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Karma e Vidas Passadas

Palestra proferida por Ricardo Maffia


Em 9 de junho de 2000

Boa noite a todos.Mais uma vez, eu gostaria de agradecer ao Carlos Eduardo, Presidente da Loja
Liberdade, ao Dr. Carlos Vieira, à toda diretoria da Loja Liberdade pela oportunidade que me dão mais
uma vez de desenvolver uma palestra aqui na Sociedade Teosófica.

Sobre o tema: “Karma e Vidas Passadas”, eu gostaria de deixar claro logo no início:A abordagem vai ser
baseada nos ensinamentos teosóficos, nos estudos teosóficos. Ou seja, na linha do Sr. Leadbeater,
Annie Besant, Blavatsk. Isto não significa que outras vertentes, outras linha esotéricas – nós temos aqui,
fráteres da Ordem Rosa-Cruz e outras linhas esotéricas – não estejam inseridas em nossa discussão,
em nossa conversa.

O que eu quero dizer, é que vou começar a palestra tendo como referencial, justamente, a literatura
teosófica. E, sempre apontando em termos de literatura teosófica para livros interessantes, como por
exemplo: “Fundamentos de Teosofia” do Jinarajadasa, ed. Pensamento. “O que Há Além da Morte”, e “O
Plano Astral”, ambos do Sr. Leadbeater, também da ed. Pensamento.E, se me ocorrer outro livro
interessante à respeito eu vou falando. Por exemplo:A série do Major Artur Powell, da Sociedade
Teosófica, ed. Pensamento, que é: “O Duplo etérico”, “O Corpo Astral”, “O Corpo Mental”, “O Corpo
Causal e o Ego” e “O Sistema Solar”. São cinco volumes que reúnem, basicamente, todas as obras do
Sr. Leadbeater e da Sra. Besant. Então, é um trabalho extraordinário, um trabalho de síntese. Quem
estiver interessado em se aprofundar mais na visão teosófica, estão estes livros aí.

Para falarmos em karma e reencarnação, ou seja, karma e vidas passadas, eu gostaria de começar com
aquele esquema teosófico que todos conhecem, e também dando a definição de corpo causal.Corpo
causal, é justamente, a medula de todo o ensinamento teosófico com relação ao ser humano. Sem a
compreensão do corpo causal, fica muito difícil, teosoficamente falando, o estudante, o pesquisador, o
buscador, ter uma visão maior dos processos de reencarnação.

Vejam bem, isto baseado nos ensinamentos teosóficos e também baseado nos meus estudos. O que
não significa que os meus estudos estejam certos; podem estar certos para mim. Eu quero deixar claro
que todos temos o livre arbítrio e liberdade de pensar antes mais nada.Como todos já sabem muito bem,
nós temos, teosoficamente falando:

_ Plano físico

_ Plano astral

_ Plano mental

_ Plano búdico

_ Plano átmico

_ Plano monádico

_ Plano divino
Então, nós temos corpos correspondentes, ou de matéria de cada um destes planos. Temos um corpo
físico que é de matéria do plano físico. Temos um corpo astral que é de matéria do plano astral. Temos
um corpo mental que é de matéria do plano mental. Acima do plano mental, nós temos os princípios que
nós chamamos: Atma, Buddhi e Manas, que são respectivamente: a nossa vontade espiritual, a nossa
intuição profunda e a nossa mente abstrata – Manas, significa mente. (ou uma de suas traduções)Vejam
bem, neste quadro, a divisão é setenária. Da mesma forma que nós temos sete planos, cada plano
(recapitulando) tem sete subdivisões.Por exemplo, o plano físico tem sete subdivisões, teosoficamente
falando, a saber:

_ Sólido

_ Líquido

_ Gasoso

_ Etérico

_ Superetérico

_ Subatômico

_ Atômico

A subdivisão mais sutil do plano físico, nós chamamos de plano etérico. E, a parte mais densa, de plano
físico denso.

Quando nós dizemos – corpo etérico, corpo mental, ou duplo etérico, significa que é justamente um
veículo de manifestação da nossa consciência que serve de elo entre os princípios superiores dos
planos superiores – os corpos mais sutis – e, justamente, o nosso plano físico ou corpo físico.Este corpo
etérico é também chamado de corpo bioenergético.Para que serve este corpo etérico?Uma das funções
básicas do corpo etérico é canalizar a energia etérica – prana, energia vital – para nosso corpo
físico.Está claro à todos?Então, como corpo etérico, podemos entender também por corpo vital ou corpo
bioenergético ou duplo etérico. Enfim, podemos colocar os mais variados nomes. Função do corpo
etérico:– Matriz do nosso corpo físico.É do corpo etérico que surge o nosso corpo físico. Nosso DNA é
uma manifestação mais densa, vamos dizer assim, destes subníveis mais sutis do corpo etérico.Por
exemplo:

O subnível etérico seria onde se situa, justamente, este DNA. Os elétrons, prótons neutrons, neutrinos
..., fazem parte do nível sutil do plano físico que nós chamamos de mundo etérico ou plano
etérico.Temos um corpo chamado de corpo etérico, cuja natureza é de matéria etérica. Ele interpenetra o
nosso corpo físico e, o corpo físico é a extensão, justamente, deste corpo etérico. Neste corpo etérico,
existe determinados centros energéticos que nós chamamos de chacras. Estes chacras do corpo etérico
estão imediatamente relacionados com cada glândula e plexo do nosso corpo físico. No corpo etérico
existe correntes de energias que nós chamamos de correntes prânicas. Estas correntes prânicas,
evolvem cada filamento nervoso do nosso corpo físico – daí a acupuntura. Quando se atinge um
meridiano há uma repercussão num órgão em função de atingir-se um ponto, uma corrente prânica neste
corpo etérico.Cada ponto do nosso corpo etérico, cada filamento etérico, está envolvido por cada
filamento nervoso do nosso corpo físico. Assim, a acupuntura tem sua reação através deste contato com
os meridianos, em função da atuação que faz sobre estes pontos no corpo etérico.O corpo etérico tem
como objetivo básico dar vida ao nosso corpo físico, transmitir prana. Estou falando básico porque se
nós formos analisar detalhadamente, é matéria para ficarmos dias falando a respeito do corpo
etérico.Além do nosso corpo etérico, nós temos o corpo astral. Eu sempre dou o mesmo exemplo aqui
nas palestras:Vamos dizer que o indivíduo possa projetar a sua consciência aqui neste exato momento.
Vamos dizer que ele projete sua consciência aqui, no plano físico e, se ele começar a ver apenas o plano
físico, ele estará com a sua consciência projetada no nível etérico do plano físico. Mas, se ele projeta a
sua consciência em termos astrais, ele não vai ver mais esta sala, ele vai ver uma outra paisagem, uma
outra configuração.Ou seja, o plano etérico interpenetra o nosso plano físico e nós não estamos vendo.
Por aqui passam ondas de rádio, ondas de televisão, ondas eletromagnéticas, raios x, enfim... Mas, não
as estamos vendo. Mas, ele interpenetra, ele dá vida ao nosso plano físico, ele dá vida ao nosso corpo
físico.

