Acórdãos STJ Processo: Nº Convencional: Relator: Descritores

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Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça
247/09.4YFLSB 6ª SECÇÃO SOUSA LEITE PROPRIEDADE INDUSTRIAL REGISTO NACIONAL DE PESSOAS COLECTIVAS FIRMA MARCA NOTÓRIA DENOMINAÇÃO SOCIAL PRINCÍPIO DA NOVIDADE CONFUSÃO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO TRIBUNAL CÍVEL SJ 10/20/2009 UNANIMIDADE S 1 REVISTA NEGADA A REVISTA

Nº do Documento: Data do Acordão: Votação: Texto Integral: Privacidade: Meio Processual: Decisão: Sumário :

I - O juízo sobre a distinção de firmas, denominações ou marcas, decompõe-se em duas questões: uma, de facto, da exclusiva competência das instâncias, que consiste na apreciação da existência de semelhanças ou dissemelhanças entre as duas expressões que constituem as firmas, denominações ou marcas, quanto aos seus aspectos gráfico e fonético; outra, de direito, da competência do STJ, atenta a sua natureza de tribunal de revista – arts. 26.º da LOFTJ e 721.º do CPC –, que consiste em apurar se, perante tais semelhanças ou dissemelhanças, uma delas deve, ou não, considerar-se ser susceptível de confusão ou erro com a outra. II - O critério principal a atender, quanto à aferição da confundibilidade/inconfundibilidade da denominação de uma nova firma, reside no facto de tal sinal distintivo não apresentar semelhanças com o de outra firma já constituída e existente em território nacional, de tal modo que, a ocorrência dessa similitude seja susceptível de conduzir terceiros que possam vir a ter relações negociais com as mesmas, considerados aqueles na veste de qualquer cidadão que actue com mediana diligência e atenção, à indução em erro quanto ao objecto social desenvolvido por cada uma das referidas firmas, assim se preterindo a realidade, que sob o ponto de vista da actividade económica e empresarial, cada uma delas visa individualizar. III - O princípio da novidade não se deve reportar, apenas, às firmas dos comerciantes concorrentes, mas também às firmas de comerciantes não concorrentes. IV - A sigla comum às denominações da autora e da ré, traduzida na expressão “GALP”, embora constitua a mera expressão inicial da denominação completa de ambas as firmas, não parece poder considerar-se, no que respeita à ré, como o núcleo-chave da sua firma, isto é, como o meio, que, pela sua natureza apelativa e sintética, constitua a forma identificativa da mesma perante o público em geral, já que tal sigla é conotada, pelo cidadão comum, como uma expressão respeitante à designação identificativa de uma marca de combustíveis e produtos afins. V - Sendo diversas, quer a forma abreviada de utilização pelo cidadão comum da denominação de ambas as firmas, quer a localização das suas sedes sociais, quer a total distinção do objecto social a que se reporta a actividade por cada uma das mesmas desenvolvida, não se vislumbra que a firmadenominação GALP ENERGIA, SGPS S.A. ofenda o princípio da novidade relativamente à firmadenominação GALP – GABINETE DE URBANISMO, ARQUITECTURA E ENGENHARIA, LDA, atendendo a que os fundamentos subjacentes àquele princípio, traduzidos, sobretudo, em evitar a concorrência desleal e a indução em erro, quer dos consumidores relativamente às firmas que comercializem produtos que pretendam adquirir, quer de outros comerciantes que com as firmas em causa realizem quaisquer operações comerciais, não se mostram passíveis de ser objecto de violação. VI - No domínio do direito administrativo, em que a nulidade tem carácter excepcional e a anulabilidade carácter geral – art. 135.º do CPA –, a omissão da prévia obtenção do certificado de admissibilidade de denominação social não se enquadra no âmbito do preceituado no art. 133.º do CPA, apenas se podendo configurar como um vício de forma, a que corresponde a anulabilidade como sanção do acto que se mostre desconforme com o ordenamento jurídico, por ofensa de normas jurídicas legais ou regulamentares, anulabilidade essa que, para além de se mostrar da exclusiva competência dos tribunais administrativos, encontra-se excluída do conhecimento oficioso.
