Você está na página 1de 232

Cris & Ted

Nos Anos da Faculdade

Eu Prometo

Robin Jones Gunn
Título original: I Promisse
Tradução de Cláudia Moraes de Faria Ziller
Editora Betânia, 2005
Digitalizado por deisemat
Revisado por deisemat

Cris & Ted

Nos Anos da Faculdade

Eu Prometo

Robin Jones Gunn

Para Todas as Cris que conheço.

Que suas promessas permaneçam para sempre.

1

Cris abriu os olhos e os fixou na cama vazia que ficava do outro lado do quarto escuro

do alojamento da faculdade. O visor digital do despertador mostrava 5:05h da manhã.

Katie passou a noite fora. Onde será que ela ‘tá?

Levantou-se, acendeu a lâmpada da cabeceira da cama e deu uma olhada para ver se a

colega tinha aparecido e deixado álbum bilhete enquanto ela estava dormindo. Nada.

De repente, Cris se deteve. Seu cérebro, ainda entorpecido àquela hora da manhã,

despertou. Lembrou-se de onde havia estado na noite anterior e de tudo que tinha acontecido.

A cafeteria Ninho da Pomba. Estava todo mundo lá. A turma toda.

Um sorriso tomou conta dos lábios dela enquanto os fatos Lhe voltavam à mente.

Não foi sonho. Ontem à noite Ted me pediu em casamento. E eu aceitei.

Abriu a cortina e fitou a paisagem. Os postes que cercavam o campus da Universidade

Rancho Corona cobriam com luz cinza-azulada o mundo por fora da janela. As palmeiras

perfiladas permaneciam em silêncio respeitoso, aguardando que o sopro familiar do vento que

vinha do deserto próximo as despertasse. Toda vez que o vento chegava, as palmeiras

dançavam, e alguma coisa dentro de Cris a impelia a acompanhá-las.

Mas hoje o coração dela não precisava ouvir o convite sussurrado pelas palmeiras para

entrar na pista de dança. Por dentro, Cris já estava girando e rodopiando.

Eu e Ted vamos nos casar!

O telefone tocou e Cris pulou para atender.

- Oi, tudo bem? disse uma voz profunda no outro lado da linha. Era a mesma que tinha

ressoado nos doces sonhos dela durante a noite toda.

- Oi, respondeu Cris baixinho, estava mesmo pensando em você.

- Conseguiu dormir?

- Um pouco. Acordei há uns dez minutos. Ted, a noite passada aconteceu mesmo? Você

me pediu em casamento?

- Pedi. E você aceitou, respondeu ele.

- É. Aceitei.

- É. Aceitou.

Cris fechou os olhos. O calor da voz dele a cobriu inteira.

- Passei a noite toda tocando violão, disse Ted. Estou compondo uma música.

- O que seu colega de quarto achou disso? Ou você passou a noite no hall de entrada do

alojamento?

- Só fiquei eu em minha ala. Todo mundo foi passar o Natal em casa.

Cris se lembrou da amiga desaparecida e perguntou:

- Você ouviu Katie comentar alguma coisa ontem sobre ir pra casa?

- Não.

- Achei que ela passaria o fim de semana aqui comigo, mas não apareceu até agora.

- Talvez tenha dormido no quarto da Selena. Ela já fez isso antes, não foi? lembrou Ted.

prevendo que lá fora estaria tão frio quanto parecia.É. nunca sei o que vai acontecer daqui a um minuto. e não conseguia parar de sorrir. Que tal se encontrar comigo na capela pra vermos o Sol nascer? Cris riu ao sentir o brilho da espontaneidade na voz dele. Mas. uma tênue neblina de inverno repousava sobre o solo enquanto Cris atravessava a campina. dava para avistar o Oceano Pacífico da trilha que corria no limite do terreno da universidade. . Cris cruzou o campus da Rancho Corona rumo à capela na beira da escarpa. Ted gostava do cabelo comprido. Soltou-o e balançou a cabeça antes de dar uma rápida escovada nele. Após uma rápida passada pelo banheiro para lavar o rosto e escovar os dentes.Claro. Ela sorriu. Dormira apenas quatro horas e meia. A porta da capela estava aberta. Parou apenas um instante na frente do espelho. Noiva. Vestiu várias camadas de roupa. Estaria enevoado demais para avistar a costa na hora em que o Sol nascesse. O que motivava sua pressa não era a vista do vale. Sei que não deveria me preocupar. Naquela manhã. ela é bem grandinha e pode tomar conta dela mesma. Então é esta a aparência de uma mulher apaixonada. quando se trata de Katie. Nos dias mais claros. Pode ser que ela tenha ido pra lá. . Não fazia a menor diferença para ela. Logo viu Ted ajoelhado no altar. O longo cabelo louro estava preso com um grampo atrás da cabeça. estarei lá daqui a dez minutos. de olhos fechados e a cabeça curvada. . Apaixonada e comprometida. maior se tornava seu sorriso. mas os olhos azul-esverdeados brilhavam cheios de esperança radiante. e Cris entrou no calor gostoso da construção pequena e silenciosa. . Ia se encontrar com seu amado. quanto mais contemplava a si mesma.E o que você vai fazer agora? indagou ele. As bochechas apresentavam um brilho rosado e.

uma oração de agradecimento. Com o coração ainda disparado. disse Ted. estava molhado e exalava o perfume suave do sabonete.Vamos nos casar aqui. curto e louro.O que você acha de irmos tomar o café da manhã? Cris sorriu. e Cris se uniu a ele. . A luz do Sol atravessava a neblina.É lindo demais. não havia necessidade de palavras nem de toques. foi na ponta dos pés até o altar. De mãos dadas. dizendo: “Como quiseres”. Cris percebeu imediatamente que ela não tinha sido a única pessoa a passar a noite sorrindo. Ted falou primeiro. Parecia que a covinha na bochecha direita dele havia se tornado um sinal permanente. tenho o dia todo livre. Ajoelhados naquele lugar. conversando um com o outro. Cris riu: . ou “Que seja de acordo com a tua vontade”. Ted se levantou e estendeu a mão para Cris: . Ajoelhou-se ao lado do Ted. Ted passava com a maior rapidez do estado de espiritualidade intensa para o de fome profunda. De coração para coração. Para os dois isso significava “Amém”. sussurrou Cris. A campina diante deles havia se tornado um mundo encantado. Ele levantou a cabeça. Pediu que Deus dirigisse os passos que ele e Cris dariam e que os orientasse durante os preparativos para o casamento. Ele terminou. . Os olhos se encarregaram da mensagem. . iluminado por minúsculas gotas luminosas. avançando para a campina encantada. Nenhum dos dois falou. . saíram para a manhã fria. Permaneciam em silêncio diante de Deus e um do outro.Claro. falando com Deus.Eu também. De alma para alma. O cabelo dele. como serpentinas estreitas cobertas de purpurina. e seus olhos azuis penetrantes se voltaram para ela.

você vem pelo centro até aqui.Colocamos o arco aqui.É. com um vestido branco e algumas flores no cabelo. disse Cris.O que você acha? Dá pra colocar muitas cadeiras. Você vem andando pelo centro.Podemos colocar aqui um arco. Cris assentiu.O. O coração de Cris parecia flutuar.É um lugar bonito pra uma cerimônia noturna.Isso. disse Ted. naquele momento. Em especial naquela manhã. acho que você ‘tá falando de um arco. disse ela. As pessoas sentiriam calor demais aqui numa tarde de verão. . pensou. com gestos amplos. . mas a campina era terreno santo. embaixo de um arco. descreveu a cena que imaginava. . exatamente como qualquer igreja. Ted parecia estar analisando o terreno. Vamos fazer a cerimônia aqui. Ted pulou para um lugar que ficava bem em frente da capela e continuou: . Quando começar a música. Vai ser agora? . Ele soltou a mão dela e. Ted parou e voltou-se para Cris. ou treliça. vamos nos casar aqui. Você pode esperar a hora da cerimônia lá na capela. . .Verão? . .Lindo! Ela presumira que se casaria em uma igreja.k. e eu fico esperando neste lugar. É assim que chama aquele negócio que colocam para os noivos? É redondo em cima e coberto com flores. . . quando os olhos de Ted brilhavam e a névoa tremeluzente de luz celestial salpicava a campina.Estou falando sério.

não dá pra nos casarmos daqui a três semanas! . teremos tempo pra planejar tudo e. não compramos alianças nem mandamos fazer os convites.Eu.Não sei.Você não acha que todo mundo sentiria calor à tarde.Antes? Quanto antes? . Temos os feriados do Natal pra adiantar os preparativos. disse Ted.Você é uma excelente planejadora. você e todo mundo sabemos que isso não é verdade.. . .Certo.. temos a viagem missionária para o México com o grupo de jovens. Todo mundo vai pensar que temos de nos casar. Esqueceu que vamos para o México depois do Natal? E não acabamos de preparar nem a viagem ainda. não há a menor possibilidade de conseguirmos organizar uma cerimônia de casamento em um mês. Preciso encontrar um vestido que me agrade. sem um toldo? Acho que as noites de agosto são muito belas. Cris sentiu o pânico crescer dentro dela.Ted. mas Ted.Ted.Quero me casar antes disso.Não temos. . Cris.. Depois.Temos de preparar tudo! Ainda não temos lugar pra morar. .Por que não? . Você ‘tá pensando em nos casarmos no próximo verão? . . É o que você faz de melhor. . . A voz veio calma e tranquilizadora quando ele estendeu a mão para pegar a dela.. . Até lá nós dois teremos nos formado. O Natal é na semana que vem.Claro. Então o que você acha da terceira semana de Janeiro? Ou a última.Agosto? repetiu Ted. e. É esse o problema? O que as outras pessoas vão pensar? . logo depois da minha formatura. . não. . O que você acha do segundo final de semana de Janeiro? Cris riu. não.

Não.Isso. . Ted esticou o braço e a segurou longe dele. Cedo demais. em uma noite fresca de agosto do ano seguinte. Quero me casar com você. É que eu gostaria que nosso casamento fosse muito especial.Agosto! Ted riu. Mas não agosto. desejo começar nossa vida juntos. Faz sentido? Ted se inclinou e colocou um beijo carinhoso no rosto dela. . . Sua respiração foi voltando ao normal. Continuo achando que o melhor é agosto. se Janeiro não dá. refletindo nas gotículas de orvalho que cobriam o capim. Cris envolveu-o com os braços e descansou a cabeça no ombro dele. Ted. .Tudo bem. não estou preocupada com o que os outros vão pensar. Faz sentido. Cris apertou mais a mão de Ted e se esforçou para acalmar as emoções tumultuadas. preparado com cuidado. Quero estar com você. Ted se afastou para olhar no rosto dela. . Clima perfeito. O Sol já nascera e agora lançava a luz filtrada pela neblina. Imaginava os dois no mesmo lugar em que estavam agora. Você ‘tá tentando me dizer que Janeiro é cedo demais. Você estará quase se formando. . . em que mês você ‘tá pensando? Fevereiro? . Ted percorreu a campina com o olhar. Abril. Cris.Março. transformando-as em .Então. . Oito meses passam voando.Não.Sim. Na Páscoa.A Páscoa é em abril. Que seja abril.Precisamos.Nós dois esperamos. Podemos esperar até agosto. Gostou da idéia de se casarem naquela campina. . Pensamos e oramos durante quase seis anos. sim. Esperamos muito tempo por isso. Não precisamos de oito meses pra preparar um casamento! . Quero ter tempo pra planejar tudo com você e não gostaria de me sentir empurrada às pressas até o altar.

minúsculos diamantes. Parecia que as estrelas haviam caído do céu e espalhado aos pés deles

por toda a campina, criando constelações em miniatura.

Cris observou que Ted levava o queixo para frente e parecia processar tudo com

determinação. Ele era o verdadeiro Sr. Tanto Faz, “cuca fresca” em quase tudo. Meses antes,

dissera a ela que não tinha experiência com festas de aniversário e comemorações familiares.

Estava evidente que sabia ainda menos sobre preparativos para o casamento.

- Acredite em mim, Ted, disse Cris, baixinho, abril é cedo demais.

- É? Bem, e eu digo que agosto é tarde demais. Dá pra encaixar um casamento antes do

verão. Sei que conseguimos.

- Por que encaixar? Por que não esperamos até eu me formar e nos casamos em junho?

perguntou Cris. A campina estará linda em junho.

Ted balançou a cabeça.

- Em junho não dá. Parece que em junho vou ter de começar a trabalhar em tempo

integral na igreja. Não será possível me afastar uma semana, para a lua-de-mel.

- Mas, se você conversasse com eles desde já e explicasse tudo...

Ted se voltou para ela, perplexo.

- Sabe de uma coisa? Não quero conversar sobre isso agora. Vamos comer alguma coisa.

Pegou a mão dela e se dirigiu para o estacionamento.

Cris reparou que o Sol havia atravessado as nuvens matutinas que antes se espalhavam

sobre a campina. O campo reluzente de diamantes evaporara, deixando uma longa superfície

de capim ressecado pelo inverno. O mundo que os cercava deixara de ser encantado.

É isso que acontece quando um encontro feito no céu tenta andar na Terra? Como a

magia reluzente desapareceu tão depressa?

Ted permaneceu imerso em seus pensamentos enquanto os dois se dirigiam para a

cidade na perua Volvo. Cris dizia a ela mesma que deveria ter sido mais espontânea quando os

dois estavam sonhando em voz alta sobre a data do casamento.

Poderia ter concordado com Janeiro ou com qualquer outro mês. Assim que ele se

defrontasse com os detalhes, iria mudar de idéia e aceitar uma data mais realista. Agora é o

momento de ser sonhadora, e não prática.

- Parece que aquele restaurante ‘tá aberto, disse Cris.

Ela apontou para um café no caminho em que eles seguiam. Queria entrar e conversar

sobre os planos do casamento enquanto comiam com tranquilidade. Dessa vez, sonharia mais

e seria menos prática.

- Estava pensando em comer burritos, disse Ted. Você se importa se formos até o

Roland, no drive-thru?

- Acho que não tem nenhum Roland por aqui.

- Conheço um que fica perto da casa do Douglas e da Trícia, na praia.

- É longe. Tem certeza de que quer ir até lá antes de comer?

- Não me importo, disse Ted. Você acha ruim?

Pare de ser prática em todas as situações! Limite-se a concordar pelo menos uma vez.

- Certo, pra mim Roland vai bem.

Embora eu ache muito esquisito andar tanto só pra comer um certo tipo de fast-food.

- O que você acha de prepararmos a viagem para o México? perguntou Ted.

- Como assim?

- Podemos começar a planejar enquanto vamos para Carlsbad.

- Você não quer mais conversar sobre a data do casamento?

- Agora, não. Acho que tem um bloco de anotações no banco de trás. E deve ter uma

caneta no porta-luvas. Seria muito bom se organizássemos um pouco a viagem para o México.

Você pode fazer uma lista, como fizemos para o acampamento no deserto?

Cris encontrou o bloco e a caneta. Escreveu México em letras grandes, no topo da

primeira página.

- Precisamos de barracas, disse Ted. Anote aí, por favor. E também é bom levar lonas

impermeáveis para o caso de chover.

Ele prosseguiu falando os itens necessários, que ela foi anotando. Escrevia com força, as

letras pareciam estar com raiva.

Gostaria de saber por que você consegue ser prático quando se trata da viagem ao

México, Ted, e não consegue ser realista pra marcarmos a data do nosso casamento.

Quanto mais conversavam, mais longa se tornava a lista. Ted demonstrava surpresa toda

vez que Cris lembrava de mais um elemento necessário, como atestados médicos e

autorização dos pais para os adolescentes cruzarem a fronteira.

Ela queria dizer:

“’Tá vendo? Todo evento requer planejamento detalhado. Ainda mais um fato

importante como um casamento.”

Mas não falou nada. Só expressou sua frustração através da força com que escreveu as

palavras que preencheram duas páginas do bloco.

Assim que deixaram a estrada e entraram em Carlsbad, que ficava à beira-mar, Ted

abriu a janela do carro. Aparentemente, sentia necessidade de encher os pulmões de ar salgado

vindo do oceano. Cris também apreciou o ar fresco. As emoções dela estavam descontroladas,

como um avião que cai em parafuso rumo ao solo.

Onde foi parar a paixão que senti pelo Ted hoje de manhã? Por que não conseguimos

passar o dia todo sonhando com nosso futuro? Será que estraguei tudo por não ser

espontânea quando ele estava falando sobre os sonhos dele?

- Ei, como vai, tudo bem? perguntou Ted ao alto-falante à entrada do drive-thru. Quero

quatro burritos e dois sucos de laranja grandes.

Ele se voltou para Cris e perguntou:

- O que você vai querer?

Ela tentou enxergar o menu ao lado da janela de Ted, mas o braço dele a atrapalhava.

- Eles tem torradas?

- Torradas? perguntou ele, como se nunca tivesse ouvido alguém falar desse alimento

antes.

- Deixa pra lá. Vou querer um sanduíche de queijo e ovo e um copo de leite.

Ted repetiu o pedido dela para o alto-falante e fechou a janela do carro.

- ‘Tá tudo bem com você? perguntou Ted.

Ela colocou o cabelo atrás das orelhas e olhou para o belo rosto dele. Como posso

explicar a você os sentimentos intensos que estão brigando dentro de mim há uma hora?

Estou com medo porque, se disser alguma coisa, depois posso me arrepender e ficar

arrasada por fazer um cavalo de batalha à toa.

- Estou bem, disse Cris, baixinho.

Ted pagou ao funcionário na cabine e entregou o lanche para Cris. Ela ia perguntar se

ele queria estacionar o carro para lancharem, mas ele virou à esquerda na rua principal. Ela

sabia bem aonde iam. Havia, na natureza, um chamado ao qual Ted jamais conseguia resistir:

o do mar. Estavam a menos de dois quilômetros do local onde as águas azuis do Oceano

Pacífico alcançavam a costa da Califórnia. Cris sabia que deveria ter adivinhado ser esse o

. mas. O coração dela bateu um pouco mais depressa. firme nem certo. Engoliu em seco. Voltou para a estrada. .Vamos voltar pra universidade? perguntou Cris. em ordem. Dividir? O que ele quer dizer com isso? Ted parou o carro à beira da pista. . Só pensei que podíamos dividir nosso café da manhã. sob o viaduto na estrada. mas Ted.Você pega pra mim dois burritos? perguntou a Cris. Ted correu de volta para o carro.Não. o tinha visto. Vou passar o resto da vida com um homem impulsivo. Ela nem havia reparado no homem na hora em que deixaram a estrada. ostentando um largo sorriso de contentamento. como uma sombra agourenta. com atitudes inesperadas. . no coração. Ted queria fazer a primeira refeição deles como casal comprometido na praia. Um pensamento inquietante pousou sobre ela. só conseguia pensar: Não sei se estou pronta pra isso. Então. Nada em nossa vida será previsível. Ela se esforçou para colocar no rosto um sorriso de boas-vindas. deixando o motor ligado. Só que ele não se dirigiu para a praia. Cris observou Ted sorrir e entregar o lanche ao homem surpreso. saltou do carro e levou o lanche para um mendigo que estava encolhido sob uma caixa de papelão desmontada.motivo que os levara tão longe para comer burritos no café da manhã. Nunca vou saber aonde estamos indo nem o que vamos fazer nem com quem vamos compartilhar as refeições. e pegou um dos sucos de laranja. obviamente.

Casamento.Não pensamos. . . onde estacionou. Pra ser mais específico. .Por que você pensa que estou com medo? Ted passou o dedo pelo contorno da orelha dela e não respondeu. . disse ela de repente. Sentia que Ted a observava. 2 Ted fez a volta com o carro e se dirigiu para a praia. estou com medo de ser muito difícil nos casarmos. não. Cris apoiou o rosto frio na mão quente dele. . mas. Cris comeu devagar. casamento comigo. o silêncio era familiar e exerceu sobre ela um efeito tranquilizador. que não quis comer. Irritada com a facilidade com que ele lia os pensamentos dela. estendendo o braço e passando os dedos pelo rosto dela. Resolveu avançar e lançar alguns sentimentos duvidosos na rede que ele segurava com paciência nas águas profundas do coração dela.Pensamos de forma diferente. Cris disfarçou: . com os olhos fixos no oceano infinito que se estendia diante deles.Você se assustou? perguntou Ted. Pegaram o lanche e foram até uma pedra grande e lisa. como haviam se assentado juntos muitas vezes contemplando o mar sem trocar palavras. Cris sabia que ele estava esperando que ela falasse. Guardando metade do sanduíche. respirou profundamente.Ted.Com o quê? . .

.. . Prosseguiu com voz calma: . . Não penso do mesmo jeito que você. Do que foi que a Katie me chamou um tempo atrás. . .É. não sei se nos conhecemos tão bem quanto pensamos que conhecemos. Ted segurou o cabelo dela. naquele nosso acampamento? . O que é importante pra mim é desprezível pra você. . tão.Você ‘tá falando daquela vez em que você levou cabides de plástico e não de metal.Eu acho que isso vai trazer muitas dificuldades pra nós. Ted pegou uma grande mecha do cabelo dela e esfregou a ponta nos lábios. . Espero ansioso por essa porção do nosso futuro. .Ted. disse Ted.Descobrir coisas sobre o outro e fazer os acertos necessários fazem parte do que torna um relacionamento vivo e sempre crescente. Sou determinada demais a organizar tudo e você é tão espontâneo. . tão. Você enxerga as coisas por outro ângulo. Acho que cada um de nós vai tirar o outro do sério. Não considero essas diferenças um problema. Cris ouviu ela mesma dizer.Ãhã. . imprevisível. Ted a puxou para si.E a vida toda pra trabalhar nisso.Sua postura diante da vida é diferente da minha. . Vamos dar equilíbrio um ao outro. . Somos opostos em muitos aspectos. .Claro que não! É isso que estou dizendo. acho que sou mesmo.Ãhã.Isso é bom.Creio que seja bom sermos diferentes. porque não percebeu que eu queria usá-los pra assar marshmallows? .Nós dois teremos de fazer ajustes imensos. Temos à nossa frente uma porção de acertos a fazer.Eu não. até que a cabeça dela encostou no ombro dele.

Ted.Você acha que ela ‘tá certa? Cris afastou-se um pouco e olhou direto nos olhos de Ted. Você me ajuda onde sou fraco e eu a ajudo onde você precisa. Que todos sofremos de deficiências.Não sei. temos áreas em que somos limitados. Katie diz que sofro de “mania de arrumação”.Katie disse que você sofria de “deficiência de detalhes”. É isso que nos torna fortes quando estamos juntos. que tenho de ter tudo no lugar o tempo todo pra ser feliz. E Mark disse que era errado discriminar os deficientes. disse: .Espero que você tenha razão. Ted riu. Com um suspiro. Ele puxou a cabeça de Cris até encostá-la no ombro dele. Cris passou o braço pela cintura de Ted e se aconchegou nele. uma para cada cicatriz que ficou depois do grave acidente de carro em que ele quase morrera no outono anterior. Kilikina. é que Deus nos uniu pra eu aprender com você a ter disciplina na vida espiritual e você aprender comigo a alegria de andar pela fé. Fomos feitos um para o outro. . Cris pegou a mão de Ted. . . disse ela. Ted fez sinal afirmativo com a cabeça.O que eu acho. Ted riu novamente. Espero que você tenha razão. . Ted riu. Levantou a mão esquerda da Cris e passou seus dedos calejados pela ponta dos longos dedos dela.Tenho. . levou-a aos lábios e beijou-a três vezes. . .Sabe o que eu penso? perguntou Ted. .Foi isso mesmo.

Ted. e os dois se dirigiram de mãos dadas para o estacionamento. . Tinha lembranças muito agradáveis de uma joalheria que ela e Ted havia visitado no último verão. sob todos os aspectos. não sabe? É que teria sido muito bom pra mim saber o motivo que nos trouxe até aqui.Foi por isso que viemos até Carlsbad pra comer burritos no café da manhã? Você estava querendo comprar um anel pra mim? . . sorrindo. . O proprietário era tio de um amigo deles. na Itália. inclusive com guarda uniformizado na porta e lustres de ouro.Tudo bem. . você sabe que pode me informar essas coisas com antecedência. Ele disse que provavelmente você iria preferir escolher de acordo com seu gosto. Cris se afastou e examinou a expressão no rosto do Ted.Você queria que eu tivesse te dado um anel ontem à noite.Tem certeza? Perguntei ao meu pai se tinha de comprar um anel pra você antes de fazer o pedido. Ted ajudou-a a se levantar. Viu? Já estamos aprendendo a nos ajustar um ao outro. pra olhar o que eles têm. . Ela fechou os olhos e balançou a cabeça. respondeu Ted. e a loja era. Fica aqui perto. em Veneza. Cris sentiu seu coração se aquecer enquanto eles iam para uma parte mais antiga de Carlsbad.O que foi? . onde ele comprou o anel da Trícia.Foi. Douglas me disse ontem que aqui em Carlsbad tem uma joalheria muito boa. na hora em que pedi pra você casar comigo? . . Pensei que a gente podia dar uma passada lá agora de manhã.Não. na próxima vez eu falo antes. a mais elegante em que Cris já havia entrado.

Bom dia! Ted saudou o homem que estava no fundo da loja. Como aquele lá. inclinando-se. enquanto ela experimentava anéis de noivado. . Frank. com um único diamante. Ele ficou em pé atrás dela e. respondeu Cris rapidamente. Sentiu que começava a suar nas mãos. O Sr. Ficou perfeito. Cris colocou o anel no dedo da mão esquerda. Concluiu logo que o diamante deveria ser de qualidade excepcional e sabia que nunca se sentiria à vontade com um anel tão caro. Se eu puder ajudar. Ted segurou a porta para Cris e o aroma do pão recém-assado na confeitaria ao lado entrou com eles na loja. Meu nome é Frank. mostrou o maior anel.É lindo. A joalheria de Carlsbad ficava entre uma confeitaria e uma livraria e não era.Estou em dúvida. disse Ted. sabe? . Vira o preço na etiqueta. . você não acha? Gosto de anéis menores e mais simples. que estava bem no meio da vitrine. .Posso mostrar alguma coisa para vocês? perguntou o Sr.Vamos. dançavam na mente de Cris. disse Ted. . opulenta como a de Veneza.Olha aquele ali. Quero que meu anel seja único. experimente. Assim você descobre se gosta ou não. Tinha um diamante grande no centro e três rubis de cada lado. . aproximando-se com uma chave na mão. Podemos dar uma olhada? . Mas acho grande demais. O diamante suspenso por quatro garras tinha um corte ousado. Mas não quero tão simples assim. Cris apontou um anel de ouro liso.Claro. . Frank esticou o braço dentro da vitrine e pegou o solitário de brilhante na caixa de veludo acolchoada. basta me chamar. Cris se sentiu como uma princesa quando Ted a conduziu até uma cadeira acolchoada diante da primeira vitrine. Mas o aconchego do ambiente compensava o que faltava em lustres dourados e guardas uniformizados. Imagens românticas de trocas de olhares acompanhadas de suspiros. nem de longe.

a gente pode comprar.Diferente? perguntou Ted. . mas sei que gostaria que o meu fosse menor.Também falei sério. com um aceno educado. marca registrada dele há vários anos.O que você acha? perguntou Ted. . Se você quiser este. . Ted segurou a mão dela e virou-a. Nunca fui muito de usar anéis. O Sr. pediu licença e os deixou sozinhos por alguns minutos. ele voltou a perguntar: . .Este anel é caro demais. Acho que você beija muito bem. e disse: . e cochichou: . para não explodir em gargalhadas. Diferente. Não pense no preço. com ar de inocência. O que você acha? Cris piscou. Levantando o queixo.Acho que você beija muito bem. é o anel. Cris se virou para Ted e sussurrou: . para ver o preço na etiqueta. Ted estendeu o braço e fez cócegas nela.Estou falando sério. O estilo.Não é só o prego. apertou tanto os lábios que a boca começou a doer. Frank desligou o telefone. Enquanto voltava para onde eles estavam. Ted segurou uma gargalhada. Frank.E aí. Sem tantos enfeites. Ted se curvou e plantou um beijo nos lábios de Cris. O telefone tocou e o Sr. Colocou um dedo nos lábios e falou baixinho: . . Cris.Tudo bem. o que você acha? Implicando com ele. ela imitou o gesto de levantar o queixo. O Sr. Frank ficou na frente deles e passou a apresentar mais detalhes sobre a clareza e o tamanho do diamante. que não esperava por aquilo.

com lampejos de verde e violeta. A pedra de um azul profundo. lhe trouxe à mente uma onda do mar. que não a agradaram. Se ele escorregasse os dedos por baixo do cabelo e começasse a fazer cócegas em seu pescoço. Cris imaginava outras opções. Entretanto o anel era muito grande e tinha enfeites muito trabalhados. com uma opala azul australiana. podemos fazer qualquer anel que você desenhar.O senhor tem algum outro. para combinar com seus lindos olhos azuis. A cada novo anel. sorrindo para o Sr.O senhor já nos ajudou muito. feitos aqui mesmo por mim e pelo meu filho. Frank sobre cada uma. Temos tanzanitas muito belas. Ou até completamente liso. . Frank. . Frank aparentemente gostou do desafio colocado diante dele. . Talvez uma safira. . como aqueles que só tem pedacinhos de diamantes? . Durante os quinze minutos seguintes. Ted se conteve para não fazer cócegas em Cris enquanto ela experimentava vários anéis com outras pedras e ouvia amplas explicações do Sr. mas menor? perguntou Cris. E isso a fez pensar em Ted e na primeira vez em que se viram. Muito obrigada por sua atenção. ou um topázio azul.Acho que não.Todos estes anéis são modelos originais. . como disse. Sem tantos enfeites? E o que foi mais que você disse. parecia ter chegado ao limite de sua resistência para anéis e história da gemologia.Ah! O Sr. mas deu uma olhada em Ted antes de pedir papel e lápis. disse Cris. com esse tipo de pedra. na praia de Newport. Cris tirou o anel do dedo e se esforçou para não rir ao sentir a mão de Ted em seu ombro. Você não quer o diamante tradicional. Cris estava pronta para desenhar seu anel imediatamente. A mente dela transbordou de idéia quando experimentou um anel de cores vivas. Ele fitava o nada. em voz controlada.O senhor tem alguma coisa diferente? perguntou Ted. Cris? Menor? . ela sabia que iria estourar em uma gargalhada. Mas.

antes de pedir você em casamento. Ted se virou.Tem certeza de que não quer experimentar mais nenhum anel? perguntou Ted. comentou Cris. mas Cris agarrou o braço dele com as duas mãos e o puxou até o carro. Cris não conseguiu mais conter a gargalhada. . assim que entraram no carro.De graça? Então vamos voltar e pegar umas. e olhou para ela com atenção.Coitado daquele homem! exclamou Cris. .Elas são de graça. Ted. mas seu tom foi um tanto educado demais.Gostaria muito. Se eu puder ajudar mais. Se não fosse isso. o aluguel do smoking e os três primeiros meses de aluguel. Saíram. uma quantia que desse pra pagar o anel.Pensei que ele estava olhando a gente daquele jeito porque sabia que nosso dinheiro só dá pra comprar as balas de hortelã que estão naquele pratinho do lado da registradora. eu já teria pedido você pra se casar comigo há muito tempo.Como vamos pagar o anel e todo o resto? perguntou. tentando fazer cócegas de novo. . mas meu alvo era guardar. .Muito obrigada. . Ele não ligou o carro. O comentário dele sobre não terem dinheiro a fez pensar. não deixe de me telefonar. . como uma porção de bolhas de sabão.Leve meu cartão.Tenho um pouco de dinheiro guardado. . . . Deu um risinho que ficou flutuando no ar. . Ficou olhando pra nós como se fôssemos muito novinhos e não soubéssemos o que estávamos fazendo. mas acho que já experimentei todos os anéis da loja.Verdade? Ted fez um sinal afirmativo e continuou. disse Cris. falou Ted. Não é muito. . Consegui. . Ted com o braço na cintura dela.

Ah.Ei. como aquela azul de que você gostou. como aconteceu com o anel. . que tal darmos uma passada na casa do Douglas e da Trícia? . Não é provável que vamos conseguir ter um anel até Janeiro. Só com você.Deve demorar pra fazer isso. . Eles fazem qualquer anel que você desenhe. Cris pensou um pouco. que signifique alguma coisa pra nós dois.Ted. Tenho certeza de que podemos pedir pra ele colocar uma pedra. Precisa de mais tempo pra ter certeza? . Cris deu um cutucão implicante no braço dele. fala sério. não! Tenho certeza de que quero me casar com você! Cris pegou a mão dele e segurou entre as dela. antes que você faça mais comentários sobre isso. mas nunca pensei muito nessas coisas. e não quis atrapalhar. pra que toda vez que eu o olhar pense em nós. Você acha que é possível organizar uma cerimônia de casamento em menos de um mês? Ele encolheu os ombros.Claro. Eu só sei que quero um anel único. só precisamos de alianças e de um pastor. . Não foi isso que quis dizer.Eu queria que nos casássemos antes de você ir pra Suíça. mas eu sabia que aquele ano era importante pra você. em uma armação diferente. nem sei se estou pronta agora. Ted deu um sorriso travesso. certo? E. Isto é.É por isso que você quer um noivado mais longo? perguntou Ted. comentou Cris. O que eu quis dizer é que não sei se estou pronta pra todos os ajustes. planos e decisões. Faz sentido pra você? . Não há a menor dúvida em meu coração de que quero me casar com você. você pode pensar que eu já tenho alguma idéia do que quero. . .Tudo bem. . Você ouviu o que o joalheiro falou. Aliás. disse Ted.Acho que não estava pronta naquela época. .

Será em Janeiro. Cris sentiu seu coração saltar. Cris encostou-se ao banco do carro. . ainda por cima. Cris chegou a uma conclusão. Cris pressionou os lábios. simples. Ted chegou mais perto. . Ela estudou o perfil dele enquanto ele estacionava na frente da casa de Douglas e Trícia. Deveria confiar mais em si mesma e seguir mais seus impulsos.Ótimo. imaginou o formato de sou anel e calculou quanto dinheiro precisavam para pagar aluguel. apaixonado por Deus e.O que você disse? Não ouvi. mesmo assim.Tudo bem. . falando bem baixinho. decidida”. Enquanto Ted se aproximava da área residencial. simples. ligando o motor. perguntou a si mesma se fazia sentido esperar até agosto para se casar. . onde chalés em estilo litorâneo se alinhavam na rua. . De repente. olhando para ela enquanto dava ré no carro para entrar em uma vaga ao longo da calçada.Você tem bons instintos. agosto ficou muito longe. mas. Pensou em quantas decisões teriam de tomar e em como Ted apreciava uma resposta rápida.Sabe de uma coisa? Este vai ser meu alvo nos próximos meses: vou me esforçar pra tomar decisões rápidas e simples. Rápida.O que foi? perguntou Ted. disse ela. seguindo seus impulsos. O homem dos seus sonhos estava a seu lado e havia se tornado forte. Você venceu. . Parecia que ia disparar e sair pela boca. estava profundamente apaixonado por ela também. Mas então Ted parou o carro. decidida. . . disse ele. pretendendo manter os sentimentos fortes em seu íntimo. Cris. espiando com seus olhos azuis os segredos mais profundos do coração dela.Gostei dessa resposta. abraçou o volante e se virou para ela.

Então por que você ‘tá corada? . levantando as sobrancelhas e se esforçando para demonstrar o máximo de inocência. na frente de Deus e de todas as outras pessoas. você nunca vai saber o quanto. A mão dele foi até o topo da cabeça. Ted. Uma imagem chegou a ela como um raio. que haviam escapado de seu coração? . O rosto ficou corado. Sem você. acabaria disparando na sua frente. . Muito mais do que você venha a pedir.No inverno? Acho difícil. Você nem imagina o que seu amor trouxe à minha vida. Nunca havia sentido de forma tão arrebatadora a intensidade de seu amor por Ted. Você é a outra metade do meu coração. . este não é um dos momentos em que devo confiar em meu instinto pra uma decisão rápida e simples.‘Tá. . Com carinho. Parecia estudar os detalhes do rosto dela. os dois zuniam no carro que haviam acabado de estacionar. Se fizesse isso.. . Com os pneus cantando.Eu disse que amo você. inclinando a cabeça na direção dele. Percorriam em uma hora os 120km até Las Vegas e entravam na primeira capela que encontrassem aberta para fazer casamentos na hora. cochichou. Será que tinha coragem para repetir as palavras que havia sussurrado. Kilikina. . se você soubesse. . Foi só isso? implicou Ted. e lhe ofereceu os lábios. disse. Foi só isso. Não. Aqui ele fez uma pausa e depois continuou: . pressionando as costas da mão contra o rosto quente dela..Amo você.Foi o Sol? arriscou ela. disse Cris. tocou no longo cabelo dela. nunca.Ah.Eu disse que.Ah. Nada vai mudar meu amor. Ted sorriu. minha vida não passaria de uma sombra. passando com carinho o dedo sobre os lábios dela. O coração de Cris disparou. Kilikina. Piscou.

Exatamente nessa hora uma buzina alta soou bem na frente deles. Ted aceitou a oferta e a beijou devagar. destruindo aquele momento inesquecível. 3 .

parece que acabei de pegar vocês dois se agarrando na frente da minha casa. Passou as costas da mão pelo rosto de Cris e falou: .Estávamos nos beijando. mas. com naturalidade. por causa do cabelo louro e do sorriso travesso.Suponho que você vai me dizer que Ted estava apenas cheirando seu cabelo pra ver se tem cheiro de maçã verde. . desceu e foi até a janela de Ted.Rick? . ele ‘tá aqui. Ele e Katie nos fizeram rir a noite toda.Não estávamos nos agarrando. disse Cris. Foi tremendo ouvir o que Deus tem feito na vida dele. Trícia vai ficar empolgada quando vir vocês. . teve gente que passou a noite aqui. Vocês dois precisam voltar à Terra. Viram Douglas acenando animadamente para eles enquanto entrava com sua caminhonete amarela pela passagem estreita que levava à garagem da casa. Douglas.Essa é minha corada noiva. A festa continuou aqui em casa ontem.É. Vamos nos casar. Douglas riu. Ted deu uma olhada para Cris com um sorriso brincalhão tão charmoso quanto o do amigo e prosseguiu. . Era mais alto que Ted. . que estava aberta. e comentou: .O mundo inteiro ficou sabendo ontem à noite. Estacionou. . sentindo o rosto voltar a ficar vermelho. Douglas? Douglas deu um soco no braço de Ted: . entrar e encontrar o pessoal. Ted e Cris se afastaram com relutância e olharam para a frente do carro. .É. O rosto dele se iluminou com a expressão marota que se tornara conhecida de Cris com o passar dos anos.Essa desculpa é sua. Sabia disso. poderia passar por um aluno do primeiro ano do ensino médio. Rick vai fazer omeletes.

Não. Vicki e Amy também estavam. meu pai deu os dois. Douglas abriu a porta do lado de Ted. onde Trícia vinha se esforçando para cultivar um canteiro de flores. Selena. Tinha um quarto e um banheiro. Minha mãe até chorou. cada um carregando duas sacolas de compras.Isso explica o paradeiro de minha amiga na noite passada.A conversa foi mais um pedido de permissão. Vocês me ajudam a carregar as compras? Tive de ir ao supermercado. . . Ted e Cris seguiram Douglas até a porta da casa. . ela também ‘tá aqui. Assim que os três entraram. mas não foi surpresa. mas só dava ocupado. Katie perguntou: . O chalé aconchegante de Douglas e Trícia ficava a quatro quarteirões da praia e era a única casa amarela com venezianas brancas em toda a rua.Eu estava falando com meus pais. explicou Cris. Katie parecia ainda mais cheia de energia do que o normal. Pegando uma das sacolas da mão da amiga. A sala de visitas se ligava à cozinha e havia um pequeno quintal. falou Ted. Telefonei ontem.Katie? . .Eles ficaram surpresos com a notícia do noivado? . . Paul. disse Cris. Depois telefonei para os meus tios.Você recebeu meu recado? Por que vocês não vieram pra cá ontem? Nós nos divertimos muito comemorando o noivado. Eles estavam esperando meu telefonema. .É. . . Ficaram emocionados.Permissão ou bênção.Não.Eles sabiam que Ted ia fazer o pedido ontem? . Também estão muito felizes por nós. Ted falou com meu pai antes e pediu que ele e manha mãe nos dessem sua bênção. Vocês tinham de ter participado. Katie pulou do sofá e deu um grande abraço em Cris.

embora continuasse alto. em um estilo bem pessoal.Todos estamos muito felizes por vocês. a turma planejava ir para a cafeteria Ninho da Pomba. .Onde estão os outros? perguntou Douglas. Paul teve de ir trabalhar.Bom. macio. disse Rick. . que estava curto. pois não tinha um rapaz com quem pudesse sair. Você andou conversando demais com o Douglas. tirando as muitas compras das sacolas. Cris chegou à cozinha da compacta casa de Douglas e Trícia e foi recebida por um sorriso caloroso de Rick. pra passar o Natal em casa. Isso e o brilho em seus olhos verdes prenderam a atenção de Cris. Um futuro brilhante espera por vocês. passando o braço pela frente de Katie e estendendo a mão para apertar a de Ted.Trícia foi tomar banho. Ao lado de Katie. cheia de charme.Puxa. foi uma noite tremenda pra todos nós. vocês teriam gostado demais. Foi tremendo. . cutucando o braço dela. na cozinha acolhedora de Douglas e Trícia. Cris voltou para a sala e assentou-se em uma cadeira ao lado do sofá. e Katie declarara que preferia ficar sozinha em seu quarto. Mas isso foi antes de Rick aparecer. moreno e bonito. ‘Tá começando a dizer “tremendo”. Amy e Vicki voltaram para a universidade porque vão para o Oregon. Cris. leve. Rimos muito! Katie passou a contar os acontecimentos da noite anterior. . Katie estava radiante e falava com empolgação. Rick abandonara a arrogância do tempo do colégio.Ah! disse Rick. ele era uma pessoa comum. Conversamos a noite toda. quando parecia considerar a si mesmo um príncipe. No dia anterior. Selena. . . vocês tinham de ter vindo pra cá ontem. . Katie cortara o cabelo. Uma mudança enorme acontecera nela nas últimas vinte e quatro horas. A expressão de Katie se iluminou um pouco mais quando ela se voltou para Cris. respondeu Katie. Cris reparou que.

de modo que contagiava a todos que o ouviam. Katie havia recebido uma carta dele. .Claro. . sugeriu Katie. . . . .Ei. depois que Katie encerrou seu relato divertido. Pode fazer.Posso ajudar? ofereceu Cris. Pelo jeito como ela ‘tá olhando pra ele agora. Katie nunca havia se recuperado por completo. . . O amor se transformara em raiva que fervera em fogo brando dentro dela durante vários anos.Com certeza. poucos meses atrás.Quer que a gente comece a fazer as omeletes? perguntou Katie. O riso dela continha o som da alegria em seu estado mais puro. Ted.Acho que a Trícia guarda as tigelas aqui. preciso falar um pouquinho com a Trícia e depois preciso de uma ajuda sua.Você sabe onde eles guardam o ralador de queijo? indagou Rick. Então. eu diria que Katie perdoou ao Rick por completo. Veja se encontra uma bacia maior do que esta aqui. Cris abriu um armário enquanto a gargalhada espontânea de Katie enchia o ambiente. Ninguém conseguia manter a seriedade quando ela dava sua risada espontânea. Estou compondo uma música e o pessoal me ajudou ontem. respondeu Rick. mas embora Cris o tivesse esquecido logo. enquanto Douglas se dirigia para o quarto. Katie também era doida por ele. Cris se voltou e viu que Katie segurava dois aventais que encontrara em uma gaveta. feliz e leve.Dá uma olhada neste armário aí à sua direita. . mas não consigo acertar o coro. Cris lembrou que havia se apaixonado por ele no ensino médio. em que contava que entregara a vida totalmente a Deus e pedia que ela lhe perdoasse pela forma como ele a tratara no passado. disse Douglas.

vieram as notas baixas de um concerto de alegria de Rick. . . em uma outra maior. Rick vestiu um avental amarelo de babados. dedilhava o violão de Douglas. E este aqui é o meu. Em poucos instantes.Que mais eu faço? . disse ela a Rick. como se viessem ensaiando essa dança culinária há vários anos. com listras. com a cintura enfeitada por flores em tons pastel. Cris pegou seu serviço e levou para a mesa da cozinha. . Ted.Precisamos de pratos falou Rick. Fazendo eco à gargalhada fina dela.De jeito nenhum! Cris colocou a tigela grande em cima do balcão e perguntou: . disse Rick.Proponho uma troca. deixaram a cozinha parecendo com as dos programas de culinária da televisão. . para não atrapalhar os cozinheiros.Este é o seu. Puseram cogumelos para cozinhar em uma frigideira pequena e linguiça. . pode ralar o queijo. O avental de Katie era de sarja. Quase não conseguiu amarrar. Cris nunca havia visto o rapaz rir de forma tão plena e genuína. explicou Rick. Uma seta indicava um bolso minúsculo que comportava um número mínimo de reclamações. Cris não reconheceu a melodia e ficou imaginando se seria a música em que o amigo trabalhara durante a noite. Cris. então Cris tirou os pratos limpos da lava-louças enquanto Rick e Katie punham mãos à obra. assentado no sofá da sala. No peitilho estava escrito: Deposite Todas as Reclamações Aqui. Katie voltou a rir. Será que você encontra seis? O armário estava vazio. Espalharam tigelas e vários instrumentos de culinária por toda parte. se você quiser.Vamos fazer uma linha de montagem e assim cada um pode escolher como quer sua omelete. Observava espantada Rick e Katie trabalhando juntos.