Se, nos transportarmos para o plano astral, este interpenetra o plano etérico e interpenetra também o
plano físico. De certa forma, quem está no plano etérico, não tem diretamente uma consciência do que
acontece no plano astral. E, quem está no astral, amiúde, não tem consciência direta do que está
havendo no plano etérico. Senão, seria uma confusão geral! Perceberam? O lema do Universo, o
desenvolvimento, é ordem.Imaginem: Nós estamos no plano astral; de repente, passa um carro físico,
algo etérico... Seria uma confusão!Não que ninguém que esteja no plano astral tenha consciência do que
acontece no físico; não é neste sentido que estou falando. Eu estou falando que, amiúde, não é um
acesso direto entre um plano e outro. Existem “pontes” de conexão. Só um exemplo que tem a ver com
nosso trabalho:As pessoas quando desencarnam ou passam por um estado de quase morte, parece que
passam por um “túnel”. O que são estes túneis ?Hermes Trismegisto falou: “Como é em cima é embaixo
e como é embaixo é em cima.”. Por analogia: Da mesma forma que o corpo etérico tem chacras e, existe
uma relação direta do corpo etérico para cada ponto do nosso corpo físico, o plano etérico deve ter
alguns centros energéticos que têm uma relação direta com o plano físico – Daí, aqueles centros
magnéticos da Terra, uma série de coisas... ..Existem determinados vórtices, passagens, conexões entre
o nosso corpo físico, o corpo etérico e os outros planos. É, justamente, quando o indivíduo tem aqueles
estados quase morte ou quando desencarna – passa por túneis. No caso, nós chamamos estes túneis
de passagens. Ou seja, seriam como os chacras, num sentido macrocósmico. É por onde passa a
pessoa que tem acesso a outros planos de manifestação de consciência.Ficou claro isto? Não?Bem, vou
fazer novamente a analogia:

Nós temos chacras no corpo etérico que têm uma relação direta com cada órgão do corpo físico. Por
analogia, o plano etérico tem os seus chacras também.Se o ser humano tem seus chacras, o
macrocosmos também tem. São centros de energia cósmica que servem para dar continuidade ao
trabalho evolutivo aqui na terra.

Estes centros de energia cósmica canalizam três modalidades básicas de energia:

_ Fohat

_ Prana

_ Kundalini
O microcosmos também. Os nossos chacras também canalizam estas três modalidades de
energiaQuando o indivíduo passa por um estado de desdobramento ou quase morte, e vê aquele túnel,
na verdade ele está “pegando” aquele túnel como acesso para o plano astral. Do plano físico, via etérico,
ao astral. São acessos.Da mesma forma que através dos nossos chacras, nós acessamos os nossos
estados mais altos de consciência, também nós, como seres, acessamos estes planos mais sutis via
estes chacras – num sentido macrocósmico – da própria Terra. São os pontos de passagem que existem
no plano etérico, astral, mental, búdico, átmico, monádico e divino.Por exemplo:

Existe uma fase de desdobramento que é chamada de “pineal door”, como os parapsicólogos a chamam.
É a saída via chacra frontal. Então, a pessoa parece que está saindo, justamente, por uma espécie de
porta. Mas, porta dele próprio, é um portal do próprio ser que confere um acesso à estes planos mais
sutis.

Eu falei isto mais para ilustrar. Podemos voltar ao tema:

Pois bem, o plano astral também tem sete subdivisões. De forma que a subdivisão mais baixa do plano
astral, é onde existe aquelas emoções carregadas, negativas. E, justamente, os grandes Iniciados, a
Grande Fraternidade Branca, trabalha no sentido de aliviar isto da humanidade. Lá, situam-se os seres
que estão passando por um processo denso de evolução.À medida que vamos subindo de nível no plano
astral, existe determinado nível do plano astral que é praticamente uma réplica, digamos, do nosso plano
físico denso. E, assim sucessivamente, no plano mental e nos outros planos.Geralmente, os discípulos
de Mestres, os grandes Iniciados, atuam do plano mental para cima. Eles trabalham no plano astral
como mentores, mas, a sede deles seria no plano mental e acima.

Então, nós temos:

No plano átmico – princípio Atma;No plano búdico – princípio Búdico;No plano mental – princípio
Manásico.

Esta tríade superior – Atma – Buddhi – Manas, é aquilo que sempre falamos: Atma é aquele princípio
evolutivo do ser humano, ou seja, a vontade espiritual. Buddhi é o seu discernimento, a sua sabedoria ou
intuição. Manas é a sua inteligência pura, ou seja, a mente abstrata. Por que eu coloquei esta Tríada?

[no quadro]

Porque no processo de reencarnação, o que muda é, justamente, o que está dela para baixo.Nós temos
o Quaternário Inferior e a Tríada Superior. É o que sempre falamos nas palestras sobre a pirâmide:A
pirâmide é de forma triangular e está sobre uma base quadrada. Representa a Individualidade
dominando sua própria manifestação na matéria. Ou seja, o “Self” se manifestando. O “Self” integrado, o
ser humano se manifestando integralmente. O Eu Superior sobre a Personalidade, completamente
manifesto na Personalidade.O que seria a Personalidade?

– O corpo físico ,o corpo etérico, o corpo astral e o corpo mental inferior.O corpo físico nós já
conhecemos. Corpo etérico o que seria ?

– Os nossos instintos, os nossos condicionamentos.O corpo astral seria o que ?

– As nossas emoções.O corpo mental inferior, num sentido mais do dia-a-dia, o que seria ?

– Os nossos pensamentos concretos

O que acontece conosco, amiúde, no dia-a-dia ? Nós ("nós", em benefício da exposição) geralmente
temos emoções condicionadas, expectativas negativas com relação à vida, pelo que nós passamos no
dia-a-dia. Estas expectativas, esta emoção negativa é gerada, justamente, por pensamentos negativos
(pensamentos de derrota, pensamentos de frustração). Ou, pensamentos positivos = emoções
positivas.Vejam bem, personalidade é aquela manifestação nossa que se manifesta (falando de forma
redundante) a cada encarnação.A cada encarnação, o que muda é a Personalidade – o Quaternário
inferior. O que não muda é a Tríada superior.Só que, no Manas superior, nós temos um átomo que é
chamado de átomo causal. Este átomo é o que faz com que conheçamos um ponto do ser humano
chamado de corpo causal. O átomo causal é o que registra todas as encarnações do indivíduo. Tudo o
que nós estamos passando, tudo o que estamos pensando é registrado por este átomo causal, ou corpo
causal que está no nível mental superior.Tudo é registrado pelo corpo causal. De forma que, o que nós
somos hoje é resultado dos registros que nós temos neste corpo que situa-se no Manas superior.

