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A UNIDADE DO SER DIVINO

John Wesley

“Existe um só Deus” (Marcos 12:32)

1. E como existe um só Deus, então, existe uma só religião e uma só felicidade para
todos os homens. Deus nunca pretendeu que existisse algum mais; e nem é possível que
houvesse. Na verdade, em outro sentido, como o Apóstolo observa: “existem muitos
deuses, e muitos senhores”. Todas as nações pagãs tiveram seus deuses; e muitos, grande
quantidade deles. E geralmente, quanto mais educados eles eram, mais deuses, eles
amontoavam para si mesmos. Mas para nós, a todos que são favorecidos com a revelação
cristã. “existe um só Deus”, que declara de si mesmo: “existe algum Deus, além de mim?
Não existe nenhum; eu não conheço um”.

2. Mas quem pode explorar este Deus à perfeição? Nenhuma das criaturas que ele
criou. Apenas alguns de seus atributos, ele se agradou de revelar a nós em sua palavra.
Conseqüentemente, nós aprendemos que Deus é um Ser eterno. “Sua existência é eterna”,
e continuará eternamente. Como ele sempre existiu, então, ele sempre existirá; como não
houve princípio em sua existência, então, não haverá fim. Universalmente admite-se que
esteja contido em seu próprio nome, Jeová, que o Apóstolo João, portanto traduz: “Ele que
foi, e que é, e que será”. Talvez, fosse apropriado dizer: “Ele é da eternidade para a
eternidade”.

3. Proximamente associada à eternidade de Deus, está sua onipresença. Como ele


existe por toda a duração infinita, então, ele não pode deixar de existir, através do espaço
infinito, de acordo com sua própria indagação, equivalente à mais forte afirmação, -- “Eu
não preencho céus e terra? Diz o Senhor”; (céu e terra no idioma Hebraico, implicando
todo o universo) o que, portanto, de acordo com sua própria declaração, é preenchido com
sua presença.

4. Este Ser único, eterno, onipresente, é igualmente todo-perfeito. Ele tem, de


eternidade a eternidade, todas as perfeições, e infinitamente mais do que alguma vez entrou,
ou poderá entrar no coração do homem conceber; sim, infinitamente mais do que os anjos
no céu podem conceber. Essas perfeições, nós usualmente denominamos de os atributos de
Deus.

5. E ele é onipotente, assim como onipresente; não podem existir limites para seu
poder, mais do que para sua presença. Ele “tem o braço poderoso; forte é sua mão, e forte
é seu pulso direito”. Ele faz o que quer que lhe agrade, nos céus, terra, mar, e em todos os
lugares secretos. Com homens, nós sabemos que muitas coisas são impossíveis, mas não
são, com Deus: Com ele, “todas as coisas são possíveis”. Quando quer que ele deseje fazer
esta presente nele.

6. A onisciência de Deus é uma conseqüência clara e necessária de sua onipresença.


Se ele está em toda parte do universo, ele não pode deixar de conhecer o que quer que
exista, ou seja feito lá; de acordo com as palavras de Tiago: “Conhecidas por Deus, são
todas as suas obras”, e as palavras da própria criatura: “desde o princípio” do mundo; ou
antes, como a frase literalmente implica, “da eternidade”. Seus olhos não estão apenas
“sobre toda a terra, observando o mau e o bom”; mas igualmente sobre toda a criação;
sim, e os caminhos da noite não criada. Existe alguma diferença entre seu conhecimento e
sua sabedoria? Se existir, seu conhecimento não é o termo mais geral (pelo menos, de
acordo com nossas fracas concepções) e sua sabedoria um ramo específico dele; ou seja,
sabendo a finalidade de tudo que existe, e os meios de ajustar isto àquela finalidade?