Decisão Texto Integral:

Acordam no Supremo Tribunal de Justiça
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S. traduzidas através dos inúmeros telefonemas e correspondência.). então interposto pela Ré.°/1 e 2-f) do Regime do Registo Nacional de Pessoas Colectivas.. requerendo. o qual não foi. nem da emissão.Que seja considerado ilícito. a A pronunciou-se pela improcedência das excepções e da sua condenação como litigante de má fé. em razão da matéria. 200 a 203 -. já que a sua propositura deveria ter lugar na jurisdição administrativa. aduzidas na contestação. dirigidos à Ré são enviados à A. Seguidamente. contém na sua denominação. quer na actual. caso assim se não entenda. o que não mereceu deferimento do tribunal – fls.I – GALP – Gabinete de Urbanismo. tendo este STJ. 244 a 246. . na redacção vigente na data da apresentação desses converted by Web2PDFConvert.º 129/98. Tendo a A apelado.º 2 do CPC – fls. No despacho saneador. para conhecer das acções de anulação de denominação social provenientes de decisões do Director-Geral dos Registos e Notariado. do respectivo certificado de admissibilidade.Que seja considerado ilícito o uso da sigla GALP na denominação social da Ré. ou. Enunciada a matéria de facto assente e organizada a base instrutória.protestados apresentar na alegação do recurso de apelação e oferecidos imediatamente a seguir visam dar a conhecer a orientação administrativa da entidade competente para “[v]elar pelo respeito da exclusividade e verdade das firmas e denominações” [art. dada a inexistência do certificado de admissibilidade de denominação social no acto de constituição daquela. SGPS. quer na original (GALP – Petróleos e Gás de Portugal. uma vez que a referida denominação foi objecto de apreciação e aprovação pelo Registo Nacional de Pessoas Colectivas previamente à sua inscrição no registo comercial. em agravo desta decisão. n. por violar o princípio da novidade. negou provimento ao agravo da Ré e confirmou a decisão proferida pela 1ª instância.A. por tal motivo. na qual foram julgadas improcedentes. Arquitectura e Engenharia. Contestando. formulado as seguintes conclusões: 1º . por tais acções constituírem matéria cujo conhecimento é atribuído aos tribunais comuns.com . e pelo facto da constituição da Ré não ter sido precedida do pedido. tendo. agora. mantido o decidido pela 2ª instância – fls. porém. que. por seu turno. na sequência de agravo da A – fls. 748º. em consequência. peticionou: . comunicando o indeferimento desses pedidos . pelo que. veio a ser proferida sentença. 78. o que tem gerado a existência de confusões. por outro lado. o tribunal foi declarado competente em razão da matéria e improcedente a excepção de erro na forma de processo que havia sido alegada.Os elementos . foi proferido despacho – fls. por manifesta nulidade. questões estas que foram objecto de recurso por parte da Ré. S. 1013 e 1029 -. que esta última. despacho esse revogado por acórdão da Relação de Lisboa. que se encontra constituída e a exercer actividade desde 22/04/1999. ambas as partes reclamaram daquelas indicadas peças. a Ré veio alegar a incompetência material do tribunal onde a acção foi instaurada. em que alega. por violação do consignado no art.pedidos de certificados de admissibilidade de firmas contendo a palavra “GALP" e ofícios do Registo Nacional de Pessoas Colectivas. em virtude da insistência desta na validade de actos contrários à lei. 55º do DL n. sendo tal denominação ilícita. que declarou o tribunal de comércio incompetente. 142 a 144 -. Na réplica que apresentou. a mesma sigla – GALP . por violação do princípio da novidade. e a título subsidiário: . com a consequente proibição do uso de tal sigla por parte desta e a anulação do seu registo na Conservatória do Registo Comercial de Lisboa. sem que porém tenha dado cumprimento ao estatuído no art. a condenação da Ré nos mesmos moldes. Do referido aresto a A vem. Ldª veio demandar no Tribunal do Comércio de Lisboa. quer a condenação da A como litigante de má fé. peticionou a condenação daquela como litigante de má fé. nas alegações que apresentou. data muito posterior à da constituição da A. a Relação de Lisboa.A. No prosseguimento da normal tramitação processual. pedir revista. extremamente remota a possibilidade de confusão entre as duas entidades e constituindo uma manifesta falsidade que a coincidência de siglas tenha dado origem a que a A seja “sufocada” de telefonemas e correspondência dirigidas à contestante. quer a acção. o erro na forma de processo já que o meio próprio para a impugnação ora deduzida seria o recurso hierárquico relativamente à admissibilidade da denominação social que passou a utilizar. 638.GALP – Energia SGPS.utilizada pela A. o uso da sigla GALP na denominação social da Ré. pelo que. admitido no que respeita à questão da competência. sendo.

(B).º .ºs 33º e 35º do Regime do Registo Nacional de Pessoas Colectivas. 524º. nem reflectem a "(não) afinidade ou (não) proximidade" das “actividades” e do "objecto" delas. dominante . 4.Em ambas as firmas. n.ºs 45°/2 e 55° do Regime do Registo Nacional de Pessoas Colectivas [aplicáveis analogicamente].. já nos termos das disposições conjugadas dos art. 6.E violou o preceituado nos artºs 268º/4 da Constituição.°/1 do Código de Processo Civil).A inexistência de “declaração de admissibilidade” da firma originária da Ré . de 13 de Maio)]. com sede na R. pela Ré. quanto às duas últimas letras. todos do Código de Processo Civil (na redacção vigente na data do seu oferecimento.0/3 do Regime do Registo Nacional de Pessoas Colectivas.previamente à constituição desta. na firma da Ré. 12º . anterior ao Decreto-Lei n.." 129/98..º .Incorreu em "excesso de pronúncia". aglutinando duas iniciais de outros tantos elementos dela [Gabinete de Urbanismo. de 24 de Agosto). mas sim às estabelecidas nos art. Porto. 9º .da] e. insere-se logo no início. 5. tem por objecto social “actividade de elaboração de projectos de urbanismo. 15º . 17.Assim. resultante. 16º . quanto às duas primeiras letras. acarreta a nulidade do respectivo acto de constituição. nuclear.A palavra "GALP" não é usual na linguagem comum. com absoluta e total semelhança gráfica e fonética.. característico.próprio e característico desta. 52º/1 do Código de Processo nos Tribunais Administrativos e 98º/1 do Código de Processo Civil. apesar do uso da sigla "GALP". L.R.A A integra desde a sua constituição. então ofendeu.. pelo que não há violação do "princípio da novidade ou da exclusividade".ºs 525º e 706º/2 e 3. determinante da sua nulidade. porque da competência dos tribunais administrativos [art. 14º .º 22.º 500. induzir uma relação entre ambas.. preponderante.º .º 303/2007. 