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Biossegurança – Aula 3

Disciplina- Biossegurança

3ª. Aula- Biossegurança –projeto e programa de segurança, avaliação e representação dos riscos (mapeamento), relatório análise de riscos, procedimentos de emergência e treinamento em segurança.

3.1- Introdução

Do ponto de vista de biossegurança, também a organização do trabalho e as práticas gerenciais passaram a ser reconhecidas como importantes focos de análise, incluindo o estabelecimento de projetos e programas de segurança,

analisando o risco e representando-os através de mapas indicativos e relatórios de análise.

A identificação dos possíveis causadores de acidentes, doenças e/ou

sofrimento, são partes fundamentais de um programa completo de Biossegurança. Neste âmbito incluímos ainda o treinamento e o detalhamento dos procedimentos de segurança emergenciais que devem ser adotados.

3.2- Projeto e Programa de Segurança

O projeto de segurança de um ambiente laboratorial de vê contemplar

vários requisitos estruturais, dimensionados de modo a reduzir os riscos no ambiente de trabalho como: corredores largos para facilitar a circulação de pessoas e passagem de equipamentos e possíveis fugas, disponibilidade de extintores e de equipamentos de combate a incêndios, existência de rotas de fuga que permitam fácil evacuação, sinalização adequada das áreas de risco e das rotas de fuga, disponibilidade de sistema de geração elétrica de emergência.

O programa de segurança deve ser elaborado objetivando reduzir os

riscos ambientais e prevenir acidentes. Este programa permitirá avaliar os riscos ambientais, adequar as condições de trabalho, estabelecer práticas seguras de laboratório e promover o treinamento em situações de emergência, atendendo ao cumprimento das normas de segurança vigentes.

Os requisitos básicos do programa de segurança são:

1-

A disponibilidade e uso adequado de equipamentos de proteção;

2-

A organização e realização de programas de treinamento;

3-

A manutenção preventiva de equipamentos e instrumentos;

4- A disponibilidade de extintores de incêndio e outros dispositivos de combate a incêndio;

5- O treinamento de combate a incêndio e em situações de emergência;

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6-

A sinalização adequada das áreas de risco e rotas de fuga;

7-

A disponibilidade de sistema de geração elétrica de emergência;

8-

O planejamento e execução do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) ;

9-

Os planos de contenção quando ocorrem situações de emergência (vazamentos, contaminações, explosões etc.);

10-Os planos de emergência para enfrentar situações críticas como falta de energia elétrica, água, incêndio e inundações;

11- O sistema de registro dos testes de segurança e desempenho dos equipamentos.

O programa de segurança deve estabelecer os Planos de segurança

Química e Biológica, relativos a exposição ocupacional a riscos químicos e biológicos, respectivamente. Segundo a Occupational Safety and Health Administration (OSHA, 1990 e 1991), cada laboratório deve ter um coordenador de segurança, que coordena os planos, disponibiliza os dispositivos de proteção, prepara e atualiza manuais que contém as políticas de procedimento de segurança, mantém os registros de treinamento e segurança continuada, além dos registros de exposição a materiais perigosos.

O Manual de Segurança do Laboratório, que contém o plano de segurança, deve incluir:

1-

Medidas gerais de segurança;

2-

Procedimentos de armazenamento, identificação, manuseio e transporte de produtos químicos, radioativos e biológicos;

3-

Ações para descarte e controle ambiental dos produtos químicos, biológicos, e radioativos;

4-

Medidas de controle e proteção;

5-

Procedimentos para uso, manutenção e descarte de EPIs;

6-

Medidas para uso, manutenção e controle ambiental dos EPCs e equipamentos de segurança;

7-

Procedimentos para situação de emergência;

8-

Instruções para acompanhamento médico e vacinação;

9-

Programas de treinamento e educação continuada em segurança;

10-Sistema de avaliação do programa de segurança, que pode ser informal (administrativo) ou formal (inspeções auditoriais).