7. Santidade é outro dos atributos do Altíssimo, todo-poderoso Deus. Ele está


infinitamente distante de todo toque do diabo. Ele “é luz; e nele não existem trevas,
afinal”. Ele é um Deus de justiça e verdade sem mácula; mas acima de tudo, está sua
misericórdia. Isto nós podemos facilmente aprender daquela bela passagem no trigésimo
terceiro e trigésimo quarto capítulos de Êxodo: “E Moisés disse, eu imploro a ti, que me
mostre tua glória. E o Senhor desceu nas nuvens e proclamou o nome do Senhor. -- O
senhor, o Senhor Deus, misericordioso e gracioso, longânime, e abundante em bondade e
verdade, mantendo misericórdia para milhares, e esquecendo a iniqüidade e transgressão e
pecado”.

8. Este Deus é um Espírito; não tendo tal corpo, tais partes, ou paixões, como os
homens têm. Foi a opinião tanto dos antigos judeus, quanto dos antigos cristãos, que Ele
apenas é um Espírito puro, totalmente separado de toda a matéria, considerando que eles
supunham que todos os outros espíritos, até mesmo os mais sublimes anjos, até mesmo
querubins e serafins, habitavam nos veículos materiais, embora de uma substância
excessivamente leve e sutil. Naquele ponto de duração, que a sabedoria infinita de Deus viu
ser mais apropriado, por razões que se ocultam nos abismos de seu próprio entendimento,
não ser sondado por qualquer mente finita, Deus “trouxe à existência todo que existe;”
criou os céus e terra, junto com tudo que eles continham. “Todas as coisas foram criadas
por ele, e sem ele, nada do que foi criado, teria sido”. Ele criou o homem, em específico,
segundo a sua própria imagem, para ser “um retrato de sua própria eternidade”. Quando
ele ergueu o homem do pó da terra, ele soprou nele um espírito imortal. Conseqüentemente,
ele é peculiarmente chamado, “O Pai de nossos espíritos”; sim, “O Pai dos espíritos de
toda a carne”.

9. Ele “criou todas as coisas”, como o sábio observa, “para si mesmo”; “para sua
glória, elas foram criadas”. Não, “como se ele necessitasse de alguma coisa”, vendo que
“ele dá a todos vida, e fôlego, e todas as coisas”. Ele criou todas as coisas para serem
felizes. Ele criou o homem para ser feliz, em Si mesmo. Ele é o próprio centro dos
espíritos; para o qual, todo espírito criado foi feito. Então verdadeiro é aquele bem
conhecido dizer dos antepassados: Fecisti nos ad te: et irrequietum est cor nostrum, donec
requiescat in te: "Tu nos fizeste para ti mesmo; e nosso coração não descansa, até que ele
descanse em ti”.

10. Esta observação nos dá uma clara resposta àquela questão na Reunião de
Catecismo: “Para que finalidade, Deus criou o homem?”. A resposta é: “Para glorificar e
desfrutar dele para sempre”. Isto é indubitavelmente verdadeiro; mas está inteiramente
claro, especialmente para homens de capacidades comuns? A generalidade das pessoas
comuns entende esta expressão: “Para glorificar a Deus?”. Não; não mais do que eles
entendem o Grego. E está completamente acima da capacidade das crianças; para as quais
podemos dificilmente falar claro o suficiente. Agora, este não é o mesmo princípio que
deveria ser inculcado em cada criatura humana, -- “Você é feito para ser feliz em Deus”,
tão logo quanto a razão comece a manifestar-se? Cada pai, tão longo a criança comece a
falar; ou correr sozinha, dizer alguma coisa deste tipo: “Veja! O que é que brilha sobre a
sua cabeça? Isto, nós chamamos de sol. Veja, quão brilhante ele é! Sinta quanto ele o
aquece! Ele faz a grama brotar, e todas as coisas crescerem. Mas Deus criou o sol. O sol
não poderia brilhar, O sol não brilharia, não aqueceria, nem faria bem algum, sem ele”.
Desta maneira clara e familiar, um pai sábio, poderia, muitas vezes no dia, falar alguma
coisa de Deus; particularmente insistindo: ”Ele criou você; e ele criou você para ser feliz
nele; e nada mais pode fazê-lo feliz”. Não podemos impor isto bem cedo. Se você disser:
“Não; mas eles não podem entendê-lo, enquanto tão jovens”. Eu respondo; não; nem
quando eles têm cinqüenta anos, exceto se Deus abrir o entendimento deles. E ele não pode
fazer isto em qualquer idade?

