇÃO......................................................................................................... 160
8.17 CONTROLE DE CARGA E FREQUÊNCIA ........................................................................................................... 160
8.18 EXERCÍCIOS .............................................................................................................................................. 160
9. OPERAÇÃO ECONÔMICA DE SISTEMAS ................................................................................................ 161
10. LINHAS DE TRANSMISSÃO ................................................................................................................ 162
11. BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................... 163

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1. UM POUCO DE HISTÓRIA

O curso de Engenharia Elétrica da UTFPR, anteriormente denominado “Engenharia Elé-
trica, ênfase Eletrotécnica”, tem no momento mais de trinta anos de existência e uma posição
consolidada junto à comunidade acadêmica paranaense. Nossa Universidade Tecnológica Fede-
ral do Paraná completou seu primeiro centenário em 2009 e, embora tenha ainda pouca experiên-
cia como universidade, posição que assumiu apenas em 2005, também é uma instituição consoli-
dada no Paraná e no Brasil.
Durante toda a existência do nosso curso de Engenharia, a disciplina de Sistemas Elétri-
cos de Potência tem sido obrigatória. Anteriormente, nas grades antigas, este curso era oferecido
em apenas um semestre, com 60 horas semanais, no qual se abordavam basicamente curto-
circuito e fluxo de potência, assim como os conceitos teóricos necessários ao desenvolvimento
de tais conteúdos. Assuntos como estabilidade de sistemas eram abordados de maneira introdu-
tória na disciplina de Geração de Energia e havia pouco espaço para estudos sobre transitórios,
fluxo de potência ótimo e outros.
A disciplina Sistemas de Potência 1 da grade atual tem basicamente a mesma ementa da
antiga Sistemas Elétricos de Potência: modelagem de sistemas de potência, sistema “por unida-
de”, componentes simétricas, curto-circuito e fluxo de potência. Já a disciplina de Sistemas de
Potência 2 (optativa, mas ofertada todo semestre) trata de controle de potência ativa, reativa,
tensão e frequência, modelamento de áreas de controle, estabilidade estática e transitória e méto-
dos de análise do problema da estabilidade. Adicionalmente, as disciplinas de Operações de Sis-
temas, Planejamento de Sistemas, Proteção de Sistemas, Sobretensões em Sistemas Elétricos de
Potência, Linhas de Transmissão, Subestações, assim como outras, possibilitam que o estudante
possa concentrar seus estudos com grande eficiência, caso este seja seu objetivo, na área de Sis-
temas de Potência.
Longe de pretenderem substituir a literatura existente na área, as presentes Notas de Aula
(no momento incompletas) têm o objetivo de facilitar a introdução do aluno nessa área fasci-
nante dos Sistemas Elétricos de Potência, tão essencial a um país dotado de um imenso sistema
elétrico interligado, como é o caso do Brasil.
Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida
UTFPR, Curitiba, 2010
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Observações:
1) Todas as figuras deste trabalho, exceto a Figura 3.1, foram elaboradas pelo autor usando o
GNU Image Manipulation Program – GIMP 2.6, disponível em www.gimp.org.
2) Todas as fotografias são de domínio comum.
3) No momento (03/07/11) este é um trabalho em progresso. Em caso de constatação de erros, o
autor agradece notificações enviadas pelo e-mail alvaroaugusto@utfpr.edu.br.


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2. GLOSSÁRIOS
Glossário de símbolos usados como subíndices ou sobre-índices
Símbolo Indicação dada pelo índice
0 Componente de sequência zero
1 Componente de sequência positiva
2 Componente de sequência negativa
012 Sistema de sequência (equilibrado)
a

Fase “a”
b

Fase “b”, valor base
c

Fase “c”, perdas no núcleo (“core”)
abc

Sistema original (desequilibrado)
ca

Circuito aberto
cc

Curto-circuito
d

Componente de eixo direto
ef

Valor eficaz
elt

Grandeza elétrica
g
Entreferro, componente de entreferro
h Ordem de um harmônico
i Entrada (input)
q

Componente de eixo em quadratura
 Tensão ou corrente de linha
max

Valor máximo
mec

Grandeza mecânica
mit

Máquina de indução trifásica
mst

Máquina síncrona trifásica
mim

Máquina de indução monofásica
min

Valor mínimo
msm

Máquina síncrona monofásica
mdc

Máquina de corrente contínua
m

Grandeza magnética, magnetização
n

Valor nominal
n

Componente normal
o

Saída (output)
pu

Por unidade (valor por unidade)
q

Componente de eixo em quadratura
r

Componente radial, rotor
rb Rotor bloqueado
s Saturado, síncrono, síncrona
T Total
|
Componente tangencial
O Perdas ôhmicas, componente de perdas ôhmicas
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Glossário de símbolos gerais
Símbolo Unidade Descrição
a

m/s
2
Aceleração
A

m
2
Área da seção reta
B

T Indução magnética
C

F Capacitância
e

V Força eletromotriz instantânea
E

V Força eletromotriz eficaz
f

Hz Frequência
fp

– Fator de potência
F

A-e/m Força magnetomotriz
H

A-e Intensidade magnética
I

A Corrente elétrica


m Comprimento
L

H Indutância
N

rpm Rotação, velocidade
N
s
rpm Velocidade síncrona
p

– Número de polos
P

W Potência ativa
q

– Número de fases
Q

var Potência reativa
r

O
Resistência elétrica
r

m Raio
s

– Escorregamento
S

VA Potência aparente
t

S Tempo, intervalo de tempo
T

Nm Torque, conjugado ou binário
V

V Tensão nos terminais
x

O
Reatância
x
L

O
Reatância indutiva
x
C

O
Reatância capacitiva
Z

O
Impedância
o

Graus, rad Ângulo de carga
¢

Graus, rad Ângulo do fator de potência
u

Wb Fluxo magnético por polo
q

– Rendimento, eficiência
µ

H/m Permeabilidade magnética
µ

Om Resistividade elétrica
e

Rad/s Velocidade angular ou frequência angular
e
s

Rad/s Velocidade angular síncrona


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3. INTRODUÇÃO
Em agosto de 2010 o Sistema Interligado Brasileiro (SIN) era composto por 2.271 em-
preendimentos de geração em operação, totalizando uma potência instalada de 110.224 MW.
Desta potência, 69,24% correspondem a Usinas Hidrelétricas (UHEs), 25,15% correspondem a
Usinas Termelétricas Convencionais (UTEs), 1,82% a Usinas Termelétricas Nucleares (UTNs) e
o restante a Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), e Centrais Eólicas (EOL).
A necessidade de alimentar os grandes centros consumidores do Sudeste a partir da ener-
gia produzida em regiões remotas do país tornou necessária a construção de uma extensa rede de
transmissão, conforme ilustrada na Figura 3.1.



Figura 3.1
Integração eletroenergética do Sistema Interligado Nacional (SIN)
Fonte: ONS, http://www.ons.com.br/conheca_sistema/mapas_sin.aspx

A interligação do SIN é feita por meio da Rede Básica, redefinida em 1998 por meio da
Resolução ANEEL 245/1998. A Rede Básica dos sistemas elétricos interligados é constituída por
todas as linhas de transmissão em tensões iguais ou superiores a 230 kV e subestações que con-
tenham equipamentos em tensão igual ou superior a 230 kV, integrantes de concessões de servi-
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ços públicos de energia elétrica. Excepcionalmente, linhas e subestações em tensões inferiores a
230 kV podem fazer parte da Rede Básica, desde que autorizadas pelo Operador Nacional do
Sistema (ONS).
O planejamento e operação de sistemas elétricos, do porte do sistema brasileiro ou não,
demandam estudos bastante complexos, tais como os estudos de previsão de carga, de fluxo de
potência, de curto-circuito e de estabilidade. Modernamente todos esses estudos são feitos por
meio de computadores, alguns deles em tempo real. A finalidade das disciplinas de Sistemas de
Potência 1 e 2 é fornecer uma introdução a esses assuntos.
Fluxo de potência, também conhecido como fluxo de carga, é um problema matemáti-
co, cujo objetivo é determinar as tensões e potências em todos os barramentos de um sistema
elétrico. Dessa forma podemos dimensionar linhas de transmissão, transformadores e demais
equipamentos que farão parte do sistema, bem como operá-los corretamente, de modo a manter
os padrões adequados de tensão e frequência. Um método elementar para solução de fluxo de
potência é o Gauss-Seidel, que, embora didático, apresenta as desvantagens de não convergir
sempre e de não se prestar a sistemas com mais do que algumas dezenas de barras. Nesses casos,
outros métodos, como o Newton-Raphson, devem ser utilizados. O método desacoplado rápi-
do, que é uma simplificação do Newton-Raphson, também pode ser utilizado em alguns casos.
A operação correta dos sistemas também depende do conhecimento dos níveis de curto-
circuito em cada barramento, de modo que sistemas adequados de proteção possam ser dimensi-
onados. Em linhas gerais, o problema de curto-circuito nada mais é do que um problema de fluxo
de potência no qual uma das barras é submetida a condições de curto, ou seja, é forçada a manter
tensão nula ou quase nula. O curto, mais apropriadamente denominado falta, pode ser simétrico,
como nos casos dos curtos trifásico e trifásico-terra, ou assimétrico, como nos casos dos curtos
fase-terra, fase-fase ou fase-fase-terra. Sendo um problema de fluxo de potência em condições
excepcionais, poderíamos em princípio usar os métodos de fluxo de potência para resolver pro-
blemas de curto-circuito. Conduto, no caso dos curtos assimétricos, o problema se torna mais
complexo, pois as correntes em cada uma das fases serão diferentes. Felizmente, em situações de
curto podemos fazer algumas simplificações no sistema e podemos também usar o método das
componentes simétricas, o que nos permitirá conhecer correntes e potências de curto em cada
uma das barras do sistema.
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Fluxo de potência e curto-circuito formam o conteúdo básico de Sistemas de Potência 1,
juntamente com os conteúdos auxiliares (modelos de equipamentos, sistema por unidade e com-
ponentes simétricas).
Finalmente, estudos de estabilidade têm o objetivo de determinar os limites operacionais
de geradores síncronos operando em sistemas multimáquinas. Como sabemos, nos geradores de
polos lisos o ângulo de estabilidade estática, ou seja, o ângulo para potência máxima, é 90°. Já
nos geradores de polos salientes esse valor será inferior a 90°, por causa da diferença entre as
reatâncias de eixo direto e de eixo em quadratura. Contudo, interessa-nos conhecer também o
ângulo de estabilidade dinâmica da máquina, que dependerá da inércia do rotor e de outras
variáveis, e acima do qual a máquina perderá estabilidade, devendo ser retirada do sistema ou ter
sua situação corrigida. Problemas de estabilidade envolvem basicamente a solução de equações
diferenciais de segunda ordem, mas métodos simplificados também podem ser empregados. Na
atual grade do curso de Engenharia Elétrica esse assunto é abordado em Sistemas de Potência 2.

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4. O SISTEMA POR UNIDADE
4.1. Introdução
Sistemas Elétricos de Potência (SEPs) são geralmente formados por vários transformado-
res elevadores e abaixadores. Em decorrência disso, haverá várias tensões e correntes nominais
em cada lado de cada um dos transformadores, tornando os cálculos bastante trabalhosos e com-
plexos. Assim, em vez de usarmos as unidades convencionais, como volts, amperes e ohms, é
conveniente introduzirmos um sistema de unidades, denominado sistema pu (“por unidade”), no
qual, como veremos, todas as relações de transformação de todos os transformadores se tornam
unitárias,facilitando enormemente os cálculos.
4.2. Definição de PU
Um valor em pu nada mais é do que o valor original de uma grandeza qualquer, tal como
tensão, corrente, impedância, etc., escrito em relação a um valor base da mesma grandeza. Sendo
V
real
o valor da grandeza original e V
base
o valor base, o valor expresso em pu será

base
real pu
V
V
V = .
(4.1)
Definição de um valor
em pu

Um valor expresso em pu é igual a um centésimo do mesmo valor, quando expresso de
forma percentual. Da mesma forma que percentuais, valores em pu são adimensionais. Todavia,
costumamos anexar a partícula “pu” ao final dos valores, de modo a evitar confusão.
Quando expressamos valores finais, tanto faz usar pu ou %. Nos cálculos, contudo, o sis-
tema pu é mais adequado. A razão é que dois valores percentuais, quando multiplicados, devem
ser divididos por 100 para resultar em um novo valor percentual. Por outro lado, a multiplicação
de dois valores em pu já fornece o novo valor também em pu.
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Exemplo 4.1. Um transformador de tensão nominal primária igual a 13,8 kV opera momentane-
amente em 14 kV. Expresse a tensão de operação em pu e em percentual, na base do equipamen-
to.
Solução. O valor em pu é
pu
V
V
V
base
real pu
0145 , 1
kV 8 , 13
kV 14
= = = ,
enquanto o valor percentual é
% 45 , 101 0145 , 1 100 100
%
= × = × =
pu
V V .

As principais vantagens do sistema por unidade são:
1) Os fabricantes de equipamentos tais como geradores, motores e transformadores costu-
mam fornecer reatâncias e impedâncias já em pu ou em %, expressas nas bases nominais
dos equipamentos.
2) Equipamentos semelhantes (mesma tensão, mesma potência, etc.) têm impedâncias seme-
lhantes quando expressas em pu. Isso facilita os cálculos para substituição de equipamen-
tos e para expansão e reformulação de redes.
3) O uso do fator 3 é minimizado nos cálculos trifásicos em pu.
4) Como veremos, a impedância de transformadores, quando expressa em pu, é independen-
te do lado (alta, média, baixa tensão) que tomamos como referência. Além disso, a impe-
dância de transformadores torna-se independente do tipo de ligação (delta-estrela, delta-
delta, estrela-estrela, etc.).
5) Em pu é mais fácil identificar quando os valores de grandezas como tensões e potências
se afastam dos valores nominais. Por exemplo, as tensões em qualquer barramento podem
variar em ±5% em relação à tensão nominal. Logo, as tensões mínima e máxima permiti-
das serão respectivamente iguais a 0,95 pu e 1,05 pu em relação à tensão nominal, seja
qual for esta.
6) Caso a tensão seja 1 pu, a potência aparente e a corrente em pu serão numericamente i-
guais, por causa do cancelamento do fator 3 , como segue
pu pu
b b
pu
I V
I V
VI
S = =
3
3
.
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Em princípio, há um grande grau de arbitrariedade na escolha do valor base para determi-
nada grandeza. Em sistemas de potência, entretanto, estamos geralmente mais interessados em
quatro grandezas inter-relacionadas, o que fará com que as respectivas bases sejam também in-
ter-relacionadas. São elas:
1) Tensão elétrica V (em kV).
2) Potência aparente S (em MVA).
3) Corrente elétrica I (em A ou kA).
4) Impedância Z (em W).
Escolhendo-se as bases para duas das grandezas acima, as bases para as outras duas se-
guem diretamente.
Geralmente iremos escolher as bases para tensão (V
b
) e para potência (S
b
), calculando as
bases para impedância (Z
b
) e corrente (I
b
). Em circuitos trifásicos, que é o caso usual, teremos

( )
b
b
b
S
V
Z
2
= . (4.2)
Impedância-base em
função de V
b
e S
b
.

e

b
b
b
V
S
I
3
= .
(4.3)
Corrente-base em fun-
ção de V
b
e S
b
.

Observações:
1) A potência-base é única e uma só para todos os barramentos do sistema em análise.
2) As bases de tensão, corrente e impedância transformam-se de acordo com as relações de
transformação usuais dos transformadores.
3) Linhas de transmissão e impedâncias em série e em paralelo não afetam as bases de ten-
são, corrente e impedância. Apenas transformadores afetam tais bases.
O exemplo a seguir esclarece essas características das bases das diversas grandezas.

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Exemplo 4.2. Converta para pu as impedâncias do sistema abaixo e determine as bases de tensão
e de impedância em cada barramento. Considere que a potência-base é 20 MVA e que a tensão-
base no primeiro barramento é 13,8 kV.

Figura 4.1
Sistema para o Exemplo 4.2

Solução. A tensão-base na barra 1 é kV 8 , 13
1
=
b
V . A tensão-base na barra 2 pode ser obtida
considerando-se a relação de transformação do transformador, ou seja
× = × = 8 , 13
kV 8 , 13
kV 138
1 12 2
b T b
V k V kV 138
2
=
b
V

A tensão-base na barra 3 é igual à tensão-base na barra 2, pois linhas de transmissão não
afetam as bases de tensão:

kV 138
3
=
b
V

As impedâncias-base podem ser obtidas a partir da potência-base e das tensões-base
( )
( )
= =
MVA 20
kV 8 , 13
2
2
1
1
b
b
b
S
V
Z O = 522 , 9
1
b
Z


( )
( )
= =
MVA 20
kV 138
2
2
2
2
b
b
b
S
V
Z O = 2 , 52 9
2
b
Z


=
2 3
b b
Z Z
O = 2 , 52 9
3
b
Z

As reatâncias do gerador e do transformador podem ser facilmente convertidas para pu

=
100
j10%
1
G
x pu j x
G
10 , 0
1
=



=
100
j12%
12
T
x pu j x
T
12 , 0
12
=


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A reatância em pu da linha de transmissão pode ser obtida dividindo-se a reatância em
ohms pela impedância-base nas barras 2 e 3

=
Ω 2 , 952
Ω j80
12
LT
x pu j x
LT
084 , 0
12
=

4.3. Mudança de base
As impedâncias de equipamentos tais como geradores, motores e transformadores são ge-
ralmente expressas pelo fabricante nas respectivas bases nominais. Contudo, as bases do sistema
em análise geralmente são diferentes das bases dos equipamentos, sendo necessário transformar
de uma para outra e vice-versa. Sejam inicialmente as variáveis abaixo:
bv
S = potência-base velha (equipamento).
bn
S = potência-base nova (sistema).
bv
V = tensão-base velha (equipamento).
bn
V = tensão-base nova (sistema).
O
Z = impedância original do equipamento, em ohms.
pu
v
Z = impedância em pu na base velha.
pu
n
Z = impedância em pu na base nova.
Retomando a definição de pu, podemos agora escrever
bv
pu
v
Z
Z
Z
O
= e
bn
pu
n
Z
Z
Z
O
= .
Igualando
O
Z nas expressões acima, vêm
bn
pu
n bv
pu
v
Z Z Z Z Z × = × =
O
.
Queremos obter a impedância em pu na base nova em função da impedância em pu na
base antiga. Logo, devemos escrever
bn
bv pu
v
pu
n
Z
Z
Z Z × = .
Substituindo ( )
bv bv bv
S V Z /
2
= e ( )
bn bn bn
S V Z /
2
= , teremos

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2
|
|
.
|

\
|
× × =
bn
bv
bv
bn pu
v
pu
n
V
V
S
S
Z Z . (4.4)
Mudança de bases de
uma impedância em pu.

Exemplo 4.3. Considerando, no sistema abaixo, que a potência-base é 50 MVA e que a tensão-
base na barra 1 é 15 kV, converta todas as impedâncias para pu, nas bases do sistema.


Figura 4.2
Sistema para o Exemplo 4.3

Solução. A tensão-base na barra 1,
1
b
V , foi arbitrada em 15 kV. A tensão-base na barra 2 pode
ser obtida a partir de
1
b
V , ou seja
× = 15
kV 8 , 13
kV 25 1
2
b
V kV 135,87
2
=
b
V

A tensão-base na barra 3 é igual à tensão-base na barra 2
kV 135,87
3
=
b
V

A tensão-base na barra 4 pode ser calculada da mesma maneira
× = 87 , 135
kV 138
kV 6,6
4
b
V kV 6,50
4
=
b
V

A única impedância-base que interessa é a das barras 2 e 3, pois somente nesse trecho
temos impedâncias em ohms que devem ser convertidas para pu
( )
( )
= = =
MVA 50
kV 87 , 135
2
2
2
3 2
b
b
b b
S
V
Z Z
O = 21 , 369
2
b
Z

As reatâncias de G
1
, T
12
e T
34
podem agora ser expressas em pu e transformadas para as
bases novas (do sistema)
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|
.
|

\
|
× × =
15
15
30
50
08 , 0
2
1
j x
G
pu 1333 , 0
1
j x
G
=

|
.
|

\
|
× × =
15
8 , 13
50
50
10 , 0
2
12
j x
T
pu 0846 , 0
12
j x
T
=


|
.
|

\
|
× × =
87 , 135
138
40
50
12 , 0
2
34
j x
T
pu 1547 , 0
34
j x
T
=

A reatância da linha de transmissão pode finalmente ser calculada como
( ) ( )
= = =
50 / 87 , 135
100

/
100 100
2 2
2 2
23
j
S V
j
Z
j
x
b b b
LT
pu 9 0,270
23
=
LT
x

A carga na barra 4 também pode ser escrita em pu
=
MVA 50
MVA 25
4
S pu 0 5 0,
4
= S


Sabendo agora que todos os elementos do sistema podem ser representados por meio de
suas impedâncias, podemos desenhar o diagrama da Figura 4.3 a seguir. .

Figura 4.3
Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.3
4.4. Transformador de dois enrolamentos
Podemos agora mostrar que a impedância em pu de um transformador de dois enrolamen-
tos é a mesma, independentemente do lado que se tome como, referência. Considere inicialmente
o modelo de circuito equivalente de um transformador genérico de dois enrolamentos, como
mostrado na Figura 4.4, no qual os parâmetros do secundário foram referidos ao primário por
meio da relação de espiras k=N
1
/N
2
.
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Figura 4.4
Circuito equivalente por fase de um transformador de dois enrolamentos


O circuito é ilustrado para uma fase apenas, pois os circuitos para as demais fases são i-
dênticos, a menos das defasagens adequadas de tensões e correntes. Os parâmetros do circuito
equivalente, em O/fase, são:
1
r = resistência elétrica do primário.
2
2
r k = resistência elétrica do secundário referida ao primário.
1
x = reatância de dispersão do primário.
2
2
x k = reatância de dispersão do secundário referida ao primário.
c
r = resistência elétrica correspondente às perdas no núcleo (histerese e Foucault).
m
x = reatância de magnetização.

O procedimento matemático de se referir as impedâncias do secundário ao primário per-
mite substituir o acoplamento magnético do transformador por um acoplamento elétrico, mais
fácil de ser tratado.
Em transformadores de potência, que é sempre o nosso caso, a corrente de excitação
|
I

é
desprezível frente à corrente do primário
1
I

. Sendo assim, e desde que o transformador esteja
próximo à condição nominal, o ramo de excitação pode ser removido. O circuito equivalente
simplificado resultante é mostrado na Figura 4.5.
Uma segunda simplificação é possível, pois transformadores de potência são construídos
com condutores de seção reta elevada e, logo, de baixa resistência elétrica. Assim, as resistências
r
1
e r
2
podem ser desprezadas frente às reatâncias x
1
e x
2
, resultando no circuito equivalente
mostrado no Figura 4.6.
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O transformador de potência pode assim ser representado por uma única reatância referi-
da ao primário. Contudo, essa mesma reatância pode também ser referida ao secundário, resul-
tando em
2
2
1
/ x k x x
T
+ = .
As reatâncias referidas ao primário e ao secundário serão tanto mais diferentes entre si
quando maior for o valor da relação de transformação k.

Figura 4.5
Circuito equivalente simplificado de um transformador de dois enrolamentos


Figura 4.6
Circuito equivalente simplificado final de um transformador de dois enrolamentos


A reatância x
T
=x
1
+ k
2
x
2
pode ser obtida por meio do ensaio de curto-circuito, também
conhecido como ensaio de corrente nominal.
Podemos agora mostrar que, quando expressa em pu, x
T
independe de que lado tomamos
como referência. Sejam inicialmente:
A
x = reatância própria do lado de alta tensão.
B
x = reatância própria do lado de baixa tensão.
A
T
x = reatância total, referida ao lado de alta tensão.
B
T
x = reatância total, referida ao lado de baixa tensão.

A reatância total referida ao lado de alta será
B A T
x k x x
A
2
+ = ,
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a qual, convertida para pu, poderá ser escrita como
A
A
b
B A pu
T
Z
x k x
x
2
+
= .
Sabendo ainda que ( )
b b b
S V Z
A A
/
2
= e
B A
b b
V V k / = , vem
( )
( )
b b
B b b pu
A
pu
T
S V
x V V
x x
A
B A
A
/
/
2
2
+ = ,
ou,
( )
pu
B
pu
A
b b
B pu
A
pu
T
x x
S V
x
x x
B
A
+ = + =
/
2
. (4.5)
De forma semelhante, podemos escrever a reatância referida ao lado de baixa como
B
A
T
x
k
x
x
B
+ =
2
,
a qual, convertida para pu, poderá ser escrita como
B
B
b
B
A
pu
T
Z
x
k
x
x
+
=
2
.
ou
( )
( )
pu
B
b b
A b b pu
T
x
S V
x V V
x
B
A B
B
+ =
/
/
2
2
,
ou, ainda
( )
pu
B
pu
A
pu
B
b b
A pu
T
x x x
S V
x
x
A
B
+ = + =
/
2
. (4.6)
Comparando (4.5) e (4.6), vem que

pu
B
pu
A
pu
T
pu
T
x x x x
B A
+ = = . (4.7)
Reatância total, em pu,
de um transformador.

Sabendo que as reatâncias de um transformador, em pu, são iguais, independente do lado
ao qual forem referidas, segue também que a relação de transformação k, em pu, é unitária

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1 = =
pu
T
pu
T pu
B
A
x
x
k . (4.8)
Relação de tensões de
um transformador, em
pu.

Essa é provavelmente a maior vantagem do uso do sistema pu, pois podemos tratar trans-
formadores como meras impedâncias, sem nos preocuparmos com referências a enrolamentos e
fatores de transformação.
4.5. Transformador de três enrolamentos
Transformadores de três enrolamentos são bastante comuns em sistemas de potência e
podem ser representados em diagramas unifilares por meio do símbolo unifilar da Figura 4.7(a).
Para fins de cálculos, contudo, deveremos adotar a representação da Figura 4.7(b), onde:

-
am
x = reatância de dispersão entre os terminais de alta e de média tensão, com o ter-
minal de baixa tensão aberto.
-
ab
x
= reatância de dispersão entre os terminais de alta e de baixa tensão, com o ter-
minal de média tensão aberto.
-
mb
x
= reatância de dispersão entre os terminais de média e de baixa tensão, com o
terminal de alta tensão aberto.

O modelo resultante é uma espécie de delta, mas devemos salientar que há pouco em co-
mum entre este delta e as ligações homônimas comuns em circuitos trifásicos. Assim, não po-
demos usar as transformações A →Y estudadas em circuitos elétricos.
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Figura 4.7
(a) Símbolo unifilar de um transformador de três enrolamentos;
(b) modelo em delta de um transformador de três enrolamentos


Para facilitar os cálculos e evitar a circulação de correntes fictícias, podemos converter o
modelo delta para um modelo estrela, conforme a Figura 4.8.


Figura 4.8
Modelo em estrela de um transformador de três enrolamentos


Tomando os enrolamentos aos pares, sempre com o terceiro a vazio, podemos escrever

m a am
x x x + = .
(4.9)
b a ab
x x x + =

(4.10)
b m mb
x x x + =

(4.11)

Resolvendo o sistema acima, teremos
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( )
mb ab am a
x x x x ÷ + =
2
1
. (4.12)
Reatâncias de um mode-
lo Y para um transfor-
mador de três enrola-
mentos.
( )
am mb ab b
x x x x ÷ + =
2
1
.

(4.13)

( )
ab mb am m
x x x x ÷ + =
2
1
.

(4.14)


4.6. Transformador com tap fora do valor nominal
Muitas vezes os transformadores operam fora da tensão nominal, por meio de taps (deri-
vações), e, assim, precisamos desenvolver um modelo para esses casos. Iniciamos definindo uma
variável auxiliar
B
A
a


 = ,
(4.15)
onde
AT de lado do nominal Tensão
AT de lado do Tensão
= A

,
(4.16)
BT de lado do nominal Tensão
BT de lado do Tensão
= B

,
(4.17)
O transformador fora do tap nominal pode agora ser modelado como na Figura 4.9, ou se-
ja, um transformador ideal de relação 1 : a em série como uma admitância
T
y , que representa o
transformador quando operando no tap nominal.
Entre as barras a e r, que correspondem ao transformador ideal, podemos escrever
r a
S S
 
= ,

ou,
* * *
ab r r r a a
I V I V I V
     
= = ,

ou, ainda,
* *
ab
a
a a
I
a
V
I V



 
= .

Finalmente,
*
a
I
I
ab
a



= .
(4.18)
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Figura 4.9
Modelo inicial para o transformador com tap fora do valor nominal


Podemos também escrever a corrente
ab
I


em função das tensões nas barras r e b, ou seja
( )
T b
a
T b r a ab
y V
a
V
y V V I a I 




  


|
|
.
|

\
|
÷ = ÷ = =
*
.

ou,
b
T
a
T
a
V
a
y
V
a
y
I






× ÷ × =
* 2
.
(4.19)
Da mesma forma, podemos escrever a seguinte relação para a corrente no lado de baixa
( )
T
a
b T r b ab b
y
a
V
V y V V I I 




   
|
|
.
|

\
|
÷ = ÷ = = ,

ou,
b T a
T
b
V y V
a
y
I






× + × ÷ = .
(4.20)
Escrevendo (4.19) e (4.20) sob forma matricial, teremos

(
¸
(

¸

×
(
¸
(

¸
÷
÷
=
(
¸
(

¸

b
a
T
T
T
T
b
a
V
V
y
a y
a y
a y
I
I



 
 



* 2
/
/
/

(4.21)

A equação (4.15) acima é formalmente idêntica à equação matricial de um circuito equi-
valente t, conforme mostrado na Figura 4.10, e que pode ser escrita como

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(
¸
(

¸

×
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

b
a
bb
ab
ba
aa
b
a
V
V
Y
Y
Y
Y
I
I









(4.22)

Igualando (4.21) e (4.22), teremos
a y Y
a y Y
y Y
a y Y
T ba
T ab
T bb
T aa
 

 





/
/
/
*
2
÷ =
÷ =
=
=

(4.23)
Lembrando que uma das propriedades dos elementos da matriz admitância nodal é que
ba ab
Y Y
 
= , segue-se que devemos ter
*
a a   = , ou seja, a deve ser um numero real, o que significa
que, como sabemos, os taps do transformador apenas alteram o módulo da tensão, mas não o
ângulo de fase. Note também que, na nossa notação, Y

representa um elemento da matriz admi-
tância nodal ] [Y

, enquanto y representa uma admitância física do circuito.

Figura 4.10
Modelo t para o transformador com tap fora do valor nominal
Escrevendo as equações nodais para o sistema da Figura 4.10, teremos
ab b a a a a
y V V y V I 
 

 
) ( ÷ + = .

ab a b b b b
y V V y V I 
 

 
) ( ÷ + =


ou,
( )
ab b ab a a a
y V y y V I 

 
 
÷ + = .

( )
ab b b ab a b
y y V y V I  


 
+ + ÷ =


Escrevendo as equações acima sob forma matricial, teremos

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(
¸
(

¸

×
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

×
(
¸
(

¸

+
÷
÷
+
=
(
¸
(

¸

b
a
bb
ab
ba
aa
b
a
ab b
ab
ab
ab a
b
a
V
V
Y
Y
Y
Y
V
V
y y
y
y
y y
I
I








 


 





(4.24)

As regras de formação da matriz admitância nodal podem ser escritas como:
ab ba ab
ab b bb
ab a aa
y Y Y
y y Y
y y Y

 
 

 

÷ = =
+ =
+ =

(4.25)
Em resumo, os elementos
ii
Y

são iguais à soma de todas as admitâncias que se ligam ao
nó i, enquanto a admitância
ji ij
Y Y
 
= é igual ao recíproco da admitância física que liga os nós i e
j.
Comparando as equações (4.23) e (4.25), e considerando também que a a a = =
*
  , tere-
mos
ab T
ab T
ab b T
ab a T
y a y
y a y
y y y
y y a y
 
 
  
  
÷ = ÷
÷ = ÷
+ =
+ =
/
/
/
2

(4.26)
Das equações (4.26), segue-se que

( )
2
1
a
a y
y
T
a
÷
=

 . (4.27)
Admitâncias de um
transformador com tap
fora do valor nominal.
( )
a
a y
y
T
b
1 ÷
=



(4.28)

a
y
y
T
ab

 =

(4.29)


Note que, se tivermos a=1, ou seja, se ambos os taps do transformador estiverem na ten-
são nominal, teremos 0 = =
b a
y y   e
T T ab
x y y    / 1 = = , e voltaremos ao modelo original de um
transformador de potência de dois enrolamentos.
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Exemplo 4.4. Para o sistema da Figura 4.11, pede-se: (a) considerando que a potência-base é100
MVA e que a tensão-base é 15 kV no barramento 1, converta os parâmetros do sistema abaixo
para pu; (b) apresente os resultados em diagrama unifilar, na forma retangular.

Figura 4.11
Sistema para o Exemplo 4.4

Solução. Primeiramente devemos calcular as tensões-base em cada um dos barramentos. é
kV 15
1
=
b
V . A tensão-base na barra 2 pode ser obtida a partir da relação de transformação do
transformador 1-2, que é um elevador de tensão
× = × = 15
kV 15
kV 138
1 12 2
b T b
V k V kV 138
2
=
b
V

Sabendo que não há queda de tensão-base em uma linha de transmissão, as tensões-base
nas barras 2 e 3 serão iguais
kV 138
3
=
b
V

As tensões-base nas barras 4 e 5 são calculadas a partir das relações de transformação do
transformador de três enrolamentos 3-4-5, que é um abaixador de tensão
× = × = 138
kV 30 2
kV 9 6
3 34 4
b T b
V k V kV 41,4
2
=
b
V

× = × = 138
kV 30 2
kV 3,8 1
3 35 5
b T b
V k V kV 28 , 8
2
=
b
V

=
4 6
b b
V V kV 4 , 41
6
=
b
V

Finalmente, a tensão-base na barra 7 decorre da relação de transformador do transforma-
dor abaixador 6-7
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×
×
= × = 4 , 41
kV 5 2 3
kV 1 1
6 67 7
b T b
V k V kV 517 , 0 1
7
=
b
V

O cálculo da reatância do gerador 1 é um caso de mudança de base. Aplicando a relação
(4.4), teremos
2
|
|
.
|

\
|
× × =
bn
bv
bv
bn pu
v
pu
n
V
V
S
S
Z Z .

|
.
|

\
|
× × =
15
8 , 13
80
100
1 , 0
2
1
j x
G
pu 1058 , 0
1
j x
G
=

Da mesma forma, teremos a seguinte relação para o transformador 1-2

|
.
|

\
|
× × =
15
15
90
100
11 , 0
2
12
j x
T
pu 1222 , 0
12
j x
T
=

A reatância da linha de transmissão 2-3 já está em pu, mas está expressa nas bases 230
kV e 50 MVA. Logo, devemos fazer uma mudança de bases

|
.
|

\
|
× × =
138
230
50
100
03 , 0
2
23
j x
LT
pu 1667 , 0
23
j x
LT
=

As reatâncias do transformador 3-4-5 já estão nas tensões-base corretas, bastando mudar
as bases de potência

|
.
|

\
|
× × =
138
230
90
100
13 , 0
2
j x
am
pu 4012 , 0 j x
am
=

|
.
|

\
|
× × =
138
230
50
100
15 , 0
2
j x
ab
pu 8333 , 0 j x
ab
=
|
.
|

\
|
× × =
4 , 41
69
90
100
11 , 0
2
j x
mb
pu 3395 , 0 j x
mb
=
As reatâncias acima correspondem ao modelo delta da Figura 4.7(b). Devemos então
convertê-las para o modelo estrela da Figura 4.8
( ) ( ) ÷ + = ÷ + = 3395 , 0 8333 , 0 4012 , 0
2
1
2
1
j j j x x x x
mb ab am a
pu 8950 , 0 j x
a
=
( ) ( ) ÷ + = ÷ + = 4012 , 0 3395 , 0 8333 , 0
2
1
2
1
j j j x x x x
am mb ab b
pu 7716 , 0 j x
b
=
( ) ( ) ÷ + = ÷ + = 8333 , 0 3395 , 0 4012 , 0
2
1
2
1
j j j x x x x
ab mb am m
pu 0926 , 0 j x
m
÷ =

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A reatância da linha 4-6 está expressa em ohms. Para convertê-la para pu devemos dividi-
la pela impedância-base do trecho 4-6, ou seja
= =
100 / ) 4 , 41 (
20
/ ) (
20
2 2
4
46
j
S V
j
x
b b
LT
pu 1669 , 1
46
j x
LT
=

O cálculo da reatância do transformador 6-7 exige algum cuidado, pois se trata de um
banco trifásico com três unidades monofásicas. Assim, as tensões dadas são de fase e a potência
é monofásica. Logo, teremos

|
|
.
|

\
|
×
×
× =
4 , 41
3 25
10 3
100
08 , 0
2
67
j x
T
pu 2917 , 0
67
j x
T
=

Finalmente, a reatância-base do gerador 7 será
|
.
|

\
|
× × =
517 , 0 1
15
20
100
12 , 0
2
7
j x
G
pu 2205 , 1
7
j x
G
=


Figura 4.12
Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.4. Todas as reatâncias estão em pu.

Exemplo 4.5. Para o sistema da Figura 4.13, sabendo que a tensão na barra 5 é 1,0 pu e conside-
rando S
b
=50 MVA e V
b1
=13,8 kV, pede-se: (a) a corrente na barra 5, em pu e em amperes; (b) a
tensão na barra 1, em pu e em volts.
Solução. Fazendo V
b1
=13,8 kV, todas as tensões-base já são iguais às respectivas tensões nomi-
nais. Além disso, as reatâncias do gerador e dos transformadores já estão nas tensões-base corre-
tas. Basta reescrevê-las para a nova potência-base. Logo
|
.
|

\
|
× × =
8 , 13
8 , 13
75
50
1 , 0
2
1
j x
G
pu 0667 , 0
1
j x
G
=

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|
.
|

\
|
× × =
8 , 13
8 , 13
90
50
08 , 0
2
12
j x
T
pu 0444 , 0
12
j x
T
=

|
.
|

\
|
× × =
138
138
60
50
12 , 0
2
34
j x
T
pu 1000 , 0
34
j x
T
=


Figura 4.13
Sistema para o Exemplo 4.5
As reatâncias das linhas podem ser convertidas para pu dividindo-as pelas respectivas
impedâncias-base = =
50 / ) 138 (
50
/ ) (
50
2 2
2
23
j
S V
j
x
b b
LT
pu 1313 , 0
23
j x
LT
=

= =
50 / ) 69 (
20
/ ) (
20
2 2
4
45
j
S V
j
x
b b
LT
pu 2100 , 0
45
j x
LT
=

Devemos converter para pu também as potências nas barras 4 e 5, dividindo-as pela po-
tência-base
=
50
20
4
pu
S pu 4 , 0
4
=
pu
S
=
50
30
5
pu
P pu 6 , 0
5
=
pu
P

O diagrama unifilar simplificado resultante é mostrado na Figura 4.14.

Figura 4.14
Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.5. Todos os valores em pu
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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A corrente na barra 5 pode ser obtida a partir da tensão e da potência nessa barra, ou seja
45 5 5 5
cos¢
pu pu pu
I V P =

ou
= × × 6 , 0 9 , 0 0 , 1
5
pu
I pu 667 , 0
5
=
pu
I

A corrente-base na barra 5 é
A
V
S
I
b
b
b
37 , 418
10 69 3
10 50
3
3
6
5
5
=
× ×
×
= =

Logo, a corrente em amperes na barra 5 será
× = × = 418,37 0,667 I
5
b 5 5
pu
I I A 93 , 278
5
= I

Para calcular a tensão na barra 1 devemos antes calcular a tensão na barra 4
° ÷ Z × + = × + = 84 , 25 667 , 0 21 , 0 0 , 1
5 45 5 4
j I jx V V
pu pu pu
  
pu 7756 , 6 0685 , 1
4
° Z =
pu
V


A corrente na barra 4 pode ser obtida a partir da tensão e da potência nessa barra, ou seja
pu pu pu
I V S
4 4 4
=

ou
= × 4 , 0 0685 , 1
4
pu
I pu 3744 , 0
4
=
pu
I

A corrente entre as barras 1 e 4 será a soma de
4
I

e
5
I

, ou seja
° ÷ Z + ° ÷ Z = + = 84 , 25 0,667 195 , 18 0,3744
5 4 45
pu pu pu
I I I
  
pu 093 , 23 0393 , 1
45
° ÷ Z =
pu
I


Finalmente, a tensão na barra 1 será
° ÷ Z × + ° Z = × + = 093 , 23 0393 , 1 2757 , 0 7756 , 6 0685 , 1
45 14 4 1
j I jx V V
pu pu pu
  

ou
° Z + ° Z = 907 , 66 2865 , 0 7756 , 6 0685 , 1
1
pu
V

pu 33 , 18 2361 , 1
1
° Z =
pu
V


Sabendo que a tensão-base na barra 1 é 13,8 kV, a tensão em volts na barra 1 será
° Z × = 33 , 18 2361 , 1 8 , 13
1
V

kV 33 , 18 058 , 17
1
° Z = V


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O Exemplo 4.5 ilustra um cálculo elementar de fluxo de potência, no qual desejamos
calcular a tensão e a potência em cada um dos barramentos. A situação seria muito mais compli-
cada se, em vez de termos a tensão e a potência na barra 5, desejando a tensão na barra 1, o in-
verso acontecesse, ou seja, se tivéssemos a tensão na barra 1 e potência na barra 5, desejando a
tensão na barra 5. Ao escrevermos as equações do circuito, perceberíamos que o sistema de e-
quações resultantes seria não linear. Com o aumento do número de barras, a solução analítica do
sistema seria muito difícil ou mesmo impossível. Nesse caso, métodos mais genéricos e podero-
sos devem ser desenvolvidos, como veremos no capítulo 7.

4.7. Modelos de geradores síncronos
Um gerador síncrono é composto por dois circuitos acoplados magneticamente. O primei-
ro é a armadura trifásica, localizada no estator e responsável pela transferência de potência elé-
trica AC entre a máquina e o sistema de potência ao qual ela se conecta. O segundo circuito é o
campo, localizado no rotor e alimentado com corrente contínua, de modo a produzir um fluxo
magnético constante. Sendo
f
N o número de espiras por fase da armadura,
1
f a frequência das
correntes da armadura,
2
u o fluxo magnético por polo produzido pelo rotor, a força eletromotriz
f
E induzida em cada fase da armadura a vazio será

w f f
k N f E
2 1
2 u = t , (4.30)
Força eletromotriz indu-
zida em cada fase de
uma armadura a vazio.

onde
w
k
1
é, ainda, o fator de enrolamento da armadura, tipicamente maior do que 0,85 e menor
ou igual a 1,0.
Quando alimenta uma carga qualquer, de maneira isolada ou conectado ao sistema, a ten-
são nos terminais do gerador será
f
E V
 
=
1
, indicando a presença de uma impedância interna,
usualmente representada em série. Contudo, por causa do desacoplamento elétrico entre campo e
armadura, o gerador síncrono é uma fonte de corrente quase ideal, podendo ser representado ini-
cialmente como na Figura 4.15, onde x
m
é a reatância de magnetização, x
1
é a reatância de dis-
persão da armadura, r
1
é a resistência ôhmica da armadura e r
c
é a resistência de perdas no nú-
cleo (histerese e Foucault). Todos os parâmetros são expressos em ohms por fase.
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Figura 4.15
Modelo inicial de um gerador síncrono trifásico
É possível fazer algumas simplificações no circuito da Figura 4.15. Nos geradores co-
muns em sistemas de potência, sempre da “classe MVA”, os condutores da armadura têm bitola
larga a ponto da resistência r
1
ser desprezível. As perdas no núcleo também são desprezíveis, o
que significa que a resistência r
c
é muito grande em comparação com x
m
, e podemos fazer
m m c
x x r ~ // . O resultado é o circuito da Figura 4.16, que consiste de um equivalente Norton em
série com uma reatância de dispersão jx
1
.

Figura 4.16
Modelo intermediário de um gerador síncrono trifásico
Finalmente, o equivalente Norton pode ser convertido em um equivalente Thévenin, no
qual
f m f
I jx E
 
= e
1
x x x
m d
+ = é denominada reatância síncrona de eixo direto. O circuito
equivalente final, mostrado na Figura 4.17, é adequado a geradores síncronos de polos lisos, que
geralmente é o caso de turbogeradores. Para geradores de polos salientes, que geralmente é o
caso de hidrogeradores, algumas modificações devem ser introduzidas, as quais serão objeto do
capítulo 9.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Figura 4.17
Modelo de circuito equivalente de um gerador síncrono de polos lisos
Considerando que, em um gerador, o sentido da corrente de armadura
1
I

é da máquina
para a carga, a equação fasorial correspondente pode ser escrita como

1 1
I jx V E
d f
  
+ = . (4.31)
Equação fasorial de um
gerador de polos lisos
em regime permanente.

A única modificação necessária para transformar o gerador descrito pela equação (4.31)
em um motor síncrono é a mudança do sentido da corrente, resultando na seguinte equação

1 1
I jx V E
d f
  
÷ = . (4.32)
Equação fasorial de um
motor de polos lisos em
regime permanente.

As equações (4.31) e (4.32) descrevem bastante bem o comportamento da máquina sín-
crona de polos lisos funcionando em regime permanente. No caso de geradores funcionando em
regime transitório deveremos introduzir correções nas reatâncias síncronas.
Vamos supor que um gerador síncrono esteja funcionando a vazio quando um curto-
circuito trifásico ocorre. Vamos supor também, por simplicidade, que o curto ocorre exatamente
quando a tensão alternada do gerador é instantaneamente nula. Por causa do caráter indutivo do
gerador, a corrente não atingirá imediatamente um valor de regime constante, mas se comportará
como mostrado na Figura 4.18. A envoltória da senoide é uma exponencial mais complexa do
que o usual, pois sua taxa de decaimento não é constante. Para evitar a dificuldade de se traba-
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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lhar com uma quantidade muito grande de constantes de tempo, costumamos definir três perío-
dos de tempo, cada um deles caracterizado por uma reatância síncrona:
1) Período subtransitório: corresponde aos primeiros ciclos após o curto, durante os quais
a corrente decai muito rapidamente; caracterizado pela reatância subtransitória de eixo
direto, ' '
d
x .
2) Período transitório: corresponde ao período após o período subtransitório e antes da
corrente ter se estabilizado, durante o qual a corrente decai mais lentamente; caracteriza-
do pela reatância transitória de eixo direto, '
d
x .
3) Período de regime permanente: corresponde ao período após a corrente ter se estabili-
zado; caracterizado pela reatância síncrona de eixo direto usual,
d
x .

Figura 4.18
Corrente de armadura de um gerador síncrono em curto-circuito trifásico simétrico
A Tabela 4.1 mostra os valores típicos das reatâncias de algumas máquinas síncronas.
Note que a relação entre as reatâncias síncrona
d
x e subtransitória ' '
d
x pode chegar a 11 vezes
no caso do gerador de polos salientes. Como veremos no capítulo 5, essa diferença torna bastante
crítica a escolha do período no qual devemos calcular as correntes de curto-circuito.
A corrente de curto da Figura 4.18, denominada corrente de curto simétrica, é um caso
particular de um caso mais geral, o das correntes de curto assimétricas, as quais têm uma com-
ponente contínua que as desloca para cima ou para baixo. Uma corrente assimétrica corresponde
a uma corrente simétrica mais uma componente contínua que decai exponencialmente.
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Tabela 4.1 – Reatâncias típicas de máquinas síncronas
Reatância Gerador de
polos lisos
Gerador de
polos salientes
Motor de
polos salientes
Síncrona, x
d
(pu) 1,10 1,10 1,10
Transitória, x
d
’ (pu) 0,20 0,35 0,50
Subtransitória, x
d
’’ (pu) 0,10 0,23 0,35

4.8. Modelos de linhas de transmissão
Ao contrário do que acontece com as redes de distribuição, as linhas de transmissão trifá-
sicas, quando em regime, operam geralmente de maneira equilibrada, o que permite a classifica-
ção de tais equipamentos em três tipos básicos: linhas curtas, linhas médias e linhas longas.
4.8.1 Linha curta
Linhas de transmissão curtas são aquelas de comprimento inferior a 80 km. Nesse caso, é
adotado um modelo simplificado que nada mais é do que uma impedância
LT LT LT
jx r Z + =

por
fase, representado de maneira unifilar como na Figura 4.19. Neste modelo,
LT
r é a resistência
ôhmica, responsável pelas perdas por efeito Joule, e
LT
x é a reatância indutiva da linha. Ambos
os parâmetros são especificados em ohms por fase.

Figura 4.19
Modelo de uma linha de transmissão curta

4.8.2 Linha média
Linhas cujo comprimento é superior a 80 km, mas inferior a 240 km são denominadas li-
nhas médias. Nesse caso as capacitâncias entre a linha e o terra não podem ser desprezadas e
deveremos usar o modelo T, conforme representado na Figura 4.20, ou o modelo t , conforme
representado na Figura 4.21. Em ambos o termo
1
) (
÷
÷ =
c c
jx jB representa a susceptância total
da linha.
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Figura 4.20
Modelo T de uma linha de transmissão média
Note que a única diferença entre os modelos t e T é uma distribuição diferente da impe-
dância série e da susceptância paralela ao longo do trecho em questão. Quando a capacitância em
paralelo for desprezível, o que significa · ÷
c
B , ambos os modelos se reduzem ao modelo de
linha curta. Daremos sempre preferência ao modelo t e, quando nada for mencionado, é este o
modelo que deve ser usado.

Figura 4.21
Modelo t de uma linha de transmissão média
4.8.3 Linha longa
Linhas de comprimento superior a 240 km são consideradas longas, caso no qual o mode-
lo completo da linha de transmissão deve ser usado. Neste modelo as impedâncias série e suscep-
tâncias paralelas são consideradas uniformemente distribuídas ao longo da linha. Considerando
que z e b

são, respectivamente, a impedância e a susceptância por unidade de comprimento, e
que l é o comprimento total da linha, podemos escrever equações diferenciais parciais para a
linha, as quais, uma vez resolvidas, resultam em

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¸
¸ ) (l senh z
Z
eq
×
=


, (4.33)
Parâmetros de uma
linha de transmissão
longa.
¸
¸ ) 2 / tanh( 2 l b
B
eq
×
=


,

(4.34)


onde o parâmetro zb = ¸ é denominado constante de propagação. Depois de calculados, os
parâmetros
eq
Z

e
eq
B

podem ser inseridos em um circuito equivalente T, como na Figura 4.20,
ou t, como na Figura 4.21.
Em nossas simulações as impedâncias e susceptâncias da linha de transmissão sempre se-
rão parâmetros conhecidos. Assim, não faz muita diferença se o modelo a ser utilizado é para
linha média ou linha longa. Caso a linha seja longa, simplesmente consideraremos que alguém já
calculou
eq
Z

e
eq
B

para nós.
4.9 Modelos de cargas
Dentre os vários parâmetros de um SEP a carga dos consumidores é a de determinação
mais difícil. Considerando que o valor da carga varia de segundo a segundo e que existem mi-
lhões de consumidores, cada um absorvendo energia de acordo com sua exigência individual, a
determinação das exigências futuras é um problema estatístico. A curva de carga de um dado
barramento de distribuição, ilustrada de forma genérica na Figura 4.22, decorre de hábitos de
consumo, temperatura, nível de renda, forma de tarifação, etc.

Figura 4.22
Curva de carga típica de um barramento de distribuição
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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A carga total do sistema pode, grosso modo, ser repartida entre usuários industriais e re-
sidenciais. A potência consumida pelos consumidores industriais varia de um terço nas horas de
pico até metade nas horas de carga mínima. Uma diferença muito importante entre os dois tipos
de consumidores é que nos industriais existe uma porcentagem elevada de motores de indução
(cerca de 60 por cento), enquanto nos consumidores residenciais predominam as cargas de aque-
cimento e iluminação.
No Brasil a tarifa dos consumidores residenciais é monômia, ou seja, existe apenas uma
tarifa, especificada em R$/kWh, que incluiu simultaneamente demanda e energia. Já consumido-
res industriais são geralmente tarifados por meio de uma tarifa binômia, do tipo horo-sazonal.
Nesse tipo de tarifa a demanda é cobrada em R$/kW, com valores diferentes para períodos de
ponta e fora de ponta. A energia é cobrada em R$/MWh, com valores também diferentes para
períodos úmido (dezembro a abril) e seco (maio a novembro). O horário de ponta, no Brasil, é
definido como o período de três horas consecutivas, de escolha da distribuidora, compreendido
entres as 17h e as 22h.
Em países mais desenvolvidos, nos quais existe algum tipo de Gerenciamento pelo Lado
da Demanda (GLD), existem também tarifas binômias para consumidores residenciais. Nesse
caso o consumidor paga mais caro, em R$/kWh no horário de ponta, e mais barato, também em
R$/kWh, no horário fora de ponta. A finalidade é incentivar a migração do consumo residencial
do horário de ponta para o horário fora de ponta, reduzindo a necessidade de investimentos em
distribuição para atendimento ao horário de ponta. Uma maneira relativamente fácil de implantar
a GLD em um país como o Brasil seria, por exemplo, pré-aquecer a água durante o período fora
de ponta, armazenando-a em reservatórios térmicos especiais, para utilização no horário de pon-
ta, seja para o banho, seja para outro tipo de uso. Contudo, enquanto a energia tiver o mesmo
preço dentro e fora da ponta, esse tipo de GLD não teria sentido econômico para consumidores
residenciais.
Alguns conceitos importantes no estudo das cargas de SEPs são os seguintes:
1) Demanda máxima: valor médio da carga durante o intervalo de tempo de meia hora
em que a demanda é máxima.
2) Fator de carga: relação entre a demanda média e a máxima em um determinado in-
tervalo de tempo. O fator de carga ideal deve ser elevado. Caso seja unitário, significa
que todas as unidades geradoras estão sendo utilizadas a plena carga durante o perío-
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do considerado. Seu valor varia com a natureza da carga; sendo baixo para cargas de
iluminação (cerca de 12 %) e elevado para cargas industriais.
3) Fator de diversidade: relação entre a soma das demandas máximas individuais dos
consumidores e a demanda máxima do sistema. Este fator mede a diversificação da
carga e diz respeito à capacidade de geração e transmissão instalada. No caso da de-
manda máxima de todos os consumidores ocorrer simultaneamente, isto é, fator de
diversidade unitário, dever-se-ão instalar muitos outros geradores. Felizmente, este
fator é muito maior que a unidade, especialmente para consumidores residenciais. Em
um sistema de quatro consumidores o fator de diversidade poderia ser elevado, com
os consumidores absorvendo energia como na Figura 4.23.

Figura 4.23
Representação dos extremos do fator de diversidade
de uma instalação com dois consumidores
Em estudos de fluxo de potência o ideal seria realizar um estudo para cada hora da curva
de carga da Figura 4.22. Isso, contudo, exigiria um esforço computacional muito grande, além de
exigir uma previsão de cargas muito complexa. Por outro lado, o modelo de dois patamares (pon-
ta e fora de ponta) adotado no nível de distribuição (tensões inferiores a 230 kV), é pouco descri-
tivo para estudos de sistemas de transmissão (tensões iguais ou superiores a 230 kV). Assim, em
estudos de transmissão geralmente adotamos o modelo de três patamares (cargas média, leve e
pesada) da Rede Básica brasileira, conforme mostrado na Tabela 4.2.
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Tabela 4.2 – Definição dos patamares de carga da Rede Básica brasileira
Patamar
de carga
Sem Horário de Verão Com Horário de Verão
2ª feira à
sábado
Domingos
e feriados
2ª feira à
sábado
Domingos
e feriados
Leve 0h às 6h59 0h às 16h59
22h às 23h59
0h às 6h59 0h às 17h59
23h às 23h59
Média 7h às 17h59
21h às 23h59
17h às 21h59 7h às 18h59
22h às 23h59
18h às 22h59
Pesada 18h às 20h59 ─ 19h às 21h59 ─
Para nossos fins, as cargas serão usualmente representadas em MVA ou MW, juntamente
com o fator de potência, em um dos patamares da Tabela 4.2. No diagrama unifilar as cargas
serão representadas por meio de setas, como na Figura 4.29, indicando potência absorvida, ou
por meio de impedâncias, como na Figura 4.31.
4.10 Introdução aos estudos de curto-circuito.
Estudos de curto-circuito são necessários não só em sistemas de potência, mas também
em sistemas industriais, e têm os seguintes objetivos gerais:
1) Ajustar relés de proteção e selecionar fusíveis.
2) Selecionar os disjuntores que irão interromper as correntes de curto.
3) Estimar as consequências das correntes de curto sobre cabos, transformadores, secciona-
doras, cabos para-raios, barramentos e outros equipamentos elétricos.
4) Determinar sobretensões em vários pontos do sistema.
5) Permitir o dimensionamento de malhas de terra e de cabos para-raios.
6) Determinar as impedâncias corretas dos transformadores de força.
Os tipos de curto-circuito em um sistema trifásico são listados na Tabela 4.3 abaixo, jun-
tamente com as frequências típicas de ocorrência.
Tabela 4.3 – Tipos de faltas e estatísticas
Tipo de falta 69 kV 138 kV 230 kV
Fase-terra
38,6% 36,7% 47,0%
Bifásico
(fase-fase)
11,8% 10,0% 8,0%
Bifásico-terra
(Fase-fase-terra)
25,5% 12,7% 5,0%
Trifásico
6,3% 2,0% 0,6%
Trifásico-terra
1,1% 0,7% 1,4%
Causa desconhecida
16,7% 37,9% 38,0%
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As causas dos curto-circuitos são diversas. Em linhas de transmissão as causas mais co-
muns são quedas de árvores, vendavais, descargas atmosféricas e vandalismo. No período seco,
quando as queimadas se tornam comuns, o ar pode se ionizar, provocando uma falta fase-fase
resultando em desligamento de sistemas. Em transformadores e geradores as faltas são menos
comuns e se devem a erros de operação e manutenção inadequada.
Em sistemas de potência, compostos por geradores, transformadores, linhas e demais e-
quipamentos sempre equilibrados, os curtos trifásico e trifásico-terra resultam em corrente de
neutro nulo, sendo denominados faltas simétricas, por as correntes de curto são iguais em todas
as fases. O mesmo não acontece com os curtos fase-terra, fase-fase e fase-fase-terra, que produ-
zem correntes de curto diferentes em cada uma das fases, sendo denominados faltas assimétri-
cas.
A rigor, tanto faltas simétricas quanto assimétricas deveriam ser calculadas a partir das
técnicas de fluxo de potência, que serão vistas a partir do capítulo 7, fazendo-se a impedância de
curto igual a zero. Contudo, em sistemas de pequeno porte e em casos nos quais não se exige
muita precisão, podemos desenvolver uma metodologia simplificada, partindo das seguintes con-
siderações:
1) A tensão pré-falta de todos os geradores é igual a 1,0 pu. Sabendo que a tensão dos
geradores de um sistema de potencio pode variar entre 0,95 pu e 1,05 pu, a tensão
mais provável de operação dos geradores é 1,0 pu, onde a tensão-base é a tensão no-
minal do gerador.
2) As cargas são desprezíveis durante o curto, pois, sabendo que o sistema é de pequeno
porte (poucas barras), a ocorrência de um curto-circuito desvia das cargas toda a po-
tência produzida pelos geradores.
3) As capacitâncias em paralelo de linhas de transmissão também são desprezíveis, pelo
mesmo motivo anterior.
A corrente trifásica (ou trifásica-terra) de curto-circuito franco, ou seja, sem impedância
de curto, em uma determinada barra do sistema, pode agora ser determinada reduzindo-se o sis-
tema a um equivalente Thévenin cujas respectivas tensão e impedância são ° Z = 0 0 , 1
th
V

e
th
Z

.
A corrente de curto será, portanto

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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th th
th pu
cc
Z Z
V
I
 

° Z
= =
0 0 , 1
3|
, (4.34)
Corrente trifásica de
curto-circuito franco em
um sistema de potência
de pequeno porte.

onde
th
Z

é a impedância de Thévenin vista da barra onde ocorre o curto-circuito. Caso o curto se
dê através de uma impedância de falta
f
Z

, basta adicioná-la a
th
Z

, ou seja

f th f th
th pu
cc
Z Z Z Z
V
I
   

+
° Z
=
+
=
0 0 , 1
3|
,
(4.35)
Corrente trifásica de
curto-circuito através de
uma impedância em um
sistema de potência de
pequeno porte.

