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O MUNDO DA LÓGICA FILOSÓFICA

"Embora o termo lógica tenha sido usado em diversas acepções


no decurso da história da filosofia, é possível isolar o seu sentido
preciso através da expressão lógica formal. Ao longo da sua história,
a lógica formal tem-se ocupado da análise de relações entre
proposições com vista a uma definição exacta do conceito de
DEMONSTRAÇÃO e, já mais recentemente, de conceitos afins, como
refutação, compatibilidade e confirmação, os quais em princípio
podem no entanto ser reduzidos ao conceito de demonstração.
Essencial para a caracterização da lógica é o facto de a análise
mencionada ser feita unicamente a partir da forma do raciocínio
expresso sem referência ao conteúdo factual implicado por ele. Esta
distinção tradicional entre forma e conteúdo de um raciocínio é
melhor expressa na possibilidade de a respeito de um raciocínio dado
separar a sua validade dos factos ou da verdade afirmada nele, de
modo que o raciocínio possa vir a ser considerado válido embora as
proposições incorporadas nele possam ser consideradas falsas. É
assim que:
" Se todos os chineses são piromaníacos e Sócrates é chinês, então
Sócrates é piromaníaco" é um raciocínio válido, no que diz respeito à
sua forma, embora sejam falsas todas as proposições que o
compõem.
Um raciocínio é composto por uma ou mais premissas e termina
com uma conclusão. Embora se faça a separação da validade de um
raciocínio da verdade das proposições componentes, há no entanto
uma relação entre os dois conceitos, de validade e verdade, que é
constitutiva de qualquer raciocínio válido: um raciocínio não pode ser
considerado válido se a partir de premissas verdadeiras se chega a
uma conclusão falsa.
Enquanto que as premissas e a conclusão de um raciocínio
podem ser expressas por proposições de uma certa linguagem
natural, de que a língua portuguesa é um exemplo, o estudo das
formas válidas de raciocínio não é o estudo dessa linguagem natural.
Para um desenvolvimento diferenciado desse estudo recorre-se por
isso à construção de linguagens artificiais, representadas no conceito
de LINGUAGEM FORMAL, as quais têm sobre a linguagem natural a
vantagem de reproduzir conspicuamente a forma lógica.
Segundo , toda proposição é uma frase mas nem toda frase é
uma proposição; uma frase é uma proposição apenas quando admite
um dos dois valores lógicos: Falso (F)ou Verdadeiro (V). Exemplos:

1. Frases que não são proposições


Pare!
Quer uma xícara de café?
Eu não estou bem certo se esta cor me agrada
2. Frases que são proposições
A lua é o único satélite do planeta terra (V)
A cidade de Salvador é a capital do estado do Amazonas (F)
O numero 712 é ímpar (F)
Raiz quadrada de dois é um número irracional (V)

Composição de Proposições
É possível construir proposições a partir de proposições já
existentes. Este processo é conhecido por Composição de
Proposições. Suponha que tenhamos duas proposições,

A = "Maria tem 23 anos"


B = "Maria é menor"

Pela legislação corrente de um país fictício, uma pessoa é


considerada de menor idade caso tenha menos que 18 anos, o que
faz com que a proposição B seja F, na interpretação da proposição A
ser V. Vamos a alguns exemplos:

"Maria não tem 23 anos" (nãoA)


"Maria não é menor"(não(B))
"Maria tem 23 anos" e "Maria é menor" (A e B)
"Maria tem 23 anos" ou "Maria é menor" (A ou B)
"Maria não tem 23 anos" e "Maria é menor" (não(A) e B)
"Maria não tem 23 anos" ou "Maria é menor" (não(A) ou B)
"Maria tem 23 anos" ou "Maria não é menor" (A ou não(B))
"Maria tem 23 anos" e "Maria não é menor" (A e não(B))
Se "Maria tem 23 anos" então "Maria é menor" (A => B)
Se "Maria não tem 23 anos" então "Maria é menor" (não(A) =>
B)
"Maria não tem 23 anos" e "Maria é menor" (não(A) e B)
"Maria tem 18 anos" é equivalente a "Maria não é menor" (C
<=> não(B))

Note que, para compor proposições usou-se os símbolos não


(negação), e (conjunção), ou (disjunção), => (implicação) e,
finalmente, <=> (equivalência). São os chamados conectivos
lógicos. Note, também, que usou-se um símbolo para representar
uma proposição: C representa a proposição Maria tem 18 anos.
Assim, não(B) representa Maria não é menor, uma vez que B
representa Maria é menor.

