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Sobre a Obediência aos Pais

John Wesley
Sermão 96

"Filhos, obedeçam a seus pais, em todas as coisas". (Colossenses 3:20)

1. Tem sido um assunto de controvérsia, por muitos anos, se existem alguns


princípios inatos na mente do homem. Mas, admite-se, de qualquer forma, que se existirem
alguns princípios práticos naturalmente inativos na alma, o de que "devemos honrar nossos
pais", reivindicará esta característica praticamente à frente de qualquer outro. É enumerado,
em meio àqueles princípios universais, pela maioria dos autores antigos, e é
indubitavelmente encontrado, até mesmo, em meio aos selvagens, na maioria das nações
bárbaras. Podemos traçá-lo, através de toda a extensão da Europa e Ásia; através dos
desertos da África, e as florestas da América. E é, nada mais nada menos, observável, na
maioria das nações civilizadas. Assim, foi primeiro, nas partes orientais do mundo, que
foram, por muitas eras, o trono do império, do saber e polidez, assim como da religião.
Assim, foi, mais tarde em todos os estados gregos, e através de todo o Império Romano.
Neste aspecto, é claro, que aqueles que "não têm a lei" escrita, "são a lei em si mesmos",
mostrando que "a obra", a essência, "da lei" deve estar "escrita em seus corações".

2. E onde quer que Deus tenha revelado sua vontade ao homem, esta lei tem sido
uma parte daquela revelação. Aqui tem sido declarado mais uma vez, consideravelmente
ampliado, e reforçado da maneira mais forte. Na revelação judaica, os notórios
transgressores dela eram puníveis com a morte. E esta era uma das leis que nosso
abençoado Senhor não veio destruir, mas cumprir. Assim sendo, ele severamente reprovou
os escribas e fariseus por torná-la nula, através de suas tradições, claramente mostrando que
a obrigação dela estendeu-se por todas as épocas. É a essência disto que Paulo entrega aos
Efésio: (Efésios 6:1) "Filhos, obedeçam seus pais no Senhor"; e novamente naquelas
palavras em Colossenses: "Filhos, obedeçam seus pais em todas as coisas" (Colossenses
3:20).

3. É observável, que o Apóstolo reforça esta obrigação, através de triplo


encorajamento: (1) Aos Efésios ele acrescenta: "porque isto é correto": É um exemplo de
justiça, assim como misericórdia. Não é mais do que a obrigação deles: é o que devemos a
eles, pela própria existência que recebemos deles. (2) "Isto é aceitável ao Senhor"; é
peculiarmente agradável ao grande Pai dos homens e anjos, que possamos prestar honra e
obediência aos pais de nossa carne. (3) é "o primeiro mandamento com promessa"; o
primeiro para cuja execução, a promessa especial está incorporada: "para que possa ser
bom para ti, e para que seus dias possam ser longos na terra que o Senhor teu Deus te
deu". Esta promessa tem sido geralmente entendida para incluir saúde e bênçãos temporais,
assim como vida longa. E nós temos visto inumeráveis provas que ela pertence aos
cristãos, assim como à dispensação judaica: Muitas instâncias notáveis de seu cumprimento
ocorrem até mesmo hoje em dia.

Mas qual é o significado dessas palavras: "Filhos, obedeçam a seus pais em todas
as coisas". Eu me esforçarei, através da assistência de Deus:
I. Explicá-la;