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Biossegurança – Aula 3 Figura 3.1 - Manual de Segurança de Laboratório 3.3- Avaliação e Representação

Figura 3.1- Manual de Segurança de Laboratório

3.3- Avaliação e Representação dos Riscos Ambientais

A avaliação e a representação dos riscos ambientais podem ser realizadas pela elaboração do Mapeamento de Riscos Ambientais, uma técnica empregada para levantar o maior número possível de informações sobre os riscos existentes no ambiente de trabalho. Esta técnica foi desenvolvida na Itália em 1960, para auxiliar na investigação e controle de riscos ambientais.

O mapeamento dos riscos permite fazer um diagnóstico da situação de segurança e saúde do trabalho nas empresas, coma finalidade de estabelecer medidas preventivas. Na tabela 3.1 estão descritas as principais classes a que estão expostos os trabalhadores durante as atividades laboratoriais (riscos físicos, químicos e biológicos).

A elaboração do mapeamento e a apresentação na forma gráfica (mapa) são atribuições da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), prevista na Norma Regulamentadora (NR5 e NR6) do MT e E. Os dados do mapar de risco devem ser considerados na elaboração do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), previsto na NR9.

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Tabela 3.1- Classificação dos principais riscos ocupacionais de acordo com sua natureza e padronização das cores correspondentes

Grupo 1

Grupo 2

Grupo 3

Grupo 4

Grupo 5

Verde

Vermelho

Marrom

Amarelo

Azul

Riscos

Riscos

Riscos

Riscos

Riscos de

Físicos

Químicos

Biológicos

Ergonômicos

Acidentes

Ruído

Poeiras

Vírus

Esforço físico

Arranjo físico

intenso

inadequado

Vibrações

Fumos

Bactérias

Levantamento e transporte manual de peso

Máquinas e

equipamentos

sem proteção

Calor

Névoas

Protozoários

Exigência de

Ferramentas

posturas

inadequadas ou

inadequadas

defeituosas

Frio

Neblinas

Fungos

Controle rígido de produtividade

Iluminação

inadequada

Umidade

Gases

Parasitas

Imposição de

Eletricidade

ritmos

excessivos

Radiações

Vapores

Bacilos

Trabalho em turnos e trabalho noturno

Probabilidade de incêndio ou explosão

não

ionizantes

Radiações

Produtos

Insetos

Jornadas de

Armazenamento

ionizantes

químicos em

trabalho

inadequado

geral

prolongadas

Pressões

Outros

Outros

Monotonia e

Animais

anormais

repetitividade

peçonhentos

Outros

   

Outras situações causadoras de estresse físico e psíquico

Outras situações de risco que poderão contribuir para acidentes

causadoras de estresse físico e psíquico Outras situações de risco que poderão contribuir para acidentes 4

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As metas específicas do mapeamento de riscos são:

1- Reunir informações necessárias para estabelecer o diagnóstico da situação de segurança e saúde no trabalho na empresa; 2- Possibilitar, durante sua elaboração, a troca e a divulgação de informações entre os trabalhadores; 3- Estimular sua participação nas atividades de prevenção.

O mapeamento de risco é feito baseado na planta baixa ou esboço do local de trabalho. Os riscos são caracterizados e apresentados em cada local da planta através de círculos de cores e tamanhos padronizados (conforme descrito na tabela 3.1) que informam o tipo e a gravidade do risco em um ambiente definido. Geralmente durante sua elaboração deve-se contar com a participação de todos os trabalhadores, bem como da acessória do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT).

As principais etapas de elaboração do mapeamento de riscos são descritas detalhadamente a seguir:

1- Conhecer o processo de trabalho no local analisado, incluindo os trabalhadores, o tipo de trabalho (atividades desenvolvidas), o material (instrumentos e materiais de trabalho) e o meio ambiente (o ambiente de trabalho). 2- Identificar os riscos ambientais existentes no local, utilizando uma rotina de abordagem e classificação dos riscos. Para cada elemento dos grupos de agentes de risco ocupacionais levantar os efeitos e danos possíveis a saúde do trabalhador. 3- Estabelecer as medidas de controle existentes e sua eficácia, estabelecendo medidas preventivas de proteção coletiva, de organização de trabalho, proteção individual e de higiene e conforto. 4- Identificar os indicadores de saúde, representados por queixas freqüentes, acidentes de trabalho, doenças ocupacionais diagnosticadas

e faltas ao trabalho.

