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O Amor de Deus pelo Homem Caído

John Wesley

'Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um
morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só
homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos'. (Romanos 5:15)

1. Quão excessivamente comum, e quão cruel é o clamor contra nosso


primeiro pai pelo dano que ele não apenas trouxe sobre si mesmo, mas impôs sobre
suas últimas posteridades! Foi devida sua rebelião obstinada contra Deus que 'o
pecado entrou no mundo'. 'Pela desobediência de um homem', como observa o
Apóstolo, muitos 'foram feitos', ou constituídos, 'pecadores': Desprovidos, não apenas
do favor de Deus, mas também de sua imagem; de toda virtude, retidão, e santidade
verdadeira; e sucumbiram, parcialmente, através da imagem do diabo, -- do orgulho,
malícia, e todos os outros temperamentos demoníacos; parcialmente, da imagem do
bruto, estando sob o domínio das paixões brutais e apetites humilhantes. Por meio
disto, também, a morte entrou no mundo, com todos os seus precursores e atendentes,
-- dor, doença, e toda uma série de dificuldade, assim como paixões e temperamentos
pecaminosos.

2. Assim sendo, tem ecoado, de geração em geração, que, 'por tudo isto, nós
só temos a agradecer a Adão'. A mesma responsabilidade lhe sendo imputada, em
todas as épocas, e em todas as nações, onde os oráculos de Deus são conhecidos; nas
quais, tão somente este grande e importante evento tem sido descoberto pelos filhos
dos homens. Será que seu coração, e provavelmente os seus lábios, também não se
juntaram na responsabilidade geral? Quão poucos existem que acreditam na relação
bíblica do homem caído, e que não têm nutrido o mesmo pensamento com respeito ao
nosso primeiro pai, condenando severamente aquele que, através de desobediência
obstinada ao único comando de seu Criador, trouxe para o mundo a morte e toda as
nossas aflições!

3. Seria bom que a responsabilidade ficasse por aqui. Mas ela certamente não
fica. Não se pode negar que ela freqüentemente lança-se de Adão, para seu Criador.
Por acaso milhares desses que são chamados cristãos, não tiveram a liberdade de
chamar a misericórdia de Deus, se não, Sua justiça também, para o questionamento
desta mesma responsabilidade? De fato, alguns têm feito isto um pouco mais
modestamente; de uma maneira oblíqua e indireta; mas outros têm arrancado a
máscara e perguntado: 'Será Deus não previu que Adão abusaria de sua liberdade?
Ele não sabia das conseqüências danosas que isto deveria ter naturalmente sobre
toda sua posteridade?Por que, então, Ele permitiu esta desobediência? Não seria
mais fácil ao Altíssimo tê-la impedido?' – Ele certamente previu o todo. Isto não pode
ser negado. Porque 'conhecidas são para Deus todas as suas obras, desde o começo
do mundo'; antes, desde toda a eternidade, como as palavras propriamente significam.
E estava indubitavelmente em seu poder impedir isto; porque Ele tem todo o poder
sobre os céus e a terra. Mas, ao mesmo tempo, ele sabia que seria melhor impedir. Ele
sabia que 'a transgressão não é como o dom gratuito'; que o mal resultante do
primeiro, não seria como o bem resultante do segundo, -- não seria merecedor de ser
comparado a ele. Ele sabia que permitir a queda do primeiro homem seria muito
melhor para a humanidade em geral; porque o bem seria abundantemente maior do
que o mal que poderia advir para a posteridade de Adão, através de sua queda; que se
o pecado abundasse'; ainda assim, a graça 'abundaria muito mais'; sim, e esta a cada
indivíduo da raça humana, a menos que fosse de sua própria escolha.

4. É muito estranho que dificilmente alguma coisa tenha sido escrita, ou pelo
menos, publicada sobre este assunto; mais ainda, que ele tenha sido tão pouco
avaliado ou entendido pela generalidade dos cristãos, especialmente considerando que
não se trata de assunto de mera curiosidade, mas de uma verdade da mais profunda
importância; sendo impossível, sobre qualquer outro princípio, afirmar a Providência
graciosa, e justificar os caminhos de Deus para com os seres humanos; e
considerando, com isto, quão clara é esta importante verdade para todos os
inquiridores conscientes e sinceros. Possa o Amante dos homens abrir os olhos de
nosso entendimento, para que possamos perceber claramente que, pela queda de
Adão, a humanidade em geral, adquiriu a capacidade:

I. Em Primeiro Lugar, de ser mais santa e mais feliz sobre a terra;


II. Em Segundo Lugar, de ser mais feliz no céu, do que, de outro modo,
ela poderia ter sido!

1. Em Primeiro Lugar, através da queda de Adão, a humanidade em geral


adquiriu a capacidade de obter mais santidade e felicidade na terra, do que teria sido
possível para eles, se Adão não tivesse caído. Porque se Adão não tivesse caído, Cristo
não teria morrido. Nada pode ser mais claro do que isto; nada mais inegável: Quanto
mais completamente nós consideramos o ponto, mais profundamente nos
convencemos disto. A menos que todos os participantes da natureza humana tivessem
recebido aquela ofensa mortal em Adão, não teria sido necessário para o Filho de
Deus tomar nossa natureza sobre Ele. Você não vê que esta foi a mesma razão de sua
vinda para o mundo? 'Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e
pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens; por isso,
todos pecaram'. (Romanos 5:12). Não foi para remediar esta mesma coisa que 'A
Palavra se fez carne', que 'como em Adão todos morreram, então, em Cristo, todos'
deverão 'viver?'. Se 'pela desobediência de um, muitos se tornaram pecadores; então,
pela obediência de um, muitos foram feitos justos' (Romanos 5:19). Assim, não
haveria lugar para aquela maravilhosa manifestação do amor do Filho de Deus para
com a humanidade: Não haveria oportunidade para sua 'obediência à morte; até
mesmo, à morte na cruz'. Não poderia, então, ter sido dito, para o espanto de todos os
anfitriões do céu, 'Deus amou o mundo', sim, o mundo pecaminoso, que não tinha
pensamento ou desejo de retornar a Ele, 'que deu seu Filho'; Filho do seu seio; seu
Unigênito, 'para que, quem quer que nele creia, não pereça, mas tenha a vida eterna'.
Nem nós poderíamos, então, ter dito: 'Deus estava em Cristo, reconciliando o mundo
para Si mesmo'; ou que ele 'o fez para ser pecado', ou seja, uma oferenda do pecado,
'por nós, quem não conheceu o pecado, para que nós pudéssemos ser feitos à retidão
de Deus, através Dele'. Não teria havido tal oportunidade para 'um Advogado com o
Pai', como 'Jesus Cristo, o reto'; nem para Ele se apresentar 'à direita de Deus, para
interceder por nós'.
2. Qual seria a conseqüência necessária disto? Seria esta: Não haveria tal coisa
como a fé em Deus, amando o mundo, dando seu único Filho por nós, seres humanos,
e para nossa salvação. Não haveria tal coisa como a fé no Filho de Deus; 'amando-
nos, e dando a si mesmo por nós'. Não haveria fé no Espírito Santo, renovando a
imagem de Deus em nossos corações; erguendo-nos da morte do pecado para a vida
de retidão. Na verdade, o privilégio total da justificação, através da fé não teria
existência; não poderia haver a redenção no sangue de Cristo; nem Cristo teria sido
'feito de Deus, junto a nós; assim como 'a sabedoria, retidão, santificação' ou
'redenção'.

3. E o mesmo grande vazio que estava em nossa fé, deveria estar igualmente
em nosso amor. Nós poderíamos ter amado o Autor de nossa existência, o Pai dos
anjos e homens, como nosso Criador e Preservador. Nós poderíamos ter dito, 'Ó
Senhor, nosso Governador, quão excelente é Teu nome em toda a terra! – Mas nós não
poderíamos tê-lo amado, debaixo de uma relação mais próxima e mais querida, --
quanto à de nos ter entregue seu Filho por nós todos.

Nós poderíamos ter amado o Filho de Deus, como sendo 'o esplendor da
glória do Pai; a imagem expressa de sua pessoa'; (embora este alicerce pareça
pertencer, antes, aos habitantes do céu do que aos da terra); mas nós não poderíamos
tê-lo amado quando Ele 'carregou nossos pecados sobre seu corpo no madeiro', e 'por
aquela oferenda de si mesmo, fez, de uma só vez, um sacrifício completo pelos
pecados de todo o mundo'. Nós não poderíamos ter sido 'confortados por sua morte',
nem 'conhecido o poder de sua ressurreição'.

