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SOBRE A DISSIPAÇÃO

John Wesley

'E digo isto para proveito vosso; não para vos enlaçar, mas para o que é decente e
conveniente, para vos unirdes ao Senhor sem distração alguma'. (I Corintios 7:35)

1. Em quase todas as partes de nossa nação, mais especificamente nas grandes e


populosas cidades, nós ouvimos uma queixa geral, em meio às pessoas sensíveis, do ainda
crescimento da dissipação. Observa-se que ela se difunde mais e mais na corte, na cidade, e
na região. Da menção continuada disto, e das observações também continuas contra ela,
alguém poderia naturalmente imaginar que a palavra tão freqüentemente usada fosse
perfeitamente entendida. Ainda assim, duvida-se que ela seja. Mais do que isto, nós muito
seguramente afirmamos que poucos daqueles que freqüentemente usam o termo
compreendem o que ele significa. Alguma razão para isto, é que, embora ela esteja há muito
entre nós, especialmente desde o tempo do rei Charles II (um dos mortais mais dissolutos
que alguma vez respirou), ainda assim, a palavra não foi de grande permanência. Ela
dificilmente foi ouvida nestes cinqüenta anos; e não muito antes do presente reinado. Até
que foi ultimamente introduzida; e, de tal maneira está em toda a boca, que já se tornou
trivial; tornando-se um dos jargões da moda.

2. Uma outra razão, porque ela pode ser tão pouco entendida é que em meio aos
inúmeros escritores que fervilham ao nosso redor, não existe um (pelo menos a quem eu
tenha visto) que publicou mais do que um panfleto de seis centavos, com respeito a ela. Na
verdade, nós temos um pequeno ensaio em meio aos volumes de ensaios, cujo autor é
pouco conhecido no mundo. E mesmo este está tão longe de chegar ao fundo da questão,
que é apenas um leve relance sobre ela, e não faz mais do que nos dar uma definição de
dissipação (que eu pesquisei minuciosamente), do começo ao fim.

3. Nós estamos acostumados a falar de dissipação, como dizendo respeito,


principalmente, se não totalmente, ao comportamento exterior; à maneira da vida.Mas ela
ocorre dentro, antes que apareça do lado de fora: Ocorre no coração, antes que seja vista na
conversação exterior. Deve existir um espírito dissipado, antes que existe uma maneira
dissipada de vida. Mas o que é a dissipação do espírito? Esta é a primeira e a grande
pergunta.

4. Deus criou todas as coisas por si mesmo; mais especialmente todos os espíritos
inteligentes. (E, de fato, parece que a inteligência, em algum tipo ou grau, é inseparável dos
seres espirituais; que a inteligência é tão essencial aos espíritos quanto a extensão é para a
matéria). Ele fez estes mais diretamente para si mesmo, para que conheçam, amem, e se
regozijem com Ele. Assim como o sol é o centro do sistema solar, então (tanto quanto
podemos comparar as coisas materiais com as coisas espirituais), nós precisamos não ter
escrúpulos para afirmar que Deus é o centro dos espíritos. E por quanto tempo eles estão
unidos a Ele, os espíritos criados estão despreocupados: Eles estão despreocupados por
quanto tempo, e não mais, enquanto eles 'atenderem a Deus, sem distração'.
5. Esta expressão do Apóstolo (não para nos dificultar, no momento, com a
oportunidade específica de seu falar sobre ela) é excessivamente peculiar: A palavra que
nós traduzimos, e que aplicamos, significa literalmente nos colocarmos em uma boa postura
para ouvirmos. E, nisto, Paulo, indubitavelmente, alude à Maria, sentando-se aos pés do
Mestre. (Lucas 10:39) 'Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés
do Senhor, ouvia a sua palavra'. Neste meio tempo, Marta estava impedida com muita
tarefa: estava distraída, dissipada; periespato. Esta é a mesma expressão da qual Paulo toma
a palavra a que nós atribuímos o significado, sem distração.

