NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL
INQUÉRITO POLICIAL Notitia criminis
O Inquérito Policial comporta dois ângulos de interpretação, duas modalidades conceituais: uma de caráter formal e outra de caráter material. Assim também pensa Câmara Leal, quando diz: "Em sentido material, inquérito policial é o conjunto de atos, ordenados e disciplinados por lei, que constituem, em cada caso criminal, a seqüência de atividade policial nas diligências que lhe competem. Em sentido formal, o inquérito policial é a peça processual que contém e autentica, em forma legal, os atos e diligências policiais, relativos a determinado caso criminal". É o Inquérito policial, uma peça preliminar ou preparatória da ação penal, na medida em que colhe elementos informativos necessários para a instrução criminal judiciária. É uma escrita, porque todos seus termos e atos são datilografados. É também, uma peça investigatória, porque se destina a fazer investigações sobre o fato criminoso e sua autoria. O inquérito policial deve obedecer certa ordem, mas não tem rito predeterminado. É inquisitivo, havendo certa discricionariedade da autoridade policial não obedece ao princípio do contraditório, e não havendo acusação formal, não há prejuízo para a defesa. Nada mais é, então, o inquérito policial, do que à formalização da atividade da polícia judiciária, quando investiga o fato delituoso e a sua autoria, demonstrando os passos dados na busca da completa clareza do ocorrido. Não se sujeita ao princípio da publicidade, ao contrário, segundo o art. 20 da CPP "a autoridade assegurará no Inquérito Policial o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pela sociedade". Porém, esse sigilo é relativo, não atingindo a pessoa do advogado do indiciado, tendo em vista o disposto no art. 89, VI, b, e XV, da Lei 4.215 de 27 de abril de 1963 (Estatuto da OAB). É posição firmada na jurisprudência o fato de ser o Inquérito Policial mera peça informativa e, por isso, discute-se seu valor probatório. Não se pode negar; no entanto, o valor de peças como o Auto de Prisão em Flagrante, os exames de locais, as perícias, etc., pois, pelo princípio da imediatidade e oportunidade, exigem urgência, sob pena de desaparecerem os vestígios e não poderem ser realizados na fase judicial. Não se pode falar em "nulidade", mas em "irregularidades", quando de falhas que possam ocorrer, ensejando, apenas, o relaxamento da prisão, não prejudicando a propositura da ação penal. A autoridade policial, tomando conhecimento da notitia criminis, deverá dar inicio às investigações. Essa notícia pode chegar de várias maneiras através da atividade rotineira; notícia veiculada pela imprensa, delação, etc. (notícia de cognição imediata);

pelo conhecimento através de requerimento da vítima (cognição mediata); ou, no caso de prisão em flagrante (cognição coercitiva), pois, neste caso, juntamente com a notitio criminis é apresentado, à autoridade, o autor do fato. Tomando conhecimento a autoridade, portanto, de que um delito foi praticado, iniciará as diligências. E o fará através da instauração do Inquérito Policial. O Inquérito Policial também é chamado de procedimento apuratório; procedimento investigatório; investigação policial; procedimento inquisitorial, entre outros.

AÇÃO PENAL - Espécies
O estado é detentor do jus puniendi, (direito de punir) sempre que alguém lesa um direito individual de outro ou da sociedade. O poder dever do Estado de punir aqueles que se desviam da conduta normal, infringindo as leis, não é ilimitado, pois limita-se ao direito objetivo, a lei. Além do mais, para exercitar esse direito-dever limitado, o Estado tem que submeter-se ao devido processo legal. A ação penal e resultado das garantias individuais, em razão de que ninguém pode ser condenado a uma sanção penal a não ser por uma sentença judiciária. O pressuposto da ação penal sempre será a existência de um litígio, ou a pretensão não satisfeita resultante da prática de um delito. A natureza, jurídica da ação penal em nada. difere da ação civil, apenas muda o seu conteúdo. O direito de ação está disciplinado no Código Penal , nos arts. 100 a 106 (da ação penal), e o exercício desse direito está regulado no Código de Processo Penal, nos arts. 24 a 62 (da ação penal). O fundamento constitucional do direito de ação se acha no art. 5º, LIV, onde regra que a lei não poderá excluir da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão de direito. A ação penal é o direito de se pleitear a tutela jurisdicional, ou o "direito de se pedir ao - Estado-juiz a aplicação do direito penal objetivo" (Noronha, E. Magalhães, Curso de Processo Penal, São Paulo, Saraiva, 1979, v. 1, p. 299). A ação penal é o exercício do direito de jurisdição, que se consubstancia junto aos órgãos de Justiça Criminal, ou, ainda, "o direito de invocar-se o poder judiciário para aplicar o direito penal objetivo" (Marques, José Frederico. Elementos de direito processual penal, Rio de Janeiro, Forense, v. 1, P. 307). ESPÉCIES DE AÇÃO Várias são as classificações da ação penal: I - Quanto ao conteúdo dividem-se em: ações de conhecimento (declaratória, constitutiva e condenatória); as ações cautelares; e ações executivas. 1 - Ação penal de conhecimento é aquela que instaura um processo de conhecimento do mérito, concluído numa decisão sobre a situação jurídica definida no direito penal. As ações de conhecimento podem ser:

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II . 1. Feltrin. a cominação legal e o rol de testemunhas. 100 do CPP). p. fiança. estando solto ou afiançado o indiciado (art. 24 do CPP). § 1º do CP). § 1º). Podem ser: a) Pessoais. A ação penal em regra. quando depende de representação do ofendido ou seu representante legal. extradição. Código Penal e sua interpretação jurisprudencial. Ex. isto é. b) Constitutivas. "a manifestação de vontade do ofendido ou do sou representante legal no sentido de autorizar o Ministério Público a desencadear a persecução penal" -(Franco. em certas ocasiões. são aquelas que visam assegurar ou resguardar. que se constitui.: Reabilitação. caput. 2 . o reconhecimento de uma pretensão punitiva.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL a) Declaratórias. I . A denúncia deve ser oferecida em cinco dias. seqüestro. quando basta a ocorrência do ilícito penal para que a autoridade policial instaure o competente inquérito policial que servirá de base para a proposição da ação penal pelo Ministério Público. condicionada ou incondicionada. será pública. exercendo a denominada pretensão (art. 100. Alberto Silva. Revista dos Tribunais. extinguir ou . 46. EX. 100. 48). Sebastião Oscar. as ações condenatórias são divididas em ação penal pública e ação penal privada (art. interdição de direitos. 41 do CPP). § 1º do CP). 3 . A ação penal pública pode ser incondicionada. b) Reais.: arresto. São Paulo.: Ação por prática de crime. quando visam a declaração da existência ou não de um direito violado. 1979. e. 100. do CPP). quando necessárias (art. v. quando versarem sobre um direito pessoal. Ex. caput.Ações cautelares. Tomo 2. são destinadas a dar cumprimento ao que foi solucionado no Processo. Ex. segundo a doutrina. através de medidas urgentes. pois sem ela o Ministério Público não pode oferecer denúncia. 100.Ação penal pública Na ação penal pública. pois. 100. o interesse do ofendido sobrepõe- 4 . § 2º) e subsidiaria (art. a qualificação do acusado ou esclarecimentos suficientes para sua identificação. pedido de homologação de sentença estrangeira. A primeira divide-se em penal pública incondicionada e ação penal pública condicionada (art. os objetivos da ação penal. quando destinadas a criar. A representação e. contados da data que o órgão do Ministério Público recebe os autos do inquérito policial. ou da requisição do Ministro da Justiça (art. tem por objetivo uma sentença de condenação. que deverá contar a exposição do fato criminoso. Representação do ofendido A ação penal pública pode estar condicionada à representação do ofendido ou seu representante legal. Já a ação penal privada subdivide-se em principal (art. salvo se a lei expressamente declarar em contrario (art.: Prisão preventiva. somente o Promotor de Justiça pode pedir a providencia jurisdicional de aplicação da lei penal. que derivam de direitos reais sobre coisas. Beanho.modificar um direito. 100. ou condicionada. c) Condenatórias. Luiz Carlos. extinção da punibilidade. estando o indiciado preso.: habeas corpus. Ex. uma situação jurídica. em.Segundo o titular do direito de agir.Ações de execução. num pedido-autorização onde está expresso o desejo de que a ação seja instaurada. Justifica-se essa condição pelo fato de que. suas circunstâncias. § 3º).: execução da pena de multa. quinze dias. Ex. Quanto à natureza jurídica a representação e tida como condição de procedibilidade da ação penal pública. o detentor do jus occusotionis (direito de acusar) é o órgão do Ministério Público. do CP) e será iniciada por meio de denúncia (art.