Nós não poderíamos ter amado o Espírito Santo, por nos ter revelado ao Pai e
ao Filho; por ter aberto os olhos de nosso entendimento; nos tirando da escuridão,
para sua maravilhosa luz; renovando a imagem de Deus em nossas almas; e nos
selando para o dia da redenção. De maneira que, na verdade, 'a religião pura e
imaculada', que está agora 'aos olhos de Deus, até mesmo do Pai', e não do homem
falível, não teria, então, existido; visto que ela depende totalmente desses grandes
princípios – 'Pela graça vocês são salvos, através da fé', e, 'Jesus Cristo é de Deus,
feito, junto a nós, sabedoria, retidão, santificação e redenção'.

4. Nós constamos, então, a vantagem inexplicável que nós obtivemos da queda


de nosso primeiro antepassado, com respeito à fé; -- Fé em Deus, o Pai, que não
poupou seu próprio Filho, seu único Filho, mas 'o feriu por nossas transgressões', e
'afligiu por nossas iniqüidades': e, em Deus, o Filho, que despejou de sua alma por
nós transgressores, e nos lavou em Seu sangue. Nós vemos a vantagem que deriva
disto, com respeito ao amor de Deus – de Deus, o Pai, e de Deus, o Filho. O principal
fundamento deste amor, por quanto tempo ele permanecer no corpo, é declarado
claramente pelo Apóstolo: 'Nós O amamos, porque Ele primeiro nos amou'. Mas o
maior exemplo de seu amor nunca teria sido dado, se Adão não tivesse caído.

5. E mesmo nossa fé, em Deus, o Pai, e no Filho, não receberia um


crescimento inexplicável, se não fosse por este grande evento; assim como, nosso
amor pelo Pai e Filho; também o amor ao nosso próximo; nossa benevolência para
com toda humanidade, que não poderia crescer na mesma proporção que nossa fé e
amor a Deus. Porque quem não apreende a força daquela inferência traçada pelo
Apóstolo amoroso: 'Amados, se Deus nos amou tanto assim, nós não devemos
também amar uns aos outros?'. Se Deus, ASSIM, nos amou, -- observe o estresse do
argumento colocado neste mesmo ponto: ASSIM, nos amou, de maneira a entregar
seu único Filho para morrer uma morte abominável pela nossa salvação. Amados, que
tipo de amor é este, com o qual Deus tem nos amado; de modo a dar seu único Filho,
na glória igual com o Pai, em Majestade co-eterna? Que tipo de amor é este, em que o
Unigênito Filho de Deus tem nos amado, de maneira a esvaziar-se, tanto quanto
possível, de sua Divindade eterna; de modo a precipitar-se daquela glória que ele
tinha com o Pai, antes que o mundo fosse criado; e tomar sobre si, a forma de um
servo, e se transformar em homem; e, então, humilhar-se ainda mais, 'sendo obediente
à morte, até mesmo, à morte na cruz!'. Se Deus, ASSIM, nos amou, quanto mais nós
devemos amar uns aos outros! Mas este motivo para amar fraternalmente não
existiria, se Adão não tivesse caído. Conseqüentemente, nós não poderíamos, então,
ter amado uns aos outros, em tão alto grau, como nós podemos fazê-lo agora. Nem
poderia ter existido aquela altura e profundidade no mandamento de nosso amado
Senhor: 'Como eu os tenho amado; Assim, amem uns aos outros'.

6. Através da queda de Adão, nós podemos ser tais beneficiários, no que


concerne ao amor de Deus e ao nosso próximo. Mas existe um outro grande ponto, o
qual, embora pouco advertido a respeito, merece nossa mais profunda consideração.
Por este único ato de nosso primeiro pai, não apenas 'o pecado entrou no mundo', mas
a dor também, e não foi semelhante à justiça, mas a inexprimível bondade de Deus.
Porque quanto mais maravilhas Ele continuamente nos trouxe deste mal! Quanto mais
santidade e felicidade dessa dor!

