O APÓSTOLO PAULO

O APÓSTOLO PAULO Depois de Jesus, Paulo deve ser a pessoa mais influente na história da fé cristã. A conversão de um inimigo zeloso dos cristãos para um advogado incansável do evangelho, se classifica entre uma das histórias mais dramáticas das escrituras. Seus anos de ministério o levaram a inúmeras cidades na Ásia Menor e na Europa. Ele também escreveu treze cartas que estão incluídas no Novo Testamento. EDUCAÇÃO Apesar de ter nascido em Tarso, Paulo testifica que cresceu em Jerusalém e que estudou sob a tutela de Gamaliel (Atos 22:3). Não é muito claro quando que Paulo chegou a Jerusalém, mas é provável que ele tenha começado os seus estudos rabínicos entre seus 13 e 20 anos. SAULO O PERSEGUIDOR Pouco tempo depois dos eventos que mudaram o mundo, a ressurreição de Jesus e o pentecostes, os membros de certas sinagogas em Jerusalém, inclusive uma sinagoga da Cilícia (Atos 6:9), da terra nativa de Paulo, resolveram anular a nova igreja. Eles lutaram contra a sabedoria e o espírito (6:10) de Estevão (6:5,8). Eles o acusaram de blasfêmia diante do sinédrio (6:11-15) e, depois de sua defesa eloqüente (7:1-53), arrastaram-no para fora da cidade, aonde ele foi apedrejado até a morte. Ele se tornou o primeiro mártir cristão. O registro não revela inteiramente qual era o papel de Paulo nesses procedimentos, mas sabemos que ele era um participante ativo. As testemunhas contra Estevão, que eram encarregados de jogar as pedras na execução, "puseram as suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo" (Atos 7:58). A morte de Estevão iniciou os eventos que resultariam na conversão e na empreitada de Paulo como o apóstolo dos gentios. Mas, naquele tempo, Paulo era um líder dos opressores da igreja. Ele respirava ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor (Atos 9:1); ele perseguiu a igreja de Deus e tentou destruí-la (Gálatas 1:13) prendendo mulheres e homens cristãos (Atos 22:4) em muitas cidades. A CONVERSÃO E O CHAMADO Paulo recebeu cartas do sumo sacerdote em Jerusalém, endereçadas às sinagogas em Damasco, autorizando-o a prender os crentes de lá e trazê-los a Jerusalém para julgamento (Atos 9:1-2). Quando ele estava perto de Damasco, uma luz vinda do céu "a qual excedia o esplendor do sol" apareceu em volta de Paulo e os que estavam viajando com ele, e eles caíram no chão (26:13-14). Somente Paulo, no entanto, podia ouvir a voz de Jesus, que lhe dizia que ele seria o instrumento escolhido por Cristo para trazer as boas novas aos gentios (26:14-18). Paulo foi guiado até Damasco, temporariamente cego (9:8). Lá, o discípulo Ananias e a comunidade cristã o ajudaram através do evento inquietador de sua conversão (9:10-22). Depois

Ele foi protegido pelos que criam e escapou de seus perseguidores (9:23-25). 4:19. estava com ele quando ele escreveu a sua segunda carta a Timóteo (4:11). Filipenses 3:12). 22:1-21. Nós sabemos que algum tempo depois de 61 D. Crentes fiéis que estavam escondidos em Roma também manteram contato (1:16. 26:1-23).C). inclusive todos os seus colegas na Ásia (1:15) e Demas que amava ao mundo (4:10). Muitos o abandonaram (2 Timóteo 4:16). Paulo deixou Tito em Creta (Tito 1:5) e viajou através de Mileto.. contra a lei pregar a fé cristã. OS ANOS FINAIS E O MARTÍRIO Se assumirmos que Paulo é o autor das cartas pastorais (1 Timóteo. Essa carta é parecida com 1 Timóteo. 2 Timóteo e Tito).C). A transformação deste perseguidor zeloso de Jesus Cristo em o defensor chefe do evangelho (1 Coríntios 3:10. Paulo se refere a ela muitas vezes nas suas próprias cartas (1 Coríntios 9:1. mas com um tom mais rigoroso.C. O fato de ele ter sido preso em Jerusalém não só atrapalhou seus planos mas também o fez perder tempo que ele queria gastar em outro lugar. Romanos 15:28 mostra que a intenção de Paulo era entregar as arrecadações e ir em direção a Roma e depois para a Espanha. passando frio na cela gelada de pedra enquanto escrevia a sua segunda carta a Timóteo (66-67 D. no entanto. Efésios 3:3. podemos traçar o provável curso dos eventos dos últimos anos de Paulo. mas ainda se encontrava na Macedônia quando escreveu esta carta a Tito. Isso indica que a intenção dele era voltar ali para pegar as suas coisas. Ele pode ter passado o inverno em Nicópolis. noroeste de Corinto. A proteção que havia sido dada aos judeus tinha sido retirada dessa nova religião estranha. . Paulo começou a proclamar a Cristo ressurreto publicamente.21). sul de Éfeso. Apenas Lucas. Gálatas 1:1516. Viajando em direção a Macedônia. Em algum ponto os romanos provavelmente o prenderam novamente. Ele havia decidido passar o inverno em Nicópolis (Tito 3:12). Era. pois ele passou um inverno em Roma na Mamertime Prison. De Macedônia. No caminho. alguns sugerem que Paulo e os outros cristãos podiam ter sido acusados (falsamente) de terem incendiado Roma. Paulo deixou seu manto e seus livros com Carpo em Trôade (2 Timóteo 1:3).de um curto período com a igreja de lá. Nela há uma última referência ao eloqüente e zeloso Apolo (Tito 3:13). A conversão de Paulo foi de uma importância tão revolucionária e duradoura que há três relatos detalhados desse evento no livro de Atos (Atos 9:1-19. Paulo visitou Timóteo em Éfeso (1 Timóteo 1:3). Paulo escreveu sua carta afetuosa porém apreensiva a Timóteo (62-64 D. Neste ponto da história o caminho de Paulo é desconhecido. 15:8. 1 Timóteo 1:13) mudaria profundamente o curso da história mundial. Paulo sentiu o peso dessa perseguição. que ainda trabalhava para o evangelho por mais de dez anos depois de ter conhecido Paulo em Éfeso (Atos 18:24). e os judeus ameaçaram Paulo de morte (9:20-22). 21). Nós só podemos especular quais eram as acusações contra Paulo. Ele podia estar antecipando isso quando pediu para Timóteo lhe trazer o seu manto (2 Timóteo 4:13. mas ele não retornou a Trôade como ele havia planejado (2 Timóteo 4:13). o médico e autor do livro de Lucas e Atos.