Ademais. etc. Vicente de. ou seja. jurisdição administrativa. desde que devidamente fundamentada. nem pede arquivamento. a representação poderá ser feita por curador especial.. e irretratável. quando for o caso de ação penal pública condicionada. que surge dos diversos círculos de relações da vida social. 41 do CPP) sob pena de rejeição (art. 2 . jurisdição eclesiástica. 5º. A queixa e a peça equivalente a denúncia. É permitida a representação pela vítima e por seu representante legal. pela vítima. 30 do CPP). do CPP) JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA 5 . Somente se diferenciam pela pessoa que oferece. a representação é irretratável. Na lei objetiva vai dizer "proceder-se mediante representação quando for requisição do Ministro da Justiça. (Azevedo. justifica-se pelo fato de que a repressão interessa muito mais ao ofendido do que ao Estado. (art. Mesmo depois de retratar-se. Neste tipo de ação vige o princípio da oportunidade. cabe ao Ministério Público aditar a queixa. pela qual se instaura a ação penal. nome e qualidade da vítima. 18). (art. o direito à representação passa ao cônjuge. com poderes especiais para representa-lo. Como dominos litis. A requisição do Ministro da Justiça e um. que são causas extintivas da punibilidade do réu (art. pois a denúncia e oferecida. Arrola-se na parte especial do Código Penal quais os delitos que a admitem. A requisição. 33 do CPP. nomeado pelo juiz. 145. neste caso. pode o ofendido ou seu representante legal renovar a representação. A requisição não obedece a prazo decadencial. Este tipo de ação esta previsto na Carta Magna. e art. quando a seu juízo. a retratação da retratação. § 3º. Processo Penal. tal qual a representação. parágrafo único. Esse prazo é decadencial. irmãos. curador . obedece a razões de ordem política. visto que pelo fato de ser ação condicionada à representação. V. não a apresenta. Jurisdição Em sentido amplo. poderá retomar a ação como parte principal. falando-se. Revistas dos Tribunais. tutor. A requisição. o Ministério Público pode não oferecer a denúncia nos casos de representação. enquanto que a queixa é oferecida pelo procurador do ofendido. como detentor da ação penal. obedece ao princípio da disponibilidade. LIX. sendo a vítima menor de 18 anos. Na lei objetiva vai dizer "proceder-se mediante representação". discricionário e irrevogável. (Art. assim. contados do dia que a vítima tomou conhecimento de quem era o autor do ato criminoso. não perde a condição de dominus litis (detentor da ação). Uma vez oferecida a denúncia. visto que há a faculdade de renuncia pelo ofendido e o perdão. Porém. Requisição do Ministro da Justiça. e condição de procedibilidade. geralmente com a expressão só se procede mediante queixa". jurisdição é o poder do conhecer e decidir com autoridade dos negócios e contendas. segundo dispõe o art. pelo princípio da indivisibilidade. Com a morte do ofendido. casos em que pronunciar-se-á pelo arquivamento do inquérito policial ou das peças de informação. ação e jurisdição. enquanto que o jus puniendi (direito de punir) permanece sendo exclusivamente do Estado. nome e qualificação do autor etc. quando não há indícios de quem seja o autor do fato criminoso. A jurisprudência entende que. jurisdição militar. ato administrativo. forma especial. quando ele. o direito de representação pode ser exercido pelo pai. devendo conter elementos que possibilitem as circunstâncias. no prazo de seis meses. intervir em todos os termos do processo e no caso de negligência do querelante. pelo membro do Ministério Público. Nela. não obriga o órgão do Ministério Público a propositura da ação. a reparação do crime causar-lhe males maiores do que os derivados do próprio crime. 102 do CP. o ofendido ou seu representante legal denomina-se querelante e o réu querelado. 2º do CPF e só terá lugar no caso de inércia do órgão do Ministério Público. pode incluir na denúncia os co-autores e partícipes não arrolados pela vítima. que possibilita o exercício facultativo da ação penal pelo seu titular. em seu art. 2º. conforme dispõe o art. Há duas espécies de ação privada: a exclusiva ou principal e a subsidiária da ação pública. p. A representação não exige forma especial. A iniciativa da ação penal privada. A exigência de requisição em certos delitos. O Ministério Público. devendo conter na sua formal os mesmos requisitos desta. Admitida a ação privada subsidiária. no prazo que lhe é concedido para oferecer denúncia. facultando a vítima o oferecimento da peça acusatória. 1975. regulando-se somente pelas demais causas de extinção de punibilidade. exclusivamente.. a) A ação de iniciativa privada exclusiva somente poderá ser proposta pelo ofendido ou por seu representante legal. 43 do CPP). do CP). tios. basta o desejo do interessado em instaurar o procedimento criminal. pode. mãe. como garantia individual.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL se ao interesse do Estado na repressão do fato criminoso. não requer diligências. Não tendo o ofendido representante legal. Aqui o jus accusationis (direito de acusar) é transferido do Estado para o particular cabendo a este o direito de agir. pois. b) A ação penal privada subsidiária da pública esta prevista no art.etc.Ação penal privada A ação penal privada e promovida mediante queixa do ofendido ou de seu representante legal (art. ascendente. descendente ou irmão (art. segundo posição dominante na doutrina. 107. ou seja. repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva. 7º. em jurisdição policial.. 24 do CPP). É possível. não e exigida. ambos do CP). porém pode retratar-se da representação feita se o Ministério Público ainda não ofereceu a denúncia.

O mestre Hélio Tornaghi ressalta que "o conceito de jurisdição é ontológico.04. é automática. outro órgão esta investido no poder de julgar. quando por exceção. e superior. 110. atos processuais que devem ser praticados para que se chegue à decisão ou sentença. jurisdição é o poder das autoridades judiciárias. parágrafo único). e graciosa ou voluntária. p. ao poder de julgar. 6) quanto a competência. ou ações. ou. 3) Quanto ao organismo. de dizer o direito em concreto. 109. Elementos da jurisdição A jurisdição compõe-se de certos elementos. a jurisdição é determinada pelas leis de organização judiciária estadual. ou seja. tem jurisdição. pronúncia). juris (direito) e de dictio. 1987. a jurisdição e as atribuições cometidas aos juízes federais caberão aos juízes da justiça local. Rio-São Paulo. podendo ser plena. pela Justiça local. respeitando a organização judiciária de cada Estado. São Paulo.079. a palavra jurisdição vem de jurisdiction formada de jus. IV). militar ou trabalhista. Surge dai a distinção de instância e entrância. e princípio criador. que corresponde a 1ª instância. 5º) executio (execução) funda-se no cumprimento da sentença que no direito penal. Competência e simples possibilidade. 6 . ou limitada.trata-se da possibilidade de aplicação de medidas da coação processual para que haja respeito e garantia da função jurisdicional. sendo esta a categoria da comarca. pode ser penal. quando julga as causas de interesse da União. algo positivo. Já que não existe julgamento. de acordo com o aspecto que esta é examinada. a idéia de ação de dizer o direito. e aquela o grau de jurisdição. Estes elementos são em número de cinco: 1º) notio (conhecimento) . integrada pelos tribunais. V. destinada a julgar a maioria das ações. O conceito de competência é metodológico. Jurisdição é a propriedade que tem o Poder Judiciário de prolatar concretamente a aplicação do direito objetivo. por serem juízes. qualidade daquilo que não contradiz. 4) Quanto ao objeto. "Serão processadas e julgadas na justiça estadual. art. concernente aos órgãos da Justiça comum. Os juízes. 3º) coertio (coerção) . 180).. se exercida por juízes estaduais. regularmente investidas no cargo. o poder de dizer o direito. a faculdade de julgar. como ocorre nas cidades onde há diversas varas. sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal.1950). e. 2) Quanto matéria a ser. 5) Quanto à função. Doutrinariamente costuma-se apresentar divisões e formas da jurisdição. de acordo com a natureza da causa. Jurisdição é força. e virtude.é o poder de convocar a comparecer em juízo todo aquele cuja presença for necessária ao esclarecimento do caso sub judice. 108. 1. (Nogueira. a jurisdição pode ser inferior.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL Em sentido estrito. pode ser ordinária ou comum. não ultrapassa os limites impostos por lei". a lei poderá permitir que outras causas sejam também processadas e julgadas pela Justiça estadual" (CF. em que há litígio. Paulo Lúcio. quando sua competência é restrita a certos casos. quando juiz tem competência para julgar todos os casos. chegando alguns doutrinadores a dizer que neste caso não há propriamente jurisdição. como o Senado nos crimes de responsabilidade dos presidentes e dos ministros (Lei nº 1. com mais propriedade e rapidez. e federal. 53). assim. 1) Quanto à categoria. Também as contravenções estão excluídas da competência da Justiça Federal de 1ª instância (CF. civil. constituindo a maioria das causas. Isto se justifica porque muitas delas coincidem com o próprio . as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado. na forma da lei (CF. José Frederico Elementos de Direito Processual Penal. 4º) judicio (julgamento) . 3º ed. a jurisdição pode ser contenciosa. formada por comarcas. p. quando podem ser julgadas. Como as contravenções contra a fauna e flora.é o poder de conhecer uma causa e decidi-la 2º) vocatio (chamamento) . Nos territórios federais. tratada. "a função estatal de aplicar as normas da ordem jurídica em relação a uma pretensão" (Marques. e de regular o andamento do processo. quando há consenso das partes. especial ou extraordinária. Saraiva. Etimologicamente. art. dictionis (ação de dizer.interesse do município. § 3º). 1961. se verificada essa condição. eleitoral. art. Forense. de 10. diz respeito ao poder em si. Curso completo de processo penal. pode ser estadual. Não faz sentido transferir o processo julgamento para a Capital ou comarca distante. no foro do domicilio dos segurados ou beneficiários.consiste no poder de julgar e pronunciar o direito no caso concreto. que dispõem sobre os órgãos julgadores.