2. sem qualquer previsão de sanção. o acórdão recorrido decidiu questão “de que não podia tomar conhecimento”. impressivo. 3. na sua denominação social “é manifesta a impossibilidade de confusão dos denominações em confronto".° A julgar-se que não incorreu em “ excesso de pronúncia".C. 375.º 1880-Hab 12.Não são elementos de prova. em termos de uma se associar à outra e.A.º 1 º do Decreto-Lei n.º .]. A A. 7º . em termos de as siglas de ambas as firmas coincidirem letra por letra. nem como “palavra do léxico”. Arquitectura e Engenharia.98. de duas iniciais dos nomes dos seus fundadores [J. consoante se entenda.. 10º/3 do Código das Sociedades Comerciais e nos art.O acórdão sub censura violou o disposto nos art..ºs 523º. 441.da firma da A. Colhidos os vistos legais.O vocábulo "GALP" é o elemento prevalente.. a sigla "GALP".º 32. na acepção do art. encontra-se matriculada na Conservatória do Registo Comercial do Porto sob o n.Esse mesmo vocábulo repete-se.º 303/ /2007. de 24 de Agosto).. +++++ II – Da Relação vem considerada como assente a seguinte matéria de facto: “GALP – Gabinete de Urbanismo. da Alegria. não é qualificável como “vocábulo de uso corrente”. a Ré pronunciou-se pela manutenção do acórdão impugnado. no seu “discurso”. na sua "firma". a firma da Ré contém um elemento retirado da A – “GALP” . Arquitectura e Engenharia. o acórdão sub censura violou o disposto no art.Decidindo que. NUIPC n. 11º . 55º do Regime do Registo Nacional de Pessoas Colectivas. 8º .As firmas da A e da Ré nenhum elemento contêm que permita ao “ homem médio” distinguir se uma é sociedade “criada pelos seus sócios” e outra o foi “por Dec-Lei" ou apreender onde são as sedes das sociedades." .elementos em Tribunal (aprovado pelo art.º . sanável. já nos do estatuído nos artºs 294º e 295º do Código Civil. converted by Web2PDFConvert. Subsidiariamente. que no caso foi sanada". em termos de precipitar confusão entre ambas.A apresentação desses referidos pedidos de certificados de admissibilidade e ofícios de resposta a eles não está sujeita às regras dos art..a "palavra-vedeta" . cumpre decidir.P.Julgando a ilegalidade do acto de constituição da Ré “irregularidade. 525º e 706º/2 e 3 do Código de Processo Civil (na redacção vigente na data da apresentação dos documentos em Tribunal anterior ao Decreto-Lei n. da “descrição” da sua actividade."GALP Petróleos e Gás de Portugal SGPS S. 10º . 4º/1-a e c) do Estatuto dos Tribunais Administrativos e Fiscais. Lda.L. Contra alegando.com .069/760728 – (A).ºs 523º e 524º. o estatuído ou nos artºs 45º/2 e 55º do Regime do Registo Nacional de Pessoas Colectivas ou nos artºs 294º e 295º do Código Civil.. nos termos do estatuído nos artºs 661º/1 e 668º/1-d) do Código de Processo Civil.. arquitectura e engenharia” . e L. a não se entender assim: 13º .

. 45º e 49º do DL 129/98 de 13 de Maio. em 10 de Maio de 1999. 2 – Compete. SA”. na denominação que vai constituir sob a forma de lei e do tipo SGPS.º 45º n. em 12/05/1999. A Ré rege-se pelo DL citado em (D). SGPS. na Rua Mouzinho de Silveira. Pelo DL 137-A/99 de 22. foi admitida com a validade de 180 dias. não alterou a sua denominação social. .(C). respeitante a sociedade anónima cujos estatutos se mostram já aprovados pelo DL 137-A/99 de 22 de Abril e que terá sede no concelho de Lisboa e o seguinte objecto social: “gestão de participações sociais de outras sociedades.º 4.”. pelas normas reguladoras das sociedades anónimas e demais legislação aplicável .com . que. a denominação “GALP – PETRÓLEOS E GÁS DE PORTUGAL. 26. GALPLUB – . Assinado pela Conservadora I. SA”. Artigo 2. . com sede na R. Pela apresentação 27/2000. na qualidade de titular das marcas GALP e Petrogal e das firmas Petrogal Madeira – Distribuição e Comercialização de Combustíveis e Lubrificantes Lda. como forma indirecta de exercício de actividades económicas” . nas marcas de que é proprietária.º 1 .º A sociedade adopta a firma GALP – Petróleos e Gás de Portugal. que: em cumprimento do requerido em pedido de certidão entrado neste Registo Nacional em vinte e quatro de Março de dois mil. A Ré tem por objecto social “gestão de participações sociais de outras sociedades.. foi objecto de publicação no Diário do Governo n. quer na sua denominação. da qual será inicialmente o titular da totalidade do seu capital social” . constantes do documento de fls. A A. Freguesia do Coração de Jesus.º A sociedade tem por objecto a gestão de participações sociais de outras sociedades.C. 26.(L). “GALP – Petróleos e Gás de Portugal SGPS. SGPS. constituiu-se em 05/03/1976.(M). NUIPC n.(2º). pelos seus estatutos.09. Lda.13. Petróleos de Portugal – Petrogal SA. foi constituída a sociedade Ré. SA. delegações e outras formas de representação da sociedade.(I).º 504 499 777.. O pacto social da A. Petrogal Açores – Distribuição e Comercialização de Combustíveis e Lubrificantes Lda.. sociedade anónima. 3 – A sociedade é constituída por tempo indeterminado. As acções representativas do capital social da Ré pertencem ao Estado na sua totalidade . Artigo 3.04. entre outras que usam os vocábulos GALP e PETROGAL. desde a data da sua inscrição inicial .º 88 de 13 de Abril de 1976 . como forma indirecta de exercício de actividades económicas”. encontra-se matriculada na Conservatória do Registo Comercial de Lisboa.(J). como forma indirecta de exercício de actividades económicas. em Portugal e no estrangeiro. A conservadora auxiliar do Registo Nacional de Pessoas Colectivas certificou. ao conselho de administração criar e encerrar sucursais. sob a denominação de GALP Petróleos e Gás de Portugal SGPS. converted by Web2PDFConvert. Lisboa. em 10/05/2000. designadamente: Artigo 1. que “autoriza o Estado Português a incorporar qualquer dos vocábulos e denominações registadas a seu favor.º 2 do DL 129/98 de 13 de Maio. 57 a 60. publicado na I Série do Suplemento n. Sociedade Unipessoal Lda. por escritura pública exarada de folhas 144 a 150 verso do livro 15F e de folhas 1 a 3 do Livro 16-F das notas do 8º Cartório Notarial do Porto . quer ainda.(G).. 2ª Secção. quer nas denominações das sociedades suas participadas. GALPGESTE – Gestão de Áreas de Serviço.Serviços de Lubrificação. podendo ser deslocada pelo conselho de administração nos limites da lei. SGPS..º 94/99 do Diário da República da mesma data.º 9216/990518 . SA .. nos termos e para os efeitos dos arts..de S. A sociedade Ré exerce a sua actividade desde 22 de Abril de 1999 . 33º n.A sede social é em Lisboa.(D). declarou.A A. foi emitida declaração do seguinte teor: “Nos termos do art.(H). encontra-se registada a mudança da firma da Ré para GALP ENERGIA. tendo sido pelo referido diploma aprovados os seus estatutos.(1º).(E). de Mouzinho da Silveira. referindo esses estatutos.(F). sob n.