E estamos cheios de alegria. Um sorriso foi surgindo nos lábios dele. Ele voltou a mover os lábios: “Janeiro”. não foi. Então alguém disse: O Senhor tem jeito grandes coisas para eles. sei que é impossível organizar uma cerimônia de casamento até Janeiro. Bom. Ted? Ouviu quando cochichei “Janeiro” pra você. Cris trouxe o pensamento para o presente. como se falasse uma palavra. Cris abriu um sorriso brilhante como o Sol. Podemos nos casar logo depois da sua formatura. Um calor gostoso e confortador tomou conta dela quando a voz familiar de Douglas encheu a casa aconchegante onde aqueles bons amigos se reuniam. “Quando o Senhor nos uniu Ficamos como aqueles que sonham Nossa boca se encheu de riso Nossa língua de cânticos de alegria.” . Que maluquice é essa? Fevereiro ‘tá perto demais. Cris mostrou com o olhar que não havia entendido. mas talvez a gente consiga pra fevereiro. Douglas voltou para a sala e impediu que ela continuasse vendo Ted. Eu só teria mais um semestre na universidade e... mas ela não entendeu. como se sentisse o olhar dela sobre ele. não podemos? Douglas começou a tocar sua nova música. o Senhor tem jeito grandes coisas para nós. que continuou tocando e depois movimentou os lábios. Ted olhou para ela. Você ouviu lá no carro. Podemos esperar até julho. Então. Sim.

enquanto se afastava e observava o rosto de Trícia para ter certeza de que ouvira bem. Douglas.Oi! saudou ela Ted e Cris.Nós íamos esperar todo mundo assentar pra comer. Douglas entregou o violão para o Ted e se aproximou da esposa.Em que versículos você se inspirou? quis saber Ted. Trícia cochichou em seu ouvido: .Trícia.Que música linda! comentou Katie. informou Douglas. Você não sabe. . . você contou? . isso é verdade.Sabe de uma coisa? Estou grávida! .Contou o quê? perguntou Katie lá da cozinha. Não sei como fazer uma transição suave de “Quando o Senhor nos uniu” para “Ficamos como aqueles que sonham”. E aqui ‘tá o problema. movendo o queixo para cima. A passagem ‘tá abrupta. mas esse problema ‘tá me incomodando desde cedo. . Assim que colocou os braços em torno dela. mordendo o lábio inferior. tudo bem? cumprimentou-a Ted. trazendo no rosto em formato de coração um sorriso imenso. Cris parou de ralar o queijo. Todos os olhares se voltaram para Trícia. Queria ouvir a parte que falava de Deus fazendo grandes coisas e as pessoas ficando repletas de alegria. que estava ao lado de Cris.O que?! gritou Cris. bem nesta linha. Cris se levantou e foi abraçar a amiga. Nesse exato instante a porta do banheiro abriu e a pequena Trícia surgiu.Oi. disse Douglas. . censurando-a. .Salmo 126. Como dois sonhadores conseguem fazer uma transição suave quando o Senhor os une? Desejou que ele tocasse a música inteira de novo. . . Puxa. .

Trícia informou.Não acredito que vocês não contaram nada ontem à noite. explicou Douglas. . disse ela. disse Rick. Todos se aproximaram para abraçar o casal e dar os parabéns. retornando rápido para o fogão. mas queríamos contar primeiro a nossos pais e só conseguimos telefonar pra eles hoje de manhã. agora você ficou tímida. . . É que parece que o Senhor resolveu nos abençoar com um bebê. Um grito de alegria veio do grupo. .Estou sentindo o cheiro de alguma coisa queimando. amor! Eu não pretendia falar nada. Ela sabia que ele estava pensando o mesmo que ela: um dia. confessou Trícia. falou Trícia.É o azeite na panela. pouco antes do Douglas sair para o supermercado. acima da orelha direita. Ela só volta a se sentir bem lá pelas duas da tarde. julho.Você abre a janela na frente da pia? pediu Trícia. Conte pra todo mundo. respondeu Trícia. ‘Tá muito sensível a odores fortes. . .Era a noite de Ted e Cris. . .Ontem de manhã.Então continue. mas escapou. seriam eles a contar novidade semelhante à dos amigos. na semana que vem.Você conta. disse Katie. .Quando vocês descobriram? perguntou Katie. . Vou desligar.Ah.Pelos nossos cálculos. amor. Foi uma tortura manter segredo de vocês. . Ted atravessou a sala em quatro passos e passou o braço em torno de Cris. Douglas passou o braço pela cintura dela e a contemplou com devoção inabalável. Deu um beijo na têmpora dela.Enjôo. . . . .Desculpe. querendo Deus. Vamos ter mais informações depois da primeira consulta com o médico. Douglas riu e abraçou-a.Pra quando é o bebê? indagou Cris. dando um sorriso meigo para Cris.

- É, este grupo só suporta uma grande notícia por vez, acrescentou Douglas.

- Não se preocupem comigo! brincou Katie. Não tenho anúncios nem segredos hoje.

Um pensamento louco cruzou a mente de Cris. Ficou imaginando se Katie em breve não

contaria que Rick a convidara para sair com ele. Mas afastou logo a idéia. Ainda era cedo

demais para isso, ou talvez fosse tarde demais, já que os dois haviam experimentado namorar

no tempo do colégio e não tinha dado certo.

Douglas deu um beijo estalado na esposa:

- Estamos aceitando sugestões de nomes, porque até agora não escolhemos de menino

nem de menina.

Apareceram várias idéia, mas nenhuma agradou em especial ao feliz casal. Douglas

voltou então para o sofá e ele e Ted retomaram a música.

- Tem exaustor aqui perto do fogão? perguntou Rick. Não estou vendo.

- ‘Tá estragado, disse Douglas.

- O cheiro ‘tá muito forte pra você, Trícia? indagou Rick.

- Não. Estou bem, respondeu Trícia, abrindo a porta da frente para ventilar a sala. Isto

vai ajudar. Conte, Rick, quando foi que você se tornou um gourmet?

Cris reparou em como Trícia sempre desviava a conversa, quando ela própria era o foco

da atenção. Trícia não gostava de ser o centro, ficava mais à vontade ouvindo os amigos ou

dando a eles seus conselhos carinhosos. Cris queria pedir a ela muitas informações sobre

detalhes do noivado e do casamento, mas achou melhor esperar até poderem conversar

sozinhas.

- Cozinhar é um dos meus talentos ocultos, disse Rick respondendo a pergunta da Trícia.

- Não me lembro de ouvir ninguém dizer que você cozinhava quando você, Douglas e

Ted moravam juntos naquele apartamento em San Diego, comentou Trícia.

Rick achou graça.

- Não cozinhava porque nunca tinha comida em nossa casa!

- Tem toda razão, concordou Ted.

- Amém! confirmou Douglas.

- Aprendi um pouco no restaurante em que trabalhei.

- O Pára-Quedas Azul, contou Katie.

Rick se surpreendeu:

- Isso mesmo. Como você sabia disso?

- Fomos lá uma noite, depois do estudo bíblico no apartamento de vocês, lembra? Eu e a

Cris fomos até San Diego, você estava no hospital quando chegamos, tinha torcido o punho.

- É, foi mesmo, disse Rick, que, aparentemente, tinha dificuldade para se lembrar

daquela noite. Vocês foram até lá, e nós passeamos no zoológico.

Cris recordava bem da ocasião porque na noite do estudo bíblico ela vira Rick beijar

Katie e no dia seguinte, no zoológico, ele a tratara de maneira terrível. Agira como se não

tivesse acontecido nada entre eles na noite anterior.

De onde estava, a pouca distância de Katie, Cris observou a expressão dela. Não havia a

menor indicação de que a lembrança de Rick e do zoológico lhe trouxesse algum sofrimento.

- Em minha família, quem cozinha bem mesmo é minha mãe, contou Rick. Foi por isso

que meu pai teve a idéia de abrir o Ninho da Pomba ao lado da livraria evangélica.

- Por que seu pai acabou abrindo o Ninho da Pomba e A Arca em Murrietta e não em

Escondido, onde eles moram, ou aqui na praia? indagou Douglas.

- Ele fez um bom negócio naquela loja em Murrietta. Teria gastado duas ou três vezes

mais pra abrir um restaurante aqui.

Katie virou-se para Cris e disse:

- E adivinhe onde vou trabalhar a partir de Janeiro!

- Vou pensar. Será no lava-jato de Temecula?

- Nããããooo! respondeu Katie, em tom de brincadeira. Vou te dar outra chance. O nome

do lugar começa com “ninho” e termina com “pomba”.

- Espera aí, reclamou Cris. Me parece que você disse que não tinha anúncios nem

segredos!

- Não se pode chamar isso de segredo, alegou Rick. Estávamos procurando funcionários

para o turno da noite. É um cargo simples, mas acho que ela vai se dar bem e conseguir

ocupar qualquer posto que desejar.

Cris estudou sua melhor amiga com mais atenção ainda.

- E qual é, exatamente, o posto que a senhorita deseja?

- Participar da Feira de Alimentos Naturais em San Diego.

Cris não esperava receber uma resposta, muito menos uma tão sem propósito.

- A feira é em fevereiro. Rick acha que vai dar pra irmos e apresentar meu novo chá de

ervas, o “Verão Indiano”.

Cris reparou na resposta da amiga. Ela havia dito “nos”, indicando ela e Rick. Os dois

pretendiam ir juntos, e a feira só aconteceria em fevereiro.

- Você ‘tá pronta? perguntou Rick a Cris.

Não. Não estou pronta pra aceitar você e Katie fazendo planos juntos com tanta

naturalidade, Rick Doyle. Ela pode ter perdoado o jeito como você a tratou naquela época,

mas você vai ter de provar pra mim que merece retomar um relacionamento íntimo assim com

minha melhor amiga.

Rick apontou para a frigideira e repetiu a pergunta:

- ‘Tá pronta pra pedir sua omelete? Diga que recheio você quer.

- Ah! Só queijo.

- Só?

Cris fez sinal afirmativo com a cabeça.

- Não se preocupe, falou Katie. Minha omelete vai lhe dar oportunidade de demonstrar

toda a sua habilidade culinária.

- Assim que eu gosto! disse Rick.

Ele lançou um grande sorriso para Katie. Mas o tom de sua voz não era manipulador

como o que ele usava no colégio. As palavras, a entonação e a expressão do rosto, tudo

demonstrava sinceridade e carinho.

E isso fez subir um arrepio pela espinha de Cris. Katie, minha amiga, nós daas

precisamos ter uma conversinha.

4

A oportunidade de uma conversa séria com a amiga surgiu naquela noite mesmo,

quando Katie finalmente voltou ao alojamento da universidade. Cris estava no quarto que elas

compartilhavam, arrumando a mala para ir passar o Natal em casa. Katie entrou como uma

rajada de vento, radiante como o Sol.

- Oi, minha colega de quarto predileta! Deus é maravilhoso mesmo, né?

Katie rodou pelo quarto e depois se jogou na cama desfeita.

. Tomada de vontade de louvar. Você e o Ted saíram antes do Rick fazer. estava tão bom! Vocês foram ao shopping? Katie foi bem rápido até o armário e começou a tirar roupas e cosméticos e jogar em cima da cama. . a verdade é que estou com palavras demais. Quanta cafeína você consumiu hoje? . Katie pulou da cama e atravessou o quarto como um raio para agarrar Cris em um abraço apertado. Tomei três canecas cheias! Vocês deveriam ter ficado lá. ainda não acredito que você e o Ted finalmente ficaram noivos! Foi lindo ver vocês dois assentados juntinhos no sofá na casa do Douglas e da Trícia. . a vida nunca é sem graça quando as coisas de Deus estão acontecendo.Não. mas acabamos conversando demais e depois ele me deixou aqui pra eu dormir um pouquinho antes de sairmos pra jantar. não. De verdade.Vou dizer uma coisa.Você não teria de dormir se tivesse bebido um pouco do chocolate! Já ouviu dizer que o chocolate pode dar a sensação de estar apaixonada? disse Katie. Pelo chocolate. Íamos olhar mais anéis. por falar nisso. mas nunca tanto assim.Katie! Cris riu e segurou os ombros da amiga com firmeza. Estou sem palavras.Pelo chocolate? arriscou Cris. . Cris. . as omeletes estavam uma delícia. Apaixonada. Estavam uma graça provando as omeletes um do outro. você sabe. Bem. Pareciam tão felizes e. O suficiente pra ficar acordada o dia todo sem ter dormido nada a noite passada. . . estou completamente apaixonada.Nem sei.E por falar em milagres. E também bebi muito chocolate quente. mas depois das três canecas que tomei hoje. Não.Não. não estavam? Você não acha que o Rick é surpreendente? . nunca acreditei nisso. sacudindo a escova de dente na direção de Cris. Respire! Já vi você hiperativa antes.

Katie. estou apaixonada de verdade? . . perguntou: . finalmente. Rick usou chocolate meio-amargo. Depois.Você ‘tá me perguntando se é possível que venha a se apaixonar algum dia? . Deve ser efeito do chocolate.É só a hiperatividade. . Rick vai me levar.. Os olhos verdes de Katie brilharam enquanto ela se deteve tempo suficiente para olhar Cris meio de lado. . eu sei. Hoje. Katie girou nos calcanhares e tirou uma grande bolsa de ginástica do armário.Não. O rosto dela ficou vermelho. Acho que é mais forte.Você acha que isso é possível? Cris não sabia se estava acompanhando a lógica da amiga.Você vai pra casa de carro amanhã de manhã? .Pode ser. . .Eu sei. .. Ele disse que queria conversar com você. seria mais sensato se. ou então mais desse negócio que produz a sensação de estar apaixonada. Pelo Rick. Não contei? indagou. eu ia esquecendo. para ver se Katie se acalmava um pouco.Ele quer conversar comigo? Sobre o quê? Katie encolheu os ombros. num esforço para levar a conversa para um assunto neutro. Ah. Vou agora. Depois de uma pausa.É. concordou Cris. prosseguiu. mas não algum dia. . ‘Tá esperando lá em baixo. Você acha que eu. cautelosa. Enfiou na bolsa um par de sapatos e uma calça jeans amarrotada. Deve ter mais cafeína.

e quando encontrou o olhar da amiga. . . Você não vai fazer isso. .Ah. todo seu semblante mudou..Eu falei que você provavelmente já tinha feito a lista. Tenho certeza de que ele.Não. . como se essa vida social subitamente agitada fosse a coisa mais natural do mundo. Katie não ouviu. tentando entender os planos improvisados de Katie. Conheço esse olhar. Katie fechou a boca com firmeza e abaixou a cabeça. seu carro vai ficar aqui durante os feriados do Natal? perguntou Cris.Katie? chamou Cris em voz baixa. então precisamos contar uma pessoa a mais na hora de fazer as compras para as refeições.. e tenho de falar uma coisa. Aí ele me trouxe pra pegar minhas coisas e agora vamos pra Escondido. quando saímos da casa do Douglas e da Trícia. hoje à tarde. . Se você quiser.O que foi? Katie voltou-se e encarou Cris.Katie.Ah. não.. Veja bem: fui com meu Buguinho pra casa ontem à noite depois de sua festa de noivado. fomos ao cinema. Rick me seguiu e de lá fui com ele pra casa do Douglas e da Trícia. Sugeriu que a gente fizesse macarrão. . Ele disse que vai nos ajudar com a comida. se o Rick vai levar você pra sua casa. . Rick quer ir com a gente para o México na semana que vem.Depois. . São só vinte minutos da casa dos meus pais até lá. Cris concordou.Então.. posso pedir a ele pra ir fazer as compras conosco.Katie! . . ou preferiu não ouvir e continuou a enfiar objetos de qualquer jeito na bolsa e prosseguiu: . Katie afastou uma mecha de cabelo da testa com ar casual.

Katie estava totalmente certa. Claro que sua preocupação com Katie estava evidente em seu rosto. ... e o pessoal fez uma brincadeira comigo: a turma falou para o Rick me convidar pra sair com ele. Rick estava lá. . . . o Rick quer falar com você.Você vai me perguntar se pensei bem e se acho que é uma boa idéia passar tanto tempo com o Rick. mostrando a Cris que deveria segui-la. É a coisa mais maravilhosa e surpreendente que já aconteceu comigo.. Cris hesitou. porque não fiz nada pra tudo isso acontecer. minha melhor amiga. Muito obrigada. Em seguida.Que olhar? . disse Katie e se virou. Simplesmente aconteceu. com a cabeça levantada. Mas a piada é que. não é piada. Não sabia que era tão transparente. sem ousar emitir um único som.Bom. Não vou deixar você me perguntar nada disso agora. agarrou a bolsa e fez um sinal com a cabeça. . Katie colocou a bolsa de ginástica no chão e cruzou o quarto em três passos. os olhos de Katie brilharam com lágrimas e a voz dela falhou.. colocando as mãos nos quadris. mas Cris não queria admitir. Cristina Miller. e você não vai analisar e atrapalhar tudo! Cris engoliu todas as palavras de cautela que estavam na ponta da sua língua.. Você sabe que não fiz. ..Sei exatamente o que você vai me dizer. no Ninho da Pomba.E sabe de uma coisa? disse Katie. . perguntando a si mesma se havia agido certo ao se calar sobre suas apreensões.Obrigada. Cris soltou uma risadinha nervosa. lembra? Cris seguiu a amiga em silêncio. Manteve os lábios fechados. Esse é o melhor presente que você poderia me dar agora.Venha.

lembrou- se de como Tia Marta sempre havia tentado controlar sua vida social e como a interferência era desagradável.Quer que eu deixe vocês sozinhos? perguntou Katie. Isto é. Katie deu um grande sorriso: . Simplesmente ‘tá acontecendo e será o que tiver de ser. . Katie. Cris! saudou-a Rick quando as duas foram na direção dele. Por alguma razão. mas Marta não era dona da verdade. . Katie. . Se tivesse dado ouvidos à tia.. Acho que isso também ‘tá acontecendo com o Rick. vai acabar. vai durar. . .Também amo você. disse Cris na hora em que as duas estavam chegando ao hall de entrada do alojamento. Tirou um envelope do bolso traseiro da calça. Tenho uma coisa que quero entregar pra você. Ta tudo bem. .Creio que vocês duas sabem que tenho me esforçado pra acertar meu relacionamento com as pessoas que magoei no passado e. Sei disso porque nunca estive tão aberta à direção divina na minha vida quanto agora.Ei. Mas tinha esperança de conseguir entregar pessoalmente. Cris jamais teria cultivado a amizade com Katie. se Cris também não se importar. Se não.Não.Não.Se for coisa de Deus. Nenhum de nós dois forçou pra tudo isso acontecer.Eu amo você. Cris assentiu e uma calma surpreendente tomou conta dela. A última coisa que desejo é adotar a mesma atitude controladora da minha tia . Estavam na metade do corredor do alojamento quando Katie falou: . Não me importa que você ouça o que tenho a dizer. Acho que a oportunidade que eu estava esperando chegou. Eu ia mandar pelo correio..

Muito obrigada. Esta se sentiu nervosa. Os profundos olhos castanhos dele imploravam perdão.. Cris mordeu o lábio inferior. Cris. fui muito tolo e cruel quando. Não queria abrir o envelope na frente dos dois e também não desejava prolongar a conversa. Rick. mas também sei que você e Douglas pagaram pr recuperar a pulseira na joalheria em que a vendi.Rick. ou melhor. você não precisa me pedir perdão por nada. Sei que você me perdoou. Estendeu o envelope amassado para Cris. hã. Aparentemente... Cris. Eu já o perdoei. Ela havia perdoado Rick muito tempo antes. Acertamos tudo há muito tempo. mas vê-lo tão atormentado enquanto fazia sua confissão trouxe de volta emoções para ela também.Já acertei tudo com o Douglas e agora gostaria de acerta com você. .Mas quero que você fique com o que ‘tá dentro do envelope. é. . Cris reparou que a testa dele brilhava com suor enquanto ele continuava: . .‘Tá bom.Eu.Eu me arrependo muito.. Cris voltou a se sentir embaraçada. . disse Rick. Quer dizer. principiou Cris. ..Não posso dizer que acertamos tudo. ..Muito obrigada.. Eu. aceite isso com meu pedido de perdão. declarou Rick.Quando namoramos. Parecia aliviado. Rick fez sinal afirmativo com a cabeça. Rick ficou sem palavras. Prometa que vai guardar o que ‘tá aí. como você mesmo disse. sabe. . Por favor. . a pulseira do Ted. Ele respirou fundo e continuou: . Agi errado.. eu roubei sua pulseira de ouro. a pulseira que ele deu pra você.. eu prometo. Eu não. como ele também parecia estar. Cris. bem..

Recuperando a compostura. Achei que elogiam mais do que o lugar merece. pegando a bolsa de ginástica e a mochila da Katie. Rick ficou de boca aberta. . disse Rick. . diria que você acabou de tomar uma grande dose da verdadeira Katie. e a expressão dele se iluminou. Katie.Também. informou Katie. Quer dizer. . Cris me mostrou as vantagens de viajar com pouco peso quando estávamos na Europa.Quero saber mais sobre essa viagem. acho melhor a gente ir. Katie adivinhou a pergunta que ele faria a seguir.Acho melhor não fazer vocês demorarem mais. Cris deu uma gargalhada.E à ilha de Capri? .É. . se pensar bem. Rick. Cris e Ted amaram. disse ela. mas eu achei escura e fria. . .Fomos. Não passa de uma caverna escura com água e cantores italianos que alugam barcos. Rick falou: . graças à influência da minha melhor amiga. com água e um bando de homens de chapéu cantando alto em italiano. não foram? . não passa de uma caverna escura. com um sorriso para Cris. Ainda vão percorrer um longo caminho hoje. É só isso? . .É.Fomos. disse Katie. fomos à Gruta Azul da qual você fala tanto.Foram? perguntou. Acho que o que torna a caverna romântica é a pessoa que ‘tá com você. . Agora eu sempre levo pouca bagagem.E sim. Vocês foram à Itália. disse Rick.Você tem razão.

e Rick se virou e sorriu para Cris: . . antes que mencionasse o envelope. Ted comentou: . disse Katie. Parecia até que ele procurava surpresas. Amei Veneza. .A gente se vê depois. . . Tomem cuidado? Por que estou falando como se fosse mãe deles? De volta ao sossego de seu quarto. como quando levou o lanche para o mendigo. pegou o telefone e ligou para o Ted.Vocês fizeram o passeio de gôndola? Rick seguiu Katie rumo à porta. se você quiser falar em romantismo. dirigindo-se para a porta.Ah. O que aconteceu? Você ‘tá bem? Cris resumiu a conversa com Katie e Rick. falou Katie.Tudo bem. acenando sobre o ombro. Sempre temos de deixar espaço para o inesperado. mas mesmo assim fez a pergunta óbvia: . Cris repreendeu a si mesma. você também? Cris assentiu. Tomem cuidado na estrada.Tchau.Eu telefono. Você fez o passeio de gôndola quando esteve lá? Aquilo que é um passeio de barco em alto estilo. naquela manhã. .É isso que acontece quando Deus age na vida da gente. Ela foi contando os detalhes da aventura.Você estava dormindo? . Pela voz dele dava para saber que ela o havia acordado. disse Katie. Cris pensou que na vida do Ted sempre havia muito espaço para o inesperado. Cris acenou. Ao se dirigir para seu quarto. Vamos pra casa depois da igreja. Mas. então vamos falar de Veneza.Eu telefono pra você amanhã. .

Antes de puxar as cobertas.Não.Não sou muito boa nisso. mas tem de cumprir a promessa que fez ao Rick. pegou o envelope e enfiou em um dos bolsos laterais da mala. baixinho. Eu amo você. nem sei se quero abrir. . contemplando o envelope que tinha na mão. é me deitar e dormir um pouco. a calma se estabeleceu nela e no quarto. Rick escrevera o nome dela em letras cursivas. . Acho que o melhor.Você ainda não abriu? . passara algum tempo no bolso do rapaz.Ele fez exatamente isso hoje. . disse Ted.Você não tem de abrir agora. E também não precisa me contar o que tem lá dentro. Não deixo tempo em minha agenda nem em meus compromissos de todos os dias pra Deus fazer suas surpresas. . disse ela. . . Cris deixou o envelope de lado e pôs na mala as roupas cuidadosamente dobradas que estavam sobre a cama. Ficou assentada em silêncio. raciocinou Ted.Tem razão. pequenas.Não há problema. . e contou sobre o envelope que Rick havia lhe dado. gostaria de jogar fora e dar o assunto por encerrado. minha Kilikina. . meu Ted. . eu prometi. Vejo você amanhã de manhã. Depois que Cris desligou. disse ela. Pelo estado do envelope.Também amo você. acho que Deus vai encontrar formas de surpreender você mesmo sem você ajudar.Boa noite. De certa forma.É.Mas Rick não fez você prometer que iria guardar? . agora.Boa noite. Vou cumprir.Boa idéia. . . .

disse Marta. Sabia que Ted jamais a interrogaria sobre o assunto. Ao verem Marta. vou abrir o envelope. . ela e Ted foram de carro para Escondido. Tio Bob abraçou Cris. Não sabia muito bem por que não o abrira na noite interior. Marta passara por várias mudanças pessoais durante aquele ano. Em setembro. No dia seguinte. a falta de maquiagem e a longa saia tipo “indiano” combinados à notícia de que estava pensando em ir para Santa Fé com o novo professor de cerâmica serviram como prova de que a opinião das duas amigas estava correta. . No caminho. quando a churrasqueira a gás de Bob explodira. ela voltou a pensar no envelope. Ela deu dois beijos no rosto de Cris e depois dedicou a atenção ao Ted. Cris e Katie haviam concluído que ela estava meio “pirada”. Cortara o cabelo castanho em um estilo clássico. Deveria ter feito isso enquanto conversava com Ted pelo telefone. Ele e Ted haviam se queimado anos antes. fora até a universidade para almoçar com Cris. Liquidado. como a que ele mandou para Katie. porque assim todo o incidente estaria encerrado. Até o perfume trazia à lembrança de Cris o que ela usava anos antes. A gola alta da blusa escondia as cicatrizes em seu pescoço. Provavelmente é uma carta. depois da igreja. Vamos poder seguir em frente. Mas Cris não havia previsto que seus tios Bob e Marta estariam na casa de seus pais esperando que ela e Ted chegassem. Chegando em casa. O alongamento no cabelo. que formava uma moldura para o rosto. Entretanto Marta não fora para Santa Fé e parecia que ela e Bob vinham se dedicando a melhorar o relacionamento entre eles. Não sei por que estou tão cheia de coisa com esse assunto. mostrar o conteúdo ao Ted e tudo estará acabado.Não aguentamos esperar até o Natal pra ver vocês dois. com pedido de desculpas. e ela reparou que o cabelo escuro dele estava ficando grisalho nas têmporas. para casa.

Avisou que estava pronta para conversar sobre os planos para o casamento. Tudo bem? Deu-lhe um abraço rápido. Fechou a porta. disse Cris. sabia que. pedindo licença ao grupo familiar. Cris não sabia como não havia previsto isso. Uma batida na porta fez Cris pular. Marta sempre apreciara assumir tarefas. Posso entrar? Abriu a porta e deixou seu irmão de treze anos entrar e seu domínio particular.Cadê seus óculos? perguntou. disse ele.Quem é? . Cris abraçou os pais.Oi. seria menos provável que partisse para se unir a seus novos amigos na colônia de arte no Novo México. Cris sorriu para seu tio. . mas estava ficando mais encorpado nos ombros. pois ele nunca fora muito amigo de agarramentos.Sou eu. David já estava quase com a mesma estatura da Cris. sempre paciente. Só de pensar em sua tia forçando a barra e tentando assumir os planos da cerimônia de seu casamento fazia Cris cerrar os dentes com raiva.Volto em um minuto. e ficou pensando em como estariam as cicatrizes que ele trazia no interior. e Cris ficou abismada ao notar como ele parecia mais velho. . e então Marta partiu para a ação. mas agora estava mais louro. Depois saiu da sala e carregou a mala até seu quarto. David.70m. ao mesmo tempo. se Marta tivesse uma missão que a prendesse em Newport ao lado do marido. que ficava no fim do corredor. .Mamãe falou que você vai se casar. Ainda assim. O cabelo dele sempre tivera o tom avermelhado como o do pai deles. . . . Talvez quisesse fazer do casamento de Cris e Ted seu grande evento mais recente. encostou-se a ela e engoliu em seco. decorrentes das feridas causadas pela crise de meia-idade da Tia Marta. 1.

enquanto Ted estava no hospital. . Estou aprendendo muito. você ‘tá lindo demais! Ele deu um sorrisinho desajeitado e falou: .E ainda por cima tem senso de humor! David. . Aí falei pra ela e o papai que só queria um presente de Natal: lentes de contato. disse David. David. disse Cris. respondeu Cris se jogando na cama. Peguei ontem e mamãe disse que eu podia começar a usar porque quero me acostumar com elas durante os feriados. quando foi que você ficou tão legal? .Não. você cresceu tanto! ‘Tá tão bonitinho! Não. dando um grande sorriso para o irmão. . A gente se encontra na pista de skate. Ela deu outra gargalhada e o abraçou de novo. . Sabia que ele ia à igreja com os pais e agora estava alegre de saber desse estudo bíblico com os amigos do skate. bonitinho. . Cris.Mamãe não contou? Quebrei os óculos duas vezes no skate este ano. . como ainda não comprara o presente de Natal dele. parecia uma boa idéia dar-lhe uma Bíblia. um gato. Mas. embora ele não parecesse estar à vontade com tantos elogios e abraços.Sempre fui legal. Onde são as reuniões? . encostando-se na porta fechada. Tem um cara da igreja que vai lá toda quinta-feira às quatro e meia e a gente assenta com ele em algum lugar e ele faz um estudo bíblico. não. Cris estava com David quando ele entregou a vida a Deus. Cris riu.Do jeito que você fala parece que temos um clubinho ou alguma coisa assim.Mamãe contou que estou participando de um grupo de skatistas evangélicos? . David.Você tem uma boa Bíblia? perguntou ela.Puxa. mas agora via que não tinha se esforçado para acompanhar o crescimento espiritual dele.Fico feliz por você não ser daquelas pessoas que julgam os outros apenas pela aparência.

Ainda não decidimos.Vamos. . . Na hora. mas ela tem figuras e não vou levá-la à pista de skate. Cris balançou a cabeça. vai ser daqui a um ano.Ela disse isso? perguntou Cris. Tia Marta falou que você tem de fazer a recepção em algum clube náutico na praia de Newport e mamãe acha melhor na igreja.O que você e Ted querem? David nunca demonstrara tanto interesse e sensibilidade para com Cris. Quer dizer. ajeitando-se confortavelmente em sua antiga cama. . Decidiu que compraria para David uma versão atualizada como presente de Natal.Mamãe disse que. . . . Ele fica só ouvindo. . Cris recordou o dia em que ganhou sua primeira Bíblia “de verdade”. . em seu aniversário de quinze anos.Quer uma? perguntou Cris.Mas Tia Marta disse que vai ser em junho.Um ano? admirou-se Cris. Mamãe e Tia Marta quase brigaram antes de você chegar. . . Tirou os sapatos e dobrou as pernas debaixo do corpo.Acho que sim. O sorriso de Cris ficou mais largo. provavelmente. não tinha achado muito bom.Não. Ganhei quando tinha oito anos.Nada. mas que lhe daria mais um presente.Quando? . Um sorriso de aprovação surgiu enquanto ela comentava: . presente de Ted e Trícia. inclinando-se para frente E o que o papai falou? . . tenho uma daquelas para crianças.Então vocês vão se casar mesmo? perguntou David de novo.

O irmão. arrastou-se pelo corredor atrás dela. . questionando-o com os olhos. . disse ela. Cris olhou para ele. Ele recuou e ficou corado. David olhou para o outro lado. David. Eu amo você. mas. . vou pedir um favor. retrucou David. . Quer dizer. Os dois ficaram em silêncio por alguns momentos. Vocês esperaram muito por isso.Ted ‘tá bem. Cris avançou e deu um beijo no rosto de seu irmão. Cris abriu a porta do quarto e partiu para enfrentar sua temível tia.. esperamos mesmo. talvez você seja a única pessoa a me fazer essa pergunta aqui. bem. disse ele demonstrando não entender por que isso era tão importante. Mesmo através da porta fechada Cris ouvia a voz da Tia Marta se elevando enquanto ela compartilhava com o coitado do Ted tudo que ela pensava sobre cerimônias de casamento.Acho que é melhor voltar pra lá e dar uma força para meu noivo.Não sei o que a gente fala quando alguém fica noivo. Num impulso. Ele não vai deixar Tia Marta passar por cima dele. Levantou-se e se dirigiu para a porta. Você poderia repetir a pergunta na frente de todo mundo? .É. Com o coração leve. .David. eu também.. envergonhado.Tudo bem. o casamento é de vocês certo? E a vida de vocês é vocês devem fazer do jeito que quiserem.É. . hoje. estou feliz por vocês. Assim. e disse-lhe: . .Muito obrigada. David não se moveu. Cris desejou ter tanta confiança quanto seu irmão. envergonhado. Estou alegre por vocês se casarem.

Naquele momento e naquele lugar ele entenderia quantos detalhes estão envolvidos no planejamento de uma cerimônia de casamento. . Ted estava enfiado no meio do sofá entre Marta e a mãe de Cris. Cris teria dado a maior gargalhada. Não fosse pela expressão chocada dele.Finalmente apareceu! exclamou Marta quando Cris e Davi entraram na sala. 5 . com uma pilha de revistas de noivas no colo.

Acabei de contar ao Ted que enviamos para a coluna social do jornal daqui e também da cidade de vocês copias daquelas fotos que Bob tirou de vocês dois no Dia de Ação de Graças. Dirigiu-se para a cozinha e ouviu seu pai e Tio Bob conversando.Vou beber água.Você andou conversando com Ted? perguntou Cris ao tio e foi colocar gelo nos copos. . Mal comecei a falar sobre os preparativos! .Volto logo. Cris concordou e lançou um sorriso de encorajamento a Ted. . melhor. Não quis perder a oportunidade de pôr a notícia a tempo. disse o pai de Cris enquanto ela pegava dois copos no armário.Não. respondeu Ted com a voz espremida. . Eu e Marta teremos a maior alegria em ajudar. .Foi rápido. mas vou dizer a ele a mesma coisa que vou falar pra você agora e que acabei de dizer ao seu pai. Você e Ted já pensaram na data do casamento? .Sua mãe acha que seria melhor vocês esperarem até o Natal do ano que vem. falou Tio Bob.Quanto antes. Alguém quer alguma coisa? .Cristina. Acho que ele não ‘tá preparado pra isso. . Ah. Não se preocupem com dinheiro. . ainda não. levantando a garrafa de água mineral como se fosse propor um brinde. disse Marta. comentou Cris. mas sei que o contato com e a realidade vai fazer bem a ele. não nos abandone! gritou Marta. Coitado do meu Ted. . . informou o pai de Cris. na verdade.Era a hora perfeita.Eu quero. tomei a liberdade de escrever uma nota sobre a história de vocês. Cris não conseguiu evitar outro sorriso. O anúncio do noivado vai sair este fim de semana.Tenho só uma pergunta. com o Natal nesta semana. . .

levou os dois copos de água para a sala e entregou um a Ted. Nem eu nem sua mãe tivemos essa oportunidade. lembrou Bob. .Falta muito pouco pra você concluir seu curso. Cris colocou a revista no chão e sorriu para o Ted. casar depois da formatura do Ted. A expressão dele revelou que se sentia honrado por ela perguntar a opinião dele.Vou colocar flores no cabelo.Corre lá. Não vejo motivo pra você não fazer o último semestre depois do casamento. disse Cris.Eu sei. Presumi que você vai prender o cabelo para mostrar bem o rosto. vocês aí! chamou Marta. lá da sala. . num ímpeto. . e voltar pra concluir o curso no outro semestre. pai. Já disse ao Ted que é melhor a gente só se casar depois que eu me formar. . E você. O tio sorriu e fingiu fazer outro brinde. o que acha? Ele era um homem grande e tranquilo que preferia pensar muito antes de fazer comentários. Estamos esperando aqui.Assente-se aqui. Poderia até mesmo ficar sem estudar no próximo semestre. você sabe o que penso sobre o privilégio de concluir um curso superior. . .Ei. .Venham. Estava folheando esta revista no caminho para cá e imaginei se você já pensou nesse tipo de véu. exclamou Cris. vocês dois precisam participar também. Vocês estão falando sobre o casamento sem mim? . .Estamos. disse Marta.Fiquei sabendo disso. estendendo uma revista grossa para Cris e apontando a fotografia de um vestido de noiva com uma saia ampla. em janeiro. linda! Cris fez um aceno com a cabeça para que o pai e o tio a seguissem. .Bom. . E concordo.

mas que ainda na chegaram a nenhuma decisão. . . Vamos em ordem de importância.Tia Marta. Aparentemente. deixe que eles façam tudo no ritmo deles. No caminho você me disse que ia ouvir o que eles têm a dizer e se oferecer pra ajudar no que eles precisarem. Todo mundo na sala pareceu ter essa reação automaticamente. se escolherem hoje ou amanhã de manhã. Até agora só sabemos que vocês não decidiram sobre as alianças. . Presumo que você vai ganhar anel de noivado no Natal. contem seus planos. em voz mais baixa: mas ela sabe que vai colocar flores no cabelo. na verdade ainda não estamos prontos pra conversar sobre isso. Ted me disse que vocês começaram a procurar alianças. Nem sobre a data.Por que não começamos com a data? sugeriu o Tio Bob. Cris sentiu a conhecida mistura de raiva e mágoa crescer em seu íntimo. . Vocês sabem que eu e Marta ficaremos honrados em ajudar. Acho que o melhor é deixarmos que eles falem. . A tia olhou para Cris. Sabia que era melhor ignorar a farpa. Então vamos. mas imagino que é possível. o mais tardar.Sim.Tem razão. ela olhou para a mãe de Cris e acrescentou.Não vejo problema em acrescentar algumas flores na parte da frente desse véu. . Nem sobre nenhum dos outros pontos essenciais. disse Tio Bob com firmeza.Marta. falou Marta retomando a revista e analisando a fotografia. Nesse momento. Tenho certeza de que você sabe que vai ser difícil conseguir que ajustem as alianças antes do Natal. Ted. aceitou a reprimenda de Bob melhor do que Cris esperaria. Claro. . eu estava falando pra Cris e Norton que vocês não devem se preocupar com os gastos com o casamento. Ted devolveu o sorriso e a expressão de pânico congelada no rosto dele começou a se desfazer. Marta recuou.

no Iate Clube de Newport Bay. que todos os detalhes estivessem planejados para que essa reunião improvisada servisse para elaborar uma agenda baseada em planos feitos com cuidado. Lá estavam Rick e Katie. com calma.Ih! Katie voltou e recolocou a guirlanda no chão da varanda. ho! Você não notou? A coroa despencou! recitou Katie. Esse seria o momento perfeito para ele fazer a pergunta-chave sobre o que Ted e Cris queriam fazer.E a universidade? perguntou a mãe de Cris. Cris desejou que eles tivessem decidido. dependendo de quantas provas sejam necessárias.Rick? perguntou Marta. Como se tivesse sido combinado antes. Deixei na varanda para as folhinhas do pinheiro não sujarem o carpete. . não vejo você há anos! .As pessoas ainda costumam fazer isso? estranhou Marta. sorrindo e cantando com alegria. a reserva tem de ser feita com um ano de antecedência. Eu e Ted a compramos no caminho.Feliz Natal a todos. Cris foi abrir a porta.Ela não caiu. ho. Cris convidou os dois a entrarem. soaram passos na varanda. Além disso. seguidos pelas vozes de um casal de cantores natalinos entoando a plenos pulmões: . segurando uma guirlanda. que parecia preocupada. Marta se intrometeu: . feliz Natal! . . algumas vezes chega a nove meses. mas ainda não chegamos a uma conclusão. Cris reparou que David havia desaparecido. . . digamos. .Conversamos sobre as opções. Desculpe. informou Cris. Rick Doyle? Puxa. leva pelo menos seis meses para fazer um vestido de noiva sob medida. ainda não a penduramos. Mas o encontro estava se tornando uma discussão aberta. .Ho.Vocês sabem que para uma recepção. disse Ted. lá do sofá.

dando um beliscão escondido no braço da amiga.Rick. você não me contou isso. Vocês devem estar com fome.Ela e Rick estavam lá quando fiz o pedido. contou Ted. .Cris.Ah.Vocês não poderiam ter escolhido hora melhor pra chegar! Rick entrou na sala de visitas. Katie. . onde Tia Marta o recebeu com uma longa sequência de perguntas. . . disse Katie bem séria. . O que aconteceu com eles? Ganharam na loteria? .Não.O que vocês acham de eu pegar alguma coisa pra comermos? ofereceu a mãe de Cris. Katie. Rick explicou que administrava o Ninho da Pomba e Marta prometeu que faria uma visita a cafeteria.Eu fiquei me perguntando se seria mesmo o carro de Bob e Marta parado aí na frente.Vou preparar uns sanduíches. oi. . levantando-se do sofá. . Suponho que você já saiba das novidade sobre Ted e Cris. Ela olhou por trás de Cris para ver quem tinha chegado com Rick. respondeu Katie. Cris assentiu e sussurrou: . A tia sempre apreciava fazer sala para as visitas. .Não. você e Rick já lancharam? .Ai! . você estava lá? Parecia que o cérebro de Marta se esforçava muito para encaixar todas as peças. Cris pensou em como algumas coisas nunca mudam. falou Cris.Ela sabe. e a mãe sempre se dedicava a alimentar os outros quando não sabia que outra providência tomar. . cochichou Katie baixinho.

Desde que Bob entregara a vida ao Senhor. pois ela não pensava da mesma forma que ele sobre o cristianismo. isso fora sempre um ponto de tensão entre ele e Marta. Achou que deixar o terreno das decisões do casamento seria bom.Não é isso. por duas vezes. O pai saiu de casa e se dedicou a pendurar a guirlanda. Cris pediu licença. levantou-se e seguiu Ted até a pia. que se levantou para ajudar a mãe dela a limpar a mesa da cozinha. Um grupo vai se encontrar às 6:00h na igreja pra começar de lá. Em voz baixa. Cris trocou olhares disfarçados com seu tio. que ficava a menos de três metros de onde o grupo todo estava. disse Ted. Cris olhou para Ted. enquanto Cris e a mãe faziam os sanduíches. aconteceram desdobramentos que Cris nunca havia previsto.Você ‘tá sugerindo que a gente decida a data do casamento agora. Cris não entendeu isso. Marta interrogou Rick a respeito dos detalhes da vida dele desde a última vez em que haviam se encontrado e ouviu até com certo respeito ele contar sobre seu novo compromisso com Cristo e sobre as mudanças que isso causou na vida dele. . . Durante uma hora e meia. disse Katie depois do lanche. ela aceitara ouvir Cris e Ted explicarem tudo sobre a fé. mas. se inclinando para Cris quando passou perto dela. perguntou: . Ted folheou uma das revistas de noiva de Marta na cozinha. Durante essa conversa. . e poderiam se divertir cantando pelas ruas. parecia desejosa de ouvir o testemunho de Rick.Viemos perguntar se vocês não querem ir com a gente cantar hinos de Natal pela rua hoje à noite. Acho que eles gostariam de conversar mais um pouco conosco antes de irem embora. por algum motivo.Você decide. só pra agradar minha tia? . Daqui à casa de seus tios é uma hora e meia. Com o passar do tempo.

