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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE EDUCAÇÃO – FACED FACULDADE DE INFORMÁTICA – FACIN CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO – MODALIDADE A DISTÂNCIA

PALOMA COSTA

APLICANDO ACESSILIDADE DIGITAL PARA ALUNOS CEGOS: O USO DE SOFTWARE LIVRE ACESSÍVEL NA EDUCAÇÃO

PORTO ALEGRE, 2011

PALOMA COSTA

APLICANDO ACESSILIDADE DIGITAL PARA ALUNOS CEGOS: O USO DE SOFTWARE LIVRE ACESSÍVEL NA EDUCAÇÃO

Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Especialização em Informática na Educação pela Faculdade de Informática e Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Orientador: MARISTELA FERRARI RUY GUASSELLI

PORTO ALEGRE, 2011

Dedico este trabalho aos meus pais, Luís e Graça, que sempre acreditaram no meu potencial e ao meu namorado, Pedro, pelos incentivos e paciência.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a associação ADEVIS de Novo Hamburgo por ter-me confiado e aberto as portas para a construção desta pesquisa. Agradeço aos professores, alunos e a todos que colaboraram de forma direta ou indireta para que esse trabalho pudesse ser concluído.

“Cegueira não é meramente a ausência da visão; a cegueira causa uma total reestruturação de todo o organismo e de toda personalidade. A cegueira, criando uma nova e única matriz da personalidade, traz à vida nova força; criativamente muda tendências normais das funções e organicamente refaz e forma a mente do indivíduo. Portanto, cegueira não é meramente um defeito, uma falta, uma delibilidade, mas em algum sentido é também a origem da manifestação das habilidades, um adicional, uma força (1993:97).”

(Lev Vygotsky)

RESUMO

Esta pesquisa visou prover acessibilidade do Curso de Criação de Páginas Web Acessível na utilização do Projeto LinuxAcessivel.org, totalmente Software Livre, com alunos cegos na Associação dos Deficientes Visuais (ADEVIS) de Novo Hamburgo. A pesquisa de trabalho, possibilitou que a maioria das informações apresentadas pudessem ser percebidas, proporcionando igualdade na sociedade da informação. O estudo foi realizado a partir de uma investigação sobre a realidade dos alunos cegos para aplicação do curso na ADEVIS- NH e, posteriormente, pela interação deles no conteúdo/estrutura/apresentação dos materiais desenvolvidos. Os alunos cegos tiveram a oportunidade de criar suas páginas Web acessíveis, no LinuxAcessivel.org, que apresentou vários níveis de feedback, na qual possibilitou a validação dos materiais construídos. Além da exploração direta da estrutura do curso, os alunos cegos foram entrevistados a partir de questionários semi-estruturados, o que resultou na avaliação dos mesmos. A investigação deixou evidente a necessidade da comunidade científica atentar para os requisitos de acessibilidade no momento de criação do projeto para o desenvolvimento de materiais digitais acessíveis. Neste sentido, o trabalho torna-se relevante por ter apresentado uma metodologia de construção de um ambiente digital acessível. É importante destacar, que os testes efetuados com os materiais digitais demonstraram atender as diretrizes internacionais de acessibilidade, na qual recebeu os selos que qualificam perante a comunidade de desenvolvedores Web.

Palavras-chave: Acessibilidade, Software Livre, Informática na Educação.

ABSTRACT

This research aimed to provide accessibility of Course Authoring Accessible Web Design LinuxAcessivel.org the use of totally free software with blind students in the Association of the Blind (Adevis) Novo Hamburgo. The research work, enabled most of the information presented could be realized by providing equality in the information society. The study was conducted from an investigation into the reality of blind students applying for the course in Adevis-NH, and later by their interaction in the content / structure / presentation of the materials developed. The blind students have the opportunity to create their Web pages accessible at LinuxAcessivel.org, which showed various levels of feedback, which allowed the validation of constructed materials. Apart from the direct course structure, students were interviewed blind from semi-structured questionnaires, which resulted in the assessment. The investigation revealed the need of the scientific community to pay attention to the accessibility requirements at the time the project for the development of digital materials accessible. In this sense, the work becomes relevant because it presented a methodology for building a digital environment accessible. Importantly, the tests performed with digital materials demonstrated meet the international guidelines for accessibility, which he received the seals that qualify to the community of Web developers

Key words: Accessibility, Free Software, Information Technology in Education.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Página Inicial do Projeto Orca

28 ...............................................................................

Figura 2

-

Navegador somente texto

30

....................................................................................... Figura 3 - Tela Inicial do sistema GNU/Linux Acessível

.......................................................

33

Figura 4 - Site Oficial do Projeto Linux Acessível

34 .................................................................

Figura 5

-

Validação automática WCAG

................................................................................

37

Figura 6

-

Certificado do Curso de Desenvolvimento de Páginas Web Acessíveis

................

38

Figura 7 - Página de fotos do Curso na ADEVIS-NH

39 ............................................................

Figura 8 – Portal Acessível do Curso

46 ........................................................................................

Figura 9 – Selo com AAA.........................................................................................................47

Figura 10 – Metodologia de Criação dos Materiais ..................................................................48

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Cronograma de Aulas no Laboratório de Informática

...........................................

42

LISTA DE GRÁFICOS

SUMÁRIO

1

10

  • 1.1 Objetivos Específicos..........................................................................................................11

  • 1.2 Motivação para o

12

  • 1.3 Estrutura do trabalho...........................................................................................................12

  • 2 INCLUSÃO DIGITAL DOS CEGOS....................................................................................13

    • 2.1 Dados Estatísticos sobre a Cegueira no Brasil ...................................................................15

  • 2.2 Causas da

18

  • 2.3 Histórico da Associação de Deficientes Visuais de Novo Hamburgo.................................19

  • 2.4 Declaração de Salamanca: Um Movimento

21

3

ACESSIBILIDADE

22

  • 3.1 Leis de Acessibilidade.........................................................................................................23

  • 3.2 Assistivas........................................................................................................

Tecnologias

24

3.2.1

Leitores de

26

3.2.1.1

Orca

26

  • 3.2.2 Projeto MecDaisy ............................................................................................................28

  • 3.2.3 Navegadores em modo texto...........................................................................................29

    • 4 SOFTWARE LIVRE..............................................................................................................30

 

4.1

Distribuição GNU/Linux

31

5

MATERIAIS DIGITAIS ACESSÍVEIS.................................................................................35

  • 5.1 Podcast................................................................................................................................

35

 
  • 5.2 Páginas Web

36

  • 5.3 Certificados do Curso em Braile.........................................................................................38

6

METODOLOGIA DE

39

  • 6.1 Projeto de Ensino Aprendizagem........................................................................................40

    • 6.1.1 Elaboração: Análise da Realidade....................................................................................41

      • 6.1.1.1 Conhecimento da Realidade dos Alunos ......................................................................42

Objeto de

  • 6.1.1.2 Pesquisa........................................................................................................

43

Projeção de

  • 6.1.1.3 Finalidades................................................................................................

44

  • 6.1.1.4 Formas de Mediação: Conteúdo do Curso....................................................................45

  • 6.1.1.5 Metodologia Aplicada no

47

  • 6.1.1.6 .......................................................................................................................

Recursos

48

6.1.2

Ação

49

6.1.2.1

Análise do Processo

50

6.1.3

Análise dos Resultados.....................................................................................................51

7

53

REFERÊNCIAS........................................................................................................................55

APENDICÊ A – Questionário Pré-Análise...............................................................................61 APENDICÊ B – Formulário de Acompanhamento de Pós- Análise........................................62

ANEXO 1 - Curso Criação de Páginas Web Acessíveis

..........................................................

63

10

  • 1 INTRODUÇÃO

Com os avanços tecnológicos e as diversas mídias digitais, existe atualmente uma demanda educacional e tecnológica maior, que se evidenciam na forma de utilização. Estamos

diante de uma revolução digital e perante este cenário é possível implementar soluções acessíveis que vão ao encontro da inclusão digital. Com isso, um novo mundo de conteúdo universal acessível com imagens, vídeos e áudios às pessoas com deficiência visual podem ser proporcionados a oportunidades profissionais mais qualificadas. O uso de Software Livre acessível tem como premissa buscar soluções do ponto de vista tecnológico sob o olhar da Informática na Educação e permitir o desenvolvimento de novas competências práticas, as quais necessitam ser reavaliadas para uma abordagem de aprendizagem que contemple diferentes sentidos, visuais e/ou sonoros, para que os meios tecnológicos sirvam como facilitadores das estratégias de aprendizagem e inclusão educacional/digital/social.

A este respeito, Gardner (2001) ressalta: “[

...

]

por isso a interatividade proporcionada

pelos avanços da tecnologia digital começam a ganhar importância com a nova mídia.”

(p.154)

.

Este trabalho apresenta a aplicação de um curso presencial sobre Criação de Páginas Web Acessíveis, na qual o conteúdo contempla a elaboração de páginas baseada nas diretrizes de acessibilidade, assim como, dos materias do curso disponibilizados, construídos desde sua

concepção, desenvolvimento e validação pelas técnicas avançadas de testes de acessibilidade e dos padrões nacionais e internacionais de acessibilidade.

A proposta de estudo e pesquisa foi dirigida para alunos cegos no laboratório de Informática na ADEVIS-NH, que utilizaram a distribuição do sistema operacional GNU/Linux, chamado LinuxAcessivel.org 1 , instalada nos compuatdores com os aplicativos necessários: navegador web, programas de apresentação, edição de texto, comunicador instantâneo, entre outros, compatíveis com o leitor de tela Orca 2 . O projeto

  • 1 Projeto LinuxAcessivel.org – Distribuição personalizada do sistema operacional de código aberto Ubuntu Gnu/ Linux especificado para pessoas com deficiência visual(total, parcial ou surdocegueira). Disponível em http://www.linuxacessivel.org Acesso em: [12/04/2011]

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LinuxAcessivel.org corrige e configura recursos de acessibilidade e usabilidade para pessoas com deficiência visual poderem utilizar o Ubuntu GNU/Linux desde o momento de inicialização do sistema, durante a instalação e principalmente, depois de instalado.

O problema estabelecido a partir deste tema configura-se na seguinte questão: Quais resultados computacionais e educacionais devem ser atingidos para contemplar uma metodologia construtiva acessível para os alunos cegos? Parte-se do pressuposto de que a inclusão digital destes sujeitos pode ser potencializada a partir da utilização de aplicações acessíveis à Web 3 , o que denota a relevância da temática investigada.

Assim, tendo como metas a pesquisa de campo e as etapas que compõem a metodologia de ensino, apresento os objetivos a seguir.

Utilizar o LinuxAcessivel.org, no Curso de Criação de Páginas Web Acessíveis, com alunos cegos de até 18 anos na ADEVIS-NH, para propor uma nova metodologia de educação com recursos tecnológicos acessíveis.