requeira um certificado de admissibilidade de uma firma onde se contenha aquela indicada palavra GALP.indeferimento da junção dos documentos apresentados na alegação da apelação.decisão respeitante ao uso pela Ré. Ldª”. na sua denominação social. que “as partes podem juntar documentos às alegações no caso de a junção apenas se tornar necessária em virtude do julgamento proferido na 1ª instância”. quer privados .decisão sobre as consequências da inexistência de declaração de admissibilidade da firma original da Ré. n. A A. Ora. bem como proceder à abertura ou encerramento de sucursais.(12º).(4º). por todo o país. que se não encontrava alegada e demonstrada a ocorrência do condicionalismo previsto nos arts. objectiva-se nas seguintes questões: . dos docs. que é a si dirigida por engano . agências. no corpo da minuta que apresentou na apelação. pelo requerimento de fls.(13º). e acompanha vários projectos de obra. arquitectura e engenharia. 973 a 984. para tal. adquiriu outra dimensão e realiza a sua actividade em todo o território nacional . elabora projectos de urbanismo. § único do pacto social da A. em que o respectivo objecto social consistia na produção e comercialização de vinho de mesa e vinho do Porto. Com efeito.(10º). que a A começa por sustentar. a A veio alegar.(10º). 1054. em 2008.º 2º do referido pacto social determina que: “A sociedade tem por objecto a actividade de elaboração de projectos de urbanismo. pedidas em 30 de Junho de 1986 . portanto. relativamente a quem. e “GALP – Grande Agricultura em Portugal. através da junção. recebe correspondência pertencente à Ré.com . Ldª”. todavia. com quem sugere relação e indução em erro sobre a titularidade da marca notoriamente conhecida “GALP” – fls.(14º). ++++++ IV – Temos.(3º). sem as vestes do Poder. A A. expandiu-se. que. 951 -. por tal motivo. 523º e 524º do CPC. parece inexistir qualquer impedimento legal que obstaculize à inserção nos autos dos documentos em causa. podendo. por parte daquele organismo registral. de fls. converted by Web2PDFConvert.º). quer públicos. 525º e 706º. dispondo-se no art. à data da sua constituição. que os elementos documentais por si juntos na 2ª instância não constituem elementos de prova.(5º). detêm.ºs 2 e 3 da mesma codificação. arquitectura e engenharia em todo o país . dos pedidos relativos ao certificado de admissibilidade das firmas “GALP – Guedes. a sociedade A. A A. continua a exercer a sua actividade . anonimamente. A A. “ ++++++ III – Como se extrai das conclusões da recorrente. já que visam apenas dar a conhecer a orientação do Registo Nacional de Pessoas Colectivas sobre a admissibilidade de firmas contendo a palavra GALP. A sociedade Petróleos de Portugal SA. 968 a 971. da sigla GALP. asserção essa que comprovou. A Ré tem uma estrutura muito pequena de apoio à sua administração . Lopes e Pinto. SA” (dois pedidos). onde se contém o indeferimento. poderá deslocar a sede social dentro da mesma localidade. delegações ou outras formas de representação social” . invocando. a sua apresentação não se enquadra nas regras dos arts.(6. que a A. tem vindo a receber diariamente telefonemas sucessivos de clientes da Ré que é a si dirigida. n. junção essa que a Relação indeferiu. a discordância desta relativamente ao conteúdo do aresto da Relação.(7º). mas sim nas constantes dos arts. A sua actividade é dirigida para as empresas em cujo capital participa . “GALP – Grande Agricultura em Portugal.(8º).º 1 do CPC. 523º e 524º do CPC – fls. é titular de duas marcas mistas que contêm o vocábulo GALP. reconduz-se ao indeferimento do referido pedido. A A. determina que: “Por simples deliberação da assembleia-geral. no dia imediato. 706º. Alpoim. por engano . O art.O artigo 1º. a orientação seguida pelo RNPC. como foi invocado pela Relação para o indeferimento da sua junção. Desde 05/03/1976.. e . dedicar-se a qualquer outro ramo de actividade comercial ou industrial que seja permitida por lei e que a assembleia geral resolva que seja explorado” . . pelo que. com fundamento na confundibilidade de tal vocábulo com a sua firma e com as firmas de outras sociedades.