e de outros assuntos cruciais para a fé cristã. o que é muito melhor" (Filipenses 1:23). o que ele fazia. RSV). nos Atos dos Apóstolos. As cartas procedentes de sua pena.C. Ele foi assegurado que o Senhor o daria a coroa da justiça no último dia (4:8). e nariz um tanto curvo. O pedido de Paulo que Timóteo o trouxesse seus livros e o seu pergaminho indica que ele estava estudando a palavra até o fim. Ela se encaixaria no registro do próprio Paulo de um insulto dirigido contra ele em Corinto. Matérias mais importantes. Apesar de Paulo saber que morreria em breve. mas foi provavelmente executado antes da morte de Nero no verão de 68 D. são graves e fortes. ele não temeu. o apóstolo em si escreveu encorajar todos os que criam "O Senhor seja com o teu espírito. “As cartas. dizem. demandam atenção — o que ele sentia. Depois disso.” Se esta descrição merecer crédito. ela fala um bocado mais a respeito desse homem natural de Tarso. Finalmente. com efeito. Aqui e acolá em suas cartas encontramos pedacinhos de autobiografia. Aparentemente não houve um veredicto. a escritura não menciona mais Paulo. autor dos Atos. “parcial-mente calvo. A graça seja com vosco" (2 Timóteo 4:22. Também temos. Na sua primeira defesa só o Senhor ficou do seu lado (2 Timóteo 4:16). e aparentemente Timóteo foi. o que ele ensinava. Nada sabemos sobre a segunda audiência de Paulo. . Sabemos o que esse homem de Tarso chegou a crer acerca da pessoa e obra de Cristo. Como um cidadão romano. afirmam os Atos de Paulo. ele deve ter sido poupado das torturas que os seus companheiros de mártir haviam sofrido recentemente. ainda na esperança que os gentios escutassem sua mensagem. mas provavelmente resultou em sentença de morte. Lucas.Ele pediu a Timóteo que viesse ao seu encontro em Roma (4:11). preservadas no Novo Testamento. A VIDA DO APÓSTOLO PAULO “Ele era um homem de pequena estatura”. olhos próximos um do outro. era médico e historiador gentio do primeiro século. pois não sabemos ao certo. que viveu quase sete décadas cheias de acontecimentos após o nascimento de Jesus. mas a presença pessoal dele é fraca. e a palavra desprezível” (2 Co 10:10). dão eloqüente testemunho da paixão de suas convicções e do poder de sua lógica. Lá não só ele se defendeu como também defendeu o evangelho. pernas arqueadas. um amplo esboço das atividades de Paulo. Sua verdadeira aparência teremos de deixar por conta dos artistas. escrito apócrifo do segundo século. porém.. A tradição diz que ele foi decapitado fora de Roma e enterrado perto dali. O apóstolo Paulo teve duas audiências diante dos romanos. e Paulo foi "livre da boca do leão" (4:17). A sua morte libertou Paulo "partir e estar com Cristo. Não temos nenhum relato escrito do fim de Paulo. de compleição robusta.

e não estava sujeita a pagar tributo a Roma. Paulo lampeja repentinamente em cena como um adulto numa crise religiosa. A) Da Cidade de Tarso. fora da cidade e através de um estreito desfiladeiro nas montanhas. o jovem fariseu. Desaparece por muitos anos de preparação. Esta afirmação nos dá o primeiro fio para tecermos o pano de fundo da vida de Paulo. um lugar de encontro do Leste e do Oeste. Embora localizada cerca de 16 km no interior. cobertas de neve. Reaparece no papel de estadista missionário. Em nítido contraste com as ilustrações rurais de Jesus. conhecido como “Portas Cilicianas”. porém. Tarso era uma cidade de fronteira. por terra e por mar. resolvida pela conversão. as metáforas de Paulo têm origem na vida citadina. ele flameja até entrar nas sombras além do alcance da vista. é necessário que passemos algum tempo com Saulo de Tarso. o missionário cristão aos gentios. Quem se der ao trabalho de escrever a biografia de Paulo descobrirá lacunas na vida do apóstolo que só poderão ser preenchidas por conjeturas. Encontramos em Atos a explicação de Paulo sobre sua identidade: “Eu sou judeu. Antes de sua morte. Os fatos e as lendas se entremesclavam. A semelhança de um meteoro brilhante. encontramos reflexos de vistas e cenas de Tarso de quando ele era rapaz. No primeiro século. Uma importante estrada romana corria ao norte. Muitas lutas militares antigas foram travadas nesse passo entre as montanhas. enquanto o teólogo tem material suficiente para criar intérminos debates acerca daquilo em que Paulo acreditava. Por conseguinte. Nessa cidade cresceu o jovem Saulo. tornando seus cidadãos ferozmente orgulhosos de seu passado. que passava no meio dela. que possamos entender Paulo. embora fizesse parte de uma província romana. O general romano Marco Antônio concedeu-lhe o privilégio de libera civitas(“cidade livre”) em 42 a. Tarso possuía uma preciosa herança. Tarso era a principal cidade da província da Cilícia na parte oriental da Ásia Menor. e uma encruzilhada para o comércio que fluía em ambas as direções. Ao norte de Tarso erguiam-se imponentes. que forneciam a madeira que constituía um dos principais artigos de comércio dos mercadores tarsenses. a cidade era um importante porto que dava acesso ao mar por via do rio Cnido. Em seus escritos.Assim. Sua Juventude: Antes. natural de Tarso. as montanhas do Tauro. . As tradições democráticas da cidadeestado grega de longa data estavam estabelecidas no tempo de Paulo. e durante algum tempo podemos acompanhar seus movimentos através do horizonte do primeiro século.C. era autônoma. o historiador dispõe de parcos registros. cidade não insignificante da Cilícia” (At 21:39).