isto é. 5) Princípio da indeclinabilidade. "Ninguém será considerado culpado até o transito em julgado de sentença penal condenatória" (art. O foro competente para julgar será a Justiça Federal. Não permite que o crime da competência de um juiz seja julgado por outro. ou outras exceções legais (art. 3) Natureza da infração . do CPP. 6º. Ninguém pode ser julgado a não ser por juiz ou tribunal competente.) 8) Princípio da relatividade. podem ocorrer em outras cidades.) ou da Justiça Comum (federal ou Estadual). dentre muitos com iguais atribuições ou da mesma categoria. Competência Estando. é necessário que haja uma limitação desse poder. sob pena de nulidade. "A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito" (CF. "Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente". que tais princípios são imprescindíveis à regularidade processual. 5º LIII. onde há interesse Público. Verifica-se. o juízo (o órgão) competente.consumou a infração. de acordo com as determinações legais. Previsto no Art. 95 e 252 e 254 do CPP. incompetência. 2) Princípio da investidura determina que a jurisdição só pode ser exercida por quem tenha sido regularmente investido no cargo e esteja em exercício. impedimento. comarca ou distrito. Ex. 70. assegurada a ampla defesa (art. fora ou além do pedido. Em regra. o juiz natural dos crimes dolosos contra a vida e o Júri Popular. sem distinção de qualquer natureza (art. de Porto Alegre. Trata-se de hipótese prevista no art. do CPP). Solucionada esta 7 . 5º e incisos. mas serão julgados e processados no foro competente da Justiça Federal. ditado pelas leis de organização judiciária. LVII). As partes estão sujeitas ao juiz que o Estado lhes deu e que não pode ser recusado. do CPP. Trata da impossibilidade do juiz agir sem a provocação das partes. surgem certos princípios fundamentais à atividade jurisdicional. a exercer seu poder jurisdicional.Em razão de postulados constitucionais vigentes. onde esgotou sua atividade criminosa. Somente será incidente quando não conhecido o lugar da infração. conforme dispõe o art. caput. consumado em Novo Hamburgo. de competência da Justiça Federal. CF. o lugar da infração deve ser entendido o local onde o agente . a competência é determinada "pelo lugar em que foi praticado o último ato de execução" (2º parte do art. pelo domicílio ou residência do réu ("rations loci"). que fundamentam e garantem os direitos individuais. isto é. Deve ser mantida a correspondência entre a sentença e o pedido.: o juiz natural para os crimes praticados por juízes e promotores e o tribunal de Justiça. pois a jurisdição não pode ser exercida ilimitadamente por qualquer juiz. 6) Princípio da improrrogabilidade. extensão territorial e número de litígios. o que é uma decorrência da indeclinabilidade. 8) Princípio da processualidade ("nulla poena sine iudicio"). ou seja. Eleitoral. 74. como no caso dos crimes de competência da Justiça Federal . que é fixada pela Constituição Federal e as leis. visto que o juiz deve colocar-se acima das demais partes. a usurpação de função constitui crime (CP. etc. constituindo-se em foro subsidiário.: juiz aposentado perde a jurisdição. 3) Princípio da imparcialidade do juiz. 70. como garantia da ampla defesa. 2) Domicilio ou residência do réu. simplesmente. O Código de Processo Penal. Ex. o Poder Judiciário. CF). a não ser em casos de suspensão."Ratione materiae". Impede o juiz de subtrair-se ao exercício de sua função jurisdicional.centralizada nas capitais e determinadas cidades do interior os delitos de sua competência. fixou vários critérios para fixação da competência. Com este critério não se busca o foro competente mas.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL Princípios da jurisdição Corolário das garantias para a aplicação da lei. mesmo na esfera penal. suas ações para conseguir o objetivo desejado. No caso de tentativa. Esta regra sofre exceções. Não pode excusar-se de proferir decisão. é preciso fixá-la em razão da natureza da infração ("rations matériae") se é da Justiça Especial (Militar. O poder de conhecer a questão caberá unicamente a determinado ou determinados juízes. 4) Princípio da iniciativa das partes ("ne precedat judex ex officio"). Não haverá juízo ou tribunal de exceção. eventualmente. mesmo o juiz federal só tem competência dentro do seu território. assim.. Impossível haver relação processual valida se não houver juiz imparcial. Determinada a competência pelo lugar da infração ou. 7) Princípio da inevitabilidade (ou da irrecusabilidade). em razão da sua jurisdição em circunscrição territorial onde ele exerce as suas funções. art. inclusive de organização judiciária."Ratione loci". 328). art. do CPP. Por exemplo: delito. ou seja. Todos são iguais perante a Constituição. 1) Lugar da infração . 1) Princípio do juiz natural (constitucional) . garantida a mais ampla defesa. visto que não pode haver julgamento extra ou ultra petita. aplicando a norma adequada a cada caso. a lei e o Estado. Em razão disso e vedada a delegação. mesmo havendo concordância das partes. entre outras. é de suma importância. 5º. em vista da quantidade populacional. Nenhuma pena pode ser imposta senão por meio de processo regular. 5º XXXV). em seu art. 72. O juiz só é competente dentro de seu território. Esta limitação do poder jurisdicional é chamada de competência.

o Código de Processo penal. mas motivos que determinam a sua alteração. através de único quadro de provas mais amplo e completo. consumado em Porto Alegre.o sujeito quer atingir um bem jurídico e ofende outro da espécie diversa. deve se buscar. prevê as regras a serem observadas na determinação da conexão e continência: a) no concurso entre a competência do Tribunal do Júri e a de outro órgão da jurisdição singular prevalecerá a competência do Júri. além de atingir a pessoa que visou. porém. do CPP) a) quando duas ou mais infrações houverem sido praticadas. do CPP. Estas. 3) nos outros casos. do CP). deverá ser a a regra da prevenção.dá-se quando existirem dois ou mais juízes competentes e. prevê normas sobre a competência por conexão e continência. lesões a objetividades jurídicas diversas.erro de execução . diversos assistentes de um jogo de futebol. 83. é uma repartição. que tem competência ditada pela norma constitucional. Exemplo: furto e receptação em lugares diferentes. embora diverso o tempo e o lugar. Por exemplo. 78. 78. XXXVIII. não são causas determinantes da fixação da competência. do CPP). em princípio. tiverem sido praticadas para facilitar ou ocultar as outras ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas. se as penas forem iguais (art. 75. pois. Exemplo: três agentes em conluio praticam um crime. a.. umas contra as outras. ou por várias pessoas em concurso. a ação será processada e julgada em uma das varas de acidente de trânsito (natureza da infração). etc. 2) quando ocorrem várias infrações prevalece a competência do lugar onde tiver ocorrido maior número. b) quando se tratar de co-autoria: vários agentes e o mesmo delito. será competente o que tiver antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa. pessoa lança uma pedra-contra uma vitrina e vai alcançar também um transeunte. por varias pessoas. Como exemplo citamos: agente comete um homicídio e um estupro contra a mesma vítima. Verifica-se que o critério de distribuição está intimamente ligado ao da prevenção . II. Há dois crimes: um de dano e outro de lesão corporal (art. 339. com base no art. ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa. A competência por distribuição. quando uma pessoa constrange outra à escrever uma denunciação caluniosa (art.. Por exemplo: ocorrido delito de trânsito. Sendo delito de trânsito considerado matéria especial. Exemplo: quando o crime é consumado em quadrilha ou bando. Exemplo: agressões entre componentes de duas torcidas em um estádio de futebol. por distribuição. Exemplificando: ocorrido um homicídio doloso só o Tribunal do Júri. é competente para processar e julgar o feito. . ou seja. da Justiça Comum Estadual. 5) Conexão e Continência Nos artigos 76 a 82. hipótese em que ela é determinada pela distribuição.. um deles venha antecipando-se aos outros. ainda. há dois resultados. da CF. praticar algum ato que o torne competente para o processar excluindo os demais. existir em dois ou mais juízes competentes para o julgamento do caso. O juízo de direito da 1ª Comarca será competente para o julgamento de todos os crimes (o furto simples tem a mesma pena da receptação dolosa). concorrendo dois ou mais juízes igualmente competentes ou jurisdição cumulativo. b) ou. O artigo 78.o sujeito ativo. caso não tenham todos a competência plena (para todas as infrações). do CPP). salvo a competência privativa do Tribunal do Júri para crimes dolosos contra a vida. por exemplo. a unidade de julgamento. 76. d) quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstancias elementares influir na prova de outra infração. evitando-se discrepância e contradições entre os julgados. d) quando por "aberratio delicti . será competente o lugar onde se praticou o furto. 1. o foro competente será a comarca de Porto Alegre (local da infração). do CPP. Exemplo: prática de incêndio para ocultar a prática de um furto. predominará a de maior graduação. a cada crime deva corresponder um processar é aconselhável que. infanticídio. ambos os crimes serão julgados pelo Tribunal do Júri. praticam depredações no estádio. fora dos princípios anteriores. c) quando por "aberratio ictus" . o domicilio do réu. contida no art. Ocorre a conexão: (art. c) no concurso de jurisdições de diversas categorias. Embora. melhor conhecimento dos fatos e maior firmeza e Justiça nas decisões. 73. haja um só processo nos casos de conexão e continência. 74 CP). Haverá a fixação de competência por distribuição na hipótese de no lugar onde o processo deva ser instaurado. 70. com lesões corporais. prevalecerá: 1) a do lugar da infração a qual for cominada pena mais grave (art. visto que este tem a pena mais grave. do CPP. etc. uma divisão de processos entre juízes igualmente competentes. do CPP. aborto e instigação ao suicídio. em regra. 78. do CPP. atraindo para atribuição de um juiz ou juízo o crime que seria da atribuição de outro. consequentemente. ao mesmo tempo. Numa só ação.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL questão referente à competência do juízo. 5º. fere um terceiro (art. praticando com ação única. aquele competente em razão da natureza da infração. CP).ou seja. c) quando duas ou mais infrações.desvio do crime . como o são o lugar do crime. do CPP. a) quando há concurso formal ou ideal de crimes (art. do CP). Observe-se o exemplo dado: um sujeito prática três furtos em uma cidade e vende os objetos materiais a receptador doloso de outra. etc . na hipótese de haver vários juízes. Exemplo: se um deputado estadual praticar um crime em con- 8 .art. como homicídio. 146 e art. no . II b. 4) Distribuição Tal matéria esta contida no art. b) no concurso entre jurisdição da mesma categoria. Ocorre a continência nos casos previstos nos incisos do art. por várias pessoas reunidas. Motivando a reunião em um processo e. por economia e maior segurança e coerência. com a distribuição o juízo fica prevento. 77. a conexão e a continência tem por finalidade a reconstrução unitária das provas a fim de que haja. 180. Exemplo: a prova do furto influi na prova da receptação (art. destruição do cadáver para ocultar o homicídio.). ocasionalmente reunidos. A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de organização judiciária. do local onde se consumou no fato.