vol. SGPS S. vem sendo entendido por este Supremo Tribunal. uma delas deve. considerar-se ser susceptível de confusão ou erro com a outra . pois. violação do princípio da novidade ou possibilidade de confusão ou associação para o consumidor entre aquela e a firma-denominação da A. de facto.Acórdãos de 18/06/1985 (BMJ 348º/436). Ferrer Correia. daqueles que exercem actividades económicas converted by Web2PDFConvert. 1056. que inexistia. a ocorrência dessa similitude seja susceptível de conduzir terceiros que possam vir a ter relações negociais com as mesmas. de direito. 2. pelo que. 300. da exclusiva competência das instâncias. a extinção da firma-denominação original da Ré tornou inútil a apreciação de quaisquer questões que tenham como pressuposto a sua existência jurídica como tal. para tal. aliás. outra. e relativamente à situação que ora vem suscitada pela A. 1º do anexo ao DL n. se uma pessoa que tenha em mente o nome de uma firma e pretenda dirigir-se a esta. e que não merecera acolhimento do tribunal de 1ª instância. denominações ou marcas. a firma a relevar na impugnação formulada terá de reportar-se à resultante da referida modificação. I. de 13/05 (RRNPC) -. de tal modo que. coincidia. citando os ensinamentos de Ferrara Júnior in La teoria giuridica dell’azienda. Com efeito. com a já existente firma-denominação da A (GALP – Gabinete de Urbanismo. com referência à diligência normal do homem médio. “o melhor critério para dar execução. relativamente à firma-denominação da Ré. a qual. quanto à aferição da confundibilidade/inconfundibilidade da denominação de uma nova firma. portanto. que o critério principal a atender. Ldª). 200º e 275º do CSC . assim se preterindo a realidade. de 14/06/1995 (CJSTJ III. precipita a confusão entre ambas. entre as duas expressões que constituem as firmas. que sob o ponto de vista da actividade económica e empresarial. da competência deste STJ. a denominação particular escolhida não seja “idêntica à firma registada de outra sociedade ou por tal forma semelhante que possa induzir em erro” . evidente. a discrepância da apontada disparidade de opiniões.). à data da emissão dos referidos documentos. fundando-se. que o juízo sobre a distinção (de firmas. de tal. que o raciocínio expendido na decisão então recorrida colidia frontalmente com a opinião sustentada pelo RNPC. Por outro lado. atenta a sua natureza de tribunal de revista – arts. de 29/10/1998 (BMJ 480º/503) e de 06/12/2001. ++++++ V – A recorrente vem.130).respeitar o princípio da novidade ou do exclusivismo. considerados aqueles na veste de qualquer cidadão que actue com mediana diligência e atenção. haverá a considerar. que consiste em apurar se. e atendendo a que. no sentido de fazer reverter em seu benefício a tese que havia sustentado nos articulados.com . 63 -. Há. 10º. 26º da LOFTJ e 721º do CPC -.º 3 do CSC -. ou seja. que.º 1 do CPC) – a denominação da Ré já havia sido alterada cerca de seis meses antes – (I) e doc.art. mostra-se em causa a confundibilidade da firmadenominação da Ré (GALP ENERGIA. poderá ser induzida em erro pela semelhança do nome e dirigir-se. Na situação que constitui objecto dos autos. n. ao referido princípio da novidade será o de verificar. à data da propositura da acção -17/04/2001 (art. uma vez que. tendo sido considerado na sentença. em que a firma da Ré contém um elemento retirado da sua firma. elemento esse que sendo próprio e característico desta. na prática. n.A. apenas através de documento emanado de tais serviços registrais poderia a recorrente demonstrar. à indução em erro quanto ao objecto social desenvolvido por cada uma das referidas firmas.Na verdade. e no caso que para aqui ora releva. quanto aos seus aspectos gráfico e fonético. em sede de impugnação recursiva. questionar a pelas instâncias decidida inexistência de violação do princípio da novidade ou da exclusividade. ou não. constituindo esta entidade administrativa o órgão estadual a quem incumbe apreciar a admissibilidade da denominação das firmas – art. 267º.º 129/98. mostra-se. pág. Assim. cada uma delas visa individualizar. de tal decorre. de molde a que. Arquitectura e Engenharia. que consiste na apreciação da existência de semelhanças. que admitir a junção dos documentos apresentados pela A/recorrente. perante tais semelhanças ou dissemelhanças. Ora. constando do acórdão recorrido “que a única semelhança entre as duas denominações em questão reside no elemento comum GALP” – fls. portanto. devendo a composição da denominação da firma de uma sociedade anónima ou por quotas – arts. denominações ou marcas) decompõe-se em duas questões: uma. a outra firma. igualmente. resida no facto de tal sinal distintivo não apresentar semelhanças com o de outra firma já constituída e existente no território nacional. se uma firma pode ser confundida com outra. de fls. A possibilidade de confusão deve subsistir de modo objectivo” – vide Lições de Direito Comercial do Prof. ou dissemelhanças. se o aludido princípio da novidade deverá reportar-se apenas às firmas dos comerciantes concorrentes. Temos. com o critério técnico seguido por aqueles indicados serviços.