7. Quão inumeráveis são os benefícios que Deus transmite para os filhos dos
homens, através do canal de sofrimentos! – de maneira que se poderia dizer: O que
são denominadas aflições, na língua dos homens, na linguagem de Deus denominam-
se bênçãos'. De fato, não houvesse sofrimento no mundo, uma considerável parte da
religião; sim, em alguns aspectos, a parte mais excelente, não teria lugar nele; uma
vez que mesmo a existência dela depende de nosso sofrimento; de modo que não
houvesse sofrimento, ela não teria existido. Partindo desta fundamentação, até mesmo
nosso sofrimento, sobre o qual toda nossa graça passível está construída; sim, a mais
nobre de todas as graças cristãs, -- o amor suportando todas as coisas. Aqui está o
alicerce para a resignação com Deus, nos capacitando a dizer de todo nosso coração,
em todas as nossas horas de provação: 'É o Senhor: Que Ele faça o que lhe parece
bom': 'Devemos receber o bem das mãos do Senhor, e não devemos receber o mal!'. E
que gloriosa demonstração é esta! Ela não constrange, até mesmo, o céu a clamar:
'Veja um espetáculo merecedor de Deus'; um bom homem lutando com a adversidade,
e sendo superior a ela. Aqui está o alicerce para a confiança em Deus, tanto com
respeito ao que nós sentimos, quanto com respeito ao que nós devemos temer, não
estivesse nossa alma calmamente fixada Nele. Que espaço poderia haver para a
confiança em Deus, se não houvesse tal coisa como dor ou perigo? Quem não diria,
então, 'O cálice que meu Pai me deu, eu não deverei beber?'. É com os sofrimentos
que nossa fé é testada, e, portanto, feita mais aceitável para Deus. É no dia da
dificuldade que temos oportunidade de dizer: 'Embora Ele me mate, ainda assim,
confiarei Nele'. E isto é bem agradável a Deus, que nós possamos reconhecê-lo, em
face do perigo: em desafio da tristeza, doença, dor, ou morte.

8. Novamente: Não tivesse existido o mal natural ou moral no mundo, o que


teria sido feito da paciência, humildade, gentileza, longanimidade? É manifesto que
não teriam existência; vendo que todas essas seriam noviças aos seus objetos. Se,
portanto, o mal não tivesse entrado no mundo, nem esses caracteres do temperamento
teriam lugar nele. A quem se pagaria o mal com o bem, se não houvesse quem fizesse
o mal no universo? Como seria possível, supondo-se que fosse assim, 'sobrepujar o
mal com o bem?'. Mas você poderá dizer: 'Mas todas essas graças não teriam sido
introduzidas divinamente nos corações dos homens?'. Sem dúvida, que teriam: mas se
elas tivessem, elas não teriam uso ou exercício para elas. Enquanto que, no estado
presente das coisas, nós nunca necessitaremos de oportunidade para exercitá-las: E
quanto mais elas são exercitadas, mais todas as nossas graças são fortalecidas e
aumentadas. E, na mesma proporção que nossa resignação, nossa confiança em Deus,
nossa paciência e fortaleza, nossa humildade, gentileza, e longanimidade, juntas com
nossa fé, e o amor de Deus e homem, aumentam, nossa felicidade deve aumentar,
mesmo no mundo presente.

9. E ainda: Como a permissão de Deus para a queda de Adão deu, a toda sua
posteridade, milhares de oportunidades de sofrimento, e, por meio disto, exercitando
todas as graças passiva que aumentam tanto a sua santidade quanto felicidade; então,
forneceu a eles a oportunidade de fazer o bem em inumeráveis instâncias; de
exercitarem a si mesmos em várias boas obras que, de outro modo, não teriam
existido. E que esforço de benevolência, de compaixão, de misericórdia divina, teria
sido, então, impedida totalmente! Quem poderia, assim, ter dito ao Amante dos
homens: 'todas as alegrias do mundo são menores, do que aquela de praticar a
bondade'.

Certamente, 'mantendo este mandamento', se nenhum outro, 'existe grande


recompensa'. 'Quando tivermos tempo, façamos o bem a todos os homens'; bem de
todos os tipos, e em todos os níveis. Assim sendo, quanto mais bem fazemos (outras
circunstâncias sendo iguais) mais felizes podemos ser. Quanto mais compartilhamos
nosso pão com o faminto, e cobrimos o nu, com vestimentas, -- quanto mais aliviamos
o estranho, e visitamos aqueles que estão doentes ou na prisão, -- quanto mais tipos de
serviços nós fazemos àqueles que gemem, sob os vários males da vida humana, --
mais conforto recebemos, até mesmo, no mundo presente, maior a recompensa que
temos em nosso próprio seio.

