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UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

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OS OLHOS ATRAVÉS DAS LENTES:


FOTOJORNALISMO E A COPA DO MUNDO DE 1994

Mogi das Cruzes, SP


2008

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UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES
LARISSA PRADO
BRENO PEREIRA
DANIELE AKEMI
NELSON PINCELLI NETO
VINNÍCIUS DE SÁ

OS OLHOS ATRAVÉS DAS LENTES:


FOTOJORNALISMO E A COPA DO MUNDO DE 1994

Projeto de Processos e Produtos


Midiáticos apresentado ao curso de
Jornalismo da Universidade de Mogi
das Cruzes como parte dos
requisitos para conclusão do curso.

Professores Orientadores: Luci Bonini e Sersi Bardari

Mogi das Cruzes, SP


2008

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Índice
Capa......................................................................................................................1
Sumário.................................................................................................................3
1.Introdução...........................................................................................................4
2.História da Fotografia..........................................................................................5
2.1Entendendo a Fotografia................................................................................7
3.Fotojornalismo...................................................................................................10
3.1Reportagem Fotográfica...............................................................................12
3.2 O Olhar do Repórter Fotográfico..................................................................13
3.3Biografia do Fotógrafo Hélio Norio...............................................................15
4. Fotojornalismo no Brasil....................................................................................17
5.Jornalismo Esportivo..........................................................................................17
6.Histórias das Copas do mundo de Futebol da FIFA...........................................18
6.1A copa do Mundo de 1994.............................................................................21
7.A Copa do Mundo de 94 Através das Lentes de Hélio Norio..............................25
8.Conclusão............................................................................................................28
9.Referências.........................................................................................................29
10.Anexo.................................................................................................................30

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1. Introdução

Este projeto tem como tema: “O olhos através das lentes: FOTOJORNALISMO E
A COPA DO MUNDO DE 1994”. Que visa compreender o olhar do fotógrafo Hélio Norio
diante da Copa de 94 realizada nos Estados Unidos. Com base no material coletado do
Jornal A GAZETA ESPORTIVA.
A fotografia é hoje uma dos principais meios veiculadores de informações, tanto
do ponto de vista profissional quanto por meio de seu uso em situações sociais
diversos.
Com advento da tecnologia digital, fotografar tornou-se mais popular, devido ao
barateamento das formas de produção e distribuição de imagens via 4r4ernet.
A foto desvinculou-se do suporte papel, que a tornará significadamente onerosa.
Dessa forma, estudar a potencialidade da fotografia nos tempos atuais é mais do que
nunca oportuno dada a sua onipresença nos meios de comunicação.
Em razão do exposto, esse projeto de pesquisa tem como objetivo esclarecer o
surgimento do fotojornalismo, explicar de modo filosófico e técnico o olhar do fotógrafo,
e compreender como as imagens narram uma história de forma até mesmo
independente da história narrada pela linguagem verbal.
Parte-se da idéia de que a fotografia não se constitui em mera ilustração dos
textos jornalísticos, mas sim, oferecem a possibilidade de uma leitura paralela do fato e,
ao unir-se a linguagem verbal, cria um todo de significado.
Dessa forma, nossa delimitação consiste em analisar o fotojornalismo esportivo
levando em consideração os ângulos e recortes escolhidos pelo profissional de
fotografia. Para tanto, fizemos um levantamento das fotos de Hélio Norio sobre a Copa
do mundo de 1994, publicadas no Jornal A GAZETA ESPORTIVA, com seus títulos e
legendas, no período de abertura ao encerramento deste evento esportivo.
A seleção de fotos se deu a partir do seguinte critério:
- instantâneos da partida;
- fotos da torcida/ comemoração;
- fotos de treino;
- fotos de jogadores extra-campo;
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- abertura/ encerramento;
- técnico;
O resultado do projeto servirá como base de pesquisa aos interessados em
fotografia, cuja popularização cria interesses em variados tipos de pessoas, como
estudantes, profissionais da área, entre outros. Além disso, por ser a fotografia um meio
de comunicação, serviria principalmente a estudantes de comunicação em geral, pois
abrirá ampla visão da importância do significado de uma foto.
A equipe realizadora da pesquisa obteve como benefício o aprofundamento dos
conhecimentos em fotojornalismo, o que poderá servir como instrumento de base do
curso e aperfeiçoamento nessa técnica.
Na elaboração deste trabalho, baseamo-nos em autores como Bathes (1984),
Bussele (2001), Dubois (2003), Kossoy (2001), Lima (1983), Machado (1984),
Persichetti (2003), Barbeiro (2002), de modo que se pudéssemos dar conta das
particularidades do uso da fotografia no jornalismo.
Além das leituras de livros, pesquisas na 5r5ernet e principalmente
entrevistamos o fotojornalista Hélio Norio, um profissional de carreira já madura, que
nos relatou sua relatou sua experiência. Segundo ele, o sentimento do fotógrafo
transparece no seu trabalho. “Pode-se, por meio de suas fotos, perceber até mesmo o
seu sorriso”, declara Hélio.

2. HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA

Com a Revolução Industrial houve um grande desenvolvimento em todos os


setores produtivos. A partir de então se inicia um processo de transformação
econômica, social e cultural, com invenções que influenciaram a história moderna.
A fotografia é uma das invenções que ocorre nesse contexto, tornando-se
fundamental enquanto possibilidade inovadora para divulgações de informações.
19 de Agosto é o dia oficial da comemoração da fotografia, que existe há mais de
150 anos. Essa data foi escolhida porque foi quando o governo francês comprou a
patente do invento de Daguerre e doou para o mundo.

