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03C A União Européia deseja diálogo construtivo com Cuba


O presidente da comissão de desenvolvimento do Parlamento Europeu
Josep Borrel declarou: hoje em dia a União Européia deve estar presente
em Cuba mais do que nunca. O nosso comentarista Igor Kudrin prossegue
no tema.
O parlamentar fez esta declaração ontem em Havana, aonde chegou no
quadro de uma delegação, procedente de Bruxelas, a fim de participar do
foro internacional de economistas. Josep Borrel opina que a alteração da
situação em Cuba em vista da eleição de Raul Castro para o supremo
posto estatal abre oportunidades novas para a colaboração multilateral
entre a União Européia e esta república caribenha, e que é preciso utilizar
imediatamente estas oportunidades. Esta opinião predomina hoje na
União Européia, o que foi confirmado também pelo comissário europeu
Louis Michel. Dentro de poucos dias ele também deve vir à capital cubana
para encetar conversações sobre o estabelecimento do diálogo político
construtivo e relações econômicas mais estreitas entre a União Européia e
Havana.
O fato de a União Européia ter sido representada agora nesta ilha por um
político espanhol não é casual. Depois da vitória da revolução cubana
Madrid jamais rompeu relações diplomáticas com Cuba, mesmo na época
do franquismo, e inclusive manteve uma cooperação econômico-comercial
ativa com este país, apesar das proibições por parte dos EUA. Os
espanhóis deram uma contribuição especialmente ponderável para o
desenvolvimento do turismo internacional – setor da economia que
proporciona os maiores lucros a Cuba.
Aliás, há quatro anos no relacionamento entre a União Européia e Cuba
houve, - e precisamente devido à pressão por parte de Madrid, - um
período de recessão. Foi um resultado da política do chefe do governo
conservador da Espanha naquela época José Maria Asnar. Ele acusou as
autoridades da ilha da violação dos direitos do homem e insistiu em que a
União Européia adotasse sanções com vista a limitar os vínculos, - já
estabelecidos, - em mais diversos setores, incluindo a cultura. Depois da
vitória dos socialistas o novo gabinete espanhol assumiu a iniciativa de
“descongelamento” de contatos de negócios em vista do agravamento da
situação economica na ilha. Foi o ministro das relações exteriores Miguel
Angel Moratinos quem obteve os maiores êxitos na superação da antiga
desconfiança tendo visitado no ano passado Havana a fim de restabelecer
a antiga confiança entre as partes e aumentar o intercambio econômico e
comercial. Os lideres da União Européia pretendem discutir a
normalização definitiva das relações em junho. Josep Borrel não quis
antecipar a decisão coletiva dos seus parceiros, mas, mesmo assim,
constatou: o próprio fato de que personalidades influentes da União
Européia começam a visitar Havana vem a comprovar que o isolamento
temporário está prestes a terminar e vem a época de ajuda ao
desenvolvimento de Cuba.
E mais um pormenor. O primeiro visitante estrangeiro, recebido por Raul
Castro, foi o cardeal Tarcisio Bertone, segunda em importância
personalidade do Vaticano, depois do papa. O cardeal declarou que o
Vaticano respeita a soberania de Cuba e não pretende imiscuir-se nos
seus assuntos internos. O cardeal qualificou a continuação do bloqueio
econômico da ilha por parte dos EUA de “opressão do povo cubano e
violência da sua independência”. A imprensa de Madrid informou hoje que
na véspera da viagem o cardeal tinha solicitado conselhos e informações
necessários precisamente ao governo da Espanha, que conhece melhor do
que outros a situação em Cuba.