11. Na verdade, isto deveria ser imposto sobre cada criatura humana, jovem ou
idoso, mais sinceramente e diligentemente, porque tão excessivamente poucos, até mesmos
destes que são chamados cristãos, parecem conhecer alguma coisa a respeito disto. Muitos,
na verdade, pensam em ser felizes com Deus no céu, mas serem felizes com Deus na terra,
nunca entrou em seus pensamentos. Nada mais, nada menos, porque, desde que eles vêm ao
mundo, eles são cercados por ídolos. Tais, por sua vez, são todas “as coisas que são
vistas”, (considerando que Deus não é visto) e que todas prometem uma felicidade
independe de Deus. De fato, é verdade que...

Puros de coração e vontade,


Fomos criados por Deus;
Mas transformamos o bem em mal.
E sobre as criaturas desviadas;
Multiplicamos nossos pensamentos errantes,
Que, a princípio, fora fixado em Deus apenas;
Em dez mil objetos, buscou
A bem-aventurança que perdemos em um.

12. Esses ídolos, esses rivais de Deus, são inumeráveis; mas eles podem ser
proximamente reduzidos a três partes: (1) Objetos de sentido; tal como gratificar um ou
mais de nossos sentidos exteriores. Esses estimulam o primeiro tipo de “amor ao mundo”,
que João denomina, “o desejo da carne”. (2) Objetos da imaginação; coisas que gratificam
nossa fantasia, através de sua grandeza, beleza, novidade. Todos esses nos fazem promessas
justas de felicidade, e por meio deles, impedem que a busquemos em Deus. Isto o Apóstolo
denomina, “o desejo dos olhos”, por meio do qual, principalmente, a imaginação é
gratificada. (3) Eles são o que João chama, “o orgulho da vida”. Ele parece significar
honra, riqueza, e o que quer que diretamente tenda a produzir orgulho.

13. Mas suponham que nos precavêssemos contra todos esses, não existem outros
ídolos que não tenhamos necessidade de estarmos apreensivos a respeito; e ídolos, portanto,
mais perigosos, porque não suspeitamos de perigo neles? Porque, devemos ter algum medo
de nossos amigos e parentes; dos carinhos mútuos de maridos e esposas; ou de pais e
filhos? Não devemos ter uma afeição muito terna com relação a eles? Nós não devemos
amá-los a não ser menos do que a Deus? Sim, e não existe uma afeição devida àqueles a
quem Deus tornou proveitosos para nossas almas? Nós não somos ordenados a “estimá-los
grandemente, por amor a eles?” tudo isto é inquestionavelmente verdadeiro; e esta mesma
coisa cria a dificuldade. Quem é suficiente para isto? – ir o suficiente nisto, e não mais
além? – amá-los o suficiente, e não muito? Podemos amar a esposa, filho, amigo, bem o
suficiente, sem amar a criatura mais do que o Criador? Quem é capaz de seguir a
advertência que Paulo dá aos cristãos em Tessalônica? (I Tess. 4: 4-5) “Que cada um de
vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra, Não na paixão da concupiscência,
como os gentios que não conhecem a Deus”.

14. Eu espero que essa significativa passagem (tão estranhamente mascarada em


nossa tradução) seja devidamente considerada: “Que cada um de vocês saibam como
possuir sua eleita”, sua esposa, “na santificação e honra”; de maneira, a nem desonrar a
Deus, nem a si mesmo; nem obstruir, mas promover a santidade. Paulo prossegue: mE en
pathei epithymias, que nós reproduzimos: “não na luxúria da concupiscência”. (O que é
isto? Ela dá ao leitor inglês, nenhuma concepção, afinal`. Pathos significa qualquer afeição
violenta ou impetuosa. Epithymia é desejo. Através das suas palavras, o Apóstolo
indubitavelmente quer dizer, afeições veementes e impetuosas) – “já que os gentios não
conhecem a Deus”, então, podem naturalmente buscar felicidade na criatura.