II. Então, aplicá-la.


I

1. Em Primeiro Lugar, eu me esforçarei para explicar essas palavras; e mais


propriamente, porque tão poucas pessoas parecem entendê-las. Olhem ao redor do mundo,
não do mundo ateu, mas do mundo cristão; mais do que isto, da parte Reformada dele;
observem em meio aqueles que têm as Escrituras em suas próprias línguas, e quem existe
nele que parece mesmo ter ouvido isto? Aqui e lá uma criança obedece aos pais por temor,
ou talvez, pela afeição natural. Mas quantas crianças vocês podem encontrar que obedecem
a seus pais e mães do senso da obrigação para com Deus? E quantos pais vocês podem
encontrar que devidamente incutem esta obrigação sobre seus filhos? Eu duvido, mas uma
vasta maioria, tanto de pais quanto de filhos é totalmente ignorante de toda esta obrigação.
Por causa desses, eu a tornarei tão clara quanto eu puder: Mas, ainda assim, estou
totalmente consciente de que aqueles que não estão desejosos de serem convencidos, não
entenderão mais do que eu digo, do que se eu falasse Grego ou Hebraico.

2. Vocês facilmente observação que, por pais, o Apóstolo quer dizer ambos os pais e
mães, quando ele nos apresenta ao Quinto Mandamento, que designa tanto um quanto o
outro. E, como quer que as leis humanas possam variar nisto, a lei de Deus não faz
diferença; mas nos coloca sob a mesma obrigação de obedecer a ambos.

3. Mas, antes que possamos considerar, como devemos obedecer aos nossos pais,
pode ser inquirido, por quanto tempo devemos obedecer a eles. Os filhos devem obedecer,
até que eles corram sozinhos, até que eles vão para a escola, até que possam ler e escrever,
até que eles estejam tão altos quanto seus pais, ou, cheguem à idade da prudência? Mais do
que isto, se eles obedecem apenas [porque eles não podem deixar disto, apenas] porque eles
temem apanhar, ou porque, do contrário, eles não podem conseguir alimento e vestimenta,
qual o proveito de tal obediência? Aqueles somente que obedecem a seus pais, quando eles
podem viver sem eles, e quando eles nem esperam, nem temem alguma coisa deles, devem
ser exaltados por Deus.

4. "Mas um homem idoso, ou uma mulher casada está sob alguma obrigação
adicional de obedecer a seus pais?". Com respeito ao casamento, embora seja verdade que
um homem deva deixar pai e mãe, e se unir a sua esposa; e, pela paridade de razão, ela deva
deixar pai e mãe, e se unir ao seu marido (em conseqüência do que podem existir alguns
casos específicos, em que a obrigação conjugal deve tomar o lugar da filial), ainda assim,
eu não posso aprender, quer das Escrituras ou razão, que o casamento tanto cancela, quanto
diminui a obrigação geral do dever filial. Muito menos, parece que ela é cancelada, ou
mesmo, diminuída, pelo fato de termos vivido vinte e um anos. Eu nunca entendi desta
forma, em meu próprio caso. Quando eu tinha mais de trinta anos, eu me vi, mantendo a
mesma relação para com meu pai, que eu tinha, quando com dez anos de idade. E quando
eu estava entre quarenta e cinqüenta, eu me considerei completamente obrigado a obedecer
a minha mãe, em toda a lei lícita, como eu fazia quando eu era dependente.
5. Mas o que está inserido em: "Filhos, obedeçam a seus pais, em todas as coisas?".
Certamente o primeiro ponto de obediência é fazerem nada que seus pais ou suas mães
proíbem, quer seja grande ou pequeno. Nada é mais claro do que a proibição de um pai que
refreia toda criança conscienciosa; ou seja, exceto se a coisa, proibida é claramente
apreciada por Deus. Nem, na verdade, isto é tudo; o assunto pode ser levado um pouco
mais adiante ainda: Um pai amoroso pode desaprovar totalmente o que ele claramente não
cuida de proibir. Qual é a obrigação de um filho neste caso? Até onde esta desaprovação
deve ser considerada? Se ela for equivalente à proibição ou não, uma pessoa que tivesse
uma consciência nula de ofensa indubitavelmente manter-se-ia no lado seguro, esquivando-
se do que pode, talvez, ser mal. Certamente o caminho mais excelente, e fazer nada que
vocês saibam que seus pais desaprovam. Agir ao contrário parece implicar um grau de
desobediência, que alguém de uma consciência amorosa gostaria de evitar.