5- Verificar os levantamentos ambientais já realizados no local, observar os

agentes já monitorados, métodos empregados para detectar cada agente, equipamentos utilizados e as tabelas com as medições feitas,

setores e pontos em que foram ultrapassados os limites de tolerância e

a observância ou não das medidas de controle propostas.

6- Elaborar um Mapa de risco, sobre a planta baixa ou croqui do ambiente de trabalho, indicando os tipos de risco por meio de círculos, é feito o relatório de risco e o mapeamento. Após aprovado pela CIPA deve ser em cada local analisado de forma clara, visível e que seja de fácil acesso aos trabalhadores.

Abaixo é apresentado um exemplo do Relatório de Análise de Risco e Mapeamento de risco do Laboratório de Biologia Molecular Aplicada da FCFUSP em 2000 ( tabela 3.2 e figura 3.2), e avaliação e diagnóstico das condições de trabalho em duas indústrias de baterias chumbo-ácidas no estado do Rio de janeiro (Figura 3.3 e 3.4).

.

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Tabela 3.2 – Relatório de Análise de Risco do Laboratório de Biologia Molecular Aplicada da FCFUSP em 2000.

Grupo de Risco

Fontes

Sintomas

Doenças de

Trabalho e

Acidentes

1-Riscos Físicos Ruído Calor Luz Ultravioleta

Equipamentos

Irritação e mal estar

Perda de audição

Equipamentos

Lâmpadas UV

 

Câncer de pele

 

Queimaduras

2-Riscos Químicos Sólidos

Sais e meios de cultura Solventes e soluções Reagentes corrosivos

 

Doenças inflamatórias degenerativas e câncer. Perda de visão.

Líquidos

Irritação nos olhos e nas vias aéreas

vapores

Queimaduras

3-Riscos

     

Biológicos Amostras biológicas Material genético

Sala de

Febre, cefaléia, dor muscular

Infecções (vírus e bactérias)

extração,

geladeiras,

   
 

placas de

cultura

4-Riscos

     

Ergonômicos

Bancadas e

Dores musculares

Problemas na

Posturas de

banquetas

coluna

trabalho

5-Riscos de acidentes Chama Iluminação Projeto Inadequado

Bico de Bunsen Laboratório Laboratório e bancadas

Queimaduras

Incêndio

Esforço visual

Fadiga visual Quebra de frascos com produtos tóxicos Morte

Cansaço físico

 

Tomadas e

Choque elétrico

campo elétrico

Choque

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Biossegurança – Aula 3 Figura 3.2- Representação do Mapa de Risco do Laboratório de Biologia Molecular

Figura 3.2- Representação do Mapa de Risco do Laboratório de Biologia Molecular Aplicada da FCFUSP em 2000

de Biologia Molecular Aplicada da FCFUSP em 2000 . Figura 3.3- Mapa de Risco da Industria

.Figura 3.3- Mapa de Risco da Industria 1 de Baterias chumbo-ácidas no Estado do Rio de janeiro

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Biossegurança – Aula 3 Figura 3.4- Mapa de Risco da Industria 2 de Baterias chumbo-ácidas no

Figura 3.4- Mapa de Risco da Industria 2 de Baterias chumbo-ácidas no Estado do Rio de Janeiro

Identificação dos riscos de acordo com os mapas das duas Industrias de Baterias chumbo-ácidas no Estado do Rio de Janeiro:

Na montagem (02), alguns dos trabalhadores utilizavam apenas luvas e permaneciam expostos aos particulados de chumbo resultantes da manipulação do material, o que pode ser enquadrado como risco químico. A

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iluminação deficiente em ambos os ambientes de trabalho, expõe os trabalhadores ao risco de acidentes. As bancadas de trabalho são inadequadas, com o material e as ferramentas usadas na tarefa dispostos desordenamente. Os trabalhadores permanecem durante toda jornada de trabalho em posição ortostática, com flexão de cabeça e realizando movimentos repetitivos, expostos, dessa forma, a riscos ergonômicos. Na soldagem (02 e 03), os trabalhadores utilizam apenas máscaras como equipamentos de proteção individual (EPI), inadequadas à função. Na

