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ENGENHARIA MECÂNICA

José Belmiro de Souza Júnior


Benício Alonso Oliveira Neto
Guilherme de Sousa Paraiso
Luis Gabriel Pacheco Santa Rosa

FORÇA DE ATRITO

Estudo do atrito em correia transportadoras

SALVADOR
2023
FORÇA DE ATRITO

Estudo do atrito entre objetos de transporte e correias transportadoras

Trabalho da disciplina de Mecânica Geral I,


do curso de Engenharia Mecânica, do Instituto
Federal da Bahia - IFBA, requerido como parte
Integrante para obtenção de nota final.
Docente: Antonio Bitencourt.

SALVADOR
2023
INTRODUÇÃO

Força de atrito é uma força que resiste ao movimento quando duas superfícies em
contato deslizam uma em relação a outra. Esta força, que normalmente é simplificada (ou
simplesmente ignorada) nos estudos dos problemas de mecânica, na realidade, tem
significativa importância, já que não existem superfícies perfeitamente lisas ao ponto de não
oferecer nenhuma resistência ao movimento, ou superfície áspera que impeça o movimento
independentemente da força tangente aplicada ao sistema.
O objetivo deste trabalho é apresentar uma demonstração do uso do atrito como
elemento essencial no funcionamento de um mecanismo, no caso, um protótipo de uma
esteira transportadora, apresentar memória de cálculo, fundamentação teórica e sintetizar o
estudo de mecânica geral em um trabalho final de disciplina a fim de demonstrar o
conhecimento adquirido durante o semestre.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

1. DEFINIÇÃO

Atrito, segundo HIBBELER, é uma força que resiste ao movimento de duas


superfícies uma em relação à outra, e sempre atua em direção tangente à superfície nos
pontos de contato (R. C. HIBBELER, 2017). É produzida pela interação entre os átomos e
moléculas dessas superfícies sendo uma força de contato e de natureza eletromagnética.
Existem dois tipos de atrito. Atrito seco, e atrito fluido.

O atrito fluido, cujo estudo de casos que envolvem escoamento de fluidos em tubos e
aletas, corpos submersos em fluidos, e mecanismos lubrificados, ou até mesmo de camadas
do fluido sobre si mesmo e fazem parte do estudo da mecânica dos fluidos.

O atrito seco, também conhecido com atrito de Coulomb, ocorre quando entre as
duas superfícies estão, geralmente, em contato direto sem intermédio de um lubrificante. É
este o nosso interesse na Mecânica.
Considerando dois corpos sobrepostos, ou seja, um sobre o outro, e analisarmos
microscópicamente suas superfícies, por mais que aparentem estar perfeitamente polidas,
será possível observar picos e vales. A superfície pode ser considerada um defeito do
material e não é completamente polida, a rugosidade é uma característica inerente a todo
sólido. São esses picos e vales de ambas as superfícies que estão em contato direto e são
diversos os pontos de contato, não um plano completo como vemos a nível macroscópico.
Esse contato gera forças de reação com componentes horizontais e verticais. As
componente verticais correspondem a normal e as horizontais. São, portanto, forças que
estão intimamente relacionadas e inversamente proporcionais, já que são perpendiculares.

2. COEFICIENTE DE ATRITO

O coeficiente de atrito é uma propriedade adimensional que demonstra o


comportamento do contato e deslize entre duas superfícies e seria fruto da relação entre o
atrito e a força normal. O valor do coeficiente de atrito vai depender dos materiais que estão
sobre contato, dessa forma, dependendo do material o coeficiente de atrito pode ser maior
ou menor.

Materiais em contato Coeficiente de atrito estático (“mi”s)

Metal com gelo 0,03–0,05

Madeira com madeira 0,30–0,70

Couro com madeira 0,20–0,50

3. TIPOS DE ATRITO ESTÁTICO

Calços

O transporte de objetos muito pesados pode ser facilitado ao utilizar esta máquina
simples e reduzir significativamente o trabalho a ser realizado. São utilizados também no
ajuste de folgas o da posição entre duas peças. Tem papel importante na redução de
vibrações e ruídos e alinhamento adequado das peças

Parafusos

Os parafusos são dispositivos cuja função principal é a transmissão de movimento,


bem como na transformação da rotação em translação. É capaz de suportar cargas
consideravelmente altas com diversas aplicações cotidianas, como no caso dos macacos
mecânicos, que é autotravante, ou seja, ao aplicarmos carga ele não desliza de volta. O
deslocamento esperado, o escorregamento ocorre em declives mais acentuados, o que não
é o caso dos fios dos parafusos retos dos dos macacos mecânicos. Este ângulo é chamado
ângulo de travamento e é proporcional ao atrito estático entre os materiais; quanto maior for
o coeficiente de atrito entre os materiais, maior será a capacidade de transmissão de
movimento do parafuso, maior será o ângulo de travamento.
Mancais de Deslizamento e mancais de escora

Os mancais de deslizamento são utilizados nos eixos como uma maneira de oferecer
apoio lateral a um eixo em rotação. No caso de sistemas parcialmente lubrificados ou sem
lubrificação uma aproximação que considere que o atrito se comporte como o atrito seco
pode ser feita. Suportam esforços perpendiculares ao eixo e o ângulo de contato axial
permite a uniformidade na distribuição de ao longo do rolamento. É o atrito estático que
surge entre a superfície do eixo que é capaz de suportar os esforços exercidos pelo eixo.

