Você está na página 1de 13

Somos todos criativos?

DIJ/FEP -1-
O Livro Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupèry descreve o diálogo entre o Pequeno
Príncipe, que acabava de chegar a um novo planeta, e a primeira pessoa que encontrou, o
Acendedor de Lampiões:

- Bom dia. Por que acabas de apagar teu lampião?

- É o regulamento, respondeu o Acendedor. Bom dia.

- Qual é o regulamento?

- É apagar meu lampião. Boa noite – e tornou a acendê-lo.

- Mas por que acabas de acendê-lo de novo?

- È o regulamento, respondeu o Acendedor.

- Eu não compreendo, disse o Pequeno Príncipe.

- Não é para compreender – replicou o Acendedor. Regulamento é regulamento. Bom dia – e


apagou o lampião.

Em seguida enxugou a fronte com um lenço de quadrinhos vermelhos.

- Eu executo uma tarefa terrível. Antigamente era razoável. Apagava o lampião de manhã
e acendia à noite. Tinha o resto do dia para descansar e o resto da noite para dormir.

- E, depois, mudou o regulamento?

- O regulamento não mudou, disse o Acendedor. Aí é que está o drama! O planeta gira mais
depressa a cada ano que passa, e o regulamento não muda!

Criatividade hoje é um atributo necessário a todos nós: pais, esportistas, profissionais,


dirigentes de casa espírita, e principalmente evangelizadores. Devemos ser capazes de ter
novas idéias quando necessário. A criatividade não é mais um dom que admiramos em alguém
como Einstein ou Mozart enquanto nos arrastamos acendendo e apagando nossos lampiões.
Precisamos ser criativos, ter iniciativa, arriscar e saber perguntar.

Hoje sabemos que todo ser humano é criativo: essa qualidade não é uma dádiva restrita a
poucos escolhidos nem um dom que se possa imitar com alguns truques. Todos nós podemos
ser mais criativos. Sem dúvida, jamais seremos tão fortes quanto Ashia Hansen, campeã de
salto triplo, ou Steve Redgrave, campeão olímpico de remo, mas isso não quer dizer que seja
perda de tempo ir à academia.

Durante o século XIX, criação era mais ou menos sinônimo de fantasia. E toda análise do que
então se chamava de gênio ou talento criador, se focalizava nas artes.

Somos todos criativos? DIJ/FEP -2-


Mais recentemente, a palavra criatividade tornou-se corrente para designar um fenômeno
muito mais amplo do que apenas a criação artística. È óbvio que a fantasia (que nem sempre
é arte), que a concepção artística (que nem sempre é fantasia) e a expressão estética em
geral requerem alta dose de criatividade. Mas essa faculdade humana é mais abrangente.

Definindo criatividade:

Dicionário Aurélio: [De criativo + -(i) dade]. S.f. 1. Qualidade de criativo. 2. Capacidade
criadora; engenho, inventividade.

“Consiste em um processo mental e prático, ainda bastante misterioso, graças ao qual uma só
pessoa ou um grupo, depois de ter pensado algumas idéias novas e fantasiosas, consegue
também realizá-las concretamente. Portanto, não se trata de simples fantasia, nem de
simples concretude: trata-se de uma síntese entre estas duas habilidades”.

O ócio criativo – Domenico de Masi

“Tornar o simples complicado é fácil. Tornar o complicado simples, admiravelmente simples,


isto é criatividade”.

Charles Mingus

“A criatividade consiste em rearranjar o que sabemos a fim de encontrar o que não


sabemos”.

George Kneller

“De um modo ou de outro, porém, tudo isto são sempre as faculdades criadoras, herdadas de
Deus, em jogo permanente nos quadros da vida. Todo ser é impulsionado a criar, na
organização, conservação e extensão do Universo”!...

