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INFLAMAÇÃO AGUDA E CRÔNICA

Giulia Waismann Obadia - aluna da Fundação Técnico Educacional Souza Marques


E-mail - gwo83@yahoo.com.br

CARACTERISTÍCAS GERAIS DA INFLAMAÇÃO: Estímulos exógenos e endógenos


podem lesar o tecido conjuntivo vascularizado, provocando uma reação complexa, chamada de
inflamação. Esta é caracterizada pela reação dos vasos sanguíneos, levando ao acumulo de
liquido e leucócitos nos tecidos extravasculares.
A resposta inflamatória esta diretamente relacionada com o processo de reparação. A
inflamação serve para destruir, diluir ou encerrar o agente lesivo, pondo em atividade uma serie
de eventos que cicatrizam e reconstituem o tecido lesado, tanto quanto for possível. A reparação
começa durante as fases iniciais da inflamação, mas geralmente se conclui depois que a
influencia nociva foi neutralizada. O tecido lesado é, durante este processo, substituído por
regeneração de células parenquimatosas naturais, por preenchimento do defeito com tecido
fibroblástico (cicatrização), ou por uma combinação de regeneração e cicatrização.
Mesmo sendo um processo de proteção ao organismo, a inflamação e a reparação são
potencialmente um processo lesivo. As reações inflamatórias, por exemplo, dão origem a
reações de hipersensibilidade ameaçadoras ‘a vida, como a picada de insetos, drogas e toxinas;
bem como doenças crônicas comuns como artrite reumatóide, aterosclerose e fibrose pulmonar.
A resposta inflamatória ocorre no tecido conjuntivo vascularizado, incluindo plasma,
células circulantes, vasos sanguíneos e constituintes celulares e extracelulares do tecido
conjuntivo.
A inflamação divide-se em fatores agudo e crônico. A inflamação aguda tem um
período, geralmente curto, e suas principais características são a exudação de liquido e
proteínas plasmáticas (edema) e emigração de leucócitos, preferencialmente, neutrófilos. A
inflamação crônica tem uma duração mais longa e esta associada histologicamente à presença
de linfócitos e macrófagos, proliferação de vasos sanguíneos, fibrose e necrose tecidual.
As respostas vascular e celular da inflamação aguda e crônica são mediadas por fatores
químicos provenientes do plasma ou das células e desencadeados pelo estimulo inflamatório.

INFLAMAÇÃO AGUDA
A inflamação aguda é a resposta imediata e precoce a um agente nocivo. São três os
seus componentes principais e característicos: (1) alterações do calibre vascular, acarretando
num aumento de fluxo sanguíneo, (2) alterações estruturais da microvasculatura, permitindo
que proteínas plasmáticas e leucócitos deixem a circulação; e (3) emigração dos leucócitos da
microcirculação e acumulo deste no foco da lesão.
Exudação – extravasamento de liquido, proteínas e células sanguíneas do sistema vascular para
o tecido intersticial ou cavidades corporais. Um exudato é um liquido extravascular
inflamatório que tem uma alta concentração de proteína, muitos restos celulares e alta
densidade.
Transudato - líquido com baixa concentração de proteínas e baixa densidade. É um
ultrafiltrado do plasma. É um ultrafiltrado do plasma sanguíneo e resulta de um desequilíbrio
hidrostático através do endotélio capilar.
Edema – Excesso de liquido no interstício ou cavidades serosas; pode ser tanto um exudato ou
transudato.
Pus – é um exudato purulento, é rico em neutrófilos e restos de células parenquimatosas.
Alterações Vasculares

ALTERAÇÕES NO FLUXO E CALIBRE VASCULARES – Estas começam pouco após a


lesão e desenvolvem-se em velocidades variáveis, de acordo com a intensidade da lesão.
1. Após uma vasoconstrição da arteríola, ocorre um movimento contrario de
vasodilatação. Esta envolve, primeiro as arteríolas, e depois, resulta na abertura de
novos leitos capilares na área. Isto resulta num aumento de fluxo sanguíneo na área,
causando eritema e calor.
2. O segundo momento é o alentecimento da circulação devido o aumento da
permeabilidade da microvasculatura, com um extravasamento de liquido protéico para
dentro dos tecidos extravasculares. Esta perda de liquido tem como resultado uma
maior viscosidade do sangue devido a concentração de hemácias nos pequenos vasos. A
dilatação de vasos conseqüente recebe o nome de estase.
3. Quando a estase se desenvolve, inicia-se uma orientação periférica de neutrófilos ao
longo dos vasos sanguíneos. Este processo é chamado de marginação leucocitária.