6. A segunda coisa inserida nesta direção é: Façam tudo que seus pais ou mães
declaram, seja grande ou pequeno, cuidando que não seja contrário a algum mandamento
de Deus. Aqui Deus deu um poder aos pais, que até mesmo os príncipes soberanos não têm.
O rei da Inglaterra, por exemplo, é um príncipe soberano, ainda assim, ele não tem poder
para ordenar-me a menor coisa, exceto o que a lei do país requeira que eu assim faça; já que
ele não tem poder, a não ser para executar a lei. A vontade do rei não é lei para o súdito.
Mas a vontade dos pais é lei para o filho, que é constrangido pela consciência a se submeter
a ela, a não ser que seja contrária à lei de Deus.

7. É com admirável sabedoria que o Pai dos espíritos deu esta direção, para que a
força dos pais supra a falta de força, e o entendimento dos pais, a falta de entendimento, em
seus filhos, até que eles tenham força e entendimento próprios; assim a vontade dos pais
pode [deve] conduzir aquela de seus filhos, até que eles tenham sabedoria e experiência
para se conduzirem por si mesmos. Esta, portanto, é a primeiríssima coisa que os filhos têm
de aprender, -- que eles devem obedecer a seus pais, submeterem-se à vontade deles, em
todas as coisas. E a isto, eles podem ser habituados, muito antes que eles entendam a razão
dela, e, na verdade, muito antes, que eles sejam capazes de entender alguma coisa dos
princípios da religião. Portanto, Paulo direciona todos os pais a trazerem seus filhos "na
disciplina e doutrina do Senhor". Porque a vontade deles pode ser corrigida pela própria
disciplina, até mesmo, na tenra infância deles; visto que deve ser um tempo considerável
depois, antes que eles sejam capazes de instrução. Este, portanto, é o primeiro ponto de
todos: Dobrem a vontade deles, desde o primeiro alvorecer da razão; e, por habituá-los a
submeterem a vontade deles, os preparem para submeterem-se à vontade do Pai que está
nos céus.

8. Mas quão poucas crianças, nós encontramos, mesmo de seis ou oito anos, que
entendem alguma coisa disto! De fato, como elas entenderiam, isto, se elas não têm quem
as ensine? Seus pais não são completos ignorantes deste assunto, assim como eles? Quem
vocês encontram, mesmo em meio às pessoas religiosas, que têm a menor concepção disto?
Vocês não vêem a prova disto com seus próprios olhos? Vocês não estiveram presentes,
quando um pai ou mãe disse: "Meu filho, faça isto ou aquilo?". A criança, sem qualquer
cerimônia, responde imperiosamente: "Eu não farei". E os pais tranqüilamente passam por
isto, sem qualquer reparo adicional. E ele ou ela não vê que, por esta indulgência cruel, eles
treinam seus filhos, através da clara rebelião contra seus pais, a se rebelarem contra Deus?
Conseqüentemente, eles os treinam para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos!
Será que eles consideraram devidamente que eles não poderiam comer, beber, dormir, até
que tivessem ensinado a eles uma lição melhor, e os feito totalmente temerosos de alguma
vez dar aquela diabólica resposta novamente?

9. Deixem-me raciocinar, um pouco mais, sobre este caso, com seus pais que temem
a Deus. Se vocês temem a Deus, como se atrevem a permitir quer uma criança acima de um
ano diga: "Eu farei", o que vocês proíbem, ou, "Eu não farei", o que vocês ordenam, e siga
impune? Porque vocês não o param, imediatamente, para que ele nunca possa se atrever a
falar desta forma novamente? Vocês não têm compaixão por seu filho? Nenhuma
consideração por sua salvação ou destruição? Vocês permitiriam que ele amaldiçoasse ou
blasfemasse em sua presença, e não tomariam conhecimento disto? Porque a desobediência
é um caminho tão certo para a condenação, quanto amaldiçoar e blasfemar. Pare-o; pare-o
imediatamente, em nome de Deus. "Não poupem a vara e destruam a criança". Se vocês
não têm o coração de um tigre, não entregue seu filho à sua própria vontade, ou seja, ao
diabo. Embora seja dor para você, ainda assim, arranque sua prole dos dentes do leão. Faça
com que seus filhos se submetam, para que eles não possam perecer. Dêem um basta na
vontade deles, para que vocês possam salvar as almas deles.