. Ele sabia o suficiente sobre tais questões para pleitear diante de toda sorte de homens a causa que ele representava. “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas. Talvez fosse este o fundo histórico para a sua ilustração concernente à guerra cristã. na qual ele insiste em que “as armas da nossa milícia não são carnais.. exatamente. seria um comandante militar. foi sua advertência à igreja de Colossos (Cl 2:8). . Assim as vistas e os sons deste azafamado porto marítimo formam um pano de fundo em face do qual a vida e o pensamento de Paulo se tornaram mais compreensíveis. Em At 22:24-29 vemos Paulo conversando com um centurião romano e com um tribuno romano. E quase impossível que o jovem Saulo não tivesse ouvido algo a respeito dele. dizendo: “nos tornamos um espetáculo (teatro) ao mundo” (1 Co 4:9). Mas o Apóstolo protestou: “Ser-vos-á porventura lícito açoitar um cidadão romano. que fez mais inquirição. por muito tempo o seu nome permaneceu como herói em Tarso. Quanto. (Centurião era um militar de alta patente no exército romano com 100 homens sob seu comando. B) Cidadão Romano. sem estar condenado?” (At 22:25). o tribuno. de ser conduzido em “triunfo” (2 Co 2:14). sim.C. Também estava cônscio dos perigos das filosofias religiosas especulativas dos gregos.O reflexo do sol mediterrânico nos capacetes e lanças romanos teriam sido uma visão comum em Tarso durante a infância de Saulo. o centurião estava prestes a açoitar Paulo. e. A ele Paulo não só afirmou sua cidadania romana mas explicou como se tornara tal: “Por direito de nascimento” (At 22:28). produziram alguns dos mais nobres pensadores do mundo antigo. aplica-a aos apóstolos. quando Saulo não passava de um menino pequeno. Ele toma a palavra grega para teatro e. Mas as marcas da ampla educação e contato com a erudição grega o acompanham quando homem feito. foi o contato que o jovem Saulo teve com esse mundo da filosofia em Tarso? Não sabemos. Ele compara o “tabernáculo terrestre” desta vida a um edifício de Deus. Paulo não era apenas “cidadão de uma cidade não insignificante”. Atenodoro de Tarso é um esplêndido exemplo. neste caso. mas também cidadão romano. Os filósofos de Tarso eram quase todos estóicos. Embora Atenodoro tenha morrido no ano 7 d.. Não é de admirar que ele se referisse a Tarso como “cidade não insignificante”. nos céus” (2 Co 5:1). eterna. casa não feita por mãos. conforme a tradição dos homens. para destruir fortalezas” (2 Co 10:4). Paulo escreve de “naufragar” (1 Tm 1:19). com audácia. poderosas em Deus. Tais declarações refletem a vida típica da cidade em que Paulo passou os anos formativos da sua meninice. As idéias estóicas. ele não no-lo disse. Isso implica que seu pai fora cidadão romano. embora essencialmente pagãs. Isso nos dá ainda outra pista para o fundo histórico de sua meninice. O centurião levou a notícia ao tribuno. e não segundo Cristo”.) Por ordens do tribuno. do “oleiro” (Rm 9:21).