No mundo maior, cap. 11 - André Luiz

“A criatividade inspira à busca do real, embora no campo imaginário, conduzindo o ser


psicológico à aquisição de recursos que o emulam ao desenvolvimento das potencialidades
nele jacentes. Quando bem direcionada, supera a fantasia, que se lhe pode antecipar,
penetrando no âmago das coisas e das ocorrências com que compõem novos cenários e
estabelece produtivos objetivos.

Somos todos criativos? DIJ/FEP -3-


A criatividade dá sentido à existência, que não estaciona ante o já conseguido, demonstrando
a excelência de tudo quanto falta para ser alcançado.

A mente criativa é atuante e renovadora, propiciando beleza ao ser, que se faz solidário no
grupo social”...

Amor imbatível amor, págs. 117 e 119 -Joanna de Ângelis

“A criatividade é um potencial inerente ao ser humano e todos possuem em maior ou menor


grau. Criar é tão difícil ou tão fácil como viver e é do mesmo modo necessário”.

Dicionário da Alma - Francisco Cândido Xavier

“Sabemos que o Criador ao criar a criatura, colocou nessa mesma criatura poder de criar”.

Emmanuel

COMPONENTES DA CRIATIVIDADE:
a) Receptividade aos estímulos ambientes – Informações – Coletas de dados:

Esta coleta de dados pode vir de livros, jornais, arquivos de computador, observação de
obras de arte, histórias em quadrinhos, cinema, teatro, ... Ser criativo é observar em vez de
sempre procurar.

Outros exercícios de observação:

• Observar a chuva através da janela. Siga os movimentos de uma gota de chuva ao bater no
vidro. Observe atentamente . Altere o foco da visão e perceba a vidraça inteira. Veja todo
o movimento de uma vez. Sinta a diferença de sua percepção nesse foco mais amplo.

• Observe as nuvens. Imagine os objetos que elas formam.

• Observe o movimento ondulante da água numa piscina, lago ou mar.

Percepção Lenta:

Vale a pena enfatizar a importância da paciência, pois a sabedoria não revela seus mais
intrigantes segredos com facilidade. O aprendizado da paciência atenta, que mantém a
mente aberta, é um dos mais valiosos ingredientes da criatividade.

Somos todos criativos? DIJ/FEP -4-


Vale a pena fixar ao máximo a atenção num quadro, numa pessoa, num objeto familiar,
qualquer coisa, concentrando-se bastante. Quando fixamos o olhar em figuras geométricas
simples por muito tempo as imagens começam a passar por mudanças fundamentais no olho
da mente. O cérebro parece brincar com as formas, desmembrando-as e reorganizando-as de
maneira espontaneamente criativa.

Ao observar objetos continuamente, você se liberta das maneiras usuais de ver, e um


modo menos comum de perceber se desenvolve. O tempo e a reflexão mudam a visão pouco a
pouco até que nos tornamos capazes de entender.

b) Inspiração e Insights:
As intuições mais vívidas e impressionantes são as que surgem repentinamente, como
lampejos de solução ou conclusões que trazem consigo um sentimento poderoso de “certeza”.
Não há problema algum em ouvir a inspiração, prestar a atenção e respeitá-las, o problema
surge quando nos esquecemos de questioná-las com cuidado. Algumas vezes, o sentimento de
certeza é bastante forte e, ainda assim, depois de um exame mais detalhado, a idéia
brilhante contém equívocos.

c) Flexibilidade de pensamento:

A perseverança é essencial para a vida em geral e para tudo o que é criativo em particular. A
falta de flexibilidade tem-se tornando endêmica em muitas escolas, universidades e nos locais
de trabalho. As pessoas desistem cedo demais ou sentem muita raiva por não sair do lugar,
destruindo exatamente o tipo de mentalidade calma e receptiva que deve ser desenvolvido. A
maleabilidade é primordial para o processo criativo. Como disse Jean Piaget, a inteligência é
o que fazemos quando não sabemos o que fazer. O mesmo se aplica à criatividade.

d) Empatia:

O ego gosta de levar o crédito pelos sucessos e tem necessidade de ser bem-sucedido, gosta
de mandar e de controlar tudo, e acabamos pondo os pés pelas mãos. Ele nos afasta da
atitude mental própria à criatividade, limitando nosso acesso às conexões mais ricas do
subconsciente. Uma das piores coisas do egocentrismo é ver as coisas com base apenas em
nosso ponto de vista – isso dificulta a adoção de outras perspectivas.