O que acontece quando nós vamos reencarnar? Muita gente fala que é a primeira vez que estão tendo
contato com a teosofia, ou com o esoterismo. Não necessariamente! Falamos outro dia numa palestra:
Nós, geralmente, em determinados desenvolvimentos anteriores, experiências que tivemos em outras
vidas, conquistamos uma série de coisas, uma série de pontos e, de repente, temos que desenvolver
outros pontos do nosso próprio ser, outras qualidades. Um dos objetivos principais da encarnação é,
justamente, através dos desafios que nós temos no dia-a-dia, colocarmos em ação determinadas
propriedades características, talentos que todos nós temos. Só que, comumente, nós – e nós eu falo em
benefício da exposição – não conhecemos. Só vamos conhecer estes talentos através dos desafios da
vida, da dificuldade que podemos passar na vida. Colocamos em ação, alguma coisa que nunca
imaginaríamos que tínhamos dentro de nós, quando somos submetidos a determinado desafio.Através
da reencarnação ou deste processo de vida, nós vamos manifestando estas propriedades características
e vamos nos conhecendo.

Para que serve o Caminho da Iniciação? – Para acelerar este processo de autoconhecimento. Então,
pode ser que numa determinada encarnação, nós tivemos contato com o esoterismo ou com o sagrado
e, antes de reencarnarmos, optamos por reencarnar naquela próxima vida não tendo um contato, à
princípio, direto com este tipo de ensinamento para desenvolvermos outras características que nos são
muito caras e importantes. E depois, numa determinada fase da vida, retomamos este caminho. Na
realidade, retomamos em termos de conhecimento, de contato teórico. Mas, o caminho já esteve sempre
dentro da gente.O ponto básico, o fundamento que mostra o gabarito de alma do indivíduo é, justamente,
o resultado que ele faz quando comunga com os ensinamentos espiritualistas na vida do dia-a-dia; o que
ele pode fazer para proporcionar uma melhora na sua própria vida e para o meio em que vive; como ele
pode contribuir com a sociedade, seu desenvolvimento e, conseqüentemente, seu progresso.

Então, através deste processo o que ocorre? A cada encarnação, o que muda é: O corpo físico, o corpo
astral e o corpo mental inferior.O princípio átmico, o princípio búdico e o princípio manásico, ou seja – a
nossa vontade espiritual – a nossa sabedoria, o nosso discernimento, a luz de buddhi – e a nossa mente
abstrata continua a mesma. Este é o nosso ser, este é o que nós chamamos de Eu superior. Somos nós
mesmos, é a nossa Individualidade -- Também é conhecida como Cristo interior, como Superconsciente.

Quando nós encarnamos, comumente, não lembramos do que é bom. Dependendo da nossa evolução,
não lembramos imediatamente das nossas outras vidas, justamente, para termos oportunidade de
desenvolver outros tantos talentos que temos dentro de nós e emprega-los na vida do dia-a-dia, através
das experiências que se configuram ao nosso redor.

Já imaginaram o que aconteceria, por exemplo, se nós lembrarmos abruptamente de uma outra vida e
ficarmos com aquela memória? Mas, não lembramos em termos de informação – uma coisa é termos
uma informação sobre uma vida anterior nossa. Outra coisa, é vir à memória aquela outra vida com toda
sensação como se fosse esta. Se nós não estivermos psicologicamente estruturados, vamos dizer
assim, nos desequilibramos. Então, é por isso que existe este véu sobre as outras encarnações, às
quais, através do processo de autoconhecimento começamos a relembrar.

Por exemplo: Diz a teosofia que quando o indivíduo atinge a quarta iniciação, ele se torna um Arhat.
Praticamente, ele já tem acesso consciente às informações do seu corpo causal, ou seja, à todas as
suas outras vidas. Mas, o indivíduo que atinge a quarta iniciação, tem uma visão de mundo e uma visão
dele próprio, muito abrangente e estruturada. O que talvez significaria isto eu não sei . Eu só sei que: O
que ocorre com o nosso estado de desenvolvimento numa determinada fase da vida é que à medida que
meditamos, que vamos tendo consciência, adquirindo conhecimento, nós começamos a nos auto-
observar. E, num determinado momento do nosso desenvolvimento – estamos começando a nos auto-
observar – , nós desenvolvemos uma peculiaridade na nossa consciência que nós chamamos de
“testemunha”. A testemunha é o observador. Isto é inefável, não dá para nós colocarmos em palavras. É
como se estivéssemos olhando para nós mesmos. Isto não se trata de desdobramento. Não se trata de
um problema de ansiedade, de despersonalizarão. Não é isto.O ponto da testemunha é percebermos a
nós mesmos. É um paradoxo.
Mas não, percebermos a nós mesmos no sentido intelectual, mas, percebermos mesmo; a ponto de
termos a sensação que ficamos divididos em dois. Isto significa o quê? É um processo da evolução do
indivíduo que gera este núcleo que nós chamamos de testemunha.

E, aí sim, passa um processo crítico do desenvolvimento dele e, se ele persistir neste processo, acaba
gerando o que nós chamamos de – a manifestação do Self. Que para o ego seria uma catástrofe. Por
que ?Para os nossos condicionamentos (do corpo etérico), para nossas emoções condicionadas (do
corpo astral), o nascimento deste Self, que simbolicamente, na bíblia, é o nascimento do Cristo interior, é
um pânico total para o ego, para os nossos condicionamentos. Este renascer, tem a ver com a própria
iniciação. Gera um medo profundo do indivíduo perder a sua própria condição de ser. Ou seja, perder
sua individualidade. Mas, na realidade, ele está enganado, porque nunca vai perde-la. Quando ele
passar por este processo, o que conquistou em vidas passadas e na atual – nada ele vai perder.
Simplesmente, essa sensação que ele tem, parece que de perda, ou de que o passado vai se
desintegrar, ou a sua personalidade – seu herodes, vamos dizer assim – vai se desintegrar
completamente, significa que os seus condicionamentos, ou seja, a sua velha personalidade, o velho
hábito de ser, resolve se revoltar contra aquele estágio mais novo de consciência, e gera um conflito.
Quando gera este conflito, acaba gerando aquela fase difícil do indivíduo que nós conhecemos na
literatura como “noite negra da alma” – aquele conflito entre o velho e o novo.