Indústria II, a instalação de um exaustor com filtro ameniza a concentração de partículas de chumbo. Contudo, o ruído produzido por este aparelho (94 dB) configura-se como risco físico.Seja como for, em ambas as indústrias, os trabalhadores são expostos aos vapores de chumbo e gases provenientes do processo de solda e também em contato manual com o metal, caracterizando o risco químico nesta etapa. Além disso, o uso constante do maçarico, emitindo radiação ultravioleta, pode ocasionar problemas oculares. O contato acidental com a chama do maçarico, gera a possibilidade de queimaduras (risco de acidentes). Na montagem interna (02),o uso de luvas é eventual e o contato manual com as placas de chumbo (risco químico) é constante. A maioria dos trabalhadores permanece de chinelos durante todo o processo, o que os expõe

a possíveis traumas decorrentes das quedas das baterias (risco de acidentes)

ou ferramentas. Durante o lacre das baterias (03), existe o risco iminente de acidentes, provenientes das possíveis quedas das baterias, queimaduras na máquina seladora e lesão corporal na prensa. No enchimento (05), existe o risco químico proveniente do contato manual com o ácido sulfúrico (exposto em salões abertos). Os trabalhadores encontram-se sem luvas, máscaras e com calçados impróprios para a função. Na etapa de carga elétrica (06), observamos o risco de choques provenientes dos geradores de energia que não possuem instalações elétricas adequadas (fios desencapados, tomadas enferrujadas). No resfriamento (04 e 07), o manuseio das baterias sem o uso de luvas possibilita riscos de queimaduras químicas, causadas pelo contato da pele com

a solução de ácido sulfúrico. Durante a embalagem (06 e 09), é usado calor para fechar o plástico que envolve a bateria, o que ocorre de forma distinta nas indústrias. Na Indústria I o calor é proveniente do ar produzido por um soprador de ar quente. Já na Indústria II é usado um maçarico a gás. Em ambos os casos, há o risco de acidente por queimadura e, na Industria II, o risco físico proveniente da radiação ultravioleta. Em conseqüência do que foi observado durante as visitas às fábricas e elaboração dos mapas de risco, foi sugerida pelos avaliadores a revisão dos seguintes pontos capazes de influir no processo de trabalho:

- Sensibilizar a administração sobre a importância dos pontos principais

identificados no processo de trabalho com baterias chumbo-ácidas e os riscos que podem ocasionar.

- Incentivar a realização de programas de educação e capacitação desses trabalhadores.

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- Capacitar e potencializar trabalhadores selecionados, para que sejam eles agentes multiplicadores de técnicas e informações entre seus colegas, em sua própria família e na comunidade. - Incentivar a elaboração do mapa de risco com a participação dos trabalhadores, por serem os melhores conhecedores do processo de trabalho e seus riscos.

3.4- Procedimentos de Emergência

Todo laboratório deve definir e estabelecer medidas de segurança de acordo com o risco que produzam os agentes utilizados. Assim os laboratórios precisam ter um plano escrito de medidas de contingência para fazer frente aos possíveis acidentes de laboratório. No caso do uso de microrganismos patogênicos, como podem produzir perigos para a comunidade, os serviços locais de saúde pública tem que participar da formulação do plano, assim como qualquer acidente deve ser notificado a CIPA.

A tabela 3.3 apresenta algumas recomendações sobre os procedimentos de segurança a serem adotados em situações de emergência.

Tabela 3.3- Procedimentos de Segurança em situações de Emergência

Situação de

 

Procedimento de Segurança

Emergência

 

Derramamento de material biológico

No caso de acidente ou derramamento de produto biológico,

deve-se evacuar o local se houver a possibilidade de formação

 

de

aerossóis. Após 30 minutos, conter o produto derramado com

material de boa capacidade de absorção, aplicar desinfetante por tempo definido, em seguida, limpá-lo adequadamente. Empregar para isso EPIs adequados.