6. E tanto quanto os pensamentos de Marta serviram dissipados, e a distraíram de


atender as palavras do Senhor, assim, milhares de coisas que ocorrem diariamente estão
aptas a dissiparem nossos pensamentos, e nos distraírem de atender a Sua voz que está
continuamente falando aos nossos corações. Eu quero dizer, a todos que ouvem a Sua voz.
Nós estamos cercados, por todos os lados, com pessoas e coisas que tendem a nos desviar
de nosso centro. Na verdade, toda criatura, se não estivermos continuamente em guarda, irá
nos desviar de nosso Criador. Todo o mundo visível; tudo que vemos, ouvimos, ou
tocamos; todos os objetos, se dos nossos sentidos, ou entendimento, têm uma tendência a
dissipar nossos pensamentos do mundo invisível; e distrair nossas mentes de atender a Ele
que é tanto o Autor, quanto a Finalidade de nossa existência.

7. Isto é mais facilmente feito, porque todos nós, pela natureza, somos ateístas, no
mundo; e isto em tal nível e grau, que requer não menos do que um poder altíssimo para
neutralizar esta tendência de dissipação que está em todo espírito humano, e restaurar a
capacidade de atender a Deus, e nos fixarmos Nele. E isto não pode ser feito até que nós
sejamos novas criaturas; até que sejamos criados de novo em Jesus Cristo; até que o mesmo
poder que fez o mundo nos faça 'limpos de coração, e recriei um espírito reto dentro de
nós'.

8. Mas quem é ele que é assim renovado? É aquele que acredita no nome do Filho
de Deus. Somente aquele que acredita no Senhor Jesus Cristo é assim 'nascido de Deus'. E
é apenas através da fé que ele é 'feito novo em', ou através, 'de Jesus Cristo'; que ele é
restaurado para a imagem de Deus em que ele foi criado, e novamente centrado em Deus;
ou, como o Apóstolo expressa, 'unido ao Senhor, em um só espírito'. Ainda assim, o crente
pode encontrar, em si mesmo, os remanescentes da mente carnal; aquela tendência natural
de confiar nos bens criados; sujeitar-se às coisas visíveis, que, sem cuidado contínuo, irá
deprimir sua alma, e desviá-lo de seu Criador. A este lugar no mundo, os homens que não
conhecem a Deus, nunca irão falhar em se juntarem; algumas vezes com este objetivo, e em
outras, talvez, sem ele: Já que o próprio espírito deles é infeccioso, e insensivelmente muda
os nossos à sua própria semelhança. Assim, nós podemos bem assegurar que o príncipe do
mundo, o diabo, irá assisti-los com todo seu poder. Ele irá trabalhar com todas as suas
forças, e o que é mais perigoso, com todas as suas sutilezas, se, através de algum meio,
puder nos desviar de nossa simplicidade em direção a Cristo; de nossa simples aderência a
Ele; de nossa união com Ele, através de quem nós estamos unidos, em um só espírito, ao
Pai.

9. Mas nada é mais certo do que isto, -- que embora ele possa tentar o mais forte
crente a desistir de sua simplicidade em direção a Cristo, e dispersar seus pensamentos e
desejos em meio aos objetos mundanos; ainda assim, ele não pode forçar, até mesmo, o
mais fraco: porque a graça de Deus é ainda suficiente para ele. A mesma graça que, a
princípio o uniu a Deus é capaz de continuar aquela feliz união, a despeito de todo furor, e
de todas as forças, e de todas as sutilezas do inimigo. Deus nunca deixa a si mesmo, sem
testemunha de que ele tem poder para livrar aqueles que confiam Nele, e tirar toda tentação
que pode assaltá-los, e, assim, tirar esta em particular. Ele tem ainda um pequeno rebanho
que faz isto de fato, 'o atende sem distração'; e que, fundindo-se a Ele com propósito
completo, não está desviado Dele; não, nem por um momento; mas 'regozijam-se sempre
mais, e oram, sem cessar, em tudo dando graças'.

10. Mas, por quanto tempo, qualquer um consinta nesta tentação, por quanto tempo
ela irá se dissipar. A palavra original significa propriamente dispersar-se, ou debandar-se.
Assim, o sol dissipa, ou seja, dispersa as nuvens; o vento dissipa, ou dispersa o pó; e,
através de uma metáfora fácil, nossos pensamentos dissipam-se, quando eles são
irregularmente dispersados, para cima e para baixo. De igual maneira, nossos desejos são
dissipados, quando eles estão afastados de Deus; do próprio centro deles, e dispersos de um
lado para o outro, em meio às coisas pobres, perecíveis, e insatisfatórias do mundo. E, de
fato, pode-se dizer de todo homem que seja um estranho para a graça de Deus, que todas as
suas paixões são dissolutas:

Dispersa sobre todo o mundo afora,


imensuravelmente longe de Deus.