Quase todos os judeus que alcançaram a cidadania moravam fora da Palestina. Abraão. Assim. a cidadania era uma recompensa por algum serviço de distinção fora do comum ao Império Romano. por exemplo. descrito como “acatado por todo o povo. quanto à lei.Podia-se obter a cidadania romana de vários modos. a isenção de certas formas de castigo. considerar a ascendência judaica de Paulo e o impacto da fé religiosa de sua família. hebreu de hebreus. C) De Descendência Judaica. O menino começava a ler as Escrituras com apenas cinco anos de idade. A escola da sinagoga ajudava os pais judeus a transmitir a herança religiosa de Israel aos filhos. No mais das vezes. da tribo de Benjamim” (Rm 11:1). ele se aprofundou na história. pois. A escola de Hilel era a mais liberal das duas principais escolas de pensamento entre os fariseus. nos costumes. declara haver “comprado” sua cidadania por “grande soma de dinheiro” (At 22:28). Todavia. fariseu” (Fp 3:5). desta narrativa. “Os Judeus nos Tempos do Novo Testamento”). também. onde foi instruído “segundo a exatidão da lei. Saul. Gamaliel era neto de Hillel. ou comandante. Um cidadão romano não podia ser açoitado nem crucificado. Aos dez. Raramente os judeus se tornavam cidadãos romanos. conforme a interpretavam os rabinos. Podemos estar certos. de que seu preparo religioso tinha raízes na lealdade aos regulamentos da Lei. pois acarretava direitos e privilégios especiais como. A cidadania romana era preciosa. Estavam decididos a resistir aos esforços de seus conquistadores romanos de impor-lhes novas crenças e novos estilos de vida. O vocabulário posterior de Paulo era fortemente colorido pela linguagem da Septuaginta. Saulo de Tarso passou em Jerusalém sua virilidade “aos pés de Gamaliel”.“ (At 22:3). “filho de fariseus” (At 23. nas Escrituras e na língua do seu povo.6). o relacionamento dos judeus com Roma não era de todo feliz. Noutra ocasião ele chamou a si próprio de “israelita da descendência de Abraão. Paulo era fariseu. Dessa forma Paulo pertencia a uma linhagem que remontava ao pai de seu povo. porém. No primeiro século eles se haviam tornado a “aristocracia espiritual” de seu povo. Da tribo de Benjamim saíra o primeiro rei de Israel. ou era concedida quando um escravo recebia a liberdade. da tribo de Benjamim. Em Atos 5:33-39 temos um vislumbre de Gamaliel.” . um dos maiores rabinos judeus. O tribuno. os fariseus eram os mais estritos (veja o capítulo 5. a Bíblia dos judeus helenistas. . estaria estudando a Mishna com suas interpretações emaranhadas da Lei. Ele se descreve aos cristãos de Filipos como “da linhagem de Israel. Devemos. em consideração ao qual o menino de Tarso fora chamado Saulo. . Dentre os principais “partidos” dos judeus. Aos treze anos ele devia assumir responsabilidade pessoal pela obediência a essa Lei.

Sua perícia nessa profissão proporcionoulhe mais tarde um grande incremento em sua obra missionária. Não fora pelo modo como Estevão morreu (At 7:54-60). D) A Morte de Estevão. . Uma referência autobiográfica na primeira carta de Paulo a Timóteo jorra alguma luz sobre a questão de como um homem de consciência tão sensível pudesse participar dessa violência contra o seu próprio povo. “Porque eu sou o menor dos apóstolos”. ele deu testemunho da visão de Cristo na glória. Em outras passagens ele se denomina “perseguidor da igreja” (Fp 3:6). arrastando homens e mulheres. A Conversão: . . Paulo nunca pôde perdoar-se pelo ódio e pela violência que caracterizaram sua vida durante esses anos. fabricar tendas de tecido de pêlo de cabra. Paulo escolheu uma indústria típica de Tarso. “como sobremaneira perseguia eu a igreja de Deus e a devastava” (Gl 1:13). é natural supor que as palavras de Estevão tenham permanecido com ele de sorte que ele se tornou “caçado” também — caçado pela consciência. entrando pelas casas e. sem dúvida alguma por ter ele perseguido a Cristo e seus seguidores. Paulo refere a si próprio como “o principal” dos pecadores” (1 T 1:15). porém. noutro tempo era blasfemo e perseguidor e insolente. Mas quando Estevão se ajoelhou e as pedras martirizantes choveram sobre sua cabeça indefensa. A história da religião está repleta de exemplos de outros que cometeram o mesmo erro. Mas obtive misericórdia. mais tarde. A história é narrada num só fôlego: “Saulo. . assolava a igreja. . No mesmo trecho. Não temos evidência de que ele se tenha encontrado com Jesus ou que o tivesse conhecido durante o ministério do Mestre na terra. encerrava-os no cárcere” (Atos 8:3).Exigia-se dos estudantes rabínicos que aprendessem um ofício de sorte que pudessem. Teria parecido apenas outra execução legal. Os eventos que se seguiram ao martírio de Estevão não são agradáveis de ler. “. esse jovem fariseu provavelmente voltou para sua casa em Tarso onde passou alguns anos. Após completar seus estudos com Gamaliel. pois persegui a igreja de Deus” (1 Co 15:9). pois o fiz na ignorância. ele que havia tomado conta das vestes dos apedrejadores. e orou: “Senhor. o jovem Saulo podia ter deixado a cena do apedrejamento sem comoção alguma. não lhes imputes este pecado” (Atos 7:60). escreveu ele mais tarde. E) Uma Carreira de Perseguição. na incredulidade” (1 Tm 1:13). “. Embora essa crise tenha lançado Paulo em sua carreira como caçador de hereges. Da pena do próprio Paulo bem como do livro de Atos vem-nos a informação de que depois ele voltou a Jerusalém e dedicou suas energias à perseguição dos judeus que seguiam os ensinamentos de Jesus de Nazaré. ensinar sem tornar-se um ônus para o povo.