1.1 Objetivos Específicos

Intervir, ajudar e direcionar os alunos cegos para as atividades no software GNU/Linux, com atividades dirigidas e mediadas, seguidas por comandos e material acessível;

Propor aos alunos cegos criação de informação digital acessível;

Buscar por meio de pesquisas exploratórias o contexto de uso dos alunos cegos e propor um ambiente a partir de sua realidade;

Utilizar as técnicas de testes de acessibilidade alinhada com os padrões internacionais de acessibilidade e garantir a qualidade dos materiais digitais do curso;

3Web disponibiliza às pessoas, independentemente do seu hardware, software, infra-estrutura de rede, idioma nativo, cultura, localização geográfica, habilidade física ou mental, o valor social que é permitir comunicação humana, o comércio e as oportunidade para compartilhar conhecimentos (W3C, 2011).

12

Construir um cronograma como detalhes do projeto com os alunos cegos;

Promover um momento de finalização e socialização no final do curso aplicado.

  • 1.2 Motivação para o estudo

Com a evolução das tecnologias digitais envolvendo a Internet 4 , uma grande fonte de informações e aprendizagens estão sendo geradas. Com este crescimento digital, os alunos cegos utilizam novas formas de comunicação na busca pela informação, para atender suas necessidades, sejam elas sociais ou educacionais. Neste sentido, os alunos cegos que acompanham as tecnologias digitais optam por ler notícias online, fazer compras virtuais sem precisar sair de casa, melhorar o conhecimento sobre algum assunto, ouvir música online, participar de redes sociais, comunicar-se com outras pessoas de diversas partes do mundo, entre outros. Assim, de diversas formas a Internet pode satisfazer as suas expectativas, desde que, estas informações estejam dispostas de forma acessível. Contudo, para o acesso desses conteúdos disponibilizados na Web é preciso que as informações estejam acessíveis. Este cenário, aliado aos conhecimentos construídos durante o curso de Computação Licenciatura no Unilasalle, suscitou a motivação para a Especialização em Informática na Educação para desenvolver um trabalho na área aqui apresentada tendo em vista a sua relevância social e demanda, a qual, ainda é pouco atendida.

  • 1.3 Estrutura do trabalho

Este trabalho, encontra-se estruturado em 7 capítulos, divididos da seguinte forma:

4Internet é um conglomerado de redes em escala mundial de milhões de computadores interligados pelo TCP/IP que permite o acesso a informação e todo o tipo de transferência de dados. Disponível em:

13

O primeiro capítulo apresentou a Introdução com a proposta, objetivos e motivação para este trabalho.

O segundo capítulo apresenta a Inclusão Digital sob diversas iniciativas, dados estatísticos e as causas da cegueira no Brasil, diante de fatos históricos importantes para a evolução e mudanças atuais na inclusão de alunos cegos.

No terceiro capítulo é abordada a Acessibilidade na Web, que trata das principais tecnologias assistivas usadas pelos alunos cegos, explorando também, as leis de acessibilidade no Brasil e no mundo. No quarto capítulo é apresentada a definição, as vantagens e a importância do Software Livre nesta pesquisa. No quinto capítulo são apresentados os materiais acessíveis utilizados durante a prática de ensino com os alunos cegos. No sexto capítulo é apresentada a metodologia adotada para o desenvolvimento do curso de “Criação de Páginas Web Acessíveis” com os alunos cegos a partir das seguintes etapas: Identificar a necessidade central dos alunos cegos; Especificar e construir os materiais acessíveis; e realizar o curso de criação de páginas Web acessíveis para os alunos cegos. E finalmente no sétimo capítulo é apresentada a conclusão perante os resultados alcançados durante o curso com os alunos cegos e também das contribuições conquistadas para a sociedade digital.

2 INCLUSÃO DIGITAL DOS CEGOS

Em uma perspectiva de renovação do papel da educação especial é preciso seguir a inclusão digital, para que se viva o tempo presente em sintonia com as inesgotáveis possibilidades do conhecimento e das potencialidades humanas. Talvez assim fosse mais simples converter em realidade o sonho de uma escola inclusiva às crescentes exigências da sociedade. (BUENO, 1993).

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Conforme Fonseca (2003), o termo inclusão, significa ação ou resultado de incluir, de envolver, de abranger, de introduzir dentro de alguma coisa, logo, a educação inclusiva assegura a todos os estudantes sem nenhuma exceção, a igualdade de oportunidades educativas. Incluir pressupõe a compreensão de que normal é a diversidade; portanto, inclusão é aquela capaz de atender com qualidade a diversidade humana (ABENHAIM, 2005). Na proposta de inclusão, as diferenças devem ser respeitadas e potencializadas de acordo com uma interação que valorize as peculiaridades de cada pessoa. Sendo assim, o profissional precisa estar atento à singularidade de cada integrante do grupo, promovendo o intercâmbio entre a diversidade de pluralidades (MANTOAN, 2002).

Conforme Stainback e Stainback (1999), a inclusão é mais do que um modelo educacional a ser seguido, pois se trata de um novo paradigma, no qual ainda parece muito distante da realidade, um ideal quase utópico e ainda longe de ser alcançado.

Atualmente o Instituto Benjamin Constant, órgão do Ministério da Educação

especializado em educação para pessoas com deficiência visual, através do seu Laboratório de

Educação a Distância, oferece à população, independentemente de suas diferenças, um

ambiente virtual de aprendizagem com acessibilidade o que possibilita uma capacitação profissional com a vantagem de escolher o melhor horário para realização de suas atividades (MELCA; BLOIS, 2011). O processo inclusivo pode significar uma verdadeira revolução educacional que envolve uma escola eficiente, diferente, aberta, comunitária, solidária e democrática onde a multiplicidade leva-nos a alcançar a inclusão (MRECH apud STOBAUS; MOSQUEIRO,

1998).

A Secretaria Estadual da Educação e Cultura através da Gerência da Educação Especial desenvolve vários programas que ajudam na inclusão de pessoas com deficiência na escola regular. Um desses, o Programa de Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual auxilia alunos cegos ou com baixa visão a frequentar a escola de educação básica regular. Este programa oferece subsídios aos sistemas de ensino para o atendimento de alunos cegos. Para prestar esse atendimento, o MEC, através das Secretarias de Educação implantou em todos os estados brasileiros um Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (DUTRA, 2011). O Ministério da Educação, por intermédio da Secretaria de Educação Especial (2007),

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reafirmando o seu compromisso com a cidadania e dignidade das pessoas com deficiência visual do Brasil, reconhece que:

Sem estarem aptas a usar as palavras através das expressões escritas, as pessoas com deficiência visual não poderiam funcionar como verdadeiros membros da sociedade; Com a utilização do Sistema Braille, textos ampliados e outros recursos

complementares, o educando deficiente da visão, pode estabelecer metas para o uso do poder pessoal no processo de mudança da sociedade; A política de diretrizes e normas para o uso, o ensino, difusão e produção do Sistema

Braille e de textos ampliados, em todas as modalidades de aplicação, como dever do Estado, garante às pessoas com deficiência visual, o direito a sua inclusão educacional e comunitária com qualidade.

Nesse sentido, o papel fundamental da escola no processo de inclusão dos alunos cegos não se resume apenas em poder desenvolver habilidades para uma maior autonomia, mas também poder dar possibilidades de mudanças e de suporte às interações das tecnologias da informação e comunicação.

Diante de tantas iniciativas, há muito a ser feito, pois cabe a sociedade oferecer oportunidades e estarem atenta as vantagens que os avanços tecnológicos estão proporcionando (GIL, 2000). Portanto, conhecer mais sobre os alunos cegos e observar sua necessidade de transformação das circunstâncias no ambiente digital, da educação e da vida social é de certa forma um ato de cidadania e sendo assim, a esperança de um mundo melhor.

2.1 Dados Estatísticos sobre a Cegueira no Brasil

O Censo 2010 compreendeu um levantamento minucioso de todos os domicílios do país. Nos meses de coleta de dados e supervisão, 191 mil recenseadores visitaram 67,6 milhões de

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domicílios nos 5.565 municípios brasileiros para colher informações sobre quem somos, quanto somos, onde estamos e como vivemos. Os primeiros resultados definitivos, divulgados em novembro, apontaram uma população formada por 190.732.694 pessoas.

Em novembro de 2011, mais resultados chegam ao conhecimento do público com a divulgação da Sinopse do Censo Demográfico e nos próximos resultados serão divulgados no decorrer de 2012, de acordo com o calendário online disponível para consulta. Dados oficiais atualizados sobre a cegueira não estão disponíveis. Portanto, com base no Censo do IBGE 2006, da população brasileira (169 milhões de habitantes), 14,5% (24,5 milhões) são pessoas que têm deficiência (visual, motora, auditiva, mental, física). Esta publicação trouxe o número absoluto de pessoas cegas no país. O Censo indicou a existência de 16.645 milhões de pessoas que apresentam algum grau de deficiência visual no Brasil e, dentre elas, 159.824 se declararam incapazes de enxergar, sendo 9.385 mulheres e 7.259 homens. No gráfico 1, são apresentados os números de cada deficiência (etiologia) no Brasil:

16 domicílios nos 5.565 municípios brasileiros para colher informações sobre quem somos, quanto somos, onde estamos

Gráfico 1. Pessoas com Deficiência no Brasil

Fonte: CENSO, 2006.

O Gráfico 1, mostra que existem mais homens que mulheres deficientes e que o maior número são pessoas com alguma deficiência visual. Ainda pelos dados do Censo 2006, a

17

Educação Especial Superior registra que, entre 2003 e 2005, o número de alunos passou de 5.078 para 11.999 alunos, representando um crescimento de 136%. A evolução das ações referentes à educação especial nos últimos anos é expressa no crescimento de 81% do número de municípios com matrículas. Em 1998, registrou 2.738 municípios (49,7%) e, em 2006 alcançou 4.953 municípios (89%). Segundo a OMS 5 - Organização Mundial de Saúde, cerca de 1% da população mundial apresenta algum grau de deficiência visual. Mais de 90% encontram-se nos países em desenvolvimento. Nos países desenvolvidos, a população com deficiência visual é composta por cerca de 5% de crianças, enquanto os idosos são 75% desse contingente. Dados oficiais de cada país não estão disponíveis. Os especialistas da Sociedade Brasileira de Visão Subnormal estimam que, os casos de deficiência visual poderiam ser reduzidos em até 30% se fossem adotadas medidas preventivas eficientes nas áreas da saúde, educação e se houvessem mais informações disponíveis para a população (NCE-UFRJ, 2011). O investimento na capacitação educacional e profissional, assim como, o domínio de novas tecnologias ampliam o acesso ao mercado de trabalho, para qualquer pessoa. (GIL, 2000). A Internet proporciona o acesso de informações e principalmente, a disseminação de conhecimentos entre diversas culturas (MELCA; BLOIS, 2011). De acordo com a União Internacional de Telecomunicações (2008), a população corresponde a 11% da população mundial total conectada à Internet. O Brasil, apesar da exclusão digital, aparece com cerca de 40 usuários conectados a cada 100 habitantes, ou seja, cerca de 10% da população. Quando se refere às pessoas com deficiência visual, fica mais evidenciado o problema da exclusão digital, pois equivale a 0,5% da população total conectada (MELCA; BLOIS, 2011). Cabe ressaltar que, dependendo do tipo de deficiência é mais difícil a inserção no mercado de trabalho. De acordo com os dados do IBGE (2006), o tipo de deficiência que mais dificulta o acesso ao mercado de trabalho é a deficiência mental com 19,3%. As outras deficiências permitem uma inserção maior no mercado de trabalho e os dados são: deficiência física 24,1%, surdos 34% e cegos 40,8%.