Nós sempre falamos nas palestras que quando Jesus nasceu, ele foi levado para o Egito porque
Herodes iria cortar a cabeça das criancinhas. Na verdade, esotericamente, simbolicamente, este Cristo
seria nosso Cristo Interior, o nascimento da Individualidade. Ou seja, a manifestação da Individualidade
na Personalidade da vida atual.E, quando começa a haver esta manifestação, há crises porque nós
começamos a ter uma consciência mais aprofundada de nós mesmos.

Nós adquirimos mais consciência, e percebemos, realmente, o que é certo e o que é errado, através da
experiência que nós estamos tendo e do despertar que estamos tendo. O objetivo do esoterismo ou do
ocultismo é este despertar. E, quando há este despertar, normalmente há sofrimento. Por que? - Porque
o indivíduo “pisou” no caminho. Ao pisar no caminho, ele sente, ele vê, ele vivencia a necessidade dele
viver de acordo com aquilo que se propôs. Isto chama-se Responsabilidade. Responsabilidade perante o
conhecimento que ele adquiriu e vivenciou como verdade. Só que, ainda ele não se sente preparado;
então, ele treme, tem medo.

E aí, começam os conflitos, o indivíduo pensa que vai perder-se, perder sua própria identidade. Existe
uma série de conflitos que acabam se manifestando como se fossem neuroses que, na verdade, tem a
ver com este despertar. Por que neuroses? Porque na realidade, quando nós entramos noutro padrão de
consciência, justamente, os nossos veículos mais densos – o nosso corpo mental inferior, nossa mente
concreta, com aquela visão apenas cartesiana ou repetitiva de ser; as nossas emoções mais comuns e o
nosso corpo etérico – começam a vibrar numa freqüência superior ao comum. Tudo isto vai se
manifestar no nosso neuro-vegetativo, o nosso corpo físico. E aí, o indivíduo acaba tendo até neuroses.
Mas, são neuroses, por mais doídas que sejam, até sadias, porque têm a ver com o renascimento da
pessoa. Quando ele passa por isto, se volta para o passado – vê que não perdeu nada. Muito pelo
contrário, ganhou serenidade. Até agradece à Deus pelo desafio e pela força que teve de se ancorar
naquela fé que ele se propôs a seguir, e renasce para uma nova vida. Ou seja, não que,
necessariamente, ele vá parar no plano astral ou mental – aqui na Terra ele continua o mesmo. O
mesmo como corpo físico; mas, como visão de vida ele já não é mais. Ele é um renascido. Ou seja, ele
começa a ter uma visão mais profunda da vida. Não é “papo furado”, ele não vai ter apenas teoria, no
sentido que estamos aqui, tem uma Grande Fraternidade Branca, tem um plano evolutivo... Ele vai sentir
a real existência deste plano evolutivo e vai perceber que faz parte desta teia evolutiva.

Pergunta : Os evangélicos, sem conhecer este estudo esotérico, chamam isto que você falou de
“Angústia de Jacó”.

É uma angústia porque hoje em dia a gente tem ansiedade, e, principalmente, angústia.
Psicologicamente falando, angústia é algo que está dentro de nós, e vislumbramos algo maior, queremos
atingi-lo. Mas, parece que para atingir este algo maior, temos um preço a pagar – em termos
inconscientes.Este preço a pagar nos leva ao conflito. É uma angústia, parece que não temos saída. Aí,
vem a noite negra da alma que “quando não pega o cara dentro, pega o cara fora”. Porque começa a se
configurar a vida dele de uma tal forma que vira uma verdadeira bagunça. O indivíduo até pensa :
“Antes, um ser altamente respeitável, um nobre. E, se converte para ele e para os demais num
inexplicável canalha? Por que?” Porque a sua vida vira de ponta cabeça. Ele começa a ver como
realmente é. Só que naquele momento em que ele começa a ver o seu lado “negativo”, ele começa a se
julgar, porque uma espécie de depressão ansiosa surge, e ele começa a se colocar lá em baixo. Só
depois, ele percebe que aquela natureza, aparentemente negativa, tem que ser amada, entendida e que
faz parte de um processo evolutivo. Não vai adiantar nada ele chorar o leite derramado. Muito pelo
contrário. Mas sim, verificar o atual estado dele, amar aquele estado, compreender aquele estado e
procurar não mais errar naquele sentido.Jacó, quando teve o sonho, viu a Escada de Jacó, onde tudo
subia, descia. Isto tem a ver com estas conexões.

Pergunta : Quando eles falam nisto: Angustia de Jacó, dizem que neste ponto o camarada pensa : “Deus
me esqueceu.”

Sim. A mesma coisa com Jó.Vocês vejam por exemplo a história de Jó na Bíblia: Perdeu tudo. Perdeu a
mulher, perdeu os filhos, o que se pode imaginar de ruim aconteceu com Jó.Jó, retrata nossa situação
quando estamos em dificuldades. Por que quanto mais eu oro, mais eu me aproximo de Deus, mais a
minha vida vira de ponta cabeça ? Eu procuro agir de uma forma correta e estou apanhando da vida no
dia-a-dia.Ele perdeu a mulher, perdeu os filhos, perdeu os bens... Perdeu tudo! Mas, ele estava sendo
testado.

O que representa esta alegoria de Jó ?– Representa, justamente, a nossa própria situação.Uma coisa é
nós entrarmos em contato com o esoterismo e falarmos: “Se eu seguir assim, vai ser assim”, por mera
informação. Outra coisa é: “Eu sigo assim porque eu sinto que devo seguir assim”. É diferente.

Se os senhores me permitirem eu gostaria de ler um trecho do “Luz no Caminho”, atribuído ao Mestre


Paulo Veneziano, que tem a ver com karma:

“Imagina comigo que a existência individual é uma corda que está esticada do infinito até o infinito, e não
tem começo nem fim, nem é possível que se rompa. Esta corda é formada por inúmeros fios finos que,
estreitamente unidos, formam a sua espessura.Estes fios são incolores e perfeitamente retos, resistentes
e nivelados. Esta corda, ao passar, como tem de passar, por todos os lugares, sofre acidentes
estranhos.”

[ Somos estes fios. Nós vamos enroscando corda com corda por aí. ]

“Freqüentemente, um fio fica preso ou é puxado violentamente para longe de seu caminho normal.
Então, por muito tempo ele permanece desordenado e desordena o todo.Algumas vezes, um deles é
manchado com sujeira ou com cor, e a mancha não apenas se espalha para além do ponto de contato,
mas descolore outros fios.”