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Louis Daguerre, nascido em 18 de novembro de 1787 em Vald´lise, França, foi
um comerciante e pesquisador, tendo sido o primeiro a conseguir uma imagem fria pela
ação direta da luz ( 1835 – o daguerreótipo ).
No prosseguimento dos experimentos fotográficos de Joseph N., a descoberta
decisiva coube a Daguerre, que em 1835 apanhou uma placa de cobre, que apesar de
exposta não apresentava sequer vestígios de imagem, guardou-a displicentemente em
um armário e ao 6r6e-la, no dia seguinte, encontrou uma imagem revelada. Fez
experiências por eliminação com os outros produtos no armário, para descobrir que a
imagem latente tinha sido revelada por ação do mercúrio.
Em 1837, ele já havia padronizado o processo que ainda tinha como grandes
problemas, longo tempo de exposição ( 15 ou 30 minutos ), a imagem era emitida e o
contraste era muito baixo. A imagem formada na chapa, depois de revelada, continuava
sensível à luz do dia e rapidamente era destruída; Daguerre solucionou este último
problema ao descobrir que mergulhando as chapas reveladas numa solução aquecida
de sal de cozinha, este tinha um poder fixador, obtendo assim uma imagem inalterável.
Daguerre tinha problemas financeiros e não obter apoio de indústria, por querer
manter secreta a parte fundamental do seu processo. Em 1839, rendeu sua invenção, o
daguerreótipo, ao governo francês, tendo ficado a receber uma renda vitalícia de 6.000
francos anuais.
O que não é de conhecimento de todos é que, no Brasil, em campinas, o francês
Hércules Florence fazia uso da fotografia desde 1833, produzindo diplomas 6r6ernet6 e
rótulos farmacêuticos.
Florence saiu do anonimato graças aos estudos de Boris Cassoi, arquiteto,
historiador e professor da Universidade de São Paulo.
Através dos estudos de Cassoi divulgados mundialmente, Florence passou a
figurar na galeria dentre os muitos inventores da fotografia.
Após anos de experiências e tentativas, George Eastman lançou a primeira
câmera portátil com filme.
Até então só era possível retratar uma imagem em uma folha ou chapa de cobre
como fazia Daguerre. Nesse processo era necessário utilizar materiais químicos
sensíveis à luz para realizar a impressão de uma imagem.
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Depois da invenção de Eastman, todas as pessoas poderiam tirar fotos
rapidamente com maior facilidade.
Essa invenção veio para ficar, cada vez mais passou a ser utilizada e as técnicas
de aperfeiçoamento acompanharam sua utilização.
A princípio a fotografia era de uso ‘’ artesanal ‘’ e se tornou mais popular nos
Estados Unidos. Havendo uma enorme aceitação da fotografia, capitais foram
investidos em pesquisas e produções de materiais fotossensíveis, proporcionando o
surgimento de verdadeiros ‘’ impérios ‘’ industriais e comerciais.
Com esta nova conquista, todos os processos diários do mundo passaram a ser
documentados por uma câmera, ampliando nossa comunicação que antes não passava
da tradição verbal.
No final do século XX e início do século XXI, tornaram-se populares as câmeras
fotográficas produzidas a partir de tecnologia digital.
Na era digital a fotografia preside do suporte físico (que era o filme e película
sensível à luz) para tornar-se uma equação matemática armazenada na memória das
máquinas fotográficas e computadores. Para que possa visualizá-la, é necessário um
leitor óptico que transforma essa equação matemática em pixels, que são pontos
luminosos em uma tela eletrônica.

2.1 Entendendo a Fotografia

No livro: “Tudo sobre fotografia”, o autor Michael Busselle diz que: “Ao
aprendermos a tirar fotos e a apreciá-las, não nos limitamos a passar por um mero
processo de alfabetização, pois a fotografia transcende a barreira da linguagem,
aumenta imensuravelmente nossa compreensão do mundo e de seus habitantes e
incorpora às nossas vidas cotidianas uma sensibilidade mais aguçada em relação à
beleza”.
Ele faz um paralelo interessante entre o olho humano e uma máquina fotográfica
onde explica: “A pálpebra corresponde ao obturador; a córnea e a lente do olho
trabalham em conjunto, focalizando as imagens sobre a retina fotossensível; a íris
controla a quantidade de luz que penetra no olho, e ainda coopera com o cristalino para
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produzir uma imagem clara e bem definida, atuando exatamente como o diafragma de
uma câmara. A retina assemelha-se ao filme fotográfico, pois contém substâncias
químicas, e estas são modificadas pela luz de diversos comprimentos de onda”. Neste
ponto, porém termina a analogia. Pois as informações captadas pelos olhos são
interpretadas pelo cérebro – e nisso é que há a grande diferença entre os dois: A
fotografia é tirada pelo fotógrafo e não por sua máquina.
O obturador tem como função principal algo muito simples, porém muito
importante: Enquanto está fechado, o filme não é atingido pela luz, porém, quando se
aciona o propulsor, ele se abre, permitindo a exposição do filme à luz. A velocidade de
um obturador é capaz de “imobilizar” qualquer movimento, tornando tudo o mais nítido
possível.
Para Busselle, é necessário que o fotógrafo tenha consciência daquilo que se
deseja expressar e determinar a causa de seu interesse. Aprender a olhar com maior
atenção para as cenas de todos os dias precisa ser um hábito mecânico, para que se
possa saber escolher e utilizar-se de sua seleção que é muito importante para o seu
trabalho.
O fotojornalismo em essência, segundo Buselle, pode ser dividido em duas
categorias: A foto é o registro em um momento único, seja ele previsto ou espontâneo,
digno de manchete na imprensa ou corriqueiro; ou é elemento de uma série, destinada
a formar uma história. Em ambos os casos, encontram-se um grande leque de
possibilidades, desde uma missão jornalística até um retrato informal não-premeditado.
A única contribuição do fotógrafo – à parte naturalmente, fica seu talento e experiência
– consiste na escolha do exato momento a ser registrado.
Ao compartilhar uma visão mais ampla do que seja a fotografia, Roland Barthez
em seu livro: “A câmara clara” ele faz emergir diferentes discussões do tema, na qual
muitas delas, ainda perduram até hoje, pelo seu caráter atual.
Quando descreve a angústia que sente por não reconhecer sua mãe, em meio a
tantas recordações fotográficas, isto é, incapaz de assimilar a imagem materna pessoal,
interiorizada em si, com as que se apresentaram a sua frente, o autor revela a nós um
dado importante, que certamente serve de diagnóstico à frustração vivida. A essência