O estudo das faltas assimétricas é um pouco mais complexo, exigindo técnicas especiais
que serão descritas no capítulo 5, juntamente com vários outros conceitos de curto-circuito.
Exemplo 4.6. Para o sistema da Figura 4.24, calcule a corrente trifásica de curto-circuito na bar-
ra 3, em pu e em amperes. Considere que a potência-base é 50 MVA e que a tensão-base na barra
3 é 69 kV.

Figura 4.24
Sistema para o Exemplo 4.6
Solução. Inicialmente, substituímos os geradores por suas respectivas impedâncias internas, des-
prezamos as cargas e isolamos a barra na qual desejamos calcular a falta. O resultado é o dia-
grama de reatâncias da Figura 4.25.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Figura 4.25
Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.6
A impedância equivalente de Thévenin, vista da barra 3, pode agora ser calculada
( ) | | 10 , 0 ) 42 , 0 // 42 , 0 ( // 15 , 0 20 , 0 10 , 0 j j j j j j Z
th
+ + + =


ou,
( ) + = 10 , 0 21 , 0 // 45 , 0 j j j Z
th

pu 0,1836 j Z
th
=


Considerando as simplificações feitas anteriormente, a corrente trifásica de curto-circuito
na barra 3 será
= =
1836 , 0
pu 0 , 1 pu 0 , 1
3
j Z
I
th
pu
cc


|
pu 448 , 5
3
j I
pu
cc
÷ =
|


Para converter a corrente de curto para amperes, precisamos antes calcular a corrente-
base, que será

× ×
×
= =
3
6
3
3
10 69 3
10 50
3
b
b
b
V
S
I
A 37 , 418
3
=
b
I
Assim,
× ÷ = × = 37 , 418 448 , 5
3 3 3
j I I I
b
pu
cc cc | |
 
A 29 , 279 . 2
3
j I
cc
÷ =
|


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Exemplo 4.7. Para o sistema da Figura 4.26, calcule a corrente trifásica de curto-circuito nas
barras 1 e 7. Utilize as bases de 60 MVA e 69 kV na barra 2.

Figura 4.26
Sistema para o Exemplo 4.7
Solução. A Figura 4.27 ilustra o diagrama de reatâncias resultante após a conversão para pu nas
bases indicadas, já com as cargas desprezadas e os geradores substituídos por suas respectivas
reatâncias internas.
Quando o curto ocorre na barra 1, as barras 3 e 7 são flutuantes, pois as cargas nelas são
desprezadas. A impedância equivalente de Thévenin será então a reatância de j0,4 pu do gerador
1 em paralelo com a reatância equivalente à direita da barra 1, com as barras 3 e 7 abertas, ou
seja
( ) ( ) | | 0756 , 0 0504 , 0 // 063 , 0 1008 , 0 105 , 0 45 , 0 16 , 0 // 4 , 0 + + + + + = j j j j j j j Z
th

,
( ) + = 126 , 0 // 1638 , 0 715 , 0 // 4 , 0 j j j j Z
th

pu 2651 , 0 j Z
th
=


A corrente de curto na barra 1, em pu, será
= =
2651 , 0
pu 0 , 1 pu 0 , 1
3
j Z
I
th
pu
cc


|
pu 7719 , 3
3
j I
pu
cc
÷ =
|


A respectiva corrente de curto em amperes será
× ÷ =
× ×
×
× ÷ = × = 04 , 502 7719 , 3
3 10 69
10 60
7719 , 3
3
3
6
3
3 3
j j
V
S
I I
b
b pu
cc cc | |
 
A 3 , 66 , 893 . 1
3
j I
cc
÷ =
|


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Figura 4.27
Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.7
O curto na barra 7 é um pouco mais complicado, pois apenas a barra 3 será flutuante e o
diagrama de reatâncias resultante formará um delta entre as barras 2, 4 e 6, como mostrado na
Figura 4.28 a seguir

Figura 4.28
Sistema do Exempo 4.7 com curto na barra 7
A maneira mais fácil de calcular a reatância equivalente na barra 7 é transformar o delta
entre as barras 2, 4 e 6 para um estrela. Note que essa transformação nada tem a ver com a
transformação delta-estrela do transformador de três enrolamentos. Usando as fórmulas
tradicionais de transformação delta-estrela, teremos

+ +
×
=
+ +
=
0756 , 0 0504 , 0 1638 , 0
0504 , 0 1638 , 0
46 26 24
26 24
2
j j j
j j
x x x
x x
x pu 02849 , 0
2
j x =

+ +
×
=
+ +
=
0756 , 0 0504 , 0 1638 , 0
0756 , 0 1638 , 0
46 26 24
46 24
4
j j j
j j
x x x
x x
x pu 04273 , 0
4
j x =

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+ +
×
=
+ +
=
0756 , 0 0504 , 0 1638 , 0
0756 , 0 0504 , 0
46 26 24
46 26
6
j j j
j j
x x x
x x
x pu 01315 , 0
6
j x =
A Figura 4.29 ilustra o circuito resultante com uma estrela entre as barras 2, 4 e 6.

Figura 4.29
Diagrama resultante para curto na barra 7
Agora é fácil calcular a reatância equivalente na barra 7
( ) ( ) 555 , 0 04273 , 0 // 56 , 0 02849 , 0 01315 , 0 195 , 0 + + + + = j j j j j Z
th

,
+ = 59773 , 0 // 58849 , 0 20815 , 0 j j j Z
th

pu 50479 , 0 j Z
th
=


A corrente de curto na barra 7, em pu e em amperes, serão respectivamente
= =
50479 , 0
pu 0 , 1 pu 0 , 1
3
j Z
I
th
pu
cc


|
pu 981 , 1
3
j I
pu
cc
÷ =
|


A respectiva corrente de curto em amperes será
× ÷ =
× ×
×
× ÷ = × = 4 , 309 . 2 981 , 1
3 10 15
10 60
981 , 1
3
3
6
7
3 3
j j
V
S
I I
b
b pu
cc cc | |
 
A 92 , 574 . 4
3
j I
cc
÷ =
|


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4.11 Exercícios
4.11.1. Descreva algumas vantagens de se usar o sistema por unidade (pu) em vez das unidades
convencionais (volts, amperes, etc.).
4.11.2. Mostre como escrever em pu a impedância de um equipamento, expressa originalmente
nas bases V
b1
e S
b1
, quando integrado a um sistema cujas bases são V
b2
e S
b2
.
4.11.3. Dois transformadores estão conectados em série. Um deles é especificado para 15 MVA,
69 kV/125 kV, X=10%. O outro, para 10 MVA, 13,8 kV/69 kV, X=8%. Determine a rea-
tância de cada transformador e a reatância total, em pu, nas bases de 30 MVA e 138 kV.
4.11.4. Três transformadores monofásicos, 5 MVA, 8/2,2 kV, têm reatância de dispersão de 6% e
podem ser conectados de várias formas de modo a suprir três cargas resistivas idênticas
de 5 O. Várias conexões dos transformadores e cargas são ilustradas na Tabela 4.4 abai-
xo. Complete a tabela, usando potência-base trifásica de 15 MVA (Não se esqueça de
mostrar os cálculos!).
Tabela 4.4
Caso Conexão dos
Transformadores
Carga
conectada ao
secundário
Tensão-base
(kV, linha)
Carga
R
Impedância
total vista do
lado de alta
Primário Secundário Alta Baixa (pu) (pu) (O)
1
Y Y Y ? ? ? ? ?
2
Y Y A
? ? ? ? ?
3
Y A Y ? ? ? ? ?
4
Y A A
? ? ? ? ?
5
A Y Y ? ? ? ? ?
6
A Y A
? ? ? ? ?
7
A A Y ? ? ? ? ?
8
A A A
? ? ? ? ?
4.11.5. Três geradores, cujos parâmetros são listados na Tabela 4.5, estão conectados a um bar-
ramento comum de 13,8 kV. Determine a reatância equivalente, resultante da ligação em
paralelo dos três geradores, nas bases de 100 MVA e 15 kV.
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Tabela 4.5
Gerador Potência
(MVA)
Tensão
(kV)
Reatância
1 20 13,2 24%
2 50 13,8 20%
3 80 13,5 12%
4.11.6. Os geradores do exercício 4.5 são conectados a um transformador de 160 MVA, 13,8/225
kV, 60 Hz, X=10%, o qual, por sua vez, é conectado a uma linha de transmissão de 50 km
de comprimento, cuja resistência por fase é 0,12 O/km e cuja indutância por fase é 1,25
mH/km. Considerando que a linha de transmissão esteja a vazio, calcule a corrente trifási-
ca de curto-circuito em ambas as extremidades dela, em pu e em amperes.
4.11.7. Para o sistema da Figura 4.30, utilizando potência-base de 50 MVA e tensão-base igual a
13,8 kV no barramento 1, pede-se: (a) converta para pu os valores de todos os parâmetros;
(b) calcule a tensão no barramento 1 de modo que a tensão no barramento 5 seja 0,95 pu.

Figura 4.30
Sistema para o Exercício 4.11.7
4.11.8. Um gerador síncrono trifásico, 60 Hz, 50 MVA, 30 kV, tem reatância síncrona igual a 9
O por fase. A resistência de armadura é desprezível. O gerador está entregando potência
nominal com fator de potência de 0,8 em atraso, sob tensão nominal, a um barramento in-
finito. Pede-se: (a) Determine a tensão interna do gerador e o ângulo de carga o; (b) com a
tensão interna mantida constante no valor do item anterior, a potência de entrada do gera-
dor é reduzida a 25 MW; determine a corrente e o fator de potência.
4.11.9. Um transformador trifásico de dois enrolamento é especificado para 60 kVA, 240/1200
V, 60 Hz. O rendimento deste transformador é 96% e ocorre quando opera sob carga no-
minal e fator de potência 0,8 em atraso. Determine as perdas no ferro e as perdas no cobre
do transformador para rendimento máximo.
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4.11.10. Para o sistema da Figura 4.31, pede-se: (a) converta todos os parâmetros para pu,
usando potência-base de 100 MVA e tensão-base de 15 kV na barra 9; (b) obtenha a ma-
triz admitância nodal do sistema, em pu.

Figura 4.31
Sistema para o Exercício 4.11.10
4.11.11. Considere o circuito equivalente de um transformador de dois enrolamentos, com
reatâncias e resistências dos lados primário e secundário, resistência de perdas no ferro e
reatância de magnetização. Todas as grandezas estão referidas ao primário. Pede-se: (a)
mostre que, para transformadores de potência, o circuito equivalente pode ser reduzido a
uma única reatância; (b) mostre que, quando expressa em pu, a reatância do transforma-
dor de potência tem o mesmo valor, independente de estar referida ao primário ou ao se-
cundário.
4.11.12. Uma linha de transmissão trifásica, 225 kV, tem comprimento de 40 km. A resis-
tência por fase é 0,15 O/km e a indutância por fase é 1,326 mH/km. As capacitâncias em
paralelo são desprezíveis. Um transformador trifásico é conectado a um dos lados da li-
nha, e uma carga de 380 MVA, com fator de potência de 0,9 em atraso, sob 225 kV, é co-
nectada ao outro lado. Usando o modelo de linha curta, determine a tensão e a potência do
lado do transformador.
4.11.13. Para o sistema da Figura 4.32, considere que a potência-base é 100 MVA e que a
tensão-base é 15 kV na barra 4. Pede-se: (a) desenhe o diagrama unifilar para o sistema,
representando o transformador (que está fora do tap nominal) como um modelo t e inclu-
indo as susceptâncias das linhas; (b) converta todas as impedâncias e admitâncias para
ohms e siemens, respectivamente; (c) desprezando cargas e susceptâncias em paralelo,
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calcule as impedâncias Thévenin equivalentes nas barras um, três e quatro; (d) calcule as
correntes trifásicas de curto-circuito nas barras um, três e quatro.

Figura 4.32
Sistema para o Exercício 4.11.13
4.11.14. Repita o exercício 4.13, considerando que a capacitância em paralelo é 0,0112
µF/km, que o comprimento da linha é 100 km e usando: (a) o modelo t da linha média;
(b) o modelo T da linha média.
4.11.15. Uma linha de transmissão trifásica, 345 kV, 130 km, tem impedância série por
fase igual a z=0,036+j0,3O/km. A admitância em paralelo por fase é y=j4.22×10
-6
S/km.
Um dos lados da linha é ligado a uma subestação e absorve 400 A, sob fator de potência
0,95 atrasado e 345 kV. Usando o modelo da linha média, determine a tensão, corrente,
potência e fator de potência do lado da carga.
4.11.16. Uma linha de transmissão de 500 kV tem comprimento de 250 km. A impedância
série por fase é z=0.045+j0.4 O/km e a admitância em paralelo é y=j4×10
-6
S/km. Deter-
mine os parâmetros do modelo de linha longa para esta linha.
4.11.17. Uma linha de transmissão de 200 km conecta uma usina geradora a um sistema de
distribuição. Os parâmetros da linha, por quilômetro e por fase, são: R=0,1O; L=1,25
mH; C=0,01 µF. Considerando que a tensão e a corrente do lado do sistema de distribui-
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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ção são, respectivamente, ° Z0 132 kV e ° ÷ Z 37 164 amperes, calcule a tensão e a corren-
te do lado da usina.
4.11.18. Um transformador trifásico de três enrolamentos com tensões 132/33/6,6 kV tem
as seguintes reatâncias em pu, medidas entre os enrolamentos de Alta, Média e Baixa ten-
sões e referidas a 30 MVA, 132 kV: x
am
= 0,15 , x
ab
= 0,09 , x
mb
= 0,08 . O enrolamento
de 6,6 kV alimenta uma carga equilibrada com corrente de 2.000 A e fator de potência 0,8
em atraso. O enrolamento de 33 kV alimenta um reator de j50,0 Ω/fase conectado em es-
trela. Calcule a tensão no enrolamento de alta tensão para que a tensão no enrolamento de
baixa tensão seja de 6,6 kV.
4.11.19. Dois geradores com potências individuais de 80 MVA estão conectados como
ilustrado na Figura 4.33. A tensão nominal de cada gerador é 11 kV e a reatância síncrona
de cada um deles é 12%. Os transformadores elevadores são especificados para 11/66 kV,
90 MVA, e têm reatância de dispersão igual a 10%. Um curto-circuito trifásico ocorre na
barra 6 em um momento no qual nenhuma corrente circula através da linha 2-5. Determi-
ne a corrente trifásica de curto-circuito na barra 6, em amperes.

Figura 4.33
Sistema para o Exercício 4.11.19
4.11.20. Um gerador é ligado por meio de um transformador a um motor síncrono. Quando
expressas na mesma base, as reatâncias do gerador e do motor são 0,15 pu e 0,35 pu, res-
pectivamente, e a reatância de dispersão do transformador é 0,10 pu. Uma falta trifásica
ocorre nos terminais do motor quando a tensão nos terminais do gerador é 0,9 pu e a cor-
rente de saída do gerador é 1,0 pu com fator de potência 0,8 adiantado. Determine a cor-
rente em pu da falta, no gerador e no motor. Use a tensão terminal do gerador como fasor
de referência.
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5. COMPONENTES SIMÉTRICAS
5.1. Introdução
O cálculo de curto-circuitos assimétricos (fase-terra, fase-fase, fase-fase-terra) poderia,
em princípio, ser realizado por meio das ferramentas convencionais de análise de circuitos poli-
fásicos (malhas, nós, equivalentes, etc.). Contudo, o esforço computacional envolvido aumenta-
ria com a terceira potência do número de barras do sistema, tornando a tarefa impossível a partir
de algumas poucas barras. Felizmente, um teorema enunciado por Charles L. Fortescue em 1918
possibilita a simplificação da análise de faltas assimétricas, como veremos a seguir.
Nota biográfica: Charles LeGeyt Fortescue (1876 – 1936) foi um engenheiro elétrico nascido
em York Factory, um entreposto comercial que funcionou até 1957 no noroeste da província ca-
nadense de Manitoba. Em 1898, Fortescue tornou-se um dos primeiros engenheiros graduados
pela Queen’s University, localizada em Ontario, Canadá. Após sua formatura, Fortescue ingres-
sou na Westinghouse Corporation, nos Estados Unidos, onde permaneceu durante toda sua vida
profissional, vindo a trabalhar com transformadores de alta tensão e problemas a eles relaciona-
dos. Em 1918, Fortescue publicou o artigo “Method of symmetrical co-ordinates applied to the
solution of polyphase networks” (AIEE Transactions, vol. 37, p. 1027-1140), dando origem ao
estudo das componentes simétricas e reduzindo enormemente o esforço computacional envolvi-
do nos cálculos de curto-circuitos assimétricos. Em 1939, o IEEE (Institute of Electrical and
Electronics Engineers) criou uma bolsa de mestrado em homenagem a Fortescue, concedida a-
nualmente .
5.2. O teorema de Fortescue
O teorema de Fortescue aplica-se a sistemas polifásicos e foi originalmente enunciado
da seguinte forma: “qualquer sistema de N fasores desequilibrados, sendo N um número primo,
pode ser escrito como a soma de N conjuntos de fasores equilibrados”.
O teorema de Fortescue pode ser escrito para tensões ou correntes. Para N=3 (sistema tri-
fásico), os três conjuntos de fasores equilibrados são conhecidos como “sequências” e definidos
da maneira a seguir.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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1) Sequência positiva

A sequência positiva é definida como a sequência de fases do sistema em análise, ou seja,
é a sequência de fases dos geradores conectados ao sistema. Usaremos o sobre-índice “1” para
representá-la, mas outros índices usuais são “+” e “abc”.
A defasagem entre duas fases quaisquer da sequência positiva é sempre 120° e os módu-
los das correntes (ou tensões) são iguais entre si. Denotando as três fases por a, b e c, teremos
1 1 1
c b a
I I I
  
= = .

(5.1)

2) Sequência negativa

A sequência negativa gira no sentido inverso ao da sequência positiva, também com ân-
gulos de 120° entre duas fases quaisquer. Usaremos o sobre-índice “2” para representá-la. Outros
índices usuais são “–” e “cba”. Da mesma forma que na sequência positiva, teremos
2 2 2
c b a
I I I
  
= = .

(5.2)


3) Sequência zero

Uma terceira sequência, ou sistema de fasores, é necessária para satisfazer o teorema de
Fortescue. Nesta sequência, denominada “zero” e usualmente representada pelo sobre-índice “0”,
os fasores não giram, permanecendo paralelos entre si. Da mesma forma que nas sequências an-
teriores, teremos
0 0 0
c b a
I I I
  
= = .

(5.3)

A Figura 5.1 ilustra as três sequências em termos de seus fasores.

Figura 5.1
Sequências de fase: (a) positiva; (b) negativa; (c) zero
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Intuitivamente, podemos imaginar as três componentes de Fortescue como sendo produ-
zidas por geradores comuns. A sequência positiva seria produzida por um campo girante trifási-
co, girando no sentido da sequência de fases do sistema. A sequência negativa seria produzida
por um campo girante trifásico, mas girando no sentido oposto à sequência de fases do sistema.
Já a sequência zero seria produzida por um campo pulsante, não girante.
Dado um sistema de correntes desequilibradas
a
I

,
b
I

e

c
I

, o teorema de Fortescue pode
ser agora escrito em função das componentes de sequência positiva, negativa e zero

¦
¹
¦
´
¦
+ + =
+ + =
+ + =
2 1 0
2 1 0
2 1 0
c c c c
b b b b
a a a a
I I I I
I I I I
I I I I
   
   
   

(5.4)


O sistema de equações (5.4) pode ser simplificado introduzindo-se o operador unitário a ,
definido como

° Z = 120 1 a . (5.5)

O operador unitário a .

É fácil verificar que o operador a tem as seguintes propriedades:


° ÷ Z = ° Z = 240 1 120 1 a

(5.6)

° ÷ Z = ° Z = 120 1 240 1
2
a
(5.7)

* 2
a a   =
(5.8)

a a   =
* 2
) (
(5.9)

a a   = ° Z = 360 1
3

(5.10)

a a a a     = ° ÷ Z = × = 240 1
2 2 4

(5.11)

0 1
2
= + + a a  
(5.12)

0
3 2
= + + a a a   
(5.13)

Tomando a fase a como referência, podemos agora escrever as correntes de sequência
positiva da seguinte forma

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¦
¹
¦
´
¦
= × ° Z =
= × ° Z =
× ° Z =
1 1 1
1 2 1 1
1 1
120 1
240 1
0 1
a a c
a a b
a a
I a I I
I a I I
I I


 


 
 

(5.14)


De maneira semelhante, as correntes de sequência negativa podem ser escritas como

¦
¹
¦
´
¦
= × ° Z =
= × ° Z =
× ° Z =
2 2 2 2
2 2 2
2 2
240 1
120 1
0 1
a a c
a a b
a a
I a I I
I a I I
I I


 


 
 

(5.15)

As correntes de sequência zero podem ser escritas de maneira ainda mais simples
0 0 0
c b a
I I I
  
= = .

(5.16)

Substituindo as relações (5.14), (5.15) e (5.16) na relação (5.4), teremos que

2 1 0
a a a a
I I I I
  
+ + =

(5.16a)

2 1 2 0
a a a b
I a I a I I




 
+ + =

(5.16b)
2 2 1 0
a a a c
I a I a I I




 
+ + =

(5.16c)

Escrevendo a relação acima em forma matricial, teremos

(
(
(
¸
(

¸

×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

2
1
0
2
2
1
1
1 1 1
a
a
a
c
b
a
I
I
I
a a
a a
I
I
I



 
 




(5.17)


ou, em notação mais compacta
| | | | | |
012
I A I
abc
 
× = ,

(5.18)

onde
| |
(
(
(
¸
(

¸

=
2
2
1
1
1 1 1
a a
a a A
 
 

(5.19)

O sobre-índice abc denota o sistema desequilibrado original e o sobre-índice 012 denota
o sistema de sequência.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

57


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A matriz de transformação| | A tem algumas propriedades interessantes. Primeiro, pode-
mos notar que ela é simétrica, ou seja,
| | | |
T
A A = ,

(5.20)

onde o sobre-índice T denota a matriz transposta. Além disso, podemos verificar que
| | | | | | I A A
T
3
*
= ,

(5.21)

onde | | I é a matriz-identidade. Este

resultado será útil mais tarde. Finalmente, a matriz | | A é
invertível, com inversa dada por

| |
(
(
(
¸
(

¸

=
÷
a a
a a A
 
 
2
2 1
1
1
1 1 1
3
1

(5.22)

Pré-multiplicando a relação (5.18) por | |
1 ÷
A , podemos agora obter as componentes de se-
quência em função das componentes do sistema abc original
| | | | | |
abc
I A I
 
1
012
÷
= ,

(5.23)

ou

(
(
(
¸
(

¸

×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

c
b
a
a
a
a
I
I
I
a a
a a
I
I
I



 
 



2
2
2
1
0
1
1
1 1 1
3
1
(5.24)
Sistema de sequência
012 escrito em termos do
sistema abc original.

Note, da relação acima, que
( )
3 3
1
0 n
c b a a
I
I I I I

   
= + + = ,


onde
n
I

é a corrente de neutro. Assim, só haverá corrente de sequência zero em circuitos nos
quais houver caminho para a corrente de neutro. Quando tal caminho não existir, como é o
caso de conexões delta, a corrente de sequência zero será nula.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

58


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Exemplo 5.1. Usando a relação (5.24), calcule as correntes de sequência para um sistema abc
equilibrado.
Solução. Em um sistema totalmente equilibrado, teremos, por exemplo, ° Z = 0
a a
I I

,
° ÷ Z = 120
b b
I I

, ° Z = 120
c c
I I

, onde
c b a
I I I = = . Aplicando (5.24), vem
(
(
(
¸
(

¸

° Z
° ÷ Z
° Z
×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

120
120
0
1
1
1 1 1
3
1
2
2
2
1
0
a
a
a
a
a
a
I
I
I
a a
a a
I
I
I
 
 





ou,
( )
( )
( )
¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
´
¦
= ° Z × ° Z + ° ÷ Z × ° Z + =
= ° Z × ° Z + ° ÷ Z × ° Z + =
= ° Z + ° ÷ Z + =
0 120 1 120 1 120 1 240 1 1
3
120 1 240 1 120 1 120 1 1
3
0 120 1 120 1 1
3
2
1
0
a
a
a
a
a
a
a
I
I
I
I
I
I
I





Os resultados acima indicam que um sistema equilibrado com os ângulos 0°, –120°,
+120° (sistema de sequência positiva) tem apenas componente de sequência positiva. Se os ân-
gulos fossem 0°, +120°, –120°, caracterizando um sistema de sequência negativa, apenas a com-
ponente de sequência negativa existiria. Em ambos os casos a componente de sequência zero
seria nula.
Exemplo 5.2. Em um sistema desequilibrado circulam as correntes ° Z = 0 8
a
I

, ° ÷ Z = 90 6
b
I

e
° Z = 1 , 143 16
b
I

. Calcule as correntes de sequência e desenhe os diagramas fasoriais para cada
uma delas.
Solução. De acordo com a relação (5.24), teremos
(
(
(
¸
(

¸

° Z
° ÷ Z
° Z
×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

1 , 143 16
90 6
0 8
1
1
1 1 1
3
1
2
2
2
1
0
a a
a a
I
I
I
a
a
a
 
 





ou,
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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(
(
(
¸
(

¸

° Z
° ÷ Z
° Z
×
(
(
(
¸
(

¸

° Z ° ÷ Z
° ÷ Z ° Z =
(
(
(
¸
(

¸

1 , 143 16
90 6
0 8
120 1 120 1 1
120 1 120 1 1
1 1 1
3
1
2
1
0
a
a
a
I
I
I





ou, ainda,
(
(
(
¸
(

¸

° ÷ Z
° Z
° Z
=
(
(
(
¸
(

¸

° Z + ° ÷ Z + ° Z
° Z + ° Z + ° Z
° Z + ° ÷ Z + ° Z
=
(
(
(
¸
(

¸

08 , 86 3 , 4
38 , 18 81 , 9
05 , 143 2
1 , 263 16 210 6 0 8
1 , 23 16 30 6 0 8
1 , 143 16 90 6 0 8
3
1
2
1
0
a
a
a
I
I
I




(5.25)


De acordo com 5.14, teremos
¦
¹
¦
´
¦
° Z = ° Z × ° Z = ° Z =
° Z = ° Z × ° Z = ° Z =
38 , 138 81 , 9 120 38 , 18 81 , 9 120
38 , 258 81 , 9 240 38 , 18 81 , 9 240
1 1
1 1
a c
a b
I I
I I
 
 

(5.26)

E, da relação (5.15), teremos
¦
¹
¦
´
¦
° Z = ° Z × ° ÷ Z =
° Z = ° Z × ° ÷ Z =
92 , 153 3 , 4 240 08 , 86 3 , 4
92 , 33 3 , 4 120 08 , 86 3 , 4
2
2
c
b
I
I



(5.27)

A Figura 5.2 ilustra o diagrama fasorial completo, mostrando a composição das correntes
de sequência a partir das correntes do sistema abc original.

Figura 5.2
Diagrama fasorial mostrando a composição de um
sistema desequilibrado a partir de três sistemas equilibrados

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

60


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5.3. Potência complexa
A potência complexa trifásica do sistema original abc pode ser escrita, em pu, como
( )
*
3
abc abc
I V S
  
=
|
.

(5.25)

Esse resultado pode ser escrito também em forma matricial
| | | |
*
3
abc
T
abc
I V S
  
=
|
,

(5.26)

bastando que se defina os seguintes vetores-coluna

(
(
(
¸
(

¸

=
c
b
a
abc
V
V
V
V




, e
(
(
(
¸
(

¸

=
c
b
a
abc
I
I
I
I





(5.27)


De (5.18) , sabemos que
| | | | | |
012
I A I
abc
 
× = .


Esse resultado vale também para tensões:
| | | | | |
012
V A V
abc
 
× = .


Assim, a relação (5.26) pode ser escrita como
| | | | { } | | | | { }
*
012 012
3
I A V A S
T
  
× × × =
|
,

(5.28)

ou,
| | | | | | | |
*
012
*
012
3
I A A V S
T T
  
=
|
,

(5.27)

Usando a relação (5.21), podemos finalmente escrever

| | | |
*
012 012
3
3 I V S
T
  
=
|
, (5.29)
Potência complexa trifá-
sica escrita em função
dos componentes de
sequência.

onde

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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(
(
(
¸
(

¸

=
2
1
0
012
V
V
V
V




, e
(
(
(
¸
(

¸

=
2
1
0
012
I
I
I
I




.

(5.30)


A relação (5.28) pode ser escrita em forma explícita
*
2 2
*
1 1
*
0 0 3
3 3 3 I V I V I V S
      
+ + =
|
.

(5.31)

Decorre que a potência total é a soma das potências de cada sequência. Assim, cada um
dos três circuitos de sequência absorve uma parte da potência total absorvida pelo circuito abc
original.
5.4. Impedâncias de sequência
Considere agora o circuito da Figura 5.3, que ilustra uma carga trifásica equilibrada, com
impedância série
s
Z

por fase, ligada em estrela aterrada por uma impedância de neutro
n
Z

e ali-
mentada por uma fonte trifásica cujas tensões de fase são
a
V

,
b
V

e
c
V

. As fases estão acopladas
entre si por meio de impedâncias mútuas
m
Z

, as quais podem ser resultantes de capacitâncias ou
indutâncias entre os condutores das linhas.

Figura 5.3
Carga trifásica equilibrada com impedâncias mútuas
As tensões de fase
a
V

,
b
V

e
c
V

podem ser escritas como
¦
¹
¦
´
¦
+ + + =
+ + + =
+ + + =
n n b m a m c s c
n n c m a m b s b
n n c m b m a s a
I Z I Z I Z I Z V
I Z I Z I Z I Z V
I Z I Z I Z I Z V
        
        
        


Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Lembrando que
c b a n
I I I I
   
+ + = e reordenando os termos das equações acima, vem
( ) ( ) ( )
( ) ( ) ( )
( ) ( ) ( )
¦
¹
¦
´
¦
+ + + + + =
+ + + + + =
+ + + + + =
c n s b n m a n m c
c n m b n s a n m b
c n m b n m a n s a
I Z Z I Z Z I Z Z V
I Z Z I Z Z I Z Z V
I Z Z I Z Z I Z Z V
         
         
         


ou, em forma matricial,
(
(
(
¸
(

¸

×
(
(
(
¸
(

¸

+ + +
+ + +
+ + +
=
(
(
(
¸
(

¸

c
b
a
n s n m n m
n m n s n m
n m n m n s
c
b
a
I
I
I
Z Z Z Z Z Z
Z Z Z Z Z Z
Z Z Z Z Z Z
V
V
V



     
     
     




(5.32)

A equação (5.32) pode ser escrita em forma mais compacta utilizando-se a notação matri-
cial
| | | | | |
abc abc abc
I Z V
  
× = ,

(5.33)

onde
| |
(
(
(
¸
(

¸

+ + +
+ + +
+ + +
=
n s n m n m
n m n s n m
n m n m n s
abc
Z Z Z Z Z Z
Z Z Z Z Z Z
Z Z Z Z Z Z
Z
     
     
     


(5.34)

é a matriz-impedância do sistema abc original.
Nossa intenção é obter a equação de sequência correspondente à (5.33). Substituindo a re-
lação (5.18) na (5.33), teremos
| | | | | | | | | |
012 012
I A Z V A
abc
  
× × = × .

(5.35)

Pré-mutiplicando ambos os lados de (5.35) por | |
1 ÷
A , vem
| | | | | | | | | |
012
1
012
I A Z A V
abc
  
× × × =
÷
.

(5.36)


Sabendo que | |
012
V

tem dimensão de volts e que | |
012
I

tem dimensão de amperes, então,
por força da lei de Ohm, o termo | | | | | | A Z A
abc
× ×
÷

1
deverá ter dimensão de ohms, sendo deno-
minado matriz-impedância de sequência
| | | | | | | | A Z A Z
abc
× × =
÷
 
1
012
.

(5.37)

Substituindo as relações (5.19), (5.22) e (5.34) em (5.37), teremos, após um calculo direto
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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| |
(
(
(
¸
(

¸

÷
÷
+ +
=
m s
m s
m n s
Z Z
Z Z
Z Z Z
Z
 
 
  

0 0
0 0
0 0 2 3
012
. (5.38)
Matriz-impedância de
sequência.

A relação (5.37) deixa claro que as componentes simétricas funcionam como um método
de diagonalização da matriz-impedância. A consequência elétrica desse fato é ainda mais inte-
ressante. Por exemplo, substituindo (5.38) em (5.36), podemos escrever

(
(
(
¸
(

¸

×
(
(
(
¸
(

¸

÷
÷
+ +
=
(
(
(
¸
(

¸

2
1
0
2
1
0
0 0
0 0
0 0 2 3
I
I
I
Z Z
Z Z
Z Z Z
V
V
V
m s
m s
m n s



 
 
  




(5.39)

ou, de forma mais explícita
( )
( )
( )
¦
¹
¦
´
¦
÷ =
÷ =
+ + =
2 2
1 1
0 0
2 3
I Z Z V
I Z Z V
I Z Z Z V
m s
m s
m n s
   
   
    

(5.40)

Assim, tensões de uma sequência produzirão correntes desta sequência apenas. Em outras
palavras, os circuitos de sequência são eletricamente desacoplados entre si.
5.5. Impedâncias de sequência dos componentes de um SEP
Um sistema equilibrado que opera alimentando cargas também equilibradas só contém
componentes de sequência positiva. Logo, as impedâncias de sequência positiva dos diversos
componentes do circuito, tais como geradores, linhas de transmissão e transformadores, são as
respectivas impedâncias já conhecidas. Contudo, precisamos analisar ainda a representação das
impedâncias de sequências negativa e zero de tais equipamentos.
5.4.1. Linhas de transmissão
As impedâncias de sequências positiva e negativa de uma linha de transmissão dependem
apenas da geometria desta e, logo, são idênticas, valendo a relação (5.41) abaixo.
Já a reatância de sequência zero de uma linha de transmissão é muito maior, por causa da
diferente distribuição de fluxos magnéticos produzida pelas três correntes em fase. Sendo
n
D a
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

64


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distância entre a linha e o neutro, D a distância entre as três linhas e  o comprimento da linha,
conforme mostrado na Figura 5.4, a reatância de sequência zero é dada pela relação (5.42) a se-
guir.

1 2
LT LT
Z Z
 
= , (O), (5.41)
Impedâncias de sequên-
cias de uma linha de
transmissão. Note que a
reatância em (5.42) é
dada em mO/km.
|
.
|

\
|
+ =
D
D
f
x x
n LT LT
ln 2 , 1
10 10
3
1
3
0
t
 
, (mO/km).

(5.42)



Figura 5.4
Corte de uma linha de transmissão para cálculo da reatância dada por (5.42)

5.4.2. Geradores síncronos
Como vimos na seção 4.7, o gerador síncrono é caracterizado por três diferentes reatân-
cias: a reatância síncrona de eixo direto
d
x (correspondente ao funcionamento em regime), a
reatância subtransitória de eixo direto ' '
d
x (correspondente ao funcionamento no período sub-
transitório) e a reatância transitória de eixo direto '
d
x (correspondente ao funcionamento no pe-
ríodo transitório). Para uma revisão da definição de cada um desses períodos, consulte a Figura
4.18. A reatância de sequência positiva do gerador será então igual a
d
x , '
d
x ou ' '
d
x , depen-
dendo do período no qual desejarmos calcular o curto-circuito.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

65


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Sabendo que a sequência negativa gira no sentido contrário da positiva, a reatância de se-
quência negativa do gerador deverá ser calculada com o dobro da frequência de operação. Uma
fórmula prática é considerar que tal reatância é aproximadamente igual à reatância subtransitória
de eixo direto.
No caso da sequência zero, as correntes giram junto com o campo girante. Logo, haverá
apenas fluxo disperso, não fluxo magnetizante. A reatância de sequência zero será portanto apro-
ximadamente igual à reatância de dispersão da armadura.

d g
x x ~
1
ou '
1
d g
x x ~ ou ' '
1
d g
x x ~ (O),
dependendo do período desejado.
(5.43)
Impedâncias de sequên-
cias de um gerador sín-
crono.
' '
2
d g
x x ~ , (O),

(5.44)


x x
g
~
0
, (O).

(5.45)


Além de observarmos os valores de (5.43), (5.44) 4 (5.45), devemos também observar
que o tipo de conexão do gerador determinará o circuito a ser utilizado para geradores nos casos
das sequências negativa e zero. Por exemplo, apenas a sequência positiva gera tensão a vazio,
pois corresponde à sequência de fases do sistema. A sequência negativa não gera tensão, de mo-
do que o respectivo circuito equivalente deve ter a f.e.m. E
f
substituída por um curto-circuito.
Devemos nos lembrar também de que, no caso da sequência zero, haverá circulação de
corrente somente quando houver conexão ao terra. Assim, nos casos de conexão delta e estrela
aberta o circuito equivalente será também aberto para sequência zero. Finalmente, quando a co-
nexão for estrela, mas aterrada através de uma impedância Z
n
, o circuito será fechado para se-
quência zero, mas a impedância aparecerá multiplicada por três, conforme a equação (5.38).
Todos os circuitos equivalentes para geradores síncronos estão resumidos na Tabela 5.1.
5.4.3. Transformadores de dois enrolamentos
Como vimos na seção 4.4, transformadores de dois enrolamentos são representados de
maneira simplificada, considerando-se novamente apenas a impedância de dispersão, a qual será
igual às impedâncias para as sequências positiva, negativa e zero.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

66


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   
Z Z Z Z
T T T
= = =
0 2 1
, (O). (5.46)
Impedâncias de sequên-
cia para transformado-
res.


Tabela 5.1 – Circuitos equivalentes para geradores síncronos
Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero









Da mesma forma que no caso dos geradores, o tipo de conexão dos transformadores in-
fluenciará os circuitos para as sequências negativa e zero, conforme mostrado na Tabela 5.2.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

67


Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
Tabela 5.2 – Circuitos equivalentes para transformadores de dois enrolamentos
Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero











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68


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Tabela 5.2 – Circuitos equivalentes para transformadores de dois enrolamentos (cont.)
Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero











Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

69


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No que diz respeito à sequência zero, as regras gerais, tanto para geradores quanto para
transformadores, são as seguintes:
1) A conexão estrela aterrada deixa passar corrente de sequência zero, sem restrições.
2) A conexão estrela aterrada por impedância Z
n
deixa passar corrente de sequência zero,
mas devemos adicionar a parcela 3Z
n
à impedância de sequência zero do transforma-
dor.
3) A conexão estrela sem aterramento bloqueia completamente a passagem da corrente
de sequência zero.
4) A conexão delta bloqueia a passagem da corrente de sequência zero que sairia do
transformador; se o outro lado estiver ligado em estrela aterrada ou estrela aterrada
por impedância, a corrente de sequência zero será desviada para o terra.
Os alunos que se deparam pela primeira vez com componentes simétricas geralmente en-
tendem como bastante naturais os circuitos para sequência zero de transformadores conectados
em estrela, estrela aterrada e estrela aterrada por impedância, mas veem como reservas a conexão
delta. Para melhorar a compreensão, devemos nos lembrar de que o transformador funciona por
compensação de força magnetomotriz. Por exemplo, sendo
A
I

a corrente no lado de alta e
B
I

a
corrente no lado de baixa, devemos ter

B B A A
I N I N
 
= , (5.47)
Impedâncias de sequên-
cia para transformado-
res.

onde
A
N e
B
N são os números de espiras dos lados de alta e de baixa tensão, respectivamente.
Para que haja corrente de um lado, deve haver corrente do outro lado também. E, embora a co-
nexão delta não deixe passar corrente de sequência zero, esta corrente circula dentro do delta.
Assim, em um transformador cujo lado de baixa(ou de alta) está ligado em delta, haverá corrente
de sequência zero no lado de alta (ou de baixa) se este estiver ligado em estrela aterrada solida-
mente aterrada ou aterrada por impedância. As figuras 5.5 e 5.6 ilustram essa situação para a
conexão estrela aterrada-delta. Uma fonte de tensão monofásica foi ligada ao lado de alta, de
maneira a se simular a sequência zero, o mesmo acontecendo com a impedância de carga do lado
de baixa. A figura 5.6 deixa claro que há circulação de corrente no lado de baixa, por dentro do
delta. Logo, haverá corrente também no lado de alta. Contudo, essa corrente não circula pela
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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carga e, assim, o circuito equivalente do lado de baixa é aberto. No lado de alta o único caminho
para a corrente é para o terra, conforme ilustrado.

Figura 5.5
Transformador trifásico abaixador, conectado em estrela aterrada-
delta, ligado de maneira a simular a sequência zero
A situação se torna um pouco mais complicada se tivermos uma fonte no lado em delta e
uma carga no lado em estrela aterrada. Contudo, podemos invocar a simetria implícita na relação
(5.47) e argumentar que o circuito equivalente da Figura 5.6 vale também para esse caso. Situa-
ção semelhante ocorre no caso da conexão delta-delta (última linha da Tabela 5.2). Do ponto de
vista elétrico seria indiferente representarmos um circuito aberto de ambos os lados, com uma
impedância duplamente aterrada no meio, ou representarmos apenas um circuito aberto, remo-
vendo a impedância. Entretanto, novamente por razões de simetria, preferimos a primeira repre-
sentação.

Figura 5.6
Simplificação do circuito da Figura 5.5
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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5.4.4. Transformadores de três enrolamentos
As regras para impedâncias de sequência de transformadores de três enrolamentos decor-
rem das regras já vistas para transformadores de dois enrolamentos. A Tabela 5.3 ilustra as im-
pedâncias para algumas das ligações mais comuns, na qual o modelo estrela é utilizado.
Tabela 5.3 – Circuitos equivalentes para transformadores de três enrolamentos
Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero











Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Tabela 5.3 – Circuitos equivalentes para transformadores de três enrolamentos (cont.)
Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero











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Exemplo 5.3. Um gerador síncrono trifásico, 25 MVA, 11 kV, tem reatância subtransitória de
20%, reatância de dispersão de 1% e alimenta dois motores por meio de uma linha de transmis-
são e transformadores, conforme a Figura 5.7. Os motores são especificados para 15 MVA e 7,5
MVA, respectivamente, e ambos têm reatância subtransitória de 25%, reatância de dispersão de
2% e tensão nominal de 10 kV. Os transformadores são ambos especificados para 30 MVA,
10,8/121 kV, com reatância de dispersão de 10% cada. A reatância série da linha é 100 O. Dese-
nhe os diagramas de sequência positiva, negativa e zero para o período subtransitório. Considere
que as bases do sistema são iguais aos dados nominais do gerador e que as impedâncias de neu-
tro do gerador e do motor 2 são ambas iguais a 0,1 pu, já nas bases do gerador.

Figura 5.7
Sistema para o Exemplo 5.3
Solução. Devemos antes escrever todas as reatâncias nas bases do gerador: S
b
=25 MVA, V
b1
=11
kV . As reatâncias do gerador já estão na base correta, logo

pu 20 , 0 ' '
1
j x
Gd
=

pu 01 , 0
1
j x
G
=


A reatância do transformador 1-2, de acordo com a relação 4.4, será
|
.
|

\
|
× × =
2
0 , 11
8 , 10
30
25
1 , 0
12
j x
T
pu 0803 , 0
12
j x
T
=

Para convertermos as demais reatâncias, precisamos das tensões-base nas barra 3 e 4
× =
8 , 10
121
11
3
b
V kV 23,24 1
3
=
b
V

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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× =
121
8 , 10
24 , 123
3
b
V kV 1 1
3
=
b
V

As reatâncias do transformador 3-4 e dos motores serão, respectivamente
|
.
|

\
|
× × =
2
24 , 123
121
30
25
1 , 0
34
j x
T
pu 0803 , 0
34
j x
T
=

|
.
|

\
|
× × =
2
11
10
15
25
25 , 0 ' '
1
j x
Md
pu 3444 , 0 ' '
1
j x
Md
=

|
.
|

\
|
× × =
2
11
10
15
25
02 , 0
1
j x
M
pu 0275 , 0
1
j x
M
=

|
.
|

\
|
× × =
2
11
10
5 , 7
25
25 , 0 ' '
2
j x
Md
pu 689 , 0 ' '
2
j x
Md
=

|
.
|

\
|
× × =
2
11
10
5 , 7
25
02 , 0
2
j x
M
pu 0551 , 0
2
j x
M
=


Finalmente, a reatância da linha de transmissão 2-3 será
=
25 / ) 24 , 123 (
100
2 23
j
x
LT
pu 1646 , 0
23
j x
LT
=

Da relação (5.43), sabemos que as reatâncias de sequência positiva dos geradores e moto-
res serão iguais às respectivas reatâncias subtransitórias. Além disso, as reatâncias de sequência
positiva dos transformadores são iguais às respectivas reatâncias de transmissão e a reatâncias de
sequência positiva da linha de transmissão será igual à reatância própria da linha. Assim, o dia-
grama de sequência positiva pode ser desenhado conforme a Figura 5.8 abaixo.

Figura 5.8
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Circuito de sequência positiva para o Exemplo 5.3
Sabendo que devemos desenhar o circuito de sequência negativa para o período subtran-
sitório, os valores das reatâncias de sequência negativa do gerador e dos motores são iguais às
respectivas reatâncias de sequência positiva. As reatâncias dos transformadores e dos geradores
também permanecem as mesmas. Assim, o diagrama de sequência negativa pode ser desenhado
conforme a Figura 5.9 abaixo.

Figura 5.9
Circuito de sequência negativa para o Exemplo 5.3
O diagrama para sequência zero é mostrado na Figura 5.10 abaixo. Note a interrupção do
circuito nas barras 2 e 3, por causa das ligações delta. Note também que as reatâncias do gerador
e dos motores foram substituídas pelas respectivas reatâncias de dispersão, conforme recomen-
dado pela relação 5.45. Além disso, as reatâncias de neutro do gerador e do motor 2 aparecem
multiplicadas por três, conforme a relação (5.39).


Figura 5.10
Circuito de sequência zero para o Exemplo 5.3

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Exemplo 5.4. Para o sistema da Figura 5.11, com os dados da Tabela 5.4, pede-se: (a) desenhe
os diagramas para as sequências positiva, negativa e zero; (b) calcule as impedâncias equivalen-
tes de Thévenin na barra 5 para as sequências positiva, negativa e zero. As bases são S
b
=120
MVA e V
b1
=13,8 kV. Considere que a reatância de neutro do gerador da barra 9 é j0,4 pu, já
convertida para a base nova.

Figura 5.11
Sistema para o exemplo 5.4
Tabela 5.4 – Impedâncias originais do Exemplo 5.4
Equipamento x
1
x
2
x
0

Gerador 1 11% 9% 1,6%
Transformador 1-2 8% 8% 8%
Linha 2-3 5+j11 O 5+j11 O 8+j20 O
Transformador 3-4-5, x
ab
10% 10% 10%
Transformador 3-4-5, x
am
8% 8% 8%
Transformador 3-4-5, x
mb
14% 14% 14%
Gerador 4 10% 8% 1,5%
Linha 5-6 3+j10 O 3+j10 O 7+j28 O
Transformador 6-7 12% 12% 12%
Linha 7-8 16+j40 O 16+j40 O 30+j90 O
Transformador 8-9 11% 11% 11%
Gerador 9 15% 12% 2%

O primeiro passo é converter as reatâncias e impedâncias para a nova base. A Tabela 5.5
ilustra os resultados para as três sequências e as Figuras 5.12, 5.13 e 5.14 ilustram, respectiva-
mente, os circuitos para as sequências positiva, negativa e zero. Note que as reatâncias do trans-
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formador 3-4-5 já foram convertidas para o modelo estrela, conforme as relações (4.12), (4.13) e
(4.14).
Tabela 5.5 – Impedâncias convertidas para as bases novas
Equipamento x
1
x
2
x
0

Gerador 1 11% 9% 1,6%
Transformador 1-2 7,38% 7,38% 7,38%
Linha 2-3 3,15% + j6,93% 3,15% + j6,93% 5,04% + j12,6%
Transformador 3-4-5, x
a
(5) 2,67% 2,67% 2,67%
Transformador 3-4-5, x
b
(4) 10,67% 10,67% 10,67%
Transformador 3-4-5, x
m
(3) 8% 8% 8%
Gerador 4 60% 48% 9%
Linha 5-6 0,68% + j2,27% 0,68% + j2,27% 1,59% + j6,35%
Transformador 6-7 28,8% 28,8% 28,8%
Linha 7-8 40,33% + j100,82% 40,33% + j100,82% 75,615 + j226,84%
Transformador 8-9 33% 33% 33%
Gerador 9 60% 48% 8%

Os circuitos para as sequências positiva, negativa e zero são mostrados nas Figuras 5.12,
5.13 e 5.14, respectivamente.

Figura 5.12
Circuito de sequência positiva para o exemplo 5.4


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Figura 5.13
Circuito de sequência negativa para o exemplo 5.4


Figura 5.14
Circuito de sequência zero para o exemplo 5.4
A impedância equivalente de Thévenin, vista da barra 5, para sequência positiva, será
( )
( ) ( ) | | 6 , 0 1067 , 0 // 11 , 0 0738 , 0 0693 , 0 0315 , 0 08 , 0 0267 , 0
// 6 , 0 33 , 0 008 , 1 4033 , 0 288 , 0 0277 , 0 0068 , 0
1
j j j j j j j
j j j j j Z
th
+ + + + + +
+ + + + + + =


ou,
( ) ( ) | | 7067 , 0 // 3331 , 0 0315 , 0 0267 , 0 // 2537 , 2 4101 , 0
1
j j j j Z
th
+ + + =

pu 22818 , 0 01589 , 0
1
j Z
th
+ =


Para sequência negativa, teremos
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( )
( ) ( ) | | 48 , 0 1067 , 0 // 09 , 0 0738 , 0 0693 , 0 0315 , 0 08 , 0 0267 , 0
// 48 , 0 33 , 0 008 , 1 4033 , 0 288 , 0 0277 , 0 0068 , 0
2
j j j j j j j
j j j j j Z
th
+ + + + + +
+ + + + + + =


ou,
( ) ( ) | | 5867 , 0 // 3131 , 0 0315 , 0 0267 , 0 // 1337 , 2 4101 , 0
2
j j j j Z
th
+ + + =

pu 20902 , 0 01475 , 0
2
j Z
th
+ =


Finalmente, a impedância de sequência zero será
( ) 0267 , 0 // 288 , 0 0635 , 0 0156 , 0
0
j j j Z
th
+ + =

pu 02482 , 0 00008 , 0
0
j Z
th
+ =


Observe que, no caso da sequência zero, toda a impedância à esquerda da reatância de
j0,0267 do circuito original é desconsiderada, por estar aterrada em ambas as extremidades.
O cálculo de impedâncias de sequência será importante no próximo capítulo, quando
formos calcular correntes de curto-circuito assimétricos.
Exemplo 5.5. Desenhe os circuitos de sequência negativa e zero para o sistema de potência da
Figura 5.15 abaixo. Os valores-base são 50 MVA e 138 kV na barra 2.

Figura 5.15
Sistema para o Exemplo 5.5
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Considere que as reatâncias de sequência negativa das máquinas síncronas são iguais às
respectivas reatâncias subtransitórias e que as reatâncias de sequência zero das linhas de trans-
missão são iguais a 300% das respectivas reatâncias de sequência positiva.
Solução. As tensões-base podem ser determinadas rapidamente por inspeção:
kV 138
3 2
= =
b b
V V ,
kV 2 , 13
4 1
= =
b b
V V ,
kV 138
8 5
= =
b b
V V ,
kV 9 , 6
7
=
b
V ,
kV 138
9 6
= =
b b
V V ,
kV 2 , 13
4
=
b
V .
As reatâncias de sequência negativa das linhas de transmissão podem ser escritas como
( )
=
50 / 138
40
2
2
23
j
x
LT
pu 105 , 0
2
23
j x
LT
=

( )
= =
50 / 138
20
2
2 2
69 58
j
x x
LT LT
pu 0525 , 0
2 2
69 58
j x x
LT LT
= =

Os transformadores estão todos na nova tensão-base, restando ajustar para a nova potên-
cia-base
× = = = =
25
50
1 , 0
2 2 2 2
46 34 15 12
j x x x x
T T T T
pu 2 , 0
2 2 2 2
46 34 15 12
j x x x x
T T T T
= = = =

× = =
15
50
1 , 0
2 2
79 78
j x x
T T
pu 3333 , 0
2 2
79 78
j x x
T T
= =
Finalmente, as reatâncias de sequência negativa dos geradores são
|
.
|

\
|
× × = =
2
2 2
2 , 13
8 , 13
25
50
15 , 0
4 1
j x x
g g
pu 3279 , 0
2 2
4 1
j x x
g g
= =

× =
30
50
2 , 0
2
7
j x
g
pu 3333 , 0
2
7
j x
g
=

O diagrama de reatâncias para sequência negativa é mostrado na Figura 5.16 abaixo.
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Figura 5.16
Diagrama de sequência negativa para o Exemplo 5.5
As reatâncias de sequência zero das linhas e geradores são
× = × = 105 , 0 4 4
2 0
23 23
j x x
LT LT
pu 42 , 0
2
23
j x
LT
=

× = × = = 0525 , 0 4 4
0 0 0
69 69 58
j x x x
LT LT LT
pu 21 , 0
0 0
69 58
j x x
LT LT
= =

|
.
|

\
|
× × = =
2
0 0
2 , 13
8 , 13
25
50
08 , 0
4 1
j x x
g g
pu 1749 , 0
0 0
4 1
j x x
g g
= =

× =
30
50
08 , 0
0
7
j x
g
pu 1333 , 0
0
7
j x
g
=

As reatâncias de neutro de sequência zero dos geradores são
|
.
|

\
|
× × = =
2
0 0
2 , 13
8 , 13
25
50
05 , 0
4 1
j x x
ng ng
pu 1093 , 0
0 0
4 1
j x x
ng ng
= =

× =
30
50
05 , 0
0
7
j x
ng
pu 0833 , 0
0
7
j x
ng
=

Finalmente, as reatâncias de sequência zero dos transformadores são iguais às respectivas
reatâncias de sequência negativa, calculadas anteriormente.
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No caso do diagrama de sequência zero devemos tomar cuidado de com as ligações dos
transformadores, bem como adicionar as reatâncias de neutro dos geradores, multiplicadas por
três, em série com as respectivas reatâncias de sequência zero. O resultado é mostrado na Figura
5.17.