[ É a responsabilidade nossa no relacionamento que temos com o próximo ].

“Lembra-te de que os fios estão vivos – eles são como fios elétricos, ou melhor, como nervos tensos.
Como se espalha para além da mancha tortuosa!Porém, no devido tempo, as longas cordas e os fios
vivos, que em sua continuidade ininterrupta formam o indivíduo, emergem das sombras na direção da
luz”

[ Vamos dizer, que estes fios somos nós. ]

“Então, os fios deixam de ser incolores e passam a ser dourados, e mais uma vez eles se nivelam em
unidade. Mais uma vez a harmonia é restabelecida entre eles e, com base nesta harmonia interior, a
harmonia maior é percebida.Esta ilustração, apresenta uma pequena porção, um único aspecto da
verdade. Ela é menos do que um fragmento. No entanto, medita sobre ela e, através da ajuda da
ilustração, tu serás levado a perceber mais.O que importa saber em primeiro lugar, não é que o futuro é
formado arbitrariamente por atos isolados do presente, mas sim que há uma continuidade indivisível
entre todo o futuro e presente, assim como, entre o presente e o passado. [ Em termos de mônada,
passado, presente e futuro não existe ]. Quando percebida a partir de um plano, de um ponto de vista, a
ilustração da corda está correta.”

[ Prestem bem atenção, porque tem a ver com nossos trabalhos. Nós chegamos aqui na Sociedade
Teosófica: “Vamos estudar Teosofia”. “Vamos ser iniciados”. “Vamos seguir a trilha do discipulado”.
“Vamos ler O Mestre e a Senda”... Vamos ver o que vai acontecer.]
“Diz-se que um pouco de atenção para o Ocultismo produz resultados cármicos consideráveis. Isto
ocorre, porque é impossível dar atenção ao Ocultismo sem fazer uma escolha definida diante do que é
comumente chamado de bem e mal.”

[ É verdade ou não é ? Se eu chego aqui, começo a toda hora “cacetear” o orador e, se eu sou ocultista,
estou fazendo uma escolha pelo mal. Se eu chego aqui, começo a cismar, a brigar com um e com outro,
estou fazendo uma escolha. Se eu chego aqui e faço uma escolha para contribuir, para progredir, é para
o bem. Se na minha vida, a partir do momento em que eu, com a minha educação, leio “Aos Pés do
Mestre”, ou qualquer outra obra sagrada, não importa qual seja, e tenho esta necessidade de evoluir,
impossível eu não fazer pelo menos uma escolha básica entre o bem e o mal. Impossível, na vida do dia-
a-dia, não faze-lo, não saber ter uma escolha ]

“O primeiro passo no Ocultismo leva o estudante à árvore do conhecimento.”

[ Então, estamos na atual vida, tivemos uma vida passada na qual tivemos contato com isto. Aí,
decidimos que na próxima vida nós teríamos uma série de experiências, e depois, retomaríamos o
contato com estes ensinamentos. Retomamos o contato e, para nós, na atual vida, o primeiro passo é o
dado à árvore do conhecimento. Qual é a árvore do conhecimento ? – O deslumbramento, a busca,
aquele negócio maravilhoso. Se nós lermos os livros, pesquisarmos, nos envolvermos; teremos
facilidade de entender aquilo tudo e, dizemos: Parece que eu já tive contato com tudo isto – é o
conhecimento, o primeiro passo ]

“Ele precisa colher e comer; precisa escolher. Ele não poderá mais ficar indeciso por ignorância. Ele
prossegue tomando o caminho do bem ou do mal. E, dar definida e conscientemente, um passo que
seja, em qualquer um dos caminhos produz grandes resultados cármicos.”

[ Na media que nos voltamos para este caminho, atraímos a atenção da Tríada Superior. O objetivo da
nossa evolução, é a manifestação desta Tríada Superior. Ela energiza o nosso corpo mental e os nossos
pensamentos. Ela energiza as nossas emoções. Ela energiza a nossa parte etérico-orbital. Ela energiza
os nossos atos. Então, os nossos atos terão muito mais conseqüências, muito mais significado do que os
de uma pessoa que não está em contato direto com este tipo de estudo. Por isto que se fala :
“Conhecimento é poder” – Poder para servir, obviamente. ]

“O homem comum, anda sem rumo, sem certeza da meta a ser atingida; seu padrão de vida é indefinido
e, consequentemente, seu karma opera de forma confusa. Mas, uma vez que o umbral do conhecimento
é atingido, a confusão começa a se dissipar e, consequentemente, os resultados cármicos aumentam
consideravelmente, porque a ação se dá na mesma direção em todos os planos.”

[ Notem bem: “a ação se dá na mesma direção em todos os planos”, porque o ser humano percebeu,
sabe, tem clareza da sua vida. Então, consequentemente, há uma definição, uma convergência da
atenção que se dá em todos os planos. A ação se dá em todos os planos porque nós ficamos alinhados
em pensamento, em emoção e em ato num propósito, num ideal perante esta vida. Consequentemente,
temos resultados cármicos consideráveis, pelo poder que adquirimos. Por qualquer erro que possamos
ter, os resultados são maiores.]

“Pois o ocultista não pode se dedicar pela metade, nem pode voltar atrás uma vez que tenha
atravessado o umbral. Essas coisas são tão impossíveis como um homem voltar a ser criança
novamente. A individualidade, através do processo de crescimento, alcançou o estado da
responsabilidade e não pode recuar deste estado.”

[ Prestem atenção neste trecho que eu acho fundamental: ]

“Aquele que quiser escapar dos grilhões do karma deve elevar a sua individualidade das trevas à luz. Ele
deve elevar a sua existência de tal maneira que estes fios não possam entrar em contato com
substâncias impuras, e que eles não se tornem tão apegados que sejam levados para longe do seu
rumo. Ele simplesmente se eleva acima da região onde o karma opera.”

[ Parece meio esquisito. Como ele vai se elevar, se está vivendo no plano físico e o karma opera
praticamente do plano mental para baixo? ]
“Ele não abandona, por causa disto, a existência que está experimentando. O solo pode estar áspero e
sujo, ou cheio de flores formosas, cujo pólen mancha, e de substâncias doces que encantam e
transformam-se em apegos–mas, acima há sempre o céu livre. Aquele que deseja não ter karma, deve
ver o ar como sua casa; e depois dele, o éter. Aquele que deseja criar bom karma, encontrará muita
confusão e, no esforço de plantar sementes de boa qualidade para sua própria colheita, pode plantar mil
ervas daninhas. E, entre elas, a gigante.Não deseja plantar sementes para a tua própria colheita. Deseja
apenas plantar a semente do fruto que alimentará o mundo. Tu és parte do mundo. Ao alimentar o
mundo, tu estarás alimentando a ti mesmo. No entanto, mesmo neste pensamento, paira um grande
perigo sobre o discípulo que por muito tempo imaginou estar trabalhando para o bem comum, enquanto,
no fundo de sua alma, ele estava percebendo apenas o mal. Isto é, pesando estar fazendo um grande
benefício para o mundo, na realidade ele estava, inconscientemente, sempre pensando no karma e no
grande benefício que ele estaria produzindo para si.”