tornou-se amigo e conselheiro. “Esteve três dias sem ver. Deus restaurou a vista a Paulo. Isso o libertou? A resposta de Paulo. mas descobrira que não poderia fazê-lo em virtude de sua natureza pecaminosa decaída. e entra na cidade. Os crentes se dispersaram e em breve a nova fé estava sendo pregada por toda a parte (cf. dia após dia. . Saulo capitulou. Contudo. Estevão estivera certo. encontrando os “que eram do caminho. Paulo se viu despido de todo o orgulho e presunção. O MINISTÉRIO DO APOSTOLO PAULO . onde te dirão o que te convém fazer” (At 9:5-6). Em face do Cristo vivo. baseada em sua experiência. Num lampejo cegante. cerca de 240 km distante. os levasse presos para Jerusalém” (Atos 9:2). A influência do ambiente helertístico de Tarso não deve ser menosprezada ao tentarmos encontrar o motivo da frustração interior de Saulo. assim homens como mulheres. ele deve ter achado irritante o rígido farisaísmo. e não poderia renunciar à liberdade a que estava acostumado. O comprido braço do Sinédrio podia alcançar a mais longínqua sinagoga do império em questões de religião. Saulo resolveu que já era tempo de levar a campanha a algumas das “cidades estrangeiras” nas quais se abrigaram os discípulos dispersos. um homem que não teve receio de crer que a conversão de Paulo’ fora autêntica. Mediante as orações de Ananias. Durante sua estada na cidade. e ele errado. provido de credenciais que lhe dariam autoridade para. por nome Ananias.. “Respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor” (Atos 9:1). no pó da estrada e sob o calor escaldante do sol? A autorevelação intensamente pessoal de Romanos 7:7-13 pode dar-nos uma pista. levanta-te. Ele tentara guardar a Lei.A perseguição em Jerusalém na realidade espalhou a semente da fé. durante os quais nada comeu nem bebeu” (Atos 9:9). De que modo. era de natureza espiritual o motivo mais profundo de sua tristeza. Ele ouviu uma voz que dizia: “Eu sou Jesus. Nesse tempo. Assim. Ele havia respirado ar mais livre durante a maior parte de sua vida. Um discípulo residente em Damasco. a quem tu persegues. Depois de seu retorno a Jerusalém. pois. Pelo contrário. Vemos aqui a luta de um homem consciencioso para encontrar paz mediante a observância de todas as pormenorizadas ramificações da Lei. Que é que se passava na mente de Saulo durante a viagem. . como perseguidor do Messias de Deus e do seu povo. muito embora professasse aceitálo de todo o coração. tornou-se um peso e uma tensão intoleráveis. Atos 8:4). aconteceu uma coisa momentosa. Saulo partiu para Damasco. E Saulo obedeceu. foi negativa. os seguidores de Cristo ainda eram considerados como seita herética. poderia ele ser reto para com Deus? Com Damasco à vista.

então subi a Jerusalém. missão cumprida. Muitos dos discípulos suspeitavam de Paulo. foi-se para a Arábia e depois voltou para Damasco. O tema de sua mensagem concernente a Jesus era: “Este é o Filho de Deus” (At 9:20). O ódio contra ele inflamou-se de novo e “deliberaram entre si tirar-lhe a vida” (At 9:23). na sinagoga de Damasco. trouxeram consigo o jovem João. Ali ele encontrou a mesma hostil recepção que teve em Damasco. na ilha de Chipre. .“ (Gl 1:18). Quando Barnabé e Paulo voltaram a Antioquia. Os dias de preparação de Paulo não estavam terminados. A segunda tentativa de Paulo de pregar em Damasco igualmente não teve bom resultado. Foi então que Barnabé se lembrou de Paulo e se dirigiu a Tarso à sua procura (At 11:25). Esta era a viagem de Barnabé. os erros do homem podem persegui-lo por um longo tempo. Um ano ou dois haviam decorrido desde a sua conversão. os gentios estavam sendo convertidos a Cristo. mas os judeus se lembravam de como ele havia desertado de sua primeira missão em Damasco. A esses dois homens foi confiada a tarefa de levar socorro à Judéia onde os seguidores de Jesus estavam passando fome. sobrinho de Barnabé (At 12:25). juntamente com a freqüente apresentação que a Bíblia faz desses missionários como “Barnabé e Saulo” indica que Paulo desempenhava papel secundário. dizendo: “Decorridos três anos. Descobriu que as pessoas não se esquecem com facilidade. mesmo depois que ele os tenha abandonado. O relato que ele faz aos gálatas continua. . num cesto. terra natal de Barnabé. Paulo desapareceu por alguns anos. desta vez até Perge. num esforço por afastar suspeita contra ele. Paulo exercia o segundo posto de comando. Ele pregou por breve tempo em Damasco. e seus ex-companheiros de perseguições o odiavam. Fizeram uma viagem mais longa por mar. Mas Paulo tinha de aprender amargas lições antes que pudesse apresentar-se como líder cristão confiável e eficiente. Barnabé já tinha sido instrumento na apresentação de Paulo em Jerusalém. Uma vez mais foi obrigado a fugir. Este fato. O êxito de seus esforços missionários nessa ilha incentivaram Paulo e seus parceiros a avançar para território mais difícil. a dar testemunho de sua fé recém-encontrada. apelidado Marcos. A dramática história da fuga de Paulo por sobre a muralha. Em Antioquia. Esses anos que ele passou escondido deram-lhe convicções amadurecidas e estatura espiritual de que ele necessitaria em seu ministério.Paulo começou. e os dois tinham “João [Marcos] como auxiliar” (At 13:5). já em terras . tem prendido a imaginação de muitos. O primeiro porto de escala na primeira viagem missionária foi Salamina. As Viagens Missionárias: A jovem e florescente igreja de Antioquia resolve enviar a Barnabé e a Paulo como missionários. A Igreja em Jerusalém teve de decidir como cuidar desses novos crentes.