10. Para resumir o que tem sido dito sob este assunto: Quanto mais santos, nós
somos sobre a terra, mais felizes podemos ser; (vendo que existe uma ligação
inseparável entre santidade e felicidade); quanto mais bem fazemos aos outros, mais
recompensa presente resulta de nosso próprio âmago; até mesmo, nossos sofrimentos
por causa de Deus nos conduz a nos regozijarmos Nele, 'com alegria inexplicável e
cheios de glória'; assim sendo, a queda de Adão, -- Primeiro, por nos dar a
oportunidade de sermos mais santo; segundo, por nos dar a oportunidade de fazermos
inumeráveis boas obras, que, do contrário, não teriam sido feitas; e, em terceiro,
colocando em nosso poder, sofrer por Deus, por meio do qual 'o Espírito da glória e
de Deus repousa sobre nós',-- pode ser de tal vantagem para os filhos dos homens,
mesmo na vida presente, que eles não irão compreender totalmente, até que atenham a
vida eterna.

II
1. Assim, nós devemos nos capacitar para compreendermos completamente,
não apenas as vantagens que resultam, no presente momento, da queda do primeiro
pai, mas as vantagens infinitamente maiores que os filhos dos homens podem colher
dela na eternidade. Com o objetivo de formar alguma concepção disto, nós podemos
lembrar da observação do Apóstolo? Assim como 'uma estrela difere de outra, na
glória, também a ressurreição dos mortos'. As mais gloriosas estrelas
indubitavelmente serão aquelas que são as mais santas, que testemunham mais
daquela imagem de Deus, por meio da qual elas foram criadas; e, as próximas a estas
na glória estarão aquelas que têm sido mais abundantes nas boas obras; e próximas a
estas, aquelas que têm sofrido mais, de acordo com a vontade de Deus. No entanto,
que vantagens, em qualquer um desses aspectos, os filhos de Deus receberão no céu,
porque Deus permitiu a introdução da dor sobre a terra, em conseqüência do pecado!

Através desta oportunidade, eles alcançaram muitos temperamentos santos,


que, de outra forma, não teriam existência; -- resignação para com Deus; confiança
Nele, em tempos de dificuldades e perigo; paciência; humildade; gentileza,
longanimidade, e toda a série de virtudes passivas: E, por causa desta santidade
superior, eles, então, desfrutariam de felicidade superior. Repetindo: Cada um irá,
assim, 'receber sua própria recompensa, de acordo com suas próprias obras'. Mas a
queda fez surgir inumeráveis boas obras, que, de outra forma, não teriam existido; tais
como contribuir para as necessidades dos santos; sim, aliviar o aflito de todas as
formas: e por meio disto, inumeráveis estrelas serão acrescentadas na coroa eterna
deles. Sim, novamente: Haverá uma recompensa abundante no céu para o aflito, assim
como para aquele que faz a vontade de Deus: 'Essas aflições leves, que são por algum
momento, perfazem para nós um mais excedente e eterno peso de glória'. Portanto,
aquele evento que ocasionou a entrada do sofrimento no mundo proporcionou, por
meio disto, um crescimento da glória para toda eternidade, a todos os filhos de Deus.

2. Existe uma vantagem a mais que nós colhemos da queda de Adão, e que não
desmerece nossa atenção. Embora em Adão, todos tenham morrido; por causa de
nosso primeiro pai, todo descendente de Adão; cada um dos filhos do homem deverá
responder por si mesmo a Deus. Parece ser uma conseqüência necessária disto, que, se
ele não tivesse caído; se não tivesse violado uma vez a ordem de Deus, não haveria
oportunidade de seu despertar novamente: não haveria ajuda, mas ele teria perecido
sem reparação. Porque aquela aliança não sabia mostrar misericórdia: A palavra era:
'A alma que pecar, esta deverá morrer'. Agora, quem não iria antes estar nas mesmas
condições que ele está agora, -- debaixo da aliança da misericórdia? Quem desejaria
arriscar toda a eternidade nesta única aposta? Não seria mais infinitamente desejável
estar numa condição em que, embora cercado com enfermidade, ainda assim, não
corremos tal risco desesperado, mas se nós caímos, nós podemos nos levantar
novamente? – onde nós podemos dizer: 'Eu vejo minhas transgressões
abundantemente perdoadas em Cristo. Eu vejo Sua misericórdia se erguer!'