15. Se, pela graça de Deus, temos evitado ou abandonado todos esses ídolos, existe
um ainda mais perigoso do que todo o restante; ou seja, a religião. Pode facilmente ser
compreendido, que eu quero dizer a falsa religião; ou seja, qualquer religião que não
implique em dar o coração a Deus. Tal é, em primeiro lugar, a religião de opiniões; ou
aquela que é chamada ortodoxia. Nesta armadilha, caem milhares daqueles que professam
defender “a salvação pela fé”; na verdade, todos aqueles que, pela fé, querem dizer apenas
um sistema de opiniões Arminianas ou Calvinistas. Tais como é, em segundo lugar, a
religião das formas; da mera adoração exterior, como quer que seja constantemente
executada; sim, embora atendamos o serviço da igreja, todos os dias, e a Ceia do Senhor,
todo o domingo. Tal é, em terceiro lugar, a religião das obras; do buscar o favor de Deus,
fazendo bem aos homens. Tal é, por fim, a religião do ateísmo; ou seja, toda religião em
que Deus não é colocado como alicerce. Em uma palavra, a religião em que “Deus em
Cristo, reconciliando o mundo junto a si mesmo”, não é o Alfa e ômega, o começo e o fim,
o primeiro e o último ponto.

16. A verdadeira religião significa temperamentos corretos em direção a Deus e ao


homem. Ela é, em duas palavras, gratidão e benevolência; gratidão ao nosso Criador e
supremo Benfeitor, e benevolência aos nossos companheiros. Em outras palavras, é o amar
a Deus, com todo nosso coração, e ao próximo, como a nós mesmos.

17. É em conseqüência de sabermos que Deus nos ama, que amamos a ele, e
amamos ao nosso próximo, como a nós mesmos. Gratidão, em direção a nosso Criador não
pode deixar de produzir benevolência para com nossos companheiros. O amor de Cristo nos
constrange, não apenas a sermos inofensivos, a não fazermos mal ao nosso próximo, mas a
sermos úteis, “zelosos das boas obras”; “sempre que pudermos, fazermos o bem a todos
os homens”; e padrões de toda a verdadeira moralidade genuína; de justiça, misericórdia, e
verdade. Está é a religião, e esta é a felicidade; a felicidade para a qual formos feitos. Isto
começa, quando começamos a conhecer a Deus, pelo ensinamento de seu próprio Espírito.
Tão logo o Pai dos espíritos revela seu Filho, em nossos corações, o Filho revela seu Pai, o
amor de Deus é espalhado por todo nossos corações; então, e não até então, somos felizes.
Somos felizes, primeiro, na conscientização de seu favor, que, na verdade, é melhor do que
a própria vida; em seguida, na constante comunhão com o Pai, e com seu Filho, Jesus
Cristo; então, em todos os temperamentos divinos, que ele forjou em nós, pelo seu Espírito;
novamente, no testemunho de seu Espírito, para que todas as nossas obras agradem a ele; e,
por fim, no testemunho de nosso próprio espírito, para que “na simplicidade, e sinceridade
santa, tenhamos nossa vida no mundo”. Segurando firme nesta liberdade do pecado e
tristeza, em que Cristo nos fez livres, os cristãos verdadeiros “regozijam-se sempre mais;
oram sem cessar, e em tudo dão graças”. E a felicidade deles ainda aumenta, quando eles
“crescem na medida da estatura da plenitude de Cristo”.