10. Eu não posso dizer como reforçar este ponto suficientemente. Para fixá-lo em
suas mentes mais fortemente, permitam-me acrescentar parte de uma carta sobre o assunto,
impressa alguns anos atrás: --

“Para formar as mentes das crianças, a primeira coisa a ser feita é vencer a sua
vontade. Informar o entendimento delas, é um trabalho que requer tempo, deve prosseguir,
por graus mais vagarosos; mas o sujeitar a vontade é uma coisa que deve ser feita
imediatamente, e quanto antes, melhor. Porque, negligenciando a correção oportuna, elas
irão adquirir uma teimosia, que dificilmente será alguma vez vencida; e nunca, sem usar
daquela severidade, que poderia ser tão dolorosa para nós, quanto para elas. Portanto, eu
chamo de cruéis os pais que passam por delicados e indulgentes; que permitem que suas
crianças contraiam hábitos, que eles sabem devem ser quebrados posteriormente".

“Eu insisto em vencer as vontades das crianças, logo, porque esse é o único
alicerce para a educação religiosa. Quando isto é completamente feito, então, elas são
capazes de serem governadas pela razão e devoção aos seus pais, até que seu próprio
entendimento traga maturidade”.

“Eu não posso ainda deixar esse assunto de lado. Como a vontade-própria é a raiz
de todo pecado e miséria, então, quem quer que aprecie isto nas crianças, assegura a
posterior mesquinharia e irreligiosidade; e quem quer que supervisione e mortifique isso,
promove a futura felicidade e devoção delas. Isso fica ainda mais evidente, se, além disso,
considerarmos que religião não é nada mais do que fazer a vontade de Deus e não a nossa
própria; que a vontade-própria, sendo um dos grandes impedimentos para a nossa
felicidade temporal e eterna, nenhuma indulgência dela pode ser trivial; nenhuma
negação, improdutiva. Céu ou inferno depende disso apenas”.
“Assim, os pais, que estudam subjugar isto em seus filhos, trabalham junto com
Deus, na salvação de uma alma. Os pais, que favorecem isso, fazem o trabalho do diabo;
tornam a religião impraticável; a salvação inacessível; e fazem tudo que lhes cabe para
condenar seu filho, alma e corpo, para sempre”.

"Isto, portanto, eu não posso deixar de sinceramente repetir, -- anulem as vontades


delas, logo; comecem esta grande obra, antes que elas comecem a correr sozinhas;, antes
que possam falar claramente, ou talvez, falar, afinal. Quaisquer dores que isto custe, vença
a teimosia delas; anulem a vontade, se vocês não gostariam de condenar o filho. Eu
imploro a vocês que não negligenciem isto, não demorem! Portanto: (1) Que a criança, de
um ano de idade, seja ensinada a temer a vara e a chorar suavemente. Com o objetivo
disto, (2) que ela tenha nada pelo que chorar, absolutamente nada, grande ou pequena; ou
vocês desfazem seu próprio trabalho. (3) Em todos os eventos, desde aquela idade, faça-a
fazer como foi ordenado, se vocês a corrigem dez vezes, apresse-se em efetuar isto. Que
ninguém persuada vocês que é crueldade fazer isto; é crueldade não fazer. Anule a vontade
dela agora, e sua alma viverá, e ela provavelmente abençoará vocês por toda a
eternidade!".