relativamente às firmas-denominação da A e da Ré. 393 a 395 do Estudo citado do Dr. há que apreciar se aquela se verifica. vol. 35º. embora constitua a mera expressão inicial da denominação completa de ambas as firmas.págs. Pinto Furtado. ser tido em conta. 248/253. “a afinidade ou proximidade das suas actividades” e “o âmbito territorial destas” . ainda que como critérios secundários.Acórdãos deste Supremo de 23/05/1991 (BMJ 407º/571). como é defendido por uma parte da doutrina – Lições de Direito Comercial. pela sua predominância. de 03/04/2001. 90. sendo que esta última posição corresponde àquela.º 2 do RRNPC e Estudo do Dr. respectivamente -. já que aquele constitui o elemento sensibilizador do público consumidor. n. Coutinho de Abreu. e ainda que a comparação das firmas deva ser efectuada pela semelhança que resulta do conjunto dos elementos que constituem o conteúdo global de cada uma das mesmas. dada a semelhança entre elas. todavia. atendendo a que o certificado da sua admissibilidade constitui mera presunção de exclusividade da referida denominação – art. já que os elementos prevalecentes de um sinal complexo. “o seu domicílio ou sede”. de acordo com o segundo dos critérios antecedentemente enunciados. à forma oficiosa dos signos. I. em manifesto detrimento das diferenças que poderiam oferecer os seus diversos pormenores quando isolados e separadamente considerados. se propende a subscrever. pág. e atenta a diversidade respeitante ao objecto social da A e da Ré – elaboração de projectos de urbanismo. ao efeito fonético das expressões. Por outro lado. tal não impede que a simples existência de um elemento comum possa. de 29/06. págs. pelo elevado número de aderentes a tal procedimento simplificado. mostra-se aqui e agora totalmente deslocada relativamente à questão que constitui objecto da impugnação que vem aduzida pela recorrente – arts. tomando uma por outra. as confunde. Comentário ao Código das Sociedades Comerciais do Cons. pág. no âmbito da sua confundibilidade pelo cidadão comum como simples “marca”. nomeadamente através da insistentemente propagandeada constituição de “empresas na hora” – DL n. Raul Ventura. às firmas de comerciantes não concorrentes. Coutinho de Abreu -. inclusive. no que respeita à firma já antecedentemente constituída. não parece poder considerar-se.º 2. que. 388. por ser aquela que se mostra mais consentânea no sentido da abrangência da crescente fobia a que vem de assistir-se relativamente à constituição de sociedades. se é evidente que. de 28/04/1998. não só em relação à perda de potenciais clientes. pela eventual confusão nestes gerada quanto à firma com quem. já que tal sigla é conotada. n. Assim. de 26/09/1996 (BMJ 459/562). atendendo à grafia das palavras. pelo que a sua apreciação comparativa. do Prof. 713º. de 06/10/1998. como uma expressão respeitante à designação identificativa de uma “marca” de combustíveis e produtos afins.º 2 do RRNPC -. dir-se-á que tal se verifica. a sigla comum às denominações da A e da Ré. como é propugnado por outra parte da doutrina – pág. segunda parte. na realidade. Carlos Olavo in Estudos em homenagem ao Prof. 301 das Lições citadas do Prof. e concomitantemente. que. telegráficas e postais a uma firma a quem as mesmas não respeitem. 142/143 da obra e volume citados do Prof. Pupo Correia. no que respeita à Ré. efectivamente. “o tipo de pessoa”. devendo. em que os respectivos objectos sociais são os mais diversos e díspares. 382 – e da jurisprudência . n. Carlos Olavo. e para a apreciação da susceptibilidade da indução em erro da denominação de uma firma nova relativamente à de uma firma já existente. isto é. pretendem. Dr. págs. vol. Ferrer Correia. por si só. relativamente a tal juízo de apreciação. “quando. por via on-line – DL n. elemento este que constitui sinal distintivo do comércio diverso e distinto do ora em análise. Direito Comercial (Direito da Empresa) do Dr. à ocorrência de prejuízos. Curso de Direito Comercial. ou também. ao núcleo caracterizante. que se mostrem. n. de 07/07/1999 e de 15/02/2000 -. crê erroneamente referirem-se a comerciantes distintos mas especialmente relacionados” – págs. .com .idênticas ou similares dentro do mesmo ramo. não podem deixar de merecer protecção reforçada . como à susceptibilidade de ser imputável a uma das firmas os reveses económicos da outra. ou inverifica. do Prof. ou. para além dos eventuais prejuízos decorrentes do envio indevido das comunicações telefónicas. E. no momento presente. e pelos motivos acima referenciados.º 111/2005. pela sua natureza apelativa e sintética. dar lugar à confusão ou erro entre as mesmas. como o núcleo-chave da sua firma. pág. pelo cidadão comum. arquitectura e engenharia e gestão de participações sociais de outras sociedades. de acordo com o primeiro dos indicados critérios. factor este susceptível de potenciar.º 2 e 726º converted by Web2PDFConvert. tal confundibilidade se mostra desde logo excluída. I. de 28/05/1992 (BMJ 417/652). vol. 144/145 – e da jurisprudência – Acórdãos deste Supremo de 18/06/1996. 392. o que é manifestamente conducente. manter relações comerciais. de 19/02/2002. 660º. Ora. Direito Comercial do Dr. e de 01/07/2003 -. Pinto Coelho. constitua a forma oficiosa identificativa da mesma perante o público em geral. -. de 08/07.ou.º 125/2006. à confundibilidade das firmas-denominação. II. o público médio as não consegue distinguir. por serem os que mais facilmente são retidos na memória pelo público. Pereira de Almeida.art. dotados de eficácia distintiva. como o meio. pág. 33º. traduzida na expressão “GALP”.

