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28 UCDB - VIRTUAL UNIDADE 4: FRANCESCO CARNELUTTI - “AS MISÉ- RIAS DO PROCESSO PE-  

UNIDADE 4: FRANCESCO CARNELUTTI - “AS MISÉ- RIAS DO PROCESSO PE-

 

OBJETIVOS DA UNIDADE:

Preparar os acadêmicos para o progra-

NAL”

ma de leitura e estudo dos clássicos. Revisar os conhecimentos textuais e gramaticais dos alunos

 

“ O Direito Penal, sim, é o direito da sombra; mas é preciso atravessar a sombra para chegar à luz. Ao menos para mim foi o que aconteceu. Cada um faz o seu caminho; e o caminho, como a fisionomia de cada um, é diferente do caminho dos outros. Eu me dediquei a tratar com os chamados homens de bem, considerei-me um homem de bem; e não dei um passo para cima. Foi o conhecimento dos trapaceiros que me fez reconhecer que não sou de fato melhor que eles ou que eles não são de fato piores do que eu; e era isto que necessitava, para um homem como eu, mais inclinado ao orgulho, senão propriamente à soberba. Quero dizer que também estive por muito tempo nas arquibancadas do circo olhando do alto os gladiadores, como se não fossem meus irmãos. Se aqueles que estão lá no meio arriscando a vida fossem nossos irmãos, não é certo pensar que correríamos para eles, para separá-los e para salvá-los?” (CARNELUTTI, 2006).

4.1 Considerações sore o autor

• Francesco Carnelutti é um jurista Italiano nascido em Udine (1879), faleceu em Milão (1965).

• O autor ensinou na Universide Bocconi de Milão(1909-1912), ainda lecionou

na Universidade de Catânia (1912-1915), Padova (1915-1935), no Estado de Milão (1936-1946) e Roma (1947-1949) respectivamente.

• Em 1924 fundou e dirigiu a Rivista di diritto processuale. Também foi o Principal inspirador do Código Civil Italiano de 1940.

• Mestre do direito civil e penal, considerado um eminente advogado e o mais

famoso entre os novecentos juristas.

• Encontram-se diversos pareceres de sua autoria em todo o campo jurídico.

• Foi criador também da teoria da lide como centro do sistema processual.

• Essa proposta metodológica importou deixar em planos inferiores o estudo da

ação e de suas condições, que ocupam lugar de astros de primeira grandeza na constelação de institutos processuais descrita pelos estudiosos de seu tempo.

• Carnelutti chegou a renunciar ao conceito de interesse de agir, como condição da ação.

4.2 Considerações sobre a obra

• O livro AS MISÉRIAS DO PROCESSO PENAL do autor em questão não traz

uma análise do direito processual penal italiano, mas procura, com pé no chão,

identificar todos os problemas enfrentados pelo direito processual penal e se estes procedimentos contribuem para a realização dos fins a que a sociedade entende como necessários dentro de um corpo social.

• Em suas análises procura mostrar com muita propriedade e conhecimento todas

as dificuldades encontradas pelos procedimentos processuais penais na realização

da prestação jurisdicional do estado no momento em que um crime é praticado e que o Estado tem que atuar.

• Estas análises procuram mostrar qual é o verdadeiro valor do processo penal como

instrumento de apuração da verdade e de realização da justiça. Tem como ponto de partida a lei, pois por suas previsões não há possibilidade de a conseqüência não se seguir à causa.

• O NATURAL É O HOMEM NÃO JULGAR O SEU SEMELHANTE, mas

por necessidade, o processo penal, que é “uma pobre coisa”, faz com que o

homem tenha que julgar seu semelhante, mesmo sem ter, e sem poder obter, um conhecimento adequado da vida dele. As circunstâncias impedem que se conheça

a fundo a história do criminoso, mas mesmo assim tem que julgá-lo.

4.3 Principais idéias do autor

• O processo penal é uma pobre coisa, pois “

julgamento possível, seria aquele feito à luz da vida inteira do acusado. Julgar por ”

concepção é julgar uma pessoa pela sua vida, não por um ato isolado

o processo penal se volta para um único ato da vida do acusado: O DELITO. Esta

é a sua MISÉRIA.

• O processo, para Carnelutti, morre sem alcançar a verdade. Cria-se, então, um

substitutivo para a verdade: A COISA JULGADA. Mesmo sem ser a verdade, mesmo, em alguns casos, sem sequer se aproximar da verdade, a coisa julgada assume a função de verdade no ordenamento social e o réu, para o resto de sua vida, carregará o estigma que a sentença condenatória lhe atribuir.