3. Por Cristo! Deixe-me suplicar a cada pessoa séria, uma vez mais, para fixar
sua atenção aqui. Tudo que tem sido dito; e que poderá ser dito sobre esses assuntos,
centrado neste ponto: A queda de Adão produziu a morte de Cristo. Ouça, oh céus; e
dê ouvidos, oh terra! Sim, que a terra e céus concordem; que os anjos se juntem para
celebrarem comigo, o Salvador da humanidade; para adorarmos o Cordeiro todo
conciliador; e darmos graças pelo som do nome de Jesus!
Se Deus tivesse impedido a queda do homem, 'O Verbo' nunca teria sido 'feito
carne'; nem nós teríamos, alguma vez, 'visto sua glória; a glória como a do Unigênito
do Pai'. Esses mistérios nunca teriam sido expostos, 'os quais', até mesmo 'os anjos
desejaram conhecer'. Parece-me que esta consideração supera todo o restante, e nunca
deverá estar fora de nossos pensamentos. A menos que 'o julgamento de um homem
tivesse levado todos os homens à condenação', nem os anjos, nem os homens teriam,
alguma vez, conhecido as riquezas insondáveis de Cristo'.

4. Veja, então, disto tudo, quão pouca razão temos para lamentarmos a queda
de nosso primeiro pai; uma vez que, disto, nós podemos obter tais vantagens
inexplicáveis, ambas no tempo e na eternidade. Veja que pretexto pequeno existe para
questionarmos a misericórdia de Deus, em permitir que aquele evento acontecesse; já
que, neste sentido, a misericórdia, através de graus infinitos, regozija-se sobre o
julgamento. Onde, então, está o homem que pretende culpar a Deus, por não impedir
o pecado de Adão? Nós não deveríamos, preferivelmente, dar graças a Ele, do fundo
de nosso coração, porque nisto está colocado o grande plano da redenção do homem,
abrindo caminho para a gloriosa manifestação de Sua sabedoria, santidade, justiça e
misericórdia? Se, de fato, Deus tivesse ordenado, antes da criação do mundo, que
milhões de homens pudessem habitar no fogo eterno, porque Adão pecou, centenas ou
milhares de anos, antes que eles tivessem uma existência, eu não sei quem poderia
agradecer a Ele por isto, a não ser o diabo e seus anjos: vendo que, nesta suposição,
todos aqueles milhões de espíritos infelizes seriam mergulhados no inferno pelo
pecado de Adão, sem receber qualquer ganho possível disto. Mas, abençoado seja
Deus, que este não seja o caso. Tal decreto nunca existiu. Ao contrário, todo aquele
nascido da mulher pode ser um ganhador inexplicável, por meio disto: E ninguém,
alguma vez, foi, ou será um perdedor, a não ser por sua própria escolha.

5. Vemos aqui uma resposta completa para aquela plausível consideração


sobre a origem do mal, proclamada ao mundo, desde então, e que se supõem ser sem
explicação: Que 'necessariamente resultou da natureza da questão, que Deus não
pôde alterar'. Não se trata, nas palavras doces deste orador, de desculpar a Deus! Não
existe realmente qualquer chance disto, porque Deus respondeu por Si mesmo. Ele
criou o homem à sua própria imagem; um espírito capacitado com entendimento e
liberdade. O homem, abusando desta liberdade, produziu o mal; trouxe o pecado e a
dor para o mundo. Este Deus permitiu, com o objetivo de uma manifestação completa
de sua sabedoria, justiça, e misericórdia, conceder a todos os que fossem recebê-lo
uma felicidade infinitamente maior do que possivelmente poderiam ter obtido, se
Adão não tivesse caído.

6. 'Ó a profundidade das riquezas, ambas da sabedoria e do conhecimento de


Deus!'. Embora milhares de pormenores de 'seus julgamentos e de seus caminhos
sejam insondáveis' a nós, ainda assim, podemos discernir o plano, através do tempo
para a eternidade. 'De acordo com o conselho de sua própria vontade', o plano ele
estabeleceu, antes da criação do mundo; Ele criou o pai de toda humanidade em sua
própria imagem, e permitiu a todos os homens serem feitos pecadores, pela
desobediência daquele único homem, para que, pela obediência de um homem, todos
que recebem o dom livre pudessem ser infinitamente mais santos e felizes para toda a
eternidade.
[Editado por Bob Westfall, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID),
com correções por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

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