" 6) Prevenção Ocorrerá competência por prevenção no caso do art. 86 e 87. tomar conhecimento dela (prisão preventiva. um militar e outro comum. o julgamento de A não poderia ficar aguardando até a data da intimação de B.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL curso com um particular. em primeiro lugar. Quanto ao Superior Tribunal de Justiça compete processar e julgar. a cisão do processo e obrigatória. conexão. ainda que o crime tenha sido praticado em outro estado.o advogado de A aceita o jurado Y. salvo nos casos de: a) concurso entre a jurisdição comum e militar. comete crime. mas. isto é. d) no caso de co-réu foragido que não possa ser julgado a revelia.. Exemplo: havendo dois ou mais réus. as pessoas que exercerem as funções arroladas no art. A será julgado por primeiro e. será o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Por exemplo: A e B cometem em co-autoria um crime de homicídio. quando B for intimado pessoalmente da sentença de pronúncia. Exemplo: A. sua intimação. 7) Prerrogativa da função A competência pela prerrogativa de função (art. Por outro lado. 102. não se realizando. O Tribunal competente para julga-lo. isto é. 152. O Supremo tribunal Federal tem competência. do CPP). 83. 80 do CPP: "Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem sido praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugares diferentes. o processo terá andamento quanto a ele. do CPP. se as recusas não coincidirem . originariamente. O Supremo Tribunal Federal tem competência. mesmo que o local da consumação do crime tenha sido São Paulo. CPP) é ditada pela função da pessoa. c) sobrevemiência de doença mental de um dos acusados. Não havendo acordo. haverá separação dos processos. já que em relação a ele ficará suspenso até que se restabeleça o "status quo" (art. o Vice-Presidente. para processar e julgar. as pessoas que exercerem as funções arroladas no art. Este tipo de competência exclui a regra do foro pelo lugar da infração. do CPP. Por ocasião da intimação pessoal . particular. o Superior Tribunal de Justiça. o Tribunal de Justiça competente é o do estado da respectiva autoridade. nos crimes comuns. I. a referentes ao Supremo Tribunal Federal e ao Supremo Tribunal de Justiça. ocorrendo à hipótese do art. e) outra exceção prevista é a do art. quando pelo excessivo número de acusados e para não lhes prolongar a prisão provisória. do CPP. Diz o art.dos réus. será a Justiça Eleitoral competente para os dois. com foro especial por prerrogativa de função. prevalecerá esta. as recusas dos jurados ficarão a cargo de um só defensor. cada defensor recusará os jurados que quiser.dar-se-á a separação dos julgamentos. 102. como nos casos de crime inafiançável. Por exemplo. etc. a separação será facultativa. 461. b Procurador-Geral da Republica. tendo em vista a dignidade do cargo que exerce. quando vários juízes são cumulativamente competentes para conhecer e decidir a mesma causa. ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou queixa. e havendo acordo entre estes. que e recusado pelo advogado de B . As mais destacadas hipóteses de competência pela prerrogativa de função. fica com a sua jurisdição preventa aquele que. da CF. ou. se houver conexão de um crime comum com um eleitoral. da CF. concurso de agentes no furto cometido por um maior e outro menor inimputável. na área penal. haverá cisão dos processos. com defensores diversos. A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento. ou seja. Por exemplo: O Presidente da República. portanto. Por exemplo. Assim. em concurso com B. o Juiz reputar conveniente a separação. neste caso. a. ou por outro motivo relevante. B se encontra foragido. Logo. com relação a competência do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais de Apelação (de Justiça e de Alçada). haverá disjunção de julgamento. b) concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores (hoje. originariamente as pessoas detentoras das funções arroladas no art. a competência por prerrogativa de função abrange também as pessoas que não gozam de foro especial. Juizado da Criança e da Adolescente). sempre que houver concurso de pessoas. para processar e julgar. Na hipóteses anteriores. originariamente. da CF. 80. Como já foi exposto. Os dispositivos constitucionais sobre prerrogativa de função alteraram os arts. estão previstas na Constituição Federal. I. O foro competente para julgar ambos será o especial. quando não houver coincidência na recusa de jurados pelos defensores. ambos seção julgados pelo Tribunal de Justiça do Estado. 84. I b e c. Logo. b e c. ocorrendo dois crimes em. do Código de Processo Penal. d) no concurso entre a jurisdição comum e a especial. Exemplificando: prefeito municipal de Porto Alegre comete crime comum em São Paulo. prosseguindo-se somente no do réu que houver aceito o jurado. na área penal. 105. concessão de fiança). além de acrescentar hipóteses de competência da nova Corte. da competência do Júri. 9 .

deve limitar-se a depor sobre fatos pretéritos. não há para as partes. obrigação de provar. examina-las em conjunto não isoladamente. "e a prova destinada a levar ao juiz elementos instrutórios sobre normas técnicas e sobre fatos que dependam de conhecimento especial". subdivide-se em: testemunhal. diferentemente do processo civil. deve haver absolvição. porque esta. Não há limitação dos meios de prova. Classificação da prova Segundo Malatesta. na duvida. deve ser produzida na instrução processual. Deverá tão somente. instrumentos do crime. etc. convencendo-o da sua existência ou inexistência. Entretanto. por ciência própria ou por ouvir dizer real. ela tem valor relativo. deve o juiz criminal. ou seja. Muitos negam o valor do inquérito como fase investigatória. 10 . por terceiros (testemunhas. Quanto a forma. quando não provadas. mas não se pode deixar de reconhecer que. as alegações das partes. que podem ser escritos públicos ou particulares e. vistorias. quanto ao objeto. no processo penal. pois. No saber de Paulo Heber de Morais . 158 a 184. na perícia. enquanto o perito faz verificações sobre fatos presentes". supre-lhe as insuficiências e não se confunde coma testemunha. será: pessoal. como toda a prova no processo penal.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL PROVA . Como exames. etc. visando estabelecer. isto é. do conjunto de atos praticados pelas partes. necessita-se de prova de certeza. e ser contraditória. etc. para o oferecimento da denúncia. A prova constitui em atividade probatória. Provas em espécie PERÍCIA (arts. 156. quanto ao sujeito e quanto a forma: Quanto ao objeto. que comporta hierarquia de provas. indícios suficientes da materialidade e autoria. como nas vistorias. ainda. sendo produzida perante o juiz que dirige o processar que forma sua convicção pelo princípio do livre convencimento fundamentado. portanto. um risco ou prejuízo. tornar aquele fato conhecido do julgador. No processo penal todas as provas tem valor relativo. perícias. mesmo porque nenhuma sanção Ihes poderá ser imposta pelo seu não-cumprimento. visto que impera a autonomia. que tem força de prejudicial (arts. 155 e 92). levando-se em conta que contem elementos importantes que não podem ser repetidos em juízo. do CPP). perícias. se resultante de uma afirmação pessoal. A prova. em regra. indireta. a quem alega (art. peritos. havendo restrições apenas quando estiver em jogo o estado da pessoa. material. A obrigatoriedade da prova. para averiguar a verdade e formar a convicção deste último. 157). se resultante da afirmação de ter visto. Quanto ao sujeito. consiste-se de exames.) e até pelo juiz. vigorante no nosso processo penal (art.e João Batista Lopez "o perito. pode ser: direta. quando proveniente de uma confirmação. Para a abertura do competente inquérito policial nos crimes de ação pública. A finalidade da prova é formar a convicção do juiz sobre os elementos necessárias para sua decisão na causa. ou seja. das testemunhas ou por acareações. etc. se produzida através da oitiva das vítimas. isto é. do CPP) Segundo José Frederico Marques. auxiliar do juiz. documental. dentro do processo a existência de certos fatos. a prova se divide por três processos. o que consagra o princípio do in dubio pro reo. não poderão ser consideradas como base para a decisão. basta a simples notícia. quando proveniente de um raciocínio ou de ter ouvido. ou a regra do ônus probandi compete ao autor da tese levantada. para a condenação criminal. se verificada por meio de documentos.ESPÉCIES Conceito e considerações Provas são elementos produzidos pelas partes ou pelo próprio juiz. alem de não ser pessoa especializada.

611:402). a contar da data do crime (CPP. seção aplicadas aos peritos. Já na fase judicial. pois não pode ser suprido pela confissão do acusado. A sumula 361 dispõe: "No processo penal e nulo o exame realizado por um só perito. é dispensável o exame interno quando a causa mortis for obvia. considerandose impedido o que tiver funcionado anteriormente. do que se submete ou adequa ao tipo. do Código de Processo Penal. art. em regra. I). O exame complementar não pode ser realizado antes de ter-se passado um mês da data do fato (RT. existem dois sistemas: o vinculatório. stricto sensu. 254. em aceitar ou rejeitar o laudo. quando depende de inspeção ocular sobre os elementos sensíveis. Caso não haja perito oficial. policial). a nomeação do perito caberá ao juízo deprecado. O exame de incapacidade para ocupações habituais. isto é. pelo qual não pode o juiz deixar o laudo. Efetivamente. esta súmula só e aplicável em se tratando de peritos particulares. 156. visto que em caso de perito oficial e suficiente um. a análise crítica dos fatos observado. podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo. E inegável o valor do laudo pericial. sempre que a infração deixar vestígios. Como já foi afirmado antes. Geralmente o requerimento das perícias é feito pela autoridade policial. O laudo divide-se em quatro partes: preâmbulo ou introdução. No juízo penal. Porém. no todo ou parcialmente. 168). art. por ter ela força definitiva (RT. poderá ser feita no juízo deprecante (art. No tocante a vinculação do juiz a perícia. sem que o fato se constitua em nulidade a ser decretada. O juiz não pode estar vinculado e aceitar passivamente as conclusões do perito. não tendo aparte direito de apresentar quesitos. 155. A classificação da lesão e fator importante para determinar a sua gravidade. realizados. não menos certo e que o corpo de delito direto pode ser suprido pelo indireto. somente quanto ao estado das pessoas.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL Em geral. § 1º. a nomeação dos peritos cabe ao magistrado. 69. por mais de trinta dias. não havendo intervenção das partes. Na fase inquisitorial a autoridade policial requisita as perícias aos peritos oficiais. . uma vez que. traçando-lhe os elementos integrantes . sob pena de nulidade. no curso da instrução ou 11 . serão observadas as restrições à prova estabelecidas na lei civil. TRANSCREVEMOS A SEGUIR OS ARTIGOS 158 A 184 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL TÍTULO VII DA PROVA CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 129. poderão as partos formular quesitos. Alguns exames periciais exigem regras especiais para serem. que deve conter o nome dos peritos e o objeto da perícia. 620:355). e CP. Em caso de realização de perícia por precatória. havendo acordo entre as partes. em razão do princípio do livre conhecimento. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer. e a narração minuciosa do que foi observado. na diligencia de apreensão". discussão. determina urgente feitura da perícia. Art. Porém no caso de ação penal privada. devem ser nomeados peritos particulares com conhecimento técnico do assunto. cabendo-lhe fundamentar sua decisão. nos casos de morte violenta. exposição. e requisitada pelo delegado. e. a conclusão. Noutro sentido. 168. O princípio da imediatidade. Porém. No nosso processo vigora o sistema liberatório.. em razão do princípio do contraditório. E admitida a realização de exames de dependência ao tóxico por médicos da confiança do juiz. Entretanto nada impede que seja requerida pela parte. sob pena de desaparecerem os vestígios e a apuração dos fatos resultar prejudicada. na fase policial. que contem as respostas dos peritos aos quesitos do juiz e das partes (ou da autoridade. mas o juiz poderá. Assim.As mesmas causas do impedimento aplicadas ao juiz no art. feita pela lei. no todo ou em parte (art. visto que é indispensável o exame de corpo de delito. 182). "O exame de corpo do delito nos crimes que deixam vestígios e essencial. 177).. deve ser realizado após esse prazo. a perícia determinada pela autoridade policial. Entretanto. não ficando o magistrado adstrito ao laudo. onde o juiz tem inteira liberdade de apreciação. mesmo que não sejam peritos oficiais. visto que a lei penal contempla lesões leves. a autopsia (necropsia ou necroscopia) tem que ser efetuada pelo menos seis horas depois do óbito (art. § 2º. quando resulta de depoimentos testemunhais a respeito da materialidade do fato e de suas circunstancias. Lato sensu. que se produz através de prova testemunhal" (RT. isto é. corpo de delito e "o conjunto dos elementos materiais e sensíveis do fato delituoso". que podem ser apuradas de plano ou necessitar exame complementar (art. 162). e o liberatório. sendo realizada perícia. 613:364. entretanto. graves e gravíssimas. tratando-se de peça técnica. O mestre Magalhães de Noronha nos informa que o exame de corpo de delito tem duas acepções: "numa é sinônimo de fato típico. mas nada impede que sejam requeridas pelas partes ou determinadas de oficio pelo juiz. e o conjunto de vestígios materiais deixados pelo crime. pois trata-se de prova técnica: neste caso o magistrado estaria subjugado as conclusões do perito. Laudo e a exposição detalhada da observação dos peritos e suas conclusões.O exame de corpo de delito pode ser direto. é a autoridade policial quem determina a perícia na fase do inquérito policial (art. finalmente. 613:317). 605:321. Havendo decisão denegatória do pedido de perícia cabe o recurso de apelação. é indispensável à livre convicção do julgador já que lhe fornece preciosos elementos. Ou indireto. . o qual nada mais e que a descrição. direto ou indireto. fato que tem tipicidade. que permaneceram atestando a prática do crime. VII) . da conduta correspondente a cada crime. o exame de corpo de delito e prova da existência do crime (fato típico).