Figura 5.17
Diagrama de sequência zero para o Exemplo 5.5

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5.6. Exercícios
5.6.1. Enuncie o teorema de Fortescue e descreva suas vantagens no cálculo de faltas assimétri-
cas (fase-terra, fase-fase, etc.). Esse teorema traria alguma vantagem no cálculo de faltas
simétricas, tais como a trifásica e a trifásica-terra?
5.6.2. Seja um sistema elétrico cujas tensões em determinada barra são, em kV: ° Z = 7 8 , 13
a
V

,
° Z = 100 2 , 10
b
V

, ° ÷ Z = 90 5 , 4
c
V

. Pede-se: (a) determine as tensões de sequência para as
fases a, b e c; (b) desenhe o diagrama fasorial completo, ilustrando como as tensões do
sistema original desequilibrado são formadas a partir das somas adequadas das tensões de
sequencia.
5.6.3. Seja um sistema elétrico cujas tensões de sequencias, para a fase a, são: ° Z = 7 8 , 13
1
a
V

,
° Z = 100 2 , 10
2
a
V

, ° ÷ Z = 90 5 , 4
0
a
V

. Pede-se: (a) determine as tensões das fases a, b e c do
sistema original desequilibrado; (b) desenhe o diagrama fasorial completo, ilustrando co-
mo as tensões do sistema original desequilibrado são formadas a partir das somas adequa-
das das tensões de sequencia.
5.6.4. Esboce os diagramas de sequência para transformadores de dois enrolamentos ligados em:
(a) delta-delta; (b) estrela aterrada-delta; (c) estrela aterrada –estrela aterrada; (d) estrela-
estrela aterrada.
5.6.5. Um transformador de dois enrolamentos está ligado em delta-estrela aterrada. Explique
porque, no caso da sequência zero, haverá corrente em ambos os enrolamentos, mas não
haverá corrente para fora do lado em delta.
5.6.6. Considere um sistema composto por: (a) gerador trifásico, 13,8 kV, 50 MVA, x=10%; (b)
transformador de dois enrolamentos, 15 kV/69kV, 70 MVA, ligado em estrela-estrela,
com os dois neutros aterrados, x=8%; (c) linha de transmissão com x=20 ohms; (d) carga
de 20 MVA, com fator de potência unitário. Todos os elementos estão ligados em série,
na sequência gerador, transformador, linha, carga. A potência base é 100 MVA e a tensão
base é 15 kV na barra do gerador. Pede-se: (a) converta os valores para pu; (b) calcule to-
das as impedâncias equivalentes de Thévenin (sequências positiva, negativa e zero) na
barra de carga.
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5.6.7. As tensões entre as fases de um sistema trifásico são V
ab
=218 V, V
bc
=154,1 V e V
ca
=154,1
V. A sequência de fases é positiva. Um conjunto de impedâncias O ° Z = 0 27
an
Z

,
O ° Z = 45 35
bn
Z

, O ° Z = 0 27
cn
Z

é ligado em estrela às três fases a, b e c, na ordem indi-
cada pelos subíndices. Pede-se: (a) desenhe um esquema do circuito trifásico resultante;
(b) determine as correntes de linha
an
I

,
bn
I

e
cn
I

pelo método das componentes simétri-
cas.
5.6.8. Considere o sistema da Figura 5.18, cujas impedâncias estão representadas na Tabela 5.6.
(a) Desenhe os diagramas de reatâncias para as sequências positiva, negativa e zero, com
todos os parâmetros representados; (b) calcule as impedâncias para as três sequências nas
três barras (uma de cada vez).

Figura 5.18
Sistema para o Exercício 5.6.8
Tabela 5.6 – Dados do Exercício 5.6.8
Equipamento x
1
(pu) x
2
(pu) x
0
(pu)
G
1
0,15 0,15 0,05
G
2
0,15 0,15 0,05
T
1
0,12 0,12 0,12
T
2
0,12 0,12 0,12
L
12
0,25 0,25 0,73
L
13
0,15 0,15 0,4
L
23
0,13 0,13 0,3

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5.6.9. Um gerador trifásico de 30 MVA, 13,8 kV, possui uma reatância subtransitória de 15%.
Ele alimenta dois motores através de uma LT com dois trafos nas extremidades, conforme
diagrama unifilar. Os valores nominais dos motores são 20 e 10 MVA, ambos com 20%
de reatância subtransitória. Os trafos trifásicos são ambos de 35 MVA 13,2 - 115Y
(kV), com reatância de dispersão de 10%. A reatância em série da LT é 80 O. Faça o dia-
grama de reatâncias com todos os valores em pu. Escolha os valores nominais do gerador
como base do circuito do próprio gerador.

Figura 5.19
Sistema para o Exercício 5.6.9
5.6.10. Desenhe o diagrama de sequência zero para o sistema da Figura 5.20 abaixo.

Figura 5.20
Sistema para o Exercício 5.6.10
5.6.11. (a) Desenhe os circuitos de sequência negativa e de sequência zero para o sistema
de potência da Figura 5.21. Expresse os valores de todas as reatâncias em pu nas bases 30
MVA e 6.9 kV na barra 1. Os neutros dos geradores das barras 1 e 5 estão ligados à terra
por meio de reatores limitadores de corrente com reatância de 5%, cada qual tendo como
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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bases os valores dos respectivos geradores; (b) calcule as impedâncias equivalentes de
Thevénin, para as sequencias negativa e zero, na barra 3.

Figura 5.21
Sistema para o Exercício 5.6.11

5.6.12. Para o sistema do Exemplo 5.5, calcule as impedâncias equivalentes de Thevénin,
para as sequencias negativa e zero, na barra 5.



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6. CÁLCULO DE CURTO-CIRCUITO
6.1. Introdução
Neste capítulo abordaremos o cálculo de faltas assimétricas, quais sejam: fase-terra, fase-
fase e fase-fase-terra. Os conceitos introdutórios vistos na seção 4.10 continuam válidos, mas
agora devemos aplicar o método das componentes simétricas aos problemas em questão.
Inicialmente precisamos aprender a escrever as equações para as três sequências de um
gerador a vazio. Sendo
a
E

a tensão interna de fase,
S
Z

a impedância síncrona por fase e
a
V

a
tensão de fase nos terminais da fase a de um gerador trifásico, os diagramas para as sequências
positiva, negativa e zero podem ser representados como na Figura 6.1 a seguir.

Figura 6.1
Circuitos de sequência de um gerador a vazio:
(a) sequência positiva; (b) sequência negativa; (c) sequência zero
As seguintes equações podem ser abstraídas dos circuitos da Figura 6.1 acima, os quais
são semelhantes aos circuitos da segunda linha da Tabela 5.1:
1 1 1
a S a a
I Z E V
   
÷ = ,

(6.1)

2 2 2
a S a
I Z V
  
÷ = ,

(6.2)
0 0 0
a S a
I Z V
  
÷ = .

(6.3)
As equações (6.2) e (6.2) podem parecer um pouco estranhas, pois descrevem correntes
circulando e tensões terminais sem que haja fems internas. Contudo, devemos nos lembrar de que
tais equações decorrem do teorema de Fortescue e, assim, apenas a soma das três equações acima
tem significado físico. Note também que, como já vimos na Tabela 5.1, apenas o circuito de se-
quência positiva apresenta fem interna (
a
E

) não nula.
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6.2. Curto-circuito fase-terra
Considere o circuito da Figura 6.2, que consiste de um gerador trifásico cuja fase a foi
conectada ao terra por meio de uma impedância de falta
f
Z

. O termo
S
Z

representa a impeda-
impedância síncrona do gerador em série com qualquer impedância a ele conectada, como impe-
dâncias de linhas de transmissão, transformadores, etc. Por simplicidade, as fases b e c, que esta-
riam ligadas a cargas, são consideradas abertas, pois, conforme vimos no item 4.10, as cargas são
consideradas desprezíveis durante um curto. Podemos então escrever as seguintes condições de
contorno para o curto-circuito fase-terra
a f a
I Z V
  
= ,

(6.4)
0 =
b
I

,

(6.5)
0 =
c
I

.

(6.6)


Figura 6.2
Gerador com a fase a em curto com o terra
Escrevendo a transformação de Fortescue (5.24), com as correntes dadas por (6.5) e (6.6),
vem
(
(
(
¸
(

¸

×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

0
0
1
1
1 1 1
3
1
2
2
2
1
0
a
a
a
a
I
a a
a a
I
I
I

 
 



,

(6.7)
ou,
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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3
2 1 0
a
a a a
I
I I I

  
= = = .

(6.8)
Lembremos ainda que o teorema de Fortescue permite escrevermos a tensão na fase a
como
0 2 1
a a a a
V V V V
   
+ + = .

(6.9)
Substituindo as relações (6.1), (6.2) e (6.3) em (6.9), teremos
0 0 2 2 1 1
a S a S a S a a
I Z I Z I Z E V
       
÷ ÷ ÷ = .

(6.10)
A relação (6.8) nos garante que, na presente situação, as correntes de sequência são i-
guais. Logo, podemos escrever (6.10) como
( )
0 2 1 0
S S S a a a
Z Z Z I E V
     
+ + ÷ = .

(6.11)
Substituindo (6.4) e (6.8) na relação acima, vem
( )
0 2 1
3
S S S
a
a a f
Z Z Z
I
E I Z
  

  
+ + ÷ = .

(6.12)
Rearranjando os termos de (6.12) teremos
f S S S
a
a
Z Z Z Z
E
I
   


3
0 2 1
0
+ + +
= ,

(6.13)
ou, finalmente, considerando que
0
3
a a
I I
 
=

f S S S
a
a ccft
Z Z Z Z
E
I I
   

 
3
3
0 2 1
+ + +
= = (6.14)
Corrente de curto-
circuito fase-terra.

Conforme vimos na seção 4.10,
a
E

é a tensão pré-falta, considerada igual a 1,0 pu na
nossa formulação simplificada.
A corrente
0
a
I

, dada por (6.13), resulta de uma tensão
a
E

aplicada a uma impedância total
f S S S
Z Z Z Z
   
3
0 2 1
+ + + . A Figura 6.3 mostra um circuito mnemônico
1
, que, por sua vez, ilustra a

1
Mnemônico vem de Mnemosine, a deusa grega da memória, e é um elemento gráfico ou verbal cuja finalidade é
auxiliar a memorização fórmulas, listas ou outras informações. Em outras palavras, trata-se de um “macete”.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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relação (6.13) de maneira gráfica. Note que este circuito nada mais é do que a ligação em série
dos circuitos da Figura 6.1, ligados ainda em série a uma impedância
f
Z

3 .

Figura 6.3
Circuito mnemônico para o curto-circuito fase-terra
6.3. Curto-circuito fase-fase
Considere agora o circuito da Figura 6.4, no qual as fases b e c foram curto-circuitadas
por meio de uma impedância de falta
f
Z

e a fase a foi deixada em aberto. As condições de con-
torno são agora
b f c b
I Z V V
   
= ÷ ,

(6.15)
ccff c b
I I I
  
= ÷ = ,

(6.16)
0 =
a
I

.

(6.17)

Aplicando novamente a transformação de Fortescue (5.24) a essas correntes, teremos
(
(
(
¸
(

¸

÷
×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

b
b
a
a
a
I
I
a a
a a
I
I
I


 
 



0
1
1
1 1 1
3
1
2
2
2
1
0
,

(6.18)
ou,
0
0
=
a
I

,

(6.19)
( )
b a
I a a I

 

2 1
3
1
÷ =
,

(6.20)
( )
b a
I a a I

 

÷ =
2 2
3
1
.

(6.21)

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Figura 6.4
Gerador com as fase b e c em curto por meio de impedância
De acordo com o teorema de Fortescue expresso por (5.16a), (5.16b) e (5.16c), as tensões
nas fases a, b e c podem ser escritas como
2 1 0
a a a a
V V V V
   
+ + =

(6.22a)

2 1 2 0
a a a b
V a V a V V




 
+ + =

(6.22b)
2 2 1 0
a a a c
V a V a V V




 
+ + =

(6.22c)
A tensão sobre a impedância
f
Z

será então
( ) ( )
2 1 2
a a b f c b
V V a a I Z V V
 
 
   
÷ × ÷ = = ÷ ,

(6.23)
Substituindo (6.1) e (6.2) na relação acima, teremos
( ) ( )
2 1 1 1 2
a S a S a b f
I Z I Z E a a I Z
    
 
 
+ ÷ × ÷ = .

(6.24)
Das relações (6.20) e (6.21) vem que
1 2
a a
I I
 
÷ = . Logo, a relação (6.24) pode ser escrita
como
( ) ( ) | |
2 1 1 2
S S a a b f
Z Z I E a a I Z
   
 
 
+ × ÷ × ÷ = .

(6.25)
De (6.2), temos ainda que ( )
2 1
/ 3 a a I I
a b
 
 
÷ = , o que nos permite escrever (6.25) como
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( )
( ) ( ) | |
2 1 1 2
2
1
3
S S a a
f a
Z Z I E a a
a a
Z I
   
 
 
 
+ × ÷ × ÷ =
÷
.

(6.26)
Isolando
1
a
I

na relação acima, e levando em consideração que ( ) ( ) 3
2 2
= ÷ × ÷ a a a a     , te-
remos
f S S
a
a
Z Z Z
E
I
  


+ +
=
2 1
1
.

(6.27)
Substituindo (6.20) em (6.27) teremos finalmente a corrente de curto-circuito fase-fase

f S S
a
b ccff
Z Z Z
E j
I I
  

 
+ +
÷
= =
2 1
3
(6.28)
Corrente de curto-
circuito fase-fase.

O circuito mnemônico para o curto-circuito fase-fase é mostrado na Figura 6.5.

Figura 6.5
Circuito mnemônico para o curto fase-fase
6.4. Curto-circuito fase-fase-terra
Considere finalmente o circuito da Figura 6.6, no qual as fases b e c foram curto-
circuitadas diretamente e conectadas ao terra por meio de uma impedância de falta
f
Z

. A fase a
foi deixada em aberto. As condições de contorno são
( )
c b f c b
I I Z V V
    
+ = = ,

(6.29)
c b ccfft
I I I
  
+ = ,

(6.30)
0 =
a
I

.

(6.31)

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Figura 6.6
Gerador com as fase b e c em curto para o terra
Substituindo
c b
V V
 
= em (6.22b) e (6.22c), teremos
2 1
a a
V V
 
= .

(6.32)

Substituindo (5.16b) e (5.16c) em (6.29), teremos
( ) ( )
2 2 1 0 2 1 2 0
a a a a a a f c b f b
I a I a I I a I a I Z I I Z V




 



     
+ + + + + = + = ,

(6.33)

ou,
( ) ( ) | |
2 2 1 2 0
2
a a a f b
I a a I a a I Z V

 

 
  
+ + + + = ,

(6.34)

ou, ainda, considerando que 1
2
÷ = + a a   ,
( )
2 1 0
2
a a a f b
I I I Z V
    
÷ ÷ = .

(6.35)

Sabendo que 0 =
a
I

, e considerando (5.16a), teremos
0
2 1 0
= + +
a a a
I I I
  
.

(6.36)

Substituindo (6.36) em (6.35), vem
0
3
a f b
I Z V
  
= .

(6.37)

Substituindo
2 1
a a
V V
 
= em (6.22b), teremos
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( )
1 2 0
a a b
V a a V V

 
 
÷ + = ,

(6.38)

ou,
1 0
a a b
V V V
  
÷ = .

(6.39)

Igualando (6.39) e (6.37) e substituindo as relações (6.1) e (6.3), vem que
1 1 0 0 0
3
a S a a S a f
I Z E I Z I Z
      
+ ÷ ÷ = .

(6.40)

Resolvendo para
0
a
I

, teremos finalmente

0
1 1
0
3
S f
a a S
a
Z Z
E I Z
I
 
  

+
÷
= (6.41)
Corrente de sequência
zero para o curto fase-
fase-terra.

Comparando (6.29), (6.30) e (6.37), vem que

0
3
a ccfft
I I
 
= (6.42)
Corrente de curto fase-
fase-terra.

Agora falta apenas determinarmos
1
a
I

, valor que deverá ser usado para a determinação de
0
a
I

em (6.41). Considerando novamente que
2 1
a a
V V
 
= e igualando as relações (6.1) e (6.2), tere-
mos inicialmente
2
1 1
2
S
a a S
a
Z
E I Z
I

  

÷
= ,

(6.43)

Substituindo (6.41) e (6.43) em (6.36), vem
0
3
2
1 1
1
0
1 1
=
÷
+ +
+
÷
S
a a S
a
S f
a a S
Z
E I Z
I
Z Z
E I Z

  

 
  
.

(6.44)

Agora basta isolar
1
a
I

, conforme o processo de cálculo a seguir:
2
1 1
0
1 1
1
3
S
a S a
S f
a S a
a
Z
I Z E
Z Z
I Z E
I

  
 
  

÷
+
+
÷
=
,

(6.45)


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( ) ( )( )
( )
0 2
1 1 0 1 1 2
1
3
3
S f S
a S a S f a S a S
a
Z Z Z
I Z E Z Z I Z E Z
I
  
        

+
÷ + + ÷
=
,

(6.46)


( )
0 2
1 1 0 0 1 1 1 2 1 2
1
3
3 3
S f S
a S S a S a S f a f a S S a S
a
Z Z Z
I Z Z E Z I Z Z E Z I Z Z E Z
I
  
              

+
÷ + ÷ + ÷
=
,

(6.47)


( )
f S S
S S S f f S S S
a
a
Z Z Z
Z Z Z Z Z Z Z Z
E
I
  
       


3
3 3
0 2
2 0 2 0 2 1
1
+ +
+ + + +
=
,

(6.48)


( )
f S S
f S S
S
a
a
Z Z Z
Z Z Z
Z
E
I
  
  



3
3
0 2
0 2
1
1
+ +
+
+
=
,

(6.49)

Finalmente, notando que o segundo termo do denominador representa
2
S
Z

em paralelo
com
f S
Z Z
 
3
0
+ , podemos escrever:

( )
0 2 1
1
3 //
S f S S
a
a
Z Z Z Z
E
I
   


+ +
=
(6.50)
Corrente de sequência
positiva para o curto
fase-fase-terra.

Para calcular a corrente de curto fase-fase-terra, devemos calcular inicialmente
1
a
I

, depois
0
a
I


e depois
ccfft
I

, de acordo com as relações (6.50), (6.41) e (6.42), respectivamente.
O processo de cálculo das correntes de curto pode parecer um pouco tedioso, mas tudo se
resume ao cálculo das impedâncias
1
S
Z

,
2
S
Z

, e
0
S
Z

, identificadas com as impedâncias equivalentes
de Thévenin das sequências positiva, negativa e zero, respectivamente, e da aplicação de algu-
mas fórmulas prontas. A Figura 6.7 ilustra o circuito mnemônico para o caso em questão.
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Figura 6.7
Circuito mnemônico para o curto fase-fase-terra

Exemplo 6.1. Calcule as correntes de curto fase-terra, fase-fase e fase-fase-terra na barra 5 para
o sistema da Figura 6.7. Considere que as impedâncias de neutro dos geradores são iguais a j0,1
pu e que a impedância de falta é igual a j0,2 pu. As demais impedâncias são dadas na Tabela 6.1.

Figura 6.8
Sistema para o Exemplo 6.1

Tabela 6.1 – Dados do Exercício 6.1
Equipamento x
1
(pu) x
2
(pu) x
0
(pu)
G
1
0,12 0,10 0,015
G
3
0,12 0,10 0,015
T
12
0,10 0,10 0,10
T
34
0,10 0,10 0,10
L
25
0,25 0,25 0,50
L
24
0,15 0,15 0,30
L
45
0,13 0,13 0,20


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Solução. Inicialmente devemos desenhar o circuito de sequência positiva, ilustrado na Figura
6.9.

Figura 6.9
Circuito de sequência positiva para o Exemplo 6.1

A impedância de sequência positiva nada mais é do que a impedância de Thévenin vista
da barra 5. Para determiná-la, devemos substituir os geradores por suas respectivas impedâncias
internas e transformar o delta entre as barras 2, 4 e 5 para uma estrela, conforme mostrado na
Figura 6.10.

Figura 6.10
Diagrama de reatâncias de sequência positiva para o Exemplo 6.1

As reatâncias entre as barras 2, 4 e 5, convertidas para estrela, são:

+ +
×
=
+ +
=
13 , 0 25 , 0 15 , 0
25 , 0 15 , 0
45 25 24
25 24
2
j j j
j j
x x x
x x
x pu 0708 , 0
2
j x =

+ +
×
=
+ +
=
13 , 0 25 , 0 15 , 0
13 , 0 15 , 0
45 25 24
45 24
4
j j j
j j
x x x
x x
x pu 0368 , 0
4
j x =

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+ +
×
=
+ +
=
13 , 0 25 , 0 15 , 0
13 , 0 25 , 0
45 25 24
45 25
5
j j j
j j
x x x
x x
x pu 0613 , 0
5
j x =
A impedância de Thévenin de sequência positiva na barra 5 será
( ) ( ) 12 , 0 10 , 0 0368 , 0 // 12 , 0 10 , 0 0708 , 0 0613 , 0
1
5
j j j j j j j Z
th
+ + + + + =

pu 1977 , 0
1
5
j Z
th
=

O circuito de sequência negativa é semelhante, exceto pelos valores das reatâncias dos
geradores, conforme mostrado na Figura 6.11.

Figura 6.11
Diagrama de reatâncias de sequência negativa para o Exemplo 6.1

A impedância de Thévenin de sequência negativa na barra 5 será
( ) ( ) 10 , 0 10 , 0 0368 , 0 // 10 , 0 10 , 0 0708 , 0 0613 , 0
2
5
j j j j j j j Z
th
+ + + + + =

pu 1876 , 0
2
5
j Z
th
=

O diagrama de sequência zero exige atenção triplicada. Em primeiro lugar, por causa dos
valores diferentes das reatâncias dos geradores e das linhas de transmissão. Em segundo, por
causa das ligações dos transformadores, especialmente o lado ligado em delta. Em terceiro, por
causa das reatâncias de neutro dos geradores, que agora devem ser multiplicadas por três e inclu-
ídas em série com as respectivas reatâncias de sequência zero. O diagrama resultante é mostrado
na Figura 6.12.
No que se refere ao cálculo da impedância de Thévenin de sequência zero, agora não é
necessário converter o delta para estrela, pois a barra 2 é apenas uma conexão entre as reatâncias
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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de j0,50 e j0,30, que agora estão em série. Logo, a impedância de Thévenin de sequência zero
será
( ) 30 , 0 50 , 0 // 20 , 0 10 , 0 015 , 0 30 , 0
0
5
j j j j j j Z
th
+ + + + =

pu 575 , 0
0
5
j Z
th
=


Figura 6.12
Diagrama de reatâncias de sequência zero para o Exemplo 6.1

As correntes de curto podem ser agora facilmente calculadas. De acordo com a relação
(4.35), a corrente de curto trifásico será
2 , 0 1977 , 0
0 0 , 1 0 0 , 1
1
5
3
j j Z Z
I
f th
cc
+
° Z
=
+
° Z
=
 
|

pu 5145 , 2
3
j I
cc
÷ =
|


A corrente de curto fase-terra será, de acordo com (6.14)
2 , 0 3 575 , 0 1876 , 0 1977 , 0
0 0 , 3
3
0 0 , 3
0
5
2
5
1
5
j j j j Z Z Z Z
I
f th th th
ccft
× + + +
° Z
=
+ + +
° Z
=
   

pu 9227 , 1 j I
ccft
÷ =


De acordo com (6.28), a corrente de curto fase-fase será
2 , 0 1876 , 0 1977 , 0
3 3
2
5
1
5
j j j
j
Z Z Z
j
I
f th th
ccff
+ +
÷
=
+ +
÷
=
  

pu 9593 , 2 ÷ =
ccff
I


De acordo com (6.50), a corrente de sequência positiva para o curto fase-fase-terra será
( ) ( ) 575 , 0 2 , 0 3 // 1876 , 0 1977 , 0
0 0 , 1
3 //
0 0 , 1
0
5
2
5
1
5
1
j j j j Z Z Z Z
I
th f th th
a
+ × +
° Z
=
+ +
° Z
=
   

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pu 7819 , 2
1
j I
a
÷ =


A corrente de sequência zero para o curto fase-fase-terra será, de acordo com (6.41)
( )
575 , 0 2 , 0 3
0 , 1 7819 , 2 1977 , 0
3
0 , 1
0
5
1 1
5 0
j j
j j
Z Z
I Z
I
th f
a th
a
+ ×
÷ ÷ ×
=
+
÷
=
 
 

pu 383 , 0
0
j I
a
÷ =


Finalmente, de acordo com (6.42), a corrente de curto fase-fase-terra será
( ) 383 , 0 3 j I
ccfft
÷ × =

pu 149 , 1 j I
ccfft
÷ =


6.5. Método da matriz impedância de barra
O método das impedâncias de Thévenin pode ser um pouco demorado caso desejemos
calcular as correntes de curto em mais de uma barra e, além disso, é de difícil generalização e
implementação computacional. Felizmente, o método da matriz impedância de barra possibilita
tal generalização, bem como maior rapidez.
Seja um sistema de potência de n barras, cuja matriz admitância nodal pode ser escrita
como
| |
(
(
(
(
(
¸
(

¸

=
nn n n
n
n
Y Y Y
Y Y Y
Y Y Y
Y


 
   


 


 

2 1
2 22 21
1 12 11
.

(6.51)

Como sabemos das aulas de circuitos, a matriz admitância nodal deve satisfazer a seguin-
te equação
| | | | | | V Y I
  
× = ,


onde | | I

e | | V

são os vetores corrente e tensão respectivamente.
Relembrando das relações (4.25), os elementos
ii
Y

da matriz admitância nodal são iguais
à soma de todas as admitâncias que se ligam ao nó i, enquanto as admitâncias
ji ij
Y Y
 
= são iguais
ao recíproco das respectivas admitâncias físicas que ligam os nós i e j. Logo, a matriz admitância
nodal | | Y

pode ser rapidamente construída a partir de regras simples. A matriz impedância de
barra | | Z

correspondente será

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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| | | |
(
(
(
(
(
¸
(

¸

= =
÷
nn n n
n
n
Z Z Z
Z Z Z
Z Z Z
Y Z


 
   


 


 
 
2 1
2 22 21
1 12 11
1
.

(6.52)


Após obtermos a matriz impedância de barra, a impedância equivalente de Théve-
nin para curto-circuito na barra k é igual ao elemento
kk
Z

da matriz | | Z

.
Em várias circunstâncias é mais fácil inveter a matriz admitância nodal, processo para o
qual existem algoritmos prontos e bastante conhecidos, do que calcular diretamente a impedância
de Thévenin em cada barra do sistema.
Exemplo 6.2. Repita o Exemplo 6.1 pelo método da matriz impedância de barra.
Solução. Inicialmente devemos redesenhar o circuito da figura 6.9, porém invertendo as impe-
dâncias de modo a obtermos admitâncias. O resultado é mostrado na Figura 6.13.

Figura 6.13
Circuito de sequência positiva para o Exemplo 6.2

De acordo com as regras (4.25), os elementos de | |
1
Y

da diagonal principal serão
333 , 18 0 , 10 333 , 8
1
11
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

,
667 , 20 667 , 6 0 , 4 0 , 10
1
22
j j j j Y ÷ = ÷ ÷ ÷ =

,
333 , 18 0 , 10 333 , 8
1
33
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

,
359 , 24 667 , 6 692 , 7 0 , 10
1
44
j j j j Y ÷ = ÷ ÷ ÷ =

,
692 , 11 692 , 7 0 , 4
1
55
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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De acordo com as mesmas regras (4.25), os elementos de | | Y

fora da diagonal principal
serão
( )
1
21
1
12
0 , 10 0 , 10 Y j j Y
 
= = ÷ ÷ = ,
1
31
1
13
0 Y Y
 
= = (as barras 1 e 3 não se ligam diretamente) ,
1
41
1
14
0 Y Y
 
= = ,
1
51
1
15
0 Y Y
 
= = ,
1
32
1
23
0 Y Y
 
= = ,
1
42
1
24
667 , 6 Y j Y
 
= = ,
1
52
1
25
0 , 4 Y j Y
 
= = ,
1
43
1
34
0 , 10 Y j Y
 
= = ,
1
53
1
35
0 Y Y
 
= = ,
1
54
1
45
692 , 7 Y j Y
 
= = .
A matriz admitância nodal | |
1
Y

será
| |
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

÷
÷
÷
÷
÷
=
692 , 11 692 , 7 0 0 , 4 0
692 , 7 359 , 24 0 , 10 667 , 6 0
0 0 , 10 333 , 18 0 0
0 , 4 667 , 6 0 667 , 20 0 , 10
0 0 0 0 , 10 333 , 18
1
j j j
j j j j
j j
j j j j
j j
Y

.
A inversão de | |
1
Y

pode ser realizada por meio de um software numérico, como o Ma-
tLab ou o SciLab
2
, ou ainda por meio de uma calculadora científica, resultando em
| | | |
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

= =
÷
j0,1977 j0,1168 j0,0637 j0,1032 j0,0563
j0,1168 j0,1316 j0,0718 j0,0884 j0,0482
j0,0637 j0,0718 j0,0937 j0,0482 j0,0263
j0,1032 j0,0884 j0,0482 j0,1316 j0,0718
j0,0563 j0,0482 j0,0263 j0,0718 j0,0937
1
1 1
Y Z
 
.

2
O SciLab é uma das versões freeware do MatLab. Veja www.scilab.org .
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Como pode ser observado, a matriz impedância de barra é simétrica, da mesma forma que
a matriz admitância nodal. Contudo, enquanto a matriz admitância nodal é esparsa (tem muitos
elementos nulos), a matriz impedância de barra é cheia (tem poucos elementos nulos). Da matriz
| |
1
Z

também fica evidente que impedância de curto na barra 5, para sequência positiva, será
1977 , 0
1
55
j Z =

,
que é igual à impedância
1
5 th
Z

obtida anteriormente no Exemplo 6.1.
O diagrama de admitâncias para a sequência negativa é mostrado na Figura 6.14 abaixo.

Figura 6.14
Circuito de sequência negativa para o Exemplo 6.2

Considerando que apenas as admitâncias ligadas às barras 1 e 3 mudam, apenas os se-
guintes elementos da matriz admitância nodal mudarão
0 , 20 0 , 10 10
2
11
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

,
0 , 20 0 , 10 0 , 10
2
33
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

.
A matriz admitância nodal | |
2
Y

será
| |
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

÷
÷
÷
÷
÷
=
692 , 11 692 , 7 0 0 , 4 0
692 , 7 359 , 24 0 , 10 667 , 6 0
0 0 , 10 0 , 20 0 0
0 , 4 667 , 6 0 667 , 20 0 , 10
0 0 0 0 , 10 0 , 20
2
j j j
j j j j
j j
j j j j
j j
Y

.
A matriz impedância de barra correspondente será
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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| | | |
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

= =
÷
j0,1876 j0,1067 j0,0533 j0,0933 j0,0467
j0,1067 j0,1212 j0,0606 j0,0788 j0,0394
j0,0533 j0,0606 j0,0803 j0,0394 j0,0197
j0,0933 j0,0788 j0,0394 j0,1212 j0,0606
j0,0467 j0,0394 j0,0197 j0,0606 j0,0803
1
2 2
Y Z
 
.
A impedância de curto na barra 5, para sequência negativa, será
1876 , 0
2
55
j Z =

,
que mais uma vez é igual à impedância
2
5 th
Z

obtida anteriormente no Exemplo 6.1.
O diagrama de admitâncias para a sequência zero é mostrado na Figura 6.15 abaixo.

Figura 6.15
Circuito de sequência zero para o Exemplo 6.2

Note, em relação ao circuito da Figura 6.15, que devemos primeiro adicionar a impedân-
cia de cada gerador e sua respectiva impedância de neutro, e depois invertê-las para obter a ad-
mitância. Esse procedimento deve ser realizado sempre que tivermos algum equipamento, gera-
dor, motor ou transformador, aterrado por meio de impedância. Feita tal consideração, os ele-
mentos da matriz admitância nodal são
1746 , 13 0 , 10 1746 , 3
0
11
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

,
333 , 5 333 , 3 0 , 2
0
22
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

,
1746 , 13 0 , 10 1746 , 3
0
33
j j j Y ÷ = ÷ =

,
333 , 18 0 , 5 333 , 3 0 , 10
0
44
j j j j Y ÷ = ÷ ÷ ÷ =

,
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0 , 7 0 , 5 0 , 2
0
55
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

.
0
21
0
12
0 Y Y
 
= = (as barras 1 e 2 estão agora desconectadas),
0
31
0
13
0 Y Y
 
= = ,
0
41
0
14
0 Y Y
 
= = ,
0
51
0
15
0 Y Y
 
= = ,
0
32
0
23
0 Y Y
 
= = ,
0
42
0
24
333 , 3 Y j Y
 
= = ,
0
52
0
25
0 , 2 Y j Y
 
= = ,
0
43
0
34
0 , 10 Y j Y
 
= = ,
0
53
0
35
0 Y Y
 
= = ,
0
54
0
45
0 , 5 Y j Y
 
= = .
A matriz admitância nodal | |
0
Y

agora será
| |
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

÷
÷
÷
÷
÷
=
0 , 7 0 , 5 0 0 , 2 0
0 , 5 333 , 18 0 , 10 333 , 3 0
0 0 , 10 1746 , 13 0 0
0 , 2 333 , 3 0 333 , 5 0
0 0 0 0 1746 , 13
0
j j j
j j j j
j j
j j j
j
Y

.
A matriz impedância de barra correspondente será
| | | |
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

= =
÷
j0,5750 j0,4150 j0,3150 j0,4750 0
j0,4150 j0,4150 j0,3150 j0,4150 0
j0,3150 j0,3150 j0,3150 j0,3150 0
j0,4750 j0,4150 j0,3150 j0,6250 0
0 0 0 0 j0,0759
1
0 0
Y Z
 
.
Novamente, como esperado, teremos
5750 , 0
0
55
j Z =

,
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que mais uma vez coincide com a impedância
0
5 th
Z

obtida anteriormente no Exemplo 6.1. As
correntes de curto-circuito na barra 5 podem ser agora facilmente calculadas, conforme vimos no
Exemplo 6.1. Além disso, agora podemos calcular as correntes de curto em qualquer uma das
outras barras.
Devemos ter um cuidado especial em problemas que envolvam transformadores de três
enrolamentos, como mostra o Exemplo 6.3 a seguir.
Exemplo 6.3. Calcule a correntes de curto-circuito trifásica e fase-terra na barra 3 do sistema da
Figura 6.16, pelos métodos de Thévenin e da matriz impedância. As reatâncias dos geradores são
ambas iguais a j0,1 pu e as reatâncias do transformador são: x
12
=j0,12 pu, x
13
=j0,13 pu e
x
23
=j0,14 pu. A impedância de falta é nula e, para os fins do presente problema, as reatâncias de
sequência positiva, negativa e zero de cada equipamento podem ser consideradas iguais.

Figura 6.16
Sistema para o Exemplo 6.3

Solução. O primeiro passo é desenhar o diagrama de reatâncias de sequência positiva, conforme
mostrado na Figura 6.17.

Figura 6.17
Diagrama de reatâncias de sequência positiva para o Exemplo 6.3

xxx
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

107


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6.6. Obtenção direta da matriz impedância de barra
Como vimos, a matriz impedância de barra pode ser obtida facilmente a partir da inversão
da matriz admitância nodal, a qual, por sua vez, pode ser montada por meio de duas regras sim-
ples. Contudo, no caso de um grande numéro de barras a inversão pode demorar algum tempo.
Ademais, em alguns casos queremos apenas expandir a matriz impedância de barra a partir de
uma matriz inicial pré-existente. Nesses casos pode ser bem mais conveniente e rápido conhe-
cermos as regras para obtenção direta da matriz impedância de barra.
Seja um sistema inicial de n barras cuja matriz impedância de barra inicial é | |
INI
Z

, con-
forme a relação (6.53)
| |
(
(
(
(
(
¸
(

¸

=
nn n n
n
n
INI
Z Z Z
Z Z Z
Z Z Z
Z


 
   


 


 

2 1
2 22 21
1 12 11
.

(6.53)

Por razões de simplicidade, mas sem perda de generalidade, vamos trabalhar com um sis-
tema original de 2 barras, como aquele da Figura 6.20. Logo, teremos
| |
(
¸
(

¸

=
22 21
12 11
Z Z
Z Z
Z
INI
 
 

.

(6.54)



Figura 6.20
Sistema inicial de 2 barras


Um novo termo
p
z
pode ser adicionado de quatro maneiras diferentes, discutidas a se-
guir.

a) O novo elemento
p
z
é ligado entre a barra nova p e a referência, conforme ilustrado na
Figura 6.21.

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

108


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Figura 6.21
Sistema para a regra (a)


(continua em breve...)

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

109


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6.7. Exercícios
Observações: (1) quando as impedâncias de falta e de neutro não forem mencionadas, conside-
re-as nulas; (2) quando não mencionado, as impedâncias estão especificadas nas bases dos res-
pectivos equipamentos; (3) quando não mencionado, os equipamentos estão ligados em estrela
solidamente aterrada.
6.7.1. Explique porque, em um curto-circuito fase-fase, não é necessário conhecer a impedância
de sequência zero.
6.7.2. (a) Quais as vantagens e desvantagens do cálculo de curto-circuito por meio das impe-
dâncias de Thévenin?; (b) quais as vantagens e desvantagens do cálculo de curto-circuito
por meio da matriz impedância de barra?
6.7.3. (a) Descreva as regras para a construção da matriz admitância nodal de um sistema de
potência; (b) como é possível obter a matriz impedância de barra a partir da matriz admi-
tância nodal?
6.7.4. Desenhe os circuitos mnemônicos para os curto-circuitos trifásico, fase-terra, fase-fase e
fase-fase-terra.
6.7.5. Um gerador encontra-se ligado a um transformador através de um disjuntor e tem os se-
guintes valores nominais: 7,5 MVA; 6,9 kV, com reatâncias ' '
d
x = 9%, '
d
x = 15%,
d
x =
100%. O gerador opera em vazio e com tensão nominal quando ocorre um curto-circuito
trifásico entre o disjuntor e o transformador. Determine: (a) a corrente permanente de
curto-circuito no disjuntor; (b) a corrente inicial eficaz simétrica no disjuntor.
6.7.6. O transformador trifásico ligado ao gerador descrito no exercício anterior tem os seguin-
tes valores nominais: 7,5 MVA; 6,9/15 kV,
d
x = 10%. Se ocorrer um curto-circuito trifá-
sico no lado da alta tensão do transformador com tensão nominal e em vazio, determine:
(a) a corrente inicial eficaz simétrica no lado de alta tensão do transformador; (b) a cor-
rente inicial eficaz simétrica no lado da baixa tensão do transformador.
6.7.7. Um gerador de 60Hz, 650 kVA, 480 V, ' '
d
x = 0,08 pu, alimenta uma carga puramente
resistiva de 500 kW, sob 480 V. A carga é ligada diretamente aos terminais do gerador.
Se todas as três fases da carga forem simultaneamente curto-circuitadas, determine a cor-
rente inicial eficaz simétrica no gerador, em pu, nas bases do gerador.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

110


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6.7.8. Um turbogerador, especificado para 60 Hz, 10 MVA e 13,8 kV, é ligado em estrela soli-
damente aterrada e funciona sob tensão nominal, em vazio. As reatâncias são ' '
d
x =
2
x =
0,15 pu e
0
x = 0,05 pu. Determine a relação entre a corrente subtransitória para uma falta
fase-terra e a corrente subtransitória para uma falta trifásica simétrica.
6.7.9. No exercício anterior, determine a relação entre a corrente subtransitória para uma falta
fase-fase e a corrente subtransitória para uma falta trifásica simétrica.
6.7.10. No Exercício 5.6.11, considere que as impedâncias de sequência negativa e positiva são
iguais. Calcule as correntes de curto trifásico e fase-terra, na barra 3, pelo método das
impedâncias de Thévenin. Considere que a reatância de falta é nula.
6.7.11. Calcule todas as correntes de curto-circuito para o sistema do Exercício 5.6.6, na barra
de carga, pelo método das impedâncias de Thévenin. Considere que a reatância de falta é
j0,2 pu.
6.7.12. Calcule todas as correntes de curto-circuito para o sistema do Exercício 5.6.8, na barra 3,
pelos métodos das impedâncias de Thévenin e da matriz impedância de barra. Considere
que a reatância de falta é nula.
6.7.13. Para o sistema da Figura 6.18, com os dados da Tabela 6.7.14, determine as correntes de
curto-circuito trifásica e fase-terra na barra 5.

Figura 6.18
Sistema para o Exercício 6.7.13


Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

111


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Tabela 6.2 – Dados do Exercício 6.7.13
Equipamento x
1
(pu) x
2
(pu) x
0
(pu)
G
1
0,14 0,12 0,05
G
5
0,14 0,12 0,05
G
8
0,14 0,12 0,05
T
12
0,12 0,12 0,12
T
78
0,12 0,12 0,12
T
34
0,11 0,11 0,11
T
46
0,11 0,11 0,11
T
45
0,11 0,11 0,11
L
23
0,12 0,12 0,3
L
27
0,15 0,15 0,3
L
45
0,12 0,12 0,25
L
67
0,12 0,12 0,25


6.7.14. Calcule as correntes de curto-circuito fase-fase e fase-fase-terra para o sistema do Exercí-
cio 5.6.9, na barra 4, pelo método das impedâncias de Thévenin. Considere que a reatân-
cia de falta é nula.


Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

112


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7. FLUXO DE POTÊNCIA
7.1. Introdução
Fluxo de potência, também conhecido como fluxo de carga, é um problema matemático
cujo objetivo é determinar as tensões e potências em todos os barramentos de um sistema elétri-
co. Como vimos no Exemplo 4.5, nos casos de real interesse o problema do fluxo de potência é
não linear e deve ser resolvido por meio de métodos numéricos, como Gauss-Seidel, Newton-
Raphson e outros. Iniciamos classificando os barramentos de um SEP, que podem ser divididos
em três tipos básicos:

1) Barramento de Carga (PQ): As potências ativa e reativa (P e Q) são conhecidas,
mas o módulo (V) e o ângulo da tensão (o) são desconhecidos.
2) Barramento de Geração (PV): A potência ativa (P) e o módulo da tensão (V) são
conhecidos, mas a potência reativa (Q) e o ângulo da tensão (o) são desconhecidos.
3) Barramento de referência (Vu): O módulo (V) e o ângulo da tensão (o) são conhe-
cidos, mas as potências ativa e reativa (P e Q) são desconhecidas. Também denomi-
nado barramento “flutuante”, “oscilante” ou “swing”.

Há apenas um barramento de referência por sistema, mas pode haver vários barramentos
de carga e de geração. O fato de um barramento ter geradores não significa que seja um barra-
mento de geração, ou seja, se um barramento tiver potência ativa e módulo da tensão conhecidos,
ele será considerado PV, ou seja, de geração. Ademais, barramentos que sirvam apenas de cone-
xão entre outros barramentos, sem geradores ou cargas conectados, cujas tensões e ângulos se-
jam desconhecidos, serão considerados barramentos PQ, com P=0 e S=0.
Em um problema de Fluxo de Potência a configuração do sistema é suposta inalterável. O
objetivo é determinar módulos e ângulos de todas as tensões em todos os barramentos. Tendo as
tensões e as impedâncias do sistema, podemos a seguir determinar o fluxo de potência em cada
linha ou transformador, bem como as perdas no sistema.
Os problemas de fluxo de potência não são lineares e geralmente apresentam uma com-
plexidade que só permite a solução numérica. Em alguns casos didáticos mais simples, contudo,
a solução analítica é possível, como ilustrado no exemplo a seguir.

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

113


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Exemplo 7.1. Dado o sistema da Figura 7.1, determine
3
V

, sendo pu 0 0 , 1
1
° Z = V

e
MVA 10 =
b
S .

Figura 7.1


Solução. Inicialmente, a queda de tensão na impedância entre as barras 1 e 3 é
13 13 3 1
I Z V V
   
× = ÷ ,

( )
13 3
17 , 0 02 , 0 0 , 1 I j V
 
× + = ÷ .
(7.1)
Por outro lado, sabemos que
*
13 3 3
I V S
  
× = ,
*
13 3
3
9 , 0 arccos
cos
I V
P
 
× = Z
|
|
.
|

\
|
¢
,
*
13 3
84 , 25
9 , 0
MVA 10 / MW 5 , 4
I V
 
× = ° Z .
Isolando a corrente,
3
*
13
84 , 25 5 , 0
V
I


° Z
= .
(7.2)
Substituindo (7.2) em (7.1), vem que
( )
*
3
3
84 , 25 5 , 0
17 , 0 02 , 0 0 , 1
V
j V


° ÷ Z
× + = ÷
3 *
3
45 , 57 08559 , 0
0 , 1 V
V


+
° Z
= .
(7.3)
Fazendo
3 3 3
o Z =V V

e reordenando, teremos
3 3
3 3
45 , 57 08559 , 0
0 , 1 o
o
Z +
÷ Z
° Z
= V
V
.

Multiplicando por
3
0 , 1 o ÷ Z ,
3
3
3
45 , 57 08559 , 0
0 , 1 V
V
+
° Z
= ÷ Z o .
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114


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Separando as partes real e imaginária,
( ) ( )
( ) ( )
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
° × = ÷
+ ° × = ÷
45 , 57
08559 , 0
45 , 57 cos
08559 , 0
cos
3
3
3
3
3
sen
V
sen
V
V
o
o

ou,
( )
( )
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
= ÷
+ =
3
3
3
3
3
072141 , 0
046051 , 0
cos
V
sen
V
V
o
o
.
(7.4)

Elevando ambas as equações ao quadrado e as somando,
( ) ( )
2
3
2
3
3
3
2
3
2
072141 , 0 046051 , 0
cos
|
|
.
|

\
|
+
|
|
.
|

\
|
+ = +
V
V
V
sen o o ,

( ) ( ) | | ( )
2
2
2
3
2
3
072141 , 0 046051 , 0 + + = V V ,

( ) ( ) ( ) 00520 , 0 0921 , 0 00212 , 0
4
3
2
3
2
3
+ + + = V V V ,

( ) ( ) 0 00732 , 0 90790 , 0
2
3
4
3
= + ÷ V V .

A equação acima é uma biquadrada que pode ser resolvida diretamente pela fórmula de
Bhaskara,
( )
( )
2
00732 , 0 4 90790 , 0 90790 , 0
2
2
3
× ÷ ÷ ±
= V .

As raízes são,
¦
¹
¦
´
¦
=
=
94856 , 0
09023 , 0
' '
3
'
3
V
V


A primeira raiz implicaria em uma queda de tensão excessiva entre as barras 1 e 2. As-
sim, escolhemos a segunda raiz.
pu 94856 , 0
3
= V
ou,
kV 09 , 13
3
= V
Podemos calcular o ângulo de
3
V

a partir da segunda equação do sistema (7.4)
( )
94856 , 0
072141 , 0
3
÷ = o sen ° ÷ = 362 , 4
3
o



Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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7.2. Método de Gauss
Dentre os métodos disponíveis para a solução de problemas de fluxo de potência, o método de
Gauss é um dos mais simples e mais didáticos, embora não o mais rápido nem o mais utilizado.
Vamos supor que inicialmente apenas uma equação não linear deva ser resolvida. A pri-
meira etapa do método de Gauss consiste em se escrever a equação na forma ( ) x f x = . A seguir,
a equação deve ser escrita na forma iterativa. Sendo k-1 o índice da iteração inicial, teremos

( )
1 ÷
=
k k
x f x . (7.5)
Forma iterativa para
utilização do método de
Gauss.

Finalmente, arbitramos um valor inicial para x e calculamos os valores das iterações se-
guintes até que o erro
1 ÷
÷ =
k k
x x c

entre o valor da última iteração e o valor da iteração anterior
seja tão pequeno quando o desejado.
Em geral desejamos resolver um sistema de n equações não lineares, que dever ser escrito
como
( )
( )
( )
( )
¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
´
¦
=
=
=
=
÷ ÷ ÷ ÷
÷ ÷ ÷ ÷
÷ ÷ ÷ ÷
÷ ÷ ÷ ÷
1 1
3
1
2
1
1
1 1
3
1
2
1
1 3 3
1 1
3
1
2
1
1 2 2
1 1
3
1
2
1
1 1 1
,..., , ,
,..., , ,
,..., , ,
,..., , ,
k
n
k k k
n
k
n
k
n
k k k k
k
n
k k k k
k
n
k k k k
x x x x f x
x x x x f x
x x x x f x
x x x x f x
         

(7.6)

Nota biográfica
3
: Carl Friedrich Gauss (1777 – 1855) foi um matemá-
tico, físico e astrônomo alemão que contribuiu para um grande número
de áreas, como teoria dos números, estatística, análise matemática,
geometria diferencial, geodésia, geofísica, eletrostática, astronomia e
ótica. Conhecido como o “Príncipe dos Matemáticos”, criança prodí-
gio, muitos consideram Gauss o maior gênio da história e alguns di-
zem que seu QI teria girado em torno de 240. A lei de Gauss da
distribuição de erros e a curva normal em forma de sino são hoje conhecidas de todos que
trabalham com estatística. A lei de Gauss da eletrostática é certamente conhecida de todos os

3
DUNNINGTON, G. W. Carl Friedrich Gauss, titan of science. The Mathematical Association of America, 2003.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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estudantes de Engenharia Elétrica. Gauss também descobriu a possibilidade de se construir
geometrias não-euclidianas, embora nunca tenha publicado essa descoberta. Tais geometrias
libertaram os matemáticos da crença de que os axiomas de Euclides eram todos consistentes e
nao-contraditórios e conduziram, anos mais tarde, à teoria da relatividade geral de Albert
Einstein, dentre outras coisas. A partir de 1831 Gauss começou a trabalhar em colaboração com
o físico alemão Wilhelm Eduard Weber (1804 –1891). Juntos, inventaram o primeiro telégrafo
eletromecânico
4
, que passou a interligar o observatório astronômico e o instituto de física da
Universidade de Göttingen, na Alemanha. Gauss e Weber, motivados pela descoberta de Oersted
de 1921 (de que uma corrente elétrica produz um campo magnético), passaram a pesquisar se o
inverso não seria possível, ou seja, se um campo magnético não seria capaz de produzir uma
corrente elétrica. Contudo, eles não foram bem sucedidos, pois não perceberam que, para que
isso aconteça, o campo magnético deve ser variável no tempo. A descoberta do fenômeno da
indução eletromagnética teve de esperar pelos trabalhos do físico inglês Michael Faraday (1791
– 1867) e do físico norte-americano Joseph Henry (1797 – 1878), em 1831. Gauss tem uma
cratera lunar batizada em sua homenagem.

Exemplo 7.2. Resolva o Exercício 7.1 por meio do método de Gauss. Considere um erro de 10
-5
.

Solução. Escrevendo a equação (7.3) na forma iterativa, teremos

( )
*
3
1
3
45 , 57 08559 , 0
0 , 1
k
k
V
V


° Z
÷ =
+
.

Fazendo ° Z = 0 0 , 1
0
3
V

, o valor da primeira iteração será
° ÷ Z =
° Z
° Z
÷ = 325 , 4 95667 , 0
0 0 , 1
45 , 57 08559 , 0
0 , 1
1
3
V

.

A seguir, usamos ° ÷ Z = 325 , 4 95667 , 0
1
3
V

para calcular a segunda iteração
° ÷ Z =
÷ Z
° Z
÷ = 325 , 4 94902 , 0
325 , 4 95667 , 0
45 , 57 08559 , 0
0 , 1
2
3
V

,

e assim por diante
° ÷ Z =
° ÷ Z
° Z
÷ = 361 , 4 94863 , 0
325 , 4 94902 , 0
45 , 57 08559 , 0
0 , 1
3
3
V

.

° ÷ Z =
° ÷ Z
° Z
÷ = 361 , 4 94856 , 0
361 , 4 94863 , 0
45 , 57 08559 , 0
0 , 1
4
3
V

.


4
O telégrafo de Gauss-Weber, ao contrário do telégrafo eletromecânico de Samuel Morse, usava linguagem analó-
gica e não binária, consistindo de uma agulha que se movia à distância sob a influência de uma fonte de tensão,
localizada à distância e cuja amplitude se variava.
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° ÷ Z =
° ÷ Z
° Z
÷ = 362 , 4 94856 , 0
361 , 4 94956 , 0
45 , 57 08559 , 0
0 , 1
5
3
V

.



Podemos observar que o erro entre a quarta e a quinta iterações é inferior a 10
-5
. Assim, o
problema converge com apenas cinco iterações, mostrando que o método de Gauss funciona de
fato. Contudo, precisamos desenvolver uma formulação que seja capaz de resolver problemas de
n barras e não de apenas uma barra.
Em um sistema de n barras, vale a seguinte equação matricial
| | | | | | V Y I
  
× = .
(7.7)
Para uma barra p qualquer, podemos escrever

(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

×
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

n
p
nn np n n
pn pp p p
n p
n p
n
p
V
V
V
V
Y Y Y Y
Y Y Y Y
Y Y Y Y
Y Y Y Y
I
I
I
I










 
     




 
     




 




 






2
1
2 1
1 1
2 2 22 21
1 1 12 11
2
1
.


Efetuando a multiplicação e escrevendo a equação para a barra p, obtemos
n pn p pp p p p
V Y V Y V Y V Y I
 

 

    
+ + + + + =
2 2 1 1
.
(7.8)
Sabemos ainda que
* *
/
p p p
V S I
  
= .
(7.9)
Igualando (7.8) e (7.9)
n pn p pp p p p p
V Y V Y V Y V Y V S
 

 

     
+ + + + + =
2 2 1 1
* *
/ .

Isolando
p
V


pp
n pn p p p p
p
Y
V Y V Y V Y V S
V

 

     

+ + + ÷
=
2 2 1 1
* *
/
.

Generalizando e escrevendo na forma iterativa

( )
(
(
(
¸
(

¸

÷ × =
¿
=
=
+
n
p q
q
k
q pq
k
p
k
p
pp
k
p
V Y V S
Y
V
1
*
1
/
1
   


. (7.10)
Forma iterativa do
método de Gauss.
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Exemplo 7.3. Resolva o problema do Exemplo 7.1 usando a equação (7.10). Considere um erro
mínimo de 10
-5
.
Solução. Devemos determinar
3
V

, sendo pu 0 0 , 1
1
° Z = V

e MVA 10 =
b
S . A barra 1 é assim a
barra de referência e a barra 3 é a de carga.

A matriz admitância nodal é fácil de ser obtida:

| |
(
(
(
¸
(

¸

÷ + ÷
+ ÷ ÷
÷
=
2414 , 17 8966 , 6 2414 , 17 8966 , 6 0
2414 , 17 8966 , 6 5747 , 25 8966 , 6 3333 , 8
0 3333 , 8 3333 , 18
j j
j j j
j j
Y


(7.11)
Os valores iniciais são:

21794 , 0 45 , 0 ) 9 , 0 arccos(
9 , 0
10 / 5 , 4
0
0 0 , 1
0 0 , 1
0 0 , 1
0
3
0
2
0
3
0
2
0
1
j S
S
V
V
V
÷ ÷ = Z ÷ =
=
° Z =
° Z =
° Z =








A potência da barra 3 é considerada negativa por se tratar de uma barra de carga. A po-
tência da barra 2 é nula para todas as iterações, por se tratar de uma barra genérica.
De acordo com a equação (7.10), a tensão na barra 2 para a primeira iteração será:

( ) ( ) | |
0
3 23
0
1 21
*
0
2
0
2
22
1
2
/
1
V Y V Y V S
Y
V
     


+ ÷ × = .


( ) ( ) | | 0 , 1 2414 , 17 8966 , 6 0 , 1 3333 , 8 0
5747 , 25 8966 , 6
1
1
2
× + ÷ ÷ × ÷ ×
÷
= j j
j
V




° Z =
÷
÷
= 0 0 , 1
5747 , 25 8966 , 6
5747 , 25 8966 , 6
1
2
j
j
V




Da mesma forma, a tensão na barra 3 para a primeira iteração será:
( ) ( ) | |
0
2 32
0
1 31
*
0
3
0
3
33
1
3
/
1
V Y V Y V S
Y
V
     


+ ÷ × = .


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( ) | |
2414 , 17 8966 , 6
0 , 1 ) 2414 , 17 8966 , 6 ( 0 , 1 0 0 , 1 / 21794 , 0 45 , 0
1
3
j
j j
V
÷
× + ÷ ÷ × ÷ + ÷
=




° ÷ Z =
÷
÷
= 06 , 1 98027 , 0
2414 , 17 8966 , 6
02346 , 17 4466 , 6
1
3
j
j
V



Após a primeira iteração, teremos:
3875 , 0 8 , 0
0
06 , 1 98027 , 0
0 0 , 1
0 0 , 1
1
3
1
2
1
3
1
2
1
1
j S
S
V
V
V
÷ ÷ =
=
° ÷ Z =
° Z =
° Z =







Prosseguindo, a tensão na barra 2 para a segunda iteração será:
( ) ( ) | |
1
3 23
1
1 21
*
1
2
1
2
22
2
2
/
1
V Y V Y V S
Y
V
     


+ ÷ × = .


( ) ( ) | | ° ÷ Z × + ÷ ÷ × ÷ ×
÷
= 06 , 1 98027 , 0 2414 , 17 8966 , 6 0 , 1 3333 , 8 0
5747 , 25 8966 , 6
1
2
2
j j
j
V



| | ° Z ÷ ÷ ×
÷
= 74 , 110 20319 , 18 3333 , 8
5747 , 25 8966 , 6
1
2
2
j
j
V




° ÷ Z =
÷
÷
= 8272 , 0 98774 , 0
5747 , 25 8966 , 6
3566 , 25 44626 , 6
2
2
j
j
V



A tensão na barra 3 para a segunda iteração será:
( ) ( ) | |
1
2 32
1
1 31
*
1
3
1
3
33
2
3
/
1
V Y V Y V S
Y
V
     


+ ÷ × =
(7.12)

( ) | |
2414 , 17 8966 , 6
0 , 1 ) 2414 , 17 8966 , 6 ( 0 , 1 0 06 , 1 98027 , 0 / 21794 , 0 45 , 0
2
3
j
j j
V
÷
× + ÷ ÷ × ÷ ° Z + ÷
=




| |
2414 , 17 8966 , 6
2414 , 17 8966 , 6 230779 , 0 45487 , 0
2
3
j
j j
V
÷
÷ + + ÷
=




° ÷ Z =
÷
÷
= 06 , 1 0,97953
2414 , 17 8966 , 6
01062 , 17 44173 , 6
2
3
j
j
V



O erro por enquanto é
4
10 4 , 7 98027 , 0 97953 , 0
÷
× = ÷ = c , ainda longe do erro mínimo
de
5
10
÷
. O método de Gauss tem convergência lenta e oscilatória. Erros da ordem de
5
10
÷

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

120


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começarão a aparecer por volta da 28ª iteração e o erro mínimo de
5
10
÷
só se estabilizará a partir
da 45ª iteração, resultando em
° ÷ Z =
° ÷ Z =
362 , 4 94854 , 0
232 , 3 96970 , 0
45
3
45
2
V
V




A convergência do método de Gauss é ilustrada na Figura 7.2.