5OMS -é um organismo internacional de saúde pública com um século de experiência, dedicado a melhorar as condições de saúde dos países das Américas. Disponível em: http://new.paho.org/bra/ Acesso em: [23.set.2011]

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2.2 Causas da Cegueira

De maneira genérica, podemos considerar que nos países em desenvolvimento as principais causas são infecciosas, nutricionais, traumáticas e causadas por doenças como as cataratas. Existem outros fatores para a cegueira em seres humanos. As causas mais frequentes de cegueira são (DOMINGOS, V. T. et al, 2007):

Retinopatia da prematuridade causada pela imaturidade da retina, em decorrência de parto prematuro ou excesso de oxigênio na incubadora;

Catarata congênita em consequência de rubéola ou de outras infecções na gestação;

Glaucoma congênito que pode ser hereditário ou causado por infecções;

Degenerações retinianas e alterações visuais corticais;

A cegueira e a visão subnormal, podem também resultar de doenças como diabetes, deslocamento de retina ou traumatismo ocular.

A cegueira, ou perda total da visão, pode ser adquirida ou congênita (desde o nascimento). A cegueira adquirida guarda memórias visuais, consegue se lembrar de imagens, luzes e cores que conheceu, e isso é muito útil para sua readaptação. Quem nasce sem a capacidade da visão é limitado a formar a memória visual (CONDE, 2011).

Entre as causas existem alguns fatores de risco que devem ser observados:

Histórico familiar de deficiência visual por doenças de caráter hereditário: por

exemplo, glaucoma. Histórico pessoal de diabetes, hipertensão arterial e outras doenças sistêmicas que

podem levar a comprometimento visual, por exemplo: esclerose múltipla. Senilidade, por exemplo: catarata, degeneração senil de mácula.

Não realização de cuidados pré-natais e prematuridade.

Não utilização de óculos de proteção durante a realização de determinadas tarefas (por exemplo, durante o uso de solda elétrica)

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Não imunização contra rubéola da população feminina em idade reprodutiva, o que pode levar a maior chance de rubéola congênita e consequente acometimento visual.

Há vários tipos de classificação. De acordo com a intensidade da deficiência, temos a deficiência visual leve, moderada, profunda, severa e perda total da visão. No entanto, se a parcela da população com uma distinção físico-sensorial não tomar parte da produção histórico-social da humanidade, nascerá dessa desigualdade um tipo de relação vertical e hierarquizada que cria a falsa dicotomitização da superioridade de uns e da inferioridade de outros (BIANCHETTI; FREIRE, 2004).

2.3 Histórico da Associação de Deficientes Visuais de Novo Hamburgo

Diante da necessidade de proporcionar ao deficiente visual ou ao portador de baixa visão o seu desenvolvimento e participação na sociedade, foi fundada em 25 de junho de 1988, a Associação dos Deficientes Visuais de Novo Hamburgo (ADEVIS-NH, 2011). Mediante a necessidade de uma sede no município de Novo Hamburgo e núcleo em São Leopoldo preocuparam-se, num primeiro momento, com o ingresso no mercado de trabalho das pessoas com deficiência. Conforme ADEVIS, na década de 80 o Vale dos Sinos absorvia a mão de obra de muitos trabalhadores, entre eles, pessoas com deficiência, residentes nesta cidade ou oriundos de outras localidades, provocando desta maneira, a organização de um alojamento adequado. A partir do trabalho realizado e do reconhecimento da comunidade, a Instituição teve seu quadro de associados ampliado, bem como a oferta de serviços. Posteriormente, com a crise econômica que atingiu o setor coureiro-calçadista e o implemento de novas tecnologias, a mão de obra pouco qualificada, foi dispensada. Este novo contexto fez com que a ADEVIS- NH revisse seu propósito, passando a atuar na área da educação.

Neste sentido, a entidade, por intermédio do envio de projetos e do firmamento de

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convênios com o poder público municipal, ampliou sua infra-estrutura física e de equipamentos, montando seu quadro de recursos humanos (professores e voluntários). Cabe ressaltar, que a entidade, também firmou parcerias com a comunidade local, clubes de serviço e escolas da rede pública que tiveram matriculado em suas classes, alunos com deficiência visual (ADEVIS-NH, 2011).

Diante deste fato novo, a instituição ADEVIS-NH, na condição de Organização Não- Governamental (ONG), decide programar ações tais como:

Grupos de convivência;

 

Apoio pedagógico a favor de alunos com deficiência visual com repasse de material tiflológico para estabelecimentos escolares;

Mini Centro de Apoio Pedagógico (produção de material tiflológico nas modalidades Braille, alto-relevo e ampliado), a favor de técnicos, professores e associados;

Organização

de

espaço

cultural,

a

partir

da

Biblioteca

para

todos,

contendo acervo literário, psicopedagógico e informativo;

 

Alfabetização de adultos pelo sistema Braille;

 

Gravação sonora de material didático, cultural e informativo no estúdio de gravação Neiva Dambrós;

Treinamento em informática, a partir da montagem de laboratório de informática;

Informação e orientação a profissionais, a partir da realização de cursos e seminários;

Encaminhamentos dos associados para recursos da rede pública e comunidade;

 

Segundo o presidente Ricardo Seewald, tempos modernos requerem estratégias modernas, e os meios precisam ser renovados, adequando a instituição às características de nossa época. Portanto, diante das conquistas alcançadas a partir dos movimentos associativistas que, ao longo do tempo, legitimaram e colaboraram na construção da legislação pertinente as pessoas com deficiência, é que se percebe a relevância e a importância da iniciativa deste projeto de pesquisa em contribuir.

21

2.4 Declaração de Salamanca: Um Movimento Mundial

Nos países da Europa para reafirmar o direito de educação para todos, em 10 de junho de 1994, representantes de 92 países e 25 organizações internacionais realizaram a Conferência Mundial de Educação, encontro patrocinado pelo governo espanhol e pela UNESCO conhecida na história da Educação como a Declaração de Salamanca (UNESCO,

1994).

Um dos aspectos mais ressaltados durante as discussões era a atuação do sistema educacional que levam à exclusão de pessoas com deficiência. Os especialistas revelaram que o sistema educacional tende a excluir os alunos diferentes privilegiando os alunos considerados normais (CORDE, 1994).

A Declaração de Salamanca partiu do seguinte pressuposto:

As escolas regulares com orientação para a educação inclusiva, são o meio mais eficaz no combate às atitudes discriminatórias, propiciando condições para o desenvolvimento de comunidades integradas, base da construção da sociedade inclusiva e obtenção de uma real educação para todos (UNESCO, apud STOBAUS e MOSQUEIRO, 1994, p.09).

A Declaração de Salamanca e a Política em Educação Especial culminou em um documento das Nações Unidas, intitulado “Regras Padrões sobre Equalização de Oportunidades para Pessoas com Deficiências”, o qual demanda que os Estados membros assegurem a educação de sujeitos deficientes como parte integrante do sistema educacional, reafirmando o compromisso e a necessidade para providenciar uma educação para todos, dentro do sistema regular de ensino (CORDE, 1994). Também na Declaração de Salamanca, é ressaltado que pessoas com deficiência devem receber apoio suplementar de que precisam e assegurar uma Educação eficaz, apostando na Educação Inclusiva como a melhor forma de promover a solidariedade (CORDE, 1994).

22

3 ACESSIBILIDADE DIGITAL

A Acessibilidade Digital significa viabilizar para as pessoas o acesso à rede mundial de informação e comunicação por meio de equipamentos e programas adequados com conteúdo adaptado em formatos alternativos. Hoje, a acessibilidade digital é considerada instrumento primordial para muitas pessoas com deficiência que não teriam, de outra forma, maneira de se incluir na sociedade (UNESCO, 1994). Um fator muito importante dentro da acessibilidade digital é disponibilizar a informação de forma independente da tecnologia e plataforma, assim como, das capacidades sensoriais (PÁDUA, 2011).

Segundo Bonnato (2003, p. 38), “nem tudo que se disponibiliza está acessível para os

cegos [

...

]”,

portanto, deve-se trabalhar para que o conteúdo digital seja alinhado às reais

necessidades do que foi proposto. Com a finalidade de definir soluções e esclarecer os itens de acessibilidade, a Web Accessibility Initiative – WAI 6 , desenvolve diretrizes que se constituem em padrões internacionais para a acessibilidade na Web. A acessibilidade digital envolve diferentes áreas. Entre elas conforme coloca Lay e outros (ZÚNICA, 1999) podem citar:

(1) A acessibilidade ao computador que engloba softwares de acesso incluindo diferentes tipos de Tecnologias Assistivas para uso genérico de acesso aos computadores e periféricos, ou que podem ser especialmente programados para o acesso a Web; (2) A acessibilidade ao Navegador, os quais podem ser genéricos como a Microsoft Explorer e o Mozilla Firefox entre outros. Contudo, existem navegadores específicos que oferecem facilidade de acesso diferente, como o navegador só de texto chamado LYNX; (3) A acessibilidade ao planejamento de páginas WEB, que envolve várias dimensões como conteúdo, estrutura e formato. O planejamento de construção de páginas é o

6 WAI – A Web Acessibilitty desenvolve estratégias, diretrizes e recursos para ajudar a tornar a Web acessível às pessoas com deficiência. Disponível em: http://www.w3.org/WAI/ Acesso em [10 ago.2011]

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elemento fundamental para oferecer maiores possibilidades e opções de acessibilidade.

A maioria dos conteúdos Web possuem barreiras que dificultam, ou mesmo, tornam impossível a troca de informações. No entanto, se a estrutura, o conteúdo e apresentação forem planejados, minimizariam boa parte das dificuldades na Web para muitas pessoas (WAI, 2011).