AUMENTO DA PERMEABILIDADE VASCULAR – O extravasamento de um liquido rico


em proteínas, o exudato, para o interstício é a marca da inflamação aguda. A perda de proteína
do plasma resulta num desequilíbrio osmótico, acarretando num efluxo acentuado de liquido e
seu acumulo no tecido intersticial.
O endotélio torna-se permeável durante a inflamação devido os seguintes processos:
1. Formação de lacunas endoteliais nas vênulas. Costuma ser reversível e breve, é
conhecido como reposta transitória imediata. As lacunas são, na maioria das vezes,
intercelulares ou próximas às junções intercelulares.
2. Reorganização do citoesqueleto. Este mecanismo também resulta em lacunas
endoteliais e, pode ser induzido por citocinas mediadoras.Esta resposta é um pouco
retardada e prolongada.
3. Transcitose aumentada através do citoplasma endotelial. Ocorre através de canais que
consistem em aglomerados de vesículas e vacúolos intercomunicados e não revestidos
chamados de organelas vesiculovacuolar.
4. Lesão endotelial direta resultando em necrose e desprendimento de células endoteliais.
Como exemplo de lesão direta podem-se ser citadas as queimaduras, intensas ou
infecções bacterianas líticas. Na maioria dos casos, o extravasamento acontece logo
após a lesão, mantendo-se em altos níveis ate que os vasos danificados sejam
trombosados ou reparados. Todos os níveis da microcirculação são afetados.
5. Extravasamento prolongado tardio. Este começa após 2-12horas depois , dura varias
horas ou dias, e envolve vênulas e capilares.
6. Lesão endotelial mediada por leucócitos. Leucócitos podem ser ativados no processo de
aderência ao endotélio, liberando espécies de oxigênio tóxicas e enzimas proteolíticas,
que então causam lesão ou desprendimento endotelial.
7. Extravasamento de novos vasos sanguíneos. Durante a reparação ocorre a angiogênese,
Esses novos brotamentos vasculares permanecem permeáveis ate que as células
endoteliais se diferenciem e formem junções intercelulares.

Eventos celulares: Extravasamento de leucócitos e fagocitose


Os leucócitos, além de destruírem os agentes ofensivos e degradarem os tecidos
neucróticos, também podem prolongar a inflamação e induzir a lesão tecidual por liberação de
enzimas, mediadores químicos e radicais tóxicos de oxigênio.
O extravasamento de leucócitos para a luz ocorre da seguinte forma:
- Marginação, rolagem e aderência na luz do vaso;
- Transmigração através do endotélio (diapedese);
- Migração nos tecidos intersticiais em direção a um estimulo quimiotático.
Em condições normais, as hemácias deslocam os leucócitos em direção a parede do
vaso. Como o fluxo sanguíneo diminui no inicio da inflamação (devido aumento da
permeabilidade vascular), as condições hemodinâmicas mudam e mais leucócitos assumem
uma posição periférica ao longo da superfície endotelial. Este processo recebe o nome de
marginação. Após isso leucócitos individuais, e depois fileiras deles, rolam lentamente ao
longo do endotélio e aderem transitoriamente (rolagem), por fim repousando em algum ponto
ao qual eles aderem firmemente. Com o tempo, o endotélio poderá estar praticamente todo
revestido por leucócitos (processo chamado de pavimentação). Após a aderência, os leucócitos
inserem pseudópodes nas junções intercelulares e assumem uma posição entre as células
endoteliais e a membrana basal. Depois deste ponto, atravessam a membrana basal escapando
para o espaço extravascular.