170. 163. os peritos guardarão material suficiente para a eventualidade de nova perícia.3. indicarão com que instrumentos. por haverem desaparecido os vestígios. deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 (trinta) dias. 158. Art. a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta. 171. 168. no laudo.1994) Art.862. desenhos ou esquemas elucidativos. Parágrafo único. Proceder-se-á. Nos casos de morte violenta. as alterações do estado das coisas e discutirão. por comparação de letra. Art. bastará o simples exame externo do cadáver. Os peritos registrarão. entre as que tiverem habilitação técnica relacionada à natureza do exame. no qual se descreverá o cadáver. 165. 167. as conseqüências dessas alterações na dinâmica dos fatos. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova. os laudos serão ilustrados com provas fotográficas. Art.1994) § 2o Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo.3. § 1 o. o que tudo constará do auto. Art.1994) Parágrafo único. Não sendo possível o exame de corpo de delito. Art. ou de encontrar-se o cadáver em lugar não destinado a inumações. 159. diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. Art. da qual se lavrará auto circunstanciado. Se impossível a avaliação direta. serão arrecadados e autenticados todos os objetos encontrados. os peritos terão presente o auto de corpo de delito. além de descrever os vestígios. Nas perícias de laboratório. Art.1994) § 1o Não havendo peritos oficiais. portadoras de diploma de curso superior. os peritos. não podendo supri-lo a confissão do acusado.862. os peritos verificarão a causa e o lugar em que houver começado. de 28. Art. 161. Os cadáveres serão sempre fotografados na posição em que forem encontrados.3. de ofício. direto ou indireto.862. a autoridade procederá às pesquisas necessárias. CAPÍTULO II DO EXAME DO CORPO DE DELITO. Art.862. (Redação dada pela Lei nº 8. escolhidas. em casos excepcionais. observar-se-á o seguinte: 12 . de 28. (Redação dada pela Lei nº 8. no relatório. podendo este prazo ser prorrogado. de 28. a extensão do dano e o seu valor e as demais circunstâncias que interessarem à elucidação do fato.862. o que declararão no auto.3. Em qualquer caso. 160. Art. a autoridade providenciará para que. 172. Parágrafo único. proceder-se-á ao reconhecimento pelo Instituto de Identificação e Estatística ou repartição congênere ou pela inquirição de testemunhas. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração. 157. Parágrafo único.3. Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver exumado. 166. salvo se os peritos. à avaliação de coisas destruídas. 174. o perigo que dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio alheio. No caso de recusa ou de falta de quem indique a sepultura. julgarem que possa ser feita antes daquele prazo. se realize a diligência. Nos crimes cometidos com destruição ou rompimento de obstáculo a subtração da coisa.3. a requerimento dos peritos. 169. onde descreverão minuciosamente o que examinarem. de preferência. O administrador de cemitério público ou particular indicará o lugar da sepultura. do ofendido ou do acusado. (Redação dada pela Lei nº 8. No exame para o reconhecimento de escritos. que possam ser úteis para a identificação do cadáver. A autópsia será feita pelo menos 6 (seis) horas depois do óbito. 164. por que meios e em que época presumem ter sido o fato praticado. e responderão aos quesitos formulados. juntarão ao laudo do exame provas fotográficas. todas as lesões externas e vestígios deixados no local do crime.862. de 28. com todos os sinais e indicações. será indispensável o exame de corpo de delito. I. pela evidência dos sinais de morte. § 2o Se o exame tiver por fim precisar a classificação do delito no art. determinar.1994) Art. Quando a infração deixar vestígios. Os exames de corpo de delito e as outras perícias serão feitos por dois peritos oficiais. (Redação dada pela Lei nº 8. E DAS PERÍCIAS EM GERAL Art. Parágrafo único. ou microfotográficas. Art. devidamente rubricados. a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos. 162. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8. quando não houver infração penal que apurar. quando necessário. ou a requerimento do Ministério Público. desenhos ou esquemas. ou quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver necessidade de exame interno para a verificação de alguma circunstância relevante. Os peritos elaborarão o laudo pericial. a fim de suprirlhe a deficiência ou retificá-lo. que poderão instruir seus laudos com fotografias. de ofício. o exame será realizado por duas pessoas idôneas. ou por meio de escalada. bem como. Art.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL antes de proferir sentença. se o primeiro exame pericial tiver sido incompleto. de 28. esquemas ou desenhos. do Código Penal. contado da data do crime. Art. Em caso de lesões corporais. de 28. Art. Em caso de exumação para exame cadavérico. sob pena de desobediência. O exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer hora. proceder-se-á a exame complementar por determinação da autoridade policial ou judiciária. os peritos. O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 (dez) dias. 129. quando possível. No caso de incêndio. em dia e hora previamente marcados. (Redação dada pela Lei nº 8. os peritos procederão à avaliação por meio dos elementos existentes nos autos e dos que resultarem de diligências. Parágrafo único. § 3o A falta de exame complementar poderá ser suprida pela prova testemunhal. deterioradas ou que constituam produto do crime.1994) Art. Sempre que conveniente. 173. lavrando-se auto de reconhecimento e de identidade. na medida do possível. § 1o No exame complementar. Para representar as lesões encontradas no cadáver. ou de seu defensor.