. . Minha e sua. prosseguiu Cris.Quando vocês estiverem preparados. e não tentar resolver todos os detalhes do nosso casamento em uma tarde. disse Ted. mais tarde. Afinal. entendeu que a decisão havia provocado uma noite pacífica demais na casa de seus pais.Acho que precisamos conversar um pouco mais.Não somos obrigados a ir. Quer ir cantar com Rick e Katie? .Acho que sim. dando mais um passo em direção a seu alvo de ser mais decidida. Bob e Marta partiram.Tanto faz. quando ela e Ted estavam lado a lado cantando “Noite de Paz”. E você? Ted encolheu os ombros e respondeu: . não dava para cantar. ‘tá chegando o Natal. . Cris pensou que essa declaração fazia todo sentido. A decisão tem de ser nossa. E. sem convicção. Entretanto. Devemos celebrar o nascimento de Cristo. ela.Acho que seria bom. . basta dizer como querem que ajudemos. David reapareceu e anunciou que pretendia ir ao cinema com Ted. a mãe de Cris guardou de volta no armário uma pilha de jogos que havia preparado.Depende. quando estavam na metade do percurso dos cânticos. disse Ted. Exatamente nessa hora a mãe de Cris se aproximou da pia com mais pratos. falou Cris. baixinho.Concordo. respondeu Cris. . Ficou em silêncio nas duas últimas paradas e disse que a garganta dele doía. Ted começou a tossir. controlando a raiva. . Bob disse: .Então o que vamos dizer a eles? .Claro.Vocês vão sair pra cantar? . Percebendo que todo mundo ia sair. .

Iria demorar ainda mais para fazer um sob medida. Rick e Katie convidaram a todos para irem até a casa dos pais dele para provarem o delicioso chocolate quente que ele fazia. Eu só preciso encontrá-lo. Quem mais se divertiu foram Rick e Katie. ho.Estou exausto. ver anéis nas joalherias. se você quiser ir sozinha. Além disso. Poucas estrelas surgiam por trás das nuvens ralas que pareciam fitas rendadas espalhadas pelo céu de dezembro. . Talvez alguém já tenha fabricado um anel como o que ‘tá em minha mente. mesmo tendo de enfrentar minha tia por mais algumas horas. não tem problema. . Não podíamos estar aqui. rindo o tempo todo: .Que noite! disse Cris. Pareciam íntimos demais enquanto partiam de uma casa para outra. ho. Deveríamos ter ficado em casa. A gente devia ter ido ao shopping.Ho. Bastou olhar uma vez para o Ted e perceber que ninguém o convenceria a ver vitrines naquela noite. era provável que as lojas já estivessem fechadas. também estou muito cansada. Andaram devagar até o carro. Resolveriam isso no dia seguinte. respondeu Ted ao convite. . Cris. enquanto os outros partiam para a casa de Rick.Não. passando o braço pelo de Ted e contemplando o céu. Já eram quase dez horas quando concluíram o percurso com os cânticos. quentinhos. ‘Tá tão lindo! . Cris lembrou-se do comentário da tia sobre o tempo necessário para ajustar um anel. Claro que ela ficou contrariada por ir embora sem respostas. no estacionamento da igreja. Isso foi um grande erro.

Isso ‘tá ficando meio. Concordo. Temos de decidir isso. E você? Quando quer se casar? Devagar e com cuidado.É lindo. Não será bom pra nenhum de nós dois começar a acelerar o motor. . em um abraço apertado. melhor.Sinal vermelho. . Dando um beijo no rosto dela. vamos ficar parados em um longo sinal vermelho. quando você quer se casar? Ela sentiu a respiração quente dele por trás do pescoço entrelaçando dedos invisíveis em seu cabelo: .. bem. Ele destrancou a porta do carro para ela.Acho que é melhor falarmos sobre isso outra hora.Tudo bem.Não sei. O ar frio da noite se moveu e trouxe de volta a sobriedade a Cris. .Quê? Cris se sentia confortável. em outro lugar. .Então. Vários centímetros os separavam agora. disse. disse. entrando no carro. murmurou: . E você também.. Parou ao lado do carro e puxou Cris para ele. continuou e traçou uma linha de beijos no pescoço dele. sonhadora e queria ficar aninhada no abraço quente. Sinal vermelho. Ted se afastou: . disse Ted em voz grave. meio perto demais pra mim. Cris não havia percebido ainda como se aconchegar e dar-lhe beijinhos exercia efeito forte sobre ele. . . é. dando um beijo na orelha dele. Quanto antes. .Até nos casarmos.

divertindo-se. Às 9:10h da primeira segunda-feira de suas férias de fim de ano. foi direto para o quarto de David e se jogou no colchão de ar que a mãe de Cris arrumara para ele no chão. mente e vontade. Ao acordar no dia seguinte. A lista já enchia três páginas quando sua mãe se juntou a ela na cozinha. Cris pensou que seria bom os dois prepararem chocolate quente só para eles e ficarem um pouco à mesa da cozinha conversando sobre o casamento. Só mais alguns meses esperando o sinal abrir. Temos de esperar. Dá pra esperar. maior do que qualquer outro de sua vida. e procurou no fundo do armário até encontrar um caderno em branco. . voltou sem fazer barulho ao seu quarto. deliciando-se com rabanadas e lendo a Bíblia. Mas Ted entrou em casa. Não se ouvia o menor som atrás da porta fechada do quarto de David. o resto da nossa vida será um longo sinal verde. Escreveu na capa Ted e Cris em letras redondas e depois. Durante o caminho para casa. Não se importava de passar algum tempo sozinha. o pai dela saíra às 5:3Oh para o trabalho e a mãe ainda estava dormindo. Vamos esperar. Ela sabia que a despeito de quantos dias separavam aquela noite do dia do casamento deles. E também para planejar. nenhum dos dois comentou os sentimentos fortes. iria enfrentar um grande teste para coração. Era uma oportunidade para orar e pensar. Retornou à cozinha. como estava. disse a mãe. Cris estava sem companhia na cozinha. Como de costume. Cris tomou banho. vestiu-se e preparou rabanadas para o café da manhã. Só de meias. relacionou tudo que lembrou que precisava resolver. Os rapazes ainda não acordaram. Passando à primeira página. Ted cantarolava e batia com os dedos no volante do carro ao ritmo de uma música que ela não conhecia.Pensei que você ainda estava dormindo. desenhou um grande coração em volta dos dois nomes. . Depois. Naquele momento a mente de Cris ficou mais clara com o frio de dentro do carro. fez uma xícara de chá e batizou o caderno de organização do casamento.

você ‘tá queimando de febre. Dez minutos depois. falou a mãe de Cris.Parece que você ‘tá gripado.Combinei com ele que iria hoje pra casa pra passarmos algum tempo juntos. ouviu a porta do quarto ser aberta no corredor. . assoando o nariz.Mas você ‘tá doente. Sente dor de garganta? Ted fez sinal afirmativo com a cabeça. Começou a tossir.Eu levo pra ele.Eu não sabia disso. . Estão no microondas. Vou levar chá quente pra você. que delicia! Muito obrigada! Antes mesmo que a mãe se assentasse ao lado dela a mesa.Acho melhor você voltar pra cama. se você quiser pode esquentar e comer. . Não vai ser nada bom para o seu pai você passar a gripe pra ele.Ih. . Cris olhou sua longa lista e pensou em tudo que planejara fazer nos dias seguintes.Ah. Não sabia que vocês estavam aqui. Pensei que você pretendia passar a semana toda aqui.Por que você vai pra casa de seu pai? quis saber Cris. pulando da cadeira. Ted surgiu. . . querido. quando viu Cris e sua mãe. me desculpem. Fiz uma porção de rabanadas. Achei que um banho me faria melhorar da sinusite. Posso comprar no caminho pra casa do meu pai. . . Ted apoiou-se no balcão da cozinha e disse: . quero só um pouco de suco. disse a mãe de Cris. mãe. Quer tentar comer alguma coisa? . Puxa. disse. alguém ligou o chuveiro. ..Não.. mas. avançando e colocando a mão na testa do Ted.E acho que não vai ser bom pra sua família se eu ficar. falou Cris. ele não vai trabalhar esta semana.Por que você não fica aqui até melhorar? perguntou a mãe. .Tem muita coisa na minha cabeça. Em seguida. . .

Tome outro banho. disse Cris.Volte um pouco pra cama. uma caixa de comprimidos para a gripe e remédio para tosse. com os olhos fechados. em hibernação profunda. . sugeriu David. pediu ele. . . . .Fique só esta noite. . E lá permaneceu o dia inteiro. termômetro. . havia vestido um moletom azul-marinho e puxado o capuz para cima da cabeça. .Vou levar suco pra você. Parecia determinado a suar até eliminar de seu organismo o último vestígio da gripe. Acho que quando acordar a febre já vai ter passado. Ted concordou.Vou ficar deitado por mais uma hora. Cris sentia-se mal por ter dado mais importância às tarefas do que à saúde do noivo. David já havia se levantado e se vestido. aconselhou Cris. carregou até o quarto uma bandeja com suco de framboesa.Só água. insistiu a mãe. Cris voltou com a água. Ted não quis nada. Agora precisava convencer todos os quatro membros da família Miller. pontuada ocasionalmente por um acesso de tosse. Estava todo encolhido.Você precisa de muito líquido. . Ted virou a cabeça e cobriu a boca enquanto tinha outro acesso de tosse. ele tomou apenas um gole e virou para o outro lado. de forma que Ted ficou com o quarto todo para ele.Que tosse horrível! disse ela. Nem o suco. Todos estavam jantando quando ele emergiu de sua caverna e anunciou que ia para casa. pelo menos por mais algum horas. sugeriu ela. Minutos depois. caixa de lenços. pano úmido para testa.

só olhar.Tire seu moletom pra eu lavar. Cris não pôde deixar de concordar. Ted colocou suas coisas no carro pouco depois das 7:00h da noite.. Entrando no carro.Tenho..Ouvi você dizer ontem à noite que pretende ir ao shopping com sua mãe esta semana. .Estou bem. Apesar de outro turno de protestos. . preferia se cuidar sozinho. ele disse: . . . Achei que você já tinha uma noção bem clara do que quer.Vou esperar até você poder ir comigo. disse a mãe. . mas não conseguiu evitar que a pergunta saísse de seus lábios: . Cris não pretendia deixar seus pensamentos escaparem. Posso assumir o controle. mas já era tarde. Cris entendeu então que ele. Por que você não dá uma olhada nas joalherias de lá? Comprar seu anel de noivado com sua mãe não era bem o que Cris desejava.Você não vai comprar.E o anel? Percebeu logo que era muito egoísmo e falta de consideração. Cris foi com ele até a frente da casa. colocando o cinto de segurança. deixou os outros cuidarem dele. provavelmente nunca tivera ninguém para mimá-lo quando estava doente. disse Ted. mas.Encontro com você na casa de Bob e Marta na véspera do Natal. filho único que morou desde pequeno só com o pai divorciado. pois Ted não estava nada perfumado. Quando o assunto era gripe. Você tem alguma roupa limpa pra vestir depois do banho? Ted parecia irritado. . mas era diferente. . Depois do acidente de carro. A aparência dele era terrível. Obrigado por terem deixado eu dormir.

Só quero que pense em melhorar. Já estava com saudade. Cada vez que apertava. disse Ted. Cris não gostava de se ajustar. . Ted lhe dissera que o futuro deles juntos seria repleto de ajustes. Cris observou o carro azul deles descer devagar pela rua. Será que vou sentir isso o resto da vida? Toda vez que ele partir. e o som da tosse era terrível. por ser compreensiva. Cris também apertou a mão dele três vezes. Podemos conversar na véspera do Natal. Cris não se lembrava dele tê-la chamado de “amor” antes.Não se preocupe com isso.Olha. repetindo mensagem. Cris reconheceu que ele se esforçava para ser compreensivo e paciente. Sentiu-se mal por ter até mesmo pensado no assunto. vai parecer que uma parte de mim foi com ele? . recordou que 1 Coríntios 13 descreve o verdadeiro amor como “paciente”. cuide-se bem. Ted deu ré devagar pela entrada da garagem. cobrindo a boca. mas não tinha escolha. segurou-a e apertou-a três vezes. dizia: . Suponho que ainda vai demorar um pouco pra você tomar a decisão final. Obrigado.Sempre cuidei. quero que você compre um anel de que goste muito. mas em lugar de dar-lhe um beijo de despedida.Certo. Por favor. acho muito gostoso. Além disso. disse. .Eu te amo. Ele pegou a mão dela. amor. Eu não preciso olhar tudo junto com você. . .Amo você. . Isso assumiu significado mais profundo para ela agora que entendia que seria obrigada a adiar a procura do anel. Nós nos veremos na quinta-feira.

ele pensa que sempre cuidou dele mesmo.” Ted parou na esquina e buzinou três vezes. Fora ao shopping de manhã com sua mãe e as duas haviam olhado várias vitrines de joalherias.É. Por favor. antes do Natal. 6 Terça-feira à tarde. E. “Pai. mas sei que quem o guardou foi o Senhor. cuida dele hoje. por favor. Senhor. Além disso. . folhearam um livro com modelos de . Cris sorriu. eu também amo você. Cris já tinha uma boa idéia de como queria que fosse seu anel. Não deixes nada de ruim acontecer com ele. seu bobão. manda teus anjos cuidarem do meu Ted no caminho para a casa do pai dele hoje. Fizera um esboço no caderno de organização do casamento e colara na mesma página três fotografias tiradas de revistas.

. .Estou bem. .Vou melhorar. . horrível. e ele nunca reagia bem a isso.Talvez fosse bom você ir ao médico. A voz de Ted demonstrava traços de irritação. Pode ser uma infecção na garganta. O que quis dizer é que você parece estar feliz. Você não disse que sentiu dor de ouvido? Quando o vírus se aloja nos ouvidos pode causar uma infecção. . contando ao Ted tudo que tinha feito. disse ele. Espero que você melhore logo. A gripe ‘tá demorando muito pra ir embora. .É.Eu sei. Cris percebeu que estava sendo protetora. Tenho certeza de que vou estar ótimo daqui a alguns dias. . . disse ela.E a sua. respondeu Ted. Não me lembro de quando foi a última vez que me senti tão mal. .Tem certeza de que você não fingiu essa gripe só pra escapar de passar a semana toda aqui planejando comigo? . em voz rouca. retrucou Cris. Antes do jantar. Cris. Que bom que você e sua mãe conseguiram tempo pra sair juntas e resolver algumas coisas. Cris passou muito tempo ao telefone.Não há nada de fingimento nessa coisa abominável. estou mesmo.Desculpe. disse Ted. .Sua voz ‘tá animada.convites em uma papelaria. . sugeriu Cris.Você ‘tá dizendo isso porque ‘tá feliz de não ter sido arrastado para o shopping hoje. e só tomando antibiótico pra sarar. falaram sobre a cor do vestido das madrinhas enquanto tomavam sorvete e obtiveram informações sobre o preço do aluguel de smoking. Já terei sarado quando nos encontrarmos na quinta-feira. Cris não conseguiu resistir e implicou com ele.

. . . De mãos dadas e sorrindo.Amo você. Ela sorriu e retribuiu os apertos. parem com isso.Estou me sentindo muito melhor.Ei.Espetáculo? repetiu Ted em seu cochicho rouco.Também senti saudade de você! Ficaram na cozinha. dirigiram-se para a entrada da casa. disse ela. . abraçados. vamos. disse Ted. Tia Marta estava ao lado do carro e olhou para os dois com ceticismo.Estou impressionado. Cris deslizou a mão até pegar a de Ted. Quando foi que você começou a usar palavras como “espetáculo”? perguntou Ted. . David entrara na cozinha carregando o saco de dormir e a mala e exagerava no esforço de passar em volta deles. .Senti tanta saudade de você! disse ele. balançando-se devagar. .Papai pediu pra vocês ajudarem a pegar os presentes no carro. Quando Cris chegou com sua família à casa de Bob e Marta.Você ainda ‘tá doente? perguntou David. Cris riu tanto do irmão quanto da risada de laringite do Ted . . e em seguida deu uma gargalhada horrorosa. David. e ele a apertou três vezes. Ted tomou-a nos braços e a segurou perto dele. Ted encolheu os ombros e sorriu encabulado. sem vontade de sair de lá. com uma voz que não passava de um sussurro cheio de areia. chegando mais perto e dando um beijo no rosto dele. vocês dois.Vocês estão dando um espetáculo. como se tivesse guardado a voz no lugar errado e agora não conseguisse encontrar. . A previsão dele acabou sendo mera ilusão. .O que aconteceu com sua voz? devolveu David. informou David. .

colocadas à frente das cadeiras. .Foi buscar nosso jantar da véspera de Natal.Tenho alguns assuntos a tratar com vocês agora mesmo. . Ted. Marta depositou a sacola no chão e apontou para a mesa de cedro no canto da cozinha. por instinto. . falou Marta.Acho melhor ajudar meu pai a descarregar o carro primeiro.O quê. . pegou uma sacola cheia de presentes e seguiu Ted e Cris até a cozinha. não teria ido até a casa da Cris pra não transmitir a gripe pra vocês. Bob vai preparar para nós e vamos comer às seis horas. Quer dizer. . como se preparadas para uma reunião de negócios. A última coisa de que Cris precisa é ficar doente. Depois.Espero que você não a tenha beijado. Cris reparou em várias pilhas de papel grampeadas com cuidado. Marta se satisfez com a resposta e esperou o pai de Cris passar para os dois a bagagem que estava no carro.Onde ‘tá o Tio Bob? Cris sabia. . Não sei como não ficamos todos gripados depois que nos encontramos com você domingo. . que seria bom ter o tio por perto quando Marta partisse para cima deles. disse Cris. nossa conversa. Encomendamos tudo no D’Angelo’s este ano. cautelosa. A voz fina e patética do Ted deu um toque a mais à expressão de arrependimento no rosto dele. apenas alguns pontos de que precisamos tratar. . Isso nos dá pouco mais de uma hora para nossa reunião. por favor. venham para cá.Vou fazer café. . .Ah. Pensei que podíamos nos assentar e falar disso agora. Assim que acabarem.Se eu soubesse que estava ficando doente. por exemplo? indagou Cris.

Tem mais alguma coisa pra trazer? indagou Ted. pendurado em um dos ramos mais baixos da árvore. como se estivesse ao ar livre. Todos os enfeites eram vermelhos. . Marta se superava e mudava o tema da decoração todos os anos. por milagre.Devo começar dizendo que tomei a liberdade de telefonar para o meu clube essa semana e descobri que. por algum motivo. respondeu o pai.Não. Ao lado dele havia uma maçã presa com uma fita xadrez em vermelho e branco. Trazia o nome de David. Não abri o envelope. mantida no lugar por laços de veludo vermelho. fez com que ela se lembrasse do envelope que Rick lhe dera. Desta vez. Do teto pendiam pequenas lâmpadas brancas semelhantes a pingentes de gelo. Nem sei onde o coloquei. esperando por ela. Marta partiu para a ação. lá da cozinha. Em cada ramo da árvore brilhavam mais lâmpadas minúsculas. Alguém pode tirar esta sacola daqui pra eu não tropeçar? Cris pegou logo a sacola que Marta largara no meio da cozinha. O café esta pronto. Preferira usar apenas duas cores nos enfeites: vermelho e branco.Cristina! chamou Marta. Cris ia retornar para a cozinha quando reparou em um envelope preso com uma fita listrada de vermelho. montada no lugar de costume: diante da enorme janela que dava para a praia. Havia inclusive alterado as cortinas. tirou de dentro os presentes e arrumou embaixo da árvore. Cris respirou fundo e se dirigiu para a cozinha. Levou para a sala. com uma guirlanda de veludo branco no topo. acabou. Ted. Cris examinou um pequeno trenó pendurado em um dos ramos. . mas. seus pais e Marta já estavam assentados. . Assim que Cris levou a cadeira para perto da de Ted. houve um cancelamento para o último fim de semana de . . O pai de Cris entrou carregando uma porção de objetos e a mãe veio logo atrás. escolhera um pinheiro grande que se encostava ao teto e espalhava pela sala um aroma suave.

Espere um pouco. Ela e Ted devem fazer a festa no melhor lugar disponível para o dia mais importante da vida deles. Não conheço lugar mais agradável para a recepção do que o Country Clube de Newport. como vocês podem imaginar. Você não pode estar falando sério.. Estava tudo lindo. Margaret. só havia outra vaga no final de novembro e. Vocês conhecem? Cris lançou um olhar atônito para sua mãe. Vaga pra quê? Do que você ‘tá falando? Marta apontou o primeiro item da agenda impressa que estava sobre a pilha de papéis em frente de cada cadeira.. veriam isso como um sinal de Deus mostrando que vocês devem se casar no último sábado de junho.. assentada na cadeira à sua frente.Ginásio! exclamou Marta. com firmeza... . interrompeu Cris. mais do que todo mundo. Você não percebe que foi um pequeno milagre eu ter conseguido o Country Clube de Newport em junho? Marta voltou-se para Cris e Ted.Nossa igreja faz sempre recepções no ginásio. A recepção poderia ser no ginásio.Pensei que vocês dois. Claro que fiz a reserva. Tive de fazer um deposito considerável. .junho. em Escondido. implorando com os olhos: .. interrompeu Marta. . de primeira classe. A mãe falou: .Reserva para a recepção do casamento de vocês. . olhando incrédula para sua irmã. Fui a um almoço lá há alguns meses. Cris merece um casamento elegante. . mas. Lá na igreja tem muitas mesas redondas e as toalhas seriam.Eu e seu pai achávamos que vocês iriam se casar em nossa igreja.Não quero nem ouvir falar nisso. Não vai querer que sua única filha faça a festa do casamento em um ginásio! . Penduraram samambaias nas tabelas de basquete e.

Faria qualquer coisa por você.Não falei de mim. Ted recostou-se na cadeira e quebrou a tensão dizendo. Trata-se do casamento da minha única sobrinha. inclinou-se sobre a mesa. Cris não sabia nem por onde começar a contradizer a tia. . Ted. Estou me referindo ao Noivo. Amo você como se você fosse meu filho. Essa foi a última vez que ouvi você espiritualizar uma situação. E vai aparecer em qualquer lugar em que eu e Cris estivermos no dia em que prometermos dedicar a vida um ao outro. Sua mãe parecia ter recebido uma ferida mortal e seu pai contemplava a caneca de café. O rosto de Marta ficou vermelho. em seu cochicho rouco: . A expressão de Marta revelou que ela não apreciara o comentário. Você sabe disso. . Então continuou: . Levantou-se e apoiou-se na mesa. Ele ‘tá aqui conosco agora.Tenho certeza de que o Noivo irá a qualquer lugar em que realizarmos a cerimônia. lhe daria qualquer coisa.Claro que você irá. com os olhos em fogo. . Bem.Não estamos tratando aqui de sua visão celestial sobre todos os assuntos. Jesus Cristo. Isso é que realmente importa. Mas você nunca demonstrou a menor consideração nas coisas que são mais importantes para mim. Estou oferecendo meu tempo e meus recursos para ajudar criar um dia inesquecível para vocês. venho me controlando há muito tempo. Seguiu-se um momento do mais profundo silêncio. E o que recebo em troca? Desrespeito. mas não dá mais para ficar calada. O problema não é esse. Os nós de seus dedos ficaram brancos com a força que fez. isso é o que penso? Ted ficou em pé. .Ted. falta de consideração e de educação.

. Peço desculpas. Marta.. carregando uma grande caixa branca com o bolo. com a mandíbula cerrada.Magoei você.Acho melhor recomeçarmos. Ted. Com um aceno e uma risadinha afetada. Marta falou: . Papai Noel e seu ajudante chegaram! Trouxemos um jantar de qualidade pra vocês! E esperem até ver a sobremesa.Ho! Ho Ho! ouviu-se uma voz alegre e a porta da garagem foi aberta. . sem revelar o que brotava de seu coração. Não dei valor ao seu grande esforço. .Você tem razão. Ted pigarreou e tentou prosseguir. Marta continuou a olhá-lo fixamente. Cris pensou que sua tia havia se transformado em um robe e cuspia frases que ouvira antes. Marta inclinou um pouco a cabeça e. . a voz dele falhou e se transformou um cochicho mais alto.. Errei. Talvez essa fosse a forma de conversar sobre os problemas na colônia de arte. A expressão em seu rosto demonstrava sinceridade e expectativa.Isso não apaga minha ofensa. Por favor. em voz baixa. Gostaria de pedir perdão pela insensibilidade e desconsideração diante de tudo que você faz por mim e pela Cris. . disse: . Acho melhor fazermos um intervalo de cinco minutos e depois nos reunirmos de novo. nos esforçando para nos comunicarmos em um nível de respeito mais elevado. Permaneceu rígida e fitou como se tentasse descobrir se ele estava sendo sincero ou se mais uma tática espiritual para acabar com as defesas dela. Sinto muito. Vamos todos respirar fundo e continuar de onde paramos. . Estamos todos com as emoções à flor da pele. Bob parou imediatamente e analisou o impasse em torno da mesa da cozinha. Ted esperou.O que aconteceu? perguntou David. me perdoe.Não se preocupe com isso. Marta não sabia como reagir. que veio logo atrás de Bob.

Posso fazer chá? pediu Cris. E você. com ar de interrogação. David!” . Eu levo o chá para vocês. sugeriu Bob a Cris. esfregando as costas do Ted ao passar por ele. . Cris balançou a cabeça ligeiramente e fez com a boca: . Bob assentiu devagar. Você sabe onde ‘tá. de hortelã. aproximando-se da cafeteira elétrica e servindo-se de outra xícara. A mãe dardejou a ele um olhar que dizia: “Não faça esse tipo de pergunta. Tomada de nova determinação. Fique à vontade. .Tudo bem. . colocando as sacolas com a comida sobre o balcão. .O jantar ainda vai ser às 6:00h? quis saber Bob. disse Cris. Pode ser de hortelã? Ele concordou. Ele a contemplou em silêncio. Foi o tempo de Cris pôr a chaleira no fogo e Marta voltou à mesa e anunciou que já podiam prosseguir. Marta pegou mais uma vez a agenda e deixou o primeiro assunto para o final. . Ou será melhor passarmos para mais tarde? .Chá. disse Marta. . Ted? Quer alguma coisa quente pra aliviar sua garganta? Ou prefere gelado? Temos de tudo. Talvez você goste.Que foi que perdemos? indagou David.Acho que 6:3Oh será melhor. Acabamos de começar.Vou fazer.Claro. Os olhos de Cris se encontraram com os do Tio Bob. . respondeu Bob. Comprei ontem um chá especial de Natal.Vá lá e assente-se.

Como já mencionei.Massa! disse David olhando sobre o ombro de Cris. De volta aos primeiros dois pontos.Vamos direto para o terceiro item.Que são essas coisas em cima do bolo amarelo? Skates? perguntou a mãe de Cris. Cris sentiu vontade de protestar contra o uso de skates na decoração de um bolo de casamento. Ninguém concordou. Aparentemente. porque ela entrevista os casais. Pelo menos não naquele momento. mas sabia que era melhor não contrariar sua tia. A apresentação dela durou quinze minutos. Alguém tem perguntas? Não houve movimento nem som. O bolo. David foi assistir à televisão. nem a contrariou em nenhum dos outros sete itens. Na terceira e na quarta páginas da apostila de vocês. Como será que fazem as rodinhas pretas? É um bolo de aniversário? . A confeitaria dela ‘tá fazendo muito sucesso. . . Bob trouxe o chá para Cris e Ted e depois passou a trabalhar em silêncio na cozinha enquanto Marta percorria o restante da lista. Marta se acalmara. para que Ted não tivesse a idéia maluca de usar pranchas de surfe no bolo deles. descobre o que é importante para eles e cria um bolo especial para eles. apresentou suas opiniões com entusiasmo. sem interrupção. Todas as fotografias são de bolos de casamento. Nesse caso. Agora vamos à discussão dos assuntos. há copias coloridas de propaganda de bolos de Emilie. nem discordou. O nome dela é Elisa e marquei para nos encontrarmos com ela sábado às duas horas. o noivo era arquiteto e conheceu a noiva quando fez um projeto de uma pista de skate em uma cidade chamada Soland Beach. O ponto número dois é a organizadora de casamentos que me ajudou a reunir todas essas informações. me adiantei e reservei o clube para junho. . . Ninguém mais disse nenhuma palavra. Perguntei porque também achei esse muito diferente.Não. . Não faz dois bolos iguais.

ele se assegurou de ser ouvido. é apenas o começo. Isso parecia ser o mais importante. Vocês sabem. E os dois decidiriam porque.Muito obrigado. Marta. Mesmo que fosse necessário passar as duas noites seguintes acordados. 7 . Mesmo se Ted perdesse por completo a voz e só pudesse se comunicar por linguagem de sinais. . planejariam antes das duas horas da tarde de sábado. É nisso que Elisa vai ajudar. naquele exato instante. Cris abrigava tantos sentimentos conflitantes que não ousou dizer nada. era o casamento deles. no sábado. afinal. Cris decidiu. algumas ou nenhuma das idéias de Marta. Isso vai ajudar a gente a decidir e organizar tudo.Fiz tudo com prazer. fariam seus próprios planos. Se precisassem sair para conversar. quando e como se casariam. que ela e Ted encontrariam tempo no dia seguinte ou na metade do outro para conversarem sobre os planos para o casamento. “Organizar tudo” poderia significar que eles aceitariam todas. Tomariam decisões sozinhos sobre onde. Mais uma vez foi Ted o corajoso. Cris pensou que ele escolhera muito bem as palavras. . Temos muito mais coisas a planejar. só voltariam depois que analisassem todos os itens da lista deles. Mesmo com tão pouca voz. Agradeço muito. Você se esforçou muito pra fazer tudo isso. E a parte que ela ouviu foi o “muito obrigado”.

Conversaram no estacionamento durante quase dez minutos e aí Cris sugeriu que fizessem as compras enquanto colocavam o assunto em dia. Katie empurrando o carrinho.Temos uma data provável. fomos nos encontrar com a organizadora. Cris verificou a lista de compras e colocou um saco de maçãs dentro do carrinho. depois do Natal. . é independente. disse. mesmo com ele mal conseguindo falar. respondeu Cris. As duas não tinham se encontrado desde a noite em que saíram cantando pelas ruas. Katie e Cris haviam retornado à Universidade Rancho Corona para concluir os preparativos para a viagem evangelística do grupo de jovens do Ted ao México. Cris continuou a resumir os acontecimentos do fim de semana na casa de Bob e Marta. quando foi que vocês contaram para sua tia que não querem fazer a festa no clube? . Ela não é do clube.Então. . mas vamos contar. mas haviam combinado pelo telefone se encontrar na frente do supermercado que ficava no sopé da colina sobre a qual se localizava a universidade. . Gostei dela. Entraram no supermercado. . Passamos horas conversando sobre tudo isso.Nem depois de toda essa conversa vocês conseguiram chegar a um acordo sobre a data do casamento? . será que posso perguntar que data é essa? Ou vocês vão esconder de todo mundo? . Deu várias idéias muito boas. Você e Ted se encontraram com a organizadora do casamento no sábado mesmo não querendo se casar no clube? Era segunda-feira. em um tom muito mais positivo do que sentia.Ainda não contamos. disse Katie. .Em minha condição de sua melhor amiga e provável madrinha. detendo-se no meio da seção de verduras e frutas do supermercado.Espere um pouco.Sim.

.Não é segredo. Perto da capela. não. na semana que vem. não diga nada até podermos confirmar. comentou Katie. É lá que queremos fazer a cerimônia e a recepção.Você ‘tá brincando! . .Não estou. . É a madrinha. Katie. Considero uma honra ser sua madrinha. por favor. se você quiser.Mas vocês.Claro. Estou completamente perdida aqui. Queríamos ter pelo menos uma semana para a lua-de-mel e só seria possível nessa época.É. . . a única data adequada era 22 de maio. Ou melhor.Espere um pouco.Porque ainda não sabemos se a campina estará disponível.Eles querem. eu gostaria que você fosse. E você é mais do que provável madrinha. Que campina? Katie parou de empurrar o carrinho e parecia que só voltaria a se mover depois que Cris explicasse tudo. Mas tenho de perguntar: como vocês escolheram esse dia? Pensei que Ted queria casar logo. Mas ainda não entendi uma coisa. Acredite. faz sentido. . . É nove dias depois da minha formatura e nove dias antes do Ted começar a trabalhar em tempo integral na igreja para o próximo verão. mas você é a única que sabe e. É lá que queremos nos casar. . Katie inclinou a cabeça de lado e examinou o rosto de Cris. Fico muito lisonjeada. É dia 22 de maio.Aquela campina da universidade. . .Analisamos todos os finais de semana daqui até o próximo Natal. Temos de esperar os funcionários da administração da universidade voltarem a trabalhar.O que seus pais pensam sobre isso? Eu achei que eles gostariam que a cerimônia fosse na igreja deles. em Escondido. . Por que vocês não falaram pra todo mundo que haviam decidido sobre a data? .

Será que ele já vai ter sarado no dia da viagem para o México? .Não. Ele já ‘tá bem. O recheio faz ficar tudo junto. Cris empurrou o carrinho até a prateleira dos pães e jogou dentro cinco dos mais baratos.É meu novo favorito. com molho feito com o recheio do peru e framboesa? Agora quem inclinou a cabeça e examinou a amiga foi Cris.Agora conte como foi seu Natal. Não tenho muito mais a contar sobre nossos planos. pelo menos um dos itens importantes já foi decidido. declarou Cris. Rick gosta de pão branco. e empurrou o carrinho até a prateleira de manteiga de amendoim e geléia. . . mas deve ser muito gostoso.Vai. Cris pediu a Katie para pegar três vidros de manteiga de amendoim e falou: . disse Katie. meu tio nos ofereceu o apartamento dele em Maui para a lua-de-mel. Mas só dá certo em pão branco.Exato. . colocando a manteiga de amendoim no carrinho. Ah. Como correu tudo com o Rick? . . .Queremos nos casar na campina.Ótimo. . . . Katie sorriu. Você já provou sanduíche de peru. E já contei que precisamos reservar a campina antes de marcar a data. A voz ‘tá quase normal. Não fomos a nenhuma joalheria. A mãe dele fez uns sanduíches deliciosos com sobra de peru e pão branco no dia seguinte ao Natal. Você não colocou manteiga de amendoim na lista? Acho que a geléia mais barata é esta de uva.Você se importa de trocar um dos pães integrais por branco? perguntou Katie. Maravilhoso.E aí dar a notícia chocante à sua tia e a todos os outros. respondeu Katie. então ainda não temos anel. Mas você ainda não acabou de contar sobre você e Ted.Bem.

Estou falando sério. . respeitar e cuidar e todo o resto. que vêm em caixas individuais. A expressão de Katie criou na mente de Cris uma imagem de borboletas “lançadas” e flores “arremessadas”. tudo se embolando pelos ares sobre a campina. quer vocês digam “Sim” ou “Eu prometo”. Estaria eu fazendo uma suposição correta se dissesse que devo planejar remessar meu buquê em sua direção? . Ou.O quê? .Conversamos sobre os votos ontem à noite. . No instante em que os noivos dizem “Sim” os convidados abrem as caixas. para ficar diferente. .Tenho certeza de que as borboletas bateriam suas asinhas no momento certo. Achei uma idéia bem legal.Nem ouse sugerir isso pra minha tia! Ela já tem uma longa lista de idéias criativas para o bolo. Analisou os preços das latas de molho de tomate.Nós não vamos dizer “Sim”. Vi na televisão.Sabe. Cris fez sinal a Katie para empurrar o carrinho até a seção dos enlatados. se você quiser guardar as borboletas para o final. Cris riu da sugestão da amiga: . . . interpôs Katie. o véu e o buquê. Decidimos que vamos dizer “Eu prometo”. Cris encarou a amiga. porque isso deixa mais claro que estamos fazendo um voto de amar. A noiva encomendou borboletas. falou Katie. Katie. . pode fazer um lançamento no mesmo instante em que arremessar o buquê. brincando. afirmou Katie. se vocês se casarem na campina. Parecem aquelas embalagens de comida chinesa para viagem. podem soltar borboletas.Agora me diga.

vou comprar pastilhas para tosse. Vou telefonar pra ela hoje à noite.É meu novo versículo. Pega daquela marca da direita. mas não coloquei nenhum remédio para tosse. respondeu Katie. . Três. Levamos só dois segundos pra decorar. versículo 8. “O Senhor cumprirá seu propósito para comigo. da versão NVI. .Não tenho. . Douglas também vai. .” É isso aí.É mesmo. “O Senhor cumprirá o seu propósito para comigo”. conjeturou Cris. .Talvez ela nem consiga ir. .Não precisa. Trícia ainda pretende ir? . Seria bom levar também para o México. . Você tem chiclete ou alguma balinha? Minha garganta ‘tá muito seca. .Seis dessas grandes aí na prateleira de baixo. tentando interpretar a resposta da amiga. Quando passarmos pelos remédios. Quantas latas de molho de macarrão você quer? Cris olhou a lista. .Quero. Não conheço ninguém que coma mais do que ele. Não seria nada divertido pra ela no México com enjôo.Espero que ela não esteja enjoando muito. Cris levantou as sobrancelhas. só para ter certeza de que não vai faltar. Arrumei um kit de primeiros socorros. E acho melhor pegar mais uma lata de molho. falou Katie.Pode jogar para o lado que você quiser. ‘Tá no Salmo 138. disse Katie. é mais barata. Eu e Rick o encontramos durante o fim de semana.Quer dessas embalagens gigantes de espaguete? . Quer que eu vá comprar pra você lá no caixa? . Não é incrível? Decidi transformar esse versículo no lema da minha vida.Ouvi dizer que ela pretendia.

São só quatro dias. mas ele ‘tá com dificuldade pra fazer a escala do fim de semana. no quarto delas. o orfanato precisa de muita ajuda. lembrou Cris. compraram uma pizza e voltaram ao quarto delas. Podia muito bem ter começado semana passada. Tenho a sensação de que vou gostar muito de trabalhar lá. nem imagino por quê!”. Quer dizer.Talvez Rick tenha de voltar antes. . Especialmente depois da confusão que acontecera mais de uma semana antes.Queria que Selena e o resto da turma dela já tivessem retornado dos feriados de Natal pra ir conosco. Entretanto um pequeno detalhe consumiu a atenção delas.Você ainda pretende ir trabalhar lá? indagou Cris. . . Começo logo depois do ano-novo. . O problema de ser gerente do Ninho da Pomba é que ele é o responsável. Deixaram todos os mantimentos na cozinha da igreja. a não ser que você ainda precise da minha ajuda pra cozinhar e todo o resto. Eu poderia voltar com ele. Já aprendi tudo que preciso saber pra começar a anotar os pedidos. não vamos ficar lá muito tempo. Cris mordeu o lábio.Pretendo. Quase disse “Ah. .Eu sei. Pelo que Ted falou. Infelizmente. se você precisar voltar antes. Cris esperava que Katie se abrisse mais. Katie não revelou muito mais sobre seu relacionamento recém-iniciado com Rick. O resto das compras correu com tranquilidade. comentou Katie. Não sei se contei. não tem problema. . porque fiquei lá com o Rick todos os dias. . mas não queria colocar em risco a comunicação com Katie.Podemos programar outra viagem na primavera. E pode ser que ele consiga resolver tudo pra gente ficar o tempo todo. sabe? Eles precisam mesmo de mais ajuda nos dias de semana. .

carregando o objeto que agora Katie contemplava. Amarrou nele uma longa fita vermelha que corria por toda a casa. cheia de risos. com a caixa de pizza na mão. a velha prancha de surfe do Ted. Dá vontade de chorar! E sabe de uma coisa? É até meio confortável. Pelo menos eu acho que é. Tivera a idéia enquanto se recuperava do acidente e trabalhara durante várias semanas na casa de seu pai antes de descobrir a combinação certa das partes para manter a prancha no lugar . apesar da rouquidão. com um grande laço vermelho. Cris não precisou perguntar o motivo da parada e do olhar fixo. quando abriu a porta da garagem e viu o sofá feito só para ela depositado lá. Foi ele mesmo quem fez.. . ficou sem palavras. curiosa para saber o que a esperava. um sofá. . Já sabia..Como assim. é. autêntica e cheia de lembranças que já vi.. olhando para Cris com expressão deliciada. . Ted deu um jeito de juntar os dois e agora. Cris foi seguindo a fita. Ted fora com ela de manhã até o quarto. de boca aberta. Ted. Cris forçou um sorriso. Ele escondera o sofá artesanal na garagem da casa de Bob e Marta. não conseguia parar de falar sobre sua obra. O encosto é a Naranja. E o assento veio da Kombinada.É o presente que Ted me deu no Natal. Mas. Katie destrancou a porta do quarto e imediatamente ficou congelada no mesmo lugar. disse Cris.Ohhhh! É a Naranja? Katie avançou devagar pelo quarto. por sua vez. você acha que é um sofá? perguntou Katie e assentou-se.É. o mesmo que dera quando Ted lhe entregara seu presente de Natal. Estou diante da obra de arte mais surpreendente. em voz baixa. falando como se reencontrasse uma amiga que não via há muito tempo. ..

Acho que ser filho . Katie deu uma gargalhada.Desculpe. não foi? Falou isso pra ele? Cris pegou um pedaço de pizza e. bem. Comendo em silêncio.como encosto do banco da Kombinada. Cris pensou que deveria ser indicada para o Oscar na categoria de melhor atriz coadjuvante de uma comédia romântica. com um suspiro.Aprecio o esforço do Ted. Depois de todas as exclamações e elogios.Temos um sofá e um fogareiro. Katie parou de mastigar e disse: . quem não o conhece pode pensar que ele morava em um casebre na selva.Será que Ted pensa que isso é mobília de verdade? perguntou à Cris. mas a idéia que ele faz de vida normal é. né? Será que o Ted percebe como ele é incompetente quando o assunto é vida em civilização? Ele é um cara legal.. Ele foi muito criativo. declarou Cris. pegou uma fatia de pizza na caixa. Esta fez que sim com a cabeça e respondeu: ..Creio que. ele morou. em certo sentido. Ele teria ficado arrasado..Você detestou. Claro que não um casebre de verdade. como se precisasse de um estímulo adequado. Ele acha que agora só precisamos de dois sacos de dormir que possam ser presos um ao outro e aí podemos começar nossa vida de felicidade matrimonial. Não tem graça. Katie voltou a ajustar sua posição. jogou-se na beira da cama. . Depois. .. Estava tão orgulhoso de sua obra que Cris percebeu que tinha de fazer algum tipo de elogio.Você não acha lindo? Katie ajustou a posição e esticou as pernas. .Claro que não. . Cris recitou sua fala bem ensaiada: . . embora eu tenha certeza de que ele teria gostado muito disso.

Estou bem. gritou: . mais evidentes ficam nossas diferenças. em sinal afirmativo. . . A coisa ‘tá ficando séria. na maioria das vezes. entendi. Cris pensou bem antes de concordar com a cabeça. Katie voltou ao sofá de prancha de surfe. retomou o consumo da pizza com o olhar crítico fixo em Cris. Você quer se casar na campina ou isso foi idéia do Ted? .Eu me importo! . É que você parece estar meio fora do ar.Não se irrite! exclamou Katie.Foi meio exagerado. Katie. Será que você ‘tá se tornando um zumbi que não sabe o que quer nem se importa com isso? . E vamos continuar. Quanto mais falamos sobre nossos planos para o futuro.Sim.Alô! Hora de acordar! Cris se afastou.Foi idéia dele. Mas você entendeu o que eu quis dizer. É sério. Só um pouco cansada. . Estamos fazendo isso. . Katie largou o pedaço de pizza pela metade e foi até onde Cris estava. . Achou a tática de Katie irritante e inútil. Eu e o Ted precisamos melhorar nossa capacidade de comunicação. mas eu gostei. Vou fazer uma pergunta. não foi? Desculpe.Tem certeza? Cris balançou a cabeça.único e morar só com o pai fez dele um minimalista. Com o rosto a poucos centímetros da amiga. certo? . disse Cris. O Ted vai combinar . .É que vocês vão se casar.É. assentada na cama.E você tem dito pra ele o que é importante pra você na vida conjunta. certo? indagou Katie.

pegando outro pedaço de pizza. Katie concordou. declarou Cris.Hummmm. disse Katie. concordou Cris. . Vamos resolver isso.Sei que vão.Por que você ‘tá fazendo “hum”? Ela pegou uma fatia de calabresa e um longo fio de mussarela seguiu a linguiça até sua boca. né? disse Katie. Pelo que sei. acho que pode ser bom. . Todos os casais precisam fazer ajustes.É isso que ele pensa. com um sorriso malicioso: . É que queremos melhorar.Ah. . Ficaram em silêncio um pouco e Cris sentiu a cabeça latejar.Você acha que eu e o Rick somos opostos? Cris fez uma breve pausa antes de dizer. mas agora não dava mais. foi? .Aquele ditado sobre os opostos que se atraem deve ser verdadeiro. cogitou Katie. Acho que vai ser bom. . . Tentara ignorar a crescente dor de cabeça desde o supermercado. pode ser coisa de Deus. . como se a reação dela a essa pergunta importantíssima determinasse o futuro.Isso poderia ser bom. Ele diz que somos perfeitos um para o outro porque pensamos e agimos de forma diferente. Você e o Ted são opostos em muitos aspectos.com um dos pastores da igreja para marcar sessões de aconselhamento pré-nupcial pra nós. Em voz calma. falou Cris. na defensiva. Talvez isso indique que um vai dar equilíbrio ao outro. . .É.Não é que não estamos nos comunicando. você acabou de notar. Katie disse: . lançando um olhar de esguelha para Cris.