ADERÊNCIA E TRANSMIGRAÇÃO – Os receptores envolvidos com o processo de aderência


pertencem à família das: selectinas, imunoglobulinas, integrinas e glicoproteínas.
Existe uma serie de mecanismos, que dependem da duração da inflamação, tipo de
estimulo inflamatório e condições do fluxo sanguíneo, para que seja induzido o processo de
aderência leucocitária na inflamação. São estes:
- Redistribuição das moléculas de aderência na superfície celular. Á estimulação de mediadores
como a histamina, trombina e fator ativador plaquetário; a selectina redistribui-se rapidamente
para a superfície celular onde poderá se ligar a leucócitos.
- Indução de moléculas de aderência no endotélio. Alguns mediadores inflamatórios,
principalmente citocinas, induzem a síntese e expressão superficial das moléculas de aderência
endotelial.
- Aumento da avidez da ligação. Para se tornarem firmemente aderentes, os neutrófilos
precisam ser ativados, de modo que as suas integrinas são convertidas de um estado de baixa
afinidade aos seus receptores, a um estado de alta afinidade. Somado a esta maior afinidade,
devido as citocinas, há uma maior expressão destes receptores, causando uma aderência firme
ao endotélio.

O tipo de leucócito emigrante varia de acordo com a idade da lesão inflamatória e tipo
de estimulo. Na maioria das formas de inflamação aguda, nas primeiras 6-24horas, os
neutrófilos predominam no infiltrado inflamatório, sendo então substituídos por monócitos em
24-48horas. Nesta regra existem exceções como no caso de infecções por Pseudomonas, onde
os neutrófilos predominam nos primeiros 2-4 dias de inflamação.

QUIMIOTAXIA – é o processo de locomoção orientada ao logo de um gradiente químico, onde


os leucócitos emigram nos tecidos em direção a lesão inflamatória.
Substâncias endógenas e exógenas podem atuar como quimioatratores. A ligação de
agentes quimiotáticos a receptores específicos nas membranas celulares dos leucócitos resulta
na ativação uma via de segundo-mensageiro, resultando numa liberação de cálcio e influxo de
cálcio extracelular, que possibilitara sua movimentação para o local desejado.
ATIVAÇÃO DE LEUCÓCITOS – Alem de estimular a movimentação de leucócitos, fatores
quimiotáticos induzem outras respostas nos leucócitos, chamados de ativação leucocitária. São
eles:
- Produção de metabólitos do ácido araquidônico;
- Desgranulação e secreção de enzimas lisossômicas e ativação do surto oxidativo;
- Modulação de moléculas de aderência leucocitarias;
- Preparação – aumento da taxa e grau de ativação leucocitária por exposição a um mediador
que, por si só, causa pouca ativação.

FAGOCITOSE – A fagocitose e liberação de enzimas por neutrófilos e macrófagos constituem


dois dos principais benefícios oriundos do acumulo de leucócito no foco inflamatório. A
fagocitose envolve processos de:
1- Reconhecimento e fixação da partícula a ser ingerida pelo leucócito. Sendo que a
maioria dos microrganismos não é reconhecida ate que sejam revestidas por opsoninas,
que se ligarão a receptores específicos nos leucócitos.
2- Engolfamento. Pseudópodes circundam o objeto a ser engolfado, mais tarde resultando
no encerramento completo da partícula dentro de um fagossoma criado pela membrana
citoplasmática da célula.
3- Destruição ou degradação do material ingerido. A destruição bacteriana é realizada
principalmente por mecanismos dependentes de oxigênio. A fagocitose estimula um
surto de consumo de oxigênio, glicogenólise, aumento da oxidação da glicose e
produção de metabólitos reativos do oxigênio, o superóxido.
O superóxido de oxigênio é convertido em H2O2, principalmente por dismutação
espontânea. As quantidades de H2O2 produzidas são insuficientes para induzir uma destruição
eficaz de bactérias. No entanto grânulos de neutrófilos contem uma enzima que, na presença de
substancias ,como o Cl¯, converte H2O2 em HOCL. O ultimo é um agente antimicrobiano que
destrói bactérias por halogenação ou por oxidação de proteínas e lipídios.
Alem deste, existem outros processos de destruição bacteriana, dependentes ou
independentes de oxigênio.