se julgar conveniente. quando não for necessária ao esclarecimento da verdade. 175. poderão servir quaisquer documentos que a dita pessoa reconhecer ou já tiverem sido judicialmente reconhecidos como de seu punho.outra hipótese espalhafatosa. Art. por ter autorizado a polícia a fazer escuta telefônica no escritório de um advogado com a finalidade de descobrir um crime de seqüestro. desta forma. 184. Houve um rumoroso caso em que um Juiz das Execuções Criminais da Capital paulista foi afastado do cargo por representação da Ordem dos Advogados. digamos. Se houver divergência entre os peritos. . III . e a autoridade nomeará um terceiro. seria lícito indeferir tal. em que se consignarão as palavras que a pessoa será intimada a escrever. se este divergir de ambos. Embora tal Comentário tenha sido feito a luz do art. Os doutrinadores distinguem a prova ilegítima e a prova ilícita. No caso do art. podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo. II . acordo das partes. 178. aqui lembradas. a nomeação dos peritos far-se-á no juízo deprecado. torna-se necessário fazer algumas considerações sobre as provas ilegítimas ou produzidas de maneira ilícita. se presente ao exame. E prossegue o eminente desembargador: "Assim. juntando-se ao processo o laudo assinado pelos peritos. Art. caso não atendidas as suas exigências.1994) Parágrafo único. mas em lugar certo. No caso do § 1o do art. já que o advogado seria inviolável no exercício de sua profissão e o sigilo telefônico não admite restrições. fazendo escuta não autorizada de converses particulares. Entretanto essa interpretação fanática da norma obrigaria a polícia e o Ministério Publico a uma passividade assassino. Art. a autoridade mandará que a pessoa escreva o que Ihe for ditado. O fato desencadeou inflamados debates. ou nestes realizará a diligência. parágrafo único. 159. quando necessário. ou no caso de omissões. 160. Art. a autoridade poderá mandar proceder a novo exame por outros peritos. o juiz ou a autoridade policial negará a perícia requerida pelas partes.§ 9ª da Constituição Federal de 1967. Art. o desembargador aposentado Francisco César Pinheiro. Havendo. os documentos que existirem em arquivos ou estabelecimentos públicos.para a comparação. mas vinca o absurdo de todo dogmatismo . Parágrafo único. apenas para ressaltar que toda norma. ou sobre cuja autenticidade não houver dúvida. ou cada um redigirá separadamente o seu laudo. após citar o preceito constitucional da inviolabilidade da correspondência e das comunicações telefônicas que a relação concisa do parágrafo pode discutivelmente . o exame será requisitado pela autoridade ao diretor da repartição.a pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir o escrito será intimada para o ato. 176. 180. 159. por outros peritos. obscuridades ou contradições. Os quesitos do juiz e das partes serão transcritos na precatória. esta última diligência poderá ser feita por precatória. 182. DAS PROVAS ILEGÍTIMAS E ILÍCITAS Dada a freqüência com que Vem ocorrendo e pela homenagem feita pela imprensa nacional. onde supostamente estaria envolvido um cliente do causídico. o laudo. de 28. e houvesse possibilidade de se impedir isso mediante escuta telefônica. 183. essa nomeação poderá ser feita pelo juiz deprecante. com manifestações favoráveis e contraries ao episódio. no todo ou em parte. Art. Art. Desta forma.haveria alguém tão 'constitucionalista' a ponto de preferir morrer entre chamas . a autoridade judiciária mandará suprir a formalidade.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL I . 177. se uma organização terrorista ameaçasse envenenar as represas de uma cidade. requisitará.862. do Conselho Monetário Nacional (nada de pessoal na hipótese) ou de uma corporação de juristas e realmente começasse a cumprir a promessa . O juiz não ficará adstrito ao laudo. ocorrendo hipóteses extremas. será subscrito e rubricado em suas folhas por todos os peritos.abraçando a um exemplar da Constituição. admite interpretação para adequa-la ao caso concreto". O Estado de São Paulo. que poderá ser datilografado. IV .apenas com o argumento de que o parágrafo não abriu execução a proibição" "Se um bando de fanáticos . Serão sujeitos a exame os instrumentos empregados para a prática da infração.: o art. Escuta telefônica e constituinte. Art. também pela autoridade. No caso de inobservância de formalidades. No exame por precatória. porém. Salvo o caso de exame de corpo de delito. 181.ameaçasse de queimar vivos os membros. do que transigir e permitir a escuta que localizaria os assassinos § (Francisco César Rodrigues. que grampearam telefones.embebido de gasolina quanto em princípios constitucionais .quando não houver escritos para a comparação ou forem insuficientes os exibidos. o escrivão lavrará o auto respectivo. 19. 1987). 179. Art.3. A autoridade poderá também ordenar que se proceda a novo exame. 153.induzir o entendimento de que nem mesmo por motivos gravíssimos estaria o Judiciário autorizado. 233 do processo penal dispõe que as cartas particulares interceptadas ou obtidas por meio criminoso 13 . no caso de ação privada.a autoridade.a permitir uma escuta telefônica. complementar ou esclarecer o laudo. se daí não puderem ser retirados. A respeito do fato manifestou-se. Parágrafo único. Art. . em procedimento regular. Nos crimes em que não couber ação pública. observar-se-á o disposto no art. No caso do art. se for encontrada. a produção de prova ilegítima é Proibida. a fim de se Ihes verificar a natureza e a eficiência. que evitaria milhares de mortes. Vez por outra tomamos conhecimento de autoridades policiais. para o exame. que será assinado pelos peritos e. mesmo constitucional. escuta. a primeira e aquela proibida por uma norma instrumental ou processual. Ex. 21 jun. com a finalidade de diligenciar e descobrir crimes de difícil elucidação. (Redação dada pela Lei nº 8. A autoridade e as partes poderão formular quesitos até o ato da diligência. Se estiver ausente a pessoa. serão consignadas no auto do exame as declarações e respostas de um e de outro. parece-nos suficientemente enfático para demonstrar que a questão da ilicitude da prova deve ser tratada com muito cuidado.

sendo ele incessante nos termos legais. com coisas que traduzam um veemente indício . na verdade. resultantes de uma norma processual. 1987. armas . a moral (recompensar parceiro para conseguir a prova de adultério). por exemplo.1 . havendo até autores que pretendem fixar. quando o agente e encontrado com objetos indicativos do crime. esse lapso de tempo. logo após. do CPP). objetos ou papeis que façam presumir ser ele o autor da infração (art. mormente quando se contrapõe ao interesse publico. admite sua produção. em seu art. logo depois. e que são vedadas e podem ser rejeitadas. punindo-se o violador. p. 1..2 .da autoria ou participação no crime. a boa-fé (usar gravador disfarçado). Não é necessário. A prisão em flagrante e um ato administrativo (art. Nesse caso. e possível ofender os costumes (exteriorizar segredo obtido em confessionário). Revista dos Tribunais.II. visa buscar um certo equilíbrio entre os interesses sociais e os direitos fundamentais do indivíduo. 209. 1. devem ser admitidas.5 .4 . que a lei equipara a certeza advinda da prisão durante .(Flagrante real. o autor da ilícito" (Ada Pellegrini Grinover. Leciona Camargo Aranha que "a violação de um direito material pode ser ampla. no processar as provas obtidas por meios ilícitos" (art. Desta forma" entende Ana Pellegrini Grinover "as provas colhidas. encontrando-se no local do fato ou nas suas proximidades em situação indicativo de que cometeu o ilícito. assim. LVI) deve ser interpretado à luz da teoria da proporcionalidade. 1. Chama-se flagrante próprio quando o agente esta cometendo o ato ilícito (art. Três são as teorias existentes a respeito da prova ilícita: 1ª) Teoria da admissibilidade. o que não se coaduna com a vontade da lei que. o mandamento constitucional no sentido de que "são inadmissíveis. A de quem e surpreendido no ato de execução do crime (desfechando golpes na vítima. mas a prova colhida tem validade. ao fazer mau uso desses direitos. e é expressão "logo após". as cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário. logo depois de praticado o delito. T. arbitrariamente. Prova ilícita e a resultante de proibição do direito material.Flagrante em crime permanente e crime habitual: O CPP. a gravação obtida subrepticiamente permanece.Quase-flagrante: (Flagrante impróprio) Há.3 . de dano ou de perigo (morte. O "logo após" deve ser entendido como iniciada a perseguição logo após o crime. deixa também de permanecer merecendo o amparo.o cometimento do crime. do CPP. de uma violência arbitraria. Cabe tanto em relação á prática de crime. Esta teoria reconhece a ilicitude da prova. visto PRISÃO EM FLAGRANTE 1. do CPP: "E perseguido. mas sim que a pessoa seja encontrada.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL não seção admitidas em juízo.) e a de quem já esgotou os atos de execução.. entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar permanência. LXI). há maior margem na discricionariedade da apreciação do elemento cronológico.Conceito: E um sistema da autodefesa da sociedade. em situação que fará presumir ser o autor da infração") uma presunção da autoria do ilícito.Flagrante presumido:.(ficto) Previsto no art. pois o que e inadmissível a deixar de colher determinada prova importante e de interesse social. como de contravenção.). causando o resultado jurídico. objetos ou papei s que façam presumir ser ele o autor da infração". do CPP). 44). processando-se o ofensor pela violação da lei adequada. de natureza processual. Camargo Aranha. etc (Adalberto José Q. não se resumindo na oposição a lei. do CPP). 302. dispõe que nas infrações permanentes. Não importa o tempo decorrido entre o momento do crime e a prisão do seu autor. embora se reconheça a má-fé do exibidor" (Adalberto José Q. do CPP) equiparou duas situações diferentes em dispositivos diversos. Denomina-se flagrante impróprio ou quase flagrante a prisão daquele que e perseguido em situação em que se presume ser ele o autor da infração (302. etc. T. IV. O mesmo entendimento tem Camargo Aranha: "a conversa telefônica interceptada fica mantida como prova. armas. ainda que em detrimento do direito individual. admissível. Embora a regra geral seja que todo cidadão merece a tutela é a proteção constitucional dos seus direitos fundamentais. III. O que tem acarretado dúvidas na aplicação do dispositivo. obra cit. nos termos da lei. 5º. flagrante propriamente dito). Mas . 44). 303. Assim os violadores de uma norma material respondem pela violação. penal ou disciplinarmente. estendendo-o até 24 horas. III. 2ª) Teoria da inadmissibilidade ou rejeição. Saraiva. I e II. de Camargo Aranha. 3ª) Teoria da proporcionalidade: é uma teoria eclética. punindo-se apenas. no caso. Da prova no processo penal. A lei (art. mesmo sem o consentimento do signatário. dano material. 302. IV. deixa a interpretação ao prudente critério do juiz. etc.Como já foi enfatizado quando tratamos dos documentos. 14 . destruindo coisa alheia. com instrumentos . para esta somente as provas ilegítimas. pelo ofendido ou por 'outra pessoa. Liberdades Públicas e processo penal. O Código de Processo Penal trata da perseguição no seu art. que diz: "Encontrado. 105). uma medida cautelar. que haja perseguição. 5º. logo depois da infração. (art. pela autoridade. lesões. 302. tem por base o princípio da moralidade dos atos praticados pelo Estado e o de que se a prova e ilícita ofende o direito. Desta forma. p. 301. que dispensa ordem escrita e é prevista diretamente na Constituição Federal (art. do CPP) e de flagrante presumido ao caso da prisão do que é encontrado.Flagrante próprio: . 1982. a fotografia obtida mediante da violação da intimidade vale como prova. Porém considerando o interesse social predominante. a colheita desta também e proibida. p. 302. . não sendo. com instrumentos. 302. 1. tem se admitido que há uma situação de fato que proporciona um maior elastério ao juiz na apreciação da hipótese. para defesa do seu direito.