Pelo menos eu não teria. Contudo. . entanto ela anunciou que precisava sair. Katie abrisse sobre o que estava acontecendo entre ela e o Rick. Cris sentiu a esperança de que. E seria uma grande surpresa. Você não combina com meu quarto. murmurou ela para a obra de fibra de vidro alaranjado berrante. Ela precisava ser mais capaz de apreciar os atos dele. lembrou a si mesma que ele. que ocupava toda a área antes vazia no centro do quarto. quando Cris acabou de ajeitar a mala e foi se encontrar com Ted. Isso era uma coisa boa. . Na manhã seguinte. Por que não consigo ser espontânea e entusiasmada como a Katie? Por que não sou capaz de deixar as coisas simplesmente acontecerem? Olhou para o relógio e percebeu que já estava quase na hora de pegar o Ted na igreja. deu um salto e partiu para se encontrar com o Rick no Ninho da Pomba. . concordou Katie. tomara os dois únicos objetos de valor que possuíra em toda sua vida e tentara fazer deles algo útil. estava se sentindo muito mal. iriam para a igreja começar a enorme tarefa de arrumar toda a bagagem para a viagem ao México. E foi um tipo de carinho dar a Cris sua obra. Ninguém teria imaginado isso. Ele lhe prometera que iriam procurar o anel naquele dia. cheio de amor. e os dois haviam combinado dormir na casa dos pais dela.Pode mesmo. Antes que Cris tivesse tempo de acabar de comer sua fatia de pizza. Sozinha. Cris fixou os olhos no sofá de prancha de surfe. com essa deixa. baixinho. pensativa. Katie agarrou outra. Hum.Seu lugar é numa loja que vende roupa de mergulho e skates. Onde o Ted estava com a cabeça? Mais uma vez. disse Cris. .

disse Cris. quando chegarmos em casa.Não posso ficar doente. É melhor você entrar logo. . . querida. Não precisamos ir comprar o anel hoje. . provavelmente foi a organizadora de casamentos.Por que você tem tanta certeza de que peguei o mesmo vírus que você teve? . . Sou eu que vou cozinhar no México. Com certeza vou melhorar. Se não fui eu que contaminei você. . Estou sentindo um pouco de frio e uma tremenda dor de cabeça.Todo mundo ‘tá pegando. no sábado.‘Tá certo. Acredito em você . . Agora a garganta estava doendo. Ted deu um grande sorriso e ligou o motor do carro. Você vai ver. . Vou direto me deitar. Também tem o Douglas. Lembra que ela disse que estava sentindo a garganta arranhar? É assim que começa. Ted estendeu a mão e tocou na testa dela.‘Tá com febre.Você ‘tá com febre? perguntou Ted. quando estavam a uns dez minutos da casa dos pais dela.Eu levo suas coisas pra dentro. Ted sorriu com superioridade enquanto parava o carro na entrada da garagem. .Eu dou conta. . .Acho que não. Sexta-feira você vai se sentir melhor e sua voz estará boa quando as aulas recomeçarem daqui a uma semana. ‘tá sentindo muito enjôo. Pelo menos começou aqui e não no México.O que você quer dizer com nos vemos daqui a uma semana? Vou dormir bastante e estarei pronta pra partir amanhã. Cris lançou a ele um olhar de incredulidade. Cris engoliu.Talvez amanhã de manhã eu me sinta melhor. o Rick e a Katie. Nos vemos daqui a uma semana. A Trícia não vai.

8 .

Não era como o homem das cavernas que “sua até sarar” e se afasta de toda forma de contato social até o vírus concluir seu ciclo de vida. gostava de receber muita atenção. . nem chá. Depois de consumir duas caixas de lenço. tenho certeza de que ele vai trazer com alegria. nem trocaria os lençóis da cama enquanto Cris se afundava na banheira. tentava acender o fogareiro para aquecer a água e fazer chá com um saquinho que já tinha sido usado. sentia saudade do Ted e não estava acompanhando os últimos desdobramentos da história de Rick e Katie. teve uma idéia. tornara-se especialista em lançar o papel amassado no cesto de vime que ficava em um canto de seu quarto. Cris estava convencida de que o ponto alto da semana havia sido a atenção e o carinho de sua mãe . mas resolveu passar outro dia de cama. Perdera a viagem ao México. Cris notou mais uma diferença entre ela e o Ted. Tenho de dizer ao Ted o que quero e do que preciso. Durante aqueles dias. quinta-feira. Mas agora não errava mais o cesto de lixo. Nos primeiros três dias. A parte deprimente do confinamento fora descobrir que tudo seria muito diferente depois que ela e o Ted se casassem. Havia superado a fase dolorosa da febre e atingira a da laringite. Sua mãe não prepararia mais torrada. ficou irritada porque ele estava certo. No terceiro dia. Depois do casamento. Naquela tarde. Ted tinha razão. se ele souber que quero que ele traga chá pra mim. Cris passou a semana toda doente. Eu só preciso falar pra ele. o tempo todo. Já tinha forças para se levantar.perfeita. Mas preciso falar pra ele. Quando adoecia. com doses diárias de torrada e chá de ervas adoçadas com mel. deitada em sua cama e se sentindo péssima. Ela criou uma imagem mental perturbadora: prostrada em posição contorcida sobre o sofá de surfe. para ficar mais forte ainda.

Na frente de cada envelope constavam as mesmas quatro palavras: Para meu futuro marido. Duas não. Dentro repousavam quatorze cartas. Não sabia quem seria seu marido quando começou a escrever as cartas. Hoje. Tive tempo para pensar muito nos últimos dias e quero dizer a você duas coisas. Muitas vezes sentira esperança de que fosse Ted. poéticos como o dela. Pegou uma folha em uma caixa de papel de carta que comprara na Suíça e começou: Querido futuro marido. você está no México e eu. três. tivera certeza de que o destinatário seria ele. meu Ted. Gostaria que os filhos deles tivessem nomes compostos. ao depositá-las na caixa. Cristina Juliet. sabia. esperado e ansiado por ele. Um sorriso de satisfação nasceu em um canto secreto da coração de Cris e. mas nunca. A primeira é que estou muito feliz por que vamos nos casar. abriu caminho até seus lábios. como um perfume suave. Mal posso esperar para me tornar . Saberia assim. Ela prosseguiu: Enquanto escrevo. que leria as cartas na noite do casamento deles. Foi muito gostoso escrever o nome dele na saudação. Cris decidiu escrever-lhe mais uma vez. Ted não tinha nome composto. e Cris achava isso uma pena. imponentes. que durante os últimos cinco anos ela havia orado. Fechou a porta do quarto e pegou embaixo da cama uma caixa de sapatos que forrara com papel de embrulho anos antes. de cama por causa da gripe. Ted era o homem para quem se guardara. com mais certeza ainda. lacradas em envelopes individuais.

Enfiou a carta na caixa com as outras e colocou tudo do volta no esconderijo sob a cama. Vou querer que você veja se já melhorei e me traga chá e torradas. antes de me entregar aos sonhos com nossa vida em comum. toda manhã. Estou ansiosa para nos casarmos. E vai ser logo. Isso me leva ao segundo ponto. Com isso. Talvez você tenha pensado que eu ia acordar e pular da cama pronta para fazer algum programa. Cris colocou a carta em um envelope. para sempre.: Eu amo você. a última coisa que quero dizer. mas também sei que vamos nos esforçar juntos e aprenderemos a nos comunicar melhor. Não gosto de ficar sozinha esperando suar até a doença ir embora. lacrou e escreveu na frente: Para meu Ted.S. Eu nunca disse que considero essa uma das lembranças mais românticas e carinhosas dos nossos primeiros anos juntos. Sei que precisaremos fazer muitos acertos em nosso relacionamento. Você foi até minha casa e ficou do lado da minha cama estudando até eu acordar. a primeira coisa que vou ver quando acordar é seu belo rosto. Sempre que fico doente. é que quero que todos os nossos filhos tenham nomes compostos.sua esposa. porque depois. que eu fiquei doente. eu preciso de atenção. . Sua Cristina Juliet Miller (Que em breve será Spencer)! P. Mas você estava lá. Sei que somos diferentes nisso e achei que você deveria saber que isso é muito importante para mim. comigo. e sua mãe entrou. quando estávamos no colégio. Agora. lembrou-se: a carta do Rick! Onde será que eu coloquei a carta do Rick? Soou uma leve batida na porta do quarto. certo? Com todo meu amor. Lembro-me de uma vez.

onde sua mãe recolhia os enfeites de Natal. Estava se sentindo bem.Muito melhor. com as pontas do longo cabelo ainda tímidas. pelo menos.Tia Marta deixou aqui aquelas revistas de noiva? A mãe fez sinal afirmativo. pegou uma calça jeans e um moletom na pilha de roupa limpa e dobrada que sua mãe trouxera e foi tomar banho. Ou. Por volta de 1:00h da tarde do dia seguinte. Cris folheou as revistas. eram pêssego. limpa e refrescada. .cortar corpete de um vestido e combiná-lo com a saia de outro. mas achou que seria difícil decidir sem experimentar. já recortara das revistas várias fotografias e colara no caderno de organização casamento. Cris largou o caderno. quando tossia. . . aventurou-se a ir até a sala de visitas. Meia hora depois. guardados nas caixas. A árvore fora desmontada e todos os enfeites. a cabeça doía. melhor. mas preferia azul-claro. Na revista. Encontrou o modelo exato que gostaria de ter para as damas de honra.Está se sentindo melhor? perguntou ela. mas agora estava pronta para se reunir ao resto do mundo. Na hora em que a escuridão cobriu o mundo do outro lado da janela. Durante o resto da tarde. Quatro véus a agradaram. . Era como brincar com bonecas de papel . .Pensei ter ouvido você se movimentar e vim ver se quer que eu traga alguma coisa. Bastou falar e um acesso de tosse fez parecer que ela estava qualquer coisa.Por favor. Não tinha voz e. .Estão na sala. menos melhor. Cris adormeceu e sonhou com um desfile de vestidos de noiva deslumbrantes interrompido de vez em quando por propagadas de artigos de prata. Quer que eu busque? .

embrulhando em tecido as peças do presépio para guardá-las.Entendi. . sussurrou em voz rouca. Vai ficar bonito em você. Gosto desta tira larga na cintura.Continua sem voz? indagou a mãe.Este corpete. Cris ajudou a carregar as caixas para a garagem.Você parece estar bem melhor. limpou a garganta e falou: . E você gosta do corpete liso como este. Cris assentiu. O que você acha de eu fazer sopa e você me mostrar o que encontrou? Enquanto tomavam a sopa de macarrão. disse a mãe. Depois que todas estavam guardadas. .Seria ótimo.Mas quero que o corpete seja bordado. . com eficiência. afirmou a mãe. Mas pelo menos não sinto dor quando falo baixinho assim. Só que com flores brancas bem pequenas. sussurrou Cris. De onde estava ajoelhada. disse a mãe. . As duas trabalharam caladas durante quase uma hora.Lindo.Quero muito ver.Ela foi embora. Você não acha que vai ficar bonito? . como este aqui.Tive algumas idéias para o meu vestido e os das damas. . . com uma saia parecida com esta. Cris mostrou à mãe o caderno: .Amei essas mangas. com o decote redondo estilo bailarina e as mangas três quartos? Cris concordou. . Em especial se também forem bordadas. Branco sobre branco. Você pode pegar o aspirador de pó no armário e tentar limpar aquelas folhas de pinheiro que estão ali no canto. por causa de sua cintura fina. a mãe de Cris olhou para cima e comentou: . Quer que eu ajude? .

Entretanto Margaret era sempre a mesma.Você e Paula queriam usar meu vestido pra brincar. Balançou a cabeça. disse a mãe. Era uma mulher simples.Estou surpresa com sua escolha. . . mas não se lembrava de como era o vestido da mãe.É. Margaret Miller era uma mulher firme. . Cris reparou que o lado direito da caixa estava colado com fita adesiva. . Eu lembro.Por quê? . contou a mãe. extrovertida. que sempre colocava a família em primeiro lugar.Você já viu meu vestido de noiva? Cris vira fotografias do casamento de seus pais. Usava sempre curto. mais Cris admirava sua mãe. . Cris desejava que sua mãe fosse animada. mais baixa e mais gorda do que Cris.Eu me lembro dessa caixa. Aparentemente fora por ali que ela e sua melhor amiga na infância haviam tentado invadir. disse Cris em voz rouca.Venha comigo. alheia às modas passageiras. Quanto mais crescia. O cabelo estava quase completamente branco. . Antes. consistente. A mãe sorriu: . quando eu era pequena. Encontrei em seu armário uma vez. Ela tirou do fundo do armário uma caixa que trazia a etiqueta de uma lavanderia que ficava no estado de Wisconsin. liso e por trás das orelhas. mais parecida com uma amiga ou irmã mais velha do que com uma mãe. Eu tive um ataque. Cris achava que ficava melhor assim do que no que chamava de “penteado capacete” toda vez que viam as antigas fotos de família. e ela nunca o tingira. Ela conduziu a filha pelo corredor e as duas entraram no quarto da mãe. teve mesmo. de aparência agradável e comum. Cris estudou o semblante de sua mãe enquanto ela abria a caixa com cuidado.

costumava pensar bem antes de falar.Hoje Cris apreciava isso.Tudo bem. a mãe era mais baixa. É algum tipo de mistura que era muito popular na minha época. quero que você saiba uma coisa. E também curto. . se não quiser. tem toda a liberdade de dizer. me magoar.As mangas podem ser reformadas para serem três quartos. disse a mãe. Cris estava começando a ficar nervosa. começou a mãe. E as duas raramente gostavam das mesmas coisas. . . como você falou. Assim. Cris assentiu. e ela achou o tecido lindo.Vai ficar muito largo. . Raramente dava conselhos e. . Não sei se você vai se interessar e. surpresa. sabia que ela estava sempre disponível e que ouvia sem criticar.Certo. .‘Tá vendo o corte do corpete? perguntou a mãe. bem longa. Não era muito cavado e caía um pouco pelos ombros. Sabia que seria um problema se sua mãe lhe sugerisse que usasse o vestido de noiva dela. É só uma idéia. quando isso acontecia. . Era o mesmo modelo do vestido da fotografia que ela havia cortado.Agora. . respondeu a mãe. com base nas fotografias que você me mostrou.Posso experimentar? perguntou Cris. desdobrando o vestido. Sei que a saia vai ficar muito curta. de forma alguma. e também a tira larga na cintura.O tecido? Não sei. Para início de conversa.O que é isso? . pois não vai. mas poderíamos fazer outra. Eu quero ver se a parte de cima serve em mim. Embora nunca contasse à mãe todos os segredos. a cauda pode ser do tamanho que você quiser. Não sei se minha idéia vai ajudar. O decote chegava apenas à altura da clavícula. Cris examinou a parte de cima do vestido. .

Vai ser fácil transformar em mangas três quartos. a mãe passou a outro ponto. Cris tirou o moletom pela cabeça e saiu da calça jeans. Acho que não vou me arriscar a bordar.Tenho! Cris puxou as mangas. disse Cris. Talvez encontremos alguém que borde pra nós. Assim.Não sei se vamos encontrar tecido que combine para fazer a saia. comentou a mãe. . Mas você tem certeza de que não se importa? A expressão no rosto da mãe se suavizou em um sorriso doce.Eu posso bordar. tentando visualizar como ficariam se fossem mais curtas. Mas. Como previsto. Um acesso de tosse brotou em sua garganta. A mãe fechou a porta do quarto. Naquele momento.Ah. . Com a ajuda de sua mãe. mas o decote ficou perfeito. mas podemos tentar. Se fizesse isso. nada me daria mais alegria. não tinha a voz nem a energia necessárias para abordar assunto tão complicado. enfiou-se no vestido. ela se virou e tossiu durante vários segundos. Cris perguntou a si mesma se deveria comentar com a mãe sobre a provável data de 22 de maio. Cris. Tem certeza de que quer fazer isso? . e as flores bordadas? Parece que foi isso de que você mais gostou naquele vestido que você viu. ficou largo e curto. . . . teria de explicar também por que ela e Ted queriam realizar a cerimônia e a festa em uma campina e não em uma igreja. fica um estilo adequado para qualquer estação em que você resolver se casar. Vou achar o máximo transformar seu vestido de noiva no meu. disse ela. mamãe.Gosto dessa idéia. Felizmente. Tenho certeza de que consigo fazer a saia. . embora só as duas estivessem na casa. respondeu ela. A mãe demonstrou surpresa.

Você leva o corpete quando voltar pra universidade e faz o bordado. não usá-lo. disse a mãe. Trabalhei em uma porção de fronhas e em algumas toalhas de mesa.Nós duas temos de manter uma coisa em mente. podemos ir até a loja agora pra ver modelo e tecido para a saia. em um fio de voz. Vou pegar a fita métrica. então não trouxe pra casa nenhum trabalho meu. anotando as medidas.Mãe. Acho que consigo bordar o corpete e talvez tenha sido por isso que o vestido da revista chamou minha atenção. Algumas garotas eram rápidas e muito detalhistas. Estava otimista.Eu nunca falei pra você.Tem razão. Cris ficou parada. . O bordado me fez lembrar daquele ano da minha vida. se você acha que o desafio é grande demais. mas uma das coisas que aprendi na Suíça foi bordado. Com certeza encontraremos também uma revista com risco de bordados. Não vou ficar ofendida se começarmos e depois descobrirmos que não vamos dar conta ou que não ‘tá ficando do jeito que você quer. Depois pensou se as palavras de sua mãe não indicavam que ela estava tentando voltar atrás sem magoar a filha. podemos para. Este fim de semana eu desmancho o vestido e diminuo as mangas. As meninas terminaram o bordado e venderam. .Vamos tentar. Cris concordou. com os braços estendidos. Eu passava horas no orfanato bordando lenços e fronhas com as meninas mais velhas. disse a mãe. . . . contou: . Cris limpou a garganta e. . Sua mãe tirou as medidas e calculou quanto tecido teriam de comprar. achava que o vestido ficaria exatamente do jeito que ela queria.Com o bordado eles podem fazer artigos pra vender. Eu detestaria ver você destruir seu vestido de noiva pra depois. Precisamos deixar tempo suficiente antes do casamento para o caso de você mudar de idéia. você nunca me contou. Se você quiser.

Acho que vamos dar conta.Por favor.E ‘tá me dando seu vestido de noiva. mamãe. Não nos importamos com a participação deles. . em seu jeito prático. afirmou a mãe.Só saberemos se tentarmos. me parece que sua parte predileta do casamento será a lua-de- mel. . .Não é sacrifício nenhum.Não. Na sua adolescência. Marta apareceu e lhe deu tantas coisas que achei que você acabaria ficando ressentida comigo. Repetiu que ela e Bob querem pagar todas as despesas que eu e seu pai não pudermos cobrir. mas ela telefonou de novo ontem pra perguntar se você já tinha sarado e podia ir até lá pra cuidar do planejamento da cerimônia.Sei que minha irmã tem boas intenções. . O coração de Cris se comoveu por sua mãe. . sempre tive vontade de dar a você muitas coisas. . Desde que você era pequena.Espero que sim.Na verdade. não deduza que eu e seu pai não queremos que eles ajudem. querida. Alguma coisa que fosse minha. meu amor. É o que tenho pra dar.Muito obrigada por sacrificar seu vestido de noiva por mim. Cris deu um grande abraço em sua mãe e sussurrou no ouvido dela: . que assumira expressão melancólica. Cris sorriu e disse: . sussurrou Cris. .Exatamente. O rosto redondo da mãe tinha um brilho carinhoso quando falou: . . mas nunca pudemos.Já sei que meu vestido será uma de minhas partes favoritas do casamento. emocionada. de jeito nenhum. . Sei que ficarão felizes com isso e também que assim seu casamento será mais bonito do que eu e seu pai podemos pagar. Mas eu queria ter alguma coisa pra dar pra você.

Serão recompensados por cultivarem esse respeito profundo. . Ela era uma mulher que ouvia outra falar. em tom baixo. aquele que só pode ser dado uma vez. Com renovada determinação. Cris entendeu. e valeu a pena. Cris e sua mãe permaneceram assentadas bem juntas na beirada da cama. Isso fica evidente na maneira como vocês se olham e se tratam. De repente. mas também para os filhos deles. A mãe escolhia as palavras com delicadeza. sobre a beleza e a santidade de entregar-se a seu marido na noite de núpcias. Aquilo era real. com mais intensidade do que em todas ocasiões anteriores. Percebeu que um dia poderia assentar na beirada de sua cama com sua filha e ter essa mesma conversa. Não apenas para ela e Ted. Assentou-se bem esticada. Durante os vinte minutos seguintes. o poder da virgindade. . Era uma coisa muito poderosa olhar nos olhos da filha. como tentara fazer tempos antes. que também se guardara para ela. Não entrou em detalhes. Afirmou que se arrependia por ter deixado que a timidez as impedisse de terem antes essa conversa tão íntima e importante. Cris ainda estava com o vestido de noiva.Sei que você e Ted fizeram escolhas sabias e maduras. voltou a prometer a si mesma que não importava quantos meses ou anos ela e Ted esperariam pela noite de núpcias. como sua mãe fazia agora com ela. Cris comentou que não sabia se a teria apreciado em outro momento. sem nenhum traço de arrependimento: . não era fingimento.Seu pai e eu esperamos um pelo outro. O dom recebido de Deus. para não amassar nada. que só entregaria a um único homem. e dizer. percebeu que não era mais uma menininha brincando com o vestido da mãe. continuaria guardando seu presente mais precioso. disse a mãe.

Na hora em que despiu o vestido de noiva e saiu para ir à loja de tecidos com a mãe. Além disso. Cris sentia que acabara de ser apresentada à sua mãe. . sabia que a proximidade que haviam acabado de estabelecer permaneceria para o resto da vida.

virando a primeira página e mergulhando nas tarefas. que ficava ao lado da janela da lanchonete. então isso não inclui você. Estou vendo que você já fez uma lista bem longa. nem vai ver. assim que se assentaram.Para o nosso casamento.Eu amo você. abriu um sorriso largo e falou: . Você falou com o pastor auxiliar sobre nosso aconselhamento pré-nupcial? Ted encostou-se na cadeira. Cris levara o caderno de organização do casamento e a primeira coisa que perguntou a Ted. . fiz. Temos de marcar um horário pra ver as alianças esta semana. temos de fazer reservas para o vôo. Assim que decidirmos a data. mas você não vai saber nada sobre ele. Recuperara a voz e avançara muito com o planejamento durante o fim de semana. foi: . foi tomar café da manhã com Ted.Organizar? indagou ele. 9 Para Cris. mas fazia uma semana que eles não se viam. disse Cris. . porque minha tia me disse ontem que alguns vôos pra Maui ficam lotados logo. Precisamos começar a pensar nos convites e temos de decidir quantos convidados serão antes de falar sobre o bufê. Já estou bem adiantada com meu vestido. Havia conversado várias vezes com o Ted pelo telefone depois que ele voltara do México.É.Claro. .‘Tá pronto pra se organizar? . A gripe se fora. na mesa “deles”. . o melhor do primeiro dia de volta ao campus da universidade. depois dos feriados do Natal.

Não começa com romantismo. Ted riu. mas não sei muito bem quem mais vou chamar.Ted. . parecem uma musiquinha. Isso se nos casarmos em maio. quantos padrinhos você quer? Convidei Katie pra ser minha madrinha. Cris ainda não conversara com Trícia para saber o que ela achava. embora eu sempre tenha apreciado os nomes havaianos por causa do som: quando a gente fala. né? Ted parou de comer os ovos mexidos e sustentou o garfo no meio do caminho para a boca. você ‘tá ficando romântico de novo. . . que haviam escolhido o nome Daniel para bebê. O apelido dela pode ser Juli.O que você acha de nossa primeira filha se chamar Julieta? perguntou ele. dias antes. mas dá pra conversar sobre algumas coisas enquanto comemos. sendo o segundo nome havaiano. se fosse menino. disse Cris. que Julieta significa “jovem”. O bebê só vai nascer em julho. .Vi em um livro do Douglas.Você não acha que seria melhor ir primeiro ao escritório da administração? disse ele.Certo. . interpôs Cris com um meio sorriso. e pegou uma caneta na mochila. . Talvez a gente possa escolher nomes compostos para nossos filhos. pra ninguém a perseguir com piadas sobre Romeu. Trícia. prosseguiu Ted. Assim ficamos sabendo se podemos casar no dia 22 de maio na campina. O que você acha? . E podemos partir daí. Ela sabia que Ted e Douglas haviam conversado sobre nomes de bebês enquanto estavam no México. Ted lhe contara pelo telefone. Por exemplo. é claro. Gostei. Temos muito serviço. Não haviam sugerido nome de menina.

quando lhe escrevera a carta na semana anterior. ‘tá bom. Seu coração dançava. Cris largou a caneta e olhou séria para Ted. É isso que ‘tá acontecendo. Como o “cofrinho imaginário”. .Acontece o mesmo comigo. Romance depois.‘Tá bom.Sonhar em voz alta.E quando falarmos de romance depois. então inventaram a imagem de cada um deles ter um “cofrinho imaginário”. então tivemos de guardar nossos sonhos pra nós mesmos. Ted. Cris sabia que Ted estava se referindo a uma coisa que eles haviam combinado meses antes. Kilikina. você pode falar por quanto tempo quiser. Quando sentiam vontade de se beijar. disse ele. Ele estava pensando em nomes compostos para os filhos. Foi uma idéia muito boa. falou Ted. chegariam ao casamento ricos de carinhos poupados. exatamente como ela. . se guardassem a maior parte dos contatos físicos e gastassem apenas uma pequena porção. e como me apego a eles. . . Que bom que fizemos isso. Os dois achavam difícil se controlar quando desejavam expressar fisicamente o afeto. Um sorriso escapou quando Cris abaixou a voz. Ted riu. Tenho de dizer que fizemos algumas coisas certas. o máximo que desejar. . podiam parar um pouco e avaliar se queriam mesmo gastar o beijo naquela hora ou poupá-lo no cofre. Você nem imagina como guardo os sonhos no fundo do meu coração. Negócios agora. Talvez não pensassem de forma tão diferente assim. . Cris perguntou: . repetiu Ted.Você quer falar de negócios ou de romance? Decida-se. Eu amo quando você sonha em voz alta. Durante tantos anos eu e você não sabíamos o que o futuro reservava pra nós.Concordo. né? Gosto disso. Forçando uma expressão de seriedade. Ambos sabiam que. Teria sido injusto pra nós dois se tivéssemos começado a sonhar em voz alta antes de ficarmos noivos.

desejo. Ted inclinou-se sobre a pequena mesa ao lado da janela para dizer: . Diz pra mim. não ‘tá? perguntou Ted. Temos muito que fazer nos próximos 135 dias. . então é melhor prosseguir com minha lista. de todo meu coração. endireitando-se na cadeira. você não pensou sobre isso? Sobre nos tornarmos um? Nos entregarmos um ao outro? Cris olhou bem nos olhos de Ted e ficou surpresa por não sentir o rosto arder. Kilikina. mas ‘tá ficando cada vez mais difícil. comentou Cris. antes que ela conseguisse pegar a caneta. Cris entendeu muito bem o que ele disse. Arrastou sua cadeira para perto da de Ted. Ted estendeu a mão por cima da mesa e agarrou a de Cris. ela se entregaria completamente a ele e os dois se deleitariam um no outro pelo resto da vida. Ali estava o homem com quem iria se casar.Só mais 135 dias até 22 de maio? repetiu. Sei que vou amar você de forma tão completa e com tanta paixão que garanto. . Dentro de 135 dias. você vai ser o homem mais feliz que já viveu na face da Terra.E naquela noite em que fomos cantar na rua. Bem. Ted Spencer. . Lembrou-se do relato de Gênesis. .É. ser sua. .Ted. Não sentiu vergonha de pensar nem de falar sobre isso com ele. deixe a lista de lado só um pouquinho. mas só temos de esperar mais 135 dias. inclinou-se para ele e escolheu as palavras com muito cuidado.Vamos. mas sentiu vergonha de dizer em voz alta. você disse que estávamos em um sinal fechado. Cris sentiu que a expectativa fazia seu coração pular. que afirmava que Adão e Eva estavam nus e não sentiam vergonha. . aquilo me ajudou muito.‘Tá ficando mais difícil.

sussurrou. Ela pensou se o arco do casamento poderia ser coberto com trepadeiras de flores tropicais.E eu vou fazer de você a mulher mais feliz do mundo. mas dá pra imaginar. o coração de Cris pulava tanto que parecia bater na garganta e nos ouvidos. Enterrando o rosto no pescoço dela. Ted afastou-se e olhou para o café da manhã ainda não consumido como se nunca tivesse visto ovos mexidos antes. minha Kilikina. Eu prometo. no meio do longo cabelo dela: . Quando se afastaram. crianças! Interrompo alguma coisa? perguntou Katie. disse Katie. Ted pareceu surpreso e encantado com as palavras dela.É. eu sento em outro lugar. como a ponte de Kipahulu. . Lágrimas brilharam no canto dos olhos dele. olhando para Cris. daqui a 135 dias. Cris voltou a cadeira para seu lado na mesa e tomou um gole de suco de laranja. Os dois apreciavam o simbolismo de uma ponte no Havaí que havia representado para eles uma passagem na vida.Sabe de uma coisa? É melhor não sonharmos mais em voz alta sobre essa parte do nosso futuro. disse Ted. queremos ficar sozinhos. . . puxando uma cadeira para perto da mesa deles. Ted gostaria disso. Acho que não quero saber do que vocês estavam falando. .Ei. em voz rouca. O arco estava se tornando símbolo da passagem de uma etapa da vida para outra. Desenhou uma treliça coberta de flores bem no topo da lista. Mas vamos esperar mais 135 dias.Tudo bem. Cris concordou com a cabeça. tanto para ela quanto para Ted. que envolveu Cris com os dois braços e a puxou para perto dele.Bom. falou Ted. . falou ele com firmeza. muito mais do que você imagina. . pelo menos até ficarmos embaixo de nossa treliça na campina. Se vocês quiserem ficar sozinhos.

. Cris. . Katie sorriu. . nem aqui.Preciso conversar com você. olhando por sobre o ombro para assegurar-se de que as duas estavam sozinhas. você precisava ter visto seu noivo no México. Era o Sr. Servo de Todos. Ted. Disse ao meu novo chefe que vou chegar mais cedo no serviço. Você deveria ter visto seu amado. . Então. Nada teria dado certo sem vocês pra cuidarem da cozinha. Katie torceu a boca. Quer que eu busque ovos pra você? ofereceu Ted. Cris ficou esperando. Sentimos muito sua falta. Falou sobre você o tempo todo. disse Katie. Você tem algum tempo livre hoje. pegando meio pão no canto do prato de Ted. Acabei de chegar ao campus. . em expressão de perplexidade.Tenho apenas duas aulas de manhã e só tenho de estar livraria pra trabalhar às 2:00h da tarde.Você começa hoje no Ninho da Pomba? indagou Ted. Ele se afastou. comentou Ted.Quero! Você é maravilhoso.Você e Rick foram os verdadeiros heróis. . . e Katie se voltou para Cris: .Pode pegar.Não agora.É. Katie abaixou a voz e disse: .Você já foi ao nosso quarto? quis saber Cris. antes de eu ir trabalhar? .Não. . Tenho uma aula daqui a vinte minutos. Você vai comer isso? . então você provavelmente só vai me ver depois das 1l:00h da noite.O que ele quer dizer é que foram necessárias duas pessoas pra fazer seu trabalho. Cris. Todas as garotas da mocidade querem saber se vão ser convidadas para o casamento. levantando-se.

Já telefonou pra ele? Ted assentiu. . .Meu pai achou a idéia ótima. . Exatamente dez horas depois.Acho que não vai encaixar com meus horários. A gente conversa quando eu chegar. disse Katie. Ted voltou. à noite. anunciou Cris depois que oraram. Eu e Ted não avançamos nada em nossa lista.Tenho de partir. Parecia um vulcão verde com uma erupção de ervilhas correndo pela encosta em um rio de molho branco.Bem. quando contei que queremos fazer a cerimônia e a recepção na campina. esbarrou no caderno do casamento de Cris e derrubou-o no chão. . Ted estava prestes a atacar uma de suas saladas prediletas. Ao se levantar. Contaram como tinha sido boa a viagem ao México e falaram das pessoas que haviam conhecido no orfanato. Cris desejou ter participado. . . Tive de deixar uma mensagem no celular. . telefonei pra minha mãe. Telefonei pra minha mãe também.Não consegui esperar. Vejo vocês depois. Ted levantou a sobrancelha e perguntou: . estavam de volta à mesma mesa ao lado da janela na lanchonete. mas sentiu-se satisfeita pelo tempo que passara com a mãe e por tudo que planejara.Ela achou que 22 de maio é um bom dia e disse que papai por certo vai concordar. com ovos para Katie e outro pão para ele. ela ficou muito calada.E o que foi que ela disse? . pensou Cris. Mas. que eram feitas lá mesmo. disse Ted.

. E aí. Acho que pensou que as duas poderiam se consolar mutuamente.Não. disse ela. . .Eu sei.Eu também. apontando para uma marca angular.Claro. disse Ted. Temos um plano.Será que agora é uma hora boa pra eu mostrar o que pensei para o anel? . Ted mudou logo de assunto. e 22 de maio. E acho que a campina é mesmo o melhor lugar pra nos casarmos. disse Cris. no meio de um anel de ouro estreito. disse Ted abrindo o sorriso.Falei a data tanto da formatura quanto do casamento. minha mãe disse que ela mesma queria conversar com Tia Marta sobre a cerimônia e a recepção serem aqui. sempre explicando que ela era muito jovem quando ele nasceu e que não estava preparada para assumir a responsabilidade de ser mãe. quando o fazia. E seus tios? Telefonou pra eles? . Nem podia imaginar como deveria ter sido difícil crescer sem a presença da mãe. o que mais temos aí nessa sua lista de tarefas? . ela vem pra formatura também. Era muito raro ele falar da mãe e.É o lugar certo. Cris tirou o caderno do casamento da mochila e abriu nas páginas em que havia colado fotografias de anéis e rabiscado alguns esboços. .Aqui é a opala azul. . Espero que dê pra ela encaixar na agenda. já que ambas queriam coisa diferente do que decidimos. . .É o nosso casamento. em forma de onda. né? . era rapidamente.Espero que ela possa vir à formatura e ao casamento. Ted morara com eles durante algum tempo. a data certa. .Você falou também de sua formatura no fim deste mês? Quer dizer. Cris percebeu um tom de mágoa na voz dele. Ela se casara de novo anos antes e fora com o novo marido e a nova família morar na costa leste dos Estados Unidos.

Só nosso.Gostou? . vou me lembrar como nos conhecemos na praia e nos apaixonamos enquanto contávamos as estrelas e caminhávamos descalços pela areia.O que você achou? quis saber ela. disse ela e. Frank ou ir a outra joalheria? . O que você prefere. gosto das que se parecem com o oceano. continuou. com uma sensação de prazer. corrigiu Cris. Sempre que eu olhar pra esse anel. Vou tirar cópia da parte do anel e entrego pra você amanhã cedo. estendendo a mão para pegar o caderno.É. estrelas.Entendi.Você é maravilhosa. . Veja. Peça pra ele usar uma daquelas opalas australianas azuis com partículas violetas e verdes. você não pode separá-lo de mim. . .Acho que o Sr. Essas marcas aqui. Criou um anel só seu. também incrustados. Os diamantes deste lado são como a areia e os outros. Não quero aquelas quase brancas. certo? perguntou Ted. .E a pedra é incrustada. Eu gostaria que o anel fosse liso. Kilikina. Você se importa se eu levar isso? Posso ir a Carlsbad amanhã. Isto é meu cérebro.Não! disse Cris. . Você conseguiu colocar um mundo de significados em uma simples argola. . .Amei. . Ele levantou os olhos e disse: . Ted ficou contemplando o desenho dela.É. dos dois lados. disse Ted. Frank trabalha bem. sem nenhuma saliência. É exatamente o anel que eu gostaria de te dar. sem dizer nada. agarrando o caderno. encomendar ao Sr. só nosso. são três diamantes bem pequenos. E também não pode ver as páginas com o modelo do meu vestido. a opala azul é como uma onda do mar. .

analisando os desenhos. . interpôs ela.Se você já soubesse como quer as alianças.Nunca usei anel.Não há problema. Vou fazer umas anotações pra ajudar você. . ‘Tá vendo esta fotografia? Recortei de uma revista. .Entro no serviço ao meio-dia amanhã e fico até cinco da tarde. Ele fez seis marcas pequenas com a caneta de Cris. porque queria ir e sabia que facilitaria muito para o Ted se fosse. poderíamos mandar fazer tudo junto. . Acho que não dá tempo pra ir até Carlsbad depois do trabalho e voltar antes da minha aula das 8:00h da noite. E você? Que tipo de aliança quer? Ted encolheu os ombros. Cris quase concordou.É.Fácil.Feminino? . da mesma largura do anel de noivado. o que você acha de incrustar três diamantes pequenos em sua aliança? Ou talvez seis. Olha.Você gostaria de diamantes em sua aliança também? perguntou Cris. O que você acha que ficaria bom? Cris pensou um pouco. Frank.O que você acha de usar uma versão maior do meu anel noivado? sugeriu ela. . Mas também mais caro. disse Ted.Você não acha que é feminino demais? .Ficaria lindo. . na parte da frente. .Quer ir a Carlsbad comigo? indagou Ted. . Pra mim basta uma argola de ouro. . Mas tinha muitos compromissos no dia seguinte. . Sabia que Ted se contentaria com uma argola dourada sem pensar duas vezes. assim. . . mas ela queria que a aliança dele fosse especial. Você pode explicar tudo pessoalmente ao Sr.Não. Gostaria de uma aliança como essa. sugeriu Ted.

correu os olhos pela carta manuscrita. Encontrou o envelope amarrotado. As preferências dele eram simples e suas expectativas. Surpresa. ao perceber a dificuldade de comunicação entre eles. Acho que já sei que você me perdoou. . então use para alguma outra coisa. apoiou-se no encosto frio e procurou uma posição confortável. pegou a mala no fundo do armário e enfiou a mão nos bolsos internos. razoáveis. O dinheiro que acompanha a carta é para reembolsar o que você pagou ao joalheiro para recuperar a pulseira. porque assim vou olhar em seus olhos para saber se você me perdoou mesmo por ter tirado sua pulseira de ouro. Uma nota de cem dólares caiu no colo dela. Cris pensou em como Ted se satisfazia com pouco. parecia ter diminuído. forçou-se a ir até o sofá de surfe.. teria apagado a luz e mergulhado no sono. . Ao se arrastar para a cama naquela noite. como restituição por meu ato impensado. Mas prometa-me que aceitará. A ansiedade que sentira poucas semanas antes. Se for mais do que você pagou. mas vou me sentir melhor se vir isso em seus olhos. ainda não li a carta. mais progrediam. Querida Cris..Olhou o relógio. Isso me lembra a carta. sob todos os aspectos. Cris estava mais do que pronta para dormir. Puxa. Tenho certeza de que ela vai falar alguma coisa relacionada ao Rick. 11:35h. Em vez de voltar para a cama aconchegante. Era maravilhoso. Quanto mais tempo passavam conversando. tentando fazer as pazes com o inimigo. Abriu o envelope e retirou duas folhas de papel dobradas. e Katie ainda não voltara. Se não fosse pela vontade de saber o que a amiga queria lhe contar. Espero um dia poder entregar esta carta a você pessoalmente. Passara duas horas seguidas bordando o vestido de noiva antes de tomar banho e lavar o cabelo. Cris se levantou. Assentou-se com os pés embaixo do corpo.

Não me dei conta na época. Bem. depois que me arrependi. O rosto dela brilhava. Lembra que o professor mandou Katie ficar em pé em uma cadeira e disse que meu nome era Pedro Incrédulo e ela. mas Deus usou uma atividade didática para chamar minha atenção tem- pos depois. carregando um lindo buquê de flores variadas. Quando. Mas você não sabe que participou de um dia muito importante da minha vida. Mas não é assim que ele age. Por mais que ela tenha tentado. atingi o fundo do poço. Descobri que ele me queria por inteiro. não conseguia me esquecer da fragilidade de Katie quando eu a empurrei da cadeira. E. E tudo obra de Deus. Percebi que vivia puxando os outros para baixo. nunca me esqueci dessa ilustração. É provável que você já saiba que Deus agora controla toda minha vida. Ele me atraiu com paciência até eu me aproximar dele e hoje sou outra pessoa. Vi que não tinha com ninguém o tipo de relacionamento de confiança que ela havia expressado. Rick Doyle Antes que Cris tivesse tempo para qualquer reação diante da carta. não é? Eu disse a ele que seguiria as regras se ele não me deixasse ir para o inferno. por fim. Ainda não entendo como ele não desistiu de mim há muito tempo. Queria que eu abrisse meu coração e o recebesse por completo. Seu irmão em Cristo. não conseguiu. Você entende. Katie Cristã? Katie tinha de me puxar para eu ficar da altura dela. peço que você aceite essa restituição e gostaria que soubesse que me arrependo da forma como tratei você. . Eu tinha feito um tipo de contrato com ele. com um pequeno puxão. foi o que aconteceu. Sabia que ansiava por confiar assim em Deus. Estou falando do primeiro domingo em que você visitou nossa igreja e assentou- se ao meu lado na sala. não minha. Assim. a porta se abriu e Katie entrou. eu a fiz descer até o meu nível. Depois.

. .Não sei o que vou fazer com elas.Meu chefe me deu as flores.O que foi? perguntou Cris. . .Bem. não acredito que ele receba todos assim.Muito simpático o presente de boas-vindas. Piscando os olhos verdes que brilhavam. . incapaz de se mover. Katie engoliu em seco e deu um sorriso tímido. como se estivesse presa em um sonho. disse Katie. .Eu gosto muito dele. . . . comentou Cris. De verdade. Katie levou as flores ao rosto corado e aspirou o perfume. sugeriu Cris. . parece que alguém teve um primeiro dia de serviço muito proveitoso.Rick não dá flores pra todo mundo que começa a trabalhar lá. que continuava em pé ao lado da porta fechada.É.Acho que precisam de água.É mesmo? perguntou Cris.É. disse bem baixinho: . .

A mãe dele gostou muito de mim.Minha melhor amiga. que eu sou um presente de Deus para o Rick. . a Katie. sobre o que você queria conversar comigo hoje de manhã? Lá na lanchonete você disse. .O que Deus ‘tá fazendo? Cris sorriu. Não quero correr na frente. não eu. . nunca pensei que isso iria acontecer. E quem ‘tá fazendo é Deus. Só faz algumas semanas. .O que é isso? perguntou Katie ao ver a carta de Rick que Cris deixara sobre o sofá.Então. nem ficar com medo e recuar. Quero que ele cumpra o propósito dele para comigo. A gente se divertiu muito no México. . . Katie examinou a carta. Pode ler.. e o Natal com a família dele foi maravilhoso.Cris. assentando-se no sofá de surfe. indagando com os olhos. diria que esta é uma imensa “coisa de Deus”. Depois olhou para Cris. O pai dele me falou. falou Katie. Cris se preparou para receber as más notícias. com as flores no colo. Minha única vontade é aceitar cada etapa como vier e estar bem alinhada com o que Deus tem pra mim. na véspera do ano-novo. Dá um nó na cabeça.A carta que Rick escreveu pra mim. mas sabia que nos encontramos todos os dias desde que você e o Ted ficaram noivos? Conversamos sobre tudo. . Lágrimas rolaram pelo rosto de Katie. 10 ..É mais do que imensa.