LIBERAÇÃO DE PRODUTOS LEUCOCITÁRIOS E LESÃO TECIDUAL INDUZIDA POR


LEUCÓCITOS – As perturbações metabólicas e da membrana que ocorrem nos leucócitos vão
alem de liberação de produtos dentro do fagolisossoma, mas também dentro do espaço
extracelular. As mais importantes são: enzimas lisossômicas, metabólitos ativos derivados do
oxigênio, e produtos do metabolismo do acido araquidônico. Esses produtos são mediadores
potentes da lesão endotelial e tecidual e amplificam os efeitos do estimulo inflamatório inicial.
Portanto, se persistente e desimpedido, o infiltrado de leucócitos torna-se o próprio agressor, e a
lesão tecidual dependente de leucócitos da origem a muitas enfermidades humanas agudas e
crônicas.

MEDIADORES QUIMICOS DA INFLAMAÇÃO

• Os mediadores originam-se do plasma ou das células. Os mediadores oriundos do


plasma estão presentes em formas precursoras que devem ser ativadas. Os mediadores
oriundos de células normalmente estão seqüestrados nos grânulos intracelulares, e
precisam ser secretados ou são sintetizados originalmente em resposta a um estimulo.
As principais fontes celulares são plaquetas, neutrófilos, monócitos /macrófagos e
mastócitos.
• A maioria dos mediadores executa a sua atividade ligando-se a receptores específicos
nas células-alvo.
• Um mediador químico pode estimular a liberação de mediadores pelo estimulo a célula-
alvo. Esses mediadores secundários podem ser idênticos ou semelhantes aos
mediadores iniciais, mas também podem ter atividades opostas.
• Os mediadores podem atuar em alguns tipos celulares-alvo, ter alvos difusos, ou ate
mesmo ter efeitos diferentes, de acordo com o tipo de células e tecidos.
• Uma vez liberados, a maioria dos mediadores tem vida curta.
• A maior parte dos mediadores tem o potencial de causar efeitos nocivos.

Aminas Vasoativas (histamina e serotonina)

HISTAMINAS – Fonte mais rica são os mastócitos, que estão normalmente presentes no tecido
conjuntivo adjacente aos vasos sanguíneos. È também encontrada em basófilos e plaquetas
sangüíneas. A histamina se encontra nos grânulos dos mastócitos e é liberada em resposta a
variados estímulos: lesões físicas, frio ou calor, reações imunes envolvendo ligação de
anticorpos a mastócitos, fragmentos do complemento denominados anafiloxinas, proteínas de
liberação da histamina derivada dos leucócitos, neuropeptídeos, e citocinas.
No homem causa dilatação das arteríolas e aumento da permeabilidade das vênulas,
porem constringe as artérias de grande calibre. É o principal mediador da fase imediata do
aumento da permeabilidade vascular.

SEROTONINAS – É o segundo mediador vasoativo pré-formado com ações semelhantes à


histamina. Esta presente nas plaquetas e células enterocromafins.
Sua liberação pelas plaquetas (assim como da histamina, quando é liberada por
plaquetas) é estimulada quando as plaquetas se agregam após o contato com colágeno,
trombina, ADP e complexos antígeno-anticorpo.

Proteases Plasmáticas
Fenômenos da resposta inflamatória são mediados pro fatores derivados do plasma que
estão inter-relacionados, são eles: os sistemas do complemento, das cininas e da coagulação.

SISTEMA COMPLEMENTO

Este sistema compreende 20 proteínas distintas encontradas no plasma. Esse sistema


funciona na imunidade inata e adaptativa para defesa contra agentes microbianos, culminados
na lise de micróbios pelo chamado complexo de ataque à membrana. No processo, uma serie de
componentes do complemento são elaborados, causando aumento da permeabilidade vascular,
quimiotaxia e opsonização.
Neste sistema, os componentes se encontram em sua forma inativa (numeradas de C1 a
C9) no plasma. Existem duas vias para a ativação dos componentes, a via clássica ou a via
alternativa. Ambas as vias podem atuar na etapa mais fundamental que é a ativação de C3, pela
enzima C3-convertase. Esta enzima clivará C3 em C3a, que é liberado, e C3b. A C3b liga-se a
fragmentos previamente formados para gerar uma nova enzima, a C5- convertase que, por sua
vez, irá interagir com C5 para liberar C5a e iniciar a montagem do MAC.
As funções biológicas do sistema complemento se enquadram em duas categorias
gerais: a lise celular pelo MAC, e os efeitos biológicos dos fragmentos proteolíticos do
complemento. Os fatores derivados do complemento são responsáveis por uma serie de eventos
que ocorrem no processo de inflamação aguda, são eles:

- Fenômenos vasculares: C3a, C5a e, em menor grau, C4a aumentam a permeabilidade vascular
e causam vasodilatação por liberação de histamina pelos mastócitos. Além disso, a C5a também
ativa o metabolismo do ácido araquidônico, levando a liberação de mediadores químicos.
- Aderência, quimiotaxia e ativação dos leucócitos: C5a é a agente responsável por estes
eventos.
- Fagocitose – C3b e C3bi, se fixados a parede celular bacteriana, atuam como opsoninas e
favorecem fagocitose por neutrófilos e macrófagos.

Como visto, C3 e C5 são os mediadores inflamatórios mais importantes e , além das


vias do sistema complemento podem ser ativados por inúmeras enzimas proteolíticas presentes
no exudato inflamatório.
Células do hospedeiro possuem um mecanismo inibidor protéico que as ajuda a se
protegerem de ações agressivas e lesivas, sendo assim distinguidas dentre as células de
microorganismos.

SISTEMA DE CININAS

O sistema de cininas gera peptídeos vasoativos, a partir de proteínas chamadas de


cininogênios, por proteases especificas chamadas de calicreínas. Este sistema resulta na
liberação de bradicinina, que faz com que a permeabilidade vascular seja aumentada. Alem
disso causa constrição no músculo liso, vasodilatação e dor quando injetada na pele.
SISTEMA DA COAGULAÇÃO

Este sistema divide-se em duas vias convergentes, que culminam na ativação de


trombina e formação de fibrina.
A ativação do sistema de coagulação resulta na ativação de trombina (fator IIa) a partir
do precursor protrombina (fator II) que, por sua vez, cliva o fibrinogênio solúvel circulante,
gerando um coágulo de fibrina insolúvel. Durante esta conversão são formados
fibrinopeptídeos que induzem o aumento da permeabilidade e atividade quimiotática para
leucócitos. A trombina possui propriedades inflamatórias como o aumento da aderência
leucocitária e proliferação de fibroblastos.
Ambas as vias da coagulação convergem para o ponto onde o fator X é ativado a Xá.
Essa protease de coagulação ao se ligar ao receptor na célula efetora, funciona como um
mediador na inflamação aguda, aumentando a permeabilidade vascular e exudação de
leucócitos.
O sistema fibrinolítico é então ativado para que se forme um coagulo. Este sistema age
no coagulo para que aja a sua dissolução e, gerando plasmina. A plasmina além de ser
importante para a lise do coagulo também cliva C3 e degrada a fibrina, formando fragmentos
de sua degradação.
Metabolismo de Acido Araquidônico (AA): Prostaglandinas, Leucotrienos e
Lipoxinas
O metabolismo do acido araquidônico pode se dividir em duas diferentes vias, a via da
ciclooxigenase e a via da lipoxigenase.
Os produtos derivados do metabolismo de ácido araquidônico influenciam em
diferentes processos, incluindo a inflamação e a hemostasia. São mais conhecidos como
autacóides – hormônios locais de curto alcance.
Os metabólitos do AA, também conhecidos como eicosanóides, podem mediar
praticamente todas as etapas da inflamação. São encontrados em exudatos inflamatórios, e sua
síntese é aumentada em locais de infecção.
Pela via da ciclooxigenase, faz-se a conversão de AA em prostaglandinas. Estas estão
relacionadas com a patogenia da dor e febre, nas inflamações. Um tipo de prostaglandina, a
PGE2 torna a pele altamente sensível a estímulos dolorosos. Já PGD2 é o principal metabólito
da via da ciclogenase nos mastócitos, e juntamente com outros tipos de prostaglandinas, causa
vasodilatação e potencializa a formação de edema.
Na via da lipoxigenase faz a conversão a diversos metabólitos, mas o principal é o 5-
HETE, que ira se converter a uma família de compostos conhecidos como leucotrienos. Estes
são responsáveis por vasoconstrição intensa, broncoespasmo e aumento da permeabilidade
vascular.
Alem destes, existem as lipoxinas, produtos bioativos gerados a partir do AA. Estas
possuem uma gama de ações antiinflamatórias e pró-inflamatorias. Inibem a quimiotaxia e
aderência dos neutrófilos, mas estimulam a aderência de monócitos. Se regulam negativamente
à formação de leucotrienos.