quer por ser inexistente ou impróprio o objeto material a que permitiria (art. 5º. diante do disposto no art. no caso. etc. não se tornou impossível a consumação do crime. Pelo art. a autoridade competente e a autoridade policial. crime impossível. etc. 149. 149. sob pena de relaxamento da prisão. sem instigar o mecanismo causal da infração. que não autoriza seja o agente preso em flagrante. em qualquer das hipóteses.7 . a prova da reiteração de atos traduzem o comportamento criminoso. quer porque exercia vigilância sobre o delinqüente. Diz a súmula 145 do STF: 'Não há crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação". respeitado o prazo de decadência (art. no segundo caso. dependendo da vontade do agente.11 . mesmo nas hipóteses em que se deva invadir a casa alheia. cabendo no caso a instauração do incidente de insanidade mental (art. ato algum de jurisdição. não é incabível a prisão em flagrante em crimes habituais se for possível.Prazo para lavratura do auto: Não está explicito. os Deputados Estatuais. Não se negará a situação de flagrância no caso da prisão de responsável por bordel onde se encontrem inúmeros casais para fins libidinosos ou de pessoa que exerça ilegalmente a medicina. 1. quer porque recebeu informação a respeito do provável cometimento do crime. já que ações pode ser aplicada medida de segurança. 2ª parte da CF.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL que a consumação. logo após o delito. dever da autoridade e seus agentes efetuar a prisão (flagrante compulsório). haverá. o capturado será logo apresentado a do lugar mais próximo. se apresenta espontaneamente a autoridade. imediatamente após apresentação do preso a autoridade. se a polícia retira a possibilidade de consumação (retirando a vítima do local onde se pretende mata-la. ainda que provocado o flagrante. pode burlar o esquema montado pela polícia para efetuar a prisão. a fim de que 15 . A denúncia ou a queixa devera ser oferecida no prazo de 5 dias da vista ao Ministério Publico. induzido por alguém. 38 do CPP).Flagrante em crime de ação privada: Nada impede que a captura ocorra nos crimes que se apenam mediante ação penal publica dependente de representação ou ação penal privada. Tratando-se de crime em flagrante. 17.). qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes prender quem seja encontrado em flagrante delito (art. conseguindo a consumação do ilícito (desfechando tiros. e não a do local do crime. por terceiro ou pela polícia (agente provocador). 148. mesmo porque qualquer pessoa pode efetuar a prisão em flagrante (flagrante facultativo). Todavia. no entanto. e que procura colher a pessoa depois de executar a infração. os membros do Ministério Público. Porém. nos crimes cuja conduta e "guardar consigo". "transportar". 1. uma vez que a prisão em flagrante exigiria a prova da habitualidade.). também não pode ser preso em flagrante (prisão por apresentação). no primeiro caso. o Presidente da República. presume-se que o prazo seja esse. do CPP). 1. que determina o prazo de 24 horas para que seja entregue ao preso "a nota de culpa". é pacifico na doutrina e jurisprudência que.290 do CPP. do CPP). quando se encontre atendendo vários pacientes. 1. por serem inimputáveis.9 .Sujeitos do flagrante: Sujeitos ativos: Nos termos da lei. permite-se a prisão. no ato. Contudo. porém. A impossibilidade da prisão por apresentação. ou seja.8 . subtraindo a coisa.Auto de prisão em flagrante: Diante do disposto no art. Neste caso. como ocorre nos crimes de seqüestro (art. CP). do CPP). seja decretada a prisão preventiva do autor da infração (art. comprovar-se a habitualidade.. É licita a prisão dos alienados mentais. inexiste razão para falar-se em incompetência "ratione loci". portanto. Segundo orientação do STF. no Código de Processo Penal. admite-se que o particular proceda a apreensão das coisas em poder do preso. Sujeitos passivos: A regra geral de que qualquer pessoa pode ser presa e autuada em flagrante apresenta algumas exceções: Não podem ser sujeitos passivos do flagrante os menores de 18 anos. 304 tem-se a impressão de que isso deve ocorrer logo. não e exigido o mandado judicial. compete a lavratura .Flagrante preparado: (provocado) E quando o agente e induzido a prática de um crime pela "pseudo vítima". Porém. a denúncia ou a queixa.do flagrante a autoridade da circunscrição onde foi efetuada a prisão. deve ser ouvida a vítima ou seu representante legal para que ofereça a representação ou manifeste o desejo de oferecer queixa oportunamente. Assim. desde que relacionadas com a prova do crime e da autoria. capturado o autor da infração penal que se apura por essa espécie de ação. .10 . se prolonga no tempo. 301. extorsão mediante seqüestro (art.6 . deve ser comunicada a prisão a familiar ao advogado ou a pessoa por ele indicada. possibilitando a prisão. etc. "ter em deposito". ou os objetos que seriam subtraídos. Tem se entendido que. quem. se há possibilidade de consumação. embora inimputáveis. Neste caso. Em relação aos crimes habituais não é idêntica a situação. de exercício regular de direito. frustrando sua consumação. que não exclui a competência de outra autoridade administrativo. visto que o agente não dispõe de meios necessários para conseguir a consumação. não exercendo a polícia. o agente. Nessas hipóteses o crime está sendo cometido durante o tempo da consumação. ou de distribuição dos autos ao juiz competente. 317. CP). Apesar de tudo.Autoridade competente: Em regra. Não pode ser autuada em flagrante daquele que prática o fato e delito to de trânsito. O relaxamento da prisão não impedirá. Trata-se de um caso especial de exercício da função pública transitória por um particular em caráter facultativo e. no exercício de uma das funções primordiais da polícia judiciária. 1. CP). caso contrario a prisão não será efetuada. Não havendo autoridade no lugar em que se tiver efetuado a prisão. os diplomatas estrangeiros. presentes os requisites próprios. Podem ser autuados em flagrante delito apenas nos crimes inafiançáveis os membros do Congresso Nacional. LXIII. na vítima. De acordo com o art. 306. Flagrante esperado: Quando a atividade policial e apenas de alerta. A lei é omissa a esse respeito. não impede. 1. Nessa hipótese há um crime impossível . Ademais. Não há restrição ao fato de que os agentes policiais estejam foram de sua circunscrição territorial. neste caso. o prazo. os Magistrados.

do CPP). pelos arts. pois. devem ser ouvidas as testemunhas que acompanharam o condutor que. a autoridade mandara recolhe-lo a prisão. por lei (art. Havendo ilegalidade na autuação em flagrante (não havia situação de flagrante. devem ser no mínimo duas.14 . Tanto a autoridade policial como o juiz. no caso de estar ele embriagado ou ferido. 304. essa autoridade não pode figurar como testemunha e presidente do Auto de prisão em flagrante. LXII. do CPP).mas devem declarar as razoes porque se decidiram pelo relaxamento da prisão.312 a 327. 301. Conforme disponha a lei local. etc. 5º. 304. quer seja a pessoa a quem foi o preso entregue. -Substituem as testemunhas instrumentais. quando se apresentar ilegalmente patente. do CPP). o preso. da CF). que Ihe tenham ouvido a leitura. Caso a autuação seja determinada pelo juiz não poderá ele exercer jurisdição na ação penal resultante da prática do crime. o condutor também pode ser considerado testemunha numeraria. do CPP. LXV. se determina que o preso deve passar recibo da nota de culpa. com o condutor .devem assinar pelo menos duas pessoas que hajam testemunhado a apresentação do preso a autoridade (art. o condutor. o recebimento da comunicação da Prisão em Flagrante pelo juiz previne a jurisdição. mas a decisão que o negar é irrecorrível. ofendido ou particular que conduziu o preso até a autoridade. 304. O reduzido número de testemunhas. nessa hipótese. do CPP). do CPP). que será também assinada por duas testemunhas. mas.: O art.) a prisão deve ser relaxada pelo juiz (art. PROCESSO DOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS Arts. como a vítima e seu irmão.de ser ato desejável. de apresentação. a autoridade judiciária ao anula-lo. Eventualmente. seu curador ou defensor e o escrivão.Custódia Encerrado o Auto de Prisão em Flagrante e "havendo fundada suspeita contra o conduzido". 513 a 518. mas não o anula. caput e § 1º. Encerrada a lavratura do flagrante. Após o recolhimento do preso. mas informantes. para integrar o mínimo legal. assegurado na CF (art. 1. etc. neste caso. 581. pode ser deferido pedido de habeas corpus. a autoridade deve prosseguir nos autos do inquérito policial . por exemplo. a autoridade devera relaxar a prisão. a prisão deve ser comunicada imediatamente ao juiz competente (art. diante o impedimento previsto no art. do Código Penal e os crimes estão descritos do art. que e uma garantia constitucional assim. parágrafo único. praticados no exercício a função. 5º. 1. e condutor. 304. 513. A prisão ilegal diminuiu o valor probatório das atos praticados no inquérito policial. houve excesso de prazo para a lavratura. também cabe recurso em sentido estrito (art. do CPP. Não sendo competente a autoridade policial deve remeter os autos àquela que o seja (304. como prevê o art. chamadas testemunhas instrumentárias (indiretas) da apresentara-o. Nos termos do art. desacato. ou mesmo a falta absoluta não obsta a lavratura do flagrante. previstas nos arts.Nota de culpa: No prazo de 24 horas da prisão. a primeira pessoa a ser ouvida no Auto de Prisão em Flagrante é o condutor. V. 513 a 518 O código de Processo Penal prevê regras especiais de procedimento Para os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos. Nessa ocasião deve se. agente da autoridade. 581. Se a testemunha ou ofendido não souber ou não quiser assinar. Do relaxamento da prisão em flagrante cabe o recurso em sentido estrito (art. O conceito de funcionário publico. § 1º. Nulo o Auto de Prisão em Flagrante por vício real.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL se possibilite a estas que tomem as medidas necessários em sua defesa. V. 327. Do relaxamento de prisão em flagrante nessa hipótese.13 . menciona que a denúncia ou a queixa devera conter os documentos ou justifica- 16 . ou na sua presença. não souber ou não puder faze-lo o auto de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas. como. muito menos a ação penal que dele redundar. na presença do acusado (art. entregar-se-á a nota de culpa ao preso. sem prejuízo do desenvolvimento das investigações e do Inquérito policial. a omissão do interrogatório do preso no Auto de Prisão em Flagrante não traduz necessariamente nulidade. § 3º. 1. não estio obrigados a fundamentar o recolhimento do réu e a manutenção da prisão em flagrante . Ouvidas as testemunhas. Por construção pretoriana. as pessoas que não são consideradas testemunhas.12 . § 1º última parte). Assinam o auto a autoridade. quando ele não souber. A autoridade deve observar a nomeação de curador ao preso menor de 21 anos. 304 caput. por exemplo. 1ª parte.Prisão pela autoridade: Quando o delito é praticado contra a autoridade no exercício de suas funções.. aplica-se o art. Apesar . etc. 304. § 2º. (assinatura a rogo). do CPP). a omissão deste ato essencial deve redundar no relaxamento da prisão. Todavia. se para isso for competente. 306. ele alertado para o direito de ficar calado. decrete a prisão preventivo. conforme dispõe o art. A "Contrario sensu". quando recebem a comunicação do flagrante. se não surgir essa fundada suspeita das declarações contidas nos autos. Já se tem entendido que a sua falta não vicia o auto de prisão em flagrante. 252. nada impede que. do CPP. CF). do CPP. 216 do CPP. desobediência. não puder ou não quiser assinar. as testemunhas. Em seguida. quer tenha sido ele a efetuar a prisão. a entrega da nota de culpa e formalidade essencial para proporcionar ao capturado a sua ampla defesa. Para os efeitos penais esta previsto no art. A importância do ato e tal que. presentes os requisites. sob pena de nulidade do auto no que diz respeito a prisão. No caso do acusado (indiciado) se recusar. 5º. LXIII). II (testemunha) e III (diretamente interessado no feito). o ofendido. a autoridade "interrogara o acusado sobre a imputação que lhe e feita" (art.