Algumas Leis Fundamentais

Lei do Meio Um proposição é falsa (F) ou verdadeira (V): não há


Excluido meio termo.
Lei da
Uma proposição não pode ser, simultaneamente, V e F.
Contradição
Lei da O valor lógico (V ou F) de uma proposição composta é
Funcionalidade unicamente determinada pelos valores lógicos de suas
proposições constituintes.

Recomenda-se, fortemente, uma leitura da Homepage do


Pensamento Crítico da San Jose State University´s para que você
compreenda melhor a lógica e seu uso. Davide Gries, também, tem
uma homepage interessante. Em sua homepage, há um
link para outra homepage em que ele e Fred B. Schneider, possuem
um texto que vale a pena conferir, pois trata, especificamente, de
uma Introdução ao Ensino da Lógica como Ferramenta. Há uma frase,
no inicio deste texto dizendo que lógica é a cola que gruda os
métodos de raciocínio (Logic is the glue that binds together
methods of reasoning, in all domains).

Tabela-Verdade
A tabela-verdade, como se sabe, é um instrumento eficiente
para a especificação de uma composição de proposições. Abaixo
segue a tabela-verdade dos conectivos aqui tratados,
Negação
~(A), ou -A, ou /A, ou
A
ainda, A'
F V
V F

Conjunç
Disjunç Implicaç Equivalên
ão
AB ão ão cia
A . B, ou
A + B A => B A <=> B
AB
F F F F V V
F VF V V F
V F F V F F
V VV V V V

Alguns destaques das tabelas-verdade tratadas:


A negação, como o próprio nome diz, nega a proposição que
tem como argumento. Tem como símbolo o acento "~" , ~A,ou,
algumas vezes, uma barra sobre a variavel lógica, Ã, ou o sinal "-",
-A, ou o símbolo "/", /A, ou ainda, o sinal "'", A'. Lembre-se que o
símbolo nada mais é que uma simples representação da negação. O
que é relevante é que o significado do símbolo seja explicitamente
declarado. Aqui, os símbolos mais usados para a negação são o sinal
"'", e barra por sobre a variável lógica, A.
O símbolo mais utilizado para a conjunção, em Eletrônica
Digital, é o ponto ".".
O símbolo mais utilizado para a disjunção, em Eletrônica Digital,
é o sinal "+".
A única função da implicação lógica (A => B, onde A é o
antecedente e B é o conseqüente) é afirmar o conseqüente no caso
do antecedente ser verdadeiro. Segundo Quine, a única maneira de
se negar a implicação lógica como um todo é quando isto não ocorre,
isto é, tem-se o antecedente (A) V e o consequente (B) é F. Apenas
neste caso, a implicação (A => B) é F. Em todos os outros casos é V.
A equivalência sempre é V quando os dois argumentos
possuem o mesmo valor lógico (seja, este valor, V ou F).
Use Predicado ao Invés de Proposição
No livro The Science of Programming, Gries extende o conceito
de proposição para contemplar expressões do tipo, x > 2; 6 < y <
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Note que, neste caso, o predicado (ou composição estendida)
somente tem valor lógico V para alguns valores da variável x (há
casos onde nenhum valor de x, no universo considerado, satisfaz um
predicado. Por exemplo: x2 < -29. Considerando, aqui, o universo
como o conjunto dos números reais). No primeiro exemplo, caso
estejamos trabalhando com o conjunto dos números inteiros,
qualquer valor de x superior a 2, satisfaz o predicado.