[ Ai, vem o desfecho que eu acho extraordinário: ]

“Um homem pode se recusar a pensar em recompensas. Mas, na própria recusa, pode-se notar o fato de
que a recompensa é desejada por ele. E, é inútil para o discípulo se esforçar para aprender através da
autovigilância. A alma deve estar sem grilhões, os desejos livres. Mas, até que os desejos estejam
fixados apenas naquele estado no qual não há nem recompensa nem punição, nem bem nem mal, o seu
esforço será em vão. Pode parecer que ele está fazendo um grande progresso, mas um dia ele se verá
cara a cara com sua própria alma, e reconhecerá que quando esteve diante da árvore do conhecimento,
escolheu a fruta amarga e não a doce. E então, a máscara cairá definitivamente, e ele desistirá da
liberdade e se tornará um escravo do desejo.”

[ O que acontece com muita gente que se decepciona com o Ocultismo. ]

“Portanto, fica consciente, tu que estás começando a te voltar para a vida no Ocultismo. Aprende agora
que não há cura para o desejo, que não há cura para a busca de recompensas, que não há cura para o
sofrimento de estar ansioso por algo, a não ser na fixação do olhar e da audição naquilo que é invisível e
inaudível. Começa já a praticar, desta forma mil serpentes deixaram de se apresentar no seu caminho.
Vive no eterno.As operações das reais leis do karma, não podem ser estudadas antes que o discípulo
tenha alcançado o ponto no qual elas não o afetam mais. O Iniciado tem o direito de exigir os segredos
da Natureza e de conhecer as regras que governam a vida humana. Ele obtém este direito por ter saído
dos limites da Natureza e por ter se libertado das regras que governam, a vida humana. Ele tornou-se
uma parte reconhecida do elemento Divino e não pode mais ser afetado por aquilo que é temporário. Ele
então, obtém o conhecimento das leis que governam as condições temporais.Portanto, tu que desejas
conhecer as leis do karma, tente antes te libertar destas leis; e, isto só pode ser feito fixando a atenção
naquilo que não é afetado por estas leis.”

Perdoem-me por ter lido. Mas, eu acho extraordinária esta parte.

Karma, é o objetivo da palestra. O que nós somos hoje é conseqüência do nosso karma. Mas, podemos
mudar, podemos transformar. O que se quer dizer aqui, na minha visão,–que é pequena, pois isto é algo
abrangente, é de um Mestre de Sabedoria – é que só trabalhar na vida aqui, pensando em melhorar o
karma não tem muita lógica, porque é estar pensando nele próprio.

Agora, é errado pensarmos em nós mesmos? – Claro que não! Quem vai pagar as nossas contas no
final do mês ?Ou seja, o Esoterismo é o fio da navalha, é algo cheio de paradoxos. Nós temos que
pensar em nós. Temos que nos amar. Temos que ser dignos do que somos. Temos que nos respeitar.
Isto é importantíssimo! Vivemos uma vida que não é fácil! Na medida que temos que nos considerar, que
nos respeitar e nos desenvolver, nos amando; eu penso que nós ( “nós”, não é palavra de ordem, é em
benefício da minha exposição ). Penso que eu, por exemplo, posso muito bem trabalhar para o meu
engrandecimento pessoal – não no sentido pejorativo, mas no sentido de uma reforma íntima como bem
fala o Espiritismo, ou da construção do nosso templo interior – vendo as nossas qualidades, como
podemos empregar os nossos talentos. E, na medida que empregamos estes talentos na vida do dia-a-
dia, gerarmos condições positivas para o próximo.

É inadmissível o indivíduo pensar só nele e não no próximo. Por exemplo: Uma pessoa quer desenvolver
um trabalho. Este trabalho, tem que ser o trabalho da sua vida, tem que ser o trabalho que está ligado ao
seu dharma. O que é o seu dharma? – É o porquê dela estar aqui. O que ela pode colocar, o que há de
mais importante nela, na vida. Ter a coragem de expressar, justamente, a sua vocação mais íntima. E, se
esta sua vocação mais íntima, proporcionar condições também positivas para o próximo – Ótimo! Por
que ela vai estar fechando o próprio ciclo.

Nesta visão holística, integral, ela vai bem. Se lida com o karma apenas como barganha: “Eu estou aqui,
eu vou ser um Mestre de Sabedoria. Então, vou agir desta forma”. Está agindo por refreamento. Por
refreamento não dá certo. Tudo o que é refreamento gera neurose. Não tem jeito! Se nós formos para o
refreamento conscientes – o que é importante –, sabendo que podemos lidar com alguns desequilíbrios,
como transmutar isto?– Como está aqui [em Luz no Caminho]: “Prestando atenção no inaudível”. Ou
seja, cada um tem o seu ponto de fé. Cada um tem o seu exemplo de ideal. Nós podemos eleger o
nosso Eu Superior. Nós podemos eleger um Mestre de Sabedoria. Nós podemos eleger um grande
Avatar, um Cristo, um Buda, Zoroastro ... não importa quem seja, e colocarmos aquele ideal como um
propósito de descobrirmos o nosso próprio dharma – o porquê de estar aqui. E, se tudo o que nós
colhemos até hoje, olharmos com balanço, veremos que tudo que somos é resultado de nossas vidas
passadas. Mas, tem muita gente que pode estar na atual vida, sofrendo e percebendo :

– “Eu não fiz nada de útil em minhas vidas passadas”. Isto não é ser egoísta. Isto é estar avaliando a sua
situação. Senão, a gente cai num jogo de palavras e não sai dele de jeito nenhum.

Muita gente tem muitas qualidades, e não as colocaram em ação na vida, por uma contingência do
próprio destino. Ou seja, o seu karma. Pode ser que no seu “script”, aos sete anos de idade, ele teve
uma configuração familiar, oriunda do seu karma. Teve dificuldades na vida, oriundas do seu karma. Eu
não vou negar! Estou estudando Teosofia! Como vou negar? Só que este karma, proporcionou a ele uma
série de “músculos” que a até então ele não tinha. Ele pode ter sido muito grande em outras vidas; mas,
ele tem que desenvolver uma outra parte na atual. E, a partir do momento que ele percebe isto, não
entra no ciclo fatídico de pensar no karma : “Isto é karma, aquilo é karma, ... e não sai”. Ele tem que usar
sua genialidade e inteligência, e perceber que o que ele foi é resultado dos seus atos, de seu karma.