3.1 Leis de Acessibilidade

Os primeiros países a idealizar acessibilidade na Internet foram o Canadá, USA e Austrália em 1997 (BRASIL, 2011a). Em 1998, entra em vigor nos Estados Unidos a Section 508 decretada para eliminar barreiras na tecnologia da informação, proporcionando novas oportunidades. A lei Section 508 se aplica a todas as agências federais que forem desenvolver adquirir, manter, ou utilizar as tecnologias da informação (USA, 2011). Em 1999, Portugal regulamentou a adoção de regras de acessibilidade à informação disponibilizada na Internet. Esta iniciativa transformou Portugal no primeiro país da Europa e o quarto no mundo a legislar sobre acessibilidade na Web (BRASIL, 2011a). Desde a lei de acessibilidade até as diretrizes sobre inserção no mercado de trabalho, o Brasil tem trabalhado pela inclusão das pessoas com deficiência em várias frentes. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, por intermédio de sua Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, luta pela implantação de um modelo de acessibilidade em todos os sites do governo brasileiro, o que facilitará a relação da população com os sistemas de governo eletrônico (LIRA, 2011). Dentro deste contexto, a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, elaborou um Modelo de Acessibilidade para o desenvolvimento de novos conteúdos Web e a adaptação de conteúdos que não estivessem nas normas de acessibilidade. Tais recomendações conduzem, de forma fácil, a implementação e adaptação do conteúdo de forma acessível e coerente com as necessidades brasileiras, para alinharem-se as conformidades dos padrões internacionais. O Modelo de Acessibilidade do Governo Eletrônico possui duas visões para

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atender a acessibilidade (BRASIL, 2011b):

Visão Técnica: com referência ao Modelo de Acessibilidade do Governo Eletrônico, a

Cartilha Técnica é voltada ao desenvolvedor que fará as alterações no código. São recomendações de acessibilidade para a construção e adaptação de conteúdos do governo brasileiro na Internet. Visão do Cidadão: é uma arquitetura de abstração e entendimento das recomendações de acessibilidade, que possui a orientação para a compreensão da visão técnica de forma mais lógica e intuitiva dos resultados do processo de acessibilidade, incluindo também pessoas não técnicas.

No Brasil, a legislação consolidada por meio da Lei nº. 8.112/90 amplia a participação das pessoas com deficiência através de empregos e salários, permitindo um relacionamento social, econômico e político cada vez maior. Torna-se comum um número cada vez maior de pessoas com deficiência visual nas atividades profissionais de diversas áreas e com isso, as tecnologias têm de oferecer espaços computacionais mais acessíveis (BRASIL, 2011c). O Decreto nº. 5.296/2004 consolida as leis de acessibilidade nº. 10.048/2000, que dá prioridade de atendimento; e a Lei nº. 10.098, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção de acessibilidade das pessoas com deficiências ou com mobilidade reduzida (LIRA, 2011). A acessibilidade está relacionada em fornecer condição para o uso de produtos, serviços e comunicação, mas também a inclusão e o uso destes por todas as parcelas presentes em uma determinada população, ou seja, é a possibilidade de qualquer pessoa usufruir a maioria dos benefícios na sociedade.

3.2 Tecnologias Assistivas

As Tecnologias Assistivas (TAs) é um termo utilizado para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar, ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência promovendo a inclusão (BERSCH;TONOLLI, 2011). No Brasil,

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encontramos também terminologias diferentes que aparecem como sinônimos da TA, tais como: Ajudas Técnicas, Tecnologia de Apoio, Tecnologia Adaptativa e Adaptações (SASSAKI, 1999). Os recursos podem variar de uma simples bengala a um complexo sistema computadorizado. Estão incluídos brinquedos e roupas adaptadas, computadores, softwares e hardwares especiais que contemplam questões de acessibilidade, dispositivos para adequação da postura sentada, recursos para mobilidade manual e elétrica, equipamentos de comunicação alternativa, chaves e acionadores especiais, aparelhos de escuta assistida, auxílios visuais, materiais protéticos e milhares de outros itens confeccionados ou disponíveis comercialmente (BERSCH;TONOLLI, 2011). Os recursos de acessibilidade ao computador abrangem equipamentos de entrada e saída (síntese de voz, Braille), auxílios alternativos de acesso (ponteiras de cabeça, de luz), teclados modificados ou alternativos, acionadores, softwares especiais (de reconhecimento de voz, etc.), que permitem às pessoas com deficiência usar o computador (SASSAKI, 1999). O serviço prestado profissionalmente às pessoas com deficiência visa selecionar a TA, que envolve profissionais de diversas áreas, tais como: Educação, Psicologia, Enfermagem, Arquitetura, Design e técnicos de outras especialidades (BERSCH;TONOLLI, 2011). O objetivo das TAs é especificamente concebido para ajudar pessoas com incapacidades ou deficiências a executar atividades do cotidiano (GALVAO, 2011). Além disto, existem padrões internacionais de acessibilidade, que viabilizam acesso a comunicação de diversos meios de comunicação (BLOIS; MELCA, 2011). Os alunos cegos acessam a informação digital por meio do teclado, pois todo o comando via teclado e informações das páginas são interpretadas pelo leitor de tela, portanto teclado e software de leitura de tela são as principais TA´s utilizadas (PUPO;MELO;FÉRRES, 2011). Pode-se afirmar que os alunos cegos não usam seus olhos para acessar a Web, isto é, um monitor de computador e mouse não seria algo muito útil. Não que sejam incapazes de mover um mouse ou clicar; o fato é que eles não sabem para onde deslocar o mouse ou quando clicar, uma vez que não podem ver o que está na tela (WEBAIM, 2011). O leitor de tela usado para esta pesquisa será apresentado nos tópicos seguintes.

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3.2.1 Leitores de Tela

Leitores de tela são Tecnologias Assistivas (TAs) disponíveis como softwares. Quando um computador dispõe deste software instalado é possível que o sintetizador de voz informe o que está na tela do computador e se houver qualquer ação pelo teclado, também é informado através desta voz. Com os leitores de tela é possível acessar diversos aplicativos no próprio computador. No caso de uma página Web, esses softwares precisam interpretar as informações contidas nas páginas, como título de um texto, listas de conteúdo, campos de formulários, tabelas e descrições de imagens. Caso estas informações não estejam completamente acessíveis, não serão identificadas (OLIVEIRA, 2011). Porém, somente os recursos tecnológicos se tornam insuficientes se não considerarmos requisitos básicos de acessibilidade Web. Podemos citar como exemplo, a construções de páginas acessíveis seguindo as diretrizes da W3C 7 (2011). Se os requisitos de acessibilidade não estiverem disponíveis nos aplicativos e serviços, os leitores de tela esbarram nas barreiras comunicacionais e não informam o conteúdo. O acesso à informação pelos computadores traz como ponto positivo a facilidade de juntar a audição do texto com a possibilidade de fazer-se a soletrarem e a verificação da grafia das palavras. Por meio dos softwares leitores de tela os alunos cegos acessam de maneira completa os textos e a informação de maneira muito rápida e precisa, acompanhando a velocidade com que são produzidas e distribuídas na rede.

3.2.1.1 Orca Linux

Hoje, os alunos cegos tem acesso a ferramentas como o leitor de telas Orca e obtido

  • 7 W3C – Word Wide Web é um consórcio internacional no qual organizações filiadas, uma equipe em tempo integral e o público trabalham juntos para desenvolver padrões para a Web. Disponível em: http://www.w3c.br/Sobre Acesso em [10 ago. 2011]

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resultados positivos. O leitor de tela Orca, roda em qualquer distribuição GNU/Linux com a interface gráfica Gnome 8 . Na distribuição estudada para esta pesquisa, o LinuxAcessivel.org está baseado na distribuição Ubuntu que já vem com o Leitor de Tela Orca instalado no sistema operacional (UBUNTU, 2011). Existem várias opções de softwares leitores de tela disponíveis no mercado que são exclusivamente para plataforma Windows. No entanto, ainda são poucos que usam GNU/Linux (GALVAO, 2011). Outra possibilidade simples é o aluno cego iniciar o LIVE CD 9 em Português ou Espanhol e usar Orca em conjunto com aplicativos GTK2, como: Nautilus, GEdit, Editor de textos do BROffice, Firefox/Iceweasel, gnome-terminal, Adobe Reader, Brasero, e outros (ORCA, 2011). Atualmente, o Projeto GNOME e o Leitor de Tela Orca vêm evoluído aplicativos em GTK+ e melhorando a acessibilidade (UBUNTU, 2011). A configuração GUI 10 do leitor de tela Orca permite personalizar o comportamento e suas características, tais como voz, Braille ou ampliação. O teclado de computador para a Orca na janela "GERAL", no item "configuração do teclado (desktop ou laptop)", altera a atual configuração do teclado. Para abrir a interface gráfica de configuração do leitor de tela Orca em um computador portátil, pressione as teclas "Caps-lock + Space", se estiver usando em uma máquina desktop utilize as teclas "Insert + space" (ORCA, 2011).

O Leitor de Tela Orca é projetado para trabalhar com aplicações e kits de ferramentas que suportem a interface do provedor de serviço de tecnologia assistencial (AT-SPI), isto inclui o ambiente de trabalho GNOME e suas aplicações com a plataforma Java. Algumas aplicações trabalham melhor do que outras, contudo, a comunidade Orca continuamente trabalha para fornecer acesso atraente para mais aplicações, conforme mostra a página inicial do projeto na figura 1 (ORCA, 2011).

8GNOME é um projeto Internacional de software live que provê basicamente duas coisas: o ambiente desktop GNOME, intuitivo e atraente para usuários finais; e a plataforma de desenvolvimento GNOME, um framework extenso para construção de aplicações que se integrem com todo o desktop. Disponível em: http://br.gnome.org/ GNOMEBR/Gnome [Acesso em 21 set. 2011]. 9LIVE CD possibilita que os usuários Linux utilizem o sistema operacional sem precisar instalar. Disponível em:

http://www.linuxacessivel.org [Acesso em 10 ago. 2011]

  • 10 GUI é uma sigla, do inglês, significa: Graphical User Interface; no português: interface gráfica do

usuário. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Gui [Acesso em 10 ago.2011]

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28 Figura 1. Página Inicial do Projeto Orca Fonte: http://live.gnome.org/Orca No site do GNOME em Aplicações

Figura 1. Página Inicial do Projeto Orca

Fonte: http://live.gnome.org/Orca

No site do GNOME em Aplicações Acessíveis, está disponível uma lista crescente de informações sobre diversas aplicações que podem ser acessadas com a Orca, além de dicas sobre configurações de idioma, tonalidade de voz, entonação, velocidade de leitura e tipo de fala sintetizada. Pretende-se fornecer um repositório dentro do quais usuários possam compartilhar experiências relativas a aplicações que eles tenham testado e aumentar o número de usuários com a possibilidade de acesso ao GNU/Linux por um deficiente visual (GNOME,

2011).

3.2.2 Projeto MecDaisy

Um novo benefício é a ferramenta gratuita disponível no portal do Ministério da Educação, que lançou há pouco tempo um conjunto de programas que transforma qualquer formato de texto em áudio. (MEC/SEESP, 2011). Baseado no padrão internacional Digital Acessible Information Systems (DAISY), esta ferramenta acompanha sintetizador de voz e

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instruções de uso em português. Desenvolvida em parceria com o NCE-UFRJ não exige conhecimentos avançados e pode ser utilizada pelos alunos cegos. Disponível para plataformas Linux e Windows gratuitamente.