- a aspirina e ibuprofeno bloqueiam a via ciclooxigenase


- glicocorticóides, potentes antiinflamatórios, atuam sub-regulando a expressão de genes alvos
específicos. Incluindo os que codificam as citocinas pró-inflamatorias e o oxido nítrico sintase.
Além disso, regulam genes que impedirão a liberação de AA dos fosfolipídios de membrana.

Fator ativador Plaquetário (FAP)


O FAP é um fosfolipídio com uma estrutura de glicerol típica. Ele medeia seus efeitos
por intermédio de um único receptor acoplado à proteína G. Possui efeitos na estimulação
plaquetária e muitos outros inflamatórios. Alem disso tem funções vasoconstritoras e
broncoconstritoras. Em baixíssimas quantidades induz a vasodilatação e aumento da
permeabilidade venular. Também intensifica a aderência dos leucócitos ao endotélio,
quimiotaxia, desgranulacão e o surto oxidativo.

Citocinas e Quimiocinas
Citocinas são proteínas produzidas por muitos tipos celulares que modulam a função de
outras células.Existem também as interleucinas que são uma extensa família de citocinas,
produzidas por células hematopoéticas, que atuam primariamente sobre leucócitos. Já as
quimiocinas são citocinas que compartilham a capacidade de estimular o movimento
leucocitário e o movimento dirigido, sendo muito importante na inflamação.
PROPRIEDADES GERAIS E CLASSES FUNCIONAIS – As citocinas são produzidas durante
o processo de resposta inflamatórias e imunes. Sua secreção é transitória e estreitamente
regulada. Os efeitos das citocinas são diversos, podendo influenciar na síntese ou ação de
outras citocinas ou, ate mesmo, serem redundantes.
Mesmo tendo funções múltiplas, as citocinas podem ser agrupadas em cinco classes, de
acordo com sua função principal ou a natureza da sua célula-alvo.
- Citocinas que regulam a função dos linfócitos: Regulam sua ativação, crescimento e
diferenciação. Dentro desta categoria estão a IL-2 e IL-4, que favorecem o crescimento dos
linfócitos, e a IL-10 e TGF-β, que são reguladores negativos das respostas imunes
- Citocinas envolvidas na imunidade natural: Neste grupo duas citocinas importantes
envolvidas na inflamação estão presentes, a IL-1β e o FNT-α; os interferon do tipo I; e IL-6.
- Citocinas que ativam células inflamatórias: são responsáveis pela ativação dos macrófagos
durante as respostas imunes celulares. Neste grupo esta o IFN-γ, IFN- α, IFN- β, IL-5, IL-10 e
IL-12.
- Quimiocinas: responsáveis pela atividade quimiotática para vários leucócitos.
- Citocinas que estimulam a hematopoese: medeiam o crescimento e diferenciação dos
leucócitos imaturos. Os exemplos abrangem a IL-3, IL-7, ligante c-kit, CSF de granulocitos-
macrófagos, CFS de macrófagos e fator das células pluripotenciais.

IL-1 E FATOR DE NECROSE TUMORAL (FNT) – Estas são produzidas por macrófagos
ativados, o FNT- β por células T ativadas e a IL-1 por muitos outros tipos celulares. Suas ações
mais importantes na inflamação são seus efeitos sobre o endotélio, leucócitos e fibroblastos e
indução das reações da fase aguda sistêmicas. No endotélio, induzem alterações ao nível de
transcrições gênicas, conhecidas como ativação endotelial. Neste processo há síntese de
moléculas de aderência endotelial e mediadores químicos, produção de enzimas associadas a
remodelagem da matriz, e aumento da trombogenicidade superficial do endotélio.
O FNT também causa a agregação e preparação dos neutrófilos, contribuindo para a
lesão tecidual.
A IL-1 e o FNT (alem da IL-6) também induzem as respostas da fase aguda sistêmicas
associadas a uma infecção ou lesão, incluindo febre, perda do apetite, produção de sono de
ondas lentas, liberação de neutrófilos na circulação e liberação de ACTH e corticoesteróides. O
FNT, em particular, age nos efeitos hemodinâmicos do choque séptico, hipotensão, redução da
resistência vascular, aumento da freqüência cardíaca e diminuição do pH sanguíneo.