[Esta carta foi recebida da mãe do sr. Wesley, dona Suzanna]

11. Do contrário, quão terríveis são as conseqüências daquela maldição delicada,


que permite aos filhos suas próprias vontades; e não dobra seus pescoços desde a sua
infância! É principalmente devido a isto, que tantos pais religiosos trazem seus filhos que
não têm religião, afinal, crianças que, quando crescem, não têm respeito por eles, talvez, os
desprezem, e estão prontos a arrancar-lhes os olhos! Porque isto, se não for porque suas
vontades não foram quebradas à princípio? – porque eles não foram habituados, desde à sua
tenra infância, a obedecer aos seus pais, em todas as coisas, e a submeterem às vontades
deles, assim como à vontade de Deus? – porque eles não foram ensinados desde o primeiro
alvorecer da razão, que a vontade de seus pais era, para eles, a vontade de Deus; que
resistirem a ela era uma rebelião contra Deus, e uma admissão a toda a iniqüidade?

II

1. Isto pode ser suficiente para a explicação do texto? Eu prossigo para a aplicação
dele. E, permita-me, primeiro, aplicar a vocês que são pais, e, como tais, constrangidos a
ensinarem seus filhos. Vocês mesmos conhecem essas coisas? Estão totalmente
convencidos dessas importantes verdades? Vocês as colocaram no coração? E as colocaram
em prática, com respeito aos seus próprios filhos? Vocês os habituaram à disciplina, antes
que eles fossem capazes de instrução? Vocês quebraram a vontade deles, desde a mais tenra
infância deles; e ainda continuam a fazer desta forma; em oposição, tanto à natureza,
quanto ao costume? Vocês explicaram a eles, tão logo o entendimento deles começou a
abrir, as razões de assim procederem? Vocês apontaram a vontade de Deus, como a única
lei de toda a criatura inteligente, e mostraram a eles que é a vontade de Deus que eles
obedecessem a vocês, em todas as coisas? Vocês inculcaram isto, repetidas vezes, até que
eles compreenderam isto perfeitamente? Ó, nunca se esgotem deste trabalho de amor! E seu
trabalho não será sem em vão.
2. E, pelo menos, não os ensine a desobedecerem, recompensando-os pela
desobediência. Lembrem-se que vocês fazem isto todas as vezes que dão a lês alguma
coisa, porque eles choram por ela. E nisto eles são hábeis alunos: Se vocês os recompensa
por chorarem, eles certamente chorarão novamente. De maneira que não haverá fim. Exceto
se você fizer disto uma regra sagrada, dar a eles nada pelo que eles chorarem. E a maneira
mais curta de fazer isto é nunca permitir que eles chorem aos gritos. Treine-os na
obediência, neste mesmo instante, e vocês facilmente os trarão para obedecerem em outras.
Porque vocês então não começariam hoje? Certamente vocês vêem qual é o caminho mais
excelente; o melhor para seu filho, e o melhor para as suas próprias almas. Porque, então,
vocês desobedecem? Porque vocês são uns covardes; porque vocês necessitam de
resolução. E, sem dúvida isto requer [não pequena resolução para começar e insistir nisto.
Isto certamente requer] nenhuma perseverança pequena, mais do que a natureza sempre
deu. Mas a graça de Deus é suficiente para vocês; vocês podem fazer todas as coisas,
através de Cristo que os fortalece. Esta graça é suficiente para dar a vocês diligência, assim
como resolução; do contrário, a indolência será sempre um obstáculo tão grande quanto a
covardia. Porque, sem muitas dores, vocês não podem conquistar. Nada pode ser feito, com
uma mão descuidada; trabalhe; se fatiguem, coloquem linha sobre linha, até que a
perseverança tenha sua obra perfeita.