converted by Web2PDFConvert. como critérios secundários de atendibilidade. os respectivos intervenientes sejam portadores de conhecimentos. SGPS S. por outro lado. ter-se-á de considerar que o acórdão da Relação enferma de excesso de pronúncia. e desde já a referir. pelo que. não se vislumbra que a firma-denominação GALP ENERGIA. e tendo em consideração que “a circunstância de uma confusão ter tido lugar pelo descuido ou ligeireza de qualquer cliente não é suficiente quando as firmas se apresentem diferenciadas aos olhos de uma pessoa de diligência média” – local e volume indicados das Lições citadas do Prof. caso assim não seja entendido. pág. a nulidade de tal constituição. igualmente. se reconduzem a que a sede social da A se situa no Porto e a da Ré em Lisboa – (A) e (D) – e que se mostram manifestamente dissemelhantes o objecto social de cada uma das sociedades em causa. sobretudo. se traduziu no facto desta última induzir em erro sobre a titularidade da “marca” notoriamente conhecida “GALP”. para além de que os elementos a considerar. sem qualquer separação (hífen) entre os vocábulos que a compõem. deve concretamente ser tida em linha de consideração para a apreciação da sua confundibilidade. a título subsidiário. -. quer a total distinção do objecto social a que se reporta a actividade por cada uma das mesmas desenvolvida. de uma actividade económica. tem por objecto a gestão de participações sociais de outras sociedades. 33º do RRNPC tem específica aplicação aos sinais distintivos no mesmo referenciados. em que o fundamento invocado por aquele serviço registral para a não admissibilidade da denominação requerida. 55º do RRNPC. a A formulou o pedido de declaração da ilicitude do uso pela Ré da sigla GALP. e Direito das Sociedades Comerciais do Dr. que. exclusivamente através de negócios em bolsa. arquitectura e engenharia. relativamente à mesma. gestão e venda de participações financeiras. já que relativamente às suas firmas “oficiais” nenhuma hipótese de confundibilidade é susceptível de conjecturar-se – art. para a prolação de decisão no foro competente sobre a legalidade/ilegalidade do acto de constituição da Ré. P. relativamente ao entendimento sufragado pelo RNPC. pela sua especificidade. E. em evitar a concorrência desleal e a indução em erro. que. nula. uma vez que. e daí que lhes seja exigível um grau de diligência manifestamente superior ao daquele último. por tal motivo.com . quer a forma abreviada de utilização pelo cidadão comum da denominação de ambas as firmas. então. ou. 63 -. ++++++ VI – Invoca. que. o que configura.do CPC. pelo que o exercício da referida actividade de gestão financeira. pressuponha. Com efeito. de 30/12. constitutiva do exercício. Olavo Cunha. Com efeito. concretizada. com a sigla da Ré. que. que. atendendo a que os fundamentos subjacentes àquele princípio. no acto de constituição desta última não houve lugar à apresentação do certificado de admissibilidade da sua denominação social.º 495/88. portanto. como regra geral. o mesmo mostra-se. por forma indirecta. 171º do CSC -. 790 e segs. ofenda o princípio da novidade relativamente à firma-denominação GALP–GABINETE DE URBANISMO. quer dos consumidores relativamente às firmas que comercializem produtos que pretendam adquirir. pelo que. em seu entender. quer de outros comerciantes que com as firmas em causa realizem quaisquer operações comerciais. através da realização da compra. 1º do DL n. na apontada situação apresentada àqueles serviços estava em causa uma “denominação” e não uma “marca”. constante dos documentos cuja admissão consta do antecedente item IV. sendo certo. a actividade da Ré. que tal constituição deve ser declarada. caso improceda a questão por si suscitada relativamente à violação do princípio da novidade. haverá. como elementos atendíveis na distinção das “denominações” em causa. quer a localização das suas sedes sociais. e desde já. que. se não mostram ao alcance do cidadão comum. Ferrer Correia -. que o núcleo impressivo da denominação da Ré se reconduz à expressão “GALP ENERGIA” – vide certidão registral de fls. sempre se dirá.º 5 do art. nos seus precisos termos fonéticos. para além do critério ora sustentado pelo RNPC se mostrar inócuo para a decisão em causa nos autos. por seu turno. em consequência do mesmo se ter pronunciado sobre uma questão da competência do foro administrativo. desenvolvendo-se o objecto social da A no domínio da elaboração de projectos de urbanismo. e o conteúdo do n.A. a recorrente. também. Ldª. Temos. passível de discordância. não se mostram passíveis de ser objecto de violação. ARQUICTETURA E ENGENHARIA. Por outro lado. como foi referido. já. sinais esses onde se não integra o respeitante à apontada “denominação”. também. arguição essa a que. traduzidos. advindo-lhe os proventos económicos de tal actividade dos dividendos e lucros recebidos das respectivas participadas e das mais-valias realizadas com a alienação das participações de que seja detentora – art. relativamente à identificação da firma a que se reportem os eventuais negócios bolsistas ou de aquisição de participações não cotadas em bolsa. sendo diversas. e por violação do preceituado no art. que aquela nomeada expressão em que se concretizavam as denominações requeridas não coincide. os autos devem ser remetidos à 1ª instância.