11. Distração, no entender de Paulo, é proximamente associada à dissipação, ou


melhor, é o mesmo que dissipação. Conseqüentemente, atender o Senhor, sem distração, é o
mesmo que atender o Senhor, sem dissipação. Mas, quando quer que a mente seja afastada
de Deus, tanto mais ela é dissipada ou distraída. Dissipação, então, em geral, pode ser
definida como 'o descentralizar a alma de Deus'. E o que quer que descentralize a mente de
Deus, necessariamente, nos dissipa.

12. Disto, nós podemos facilmente aprender qual o significado próprio e direto
daquela expressão comum, -- um homem dissipado. Ele é um homem que está separado de
Deus; que está descentralizado, quer isto seja ocasionado pela correria do trabalho, quer
buscando honra ou promoção, ou através de diversões de apego, e prazeres tolos, assim
chamados, ou por qualquer ninharia sob o sol. O vulgar, na verdade, comumente confina
este caráter àqueles que são violentamente apegados às mulheres, jogos, bebidas; às danças,
corridas, ou às diversões infantis e pobres como a 'caça às raposas e lebres'. Mas ele
igualmente pertence aos tolos sérios que se esquecem de Deus, através de uma atenção
íntima a qualquer um dos empreendimentos mundanos, considerando que estes sejam do
tipo mais distinto ou mais importante. Um homem pode estar tão dissipado de Deus, através
do estudo da matemática ou astronomia, tanto quanto através do apego às cartas ou caça.
Quem quer que habitualmente se descuide da presença e vontade de seu Criador, é um
homem dissipado.

13. Disto, nós podemos igualmente aprender que a vida dissipada não é meramente
a do empoado galanteador, a de um 'petit-maitre', um jogador, um mulherengo, um caçador
de diversões, e de raposas, ou um "cabeça perturbada" de qualquer tipo; mas a vida de um
honrado político, um cavalheiro, ou um negociante, que esteja 'sem Deus no mundo'. De
acordo com isto, uma época dissipada (tal como a presente; talvez, além de todas que
existiram, pelo menos, que estejam registradas na história), é uma época em que Deus está
geralmente esquecido. E a nação dissipada (tal como a Inglaterra é no momento em um
grau superlativo), é a nação, uma vasta maioria que não tem Deus 'em todos os seus
pensamentos'.

14. A conseqüência clara destas observações, é que a dissipação, em um sentido


mais completo, e em um significado mais geral no mundo (o que alguns podem considerar
um paradoxo), é o mesmo que descrença. O nome é novo; mas não a coisa em si,
indubitavelmente quase tão antiga quanto a criação. E esta é, no momento, a glória peculiar
da Inglaterra, em que não se iguala a qualquer outra nação debaixo dos céus. Nós, portanto,
falamos uma verdade inquestionável, quando dizemos que não existe na face da terra, uma
outra nação (pelo menos que eu tenha alguma vez ouvido a respeito) tão completamente
dissipada e descrente; não apenas totalmente 'sem Deus no mundo', mas colocando-se, tão
abertamente, em oposição a Ele. Nunca houve uma época que tenhamos lido na história,
desde Julio César; desde Noé; desde Abraão, em que a dissipação ou descrença prevaleceu
tão amplamente, tanto no nobre e plebeu, quanto no rico e pobre.

15. Mas, ainda assim, abençoado seja Deus! Nem tudo está perdido: Existe aquele
que tem fé, prefere e é devoto a Deus! Existem alguns, eu creio que sete mil; sim, ou dez
vezes mais este número na Inglaterra, que não tem curvado seus joelhos ou seus corações
ao deus deste mundo; que, mantendo-se unidos ao Deus dos céus, não estão afastados,
através da inundação, da torrente geral, e quase universal da dissipação e descrença.

Eles não pensam como o bondoso Crispus, -- 'que nunca tentou nadar contra a
correnteza'. Eles se atrevem a nadar contra ela. Cada um deles pode verdadeiramente dizer:
"Nec me, qui caetera, vincit. Impetus, et rapido contrarius evehor orbi". "Eu me dirijo
contra os movimentos deles; e não recuo, através de toda correnteza do céu". [tradução de
Addison da citação de Ovídio].