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revelada nos olhos da mãe, valia de argumento para descartar aquelas fotos que não
correspondiam a tal construção sentimental.
Em “O ato fotográfico”, o escritor Philippe Dubois, retrata o conflito com sua
reflexão sábia: “Por sua gênese automática, a fotografia testemunha irredutivelmente a
existência da referente, mas isso não implica a prioridade que ela se pareça com ele”.
O peso do real que a caracteriza como um fato e não nimese. Assim é possível inferir
que há mascaras cuja própria sociedade veste e faz vestir: No convívio social
buscamos a todo momento passar por uma mensagem de superioridade, confiança,
etc. Contudo, ao confrontarmos essa prática com os auto-retratos do séc. XIX, onde a
representação de uma identidade, pintada sobre uma tela, tinha a força de dar a ver a
sociedade todo o destemor, posição social da elite da época. Em uma das passagens
da obra, Barthez atribui à fotografia como um signo que traz dados culturais e que o
observador dela contextualizará a época, a partir da bobagem intelectual de quem tem
posse. Valendo-nos ainda de Philippe Dubois, concordamos com seus escritos que
agregam solidez a perspectiva de Barthez, eis os propósitos determinados pelos usos
antropológicos da foto, que mostram que a significação da mensagem fotográfica é de
fato determinada culturalmente, que ela não se impõe como uma evidência para
qualquer receptor, que sua recepção necessita de um aprendizado dos códigos de
leitura. Assim, das muitas fotografias que passam despercebidas por nós ou não, se
justifica pelo fato de termos vivido o momento. As fotos narram a existência da vida de
alguém.
Outra visão interessante em A câmara clara é a fotografia querendo passar como
o real inquestionável. Barthez deixa claro que a fotografia autentifica a existência de um
ser, porém, não a cópia do real.
Conforme Dubois: “o valor de espelho, do documento exato, de semelhança
infalível reconhecida para a fotografia, deve ser simplesmente 9r9ernet9nciado do
mundo... ela não pode por essência revelar a verdade empírica”.
Devemos compreender que diante do fato precisamos revisar nossas
lembranças, no entanto, tais seres que ficaram gravados com certa aparência nas
imagens que guardamos na mente, mudam com o tempo. Com o avanço da tecnologia
e da informática, está se tornando mais difícil distinguir algo real entre tantas
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representações. Softwares como o Photoshop, por exemplo, que tem por finalidade o
tratamento de imagens, permite realizar diversas alterações na ilustração e ao mesmo
tempo brincar com o real. Acreditar que uma foto é realidade torna-se “loucura”.
Questões técnicas e principalmente a sensibilidade, essencial de um bom
fotógrafo são deixadas de lado por um público que consome tecnologia a todo o
momento.
Enfim, a obra de Roland Barthez e as conclusões de Dubois, conseguem
despertar a reflexão sobre a leitura que fazemos de maneira consciente ou não das
mensagens fotográficas, onde buscamos resgatar nossas lembranças adormecidas e
que precisam ser reativadas de maneira que nos conforte e de certa forma, em um
mundo que manipula as imagens, a serviço do capitalismo, como é o caso da
publicidade.

3. O FOTOJORNALISMO

Em 1855, patrocinado pelo governo inglês, ROGER FENTON, atendeu


encomendas oficiais para registrar a Guerra da Criméia contra a Rússia (de 1853 a
1856, na Península do Mar Negro), onde fez muitas fotografias durante a primavera de
1855 – fotografou durante quatro meses. Para fazer seu trabalho, transforma uma
carruagem puxada por cavalos em quarto escuro, onde revela as chapas. Ao todo,
Fenton, produz 360 fotografias. Realiza assim a primeira grande documentação de uma
guerra e dá início ao FOTOJORNALISMO.

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Fig 1 – Foto tirada por Fenton no campo militar em Balaklava durante a Guerra da Criméia em 1855. Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Crim%C3%A9ia

Seguem aqui algumas curiosidades interessantes que ocorreram ao longo dos


tempos e que tiveram importante influência no desenvolvimento do Fotojornalismo: O
movimento do PICTORIALISMO desenvolve-se no período de 1854-1910, e se
caracteriza por uma tentativa de aproximação da fotografia com a pintura. Para isso, os
fotógrafos retocam e pintam as fotos, riscam os negativos ou embaçam as imagens.
Um dos grandes fotógrafos dessa fase é o francês Félix Nadar, o primeiro a realizar
fotos aéreas a partir de um balão, em 1858. Apesar do preconceito de alguns pintores
em relação à fotografia, vários se baseiam em fotos para pintar, como os franceses
Ingres e Delacroix e, posteriormente, muitos impressionistas. Em 1855 Archer
juntamente com Peter Fry inventou o processo de AMBRÓTIPO, processo que
substituiu o COLÓDIOTIPO. (Ambrótipo da Sra. William Blake, 1854.) O ambrótipo,
variante do primeiro processo de Archer, era um positivo direto sobre vidro. Ele o
obtinha com o branqueamento de um Matriz: negativo subexposto. Colocado sobre
papel aveludado, entre molduras douradas, era um substituto barato para o
daguerreótipo. Em 1855 houve na Europa um aumento de galerias fotográficas
consideráveis (de 66 galerias, dois anos mais tarde para 147). O retratista e fotógrafo
Gustav Oscar Rejlander, trabalhou na Inglaterra em 1853. Um expoente notável de
revelação fracionada, sua fotografia mais famosa The two ways of life (Os dois
caminhos da vida), foi feita em 1857.