Quebra de frascos com material biológico

Os recipientes quebrados devem ser cobertos com um pano

embebido em desinfetante. Após 10 minutos, recolher os pedaços e o pano com uma pá, e limpar o local com desinfetante.

 

O

material quebrado deve ser colocado em recipiente para

material contaminado e esterilizado em autoclave. A vassoura e a

também devem ser condicionadas em recipiente próprio e

autoclavadas. Empregar para isso EPIs adequados.

Inoculação

Deve-se remover a roupa de proteção, lavar as mãos e a parte lesada, aplicar desinfetante cutâneo e dirigir-se ao posto de saúde, onde o médico deve ser informado sobre a causa da lesão e natureza do agente envolvido.

acidental, cortes

ou lesões

Derramamento de produtos químicos

A

área do acidente deve ser imediatamente isolada e o

responsável pela segurança comunicado. O analista de segurança , devidamente protegido com EPIs, deve desligar o suprimento de energia elétrica, combater o fogo, e permitir a

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ventilação e exaustão do ambiente. A contenção do produto

químico deve ser realizada o mais rápido possível, com material absorvente e ou seco (materiais incompatíveis não devem ser usados como pano ou papel para ácido sulfúrico ou solução sulfocrômica e outros exemplos tabela 3.4). Recolher e descartar

o

produto e limpar o local mantendo bem ventilado.

Ingestão acidental de material perigoso

Transferir a pessoa afetada para o serviço de saúde, após retirar

roupa de proteção. Informar imediatamente ao médico sobre o agente ingerido e registrar o acidente.

a

Emissão de

Evacuar a área afetada. Informar imediatamente o responsável pelo laboratório e técnico de segurança. Ninguém deve entrar no local por uma hora, até que depositem as partículas mais pesadas. Indicar a proibição de entrada no local. Após uma hora , descontaminá-lo. As pessoas afetadas precisam consultar o médico.

aerossol

potencialmente

perigoso

Quebra de tubos durante a centrifugação

Interromper a operação e manter a centrifuga fechada por pelo menos 30 minutos. Remover e descartar os fragmentos de vidro em condições segura. Descontaminar a centrifuga, o rotor e as caçapas com desinfetante adequado.

Contato elétrico

Causa perda de consciência e parada respiratória. Deve-se interromper o contato elétrico e iniciar a manobra de ressuscitação cardiorespiratória.

acidental

Equipamento de

Maleta de primeiros socorros, roupa de proteção completa, sistema de respiração autônoma (ambiente com pouco oxigênio), máscara de proteção facial e respiratória com filtros adequados para reter partículas e produtos químicos, material para desinfecção, para conter derramamento, sinalizar e delimitar áreas.

emergência

Serviço de

Ter em mãos números de telefones de emergência (bombeiros, polícia e serviço de saúde) colocados em local visível, próximos aos telefones.

emergência

Tabela 3.4 – Incompatibilidade entre substâncias químicas

Substâncias

Químicas

Incompatibilidade

Metais alcalinos

Tetracloreto de carbono, dióxido de carbono, água e produtos

halogenados

Líquidos

inflamáveis

Nitrato de amônia, peróxido de sódio, ácido nítrico e os

halogenados

Hidrocarbonetos

(propano, gasolina)

Flúor, cloro, bromo e peróxido de sódio

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Oxigênio

Ácido sulfúrico

Acetona

Acetileno

Bromo, cloro

Peróxido de

hidrogênio

Óleos, hidrogênio, líquidos inflamáveis, sólidos e gases

Clorato de potássio, perclorato de potássio, permanganato de potássio e compostos similares de outros metais leves, papel e tecido.

Ácido sulfúrico e ácido nítrico concentrados

Bromo, cloro, flúor, cobre, prata, mercúrio e seus compostos

Amônia, gases derivados de petróleo, hidrogênio, sódio, benzeno e metais finamente divididos

A maioria dos metais e seus sais, alcoóis, substâncias orgânicas e quaisquer substâncias inflamáveis

A maioria dos metais e seus sais, alcoóis, substâncias orgânicas e quaisquer substâncias inflamáveis

3.5- Treinamento de Segurança em laboratório

A segurança em ambientes de laboratório deve ser objeto de ensino e

treinamento profissional permanente, a fim de que toda equipe de laboratório e

de apoio esteja sempre consciente dos riscos e que estão expostos e da importância das medidas de segurança.