Figura 7.2 – Convergência oscilatória do método de Gauss

Pode parecer estranho que um problema que foi resolvido anteriormente com apenas cin-
co iterações seja resolvido agora com quase dez vezes isso. Contudo, devemos lembrar que a
Equação (7.3) se aplica apenas a problemas de duas ou três barras, enquanto a Equação 7.9 se
aplica a problemas de n barras (embora a convergência possa se tornar lenta para muitas barras).
Problemas de fluxo de potência geralmente são resolvidos por meio de programas de
computador especialmente desenvolvidos ou então por meio de scrips para MatLab, SciLab ou
aplicativos semelhantes. Entretanto, é pouco conhecido que problemas simples, de poucas barras,
podem ser resolvidos por meio do MicroSoft Excel
©
, sem macros ou outro tipo de programação.
Uma planilha-exemplo, que apresenta as soluções dos Exemplos 7.1, 7.2 e 7.3, além de outros,
está disponível em http://www.lunabay.com.br/alvaro/Metodo_de_Gauss.xls (165 KB).
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121


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7.3. Método de Gauss-Seidel
Como vimos na seção anterior, uma das desvantagens do método de Gauss é a convergência
lenta e oscilatória. O método de Gauss-Seidel pode melhorar um pouco essa deficiência. Note-
mos, por exemplo, na equação (7.12) do Exemplo 7.3, que usamos a tensão
1
2
V

para calcular
1
3
V

.
Contudo, nessa altura dos cálculos já dispúnhamos de
2
2
V

, que é uma melhor estimativa de
2
V


do que
1
2
V

. Podemos, assim, usar os valores das variáveis assim que estiverem disponíveis. O
sistema de equações (7.6) pode então ser escrito como
( )
( )
( )
( )
¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
´
¦
=
=
=
=
÷
÷ ÷
÷ ÷ ÷
÷ ÷ ÷ ÷
1
3 2 1
1 1
3 2 1 3 3
1 1
3
1
2 1 2 2
1 1
3
1
2
1
1 1 1
..., , , ,
,..., , ,
,..., , ,
,..., , ,
k
n
k k k
n
k
n
k
n
k k k k
k
n
k k k k
k
n
k k k k
x x x x f x
x x x x f x
x x x x f x
x x x x f x
         

(7.13)
Os métodos de Gauss e de Gauss-Seidel apresentam, além das já vistas, as seguintes propri-
edades:
1) Número de iterações para a convergência é função do número de barras.
2) Tempo computacional para a convergência é função do quadrado do número de bar-
ras.
3) Não requer inversão de matrizes.
4) Impossibilidade de se utilizar reatâncias negativas.
5) Pouca sensibilidade aos valores iniciais.
6) Dificuldade para se encontrar erros de dados e problemas no sistema, pois mesmo
casos não convergentes apresentam resultados coerentes.
Nota biográfica
5
: Philipp Ludwig von Seidel (1821 – 1896) nasceu em Zweibrücken, Alema-
nha, filho de um funcionário dos correios. Em 1840, Seidel entrou para a Universidade de Ber-
lim, onde foi aluno do matemático Johann Dirichlet e do astrônomo Johann Franz Encke, mu-
dando-se dois anos depois para a Universidade de Königsberg, onde foi aluno dos matemáticos
Friedrich Bessel, Carl Jacobi e Franz Neumann. Seus principais interesses vieram a ser ótica e
análise matemática, assuntos de sua tese de doutoramento e de sua dissertação de habilitação,
respectivamente. Seidel desenvolveu, independentemente de outros matemáticos como Karl

5
Fonte: O'CONNOR J.J.; ROBERTSON, E.F. Philipp Ludwig von Seidel. Disponível: http://www-groups.dcs.st-
and.ac.uk/~history/Biographies/Seidel.html .
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

122


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Weierstrass e George Gabriel Stokes, o conceito analítico de convergência uniforme, relacionado
a séries de funções e que teve grande importância na matemática do final do século XIX. Seidel,
assim como Gauss, tem uma cratera lunar batizada em sua homenagem, por causa de seus traba-
lhos em ótica e astronomia.
O exemplo a seguir ilustra uma solução por Gauss-Seidel, assim como apresenta as conside-
rações especiais que devem ser feitas no caso de barramentos de geração.
Exemplo 7.4. Dado o sistema da Figura 7.3, determine
1
V

e
2
V

, com um erro de 10
-5
, sendo
° Z = 0 02 , 1
3
V

pu, 01 , 1
1
= V

pu e MW 30
1
= P . Considere MVA 100 =
b
S .

Figura 7.3


Solução.

Xxx
(continua...em breve...)

7.4. Método de Newton-Raphson
Suponha que desejamos resolver o seguinte sistema de equações
( )
( )
¹
´
¦
=
=
2 2 1 2
1 2 1 1
,
,
y x x f
y x x f
, (7.11)
onde f
1
e f
2
são funções, x
1
e x
2
são variáveis e y
1
e y
2
são constantes.
Sejam
0
1
x e
0
2
x os respectivos valores iniciais de x
1
e x
2
, e
1
x A e
2
x A as correções neces-
sárias para que as condições (7.11) sejam atendidas. Assim, podemos escrever
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

123


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( )
( ) ¦
¹
¦
´
¦
= A + A +
= A + A +
2 2
0
2 1
0
1 2
1 2
0
2 1
0
1 1
,
,
y x x x x f
y x x x x f
, (7.12)
Expandindo as equações (7.12) em série de Taylor, teremos
( ) ( )
( ) ( )
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
= +
c
c
A +
c
c
A + = A + A +
= +
c
c
A +
c
c
A + = A + A +
2
2
2
2
1
2
1
0
2
0
1 2 2
0
2 1
0
1 2
1
2
1
2
1
1
1
0
2
0
1 1 2
0
2 1
0
1 1
... , ,
... , ,
y
x
f
x
x
f
x x x f x x x x f
y
x
f
x
x
f
x x x f x x x x f
, (7.13)
Desprezando as derivadas de ordem superior à primeira e escrevendo o sistema de equa-
ções em forma matricial, vem
( )
( )
(
¸
(

¸

A
A
×
(
(
(
(
¸
(

¸

c
c
c
c
c
c
c
c
=
(
¸
(

¸

÷
÷
2
1
0
2
2
0
1
2
0
2
1
0
1
1
0
2
0
1 2 2
0
2
0
1 1 1
,
,
x
x
x
f
x
f
x
f
x
f
x x f y
x x f y
, (7.14)
onde todas as derivadas devem ser calculadas a partir dos valores iniciais. Podemos escrever
(7.14) abreviadamente como
| | | | | | C J D × = , (7.15)
onde:
[D] = vetor das diferenças, também conhecido como vetor dos mismatches.
[J] = jacobiano de f
1
e f
2
.
[C] = vetor das correções.
Invertendo (7.15) obtemos o vetor [C], que contém as correções desejadas
| | | | | | D J C × =
÷1
. (7.16)
Tendo x
1
e x
2
, podemos escrever
¦
¹
¦
´
¦
A + =
A + =
2
0
2
1
2
1
0
1
1
1
x x x
x x x
. (7.17)
Da mesma forma que no caso do método de Gauss-Seidel, o método de Newton-Raphson
é iterativo, ou seja, devemos continuar calculando as iterações até que o vetor das correções se
torne menor do que um erro previamente especificado. Quando tal acontecer, dizemos que o sis-
tema convergiu.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

124


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Exemplo 7.5. Resolva o sistema abaixo pelo método de Newton-Raphson, sendo . 2
0
2
0
1
= = x x
Considere um erro mínimo de 10
-10
.

¦
¹
¦
´
¦
= +
= +
57 ) ( 6
5 ) ( 2
2
2 2 1
2
2
1
x x x
x x
. (7.18)
Observação: note que, por exemplo,
2
1
x é o valor de
1
x na segunda iteração, enquanto
2
1
) (x significa
1
x elevado ao quadrado.
Solução.
a) Primeira iteração
O vetor inicial das diferenças é
| |
( )
( )
( )
( )
(
¸
(

¸
÷
=
(
¸
(

¸

÷
÷
=
(
¸
(

¸

÷
÷
=
29
5
2 , 2 57
2 , 2 5
,
,
2
1
0
2
0
1 2 2
0
2
0
1 1 1
f
f
x x f y
x x f y
D . (7.19)
O jacobiano de f
1
e f
2
é
| |
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

+
=
(
(
(
(
¸
(

¸

c
c
c
c
c
c
c
c
=
=
=
26 2
1 8
12
1 4
2
2
0
2
0
1
0
2
0
1
0
2
2
0
1
2
0
2
1
0
1
1
0
2
0
1
x
x
x x x
x
x
f
x
f
x
f
x
f
J . (7.20)
O jacobiano pode ser invertido facilmente, resultando em
| |
(
¸
(

¸

÷
÷
=
÷
038835 , 0 00971 , 0
00485 , 0 126214 , 0
1
J . (7.21)
As correções para a primeira iteração serão
(
¸
(

¸
÷
=
(
¸
(

¸
÷
×
(
¸
(

¸

÷
÷
=
(
¸
(

¸

A
A
1,174757
0.77184
29
5
038835 , 0 00971 , 0
00485 , 0 126214 , 0
1
2
1
1
x
x
. (7.22)
Os erros são ainda muito superiores a 10
-10
. Logo, devemos calcular os novos valores de
1
1
x e
1
2
x :
¦
¹
¦
´
¦
= + = A + =
= ÷ = A + =
174757 , 3 174757 , 1 2
228155 , 1 0,77184 2
1
2
0
2
1
2
1
1
0
1
1
1
x x x
x x x
. (7.23)
b) Segunda iteração
O vetor inicial das diferenças é
| |
( )
( )
(
¸
(

¸

÷
÷
=
(
¸
(

¸

÷
÷
=
3736 , 7
19149 , 1
174757 , 3 ; 228155 , 1 57
174757 , 3 ; 228155 , 1 5
2
1
f
f
D . (7.24)
O jacobiano de f
1
e f
2
é
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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| |
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

× +
×
=
30,10194 2,3980583
1 5,3009708
2,3980583 12 1,3252427 2,3980583
1 1,3252427 4
J . (7.25)
Invertendo o jacobiano
| |
(
¸
(

¸

÷
÷
=
÷
025854 , 0 01671 , 0
00516 , 0 206958 , 0
1
J . (7.26)
As correções para a primeira iteração serão
(
¸
(

¸

÷
÷
=
(
¸
(

¸

÷
÷
×
(
¸
(

¸

÷
÷
=
(
¸
(

¸

A
A
0,17073
0,20778
3736 , 7
19149 , 1
025854 , 0 01671 , 0
00516 , 0 206958 , 0
2
2
2
1
x
x
. (7.27)
Os erros já diminuíram um pouco, mas ainda são muito maiores do que 10
-10
. Os valores
de
2
1
x e
2
2
x para a segunda iteração serão
¦
¹
¦
´
¦
= ÷ = A + =
= ÷ = A + =
004029 , 3 0,17073 174757 , 3
020372 , 1 0,20778 228155 , 1
2
2
1
2
2
2
2
1
1
1
2
1
x x x
x x x
. (7.28)
Prosseguindo com os cálculos de maneira semelhante, perceberemos que na quinta itera-
ção os erros já serão da ordem de 10
-8
. O sistema convergirá na sexta iteração, com erro zero,
resultando nos seguintes valores:
¦
¹
¦
´
¦
=
=
0 , 3
0 , 1
6
2
6
1
x
x
. (7.29)
Desejamos agora aplicar o método de Newton-Raphson em problemas de fluxo de pote-
potência. Considerando um sistema de n barras, onde k e m são duas barras genéricas, podemos
escrever
k k k
V V o Z =

= tensão na barra k, (7.30)
m m m
V V o Z =

= tensão na barra m,

(7.31)
km km km km km
jB G Y Y + = Z = u

= elemento da matriz admitância| | Y

.

(7.32)
A potência injetada na barra k pode ser escrita como
*
1
* *
km
n
m
m k m k k k k
Y E V I V jQ P S
     
¿
=
= = + = , (7.33)
ou, escrevendo
k
V

,
m
V

e
km
Y

na forma polar
) (
*
1
*
km m k km
n
m
m k k
Y V V S u o o ÷ ÷ Z =
¿
=
   
. (7.34)
Separando as partes real e imaginária, vem
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
÷ ÷ =
÷ ÷ =
¿
¿
=
=
). (
), cos(
*
1
*
*
1
*
km m k km
n
m
m k k
km m k km
n
m
m k k
sen Y V V Q
Y V V P
u o o
u o o
  
  
(7.35)
As equações (7.35) também podem ser escritas como
| |
| |
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
÷ =
+ =
¿
¿
=
=
, cos
, cos
1
1
km km km km
n
m
m k k
km km km km
n
m
m k k
B sen G V V Q
sen B G V V P
u u
u u
(7.36)
onde
m k km
u u u ÷ = (logo, sempre teremos 0 =
kk
u ).
As derivadas de interesse para a construção do jacobiano são
m
k
m
k
m
k
m
k
V
Q Q
V
P P
c
c
c
c
c
c
c
c
, , ,
u u
,
(7.37)
e o jacobiano terá o seguinte aspecto
| |
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
=
÷
÷
÷
÷ ÷ ÷
÷
÷ ÷ ÷
÷
÷

     





  
        
  
  
        
  
        
  
  
V
Q
V
Q
V
Q Q Q Q
V
Q
V
Q
V
Q Q Q Q
V
Q
V
Q
V
Q Q Q Q
V
P
V
P
V
P P P P
V
P
V
P
V
P P P P
V
P
V
P
V
P P P P
J
n
n
n
n n n
n
n n n
n
n
2 1 1 2 1
2
2
2
1
2
1
2
2
2
1
2
1
2
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
2
1
1
1
2
2
2
1
2
1
2
2
2
1
2
1
2
1
1
1
1
1
2
1
1
1
u u u
u u u
u u u
u u u
u u u
u u u
(7.38)

A numeração dos barramentos é a seguinte:

1) Barramentos de Carga (PQ): 1 a  .
2) Barramentos de Geração (PV): l+ a 1 ÷ n .
3) Barramento de referência (Vu): n .
O jacobiano pode também ser escrito em termos de submatrizes:
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

127


Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
| |
(
(
(
¸
(

¸

÷ =
L M
N H
J

 

. , (7.39)
onde
( ) ( )
u c
c
=
÷ × ÷
P
H
n n 1 1
, (7.40)

( )
V
P
N
n
c
c
=
× ÷  1
, (7.41)
( )
u c
c
=
÷ ×
Q
M
n 1 
, (7.42)

V
Q
L
c
c
=
× 
. (7.43)
As submatrizes também podem ser escritas como
( )
km km km km m k
m
k
km
B sen G V V
P
H u u
u
cos ÷ =
c
c
= ,
(7.44)
( )
¿
e
÷ ÷ ÷ =
c
c
=
k m
km km km km m k kk k
k
k
kk
B sen G V V B V
P
H u u
u
cos
2
,

(7.45)
( )
km km km km k
m
k
km
sen B G V
V
P
N u u + =
c
c
= cos ,

(7.46)
( )
¿
e
+ + =
c
c
=
k m
km km km km m kk k
k
k
kk
sen B G V G V
V
P
N u u cos ,

(7.47)
( )
km km km km m k
m
k
km
sen B G V V
Q
M u u
u
+ ÷ =
c
c
= cos ,

(7.48)
( )
¿
e
+ + ÷ =
c
c
=
k m
km km km km m k kk k
k
k
kk
sen B G V V G V
Q
M u u
u
cos
2
,

(7.49)
( )
km km km km k
m
k
km
B sen G V
V
Q
L u u cos ÷ =
c
c
= ,

(7.50)
( )
¿
e
÷ + ÷ =
c
c
=
k m
km km km km m kk k
k
k
kk
B sen G V B V
V
Q
L u u cos .

(7.51)
Algumas características do jacobino são as seguintes:

1) Sendo n o número total de barras do sistema e  o número de barras de carga, o jaco-
biano terá  + ÷1 n linhas e ) 1 ( 2 ÷ n colunas.
2) Os elementos fora da diagonal principal, correspondentes a barras não conectadas di-
retamente entre si, são nulos. Isso torna o jacobiano altamente esparso.
3) As submatrizes H, M, N e L são esparsas e simétricas.
O algoritmo para solucionar um problema de fluxo de potência por Newton-Raphson é o
seguinte:
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128


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1) Montar a matriz-admitância nodal [ Y

].
2) Arbitrar valores iniciais para as variáveis de estado de cada barra k:
0
k
u ,
0
k
V .
3) Calcular
k
P A e
k
Q A e verificar a convergência inicial:
) ( ) ( calculado
k
dado
k k
P P P ÷ = A , (7.52)
) ( ) ( calculado
k
dado
k k
Q Q Q ÷ = A .

(7.53)
onde os sobreíndices (e) e (c) significam “especificado” e “calculado”, respecti-
vamente.
4) Montar a matriz jacobiana [ J ].
5) Inverter [ J ].
6) Solucionar o sistema
| |
) (
1
) 1 ( i i
Q
P
J
V (
(
(
¸
(

¸

A
A
× =
(
(
(
¸
(

¸

A
A
÷
+
 
u
, (7.54)
onde (i) é o número da iteração.
7) Atualizar as variáveis de estado
) 1 ( ) ( ) 1 ( + +
(
(
(
¸
(

¸

A
A
+
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

i i i
V V V
  
u u u
. (7.55)
8) Calcular
k
P A e
k
Q A e verificar a convergência.
9) Se o sistema não tiver convergido, voltar ao passo (d).
Nota biográfica: Joseph Raphson (1648 – 1715) foi um matemático inglês que frequentou o
Jesus College, em Cambridge, e se formou em matemática em 1692. Pouco antes, em 1689, Ra-
phson já havia sido eleito Fellow of the Royal Society, por indicação de Edmund Halley. As da-
tas são incertas, inclusive as de nascimento e morte, pois quase nada se sabe da vida de Raphson.
De qualquer forma, ele ficou conhecido pelo método de Newton-Raphson e por ter traduzido
para o inglês a Arithmetica Universalis de Isaac Newton. Além disso, Raphson foi um grande
defensor da hipótese de que Newton teria sido o único inventor do Cálculo, em oposição aos
defensores do alemão Gottfried Leibniz. Apesar de tal proximidade de interesses, Raphson e
Newton não eram amigos ou colaboradores, coisa que, na verdade, teria sido difícil a Newton. O
método de Raphson para determinação de raízes de equações não lineares foi apresentado por ele
em seu Analysis Aequationum Universalis, de 1690. Newton desenvolveu um método similar em
seu Método das Fluxões, escrito em 1671, mas publicado somente em 1736. A versão de Raph-
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

129


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son, além de ser superior à de Newton, é aquela que aparece nos livros atuais e, se não fosse a
importância de Newton para a matemática e física, seria conhecido apenas como Método de
Raphson.
Exemplo 7.6. Monte o jacobiano para o sistema abaixo.

Figura 7.4


Solução.
O sistema tem n=3 barras. Logo, o jacobiano terá dimensão 2×2. Há apenas uma barra PQ (car-
ga). Logo, 1 =  . Assim, é conveniente renumerarmos os barramentos como em azul na figura,
de modo a podermos escrever:
a) Barramentos de Carga (PQ): 1 =  .
b) Barramentos de Geração (PV): 2 1= +  .
c) Barramento de referência (Vu): 3 = n .
As submatrizes serão
( ) ( ) 2 2 1 1 × ÷ × ÷
= H H
n n
,
( ) 1 2 1 × × ÷
= N N
n 
,

( ) 2 1 1 × ÷ ×
= M M
n 
,
1 1× ×
= L L
 
.

O jacobiano será
| |
(
(
(
(
(
¸
(

¸

· ÷ =
(
(
(
¸
(

¸

÷ =
22 22 21
22
12
22 21
12 11
.
L M M
N
N
H H
H H
L M
N H
J

    



 

,
ou, em termos de derivadas
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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| |
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

c
c
c
c
c
c
·
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
=
2
2
2
2
1
2
2
2
2
2
1
2
2
1
2
1
1
1
V
Q Q Q
V
P P P
V
P P P
J

    



u u
u u
u u
.

Exemplo 7.7. Resolva o sistema da Figura 7.5, que consiste de uma linha de transmissão repre-
sentada por um modelo t, pelo método de Newton-Raphson. Considere pu P 001 , 0 = A = c e
0
0
2
= u e demais dados da Tabela 7.1.
Tabela 7.1 – Dados para o exemplo 7.7
Barra Tipo P (pu) Q (pu) V (pu) u (°)
1 Vu ? ? 1,0 0,0
2 PV –0,4 ? 1,0 ?


Figura 7.5 – Sistema para o Exemplo 7.7. Valores em pu.

A barra 1 é de referência e, logo, conhecemos o módulo e o ângulo da tensão nela. A bar-
ra 2 é de geração e conhecemos o módulo da tensão nela, restando calcular o ângulo
2
u , que é a
única variável do problema.
Inicialmente devemos calcular a matriz admitância:
25 , 1
8 , 0
1 1
12
21 12
j
j z
Y Y ÷ = ÷ = ÷ = =

 
.

27 , 1 25 , 1 02 , 0
1
12
11 22
j j j
z
B Y Y = + = + = =

  
.

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| | | | | | B j G
j j
j j
Y + =
(
¸
(

¸

÷
÷
=
27 , 1 25 , 1
25 , 1 27 , 1

.
(7.56)
| |
(
¸
(

¸

=
0 , 0 0 , 0
0 , 0 0 , 0
G .
(7.57)
| |
(
¸
(

¸

÷
÷
=
27 , 1 25 , 1
25 , 1 27 , 1
B .
(7.58)
Sabendo que a barra 1 é de referência (Vu), o jacobiano terá apenas um elemento, corres-
pondente à barra 2, de geração (PV), ou seja
| | | |
(
¸
(

¸

c
c
= =
2
2
22
u
P
H J .
De acordo com (7.45), teremos
( )
¿
=
÷ ÷ ÷ =
2
1
2 2 2 2 2 22
2
2 22
cos
m
m m m m m
B sen G V V B V H u u ,


ou
( ) ( ) | |
22 22 22 22 2 21 21 21 21 1 2 22
2
2 22
cos cos u u u u B sen G V B sen G V V B V H ÷ + ÷ × ÷ ÷ = .

(7.59)
ou, ainda, sabendo que ° = 0
22
u e 0 , 1
2 1
= =V V
. cos 25 , 1
21 22
u × ÷ = H

(7.60)
A potência na barra 2 pode ser escrita como
( )
¿
=
+ =
n
m
m m m m m
sen B G V V P
1
2 2 2 2 2 2
cos u u ,


ou
( ) ( ) | |
22 22 22 22 2 21 21 21 21 1 2 2
cos cos u u u u sen B G V sen B G V V P + + + × = .

(7.61)
ou, ainda
21 2
25 , 1 u sen P × ÷ =

(7.62)
Um teste inicial de convergência pode ser feito para 0 0 0
1 2 21
= ÷ = ÷ = u u u e 0 , 1
2
= V .
De (7.52), temos
4 , 0 0 4 , 0
.) (
2
) (
2 2
÷ = ÷ ÷ = ÷ = A
calc dado
P P P . (7.63)
Logo, o sistema não converge, pois deveríamos ter pu P 001 , 0
2
s A . Devemos calcular a
primeira iteração, para a qual teremos
. 25 , 1 ) 0 cos( 25 , 1 cos 25 , 1
21 22
÷ = × ÷ = × ÷ = u
I
H

(7.64)
O novo valor de
I
2
u A será
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| |
rad. 32 , 0
25 , 1
4 , 0
22
2
2
=
÷
÷
=
A
= A
H
P
I
u

(7.65)
O novo valor de
2
u , por sua vez, será
rad. 32 , 0 32 , 0 0
2
0
2 2
= + = A + =
I I
u u u

(7.66)
Agora devemos calcular o novo valor da potência (observe que os ângulos estão em radi-
anos)
rad. 39321 , 0 ) 32 , 0 ( 25 , 1 25 , 1
21 2
÷ = × ÷ = × ÷ = sen sen P
I
u

(7.67)
ou,

O erro será
00679 , 0 ) 39321 , 0 ( 4 , 0
2
) (
2 2
÷ = ÷ ÷ ÷ = ÷ = A
I e I
P P P . (7.68)

Logo, o sistema ainda não convergiu, sendo necessária uma segunda iteração.
. 18654 , 1 ) 32 , 0 cos( 25 , 1 cos 25 , 1
21 22
÷ = × ÷ = × ÷ = u
II
H

(7.69)
O novo valor de
II
2
u A será
| |
rad. 00572 , 0
18654 , 1
00679 , 0
22
2
2
=
÷
÷
=
A
= A
H
P
I
II
u

(7.70)
O novo valor de
2
u , por sua vez, será
+ = A + = 00572 , 0 32 , 0
2 2 2
II I II
u u u rad 32572 , 0
2
=
II
u

(7.71)
O novo valor da potência será
. 39999 , 0 ) 32572 , 0 ( 25 , 1 25 , 1
21 2
pu sen sen P
II
÷ = × ÷ = × ÷ = u

(7.72)
ou,

O erro será
00001 , 0 ) 39999 , 0 ( 4 , 0
2
) (
2 2
= ÷ ÷ ÷ = ÷ = A
II dado II
P P P . (7.73)

Agora o sistema convergiu dentro da margem de erro especificada. Resta somente calcu-
lar P
1
, Q
1
e Q
2
.
A potência na barra 1 pode ser escrita como
( )
¿
=
+ =
n
m
m m m m m
sen B G V V P
1
1 1 1 1 1 1
cos u u ,


ou
( ) ( ) | |
12 12 12 12 2 11 11 11 11 1 1 1
cos cos u u u u sen B G V sen B G V V P + + + × = .

(7.74)

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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ou, ainda, sabendo que 0 , 1
2 1
= =V V , 0
11
= u e rad 32572 , 0
2 1 12
÷ = ÷ = u u u

÷ × ÷ = ) 32572 , 0 ( 25 , 1
1
sen P pu 39999 , 0
1
= P

(7.75)

Notamos que, como não há cargas nem perdas ôhmicas na linha, as potências nas barras 1
e 2 são iguais em módulo. Da mesma forma, de (7.36), temos
| |, cos
1 1 1 1
2
1
1 1 m m m m
m
m
B sen G V V Q u u ÷ =
¿
=

(7.76)

ou,
( ) ( ) | |, cos cos
12 12 12 12 2 11 11 11 11 1 1 1
u u u u B sen G V B sen G V V Q ÷ ÷ ÷ =

(7.77)
÷ ÷ ÷ = ) 32572 , 0 cos( 25 , 1 ) 0 cos( 27 , 1
1
Q pu 45428 , 2
1
÷ = Q

(7.78)

Finalmente
| |, cos
2 2 2 2
2
1
2 2 m m m m
m
m
B sen G V V Q u u ÷ =
¿
=

(7.79)
( ) ( ) | |, cos cos
22 22 22 22 2 12 12 12 12 1 2 2
u u u u B sen G V B sen G V V Q ÷ ÷ ÷ =


× + × = ) 0 cos( 27 , 1 ) 32572 , 0 cos( 25 , 1
2
Q pu 45428 , 2
2
= Q

(7.80)

As características positivas do método de Newton-Raphson aplicado a Sistemas de Po-
tência são:
1) Converge quase sempre e é mais rápido do que o método de Gauss-Seidel.
2) O número de iterações necessárias para a convergência é praticamente independente
do número de barras.
3) O tempo computacional para a convergência é diretamente proporcional ao número
de barras (e não ao quadrado do número de barras).

As características negativas do método de Newton-Raphson são:
1) Necessidade de armazenar a matriz admitância.
2) Necessidade de inverter o jacobiano a cada iteração.

Exemplo 7.8. Calcule V
2
e V
3
para três iterações pelo método de Newton-Raphson para o siste-
ma a seguir.
Tabela 7.2 – Dados para o exemplo 7.8
Barra Tipo V (pu) u (rad) P (pu) Q (pu)
1 Vu (ref.) 1,0 0 ? 0
2 PQ (carga) ? 0 1,2 0
3 PQ (carga) ? 0 -1,5 0
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Figura 7.6 – Sistema para o Exemplo 7.8. Valores em pu.


Os elementos da matriz admitância, em pu, são calculados abaixo

30 ) 2 , 0 ( ) 1 , 0 ( 5 10
1 1
22 11
= + + + = =
÷ ÷
Y Y
 
.

30 ) 1 , 0 ( ) 1 , 0 ( 5 5
1 1
33
= + + + =
÷ ÷
Y

.



5 ) 2 , 0 (
1
21 12
÷ = ÷ = =
÷
Y Y
 
.



10 ) 1 , 0 (
1
32 23 31 13
÷ = ÷ = = = =
÷
Y Y Y Y
   
.


A matriz admitância pode ser escrita como
| |
(
(
(
¸
(

¸

÷ ÷
÷ ÷
÷ ÷
=
(
(
(
¸
(

¸

=
30 10 10
10 30 5
10 5 30
33 32 31
23 22 21
13 12 11
G G G
G G G
G G G
Y

. (7.81)
Por causa dos valores reais das impedâncias, bem como da ausência de reativos, apenas
P
2
, P
3
e as derivadas em relação a V
2
e V
3
interessam. Considerando ainda que o sistema tem três
barras ( 3 = n )

e que duas barras são de carga ( 2 =  ), o jacobiano terá a seguinte forma:
| |
(
(
(
(
¸
(

¸

c
c
c
c
c
c
c
c
=
(
¸
(

¸

÷ =
3
3
2
3
3
2
2
2
33 32
23 22
V
P
V
P
V
P
V
P
N N
N N
J . (7.82)
De acordo com (7.46), e sabendo que os ângulos são todos nulos, podemos escrever
km k
m
k
km
G V
V
P
N =
c
c
= .


Assim, teremos
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2 23 2 23
10V G V N ÷ = = ,


3 32 3 32
10V G V N ÷ = = .


Da mesma forma, de acordo com (7.47), teremos
¿
=
+ ÷ =
3
1 m
km m kk k kk
G V G V N .


Assim,
3 1 23 3 21 1 23 3 22 2 21 1 22 2 22
10 5 V V G V G V G V G V G V G V N ÷ ÷ = + = + + + ÷ = .


2 1 32 2 31 1 33 3 32 2 31 1 33 3 33
10 10 V V G V G V G V G V G V G V N ÷ ÷ = + = + + + ÷ = .


O jacobiano será, portanto
| |
(
¸
(

¸

+
+
=
2 1 3
2 3 1
10 10 10
10 10 5
V V V
V V V
J . (7.83)
Teste inicial de convergência. Devemos calcular inicialmente
0
2
P e
0
3
P . De acordo com
(7.36), e considerando que 0 =
km
B e 0 =
km
u , teremos
km
n
m
m k k
G V V P
¿
=
=
1
.
Além disso, inicialmente teremos
0 , 1
0
1
= V (fixo),
0 , 1
0
2
= V (constante),
0 , 1
0
3
= V (constante).

Assim,
( ) ( )
0
3
0
2
0
1
0
2 23
0
3 22
0
2 21
0
1
0
2
0
2
10 30 5 V V V V G V G V G V V P ÷ + ÷ = + + = ,
( ) 15 0 , 1 10 0 , 1 30 0 , 1 5 0 , 1
0
2
= × ÷ × + × ÷ × = P ,


e
( ) ( )
0
3
0
2
0
1
0
3 33
0
3 32
0
2 31
0
1
0
3
0
3
30 10 10 V V V V G V G V G V V P + ÷ ÷ = + + = ,
( ) 10 0 , 1 30 0 , 1 10 0 , 1 10 0 , 1
0
3
= × + × ÷ × ÷ × = P .


Para testar a convergência, recorremos a (7.52)
8 , 13 15 2 , 1
0
2
÷ = ÷ = AP ,
5 , 11 10 5 , 1
0
3
÷ = ÷ ÷ = AP .


Observando que o sistema não convergiu, devemos passar à primeira iteração, calculan-
do o jacobiano e seu inverso
| |
(
¸
(

¸

=
20 10
10 15
J , (7.84)
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| |
(
¸
(

¸

÷
÷
=
÷
075 , 0 05 , 0
05 , 0 1 , 0
1
J .

(7.85)
Os novos valores das tensões serão
| |
(
(
¸
(

¸

A
A
× +
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

÷
0
3
0
2 1
0
3
2
3
2
P
P
J
V
V
V
V
I
.


(
¸
(

¸

÷
÷
×
(
¸
(

¸

÷
÷
+
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

5 , 11
8 , 13
075 , 0 05 , 0
05 , 0 1 , 0
0 , 1
0 , 1
3
2
I
V
V


(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

÷
÷
+
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

8275 , 0
195 , 0
1725 , 0
805 , 0
0 , 1
0 , 1
3
2
I
V
V


Calculando as novas potências,
( ) ( ) 4479 , 1 8275 , 0 10 195 , 0 30 5 195 , 0 10 30 5
3 2 2 2
÷ = × ÷ × + ÷ × = ÷ + ÷ =
I I I I
V V V P ,
e
( ) ( ) 6541 , 10 8275 , 0 30 195 , 0 10 10 8275 , 0 30 10 10
3 2 3 3
= × + × ÷ ÷ × = + ÷ ÷ =
I I I I
V V V P .
Testando a convergência
6479 , 2 ) 4479 , 1 ( 2 , 1
2
= ÷ ÷ = A
I
P ,
1541 , 12 6541 , 10 5 , 1
3
÷ = ÷ ÷ = A
I
P .


A convergência ainda parece longe. Logo, devemos usar (7.83) para calcular o novo ja-
cobiano da segunda itereção
| |
(
¸
(

¸

+
+
=
2 1 3
2 3 1
10 10 10
10 10 5
V V V
V V V
J ,
| |
(
¸
(

¸

× + ×
× × +
=
195 , 0 10 10 8275 , 0 10
195 , 0 10 8275 , 0 10 5
J

| |
(
¸
(

¸

=
95 , 11 275 , 8
95 , 1 275 , 13
J


Invertendo o jacobiano
| |
(
¸
(

¸

÷
÷
=
0,0931579 0,0580702
0,0136842 0,0838596
J .


Os valores das tensões para a segunda iteração serão
| |
(
(
¸
(

¸

A
A
× +
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

÷
I
I
I II
P
P
J
V
V
V
V
3
2 1
3
2
3
2
.


(
¸
(

¸

÷
×
(
¸
(

¸

÷
÷
+
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

1541 , 12
6479 , 2
0,0931579 0,0580702
0,0136842 0,0838596
8275 , 0
195 , 0
3
2
II
V
V


Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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(
¸
(

¸

÷
=
(
¸
(

¸

÷
+
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

4585 , 0
5834 , 0
286 , 1
3884 , 0
8275 , 0
195 , 0
3
2
II
V
V


Calculando novamente as potências
( ) ( ) 96864 , 9 4585 , 0 10 5834 , 0 30 5 5834 , 0 10 30 5
3 2 2 2
= × + × + ÷ × = ÷ + ÷ =
II II II II
V V V P ,
e
( ) ( ) 5666 , 13 4585 , 0 30 5834 , 0 10 10 4585 , 0 30 10 10
3 2 3 3
= × ÷ × ÷ ÷ × ÷ = + ÷ ÷ =
II II II II
V V V P .
Testando novamente a convergência

7686 , 8 9686 , 9 2 , 1
2
÷ = ÷ = A
I
P ,

0666 , 15 5666 , 13 5 , 1
3
÷ = ÷ ÷ = A
I
P .


Ainda não convergiu. Logo, devemos repetir o procedimento.
7.5. Método Desacoplado Rápido
Lembrando do método de Newton-Raphson, as derivadas que interessam são do tipo:

V
Q Q
V
P P
c
c
c
c
c
c
c
c
, , ,
u u
.
Em vários casos observamos que as variáveis PQ e QV são desacopladas, ou seja, inde-
pendentes, e podemos escrever
V
P P
c
c
>>
c
c
u
, (7.86)
u c
c
>>
c
c Q
V
Q
. (7.87)

As matrizes V P M c c = / e u c c = / Q N podem então ser desprezadas e o sistema para a
iteração i pode ser escrito como
) ( ) ( ) (
.....
0
.
0
.....
i i i
V L
H
Q
P
(
(
(
¸
(

¸

A
A
×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

A
A u

 

, (7.88)
ou,

| | | | | |
| | | | | | ¦
¹
¦
´
¦
A × = A
A × = A
) ( ) ( ) (
) ( ) ( ) (
i i i
i i i
V L Q
H P u
. (7.89)

A separação de (7.88) em duas equações reflete o desacoplamento desejado. Em uma bar-
ra k qualquer, teremos
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

138


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.) ( ) ( calc
k
dado
k k
P P P ÷ = A , para k de 1 a n-1, (7.90)
.) ( ) ( calc
k
dado
k k
Q Q Q ÷ = A , para k de 1 a  .

(7.91)
Para acelerar a convergência, podemos fazer
k
calc
k
dado
k
k
k
V
P P
V
P
.) ( ) (
÷
=
A
, para k de 1 a n-1, (7.92)
k
calc
k
dado
k
k
k
V
Q Q
V
Q
.) ( ) (
÷
=
A
, para k de 1 a  .

(7.93)
O sistema (7.89) pode ser agora escrito como
| | | |
| | | |
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
A × =
(
¸
(

¸
A
A × =
(
¸
(

¸
A
) ( ) (
) (
) ( ) (
) (
'
'
i i
i
i i
i
V L
V
Q
H
V
P
u
, (7.94)
onde
( )
km km km km m
k
km
km
B sen G V
V
H
H u u cos ' ÷ = = ,
(7.95)
( )
¿
e
÷ ÷ ÷ = =
k m
km km km km m kk k
k
kk
kk
B sen G V B V
V
H
H u u cos ' ,

(7.96)
km km km km
k
km
km
B sen G
V
L
L u u cos ' ÷ = = ,

(7.97)
( )
¿
e
÷ + ÷ = =
k m
km km km km m
k
kk
k
kk
kk
B sen G V
V
B
V
L
L u u cos
1
' .

(7.98)

As desigualdade (7.86) e (7.87) são particularmente em sistemas de EAT (Extra-alta Ten-
são, entre 230 kV e 750 kV) e UAT (Ultra Alta Tensão, acima de 750 kV). Em tais sistemas as
seguintes hipóteses simpleificadoras podem ser formuladas para o cálculo ' H e ' L :
a) Se o sistema é pouco carregado, então
km
u é pequeno. Logo 1 cos ~
km
u .
b) A relação
km km
G B / é elevada, entre 5 e 20. Logo,
km km km
sen G B u >> .
c) As reatâncias shunt são elevadas, muito maiores do que as reatâncias série. Logo,
k k kk
Q V B >>
2
.
d) As tensões
k
V e
m
V são sempre próximas a 1,0 pu.
Assim, podemos escrever
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¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
÷ =
÷ =
÷ =
÷ =
. '
, '
, '
, '
kk kk
km km
kk kk
km km
B L
B L
B H
B H
(7.99)
Notamos que, com as aproximações feitas, os elementos dos jacobianos não dependem
mais de tensões e ângulos variáveis a cada iteração, dependendo agora somente de parâmetros da
matriz admitância, que são constantes. Em geral se faz agora as seguintes definições:
' ' B H = , (7.100)
' ' ' B L = .

(7.101)
As matrizes ' B e ' ' B são o negativo da parte imaginária (susceptância) da matriz admi-
tância. Em ' B aparecem as linhas e colunas referentes às barras PQ e PV, enquanto em ' ' B apa-
recem apenas as linhas e colunas referentes às barras PQ. Podemos fazer ainda as seguintes a-
proximações adicionais:
a) Na matriz ' B são desprezados os elementos que afetam Q, isto é, capacitâncias shunt
e transformadores com comutação sob carga. As resistências também são ignoradas
em ' B .
b) Na matriz ' ' B são desprezados os elementos que afetam P, tais como transformadores
defasadores.
Sendo assim, sabendo que a reatância entre as barras k e m é x
km
, e que O é o número de
barras diretamente ligadas à barra k, podemos escrever os elementos de ' B e ' ' B da seguinte
forma bastante simplificada:
¦
¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
¦
´
¦
÷ =
÷ =
=
÷ =
¿
O
=
=
. ' '
, ' '
,
1
'
,
1
'
1
kk kk
km km
k m
m km
kk
km
km
B B
B B
x
B
x
B
(7.102)

O exemplo a seguir esclarece a utilização do método desacoplado rápido.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Exemplo 7.9. Formule as equações para o método desacoplado rápido para o sistema a seguir e
obtenha o ângulo
2
u e a tensão
3
V

para as duas primeiras iterações.
Tabela 7.3 – Dados para o Exemplo 7.9
Barra Tipo V (pu) u (rad) P (pu) Q (pu)
1 Vu (ref.) 1,0 0,0 – –
2 PV (geração) 1,0 ? 0,4 0,0
3 PQ (carga) ? ? –1,0 –0,4

Tabela 7.4 – Dados das linhas (em pu) do Exemplo 7.9
Linha r x B
shunt
(total)
12 0,01 0,1 1,0
13 0,01 0,1 1,0
23 0,01 0,1 1,0


Figura 7.7 – Sistema para o Exemplo 7.9. Valores em pu.



(continua em breve...por enquanto só rabiscado em:
http://lunabay.com.br/alvaro/desacoplado_rapido_prof-alvaro-augusto.pdf )
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7.6. Exercícios
xxx

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8. ESTABILIDADE ESTÁTICA E TRANSITÓRIA
8.1 Estabilidade em regime permanente
Os rotores de máquinas síncronas de p polos, funcionando a uma frequência f
1
, giram a
uma velocidade síncrona dada, em rpm, por
p
f
N
s
1
120
= . (8.1)
Em regime permanente a velocidade síncrona é constante e é esse caso que analisare-
mos incialmente, por ser mais simples. Nesse caso, a potência fornecida pelo gerador (ou absor-
vida pelo motor) será também constante. Entretanto, podemos entender por regime permanente
também aquele no qual a potência é alterada muito lentamente, de modo que alterações no ângu-
lo de carga o, e também na frequência f
1
, sejam desprezíveis. Quando tais alterações não forem
desprezíveis estaremos falando em regime transitório, que deixaremos para o item 8.2.
A relação (8.1) implica em detalhes construtivos da máquina. Por exemplo, máquinas de
alta velocidade, como é o caso de turbogeradores, deverão ter um número de polos reduzido
(geralmente dois ou quatro). Nesse caso é razoavelmente fácil montar as bobinas do enrolamento
de campo, localizado no rotor, em ranhuras sobre uma estrutura cilíndrica. A máquina é então
denominada de polos cilíndricos ou de polos lisos
6
. Por outro lado, máquinas de baixa veloci-
dade, como é o caso de hidrogeradores, deverão ter um número elevado de polos (mais do que
dez, podendo chegar a mais de oitenta). Nesse caso é mais conveniente enrolar as bobinas de
campo sobre sapatas polares, montadas sobre uma estrutura cilíndrica. A presença das sapatas
resulta em saliências e a máquina é então denominada de polos salientes. O fato de a máquina
ser de polos lisos ou salientes afetará o comportamento da mesma, razão pela qual divideremos o
estudo a seguir em duas partes. A Tabela 8.1 resume as características das máquinas de polos
lisos e de polos salientes.
TABELA 8.1 – Diferenças entre máquinas de polos lisos e de polos salientes
Tipo N° de polos (p) Velocidade Tipo de gerador
Polos lisos Baixo (2 ou 4) Elevada Turbogerador
Polos salientes Elevado (mais de 10) Baixa Hidrogerador


6
Alguns autores, como JORDÃO (1980), preferem o termo polos não salientes, por entenderem que a presença das
ranhuras que alojam as bobinas de campo descaracteriza um rotor liso ou perfeitamente cilíndrico.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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8.2 Máquina de polos lisos em regime permanente
Considere uma máquina síncrona de polos lisos caracterizada por uma reatância síncrona
de eixo direto x
d
e por uma resistência de armadura r
1
, ambas medidas em ohms por fase. Supo-
nha também que, no referencial do estator, o fluxo magnético mútuo entre rotor e estator possa
ser escrito como
) ( ) (
2 2
| e ì + u = t sen N t
e f
,
(8.2)
onde
f
N é o número de espiras equivalente por fase do estator,
2
u é o fluxo por polo do rotor,
1
2 f
e
t e = é a frequência angular elétrica em radianos elétricos (rad-e) por segundo e | é um an-
gulo de fase. De acordo com a Lei de Faraday, a força eletromotriz induzida em uma fase do
estator será
) cos(
) (
) (
2
2
| e e
ì
+ u ÷ = ÷ = t N
dt
t d
t e
e f e f
. (8.3)
Podemos identificar ) (t e
f
com o seguinte fasor , cuja amplitude foi convertida para volts
eficazes e na qual foi incluído ainda um fator de enrolamento k
w
, resultante das características
construtivas dos enrolamentos trifásicos
|
e
Z u =
2
2
w f e
f
k N
E

. (8.4)
Fazendo ainda m k N
w f e
= 2 / e (uma constante) e considerando que a f.e.m. em (8.3) es-
tá 90° atrasada em relação ao fluxo mútuo em (8.2), podemos escrever
2
u ÷ =


jm E
f
, (8.5)
onde
2
u

é um fluxo pseudo-fasorial, pois o fluxo em (8.2) só varia no tempo quando no refe-
rencial do estator, mas não quando no referencial do rotor. Logo, trata-se de uma função diferen-
te de ) (t e
f
, por exemplo, que varia no tempo quando vista de qualquer referencial.
A linha definida por
2
u

é denominada eixo direto (d) e jaz sobre o eixo de simetria de
um polo norte.
f
E

, estando a 90 ° de
2
u

, alinha-se ao longo do eixo em quadratura (q), que
jaz sobre o plano neutro do rotor, conforme ilustrado na Figura 8.1 a seguir.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

144


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Figura 8.1
Definição dos eixos direto (d) e em quadratura (q)

Em situações de regime podemos imaginar que o fluxo
2
u

gira no sentido anti-horário
com velocidade constante
s
N , juntamente com todo o diagrama fasorial. Se houver um incre-
mente de potência mecânica na entrada do gerador, o polo norte se adiantará levemente em rela-
ção à referência, produzindo também um incremento em o . Da mesma forma, reduções na po-
tência mecânica serão acompanhadas de reduções de o , apropriadamente denominado ângulo de
carga (ou de potência). Os estudos de estabilidade, seja em regime permanente ou transitório,
têm a finalidade de determinar se os valores iniciais e finais de o correspondem a situações está-
veis, i.e., situações nas quais o gerador continua a operar em sincronismo com o barramento infi-
nito.
Suponha agora que a tensão interna por fase da máquina seja o Z =
f f
E E

, que a tensão
terminal por fase, aqui tomada como referência, seja ° Z = 0
1 1
V V

e que a corrente de armadura
por fase seja ¢ Z =
1 1
I I

. Podemos então escrever a seguinte equação fasorial
( )
1 1 1
I jx r V E
d f
  
+ + = . (8.6)
O circuito equivalente unifilar para a relação (8.6) é mostrado na Figura 8.2 a seguir. No
caso de máquinas de grande potência, como sempre será o nosso caso, a resistência r
1
é geral-
mente desprezível em relação à reatância síncrona x
d.
A relação (8.6) está escrita para o caso de
geradores. Para o caso de motores, basta multiplicar a corrente por –1.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

145


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Figura 8.2
Circuito unifilar equivalente para uma máquina de polos lisos

Antes que o gerador possa produzir energia, ele precisa ser colocado em paralelo com o
barramento infinito. Para isso, é necessário que quatro condições sejam satisfeitas:
1) As sequências de fases do gerador e do barramento devem ser as mesmas.
2) As frequências do gerador e do barramento devem iguais.
3) As tensões do gerador e do barramento devem ser iguais.
4) Os ângulos de fase das tensões do gerador e do barramento devem ser iguais.
Sabendo que a tensão do gerador antes do sincronismo é
f
E

e que a tensão do barramen-
to é
1
V

, as quatro condições acima podem ser escritas em uma única equação fasorial.

q fq
V E
1
 
= . (8.7)
Condição de paralelismo
entre um gerador e o
barramento infinito.

onde 3 , 2 , 1 = q é o índice das fases. Podemos verificar que a relação (8.7) satisfaz imediatamente
às condições (a), (c) e (d). A condição (b) é satisfeita de maneira implícita, pois a definição de
um fasor decorre da utilização de um espaço onde a frequência é única e constante.
Supondo que
1
I

esteja atrasada de um ângulo ¢ em relação a
1
V

e que r
1
seja desprezí-
vel, podemos desenhar o diagrama fasorial ilustrado na Figura 8.3.
Duas relações interessantes podem ser obtidas para as potências ativa e reativa em função
dos parâmetros da máquina (
1
V ,
f
E ,
d
x , o ), em vez de em função dos parâmetros da carga (
1
V ,
1
I , ¢ ), como usual. Considere incialmente, na Figura 3, os triângulos OAB e ABC. Podemos
escrever, respectivamente, que

o sen V AB
1
= , (8.8)

o sen I x AB
d 1
= .

(8.9)
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Figura 8.3
Diagrama fasorial para um gerador sobreexcitado

Igualando AB em (8.8) e (8.9) e considerando que o ¢ o ÷ ÷ ° = 90 , teremos
) cos( ) 90 (
1 1 1
o ¢ o ¢ o + = ÷ ÷ = I x sen I x sen V
d d
. (8.10)
Do segmento OBC e do triângulo ABC, podemos agora escrever

o cos
1
V E BC
f
÷ = ,
(8.11)

o cos
1
I x BC
d
= .

(8.12)
Igualando BC em (8.11) e (8.12) e considerando novamente que o ¢ o ÷ ÷ ° = 90 , teremos
) ( ) 90 cos( cos
1 1 1
o ¢ o ¢ o + = ÷ ÷ = ÷ sen I x I x V E
d d f
.
(8.13)
Multiplicando (8.10) e (8.13) por V
1
e desenvolvendo um pouco mais, vem
( ) o ¢ o ¢ o sen sen I V I V x sen V
d
. cos . cos
1 1 1 1
2
1
÷ = , (8.14)
( ) ¢ o o ¢ o cos . cos . cos
1 1 1 1
2
1 1
sen I V sen I V x V E V
d f
+ = ÷ .
(8.15)
Substituindo ¢ cos
1 1
I V P = e ¢ sen I V Q
1 1
= em (8.14) e (8.15) e escrevendo em forma
matricial, teremos
(
¸
(

¸

×
(
¸
(

¸
÷
=
(
(
¸
(

¸

÷
×
Q
P
sen
sen
V E V
sen V
x
f d
o o
o o
o
o
cos
cos
cos
1
2
1 1
2
1
, (8.16)
Invertendo o sistema (8.16), podemos escrever
(
(
¸
(

¸

÷
×
(
¸
(

¸

÷
× =
(
¸
(

¸

o
o
o o
o o
cos cos
cos
1
2
1 1
2
1
V E V
sen V
sen
sen
x Q
P
f d
, (8.17)
Finalmente, desenvolvendo (8.17), teremos as relações buscadas para P e Q

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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o sen
x
E V
P
d
f 1
= . (8.18)
Potência ativa de uma
máquina de polos lisos,
em watts/fase.

d d
f
x
V
x
E V
Q
2
1
1
cos ÷ = o . (8.19)
Potência reativa de uma
máquina de polos lisos,
em vars/fase.

Em decorrência das condições de sincronismo (8.7), um gerador recém-conectado ao bar-
ramento infinito terá
f
E V =
1
e 0 ) , (
1
= =
f
E V Ang
 
o . Nessas circunstâncias, as relações (8.18) e
(8.19) indicam que as potências ativa e reativa inicialmente fornecidas ao barramento serão nu-
las. Para transferir potência ativa ao barramento devemos aumentar o , o que é feito por meio do
aumento da potência mecânica no eixo da máquina. Mantendo-se
f
E constante, a potência em
função do ângulo de carga se comportará conforme mostra a Figura 8.4.

Figura 8.4
Potência ativa em função do ângulo de carga

A potência ativa máxima ocorre para 2 / t o =
ee
rad-e, valor que denominaremos ângulo
de estabilidade estática, pois a máquina não pode funcionar em regime permanente para ângu-
los acima deste valor e sairá de sincronismo. Na região estável, supondo excitação constante,
aumentos da potência mecânica
mec
P no eixo do gerador serão contrabalançados por aumentos da
potência elétrica resistente oferecida pelo gerador. O ângulo o permanecerá oscilando levemen-
te em torno do ponto de equilíbrio e a velocidade do rotor também oscilará levemente em torno
da velocidade síncrona. Acima de 2 / t o = , aumentos da potência mecânica produzirão reduções
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

148


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da potência resistente e a condição de velocidade estável não poderá ser mantida, a não ser que
se atue sobre o controle de velocidade da turbina ou que outra providência seja tomada.
Exemplo 8.1. Seja um gerador trifásico de polos lisos, 10 MVA, 2,2 kV, ligado em estrela. A
reatância síncrona de eixo direto é 1,2 O por fase e a resistência de armadura pode ser despreza-
da. Considerando que a tensão interna seja igual à nominal, pede-se: (a) determine a corrente de
armadura correspondente à máxima potência ativa; (b) desenhe o diagrama fasorial correspon-
dente.
Solução. Para potência máxima, devemos ter 2 / t o = rad-e. Tomando ainda a tensão terminal
como referência, teremos, de (8.6)
A 5 , 058 . 1 5 , 058 . 1
2 , 1
3
200 . 2
90
3
200 . 2
2 , 1
3
200 . 2
90
3
200 . 2
1
1
j
j j jx
V E
I
d
f
+ =
÷ ° Z
=
÷ ° Z
=
÷
=
 

.

Convertendo para forma polar
A 45 9 , 496 . 1
1
° Z = I

.
A potência ativa fornecida será
MW 03 , 4 90
2 , 1
200 . 2 200 . 2
1 1
= °
×
= = sen sen
x
E V
P
d
l l
o .

A potência aparente será
MVA 7 , 5 9 , 496 . 1 200 . 2 3 3
1 1
= × × = = I V S
l
.
Note que a potência acima, inferior ao valor nominal, é a máxima potência que o gerador
pode fornecer na atual condição de excitação. Aumentando-se a excitação o gerador poderá che-
gar à condição de potência nominal, desde que se respeite a condição 2 / t o < rad-e. O diagra-
ma fasorial é mostrado na Figura 8.5 abaixo.

Figura 8.5
Diagrama fasorial para o Exemplo 8.1

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8.3 Curva de capabilidade e curvas “V”
Além de conhecermos o limite de estabilidade estática é necessário conhecermos também
todos os limites operacionais da máquina, os quais são representados pela curva de capabilida-
de (também conhecida como curva de capacidade). Para obter tal curva é interessante dese-
nharmos antes o diagrama fasorial das potências. Começamos tomando a relação (8.6) e forçan-
do o aparecimento da potência aparente
d
x V /
1
, multiplicando ambos os lados por
d
x V /
1
e con-
siderando
1
r

desprezível
1 1
1 1
1
I jV
x
V V
x
E V
d d
f



+ = . (8.20)
Supondo que o fator de potência seja indutivo e tomando
1
V como referência, a relação
(8.20) poderá ser escrita como
) 90 (
1 1
2
1
1
¢ o ÷ Z + = Z I V
x
V
x
E V
d d
f
. (8.21)
O diagrama fasorial correspondente à relação (8.21) é mostrado na Figura 8.6 a seguir.

Figura 8.6
Diagrama fasorial das potências

Estamos agora interessados nos limites operacionais da máquina. O círculo ilustrado na
Figura 8.6, por exemplo, representa a potência aparente máxima da máquina, seja qual for o fator
de potência. Descartando-se outros componentes do conjunto turbina-gerador ou do conjunto
motor-carga, a potência operacional da armadura poderia se localizar em qualquer ponto dentro
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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do círculo ilustrado. Contudo, existem outros limites a considerar, conforme ilustrado na Figura
8.7. Considere, por exemplo, que a máquina esteja funcionando como gerador. Se o limite da
turbina fosse especificado para coincidir com a potência ativa máxima do gerador (P
max
), tal co-
incidência se daria apenas em um ponto, ou seja, o de fator de potência unitário. Assim, reduzin-
do um pouco o limite da turbina que o gerador pode acionar (segmento OC), poderemos ter o
conjunto turbina-gerador funcionando em uma faixa mais extensa de fatores de potência.