Fig 2 – Foto de Oscar Rejlander – Two Ways of Life (1857). Fonte:


http://www.girafamania.com.br/montagem/fotografia3.html

O Fotógrafo Thomas Skaife constrói em 1858 o “PISTOLGRAPH”, uma máquina


fotográfica instantânea cuja novidade o leva para a prisão, quando aponta seu invento à
Rainha Victoria. Napoleão em 1859 entra no estúdio de Disdéri e leva suas fotografias,
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isso atrai o público e torna-o famoso e rico. O primeiro profissional da fotografia surgiu
em 1862, o escultor francês ANTHONY SAMUEL ADAM-SALOMON, que trocou a
pintura pela nova forma de expressão. Ele posicionava seus modelos sob uma luz
lateral alta que, desde então, foi chamada de “Iluminação Rembrant”. Ele os vestia com
cortina aveludada para alcançar um efeito similar à pintura, e arrumava suas fotos em
cartões azuis, impressos com a “legenda”: Composta e fotografada pelo escultor
ADAM-SALOMON. No período de 1863 Timothy H. O’ Sullivan, retratando a Guerra
Civil Americana, realizou a fotografia “A colheita da morte”.

Fig 3 – Foto de Timothy H. O’Sullivan – A Colheita da morte (1863). Fonte:


http://www.girafamania.com.br/montagem/fotografia3.html

O Fotógrafo Jean Laurent, por volta de 1870, trabalhando em terras ibéricas,


registrou um vendedor de relíquias e estampas. Realizou reportagens de monumentos,
cidades e povoados espanhóis, dando especial atenção aos tipos humanos de cada
lugar e aos costumes do país. Trabalhos desse tipo ganham imenso valor histórico e
antropológico. Muito tempo depois, em 1908 a Universidade do Texas, em Austin (EUA),
torna-se pioneira no ensino universitário ao criar uma cadeira de fotojornalismo.

3.1 Reportagem Fotográfica

Cenas desoladoras, lances de futebol, detalhes de rostos, violência urbana,


acontecimentos sociais, estes são alguns aspectos do dia-a-dia enfrentado pelo
repórter fotográfico. O ambiente em que ele trabalha, até mesmo é mostrado pelas
fotos que chegam aos jornais, revistas e exposições fotográficas.
O esforço de captar uma imagem que traduza os fatos tem início quando o
pauteiro, aquele que rege suas andanças ou mesmo a sensibilidade do próprio

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fotógrafo, que obedecendo a um impulso pessoal, busca colocar em prática, em forma
de trabalho, aquilo que ele sabe fazer melhor.
Algumas de suas visões particulares sobre uma documentação fotográfica
resultam, depois de reunidas todas as fotografias do seu acervo, em uma exposição
aberta ao público, abre-se mais uma janela para realidade.
Numa primeira relação com a reportagem fotográfica no campo social, emerge,
no fotógrafo, a necessidade de aprofundar o seu trabalho, de se aproximar das
pessoas. A emoção forte de entrar em contato com elas, descobrir seus anseios mais
profundos revelados pela intimidade do olhar, muitas vezes, atônitos, clamando por
justiça, solidariedade ou até mesmo, por esperança, tornam o repórter fotográfico numa
testemunha ocular de uma realidade.
O profissional sabe que cada imagem traduz uma realidade parcial, não traz
todos os ingredientes que a compõe. Mesmo um olhar triste ou alegre não dá a
dimensão de sua dor ou felicidade, apenas incita. Entretanto para o fotógrafo, os
primeiros cliques de sua câmera não escondem a emoção do contato, da descoberta
daquelas pessoas simples que, à sua frente, se preocupam com a aparência pessoal e
de seus pertences.
Entre a dualidade de emoções, o repórter fotográfico, pode estar acostumado
com as turbulências de um país instável, mas, certamente, não concorda com o que
registra. Ele não faz história, apenas a registra e a compartilha com seus semelhantes
na tentativa de mostrar com os seus trabalhos o mundo real que cerca a todos.
Quando este tipo de imagem é publicado, torna-se eternizada pelo talento do
repórter fotográfico. Serve como um ponto de referência para relembrar dos
acontecimentos que a envolveram. Por sorte, tocaria os corações daqueles tão
distantes – física, financeira, política e emocionalmente – do palco dos tristes
acontecimentos onde eles mesmos são reconhecidos como autores.