como uma mera irregularidade no âmbito do direito substantivo civil. 2º do CPA -. n. Porém. como decidiram as instâncias. Esteves de Oliveira.na contestação. será no âmbito deste ramo de direito que a solução deve ser encontrada. 9º. 135º do CPA e Curso de Direito Administrativo do Prof. antes de promover a criação de pessoas colectivas. que. que a mesma fundou na violação dos arts. no primeiro daqueles invocados normativos dispunha-se: O Estado e outros entes públicos devem também. Pinto Furtado -. II. pelo que. 398 -. e dado que. n. e no domínio do direito administrativo. para o conhecimento da referida questão – fls. no despacho saneador. e perante o conteúdo da apontada decisão respeitante à competência material. despacho esse que transitou em julgado. da obtenção prévia do certificado de admissibilidade da denominação de um qualquer sociedade pelos mesmos criada.º 1. que se inverifique a nulidade processual que ora vem arguida. 294º e 295º daquela última codificação. Assim. atento o já referenciado trânsito em julgado da decisão proferida sobre a competência material do tribunal civil. atenta a já antecedentemente enunciada natureza deste Supremo Tribunal como tribunal de revista. no que respeita à requerida remessa dos autos à 1ª instância para decisão. rege-se pelas regras de direito privado. ao qual. no restante: É nula a escritura pública lavrada ……sem exibição do certificado de admissibilidade. apenas se podendo configurar como um vício de forma – págs. n. com fundamento em que a anterior decisão proferida por este STJ sobre a competência do Tribunal do Comércio abrangia a competência material do referido tribunal – fls. como é óbvio. Freitas do Amaral -. 656 -. anulabilidade essa. a peticionada remessa dos autos à 1ª instância mostra-se legalmente inadmissível. pág. a Ré contrapôs a incompetência material do tribunal para o conhecimento de tal matéria. como pretende a Ré a atribuição de competência ao Supremo Tribunal Administrativo. a sua criação foi levada a cabo através de um acto que reveste a natureza de um verdadeiro acto administrativo – pág. Assim. mormente ser uma sociedade de capitais públicos. pelos entes públicos. que. há. e como tal é um ente sujeito a tais regras. 321 -. Com efeito. dado que a Ré foi constituída através do DL n. se mostrar da exclusiva converted by Web2PDFConvert. no foro administrativo. d) e 713º. que foi rejeitado. também tal questão nunca foi considerada pelas instâncias como revestindo a natureza de uma questão prejudicial. da legalidade da constituição da recorrida. 332 -. face ao estatuído nos arts. quando este deva ser exigido. para além da A. porém. o que origina.. para além de. e independentemente da apontada natureza do referido acto constitutivo. 2º do CSC e 980º e segs.º 3 do CC. contrariamente ao que ora vem defender na presente revista. dos arts. n. nomeadamente ao preceituado no seu art. n. 660.º 2. recurso esse. para conhecer esta acção sob pena de distorcer e de uso e abuso de especificidades que o próprio legislador não quis atribuir.º 2 e 55º do RRNPC. que: “A sociedade Ré. se é certo que no RRNPC não foi consagrada qualquer sanção para a inobservância. o tribunal declarou-se competente. que. em que a nulidade tem carácter excepcional e a anulabilidade carácter geral – art. al. não permite configurar tal ocorrência. não são aplicáveis as normas substantivas civis – art. Não detêm pois sentido. 45º. ainda que de uma forma meramente tabelar. ainda. Por seu turno. face ao disposto nos arts. podendo. por ofensa de normas jurídicas legais ou regulamentares – Código do Procedimento Administrativo dos Drs. 981º. porém. nunca poderia colher aqui qualquer pertinência a invocação levada a cabo pela recorrente relativamente à violação. 408 -. e. 295 da obra citada do Cons. “. 133º do CPA. que apreciar a pela recorrente arguida nulidade da constituição da Ré. a circunstância de ter sido apenas sancionada tal omissão para o caso da constituição voluntária da mesma. ter sustentado na réplica – fls.º 137-A/99. sob pena de se ter de considerar que o legislador estabeleceu uma imposição sem sanção. E.com . Pedro Gonçalves e Pacheco de Amorim. 420 e 421 da obra citada do Prof. ……obter do RNPC declaração de admissibilidade das correspondentes firmas ou denominações. 668º. na criação da Ré. do CC. a invocada omissão da prévia obtenção do aludido certificado não se enquadra no âmbito do preceituado no art. inclusive. necessariamente. a Ré agravou do mesmo – fls. sempre se referirá. a que corresponde a anulabilidade como sanção do acto que se mostre desconforme com o ordenamento jurídico. 93 -. já que residindo tal forma de constituição da sociedade num acto de direito público. Freitas do Amaral. adjuntar-se. vol. de 22/04. por impositivo legal.º 2 do CPC. o que se mostra em frontal desacordo com o princípio geral vertido no art. pág. 389. E.

pois.º 1 al.competência dos tribunais administrativos. que a pretensão da recorrente. as conclusões da recorrente. ++++++ VII – Face ao exposto. 408 do volume e obra citados do Prof. Perante o que vem de explanar-se. n. também. Freitas do Amaral e págs. que o prazo respeitante à impugnação contenciosa tendente à sua anulabilidade se mostra já esgotado – arts. vai negada a revista. Custas pela recorrente. e ainda que por fundamentos substancialmente distintos dos aduzidos no acórdão da Relação. a mesma encontra-se excluída do conhecimento oficioso – . nas redacções à data vigentes. e por outro lado. podendo ainda e por outro lado acrescentar-se. + + + + + + LISBOA. Temos. 20 de Outubro de 2009 Sousa Leite (Relator) Salreta Pereira João Camilo converted by Web2PDFConvert.com . n.º 2 do CPA. 136º. portanto. 28º da LPTA e 26º. improcedem. no sentido da declaração por este Supremo Tribunal da nulidade do acto administrativo de constituição da Ré se mostra legalmente inadmissível. e) do ETAF. 661/662 daquele último indicado comentário ao CPA.vide art. pág.

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