Somos todos criativos? DIJ/FEP -5-


A empatia também aumenta as chances de sucesso das idéias que nos ocorrem. Se ficarmos
presos aos nossos pontos de vista, dificultaremos a percepção de que existem soluções ideais.
O egocentrismo limita a criatividade e faz com que os problemas pareçam mais difíceis e
polarizados do que realmente são. Se eu conseguir enxergar através de seus olhos, nós
compreenderemos que temos um problema semelhante e procuraremos uma solução
conjunta.

MUDANÇAS DE ATITUDE

• confesse sua ignorância: pratique dizer “eu não sei”.

• aprenda a gostar de ficar confuso: “Se você não estiver confuso, não estará pensando
corretamente” Tom Peters.

• faça boas perguntas: ao contrário do que se pensa, o importante algumas vezes é achar o
problema e não a solução. Boas idéias surgem em resposta a boas perguntas. Um boa idéia
proporciona a solução de um problema ou pelo menos indica um caminho quando não se sabe
para onde ir.

• questione as perguntas: desmembre a pergunta. Complique-a. Trate-a como um


formigueiro: remexa seu conteúdo e veja que tipo de desordem isso causa. Veja-a como um
caleidoscópio: chacoalhe-o e observe como as peças estabelecem novas formas.

• perguntas problemáticas: viver com criatividade é estar sensível às sementes da insatisfação


e disposto à cultivá-las com interesse e atenção pacientes. Embora alguns problemas e
questões nos intimidem por ser muito urgentes, amplos ou obscuros, viver sem questionar é
viver sem o prazer nem a energia de aprender.

• barreiras ao questionamento:

• relutância em tornar a vida mais complicada, assim como a tentação de abandonar o


questionamento das perguntas com um rápido: “Tudo está bem.”

• apego à certeza: arraigado em nossa cultura, existe um valor que nos leva a desejar
ser “conhecedores” em vez de “descobridores”. Com a idade aprendemos que é bom
ser cultos e perdemos a curiosidade dos primeiros anos.

• a preocupação de que o excesso de perguntas, além de revelar ignorância, possa


aborrecer os outros e causar ressentimentos. Nesse caso, para ser realmente
criativo, é bom dar uma chacoalhada no barco de vez em quando.

Somos todos criativos? DIJ/FEP -6-


• paciência: ouse esperar. A capacidade de tolerar a espera parece ser um ingrediente
fundamental da inteligência e da criatividade e igualmente uma característica
importante a desenvolver.

• avaliação postergada: a necessidade de encontrar segurança na certeza também leva


alguns a julgar quaisquer idéias que lhes ocorram de forma rápida e definitiva,
adotando uma atitude abertamente crítica em relação aos futuros do próprio
pensamento. São incapazes de perscrutar suas impressões e imaginações com vagar e
calma, pois se apressam em tirá-las da frente e decidir se são boas ou não. A
tendência à “avaliação prematura” faz com que essas pessoas corram o risco de
mandar uma idéia genuinamente nova de volta a um território familiar, porém
ineficaz.