3.2.3 Navegadores em modo texto

Lynx é um navegador típico de sistemas Linux ou Unix, originalmente criado para Unix. Pode ser utilizado por alguns alunos cegos, pois a exemplo desses navegadores somente texto, conforme mostra figura 2, não chama a apresentação da página, apenas o conteúdo. Se a estrutura da página estiver acessível o leitor de tela apresenta a informação completa. Ainda assim, facilitam a navegação para conexões lentas, pois não renderizam imagens, vídeos e animações. (LYNX, 2011).

29 instruções de uso em português. Desenvolvida em parceria com o NCE-UFRJ não exige conhecimentos avançados

Figura 2. Navegador somente texto

Fonte: (LYNX, 2011).

Neste sentido, a acessibilidade dos navegadores de texto Lynx, pode ser uma boa referência, pois ao navegar em modo texto, pode-se combinar com outras tecnologias.

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4 SOFTWARE LIVRE

Conforme a Free Software Foundation - FSF 11 , Software Livre, é uma questão de liberdade e não de preço. A FSF garante a liberdade dos usuários, promovendo o desenvolvimento e utilização do sistema operacional GNU/Linux. Veja abaixo, uma explicação sobre as quatro liberdades básicas associadas ao software livre, publicada pela FSF:

A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0) A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade. A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2). A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade nº 3). Acesso ao código-fonte é um pré- requisito para esta liberdade.

O movimento Software Livre teve início em 1983, quando Richard Stallman deu início ao Projeto GNU 12 e, posteriormente, à Free Software Foundation que definiu as quatro liberdades para os usuários do software. Um programa é software livre se o usuário tem todas essas liberdades. Portanto, é possível redistribuir cópias, seja com ou sem modificações, seja de graça ou cobrando uma taxa pela distribuição, para qualquer um em qualquer lugar. Ser livre para fazer essas coisas significa que você não tem que pedir ou pagar pela permissão, uma vez que esteja de posse do programa (CAMPOS, 2011).

  • 11 FSF detém direitos autorais sobre uma parcela do Sistema Operacional GNU, e outros aplicativos livres

publicando a GNU General Public License (GNU GPL), licença de software que permite o usuário usar, copiar,

estudar, modificar e redistribuir sem restrição. Disponível em: http://www.fsf.org/ Acesso em: [10 ago.2011].

  • 12 GNU-Projeto Software Livre criado por Richard Stallman. Disponível em:

http://www.gnu.org/licenses/licenses.html Acesso em: [11.ago.2011].

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Há também a liberdade de fazer modificações e usá-las privativamente no seu trabalho ou lazer, sem nem mesmo mencionar que elas existem. Se você publicar as modificações, você não deve ser obrigado a avisar a ninguém em particular, ou de nenhum modo em especial. A liberdade de utilizar um programa significa a liberdade para qualquer tipo de pessoa física ou jurídica utilizar o software em qualquer tipo de sistema computacional, para qualquer tipo de trabalho ou atividade, sem que seja necessário comunicar ao desenvolvedor ou a qualquer outra entidade em especial (CAMPOS, 2011). A liberdade de redistribuir cópias deve incluir formas binárias ou executáveis do programa, assim como o código-fonte, tanto para as versões originais quanto para as modificadas. De modo que a liberdade de fazer modificações, e de publicar versões aperfeiçoadas, tenha algum significado ao código-fonte do programa. Portanto, acesso ao código-fonte é uma condição necessária ao software livre e para que essas liberdades sejam reais (GNU, 2011).

Conforme Richard Stallman, um usuário de computador hoje, pode ser proprietário do programa, mas se um amigo pede para fazer uma cópia, seria errado recusar. A sociedade necessita de informações que sejam verdadeiramente disponíveis para os cidadãos, para que as pessoas possam ler, corrigir, adaptar, melhorar e não apenas operar.

4.1 Distribuição GNU/Linux Acessível

O GNU/Linux tem seu código livre, sendo assim, algumas pessoas podem fazer suas alterações no código, para deixar da forma que mais as agrada, ou para tornar a distribuição mais voltada para um determinado grupo de pessoas. Nesta direção é que o Projeto LinuxAcessivel.org foi criado. Sendo assim, Fabiano Fonseca um dos idealizadores do projeto LinuxAcessivel.org e responsável pelas otimizações de acessibilidade do projeto, iniciou um blog para armazenar diversos tutoriais sobre o Leitor de Tela Orca e configurações do sistema, além de melhorias nas questões de acessibilidade. Os documentos eram escritos e traduzidos por ele e por outros deficientes visuais. Cabe ressaltar, que a deficiência visual de Fabiano, não foi impeditiva de

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ele ter conseguido formar a comunidade LinuxAcessivel.org e liderar com outros membros do projeto. Com o passar do tempo, percebeu-se a necessidade de diversas personalizações que facilitariam muito a vida dos deficientes visuais, como por exemplo, a acessibilidade fácil e direta das teclas de atalho e pacotes específicos com o objetivo de melhorar a compatibilidade para o Leitor de Tela Orca. Então, em 2008, nascia o primeiro Remix do Ubuntu para deficientes visuais no idioma português. Naquele tempo, o remix do LinuxAcessivel.org era construído com base na remoção de pacotes da imagem base do Ubuntu. Removia-se o que não era interessante do ponto de vista da acessibilidade, incluía-se outro pacote em seu lugar, faziam-se as personalizações, como teclas de atalho e se gerava a imagem de instalação. Em 2010, o Zandre Bran se juntou ao projeto LinuxAcessivel.org para suprir as demandas de desenvolvimento e ajudar a crescer o projeto. Surgiu a necessidade de transformar o que era um blog para uma página de projeto com canais de suporte, torrent, espelhos para download e seção de documentos voltados para a acessibilidade e usabilidade. Hoje, o projeto Linux Acessível busca melhorar e está aberta para a comunidade de software livre que queira contribuir. A figura 3 mostra a tela de inicialização do sistema Linux Acessível:

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33 Figura 3 . Tela inicial do sistema GNU/Linux Acessível Fonte: (LINUXACESSIVEL, 2011) A distribuição LinuxAcessivel.org

Figura 3 . Tela inicial do sistema GNU/Linux Acessível

Fonte: (LINUXACESSIVEL, 2011)

A distribuição LinuxAcessivel.org utilizada para esta pesquisa, atende a necessidade dos alunos cegos: total, parcial ou surdocegueira. Ao utilizar uma distribuição que desde a instalação do software existe acessibilidade, é melhor de utilizar em suas compatibilidades. Neste contexto, podem-se destacar as principais vantagens:

Eleição de programas instalados por padrão com maior compatibilidade com o leitor de tela de código aberto Orca; Alteração comportamental de alguns programas para melhor utilização por um deficiente visual; Atualizações de acessibilidade através do canal de software exclusivo do linuxacessivel.org;

Ajustes para o uso do leitor de telas Orca em tarefas administrativas;

Pequenos programas (scripts) desenvolvidos pelo linuxacessivel.org para melhor

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adequação da acessibilidade e usabilidade; Teclas de atalhos definidas para diversas funcionalidades do sistema operacional;

Tema de tela criado pelos desenvolvedores do linuxacessivel.org para ser usado

especificamente por pessoas com visão reduzida; Sistema configurado para carregar em português (ou espanhol) e com o leitor de telas

Orca ativo desde o carregamento do sistema; Recursos de acessibilidade para ampliação de tela;

Ativação da linha (display) Braile para leitura de tela.

 

Como

todo

projeto

de

sucesso

construído

com

base

em

software livre, o

LinuxAcessivel.org possui um eco sistema social colaborativo no desenvolvimento, suporte, documentação e divulgação que pode ser conferido na página oficial do projeto, conforme mostra a figura 4 abaixo:

34 ∑ adequação da acessibilidade e usabilidade; Teclas de atalhos definidas para diversas funcionalidades do sistema

Figura 4. Site oficial do Projeto Linux Acessível

Fonte: (LINUXACESSIVEL, 2011)

Este eco sistema social chamamos de comunidade, construída através de lista de discussão para suporte aos usuários e sala de bate papo no IRC por contato direto com a

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equipe desenvolvedora do projeto.

5 MATERIAIS DIGITAIS ACESSÍVEIS

Atualmente nota-se um elevado crescimento de deficientes visuais que buscam o uso de computadores, seja como ferramenta de lazer ou como recurso de aprendizagem. Os materiais digitais acessíveis são encontrados na Internet como: páginas Web, podcast, livros falados, vídeos áudio descritos, softwares educacionais, entre outros. Para que estes materiais estejam apropriados, devem seguir uma metodologia de criação com as diretrizes e orientações técnicas de acessibilidade nacionais ou internacionais. O conteúdo Web deve ser acessível independente da tecnologia usada, tornando-se produções compreensíveis e navegáveis, isto é, disponibilização de meios de navegação apropriados à informação apresentada (WAI, 2011).

De acordo com Dias (2003), uma propriedade importante dos materiais digitais é a compatibilidade com o contexto de uso, pois ao confeccionar os materiais deve-se ter em mente a capacidade de atender às necessidades dos usuários finais.

Ao desenvolver o site do curso proposto neste projeto de pesquisa, buscou-se atribuir a acessibilidade logo no início, pois se tornaram mais fáceis de corrigir, do que deixar tudo para o trabalho de avaliação de acessibilidade no final do projeto. Nos tópicos seguintes são apresentados os materiais desenvolvidos nesta pesquisa.

5.1 Podcast

Os podcasts são arquivos de áudio e neles, os alunos cegos obtêm as seleções dos materiais do curso, exatamente como está escrito na página acessível disponibilizada. A palavra que determina esta nova tecnologia surgiu da fusão de iPod da Apple e pela

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transmissão via rádio, broadcast. Os podcasts foram gravados em formato mp3, dispensando os leitores de tela. A vantagem dos podcasts neste projeto de pesquisa possibilita aos alunos cegos e a sociedade digital o acesso aos materiais, visto que o a facilidade de acesso à Internet aliada ao baixo custo que, nos dias de hoje, adquirir dispositivos como mp3, pen drive, smartphones, iPads e Tablets que potencializam o sucesso da divulgação desta modalidade de acesso a informação, junto ao grande público.

5.2 Páginas Web Acessíveis

Conteúdo da Web se refere às informações em uma página ou aplicação, incluindo texto, imagens, formas, sons. A Web Content Accessibility Guidelines WCAG 13 , segue o formato W3C para as especificações técnicas, através de documentos que explicam como tornar o conteúdo Web acessível. A WCAG 2.0 (2011) possui recomendações que são reconhecidas como referências mundiais em termos de acessibilidade digital, incorporadas na elaboração dos conteúdos Web, atuam como estrutura principal a serem seguidas. As recomendações compõem 12 diretrizes que são organizadas em 4 princípios: perceptível, operável, compreensível, e robusto, na qual estas foram seguidas para a produção da página do curso. Para cada orientação, existem critérios de sucesso testável, que estão em três níveis: A, AA e AAA e que também foram cobertas para a produção da página do curso, na qual, satisfaz os requisitos de conformidade. Na figura 5 é apresentado o site oficial da validação automática da WCAG, fornecido pela W3C:

13 WCAG Web Content Acessibility Guidelines abrange uma ampla gama de recomendações para tornar o conteúdo Web Acessível. Disponível em: http://www.w3.org/TR/WCAG/ Acesso em: [10 ago.2011]

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37 Figura 5. Validação automática WCAG. Fonte: (WAI, 2011). A acessibilidade no computador deve alicerçar-se na

Figura 5. Validação automática WCAG.