Se eles não podem nadar contra a maré, que, pelo menos, dêem testemunho aberto
contra ela. Eles estariam, assim, livrando-se do sangue desses compatriotas descrentes: e
que deve estar sobre as suas próprias cabeças.

16. Mas, através de quais meios nós evitamos sermos levados pela correnteza da
dissipação? Não é difícil para aqueles que crêem que as Escrituras dão uma resposta para
esta questão. Agora, eu realmente creio que a Bíblia seja a Palavra de Deus; e, assim
supondo, eu respondo que "a cura para toda dissipação é 'a fé que é operada pelo amor'".
Se, portanto, você gostaria de se livrar dessa doença pecaminosa, em primeiro lugar,
'continue firme na fé'; naquela fé que traz 'o espírito de adoção, clamando em seu coração,
Aba, Pai'; e, por meio da qual você estará capacitado a testificar: 'a vida que eu agora vivo,
eu vivo pela fé no Filho de Deus; que me amou e deu a si mesmo por mim'. Através desta
fé, você 'vê a Ele que é invisível, e coloca o Senhor sempre diante de você. A seguir,
'edifique-se na mais santa fé, mantendo-se no amor de Deus, esperando pela misericórdia
de nosso Senhor Jesus Cristo na vida eterna'. E por quanto tempo você caminhe por esta
regra, você será superior a toda a dissipação.
17. Quão exatamente isto concorda (embora exista uma diferença na expressão) com
aquela observação do devoto Kempis! 'Simplicidade e pureza são as duas asas que elevam
a alma aos céus. A simplicidade está na intenção. A pureza na afeição'. O que é isto, senão
(na linguagem do Apóstolo) 'a fé simples, operando através do amor?'. Através desta
simplicidade você sempre vê Deus, e através da pureza você O ama. O que é isto, a não ser
(como diz um dos anciãos) 'o olho amoroso da alma fixada em Deus?'. Por quanto tempo,
então, sua alma se coloca desta forma, a dissipação não poderá ter lugar.

18. É com grande bom-senso, portanto, que o grande e bom Bispo Taylor, em sua
'Regras para um Viver e Morrer Santo' (de quem o Bispo Warburton, uma pessoa não muito
inclinada a elogiar, costumava dizer, 'Eu não tenho idéia de um gênio maior na terra do
que o Dr. Jeremy Taylor') estabelece como premissa para todas as suas outras regras aquelas
concernentes à pureza de intenção. E ele não tem autoridade do próprio nosso Senhor para
assim fazer? Aquele que estabelece como máxima universal: 'Se teus olhos forem puros,
todo teu corpo será cheio de luz'. Simplesmente, busque a Deus. Em cada passo que você
der, olhe apenas para Ele. Siga uma única coisa: A felicidade em conhecer, amar e servir a
Deus. Então, tua alma será cheia de luz: Cheia da luz da glória de Deus; do amor glorioso,
brilhando sobre ti, da face de Jesus Cristo.

19. Pode alguma coisa ser de ajuda maior para a santidade universal, do que
continuamente buscar a luz de Sua glória? Não é de se admirar, então, que tantos homens
sábios e bons recomendem o exercício da presença de Deus, a todos os que,
verdadeiramente, desejam ser religiosos. Mas, em fazendo isto, alguns desses homens
santos parecem ter incorrido em um erro: (Particularmente, um excelente escritor de nosso
próprio país, nas suas cartas, concernentes ao "Espírito da Oração"). Eles impõem aos
homens, totalmente inconscientes, e não convencidos do pecado, este exercício, assim que
se convertem; não obstante isto certamente não possa ser feito a princípio, mas
preferivelmente deva ser uma das últimas coisas a serem feitas. Eles deveriam começar
com o arrependimento; o conhecimento de si mesmos, de sua pecaminosidade, culpa, e
impotência. Eles deveriam ser instruídos, a seguir, a buscar a paz com Deus, através do
Senhor Jesus Cristo. Então, serem ensinados a reter o que receberam; e 'caminhar na luz de
seu semblante'; sim, 'caminhar na luz, como Ele está na luz'; sem qualquer escuridão,
afinal; até que 'o sangue de Jesus Cristo os limpe de todos os pecados'.