18. Mas quão pouca esta religião é praticada, ou mesmo ensinada a respeito, no
mundo cristão. Por outro lado, que razão temos para seguirmos a lamentação de um santo
moribundo (sr. Haliburton da Igreja de St. Andrew, na Escócia); “Ó, senhores, eu temo que
uma espécie de religião racional está mais ou menos prevalecendo em nosso meio; uma
religião que tem nada de Cristo, pertencendo a ela; não; que não tem apenas nada de
Cristo, mas nada de Deus, nela!”. E, de fato, quão geralmente isto prevalece, não apenas
em meio aos professos infiéis, mas também entre aqueles que chamam a si mesmos,
cristãos; que professam acreditar que a Bíblia é a palavra de Deus! Assim, nosso próprio
compatriota, sr. Wollaston, naquela elaborada obra: “A Religião da Natureza Delineada”,
nos presenteia com um sistema completo de religião, sem alguma coisa de Deus, relativo a
ela; sem observar, em algum grau, tanto a revelação judaica, quanto cristã. Assim o sr.
Burlomachi de Gênova, em seu curioso, “Tratado sobre a Lei da Natureza”, não faz uso
da Bíblia, algo mais do se ela nunca a tivesse visto. E assim, o falecido professor
Hutcheson, de Glasgow (um escritor mais estranho do que qualquer um dos outros) está tão
longe de estabelecer virtude, tanto no temor quanto no amor de Deus, que ele
completamente tira Deus fora da questão, não tendo escrúpulos em declarar, em termos
expressos, que uma consideração a Deus é inconsistente com a virtude; de tal maneira que,
se ao fazer uma ação beneficente, você espera Deus recompensá-la, a virtude da ação está
perdida: Não se trata, então, de ação virtuosa, mas, egoísta.

19. Talvez, na verdade, não existam muitos que levem o assunto à tão grande
extensão. Mas quão grande é o número daqueles que, admitindo que a religião consiste em
dois ramos , -- nosso dever para com Deus, e nosso dever para com nosso próximo, --
esquece inteiramente a primeira parte, e toma a segunda, pelo todo, -- pelo completo dever
do homem! Assim, quase todos os homens cultos, ambos na Inglaterra, França, Alemanha;
sim, e todas as regiões civilizadas da Europa, exaltam a humanidade aos céus, como a
própria essência da religião. A isto o grande triunvirato, Rousseau, Voltaire, e David Hume,
têm contribuído com seus trabalhos, não economizando esforços para estabelecer a religião
que se situaria em suas próprias fundações, independente de qualquer revelação que seja;
sim, nem mesmo supondo a existência de um Deus. Assim, deixando a Ele, se ele tem
alguma existência, para si mesmo, eles se certificaram da religião, assim como da felicidade
que não tem relação com Deus, afinal, nem qualquer dependência dele.
20. Não é de se admirar que esta religião fosse se tornar moderna, e espalhar-se
mais e mais amplamente no mundo. Mas chame isto de humanidade, virtude, moralidade,
ou o que lhe agradar, ela não é nem melhor, nem pior do que o ateísmo. Os homens, por
meio dela, obstinadamente e propositadamente separam o que Deus juntou, -- as obrigações
da primeira e da segunda mesa. Ela está separando o amor a nosso próximo, do amor a
Deus. É um caminho plausível de colocar Deus fora do mundo que ele criou. Eles podem
trabalhar, sem ele; e assim tanto desistir dele inteiramente, não o considerando, afinal,
quanto supor que, desde que ele nos deu início às coisas, e colocou um parafuso neste
carrossel, ele não tem se preocupado com essas ninharias, mas deixou que cada coisa
tomasse seu próprio curso.

21. Ao contrário, nós temos a mais completa evidência de que o eterno, onipresente,
todo-poderoso, todo sábio, Espírito, uma vez que ele criou todas as coisas, então, ele
continuamente dirige o que quer que ele criou. Ele governa tudo, não apenas nos limites da
criação, mas através da mais extrema extensão de espaço; não apenas, dentro de um curto
período de tempo, que é medido pela terra e sol, mas de eternidade a eternidade. Nós
sabemos que, assim como toda natureza depende dele, então toda a religião, e toda a
felicidade; e sabemos que quem quer que nos ensine a buscar a felicidade, sem ele, são
monstros, e as pestes da sociedade.

