Classificação das Rochas

Objectivos:  sistematização do conhecimento  reconhecimento da diversidade das rochas e das suas afinidades;  compreensão da génese das rochas

Tendo

em atenção os processos genéticos, consideram-se

3

grupos

fundamentais de rochas: Ígneas, Sedimentares e Metamórficas

1. ROCHAS ÍGNEAS
São rochas formadas a partir da solidificação de magmas. Quando a solidificação se faz em profundidade o arrefecimento do magma é lento permitindo a formação de cristais de dimensão macroscópica; quando o magma atinge a superfície (lava) ou intrui a profundidades reduzidas, o arrefecimento é mais rápido e os minerais cristalizam sob a forma de grãos microscópicos. Nestas duas situações formam-se, respectivamente, rochas ígneas designadas como plutónicas e vulcânicas. Magma: fundido usualmente de natureza silicatada contendo gases dissolvidos e sólidos em suspensão. A sequência de cristalização dos silicatos a partir de um magma está reflectida nas Séries de Reacção de Bowen. O processo de cristalização sequencial, consoante a temperatura de cristalização dos minerais, permite, sob certas condições, a formação de vários tipos de rochas ígneas a partir do mesmo magma inicial.

Composição mineralógica Cristalização fraccionada Rocha plutónica Rocha vulcânica Ol Px Anf Bt Plag Na Mosc Ort Qz Plag Ca gabro (basalto) diorito (andesito) sienito (traquito) granito (riólito) .Temperatura de fusão ~ 1 400º C Olivina (Ol) SÉRIES DE REACÇÃO DE BOWEN Plagioclase cálcica (Anortite) Piroxena (Px) Anfíbola (Anf) Biotite (Bt) Plagioclase sódica (Albite) Moscovite (Mosc) Ortoclase (Ort) ~ 600º C Quartzo (Qz) Critérios de classificação das Rochas Ígneas:  Composição mineralógica  Textura 1.1.

olivinas). Minerais essenciais: caracterizam uma família de rochas. feldspatóides. Quanto à cor:  Rochas leucocratas – cor clara. granito biotítico ou granito de duas micas Minerais acidentais: ocorrem ocasionalmente. dominam os minerais félsicos (0% a 15% de minerais máficos)  Rochas mesocratas – cor intermédia (15% a 40% de minerais máficos)  Rochas melanocratas – cor escura (> 40% minerais máficos). . e. Albite – NaAlSi3O8.g.K)2Al2Si2O8.g.g. Quanto à sílica:  Rochas sobressaturadas – com quartzo  Rochas subsaturadas – sem quartzo e com minerais deficientes em sílica (e. ricos em Fe e Mg Minerais claros densidade > Qz densidade ~ Qz Minerais Máficos Minerais Félsicos Os termos máfico e félsico derivam da composição química (Máfico: Mg e Fe) e da mineralogia (Félsico: feldspato e sílica) e não há correspondência absoluta em termos cromáticos. Note-se que uma anortite. Nefelina – (Na. mas deficientes em sílica. Feldspatóides são silicatos qualitativamente semelhantes aos feldspatos. é escura.g. sendo por definição um mineral Félsico. e.Algumas destas rochas (e. Minerais escuros. não resultando portanto de processos de cristalização fraccionada de magmas resultantes de fusão parcial do manto. granito) podem formar-se por fusão parcial da crusta continental. quartzo e feldspato potássico no Granito Minerais acessórios: podem caracterizar diferentes variantes da mesma rocha.