20. Foi devido à completa convicção da absoluta necessidade que existe de um


cristão colocar o Senhor sempre diante dele, que jovens cavalheiros em Oxford, que, muitos
anos atrás, passavam a maioria das suas noites juntas, com o objetivo de assistirem uns aos
outros, pela sua salvação, colocaram esta questão, em primeiro lugar, em seu esquema de
auto-examinação diária: 'Eu tenho sido simples e reconciliado em tudo que eu digo ou
faço?'. Eu tenho sido simples? – Ou seja, tenho sempre colocado o Senhor diante de mim,
e feito todas as coisas com o simples objetivo de agradá-Lo? – Tenho me lembrado? – ou
seja, rapidamente recolho meus pensamentos dispersos; recuperando minha simplicidade,
se de alguma forma eu me desviei dela, através dos homens, ou demônios, ou do meu
próprio coração pecaminoso? Por estes meios, eles se preservaram da dissipação e foram
capazes de dizer: 'Pela graça de Deus, esta única coisa eu faço: (pelo menos, este é meu
objetivo constante), eu vejo a Deus, eu amo a Deus, eu sirvo a Deus. Eu O glorifico com
meu corpo e com meu espírito'.

21. A mesma coisa parece ser pretendida, através de duas palavras incomuns que são
freqüentemente encontradas nos escritos daqueles homens piedosos que são usualmente
denominados místicos. Eu quero dizer, introversão e extroversão. 'Examinem a si mesmos',
diz Paulo aos Coríntios, e, através deles, aos cristãos, em todas as épocas: 'vocês não sabem
que Cristo estará em vocês, exceto se vocês forem réprobos?'; ou seja, descrentes;
incapazes de sustentarem um teste da palavra de Deus? Agora, o atender a voz de Cristo
dentro de vocês é o que eles denominam de introversão. O desviar os olhos da mente Dele,
para as coisas exteriores, eles chamam de extroversão. Através disto, seus pensamentos
desviam-se de Deus, e vocês estão propriamente dissipados: Não obstante, pela introversão,
vocês podem estar sempre conscientes de sua amorosa presença; vocês continuamente
ouvem atentamente o que quer que agrada ao seu Senhor dizer ao coração de vocês: E, se
vocês ouvem continuamente à sua voz interior, vocês irão se manter longe de toda
dissipação.

22. Por fim, nós podemos aprender disto, qual o julgamento feito, para formar o que
é freqüentemente afirmado em favor da nação inglesa, e da presente época; ou seja, que, em
outros aspectos, a Inglaterra se situa no mesmo nível de outras nações, e a presente época se
situa no mesmo nível que qualquer uma das precedentes. Apenas admite-se que nós
sejamos mais dissipados que nossos vizinhos; e esta época seja mais dissipada do que as
épocas precedentes. Mais do que isto, se nós podemos admitir tal coisa, tudo o mais é
admitido. Admite-se que esta nação é pior do que as nações vizinhas, e que esta época é a
pior, essencialmente pior do que alguma das épocas precedentes. Uma vez que a dissipação
ou descrença é a causa de todos os pecados; de toda iniqüidade; da falta de misericórdia,
injustiça, fraude, perfídia, de todo temperamento demoníaco possível, de toda palavra ou
ação pecaminosa; então, ela, em efeito, abrange todos eles. Quaisquer que sejam as coisas
impuras; quaisquer que sejam as coisas de relato pecaminoso; quaisquer que sejam as
coisas impuras; se existe algum vício; todos estes estão incluídos na descrença, usualmente
denominada dissipação. Que nenhum amante da virtude e da verdade, portanto, diga
alguma palavra em favor deste monstro: Que nenhum amante da humanidade, alguma vez,
abra sua boca para diminuir a culpa dela. Abominem isto, como vocês abominariam o
diabo, de cujo fruto e semelhança ela é! Abominem isto, como vocês poderiam abominar a
extinção de toda virtude, e a prevalência universal de um espírito mundano, sensual e
demoníaco; e fujam dela, como vocês fugiriam (se vocês visem ele aberto diante de vocês)
do lago de fogo queimando com enxofre!

[Editado por Michael Anderson, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID),
com correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

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