3.2 OLHAR DO REPÓRTER FOTÓGRAFICO

Palavra e imagem são praticamente irmãs da mídia, apesar de às vezes


andarem separadas.
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Quando se encontra apenas uma fotografia admira-se o poder que ela têm de
informar em silêncio o receptor.
As pessoas já estão tão acostumadas a lerem um texto sem imagem que não
percebem, mas não reparam também que faz quando se tem uma imagem após uma
bela leitura faz toda diferença.
Apenas não respiramos imagens, afinal somos cercados por elas: palavras são
imagens sonoras, imagens cinematográficas, sonhos são imagens (que vem do
inconsciente), quadros, teatro, dança e, inclusive somos preocupados como nossa
imagem...
A imagem constrói a partir do olhar de um indivíduo o conhecimento. O objetivo
de estudo do fotojornalismo é a sua proposta é provocar a reflexão.
Fotografar é compreender, por implicar uma visão crítica. Pode-se obter uma
transformação de percepção, simplesmente porque ninguém tem o mesmo olhar
perante uma mesma imagem.
Cada fotojornalista tem seu “tratamento estético”, ou seja, a preocupação de
organizar visualmente os detalhes que compõe cada assunto explorando os recursos
oferecidos pela sua “mão direita” a TECNOLOGIA. Seu olhar influenciará no resultado,
pois a partir dele serão formados conclusões e opiniões.
O registro visual informará. Por outro lado, documentará o olhar do fotógrafo
diante da foto – seu estado de espírito e sua ideologia acabam transparecendo em suas
imagens. É importante destacar que por trás de uma fotografia há uma câmera e por
trás de uma câmera há um olhar profissional e humano, o nosso fotojornalista.
A relação natural do nosso olhar com a imagem funciona em uma ordem:
percepção visual, leitura de descrição e interpretação.
A percepção visual é uma atividade puramente ótica. Os olhares percebem as
formas e as tonalidades dominantes sem identificá-las imediatamente. O processo é
muito rápido, e não ultrapassa cerca de meio segundo.
A leitura de descrição é uma ação às vezes ótica e às vezes mental, como na
leitura de um texto. O leitor identifica os componentes da imagem e registra
mentalmente seu conteúdo.

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A interpretação é uma ação mental. É nesse estado que se manifesta o caráter
polissêmico da foto. As pessoas Fazem a mesma leitura, mas cada uma interpreta de
sua forma, em função de sua idade, sexo, profissão, ideologia, enfim, do seu saber.
3.3 Biografia do fotógrafo Hélio Norio

Hélio Norio é natural de Pirapózinho – SP, pequena cidade do interior. Aos 7


anos, foi morar em Mogi das Cruzes – SP, onde ainda na adolescência,aos 16 anos,
iniciou sua vida profissional na área fotográfica. Trabalhava na antiga casa de foto “Foto
Paulista”, na qual começou como laboratorista. Logo aprendeu a fotografar e assim
abraçou o universo da fotografia.
Começou a fotografar, pois precisava trabalhar. Por falta de condição financeira
não pode freqüentar algum curso, mas com grandes esforços aprendeu sua profissão
de modo autodidata.
No ano de 1989 começou a trabalhar para o jornal “A Gazeta Esportiva”, onde
produziu seus primeiros trabalhos como fotojornalista.
Em 1993, viajou para o Equador, Venezuela e Bolívia para fotografar as
eliminatórias da Copa do Mundo.
Em 1994, cobriu a seleção brasileira nos Estados Unidos, durante 53 dias,
quando o Brasil venceu a Copa do Mundo, levando o primeiro título da história como
tetracampeão no futebol.

Prédio da Gazeta Fundação Cásper Libero: Av. Paulista (Foto Hélio Norio)

Quando saiu da Gazeta, em 1996, Hélio fotografou para revistas e sites de times

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como Palmeiras e Santos. Em 2000, entrou no jornal Lance e na editora Escala e em
2002 começou a fotografar para a Petrobras.

Fotógrafo Hélio Norio no Palestra Itália-Palmeiras (Arquivo Hélio Norio)

Filho de japoneses, Hélio foi recentemente homenageado, no dia 28 de abril de


2008, na Câmara Municipal de São Paulo, pelos 100 anos de imigração japonesa e
também pelos 200 anos de imprensa no Brasil, onde outros comunicadores japoneses,
selecionados pelo sindicato, foram também homenageados.

Hélio em sua homenagem na Câmara Municipal de São Paulo (Foto: Daniele Akemi)

Hélio Norio é fotógrafo muito reconhecido e atualmente produz trabalhos na área


institucional para as empresas Petrobras, Helbor, NGK, Johnson & Johnson, entre
outras.

Prédio da Petrobras: Av. Paulista (Foto: Hélio Norio)

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4. O Fotojornalismo no Brasil
No Brasil o fotojornalismo se iniciou em 1911 com o vendedor de tecidos e
fotógrafo amador Augusto César Malta de Campos, nascido em 1864, veio para o Rio
em 1888, para trabalhar no comércio. Em 1903, Augusto Malta foi contratado pelo
prefeito Pereira Passos para registrar em imagens as festas do Rio de Janeiro, pode-se
dizer que nas três primeiras décadas do século XX a vida carioca foi documentada pela
câmara de Augusto Malta. Em 1911 ele registra cenas do carnaval carioca, tornando-se
de fato o primeiro fotojornalista brasileiro.

5. Jornalismo Esportivo

Ao pensar em jornalismo esportivo, automaticamente vem à mente o futebol.