Mas, da mesma forma que ele teve uma liberdade de escolha – não importa o atual estágio da nossa
vida, a nossa condição financeira atual, a nossa condição afetiva atual, não importa a nossa condição
familiar atual, a nossa condição de saúde – hoje, nós temos conhecimento. Conhecimento pelo qual nós
retomamos o contato. Eu tenho certeza disto.

A partir do momento que nós nos entregamos com fé, não importa qual o método, à este conhecimento,
a partir do momento que nos integramos à esta Tríada Superior, o que acontece? – Vem a força de Atma,
vem a luz de Buddhi, vem a luz de Manas, para baixo [quaternário inferior ]. Esta luz, é considerada
esotericamente como a Chama do Pentecostes. Quando ela desce, passa pelo corpo causal. Ao passar
pelo corpo causal, ela transmuta os registros do nosso corpo causal. Consequentemente ela muda o
nosso destino. Por que? Porque eu venho com uma série de registros, e de acordo com os estímulos
que eu tenho de fora – com o conhecimento da liberdade de ação, do livre-arbítrio – , emprego este
conhecimento ou não. E, se pelo conhecimento que tenho, não estou conseguindo empregar: Vou reagir
no mesmo nível do exterior. Quando eu reajo através de um sinal do exterior, se eu tenho um registro
compatível àquela natureza desafiadora exterior no meu corpo causal, eu reajo e crio karma.

A partir do momento que começo a perceber isto, emprego a própria força deste desafio que vem de
fora, e percebo que eu tinha esta mesma reação. E aí, vou usar a minha inteligência, minha genialidade
– representada pela estrela de cinco pontas, o pentagrama flamejante – e não vou ter mais esta
reação.Ai, o que vou fazer ? Transmuto aquele desafio em crédito para mim.Agora, tendo consciência
deste plano evolutivo e, se em cada meditação – não importa qual – que eu fizer voltado ao sagrado,
comungo com ele. O que acontece?Eu começo a trazer força [do Eu Superior] e, transmutando meus
registros causais, eu transmuto meu karma. Não só o meu karma, eu tenho a possibilidade de
transmutar o karma do próximo. Porque vou perceber que começo a ter um êxtase em meu interior e, se
eu começo a perceber a Presença de Deus dentro de mim, é impossível não desejar o bem para o
próximo.

Isto não é palavra vã! O que acontece conosco na mais profunda comunhão ? – Na mais profunda
comunhão com a divindade que está em nosso interior, intuitivamente ou budicamente, nós vamos
sintonizar a Individualidade no interior do próximo. E, na medida que eu transformo meu destino,
simultaneamente, estou também ajudando a transformar o destino do próximo.Então, se nós partimos
para o karma num sentido cartesiano, a gente não sai dele. Se nós partimos para o karma com
inteligência, nós saímos dele. Se nós temos consciência de que a vida está assim, está deste jeito, com
uma série de desafios, é para empregarmos uma vocação que sempre acreditamos ter, mas que nunca
colocamos por uma série de contingências.Será que estes desafios que eu estou tendo na vida do dia-a-
dia, não é para eu assumir de uma vez por todas esta vocação, não importa qual seja ? O que eu tenho
de mais sagrado em mim, colocar em ação ?É este o desafio !As nossas vidas passadas vêm com uma
mensagem de nos assumirmos. Assumirmos a divindade que está dentro de nós.E o karma: Nós vamos
resignificar (utilizando a neurolingüística) os nossos problemas em desafios, e perceber que ele faz parte
de um processo de despertar nosso.Eu vou parar por aqui. Se alguém quiser contribuir, falar, perguntar
... Estejam a vontade.

Pergunta: O karma pode ser também um processo benéfico. Vamos ver também o seu lado benéfico,
como proteção. Este karma é necessário quando o indivíduo quer caminhar por um lado que não se
conhece: ele corre riscos.Quando ele começa a trilhar por um caminho e, este caminho é conhecido: já
se sabe os perigos que traz. Eu estaria correto pensando assim ?

Com certeza! O conhecimento, visto desta forma, tem esta real utilidade. O conhecimento é
extremamente necessário. A vida sem conhecimento seria uma coisa absurda.Às vezes, o karma
considerado negativo – nós falamos em resignificar; porque depois que passamos pelo problema, nós
olhamos para trás e vemos : “Eu passei por aquela dificuldade; mas, sai mais fortalecido”. Até rimos
daquela dificuldade. Ou então, vamos por outro lado: Aquelas orações que “não foram
respondidas”.Graças à Deus que não foram ! Poderia ser pior. Porque talvez não era o melhor para
nós.Obrigado por sua contribuição !

Eu só queria colocar uma questão:A Lei da Graça – o perdão dos pecados, que eu sempre falo nas
palestras, que tem na própria religião cristã – tem a ver com graça ou o perdão quando o indivíduo se
conscientiza dos seus desafios. Não numa abordagem de culpa. E sim, de responsabilidade. Porque a
culpa é um “breque” para o indivíduo parar de fazer coisa errada. Agora, aquela culpa persistente, é
patológica, denota que o indivíduo não está bem. Justamente, nesta responsabilidade, é importante ele
ver os seus atos, a sua forma de agir. Claro que não vai ficar perfeito do dia para a noite. Eu gosto de
pensar sempre no exemplo da espiral:Cada vez que nós evoluímos, podemos cair. Mas, sempre caímos
num nível superior àquele plano em que estávamos. E assim, nós vamos tecendo a nossa vida de uma
forma ponderada, com discernimento.

Pergunta: Quando morre uma criança, aos três, quatro anos, foi um ser que não teve a oportunidade de
cumprir seu karma?

Nunca podemos afirmar isto objetivamente.Cada caso é um caso. Então, nós podemos avaliar, podemos
até conjeturar:De repente, uma criança nasce no seio de uma família, e depois de um determinado
tempo desencarna. A experiência que ela passou foi importante para ela. E, a experiência, por mais
doída que seja, foi importante para aquela família.Então, o karma aí, é coletivo. Tanto da criança como
da família. E, houve uma oportunidade de crescer. Agora: Se foi..., porque foi ... .Cada caso é um caso.