A capacitação profissional em segurança é um aspecto importante da

prevenção de riscos nas atividades de pesquisa e ensino, pois muitos

acidentes são causados pela falta de experiência e treinamento específico.

É necessário o planejamento e implementação de cursos de treinamento

para preparo dos profissionais na área de segurança de laboratório, enfatizando a relevância das práticas seguras, elaboração de manuais e implementação de normas, visando a obtenção de ambientes de trabalho mais

seguros.

A

falta de gestão em segurança do trabalho, instalações adequadas e

pessoal treinado, gera um ambiente de risco para o analista e para as instalações prediais, colocando em perigo outros profissionais que não tem

relação direta com o trabalho. Para que as normas de segurança seja seguida é necessário montar um programa de treinamento abrangendo diversos aspectos de segurança pessoal e do meio ambiente, como:

1- Segurança geral: fontes de infecção, riscos ambientais, direitos e deveres dos analistas com relação as medidas de segurança. 2- Procedimentos preparatórios: acesso aos laboratórios, higiene pessoal, roupas equipamentos de proteção. 3- Procedimentos experimentais: uso de pipetas mec6anicas e outros dispositivos de pipetagem, redução da formação de aerossóis, uso

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adequado de segurança biológica e química, uso adequado de autoclaves e materiais de esterilização. 4- Procedimentos de emergência: primeiros socorros, quebras e derramamentos, descontaminação do local, acidentes, combate a incêndios e evacuação do ambiente. 5- Manutenção geral do laboratório: transporte e armazenamento de materiais perigosos biológicos, químicos, radioativos e outros), manuseio adequado de animais de laboratório, eliminação de roedores e pragas. 6- Métodos de proteção: EPIs, EPCs, eliminação de resíduos de laboratório (esterilização, neutralização, recuperação e incineração), métodos de descontaminação e higiene pessoal.

O

organograma

(figura

3.5)

abaixo

mostra

alguns

cursos

de

biossegurança e segurança de laboratório já existentes.

biossegurança e segurança de laboratório já existentes. Figura 3.5- Cursos de treinamento de Biossegurança e

Figura 3.5- Cursos de treinamento de Biossegurança e Segurança em laboratório existentes.

No caso dos laboratórios de ensino, como os alunos, ao contrário dos funcionários, não costumam receber treinamento prévio voltado a segurança no laboratório na realização de suas tarefas de uma forma ampla, é necessário conscientizá-los a respeito dos riscos existentes, assim como das medidas a serem adotadas para garantir prevenção destes riscos aos níveis mínimos. Também devem ser orientados como proceder em caso de acidentes e como descartar os resíduos.

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Neste caso as orientações gerais incluem aspectos como: uso de adequados EPIs e EPCs, procedimentos de manipulação de substâncias químicas e biológicas, observações quanto ao comportamento nos laboratórios que possam interferir na atenção durante a realização do trabalho ou que não sejam adequadas ao local. O número de alunos por aula deve ser limitado visando minimizar os riscos, assim como as instalações devem ser de qualidade, pois laboratórios super lotados e instalações deficientes tendem a potencializar o risco de acidentes. Assim a estrutura física e organizacional do laboratório didático deve contemplar:

1- Disposição adequada de bancadas e equipamentos para garantir movimentação segura do professor e dos estudantes, durante as atividades de aula ou no caso de emergências, As bancadas devem ter altura de 80 a 90 cm, deve existir um espaço livre entre cada aluno de pelo menos 1 metro, não devem ser pontiagudas, serem resistentes a ácidos, bases e não combustíveis. As cadeiras e bancos devem ser ergonômicos. 2- Distribuição de áreas e sinalização de segurança de acordo com os tipos e níveis de risco (Figura 3.6).

de acordo com os tipos e níveis de risco (Figura 3.6). Figura 3.6 - Exemplo de

Figura 3.6- Exemplo de sinalização em laboratórios

3- Instalação de barreiras de contenção, equipamentos de segurança e contra fogo.