Figura 8.7
Limites operacionais de uma máquina síncrona

Situação semelhante ocorre com o limite de excitação máxima. Se estipulássemos tal li-
mite como coincidindo com Q
max
, o campo do gerador estaria sobre-dimensionado, pois o limite
seria atingido somente para fator de potência zero. Assim, dimensionamos o segmento O’A como
o limite máximo de excitação, o que permite que a máquina funcione com excitação máxima em
uma faixa mais ampla de fatores de potência.
Finalmente, temos o limite de estabilidade. De acordo com a Figura 8.4, a potência má-
xima ocorre para o=90°. Contudo, uma margem de segurança deve ser estabelecida, pois o gera-
dor pode sair de sincronismo em o=90° e esta situação deve ser evitada. Assim, o ângulo de es-
tabilidade pode ser definido, liustrativamente, em aproximadamente 40°, de modo que, na Figura
8.7, o limite de estabilidade corresponde aos segmentos O’B, para gerador, e O’B’, para motor. A
curva de capabilidade completa é mostrada na Figura 8.8.
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Figura 8.8
Curva de capabilidade de uma máquina síncrona


(continua...)
8.4 Máquina de polos salientes em regime permanente
(em breve)
8.5 Estabilidade em regime transitório
(em breve)
8.6 Dinâmica da máquina síncrona ligada ao barramento infinito
O Barramento Infinito (BI) é um sistema elétrico altamente idealizado dotado das seguin-
tes características:
1) Tensão e frequência constantes, independentes de qualquer perturbação externa.
2) Capacidade de absorver e fornecer qualquer potência, seja ativa ou reativa.
3) Capacidade de absorver qualquer transitório.
Apesar do grande grau de idealização, o BI é útil da mesma forma que um plano sem atri-
to ou um condutor sem resistência, ou seja, para facilitar a análise inicial de sistemas mais com-
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plexos. Iniciaremos analisando o caso de um único gerador ligado ao BI e depois passaresmos a
sistemas compostos por dois geradores e finalmente para sistemas multimáquinas.
8.7 Equação geral da oscilação
Seja um gerador síncrono caracterizado pelas seguintes grandezas:
- P
ine
= potência de inércia da máquina, proporcional à aceleração do rotor e ao mo-
mento de inércia J, o qual, lembremos, mede a distribuição da massa em torno de um
eixo de rotação. Para um rotor cilíndrico de raio D e massa G, podemos escrever
J=GD
2
.
- P
mec
= potência mecânica no eixo da máquina.
- P
e
= potência elétrica, relacionada à conversão eletromagnética de energia.
Podemos então escrever,
mec e ine
P P P = + . (8.2)
Em outras palavras, a potência mecânica fornecida ao eixo do gerador deve ser suficiente
para manter o rotor em rotação e efetuar a conversão de energia.
Para uma máquina de p polos, cujo rotor gira a N rpm, a potência de inércia pode ser es-
crita como
2
2
60
2 2
dt
d N
p
J P
ine
o t
×
|
|
.
|

\
|
× × = . (8.3)
Quando conectado à rede, a velocidade do rotor não pode se afastar muito da velocidade
síncrona sem que o gerador perca o sincronismo. Logo, o termo entre parênteses pode ser consi-
derado constante e podemos escrever
2
2
dt
d
P P
j ine
o
= .
(8.4)
A potência eletromagnética, por sua vez, pode ser escrita como
) (o
o
s d e
P
dt
d
P P + = , (8.5)
onde P
d
é a potência de amortecimento, relacionada ao amortecimento causado pelo ar no en-
treferro e pelas barras amortecedoras, e P
s
é a potência síncrona. Para uma máquina de polos
lisos, temos P
s
= P
m
sen o, onde P
m
é a potência máxima e o é o ângulo de carga.
Substituindo (8.5) e (8.4) em (8.2), teremos a equação diferencial que descreve a oscila-
ção do ângulo o quando de mudanças de potência
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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mec s d j
P P
dt
d
P
dt
d
P = + + ) (
2
2
o
o o
.
(8.6)
Equação diferencial da
dinâmica da máquina
síncrona.

8.8 Análise linearizada – máquina de polos lisos
A equação (8.6) não é nem um pouco simples. Por um lado, ela não é linear, por causa do
termo P
s
. Por outro, ela não é homogênea, pois o termo à direita do sinal de igual não é nulo.
Assim, temos uma equação diferencial de segunda ordem, não linear e não homogênea, que, no
caso geral, somente pode ser resolvida por meio de métodos computacionais (e.g., Runge-Kutta).
Contudo, no caso de pequenas oscilações (digamos, 6 / 6 / t o t s s ÷ ), podemos considerar que
o o = sen (em radianos). Nesse caso, a potência síncrona pode ser escrita como P
s
o, resultando
na seguinte equação diferencial linearizada

mec s d j
P P
dt
d
P
dt
d
P = + + o
o o
2
2
.
(8.7)
Equação diferencial
linearizada.

Fazendo inicialmente P
mec
=0 (gerador flutuando a vazio) e P
d
=0 (amortecimento despre-
zível), obtemos a equação do oscilador harmônico simples, cuja solução pode ser escrita como
7

) ( ) (
0
¢ e o o + = t sen t
n
, (8.8)
onde
j s n
P P / = e , em rad/s, é a frequência angular natural do sistema, o
0
é o valor inicial do
ângulo de carga e ¢ é um ângulo de fase a determinar.
Quando o amortecimento P
d
estiver presente, a oscilação será amortecida e caracterizada
por um fator de amortecimento dado por
j s
d
P P
P
2
= , ,
(8.9)
e por uma frequência angular amortecida dada por
2
1 , e e ÷ =
n d
.
(8.10)
A solução geral para o gerador linearizado amortecido flutuando a vazio pode ser escrita
como

7
Ver, eg., BRADBURY, T. C. Theoretical mechanics. New York: J. Wiley, c1968, p. 133.
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) ( ) (
0
| e o o
,e
+ =
÷
t sen e t
d
t
n
, (8.11)
Solução geral para o
gerador linearizado
amortecido flutuando a
vazio.

onde | é um ângulo de fase a determinar. A solução (8.11) mostra que, para o gerador flutuando
a vazio, qualquer perturbação
0
o será rapidamente amortecida. Caso isso não ocorra, corremos o
risco de que o gerador saia de sincronismo, pois, para potências médias muito baixas, o ângulo
de estabilidade estática 2 / t o =
ee
poderá ser atingido rapidamente.
Em alguns casos é interessante conhecermos também a velocidade de variação de o, que
pode ser obtida por derivação direta de (8.11):

| |
t
d n d d
n
e t sen t
dt
d
,e
| e ,e | e e o
o
÷
+ ÷ + = ) ( ) cos(
0
(8.12)

Velocidade de o para o
gerador linearizado
amortecido flutuando a
vazio.

Quando P
mec
for injetada no eixo do gerador, o ângulo de regime permanente será dado
por
s
mec
P
P
=
·
o .
(8.13)
Nesse caso a solução geral será
8


(
¸
(

¸

+ ÷ =
÷
·
) (
1
1 ) ( ¢ e
|
o o
,e
t sen e t
d
t
n
, (8.14)
Solução geral para o
gerador linearizado
amortecido operando
com P
mec
>0.

onde ) / ( , | ¢ arctg = e
2
1 , | ÷ = . A partir de (8.13) podemos calcular também a velocidade
de oscilação de o, que será


8
Ver BRADBURY, T. C., Op. cit., p. 138.
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| |
t
d d d n
n
e t t sen
dt
d
,e
¢ e e ¢ e ,e
|
o o
÷
·
× + ÷ + = ) cos( ) (
,
(8.15)

Velocidade de o para o
gerador linearizado
amortecido operando
com P
mec
>0.

Exemplo 8.1. Seja um gerador síncrono de quatro polos, 210 kW, 60 Hz, J=608 kg.m
2
, T
d
=243
Nm/rad-m.s, P
s
=14 kW/graus-e, ligado diretamente ao barramento infinito. Escreva a equação da
oscilação do ângulo o para: (a) gerador flutuando a vazio com ângulo inicial de 20 graus elétri-
cos; (b) carga nominal subitamente aplicada ao eixo.
Solução. A velocidade síncrona para quatro polos é rpm 800 . 1 =
s
N . De acordo com (8.3), a
potência de inércia será
303 . 57
60
800 . 1 2
4
2
608
60
2 2
=
×
× × = × × =
t t
s
j
N
p
J P W/rad-e.s
2
.
Convertendo para W/graus-e.s
2

000 . 1
180
303 . 57 = × =
t
j
P W/graus-e.s
2
.
A potência de amortecimento será
2 , 902 . 22
4
2
4
60 4
243
2 4 2
1
= ×
×
× = × × = × × =
t t
e
p p
f
T
p
T P
d s d d
W/rad-e.s.
Convertendo para W/graus-e.s
7 , 399
180
2 , 902 . 22 = × =
t
d
P W/graus-e.s.
A equação diferencial a vazio fica
0 000 . 14 7 , 399 000 . 1
2
2
= + + o
o o
dt
d
dt
d
(8.16)
A frequência natural de oscilação será
74 , 3
000 . 1
000 . 14
= = =
j
s
n
P
P
e rad/s. (8.17)
De acordo com a relação (8.9), o fator de amortecimento será
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0534 , 0
000 . 1 000 . 14 2
7 , 399
=
×
= , , (8.18)
correspondendo à seguinte frequência amortecida
7347 , 3 ) 0534 , 0 ( 1 74 , 3 1
2 2
= ÷ = ÷ = , e e
n d
.
(8.19)
A resposta para o gerador flutuando a vazio será, em graus elétricos
) 2 / 7347 , 3 ( 20 ) (
19985 , 0
t o + × =
÷
t sen e t
t
. (8.20)
Note que, para que o ângulo inicial seja 20°, o ângulo de fase | deve ser 90°. A velocida-
de de oscilação será
| |
t
e t sen t
dt
d
19985 , 0
) 2 / 7347 , 3 ( 1997 , 0 ) 2 / 7347 , 3 cos( 7347 , 3 20
÷
× + × ÷ + × × = t t
o
. (8.21)
A Figura 8.101 ilustra a variação de o em relação ao tempo e a Figura 8.102 ilustra a ve-
locidade de o em relação ao tempo.
A Figura 8.103 ilustra a evolução do sistema no chamado espaço de fase. Nesse caso,
abstraímos a variável tempo e plotamos a velocidade de o. em função de o. Percebemos que o
sistema inicia com o=20° e velocidade igual a –4°/s, atingindo o repouso (estabilidade) no ponto
(0, 0).

Figura 8.101
Solução para o gerador linearizado flutuando a vazio

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Figura 8.102
Velocidade de o para o gerador linearizado flutuando a vazio


Figura 8.103
Diagrama no espaço de fase para o gerador linearizado flutuando a vazio

No caso do gerador que subitamente recebe carga nominal, podemos considerar P
mec
=210
kW. Assim, o ângulo de regime será, de acordo com (8.13)
° = = =
·
15
000 . 14
000 . 210
s
mec
P
P
o .
(8.22)
Note que P
mec
é medida em watts e que P
s
é medida em watts/graus-e. Logo,
·
o é medi-
do diretamente em graus-e.
O ângulo de fase ¢ será dado por
5174 , 1 94 , 86 )
0534 , 0
0534 , 0 1
( )
1
( ) (
2 2
= ° =
÷
=
÷
= = arctg arctg arctg
,
,
,
|
¢ rad-e. (8.23)
As soluções para o e para do /dt são dadas, respectivamente, por (8.14) e (8.15).
| | ) 5174 , 1 7347 , 3 ( 0014 , 1 1 15 ) (
19985 , 0
+ × ÷ × =
÷
t sen e t
t
o (8.24)
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| |
t
e t t sen
dt
d
19985 , 0
) 5174 , 1 7347 , 3 cos( 7347 , 3 ) 5174 , 1 7347 , 3 ( 19985 , 0 02 , 15
÷
× + × ÷ + × × =
o
(8.25)
As Figuras 8.104, 8.105 e 8.106 mostram o comportamento do gerador linearizado sob
carga. Percebemos que agora o gerador atinge a estabilidade no ponto (15°, 0°/s).
Em física, um atrator é definido como um ponto ou conjunto de pontos para o qual evo-
lui um sistema dinâmico, independentemente do ponto de partida. Assim, no caso do gerador a
vazio o atrator é (0°, 0°/s), enquanto no caso do gerador sob carga o atrator é (15°, 0°/s). Em
sistemas de potência todo o esforço é feito para que o atrator seja um único ponto por gerador.
Caso o atrator seja um conjunto de pontos, o que pode acontecer se o amortecimento e/ou a po-
tência sincronizante forem muito baixos, o sistema pode se tornar instável.

Figura 8.104
Solução para o gerador linearizado sob carga


Figura 8.105
Velocidade de o para o gerador linearizado sob carga

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Figura 8.106
Diagrama no espaço de fase para o gerador linearizado sob carga


(continua...)
8.9 Método das áreas iguais – máquina conectada ao barramento infinito
(em breve)
8.10 Método das áreas iguais – sistemas de duas máquinas
(em breve)
8.11 Solução numérica para máquina conectada ao barramento infinito
(em breve)
8.12 Solução numérica para sistemas multimáquinas
(em breve)
8.13 Serviços ancilares
(em breve)
8.14 Reservas girante e não girante
(em breve)
8.15 Regulações primária e secundária
(em breve)
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

160


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8.16 Controle automático de geração
(em breve)
8.17 Controle de carga e frequência
(em breve)
8.18 Exercícios
(em breve)



Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

161


Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
9. OPERAÇÃO ECONÔMICA DE SISTEMAS



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162


Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
10. LINHAS DE TRANSMISSÃO



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Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

2

SUMÁRIO
1. 2. 3. 4. UM POUCO DE HISTÓRIA .......................................................................................................................... 4 GLOSSÁRIOS ............................................................................................................................................... 6 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 8 O SISTEMA POR UNIDADE .......................................................................................................................11 4.1. 4.2. 4.3. 4.4. 4.5. 4.6. 4.7. 4.8. 4.9 4.10 4.11 5. 5.1. 5.2. 5.3. 5.4. 5.5. 5.6. 6. 6.1. 6.2. 6.3. 6.4. 6.5. 6.6. 6.7. 7. 7.1. 7.2. 7.3. 7.4. 7.5. 7.6. 8. 8.1 8.2 8.3 8.4 8.5 8.6 8.7 8.8 8.9 INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 11 DEFINIÇÃO DE PU ....................................................................................................................................... 11 MUDANÇA DE BASE ..................................................................................................................................... 15 TRANSFORMADOR DE DOIS ENROLAMENTOS .................................................................................................. 17 TRANSFORMADOR DE TRÊS ENROLAMENTOS .................................................................................................. 21 TRANSFORMADOR COM TAP FORA DO VALOR NOMINAL ................................................................................... 23 MODELOS DE GERADORES SÍNCRONOS ........................................................................................................... 32 MODELOS DE LINHAS DE TRANSMISSÃO ......................................................................................................... 36 MODELOS DE CARGAS .................................................................................................................................. 38 INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS DE CURTO-CIRCUITO. ........................................................................................... 41 EXERCÍCIOS ................................................................................................................................................ 48 INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 53 O TEOREMA DE FORTESCUE ......................................................................................................................... 53 POTÊNCIA COMPLEXA .................................................................................................................................. 60 IMPEDÂNCIAS DE SEQUÊNCIA........................................................................................................................ 61 IMPEDÂNCIAS DE SEQUÊNCIA DOS COMPONENTES DE UM SEP.......................................................................... 63 EXERCÍCIOS ................................................................................................................................................ 83 INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 87 CURTO-CIRCUITO FASE-TERRA ..................................................................................................................... 88 CURTO-CIRCUITO FASE-FASE ........................................................................................................................ 90 CURTO-CIRCUITO FASE-FASE-TERRA ............................................................................................................. 92 MÉTODO DA MATRIZ IMPEDÂNCIA DE BARRA ............................................................................................... 100 OBTENÇÃO DIRETA DA MATRIZ IMPEDÂNCIA DE BARRA ................................................................................. 107 EXERCÍCIOS .............................................................................................................................................. 109 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................ 112 MÉTODO DE GAUSS ................................................................................................................................... 115 MÉTODO DE GAUSS-SEIDEL ....................................................................................................................... 121 MÉTODO DE NEWTON-RAPHSON ................................................................................................................ 122 MÉTODO DESACOPLADO RÁPIDO ................................................................................................................ 137 EXERCÍCIOS .............................................................................................................................................. 140 ESTABILIDADE EM REGIME PERMANENTE .................................................................................................... 142 MÁQUINA DE POLOS LISOS EM REGIME PERMANENTE .................................................................................... 143 CURVA DE CAPABILIDADE E CURVAS “V” ...................................................................................................... 149 MÁQUINA DE POLOS SALIENTES EM REGIME PERMANENTE ............................................................................ 151 ESTABILIDADE EM REGIME TRANSITÓRIO..................................................................................................... 151 DINÂMICA DA MÁQUINA SÍNCRONA LIGADA AO BARRAMENTO INFINITO .......................................................... 151 EQUAÇÃO GERAL DA OSCILAÇÃO.................................................................................................................. 152 ANÁLISE LINEARIZADA – MÁQUINA DE POLOS LISOS ...................................................................................... 153 MÉTODO DAS ÁREAS IGUAIS – MÁQUINA CONECTADA AO BARRAMENTO INFINITO ............................................ 159

COMPONENTES SIMÉTRICAS ..................................................................................................................53

CÁLCULO DE CURTO-CIRCUITO ..............................................................................................................87

FLUXO DE POTÊNCIA .............................................................................................................................112

ESTABILIDADE ESTÁTICA E TRANSITÓRIA .........................................................................................142

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8.10 8.11 8.12 8.13 8.14 8.15 8.16 8.17 8.18 9. 10. 11.

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MÉTODO DAS ÁREAS IGUAIS – SISTEMAS DE DUAS MÁQUINAS ......................................................................... 159 SOLUÇÃO NUMÉRICA PARA MÁQUINA CONECTADA AO BARRAMENTO INFINITO ................................................. 159 SOLUÇÃO NUMÉRICA PARA SISTEMAS MULTIMÁQUINAS ................................................................................. 159 SERVIÇOS ANCILARES ................................................................................................................................ 159 RESERVAS GIRANTE E NÃO GIRANTE ............................................................................................................ 159 REGULAÇÕES PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA ....................................................................................................... 159 CONTROLE AUTOMÁTICO DE GERAÇÃO......................................................................................................... 160 CONTROLE DE CARGA E FREQUÊNCIA ........................................................................................................... 160 EXERCÍCIOS .............................................................................................................................................. 160 LINHAS DE TRANSMISSÃO ................................................................................................................162 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................................................163

OPERAÇÃO ECONÔMICA DE SISTEMAS ................................................................................................161

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Alvaro Augusto W. com 60 horas semanais. no qual se abordavam basicamente curtocircuito e fluxo de potência. Curitiba. Proteção de Sistemas. este curso era oferecido em apenas um semestre. na área de Sistemas de Potência. a disciplina de Sistemas Elétricos de Potência tem sido obrigatória. Adicionalmente. reativa. tem no momento mais de trinta anos de existência e uma posição consolidada junto à comunidade acadêmica paranaense. Prof. as presentes Notas de Aula (no momento incompletas) têm o objetivo de facilitar a introdução do aluno nessa área fascinante dos Sistemas Elétricos de Potência. embora tenha ainda pouca experiência como universidade. Alvaro Augusto W. como é o caso do Brasil. as disciplinas de Operações de Sistemas. nas grades antigas. de Almeida UTFPR. 2010 Prof. tensão e frequência. assim como os conceitos teóricos necessários ao desenvolvimento de tais conteúdos. componentes simétricas. Longe de pretenderem substituir a literatura existente na área. Assuntos como estabilidade de sistemas eram abordados de maneira introdutória na disciplina de Geração de Energia e havia pouco espaço para estudos sobre transitórios. sistema “por unidade”. posição que assumiu apenas em 2005. de Almeida – UTFPR . tão essencial a um país dotado de um imenso sistema elétrico interligado. anteriormente denominado “Engenharia Elétrica. assim como outras. também é uma instituição consolidada no Paraná e no Brasil. Anteriormente. fluxo de potência ótimo e outros. Linhas de Transmissão. caso este seja seu objetivo. Nossa Universidade Tecnológica Federal do Paraná completou seu primeiro centenário em 2009 e. UM POUCO DE HISTÓRIA O curso de Engenharia Elétrica da UTFPR. Durante toda a existência do nosso curso de Engenharia. modelamento de áreas de controle. ênfase Eletrotécnica”.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 4 1. Subestações. possibilitam que o estudante possa concentrar seus estudos com grande eficiência. curto-circuito e fluxo de potência. A disciplina Sistemas de Potência 1 da grade atual tem basicamente a mesma ementa da antiga Sistemas Elétricos de Potência: modelagem de sistemas de potência. estabilidade estática e transitória e métodos de análise do problema da estabilidade. Planejamento de Sistemas. Já a disciplina de Sistemas de Potência 2 (optativa. mas ofertada todo semestre) trata de controle de potência ativa. Sobretensões em Sistemas Elétricos de Potência.

Alvaro Augusto W.gimp.org. foram elaboradas pelo autor usando o GNU Image Manipulation Program – GIMP 2. Prof.br. exceto a Figura 3. de Almeida – UTFPR . 2) Todas as fotografias são de domínio comum.edu. 3) No momento (03/07/11) este é um trabalho em progresso.6. Em caso de constatação de erros.1. o autor agradece notificações enviadas pelo e-mail alvaroaugusto@utfpr.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 5 Observações: 1) Todas as figuras deste trabalho. disponível em www.

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2. GLOSSÁRIOS
Glossário de símbolos usados como subíndices ou sobre-índices Símbolo Indicação dada pelo índice 0 Componente de sequência zero 1 Componente de sequência positiva 2 Componente de sequência negativa 012 Sistema de sequência (equilibrado) a Fase “a” b Fase “b”, valor base c Fase “c”, perdas no núcleo (“core”) abc Sistema original (desequilibrado) ca Circuito aberto cc Curto-circuito d Componente de eixo direto ef Valor eficaz elt Grandeza elétrica g Entreferro, componente de entreferro Ordem de um harmônico h i Entrada (input) q Componente de eixo em quadratura  Tensão ou corrente de linha max Valor máximo mec Grandeza mecânica mit Máquina de indução trifásica mst Máquina síncrona trifásica mim Máquina de indução monofásica min Valor mínimo msm Máquina síncrona monofásica mdc Máquina de corrente contínua m Grandeza magnética, magnetização n Valor nominal n Componente normal o Saída (output) pu Por unidade (valor por unidade) q Componente de eixo em quadratura r Componente radial, rotor rb Rotor bloqueado s Saturado, síncrono, síncrona Total T Componente tangencial  Perdas ôhmicas, componente de perdas ôhmicas 

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Glossário de símbolos gerais Símbolo Unidade Descrição 2 a m/s Aceleração A m2 Área da seção reta B T Indução magnética C F Capacitância e V Força eletromotriz instantânea E V Força eletromotriz eficaz f Hz Frequência fp – Fator de potência F A-e/m Força magnetomotriz H A-e Intensidade magnética I A Corrente elétrica m Comprimento  L H Indutância N rpm Rotação, velocidade Ns rpm Velocidade síncrona p – Número de polos P W Potência ativa q – Número de fases Q var Potência reativa r Resistência elétrica  r m Raio s – Escorregamento S VA Potência aparente t S Tempo, intervalo de tempo T Nm Torque, conjugado ou binário V V Tensão nos terminais x Reatância  xL Reatância indutiva  xC Reatância capacitiva  Z Impedância  Graus, rad Ângulo de carga   Graus, rad Ângulo do fator de potência   Wb Fluxo magnético por polo   – Rendimento, eficiência   H/m Permeabilidade magnética   Resistividade elétrica m   Rad/s Velocidade angular ou frequência angular   Rad/s Velocidade angular síncrona s

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3. INTRODUÇÃO
Em agosto de 2010 o Sistema Interligado Brasileiro (SIN) era composto por 2.271 empreendimentos de geração em operação, totalizando uma potência instalada de 110.224 MW. Desta potência, 69,24% correspondem a Usinas Hidrelétricas (UHEs), 25,15% correspondem a Usinas Termelétricas Convencionais (UTEs), 1,82% a Usinas Termelétricas Nucleares (UTNs) e o restante a Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), e Centrais Eólicas (EOL). A necessidade de alimentar os grandes centros consumidores do Sudeste a partir da energia produzida em regiões remotas do país tornou necessária a construção de uma extensa rede de transmissão, conforme ilustrada na Figura 3.1.

Figura 3.1 Integração eletroenergética do Sistema Interligado Nacional (SIN) Fonte: ONS, http://www.ons.com.br/conheca_sistema/mapas_sin.aspx

A interligação do SIN é feita por meio da Rede Básica, redefinida em 1998 por meio da Resolução ANEEL 245/1998. A Rede Básica dos sistemas elétricos interligados é constituída por todas as linhas de transmissão em tensões iguais ou superiores a 230 kV e subestações que contenham equipamentos em tensão igual ou superior a 230 kV, integrantes de concessões de servi-

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também pode ser utilizado em alguns casos. Excepcionalmente. ou seja. mais apropriadamente denominado falta. cujo objetivo é determinar as tensões e potências em todos os barramentos de um sistema elétrico. de modo que sistemas adequados de proteção possam ser dimensionados. tais como os estudos de previsão de carga. que é uma simplificação do Newton-Raphson. alguns deles em tempo real. Em linhas gerais. Nesses casos. de curto-circuito e de estabilidade. fase-fase ou fase-fase-terra. também conhecido como fluxo de carga. Conduto. é um problema matemático. bem como operá-los corretamente.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 9 ços públicos de energia elétrica. de Almeida – UTFPR . como nos casos dos curtos fase-terra. Fluxo de potência. pode ser simétrico. outros métodos. devem ser utilizados. Prof. do porte do sistema brasileiro ou não. pois as correntes em cada uma das fases serão diferentes. A finalidade das disciplinas de Sistemas de Potência 1 e 2 é fornecer uma introdução a esses assuntos. o problema se torna mais complexo. transformadores e demais equipamentos que farão parte do sistema. O planejamento e operação de sistemas elétricos. de modo a manter os padrões adequados de tensão e frequência. desde que autorizadas pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). o problema de curto-circuito nada mais é do que um problema de fluxo de potência no qual uma das barras é submetida a condições de curto. demandam estudos bastante complexos. em situações de curto podemos fazer algumas simplificações no sistema e podemos também usar o método das componentes simétricas. Felizmente. é forçada a manter tensão nula ou quase nula. embora didático. apresenta as desvantagens de não convergir sempre e de não se prestar a sistemas com mais do que algumas dezenas de barras. linhas e subestações em tensões inferiores a 230 kV podem fazer parte da Rede Básica. A operação correta dos sistemas também depende do conhecimento dos níveis de curtocircuito em cada barramento. poderíamos em princípio usar os métodos de fluxo de potência para resolver problemas de curto-circuito. O método desacoplado rápido. Alvaro Augusto W. que. Sendo um problema de fluxo de potência em condições excepcionais. O curto. ou assimétrico. como nos casos dos curtos trifásico e trifásico-terra. Modernamente todos esses estudos são feitos por meio de computadores. no caso dos curtos assimétricos. o que nos permitirá conhecer correntes e potências de curto em cada uma das barras do sistema. de fluxo de potência. Dessa forma podemos dimensionar linhas de transmissão. Um método elementar para solução de fluxo de potência é o Gauss-Seidel. como o Newton-Raphson.

juntamente com os conteúdos auxiliares (modelos de equipamentos. Prof. interessa-nos conhecer também o ângulo de estabilidade dinâmica da máquina. é 90°. e acima do qual a máquina perderá estabilidade. nos geradores de polos lisos o ângulo de estabilidade estática. Já nos geradores de polos salientes esse valor será inferior a 90°. que dependerá da inércia do rotor e de outras variáveis. devendo ser retirada do sistema ou ter sua situação corrigida. ou seja. de Almeida – UTFPR . Problemas de estabilidade envolvem basicamente a solução de equações diferenciais de segunda ordem. por causa da diferença entre as reatâncias de eixo direto e de eixo em quadratura. Como sabemos. Alvaro Augusto W. o ângulo para potência máxima.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 10 Fluxo de potência e curto-circuito formam o conteúdo básico de Sistemas de Potência 1. mas métodos simplificados também podem ser empregados. sistema por unidade e componentes simétricas). Finalmente. Contudo. Na atual grade do curso de Engenharia Elétrica esse assunto é abordado em Sistemas de Potência 2. estudos de estabilidade têm o objetivo de determinar os limites operacionais de geradores síncronos operando em sistemas multimáquinas.

costumamos anexar a partícula “pu” ao final dos valores. quando expresso de forma percentual. etc. Por outro lado. Prof. contudo. Da mesma forma que percentuais. tornando os cálculos bastante trabalhosos e complexos. o valor expresso em pu será V pu  Vreal . no qual. Alvaro Augusto W. Assim. A razão é que dois valores percentuais. haverá várias tensões e correntes nominais em cada lado de cada um dos transformadores. Nos cálculos. como veremos. em vez de usarmos as unidades convencionais.2. tanto faz usar pu ou %. tal como tensão. Todavia. Quando expressamos valores finais.facilitando enormemente os cálculos. a multiplicação de dois valores em pu já fornece o novo valor também em pu. O SISTEMA POR UNIDADE 4. impedância. quando multiplicados. Definição de PU Um valor em pu nada mais é do que o valor original de uma grandeza qualquer. denominado sistema pu (“por unidade”).1. é conveniente introduzirmos um sistema de unidades. de Almeida – UTFPR . devem ser divididos por 100 para resultar em um novo valor percentual. de modo a evitar confusão. o sistema pu é mais adequado. escrito em relação a um valor base da mesma grandeza. amperes e ohms. 4..1) Definição de um valor em pu Um valor expresso em pu é igual a um centésimo do mesmo valor. corrente.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 11 4. valores em pu são adimensionais. Em decorrência disso. Sendo Vreal o valor da grandeza original e Vbase o valor base. Introdução Sistemas Elétricos de Potência (SEPs) são geralmente formados por vários transformadores elevadores e abaixadores. todas as relações de transformação de todos os transformadores se tornam unitárias. Vbase (4. como volts.

) têm impedâncias semelhantes quando expressas em pu. Por exemplo.45% . 3) O uso do fator 3 é minimizado nos cálculos trifásicos em pu. Além disso. a impedância de transformadores torna-se independente do tipo de ligação (delta-estrela. quando expressa em pu. como segue S pu  3VI  V pu I pu . as tensões em qualquer barramento podem variar em ±5% em relação à tensão nominal.05 pu em relação à tensão nominal. expressas nas bases nominais dos equipamentos. é independente do lado (alta. 5) Em pu é mais fácil identificar quando os valores de grandezas como tensões e potências se afastam dos valores nominais. etc.1.8 kV opera momentaneamente em 14 kV.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 12 Exemplo 4. a potência aparente e a corrente em pu serão numericamente iguais. 4) Como veremos. O valor em pu é V pu  enquanto o valor percentual é Vreal 14 kV   1. 6) Caso a tensão seja 1 pu. As principais vantagens do sistema por unidade são: 1) Os fabricantes de equipamentos tais como geradores. motores e transformadores costumam fornecer reatâncias e impedâncias já em pu ou em %. Vbase 13. etc. por causa do cancelamento do fator 3 . 2) Equipamentos semelhantes (mesma tensão.0145 pu .8 kV V %  100  V pu  100  1. baixa tensão) que tomamos como referência. de Almeida – UTFPR . na base do equipamento.). deltadelta. Expresse a tensão de operação em pu e em percentual.0145  101. média.95 pu e 1. a impedância de transformadores. estrela-estrela. 3Vb I b Prof. seja qual for esta. Alvaro Augusto W. Logo. Isso facilita os cálculos para substituição de equipamentos e para expansão e reformulação de redes. Um transformador de tensão nominal primária igual a 13. as tensões mínima e máxima permitidas serão respectivamente iguais a 0. Solução. mesma potência.

de Almeida – UTFPR . São elas: 1) Tensão elétrica V (em kV). estamos geralmente mais interessados em quatro grandezas inter-relacionadas. Alvaro Augusto W. 2) As bases de tensão. corrente e impedância. as bases para as outras duas seguem diretamente. entretanto.  Sb (4.2) Impedância-base em função de Vb e Sb. e Ib  Sb . Prof. 3Vb (4. teremos Zb Vb 2 . Geralmente iremos escolher as bases para tensão (Vb) e para potência (Sb).Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 13 Em princípio. 3) Linhas de transmissão e impedâncias em série e em paralelo não afetam as bases de tensão. 3) Corrente elétrica I (em A ou kA). Apenas transformadores afetam tais bases. Em circuitos trifásicos. há um grande grau de arbitrariedade na escolha do valor base para determinada grandeza.3) Corrente-base em função de Vb e Sb. Em sistemas de potência. Escolhendo-se as bases para duas das grandezas acima. 4) Impedância Z (em W). corrente e impedância transformam-se de acordo com as relações de transformação usuais dos transformadores. o que fará com que as respectivas bases sejam também inter-relacionadas. 2) Potência aparente S (em MVA). Observações: 1) A potência-base é única e uma só para todos os barramentos do sistema em análise. que é o caso usual. O exemplo a seguir esclarece essas características das bases das diversas grandezas. calculando as bases para impedância (Zb) e corrente (Ib).

pois linhas de transmissão não afetam as bases de tensão:  Vb3  138 kV As impedâncias-base podem ser obtidas a partir da potência-base e das tensões-base Z b1 V   13.2  As reatâncias do gerador e do transformador podem ser facilmente convertidas para pu xG1  xT12  j10%  xG1  j 0. A tensão-base na barra 1 é Vb1  13. Alvaro Augusto W.2  Z b3  Z b2  Zb3  952. Considere que a potência-base é 20 MVA e que a tensãobase no primeiro barramento é 13. ou seja Vb2  kT12  Vb1  138 kV  13.8  Vb2  138 kV 13.2 Solução.8 kV A tensão-base na barra 3 é igual à tensão-base na barra 2.8 kV .10 pu 100 j12%  xT12  j 0.12 pu 100 Prof.522  Z b2 V   138 kV  2 b2 2 Sb 20 MVA  Zb2  952.2.1 Sistema para o Exemplo 4. Converta para pu as impedâncias do sistema abaixo e determine as bases de tensão e de impedância em cada barramento. de Almeida – UTFPR .8 kV  2 b1 2 Sb 20 MVA  Zb1  9. Figura 4.8 kV. A tensão-base na barra 2 pode ser obtida considerando-se a relação de transformação do transformador.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 14 Exemplo 4.

teremos Prof. Sbn = potência-base nova (sistema).2 Ω 4. as bases do sistema em análise geralmente são diferentes das bases dos equipamentos.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 15 A reatância em pu da linha de transmissão pode ser obtida dividindo-se a reatância em ohms pela impedância-base nas barras 2 e 3 xLT12  j80 Ω  xLT12  j 0. devemos escrever Z npu  Z vpu  2 2 Z bv . Sejam inicialmente as variáveis abaixo: Sbv = potência-base velha (equipamento). Logo. Z npu = impedância em pu na base nova. em ohms. Z vpu = impedância em pu na base velha. Z bn Substituindo Zbv  Vbv  / Sbv e Zbn  Vbn  / Sbn . Contudo. Z  = impedância original do equipamento. vêm Z  Zvpu  Zbv  Z npu  Zbn . sendo necessário transformar de uma para outra e vice-versa. Alvaro Augusto W. Vbn = tensão-base nova (sistema).3. Queremos obter a impedância em pu na base nova em função da impedância em pu na base antiga. Retomando a definição de pu. Mudança de base As impedâncias de equipamentos tais como geradores. motores e transformadores são geralmente expressas pelo fabricante nas respectivas bases nominais. Vbv = tensão-base velha (equipamento).084 pu 952. Z bn Igualando Z  nas expressões acima. de Almeida – UTFPR . podemos agora escrever Z vpu  Z Z bv e Z npu  Z .

Figura 4. Sbv  Vbn    2 (4. ou seja Vb2  125 kV  15  Vb2  135.87  Vb4  6.87 kV 13. nas bases do sistema. A tensão-base na barra 2 pode ser obtida a partir de Vb1 . Exemplo 4. que a potência-base é 50 MVA e que a tensãobase na barra 1 é 15 kV.50 kV 138 kV A única impedância-base que interessa é a das barras 2 e 3. A tensão-base na barra 1. foi arbitrada em 15 kV. Vb1 .6 kV 135.2 Sistema para o Exemplo 4.4) Mudança de bases de uma impedância em pu. de Almeida – UTFPR . pois somente nesse trecho temos impedâncias em ohms que devem ser convertidas para pu Z b2  Z b3  V   135.87 kV A tensão-base na barra 4 pode ser calculada da mesma maneira Vb4  6. T12 e T34 podem agora ser expressas em pu e transformadas para as bases novas (do sistema) Prof. Alvaro Augusto W.8 kV A tensão-base na barra 3 é igual à tensão-base na barra 2 Vb3  135.21  As reatâncias de G1.3. no sistema abaixo.3 Solução. Considerando.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 16 Z pu n Z pu v V  S  bn   bv  .87 kV 2 b2 2 Sb 50 MVA  Zb2  369. converta todas as impedâncias para pu.

Figura 4. Considere inicialmente o modelo de circuito equivalente de um transformador genérico de dois enrolamentos.50 pu 50 MVA Sabendo agora que todos os elementos do sistema podem ser representados por meio de suas impedâncias.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 17 50  15  xG1  j 0. referência. Transformador de dois enrolamentos Podemos agora mostrar que a impedância em pu de um transformador de dois enrolamentos é a mesma. podemos desenhar o diagrama da Figura 4.4. independentemente do lado que se tome como. de Almeida – UTFPR .3 Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.08      xG1  j 0.3 4. como mostrado na Figura 4.10  xT34 2 50  13.0846 pu 50  15  2 2 50  138   j 0. Alvaro Augusto W. Prof.872 / 50 LT23 A carga na barra 4 também pode ser escrita em pu S4  25 MVA  S4  0.3 a seguir.1547 pu 40  135.2709 pu 2 Zb2 Vb 2  / Sb 135.4.87  A reatância da linha de transmissão pode finalmente ser calculada como xLT23  j100 j100 j100    x  0.8     xT12  j 0.12      xT34  j 0.1333 pu 30  15  xT12  j 0. no qual os parâmetros do secundário foram referidos ao primário por meio da relação de espiras k=N1/N2. .

Sendo assim. o ramo de excitação pode ser removido. em /fase. resultando no circuito equivalente mostrado no Figura 4. logo. O circuito equivalente simplificado resultante é mostrado na Figura 4. O procedimento matemático de se referir as impedâncias do secundário ao primário permite substituir o acoplamento magnético do transformador por um acoplamento elétrico. xm = reatância de magnetização. a menos das defasagens adequadas de tensões e correntes. pois transformadores de potência são construídos com condutores de seção reta elevada e. pois os circuitos para as demais fases são idênticos. Assim. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR . mais fácil de ser tratado. k 2 r2 = resistência elétrica do secundário referida ao primário.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 18 Figura 4.5. de baixa resistência elétrica. Uma segunda simplificação é possível.6. são: r1 = resistência elétrica do primário. que é sempre o nosso caso. e desde que o transformador esteja próximo à condição nominal.4 Circuito equivalente por fase de um transformador de dois enrolamentos O circuito é ilustrado para uma fase apenas. Prof. Os parâmetros do circuito equivalente. a corrente de excitação I é  desprezível frente à corrente do primário I1 . as resistências r1 e r2 podem ser desprezadas frente às reatâncias x1 e x2 .  Em transformadores de potência. rc = resistência elétrica correspondente às perdas no núcleo (histerese e Foucault). k 2 x2 = reatância de dispersão do secundário referida ao primário. x1 = reatância de dispersão do primário.

referida ao lado de baixa tensão. Alvaro Augusto W. Figura 4. xT A = reatância total. xB = reatância própria do lado de baixa tensão. também conhecido como ensaio de corrente nominal. Sejam inicialmente: x A = reatância própria do lado de alta tensão. resultando em xT  x1 / k 2  x2 . A reatância total referida ao lado de alta será xTA  xA  k 2 xB . Contudo.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 19 O transformador de potência pode assim ser representado por uma única reatância referida ao primário. xT independe de que lado tomamos como referência. essa mesma reatância pode também ser referida ao secundário. de Almeida – UTFPR .6 Circuito equivalente simplificado final de um transformador de dois enrolamentos A reatância xT=x 1 + k2x2 pode ser obtida por meio do ensaio de curto-circuito. referida ao lado de alta tensão. xTB = reatância total. Prof. quando expressa em pu. Podemos agora mostrar que. As reatâncias referidas ao primário e ao secundário serão tanto mais diferentes entre si quando maior for o valor da relação de transformação k.5 Circuito equivalente simplificado de um transformador de dois enrolamentos Figura 4.

pu xTpu  x A  A V  / S 2 bB xB pu pu  x A  xB . são iguais. vem   x pu TA x pu A V / V  x  V  / S 2 bA bB 2 bA b B . b (4.5) De forma semelhante. poderá ser escrita como xTpu B ou xA  xB 2  k . xTpu  B V  / S 2 bA xA pu pu pu  xB  x A  xB . de um transformador. k2 a qual.6) Comparando (4. de Almeida – UTFPR .6). A B (4. b (4. vem que pu pu xTpu  xTpu  xA  xB . convertida para pu. podemos escrever a reatância referida ao lado de baixa como xTB  xA  xB . Alvaro Augusto W. poderá ser escrita como xTpu  A x A  k 2 xB . Z bA 2 Sabendo ainda que Z bA  VbA / Sb e k  VbA / VbB . em pu. convertida para pu. Sabendo que as reatâncias de um transformador. ou. em pu.5) e (4.7) Reatância total. ainda pu TB V / V  x  V  / S 2 bB bA 2 bB b A pu  xB . independente do lado ao qual forem referidas. segue também que a relação de transformação k. Z bB x ou. é unitária Prof. em pu.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 20 a qual.

com o terminal de alta tensão aberto.  xab = reatância de dispersão entre os terminais de alta e de baixa tensão. deveremos adotar a representação da Figura 4.7(a). pois podemos tratar transformadores como meras impedâncias.7(b). não podemos usar as transformações  →Y estudadas em circuitos elétricos. de Almeida – UTFPR . Essa é provavelmente a maior vantagem do uso do sistema pu. Transformador de três enrolamentos Transformadores de três enrolamentos são bastante comuns em sistemas de potência e podem ser representados em diagramas unifilares por meio do símbolo unifilar da Figura 4. com o terminal de média tensão aberto. Alvaro Augusto W.  xmb = reatância de dispersão entre os terminais de média e de baixa tensão. Assim. mas devemos salientar que há pouco em comum entre este delta e as ligações homônimas comuns em circuitos trifásicos. com o terminal de baixa tensão aberto. O modelo resultante é uma espécie de delta. contudo.8) Relação de tensões de um transformador. em pu. Prof.5. (4. sem nos preocuparmos com referências a enrolamentos e fatores de transformação. Para fins de cálculos.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 21 k pu  xTpu A xTpu B  1. onde:  xam = reatância de dispersão entre os terminais de alta e de média tensão. 4.

Figura 4. podemos escrever xam  xa  xm . (b) modelo em delta de um transformador de três enrolamentos Para facilitar os cálculos e evitar a circulação de correntes fictícias. sempre com o terceiro a vazio. conforme a Figura 4. Alvaro Augusto W.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 22 Figura 4.11) Resolvendo o sistema acima. teremos Prof.8 Modelo em estrela de um transformador de três enrolamentos Tomando os enrolamentos aos pares. podemos converter o modelo delta para um modelo estrela.7 (a) Símbolo unifilar de um transformador de três enrolamentos.9) (4.8. xab  xa  xb xmb  xm  xb (4.10) (4. de Almeida – UTFPR .

  * V * Va I a  a I ab . (4. 4. xb  1 2 xab  xmb  xam  . Transformador com tap fora do valor nominal Muitas vezes os transformadores operam fora da tensão nominal. que correspondem ao transformador ideal.  a* Prof. Tensão nominal do lado de AT Tensão do lado de BT . Entre as barras a e r. um transformador ideal de relação a : 1 em série como uma admitância yT . xm  1 2 xam  xmb  xab  . podemos escrever   Sa  Sr . e. que representa o transformador quando operando no tap nominal.17) O transformador fora do tap nominal pode agora ser modelado como na Figura 4.16) (4. assim. Iniciamos definindo uma variável auxiliar  a onde  A .6.  *    * Va I a  Vr I r*  Vr I ab . Alvaro Augusto W.  a Finalmente.12) (4.15)  A  B Tensão do lado de AT .   I I a  ab . por meio de taps (derivações). B (4. ainda. Tensão nominal do lado de BT (4.14) Reatâncias de um modelo Y para um transformador de três enrolamentos. ou. ou se-   ja.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 23 xa  1 2 xam  xab  xmb  . de Almeida – UTFPR (4. precisamos desenvolver um modelo para esses casos. ou.13) (4.18) .9.

15) acima é formalmente idêntica à equação matricial de um circuito equivalente .20)    I a   yT / a 2  yT / a*  Va               yT  Vb   I b   yT / a (4.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 24 Figura 4. de Almeida – UTFPR .19) Da mesma forma.21) A equação (4.  y     I b   T  Va  yT  Vb . a     ou.10.  a Escrevendo (4. conforme mostrado na Figura 4. Alvaro Augusto W.20) sob forma matricial.   a  ou.9 Modelo inicial para o transformador com tap fora do valor nominal  Podemos também escrever a corrente I ab em função das tensões nas barras r e b.   y   y  I a  T  Va  T  Vb . e que pode ser escrita como Prof.19) e (4. 2 * a a (4. podemos escrever a seguinte relação para a corrente no lado de baixa   V        I b  I ab  Vb  Vr yT  Vb  a  yT . ou seja  V         I ab  a* I a  Vr  Vb yT   a  Vb  yT . teremos (4.

22)   Yaa  yT / a 2   Ybb  yT    Y   y / a* ab T (4.22). segue-se que devemos ter a  a* . teremos (4. enquanto y representa uma admitância física do circuito. mas não o  ângulo de fase.10 Modelo  para o transformador com tap fora do valor nominal Escrevendo as equações nodais para o sistema da Figura 4. o que significa que. os taps do transformador apenas alteram o módulo da tensão. Alvaro Augusto W.       I b  Vb yb  (Vb  Va ) yab ou. como sabemos. teremos Prof.23)    Yba   yT / a Lembrando que uma das propriedades dos elementos da matriz admitância nodal é que     Yab  Yba . Y representa um elemento da matriz admi-   tância nodal [Y ] .21) e (4.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 25      I a  Yaa Yab  Va            I b  Yba Ybb  Vb  Igualando (4. ou seja. a deve ser um numero real.       I b  Va yab  Vb  yb  yab  Escrevendo as equações acima sob forma matricial.10. de Almeida – UTFPR . Figura 4. na nossa notação. Note também que.      I a  Va  ya  yab   Vb yab . teremos       I a  Va ya  (Va  Vb ) yab .

  Comparando as equações (4. segue-se que (4.29) Note que.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 26     I a   ya  yab       I b    yab       yab  Va  Yaa Yab  Va                yb  yab  Vb  Yba Ybb  Vb  (4. os elementos Yii são iguais à soma de todas as admitâncias que se ligam ao   nó i. Alvaro Augusto W. a2  yT a  1 a  yT a (4. Prof. de Almeida – UTFPR .25). e voltaremos ao modelo original de um transformador de potência de dois enrolamentos.28)  yab  (4. se tivermos a=1.25) ab  Em resumo.26). se ambos os taps do transformador estiverem na ten-      são nominal.24) As regras de formação da matriz admitância nodal podem ser escritas como:    Yaa  ya  yab    Ybb  yb  yab    Y  Y  y ab ba (4. enquanto a admitância Yij  Y ji é igual ao recíproco da admitância física que liga os nós i e j. teremos ya  yb  0 e yab  yT  1 / xT .26)  ya   yb   yT 1  a  . ou seja. teremos    yT / a 2  ya  yab    yT  yb  yab    yT / a   yab    yT / a   yab Das equações (4.27) Admitâncias de um transformador com tap fora do valor nominal. e considerando também que a  a*  a . (4.23) e (4.

que é um elevador de tensão Vb2  kT12  Vb1  138 kV 15  Vb2  138 kV 15 kV Sabendo que não há queda de tensão-base em uma linha de transmissão. A tensão-base na barra 2 pode ser obtida a partir da relação de transformação do transformador 1-2. de Almeida – UTFPR . pede-se: (a) considerando que a potência-base é100 MVA e que a tensão-base é 15 kV no barramento 1. (b) apresente os resultados em diagrama unifilar. Primeiramente devemos calcular as tensões-base em cada um dos barramentos. converta os parâmetros do sistema abaixo para pu.11 Sistema para o Exemplo 4. as tensões-base nas barras 2 e 3 serão iguais Vb3  138 kV As tensões-base nas barras 4 e 5 são calculadas a partir das relações de transformação do transformador de três enrolamentos 3-4-5. a tensão-base na barra 7 decorre da relação de transformador do transformador abaixador 6-7 Prof.4. na forma retangular. Figura 4.4 kV Finalmente.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 27 Exemplo 4. é Vb1  15 kV .4 kV 230 kV 13.8 kV 138  Vb2  8.28 kV 230 kV Vb6  Vb4  Vb6  41.11. Alvaro Augusto W.4 Solução. Para o sistema da Figura 4. que é um abaixador de tensão Vb4  kT34  Vb3  Vb5  kT35  Vb3  69 kV  138  Vb2  41.

3395  j 0. de Almeida – UTFPR .4012  xb  j 0. mas está expressa nas bases 230 kV e 50 MVA.1 100  13. Devemos então convertê-las para o modelo estrela da Figura 4.1667 pu 50  138  2 As reatâncias do transformador 3-4-5 já estão nas tensões-base corretas.8 xa  1 2 xam  xab  xmb   1 2  j 0.3395  j 0. Aplicando a relação (4. teremos a seguinte relação para o transformador 1-2 100  15  xT12  j 0. Logo.4  Vb7  10.13     xam  j 0.1058 pu 80  15  Da mesma forma.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 28 Vb7  kT67  Vb6  11 kV  41.8333  j 0.03  100  230     xLT23  j 0. Sbv  Vbn    2 2 xG1  j 0.8333 pu 50  138  xmb 100  69   j 0.7(b).8950 pu xb  1 2 xab  xmb  xam   1 2  j 0.4). Alvaro Augusto W.517 kV 3  25 kV O cálculo da reatância do gerador 1 é um caso de mudança de base.4012  j 0.8     xG1  j 0. teremos Z pu n Z pu v V  S  bn   bv  .11    xmb  j 0.3395 pu 90  41.4012 pu 90  138  2 100  230  xab  j 0.3395  xa  j 0.7716 pu xm  1 2 xam  xmb  xab   1 2  j 0.1222 pu 90  15  A reatância da linha de transmissão 2-3 já está em pu.15     xab  j 0.8333  xm   j 0. devemos fazer uma mudança de bases 2 xLT23  j 0.4  2 2 As reatâncias acima correspondem ao modelo delta da Figura 4.4012  j 0.8333  j 0.0926 pu Prof. bastando mudar as bases de potência 100  230  xam  j 0.11     xT12  j 0.

Para o sistema da Figura 4. Exemplo 4.12     xG7  j1.0667 pu 75  13. sabendo que a tensão na barra 5 é 1.8  2 Prof. Todas as reatâncias estão em pu.5. as reatâncias do gerador e dos transformadores já estão nas tensões-base corretas. de Almeida – UTFPR .4    2 Finalmente. teremos xT67 100  25 3    xT67  j 0. em pu e em volts. todas as tensões-base já são iguais às respectivas tensões nominais.1669 pu 2 (Vb 4 ) / Sb (41.8  xG1  j 0. as tensões dadas são de fase e a potência é monofásica.12 Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.4.08   3  10  41. Alvaro Augusto W.0 pu e considerando Sb=50 MVA e Vb1=13.2917 pu  j 0.8 kV. Fazendo Vb1=13.8 kV. (b) a tensão na barra 1. ou seja xLT46  j 20 j 20   xLT46  j1.2205 pu 20  10.517  2 Figura 4.4) 2 / 100 O cálculo da reatância do transformador 6-7 exige algum cuidado. Logo. Para convertê-la para pu devemos dividila pela impedância-base do trecho 4-6. Basta reescrevê-las para a nova potência-base. pois se trata de um banco trifásico com três unidades monofásicas. Assim. em pu e em amperes. pede-se: (a) a corrente na barra 5. a reatância-base do gerador 7 será 100  15  xG7  j 0. Além disso.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 29 A reatância da linha 4-6 está expressa em ohms.1     xG1  j 0. Logo 50  13. Solução.13.

14 Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.5 As reatâncias das linhas podem ser convertidas para pu dividindo-as pelas respectivas impedâncias-base xLT23  j50 j50   xLT23  j 0. Figura 4.2100 pu 2 (Vb 4 ) / Sb (69) 2 / 50 xLT45  Devemos converter para pu também as potências nas barras 4 e 5.1000 pu 60  138  Figura 4.8  2 2 xT34 50  138   j 0. Todos os valores em pu Prof.12      xT34  j 0.14.0444 pu 90  13. Alvaro Augusto W.08  50  13.5.6 pu 50 O diagrama unifilar simplificado resultante é mostrado na Figura 4.4 pu 50 P5pu  30  P5pu  0.1313 pu 2 (Vb 2 ) / Sb (138) 2 / 50 j 20 j 20   xLT45  j 0.13 Sistema para o Exemplo 4.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 30 xT12  j 0. de Almeida – UTFPR . dividindo-as pela potência-base S4pu  20  S4pu  0.8     xT12  j 0.

667  25.093 ou   V1 pu  1.7756  0.3744 pu   A corrente entre as barras 1 e 4 será a soma de I 4 e I 5 .093 pu Finalmente.236118. ou seja  pu  pu   I 45  I 4pu  I 5pu  0.33  V1  17.84  V4pu  1. a corrente em amperes na barra 5 será I 5  I 5pu  I b5  0.8 kV.2757 1.6  I 5pu  0.7756  j 0.0393  23.0  j 0.05818.06856.8 1.667  25.84  I 45  1.33 kV Prof.06856.4  I 4pu  0. a tensão em volts na barra 1 será   V1  13. ou seja S4pu  V4pu I 4pu ou 1.3744  18. Alvaro Augusto W.286566.667 pu A corrente-base na barra 5 é I b5  Sb 50  106   418.37 A 3Vb5 3  69  103 Logo.21 0.195  0.93 A Para calcular a tensão na barra 1 devemos antes calcular a tensão na barra 4     V4pu  V5pu  jx45  I 5pu  1.0  I 5pu  0. a tensão na barra 1 será    pu V1 pu  V4pu  jx14  I 45  1.7756 pu A corrente na barra 4 pode ser obtida a partir da tensão e da potência nessa barra.907  V1 pu  1.06856.236118.33 pu Sabendo que a tensão-base na barra 1 é 13.37  I 5  278. de Almeida – UTFPR . ou seja P5pu  V5pu I 5pu cos 45 ou 1.9  0.0685  I 4pu  0.0393  23.667  418.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 31 A corrente na barra 5 pode ser obtida a partir da tensão e da potência nessa barra.

Todos os parâmetros são expressos em ohms por fase. A situação seria muito mais complicada se.  2 o fluxo magnético por polo produzido pelo rotor. a solução analítica do sistema seria muito difícil ou mesmo impossível. Ao escrevermos as equações do circuito. o gerador síncrono é uma fonte de corrente quase ideal. Com o aumento do número de barras. de maneira isolada ou conectado ao sistema. se tivéssemos a tensão na barra 1 e potência na barra 5. em vez de termos a tensão e a potência na barra 5. x1 é a reatância de dispersão da armadura. O segundo circuito é o campo. perceberíamos que o sistema de equações resultantes seria não linear. Prof.30) Força eletromotriz induzida em cada fase de uma armadura a vazio. Quando alimenta uma carga qualquer. Sendo N f o número de espiras por fase da armadura. r1 é a resistência ôhmica da armadura e rc é a resistência de perdas no núcleo (histerese e Foucault). Nesse caso. usualmente representada em série. ainda.5 ilustra um cálculo elementar de fluxo de potência. onde xm é a reatância de magnetização.0. (4. onde k1w é. Modelos de geradores síncronos Um gerador síncrono é composto por dois circuitos acoplados magneticamente. O primeiro é a armadura trifásica. a ten-   são nos terminais do gerador será V1  E f . a força eletromotriz E f induzida em cada fase da armadura a vazio será E f  2f1 N f  2 kw . no qual desejamos calcular a tensão e a potência em cada um dos barramentos. Contudo. localizada no estator e responsável pela transferência de potência elétrica AC entre a máquina e o sistema de potência ao qual ela se conecta. indicando a presença de uma impedância interna. Alvaro Augusto W. como veremos no capítulo 7. tipicamente maior do que 0. ou seja. de modo a produzir um fluxo magnético constante. de Almeida – UTFPR . o inverso acontecesse. desejando a tensão na barra 1. o fator de enrolamento da armadura.85 e menor ou igual a 1. localizado no rotor e alimentado com corrente contínua. por causa do desacoplamento elétrico entre campo e armadura.7. métodos mais genéricos e poderosos devem ser desenvolvidos.15. f1 a frequência das correntes da armadura. 4. desejando a tensão na barra 5. podendo ser representado inicialmente como na Figura 4.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 32 O Exemplo 4.