Fonte: (WAI, 2011).

A acessibilidade no computador deve alicerçar-se na flexibilidade da informação e permitir que a mesma possa ser utilizada por diferentes dispositivos (GUIA, 2011). Os princípios de acessibilidade segundo World Wedi Web (W3C) e Web Acessibility Initiative (WAI), abordam dois eixos: assegurar uma transformação harmoniosa e tornar o conteúdo compreensível e navegável. A transformação harmoniosa pode ser garantida pela observação de algumas estratégias na concepção da página Web, disponibilizada para esta pesquisa. Disponibilizar mecanismos de orientação e ferramentas de navegação são fatores que potencializam a acessibilidade na Web e garantem a perceptibilidade e navegabilidade no site, pois sem esses elementos os alunos cegos, por exemplo, não compreendem as informações digitais (WAI, 2011). Desenvolver materiais digitais acessíveis seguidos pelos padrões de acessibilidade W3C/WAI com o nível AAA nos materiais digitais, garantiu a acessibilidade ao público-alvo escolhido para este trabalho. Para auxílio nesta etapa, os testes para os materiais consolidados, foi utilizado o questionário de pós-teste que teve como objetivo identificar as dificuldades e facilidades durante a utilização dos materias digitais. Este questionamento aconteceu depois da interação pelos alunos cegos nos materiais acessíveis produzido para o curso, conforme mostra o apêndice B. Estes objetivos podem trazer benefícios para as pessoas em geral, pois permite que as informações sejam compartilhadas na Web de forma acessível, sem com isso, prejudicar as características gráficas ou funcionais.

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5.3 Certificados do Curso em Braile

De forma a proporcionar um momento de integração e socialização, os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental SAMUEL DIETSCHI de Novo Hamburgo,

receberam após a conclusão do Curso com carga horária total de 9 horas na ADEVIS,

certificados impressos conforme figura 6 e certificados em Braile produzidos na própria ADEVIS.

38 5.3 Certificados do Curso em Braile De forma a proporcionar um momento de integração e

Figura 6. Certificado do Curso de Desenvolvimento de Páginas Web Acessíveis

Fonte: (autoria própria, 2011)

Também foi proporcionada uma dinâmica entre os alunos diante de seus trabalhos produzidos em sala de aula, pois cada um pode acessar a página criada do colega para fazer as

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validações de acessibilidade. As fotos podem ser conferidas no álbum virtual, conforme figura 7, criado para o curso com os alunos na ADEVIS-NH:

39 validações de acessibilidade. As fotos podem ser conferidas no álbum virtual, conforme figura 7, criadohttp://www.flickr.com/photos/palomacosta/sets/72157627670843669/ Acesso em: [20 set.2011] " id="pdf-obj-38-10" src="pdf-obj-38-10.jpg">

Figura 7. Página de Fotos do Curso na ADEVIS-NH

Fonte: (Fotos Flickrs 14 , 2011)

6 METODOLOGIA DE ENSINO

O projeto de pesquisa em estudo foi aplicado presencialmente e abordou estratégias pedagógicas para um aprendizado mais construtivo com a meta de propiciar a inclusão sócio- digital, diante de materiais digitais validados pelas diretrizes de acessibilidade, no ambiente computacional com recursos de acessibilidade adequados para os alunos cegos da ADEVIS.

14 Fotos Flickrs é o álbum de fotografias dos alunos tiradas durante o Curso na ADEVIS-NH. Disponível em:

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A metodologia de ensino adotada para o desenvolvimento do Curso Web de Páginas Acessível para os alunos cegos contemplou as seguintes etapas:

Identificar a necessidade central dos alunos cegos;

Especificar e construir os materiais acessíveis;

Realizar o curso com os alunos cegos.

Para identificar a necessidade central dos alunos cegos, utilizou-se uma entrevista estruturada de pré-análise de avaliação qualitativa, conforme apêndice A. Além da observação dos alunos cegos durante a utilização da dinâmica proposta foi elaborado um questionário de pós-análise, conforme apêndice B.

Nos tópicos seguintes, são descritos os primeiros passos na construção de uma metodologia de ensino aplicada aos alunos cegos da ADEVIS-NH, com recursos acessíveis.

6.1 Projeto de Ensino Aprendizagem

O Projeto de Ensino Aprendizagem teve como finalidade a utilização do sistema operacional GNU/Linux da distribuição LinuxAcessivel.org, na qual, os alunos cegos foram

encorajados a desenvolver a suas páginas para a Web sob tema livre, mediados para seguir o material do curso acessível. Neste curso os alunos da ADEVIS-NH foram orientados aos primeiros passos básicos na criação de suas páginas Web acessíveis, na qual, nenhum aluno tinha antes contato. Os computadores possuíam configuração e recursos adequados para a proposta de pesquisa. A preparação e organização das atividades foram elaboradas com roteiros básicos para o desenvolvimento dos conteúdos, conforme em ANEXO 1. A cada aula o aluno avançou um tópico do curso e chegaram à conclusão do seu trabalho, de forma a completar a atividade proposta do curso.

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A proposta de curso “Criação de Páginas Web Acessíveis”, foi descoberta na primeira visita durante a entrevista com professores e pessoal da direção da ADEVIS, com o objetivo de qualificar alguns alunos cegos que possuíam conhecimentos básicos de informática. Cabe ressaltar que, a ADEVIS foi escolhida para esta pesquisa, porque detém de laboratórios adequados e sistema operacional para a aplicação desta pesquisa, diante do público alvo escolhido desde a proposta deste trabalho.

6.1.1 Elaboração: Análise da Realidade

Diante da primeira visita na associação, soube-se que, a ADEVIS-NH tem como objetivo atender e estimular os deficientes visuais a realizar um trabalho de apoio junto à Escola Municipal de Ensino Fundamental SAMUEL DIETSCHI de Novo Hamburgo. Perante uma análise da realidade foi proposto um Curso de Páginas Web acessíveis, diante da necessidade do conhecimento e interesse de qualificar os alunos desta escola. O curso foi direcionado principalmente para estes alunos que frequentam a Associação ADEVIS-NH. A referida escola está estruturada com recursos, para atender crianças e adolescentes cegos, apesar das crianças serem alfabetizadas pelo Sistema Braille, frequentam as salas de aula em condição de igualdade com os alunos videntes. Foi também na primeira visita a elaboração do cronograma do curso, diante da disponibilidade de horários que os alunos frequentariam o laboratório de informática na ADEVIS-NH para o curso proposto. O cronograma foi validado inicialmente com os professores e a diretoria com os objetivos para o curso apresentada no quadro 1:

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Atividades

Carga

Descrição

Turno

Horário

Horária

Visita 1

2h

Primeira visita

Tarde

14h às 16h

Aula 1

3h

Aula 1: Introdução ao HTML

Manhã

8h30 às 11h30

Aula 2

3h

Aula 2: Introdução ao CSS

Manhã

8h30 às 11h30

Aula 3

3h

Aula 3: Validação Automática

Manhã

8h30 às 11h30

Finalização

de Páginas Acessíveis; Apresentação de trabalhos entrega de certificados

Quadro 1. Cronograma de aulas no laboratório.

Fonte: (Autoria própria, 2011)

Durante a primeira visita, foi importante ressaltar a importância do Software Livre nas escolas, assim como, da contribuição social, política e econômica na sociedade atual para que se persista o projeto linuxacessivel.org dentro da ADEVIS-NH.

Também foi identificado na primeira visita, que o curso seria direcionado apenas para os jovens de 18 anos que frequentam a Escola Municipal de Ensino Fundamental SAMUEL DIETSCHI de Novo Hamburgo, por meio de uma parceria existente. Este ano a ADEVIS está com poucos alunos, pois o projeto financiado está direcionado para atender apenas crianças e jovens até 18 anos.

Diante das informações levantadas, sabe-se que o uso de Software Livre hoje nos laboratórios de informática cobre as necessidades dos alunos, mas não há uma conscientização da importância de sua utilização pelos alunos. Sabe-se, que os alunos utilizam outros sistemas operacionais fora da associação sem nenhum problema, demonstrando facilidade no uso das tecnologias, livres ou não. Coube o desafio, de fundamentar um novo olhar entre a sociedade e os alunos cegos, em relação a uma nova proposta para as práticas sociais relacionadas, para demonstrar as vantagens da aplicabilidade, custo e benefícios.

6.1.1.1 Conhecimento da Realidade dos Alunos

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No primeiro dia do curso, foi possível conhecer cada aluno, perante suas carências e seus pontos fortes. A turma era mista com alunos interessados e com muita facilidade no uso das tecnologias assistivas, na qual, facilitou o entendimento do conteúdo. A turma de 5 alunos adolescentes da Escola Municipal de Ensino Fundamental SAMUEL DIETSCHI de Novo Hamburgo, em parceria com a ADEVIS, frequentaram o curso de Criação de Páginas Web Acessíveis. Os alunos da turma são totalmente cegos e utilizam bengala e leitor de tela. Entre os alunos cegos, foi possível identificar grandes potenciais de liderança, de conhecimento, de solidariedade, entre a turma, numa ajuda mútua no ensino e aprendizagem.

6.1.1.2 Objeto de Pesquisa

Os alunos participaram do curso para os seus primeiros passos na Criação de Páginas Web Acessível com o LinuxAcessivel.org, munidos para as atividades em aula de, leitor de tela Orca editor de HTML/CSS gEdit e navegador Firefox. O curso foi dividido em 3 aulas de 3 horas de duração com carga horária total de 9 horas. Cada aula foi um módulo, como mostrado abaixo:

Aula 1 – Introdução ao HTML: disponível em

Aula 2 – Introdução ao CSS: disponível em

Aula 3 – Validação Automática de Páginas Acessíveis: disponível em

No laboratório de informática da ADEVIS-NH, todos os computadores estavam

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munidos de Internet, que neste caso é essencial para o aluno publicar seus trabalhos e ter acesso ao material do curso. O material do curso foi elaborado e validado com as diretrizes de acessibilidade, para os alunos cegos utilizarem o conteúdo sem problemas de navegação.

6.1.1.3 Projeção de Finalidades

O aprendizado dos alunos cegos é examinado através das produções realizadas desde o

início, desenvolvidas ao longo dos encontros. As análises realizadas confirmam a hipótese que norteia o trabalho, segundo a qual o domínio das estratégias e o objetivo geral desta pesquisa foram alcançados. Foram apontados como pontos positivos e primordiais: a efetivação de uma metodologia em sala de aula; a integração e vivência conjunta e; aspirações individuais e coletivas de iniciativa e criatividade. Quanto à aceitação do trabalho proposto, é possível perceber que o grau de estranhamento foi se reduzindo gradativamente entre os alunos. Os depoimentos revelam desde o início grande entusiasmo pela oportunidade de vivenciar algo inteiramente novo. Um dos alunos, por exemplo, diz: “Vou continuar estudando para aprofundar meus conhecimentos na criação de páginas Web” Segundo outro aluno, “Que legal, estou adorando”.

