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BIOGRAFIA DE ARX TOURINHO

Arx da Costa Tourinho, baiano de Salvador, nasceu em 1947 e sentia


orgulho em dizer que foi alfabetizado por sua mãe, Rilza Souza
Tourinho, professora primária. O pai, Armando da Costa Tourinho, era
promotor de Justiça. Ingressou no curso de Direito da Universidade
Federal da Bahia como quarto lugar da turma de vestibulandos,
graduando-se em 1970. Em 1984, tornou-se mestre em Direito
Econômico com a tese “As normas constitucionais da ordem econômico-
sociais e seus efeitos jurídicos”.

Irrequieto, multifacetário, polêmico e, ao mesmo tempo, gentil e bem-


humorado, honrava a tradição dos grandes juristas baianos. Orador
brilhante, considerado um paladino da liberdade e das causas da
cidadania, Arx Tourinho teve uma atuação marcante na Ordem dos
Advogados do Brasil. Presidiu a Seccional baiana no biênio 1991/93, e
nesse período inaugurou a atual sede da entidade. Foi Conselheiro
Federal no biênio 1993/95, no triênio 1995/97 e, novamente, eleito
para o triênio 2004/2007. Presidiu também o Instituto dos Advogados
da Bahia no biênio 1983/84 e sócio do Instituto dos Advogados
Brasileiros, do Instituto Brasileiro de Direito Constitucional, do
Instituto Luso-Brasileiro de Direito Comparado e do Instituto Geográfico
e Histórico da Bahia.

Na faculdade onde se formou, lecionou Direito Constitucional, Teoria


Geral do Estado e Prática Jurídica. Arx Tourinho foi também
Subprocurador-Geral da República.

Em sua última passagem pelo Conselho Federal da OAB, participou


ativamente dos grandes debates, fosse como presidente da Comissão
para Análise do Quinto Constitucional ou como membro da Comissão
de Defesa da República e da Democracia. Foi relator de temas
controversos, como a discussão sobre o direito de gestantes de realizar
operação terapêutica de parto de fetos anencefálicos, e sobre a medida
provisória que concedeu status de ministro ao presidente do Banco
Central.

Algumas de suas intervenções ainda repercutem no meio jurídico, como


o memorável relatório que fundamentou a Ordem dos Advogados do
Brasil a ingressar no Supremo Tribunal Federal, em 8 de novembro de
2004, com argüição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF
n° 59) propondo que o Congresso Nacional seja obrigado a cumprir o
artigo 26 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias que prevê
a auditoria da dívida externa brasileira.

Em seu voto, no relatório intitulado “Auditoria Cidadã”, Arx Tourinho


escreveu: “Com essa dívida, jamais alcançaremos o pleno
desenvolvimento, pois todos sabemos que ela é impagável e foi montada
em cima de ilícitos de corrupção e irregularidades, as mais diversas
possíveis. A OAB tenta fazer com que o Congresso Nacional cumpra
aquilo que a Constituição quer e que, em verdade, é aquilo que todo
cidadão quer, ou seja, que a norma constitucional tenha eficácia para
toda a sociedade”.

Aos 57 anos, Arx Tourinho faleceu no dia 6 de janeiro de 2005 em


Salvador, vítima de acidente automobilístico. Naquele dia a advocacia
perdeu um militante de coragem cívica que sempre gostou de desafios,
capaz de tratar os assuntos mais polêmicos com sensibilidade,
evidenciando a perspectiva do Direito.

Era casado com Maria da Graça Tommasi Costa Tourinho e deixou os


filhos Arx da Costa Tourinho Filho e Laís da Costa Tourinho.