Afinal, esporte no Brasil é sinônimo de futebol. Talvez este seja o grande problema que
os profissionais do ramo esportivo enfrentam. A limitação para escreverem sobre outros
esportes brasileiros, salvo quando surge algum atleta em destaque. Esse é um dos
principais enfoques dado pelo jornalista Paulo Vinícius Coelho em seu livro Jornalismo
Esportivo.
Heródoto Barbeiro e Patrícia Rangel explicam sobre este assunto no livro
Manual do jornalismo esportivo, onde ressaltam mudanças para a melhoria na prática
da profissão e apresentam idéias para refletirmos sobre os rumos do jornalismo.
Em ambos os livros,é deixado claro que, jonalismo esportivo não é apenas
entretenimento. Isto, por seu lado, propcia o aparecimento de anguns poucos
‘’coroados’’.Apresentam algumas sugestões e algumas técnicas. Além de exporem as
leis desportivas, termos de várias atividades que podem facilitar o dia-a-dia de quem
atua na área e, ainda, uma proposta de novo modelo esportivo.
Segundo os autores, dirigir uma redação esportiva no século passado era vencer
o preconceito que alegava que somente quem tinha pouco poder aquisitivo e cultural
poderia se tornar leitor desse tipo de diário. E o mais difícil era convencer os próprios
colegas que o ramo esportivo também possuía – e possui – a necessidade de
profissionais especializados. Que a paixão pelo esporte é insuficiente, apesar de
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fundamental para a ponta pé inicial.
Relembra Nelson Rodrigues quando narrava os jogos de futebol com um toque
de romantismo. Paulo afirma que se não fosse a narração do escritor, provavelmente
Pelé não teria se tornado um mito e diz que é exatamente isso que falta hoje para a
história dos esportes. É preciso mais do que relatar a realidade de dentro dos campos
ou das quadras, é preciso um toque de imaginação.
Paulo Vinícius destaca a limitação enfrentada pelos jornalistas. Ele diz que “o
mercado só permite a criação de jornalistas de futebol, de automobilismo, por vezes de
tênis”, isso resulta na inexistência de jornalistas de basquete, de vôlei – que atualmente
é o campeão mundial -, de atletismo, de judô etc. A falta desses profissionais
especializados explica o aparecimento de atletas como comentaristas.
O que falta nos diários esportivos é a consciência de que jornalismo esportivo
também possui a necessidade de esforço, independência, imparcialidade e criatividade.
Que não basta apenas freqüentar arquibancadas.
Ele mostra algumas tentativas fracassadas de veículos que achavam que falar de
esportes era apenas “palpitar”. Um exemplo disso foi a tentativa da revista Placar de
elevar suas vendas criando a loteria esportiva, que por corrupção da própria diretoria e
de alguns jogadores envolvidos faliu.
Como em qualquer outra área do jornalismo, o esportivo exige conhecimento e
criatividade andando lado a lado, e também desprendimento e dedicação. Coelho
encerra seu livro dizendo que é preciso “fazer do diário esportivo um exercício
constante de criação. A única maneira de mostrar que o esporte é viável é mostrar que
o jornalismo não é feito apenas de esporte”.

6. História das Copas do Mundo de futebol da Fifa

Idealizada na fundação da FIFA em 1904, a Copa do Mundo só foi realizada após


a reconstrução da Europa dos destroços da Primeira Guerra Mundial.
Em 1929, o Uruguai, atual bicampeão olímpico, foi escolhido como país-sede. Os
europeus protestaram que a primeira Copa em 1930 fosse fora de seu continente e
boicotaram o evento, tornando praticamente um torneio pan-americano.
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As copas sempre foram moldadas de acordo com os interesses dos países-sede e das
principais seleções. Nas primeiras oito Copas, os anfitriões chegaram a cinco finais e
nas duas primeiras, a festa foi dos donos da casa.
A Segunda Guerra impediu a realização das Copas de 1942 e 1946 e por pouco a de
1950. A Europa estava arrasada após o conflito que matou mais de 100 milhões de
pessoas. Grandes seleções não conquistaram o título. O Brasil em 1950 em casa, A
Hungria em 1954, a Holanda em 1974 e 1978 e o Brasil em 1982. Nem sempre o
melhor vence na Copa do Mundo
Fotógrafos
dentro do Maracanã, Copa
de 1950, Fonte:

http://www.campooubola.com/imagens/fotografosmaracanafinalde50.bmp

Para adequar as transmissões e dinamizar o esporte, a Fifa introduziu o uso dos


cartões amarelo e vermelho, e as substituições por jogo já na Copa de 70. Ao conquista
o terceiro título o Brasil ficou definitivamente com a posse da Taça Jules Rimet. A partir
de 1974 a nova taça (Taça FIFA) era entregue aos vencedores.
19
Figura 2: Taça FIFA e Taça Julet Rimet,Fonte: http://g1.globo.com/VCnoG1/foto/0,,14955743-EX,00.jpg

A Copa da Espanha foi a primeira Copa do Mundo com 24 seleções. Até 1978 o
número máximo de seleções era 16. Em 1998 novo alargamento, 32 seleções
disputavam a etapa final da Copa do Mundo de futebol. A partir de 1994 a vitória vale 3
pontos. O vencedor ganhava 2 pontos até a Copa de 1990. Em 1998 foi introduzido o
Gol de Ouro que durou até a Copa de 2002 apenas. No Gol de Ouro quem fizesse o
primeiro gol na prorrogação era o vencedor da partida.

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Figura 3: Brasil, time tetracampeão em 1994, Fonte:
http://www.shoptytus.net/loja/images/BRASIL%20COPA%20DE%2094.jpg

Apenas sete países ganharam a Copa do Mundo. Três da América do Sul: Brasil
(5), Argentina (2) e Uruguai (2) e quatro da Europa: Itália (4), Alemanha (3), França (1) e
Inglaterra(1).
Com a conquista do tetracampeonato da Itália a Europa empatou com a América do Sul
no número de títulos. Nove para cada continente. Os Europeus sediaram 11 Copas do
Mundo e os sul-americanos apenas três (Brasil em 1950, Chile em 1962 e Argentina em
1978).
A Copa do Mundo da Coréia do Sul e Japão de 2002 foi a primeira realizada em dois
países diferentes, também foi o primeiro mundial disputado fora do eixo Europa-
Américas,; primeira Copa que um time fora do eixo Europa-América chega entre os
quatro primeiros; primeira Copa em que pelo menos uma das seleções a Europa,
América do Sul, América do Norte, Ásia e África chegam às oitavas-de-final. A Copa da
Coréia do Sul e Japão foi uma Copa de novidades do mundo globalizado. A próxima
Copa do Mundo na África do Sul consolida esta tendência.