Eu só sei que: Se nós estamos passando por um karma difícil e, com o conhecimento que temos,
atuarmos e empregarmos este conhecimento com fé ( fé, é uma palavra simples que estou dando,
baseado na minha natureza) e, principalmente, com esperança, podemos mudar muita coisa em nossa
vida e na vida do próximo.Agora, não dá: “Olha, aquele indivíduo morreu por isso ...”.Cristo falava : “Não
julgueis”, em função disto – eu creio –. Quando Ele falou: ( hipócrita, não?) “Ele consegue ver o cisco no
olho do outro e não vê a trava no seu próprio olho”. É a questão cármica. Quer dizer: sempre, as
colocações do Cristo e de outros grandes Avatares, principalmente para o ocultista, são de uma visão
evolutiva. Ou seja, avaliar as coisas sempre do ponto de vista evolutivo. Não do imediato. E sim, do
global.

Pergunta : Assim que a gente entra no caminho, vamos desvendando véus, e acabamos nos deparando
com este “inverno da alma”. Existem graus e graus, vários invernos da alma. Eu quero saber se no
caminho desta evolução, – que acredito não ser voltado apenas à esta vida – vai chegar um momento
em que este inverno da alma não vai mais existir?

Boa colocação.Olha, quando nós falamos em termos de evolução, estamos falando baseados no
desenvolvimento do discipulado à iniciação, e da iniciação ao mestre. Quando um indivíduo se
transforma num Mahatma, ele passa a ter sua evolução, todo este desenvolvimento perante a
humanidade, consumado. Ele passa a fazer parte não só da Grande Fraternidade Branca, mas, quando
ele atinge a 5ª iniciação, além de Mestre, ele atinge a 1ª Grande Iniciação Solar. Ele passa a fazer parte
da Hierarquia Solar. O que vem daí para frente, ou os conflitos que ele vai ter “solarmente”, eu não sei.
Mas, eu acredito que neste processo, até a 4ª iniciação, às vezes, existe sofrimento.Eu acredito que na
5ª iniciação (aí, estou conjeturando), um Mestre de Sabedoria, pode sofrer por outro que está num
patamar inferior.

Por exemplo: Eu posso crer que quando Cristo falou para Deus: “Afasta de mim este cálice”, ele não
estava pedindo água – na minha forma de entender –. Eu considero que estava sofrendo pela
humanidade, e não por Ele. Então, quando Ele disse : “Afasta de mim este cálice”, eu tenho certeza
absoluta que Ele estava sofrendo pelo sofrimento da humanidade.Eu acredito que o sofrimento dos
Mestres – pode ser poético da minha parte – , ou os invernos de alma nestes níveis, é pelo sofrimento
dos seres. Não por eles como pessoa, porque eles já passaram por tudo isto neste período preparatório.
Por analogia, o desenvolvimento na Grande Fraternidade Branca é um período preparatório para a
Hierarquia Solar. E, assim é para outros períodos.Muito obrigado por sua contribuição!

Pergunta: Como a pessoa pode sentir o que é karma? Como a pessoa consegue distinguir se aquela
situação é um karma? É diante da dificuldade?

Grande colocação.Nós falamos em Esoterismo sobre a luz de Buddhi.Taimni, no “Autocultura à Luz do


Budismo” – um livro extraordinário, cartesiano-esotericamente falando, porém, extraordinário – fala de
Buddhi. Eu entendi o que você quer dizer. Quando dá o “insight”, falamos: “Isto é um nó cármico.”

Pergunta: Tudo é o sentir. Então, por exemplo quando você vai entrar em contato com o seu Eu
Superior... é o sentir. O karma também. Eu penso que quando a pessoa começa a encontrar dificuldade
ou ela supera uma fase mais difícil, ela entende que talvez tenha sido karma.

A “voz do silêncio” que fala Madame Blavatsk. é o “insight” que nós temos. É a voz do nosso Eu
Superior.Como poderia dizer ... Comumente se fala que “caiu a ficha”. Você está passando por um série
de problemas, vamos dizer assim, de repente, vem aquele “insight”, aquela certeza que não provém do
pensamento concreto e sim de algo mais abstrato e seguro. Com isto, você está percebendo o seu
posicionamento perante o plano evolutivo, perante seu posicionamento na vida – seu karma.

O Eu Superior não é uma coisa distante, não é uma terceira pessoa. O Eu Superior somos nós mesmos.
É um estado nosso que de vez em quando acessamos. Porém, quando ficamos extremamente lúcidos,
quando temos um monte de desafios para enfrentar; de repente, somos envolvidos por uma força que,
aparentemente, nunca imaginamos que tivéssemos. Parece que aquele desafio não teria nenhuma
saída. De repente, “brota” uma força, brota uma intuição. O que é isto? – É o Eu Superior. Somos nós no
nível de Eu Superior.

Então, quando há o “insight”, é o Eu Superior se manifestando. Não é uma voz externa. Não! É o Eu
Superior.O Eu Superior é visto no Ocultismo como uma terceira pessoa para melhor nós entendermos
toda uma série de coisas. O Eu Superior somos nós. Se não, não teria sentido. Não teria lógica. Não
teria coerência.

Juan Viñas, na Sociedade Teosófica, disse que os teosofistas perguntam para ele onde fica o plano
búdico. A resposta é sempre a seguinte:“O plano búdico está abaixo de Atma e acima de Manas”. E,
todos ficam contentes. Não é bem isto. Os planos são manifestações para nossa consciência. Só que
são realidades, sei lá de qual dimensão. A nossa mente cartesiana, apoiada na 3ª dimensão, intui;
colocamos uma realidade extremamente transcendente de forma bidimensional para pensarmos
tridimensionalmente.

Como o conhecimento nos leva à compreensão do Eu Superior? Através da meditação.A nossa mente
concreta fica ordenada, nós pensamos coerentemente, vamos fazendo convergências. À medida que
vamos fazendo convergências, de repente, nós estamos pensando abstratamente e, se persistimos
neste pensamento abstrato na meditação: vem a luz de Buddhi.Então, é a luz de Buddhi que clarifica.
Quando nós percebermos a luz de Buddhi ela clarifica o porquê de tantos problemas na vida. A luz de
Buddhi é proveniente de uma ação do nosso Eu Superior, e quando ela se manifesta, ela nos energiza,
ela nos motiva, volta a fazer com que tenhamos esperança. Mas, não é uma esperança maluca. É uma
esperança confiante que nós não conseguimos falar para o outro. É algo que está dentro da gente – é o
Eu Superior.

Pergunta: O que seria pensamento abstrato?


Pensamento abstrato seria como pensar matematicamente. É você ver um símbolo, daquele símbolo
você começa a ter idéias. Estas idéias são pensamento abstrato. A idéia é sempre pensamento abstrato
e, todo símbolo é expressão de uma idéia.Então, quando nós temos idéias, estamos no plano da mente
abstrata. E, acima da mente abstrata tem a luz de Buddhi

fim da gravação

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