continentais da Ásia Menor. Alguns criam em sua mensagem e se regozijavam. Aconteceu pela primeira vez em Antioquia. Os judeus muitas vezes faziam convertidos entre os gentios. Nisto discernimos o plano de Paulo de estabelecer congregações nas principais cidades do Império. Dali Paulo pretendia viajar pelo interior numa missão perigosa até à Antioquia da Pisídia. ensinando e pregando. mas estes eram mantidos numa posição de “segunda classe”. A descrição da controvérsia que o próprio Paulo apresenta aos gálatas declara que lhe estenderam “a destra de comunhão” e igualmente a Barnabé. Em Listra ele foi apedrejado e dado por morto (At 14:19). Paulo e Barnabé “demoraram-se em Antioquia. Ele não deixava seus convertidos desorganizados e sem liderança capaz. Contudo. mas sobreviveu e pôde prosseguir até à cidade de Derbe. “apartando-se deles. A conferência havia liberado os gentios do regulamento judaico da circuncisão. Mesmo que chegassem a esse ponto. Em Jerusalém. exatamente neste ponto. Assim. A não ser que estivessem preparados para submeter-se à circuncisão e aceitar a interpretação da Lei segundo os fariseus. A súbita mudança dos planos de Marcos causaria. não havia decidido se os cristãos de origem judaica poderiam comer com os convertidos gentios. mais tarde. qual seria a relação dos convertidos gentios com a comunidadecristã? Paulo e Barnabé viajaram a Jerusalém a fim de conferenciar com os dirigentes ali a respeito desse problema fundamental. Logo Paulo resolveu percorrer de novo a difícil rota sobre a qual ele tinha vindo. eles permaneciam à margem da congregação judaica. aconteceu algo que causou muita dor de cabeça aos três. depois em Icônio. outros a rejeitavam e provocavam oposição.. João Marcos. Paulo tomou-se o porta-voz e criou-se um padrão conhecido de todos.. a fim de fortalecer. A visita de Paulo e Barnabé a Derbe completou a sua primeira viagem. pelo mesmo motivo. embora seja natural conjeturar que lhe faltaram coragem e confiança. Paulo expôs as suas convicções e saiu vencedor. Após a conferência de Jerusalém. O primeiro desses incidentes surgiu dos mesmos problemas que provocaram a conferência de Jerusalém. O ajudante. a palavra do Senhor” (Atos 15:35). conflito entre Paulo e Barnabé. mas. encorajar e organizar os grupos cristãos que ele e Barnabé haviam estabelecido. não permanecia muito tempo num só lugar. Aqui. Os dirigentes da igreja concordaram em que “nós fôssemos para os gentios” (Gl 2:9). o fato de não terem nascido judeus ainda os barrava de usufruir completa comunhão. Em Antioquia. dois incidentes causaram severas tensões às relações de trabalho de Paulo com Pedro e Barnabé. A Bíblia não nos diz por quê. Mas. onde morava. voltou para Jerusalém” (At 13:13). . Pedro tomou posição ao lado de Paulo nessa .

. e Barnabé se deixou levar “pela dissimulação deles” (v. O que aconteceu aqui redimiu Paulo de qualquer acusação de não se mostrar disposto a depositar confiança em homens mais moços do que ele. Esta referência pode significar que a família de Timóteo fora ganha para Cristo por Paulo e Barnabé na sua primeira viagem. Então “Paulo. tendo escolhido a Silas. Por certo. confirmando as igrejas” (Atos 15:40. Paulo sabia como lutar por um principio e como ceder por conveniência quando não estava em jogo nenhum princípio. . Ele fez isso “na presença de todos” (v. Aqui Paulo encontrou um jovem cristão chamado Timóteo (Atos 16:1). deve ter ponderado sobre a perspectiva de avançar sua campanha ao continente europeu. 13). o que envolvia relaxar os regulamentos dos judeus com vistas a alimentos. 14). Na segunda epístola lemos também: “pela recordação que guardo da tua fé. Sem dúvida o evangelho foi desse modo promovido mais do que se tivessem permanecido juntos. e estou certo de que também em ti” (2 Tm 1:5). porque se tornara repreensível” (Gálatas 2:11). E a narrativa diz que “houve entre eles tal desavença que vieram a separar-se” (v. a mesma que primeiramente habitou em tua avó Lóide. Paulo opôs-se à idéia. Não sabemos se Paulo e Barnabé voltaram a encontrar-se. considerando esses atos como nova ameaça à sua missão entre os gentios. e em tua mãe Eunice. mas estava pronto para circuncidar um judeu cristão como uma questão de conveniência. Na realidade. Paulo e seu grupo prosseguiram até Listra para ver seus convertidos nesta cidade. Mais tarde. Paulo sustentava que a circuncisão não era necessária à salvação (cf. 41). e viu nele um substituto potencial para Marcos. porém. Era esta atitude coerente com o julgamento anterior de Paulo sobre Pedro? Ou se devia ao fato de ter ele aprendido a não criar problemas desnecessários? De qualquer modo. Depois de nova visita a Derbe. ele “afastou-se e. ele recorreu à censura pública. E passou pela Síria e Cilícia. cada um para seu lado. A decisão foi tomada quando “à noite. sobreveio . que Lucas registra em Atos 15:36-40. partiu. Pedro deu o exemplo comendo com gentios. ele quis que Timóteo “fosse em sua companhia” (At 16:3). Quando o grupo de evangelistas (dirigido de algum modo não especificado pelo Espírito Santo — At 16:6-8) chegou a Trôade e se pôs a contemplar o outro lado da estreita península. quando Paulo voltou. recorreu a uma medida drástica. esta decisão evitaria problemas muitas vezes. Em 1 Tm 1:2 dirigiu-se ao jovem Timóteo “verdadeiro filho”.praxe. o último ponto visitado na primeira viagem. e na segunda epístola fala dele como “amado filho” (2 Tm 1:2). por fim. Paulo. Em outras palavras. Este mesmo versículo acrescenta que Paulo “circuncidou-o por causa dos judeus”. 39). Esse incidente ajuda-nos a entender o segundo. “Resisti-lhe [a Pedro] face a face. veio a apartarse” (Gl 2:12). Eles concordaram em discordar” e empreenderam viagens. Barnabé desejava que o jovem Marcos os acompanhasse na segunda viagem missionária. Gálatas). uma vez que Timóteo era meio-judeu.