de processos exógenos de meteorização e erosão de rochas pré-existentes. São exemplos o basalto vesicular. Representam ~ 5% do volume da crosta terrestre (continental e oceânica).  Pegmatítica – minerais muito desenvolvidos (centimétricos a decimétricos) e frequentemente com grande perfeição morfológica. a rocha é constituída por uma pasta vítrea amorfa (obsidiana). cobrem ~ 75% da superfície da crosta terrestre. ROCHAS SEDIMENTARES Formam-se à superfície da Terra e resultam.  Vesicular – rocha com pequenas cavidades (vesículas) de forma variada (tipicamente esferóides).1. 2. a pedra pomes e a escória vulcânica.e. O termo porfiróide é utilizado para granitos. de precipitação química e biogénicas . forma e arranjo dos minerais que constituem as rochas. textura característica das rochas plutónicas (granularidade grosseira.  Porfírica – grandes cristais – fenocristais – dispersos no seio de uma matriz afanítica ou fanerítica de grão fino. Consideram-se 3 grupos fundamentais de rochas sedimentares: detríticas.Textura Diz respeito às dimensões. textura característica das rochas vulcânicas  Vítrea – ausência de minerais. parcialmente preenchidas (textura amigdalóide) ou não por minerais secundários. apresentam-se quase sempre em estratos sobrepostos). portanto. As Rochas Sedimentares representam um conjunto de rochas com constituição e génese muito diversificadas.2. e formam depósitos estratificados (i. textura típica de rochas vulcânicas.  Fanerítica – grãos minerais todos visíveis a olho nu. média ou fina)  Afanítica – grãos minerais não visíveis a olho nú.

004 mm – argilito Os Arenitos podem ainda ser classificados de acordo com os clastos que os constituem:  Grauvaque – cinzento escuro.063 mm < φ <2 mm – arenito 0. O metamorfismo transforma o arenito quártzico em quartzito  Calcarenito – constituído por areias calcárias (geralmente fragmentos de conchas calcárias e corais) agregados por um cimento carbonatado Os clastos numa mesma rocha podem mostrar calibração diversa:  rocha bem calibrada – diâmetro dos clastos pouco variável  rocha mal calibrada – diâmetro dos clastos variável .mineraloclastos  fragmentos de rochas .004 mm < φ <0. constituído por uma mistura de litoclastos e grãos angulosos de quartzo e feldspato.bioclastos Após a deposição de um sedimento (não consolidado e muito poroso). com cimento variado que lhe confere cores também variadas. A classificação das rochas sedimentares detríticas consolidadas faz-se de acordo com a dimensão (φ) dos clastos: φ> 2 mm – conglomerado (se os clastos forem angulosos denomina-se brecha) 0. tipicamente agregados por uma matriz argilosa  Arcose – essencialmente constituído por quartzo e feldspato (> 25 %) agregados por uma matriz argilosa  Arenito quártzico . ocorre a circulação de água rica em elementos químicos que precipitam nos interstícios do sedimento e que vão agregar (cimentar) os clastos.litoclastos  fragmentos de origem orgânica .063 mm – siltito φ < 0. tipicamente bem rolados.constituído por mais de 90% de clastos de quartzo. Rochas detríticas Rochas constituídas por mais de 50% de materiais herdados:  fragmentos de minerais .2.1.

devido à evaporação da água em lagunas confinadas ou em lagos.NaCl). rios. a partir da precipitação de CaCO3. consideram-se vários tipos de chertes: argilas e carbonatos – silex (tons cinzentos). microcristalino. óxidos de ferro – jaspe (tons vermelhos). φ > 2 mm. φ < 2mm. como as estalactites e as estalagmites (travertinos). Formam-se no mesmo tipo de ambiente dos calcários oolíticos. Formam-se em ambientes de elevada energia hidrodinâmica. São rochas constituídas essencialmente por sal-gema (halite . Os depósitos mais comuns na natureza são de 3 tipos:  Evaporíticos (sais/halogenetos) – formam-se principalmente em climas áridos quentes.  Siliciosos (SiO2) – constituídos por sílica de neoformação microcristalina (chertes). Calcário pisolítico – constituído por partículas arredondadas (podem não ser esféricas e podem não ter núcleo). Consoante os materiais que se associam à precipitação da sílica. semelhantes a ervilhas. Este mineral pode precipitar directamente em condições anaeróbicos em lagunas salinas . semelhantes a ovos de peixe. sujeitos a correntes de vai-vem. fibroradiada (calcedónia). Calcário oolítico – constituído por partículas esféricas. Calcário cristalino – corresponde aos calcários com uma textura cristalina uniforme. material carbonoso – Lidito (cor negra). criptocristalina ou amorfa (opala).  Carbonatados (CaCO3) – formam-se em ambientes áridos continentais ou em ambientes marinhos tropicais.2. Rochas de precipitação química Rochas sedimentares constituídas por > 50% de materiais formados por precipitação química directa de compostos a partir de uma solução aquosa (mar. conferindo-lhe cores diversas. como a zona intertidal. lagos. 2H2O).2. nascentes). Em termos macroscópicos podem definir-se os seguintes tipos: Calcário maciço – compacto. silvite (KCl) e gesso (CaSO4 . Resultam da precipitação de camadas concêntricas de CaCO3 em torno de um núcleo. Dolomito – rocha essencialmente constituída por dolomite.