15 Modelo inicial de um gerador síncrono trifásico É possível fazer algumas simplificações no circuito da Figura 4.16. é adequado a geradores síncronos de polos lisos. sempre da “classe MVA”. e podemos fazer rc // xm  xm . Prof.15. algumas modificações devem ser introduzidas. os condutores da armadura têm bitola larga a ponto da resistência r1 ser desprezível. O resultado é o circuito da Figura 4. que geralmente é o caso de hidrogeradores. que consiste de um equivalente Norton em série com uma reatância de dispersão jx1. mostrado na Figura 4.17. o equivalente Norton pode ser convertido em um equivalente Thévenin. Nos geradores comuns em sistemas de potência. de Almeida – UTFPR . O circuito equivalente final. o que significa que a resistência rc é muito grande em comparação com xm. Para geradores de polos salientes. as quais serão objeto do capítulo 9. As perdas no núcleo também são desprezíveis. no   qual E f  jxm I f e xd  xm  x1 é denominada reatância síncrona de eixo direto. Figura 4.16 Modelo intermediário de um gerador síncrono trifásico Finalmente.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 33 Figura 4. Alvaro Augusto W. que geralmente é o caso de turbogeradores.

em um gerador.31) e (4. pois sua taxa de decaimento não é constante. a equação fasorial correspondente pode ser escrita como    E f  V1  jxd I1 . Por causa do caráter indutivo do gerador. A única modificação necessária para transformar o gerador descrito pela equação (4. (4. mas se comportará como mostrado na Figura 4. que o curto ocorre exatamente quando a tensão alternada do gerador é instantaneamente nula.32) descrevem bastante bem o comportamento da máquina síncrona de polos lisos funcionando em regime permanente. As equações (4. a corrente não atingirá imediatamente um valor de regime constante. de Almeida – UTFPR . resultando na seguinte equação    E f  V1  jxd I1 .32) Equação fasorial de um motor de polos lisos em regime permanente. Vamos supor também.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 34 Figura 4. Alvaro Augusto W. o sentido da corrente de armadura I1 é da máquina para a carga. Para evitar a dificuldade de se traba- Prof.31) Equação fasorial de um gerador de polos lisos em regime permanente. por simplicidade. (4.17 Modelo de circuito equivalente de um gerador síncrono de polos lisos Considerando que. No caso de geradores funcionando em regime transitório deveremos introduzir correções nas reatâncias síncronas.31) em um motor síncrono é a mudança do sentido da corrente. Vamos supor que um gerador síncrono esteja funcionando a vazio quando um curtocircuito trifásico ocorre.18. A envoltória da senoide é uma exponencial mais complexa do que o usual.

caracterizado pela reatância transitória de eixo direto. 3) Período de regime permanente: corresponde ao período após a corrente ter se estabilizado. de Almeida – UTFPR . durante o qual a corrente decai mais lentamente. cada um deles caracterizado por uma reatância síncrona: 1) Período subtransitório: corresponde aos primeiros ciclos após o curto. o das correntes de curto assimétricas. xd ' . Prof. Note que a relação entre as reatâncias síncrona xd e subtransitória xd ' ' pode chegar a 11 vezes no caso do gerador de polos salientes.18 Corrente de armadura de um gerador síncrono em curto-circuito trifásico simétrico A Tabela 4. costumamos definir três períodos de tempo. as quais têm uma componente contínua que as desloca para cima ou para baixo. A corrente de curto da Figura 4. Como veremos no capítulo 5.18. Uma corrente assimétrica corresponde a uma corrente simétrica mais uma componente contínua que decai exponencialmente. 2) Período transitório: corresponde ao período após o período subtransitório e antes da corrente ter se estabilizado. durante os quais a corrente decai muito rapidamente. Alvaro Augusto W. caracterizado pela reatância síncrona de eixo direto usual. é um caso particular de um caso mais geral. essa diferença torna bastante crítica a escolha do período no qual devemos calcular as correntes de curto-circuito. caracterizado pela reatância subtransitória de eixo direto. denominada corrente de curto simétrica. Figura 4.1 mostra os valores típicos das reatâncias de algumas máquinas síncronas. xd . xd ' ' .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 35 lhar com uma quantidade muito grande de constantes de tempo.

35 0. ou o modelo  .23 Motor de polos salientes 1.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 Tabela 4. Alvaro Augusto W.10 Gerador de polos salientes 1. de Almeida – UTFPR . Figura 4. mas inferior a 240 km são denominadas linhas médias.35 36 4. xd’ (pu) Subtransitória. Em ambos o termo jBc  ( jxc ) 1 representa a susceptância total da linha.20 0.10 0.2 Linha média Linhas cujo comprimento é superior a 80 km.10 0. xd’’ (pu) Gerador de polos lisos 1. Modelos de linhas de transmissão Ao contrário do que acontece com as redes de distribuição.8. Nesse caso as capacitâncias entre a linha e o terra não podem ser desprezadas e deveremos usar o modelo T. o que permite a classificação de tais equipamentos em três tipos básicos: linhas curtas. responsável pelas perdas por efeito Joule. quando em regime. é  adotado um modelo simplificado que nada mais é do que uma impedância Z LT  rLT  jx LT por fase. operam geralmente de maneira equilibrada.19. conforme representado na Figura 4. representado de maneira unifilar como na Figura 4.21.8. Neste modelo. Ambos os parâmetros são especificados em ohms por fase.8. as linhas de transmissão trifásicas.1 – Reatâncias típicas de máquinas síncronas Reatância Síncrona.19 Modelo de uma linha de transmissão curta 4. 4. Prof. conforme representado na Figura 4. linhas médias e linhas longas. e xLT é a reatância indutiva da linha.50 0. Nesse caso.10 0.20.1 Linha curta Linhas de transmissão curtas são aquelas de comprimento inferior a 80 km. rLT é a resistência ôhmica. xd (pu) Transitória.

Neste modelo as impedâncias série e susceptâncias paralelas são consideradas uniformemente distribuídas ao longo da linha.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 37 Figura 4. resultam em Prof. as quais.21 Modelo  de uma linha de transmissão média 4. Daremos sempre preferência ao modelo  e. de Almeida – UTFPR .20 Modelo T de uma linha de transmissão média Note que a única diferença entre os modelos  e T é uma distribuição diferente da impedância série e da susceptância paralela ao longo do trecho em questão. é este o modelo que deve ser usado. uma vez resolvidas. ambos os modelos se reduzem ao modelo de linha curta.8.3 Linha longa Linhas de comprimento superior a 240 km são consideradas longas. podemos escrever equações diferenciais parciais para a linha. caso no qual o modelo completo da linha de transmissão deve ser usado. Quando a capacitância em paralelo for desprezível. o que significa Bc   . Figura 4. e que l é o comprimento total da linha. Considerando   que z e b são. respectivamente. quando nada for mencionado. Alvaro Augusto W. a impedância e a susceptância por unidade de comprimento.

22. não faz muita diferença se o modelo a ser utilizado é para linha média ou linha longa. ilustrada de forma genérica na Figura 4. a determinação das exigências futuras é um problema estatístico. nível de renda.9 Modelos de cargas Dentre os vários parâmetros de um SEP a carga dos consumidores é a de determinação mais difícil. decorre de hábitos de consumo. 4. Figura 4. os   parâmetros Z eq e Beq podem ser inseridos em um circuito equivalente T. ou . Em nossas simulações as impedâncias e susceptâncias da linha de transmissão sempre serão parâmetros conhecidos. como na Figura 4. Assim.  (4.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 38  z  senh(l )  Z eq  .34) onde o parâmetro   zb é denominado constante de propagação.33) Parâmetros de uma linha de transmissão longa. etc. Alvaro Augusto W. Depois de calculados. forma de tarifação. como na Figura 4. Caso a linha seja longa. de Almeida – UTFPR . A curva de carga de um dado barramento de distribuição. temperatura.  2b  tanh(l / 2)  Beq  .  (4.20.21. cada um absorvendo energia de acordo com sua exigência individual. simplesmente consideraremos que alguém já   calculou Z eq e Beq para nós.22 Curva de carga típica de um barramento de distribuição Prof. Considerando que o valor da carga varia de segundo a segundo e que existem milhões de consumidores.

esse tipo de GLD não teria sentido econômico para consumidores residenciais. A finalidade é incentivar a migração do consumo residencial do horário de ponta para o horário fora de ponta. de escolha da distribuidora. de Almeida – UTFPR . que incluiu simultaneamente demanda e energia. significa que todas as unidades geradoras estão sendo utilizadas a plena carga durante o perío- Prof. seja para outro tipo de uso. O horário de ponta. no Brasil. em R$/kWh no horário de ponta. também em R$/kWh. para utilização no horário de ponta. existem também tarifas binômias para consumidores residenciais. Alvaro Augusto W. enquanto a energia tiver o mesmo preço dentro e fora da ponta. por exemplo. nos quais existe algum tipo de Gerenciamento pelo Lado da Demanda (GLD). A energia é cobrada em R$/MWh. Uma maneira relativamente fácil de implantar a GLD em um país como o Brasil seria. compreendido entres as 17h e as 22h. Em países mais desenvolvidos. enquanto nos consumidores residenciais predominam as cargas de aquecimento e iluminação. pré-aquecer a água durante o período fora de ponta. no horário fora de ponta. com valores também diferentes para períodos úmido (dezembro a abril) e seco (maio a novembro). do tipo horo-sazonal. No Brasil a tarifa dos consumidores residenciais é monômia.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 39 A carga total do sistema pode. ou seja. ser repartida entre usuários industriais e residenciais. existe apenas uma tarifa. grosso modo. armazenando-a em reservatórios térmicos especiais. O fator de carga ideal deve ser elevado. é definido como o período de três horas consecutivas. seja para o banho. Alguns conceitos importantes no estudo das cargas de SEPs são os seguintes: 1) Demanda máxima: valor médio da carga durante o intervalo de tempo de meia hora em que a demanda é máxima. reduzindo a necessidade de investimentos em distribuição para atendimento ao horário de ponta. 2) Fator de carga: relação entre a demanda média e a máxima em um determinado intervalo de tempo. e mais barato. Nesse tipo de tarifa a demanda é cobrada em R$/kW. com valores diferentes para períodos de ponta e fora de ponta. especificada em R$/kWh. Nesse caso o consumidor paga mais caro. Caso seja unitário. Já consumidores industriais são geralmente tarifados por meio de uma tarifa binômia. A potência consumida pelos consumidores industriais varia de um terço nas horas de pico até metade nas horas de carga mínima. Contudo. Uma diferença muito importante entre os dois tipos de consumidores é que nos industriais existe uma porcentagem elevada de motores de indução (cerca de 60 por cento).

com os consumidores absorvendo energia como na Figura 4. sendo baixo para cargas de iluminação (cerca de 12 %) e elevado para cargas industriais. Isso. isto é. este fator é muito maior que a unidade.23 Representação dos extremos do fator de diversidade de uma instalação com dois consumidores Em estudos de fluxo de potência o ideal seria realizar um estudo para cada hora da curva de carga da Figura 4. No caso da demanda máxima de todos os consumidores ocorrer simultaneamente. Em um sistema de quatro consumidores o fator de diversidade poderia ser elevado. é pouco descritivo para estudos de sistemas de transmissão (tensões iguais ou superiores a 230 kV). Este fator mede a diversificação da carga e diz respeito à capacidade de geração e transmissão instalada. em estudos de transmissão geralmente adotamos o modelo de três patamares (cargas média. leve e pesada) da Rede Básica brasileira.22. dever-se-ão instalar muitos outros geradores. de Almeida – UTFPR . especialmente para consumidores residenciais. 3) Fator de diversidade: relação entre a soma das demandas máximas individuais dos consumidores e a demanda máxima do sistema. conforme mostrado na Tabela 4. Figura 4.2. o modelo de dois patamares (ponta e fora de ponta) adotado no nível de distribuição (tensões inferiores a 230 kV). Prof. Felizmente. além de exigir uma previsão de cargas muito complexa. Seu valor varia com a natureza da carga. contudo. Por outro lado. exigiria um esforço computacional muito grande.23. Alvaro Augusto W. fator de diversidade unitário.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 40 do considerado. Assim.

2 – Definição dos patamares de carga da Rede Básica brasileira Patamar de carga Sem Horário de Verão 2ª feira à sábado 0h às 6h59 7h às 17h59 21h às 23h59 18h às 20h59 Domingos e feriados 0h às 16h59 22h às 23h59 17h às 21h59 ─ Com Horário de Verão 2ª feira à sábado 0h às 6h59 7h às 18h59 22h às 23h59 19h às 21h59 Domingos e feriados 0h às 17h59 23h às 23h59 18h às 22h59 ─ 41 Leve Média Pesada Para nossos fins. barramentos e outros equipamentos elétricos.3 – Tipos de faltas e estatísticas Tipo de falta Fase-terra Bifásico (fase-fase) Bifásico-terra (Fase-fase-terra) Trifásico Trifásico-terra Causa desconhecida 69 kV 38. indicando potência absorvida.29.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 Tabela 4.0% 0.6% 11.7% 2.0% 5. como na Figura 4. como na Figura 4. ou por meio de impedâncias. e têm os seguintes objetivos gerais: 1) Ajustar relés de proteção e selecionar fusíveis. Os tipos de curto-circuito em um sistema trifásico são listados na Tabela 4. Estudos de curto-circuito são necessários não só em sistemas de potência. 5) Permitir o dimensionamento de malhas de terra e de cabos para-raios.3 abaixo. juntamente com o fator de potência.0% 12.31.7% 10.2. 3) Estimar as consequências das correntes de curto sobre cabos. Tabela 4. transformadores.10 Introdução aos estudos de curto-circuito. 4. em um dos patamares da Tabela 4. 6) Determinar as impedâncias corretas dos transformadores de força. as cargas serão usualmente representadas em MVA ou MW.9% 230 kV 47. 2) Selecionar os disjuntores que irão interromper as correntes de curto. No diagrama unifilar as cargas serão representadas por meio de setas. cabos para-raios.3% 1.0% 0.8% 25. seccionadoras. Alvaro Augusto W.7% 138 kV 36. juntamente com as frequências típicas de ocorrência.6% 1. mas também em sistemas industriais.1% 16. 4) Determinar sobretensões em vários pontos do sistema.0% 8.4% 38. de Almeida – UTFPR .7% 37.5% 6.0% Prof.

quando as queimadas se tornam comuns. onde a tensão-base é a tensão nominal do gerador. a tensão mais provável de operação dos geradores é 1. pode agora ser determinada reduzindo-se o sis  tema a um equivalente Thévenin cujas respectivas tensão e impedância são Vth  1. pois. A corrente trifásica (ou trifásica-terra) de curto-circuito franco. A corrente de curto será. em sistemas de pequeno porte e em casos nos quais não se exige muita precisão.0 pu. No período seco.00 e Z th . sem impedância de curto. 3) As capacitâncias em paralelo de linhas de transmissão também são desprezíveis. vendavais. fazendo-se a impedância de curto igual a zero. de Almeida – UTFPR . pelo mesmo motivo anterior. Em linhas de transmissão as causas mais comuns são quedas de árvores. tanto faltas simétricas quanto assimétricas deveriam ser calculadas a partir das técnicas de fluxo de potência.0 pu. Em sistemas de potência. compostos por geradores. sendo denominados faltas assimétricas. A rigor. 2) As cargas são desprezíveis durante o curto. portanto Prof. linhas e demais equipamentos sempre equilibrados. ou seja. Sabendo que a tensão dos geradores de um sistema de potencio pode variar entre 0. fase-fase e fase-fase-terra. Contudo.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 42 As causas dos curto-circuitos são diversas. sendo denominados faltas simétricas. que produzem correntes de curto diferentes em cada uma das fases. O mesmo não acontece com os curtos fase-terra. Em transformadores e geradores as faltas são menos comuns e se devem a erros de operação e manutenção inadequada. por as correntes de curto são iguais em todas as fases. descargas atmosféricas e vandalismo.05 pu. a ocorrência de um curto-circuito desvia das cargas toda a potência produzida pelos geradores. transformadores. podemos desenvolver uma metodologia simplificada. provocando uma falta fase-fase resultando em desligamento de sistemas. os curtos trifásico e trifásico-terra resultam em corrente de neutro nulo. sabendo que o sistema é de pequeno porte (poucas barras). partindo das seguintes considerações: 1) A tensão pré-falta de todos os geradores é igual a 1. Alvaro Augusto W.95 pu e 1. em uma determinada barra do sistema. que serão vistas a partir do capítulo 7. o ar pode se ionizar.

basta adicioná-la a Z . de Almeida – UTFPR . Para o sistema da Figura 4.00  th  . Figura 4.   Z th Z th (4.35) Corrente trifásica de curto-circuito através de uma impedância em um sistema de potência de pequeno porte. juntamente com vários outros conceitos de curto-circuito. calcule a corrente trifásica de curto-circuito na barra 3. desprezamos as cargas e isolamos a barra na qual desejamos calcular a falta.25. em pu e em amperes. O resultado é o diagrama de reatâncias da Figura 4. Prof. Inicialmente.34) Corrente trifásica de curto-circuito franco em um sistema de potência de pequeno porte.6 Solução.24.  onde Z th é a impedância de Thévenin vista da barra onde ocorre o curto-circuito.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 43 I pu cc 3  V 1. substituímos os geradores por suas respectivas impedâncias internas. Considere que a potência-base é 50 MVA e que a tensão-base na barra 3 é 69 kV. O estudo das faltas assimétricas é um pouco mais complexo. Alvaro Augusto W. Exemplo 4. ou seja th pu I cc 3  Vth 1.24 Sistema para o Exemplo 4. Zth Zth  Z f f (4. exigindo técnicas especiais que serão descritas no capítulo 5.00    Z    .6. Caso o curto se   dê através de uma impedância de falta Z f .

vista da barra 3.20  j 0.42)  j 0. de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W.10  j 0.25 Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.279.15 // ( j 0.0 pu  I cc 3   j5.29 A Prof. precisamos antes calcular a correntebase.10 ou.21  j 0.   Zth  j 0. a corrente trifásica de curto-circuito na barra 3 será  pu  pu 1.    pu I cc3  I cc3  I b3   j5.448 pu I cc 3   Z th j 0. pode agora ser calculada  Zth   j 0.10 Zth  j 0.37 A 3Vb3 3  69 103 Assim.1836 pu Considerando as simplificações feitas anteriormente.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 44 Figura 4.42 // j 0.6 A impedância equivalente de Thévenin.37  I cc 3   j 2. que será I b3  Sb 50 106   I b3  418.448  418.0 pu  1.1836 Para converter a corrente de curto para amperes.45 //  j 0.

2651 A respectiva corrente de curto em amperes será S 60 106    pu I cc 3  I cc 3  b   j3.26 Sistema para o Exemplo 4.0504  0.7 Solução.2651 pu A corrente de curto na barra 1.1638 // j 0. Para o sistema da Figura 4.   Zth  j 0.7719    j3. calcule a corrente trifásica de curto-circuito nas barras 1 e 7.063 //  j 0.3 A 3 3Vb3 69 10  3 Prof.893. Figura 4. em pu.1008  j 0.126 Zth  j 0.7. com as barras 3 e 7 abertas. será  pu  pu 1.45  j 0.715  j 0.0 pu  I cc 3   j3.7719 pu I cc 3   Z th j 0.105   j 0. ou seja  Zth  j 0. A impedância equivalente de Thévenin será então a reatância de j0.4 pu do gerador 1 em paralelo com a reatância equivalente à direita da barra 1. as barras 3 e 7 são flutuantes. A Figura 4.66.4 //  j 0. de Almeida – UTFPR .7719  502.16  j 0. pois as cargas nelas são desprezadas.0756.27 ilustra o diagrama de reatâncias resultante após a conversão para pu nas bases indicadas.4 //  j 0. Utilize as bases de 60 MVA e 69 kV na barra 2.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 45 Exemplo 4. Alvaro Augusto W.26.04  I cc 3   j1.0 pu  1. já com as cargas desprezadas e os geradores substituídos por suas respectivas reatâncias internas. Quando o curto ocorre na barra 1.

Alvaro Augusto W.1638  j 0.1638  j 0.7 O curto na barra 7 é um pouco mais complicado.0504  j 0. de Almeida – UTFPR . Usando as fórmulas tradicionais de transformação delta-estrela. pois apenas a barra 3 será flutuante e o diagrama de reatâncias resultante formará um delta entre as barras 2.0756 x24 x46 j 0.1638  j 0.0756 Prof.1638  j 0. como mostrado na Figura 4. 4 e 6.27 Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4. Note que essa transformação nada tem a ver com a transformação delta-estrela do transformador de três enrolamentos.28 Sistema do Exempo 4.04273 pu x24  x26  x46 j 0.0504   x2  j 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 46 Figura 4.0756   x4  j 0.7 com curto na barra 7 A maneira mais fácil de calcular a reatância equivalente na barra 7 é transformar o delta entre as barras 2.02849 pu x24  x26  x46 j 0. teremos x2  x4  x24 x26 j 0. 4 e 6 para um estrela.28 a seguir Figura 4.0504  j 0.

29 ilustra o circuito resultante com uma estrela entre as barras 2.981   j1.195  j 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 47 x6  x26 x46 j 0.29 Diagrama resultante para curto na barra 7 Agora é fácil calcular a reatância equivalente na barra 7  Zth  j 0. serão respectivamente 1.01315 pu x24  x26  x46 j 0.92 A 3 3Vb 7 15 10  3 Prof.981 2. em pu e em amperes.0756 A Figura 4. de Almeida – UTFPR .01315   j 0. Figura 4.0 pu 1.0756   x6  j 0.58849 // j 0.4  I cc 3   j 4.50479 pu A corrente de curto na barra 7. 4 e 6.56 //  j 0.0504  j 0.981 pu  Z th j 0.50479 A respectiva corrente de curto em amperes será S 60 106    pu I cc 3  I cc 3  b   j1.555 .   Zth  j 0.0 pu  pu  pu I cc 3    I cc 3   j1.1638  j 0.59773  Zth  j 0.02849  j 0.0504  j 0.574.20815  j 0.04273  0.309. Alvaro Augusto W.

de Almeida – UTFPR .5. Tabela 4. Prof. Um deles é especificado para 15 MVA.11.2.8 kV/69 kV. Três transformadores monofásicos.8 kV. 5 MVA. 4. Mostre como escrever em pu a impedância de um equipamento. 13. estão conectados a um barramento comum de 13. Dois transformadores estão conectados em série. quando integrado a um sistema cujas bases são Vb2 e Sb2.3. usando potência-base trifásica de 15 MVA (Não se esqueça de mostrar os cálculos!). Descreva algumas vantagens de se usar o sistema por unidade (pu) em vez das unidades convencionais (volts. Complete a tabela.2 kV. amperes.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 48 4. 4. etc. O outro. têm reatância de dispersão de 6% e podem ser conectados de várias formas de modo a suprir três cargas resistivas idênticas de 5 .).5.1. nas bases de 30 MVA e 138 kV. cujos parâmetros são listados na Tabela 4. nas bases de 100 MVA e 15 kV. expressa originalmente nas bases Vb1 e Sb1. Determine a reatância equivalente.11. Várias conexões dos transformadores e cargas são ilustradas na Tabela 4.4 abaixo.11. X=8%. X=10%. 4. Três geradores. 69 kV/125 kV. Determine a reatância de cada transformador e a reatância total.4. para 10 MVA.4 Caso Conexão dos Transformadores Primário Y Y Y Y     Secundário Y Y   Y Y   Carga conectada ao secundário Y  Y  Y  Y  Tensão-base (kV.11. resultante da ligação em paralelo dos três geradores.11 Exercícios 4. em pu. linha) Alta ? ? ? ? ? ? ? ? Baixa ? ? ? ? ? ? ? ? Carga R (pu) ? ? ? ? ? ? ? ? Impedância total vista do lado de alta (pu) ? ? ? ? ? ? ? ? () ? ? ? ? ? ? ? ? 1 2 3 4 5 6 7 8 4. Alvaro Augusto W.11. 8/2.

30.25 mH/km. Figura 4. Alvaro Augusto W.2 13. de Almeida – UTFPR . X=10%. Determine as perdas no ferro e as perdas no cobre do transformador para rendimento máximo. Um transformador trifásico de dois enrolamento é especificado para 60 kVA.11. sob tensão nominal. 4. 240/1200 V. Pede-se: (a) Determine a tensão interna do gerador e o ângulo de carga . A resistência de armadura é desprezível. calcule a corrente trifásica de curto-circuito em ambas as extremidades dela.5 Gerador 1 2 3 Potência (MVA) 20 50 80 Tensão (kV) 13. tem reatância síncrona igual a 9  por fase. Para o sistema da Figura 4.11.7 4.95 pu.9.7.8 kV no barramento 1. 60 Hz.8. pede-se: (a) converta para pu os valores de todos os parâmetros. O rendimento deste transformador é 96% e ocorre quando opera sob carga nominal e fator de potência 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 49 Tabela 4.8 em atraso. cuja resistência por fase é 0.6. (b) calcule a tensão no barramento 1 de modo que a tensão no barramento 5 seja 0. Prof. a um barramento infinito.30 Sistema para o Exercício 4. o qual.8/225 kV. Um gerador síncrono trifásico.5 são conectados a um transformador de 160 MVA.11.11.5 Reatância 24% 20% 12% 4. 30 kV. 60 Hz. por sua vez. 13.12 /km e cuja indutância por fase é 1. (b) com a tensão interna mantida constante no valor do item anterior. a potência de entrada do gerador é reduzida a 25 MW. Os geradores do exercício 4. 4. O gerador está entregando potência nominal com fator de potência de 0. 60 Hz.11. em pu e em amperes. Considerando que a linha de transmissão esteja a vazio. é conectado a uma linha de transmissão de 50 km de comprimento. utilizando potência-base de 50 MVA e tensão-base igual a 13. 50 MVA.8 em atraso. determine a corrente e o fator de potência.8 13.

32. com reatâncias e resistências dos lados primário e secundário. e uma carga de 380 MVA. Um transformador trifásico é conectado a um dos lados da linha. Figura 4. Todas as grandezas estão referidas ao primário. representando o transformador (que está fora do tap nominal) como um modelo  e incluindo as susceptâncias das linhas.9 em atraso.11. 225 kV.11. Para o sistema da Figura 4. considere que a potência-base é 100 MVA e que a tensão-base é 15 kV na barra 4.11.326 mH/km. tem comprimento de 40 km.11. independente de estar referida ao primário ou ao secundário. sob 225 kV. com fator de potência de 0. (c) desprezando cargas e susceptâncias em paralelo. 4. o circuito equivalente pode ser reduzido a uma única reatância. (b) converta todas as impedâncias e admitâncias para ohms e siemens. As capacitâncias em paralelo são desprezíveis. resistência de perdas no ferro e reatância de magnetização.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 50 4.11. Alvaro Augusto W. determine a tensão e a potência do lado do transformador. Uma linha de transmissão trifásica. pede-se: (a) converta todos os parâmetros para pu. para transformadores de potência.10 4. usando potência-base de 100 MVA e tensão-base de 15 kV na barra 9.15 /km e a indutância por fase é 1. Pede-se: (a) desenhe o diagrama unifilar para o sistema. 4.11. respectivamente.13. em pu. quando expressa em pu. Considere o circuito equivalente de um transformador de dois enrolamentos.10. Usando o modelo de linha curta. (b) mostre que.31 Sistema para o Exercício 4. Para o sistema da Figura 4. Prof. (b) obtenha a matriz admitância nodal do sistema.31.12. é conectada ao outro lado. de Almeida – UTFPR . A resis- tência por fase é 0. a reatância do transformador de potência tem o mesmo valor. Pede-se: (a) mostre que.

1. L=1. determine a tensão. considerando que a capacitância em paralelo é 0.13 4. 4. de Almeida – UTFPR . três e quatro. Figura 4. sob fator de potência 0. (b) o modelo T da linha média. três e quatro. Considerando que a tensão e a corrente do lado do sistema de distribuiProf. potência e fator de potência do lado da carga.11. que o comprimento da linha é 100 km e usando: (a) o modelo  da linha média. C=0. A impedância série por fase é z0.22×10-6 S/km. Uma linha de transmissão de 200 km conecta uma usina geradora a um sistema de distribuição.15.16. Repita o exercício 4. tem impedância série por fase igual a z=0.11.25 mH. por quilômetro e por fase.3/km. (d) calcule as correntes trifásicas de curto-circuito nas barras um.17. Determine os parâmetros do modelo de linha longa para esta linha.11. Um dos lados da linha é ligado a uma subestação e absorve 400 A.14.036+j0.4 /km e a admitância em paralelo é y=j4×10-6 S/km. Os parâmetros da linha. Alvaro Augusto W. A admitância em paralelo por fase é y=j4. Uma linha de transmissão de 500 kV tem comprimento de 250 km.045j0. 345 kV. 4. são: R=0. 130 km.32 Sistema para o Exercício 4.95 atrasado e 345 kV.11.0112 F/km.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 51 calcule as impedâncias Thévenin equivalentes nas barras um. 4. corrente.01 F.13.11. Uma linha de transmissão trifásica. Usando o modelo da linha média.

Calcule a tensão no enrolamento de alta tensão para que a tensão no enrolamento de baixa tensão seja de 6. Uma falta trifásica ocorre nos terminais do motor quando a tensão nos terminais do gerador é 0.11.8 em atraso. Um transformador trifásico de três enrolamentos com tensões 132/33/6. Os transformadores elevadores são especificados para 11/66 kV. Prof.08 . 4.15 .11. O enrolamento de 6.20. Figura 4. de Almeida – UTFPR . Dois geradores com potências individuais de 80 MVA estão conectados como ilustrado na Figura 4. xab = 0.0 Ω/fase conectado em estrela. Determine a corrente trifásica de curto-circuito na barra 6.19.10 pu.33.6 kV. Alvaro Augusto W. Quando expressas na mesma base.0 pu com fator de potência 0.18. Um gerador é ligado por meio de um transformador a um motor síncrono. 4. em amperes.6 kV tem as seguintes reatâncias em pu. medidas entre os enrolamentos de Alta.15 pu e 0. no gerador e no motor.11.11. Determine a corrente em pu da falta. 90 MVA. Um curto-circuito trifásico ocorre na barra 6 em um momento no qual nenhuma corrente circula através da linha 2-5. Média e Baixa tensões e referidas a 30 MVA. 1320 kV e 164  37 amperes. xmb = 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 52 ção são.19 4.09 .35 pu. O enrolamento de 33 kV alimenta um reator de j50. respectivamente.000 A e fator de potência 0. as reatâncias do gerador e do motor são 0. respectivamente. e têm reatância de dispersão igual a 10%. Use a tensão terminal do gerador como fasor de referência. A tensão nominal de cada gerador é 11 kV e a reatância síncrona de cada um deles é 12%. e a reatância de dispersão do transformador é 0.8 adiantado.6 kV alimenta uma carga equilibrada com corrente de 2.9 pu e a corrente de saída do gerador é 1. 132 kV: xam = 0.33 Sistema para o Exercício 4. calcule a tensão e a corrente do lado da usina.

o esforço computacional envolvido aumentaria com a terceira potência do número de barras do sistema. ser realizado por meio das ferramentas convencionais de análise de circuitos polifásicos (malhas. o IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers) criou uma bolsa de mestrado em homenagem a Fortescue. p. Canadá. Nota biográfica: Charles LeGeyt Fortescue (1876 – 1936) foi um engenheiro elétrico nascido em York Factory. em princípio. os três conjuntos de fasores equilibrados são conhecidos como “sequências” e definidos da maneira a seguir. sendo N um número primo. 37. Fortescue publicou o artigo “Method of symmetrical co-ordinates applied to the solution of polyphase networks” (AIEE Transactions. localizada em Ontario. Felizmente. dando origem ao estudo das componentes simétricas e reduzindo enormemente o esforço computacional envolvido nos cálculos de curto-circuitos assimétricos. 5. Em 1939. fase-fase-terra) poderia. COMPONENTES SIMÉTRICAS 5. onde permaneceu durante toda sua vida profissional. um entreposto comercial que funcionou até 1957 no noroeste da província canadense de Manitoba. Introdução O cálculo de curto-circuitos assimétricos (fase-terra. Após sua formatura. nós. como veremos a seguir. fase-fase. Fortescue ingressou na Westinghouse Corporation.1. tornando a tarefa impossível a partir de algumas poucas barras. O teorema de Fortescue O teorema de Fortescue aplica-se a sistemas polifásicos e foi originalmente enunciado da seguinte forma: “qualquer sistema de N fasores desequilibrados. Contudo. Fortescue em 1918 possibilita a simplificação da análise de faltas assimétricas. Para N=3 (sistema trifásico).). Alvaro Augusto W. Prof. concedida anualmente . Fortescue tornou-se um dos primeiros engenheiros graduados pela Queen’s University. O teorema de Fortescue pode ser escrito para tensões ou correntes.2. vol. 1027-1140). Em 1898.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 53 5. de Almeida – UTFPR . equivalentes. pode ser escrito como a soma de N conjuntos de fasores equilibrados”. nos Estados Unidos. vindo a trabalhar com transformadores de alta tensão e problemas a eles relacionados. Em 1918. etc. um teorema enunciado por Charles L.

teremos 1 1 1 I a  Ib  Ic . Usaremos o sobre-índice “1” para representá-la.1) A sequência negativa gira no sentido inverso ao da sequência positiva. Denotando as três fases por a. permanecendo paralelos entre si. teremos 2   I a  I b2  I c2 .1 Sequências de fase: (a) positiva. b e c. Usaremos o sobre-índice “2” para representá-la. Nesta sequência. Da mesma forma que nas sequências anteriores. 2) Sequência negativa (5. (c) zero Prof. teremos 0 0  I a  I b  I c0 .2) Uma terceira sequência. (b) negativa. Outros índices usuais são “–” e “cba”.3) Figura 5. é a sequência de fases dos geradores conectados ao sistema. de Almeida – UTFPR . (5. A Figura 5. é necessária para satisfazer o teorema de Fortescue. Alvaro Augusto W. denominada “zero” e usualmente representada pelo sobre-índice “0”. A defasagem entre duas fases quaisquer da sequência positiva é sempre 120° e os módulos das correntes (ou tensões) são iguais entre si. ou sistema de fasores. Da mesma forma que na sequência positiva.1 ilustra as três sequências em termos de seus fasores. mas outros índices usuais são “+” e “abc”. ou seja. 3) Sequência zero (5. os fasores não giram.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 54 1) Sequência positiva A sequência positiva é definida como a sequência de fases do sistema em análise. também com ângulos de 120° entre duas fases quaisquer.

definido como  a  1120 . A sequência positiva seria produzida por um campo girante trifásico. negativa e zero  0 1   I a  I a  I a  I a2   0 1  2 I b  I b  I b  I b   0 1  2 I c  I c  I c  I c (5.  Dado um sistema de correntes desequilibradas Ia .6) (5. o teorema de Fortescue pode ser agora escrito em função das componentes de sequência positiva.13) Tomando a fase a como referência.12) (5. de Almeida – UTFPR . A sequência negativa seria produzida por um campo girante trifásico.10) (5.11) (5. podemos agora escrever as correntes de sequência positiva da seguinte forma Prof. mas girando no sentido oposto à sequência de fases do sistema.4)  O sistema de equações (5.8) (5.5)  O operador unitário a .7) (5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 55 Intuitivamente. (5. Alvaro Augusto W. girando no sentido da sequência de fases do sistema. não girante. podemos imaginar as três componentes de Fortescue como sendo produzidas por geradores comuns.4) pode ser simplificado introduzindo-se o operador unitário a . Ib e I c .9) (5.  É fácil verificar que o operador a tem as seguintes propriedades:  a  1120  1  240  a 2  1240  1  120   a 2  a*   (a 2 )*  a   a3  1360  a     a 4  a 2  a 2  1  240  a 2   1 a  a  0    a  a 2  a3  0 (5. Já a sequência zero seria produzida por um campo pulsante.

15) e (5. abc 012 (5. teremos 0   I a  1 1 1   I a   1      2 a   Ia    I b   1 a   I  1 a a 2   I 2      a  c    ou. em notação mais compacta (5. de Almeida – UTFPR . as correntes de sequência negativa podem ser escritas como    I a2  10  I a2  2 2  2  I b  1120  I a  aI a  2 2  2 2  I c  1240  I a  a I a As correntes de sequência zero podem ser escritas de maneira ainda mais simples (5. teremos que 0  1 2 Ia  Ia  Ia  Ia  0  1  2 I b  I a  a 2 I a  aI a      I  I 0  aI 1  a 2 I 2 (5.4).18) onde   o sistema de sequência.16a) (5.16b) (5. (5.16) na relação (5.14). 1 1 1    A  1 a 2 a    1 a a 2      (5.17) I   A  I .15) 0   I a  I b0  I c0 .19) O sobre-índice abc denota o sistema desequilibrado original e o sobre-índice 012 denota Prof.14) De maneira semelhante.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 56 1 1  I a  10  I a  1 1  2 1  I b  1240  I a  a I a  1 1  1  I c  1120  I a  aI a (5. Alvaro Augusto W. Substituindo as relações (5.16) (5.16c) c a a a Escrevendo a relação acima em forma matricial.

ou seja.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 57 A matriz de transformação  A tem algumas propriedades interessantes. de Almeida – UTFPR . A  AT .24) Sistema de sequência 012 escrito em termos do sistema abc original. Finalmente.22) Pré-multiplicando a relação (5. da relação acima.20) AT A*  3I  . Note. invertível. podemos notar que ela é simétrica. com inversa dada por (5. podemos agora obter as componentes de sequência em função das componentes do sistema abc original I   A  I . a matriz  A é 1 1 1 1  A  1 a 3 1 a 2   1 1  a2    a (5. Alvaro Augusto W. 012 1 abc (5. Assim. onde o sobre-índice T denota a matriz transposta. Primeiro.18) por A . 3 3  onde I n é a corrente de neutro. que  I 0 1    I a  I a  I b  I c   n .23) ou 0 I a  1 1  1  1    I a   1 a 3 I 2   1 a 2    a  1  Ia     a 2   Ib     a  Ic    (5. como é o caso de conexões delta. a corrente de sequência zero será nula. podemos verificar que (5. Quando tal caminho não existir. Além disso. Prof. Este resultado será útil mais tarde. só haverá corrente de sequência zero em circuitos nos quais houver caminho para a corrente de neutro.21) onde I  é a matriz-identidade.

onde I a  I b  I c . I a  I a 0 .   Exemplo 5. I b  6  90 e  I b  16143.  Solução.2. Aplicando (5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 58 Exemplo 5. +120°.24). Solução. Alvaro Augusto W. Em um sistema desequilibrado circulam as correntes I a  80 .24). Em um sistema totalmente equilibrado. I c  I c120 . calcule as correntes de sequência para um sistema abc equilibrado. Usando a relação (5. +120° (sistema de sequência positiva) tem apenas componente de sequência positiva. caracterizando um sistema de sequência negativa.1. teremos.1 a   Prof. vem 0 I a  1 1  1  1    I a   1 a  I 2  3 1 a 2     a ou. 1  80  2   a   6  90     16143. –120°. de Almeida – UTFPR . Calcule as correntes de sequência e desenhe os diagramas fasoriais para cada uma delas. apenas a componente de sequência negativa existiria. 1   I a 0  2   a    I a   120    a   I a 120    0 I a  I a  3 1  1  120  1120  0   1 I a  I a  1  1120 1  120  1240 1120  I a 3   2 I a  I a  3 1  1240 1  120  1120 1120  0  Os resultados acima indicam que um sistema equilibrado com os ângulos 0°. Em ambos os casos a componente de sequência zero seria nula. teremos 0 I a  1 1  1  1    I a   1 a 3 I 2   1 a 2    a ou. De acordo com a relação (5. por exemplo. –120°.24).   I b  I b  120 .1 . Se os ângulos fossem 0°.

05   1  1    9.81138.3  86.25) (5.26) E.38  240  9. da relação (5.38   1 1 I c  I a 120  9.333.1    3 I 2   80  6  210  16263. ainda.08      a De acordo com 5. Alvaro Augusto W. 0 I a  80  6  90  16143.2 ilustra o diagrama fasorial completo.38   I a   80  630  1623.1 4. mostrando a composição das correntes Figura 5.38  120  9.38  (5.92  de sequência a partir das correntes do sistema abc original.8118.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 59 0 Ia  1 1 1  80   1  1    6  90   I a   1 1120 1  120    I 2  3 1 1  120 1120  16143. de Almeida – UTFPR .08  240  4.08  120  4. teremos  2 I b  4.8118. (5.14.3  86.81258. teremos 1 1 I b  I a 240  9.1       a ou.15).27) A Figura 5.3  86.92  2 I c  4.3153.1  2143.2 Diagrama fasorial mostrando a composição de um sistema desequilibrado a partir de três sistemas equilibrados Prof.8118.

  (5. como    * S3  V abc I abc . sabemos que (5.26) bastando que se defina os seguintes vetores-coluna   V a  I a        V abc  V b  .29) Potência complexa trifásica escrita em função dos componentes de sequência. onde Prof. abc 012 Esse resultado vale também para tensões: V   A  V .25) Esse resultado pode ser escrito também em forma matricial   T  * S3  V abc I abc . abc 012 Assim.27) Usando a relação (5. Alvaro Augusto W.18) .28) ou. (5.26) pode ser escrita como   S3  A  V 012      A  I  . de Almeida – UTFPR .27) I   A  I .3.   T S3  V 012 A     A  I  . 012 T 012 * (5. Potência complexa A potência complexa trifásica do sistema original abc pode ser escrita. T 012 * T * 012 * (5. podemos finalmente escrever   S3  3 V   I  . e I abc   I b  V c  I c        De (5. em pu.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 60 5. a relação (5.    (5.21).

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 61   V 0  I 0   1   1    V 012  V  . com   impedância série Z s por fase. V 2  I 2        A relação (5. Alvaro Augusto W.3 Carga trifásica equilibrada com impedâncias mútuas    As tensões de fase Va .4. As fases estão acopladas  entre si por meio de impedâncias mútuas Z m . 5. Impedâncias de sequência Considere agora o circuito da Figura 5. Vb e Vc . de Almeida – UTFPR . cada um dos três circuitos de sequência absorve uma parte da potência total absorvida pelo circuito abc original. as quais podem ser resultantes de capacitâncias ou indutâncias entre os condutores das linhas. que ilustra uma carga trifásica equilibrada.28) pode ser escrita em forma explícita (5. Figura 5.31) Decorre que a potência total é a soma das potências de cada sequência. Vb e Vc podem ser escritas como          Va  Z s I a  Z m I b  Z m I c  Z n I n          Vb  Z s I b  Z m I a  Z m I c  Z n I n          Vc  Z s I c  Z m I a  Z m I b  Z n I n Prof. e I 012   I  . (5. Assim. ligada em estrela aterrada por uma impedância de neutro Z n e ali-    mentada por uma fonte trifásica cujas tensões de fase são Va .30)   *   * S3  3V0 I 0  3V1I1*  3V2 I 2 .3.

(5.36) Pré-mutiplicando ambos os lados de (5.32) A equação (5. em forma matricial. teremos. de Almeida – UTFPR . 012 (5.35) .22) e (5. então.    Va   Z s  Z n     Vb    Z m  Z n V   Z  Z    n  c  m   Zm  Zn   Zs  Zn   Zm  Zn    Zm  Zn  Ia       Zm  Zn   Ib     Z s  Zn  Ic     (5. 012   Sabendo que V 012 tem dimensão de volts e que I 012 tem dimensão de amperes.33) onde Z  abc    Zs  Zn    Z m  Z n   Z m  Z n    Zm  Zn   Zs  Zn   Z Z m n   Zm  Zn     Zm  Zn    Zs  Zn   (5.34) em (5. abc abc abc (5.33).37). Nossa intenção é obter a equação de sequência correspondente à (5. vem (5. Alvaro Augusto W.18) na (5.37) Substituindo as relações (5.35) por A 012 1 abc   1 V   A   Z  A  I . por força da lei de Ohm. teremos  A  V   Z  A  I . após um calculo direto Prof. vem 62           Va  Z s  Z n I a  Z m  Z n I b  Z m  Z n I c           Vb  Z m  Z n I a  Z s  Z n I b  Z m  Z n I c           Vc  Z m  Z n I a  Z m  Z n I b  Z s  Z n I c ou.19). 012 abc 012 (5.33). sendo deno1 abc 1 abc minado matriz-impedância de sequência Z   A   Z  A .34) é a matriz-impedância do sistema abc original.32) pode ser escrita em forma mais compacta utilizando-se a notação matricial  V   Z  I . Substituindo a relação (5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34     Lembrando que I n  I a  I b  I c e reordenando os termos das equações acima. o termo A        Z  A  deverá ter dimensão de ohms.

A consequência elétrica desse fato é ainda mais interessante. 5. valendo a relação (5.39)      V 0  Z s  3Z n  2Z m I 0  1   1 V  Z s  Z m I  2   2 V  Z s  Z m I (5. (5. Sendo Dn a Prof. Impedâncias de sequência dos componentes de um SEP Um sistema equilibrado que opera alimentando cargas também equilibradas só contém componentes de sequência positiva. Logo.36).   Zs  Zm   Matriz-impedância de sequência. tais como geradores. de Almeida – UTFPR . por causa da diferente distribuição de fluxos magnéticos produzida pelas três correntes em fase.38) em (5. Linhas de transmissão As impedâncias de sequências positiva e negativa de uma linha de transmissão dependem apenas da geometria desta e.38) A relação (5. os circuitos de sequência são eletricamente desacoplados entre si. 5. as impedâncias de sequência positiva dos diversos componentes do circuito. precisamos analisar ainda a representação das impedâncias de sequências negativa e zero de tais equipamentos. substituindo (5. tensões de uma sequência produzirão correntes desta sequência apenas.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 63 Z  012     Z s  3Z n  2Z m   0  0  0  Z Z s m 0 0   0 .37) deixa claro que as componentes simétricas funcionam como um método de diagonalização da matriz-impedância.5. Já a reatância de sequência zero de uma linha de transmissão é muito maior. Alvaro Augusto W.40) Assim. podemos escrever     V 0   Z s  3Z n  2Z m  1   0 V    V 2    0    ou.4. são idênticas. Por exemplo. são as respectivas impedâncias já conhecidas. de forma mais explícita 0   Zs  Zm 0 0 0  I     0   I 1     Zs  Zm  I 2     (5. Contudo.1. linhas de transmissão e transformadores. logo.41) abaixo. Em outras palavras.

42) é dada em m/km.2. consulte a Figura 4. 2 1 Z LT  Z LT . Note que a reatância em (5. a reatância subtransitória de eixo direto xd ' ' (correspondente ao funcionamento no período subtransitório) e a reatância transitória de eixo direto xd ' (correspondente ao funcionamento no período transitório). Geradores síncronos Como vimos na seção 4. de Almeida – UTFPR . A reatância de sequência positiva do gerador será então igual a xd . D a distância entre as três linhas e  o comprimento da linha. Alvaro Augusto W. (m/km). 0 xLT x1 D   LT  1. conforme mostrado na Figura 5. dependendo do período no qual desejarmos calcular o curto-circuito.18. 3 3 10  10  D (5.2f ln  n  .42) 5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 64 distância entre a linha e o neutro.4 Corte de uma linha de transmissão para cálculo da reatância dada por (5. Figura 5. xd ' ou xd ' ' .42) a seguir. Para uma revisão da definição de cada um desses períodos.4. a reatância de sequência zero é dada pela relação (5. o gerador síncrono é caracterizado por três diferentes reatâncias: a reatância síncrona de eixo direto xd (correspondente ao funcionamento em regime). Prof.41) (5.42) Impedâncias de sequências de uma linha de transmissão. ().7.4.

Alvaro Augusto W.45) Impedâncias de sequências de um gerador síncrono. a reatância de sequência negativa do gerador deverá ser calculada com o dobro da frequência de operação. de Almeida – UTFPR . (). conforme a equação (5. A reatância de sequência zero será portanto aproximadamente igual à reatância de dispersão da armadura. 2 xg  xd ' ' . não fluxo magnetizante. Devemos nos lembrar também de que.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 65 Sabendo que a sequência negativa gira no sentido contrário da positiva.4. devemos também observar que o tipo de conexão do gerador determinará o circuito a ser utilizado para geradores nos casos das sequências negativa e zero.3. haverá apenas fluxo disperso. quando a conexão for estrela.4. Prof. a qual será igual às impedâncias para as sequências positiva. apenas a sequência positiva gera tensão a vazio. ().m.e. as correntes giram junto com o campo girante.43) (5. Ef substituída por um curto-circuito. No caso da sequência zero. mas aterrada através de uma impedância Zn. haverá circulação de corrente somente quando houver conexão ao terra. no caso da sequência zero. Logo. 0 xg  x . A sequência negativa não gera tensão. Uma fórmula prática é considerar que tal reatância é aproximadamente igual à reatância subtransitória de eixo direto. Por exemplo. Finalmente. Assim. Transformadores de dois enrolamentos Como vimos na seção 4. mas a impedância aparecerá multiplicada por três.43). Além de observarmos os valores de (5. x1  xd ou x1  xd ' ou x1  xd ' ' (). nos casos de conexão delta e estrela aberta o circuito equivalente será também aberto para sequência zero.38). g g g dependendo do período desejado.1. transformadores de dois enrolamentos são representados de maneira simplificada.44) 4 (5. o circuito será fechado para sequência zero. considerando-se novamente apenas a impedância de dispersão. (5. negativa e zero.45). pois corresponde à sequência de fases do sistema. Todos os circuitos equivalentes para geradores síncronos estão resumidos na Tabela 5.44) (5. 5. (5. de modo que o respectivo circuito equivalente deve ter a f.

conforme mostrado na Tabela 5.46) Impedâncias de sequência para transformadores. Tabela 5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 66 1  2  0  ZT  ZT  ZT  Z  . o tipo de conexão dos transformadores influenciará os circuitos para as sequências negativa e zero. Prof. (5.2.1 – Circuitos equivalentes para geradores síncronos Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero Da mesma forma que no caso dos geradores. (). de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W.

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 Tabela 5. de Almeida – UTFPR .2 – Circuitos equivalentes para transformadores de dois enrolamentos Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero 67 Prof. Alvaro Augusto W.

Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR .2 – Circuitos equivalentes para transformadores de dois enrolamentos (cont.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 68 Tabela 5.) Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero Prof.

deve haver corrente do outro lado também. em um transformador cujo lado de baixa(ou de alta) está ligado em delta. por dentro do delta. essa corrente não circula pela Prof. esta corrente circula dentro do delta. sem restrições. A figura 5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 69 No que diz respeito à sequência zero.6 ilustram essa situação para a conexão estrela aterrada-delta. Os alunos que se deparam pela primeira vez com componentes simétricas geralmente entendem como bastante naturais os circuitos para sequência zero de transformadores conectados em estrela. tanto para geradores quanto para transformadores. Alvaro Augusto W. devemos ter   N AI A  NB I B . respectivamente. As figuras 5. haverá corrente de sequência zero no lado de alta (ou de baixa) se este estiver ligado em estrela aterrada solidamente aterrada ou aterrada por impedância. (5. Para melhorar a compreensão. 2) A conexão estrela aterrada por impedância Zn deixa passar corrente de sequência zero. Por exemplo. onde N A e N B são os números de espiras dos lados de alta e de baixa tensão. as regras gerais. Assim. Uma fonte de tensão monofásica foi ligada ao lado de alta. 3) A conexão estrela sem aterramento bloqueia completamente a passagem da corrente de sequência zero. Para que haja corrente de um lado.47) Impedâncias de sequência para transformadores. são as seguintes: 1) A conexão estrela aterrada deixa passar corrente de sequência zero. 4) A conexão delta bloqueia a passagem da corrente de sequência zero que sairia do transformador. Logo.5 e 5. se o outro lado estiver ligado em estrela aterrada ou estrela aterrada por impedância. de maneira a se simular a sequência zero. a corrente de sequência zero será desviada para o terra. Contudo. haverá corrente também no lado de alta. E.6 deixa claro que há circulação de corrente no lado de baixa. de Almeida – UTFPR . mas veem como reservas a conexão delta. o mesmo acontecendo com a impedância de carga do lado de baixa. devemos nos lembrar de que o transformador funciona por compensação de força magnetomotriz. sendo IA a corrente no lado de alta e IB a corrente no lado de baixa. estrela aterrada e estrela aterrada por impedância. mas devemos adicionar a parcela 3Zn à impedância de sequência zero do transformador. embora a conexão delta não deixe passar corrente de sequência zero.

removendo a impedância.2). Contudo. conectado em estrela aterradadelta. conforme ilustrado. o circuito equivalente do lado de baixa é aberto. novamente por razões de simetria. Figura 5.47) e argumentar que o circuito equivalente da Figura 5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 70 carga e. assim.5 Transformador trifásico abaixador. com uma impedância duplamente aterrada no meio. Entretanto.5 Prof. preferimos a primeira representação. ligado de maneira a simular a sequência zero A situação se torna um pouco mais complicada se tivermos uma fonte no lado em delta e uma carga no lado em estrela aterrada. Situação semelhante ocorre no caso da conexão delta-delta (última linha da Tabela 5.6 vale também para esse caso. ou representarmos apenas um circuito aberto. podemos invocar a simetria implícita na relação (5. Do ponto de vista elétrico seria indiferente representarmos um circuito aberto de ambos os lados. Figura 5. de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W. No lado de alta o único caminho para a corrente é para o terra.6 Simplificação do circuito da Figura 5.

3 – Circuitos equivalentes para transformadores de três enrolamentos Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero Prof.4. na qual o modelo estrela é utilizado. de Almeida – UTFPR .4.3 ilustra as impedâncias para algumas das ligações mais comuns.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 71 5. Alvaro Augusto W. A Tabela 5. Transformadores de três enrolamentos As regras para impedâncias de sequência de transformadores de três enrolamentos decorrem das regras já vistas para transformadores de dois enrolamentos. Tabela 5.

Alvaro Augusto W.) Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero 72 Prof.3 – Circuitos equivalentes para transformadores de três enrolamentos (cont. de Almeida – UTFPR .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 Tabela 5.

com reatância de dispersão de 10% cada. A reatância série da linha é 100 .20 pu  xG1  j 0.8/121 kV. 11 kV. Um gerador síncrono trifásico. As reatâncias do gerador já estão na base correta. Os motores são especificados para 15 MVA e 7. conforme a Figura 5. Vb1 =11 kV .7. negativa e zero para o período subtransitório.4. Devemos antes escrever todas as reatâncias nas bases do gerador: Sb=25 MVA.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 73 Exemplo 5. e ambos têm reatância subtransitória de 25%. reatância de dispersão de 2% e tensão nominal de 10 kV.3 Solução. Alvaro Augusto W.3. Os transformadores são ambos especificados para 30 MVA.01 pu A reatância do transformador 1-2. Considere que as bases do sistema são iguais aos dados nominais do gerador e que as impedâncias de neutro do gerador e do motor 2 são ambas iguais a 0.0  2 Para convertermos as demais reatâncias. será xT12 25  10. de Almeida – UTFPR . logo  xGd1 ' '  j 0. de acordo com a relação 4.5 MVA. Figura 5.1      xT12  j 0. 25 MVA. já nas bases do gerador.24 kV 10.8   j 0. Desenhe os diagramas de sequência positiva.7 Sistema para o Exemplo 5.0803 pu 30  11.1 pu. precisamos das tensões-base nas barra 3 e 4 Vb3  11  121  Vb3  123. reatância de dispersão de 1% e alimenta dois motores por meio de uma linha de transmissão e transformadores.8 Prof. respectivamente. tem reatância subtransitória de 20%. 10.

0803 pu 30  123. de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W.24  10.5  11  xM 2 25  10   j 0.1      xT34  j 0. respectivamente xT34 25  121   j 0.25      xMd2 ' '  j 0.25  25  10      xMd1 ' '  j 0. o diagrama de sequência positiva pode ser desenhado conforme a Figura 5. sabemos que as reatâncias de sequência positiva dos geradores e motores serão iguais às respectivas reatâncias subtransitórias.689 pu 7. Além disso. Assim.24  2 xMd1 ' '  j 0.8 abaixo.02      xM 2  j 0.3444 pu 15  11  2 2 xM1 25  10   j 0. a reatância da linha de transmissão 2-3 será xLT23  j100  xLT23  j 0.0275 pu 15  11  2 25  10  xMd2 ' '  j 0.0551 pu 7.43). as reatâncias de sequência positiva dos transformadores são iguais às respectivas reatâncias de transmissão e a reatâncias de sequência positiva da linha de transmissão será igual à reatância própria da linha.24) 2 / 25 Da relação (5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 74 Vb3  123. Figura 5.8 Prof.5  11  2 Finalmente.02      xM1  j 0.8  Vb3  11 kV 121 As reatâncias do transformador 3-4 e dos motores serão.1646 pu (123.

Alvaro Augusto W.45. o diagrama de sequência negativa pode ser desenhado conforme a Figura 5. conforme recomendado pela relação 5. Note também que as reatâncias do gerador e dos motores foram substituídas pelas respectivas reatâncias de dispersão.10 abaixo.10 Circuito de sequência zero para o Exemplo 5. por causa das ligações delta.3 Prof. Figura 5.3 Sabendo que devemos desenhar o circuito de sequência negativa para o período subtransitório.9 abaixo.3 O diagrama para sequência zero é mostrado na Figura 5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 75 Circuito de sequência positiva para o Exemplo 5. de Almeida – UTFPR . As reatâncias dos transformadores e dos geradores também permanecem as mesmas. os valores das reatâncias de sequência negativa do gerador e dos motores são iguais às respectivas reatâncias de sequência positiva. as reatâncias de neutro do gerador e do motor 2 aparecem multiplicadas por três.9 Circuito de sequência negativa para o Exemplo 5. Além disso. conforme a relação (5. Figura 5. Assim.39). Note a interrupção do circuito nas barras 2 e 3.

5 ilustra os resultados para as três sequências e as Figuras 5. Para o sistema da Figura 5.11 Sistema para o exemplo 5.13 e 5.4 Tabela 5. com os dados da Tabela 5.4 Equipamento x1 11% 8% 5+j11  10% 8% 14% 10% 3+j10  12% 16+j40  11% 15% x2 9% 8% 5+j11  10% 8% 14% 8% 3+j10  12% 16+j40  11% 12% x0 1.8 kV. pede-se: (a) desenhe os diagramas para as sequências positiva. xab Transformador 3-4-5. (b) calcule as impedâncias equivalentes de Thévenin na barra 5 para as sequências positiva. já convertida para a base nova.11.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 76 Exemplo 5.6% 8% 8+j20  10% 8% 14% 1. Note que as reatâncias do transProf.4.14 ilustram.4 – Impedâncias originais do Exemplo 5. As bases são Sb=120 MVA e Vb1=13. A Tabela 5.5% 7+j28  12% 30+j90  11% 2% Gerador 1 Transformador 1-2 Linha 2-3 Transformador 3-4-5. 5.4 pu.4. de Almeida – UTFPR . negativa e zero. Figura 5. os circuitos para as sequências positiva. negativa e zero. Considere que a reatância de neutro do gerador da barra 9 é j0. negativa e zero. respectivamente. Alvaro Augusto W. xam Transformador 3-4-5.12. xmb Gerador 4 Linha 5-6 Transformador 6-7 Linha 7-8 Transformador 8-9 Gerador 9 O primeiro passo é converter as reatâncias e impedâncias para a nova base.