4- Práticas de laboratório seguras e uso de EPIs.

5- Procedimentos adequados de descarte de resíduos.

6- Treinamento básico de segurança em laboratório.

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Alguns estudos de caso relatam a importância da adequação de condições seguras como da Comissão de Biossegurança do CCS que busca boas condições de trabalho.

gurança do CCS que busca boas condições de trabalho. Há 10 anos, foi criada a Comissão

Há 10 anos, foi criada a Comissão de Biossegurança do Centro de Ciências da Saúde (CCS/UFRJ). Essa comissão tem o objetivo de atentar para a questão das boas condições de trabalho dos profissionais que lidam com riscos como os biológicos, os químicos e a radioatividade, bem como buscar soluções para os problemas de biossegurança das unidades que funcionam dentro do prédio sede do CCS. Outras unidades como a Faculdade de Odontologia e o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) possuem suas próprias comissões.

A professora Sônia Soares, presidente da Comissão de Biossegurança, afirma que há muito trabalho pela frente. “Temos feito levantamentos para conhecer a situação do CCS. Pretendemos mapear as áreas onde profissionais lidam com esses riscos, para que possamos atuar diretamente. A pesquisa é um processo dinâmico, esses levantamentos precisam estar em dia”, afirma a presidente. O objetivo da criação dessa comissão foi instruir a comunidade em relação à biossegurança e preservar a saúde das pessoas que lidam com esses riscos e também do meio ambiente.

Uma das propostas da Comissão é a criação de um curso de formação e treinamento em Biossegurança. Esse curso será dividido em módulos e atenderá alunos de graduação, técnicos administrativos e docentes. “É muito importante que um aluno de iniciação científica, de graduação e de pós- graduação tenha acesso a esse curso. Muitos alunos transitam de sandálias carregando solvente e outros materiais perigosos, por exemplo. É preciso realizar esse curso para evitar acidentes”. Os módulos previstos são as situações de riscos químicos, riscos biológicos, radioatividade, transgênicos e organismos geneticamente modificados, incêndio, e biotérios, que são o conjunto de animais aplicados em experiências de laboratório.

O prédio do CCS apresenta problemas de infra-estrutura que comprometem questões de biossegurança. Quando foi construído o prédio, a ocupação dos subsolos não estava prevista. Então temos a falta de saídas de emergência nesses locais. Além disso, os corredores do CCS têm pouca ventilação. Para solucionar esses problemas, existem projetos como o de instalação de basculantes nos corredores.

Outro problema recorrente é o fumo nos corredores, nos quais freqüentemente são transportados produtos inflamáveis, como o éter e o álcool.

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É necessário um trabalho de conscientização de todos os ocupantes do prédio. Parar de fumar nos corredores não demanda recursos financeiros. O que é preciso é a consciência. Diretores dos centros devem ser instruídos e passar essas informações para seus respectivos professores, funcionários e alunos.

Para tornar o trabalho mais ágil, existe a proposta de dividir a comissão em subcomissões, voltadas para assuntos específicos, como resíduos químicos, radiotividade e bioética, por exemplo.

Uma das vitórias da Biossegurança no CCS é a realização de uma operação de descarte de resíduos químicos. Começarão a ser feitas também a coleta seletiva de lixo e a reciclagem. O lixo merece atenção, por ser fonte de problemas. A condição de trabalho das pessoas que recolhem o lixo também deve ser observada. Além disso, o manual de biossegurança necessita de uma atualização, o que é uma proposta prevista pela comissão. Esse manual dev ter uma linguagem mais acessível, para que possamos atender a um público maior. O foco da Comissão de Biossegurança é a garantia de boas condições de trabalho para os professores, alunos e técnicos. “O objetivo do nosso trabalho é o ser humano. A biossegurança oferece às pessoas condições de ter uma atuação profissional e acadêmica com menor grau de perigo, diminuindo as possibilidades de acidentes e ensinando a forma correta para trabalhar em segurança. Muita coisa foi feita ao longo desses dez anos. A tendência é sempre melhorar e evoluir”.