QUIMIOCINAS – Atuam principalmente como ativadores e quimioatratores para tipos


específicos de leucócitos, possuindo semelhança em suas seqüências de aminoácidos.
As quimiocinas medeiam suas atividades por ligação a receptores na superfície celular
acopladoas à proteína G.

Oxido Nítrico
O oxido nítrico (NO) é liberado por células endoteliais para que cause vasodilatação
pelo relaxamento do músculo liso. Alem de ser produzido pelo endotélio, também é sintetizado
por macrófagos e neurônios específicos no cérebro. Desta forma, existem três tipos de enzimas,
oxido nítrico sintase, responsável por esta síntese de NO: a endotelial (eNOS), neuronal
(nNOS) e induzível por citocinas (iNOS).
A eNOS e nNOS são essencialmente expressas em baixos níveis e podem ser ativadas
rapidamente por um aumento dos íons cálcio citoplasmáticos na presença de calmodulina. Já a
iNOS é induzida quando os macrófagos são ativados por citocinas ou outros agentes, sem que
seja necessário o aumento de cálcio intracelular.
Alem da vasodilatação, o NO exerce importantes funções durante uma resposta
inflamatória: reduz a agregação e aderência plaquetária, inibe características da inflamação
induzida por mastócitos e serve como regulador do recrutamento de leucócitos.

Constituintes Lisossômicos dos Leucócitos


Neutrófilos e monócitos contem grânulos lisossômicos que, quando liberados, podem
contribuir para a resposta inflamatória. São dois os tipos principais de grânulos secretados por
neutrófilos – específicos e azurófilos - onde ambos se formam em torno do material engolfado,
ou o seu conteúdo é liberado após morte celular. Os grânulos contem lisoenzimas, colagenase,
fatores bactericidas, proteases neutras e acidas; todas visando degradar e eliminar o efeito
perturbador do sistema. O modo em que os grânulos são liberados é diferente de acordo com o
tipo de grânulo. Os grânulos específicos são excretados no meio extracelular, enquanto os
azurófilos, potencialmente mais destrutivos, liberam seu conteúdo principalmente dentro do
fagossoma.

Radicais livres derivados de oxigênio


Os radicais podem ser liberados ao meio extracelular por leucócitos após a exposição a
agentes quimiotáticos, imunocomplexos, ou provocação fagocítica. O superóxido, peróxido de
hidrogênio e radical hidroxila são as principais espécies produzidas dentro da célula, e esses
metabólitos podem combinar-se com NO para formar outros intermediários reativos de
nitrogênio.

Neuropeptídeos

Eles têm ação inicial. Seu principal representante é a substância P. Suas ações são de
aumento da permeabilidade vascular, transmissão dos sinais de dor (junto com a bradicinina),
regulação da pressão sanguínea e estímulo da atividade secretória de células endoteliais e
imunológicas, acarretando suas ações características.

INFLAMAÇÃO CRÔNICA

Definição e causas

Inflamação crônica é aquela que tem sua duração prolongada na qual a inflamação
ativa, destruições teciduais e tentativas de reparação estão ocorrendo simultaneamente. A
inflamação crônica pode ser conseqüência de uma resposta aguda mal resolvida, em
decorrência da persistência do agente nocivo ou de alguma interferência no processo normal de
cura. Além disso, a inflamação crônica começa com freqüência de maneira insidiosa, com uma
resposta de lento grau, latente e muitas vezes assintomática. A inflamação crônica origina-se
nos seguintes contextos:
- Infecções persistentes (ex. bacilos da tuberculose, e certos fungos). A razão pela qual isto
ocorre é devido esses microorganismos possuírem baixa toxidade, fazendo com que a reação
imune seja tardia.
- Exposição prolongada a agentes potencialmente tóxicos, exógenos ou endógenos.
- Auto-imunidade (ex. artrite reumatóide e lúpus eritematoso).