• desfrute o processo: problemas difíceis requerem mais tempo para ser desenvolvidos e
analisados. Se você não se permitir ser atraído por eles, provavelmente não dará a si
mesmo tempo suficiente para resolvê-los. Ficar ansioso por resultados, prêmios ou
recompensas só vai dificultar e mutilar todo o processo de descoberta e refinamento
das perguntas e coleta de dados. Mesmo durante uma reflexão, quando estamos
pensando no problema com calma, brincando com seus elementos e suas
possibilidades, devemos continuar fascinados pelo questionamento em si, e não apenas
procurar uma resposta. Há vários estudos que mostram que a criatividade diminui
quando a atenção está no resultado e em suas conseqüências mais do que na questão
em si.

• torne-se flexível: a perseverança é essencial para a vida em geral e para tudo o que é
criativo em particular. A falta de flexibilidade tem-se tornando endêmica em muitas
escolas, universidades e nos locais de trabalho. As pessoas desistem cedo demais ou
sentem muita raiva por não sair do lugar, destruindo exatamente o tipo de
mentalidade calma e receptiva que deve ser desenvolvido. A maleabilidade é
primordial para o processo criativo. Como disse Jean Piaget, a inteligência é o que
fazemos quando não sabemos o que fazer.

• ego X empatia: o ego gosta de levar o crédito pelos sucessos e tem necessidade de ser
bem-sucedido, gosta de mandar e de controlar tudo, e acabamos pondo os pés pelas
mãos. Ele nos afasta da atitude mental própria à criatividade, limitando nosso acesso
às conexões mais ricas do subconsciente. Uma das piores coisas do egocentrismo é ver
as coisas com base apenas em nosso ponto de vista – isso dificulta a adoção de outras
perspectivas.

Somos todos criativos? DIJ/FEP -7-


A empatia também aumenta as chances de sucesso das idéias que nos ocorrem. Se
ficarmos presos aos nossos pontos de vista, dificultaremos a percepção de que existem
soluções ideais. O egocentrismo limita a criatividade e faz com que os problemas
pareçam mais difíceis e polarizados do que realmente são. Se eu conseguir enxergar
através de seus olhos, nós compreenderemos que temos um problema semelhante e
procuraremos uma solução conjunta.

• crescimento pessoal e não ego: enquanto houver ego demais no caminho do


desenvolvimento criativo, haverá uma tênue linha entre confiança e egoísmo.
Precisamos de auto-estima suficiente para viver em plenitude. Se quisermos realmente
concretizar nosso potencial criativo, a confirmação de todos estes hábitos deverá ser a
busca incansável do autoconhecimento.

Ser criativo é fazer o maior uso possível de todo tipo de informação disponível: não-verbal,
intuitiva, imperceptível, verbalizada e concreta.

Como temos assinalado, as pessoas criativas conhecem o valor da flexibilidade. São capazes
de usar diversas habilidades mentais e ter acesso a vários estados de consciência em
momentos diferentes. Algumas vezes isso pode ser feito conscientemente. Na maioria das
vezes, porém, apenas acontece.

EXERCITANDO A CRIATIVIDADE

→ O ócio criativo

“O ócio criativo não é ficar parado com o corpo, ou uma ação corporal não obrigatória. O ócio
criativo é aquela trabalheira mental que acontece até quando estamos fisicamente parados,
ou mesmo quando dormimos à noite. Ociar não significa não pensar. Significa não pensar
regras obrigatórias, não ser assediado pelo cronômetro. É o alimento da ideação. É uma
matéria-prima da qual o cérebro se serve.

Ter boas idéias requer tempo. As pessoas criativas sempre falam da importância da fase de
“incubação” ou “gestação” de idéias, que significa período durante o qual parece não haver
atividade mental relevante, mas alguma coisa surge ou emerge do “nada” que parece
distintamente importante.

Somos todos criativos? DIJ/FEP -8-


“Para criar exige-se o diálogo. Diálogo com livros, jornais, revistas, cinema, pintura,
escultura, palestras e, primordialmente, com os outros e com a gente mesmo.”