. quando o Senhor nos reuniu.Eu disse que nossa amizade mostra que confio nele.E aí. pensei que talvez ele estivesse tentando me dizer que nosso relacionamento agora ia passar para o nível seguinte. Com um pequeno estremecimento. Em vez de gritar. e falei exatamente o que estava pensando. . Cris arregalou os olhos. Katie olhou para Cris e a dúvida estava estampada em seu rosto. . Eu perdoei-lhe quando ele me mandou aquela carta e sei que fiz isso de verdade. que não queria que nenhum de nós dois julgasse com base no que passou. que demonstrava naquele instante mais cautela e sabedoria do que em qualquer outra situação anterior. Não tem expectativas quanto a mim nem quer prever o que Deus ‘tá fazendo em nossa vida.Isso é maravilhoso.Abri minha boca. . . mas falei também que não tenho o menor interesse em relacionamentos passageiros.Disse que sentia a mesma coisa. Cris sabia que Katie às vezes chegava a ser rude quando decidia ser sincera. o que você falou? . Falou que.Depois eu disse: “Se alguma coisa duradoura vai crescer de nossa amizade. esperou o relato da amiga. Mas eu fiquei nervosa. então existirá daqui a cinco meses.E como ele reagiu? . . limitou-se a balançar a cabeça em sinal de apoio e compreensão. Cris fez força para não dar um grito de aprovação à sua amiga impulsiva. que ‘tá interessado em uma amizade que resista a qualquer circunstância. a vida dele ficou cheia de alegria e de riso. Não guardo nada contra ele em meu coração.Ontem Rick me disse que minha presença na vida dele é como aquela música que o Douglas estava compondo. entende? . um ano ou dez anos”. As flores são um agradecimento por eu ser como sou. como só eu sei fazer.

não foi? Pelo menos uma vez na vida fiz o que era certo.Você é completamente maravilhosa. E se. incrível. na minha vida e na sua. mas tanta coisa mudou. baixinho. pra vocês dois. Eu consegui. Sei que deveria ter falado há muito tempo. Cris assentou-se perto de Katie e passou o braço pelos ombros da amiga. . . que balançou a cabeça algumas vezes. Aliás. Você é uma mulher forte. .Não quando se trata de rapazes.Eu sei. tenho de lhe dizer algo.Eu sei. nada? Estou exausta? Você nem imagina quanta energia emocional gastei nas últimas vinte e quatro horas pra analisar meus sentimentos. . disse à amiga. por acaso. Katie. . Agora. quero tomar cuidado pra não enlouquecer e acabar decidindo tudo por impulso. você merece o melhor. acho melhor contar. Cris deu um enorme sorriso para Katie.Claro que você fez o que era certo. Um sorriso surgiu devagar nos lábios de Katie. . esse cara for aquele com quem vou passar o resto da vida.Espero que você já soubesse que eu iria apoiá-la. Cris.É. e desejo pra você tudo que Deus tem de melhor pra dar. maravilhosa. começar em um novo emprego trabalhando pra ele e tentar descobrir como iria contar tudo isso pra você! . que decidi deixar pra lá.Você faz muitas coisas certas.Acho que isso é coisa de Deus. conhece minha longa lista de fracassos nessa área. assentando-se perto da colega e dando um suspiro profundo. diante do que tem acontecido com Rick nestas últimas semanas. disse Katie. Mas.Eu não sabia o que você iria pensar.Maravilhosa. e lidou com uma situação que poderia ser constrangedora com sinceridade e integridade. . . . Você. melhor do que qualquer outra pessoa. . Isso é o que sempre quis. Não quero correr na frente de Deus. gostaria que você me dissesse que agi certo. .

ainda mais durante muito tempo. .Ah. . eu achei que sim. continuou Katie devagar. E foi nessa noite que ele ficou obcecado por você. . demonstrei. . e você sabe disso.Katie. Então disse a mim mesma que não me importava com ele. .Tudo bem. é claro que me lembro de tudo isso. pendurar papel higiênico por todo o jardim? Corremos mais depressa que você.Porque você abriu os braços pra mim. Pensei que. e ele saiu correndo atrás de mim rua abaixo.Bom. .Certo.Lembra que fomos até a casa do Rick. . Eu lutava o tempo todo. conseguiria me aproximar dele. metade de mim aplaudiu você por ter ficado firme .Você nunca demonstrou nada disso. Você ‘tá sendo bondosa. Cris não podia imaginar que segredo Katie teria guardado. . Você ficou pra trás. eu estava sendo consumida de tanto ciúme. quando estávamos no segundo ano do colégio? . . Pulei de trás do arbusto. Eu nunca tinha tido uma grande amiga antes. Cris. e acabei sentindo mais vontade de ser sua amiga do que de me aproximar do Rick. Passei anos querendo pedir perdão. Cris deixou que as palavras de Katie penetrassem seu entendimento. Agora vem a parte difícil. O pai do Rick mandou ele sair pra tirar todo o papel. se ficasse sua amiga.Eu não diria isso.Claro que lembro. prosseguiu Katie. mas foi ficando cada vez mais complicado. sim.Você se lembra daquela noite em que fomos dormir na casa de Jane. . Cris. e fomos embora no trailer. . escondida atrás de umas plantas. Quando você despachou o Rick. E foi isso que eu fiz. A verdade é que.Eu usei você. Nunca me senti usada por você.

. o rosto tornado por uma expressão de surpresa. quando fomos ao “Desfile das Rosas”*.Eu gostaria de ter falado tudo isso pra você naquela época. Você não queria que eu me magoasse. Foi um beijo espontâneo.Na verdade. Ele me beijou. . Rick me beijou à meia-noite . ter uma chance de ser notada por ele. não significou nada. e foi muito importante pra mim. Katie. Pra ele. Rick foi comigo até a porta.Eu sabia.você já sabia disso. não sua. pra desejar um feliz ano-novo. Quase toquei no assunto quando estávamos no terceiro ano no colégio e fomos visitar os rapazes em San Diego. Isso não é doentio? . quando ficamos na casa da Stephanie. tudo era muito mais confuso. disse Cris. Mas eu nunca encontrava a hora certa. Nunca contei isso pra você. baixinho. Katie se virou. mas foi meu primeiro beijo. que acontece no dia 1º de Janeiro. como você mesma disse. É complicado. antes de prosseguir com a confissão. e eu correspondi.E eu fiz você passar maus bocados por causa disso.Você sabia? E por que não disse nada? . ___________________ * Desfile tradicional de carros enfeitados com flores.) Cris inclinou a cabeça. . Katie fez uma pausa e inclinou-se para frente. foi com o Rick. Você ‘tá sendo sincera. . esta confissão é minha.e mostrado pra ele que ele havia sido desprezível. Naquela época. (Nota da tradutora. finalmente. E. Seu coração estava no lugar certo. à noite. devo voltar a Janeiro daquele ano. .Não acho que seja doentio. A outra metade sentiu esperança de. e foi isso que aconteceu. perto do apartamento deles em San Diego. .Ei.

eu me arrependo do que fiz. eu perdôo você.É. No dia seguinte. mas fui covarde e não tive coragem de confessar pra você e pedir seu perdão. . e faz as pessoas sentirem que podem tomar conta dele. mas ele escorregou mais do que sabão.Dos coalas? Não tenho a menor idéia.Como você mesma disse. . Foi o que fiz na época do colégio e.Eu sei que não. . Cris. ficou.Bem. Você é assim. concordou Cris. eu lembro. dei a ele inúmeras oportunidades pra confirmar o beijo e mostrar interesse por mim. Você disse: “Prometa pra mim que não vai deixar o Rick usar você”. mas ainda assim precisava tirar esse peso do meu peito. concordou Cris.Acho que dois tesouros especiais como nós não se encontram todos os dias. . . .Você lembra do que me disse na frente da jaula dos coalas? . ficou meio complicado. Nunca guardei ressentimento contra você. Cris. desde o início. no zoológico. aqui estamos nós. . Amigas até hoje. Katie contemplou suas mãos. E um apaixonado por Deus como Rick Doyle também não aparece todo dia. Mas estou pedindo agora. Confessei o pecado pra Deus naquela hora e acertei meu coração com ele. Usei você pra chegar ao Rick.Grandes amigas. ficar à vontade e permanecer por algum tempo. Não se preocupe com isso. Como você disse.Foi muito desagradável. abre seu coração. . foi tudo complicado. . disse Cris e fez uma pausa antes de prosseguir. .Claro que não.Eu não me lembro disso. Eu sabia que estava fazendo exatamente isso com você. bem. porque seu conselho me atingiu em cheio. .Você me fez prometer uma coisa.Katie. . né? .

Depois Katie foi até a lavanderia. Cris convenceu-a de apagar a luz. Katie também orou. Ela sabia que os muitos beijos que ele tinha roubado estavam incluídos em tudo que ela lhe perdoara havia muito tempo. Agora estava totalmente acordada e com lembranças não muito agradáveis de seu namoro com Rick. Cris deitou-se de lado. que acontecera antes de ele acertar essa área de sua vida. disse Katie com simplicidade. vai avançar realmente devagar nos contatos físicos. disse Cris. Bem.Ainda não nos beijamos. Cris colocou a mão consoladora no ombro de Katie e agradeceu a Deus pelo que ele fizera na vida delas no passado. . Cris abriu os olhos e voltou-os na direção da cama da amiga. As duas se abraçaram e derramaram algumas lágrimas. Boa noite. do outro lado do quarto.Tem mais uma coisa que eu não disse. .Eu gostaria de orar por você. Sabe de uma coisa? Acaba com grande parte da pressão. só achei que devia contar isso. Rick era direto e cheio de energia. . Na escuridão tranquila do quarto. finalmente. Pediu sabedoria para Katie e Rick e orientação para ela e Ted.Boa noite. Acho que é uma boa decisão. Cris estava quase dormindo e pensou que não teria forças para enfrentar mais surpresas nem confissões. . Já eram quase duas da madrugada quando. . Pra nós. Cris tinha quinze anos. se nosso relacionamento progredir. Por nós. Katie falou: . Ele quis que eu soubesse que. Pra ele. Os sentimentos incômodos começaram a voltar e atormentá-la.Rick me disse que prometeu a Deus que iria limpar sua vida nessa área. sem experiência. pelo que estava fazendo no presente e pelo que viria a fazer no futuro. Era confiante. Só dava para ver o contorno superior da Naranja. onde encontrou um balde que encheu de água para pôr as flores.

Três semanas depois. disse ele. voltou a se lembrar do ditado. o irmão e os tios de Cris foram à universidade para.mas ela lembrou a si mesma que tudo fazia parte do passado. Esquecido. mas. Dessa vez quem ouviu o inimigo bater foi Ted. quando minha mãe telefonou ontem e disse que não viria. Um ditado voltou à mente dela: Quando o inimigo bate em uma porta que você já fechou. Mais tarde. Estava perdoado. Depois. basta dizer: “Jesus.Sabe. Cris pensou que não poderia ser mais perfeito. achei que ela não poderia me magoar mais. ao ver os ombros dele caídos. Rick. Cris não deixou escapar a oportunidade e reuniu todos para uma foto com seu formando predileto. Foi na noite da formatura dele. Katie. Afogado no mais profundo dos mares. que olhou para ela. um grupo formado por onze parentes e amigos foi até uma churrascaria. Os pais. Cris gastou um filme inteiro fotografando o Ted de beca e chapéu. comemorar a data importante com aplausos no momento em que ele recebesse o diploma. Ele pensava que havia fechado a porta muito tempo antes. Pensei que tinha superado. risadas e aplausos. . que ele estava aborrecido ou triste com alguma coisa. nunca. Puxou a coberta até o pescoço e deixou Jesus atender a porta enquanto voava rumo à terra dos sonhos. Estendeu a mão e apertou o braço dele três vezes. voltando os olhos para a estrada. entregou a máquina ao David e pediu que ele tirasse várias fotos dela com o noivo. junto com o pai do Ted. Apagado do livro de Deus. ela precebeu. . Selena e outros amigos também foram à formatura. quando Ted levou Cris para o alojamento. tem alguém chamando o Senhor!” Cris sorriu. Ela nunca esteve ao meu lado. Um leve sorriso de agradecimento surgiu no rosto dele. O dia correu repleto de alegria. O pai do Ted reservou uma sala só para o grupo e ofereceu um jantar delicioso. comecei a me lembrar de todos os eventos importantes da minha vida que ela perdeu. Ainda assim.

um mês antes. Desde o dia em que Cris experimentara o vestido de noiva da mãe.Tenho certeza de que eles se sentiriam honrados se você os convidasse. afirmou Cris. Mas. claro. . Talvez fosse bom conversar abertamente com alguém sobre o assunto. Acho que não teve como escapar. disse ele elevando o tom. Sei que os dois consideram você um filho. do dia em que nasci. nem sei se quero que ela venha.Exceto. Cris nem imaginava como seria ouvi-la telefonar no último instante para dizer que “não era conveniente” para ela ir à formatura da filha na universidade. com cautela. . Conversavam pelo telefone quase todos os dias e estavam trabalhando juntas na preparação do casamento.O que você quer dizer? . Cris sentiu seu coração ligar-se ao dele. no aconselhamento pré-nupcial. Não posso voltar a abri-la.Não sei. quando perdoei minha mãe.Lembra que na semana passada.Você acha que sua mãe virá para o nosso casamento? . .Pensei naquele ditado que você citou outro dia. Acho que é isso que preciso fazer hoje. pra nós. mas eu quase que prefiro ter Bob e Marta assentados no lugar em que meus pais deveriam estar. para o resto da vida. como se tentasse fazer uma piada. É uma porta de mágoa e decepção. disse Ted.Pode ser. concordou Ted. De certa forma. e seu pai? . . as duas haviam se aproximado cada vez mais. acho que isso seja um problema pra você. quando o inimigo bate. . sobre pedir ao Senhor pra atender a porta. . o Pastor Ross disse que temos liberdade pra conversar com ele sobre qualquer área da nossa vida que possa trazer dificuldade depois do casamento? Bem. Sei que vai parecer loucura.É. . pode ser. que fechei há muito tempo.

mas ela vai levar um mês e meio. A mente dela se apressou a ajustar o que ela havia anotado no caderno. . . ela colocara Douglas na lista dos padrinhos. já estamos ficando atrasados. . Quero que ele esteja ao meu lado altar. Prefiro ir com você a uma gráfica pra olharmos juntos mais uns modelos. Gostou de algum? .Não muito.Precisamos conseguir tempo esta semana pra dar uma olhada em nossos planos.Eu vi. No caderno de organização do casamento. Não há necessidade disso. .Isso é permitido nas regras de etiqueta dos casamento O pai pode ficar em pé lá na frente. concordou Cris. Os convites têm de ser enviados de um mês e meio a um mês antes do casamento. comentou Ted. . Podemos ir ver os convites esta semana. Foi a primeira pessoa em quem pensei. . Simplesmente tomara como certo. que é o dia em que começo no novo emprego. então acho que podemos fazer do jeito que quisermos. mas não se lembrou de conversar com o noivo sobre isso. mas nós repetimos toda hora que é o nosso casamento. Se a gráfica levar um mês pra imprimir. Temos de decidir sobre o texto e a Tia Marta disse que pediu a uma amiga dela que sabe fazer aquela caligrafia bonita pra endereçar nossos convites. Ted entrou no estacionamento que ficava atrás do alojamento da Cris e parou o carro. como padrinho? perguntou ele. .Certo.Não sei. .Meu pai sempre esteve pronto a me ajudar. Acho isso maravilhoso.Parece que você ‘tá começando a entrar em pânico.Convidou? Ele não comentara nada com Cris sobre isso. menos na segunda-feira. . Minha tia me entregou umas amostras de convites hoje.Eu o convidei pra ser o meu padrinho. .

A voz dela foi ficando mais alta. É exatamente disso que eu estava falando semana passada no aconselhamento. . O horário é flexível.Não contei? . São trinta pintando e vinte na igreja. não. Eu disse que poderia começar logo depois da formatura. . já que só vou trabalhar na igreja em tempo integral a partir de junho.Acho que eu me lembraria caso tivesse me contado. Tem certeza de que não falei nada disso pra você? .Um homem lá da igreja perguntou se eu gostaria de um emprego em tempo parcial como pintor. Cris.Não. Não vai interferir com o aconselhamento nas terças-feiras e tenho os finais de semana livres.Ele paga bem. .Ted. disse Cris.Não achei que seria um problema. retorquiu Ted. Precisamos do dinheiro. . ajeitando-se no banco do carro.Pintor de parede.Que novo emprego? . é muito.Não me lembro de ter ouvido falar nisso antes deste exato minuto. Você não me conta as coisas. dá pra conciliar com minhas obrigações na igreja. .Eu achei que tinha falado com você sobre o emprego.Não são sessenta horas. Temos muito tempo antes do casamento pra planejar tudo isso. Cris nem tentou esconder a expressão de choque.Que emprego é esse de pintor? . . . Você vai trabalhar sessenta horas por semana! . São só trinta horas por semana. Ted.Não temos. Também foi a primeira vez que você comentou sobre seu pai ser seu padrinho. . quando o Pastor Ross perguntou se eu achava que havia alguma área do nosso relacionamento que precisava ser resolvida agora. . . Dessa vez.

esforçando-se para se acalmar um pouco e ser mais compreensiva. Participa das reuniões e ‘tá sempre à disposição quando um dos adolescentes ou os pais querem conversar com você. como se quisesse se defender da força das palavras dela. mas não dessa vez. em voz alta.Eu sei.Ted. . Fico furiosa quando você se afasta e quer que eu faça tudo sozinha! . Queria aprender a se comunicar com seu futuro marido. É nosso casamento. Em geral. Como na semana passada. falou Cris. engolia a frustração e aceitava todas as sugestões dele. Cris sentiu ferver por dentro. . e seria agora ou nunca. Não tenho preferências pra convite. . disse Ted.Isso acontece algumas vezes no ministério com a juventude.Você não tem outro horário antes de sábado? .Então marque um horário pra escolhermos os convites esta semana.‘Tá bom. e você tem de participar da organização. Ele tinha muitas perguntas sobre Deus. Ted parecia estar analisando uma agenda invisível em sua mente.Você ‘tá no topo da lista.Você pode ir sozinha. Só quero ter certeza de que vou continuar em sua lista de prioridades depois que você começar em seu segundo emprego. você sabe que trabalha mais de vinte horas por semana na igreja. com minha mãe nem com ninguém mais. . ‘tá bom! Ted levantou a mão.Não. . . Ted! declarou. ou com a Katie ou outra pessoa. . . Não quero escolher convite com Katie. Você não veio jantar comigo porque levou uns garotos pra andar de skate e ficou conversando com um deles até às 11:00h da noite.Que tal o próximo sábado? Posso me encontrar com você depois do café da manhã e da reunião de oração dos homens na igreja. E você é muito bom nisso. . encontra alguma coisa de que goste e depois me mostra.

.‘Tá. acho. Por volta das 11:00h. já que é o primeiro dia em que você ‘tá livre. Sábado. falou Ted. emburrada.Certo. Cris não gostava do que estava sentindo.Certo. disse ela.Sábado. Quando será que as coisas vão melhorar em vez de piorar? . você também.Certo. . Cris respirou fundo e fez força para não cair no choro. Ted? Temos de melhorar a comunicação. . ‘Tá bom pra você? .Não sei. .Quando você quer ir escolher os convites? . . Será que vou ter de lutar com você toda vez que alguma coisa for importante pra mim. Ainda estou com raiva. pelo resto da vida.

foi também uma das melhores. Na terça-feira. Pediu que o pastor dissesse a Cris que sentia muito. estaria lá na terça-feira seguinte. Deixou um recado com o Pastor Ross. dizendo que não poderia se afastar do emprego de pintor naquela tarde. Durante o ano em que estudara na Suíça. mas para se matricular seria obrigada a mudar o horário de trabalho na livraria. Havia outra turma. Cris não tinha como ir embora da igreja. Na segunda-feira começaram as aulas do último semestre. mas. o que implicou redução de salário. mas que. mas Cris logo descobriu que uma das matérias que precisava cursar para concluir o curso tinha sido cancelada. Conseguiu apenas bolhas nos pés e mais raiva por Ted ter colocado o trabalho acima dela. Precisou diminuir o número de horas trabalhadas de doze para oito por semana. Não quis ficar e conversar com o Pastor Ross porque estava com muita raiva do noivo. Supunha que Ted iria levá-la de volta para a universidade. Brava e orgulhosa demais para pedir uma carona de volta à universidade. com certeza. e certamente se arrependeria depois do que dissesse. Ainda não aprendera a expressar os sentimentos sem explodir em um ataque de fúria reprimida. . 11 A primeira semana de fevereiro acabou sendo uma das piores da vida de Cris. Ted não apareceu para a segunda reunião de aconselhamento pré-nupcial na igreja. caminhara muito e achou que o exercício a ajudaria a aplacar a ira. Cris decidiu percorrer a pé os 8km. estranhamente. porque Katie lhe dera uma carona até lá.

cidade em que Cris nascera. . ele havia se mudado para o apartamento do Rick. Para piorar a situação. Essa notícia a levou ao choro compulsivo. Sua avó o levou para o hospital ontem à tarde. Só conseguiram chegar meia hora antes do funeral em Brightwater. Ensaiou inúmeros diálogos que teria com Ted assim que ele “desse as caras”. às 5:00h da manhã. Por fim. . O telefone tocou às 6:30h da manhã de quarta-feira. Ted e Cris fizeram uma viagem triste com os pais e o irmão dela. desistiu e foi dormir cedo. O avião pousou no Aeroporto O’Hare. No dia anterior à formatura. informou ela. Ela continuava aborrecida com ele. e Cris achava-se aborrecida demais para estudar ou bordar o corpete do vestido de noiva. Mas era sua mãe. Amava seus avós e de repente arrependeu-se de não ter voltado a visitá-los em Wisconsin depois das bodas de ouro deles.Seu avô morreu ontem à noite. Alugaram uma van e viajaram durante três horas sob uma leve nevasca. e também com Bob e Marta. a ligação caía na secretária eletrônica do Rick. Cris já estava se sentindo sem forças. Ele morreu durante uma cirurgia. Cris e Ted não haviam conversado sobre os problemas não resolvidos. e ela falava em tom baixo. Ele vinha reclamando de umas dores no estômago. A conexão para Madison partiu às 6:00h. Marta telefonou uma hora mais tarde para informar que reservara passagens de avião para Cris e Ted irem ao enterro no sábado. mas colocou esses sentimentos de lado para lidar com a dor pela morte de seu avô. Cris tinha certeza de que era o Ted. Então. Katie estava trabalhando. no estado de Wisconsin. no verão em que ela terminara o ensino médio. Nenhum era agradável. em Chicago. Ted não telefonou na noite de terça-feira. pedindo desculpas. toda vez que ela telefonava. Sexta-feira à noite.

afirmou David.Mas vai fazer justiça. . que percebeu que sua avó. queria brigar por justiça. E você o verá de novo. Vendo sua rápida visita chegar ao fim. Ted se portou como perfeito cavalheiro ao ser apresentado aos parentes da Cris. em voz baixa. pegou as duas mãos dela e. como a mãe de Cris. resultado de erro humano. Estavam todos na sala de visitas da casa da avó. como eu entreguei. Parara de nevar.Mas o vovô não ‘tá mais neste mundo. O resto da família pretendia ficar em Brightwater até segunda-feira. ‘Tá no céu. mas Cris e Ted pegariam o avião ainda naquela noite para que ele pudesse estar na igreja na manhã seguinte. pois logo deu um jeito de sumir. Cris não se surpreendeu ao ver Ted ir atrás dela. Conduziu-a ao corredor. se entregar sua vida a Deus. E isso é muito importante neste mundo. Viu que a análise de David sobre a situação era a última coisa que Marta queria ouvir. Parecia Ted falando.Isso não vai trazer o vovô de volta. Em vez de chorar a morte do pai. de modo que os dois não teriam dificuldade para chegar ao aeroporto. Estava convicta de que a morte dele havia sido desnecessária. Todos se voltaram para ele. . mesmo em meio ao sofrimento e ao choque. e a avó de Cris comentou que as ruas principais da cidade seriam limpas. falou que sentia muito o que tinha acontecido e afirmou que a amava muito. quando David disse: . declarou Marta. Cris olhou para seu irmão. depois do funeral. estava encantada com ele. Cris sentiu vontade de ter um momento especial com sua avó. . Cris se preparou para ir embora. Marta decidira ficar em Wisconsin até interrogar em detalhes todos os médicos e funcionários do hospital envolvidos no atendimento a seu pai. Enquanto eles conversavam. David não costumava emitir opiniões em voz alta no meio de um grupo.

não vai? .Acaba muito depressa.Eu não perderia de jeito nenhum. disse Cris. Não mantenha registros longos. O avô comentara que os dois deveriam verificar se tinham o mesmo tipo de princípios.Muito obrigada. Você e Ted poderão voltar em outra oportunidade. e ficar um pouco. minha preciosa.Tudo passa muito rápido. os registros não vão ter mais a menor importância. Eu gostaria muito de receber vocês.Muito obrigada. E também obrigada por ter vindo de tão longe para o sepultamento. Queria apenas se relacionar melhor com ele. Uma lágrima brilhou no canto do olho da avó e depois correu pelo rosto enrugado. em uma visita agradável. . para me ver. porque um dia você vai acordar e descobrir que ficou velha sem perceber. .Não. quando estava com raiva do Ted. em maio.Se eu pudesse. disse a avó. . a avó dissera a Cris para esperar até os problemas surgirem e então perguntar a si mesma se queria passar o resto da vida com aquela pessoa. Sabia que continuava querendo passar o resto de sua vida com ele. haverá muita comoção aqui. Quando isso acontecer. Estou feliz por vocês. Você conquistou um rapaz de ouro. Cristina. Esse pensamento voltara à mente de Cris várias vezes na semana anterior. querida. . ficaria mais alguns dias. . Ela continuou: . Aprenda a perdoar rápido e prosseguir. nos próximos dias. . Entretanto.Você vai ao nosso casamento. vovó. . Você tem algum conselho pra mim? Pra nós? Cris lembrou-se das bodas de ouro de seus avós. Ela lhes perguntara como tinham se conhecido e como souberam que um era a pessoa certa para o outro. apertando as mãos frias de sua avó.

. Quando. a voz grave do Ted ressoou por seu ouvido e percorreu todo o caminho até o coração. Cris passou o dedo por elas. Cris observou as mãos do Ted. A que estava na frente de Cris era do casamento dos pais dela. com a cabeça encostada no ombro da neta. Ao lado do casal estavam os avós de Cris. e os dois sentaram o mais juntos possível. Piscou para não chorar. sussurrou ele. O corredor em que estavam era uma longa galeria de fotos de família. Ele pegou a mão dela. levou-a aos lábios e beijou-a inúmeras vezes com carinho. Os olhos de Cris se encheram de lágrimas. Pelo resto da vida ele carregaria as marcas dos lugares onde o vidro estilhaçado penetrara na pele. Pela primeira vez a realidade atingiu Cris: seu avô morrera. e uma fotografia bem perto dela chamou sua atenção. Cris encostou a cabeça no ombro dele e voltou a chorar. elegantes e portando um grande sorriso. As feridas do terrível acidente haviam sarado. e o pai era alto. colocando pequenos beijos que pareciam flocos de neve que derretiam assim que tocavam o solo. empertigado. ela e Ted estavam no avião que decolava. Ela nem conseguiu contar quantas vezes ele pressionou os lábios nos cabelos dela. Os pais eram tão jovens! O lindo cabelo castanho da mãe caía graciosamente pelos ombros. . Abraçou mais a avó e não conseguiu conter o pranto.Sinto muito. mas as cicatrizes permaneciam. Horas mais tarde. por fim. Cris envolveu sua querida avó com os braços e apertou-a em um abraço carinhoso. Ted levantou o braço da poltrona entre eles. Nenhum dos dois falou nada durante a primeira metade do vôo. A mãe estava com o vestido que as duas haviam desmanchado para criar o de Cris. Sentiu que ela se sacudia soluçando em silêncio. falaram. forte. como se tivesse obrigação de decorar onde ficava cada uma. a cabeça dela no ombro dele e a dele repousando na dela.

Nunca mais quero guardar queixas contra você como guardei esta semana.Quando eu disse que sentia muito. . mas sempre de forma amável. Cris levantou a cabeça e encarou-o. . . O amor é paciente e bondoso. Uma expressão engraçada cruzou os olhos dele. Ou eu vou dar uma olhada e depois falo pra você o que encontrei. certo? Decidi também aprender a perdoar logo. .E os convites? perguntou Ted. como meus avós. Surgira uma grande oportunidade para praticar falar a verdade em amor. . Ou você olha e me fala.Certo.O que tem os convites? . . nós vamos envelhecer.E eu.Podemos fazer isso na semana que vem. Não sabia que você tinha passado a semana toda brava comigo. e ela cochichou: . ou mais. Ted retribuiu o sorriso. Tenho de aprender a ser mais flexível. estava pensando em seu avô. Ted tocou no rosto dela. . Ele olhou bem nos olhos dela. Prometo apagar logo os registros das coisas que me aborrecerem. Poucos centímetros os separavam.Ted.Em quê você estava pensando? indagou Cris. disse ele. Os lábios dele venceram a pequena distância que os separava e ele a beijou com carinho. Mas não estou mais com raiva.Nós íamos encomendar hoje de manhã.Fiquei brava porque você faltou ao aconselhamento. . a ser mais confiável. Estou determinada a aprender a expressar minhas opiniões pra você. Juntos. teremos cinqüenta anos. .Certo. Se Deus quiser. Cris fez uma pausa antes de prosseguir. disse Cris com um sorriso carinhoso. .

. Os sábados seriam reservados para eles.Pra mim também. Eu estava sendo romântica. disse ela. que só faltam treze sábados? Ou quatorze? Ele moveu os dedos. conversaram sobre a agenda superlotada dos dois e procuraram formas de conseguir passar mais tempo juntos. inclinando-se para eles.Não tem problema. interrompeu a comissária. Nossa realidade é que você trabalha cinquenta horas por semana pra termos dinheiro pra comer depois do casamento. . Vou tentar fazer sozinha tudo que for possível. . porque são poucos.Você sabia. Enquanto jantavam. como ela previra. perguntou Ted. Ir sozinha não me incomoda mais. Desejam frango ou lasanha? . acompanhou-a Ted. .Cris endireitou-se na poltrona e tomou uma decisão rápida. . Debateram alternativas para ajustar os horários e chegaram a uma conclusão. achando que deveríamos fazer tudo juntos pra criar recordações especiais de todos os detalhes do casamento. Acho que assisti a filmes demais. afirmou Cris. .Tem certeza de que não vai achar ruim? Eu posso tentar ajustar minhas atividades se você quiser que eu vá com você comprar algo ou resolver alguma pendência. agora que adquiri uma visão mais realista. . Os compromissos durante a semana lhes deixavam pouco tempo para se encontrarem. e estou no semestre mais apertado de todo o curso e ainda por cima trabalhando uma parte do dia. seriam separados para fazerem juntos o que precisassem ou quisessem.Tanto faz. daquele dia até 22 de maio. de modo que todos os sábados. enquanto contava. .Frango. mas vou ter o cuidado de contar tudo pra você. Temos de fazer concessões.Com licença. Era o semestre mais apertado para Cris e. Ted muitas vezes trabalhava mais de cinquenta horas por semana.

Acho que vai. assim que voltarem de Wisconsin. argumentou Cris. respondeu. e ela pensara em fazer uma festa.Ótimo.Não tenho muita certeza. Cris decidiu não mencionar os planos que fizera para a festa surpresa. . Será que não vai estar frio? .Eu sei. Você não pode passar algumas de suas tarefas pra elas? Cris entregou a bandeja vazia para a comissária e fechou a mesinha. O que você acha.Ainda estamos no inverno.Eu contava com isso. e ela sabia que ele estava ansioso para voltar ao mar. Já pensou no que vamos resolver no próximo sábado? Cris não sabia como responder. e é por isso que quero ir. .Pensei em passarmos o dia na praia. Podíamos fazer o café da manhã lá e eu poderia experimentar a prancha de surfe que meu pai me deu no Natal. . Ted a imitou. Vou preparar nosso lanche.Você tem razão. Vou percorrer minha lista de tarefas e delegar a elas o máximo possível. Só nós dois. Era o fim de semana anterior ao aniversário dele. Ela sabia que era um argumento fraco para dissuadi-lo. obviamente.. mas queria fazer uma surpresa. um programa a dois. Fazia meses que ele não surfava. Para ele.Sua mãe e sua tia estão morrendo de vontade de se envolverem mais nos preparativos. Ainda não preparara nada. Já tinham tomado café da manhã na praia durante o inverno mais de uma vez.Perfeito. . . . concordou ela. . Café da manhã na praia. . Cris decidiu ir direto ao ponto. . . Kilikina? É assim que quero comemorar meu aniversário.. e eu.É o sábado anterior ao seu aniversário. disse Cris. uma ocasião inesquecível era. Ted pegou a mão dela e bateu na pulseira com o polegar. .

Tirou um lenço amarrotado.Kilikina. Se eu fosse paciente. invadindo o planejamento dela. Permaneceram em silêncio um pouco. mas aqui estamos nós. que agora ostentava um anel de noivado lindo. no meio do tecido amassado na mão dele. único. Levou a mão dela aos lábios e beijou o dedo anular.. . Com um beijo longo e lento. Seria bom. ou faria um plano especial para o dia dos namorados. e estou ansioso pra lhe dar isto aqui.Sim. Ted desdobrou o lenço e lá.Eu ia fazer isso quando voltamos pra casa. murmurou Ted. estava o anel de noivado da Cris. falou baixinho.Qual? Ele se ajeitou na cadeira e enfiou a mão no bolso traseiro da calça jeans. atravessando a mais de nove mil quilômetros de altitude o estado do Colorado. mas nenhum de nós dois estava muito bem naquela noite. Casa comigo e envelheça ao meu lado.É muito lindo! . mais do que em qualquer ocasião anterior. convites e. na praia. que sempre amaria Ted Spencer. comendo frango em um avião. que colocou na palma da mão. A força do amor que sentiu por ele naquele instante fez parecer que ela só começara a amá-lo agora. Cris sentiu. esperaria até sábado. depois do jantar no dia da minha formatura. Cris contemplou sua mão. Mas esperei demais. . Depois pensei em levar você a um restaurante chique este fim de semana. vou me casar com você. . enquanto Cris reprogramava sua mente. disse Ted escorregando o anel pelo dedo da Cris.. eles selaram a promessa. .Casa comigo. com intensidade e profundidade. Acabei de tomar uma decisão. Kilikina. Isso lhes deixaria com a tarde toda livre para ver bolos. Ela poderia dormir na casa dos tios e ela e Ted iriam cedo para a praia. . Naquele momento. .

os dois se tornariam marido e mulher. de modo que Cris passava muito tempo sozinha em seu quarto. Em todos os aspectos. Além disso. Ele lhes contara que havia dado o anel para Cris no avião na noite anterior e que o rosto dela havia se iluminado de felicidade. com a cabeça repleta de pensamentos. gostei muito do jeito que ficou. anotou todos esses pensamentos em seu diário. Logo seria entregue em casamento. O relacionamento dela com Rick continuava avançando em ritmo firme. e ela esperava a data do seu casamento. Ted deixara a universidade. Ficou certinho em você. estudando. Deus descreve a Igreja coma a Noiva de Cristo. Decidiu pegar o diário e anotar o que Ted dissera aos adolescentes na aula do último domingo. Alguém a amava e a desejava. Como acontecia sempre. . Na noite da quinta-feira seguinte. . e ela parecia mais feliz do que em qualquer outra fase de sua vida. Cris largou o bordado e foi se deitar. Olhar a jóia fazia com que ela se lembrasse de que um dia. então eles não se encontravam mais na lanchonete para as refeições. Embora estivessem noivos antes. . Na Bíblia. Então Ted fez uma analogia maravilhosa entre nosso noivado e como Deus nos vê. mostrava que ela era comprometida.É. em breve. parecia que o anel tinha mudado tudo para ela. Katie ainda não tinha voltado do serviço. Katie estava sempre em algum outro lugar. e Cris nunca pensasse que precisava de um anel para provar seu compromisso com Ted. Às 10:00h daquela noite. bordando e pensando. Ted disse que o Espírito Santo é o anel de noivado que Deus nos dá como evidência de sua promessa de nos amar sempre e voltar um dia para nos levar para sermos sua noiva e vivermos com ele para sempre.Ficou.

sendo meu noivo. E nós fazemos a mesma coisa quando não deixamos o Espírito Santo agir em nossa vida. as pessoas vão saber só de olhar no rosto de vocês. mas não me importei. E. meu amor por Cristo fica mais profundo. Olhem para a Cris”. que mistério isso é. o Espírito Santo é o sinal em minha vida. e espera o dia em que estarei para sempre com ele. para que os outros vejam. no qual fostes selados para o dia da redenção”. Ele disse que. A reação dos alunos foi surpreendente. Todos se viraram para me encarar. Percebi. Ele me quer. a Igreja. . que pertencemos a Cristo. Meu rosto e meu coração estavam tão iluminados pelo fogo do meu amor por Deus e por Ted que não fiquei com vergonha. Até que esse dia chegue. para viver com ele. cada vez que enxergo esses paralelos em minha vida. E entendi muito melhor aquele versículo em Efésios 4. Foi como se eu estivesse flutuando nas nuvens. Ted comparou entristecer o Espírito com uma situação em que eu escondesse meu anel com fita adesiva para ninguém saber que estou noiva. muito mais apaixonada pelo Ted depois que ele colocou o anel em meu dedo. se vocês estiverem apaixonados mesmo pelo Noivo. ficaria de coração partido se eu fizesse isso. Então ele falou: “Mas. Ted falou que os casamentos na Terra são reflexos da grande festa do casamento do Cordeiro. Ted desafiou a turma a ser ousada e fazer o mundo inteiro saber que somos comprometidos. que acontecerá quando ele vier para levar sua noiva. com mais profundidade. Senti-me diferente. Cris parou de escrever por um momento e pensou na importância das nuvens no futuro de todos os cristãos. que estou prometida a ele e espero por ele.30: “E não entristeçais o Espírito de Deus.

É isso que vai acontecer quando Cristo voltar pra sua noiva. segundo a Palavra de Deus. Minha avó. . Lembrou que 1 Tessalonicenses falava sobre ser levado até as nuvens e encontrar-se com o Senhor nos ares. Envolvida pela intensidade dos pensamentos. Um nó formou-se em sua garganta quando leu o final do versículo e sublinhou-o. estaremos para sempre com o Senhor. em parte de alegria pelo amor por Ted. Deus deseja que digamos “Sim” a seu Filho para vivermos eternamente com ele. em que ela e Ted haviam se encontrado na capela e depois caminhado pela campina. . Depois. A porção final relacionava-se à sua tia. baixinho. Naquele dia. Meu irmão também tinha razão no que falou para a Tia Marta depois do funeral. Tia Marta só estaria para sempre com Deus se entregasse o coração a ele.‘Tá acordada? perguntou. e em parte pelo mistério do amor de Deus. afundou o rosto no travesseiro e chorou. “E. Cris sabia que. É o “Sim” definitivo. pensara que as nuvens tinham descido até a Terra. cantarolando. Nosso verdadeiro ser. também. Cris largou o diário e apagou a luz. Ela lembrou-se de uma certa manhã magnífica. Em parte. viverá para sempre. a alma. É o “Eu prometo” eterno. em silêncio. as lágrimas eram de despedida e de “nos veremos no céu” para o seu avô. não é? Ele vai nos encontrar nas nuvens. Pegou a Bíblia e procurou todas as referências sobre nuvens que conseguisse encontrar. O que fazemos aqui não se relaciona apenas a esta vida. assim.” Pegou o diário e escreveu: Ted estava certo no que disse aos adolescentes. por ele querer estar para sempre com ela. que ainda não dissera “Sim” a Cristo. A porta se abriu e Katie surgiu.

É só pra você saber. não queria perder. . Vejo você amanhã à noite.Vou amanhã cedo pra Feira de Alimentos Naturais em San Diego. . .Mmm-hmm. . Não queria que Katie acendesse a luz e passasse a noite toda conversando.Tudo bem? . se ela tinha alguma grande notícia. Tudo ‘tá maravilhoso com o Rick.Ótimo. Cris adormeceu com o som alegre de Katie cantarolando enquanto vestia o pijama.Hmm. Mesmo assim. . .Mmm-hmm. resmungou Cris.Mmm-hmm. . respondeu Cris. Rick vem me pegar às 6:00h.

Marcara o horário enquanto estava no serviço. Cada dia ficava mais difícil conciliar os compromissos. Trícia captara o instante exato em que eles trocavam um olhar. O último foi às 9:00h da noite. sem olhar a agenda repleta de compromissos. Cris comprara quinze presentinhos para o Ted. As semanas voavam. Estavam assentados com o resto da turma. O dia amanhecera claro. Depois desse. Poderiam passar o aconselhamento para mais tarde. Ele abriu o primeiro às 7:00h da manhã. A expressão dos dois estava iluminada com o brilho maravilhado e a alegria do nascimento do primeiro amor. Era uma fotografia dos dois que Trícia tirara anos atrás.” Mastigou o lápis e tentou decidir se seria melhor pedir ao Ted que deixasse o carro com ela na terça-feira ou ver se ele poderia sair do serviço para levá-la ao dentista. na praia. “Doze de março. a cada hora. murmurou para si mesma. Cris entregava outro presente. 12 O calendário pendurado na parede do quarto fitava Cris com inocência enquanto ela tentava encontrar um espaço em branco para anotar a consulta com o dentista. e embrulhara cada um separadamente. à tarde. fresco e ensolarado e os dois aproveitaram todos os minutos. e o Sol poente conferia ao rosto deles o brilho perfeito. vou me atrasar para o aconselhamento na igreja. A única diversão que conseguiram encaixar foi o café da manhã na praia. pois Ted trabalhava demais. Cris vinha se esforçando muito para ser flexível. enquanto o bacon chiava sobre as chamas. . Foi cera para a prancha. Como já pode ser doze de março? Se eu for ao dentista às 4:00h da tarde na próxima terça-feira.

Fazia três anos que Cris e Katie a tinham conhecido. abraçou Cris e lhe disse que aquele tinha sido seu melhor aniversário em toda a vida. Dedicava cada momento livre a bordar o vestido de noiva. . A visita da Selena fora motivada pela necessidade de perguntar se Cris poderia pegá-la no serviço. em um supermercado próximo. sua Kilikina. Pelo menos. Com sua letra mais caprichada.Éramos tão novos! Depois. mas. Selena estivera no quarto da Cris duas noites antes e chegara exatamente na hora em que Katie declarava sua opinião sobre as mangas. A opinião de Katie era que tanto fazia bordar ou não. . em que as três compartilharam o mesmo quarto. A vantagem era que o tempo estava passando bem rápido. Cris escreveu. Para sempre. Cris gostou demais da fotografia e fez uma moldura especial. As flores passaram mais de cinco anos guardadas em uma velha lata de café e tinham um cheiro meio estranho. na noite de sexta-feira. Selena era caloura. que ninguém iria reparar nas flores das mangas. entretanto afirmava que o mais importante para Cris no dia do casamento seria as pequenas coisas. na manhã das omeletes na casa do Douglas e da Trícia. Ted ficou sem fala quando abriu o último presente e viu fotografia. Cris não se lembrava de Trícia ter tirado a fotografia. Selena. tinha sido assim para a irmã da Selena. na parte de baixo da moldura: Guardo você em meu coração. a jovem de espírito mais livre que Cris conhecia. durante uma viagem missionária à Inglaterra. colando pétalas secas escurecidas de cravos do primeiro buquê que Ted lhe dera. esta tirara a foto de um álbum e dera a Cris. As lembranças gostosas desse dia especial foram a única companhia de Cris em seu excesso de compromissos. Estava demorando muito mais do que ela pensara para bordar. O contorno de pequenos miosótis no decote estava quase pronto e chegara a hora de decidir se bordava flores nas mangas ou as deixava lisas.

ele já tinha o tumor havia algum tempo. porque a lingüiça acabou. não dava para fazer mais nada. parecia ter dado a ela ainda mais incentivo para se envolver. quando Cris a conhecera.Não. O convite de Ted para ela e o marido assentarem na frente. já era tarde demais. A tia retornara de sua longa estada no Wisconsin e desistira de processar o hospital. Naquele dia. Abandonara a idéia de processar o hospital e voltara para casa. . Entrevistara o cirurgião. porque sabia que estaria com o carro. Ted havia dito que cancelaria. A mãe da Cris contou que Marta aceitara os fatos melhor do que o esperado. Ela usava roupas de estilo próprio. mas Cris achou melhor ele ir. mas disse que sim. só alguns minutos. que ia até o meio da perna. Cris estranhou e olhou para Selena. . no estômago do avô. Embora a viagem tivesse sido programada antes de eles combinarem passar todos os sábados juntos. as mesmas botas de caubói que usava na Inglaterra. Saí mais cedo. rebelde e encaracolado. Aparentemente. que contou que havia encontrado um tumor. Era fácil encontrar Selena. pois Ted iria acampar com alguns jovens da igreja. Selena já esperava à frente do supermercado quando Cris chegou. parecia ter sido feita de gravatas. talvez sentisse dores. Na noite de sexta-feira. . Nos pés. abrindo a porta do carro pelo lado de dentro. pronta para se dedicar aos preparativos do casamento. A última coisa que Cris precisava era de uma tarefa. mas nunca se queixou. Quando descobriram. Ela pretendia dedicar o sábado a trabalhar no casamento com sua mãe e Tia Marta.‘Tá esperando há muito tempo? perguntou Cris. que não poderia ser operado.O supermercado ficou sem linguiça? . no lugar dos pais dele. O cabelo dela era louro. sua saia.