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formador 3-4-5 já foram convertidas para o modelo estrela, conforme as relações (4.12), (4.13) e (4.14).
Tabela 5.5 – Impedâncias convertidas para as bases novas
Equipamento x1 11% 7,38% 3,15% + j6,93% 2,67% 10,67% 8% 60% 0,68% + j2,27% 28,8% 40,33% + j100,82% 33% 60% x2 9% 7,38% 3,15% + j6,93% 2,67% 10,67% 8% 48% 0,68% + j2,27% 28,8% 40,33% + j100,82% 33% 48% x0 1,6% 7,38% 5,04% + j12,6% 2,67% 10,67% 8% 9% 1,59% + j6,35% 28,8% 75,615 + j226,84% 33% 8%

Gerador 1 Transformador 1-2 Linha 2-3 Transformador 3-4-5, xa (5) Transformador 3-4-5, xb (4) Transformador 3-4-5, xm (3) Gerador 4 Linha 5-6 Transformador 6-7 Linha 7-8 Transformador 8-9 Gerador 9

Os circuitos para as sequências positiva, negativa e zero são mostrados nas Figuras 5.12, 5.13 e 5.14, respectivamente.

Figura 5.12 Circuito de sequência positiva para o exemplo 5.4

Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR

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Figura 5.13 Circuito de sequência negativa para o exemplo 5.4

Figura 5.14 Circuito de sequência zero para o exemplo 5.4

A impedância equivalente de Thévenin, vista da barra 5, para sequência positiva, será

 j 0,0267   j 0,08  0,0315  j 0,0693  j 0,0738  j 0,11 //  j 0,1067  j 0,6
ou,
1 Z th  0,4101  j 2,2537 //  j 0,0267  0,0315  j 0,3331 // j 0,7067

1 Z th  0,0068  j 0,0277  j 0,288  0,4033  j1,008  j 0,33  j 0,6 //

  Z th  0,01589  j 0,22818 pu
1

Para sequência negativa, teremos Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR

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 j 0,0267   j 0,08  0,0315  j 0,0693  j 0,0738  j 0,09 //  j 0,1067  j 0,48
ou,
2 Z th  0,4101  j 2,1337 //  j 0,0267  0,0315  j 0,3131 // j 0,5867

2 Z th  0,0068  j 0,0277  j 0,288  0,4033  j1,008  j 0,33  j 0,48 //

  Z th  0,01475  j 0,20902 pu
2

Finalmente, a impedância de sequência zero será
0 Z th  0,0156  j 0,0635  j 0,288 // j 0,0267

  Z th  0,00008  j 0,02482 pu
0

Observe que, no caso da sequência zero, toda a impedância à esquerda da reatância de j0,0267 do circuito original é desconsiderada, por estar aterrada em ambas as extremidades. O cálculo de impedâncias de sequência será importante no próximo capítulo, quando formos calcular correntes de curto-circuito assimétricos. Exemplo 5.5. Desenhe os circuitos de sequência negativa e zero para o sistema de potência da Figura 5.15 abaixo. Os valores-base são 50 MVA e 138 kV na barra 2.

Figura 5.15 Sistema para o Exemplo 5.5

Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR

3333 pu 15 78 79 Finalmente. Vb6  Vb9  138 kV . Vb7  6. Vb1  Vb4  13.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 80 Considere que as reatâncias de sequência negativa das máquinas síncronas são iguais às respectivas reatâncias subtransitórias e que as reatâncias de sequência zero das linhas de transmissão são iguais a 300% das respectivas reatâncias de sequência positiva.8  2 2 x  x  j 0.2 kV .2 pu 25 12 15 34 46 2 2 xT78  xT79  j 0.16 abaixo.1 50 2 2 2 2  xT  xT  xT  xT  j 0.15      xg1  xg4  j 0. Solução. Prof. restando ajustar para a nova potência-base 2 2 2 2 xT12  xT15  xT34  xT46  j 0. Vb5  Vb8  138 kV .3279 pu 25  13. as reatâncias de sequência negativa dos geradores são 50  13.2  50 2  xg  j 0. Vb4  13.3333 pu 30 7 O diagrama de reatâncias para sequência negativa é mostrado na Figura 5.1 50 2 2  xT  xT  j 0.9 kV . As tensões-base podem ser determinadas rapidamente por inspeção: Vb2  Vb3  138 kV . de Almeida – UTFPR .105 pu 2 138 / 50 j 20 2 2  xLT58  xLT69  j 0.2 kV .2  2 g1 2 g4 2 2 xg7  j 0. As reatâncias de sequência negativa das linhas de transmissão podem ser escritas como 2 xLT23  j 40 2  xLT23  j 0. Alvaro Augusto W.0525 pu 2 138 / 50 2 2 xLT58  xLT69  Os transformadores estão todos na nova tensão-base.

2  2 0 xg7  j 0.0525  xLT58  xLT69  j 0.08  50  13.8  0 0    xg1  xg4  j 0.1093 pu 25  13.2  0 xng7  j 0.42 pu 0 0 0 0 0 xLT58  xLT69  4  xLT69  4  j 0.1333 pu 30 7 As reatâncias de neutro de sequência zero dos geradores são x 0 ng1 x 0 ng4 50  13.08  50 0  xg  j 0.21 pu 0 0 xg1  xg4  j 0.8  0 0  j 0.0833 pu 30 7 Finalmente.05  2 50 0  xng  j 0. de Almeida – UTFPR .5 As reatâncias de sequência zero das linhas e geradores são 2 0 2 xLT23  4  xLT23  4  j 0. calculadas anteriormente. Prof.1749 pu 25  13.16 Diagrama de sequência negativa para o Exemplo 5.05      xng1  xng4  j 0. Alvaro Augusto W.105  xLT23  j 0. as reatâncias de sequência zero dos transformadores são iguais às respectivas reatâncias de sequência negativa.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 81 Figura 5.

multiplicadas por três. Figura 5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 82 No caso do diagrama de sequência zero devemos tomar cuidado de com as ligações dos transformadores. O resultado é mostrado na Figura 5. de Almeida – UTFPR . bem como adicionar as reatâncias de neutro dos geradores.5 Prof.17 Diagrama de sequência zero para o Exemplo 5.17. Alvaro Augusto W. em série com as respectivas reatâncias de sequência zero.

para a fase a. Todos os elementos estão ligados em série.5  90 . Seja um sistema elétrico cujas tensões em determinada barra são. 5. (c) estrela aterrada –estrela aterrada.6.6. na sequência gerador. etc. Pede-se: (a) determine as tensões das fases a.  5. Alvaro Augusto W. (b) desenhe o diagrama fasorial completo.6.6.87 .   Vb  10. ilustrando como as tensões do sistema original desequilibrado são formadas a partir das somas adequadas das tensões de sequencia.87 . Pede-se: (a) determine as tensões de sequência para as fases a. Esboce os diagramas de sequência para transformadores de dois enrolamentos ligados em: (a) delta-delta. x=8%. linha. haverá corrente em ambos os enrolamentos. 13. Considere um sistema composto por: (a) gerador trifásico.3.2. no caso da sequência zero. de Almeida – UTFPR .   Va2  10. Um transformador de dois enrolamentos está ligado em delta-estrela aterrada. 50 MVA. 5. em kV: Va  13. são: Va1  13. Esse teorema traria alguma vantagem no cálculo de faltas simétricas. Vc  4. fase-fase. transformador.4. carga. mas não haverá corrente para fora do lado em delta. Seja um sistema elétrico cujas tensões de sequencias. com os dois neutros aterrados. (c) linha de transmissão com x=20 ohms. ligado em estrela-estrela. 5. Enuncie o teorema de Fortescue e descreva suas vantagens no cálculo de faltas assimétricas (fase-terra.). (b) desenhe o diagrama fasorial completo. x=10%. Pede-se: (a) converta os valores para pu. b e c. 15 kV/69kV.6. (d) carga de 20 MVA. ilustrando como as tensões do sistema original desequilibrado são formadas a partir das somas adequadas das tensões de sequencia. negativa e zero) na barra de carga. A potência base é 100 MVA e a tensão base é 15 kV na barra do gerador. Explique porque. (b) calcule todas as impedâncias equivalentes de Thévenin (sequências positiva.2100 . Prof. (d) estrelaestrela aterrada. 70 MVA. tais como a trifásica e a trifásica-terra?  5. Va0  4. b e c do sistema original desequilibrado. (b) transformador de dois enrolamentos. com fator de potência unitário. (b) estrela aterrada-delta.2100 .5.5  90 .6.6.8 kV. Exercícios 5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 83 5.1.6.

  Z bn  3545  .05 0. com todos os parâmetros representados. Alvaro Augusto W. Um conjunto de impedâncias Z an  270  .18 Sistema para o Exercício 5.13 x0 (pu) 0. (b) calcule as impedâncias para as três sequências nas três barras (uma de cada vez).1 V e Vca=154. (a) Desenhe os diagramas de reatâncias para as sequências positiva.12 0. de Almeida – UTFPR . na ordem indi- cada pelos subíndices.6.73 0.15 0. A sequência de fases é positiva.6.15 0.7.6.8 Tabela 5. Z cn  270  é ligado em estrela às três fases a.12 0.12 0. negativa e zero.8 Equipamento G1 G2 T1 T2 L12 L13 L23 x1 (pu) 0. As tensões entre as fases de um sistema trifásico são Vab=218 V. Figura 5.3 Prof.8.12 0.6 – Dados do Exercício 5. cujas impedâncias estão representadas na Tabela 5.6.25 0. Pede-se: (a) desenhe um esquema do circuito trifásico resultante. Considere o sistema da Figura 5.15 0. 5.18.13 x2 (pu) 0.15 0.4 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 84 5. Vbc=154.    (b) determine as correntes de linha I an .1  V.12 0.15 0.6.05 0. I bn e I cn pelo método das componentes simétri- cas.25 0.15 0. b e c.12 0.

conforme diagrama unifilar. possui uma reatância subtransitória de 15%. (a) Desenhe os circuitos de sequência negativa e de sequência zero para o sistema de potência da Figura 5. Ele alimenta dois motores através de uma LT com dois trafos nas extremidades. Alvaro Augusto W.10. com reatância de dispersão de 10%.20 abaixo. A reatância em série da LT é 80 .2 .10 5. Escolha os valores nominais do gerador como base do circuito do próprio gerador.21. Os neutros dos geradores das barras 1 e 5 estão ligados à terra por meio de reatores limitadores de corrente com reatância de 5%.6. de Almeida – UTFPR .9 5.8 kV.6. Figura 5.115Y (kV). ambos com 20% de reatância subtransitória. Os trafos trifásicos são ambos de 35 MVA 13.20 Sistema para o Exercício 5. Os valores nominais dos motores são 20 e 10 MVA. Um gerador trifásico de 30 MVA. Desenhe o diagrama de sequência zero para o sistema da Figura 5. cada qual tendo como Prof.19 Sistema para o Exercício 5.6.6. 13.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 85 5.9.9 kV na barra 1.11. Faça o diagrama de reatâncias com todos os valores em pu.6. Figura 5. Expresse os valores de todas as reatâncias em pu nas bases 30 MVA e 6.

para as sequencias negativa e zero. Para o sistema do Exemplo 5.11 5. para as sequencias negativa e zero.12. (b) calcule as impedâncias equivalentes de Thevénin. Figura 5. de Almeida – UTFPR .6. na barra 5.5. na barra 3. Prof.21 Sistema para o Exercício 5. Alvaro Augusto W.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 86 bases os valores dos respectivos geradores. calcule as impedâncias equivalentes de Thevénin.6.

CÁLCULO DE CURTO-CIRCUITO 6. pois descrevem correntes circulando e tensões terminais sem que haja fems internas. (6. Introdução Neste capítulo abordaremos o cálculo de faltas assimétricas. como já vimos na Tabela 5. (b) sequência negativa. apenas o circuito de se quência positiva apresenta fem interna ( E a ) não nula.1:    1 1 Va1  Ea  Z S I a . negativa e zero podem ser representados como na Figura 6. assim. Os conceitos introdutórios vistos na seção 4.   0 0 Va0  Z S I a . mas agora devemos aplicar o método das componentes simétricas aos problemas em questão. Sendo E a a tensão interna de fase. Inicialmente precisamos aprender a escrever as equações para as três sequências de um    gerador a vazio.2) podem parecer um pouco estranhas.1 acima.2) e (6. devemos nos lembrar de que tais equações decorrem do teorema de Fortescue e. Note também que. Figura 6. Alvaro Augusto W. (c) sequência zero As seguintes equações podem ser abstraídas dos circuitos da Figura 6.2) (6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 87 6.3) As equações (6. Contudo. apenas a soma das três equações acima tem significado físico. Prof.1. os quais são semelhantes aos circuitos da segunda linha da Tabela 5. de Almeida – UTFPR .1.10 continuam válidos.1 Circuitos de sequência de um gerador a vazio: (a) sequência positiva.1) (6. Z S a impedância síncrona por fase e Va a tensão de fase nos terminais da fase a de um gerador trifásico.1 a seguir.   2 2 Va2  Z S I a . quais sejam: fase-terra. os diagramas para as sequências positiva. fasefase e fase-fase-terra.

 1  Ia     a 2   0  . que consiste de um gerador trifásico cuja fase a foi   conectada ao terra por meio de uma impedância de falta Z f .2. que estariam ligadas a cargas. pois. transformadores. O termo Z S representa a impedaimpedância síncrona do gerador em série com qualquer impedância a ele conectada.24).5) e (6. as fases b e c. são consideradas abertas.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 88 6.     a  0  (6.2 Gerador com a fase a em curto com o terra Escrevendo a transformação de Fortescue (5. de Almeida – UTFPR .  Ib  0 .4) (6.10. conforme vimos no item 4.5) (6. etc. Por simplicidade.  Ic  0 . (6. Alvaro Augusto W. as cargas são consideradas desprezíveis durante um curto.6) Figura 6. como impedâncias de linhas de transmissão. Podemos então escrever as seguintes condições de contorno para o curto-circuito fase-terra    Va  Z f I a . com as correntes dadas por (6. vem 0 I a  1 1  1  1    I a   1 a 3 I 2   1 a 2    a ou.7) Prof. Curto-circuito fase-terra Considere o circuito da Figura 6.6).2.

12) 0 Ia   0 ou.  Conforme vimos na seção 4.3) em (6. Ea é a tensão pré-falta. (6.   (6. resulta de uma tensão Ea aplicada a uma impedância total 1  2  0  Z S  Z S  Z S  3Z f . Logo. 3 Rearranjando os termos de (6.11) Substituindo (6.4) e (6. (6. a deusa grega da memória. considerada igual a 1.9) (6. por sua vez. finalmente.8) nos garante que.8) Lembremos ainda que o teorema de Fortescue permite escrevermos a tensão na fase a como     Va  Va1  Va2  Va0 . Em outras palavras.8) na relação acima. Z S  Z S  Z S  3Z f (6.9). de Almeida – UTFPR .3 mostra um circuito mnemônico1. 0  A corrente I a .0 pu na nossa formulação simplificada. e é um elemento gráfico ou verbal cuja finalidade é auxiliar a memorização fórmulas. trata-se de um “macete”.1).13)   I ccft  I a   3Ea 1  2  0  Z S  Z S  Z S  3Z f (6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 89  0 1  2 I Ia  Ia  Ia  a .10) como   0  1  2  0 Va  Ea  I a Z S  Z S  Z S .2) e (6. vem     I 1  2  0 Z f I a  Ea  a Z S  Z S  Z S  . dada por (6. Alvaro Augusto W.14) Corrente de curtocircuito fase-terra. na presente situação. ilustra a 1 Mnemônico vem de Mnemosine. listas ou outras informações. A Figura 6.12) teremos (6.10) A relação (6.10. Prof. considerando que I a  3I a  Ea 1  2  0  . podemos escrever (6. teremos    1 1  2 2  0 0 Va  Ea  Z S I a  Z S I a  Z S I a . Substituindo as relações (6.13). as correntes de sequência são iguais. que. 3 (6.

3.20)   (6. 1  0     a2   Ib  . As condições de contorno são agora     Vb  Vc  Z f I b . no qual as fases b e c foram curto-circuitadas  por meio de uma impedância de falta Z f e a fase a foi deixada em aberto. Alvaro Augusto W. 3  1    I a2  a 2  a I b . teremos 0 Ia  1 1  1  1    I a   1 a 3 I 2   1 a 2    a ou.16) (6.17) Aplicando novamente a transformação de Fortescue (5.1. ligados ainda em série a uma impedância 3Z f .18) 0 Ia  0 . 3   (6. Note que este circuito nada mais é do que a ligação em série  dos circuitos da Figura 6.21) Prof.3 Circuito mnemônico para o curto-circuito fase-terra 6. (6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 90 relação (6.24) a essas correntes.     a   I b  (6. (6.19) 1 1    I a  a  a2 Ib . Figura 6.    I b   I c  I ccff . de Almeida – UTFPR .  Ia  0 . Curto-circuito fase-fase Considere agora o circuito da Figura 6.13) de maneira gráfica.4.15) (6.

2). Substituindo (6. (6.16c). Logo. as tensões nas fases a.1) e (6.25) como   Prof. Alvaro Augusto W.22c)  A tensão sobre a impedância Z f será então         Vb  Vc  Z f I b  a 2  a  Va1  Va2 .22a) (6. teremos (6.23)     1 1  1 2   Z f I b  a 2  a  Ea  Z S I a  Z S I a .4 Gerador com as fase b e c em curto por meio de impedância De acordo com o teorema de Fortescue expresso por (5.16a).2) na relação acima.21) vem que I a   I a .22b) (6. (5.   (6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 91 Figura 6.24) pode ser escrita como      1  1  2 Z f I b  a 2  a  Ea  I a  Z S  Z S  .16b) e (5. a relação (6. o que nos permite escrever (6. b e c podem ser escritas como     Va  Va0  Va1  Va2      Vb  Va0  a 2Va1  aVa2      V  V 0  aV 1  a 2V 2 c a a a (6.24) 2 1 Das relações (6. de Almeida – UTFPR . temos ainda que I b  3I a / a  a 2 .20) e (6.25)  1   De (6.

5 Circuito mnemônico para o curto fase-fase 6.5.4.26) 1     Isolando I a na relação acima. Curto-circuito fase-fase-terra Considere finalmente o circuito da Figura 6.29) (6. no qual as fases b e c foram curto-  circuitadas diretamente e conectadas ao terra por meio de uma impedância de falta Z f . (6. As condições de contorno são      Vb  Vc  Z f I b  I c . 2   aa      (6. te-     1 Ia   Ea  2  . O circuito mnemônico para o curto-circuito fase-fase é mostrado na Figura 6. de Almeida – UTFPR .31) Prof. A fase a foi deixada em aberto.28) Corrente de curtocircuito fase-fase.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 92  remos 1  3I a Z f    1  1  2  a 2  a  Ea  I a  Z S  Z S . e levando em consideração que a  a 2  a 2  a  3 .    I ccfft  I b  I c .30) (6. Figura 6.6.20) em (6. Alvaro Augusto W. Z  ZS  Z f 1 S (6.27) Substituindo (6.27) teremos finalmente a corrente de curto-circuito fase-fase   I ccff  I b    j 3Ea 1  2  ZS  ZS  Z f (6.  Ia  0 .

(6.35)  Sabendo que I a  0 . (6. teremos 0 1  I a  I a  I a2  0 .36) em (6.22b) e (6.32) Substituindo (5.6 Gerador com as fase b e c em curto para o terra   Substituindo Vb  Vc em (6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 93 Figura 6. (6. (6.34)   ou.36)   0 Vb  3Z f I a .16c) em (6.16a). de Almeida – UTFPR . Substituindo (6.22c). Alvaro Augusto W.   0 1 2 Vb  Z f 2I a  I a  I a  .22b). considerando que a 2  a  1 .16b) e (5. e considerando (5. teremos Prof.29).33)   0   1   2 Vb  Z f 2I a  a 2  a I a  a  a 2 I a .35). teremos      0  1  2 0  1  2 Vb  Z f Ib  I c   Z f I a  a 2 I a  aI a  I a  aI a  a 2 I a . ou. vem (6. teremos   Va1  Va2 . ainda.37) 1  2 Substituindo Va  Va em (6.   (6.

3). Igualando (6.39) e (6.44)   1 1   1 1 1 E  Z S I a  Ea  Z S I a . Considerando novamente que Va1  Va2 e igualando as relações (6.45) Prof.    3Z  Z 0 Z2 f S S 1 Agora basta isolar Ia .39)  0  0 0   1 1 3Z f I a  Z S I a  Ea  Z S I a .41) Corrente de sequência zero para o curto fasefase-terra. de Almeida – UTFPR . vem que (6.2).36). Resolvendo para Ia0 .    Vb  Va0  Va1 .29).  ZS Substituindo (6. 1 Agora falta apenas determinarmos I a .1) e (6. teremos finalmente (6. 94   (6. vem que  0 I ccfft  3I a (6.30) e (6.37) e substituindo as relações (6. valor que deverá ser usado para a determinação de   Ia0 em (6.37). Ia  a  0 2 3Z f  Z S ZS (6.41).40)  1 1   0 Z I  Ea Ia  S a  0 3Z f  Z S (6. Comparando (6. conforme o processo de cálculo a seguir: (6. tere- mos inicialmente  1 1  2 Z I  E Ia  S a 2 a . vem (6.43)  1 1   1 1  Z S I a  Ea 1 Z S I a  Ea  Ia   0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34      Vb  Va0  a 2  a Va1 .1) e (6.42) Corrente de curto fasefase-terra.43) em (6. (6.38) ou. Alvaro Augusto W.41) e (6.

notando que o segundo termo do denominador representa Z S em paralelo 0  com Z S  3Z f .42). Alvaro Augusto W.41) e (6.47)  Ea 1 Ia  1  2  0    0  . respectivamente.46) 2   1  2 1     1 1  0   0  1 1 1  Z S Ea  Z S Z S I a  3Z f Ea  3Z f Z S I a  Z S Ea  Z S Z S I a . Ia 2  0 Z S 3Z f  Z S        (6. Z S Z S  Z S  3Z f  3Z f Z S2  Z S Z S2    Z 2  Z 0  3Z   (6. e da aplicação de algumas fórmulas prontas. Prof. Z S . O processo de cálculo das correntes de curto pode parecer um pouco tedioso. Ia    Z 2 3Z  Z 0 S  f S  (6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 95 2   1 1  0   1 1 1  Z S Ea  Z S I a  3Z f  Z S Ea  Z S I a .48) S S f 1 Ia   Ea 2 0  . de acordo com as relações (6. depois  Ia0 e depois I ccfft . respectivamente. podemos escrever: 1 Ia   Ea 1 2    0 Z S  Z S // 3Z f  Z S   (6. e Z S . de Almeida – UTFPR .50) Corrente de sequência positiva para o curto fase-fase-terra. mas tudo se 1  2 0 resume ao cálculo das impedâncias Z S .50). identificadas com as impedâncias equivalentes de Thévenin das sequências positiva.49) S S f 2 Finalmente. (6. A Figura 6. devemos calcular inicialmente I a . negativa e zero.7 ilustra o circuito mnemônico para o caso em questão. 1 Para calcular a corrente de curto fase-fase-terra.  1  Z S Z S  3Z f ZS    Z 2  Z 0  3Z   (6.

30 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 96 Figura 6.13 x0 (pu) 0.25 0.10 0.10 0.1 pu e que a impedância de falta é igual a j0.1 Equipamento G1 G3 T12 T34 L25 L24 L45 x1 (pu) 0.1 – Dados do Exercício 6.7 Circuito mnemônico para o curto fase-fase-terra Exemplo 6. Considere que as impedâncias de neutro dos geradores são iguais a j0.10 0.20 Prof.13 x2 (pu) 0.1.15 0.1.015 0.7.50 0.12 0.2 pu. As demais impedâncias são dadas na Tabela 6.15 0.10 0.10 0.25 0.10 0.10 0. Figura 6. de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W.12 0.10 0.1 Tabela 6.015 0. fase-fase e fase-fase-terra na barra 5 para o sistema da Figura 6. Calcule as correntes de curto fase-terra.8 Sistema para o Exemplo 6.

10. 4 e 5 para uma estrela. Para determiná-la. Alvaro Augusto W.10 Diagrama de reatâncias de sequência positiva para o Exemplo 6.0368 pu x24  x25  x45 j 0.1 A impedância de sequência positiva nada mais é do que a impedância de Thévenin vista da barra 5.0708 pu x24  x25  x45 j 0. Figura 6.25  j 0.25   x2  j 0. ilustrado na Figura 6. 4 e 5.9.13 x24 x45 j 0. Inicialmente devemos desenhar o circuito de sequência positiva.9 Circuito de sequência positiva para o Exemplo 6. conforme mostrado na Figura 6. de Almeida – UTFPR . convertidas para estrela. devemos substituir os geradores por suas respectivas impedâncias internas e transformar o delta entre as barras 2.15  j 0.15  j 0.1 As reatâncias entre as barras 2. Figura 6.13 x4  Prof.13   x4  j 0. são: x2  x24 x25 j 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 97 Solução.15  j 0.15  j 0.25  j 0.

1977 pu 1 O circuito de sequência negativa é semelhante. Em primeiro lugar.11 Diagrama de reatâncias de sequência negativa para o Exemplo 6.0368  j 0.0368  j 0.13 A impedância de Thévenin de sequência positiva na barra 5 será 1 Zth5  j 0. por causa das ligações dos transformadores.10  j 0. No que se refere ao cálculo da impedância de Thévenin de sequência zero.0708  j 0. pois a barra 2 é apenas uma conexão entre as reatâncias Prof.10 //  j 0.11.10  j 0.10  j 0. Em terceiro. exceto pelos valores das reatâncias dos geradores. Alvaro Augusto W.12 //  j 0.12  Z th5  j 0.0708  j 0. conforme mostrado na Figura 6. especialmente o lado ligado em delta. por causa das reatâncias de neutro dos geradores.12. que agora devem ser multiplicadas por três e incluídas em série com as respectivas reatâncias de sequência zero.25  j 0.1 A impedância de Thévenin de sequência negativa na barra 5 será 2 Zth5  j 0. Em segundo.10  j 0.15  j 0.25  j 0.0613   j 0.1876 pu 2 O diagrama de sequência zero exige atenção triplicada. O diagrama resultante é mostrado na Figura 6. agora não é necessário converter o delta para estrela.10  Z th5  j 0.0613 pu x24  x25  x45 j 0. Figura 6.0613   j 0. de Almeida – UTFPR .13   x5  j 0. por causa dos valores diferentes das reatâncias dos geradores e das linhas de transmissão.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 98 x5  x25 x45 j 0.

00 1.00 3. que agora estão em série.575  3  j 0.14)  I ccft   Z 1 th 5 3.50 e j0.575 pu 0 Figura 6.015  j 0. de acordo com (6.30.1876 // 3  j 0.20 //  j 0.2 f De acordo com (6.575 2 th 5   Prof.35). Logo.1876  j 0.00    I cc 3   j 2.28).30  j 0.1977  j 0.00   0     Z // 3Z f  Z th5 j 0.1977  j 0. De acordo com a relação (4.1876  j 0. a corrente de sequência positiva para o curto fase-fase-terra será 1 Ia   Z 1 th 5 1.2  j 0. a impedância de Thévenin de sequência zero será 0 Zth5  j 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 99 de j0.12 Diagrama de reatâncias de sequência zero para o Exemplo 6.00  2 0     Z th5  Z th5  3Z f j 0.30  Z th5  j 0.9593 pu  2  Z   Z th5 j 0.2 f A corrente de curto fase-terra será. a corrente de curto trifásico será I cc 3  1.50  j 0.9227 pu De acordo com (6.00 1. de Almeida – UTFPR .1977  j 0. a corrente de curto fase-fase será  I ccff   Z 1 th 5 j 3 j 3   I ccff  2.1977  j 0.2   I ccft   j1.10  j 0.50).1 As correntes de curto podem ser agora facilmente calculadas.5145 pu 1  Z  Z th5 j 0. Alvaro Augusto W.

  à soma de todas as admitâncias que se ligam ao nó i.0  I a   j 0.2  j 0.5.149 pu 6. de acordo com (6. o método da matriz impedância de barra possibilita tal generalização.7819  1.575 th 5 Finalmente. Alvaro Augusto W.383  I ccfft   j1.7819 pu A corrente de sequência zero para o curto fase-fase-terra será. além disso. os elementos Yii da matriz admitância nodal são iguais    I  Y  V .       Y2 n  Ynn   (6. A matriz impedância de Prof. enquanto as admitâncias Yij  Y ji são iguais ao recíproco das respectivas admitâncias físicas que ligam os nós i e j. bem como maior rapidez. a matriz admitância   barra Z  correspondente será  nodal Y pode ser rapidamente construída a partir de regras simples.1977   j 2. de Almeida – UTFPR . cuja matriz admitância nodal pode ser escrita como   Y11  Y  Y   21   Y1n    Y12  Y1n     Y22  Y2 n  . Seja um sistema de potência de n barras.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 100 1  I a   j 2.  Relembrando das relações (4. a matriz admitância nodal deve satisfazer a seguinte equação   onde I e V são os vetores corrente e tensão respectivamente. Logo. Método da matriz impedância de barra O método das impedâncias de Thévenin pode ser um pouco demorado caso desejemos calcular as correntes de curto em mais de uma barra e.0 j 0. a corrente de curto fase-fase-terra será   I ccfft  3   j 0. de acordo com (6.25).51) Como sabemos das aulas de circuitos.383 pu I a  th5 a 0   Z  3Z f 3  j 0. é de difícil generalização e implementação computacional. Felizmente.41)  1 1 0 0 Z I  1.42).

O resultado é mostrado na Figura 6.13 Circuito de sequência positiva para o Exemplo 6. 1 Y33   j8.0  j 7.333 .0   j18.13. Alvaro Augusto W.667 . Repita o Exemplo 6. Exemplo 6. a impedância equivalente de Théve-   nin para curto-circuito na barra k é igual ao elemento Z kk da matriz Z .692 .2. do que calcular diretamente a impedância de Thévenin em cada barra do sistema.9.692  j 6. de Almeida – UTFPR .333  j10.      Z nn   (6.52) Após obtermos a matriz impedância de barra. Solução.25). 1 Y55   j 4. Prof. 1 Y44   j10. Inicialmente devemos redesenhar o circuito da figura 6. 1 Y22   j10. processo para o qual existem algoritmos prontos e bastante conhecidos.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 101      Z11 Z12     Y 1   Z 21 Z 22  Z       Z1n Z 2 n   Z1n     Z 2n  .1 pelo método da matriz impedância de barra.333 .  Figura 6.0   j18.0  j 4. os elementos de Y 1 da diagonal principal serão   1 Y11   j8.667   j 24.667   j 20.359 . Em várias circunstâncias é mais fácil inveter a matriz admitância nodal.2  De acordo com as regras (4. porém invertendo as impedâncias de modo a obtermos admitâncias.333  j10.0  j 6.692   j11.0  j 7.

0482 j0.scilab.0  j 20.0482 j0.25).0563  j0.0937 j0. 1 1 Y13  0  Y31 (as barras 1 e 3 não se ligam diretamente) .692    A inversão de Y 1 pode ser realizada por meio de um software numérico. os elementos de Y fora da diagonal principal serão  1 1 Y12   j10.1168  j0.0637  . ou ainda por meio de uma calculadora científica. como o MatLab ou o SciLab2.0  j 24.0637 j0. 1 1 Y34  j10.0482 j0.667 0 j 6.0 0   0 j 6.667 j 4. Alvaro Augusto W.0  Y43 . 1 1 Y35  0  Y53 .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 102  De acordo com as mesmas regras (4.1316 j0.0563  j0.0263   j0.0884 j0.667 j10.0  j10.0263 j0.0482  j0.0     .667  Y42 . Prof.1032   j0.org .1168 j0. Veja www.359 j 7. 1 1 Y45  j 7.0937  j0.0 0 j 7.1032 j0.  j0.0  Y21 .0  Y52 . de Almeida – UTFPR .692  j11.0718 j0. 1 1 Y15  0  Y51 .0718    1 Z 1  Y 1   j0.0718 j0.0884 j0.  A matriz admitância nodal Y 1 será     j10.333 j10.333   j10.1977   2 O SciLab é uma das versões freeware do MatLab. 1 1 Y14  0  Y41 .692    0 j 4. 1 1 Y24  j 6.1316 j0. 1 1 Y25  j 4.0718 j0.0 0 0 0  j18. Y1   0 0  j18. resultando em        j0.692  Y54 . 1 1 Y23  0  Y32 .

0 j10. da mesma forma que a matriz admitância nodal.692   A matriz impedância de barra correspondente será Prof. apenas os seguintes elementos da matriz admitância nodal mudarão 2 Y11   j10  j10.0   j 20. Contudo.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 103 Como pode ser observado.0  j 20.0  j 24.667 j10. a matriz impedância de barra é simétrica.359 j 7.667 j 4. O diagrama de admitâncias para a sequência negativa é mostrado na Figura 6. para sequência positiva. de Almeida – UTFPR .0 0 j 7.0   j 20. 2 Y33   j10.692  j11. 1 que é igual à impedância Z th5 obtida anteriormente no Exemplo 6.0 .1.0     .0 0   j 6. enquanto a matriz admitância nodal é esparsa (tem muitos elementos nulos).0   j10.14 Circuito de sequência negativa para o Exemplo 6.14 abaixo.  A matriz admitância nodal Y 2 será     j10.2 Considerando que apenas as admitâncias ligadas às barras 1 e 3 mudam. Figura 6. Da matriz Z  também fica evidente que impedância de curto na barra 5.1977 .667 0 j 6.0 0 0 0  j 20. Alvaro Augusto W.692   0  0 j 4.0  j10. Y2   0 0  j 20.0 . a matriz impedância de barra é cheia (tem poucos elementos nulos). será 1 1 Z55  j 0.

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 104      j0.1067 j0.0533 j0. e depois invertê-las para obter a admitância.0933 j0. de Almeida – UTFPR .15.333 .0  j3. para sequência negativa.0394 j0.1876   A impedância de curto na barra 5.1212 j0. Prof. gerador.0606 j0.0788 j0.0394 j0. que devemos primeiro adicionar a impedância de cada gerador e sua respectiva impedância de neutro.0467  j0.1746 .0197 j0.333   j5.0   j13. em relação ao circuito da Figura 6.1746  j10.1746 . Alvaro Augusto W.0  j3.0394  j0.0788 j0.0467  j0.0   j18. os elementos da matriz admitância nodal são 0 Y11   j3.0803  j0.0533  .0606 j0. Esse procedimento deve ser realizado sempre que tivermos algum equipamento.0197  Z   j0.0606   2  Y 2 1   j0.  j0. motor ou transformador.2 Note. aterrado por meio de impedância. Feita tal consideração.1.0   j13.0803 j0.333  j5.15 abaixo.1212 j0. O diagrama de admitâncias para a sequência zero é mostrado na Figura 6.1746  j10. 0 Y33  j3.333 . 0 Y22   j 2.1067  j0. 0 Y44   j10.1876 .0933   j0.0394 j0.15 Circuito de sequência zero para o Exemplo 6. será 2 Z55  j 0.0606 j0. 2 que mais uma vez é igual à impedância Z th5 obtida anteriormente no Exemplo 6. Figura 6.

0   j 7.333 j5.5750 . 0 0 Y34  j10.1746 j10.4750 0 j0.0  j 7.3150 j0.0   A matriz impedância de barra correspondente será      j0. 0 0 Y24  j3. 0 0 Y15  0  Y51 .4750   j0.0 .0     Y0   0 0  j13.3150 j0.   0 j3.0 0 .4150  j0.0 0 j5.4150 j0. 0 0 Y25  j 2.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 0 Y55   j 2.333  Y42 .  j0. 0 0 Y45  j5.0  j5.4150 j0.5750   Novamente. 0 0 Y14  0  Y41 . 0 0 Y35  0  Y53 .0759  0    1 Z0  Y0   0   0  0  0 j0. como esperado.333 j 2.4150 j0.0  Y54 . Alvaro Augusto W.0  j18.333 j10.3150  . teremos 0 Z55  j 0.0    0 j 2.3150 j0.1746  0  j5.3150 j0.0  Y43 .3150 j0.333 0 j3. 0 0 Y23  0  Y32 . de Almeida – UTFPR . Prof. 0 0 Y13  0  Y31 . 105 0 0 Y12  0  Y21 (as barras 1 e 2 estão agora desconectadas).3150 0 j0.4150 0  j0.6250 j0.  A matriz admitância nodal Y 0 agora será     0 0 0 0   j13.0  Y52 .

3 xxx Prof. A impedância de falta é nula e. x13=j0.14 pu.17. Calcule a correntes de curto-circuito trifásica e fase-terra na barra 3 do sistema da Figura 6.3 a seguir. de Almeida – UTFPR .1.16. As 106 correntes de curto-circuito na barra 5 podem ser agora facilmente calculadas.3 Solução. as reatâncias de sequência positiva. conforme mostrado na Figura 6. Figura 6. Devemos ter um cuidado especial em problemas que envolvam transformadores de três enrolamentos. negativa e zero de cada equipamento podem ser consideradas iguais. Alvaro Augusto W. O primeiro passo é desenhar o diagrama de reatâncias de sequência positiva. como mostra o Exemplo 6.16 Sistema para o Exemplo 6. Além disso.1 pu e as reatâncias do transformador são: x12=j0.3. agora podemos calcular as correntes de curto em qualquer uma das outras barras.13 pu e x23=j0. pelos métodos de Thévenin e da matriz impedância. Figura 6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 0 que mais uma vez coincide com a impedância Z th 5 obtida anteriormente no Exemplo 6. Exemplo 6. As reatâncias dos geradores são ambas iguais a j0.17 Diagrama de reatâncias de sequência positiva para o Exemplo 6. para os fins do presente problema. conforme vimos no Exemplo 6.1.12 pu.

Z 22  (6.21. Contudo. teremos Z Z   Z  INI  11 21   Z12   . pode ser montada por meio de duas regras simples. Nesses casos pode ser bem mais conveniente e rápido conhecermos as regras para obtenção direta da matriz impedância de barra. Alvaro Augusto W.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 107 6. no caso de um grande numéro de barras a inversão pode demorar algum tempo. em alguns casos queremos apenas expandir a matriz impedância de barra a partir de uma matriz inicial pré-existente. a matriz impedância de barra pode ser obtida facilmente a partir da inversão da matriz admitância nodal. discutidas a seguir. conforme a relação (6. Prof. mas sem perda de generalidade. Logo.  a) O novo elemento z p é ligado entre a barra nova p e a referência. de Almeida – UTFPR .  Seja um sistema inicial de n barras cuja matriz impedância de barra inicial é Z INI . vamos trabalhar com um sistema original de 2 barras. conforme ilustrado na Figura 6. Obtenção direta da matriz impedância de barra Como vimos. Ademais.20 Sistema inicial de 2 barras  Um novo termo z p pode ser adicionado de quatro maneiras diferentes.54) Figura 6.53) Por razões de simplicidade.53)   Z  INI    Z11 Z12   Z Z 22   21      Z1n Z 2 n    Z1n     Z 2n  .20.      Z nn   (6. a qual. como aquele da Figura 6.6. por sua vez.

.21 Sistema para a regra (a) (continua em breve.) Prof.. Alvaro Augusto W.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 108 Figura 6. de Almeida – UTFPR .

fase-terra. Alvaro Augusto W. 480 V. Explique porque.3. não é necessário conhecer a impedância de sequência zero.7. O gerador opera em vazio e com tensão nominal quando ocorre um curto-circuito trifásico entre o disjuntor e o transformador. A carga é ligada diretamente aos terminais do gerador. 6.4. O transformador trifásico ligado ao gerador descrito no exercício anterior tem os seguintes valores nominais: 7. Desenhe os circuitos mnemônicos para os curto-circuitos trifásico. Se ocorrer um curto-circuito trifásico no lado da alta tensão do transformador com tensão nominal e em vazio. 6.08 pu. (b) como é possível obter a matriz impedância de barra a partir da matriz admitância nodal? 6. (b) a corrente inicial eficaz simétrica no disjuntor. xd = 100%. alimenta uma carga puramente resistiva de 500 kW. (a) Descreva as regras para a construção da matriz admitância nodal de um sistema de potência. 6. Um gerador de 60Hz. 6.7. 650 kVA.9/15 kV. considere-as nulas.7.5 MVA. Se todas as três fases da carga forem simultaneamente curto-circuitadas.7. (3) quando não mencionado.7.7. 6. xd ' = 15%.2.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 109 6. xd ' ' = 0.1. determine a corrente inicial eficaz simétrica no gerador.7. 6. as impedâncias estão especificadas nas bases dos respectivos equipamentos. (b) a corrente inicial eficaz simétrica no lado da baixa tensão do transformador. os equipamentos estão ligados em estrela solidamente aterrada. fase-fase e fase-fase-terra. Um gerador encontra-se ligado a um transformador através de um disjuntor e tem os seguintes valores nominais: 7. Determine: (a) a corrente permanente de curto-circuito no disjuntor. determine: (a) a corrente inicial eficaz simétrica no lado de alta tensão do transformador. (2) quando não mencionado. xd = 10%.5 MVA.9 kV. Prof.7.7. em um curto-circuito fase-fase. 6. com reatâncias xd ' ' = 9%. nas bases do gerador. Exercícios Observações: (1) quando as impedâncias de falta e de neutro não forem mencionadas. em pu. de Almeida – UTFPR . (a) Quais as vantagens e desvantagens do cálculo de curto-circuito por meio das impedâncias de Thévenin?.5.6. (b) quais as vantagens e desvantagens do cálculo de curto-circuito por meio da matriz impedância de barra? 6. sob 480 V.

6.10. especificado para 60 Hz.7. 10 MVA e 13.7. Calcule todas as correntes de curto-circuito para o sistema do Exercício 5.7.13 Prof. Para o sistema da Figura 6.15 pu e x0 = 0. Calcule todas as correntes de curto-circuito para o sistema do Exercício 5. Calcule as correntes de curto trifásico e fase-terra.7. Considere que a reatância de falta é nula.18. determine as correntes de curto-circuito trifásica e fase-terra na barra 5. 6. Alvaro Augusto W. na barra 3. 6.11. na barra 3.2 pu. de Almeida – UTFPR .05 pu.12. pelo método das impedâncias de Thévenin. As reatâncias são xd ' ' = x2 = 0.6. Determine a relação entre a corrente subtransitória para uma falta fase-terra e a corrente subtransitória para uma falta trifásica simétrica.9. pelos métodos das impedâncias de Thévenin e da matriz impedância de barra.6.8.13.7. Figura 6.6. pelo método das impedâncias de Thévenin. Um turbogerador. determine a relação entre a corrente subtransitória para uma falta fase-fase e a corrente subtransitória para uma falta trifásica simétrica. 6.7.14. No exercício anterior.7.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 110 6. No Exercício 5. Considere que a reatância de falta é j0. é ligado em estrela solidamente aterrada e funciona sob tensão nominal.7. Considere que a reatância de falta é nula. com os dados da Tabela 6. considere que as impedâncias de sequência negativa e positiva são iguais.6. 6.11.18 Sistema para o Exercício 6. em vazio.8 kV.8. na barra de carga.

12 0. Considere que a reatância de falta é nula.6.7.12 0.11 0.11 0.12 0.14 0.12 0.11 0. Prof. Alvaro Augusto W.05 0.05 0.11 0. Calcule as correntes de curto-circuito fase-fase e fase-fase-terra para o sistema do Exercício 5.11 0.12 0.15 0. pelo método das impedâncias de Thévenin.12 x2 (pu) 0.12 0.12 0. na barra 4.7.12 0.12 0.11 0.11 0.12 0.2 – Dados do Exercício 6.3 0. de Almeida – UTFPR .12 0.3 0.9.05 0.25 111 6.12 0.14 0.14 0.11 0.14.15 0.11 0.12 x0 (pu) 0.13 Equipamento G1 G5 G8 T12 T78 T34 T46 T45 L23 L27 L45 L67 x1 (pu) 0.25 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 Tabela 6.12 0.

Prof. é um problema matemático cujo objetivo é determinar as tensões e potências em todos os barramentos de um sistema elétrico. mas o módulo (V) e o ângulo da tensão () são desconhecidos. Introdução Fluxo de potência.5. Alvaro Augusto W.1.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 112 7. O fato de um barramento ter geradores não significa que seja um barramento de geração. FLUXO DE POTÊNCIA 7. nos casos de real interesse o problema do fluxo de potência é não linear e deve ser resolvido por meio de métodos numéricos. mas pode haver vários barramentos de carga e de geração. que podem ser divididos em três tipos básicos: 1) Barramento de Carga (PQ): As potências ativa e reativa (P e Q) são conhecidas. Iniciamos classificando os barramentos de um SEP. se um barramento tiver potência ativa e módulo da tensão conhecidos. mas as potências ativa e reativa (P e Q) são desconhecidas. contudo. de Almeida – UTFPR . a solução analítica é possível. podemos a seguir determinar o fluxo de potência em cada linha ou transformador. 3) Barramento de referência (V): O módulo (V) e o ângulo da tensão () são conhecidos. Em um problema de Fluxo de Potência a configuração do sistema é suposta inalterável. ou seja. Ademais. Como vimos no Exemplo 4. com P=0 e S=0. também conhecido como fluxo de carga. serão considerados barramentos PQ. O objetivo é determinar módulos e ângulos de todas as tensões em todos os barramentos. Os problemas de fluxo de potência não são lineares e geralmente apresentam uma complexidade que só permite a solução numérica. NewtonRaphson e outros. como Gauss-Seidel. barramentos que sirvam apenas de conexão entre outros barramentos. sem geradores ou cargas conectados. como ilustrado no exemplo a seguir. Também denominado barramento “flutuante”. “oscilante” ou “swing”. 2) Barramento de Geração (PV): A potência ativa (P) e o módulo da tensão (V) são conhecidos. bem como as perdas no sistema. ele será considerado PV. Tendo as tensões e as impedâncias do sistema. Há apenas um barramento de referência por sistema. ou seja. mas a potência reativa (Q) e o ângulo da tensão () são desconhecidos. Em alguns casos didáticos mais simples. cujas tensões e ângulos sejam desconhecidos. de geração.

   4. Inicialmente.0  V3  0. V3 Prof.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 113   Exemplo 7.0855957.1 Solução.   1.2) em (7.5  25. (7. de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W.84  V3  I13 .0  V3  0.84 .45  V3 3 . V3   3 Multiplicando por 1.1.84  1.1) Por outro lado.17 I13 .3)  Fazendo V3  V3 3 e reordenando. Dado o sistema da Figura 7. Figura 7. teremos 1. determine V3 .45  V3 .  P3   *   cos   arccos 0.0855957. sendo V1  1. a queda de tensão na impedância entre as barras 1 e 3 é     V1  V3  Z13  I13 .0   3 .  V* 3 (7.0855957.0  0.02  j 0.17    V3* 0. 0.0   V3 .02  j 0. * 0.00 pu e Sb  10 MVA .1).9 Isolando a corrente.45  1. I13   V3 Substituindo (7.2) 0.9  V3  I13 .1.525. vem que (7. 1.5 MW / 10 MVA  * 25. sabemos que   * S3  V3  I13 .0   3  0.

(7.90790V3 2  0.08559  sen57.046051   V3 cos  3   V3  .08559   cos57.0721412 .90790  4  0. de Almeida – UTFPR .046051   0.09 kV  Podemos calcular o ângulo de V3 a partir da segunda equação do sistema (7. 2 As raízes são.45 3  V3  ou.00732  0 .046051  V3 2   0.362 0.  V3  13.4) V3 2  0.00520 .94856 pu ou.09023   '' V3  0.   sen   0.072141   3  4. 0.45  V3 cos  3   V  3  sen    0. V3 2  0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 114 Separando as partes real e imaginária.072141   .00732 . 2  0. V3 4  0.00212  0.94856  A primeira raiz implicaria em uma queda de tensão excessiva entre as barras 1 e 2. cos  3   sen  3     V3     V   V  3 3     2 2 2 2 A equação acima é uma biquadrada que pode ser resolvida diretamente pela fórmula de Bhaskara. Assim.94856 Prof.072141 3  V3  Elevando ambas as equações ao quadrado e as somando.0921V3 2  V3 4  0. Alvaro Augusto W. escolhemos a segunda raiz. 2 V3 2  0.4) sen 3    0. 0.90790   0.  V3  0. V3'  0.

. W. x2 1 . análise matemática. x3 1 . Alvaro Augusto W.. Sendo k-1 o índice da iteração inicial. x3 1 . de Almeida – UTFPR . geodésia. The Mathematical Association of America. astronomia e ótica.. o método de Gauss é um dos mais simples e mais didáticos. A primeira etapa do método de Gauss consiste em se escrever a equação na forma x  f x  . x2 1 . criança prodígio. xn 1 k k k .. x3 1 . Prof. teremos x f x k  . Método de Gauss Dentre os métodos disponíveis para a solução de problemas de fluxo de potência... Carl Friedrich Gauss. geofísica..Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 115 7. 2003.. xn 1 k 1 1     (7.. x2 1 . A seguir.6)         k k k f n x1k 1 . x2 1 . xn 1  Nota biográfica3: Carl Friedrich Gauss (1777 – 1855) foi um matemático. x3 1 . a equação deve ser escrita na forma iterativa.. arbitramos um valor inicial para x e calculamos os valores das iterações seguintes até que o erro   x k  x k 1 entre o valor da última iteração e o valor da iteração anterior seja tão pequeno quando o desejado. A lei de Gauss da distribuição de erros e a curva normal em forma de sino são hoje conhecidas de todos que trabalham com estatística. xn 1 k 1 1 k k k . Vamos supor que inicialmente apenas uma equação não linear deva ser resolvida.. titan of science. A lei de Gauss da eletrostática é certamente conhecida de todos os 3 DUNNINGTON. estatística. k 1 (7. Conhecido como o “Príncipe dos Matemáticos”.5) Forma iterativa para utilização do método de Gauss.2.. Finalmente. Em geral desejamos resolver um sistema de n equações não lineares. geometria diferencial.. eletrostática. que dever ser escrito como  x1k   k  x2   k  x3     k  xn    f x f x 2 3 k k k f1 x1k 1 . G.. como teoria dos números.. muitos consideram Gauss o maior gênio da história e alguns dizem que seu QI teria girado em torno de 240. embora não o mais rápido nem o mais utilizado. físico e astrônomo alemão que contribuiu para um grande número de áreas..

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estudantes de Engenharia Elétrica. Gauss também descobriu a possibilidade de se construir geometrias não-euclidianas, embora nunca tenha publicado essa descoberta. Tais geometrias libertaram os matemáticos da crença de que os axiomas de Euclides eram todos consistentes e nao-contraditórios e conduziram, anos mais tarde, à teoria da relatividade geral de Albert Einstein, dentre outras coisas. A partir de 1831 Gauss começou a trabalhar em colaboração com o físico alemão Wilhelm Eduard Weber (1804 –1891). Juntos, inventaram o primeiro telégrafo eletromecânico4, que passou a interligar o observatório astronômico e o instituto de física da Universidade de Göttingen, na Alemanha. Gauss e Weber, motivados pela descoberta de Oersted de 1921 (de que uma corrente elétrica produz um campo magnético), passaram a pesquisar se o inverso não seria possível, ou seja, se um campo magnético não seria capaz de produzir uma corrente elétrica. Contudo, eles não foram bem sucedidos, pois não perceberam que, para que isso aconteça, o campo magnético deve ser variável no tempo. A descoberta do fenômeno da indução eletromagnética teve de esperar pelos trabalhos do físico inglês Michael Faraday (1791 – 1867) e do físico norte-americano Joseph Henry (1797 – 1878), em 1831. Gauss tem uma cratera lunar batizada em sua homenagem. Exemplo 7.2. Resolva o Exercício 7.1 por meio do método de Gauss. Considere um erro de 10-5. Solução. Escrevendo a equação (7.3) na forma iterativa, teremos

0,0855957,45  . V3k 1  1,0   * V3k

 

 Fazendo V30  1,00 , o valor da primeira iteração será

0,0855957,45  V31  1,0   0,95667  4,325 . 1,00
 A seguir, usamos V31  0,95667  4,325 para calcular a segunda iteração

0,0855957,45  V32  1,0   0,94902  4,325 , 0,95667  4,325
e assim por diante

0,0855957,45  V33  1,0   0,94863  4,361 . 0,94902  4,325 0,0855957,45  V34  1,0   0,94856  4,361 . 0,94863  4,361

4

O telégrafo de Gauss-Weber, ao contrário do telégrafo eletromecânico de Samuel Morse, usava linguagem analógica e não binária, consistindo de uma agulha que se movia à distância sob a influência de uma fonte de tensão, localizada à distância e cuja amplitude se variava.

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0,0855957,45  V35  1,0   0,94856  4,362 . 0,94956  4,361
Podemos observar que o erro entre a quarta e a quinta iterações é inferior a 10-5. Assim, o problema converge com apenas cinco iterações, mostrando que o método de Gauss funciona de fato. Contudo, precisamos desenvolver uma formulação que seja capaz de resolver problemas de n barras e não de apenas uma barra. Em um sistema de n barras, vale a seguinte equação matricial

I  Y  V .
  I1   Y      11   I 2  Y21          I p  Yp1          I  Yn1   n 

(7.7)

Para uma barra p qualquer, podemos escrever

 Y12  Y22   Yp1   Yn 2

     

 Y1 p  Y2 p   Ypp   Ynp

     

  Y1n  V1      Y2 n  V2           . Ypn  V p          Ynn  V    n 

Efetuando a multiplicação e escrevendo a equação para a barra p, obtemos

         I p  Yp1V1  Yp 2V2    YppVp    YpnVn .
Sabemos ainda que

(7.8)

   I p  S * / Vp* . p
Igualando (7.8) e (7.9)

(7.9)

          S * / Vp*  Yp1V1  Yp 2V2    YppVp    YpnVn . p  Isolando V p
        S * / V *  Yp1V1  Yp 2V2    YpnVn  Vp  p p .  Y
pp

Generalizando e escrevendo na forma iterativa

  n    k 1  1   S k / V k *   Y V k  .   Vp p p pq q   Ypp  q 1   q p  

(7.10)

Forma iterativa do método de Gauss.

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Exemplo 7.3. Resolva o problema do Exemplo 7.1 usando a equação (7.10). Considere um erro mínimo de 10-5.

  Solução. Devemos determinar V3 , sendo V1  1,00 pu e Sb  10 MVA . A barra 1 é assim a
barra de referência e a barra 3 é a de carga. A matriz admitância nodal é fácil de ser obtida:



j8,3333 0  j18,3333   j8,3333  Y  6,8966  j 25,5747  6,8966  j17,2414   0  6,8966  j17,2414 6,8966  j17,2414   

(7.11)

Os valores iniciais são:

 V10  1,00  V20  1,00  V 0  1,00
3

0 S2  0 4,5 / 10  S30    arccos( 0,9)  0,45  j 0,21794 0,9
A potência da barra 3 é considerada negativa por se tratar de uma barra de carga. A potência da barra 2 é nula para todas as iterações, por se tratar de uma barra genérica. De acordo com a equação (7.10), a tensão na barra 2 para a primeira iteração será:

1 0  *      V21   S2 / V20  Y21V10  Y23V30 .  Y22



 



 V21 

1  0   j8,3333 1,0   6,8966  j17,2414 1,0 6,8966  j 25,5747

 6,8966  j 25,5747  1,00 V21  6,8966  j 25,5747
Da mesma forma, a tensão na barra 3 para a primeira iteração será:

1   *      V31   S30 / V30  Y31V10  Y32V20 .  Y33



 



Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR

 Y22      V22  1  0   j8. a tensão na barra 2 para a segunda iteração será: 1 1  *      V22   S2 / V21  Y21V11  Y23V31 .06 6.3566  V22   0.45  j 0.2414  6.98027  1.8966  j17.230779  6.2414 O erro por enquanto é   0.0  (6.06  S1  0 2 1 S3  0.8966  j17.97953  1. O método de Gauss tem convergência lenta e oscilatória. ainda longe do erro mínimo de 105 .8966  j17.02346  0.00  V 1  1.8966  j17.74 6.2414  V32  6. de Almeida – UTFPR .21794 / 0.4466  j17.2414) 1.8  j 0.0  V32  6.12)  0.3875 Prosseguindo.06 V31  6. teremos:  V11  1.98027  1.8966  j 25.44626  j 25.0 V31  6.2414 Após a primeira iteração.5747 1   j8.0   6.8966  j17.98027  1.97953  0.3333 1.0  0  1.8966  j 25.3333  18.5747  V22  6.8272 6.45487  j0.01062  V32   0.8966  j17.20319110.980271.98774  0.8966  j 25.06  0 1.8966  j17.2414 6. Erros da ordem de 105 só Prof.2414  0.45  j0.21794 / 1.06 6.8966  j17.8966  j17.0  (6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 119   0.5747 A tensão na barra 3 para a segunda iteração será: 1 1  *      V32   S3 / V31  Y31V11  Y32V21  Y33     (7.00 2  V31  0.4  104 . Alvaro Augusto W.2414) 1.98027  7.44173  j17.2414  0.