6.1 A COPA DO MUNDO DE 1994


Motivada pela perspectiva de grande lucro, a Federação de Futebol dos Estados
Unidos encaminhou à FIFA sua candidatura para sediar a Copa do Mundo de 1994. O
país acabou sendo escolhido.
21
Os americanos provaram sua competência empresarial. Com um marketing
eficiente fizeram com que essa edição tivesse uma das maiores médias de público até
então, cada jogo reuniu por média de 70 mil pessoas de todos os lugares do mundo.
Cerca de três bilhões de telespectadores acompanharam o torneio.
No dia 17 de junho, Alemanha e Bolívia abriram a décima quinta Copa do Mundo,
em Chicago. A Alemanha venceu por 1 a 0 numa partida fraca.
Nossa seleção ficou no grupo A, com a Suécia, a Rússia e Camarões. A seleção
brasileira era comandada por Carlos Alberto Parreira e Mário Jorge Lobo Zagalo.
Parreira era o técnico e Zagalo o supervisor.
Zagalo voltava à seleção depois do fracasso da Copa de 74, quando tinha sido
acusado de retranqueiro. Ao embarcar com a delegação para os EUA, Zagalo se
defendeu dizendo que preferia ser campeão jogando feio a perder a Copa jogando
bonito.
O Brasil de 94 era um time defensivo. O meio-de-campo, onde no passado
brilharam jogadores de talento como Zizinho, Zito, Didi, Gerson, Rivelino, Falcão e Zico,
era ocupado então pelos valentes e limitados Dunga e Mauro Silva.
O Brasil estreou contra a Rússia em São Francisco. Aos 27 minutos, Romário
abriu o placar com oportunismo. No segundo tempo, Raí fez o último gol do jogo,
cobrando pênalti sofrido por Romário.
No segundo jogo, o Brasil se soltou mais e ganhou com facilidade de Camarões
por 3 a 0, com gols de Romário, Márcio Santos e Bebeto.
No último jogo da primeira fase, o Brasil enfrentou a Suécia em Detroit. Aos 23
minutos do primeiro tempo Andersson fez o primeiro gol sueco. A Suécia se fechou
dificultando a penetração do ataque brasileiro.
Mas no começo do segundo tempo, Romário marcou. O empate de 1 a 1
garantiu ao Brasil o primeiro lugar do grupo, mas a seleção saiu de campo vaiada, com
a torcida mostrando claramente seu descontentamento com o esquema
excessivamente defensivo.

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Ao fim da primeira fase a Argentina tinha despontado como grande favorita para
o título. Uma goleada de 4 a 0 sobre a Grécia mostrou um Maradona com ânimo
renovado.
No segundo jogo a Argentina conquistou nova vitória, desta vez 2 a 1 sobre a
Nigéria. Mas para surpresa geral, o resultado do exame antidoping de Maradona tinha
dado positivo.
Ele tinha tomado medicamentos que continham substâncias proibidas pela FIFA.
Maradona foi suspenso da Copa e o excelente time argentino não conseguiu
reencontrar seu bom futebol e acabou eliminado pela Romênia nas oitavas-de-final.
Nesta fase, o Brasil enfrentou os donos da casa. O jogo estava marcado para 4
de julho, o dia da independência dos Estados Unidos, e todo o marketing que promoveu
a partida exaltava um espírito nacionalista.
Depois de um jogo duríssimo, onde o lateral Leonardo foi expulso por ter atingido
deslealmente um jogador americano com uma fortíssima cotovelada no rosto, o Brasil
venceu por 1 a 0, com um gol de Bebeto, marcado a 15 minutos do final.
Nas quartas-de-final, contra a Holanda, a seleção brasileira fez sua melhor
partida no mundial, vencendo por 3 a 2, com gols de Romário, Bebeto e do lateral
Branco, em cobrança de falta, aos 36 minutos, desempatando o jogo para o Brasil.
Na semifinal, o time brasileiro foi a Los Angeles para enfrentar a mesma Suécia
com quem tinha empatado na primeira fase.
Os suecos voltaram a jogar trancados na defesa, o que exigiu muita cautela e
paciência por parte do Brasil para vencer por 1 a 0, com gol de Romário, marcado a
menos de 15 minutos do final.
Depois de 24 anos, a seleção brasileira voltaria a disputar a final de uma Copa
do Mundo. A Itália seria a adversária do Brasil.
Os dois times repetiriam, assim, a final da Copa de 70. Desta vez, o apito final
revelaria ao mundo um tetracampeão, pois cada país já tinha conquistado três Copas
do Mundo (o Brasil em 58, 62 e 70, e a Itália em 34, 38 e 82).

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Os esquemas defensivos de Brasil e Itália tiraram parte do brilho do espetáculo
e, a exemplo da final do Mundial anterior, o jogo não teve a emoção de uma verdadeira
final de Copa do Mundo.
Quase não houve chances de gol, e ao final de 90 minutos regularmente e de 30
minutos de prorrogação, Brasil e Itália não tinham saído do 0 a 0, levando a decisão da
Copa para os pênaltis.
Pela primeira vez uma Copa do Mundo seria decidida em cobrança de pênaltis.
O capitão Baresi, da Itália, foi o primeiro a bater e desperdiçou a cobrança chutando
para fora.
Para o Brasil, o zagueiro Márcio Santos chutou forte, mas em cima do goleiro
Pagliuca, que não teve dificuldades em espalmar.
Daí para frente, Albertini e Evani converteram para a Itália. Romário e Branco
também fizeram seus gols para o Brasil. O goleiro brasileiro defendeu o pênalti cobrado
por Massaro e o capitão Dunga colocou o Brasil em vantagem.
Faltando uma cobrança para cada lado, o placar mostrava Brasil 3 a 2. O ídolo
da Itália, Roberto Baggio, foi encarregado da cobrança e bateu por cima do travessão,
dando o título ao Brasil.
Apesar da vitória e do título inédito, a campanha da seleção deixou a desejar. Os
críticos não se conformavam em ver o time do Brasil com características defensivas.
A Copa de 94 marcaria o início do fim da carreira de um dos maiores jogadores
de todos os tempos, o argentino Diego Armando Maradona. Suspenso pela FIFA e
lutando contra a dependência de cocaína, Maradona nunca recuperou a forma física e
técnica com que levou a Argentina à conquista do Mundial de 86.
Outro registro lamentável da Copa dos Estados Unidos foi o assassinato do
zagueiro colombiano Escobar, morto a tiros num bar de Bogotá, por ter sido o autor do
gol contra que desclassificou a seleção da Colômbia, na partida contra os Estados
Unidos.
A artilharia do torneio foi dividida pelo búlgaro Hirsto Stoichkov e pelo russo Oleg
Salenko, com seis gols cada. A Bulgária ficou ainda com a quarta colocação, depois de