É fácil perceber que novas linguagens, inter-relações, recortes teóricos e metodológicos não previstos, exigem fortes disposições para a heterogeneidade, perante as diferenças. Decorre a necessidade, de fazer da relação teoria/prática o instrumento primordial para a instauração dessas novas lógicas. O material digital produzido para os alunos cegos utilizarem, foi pensado de forma adequada para conduzir as atividades e para que não tivessem dificuldades ao acessar o conteúdo do curso.

45

Além disso, o Curso está disponibilizado no Creative Commons 15 , principalmente para que os alunos cegos acessem de onde estiverem e a hora que desejarem, caso queiram relembrar as atividades ou reforçar seus conhecimentos.

6.1.1.4 Formas de Mediação: Conteúdo do Curso

O objetivo de disponibilizar conteúdo acessível é planejar um ambiente Web mais inclusivo. Os alunos cegos podem acessar este canal aberto na Internet com as seguintes interações:

Fórum de Discussão: na qual pode participar com sugestões, tirar dúvidas e também ajudar.

Podcast: conteúdo do curso disponível em MP3.

 

Curso sobre criação de páginas Web acessíveis: disponível na Internet.

A

figura 8

apresenta a página inicial do

Curso

onde os

materiais digitais

disponibilizados e acessíveis:

15 Creative Commons é um projeto sem fins lucrativos que disponibiliza licenças flexíveis para obras intelectuais. Disponível em: http://creativecommons.org/licenses/GPL/2.0/deed.pt Acesso em [11.ago.2011]

46

46 Figura 8. Página Acessível do Curso Fonte:( Autoria própria, 2011) O conteúdo abordado durante ohttp://www.w3.org/TR/html5/ Acesso em [10 ago.2011] " id="pdf-obj-45-6" src="pdf-obj-45-6.jpg">

Figura 8. Página Acessível do Curso

Fonte:( Autoria própria, 2011)

O conteúdo abordado durante o curso foi dividido em três módulos, organizados da seguinte forma:

Primeira Aula – Introdução ao HTML 16 Conceitos e primeiros passos na elaboração de uma página HTML. No final da aula os

16HTML HyperText Markup Language foi concebido como uma linguagem padrão para a representação estruturada de hipermídia e conteúdo utilizada para produzir páginas Web. Disponível em:

http://www.w3.org/TR/html5/ Acesso em [10 ago.2011]

47

alunos apresentam a página HTML construída.

Segunda Aula – Introdução ao CSS 17 Revisão e eventuais dúvidas para dar os passos seguintes. Conceitos e primeiros passos na elaboração páginas CSS.

Terceira Aula – Validação das Páginas Web

Revisão e eventuais dúvidas das duas aulas anteriores. Validação das páginas no Avaliador Automático de Acessibilidade Da Silva 18 . Fazer as devidas correções. Ao validar a página sem erros de acessibilidade vão receber o selo de acessibilidade e adicionar o selo na página, conforme figura 9:

47 alunos apresentam a página HTML construída. ∑ Segunda Aula – Introdução ao CSS Revisão ehttp://www.w3.org/Style/CSS/ Acesso em [10 ago.2011] 18DaSilva é um software avaliador que detecta código HTML e faz análise do seu conteúdo, verificando se está dentro das regras de acessibilidade. Disponível em: http://www.dasilva.org.br Acesso em [10 ago.2011] " id="pdf-obj-46-26" src="pdf-obj-46-26.jpg">

Figura 9. Selo com AAA.

Fonte: (DASILVA, 2011)

Caso os alunos não conseguissem acabar o conteúdo da aula, poderiam continuar acessando o material pela Internet e acionar a professora no fórum de discussão criado especificamente para este curso. Foi proporcionado um Momento de Finalização: onde, cada aluno é orientado a passar o endereço do site para o outro colega navegar. O tema do site foi de escolha livre para cada aluno e diante disto, as atividades se tornaram mais atrativas.

6.1.1.5 Metodologia Aplicada no Curso

O curso foi ministrado presencialmente no laboratório de informática da ADEVIS-NH

17CSS Cascading Style Sheets é um mecanismo simples para adicionar estilo(por exemplo, fontes, cores, espaçamento) a documentos Web. Disponível em: http://www.w3.org/Style/CSS/ Acesso em [10 ago.2011] 18DaSilva é um software avaliador que detecta código HTML e faz análise do seu conteúdo, verificando se está dentro das regras de acessibilidade. Disponível em: http://www.dasilva.org.br Acesso em [10 ago.2011]

48

com os alunos cegos, na utilização de materias acessíveis, com orientações teóricas e práticas ao final de cada passo estudado. Para auxílio nesta etapa dos testes, foi utilizado antes de iniciar a interação com os materiais digitais, um questionário de pré-teste, com o objetivo de identificar o grau de conhecimento tecnológico do aluno cego, conforme indica o apêndice A. A figura 10 abaixo, mostra a metodologia usada para criar uma página Web acessível:

48 com os alunos cegos, na utilização de materias acessíveis, com orientações teóricas e práticas ao

Figura 10. Metodologia de Criação dos Materiais

Fonte: (Modelo Adaptado de Engenharia de Usabilidade, 2011).

6.1.1.6 Recursos

O curso proposto, possibilitou o uso adequado das ferramentas e do desenvolvimento dos alunos sem interrupções externas de hardware ou software. Para este curso foi imprescindível o correto funcionamento da Internet e foi muito satisfatório. Para este trabalho, foi contemplado a acessibilidade ao computador com as tecnologias assistivas.

Na ADEVIS os recursos computacionais utilizados durante o curso no laboratório de

49

informática, possuem a seguinte configuração:

Versão Linux Acessível 10.4;

Kernel Linux 2.6.38-8;

Gnome 2.30.2;

Memória 1Gb;

Processador Intel Pentium Dual CPU 2GHz;

HD 140Gb.

Conforme a pesquisa na ADEVIS-NH, o Laboratório de Informática é composto por seis máquinas, disponíveis para os alunos cegos que frequentam as Oficinas, mini cursos ou aulas de reforço no computador, todas com LinuxAcessivel.org. A utilização do LinuxAcessivel.org na ADEVIS, iniciou com o próprio criador da distribuição que prestava serviços voluntários e que sentia a necessidade de criar uma distribuição GNU/Linux direcionada para o seu público. Fabiano Fonseca um dos criadores da distribuição é cego total e iniciou o Projeto LinuxAcessivel.org para disponibilizar a comunidade, uma distribuição mais direcionada para ajudar os deficientes visuais. O relato dos professores e monitores do laboratório de informática, informou que os alunos aceitam muito bem o leitor de tela Orca, mesmo que utilizem outro leitor de tela.

6.1.2 Ação Pedagógica

A humanidade eleva-se cada vez mais de novas potencialidades, novas habilidades e novos conhecimentos. Entretanto, “é fundamental trabalhar uma nova concepção de participação coletiva considerando que a apropriação da cultura como processo de construção de novos sujeitos sociais implica em um processo de não passividade e de não subjugação frente ao conhecimento acumulado historicamente, mas uma prática de elevação da condição humana, ou seja, de emancipação de toda a capacidade criadora humana”. (MARKÚS apud BIANCHETTI e FREIRE, 1994, p29). Nessa perspectiva, as capacidades de reconhecimento tátil por uma pessoa privada da

50

visualidade sensorial, não se desenvolvem em razão de uma acentuação real e inata das estimulações nervosas, mas por um trabalho sistemático na avaliação e na constatação de diferenças. (VYGOTISKY apud BIANCHETTI e FREIRE,1994). Conforme Vygotsky (1993), a educação deve, de fato, anular o estigma de defeituosa que tem sido afixado ao aluno cego. Um pensamento que continua bastante atual e discutida pela sociedade. Vygotsky trouxe grande contribuição para pensar a psicologia e a pedagogia do aluno cego a partir das suas possibilidades, baseado na premissa básica de sua teoria da psicogênese do sujeito – a dimensão sócio-histórica do ser humano mediado pela linguagem -, como também para identificar suas dificuldades da organização psíquica no âmbito de problema social. Considerou-se a importância da linguagem na aquisição do conhecimento apontada por Vygotsky(1993), que a coloca como a fonte a partir da qual se dá o desenvolvimento, tanto da criança cega quanto daquela que enxerga, pois a chave da aquisição do conhecimento está na significação. Ambas estão marcadas pela condição humana de existirem como seres da linguagem, ainda que em um mundo preponderantemente visual. Nas primeiras décadas do século 20, o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896- 1934) já defendia o convívio em sala de aula de crianças mais adiantadas com aquelas que ainda precisam de apoio para dar seus primeiros passos. Não há um estudante igual a outro. As habilidades individuais são distintas, o que significa também que cada criança avança em seu próprio ritmo. À primeira vista, ter como missão lidar com tantas individualidades pode parecer complicado. Mas o que existe, ao alcance de qualquer professor, é uma excelente oportunidade de promover a troca de experiências.

6.1.2.1 Análise do Processo

Além da sociedade e a escola, as famílias precisam estar preparadas para contribuir no sentido de ajudar a enfrentar os obstáculos colocados pela cegueira. Os alunos cegos necessitam fazer uso dos demais sentidos para interagir com o mundo a sua volta e, por isso,

51

precisam estar inseridas num ambiente estimulador, contar com a mediação e condições favoráveis para a exploração de seu referencial perceptivo. Os meios tecnológicos permitem a possibilidade de desenvolver processos de codificação que formam imagens mentais e precisam ser desbravados principalmente na escola, que será ampliada conforme o grau de experiências internalizadas pelo aluno cego. Hoje, há um grande desafio aos profissionais da informática na educação sobre potencializar o uso de software livre com características acessíveis e ampliar as possibilidades educacionais da maioria dos alunos. Quando se projeta conteúdos baseados na Web, é preciso considerar questões sobre acessibilidade. É preciso conhecer o aluno, seus significados e habilidades, prestando atenção no que ele irá revelar. Para fazer uma acessibilidade completa, para atender os requisitos básicos e melhorar a navegação possível para todos, devemos estar atentos a essas diretrizes e sugeri-las aos criadores de páginas que ainda não as conhecem (WCAG, 2011).

A avaliação da acessibilidade Web, muitas vezes centra-se em conformidade com as normas de acessibilidade WCAG. Apesar de que, conformidade é importante, mas há benefícios mais enriquecedores quando avaliados com pessoas reais. Este acompanhamento pode identificar problemas que não são descobertos numa avaliação de conformidade dos desenvolvedores, inclusive para saber como realmente funciona as questões de acessibilidade.