• Para Francesco Carnelutti, o processo é um conjunto de atos dirigidos à formação

ou à atuação de mandatos jurídicos cuja característica consiste na colaboração de pessoas interessadas, que são as partes, e com uma ou mais pessoas desinteressadas, que são os juizes ou os órgãos judiciais, mas que, por seus argumentos, conduzem

a produção de uma sentença condenando alguém e a SENTENÇA sepulta o réu

ainda em vida. Sepulta-o, pois ele será para sempre um assassino, um ladrão, um

sedutor ou uma outra espécie de delinquente aos olhos das pessoas. Eis as misérias deste processo.

• O processualista italiano aponta qual é a relação direta existente entre o Direito e o processo. Segundo o autor, o processo serve ao Direito quanto se figura como método para a formação e para a atuação deste ultimo. Por outro lado, o Direito, de servido passa a servidor ao processo quando funciona como regulador dos conflitos de interesses formados no âmbito do processo. Esclarecida a relação fundada entre o Direito e o processo, Carnelutti reduz a termos menores o conceito de Direito Processual: é aquela parte do Direito que regula o processo (CARNELUTTI, 2006).

• Ao analisar o processo ele faz uma analogia ao profissional da medicina, pois esta ciência não teria sentido se não curasse. Assim também no processo em

questão que não visa a prescrição de uma pena e que não seja capaz de recuperar

o delinqüente, não cumpre com sua função social.

• Pelo que se vê a prisão é o maior exemplo destas lacunas, pois ela pune, mortifica,

degenera, faz aumentar o ócio, multiplica os ressentimentos e as revoltas

só não recupera.

• No desenrolar do livro o autor faz uma viagem por todos os passos do direito

a prisão

No entanto

único julgamento justo, o único

o

processual penal mostrando da toga usada pelos que iniciam e conduzem o processo até a libertação do réu após cumprir sua pena e mostra nesta viagem o quanto estes procedimentos são inadequados para permitirem um bom e justo julgamento de alguém que pratica qualquer crime. Este problemas como um todo

compõem o que ele chama de “AS MISÉIRAS DO PROCESSO PENAL”.

Textos que podem fornecer novas e diferentes visões sobre as idéias postas por Carnelutti. http://www.espacovital.com.br - AS MISÉRIAS DO PROCESSO PENAL de Vanessa Horst

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por Carnelutti. http://www.espacovital.com.br - AS MISÉRIAS DO PROCESSO PENAL de Vanessa Horst UCDB - VIRTUAL 2

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30 UCDB - VIRTUAL http://ensino.univates.br/~direito/artigo06.pdf http://www.joerlei.adv.br/ius/ - Ubi Societas, Ibi Ius

http://ensino.univates.br/~direito/artigo06.pdf

http://www.joerlei.adv.br/ius/ - Ubi Societas, Ibi Ius

http://www.joerlei.adv.br/ius/ - Ubi Societas, Ibi Ius \ s ATIVIDADE 4.1 1. Construa com base nas

\s ATIVIDADE 4.1

\ s ATIVIDADE 4.1

1.

Construa com base nas idéias do autor os principais problemas que o juiz vai en-

frentar para fazer justiça de fato ao ter que julgar um criminoso e que por

frentar para fazer justiça de fato ao ter que julgar um criminoso e que por função de

estado não pode se negar a julgar o ato criminoso a ele apresentado. (mínimo de

estado não pode se negar a julgar o ato criminoso a ele apresentado. (mínimo de 30 linhas)

2.

Quais são as partes que efetivamente apresentarão todas as informações históricas

ao juiz para que ele tenha condições efetivas para julgar um indivíduo que esteja in-

ao juiz para que ele tenha condições efetivas para julgar um indivíduo que esteja in- diciado e porque estes dados são insuficientes para julgar de forma efetiva, um crimi- noso, na visão de Carnelutti. (mínimo de 30 linhas)

3.

Apresente os argumentos postos por Francesco Carnelutti para mostrar todas as

misérias do processo penal e faça seus comentários sobre estas reais idéias. (mínimo de 30

misérias do processo penal e faça seus comentários sobre estas reais idéias. (mínimo de 30 linhas)

e faça seus comentários sobre estas reais idéias. (mínimo de 30 linhas) Submeta a atividade na

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