Somos informados de “milagres extraordinários” (At 19:11) ocorridos durante esses dias agitados em Éfeso. Desta vez suas primeiras paradas foram na Galácia e na Frígia. Depois de três invernos em Éfeso. As horas da tarde ele as empregava no ensino e pregação. Icônio e Antioquia. Após uma curta permanência em Antioquia. depois foi para Atenas. O grupo navegou para a Europa. Paulo chegou a Éfeso para empreender o que provou ser as mais extensas e exitosas de suas atividades missionárias em qualquer localidade. 13). Incansável. parece que neste ponto ele entrou no drama de viagem. . ele levantava-se antes de raiar o dia e começava a trabalhar. A viagem continuou ao longo da grande estrada romana que corre para o Ocidente através das principais cidades da Macedônia — desde Filipos até Tessalônica. Paulo passou o seguinte em Corinto. na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava.C. ela tornou-se a terceira mais importante cidade na história do Cristianismo primitivo — Jerusalém. Paulo acrescenta que ele não só ensinava em público. Mas esses anos lhe foram estrênuos. Visto que ele sustentava a si próprio trabalhando em sua profissão. era superada somente por Roma. Ali Paulo fez outros preparativos para uma visita a Roma. em concordância com a promessa e a esperança expressas em 1 Co 16:5-7. Escreveu uma carta. Seguindo o costume dos trabalhadores de um clima tão quente. Isso suscitou o ódio dos adoradores pagãos. . A nova fé causou tal impacto sobre a cidade que “muitos dos que haviam praticado artes mágicas. . Estrategicamente localizada para comércio. muitas vezes me propus ir ter convosco” (Rm 1:11. A resposta de Paulo foi imediata. dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos” (At 16:9). a capital da província romana da Ásia. temerosos de que os cristãos solapassem a influência de sua religião. dizendo aos cristãos de Roma: “Muito desejo ver-vos. Alexandria e Antioquia em tamanho e importância. mas “também de casa em casa” (At 20:20). Depois ele voltou a Antioquia. depois Éfeso. seus dias eram longos. e cidade onde dominava a idolatria (At 17:16). Muitos escritores têm sugerido que esse “varão macedônio” pode ter sido o médico Lucas. Como resultado dos trabalhos de Paulo ali. e “penso em fazê-lo quando em viagem para a Espanha” (Rm 15:24). . ele partiu para Corinto. Durante três semanas. Isto ele fez “diariamente” durante “dois anos”. De qualquer maneira. Antioquia. Listra. ele resolveu fazer algum trabalho missionário intensivo em Éfeso. Sua primeira e grande missão no mundo gentio estendeu-se por quase três anos. centro da erudição grega. Em sua própria descrição desses trabalhos. Teve êxito — muito bom êxito.a Paulo uma visão. e é provável que também as horas vespertinas. porque agora ele começa a referir-se aos missionários como “nós”. Paulo falou na sinagoga de Tessalônica. os queimaram diante de todos” (At 19:19). Depois de visitar as igrejas em Derbe. reunindo os seus livros. Paulo partiu em sua terceira viagem missionária no ano 52 d. e de Tessalônica a Beréia.

Contudo. procurador romano. Paulo passou dois anos presos aí. e Lucas escreve que “os irmãos nos receberam com alegria” (At 21:17). O capítulo 26 de Atos registra o discurso de Paulo no qual ele contou de novo os eventos de sua vida até aquele ponto. ele disse ao Sinédrio que fora preso por ser fariseu e crer na ressurreição dos mortos. mas até para morrer em Jerusalém. Para mostrar seu respeito pela tradição judaica. Três meses depois. De modo que Paulo foi de novo a Jerusalém. alguns cristãos judeus duvidaram da sinceridade de Paulo. que estava levando um navio carregado de prisioneiros para a cidade imperial. Após uma viagem acidentada. Festo entregou Paulo aos cuidados de um centurião chamado Júlio. Paulo e os demais prisioneiros tomaram outro navio para Roma. o tribuno retirou-lhe as cadeias e pediu aos judeus que convocassem o Sinédrio para interrogá-lo. Paulo fez valer os seus direitos como cidadão romano de apresentar seu caso perante César. Ao saber que Paulo era cidadão romano. Ao chegarem. acusaram-no de haver tentado profanar o templo e de ter criado uma revolta civil em Jerusalém (At 24:1-9). Mas antes que estas chegassem. e o comandante romano teve de salvar Paulo de novo. Enquanto aguardava o navio para Roma. Em Roma Paulo foi posto sob . onde ficou guardado no palácio de Herodes. exigiu mais provas do tribuno em Jerusalém. Ele estava “pronto não só para ser preso. PRESO E JULGADO Os cristãos de Jerusalém ficaram felizes ao ouvir o relatório de Paulo sobre a divulgação da fé cristã. o comandante enviou-o de noite a Cesaréia. PAULO. pelo nome do Senhor Jesus” (At 21:13). Pórcio Festo. Alguns judeus da Ásia agarraram Paulo e falsamente o acusaram de introduzir gentios no templo (At 21:27-29). Os cristãos de Roma viajaram quase cinqüenta quilômetros para dar as boas-vindas a Paulo (At 28:15). como portador da oferta das congregações gentias. Este novo oficial pediu aos acusadores de Paulo que viessem de novo a Cesaréia. Félix. Félix foi substituído por um novo procurador. Esta afirmação dividiu o Sinédrio em suas facções de fariseus e saduceus. Mas espreitando nas sombras estava uma comissão de recepção com intenções diferentes. Ele achava que era decisivo voltar em pessoa. Ouvindo dizer que os judeus tramavam uma emboscada contra Paulo. Paulo percebeu que a multidão enfurecida poderia matá-lo.Paulo ignorou as advertências sobre os perigos que o ameaçavam se ele aparecesse de novo em Jerusalém. Quando os acusadores de Paulo chegaram. O tribuno da guarnição romana levou Paulo em custódia para impedir um levante. Assim. o navio naufragou na ilha de Malta. Paulo teve oportunidáde de defender a sua causa perante o rei Agripa II que visitava Festo. Paulo juntou-se a quatro homens que cumpriam um voto de nazireu no templo.