3. Mas existe um outro obstáculo que é tão amplo quanto difícil de ser subjugado,
assim como a indolência ou a covardia. Ele é chamado de apego, e é usualmente
confundido com amor: Mas quão amplamente diferente dele! É uma coisa detestável; e uma
coisa do tipo mais pernicioso, tendendo a destruir o corpo e alma no inferno! Ó, não dê
chance a ele por mais tempo; não, nem por um momento. Lute contra ele, com todas as suas
forças! Pelo amor de Deus; pelo amor de seus filhos; pelo amor de sua própria alma!

4. Eu tenho uma palavra mais para dizer aos pais; às mães em especial. Se, a
despeito de tudo que o Apóstolo pode dizer, vocês encorajam seus filhos, pelo seu exemplo
de "adornarem-se, com ouro, pérolas, ou vestuário custoso", vocês e eles devem cair no
abismo, juntos. Mas se eles fazem isto, embora vocês mostrem a eles um exemplo melhor,
ainda é culpa de vocês, assim como deles; porque, se vocês não colocaram algum
ornamento em suas crianças pequenas, que vocês não usariam em si mesmas (o que seria
uma distração extrema, e muito mais indesculpável do que colocá-lo em seus próprios
braços ou cabeça), ainda assim, vocês não os habituaram a obedecerem vocês, desde a
infância deles, e os ensinaram a obrigação disto, desde os dois anos de idade. Do contrário,
eles não teriam se atrevido a fazer coisa alguma, grande ou pequena, que fosse contrária à
vontade de vocês. Quando quer, portanto, que eu veja uma filha vestida com ostentação, de
uma mãe vestida de maneira discreta, eu vejo, imediatamente, que a mãe é falha no
conhecimento, tanto quanto na religião. Ou ela é ignorante de sua obrigação, ou da
obrigação de sua filha, ou ela não tem praticado o que conhece.

5. Eu não posso descartas o assunto ainda. Eu sofro continuamente, ao ver pais


religiosos permitirem que seus filhos incorram na mesma extravagância de vestuário, como
se eles não tivessem religião afinal. Em nome de Deus, por que vocês permitem variar o
comprimento do cabelo, por exemplo? "Por que? Eles farão isto?". Eles farão! De quem é
a culpa? Por que vocês não quebraram a vontade deles, desde a sua infância? Pelo menos,
façam isto agora; melhor tarde, do que nunca. Isto deveria ter sido feito, antes que eles
tivessem dois anos de idade. Poderá ser feito aos oito ou nove anos, embora com muito
mais dificuldade. No entanto, façam isto agora; e aceitem esta dificuldade, como a justa
recompensa pela negligência anterior de vocês. Agora, pelo menos, conduzam seu objetivo,
por mais que ele custe. Não sejam dissimulados; não digam como o tolo Eli: "Não, meus
filhos, não é um bom relato que eu ouço de vocês", em vez de restringi-los com uma mão
forte; mas falem (embora tão calmamente quanto possível, ainda assim) firme e
categoricamente: "Eu terei isto"; e farei como você diz. Instile diligentemente neles o amor
ao vestuário simples, e o ódio à ostentação. Mostrem a eles a razão de sua própria
simplicidade no vestirem-se e mostrem que é igualmente razoável a eles. Desafie a
indolência, covardia, afeição tola, e, em todos os eventos, mantenha seu objetivo; se vocês
amam as almas deles, tornem seus filhos exatamente tão simples, quanto vocês mesmos, e
os mantenham nisto. E eu recomendarei vocês, avós, perante Deus, de não obstruírem suas
filhas nisto. Não se atrevam a dar alguma coisa à criança, que a mãe nega. Nunca tomem
parte das crianças, contra seus pais; nunca a envergonhem diante deles. Se vocês não
fortalecem a autoridade dela, como deveria fazer, pelo menos não a enfraqueça; mas, se
vocês têm tanto a consciência ou a piedade restantes, ajudem-na na obra da verdadeira
delicadeza.