Parece que seu trabalho é divertido. O plano era deixar Selena na universidade e ir para a casa da tia em Newport. . Cris sorriu. Já tive uma saia de gravatas. Só depois que distribuí metade das linguiças eu descobri que tinha de cortar em pedacinhos e enfiar palito neles. Não contei que era esse meu trabalho? Cada dia a empresa me manda para um supermercado diferente. . contou uma história sobre cada uma das gravatas enquanto estávamos costurando. que estava do lado esquerdo. com um produto diferente. e estragou há uns anos.Perfeito pra mim. com tantas cores. . eu fiquei. mas era curta. Cris. Tinha pequenos arabescos alaranjados e triângulos azuis no topo das listras. Selena mostrou uma listrada de verde e marrom. May. Selena sorriu: . Eu estava demonstrando. Assim. e as pessoas fizeram fila na minha frente. Ela tem sérios lapsos de . disse Cris. como se eu trabalhasse em um carrinho que distribui cachorro quente de graça. pois sua mãe já estava lá. enquanto saía do estacionamento do mercado. mas me disseram pra só usar vinte pacotes. comentou Cris.Sem problemas. Minha avó.Ou então não combinava com nada por causa das cores. Estas gravatas aqui eram do meu avô. Foi você que fez? . Estava entregando linguiças inteiras. poderiam começar a planejar logo cedo. Deu tudo certo. Fizemos durante os feriados de Natal. . Agradeço muito você ter vindo me buscar.Não.Sua saia é linda.Acho que devia combinar com qualquer roupa. . Hoje era linguiça. Não são engraçadas? Olha esta. a não ser pelo transporte.Minha mãe me ajudou. Detesto ter de pedir carona. .

. Afinal. . Você ‘tá com fome? indagou Selena. Cris contou a Selena que o avô dela morrera no mês anterior e comentou que isso a levara a pensar na brevidade da vida. eu gostaria muito de ouvir sua opinião sobre alguns assuntos.Que tal o Ninho da Pomba? Ronny e sua banda estão tocando lá hoje. disse Cris. . .Você e Katie nunca se encontram? conjeturou Selena.Mais ou menos. . acabara de fazer um belo discurso sobre a brevidade da vida. mas lembra detalhes mínimos de lugares em que ela e meu avô foram e de coisas que fizeram quando ele estava com estas gravatas. porque tenho de tomar decisões importantes. . Estava diante de uma boa oportunidade de desfrutar do inesperado. .Nós duas andamos ocupadas demais. . Seria bom ir a algum lugar e comer alguma coisa substancial. Aonde vamos? . Se você tiver tempo.É. Cris nem lembrava qual fora a última vez que saíra com uma amiga. bem cedo. .Fome? . . A cantina já fechou. Sabia que ele tentou paquerar a Tânia no casamento do Douglas e da Trícia? Cris sorriu enquanto deixava a via expressa. fica confusa e desorientada. falou Selena.Ótimo! E vai ser bom encontrar minha colega de quarto.memória.Contei pra minha irmã que Katie e Rick estão sempre juntos e ela ficou chocada. e passei três horas e meia em pé no supermercado cozinhando linguiças. Foi por isso que não consegui carona com minhas fontes costumeiras.Por acaso alguma delas tem a ver com relacionamentos? perguntou Cris.Sei o que você quer dizer.Claro. Poderia mudar seus planos e fazer o percurso de uma hora e meia até Newport na manhã seguinte. Tenho pensado nisso este semestre.

Por que você ‘tá falando isso? indagou Cris. . Vamos ver se ‘tá aberta aquela parte da livraria que tem os sofás perto da lareira. Sem ela. . observou Selena. Vicki. Da última vez.Não me surpreende. .Mas Katie disse que ele mudou muito. e Cris falou: . E o mesmo acontece com ele.Prefiro assentar só com você pra conversarmos. Cris nunca ouvira ninguém descrever Rick como sem sal. . .Ah. Sempre ficava impressionada com a capacidade que Selena tinha de evitar que a máscara exterior a cegasse para a verdadeira natureza escondida no interior das pessoas. Selena acenou para sua companheira de quarto.E para o Rick também. . mas quando ‘tá com o Rick. . . . Deus tem trabalhado muito nele. comentou Cris. mudou mesmo. ele é meio sem sal. mas parece ter uma eletricidade. Entraram e logo viram um grupo que conheciam da universidade. Encontrei com eles poucas vezes. .Isso é bom para o Ronny e a banda. Um desperta o outro. prosseguiu Selena. Acho que Katie e Rick dão certo juntos.Talvez a gente não encontre mesa vazia. brilha ainda mais.Quer ir assentar com eles? .Os dois são muito vibrantes. . As duas chegaram ao Ninho da Pomba e encontraram o estacionamento lotado. Eu nem ficaria surpresa se eles acabassem se casando.Sabe de uma coisa? perguntou Selena.Comentário interessante. estavam servindo lá. Katie é cheia de energia por ela mesma.

Katie havia se derramado em elogios ao fabuloso chef que tinham contratado havia pouco tempo. qualquer que fosse ela. . . a livraria contígua. mas Cris decidiu experimentar. Cris foi fazer o pedido primeiro. É muito boa. Estavam servindo no sofá. Mas já tinha melhorado muito. . Cris seguiu Selena até A Arca. A sugestão do Miguel era pizza de alcachofra com tomate seco. . O que mais você recomenda? .Cris.Faz pouco tempo.A maioria do pessoal ‘tá pedindo apenas café e sobremesa. Quer guardar nosso lugar enquanto faço o pedido? A banda acabara uma música e dava para ouvir os aplausos vindos do outro lado. Nessa noite.Concordo.Vamos nos revezar pra guardar o lugar. Trouxe Selena. Eu ainda não sei o que quero comer. sugeriu Selena. Essa sempre tinha sido a maior dificuldade dela nos restaurantes.Claro. Dirigiu-se ao balcão.Acho que uma pequena salada iria bem. Um sofá e duas poltronas aconchegantes cercavam. Estamos lá no sofá da livraria. mas ao mesmo tempo podiam conversar. . Parecia meio estranho. quando você chegou? . pelo lado da livraria. Parece que vocês estão muito ocupados hoje. De onde estavam. então a cozinha não ‘tá sobrecarregada. Quer experimentar meu chocolate predileto? . pensando que era muito bom ouvir outra pessoa dizer que não sabia o que queria. . ouviam a banda. disse Katie. Cris achou bom não assentarem na parte mais barulhenta.É exatamente o que eu vou pedir. a lareira. e só então Katie a viu. . que se comunicava com os dois ambientes.Perfeito! exclamou Cris. Experimente a pizza de alcachofra. sabia que iria pedir a sugestão do chef.

.Ela vem aqui fazer o pedido. fale pra ela que foi uma grande conquista. Vim com a Selena. Achei que ele ia acampar este fim de semana. Eram trinta e sete concorrentes. E.Faça duas pizzas dessas.Katie contou pra você a boa notícia? Cris voltou-se para a amiga. Vou aperfeiçoar a mistura e entrar de novo ano que vem.Grande coisa. . . Eu ofereço jantar para as três.Eu sei. noite das garotas! disse Rick.Obrigada.Ah. Cris.O chá que ela preparou recebeu menção honrosa da feira de alimentos. Miguel. mas vocês nunca aparecem.E foi. Parabéns! . . perguntou: Você já jantou? .Eu levo lá. o que ela quer? .Não. . gritou Katie.Não. falou Cris. desdenhou Katie. Eu não esperava que você pagasse nosso jantar. Distribuíram dez menções honrosas.Foi mesmo. com os olhos arregalados e disse: . falou Katie. disse Rick. . E a Selena.Quer fazer seu intervalo agora? perguntou ele. . . Que boa notícia? . Rick surgiu por trás de Cris e a saudou com um abraço amigável. Rick. .Tenho o maior prazer. Nunca estive tão ocupada em toda minha vida. e ela ficou entre os dez primeiros colocados. . . . E dá pra pôr mais parmesão na minha? Obrigada.Obrigada.Eu achei que foi um grande feito. Katie. Faria isso com mais frequência. voltando-se para Katie.Ted também veio? indagou Rick. concordou Cris. . .

Enquanto se afastavam. Cris assentou-se ao lado da Selena no sofá e se esforçou para lembrar se Ted lhe dissera alguma coisa sobre isso. fala para o Ted que consegui conversar com o cara que meu pai conhece na loja de smokings. . Você deve estar bem ruim pra não se lembrar dessas coisas.Katie. Haviam concordado em ficar só com esses.Ted também. . O Ted o convidou há umas três semanas.Ah. por dividir o apartamento com o Rick. Cris decidiu permanecer calma e não se enfurecer com o Ted . Nunca estamos em casa ao mesmo tempo. ele falara no pai dele e em Douglas. Nós quatro temos de fazer alguma coisa juntos qualquer hora dessas.Certo. Para madrinhas.Vamos.pelo menos ainda não. Fui lá hoje e tirei as medidas. Talvez Douglas tivesse desistido ou poderia ser também que. Rick vai ser padrinho no meu casamento? . só tenho uma hora. Cris perguntou: . Rick vai ser padrinho também. concordou Cris. Fica no shopping.Seria divertido. . Katie e Trícia. Quando foi que Rick entrou em cena? pensou. É a Burton. Se ele convidara Rick para ser padrinho. então precisamos de outra madrinha. Katie passou o braço pelo de Cris e disse: . Os vestidos das duas já estavam encomendados. Cris! Claro que vai. Ted tenha se sentido obrigado a incluí-lo na cerimônia. na entrada perto do sinal luminoso. para simplificar. . deveria ter tido uma boa razão. Você e o Ted só precisam escolher o modelo e dar as medidas dos outros padrinhos. disse Rick. Da última vez que conversaram. do lado da locadora de vídeo.Você me faz rir. Será que convido Selena agora ou espero até o Ted voltar do acampamento? . disse Cris devagar.

. . já que você falou em conselhos. . Só gostaria de ouvir sua opinião. .Vou mandar embrulhar pra viagem. informou Katie. por que não começa com o Paul? Como vão as coisas com ele? . disse Selena. A de Katie também. Pizza no café da manhã! Eu já volto. disse.Eu falei a Cris que gostaria de um conselho. Acho que Cris ‘tá farta de ouvir sobre minha vida e vai ser bom pra ela ouvir sobre a sua.Ainda não terminamos a conversa sobre relacionamentos e tudo mais. Cris inclinou-se para chegar mais perto de Selena. .Ouvi alguém falar meu nome? perguntou Katie. . Não sabia que você queria falar só comigo. . Vai estar deliciosa de manhã. que tinham um som maravilhosamente leve.A. implicou Selena.Você veio ao lugar certo! exclamou Katie.Claro que esqueceu. .Bem. Acontece que eu e minha assistente somos as rainhas do conselho. que você começou no carro. Katie. Selena e Cris assentaram-se ao lado da lareira e comeram enquanto a banda enchia o ar com músicas originais. voltando com uma embalagem plástica na mão. porque já estava satisfeita só com a salada. Você abandonou sua condição de membro honorário quando começou a sair com o Rick. Katie. mas disse a Katie que elas deveriam ter dividido apenas uma. Podemos conversar na volta pra universidade. Cris gostou da pizza.Não estou enfrentando nenhum problema sério. E. uma das suas famosas expressões resume com perfeição meu relacionamento com ele. Lembra do clube que fundamos na Inglaterra? Katie riu. Somos A.Apenas Amigos! Eu tinha esquecido! .

É natural.Foi sem querer. Mas depois não reclamem. . disse Selena. crescendo.O que vocês querem saber sobre isso? . Foi idéia de Deus. Isso mostra como os relacionamentos saudáveis devem ser. levantando a mão. parece que o relacionamento ‘tá vivo. Pode acreditar. É bom ver vocês juntos também.Você não sentiu que era assim pra você e o Paul? Selena assentiu. disse Katie. . . declarou Katie. não minha. .Ah. . eu acredito! exclamou Selena.Tudo. Cris observou o rosto de Selena em busca de uma indicação do significado desse comentário .Certo. para se defender. .

Nossas famílias passaram o Natal juntas e de repente ficou bem claro pra mim.. agora que minha irmã se casou com o irmão dele. enquanto estávamos assentados no chão assistindo a um filme. Ele disse que se sentia mal.Vocês sabem que eu e o Paul somos meio parentes.Vocês conversaram? perguntou Cris. Quis que houvesse. o que é maravilhoso. e eu acho que ele é quieto e introspectivo demais. Bem. Durante muito tempo. Comentei que ele é contemplativo. E acho que nós dois nos esforçamos muito pra tudo dar certo depois que ele voltou da Escócia. Mas não há “eletricidade”. ele sente a mesma coisa? . que não há nada de romântico entre nós. parecia que ele ia pedir desculpas por não estar apaixonado por mim. cheguei à conclusão de que eu e o Paul não temos. Fizemos um longo passeio no parque no dia seguinte ao Natal e conversamos muito. 13 Selena colocou a caneca de chá na mesa baixa perto da lareira e começou sua história.. pensei que havia. mas não pra acompanhar uma pessoa como eu. . . Sei que você sabe. . .Você sabe do que estou falando. pra sempre. Antes que ele falasse tudo. contei que estava inquieta.Sim. eu o interrompi e disse o que sentia. essa coisa. Katie fez que sim com a cabeça e trocou olhares com Cris. No início.Eletricidade? indagou Katie. .Qualquer coisa que seja que faz um rapaz e uma garota descobrirem que existe alguma coisa mais profunda e duradoura entre eles. Na falta de termo mais adequado. Somos amigos. Sonhei com o que aconteceria se namorássemos. Ele não me acha fascinante. porque havia pensado que . Isto é.

Fiz uma longa jornada que me levou de volta ao ponto de partida. Assumiu a culpa. Passei meses provando meu coração. é que Deus escreve uma história específica pra cada pessoa.Tudo começou naquela viagem pra Inglaterra. . pra saber o que realmente sentia por ele. comentou Cris. Fui fisgada.Onde? indagou Katie. você me convidou pra ir à Suíça com você e sua tia. quero ser livre pra ir aonde eu quiser. Fazia muito tempo que não me sentia assim. . falou Katie.alguma coisa aconteceria entre nós. tomando um gole de chocolate e transmitindo tranquilidade em seu entendimento. . Na próxima etapa da minha vida. Garotas. Mas não há nada mais. Cris fez a imagem mental de Selena percorrendo o mundo com suas botas de caubói. E não há problema nisso. dizendo que tudo se deu porque no início ele insistiu pra irmos devagar e estabelecer a base de uma grande amizade. Vocês sabem como me torturei. mas aí o enredo passa por um desdobramento inesperado.Nem um pouco. Cris. e acho que sempre seremos. quando fiquei conhecendo vocês. disse Cris. mas não aconteceu. Depois. . Amo viajar.Parece que isso não incomoda você.No Brasil! Acho que deve ser muito divertido ir pra lá. . .Parece que você vai se tornar viajante profissional. . porque agora somos amigos. Vocês nem imaginam onde é o curso. disse Selena. eu tenho muitos sonhos. Ela definitivamente tinha espírito aventureiro.Se há uma coisa que aprendi. É até bom. Ficava pensando que alguma coisa mais tinha de acontecer com o Paul. tentando descobrir o que deveria acontecer em seguida.E algumas vezes temos de encerrar um capítulo antes de começar o outro. Quero viajar. Eu falei que tinha sido melhor assim. Já me inscrevi em um programa de extensão que a nossa universidade oferece. Algumas vezes a gente pensa que sabe o que vai acontecer. . Estou me sentindo livre. .

Estava empolgada de vir pra Rancho Corona. quando as aulas começaram. no campus.E se você estiver cortando as amarras? perguntou Cris. acrescentou Katie. que é diferente da de todas as outras pessoas.ser livre. . concordou Cris. Katie. Cris. só pensava em sair de lá e viajar. mas. a única forma de obedecer. Não me sentia em paz. Depois que conversei com o Paul no Natal. Deus vai mostrar pra você o seu caminho. Não fica parecendo que estou cortando as amarras e partindo como um balão desgovernado. Deus ‘tá escrevendo a história da minha vida.No semestre passado. Se Deus criou você para ser um balão.Tem razão. foi a vez de Katie. Selena terminou de beber o chá e balançou a cabeça. como minha irmã e o resto dos meus amigos. Ele vai cumprir o propósito dele para com você. Depois. sabem de uma coisa? Isso não combina comigo. É uma promessa. Eu precisava ouvir isso. . Não importa se os outros entendem. Selena. Selena estendeu braços e abraçou o pescoço de Cris. Em um movimento bem desajeitado. É como você falou. é voar . quando entrei na universidade. Toda hora. Só você sabe. . Ele é aquele que vai levantar você e fazê-la voar. Pensei que seria melhor me aquietar. Nada mais me detém. então. .Sabem de uma coisa? Foi a primeira vez que parei pra explicar com clareza meus sentimentos. Salmo 138. Só sei explicar assim. . Cris deu um sorriso animador para Selena. . concordando. então a única resposta correta. quando ‘tá obedecendo. me senti livre. Dizia a mim mesma pra me concentrar em terminar o primeiro ano e levar a sério o relacionamento com o Paul. encontrava gente que conhecia lugares exóticos.Vocês duas são maravilhosas. . Ouvindo a mim mesma conversar com vocês assim. foi estranho. versículo 8. bem no fundo do seu coração.Mais do que isso. . mas. tudo faz sentido.Muito obrigada.

apontando para uma foto. Tenho certeza de que o Ted a ajudará nisso.Vou adivinhar. Vamos lá. sempre controlando as situações. .Do que vocês estão rindo tanto? perguntou Cris. Logo cedo. Parecia encantado. minha mãe. disse a mãe. não é? E você também. com os olhos fixos em Katie. Os noivos estavam presos no glacê entre as orelhas. mas escreveu “Marta”.” Cris pensou que sua avó havia se confundido ao dizer que ela se parecia com Tia Marta. Não esqueça de deixar espaço para a paz em sua vida. Cris comprou um copo de café no campus para tomar no caminho para a casa da Tia Marta. Parou para pegar a correspondência e encontrou um cartão de sua avó. . mas releu as últimas linhas duas vezes. estavam na cozinha. Rick estava a poucos metros de distância. eles se conheceram em uma corrida de cavalos. Leu enquanto voltava para o carro. olhando um livro e rindo muito. na manhã seguinte. as duas irmãs. admire mesmo a Katie. sem a menor sombra de dúvida. .Mais daqueles bolos criados pra cada casal conforme o jeito que eles se conheceram. Levou uma hora e quarenta e cinco minutos até Newport. fiquei surpresa por ver como você esta parecendo com a Marta. Margaret e Marta. Não me pareço com ela de jeito nenhum. Cris percebeu um movimento que fez prender a respiração. Reparou que Marta imprimira uma lista. Sei. Espero que ela não esteja sofrendo lapsos de memória como a Vó May da Selena. Depois. Uma sensação de tranquilidade e alegria tomou conta do coração de Cris. Quando chegou. A avó agradeceu por ela e Ted terem ido ao sepultamento. Rick Doyle. pois não entendeu imediatamente. escreveu: “Cristina. . disse Cris. Por certo vovó queria dizer Margaret. que esperava por elas no balcão. Ela é maravilhosa. Com o canto do olho. O bolo era uma cabeça de cavalo. que o Senhor cumprirá o propósito dele para vocês dois.

disse Marta. Pelo menos.Eu falei que Cris saberia exatamente o que quer. como sempre ficava quando Bob se envolvia com os trabalhos da igreja. de jeito nenhum. A mãe voltou-se para Marta e lhe disse: .Você não queria que ele estivesse aqui hoje para nos ajudar. Vai aceitar o que decidirmos. declarou Cris. Foi por isso que falei que queria ajudá-la a organizar tudo. em um haras. .Espero que esta não seja a única opção em confeitarias. .Ted.Sei disso. . Prefiro um bolo de casamento simples. Cris reparou que ela não parecia aborrecida.Foi a um café da manhã dos homens da igreja. . A mãe de Cris sorriu para ela e comentou: . Cris. virando mais umas páginas. os noivos de plástico. era essa a esperança de Cris. branco. queria? indagou Marta. Ela sempre se organiza e sabe o que prefere. E não quero. . . disse Cris.Parece com alguém que conhecemos. E vêm galopando desde então! Falou Marta com tom alegre. A alegria de Marta em sua função de “diretora” do casamento mostrara a Cris que Ted estava certo ao sugerir que ela delegasse tarefas. . Esses assuntos são demais para ele. Será que minha avó estava certa? Será que sou mais parecida com minha tia do que tinha percebido? . Cris fez sinal afirmativo. respondeu Marta. Cris balançou a cabeça diante da tentativa de sua tia de fazer piada.Não.Cadê o Tio Bob? perguntou Cris. Era um bom sinal de que seu coração já não estava tão duro. Espero que você tenha trazido sua lista para compararmos. simplesmente.

Aprender a viver em paz comigo mesma e com as pessoas que me cercam. Cris orou em silêncio e sentiu aquela paz inconfundível. afastando os olhos das fotografias e fixando-os em Cris. Tenho outras fotos aqui. Minha tia dizia. . Que revelação terrível! Eu me transformei na minha tia! . Um sorriso nasceu no canto secreto do coração de Cris e foi abrindo caminho até o rosto. Mas isso não traz paz. com todas as suas implicações radiantes e cheias de paz. Mas não posso ser parecida com Tia Marta! Não quero passar a vida controlando todo mundo. disse Marta. Não é errado ser organizada e. não é verdade. onde se espalhou. Puxou um banquinho para perto do balcão da cozinha e assentou-se. Não. . Enquanto isso. desde que não me afaste de Deus e dos outros. Eu sou como Marta. É o único jeito de encontrar paz comigo mesma e com os outros. que eu precisava ser eu mesma. A única maneira certa de viver é ser de Deus. deixando-as de lado. Ted é exatamente como o Tio Bob. Cris inclinou-se sobre o balcão e deu um suspiro profundo e trêmulo. como diz minha avó. fiel à minha verdadeira natureza.Só guardei essas fotografias para você rir delas. por algum motivo. É o que falta na vida da minha tia. Marta mostrou as fotografias de bolos tradicionais.‘Tá se sentindo bem? perguntou a mãe. Transformar-me na pessoa que ele quer que eu seja. Ela não tem paz. com mania de arrumação e tudo. Claro que entendo que você quer um bolo mais tradicional. O que mesmo que ela dissera a Selena na noite anterior? Estava na hora de seguir seu próprio conselho e aceitar sua personalidade. Era como se Deus reafirmasse que a criara para ser como ela era. O importante é viver em paz com Deus. O que minha avó falou sobre dar espaço pra paz? É isso que preciso fazer. quando eu era adolescente. Os opostos se atraem. viver “controlando as situações”.

batendo no peito. disse. .ser livre. Acho que finalmente descobri quem eu sou. mas agora sei como posso voar . . Acho que nunca estive melhor. Não sou um balão. como a Selena.Mais do que bem. disse. Aqui.

pastoso. em vez de branco? Eles fazem um recheio delicioso de amêndoas que poderíamos escolher em vez daquele branco.‘Tá tudo bem. Tia Marta. e continuar vivendo em paz. . 14 . apresentando informações que havia recolhido. Certo. a todo vapor. Ela riu.Perguntei o que você acha de um bolo de limão. Entendo sua frustração como nunca há entendido antes. mas apressou-se a corrigir. O que você falou sobre este bolo? Marta pigarreou. sem tentar assumir o comando. Foi Deus. Tinha. Parecia meio incomodada por Deus ter interrompido sua apresentação para aconselhar Cris. . O Noivo ‘tá aqui e irá ao casamento sem se importar com o tipo de bolo.Não deu pra entender nada do que você falou. Ele acabou de me mostrar uma coisa. comentou Marta. Marta as conseguira quando entrevistara dois confeiteiros naquela semana. Na verdade. . duas amostras para Cris e sua mãe provarem. Tanto a mãe quanto a tia olharam para Cris. É só deixar o Senhor controlar tudo. Tia Marta. Com isso. disse a jovem. e entendi a mim mesma com uma clareza que nunca tinha experimentado antes. Ted tinha razão. Posso contar pra vocês mais tarde. Vamos em frente. . Marta prosseguiu. Mas podemos escolher o bolo e todo o resto.Não foi nada. foi tudo. inclusive. olhando intrigada para o rosto sorridente da Cris.

Cris preferiu o recheio de framboesa. Marta a fez repetir duas vezes antes de anotar.

Sem hesitar nem um segundo, Marta passou para as flores. Apresentou a Cris pelo

menos cinquenta fotografias de modelos de buquês.

- Gostaria que meu buquê tivesse cravos brancos, disse Cris, assim que olhou a primeira

fotografia.

Marta ignorou o comentário e apresentou um buquê enorme, de rosas vermelhas

enfeitadas com gipsófilas brancas.

- Eu gostaria de cravos brancos, repetiu Cris, depois de percorreram metade das

fotografias. Cravos brancos e um pouco de gipsófilas brancas ficaria bom.

Marta assentiu e passou para a outra pilha de fotografias, mostrando um buquê exótico

com mini-rosas brancas e gardênias brancas grandes.

Cris voltou a repetir:

- Gostaria de cravos brancos.

- Cris, querida, é comum demais.

A mãe de Cris interpôs:

- O primeiro buquê que Ted deu a ela era de cravos brancos.

- Eu sei disso, retorquiu Marta rapidamente. Eu estava lá. Mas não estamos mais

falando do baile de formatura do ensino médio. Agora é o casamento. Por que não pensar em

outras flores, como estas aqui?

E mostrou um buquê pequeno, bonito, composto de uma mistura de flores vermelhas,

azuis e amarelas. De repente, Cris teve uma idéia:

- O que vocês acham? Eu gostaria muito de um buquê como esse, só que sem as cores

vivas. Será que eles fariam o mesmo modelo todo em branco?

- Claro, disse Marta.

- Todas as flores brancas: cravos, gipsófilas, mini-rosas, gardênias e plumerias.

- Agora me parece uma escolha elegante, disse Marta, e pegou a caneta para anotar.

- Mas não quero que seja grande. Quero um buquê pequeno, alegre, mimoso.

- O buquê da noiva deve chamar atenção, falou Marta. Ele completa o vestido e o véu e

reúne tudo em um único foco.

- Meu vestido não vai chamar atenção. É simples. Acho que o buquê também deve ser.

- E o véu? indagou Marta.

Cris deu uma olhada para sua mãe.

- Ainda não decidimos. Sei que quero um véu sem enfeites, que cubra meu rosto, mas

não sei o que colocar na cabeça.

- Que tal um chapéu?

- Não.

- Tive uma idéia! disse Marta, mexendo em uma pilha de revistas que ainda não

mostrara a Cris. Você ficaria linda com uma dessas grinaldas, continuou, pegando uma revista

havaiana e mostrando a garota na capa. As flores são presas em uma grinalda que você coloca

na cabeça como uma coroa. Você poderia pôr a coroa sobre o véu.

- Amei! exclamou Cris.

- É mesmo?

Marta parecia espantada por ver uma idéia sua aceita sem nenhuma hesitação.

- É! O Ted queria que eu colocasse flores no cabelo. Ficaria perfeito. Quero todas as

flores brancas e a coroa mais estreita do que esta. Ah, Tia Marta, sua sugestão foi perfeita!

Marta encostou-se no balcão e inclinou a cabeça enquanto examinava Cris.

- Acho que é a primeira vez que você se entusiasma com uma sugestão minha.

- Mas é que foi uma idéia maravilhosa! Perfeita, não acha, mãe?

A mãe parecia um pouco mais séria.

- Estou pensando se não seria difícil demais encontrar um florista que faça uma

guirlanda assim do jeito certo.

- Isso não é problema, disse Marta. Bob conhece um florista em Maui. Encomendamos

a ele e pedimos para ele mandar para chegar aqui no dia do casamento. Aí as flores ainda

estarão frescas e terão o perfume irresistível das ilhas. Sabe, Cris, você tem de usar angélicas.

- Aquelas florzinhas brancas que colocam nos colares? O cheirinho é uma delícia!

- Elas mesmas. E são pequenas, muito menores do que plumerias, que, além de tudo,

murcham muito rápido. E também ficam escuras quando alguém toca nelas.

Cris sentiu seu coração inchar de alegria. O buquê ficaria lindo, e encontrara a solução

perfeita para o véu. Ted amaria vê-la usando flores do Havaí no cabelo. Sabia que seria muito

difícil se controlar para não contar a ele como seria a roupa dela, mas tinha de manter segredo.

Ele teria de esperar pela surpresa quando a visse. Ela achava que ele ficaria mais do que

surpreso, ficaria maravilhado, como só um homem apaixonado pode ficar, um homem que

esperara pelo dia em que veria sua noiva vestida de branco da cabeça aos pés indo em direção

ao altar para se encontrar com ele.

A mãe da Cris continuava estudando as fotografias sobre o balcão .

- As flores pequenas na guirlanda vão combinar com as que você ‘tá bordando no

vestido.

- Que vestido ela está bordando? perguntou Marta.

- O vestido de noiva dela, respondeu a mãe. Ou talvez fosse melhor dizer meu vestido

de noiva.

- Nosso, disse Cris sorrindo com carinho para sua mãe. Quer ver, Tia Marta?

- Como não fiquei sabendo nada disso? indagou Marta. Eu achava que você ainda não

tinha decidido nada sobre o vestido.

- Não, o vestido ‘tá todo encaminhado.

Cris tirou o corpete da sacola e o segurou para a mãe e a tia verem. Decidira deixar as

mangas sem bordado e agora estava feliz com a escolha, porque as flores delicadas no corpete

ficaram em evidência.

- Foi você que bordou?

Marta examinou os pontos precisos na sequência delicada de miosótis.

- Puxa, Cristina, ficou excelente! disse afinal.

- Obrigada.

- Era o seu vestido, Margaret?

- Era. Ficou muito bom, Cris. Eu trouxe a saia, e posso alinhavar no corpete na hora que

você quiser experimentar.

- Quero agora, disse Cris. Ah, você lembrou de trazer os endereços para os convites,

mamãe?

- Lembrei.

- Ótimo, porque eu os peguei esta semana. A gráfica só levou duas semanas pra

imprimir, menos do que disseram que levariam quando eu e o Ted encomendamos.

- Maravilha, disse Marta. Vou levar tudo para Fiona na semana que vem, e ela pode

começar a endereçar logo.

- Precisamos resolver mais alguma coisa? indagou Cris.

Marta voltou a observar a lista de tarefas. Tinham horário marcado com o fotógrafo dali

a uma hora e depois, se quisessem, poderiam ir à confeitaria degustar outros bolos, para o

caso de Cris mudar de idéia quanto ao bolo de limão com recheio de framboesa.

- Não. Tenho certeza de que prefiro a framboesa.

Ela sabia que a tia achava melhor o de amêndoas.

- Ted gosta muito de frutas, Tia Marta. Eu não gosto de amêndoas, então o de framboesa

é o melhor pra nós.

Há algum tempo. disse Cris.Está certo. Ela deixou Cris e Marta sozinhas na cozinha.Amar. que reunira muitas informações sobre esse assunto e sugeriu que deixassem para mais tarde. . na saúde e na doença. Tia Marta. Cris decidiu pressionar. Já decorou muito bem. disse a mãe. porque cumpriu a promessa que fez ao Tio Bob. Marta demonstrou indignação. Eu amo você. como se entendesse o significado profundo do que Cris dissera mas preferisse não pensar nisso. .Que promessa? . até que a morte os separe. pois você ‘tá fazendo o que sabe fazer de melhor - . .Acho que agora é uma boa hora pra eu trazer a saia do vestido. . disse Marta.Você poderia estar agora em Santa Fé.O último item que precisamos decidir é sobre o bufê para a recepção. em sua vida. . concordou Cris. . . . Cris aproveitou a oportunidade e abraçou e beijou sua tia.Parece que você andou ensaiando os votos do casamento. mas não olhou para Cris. fazendo cerâmica naquela colônia.E você tem praticado.Certo. você me disse que pretendia fazer isso. Cris sentiu-se em paz.Por que está fazendo isso? . . . respeitar e cuidar dele na alegria e na tristeza. respondeu Cris.Porque você ‘tá aqui. Estava tudo correndo bem. é claro que estou aqui. Estou muito feliz porque ficou. Marta arrumou as fotografias e listas sobre o balcão . Marta menosprezou o comentário . Quero que saiba que aprecio muito sua ajuda. na riqueza e na pobreza.Bem.

Devagar.O Senhor cumprirá o propósito dele para você. escolhendo as palavras com cuidado.Não é fácil. É disso que estamos falando hoje. Marta respirou fundo.Não sei se você já ouviu alguém colocar desta maneira. disse Marta. mas seu coração estava repleto de paz. falou: . Acima de tudo. . para Cris. transmitindo à tia a imagem que estava muito clara em sua mente naquele momento: .Meus pensamentos são sobre o céu e sobre como a Bíblia diz que Cristo é o noivo. sérios. não é? . Como posso falar de um jeito que ela consiga entender? Senhor. O coração de Cris parecia querer sair pela boca. na frente dela. Cristina. Tia Marta.Eu sei que ele cumprirá o propósito que tem para você repetiu Cris. o que desejas que minha tia ouça? . Como Marta não acrescentou mais nada. Cris inclinou-se para frente e falou com suavidade. . Marta voltou os olhos escuros. É a perfeita organizadora de casamento. Cristo pediu cada um de nós em casamento e pediu que fôssemos a noiva dele pra vivermos com ele.Tenho pensado nisso. Felizmente não ‘tá em Santa Fé. estou muito feliz porque você ‘tá aqui para o meu casamento. . mas. . Pra sempre. Marta deu uma olhada em Cris e depois voltou o olhar para outro lado.Posso contar algumas coisas que tenho pensado sobre casamentos nos últimos tempos? . e desejava que sua tia desfrutasse da mesma paz.organizar tudo.Claro. Cris não planejara dizer isso. em certo aspecto. sem tirar os olhos da caneca de café que estava no balcão. Nem sempre a vida é como pensamos. Mas você precisa confiar nele com todo o seu coração e entregar sua vida a ele. As palavras simplesmente saíram de sua boca. Esperava há anos ouvir sua tia dizer que estava abrindo pelo menos uma fresta em seu coração. Você logo vai descobrir isso.

não é. e muito caro. Tia Marta. . Tia Marta. Quem sempre fazia analogias maravilhosas era o Ted. Marta pressionou os lábios. de todo o coração. Ele é o verdadeiro Noivo. onde Cristo nos espera. Cris se admirou da clareza com que conseguiu transmitir a mensagem que queria contar à sua tia há muitos anos. puro e branco. Simplesmente aconteceu. Sabe que Deus quer que fiquemos limpos pra que nada mais nos separe dele. Pequenas rugas se formaram em sua testa lisa. Puro. Marta não afastou os olhos do rosto da Cris. prosseguiu: . depois que percorremos toda a vida. Jesus pagou o preço da nossa desobediência. Cris engoliu para controlar a emoção. não podemos chegar perto de Deus. Mas você já sabe disso tudo. branco. Não sei se você sabe.Então. Como Marta não interrompeu. não. Cristina? .Acredito. Quer que você receba a salvação como se fosse um vestido de noiva. Lágrimas brilharam no canto de seus olhos.Por causa do pecado. mas ele quer dar a você um novo coração. Ele o oferece a todos que queiram receber para usar enquanto seguem pela vida. Tão caro que custou a vida dele. como se quisesse prender as palavras em seu interior. oferecido por Deus. chegamos ao altar. Cris percebeu que estava usando as mãos para demonstrar o ato de tirar o vestido velho e colocar o novo. e nós. . Foi por isso que ele permitiu que seu único Filho morresse em nosso lugar. Ele nos ama de todo o coração e espera por nós desde o dia em que nascemos.Você acredita mesmo nisso. Ele é puro e santo. Não havia ensaiado as palavras nem planejado as imagens. Colocou as mãos nas costas e concluiu seu pensamento. Mas precisamos vestir o presente de Deus. .

Cris inclinou-se mais perto da tia e disse: . .Mais do que bem. Marta estendeu a mão e pegou a de Cris. Tia Marta. segurando o corpete sobre a saia. ficou perfeito. Em voz baixa. O rosto da jovem se iluminou com um grande sorriso e ela balançou a cabeça. Ou pode ser que. Marta falou: . e você é o primeiro amor dele. Cristina. A mãe da Cris estava prestes a voltar para a cozinha.Muito bonito. concorda? . disse Cris. falou. Muito obrigada. mais ele me use do jeito que eu sou para falar a verdade em amor.Não desista de mim. Deus não vai desistir. Talvez eu esteja aprendendo a ver as coisas como o Ted as vê. Amei o jeito como as pregas deixam a saia mais cheia sem criar muito volume.Quer dar uma olhada rápida nisto? A mãe tirou da sacola a saia do vestido de noiva e Cris soltou um longo “Oh!”. Ele é o apaixonado incansável.Acho que ficou muito bonito. já pensou na lingerie que vai usar? Acho que poderíamos acrescentar roupas íntimas na lista de compras desta tarde. Exatamente como você. Nem Deus.Mamãe. Parecia que a conversa íntima que acabara de ter com a Cris não a havia afetado.Preciso passar batom e depois temos de sair para encontrar o fotógrafo. Cris.Não vou desistir de você. mãe! Amei! .Ela ‘tá bem? perguntou a mãe da Cris quando Marta desapareceu. ao reaparecer. . Estou chegando muito perto. Marta se virou e se afastou. quanto mais eu confiar em Deus. que reparou que a da tia estava fria e úmida. . concordou Marta. porque deseja ter você de volta. . ‘Tá ótima. É simples e gracioso. e Marta largou a mão da sobrinha. . Vai ficar lindo. .

Duvidava que tivesse sido tirada por um profissional que cobrasse tarifas exorbitantes.O mais importante é contratar um bom profissional que consiga capturar aquilo que você deseja. Depois Cris lembrou à tia que a recepção seria na Rancho Corona. e as empurrou para a porta. depois de terem decidido em paz tantos outros pontos naquele dia. de modo que a noiva não deveria esquentar sua linda cabecinha. Cris sugeriu que contratassem o chef do Ninho da Pomba. E Cris não sabia muito bem o que sentia quanto a fazer esse tipo de compra com a mãe e a tia. mas lingerie elas ainda não haviam experimentado comprar juntas. Marta informou que os donos de bufê estavam acostumados a viajar por todo o sul da Califórnia. rumo a um restaurante que ela queria que a irmã e a sobrinha conhecessem. mas Marta rejeitou a idéia. Cris pensou na fotografia do casamento de seus pais que vira no corredor da casa de sua avó. mostrava a alegria do dia. . Ainda assim. disse Marta. Não valia a pena discutir agora.Gostaria de colocar daquelas câmeras descartáveis em todas as mesas da recepção. adquirira novo senso de responsabilidade .Podemos fazer isso. mas Marta falou que ela e o Tio Bob ofereceriam essa parte. Cris achou que era caro demais. enquanto percorria a rodovia Costa do Pacífico. disse Cris. . Com o passar dos anos. disse Marta.Mas antes precisamos ir ver o fotógrafo. viram uma pilha de álbuns e escolheram o serviço que agradou as três. . Assim os convidados podem tirar fotografias uns dos outros e teremos uma porção de fotos espontâneas para o nosso álbum. a felicidade do casal e de seus pais. Cris abandonou o assunto. e que o local da festa não fazia a menor diferença. retorquiu Marta. Explicou que o chef trabalhava em um bufê de recepções de casamentos. Além disso. Reuniram-se com ele. . Cris fizera compras muitas vezes com sua tia. e que seria mais racional contratar uma empresa mais próxima da universidade.

com simplicidade. Tudo isso seria surpresa. Ted não telefonou no domingo. pra não ser mais tão difícil encontrá-lo. sua mãe e Marta haviam comprado naquela tarde. pois a tia estava se esforçando muito para ajudar. Cris decidiu dormir na casa dos tios para ir à igreja com Bob na manhã seguinte. Provavelmente. mas isso não a surpreendeu. falou: . segurando outro buquê colorido e um balde de plástico cheio de água.Vou dar a ele um celular. Seria tão gostoso sentir os braços dele em volta dela. contar que o bolo teria recheio de framboesa e falar sobre os detalhes do contrato com o fotógrafo. Durante as compras. . Ao final do dia atarefado. Katie dançou quarto adentro às 7:00h da noite. Telefonou para o Ted para lhe dizer que só o veria na tarde do domingo.Rick se declarou? . A tia insistiu que era tradição os noivos trocarem presentes.Ele me ama. Estava com saudade do Ted. deixou recado na secretária eletrônica. Mais uma vez. Cris sorriu. . Poderiam comprar telefones iguais para os dois. Marta ouvira de boa vontade sua apresentação do evangelho naquela manhã. Marta perguntara a Cris se ela já sabia que presente daria ao Ted no dia do casamento. Não queria agora invalidar tudo sendo indelicada. Falou como piada. estava exausto depois do acampamento e tinha muito trabalho na igreja. com a analogia do casamento. separando e guardando tudo que foi usado no fim de semana. quando voltasse para a universidade. instintivamente.pela tia. na tarde de sábado. Cris. quando ela voltou para o alojamento da universidade. disse. Também não falaria sobre as belas peças de lingerie que ela. mas agora estava começando a achar uma boa idéia. Mas não contaria das flores nem do véu.

. Katie arrumou as flores no vaso de plástico. Essa tranquilidade fazia contraste completo com sua entrada tempestuosa no quarto. pensou ela. E acho que nenhum dos dois vai desistir. Nunca. em vez de jogar tênis. . ele me deu essas flores e me agradeceu pelo dia maravilhoso. empolgada pela cafeína. quando lhe pedira para não desistir dela. Então. meses antes.Não. Parecia tranqüila e sonhadora em seu relacionamento com Rick. Passei o fim de semana emburrada porque estou atrasada com os trabalhos da universidade. Katie. O tom da voz da Katie recordou a Cris o da sua tia. A comparação entre o relacionamento de amor eterno com Deus e o de noivos se comprometendo um com o outro pareceu ainda mais forte para Cris. como tínhamos planejado. . mas ele fica me mostrando que me ama. passamos a tarde na biblioteca. Depois. não é? Assim como o Rick ‘tá cortejando você.Sabe de uma coisa? Acho que esse cara não vai abrir mão de mim. Eles não desistem. pesquisando dados e estatísticas. perguntando a Cris se era possível estar apaixonada. É isso que acontece com apaixonados incansáveis. Jesus ‘tá cortejando a Tia Marta. Ainda não acabei o de Economia.

. tirou de debaixo da cama duas caixas e mostrou a Katie a linda lingerie que havia comprado. Contou a Katie sobre a receptividade da tia quando falou sobre Deus.E o médico? perguntou Katie. mais baixo. 15 Depois de arrumar as flores com cuidado sobre a mesa.. apresentou relatório detalhado de suas atividades. tudo? Cris sentiu vontade de gritar: “Estou! Estou! Totalmente!” Mas fez sinal afirmativo com a cabeça e. Cris? Fez muitos planos com sua tia? Cris. Falou ainda a respeito da guirlanda e das flores que viriam de Maui. Vou ao médico da minha mãe. ‘Tá na minha lista de tarefas.Não. como foi seu fim de semana. com calma e simplicidade.. disse Cris. E foi superdivertido comprar com minha mãe e minha tia.O que você pensa de tudo isso? falou Katie.Já marcou consulta no ginecologista pra fazer os exames pré-nupciais? .E aí. Preciso marcar. empolgada. . . sabe. falou: .Vocês querem ter filhos logo? perguntou Katie. Não sei se você me entende. . mas me senti igual a elas. Estou falando da lua-de-mel.. Ainda não telefonei. .Que médico? . Você ‘tá preparada pra.Sim.Nunca tive nada parecido com isto. Ela me deu o número do telefone há uns dias. estou preparada. .. Achei lindo. Depois. Katie esticou-se no que ela chamava de sofá de surfe. . lá em Escondido.

ele não começava a conversa como todo mundo: “Oi.‘Tá. ‘Tá ficando sério. Mesmo assim.E acho que estou gostando. Cris percebeu que. . Katie olhou para Cris e depois deu um peteleco em seu cabelo ruivo e completou: . desde que ele fora para o acampamento. Segunda-feira à tarde. foi a oportunidade perfeita.Estudar. Ted telefonou para Cris em seu trabalho.Estudar? Não sei o que é isso! .Eu e o Rick tivemos uma briga feia ontem. se ele quiser continuar comigo depois de ver meu lado pior. havaianos. disse Cris. Se ele fosse desistir de mim. . tudo bem?” Embora nunca tivesse iniciado a conversa ao telefone com um cumprimento. Fazia três dias que não se falavam.Vocês já tiveram alguma discussão séria? Cris não sabia qual era a intenção de Katie com tantas perguntas inesperadas. não haviam falado sobre quando os teriam.Parece que o relacionamento de vocês ‘tá ficando bem sério. . Levamos uma hora e meia pra resolver tudo e chegar a um acordo.Ainda não falamos nisso. . Isto é. . . embora tivessem falado sobre quantos filhos queriam ter e sobre dar a eles nomes compostos. na livraria. . Mas acho que foi bom. . Ela não conseguiu evitar um sorriso. por algum tempo ele perguntara: Como vão as coisas?” Entretanto agora se limitava a ir direto ao ponto.Claro que sim.O que você vai fazer hoje à noite? perguntou ele. Cris decidiu responder de maneira tão sucinta quanto a dele: . comentou Cris. provavelmente teria sido ontem.