mesmo inafiançável. Art. 518. 513. TESTES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL 01) A ação penal pública esta sujeita aos princípios a) da legalidade. Na instrução criminal e nos demais termos do processo. para responder por escrito. da procedibilidade e da obrigatoriedade b) da legalidade. na forma estabelecida no Capítulo I do Título X do Livro I. O mesmo vale Para o caso do denunciado ou querelado ter sido exonerado ou ter deixado de exercer o cargo. citando o acusado e o processo tomara o rito comum Para os crimes apenados com reclusão. o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do acusado. E ela devida. da inexistência do crime ou da improcedência da ação. de competência do juiz singular. Parágrafo único. os autos permanecerão em cartório. sem manifestação do acusado. Parágrafo único.898/65. ser-lhe-á nomeado defensor. estando a denúncia ou queixa em devida forma. observar-se-á o disposto nos Capítulos I e III. caso contrario. da indisponibilidade e da obrigatoriedade d) da legalidade. Se não for conhecida a residência do acusado. Art. em despacho fundamentado. portanto.d. tal como o abuso do poder. se convencido. não havendo. A resposta poderá ser instruída com documentos e justificações. Art. arts. 514). da inexistência de crime ou da improcedência da ação. cujo processo e julgamento competirão aos juízes de direito. A existência da notificação previa Para a defesa previa refere-se exclusivamente aos delitos funcionais (CP. Os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos. 02) A ação penal de conhecimento pode ser 17 . onde poderão ser examinados pelo acusado ou por seu defensor. 312 a 326). Antes do recebimento da denúncia. 517. pela resposta do acusado ou do seu defensor. que trata dos crimes praticados no exercício da função. ainda que haja conexão com crime comum. o juiz devera notificar o acusado a apresentar a defesa preliminar. a Lei 4. e da procedibilidade c) da legalidade. ou seja. Contudo. necessidade de defesa preliminar. recebera a denúncia ou a queixa. CAPÍTULO II DO PROCESSO E DO JULGAMENTO DOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS Art. dentro do prazo de 15 (quinze) dias. Desta forma. Recebida a denúncia ou a queixa. a queixa ou a denúncia será instruída com documentos ou justificação que façam presumir a existência do delito ou com declaração fundamentada da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas. 514. ou este se achar fora da jurisdição do juiz.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL ções que façam presumir a existência do delito. Nos crimes afiançáveis. na hipótese de crimes inanfiançáveis (art.a. devem indicar o "fumus boni juris" necessário a instauração da ação penal. Art. e não a outros crimes que venham a ser praticados pelo funcionário. durante o prazo concedido para a resposta. tem rito processual próprio. insanável. O juiz rejeitará a queixa ou denúncia. 516. devera rejeitar a peça acusatória. pela resposta do acusado ou de seu defensor. deste Livro. no prazo de quinze dias. Art. outros consideram-na causa de nulidade absoluta. da oficialidade. No caso previsto no artigo anterior. ainda que se trate de ilícito penal apenado com detenção. Apresentada a resposta ou decorrido o prazo. os autos devem ir ao juiz Para receber ou rejeitar a denúncia. 515. emprego ou função. a quem caberá apresentar a resposta preliminar. Se convencido. não se estende à defesa preliminar ao co-réu que não atenda a condição de funcionário público. Título I. embora a notificação só se refira ao delito funcional. será o acusado citado. A jurisprudência é divergente no entendimento sobre a ausência de notificação preliminar alguns entendem que é causa de nulidade relativa. da obrigatoriedade e da oportunidade e) n. não sendo aplicado o Código de Processo Penal.

que entendendo estar o Ministério Público Federal com a razão. de ofício. ou na conveniência da instrução criminal.d.d. para a Procuradoria-Geral da República. inclusive menor ou estrangeiro d) somente por advogado constituído pelo interessado e) n. 18 .a. da indisponibilidade e da obrigatoriedade c) oportunidade e legalidade d) obrigatoriedade e indisponibilidade e) n. II. depois de oferecida a denúncia c) se retratar. § 1º. 03) Os atos da autoridade policial. antes de oferecida a denúncia b) se retratar. porque não sujeitos ao controle judiciário quanto a sua legalidade c) simplesmente arbitrários. 08) A prisão em flagrante delito deve ser feita a) por qualquer do povo b) somente por agentes policiais c) somente pelas autoridades policiais d) pelas autoridades policiais e seus agentes e) n. do CP e) n. 04) O habeas corpus pode ser impetrado a) somente pelo interessado ou por seu procurador b) por qualquer cidadão c) pelo interessado ou por qualquer pessoa. como pressuposto. no inquérito. da procedibilidade e da obrigatoriedade b) da legalidade.d.a.d. 129.a.a. caberá: a) recurso. mandará outro Procurador da República pedir o arquivamento. mesmo. ou para assegurar a aplicação da lei penal . pois ele é o dono da ação e) nenhuma está correta 17) Se o Ministério Público Federal pedir o arquivamento do inquérito e o juiz rejeitar. quando ela for incondicionada d) por denúncia do promotor e) todas estão corretas 15) O ministério público é o dono da ação penal.a.a. sendo que se o Procurador concordar com o juiz o inquérito será arquivado b) recurso ao sentido estrito. constitutiva e condenatória pública principal e privada principal constitutiva. o exame de corpo de delito complementar poderá ser feito para a) definir se a gravidade da lesão acarretou perigo de vida b) completar o primeiro exame pericial c) comprovar a existência de vestígios da lesão d) precisar a classificação do delito previsto no art. mediante representação do promotor de justiça ou requerimento do delegado de polícia e) n.a.a. porque o indiciado é mero objeto de investigações e não sujeito de direitos d) imunes a qualquer controle. publica e privada n. são a) discricionários.a.d.d. a prisão do acusado e) n. prevista na legislação processual a) pressupõe a condenação judicial transitada em julgado b) pressupõe a prisão legal do indiciado c) e autorizada somente nas prisões correcionais d) não exige. 14) A ação penal será promovida por: a) promoção do Ministério Público b) queixa crime c) representação.d. ao Procurador-Geral da República. 09) A prisão temporária de indiciado pode ser decretada pelo a) delegado de polícia b) promotor de justiça c) promotor de justiça a requerimento do delegado de polícia d) juiz de direito. 05) A instrução criminal tem início com a) a instauração de inquérito policial b) o recebimento da denúncia ou da queixa c) o interrogatório do acusado d) a citação do acusado e) n.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL a) b) c) d) e) pública e privada declaratória. 13) Em caso de lesão corporal. porque sujeitos ao controle judiciário quanto a sua legalidade b) discricionários. para o Tribunal Regional Federal. 07) A prisão preventiva deve fundar-se na garantia da ordem pública. que decidirá se é ou não caso de recebimento da denúncia c) recurso. nº.d.a.d. quando houver a) prova de autoria b) antijuridicidade e materialidade do crime doloso c) autoria do crime e reincidência específica d) prova de existência do crime e indícios da autoria e) n. para efeito de concessão de habeas corpus a) a decretação de prisão civil b) a aplicação da pena disciplinar c) a extinção da punibilidade d) a remoção de preso para outro estabelecimento prisional e) n.d. em hipótese alguma d) pode se retratar a qualquer tempo. feita esta o ofendido não poderá a) se retratar. 12) Para a decretação da prisão preventiva a) é necessária a decisão da autoridade policial b) bastam as exigências de crime e de autoria c) à necessário despacho fundamentado da autoridade judiciária d) é necessário que o réu seja perigoso e) n. porque deles não decorre constrangimento à liberdade de locomoção do indiciado e) n.d.. assim: a) O juiz também pode iniciar o processo b) Somente o promotor pode iniciar a ação penal c) O Ministro da Justiça não pode requisitar a ação penal d) O Ministro da Justiça pode requisitar a ação penal e) Nenhuma está correta 16) Em caso de ação pública condicionada a representação. 06) A ação penal pública está sujeita aos princípios a) da legalidade. de ofício.a. 11) A incomunicabilidade do indiciado.d.a. 10) Considera-se coação ilegal .

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL d) recurso. será admitida ação privada quando: a) o ofendido tenha qualidade para apresentá-la b) o promotor não intentar a ação pública no prazo legal c) o ofendido desistir do inquérito e apresentar a queixa crime d) o promotor intentar a ação. de ofício. ao Tribunal Superior Federal. para decidir sobre a rejeição judicial e) nenhuma está correta 18) Quando o Ministério Público Federal denunciar alguém o juiz deve: a) receber a denúncia b) rejeitar a denúncia c) examinar se é o caso de recebimento ou rejeição da denúncia. como dono que é e) nenhuma está correta 20) A ação penal privada poderá ser intentada: a) somente pelo ofendido b) pelo ofendido e pelo Ministério Público c) somente pelo Ministério Público d) pelo ofendido ou por quem tenha qualidade para representá-lo e) pelo Ministério Público e pelo representante do ofendido RESPOSTAS 1)c 2)b 3)a 4)c 5)c 6)b 7)d 8)b 9)d 10)c 11)b 12)c 13)b 14)d 15)d 16)e 17)d 18)c 19)b 20)d 19 . porém não cabe recurso e) nenhuma está correta 19) Nos casos de ação pública. decidindo d) receber ou rejeitar a denúncia.

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