Cântico de liberdade, cap. 11 - Cristian Macedo

“Os sábios aprendem a partir das experiências alheias. Os criativos sabem fazer uma migalha
da experiência durar a vida inteira”. - Eric Hoffer

“Criatividade é invenção, é experiência, é germinação, é risco, é quebra de regras, é muita


diversão”. - Mary Lou Cook

→ Jogo

Mantenha um clima lúdico em suas relações pessoais, em sua vida e na sua rotina diária

→ Mantenha o bom humor

→ Varie seus pontos de vista

→ Tome decisões de vida

→ Mantenha um diário de suas experiências

O âmago da vida criativa é o auto-conhecimento. Anote no diário pensamentos esparsos,


observações e citações inspiradoras, instigadoras, interessantes ou irritantes estes serão
“capturados” e “congelados” numa folha de papel. Assim, mais tarde você poderá refletir
sobre eles e redescobrir seu significado, além de alimentar sua imaginação. O hábito de
colecionar pensamentos esparsos também aguça nossa capacidade de percebê-los. Ficamos à
espreita de coisas interessantes, aprimorando nossa percepção.

À época de sua morte, Thomas Edison escrevera 3.400 diários, cada um com 200 páginas, em
que registrou suas reflexões, indagações e observações. No meio de uma refeição ou de uma
conversa, ele sacava do diário e anotava uma frase ou uma lembrança que surgisse e, como
disse um de seus biógrafos, “tivesse uma possibilidade tecnológica”.

→ Durma sobre o problema

Quando dormimos, muitas coisas acontecem para favorecer a criatividade, como os sonhos. Já
aconteceu de você dormir com um problema na cabeça e acordar com a solução pronta sem
saber como isso aconteceu? A simples ocorrência de fatos como esse basta para respeitar os
benefícios sutis do sono.

Somos todos criativos? DIJ/FEP -9-


→ Cultive cultura

Viva as artes: vá ao cinema e ao teatro, passe a freqëmntar exposições, escreva poenmas,


aprecie o que é belo nas artes e na vida

FRASES ASSASSINAS DA CRIATIVIDADE: AS QUARENTA MAIS

→ Grande Idéia

1. “Sim, mas...”

2. “Nós já tentamos isso antes.”

3. “Isto é irrelevante”.

4. “Não temos pessoal”.

5. “Obviamente, você entendeu mal meu pedido”.

6. “Não balance o barco”.

7. “O chefe (ou a concorrência) vai comê-lo vivo”.

8. “Não perca tempo pensando...”


9. “Grande idéia, mas não é para nós”.

10. “Isso nunca vai voar”.

11. “Não seja ridículo”.

12. “As pessoas não querem mudança”.

13. “Não está no orçamento”.

14. “Ponha isso por escrito”.

15. “Isto não vale o trabalho que vai dar”.

16. “Não é sua responsabilidade”.

17. “Isto não está na sua descrição de funções”.

18. “Papagaio velho não aprende a falar”.

19. “Vamos ficar com o que funciona”.

20. “Estamos indo bem até agora”.

21. “O chefe nunca vai aceitar isto”.

22. “É muito avançado para este tempo”.

23. ...riso...

24. ...riso contido...

Somos todos criativos? DIJ/FEP - 10 -


25. ...sorriso condescendente...

26. ...olhar fulminante...

27. “Não enfrente moinhos de vento”.

28. “Quem é pago para pensar sou eu”.

29. “O que as pessoas vão dizer?”

30. “Nomeie uma comissão para verificar isso”.

31. “Se não estiver quebrado, não conserte”.

32. “Você deve estar brincando”.

33. “Não!”

34. “Nós sempre fizemos assim”.

35. “Tudo bem na teoria. Mas...”

36. “Seja prático!”

37. “Você se dá conta da papelada que isto vai criar?”

38. “Porque eu disse”.

39. “Volto a falar com você”.

40. ...silêncio...