Características Histológicas
- Infiltração de células mononucleares, que incluem macrófagos, linfócitos e plasmócitos; é o
reflexo de uma inflamação persistente.
- Destruição tecidual
- Tentativa de cicatrização por substituição de tecido danificado por tecido conjuntivo,
realizado pela angiogênese e, em particular, a fibrose.

Infiltração Mononuclear: Células e mecanismos

Os macrófagos são componentes do sistema de fagócitos mononucleares. Esse sistema é


constituído por células oriundas da medula óssea, incluindo monócitos do sangue e macrófagos
teciduais.
Os monócitos começam a emigrar cedo na inflamação aguda, e em 48horas, constituem
o tipo celular predominante. Quando o monócito atinge o tecido extravascular ele se transforma
em macrófago, célula que possui o potencial de ser ativada. A ativação dos macrófagos lhes
confere um maior tamanho, um maior numero de enzimas lisossômicas, um metabolismo mais
ativo e uma maior capacidade de destruir micróbios ingeridos. Alem disso, após a ativação, os
macrófagos secretam substancias biológicas ativas que, se desimpedidas, resulta na lesão
tecidual e fibrose típica da inflamação crônica.
No caso da inflamação crônica, o acumulo de macrófagos persiste, mediado por
diferentes mecanismos, cada um predominando em diferentes tipos de reações.

1- Recrutamento contínuo de monócitos da circulação – Isto é resultado da expressão


constante de moléculas de aderência e fatores quimiotáticos.
2- Proliferação local de macrófagos após sua emigração da corrente sanguínea.
3- Imobilização de macrófagos dentro do local de inflamação.

Os macrófagos são uma forte característica dos quadros de inflamação aguda,


principalmente devido as substancias que liberam quando ativados. Algumas destas substancias
são tóxicas para as células ou para a matriz extracelular; e ainda outras podem causar
proliferação de fibroblastos, depósitos de colágeno e angiogênese. Devido todos estes efeitos
constituem um forte poder protetor ao hospedeiro, mas quando ativados de forma inapropriada
causa grandes lesões teciduais.

Outras células na Inflamação Crônica


- Linfócitos: Estes são mobilizados ao local de inflamação pela utilização de moléculas de
aderência e quimiocinas. Possuem relação recíproca com os macrófagos na inflamação crônica,
produzindo linfocinas, capazes de estimular monócitos e macrófagos. Os macrófagos ativados,
por sua vez, produzem monocinas; e estas são capazes de ativar os leucócitos que também
produzem mediadores inflamatórios.
- Mastócitos: Participam das reações inflamatórias agudas e persistentes. São mais ligados a
reações anafiláticas.
- Eosinófilos : Também típicos das reações imunes.

Inflamação Granulomatosa

A inflamação granulomatosa é um padrão de reação inflamatória crônica na qual o tipo


celular predominante é um macrófago ativado com uma aparência modificada semelhante a
uma célula epitelial (epitelióide). Um granuloma consiste na agregação microscópica de
macrófagos que estão transformados em células circundadas por um colar de leucócitos
mononucleares, principalmente linfócitos e, às vezes, plasmócitos. Os granulomas mais antigos
desenvolvem uma orla circundante de fibroblastos e tecido conjuntivo. Quando as células
epitelióides se fundem, formam células gigantes.

Vasos linfáticos na Inflamação

O sistema de vasos linfáticos filtra e policia os líquidos extracelulares. Juntamente com o


sistema de fagócitos mononucleares, representa uma segunda linha de defesa que entra em ação sempre
que uma reação inflamatória não consegue deter ou conter uma lesão.
O fluxo linfático é aumentado durante a inflamação e ajuda a drenar o liquido de edema
do espaço extravascular. Nas lesões intensas, a drenagem linfática pode levar o agente agressor
e, por isso tornar-se inflamados. Alem desta possibilidade a propagação da infecção também
pode ocorrer caso os microorganismos sejam drenados através de canais progressivamente
maiores, ganhando acesso a circulação vascular.