6.1.3 Análise dos Resultados

Na etapa inicial, para o início da criação dos materiais digitais, foi aplicado um questionário de caráter investigativo e individual, respondido oralmente pelos 5 alunos cegos, conforme questinário no apêndice A, os resultados foram:

  • 1. Com que frequência usa o computador? Todos que particparam deste questionário responderam que usam diariamente em casa e uma vez por semana no laboratório da ADEVIS.

2. Quais sistemas computacionais costuma utilizar? A maioria tem interesse em

52

pesquisa na Internet, música online, redes sociais e jogos.

  • 3. Qual nível de conhecimento se considera? Todos responderam iniciante.

  • 4. Como você se avalia quanto a disposição em utilizar o computador? Todos responderam que gostam muito e usam sempre quando podem.

Diante deste contexto, foi possível a abordagem sobre criação de páginas Web Acessível, com as ferramentas livres e acessíveis apresentadas. O questionário de pós análise, teve como finalidade mapear suas opiniões após a utilização do LinuxAcessivel.org, leitor de tela Orca, editor de HTML gEdit, conteúdo do curso e materiais acessíveis. O aluno cego usou os materiais digitais com facilidade, na qual retornou comentários positivos sobre os materiais navegados e conteúdo abordado. Conforme apêndice B de análise do questionário de pós-análise, seguem os resultados:

1- Achou as atividades difíceis? A maioria respondeu que não, mas que iriam precisar praticar fora da sala de aula para memorizar o conteúdo.

  • 2- Havia indicações do caminho correto na página do curso? Todos responderam que os materiais foram fáceis de ser acessados.

3- Ocorreu algum erro durante a navegação da página do curso? Com a página do

curso

não

houve

erros. Mas,

em

uma

máquina,

o

leitor

de tela precisou ser

reinicializado.

 

4- Você demorou em encontrar as informações desejadas? A maioria respondeu que não foi difícil de encontrar as informações do curso.

  • 5- O que mais gostou do curso? Uns gostaram da idéia de construir uma página que na pudesse ser vista de qualquer lugar do mundo, outros gostaram que o tema da página foi escolhido por eles, pois puderam trabalhar com algo que mais gostavam.

Um dos pontos observados é que o aluno cego possui interesse em se especializar na criação de conteúdos acessíveis para Web. Estes dados propiciaram um avanço significativo nesta pesquisa, pois agregaram novos conhecimentos, os quais balizaram a continuidade do trabalho.

53

Os alunos cegos que participaram do curso, com ou sem experiência, são uma fonte inestimável de informações sobre o grau de acessibilidade e a facilidade de utilização, que felizmente foi satisfatória. Diante dos fatos, percebe-se que um dos impedimentos a participação são as barreiras encontradas na sociedade, pois atualmente as tecnologias precisam ser acessíveis para que esteja incluído digitalmente. Sendo assim, quanto menor for à barreira, maior a possibilidade e a facilidade de acesso e menor será o impacto da deficiência na interação com o meio. Contudo, demonstraram muito interesse e admiração diante de tal pesquisa, através de novas tecnologias que foram propostas, que até então não conheciam, como por exemplo:

HTML, CSS e validadores automáticos. Durante a interação no site do curso não houve nenhum erro e todos os materiais foram fáceis de utilizar.

Pode-se afirmar que o teste exploratório com os alunos cegos, foi percebido qualitativamente a importância de planejar e disponibilizar acessibilidade em ambientes virtuais, para incluir a maioria das pessoas. Este trabalho agregou satisfatoriamente novas possibilidades e recursos digitais, na qual novos saberes foram conquistados.

Diante desta análise, obteve-se o grau máximo de acessibilidade diante dos objetivos específicos. Com isso, haverá continuidade e atualização de materiais acessíveis para o site criado para o curso, disponível na Web.

7 CONCLUSÃO

Atualmente, o tema acessibilidade está sendo cada vez mais presente na vida das pessoas, porém existem milhões de pessoas com acesso restrito em diversas situações. Pode-se afirmar que se o conteúdo na Web não for bem planejado as informações se tornam inacessíveis para as pessoas que o utilizam. Como forma de sanar parte deste problema, foi pesquisada a metodologia de criação de materiais acessíveis para os alunos cegos, com técnicas de testes e validações que garantem a conformidade e critérios de acessibilidade.

54

Antes de desenvolver os materiais acessíveis foi aplicada uma investigação com entrevista semi- estruturada para mapear o perfil dos alunos cegos. A partir das informações identificadas, as técnicas foram aplicadas para garantir um material acessível e que estivesse de acordo com a realidade de uso do aluno cego, que foi completamente satisfatória. Foi avaliada também, uma pesquisa pós-análise quando os materiais digitais já

estivessem consolidados e acessíveis. Neste caso, verificou-se a importância de se projetar materiais digitais seguindo um processo de construção e de normas, que por fim, foi concluída com sucesso. A relevância desse estudo está no fato de ter apresentado, dentre outros aspectos, as seguintes contribuições:

  • - adaptação de uma metodologia para o projeto e desenvolvimento de materiais

acessíveis para a Web;

  • - submissão dos materiais criados neste trabalho para o Creative Commons que

contemplam a licença GPL;

  • - a possibilidade de utilizar os materiais criados para potencializar a inclusão digital

dos alunos cegos e à sociedade, como um todo, tendo em vista o caráter integrador da

Internet;

  • - auxílio no preenchimento de uma lacuna científica no que tange à pesquisas e aplicações para os alunos cegos utilizarem recursos digitais;

E finalmente, sobre trabalhos futuros é desejo continuar investigando a temática em nível de Pós-Graduação Strictu Senso, em Educação na linha de pesquisa Informática Aplicada à Educação Especial.

A principal contribuição deste trabalho foi estar alinhada a uma licença de Software

Livre – General Public License (GPL). Assim como, conceder o exercício livre dos quatro direitos sob os materiais produzidos neste trabalho:

O direito de executar o programa, para qualquer propósito.

O direito de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para suas necessidades.

O direito de redistribuir cópias, permitindo assim que você ajude outras pessoas.

O direito de aperfeiçoar o programa, e distribuir seus aperfeiçoamentos para o público, beneficiando assim, toda a comunidade.

55

REFERÊNCIAS

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Validador.

Disponível

em:

<

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de

Acessibilidade

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GUIA

Grupo

Português

pelas

iniciativas

de

Acessibilidade.

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SASSAKI, Romeu Kasumi. Inclusão: Construindo uma Sociedade Para Todos. 3. edição. Rio de Janeiro: WVA, 1999, 174p.

STAINBACK, S.; STAINBACK, W. Inclusão: um guia para educadores. PortoAlegre:

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60

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VYGOTSKY, L.S. The fundamentals of defectolog(abnormal psychology and learning disbilities). In: The collected works. Trad. Jane Know. New York: Plenum Press, 1993.

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Visual

Disabilities.

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W3C. World Wide Web Consortium. Disponível em: <http://www.w3.org>. Acesso em: 10 ago. 2011.

WCAG. Web

Content

Accessibility

Guidelines.

Disponível

em:

<www.w3.org/TR/WCAG20>. Acesso em: 10 ago.2011.

61

APENDICÊ A – Questionário Pré-Análise

1) Em média, com que frequência você usa o computador e a Internet:

(

) diariamente

(

) mais de 3 vezes por semana

(

) de 1 a 3 vezes por semana

(

) 1 vez a cada 2 semanas

(

) 1 vez por mês ou menos

(

) nunca usei

2) Quais sistemas você costuma utilizar no computador:

( ) Email (e.g. Outlook express) ( ) Editor de texto (e.g. Word) ( ) Planilha (e.g. Excel) ( ) Sistema de apresentação (e.g Powerpoint) ( ) Navegador (e.g. Internet Explorer, Firefox) ( ) Sistemas de bate-papo ( ) Sistemas de discussão ( ) Outros: ____________________________

3) Em geral, como você considera seu nível de conhecimento na Web:

(

) Avançado

(

) Intermediário

(

) Iniciante

4) Como você avalia a sua disposição em utilizar o computador:

( ) Gosto muito, e utilizo sempre que posso ) Gosto, mas não tenho muita chance de utilizar ) Não me incomoda utilizar o computador e o faço sempre que necessário ) Não gosto de utilizar e evito sempre que posso ) Não gosto e não utilizo nunca o computador

(

(

(

(

62

APENDICÊ B – Formulário de Acompanhamento de Pós- Análise

1) Achou as atividades difíceis?

(

) Sim

(

) Não

2) Havia campos indicando o caminho correto do curso?

(

) Sim

(

) Não

3) Ocorreu algum erro durante a navegação?

(

) Sim

(

) Não

4) Você demorou para encontrar as informações desejadas?

(

) Sim

(

) Não

5) O que você gostou mais do site? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________

6) Descreva suas observações sobre o curso:

__________________________________________________________________________

63

ANEXO 1 - Curso Criação de Páginas Web Acessíveis

Primeira Aula

Primeiros passos na elaboração de uma página HTML, seguida pelas diretrizes da WCAG1.

Abrir um editor de texto;

Serão orientados a montar o formato padrão do HTML;

Quatro Diretrizes a serem trabalhadas.

Para quem não acabar, fica disponível um passo a passo disponível para fazer durante a semana.

Segunda Aula

Revisão e eventuais dúvidas. Tratamento do arquivo HTML para a utilização do CSS seguidas pelas diretrizes WCAG1.

Abrir um editor de texto para o novo arquivo CSS;

Serão orientados a montar o formato padrão do CSS;

Três Diretrizes a serem trabalhadas.

Chamar o arquivo CSS dentro do arquivo HTML existente.

Tema de casa: Vão receber um passo a passo para hospedar a página num servidor gratuito.

Acesse a página: http://www.xpg.com.br/

Vá para “Publicar HTML grátis”;

Faça um cadastro inserindo os campos necessários para concluir o cadastro;

Acesse o email registrado e faça a ativação do site.

Volte para o site e vá para o botão “Gerenciar o seu site”

Insira os dados pessoais na aba “Dados Pessoais”;

Selecione aba “Meu site” e vá para “Acessar FTP WEB”

Selecione o botão “Enviar arquivo”;

Selecione o arquivo para enviar. Os arquivos a serem enviados são todos com extensão

HTML e CSS. Selecione “Enviar arquivo.”

Após enviar todos os arquivos necessários abra uma nova aba do navegador e insira o

endereço do site criado. A página é mostrada!

64

Terceira Aula

Revisão e eventuais dúvidas.

Validação

das

páginas

no

Avaliador

Automático

de

Acessibilidade Da Silva. Fazer correções caso exista e orientados a utilizar a cartilha eletrônica. Ao validar a página sem erros de acessibilidade vão receber o selo de acessibilidade e adicionar o selo na página.

Momento de Finalização das atividades: Cada um passa o endereço do site para o colega navegar. O tema do site será livre.

Materias para Consulta:

Cartilha Técnica e-mag http://www.governoeletronico.gov.br/biblioteca/arquivos/cartilha-tecnica-e-mag/view Avaliador Automático http://www.acessobrasil.org.br/dasilva/