6. Agora, me permitam me referir a vocês, filhos; principalmente vocês que são


filhos de pais religiosos. Na verdade, se vocês não têm temor a Deus, diante de seus olhos,
eu não me ocuparei de vocês no momento; mas se vocês têm, se vocês realmente temem a
Deus, e têm um desejo de agradar a ele, vocês desejam entender todos os seus
mandamentos, o quinto em específico. Vocês alguma vez já o entenderam? Vocês agora
entendem qual a obrigação para com seus pais e mães? Vocês sabem, pelo menos,
consideram a extensão daquela obediência a seus pais que Deus requer? "Filhos, obedeçam
a seus pais, em todas as coisas". Nenhuma exceção, a não ser das coisas ilícitas. Vocês têm
praticado seu dever nesta extensão? Vocês fizeram tanto quanto pretenderam?

7. Lidem fielmente com suas próprias almas. Suas consciências estão agora
esclarecidas quanto a este assunto? Vocês não fazem coisa alguma que sabem ser contrária
à vontade quer do seu pai ou sua mãe? Vocês nunca fazem coisa alguma (embora sempre
tão inclinados a isto), que ele ou ela proíbe? Vocês se abstêm de tudo que eles não gostam,
até onde vocês podem em sã consciência? Por outro lado, vocês são cuidadosos para
fazerem o que quer que seus pais ordenem? Vocês estudam e planejam como agradá-los,
tornar suas vidas tão cômodas e prazerosas quanto puderem? Quem quer que vocês sejam
que acrescentam isto ao cuidado geral de agradar a Deus em todas as coisas, abençoado
serão no Senhor! "Teus dias serão longos na terra que o Senhor, teu Deus, deu a ti".

8. Mas quanto a vocês que estão pouco preocupados com respeito a este assunto;
que não consideram uma questão de consciência, obedecerem a seus pais, em todas as
coisas, mas, algumas vezes, obedecerem a eles, como acontece, e algumas vezes, não; que
freqüentemente fazem aquilo que eles proíbem ou desaprovam, e negligenciam o que eles
ordenam a vocês fazerem; suponham que vocês acordem do sono, e que comecem a se
sentir pecadores, e clamem a Deus por misericórdia, é de se surpreender que vocês não
encontrem resposta, enquanto vocês estão sob a culpa do pecado impenitente? Como vocês
podem esperar misericórdia de Deus, antes que vocês obedeçam a seus pais? Mas
suponham que vocês, por um milagre incomum da misericórdia, testaram do amor redentor
de Deus, pode-se esperar, embora vocês tenham fome e sede em busca da retidão, em busca
do amor perfeito de Deus, que vocês alguma vez poderiam obtê-lo; alguma vez, estariam
satisfeitos com isto, enquanto vocês vivem em pecado exterior, na obstinada transgressão
de uma lei conhecida de Deus, na desobediência de seus pais? Não é melhor se
surpreenderem que ele não retirasse o Espírito Santo dele de vocês? Que ele ainda continue
a lutar com vocês, embora vocês continuamente aflijam seu Espírito? Ó, não o aflijam
mais! Pela graça de Deus, obedeçam a eles em todas as coisas, a partir de agora! Tão logo
vocês cheguem em casa, tão logo coloquem seus pés dentro da porta, que vocês comecem
um curso inteiramente novo! Olhem para seus pais, com novos olhos; como representando
seu Pai que está nos céus: Esforcem-se, estudem, regozijem-se para agradar, ajudar,
obedecer a eles, em todas as coisas: Não se comportem meramente como seus filhos, mas
como seus servos, por amor a Cristo, Ó, como vocês poderão amar uns aos outros! De uma
maneira desconhecida anteriormente. Deus abençoará vocês neles, e eles em vocês: Tudo
ao redor sente que Deus está com vocês de verdade. Muitos deverão constatar isto e louvar
a Deus; e os frutos permanecerão, quando ambos, vocês e eles, estiverem hospedados no
seio de Abraão.

[Editado por George Lyons for the Wesley Center for Applied Theology.]

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