notamos que suas palavras podem vir aos borbotões. 67 d. e em At 28:30 lemos que ele alugou uma casa por dois anos enquanto aguardava que César ouvisse o seu caso.prisão domiciliar. Paulo estava mais interessado nas pessoas e no que lhes acontecia do que em formalidades literárias. Os mais antigos escritos de Paulo antedata a maioria dos quatro Evangelhos. Muitos estudiosos modernos crêem que César libertou o apóstolo. e de benignidade (v. com efeito. de humildade (v. dizem. pois sabemos que comentavam: “As cartas.C. tendem a atrair ou repelir os que eles buscam influenciar. 4-5). Mesmo seus inimigos e críticos reconheciam o impacto do que ele tinha para dizer. ele seria para nós uma figura vaga. 6). A medida que lemos os escritos de Paulo. Na carta aos Colossenses vemos quão afetivo . e do fato de não estar fora do perigo de ser “desqualificado” por sucumbir à tentação (1Co 9. Paulo sabia diferençar entre sua própria opinião e o “mandamento do Senhor” (1 Co 7:25). Líderes fortes. Sem a sobrevivência das cartas de Paulo. são graves e fortes. suas convicções fundamentais. — a Primeira Epístola de Clemente e os Atos de Paulo — asseveram que isso aconteceu.3 Dois livros escritos antes do ano 200 d. Temos em 2 Co 10:10 uma pista de como as epístolas de Paulo eram recebidas e consideradas. confusa. As vezes ele irrompe abruptamente para mergulhar numa nova linha de pensamento. Como conseqüência. A personalidade do Apostolo: As epístolas de Paulo são o espelho de sua alma.). suas mais profundas paixões. como no primeiro capítulo da carta aos Gálatas.. Paulo tinha tanto seguidores devotados quanto inimigos figadais. e que ele empenhou-se em mais trabalho missionário antes de ser preso pela segunda vez e executado. seus contemporâneos mantinham opiniões variadíssimas a seu respeito. Ele estava bem cônscio da urgência de sua comissão (1 Co 9:16-17). de integridade e elevados motivos (vv. 7).9). Revelam seus motivos íntimos. O Novo Testamento não nos fala da morte de Paulo. como Paulo. (2 Co 10:10). Era humilde bastante para dizer “segundo minha opinião” sobre alguns assuntos (1 Co 7:40). Nalguns pontos ele toma um longo fôlego e dita uma sentença quase sem fim. Leia o capítulo 16 da carta aos Romanos com especial atenção à atitude generosa de Paulo para com os seus colaboradores. Refletem-no como um homem de coragem (2 Co 2:3). Ele se recorda com pesar de que outrora perseguia a Igreja de Deus (1Co 15.C.27). Ele era um homem que amava e prezava as pessoas e tinha em alto apreço a comunhão dos crentes. Indicam que Paulo foi decapitado em Roma perto do fim do reinado do imperador Nero (c.

quer na morte. quão grande luta venho mantendo por vós. como de fome. um homem de grande fé e coragem— mesmo em face de circunstâncias extremas. “Gostaria. afetivo. escravo fugitivo (Cl 4:9. assim de abundância. Filemom. mesmo com cristãos com os quais ainda não se havia encontrado. que saibais. escreve ele (Cl 2:1). tanto de fartura. quer na vida. o apóstolo desejava convencer a Filemom a tratar Onésimo como irmão. Observe quão profundamente Paulo havia mudado em sua atitude para com as pessoas. Seu testemunho é profundamente firmado nas realidades espirituais: “Tanto sei estar humilhado. tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:12-13). pois. Mas conhecendo a severidade do castigo imposto aos escravos fugitivos. que evidentemente havia acrescentado ao furto o crime de abandonar o seu dono. o reconciliador. . Aqui vemos Paulo. e por quantos não me viram face a face”. . Fm 10).e amistoso Paulo poderia ser. E tudo isso ele fez a favor de um homem que estava no degrau mais baixo da escada da sociedade romana. de tudo e em todas as circunstâncias já tenho experiência. como de escassez. . Na carta aos Colossenses lemos também a respeito de um homem chamado Onésimo. Agora Paulo o havia conquistado para a fé cristã e o persuadira de voltar ao seu senhor. Ele estava totalmente comprometido com Cristo. como também ser honrado. Nesses escritos vemos Paulo como amigo generoso. Contraste essa atitude com o comportamento do jovem Saulo guardando as vestes dos apedrejadores de Estevão.

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