5% de argila (65 . quando sujeitas a condições de pressão (P). 95 – 65% de argila (5 – 35% de carbonato) – calcário margoso. menos de 5% de argila (> 95% de carbonato) . Radiolarito (acumulação de conchas de radiolários). Lumachelas 3.calcário.supersaturadas. 65 – 35 % de argila (35 – 65% de carbonato) – marga. Tal conduz à cristalização de novos minerais e aquisição de texturas particulares relacionadas com o hábito cristalino dos minerais e com as tensões sofridas pelas rochas.95% de argila (podendo ter até 5% de carbonato) – argilito. Rochas Biogénicas Estas rochas podem ser de dois tipos: bioedificadas – resultam da actividade directa de seres vivos.Mg) (CO3)2]. bancos de ostras. no estado sólido. bancos de rudistas  Bioacumuladas siliciosas – Diatomito (acumulação de frústulas de diatomáceas). ou por substituição tardia da calcite por dolomite em calcários por introdução de magnésio [CaCO3 . sedimentares ou metamórficas). metamorfismo oceânico). bioacumuladas – resultam da acumulação.  Bioedificadas – calcários recifais. temperatura (T) e fluidos diferentes das que presidiram à sua génese e das que caracterizam os processos diagenéticos. de rochas pré-existentes (ígneas. Em regra o metamorfismo ocorre sem alteração significativa da composição química global da rocha.calcário margoso. de esqueletos. Estas percentagens podem ser estimadas macroscopicamente mas só podem ser determinadas exactamente no laboratório (calcimetria). conchas.(Ca. sem transporte significativo. ROCHAS METAMÓRFICAS Rochas formadas a partir da transformação. As rochas da família das margas constituem um contínuo de composições entre a dos argilitos e a dos calcários: 100 . etc. 35 .g. Espongólito (acumulação de espículas siliciosas de espongiários)  Bioacumuladas carbonatadas – Calcários conquíferos. A adaptação dos minerais às novas . 2.95% de carbonato) . a menos que haja grande circulação de fluidos (e.3.

basalto). Xistos verdes Anfibolítica Granulítica Xistos azuis Eclogítica Fig. para protólitos de natureza básica( e. A sistematização e a identificação fazem-se portanto recorrendo essencialmente a critérios mineralógicos e texturais. Quanto à textura. A composição mineral da rocha metamórfica define a sua fácies (Fig. A classificação das rochas metamórficas pode basear-se na sua associação mineralógica. e F – ferro. utiliza-se também terminologia baseada na textura. das principais associações minerias típicas das diferentes fácies metamórficas. as rochas metamórficas podem ser classificadas em foliadas e não foliadas. Representação triangular ACF. As . 1). O tipo de minerais que se formam na rocha depende da composição do protólito (rocha original antes da metamorfose). um protólito calcário e um basáltico não dão origem a uma associação mineralógica semelhante. da energia de activação e da quantidade de fluido presente na rocha.g. 1. No entanto. C – cálcio.condições de P e T depende da cinética das reacções. Nas mesmas condições de metamorfismo. A – alumínio.