22. Mas, depois de todas as tentativas dos homens cultos e incultos, chegaremos à
conclusão de que, como existe apenas um Deus, então, existe uma só felicidade, e uma só
religião. E ambas se centram em Deus. Tanto através das Escrituras, quanto experiência,
nos certificamos que um homem pecaminoso, e, portanto, um homem infeliz, buscando
descanso e não encontrando, mais cedo ou mais tarde, é convencido de que o pecado é o
alicerce desta miséria; e clama das profundezas a Ele que é capaz de salvar: “Deus, seja
misericordioso comigo, um pecador!”. Não muito tempo antes que ele encontra “redenção
no sangue de Jesus, até mesmo, o perdão dos pecados”. Então, “o Pai revela seu Filho”,
em seu coração; e ele “chama Jesus, Senhor, através do Espírito Santo”. E, então, o amor
de Deus é “espalhado em seu coração, pelo Espírito Santo que é dado a ele”. Deste
princípio, brota a benevolência real, desinteressada a toda a humanidade; tornando-o
humilde, manso, gentil para com todos os homens, fácil de ser solicitado, -- de ser
convencido do que é certo, e persuadido ao que é bom; inviolavelmente paciente, com uma
aquiescência grata, em cada passo de sua adorável providência. Esta é a religião, toda a
mente que estava também em Jesus Cristo. E algum homem tem a insolência ou estupidez
de negar que isto é felicidade; sim, que ela permite mais da felicidade abaixo, do que os
vitoriosos em um triunfo conhecem?

23. Não pode haver dúvida de que deste amor a Deus e ao homem, um modo de
vida adequado se seguirá. Sua “comunicação”, ou seja, discurso “será sempre na graça,
temperado com sal, e adequado para ministrar graça aos ouvintes”. Ele “abrirá” sempre
“sua boca, com sabedoria, e haverá em sua língua, a lei da delicadeza”.
Conseqüentemente, suas palavras afetuosas “destilarão, como o orvalho, e como a chuva,
sobre a erva tenra”. E os homens saberão, que não é apenas ele quem fala, mas o Espírito
do Pai, que fala nele. Suas ações brotarão da mesma fonte de suas palavras; até mesmo, da
abundância de um coração amoroso. E, enquanto todos esses almejam a glória de Deus, e
tendem a este único ponto, o que quer que façam, podem verdadeiramente dizer: --
Finalidade de todas as minhas ações, tu és,
Em todas as coisas eu vejo a ti:
Aceita meu trabalho consagrado agora,
Eu o faço, como se fosse a ti!

24. Aquele, a quem este caráter pertence; e ele apenas, é um cristão. A ele, o único
Espírito eterno, onipresente, todo-perfeito, é o “Alfa e Ômega, o primeiro e o último”; não
seu Criador apenas; mas seu Sustentador, seu Preservador, seu Governador; sim, seu Pai,
seu Salvador, Sanfificador, e Confortador. Este Deus é seu Deus, e seu Tudo, no tempo e na
eternidade. É a benevolência brotando desta raiz que é a religião pura, imaculada. Mas, se
ela for construída sobre qualquer outro alicerce, de nenhum proveito aos olhos de Deus,
então, ela trará nenhuma felicidade real, sólida, permanente para o homem, mas o deixará
ainda como uma criatura pobre, estéril, indigente, e insatisfeita.

25. Que todos, portanto, que desejam agradar a Deus, digne-se a ser ensinado por
Deus, e cuide de caminhar naquele passo que o próprio Deus designou. Tome cuidado de
tomar metade desta religião pelo todo; mas tome ambas as partes dela, juntas. E veja que
você comece onde o próprio Deus começa: “Não tenhas outros deuses perante mim”. Este
não é o primeiro, o próprio nosso Senhor sendo Juiz, assim como o maior, mandamento?
Em Primeiro Lugar, portanto, veja que vocês amem a Deus; em seguida, seu próximo. –
cada filho do homem. Desta fonte, que todo temperamento, toda afeição, toda paixão
procedeu. Assim, que “esteja em vocês” aquela “mente que havia também em Cristo
Jesus”. Que todos os pensamentos, palavras, e ações brotem disto! Assim, vocês
“herdarão o reino, preparado para vocês, desde o começo do mundo”.

Pregado em DUBLIN, 9 de Abril 1789.

[Editado por Carla Joy, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com
correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

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