Já os mancais de escora atuam para suportar esforços na direção do eixo. Bem


como o anterior, os princípios do atrito seco devem ser aplicados. Suportam cargas
paralelas ao eixo e possuem apenas um grau de liberdade, permitindo a rotação do eixo e
restringindo todos os outros movimentos.

Correias

A pressão que a correia exerce sobre a superfície da polia é a principal responsável


pelo surgimento do atrito, sendo proporcional também ao coeficiente de atrito dos materiais.
O atrito aqui é diretamente responsável pela capacidade da correia de transmitir potência.
O aumento do atrito também causa um desgaste acelerado do sistema; por outro
lado, se o coeficiente de atrito for muito baixo, a correia pode deslizar na polia, o que pode
levar a uma perda de eficiência na transmissão de potência e a um desgaste excessivo.
Fica nítida então a importância da seleção de materiais adequados que maximizem a
potência e eficiência do sistema e evitam desgaste desnecessário e que sejam capazes de
fornecer ao sistema a tensão adequada de trabalho e suportar as diversas cargas e esforços
aos quais está submetido.

Discos de atrito

Os discos de atrito são componentes mecânicos amplamente utilizados em sistemas


de transmissão, projetados para transmitir torque e controlar o movimento em máquinas e
equipamentos e são compostos por uma roda de acionamento primária e uma roda
secundária (ou disco) montada perpendicularmente à superfície da roda primária.
A roda de acionamento primária, geralmente conectada diretamente ao motor, gira e
faz com que a roda secundária também gire. O contato é responsável pela rotação dos
discos. Já a roda secundária pode ser movida linearmente por toda a superfície da roda
primária, o que permite variar a velocidade do sistema proporcionalmente à distância do
centro da roda primária.
A força de atrito gerada é diretamente proporcional à pressão aplicada entre os
discos e ao coeficiente de atrito entre eles. Portanto, um coeficiente de atrito mais alto
resultará em uma maior capacidade dos discos de atrito em limitar o torque e as
sobrecargas.

4. ATRITO NA INDÚSTRIA

3.1. Usinagem

Na indústria de usinagem, o atrito é fundamental para o corte de materiais metálicos.


Ferramentas de corte, como brocas e tornos, dependem do atrito para remover o material
em excesso e dar forma às peças.

Figura 3.1: Usinagem


3.2. Freios e embreagens

Em veículos automotores e máquinas industriais, os sistemas de freios e


embreagens utilizam o atrito para controlar a velocidade e a parada. Pastilhas de freio e
discos de embreagem são projetados para criar atrito controlado, convertendo a energia
cinética em calor.

Figura 3.2: Freio automotivo


3.3. Correias transportadoras

Em instalações industriais, as correias transportadoras são usadas para mover


materiais de um local para outro. O atrito entre a correia e os rolos, polias e os objetos de
transporte é essencial para o funcionamento eficiente desses sistemas.

Figura 3.3: Esteira transportadora

3.4. Soldagem por atrito

Um processo de soldagem que usa atrito para fundir e unir materiais. Isso é
comumente usado na indústria aeroespacial e automotiva para unir peças de diversos
materiais.

Figura 3.4: Soldagem por atrito

3.5. Polimento e acabamento

Em processos de polimento e acabamento de superfícies, como lixamento ou


retificação, o atrito é usado para remover camadas superficiais de material e criar uma
superfície lisa e uniforme.
Figura 3.5: Enceradeira

3.6. Fixação de parafusos e porcas

Ao apertar parafusos e porcas, o atrito é usado para manter as peças unidas com
segurança. O torque aplicado cria atrito entre as superfícies das roscas, o que impede que
as peças se soltem.

Figura 3.6: Parafuso e porca unindo chapas

5. FOCO DO PROJETO E PROTÓTIPO

Vamos utilizar como segmento o atrito presente em sistemas de correias


transportadoras, mais precisamente o atrito entre a correia e o objeto de transporte no plano
inclinado. Dessa maneira, vamos fazer um protótipo físico e funcional utilizando um motor,
polias, correias, componentes eletrônicos e mecanismos de fixação, para criar um protótipo
automatizado e eficiente.

REFERÊNCIAS

[1] Hibbeler, R. C. Mecânica para Engenheiros: Estática. 12ª edição. Editora Pearson, 2010.
[2] Meriam, J. L., & Kraige, L. G. Mecânica para Engenharia, Estática. 5ª edição. Editora
LTC, 2002.
[3] Beer, F. P., & Johnston Jr., E. R. Mecânica Vetorial para Engenheiros: Estática. 5ª edição.
Editora Makron Books, 1994.

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