o talco. Uma sequência muito típica de rochas metamórficas que exibem xistosidade é a que resulta de metamorfismo de rochas pelíticas (argilosas) associado a deformação tectónica:  Argilito (shale) – rocha sedimentar que resulta da evolução diagenética de uma argila por compacção. Na literatura inglesa schist tem conotação com grau metamórfico. phyllite) – rocha francamente xistosa. o que dá origem a uma fissilidade fraca por rotação incompleta das palhetas de argila para o plano perpendicular à compressão máxima  Ardósia (slate) – rocha francamente xistosa. a horneblenda e a grafite. O micaxisto forma-se a partir do xisto luzente por aumento da temperatura  Xisto mosqueado – apresenta minerais desenvolvidos e destacados da matriz (e. a clorite. As rochas metamórficas apresentam muitas vezes uma foliação (fabric planar penetrativo – visível à escala microscópica – presente nas rochas) que se denomina de xistosidade. O xisto luzente forma-se por metamorfismo progressivo da ardósia  Micaxisto (schist) – rocha francamente xistosa. com grãos invisíveis a olho nú (argilas.g. constituído essencialmente por quartzo.foliadas podem apresentar uma textura xistosa ou gnáissica. à semelhança dos fenocristais nas rochas ígneas. de grão médio a grosseiro. O quartzo ocorre frequentemente como grãos que se salientam da matrix xistosa. de grão fino. A ardósia forma-se a partir do argilito por aumento da temperatura  Xisto luzente (filito. estes minerais achatados conferem um brilho acetinado (por vezes dourado) aos planos de xistosidade. Os micaxistos são frequentemente granatíferos. As não foliadas apresentam uma textura granular (semelhante à fanerítica nas rochas ígneas). micas e quartzo). Uma rocha metamórfica que apresenta uma textura foliada ou laminar é genericamente denominada xisto em Português. estaurolite). constituída preponderantemente por minerais lamelares como as micas. a presença deste mineral indica metamorfismo de grau médio a alto . mica branca e clorite.

Um granito deformado a quente por cisalhamento adquire uma foliação muito penetrativa. 2). Podem formarse a partir de rochas sedimentares (paragnaisses) ou de rochas ígneas (ortognaisses) por metamorfismo de grau superior ao da fácies dos xistos verdes. os minerais mais comuns dos gnaisses são o quartzo e o feldspato. mas podendo englobar muitos minerais acessórios dependendo das impurezas originais e do grau metamórfico).g. um aspecto granular semelhante à fanerítica nas rochas ígneas. a composição mineralógica depende da composição química do protólito e da temperatura). Dependendo dos minerais acessórios. São exemplos de rochas granoblásticas alguns quartzitos (constituídos quase exclusivamente por quartzo. Nem sempre as rochas metamórficas apresentam foliação. que reflectem composições mineralógicas diferentes.As rochas gnáissicas são foliadas e podem apresentar um bandado grosseiro (segregação metamórfica) onde alternam bandas de côr clara e escura. A este ciclo juntam-se constantemente rochas ígneas cristalizadas a partir de magmas com origem no manto (e. embora o grau metamórfico possa ser tão baixo como o da fácies dos xistos verdes (na presença de fluidos). a maioria das rochas encontra-se num ciclo permanente de transformações (Fig. no entanto. granatífero. o gnaisse pode ser denominado anfibólico. i. do qual se pensa poder derivar). . albítico. acreção nos riftes oceânicos). Num planeta rochoso e dinâmico como a Terra. pelo que vulgarmente se denomina de ortognaisse. resultam da recristalização de um arenito quártzico). podendo apresentar uma textura granoblástica.e. Quando o gnaisse apresenta grandes porfiroclastos (tipicamente feldspato potássico. alguns mármores (constituídos essencialmente por calcite ou dolomite recristalizadas. etc. e muitas das corneanas (rochas de granularidade muito fina. biotítico. A composição mineralógica dos gnaisses depende da composição do protólito. equivalente dos fenocristais nas rochas ígneas) no seio de uma matriz mais fina denomina-se gnaisse ocelado (equivalente da textura porfiróide de alguns granitos. com fractura conchoidal. tipicamente resultantes de metamorfismo de contacto.

Representação esquemática do ciclo das rochas. FCUL. .Fig. 2. Março 2009.

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