Esperou alguns minutos e avistou Ted se aproximando. jantar em nossa mesa ao lado da janela. acrescentou: . disse ele. Ele estava com sua roupa velha para pintar e o sorriso em seu rosto era largo e brilhante suficiente para iniciar um pequeno incêndio. pois não havia nenhum cliente naquele momento.Vou ficar com 5:15h. O rapaz tinha razão. Estou com saudade de me encontrar com você lá.Combinado. Olha. atravessar o salão correndo e abraçar seu amado. se quiser me ver na roupa de pintor. retorquiu ele.Estou com saudade de você.Eu mais ainda. disse ela. respondeu Cris. E.Às 5:15h. Já esqueceu como é a vida de nós. Mas eu gostaria de ir à cantina da universidade.Não ria de mim. Kilikina.Esqueci. . . . afastando-se do caixa.É só marcar a hora e o lugar que estarei lá.Ah. às 5:00h. Cris se afastou e deu uma olhada em sua roupa. Ansiosa para evitar que outros ocupassem a mesa deles. Controlou-se para não pular. . . pobres mortais que ainda não nos formamos? . . você não pode deixar de estudar uma noite pra ir jantar comigo? . Cris saiu imediatamente da livraria ao terminar seu horário.Já comeu? perguntou ele. . não! Seja bonzinho comigo! disse Cris. disse Ted. A tinta salpicada na roupa dele não sujara a dela.Impossível. abaixando a voz. . e foi direto para a cantina.Ainda bem que a tinta ‘tá seca. disse Ted. . A que horas? . As 6:00h se preferir me encontrar limpo.

Voltou a pensar na semelhança entre o relacionamento com Deus e o amor dos apaixonados. . né? Já volto. Eu não entendia. acho que meu relacionamento com Deus seria muito mais profundo do que é hoje. Gostaria de saber como é estar apaixonada assim quando eu era mais nova. . cumprimentando os amigos e pegando a comida. Cris observou-o enquanto ele avançava pela fila. . ofereceu ele. Ele retribuiu o sorriso.Qualquer coisa. . Como seria meu relacionamento com Deus se eu reservar uma hora pra me encontrar com ele todos os dias? Será que eu chegaria mais cedo. Ele falou que a Marta ‘tá mesmo abrindo o coração para o Senhor. conversei com seu tio hoje. por causa da ansiedade pra conversar com ele? Ted voltou e Cris falou que queria orar antes de comerem.Acho que temos muitos assuntos a tratar. .Como quiseres. Levantou os olhos e sorriu para o Ted. Cheguei um pouco mais cedo pra esperar você.Amém! disse Ted. Ele disse que ela contou que vocês conversaram.Gostaria de ter entendido antes o que é o amor.Vou pegar alguma coisa pra você. para que houvesse um fogo ardendo na alma dela todos os dias e que desejava se encontrar com ele de coração aberto. falou Cris. . De todo o coração. via paralelos por toda parte. agradeceu a Deus por Ted e pela oportunidade de se encontrarem durante a semana tão atarefada. Disse a Jesus que queria amá-lo cada vez mais. . Nem estou com fome. Quero mesmo é conversar. encerrando a oração. O que você quer? . declarou ela. . Ted concordou.Ei. Se soubesse. Agora que estava atenta.Não.

disse Ted. Durante os dez minutos seguintes. . Rick e David.David? Meu irmão? Quando foi que você convidou o David pra ser nosso padrinho? . . Ele ficou muito feliz. e estava decidida a aprender a conviver com ela em paz.Foi. Acho que vai se sentir mais importante.Não falou. por mais que se organizasse.Exato. . Pensava sempre no bem-estar dos outros. Ted não via nada de diferente nesse padrão de pensamento. Cris sabia que pelo resto da vida. Ela sabia que essa qualidade do Ted os acompanharia sempre na longa jornada que se colocava diante deles.Faz algumas semanas. o que tinha acontecido no fim de semana. David se sentiria importante. Douglas. espetando o brócolis com o garfo. Com certeza falamos sobre isso.Lembro que falamos sobre encontrar alguma tarefa especial pra ele. conversaram sobre o que Cris chamava de “fator aleatório”. disse Ted. Creio que eu não me esqueceria disso. . . você não acha? Era essa a lógica de Ted.Quatro. Agora temos três padrinhos e só duas madrinhas. disse Ted. .Mas depois não conseguimos encontrar nada.Achei que tinha falado com você sobre convidar o Rick pra ser padrinho. meu pai. . E isso era importante para o Ted. Ele falou do acampamento. A mente dele funcionava assim. Ela contou que tinha ido ao Ninho da Pomba na sexta-feira com Selena e isso a fez lembrar do recado do Rick sobre a loja de aluguel de smokings. como quando ele parara no viaduto em Carlsbad para compartilhar o café da manhã com o mendigo. . . o fator imprevisível da lógica do Ted sempre entraria em cena. Cris narrou. mas disse que iria tentar se lembrar de falar com a Cris sobre suas decisões antes de partir para a ação. em linhas gerais. Apresentou a Ted exemplos de ocasiões em que havia afetado o relacionamento. então eu o convidei pra ser padrinho.

É. Cris notou que a testa dele estava cheia de pequenos pingos de tinta bege e que havia um pedaço de brócolis preso entre os dois dentes da frente. disse Cris.Acho que estamos melhorando. Hoje isso não aconteceria. mas Ted não fala nada.Então. damos equilíbrio um ao outro. que estava ridícula. O “fator aleatório”. depois que ele fora embora. Será que vou tirar você do sério? . .Eu falei com você sobre a viagem ao México no próximo fim de semana? perguntou Ted. falou Ted. mas as palavras escaparam: . Quer ir também? Cris se esforçou para lembrar o que acabara de dizer a si mesma sobre serem uma boa equipe. Avançamos muito no nosso relacionamento. Uma boa equipe. Como ele disse. Tio Bob possuía uma bicicleta com dois assentos. Mas eu também vou tirar você do sério com minha mania de organização. . ou tivesse um pedaço de brócolis no dente. Isto é. Programaram pra partir na quinta-feira à noite e voltar no sábado à noite. . o chocolate lambuzara o rosto dela. comigo. não acha? Estamos aprendendo a manter o outro em equilíbrio. e eles foram com ela até a ilha Balboa. as coisas es tão ficando bem reais aqui! Mostrou a ele que havia alguma coisa nos dentes e recordou um dos primeiros encontros dos dois. Na volta. . Ted comprou para ela um sorvete com cobertura de chocolate. Somos uma equipe. Minha lógica. você acha que consegue conviver com isso? perguntou Ted. retribuindo o sorriso dela. O Ted me diria se eu ficasse com o rosto sujo de chocolate.Que viagem? .Uns homens da igreja querem ir lá trabalhar no orfanato. com um sorriso. embora ela tivesse visto.É bem provável.

.Prometa apenas que não vai marcar nada para o dia 22 m maio. Ted encolheu os ombros.. teria chorado. estou sobrecarregada este fim de semana.. . disse Cris. . . Temos.Percebi. . Quantos? Mais sete ou oito fins de semana depois deste. . Não tenho a menor chance de conseguir mudar tudo pra ir ao México com você! Então. Poucos meses antes. Tenho aula na sexta-feira. Cris olhou para ele com ceticismo. sabendo que precisava expressar seus pensamentos.Não tenho mesmo. mas no meu talão de cheques tem um calendário e eu marquei lá o dia 22 de maio. Cris inclinou-se para frente e lhe disse: . agora ria. .Duvido que você tenha uma agenda.Parece que é melhor você ir. Mas acho que posso cancelar.Você percebeu que vai passar o segundo fim de semana seguido fora? . . Ted observou o riso dela com ar de tranquilidade. .Ted.Já anotei na minha agenda.E nós? E os preparativos do casamento? . falou Ted. e disse: . tentou falar de forma bondosa. Por isso esperava que você fosse também.Como fui achar que dava pra organizar tudo isso pra casarmos em Janeiro? Cris riu ainda mais.Posso fazer sozinha. Esse fim de semana ‘tá definitivamente tomado.Vou fazer o possível pra não marcar nenhum compromisso para os próximos oito fins de semana. Cris deu uma gargalhada. e vou trabalhar até às 6:00h da tarde.

disse Cris. disse ela. você ‘tá ficando bem musculoso! Ele levantou as sobrancelhas.Certo.Não subestime a eficácia de mover um pincel pra cima e pra baixo o dia inteiro. . para apertarem os músculos dos braços dele. e levantava as crianças do chão.Há horas em que eu gostaria que tivéssemos casado em Janeiro. ela e David. depois saíram da cantina. . lembrando de seu pai chamando os filhos.Você é o meu herói. . Ted cantarolava. ainda mais porque você vai viajar no fim de semana.Puxa.Os smokings. . mostrando a força. . Ela riu. Comeram mais um pouco. e ele o flexionou. . elogiou Ted. apertando-lhe mais uma vez o braço.Agora? perguntou Cris.Por que não? repetiu ela. porque agora já estaríamos juntos.Mas uma cerimônia arranjada às pressas não seria tão especial quanto a que você ‘tá organizando pra nós. Quem riu dessa vez foi Ted. O que precisamos resolver? . . Por que não? . quando pequenos. . vamos ver isso. com doçura. Enquanto dirigia. entraram no carro e foram até a Burton’s Smokings. . . Cris estendeu a mão e apertou o braço dele três vezes.Sim. Seria bom fazer isso hoje. O pai flexionava os braços. .Claro.Podemos decidir alguns assuntos da cerimônia? indagou Cris. Cris sorriu.

É uma música que estou compondo.Quer que eu entorte alguma barra de ferro? Se precisar. Basta ficar parado e deixar o homem tirar suas medidas quando chegarmos à loja. O que você acha? . . Cris? Ela pensou que preferia olhar todos os modelos e depois voltar e examinar com mais cuidado antes de tomar uma decisão. Ted voltou a cantarolar uma música que Cris não conhecia. Ted deu um grande sorriso. . .É este. .Então podemos escolher este? . Cris pensou que talvez fosse por causa da roupa do Ted. . Aparentemente o funcionário não os levou muito a sério. Qualquer hora eu a canto pra você. Entraram de mãos dadas na Burton’s Smokings. Assentaram-se e começaram a examinar o álbum com os modelos. .Que música é esta? Já ouvi você cantarolando-a outras vezes. fica melhor com o violão. Acho que gostei.Ah.Bonito. com firmeza. Haviam virado a quinta página quando Ted disse: . .Bonito. falou Ted. Gostei. O que você acha. também posso saltar por cima de um muro bem alto. Básico. . canta agora! pediu ela. Tenha um pouco de paciência. O smoking clássico.Nada disso.Claro. .Entendi. Prometo. . Qualquer dia eu canto. e Ted ainda cantarolava. disse ela.Não.

Senhor! chamou Ted novamente pelo atendente. Cris não vira nas páginas anteriores nada que tivesse chamado sua atenção em especial e lembrou a si mesma que. sugeriu Cris. acho melhor irmos até lá pra falar com ele. Meu pai finalmente decidiu usar um smoking também. Cris tirou a mão da boca.Acho que não tem a menor importância essa diferença de número. no fim das contas. Preencheram os pedidos. quem iria vestir o smoking era o Ted. certo? repetiu ele.São cinco. Então. depois do casamento. . aprenderia um pouco da postura despreocupada do Ted diante da vida. a começar pela recepção do casamento. tinha alguns assuntos nada despreocupantes para tratar com o noivo. . Pararam em uma sorveteria antes de chegar ao campus e tomaram o sorvete em uma mesa que ficava no canto. Dez minutos depois tudo estava acabado. felizmente. Participara de várias reuniões formais com a mãe e a tia durante o fim de semana e percebeu que Ted estava fazendo tudo errado. Ted parecia não ver problema em terem quatro padrinhos e duas madrinhas. e eles iniciaram a volta à universidade. Ted abriu os braços e. . Até isso acontecer. Parecia que estava pedindo cinco sanduíches para viagem. quem deveria decidir o que queria era ele. Ted pagou o sinal e então o funcionário pediu que ele ficasse na frente do espelho para tirar as medidas.São seis. Não sei se o Tio Bob vai querer o mesmo modelo. Cris perguntava a si mesma se algum dia. . limitou-se a fazer alguns poucos comentários.Ted. Da pra reservar sete? . .Senhor! chamou Ted pelo homem que estava do outro lado. Poderia reservar cinco destes aqui para a festa Spencer-Miller? Cris cobriu a boca com a mão. .

Paula se casara um ano antes. percebeu que o ano passado na Suíça havia interrompido seus relacionamentos. De repente. Mais uma vez. Selena é a única de quem me lembro. .Eu me importo. Cris recebeu o convite mas não pôde ir à cerimônia. Preciso convidar mais duas amigas pra ficarem quatro casais. Douglas e Trícia poderiam ficar do meu lado. . O problema é que não tenho outras amigas chegadas o suficiente pra convidar pra participarem do nosso casamento.Não acho que a solução seja voltar atrás no convite feito aos homens. Cris sempre fora o tipo de garota que tem apenas uma grande amiga. Era muito mais simples quando eram apenas Katie e Trícia. Seria melhor se eu escolhesse mais duas mulheres. . disse Cris. . As duas sempre diziam que seriam madrinhas uma das outra. Então. falou Ted. e Katie. Durante seus primeiros anos na universidade. a visão única que ele tinha das situações abria um mundo de possibilidades para ela. . Meu pai. do seu. Nem ela nem Ted tinham irmãs ou primas que pudessem incluir.Eu poderia pedir ao Douglas e ao Rick para ficarem na porta recebendo os convidados. e não me sentiria bem se a convidasse agora. mas não era provável que eles viessem ao casamento. Estamos falando do nosso casamento.Por que não misturamos os homens e as mulheres dos dois lados? sugeriu Ted. Ela perceberia que foi um convite improvisado. Rick e David. mas haviam se separado quando Cris se mudara para a Califórnia. Paula fora essa amiga durante todo o ensino fundamental. certo? Podemos fazer do jeito que quisermos. Eles não precisam ficar lá na frente. morara com seus pais e frequentara uma faculdade perto de casa. Cris pensou um pouco na sugestão dele. Tinha amigos na Europa. sua lista de amigas ficou muito reduzida. Ela pensou em quem poderia convidar. Não desenvolvera nenhuma amizade duradoura lá.

Sabe o que eu acho? Que você beija muito bem. disse: . eu queria agradecer a você. Exatamente nessa hora. Assentou-se na cadeira que Ted deixara vazia. inclinando a cabeça na direção de Cris.O que você acha? perguntou Ted.Você quer falar de romance ou de negócios? Estou falando dos padrinhos. . Cris viu que Ted conversava com o pessoal que chegara com Selena e voltou toda a sua atenção para a amiga.Ótimo! Eu esperava que fosse nesse dia. Fui aceita naquele curso de verão de que falei. Cris viu uns alunos da Rancho Corona entrando. Selena estava no grupo. Cris acenou para ela.Maravilha! Ainda bem que você vai participar. . mas vou tentar me controlar e me limitar aos negócios. . .Também acho. Meu vôo é no sábado seguinte ao do casamento. falou Selena. Além disso. lembrando-se de quando ele fizera a mesma pergunta durante a escolha do anel de noivado. claro. Ted pareceu gostar do toque de humor e retrucou com uma das falas dela: . que se aproximou. dizendo que. disse Cris. . Ted riu. .Dia 22 de maio. Em tom de brincadeira. pegou os copinhos de sorvete vazios e levou para o lixo do outro lado da sorveteria. Com um grande sorriso.Que bom que você ‘tá aqui! Eu queria saber quando é seu casamento. mais uma vez. Eu não queria perder a cerimônia. Cris não conseguiu evitar um sorriso.Prefiro o romance. Cris falou: . . seu esperto fator aleatório salvou o dia apresentando uma solução inesperada para um problema que vinha deixando a mim e a minha mania de organização em pânico.

Cris se sentiu meio sem jeito diante de tantos elogios da Selena. com quartos pra hóspedes. Cris lembrou que havia descoberto que se parecia muito com sua tia. Cris pensou nas palavras da amiga. Abre o coração pra todo mundo. Você não hospeda ninguém. quando entendeu que Deus poderia cumprir seus propósitos para ela exatamente do jeito que ela era. Cris. prontos pra abrigar seus amigos. . . Aí você tem muito espaço pra receber hóspedes. E. . muito obrigada. Lágrimas rolaram pelo rosto da Cris antes que ela pudesse enxugar. com atenção bondosa e específica. foi muito bom pra mim e eu comecei a pensar no que há em você que me faz gostar tanto de você. As pessoas percebem que podem entrar. depois que me casar com o Ted.Bem. E isso permanece. Você mantém um lugar especial pra mim em seu coração. Tem uma porção de quartinhos bem arrumados.Aquilo que você falou no Ninho da Pomba sobre ser como Deus quer que eu seja me ajudou muito.Quem precisa de casa? Estou falando do seu coração. Assim. . faz todo mundo se sentir à vontade. além do da organização. Com gentileza. Você ama as pessoas.Obrigada. . Nunca morei.De certa forma me ajudou também. E é isso que você faz. Acho que Deus deu a você o dom da hospitalidade. É por isso que gente como eu sente que vai ser sua amiga pra sempre. você ama. não será uma realidade. acho que uma casa grande. Selena. . exatamente do jeito que são. calma.Sabe o que é? indagou Selena. . isso é um dom. . Não posso dizer que viva em um lugar em que seja possível acolher os outros. Especialmente agora que estou preparando a viagem para o Brasil. mas que isso acabou sendo bom.Não sei quanto à hospitalidade.

Agora sei pra que serve minha vida. sou uma mulher hospitaleira. para Cris. Não importa onde eu e o Ted vamos morar. e dando um salto da cadeira. agradeça a Deus. Uma mulher que ama. Parece que o pessoal já fez o pedido. É melhor eu ir.Não agradeça a mim. disse Selena. Agora sabia quem era. como um consolo muito bem-vindo. Posso amar os outros. Foi ele quem fez você como você é. . conhecia os dons que Deus lhe dera e sentiu a paz descer sobre ela. disparando um sorriso brilhante e livre. Parecia. que um dos grandes mistérios da vida havia sido desvendado. nem como vou usar meu diploma. . Nós nos vemos depois.

O comentário da Selena sobre o dom de hospitalidade abrira um mundo de novos entendimentos e possibilidades para ela. Além disso. Parecia que tinha crescido alguns centímetros desde a última vez em que se viram. e a vida parecia entrar nos eixos. 16 As últimas semanas de Cris na universidade foram passando. Sentia que seu futuro estava mais definido.Oi. enquanto os outros alunos que também trabalhavam lá partiam para aproveitar os feriados.Oi. Mark Kingsley apareceu com um boné de beisebol escondendo o cabelo castanho claro.Mudei meu horário neste semestre.Nem me fale! Os treinos de beisebol também estão uma loucura. . . falou Mark. Cris apreciava ser hospitaleira e pensava que ser organizada e atenta aos detalhes eram características que iam bem com a hospitalidade. mas não a encontrei. pois raramente via o noivo. A conta bancária crescia graças ao emprego do Ted como pintor. contou Cris. sorriam para ela. Passei aqui algumas vezes. Os preparativos da cerimônia iam bem. carinhosos. fez hora extra na livraria. e os olhos castanhos dele. . e Cris tinha tempo para estudar. . garota. disse Cris. sendo como Deus pretendia que ela fosse quando a criou. Estou sobrecarregada. Sabia qual o propósito de sua vida e estava ansiosa para ir adiante. tenho mais aulas. . Na sexta-feira antes da Semana Santa. Agora tudo fazia sentido. Você estava escondida? Não vejo você há várias semanas.

- Como vão as coisas com você?

- Ótimas. Minha mãe me contou que seu avô morreu, disse Mark. Senti muito. Ele era

um homem muito bom.

Mark e Cris cresceram juntos, em Brightwater. Ele fora sua paixão de infância, na

Escola Elementar Washington. Agora, estudavam de novo no mesmo lugar. No semestre

anterior, encontravam-se toda hora. Neste, raramente.

- Obrigada, Mark, falou Cris. Concordo. Ele era maravilhoso. Vi suas irmãs no enterro.

Elas estão bem grandes.

- É, elas estão bem. Minha família vem pra Califórnia no verão, então as duas estão

empolgadas.

- Você vai ficar aqui nas férias?

Mark fez que sim.

- Consegui emprego no Centro de Evangelização de Jovens. É por isso que não tenho

ajudado o Ted com a mocidade na igreja dele. Agora tenho meu próprio grupo de garotos. São

muito mais ativos do que os do Ted. Gosto disso. Até agora já formamos dois times de

beisebol.

- Acho que você deve ser bom nisso, comentou Cris. Como conseguiu esse emprego?

- Jenna trabalha lá e me indicou.

- Jenna?

- Não lembra dela? Eu contei pra vocês na lanchonete um dia, em dezembro, que estava

com vontade de convidá-la pra sair comigo e vocês me convenceram a participar daquele

encontro em grupo no Ninho da Pomba.

- Ah, lembrei!

- É muito natural você não lembrar muita coisa daquela noite. Você e o Ted estavam

bem ocupados ficando noivos.

Cris sorriu.

- Foi uma noite especial. Que bom que você estava lá!

Mark hesitou e olhou envergonhado sobre o ombro antes de dizer:

- Ainda estamos juntos.

- Estão? Você e a Jenna?

Mark assentiu.

- Que bom! Ela parece ser muito legal.

- E é, confirmou Mark. Queria contar pra você porque, é... acho que só queria que você

soubesse e ficasse feliz por mim. Você é a pessoa mais próxima da minha família que tenho

aqui.

- Gostei muito de você ter me contado. Espero que você a leve ao meu casamento.

Ainda não mandamos os convites, mas vai ser no dia 22 de maio.

- Estarei lá, disse Mark. E vou levar a Jenna.

- Ótimo!

Cris desejou que seu sorriso mostrasse a Mark que estava muito alegre por vê-lo feliz.

- Ah, nós vamos jogar boliche hoje à noite. Você e o Ted não querem ir conosco?

- Boliche, é?

Cris pensou que era maravilhoso Mark ter encontrado uma garota que apreciava

esportes.

- Obrigada, mas acho que não vai dar. Assim que sair do serviço, tenho de ir à casa dos

meus pais. Os vestidos das madrinhas chegaram e preciso entregar o da Trícia. Talvez ela

tenha de ajustar.

- Ah, concordou Mark, mas parecia que ele não tinha a menor idéia do que Cris estava

falando. Podemos tentar fazer algum programa juntos em outra hora.

- Claro, disse Cris, mas sabia que não seria possível, não nos dois meses seguintes.

Talvez, depois do casamento, eu e Ted possamos retomar nossa vida social, pensou Cris.

Na tarde de sábado, Cris foi em seu Volvo até Carlsbad com o vestido da Trícia no

banco de trás. As duas haviam combinado de se encontrar para lanchar no Blue Ginger, mas

Cris estava um pouco adiantada. Não se importou, porque conseguiu uma mesa na parte

externa, onde o Sol fresco da primavera a cobriu, aquecendo-a e deixando-a ansiosa pela

chegada do verão. Largou o cardápio e fechou os olhos, desfrutando do calor.

Momentos depois, Trícia chegou, e Cris sorriu ao ver a barriga de sua amiga

transformada em uma bola compacta.

- Já sei, falou Trícia, batendo na barriga. ‘Tá aparecendo mesmo.

- Você ‘tá bonitinha demais! Linda! disse Cris e a abraçou, batendo com carinho na

barriga. ‘Tá com a aparência muito boa, Trícia.

- Obrigada, Cris. Não posso dizer que acredito, mas muito obrigada, agradeceu Trícia,

puxando uma cadeira e assentando-se à frente da amiga. Já fez o pedido?

- Não, estava aqui aproveitando um pouquinho o Sol.

- O dia ‘tá lindo, não ‘tá? Tomara que eu não tenha deixado você esperando muito

tempo. Tínhamos consulta no médico antes de vir pra cá e demorou mais do que o previsto.

Ele tinha uma surpresa pra nós.

Cris tirou os óculos escuros para ver o rosto da Trícia com mais clareza.

- Gêmeos? perguntou.

- Não, disse Trícia, dando uma risada nervosa. Nem fale nisso! Ficamos sabendo que é

menino. E já escolhemos o nome: Daniel.

- Que maravilha! Você preferia menina?

- Não, estou empolgada. O Douglas também.

- Você gosta do nome Daniel?

- Amo. Podemos chamá-lo de Dani enquanto for pequeno e, quando fizer seu doutorado,

ele passa a ser conhecido como Daniel.

Cris sorriu.

- Você tem aspirações elevadas pra esse menino.

- Isso não acontece com todos os pais e mães?

A garçonete aproximou-se, e as duas pediram salada e água mineral com gás.

- Será que estamos envelhecendo? perguntou Cris. Olha o que pedimos - salada e água

mineral. Esse é o pedido da minha tia.

- Conversei com ela esta semana, contou Trícia.

- Foi mesmo?

É. Tenho novidades pra você. Estou organizando um chá de panela pra você e o Ted.

Douglas queria fazer surpresa, mas falei que iria contar pra você hoje, porque achei que seria

mais fácil se vocês soubessem.

- Obrigada, Trícia.

- Vai ser na quinta-feira, e sua tia ofereceu a casa dela. Quando eu e o Douglas

começamos a fazer a lista de convidados, vimos logo que não daria pra receber mais de vinte

pessoas em nossa casa.

- E minha tia concordou?

- Ficou animada e se sentiu honrada. Eu disse que levaria toda a comida, mas ela insistiu

pra eu deixar tudo por conta dela por causa de meu “estado”, disse Trícia, recostando-se na

cadeira e colocando o braço sobre a barriga. Em outra ocasião eu teria argumentado com ela,

mas a verdade é que me sinto muito cansada o tempo todo.

- Ted falou que você pretende deixar seu emprego depois que o bebê... ou melhor,

depois que o Dani nascer.

Trícia assentiu e bebeu um gole da água mineral que a garçonete trouxera.

Estamos tentando encontrar um apartamento no condomínio em que Rick mora.Talvez a gente tenha de se mudar. Cris se ofereceu para orar quando a garçonete trouxe as saladas. falou Cris.Eu não tinha pensado nisso. Cris balançou o copo misturando o gelo e a água. Quando nos mudamos pra lá. mas ele vai precisar de um quarto só dele. . .Sei disso.E acho que vocês sentiriam muita falta do mar. íamos sempre. . concordou Trícia.É. Acho que precisamos ser mais responsáveis e simples e morar em uma área mais barata.Quem sabe? Talvez a gente acabe morando no mesmo bairro.Vou ter de convencer o Douglas a procurar alguma coisa por lá. Mas você ficaria admirada. . mas o contrato vence em novembro e a casa é muito pequena. . Enquanto tirava disfarçadamente todas as nozes de sua salada. Até agora só estamos no começo desse assunto.Por quê? A casa de vocês é linda! . Ontem à noite ele disse que poderíamos nos mudar para o Oregon. . acredita? De lá até a igreja são só uns cinco minutos. Só temos um quarto. .Você e o Ted vão morar perto da Universidade Rancho Corona? indagou Trícia. ter um cachorro e um quintal grande pra colocar um balanço.Ainda não sei. dos planos para o chá de panela e o casamento de Cris à primeira vez que Trícia sentiu o Dani se mexendo. Douglas sonha em comprar uma casa. O que vocês vão fazer? Mudar pra um apartamento de dois quartos? . pra morar em um imóvel assim teríamos de ir pra longe da praia. Cris pensou em como essas duas horas no Sol eram as mais tranquilas . porque ele conhece um homem que mora em uma cidade pequena onde poderíamos comprar uma casa. as duas conversaram sobre todos os assuntos. . Nós quase não vamos mais à praia. . Mas. Tudo bem enquanto o Dani for pequeno. Depois.

. disse Cris. Precisava da Trícia por perto. Ted saiu mais cedo do serviço para os dois irem ao chá de panela.Eu não ficaria surpresa. . pois nunca vira Katie passar uma peça de roupa sequer. mas acho que eles escolheriam um noivado bem curto. Na quinta-feira. Cris pensou que isso era ótimo. Ted pegou a mão dela e conduziu-a até o carro. Katie ‘tá decidida a concluir o curso superior e ainda não conversei com ela sobre isso. Esperava que o Douglas e a Trícia não se mudassem para o Oregon. E muito cheiroso. acha que eles vão se casar? Cris pensou um pouco. .Você acha que eles vão ficar juntos? perguntou Trícia. ‘Tá evidente que o Senhor ‘tá cumprindo o propósito dele pra cada um de nós. Ele é bom nas tarefas domésticas. acho que fico. com uma bermuda caqui.Passei a colônia do Rick.Estão ótimos. concordou Trícia. depois do casamento.Se eu parar e pensar. para Cris entregar o vestido da Trícia. Abraçou Cris e ela sentiu que ele havia se barbeado e usado uma colônia com perfume amadeirado. de estampa havaiana e mangas curtas. .Você não fica espantada? perguntou Trícia. ela perguntou sobre Rick e Katie. .Rick passou a camisa pra mim. Gostou? . Ele foi até o alojamento buscar Cris. .que ela tinha há muitos meses. Vestia uma camisa muito bem passada. Quando as duas se dirigiam para o estacionamento. . Quer dizer. .É verdade. .Muito. .Você ‘tá lindo! elogiou Cris. e Rick a trata como ela merece. com um suspiro de contentamento. também. para ter mais momentos como esse. Mas mesmo assim parece que é bom pra eles. Katie ‘tá avançando devagar.

que era um dos poucos no estacionamento. . Estamos atravessando uma etapa. O dinheiro vai nos ajudar muito. disse Cris. . Fica muito bonita em você. Entraram no carro.Você não ‘tá aproveitando muito os feriados da Semana Santa. Estou espantado de ver quanta coisa você conseguiu fazer. É muito. mas enquanto não tento inventar atividades sociais além de todo o resto. concordou Ted. Não temos conseguido nos encontrar muito.Isso vai mudar muito em breve. concorda? .Não. E quase consegui acabar meu segundo trabalho. disse Cris. acabei! . ‘tá tudo bem. Só faltam dois. Kilikina. . né? perguntou Ted. entrando com o carro na via expressa. Não sei se falei isso da outra vez que você a usou.Você ‘tá muito bonita. As provas serão daqui a três semanas e meia e aí.Estou orgulhoso de você. Se eu tivesse tido o mínimo de compreensão. né? . Bem curta.Sei. Acho que estamos nos saindo bem. afirmou Cris. além de concluir seu último semestre na universidade. Você ‘tá com fome? Quer parar e comer alguma coisa antes de irmos pra Newport? . como você queria. Gosto dessa saia.Foi melhor ter ficado. fazendo levantamento de estoque na livraria. teria concordado em casar em agosto.Não estou com fome. Já falei isso? Você tinha razão sobre o tempo necessário pra planejar o casamento. E você? . .Não tem sido coisa demais. pra você não sofrer tanta pressão. Preferia ter ido pra casa? .Obrigada. disse Ted. estou bem. Trabalhei vinte e duas horas esta semana. e passou o braço pela cintura da Cris e puxou-a mais para perto dele. .

Ted balançou a cabeça.E vai ser divertido. . . Cris perguntou: . Cris não ouvira nada sobre planos para sequestrar o Ted. . mas achava que ninguém iria contar para ela. Cris entendeu o nervosismo dele. . foram. me conta. Achava que seria sequestrado no chá. vestiram nele uma fantasia de frango e o prenderam na balsa. pediu Ted. caça-palavras ou usar papel higiênico pra fazer o vestido e o véu da noiva. Segurando a risada.. . como ele e os amigos fizeram com o Douglas na despedida de solteiro. Passou os dedos pelo cabelo curto.Que tipo de brincadeira? . não foram? . certo? Cris sorriu.Algumas vezes há brincadeiras.Concordo. Pelo menos. .Só queria saber. o que as pessoas fazem nesses chás? .Por que você ‘tá perguntando isso? .Tenho certeza de que meus tios vão controlar essa festa. Ted parecia não ter a menor idéia do que fosse. Cris fez forca para não rir.Você vai se divertir.Por acaso um dos rapazes falou sobre alguma brincadeira hoje? Finalmente. Agora.. Mas quem convidou foram o Douglas e a Trícia.Sim. . é melhor se divertir. Eles o levaram até a balsa que ia para Balboa.Sabe. Ted. um lanche e a gente abre os presentes. Depois. Ted parecia preocupado. porque é o convidado de honra.

Trícia. .Não ouvi vocês chegarem.Muito obrigada. disse Cris.Eu pego.Falei sério. querida. Ted. Ontem tive de comprar estas sandálias aqui. tão amável.Muito obrigada. Trícia. porque estou muito inchada. disse Marta. que homem maravilhoso! Espero que você se lembre de dizer essas coisas lindas pra mim no dia em que minha barriga estiver maior do que uma bola de basquete! . Ah. Não posso dizer que a gravidez seja minha melhor condição. tentando pegar no chão uma etiqueta com um nome escrito. Mas o empreendimento parecia um grande desafio para ela. Acho que você ‘tá muito bonita grávida. .Você ‘tá magnífica. 17 Ted e Cris chegaram à casa de Bob e Marta e encontraram Trícia na sala. não é melhor você se assentar? . de só enfiar o pé. Já desisti de amarrar os sapatos. que se abaixou sem nenhuma dificuldade e colocou a etiqueta na cesta pendurada no braço da Trícia. disse Ted. Acho que você ‘tá linda. Ele se inclinou e deu um beijo no rosto da Trícia. Cris virou-se e contemplou seu noivo. entrando apressadamente na sala. . disse Trícia. Seu rosto brilha. . Parecia que Trícia ia começar a chorar. .

Um homem sozinho não representa ameaça nenhuma.Você acha que meu maravilhoso marido faria uma coisa assim? . carregando uma mesa dobrável.Estou bem. Vamos. querido. Ted e Douglas avançaram pela sala. com tinta branca. Cris. Um sorriso travesso vivia permanentemente no rosto dele. Ted. falou Trícia.Não é com ele que estou preocupada. como quando prenderam o Douglas na balsa. . e Marta recebeu cada um. . lançando a Cris um olhar que dizia: “Espere só até você ficar grávida!” . e avançou devagar até a garagem. Nesses foram escritos.Marta quer que a gente ponha os presentes nesta mesa. Os convidados foram chegando. inclusive com chapéu. . Especialmente com Rick de volta à cena. os nomes dos rapazes. informou Douglas. Cris cochichou para Trícia: . Eu vou com você. quando se tratava do Douglas. Entretanto.Ted.Ele ‘tá achando que os rapazes vão sequestrá-lo hoje e fazer alguma maluquice. disse Cris. mas quando todos se unem pra pensar. Marta fez ar de ofendida. Uns eram pretos. Não parecia que Douglas estava armando nada escondido. Bob quer que você vá até a garagem. Falou para Trícia ficar ao lado dela com a cestinha do de crachás e não deixou ninguém entrar sem o nome pendurado. fico alarmada. . recortados na silhueta de um noivo.Ele precisa de ajuda para carregar uma mesa. . ninguém nunca podia ter certeza.Por quê? o tom da pergunta do Ted tinha um traço de rispidez. Falou pra gente colocar na frente da janela. Os das garotas foram escritos com caneta . Ted olhou para Cris como se dissesse: “Adeus pra sempre”. você pode tirar a cadeira de balanço de lá? Os três se dedicaram a arrumar a sala do jeito que Tia Marta queria.

não apreciava ficar sem poder enxergar possíveis sacos de batata que se aproximassem dele. que estava nervoso. porque Marta olharia na cesta e diria: “Desculpe. . como toque final. Não gostava de ser o centro das atenções e. com os braços presos ao lado do corpo e o papel cobrindo boca. por sua vez. Ninguém iria tentar entrar como penetra na festa. ouvidos e olhos. Foi bem divertido.Selena. estou parecendo a Estátua da Liberdade! A sala se encheu de gargalhadas e vários flashes brilharam quando os amigos capturaram o momento. Os rapazes agora tinham de vesti-lo de noivo com papel higiênico. pelo jeito como ele arrastava os pés. prendeu no peito do Ted um chumaço de papel higiênico imitando um cravo na lapela. Cris considerou a idéia interessante. mas não estou vendo aqui um noivinho com seu nome. Cris viu seu reflexo no vidro da janela e exclamou: . Os rapazes só observaram. já que todo mundo no chá era amigo. mas sabia. Mas Ted. Douglas brincou que isso era a verdade sobre a vida de casado e. içcado a um avião de carga e despachado para Aruba.preta em silhuetas de noivas recortadas em papel branco. paciente. O máximo que aconteceu foi os rapazes transformarem Ted em uma múmia de papel higiênico. Pode ir embora!” A primeira brincadeira que Marta dirigiu foi a que Cris previra. Selena fez sozinha o véu. Cris achou que ele estava muito engraçado todo embrulhado. As garotas tiveram de vestir Cris de noiva com papel higiênico em cinco minutos. esperou todos os desdobramentos da brincadeira. se mostrava arisco como um gato quando o chamaram para ficar ao lado dela. que foi o que provocou mais risadas. Cris. Ted deu uma olhada para sua noiva como se esperasse a qualquer momento ver um saco de batatas ser jogado sobre sua cabeça e ser arrastado porta afora. mas meio engraçada. Ela pegou um rolo de durex e conseguiu fazer as tiras do véu ficarem duras em todas as direções. por certo.

Precisamos de uma dessas lá no Ninho da Pomba. disse ele. Muito obrigada. Cris fez questão de agradecer a cada pessoa e fazer algum comentário especial sobre cada presente que desembrulhou. Amei. Uma imagem surgiu na mente da Cris. Foi fácil elogiar o da Trícia. retribuindo o sorriso dela. Mandaram que os dois se assentassem no sofá ao lado da mesa para abrir os presentes. para verificar se ninguém estava escondido lá. . falou Katie para Rick.Espero que sim. assentada no sofá de surfe. respondeu Cris. Ganharam toalhas de banho. . . . tirar uma fotografia e mandar para uma revista de noivas com a legenda “Noiva das regiões longínquas servindo chá”. Os presentes do Ted incluíam ferramentas. mas ela sabia que só ela acharia engraçada. . brincadeira do Rick. Viu a si mesma esquentando água no fogareiro e servindo chá para Trícia com o lindo bule.Parece com aquele que vimos naquela casa de chá na Inglaterra. . Lembra? Quando nós duas fomos tomar chá.Acho que é melhor não. um bule de chá rechonchudo. . A múmia hesitante partiu sua mortalha e livrou os olhos e a boca do papel. Ted olhou atrás do sofá. Alguns flashes brilharam quando Cris ficou ao lado do Ted. Contudo isso não o acalmou. Poderia vestir seu vestido de noiva.É a última brincadeira? perguntou ele baixinho a Cris enquanto se desfazia do casulo e pulava por cima do que sobrou. uma frigideira e um cortador de unhas. uma saladeira e uma concha para sorvete que tocava uma musiquinha quando se apertava o botão no cabo. todo pintado de rosas vermelhas. disse Trícia. apertando três vezes o braço musculoso dele. Trícia.Claro que lembro. com seu véu louco e seu buquê de bolas de lenço de papel. charmoso.

. Que coisa. Selena estava por perto e entrou na conversa: . alguns de seus amigos são. só Marta. Cris reparou que eles estavam muito bonitos. Sua “juba” de cachos dourados a seguiu. Marta não merecia uma resposta petulante. Cristina! A vida amorosa é assunto muito pessoal. quando duas pessoas têm de ficar juntas. disse Marta.Não. . . . .Como assim? indagou Marta. ..Estão se conhecendo melhor. . .O que. acrescentou Selena. .Toda mulher de primeira classe tem a garantia de um gatão antes do verão ou seu dinheiro de volta. disse Marta. E.Não sei.Umas figuras? sugeriu Cris.Além disso.Você conhece a lei não-escrita da Universidade Rancho Corona? .. ninguém consegue separá-las. descobri que. puxou Cris de lado e falou: .Será que eles planejam ficar noivos logo? . disse Cris. caindo na brincadeira. não há como mantê- las juntas Tanto Cris quanto Marta olharam para Selena. se não foram criadas pra se unir. respondeu Cris.É. levantando uma sobrancelha. Entretanto hesitou.Sinceramente. figuras incontroláveis. . que estava enfiando um morango na boca e virou-se para conversar com outra pessoa. eu jamais faria isso. Marta não achou graça.Não. estava fazendo uma pergunta sincera. Na hora do lanche. sentados bem juntos. ‘tá acontecendo com Rick e Katie? Cris sentiu vontade de responder: “Deus ‘tá cumprindo o propósito dele para os dois”. Ninguém via nada de estranho no comportamento deles. Pergunte a Katie. exatamente.

.Gosto dos meus amigos como eles são.Nós amamos vocês. Naquele momento.Tchau. um modelo que Cris havia escolhido semanas antes. .Não há problema. disse Cris. . enquanto acenava para os sobrinhos. Cris jogou um beijo para eles e se dirigiu para a calçada. Marta não estava muito feliz. mas havia demonstrado muita alegria quando Cris e Ted abriram o último presente. com Ted. Então Cris viu sua tia passar o braço pela cintura do Tio Bob e encostar a cabeça no ombro dele. Cuidado na estrada.Começo a trabalhar às 7:00h amanhã de manhã. Era louça para duas pessoas.Nós vamos com cuidado. O sorriso do tio brilhava tanto quanto a lua cheia que piscava do céu para Cris. . replicou Bob. Já está bem tarde pra vocês saírem. A comida estava deliciosa e amei a louça. gritou Marta. por cima da casa. Ah. Viu que. disse Ted.Vocês têm certeza de que não querem dormir aqui? peguntou Bob. a lua cheia enfeitava o céu noturno.O chá foi maravilhoso. . Ted não manifestou muita empolgação. . quando fora ao shopping com sua mãe e sua tia. dado por ela e Bob. muito obrigado por tudo. . Mais uma vez. Voltou a agradecer quando ela e Ted estavam indo embora. Cris sorriu. Eles me fazem bem. mas Cris sabia que o presente havia sido bem caro e fez questão de demonstrar para a tia sua satisfação. . e também por deixarem a gente guardar os presentes aqui até termos nosso apartamento. Nós vamos sem problemas daqui lá. beijando o rosto da tia. . Muito obrigada por tudo.

Marta sugeriu que talvez fosse alergia. Ela também piscou para a lua. Cris riu para o Ted. Assim que ela e Ted chegaram ao carro. saíram de seus esconderijos atrás de carros e arbustos e correram para cima deles. Enquanto corria o mês seguinte. até que ele se daria bem. eles foram se convencendo de que isso era verdade. a sentir coceira nos olhos. alegres com a vitória. Ted agarrou Cris para protegê-la de qualquer tipo de ataque que viesse. Muitos jatos surgiram enquanto os amigos os rodeavam. Foi também o dia em que começou a espirrar. encontrou bola verde e alaranjada florescente de serpentina em seu melhor sapato. A cerimônia da formatura e o jantar de comemoração que se seguiu acabaram sendo repetição do que acontecera com o Ted. que eles achavam que tinham ido embora. De todos os lados vinham sobre eles serpentinas em spray. Só que dessa vez Cris espirrava o tempo todo. cada um esguichando duas latas. já que a Cris nunca havia morado onde morava agora. As risadas e os gritos encheram o ar da noite. Os convidados do chá. Ted declarou. . protegendo-a com um braço e desviando as serpentinas com o outro. No dia em que Cris vestiu a toga e o chapéu e recebeu seu diploma. que reagiu como um guerreiro dedicado. e o nariz passou a escorrer. A mãe reparou que Cris tinha olheiras fundas e perguntou se ela não queria ir para casa naquela noite mesmo. no caminho para casa. soou um brado de guerra. Tiras de cores vivas cobriram o casal e os amigos gritavam. comentou a tia. lugar ao qual Cris estava acostumada. com quase os mesmos participantes. Ali havia um tipo de pólen diferente dos de Escondido. que se essa fosse a brincadeira mais grave que fizessem com ele. Era uma noite perfeita para apaixonados incansáveis fazerem seus galanteios.