232  V 45  0. Problemas de fluxo de potência geralmente são resolvidos por meio de programas de computador especialmente desenvolvidos ou então por meio de scrips para MatLab.9 se aplica a problemas de n barras (embora a convergência possa se tornar lenta para muitas barras). Uma planilha-exemplo. SciLab ou aplicativos semelhantes. está disponível em http://www. de poucas barras.94854  4.96970  3. devemos lembrar que a Equação (7. Alvaro Augusto W. podem ser resolvidos por meio do MicroSoft Excel©.2.2 e 7.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 120 começarão a aparecer por volta da 28ª iteração e o erro mínimo de 105 só se estabilizará a partir da 45ª iteração. resultando em  V245  0.xls (165 KB).3) se aplica apenas a problemas de duas ou três barras.2 – Convergência oscilatória do método de Gauss Pode parecer estranho que um problema que foi resolvido anteriormente com apenas cinco iterações seja resolvido agora com quase dez vezes isso. sem macros ou outro tipo de programação. Prof.br/alvaro/Metodo_de_Gauss.362 3 A convergência do método de Gauss é ilustrada na Figura 7. Figura 7. 7.com. que apresenta as soluções dos Exemplos 7.1.lunabay. Entretanto. enquanto a Equação 7. além de outros.3. é pouco conhecido que problemas simples. de Almeida – UTFPR . Contudo.

. pois mesmo casos não convergentes apresentam resultados coerentes. as seguintes propri- 1) Número de iterações para a convergência é função do número de barras.12) do Exemplo 7. x3 .. Seidel entrou para a Universidade de Berlim. que usamos a tensão V21 para calcular V31 . 6) Dificuldade para se encontrar erros de dados e problemas no sistema. de Almeida – UTFPR . ROBERTSON. na equação (7. E.. O método de Gauss-Seidel pode melhorar um pouco essa deficiência. xn 1 k 1 3 k .13)         k k k f n x1k . assuntos de sua tese de doutoramento e de sua dissertação de habilitação. 3) Não requer inversão de matrizes...6) pode então ser escrito como  x1k   k  x2   k  x3     k  xn   edades:  f x . onde foi aluno do matemático Johann Dirichlet e do astrônomo Johann Franz Encke. Disponível: http://www-groups. Note-   mos.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 121 7. Alvaro Augusto W. 5) Pouca sensibilidade aos valores iniciais. Método de Gauss-Seidel Como vimos na seção anterior. x3 1 ...3.. x2 1 . 2) Tempo computacional para a convergência é função do quadrado do número de barras. xn 1    (7.J.html . independentemente de outros matemáticos como Karl 5 Fonte: O'CONNOR J... x 2 k 1 k 1 2 3 k 1 k 2 k k k f1 x1k 1 . x . Philipp Ludwig von Seidel.. que é uma melhor estimativa de V2  do que V21 . x f x . além das já vistas. Prof. x .. xn 1 k 1 3 k .F. onde foi aluno dos matemáticos Friedrich Bessel. xn 1   Os métodos de Gauss e de Gauss-Seidel apresentam. Seus principais interesses vieram a ser ótica e análise matemática. mudando-se dois anos depois para a Universidade de Königsberg. 4) Impossibilidade de se utilizar reatâncias negativas. usar os valores das variáveis assim que estiverem disponíveis. O sistema de equações (7.stand.   Contudo. x2 . Em 1840. respectivamente. . filho de um funcionário dos correios.. assim.. Podemos. Nota biográfica5: Philipp Ludwig von Seidel (1821 – 1896) nasceu em Zweibrücken.uk/~history/Biographies/Seidel. nessa altura dos cálculos já dispúnhamos de V22 .3. por exemplo.dcs.ac. uma das desvantagens do método de Gauss é a convergência lenta e oscilatória. Alemanha. Seidel desenvolveu... Carl Jacobi e Franz Neumann.

01 pu e P  30 MW . sendo   V3  1. assim como Gauss. o conceito analítico de convergência uniforme. determine V1 e V2 . (7. Método de Newton-Raphson Suponha que desejamos resolver o seguinte sistema de equações  f1 x1 .   Exemplo 7.em breve. O exemplo a seguir ilustra uma solução por Gauss-Seidel.020 pu. com um erro de 10-5. e x1 e x2 as correções neces- sárias para que as condições (7. assim como apresenta as considerações especiais que devem ser feitas no caso de barramentos de geração. 1 Figura 7..11) 0 Sejam x10 e x2 os respectivos valores iniciais de x1 e x2.3.4.) 7.4. x2   y2 onde f1 e f2 são funções. podemos escrever Prof.3 Solução. V1  1. de Almeida – UTFPR . Dado o sistema da Figura 7. por causa de seus trabalhos em ótica e astronomia. Considere Sb  100 MVA . Seidel.. relacionado a séries de funções e que teve grande importância na matemática do final do século XIX.11) sejam atendidas...Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 122 Weierstrass e George Gabriel Stokes. x2   y1 . Assim. Xxx (continua. x1 e x2 são variáveis e y1 e y2 são constantes. Alvaro Augusto W. tem uma cratera lunar batizada em sua homenagem.   f 2 x1 .

x  x  f x . vem  f1  y1  f1 x .  0  f 2 x10  x1 . x2  x2  f1 x1 .. Tendo x1 e x2. x   f 2   x1    0 1 0 1 0 2 0 2   0 0 f1 x2 f 2 x2    x1    .17) Da mesma forma que no caso do método de Gauss-Seidel. de Almeida – UTFPR .  f 2 f 2 0 0 0 0  f x  x . Prof. o método de Newton-Raphson é iterativo. Podemos escrever (7.13) Desprezando as derivadas de ordem superior à primeira e escrevendo o sistema de equações em forma matricial.. Quando tal acontecer. dizemos que o sistema convergiu. [J] = jacobiano de f1 e f2. x  x  x2  . x   x1   y2  f 2 x .12) em série de Taylor. também conhecido como vetor dos mismatches.  x2  0   0 (7.16) (7.15) obtemos o vetor [C]. Alvaro Augusto W.  1 0  x2  x2  x2  (7.15) C   J 1  D .  y2 1 2 2 2 1 2 1  2 1 x1 x2          (7.  y1  1 2 .12) Expandindo as equações (7.14) onde todas as derivadas devem ser calculadas a partir dos valores iniciais. que contém as correções desejadas (7. ou seja. [C] = vetor das correções. Invertendo (7. teremos f1 f1  0 0 0 0  f1 x1  x1 .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 0  f1 x10  x1 . x2  x2  y1  .14) abreviadamente como D  J  C . x2  x2  y2  123     (7. onde: [D] = vetor das diferenças.. devemos continuar calculando as iterações até que o vetor das correções se torne menor do que um erro previamente especificado. podemos escrever 0  1  x1  x1  x1 .. x2  x1 x  x2 x  .

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

124

0 Exemplo 7.5. Resolva o sistema abaixo pelo método de Newton-Raphson, sendo x10  x2  2.

Considere um erro mínimo de 10-10.

2( x1 ) 2  x2  5  .   x1 x2  6( x2 ) 2  57 

(7.18)

Observação: note que, por exemplo, x12 é o valor de x1 na segunda iteração, enquanto

(x1 )2 significa x1 elevado ao quadrado.
Solução. a) Primeira iteração O vetor inicial das diferenças é
0  y1  f1 x10 , x2   5  f1 2,2   5 D       . 0 0   y2  f 2 x1 , x2  57  f 2 2,2  29 

 

 

(7.19)

O jacobiano de f1 e f2 é

 f1  J    x1  f 2  x1 

0

0

f1 x2 f 2 x2

  4 x 0    01   x2 0  
0

 1 8 1   0  . 0 x10  12 x2  x1 2 2 26 0
x2 2

(7.20)

O jacobiano pode ser invertido facilmente, resultando em

J 1   

0,126214  0,00485 .  0,00971 0,038835 

(7.21)

As correções para a primeira iteração serão
1  x1   0,126214  0,00485  5  0.77184  1       . x2   0,00971 0,038835   29   1,174757 

(7.22)

Os erros são ainda muito superiores a 10-10. Logo, devemos calcular os novos valores de
1 x1 e x1 : 2
0 1  1  x1  x1  x1  2  0,77184  1,228155 .  1 0  x2  x2  x1  2  1,174757  3,174757 2 

(7.23)

b) Segunda iteração O vetor inicial das diferenças é

D   

5  f1 1,228155; 3,174757    1,19149  . 57  f 2 1,228155; 3,174757    7,3736 

(7.24)

O jacobiano de f1 e f2 é

Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

125

J    

4 1,3252427 1 1  5,3009708    2,3980583 30,10194 .  2,3980583 1,3252427  12  2,3980583  

(7.25)

Invertendo o jacobiano

J 1   

0,206958  0,00516 .  0,01671 0,025854 

(7.26)

As correções para a primeira iteração serão

x12   0,206958  0,00516  1,19149  0,20778  2     . x2   0,01671 0,025854    7,3736    0,17073

(7.27)

Os erros já diminuíram um pouco, mas ainda são muito maiores do que 10-10. Os valores
2 de x12 e x2 para a segunda iteração serão
1  x12  x1  x12  1,228155  0,20778  1,020372  .  2 2  x2  x1  x2  3,174757  0,17073  3,004029 2 

(7.28)

Prosseguindo com os cálculos de maneira semelhante, perceberemos que na quinta iteração os erros já serão da ordem de 10-8. O sistema convergirá na sexta iteração, com erro zero, resultando nos seguintes valores:

 x16  1,0  .  6  x2  3,0 

(7.29)

Desejamos agora aplicar o método de Newton-Raphson em problemas de fluxo de potepotência. Considerando um sistema de n barras, onde k e m são duas barras genéricas, podemos escrever
 Vk  Vk  k = tensão na barra k,  Vm  Vm m = tensão na barra m,   Ykm  Ykm km  Gkm  jBkm = elemento da matriz admitância Y .

(7.30) (7.31) (7.32)



A potência injetada na barra k pode ser escrita como

  *   * * S k  Pk  jQk  Vk I m  Vk  EmYkm ,
m1

n

(7.33)

   ou, escrevendo Vk , Vm e Ykm na forma polar

   * * S k  Vk  Vm Ykm ( k   m   km ) .
m1

n

(7.34)

Separando as partes real e imaginária, vem

Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34
n    * * Pk  Vk  Vm Ykm cos( k   m   km ),   m1  n Q  V   V * Y * sen(     ).   k m km k m km  k m1 

126

(7.35)

As equações (7.35) também podem ser escritas como
n  Pk  Vk Vm Gkm cos  km  Bkm sen km ,   m1  n Q  V V G sen  B cos  , k k m km km km km  m1 

(7.36)

onde  km   k   m (logo, sempre teremos  kk  0 ). As derivadas de interesse para a construção do jacobiano são

Pk Pk Qk Qk , , , ,  m Vm  m Vm
e o jacobiano terá o seguinte aspecto

(7.37)

 P 1    1  P2  1    P  n1  1 J      Q1    1  Q2  1    Q     1

P 1  2 P2  2  Pn1  2  Q1  2 Q2  2  Q  2

        

P 1  n1 P2  n1  Pn1  n1  Q1  n1 Q2  n1  Q  n1

        

P 1 V1 P2 V1  Pn1 V1  Q1 V1 Q2 V1  Q V1

P 1 V2 P2 V2  Pn1 V2  Q1 V2 Q2 V2  Q V2

        

P  1 V   P2  V    Pn1   V    Q1  V   Q2  V    Q   V  

(7.38)

A numeração dos barramentos é a seguinte: 1) Barramentos de Carga (PQ): 1 a  . 2) Barramentos de Geração (PV): l+  a n  1 . 3) Barramento de referência (V): n . O jacobiano pode também ser escrito em termos de submatrizes:

Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR

43) As submatrizes também podem ser escritas como H km  H kk  Pk  VkVm Gkm sen km  Bkm cos  km  .   M  L    onde (7. M. Vk mk Q  k  VkVm Gkm cos  km  Bkm sen km  .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 127 H  N J    . Vm Lkk  Qk  Vk Bkk  Vm Gkm sen km  Bkm cos  km  . 3) As submatrizes H.51) N km Pk  Vk2 Bkk  Vk Vm Gkm sen km  Bkm cos  km  . V (7.45) (7.  (7.44) (7. são nulos.  k mk P  k  Vk Gkm cos  km  Bkm sen km  .  k mk Q Lkm  k  Vk Gkm sen km  Bkm cos  km  .46) (7.41) M n1  Q .  . Vm Pk  Vk Gkk  Vm Gkm cos  km  Bkm sen km  . correspondentes a barras não conectadas diretamente entre si. Alvaro Augusto W.  m (7.47) (7. o jacobiano terá n 1   linhas e 2(n  1) colunas. Vk mk Algumas características do jacobino são as seguintes: 1) Sendo n o número total de barras do sistema e  o número de barras de carga. O algoritmo para solucionar um problema de fluxo de potência por Newton-Raphson é o seguinte: Prof. Isso torna o jacobiano altamente esparso.49) (7. 2) Os elementos fora da diagonal principal.  m N kk  M km M kk  Qk  Vk2Gkk  Vk Vm Gkm cos  km  Bkm sen km  . N e L são esparsas e simétricas.48) (7. de Almeida – UTFPR .  (7.39) H n1n1  P .50) (7. V (7.40) N n1  P .42) L  Q .

inclusive as de nascimento e morte. 5) Inverter [ J ]. pois quase nada se sabe da vida de Raphson. teria sido difícil a Newton. em oposição aos defensores do alemão Gottfried Leibniz. As datas são incertas. 7) Atualizar as variáveis de estado ( i 1) ( i 1)      V                  V  V      (i ) .54) onde (i) é o número da iteração. voltar ao passo (d). Nota biográfica: Joseph Raphson (1648 – 1715) foi um matemático inglês que frequentou o Jesus College. na verdade.52) (7. O método de Raphson para determinação de raízes de equações não lineares foi apresentado por ele em seu Analysis Aequationum Universalis. escrito em 1671. Raphson já havia sido eleito Fellow of the Royal Society. Raphson foi um grande defensor da hipótese de que Newton teria sido o único inventor do Cálculo.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34  1) Montar a matriz-admitância nodal [ Y ]. mas publicado somente em 1736. por indicação de Edmund Halley. Além disso. Pouco antes. (7. em Cambridge. em 1689. 6) Solucionar o sistema ( i 1)       V     P  1  J      . e se formou em matemática em 1692. Raphson e Newton não eram amigos ou colaboradores. de 1690. de Almeida – UTFPR . ele ficou conhecido pelo método de Newton-Raphson e por ter traduzido para o inglês a Arithmetica Universalis de Isaac Newton. 128 2) Arbitrar valores iniciais para as variáveis de estado de cada barra k:  k0 . Newton desenvolveu um método similar em seu Método das Fluxões. A versão de RaphProf. coisa que. Alvaro Augusto W. respectivamente. (7. Vk0 . Apesar de tal proximidade de interesses. 3) Calcular Pk e Qk e verificar a convergência inicial: Pk  Pk( dado)  Pk(calculado) . De qualquer forma. 9) Se o sistema não tiver convergido.53) onde os sobreíndices (e) e (c) significam “especificado” e “calculado”.   Q    (i ) (7. Qk  Qk( dado)  Qk(calculado) .55) 8) Calcular Pk e Qk e verificar a convergência. 4) Montar a matriz jacobiana [ J ].

de modo a podermos escrever: a) Barramentos de Carga (PQ):   1 .     21  J        M M  L  M 22    21  ou.6. o jacobiano terá dimensão 2×2.  L22    Prof. Há apenas uma barra PQ (carga). Logo. L  L11 . Alvaro Augusto W. c) Barramento de referência (V): n  3 .  H11 H12 H H  N H 22  . O sistema tem n=3 barras.   1. Assim. é conveniente renumerarmos os barramentos como em azul na figura. se não fosse a importância de Newton para a matemática e física. em termos de derivadas  N12   N 22     . de Almeida – UTFPR . O jacobiano será Nn1  N 21 . b) Barramentos de Geração (PV):   1  2 .4 Solução. Figura 7. Logo. M n1  M12 . é aquela que aparece nos livros atuais e. seria conhecido apenas como Método de Raphson. além de ser superior à de Newton. Exemplo 7. Monte o jacobiano para o sistema abaixo.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 129 son. As submatrizes serão H n1n1  H 22 .

8    1  j 0.27 .25 .1 – Dados para o exemplo 7. que consiste de uma linha de transmissão representada por um modelo . A barra 1 é de referência e.  z12 j 0. conhecemos o módulo e o ângulo da tensão nela.7. Valores em pu. restando calcular o ângulo  2 .0 ? Figura 7.7 Barra 1 2 Tipo V PV P (pu) ? –0.1. Considere   P  0. pelo método de Newton-Raphson. de Almeida – UTFPR .4 Q (pu) ? ? V (pu) 1.02  j1.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 130  P P 1 1    2  1  P2 P2 J    1  2    Q Q2  2   1  2  P  1  V2   P2   V2  .5.25  j1.   Q2    V2   Exemplo 7. A barra 2 é de geração e conhecemos o módulo da tensão nela. que é a única variável do problema.7. Inicialmente devemos calcular a matriz admitância: 1 1   Y12  Y21      j1. Tabela 7. logo.0 1. Alvaro Augusto W. Y22  Y11  B   z12 Prof.5 – Sistema para o Exemplo 7. Resolva o sistema da Figura 7.0  0.001 pu e  20  0 e demais dados da Tabela 7.

A potência na barra 2 pode ser escrita como (7.25  sen21 (7.62) Um teste inicial de convergência pode ser feito para 21  2  1  0  0  0 e V2  1. Y   j1127  j . ou.001 pu .25  cos(0)  1. Devemos calcular a primeira iteração.27  (7.4  0  0. Alvaro Augusto W. ou.0 .61) P2  1.     2  De acordo com (7.0 .45).57) (7.25 1.63) Logo.4 . sabendo que  22  0 e V1  V2  1.0 (7. de Almeida – UTFPR .59) H 22  1.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 131 . correspondente à barra 2. 2 2 m1 2 ou H 22  V22 B22  V2  V1 G21sen21  B21 cos 21   V2 G22sen22  B22 cos 22  . j1. o jacobiano terá apenas um elemento. pois deveríamos ter P2  0.0 0.64) O novo valor de  2I será Prof. o sistema não converge.52).25  cos21  1.25.  1.0 0. teremos H 22  V B22  V2 Vm G2 m sen 2 m  B2 m cos  2 m  .60) P2  V2 Vm G2 m cos  2 m  B2 m sen 2 m  . temos P2  P2( dado)  P2(calc.25 . ou seja J   H 22    P2  . para a qual teremos I H 22  1.25   j1.   1. m1 n ou P2  V2  V1 G21 cos 21  B21sen21   V2 G22 cos 22  B22sen22  . de geração (PV).27   0. ainda.)  0. ainda (7. De (7.56) (7.25  G   jB.0 G    0. (7.27  1.25  cos 21. (7.58) B    Sabendo que a barra 1 é de referência (V).

00572  2II  0. II H 22  1.00572 rad.4  (0.73) Agora o sistema convergiu dentro da margem de erro especificada.00001. O novo valor de  2II será (7.67) (7.00679 .39999 pu. ou.32572 rad O novo valor da potência será (7. H 22   1.65) O novo valor de  2 .25  cos21  1.69)  2II  P2I  0.25  sen(0.32)  0. será 2II  2I  2II  0.00679   0.71) P2II  1.70) O novo valor de  2 .25  sen(0. de Almeida – UTFPR . sendo necessária uma segunda iteração.32 rad.18654.68) (7. ou. Alvaro Augusto W. o sistema ainda não convergiu. Q1 e Q2.25  sen21  1.39321)  0. A potência na barra 1 pode ser escrita como P  V1 Vm G1m cos 1m  B1m sen1m  . por sua vez.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 132  2I  P2  0.32  0.74) Prof. O erro será P2I  P2(e)  P2I  0. 1 m1 n ou P  V1  V1 G11 cos 11  B11sen11   V2 G12 cos 12  B12sen12  .25  cos(0. Resta somente calcular P1.32  0. (7. O erro será P2II  P2( dado)  P2II  0.4  (0.39999)  0.39321 rad.66) Agora devemos calcular o novo valor da potência (observe que os ângulos estão em radianos) P2I  1. H 22   1. 1 (7.32 rad.25 (7. por sua vez.72) (7.32572)  0.32)  1. (7.25  sen21  1.18654 (7. será 2I  20  2I  0  0. Logo.4   0.

75) Notamos que.77) (7.32572)  Q1  2.0 .25  cos(0.76) ou. ainda.2 – Dados para o exemplo 7.45428 pu Finalmente Q2  V2 Vm G2 m sen 2 m  B2 m cos  2 m . Calcule V2 e V3 para três iterações pelo método de Newton-Raphson para o sistema a seguir.2 -1.78) (7. Da mesma forma. Q1  V1V1 G11sen11  B11 cos11  V2 G12sen12  B12 cos12 . as potências nas barras 1 e 2 são iguais em módulo.25  sen(0. como não há cargas nem perdas ôhmicas na linha.0 ? ?  (rad) 0 0 0 P (pu) ? 1. Exemplo 7.5 Q (pu) 0 0 0 Prof. As características negativas do método de Newton-Raphson são: 1) Necessidade de armazenar a matriz admitância.45428 pu m1 (7. m1 2 (7.32572)  P  0.39999 pu 1 1 (7.) PQ (carga) PQ (carga) V (pu) 1.32572)  1. de Almeida – UTFPR . 2) Necessidade de inverter o jacobiano a cada iteração.27  cos(0)  Q2  2.80) As características positivas do método de Newton-Raphson aplicado a Sistemas de Potência são: 1) Converge quase sempre e é mais rápido do que o método de Gauss-Seidel. de (7. 11  0 e 12  1  2  0.8 Barra 1 2 3 Tipo V(ref.36). Q1  1. Alvaro Augusto W. 2) O número de iterações necessárias para a convergência é praticamente independente do número de barras. 3) O tempo computacional para a convergência é diretamente proporcional ao número de barras (e não ao quadrado do número de barras). temos Q1  V1 Vm G1m sen1m  B1m cos 1m . Tabela 7. Q2  1.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 ou.32572 rad 133 P  1.27 cos(0)  1.25 cos(0.79) Q2  V2 V1 G12sen12  B12 cos12   V2 G22sen22  B22 cos22 . 2 (7. sabendo que V1  V2  1.8.

8.     G31 G32 G33   10  10 30      (7. são calculados abaixo   Y11  Y22  10  5  (0. Os elementos da matriz admitância. em pu.  Y33  5  5  (0. P3  V3   (7. P3 e as derivadas em relação a V2 e V3 interessam. teremos Pk  Vk Gkm . 13 31 23 32 A matriz admitância pode ser escrita como  G11 G12 G13   30  5  10  Y  G21 G22 G23     5 30  10 .1)1  (0.     Y  Y  Y  Y  (0. apenas P2. bem como da ausência de reativos.1)1  30 . Alvaro Augusto W. Considerando ainda que o sistema tem três barras ( n  3 ) e que duas barras são de carga (   2 ).2)1  30 .81) Por causa dos valores reais das impedâncias.46). Valores em pu.   Y12  Y21  (0. de Almeida – UTFPR . podemos escrever N km  Assim.1)1  10 . Vm Prof.6 – Sistema para o Exemplo 7.1)1  (0.2)1  5 .82) De acordo com (7. e sabendo que os ângulos são todos nulos. o jacobiano terá a seguinte forma: J      N 22  N 32  P2 N 23   V2  N 33   P3   V2  P2  V3  .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 134 Figura 7.

V30  1.0  10  1. Devemos calcular inicialmente P20 e P30 . 10V1  10V2   10V3  (7.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 135 N23  V2G23  10V2 . de acordo com (7.8 .0   10  1. portanto J     5V1  10V3 10V2  .0 (constante). devemos passar à primeira iteração.     Para testar a convergência.2  15  13. N22  V2 G22  V1G21  V2G22  V3G23  V1G21  V3G23  5V1  10V3 . P30  1.84) Prof.0  15 . 10 20 (7. P20  V20 V10G21  V20G22  V30G23  V20  5V10  30V20  10V30 . N32  V3G32  10V3 . m 1 3 Assim. inicialmente teremos V10  1. Assim. O jacobiano será.0   5  1. Observando que o sistema não convergiu.0  10 . P30  1.0  10  1.0  30  1.5 . recorremos a (7.0 (fixo).    e P30  V30 V10G31  V20G32  V30G33  V30  10V10  10V20  30V30 .5  10  11.0  30  1. V20  1.36). De acordo com (7. Alvaro Augusto W. teremos Pk  Vk VmGkm . m1 n Além disso. de Almeida – UTFPR .52) P20  1.83) Teste inicial de convergência. calculando o jacobiano e seu inverso J     15 10  .47).  P20  1. e considerando que Bkm  0 e  km  0 . teremos N kk  Vk Gkk  VmGkm . N33  V3 G33  V1G31  V2G32  V3G33  V1G31  V2G32  10V1  10V2 . Da mesma forma.0 (constante).

8275 10  0.  0.075  0 (7.4479 .0136842 . V  P3   3 V3    V2  0.195   5  30  0.0580702 0.8275 10  10  0. de Almeida – UTFPR .5     3    V2  1.05 0.0931579    12. Alvaro Augusto W.83) para calcular o novo jacobiano da segunda itereção J     5V1  10V3 10V2  .195    10  0.0136842 2.6479  V   0.195  30  0. Logo.6479 .0931579  II I Os valores das tensões para a segunda iteração serão P2I  V2  V2  1     J    I  .85) Os novos valores das tensões serão P20  V2  V2  1 V   V   J    0  .4479)  2.95   Invertendo o jacobiano J     0.275 1.0838596  0.1541 .075    11.0  0.8 V2  1.195 13.8275   0.275 11.1725  0.95  J     8.5  10. 3   Testando a convergência P2I  1.8275  10.8275   10  10  0. A convergência ainda parece longe.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 136 J 1    I 0.0838596  0.195  10  0.8275  1.2  (1. devemos usar (7.0  0.05 .8275     3    Calculando as novas potências.05 0. I I   e P I  V3I  10  10V2I  30V3I  0.6541. P3I  1.6541  12.0580702 0. P3   3  3    0.805  0.05  13.1541        3 II Prof.1 V   1. P2I  V2I  5  30V2I  10V3I  0.  0.195   0.0   0.1  0.195  V   1. 10V1  10V2   10V3  J     5  10  0.0   0.

P(i )  H (i )   (i )  ..        .86) (7.5  13.4585        3 Calculando novamente as potências P2II  V2II  5  30V2II  10V3II  0. . Logo.  Q(i )  L(i )  V (i )  (7...88) em duas equações reflete o desacoplamento desejado.4585   10  10  0.96864 .9686  8.5834  10  0.286   0. . V  (7. Ainda não convergiu. 7.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 137 V2  0.8275   1.5834  V   0. teremos Prof.89) A separação de (7. e podemos escrever P P  .5666 .7686 . Método Desacoplado Rápido Lembrando do método de Newton-Raphson.87) As matrizes M  P / V e N  Q /  podem então ser desprezadas e o sistema para a iteração i pode ser escrito como P  H  0    ..3884  0.  V Q Q  .195  0. Em uma barra k qualquer.. devemos repetir o procedimento. Q   0  L V        (i ) (i ) (i ) (7. .    .0666 ..5666  15. as derivadas que interessam são do tipo: P P Q Q . P3I  1. independentes.. ou seja.88) ou.  V  V Em vários casos observamos que as variáveis PQ e QV são desacopladas.5834  30  0.   . II   e P II  V3II  10  10V2II  30V3II  0.5834   5  30  0. 3   Testando novamente a convergência P2I  1.4585  9.4585  13. de Almeida – UTFPR .2  9. Alvaro Augusto W..5.

Logo.94) H 'km  H 'kk  H km  Vm Gkm sen km  Bkm cos  km  .) k .87) são particularmente em sistemas de EAT (Extra-alta Tensão.97) (7.93) Qk Qk( dado)  Qk( calc. muito maiores do que as reatâncias série. Logo.0 pu. então  km é pequeno. para k de 1 a n-1.91) Q ( calc. Vk (7. c) As reatâncias shunt são elevadas. entre 5 e 20. podemos escrever Prof. acima de 750 kV). Alvaro Augusto W. b) A relação Bkm / Gkm é elevada. para k de 1 a n-1. de Almeida – UTFPR .) .89) pode ser agora escrito como  P  (i ) (i ) (i )    H '     V  .96) (7. Vk Vk O sistema (7. Logo cos  km  1 . Para acelerar a convergência. BkkVk2  Qk . Em tais sistemas as seguintes hipóteses simpleificadoras podem ser formuladas para o cálculo H ' e L' : a) Se o sistema é pouco carregado. Bkm  Gkm sen km . Vk mk L L'km  km  Gkm sen km  Bkm cos  km .90) (7.98) H kk  Vk Bkk  Vm Gkm sen km  Bkm cos  km  .92) (7. Qk  Q ( dado) k 138 (7.86) e (7.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 Pk  Pk( dado)  Pk(calc. entre 230 kV e 750 kV) e UAT (Ultra Alta Tensão.95) (7. para k de 1 a  .)  . As desigualdade (7. podemos fazer Pk Pk( dado)  Pk( calc. Vk L'kk  Lkk 1   Bkk  Vk Vk mk V G m km sen km  Bkm cos  km  . para k de 1 a  . Vk Vk (7. Assim.  (i ) Q   (i ) (i )  V   L'  V    onde (7.)  . d) As tensões Vk e Vm são sempre próximas a 1.

(7.99) Notamos que. tais como transformadores defasadores. e que  é o número de barras diretamente ligadas à barra k. km     B 'kk   1 . de Almeida – UTFPR . Em geral se faz agora as seguintes definições: H '  B' .  kk kk   L'km   Bkm . As resistências também são ignoradas em B' . sabendo que a reatância entre as barras k e m é xkm.102) O exemplo a seguir esclarece a utilização do método desacoplado rápido. b) Na matriz B' ' são desprezados os elementos que afetam P.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 139  H 'km   Bkm . podemos escrever os elementos de B' e B' ' da seguinte forma bastante simplificada: 1   B 'km   x . Prof. com as aproximações feitas.  L'kk   Bkk . L'  B' ' . isto é. H '   B .  (7.101) As matrizes B' e B' ' são o negativo da parte imaginária (susceptância) da matriz admitância. Sendo assim. os elementos dos jacobianos não dependem mais de tensões e ângulos variáveis a cada iteração.  m 1 xkm mk   B' '   B .  (7. km  km  B ' 'kk   Bkk .100) (7. Podemos fazer ainda as seguintes aproximações adicionais: a) Na matriz B' são desprezados os elementos que afetam Q. enquanto em B' ' aparecem apenas as linhas e colunas referentes às barras PQ. Em B' aparecem as linhas e colunas referentes às barras PQ e PV. capacitâncias shunt e transformadores com comutação sob carga. dependendo agora somente de parâmetros da matriz admitância. que são constantes. Alvaro Augusto W.

0 ?  (rad) 0.com.4 – Dados das linhas (em pu) do Exemplo 7.1 Bshunt (total) 1.pdf ) Prof. Tabela 7.0 Figura 7.01 x 0..7 – Sistema para o Exemplo 7.0 –1.1 0.4 – 0.0 –0.01 0.01 0. Formule as equações para o método desacoplado rápido para o sistema a seguir e  obtenha o ângulo  2 e a tensão V3 para as duas primeiras iterações.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 140 Exemplo 7. de Almeida – UTFPR .0 1. Alvaro Augusto W..9 Barra 1 2 3 Tipo V(ref.por enquanto só rabiscado em: http://lunabay.0 ? ? P (pu) Q (pu) – 0.9 Linha 12 13 23 r 0.1 0.0 1.) PV (geração) PQ (carga) V (pu) 1. (continua em breve.3 – Dados para o Exemplo 7.4 Tabela 7.9.br/alvaro/desacoplado_rapido_prof-alvaro-augusto. Valores em pu.0 1.9.

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 141 7.6. Exercícios xxx Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR .

como é o caso de hidrogeradores. máquinas de alta velocidade. como é o caso de turbogeradores. preferem o termo polos não salientes. A Tabela 8. montadas sobre uma estrutura cilíndrica. e também na frequência f1. A presença das sapatas resulta em saliências e a máquina é então denominada de polos salientes. máquinas de baixa velocidade.1 Estabilidade em regime permanente Os rotores de máquinas síncronas de p polos. que deixaremos para o item 8. em rpm. Nesse caso é razoavelmente fácil montar as bobinas do enrolamento de campo. A máquina é então denominada de polos cilíndricos ou de polos lisos6. TABELA 8. por Ns  120 f1 . razão pela qual divideremos o estudo a seguir em duas partes. deverão ter um número elevado de polos (mais do que dez.1) implica em detalhes construtivos da máquina.1 resume as características das máquinas de polos lisos e de polos salientes. podendo chegar a mais de oitenta). Entretanto. Quando tais alterações não forem desprezíveis estaremos falando em regime transitório.1 – Diferenças entre máquinas de polos lisos e de polos salientes Tipo Polos lisos Polos salientes N° de polos (p) Baixo (2 ou 4) Elevado (mais de 10) Velocidade Elevada Baixa Tipo de gerador Turbogerador Hidrogerador 6 Alguns autores. Nesse caso é mais conveniente enrolar as bobinas de campo sobre sapatas polares. sejam desprezíveis. Alvaro Augusto W. por ser mais simples. de modo que alterações no ângulo de carga . Nesse caso. ESTABILIDADE ESTÁTICA E TRANSITÓRIA 8. podemos entender por regime permanente também aquele no qual a potência é alterada muito lentamente.2. Prof. Por outro lado.1) Em regime permanente a velocidade síncrona é constante e é esse caso que analisaremos incialmente. giram a uma velocidade síncrona dada.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 142 8. por entenderem que a presença das ranhuras que alojam as bobinas de campo descaracteriza um rotor liso ou perfeitamente cilíndrico. p (8. como JORDÃO (1980). A relação (8. em ranhuras sobre uma estrutura cilíndrica. O fato de a máquina ser de polos lisos ou salientes afetará o comportamento da mesma. a potência fornecida pelo gerador (ou absorvida pelo motor) será também constante. de Almeida – UTFPR . funcionando a uma frequência f1. deverão ter um número de polos reduzido (geralmente dois ou quatro). localizado no rotor. Por exemplo.

por exemplo. cuja amplitude foi convertida para volts eficazes e na qual foi incluído ainda um fator de enrolamento kw. a força eletromotriz induzida em uma fase do estator será e f (t )   d2 (t )  e N f  2 cos(et   ) .  A linha definida por  2 é denominada eixo direto (d) e jaz sobre o eixo de simetria de   um polo norte. (8. Alvaro Augusto W. Suponha também que.2 Máquina de polos lisos em regime permanente Considere uma máquina síncrona de polos lisos caracterizada por uma reatância síncrona de eixo direto xd e por uma resistência de armadura r1. De acordo com a Lei de Faraday. Prof. podemos escrever   E f   jm 2 .1 a seguir. o fluxo magnético mútuo entre rotor e estator possa ser escrito como 2 (t )  N f  2 sen(et   ) . conforme ilustrado na Figura 8.e.4) Fazendo ainda e N f kw / 2  m (uma constante) e considerando que a f. ambas medidas em ohms por fase. alinha-se ao longo do eixo em quadratura (q). mas não quando no referencial do rotor.3) Podemos identificar e f (t ) com o seguinte fasor .5)  onde  2 é um fluxo pseudo-fasorial. que jaz sobre o plano neutro do rotor. resultante das características construtivas dos enrolamentos trifásicos N k  E f  e f w  2 . trata-se de uma função diferente de e f (t ) .2) só varia no tempo quando no referencial do estator. de Almeida – UTFPR .3) está 90° atrasada em relação ao fluxo mútuo em (8. estando a 90 ° de  2 . que varia no tempo quando vista de qualquer referencial. 2 (8. em (8.2).Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 143 8. Logo.  2 é o fluxo por polo do rotor. dt (8. no referencial do estator. E f . (8.m.2) onde N f é o número de espiras equivalente por fase do estator. pois o fluxo em (8. e  2f1 é a frequência angular elétrica em radianos elétricos (rad-e) por segundo e  é um angulo de fase.

seja em regime permanente ou transitório. têm a finalidade de determinar se os valores iniciais e finais de  correspondem a situações estáveis. produzindo também um incremento em  .1 Definição dos eixos direto (d) e em quadratura (q)  Em situações de regime podemos imaginar que o fluxo  2 gira no sentido anti-horário com velocidade constante N s . reduções na potência mecânica serão acompanhadas de reduções de  .2 a seguir. Os estudos de estabilidade.  Suponha agora que a tensão interna por fase da máquina seja E f  E f  . como sempre será o nosso caso. seja V1  V10 e que a corrente de armadura  por fase seja I1  I1 .6) é mostrado na Figura 8. Para o caso de motores. A relação (8. basta multiplicar a corrente por –1. aqui tomada como referência. situações nas quais o gerador continua a operar em sincronismo com o barramento infinito.6) O circuito equivalente unifilar para a relação (8. que a tensão  terminal por fase.. juntamente com todo o diagrama fasorial. o polo norte se adiantará levemente em relação à referência. (8. Se houver um incremente de potência mecânica na entrada do gerador. No caso de máquinas de grande potência. Prof. apropriadamente denominado ângulo de carga (ou de potência). de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W. a resistência r1 é geralmente desprezível em relação à reatância síncrona xd. Podemos então escrever a seguinte equação fasorial    E f  V1  r1  jxd I1 .e. Da mesma forma.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 144 Figura 8.6) está escrita para o caso de geradores. i.

2) As frequências do gerador e do barramento devem iguais. A condição (b) é satisfeita de maneira implícita.3.2 Circuito unifilar equivalente para uma máquina de polos lisos Antes que o gerador possa produzir energia.  ). Alvaro Augusto W. as quatro condições acima podem ser escritas em uma única equação fasorial. 3) As tensões do gerador e do barramento devem ser iguais. que AB  V1sen . I1 .7) Condição de paralelismo entre um gerador e o barramento infinito. pois a definição de um fasor decorre da utilização de um espaço onde a frequência é única e constante. (8. (c) e (d). Considere incialmente.9) Prof. onde q  1.   Supondo que I1 esteja atrasada de um ângulo  em relação a V1 e que r1 seja desprezível. na Figura 3. xd . respectivamente. como usual. podemos desenhar o diagrama fasorial ilustrado na Figura 8.   E fq  V1q .  ). Para isso.8) (8.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 145 Figura 8. Duas relações interessantes podem ser obtidas para as potências ativa e reativa em função dos parâmetros da máquina ( V1 . é necessário que quatro condições sejam satisfeitas: 1) As sequências de fases do gerador e do barramento devem ser as mesmas. 4) Os ângulos de fase das tensões do gerador e do barramento devem ser iguais. Podemos verificar que a relação (8.2. AB  xd I1sen . Podemos escrever. os triângulos OAB e ABC. ele precisa ser colocado em paralelo com o barramento infinito. de Almeida – UTFPR . em vez de em função dos parâmetros da carga ( V1 . E f . (8.3 é o índice das fases.7) satisfaz imediatamente às condições (a).  Sabendo que a tensão do gerador antes do sincronismo é E f e que a tensão do barramen-  to é V1 .

podemos escrever  P  1  cos  Q  x   sen    d  sen   V12 sen   V E  V 2 cos   .17). teremos as relações buscadas para P e Q Prof.8) e (8. 2 1 V1E f  V cos   xd V1I1sen. E f  V1 cos   xd I1 cos(90     )  xd I1sen(   ) . cos    1 f  1   (8.12) e considerando novamente que   90     .9) e considerando que   90     . desenvolvendo (8.sen  . teremos 2  cos  1  V1 sen   2 xd V1 E f  V1 cos    sen     sen   P   .11) e (8.17) Finalmente.16) Invertendo o sistema (8.11) (8.13) por V1 e desenvolvendo um pouco mais.3 Diagrama fasorial para um gerador sobreexcitado Igualando AB em (8.10) (8. (8. Alvaro Augusto W. Multiplicando (8. cos   Q    (8. teremos V1sen  xd I1sen(90     )  xd I1 cos(   ) .15) Substituindo P  V1 I1 cos  e Q  V1 I1sen em (8.10) e (8. vem Igualando BC em (8. cos   V1I1sen . cos  . de Almeida – UTFPR . (8.13) V12 sen  xd V1I1 cos . Do segmento OBC e do triângulo ABC.14) e (8.16). teremos (8.15) e escrevendo em forma matricial.12) BC  xd I1 cos  .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 146 Figura 8. cos   V1I1sen.14) (8. podemos agora escrever BC  E f  V1 cos  .

7). Na região estável.18) e (8. a potência em função do ângulo de carga se comportará conforme mostra a Figura 8.19) Potência reativa de uma máquina de polos lisos. Alvaro Augusto W. Nessas circunstâncias. Mantendo-se E f constante. Para transferir potência ativa ao barramento devemos aumentar  . Acima de    / 2 . (8.4. Q V1 E f xd cos   V12 . xd (8.18) Potência ativa de uma máquina de polos lisos.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 147 P V1 E f xd sen . E f )  0 .19) indicam que as potências ativa e reativa inicialmente fornecidas ao barramento serão nulas. Em decorrência das condições de sincronismo (8. em vars/fase. o que é feito por meio do aumento da potência mecânica no eixo da máquina. aumentos da potência mecânica Pmec no eixo do gerador serão contrabalançados por aumentos da potência elétrica resistente oferecida pelo gerador. um gerador recém-conectado ao bar-   ramento infinito terá V1  E f e   Ang (V1 . pois a máquina não pode funcionar em regime permanente para ângulos acima deste valor e sairá de sincronismo. O ângulo  permanecerá oscilando levemente em torno do ponto de equilíbrio e a velocidade do rotor também oscilará levemente em torno da velocidade síncrona. as relações (8. supondo excitação constante. Figura 8. aumentos da potência mecânica produzirão reduções Prof. de Almeida – UTFPR . em watts/fase.4 Potência ativa em função do ângulo de carga A potência ativa máxima ocorre para  ee   / 2 rad-e. valor que denominaremos ângulo de estabilidade estática.

945 A .2  por fase e a resistência de armadura pode ser desprezada. (b) desenhe o diagrama fasorial correspondente. Para potência máxima.  j1. A reatância síncrona de eixo direto é 1.200 2.2 A potência aparente será S  3V1l I1  3  2. 10 MVA.2 j1.496.7 MVA . xd 1.200 2. Solução.200  1.1 Prof. Tomando ainda a tensão terminal como referência.058. Considerando que a tensão interna seja igual à nominal.1. teremos. desde que se respeite a condição    / 2 rad-e.5 abaixo.6)  I1    E f  V1 jx d 2. A potência ativa fornecida será P V1l E1l 2.200  2. Alvaro Augusto W.5 A . a não ser que se atue sobre o controle de velocidade da turbina ou que outra providência seja tomada. ligado em estrela.058. Aumentando-se a excitação o gerador poderá chegar à condição de potência nominal. Note que a potência acima. 2.200 90  90  3 3  3 3  1. devemos ter    / 2 rad-e.496. pede-se: (a) determine a corrente de armadura correspondente à máxima potência ativa. Seja um gerador trifásico de polos lisos. de Almeida – UTFPR .200 sen  sen90  4.5  j1.5 Diagrama fasorial para o Exemplo 8.2 kV.2 Convertendo para forma polar  I1  1.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 148 da potência resistente e a condição de velocidade estável não poderá ser mantida. de (8. O diagrama fasorial é mostrado na Figura 8. inferior ao valor nominal. Exemplo 8.200 2.9  5.03 MW . é a máxima potência que o gerador pode fornecer na atual condição de excitação. Figura 8.

6.21) O diagrama fasorial correspondente à relação (8. representa a potência aparente máxima da máquina.6 Diagrama fasorial das potências Estamos agora interessados nos limites operacionais da máquina. Descartando-se outros componentes do conjunto turbina-gerador ou do conjunto motor-carga.6) e forçando o aparecimento da potência aparente V1 / xd . Começamos tomando a relação (8.20) Supondo que o fator de potência seja indutivo e tomando V1 como referência. xd (8. de Almeida – UTFPR .6 a seguir.21) é mostrado na Figura 8. O círculo ilustrado na Figura 8. xd 2 (8.3 Curva de capabilidade e curvas “V” Além de conhecermos o limite de estabilidade estática é necessário conhecermos também todos os limites operacionais da máquina. Figura 8.20) poderá ser escrita como V1 E f xd V   1  V1 I1(90   ) . Para obter tal curva é interessante desenharmos antes o diagrama fasorial das potências. os quais são representados pela curva de capabilidade (também conhecida como curva de capacidade). por exemplo. a relação (8. multiplicando ambos os lados por V1 / xd e considerando r1 desprezível  V1 E f xd   V1V1   jV1 I1 .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 149 8. seja qual for o fator de potência. Alvaro Augusto W. a potência operacional da armadura poderia se localizar em qualquer ponto dentro Prof.

de Almeida – UTFPR . reduzindo um pouco o limite da turbina que o gerador pode acionar (segmento OC). conforme ilustrado na Figura 8. que a máquina esteja funcionando como gerador. Se estipulássemos tal limite como coincidindo com Qmax. de modo que. e O’B’. o ângulo de estabilidade pode ser definido. para gerador. Contudo. Contudo. o de fator de potência unitário. pois o gerador pode sair de sincronismo em =90° e esta situação deve ser evitada. poderemos ter o conjunto turbina-gerador funcionando em uma faixa mais extensa de fatores de potência.8. a potência máxima ocorre para =90°. existem outros limites a considerar. em aproximadamente 40°.7. Se o limite da turbina fosse especificado para coincidir com a potência ativa máxima do gerador (Pmax). liustrativamente. Considere. o que permite que a máquina funcione com excitação máxima em uma faixa mais ampla de fatores de potência. na Figura 8. o campo do gerador estaria sobre-dimensionado. ou seja. para motor. Figura 8. tal coincidência se daria apenas em um ponto. Assim. uma margem de segurança deve ser estabelecida. Finalmente. dimensionamos o segmento O’A como o limite máximo de excitação. Assim.7 Limites operacionais de uma máquina síncrona Situação semelhante ocorre com o limite de excitação máxima.7. De acordo com a Figura 8. Prof. o limite de estabilidade corresponde aos segmentos O’B. pois o limite seria atingido somente para fator de potência zero.4. por exemplo. Alvaro Augusto W. Assim.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 150 do círculo ilustrado. temos o limite de estabilidade. A curva de capabilidade completa é mostrada na Figura 8.

Alvaro Augusto W. 3) Capacidade de absorver qualquer transitório.. Apesar do grande grau de idealização.8 Curva de capabilidade de uma máquina síncrona (continua. o BI é útil da mesma forma que um plano sem atrito ou um condutor sem resistência.5 Estabilidade em regime transitório (em breve) 8. independentes de qualquer perturbação externa. seja ativa ou reativa. para facilitar a análise inicial de sistemas mais com- Prof.6 Dinâmica da máquina síncrona ligada ao barramento infinito O Barramento Infinito (BI) é um sistema elétrico altamente idealizado dotado das seguintes características: 1) Tensão e frequência constantes..Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 151 Figura 8. ou seja. de Almeida – UTFPR . 2) Capacidade de absorver e fornecer qualquer potência.) 8.4 Máquina de polos salientes em regime permanente (em breve) 8.

dt (8. Substituindo (8. relacionada à conversão eletromagnética de energia. teremos a equação diferencial que descreve a oscilação do ângulo  quando de mudanças de potência Prof. temos Ps = Pmsen . a velocidade do rotor não pode se afastar muito da velocidade síncrona sem que o gerador perca o sincronismo.  p 60  dt 2   (8.4) A potência eletromagnética. o termo entre parênteses pode ser considerado constante e podemos escrever Pine  Pj d 2 . Alvaro Augusto W.7 Equação geral da oscilação Seja um gerador síncrono caracterizado pelas seguintes grandezas:  Pine = potência de inércia da máquina. mede a distribuição da massa em torno de um eixo de rotação.4) em (8. podemos escrever J=GD2. onde Pm é a potência máxima e  é o ângulo de carga. por sua vez. Iniciaremos analisando o caso de um único gerador ligado ao BI e depois passaresmos a sistemas compostos por dois geradores e finalmente para sistemas multimáquinas.2) Em outras palavras. Logo.   Pmec = potência mecânica no eixo da máquina.5) onde Pd é a potência de amortecimento. pode ser escrita como Pe  Pd d  Ps ( ) . e Ps é a potência síncrona. cujo rotor gira a N rpm. a potência de inércia pode ser escrita como  2 2N  d 2  Pine   J   . Para uma máquina de p polos. a potência mecânica fornecida ao eixo do gerador deve ser suficiente para manter o rotor em rotação e efetuar a conversão de energia. Pe = potência elétrica. Pine  Pe  Pmec . relacionada ao amortecimento causado pelo ar no entreferro e pelas barras amortecedoras.2).3) Quando conectado à rede. Para uma máquina de polos lisos.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 152 plexos. proporcional à aceleração do rotor e ao momento de inércia J. dt 2 (8. o qual. (8. Para um rotor cilíndrico de raio D e massa G. lembremos.5) e (8. 8. de Almeida – UTFPR . Podemos então escrever.

2 Ps Pj (8. é a frequência angular natural do sistema. Por um lado. pois o termo à direita do sinal de igual não é nulo.. não linear e não homogênea. p. Alvaro Augusto W. a potência síncrona pode ser escrita como Ps. ela não é linear. de Almeida – UTFPR . por causa do termo Ps. (8.10) A solução geral para o gerador linearizado amortecido flutuando a vazio pode ser escrita Ver. no caso geral.   / 6     / 6 ). Prof. Contudo. Fazendo inicialmente Pmec=0 (gerador flutuando a vazio) e Pd=0 (amortecimento desprezível).6) Equação diferencial da dinâmica da máquina síncrona. Por outro. c1968. 8. 0 é o valor inicial do ângulo de carga e  é um ângulo de fase a determinar. Wiley.9) e por uma frequência angular amortecida dada por d  n 1   2 . somente pode ser resolvida por meio de métodos computacionais (e. no caso de pequenas oscilações (digamos. BRADBURY. New York: J. Quando o amortecimento Pd estiver presente. Nesse caso. C. 133.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 153 d 2 d Pj 2  Pd  Ps ( )  Pmec . Runge-Kutta). T.6) não é nem um pouco simples.8) onde n  Ps / Pj . temos uma equação diferencial de segunda ordem. a oscilação será amortecida e caracterizada por um fator de amortecimento dado por   Pd . que. como 7 (8. ela não é homogênea.7) Equação diferencial linearizada. 2 dt dt (8. dt dt (8. resultando na seguinte equação diferencial linearizada Pj d 2 d  Pd  Ps  Pmec . podemos considerar que sen   (em radianos). Assim.8 Análise linearizada – máquina de polos lisos A equação (8.. Theoretical mechanics.g. em rad/s. cuja solução pode ser escrita como7  (t )   0 sen(nt   ) . obtemos a equação do oscilador harmônico simples. eg.

13) podemos calcular também a velocidade de oscilação de .. qualquer perturbação  0 será rapidamente amortecida. T. onde  é um ângulo de fase a determinar. C. Ps (8. para potências médias muito baixas. p. Op. que será 8 Ver BRADBURY. Em alguns casos é interessante conhecermos também a velocidade de variação de .11) mostra que..Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 154  (t )   0e t sen(d t   ) . o ângulo de estabilidade estática  ee   / 2 poderá ser atingido rapidamente. o ângulo de regime permanente será dado por   Nesse caso a solução geral será8 Pmec .13)  1   (t )    1  e  nt sen(d t   ) . A solução (8. Alvaro Augusto W. que pode ser obtida por derivação direta de (8. para o gerador flutuando a vazio. corremos o risco de que o gerador saia de sincronismo.    (8.12) Velocidade de  para o gerador linearizado amortecido flutuando a vazio.14) Solução geral para o gerador linearizado amortecido operando com Pmec>0. Prof. de Almeida – UTFPR . 138. Caso isso não ocorra. onde   arctg ( /  ) e   1   2 . cit.11) Solução geral para o gerador linearizado amortecido flutuando a vazio. Quando Pmec for injetada no eixo do gerador. A partir de (8. pois.11): d   0 d cos(d t   )   n sen(d t   )e nt dt (8. n (8.

000   3. 1.3). Seja um gerador síncrono de quatro polos. Td=243 Nm/rad-m.s. (8.303  A potência de amortecimento será  180  1.303 W/rad-e. ligado diretamente ao barramento infinito.m2.000 (8.902.000 W/graus-e. p 60 4 60 Convertendo para W/graus-e. Pd  Td  s  2 4f 2 4  60 2  Td  1   243    22.902.s2 Pj  57. 60 Hz.s2. 210 kW.s.7  14.1.000 d 2 d  399.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 155 d    n sen(d t   )  d cos(d t   ) e nt  dt  . (b) carga nominal subitamente aplicada ao eixo.000  0 2 dt dt (8.800   608    57. de Almeida – UTFPR . p p p 4 4 Convertendo para W/graus-e.2  A equação diferencial a vazio fica  180  399. A velocidade síncrona para quatro polos é N s  1.74 rad/s. Exemplo 8. Solução. o fator de amortecimento será Prof. De acordo com (8.15) Velocidade de  para o gerador linearizado amortecido operando com Pmec>0.2 W/rad-e. a potência de inércia será Pj  J  2 2N s 2 2  1.800 rpm .s Pd  22.7 W/graus-e. J=608 kg.9).s2. Pj 1. Alvaro Augusto W.16) A frequência natural de oscilação será n  Ps 14. Ps=14 kW/graus-e. Escreva a equação da oscilação do ângulo  para: (a) gerador flutuando a vazio com ângulo inicial de 20 graus elétricos.s.17) De acordo com a relação (8.

A velocidade de oscilação será d  20  3.103 ilustra a evolução do sistema no chamado espaço de fase.19985t . 0). Alvaro Augusto W.18) correspondendo à seguinte frequência amortecida d  n 1   2  3.101 ilustra a variação de  em relação ao tempo e a Figura 8. o ângulo de fase  deve ser 90°.101 Solução para o gerador linearizado flutuando a vazio Prof.000 (8.74 1  (0. para que o ângulo inicial seja 20°.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 156   399. Nesse caso. em graus elétricos (8.7347t   / 2) . A resposta para o gerador flutuando a vazio será. A Figura 8.21) A Figura 8.20) Note que. Percebemos que o sistema inicia com =20° e velocidade igual a –4°/s.0534) 2  3. atingindo o repouso (estabilidade) no ponto (0.7347t   / 2) e0.7347 . 2 14. abstraímos a variável tempo e plotamos a velocidade de . Figura 8. em função de .7347  cos(3.7347t   / 2)  0.7  0.000  1. dt (8.19)  (t )  20  e0. (8.1997  sen(3. de Almeida – UTFPR .19985t sen(3.0534 .102 ilustra a velocidade de  em relação ao tempo.

O ângulo de fase  será dado por 1  2  1  0.14) e (8.102 Velocidade de para o gerador linearizado flutuando a vazio Figura 8. (8.24) Prof. o ângulo de regime será. de acordo com (8. Logo.19985t sen(3.0014  e0.23)  (t )  15  1  1.103 Diagrama no espaço de fase para o gerador linearizado flutuando a vazio No caso do gerador que subitamente recebe carga nominal.000   15 . de Almeida – UTFPR . Assim.7347t  1.   é medido diretamente em graus-e.94  1.22) Note que Pmec é medida em watts e que Ps é medida em watts/graus-e. Ps 14. respectivamente.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 157 Figura 8. podemos considerar Pmec=210 kW.000 (8.   0.5174 rad-e. por (8.5174) (8.15). Alvaro Augusto W.13)   Pmec 210.0534 As soluções para  e para d /dt são dadas.05342   arctg ( )  arctg ( )  arctg ( )  86.

0°/s). Figura 8.5174) e0. Em sistemas de potência todo o esforço é feito para que o atrator seja um único ponto por gerador. 8. o que pode acontecer se o amortecimento e/ou a potência sincronizante forem muito baixos.02  0.7347t  1. enquanto no caso do gerador sob carga o atrator é (15°.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 d  15. independentemente do ponto de partida.106 mostram o comportamento do gerador linearizado sob carga.105 e 8.7347t  1. Em física.105 Velocidade de para o gerador linearizado sob carga Prof. 0°/s).5174)  3.7347  cos(3.19985t dt 158 (8. no caso do gerador a vazio o atrator é (0°. o sistema pode se tornar instável.19985  sen(3. Caso o atrator seja um conjunto de pontos. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR .104 Solução para o gerador linearizado sob carga Figura 8. Assim. 0°/s).104. Percebemos que agora o gerador atinge a estabilidade no ponto (15°. um atrator é definido como um ponto ou conjunto de pontos para o qual evolui um sistema dinâmico.25) As Figuras 8.

15 Regulações primária e secundária (em breve) Prof.11 Solução numérica para máquina conectada ao barramento infinito (em breve) 8.) 8.13 Serviços ancilares (em breve) 8.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 159 Figura 8.9 Método das áreas iguais – máquina conectada ao barramento infinito (em breve) 8.14 Reservas girante e não girante (em breve) 8.. de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W..10 Método das áreas iguais – sistemas de duas máquinas (em breve) 8.106 Diagrama no espaço de fase para o gerador linearizado sob carga (continua.12 Solução numérica para sistemas multimáquinas (em breve) 8.

18 Exercícios (em breve) Prof. de Almeida – UTFPR .16 Controle automático de geração (em breve) 8.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 160 8.17 Controle de carga e frequência (em breve) 8. Alvaro Augusto W.

Alvaro Augusto W. OPERAÇÃO ECONÔMICA DE SISTEMAS Prof. de Almeida – UTFPR .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 161 9.

LINHAS DE TRANSMISSÃO Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 162 10.

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