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perder o último jogo para a Suécia por 4 a 0, que assim assegurou o terceiro lugar na
Copa.
A seleção brasileira de 1994 era formada por Taffarel, Jorginho, Ricardo Rocha,
Mauro Silva, Bebeto, Dunga, Zinho, Raí, Romário, Márcio Santos, Leonardo, Ronaldão,
Branco, Zetti, Aldair, Cafu, Mazinho, Paulo Sérgio, Muller, Ronaldo, Viola e Gilmar.

7. A Copa do mundo de 94 através das lentes de Hélio Norio.

Para poder compreender a cobertura fotojornalistica da Gazeta Esportiva, a equipe


realizou levantamento das fotos publicadas no jornal durante toda a Copa do Mundo de
1994,quantificando-as com base na seguinte classificação Treino, Torcida, Jogadores
Extra-Campo, Técnico, Instantâneas das Partidas, Comemorações do Jogadores e
Abertura/Encerramento.
Os resultados podem ser visualizados no gráfico abaixo:

25
Gráfico com base nas 304 fotos Treino
analisadas

31 Torcida
8 31
Jogadores
Extra-Campo
Técnico
53
Instantâneas
Das Partidas
Comemoração
17 dos jogadores
Abertura/Encer
161 3 ramento

Nota-se que o jornal deu mais destaque para Treino, como ilustram as fotos abaixo:

Treino 1 Treino 2

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Em segundo lugar aparece o tema Instantâneos da Partida, conforme ilustram as
seguintes fotos:

Instantânea 1 Instantânea 2
Em Terceiro lugar, dois temas: Técnico e Jogadores Extra-Campo:

Técnico 1 Extra-Campo 1
Ocupando o Quarto lugar, o tema Comemoração dos Jogadores:

27
Comemoração1 Comemoração 2
Em Penúltimo lugar Torcida, como mostra as seguintes fotos:

Torcida 1 Torcida 2
Último lugar o tema: Abertura/Encerramento:

Abertura/Encerramento 1 Abertura/Encerramento 2

8. CONCLUSÃO
Conclui-se que a nossa pesquisa atingiu o objetivo, pois mostra que as fotos
podem narrar um fato por si só, elas têm a capacidade de dar vida a um
acontecimento. Vimos isso através da análise feita no trabalho do profissional
Hélio Norio que teve como um de seus trabalhos de maior destaque a cobertura da
Copa do Mundo De 1994. Onde o Brasil foi tetracampeão do mundo. Pode-se
descobrir e divulgar o importante papel que a fotografia tem tanto dentro das
reportagens, quanto para contar e eternizar uma história.
Em razão do alto número de fotos de treino dos jogadores, infere-se que, dada a
rapidez dos veículos eletrônicos, o jornal impresso, por meio das imagens de Hélio
Norio optou por uma cobertura de bastidores. Lembrando que a época ainda não

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contávamos com os recursos da 29r29ernet, a diferença de tempo entre os
veículos impressos e o rádio e a televisão eram ainda maior.

9. Referências
ACAMPORA, Ricardo. 1994: Brasil é tetracampeão. BBC Brasil, 05 de abril de 2002.
Acessado em 16 de abril de 2008. Disponível em:
<http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2002/020326_copa94.shtml>

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<http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Crim%C3%A9ia>

BARBEIRO, Heródoto; RANGEL, Patrícia. Manual do jornalismo esportivo. São


Paulo: Contexto, 2006.

BARTHES, Roland. A câmara clara: nota sobre a fotografia. 1. ed. Rio de Janeiro:
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BUSSELLE, Michael. Tudo sobre fotografia. São Paulo: Thomson Pioneira, 2001.

DUBOIS, Phillippe. O ato fotográfico e outros ensaios. 6. ed. Campinas: Papirus,


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Fundação Roberto Marinho. 158 (Cento e cinqüenta e oito) anos de fotografia.


Fundação Roberto Marinho. [19--]. Fita de vídeo (24 min.)

GAZETA ESPORTIVA. O tetra 24 anos depois. In: Gazeta Esportiva.NET Acesso em


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<http://admin.gazetaesportiva.com.br/historia/futebol/copa/1994/index.php>

GNU Free Documentation License. A Copa do Mundo de 1994. Wikipédia, A


Enciclopédia Livre. Acesso em 05 jun.2008. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Copa_do_Mundo_de_1994

História das Copas do Mundo de Futebol. Acesso em 22 ago.2008. Disponível em:


<http://www.duplipensar.net/dossies/historia-das-copas-do-mundo/index.html>

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LIMA, Ivan. Sobre a fotografia. Rio de Janeiro: Sindicato dos Jornalistas; Funarte,
1983.

29
MACHADO, Arlindo. A ilusão especular: introdução à fotografia. São Paulo.
Brasiliense, 1984.

PERSICHETTI, Simonetta. Imagens da Fotografia Brasileira. 2. ed. São Paulo:


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TODA, Helio Norio. Acervo Helio Norio. Disponível em: http:www.helionorio.com.br e


http://www.flickr.com/photos/helionorio.

10. Anexo

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