Improvisação:

“É prudente advertir que a criatividade não deve ser entendida como sinônimo de improviso.
O improviso, advirto, pressupõe tarefa feita às pressas, qualquer coisa inopinada, inventada
de súbito para reparar um incidente. Não, longe disso, o processo criativo implica cuidadoso e
trabalhoso planejamento.

No processo criativo também há transpiração, nada vem prontinho como uma iluminação
divina recebida de uma nuvem cintilante que se abre cinematograficamente sobre a cabeça.

Assim, desenhe as idéias que deseja implantar em suas aulas, estude-as, teste-as repetidas
vezes, flexibilize o processo, veja lateralmente, não fique satisfeito com a primeira solução
que lhe ocorrer. Deve ser, também, destronado o velho e teimoso mito de que o produto
criativo é sempre e necessariamente novo.

Alguns dos principais conselhos que se costumam dar acerca desse quesito são repetidamente
estes: substitua, combine, modifique, conecte, inverta, atribua novo uso e adapte as idéias
que pululam. Entretanto, há uma condição prévia: esteja sinceramente aberto a novas
experiências. Esteja francamente disposto a novas aprendizagens, afinal morre aos poucos
quem desiste de aprender.”

Somos todos criativos? DIJ/FEP - 11 -


“Pessoas criativas sempre conseguem transformar os próprios limites em vantagens”. E tais
limites no ato educativo, podem aparecer na forma de escassez de recursos materiais ou de
conhecimento insuficiente de técnicas didático-pedagógicas alternativas que possam
favorecer o planejamento de uma aula que agrade à maioria dos alunos. Assim, em vez de
lamentarmos as limitações e usá-las como álibis para nos mantermos presos aos velhos,
amarelados e ensebados manuais didáticos, devemos lograr vantagens delas e ousarmos, com
largas doses de coragem e maiores ainda de confiança, arriscar-nos a oferecer outras
possibilidades quanto ao planejamento e à execução de nossas aulas”.

“A criatividade está muito mais ligada à capacidade de acolher e de elaborar estímulos do


que aos recursos disponíveis, ou mesmo à ressonância que o encontro de duas ou três pessoas
criativas pode produzir, quando se estimulam intelectual e reciprocamente com suas idéias.”

O ócio criativo, pág. 231 - Domenico de Masi

Busque outra pessoa para criticar as suas conclusões e, se possível, faça-o você também.
Teste as alternativas e analise os resultados obtidos em pequena escala, para verificar a
possibilidade de extrapolação.

AFINAL, SOMOS TODOS CRIATIVOS?

Qualquer um dotado de razoável inteligência, pode ter uma idéia original – não precisa beirar
a genialidade.

“Sabemos muito mais do que sabemos que sabemos.”

Michael Polanyi

“Poderia se afirmar sem dúvida que a mola principal da criatividade é... a necessidade
imperiosa de se expandir, de se estender e de se desenvolver...

Tenho a convicção, confortada pela experiência, de que essa tendência existe em todo o
indivíduo.”

Carl R. Rogers

Somos todos criativos? DIJ/FEP - 12 -


BIBLIOGRAFIA

1. DOMENICO, Mais de. Criatividade e grupos criativos. Vol 01 e 02. Rio [de janeiro],
Sextante, 2002.

2. _________________. O ócio criativo. Rio [de janeiro], Sextante, 2000.


3. THOMPSON, Charles Chic. Grande idéia. Como desenvolver e aplicar sua criatividade.
São Paulo, SP. Saraiva, 1993.

4. CLAXTON, Guy e LUCAS Bill . Criative-se. Um guia prático para turbinar seu potencial
criativo. São Paulo, Gente, 2005.

5. NOVAES, Maria Helena. Psicologia da Criatividade. Petrópolis, RJ. Vozes, 1980.


6. SIMÃO, Miranda de. Professor não deixe a peteca cair. 63 idéias para aulas criativas.
São Paulo, Papirus, 2005.

Somos todos criativos? DIJ/FEP - 13 -

Interesses relacionados