O remédio a fez dormir por dez horas. rindo.Katie. Vou hoje para o alojamento. entrevistas para um novo emprego e nada de encontros com o Ted. corrigiu Ted. Faltavam apenas nove dias. disse Katie. O plano até que funcionou bem. E vai ser uma noiva linda. Ted já levara as coisas dele uns dias antes. Amanhã levo minhas coisas para o apartamento do Ted. Em dois minutos. . descobriu que a dose do remédio não a impedia de espirrar.Bom. o que era muito raro. mas um outro evento importante se aproximava. vou me casar daqui a oito dias”. .Oi. vai mesmo. falou ela à sua mãe. Amanhã de manhã levo minha mudança para o apartamento e vou pra casa. Conseguira. A sensação era muito boa. quando saíam do restaurante.Nosso apartamento. mas os poucos bens terrenos da Cris continuavam em seu quarto na universidade. acertos finais na cerimônia do casamento. fou be cassar taqui a oito tias. disse Cris. . Ela sabia que a culpa das olheiras não era da alergia. . Mas agora tinha acabado. . Tinha se formado. Eles haviam alugado um apartamento de um quarto no mesmo condomínio em que Rick morava. mas o nariz estava tão entupido que só conseguiu falar: . o que você tem pra fazer hoje? Cris tentou dizer: “Katie.Acho que vou fazer como tinha planejado. mas pelo menos havia descansado. Talvez tenha passado rápido demais e não fosse tão memorável como ela gostaria. O último mês fora uma confusão de trabalhos.É. bela adormecida. Vou tomar um antialérgico. tentar dormir. Katie saiu do banho e disse: . Só acordou depois das 8:00h da manhã seguinte. provas. Aí você pode me mimar o quanto quiser. veja o que você acha do meu plano. dormir bastante no meu quarto na universidade.

Vou tomar um banho quente e mais antialérgico. . . estendendo-lhe uma garrafa de suco de laranja. Encontrei a Katie. com um suspiro antes de assoar o nariz. Já estou me sentindo bem melhor. não conte pra minha tia. . .Você precisa de ajuda com a mudança? indagou Selena. chá fou ter belhorato. que vem às 10:00h pra fazer sua mudança. ‘Tá melhor? perguntou ela a Cris.Oi. Ted vai pedir o caminhão do Mark emprestado pra levarmos nosso lindo sofá de surfe para o apartamento. . . Não parecia ser verdade que havia se formado. Acho que é alergia.Então encontro você aqui às 10:00h. porque apareceu um serviço de pintura esta manhã. Disse que conversou com o Mark.Quer que eu vá junto pra ajudar? Só tenho de ir trabalhar à tarde. disse Katie. Falou que não vem. combinou Katie. Katie.Obrigada. Esperava que o dia do casamento fosse mais tranquilo. . Cris notou que sua toga e seu chapéu estavam pendurados em um gancho acima do armário. . e Katie comentou que precisava ir fazer uma prova.Você ainda vai estar por aqui quando eu voltar? . O dia passara muito rápido.Ele telefonou antes de eu entrar no banho. As aulas só haviam acabado para os formandos. mais memorável. . Não sei a que horas ele vem. Por favor. Ela fica feliz demais quando tem razão. falou Cris. Agora ele pelo menos telefona. . Selena apareceu às 9:45h.Até lá.Seria ótimo. .Estamos melhorando. e ela contou que você não ‘tá conseguindo falar muito bem. disse Cris.Não sei. .Obrigada pelo suco.

Alugamos o apartamento que queríamos e tudo vai correr certinho daqui a uma semana. .. Cris abriu o suco e tomou um gole. mas vamos fazer isso depois da lua-de-mel. Era Donna. disse Selena. Mark deve chegar logo.Indicou? Cris havia deixado seu currículo em várias lojas da cidade. . Quando ele chegar. Nesse novo emprego. Pedi demissão da livraria da universidade. E também quero perguntar uma coisa. e o proprietário indicou seu nome. Graças à minha mãe e à minha tia. você pode nos ajudar a levar para o caminhão. . Se você quiser pegar hoje.É mesmo? . Saio daqui a duas semanas.‘Tá animada com a viagem para o Brasil? . mas acho que sim. chefe da Cris na livraria. . Exatamente nessa hora o telefone tocou. . Ainda temos alguns assuntos sobre nosso futuro pra resolver. Donna.Que bom que encontrei você. ainda tenho uma vaga lembrança. É. que foi muito bom. mas você nem sabe mais o que é isso. Ainda vou fazer as provas finais.Ah.‘Tá tudo pronto para o casamento? indagou Selena. Sei que é meio fora do comum e você não precisa responder agora. . pode dar uma passada aqui. mas não achou que nenhum deles tivesse chegado até o proprietário.Fui convidada pra ser gerente de outra livraria e decidi aceitar.Seria ótimo. . . Liguei pra dizer que estou com seu último pagamento. todos os itens da minha lista foram resolvidos.É um espanto.De nada. Já encaixotei tudo. preciso contratar um subgerente..Acho que sim. .Ótimo. . disse ela. . Eu e Ted concluímos o aconselhamento pré-nupcial. Obrigada.

Obrigada.Mark ainda não chegou. eu ia contar que um dos assuntos não-resolvidos é que eu estou sem emprego.Vou trabalhar na livraria A Arca. Pense nisso. tudo bem? falou Katie ao entrar no quarto e jogar uma maçã para Cris.Parece que já tenho um emprego pra quando voltarmos da lua-de-mel. . . falou Donna. .Oi. Ore a respeito. A Sra. informou Donna. . somos muito amigos. Doyle disse que você é amiga do filho dela. Deixei um currículo lá faz um mês. respondeu Cris. Se não nos encontrarmos antes. mas o gerente me disse que estavam em fase de transição. . enquanto Katie olhava atentamente as caixas empilhadas com cuidado no lado do quarto que Cris ocupava. Donna. garotas. Acho que Deus resolveu isso em tempo recorde. Seria perfeito.Certo.Estão prontas pra se mexer? indagou Katie.Muito obrigada. Cris virou-se para Selena e disse: . Isso é pra você. mas só posso começar em junho. . . E sabe de uma coisa? Parece que arrumei um emprego. . coleguinha.Tudo bem. Contou tudo. Depois você me conta sua decisão. Quando o telefone tocou. disse Cris.É.De nada. Gostaria muito de ter você como minha assistente.Acho que faço parte da transição. Cris sentiu vontade de rir. que gerencia a cafeteria que fica na loja ao lado. vejo você no casamento. . . porque só começo no dia primeiro de junho. . . Achei que não seria bom ficar tomando antialérgico com estômago vazio.

Vocês sabem disso. .Provavelmente vamos nos ver mais do que neste último semestre. pelo menos.Eu sei. chorando nossas mágoas. implorou Katie. Pronunciaram palavras doces. ‘Tá vazio. repletas de gratidão e fizeram pedidos ousados de bênçãos futuras. . Selena deu uma gargalhada. . que permanecera assim o ano letivo inteiro.Eu amo vocês duas. disse Katie. e podemos ir embora juntas. Mas fique no alojamento até. não sabem? Alguém bateu na porta com hesitação. Mark entrou e ela. . Cris falou: . cada uma com os braços em volta das outras duas. .Você não ouviu o que a Cris disse? Ela acabou de contar que vai trabalhar na livraria perto de você. Olha para o seu lado do quarto.Vocês se lembram da semana anterior ao início das aulas? perguntou Selena. É triste demais. As três amigas formaram um pequeno círculo. a semana que vem.Lembro. disse: . a não ser pelas raras vezes em que Cris a convencera a lavar os lençóis. . . com voz triste.Foi mesmo. Vão se encontrar todos os dias. .Boa idéia! exclamou Cris. Foi um ano movimentado. disse Cris. Nós três estávamos assentadas aqui. Quando terminaram. Acho que a gente deveria orar.Sabem de uma coisa? indagou Selena. . falou Katie.Passou muito rápido. em tom melancólico. concordou Cris. . não foi? comentou Cris. Katie abriu.Não me abandone. Katie assentou-se na beirada da cama desarrumada.

Vamos lá.Acho que ‘tá na hora. Mark. . . Eu sempre soube que ela amava mais o Ted do que a mim. leve as coisas dela.

Eu vou com ele.Muito obrigada mesmo. disse Cris. . com lareira e flores alinhadas ao longo da calçada. Katie foi à frente no Buguinho.Onde quer que eu ponha isto? perguntou Katie. enquanto ele lutava para colocar o sofá de surfe na carroceria do caminhão. . . prometeu Cris. ela estava com seus amigos. abraçando Cris. . criado em fazenda. respondeu Cris. Vou mandar e-mails pra você lá do Brasil. 18 Mark. Em lugar da cena romântica. Precisaram fazer duas viagens para esvaziar o caminhão. . rapaz forte. As três moças carregaram as caixas até a calçada. Mark arrumou o sofá de surfe no meio da sala e informou que precisava voltar para a universidade para terminar um trabalho.Vejo você no sábado. ou alguma coisa assim. para carregá-la no colo. disse Selena. pela primeira vez.Em qualquer lugar. não sabia se ria ou chorava. Cris descobriu que criara uma fantasia sobre a primeira casa que dividiria com o Ted. Ted deveria estar lá. Ao olhar para dentro. . mostrando o caminho e. era um chalé. contemplando um apartamento vazio.Pode mandar que eu respondo. . falou ele. partiu para a ação e limpou o quarto da Cris. Nos sonhos. Há muito espaço. Cris destrancou a porta com sua chave.

Vamos lá. falou Katie. .Não diga mais nada. e Katie colocou a mão na cintura enquanto examinava o apartamento. um vaso de flores ao lado da porta. . com um vaso de margaridas vivas e alegres e um tapete para colocar na porta. comemorou Cris. . Agora já sei. e não sabia o que. tapete na porta. eu não quis magoar você.Agora virou um lar. seis bolinhos artesanais de chocolate comprados na confeitaria. . . né? . . arrumando seus tesouros. uma embalagem de detergente e uma de creme para as mãos. Não sou de grandes exigências.Flores? . Mark e Selena partiram. Uma lágrima correu pelo rosto da Cris. cheias de sorrisos. Você ‘tá apenas começando. Uma hora depois. Eu queria comprar um presente para sua casa nova. .Ou talvez acrescentar um ou dois móveis. . Cris respirou fundo. Vão receber uma porção de presentes no casamento e você vai conseguir um sofá de verdade e uma mesa pra cozinha.O minimalista é Ted. mas minhas poucas necessidades são importantíssimas. Vocês vão arrumar tudo.Você é mesmo fácil de se contentar. É disso que preciso. que colocaram na pia da cozinha. Além disso. . trouxeram uma caixa de lenços de papel. quem sabe. . disse Cris. Vai ficar lindo.Puxa.É meio desanimador. voltaram ao apartamento. vamos comprar flores e um tapete.Vai ficar mais alegre quando eu colocar uns quadros nas paredes. Katie.É.Preciso de flores. comentou Katie. E.

e ficou aliviada por ver que a cama havia chegado. Continuou em sua inspeção e chegou ao quarto. Ted andara por ali. mas estou com pressa. Cris lembrou a si mesma esse comentário da Katie. É mais patético do que eu imaginava. e os dois aceitaram de muito bom grado. O pai dele oferecera para lhes dar a cama como presente de casamento. Você ‘tá bem? . Ted possuía uma cômoda. Voltou a desencaixotar suas coisas. pensou. Funcionou. Contudo Cris notou que estava dobrado e encheu-se de esperança: talvez o Ted fosse um pouco mais organizado do que as evidências no banheiro indicavam. uma caneca e uma pilha de pratos descartáveis. Quando o Ted chegar em casa. em um saco de dormir. e não em seu devido lugar.Sim. Parecia uma relíquia da Segunda Grande Guerra.Gostaria de ficar e ajudar você a pendurar os quadros nas paredes. encheu de água que aqueceu no microondas e fez uma xícara de chá consoladora.Ouviu o que você acabou de falar? perguntou Katie. e isso era deprimente. Nós somos muito pobres. Trabalhou rápido e logo havia arrumado tudo. Ted vinha dormindo no chão. Colocou os livros . Lavou a caneca. Enquanto desencaixotava seus pertences e verificava o interior dos armários da cozinha. Lá. Você disse: quando Ted chegar em casa. . Procurou a caixa de lenços para assoar o nariz e descobriu que Katie a levara para o banheiro. repousava um cobertor de lã já bem gasto. Agora você já vê este lugar como sua nova casa. viu creme dental derramado na pia e a toalha de banho no chão. e Cris. A cama. mas não tinha cabeceira nem lençóis. Nos pés. Antes. ele vai me levar até a casa dos meus pais. Encontrou três copos descartáveis. estava montada no pequeno quarto. decidindo em qual das paredes vazias colocaria seus poucos quadros e pôsteres. estou. de aparência confortável. . uma estante e uma cadeira.

Os toques de cor fizeram muito bem ao apartamento. A cama estava convidativa. Cris esprerava que Ted entendesse isso. braços cruzados e um sorriso carinhoso nos lábios. semelhantes a nuvens de verão que enfeitam o céu azul. o travesseiro e um tesouro que ela sabia que queria guardar para sempre .Oi. Levou a colcha amarela para o quarto. dois inúteis lençóis de solteiro. Acordou várias horas depois. leves e felizes. o tapetinho na frente da pia da cozinha e pendurou o pôster da cachoeira com a ponte inesquecível na parede da cozinha.seu velho amigo. Limpou em cima da cômoda do Ted e colocou o porta-retrato com a foto deles dois ao lado do único objeto que Ted tinha sobre o móvel: a fotografia que ela lhe dera no aniversário dele. Só faltava abrir a caixa onde estavam a colcha de retalhos amarelos. Deitou-se. duas toalhas de banho. o ursinho Puff que Ted lhe dera na Disneylândia. contemplando-a enquanto dormia. O Puff guardara os segredos dela e enxugara suas lágrimas por muito tempo. Olhou para a porta do quarto e arfou de susto ao ver Ted parado. abraçou o Puff e jogou a colcha sobre ela e seu amigo. Não poderia ser abandonado em uma caixa num armário na casa dos seus pais. Estava encostado no batente da porta. A princípio. depois tudo caiu sobre ela. Mas talvez eles dormissem todas as noites no meio.na estante. não sabia onde estava. E essa foi a última coisa em que pensou. abraçados. tudo bem? . Sua cabeça estava aérea e por ela flutuavam sonhos gostosos. . mas imaginou se Ted não preferiria aquele lado. Acomodou-se no lado direito da cama.

Faltavam apenas oito dias para mudar o sinal para verde. Deus controlava os sinais de trânsito que ficam nos cruzamentos. . Hoje a luz vermelha fazia o oposto.Não.E eu não sabia que você jogava a toalha no chão. respondeu Cris. e o Puff caiu no chão. Vi que você trouxe seu cobertorzinho. . a luz vermelha estivera presente para dar-lhes a oportunidade para um beijo rápido e uma recordação. Por um instante.Você nem imagina como é linda quando dorme. . . Era como se. Cris dobrou a colcha.Entregaram hoje de manhã. . quando estava acordada. Tomei banho. Essa frase. seria tolice avançar o sinal. mais uma vez.Há quanto tempo você ‘tá aí? . Ted também não se mexeu. impedia que se beijassem.Eu não sabia. mas não se moveu.‘Tá melhor? . convidando-o para se aproximar. Não sabia se Ted havia reparado. não soube se estava acordada ou se isso era parte do sonho.Precisamos agradecer mil vezes a seu pai. falou ela. .Estou. . vinham ecoando há meia década nos sonhos da Cris e também em sua mente. Cris sentiu vontade de estender os braços para seu amado. Ela empurrou a colcha. essa voz. Nos primeiros tempos. disse Ted.Minha avó fez pra mim. Antes disso. Faz dois anos que não durmo em uma cama tão confortável.Um pouco. Tenho desde pequena. . Cris sabia que Ted sentia o mesmo que ela. Kilikina. estivessem em um cruzamento em suas vidas. falou o rapaz. . disse ela. Você não acordou com o barulho? .

e além disso precisava de um banho. Instintivamente. Acordou no sábado meio tonta e se arrastou até a cozinha de pijama. Cris fechou a parte de cima do robe. . robe e pantufa. . o antialérgico fez Cris apagar.Acho que já cuidamos da parte da pobreza. . . Cris foi até perto dele.O que você acha agora dos votos? Na alegria e na tristeza? Na riqueza e na pobreza? Cris saiu do quarto. acho melhor. . Mas devo admitir que a última pessoa que dividia o quarto comigo nunca arrumava a cama nem pendurava a toalha. então se prepare pra uma grande surpresa no próximo sábado. murmurou Ted. Sabia que estava horrível.Estou horrorosa! confessou Cris.Não seria ruim. Pela expressão do David. todo desalinhado.Bom dia. disse Cris. . A casa estava em silêncio. Logo Ted e David entraram.Gostei de todos os toques que você deu em nossa casa. Quer ir pra casa dos seus pais? . Preparou uma tigela com cereais e leite e assentou-se para comer. disse Cris. . especialmente das flores ao lado da porta e do tapete na entrada. linda. disse Ted. Assim que cruzou a linha invisível e ficou ao lado do Ted. De novo. você pode me dar a última lista de tarefas. mais ou menos. . O cabelo. Quando eu voltar. meu futuro marido. Talvez a Katie tenha me preparado pra viver com você. disse Ted. Se você consegue me chamar de linda quando estou neste estado. Os dois dormiram na casa dos pais dela. podia ver que ele concordava com isso.Ih! Será que isso é um daqueles problemas de que falaram no aconselhamento? Eu tenho de pendurar a toalha pra você sentir que eu a amo? .É. ele a abraçou e a puxou para perto dele.Vamos até a pista de skate e voltamos daqui a uma hora.

Estava vestida de noiva. para que ele visse o roupão desarrumado. Além disso. . Parecia surpresa. na manhã do dia 22 de maio.No melhor e no pior. A mãe balançou a cabeça. Cris pegou uma das pantufas e jogou na direção do noivo. Cris ouviu sua mãe dizer de novo: . Voltou à tigela de cereais. minha filha. mamãe.Você deveria se olhar no espelho. . . Lembrou-se da primeira vez em que foram à Disneylandia e ela havia jogado a sandália nele. rindo consigo mesma. Apenas uma semana depois. em pé no centro da sala de uma suíte que Marta reservara em um hotel perto da Universidade Rancho Corona. falou David. Pelo menos é o que espero. o que acha de se casar? Cris sorriu e abriu os braços. Ele estava rindo. quando os dois passaram por ela. com um sorriso maroto. Um momento depois voltou a abrir-se e o rosto do Ted surgiu na fresta. .Ei. Você deveria se olhar no espelho. tentando colocar o cabelo sujo atrás das orelhas. .Certo. . . respondeu Cris.Não se preocupe. Só que dessa vez ninguém ria da aparência dela. Não percebera que sua mãe entrara na sala e observara toda a cena. o pijama de flanela e o cabelo despenteado. que fechou a porta no momento exato para evitar de ser atingido.Tchau. se você não tiver nada pra fazer no próximo sábado. Ela e Bob haviam passado a noite na suíte e insistiram em cedê-la para que Cris se arrumasse. você aí. .É. acho que no sábado você só pode estar melhor. disse ela. como se ainda não conhecesse esse lado da sua filha. A porta da garagem fechou-se.Muito natural. de roupão e pantufa.

e lembro de muitos momentos importantes em sua adolescência e juventude quando ela estivera presente. Tudo estava perfeito. . Deu um beijo nela. que era também maquiadora. Todo esforço valera a pena. Ted se voltara para Bob e Marta e agradecera a eles por serem seus pais substitutos Sobre Marta. e Marta chorou. vou arrumar pra ficar esticada assim. Cris fechou os olhos e sentiu-se em paz. Aí você vai ter a mesma sensação que Ted terá quando a vir indo pelo tapete na direção dele. e Cris já dissera isso a ela inúmeras vezes.Seu vestido ficou perfeito. houvera um jantar especial. disse Trícia. Todos sabiam que isso era uma decepção de última hora e apoiaram o Ted em silêncio. onde haviam guardado a coroa de flores que chegara de Maui naquela manhã.Espera aí! Vamos colocar o véu antes de você se olhar.Marta fizera questão de contratar sua cabeleleira predileta. Cris avançou lentamente rumo ao quarto da suíte. Estava pronta. A mãe do Ted não havia conseguido “resolver tudo” para ir ao casamento. mas ele. aparentemente. Sob todos os aspectos. . para ter duas horas do que a tia chamava de “embelezamento”. ficando ao lado da amiga e pegando a mão dela. falou que ela era “a mãe que nunca tive”. Depois de homenagear seu pai. depois que Cris tomasse banho. Cris deixou Trícia conduzi-la até o quarto. para chegar às 11:00h. Eram 13:30h. e foi até o frigobar. arrumando a cauda à medida que ela andava.Feche os olhos. até diante do espelho. lidara bem com a situação. disse Katie. Sentiu o perfume . e que a amaria para sempre. . Na noite anterior. para se olhar no espelho de corpo inteiro que ficava no armário. Quando você chegar lá na frente. acertando a cauda. disse Marta. O casamento seria às 15:00h. Ted se colocara ao lado do seu pai e o elogiara com palavras muito belas. Vai ser melhor se você só se vir depois de colocar o véu. Disse a ela que a amava. Katie seguiu-a. Os mimos extravagantes da Marta foram uma bênção.

por causa do nervosismo da cerimônia. implicou Katie. Mas os dois esfriaram a cabeça. ao decidir que iriam dizer “Eu prometo” em lugar de “Sim”. estava amarrada com uma fita de cetim branco e guardada no fundo da mala da lua-de-mel.das flores antes de sentir Marta colocar a guirlanda em sua cabeça. com firmeza. Por um momento horrível. Por fim. Cinco meses antes. que iria realizar a cerimônia. A avó de Cris falou: . Por sua vez. Foi uma das piores brigas que já haviam tido. dois dias antes.Não comecem a discutir. Cris ficou arrasada ao descobrir. e ele respondeu no mesmo tom. disse Marta. decidiram repetir os votos tradicionais para nenhum deles ficar sem saber o que dizer na hora. .Por que você não deixa Margaret ajudar você? . Sabia que Ted também reconheceria o perfume. bem embaixo da lingerie branca. Um pouco mais baixo. os dois haviam combinado escrever os votos. Cris resolveu copiar o que escrevera em uma folha de papel de carta decorada e colocar como a última carta na caixa de sapatos destinada ao seu futuro marido. Absolutamente perfeito. Cris querida. aliviaram o coração e se acalmaram.Incline-se um pouco. Você é mais alta do que eu. Cris pensou que teriam de cancelar tudo. Está perfeito. que fez algumas sugestões que ajudaram. Disse a ele algumas coisas terríveis. Ted nem começara o dele. Cris levara meses escrevendo o dela com cuidado e o concluíra antes do último encontro com o Pastor Ross. De olhos fechados. A coleção de cartas. que envolveria os dois enquanto eles repetiam os votos. declarou Marta. . Não quero despentear seu cabelo. com os votos escritos. Cris lembrou-se da discussão que ela e o Ted tiveram. Pronto. O aroma doce das angélicas das ilhas trouxe recordações exóticas à mente de Cris. Um . Telefonaram então para o Pastor Ross. dois dias antes do casamento.Consegui.

Isso. Bom.Um pouco mais para a direita. no esforço de permanecerem fechadas. Pronto. Em uníssono. umedeça os lábios. dois.Um. afastem-se todas. . Katie. Agora. . Cristina. Cris sentiu o coração saltar um pouco enquanto as pálpebras tremiam... arrume essa mecha de cabelo no ombro dela. Queremos que o lindo bordado apareça bem. comandou Marta.sorriso passou pelos lábios da Cris quando pensou em tudo que o dia e a noite especiais reservavam para ela e seu amado. quando contarmos até três. as mulheres mais preciosas da vida da Cris contaram: . querida. você abre os olhos.

Não ouse chorar! A maquiagem ‘tá perfeita! . A mãe do seu avô bordou pra mim. Todas riram. O bordado refletia a luz e chamava atenção para o rosto. coroava a cabeça como uma marca de pureza e paz.Ótimo. mas com um brilho no rosto e nos olhos azul- esverdeados. disse Cris. . A nova versão do sonho das duas unido em um só ficara exatamente como Cris esperara. exceto Marta. a avó aproximou-se da Cris e ficou ao lado dela. O longo cabelo castanho estava preso atrás das orelhas com presilhas brilhantes. Quero dar a você. É o lenço que segurei em meu casamento. para recuperar o fôlego diante de seu reflexo. vindas das ilhas. Fez uma pausa. Cris abriu os olhos para ver seu reflexo no espelho. O véu delicado e liso descia da cabeça e cobria os ombros como uma capa elegante feita de asas de vaga-lumes tecidas para uma princesa de contos de fadas. Eu estava esperando a hora certa pra te dar isto.Olhe aqui. . 19 .Três! gritaram as acompanhantes. e dois cachos cheios brincavam sobre o corpete. agora eu vou chorar. em uma só voz e um só coração. O vestido era muito mais do que um simples vestido. A faixa larga que unia o vestido de Cris ao de sua mãe acentuava sua cintura fina e seu corpo esbelto. Natural. . O cabelo e a maquiagem estavam exatamente como ela queria. quebrando o silêncio. embaixo do véu. Sabia que isso seria sempre uma das partes favoritas do seu casamento. A guirlanda de flores brancas perfumadas.

Eu sei. E também amo você. Esse arranjo de flores na cabeça ficou lindo. . Você pretende fazer alguma coisa lá no altar que vai tirar seu batom? . vovó. . entregando o batom para Cris. meninas. .Katie.Gostei.Desculpe. e sorriu para Katie e Cris. Ninguém saia do lugar. já que sou sua madrinha? . traga o batom da Cris aqui. Eu amo a senhora. . chamou Marta. Você prefere que ela fique aqui perto do espelho ou lá na sala? O fotógrafo não se moveu. Vocês gostaram? Não vai incomodar? . você ‘tá com uma marca de batom bem na bochecha. disse Trícia.Onde você quer que ela fique? . falou Katie. Parecia estar analisando a situação e fazendo alguma outra coisa.Muito obrigada. levantou o véu um pouquinho e deu um beijo no rosto da avó.Não vai incomodar nada. Afastem-se todas para que o fotógrafo possa fazer seu trabalho.Pronto. . .Vocês estão muito bonitas. o que foi que a senhora disse? perguntou ele a Marta. Marta saiu apressada para abrir a porta. disse Trícia. Piscou rapidamente. com um sorriso. .Por quê? indagou Katie.Eu dou conta de passar. . em seus vestidos de madrinhas. Mamãe. Olhava fixamente para Cris. disse Marta. . rápido. Amei os vestidos de vocês. Deve ser o fotógrafo. ‘Tá aqui.No meu casamento eu fiz. Vou abrir. Ou será que eu sou obrigada a passar o batom em você. Mas seria bom você levar e me lembrar de passar de novo antes de tirar as fotografias depois da cerimônia. e Cris contemplou suas amigas. acho que ouvi alguém bater na porta. Ah. Agora Cris tinha certeza de que ia chorar.

em voz afetada. com os lábios retocados.Então. montando o tripé e voltando a olhar para Cris.Não é uma boa hora para brincadeiras.” . mas você. Katie se colocou atrás da Cris e pegou a cauda do vestido. Cris posou em seu lindo vestido de noiva enquanto as mulheres que mais amava a cobriam de elogios e cumprimentos. . . Depois. perguntou Marta enquanto elas pegavam o que precisavam levar e se dirigiam para a entrada do hotel. encontre o buquê.Vou tirar fotos muito belas. Segurando o buquê. as limusines estão esperando. .As limusines estão esperando.Katie! Ela sorriu e levantou a mão para mostrar que as alianças estavam seguras com ela. . O buquê! Onde ‘tá ele? Katie.. bem.. . . Estou doida pra ver a cara dele quando você estiver indo na direção dele.Ted vai ficar de boca aberta.Obrigada. você trouxe as alianças? . mas preciso dizer que vejo noivas o tempo todo. que a faziam sentir-se pequena e delicada. disse Trícia. Passou o peso do corpo do pé direito para o esquerdo. . Vamos. você ‘tá muito linda. disse Katie. Desculpe por eu ficar olhando. passou a cantar. Katie.. Usava sapatilhas de balé de sola flexível. vamos à capela. “Hoje a tarde é bela. .Alianças? perguntou Katie. brincando. Cris corou.No lugar em que ela ‘tá..Gente! gritou Marta. . respondeu ele. acompanhando Cris até o elevador.Eu também! .

disse Katie. . é bem provável que haja outros nas redondezas. como se fosse técnica de um time de basquete preparando a estratégia de ataque. Mãe. . olhe só! Eles não estão lindos? . Cris sorriu e disse. informou Katie. Cris disse a Katie que os toques alegres dela faziam muito bem. Ainda não vai ter ninguém lá. pega o buquê e pendura a cauda no braço.Tem lá na cesta da noiva. Cris. assumindo a função de coordenadora do casamento. Cris concordou. . inclinando-se. Acho que vamos ser as primeiras a chegar. você pega a cesta e tudo mais que a Marta colocou no porta-malas. senhorita.Katie.Lindos e maravilhosos. Trícia e sua mãe. de smoking. no porta-malas. fica do meu lado e se prepara para zunir se tivermos de correr até a capela. Assim que se apertou no banco traseiro da limusine com Katie. Entretanto.Puxa. Se dois smokings estão à vista. Trícia. disse Katie. Marta e a avó disseram que iriam esperar o Tio Bob. Cris descobriu que estava enganada. Agarre a cauda e o buquê e prepare-se pra zarpar. Já havia vários carros no estacionamento e o pai dela e David.Quando chegarmos lá. já que Marta não estava por perto.Será que por acaso você trouxe desodorante junto com o batom e a escova de cabelo? . mas talvez não sejamos. . acho que não vamos precisar correr como se estivéssemos em um jogo de futebol. que chegaria logo. quando a limusine estacionou no campus superior da Rancho Corona. mamãe. temos ordens estritas de fazer você sumir pra capela pra ninguém te ver. . estavam parados no meio do caminho que levava à campina. A limusine só chega até uns cem metros antes do caminho pra campina. Especialmente seu noivo. Então se prepare para o caso de ter de correr.

gritou Katie. em voz grave. e observava em volta à procura de algum “paparazzi”. Cris prendeu a cauda do vestido no braço. como um guarda-costas. Katie segurou Cris pelo ombro. todas voltadas para o arco “deles”. Filas e mais filas de cadeiras vazias aguardavam os convidados. enfeitadas com flores e fitas azuis. flâmulas brilhantes tremulavam à brisa da tarde. Que belo exemplar da criação de Deus! Cris seguiu o olhar da amiga. Ordens estritas da sua tia. chamou David. havia uma cobertura e sob ela uma mesa redonda com o bolo. Poucos metros adiante. A treliça estava enfeitada de samambaias verde-escuro e flores naturais. próprios para uma grande celebração. a campina encantada dela e do Ted transbordava de cor e ação. adornava mesas compridas. Grande variedade de salgados.‘Tá vendo aquilo? perguntou. saíram logo e se dirigiram apressadas para a capela. Quando o motorista abriu a porta. Cris sabia que Ted ficaria empolgado.Sinto muito. assim como sua mãe e Trícia. A empolgante ruiva Katie parecia um verdadeiro ser celestial. Tudo estava exatamente como Cris havia imaginado. fora recolhida naquela manhã e transplantada para a campina. Preciso entregar esta mulher na capela imediatamente! Cris sentiu-se como uma fada flutuando sobre a trilha para a campina. especialmente para o casamento. a arcada de treliça que serviria de símbolo para a passagem do Ted e da Cris para a nova etapa da vida deles. Cris quase trombou nela. Não podemos parar. Riu de alegria pelo que estava acontecendo e seguiu sua madrinha. Na frente. . levantou a saia e avançou pela trilha com suas delicadas sapatilhas de balé. um anjo da guarda heróico. . Katie fez uma parada súbita. . No topo das estacas da cobertura. Parecia que a armação havia crescido em uma caverna escondida em uma ilha tropical. Cris seguiu as ordens da Katie de boa vontade. quando estavam a poucos centímetros da porta da capela.Cris. Espera aí! . Mas.

Alguém bateu na porta da capela.Estou ficando empolgada. com calma. não. Ah. garota. como uma fila de dançarinas de hula enviando com alegria seu Aloha para o evento. dezenas de palmeiras altas e delicadas dançavam ao sabor da brisa. Agora.Não importa. ouvi dizer. Era o Douglas. Se o padrinho ‘tá por perto. . . . eu e o Ted vamos nos casar hoje. conversando com o pai do Ted do lado da poncheira. Quer passar batom? . Relaxe. . . Ele ‘tá bem ali.Katie.Nem um pouco. . É isso. smoking à direita! Katie empurrou a porta da capela e praticamente jogou Cris dentro do santuário frio e silencioso. não era o Ted.Do que você ‘tá falando? indagou Katie. o noivo não há de estar muito longe. Assente-se. afastando os olhos do objeto que contemplava e fitando Cris. retorquiu Katie. . Ao longo da beirada da campina. onde estou com a cabeça? Você não pode ficar aqui! Cuidado.É maravilhoso! exclamou Cris para Katie. continuou Cris. . disse Cris. depois de contemplar os preparativos para a grande celebração. Eu falei que o Rick é um belo exemplar da criação de Deus.Ficou mais lindo do que eu imaginei. sorrindo.Nervosa? .É. Explodindo de tanta expectativa.Quem vem lá? gritou Katie. Tenho de arrumar seu cabelo. Estou ansiosa. fique quieta. .

Está tudo certo. houve silêncio na capela.Os convidados estão começando a chegar. . puxe o véu dela para a frente do rosto. da avó e da tia da noiva saírem. não perca sua hora de ir. A mãe da Cris veio logo depois e. a avó se juntou ao grupo. Todos vocês. Bom. Parecia pouco à vontade vestido com o que ele chamava de “terno de macaco”. . Marta olhou para o relógio.Vejo você lá na frente. E. ordenou Marta. Trícia.Olhe se não ficou marca de batom no rosto dela. . há mais alguma coisa que você queira ou de que precise? . . A porta se abriu de novo e inundou a pequena capela de luz. e Trícia entrou timidamente. e deu-lhe um beijo rápido no rosto. E Katie. . Muito obrigada. Deixe bem liso.Está na hora da mãe. anunciou. para tirar fotos com a filha na capela. . disse Trícia. minha querida. carregando a cesta cheia de tudo de que Katie e Cris precisavam para se refrescar. Estou pronta. como a mãe dela. quando Marta fez sua entrada. Pedi que deixassem aqui uma caixa de garrafas de água mineral. disse a mãe da Cris com alegria. não ‘tá muito quente. Já estão nos esperando. Muito obrigada por tudo. O fotógrafo tirou umas dez fotos.Não. disse Marta. estou bem. Cris olhou para sua mãe e depois para seu pai. O fotógrafo entrou para tirar algumas fotos e depois o pai da noiva surgiu.Pode deixar. por um instante. Cris virou-se para Katie e pediu água para beber. mas Cris achou que ele estava bonito e elegante. Parece que o clima colaborou. A porta se abriu. quem precisa de uma pastilha de hortelã? Cris? Marta passou os dez minutos seguintes ocupada com o véu e a saia da Cris. por favor. Cristina. passado mais um momento. Fui checar o bufê.Aqui tem. Está ali no canto. Alguém mais quer? Cada um pegou uma garrafa e. .

como estou sentindo agora. Cris deu uma olhada para ele e reparou que os olhos dele estavam cheios de lágrimas. ‘Tá na hora. respondeu ele. baixinho.E eu vou sempre sentir orgulho e gratidão por você.Vou ficar. . Poucas vezes ela o vira tão emocionado. Preparem-se. controlando-se. Ele era tão grande que ela podia se esconder com facilidade atrás dele.Papai. encontrei uma ratinha! Ouçam como ela grita!” . Um dos passatempos prediletos dela era seguir o pai pelo celeiro. Não é todo dia que um homem leva sua única filha ao altar. Acho que você não é mais minha ratinha. disse Cris. Katie iria em seguida. . disse Katie. Cris inclinou-se enquanto Katie arrumava o véu. Fazia anos que ele não a chamava de ratinha. O lenço já estava úmido. eu prometo uma coisa. vocês dois.Papai. Ele a pegava nos braços. Vou sempre ser sua ratinha. disse o pai.‘Tá na minha vez. Cris pôs a mão por baixo do véu e tocou com o lenço de sua avó o canto de cada olho. por cima do ombro. e isso era importante. levantava-a acima da cabeça e gritava para as vacas: “Vejam. não seria de muita utilidade. Passaram-se alguns minutos de silêncio. Katie abriu uma fresta na porta da capela e fez sinal para Trícia avançar pela passadeira branca. você ‘tá bem? . Se fosse necessário usá-lo para enxugar lágrimas.Tudo bem. sorrindo para ela meio de lado. . Cris e seu pai se uniriam ao desfile. Envolveu a haste do buquê com o lenço de sua avó. . eles moravam em uma fazenda no estado de Wisconsin. enquanto saía. . Quando era pequena. enquanto o pai da Cris mexia em seu colarinho. Depois. não é? Cris sentiu um nó na garganta. mas estava ajudando a manter as mãos secas. Passou o braço pelo de seu pai e ajustou a posição do buquê.

Os convidados se viraram. Ainda não dava para ver o Ted. e que expressão havia no rosto dele! O homem paciente e incansável que a esperava no final do longo tapete estava tão apaixonado por ela que nem se importou em enxugar as lágrimas que corriam pelo rosto dele. 20 Na hora exata. Douglas começou a tocar o violão. A linda voz dele a envolveu. Levantou os braços. Ah. Ela sabia que sob o arco decorado estava seu noivo. e ela achava que ele também ainda não a via. no dia seguinte à noite em que ela lhe prometera que seria noiva dele. Cris colocou um pé na frente do outro e foi caminhando. Cris e seu pai chegaram à última fila de cadeiras. Ted a surpreendeu. para o noivo. exatamente como havia prometido naquela manhã encantada em dezembro. vestindo um smoking preto elegante. e ela sentiu os olhos de todos sobre ela. convidando-a para ir até ele. Aos pés dela. observando-a aproximar-se da passadeira branca de braço dado com seu pai. e foi aí que o “fator aleatório” inesperado aconteceu. esperando por ela. mas agora Ted começou a cantar para Cris. cortejando-a. um tapete branco a conduzia direto para o arco. levantou os olhos e olhou para a outra ponta da passadeira branca. As mãos conhecidas. Enquanto ela o olhava. chamando por ela. Sob o véu. que ainda traziam as marcas do acidente. . a recebiam. Cris saiu da capela fria para a tarde luminosa de maio. Cris respirou fundo. Douglas cantara uma música conhecida. No ensaio. o noivo dela.

Reconheceu a melodia. meu amor. Quando Ted contara que estava compondo. Era o momento eterno deles. Jamais abandonarei você. Venha. Fica comigo Para sempre. Ela era a noiva dele. E Ted não tirara os olhos dela. E serei seu Para sempre. só você. Por este dia. Recebe-me em seu coração. Era a música que ele começara a compor na noite em que ficaram noivos. minha amada. sabia que. era de louvor mesmo. Seus olhos me observam de sob o véu Enquanto permaneço aqui. Esperei muito por este momento. . “Entrei no jardim. O coração dela pulava como louco. Meu coração está sempre com você. procurando você. Não desejo nenhuma outra. conhecendo Ted como ela conhecia. havia pensado que era uma música de louvor a Deus. Vem para o jardim. Notou que a letra era baseada na Bíblia. Fazia meses que Ted a vinha cantarolando. E. no fim das contas. Coloca meu coração no seu. em Cantares. mas durante todos estes meses ela só o ouvira cantarolar ou tocar a melodia. seja minha noiva. Ele era o noivo dela. chamando você.” O último passo da Cris a colocou diante da treliça. exatamente quando Ted cantou “para sempre”. Como você é bela. Mas hoje era a música dela.

veio uma coleção de outras. Imediatamente. conhecida e forte do Ted. sentiu alívio por não ter de confiar na memória para falar o texto longo e elaborado que escrevera para o Ted. repetiu: . Mas agora deu um suspiro trêmulo e sentiu uma lágrima correr por seu rosto. A seguir foi a vez do Ted: . Douglas cantou. em amor. A música terminou. também tinha um traço do fator aleatório. Prometo amá-lo. O pastor falou sobre a santidade da união. como meu marido. nos deu a Cristina. e o pai da Cris apertou a mão da filha e colocou-a na mão quente. até que a morte nos separe. Quase nem piscavam. respeitá-lo e cuidar de você na alegria e na tristeza. Com voz clara. Mas agora se moviam. mas. Katie pegou o buquê. na riqueza ou na pobreza. a entregamos ao Ted. Ele tinha de dizer apenas “Eu e a mãe dela”. mas baixa. O Pastor Ross se colocou no espaço que separava Ted e Cris e perguntou: . Ted mantinha os olhos fixos nela. mas Cris quase nem ouviu. recebo você. Ele passou o dedo pela pulseira de ouro que ela usara no pulso direito todos estes anos. em amor.Eu.Quem entrega esta mulher para se unir em santo matrimônio a este homem? O pai da Cris limpou a garganta. Conseguira se controlar até agora. nadando nas profundezas do seu amor pelo homem que estava ao lado dela sob a treliça santa e que segurava suas mãos com tanto carinho. e ela fazia o mesmo com ele. Cris. talvez por causa das muitas surpresas e porque o Ted mantivera os olhos fixos nela.Até que enfim. na saúde ou na doença. aparentemente. cochichou ele. Foi aí que ela começou a chorar. . Seguiu-se uma canção. Estava perdida. Ted. hoje eu e a mãe dela.Exatamente como Deus. e o Pastor Ross pediu a Cris para repetir os votos depois dele. . Depois dela.

Prometo. falou o pastor. puxou a mão dele por baixo do véu e selou a promessa com um beijo. . o que você dará ao Ted como sinal do seu amor por ele? . Virou-se um pouquinho só e já viu a mão firme da Katie estendida. respondeu Ted. com esta aliança. Pegou-a e repetiu: . disse o pastor. na riqueza ou na pobreza. eu me caso com você. recebo você. amá-la. iniciou ele.Uma aliança. Ted segurou com firmeza o cotovelo dela enquanto se levantavam. Ted. segurando a aliança do Ted. com esta aliança. e o pastor orou. Ted repetiu as palavras e colocou a aliança no dedo da Cris.Como quiseres. Cris.Vamos orar. Pôs a aliança no dedo do Ted. Ted ajudou Cris a se ajoelhar no apoio estofado que estava sob a treliça. . como minha esposa. Como evidência da promessa que fazemos agora diante de Deus e destas testemunhas. Os dois curvaram a cabeça. seguiu o exemplo dele. . . eu me caso com você. disse o pastor. respondeu Cris. . Fazendo outra surpresa.Eu. pedindo a bênção de Deus sobre eles e sobre os filhos que o Senhor viesse a lhes conceder. O pai dele aproximou-se e entregou ao filho a aliança.Uma aliança. até que a morte nos separe. . respeitá-la e cuidar de você na alegria e na tristeza.O que você dará a Cris como sinal do seu amor por ela? .Cris.Repita comigo.Como evidência da promessa que fazemos agora diante de Deus e destas testemunhas. levou a mão dela aos lábios e selou a promessa com um beijo na aliança. sussurraram Cris e Ted ao final da oração. na saúde ou na doença. . e aí apertou mais forte as mãos dela.

inclusive as palmeiras que dançavam. belo e surpreendente em toda a vida. com igual paixão e paciência.Eu amo você. Parecia estar aspirando a fragrância das flores que coroavam a cabeça dela. Todas as estrelas do céu estavam nos olhos dela quando contemplou o homem que agora estava ao seu lado. Os dois permaneceram um pouco abraçados. essa mesma frase apenas ecoara no canto do coração dela. minha Kilikina. Então. também o beijou. Parecia que elas estavam aplaudindo. descendo da treliça deles. Para sempre. Ted beijou Cris. cochichou ela. Cris inclinou a cabeça na direção dele e fechou os olhos. do Filho e do Espírito Santo. as palavras se tornaram realidade. Até aquele momento. Para sempre.E eu amo você. escorregou as duas mãos pelo rosto dela até entrelaçar os dedos no cabelo. Pode beijar a noiva. E ela. O pastor anunciou: . Ted sussurrou: . Aproximou-se. no lugar onde guardava os sonhos mais preciosos. Na santidade daquele momento eterno. Hoje. Devagar e com carinho. e uma brisa suave dançou em volta deles. O vento circulou pelas palmeiras. Ted pegou as pontas do véu delicado e colocou-o por sobre a cabeça dela. . enquanto lágrimas silenciosas corriam por seu rosto. Cris ouviu uma voz forte e firme atrás dela proclamar as palavras que ela sabia que iriam mudar sua vida para sempre.Em nome do Pai. eu os declaro marido e mulher. Parecia que o mundo inteiro. haviam subitamente ficado em silêncio. . Olhava-a como se nunca tivesse visto nada tão maravilhoso. Ele parou. Com todo o carinho de um homem paciente e toda a paixão de quase seis anos de espera. Cris prendeu a respiração. apoderando-se do aroma das flores do cabelo da Cris e espalhando a doçura pela campina.

. Fim .Sinto-me honrado de apresentar a vocês. pela primeira vez. Ted Spencer. e a Sra. o Sr.

Interesses relacionados